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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Peter R. Scott</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>POR QUE OS CATÓLICOS NÃO COMEM CARNE NAS SEXTAS-FEIRAS?</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Aug 2023 14:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
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		<category><![CDATA[Pe. Peter R. Scott]]></category>
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		<description><![CDATA[A prática de abstinência de carne nas sextas-feiras data do início da Igreja. O princípio da prática penitencial de abstinência, para se atingir o domínio de si mesmo, já estava delineado por São Paulo: “E todos aqueles que combatem na &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/por-que-os-catolicos-nao-comem-carne-nas-sextas-feiras/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" alignright" src="https://wp.pt.aleteia.org/wp-content/uploads/sites/5/2017/03/web-eat-fish-food-shutterstock_527982634-night-flower-ai.jpg?w=620&amp;h=348&amp;crop=1" alt="Os benefícios do jejum e da abstinência de carne para a saúde" width="300" height="171" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A prática de abstinência de carne nas sextas-feiras data do início da Igreja. O princípio da prática penitencial de abstinência, para se atingir o domínio de si mesmo, já estava delineado por São Paulo: “E todos aqueles que combatem na arena de tudo se abstêm e o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível” (1Cor 9, 25) e “Antes nos mostramos como ministros de Deus nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns” (2Cor 6,5).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Menção explícita da prática de abstinência nas sextas-feiras é feita em um documento do fim do século I (A <em style="font-weight: inherit;">Didaqué</em> dos Apóstolos), assim como por São Clemente de Alexandria e por Tertuliano no século III. Era um costume universal desde o começo, e a sexta-feira foi escolhida em comemoração da Paixão de Nosso Senhor como um dia em que devemos nos esforçar de maneira especial para praticar a penitência. É em reconhecimento do fato de que Cristo sofreu e morreu e deu sua carne humana e sua vida por nossos pecados em uma sexta-feira que os católicos não comem carne nesse dia. O Papa Nicolau I tornou isso lei da Igreja no século IX. Na Igreja Latina, nos primórdios da Idade Média, esse dia de abstinência não foi considerado suficiente, e a abstinência aos sábados foi acrescentada em honra ao sepultamento de Cristo e ao sofrimento de Nossa Senhora e das santas mulheres no Sábado Santo. Isso foi tornado lei da Igreja por São Gregório VII no Século XI, mas, desde então, caiu em desuso, exceto por parte daqueles que querem professar sua devoção a Nossa Senhora de maneira especial. A Igreja Oriental também tem regras  rigorosas para abstinência, pois, nela, a abstinência de carne é praticada nas quartas e nas sextas-feiras.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As regras acerca do que é ou não permitido em dias de abstinência também variaram conforme o tempo. Santo Tomás de Aquino, por exemplo, indica que ovos, leite, manteiga, queijo e gordura são proibidos em dia de abstinência porque eles vêm de animal e, portanto, têm, em sua origem, algum tipo de identidade com a carne. As regras dos nossos dias restringem a abstinência à carne vermelha apenas.</span><span id="more-20028"></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A abstinência de carne é uma lei eclesiástica, mas que, desde muito tempo, obriga sob pena de pecado mortal. O Papa Inocêncio III deixou isso muito claro no começo do Século XIII, e, no Século XVII, o Papa Alexandre VII anatematizou aqueles que buscavam minimizar o caráter dessa obrigação ao declarar que sua violação seria apenas um pecado venial.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certamente é verdade que, sendo um preceito eclesiástico, a abstinência das sextas-feiras pode ser alterada pela autoridade soberana da Igreja. Porém, a maneira como esse importante preceito tem sido banalizado pela Igreja pós-conciliar é uma enorme desgraça e vergonha para os Católicos. Não se ensina claramente que ele obriga sob pena de pecado mortal, e a possibilidade de substitui-lo por qualquer outro tipo de sacrifício, dada pelo Código de Direito Canônico de 1983, efetivamente destruiu essa antiga prática. A razão fundamental pela qual os modernistas detestam a abstinência de sexta-feira é que eles negam a necessidade de alguns pequenos atos de penitência para satisfazer o castigo temporal devido aos nossos pecados, além do que eles fazem tudo que podem para esvaziar o mistério da Paixão, isto é, da cruz, e tentam substitui-lo por um Cristo Ressuscitado sem sofrimento ou sacrifício. Porém, foi através do sofrimento e do oferecimento da sua carne e do seu sangue que nosso Divino Salvador se dignou nos salvar, e, consequentemente, é nosso dever associar-nos aos seus sofrimentos através da abstinência das sextas-feiras.</span><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5696">Pe. Scott, FSSPX, Novembro de 2002.</a></strong></span></p>
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		<title>É PECADO MORTAL VOTAR EM UM CANDIDATO PRÓ-ABORTO?</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2022 15:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo Moderno]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Peter R. Scott]]></category>

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		<description><![CDATA[O ato de votar pode ser um ato virtuoso mesmo nas nossas democracias liberais, nas quais muito do sistema se opõe não apenas à nossa Santa Religião, mas até mesmo ao Direito natural em si. Porém, para um voto ser &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/e-pecado-mortal-votar-em-um-candidato-pro-aborto/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="rtejustify" style="line-height: 19.2pt; background: white; margin: 0cm 0cm 18pt; text-align: center;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="https://media.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/2016/12/blog-1446-300x184-2ec31c26.jpg" alt="Aborto: “Meu corpo, minhas regras”, mas e o corpo do bebê?" /></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ato de votar pode ser um ato virtuoso mesmo nas nossas democracias liberais, nas quais muito do sistema se opõe não apenas à nossa Santa Religião, mas até mesmo ao Direito natural em si. Porém, para um voto ser um ato virtuoso, ele deve ser direcionado ao seu fim, a saber, o bem comum. Consequentemente, é um pecado mortal votar em um candidato indigno, pois a escolha de um candidato cuja vida ou política é imoral é uma cooperação ilícita ao advento de um mal grave à sociedade. Não há a menor dúvida de que o aborto, o assassinato de inocentes, é um dos maiores males que afligem a sociedade moderna, e que esse pecado está clamando aos Céus por vingança. Consequentemente, não pode haver nenhuma justificativa para votar em algum candidato que seja pró-aborto ou tolerante ao aborto de algum modo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;">Surge a