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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>A IGREJA DO VATICANO II E MARTINHO LUTERO</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Nov 2017 18:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Francisco]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa É perfeitamente compreensível que haja tantos católicos da tradição chocados com as comemorações do 5º centenário da Revolução Luterana. De fato, é doloroso ver o Vigário de Cristo na Terra, o sucessor &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-igreja-do-vaticano-ii-e-martinho-lutero/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #000000;"><img class="alignright" src="https://fratresinunum.files.wordpress.com/2016/10/papa-francisco-lutero.jpg?w=266&amp;h=300" alt="" /><a href="http://santamariadasvitorias.org/a-igreja-do-vaticano-ii-e-martinho-lutero/">Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É perfeitamente compreensível que haja tantos católicos da tradição chocados com as comemorações do 5º centenário da Revolução Luterana. De fato, é doloroso ver o Vigário de Cristo na Terra, o sucessor de Pedro, encabeçando e incentivando um ditirambo do asqueroso heresiarca.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mim, pessoalmente, já beirando os 56 anos  de idade e tendo vivido cenas semelhantes nos tempos de João Paulo II, não me causa tanta surpresa ver a hierarquia empolgada com tudo isso. O que me causa mais revolta é ver nossas antigas igrejas, aquelas joias do gótico e do barroco, lugares sagrados e abençoados, ricos de tanto significado para os verdadeiros católicos, abrigando as orgias ecumênicas promovidas por hereges modernistas e luteranos mancomunados na perseguição contra os católicos, como se viu na expulsão de jovens belgas que rezavam o Rosário em desagravo contra a profanação de uma catedral sequestrada para uma esdrúxula cerimônia ecumênica  modernista-luterana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entretanto, é preciso dizer que é igualmente compreensível que a Igreja do Vaticano II celebre o 5º centenário da obra nefasta de Martinho Lutero. Afinal, sem Lutero e sua revolução, com todas as suas consequências, não se explica o Vaticano II, seus vários documentos e as múltiplas reformas que dele emanaram.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, a nova eclesiologia conciliar (em contradição com a <em>Satis Cognitum</em> de Leão XIII e a <em>Mystici Corporis</em> de Pio XII), tal como está exposta na <em>Lumen Gentium</em>, com a famosa expressão “a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”, é de origem protestante. Está provado e documentado que essa horrível expressão, que tem o único objetivo de empanar  a perfeita identidade da Igreja de Cristo com a Igreja Católica, foi introduzida pelo Dr. Ratzinger, por sugestão de um pastor protestante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Recorde-se, outrossim, a história da desastrada reforma litúrgica. O escritor Jean Guiton, amigo de Paulo VI, declarou que Paulo VI lhe disse que tinha a intenção de fazer uma reforma litúrgica que abolisse todos os elementos que eram do desagrado dos “irmãos separados”. Por isso mesmo, após o concílio convidou “peritos” protestantes para participar da comissão encarregada da  reforma do missal romano. Disto resultou uma liturgia ambivalente. E hoje não há ninguém com um mínimo de juízo crítico que não reconheça que a missa moderna, como celebrada na maioria das paróquias e tão apreciada pelos católicos renovados, não parece um arremedo do culto protestante.</span><span id="more-11484"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acrescente-se também que a nova exegese, outro fruto amargo do luteranismo, a qual atirou às urtigas a nossa venerável Vulgata, com as traduções clássicas do Pe. Antonio Pereira de Figueiredo e do Pe. Matos Soares, a nova exegese que introduziu o racionalismo e o livre exame na Igreja e é ensinada em quase todas universidades e seminários, a nova exegese promoveu um biblismo pedante entre os católicos reformados, de maneira que hoje quase só se encontra católico ignorante do catecismo mas doutor em “ciências bíblicas”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Leve-se em conta ainda que hoje se vive na Igreja uma nova moral, a moral de situação, a moral do “discernimento” preconizado pela exortação <em>Amoris Laetitia. </em>Ora, esta nova moral “dos casos concretos”, que tem ojeriza dos princípios abstratos, esta falsa moral que considera a concupiscência indomável, é de origem luterana também.