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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Matias De Bremscheid</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2018 15:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A elevada significação do casamento é por mais olvidada em nossos dias. Grande número dos casamentos modernos são apenas fruto da irreflexão e fascinação. Este desprezo do casamento constitui a causa precípua do mal que enferma o nosso século. Oxalá &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/preparacao-para-o-casamento/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="http://mediaserver2.rr.pt/newrr/031873e2f6_664x373.jpg" alt="Resultado de imagem para casamento tridentino" width="485" height="276" />A elevada significação do casamento é por mais olvidada em nossos dias. Grande número dos casamentos modernos são apenas fruto da irreflexão e fascinação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este desprezo do casamento constitui a causa precípua do mal que enferma o nosso século. Oxalá consiga a nossa juventude ter de novo em lato apreço o matrimônio, na sublime significação, e possam principalmente, as que foram chamadas por Deus a esse estado, abraçá-lo depois de uma boa preparação e com os melhores propósitos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1º – O casamento tem alta significação para a moça que o contrai.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A sua felicidade futura não depende deste passo? Ofereça ela (donzela cristã) a sua mão a um jovem bom e digno, que lhe convenha; dedique-lhe amor fiel para fusão das suas vidas; viva com ele em paz e harmonia. E não se dirá então que ela é realmente feliz? Em tal casamento, cada um dulcifica a vida do outro; auxiliam-se e sustentam-se mutuamente; a alegria duplica-se e eleva-se pela correspondência; carrega-se a cruz mais facilmente, e as amarguras da vida perdem a sua aspereza e seus espinhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E quanto não lucra, às vezes, uma mulher em beleza de caráter, em nobreza de sentimentos, em fineza de fé e religiosidade, mercê da convivência de longos anos com um marido virtuoso e excelente? Portanto, para uma moça, que não foi chamada por Deus ao santo estado religioso, é uma grande graça e alta felicidade, unir-se em matrimônio com um jovem excelente. Pelo contrário, se o casamento, não conseguir a fusão completa do corpo e do espírito já não proporcionará felicidade à mulher. Ainda que a casa onde reside seja um palácio suntuoso; embora seja distinta e influente a posição que ela ocupa na sociedade, não se sentirá, deveras, feliz e contente; a despeito do brilho da sua situação externa, a vida lhe será um fardo opressivo.</span><span id="more-12275"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não ensina tantas vezes a experiência que a fé e a virtude da mulher facilmente sofrem grande abalo num casamento infeliz, e que, portanto, há fundadas razões de se recear pela salvação de sua alma? Mas não é só para os cônjuges em particular que tem o casamento uma alta significação; sua importância estende-se muito além. O casamento exerce incalculável influxo sobre todas as demais relações humanas. É uma instituição, em cuja força se apóiam todas as outras confederações, sociedades e organizações. Não excetuo nem o próprio sacerdócio católico, ao qual a nossa santa Igreja muito sabiamente e por motivos poderosos proíbe o matrimônio, pois não será o Sacerdócio o sal preservativo e eficaz, nem a luz da terra que difunde a vida, se não prezar a castidade virginal. Se o casamento cristão for bom e feliz a sociedade também levantará seu nível moral, pois o casamento, a família, constitui a base da vida social.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um rio deslizará sereno e límpido pela planície, se as fortes e os afluentes lhe levarem água tranqüila e clara. Se a criança encontrar no santuário da família exemplos edificantes e receber uma educação cristã, desenvolver-se-á nela o sentimento para o bem e para o nobre; ela aprenderá a repelir tudo que for mau, imoral e vulgar; levará, consigo, este bom espírito para a vida, e guiada por ele procurará cumprir conscientemente os seus deveres em qualquer situação que se encontre. Assim também os bons casamentos e as boas famílias serão o sustentáculo e o apoio da ordem moral e social. Se, pelo contrário, os casamentos e as famílias forem anticristãos, será isto indizível mal para a sociedade, para o estado e para a Igreja. Pouco afeta à sociedade que a desdita e a perdição lhe venha de fora, pois ela traz, em si mesma, no seu próprio seio, o pior inimigo, o mais venenoso germe da perdição, que a reduz ao extremo: no casamento profanado e na família sem Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história dos povos e nações o tem testemunhado, mais de uma vez. Como poderia ser de outro modo? Como pode deixar o rio de ser lodoso e turvo, de ultrapassar com devastadora violência as suas margens, se as nascentes são turvas e só lhe fornecem águas turvas e impetuosas? Sim, o matrimônio e a família têm uma importância que não poderá suficientemente apreciar. Surge, pois para a moça que tenciona casar a importante pergunta: o que há de observar, a fim de contrair um matrimônio bom e feliz?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2º – Princípios fundamentais que deve ter em conta a moça que deseja contrair núpcias.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo, cumpre examinar se realmente foste chamada para tal estado, se estás em condição de cuidar de uma família e fazê-la feliz. Se não tens saúde, ou se teu noivo goza de saúde tão precária, que possas prever uma viuvez precoce, é sinal evidente que não deves contrair núpcias. O mesmo se diga, se ele estiver gravemente onerado por motivo de herança, ou se por outra razão qualquer não puder prover a subsistência de uma família; será então culpa grave o contraíres núpcias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Atendendo-se ás circunstâncias da morte de um dos pais, tendo ainda irmãos menores para educar torna-se até dever para a moça protelar o casamento, porque neste caso não poderia ela abandonar sua família deixando-a na miséria. Se, todavia, depois de acurado exame, pensas que deves abraçar o estado matrimonial, sê antes de tudo prudente na escolha da pessoa com quem pretendes casar. Não te induza, exclusivamente, a riqueza ou qualidades corporais. Podem tais cálculos interessar-te algum tanto, mas não sejam razões decisivas para ti. Analisa as qualidades de espírito do teu pretendente, antes da escolha definitiva.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não ofereças tua mão a um jovem, que não sabe honrar os seus pais, e os trata mal; podes aderir que ele, ao depois, fará o mesmo ou talvez pior ainda contigo&#8230; Não ofereças tampouco a mão a um indivíduo grosseiro, arrebatado e incivil, que em qualquer ocorrência se deixa dominar pela cólera. Apenas houverem passado as primeiras semanas do teu casamento, terás que derramar lágrimas amargas porque deverás suportar diariamente o seu temperamento forte e impetuoso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não contraias matrimônio com quem é amigo da taberna e tem o vício da embriagues. Não tardarás muito a sofrer aflições sobre aflições, e por fim te acharás com toda a família em estado de necessidade e miséria, de tal modo que deverás viver na indigência com teus filhos, e padecer fome, enquanto o teu leviano marido, num absoluto desprezo dos seus deveres, sacrificará à sua paixão o dinheiro que ganhar. Não suponhas, agora, que mais tarde farás dele um homem bom e morigerado. Milhares e milhares assim pensaram no período do noivado, mas viram, dentro em breve quão grande fora o seu engano. Ao invés, da felicidade que esperavam, só tiveram depois cruz e desgraça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cuida também que o homem com quem desejas contrair matrimônio, pertença a uma boa família cristã. Os pais comunicam ao filho seu caráter, transmitem-lhe determinada inclinação moral, à guisa da herança para a vida. É, portanto, grande felicidade descender de uma família virtuosa, deveras cristã, ao passo que é grande desdita ter nascido de uma família sem moral e sem religião. É verdade que no segundo caso ainda pode o filho ser bom, mas isto, de ordinário, é coisa sobremodo difícil e só possível a custa de muitos sacrifícios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, atenta em que o jovem com quem pretendes unir-te por toda a vida, professe praticamente o catolicismo. Mais tarde, com o volver dos anos, a religião o enobrecerá cada vez mais, lhe dará força e vigor para cumprir com fidelidade os seus deveres para contigo, para com a família e para com seus filhos. Nos dias sombrios como nos dias radiantes, na desgraça como na felicidade, estará ao teu lado como fiel esposo. Se, teu noivo não tiver religião, for um cético, atacar a desprezar os dogmas e a doutrina da Igreja, tomar atitude de ateu, não poderá de forma alguma tornar-se, um marido fiel e pai amoroso. Quem não é fiel ao seu Deus que está no Céu, dificilmente o será ao próximo, na terra. Quantas vezes não profana um homem desses o sagrado juramento de fidelidade que, num momento solene fez à sua esposa. Friamente, poderá causar-lhe as mais amargas tristezas. Não contraias casamento misto!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A nossa Santa Igreja apenas tolera tais casamentos com extrema relutância, ainda mesmo quando é garantida a educação católica da prole. Fez no correr dos séculos inúmeras experiências desastrosas a este respeito. Não há dúvida que também há em outras religiões homens muito bons. Entretanto, prescindindo das raras e isoladas exceções, nos casamentos mistos, conforme os testemunhos infalíveis da experiência quotidiana, existe para a parte católica e para os filhos, o perigo realmente grave da insensibilidade religiosa e do indiferentismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As relações familiares também exigem, como é natural, entre casados, união de pontos de vistas e correspondência na prática da religião. Se assim não for, haverá entre os cônjuges uma tal ou qual disparidade, que não permitirá se estabeleça entre eles verdadeira harmonia interna e felicidade completa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma distinta dama, que também se unira em casamento misto, mas que levava uma vida piedosa, disse certa vez a um sacerdote católico: “Ah! Quanta razão tem a Igreja de proibir os casamentos mistos, e como seria para desejar que ninguém, os contraísse, pois, ainda os melhores, não valem nada. Externamente considerado, o meu casamento pode incluir-se entre os mais felizes deste mundo, mas o pensar que o meu esposo, quanto à religião, segue assunto sobremodo importante não nos compreendemos, é o verme que causa à morte de minha felicidade, cujas picadas sinto todos os dias, mas principalmente nas festas, quando o coração católico pulsa com sentida emoção.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Talvez penses: não obstante, a Igreja concede a dispensa. É verdade, mas concede-a profundamente contrariada e só depois de assegurada a garantia para o livre exercício da religião à parte católica e para a educação de todos os filhos. Com isso, não aprova de modo algum os casamentos mistos: tolera-os apenas, para evitar males maiores: Tampouco assume a Igreja qualquer responsabilidade pelos efeitos funestos, os quais recaem com todo o seu peso sobre os que contraírem casamento misto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acautela-te, pois, jovem cristã, e de modo nenhum consistas num casamento misto, cujas conseqüências serão por via de regra muito más e muito tristes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se acertaste numa boa escolha, cuida antes do mais que tuas relações com o noivo, durante o noivado sejam puras, honestas, castas e virtuosas. Não consistas jamais em liberdade indecorosas. A fim de prevenir-te neste particular, contra todo o perigo, evita qualquer encontro a sós, inútil e prolongado, com o teu noivo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um noivado casto e digno assegurar-te-á as bênçãos de Deus para um casamento feliz. Quando chegar a hora, do passo decisivo, toma ainda mais a sério o que se relaciona com tua vida religiosa. Aproxima-te mais amiúde dos Santos Sacramentos, reza mais vezes e com mais fervor do que antes, e recomenda também freqüentemente, na Santa Missa, ao amoroso Salvador, os teus interesses. Poderia aconselhar-te a fazeres de quando em quando alguma obra de misericórdia cristã, a fim de granjeares por este meio a benção de Deus sobre a tua futura vida conjugal. Algumas semanas antes do casamento, faze uma boa confissão geral e no dia das núpcias, recebe com grande piedade a sagrada Comunhão. Se seguires estes conselhos, poderás esperar que também o Divino Salvador tomará parte em teu casamento, para abençoar a ti e ao teu esposo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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		<title>OS DOIS ROCHEDOS</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jul 2018 15:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Existem dois rochedos, que podem ser danosos para a juventude hodierna, e contra os quais infelizmente se despedaçam não poucas moças. São eles as amizades levianas e os maus livros. Não tenhas amizade com pessoas de sentimentos levianos. É coisa &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-dois-rochedos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="https://img.elo7.com.br/product/zoom/B7BBA1/quadro-decorativo-em-mdf-amigas-quadros-decorativo.jpg" alt="Resultado de imagem para amigas" width="228" height="305" />Existem dois rochedos, que podem ser danosos para a juventude hodierna, e contra os quais infelizmente se despedaçam não poucas moças. São eles as amizades levianas e os maus livros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não tenhas amizade com pessoas de sentimentos levianos. É coisa muito importante saber escolher as amizades. Com os bons serás boa, com os maus tornar-te-ás má. Se a gota da chuva cair sobre a flor, converter-se-á em gota de orvalho e brilhará à luz do sol, qual pérola preciosa; mas se cair sobre a poeira da rua, tornar-se-á lama, lodo. A mocidade, facilmente, cria simpatia e amizades, o caráter vivo, entusiasta e aberto dos jovens inclina-os a procurar comunicação e correspondência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A consciência de sua inexperiência, estimulada pelo isolamento e solidão, desperta no jovem o desejo de se unir a outrem e encontrar um coração que pulse em uníssono com o seu, numa sintonia de afetos e ideais. Esta inclinação afetiva pode ser uma cilada à pureza da jovem, principalmente por causa de sua suscetibilidade às impressões várias, devido ao caráter terno e maleável, e pelo espírito elástico e irrequieto, que se deixa facilmente empolgar. Como poderão as palavras carinhosas de um amigo não produzir-lhe uma impressão que dificilmente se apagará?! Como certos princípios não atuarão sobre ela de maneira perniciosa? Como os seus atos não a estimularão a imitá-la? Não é este um fato constatado quando existe certa semelhança de caráter, igualdade de gênio; ou quando as pessoas amigas se distinguem por talentos magníficos, por sua amabilidade natural e proceder atraente, por agradáveis dotes de conversação, por certa ousadia à qual dificilmente se resiste?