questão, porém, de se poderia haver razão suficiente para votar em um candidato que tolera alguns abortos, por exemplo, para evitar um grave mal maior, como no caso de tentar derrotar um candidato que seja a favor de casamentos homossexuais ou que ativamente promova o aborto ou algum mal maior, como guerras injustas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;">Os teólogos respondem que o ato de votar é uma cooperação material no mal que esse candidato pode causar e não necessariamente uma cooperação formal (cf. Prummer, III, §604). Isso significa que a pessoa que vota não necessariamente é diretamente responsável pelo que um mau candidato faz uma vez eleito, ainda que se tenha previsto que ele faria algumas más obras. Nesses casos de cooperação material, a Igreja permite a aplicação do princípio do voluntário indireto. É permitido, pois o ato de votar em si não é mal, e o fim é bom, a saber, evitar um mal maior. Porém, deve haver uma razão grave apta a justificar essa cooperação material, e todo tipo de escândalo precisa ser evitado. Esse poderia ser o caso, por exemplo, de uma pessoa que vota em um protestante cuja plataforma esteja, de modo geral, de acordo com o Direito natural, mas que pode ter alguns princípios equivocados acerca do divórcio ou do financiamento das escolas católicas ou sobre alguma outra questão. Nesse caso, seria permitido escolher o mal menor e votar em um candidato que não é inteiramente bom sob a condição de que haja uma razão muito grave, a saber, evitar um mal maior.</span><span id="more-20889"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;">A questão aqui é se poderia haver uma razão grave suficiente a ponto de justificar que alguém vote em um candidato pró-aborto. É possível que haja um mal maior capaz de justificar essa participação no mal do aborto, ainda que seja apenas uma participação materia. &#8212; Eu não consigo conceber como isso seria possível, pois o aborto é um crime horrível e perverso. É possível conceber um mal maior que permitiria alguém votar em um candidato que aceitaria (involuntariamente) abortos sob certas condições excepcionais como estupro, pois isso é frequentemente feito para evitar a eleição de um candidato que é positivamente pró-aborto. Isso é uma ocorrência frequente e certamente é permitido. Porém é inconcebível que um católico vote em um político que é positivamente pró-aborto simplesmente porque ele gosta das suas políticas fiscais ou sociais. Nesse caso não haveria justa proporção, e certamente tal ato seria um pecado grave, ainda que sua intenção fosse, apenas, a de uma cooperação material.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;">Se, em geral, ser um eleitor de um único tema é ser mente fechada demais, isso, certamente, não se aplica à questão do aborto. O bem comum absoluta e necessariamente requer a abolição dos abortos da vida pública, e isso é de tal maneira importante para o bem da sociedade que nenhuma pessoa poderia ser considerada imprudente por votar apenas baseada nesse tópico apenas.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #0000ff;"><strong style="font-style: inherit;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;"><a style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5778">Pe. Scott, Fevereiro/Março de 2004.</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong style="font-style: inherit;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Fonte: </span><a style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5778"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Permanencia</span></a></strong></span></p>
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		<title>PODE UM APÓSTATA SALVAR SUA ALMA SE MORRER NO ESTADO DE APOSTASIA SEM ARREPENDER-SE?</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2021 15:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Peter R. Scott]]></category>

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		<description><![CDATA[Apóstata é a pessoa que já foi católica e que abandonou toda a prática da religião. Por ter recebido e crido na fé católica e por ter conhecido ao menos alguma coisa da ordem sobrenatural da graça, não é possível &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/pode-um-apostata-salvar-sua-alma-se-morrer-no-estado-de-apostasia-sem-arrepender-se/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="rtejustify" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class="n3VNCb alignright" src="https://thumbs.dreamstime.com/t/o-prisioneiro-arrependido-do-homem-com-suas-m%C3%A3os-shackled-nas-correntes-em-um-fundo-escuro-108288742.jpg" alt="O Prisioneiro Arrependido Do Homem Com Suas Mãos Shackled Nas ..." data-noaft="1" />Apóstata é a pessoa que já foi católica e que abandonou toda a prática da religião. Por ter recebido e crido na fé católica e por ter conhecido ao menos alguma coisa da ordem sobrenatural da graça, não é possível que tal pessoa esteja de boa fé, como seria possível a um protestante que parou de praticar sua falsa religião. A razão para isso é que a boa fé pressupõe ignorância invencível. Ignorância invencível só é possível para aqueles que não têm possibilidade de conhecer a verdade acerca da revelação divina, e cuja ignorância, portanto, não é culpável. Alguém que já teve a virtude teológica da fé infundida no batismo e que recebeu ao menos alguma instrução na fé católica não pode estar em ignorância invencível. Ele pode, certamente, estar em ignorância quanto à verdadeira Igreja e seus ensinamentos, mas, se ele estiver nesse estado, é por culpa própria, e sua ignorância é vencível. Aparentemente, as únicas exceções a essa regra seriam católicos batizados que nunca receberam ensinamento algum sobre a fé, ou que não receberam exemplos de vidas católicas.</span></p>
<p class="rtejustify" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja Católica recusa exéquias cristãs a todos os pecadores públicos, incluindo apóstatas públicos que não se arrependeram. Se eles deram algum sinal de arrependimento antes da morte, ainda que seja um sinal ao menos provável, como palavras de tristeza pela sua teimosia ou o desejo de receber um Padre, a Igreja pode ter alguma esperança quanto à sua salvação eterna e, portanto, autoriza um funeral cristão. Desnecessário dizer, porém, que apenas Deus pode julgar a alma, então é permitido rezar em privado e oferecer Missas privadas pelos apóstatas que não deram sinais de arrependimento.</span></p>
<p class="rteright" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><a href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5715">&#8211; Pe. Peter Scott, Agosto de 2005.</a></span></strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>O QUE DEVEMOS PENSAR DA DIVINA MISERICÓRDIA?</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2020 14:43:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Peter R. Scott]]></category>

