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	<title>DOMINUS EST &#187; Papa Leão XIII</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>SÉRIE &#8220;CRISE NA IGREJA&#8221; &#8211; EPISÓDIO 5: LIBERALISMO &#8211; O QUE É? LEÃO XIII E CARDEAL BILLOT</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jun 2025 13:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cardeal Billot]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta semana, damos novamente as boas-vindas ao Pe. Steven Reuter. Aprenderemos mais sobre o liberalismo, sob o olhar de um dos maiores pontífices dos últimos dois séculos, o Papa Leão XIII, e sua condenação do liberalismo em sua encíclica &#8220;Libertas&#8221;. &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/serie-crise-na-igreja-episodio-5-liberalismo-o-que-e-leao-xiii-e-cardeal-billot/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta semana, damos novamente as boas-vindas ao Pe. Steven Reuter. Aprenderemos mais sobre o liberalismo, sob o olhar de um dos maiores pontífices dos últimos dois séculos, o Papa Leão XIII, e sua condenação do liberalismo em sua encíclica &#8220;Libertas&#8221;. Também aprenderemos mais sobre o Cardeal Billot, que falou abertamente sobre o liberalismo e, até 2020 (ano do vídeo), foi o último cardeal a renunciar ao cargo. Além disso, descobriremos por que 1927 foi um ano tão fascinante na Cidade Eterna de Roma.</span></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/ZYHL27HVgAk?si=dKVTlPPHivrrqsaF" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>CARTA ENCÍCLICA OCTOBRI MENSE</title>
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		<pubDate>Sat, 24 May 2025 14:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[CARTA ENCÍCLICA OCTOBRI MENSE DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS IRMÃOS, OS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS E BISPOS DO ORBE CATÓLICO, EM GRAÇA E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA Veneráveis &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/carta-enciclica-octobri-mense/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/69/C_o_a_Leone_XIII.svg/200px-C_o_a_Leone_XIII.svg.png" alt="Resultado de imagem para leão xiii brasão" width="238" height="228" /></p>
<p style="text-align: center;">CARTA ENCÍCLICA<br />
<strong><em>OCTOBRI MENSE</em></strong><br />
DE SUA SANTIDADE<br />
<strong>PAPA LEÃO XIII</strong><br />
A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS<br />
IRMÃOS, OS PATRIARCAS,<br />
PRIMAZES, ARCEBISPOS<br />
E BISPOS DO ORBE CATÓLICO,<br />
EM GRAÇA E COMUNHÃO<br />
COM A SÉ APOSTÓLICA</p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Veneráveis Irmãos,<br />
Saúde e Bênção Apostólica.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Convite ao Rosário</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1. Ao aproximar-se o mês de Outubro, já agora consagrado à beatíssima Virgem, é para Nós coisa sumamente grata relembrar as solícitas recomendações que, nos anos precedentes, vos dirigimos, ó Veneráveis Irmãos, a fim de que em toda parte os fiéis, impelidos pelo vosso zelo autorizado, se volvessem, com reavivada piedade, para a grande Mãe de Deus, para a poderosa auxiliadora do povo cristão; a ela recorrendo suplicantes, durante o mês inteiro, com o rito do santo Rosário: Rosário que a Igreja habitualmente usou e divulgou, sobretudo nos tempos mais tempestuosos; e sempre com o desejado êxito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2. Temos a peito manifestar-vos, também este ano, o mesmo desejo, e renovar-vos a mesma exortação. Impele-nos a isto urgentemente, e a isso nos estimula, o Nosso amor à Igreja, cujas angústias, antes que se aligeirarem, crescem cada dia mais em número e em aspereza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Males que afligem a Igreja</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3. A todos são conhecidos os males que Nós deploramos: a luta desapiedada contra os sagrados e intangíveis dogmas, que a Igreja guarda e transmite; a zombaria da integridade da virtude cristã, que a Igreja defende; a trama de calúnias de mil modos urdidas; o ódio fomentado contra a sagrada ordem dos bispos, e principalmente contra o Romano Pontífice; os ataques dirigidos, com a mais impudente audácia e a criminosa impiedade, contra a própria divindade de Cristo, no intuito de extirpar pelas raízes e de destruir a obra divina da Redenção, que força alguma poderá jamais destruir nem cancelar.</span><span id="more-33073"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4. Estes ataques não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Porquanto, depois do aviso dado por Cristo aos Apóstolos, ela sabe que, para instruir os homens no caminho da verdade e guiá-los à salvação eterna, ela deve todo dia descer a campo e travar combate. E, na realidade, nos séculos ela sempre lutou intrepidamente até ao martírio, considerando como sua precípua alegria e glória o poder unir o seu sangue ao do seu Fundador: no qual está depositada a segura esperança da prometida vitória.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5. Por outra parte, entretanto, não podemos ocultar nos o profundo senso de tristeza que penetra os melhores, ante esta contínua tensão de batalha. De fato, é motivo de imensa tristeza ver o grande número dos que, pela perversidade dos erros e por esta insolente atitude contra Deus, são arrastados para longe e impelidos para o abismo; o grande número dos que, pondo num mesmo plano todas as formas de religião, pode-se dizer que já estão na iminência de abandonar a fé divina; o número notável dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E ainda mais nos aflige e nos atormenta o ânimo o considerarmos que a causa principal de tais ruinosos tais ruinosos e deploráveis males está na exclusão completa da Igreja das ordenações sociais, enquanto de propósito se hostiliza a sua salutar influencia. E nisto é de reconhecer um grande e merecido castigo de Deus, o qual cega miseravelmente as nações que se afastam d’Ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A necessidade da oração </em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6. Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança &#8220;sem nunca cessar&#8221; (<em>1Tim</em>5, 17); e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a se dignar, na sua infinita bondade, de livrar a sua Igreja &#8220;dos homens insolentes e malvados&#8221; (<em>2</em><em>Tim</em> 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">7. Espetáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos que, pela bondade divina, os tempos lhe oferecem, todavia não é nestes meios que ela deposita a sua principal esperança; mas sim na oração, coletiva e insistente, elevada ao seu Deus. Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida; porque, elevando-se, mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranqüila, da própria vida de Cristo. E nisto ela é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Exemplos de oração na Sagrada Escritura</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">8. Este grande ensinamento do cristianismo sempre foi escrupulosamente praticado pelos cristãos dignos deste nome. Quando à Igreja ou a quem lhe regia os supremos destinos estava iminente algum perigo, mercê da perfídia e da violência de homens perversos, então com maior insistência e freqüência elevavam os cristãos suas preces a Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">9. De tal costume achamos luminoso exemplo nos fiéis da Igreja nascente, exemplo digno de ser proposto à imitação de todos os pósteros. Pedro, Vigário de Cristo, Pontífice supremo de toda a Igreja, por ordem do ímpio Herodes fora lançado no cárcere, e destinado a segura morte. Ninguém estava em condições de lhe levar auxílio para o subtrair àquele perigo. Mas não faltava esse auxílio único que a devota oração sabe obter de Deus. Como nos testemunha a Sagrada Escritura, a Igreja elevava a Deus fervorosíssimas preces por ele: &#8220;Mas a Igreja fazia a Deus contínuas preces por ele&#8221; (<em>At</em>12, 5). E tanto mais ardente se tornava o empenho da sua oração, quanto mais grave era a angústia que eles experimentavam por aquela desventura. Todos sabem que essas preces foram atendidas. Antes, todos os anos o povo cristão celebra sempre com agradecida alegria a lembrança da miraculosa libertação de S. Pedro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">10. Outro exemplo, ainda mais luminoso, antes divino, dá-no-lo o próprio Cristo, que se propusera encaminhar e formar na perfeição a sua Igreja não só com os novos preceitos, mas também com a sua vida. Durante e curso de toda a sua vida Ele se dedicara mui freqüente e longamente à oração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, nas suas horas supremas, quando, no horto de Getsêmani, a sua alma foi invadida de uma angústia imensa e oprimida por uma tristeza mortal, Ele não somente orava, porém &#8220;orava mais intensamente&#8221; (<em>Lc</em> 22, 43). E isto Ele fez não para si mesmo, pois, como Deus, nada podia temer e de nada precisava; mas fê-lo para nossa vantagem, e para vantagem da sua Igreja, cujas futuras orações e futuras lágrimas desde então Ele generosamente fazia suas, tornando fecundas umas e outras com a sua graça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Maria mediadora de todas as graças</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">11. Mas, depois que, por virtude do mistério da Cruz, foi realizar a salvação do gênero humano, e depois que, com o triunfo de Cristo, a Igreja foi plenamente constituída dispensadora da sua salvação, desde então a Providência preparou e estabeleceu para este novo povo uma ordem nova.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">12. As disposições da divina Sabedoria devem ser olhadas com profunda veneração. O Filho eterno de Deus, querendo assumir a natureza humana para redimi-la e nobilitá-la, e portanto para contrair um místico consórcio com o gênero humano, não deu cumprimento a este seu desígnio senão depois de obter o livre consentimento daquela que fora designada para sua Mãe, e que, em certo sentido, representava todo o gênero humano; segundo a célebre e veracíssima sentença do Aquinate: &#8220;Por meio da Anunciação aguardava-se o consentimento da Virgem, em nome e em representação de toda a natureza humana&#8221; (<em>S. Tomás</em>, 3, q. 30, a. 1).