<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>DOMINUS EST &#187; Abade Grimes</title>
	<atom:link href="http://catolicosribeiraopreto.com/tag/abade-grimes/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://catolicosribeiraopreto.com</link>
	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
	<lastBuildDate>Mon, 04 May 2026 14:12:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=4.2.2</generator>
	<item>
		<title>ESPECIAIS DO BLOG: TRATADO DOS ESCRÚPULOS</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-tratado-dos-escrupulos/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-tratado-dos-escrupulos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 26 Aug 2017 15:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.catolicosribeiraopreto.com/?p=10278</guid>
		<description><![CDATA[Em mais uma &#8220;Operação Memória&#8221; de nosso blog, trazemos novamente os links para os capítulos de um livro chamado &#8220;Tratado dos Escrúpulos de Consciência&#8220;, do Abade Grimes, que trata de um assunto muito interessante e que, infelizmente, afeta muitos católicos. &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-tratado-dos-escrupulos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="irc_mi aligncenter" src="http://i1.wp.com/catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc7.jpg?resize=350%2C200" alt="Resultado de imagem para escrupulo" width="350" height="200" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em mais uma &#8220;Operação Memória&#8221; de nosso blog, trazemos novamente os links para os capítulos de um livro chamado &#8220;<em><span style="text-decoration: underline;"><strong>Tratado dos Escrúpulos de Consciência</strong></span>&#8220;, </em>do Abade Grimes, que trata de um assunto muito interessante e que, infelizmente, afeta muitos católicos.<br />
</span></p>
<ul>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-1/">DEFINIÇÃO E NATUREZA DOS ESCRÚPULOS, SEUS SINTOMAS</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-2/">DIFERENTES ESPÉCIES DE ESCRÚPULOS &#8211; SEUS OBJETOS</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-3/">PRINCÍPIOS DOS ESCRÚPULOS</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-4/">DOS MAUS EFEITOS DOS ESCRÚPULOS</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-5/">CONSELHOS GERAIS AOS ESCRUPULOSOS</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-6/">REMÉDIOS PARTICULARES &#8211; DIREÇÃO DOS ESCRUPULOSOS</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-7/">QUAIS SÃO OS MAUS ESCRUPULOSOS</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-8/">CONFISSÕES E COMUNHÕES DOS ESCRUPULOSOS</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-9/">QUALIDADES QUE DEVE TER O CONFESSOR DOS ESCRUPULOSOS</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-10/">CONDUTA DO CONFESSOR DOS ESCRUPULOSOS CONSOANTE O ABADE BOUDON</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-11-final/">DIÁLOGO ENTRE O DIRETOR E O ESCRUPULOSO</a></strong></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-tratado-dos-escrupulos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 11 (FINAL)</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-11-final/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-11-final/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Aug 2016 15:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>
		<category><![CDATA[Escrúpulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=6021</guid>
		<description><![CDATA[DIÁLOGO ENTRE O DIRETOR E O ESCRUPULOSO O diretor. Conheço os males de que a vossa pobre alma sofre; compadeço-me deles do fundo de minhas entranhas; qui­sera curá-los; mas sabeis qual seria o meio disso, depois de tudo o que acabais &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-11-final/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc6.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-5997" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc6.jpg" alt="esc6" width="203" height="267" /></a>DIÁLOGO ENTRE O DIRETOR E O ESCRUPULOSO</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Conheço os males de que a vossa pobre alma sofre; compadeço-me deles do fundo de minhas entranhas; qui­sera curá-los; mas sabeis qual seria o meio disso, depois de tudo o que acabais de ler?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Não; ignoro-o, e desejo vivamente que mo ensineis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Tende uma confiança sem li­mites na misericórdia divina pela me­diação de Nosso Senhor Jesus Cristo, que derramou o Seu sangue por vós, que vos procurou como uma ovelha desgarrada através das sarças e dos espinhos, e que quis expiar pessoalmente os vossos peca­dos para vos dar a paz e a salvação. Poderíeis desesperar e perder confiança à vista do que Deus fez por vós dando-vos Seu Filho, que se fez a Si mesmo vítima por vós? Que há que não obtenhais pela mediação de Jesus Cristo? Que há que não acheis n’Ele? Força, luz, justiça, santidade, con­solação, perseverança; porquanto Jesus Cristo é um dom universal em quem estão encerrados todos os outros dons e todos os tesouros da graça. “Dando-nos seu Filho, diz S. Paulo, Deus não nos deu todas as coisas com Ele?” (Rom 8, 33). Deu-no-lo para ser o suplemento universal de todas as nossas misérias, de toda a nossa in­dignidade. E que quereríamos que Deus fizesse a mais para nos inspirar sentimentos de confiança e de amor? Que pode Ele acres­centar a admirável economia da redenção, da religião, dos sacramentos, da mediação da SS. Virgem, de tantos caminhos abertas à vossa confiança?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Mas eu não mereço se­não os repúdios e a indignação de Deus; todas as minhas orações são más, e Deus não pode escutar-me.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Mas Jesus Cristo, o Filho úni­co do Pai, que intercede por nós, que por nós oferece o preço dos Seus méritos, do Seu sangue e dos Seus trabalhos, não me­rece bem ser escutado em nosso favor? Poderíamos crer que tal Pai pudesse re­cusar alguma coisa a tal Filho que Lhe oferece tal preço? Este pensamento não seria injurioso tanto ao Pai como ao Filho?</span><span id="more-6021"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Os meus pecados passa­dos, que são tão numerosos, as minhas fraquezas presentes e futuras me assus­tam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. E que são todos os vossos pe­cados comparados com a misericórdia de Deus e com os merecimentos de Jesus Cristo? Serão outra coisa a não ser como uma gota de água comparada com o Ocea­no? Abri os Livros santos, e vede a gran­de maravilha da misericórdia divina para com pecadores tais como David, Zaqueu, Saulo, inimigo declarado de Jesus Cristo, S. Pedro perjuro, Madalena prostituída, o bom ladrão, etc. Que tendes a temer de­pois de tantos exemplos, após tantos san­tos que reinam no céu, e que, antes da sua conversão, foram mais culpados do que vós?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Mas esses eram santos, e não miseráveis como eu, que estou tão longe de me aproximar das virtudes deles!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Seria um erro crer que os santos não foram o que vós sois, e que vós não podeis ser o que eles são. Os san­tos tiveram as mesmas tentações, as mes­mas fraquezas, as mesmas dificuldades, as mesmas paixões, os mesmos inimigos que vós, e vós tendes as mesmas graças, os mesmos socorros, os mesmos meios, as mesmas esperanças que eles. É só, como eles, terdes plena confiança; tendes só que usar dos socoros que vos são oferecidos, e chegareis à mesma felicidade que eles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Longe estou de ousar es­perá-lo: estou sobejamente convencido da imensidade das minhas misérias; para es­perar essa ventura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Permiti-me fazer-vos aqui uma observação que não vos será inútil, espero-o: é que devemos desconfiar dessa desconfiança que parece nascer do senti­mento das nossas misérias, e que muitas vezes não passa de uma falsa humildade e de um verdadeiro orgulho. O bom es­pírito produz bons frutos, e o mau espí­rito produz maus frutos; é por aí que se deve fazer o discernimento deles, e é por aí também que se deve distinguir a ver­dadeira da falsa humildade; uma e outra nascem da convicção das nossas misérias e da nossa indignidade; mas os frutos que uma e outra produzem são bem diferen­tes. A verdadeira humildade vem de Deus, e leva também a Deus. Como ela é um dom de Deus, fortalece a alma e dá-lhe um novo vigor, uma prontidão e uma liberdade santa para rogá-lO e servi-lO: o espírito de Deus não pode enfraquecer nem desanimar as almas, torná-las mais desconfiantes da bondade de Deus, mais pe­sadas, mais inquietas, mais covardes na oração e no cumprimento dos outros deveres da religião: esses maus frutos não po­dem, pois, vir senão da operação do espí­rito maligno. Tomai cuidado nisso, e des­confiai. Santa Teresa dizia às suas reli­giosas: “Guardai-vos de certas humildades acompanhadas de inquietações que o de­mônio nos põe no espírito; elas causam à alma uma aflição que a confrange, que a agita, que a atormenta, e que lhe é inteira­mente difícil de suportar. Com isso, o de­mônio pretende persuadir-nos de que te­mos humildade, e ao mesmo tempo fazer-nos perder a confiança que devemos ter em Deus&#8230; Quando, estiverdes neste es­tado, acrescenta ela, o mais que puderdes desviai o vosso pensamento da considera­ção da vossa miséria, e levai-o a consi­derar o quanto é grande a misericórdia de Deus, qual é o amor que Ele nos dedica, e o que Lhe aprouve sofrer por vós”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Efetivamente, a desconfiança, embora se cubra com as aparências da humildade e da convicção da miséria, da fraqueza e da indignidade do homem, é realmente or­gulho. Senão, vede: Deus conhece infini­tamente melhor do que nós as nossas fra­quezas, a nossa malignidade, a nossa in­dignidade; mas, apesar disso, manda-nos esperar na Sua misericórdia e nos mere­cimentos de Jesus Cristo; ordena-nos lançar fora as dúvidas, todos os pensa­mentos que atacam ou enfraquecem a es­perança, como os que atacam a fé, a cas­tidade; anima-nos por sua palavra e por suas promessas; e não é um grande orgulho não Lhe obedecermos, não escutar­mos a Sua palavra e rejeitarmos as Suas consolações? Ele nos oferece Suas graças, declara-nos que se considerará ofendido se dermos ouvido às nossas desconfianças; ameaça-nos se não esperarmos na Sua bon­dade, Então não é orgulho pretender al­guém desculpar-se com o fato de ser demasiado indigno e de haver abusado de mais das Suas graças e da Sua paciência?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Mas então que devo fa­zer? dignai-vos traçar-me o caminho, e eu o seguirei.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Primeiramente, como já vos disse, deveis ter uma grande confiança em Deus, visto ser ela a fonte de toda sorte de bens, visto enraizar, nutrir e fortificar as virtudes, amenizar as penas, enfraquecer as tentações, duplicar a co­ragem, dar nascimento a todas as boas obras, e ser para a alma como um pa­raíso de bênção e uma espécie de felici­dade antecipada. Diz o profeta Jeremias: &#8220;Feliz o homem que põe sua confiança no Senhor, e de quem o Senhor é a espe­rança!” (Jer 17, 7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A confiança fraca e tímida torna a piedade trêmula e vacilante; é sustada pe­los mais pequenos obstáculos, é retardada pelo menor contratempo, desalentada pe­las mais leves contradições. Ora, uma es­perança tímida e trêmula torna também hesitantes e tímidas as orações que dela nascem, e por conseguinte incapazes de obter muito. Torna a gratidão menos viva, o amor menos ativo, abre a sua porta às tentações, rouba à alma a paz, enche-a do espírito das trevas, fortifica a oposi­ção natural às virtudes cristãs, serve aos desígnios pérfidos do demônio contra nos­sa alma. Não admitis estas verdades?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Admito-as perfeitamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Penetrado de confiança em Deus, deveis ter uma grande confiança no vosso guia espiritual. Deveis abrir-lhe o vosso coração, e, uma vez que vos houver­des revelado a ele, ficai convencido de que ele só quer o bem e a salvação de vossa alma; que o lugar onde ele está, o minis­tério que ele desempenha, o Deus cujo lugar ele ocupa, a responsabilidade que ele assume sobre si, são garantias bastante poderosas de que ele cumpre o seu dever para conosco. Escutai-o em tudo; obede­cei às decisões dele, às suas prescrições, às suas proibições, aos seus conselhos, co­mo ao próprio Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Sinto que é esse o caminho mais curto; mas como obedecer contra a própria consciência?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor.</em> A vossa consciência pode en­ganar-vos, e a vossa obediência nunca vos enganará. A vossa consciência pode ser trevosa; e Jesus Cristo, falando pelo seu ministro, é a luz e a Verdade; foi ele quem nos disse que escutássemos aquele que ocupa o seu lugar. E foi ele quem advertiu o seu ministro de contar com o seu di­reito, dizendo-lhe: Quem vos escuta a mim escuta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Sou presa de mil tenta­ções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Deveis convencer-vos bem de que, se sois tentado, é porque o Senhor vos ama, é por que sois agradável aos olhos d’Ele, é porque Ele quer purificar-vos ca­da vez mais, aumentar os vossos merecimentos, experimentar a vossa fidelidade, e tornar mais brilhante a vossa coroa. “Deixai correr o vento das tentações, diz S. Francisco de Sales, e não penseis que o cicio das folhas seja o tilintar das ar­mas. Ficai bem persuadido de que todas as tentações do inferno não poderiam man­char um espírito que não gosta delas”. Pensai em que Deus é um pai terno, e que Ele não permitirá a provação senão na medida em que ela vos for útil. Pensai ainda em que os maiores santos, como S.Antão, S. Jerônimo e vários outros, foram mais tentados do que vós, e que saíram vitoriosos; não vos deixeis abater pelo te­mor; lembrai-vos de que para um pecado mortal é preciso que a matéria seja gra­ve, o conhecimento pleno e inteiro, a von­tade expressa. Nas tentações contra a pu­reza ou contra a fé, não vos detenhais a produzir com esforço atos dessas virtudes: volvei-vos para Deus por um terno olhar de confiança: invocai a SS. Virgem, tão boa, tão misericordiosa para conosco; en­tregai-vos a alguma ocupação exterior, e ficai em paz, aguardando que Jesus Cristo mande a tempestade e o mar se acal­marem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Mas estou sempre distraí­do diante de Deus; não posso fazer oração; daí vem que não faço nenhum progresso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Não vos perturbeis com isso; quanto mais penosa é a oração, tanto mais meritória. Retiramos dela menos satisfa­ção, é verdade; mas é por isso mesmo que ela é mais agradável a Deus. Lembrai-vos de que Jesus Cristo orou sem consolação durante a Sua dolorosa agonia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto às distrações, quando não vos houverdes prestado a elas consciente e voluntariamente, não vos detenhais a procu­rar qual lhes possa ser a causa, nem se de algum modo destes lugar a elas; lan­çai-vos nos braços de Jesus Cristo, e con­vertei em merecimentos o que é uma fon­te de apreensões. Fazei uso frequente das orações jacula­tórias; estes dardos inflamados têm a vir­tude de elevar depressa o coração para Deus, e de abrir o coração de Deus às nossas necessidades. Elas são curtas, fá­ceis, podem ser feitas em toda parte e em todo tempo e sem direções, visto que mui­tas vezes é só uma palavra. Não vos entregueis a mortificações ex­cessivas. S. Jerônimo nos ensina que, quando o demônio não consegue desviar uma alma do amor do bem, trata de im­peli-la a mortificações de um rigor exces­sivo, a fim de que ela fique esmagada por elas, e assim perca o vigor necessário ao seu adiantamento espiritual. Várias almas piedosas caem nesta armadilha; e eis aí por