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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Manuel Bernardes</title>
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		<title>SERMÃO DAS CINZAS – PE. MANUEL BERNARDES</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Feb 2024 15:00:17 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Clique na imagem acima para ler o belíssimo sermão do Pe. Manuel Bernardes]]></description>
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		<title>SERMÃO DAS CINZAS – PE. MANUEL BERNARDES</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2021 14:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Clique na imagem para ler o belíssimo sermão do Pe. Manuel Bernardes]]></description>
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		<title>SERMÃO DAS CINZAS – PE. MANUEL BERNARDES</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Feb 2020 15:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<header class="entry-header"><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/sermao-das-cinzas/"><img class="irc_mi aligncenter" src="http://2.bp.blogspot.com/-H872E19544g/TyboYAvk6AI/AAAAAAAAwYc/C-tGmfmB4_s/w1200-h630-p-k-nu/Cinzas.jpg" alt="Resultado de imagem para cinzas fsspx" width="417" height="240" /></a></header>
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		<title>OS QUE RESPEITAM O TRATO DA ALMA COM OS PRÓXIMOS</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Nov 2019 14:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Vencer o mal com o bem, e dar retorno de benefícios por agravos, é doutrina Evangélica. Porém adverte, que alguns soberbos que a sabem, nem deste modo quererão que os venças; e ou presumirão não ser a tua caridade pura, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-que-respeitam-o-trato-da-alma-com-os-proximos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://cdhpf.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Amigos.jpg" alt="Resultado de imagem para sentados banco&quot;" /></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vencer o mal com o bem, e dar retorno de benefícios por agravos, é doutrina Evangélica. Porém adverte, que alguns soberbos que a sabem, nem deste modo quererão que os venças; e ou presumirão não ser a tua caridade pura, senão misturada com apetite de levar-lhes vantagem; ou se poderão exasperar de que sejas mais espiritual que eles. Neste caso é necessário furtar a volta ainda mais por baixo, buscando ocasião em que te mostres necessitado, ou desejoso de algum benefício seu; ou que tu lhes fizeres seja tão oculto, que lhes chegue a utilidade despida da notícia do benfeitor. Pelo menos o benefício de orar a Deus por eles, nunca poderão, se tu quiseres, nem sabê-lo, nem evitá-lo.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="2">
<li><span style="color: #000000;">Se aspiras ao recolhimento interior e paz de coração, importa-te precisamente ter igual amor a todos os próximos e igual esquecimento de todos, sejam ou não sejam parentes, ou conhecidos do mesmo, ou diferente estado, pátria, gênio, etc. Não ocupes o espírito em cuidar muito deles. Até do próprio Confessor é necessário um santo despego, não arrimando a ele a confiança de que te fará santo; porque nisto injurias a graça de Deus. Se observares bem este aviso, livrar-te-ás de muitas imperfeições, erros e perigos.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="3">
<li><span style="color: #000000;">Toma o que o mundo deixa, e deixa o que o mundo toma; e terás paz com os próximos, contigo e com Deus. Honra, gosto e abundância é o que todos comumente buscam. Desprezo, dor e pobreza é o de que fogem. Em trocando tu estas bolas, acabou-se a guerra; e depois de acabada, virão buscar-te as honras, deleites e riquezas verdadeiras.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="4">
<li><span style="color: #000000;">Quem não desprezar a glória do mundo e o descanso do corpo, e as justificações da sua razão, nunca jamais poderá remover de si o jugo da vontade própria, nem ver-se livre da ira e tristeza, nem viver quieto com seu próximo.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="5">
<li><span style="color: #000000;">Impossível é que alguém trate a seu próximo com ira, e escandecência, sem primeiro se lhe levantar o coração, e ter desprezo dele, reputando-se por melhor.</span></li>
</ol>
<p><span id="more-18279"></span></p>
<ol style="text-align: justify;" start="6">
<li><span style="color: #000000;">Não tires apertadas inquirições ao pobre para lhe dar esmola, especialmente se não é extraordinária. O evangelho diz que, a todos os que te pedirem, dês:<em>Omni petenti te, tribue</em>[Luc. 6,30]. E não supunha serem santos, bem procedidos e honrados todos os que pedem. Todo o próximo tem direito natural para que ninguém (fora de seus legítimos Superiores, e em termos competentes) devasse de sua vida e costumes; e não é verossímil que por uma limitada esmola te venda este direito, e se sujeite a que conheças de seus defeitos e misérias. Não procederás indiscretamente seguindo os exemplos de um S. João esmoler Patriarca de Alexandria, de um S. Tomás de Vilanova Arcebispo de Valença, de uma Santa Hedwigis Duquesa de Polônia, e de outros muitos Santos, a cujas esmolas ordinárias, que eram inumeráveis, nenhum exame precedia acerca dos merecimentos dos pobres; antes repreendiam a nímia prudência e exacção de seus esmoleres; e Deus, que chove sobre os justos e injustos, aprovava este espírito com freqüentes maravilhas e especiais favores. Porém, se te consta, ou facilmente se deixa ver num sujeito que nele a virtude é companheira da necessidade, este é bem que se prefira ao vicioso; porque também diante de Deus a sua petição teria melhor despacho; e quem ama a Deus, que muito seja amigo dos seus amigos. E se os pobres são credores dos ricos, também entre os credores para cobrarem há preferências justas e bem ordenadas.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="7">
<li><span style="color: #000000;">Se te lembram muitas vezes as injúrias, ou desprezos que te fez o próximo, é sinal que tens no estômago da alma, que é a memória, pouco calor da caridade, e por essa causa não fizeste perfeito cozimento. O remédio nesse tempo é avivar o tal calor com a Oração:<em>In meditatione mea exardescet ignis</em>: e chega-te a Deus pelo exercício da fé; que este Senhor é fogo consumidor de toda impureza:<em>Deus noster ignis consumens est</em>. E tem sentido não soltes alguma palavra, em que mostres que te amarga a língua.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="8">
<li><span style="color: #000000;">Se vives em Comunidade, assenta com grande firmeza em teu coração, não ocupar o pensamento, e muito menos trazer à língua o que fazem, ou dizem, ou tratam os outros Religiosos, ou em comum, ou em particular; nem te introduzas, ou consintas ser introduzido em ajuizar da condição, trato, ou modo de cada um. Porque se dás em consentir reparos, ainda que vivas entre Anjos, te parecerão muitas coisas mal e desencaminhadas; porque não estás capaz de substâncias delas, e dos fins ocultos de quem obra; e tanto que um espírito quer ser regra dos outros, erra muito prejudicialmente. Nem tu hás-de penetrar os secretos modos com que Deus exercita os Santos uns com os outros, sem primeiro calar muito, e sofrer muito, e fazer-te néscio. Deixa-te, pois, totalmente do que te não toca, e foge muito longe de zelar com caridades indiscretas. E ainda o que te toca, deves tratar com muito modo, e muito a seu tempo, e com conselho de experimentados, e aparelho de Oração. E se não observares pontualmente esta regra, não poderás tratar de teu aproveitamento como convém, nem alcançarás a paz de coração, onde estão encerrados inumeráveis bens.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="9">
<li><span style="color: #000000;">A pura, perfeita e absoluta liberdade consiste em não necessitar de coisa alguma; e esta é própria dos Bem-aventurados. Outra mais inferior consiste em necessitar de poucas coisas; e quanto estas forem menos, tanto a liberdade será de mais alto grau. E esta é a que na presente vida podemos e devemos procurar e vemos que a logram os pobres de espírito, dedicados só ao amor e serviço de Deus, que é todas suas coisas. Daqui se infere que quanto maior é a grandeza de estado de uma pessoa, tanto maior é o seu cativeiro (exceto aqueles poucos, que só no exterior são grandes, e no seu interior, pequenos), porque necessita de inumeráveis coisas para o adquirir e conservar, antes nessas mesmas coisas consiste o tal estado.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="10">
<li><span style="color: #000000;">Penitente que tem exercícios de Oração Mental não lhe serve Confessor ordinário, que os não tem; porque lhe atrasará o espírito, em lugar de o promover e não haverá aquele amor em Cristo e confiança que é muito necessária entre os que se comunicam espiritualmente. Mas algumas dúvidas, cuja resolução dependa de letras, podem e devem consultar-se com homem douto, ainda que não seja espiritual. </span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="11">
<li><span style="color: #000000;">Todas as coisas imagina que tem duas asas [Epit. Filosófico]: uma por onde se não podem levar, e outra por onde bem podem. Portanto, se algum próximo te fizer injúria, não lhe pegues pela asa de que é injúria, senão pela outra, de que é próximo, e também queres que te sofra. Se vês algum defeito alheio, não lhe pegues pela asa, de que é defeito; senão pela outra, de que não sabes o intento e fim de quem obra, e porventura agradará a Deus. Se te morre algum amigo, não lhe pegues pela asa de que te fará falta este amigo; senão pela outra, de que sempre tens a Deus, que vale mais que todos os amigos. Deste modo poderás levar bem as coisas dificultosas.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="12">
<li><span style="color: #000000;">Escreve-se que em Dalmácia há uma profunda cova, onde em lançando alguém qualquer pedrinha, logo de dentro se levanta um redemoinho e tempestade. Tais foram os Príncipes e poderosos; se os ofendeste com qualquer palavra, ou aceno, guarda-te da tempestade. E pelo contrário, as palavras pesadas que eles te disserem, não basta que as sofras, é necessário que te alegres com elas, e talvez que as estimes:<em>Potentiorum injuriae hilari vultu, non tantum patienter ferendae sunt</em>(disse Seneca). Daqui se mostra quão pesada e perigosa seja a amizade entre desiguais: <em>Pondus super se tollit, qui honestiori se communicat: et ditiori te ne socius fueris</em> [Ecl. 13,2].</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="13">
<li><span style="color: #000000;">Pedir esmolas para outros quem segue a perfeição, necessita de discrição maior do que à primeira vista se representa; porque costuma nisto haver alguns perigos: 1<sup>o</sup>. Que o que intercede se inquieta e perturba se lhe negam a esmola; porquanto, ainda que o seu intento e diligência fosse motivada do amor de Deus, todavia costuma entrar também a autoridade e valimento próprio, por sacador de tal esmola; 2<sup>o</sup>. Que se arrisca a tomar parte da glória para si, querendo ao pobre por devedor também seu, e esperando dele reconhecimento humilde: particularmente quando quem deu a esmola esconde a sua mão na de quem intercede; 3<sup>o</sup>. Que aos que deram a esmola lhes pode subir ao pensamento, se ficará com ela em todo, ou em parte, ou se a aplicará a seu modo para outros usos; 4<sup>o</sup>. Que fico obrigado a quem pedi, para lhe fazer também alguma coisa que me peça: e às vezes pede, o que suposto seja lícito, não me é muito conveniente; 5<sup>o</sup>. Que se as minhas intercessões costumam sair bem despachadas, acodem à fama muitas pessoas pobres, que a troco de conseguir a misericórdia temporal, não reparam em se fingir muito espirituais, e usam mal do Sacramento da Penitência. Por isso meu Patriarca S. Filipe Néri, conhecendo o espírito de uma que vinha confessar-se com semelhante intento, logo a primeira palavra com que a despediu foi dizer-lhe: Mulher, não há pão para ti. Por estas razões não deixem os Confessores de exercitar a caridade que puderem com seus próximos desvalidos; porém vão com cautela atendendo à qualidade das pessoas a quem pedem, e para quem pedem. E os que foram pobres de espírito e pacíficos não se aflijam de não poder dar esmolas, pois o seu grau é muito mais alto e agradável a Deus do que o dos misericordiosos. A Santa Leogarde, Monja Cisterciense, estando em semelhante cuidado, disse o Senhor aquele verso do Salmo:<em>Haereditas mea custodire legem tua</em>: Que a sua herança e riquezas estavam situadas em guardar a Lei de Deus com toda a perfeição.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="14">
<li><span style="color: #000000;">Quando te derem algum louvor, não respondas bem nem mal, deixa-o serenamente cair da mão em Deus, que seu é; e lá no teu coração, diz:<em>Soli Deo honor, et gloria. Nemo bonus nisi solus Deus</em>. Só Deus é bom. Só a ele toda a honra e glória. Porque se mostras recusar o louvor, ou te entristeces exteriormente com ele, atrais mais outro, em que periga tanto mais a tua humildade, quanto o não querer ser louvado é mais louvável.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="15">
<li><span style="color: #000000;">Pessoas sagradas e que professam aspirar à perfeição e fuga do século, é coisa vergonhosíssima, falarem em coisas vãs e deleitar-se com rumores do mundo. Queixava-se Hugo Vitorino, de que<em>Miles et Monachus ex eodem panno partiuntur cucullam, et chlamydem</em>: Soldado e Religioso, cortavam do mesmo pano a casaca e cugula. Que é falar a pessoa dedicada a Deus do mesmo modo que a pessoa metida no século, senão mostrar que é do mesmo pano, tecido da vaidade, tramado da malícia e cortado à medida da vontade própria?</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="16">
<li><span style="color: #000000;">Não desprezemos os pecadores, que também nós o somos; e se assim o não cuidamos, a nós mesmos nos mentimos:<em>Si dixerimus quoniam peccatum non habemus, ipsi nos seducimus, et veritas in nobis non est</em>(1 João, 1, 8). Nem estranhemos os tentados, para que também o não sejamos. V<em>os qui spirituales estis, hujusmodi instruite in spiritu lenitatis, considerans te ipsum, ne et tu tenteris</em> (Galat. 6,1). Fala aqui o Apóstolo com os espirituais; porque estes são mais ocasionados a formar este desprezo, e se parecem com os Hereges Cátaros, que quer dizer <em>limpos</em>; porque soberbamente afetavam esta limpeza espiritual em não admitirem segundo casamento, nem penitência depois da primeira queda. Deus admite à sua graça o pecador, depois de milhares de quedas; e se o admite Deus, que é a mesma limpeza, porque o não admitireis vós, novo Cátaro limpo só por fora? entrareis em tentação e então aprendereis a vos compadecer da miséria e trabalho dos tentados. Assim sucedeu a Timoteo Anacoreta, que perguntado do seu Abade [Vit. PP., lib. 3] que faria a um Monge negligente e díscolo, aconselhou que o expulsasse. Tomou-se o seu conselho; porém o mesmo foi sair o expulso, que entrar em Timóteo a mesma tentação que ele padecia; com esta se viu tão trabalhado e ameaçado de se arruinar, que com lágrimas clamava a Deus misericórdia. Então ouviu do Céu uma voz que lhe dizia: Timóteo! por isso entraste em tentação, porque desprezaste a teu irmão posto nela.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="17">