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por conseqüência, pode-se com toda verdade e rigor afirmar que, por divina disposição, nada nos pode ser comunicado, do imenso tesouro da graça de Cristo &#8211; sabe-se que &#8220;a glória e a verdade vieram de Jesus Cristo&#8221; (<em>Jo</em> 1, 17), &#8211; senão por meio de Maria. De modo que, assim como ninguém pode achegar-se ao Pai Supremo senão por meio do Filho, assim também, ordinariamente, ninguém pode achegar-se a Cristo senão por meio de sua Mãe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">13. Quanta sabedoria e misericórdia resplandece nesta disposição da Divina Providência! Que compreensão da debilidade e fragilidade humana! De fato, nós cremos na infinita bondade de Cristo, e por ela lhe rendemos louvor; mas também cremos na sua infinita justiça, e desta temos temor. Sentimos uma profunda gratidão pelo amor do Salvador, que por nós deu generosamente o seu Sangue e a sua vida; mas, ao mesmo tempo, tememo-lo no seu caráter de juiz inexorável. Apreensivos pela consciência dos nossos pecados, precisamos, por isto, de um intercessor e de um patrono que, de um lado, goze em alto grau do favor divino, e, de outro, seja de ânimo tão benévolo que a ninguém recuse o seu patrocínio, nem mesmo aos mais desesperados, e ao mesmo tempo infunda confiança na divina clemência àqueles que, abatidos, jazem no desconforto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Mãe de Deus e Mãe dos homens</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">14. Pois bem: essa eminentíssima criatura é justamente Maria: certamente Ela é poderosa, porque é Mãe de Deus onipotente, porém &#8211; o que é mais consolador -é amorosa, de uma extrema benevolência, de uma indulgência sem limites. Tal no-la deu o próprio Deus, que, havendo-a escolhido para Mãe de seu Unigênito, infundiu-lhe, por isso mesmo, sentimentos requintadamente maternos, capazes somente de bondade e de perdão. Tal no-la mostrou Jesus, quer quando consentiu em ser sujeito e obedecer a Maria, como um filho a sua mãe, quer quando, do alto da Cruz, confiou às suas amorosas solicitudes todo o gênero humano, na pessoa do discípulo João. Tal, enfim, se mostrou ela mesma quando, acolhendo generosamente a pesada herança que lhe deixava seu Filho moribundo, desde aquele momento começou a cumprir, para com todos, os seus deveres de Mãe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>O recurso a Maria na tradição cristã</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">15. Este plano de terna misericórdia executado por Deus em Maria e ratificado por Cristo com a sua última vontade, foi desde o início compreendido com imensa alegria pelos santos Apóstolos e pelos primeiros fiéis; foi compreendido e ensinado pelos venerandos Padres da Igreja; foi concordemente compreendido, em todos os tempos, pelo povo cristão. E mesmo quando a tradição e a literatura se calassem, esta verdade seria igualmente atestada com grandíssima eloquência pela voz que irrompe do coração de cada cristão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem uma fé divina não se explicaria o imperioso impulso que nos impele e docemente nos arrasta para Maria; o vivo desejo, ou, melhor, a necessidade que sentimos de procurar refúgio na proteção e no auxílio daquela a quem podemos confiar plenamente os nossos projetos e as nossas ações, a nossa inocência e o nosso pensamento, os nossos tormentos e as nossas alegrias, as nossas preces e os nossos votos, em suma todas as nossas coisas; a doce esperança e a confiança, por nós nutridas, de que aquilo que seria menos aceito a Deus, porque apresentado por nós, indignos pecadores, poderá tornar-se-lhe agradabilíssimo se o confiarmos a sua Mãe Santíssima.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto mais a alma se alegra com a verdade e suavidade destes pensamentos, outro tanto se entristece por causa daqueles que, privados da fé divina, não honram Maria: antes, não a consideram nem mesmo como Mãe. E ainda mais se contrista o Nosso coração por causa daqueles que, embora participantes da santa fé, ousam acusar os bons de excessivo e exagerado culto para com Maria, ofendendo com isto grandemente a piedade filial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">16. Portanto, no meio da tempestade de males que tão duramente atormentam a Igreja, todos os devotos filhos desta mesma Igreja vêem claramente que urgente dever têm de orar insistentemente a Deus onipotente, e, sobretudo, de que modo devem aplicar-se a isso para que as suas preces tenham máxima eficácia. Seguindo o exemplo de nossos piedosíssimos pais e antepassados, recorramos a Maria, nossa santa Rainha; e, concordemente, supliquemos a Maria, Mãe de Jesus Cristo e Mãe nossa: &#8220;Mostra-te nossa Mãe, e por meio de ti acolha nossas preces Aquele que, nascido para nós, quis ser teu Filho&#8221; (<em>Da sagrada liturgia</em>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Excelência do Rosário</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">17. Ora, como quer que, entre a diversas formas e maneiras de honrar a divina Mãe, são de preferir aquelas que por si mesmas são julgadas mais excelentes e a ela mais agradáveis, apraz-nos expressamente apontar e vivamente recomendar o santo Rosário. A este modo de orar foi dado, na linguagem comum, o nome de &#8220;coroa&#8221;, porque ela também recorda, num feliz enredo, os grandes mistérios de Jesus e de Maria: as suas alegrias, as suas dores e os seus triunfos. Se os fiéis meditarem e contemplarem devotamente, na ordem, devida, estes augustos mistérios, haurirão deles um admirável auxílio, quer em alimentar a sua fé e em preservá-la da ignorância e do contágio dos erros, quer em elevar e fortalecer o vigor do seu espírito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De feito, por esse modo o pensamento e a memória de quem reza são, à luz da fé, atraídos com suavíssimo ardor para estes mistérios. Neles concentrados e imersos, nunca se cansarão de admirar a obra inenarrável da Redenção humana, levada a efeito a tão caro preço e com uma sucessão de tão grandes acontecimentos. E, diante destas provas da divina caridade, a alma se inflamará de amor e de gratidão, consolidará e aumentará a sua esperança, e avidamente visará à recompensa celeste, preparada por Cristo para aqueles que se Lhe houverem unido pela imitação dos seus exemplos e pela participação das suas dores. E, enquanto isso, com os lábios se pronunciam as orações ensinadas pelo próprio Cristo, pelo Arcanjo Gabriel e pela Igreja. Orações tão cheias de louvores e de salutares aspirações não poderão ser repetidas e continuadas, na sua vária e determinada ordem, sem produzirem sempre novos e suaves frutos de piedade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Origem e glórias do Rosário</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">18. Que, pois, a própria Rainha do Céu haja ligado a esta oração uma grande eficácia, demonstra-o o fato de haver ela sido instituída e propagada pelo ínclito S. Domingos, por impulso e inspiração dela, em tempos especialmente tristes para a causa católica, e bem pouco diferentes dos nossos, e instituída como um instrumento de guerra eficacíssimo para combater os inimigos da fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">19. Com efeito, a seita herética dos Albigenses, ora sorrateira, ora abertamente, invadira numerosas regiões; espantosa descendência dos Maniqueus, repetia ela os monstruosos erros destes, e renovava as suas hostilidades, as suas violências e o seu ódio profundo contra a Igreja. Contra essa turba tão perniciosa e arrogante, já agora pouco ou nada se podia contar com os auxílios humanos, quando o socorro veio manifestamente de Deus, por meio do Rosário de Maria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, graças à Virgem, gloriosa e debeladora de todas as heresias, as forças dos ímpios foram abatidas e quebradas, e a fé de muitíssimos ficou salva e intacta. E pede-se dizer que semelhantes fatos se verificaram no seio de todos os povos. Quantos perigos conjurados! Quantos benefícios alcançados! A história antiga e moderna aí está para o demonstrar com os mais luminosos testemunhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Difusão e vitalidade do Rosário</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">10. Porém outra prova evidente também nos é fornecida pelo fato de, apenas instituída a oração do Rosário, haver-se a sua prática em brevíssimo tempo propagado por toda parte, entre toda classe de pessoas. E, de feito, se é verdade que o povo cristão tem achado diversas formas e títulos insignes para honrar a Mãe de Deus, que sozinha se eleva, entre todas as criaturas, por tantas excelsas prerrogativas, todavia é inegável que os fiéis sempre amaram de modo todo particular o título do Rosário: isto é, essa maneira de orar que é considerada como a senha da nossa fé e o compêndio do culto a ela devido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E têm-na praticado particularmente e em público, no interior das casas e no seio das famílias; instituindo confrarias, consagrando altares, promovendo solenes procissões; convencidos de que de nenhum outro modo poderiam melhor honrar as suas festas e merecer o seu patrocínio e as suas graças.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">21. Nem passe em silêncio um fato que focaliza uma particular providência de Nossa Senhora acerca do Rosário. E é este. Quando, com o correr do tempo, no seio de algum povo pareceu enfraquecer-se o gosto pela piedade, e relaxar-se também a prática desta oração, mal se desenhou, pelo lado do Estado, algum gravíssimo perigo, ou se apresentou qualquer necessidade pública, por voto unânime foi a prática do Rosário, de preferência a outras manifestações religiosas, que foi como que por encanto revocada a uso e recolocada no seu lugar de honra, com geral benefício. E desta asserção não se faz mister ir buscar as provas no passado, porque temos ao alcance da mão uma insigne nos nossos dias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como dissemos desde o princípio, estes nossos tempos são cheios de amargura para a Igreja de Deus, e ainda mais para Nós, chamado pela Providência Divina a governá-la. Ora, justamente nestes tempos é que nos é dado notar e admirar, em toda parte do orbe católico, um fervoroso despertar na prática e na devoção do Rosário. E, visto que este fato, antes que à diligência humana, se deve efetivamente atribuir a Deus, que dirige e conduz os homens, isto consola, e levanta o Nosso ânimo, enchendo-o de grande confiança em que, pela intercessão de Maria, a Igreja poderá alcançar novos e mais extensos triunfos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Como se deve orar</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">22. Há alguns que crêem as coisas que havemos relembrado; mas, depois, vendo não haver sido ainda alcançado nada daquilo que se esperava &#8211; e em primeiro lugar a paz e a tranqüilidade da Igreja, antes, vendo a situação tornar-se sempre mais ameaçadora, como que cansados e desconfiados diminuem a assiduidade e o ardor da sua oração. Mas estes deveriam, em primeiro lugar, refletir, e fazer com que as orações por eles dirigidas a Deus sejam dotadas dos requisitos que, segundo o preceito de Cristo Senhor Nosso, são necessários.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, depois, se as suas orações fossem realmente tais, deveriam eles além disso considerar que é coisa indigna e culposa o querer fixar a Deus o momento e o modo de vir em nosso socorro, a Deus que não nos deve nada; tanto que, quando Ele atende a quem lhe ora, e quando &#8220;coroa os nossos méritos, na realidade não coroa outra coisa senão os seus próprios dons&#8221; (S. Agostinho, <em>Epistola 194 al. 105 ad Sixtum</em>, c. 5, n. 19); e, quando não secunda os nossos desejos, comporta-se providencialmente como um bom pai para com seus filhos, o qual tem piedade da estultícia destes, e olha sempre à sua verdadeira utilidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A oração pela Igreja e a oração da Igreja</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">23. Mas Deus acolhe benignamente e atende as orações que amparadas pela intercessão dos Santos, devotamente lhe erguemos para torná-lo propício à sua Igreja; seja quando para a sua Igreja pedimos os bens mais altos e eternos, seja quando pedimos bens importantes e temporais, mas, em todo caso, úteis àqueles. Com efeito, a tais orações adita valor e imensa eficácia, com suas orações e seus méritos, Nosso Senhor Jesus Cristo, que &#8220;amou a Igreja e deu-se a si mesmo por ela, com o fim de santificá-la&#8230; para fazer aparecer diante de Si mesmo, gloriosa, a Igreja&#8221; (<em>Ef</em>5, 25-27); Ele que lhe é o Pontífice supremo, santo, inocente, &#8220;sempre estando vivo, para poder interceder por nós&#8221;; Ele que, nas suas orações e súplicas &#8211; cremo-lo por fé divina &#8211; sempre consegue o seu intento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">24. Portanto, no que diz respeito aos interesses da Igreja, é sabido que as mais das vezes ela deve lutar com adversários formidáveis por ódio e poder; e sobejas vezes deve ela doer-se de que pelos seus inimigos lhe sejam arrancados os seus bens, limitada e oprimida a sua liberdade, atacada e desprezada a sua autoridade, e, em suma, infligidos danos e violências de todo gênero.