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quão pernicioso não será para ti a convivência com tais pessoas, se forem acostumadas com conversas levianas contra a religião e os bons costumes! Como não te hás de tornar, em pouco tempo, vacilante na tua santa fé e na virtude! Embora tais conversações, no começo, te repugnem sobremodo, ainda que tenhas recebido aprimorada formação e gozes de natural tendência para o bem, o mau influxo de tal amizade não desaparecerá, principalmente se houver assídua convivência e trato recíproco. Dia a dia as gotas do veneno imoral irão penetrando na tua alma até que enfim perderás de todo o bom espírito e te perverterás.</span><span id="more-12273"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo isto se verifica se as pessoas, com quem manténs amizade e convivência, são jovens que não possuem nenhum fundamento sólido de formação religiosa e moral; mas isto dez vezes mais se verifica se essas pessoas pertencerem ao sexo masculino. Como se explica que muitas moças se desviam cegamente e caem em perdição? A razão principal é esta: que elas inadvertidamente e sem aquiescência dos pais alimentam amizades com algum rapaz. Ainda que estes fossem anjos, mesmo assim os passeios clandestinos, em horas impróprias e lugares inconvenientes seriam verdadeiras ciladas para as incautas. Se alimentares tais amizades podes estar certa de que caíras no laço do inimigo; esforça-te, o mais possível, por te libertares dele quanto antes, e não te impeça a tua natural afeição ao reconhecer o perigo. Exerce vigilância sobre o teu coração e sê cautelosa! Não te deixes seduzir por maneiras amáveis, olhares fascinantes e palavras melífluas; mostra-te, sempre, com ânimo forte, e governa-te pelas máximas e preceitos da santa Fé e da reta consciência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Só com o conhecimento e aquiescência de teus pais e vigiada por eles, ou por outros parentes, poderás travar relações de amizade com algum bom rapaz com o qual tenciones casar, e deverás, naturalmente, conservar-te sempre dentro dos rigorosos limites da decência cristã.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, relações de amizade só as terás com poucas moças, que tomam a sério os seus deveres, quer religiosos, quer outros, o que poderá fortalecer-te em tudo que é bom e agradável a Deus. Semelhante amiga é um dom inestimável do Senhor e uma grande felicidade para ti, sobremodo se te achares em lugar estranho e longe da casa paterna. O convívio com ela dar-te-á segurança e proteção contra muitos perigos, e te comunicará alegria e ânimo para o bem. Se a tiveres encontrado, permanece-lhe fiel, que daí só te provirão abundantes bênçãos. Aviso-te, porém, seriamente: evita, o mais que puderes, toda convivência com moças vaidosas e frívolas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Abstém-te, outrossim, de livros dúbios, que discorrem leviamente sobre coisas religiosas, que despertam pensamentos e desejos impuros e sensuais. São tais livros, por assim dizer, amigos sem vida, os quais, não obstante, podem exercer um influxo deletério e seduzir-te ao mal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade, o livro pode-se ter sempre à mão, quer de dia quer de noite, no aposento silencioso, no vagão solitário, à sombra do verde bosque.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Abstêm-te dos livros que descrevem, sem nenhum recato, nem qualquer atenção à decência cristã, as coisas mais obscenas, aliciando as mais vis paixões. O mau livro apresenta em capítulos longos, quadros vivos, cenas e debuxos, episódios que estimulam, a imaginação, cativam agradavelmente o coração, alvoroçam as paixões e enchem todo o interior de imagens que, mais tarde, nas horas ociosas da solidão, e até mesmo, no sono, durante a noite, assomam de novo à alma e a precipitam cada vez mais na imundície corruptora. Eis porque a leitura de maus livros é tão perniciosa; ela atua como veneno mortal. Sorve-o a moça, dia a dia, quase inconscientemente, e mais cedo ou mais tarde, porém, com toda a certeza, se manifestará no coração o seu efeito destruidor. A virtude e a fé se tornarão cada vez mais débeis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Talvez penses assim: eu preciso esclarecer-me e cuidar de minha formação; devo, portanto, instruir-me e ler também esses livros. Mas que esclarecimento é este, que faz naufragar a fé? Que formação esta, que faz perder a inocência? Não é porventura a fé o maior bem do cristão e a inocência o mais belo ornamento da juventude?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nas obras de autores ímpios ou imorais, aventa-se mentirosamente a dúvida sobre a fé, como franca pesquisa científica, louva-se a descrença como esclarecimento do espírito, pinta-se o vício com cores brilhantes, e assim te arrebatam o precioso tesouro que é a religião e a virtude. Não leias, pois nenhum livro desses, embora escrito magnificamente &#8211; veneno é sempre veneno, mesmo quando apresentado no frasco mais fino. Se depois do cumprimento consciencioso e fiel dos deveres, tiveres ainda tempo para alguma leitura, lê então bons livros, que te sejam úteis ou que te instruam, de maneira conveniente. Não hás de ler tudo quanto te oferecem, com apresentação magnífica, ou tudo que vês nas vitrines. O forte prurido pela leitura, que te conduz ao abandono dos trabalhos e deveres, não deves permitir que medre em ti.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É mister que anteponhas a execução dos teus trabalhos moderados às demais coisas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aconselho-te, outrossim, a adquirires certo domínio sobre a tua curiosidade, interrompendo às vezes a leitura, quando ela se vai tornando muito interessante. Com este processo se fortificará a tua vontade, de modo que poderás oferecer resistência a tudo quanto seja prejudicial à verdadeira felicidade. Não leias, porém, senão os livros que te edifiquem. Ser-te-á de grande utilidade o leres, cada dia, atenta e vagarosamente, duas páginas do livrinho de ouro &#8220;Imitação de Cristo&#8221;, aplicando a ti mesma o que diz o autor. Poderei, outrossim, recomendar-te com grande empenho a &#8220;Filotéia&#8221;, de São Francisco de Sales, ou o &#8220;Combate Espiritual&#8221;, de Scupoli. Deus também te recompensará, se aqui e ali, em ocasião oportuna, aconselhares, de maneira prudente, um bom livro ou uma boa revista.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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		<title>MOÇAS QUE PERMANECERAM SOLTEIRAS NO MUNDO</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jun 2018 15:00:47 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Há muitas jovens que não se casam. Algumas não sentem desejo, nem inclinação para o casamento, mas não pensam tampouco em ser freiras, e destarte permanecem solteiras por sua livre escolha. Outras há que optariam pela vida conjugal, mas o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/mocas-que-permaneceram-solteiras-no-mundo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" alignright" src="http://3.bp.blogspot.com/-QdfwiTs_ajU/U4UBM2jhwjI/AAAAAAAAaT4/EreSa6I4YwI/s1600/DSCN5397.jpg" alt="Resultado de imagem para jovens modestas" width="248" height="464" /><span style="color: #000000;">Há muitas jovens que não se casam. Algumas não sentem desejo, nem inclinação para o casamento, mas não pensam tampouco em ser freiras, e destarte permanecem solteiras por sua livre escolha. Outras há que optariam pela vida conjugal, mas o destino e as circunstâncias não lhes permitem dar tal passo. Devem estas fazer de necessidade virtude e, com sujeição cristã, reconhecer a mão de Deus, no governo de sua vida, entregando-se humilde e pacientemente à sua santa vontade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desejaria fazer agora algumas observações para louvor e consolação dessas almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1º &#8211; As jovens que permanecem solteiras são grandes perante Deus.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Serão grandes perante Ele, se guardaram fiel e integralmente a pureza virginal; pois, mediante esta virtude, se tornam particularmente agradáveis a Deus. A elas se aplica o alto encômio da Sagrada Escritura: “Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Sua memória é imortal, e é louvada diante de Deus e diante dos homens”. (Sal., 4,1) Santo Efrém exclama entusiasmado: “Oh! Virgindade! Tu és o que o Autor de todas as coisas ama com predileção e em ti ocultou riquezas imperecedouras!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estas moças serão grandes perante Deus, se rezarem bem e com fervor. Enquanto os demais membros da família desprezam a oração ou a fazem com negligência, elas se entregam muitas vezes a este piedoso exercício conscienciosamente. Oram durante o dia, quando os outros se preocupam em coisas materiais, oram durante a noite e se prostram diante de Deus em seu quarto silencioso, enquanto os demais se entregam somente ao descanso e às diversões; oram na igreja diante do Santíssimo Sacramento, que em regra ninguém como elas tão assiduamente visita; oram durante o trabalho que executam com boa intenção, para honrar e servir a Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As moças que permanecem solteiras são, freqüentemente grandes diante de Deus, em virtude do sacrifício que lhe oferecem. Sacrificam por vezes a sua juventude, com as alegrias e prazeres permitidos a essa idade; sacrificam um casamento que lhes promete esperanças e, com isto, segura garantia para o porvir.</span><span id="more-12279"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tais sacrifícios e outros semelhantes fazem-nos elas generosamente, às vezes, por amor de Deus, a quem consagram a sua virgindade, as suas aspirações e toda a sua vida; fazem-nos por amor a seus pais, dos quais desejam ser tutoras na velhice e nas enfermidades ou fazem-nos também por amor de seus irmãos menores, a cuja subsistência já não podem os pais prover sozinhos. Sujeitam-se, destarte, às privações e, durante longos anos, vão acrescentando sacrifícios a sacrifícios, a fim de providenciarem pelo futuro dos seus irmãos. São almas generosas, heroicamente generosas, que merecem a nossa inteira estima a admiração. Como são elas grandes diante de Deus! Como são pequenos e mesquinhos os insensatos, que só tratam com desprezo tão nobres e generosas donzelas!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2º &#8211; As moças que permanecem solteiras são também uma benção para os outros.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em primeiro lugar, para os próprios parentes. Que de vezes não é uma destas moças a consolação e o arrimo dos velhos pais, que ela envolve de amor e carinho! Depois da morte dos pais, não raro se faz educadora dos irmãos e irmãs menores, cuja mãe ela substitui, e para os quais ela será o amparo e sustentáculo nos seus anos perigosos da juventude!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais de um exemplo deste gênero tenho eu conhecido. Além disso, amiúde se transforma, como boa e querida tia, em benfeitora para os filhos de um irmão ou irmã casados. É ela com freqüência a causa que impede que desapareça da casa dos parentes o bom espírito cristão. Se ela tivesse casado houvera contribuído para o bem de uma só família, ao passo que ficando solteira contribui para a salvação de três ou quatro famílias, sem que por sua humildade, sequer, o perceba.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A benção da vida e ações de tais donzelas sói, contudo, estender-se a um círculo mais amplo. Quão útil não é, por vezes a uma comunidade inteira o seu exemplo de virtudes! Como esparzem, de quando em quando, os seus benefícios, em toda parte. Que ricos presentes não oferecem para as missões, para o socorro das pobres crianças abandonadas e para outros fins nobres! Que de sacrifícios e esforços não se impõem elas em favor de uma boa causa! Nenhum passo lhes é penoso, nenhum retrocesso molesto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não são essas jovens a força motriz e o sustentáculo das associações pias, da Obra dos Tabernáculos e de outras sociedades beneficentes? O que uma única jovem, animada de espírito reto, é capaz de realizar, demonstra-o o exemplo de uma rica dama de Hamburgo. Esta dama com grande pesar observou a triste situação e o abandono moral em que viviam tantos marinheiros, nos portos marítimos, privados de bens materiais e de assistência espiritual.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fundou então, uma sociedade, onde eles pudessem encontrar o necessário para á vida. Teve a grande alegria de observar que muitos voltaram ao cumprimento dos deveres religiosos e a uma vida de virtudes. Aqueles marujos reconheciam-na como mãe e no alto mar canções em sua homenagem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3º &#8211; Conselhos e exortações para as moças que se conservam solteiras.