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		<description><![CDATA[Resposta do Pe. Peter R. Scott sobre a Devoção a Divina Misericórdia, de Irmã Faustina Kowalska, e os decretos de Roma condenando tal devoção: Condenada pelo Santo Ofício Há dois decretos de Roma sobre essa questão, ambos do tempo do Papa &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-que-devemos-pensar-da-divina-misericordia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://correiodasemana.com/site/wp-content/uploads/2023/04/terceiro-4-1024x683.jpg" alt="Sobral: Primeira festa da Divina Misericórdia é realizada na Comunidade  Jesus Misericordioso – Jornal Correio da Semana" width="397" height="266" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Resposta do Pe. Peter R. Scott sobre a Devoção a Divina Misericórdia, de Irmã Faustina Kowalska, e os decretos de Roma condenando tal devoção:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Condenada pelo Santo Ofício</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há dois decretos de Roma sobre essa questão, ambos do tempo do Papa João XXIII. A Suprema Congregação do Santo Ofício, em reunião plenária em 19 de novembro de 1958, tomou as seguintes decisões:</span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">A natureza sobrenatural das revelações feitas à Irmã Faustina não é evidente.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Nenhuma festa da Divina Misericórdia deve ser instituída.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">É proibido divulgar imagens e escritos que propagam essa devoção da forma recebida pela Irmã Faustina.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O segundo decreto do Santo Ofício é de 6 de março de 1959, onde foi estabelecido o seguinte:</span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">A difusão de imagens e textos que promovem a devoção à Divina Misericórdia sob a forma proposta pela mesma Irmã Faustina foi proibida.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">A prudência dos bispos deve julgar quanto à remoção das imagens referidas que já são expostas para veneração pública.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que havia nesta devoção que impediu o Santo Ofício de reconhecer sua origem divina? Os decretos não o dizem, mas parece que a razão está no fato de que há muita ênfase na misericórdia de Deus como que para excluir a Sua justiça. Nossos pecados e a gravidade da ofensa que eles infligem em Deus são deixados de lado como sendo de pouca importância. É por isso que o aspecto da reparação do pecado é omitido ou obscurecido.</span><span id="more-20934"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="text-decoration: underline;">A verdadeira imagem da misericórdia de Deus é o Sagrado Coração de Jesus, atravessado pela lança, coroado de espinhos, gotejando seu Preciosíssimo Sangue.</span> O Sagrado Coração de Jesus exige uma devoção de reparação, conforme os papas sempre solicitaram. No entanto, este não é o caso da devoção da Divina Misericórdia. A imagem não tem coração. É um Sagrado Coração sem coração, sem reparação, sem o preço de nossos pecados sendo claramente evidente. <span style="text-decoration: underline;">É isso que faz com que a devoção seja muito incompleta e nos faz suspeitar de sua origem sobrenatural, independentemente das boas intenções e da santidade pessoal da Irmã Faustina.</span> Esta ausência da necessidade de reparação dos pecados manifesta-se na estranha promessa de libertação de todas as penas temporais devidas aos pecados para aqueles que observam as devoções de domingo às 15:00h. Como tal devoção poderia ser mais poderosa e melhor do que a indulgência plenária, aplicando o extraordinário tesouro dos méritos dos santos? Como não poderia exigir como condição que realizemos uma obra penitencial por nossa própria conta? Como não poderia exigir o distanciamento do pecado, mesmo venial, que é necessário para obter a indulgência plenária?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Presunção nos escritos de Irmã Faustina</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>Diário de Santa Maria Faustina Kowalska</em>, que foi publicado, também indica muitas razões para questionar seriamente a origem sobrenatural das mais de 640 páginas de volumosas e repetidas aparições e mensagens. A característica de qualquer místico verdadeiro que recebeu graças sobrenaturais é sempre uma humildade profunda, sentimento de indignidade, conscientização e profissão da gravidade de seus pecados. No entanto, esta humildade está estranhamente faltando no diário de Irmã Faustina. Em 2 de outubro de 1936, por exemplo, afirma que o “<em>Senhor Jesus</em>” falou estas palavras a ela: “<em>Agora eu sei que não é pelas graças ou dons que você me ama, mas porque a Minha vontade é mais preciosa para você do que a vida. É por isso que eu estou unindo-me a você tão intimamente como com nenhuma outra criatura</em>” (§707, p. 288). Isso dá toda a aparência de ser uma reivindicação de que Jesus está mais unido a ela do que a qualquer outra pessoa, mais até mesmo que a Virgem Maria, e certamente mais do que todos os outros santos. Que orgulho acreditar em tal afirmação, e quanto mais afirmar que isso veio do Céu!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em abril de 1938, Irmã Faustina leu a canonização de Santo André Bobola e encheu-se de lágrimas e anseios para que a sua congregação pudesse ter seu próprio santo. Em seguida, ela afirma o seguinte: “<em>E o Senhor Jesus me disse: Não chores. Você é essa santa”</em> (§1650, p. 583). Estas são palavras que com toda certeza nenhum verdadeiro santo iria afirmar, mas sim sua pecaminosidade e indignidade de sua congregação. Essa presunção em seus escritos não é isolada. Ela elogia a si mesma em várias ocasiões através das palavras supostamente proferidas por Jesus. Veja esta locução interior, por exemplo: “<em>Amada Pérola de Meu Coração, eu vejo seu amor tão puro, mais puro do que o dos anjos, e tanto mais porque você continua lutando. Por sua causa eu abençoo o mundo”</em> (§1061, p. 400). Em 23 de maio de 1937, ela descreve uma visão da Santíssima Trindade, depois da qual ela ouviu uma voz dizendo: “<em>Diga ao Superior Geral para contar com você como a filha mais fiel na Ordem”</em> (§1130, p. 417). Por conseguinte, não nos surpreendente tanto que a Irmã Faustina tenha alegado ser isenta dos Juízos tanto o Particular quanto o Universal. Em 4 de fevereiro de 1935, ela já dizia ouvir uma voz em sua alma: <em>“De hoje em diante, não temais o Juízo de Deus, pois você não será julgada”</em> (§374, p. 168). Adicione a isso a afirmação absurda de que a hóstia por três vezes saltou para fora do sacrário e colocou-se em suas mãos (§ 44, p. 23), de modo que ela mesma teve que abrir o sacrário e colocá-la de volta lá, mostrando assim a história de uma presunção da graça de Deus, que vai além de toda razão, quanto mais como a ação de uma pessoa supostamente favorecida com inúmeras e repetidas graças místicas e sobrenaturais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Talvez não seja por acaso que o Papa João Paulo II promoveu esta devoção, pois está em grande sintonia com a sua encíclica <em>Dives in Misericordia</em>. Na verdade, a teologia do Mistério Pascal que ele ensinou deixa de lado toda a consideração da gravidade do pecado e da necessidade de penitência, de satisfação à justiça divina e, portanto, da necessidade da Missa como sendo um sacrifício expiatório, e também a necessidade de ganhar indulgências e fazer obras de penitência. Uma vez que Deus é infinitamente misericordioso e não conta os nossos pecados, todas essas coisas são consideradas como sem importância. Este não é o espírito católico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devemos fazer a reparação pelos nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo, como o Sagrado Coração de Jesus pediu repetidamente em Paray-Le-Monial. É a renovação da nossa consagração ao Sagrado Coração e frequentes horas sagradas de reparação que vão trazer a conversão dos pecadores. É desta forma que podemos cooperar para trazer o Seu Reino de Amor Misericordioso, porque esse é o reconhecimento perfeito da santidade infinita da Divina Majestade e completa submissão às suas legítimas demandas. Misericórdia só significa algo quando entendemos o preço da nossa Redenção.</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong><span style="color: #000000;">Retirada da Revisa Guarde a Fé, da Casa Autônoma da FSSPX no Brasil, Ano I, número 3, 2019</span></strong></em></p>