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E por fim, toda a abertura da Igreja do Vaticano II ao mundo moderno, ao estado laico (considerado como regime ideal pela declaração<em> Dignitatis Humanae), </em>toda empolgação da Igreja pós-conciliar  com a democracia moderna, baseada no individualismo e no sufrágio universal, tampouco se explica se não se recordar que o individualismo é o corolário natural da falsa reforma religiosa do século XVI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De modo que é lógico e perfeitamente coerente com seus falsos princípios que a Igreja do Vaticano II celebre a grande desgraça que se abateu sobre a cristandade por obra do apóstata Martinho Lutero. Quem gosta do mundo moderno, quem gosta da democracia, do sufrágio universal, quem gosta do divórcio, do aborto e do “casamento homossexual” como direitos civis irrenunciáveis, quem gosta do feminismo e das “acólitas”, leitoras, comentaristas, e “diaconisas” , quem gosta da nova liturgia e das novas bíblias ecumênicas tem de ser muito grato ao herege Martinho Lutero e está coberto de razão de celebrar a sinistra efeméride.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nós da tradição, apoiados na intercessão da Rainha das Vitórias, vencedora de todas as heresias, apoiados na intercessão de todos os santos e mártires da Contra-Reforma, inspirados nos exemplos de um Filipe II e de uma rainha Maria Stuart da Escócia, apoiados no exemplo de Guararapes e nos sermões do Pe. Vieira e de Bossuet, devemos continuar abominando essa heresia dos falsos reformadores como um vômito de satanás. E, colaborando sempre com a graça de Deus, procuremos  nossa santificação pela prática de boas obras a fim de merecermos a glória do céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Anápolis, 31 de outubro de 2017.</span></p>
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		<title>MODERNISTAS CONTRADITÓRIOS E MODERNISTAS COERENTES</title>
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		<pubDate>Sun, 07 May 2017 15:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa A seita modernista assemelha-se ao famoso labirinto habitado pelo monstro Minotauro e construído engenhosamente por Dédalo, à maneira do rio Meandro, cuja correnteza obedecia à lei do fluxo e refluxo, de modo &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/modernistas-contraditorios-e-modernistas-coerentes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><img class="irc_mi aligncenter" src="https://maiads.files.wordpress.com/2015/04/labirinto-de-creta.jpg" alt="Resultado de imagem para minotauro labirinto rio Meandro" width="500" height="277" /><a href="https://santamariadasvitorias.org/modernistas-contraditorios-e-modernistas-coerentes/">Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A seita modernista assemelha-se ao famoso labirinto habitado pelo monstro Minotauro e construído engenhosamente por Dédalo, à maneira do rio Meandro, cuja correnteza obedecia à lei do fluxo e refluxo, de modo que não tinha começo nem fim. Como se sabe, quem entrava no labirinto não encontrava mais a saída, ficava perdido, ao menos que tivesse o novelo de linha de Ariadne, e acabava devorado pelo Minotauro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim também, em geral, quem entra para a seita modernista não percebe suas infinitas contradições, fica desorientado, e acaba tendo devoradas a fé e a razão. Entretanto, na seita modernista há quem queira conservar a fé apesar de enredado por contradições doutrinárias, e há também os que, percebendo as contradições, renegam a fé como adesão da inteligência à verdade revelada, aderem ao imanentismo religioso, ficam subjetivistas e rebaixam a razão a uma função pragmática, interessados apenas em resolver problemas concretos e imediatos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo o filósofo italiano Michele Federico Sciacca em seu belo estudo sobre O idealismo moderno, publicado no volume Heresias do nosso tempo (Porto, 1956), o filósofo idealista Giovanni Gentili teve o mérito de pôr em evidência as contradições dos modernistas: “o vosso princípio é intelectualista (Deus transcendente); o vosso método subjetivista (Deus imanente). Permaneceis católicos porque o princípio opõe-se ao vosso método, mas, na realidade, este método, julgado à luz desse princípio, leva ao ateísmo”. O modernismo, digamos assim, é duplamente herético: relativamente ao Cristianismo, porque o seu método leva ao ateísmo; relativamente ao próprio idealismo, de que é filho, porque o seu princípio (a transcendência) contradiz a imanência idealista.