<li><span style="color: #000000;">Onde muitos vivem juntos, a arte de conservar a paz não é tanto procurar agradar uns aos outros, quanto sofrerem-se uns aos outros. Porque o agradar eu a meu próximo, depende também dele; e o sofrê-lo, depende só de mim; e não diz o Provérbio: Quando um quer, dois são amigos; senão: Quando um não quer, dois não baralham. Por inculpável que seja o meu procedimento, posso não contentar a meu próximo; mas por intratável que seja meu próximo, bem posso eu sofrê-lo. Por isso ensinando-nos o Apóstolo um excelente meio para cumprirmos com a lei de Cristo (que toda é caridade) não disse que uns fizéssemos a vontade aos outros, senão: que uns suportássemos a carga dos outros:<em>Alter alterius onera portate: et sic adimplebitis legem Christi</em>[Galat. 6,2].</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="18">
<li><span style="color: #000000;">Não entendam os pais de famílias e superiores que pecam todas as vezes, que se agastam racionalmente com os que tem a seu cuidado. Bem pode haver ira, sem haver pecado: Irascimini, et nolite peccare. E às vezes poderá haver pecado, se não houver ira; porquanto a paciência e silêncio fomenta a negligência dos maus e tenta a perseverança dos bons.<em>Qui cum causa non irascitur, peccat</em>(diz um Padre); <em>patientia enim irrationabilis vitia seminat, negligentiam nutrit, et non solum males, sed etiam bonos invitat ad malum</em> [Ioan. Hierosolymit. bemil. 11, in Mat.]. Nem o irar-se nestes termos é contra a mansidão; porque esta virtude compreende dois atos: um é reprimir a ira quando é desordenada; outro excitá-la, quando convém. A ira se compara ao cão, que ao ladrão ladra, ao senhor festeja, ao hóspede nem festeja nem ladra; e sempre faz o seu ofício. E assim, quem se agasta nas ocasiões e contra as pessoas que convém agastar-se, bem pode, com tudo isso, ser verdadeiramente manso. <em>Qui igitur</em> (disse o Filósofo) <em>ad quae oportet, et quibus oportet, irascitur, laudatus, esse que is mansuetus potest</em> [<em>Ethicorum</em>, 4 c.9].</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="19">
<li><span style="color: #000000;">Contra os primeiros ímpetos da ira irracionável usemos do remédio que Cristo Senhor Nosso ensinou a Santa Brígida [Lib. 6 revel., c. 6]. Quando alguém (disse o Senhor) te provocar a ira, não lhe fales palavra, até que sintas que aquele movimento apaixonado se apartou do teu ânimo. Depois que já tiver passado, examina e considera as coisas; e então fala com mansidão. Este silêncio do provocado, persuade eficazmente ao provocante, como não tinha razão, ao menos toda; e nela se fere, como em uma aguda espada:<em>Hujusmodi est irati animus</em>(disse Crisóstomo), <em>qui si in te prosiliat, tace, et opportunam ei plagam ingliges</em> [Homil. 47, in Ioan.].</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="20">
<li><span style="color: #000000;">Em maus caminhos há maus encontros. Por isso diz David dos pecadores que acham tropeços e desastres por onde andam:<em>Contritio, et infelicitas in viis eorum</em>[Sal. 13,3] E dos que temem a Deus, diz o Eclesiastes, que não encontram o mal: <em>Timenti Dominum non occurrent mala</em> [Ecl. 33,1]. Declara-se com exemplos particulares. No mau caminho do falar muito, há o encontro mau da mentira, murmuração, jactância, etc. No mau caminho das amizades particulares, há o mau encontro do empenho em negócios temporais, da lisonja e adulação, da omissão de correção fraterna, da facilidade em ações menos modestas, etc. No mau caminho da liberdade dos olhos, há o mau encontro do objeto que move ruins pensamentos, do desassossego do tempo da Oração, por causa das espécies que entraram no sentido comum, da curiosidade e notícia de coisas que me não pertencem, etc. Aquele, pois, que deseja evitar os maus encontros, não entre pelos maus caminhos. E quanto for mais estreito e direito o caminho que tomar, tanto melhor sucesso terá na jornada; isto é, quanto imitar mais a Cristo pela abnegação, tanto menos quedas dará no pecado. E esta é a ordem e disposição da providência especial que Deus usa com seus amigos; com a qual parece que escolhe todas as más tentações para uma parte, e todas as oportunidades de O servirmos, para outra parte, dando estas aos tementes e perfeitos e permitindo aquela aos mundanos, e que nenhum estudo fazem da ciência do amor divino. Porque Deus a ninguém tenta para mal; mas os maus andam por caminhos onde sempre estiveram, e hão de estar tropeços: e estes não lhes tira Deus, porque lho não merecem e porque seria confundir a ordem das coisas; se ou tirasse do mundo o mal totalmente, não sendo ainda tempo disso, ou o lançasse nos caminhos bons, com que afugentasse dali aos seus escolhidos e amigos. </span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="21">
<li><span style="color: #000000;">Disse um ancião do Ermo: Assenta contigo não fazer jamais mal a próximo algum, senão que hás-de ter para com todos coração puro. E o Abade Silvano disse: Sejamos de coração manso e não iracundo; contra ninguém revolvamos malícia no nosso coração, nem deixemos entrar nele aversão de quem nos persegue injustamente, nem estranhemos e tomemos enfado de sua inimizade, nem o desprezemos na sua tribulação e necessidade, nem demos mal por mal; mas procuremos ser pacíficos com todos, que esta é a paz de Deus. </span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="22">
<li><span style="color: #000000;">Quem já está aconselhado com as pessoas prudentes e pias, não lhe convém andar buscando mais conselheiros. Porque os juízos, só por serem muitos, sucedem serem vários; e onde o consulente busca luz e resolução, achará confusão e perplexidade, e menos constância nos seus bons propósitos.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="23">
<li><span style="color: #000000;">Quem trata da perfeição com ânimo resoluto, aparte-se da familiaridade com os que não tratam dela. Isto se estende ainda entre os que vivem na mesma Comunidade. A serva de Deus Maria de la Antígua estava neste particular irresoluta e escrupulosa temendo ofenderia a caridade do próximo. E o Senhor lhe deu esta doutrina: Eu mandei aos meus no Evangelho, que sacudissem os pés do pó da terra onde não fossem recebidos. E nisto se entende que sacudam de si o pó das conversações dos que se não querem emendar pelo seu exemplo, nem tomar seus conselhos. Porque o tratar com os tais, já que a eles se não pega o ouro das virtudes, não pode deixar de pegar aos meus o pós dos seus vícios (de pouco depois continua): Para escusar estes danos, faço eu divisão entre pai e mãe. E os que com máscara de caridade, por não fazer esta divisão, vão contra meu Evangelho, contradizem-me a mim, e me perseguem em meus filhos pequeninos; e não são eles obrigados à obediência dos Prelados, que lhes mandam por mim, o que é contra mim. </span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="24">
<li><span style="color: #000000;">Em nada te introduzas, nem consintas que outros te introduzam, ou seja coisa interior ou exterior, que não vejas resultado em proveito da tua alma. E porque tomes melhor este conselho, ouve as próprias palavras de cujo é:<em>Nihil eorum tractes</em>(diz o Seráfico Doutor S. Boaventura) <em>quae te spirituali utilitate non tangunt: hoc est, de nulla re cures, vel implices te in aliquo exterius, vel interius, quoquo modo, ubi non invenis animae tuae lucrum: nec in hujusmodi te ab aliquo implicari permitas</em> [In epist. 25, Memorialium].</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="25">
<li><span style="color: #000000;">A pessoa que se dedicou à conversão das almas, pregando e confessando, não convém que apareça muito entre a gente, fora de quando exercita estes santos ministérios; senão como que baixa então do Céu, ou sai do deserto a fazê-los. Porque na familiaridade e comunicação com os próximos, são inevitáveis algumas ações e palavras, que ainda que lícitas e honestas, enfim são humanas; e, para o próximo, era necessário que todas fossem santas e exemplares. Por onde desta regra se excetuam os varões consumados em virtude, e já muito acreditados por Deus com dons particulares, porque estes com todas suas ações e modos, pregam, convertem e edificam.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="26">
<li><span style="color: #000000;">Quando aconselhas o bem que tu não fazes, ou ensinas a virtude que tu não praticas, é necessário revestir-se primeiro do espírito de mero mensageiro ou embaixador de Deus. Mas ainda assim não poderás dar bem o recado, se ao menos não desejas fazer o que aconselhas, em termos semelhantes e muito menos se te não absténs de obrar o contrário. Boa doutrina a este propósito, a de Taulero, que havendo ensinado alguns pontos de perfeição muito alta, acrescenta logo:<em>Ne quaeso putetis charissimi, ea me arrogantia praeditum, ut credam me huc pertigisse. Quamvis enim nullus Doctor ea alios docere merito deberete, quae ipse necdum vita sit assequutus: ad necessitatem tamen satis est ut ea diligat, et intentione prosequatur, nec plane agat contrarium</em>[Ser. 2 in Dominic. 5, post. Trinir.].</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="27">
<li><span style="color: #000000;">Muitos de tal sorte se embaraçam com o emprego de uma virtude, que não consultam a prudência guia de todas. Deste modo deixam de dar o seu lugar ao espírito de caridade, por se embeberem no de pobreza; e às vezes escandalizam com a austeridade, cuidando que edificam com o retiro: outras vezes usam da fortaleza, quando melhor fora usar da mansidão. Os homens são como as árvores:<em>Video homines sicut arbores</em>: e a árvore que Deus louva, é a que dá o seu fruto no seu tempo:<em>Quod fructum suum dabit in tempore suo</em>. A Prudência (como dizíamos) é a que aponta e mede estes tempos.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="28">
<li><span style="color: #000000;">Todo o juízo temerário, e ainda qualquer pensamento simples de falta ou pecado de outros, procuremos lançá-lo logo fora; voltando o sentido para Deus Nosso Senhor, e mostrando-lhe as chagas da nossa alma, para que as cure, ou dizendo-lhe, como o mesmo Senhor ensinou a Santa Brígida neste caso:<em>Domine Iesu, omnium cognitor, adjuva me ut in vanis cogitationibus non delecter</em>. Senhor Jesus Cristo, que conheceis todas as coisas, ajudai-me para que me não detenha, nem deleite em pensamentos vãos e maliciosos.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="29">
<li><span style="color: #000000;">Se me vier inveja, ou tristeza dos bens espirituais, ou bens da natureza e fortuna, que alguém logra, tomarei este rebate por despertador para levantar logo o coração a Deus, pedindo lhos aumente, quando convier ao bem do tal próximo; e fazendo ato positivo de caridade da mesma pessoa, amando-o pelas razões que Deus e manda que o ame.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="30">
<li><span style="color: #000000;">Quando me vierem razões e discursos de que outros têm em alguma coisa culpa, e eu estou inocente, não me escusarei ainda que o possa fazer justamente. Mas antes tomarei a acusação sobre mim, e darei a escusa e louvor a meu irmão. Pois é certo que diante de Deus tenho muitas culpas em aberto e por pagar, ao menos da vida passada; e ele me esperou até agora, e mas encobriu, e passaram sem castigo e repreensão; e assim verdadeiramente não estou inocente e aceitando o trabalho que me vem, fico mais descarregado de minhas dívidas. </span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="31">
<li><span style="color: #000000;">Se vires em algum sujeito acreditado de espiritual e amigo de Deus, asperezas de condição e movimentos de cólera contra os próximos, nem por isso formes logo juízo decretório, de que todas as mais virtudes suas são duvidosas, ou menos que medianas. Muitas vezes deixa Deus na sua obra alguma parte por lavrar, por ser assim conveniente para o lavor das mais. Estas verrugas servem para que a alma se não espelhe e remire em si mesma, e a defende da opinião santa para com os outros, a qual é muito gastadora dos progressos da virtude. A Madre Francisca do Santíssimo Sacramento, Religiosa Carmelita Descalça no seu Mosteiro de Pamplona foi sujeita de tão raras virtudes e enriquecida por Deus com tão particulares e freqüentes favores, que mereceu a sua vida ser assunto de particular história; e só nas visões que teve do Purgatório, achou o V. Prelado D. João de Palafox, matéria para o tomo que intitulou:<em>Luz a los vivos, y desengano en los muertos</em>. E todavia o seu natural era grosseiro, colérico, e mal acondicionado, e lhe foi motivo de grande humilhações; e ainda que muitas vezes pediu com lágrimas a Deus que lhe mudasse a condição em outra mais temperada e suave, lhe foi respondido:<em>Essa te convém</em>. Em ponderação disto, diz o Cronista geral daquela ordem esta sentença [Fr. Francisco de S. Maria t. II, lib. 6, c. 22]: Deus não obra de estampa, nem está sujeito aos aranzéis dos nossos discursos.</span></li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="32">
<li><span style="color: #000000;">Aviso-te que te guardes de andar pelos palácios; não porque ali não haja, ou possa haver, exercício de virtudes verdadeiras; senão porque é outra região, ou clima de ares muito diferentes, que não servem para a saúde espiritual, de quem não foi criado neles; e mais perderás ali num quarto de hora do que adquiriste fora em muitos anos.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tirado do livro &#8220;Luz e Calor&#8221;, do Pe. Manuel Bernardes</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fonte: <a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1239">Permanencia</a></span></p>
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		<title>OS QUE RESPEITAM O TRATO DA ALMA CONSIGO</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Nov 2019 14:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Manuel Bernardes]]></category>

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		<description><![CDATA[Não te aflijas com cuidados do futuro; porque o tempo desmancha e baralha toda a ordem das coisas que propunhas na imaginação; e de hora para hora tomam os negócios muito diferente aspecto. Lança-te todo na Providência do Altíssimo; e &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-que-respeitam-o-trato-da-alma-consigo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class=" aligncenter" src="https://ogimg.infoglobo.com.br/in/21300711-741-b3e/FT1086A/652/solidao-2.jpg" alt="Resultado de imagem para alma solitária&quot;" width="432" height="261" /></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;">Não te aflijas com cuidados do futuro; porque o tempo desmancha e baralha toda a ordem das coisas que propunhas na imaginação; e de hora para hora tomam os negócios muito diferente aspecto. Lança-te todo na Providência do Altíssimo; e basta ao dia presente a sua malícia. Especialmente se os negócios são de Deus, experimentarás que nunca estão mais ganhos que quando parecem estar perdidos.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="2">
<li>Persuade-te muito deveras que, enquanto viveres, hás de ser miserável. Porque isto é condição própria e intrínseca do estado de peregrino neste mundo. E assim como seria pensamento néscio, e esperança vã, querer um condenado no inferno ter glória ou um Bem-aventurado no Céu ter pena, assim o é querer um peregrino no mundo ter satisfação e descanso. Bem podes pois fazer o ânimo, a que nunca te hão de faltar trabalhos, tristezas, tentações e moléstias; e deste modo te serão mais sofríveis e rendosas.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="3">