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, se nos perguntarem por que razão a maldade destes não chega ao cúmulo de injustiça que eles se propõem e se esforçam por atingir, e, de outra parte, por que razão a Igreja, mesmo no meio de tantas vicissitudes, refulge sempre, conquanto de modos diversos, da mesma grandeza e da mesma glória, e continua a progredir, justo é atribuir à verdadeira causa de um e de outro fato ao poder da oração unânime da Igreja; não podendo humanamente explicar-se como a iniquidade, mesmo tão descarada, seja contida dentro de limites tão estreitos ao passo que a Igreja, embora mantida em opressão, alcança sem embargo, tão esplêndidos triunfos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E isto aparece ainda mais evidente no campo desses bens de que a Igreja se serve para conduzir os homens à posse do bem supremo. Visto haver ela nascido justamente para esta missão, a sua oração deve ter uma grande eficácia em obter que se cumpra perfeitamente sobre os homens o desígnio da providência e misericórdia de Deus; de modo que, quando os homens oram com a Igreja e por meio da Igreja, em definitivo impetram e obtêm aquilo que &#8220;desde a eternidade Deus onipotente dispusera conceder&#8221; (S. Tomás, II-II, q. 83, a. 2: <em>de S. Greg. Magno</em>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Os milagres da oração</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">25. Neste mundo a mente humana falha em face dos excelsos planos da Divina Providência; mas dia virá em que o próprio Deus, na sua grande bondade, nos manifestará as causas e o enredo dos acontecimentos; e então aparecerá claramente que poderosa eficácia de impetração teve nesta ordem de coisas o dever da oração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então ver-se-á que foi justamente por virtude da oração que muitos, mesmo em meio à grande corrupção do mundo depravado, se conservaram puros e isentos &#8220;de toda contaminação de carne e de espírito, realizando a santificação no temor de Deus&#8221; (2 <em>Cor</em>, 7, 1); que outros, quando estavam a ponto de ceder ao mal, não somente se contiveram, mas do perigo e da tentação tiraram um acréscimo de virtude; que outros, já derrubados, por um estímulo interior foram impelidos a levantar-se e a lançar-se no amplexo de Deus misericordioso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">26. Por isto Nós conjuramos todos a quererem meditar atentamente estas verdades; a não se deixarem seduzir pelos ardis do antigo inimigo; a nunca abandonarem, por motivo algum, a prática da oração; antes os exortamos a perseverarem nela, sem nunca se cansarem. E, em primeiro lugar, lembrem-se de implorar o mais alto de todos os bens: a salvação eterna de todos, e a incolumidade da Igreja. Depois disto poderão invocar de Deus os outros bens que concernem à prosperidade temporal; contanto que sejam resignados à sua justíssima vontade, e que, atendidos ou não nas suas orações, saibam render-Lhe graças como ao mais benfazejo dos pais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por último, recomendamo-lhes orarem com esse espírito de religião e de piedade que sempre convém quando se trata com Deus: como costumavam fazer os Santos, e como fazia o nosso próprio Redentor e Mestre, &#8220;com fortes gritos e lágrimas&#8221; (<em>Heb</em> 5, 7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Com a oração, a mortificação</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">27. A esta altura, a dor e o afeto de Pai impele-nos a implorar de Deus, dador de todos os bens, para todos os filhos da Igreja, não somente o espírito da oração, mas também o da mortificação. Isto fazendo de todo coração, Nós exortamos todos, com a mesma solicitude, a praticarem esta virtude, tão estreitamente unida à outra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porquanto, se a oração conforta a alma, robustece-a e eleva-a às coisas celestes, a mortificação habitua-nos a dominar-nos a nós mesmos, e especialmente o corpo, que, por motivo de antiga culpa, é o mais perigoso inimigo da razão e da lei evangélica. Há entre estas virtudes &#8211; como é evidente um nexo indissolúvel. Elas se ajudam reciprocamente, e juntas tendem ao mesmo fim, que é o de desapegar o homem, nascido para o Céu, das coisas caducas deste mundo, para elevá-lo quase a uma celeste intimidade com Deus. Ao contrário, aquele que tem o ânimo aceso pelas paixões e amolecido pelos prazeres tem náusea das alegrias celestes, que nunca experimentou. A sua oração não passa de uma voz fria e lânguida, certamente indigna de ser escutada por Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>O exemplo dos santos</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">28. Temos sob os olhos os exemplos de mortificação a nós deixados pelos Santos. Pois bem: era justamente esse espírito de mortificação que tornava aceitas a Deus as suas orações; tanto que, como nos atesta a história sagrada, eles tiveram até mesmo o poder de operar milagres. Esses Santos eram assíduos em regular e refrear a mente, o coração e as paixões; submetiam-se sempre com grande docilidade e humildade à doutrina de Cristo, aos ensinamentos e aos preceitos da sua Igreja; nada queriam, nada recusavam, sem antes haver sondado a vontade de Deus; nas suas ações não se propunham outro escopo senão a maior glória de Deus; continham e reprimiam energicamente os apetites da carne; tratavam o próprio corpo duramente e sem piedade; e, por amor da virtude, abstinham-se até mesmo das coisas por si mesmas lícitas. Assim podiam com razão aplicar a si mesmos as palavras que o Apóstolo Paulo dizia de si: &#8220;já que a nossa cidadania é nos céus&#8221; (<em>Filip</em>3, 20); e, pela mesma razão, as suas orações eram tão eficazes em lhe tornar Deus propício e benigno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Necessidades da penitência</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">29. Certamente, nem a todos é dada a possibilidade, nem todos têm a obrigação de fazer o mesmo; mas cada um é obrigado, segundo o seu poder, a mortificar a sua vida e os seus costumes. Exige-o a justiça divina, à qual é dada estrita satisfação das culpas cometidas; e é preferível dar essa satisfação enquanto se está em vida, com penitências voluntárias, porque assim também se tem o mérito da virtude.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disto, já que nós todos estamos unidos e vivemos no corpo místico de Cristo, que é a Igreja, daí se segue, consoante S. Paulo, que, tal como os gozos, assim também as dores de um membro são comuns a todos os outros membros: quer dizer que os irmãos cristãos devem vir voluntariamente em auxílio dos outros irmãos nas suas enfermidades espirituais ou corporais, e, na medida em que estiver em seu poder, cuidar da cura deles; &#8220;os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros; e, se um membro sofre, sofrem com ele todos os membros; ou, se tem glória um membro, todos os membros se regozijam com ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, vós sois corpo de Cristo, e particularmente sois membros deste&#8221; (1 <em>Cor</em> 12,25-27). Nesta prova que a caridade nos pede, de expiarmos as culpas de outrem, a exemplo de Jesus Cristo, que com imenso amor deu a sua vida para redimir todos do pecado, está esse grande vínculo de perfeição que une estreitamente os fiéis entre si, com os Santos e com Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">30. Em suma, o espírito da santa mortificação é tão vário, industrioso e extenso, que qualquer um desde que animado de piedade e de boa vontade pode praticá-lo com muita freqüência e sem esforço excessivo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Exortações e esperanças</em></strong> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">31. Depois do que até aqui expusemos, não nos resta, Veneráveis Irmãos, senão esperar dos Nossos avisos e das Nossas exortações o êxito mais consolador. E de fato o esperamos da vossa singular e profunda piedade para com a augusta Mãe de Deus, da vossa solicitude e do vosso zelo pelo rebanho a vós confiado. E já a nossa alma se alegra em prever frutos felizes e abundantes, como aqueles que os católicos souberam colher da sua notável piedade para com Maria. Que, pois, graças aos vossos convites, às vossas recomendações e ao vosso exemplo, os fiéis, especialmente no próximo mês, acorram e se reúnam em torno dos altares, solenemente ornados, da augusta Rainha, da benigníssima Mãe; e com coração filial lhe entreteçam e lhe ofereçam místicas coroas com a recitação, a ela tão grata, do Rosário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De Nossa parte, confirmamos e ratificamos não só as prescrições já outras vezes dadas a propósito, mas também as sagradas Indulgências já concedidas (Encíclica &#8220;<em><a style="color: #000000;" href="https://www.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01091883_supremi-apostolatus-officio.html">Supremi Apostolatus</a></em>&#8220;, 1 Set. 1883. Encíclica &#8220;<em><a style="color: #000000;" href="https://www.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_30081884_superiore-anno.html">Superiore Anno</a></em>&#8220;, 30 Ag. 1884; Decreto S. R. C. &#8220;<em>Inter Plurimo</em>s&#8221;, 20 Ag. 1885; Encíclica &#8220;<em>Quanquam Pluries</em>&#8220;, 15 Ag. 1889). Oh! como será belo e vantajoso o espetáculo de milhões de fiéis que, em todo o orbe católico &#8211; nas cidades, nas aldeias, nos campos, em terra e no mar, &#8211; fundindo juntos os seus louvores e as suas preces, os seus pensamentos e as suas vozes, saudarem a todas as horas do dia Maria, invocarem Maria, e tudo esperarem de Maria! Roguem-lhe todos, com confiança, queira Ela obter de seu Filho que as nações transviadas voltem às instituições e aos princípios cristãos, nos quais assenta a base do bem-estar público, e da qual jorram os benefícios da desejada paz e da verdadeira felicidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém ainda mais insistentemente lhe peçam aquilo que deve estar no ápice dos desejos de todos os bons, ou seja a liberdade da Igreja e a pacífica posse dessa liberdade, de que ela não se serve senão para proporcionar aos homens o bem supremo. Desta liberdade, nem indivíduos nem Estados sofreram jamais dano algum; antes, dela hauriram sempre inúmeros e inestimáveis benefícios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">32. Finalmente, Veneráveis Irmãos, que pela intercessão da Rainha do Rosário Deus vos conceda os favores e as graças celestes, das quais possais haurir, em sempre maior abundância, auxílio e força para cumprirdes santamente os deveres do vosso ministério pastoral. E delas seja penhor e auspício a Bênção Apostólica que de coração concedemos a vós, ao vosso clero e ao povo confiado aos vossos cuidados.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><em>Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 22 de Setembro de 1891, décimo quarto ano do Nosso Pontificado.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>LEÃO PP. XIII</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/6105"> PERMANENCIA</a></span></strong></span></p>
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		<title>IMAGENS RARAS DE LEÃO XIII</title>
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		<pubDate>Sat, 07 May 2022 14:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>