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, o referido ensaio de Siacca pode servir como um novelo de linha de Ariadne ajudando as pessoas  que entraram no labirinto do modernismo a encontrar a saída e o retorno à integridade da fé católica.</span><span id="more-9212"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sciacca demonstra as raízes idealistas da seita modernista, apontando a sucessão a histórica dos diversos autores modernistas, todos eles filiados de alguma forma à filosofia hegeliana. Diz ele: “É inegável a sucessão histórica (que significa também filiação intelectual) Hegel – Feuerbach – Strauss – Renan – Loisy; e Loisy é a expressão mais genuína do modernismo, enquanto das premissas tira as conclusões e sai do equívoco e da contradição dos outros seus companheiros de heresia. Com efeito, o modernismo, em muitos modernistas, foi, essencialmente, uma contradição entre o princípio (a transcendência de Deus e a revelação) e o método historicista ou pragmatista, que leva direito à imanência, à doutrina da formação histórica do dogma e, por conseguinte, à negação da Revelação, da divindade de Cristo e da divindade da Igreja Católica.” (o. c. p. 57)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta contradição do modernismo é muito bem ilustrada por Mons. Francesco Spadafora em sua obra <em>La nuova esegesi </em>(Albano, 1996), na qual o exímio exegeta mostra as devastadoras consequências da utilização do método histórico-crítico ou a “história das formas” de matriz racionalista-idealista sobre a exegese católica. Diz ele que tal método contrasta claramente com as três verdades reveladas que estão na base da exegese católica: a inspiração divina da Sagrada Escritura, sua inerrância absoluta, a historicidade dos nossos quatro  Santos Evangelhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conta também Mons. Spadafora suas várias tentativas vãs de convencer o cardeal Ratzinger sobre a situação catastrófica do Instituto Bíblico onde o método histórico-crítico era praticado pelos sequazes do famigerado cardeal Carlo Martini. Porém, o mais interessante que nos informa mons. Spadafora é que o documento da Pontifícia Comissão Bíblica, sob o título Interpretação da Bíblia na Igreja, tem um prefácio assinado pelo cardeal Ratzinger no qual o purpurado diz: “Na história da interpretação,o uso do método histórico-crítico assinalou o início de uma nova era. Graças a este método apareceram novas possibilidades de compreender o texto bíblico no seu sentido original.” (o.c. p. 15).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Monsenhor Spadafora conta que protestou vivamente junto ao cardeal Ratzinger contra a publicação do livro <em>Exegese cristã hoje</em>, de autoria do mesmo cardeal juntamente com o jesuíta Ignace de la Poterie, no qual o referido jesuíta repete suas teses errôneas sobre a inerrância bíblica. E comenta: “Sua Eminência o cardeal, participando do livro com seu estudo sobre a <em>Formengeschichte </em>de Bultmann, deu a impressão lógica de partilhar das heresias de Ignace de la Poterie.” E na página 129 conclui categoricamente:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Efetivamente eu não vejo – e a exegese de hoje me dá a maior confirmação – como um exegeta católico possa adotar os sistemas racionalistas chamados pelo cardeal Ratzinger “método histórico-crítico” (<em>formengeschichte</em> e <em>redaktionsgeschichte</em>), sem renegar os dogmas quando não as verdades de fé divina e católica que devem estar no fundamento da exegese católica, as quais foram reiteradas ininterruptamente pelos romanos pontífices contra a agressão do modernismo (…) Por ora, basta citar Simon-Dorado: a <em>formengeschichte </em>contra o dogma católico <em>notiones inspirationis</em>, <em>inerrantiae</em>, <em>traditionis apostolicae pervertit</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E mais adiante, na página 207, mons. Spadafora evidencia a contradição do ilustre cardeal: “No seu estudo, o cardeal alterna luzes e sombras em um crepúsculo humanamente sem esperança: admissões, reconhecimentos também exatos sobre a crise da exegese católica, juízos substancialmente negativos sobre o sistema Bultimann-Dibelius (a <em>formegeschichte</em>), mas também afirmações que contradizem as precedentes, como, por exemplo: “a <em>Dei Verbum </em>sublinhou a legitimidade e também a necessidade do método histórico”!