que S. Francisco de Sales, que soube guardar um meio termo tão sensato entre o relaxamento e o rigorismo, e cujos con­selhos fazem autoridade, disse: “Concito-vos a conservardes cuidadosamente a vos­sa saúde, pois Deus exige de vós esse cui­dado, e a poupardes vossas forças para empregá-las melhor no Seu serviço; de feito, é melhor conservar mais forças cor­porais do que é preciso, do que arruiná-las mais do que é preciso; porquanto po­de-se sempre enfraquecê-las quando se quiser, mas nem sempre se pode repará-las quando se quer”. Concedei-vos, pois, as cuidados necessários para poderdes servir melhor a Deus. Não debiliteis demasiadamente o vosso espírito pelo jejum: porquanto não faríeis com isso senão torná-lo mais fraco e, assim, mais exposto aos ataques do inimigo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. O que mais aflição me causa é aproximar-me do tribunal sagrado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Esse tribunal que temeis é, no entanto, o tribunal da misericórdia, e não &#8211; deveríeis aproximar-vos dele senão com confiança e serenidade. Aquele que ocupa o lugar de Jesus Cristo tem ordem de receber-vos, de perdoar-vos, de conso­lar-vos, de misturar suas lágrimas às vos­sas, de vos abrir enfim as portas do céu. Ah! não façais desse sacramento de amor e de remissão um sacramento de tortura e de angústias; ah! que quer o Senhor senão quebrar os nossos grilhões, restituir à nossa alma a sua liberdade, a sua paz, a sua doce alegria, para com nova cora­gem trilharmos os caminhos da salvação? É preciso arrepender-se dos próprios pe­cados, mas não se perturbar com eles; é preciso ser humilhado, mas não desespe­rado. Depois da confissão, conservai-vos, pois, calmo, e gozai do fruto do sacramento; não deis acesso a mil temores so­bre a validade do sacramento, sobre o vos­so exame, sobre a vossa contrição; a verdadeira contrição é obra do amor, e o amor age na calma: reinem, pois, no vosso coração o amor e a confiança. Agradecei a Deus, prometei-lhe emendar-vos. Espe­rai que, por Sua graça, cumprireis as vos­sas resoluções, e, ainda que devêsseis re­cair cem vezes, não cesseis de prometer e de esperar. Se Deus não vos dá o senti­mento da vossa contrição, é para provar o mérito da obediência, que deve bastar para vos tranquilizar sobre a vossa recon­ciliação perfeita. Diz S. Francisco de Sales: “Grande poder é diante de Deus o poder querer, e vós tendes a contrição pelo sim­ples fato de desejardes tê-la. Não a sentis? Não importa! o fogo que está sob a cinza não se vê, não se sente; e, no en­tanto, esse fogo existe. Crede, pois, com humildade, obedecei com coragem, e tereis uma dupla recompensa”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Eu bem teria necessidade dos vossos conselhos, pois tremo sempre, e estou sempre prestes a abandonar a co­munhão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. S. Francisco de Sales diz que há duas espécies de pessoas que devem comungar com frequência: os perfeitos, pa­ra se unirem mais intimamente à fonte de toda perfeição; e os imperfeitos, para tra­balhar por atingi-la; os fortes, para não se tornarem fracos, e os fracos para se tornarem fortes; os doentes, para se­rem curados; e os que estão com saúde, para não caírem em doença. Dizeis que as vossas imperfeições, a vossa fra­queza, as vossas misérias, vos tornam in­digno de comungar com frequência, e eu vos digo que justamente por essa razão é que deveis comungar amiúde, a fim de que Aquele que possui tudo vos dê o que vos falta. — Tomai, pois, o vosso quinhão nos conselhos desse grande diretor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não creiais que não colheríeis nenhum fruto da comunhão porque não vedes crescerem as vossas virtudes; basta que Deus o veja, e nem é mesmo bom que o vejais. Contentai-vos com saber que ela produz sempre um grande fruto, que é o de manter-vos em estado de graça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Precatai-vos de atormentar-vos, acredi­tando que estais mal preparado e que abu­sais de tão grande sacramento, porque vos sentis frio e indiferente e como que sem nenhum sentimento; isso são provações que Deus vos envia para exercitardes a vossa fé e aumentardes os vossos méritos. Sucede com as securas na comunhão como sucede com as que experimentamos na oração. Tende sempre o desejo; o desejo, diz São Gregório, diante de Deus equivale à obra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não sois digno! Mas, propriamente fa­lando, quem é que é digno, e quem o será jamais? Então seria preciso renunciar à comunhão, e renunciar também a todos os exercícios de piedade; é justamente o que o inimigo da salvação pede; mas Jesus-Cristo, ao contrário, convida-nos a re­cebê-lO amiúde, e faz do Seu corpo um pão de cada dia. Um justo pavor não é censurável, bem longe disto; mas é pre­ciso ter o cuidado de temperá-lo pela con­sideração da misericórdia de Deus. No Evangelho, Jesus Cristo não disse: Vinde a mim vós que sois perfeitos; disse: “Vin­de a mim vós todos que estais trabalha­dos pela angústia e carregados do fardo das vossas penas, e eu vos aliviarei”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, se tiverdes de aproximar-vos da Mesa sagrada apesar do sentimento da vossa indignidade, sem outro apoio nem garan­tia senão a vossa obediência, não temais: porquanto essa disposição é uma das mais agradáveis a Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se vierdes a ser assediado de tentações, não vos afasteis por isso da divina Euca­ristia; seria cederdes sem resistência a vi­tória ao inimigo. Quanto mais combates tiverdes a sustentar, tanto mais deveis munir-vos de meios de defesa. Ide, pois, ousadamente restaurar-vos com o alimen­to dos fortes, e saireis vitorioso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>escrupuloso</em>. Dou-vos graças por estes preciosos conselhos, sinto toda a sabedoria deles, e esforçar-me-ei por fazer deles a regra da minha conduta. Se não receasse tornar-me indiscreto, quereria mesmo pedir-vos alguns outros, como sobre a resig­nação, de que tenho grande necessidade, sobre a pressa e a inquietação, e sobre uma multidão de coisas que me faltam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>diretor</em>. Já que vossa alma o deseja, vou responder em poucas palavras às vos­sas questões. Primeiramente falemos da resignação. Em tudo o que vos acontece, reconhecei e adorai sempre a santa von­tade de Deus. Toda a malícia dos homens e do próprio demônio não pode produzir contra nós coisa alguma que Deus não haja permitido. O Salvador declarou que não cairia um só cabelo da nossa cabeça sem a vontade de nosso Pai celeste. As­sim, em toda situação penosa para a na­tureza, quando fordes afligido por doenças, assaltado por tentações, atormentado pe­la injustiça dos homens, elevai vossa al­ma à consideração divina, e dizei a Deus com coração afetuoso e submisso: <em>Fiat voluntas tua</em>, seja feita a vossa vontade; faça o Senhor de mim o que quiser, como quiser e quando quiser.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É assim que tornamos fáceis de supor­tar as penas mais sensíveis e as situações mais aflitivas. Dizia Santa Maria Madale­na de Pazzi: “Não sentis que doçura in­finita encerra esta só palavra: “vontade de Deus”? Semelhante àquele pau mostra­do a Moisés, o qual tirava às águas o seu amargor, ela adoça tudo o que é amargo na vida”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não somente é Deus quem nos envia as nossas penas; mas é para o bem da nossa alma e para nossa vantagem especial que Ele no-las envia: não façais, pois, objeto de queixa daquilo que deve ser um moti­vo de gratidão. Um aviso bem importante a vos dar é o de vos pordes em guarda contra a inquie­tação e contra a pressa. Só agindo tran­quilamente é que podemos servir ao Deus de paz de uma maneira que Lhe seja agra­dável. Ora, esses defeitos fazem-nos per­der o pensamento de Deus em nossas ações, preocupam-nos, embaraçam-nos, fazem-nos cair na impaciência, e é por isto que S. Francisco de Sales era inimigo declarado deles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Açodando-se e agitando-se, a gente não faz mais, e faz pior. Por isto, vemos que Jesus Cristo repreendeu Marta pela sua demasiada solicitude. Quando nós fazemos as coisas bem, fazemo-las sempre bastante depressa. Contende, pois, a vossa viva­cidade, moderai-vos, fazei bem o que esti­verdes fazendo, não empreendais de mais, a fim de poderdes executar tudo. Não caiais entretanto na trilha contrária, que é a lentidão e a indolência, pois todos os ex­tremos são maus; tende, diz ainda o pio autor supracitado, tende uma atividade tranquila e uma ativa tranquilidade. S. Francisco de Sales, que primava nisso, di­zia, atribuindo a pressa ao amor-próprio: “O nosso amor-próprio é um grande tra­palhão, que quer empreender tudo e não acaba nada”. Velai, pois, sobre este ponto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, guardai-vos de um grande ini­migo, que é a tristeza. S. Francisco de Sales não se arreceou de dizer que, depois do pecado, nada é pior do que a tristeza. E acrescentava que todo pensamento que nos perturba e nos inquieta não pode vir do Deus de paz, que faz a sua morada nas almas pacíficas. “Sim, minha filha, digo-vos por escrito tanto quanto de boca, alegrai-vos tanto quanto puderdes fazen­do tudo bem; pois é uma dupla graça para as boas obras o serem bem feitas e o se­rem feitas alegremente; e, quando eu di­go: fazendo bem, não quero dizer que, se vos suceder algum defeito, vos deis por isso à tristeza, não, por Deus, pois seria juntar defeito a defeito; mas quero dizer que persevereis em querer fazer tudo bem, e que volteis sempre ao bem logo que conhecerdes haver-vos afastado dele; e que, mediante esta fidelidade, vivais alegre pa­ra o geral. Deus esteja no vosso coração, minha filha; vivei alegre e generosa”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Errado andaríeis, pois, em vos entregar­des à tristeza, à melancolia, e em vos ve­dardes todo divertimento: o espírito fati­gasse e sombreia-se ficando sempre do­brado sobre si mesmo, e com isso torna-se mais acessível à tristeza. Os divertimentos e as distrações são, na vida da alma, o que o tempero é na comida do corpo: precisa­mos saber proporcionar-no-los segundo as nossas necessidades. Quando, pois, sentir­des no vosso coração a aproximação da tristeza, não percais um só momento para vos distrairdes dela; fazei visitas ou procu­rai um recurso em conversas interessan­tes, em leituras variadas; passeai, cantai, fazei seja lá o que for, diz Quadrupani depois de S. Francisco de Sales, contanto que fecheis a porta do coração a esse perigoso inimigo. Santo Agostinho dizia: Amai, e fazei o que quiserdes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Termino exortando-vos a agirdes com uma santa liberdade cristã nas ocasiões que o exigirem, a reprimirdes em vossa pessoa todo zelo amargo, e em exercerdes um zelo cheio de humildade, de pureza de intenção, de oportunidade e de grande ca­ridade; depois, tornai a piedade amável pela vossa doçura, pela vossa afabilidade, pela vossa modéstia, pelos vossos olhares, sem respeito humano, no mundo. Assim fazendo, amareis a religião, fá-la-eis amar, e atraireis a Jesus Cristo numerosos ado­radores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong> </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tratado Dos Escrúpulos De Consciência</em> – Abade Grimes</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-11-final/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 10</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-10/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-10/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Aug 2016 15:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>
		<category><![CDATA[Escrúpulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=6019</guid>
		<description><![CDATA[CONDUTA DO CONFESSOR DOS ESCRUPULOSOS CONSOANTE O ABADE BOUDON Primeiramente, não se pode dizer bas­tante o quanto é grande a necessidade de um diretor experimentado nesses ca­minhos; os que têm apenas ciência po­dem ser prejudiciais em várias ocasiões, porquanto, além do &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-10/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5996" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc5.jpg" alt="esc5" width="255" height="197" /></a>CONDUTA DO CONFESSOR DOS ESCRUPULOSOS CONSOANTE O ABADE BOUDON</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Primeiramente, não se pode dizer bas­tante o quanto é grande a necessidade de um diretor experimentado nesses ca­minhos; os que têm apenas ciência po­dem ser prejudiciais em várias ocasiões, porquanto, além do conhecimento que a ciência dá da diferença entre o pensa­mento e o consentimento da vontade, é necessário penetrar bem o que se passa no interior da pessoa que pede conselho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso ter bastante luz para preve­nir essas almas aflitas, para entender o que elas não podem explicar, para lhes dizer o que elas não dizem, para lhes dis­cernir as operações interiores onde elas não vêem gota, para ter clarezas no meio das trevas, para tranquilizá-las onde elas não fazem senão temer, para as manter firmes onde elas só fazem duvidar e tre­mer. Enfim, é preciso um diretor cheio de uma caridade extraordinária para supor­tar brandamente os escrúpulos dessas pes­soas, que às vezes são ridículas sem razão, sem fundamento, ou que são cheias de vergonha pelos pensamentos extravagan­tes que sugerem, ou repulsivas pela sua obstinação, que é o seu defeito comum. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo isso reclama uma caridade extraor­dinária. “Há almas, diz Santa Teresa, que são bastante afligidas, para que as pessoas as aflijam ainda mais; do contrário, o coração se lhes fecha, elas são lançadas num abatimento extremo, são desanima­das, e às vezes esses repúdios e essas severidades as tentam de despero”. Santo Inácio, que foi rudemente provado pelos escrúpulos, um dia foi tentado de se preci­pitar do alto de uma casa a baixo, tama­nha era a aflição que o premia. Quantas vezes ele foi tentado a abandonar as vias da perfeição! O demônio sugeria-lhe vol­tar a uma vida comum, que lhe fazia pa­recer não estar sujeita a todas essas pro­vações. Viram-se espíritos mais fortes, grandes teólogos, que davam soluções de todas as coisas, cair em escrúpulos; conhe­ci alguns que eram dotados de grande juí­zo, que não tinham falta de luzes nem de doutrina, mas eram trabalhados por escrúpulos de uma maneira que se custa­ria a crer, sendo os seus escrúpulos coisa de nada e puras bagatelas. Mas aquele que não é tentado, que é que sabe? Sai­bam os espíritos mais seguros que, se Deus os abandonasse o menos que fosse a es­sas tentações, muitas vezes eles seriam mais ridículos do que aqueles que eles cus­tam a suportar. Entretanto, a caridade de­ve ser acompanhada de uma certa firmeza para os impedir de dar novas oca­siões aos seus escrúpulos, não se sofrendo que eles reiterem as suas confissões, e coisas semelhantes de que vamos falar.