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em primeiro lugar, digo-vos: alegrai-vos! Pode acontecer que sejais obrigadas a renunciar a certas doçuras da vida, e que a solidão, que talvez com o correr dos anos se vai fazendo em torno de vós, vos pareça molesta. Pode acontecer eu os vossos parentes e conhecidos são se mostrem justamente gratos por todos os favores que lhes fizestes, e por todos os benefícios que lhes dispensastes. Parentes e conhecidos há, demasiado exigentes, em relação a uma jovem solteira, os quais desfrutam-lhe de tal maneira a bondade, que ela mesma ao depois se vê em dificuldades ou sofre até verdadeiras privações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cumpre-vos ser prudentes e em certas circunstâncias permanecer firmes e resolutas contra todas as tentativas que tenham por fim explorar vossa bondade. Sejam quais forem, as experiências por que passardes, guardai-vos do enfado e descontentamento, por quanto, se estes vos dominarem, vosso caráter e toda a vossa vida se envenenarão: vireis a ser insuportáveis e, com o tempo, intoleráveis nas vossas relações com os outros e vossa língua se tornará asperadamente ofensiva.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cumpre-vos, pois, combater sem tréguas, qualquer sentimento desagradável ao coração; adorai a santa vontade de Deus, que só tem em vista o vosso verdadeiro bem; oferecei-lhe, alegremente, tudo quanto na vossa situação sois forçadas a suportar. Lembrai-vos também que mercê da vossa condição de solteiras, estais livres de muitas cruzes e sofrimentos; pois o estado conjugal é, em regra, para a maioria um estado de dores e contrariedades.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aproximai-vos muito amiúde dos santos Sacramentos e recebei-os sempre com boa preparação. Assisti, quando as condições o permitirem, assiduamente, e mesmo todos os dias, à Santa Missa, e uni os vossos sacrifícios ao sacrifício infinitamente precioso de Jesus Cristo. Rezai com toda a piedade, praticai uma ou outra devoção predileta, por exemplo, a devoção à Santíssima Virgem, e, sobretudo a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, eu é tão particularmente salutar e rica de graças para nós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Guardai-vos, porém, na vossa piedade contra toda manifestação ruidosa de sentimentalismo e desagradáveis singularidades; exercitai-a de preferência, com certa jovialidade de espírito, por um trabalho atento e alegre, por um afável julgar e falar a respeito dos outros. Finalmente, mostrai-vos úteis, segundo as vossas forças e sede benfazejas. Se fordes ricas e abastadas, isto vos será fácil e podereis espalhar em torno de vós muitas bênçãos. Se não fordes ricas, mas dedicadas ao trabalho e razoavelmente econômicas, ainda podereis fazer muito bem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Existem almas nobres que passam fazendo o bem. Em todas as circunstâncias e em qualquer profissão, como: de costureiras, empregadas, funcionárias, que com o dinheiro que economizam, distribuem ricos donativos para nobres fins. Como Deus é infinitamente bom recompensará um dia generosamente a estas boas almas por tudo que fizeram! “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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		<title>O ESTADO RELIGIOSO</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jun 2018 15:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A maioria das moças é, sem dúvida, chamada ao casamento. Deus, no entanto, escolhe, às vezes, uma distinta jovem para o estado religioso, onde ela O deverá servir, com grande fidelidade e amor, pertencer-Lhe de certo modo totalmente e tornar-se &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-estado-religioso/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class="alignright" src="https://www.fsspx.com.br/wp-content/uploads/2017/07/170623_consolatrices_prise_habit_italie_002-300x200.jpg" alt="Resultado de imagem para irmã fsspx" />A maioria das moças é, sem dúvida, chamada ao casamento. Deus, no entanto, escolhe, às vezes, uma distinta jovem para o estado religioso, onde ela O deverá servir, com grande fidelidade e amor, pertencer-Lhe de certo modo totalmente e tornar-se Sua esposa mística. Sua vida toda com suas energias, desejos e esforços, transforma-se numa agradável oblação, num sacrifício generoso a Deus, à humanidade sofredora, ou à mocidade ignorante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal vocação é, por certo, grande honra e graça especial, pelo que não se poderia deixar de felicitar a uma jovem assim contemplada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1º- O estado religioso é muito elevado.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É antes de tudo um estado de virtude e perfeição. Quem o segue se compromete a trabalhar nele seriamente para a salvação, porquanto além do exercício das demais virtudes, também se observam os conselhos evangélicos. Pode acontecer que alguns membros isolados não se esforcem com zelo eficaz para a perfeição, que um ou outro não haja rompido inteiramente com o mundo e, até mesmo, com o pecado. São, todavia exceções; em regra, há nos conventos de religiosos um sério e fervoroso esforço para a conquista da virtude. O mesmo também se verifica nos conventos de religiosas. Que bela vida de oração e piedade aí domina!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto amor e fidelidade os religiosos dedicam a Jesus Cristo. Quão alegremente visitam o Santíssimo Sacramento! Com que boa vontade e com que prazer executam eles os trabalhos determinados! Como observam conscienciosamente a disciplina e as prescrições da regra!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que de esforços para mutuamente praticar a caridade fraterna e suportar com paciência as cruzes quotidianas! É incontestável que de modo geral reina em nossas Ordens religiosas e nos conventos femininos uma vida florescente de virtudes. O estado religioso é um coeficiente inestimável para a salvação da humanidade. Não quero aqui relatar o que testifica a história sobre a atuação das Ordens religiosas, para incrementar o Cristianismo, para a formação, para a cultura, para as ciências e para as artes.</span><span id="more-12277"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quero simplesmente chamar à atenção a ação das Irmãs em nossos dias, constatado até mesmo pelos insuspeitos adeptos de outras religiões. Com que abnegação e altruísmo tratam elas dos enfermos, assistem os moribundos, mitigando-lhes a dura a dura agonia, educam as crianças, protegem os órfãos, tornam-se muitas vezes para uma alma inexperiente o anjo tutelar e conselheiro, fazem desabrochar a esperança no coração do pobre e infundem consolação no ânimo do oprimido; atraem com suas orações e merecimentos muitas graças sobre a Igreja e lhe acrescem os tesouros sobrenaturais que, mediante a comunhão dos santos, se convertem em bênçãos para todos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O estado religioso proporciona à pessoa que o abraça e que o corresponde, uma grande felicidade. Em regra, as religiosas são as pessoas que mais desfrutam da verdadeira felicidade. Muita gente, que deste assunto nada entende, pensa naturalmente o contrário. Se uma jovem rica e formosa, que poderia lograr no mundo a sua felicidade, ingressa no claustro, todos a lastimam e falam da vida solitária e triste reservada à pobrezinha. Mas, se passados alguns anos, pudessem revê-la radiante de felicidade, julgariam as coisas de modo bem diferente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja, que no decorrer da sua longa vida tão ativa, como sacerdote, religioso e bispo adquirira tão copiosa experiência, costumava dizer amiúde na sua velhice: “Foi nos claustros bem disciplinados que encontrei os homens mais felizes”. Assim é. Os religiosos que têm verdadeira vocação para este estado, e solícitos cumprem, de acordo com as suas forças, os deveres que abraçaram, são, por via de regra, mais felizes do que os que vivem no mundo. Livram-se dos muitos cuidados e múltiplas aflições a que estão sujeitos estes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O amor de Deus que os anima, o ativo exercício de oração que os une em estreita intimidade com Cristo, infundem-lhes no coração uma paz que o mundo desconhece. Até mesmo o sacrifício que, por amor de Deus, faz a religiosa diariamente, na doação generosa, na renúncia dos bens terrenos e a si mesma, convertem-se para ela numa fonte perene de paz interior e de felicidade. Realiza a mensagem de Cristo: “O meu julgo é suave, e o meu peso leve” (MT. 11,30).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Visto ser o estado religioso uma escola florescente de virtudes, trazer muitos e grandes benefícios para a salvação da humanidade, tornar contentes e felizes os seus membros, quando estes, fiéis e conscienciosos cumprem os seus deveres; pode ser tido com toda a razão por um estado excelente e elevado e a moça que para ele for chamada deve alegrar-se e julgar-se feliz. Em vista destas considerações, podes objetar: Como pode uma jovem saber se tem vocação?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2º- Sinais que denotam falta de verdadeira vocação.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não tem verdadeira vocação, a moça que deseja entrar no convento, impelida por motivos terrenos para ver-se livre dos cuidados da própria subsistência, pata granjear honras e celebridades, para viver uma vida cômoda e agradável. Quem se deixa dominar por semelhantes intenções, não entre para o claustro, que de vocação não se lhe nota aí nenhum traço.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não tem vocação para o estado religioso a moça que, intelectualmente, não é sadia e, equilibrada pouco talentosa ou de espírito obtuso ou muito propensa para a melancolia. Pessoas néscias ou de escasso entendimento, não são feitas para a vida claustral, porque não têm capacidades para preencher as atividades e as incumbências concernentes à vida que abraçaram, muito menos para compreender os compromissos que assumem com a profissão religiosa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Almas melancólicas não devem tampouco ingressar no convento; porque os numerosos exercícios de piedade, as profundas meditações e todo aquele sistema de vida, favorecem e aumentam nelas o pendor para a tristeza e melancolia. Não terá vocação para o estado religioso uma jovem fraca e doentia. Todos os conventos estabelecem para as suas cândidas a condição de terem boa saúde e principalmente não sofrerem de nenhum mal hereditário. As Religiosas deverão, assumir grandes e importantes responsabilidades de diversas espécies como: de professoras, de enfermeiras e as prescrições impostas pela regra qual seja: durante a noite, cantar o Ofício divino. São encargos que requerem pessoas de saúde perfeita&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não terá vocação para a vida claustral uma moça obstinada e caprichosa: pois é isto impedimento à perfeita obediência que se deve praticar, no claustro, e à paz que há de reinar entre os membros da Ordem. Será muito difícil, e até quase impossível uma jovem de temperamento forte e arrebatado e de caráter teimoso e obstinado, satisfazer a estas importantes condições, salvo se, a poder de longos e decididos combates contra si mesma, conseguir refrear-se e dominar-se.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não terá vocação para a vida Religiosa, uma jovem de forte e extraordinária inclinação sensual, ou quiçá de maus costumes já inveterados. Somente depois de rigorosa prova com promissores efeitos na repressão da violenta sensualidade, poderá talvez, pensar em fazer-se freira. Sem isso, temerário seria pretender fazer voto de castidade. Não deve, finalmente, pensar em ingressar no estado religioso uma moça à qual incumbe particulares obrigações para com os pais, que é, por exemplo, o único arrimo seguro na sua velhice. Esta particularidade é indício de que não tem vocação para o estado religioso, a não ser que outros sinais o demonstrem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3º- Características que dão a conhecer a verdadeira vocação.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se pertenceres ao número daquelas almas eleitas, cuja vocação brota como flor viçosa do coração, poderás entrar de ânimo tranqüilo. Desde a juventude, não conhecem tais jovens outro intento, nem outro ideal. Sentir-se-ão atraídas, irresistivelmente, para esse ideal. Sentir-se-ão atraídas, irresistivelmente, para esse ideal, e todos os seus sentimentos e esforços tenderão para ele. Chamadas por Deus, devem segui-lO: Deus as fará perfeitas e felizes. Se já desde largos anos possuíres um sério e sincero desejo de perfeição, ou sentires uma inclinação cada vez mais pronunciada de te consagrares por amor de Deus ao serviço dos pobres e doentes, ou à instrução e formação da mocidade, poderás esperar que seja tua vocação verdadeira e que te não iludirás se a seguires generosamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se, apesar de sentires atração para as vaidades e futilidades a despeito da propensão para seguir as máximas do mundo e nele permanecer, Deus, de tempo em tempo, por assim dizer, atravessar o teu caminho contrariando teus planos, desfazendo-os e por sucessos inesperados invadir tua vida, inspirando-te nova tendência para a perfeição e para vida religiosa – então não desprezes o chamado de Deus, antes atende à voz divina, implora Suas luzes, prova-te seriamente e expõe o caso ao teu confessor, ou a algum sacerdote experiente e piedoso. Não reveles os teus segredos a qualquer conselheiro, que só poderá perturbar-te e conduzir-te a uma vereda falsa. Pelos caminhos que te deslindei agora, Deus, de vem em quando, tem levado para o convento certas pessoas que chamava a grande santidade e benfazeja atividade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não te admires, porém, se, no tocante à vocação para o claustro, encontrares contrariedades e obstáculos por parte de teus parentes e conhecidos. É o que sucede mui freqüentemente; às vezes, os próprios pais, não obstante pretenderem ser bons católicos, são os primeiros que séria e diuturnamente se opõem à vocação religiosa da filha. Sobretudo se a moça tem caráter vivo, insinuam-lhe que não lhe serve o convento, dado o seu gênero alegre e jovial. É provado pela experiência que as candidatas dotadas de espírito expansivo, vencem com a maior facilidade os obstáculos e se tornam as religiosas mais felizes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se encontrares, portanto, contradições não te deixes abater nem desanimar; recorre a Deus, com firme esperança e continua a cumprir com filial pontualidade os teus deveres para com teus pais. Mantém, porém, firme e perseverante; supera tranqüila e corajosamente, todos os obstáculos que te embaraçam o caminho. Mais tarde, porfia com todo o empenho por seres, deveras, uma santa religiosa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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		<title>BENEVOLÊNCIA PARA COM O PRÓXIMO</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2018 15:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="http://3.bp.blogspot.com/-HmvTeLt25cY/T22HHNEfvKI/AAAAAAAAAjM/hMO7ylv8jQ4/s1600/emile-munier_2_girls_praying_thumb.jpeg" alt="Resultado de imagem para donzela catolica" width="223" height="359" />“Deus quando formou o coração do homem, plasmou-o na bondade”, estas palavras do genial Bossuet se aplicam a todos nós, principalmente à mulher, a quem Deus enriqueceu com tesouros de bondade e delicadezas tais, que a torna apta para suavizar as horas amargas da vida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Á vista da desgraça alheia, não se comove o coração da mulher muito mais depressa que o do homem? Não chora a moça e a mulher de vezes antes, sobre o infortúnio alheio? Não estendem com mais prazer sua mão benfazeja para suavizar a necessidade alheia? Em regra não resolvem dez moças consagrar-se, como irmãs de caridade, às obras de misericórdia cristã, antes que só rapaz queira prestar-se a tal sacrifício?