<li>Se escorregaste em alguma impaciência, ou desabrimento com o próximo, não te assombres, nem aflijas, nem desmaies; que um vício não se remedeia com outro. Faz então estas três diligências: 1<sup>o</sup>. Volta logo sobre ti mesmo e dá fé de quão miserável és; 2<sup>o</sup>. Volta para Deus, e arrepende-te, confiando de sua bondade, que te perdoará; 3<sup>o</sup>. Não faças mais reflexão sobre o que passou, fazendo-te esquecido, como se por ti não passara. Deste modo fica outra vez temperado o instrumento do teu espírito.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="4">
<li>Se tens desejo de aproveitar, e lhe fazes as diligências, segundo tua fraqueza te permite, não te mesquinhes, nem entristeças de não estar aproveitado. Não se leva este negócio a gritos e empurrões; antes, quanto mais te impacientares com tuas faltas, tanto mais as recalcas em tua alma. Espera quieto; que Deus é o Senhor das virtudes e não tu. Espera humilde e confiado; para o Espírito Santo o mesmo tardar é querer vir. Desses, que te parecem desejos fervorosos e santos, se lhe afastares a terra, acharás ser a raiz soberba, amor-próprio e impureza de intenção.</li>
</ol>
<p><span id="more-18277"></span></p>
<ol style="text-align: justify;" start="5">
<li>Os que embarcam trigo para o ultramar, compram-no a peso, e não por medida, porque se o grão é mais pesado e firme em si, sustenta-te contra o tempo, e deita mais farinha. As obras que juntamos para o Céu, não as façamos a olho, nem nos paguemos só do serem muitas: sejam pesadas e sólidas; que assim rendem muito mais.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="6">
<li>Se quando és convencido e repreendido, te perturbas, é sinal que cometeste o mal por tua vontade e com advertência; porém se levas a repreensão inesperada com sossego, é sinal que o cometeste, ou por muita fraqueza ou ignorantemente.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="7">
<li>A humildade de coração livra e defende de inumeráveis perigos e graves tentações. Para se adquirir são excelentes meios orar muito, observar pontualmente os mandamentos e conselhos de Deus, e trabalhar e padecer corporalmente.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="8">
<li>Adverte que as várias disposições e acidentes que tocam ao nosso corpo, pegam o seu modo também ao espírito. Diversamente disposto está o espírito de quem logra saúde, e o de quem está enfermo. Diversa feição e atualidade tem o espírito de quem vai montado num formoso cavalo, e o do que vai em um desprezível jumento. Se o teu vestido for pobre e roto, repara que o espírito recebe daqui alguma disposição diferente, da que tem quando o vestido é novo e asseado; e assim nas mais coisas. Portanto, não desprezes ajudar o teu interior com algumas exterioridades que lhe convém, e não envolvem afetação nem singularidade.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="9">
<li>A virtude chamada<em>Eutrapélia</em>(que tem por ofício remitir ou recrear moderadamente o ânimo, para tornar melhor a aplicar-se) é grande valhacouto de virtuosos ao sensual e esparzido. Logo se patrocinam com as graças de S. Filipe Néri; com as simplicidades do Santo Frei Junípero (de quem a Madre S. Clara dizia ser o chocarreiro da casa de Deus e religiosos); e com as loucuras de S. Simeão Salo, que na verdade eram mistérios e não loucuras. Porém, quem não sabe que as virtudes morais consistem em um certo meio, do qual em passando dão em vícios? O meio da Eutrapélia é mais estreito e limitado que o de todas as outras. E assim, a recreação virtuosa, para fazer o seu pretendido efeito, é necessário ser muito temperada e acomodada ao tempo, lugar e pessoas com quem se trata; menos disso dará em imodéstia, chocarrice, murmuração, escândalo e relaxação do espírito. S. Ambrósio diz que ainda nas zombarias não percamos a gravidade. O P. M. João de Ávila ensina que nos abstenhamos perfeitamente de palavras ridículas, jogos e leviandades. S. Bernardo diz que as zombarias na boca do Sacerdote são blasfêmias. O Beato Henrique Suso dá por sinal de um homem não ter cabedais de Oração e virtude, o fazer e dizer puerilidades e joguetes. O Eclesiastes diz que avaliou o riso por erro, <em>Risum reputari errorem</em>; e que melhor é irar-se do que rir-se: <em>Melior est ira risu</em>. E geralmente os Santos mais se inclinam para o extremo da austeridade, como menos arriscado e repreensível. De espíritos particulares não se toma regra universal.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="10">
<li>Joguetes, equívocos, ditos graciosos e cortesãos, livros de curiosidade esquisita, ou de história meramente secular, novas e rumores do que passa, e outras coisas desta espécie são como frutas, que relaxam o estômago e lhe tiram a vontade do sustento sólido de pão e carne. E assim o Espírito que se deleita nestas puerilidades não tem o calor que é necessário para grandes propósitos e constância neles; e pela boca vaza quase toda a sua atividade, que havia de aplicar a coisas sérias.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="11">
<li>Virtude sem trabalhares e padeceres, não a verás tu jamais com teus olhos. Adverte em todas as obras da Natureza e Arte, e verás como nenhuma chega à sua devida perfeição, senão a puro padecer e trabalhar. O pão que comes, o linho e lã que vestes, a cera e azeite com que te alumias, quantos trabalhos passaram para chegar à perfeição que tem? O dinheiro que gastas, se soubesses os transes e mudanças que teve e jornadas que andou desde as veias da mina até à palma da tua mão, pasmarias de que houvesse dinheiro no mundo; porque é uma história muito comprida. Vês um templo magnífico de cantaria, e de vários mármores lustrados e embutidos? Quantos milhares de golpes levaria toda aquela fábrica para chegar àquele estado? Tudo pode o trabalho junto com a constância. E se não tiveres constância no trabalho de adquirir as virtudes, não lograrás a glória de seus frutos. A glória (disse um Santo Padre) é uma planta de tal casta, que se quer regada com suor:<em>Gloria sudoribus libenter irrigatur.</em>[Isidor. Plusiot, lib. 2, epist. 12].</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="12">
<li>Não é fácil discernir um em si, se obra com intenção reta e louvável; e não basta qualquer aplicação extrínseca da vontade a algum fim honesto, para que se entenda que o tal fim foi o que motivou a obra. Para conheceres, pois, o principal fim que te leva, finge vários casos, em que as utilidades da obra estão separadas; e aquela utilidade, que posta ela, ainda obraras; e tirada ela, não obrarás, tem por certo que era o teu principal motivo. Exemplos: dizes que vás a tal Igreja lucrar um jubileu; finge que na tal Igreja não havia música; se achas que então não foras, o fim que te leva é o deleite da música; finge que não pregava um certo Pregador afamado; se achas que então não irias, quem te leva é a curiosidade de ouvir aquele Pregador; finge que havia concurso somente de homens; se achas que então não irias, quem te leva é o perverso afeto de lasciva leviandade; e se achas que faltando tudo isto, ainda assim foras, quem te leva é a utilidade santa de lucrar o Jubileu. Do mesmo modo: Mandou-te o Superior fazer alguma; e obedeces prontamente. Queres saber se vás por mera obediência? finge que de repente revocava e preceito, ou mandava o contrário; se então sentes turbação e tristeza, e murmuras interiormente, certo é que não obravas por pura obediência, senão de mistura por fazer a tua vontade.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="13">
<li>Não entendas de ti outra coisa, senão que és vilíssimo, negligentíssimo e indigníssimo de toda companhia, conversação e aspecto de outros; e assim desesperado e desfeito de ti próprio, somente na misericórdia e bondade de Deus, assenta tua esperança.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="14">
<li><em>Dominus custodiat introitum tuum, et exitum tuum</em>: O Senhor (diz um lugar dos Salmos) guarde a tua entrada e saída. Que porta é esta, cuja entrada e saída necessita de tão vigilante guarda? É a boca; o que entra são manjares; o que sai são palavras; sem abstinência e silêncio não pode haver espírito de Oração. Muito comer e muito falar, é ter a entrada e saída franca para os inimigos.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="15">
<li>Penitências, as que tirem ao corpo as forças de inimigo da alma, não as de companheiro. Livros, não curiosos e admiráveis, mas devotos e úteis. Rezas, não muitas e depressa, mas com espírito e devoção. Silêncio, como porta que abre e fecha, não como muro imóvel e impenetrável. Condescendências com o próximo, não as que me fazem imperfeito e desordenado como ele, senão as que aproveitam o seu ou o meu espírito.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="16">
<li>Que muito que leve a terra urtigas e malvas, se a não semeiam de trigo, ou a não plantam de árvores frutíferas? Não esperes ver-te livre de pensamentos maus, ou ao menos vãos e inúteis, enquanto te não ocupares com outros bons e proveitosos; porque esperarás um impossível.<em>Qui non est mecum, contra me est: et qui non colligit mecum, dispergit</em>(diz Cristo Nosso Salvador): Quem comigo não está, contra mim está; e quem comigo não ajunta, espalha e desperdiça.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="17">
<li>Nada proponhas em tempo de escuridão e tristeza ou turbação: Ne festines in tempore obhuctonis. Aguarda que amanheça; então continuarás o teu caminho. E se ainda receias que vás errado, pergunta a outros, que já por ali passaram; e roga a Deus que te depare a quem perguntes.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="18">
<li>Se vives em Comunidade Religiosa, guarda-te de mudar lugar por teu arbítrio. Porque assim como, se a ave não cobre seus ovos continuamente, estes goram e ficam estéreis; assim o Religioso passando de um lugar para outro, esfria nos santos exercícios e se lhe amortece a fé.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="19">
<li>Debalde insistes em vencer a ira, primeiro que venças a concupiscência; porque os furores daquela não militam senão por defender os interesses desta. Dos nossos apetites se pode dizer aquilo que o Profeta Miqueias disse dos ministros interesseiros; que se lhes não dão bem de comer, logo armam uma pendência:<em>Si quis non dederit in ore eorum quippiam, sanctificant super eum praelium</em>[Miq. 3,5]. Por isso não creias que estás despegado do deleite enquanto te vires iracundo. Porque (como diz sabiamente S. Nilo) para que sustenta cães, quem não tem quinta? Eles que ladram e saltam na gente, sinal é que dentro há coisa que o dono possui, e quer que o ajudem a guardá-la: <em>Ecquid autem nutris canem, cum nihil possidere profitearis? Si vero is allatret, et in homnes insiliat, manifestum est, quod intus possides aliqua, eaq; velis custodire</em> [In Cap. de diversibus malignis cogitationibus, c.5]</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="20">
<li>Amemos muito deveras os desprezos; porque são mandados por Deus a ajudar-nos contra a soberba que temos enclausurada no centro do coração. Quando os pressentimos, ou encontramos, diga o espírito com alvoroço: Vinde amigos; que sem vós não posso ser humilde, e sem humildade não pode acomodar-se Deus comigo. Estejamos certos que cada desprezo bem recebido desocupa tanto a alma, que logo na Oração seguinte se sente o vazio que causou; e este vazio é o lugar do Senhor.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="21">
<li>Com tanta aplicação hás de ter estudado por ti; que te saibas de cor. Não há imagem ou pintura, que tão depressa se lhe desbotem as tintas, como a do conceito de nossa própria vileza. Importa, pois, cada dia e cada hora renová-las, para que te não enganes contigo. Porque não há maior miséria que, sendo miserável, ignorá-lo, e ainda porventura aplaudi-lo.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="22">
<li>A Escritura Santa diz:<em>Omnis locus, quem calcaverit pes verster, vester erit</em>. Qualquer lugar que pisar o vosso pé será vosso. É ensinar que por via da mortificação de nossas paixões e apetites ganharemos domínio sobre eles. Exemplos: Para fechar os olhos sem repugnância, é necessário fechá-los com repugnância; para se não levantarem ímpetos de ira, é necessário rebater com força os que se levantarem; para ver o objeto deleitável, e não arrastar-me sua afeição, é necessário haver resistido a esta afeição, e haver-me privado muitas vezes desse deleite; para ter império sobre meus inimigos, é necessário havê-los sofrido com paciência e caridade; para falar sem perigo e com acerto, é necessário haver calado por muito tempo, etc. De sorte que desta boa guerra se faz esta boa paz; e tanto mais firme e durável será a paz quanto mais rija e travada foi a guerra.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="23">
<li>Não te fies do que julgas cuidando não estar apaixonado. Porque as paixões são de onze castas diferentes; e nem todas dão ladrido forte, como rafeiro; senão sibilo subtil, como serpente; ou canto suave como sereia. E senão tiveres muito exercício em as discernir, e muito alto remanso de coração, para as ver bulir dentro, jurarás que tal coisa não obraste por este ou por aquele motivo; e não é verdade; senão falta de conhecimento próprio.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="24">
<li>Tem sentido que quando pela imaginação (talvez sem reparares nisso, senão depois que refletires sobre ti) te passou que foste louvado, ou que és benquisto e reputado no conceito de outros, ou outra coisa semelhante, que a natureza tem por bom bocado, faltam no interior umas consolaçõezinhas grosseiras e impuras, que parecem salpicos de água suja. Isto claro está que não é do Espírito Santo. E assim quando te achares satisfeito e consolado, vai desenvolvendo o novelo, a ver onde começou o fio; e pode ser que aches que o princípio foi alguma coisa que sucedeu à tua vontade.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="25">
<li>Quando o espírito toma ira contra as paixões e apetites, é tempo de silêncio, porque é tempo de luta; e as forças necessárias para a luta debilitam-se, se se não tapam dentro do espírito com o silêncio. Mas quando vires que os tais movimentos já inconstantes cedem à Oração, ou esmola, ou penitência, então é bom ler na Escritura sagrada, ou em outros livros de Santos; para que não resultem complacências vãs da vitória passada e renasça nova batalha.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="26">
<li>Um Varão muito ilustrado ao ser perguntado qual o maior benefício que do senhor tinha recebido, respondeu: Certamente não é a coisa que mais estimo o sentir a Deus, gostar dele, e experimentá-lo em mim, e receber suas iluminações. Se me prometeis segredo, digo-vos que o principal benefício que tenho recebido é ter vencida toda a rebelião de minha natureza, o poder e o não poder; o amor e o ódio; a esperança e o temor; a dor e o gosto; e o mais deste gênero. Daqui veremos quão dificultoso por uma parte e por outra quão importante é o domínio sobre nós mesmos.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="27">
<li>A aceleração, viveza e estrondo deve-se moderar em todas nossas ações e movimentos; de sorte que ainda que de si são corpóreos, pareçam espirituais em certo modo: enquanto procedem e indicam outros movimentos da alma racionáveis e santos.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="28">