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		<title>É PECADO OMITIR AS ORAÇÕES ANTES E DEPOIS DAS REFEIÇÕES QUANDO ESTOU ENTRE NÃO CATÓLICOS?</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2020 15:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Peter R. Scott]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. Peter Scott &#8211; FSSPX Quem faz essa pergunta, talvez, tenha em mente a reação do pequeno João Maria Vianney, o futuro Cura d’Ars, que, quando à mesa com um mendigo que omitiu essa ação, deixou a mesa e passou &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/e-pecado-omitir-as-oracoes-antes-e-depois-das-refeicoes-quando-estou-entre-nao-catolicos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class="n3VNCb aligncenter" src="https://i1.wp.com/lirioentreespinhos.com.br/wp-content/uploads/2017/06/minestrine_benedire_151_1.jpg?fit=799%2C572&amp;ssl=1" alt="Nossa rotina de oração - Lírio entre espinhos - Uma família católica  buscando a santidade" width="365" height="265" data-noaft="1" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5756">Pe. Peter Scott &#8211; FSSPX</a></em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem faz essa pergunta, talvez, tenha em mente a reação do pequeno João Maria Vianney, o futuro Cura d’Ars, que, quando à mesa com um mendigo que omitiu essa ação, deixou a mesa e passou a noite em jejum. Quando perguntado sobre essa reação por seus pais, ele simplesmente disse que não conseguiria comer diante de alguém comportando-se como um animal! Essa história nos lembra que fazer orações antes e após as refeições é um piedoso costume entre os católicos. Nosso Senhor, frequentemente, abençoava o pão e o repartia de uma maneira tão especial e religiosa que esse ato entregou Sua identidade aos discípulos de Emaús.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, o que pensar de quem omite essas orações em público e entre não católicos? Por uma questão de princípio, devemos começar dizendo que não há nenhum preceito formal sobre orações nas refeições em qualquer dos ensinamentos de Cristo ou da Igreja. E, se não há nenhuma obrigação de rezá-las, então não há pecado em omiti-las. Além disso, essa omissão não necessariamente significa que a fé de alguém está esmorecendo ou que essa pessoa está sendo negligente com suas orações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estaríamos, aqui, lidando com um caso de dissimulação da fé? Poderia haver ocasiões em que o mero fato de fazer um sinal da cruz em público poderia causar uma intriga entre trabalhadores e levar a zombarias contra nossa religião. Esse fato, por si só, é uma razão suficiente para omitir essas orações em público, e bastaria rezá-las mentalmente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, em geral, a questão de rezar ou omitir as orações das refeições quando na presença de não católicos é mais uma questão de coragem vs respeito humano. Com mais frequência que o contrário, principalmente em um restaurante, onde as pessoas têm mais o que fazer além de denegrir a religião dos outros clientes, o fato de rezar as orações das refeições em família vai gerar respeito entre os outros clientes e entre os garçons. E isso pode levar até ao início de uma conversa sobre a fé com algum dos presentes.</span></p>
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		<title>A USURA É PECADO?</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2020 15:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Peter R. Scott]]></category>
		<category><![CDATA[Permanencia]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. Peter Scott, FSSPX Usura é a cobrança de juros pelo uso de dinheiro como se ele tivesse algum tipo de poder produtivo por si próprio. São Tomás de Aquino pergunta-se essa pergunta – a saber, a usura é pecado? &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-usura-e-pecado/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" alignright" src="https://www.estudosnacionais.com/wp-content/uploads/2020/07/Usura.jpg" alt="A história da usura e a gênese do sistema bancário moderno ..." width="272" height="317" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><em><a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5751">Pe. Peter Scott, FSSPX</a></em></strong></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Usura é a cobrança de juros pelo uso de dinheiro como se ele tivesse algum tipo de poder produtivo por si próprio. São Tomás de Aquino pergunta-se essa pergunta – a saber, a usura é pecado? &#8211; na Suma Teológica (II-II, q. 78, art. 1) e responde, categoricamente, de maneira afirmativa. A razão que ele dá para isso é que o dinheiro não é algo que permanece após ser usado (p. ex., uma casa, cujo uso é remunerado quando ela é alugada), mas que é consumido quando é usado (p. ex., comida, cujo uso não tem preço, apenas seu valor de venda). Essas são suas palavras:</strong></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Comete injustiça aquele que vende vinho ou trigo e que pede pagamento duplo, isto é, um pelo retorno da coisa vendida em igual medida, o outro pelo preço do uso, que se chama usura… Agora, o dinheiro, conforme o Filósofo, foi inventado principalmente com o propósito de troca; e, consequentemente, o fim principal do dinheiro é seu consumo ou alienação, através do qual ele se converte em troca. Consequentemente, é ilícito em essência receber pagamento pelo uso do dinheiro emprestado, cujo pagamento é conhecido como usura: e, assim como um homem está obrigado a devolver bens adquiridos ilictamente, também está obrigado a devolver o dinheiro que recebeu a título de usura.