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este traço de bondade e benevolência, com que Deus marcou coração feminino, deves, jovem cristã, procurar conservá-lo e avivá-lo sempre mais. Não te é apenas um adorno: também se lhe anexa um grande poder, muito salutar e benfazejo a outrem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O conhecido escritor inglês Faber, assim se exprime sobre o poder da benevolência:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Vejo uma multidão de pequenos entes, com as faces veladas, quem em união com a graça e com os anjos executam as suas obras. Esvoaçam por toda a parte. Consolam os tristes, tranqüilizam os aflitos, acalmam os enfermos, acendem nos olhos dos moribundos um raio de esperança, mitigam as dores dos corações aflitos e desviam os homens do pecado. Parecem dotados de força surpreendente: conseguem o que os anjos não podem; insinuam-se nos corações, a cujas portas se lhes abrem, voam de novo estes pequenos mensageiros do Pai do Céu, para levar a graça. Estes pequenos, mas poderosos entes, são os atos de bondade, que da manhã à noite se acham ao serviço do bom Deus”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Servindo-se de uma comparação tirada da vida dos animais, certo escritor francês procura expor o benefício influxo da benevolência, fazendo-nos ver como os próprios animais não são insensíveis ao toque da bondade. É a história de um pobre cãozinho, que corre apressado ao longo do muro e se esconde quanto pode. As crianças perseguem-no. Os trausentes o repelem a pontas-pé. É um cão do campo, cujo dono o expulsou. Magro, faminto, imundo, passa as noites ao relento nos portões, de orelha em pé, receoso de ser enxotado impiedosamente. Ninguém lhe dá um olhar carinhoso, e até os outros cães o assaltam com desprezo, por não serem tão magros quanto ele. Passa um homem; o pobre animal adivinha nele um salvador e se lhe arroja aos pés, implorando alguma coisa com um olhar de amargura e tristeza.</span><span id="more-12011"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem acaricia o cãozinho, toma-o consigo e o restaura novamente. Pouco tempo depois o animal adquire uma aparência tão bela, e altiva, que todos o apreciam e já ninguém o maltrata. Se tivesse permanecido faminto e desgraçado, a raiva, a loucura, se teriam apoderado dele. Como foi objeto de amor e assistência, mostrou-se tão fiel e agradecido, e recuperou aquela aparência bonita que os mesmos cães que antes o mordiam com desprezo, agora o olham com inveja. Assim acontece também entre os homens: a bondade torna-os felizes e a felicidade comunica-lhes beleza e dignidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1º- Sê, portanto jovem cristã, benévola e caridosa nos pensamentos, com relação ao teu próximo.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A caridade não suspeita mal”, diz o apóstolo dos gentios. Não concede nenhum pensamento injusto, nenhuma desconfiança infundada, nenhuma prevenção. Dificilmente acredita no mal que vê; desculpa de bom grado a intenção quando não pode desculpar a ação. Se possuíres caridade, muito mais facilmente e com maior prazer, dirigirás os teus pensamentos e a tua atenção interna, antes para as qualidades do teu próximo do que para as suas faltas. De fato, toda pessoa a par das imperfeições e defeitos, possui também boas qualidades. É o que te será fácil reconhecer e levar em consideração, sem julgar com muita severidade as faltas alheias nem demasiado te ocupar com elas. Sê como a abelha delicada que pousa sobre as flores e delas suga o doce néctar, evitando feri-se nos espinhos. Disse um grande educador: “quem nutrir amiúde pensamentos benévolos a respeito do próximo, instigado por motivos sobrenaturais, não estará muito longe de se tornar santo”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Numerosos cristãos, mesmo assíduos à prece, á recepção dos Sacramentos nem por isto se tornam santos, por não resistirem com bastante energia a pensamentos menos caritativos que se lhes revolvem no interior, e proferirem acerca das demais sentenças duras e inclementes. E quantas penas severas não atrairemos sobre nós, o Purgatório, por causa desta insensibilidade! Com todas estas asperezas ser-nos-á impossível entrar no céu, e fruir da visão de Deus, que é o próprio Amor. Nem a morte as removerá do nosso coração; só restará que sejam aniquiladas em nossas almas, pelas chamas do Purgatório. E, se estas asperezas e insensibilidades forem muito graves, deveremos, então, temer que o seu peso nos arraste ainda mais a baixo, àquela tremenda profundeza, onde não reina mais nenhum amor, e da qual ninguém se poderá evadir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2º- Sê ainda benévola e caridosa no falar.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Primeiro, no trato com teu próximo. Tem sério cuidado em falar, sempre com tranqüilidade e mansidão com as pessoas das tuas relações, que, destarte ganharás domínio sobre elas. É belo o provérbio alemão, que assim reza: “uma boa palavra encontra um bom eco”. – ein gutes Wort findet einem guten Ort.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitas amizades nobres e devotadas, que nada poderá desligar, tiveram o seu começo em palavras amáveis, saídas de um bom coração. Quantas desconfianças e preconceitos, nutridos por longo tempo contra uma pessoa, não cessam de todo, porque num encontro aparentemente fortuito com ela, se ouve de seus lábios palavras afáveis e cordiais! É como bálsamo sobre o coração; tudo se torna claro e pacífico, toda prevenção desaparece e renasce o entusiasmo. E, no entanto, foram apenas umas poucas palavras, que momentos depois o vento dissipou: mas a doçura e suavidade com que foram pronunciadas, tiveram a virtude de afastar do coração à camada de gelo e convertê-lo completamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo, guarda-te daquela nervosa irritabilidade tão comum, em nossos tempos, que se procura desculpar, com tamanha facilidade, e que ocasiona tantas amarguras, dá aso a palavras ásperas e severas observações. Aprende a dominar-te, até mesmo quando pensas que possuis nervos delicados e fracos, e permite somente palavras que alegrem e edifiquem. Deves também ser benévola quando te revelam faltas do teu próximo. É muito importante chamar atenção sobre este ponto. Que de males não causa quem discorre, com tanto prazer, sobre as faltas e defeitos dos outros! Quantos ódios e desavenças, rixas e altercações e ciúmes produz! Quanta confusão e desordem cria! Com muita razão, diz a Sagrada Escritura; “Aguçam as línguas viperinas; têm veneno de áspides debaixo de seus lábios” (Sl. 139,4). Com muito rigor e severidade, fala São Bernardo a esse respeito, não obstante, o seu cognome de melífluo:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não é porventura a língua a cobra mais cruel? Sem dúvida, com seu hálito ela envenena mortalmente. Não é a língua uma lança pontiaguda? Sem dúvida, a mais pontiaguda de todas, porque de um só golpe fere três homens, ao mesmo tempo; aquele a quem desonra, aquele que ouve, e aquele que fala”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis porque não deves falar sobre as faltas do teu próximo, a não ser que o exija um motivo importante, e mesmo, neste caso, sem excitação apaixonada e só o necessário. Se outras pessoas em tua presença conduzem a conversa para tais assuntos, sem necessidade, esforça-te por dar à palestra outra direção, ou defende a honra do próximo com palavras pacíficas e brandas, chama a atenção dos que assim falam para a injustiça e crueldade de tais maledicências. Deste modo desempenharás o pacífico dos anjos, suavizarás a hora da tua morte e merecerás sentença benigna no tribunal divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jovem cristã, sê benévola para com os outros em todo o teu proceder, fecunda em obras de misericórdia, sobretudo se puderes dispor de tempo e folgas e dissipações, em prazeres e divertimentos. Tudo isto tornar-te-á fútil e superficial; roubar-te-á a energia da vontade, de que necessitas, a fim de poderes dominar as tuas más inclinações, criará em ti um sentimento mundano, que há seu tempo dissipará o espírito cristão e fará com que tenhas por estranhos Deus e Sua santíssima vontade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não percorras o caminho da vida fria, insensível e inconsideradamente. Reflete, muitas vezes, na bondade de Deus para contigo, e confronta a tua situação com a daqueles que têm de suportar um destino duro e cruel. Teus pais desdobraram-se para proporcionar-te educação esmerada e não pouparam esforços para dar-te instrução suficiente, a fim de que enfrentes o porvir com ânimo sereno. Outros a que, muito cedo, perderam os pais, pobres órfãos, não encontraram ninguém que se interessasse pela sua educação e subsistência. Não poderias economizar alguma coisa nos teus vestidos e recreações, a fim de contribuir, com um óbolo para a educação de tais órfãos desamparados? Trajas roupas finas com apuro e bom gosto, alimentas-te diariamente em mesa farta, dormes em leito macio, habitas uma casa que no inverno é agradavelmente aquecida, e onde nada falta para a tua comodidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos há que não conhecem tais coisas por experiência; tantas casas onde o pai, cuidadoso sustentáculo do lar, demasiado cedo desapareceu da vida ou jaz enfermo desde há muito, pelo que a pobre mãe se vê obrigada a dedicar-se a duro trabalho para sustentar os queridos filhos; e, todavia, a despeito das suas canseiras, apenas lhe é possível saciar-lhes a fome com mesquinha alimentação e provê-los de roupa suficiente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não poderias, nas horas disponíveis, confeccionar para essas crianças enregeladas um agasalho quente? O Divino Salvador, sem dúvida, haveria de recompensar-te largamente, como fez outrora a São Martinho, o qual, sendo soldado, numa noite de inverno cedeu a um mendigo que tiritava de frio a metade do seu manto. Gozas, talvez, de saúde exuberante e sentes como o sangue circula rápido e vivo em tuas veias; no entanto, quantos doentes jazem longo tempo em seu pobre leito de dores, sem dinheiro para chamar um médico, e sem alimento que lhes possa fortalecer e restituir as energias consumidas pela doença.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dize-me, não poderias passar pelo tugúrio destes pobres, a fim de fazeres algo por eles e alegrá-los com algum caridoso auxílio? Oh! tem certeza de que entrarias no quarto, ou melhor, no coração destes doentes, como o sol brilhante e benéfico; sentirias com isto maior alegria interna e delícias mais intensas das que gozas num baile aparatoso ou num passeio divertido. Sim, a benevolência fazem-nos semelhantes a Deus, granjeiam-nos seus favores e destilam em nosso coração descanso e paz. Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta passeavam certa vez ás sombras da floresta pitoresca de Versalhes. Encontraram-se com uma jovem que trazia um prato com uma só colher de estanho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;Que trazes tu, aí?&#8221; interrogou a Princesa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">-&#8220;Alteza, a sopa para meu pai e para minha mãe, que trabalham lá em baixo, no campo&#8221;. &#8211; &#8220;Com que foi preparada?&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;Com água e raízes&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;Sem carne?&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;Ah! senhora, nós nos sentimos felizes e contentes, quando temos apenas pão&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;Leva, então, esta moeda de ouro a teu pai, para que vos provenha de alimentos mais substanciosos&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cheia de alegria retirou-se a jovem, e Maria Antonieta seguiu-a com os olhos. Viu, pouco depois, que a pobre gente se punha de joelhos no meio do campo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;Vês? meu querido, &#8211; exclamou a Princesa &#8211; estão rezando por nós. Oh! Deus, quanto é doce fazer o bem!&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nunca te esqueças, pois destas palavras da Sagrada Escritura: &#8220;Não se afastem de ti a misericórdia e a verdade; põe-nas ao redor do teu pescoço, e grave-as sobre as tábuas do teu coração, que assim encontrarás graça e boa opinião perante Deus e perante os homens&#8221;. (Prov., 3,3-4). Reflete amiúdo também sobre as palavras de São João Crisóstomo: &#8220;Diante de Deus, mais vale ser misericordioso do que ressuscitar mortos, pois é obra melhor alimentar a Cristo faminto, do que em Seu nome ressuscitar mortos&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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		<title>BOM USO DA LÍNGUA</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Feb 2018 14:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Parece ter querido o Criador proteger a língua de modo especial. Com efeito, está melhor defendida que qualquer outro membro, por exemplo, os olhos e os ouvidos. Resguardam-na os lábios e os dentes, que, à guisa de muralhas a circundam &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/bom-uso-da-lingua/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class="alignright" src="https://donzelacrista.files.wordpress.com/2016/08/donzelacrista.jpg" alt="Resultado de imagem para donzela catolica" />Parece ter querido o Criador proteger a língua de modo especial. Com efeito, está melhor defendida que qualquer outro membro, por exemplo, os olhos e os ouvidos. Resguardam-na os lábios e os dentes, que, à guisa de muralhas a circundam e conservam. Não parece isto advertir-nos, que também, nós devemos dar atenção e vigilância toda especial a nossa língua? Sim, jovem cristã, é de grande importância, que te acostumes desde a tua mocidade ao domínio da língua.