<li>Se não puderes vencer um mau costume, tomando-o por inteiro, parte-o em metades e trabalha só com uma delas; e como esta for destruída, vencerás a outra facilmente. Como agora; se costumas responder irado e desabrido, ao princípio procura só não responder; e como estiveres habituado a isto, procura então que o espírito interiormente fique sossegado, e com esse sossego responda. Moisés permitiu que o Povo sacrificasse vítimas a Deus, para que ao menos as não sacrificasse aos ídolos, como tinham aprendido no deserto:<em>Ut mediam quodammodo partem, viti altius inoliti resecaret: aliam vero mediam per aliud tempus reservaret resecandam</em>, disse S. Pedro na doutrina que deu a S. Clemente Romano.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="29">
<li>Ponhamos mais cuidado na mortificação que na contemplação; porque o imortificado busca a Oração e não acha; porém ao mortificado a mesma Oração o busca e acha.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="30">
<li>O Imperador Carlos V, entrando numa Cidade, reparava em três coisas: 1<sup>a</sup>. Se os Templos estavam bem ornados; 2<sup>a</sup>. Se os relógios andavam certos; 3<sup>a</sup>. Se as ruas estavam limpas. E por aqui conjeturava a piedade, indústria e governo dos moradores. Também se pode conjeturar o bom governo interior de uma alma por três sinais semelhantes: 1<sup>o</sup>. Se o templo de Deus, que somos nós mesmos, está exteriormente ornado com modéstia e presença do Senhor; 2<sup>o</sup>. Se o tempo anda bem repartido, com os exercícios santos a suas horas, e o mesmo num dia, que em outro; 3<sup>o</sup>. Se as ruas estão limpas; isto é, se os seus caminhos e obras vão bem feitos, com perfeição e limpeza; e não como costumam os tíbios, que tudo o que fazem vai semeado de faltas e imundícies.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="31">
<li>Vencer-se é coisa muito difícil, porém necessária, se é que pretendes ter virtude e agradar a Deus. O método que deves seguir para te venceres pode ser o seguinte: Primeiro, medita algum espaço naquela virtude de Cristo, cujo vício contrário intentas vencer em ti. Logo pede-lhe humildemente graça para impugnar esta ou aquela ação ou paixão do tal vício, puramente por lhe dar glória. Depois, sem cuidar mais, nem reparar na repugnância da natureza, tanto que se oferecer a ocasião, arremessa-te a vencer-te. Ultimamente dás ao Senhor graças pela vitória e não a atribuas senão ao seu auxílio. E adverte que hás de começar por coisas poucas, e menos dificultosas, e destas ir caminhando às maiores, e não saltar em outra antes que tenhas adquirido hábito de vencer aquela primeira; e enquanto a não venceres, hás de repetir os assaltos, com tal inteireza e desassombro de coração, como se nada te sucedesse mal. Nem depois de vencido da tal paixão, ou vício, hás de pôr-te a olhar para tua desgraça, chorando-te e desconsolando-te por isso; senão com alegria tornar a começar o jogo, certo de que, se porfiares, Deus Nosso Senhor, mais cedo ou mais tarde, ajuntará a sua poderosa mão com a tua débil; e logo vencerás.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="32">
<li>Quando cansamos e sentimos acídia em algum ato, ou exercício de mediana virtude, o remédio não é aliviar a natureza descendo para o menos, senão antes carregá-la subindo para o mais. Porque daquele menos, em que nos pusermos, pesará a natureza ainda mais para baixo, começando já a tomar carreira para a sua miséria; e como lhe ouviram a primeira queixa, secundará com outras muitas. Porém se subirmos para o mais, cobrará medo de meter petições em que tão ruim despacho lhe damos; e quando por fraqueza descair, ficará na mediania racionável, que antes tinha, e tomará por descanso o que até ali lhe parecia trabalho. Desta indústria usava o glorioso S. Pedro de Alcântara, o qual se lhe parecia insofrível o rigor do frio, não se abrigava com mais roupa; antes se despojava então do manto, para que depois tornando a tomá-lo, ficasse o corpo contente com aquilo mesmo, que antes lhe não bastava. A esta traça pois, se o corpo cansar na Oração estando arrimado, me desarrimarei; se me doer muito um golpe da disciplina, secundarei em cima com outro mais rijo; se estiver com o sentido em se acabar o tempo costumado da Oração, assentarei logo comigo, ficar mais algum tempo, além do costumado, etc. Neste sentido podemos tomar aquele conselho do Evangelho; que se alguém nos alugar para caminho de uma milha, vamos com ele caminho de uma légua:<em>Quicumque te angariaverit mille passus, vade cum illo et alia duo</em>.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="33">
<li>Não é contra a humildade conhecer um os dons que tem recebido de Deus, segundo aquilo do Apóstolo: Sciamus quae a Deo donata sun nobis [1 Cor. 2,12]. Especialmente poderá ser útil este conhecimento quando a desconfiança de nosso aproveitamento nos acobarda de modo que nasce dela perigo de largar a empresa começada. Mas é necessário referir à graça do Senhor tais dons e aproveitamento, e levantar os olhos para o caminho que resta por andar, que é muito mais que o que fica andado e temer a conta, pois cresce conforme crescem os benefícios.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="34">
<li>A razão por que os Santos se reputam por piores que os mais depravados pecadores, é porque com uma especial luz do Espírito Santo, a qual não é discursiva, senão apreensiva e simples, abstraem de tudo aquilo bom em que eles excedem os mais; e só apreendem clarissimamente suas misérias próprias, e o nada puro que são de si mesmos. Ou, se fazem alguma comparação de si com os outros homens, comparam somente o vício, ou defeito próprio, com a virtude que o próximo tem, ou presumem ter; v. g. comparam os benefícios que sabem haver recebido de Deus, com esses mesmos que não sabem havê-los recebido o próximo. Comparam a sua má inclinação da natureza com algumas inclinações boas que vem nos outros; comparam as suas ignorâncias, ainda que poucas na verdade, com a ciência ao menos experimental e prática dos outros. E como os Santos estavam aplicados só a estas comparações, ao menos virtual ou habitualmente; por isso sem ficção nem falsidade formavam conceito de que eram piores que todos; porque a comparação é verdadeira, conforme se compuserem os extremos dela. E nesta forma bem podia um S. Francisco entender que ele era o péssimo de todos os nascidos; e um S. Tomás, que ele era o mais ignorante e estúpido. Por isso também, havendo dito Deus de Salomão[3 Reis, 3, 12] que era o mais sábio de todos, não mentia Salomão em dizer de si que de todos era o mais néscio:<em>Stultissimus sum virorum, et sapientia hominum non est mecum</em>[Prov. 30,2].</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="35">
<li>Desconfianças da salvação ordinariamente procedem de falta de amor de Deus; que quem muito ama, pouco teme; e se o Espírito Santo [1 João, 4,18] nos dá testemunho de que somos filhos, não o pode negar de que somos herdeiros. Podem também nascer de falta de consideração da bondade e misericórdia Divina [Rom. 8,17], que se não deleita com a perdição do pecador; e não há coisa tão própria de Deus como valer a miseráveis e perdoar a arrependidos [Tob. 3,22].</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="36">
<li>Os escrúpulos quase todos são filhos da soberba e do amor próprio, que quer saber mais que os Letrados e Confessores, que asseguram as consciências; e por isso nunca se acabam estas almas de satisfazer, e cuidam que o remédio é consultar muitas pessoas de letras e de espírito, para se aquietar, e cada vez ficam pior.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="37">
<li>Quem sai do recolhimento anual dos exercícios espirituais, se deseja conservar o fervor que ali adquiriu, observe os seguintes documentos práticos: 1<sup>o</sup>. Freqüente o mais que for possível a presença de Deus, levantando a este Senhor o coração em toda a parte com viva fé e afetos pios; 2<sup>o</sup>. Os pontos, que por razão da brevidade do tempo se não puderam expender bem naqueles dias, torne a meditá-los nos seguintes; 3<sup>o</sup>. Costume-se a dirigir a Deus e sua maior glória todas e quaisquer ações que ocorrerem no discurso do dia; 4<sup>o</sup>. Tenha cuidado em não perder migalhinhas de tempo, ocupando-o, não a vulto, e casualmente, senão em obras bem repartidas pelas horas do dia; 5<sup>o</sup>. Ponha especial custódia na língua; e tenha assentado firmemente de não falar do próximo, se não bem; 6<sup>o</sup>. Não vaze prodigamente os sentimentos bons que teve de Deus, que esfria o forno se lhe abrem a porta; 7<sup>o</sup>. Cada mês (e melhor cada semana), tome um dia, como os dos exercícios, em que se peça conta do aproveitamento, e sonde a altura em que navega. E não desmaie ainda que sempre se veja caído; lembrado do que disse o Profeta Eliseu a el-rei de Israel [4 Reis, 13, 19], quando bateu três vezes com a seta em terra: Se bateras cinco, ou seis, ou sete vezes, acabarás com teu inimigo.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="38">
<li>Não empregues muito a alma na obra exterior, ainda que seja muito do serviço de Deus; senão que fique livre e despegada, e capaz de mudar de exercício sem turbação, ou confusão dos sentidos interiores. Os meios desta liberdade de espírito, são a intenção pura de agradar só a Deus, a presença do mesmo Senhor renovada a miúdo entre o fazer a tal obra, e o fazer conta que não importa que se acabe mais depressa, ou mais devagar, agora ou depois, com aprovação ou reprovação dos juízos humanos.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="39">
<li>Toda a repreensão, tristeza, afronta ou desabrimento e trabalho que me vier, quando não haja forças para desejá-lo, ao menos sofrê-lo com paciência, calando e não atendendo a quem mo diz, senão para a mão de Nosso Senhor, da qual vem. E assim lhe rogarei, por quem me é causa desses trabalhos, e que me dê graça para os sofrer por seu amor, considerando que sofrê-los com paciência é grande sinal de nossa salvação.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="40">
<li>O amor da Nação e Pátria necessita ser correto. É vergôntea do amor próprio; mas pode e deve enxertar-se no de Deus; quando não, levará muito amargosos e desabridos frutos (especialmente em comunidades) de ranchos, divisões e amizades particulares e outros piores, que se multiplicam destas pevides. Advirtamos pois, que a nação dos espíritos é uma só, porque nasce do espírito de Deus, que é simples e indiviso. E para o varão forte todo o mundo é pátria; para o perfeito, todo é desterro.</li>
</ol>
<ol style="text-align: justify;" start="41">
<li>Fabriquemos espiritualmente dentro do nosso coração três instâncias ou moradas, onde nos recolhamos, para estudar a humildade. A primeira destas estâncias chama-se<em>Aniquilação</em>: e aqui nos sumamos no fundo do próprio nada, que temos por natureza. A segunda, chama-se<em>Confusão</em>: e aqui consideremos nossos pecados, parecendo-nos maiores que os de todo o mundo. A terceira chama-se <em>Desesperação</em>: e aqui nos consideremos no inferno, que temos merecido.</li>
</ol>
<ol start="42">
<li style="text-align: justify;">Importa muito a mortificação do entendimento, porque nele está todo o governo e direção da nossa interior República. Por isso dizia meu Padre S. Filipe Néri pondo a mão na testa: Tudo está em saber render estes quatro dedos. Os atos em que esta mortificação se exercita são os seguintes: 1<sup>o</sup>. Não fazer coisa alguma de importância por arbítrio próprio e sem conselho de pessoa prudente; 2<sup>o</sup>. Não contradizer a alguém, especialmente aos maiores. Sendo necessário tirar algum engano, fazê-lo com brandura de voz, e bom modo, e pedindo licença para responder; 3<sup>o</sup>. Não perguntar os porquês, a quem me pode mandar, ou me governa; 4<sup>o</sup>. Não falar muito diante de muitos; e se são mais velhos, ou superiores, quase nada; 5<sup>o</sup>. Não levar com impaciência, que o meu voto não fosse seguido, ou seja impugnado; 6<sup>o</sup>. Não perguntar nem ocupar o pensamento no que me não importa, nem ser amigo de dar e ouvir novas; 7<sup>o</sup>. Não escolher palavras eloquentes ou esmeradas quando falo ou escrevo, fugindo de toda a afetação no trato com meus próximos; 8<sup>o</sup>. Não julgar, discernir ou calcular as intenções, palavras ou ações alheias; 9<sup>o</sup>. Não porfiar com pessoa alguma; se o que digo é certo, poderei afirmá-lo segunda vez e isso pacificamente; não bastando, me calarei; 10<sup>o</sup>. Não redarguir o próximo, querendo convencê-lo com suas próprias razões; porque é coisa que estimula muito ao redarguido, e gera contendas e esfria a caridade; 11<sup>o</sup>. Não dizer chistes, equívocos, chanças e agudezas; porque tudo isto é sinal de espíritos pouco sérios, e debilita a eficácia dos bons propósitos, e afugenta a presença de Deus; 12<sup>o</sup>. Não cortar, ou prevenir a palavra do próximo, mostrando que já sei o que ele quer dizer-me; 13<sup>o</sup>. Não ler os livros só por curiosidade e para saber; senão para aproveitar o meu espírito e o de meus próximos, no temor e amor de Deus; e para isto, ratificar a intenção antes que leia; 14<sup>o</sup>. Não investigar curiosamente as profundezas de Deus e mistérios de nossa Santa Fé; e na Oração dar pouco lugar aos discursos, muito aos afetos; 15<sup>o</sup>. não me alegrar vãmente com que os outros aprovem o que eu disse; nem atribuir a mim a glória do acerto.</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os meios para pôr em praxe o sobredito podem ser os seguintes: 1<sup>o</sup>. Hábito de presença de Deus; porque esta simplifica as potências e faz desprezar a glória vã; 2<sup>o</sup>. Hábito de silêncio e soledade interior; 3<sup>o</sup>. Pedir a Deus com humildade esta humildade, e ter-se por indigno que lha conceda; 4<sup>o</sup>. Exercício, quando se oferecem as ocasiões de praticar os sobreditos atos, ou de negar-me aos tais vícios; 5<sup>o</sup>. Conta fiel ao Confessor, ou Padre espiritual, e ter sofrimento consigo e com ele. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tirado do livro &#8220;Luz e Calor&#8221;, do Pe. Manuel Bernardes</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fonte: <a href="http://www.permanencia.org.br/drupal/node/1238">Permanencia</a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>SERMÃO DAS CINZAS – PE. MANUEL BERNARDES</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Mar 2019 14:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<title>SERMÃO DAS CINZAS &#8211; PE. MANUEL BERNARDES</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Feb 2018 13:34:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<title>SERMÃO DAS CINZAS</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Mar 2017 15:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[§ I   Que o Criador, e as criaturas todas estejam continuamente lembrando ao homem, que há de morrer; e que possa o homem esquecer-se deste desengano! Muito é para admirar, e muito mais para sentir. Se estendermos os olhos &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sermao-das-cinzas/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"><img class="irc_mi aligncenter" src="http://2.bp.blogspot.com/-H872E19544g/TyboYAvk6AI/AAAAAAAAwYc/C-tGmfmB4_s/w1200-h630-p-k-nu/Cinzas.jpg" alt="Resultado de imagem para cinzas fsspx" width="417" height="240" />§ I</span></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que o Criador, e as criaturas todas estejam continuamente lembrando ao homem, que há de morrer; e que possa o homem esquecer-se deste desengano! Muito é para admirar, e muito mais para sentir. Se estendermos os olhos da consideração por tudo o que abraça a redondeza do Céu e da terra, acharemos que em todo o tempo, e em toda a parte nos tem Deus postos manifestos avisos, e sinais da nossa morte. Mas também acharemos, que em todo o tempo, e em toda a parte tem o homem posto os sinais do esquecimento da sua morte. Que outra cousa é o movimento dessas estrelas, o ocaso dos planetas, a roda dos tempos, o combate dos elementos, o curso e recurso das águas, a diferença das idades, a mudança dos impérios, a instabilidade dos costumes, e leis, e a perpétua inconstância de todo o século; que outra coisa é, digo, senão uma viva e repetida lembrança que Deus nos faz da morte? E que outra cousa é também a ambição da glória do mundo, a estimação de seus gostos vãos, tantas esperanças, tantos temores sem fundamento; que cousa é todo o reino, ou escravidão do pecado, senão claros sinais do esquecimento que o homem tem da morte?