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		<description><![CDATA[Um excepcional arquivo mostrando o Papa Leão XIII em 1896 nos jardins do Vaticano.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="background: white; margin: 0cm 0cm 13.5pt; text-align: center;"><span style="color: #000000;"><b><span style="font-size: 11pt; letter-spacing: 0.75pt; background: white;">Um excepcional arquivo mostrando o Papa Leão XIII em 1896 nos jardins do Vaticano.</span></b></span></p>
<p style="background: white; margin: 0cm 0cm 13.5pt; text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/3IVQ-1t92hA" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>OS BENS RECEBIDOS E OS BENS DEVIDOS</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Aug 2020 16:04:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis, aliás, em algumas palavras, o resumo desta doutrina: Quem quer que tenha recebido da divina Bondade maior abundância, quer de bens externos e do corpo, quer de bens da alma, recebeu-os com o fim de os fazer servir ao &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-bens-recebidos-e-os-bens-devidos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://cantodapaz.com.br/images/sao_francisco_pobres.jpg" alt="Resultado de imagem para caridade catolica" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis, aliás, em algumas palavras, o resumo desta doutrina: Quem quer que tenha recebido da divina Bondade maior abundância, quer de bens externos e do corpo, quer de bens da alma, recebeu-os com o fim de os fazer servir ao seu próprio aperfeiçoamento, e, ao mesmo tempo, como ministro da Providência, ao alívio dos outros. “<em>E por isso, que quem tiver o talento da palavra tome cuidado em se não calar; quem possuir superabundância de bens, não deixe a misericórdia entumecer-se no fundo do seu coração; quem tiver a arte de governar, aplique-se com cuidado a partilhar com seu irmão o seu exercício e os seus frutos.</em>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Trecho da <em>Encíclica Rerum Novarum</em>, do Papa Leão XIII</span></p>
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		<title>OUTUBRO: MÊS DO ROSÁRIO</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Oct 2019 16:07:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Nesse mês do Rosário, disponibilizamos abaixo os links para as Encíclicas de Leão XIII sobre o Rosário e Nossa Senhora. “Ora pro nobis, sancta Dei Genetrix, Ut digni efficiamur &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/outubro-mes-do-rosario/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class=" aligncenter" src="https://historiadenossasenhora.files.wordpress.com/2013/10/lotto_madonna_del_rosario.jpg" alt="Nossa Senhora do Rosário – História Nossa Senhora" width="257" height="305" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nesse mês do Rosário, disponibilizamos abaixo os links para as Encíclicas de Leão XIII sobre o Rosário e Nossa Senhora.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Ora pro nobis, sancta Dei Genetrix, Ut digni efficiamur promissionibus Christi.”</em></span></p>
<ul>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_08091892_magnae-dei-matris.html">MAGNAE DEI MATRIS</a></em></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01091883_supremi-apostolatus-officio.html">SUPREMI APOSTOLATUS OFFICIO</a></em></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_05091895_adiutricem.html">ADIUTRICEM POPULI</a></em></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_08091893_laetitiae-sanctae.html">LAETITIAE SANCTAE</a></em></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_22091891_octobri-mense.html">OCTOBRI MENSE</a></em></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_20091896_fidentem-piumque-animum.html">FIDENTEM PIUMQUE ANIMUM</a></em></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_05091898_diuturni-temporis.html">DIUTURNI TEMPORIS</a></em></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_12091897_augustissimae-virginis-mariae.html">AUGUSTISSIMAE VIRGINIS MARIAE</a></em></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_08091894_iucunda-semper-expectatione.html">IUCUNDA SEMPER EXPECTATIONE</a></em></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_30081884_superiore-anno.html">SUPERIORE ANNO</a></em></strong></span></li>
</ul>
<p><span style="color: #000000;">Aproveitamos para disponibilizar alguns textos já publicados em nosso blog sobre o Rosário:</span></p>
<ul>
<li><span style="color: #0000ff;"><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-batalha-de-lepanto-e-o-rosario/"><strong>A BATALHA DE LEPANTO E O ROSÁRIO</strong></a></em></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><em><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-poder-do-rosario-em-familia/">O PODER DO ROSÁRIO EM FAMILIA</a></strong></em></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-rosario-e-indestrutivel/"><strong>O ROSÁRIO É INDESTRUTÍVEL</strong></a></em></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/salvo-pelo-rosario/"><strong>SALVO PELO ROSÁRIO</strong></a></em></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-rosario-nos-perigos/"><strong>O ROSÁRIO NOS PERIGOS</strong></a></em></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-misterios-do-rosario-a-luz-do-principio-da-plenitude-da-graca-em-jesus-e-em-maria/"><strong>OS MISTÉRIOS DO ROSÁRIO À LUZ DO PRINCÍPIO DA PLENITUDE DA GRAÇA EM JESUS E EM MARIA</strong></a></em></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/um-rei-moribundo-e-os-dois-pratos-da-balanca-o-dos-pecados-e-o-do-rosario/"><strong>UM REI MORIBUNDO E OS DOIS PRATOS DA BALANÇA: O DOS PECADOS E O DO ROSÁRIO</strong></a></em></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/so-por-ter-trazido-consigo-o-terco/"><strong>SÓ POR TER TRAZIDO CONSIGO O TERÇO</strong></a></em></span></li>
</ul>
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		<title>A LIBERDADE É CATÓLICA</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jun 2019 17:47:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Boletim Permanencia “A liberdade, bem excelente da natureza”. É com essa deliciosa provocação que Leão XIII abre a sua magistral Encíclica Libertas, para mostrar que a Igreja é a verdadeira defensora da liberdade, e para condenar os liberais. Mais do que &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-liberdade-e-catolica/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="http://www.discorsivo.it/u/wp-content/uploads/2012/05/Papa-Leone-XIII.jpg" alt="" width="288" height="359" /><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://boletim.permanencia.org.br/2019/06/18/a-liberdade-e-catolica/">Boletim Permanencia</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“A liberdade, bem excelente da natureza”. </em>É com essa deliciosa provocação que Leão XIII abre a sua magistral Encíclica <em>Libertas</em>, para mostrar que a Igreja é a verdadeira defensora da liberdade, e para condenar os liberais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais do que amiga da liberdade, a Igreja é mesmo a única a tê-la estabelecido no mundo, segundo Mons. de Ségur:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“A Igreja inimiga da liberdade!? Não foi ela, e somente ela, que a estabeleceu no mundo? Não foi ela que a trouxe de volta ao coração do homem ao romper as cadeias do pecado e o jugo de todas as paixões? A Igreja inimiga da liberdade! Não foi ela que restabeleceu a liberdade da família, derrubando o triplo despotismo do pai, do marido e do amo? Não foi ela que introduziu a liberdade no Estado, negando o poder absoluto do César, dizendo-lhe na cara que mais vale obedecer a Deus que aos homens? Não foi o Papado, não foi a Igreja católica que formou, educou, constituiu as nações cristãs que possuem incomparavelmente mais liberdade que todas as civilizações antigas, tão louvadas pelos nossos pagãos modernos?” (</em>La Liberté)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim também, no domínio econômico, podemos nos afastar do liberalismo ao mesmo tempo em que defendemos a liberdade econômica sem medo de contradição. Ensinava Pio XII:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“A economia, como outros ramos da atividade humana, <strong>não é, por sua natureza, uma instituição do Estado</strong>; ela é, ao contrário, <strong>o produto vivo da livre iniciativa</strong> dos indivíduos e das associações <strong>livremente</strong> constituídas” </em>(Alocução de 7/5/49 – grifos nossos)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os liberais querem impostos baixos? Nos tempos de Pio IX, os Estados Pontifícios eram conhecidos por terem uma das menores tributações da Europa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os liberais querem limitar o MEC? Nós preferiríamos suprimi-lo, pois, como ensina o Pe. Berto, resumindo o pensamento da Igreja:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“… [a] função do Estado não comporta absolutamente que o Estado funde por conta própria colégios, que mantenha ele mesmo um corpo de ensino (à exceção das escolas especiais destinadas a preparar para os grandes serviços públicos: exército etc). Assim, ainda que o ensino ‘do Estado’ (…) não estivesse manchado dos erros suplementares da neutralidade, de infiltração comunista etc, seria, no entanto, por sua mera existência, uma instituição contrária à reta razão, à doutrina social da Igreja, aos interesses dos cidadãos”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os liberais querem reformar a Previdência? Preferiríamos — mas sabemos não ser isso possível atualmente — subtrai-la das garras do Governo, como queria o grande bispo francês Charles-Émile Freppel:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Seria fazer um socialismo de Estado se esse último se tornasse, ele mesmo, o garantidor, o administrador, o empreendedor, o gestor dos fundos da previdência. Não devemos tornar o poder público uma espécie de servente ou provedor universal! O legislador deve, portanto, se limitar a exigir o estabelecimento de fundos de previdência; mas, quanto à sua administração, deve confiá-lo a comitês formados por patrões e trabalhadores…”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Falemos como católicos,”en catholique”: podemos defender com a doutrina da Igreja uma sã liberdade econômica.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O princípio de subsidiaridade (do latim ‘subsidium’, proteção) implica num dever do Estado de apoiar, favorecer e fomentar as iniciativas privadas honestas, e não de arruiná-las ou de se substituir a elas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Marcel de Corte, filósofo e católico de verdade, dizia que, se um governo desejasse ajudar a economia a atingir seu fim próprio, deveria começar por não exercer <em>“ele mesmo, enquanto tal ou por meio de sociedades paraestatais interpostas, nenhuma função econômica de produção propriamente dita”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa concepção, claro está, opõe-se ao erro do Estatismo, vício das sociedades modernas, em especial da brasileira, que rebaixa a população até infantilizá-la, como no prognóstico sombrio de Tocqueville:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Acima deles, ergue-se um poder imenso e tutelar, que se incumbe de assegurar a sua fruição e de velar pelo seu bem estar. É um poder absoluto, detalhista, previdente e doce. Pareceria com um poder paterno se, como tal, tivesse o fim de preparar os homens para a idade viril; mas, ao contrário, não quer senão fixá-los na infância. Ele gosta que os cidadãos se divirtam, desde que não queiram mais do que isso”</em></span></p>