</span><span id="more-6019"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Primeiramente, as confissões gerais ab­solutamente não lhes são próprias quan­do já as fizeram uma vez; eles pensam que a repetição delas os tirará das suas penas, e muito se enganam. S. Francisco Xavier dizia que essas confissões, em vez de um escrúpulo que eles tinham, faziam nascer dez. Por isto, não há bênção para elas, não sendo a verdadeira causa que impele a fazê-las senão o amor-próprio e a sua própria satisfação, embora não faltem belos pretextos de consciência. É, pois, desagradar a Deus o repetir as con­fissões gerais, e devem os diretores impe­dir disso os escrupulosos; as confissões, mesmo anuais, não lhes são úteis. Cumpre proibir-lhes ir duas vezes à confissão antes de comungar; pois eles são tenta­dos várias vezes de voltar a ela, imaginan­do nunca se haverem desobrigado bem dela. Deve-se-lhes dizer que não voltem a ela, mesmo quando pensassem haver esquecido algum pecado; basta-lhes dizer esse pecado na primeira confissão que fi­zerem. Deve o diretor ficar firme em fa­zê-los comungar quando o julgar oportu­no, fazendo-os passar por cima das difi­culdades que a sua imaginação cria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em segundo lugar, para essas pessoas é uma grande regra o deixar de lado todos os pecados de que duvidam; porquanto, embora as que estão em grande liberdade possam acusar-se deles para se humilha­rem, estas entretanto não o devem, já que não têm obrigação disso, visto como o padre, que é como que o juiz estabele­cido por Deus no tribunal da confissão, não pode pronunciar ou dar a absolvição sobre matéria duvidosa. Não se pode jul­gar daquilo que é incerto; assim, mil pe­cados e cem mil de que se duvida não são matéria de absolvição. Sendo esta re­gra bem seguida, as confissões dessas pessoas, que seriam de uma longura fasti­diosa, serão feitas brevemente, pois elas só se acusam de um pecado de que este­jam inteiramente seguras. Não é uma boa razão dizer que a pessoa se acusa deles para maior segurança; porquanto, não ha­vendo Deus obrigado a isso, e, por outra parte, não sendo isso conveniente, tudo isso não passa de amor-próprio. É pre­ciso ter o cuidado de impedir que essas pessoas se obstinem a dizer as suas ten­tações, quando vêem que são impedidas de acusar-se daquilo que é duvidoso, ima­ginando terem dado pleno consentimento ao pecado; é por isto que os diretores espirituais dizem que não se lhes deve dar crédito, e que não se lhes deve permitir confessar-se das suas tentações, a menos que elas estejam tão certas de haver con­sentido nelas que possam jurá-lo sobre os santos Evangelhos. Devem elas evitar os longos exames de consciência, em que se excedem sempre; o estado delas pede mui­to pouco exame, e elas não têm senão excesso de vistas das suas faltas. Lem­brem-se elas de que a confissão não foi estabelecida para torturar as consciências, como dizem os hereges, e sim para aliviá-las; que Deus não pede de nós outra coisa senão nos confessarmos de boa fé daquilo de que nos lembramos, após um exame razoável, sem nada ocultarmos voluntaria­mente; que Deus perdoa tanto os pecados que se esquecem como os que se acusam; do contrário, aqueles que têm falta de memória seriam obrigados ao impossível. De resto, deve a gente descansar sobre o conselho de um diretor prudente; porque, quando mesmo ele se enganasse, a pessoa que obedece está em segurança de cons­ciência: assim, por exemplo, tendo toma­do conselho de um prudente confessor, se este julgar que elas foram bem feitas de­ve ele ater-se ao parecer que o mesmo lhe der.. E, quando o confessor se hou­vesse absolutamente enganado, e tivesse havido verdadeiras falhas nessas confis­sões, aquele que obedece não responderia por elas diante de Deus, e, assim, não lhe seria por isso menos agradável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em terceiro lugar, pois, e sobretudo, cumpre evitar o apego ao próprio juízo, renunciar aos próprios pensamentos, e não se guiar pelos seus sentimentos. Não de­vemos dar-nos remédios a nós mesmos, pois é coisa que nunca se deixa à dispo­sição dos doentes; os próprios médicos, quando estão indispostos, consultam ou­tros; os mais hábeis advogados pedem conselho nas suas próprias causas. A sub­missão de espírito é absolutamente ne­cessária, e mais se ganha por uma sim­ples submissão do que por mil instruções que se pudessem tomar, do que por to­das as austeridades e outras devoções que se pudessem praticar. Santo Inácio, como dissemos, estando reduzido a angústias ex­tremas, por causa dos escrúpulos, jejuou durante oito dias inteiros, sem tomar coisa alguma, para dobrar a misericórdia divina, e obter a sua libertação dessas angústias, mas tudo inutilmente; uma simples submissão ao seu confessor livrou-o das suas penas. Deus pede a sujeição do entendi­mento; por mais que se faça, sem isso tra­balha-se em vão. Quanto aos pensamentos que vêm da suposição de não nos explicar­mos bem, de não nos entender o confessor, de não conhecer o nosso estado, devem ser desprezados como invenções subtis do amor-próprio. Cumpre dizer sinceramente o que se passa no próprio interior, e pela maneira como se pode dizê-lo; não se está obrigado a mais. Compete ao confessor examinar se entende bem as coisas, e a nós obedecer com fidelidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, cumpre ir generosamente contra os escrúpulos. Se estes querem que se re­pita o ofício, ou as orações impostas como penitência, que se ouça de novo a missa nos dias de preceito depois de a ela ha­ver-se assistido, imaginando que não se satisfez o preceito, nada disso se deve fazer. Se eles sugerem pensamentos de que se cometem sacrifícios no uso dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, de que se cometem pecados mortais em fazendo certas coisas, deve-se passar adiante, praticando com coragem todas essas coisas, por mais repugnâncias, difi­culdades, temores que com isso se possam experimentar. Se alguém objetar que é um crime fazer uma ação, embora boa, com uma consciência errônea, acreditando que há nisso pecado, respondo que isto é verdade quando a consciência que dita haver pecado na ação não tem funda­mento para crer o contrário; mas aqui não sucederá o mesmo, visto o prudente diretor assegurar que não há pecado on­de a pessoa afligida acredita havê-lo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É por isto que, não somente ela não faz mal em ir contra o seu próprio juízo, mas ainda é um grande ponto de perfeição que ela pratica. Estando um padre forte­mente tentado de desespero em razão de pensar que cometia tantos sacrilégios quan­tas vezes celebrava o santo sacrifício da missa, e persuadindo-se, ademais, de que pecava em quase todas as suas ações, a Divina Providência endereçou a ele um santo personagem, e de grande experiên­cia, que lhe disse: “Vá, senhor, passe por cima de todos esses sacrilégios que imagina cometer, faça todas essas ações que os seus escrúpulos lhe ditam serem grandes pe­cados, e que, segundo a luz verdadeira das pessoas sensatas, não o são”. Ele obe­deceu com simplicidade apesar de todos os seus sentimentos, e por essa obediência foi inteiramente libertado das suas penas. Conheci uma pessoa que tinha feito vá­rias confissões gerais para remediar algu­mas que eram inválidas, mas sem jamais achar o repouso de consciência que busca­va pela repetição dessas confissões, das quais, em verdade, só a primeira era ne­cessária. Depois de tudo isso, queria ela novamente preparar-se para uma confis­são geral com atenções extraordinárias; o que fez durante longuíssimo tempo, haven­do escrito bem amplamente a confissão com cuidado maravilhoso. Em seguida confessou-se à vontade numa capela par­ticular, para fazê-lo com mais atenção; e, tendo-a feito após todas essas diligências e cuidados, achou-se mais do que nunca na perturbação; da qual não pôde sair senão por uma submissão da sua mente ao juízo dos confessores, que lhe aconse­lharam não mais fazer dessas confissões gerais. Embora, segundo o seu pensamen­to, a última confissão ainda tivesse sido inválida, por essa submissão ela entrou numa paz admirável; mas não foi sem combate que se conseguiu que ela não mais repetisse as suas confissões por acre­ditar, segundo o seu juízo, não as haver bem feito. Deus lhe deu a paz em recom­pensa da sua obediência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tratado Dos Escrúpulos De Consciência</em> – Abade Grimes</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-10/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 9</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-9/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-9/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 13 Aug 2016 15:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>
		<category><![CDATA[Escrúpulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=6017</guid>
		<description><![CDATA[QUALIDADES QUE DEVE TER O CONFESSOR DOS ESCRUPULOSOS 1.º Caridade. — A mais necessária das virtudes que deve ter o confessor dos escrupulosos é a caridade, porém uma cari­dade doce, paciente, a toda prova; uma caridade que lhe sustente, que &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-9/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5994" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc3.jpg" alt="esc3" width="300" height="221" /></a>QUALIDADES QUE DEVE TER O CONFESSOR DOS ESCRUPULOSOS</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1.º Caridade.</strong> — A mais necessária das virtudes que deve ter o confessor dos escrupulosos é a caridade, porém uma cari­dade doce, paciente, a toda prova; uma caridade que lhe sustente, que lhe ative, que lhe duplique o zelo à proporção que as dificuldades aumentem. Há quem diga que, para ter essa caridade necessária, tão heróica deve ela ser, seria mister que o confessor tivesse sido acometido dessa doença; porquanto só a experiência pode revelar quantos males se sofre, quanto se é digno de compaixão e de caridade quan­do se é atacado de escrúpulo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.º Firmeza.</strong> — Deve, pois, o confessor ter muita bondade para com essas espé­cies de penitentes; deve consolá-los, su­portá-los, esclarecê-los; mas a essa bon­dade deve aliar também uma grande fir­meza: isto é indispensável para com es­sas pobres almas, que de outro modo nun­ca se renderiam à verdade. Ser bom sem ser firme, ou ser firme sem ser bom, não seria ter as qualidades requeridas; é preciso reunir as duas coisas ao mesmo tem­po, bondade e firmeza: todos compreen­dem a razão disto. E é que, se se for ape­nas bom, o escrupuloso abusará disso, se prevalecerá disso, e se enterrará cada vez mais no mal. Se se for apenas firme, desanimar-se-á, desolar-se-á com isso o es­crupuloso, ele sentirá falta de confiança, e o escopo do confessor não será atingido.</span><span id="more-6017"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.º Ciência</strong>. — À bondade e à firmeza deve-se juntar necessariamente a ciência. Requerida para qualquer direção, mais particularmente a ciência é requerida pa­ra a direção dos escrupulosos, pois estes estão nas trevas; o seu espírito está ce­gado, as suas idéias embrulhadas; as dú­vidas amontoam-se-lhes na consciência, as angústias transtornam-lhes o coração; eles não sabem explicar a si mesmos o que se passa neles: ao ministro sagrado é que cabe, pois, empunhar o facho, espancar as trevas, dissipar as dúvidas, acalmar as in­quietações, mostrar o caminho, fazer en­trar nele, ensinar a trilhá-lo. É preciso mesmo uma ciência mais do que ordiná­ria, por duas razões: a primeira, porque são trilhas extraordinárias as dos escrupu­losas; a segunda, porque, se não se decide positivamente, claramente, em tom firme e sem réplica, não se dominará essa imagi­nação versátil, não se imporá silêncio a esse espírito inquieto. Pode-se esperar responder a todas as perguntas, abordar to­das as penas, dissipar todos os temores, sem um conhecimento aprofundado das leis divinas e humanas, das circunstân­cias, das aplicações, das exceções, das re­gras teológicas, das sentenças dos doutores e de outras autoridades? Sem dúvida a oração, a piedade, a pureza de intenção, os conselhos dos homens prudentes, a medi­tação suprem um pouco a ciência; mas seria infinitamente pára desejar que se possuísse tudo ao mesmo tempo. Entre­tanto, o escrupuloso não tem de se per­turbar com o receio de não achar um confessor que tenha o grau de ciência de que falamos; tem só que ir com boa fé, obedecer àquele que o dirige, como obede­ceria a Deus, e o Espírito Santo não o deixará sem condutor nas trilhas da sal­vação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>4.º Experiência.</strong> — Importa que os con­fessores dos escrupulosos tenham uma cer­ta experiência, ou pelo menos um caráter resoluto unido à prudência; porquanto, se parecerem embaraçados, hesitantes, tími­dos, irresolutos, os escrupulosos se prevalecerão disto; tornar-se-ão ainda mais in­quietos; procurarão embrulhá-los com perguntas finas e hábeis para ver se eles são capazes de julgar, de decidir bem, se não se contradizem, e se as suas de­cisões merecem alguma confiança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>5.° Autoridade.</strong> — O confessor dos es­crupulosos deve ter uma grande autori­dade sobre o espírito daqueles que ele dirige; mas esta autoridade deve ele hau­ri-la não somente no seu ministério, mas também na maneira de granjear a con­fiança, a submissão, o interesse do seu penitente. É preciso que não omita nada, desde o princípio, para adquirir sobre ele esse ascendente necessário; que o deixe explicar-se e descobrir-se, que o escute com paciência, que lhe responda com do­çura, que lhe suporte as perguntas, que trabalhe para conhecê-lo escutando-o, e, depois, que aproveite todas as ocasiões pa­ra provar ao escrupuloso que o conhece, lhe diga qual é o seu estado, explique-lhe algumas das suas tentações, das suas dú­vidas, dos seus combates, analise-lhe a sua situação e diga-lhe mesmo algumas vezes: Olhe, para lhe provar que lhe leio no coração, e que ele é transparente aos meus olhos, eis o que você sente, de que é que duvida, o que é que o aflige, o que é que o detém, etc. Então, vendo que o seu con­fessor o conhece tão bem, o escrupuloso conceder-lhe-á a sua confiança, acreditará na palavra dele; e então a obediência tornar-se-lhe-á mais fácil. Ora, o confes­sor deverá aplicar-se a obter essa con­fiança inteira, absoluta, cega, a exigi-la mesmo, ameaçando o escrupuloso de aban­doná-lo se ele não obedecer; e, desde que obedecer fielmente, o escrupuloso ficará curado ou pelo menos tranquilo, e o con­fessor ficará exonerado de um pesado far­do.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Apressemo-nos, entretanto, a dizer ser preciso que os meias empregados para ob­ter esse resultado sejam diferentes segun­do a inteligência, a instrução, a idade, a índole dos escrupulosos: é sempre de acordo com a «moléstia que se deve fazer a escolha dos remédios. Cumpre, pois, dis­cernir a doença, estudar o natural, re­montar aos princípios, examinar os efei­tos, observar os matizes, os sintomas, as fases diversas, os obstáculos, os meios já empregados, e depois agir com sabedoria, precaução e firmeza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois disto, deve o confessor prescre­ver ao escrupuloso alguns remédios utilís­simos, posto que muito conhecidos: 1.º, proibir-lhe a leitura de obras próprias pa­ra despertar os escrúpulos, e a conversa com pessoas escrupulosas; 2.º, se ele for fortemente atormentado, ide (diz o autor do Manual dos confessores, depois de vá­rios outros), ide até o ponto de lhe proi­bir assistir aos sermões em que se trata das verdades terríveis, e de examinar a consciência sobre coisas que lhe causam es­crúpulos mal fundados; 3.º, se o escrúpulo consiste no temor de consentir em maus pensamentos, por exemplo sobre a fé, a pureza ou a castidade, deve o confessor passar afoitamente por sobre essas coisas, e dizer-lhe que esses pensamentos são ten­tações e penas, mas que não há aí nem consentimento nem pecado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tratado Dos Escrúpulos De Consciência</em> – Abade Grimes</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-9/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 8</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-8/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-8/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2016 15:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>
		<category><![CDATA[Escrúpulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=6015</guid>