<br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, que Deus por sua boca diz: <i>Caelum et terra transibunt</i><a id="footnoteref1_t69nn4w" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Mt 24, 35. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote1_t69nn4w">1</a>. E o pecador por suas obras responde<i>: Non movebor à generatione in generationem</i><a id="footnoteref2_25ir6or" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Sl 70, 6. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote2_25ir6or">2</a>. Nos tempos de Noé naufragou o mundo em dous dilúvios: um de águas, e outro de pecado: <i>Terra repleta est iniquitate. Multiplicate sunt aquae e omnia repleverunt in superficie terrae</i><a id="footnoteref3_8h2ds28" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Gn 6, 8; ibid. 7, 17-18. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote3_8h2ds28">3</a>. Avisou Deus primeiro que mostrasse sua ira, e desprezaram os homens sua misericórdia, com tal excesso que Deus, sendo a mesma imutabilidade, mostrou pesar de haver criado o homem; e o homem, sendo a mesma mudança, não mostrou pesar de haver ofendido a Deus. Edificava pois Noé a arca, público desengano daquela destruição geral; e edificavam juntamente os pecadores palácios, e casas de prazer pelo desenho de sua vaidade. Cada prevenção de Noé é um aviso, cada golpe um protesto, tudo são cautelas para escapar da morte, e os pecadores tudo prevenções para lograr-se da vida. Entraram todos os animais naquele estreito refúgio de sua conservação (caso estupendo) e não entrou ninguém em si para tomar o acordo de segui-los. </span></div>
<p><span id="more-8356"></span></p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Justo foi o sentimento depois de tanta insensibilidade. Rasgam-se as cataratas do Céu, abrem-se as fontes do abismo, e soçobram às enchentes os mais altos montes – tudo perece. Pombinha solitária, que saistes a descobrir terra, que é o que vedes? Mudou de rosto a natureza, tudo está submergido debaixo de um mar sem praias. Oh quem dera também a nosso espírito asas de pomba! Voara sobre si mesma, e vira: vira bem como a morte entrando no mundo, foi outro dilúvio, que o alagou. Disse-o Esdras sabiamente: <i>Factum est in unoquoque eorum, sicut Adae mori, sic his diluvium</i><a id="footnoteref4_cd04wmz" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Es 49, 8. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote4_cd04wmz">4</a>. Vira que o Sol também morre; que as estrelas também caem; que os gostos passam, como as idades, e a idade como as flores. Vira como a sucessão das gerações não é mais que um desejo baldado de imortalidade, e um despojo certo da morte. Vira que toda a duração temporal vai edificada sobre as cinzas do que já foi, e debaixo das ruinas do que há de ser; e que a natureza defectível caminha pelos mesmos passos do ser ao perecer. Vira que as águas deste dilúvio prevaleceram sobre os mais levantados montes do poder, da sabedoria, e da santidade: <i>Aquae praevaluerunt nimis</i><a id="footnoteref5_ri1cezq" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Gn 7, 19. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote5_ri1cezq">5</a>, não se livrando a comum sorte nem aquele escelso monte, donde foi cortada a pedra Cristo, MARIA Santíssima, com ter seus fundamentos sobre os montes santos; nem o mesmo Cristo monte de ambos os testamentos<i>: Intraverunt aquae usque ad animam meam</i><a id="footnoteref6_ssdkml3" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Sl 68, 2. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote6_ssdkml3">6</a>, disse o Senhor falando de si mesmo, e noutra parte<i>: Omnes fluctus tuos induxisti super me</i><a id="footnoteref7_i1kf9ci" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Sl 87, 8. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote7_i1kf9ci">7</a>. Mas também vira que o mesmo que vemos os homens parece que o não cremos, porque se a morte anda diante de nossos olhos, como é possível esquecer-se dela? Basta que tudo acaba; eu só o presumo de eterno! Basta que aquele geral estatuto, que o dedo de Deus escreveu até nas estrelas, é necessário que a Igreja o escreva no pó que somos. <i>Memento homo, quia pulvis es?</i> Esta é a minha admiração, e este deve ser nosso sentimento. E esta será também a matéria do presente Sermão: inquirir, e impugnar as causas que fazem tão esquecida a morte, sendo a morte tão lembrada. <i>Memento homo quia pulvis es, et in pulverem revertéris</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">§ II</span></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b> </b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qual é (perguntava eu) a causa, que tão facilmente nos borra da memória uma lembrança tão repetida, e tão importante? Falando especulativamente, verdade é que todos nós conhecemos, que havemos de morrer, porque assim no-lo testemunham a Fé, a natureza, a razão e a experiência. Houve sim Ateistas, que negaram a Deus o ser, e à alma a imortalidade. Mas não houve quem negasse ao homem a morte. Quanto mais os que cremos, que Deus não fez a morte, e que a morte se atreveu ao mesmo Deus; porém falando praticamente, passa em nós o contrario totalmente. <i>Tanquam semper victuri vivitis</i> (se queixava Séneca) <i>omnia tanquam mortalies tenetis; omnia tanquam immortales concupiscitis</i>. Aquele pomo vedado a nossos primeiros pais considero eu que tinha escritas duas maneiras de letras bem encontradas entre si. Ao princípio tinha Deus escrito nele aquele desengano: <i>Inquocumque die comederis ex eo, morte morieris</i><a id="footnoteref8_q5gt9fm" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Gn 2, 7. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote8_q5gt9fm">8</a>. Depois falsificou o inimigo escrevendo-lhe por cima estoutras: <i>Nequamquam morte moriemini</i><a id="footnoteref9_usbc33f" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ibid., 2. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote9_usbc33f">9</a>. Viu que a lembrança da morte era o mais importante fundamento de nossa conservação; tratou de arruiná-lo: a serpente sugeriu, Eva ofereceu, a formosura da árvore convidou. Eis ali o diabo, o mundo, a concupiscência todos postos em campo para dissuadir ao homem, que não há de morrer: <i>Nequamquam morte morienmini</i>. Come o Adão, e ambas aquelas letras ficaram gravadas no coração de todos nós outros; o desengano de Deus ficou escrito como estímulo da consciência, o engano do inimigo ficou escrito como estímulo da carne. O desengano de Deus rubricou-se com seu próprio sangue, e assinou-se com a pena que tomou de Cruz. <i>Morte morieris</i>. O engano do inimigo, como era ferrete de nossa escravidão, imprimiu-se como o fogo da concupiscência: <i>Nequamquam morte moriemini</i>. O desengano de Deus não se apagou de todo, porque os brados da consciência, ainda que nem sempre se escutam, sempre se ouvem: <i>Morte morieris</i>. O engano do inimigo se não apagou estas letras, ao menos as escureceu e encobriu com razões de aparência falsa: <i>Nequamquam morte moriemini</i>. Ora vamos nós descobrindo-as com a luz da divina graça, e seja sempre nesta lamentável história da tentação de nossos primeiros pais, já que daí tirou a Igreja Santa as palavras com que hoje nos admoesta<i>: Memento homo quia pulvis es, et in pulverem reverteris</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">§ III</span></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b> </b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira razão aparente, com que se nos escurece a lembrança da morte, é a formosura exterior dos bens do mundo. Vemos nele tanta e tão vária beleza, em que os sentidos se apascentem, que não acabamos de crer que haja perino no lograr-se. <i>Vidit mulier, quod bonum esset lignum ad vescendum, et pulchrum oculis, aspectuque delectabile</i><a id="footnoteref10_7qxp011" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Gn 2, 6. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote10_7qxp011">10</a>: Viu Eva que aquela árvore era agradável à vista, que se seguiu? <i>Tulis de fructu illus, et comedit</i>. Oh argumento muitas vezes errado! E quem meteu aos olhos como ofício de julgarem a bondade das cousas? Da formosura, julguem embora<i>pulchrum oculis</i>. Mas da bondade? <i>Bomum ad vescendum</i>? Antes só para comer não era boa aquela árvore. E não era mais bela a flor da inocência? Não era mais doce o fruto do merecimento? Pois tendes incorrido na pena: <i>morte morieris</i>. E conheçam todos que os mesmos gostos da vida trazem consigo o mais claro desengano da morte.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando Moisés descendo do monte achou o povo idolatrando naquele ídolo, que tinham formado de todas suas riquezas, diz o Texto, que Moisés desfez o ídolo em cinzas, e lhas deu a beber. <i>Combussit, et contrivit usque ad pulverem, quem sparsit in aquam, et dedot ex eo potum filiis Israel</i><a id="footnoteref11_mbsu352" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ex 12, 29. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote11_mbsu352">11</a>. Quis Moisés, que para que o povo tomasse aborrecimento à idolatria, se fartasse das cinzas do seu mesmo ídolo. E que outra cousa é (pergunto eu agora) que outra cousa é a felicidade do mundo, senão um grande ídolo composto de riquezas, que ajuntamos para adorarmos nelas? Moisés quebrou as tábuas da lei, e desfez logo o ídolo. Foi zelo. Oh veja cada um quantas vezes, por não desfazer o ídolo, tem quebrado a lei de Deus! Pois ide agora mortais, ide e idolatrai na formosura desse ídolo; reduzido em cinzas vos dará brevemente o desengano. Será agradável no exterior: <i>pulchrum oculis</i>, mas não é bom para comido: <i>bomum ad vescendum</i>, salvo para alcançar a ciência do bem e do mal, porque assim como aquele ídolo desfeito em pó causou aborrecimento à mesma idolatria, assim todos os bens da terra, reduzidas com a consideração à mesma terra, perdem de sua estimação. Aquele mesmo ouro formado em ídolo era ocasião de adorações falsas; bebido em cinza foi a ocasião de desenganos verdadeiros. Aquela opulentíssima região onde Salomão mandava suas armadas carregar de ouro, chamou-se Ofir, que ao hebraico vale o mesmo que <i>Cinis</i>, Cinza. Dois documentos achamos aqui, ambos preciosos. O primeiro, que todos os bens e grandezas não valem mais que cinzas, porque em cinza hão de acabar. O segundo, que a cinza de nossa mortalidade, cavada com a consideração, é uma mina preciosíssima de riquezas espirituais. Ditoso aquele que sabe reduzir o ouro de sua grandeza às cinzas de um sepulcro: porque das cinzas de um sepulcro vai lavando o ouro da coroa de sua imortalidade. Bem é que já que a felicidade do mundo é falsa, o escarmento seja verdadeiro; bem é que quanto mais depressa passam seus bens, tanto durem mais nosso desenganos.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Escreveu Jacó na sepultura da sua Raquel defunta um epitáfio, que dizia: <i>Hic est titulus momumenti Rachel usque ad praesentem diem</i><a id="footnoteref12_180h2g2" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Gn 33, 20. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote12_180h2g2">12</a>. Este é o letreiro da sepultura de Raquel até o presente dia. Parece supérflua esta última palavra, mas não tem senão uma energia bem grande. Notai. A sepultura é para Raquel; o título é para nós outros. É verdade que aquela gentileza já passou<i>. Mortua est ergo Rachel</i>. Mas o aviso da sua morte ainda está presente<i>: usque ad praesentem diem</i>. A campa daquela sepultura debaixo de si não tem mais, que as frias cinzas de um cadáver; porém sobre si sustenta um claro aviso de nossa mortalidade, que isso quer dizer <i>monumentum</i>. Enfim, que quando os olhos de Raquel se cerraram para a luz da vida, abriram-se os nossos para a luz do desengano, e desengano que dura até o presente dia: <i>usque in praesentem diem</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"> </span></strong></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">§ IV</span></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ainda digo mais. Se bem o considerarmos, mais vivo despertador da morte temos nas felicidades do mundo do que nos trabalhos e calamidades. Vede-o na comparação de duas árvores de gerações, que descreveram dois Apóstolos sagrados. Santiago descreveu a geração da concupiscência, e disse assim: <i>Unusquisque tentatur comcupiscentid sua: deinde concupiscentia cum conceperit, parit peccatum: peccatum vero cum consummatum fuerit, generat mortem</i><a id="footnoteref13_1mek6gn" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Tg 1, 14-15. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote13_1mek6gn">13</a>. Como se dissera: a formosura exterior dos bens do mundo excita o nosso apetite, se concebeu, produz pecado: o pecado, se saiu à luz, gera morte. Vejamos a outra árvore. S. Paulo descreveu a geração dos trabalhos e tribulações, e disse assim: <i>Tribulatio patientiam operatur, patientia autem probationem, probatio vero spem, spes autem non confundit</i><a id="footnoteref14_x0ttpga" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Rm 5, 3 e ssg. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote14_x0ttpga">14</a>. A tribulação é mais da paciência; a paciência da aprovação, a aprovação da esperança; e a esperança nunca perece, sempre vive. Temos logo, se bem o advertistes, que os gostos do mundo claramente nos avisam da morte; e que dos trabalhos antes nos podemos prometer vida. Aquela árvore das tribulações, que agora não produz senão espinhos para nos magoar, bem podeis esperar dela frutos de vida; e aqueloutra, que está coalhada de flor brevemente há de murchar-se. De espinhos se coroou nosso Redentor JESU Cristo; e então teve sobre a cabeça o título de Nazareno, que é o mesmo que florido. De flores se coroavam aqueles ímpios de que fala a sabedoria: <i>Coronemus nos rosis</i><a id="footnoteref15_p7249jn" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Sp 2, 3. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote15_p7249jn">15</a>, e logo se temeram que murchassem: <i>antequam marcescant</i>. A vida de Sansão parecia perigar quando se encontrou com o leão. Despedaçou-o, e no seu cadáver achou depois um favo de mel. Outro favo de mel foi Jónatas provar com a ponta da lança, e encontrou com o perigo de vida. Assim passa, que maior risco temos entre as delícias que entre as tribulações. Ah doçura perigosa dos gostos do mundo! Se quem vos leva à ponta da lança não mais que para provar, se arrisca tanto, como não veem o risco da morte aqueles que sem nenhum trabalho os gozam à boca cheia?</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E donde nasce (perguntareis vós) que o uso das cousas temporais é tão arriscado? Donde nasce que vizinha tão de perto com a morte? Se tem veneno para que se nos deu aquela geral licença: <i>Ex omni lingno paradisi comede</i><a id="footnoteref16_1efqbfz" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Gn 2, 16. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote16_1efqbfz">16</a></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">? Ora dai-ma vós a mi para contar-vos uma história profana: servirá de resposta, e a resposta de razão de tudo o que temos dito. Conta Eneas Silvio (que depois foi Papa Pio Segundo), que a Ladislau Rei da Boémia, na véspera de seu desposório, estando tudo preparado, lhe deu sua própria esposa uma maçã partida com faca ervada só por uma banda, para que comendo ela a outra metade não houvesse suspeita de traição. Comeu o Rei a sua parte, porém para nunca mais comer. Obrou aquele enganoso ferro, como se lhe disseram: <i>Divide eos in vita eorum</i>. Atenção, Senhores, que os bens do mundo têm a qualidade deste ferro, e deste pomo; é verdade que tomados por uma parte são lícitos, são suaves; mas tomados pela outra são mortíferos. Pois eis aí a razão, porque são arriscados: porque quem há de fiar-se, que acerta com a metade sã? A outra, que ficou ervada como o apetite do primeiro pomo vedado; isto é com o mau uso do nosso alvedrio: essa em vez de servir de alimento à vida, serve de acenar à morte. E quando queirais negar, que há muitos gostos do mundo, que totalmente são veneno, e este já conhecido, ao menos não negareis que todos eles são pó, e são cinza: <i>Omnia, quae de terra sunt, in terram convertentur</i><a id="footnoteref17_4lqtzu5" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ecle 40, 11. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote17_4lqtzu5">17</a>, Se vos não matam a vós, eles per si morrem. Logo mal se desculpa com os bens do mundo o nosso esquecimento da morte, se sempre são lembrança da mesma morte, de tal modo que aquele mesmo desengano, que Deus dá ao homem, pode o homem dar ao mundo. <i>Pulvis es, et in pulverem reverteris</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">§ V</span></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b> </b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já que os homens tenham entendido que a morte nos mesmos bens da vida os espera, e os avisa certamente, tratam ao menos de desviá-la de si mais ao longe. Este é outro pior esquecimento, que em nós causa o esquecimento da morte: a falsa imaginação de que a morte está longe de nós. Não sei que género de cegueira é este, que o objeto que mais perto de si tem, o põem em tão distante perspectiva. Notai os longes que o Tentador nos prometeu de vida: <i>Eritis sicut Dii</i><a id="footnoteref18_t2ih133" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Gn 3, 5. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote18_t2ih133">18</a>, e notai o desvio com que Eva lhe respondeu<i>: Ne forte moriamur</i><a id="footnoteref19_g93x6sp" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ibid. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote19_g93x6sp">19</a>. A pena da morte estava de Deus irrevogavelmente estabelecida para se incorrer <i>ipso facto</i> no ponto em que comesse; e com tudo fala nela muito ao futuro, debaixo das incertezas de um acaso: <i>Ne forte moriamur</i>. Lá disse Isaias, que os pecadores de jactaram de haverem feito concerto com a morte, e com o inferno: <i>Percussimus foedus cum morte, et cum inferno fecimus pactu. </i>Perguntara eu, e como há a morte de guardar o concerto aos homens, se o homem o não guardou a Deus para fugir da morte? Se os pecadores não quiseram o Céu sendo mercê; como há o inferno de demitir aos pecadores, sendo eles dívida sua?</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Oh não cuidem os filhos de Adão que, desde que ele pecou tão de propósito, morre alguém acaso. Não são acasos as mortes inesperadas; não é eternidade a incerteza de um momento; não são futuros a dívida presente. Esta dívida começamos a pagar no mesmo instante que começamos a respirar. Disto se queixava o Santo Rei Ezequias: <i>Dum ad huc ordirer, succidit me</i><a id="footnoteref20_545t80b" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Is 38, 12. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote20_545t80b">20</a>. Não está longe de nós a morte, pois conosco mora dentro das mesmas portas. O movimento dos Céus por onde se medem nossos dias, ainda que pareça vagarosíssimo, não deixa de ser arrebatado. No relógio de nossa vida não cuideis que o Sol há de tornar atrás, nem dez linhas, nem um só ponto. Se um ponto de vida vós prometeis, vossa promessa o fez mais incerto, e suspeitoso. Bem como a carta de Urias, quando entendais, que leva a recomendação de vossa pessoa, não leva senão o decreto de vossa morte. Se é possível, que a morte tarde, ou fuja, foge só daqueles, que a buscam com a meditação e mortificação; anda mais perto dos outros, que a trazem longe de sua lembrança.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><i>Anima</i> (disse aquele rico do Evangelho) <i>habes multa bona posita in annos plurimos: requiesce, comede, bibe, epulare</i><a id="footnoteref21_0e14qgm" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Lc 12, 19-20. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote21_0e14qgm">21</a>. Viste como tem a morte longe da vista? Vede como a tem perto da casa: <i>Stulte hac nocte animam tuam repetunt</i>. Bem notado de estultícia, porque as contas que ele fazia tem mais erros do que palavras. Apostilemos o lugar, pois é de Cristo Senhor Nosso para provar o intento ao pé da letra. <i>Anima</i> (diz o rico): quando viu a fertilidade dos campos, fala consigo dando-se os parabéns, devendo falar com Deus dando-lhe graças. <i>Habes</i>: deu à alma, que é espírito, posse de bens temporais, sendo as riquezas do espírito as virtudes, e os dons de Deus, e não as sementeiras dos campos. <i>Multa</i>: entendeu que os bens da fortuna podiam nunca ser muitos em chegando a ser possuidos, e muito menos para a alma, cuja capacidade só Deus enche. <i>Bona</i>: chamou absolutamente bens àquilo de que os homens usam para se depravarem em todos os males. <i>Posita</i>: Cuidou somente de guardá-los como permanecentes, sendo que os bens caducos, o modo de os conservar é dispendê-los. <i>In annos</i>: não estendeu sua consideração à eternidade, senão aos anos de sua vida. <i>Plurimos</i>: e prometeu-se que seriam muitos, porque as riquezas também eram muitas, dependendo uma e outra coisa da vontade de Deus. <i>Requiesce</i>: Convida-se ao descanso, quando os prudentes se estimulam para o trabalho. Mas finalmente todos estes erros se podiam esperar de uma alma tão material que come, e bebe: <i>Comede, bibe, epulare</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><i> </i></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pelo contrário o sustento do Espírito deve ser a consideração da morte: o seu pão há de ser cinza, e a sua bebida lágrimas. Assim o ensinou e praticou consigo Davi, quando disse: <i>Cinerem tanquam panem manducabam, et potum meum cum fletu miscebam</i><a id="footnoteref22_f3hztp8" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Sl 101. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote22_f3hztp8">22</a>. Ajuntou o real Prpfeta mui conformemente os dois sustentos da alma e do corpo, porque a virtude do jejum e da temperança há de usar do pão como de cinza, e da bebida como de lágrimas; a virtude da oração há de usar da cinza como de pão; a virtude do arrependimento há de usar das lágrimas como de bebida. E disto acrescentou logo Davi ser a causa: porque considerava na brevidade de seus dias<i>: dies mei sicut umbra declinaverunt</i><a id="footnoteref23_jizqhre" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ibid., 101, 12. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote23_jizqhre">23</a>, mas perguntara eu: se os dias da vida são sombra, que será a mesma morte? Será a escuridade da noite – esta é a sua mais própria alegoria. Consideremos pois que entre a nossa vida e a nossa morte não há maior diferença que entre a sombra e a noite. A noite nenhuma luz admite, a sombra de tal modo é escuridade que parte também com a luz; assim partem os nossos dias a luz da vida com a noite da morte, e ficam escuridade de sombra. Porém a sombra, se a seguires, foge; e quando a fugis, vos segue. Por isso a Davi, que a seguia com a consideração, ainda se lhe concediam os dias da vida como sombra: <i>Dies mei sicut umbra</i>. Por isso ao rico, que fugia da morte, lhe sobreveio de repente a morte como noite. <i>Hac nocte animam tuam repetunt</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">§ VI</span></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b> </b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Oh quantos estão sepultados na noite da morte, e da eternidade, porque não consideram seus dias como sombra, que passava, senão como luzimento, que havia de permanecer! Quereis que permaneça? Aprendei mortais uma arte de dilatar melhor a vida. Assim como toda a redondeza do universo se funda sobre um só ponto imóvel, que é o centro dele, assim também no mundo invisível, toda a circunferência dos séculos pende de um só momento que é o da morte: <i>Statutum est hominibus semel mori</i><a id="footnoteref24_cbt85or" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Hb 9, 27. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote24_cbt85or">24</a>. E todas as linhas de nossos desenhos nele acabam igualmente. Como este ponto está unido outro, que é a eternidade, a qual é uma possessão de todos os séculos junta, e abreviada individualmente: bem como o centro equivale a todo o círculo. E assim como nas mãos da morte vão caindo todas as durações do tempo, assim a morte as vai entregando nas mãos da eternidade, porque no ponto da morte todas as diferenças de tempo se acabam, e no ponto da eternidade todas se conservam.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">  </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aprendei pois (torno a dizer) uma arte de dilatar a vida, uma arte de parar essa roda arrebatada de vossos dias. Ensinou-a o Espírito Santo por boca dos Profetas, e dos Apóstolos. Diz o Profeta Davi que os ímpios, os esquecidos de si e da sua morte, andam à roda: <i>In circuitu impii ambulant</i><a id="footnoteref25_3ns3sju" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Sl 82, 9. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote25_3ns3sju">25</a>.Por isso sua vida é tão breve, e desassossegada. Diz o Apóstolo S. Paulo, que estejamos fixos, imóveis, e bem fundados na esperança do Evangelho. <i>Si tamen permanetis in fide fundati, et stabiles, et immobiles a spe Evangelii</i><a id="footnoteref26_0p9eig5" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Cl 1, 23. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote26_0p9eig5">26</a>. A esperança do Evangelho, bem sabeis que é a imortalidade com Deus por meio da morte em Cristo Nosso Senhor; assim como a esperança da Lei era a terra prometida por meio da peregrinação do deserto com Moisés. O mesmo Apóstolo aos Romanos: <i>Si autem mortui sumus cim Christo, credimus, quia semel etiam vivemus cum Christo</i><a style="color: #000000;" name="_ftnref27"></a><a id="footnoteref27_3x3b6qs" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Rm 5, 8. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote27_3x3b6qs">27</a>. Pois estai (diz o Santo) estai imóveis nessa consideração, e nessa esperança. Os esquecidos dela andem à roda com o tempo. <i>In circuitu impii ambulant</i>. Vós outros ponde-vos no centro imóvel de vossa morte, e de vossa imortalidade, porque só aquele que considera que há de ter fim, e que não há de ter fim, sabe ganhar todos os tempos. Cristãmente disse o Estóico: <i>Ideo peccamus, quia de partibus vitae omnes deliberamus: de tota memo deliberat</i>. Sabeis por que vivemos mal? Porque vivemos por partes, um dia passa atrás de outro dia, um ano atrás do outro. Não é isto a roda? Deliberai-vos a viver no centro, e possuireis a vida toda junta: para o merecimento toda junta no ponto da morte; para o prémio toda junta no ponto da eternidade.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E eis aqui a razão porque eu dizia que não devíamos imaginar a morte ao longe, e ao futuro, quando é certo que pela sujeição a temos presente. A razão é porque assim o ponto da morte, como o ponto da eternidade, tem virtude de reduzir e igualar todas as diferenças de tempo, de tal modo que cada um de nós é aquilo mesmo que foi e que há de ser. Diz o Evangelista S. João que viu ao Cordeiro de Deus estar diante do trono de sua glória, morto desde a origem do mundo: <i>Vidi: et ecce in medio throni&#8230; agnum stantem tanquam occisum</i><a id="footnoteref28_c0xfahc" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ap 5, 6. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote28_c0xfahc">28</a>; (e noutra parte): <i>Qui occisus est ab origine mundi</i><a id="footnoteref29_6xtxado" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ibid., 18, 2. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote29_6xtxado">29</a>. Já estais na dúvida. Se o Filho de Deus padeceu sendo já passados desde a origem do mundo perto de quatro mil anos, como o viram os olhos da Águia morto desde a origem do mundo? Viram-no por razão de uma certa luz, e de uma certa sombra. A luz era a da eternidade porque o Cordeiro estava no trono de seu eterno Pai. A sombra era a da morte, porque o Cordeiro se tinha sujeitado à morte, a qual entrou no mundo com a origem do mesmo mundo. E assim como aquela luz fez que o decreto fosse ab eterno na mente divina, assim aquela sombra fez que a morte fosse desde a origem do mundo na sujeição do Cordeiro. Vem logo ser o mesmo a dívida da morte, que atualmente a mesma morte. E daqui nasce que como a nossa morte não há de ser totalmente vencida senão no fim do mundo, quando se cumprir aquilo que São Paulo alega de Oseias: <i>Absorpta est mors in victoria</i><a id="footnoteref30_tmas40y" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="2 Cor 15, 54. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote30_tmas40y">30</a>; por isso o Cordeiro quis também continuar a sai morte até o fim do mundo. Isto é o que fez o mistério do Santíssimo Sacramento, onde se deixou até a consumação do século debaixo da representação de morto: <i>Agnum stantem tanquam occisu</i>. Oh Cordeiro imaculado! E como foi perfeita vossa sujeição, pois fizestes vossa morte tão antecipada, e tão dilatada juntamente! Antecipada desde a origem do mundo; dilatada até o fim do mundo; antecipada diante do trono de vosso eterno Pai; dilatada sobre os altares de vossa Igreja Santa; antecipada, porque nesse trono éreis já o que havíeis de ser, e o que fostes na Cruz; dilatada, porque na Cruz fostes o que fostes, e haveis de ser no altar, sempre morto, porque sempre por amor de nós sujeito à morte. E se isto passa no Filho de Deus, bem podemos os filhos de Adão crer, que a morte nos está presente desde o princípio de nossa vida, pois nos é devida desde o princípio do mundo. Então nas mãos de Deus fomos pó; agora sobre a face da terra somos pó; debaixo de uma sepultura em breve seremos pó. É enfim o homem o mesmo que é, porque é o que foi, e o que há de ser.