<p style="text-align: center;">***********************************</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alguém poderá perguntar: Como resolver essa aparente contradição entre a defesa da liberdade e a condenação ao liberalismo? Por que tantos pensam, ao contrário, que a Igreja é avessa à liberdade?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa é a pergunta que Leão XIII se faz na Encíclica <em>Libertas, </em></span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5368">a qual não saberíamos recomendar o bastante</a></span>.<span style="color: #000000;"> Resumindo em pouquíssimas palavras, o pontífice responde o seguinte:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Não sabeis o que é liberdade.”</em></span></p>
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		<title>ENCÍCLICA DIUTURNUM ILLUD &#8211; SOBRE A ORIGEM DO PODER CIVIL</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Sep 2017 15:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[ENCÍCLICA DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII Tradução: Dominus Est Aos Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, e todos os Bispos do Orbe Católico em comunhão com a Sé Apostólica: sobre a origem do poder civil.  Veneráveis Irmãos: Saudação e Bênção &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/enciclica-diuturnum-illud-sobre-a-origem-do-poder-civil/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/69/C_o_a_Leone_XIII.svg/200px-C_o_a_Leone_XIII.svg.png" alt="Resultado de imagem para leão xiii brasão" width="248" height="237" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">ENCÍCLICA DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Tradução: <a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Aos Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, e todos os Bispos do Orbe Católico em comunhão com a Sé Apostólica: sobre a origem do poder civil.</em><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Veneráveis Irmãos: Saudação e Bênção Apostólica.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A prolongada e abominável guerra declarada contra a autoridade divina da Igreja chegou ao ponto no qual haveria de chegar: a pôr em perigo universal a sociedade humana e, em especial, a autoridade política, que é onde a conservação pública fundamentalmente se apoia. Na nossa época em especial esse fato mostra-se com evidência. As paixões desordenadas do povo hoje recusam, com mais audácia do que nunca, todo vínculo de autoridade. Tão grande e disseminado é o abuso, e tão frequentes as sedições e turbulências, que não somente se negou muitas vezes a obediência aos governantes, mas também nem sequer lhes foi dada garantia suficiente de segurança pessoal. Há muito se trabalha para fazer com que os governantes caiam no desprezo e no ódio das multidões. E a chama da inveja, fomentada, logo foi desencadeada; por meio de complôs secretos ou ataques abertos, num curto intervalo de tempo atentou-se contra a vida dos soberanos mais poderosos. Toda a Europa horrorizou-se há pouco tempo ao saber do nefando assassinato de um poderoso imperador. Enquanto ainda estavam atônitos os ânimos com a magnitude de tal crime, homens perdidos não hesitaram em lançar ameaças e intimidações públicas a outros soberanos europeus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esses grandes perigos públicos que estão diante dos nossos olhos causam-nos uma grave preocupação ao ver em perigo a quase todo momento a segurança pessoal dos príncipes, a tranquilidade dos Estados e a salvação dos povos. Todavia, foi a virtude divina da religião cristã quem engendrou os egrégios fundamentos da estabilidade e da ordem nos Estados desde o momento em que penetrou nos costumes e instituições das cidades. Dessa virtude, o fruto que não é o menor e nem o último é o justo e sábio equilíbrio de direitos e deveres entre os príncipes e os povos. Porquanto, os preceitos e exemplos de Nosso Senhor Jesus Cristo possuem uma força admirável para conter em seu dever tanto aos que obedecem quanto aos que mandam e para conservar entre ambos a união e harmonia de vontades, que é plenamente conforme a natureza e da qual nasce o tranquilo e imperturbado curso dos assuntos públicos. Por isso, tendo sido colocado pela graça de Deus à frente da Igreja católica como guardião e intérprete da doutrina de Cristo, Nós julgamos, veneráveis irmãos, que é incumbência da nossa autoridade recordar publicamente o que a verdade Católica exige de cada um nessa esfera de deveres. Desta exposição emergirá também o caminho e a maneira com que em tão deplorável estado de coisas deve-se ter em conta o bem público.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ainda que o homem, que quando impelido por certa arrogância e orgulho intenta muitas vezes abalar os freios da autoridade, ele todavia nunca pôde se livrar de toda obediência. Em todas as comunidades e reuniões de homens é necessário que haja alguns que mandem, para que a sociedade, destituída de princípio ou cabeça, não desapareça e seja privada de alcançar o fim para o qual nasceu e foi constituída. Mas, não conseguindo lograr a destruição total da autoridade política nos Estados — destruição essa que teria sido impossível — tentou-se empregar todos os meios e artifícios possíveis para debilitar sua força e diminuir sua majestade. Isto sucedeu-se principalmente no século XVI, quando uma perniciosa novidade opiniões seduziu a muitos. A partir daquele tempo, a multidão pretendeu não somente que lhe fosse dada uma liberdade mais ampla do que lhe era conforme, como também considerou adequado modelar ao seu próprio arbítrio a origem e a constituição da sociedade dos homens. Hoje em dia vê-se que foi além; um grande número dos nossos contemporâneos, seguindo as pegadas daqueles que no século passado deram a si mesmos o nome de filósofos, afirmam que todo poder vem do povo. Por conseguinte, aqueles que exercem o poder não o exercem como coisa própria, mas sim como mandatários ou emissários do povo; e por essa própria regra a vontade do povo pode a qualquer momento retirar de seus mandatários o poder que lhes foi delegado. Mas disso os católicos dissentem, pois colocam em Deus, como princípio natural e necessário, a origem do poder político.</span><span id="more-10871"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todavia, é importante observar aqui que, aqueles que forem governar o Estado, em certos casos, podem ser eleitos pela vontade e juízo da multidão, sem que isso venha a ser motivo de oposição ou contradição à doutrina católica. Nessa eleição designa-se o governante, mas a multidão não pode conferir a ele a soberania; e nem o poder lhe é entregue nesse mandato, mas apenas se estabelece aquele que há de exercê-lo. Não se quer tratar nesta encíclica as diferentes formas de governo; não há porque a Igreja não aprovar o governo de um ou de muitos, desde que ele seja justo e atenda ao interesse geral. Por isso, desde que a justiça esteja salvaguardada, não é proibido ao povo a escolha daquele sistema de governo que seja mais apto e conveniente à sua maneira de ser ou que seja conforme as instituições e costumes de seus antepassados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, no que diz respeito ao poder político, a Igreja ensina retamente que o poder vem de Deus. Assim se encontra claramente testemunhado nas sagradas Escrituras e nos monumentos da antiguidade cristã; além disso, não se pode pensar em doutrina alguma que seja mais conveniente à razão ou mais conforme o bem dos governantes e dos povos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os livros do Antigo Testamento afirmam claramente em muitos lugares que a fonte verdadeira da autoridade humana está em Deus: «<em>Por mim reinam os reis&#8230;; por mim imperam os príncipes, e os poderosos decretam a justiça</em>» [Prov. 8, 15-16]. E em outra parte: «<em>Aplicai os ouvidos, vós que governais os povos&#8230;; Porque de Deus vos tem sido dado o poder, e do Altíssimo a força</em>» [Sab. 6, 3-4]. A mesma coisa encontra-se no livro do Eclesiástico: «<em>Ele estabeleceu a cada nação seu príncipe</em>» [Eclo. 17, 14]. No entanto, os homens que haviam recebido esses ensinamentos do próprio Deus foram esquecendo-os paulatinamente por causa do paganismo supersticioso, que por sua vez, assim como corrompeu muitas noções e idéias da realidade, da mesma maneira adulterou a autêntica forma e a beleza da autoridade política. Pouco depois, quando brilhou a luz do Evangelho cristão, a vaidade cedeu seu posto à verdade, e de novo começou a ser visto claramente o nobre e divino princípio do qual provém toda a autoridade. Ao governador romano, que se arrogava o poder e a autoridade para absolvê-lo e condená-lo, Nosso Senhor Jesus Cristo respondeu: «<em>Tu não terias poder algum sobre mim, se te não fosse dado do alto</em>» [Jo 19, 11]. E Santo Agostinho, explicando essa passagem, diz: «<em>Aprendamos o que disse, que é o mesmo que ensinou pelo Apóstolo, que não há poder que não venha de Deus</em>» [Tract. CXVI in Ioan. n. 6]. A voz incorrupta dos apóstolos ecoou fielmente a doutrina e os preceitos de Jesus Cristo. Excelsa e plena de gravidade é a sentença de São Paulo aos Romanos, que estavam sujeitos ao poder dos imperadores pagãos: «<em>Porque não há potestade que não venha de Deus</em>», donde o Apóstolo deduz, como consequência, que «<em>o Príncipe é ministro de Deus</em>» [Rom. 13, 1-4].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os Padres da Igreja buscaram com toda diligência afirmar e propagar essa mesma doutrina no que haviam sido instruídos. «<em>Não atribuamos</em> — disse Santo Agostinho <em>— senão somente ao Deus verdadeiro a potestade para dar o reino e o poder</em>» [De Civ. Dei, lib. V, cap. 21]. Sobre a mesma passagem São João Crisóstomo diz: «<em>Que existam principados e que uns mandem e outros sejam súditos não é algo que suceda por acaso e temerariamente&#8230;, senão por divina sabedoria</em>» [In epist, ad Rom., homil. XXIII, n. 1]. O mesmo atestou São Gregório Magno com estas palavras: «<em>Confessamos que o poder é dado do alto aos imperadores e reis</em>» [Epist. lib. II, epist. 61]. Os mesmos santos doutores buscaram também ilustrar esses mesmos preceitos usando somente a luz natural da razão para que eles viessem a se mostrar retos e verdadeiros mesmo aos que não têm outro guia além da razão. Com efeito, a natureza, ou melhor, Deus, que é autor da natureza, deseja que o homem viva em sociedade; e isso é claramente demonstrado tanto pela faculdade de falar, máxima fomentadora da sociedade; há também um bom número de tendências inatas da alma, além de muitas coisas necessárias e de grande importância que os homens não conseguiriam se estivessem isolados, mas conseguem se estiverem unidos e associados. E não pode nem existir e nem ser concebida uma sociedade em que não haja alguém que modere e una as vontades de cada indivíduo, para que de muitos se faça uma unidade e as impulsione dentro de uma ordem reta em direção ao bem comum; Deus quer, portanto, que na sociedade civil haja aqueles que governem a multidão. Há também outra consideração de muito peso: as autoridades que administram a coisa pública podem exigir a obediência dos cidadãos, e de tal maneira é essa exigência, que não obedecer-lhes seria nitidamente pecado. Entretanto, nenhum homem tem em si mesmo ou por si mesmo o poder de sujeitar a vontade livre dos demais com os grilhões dessa autoridade. Deus, criador e governador de todas as coisas, é o único que tem esse poder. E os que exercem esse poder devem exercê-lo necessariamente como comunicado por Deus a eles: «<em>Não há mais que um Legislador, um Juiz, que pode perder, e que pode salvar</em>» [Tg 4, 12]. E isso está manifesto em todo tipo de poder. Que o poder que está num sacerdote provém de Deus é algo tão conhecido que, entre todos os povos, eles são reconhecidos e chamados de ministros de Deus. Similarmente, a autoridade dos pais de família preserva