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como se vê, é muito procedente a observação do filósofo Giovanni Gentili reportada acima. A contradição da maioria dos modernistas é uma constante ao longo da história dessa heresia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas voltemos à análise de Michele Federico Sciacca sobre as diversas implicações teológicas do idealismo. Explica o filósofo que, conforme a dialética hegeliana, há uma negação do ser e de cada ser, que se conserva “destruindo-se”. De maneira que a religião, segundo momento do Espírito Absoluto, conserva-se na filosofia, onde precisamente se nega. (1) Isto significa que o momento religioso está contido no filosófico e que é por ele superado; mas o momento filosófico é o da plena racionalidade, é consciência reflexa do conteúdo religioso que, como tal, ainda é puramente “representativo”; a religião, portanto, fica absorvida e dissolvida na filosofia. E isto é mais que uma heresia: é a negação  da religião como tal, quer enquanto se nega que ela tenha a sua autonomia na vida do espírito, quer enquanto se exclui radicalmente qualquer forma de saber revelado (…) Daqui a conclusão de alguns pensadores da chamada “esquerda” hegeliana: a religião, antes de o seu conteúdo ser reduzido à racionalidade do momento filosófico ou reflexo, é um “mito”, uma ficção poética.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Hoje pode-se dizer que assistimos ao esforço mundial de reduzir a  religião à filosofia social, despojando-a de qualquer dogma e pondo-a serviço de um grande projeto político. Realmente, para a consolidação da Nova Ordem Mundial, não vemos hoje a instrumentalização de todas as religiões, a promoção do sincretismo, um esforço de criar uma nova religião mundial que ajude a dar coesão a uma nova organização das nações? E mais não vemos tentativas de dar uma explicação meramente sociológica da origem da religião? A meu ver, tudo isto se filia à filosofia idealista, conforme a explicação de Sciacca.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para remate destas considerações, desejaria assinalar que a imagem do labirinto de fato se adapta perfeitamente aos antros modernistas. O labirinto foi construído à maneira do rio Meandro que tinha fluxo e refluxo. Ora, sob o pontificado de João Paulo II e Bento XVI, houve um refluxo depois da violenta correnteza dos tempos de João XXIII e Paulo VI. Hoje temos um forte fluxo do modernismo sob o pontificado de Francisco I. Mas devo dizer que prefiro o clima de anarquia e plena liberdade promovido por Francisco àquela falsa ordem ou ditadura da <em>nouvelle theologie</em> vivida sob os reinados de João Paulo II e Bento XVI em que os teólogos condenados por Pio XII na <em>Humani generis </em>foram elevados à categoria de doutores da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Prefiro o papa Francisco que, com toda franqueza, acolhe a Fraternidade São Pio X sem exigir nenhuma declaração doutrinária (porque sabe honestamente quanta contradição há no modernismo) a Bento XVI que tentava encobrir tudo com o manto da hermenêutica da continuidade. Prefiro o papa Francisco porque sabe que o seu irmão de ordem religiosa o Pe. Jacques Dupuis SJ tinha razão quando recusou retratar-se diante do cardeal Ratzinger,  afirmando com plena coerência sua teoria do salto qualitativo da teologia católica das religiões como fruto do Vaticano II.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Anápolis, 4 de abril de 2017.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Semana da Paixão. Festa de Santo Isidoro, bispo e doutor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na filosofia hegeliana, é de capital importância a noção de Espírito, que se distingue em espírito subjetivo, espírito objetivo e espírito absoluto. Espírito subjetivo é o espírito finito, a alma, o intelecto, a razão. Por espírito objetivo, Hegel entende as instituições fundamentais do mundo como o direito, a moral. Por espírito absoluto ele entende o mundo da arte, da religião e da filosofia. Nas concepções objetiva e absoluta, o espírito deixa de ser uma atividade subjetiva para tornar-se uma realidade histórica. (cf. Abbagnano)</span></p>