</em></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não há dúvida de que a usura é o que movimenta a sociedade capitalista moderna ao longo do seu caminho destrutivo do materialismo, e que isso é responsável por depressões e guerras mundiais. Se, porém, a usura sempre é um pecado mortal, isso não significa que não pode haver um juro justo, desde que ele não seja cobrado pelo valor do dinheiro em si, pois este é um mero meio de troca e não tem nenhum poder produtivo em si mesmo, como o trabalho ou um bem imóvel têm. O Pe. Walter Farrell, O.P., resume essa idéia bem em <em style="font-weight: inherit;">A Companion to the Summa</em> (III, 239):</span><span id="more-20658"></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Onde houver usura, ela será errada, e sua malícia é evidente. É absurdamente simples entender que cobrar um homem duas vezes pela mesma coisa é sempre injusto, e é precisamente nisso que a usura consiste: ela vende a mesma coisa duas vezes. O truque só é possível quando a coisa vendida ou emprestada é consumida no seu primeiro uso, coisas como vinho, sanduíches ou dinheiro. Quando nós exigimos, além do montante original de dinheiro emprestado, uma quantia adicional pelo uso do dinheiro, nosso ato é o mesmo que vender a um homem um copo de vinho e, então, cobrar dele para que ele possa bebê-la.</em></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se mantivermos essa noção simples da usura em mente, não será difícil entender a distinção absolutamente necessária entre usura e juro lícito. Este é cobrado não pelo simples uso do dinheiro como na usura, mas a título extrínseco.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Títulos extrínsecos para um juro lícito podem incluir coisas como o risco de perder o dinheiro, o dano positivo causado ao credor por externalidades como inflação ou a produtividade humana que se torna possível se o dinheiro for investido para comprar ações de uma empresa, produzindo, assim, dividendos.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os Padres da Igreja primitiva denunciavam a usura nos termos mais severos, e vários decretos eclesiásticos nos séculos XII e XIII corroboravam essa opinião sob pena de excomunhão e negação de exéquias. Houve, porém, um relaxamento das leis da Igreja nesse tema, pois o desenvolvimento do protestantismo a tornou socialmente aceitável, e o Capitalismo de livre mercado do Século XIX a tornou uma realidade inescapável da vida cotidiana. Esse relaxamento das leis da Igreja está presente no Código de Direito Canônico de 1917, Cânone 1543:</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Se um bem que se consome com seu primeiro uso é emprestado sob a condição de que ela se torne propriedade do mutuário, que está obrigado a devolver ao mutuante não a coisa em si, mas apenas o seu equivalente, o mutuante não pode receber nenhum pagamento em razão do empréstimo em si. Ao dar ou emprestar esse bem, porém, não é ilícito em si mesmo fazer um acordo para recuperar juros à taxa permitida pela lei civil, exceto se essa taxa for claramente excessiva.</em></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Pe. E. Cahill, SJ, em <em style="font-weight: inherit;">The Framework of a Christian State</em>, comenta e explica essa mudança da lei da Igreja:</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Pode-se, sem preocupações com a existência ou não de títulos extrínsecos (como perdas acidentais ocasionadas pelo empréstimo, o risco de não receber o pagamento, etc), receber juros ao índice estabelecido pela lei civil, desde que esse índice não seja manifestamente excessivo. A razão para essa mudança, ou mudança aparente, da atitude da Igreja em relação à usura é que, nos tempos modernos, em razão da organização capitalista da vida econômica, o dinheiro, praticamente, tornou-se uma forma de capital, e a Igreja segue sua política tradicional no que diz respeito a regular sua atitude em relação a ele. Como sempre, ela temporariamente ajusta sua disciplina, na medida do possível, às necessidades dos tempos, mesmo quando essas necessidades são resultado de um estado de coisas que ela não aprova, e ela permite que os fiéis ajam de acordo com costumes sociais permitidos pela lei civil, desde que esses costumes não sejam manifestamente imorais ou injustos” (p. 49)</em></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse não seria o caso, porém, de uma sociedade que reconhecesse e canonizasse o Reinado Social de Cristo.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: right;"><span style="color: #000000;">&#8211; Pe. Scott, Julho de 1998</span></p>
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		<title>INVESTIDORES OU ESPECULADORES?</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Aug 2020 15:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Peter R. Scott]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Permanencia Em tempo de juros baixos, como o atual, muitos tem voltado as costas para os costumeiros investimentos em renda fixa — que hoje já não são garantia de proteção do patrimônio contra a inflação — e demonstrado interesse &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/investidores-ou-especuladores/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="n3VNCb aligncenter" src="https://www.sunoresearch.com.br/wp-content/uploads/2018/10/investidor-risco.jpg" alt="Investidor de risco: clique e entenda mais sobre esses investidores" width="335" height="183" data-noaft="1" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://boletim.permanencia.org.br/2020/07/30/investidores-ou-especuladores/">Permanencia</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em tempo de juros baixos, como o atual, muitos tem voltado as costas para os costumeiros investimentos em renda fixa — que hoje já não são garantia de proteção do patrimônio contra a inflação — e demonstrado interesse pela bolsa de valores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que pensar de tais investimentos? São lícitos para o católico?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sobre esse assunto, recomendamos vivamente a leitura do <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/e-permitido-a-um-catolico-especular-na-bolsa-de-valores-ou-no-mercado-de-cambio/">texto do Pe. Peter Scott</a></span> – FSSPX, que resumimos a seguir, acrescido de alguns comentários nossos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O padre faz uma distinção importante entre investimento e especulação: se é certo que ambas atividades visam igualmente o lucro, distinguem-se por ser a última uma “colocação de dinheiro a curto prazo” com vistas a um “ganho rápido”. Se ambas não podem ser condenadas como atividades pecaminosas em si mesmas, uma vez que não são contrárias à justiça, a especulação não é tida como algo “moralmente louvável” — a não ser quando exigida por alguma atividade comercial. Em outros termos: a Igreja não condena, mas desaconselha e mesmo critica tal prática como atividade inútil, na qual não se procura o ganho com um trabalho proporcional nem se atende ao bem comum. Por sua vez, o investimento — e aqui subentende-se o investimento em ações — é tratado diferentemente pelo Pe. Scott, que diz logo no início do artigo tratar-se de algo “essencial para o bem comum, pois sem capital não pode haver produção”. Ora, as ações são justamente a porção de capital próprio que financia a empresa — é o dinheiro dos donos.