<i> Pulvis es, et in pulverem reverteris</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">§ VII</span></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b> </b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outra razão, ou sem-razão, com que o nosso esquecimento da morte se desculpa, são as obrigações do estado de cada qual, porque nos parece que alguns estados há em que nem é conveniente, nem possível andar com tão grande desengano na lembrança. Esta parece também que foi a desculpa de Adão, quando Deus lhe devassou o delito: <i>Mulier, quam dedisti mihi sociam, dedit mihi de ligno, et comedi</i><a id="footnoteref31_bfs43k6" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Gn 2, 12" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote31_bfs43k6">31</a><i>.</i> Senhor (respondeu ele) a mulher, que vós mesmo me destes, foi ocasião de esquecer-me de vosso mandamento. E bem! É possível que, para não obedecer a Deus, até do mesmo Deus nos escandalizamos! Não bastará lançar a culpa de nossos erros à serpente: <i>Serpens decepit me</i><a id="footnoteref32_y3o22c7" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ibid., 2, 13. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote32_y3o22c7">32</a>, senão que também a repartamos com Deus<i>? Quam dedisti mihi sociam?</i> Diz o soldado, diz o tratante, diz o cortesão, diz o titular: Padre, o estado que Deus me deu não permite essas considerações de anacoreta, fiquem embora para as religiões e para os ermos; a nós é preceito cuidar das obrigações do estado e da honra. Erras coração humano, erras; nem por essa escusa deixarás de ser contado com os mais que obram perversamente: <i>Declinantes autem in obligationes adducet Dominus cum oerantibus iniquitatem</i><a id="footnoteref33_3j0x8tj" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Sl 124, 50. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote33_3j0x8tj">33</a>. Responda-me. A salvação é para todos? A Lei de Deus obriga a todos? A graça, com que nos ajuda a cumpri-la, é para todos? Os perigos, e os inimigos da alma cercam a todos? Sim por certo, pois o entregar-se à virtude, o concertar a vida, e o prever a morte por que não há de ser para todos? Ora fazei comigo uma digressão breve. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Determinou Deus dar a Lei ao povo de Israel; e vejo com majestade sobre os mais altos montes, do Seir ao Faran, do Faran ao Sinai; rasgaram-se as nuvens, arderam as montanhas, soou um clarim tão fortemente que não podiam sofre-los os ouvidos. Quis o Filho de Deus ser exaltado na Cruz para redenção nossa: escolheu o lugar em Jerusalém, o tempo o mais célebre, que era o da Páscoa, e o título de sua Cruz se escreveu em três línguas as mais célebres do mundo. Mandou depois o Espírito Santo a repartir os dons de sua graça, e desceu com ruido de um espírito veemente ao crescer do dia, em línguas de fogo, estando todos os fieis juntos no Cenáculo. Pedro Príncipe  dos Apóstolos receava admitir as gentes à perfeição do Evangelho sem passarem pela Circuncisão; e viu baixar do Céu aquela misteriosa mesa, onde estavam todos os animais, aves, e serpentes, e lhe mandaram que comesse de tudo. Notai agora a generalidade e publicidade com que Deus abraça a todos igualmente. De sorte que (deixando outros muitos exemplos) a salvação ganhada naquela Cruz, que se arvorou no Calvário; a lei, que se promulgou no Sinai; a graça, que se derramou no Cenáculo; a vocação para a mesa de Deus, que significou a Pedro – tudo compreende a todos. Mas o disporem-se os homens para alcançarem essa salvação, para aproveitar essa Cruz, para cumprirem essa Lei, para co-operar com a graça, para seguir a vocação, isto não é para todos? Pois com nenhuma destas obrigações cumpre quem por amor de suas obrigações deixa de aparelhar-se para a morte. Que cousa mais universal que a morte? Pois tem Deus quebrantado os foros da natureza só por não dispensar com a lei da morte. Justo é logo que a sorte, que a todos nós espera por decreto, todos a esperemos a ela pela consideração.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entra o Profeta Jonas pelo meio da grande Nínive lançando aquele pregão da ira de Deus justo: <i>Adhuc quadraginta dies, et Ninive subvervetur</i><a id="footnoteref34_8yzrbzb" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Jo 3, 4. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote34_8yzrbzb">34</a>. Mais quarenta dias de prazo, e Nínive se subverte. Breve foi o sermão, mas eficaz; ainda mais do que queria o pregador. Toda a corte desde o maior ao menor se acolheu ao sagrado da penitência. O mesmo Rei deixou o trono, e as vestiduras reais, e se cobriu de cinza. Mas o em que eu reparo é que a demonstração do arrependimento compreendesse até aos gados, e aos animais<i>. Homines, et jumenta, et boves, et pecora non gustent quidquam. </i><i>Operiantur saccis homines, et jumenta, et clament ad Dominum</i><a id="footnoteref35_5z175i1" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ibid., 3, 7-8. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote35_5z175i1">35</a>. Caso estranho! Os brutos em hábito de penitência, jejuando e bradando a Deus. Seroa para confessarem os Ninivitas que se pareceram nos apetites com quem agora se pareciam no arrependimento? Ora não vos admireis; vede que é o que Deus ameaçava: <i>Ninine subvertetur</i>. O decreto é geral: compreende homens, e animais, e as mesmas pedras dos edifícios. Pois se a ameaça da morte é para todos; o temor da morte por que não há de mostrar-se em todos? Esta foi a razão porque os que iam embarcados com o mesmo Jonas estranharam, que adormecesse ao som da tempestade: <i>Quid tu sopore deprimeris</i><a id="footnoteref36_xswlkac" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Ibid., 1, 6. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote36_xswlkac">36</a>. Porque quando o perigo é comum devem andar todos alerta. Oh acabai de entender que não há homem tão bruto que não saiba bradar a Deus; não há Rei tão levantado que não possa descer-se do trono, para assentar-se sobre a cinza, que há de ser. Bem podem os grandes ser temidos, e ser tementes. A todos pede Deus, e a todos aceita a penitência desde o menos até o maior. Honra, a honra de Deus; estado, o estado de sua graça; obrigações, a primeira obrigação é a de criatura, a de homem, e a de cristão. Por qual destas vos escusais de obrar, como quem há de morrer? Se sois cristão, o final de cristão vos põe sobre os olhos a memória da morte. Se sois homem, a parte racional vos dirá que a outra parte é terra; se sois criatura, temei a Deus, e não acuseis ao Criador: <i>Mulier, quam dedisti mihi sociam</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">§ VIII</span></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b> </b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Bem sei eu, que nos palácios, e nas praças não há bom sítio para se edificarem as Tebaidas, as Camaldulas, e as Cartuxas. Bem ouvi dizer que a soledade era a metrópole do Espírito Santo; que o silêncio era o Pitágoras da interior escola. Mas também sei que em todo o estado tem Deus posto exemplares de admirável santidade, para que se entenda que de qualquer parte da terra pode o Céu ser livremente visto e suspirado. Vede vós bem não seja o vosso estado aquele que vós tomastes, e não o que Deus vos deu; que se a mão de Deus vos pôs nele, a mesma mão de Deus vos tirará a salvo. Levou um Anjo a Ezequiel em espírito por meio de grande enchente de águas; tendo andado mil passos, dava-lha a água pelo artelho; mediu outros mil, e dava-lhe pelos giolhos; entrou mais outros mil, e já chegava às costas; repetiu o mesmo, e já não pode passar Ezequiel. Aqui o tirou o Anjo e o pôs salvo na ribeira. Fieis, muito mais fiel é Deus: neste mal do mundo a uns faz entrar mais, a outros menos; mas a donde não possais passar, onde vos afogueis, daí logo vos tirará em paz, e salvo.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas oh quantos cuidados há, quantas perturbações da consciência, em que Deus nos não meteu, senão que nós outros por nossas mãos as granjeamos! Admoestou Cristo Senhor Nosso a Marta solícita de sua hospedagem, com aquela repetida voz: <i>Martha Martha solicita es, et turbaris erga plurima; porro unum est necessarium</i><a id="footnoteref37_cc05m9q" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Lc 10, 41-42. " href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote37_cc05m9q">37</a>. Quanto desvelo, quanta perturbação, sendo uma só cousa necessária? A cada um de nós outros pode a consciência própria dar semelhante repreensão em cousa menos honesta. Tu ambicioso que não estudas, senão como seja adorado de tua honra; tu vanglorioso, tu iracundo, que viveis um do ar como camaleão, outro do fogo, como salamandra; tu avarento cego para ver o rosto à caridade, Argos para possuir o mesmo que não possuis: <i>turbaris erga plurima</i>; para que são tantos cuidados, se uma só cousa é necessária. Um edifica, como se a vida fora eterna; outro navega, como se o mundo fora estreito; aquele litiga, como se a fazenda fora salvação; este, que sou eu, brada, e repreende, como se o mundo não houvera de acabar assim: <i>turbaris erga plurima</i>. Quanta perturbação sendo uma só coisa necessária. Pontos de honra, leis de foro, razões de estado, invenções da fantasia, lisonjas do apetite<i>: turbaris erga plurima; porro unum est necessarium</i>. E que cousa é esta tão necessária? Salvação, Boa Morte, que é o mesmo. A morte é aquela única e fatal necessidade que convence de uma vez a todos os cuidados do mundo por desnecessários. Vede como os aprovará Deus por bons, se se não pagou dos de Marta, que eram tão santos. A morte em efeito é aquela que ajunta a nossa alma com Deus, que é a sua melhor parte, para dele não ser nunca separada, <i>que non auferetur ab ea</i>. A morte na consideração é aquele fundamento da vida cristã, que todos os inimigos da alma procuram arruinar: a concupiscência cativando-se da formosura das coisas: <i>pulchrum occulis, et aspectu delectabile</i>. O demónio representando vida larga: <i>eritis sicut Dii</i>. O mundo embaraçando com a multidão de seus cuidados: <i>mulier, quam dedisti mihi sociam</i>. Por isso dizia ao princípio que a serpente sugeriu, Eva afereceu, a formosura do pomo convidou: todos para persuadirem ao homem aquele esquecimento: <i>Nequamquam morte moriemini</i>. Mas a Igreja Santa contra quem não prevalecem as portas do inferno, tomando a voa da boca de Deus, nos diz hoje com piedosa recordação: <i>Memento homo, quia pulvis es, et in pulçverem reverteris</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">§ IX</span></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b> </b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desenganados totalmente os homens, e vendo que por toda a parte prevalecem as águas deste universal dilúvio: <i>Aquae praevaluerunt nimis</i>, que remédio esperaremos, se não acolhermos à arca; não para salvar da morte temporal (que esta foi no mundo mais geral inundação que a do dilúvio), mas para escapar da morte eterna. Acolher, digo, à arca, que é o lenho santíssimo da Cruz de Cristo, na qual se obrou nossa regeneração e redenção. Duas tábuas formam esta Cruz, nas quais podemos salvar-nos do naufrágio, que são os Sacramentos do Batismo e da Penitência. Oh lástima! Não vedes quantos milhares de milhares se vão ao fundo? Não ouvis a confusão de vozes, e de gemidos? Estes não alcançaram a pegar da primeira tábua do Batismo: pereceram. Nos outros pecadores, a quem as ondas sacudiram dela é necessário pegarmos fortissimamente da segunda, que é a penitência. Penitência, que os mares crescem; penitência, que o perigo está presente: <i>morte morieris</i>; e quem sabe se a muitas almas, das que me estão ouvindo, espera Deus ainda o prazo destes quarenta dias para se não subverterem: <i>Adhuc quadraginta dies</i>. Nesta tábua pois devemos formar espiritualmente uma como embarcação, em que possamos contrastar a braveza das ondas. Para chegarmos  a salvamento deve o entendimento, que é a agulha de buscar direito o norte da fé, deve a caridade estar sempre ao leme; devem encher o pano os alentos da esperança. No lugar do esporão os peitos da fortaleza; no farol a luz da prudência; seja lastro o temor santo todas as tribulações, e cruzes são árvores; as insígnias não podem ser outras que as quinas, ou chagas de Cristo; o mantimento já sabeis que há de ser lágrimas e cinza. Ditoso aquele que prender enfim o porto, que é o reino, que dentro de si mesmo leva: <i>Regnum Dei intra vos est</i><a id="footnoteref38_js2hhp1" class="see_footnote" style="color: #000000;" title="Lc 17, 21." href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnote38_js2hhp1">38</a>. Caminhando sempre à vista da terra do conhecimento próprio: <i>Pulvis es, et in pulverem reverteris</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E vós progenitores nossos, por quem o dilúvio da morte entrou no mundo, perdoai tão repetidas queixas de vossos filhos, e filhos que não choraram como vós seus pecados com lágrimas de novecentos anos. Perdoai, que já vejo aparecer aquela branca pomba, por quem veio a ser vossa culpa venturosa. Puríssima MARIA Senhora Nossa, vós sois a que trazeis o ramo de oliveira, e nele os sinais de misericórdia, e as esperanças de nossa ressurreição, por virtude daquela Humanidade Santa, que nasceu de vosso ventre, e renasceu do sepulcro, sem ofender a inteireza de um e de outro. Alcançai-nos de vosso filho perfeito amor de sua bondade, perfeita dor de nossas culpas. Se a verdadeira caridade é ouro, o verdadeiro arrependimento é cinza; se a divina ira é fogo, não terá o fogo que destruir nem na cinza, nem no ouro, porque só estas duas cousas podem resistir à sua violência. Senhor, que encravado nessa árvore sagrada, não duvidastes em pagar a pena que nós em outra árvore merecemos; pedimo-vos que por aquela piedade que vos fez obediente até a morte de Cruz, nos livreis da morte eterna.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div style="text-align: justify;" align="right"><span style="color: #000000;">BERNARDES, Pe. Manuel, <i>Obras Completas do Padre Manuel Bernardes, Vol. XII </i></span><a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298"><span style="color: #000000;"><i>– Sermões e Práticas</i>, Reprodução fac-similada da edição de 1733;</span></a></div>
<p><a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298"><span style="color: #000000;">São Paulo, 1947.</span></a></p>
</div>
<div style="text-align: justify;" align="right"></div>
<div style="text-align: justify;" align="right"><span style="color: #000000;">Fonte: <a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298"><strong>Permanencia</strong> </a><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;" align="right"></div>
<div style="text-align: justify;" align="right"></div>
<p><a id="footnote1_t69nn4w" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref1_t69nn4w">1.</a> Mt 24, 35.</p>