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		<title>NAVEGANTES E NAUFRAGANTES</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Feb 2017 18:00:31 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fonte: Capela Santa Maria das Vitórias Na travessia do mar tempestuoso desta vida há católicos que infelizmente preferem ouvir o canto da Sereia ao canto da Stella Maris, o canto da Senhora Soberana do céu e da terra. Certissimamente vão &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/navegantes-e-naufragantes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="http://2.bp.blogspot.com/-88RtpX-oKjI/UeNQm72ivPI/AAAAAAAABHw/D52jG-aQr9M/s1600/naufragio.jpg" alt="Resultado de imagem para naufragos" width="322" height="245" />Fonte: <a href="http://santamariadasvitorias.org/navegantes-e-naufragantes/">Capela Santa Maria das Vitórias</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na travessia do mar tempestuoso desta vida há católicos que infelizmente preferem ouvir o canto da Sereia ao canto da Stella Maris, o canto da Senhora Soberana do céu e da terra. Certissimamente vão naufragar porque se recusam a sofrer todas as humilhações que a Providência Divina envia aos eleitos para purificá-los na demanda do reino do céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vida do católico aqui na terra sempre foi e será um esforço constante para não desertar do combate a ser travado sob os estandartes de Cristo Rei contra o reino de Satanás e do Anticristo. É a doutrina exposta e defendida pelos grandes teólogos e mestres da vida espiritual com base na Sagrada Escritura. É a doutrina de Santo Agostinho na monumental <em>Cidade de Deus.</em> Em um regime de cristandade, em um estado confessional católico, onde as autoridades políticas se empenham em organizar a sociedade conforme a lei de Deus, a luta contra os inimigos da salvação pode ser menos renhida, mas, mesmo assim, a vida do católico será sempre uma luta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desgraçadamente, a partir do Vaticano II semelhante concepção da vida católica como um combate foi sendo deixada de lado para ser finalmente substituída pelo mito do diálogo. Não o diálogo como sempre o entendeu toda a tradição desde a antiguidade, como, por exemplo, Platão. Não o diálogo como uma investigação de pessoas que, tendo os mesmos princípios e valores, se unem em um esforço comum para chegar à solução de um problema ou sanar uma dúvida que aflige a todos. Mas um diálogo de céticos desesperados e contraditórios que, não vendo sentido em nada, se unem apenas no afã de descobrir uma regra geral de como compartilhar melhor as alegrias e penas de uma vida efêmera. Sinceramente, acho que não há exagero nestas palavras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Foi assim que deixando de lado o hino Stella Maris, muitos católicos passaram a ouvir e a cantar o canto da Sereia e abraçaram os ídolos dos tempos modernos: democracia, liberdade, igualdade de oportunidades, direitos humanos. E agora vêem-se até defrontados com a necessidade de dialogar sobre questões que a princípio pode causar-lhes alguma repugnância mas terão de engolir se não quiserem receber a pecha de fundamentalistas. Refiro-me aos tópicos constantes da agenda da nova ordem mundial: direitos reprodutivos e sexuais da mulher, aborto, “casamento homossexual”, ideologia do gênero etc.</span><span id="more-8316"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, desprezando a Virgem Prudente, a Sede da Sabedoria, e ouvindo a Sereia, não puderam ou não quiseram esses católicos que agora naufragam e estão consternados com a rejeição do nome do jurista Ives Gandra para o Supremo Tribunal Federal, não puderam ou não quiseram entender que o mundo pós-moderno, herdeiro de todos os erros condenados pelo magistério tradicional da Igreja, não dá mais lugar a quem queira defender nas instâncias públicas valores morais baseados em princípios metafísicos ou teológicos. Não quiseram reconhecer que mais cedo ou mais seriam alijados por seus companheiros de viagem a quem adulavam ao mesmo tempo que zombavam dos católicos tradicionalistas taxados de fundamentalistas e cismáticos. Foram merecidamente devorados pelo grande monstro, pelo Leviatã moderno, chamado democracia laica ou secular, ao som do canto da Sereia, enquanto os católicos fiéis à tradição da Igreja escapam do naufrágio, escapam de ser comidos pelo monstro ou tragados pelo dilúvio porque preferem ser marginalizados, preferem ficar de fora, cantando <em>Stella Maris</em> e rezando o santo rosário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O grande imperador Filipe II dizia “prefiro não reinar a reinar sobre hereges.” Palavras de grande valor moral, palavras de espantosa atualidade. Realmente, que pode fazer um rei católico em um país de hereges? Que pode fazer hoje um governante católico quando as famílias estão desestruturadas e as instituições completamente aparelhadas por bandidos revolucionários?