</span><span id="more-20491"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os especuladores (ou “<em>traders</em>”, como se autodenominam no seu feio jargão), quando compram ações de uma companhia, não se interessam em saber nada sobre a mesma fora o código de quatro letras seguido por um número que lhes permite negociá-las — muitas vezes, ignoram o setor de atuação da companhia cuja ação adquirem, bem como se ela é solvente ou rentável. Costumeiramente, lançam mão de uma série de procedimentos estatísticos (chamados “análise técnica”) ou gráficos (chamados “análise gráfica”) para determinar a sua “estratégia”. Multiplicam aquisições e vendas em prazo curtíssimo: não raro, compram ações para vende-las no mesmo dia (é o chamado <em>day trade</em>) ou após uns poucos dias ou semanas (é o <em>swing trade</em>) — Normalmente, quem mais ganha com essa prática é a corretora e não os especuladores (assim como é o cassino, e não os jogadores, que ganha com as apostas).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> O artigo cita ainda o celebrado Pe. Merkelbach — autor da <em>Summa moralis </em>— para falar de um perigo adicional que, embora não exclusivo dessa atividade, atinge a especulação mais particularmente:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “O costume de se preocupar com especulações monetárias leva a um desejo avassalador de ganhos, ao qual subordinam todas as coisas e todas as atividades; engendra uma ansiedade constante e expõe empresas e famílias a um grande perigo de desperdício, ociosidade e ruína financeira.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> O Pe. Scott conclui: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “É lamentável que alguns católicos tradicionais considerem que esse modo de vida seja compatível com o Reinado Social de Jesus Cristo, engajando-se, como fazem, em tais comércios pela Internet, sem se perguntarem se esse comércio especulativo poderia servir a Cristo Rei, ou possivelmente seguindo o falso princípio de que os fins justificam os meios.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>É PERMITIDO A UM CATÓLICO ESPECULAR NA BOLSA DE VALORES OU NO MERCADO DE CÂMBIO?</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/e-permitido-a-um-catolico-especular-na-bolsa-de-valores-ou-no-mercado-de-cambio/</link>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2020 15:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Peter R. Scott]]></category>
		<category><![CDATA[Permanencia]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Permanencia A lei natural do direito à propriedade privada traz consigo o direito de comprar e vender, possuir e, conseqüentemente, negociar bens como ações de empresas públicas ou privadas. Esse investimento privado é, de fato, absolutamente essencial para o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/e-permitido-a-um-catolico-especular-na-bolsa-de-valores-ou-no-mercado-de-cambio/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class="n3VNCb alignright" src="https://blog.nelogica.com.br/wp-content/uploads/2018/11/O-que-%C3%A9-e-como-operar-na-Bolsa-de-Valores.png" alt="O que é a Bolsa de Valores e como operar? - Nelogica" width="264" height="172" data-noaft="1" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5731">Permanencia</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A lei natural do direito à propriedade privada traz consigo o direito de comprar e vender, possuir e, conseqüentemente, negociar bens como ações de empresas públicas ou privadas. Esse investimento privado é, de fato, absolutamente essencial para o bem comum, pois sem capital não pode haver produção. O fato de o resultado de tais investimentos ser altamente arriscado não altera a moralidade, desde que um homem não invista os fundos necessários para o sustento de sua família. Tampouco se o ganho de um homem for, paralelamente, a perda de outro, desde que não haja engano, fraude ou que se tire proveito da ignorância dos demais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Especulação, no entanto, não é a mesma coisa que investimento, mas é a colocação de dinheiro a curto prazo, em ações ou moedas, a fim de obter um ganho rápido com uma venda rápida no momento em que o mercado estiver forte. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal especulação não é contrária à justiça, uma vez que os termos do contrato são mantidos, nem pode ser considerada em si um pecado, uma vez que todos os termos dos vários contratos de compra e venda e os requisitos do direito civil são observados. No entanto, &#8220;eles não são moralmente louváveis, a menos que sejam exigidos por alguma necessidade comercial&#8221; (Merkelbach, Summa Theologiae Moralis, II, §604).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O princípio é dado pelo Papa Pio XII em uma mensagem de rádio para o mundo inteiro, em 1º de setembro de 1944, na qual ele condena não apenas o comunismo, por sua negação do direito à propriedade privada, mas também “o capitalismo&#8230; fundado em uma concepção errônea que arroga para si um direito ilimitado sobre a propriedade fora de toda subordinação ao bem comum&#8221;, tendo isso sempre sido condenado pela Igreja &#8220;como algo contrário à lei natural”1</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O católico de reta consciência deve fazer uso do seu capital e de seus investimentos não apenas para seu próprio lucro, mas também para o bem comum da sociedade. É altamente duvidoso que especulações transitórias nos mercados acionários ou monetários redundem em alguma contribuição real ao bem comum. Ao contrário, devem ser supostas como egoístas e prejudiciais ao bem comum.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Pe. Merkelbach explica o porquê de não considerar a especulação como algo moralmente louvável: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“[tais especuladores] retém indevidamente seu capital em operações intermediárias que não têm utilidade real; e buscam obter riquezas sem mão de obra proporcional e sem subordinação ao bem comum, com prejuízo aos outros que não se expõem livremente ao acaso, mas são obrigados a fazê-lo por razões comerciais. Além disso, o costume de se preocupar com especulações monetárias leva a um desejo avassalador de ganhos, ao qual subordinam todas as coisas e todas as atividades; engendra uma ansiedade constante e expõe empresas e famílias a um grande perigo de desperdício, ociosidade e ruína financeira.&#8221; (<em>Ibidem</em>)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É lamentável que alguns católicos tradicionais considerem que esse modo de vida seja compatível com o Reinado Social de Jesus Cristo, engajando-se, como fazem, em tais comércios pela Internet, sem se perguntarem se esse comércio especulativo poderia servir a Cristo Rei, ou talvez seguindo o falso princípio de que os fins justificam os meios. Podemos conhecer o pensamento da Igreja sobre esse ponto na tradicional interdição do Código de Direito Canônico (1917) desse tipo de especulação dessa sorte para todos os clérigos e religiosos, mesmo se feita em benefício da Igreja ou de outras pessoas (Can. 142).</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">-Fr. Scott, maio de 2007</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1<a style="color: #000000;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5731#footnoteref1_c459jhq">.</a> Disponível no site do Vaticano (em espanhol): </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://w2.vatican.va/content/pius-xii/es/speeches/1944/documents/hf_p-xii_spe_19440901_al-compiersi.html">http://w2.vatican.va/content/pius-xii/es/speeches/1944/documents/hf_p-xii_spe_19440901_al-compiersi.html</a></span></p>