		<description><![CDATA[CONFISSÕES E COMUNHÕES DOS ESCRUPULOSOS Sob este título, não queremos falar das dificuldades, das penas, dos temores que eles experimentam nas suas confissões e comunhões; já falamos disto mais acima, e ainda falaremos noutro lugar. Aqui se trata das confissões &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-8/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc1.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-5992" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc1-1024x702.jpg" alt="esc1" width="345" height="238" /></a>CONFISSÕES E COMUNHÕES DOS ESCRUPULOSOS</span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sob este título, não queremos falar das dificuldades, das penas, dos temores que eles experimentam nas suas confissões e comunhões; já falamos disto mais acima, e ainda falaremos noutro lugar. Aqui se trata das confissões e das comunhões mais ou menos frequentes a permitir ou a pres­crever aos escrupulosos. Deve-se fazê-los comungar amiúde? deve-se fazê-los confessar-se frequentemente?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se pode repetir demasiado, primei­ramente que as práticas de piedade de­vem sempre harmonizar-se com as obri­gações de cada um, com a posição, a ida­de, o engenho, a cultura de espírito que lhe é própria; de tal sorte que a frequên­cia dos sacramentos ou os exercícios es­pirituais não impeçam o penitente de cumprir os deveres do seu estado, de fa­zer as suas práticas de piedade de maneira conveniente, e sirvam ao seu progresso e à sua consolação segundo as diversas ne­cessidades de sua alma. Cumpre, também, em regulando o presente, pensar no fu­turo, e não fazer abraçar coisas de mais, a fim de poder o penitente perseverar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A frequência da confissão depende ne­cessariamente das circunstâncias indivi­duais. Em geral, as pessoas que comun­gam de oito em oito dias, ou mesmo vá­rias vezes na semana, habitualmente se confessam de oito em oito dias; há outras, entretanto, que, ou por vivacidade natu­ral, ou por violência das paixões, ou por obstáculos mais numerosos, ou por dificul­dades de conservarem a pureza de cora­ção, precisam confessar-se mais vezes. Não obstante, é para desejar que elas se acos­tumem, pouco a pouco, a caminhar sozinhas, e a ser bastante firmes para só se confessarem uma vez na semana. Os verdadeiros escrupulosos, os que são inces­santemente roídos pela apreensão, ora de­vem ser admitidos a uma confissão mais frequente, ora não devem sê-lo. Ao con­fessor é que compete julgá-lo. Deve este considerar as faltas que eles acusam ordinariamente. Se são verdadeiros pecados veniais caracterizados, ele deve ouvi-los; se são faltas que não são formalmente pecados veniais, se são censuras vagas, inquietações, não deve ele ouvi-las senão uma vez por semana, no máximo, ainda mesmo quando eles comungassem várias vezes na semana. Geralmente, há muitos inconvenientes em que um escrupuloso in­sista muitas vezes sobre essas espécies de faltas ou de pretensas faltas.</span><span id="more-6015"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto às comunhões, é preciso primeiro seguir as regras de São Francisco de Sales no tocante à comunhão frequente. Isen­ção de pecado mortal, ausência de afeto ao pecado venial, grande e ardente desejo para a comunhão de oito dias. Para a co­munhão de cada dia, ou de vários dias na semana, é preciso, além disso, haver vencido a maioria das más inclinações do coração. Eis aí de acordo com que regras é preciso comportar-se. Mas, quanto às repugnâncias dos escrupulosos de boa fé, quanto àqueles que o demônio quereria afastar desse foco sagrado de fervor, de força e de vida, não se deve escutá-los. A resistência deles para se aproximarem muitas vezes não deve levar o confessor à condescender com o seu desejo. Pelo contrário, eles têm mais necessidade que qualquer outro desse maná celeste para lhes sustentar o ânimo, para lhes desper­tar a piedade e lhes consolar o coração. Sem esse divino alimento, eles definhariam, cairiam em desfalecimento, e su­cumbiriam inteiramente. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso tranquilizá-los, acalmá-los, e, não raro, forçá-los a aproximar-se da divina Eucaristia; porquanto são precisamente esses esmore­cidos, esses fracos, esses doentes que o Pai de família quer fazer entrar como que à força na sala do seu festim; e o que prova que a comunhão é um dos melhores remédios contra os escrúpulos é que, ordinariamente, os escrupulosos nunca ficam mais tranquilos do que no dia em que comungam. Mister se faz, pois, resguar­dar-se bem de lhes secundar a repugnân­cia, e de escutar os pretextos que eles adu­zem para se absterem da comunhão: quanto mais o espírito deles for distraído e volúvel, tanto mais necessário é dar-lhe esse freio; quanto mais árido for o coração deles, tanto mais necessidade tem de ser regado por essa graça divina. Eles não deixarão de alegar, e é este o fantasma que mais os espanta, o pouco fruto que tiram da comunhão. Mas pode-se-lhes opor a resposta de São João Crisóstomo: “Não será porque as vossas comunhões ainda são muito raras?” Aliás, quem é que não sabe que os efeitos da comunhão nem sempre são, ou só são mesmo bem raramente, sensíveis? Os sentimentos que se produzem na alma nem sempre se assi­nalam exteriormente por impressões sobre os sentidos. Deus assim o permite para nos reter na humildade e na aplicação. Pode-se, pois, tirar grande proveito da co­munhão sem o perceber, sem o sentir. Finalmente, pode-se-lhes dizer que a hu­mildade que leva a pessoa a se crer indig­na desse augusto sacramento não é um dos menores efeitos da comunhão. Pode-se, pois, ordenar-lhes participarem com fre­quência do festim eucarístico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tratado Dos Escrúpulos De Consciência</em> – Abade Grimes</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-8/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 7</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-7/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-7/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Aug 2016 15:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>
		<category><![CDATA[Escrúpulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=6010</guid>
		<description><![CDATA[QUAIS SÃO OS MAUS ESCRUPULOSOS Digamos uma palavra deste gênero de escrupulosos, a fim de completar a maté­ria e estabelecer as distinções necessárias. Embora a maioria dos escrúpulos prove­nham do demônio, pode-se dizer que os maus escrupulosos são mais particular­mente &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-7/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc7.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5998" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc7.jpg" alt="esc7" width="286" height="176" /></a>QUAIS SÃO OS MAUS ESCRUPULOSOS</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Digamos uma palavra deste gênero de escrupulosos, a fim de completar a maté­ria e estabelecer as distinções necessárias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora a maioria dos escrúpulos prove­nham do demônio, pode-se dizer que os maus escrupulosos são mais particular­mente obra dele. São todos aqueles que fazem da piedade uma idéia falsa, ou que dela se servem para ocultar aos outros e a si mesmos vícios grosseiros de que não se querem corrigir. Consoante os autores da Ciência do confessor, podem-se redu­zir a duas espécies de escrupulosos todos esses de que queremos falar: uns, que não passam lá muito da linha do pecado ve­nial; outros, que engolem a iniquidade como água, e que merecem antes o nome de hipócritas do que o de escrupulosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os primeiros não passam, ordinariamente, de gente que, seja por ignorância dos seus deveres, seja por cegueira voluntá­ria ou por amor-próprio, formam uma fal­sa consciência, e são escrupulosos em ex­cesso sobre certos pontos, ao passo que so­bre outras importantíssimos, como paixões, inveja, vingança, ódio, maledicência, etc., não se fazem censura alguma e não sen­tem nenhum remorso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os segundos são os que, como os Fari­seus de que fala o Evangelho, fazem es­crúpulo de cometer pequenas faltas ou de faltar a certas práticas de pura devoção, ao passo que não fazem nenhum escrú­pulo de viver em pecado mortal, e aban­donam-se mesmo aos desregramentos mais vergonhosos.</span><span id="more-6010"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deve o confessor ser mais atento a des­cobrir a boa ou má fé dessas espécies de escrupulosos, pois não pode tratar com êxi­to a doença deles sem conhecê-la bem; porém um dos sinais mais característicos das falsas devoções é a indocilidade, a teimosia, o apego obstinado ao próprio senso. Deve ele pois, experimentá-los so­bre este ponto. Deve examinar com cuida­do se eles cumprem os deveres do seu es­tado, se os conhecem, se observam o pre­ceito do amor do próximo, o perdão das injúrias, etc.; pois é nisto que se reconhe­ce infalivelmente o caráter da devoção deles, e se há no caso bom ou mau es­crúpulo. Uma vez feita esta investigação, convém agir com prudência, com tato, mas também com firmeza. Cumpre instruí-los, tirar-lhes as ilusões, volver-lhes o temor para aquilo que é realmente pecado; mantê-los afastados da comunhão até que a falsa consciência desapareça e que a conduta se torne mais regular e mais cons­tante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto aos escrupulosos hipócritas ou que caem em grandes excessos, é urgente abrir-lhes os olhos sobre a enormidade dos pecados a que estão habituados, so­bre os perigos do seu estado, forçá-los a converter-se. Eles precisarão de uma con­fissão geral, coisa de que os outros escru­pulosos podem talvez prescindir. Uma vez bem feita a confissão, segundo as circuns­tâncias, uma vez assegurada a conversão deles, ou ao menos presumida sincera, se os escrúpulos não passarem trabalhar-se-á na cura deles como na dos bons escrupu­losos. Enfim, regra geral, cumpre esfor­çar-se por desarraigar essas falsas devo­ções, destruir as falsas consciências, re­conduzir aos verdadeiros princípios da re­ligião e da piedade, porque nada faz mais mal, quer à religião quer à edificação do próximo, do que os maus escrupulosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tratado Dos Escrúpulos De Consciência</em> – Abade Grimes</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-7/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 6</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-6/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-6/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 06 Aug 2016 19:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>
		<category><![CDATA[Escrúpulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=6008</guid>
		<description><![CDATA[REMÉDIOS PARTICULARES. DIREÇÃO DOS ESCRUPULOSOS Para usar com vantagem dos remédios particulares, cumpre opô-los às diferentes fontes dos escrúpulos; cumpre também estudar os defeitos, os subterfúgios, as aparências, os artifícios, as aflições dessas pobres almas, entrar em argumentação com elas, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-6/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc6.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-5997" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc6.jpg" alt="esc6" width="219" height="290" /></a>REMÉDIOS PARTICULARES. DIREÇÃO DOS ESCRUPULOSOS</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para usar com vantagem dos remédios particulares, cumpre opô-los às diferentes fontes dos escrúpulos; cumpre também estudar os defeitos, os subterfúgios, as aparências, os artifícios, as aflições dessas pobres almas, entrar em argumentação com elas, escutar-lhes as penas, esclarecê-las, dirigi-las, sustentá-las por sábios con­selhos. É o que vamos fazer nos diversos parágrafos deste capítulo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os principais objetos de escrúpulos, co­mo dissemos, são as orações, as confis­sões, as correções fraternas, os motivos das próprias ações, a predestinação, as tentações, as comunhões. Ora, vejamos os remédios que é preciso aplicar a cada um destes males.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1.º As orações</strong>. — Quando é a respeito das suas orações que o escrupuloso é atormentado, cumpre primeiramente explicar-lhe em poucas palavras o que é a oração, em que consiste, e o que Deus exige de quem ora; depois disto, deve-se representar-lhe que, querendo aplicar-se de mais e dilatar a cabeça, em vez de evitar as distrações a pessoa as multiplica, torna-as mais incômodas, e coloca-se na impossibi­lidade de orar. Este temor perpétuo de que a pessoa é empolgada, tiraniza, desa­nima, inquieta, e faz perder de vista o objeto e o fim da oração. Deve-se, pois, mudar de rumo, visto agir-se em pura perda e não se fazer senão gerar distra­ções ao invés de as dissipar.</span><span id="more-6008"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que partido deve tomar aqui o escrupu­loso? Nenhum outro senão o das pessoas sensatas e esclarecidas: contentar-se com uma atenção segundo as suas forças, sem constrangimento, contentar-se com uma boa vontade; fazê-lo com calma, em pre­sença de Deus, de vez, sem rebuscar-se se fez bem, se se cumpriu bem o próprio de­ver, se não se esteve distraído, dissipado, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cumpre representar ao escrupuloso que ele estaria em grande erro se se persua­disse de que uma pessoa não é agradá­vel a Deus porque, na oração, não tem nem o coração nem a mente calmos e tranquilos. A boa vontade para se desobri­gar bem dela, a dor que se sente de não poder fazer melhor, o cuidado que se em­prega em banir as distrações, a humildade, a obediência, eis o que é agradável a Deus e supre as faltas de perfeição das nossas orações. E, para nos tranquilizarmos neste ponto, não temos o exemplo dos santos? eles não foram afligidos pelas mesmas pe­nas, pelas mesmas dificuldades, sem dei­xarem de ser santos e agradáveis a Deus? Percorrei a vida deles, e vereis que eles fizeram essas dificuldades e essas penas servir à sua santificação, e fizeram delas um merecimento pela paciência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Proibição, pois, ao escrupuloso, para se desfazer das suas inquietações, de repetir suas orações, ou o seu oficio, ou qualquer outro exercício de piedade, de qualquer obrigação que seja, por isto que, supondo mesmo haver às vezes negligência de sua parte, não há lei que obrigue a tal repe­tição tão onerosa e tão danosa&#8230; Cumpre que o escrupuloso se contente, como dizia Santa Teresa, com desprezar as suas dis­trações, sem ocupar a mente com elas; com continuar as suas orações sem pen­sar que é distraído, sem examinar nem o que foi que causou as suas distrações, nem se se ocupou delas, e ficar bem persuadido de que elas não são nem voluntárias nem culpadas, e isto enquanto ele se incomo­dar de sofrê-las.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por seu lado, deve o confessor regular os exercícios de piedade dessas pessoas, com medo de que elas não se sobrecarre­guem demasiadamente deles; não lhes deve dar em penitência longas orações vo­cais, nem lhes permitir facilmente entrar em várias confrarias particulares. Deve-se também interdizer-lhes absolutamente to­das as práticas singulares, votos, resolu­ções exageradas, etc., sem a permissão expressa do confessor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.º Confissão. —</strong> Todos sabemos que o grande tormento dos escrupulosos é a confissão. Eles criam mil quimeras, mil torturas sobre as suas confissões passadas, sendo sempre perseguidos pela idéia de recomeçar. Ora, como esses temores in­cessantes sobre as confissões passadas qua­se sempre só se apoiam em razões frívolas e não têm fundamento sólido, não se deve permitir aos escrupulosos voltar sobre as confissões passadas: essas repetições não trariam nenhum remédio ao mal, e pode­riam ter graves inconvenientes. A reite­ração das confissões dos pecados já con­fessados não é, para essas pessoas, um meio de progresso; pelo contrário, detém-nas, desanima-as, abate-as, e acaba por fazê-las abandonar tudo. Isto posto, não deve o confessor render-se aos desejos de­les de reiteração de confissão, a menos que tenha fundamento para crer que, ten­do levado uma vida desregrada ou tendo vivido na ignorância, os escrupulosos tenham cometido faltas nas suas confissões passadas; mas a ele é que compete ajui­zar disso, e não aos penitentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não deve permitir-lhes um longo exa­me de consciência, nem escrever a sua confissão, mas fazê-los confessar de me­mória, e obrigá-los a ficar tranquilos ain­da mesmo quando pensassem ter faltado alguma coisa à integridade da confissão, pois a experiência prova que um longo exame e uma confissão escrita lhes são muito nocivos, fomentando-lhes e aumen­tando-lhes a penas de consciência por meio de rebuscamentos e de reflexões que a fraqueza do estado deles não pode com­portar. Aliás, são meros pecados veniais que são objeto de todas essas investiga­ções; ora, não sendo esses pecados maté­ria necessária de confissão, é inútil fazer deles, para si mesmo, um instrumento de suplício.