uma certa efígie e forma da autoridade que há em Deus, «<em>do qual toda a paternidade toma o nome nos Céus e na terra</em>» [Ef 3, 15]. Por isso as diversas espécies de poder têm entre si maravilhosas semelhanças, já que todo poder e autoridade, sejam quais forem, derivam sua origem de um único e idêntico Criador e Senhor do mundo, que é Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqueles que afirmam que a sociedade civil nasceu do livre consenso entre os homens, e que buscam nesta mesma fonte o princípio da autoridade, dizem que cada homem cedeu algo do seu direito e que, voluntariamente, ele foi entregue ao poder daquela pessoa cujos direitos atraiu a soma deles. Mas erro maior é não ver o que é evidente: o homem não é uma espécie atomizada e errante; é que antes de toda resolução da sua vontade, há a sua condição natural, que é viver em sociedade. Ademais, o pacto que pregam é claramente uma invencionice fictícia que não tem poder para conferir à autoridade política tal força, dignidade e firmeza requeridas para a defesa do Estado e pela necessidade comum dos cidadãos. O governo só terá esses ornamentos e garantias universais se se reconhecer que eles emanam de Deus como sua augustíssima e sacratíssima fonte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E é impossível que se encontre ensinamento mais verdadeiro e vantajoso que esse. Porquanto, se o poder político dos governantes é uma participação no poder divino, o poder político alcança por esta mesma razão uma dignidade maior que a meramente humana. Com efeito, não aquela ímpia e absurda dignidade algumas vezes desejadas pelos imperadores pagãos quando reivindicavam honras divinas, mas sim a dignidade verdadeira e sólida, que é recebida por um especial dom de Deus. Por isso, será conveniente que os cidadãos submetam-se e sejam obedientes aos governantes como ao próprio Deus, e não por temor do castigo, mas sim por respeito à sua majestade; não com sentimento de servidão, mas como dever de consciência. Assim, a autoridade se manterá em seu verdadeiro lugar com muito mais firmeza. Pois os cidadãos, percebendo a força desse dever, evitarão necessariamente a desonestidade e a contumácia, pois eles devem estar persuadidos de que aquele que resiste à autoridade governante está resistindo à vontade divina; que aqueles que recusam honrar os governantes recusam honrar o próprio Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa é a doutrina que o Apóstolo Paulo ensinou especialmente aos romanos. A estes escreveu com tamanha autoridade e peso sobre a reverência devida às altas autoridades, que parece nada poder ser ensinado com maior gravidade: «<em>Todo o homem esteja sujeito às potestades superiores: Porque não há potestade que não venha de Deus; e as que há, essas foram por Deus ordenadas. Aquele pois que resiste à potestade, resiste à ordenação de Deus. E os que lhe resistem, a si mesmos trazem a condenação&#8230; É logo necessário que lhe estejais sujeitos não somente pelo temor do castigo, mas também por obrigação de consciência</em>» [Rom. 13, 1-5]. E em concordância com esse ensinamento está a célebre declaração de Pedro, Príncipe dos Apóstolos, quando fala do mesmo assunto: «<em>Submetei-vos pois a toda a humana criatura, por amor de Deus; quer seja ao Rei como a Soberano; quer aos Governadores, como enviados por Ele para tomar vingança dos malfeitores, e para louvor dos bons; porque assim é a vontade de Deus</em>» [1Pe 2, 13-15].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A única razão a qual os homens têm para não obedecer é quando algo demandado por eles repugna abertamente ao direito natural ou ao direito divino; porquanto não podem ser mandadas e nem executadas todas aquelas coisas que violam a lei natural ou a vontade de Deus. Se, pois, suceder que o homem se veja obrigado a fazer uma das duas coisas, ou seja, ou desprezar os mandamentos de Deus ou desprezar a ordem dos príncipes, ele deve obedecer a Jesus Cristo, que nos manda <em>dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus </em>[Mt 22, 21], e, a exemplo dos Apóstolos, responder vigorosamente: «<em>Importa obedecer mais a Deus do que aos homens</em>» [Atos 5, 29]. E também não há razão para serem acusados de recusar a obediência devida aqueles que assim procedem, pois se a vontade dos governantes contradiz a vontade e as leis de Deus, os governantes excedem os limites do seu poder e pervertem a justiça. Então, nem a autoridade deles pode ser válida, pois onde não há justiça a autoridade é nula.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ademais, para que a justiça seja mantida no poder, convém sobremaneira que aqueles que governam os Estados entendam que o poder político não foi dado para o proveito particular; e que o governo da república deve ser exercido em proveito dos súditos, e não em proveito daqueles que receberam o encargo de zelar por eles. Que os príncipes tomem o exemplo do Deus Altíssimo, que a eles deu autoridade; e, colocando à frente de si mesmos a imagem de Deus na administração da república, governem o povo com equidade e fidelidade, e que eles unam à severidade, que é necessária, a caridade paterna. Por esta causa as Sagradas Escrituras avisam os príncipes que eles também devem dar conta algum dia ao Rei dos reis e Senhor dos senhores; se eles abandonarem seus deveres, não poderão evitar de maneira alguma a severidade de Deus: «<em>Porque de Deus vos tem sido dado o poder, e do Altíssimo a força, o qual vos perguntará pelas vossas obras, e esquadrinhará vossos pensamentos. Porque sendo Ministros do seu Reino, não julgastes com equidade&#8230; Ele vos porá diante de um modo temeroso, e dentro de pouco tempo, porque sobre os que governam se fará um juízo rigorosíssimo&#8230; Porque Deus não excetuará pessoa alguma, nem respeitará a grandeza de quem quer que for; porquanto ele fez ao pequeno e ao grande, e tem igualmente cuidado de todos. Mas aos mais fortes mais forte suplício ameaça</em>» [Sab. 6, 4-8].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E se esses preceitos protegem o Estado, é removida toda causa ou desejo por sedições; e ficarão asseguradas a honra e a segurança dos governantes, e a tranquilidade e o bem-estar das sociedades. Fica também mais bem cuidada a dignidade dos cidadãos; porquanto lhes foi concedido manter, na própria obediência, o decoro adequado à excelência do homem, pois eles entendem que, no juízo de Deus, não há servo nem livre; há um só Senhor de todos, <em>rico para com todos os que o invocam</em>[Rom. 10, 12], e também entendem que estão sujeitos e obedecem aos príncipes pois estes são, de certo modo, imagem de Deus, <em>a quem servir é reinar </em>[Cf. missa votiva <em>pro pace</em>, Pós-Comunhão].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja sempre procurou fazer com que esta concepção cristã de poder político não somente seja impressa nas almas, mas também que ela fique expressa na vida pública e nos costumes dos povos. Enquanto se sentavam no trono do Estado os imperadores pagãos, que pela superstição se viam impedidos de se elevar a esta concepção de poder que aqui delineamos, a Igreja procurou inculcá-la nas mentes dos povos, que por sua vez, tão logo aceitavam as instituições cristãs, deveriam ajustar suas vidas a elas. E assim, os pastores de almas, renovando os exemplos do apóstolo São Paulo, consagravam-se, com sumo cuidado e diligência, à pregar aos povos que <em>sejam sujeitos aos príncipes e aos magistrados, que lhe obedeçam</em>[Tit 3, 1]. Igualmente, que orassem a Deus por todos os homens, e mais <em>especialmente pelos reis e por todos os que estão elevados em dignidade&#8230; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso salvador</em>[1Tim 2, 1-3]. E os cristãos antigos nos deixaram ensinamentos brilhantes, pois sendo atormentados injusta e cruelmente pelos imperadores pagãos, jamais deixaram de seguir com obediência e submissão, de tal modo que os dois lados pareciam competir entre si: os imperadores na crueldade e os cristãos na obediência. Tão grande era essa modéstia cristã e tão certa a vontade de obedecer, que não puderam ser obscurecidas pelas maliciosas calúnias dos inimigos. Por isso é que, aqueles que iam defender publicamente o cristianismo diante dos imperadores, demonstravam principalmente com esse argumento que era injusto castigar os cristãos segundo as leis pois eles vivam de acordo com elas aos olhos de todos, para dar exemplo de observância. Assim falava Atenágoras com toda confiança a Marco Aurélio Antonino e ao seu filho Lúcio Aurélio Cômodo: «<em>Vós permitis que nós, que não cometemos mal algum, e que antes procedemos com toda piedade e justiça — não só com Deus, mas também com o império — sejamos perseguidos, despojados e desterrados</em>» [Legat. pro Christianis]. Do mesmo modo, Tertuliano louvava publicamente os cristãos, pois eram, dentre todos, os melhores e mais seguros amigos do império: «<em>O cristão não é inimigo de ninguém, nem do imperador, o qual, sabendo que ele foi instituído por Deus, deve ser amado, respeitado, honrado e querer que ele seja salvo com todo o Império romano</em>» [Apolog. n. 35]. E nem duvidava em afirmar que nos confins do império tanto mais diminuía o número dos seus inimigos quanto mais crescia o número de cristãos: «<em>Agora tens poucos inimigos, pois os cristãos são maioria, porque em quase todas as cidades são cristãos quase todos os cidadãos</em>» [Apolog. n. 37]. Há também um insigne testemunho desta mesma realidade na <em>Epístola a Diogneto</em>, na qual confirma que naquele tempo os cristãos haviam se acostumado não somente a servir e a obedecer as leis, mas também cumpriam todos seus deveres com maior perfeição do que exigiam as leis: «<em>Os cristãos obedecem as leis promulgadas e com seu gênero de vida vão além do que mandam as leis</em>».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entretanto, a questão mudava quando as ordens imperiais e as ameaças dos pretores mandavam que os cristãos abandonassem sua fé ou que eles faltassem de alguma maneira com seu dever. Nessas épocas, indubitavelmente, eles preferiam desagradar aos homens em vez de desagradar a Deus. No entanto, mesmo nessas circunstâncias não houve quem tratasse de promover sedições nem quem menosprezasse a majestade do imperador, e eles não pretendiam outra coisa senão se confessarem cristãos e declarar que eles não alterariam de modo algum sua fé. Não cogitavam resistir de modo algum, mas sim marchavam contentes e gozosos como nunca em direção aos suplícios, donde a magnitude dos tormentos se via vencida pela grandeza de alma dos cristãos. Nesse mesmo período, a força dos princípios cristãos foi observada de maneira semelhante pelo exército; Porquanto era a marca de um soldado cristão combinar a suma coragem com a suma dedicação à disciplina militar; e acrescentar à nobreza da alma a imóvel fidelidade ao príncipe. Mas se algo desonesto fosse requerido dele (como por ex. violar as leis de Deus ou virar sua espada contra inocentes discípulos de Cristo), então ele se recusava a executar as ordens, de tal modo que, em vez de se opor à autoridade pública por meio de sedições e tumultos, ele preferia antes depor armas e morrer por sua religião.