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		<item>
		<title>ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II – PARTE 4/4</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/estudo-sobre-o-naturalismo-dos-misterios-luminosos-do-papa-joao-paulo-ii-parte-44/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2016 15:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Papa João Paulo II]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Peter R. Scott]]></category>
		<category><![CDATA[Rosário]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est  Frutos do Rosário Se for necessária uma última prova sobre todo esse espírito naturalista da carta apostólica, ele encontra-se na discussão sobre os frutos do Rosário. Há, antes de tudo, uma reinterpretação humanista &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/estudo-sobre-o-naturalismo-dos-misterios-luminosos-do-papa-joao-paulo-ii-parte-44/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.sspxasia.com/Newsletters/2002/Oct-Dec/Naturalism_and_the_Rosary.htm">SSPX Asia</a></span> <span style="color: #000000;">– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com">Dominus Est</a></span> </span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/09/jp.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6589" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/09/jp.jpg" alt="jp" width="186" height="270" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Frutos do Rosário</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se for necessária uma última prova sobre todo esse espírito naturalista da carta apostólica, ele encontra-se na discussão sobre os frutos do Rosário. Há, antes de tudo, uma reinterpretação humanista das graças a serem recebidas pela meditação dos mistérios, especialmente nos mistérios dolorosos e gloriosos. Tradicionalmente, meditamos os mistérios dolorosos em reparação aos nossos pecados e aos pecados do mundo, para que assim cresçamos em contrição e, ao sermos purificados das desordens da nossa sensualidade e orgulho, possamos carregar nossa cruz. Todavia, de acordo com a Carta Apostólica de João Paulo II, os mistérios dolorosos são simplesmente <em>“o ápice da revelação do amor e a fonte da nossa salvação”</em> que revela <em>“o mesmo sentido do homem”</em> através da <em>“força regeneradora”</em> do <em>“amor de Deus”</em> (§22). Essa é uma consequência direta da nova teologia naturalista do Mistério Pascal, que diz que não há necessidade de penitência, sacrifício e satisfação dos pecados. O sofrimento humano de Cristo simplesmente nos dá um maior conhecimento da humanidade em comum (isto é, do próprio “sentido do homem”). Visto assim, esse humanismo é em si mesmo uma revelação do amor de Deus, pois Cristo é a melhor manifestação humana desse amor. Pode-se facilmente ver que nenhum fruto sobrenatural pode vir dessa nebulosa experiência, pois ela não nos atrai ao paraíso, nem nos inspira a desprezar as coisas da terra e abraçar nossa cruz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mesma coisa pode se dizer das graças que se obtêm dos mistérios gloriosos. Tradicionalmente, eles nos dão as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) e nos dão um fervente desejo pelo Paraíso, além da humilde devoção e confiança na Santíssima Virgem Maria. Já na Carta Apostólica é dito que nos mistérios gloriosos<em> “o cristão descobre novamente as razões da própria fé”</em> (§23) — algo que não faz sentido algum para aqueles que acreditam que a Fé é um dom gratuito de Deus aceito por causa da autoridade D’Ele e porque Ele não pode enganar nem ser enganado. Apenas uma fé [puramente] humana procuraria confirmações desse tipo. Ademais, o Papa João Paulo II resume os frutos dos mistérios gloriosos dizendo que eles <em>“alimentam nos crentes a esperança da meta escatológica, para onde caminham como membros do Povo de Deus peregrino na história”</em> (§23). Essa estranha expressão indica que o propósito desses mistérios é ajudar crentes de todos os tipos (pois a ambígua expressão “o povo de Deus” é deliberadamente estendida aos que não são católicos), e ajudá-los na “história” — ou seja, nesta terra — em que a própria Igreja é uma peregrina que não sabe para onde os tempos modernos e as mudanças a levam, embora Ela sempre tenha uma mente aberta. A escatologia é o estudo do destino final, mas aqui o termo “meta escatológica” é usado em sentido ambíguo, de modo que ele muito bem poderia se referir ao destino final do povo de Deus na busca da paz e justiça terrenas, assim como na busca de uma vida perene. Novamente a perspectiva naturalista torna a verdadeira graça ausente.</span><span id="more-6595"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os frutos do Rosário são expressamente discutidos no quadragésimo parágrafo da Carta Apostólica. Lá afirma-se que <em>“o Rosário é, por natureza, uma oração orientada para a paz”</em>, o que caracteriza uma expressão ambígua. Essa paz é a paz da reta espada que pode tanto ferir como defender ou é a paz do indiferentismo (chamada por Pio XII de “irenismo”, ou paz a qualquer custo)? A resposta encontra-se ao ler a respeito dos efeitos que João Paulo II afirma advirem dessa paz: <em>“Como seria possível fixar nos mistérios gozosos (&#8230;) sem sentir o desejo de acolher, defender e promover a vida, preocupando-se com o sofrimento das crianças nas diversas partes do mundo? (&#8230;) sem se empenhar a testemunhar as suas “bem-aventuranças” (de Cristo) na vida diária? (&#8230;) sem sentir a necessidade de se fazer seu “cireneu” em cada irmão abatido pela dor ou esmagado pelo desespero (&#8230;) sem desejar tornar este mundo mais belo, mais justo, mais conforme ao desígnio de Deus?”</em> (Supostamente, esta última parte do trecho é para ser o fruto dos mistérios gloriosos!). Está óbvio que a paz que se fala é a paz terrena, um mundo justo, e que ela nada tem a ver com a paz sobrenatural que serve de preparação para a eternidade. Esse naturalismo é também expresso pelo novo simbolismo que o Papa propõe para as contas do Rosário: <em>“É bom alargar o significado simbólico do terço também à nossa relação recíproca, recordando através dele o vínculo de comunhão e fraternidade que a todos nos une em Cristo”</em> (§36), e o fato de que as indulgências agora são alegadamente concedidas <em>“para encorajar esta perspectiva eclesial do Rosário”</em> (§37), e não mais para obter, antes de tudo, a remissão da punição temporal por conta do pecado — remissão essa que faz abrir as portas do paraíso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas alguém pode dizer que nessa carta o papa recomenda o Rosário em família e repete o adágio <em>“A família que reza unida, permanece unida” </em>(§41). Estará segura essa pessoa de que isso não é liberalismo? Leia então quando o Papa fala dos frutos que garante a família que reza o Rosário:<em> “os seus diversos membros (&#8230;) recuperam também a capacidade de se olharem sempre de novo olhos nos olhos para comunicarem, solidarizarem-se, perdoarem-se mutuamente, recomeçarem com um pacto de amor renovado pelo Espírito de Deus” </em>(§41), assim como o <em>“crescimento dos filhos”</em> (§42) e para vencer <em>“a distância cultural entre as gerações”</em> (§42). Todas essas expressões poderiam ser facilmente usadas por acatólicos em suas experiências comunais de família. Não que em si essas coisas sejam más, mas estão num plano puramente natural. Assim, para fazer as crianças gostarem do Rosário, o Papa não nos propõe disciplina e mortificação, mas as novidades que servem de <em>“atrativos simbólicos e práticos”</em> (§42).