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O confessor advertirá o seu penitente de que, havendo uma vez declarado os seus pecados de maneira inteligível, tanto quan­to o podia fazer razoavelmente, não deve mais repetir a acusação deles, a pretexto de poder não ter sido compreendido; porquanto, se isto fosse verdade, o con­fessor teria pedido uma explicação. Do mesmo modo, quando o confessor houver declarado que tal coisa não é matéria de confissão, não deve mais permitir ao penitente falar-lhe dela, consoante esta bela máxima de S. Bernardo: “Nas coisas que não são abertamente contra Deus, deve­mos escutar, como sendo o próprio Deus, aquele que consideramos como seu vigá­rio”. Tão pouco permitirá o confessor ao escrupuloso voltar sobre dificuldades que ele tiver uma vez resolvido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Terminada a confissão, não deve mais o escrupuloso ocupar-se dela; não deve perder o fruto da absolvição atormentan­do-se sobre os pecados esquecidos; e, se ele quiser apresentar-se de novo ao tribunal, deve o diretor absolutamente recusar ou­vi-lo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando se trata de bons escrupulosos, que temem incessantemente haver pecado gravemente, é oportuno, para tranquilizá-los e instruí-los, enviá-los a comungar sem lhes dar a absolvição, não obstante as suas dúvidas e alguns pecados veniais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não falaremos da contrição, que tam­bém é um motivo de novas perplexidades. Como não é ao penitente, que só julga pe­lo que é sensível e pelo que o impressiona, que compete discerni-la, mas sim ao con­fessor, este bem sabe por que meios e por quais efeitos pode reconhecê-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.º Caridade, a correção fraterna.</strong> — Sobre este ponto os escrupulosos incidem em mil erros ridículos; chegam até a acusar-se de não estenderem a sua cari­dade aos animais. De que é que eles não se julgam culpados para com seus irmãos, seus amigos e seus inimigos! Por isto, ca­da palavra pronunciada nas suas visitas e nas suas conversas, cada notícia ouvida a respeito do próximo, cada maledicência escutada, torna-se uma fonte abundante de pensamentos e de agitações; eles acre­ditam sempre haver falado mal de outrem, escandalizado, revelado os defeitos do pró­ximo, achado prazer nas maledicências. A correção fraterna faz-lhes temer também mil pecados, causa-lhes mil incertezas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se o penitente escrupuloso não for ins­truído, é preciso instruí-lo sobre o pre­ceito da caridade e sobre os deveres que ela impõe; se já o for, cumpre examinar se ele é realmente culpado ou se não é; uma vez conhecida a sua posição, cumpre explicar-lha, traçar-lhe para o futuro a sua regra de conduta, à qual deverá con­formar-se, ou então não será mais escu­tado sobre esta matéria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1.º Importa fazer-lhe compreender bem que só se é obrigado à correção fraterna quando há motivo de esperar que ela será útil, ou que ao menos o próximo não fi­cará ofendido com ela; 2.º, que ele não deve afastar-se da conveniência cristã e permitir-se corrigir aqueles que, pela sua superioridade, posição ou idade, não estão sujeitas a essas observações; 3.º, que, an­tes de falar, cumpre estar seguro de que a falta foi cometida, de que vale a pena corrigi-la, e de que a correção não produ­zirá efeito contrário; 4.º, que é preciso, antes de tudo, que a caridade nos leve a desculpar, a dissimular os defeitos do pró­ximo, e moderar um zelo não raras vezes demasiado ardente e pouco esclarecido; 5.º, que é melhor avisar sobre o caso alguém que esteja no direito e na posição de fazer a correção fraterna, do que corrigir por si mesmo, se a necessidade não o exigir. Assim, cabe de preferência a um pai cor­rigir seus filhos, a um superior repreender seus inferiores, a um patrão exercer a vi­gilância sobre seus empregados, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à maledicência, cumpre repre­sentar ao escrupuloso que muitas vezes ele faria mais mal do que bem em que­rendo impedi-la, que tornaria a piedade ridícula, e que muitas vezes acreditaria, sem razão talvez, haver maledicência on­de não a há. Deve-se, pois, concitá-lo a só frequentar sociedades cristãs, bem re­guladas, caridosas, de boa educação; que, em todo caso, basta que ele não preste ouvido à maledicência, que não tome par­te nela, que o prove pelo aspecto do seu rosto, que se retire se preciso, e que dê como lição, às sociedades malignas, a sua ausência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto ao exercício da caridade, esta virtude não nos obriga a graves inconve­nientes; para salvar a reputação do pró­ximo, para impedir um dano, para reparar um erro, é preciso que a obra seja da nos­sa competência, conforme à nossa condi­ção, faça parte dos nossos deveres, para então se ser obrigado a exercê-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deve, pois, o confessor tranquilizar o escrupuloso, refutar-lhe todas as dúvidas, todos os pretensos juízos temerários, to­das as pretensões e maledicências, e só as escutar quando tiver razão para crer que há aí pecado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>4.º Motivos das ações, sobretudo das que são indiferentes ou de conselho</strong>. — Se aca­bam de dar esmola, os escrupulosos imagi­nam ter sido levados a isso por um moti­vo de vaidade; se fizeram uma correção, receiam tê-la feito por cólera; se comem, é por sensualidade; se faltam à missa um dia na semana, é por preguiça; se são fer­vorosos na igreja, é para serem vistos e notados pelos outros; já não ousam, mes­mo, permitir-se as coisas mais lícitas e mais inocentes, como o passeio onde são encantados pelas belezas da natureza, pelo atrativo das flores, pelo seu perfume, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O meio mais curto de se desfazer desses pensamentos é desprezá-los, é agir com liberdade e confiança. Os motivos aparentes dessas ações não são os verdadeiros motivos delas; não passam de quimeras, de vãos terrores, de pensamentos extremados, exagerados; e, mesmo quando esses moti­vos entrassem, em parte, nas nossas ações contra a nossa vontade, sendo a intenção primária agradar a Deus e glorificá-lO, a ação não perde da sua bondade e do seu merecimento aos olhos d’Ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à pureza de intenção, sabemos que é, sem dúvida, uma coisa muito im­portante que decide do valor das nossas obras e que reclama a nossa vigilância e aplicação. Mas como devemos proceder so­bre este ponto para não cairmos em ex­cessos perigosos? De nenhum outro modo senão conforme fazem as pessoas verda­deiramente cristãs, instruídas, prudentes e solidamente piedosas. Ora, qual é a re­gra dessas pessoas? É que essa aplicação na orientação das nossas intenções deve ser calma, tranquila, confiante. É que, quando uma pessoa ofereceu a Deus suas ações desde a manhã com uma intenção pura, quando a renova algumas vezes, não é mais necessário, a cada ação destacada, perguntar-se se renovou a intenção, se ela era boa, nem proibir-se tudo o que há de mais inocente, e mesmo de necessário pa­ra a saúde, para a naturalidade de uma piedade bem feita, bem compreendida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De que serve pensarmos que não fazemos nada de bom, nada por bons motivos, que todas as nossas obras são estéreis, inúteis, merecendo a condenação, senão para tirar a nós mesmos toda a força, toda ener­gia, e para nos abeberarmos de angústias e de amarguras?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cada um deve agir segundo seu alcance, sua vocação, e segundo a trilha pela qual Deus quer conduzi-lo; o meio sábio para isso é, pois, evitar os extremos e não se entregar a pretensões que às vezes só fa­zem é preparar enormes quedas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, deve o confessor represen­tar ao escrupuloso que ele não está e nem pode estar atualmente nesse estado de perfeição extraordinária; que, dada a sua doença, a fraqueza do seu espírito, a de­licadeza da sua consciência, ele não está obrigado a aplicar tanto cuidado quanto outros ao cumprimento de seus deveres; que Deus não exige aquilo que está acima das nossas forças; que é preciso saber hu­milhar-se e mortificar-se naquilo que não se pode fazer melhor, e que, sendo suave e leve o jugo do Senhor, não se deve torná-lo insuportável exagerando as vontades de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>5.º O pensamento da predestinação.</strong> — Esta espécie de escrúpulo é, de todas, a mais desoladora e a mais extravagante ao mesmo tempo: a mais desoladora, nisto que destrói a esperança cristã nos cora­ções e torna estes infelizes; a mais ex­travagante, porque só vê abismos, horrores, perigos, lá onde não os há, e lança a pes­soa na consternação e no desespero. Essa idéia de ser reprovado tira ao escrupulo­so todas as suas forças, desnatura nele o pensamento de Deus, envolve-o num som­brio manto de luto e de trevas; ele não compreende o mistério da predestinação, quer sondá-lo, perscrutá-lo, e a sua pro­fundeza esmaga-o, a cabeça lhe tonteia, e ele se crê como um desgraçado à beira de um precipício sem fundo, prestes a cair nele a cada instante. Cumpre absolu­tamente interdizer a semelhante escrupu­loso toda reflexão sobre esse mistério pro­fundo, dar-lhe depois altas idéias da bon­dade e da misericórdia de Deus, ostentar diante dele as riquezas dos merecimentos de Jesus Cristo, fixar-lhe a atenção sobre a esperança cristã, que nunca confunde os que a trazem no seio: Spes non confunait (Rom 5, 5); provar-lhe que a fal­ta de esperança é o maior obstáculo à piedade, à oração, ao espírito de gratidão, ao amor de Deus, e uma fonte de tenta­ções perigosíssimas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cumpre concitá-lo a comportar-se co­mo se estivesse seguro de ser predestinado à glória; a tornar certa essa pré-eleição pelas suas virtudes, como o diz S. Pedro (1, 1, 10), a agir na ordem espiritual como se age na ordem natural. Qual é o lavrador a quem a incerteza da colheita impede de semear suas terras? qual o doente que recusa empregar os remédios por não es­tar seguro da cura?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cumpre, enfim, refutar as suas preten­sas tendências invencíveis para o mal, e a sua pretensa impotência para o bem, di­zendo-lhe que “o reino dos céus sofre vio­lência, e só os que se fazem violência é que devem vir a obtê-lo um dia” (Mt 11, 12).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>6.º As perguntas perigosas e as tentações.</strong> — O escrupuloso não se limita a ser o jo­guete da sua cegueira e dos seus vãos temores; vai até o ponto de armar cila­das a si próprio. Faz a si perguntas pe­rigosas; suscita tentações difíceis. Que fa­ria eu, — diz ele, muitas vezes, a si mes­mo, — se me achasse em tal ou tal caso? se me falassem assim ou assado? se eu me achasse em tal conjuntura? Estaria disposto a cumprir o meu dever, a afron­tar tudo, a fazer até mesmo o sacrifício da minha vida?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vêm em seguida as tentações em que ele receia sempre consentir, que não repele bastante depressa, nas quais acredita ha­ver-se comprazido. Ora, sobre estes dois pontos, eis aqui a regra dos homens sen­satos: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1.°, é preciso declarar-lhe que isso são verdadeiras sugestões do demônio, e que ele deve resistir-lhes com todas as suas forças; que é preciso deixar de lado todas essas perguntas perigosas, não se prestar aos desígnios do inimigo, respon­der ao tentador que não teme nada, que não teme a ele, que o socorro de Deus nos basta, que não temos nenhuma re­lação com ele, e que toda a nossa cons­ciência está em Deus em tudo e para sempre. 2.° Deve-se fixar bem o escrupu­loso sobre a diferença que existe, na ten­tação, entre o sentimento e o consenti­mento. O sentimento não depende da nos­sa vontade, ao passo que o consentimen­to depende. O sentimento nunca pode tor­nar-nos culpado, só o consentimento o faz. Basta, .pois, não consentir, para não se ter nenhum receio no meio das mais for­tes tentações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dizem os autores da Ciência do confes­sor que há escrupulosos cuja imaginação é às vezes cheia de pensamentos abominá­veis contra Deus, contra a humanidade de Jesus Cristo, contra os mais santos misté­rios; esses escrúpulos os agitam com tanta violência, que lhes parece que eles profe­rem blasfêmias. Depois de haverem esses pensamentos e essas loucas imaginações rolado algum tempo na mente deles, eles querem repeli-las; porém não raras vezes eles aumentam e se lhes imprimem tão for­temente, que eles acreditam haver con­sentido neles, e se consideram como aban­donados de Deus por causa dos seus pe­cados passados. Às vezes parece-lhes que eles querem abandonar a piedade e a prá­tica exata da vida cristã, porque a imagi­nação pode representar todas estas coisas: pensamentos, atos da vontade, palavras, sensações, de sorte que os escrupulosos se enganam nisso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cabe ao confessor ajuizar disso, e po­de-o considerando as habituais disposições deles, a dor que eles sentem no meio das tentações e dos combates; enfim, pode-o pelos efeitos exteriores, pois então verá se é só pura imaginação, ou se houve algo de voluntário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certo que é sobretudo para com essas espécies de escrupulosos que o confessor deve usar de paciência, de doçura, de compaixão, que deve sustentá-los e con­solá-los; pois eles são infinitamente para lastimar, e sõ o confessor pode curá-los.