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais tarde, quando os príncipes cristãos passaram a ser chefes dos Estados, a Igreja empenhou-se muito mais para declarar e ensinar o que há de sagrado na autoridade dos governantes. Com esses ensinamentos conseguiu-se que os povos, quando pensavam na autoridade, acostumassem a ver nos governantes uma imagem da majestade divina, e nisso eram impelidos a ter maior respeito e amor por eles. Por isso mesmo, sabiamente dispôs a Igreja que os reis fossem consagrados com os ritos sagrados, conforme fora ordenado pelo próprio Deus no Antigo Testamento. Quando a sociedade civil, surgida das ruínas do Império romano, abriu-se de novo à esperança da grandeza cristã, os Romanos Pontífices consagraram de um modo singular o poder civil com o <em>imperium sacrum</em>, fazendo com que a autoridade civil adquirisse assim uma dignidade desconhecida. Com efeito, não há dúvida que essa instituição teria sido maximamente útil, tanto para a sociedade religiosa quanto para a civil, se os príncipes e os povos tivessem buscado o que a Igreja buscava. Enquanto reinou uma concorde amizade entre ambas as potestades, conservaram-se a paz e a prosperidade públicas. Se alguma vez os povos incorriam no pecado das rebeliões, prontamente eram acudidos pela Igreja, conciliadora nata da tranquilidade, exortando todos ao cumprimento dos seus deveres e refreando os ímpetos da concupiscência, em parte com a persuasão e em parte com sua autoridade. De maneira semelhante, se os reis pecavam no exercício do poder, apresentava-se a Igreja perante eles e, recordando-lhes os direitos dos povos, suas necessidades e retas aspirações, aconselhava-lhes justiça, clemência e benignidade. Por esta razão se recorreu muitas vezes à influência da Igreja para afastar o perigo de revoluções e guerras civis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por outro lado, as teorias sobre o poder político inventadas por autores mais recentes já trouxeram grandes calamidades aos homens, e é de temer que elas trarão desastres ainda piores no futuro. Com efeito, negar-se a atribuir a Deus como fonte do direito de comandar os homens não é outra coisa senão querer apagar o grandioso esplendor do poder político e destruir seu vigor. E aqueles que dizem que esse poder depende da vontade do povo cometem o primeiro erro de opinião; em seguida eles erram ao assentar a autoridade sobre fundamentos muito fracos e instáveis. Tais opiniões são como um estimulante perpétuo às paixões populares, pois estas acabam por crescer cada dia mais em insolência e preparam a ruína pública ao pavimentar o caminho para as conspirações secretas ou para as sedições abertas. Com efeito, tumultos repentinos e audaciosíssimas rebeliões deram-se na Alemanha após a dita <em>Reforma</em>, cujos autores e líderes que, com suas doutrinas, atacaram os próprios alicerces dos poderes civil e religioso; e isso com uma deflagração tão terrível de guerra civil e com tal matança que quase não havia nenhum lugar livre de tumulto e derramamento de sangue. Dessa heresia nasceu no século passado uma falsa filosofia, —o dito novo direito—, a soberania popular e uma licença descontrolada, que muitos consideram como a única liberdade. E então chegamos a esses erros recentes que se chamam <em>comunismo,</em> <em>socialismo</em> e <em>niilismo</em>, que são monstros terríveis e ameaçam de morte a sociedade civil. No entanto, muitos ainda tentam estender o alcance desses males, e sob o pretexto de ajudar a multidão, já provocaram um número não pequeno de incêndios e ruínas. As coisas que aqui mencionamos não nos são nem desconhecidas e nem remotas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso, com efeito, é ainda mais grave porque os príncipes, em meio a tantos perigos, carecem de remédios suficientes para restaurar a disciplina e a tranquilidade. Eles se guarnecem com a autoridade das leis e pensam que com isso constrangem, pela severidade da punição, aqueles que perturbam o governo. Fazem muito bem. Não obstante, deveriam considerar seriamente que nenhum poder de punição pode ser tão grande a ponto de ele sozinho ter o poder de preservar o Estado. Porquanto o medo, como ensina claramente Santo Tomás, <em>é um fundamento débil, porque aqueles que se submetem por medo, se surgir a ocasião em que possam escapar impunes, insurgem-se com tanto maior ardor quanto mais tenham sido coibidos por meio do medo»</em>. Ademais, <em>«de um medo muito grande muitos caem em desespero; e o desespero leva os homens a tentar conseguir audaciosamente aquilo que desejam» </em>[De Regim. Princip. lib. I, cap. 10. 30]. A experiência demonstra suficientemente a grande verdade destas afirmações. É, portanto, necessário buscar uma razão mais alta e mais confiável para a obediência, e dizer explicitamente que a severidade legal não pode ser eficaz se os homens não forem incitados pelo dever e conduzidos por um salutar temor de Deus. Mas isso é a religião quem pode pedir da melhor maneira; religião essa que por seu poder entra nas almas e inclina as vontades dos homens fazendo com que eles não apenas rendam obediência aos seus governantes, mas também mostrem sua benevolência e caridade, que é em toda sociedade a melhor guardiã da integridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso é que se deve reconhecer que os Romanos Pontífices como insignes servidores do interesse geral, pois eles sempre se esforçaram para quebrantar o espírito túmido e inquieto dos inovadores, e frequentemente advertiram os homens acerca dos perigos que esses tipos representavam para a sociedade. A respeito disso convém mencionar a declaração de Clemente VII a Ferdinando, rei da Boemia e da Hungria: «<em>Na causa da fé está inclusa tanto a sua própria dignidade quanto a dos demais governantes, pois a fé não pode ser abalada sem que sua autoridade seja arruinada; isso ficou comprovado recentemente em alguns desses territórios</em>». Nessa mesma linha brilhou a providente firmeza dos Nossos Predecessores, especialmente Clemente XII, Bento XIV e Leão XII, que ao verem em suas respectivas épocas o mal das perversas doutrinas se propagar, e audácia das seitas crescer, fizeram uso da autoridade que possuíam para impedir o avanço delas. Nós mesmos já denunciamos muitas vezes a gravidade dos perigos que nos ameaçam, e ao mesmo tempo indicamos a melhor maneira de afastá-los. Aos príncipes e aos demais governantes do Estado oferecemos proteção da religião, e exortamos o povo a usar abundantemente os benefícios que a Igreja provê. De novo oferecemos aos príncipes esse apoio, — que é o mais firme de todos — e com veemência exortamos-lhes no Senhor para que defendam a religião, e no interesse do próprio Estado concedam à Igreja aquela liberdade a qual não se pode privá-la sem incorrer na injustiça e na ruína geral. Com efeito, a Igreja de Cristo não pode ser objeto de suspeita para os príncipes e nem mal vista pelos povos, pois ela admoesta os governantes para que eles sigam a justiça e de maneira alguma fujam do seu dever; assim, ao mesmo tempo ela corrobora o governo e coadjuva sua autoridade de muitas maneiras. Em todas as coisas que são de natureza civil a Igreja reconhece e declara o poder e autoridade do governante sobre elas; e nas coisas que, sob diversas causas, afetam simultaneamente a potestade civil e a eclesiástica, a Igreja quer que exista concórdia entre ambos para que sejam evitados conflitos funestos às duas partes. No que diz respeito aos povos, a Igreja foi fundada para a salvação de todos os homens e sempre amou-os como mãe. É a Igreja que, pelo exercício da caridade, deu a mansidão às almas, humanidade nos costumes e equidade nas leis. Nunca oposta à liberdade honesta, a Igreja sempre detestou o governo tirânico. Este costume, inerente à Igreja, foi expresso por Santo Agostinho com grande precisão e clareza nas seguintes palavras: «<em>A Igreja ensina os reis a velarem pelo seu povo e ensina todos os povos a se submeterem aos seus reis; mostrando que nem tudo é devido a todos, mas a todos é devida a caridade e a ninguém a injustiça</em>» [De morib. Eccl. lib. 1, cap. 30].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por estas razões, veneráveis irmãos, vossa obra será muito útil e totalmente salutar se coadunardes Conosco todos esforços e habilidades que Deus vos deu para que assim possamos afastar todos os perigos e males da sociedade. Buscai zelosamente fazer com que os homens compreendam e cumpram com diligência os preceitos estabelecidos pela Igreja católica a respeito do poder político e do dever de obediência. Enquanto autoridades e mestres que sois, admoestai o povo para que fuja das seitas proibidas, abomine as conjurações e não tenha parte nas sedições; e façais com que seja entendido que, aquele que obedece aos governantes por causa de Deus, sua <em>sujeição é conforme a razão</em> e sua obediência é magnânima. Por ser Deus <em>que dá a saúde aos reis</em> [Salm. 142 (143), 11] e concede aos povos assentarem-se <em>na formosura da paz, e nos tabernáculos da confiança, e num descanso opulento </em>[Is 32, 18] é necessário suplicar insistentemente a Deus para que Ele incline a vontade de todos em direção à honestidade e à verdade, para que reprima as iras e restitua em todo orbe a paz e a tranquilidade há muito desejadas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para que possamos pedir com mais esperança, ponhamos como intercessores e defensores do nosso bem-estar a Virgem Maria, insigne mãe de Deus, auxílio dos cristãos e guarda do gênero humano; e São José, seu castíssimo esposo, cujo patrocínio toda Igreja confia; e a São Pedro, Príncipe dos Apóstolos, e São Paulo, guardiães e protetores do nome cristão. Enquanto isso, como promessa dos dons divinos e da Nossa ternura, Nós damos a todos Vós, veneráveis irmãos, ao clero e ao povo confiado à vossa solicitude, a Bênção Apostólica no Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dada em Roma, junto de S. Pedro, a 29 de junho de 1881, quarto ano do Nosso Pontificado.</span></p>
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		<title>SÓ A RELIGIÃO VERDADEIRA TEM DIREITOS</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2017 18:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
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		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[A liberdade de cultos, hoje tão apregoada, foi rotundamente condenada pelo Magistério da Igreja. Numerosos Papas nos advertiram de seus graves perigos, entre eles Leão XIII na encíclica Libertas praestantissimum sobre a liberdade e o liberalismo Javier Navascués – Adelante la Fe &#124; Traduzido &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/so-a-religiao-verdadeira-tem-direitos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;">A <strong>liberdade de cultos</strong>, hoje tão apregoada, foi rotundamente condenada pelo Magistério da Igreja. Numerosos Papas nos advertiram de seus graves perigos, entre eles Leão XIII na encíclica <strong><em>Libertas praestantissimum </em></strong>sobre a liberdade e o liberalismo</span></p>