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1º- A língua não dominada facilmente causa grande mal.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O bom uso da língua pode transformá-la em instrumento de graças. No ano de 1263 retirou-se o corpo de Santo Antônio de Pádua do sepulcro, a fim de o transportar para a nova igreja, edificada em sua honra. Ao se abrir o sarcófago, os membros caíram aos pedaços, a carne já se havia transformado em pó e cinza. Mas, o queixo, os cabelos e os dentes estavam ainda conservados, e sobretudo a língua de todo incorrupta e com a sua cor natural. O Santo Cardeal Boaventura, que de Roma fora a Pádua por ocasião dessa festividade, tomou em suas mãos com grande respeito esse língua, beijou-a e disse entusiasmado: &#8220;Ó língua, que em todo o tempo louvaste ao Senhor e ensinaste os demais a louvá-Lo, agora se torna a todos manifesto, quanto és apreciada de Deus&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tinha razão São Boaventura de exaltar a língua de Santo Antônio, pois ela havia sido um excelente instrumento da graça, por meio da qual inúmeras almas foram conquistadas para o céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Sim, a língua pode fazer muito bem. Aqui dirige a um pobre desconfortado algumas palavras de estímulo, e um suave conforto desce ao coração do mísero e o leva a suportar o peso da vida com ânimo forte. Aí, a língua de um orador fala a milhares de ouvintes e os arrebata. Suas palavras são como centelhas que incendeia os corações. Fala, e eles choram; fala e os revoluciona internamente; fala, e eles se enchem de esperança e júbilo. Por meio da palavra, eles os mantêm inteiramente em seu poder. A língua de um pregador virtuoso, como a de um Bertoldo de Regensburgo, conseguiu por vezes infundir um espírito novo numa povoação inteira.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, a língua que tanto bem pode fazer, acha-se também em condições de causar grande mal. O apóstolo São Tiago escreve: &#8220;A língua é realmente um pequeno órgão, mas gloria-se de grandes coisas. Vede como um pouco de fogo devasta uma grande floresta! Também a língua é um fogo, um mundo de iniqüidade&#8221;. (Tg 3,5-6). E como são graves as palavras que se lêem no livro do Eclesiástico (cap. 28): &#8220;As chicotadas produzem vergões, mas os golpes da língua quebram os ossos&#8230; Faze uma porta e fechadura diante da tua boca: Funde o teu ouro e a tua prata e faze com isso uma balança para pesares as tuas palavras e um freio bem ajustado para a tua boca&#8221;.</span><span id="more-12009"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pode-se afirmar que, nem a peste, nem a guerra, nem a espada, produzem tanto mal como pequeno órgão que se chama língua. Quando surge uma epidemia numa cidade ou povoação, vai-se alastrando sinistramente casa por casa; aqui arranca dos braços da mãe uma querida criança; mas adiante atira ao leito de morte um robusto pai de família; assim é grande a dor e a desgraça que vai causando a moléstia fatal. A guerra sangrenta, devasta o campo de batalha semeando a morte dos soldados, filhos que eram a esperança e seriam o amparo dos pais, jovens que, pouco antes, haviam constituído uma família feliz; a gente sente-se possuída de uma dolorosa tristeza, á vista da desgraça que o flagelo acarreta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto, o mal que faz a língua, não é de certo modo, ainda maior?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A peste e a guerra são ocasionais e produzem por certo tempo seus efeitos maléficos, ao passo que a língua tem um poder destruidor e atua cada dia, cada hora, cada instante e por toda a parte? Com efeito, não somente num ou noutro campo de batalha, exerce a língua a sua atividade perniciosa, mas em cada lugar, em cada cidade e em cada aldeia e em todas as camadas sociais; entre a alta sociedade, como também na classe média, nos passatempos dos homens doutos, como nas oficinas dos nossos mestres, especializados e aprendizes. Ela infunde a desconfiança aos ânimos, prejudica o bom nome das pessoas honradas, destrói o laço das melhores amizades, arruína a felicidade familiar, fomenta a desordem e o espírito de revolta na vida da nação e dos cidadãos, desacredita a religião e a moralidade. É incalculável o mal que produz a língua desenfreada. Vigia, pois, a tua língua!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2º &#8211; Não fales quando te for necessário calar.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, há também tempo em que o silêncio se torna uma necessidade para que o nosso espírito possa encontrar-se com Deus. Claro está que não precisarás observar o silêncio como um trapista ou como um Moltke, (organizador de batalhas); não obstante, deverás dominar a vontade de falar, de maneira justa e razoável. Não sejas, antes de tudo, palradora e tagarela, não deixando nunca às outras pessoas, oportunidade de usar da palavra. Tais paroleiras causam repulsas e ninguém deseja estar com elas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essas pessoas soltam palavras ao ar e ninguém dá importância ao que elas dizem, são consideradas irrefletidas. Também os pecados se insinuam facilmente pela loquacidade, pois, diz o Espírito Santo; &#8220;No muito falar não faltará pecado, mas o que modera os seus lábios, é prudentíssimo&#8221;. (Prov., 10,19). Contudo há de se evitar o mutismo que destoa a convivência social. Cada qual, segundo o seu alcance, de maneira sensata, deve contribuir com a sua parcela para a conversa social, como o exige a consideração que merecem os demais. Em companhia, porém, de pessoas mais velhas, ceda-se a elas o uso da palavra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No que concerne às faltas do teu próximo, não deves falar, mas calar. A todos aplicam-se as palavras do Divino Salvador: &#8220;Não julgueis, para não serdes julgados&#8221;. (Mt 7,1).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem motivo graves, nunca se deve falar das faltas e fraquezas dos outros. Guarda só para ti o que rouba a outrem o bom nome e estende sobre os seus desvarios e pecados o manto da caridade cristã; salvo se o bem comum ou a obediência o exigirem, fala a tal respeito. Que de faltas, infelizmente, não se cometem hoje neste ponto! Quantos que, por um vezo especial, criticam as fraquezas e os defeitos de uma pessoa ausente!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é isto cristão, nem nobre! Não deves falar, mas calar, quando alguém, em momento de grande excitação e num acesso de cólera, te fizer qualquer reprimenda. Nestas circunstâncias, é mister considerar que toda palavra de esclarecimento e desculpa será inútil é o mesmo que atirar lenhas a uma fogueira, e inflamará ainda mais a ira; nesta situação embaraçosa aconselha-se domínio e equilíbrio. Passará logo a tempestade, sem prejudicar-te.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se tomarmos uma pedra e a lançarmos contra outra, levantar-se-á um grande fragor, chispas e estilhaços esvoaçarão para todos os lados; se porém, a lançarmos sobre a lã macia já não ouviremos nenhum ruído. O mesmo acontece na nossa vida: um caráter violento não se enquadra com outro do mesmo tipo, mas é vencido pela paciência e serenidade. Conserva-te tranqüila e calada! Aguarda o momento para qualquer explicação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deves calar-te e não falar de coisas impuras e ignóbeis. Sabes o que diz o Apóstolo: &#8220;Nem sequer se nomeie entre vós &#8230; qualquer impureza &#8230; como convém a santos&#8221; (Ef., 5,3). Como este Apóstolo não seria tomado de santa indignação, se em nossos dias surgisse de improviso numa reunião de moços e ali ouvisse as conversas tais que fazem subir o rubor às faces! Até mesmo na presença de crianças inocentes, se proferem, às vezes, palavras obscenas! Não deveriam tais libertinos sentir pavor daquela terrível &#8220;Ai!&#8221; que o Divino Salvador pronunciou contra os que escandalizam os pequenos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, não deves falar, mas calar-te, em tudo quanto possa abalar a fé do teu próximo. No que tange a fé, pode a má língua causar muito mal: se escarnecer das funções religiosas ou dos costumes piedosos; se galhofar da doutrina e da religião; se expuser mentiras históricas, já milhares de vezes refutadas, pode facilmente destruir a fé dos corações simples e empanar-lhes a felicidade e a alegria espiritual que a fé lhes destina na alma. É assim que começa para muitos o caminho da perdição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3º- Não deverás, porém, calar-te quando for preciso falar.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não podes calar-te, quando, em tua presença a honra de Deus e a sua causa são atacadas com insolência. Albano Stolz, narra um fato a esse respeito. Numa casa de veraneio da Alemanha, um dos hóspedes, no decorrer da refeição, alardeava a sua incredulidade, zombando de tudo quanto se relacionava com a religião e principalmente falando de Deus de maneira desdenhosa a blasfema. Ninguém concordava com o insolente, mas ninguém tampouco sentia coragem de rebatê-lo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Levantou-se então, um menino de seis anos ou menos, encaminhou-se para o incrédulo zombeteiro, e qual anjo enfurecido disse-lhe, erguendo o dedo em atitude de ameaçá-lo:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Não se fala assim de Deus!&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ficaram todos profundamente comovidos com a aparição do menino, e um senhor mais idoso repetiu com lágrimas nos olhos: &#8220;Deveras! Não se fala assim de Deus. Tens razão menino!&#8221; Que motivo de confusão e vergonha não causa o exemplo desta criança a muitas moças, que não se atrevem a replicar, quando são atacadas a honra de Deus, a divina Pessoa de Jesus Cristo, Maria Mãe de Deus, ou qualquer verdade da nossa santa fé. Não pertenças ao número destas almas vis e covardes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não discutas sobre assuntos religiosos em lugares impróprios ou em ocasião importuna, em regra, não trará isto nenhum, benefício. Quando, porém, em tua presença se injuria a Deus, ou a Igreja, não poderás quedar-te insensível, antes deverás rebater a ofensa com uma palavra enérgica. Se não estiveres em condição de fazê-lo, procura evitar quanto possível tais pessoas. Nunca deverás calar, quando em tua presença se fala injustamente de pessoas ausentes. Neste caso toma o partido da pessoa criticada, dize uma palavra em sua defesa ou justificação. Lembra-te, pelo menos, que é vil e descaridoso discorrer sem necessidade sobre faltas alheias. Lembra-te as palavras do Divino Salvador: &#8220;O que quereis que vos façam os homens, fazei vós também a eles&#8221; (Luc 6,31).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É um dever que te impõe à caridade, que não permaneças indiferente, quando chegar ao teu conhecimento que alguma das tuas irmãs ou das tuas amigas começam desviar-se do bom caminho. Quantas jovens que não se preservariam de extravios se tivesse uma verdadeira amiga que oportuna e carinhosamente a avisasse!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando tomares conhecimento de que alguma de tuas colegas estão se encaminhando por vias perigosas e fatais, sê verdadeira amiga, estenda-lhe a mão. Reza alguns dias principalmente por essa colega, recomenda-a, antes de tudo, ao seu Anjo da Guarda, admoesta-a de maneira prudente, caridosa e séria, de modo que perceba que tens intenções boas. Se o aviso não produzir efeito imediato, não percas a confiança, continua a rezar, ainda mais por ela e a dizer-lhe, de quando em vez, uma boa palavra. Assim poderás, talvez, arredá-la do caminho do pecado. Lembra-te destas palavras: aprende a dominar a língua, aprende a falar e calar oportunamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Ouvi, filhos, as regras que vos dou sobre a moderação da língua: aquele que as guardar não perecerá pelos lábios, nem cairá em ações criminosas&#8221; (Ecli., 23,7)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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		<title>OBEDIÊNCIA</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jan 2018 14:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não podem desenvolver-se boas qualidades morais uma moça, que perde seu tempo com vaidades fúteis multiplicando consultas ao espelho. Há, todavia um espelho, no qual as moças deveriam contemplar-se sem perigo de descambar em devaneios fúteis, antes, encontrando na imagem &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/obediencia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQLrJqAnEcnmUbjbngHpuo8iEo4_FxfovmGKmFeoXaCaVocOCLu" alt="Imagem relacionada" width="239" height="316" />Não podem desenvolver-se boas qualidades morais uma moça, que perde seu tempo com vaidades fúteis multiplicando consultas ao espelho. Há, todavia um espelho, no qual as moças deveriam contemplar-se sem perigo de descambar em devaneios fúteis, antes, encontrando na imagem refletida o ideal da virtude. É o sublime espelho de virtudes do Divino Salvador, de quem está escrito: “E foi com eles (os pais) para Nazaré e era-lhes submisso” (Lucas 2,51). Eis aqui um bom espelho, um elevado modelo para ti. Ensina-te a obediência. Se isto aprenderes profundamente, grande vantagem terás logrado para a tua vida futura; poder-se-á dizer que ficarás livre de noventa por cento das penas e aflições a que estão sujeitas as filhas de Eva.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">1º- A obediência tem uma grande significação.