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deve este incutir-lhes bem que não há pe­cado onde não há vontade, que não há vontade onde só há horror e detestação; que é preciso desprezar essas tentações, em vez de se esforçar por combatê-las; que é preciso prosseguir como se nenhu­ma tentação houvesse sobrevindo, e ter o cuidado de elevar a mente para Deus, pe­dindo-lhe proteção e socorro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se as tentações versam sobre a castida­de, é preciso usar com elas do mesmo pro­cesso, desprezá-las, passar adiante, não lhes dar atenção; velar sobre os sentidos, temer o perigo, fugir deste tanto quanto possível, e lembrar-se de que o demônio da impureza não passa de uma criança para todos os que o desprezam, mas é um gi­gante para os que o temem. Assim, longe de procurar lembrar-se de uma tentação contra a castidade, quando ela já passou, para ver se consentiu nela, deve-se re­pelir-lhe a simples idéia; pois seria cons­tituir-se voluntariamente em grande peri­go, fazendo reentrar na mente pensamen­tos que fizeram sobre ela uma impressão viva. Lembre-se, pois, bem o escrupuloso de que a prudência não permite um longo exame sobre estas matérias, e que uma vista d’olhos, quando muito, deve bastar, se tanto for necessário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se as tentações se relacionam com a fé, como acontece muitíssimas vezes, o meio de curá-las não é raciocinar, procu­rar convencer-se, é mui simplesmente sub­meter-se à Igreja, e crer tudo o que ela nos ensina, fazendo um bom ato de fé. E, se for sobre a própria verdade divina da Igreja que incidem as dúvidas e as ten­tações do escrupuloso, o confessor explicar-lhe-á em poucas palavras os funda­mentos da nossa crença e a instituição da Igreja por Jesus Cristo, e concitá-lo-á a dizer nesses momentos: “Creio tudo o que a Igreja crê. Uno-me à sua fé. Renuncio a ti, Satanás, autor das dúvidas contra a fé; volvo-me para Jesus Cristo, meu Sal­vador”. Poderá também fazer o sinal da cruz na testa, na boca e no coração. É este um poderoso exorcismo contra a ten­tação. Poderá, enfim, dizer muitas vezes: “Creio, Senhor; mas aumentai a minha fé”. Entretanto, tudo isso deve dizer-se sem grande contenção de espírito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem embargo, será mister dedicar um interesse todo particular aos escrupulosos trabalhados por estas espécies de tenta­ções que vêm manifestamente do demônio. Convirá assegurar-se das disposições deles, e das faltas que eles possam ter come- tido no meio dessas perturbações, exami­nar se se trata de verdadeiras dúvidas ou de escrúpulos, se há ignorância e tei­mosia, ou submissão e humildade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Digamos, enfim, que há escrupulosos que, apesar de todo o ódio que têm aos peca­dos, quer grandes quer pequenos, contudo se deixam de vez em quando arrastar pela violência do seu temperamento natural ou pela leveza da sua mente, que lhes faz esquecer as suas boas resoluções e os faz cair em grandes crimes, tais como blasfê­mias, juras, impurezas enormes, etc. Ape­nas cometeram eles esse mal, choram-no, arrependem-se, ralam-se de dor e de com­punção, formando resoluções, obedecendo ao confessor; e, no entanto, depois de perseverarem longo tempo, tornam a cair ainda, para sua grande desolação. Se al­guém é digno de compaixão, sem dúvida são esses; deve então o confessor exami­nar se, nesses casos tão graves, há culpa da parte deles, se é apenas o arrebata­mento ou a violência das suas paixões, se eles deixaram de tomar as precauções necessárias; e, conforme os conhecimentos que tiver adquirido, será mister consolá- los, sustentá-los, admiti-los à comunhão para lhes emprestar forças; levantar-lhes o ânimo em vez de desanimá-los, e exor­tá-los a entregar-se à oração, à confissão frequente, ao trabalho, ao conhecimento da sua fraqueza, enfim a recorrer a al­guns remédios naturais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tais são as diversas espécies de escrú­pulos a que se podem referir todos os ou­tros. Podemos apenas indicar os preserva­tivos deles, os antídotos, os calmantes mais eficazes; ao confessor, conforme as circunstâncias e os; caracteres do mal, com­pete aplicar os remédios com sabedoria, prudência, sagacidade e precaução.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tratado Dos Escrúpulos De Consciência</em> – Abade Grimes</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-6/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 5</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-5/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-5/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Aug 2016 19:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>
		<category><![CDATA[Escrúpulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=6006</guid>
		<description><![CDATA[CONSELHOS GERAIS AOS ESCRUPULOSOS Conhecer-se a si mesmo O primeiro conselho que eu dou aos es­crupulosos, um dos mais importantes, e que é o fundamento de todos os outros, é que ele reconheça de boa fé que está doente e &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-5/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5996" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc5.jpg" alt="esc5" width="255" height="197" /></a>CONSELHOS GERAIS AOS ESCRUPULOSOS</span></strong></span></p>
<p><strong><span style="color: #000000;"><em> Conhecer-se a si mesmo</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O primeiro conselho que eu dou aos es­crupulosos, um dos mais importantes, e que é o fundamento de todos os outros, é que ele reconheça de boa fé que está doente e que é escrupuloso, porquanto um mal conhecido é um mal meio curado. Este axioma, verdadeiro em toda sorte de doenças, é-o principalmente na do escrú­pulo; pois esta não passa de uma ilusão que cega o escrupuloso e lhe faz tomar os fantasmas e os devaneios de uma imagi­nação doente, pelos sensatos raciocínios de uma consciência esclarecida. Persuada-se ele, pois, de que essas razões são fal­sas, de que são imaginações e escrúpulos, e não razões, e ei-lo curado. Ele não terá dificuldade em se persuadir de que assim é, se observar as regras que já estabelecemos ao explicarmos a natureza dos escrúpulos. Faça, pois, um exame sobre si mesmo e sobre o seu passado; se reconhecer que muitas vezes sentiu temores acompanhados de angústias, de perturbações e de perplexidades; que muitas vezes formou dúvidas sobre uma ou várias matérias, e, tendo exposto seus temores e suas dúvi­das a uma pessoa esclarecida, esta julgou que elas eram fundadas em razões fracas e frívolas, tenha por certo que é escrupu­loso; e, se estiver de tal forma obsesso que não possa crer na sua experiência, consulte um diretor sábio e piedoso, e acre­dite no juízo dele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não basta, para o escrupuloso, co­nhecer a sua doença; deve ele ainda des­cobrir a qualidade e os princípios dos seus escrúpulos, para lhes aplicar os remédios convenientes.</span><span id="more-6006"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cumpre, pois, que examine a matéria e a forma dos seus escrúpulos, se duvida em matérias graves ou leves, em questões de fato ou de direito, se resiste às suas dú­vidas ou se consente nelas. Deve ainda examinar os princípios dos escrúpulos, se nascem de um espírito exterior ou de um movimento interior, natural ou violento; porquanto estas diferentes espécies de es­crúpulos devem ser tratadas com remé­dios diferentes. Para descobrir essas coisas é preciso consultar aquilo que dissemos ao falarmos das diversas espécies de escrúpu­los e dos meios de conhecer de onde eles provêm; mas, sobretudo, é preciso escutar o seu diretor, que é o anjo de Deus a quem está confiada a chave da ciência para conduzi-los.</span></p>
<p><strong><span style="color: #000000;"><em> Pedir a Deus a cura aos escrúpulos</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois de haver o escrupuloso conhe­cido o seu mal, o primeiro remédio, o re­médio soberano que ele deve aplicar-se, é a oração; e, conquanto esse remédio sirva geralmente para toda sorte de doenças, tem no entanto uma virtude toda parti­cular para esta; porquanto, vindo o es­crúpulo ordinariamente da malícia do de­mônio, só pode dissipá-lo Aquele que ven­ceu esse inimigo do gênero humano e que o acorrenta a seu talante. O Filho de Deus é a luz do mundo, que pode aclarar as nossas trevas; é o Anjo do Grande Conselho, que pode resolver todas as nos­sas dúvidas; é a força dos pusilânimes, que pode tranquilizar os nossos temores. Cum­pre, pois, rezar-lhe com confiança e perseverança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece que o Profeta-rei usava desse re­médio quando, sendo atormentado por mil temores, dizia: “Eu aguardava com con­fiança aquele que me salvou do abatimen­to e do temor do meu espírito, e também da tempestade que me envolvia”. Quando uma tempestade interior agita o escru­puloso, este deve dizer com fé estas palavras de S. Pedro e dos outros apóstolos: “Senhor, salvai-nos, que perecemos”; e o mesmo Salvador, aplacando a tempestade, restituir-lhe-á a calma e a paz, ou pelo menos impedirá que ele seja submergido consentindo na tentação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não obstante, concito o escrupuloso a pedir com paciência e resignação; pois às vezes Deus permite que ele seja açoitado pela tempestade durante longo tempo, e mesmo durante toda a noite desta vida. Se assim suceder, humilhe-se ele sob a po­tente mão de Deus que o fere, e lembre-se de que Deus nos atende mais utilmente quando nos deixa a tentação e nos dá a graça de resistir a ela, do que quando no-la tira. Lembre-se ainda de que a tenta­ção de escrúpulo serve para purificá-lo das suas faltas passadas, para conservá-lo na humildade, e para lhe fazer dar em paciência o fruto da tentação; só o con­sentimento na tentação é que é pernicio­so: suporte ele, pois, a tentação, as an­gústias, os temores e as dúvidas que o empolgam; guarde-se, porém, de examiná-las cem e cem vezes na sua cabeça, e de se persuadir de que pecou. A experiência prova que uma pessoa vence mais facilmente os escrúpulos quando não se inco­moda com eles, quando os despreza, quan­do os deixa vir e passar, quando volve os seus pensamentos para outros objetos, do que quando se impacienta com eles e quer repeli-los a viva força e com contenção de espírito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O escrupuloso, aliás, necessita de uma grande confiança em Deus; na sua prece humilde e fervorosa, deve considerar a Deus não como um amo irritado, mas co­mo um Pai terno que quer salvar seus fi­lhos. Nas suas inquietações mais vivas, é a Deus que ele deve recorrer, antes que ao seu confessor. É a oração feita com fé, confiança e abandono à misericórdia de Deus, e não a confissão, que cura o escru­puloso. Diz S. Francisco de Sales: Como o demônio só tem de poder aquele que Deus lhe concede, quanto mais terríveis forem os seus assaltos, tanto mais necessário se torna redobrar de confiança na Divina Providência; pois esta não permite ao ini­migo assaltar e atormentar continuamen­te senão esses entes pusilânimes que não confiam nela, que desdenham haurir sua força nela, e que colocam em qualquer ou­tra parte a sua confiança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>III. Usar dos remédios naturais</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora Deus seja a primeira causa da nossa salvação, todavia Ele quer que nós mesmos trabalhemos nesta; não basta, pois, pedir a Deus que cure os escrúpulos; é preciso, ainda, que o próprio escrupuloso trabalhe na sua cura, usando de remédios em relação com a causa da sua doença. Quando, por experiência e pelo aviso de um prudente diretor, ele reconheceu que a causa das seus escrúpulos é natural, que estes vêm de um espirito enleado, de um temperamento frio e melancólico, ou de qualquer outra causa deste gênero, deve recorrer aos remédios naturais; pois pode-se dizer que ele precisa mais da me­dicina do que da teologia. Diz Santa Te­resa no capítulo sétimo das suas Funda­ções: “É preciso purgar com frequência a melancolia, ocupar o doente nos empregos exteriores para lhe divertir a imagi­nação, e suportar caridosamente as faltas que ele cometer em razão do seu estado, tendo em mais consideração a necessidade dele do que a nossa satisfação”. Se o es­crupuloso está no mundo, deve entregar-se a uma doce alegria, frequentar pessoas de uma piedade desembaraçada, e, por todos os meios lícitos, por meio de recreações ho­nestas, de passeios, de viagens, trabalhar por vencer esse temperamento triste e me­lancólico que o lança nesse estado, e que paralisa todas as faculdades de sua alma. Deve renunciar às austeridades demasiado grandes, às privações que lhe debilitam o físico e o moral, e reentrar no equilíbrio mais perfeito possível.</span></p>
<p><strong><span style="color: #000000;"><em> Resguardar-se das pequenas faltas</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando a causa dos escrúpulos é ex­terior, quando eles vêm da parte do demô­nio, ou mesmo da parte de Deus, que se serve da malícia do nosso inimigo para nos castigar, um remédio excelente é res­guardar-se das pequenas faltas voluntá­rias, principalmente do orgulho. É este o sentimento do Cardeal Cajetan, porquan­to, diz esse sábio doutor, quando um ho­mem abandona o cuidado da sua perfeição e da sua pureza, caindo facilmente, sem escrúpulos, em faltas veniais, o seu bom anjo igualmente o abandona; depois do que, não é de admirar que o demônio aflija essa alma, achando-a sem auxílio e sem defesa. Ademais, não somente o seu bom anjo se afasta dela, mas o próprio Deus se retira e lhe oculta a beleza do Seu rosto, e, destarte, ela cai na perturba­ção e na obscuridade, do mesmo modo que, quando o sol está oculto, o mundo se acha imerso nas trevas. Bem o havia experi­mentado o profeta quando dizia: “Assim que desviastes de mim a vossa face, fi­quei repleto de perturbação”. Pode-se di­zer que, para se resguardar dos escrúpu­los, é preciso resguardar-se das pequenas faltas, porque elas são frequentemente a causa pela qual Deus nos deixa cair nos escrúpulos; cerceando essas faltas, cer­ceiam-se as perturbações, do mesmo modo que, tirando a causa, se tiram os efeitos.</span></p>
<p><strong><span style="color: #000000;"><em> Seguir os exemplos das pessoas sensatas</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Excelente remédio contra os escrúpulos é, ainda, seguir o exemplo das pessoas sen­satas, e observar de que maneira se com­portam as pessoas doutas e piedosas, nas matérias que nos detêm e que nos metem tanto medo; pois devemos crer que, sendo doutas, elas conhecem o mal, e, sendo pie­dosas, não quereriam fazê-lo. Podemos, pois, sem receio, passar por onde elas pas­sam e andar-lhes nas pisadas; esta trilha é segura, visto o Sábio dizer-nos que foi pelo bom exemplo dos outros que ele aprendeu a comportar-se:<em>Exemplo didici disciplinam</em> (Prov 24, 23). E, mais adiante, ele acrescenta que quem anda nas pisa­das dos sábios anda com segurança (Prov 13): <em>Qui cum sapientibus graditur, sapiens erit</em>. Não se poderia, pois, aconselhar demasiadamente aos escrupulosos fre­quentarem pessoas sensatas, doutas e pie­dosas, examinar-lhes o procedimento, to­mar conselho delas e imitá-las.</span></p>
<p><strong><span style="color: #000000;"><em> Enxotar os primeiros pensamentos do escrúpulo</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ótimo remédio contra os escrúpulos é fechar a porta aos primeiros pensamentos escrupulosos que se apresentem à ima­ginação; porquanto, se lhes dermos en­trada, não somente custaremos a enxotá-los, porém eles arrastarão após si vários outros pensamentos, como diz o Cardeal Cajetano: <em>In hoc videtur consistere naturalis causa scrupulorum, quod mota una phantasia, oportet multa consequi, ita quod non est in potestate sua compescere sequentes commotiones</em>. Portanto, mal se apresente algum pensamento que se sus­peite ser de escrúpulo, deve-se rejeitá-lo prontamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>VII. Seguir o conselho de um prudente diretor, e obedecer-lhe em tudo</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um dos remédios mais eficazes que se possam aplicar aos escrúpulos é desco­bri-los ao seu diretor e seguir cegamente o conselho e juízo dele; porquanto a obe­diência, tão essencial a todo aquele que quer andar com segurança pelas trilhas da salvação, é-o particularmente aos es­crupulosos. Ora, estes solapam esta virtu­de pelos fundamentos. A obediência é fun­dada na vontade de Deus, vontade que devemos reconhecer na ordem daquele que nos governa em seu lugar: <em>Qui resistit potestati. Dei ordinationi resistit</em>. Mas, por isso que o escrupuloso receia tudo, não receia somente ser enganado pelo seu próprio juízo, receia ainda sê-lo pelo juízo do seu diretor. Para sossegar os seus te­mores, lembre-se ele de que Deus deu aos diretores das almas a chave da ciência pa­ra conduzi-las, e que da boca deles é que ele deve aprender as vontades de Deus. “Os alunos dos sacerdotes são os deposi­tários da ciência, e é da boca do Sacerdote que se deverá procurar o conhecimento da lei, porque ele é o anjo do Senhor dos exércitos”. Alhures Jesus diz: “Quem vos escuta, a mim escuta”. — “Vós sois a luz do mundo”. Pode-se, pois, sem receio, se­guir a decisão deles. Em verdade, se, neste caso, Deus pudesse um dia censurar-nos por havermos tomado o mal pelo bem, nós poderíamos ao mesmo tempo censurar- lhe o ser Ele mesmo a causa do nosso en­gano, mandando-nos obedecer aos direto­res.