<p><img class="  wp-image-12073 aligncenter" src="http://www.sensusfidei.com.br/wp-content/uploads/2017/01/LXIII.jpg" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" srcset="http://www.sensusfidei.com.br/wp-content/uploads/2017/01/LXIII.jpg 800w, http://www.sensusfidei.com.br/wp-content/uploads/2017/01/LXIII-300x150.jpg 300w, http://www.sensusfidei.com.br/wp-content/uploads/2017/01/LXIII-768x384.jpg 768w, http://www.sensusfidei.com.br/wp-content/uploads/2017/01/LXIII-700x350.jpg 700w" alt="" width="440" height="225" /></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://adelantelafe.com/author/javiernavascues/" data-slimstat-clicked="false" data-slimstat-type="0" data-slimstat-tracking="true" data-slimstat-callback="true">Javier Navascués – Adelante la Fe</a> <span style="color: #000000;">| Traduzido por</span> <strong>Frei Zaqueu</strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <a href="http://www.sensusfidei.com.br/2017/01/03/so-a-religiao-verdadeira-tem-direitos/">Sensus Fidei</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O liberalismo é uma das ideologias mais deletérias para <strong>a religião católica, a única verdadeira</strong>, posto que concede os mesmos direitos ao erro que à verdade. Esta perniciosa doutrina está tristemente presente na Igreja carcomendo o reto ensino, sacudindo seus mesmos cimentos e causando um grande dano às almas. Como consequência dela, hoje em dia se nos propõe um herético ecumenismo onde a religião verdadeira e as falsas crenças estão ao mesmo nível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se nos convida a não fazer proselitismo da verdade católica em prol de um mortífero ecumenismo casado com a heresia e em conivência com as falsas religiões de Satanás. A <strong>liberdade de cultos</strong>, hoje tão apregoada, foi rotundamente condenada pelo Magistério da Igreja. Numerosos Papas nos advertiram de seus graves perigos, entre eles Leão XIII na encíclica <strong><em>Libertas praestantissimum </em></strong>sobre a liberdade e o liberalismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Borja Ruiz</strong>, historiador, tem estudado em profundidade a mencionada encíclica. Seguindo a solidíssima doutrina deste Pontífice, de feliz memória, expõe o daninho que é conceder direitos ao mal e ao erro. Tendo como base um profundo pensamento filosófico e teológico, denuncia o gravíssimo câncer do liberalismo e uma de suas funestas consequências: a liberdade de cultos.</span><span id="more-8073"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Como se define na encíclica a autêntica liberdade?</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nos lembra Leão XIII que atualmente, o homem pós-moderno, tende a considerar-se livre por ter-se desprendido da religião e por fazer aquilo que a vontade e suas paixões lhe ordenam. Ademais empunha a bandeira da liberdade, mas de uma falsa liberdade, aquela que nasce do <strong><em>NON SERVIAM</em></strong><em>.</em> Em primeiro lugar, a liberdade só a temos os humanos (por ter inteligência e razão) a qual nos faz responsáveis de nossos atos. A razão julga a maldade ou bondade dos atos, consequência da lei natural. Assim pois, a liberdade é um meio para alcançar um fim.<em> <strong>A liberdade tem por objeto um fim conforme a razão.</strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não obstante, a vontade e a razão que a guia, podem julgar por bom algo que não o é e ao atuar, portanto, estaria produzindo-se um abuso da liberdade. Desta forma como se diz na encíclica: <strong><em>a liberdade de pecar, não é tal, é uma escravidão da razão e a vontade. </em></strong>De tal forma, para que seja autêntica liberdade pois, é necessário que a razão esteja formada em reta doutrina e iluminada pela graça sobrenatural, que a aperfeiçoa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Qual seria por tanto a falsa concepção liberal sobre a liberdade?</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A concepção do liberalismo sobre a liberdade, principalmente não é mais que uma pura licença (ou conjunto delas), dado que têm apartado e negado a graça sobrenatural e a identificação e busca clara e desejável do Bem e a Verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em consequência, o juízo sobre a Verdade e o Bem fica abandonado à razão por si só. Não há diferença objetiva entre bem e mal, o vício e a virtude não se distinguem. Tudo isso provem da proclamação do homem como ser soberano frente a Deus, que alcança sua máxima expressão no <strong>NON SERVIAM </strong>de Lúcifer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Portanto, por que não deveria estar permitida a liberdade de cultos?</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É obvio, que o bem deve fazer-se e o mal evitar-se, como diz Leão XIII<em>: aquele que é aplicável ao homem o é também para a sociedade e seu bem comum.</em> Tendo presente que o objetivo mais elementar de um Estado (que não seja tirânico) é o bem comum de seus cidadãos, se compreende no mesmo, seu bem moral, que é frontalmente atacado pelo liberalismo <em>ao não obedecer este a uma razão suprema e eterna que é o fim da liberdade humana: Deus.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Havendo exposto o prudente pensamento e ordem da liberdade, procederemos à explicação do que seja a <strong>liberdade de cultos</strong> ou de religião e seu mal intrínseco. Não se nos escapa, tendo em conta o erro do liberalismo, que tantas almas direta o indiretamente têm levado ao inferno, todas aquelas “liberdades” que se derivem deste não são mais que licenças e vícios, dos mais daninhos para o bem terrenal (dos povos e os homens) e o bem espiritual (o de sua salvação).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Esta falsa liberdade, estabelece que cada um pode professar a religião que queira ou não professar nenhuma. Mas isto é contrário à verdade, por quê?</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porque a mais alta e importante obrigação que nos manda Deus é dar-lhe culto que merece através da religião verdadeira. O <strong><em>Amarás a Deus sobre todas as coisas</em></strong>, não só deve dar-se a nível particular mas também ao dos Estados que perseguem o bem comum de seus cidadãos. A gravidade radica <strong><em>em ser infiel à obrigação santíssima de dar-lhe culto.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Por que não é lícito que gozem dos mesmos direitos todas as religiões?</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Porque só a verdade tem direitos, o mal não os tem.</strong> Pio XII ensina<em>: <strong>O que não responde à verdade e à norma moral não tem objetivamente nenhum direito de existência, nem à propaganda nem à ação.</strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acerca disto, os Papas têm falado claramente e resumem as razões pelas quais não é lícito que todas as religiões gozem de idênticos direitos:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;"><strong>Não é lícito, porque suprime a fundamental busca do bem comum. </strong></span></li>
<li><span style="color: #000000;"><strong>Não. Porque anula os deveres de honra pública e exclusiva</strong>(salvo prudências circunstanciais) do Estado a Deus. Exceção por prudência:</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Leão XIII: <em>Ainda concedendo direitos só e exclusivamente à verdade e à virtude não se opõe à Igreja, entretanto, à tolerância por parte dos poderes públicos de algumas situações contrárias à verdade e à justiça para evitar um mal maior ou para adquirir um maior bem.</em></span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;"><strong>Não, porque se permite manifestar e propagar o erro religioso</strong>, coisa que põe em perigo a mais importante missão do homem, sua salvação eterna.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Que mais consequências se derivam desta liberdade de cultos?</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Propicia a separação da Igreja e do Estado (a separação moral), o qual deriva em tirania. <strong>Se nega a realeza de Jesus Cristo</strong>, que é Rei de céus e terra. A realeza implica instaurar todas as coisas em Cristo, que fundou uma só Igreja. Com a liberdade de cultos não é possível portanto implantar na sociedade a realeza de Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Laicização dos Estados e sua descristianização acelerada</strong>. Pois quando se outorgam os mesmos direitos a todos os erros, a verdadeira fé desaparece cada vez mais. Em uma sociedade católica as almas se salvarão mais facilmente, mas em uma onde a Igreja deve coexistir junto às falsas religiões e seitas, essa salvação se torna muito mais difícil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Para concluir, por que os Estados devem proibir a liberdade de imprensa?</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Reconhecendo a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo e assumindo que todos os direitos são e provêm dele e como afirmava Leão XIII na encíclica Inmortale Dei<em>: não é lícito publicar e expor à vista dos homens o que é contrário à virtude e à verdade, e é muito menos lícito favorecer e amparar essas publicações e exposições com a tutela das leis.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong> </strong><strong>Javier Navascués</strong></span></p>
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		<title>O DIVÓRCIO</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2015 14:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[Os legisladores contemporâneos, que se declaram partidários convictos dos mesmos princípios do direito, não podem defender-se contra as vontades pervertidas dos homens de que falamos, por mais que sinceramente o quisessem, e por isso concluem que é necessário contemporizar com &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-divorcio/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2015/10/divorcio.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1355" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2015/10/divorcio.jpg" alt="divorcio" width="385" height="270" /></a>Os legisladores contemporâneos, que se declaram partidários convictos dos mesmos princípios do direito, não podem defender-se contra as vontades pervertidas dos homens de que falamos, por mais que sinceramente o quisessem, e por isso concluem que é necessário contemporizar com a época e outorgar a faculdade do divórcio. É isto mesmo o que, por outro lado, também nos ensina a história. Passando em silêncio muitos outros fatos, basta recordar que nos fins do século passado se pretendeu legitimar por meio de leis a separação dos cônjuges, quando a França, envolvida em grandes perturbações, estava em estado de conflagração, quando a sociedade toda, tendo banido a Deus, se precipitara no seio da desordem. Muitos há neste tempo que desejam renovar estas leis, porque querem expulsar a Deus, e arrancar a Igreja do meio da sociedade humana, julgando estultamente que é em leis de tal natureza que deve procurar-se o remédio para a corrupção crescente dos costumes.</span><span id="more-1354"></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> <strong>Seus males</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Em verdade, é custoso ter necessidade de dizer quantas consequências funestíssimas encerra em si o divórcio. Pelo divórcio as alianças matrimoniais tornam-se instáveis, enfraquece-se o mútuo afeto, a infidelidade recebe perniciosos incitamentos, ficam comprometidas a proteção e educação dos filhos, proporciona-se ocasião de se dissolverem as sociedades domésticas, semeiam-se no seio das famílias os germes da discórdia, diminui-se e abate-se a dignidade da mulher, porque corre o perigo de ser abandonada, depois de ter servido às paixões do homem. &#8211; E como nada contribui mais para arruinar as famílias e para enfraquecer os Estados do que a corrupção dos costumes, fácil é de reconhecer que o divórcio é, sobretudo, o inimigo da prosperidade das famílias e dos povos, visto que, sendo a consequência dos costumes depravados, abre a porta, como a experiência o demonstra, a uma depravação, ainda mais profunda, dos costumes particulares e públicos. &#8211; Todos reconhecerão que estes males serão ainda muito maiores, se refletirem que, desde o momento em que o divórcio haja sido autorizado, não haverá freios bastantemente fortes para o manter dentro de limites fixos, que a princípio pudessem ser-lhe assinados. &#8211; É muito grande a força do exemplo, maior ainda a das paixões; e, graças a estes incitamentos, forçosamente deve suceder que, tornando-se cada dia mais geral e profundo o desejo infrene do divórcio, invada maior número de almas como uma doença que se propaga pelo contágio, ou à menira das águas acumuladas que, tendo triunfado dos diques que as sustinham, irropem por todas as partes.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Trecho da <em>Encíclica Arcanum Divinae Sapientiae</em> &#8211; Leão XIII</span></p>
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