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Significação universal e geral: Não pode o universo físico perdurar sem a obediência: estabelecer-se-ia uma confusão brutal e devastação monstruosa; não desapareceria a harmonia maravilhosa se os astros não observassem as leis e não seguissem com precisão órbita que lhes traçou o Criador? Não pode o mundo doméstico subsistir sem a obediência. De fato, que será de uma família, se a mulher não obedece ao marido, se os filhos não obedecem aos pais, se os criados não obedecem aos patrões?! Isto causará, sem dúvida, um desajuste, uma completa desorganização da família. O mundo político e social tampouco pode subsistir sem a obediência. No dia em que os cidadãos recusarem obediência aos seus superiores e os funcionários aos seus chefes, estalará a revolução e tudo entrará em confusão e desordem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, não pode o mundo eclesiástico existir sem obediência. Todas as obras propícias da Igreja desaparecerão, se os fiéis seguirem cada qual o seu caminho e não quiserem mais atender à voz do seu pastor espiritual. Disto decorre que toda salvação e prosperidade da ordem física, moral, social e religiosa repousam sobre a obediência; sem esta não pode subsistir nenhuma sociedade. Mas a obediência tem também, e, sobretudo, grande significação para ti mesma, jovem cristã. Ela te proporciona primeiro a exata compreensão da vida e dos deveres. De ordinário, que sabe a jovem a respeito da vida e das suas obrigações? Que sabe das emboscadas do mundo perverso, dos perigos que lhe ameaçam a inocência? Que sabe das enganadoras falsidades dos elogios e da ignomínia do vício?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Transcorre, por assim dizer, de olhos fechados, os anos da sua mocidade e dificilmente percebe as pedras que lhe embaraçam o caminho, e os profundos abismos que se alongam à margem. Mister se faz ter um guia sábio que ela transponha, com felicidade, os perigos! Não será a obediência e a confiança nos pais e superiores que lhe facilitará a verdadeira compreensão e a protegerá eficazmente contra os numerosos perigos?</span><span id="more-11676"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A obediência, além disso, educa e robustece a tua vontade. A hera é uma planta delicada; incapaz de manter-se ereta; se lhe falta apoio, cairá por terra. Quando se arrima, porém, ao vigoroso carvalho, participa da agigantada força deste e com ele desafia as mais violentas tempestades. Dá-se também o mesmo com a jovem, cuja vontade é ainda fraca e inexperiente. Quando pretende apoiar-se em si mesma, então se quebrará como frágil caniço; mas, se ela se arrima sobre a obediência aos pais ou aos superiores participará da robusta vontade da força que eles adquiriram no combate da vida. Os pais ou superiores serão para ela como o médico fortalecendo-lhe a fraqueza por meio de um medicamento eficiente, e que, lançarão mão de todos os meios para despertar-lhe as forças adormecidas, como a águia perita que instrui os filhotes para vôos arrojados. Assim, pouco a pouco se robustece à vontade no bem e torna-se apta para resistir à atração do pecado e à tempestade das paixões.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A obediência te ajudará a quebrar o capricho. O inimigo que com maior obstinação arma ciladas ao homem, que mais o excita ao pecado e lhe enche o coração de descontentamento e desgostos, é o capricho. Ora, a obediência combate-o do modo mais eficiente. Persegue-o por toda parte, não lhe dá tréguas, enquanto não consegue subjugá-lo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diz Hamon, com acerto: “A obediência corrige muito bem o desregramento do capricho. Este é falso e enganador; tudo considera sob o prisma da paixão e do interesse, que ofuscam a visão. É inconstante e leviano: o que hoje deseja, amanhã desprezará; é irresoluto e indeciso: não sabe que posição tomar; é extravagante, age sem motivo razoável e sensato; é obstinado, não quer ceder; a cada contradição mais teimoso se torna; é imperioso e arrogante e não quer concordar com ninguém, mas dominar a todos; é rude e precipitado, torna-se impaciente, queixa-se e se enfurece, quando se lhe não satisfaz imediatamente à vontade”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, a obediência remedia todas estas faltas. Ao alucinado ela fornece o verdadeiro conhecimento; firmeza, ao indeciso; determinação ao irresoluto; abate o arrogante; acalma o violento; faz retroceder o perverso ou leva-o ao melhor caminho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O obediente lança por terra o inimigo capital, o porta-bandeira e triunfa em toda a linha. “O homem obediente cantará vitórias”. (Prov., 21,28).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A obediência é uma fonte de alegrias e felicidade. Se fores obediente, saberás pôr-te de acordo com Deus e teus superiores. Ainda que estes últimos ordenem alguma coisa, que não corresponda em tudo à prudência e, portanto, não seja inteiramente justa, ao se perturbará por isso a tua paz interior. Enquanto a coisa ordenada não estiver em manifesto desacordo com a vontade de Deus, tens o dever de obedecer. Nada terás que temer quanto ao presente, porque fazes o que Deus quer; nada, em relação ao futuro, porque não és responsável pelas conseqüências, e até, pelo ato de obediência ganharás merecimento. Em qualquer hipótese, portanto, poderás ficar tranqüila e satisfeita, e esta alegre disposição contribuirá de modo favorável, para o teu trabalho e adiantamento. Assim, pois, a obediência te proporcionará extraordinárias vantagens. Surge agora esta pergunta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">2º &#8211; Como deverá ser a obediência, para atingir a perfeição?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há de ser, antes de tudo, sobrenatural; deves como Cristo, exercitar a tua obediência por um movimento sobrenatural; obedecerás por amor de Deus. Cumpre que não obedeças com o fim de granjear a benevolência dos teus superiores, ou por te proporcionar outras vantagens; mas simplesmente para satisfazer a vontade de Deus: é por amor de Deus que deverás ser obediente. Esta obediência sobrenatural é de grande valia aos olhos de Deus, e alcança-te grande benemerência. Se a possuíres, não te deixarás jamais induzir a executar uma ordem que se oponha os mandamentos de Deus. Obrarás, então, sempre de acordo com aquela palavra:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É preciso antes obedecer a Deus que aos homens”. (Atos 5,29)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em segundo lugar, há de ser alegre e pronta. A alegria aumenta o mérito da obediência, torna-a mais suave e mais agradável a Deus e aos homens. A isto se aplica também as palavras do grande Apóstolo: “Deus ama a quem dá com alegria”. (II Cor., 9,7) Um presente, que nos fazem de má vontade e com rabugem, causa-nos pouco prazer. Assim também, não agrada um ato de obediência, que se pratica de má catadura. Obedece, pois, sempre de coração e com prazer; não sejas como a criança mal habituada, que só atende à vontade e a ordem dos pais quando estes lhe acenam com uma remuneração, um prazer ou algum presente. Já não é isto obediência, e sim desprezível satisfação do tresloucado amor próprio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A obediência servil opõe-se ao espírito cristão. Obedece sempre com ânimo alegre e sereno, de modo que se possa reconhecer que, não constrangida, antes por amor de Deus, presta obediência. Nem tampouco obedeças de mau humor, como um escravo; que só por violência e temor do castigo, executa, externamente, a ordem do senhor, mas no seu íntimo murmura e enfada-se, e, percebendo que não é vigiado, tudo despreza e faz apenas o que bem lhe apraz. Obedece, também, com singeleza e pontualidade, ainda quando longe das vistas de teus pais e superiores: não sejas bajuladora.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se for alegre tua obediência, será conseqüentemente pronta. Sim, obedece à primeira palavra, até ao mais leve aceno. Quando te ordenarem alguma coisa, reflete: é vontade de Deus que eu obedeça, é como se Deus me chamasse; mas, quando Deus chama, não se deve contemporizar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tua obediência há de ser, em terceiro lugar, geral. Presta obediência em todas as coisas que não sejam pecaminosas, mesmo naquelas que não se adaptam ao teu temperamento, ou que te parecem difíceis e árduas. Já jovens que obedecem pontualmente, quando lhe ordenam algo de que gostam, porque sentem por aquilo certa predileção; mostram-s, porém contrariadas e só obedecem murmurando, ou desobedecem, quando se lhes ordena o eu lhes não convém, ou não condiz com o seu temperamento. Cumprir alegremente ordens agradáveis não é coisa extraordinária, não denota grande virtude: até o pagão pode fazê-lo. Pelo contrário, nos encargos e ordens desagradáveis, combater com valor a repugnância interna e obedecer com diligência é coisa perfeita, sinal de verdadeira virtude.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seja, enfim, tua obediência constante e duradoura. Há jovens que obedecem conforme o seu capricho. Quando alegres e bem dispostas, não opõem a menor dificuldade em matéria de obediência; se, porém, no seu interior não reinar bom tempo, se estiverem agastadas e melancólicas, não permitem uma só palavra contra o seu capricho; fazem, pelo contrário o que bem entendem. Outras há que, até aos quinze ou dezesseis anos, ainda aceitam alguma observação, mas, depois querem ter plena autonomia. E, no entanto, é justamente nestes anos que começa aquela quadra da vida em que a direção se lhes torna, sobremodo, salutar e necessária; fase, em que abandonadas a si mesmas, poderão cometer os mais graves deslizes e ser vítimas funestos enganos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O barquinho da vida de muitas jovens precisamente nesta fase é destroçado, por desgraça, em ásperos rochedos. Por isso, no tempo da tua mocidade, enquanto estiveres sob o domínio de teus pais ou de outros superiores, mostra-te sempre obediente e aceita de bom grado os conselhos que te derem. Nesta fase da vida uma boa orientação te seria benéfica. Ofereceu-te o Divino Salvador um magnífico exemplo. Foi obediente não até aos quinze ou dezesseis anos, mas durante a sua mocidade toda, até o começo do seu ministério público. A todos estes anos se aplica o texto de São Lucas: “Foi com eles a Nazaré, e era-lhes submisso”. (Lc., 2,51). Segue este modelo divino e atrairás sobre ti a prosperidade e as bênçãos de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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		<title>CARÁTER FIRME E NOBRE</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Dec 2017 14:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Jovens]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Matias De Bremscheid]]></category>

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		<description><![CDATA[Caráter é um modo de pensar e agir adquirido por decidida determinação da vontade, que domina as faculdades da alma e lhe imprime um constante equilíbrio moral. Será um louvor para ti a afirmação de que possuis um caráter firme &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/carater-firme-e-nobre/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="https://aformacaodamocacatolica.files.wordpress.com/2013/09/299936_383005425118370_640888743_n.jpg" alt="Resultado de imagem para moça catolica" width="214" height="318" />Caráter é um modo de pensar e agir adquirido por decidida determinação da vontade, que domina as faculdades da alma e lhe imprime um constante equilíbrio moral. Será um louvor para ti a afirmação de que possuis um caráter firme e positivo; pelo contrário, será uma afronta, o afirmar que não tens caráter. Somente quem possui caráter firme e nobre merece a nossa confiança em qualquer circunstância. Quem confia num homem sem caráter, se verá de ordinário amargamente enganado. Viver ao lado de pessoas de caráter nobre é sobremodo agradável e benéfico; essas pessoas nos comunicam coragem para o bem e confiança no futuro. Ao invés, o tratar com pessoas de mau caráter torna-nos a vida difícil; sentimo-nos como que apertados num cárcere e atormentados pelo desassossego e aborrecimento. Pelos benefícios que influi do bom caráter, podes deduzir quão importante seja que desde a meninice trabalhes na formação e enobrecimento do teu caráter.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quão são, pois as qualidades do caráter para que se possa denominá-los bom?</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>1ª &#8211; F</strong><strong>IRMEZA E INFLEXIBILIDADE</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não sejas como o caniço ou o salgueiro, que se curva profundamente, ao sabor do vento. Sê como o robusto e vigoroso carvalho, que ergue livre e corajoso a sua fronde para o alto, em direção ao céu. Forte e inabalável! Tempestades e tormentas sacodem-no sem cessar, esbravejam em torno daquela soberba copa, agitando-lhe os galhos e a folhagem, e não obstante, mantêm-se o tronco rijo, tranqüilo e imóvel, como nos dias calmos e lindos da primavera. Não há quem o vergue nem arranque nas tempestades; embora os esguios pinheiros e outras árvores, que o circundam, venham abaixo com estrondo, o carvalho persiste ereto e desafia qualquer embate dos vendavais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Semelhante ao carvalho conserva-te também inflexível, permanece forte e firme em teus bons princípios, inabalavelmente fiel, tanto no próspero como no adverso, nas afrontas e perseguições, nas tempestades e tormentas, nos perigos e tentações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É o Cristianismo rico em pessoas desta natureza. Lembra-te dos santos mártires dos primeiros séculos da Igreja. Não permitiam que nada lhes abalasse ou quebrantasse a convicção; nem o suplício da tortura, nem as chamas das fogueiras, nem a fúria dos animais ferozes. Se quiseres adquirir tamanha firmeza de caráter, cumpre que te habitues, desde a juventude, a não seguir, em teu proceder a vontade dos homens caprichosos, e sim o desejo de Deus eterno e imutável, que te julgará depois da morte. Esta há de ser sua divisa: “Deve-se antes obedecer a Deus que os homens” (Atos, 5 29)</span><span id="more-11674"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Adquirirás esta firmeza e independência interior, se te exercitares desde cedo no domínio de ti própria. Para o conseguires, recusa-te, por vezes, alguma coisa que te seria lícito. Ainda que seja isto uma ninharia, a abnegação dessas pequenas coisas dará pouco à tua vontade a firmeza do aço. Guarda-te, sobretudo da insensata inconstância, que perde inteiramente o objetivo da ação e por isto gira, ora para cá, ora para cá, ora para lá, sem nenhum alvo determinado. Procura finalmente fortificar a tua vontade fraca e inconstante por meio da oração metódica e da assídua recepção dos santos Sacramentos. A graça de Deus favorecerá o teu sincero esforço e verificarás dentro em breve que o teu caráter adquiriu força e constância.