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que bem poderá fazer hoje um juiz católico na suprema corte? Certamente bem pouco para não dizer nada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As palavras de Filipe II me convencem ainda mais de como estão errados os príncipes e monarquistas que sonham com a restauração do trono a qualquer custo. Que vale uma monarquia oca, uma monarquia cerimonial? Conta-se que o Conde de Chambord, prejudicado pelo <em>ralliement</em> de Leão XIII, teria dito que se tivesse cingido a coroa da França, não o teriam deixado governar porque não transigiria nos princípios fundamentais da política católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Do mesmo modo, que bem poderá fazer hoje um jovem sacerdote que aspire ao episcopado? Uma vez no governo de uma diocese, quanta resistência dos modernistas e dos progressistas da teologia da libertação não encontrará? Realmente, esses tais que aspiram ao episcopado não aquilatam a cruz que pedem. Uma cruz talvez não para a salvação mas para a própria condenação. Não se trata de recusar o exercício da autoridade por comodismo, por falta de fortaleza, mas de, com prudência, examinar as circunstâncias e reconhecer que hoje, como está a sociedade, não há lugar para homens de bem no governo. A sociedade está reduzida a uma quadrilha de bandidos e degenerados. As instituições faliram.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As palavras de Filipe II me fazem ver também como estão errados os leigos e clérigos que correm atrás de títulos nobiliárquicos e honoríficos. A dignidade de um título se mede pelo valor de quem o confere. Ser nomeado cavaleiro por um grande monarca sem dúvida é um notável galardão. Ser nomeado monsenhor por um santo papa também. Mas hoje tudo isso é impossível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Das palavras de Filipe II me utilizo também para ilustrar a situação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Há católicos “conservadores” ou linha média que desejam um acordo da Fraternidade com o Vaticano de Francisco I, fazem campanha para que ela tenha reconhecimento canônico de direito pontifício. Que bem poderá fazer a Fraternidade uma vez reconhecida? Muito mais nobre será sofrer o labéu de ter sido esbulhada nos anos setenta da sua estrutura canônica do que agora obter mediante termos ambíguos um reconhecimento. Muito mais nobre será agora pedir ao Vaticano que declare nula a supressão canônica ao tempo de Paulo VI do que estudar agora a viabilidade da ereção de uma prelazia pessoal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conta-se que o Patriarca José Bonifácio recusou o título de marquês de Santos, por discordar das atitudes de Dom Pedro I. Este, para desfeiteá-lo, agraciou sua favorita Domitila com o título de marquesa de Santos. O grande Joaquim Nabuco, embora também monarquista, recusou um título de visconde que lhe oferecia Dom Pedro II. Ambos são exemplos de autêntica nobreza não titulada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A sociedade corrompeu-se a tal ponto hoje, que os verdadeiros católicos, se não quiserem trair sua consciência e sua fé, não podem mais esperar cargos e honrarias das altas esferas. Todos estamos assistindo perplexos aos desafios à autoridade do presidente dos EUA, que está longe de ser um estadista defensor dos valores tradicionais. Serve apenas para demonstrar o descontentamento de uma grande parcela da opinião pública. Não se sabe ainda como terminará a história.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se nos Estados Unidos, onde o povo é mais culto e a sociedade bem mais organizada que a nossa, a situação é calamitosa, que dizer do Brasil depredado pelo lulopemedemismopetista e pela teologia da libertação?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Só nos resta rezar, só nos resta pedir o socorro da Estrela do Mar, bem longe da Sereia. Só nos resta salvar nossas famílias e pequenas comunidades.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Deus, venerunt gentes in heriditatem tuam, polluerunt templum sanctum tuum, posuerunt Ierusalem in pomorum custodiam. (Ps. 78)</em></span><span style="color: #000000;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Anápolis, 8 de fevereiro de 2017.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Festa de São João da Mata</span></p>
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