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde o nascimento da Igreja, os fiéis sempre se ativeram inviolavelmente a esta regra. Nosso Senhor fez conhecer a Santa Teresa com que segurança se deve seguir o juízo dos diretores, quando, estando afli­gida por perturbações, por angústias, por temores de ser iludida, muito semelhantes aos dos escrúpulos, Ele lhe disse que ela não devia recear ser enganada, visto que pessoas muito estimáveis e muito instruí­das a haviam assegurado do seu estado. Efetivamente, ela teve uma submissão tão perfeita ao juízo dos seus diretores, que, sendo favorecida por várias visões de Nos­so Senhor, com perfeita certeza de que vinham d’Ele, mas lhe havendo o seu con­fessor, que as acreditava falsas e as con­siderava como ilusões, mandado desprezá-las e enxotá-las fazendo o sinal da cruz, ela obedeceu, embora com repugnância ex­trema.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta verdade é tão constante, que ja­mais houve qualquer católico que haja duvidado dela, como muito bem o diz o erudito e célebre geral dos Carmelitas João de Jesus Maria: “Este gênero de remédio não é daqueles que só se fundam na opi­nião de certo número de doutores, como o vemos em certos casos em que se pode dizer que os doutores estão divididos e re­partidos em diversos sentimentos; não: aqui a opinião é comum, universal, de to­dos os doutores, os quais têm como a coi­sa mais evidente do mundo que, desde que o penitente tenha escolhido um diretor bom, prudente, experiente, deve submeter-se a tudo o que ele lhe diz e lhe aconselha”. E, com efeito, se Deus não hou­vesse dado esta autoridade aos diretores das almas, não teria provido suficiente­mente à nossa salvação, visto como, já que Ele não resolveu nas Escrituras as dúvidas particulares que nos sobrevêm to­dos os dias, já que não nos envia anjos para esclarecê-las, já que nós não temos bastantes luzes para resolvê-las, e já que não se podem reunir concílios gerais para decidi-las, bem necessário se torna que Ele tenha dado um poder absoluto aos diretores particulares, do contrário tería­mos de dizer que Ele nos deixou na impos­sibilidade de conhecer as Suas vontades e de cumpri-las, o que não se pode dizer sem cair na heresia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois disto, não é verdade dizer que é uma obstinação e uma teimosia horrível a dos escrupulosos que recusam obedecer ao seu diretor? Deus nas Suas Escrituras, a Igreja nas suas decisões, os santos na sua doutrina, os doutores nas suas assem­bléias, a razão, o senso comum, estabele­cem de comum acordo esta verdade. Mas, quando um escrupuloso, por uma imaginação ferida e prevenida, a suspeita de erro e recusa segui-la, não é isto ter falta de senso e tomar-se réu de uma falta grave de desobediência? Por isto mesmo, vemos que Deus a pune muitas vezes com severidade pelas angústias e pelas per­turbações a que entrega os escrupulosos: de sorte que, como fala Santo Agostinho, o pecado deles é o algoz que os castiga. Ora, diz S. Francisco de Sales, “o melhor é andar às cegas, sob a guia da Providên­cia Divina, por entre as trevas e as perplexidades desta vida. É preciso conten­tar-se com saber de seu pai espiritual que se anda bem, sem procurar ver isto. Nin­guém jamais se perdeu obedecendo”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Aquele que obedece ao seu confessor, dizia por seu lado S. Filipe de Néri, está seguro de não dar contas a Deus das suas ações”. “Ao contrário, dizia S. João da Cruz, não se tranquilizar sobre o que o con­fessor diz, é orgulho e falta de fé”. Mas, para acabar de convencer sobre este pon­to os escrupulosos, mister se faz respon­der-lhes às objeções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Respostas às objeções aos escrupulosos sobre o sétimo conselho</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira objeção que o escrupuloso faz é esta: é que, sendo persuadido pelas luzes da sua consciência de que há pecado em alguma coisa, não pode renunciar às suas luzes para seguir as do seu diretor que lhe diz o contrário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Responder-lhe-emos primeiramente que, mesmo quando a sua consciência lhe dissesse que há pecado naquilo que faz a ma­téria do seu escrúpulo, ele pode e deve re­nunciar à sua consciência para seguir a de outrem, porque a fé nos ensina que de­vemos renunciar ao nosso juízo para se­guir o do nosso diretor, e é este um ato de obediência que é uma das mais exce­lentes virtudes cristãs.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dir-lhe-emos, em seguida, que a própria razão ensina que nos devemos afastar do juízo de um homem ignorante e apaixo­nado, para seguirmos o de um homem erudito e sem paixão; porquanto, sendo ignorante, o primeiro se enganará; sen­do apaixonado, o fogo da paixão impedi-lo-á de ver coisas as mais claras. Porque lá diz a Escritura: O fogo caiu do alto sobre eles e eles não viram o sol.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, a humildade cristã deve fazer crer ao escrupuloso que ele é um ignorante, e a experiência deve fazer-lhe sentir que ele está prevenido por uma paixão violen­ta de temor e de apreensão, que o cega. Os diretores, ao contrário, são uns douto­res eruditos, visto como, além dos seus estudos, são esclarecidos por Deus; são sem paixão, visto não terem nenhum in­teresse naquilo que faz a dúvida do es­crupuloso, e não haveriam de querer so­brecarregar a sua consciência para des­carregar a dele. Pode-se, pois, e mesmo se deve, renunciar às suas próprias luzes para seguir as do seu diretor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A segunda objeção do escrupuloso é que, sendo o diretor um homem como os ou­tros, pode enganar-se e dar-lhe um mau conselho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A esta segunda objeção respondemos di­zendo ao escrupuloso ser verdade que o diretor pode enganar-se dando um mau conselho; mas que um escrupuloso não pode ser enganado seguindo esse conselho, como fala S. Bernardo: e isto se vê clara­mente pelo exemplo de Santa Teresa de que falamos mais acima. Sem dúvida que o confessor que aconselhou a ela despre­zar a visita de Nosso Senhor lhe deu um péssimo conselho; não obstante, Nosso Senhor disse a essa santa, como ela mes­mo refere, que ela não tinha cometido falta seguindo-o, porque uma pessoa não pode cometer falta quando segue as re­gras da prudência. Ora, não há regra de prudência mais certa do que a de agir segundo o conselho do seu diretor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não queremos com isto dizer que um escrupuloso seja obrigado a consultar o seu diretor tantas vezes quantas lhe vêm escrúpulos; não, certamente. Mas, quando o tiver feito em algum caso particular, pode determinar-se por si mesmo, quando o mesmo caso ou outros semelhantes se apresentarem. É a doutrina de Vasquez (Disp. 67, c. 2). Podem eles, mesmo, apli­car a casos particulares as regras gerais que lhes foram dadas. Não julguem ser demasiado largos nisso, visto não serem de pior condição do que os que não são escrupulosos e que procedem desse modo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É mesmo bom adverti-los aqui de que, depois de comunicarem os seus escrúpulos ao seu diretor e receberem o conselho dele, o demônio, para tornar inútil essa ação, lhes sugerirá haverem eles omitido alguma circunstância essencial, que o diretor não compreendeu bem, etc.; e, se eles abrirem a mente ou o ouvido a essas sugestões, ei-los tão perturbados quanto antes. Guar­dem-se, pois, bem de escutar todos esses ardis, e persuadam-se de que se explica­ram suficientemente, e de que, aliás, sen­do o confessor experiente nessas matérias, compreendeu tudo só com uma meia pa­lavra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis aqui como S. Afonso de Ligório re­futa, por sua vez, as objeções dos escru­pulosos:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“S. Bernardo diz que, seguindo o con­fessor, ninguém jamais se engana. E o B. Henrique Suso diz que Deus não pede conta daquilo que se faz por obediência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o escrupuloso replica: “Se eu ti­vesse S. Bernardo por confessor, obedece­ria cegamente; mas o meu confessor não é S. Bernardo”. Não é S. Bernardo, sim, prossegue o nosso santo; porém é mais do que S. Bernardo, pois ocupa o lugar de Deus. Escutai ainda o sábio Gerson a este respeito: “Vós, que assim falais, estais no erro; porquanto não confiastes num homem porque ele é douto, mas porque Deus vo-lo deu por guia. Obedecei-lhe, pois, não como a um homem, mas como ao próprio Deus”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Mas, dizeis vós, eu não sou escrupu­loso, meus receios são fundados”. Respon­do com Santo Afonso de Ligório: Nenhum louco se acredita louco, e a sua loucura consiste justamente em não se conhecer. Digo-vos igualmente: Sois escrupulosos porque não vedes o quanto são vãos os vossos escrúpulos; pois, se soubésseis que eles são vãos, desvencilhar-vos-íeis deles. Tranquilizai-vos e obedecei ao vosso con­fessor, que conhece melhor do que vós a vossa consciência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas acrescentais: “Meu confessor é bom, porém eu não sei me exprimir. É por isso que ele não compreende bem o estado de minha alma”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fazeis mil escrúpulos fora de propósito, e não fazeis escrúpulo de tratar vosso con­fessor de ignorante e de sacrílego! Assim, no receio de que ele não vos haja com­preendido ou de que tenha julgado mal os vossos escrúpulos pela palavra pronun­ciada, ides até o ponto de fazer dele esse juízo falso. O erudito Perelli dizia um dia a uma alma escrupulosa que acusava de heresia o seu confessor: “Mas afinal me diga, minha irmã, em que universidade es­tudou a teologia, a sra, que sabe mais do que o seu confessor? Vá para a sua roca, por favor, e não fale mais assim”. Não vos responderei como esse bispo; mas exorto-vos a vos aterdes a tudo o que vosso confessor vos disser. Quando ele vos diz: Não quero saber de mais; calai-vos e ide comungar, etc., obedecei-lhe, e acreditai que ele vos compreendeu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, dizeis vós, “se eu me condenar obedecendo, quem me tirará do inferno?” Isso não é possível, pois a obediência le­va ao paraíso, e nunca ao inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os santos doutores (Santo Antonino, Navarro, Suárez e outros) concedem comumente dois privilégios às almas escru­pulosas, no tocante às suas confissões pas­sadas, às suas dúvidas, aos seus maus pen­samentos, ao seu consentimento, etc., etc.:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1.º- Que elas não pecam agindo contra os escrúpulos, quando o fazem por obe­diência;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2.º- Que, depois da ação, devem crer que não consentiram nos seus maus pensamentos, se não estiverem certas de haver realmente dado pleno consentimen­to ao pecado cuja malícia inteira conhe­cem. Quando duvidarem disso, a sua pró­pria dúvida prova que elas não acederam à tentação por sua vontade, pois, se não fosse isso, não duvidariam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Mas, dizeis vós, quero agir com a cer­teza de que não desagrado a Deus”. A maior certeza de Lhe agradardes é obe­decerdes ao vosso diretor e vencerdes o vosso escrúpulo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se quereis andar direito e com segu­rança, obedecei pontualmente a todas as ordens do vosso diretor. Rogai-lhe que vos dê regras, não somente particulares, mas gerais, e atende-vos a elas. Termino re­petindo sempre: Obedecei, obedecei, e por caridade não trateis a Deus de tirano”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim fala Santo Afonso de Ligório, es­se santo, tão erudito nos caminhos de Deus e tão experiente sobre as doenças da alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, para dar mais peso às nos­sas provas, vamos citar, no oitavo conse­lho, as autoridades mais próprias para convencer os escrupulosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>VIII. Agir contra os escrúpulos</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O último e o mais eficaz conselho, sem o qual os outros de nada serviriam, é ex­plicar todas as dúvidas em favor de si mesmos, e passar por cima delas quando se desconfiar que são escrúpulos. Por exemplo, um escrupuloso teve pensamen­tos de blasfêmia, de impureza, de juízos temerários; sente dúvidas e temores vio­lentos de haver consentido neles; todavia, não ousaria assegurá-lo, desconfia, mes­mo, de se tratar aqui de um escrúpulo. Neste caso e noutros semelhantes, deve persuadir-se de não haver consentido, e, sem perder tempo em discutir mais, deve rejeitar prontamente esse pensamen­to como um pensamento criminoso, con­trário à paz e ao repouso de sua alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, como o escrupuloso poderia achar violento e perigoso este remédio, e por conseguinte poderia recusar-lhe o uso, eis aqui um feixe de provas imponentes, uma reunião de doutores aos quais não se pode resistir sem loucura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Primeiramente, todos os teólogos, tanto escolásticos quanto místicos ou espirituais, ordenam este remédio como um remédio seguro. Limitemo-nos a citar alguns deles, os mais famosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Gerson, chanceler de Paris, diz no seu Tratado da preparação para a missa, cons. 6º: Os escrupulosos (falando dos padres que receiam sempre não haver pronun­ciado bem as palavras da consagração ou outras) “devem ousadamente ir contra tais escrúpulos; do contrário nunca terão a paz da alma”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Antonino, Livro de Consciência, página 10, regra 6.ª, diz: “É um conselho salutar agir as mais das vezes contra os leves escrúpulos e contra os ataques de tibieza, etc.”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Cardeal Cajetano, falando, na sua Suma, dos escrúpulos ordinários sobre a matéria das confissões, diz que, quando alguém duvida de se ter esquecido de con­fessar algum pecado, se tem alguma cren­ça ligeira de o haver confessado deve tomar essa crença por certeza e depor a sua dúvida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vásquez diz que o escrupuloso nunca deve crer haver pecado mortalmente se isso não lhe aparece tão claramente que ele não tenha dúvida alguma a respeito, e, às vezes, mesmo se não estiver pronto a jurar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, todos os teólogos místicos ou es­pirituais, o Beato João de Jesus Maria, esse homem tão esclarecido; o Beato Afonso Cabrera, célebre dominicano; os Padres Jamin, Surin, Rodriguez, Louis de Blois, Avila, Henrique Suso, Tomás a Kempis, S. Francisco de Sales, S. Filipe de Néri, Santa Teresa, S. João da Cruz, S. Inácio, Dionísio o Cartuxo, etc., dizem que “é pre­ciso combater generosamente e agir con­tra o escrúpulo, depondo a própria cons­ciência; porquanto quem consente no escrúpulo, embora seja sobre coisa leve, alimenta-o e entretém-no, de tal sorte que com isso é mais atormentado nas coisas importantes; e, ao contrário, quem é fiel em resistir à tentação do escrúpulo tor­na-se mais forte, pelos bons hábitos que adquire resistindo”, como diz o apóstolo S. Tiago: <em>Resistite diabolo, et fugiet a vobis</em>; resisti ao demônio, e ele fugirá de vós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que responderá o escrupuloso a tantas autoridades imponentes? Dirá que todos esses doutores se enganam? Para isto se­ria mister haver perdido todo o respeito para com a Igreja e os seus doutores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dirá que esses doutores só avançam es­sa doutrina para aliviar as consciências timoratas? Mas quereriam esses dou­tores, para exonerar-a consciência dos ou­tros, ensinar o erro onerando a sua pró­pria consciência?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dirá, enfim, que eles falam em favor dos escrupulosos, e que ele não é do nú­mero destes? Para responder a isto, basta provar-lhe, consoante as regras prece­dentes, que ele não o é senão em demasia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Receará ele colocar-se mal com Deus agindo desse modo? A experiência prova que aqueles que assim agem são agradá­veis a Deus, visto vermos que Deus os faz sempre progredir em graça e em vir­tude, e que Ele deixa cair em grandes faltas os que consentem no escrúpulo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Responderá que está convencido de to­das essas verdades, mas que, nessas oca­siões, é possuído de um temor tão violen­to que não pode abafá-lo? Então eu digo que, se ele não pode evitar o temor, visto que nisto consiste a tentação, deve resig­nar-se a suportá-la em paz, com paciên­cia, e resguardar-se de consentir nela.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Replicará ele, enfim, que receia pecar agindo com esse temor e contra a sua consciência? Ser-lhe-á então respondido que, embora ele aja com temor e, mesmo assim agindo, se engane, pensando não existir pecado onde o há, contudo ele não peca, segundo o sentimento geral dos teó­logos, e em particular de Santo Antonino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devemos, entretanto, antes de findar este artigo, expor um ponto essencial aos escrupulosos: e é que, aconselhando-lhes explicarem em seu favor as dúvidas que lhes advêm, e passarem adiante, entende­mos isto de toda sorte de dúvidas e de questões de fato: por exemplo, se se con­sentiu em maus pensamentos, se se pro­nunciaram as palavras da consagração, se se confessou um pecado ou não, etc,; mas, nas questões de direito, por exemplo, se um contrato é usurário ou não, se se está obrigado a restituir ou não, etc., cumpre entender estas matérias com alguma dis­tinção, mormente entre pessoas pouco ins­truídas, pouco inteligentes, naturalmente interessadas e que pudessem aplicar mal as regras. Sobre isto, cumpre consultar o diretor e seguir o juízo dele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tratado Dos Escrúpulos De Consciência</em> – Abade Grimes</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-5/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 4</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-4/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-4/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2016 19:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>