<p><a id="footnote2_25ir6or" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref2_25ir6or">2.</a> Sl 70, 6.</p>
<p><a id="footnote3_8h2ds28" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref3_8h2ds28">3.</a> Gn 6, 8; ibid. 7, 17-18.</p>
<p><a id="footnote4_cd04wmz" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref4_cd04wmz">4.</a> Es 49, 8.</p>
<p><a id="footnote5_ri1cezq" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref5_ri1cezq">5.</a> Gn 7, 19.</p>
<p><a id="footnote6_ssdkml3" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref6_ssdkml3">6.</a> Sl 68, 2.</p>
<p><a id="footnote7_i1kf9ci" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref7_i1kf9ci">7.</a> Sl 87, 8.</p>
<p><a id="footnote8_q5gt9fm" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref8_q5gt9fm">8.</a> Gn 2, 7.</p>
<p><a id="footnote9_usbc33f" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref9_usbc33f">9.</a> Ibid., 2.</p>
<p><a id="footnote10_7qxp011" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref10_7qxp011">10.</a> Gn 2, 6.</p>
<p><a id="footnote11_mbsu352" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref11_mbsu352">11.</a> Ex 12, 29.</p>
<p><a id="footnote12_180h2g2" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref12_180h2g2">12.</a> Gn 33, 20.</p>
<p><a id="footnote13_1mek6gn" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref13_1mek6gn">13.</a> Tg 1, 14-15.</p>
<p><a id="footnote14_x0ttpga" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref14_x0ttpga">14.</a> Rm 5, 3 e ssg.</p>
<p><a id="footnote15_p7249jn" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref15_p7249jn">15.</a> Sp 2, 3.</p>
<p><a id="footnote16_1efqbfz" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref16_1efqbfz">16.</a> Gn 2, 16.</p>
<p><a id="footnote17_4lqtzu5" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref17_4lqtzu5">17.</a> Ecle 40, 11.</p>
<p><a id="footnote18_t2ih133" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref18_t2ih133">18.</a> Gn 3, 5.</p>
<p><a id="footnote19_g93x6sp" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref19_g93x6sp">19.</a> Ibid.</p>
<p><a id="footnote20_545t80b" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref20_545t80b">20.</a> Is 38, 12.</p>
<p><a id="footnote21_0e14qgm" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref21_0e14qgm">21.</a> Lc 12, 19-20.</p>
<p><a id="footnote22_f3hztp8" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref22_f3hztp8">22.</a> Sl 101.</p>
<p><a id="footnote23_jizqhre" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref23_jizqhre">23.</a> Ibid., 101, 12.</p>
<p><a id="footnote24_cbt85or" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref24_cbt85or">24.</a> Hb 9, 27.</p>
<p><a id="footnote25_3ns3sju" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref25_3ns3sju">25.</a> Sl 82, 9.</p>
<p><a id="footnote26_0p9eig5" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref26_0p9eig5">26.</a> Cl 1, 23.</p>
<p><a id="footnote27_3x3b6qs" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref27_3x3b6qs">27.</a> Rm 5, 8.</p>
<p><a id="footnote28_c0xfahc" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref28_c0xfahc">28.</a> Ap 5, 6.</p>
<p><a id="footnote29_6xtxado" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref29_6xtxado">29.</a> Ibid., 18, 2.</p>
<p><a id="footnote30_tmas40y" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref30_tmas40y">30.</a> 2 Cor 15, 54.</p>
<p><a id="footnote31_bfs43k6" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref31_bfs43k6">31.</a> Gn 2, 12</p>
<p><a id="footnote32_y3o22c7" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref32_y3o22c7">32.</a> Ibid., 2, 13.</p>
<p><a id="footnote33_3j0x8tj" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref33_3j0x8tj">33.</a> Sl 124, 50.</p>
<p><a id="footnote34_8yzrbzb" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref34_8yzrbzb">34.</a> Jo 3, 4.</p>
<p><a id="footnote35_5z175i1" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref35_5z175i1">35.</a> Ibid., 3, 7-8.</p>
<p><a id="footnote36_xswlkac" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref36_xswlkac">36.</a> Ibid., 1, 6.</p>
<p><a id="footnote37_cc05m9q" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref37_cc05m9q">37.</a> Lc 10, 41-42.</p>
<p><a id="footnote38_js2hhp1" class="footnote" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/1298#footnoteref38_js2hhp1">38.</a> Lc 17, 21.</p>
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		<title>O DULCÍSSIMO NOME DE MARIA</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2015 20:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Manuel Bernardes]]></category>

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		<description><![CDATA[II.  MEDITAÇÃO   Quanto às virtudes, ou eficácia do augustíssimo nome de MARIA, a mesma Senhora, falando com Sta. Brígida, lhe disse que o seu nome quando se proferia devotamente alegrava os Anjos no Céu e rendiam louvor a Deus; e &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-dulcissimo-nome-de-maria/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>II.  MEDITAÇÃO</b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto às virtudes, ou eficácia do augustíssimo nome de MARIA, a mesma Senhora, falando com Sta. Brígida, lhe disse que o seu nome quando se proferia devotamente alegrava os Anjos no Céu e rendiam louvor a Deus; e os da nossa guarda se chegavam mais para os justos, e no Purgatório as almas se aliviam, como o enfermo na cama quando alguém o consola; e os demônios fogem e deixam a alma que tinham nas unhas, como as aves de rapina fogem quando ouvem algum som que as espanta. O que parece quis o Céu confirmar com aquele caso maravilhoso que traz o Padre Cristovão da Vega. Criara certa donzela um pássaro daquela espécie que aprendem a falar o que lhes ensinam, e lhe ensinara a dizer: <i>Ave MARIA</i>; e ele repetia muitas vezes, com aplauso e gosto dos que ouviam. Sucedeu vir uma ave de rapina e levá-lo nas unhas; e o passarinho, repetiu o que costumava: <i>Ave MARIA</i>; e no mesmo ponto a ave de rapina, como se a ferissem com um pelouro, caiu morta em terra, e o passarinho tornou alegre às mãos de quem o ensinava e sustentava. Sem dúvida quis Deus mostrar quanto vale o nome poderoso de MARIA contra os repentinos assaltos do tentador; pois em sendo invocado da alma fiel e devota, logo a infernal ave de rapina solta a presa e desaparece.</span></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Considera particularmente como este augustíssimo nome conforta na hora da morte, e por isto se lhe aplica aquilo dos Cantares, principalmente dito pelo Esposo (Ct 1, 2): <i>Oleum effusum nomen tuum</i>. <i>—</i> <i>O vosso nome é azeite derramado</i>; porque assim como os lutadores se ungiam com azeite para que as mãos do competidor escorregando não pudessem empregar nos braços do lutador toda sua força; e por isto aos moribundos se administra a Santa Unção, instituindo Cristo por matéria deste Sacramento o azeite para significar e conferir a graça que nele nos dá para entrarmos em luta com o demônio; assim o nome de MARIA, invocado com fé e devoção, parece que Deus lhe comunicou esta eficácia e conforto naquela apertada hora para nos animar contra o inimigo comum; ainda que não seja novo Sacramento; contudo, não é crível senão que o nome de Mãe do Salvador ajude também a salvar, e se glorie o Senhor de a ter por co-salvadora nossa; e por isso disse o Sábio Idiota que o seu nome ungia os lutadores: <i>MARIÆ nomen ungis agonistas</i>; e S. Bernardo, que não temem tanto os inimigos os esquadrões numerosos e bem formados do campo contrário, como os demônios se atemorizam e desmaiam com o nome, patrocínio e exemplo de MARIA: <i>Non sic timent hostes visibiles hostium multitudinem copiosam, sicut aerea potestates MARIÆ vocabulum, patrocinium, exemplum</i>. E Ricardo a S. Laurentio iguala ou avantaja este auxílio do nome de MARIA ao do soberano nome de JESUS: <i>Sicut nomem JESU, mel in ore, in aure melos, in corde jubilus; ita et nomem MARIÆ et amplius, si dicere audeamus</i>.</span></div>
<p><span id="more-1209"></span></p>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">  </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fruto deste ponto colhe costumar-te repetir o nome de MARIA Santíssima com grande freqüência, veneração e gosto. Porque se os pais folgam de ouvir e pronunciar os nomes dos filhos e os esposos os nomes das pessoas a quem amam; e se estão ausentes, isto basta para lhes causar saudade ou consolação: quanto mais racionável e honesto é que nunca da língua nem da memória nos caia o dulcíssimo nome de MARIA, nossa insigne benfeitora, nosso refúgio, nossa corredentora, nossa Mãe do Céu e Mãe do mesmo Deus? Conta-se de um Imperador do Grão Mogor, por nome Echebat, que adorava o Sol três vezes cada dia; ao nascer, ao meio-dia e ao pôr-se; e de cada vez correndo pela mão um como rosário de pedras preciosas, o saudava com mil e quatrocentos nomes, ou títulos de seu louvor. Inumeráveis são os com que nós podemos saudar aquela Grã Senhora, Imperatriz do Céu e da terra que é <i>Electa ut Sol</i>, escolhida como o Sol; e se todas as estrelas do firmamento compusessem um rosário de diamantes, para ir repassando por eles os seus elogios ou nomes honoríficos, ainda faltariam contas e sobrariam nomes, ficando curto o Poeta que disse: <i>Tot tib sunt dotes Virgo, quot sidera Cœlo</i>; Mas um só nome que é o de MARIA, basta por todos, pois os compreende; quem diz MARIA, diz, ainda que o não intente, nem exprima, quantas flores há no prado, quantas luzes no Céu, quantas pérolas no mar, quantas fragrâncias nas árvores odoríferas, quantos tesouros na terra, quantas lindezas no Universo. Prova tu, alma minha, e acharás que, quanto mais nomeares este nome e cuidares nele, tanto mais te afeiçoa, recende, consola, alegra e levanta às vivas esperanças de ver esta Senhora no Empíreo.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>III.  MEDITAÇÃO</b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à devoção e afeto que os santos e varões pios tiveram com este Nome dulcíssimo de MARIA. Primeiramente, S. Estevão Rei de Hungria, introduziu em todo aquele Reino tal devoção com a Senhora, que se não a nomeia ali, senão por antonomásia: A Grã Senhora; e se alguém pronunciava MARIA, punha o joelho em terra. Em Polônia, por reverência deste Nome, nenhuma mulher se costuma chamar MARIA, assim como na mais Cristandade, nenhum fiel se chama JESUS. Ludovico Vives diz que para bem, se havia de ordenar por decreto dos Magistrados da República que toda a mulher que não tivesse trato honesto se tirasse ou abrogasse o nome de MARIA; e com razão (diz o Pe. Teófilo Reinaldo, varão bem conhecido por seus copiosos e eruditíssimos escritos), pois na célebre República de Atenas, se ordenou antigamente, que nenhum escravo, nem oficial mecânico, se chamasse Hermodion, nem Aristogiton, porque estes dois famosos varões livraram a República dos tiranos. E aqui vem também a propósito o que Alexandre Magno disse a um soldado covarde, que tinha o mesmo nome de Alexandre: <i>Aut muta nomen, aut mores</i>: ou muda de nome, ou de procedimentos.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">S. Jossio, monge do Mosteiro de S. Bertino, entre as suas tarefas ou exercícios espirituais quotidianos observava o de rezar com grande devoção cinco Salmos, que começam pelas cinco letras do Nome amabilíssimo de MARIA, que são <i>Magnificat; Ad Dominum cum tribulares; Retribue servo tuo; In convertendo Dominus; Ad te levavi oculos meos</i>. Caso maravilhoso (e foi no ano de 1163). Sucedeu que os monges o acharam morto na sua cela, e cercado de luz; e tinha cinco rosas; a saber, duas nas mãos, duas nos ouvidos e uma na boca, e em todas as folhas escrito com letras de ouro o Nome Santíssimo de MARIA. E foi esta prodigiosa demonstração significadora, sem dúvida, da graça que a devoção do Nome da Virgem lhe alcançara, para não obrar, nem falar, nem ouvir coisas fora do agrado de seu bendito Filho.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">S. Hermano, da Ordem Premonstratense (a quem a mesma Virgem impôs o nome de seu sagrado esposo José) tinha tanta reverência ao augustíssimo nome de MARIA, que não falava à Senhora (falando com ela freqüentemente) senão pelo nome de Rosa, e por Rosa a invocava, e a Senhora assim invocada lhe acudia; bem como os rabinos antigos, para mais recatar, e honrar o inefável nome de Deus <i>Tetagramaton</i>, não usavam dele, e substituíam em seu lugar o de <i>Adonai</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Valorosíssimo mártir André Chio, grego de nação, padeceu esforçada e constantemente por dez dias esquisitos e crudelíssimos tormentos invocando sempre no princípio da luta o nome de MARIA de que usava em sua vida em todas as urgências e trabalhos ocorrentes; e tanto se ungia com este óleo que sentia tal valor, que os turcos ou lutadores se confundiam da constância do Mártir. Pode ler-se a história mais por extenso porque é notável.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">  </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em Lisboa, no Convento das Inglesinhas (conforme refere o Hagiológio Lusitano) houve uma religiosa tão devota dos suavíssimos nomes de JESUS e MARIA, que lhe acharam depois de morta, resmas e resmas de papel escritas de margem a margem só com estes dois nomes. A Superiora, não aprovando este novo modo de devoção, mandou lançar fogo um daqueles livros, quando a religiosa era ainda viva. Obedeceu então com lágrimas, porém não quis Deus que ardesse, pois ainda hoje se conserva por memória.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos outros exemplos pudéramos trazer, mas bastam estes para afeiçoar o coração à devoção desta amabilíssima Senhora, de quem até o nome é tão poderoso para atrair, defender e confortar. Por onde o fruto desta meditação, será o mesmo que da antecedente, procurando a alma entranhar em si este pio afeto, como estudante que decora a mesma lição muitas vezes, para lhe ficar mais impressa e pronta; ou como pintor que dá muitas capas de tinta à pintura para que permaneça viva mais tempo contra as injúrias dele.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ó Soberana Virgem, Senhora de todos os corações; se Deus chamou <i>Mar</i> à congregação das águas (Gn 1, 10): <i>Congregationes aquarum apellavit Maria</i>; com razão vos chamam a vós MARIA, pois sois a Congregação, tesouro de todas as graças, dotes e excelências da graça e da natureza; o mesmo é MARIA que amável ou digníssima de ser amada.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><i>Est MARIA affectu dignissima cordis amari, Nempe sibi hoc propriu ex nomine, nomen habet</i>.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desejo pois ter estampado em meu coração o vosso dulcíssimo nome, como vosso devotíssimo S. Ignácio mártir, que teve a dita de vos ver e escrever nesta vida que achou ter no coração estampado o nome de vosso Filho JESUS; alcançai-me dele graça eficaz com que toda minha vida, no interior e no exterior, se conforme de modo que minha alma se purifique e faça capaz de imprimires nela o vosso nome, como marca ou ferrete de escravo vosso, que é o mesmo que de vosso Filho, e nosso Salvador JESUS Cristo, a quem seja dada glória por toda a eternidade. Amém.</span></div>
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