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>2ª- A</strong><strong>MABILIDADE E BRANDURA</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se o caráter possuir apenas inflexibilidade e firmeza, degenera em capricho e rigidez, e tornar-se-á desagradável e repulsivo. À firmeza cumpre aliar a brandura e mansidão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sê firme e inflexível no tocante aos princípios essenciais, e inabalavelmente fiel ao cumprimento consciencioso dos deveres; contudo, evita toda aspereza no trato com teus semelhantes e mostra-te afável e branda com todos. O carvalho, não obstante sua rigidez, é uma árvore acolhedora e amiga. Seus galhos não têm espinhos que nos ferem a mão, fazendo-a sangrar. As glandes que produz são pequenas e delicadas, de maneira que nenhum mal fazem quando caem. Estende os seus ramos verdes ao longe, e acena com eles ao viajante fatigado para que venha descansar à sua sombra fresca; protege contra os raios ardentes do sol, e também contra as tempestades e borrascas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim deve ser a jovem virtuosa: firme nos princípios, tenaz e enérgica nas atitudes, avessa à insensibilidade e grosseira; compassiva e amável; indulgente e atenciosa; e assim, sua vida esparzirá felicidade, alegria, prosperidade e bênçãos. Se quiseres adquirir esta doçura de caráter, impõe-te seriamente o esforço de combater, com energia, a tua natureza arrebatada e a tua propensão para a cólera. Habitua-se a falar e tratar com todos pacificamente e com brandura. O Divino Salvador elogia a mansidão, dizendo: “Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra”. (Mt., 5,4). Se alguém te desgostou e ofendeu, perdoa-lhe e não guardes ressentimento; sobretudo, não te mostres agastadiça e caprichosa; pois o capricho é a energia da estupidez. Não te obstines na tua opinião, nem tomes facilmente resolução irrevogável em coisas secundárias, se não estiveres seguramente convencida diante de Deus, de que isso em quaisquer circunstâncias constitui um dever imutável. Nas pequenas contrariedades e dissabores, não te exaltes intimamente, nem profiras palavras de enfado; domina-te, corajosamente e não permitas que se altere o teu humor. Se aprenderes desde cedo a aliar doçura e indulgência, à firmeza e energia, evitarás, muitos contratempos e situações dolorosas; todos gostarão de tratar contigo, e facilmente exercerás influxo abençoado sobre os demais, principalmente se ajuntares às duas referidas qualidades também o altruísmo, que será a coroa da beleza do teu caráter.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>3ª- A</strong><strong>LTRUÍSMO E DESINTERESSE</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto é feio e detestável o egoísmo! Já tiveste ocasião de observar como procede quem ambiciosa alguma coisa? Torna-se completamente possuído pelo objeto da sua cobiça e não atenta a outra coisa. Tudo o mais deixa-o numa completa indiferença; despreza até as coisas mais importantes, torna-se desleixado em relação aos deveres e até inconsiderado nas relações sociais, pois o objeto de sua cobiça absorve-o completamente. É exatamente o que sucede com a jovem egoísta. Só pensa em si, naquilo que se relaciona consigo, que lhe interessa. Considera só a si mesma e tudo o mais – circunstâncias, coisas e pessoas – vê tão somente através do prisma do seu egocentrismo. O seu maior gosto é ouvir falar de si mesma, principalmente se possui voz agradável e sabe discorrer com facilidade e desembaraço; sua opinião pessoal, que sempre manifesta com prazer, afigura-se-lhe naturalmente a melhor. Não fala senão de si, dos seus trabalhos e realizações, dos seus planos e esperanças, das suas relações e perspectivas. Volta-se, apenas, para os seus desgostos e sofrimentos e não tem a mínima consideração para com as dificuldades e dores alheias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como é feio e desagradável a atitude de uma jovem egoísta! Jovem, diante destas considerações, pondera os efeitos perniciosos do egoísmo e procura corrigir-te desta paixão. Guarda-te, portanto, do amor próprio desordenado; aprende a pensar no teu próximo, a considerá-lo, servi-lo e proporcionar-lhe alguma alegria, mesmo à custa de sacrifícios. É o que de modo tão perfeito te ajusta ao espírito cristão e enobrece teu caráter mais do que qualquer outra coisa, granjeando em alto grau a estima e o respeito dos teus concidadãos. Que louvores não é digna a jovem que se sujeita a muitas privações, a fim de proporcionar alegria a seus pais ou prestar-lhes auxílio nas dificuldades financeiras. Com que reverência se deverá olhar para uma moça que, em muitas relações se restringe, talvez até imponha grandes sacrifícios para cuidar da educação e futuro de seus irmãozinhos!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São estas, pois, as três qualidades que ornam e embeleza o caráter: firmeza, doçura e altruísmo. Esforça-te, jovem, para adquiri-las; não será um mês, nem talvez num ano, que chegarás a conquistá-las perfeitamente. Isso te custará longos anos de esforços e combates. Pode acontecer que, apesar da tua boa vontade, caias em pequenas ou grandes faltas. Não percas, todavia, a coragem; trabalha sempre com mais valor em teu aperfeiçoamento, e convence-te do que os teus esforços e lutas lograrão por fim o merecido triunfo. Com o passar dos anos plasmarás o teu caráter irradiando do teu espírito brilho mais belo e mais intenso do que o ouro mais fino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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		<title>A GRATIDÃO</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Sep 2017 15:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Matias De Bremscheid]]></category>

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		<description><![CDATA[Certa dama norte-americana sentiu-se um dia profundamente humilhada, por haver omitido um agradecimento. Desejava fazer uma viagem de trem e ao subir no vagão, notou que todos os lugares já estavam ocupados. Um senhor de idade para se mostrar gentil &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-gratidao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="https://vitormarx.files.wordpress.com/2013/01/orar01.jpg" alt="Resultado de imagem para rezando igreja" width="312" height="225" />Certa dama norte-americana sentiu-se um dia profundamente humilhada, por haver omitido um agradecimento. Desejava fazer uma viagem de trem e ao subir no vagão, notou que todos os lugares já estavam ocupados. Um senhor de idade para se mostrar gentil para com ela, cedeu-lhe o lugar. Na estação ela desceu do trem e quando já estava a certa distância, um viajante gritou-lhe do vagão: “Senhora, esqueceu-se de alguma coisa”. Aproximou-se rápida, indagando de que coisa se havia esquecido. Informou o viajante: “Esqueceu-se de agradecer àquele senhor que lhe cedeu o lugar”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Foi grande, em verdade, o vexame, mas muito merecido, não dizer sequer uma palavra de agradecimento a um senhor idoso que se houvera com tanta delicadeza e atenção para com uma pessoa estranha; foi, por certa falta de polidez, merecedora daquela correção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se cuidares de agradecer todo o bem que te fizerem, tanto Deus como os homens se alegrarão com teu proceder; se, porém fores ingrata, serás desprezada e ninguém desejará ter relações contigo. Desejo, pois, incutir, em teu coração a virtude da gratidão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1º &#8211; O sentimento de gratidão é de todo conforme a nossa natureza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diz o grande teólogo, Santo Tomás de Aquino: &#8220;Todo efeito segue a natureza da causa que o produz, e de maneira proporcionada à mesma coisa&#8221;. Ora, o benfeitor é causa do benefício que produz. Portanto, deve o beneficiado voltar ao benfeitor, e voltar com a inteligência que reconhece e com a vontade que avalia o beneficio.</span><span id="more-10693"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Exprimir por meio da inteligência e da vontade o próprio reconhecimento, é praticar um ato adequado à natureza humana. Corresponde a gratidão não somente à natureza humana, senão também às criaturas irracionais, ao mundo animal. É o que indica a comovente queixa de Deus, no profeta Isaías: &#8220;Ouvi, céus, e tu, ó terra, escuta, porque o Senhor é quem falou: Criei filhos e engrandeci-os, porém, eles me desprezaram. Conhece o boi o seu possuidor e o jumento o presépio do seu dono; mas Israel não me conheceu, e o meu povo não teve inteligência!&#8221; (Is. 1,2-3).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Até os próprios animais não são indiferentes à gratidão. Certa vez, em Roma um escravo desertor, chamado Androcio, fora lançado no anfiteatro a um leão, e a fera se pôs a acariciar o escravo. Maravilharam-se os espectadores. A admiração, porém, chegou ao auge quando souberam que o escravo, por espaço de três anos, tinha permanecido no deserto da África e lá havia curado a pata deste mesmo leão. Foi o escravo imediatamente indultado. Ora, se os irracionais, como o leão feroz, se mostram assim agradecidos, não será profundamente vergonhoso para o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, não testemunhar nenhum amor e gratidão a seu benfeitor?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2º- A gratidão é sinal de um coração nobre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem não conhece a gratidão, manifesta-se intimamente estólido acerca do bem que lhe fazem; não possui nenhum sentimento nobre e delicado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O egoísmo faz que se desenvolva cada vez mais no seu interior a grosseria; torna-se vulgar e mesquinho. Coisa muito diferente sucede ao homem agradecido. Possui um coração nobre. De sentimentos delicados, mostra-se reconhecido a cada benefício que recebe, a cada favor que lhe fazem. É para ele um prazer e uma necessidade declarar-se, novamente grato, em qualquer ocasião, quando não com dádivas e presentes, ao menos com sinceridade e alegria. Daí provém a suposição de que o homem agradecido é quase sempre um homem contente e satisfeito. Ocorre-lhe amiúde, a grata lembrança desta ou daquela atenção e amabilidade, que lhe demonstraram, embora pequena e insignificante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, a gratidão não olvida os pequenos benefícios, nem os mais ínfimos. Não é isto, prova de um coração bom e nobre? Assim disposto, não se desenvolvem nele a maravilhosa ação de graça? Ao passo que a ingratidão convoca, por assim dizer, ao redor de si todos os maus espíritos e lhes franqueia a porta do coração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Visto ser a gratidão própria de um coração nobre, os santos foram também os homens mais agradecidos. Como se distinguir nesta virtude o grande Rei Davi! Após a morte de</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jônatas, de quem recebera tantos benefícios, mandou que trouxessem à sua presença o filho dele, que era coxo, e lhe restituiu todos os campos de Saul (II Reis, 9). Quando Davi se empenhou em guerra contra seu filho ingrato, faltaram-lhe todos os meios de subsistência. Um velho rico trouxe-lhe então o necessário. Para recompensá-lo quis Davi, conduzi-lo à Jerusalém no seu palácio real, para que ele transcorresse ali a velhice. Como o velho recusasse, em virtude da sua avançada idade, tomou-lhe Davi consigo o filho e cumulou-o de todos os benefícios. Ainda, antes de morrer, pediu a Salomão que não esquecesse o filho daquele velho e que fizesse comer à mesa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3º &#8211; A gratidão é também uma virtude que se pode, facilmente, exercitar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem dúvida, há casos em que a prática de certas virtudes oferece dificuldades. Por exemplo, um adversário ou inimigo, que de muitos modos, te embaraça e procura contrariar e frustrar as tuas intenções e os teus planos, que não desiste de te ofender, às vezes gravemente; como não será difícil, neste caso praticar essa virtude cristã do amor ao próximo! Quão difícil te não será em tais circunstâncias observar a palavra do Divino Salvador: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai por aqueles que vos perseguem e caluniam” (Mt., 5,44).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não será também, muitas vezes difícil e árduo para uma moça, o conservar a pureza do coração? Quando, no seu interior, se levantam violentas e obstinadas tentações, e talvez externamente se lhe deparam perigos sedutores, não terá então necessidade de combater, seriamente, e estar, sobretudo, atenta e precavida, para não sofrer nenhum dano? Dá-se o contrário, com a gratidão. Para exercitá-la não precisa empenhar-te em grandes e difíceis combates, não tens necessidade de afastar perigos externos, basta que sigas o pendor inato e nobre do teu coração. Basta apenas que às pessoas que se mostram benévolos para contigo, tenhas uma palavra de agradecimento, uma reconhecida apreciação do benefício e que lhes faças uma ou outra vez algum pequeno favor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é isto extremamente fácil, não é isto um alívio para o teu próprio coração? E embora a gratidão pelos benefícios recebidos exigisse um sacrifício ainda maior ou a retribuição de maior favor, este sacrifício será feito com certo entusiasmo e infundirá, no coração, tão grande alegria, que dificilmente se poderá sentir o seu peso, ou incômodo. Não há com efeito, nenhuma virtude tão fácil de se praticar, como a gratidão: eis porque merece tanto maior censura quem se mostra ingrato.