		<category><![CDATA[Escrúpulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=6004</guid>
		<description><![CDATA[DOS MAUS EFEITOS DOS ESCRÚPULOS Não se podem deplorar bastante os da­nos que os escrúpulos causam àqueles que os escutam e que lhes dão consentimento; muitíssimas vezes, arruínam a saúde do corpo, alterando o cérebro, bestificando o espírito, e, ademais, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-4/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc4.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-5995" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc4.jpg" alt="esc4" width="219" height="219" /></a>DOS MAUS EFEITOS DOS ESCRÚPULOS</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se podem deplorar bastante os da­nos que os escrúpulos causam àqueles que os escutam e que lhes dão consentimento; muitíssimas vezes, arruínam a saúde do corpo, alterando o cérebro, bestificando o espírito, e, ademais, desolam a consciên­cia. É uma espécie de martírio inferior, diz Fénelon; vai até a uma espécie de dislate e de desespero, embora o fundo esteja cheio de razão e de verdade. Quantos infelizes começaram pelo escrú­pulo e acabaram pela impiedade e pela libertinagem!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em primeiro lugar um escrupuloso tor­na-se incapaz de devoção, porque o Espí­rito Santo só ateia nas almas esse fogo celeste no exercício da oração e na medi­tação das coisas santas, <em>in meditatione mea exardescet ignis</em>. E é disto que o es­crupuloso não é capaz, porque, tendo a mente perturbada pelos escrúpulos, exa­minando incessantemente e rolando na ca­beça se pecou ou se não pecou, é incapaz de meditação e, por conseguinte, de de­voção. Um escrupuloso não pode desobrigar-se como convém dos exercícios de piedade, nem progredir nas virtudes, não somente porque para isto é preciso uma grande aplicação de mente, de que o escrupuloso não é capaz, como também porque, sen­do essas práticas acompanhadas de amar­guras, não se poderia continuá-las por muito tempo se elas não fossem abran­dadas pelas consolações do Espírito San­to; e é esta, ainda, uma coisa de que o escrupuloso não é capaz, porquanto, es­tando continuamente imerso na angústia e na desolação, não pode ao mesmo tem­po degustar alguma consolação; e é isso talvez o que o profeta queria exprimir dizendo que a turbação do espírito en­fraquecia a virtude da sua alma: <em>conturbatum est cor meum</em>; <em>dereliquit me vir­tus mea</em> (Sl 37). Meu coração está cheio de perturbação, toda a minha força aban­donou-me, e até mesmo a luz dos meus olhos não a tenho mais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém um efeito bem funesto, ainda, é que o escrupuloso está sujeito a procurar na carne e nos sentidos os prazeres e as consolações de que precisa, seja para ali­viar as penas que o acabrunham, seja porque não se pode viver muito tempo sem experimentar algum prazer no espírito ou no corpo; estando privado dos do espírito, ele é tentado a procurar os do corpo.</span><span id="more-6004"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, por um desregramento e uma desordem surpreendente, o escrupu­loso faz às vezes escrúpulo daquilo que não é pecado, mas não faz escrúpulo da­quilo que é pecado, ou então o faz daquilo que ele acredita ser pecado mortal, e não o faz daquilo que acredita ser pecado venial; cai na “cegueira e nesse estado que Jesus Cristo exprobrava aos Fariseus: “Tem medo de engolir um mosquito, e en­gole um camelo” (Mt 23, 24); perde o tem­po em combater inimigos imaginários, e lança-se nas mãos daqueles que são ini­migos reais e temíveis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis aí algumas das mil devastações que os escrúpulos causam nas consciências. É por isto que os doutores e os pais da vida espiritual asseveram que um escru­puloso não somente não peca repelindo os seus escrúpulos, porém peca consen­tindo neles; porque este consentimento o lança em mil desordens e lhe fecha a porta da perfeição, e às vezes até mesmo a do céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tratado Dos Escrúpulos De Consciência</em> – Abade Grimes</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-4/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 3</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-3/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-3/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 30 Jul 2016 19:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Abade Grimes]]></category>
		<category><![CDATA[Escrúpulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=6002</guid>
		<description><![CDATA[PRINCÍPIOS DOS ESCRÚPULOS Se tomarmos a tentação do escrúpulo separada do consentimento, achamos que ela deve a sua origem a vários princí­pios; às vezes vem de nós mesmos, do nos­so próprio fundo, de um princípio inte­rior e natural, e às &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-3/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5994" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/07/esc3.jpg" alt="esc3" width="300" height="221" /></a>PRINCÍPIOS DOS ESCRÚPULOS</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se tomarmos a tentação do escrúpulo separada do consentimento, achamos que ela deve a sua origem a vários princí­pios; às vezes vem de nós mesmos, do nos­so próprio fundo, de um princípio inte­rior e natural, e às vezes vem de fora, de um princípio exterior e violento, do de­mônio; outras vezes, enfim, vem do alto, pela permissão do próprio Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1.º- O nosso próprio fundo é, muitas ve­zes, a única fonte do escrúpulo, que nas­ce ora de um temperamento frio, me­lancólico e naturalmente disposto à dú­vida e ao temor; ora de um temperamen­to fleumático ou de uma imaginação de­masiado viva, ou de fragilidade ou de pe­quenez de espírito; de uma falsa idéia que se forma de Deus, de Sua justiça, da Sua conduta para com as Suas criaturas; às vezes, de austeridades demasiadamen­te grandes, da frequentação de pessoas escrupulosas; não raro, do orgulho, que produz a obstinação; outras vezes, da ig­norância, que resiste àquilo que ela não sabe; da leitura de livros teológicos ou demasiadamente eruditos, que só deixam no espírito aquilo que pode embaraçar, embora lisonjeando o amor-próprio que pretende compreender tudo e tudo sa­ber. O escrúpulo vem também da falta de discernimento entre o pecado mortal e o pecado venial, entre o pensamento e a re­flexão, entre a inclinação e a vontade, entre a negligência e o consentimento; vem, muitas vezes, de um grande esquentamento de cabeça que dá uma tensão forte às fibras do cérebro, e que com isso torna a pessoa susceptível de diversos mo­vimentos, de diversos pensamentos confu­sos; ou vem da timidez natural, que facilmente se alarma, ou da vivacidade da imaginação, que pinta vivamente tudo o que se receia, ou, enfim, de um desejo excessivo de certeza naquilo que concerne à salvação.</span><span id="more-6002"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2.º- A tentação do escrúpulo vem, não raras vezes, de um princípio exterior e vio­lento, quero dizer, do demônio. É o sen­timento de Santo Antonino, de Cajetan e de todos os teólogos. Isso sucede princi­palmente quando a pessoa escrupulosa não tem os defeitos naturais de que acabamos de falar, mas, ao contrário, tem o espírito bom, esclarecido, e os humores bastante temperados. Os escrúpulos vêm também do demônio, quando empolgam uma alma com tal impetuosidade que ela não pode resistir, e quando lhe representam os objetos com uma vivacidade sobre-hu­mana. É esse um indício de um princípio extraordinário e violento; porquanto a na­tureza age mais brandamente e perma­nece senhora de si mesma quando quer. Se o inimigo das almas as aflige pelas tentações, é que quer fazê-las cair em todos os desregramentos que diremos ao falarmos dos maus efeitos produzidos pe­los escrúpulos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3.º- Em certo sentido pode-se dizer que Deus é, às vezes, a causa dos escrúpulos, por isto que, tirando o bem do mal, se serve deles, numa conduta misericordiosa, para fazer progredir ou para castigar as almas. Sem dúvida, Ele não é o princípio e o autor das nossas ilusões; mas, por vistas reservadas à Sua suma sabedoria, Ele não dá as luzes que as dissipariam. Por esta privação de luzes, Deus pune certas almas, faz-lhes expiar as suas infi­delidades, como vemos que Ele punia ou­trora os Egípcios enviando-lhes um espí­rito de aturdimento e de vertigem que os fazia errar em todas as suas obras e cambalear como um homem ébrio: <em>Dominus miscuit in medio ejus spiritum vertiginis, et errare fecerunt Egyptum in omni ope­re suo, sicut errat ebrius et vomens</em> (Is 19, 14).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus permite, principalmente, esta ten­tação para punir os soberbos; às vezes Ele sofre que potências cheias de luz e de capacidade para conduzir os outros se tor­nem cegas e incapazes de conduzir-se a si mesmas, e permite-o quer para man­tê-las na humildade, quer para lhes en­sinar, por sua própria experiência, a con­duta que devem seguir para com os ou­tros. Por esse meio, ainda, Deus reanima o fervor e o zelo nas pessoas tíbias, e dis­põe certas almas para as mais altas vir­tudes, porque esse estado as confunde, lhes faz perder a confiança em si mesmas, as coloca na trilha dos méritos, fazendo-lhes procurar, não as consolações de Deus, po­rém o Deus das consolações. Foi assim que Santa Teresa e tantos outros foram elevados ao auge da perfeição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus serve-Se também dos escrúpulos, não como um remédio para curar o mal que já se fez, mas como um antídoto para prevenir o mal que se poderia fazer, con­soante o pensamento de S. Gregório sobre Job: <em>Nonnunquam quisque percutitur, non ut praeterita corrigat, sed ne ventura committat</em>. Era assim que Ele provava S. Paulo, com medo de que a grandeza das Suas revelações cansasse a este sentimen­tos de elevação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, muitas vezes Deus Se serve dos escrúpulos como de um crisol para purifi­car nele ainda mais as almas, e para lhes aumentar o mérito, como muito bem o diz o célebre João de Jesus Maria, geral dos Carmelitas, no seu Tratado da Oração. É também o que S. João da Cruz confirma no capítulo quarto da sua Noite escura, onde diz: “Quando Deus quer admitir uma alma à perfeita união e à noite do espí­rito, fá-la passar por trabalhos espanto­sos: ora permite que ela seja afligida pe­lo espírito de fornicação, que ateia um fogo infernal na carne; ora pelo espírito de blasfêmia, que põe na boca palavras que a gente não ousaria pronunciar; ora pelo espírito de vertigem, que obscurece a alma por mil escrúpulos e perplexidades; o que, diz ainda o mesmo santo, faz um dos mais rudes aguilhões, um dos mais tristes horrores dessa noite”. Eis aí por que Deus permite que os Seus melhores amigos sejam às vezes atormentados por escrúpulos. Que este pensamento console as almas que passam a vida nessa espécie de purgatório; que as excite a suportar pacientemente essa provação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conquanto a tentação do escrúpulo ve­nha, as mais das vezes, do demônio, é no entanto verdadeiro que o consenti­mento no escrúpulo vem sempre do es­crupuloso; vem da sua imaginação viva e mal fortificada, que recebe sem distinção todos os fantasmas que se lhe apresentam, ao invés de rejeitar os que são con­trários à razão; vem do seu entendimento desregrado, que se conduz pelos movimen­tos de uma imaginação escaldada, em vez de conduzir-se pelas luzes da razão e da fé. Vem ainda do amor desregrado que ele tem a si mesmo; vem, enfim, de não sa­ber ele compreender os bons conselhos tais como os que daremos em falando dos meios de curar os escrúpulos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os escrúpulos de temperamento fazem-se ordinariamente conhecer por uma me­lancolia profunda, por uma timidez exces­siva em todas as coisas, por uma vã su­tileza que chicaneia sobre tudo, por uma obstinação, por uma teimosia que os faz sempre voltar às suas primeiras idéias, e que impede as melhores idéias de lhes repontar na mente; donde resulta uma grande indocilidade que não lhes permite render-se à verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conhece-se que os escrúpulos vêm do demônio por um negror particular que lhes aparece nos efeitos; eles arrefecem sempre a alma para o bem, e dão-lhe aversão a este; representam-lhe os seus males como incuráveis, e inspiram-lhe sentimentos de desespero; enfim, fazem-na cair numa estranha contradição consigo mesma, de sorte que ela se proíbe, como gravíssimas, coisas leves, e permite-se sem remorso outras, às vezes, muito criminosas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para reconhecer os escrúpulos que vêm de Deus, deve-se prestar atenção aos mo­tivos que os fazem nascer e aos efeitos que eles produzem. O motivo deles é um grande temor de ofender a Deus; e, em­bora esse temor exceda os limites, todavia parte de um bom princípio que, no fundo, é a caridade. Os seus efeitos são: um hor­ror mais sensível ao pecado, uma fuga exata das ocasiões, uma reforma sempre mais perfeita da vida passada, esforços mais generosos para avançar na virtude.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A duração desses escrúpulos, diz o au­tor da Ciência do confessor, não é, ordiariamente, muito longa: mal Deus vê que essas almas de escol estão bastante depuradas e que as uniu perfeitamente a Si, segundo a sua promessa Ele dissipa a tempestade que as agitava, e faz-lhes de­gustar uma calma profunda. <em>Non dabit in aeternum, fluctuationem justo</em> (Sl 54).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tratado Dos Escrúpulos De Consciência</em> – Abade Grimes</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/tratado-dos-escrupulos-de-consciencia-capitulo-3/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