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4º &#8211; A gratidão é uma virtude que nos granjeia a benevolência dos outros e os torna propensos a conceder-nos novos benefícios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diz São João Damasceno: “Assim como um pequeno remédio muitas vezes nos livra de uma doença grave, assim também o sincero agradecimento pelos pequenos benefícios, alcança-nos amiúde grandes favores”. Ninguém gosta de tratar com o ingrato, por que geralmente, é mesquinho, egoísta e enfadonho. Ninguém gosta de lhes fazer benefícios, porque não deseja ver os seus dons tratados com indiferença e desprezo. Com a pessoa educada, acostumada a agradecer os favores, todos gostam de tratar, em razão da sua bondade interna e nobreza de sentimentos: de cada benefício recebido e de cada favor que lhe concedem, faz com que um suave laço que o liga ao seu benfeitor. Enquanto a ingratidão favorece o egoísmo, a gratidão torna o amor ao próximo mais intenso e cordial, conquista renovada benevolência dos nossos semelhantes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sê, portanto, agradecida sempre. Antes de tudo e em primeiro lugar, a teu Deus e Senhor que é, sem dúvida, o teu maior Benfeitor. Com o Rei Salmista, podes também tu dizer: “Que dareis em retribuição ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?” (Sl. 115,3). Adquire o santo costume de agradecer a Deus todas as noites, em breves palavras, todos os favores que te fez. E cada vez que te conceder um benefício especial ou te distinguir com uma felicidade particular, não deixes de Lhe agradecer, ainda do íntimo da alma e de todo o coração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sê, depois, agradecida a teus queridos pais que, desde os primeiros momentos da tua existência te consagraram o seu maior amor e cuidado. Com muita razão diz São Lourenço Justiniano: “Enquanto vivermos sobre a terra, seremos sempre devedores a nossos pais. Não poderemos jamais saldar a grande dívida que com eles contraímos”. Pelo menos, em parte, havemos de procurar fazê-lo do melhor modo possível. Por gratidão proporciona a teus pais, com teu bom proceder, grande alegria; por tua aplicação e vida virtuosa, esforça-te para seres as delícias, o orgulho deles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quão triste e lamentável, uma filha adulta não causar senão aflições aos seus maiores benfeitores terrenos, os pais, e amargurar-lhes a existência! Deus não há de olhar, com desprezo, para tais filhas e subtrair-lhes as suas graças?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Procura, sobretudo, quanto for possível confortar a velhice de teus pais; impõe-te mesmo de bom grado, se preciso, algum sacrifício, para que nada lhes falte. E se perdurar, não agaste; prefere abster-te do necessário a deixar que teus pais sofram privações. Se morrerem, conserva grata recordação deles, cumpre-lhes fielmente as últimas vontades, pede a Deus pelo seu descanso eterno e mantém-lhes o túmulo com honra e veneração. Sê, constantemente, filha agradecida a teu pai e tua mãe. Por último, sê também grata a quantos se mostram bem dispostos para contigo e te fazem benefícios. Tem sempre nos lábios uma palavra de agradecimento a quem te faz um favor; palavra que há de brotar de um coração realmente agradecido, e não por simples formalidade e mera cortesia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Movida pelo sentimento de gratidão deves, além disto, estar pronta para de bom grado retribuir favores, e contente por proporcionar a outrem algum prazer. No entanto, em qualquer ato de gratidão para com quem te fez benefícios, guarda-te, sempre, de te mostrares fraca e vacilante nos princípios fundamentais da religião. Óbvio seria este perigo, quando um benfeitor muito famoso e influente fizesse grandes benefícios, mas animado por princípios que contrariam o espírito de Jesus Cristo ou o senso cristão. Muitos se expuseram a tal perigo, e com o tempo por deferência a um benfeitor poderoso, se tornaram pusilânimes e sem caráter. Que gratidão é esta que desgosta a Deus e te conduz à perdição?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sê, portanto, grata; grata de coração. Sempre e em toda a parte saibas ser agradecida. Não sejas, porém, servil; guarda, mesmo com pessoa altamente colocada, a tua inflexibilidade e conserva-te sempre firme em teus princípios cristãos.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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		<title>O AMOR À VERDADE</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Aug 2017 15:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="http://4.bp.blogspot.com/-JI5SnhYvNAo/VVzhzevVHII/AAAAAAAAAac/DGsQDiW1L5U/s1600/DONZELA%2BCAT%25C3%2593LICA.jpg" alt="Imagem relacionada" width="260" height="326" />O célebre presidente dos estados Unidos, Jorge Washington, quando contava seis anos, recebeu de presente uma machadinha com a qual ia desbastando tudo quanto encontrava; maltratou a tal ponto uma cerejeira inglesa, tirando-lhe a casca, que a árvore devia fatalmente morrer. Na manhã seguinte, quando o pai viu a sua querida árvore em tão lamentável estado, tomou-se de furor e perguntou quem havia praticado aquela ação bárbara. Aparece, entretanto o pequeno Jorge com sua machadinha, e o pai intuiu imediatamente, que este era o culpado. Á vista disso, indagou sério:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; “Jorge, não sabes quem assim maltratou está árvore?” O menino deteve-se por alguns momentos, mas em seguida respondeu com franqueza:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; “Não posso mentir, papai, sabe que não posso mentir, golpeei-a com esta machadinha”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A resposta abrandou a cólera do pai que, profundamente comovido, assim lhe falou: -“Vem a meus braços, filhinho! O dano que fizeste à árvore reparaste-o, agora, mil vezes com a tua sincera confissão; pois, tal amor à verdade é mais precioso do que milhares de árvores, ainda quando carregadas de frutos saborosos”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, o amor à verdade é uma bela virtude que te recomendo com toda a energia, e, por isto desejaria prevenir-te contra o feio vício da mentira.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1º &#8211; Não mintas – a mentira é abominável a Deus.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, Deus é Verdade, a mais pura e a mais límpida, e absolutamente, não pode mentir. Eis porque detesta, em nós, a mentira; esta lhe contraria a essência e se opõe ao escopo que Ele teve em mira ao dar-nos ao dom da palavra. Esta faculdade preciosa, certamente, não nos foi concebida, para camuflar a realidade com a aparência e o engano. A mentira é, portanto, uma subversão da ordem divina, uma revolta contra Deus. Satanás, o primeiro que se insurgiu contra Deus, foi por isso mesmo o primeiro mentiroso, “o pai da mentira”, como denominou o Divino Salvador. Visto, opor-se a mentira à essência divina e à sua santa ordem, Deus a aborrece, e assim se exprime séria e severamente na Sagrada Escritura: “Os lábios mentirosos são abominação para o Senhor”. (Prov., 12,22)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2º &#8211; Não mintas – a mentira é também, desdouro na perspectiva humana.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Detestemos a mentira, que é contrária à natureza humana. O homem é, inclinado à verdade, repugnam-lhe a mentira e a falsidade. A criança, ainda não corrompida, diz só o que pensa, seus olhos brilhantes são o espelho fiel de sua alma pura e franca. A primeira que profere, revolta-se a natureza íntima da criança e manifesta-se pelo rubor da face que denuncia a confusão. Detestemos a mentira, porque solapa o fundamento da sociedade humana, que são a veracidade e a confiança, mútuas.</span><span id="more-10198"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não desfaleceria toda a confiança mútua; não cessaria a certeza e segurança nas relações diárias a certeza e segurança nas relações diárias, não se tornaria impossível uma vida digna e meritória, se o espírito da mentira dominasse e em todas as circunstâncias se fizesse valer? Que efeitos fatais não sofreriam o corpo, se os seus membros mutuamente se induzissem ao erro? Se, por exemplo, os olhos enganassem aos pés, levando o corpo num pântano, tidos por um prado firme? Algo semelhante aconteceria se os membros da sociedade humana tomassem por regra a mentira e a dissimulação. Destruir-se-ia assim o organismo social. Detestemos, finalmente, a mentira, porque nela se encerra covardia. Admiremos a coragem e a firmeza; desprezemos, porém, a pusilanimidade e a perfídia. Na conscienciosa afirmação diária da verdade, existe muitas vezes, mais coragem e intrepidez, do que no desprezo da morte, que só raro se dá e por causalidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diz, com a razão, o conhecido educador, Forster:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Penso que a veracidade é sempre a melhor prova de valor, e, portanto, qualquer homem, embora jamais tenha visto um fuzil, encontra diariamente, ocasião de exercitar a coragem, por meio da afirmação sincera e corajosa da verdade, nas coisas mais insignificantes. É, de fato, muito mais fácil, impelido pelo entusiasmo, sacrificar uma vez à própria vida, do que permanecer constantemente invariável, quando surge a tentação de fugir a uma cena desagradável ou à desonra ou ao castigo. Cedo se vê se alguém é, realmente forte contra o medo e o pavor; ou se é um salteador, que se oculta quando prevê o momento do ataque”. Sim, grande coragem manifesta-se no constante amor à verdade, ao passo que, com a mentira, patenteia-se uma lamentável covardia – portanto, detestemo-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3º- Não mintas – a mentira corrompe o caráter.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certo que uma única mentira não será agravo ao caráter, mas mentiras freqüentes, que procedem de uma natureza falsa, tornam de todo impossível, a formação de um bom caráter. Três são as propriedades que constituem o ornato de um caráter nobre, a saber: firmeza, doçura, desinteresse ou desapego de si mesmo. Como pode, porém, formar-se a firmeza de um caráter, se, em qualquer ocorrência e por motivo fútil se deixa o homem subornar, para se desviar da verdade, iludir a outrem, e levá-lo ao erro? Daí resultará, com o tempo, uma vacilação insegura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ademais, como pode o mentiroso manifestar a seus semelhantes amável doçura, quando, em geral o verdadeiro amor lhe é impossível, por não possuir nenhuma elevada estima dos demais? Com efeito, se estimo e venero alguém, procuro captar-lhe confiança, e não enganá-lo ou induzi-lo ao erro. Do desinteresse, porém, que é a mais nobre qualidade de um bom caráter, nem se pode falar, em se tratando de um mentiroso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade, como pode um homem mostrar-se tão altruísta que se esqueça de si próprio e de bom grado, generosamente sacrifique-se pelos outros se para lograr pequena vantagem ou desviar um pequeno embaraço, deliberadamente, profere a mentira? Tal coisa é de todo inconcebível. Assim, quem tem o vício da mentira, pouco a pouco, corrompe o caráter e por vezes o arruína. Onde prevalece o espírito de mentira e a confusão, não se podem educar nem formar caracteres firmes e grandes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>4º- Não mintas – a mentira é aliada de muitos outros pecados.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mentira, por si só, não constitui pecado grave, a não ser quando causa grandes prejuízos ao próximo. No entanto embora não seja, em si, gravemente pecaminosa, todavia muitas vezes contribui, para outros pecados, favorece e facilita o hábito de pecar. Para demonstrá-lo, basta apelas para a experiência de cada dia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se serve o orgulhoso da mentira, quando falsamente se ufana de suas prerrogativas e de suas ações, enquanto, por outro lado oculta seus vícios e fraquezas? Os pecados contra a caridade e os pecados da vingança, não exageram e aumentam malignamente as faltas das pessoas odiadas, atribuindo-lhes muitas vezes faltas que não cometeram, ou defeitos que não possuem? A infâmia e a injustiça não crescem junto com a mentira, de tal modo, que se possa dizer à guiza de provérbio: Wer liegt, der stiehlt – “quem mente rouba?” Não é coisa mui sabida que o pecado de impureza, mais do que qualquer outro, torna o homem mentiroso? As jovens que se entregam a este pecado, já não encaram os pais, com olhar franco e límpido, têm alguma coisa que lhes encobrem e os enganam de caso pensado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em resumo: Não podem muitos pecados medrar ou ter longa duração, se os não favorecer a mentira. O pecado teme a verdade. A virtude da lealdade é como um sol interno, cujos raios brilhantes afugentam as trevas do vício e das paixões. Ama, portanto, a verdade e foge da mentira. Prefere suportar um pequeno dissabor, uma repreensão, uma correção, a te libertares de uma dificuldade a custa da mentira.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sobretudo, nunca profiras, deliberadamente, mentira alguma, nem mesmo por brincadeira; porque se facilmente, por gracejo, mentires, depois o farás seriamente. Não sejas do número dos que gostam de caçoar dos outros e se divertem em contar patranhas. Isto não é nobre nem digno. Tem a todos em estima, embora sejam muito insignificantes as suas qualidades. Não te aproveites da fraqueza alheia para crivá-los de sarcasmos e zombarias. Tal proceder a quantos não acovardou por toda a vida!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ás vezes pode haver casos em que não convém que se diga toda a verdade, principalmente aos que não têm direito de conhecê-la e levados por curiosidade andam a cata de notícias. Em tais circunstâncias, é lícito usar de subterfúgios que simplesmente contornam a verdade. A virtude da veracidade não pode separar-se da prudência cristã. O eu professor, na minha mocidade, fazia-nos escrever amiúde, esta sentença: Alles, was tu sagst, muss warh scin, aber nicht ales, was wahr ist, darfst Du sagen – “Tudo o que disseres, deve ser verdade, mas nem tudo o que for verdade, deves dizer”. Contém esta máxima uma grande sabedoria, que deves seguir sempre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acostuma-te também, a manter sempre, a palavra dada. Há jovens que prometem facilmente e, até, sob palavra, mas depois, não fazem nenhum caso do seu compromisso. Merece isto decidida repulsa. Ohne Falsch und Trug – “Sem falsidade, nem embuste”. Seja esta a tua divisa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Donzela Cristã &#8211;</em> Pe. Matias De Bremscheid</span></p>
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