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quão diferente é a concepção de frutos do Rosário defendida pelo Papa Leão XII em sua encíclica <em>Jucunda semper</em> de 8 de setembro de 1894: <em>“A virtude que o Rosário tem de inspirar a confiança em quem o reza, possui-a também em mover à piedade para conosco o coração da Virgem”</em> (§10). Eis um fruto completamente sobrenatural: bênçãos do Céu por meio de Nossa Senhora. Leão XII também nos diz que podemos esperar ver dos nossos Rosários o duplo aspecto do fruto do Rosário tão comumente visto na história da Igreja: <em>“a defesa da santa fé contra os nefastos ataques dos hereges, quer no repor em honra aquelas virtudes que haviam sido sufocadas pela corrupção do mundo. Experimentou-a por uma série ininterrupta de benefícios, privados e públicos, cuja lembrança por toda parte foi imortalizada até mesmo com insignes instituições e monumentos”</em> (§1). Novamente, é a Fé sobrenatural e a virtude em oposição ao espírito do mundo.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Obrigação do Rosário</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como João Paulo II considera o Rosário apenas mais um método de oração, ele obviamente não pode torná-lo obrigatório. Com efeito, ele reconhece claramente que não tem intenção de impor qualquer coisa aos indivíduos ou igrejas particulares (§3). Qual então é a consequência prática dessa carta? Será o aumento da frequência na recitação do Rosário? Claramente não, e se a carta for de fato lida e entendida, ela diminuirá o que resta de fervor ao rosário na igreja pós-conciliar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quão diferente foi a conclusão dada pelo Papa Leão XIII no final da sua primeira encíclica sobre o Rosário, <em>Supremi apostolatus officio</em> em 1883: <em>“Estabelecemos, pois, e ordenamos que, em todo o mundo católico, a solenidade de Nossa Senhora do Rosário seja este ano celebrada com particular devoção e com esplendor de culto”</em>; e ele efetivamente tornou obrigatório que se recitasse todos os dias no mês de outubro cinco dezenas do Rosário e a Ladainha de Nossa Senhora antes que fosse exposto o Santíssimo Sacramento. Ele continua: <em>“pelo zelo que tendes da honra de Maria e da salvação da sociedade humana, esforçai-vos por alimentar a devoção e por aumentar a confiança do povo para com a grande Virgem”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então não podemos deixar de concluir que a Carta Apostólica de João Paulo II foi promulgada mais para promover o ecumenismo, a solidariedade religiosa e comunal, o diálogo com os não-cristãos, a aceitação de métodos de meditação não-cristãos, e o novo conceito de Mistério Pascal, do que para verdadeiramente promover a recitação do Rosário tal como o conhecemos. O idealismo das meditações naturalistas, a introdução de novos mistérios luminosos que nada têm a ver com a Redenção, a confusão deliberada acarretada pelas mudanças propostas, e a recusa de qualquer medida concreta para de fato promover a recitação do Rosário, garantiram que essa carta se torne um triste — porém importante — passo na direção da diminuição da devoção mariana e do Rosário na igreja pós-conciliar.</span></p>
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		<title>ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II – PARTE 3/4</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/estudo-sobre-o-naturalismo-dos-misterios-luminosos-do-papa-joao-paulo-ii-parte-34/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Sep 2016 15:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est Os “melhoramentos” do Rosário A mais óbvia das melhoras a ser feita no Rosário é a adição de uma nova série de cinco dezenas para ser recitada após os Mistérios Gozosos (§19 e &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/estudo-sobre-o-naturalismo-dos-misterios-luminosos-do-papa-joao-paulo-ii-parte-34/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.sspxasia.com/Newsletters/2002/Oct-Dec/Naturalism_and_the_Rosary.htm">SSPX Asia</a></span> <span style="color: #000000;">– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/09/jp.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6589" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/09/jp.jpg" alt="jp" width="186" height="270" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Os “melhoramentos” do Rosário</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mais óbvia das melhoras a ser feita no Rosário é a adição de uma nova série de cinco dezenas para ser recitada após os Mistérios Gozosos (§19 e §21). A escolha desses novos mistérios, que o Papa chama de <em>“momentos luminosos”</em>, não é de maneira alguma por acaso. Há um esforço deliberado para evitar os dois principais fatores que contribuíram para que São Domingos determinasse as 15 dezenas as quais estamos acostumados. Primeiro, os mistérios foram dados a ele pela Tradição, e em segundo esses mistérios são eventos objetivos da nossa Redenção. Os 15 mistérios do Rosário como o conhecemos são eventos que aconteceram e que constituíram etapas importantes no cumprimento da Redenção, seja pela Encarnação (no caso dos Mistérios Gozosos), seja pelo mérito e reparação (como nos Mistérios Dolorosos), seja pela causalidade exemplar (como nos Mistérios Gloriosos). Os três conjuntos de mistérios são necessários a nossa redenção, e não poderia ser de outra maneira. É verdadeiro que muitos dos mistérios estão na Sagrada Escritura, todavia, não é por essa razão que eles foram incluídos no Rosário. Eles foram incluídos porque a Tradição católica vivente transmitiu até São Domingos como os mistérios da nossa redenção precisam ser meditados através do Rosário. Por conseguinte, é completamente falso chamar o Rosário de <em>“compêndio do Evangelho”</em> (§19) como ele é chamado na Carta Apostólica. Da mesma maneira, não está de acordo com a Tradição católica — portanto não é católico — querer adicionar cinco mistérios <em>“para que o Rosário possa considerar-se mais plenamente ‘compêndio do Evangelho’”</em> (§19). Ademais, não é surpreendente notar que os mistérios de luz propostos não são eventos da nossa Redenção. São apenas belos episódios do Evangelho e palavras para nos encorajar. Consequentemente, a inserção desses trechos no Rosário obscurece a realidade e a importância da redenção objetiva que o Rosário tradicional representa. Além disso, os novos mistérios são histórias do Evangelho que a Tradição nunca ligou de qualquer maneira ao Rosário. Para acrescentar mais elementos antagônicos ao verdadeiro aspecto mariano da devoção ao Santo Rosário, apenas um desses mistérios menciona a presença e o papel de Nossa Senhora — e apenas de passagem — na ocasião da bodas de Caná. A Santíssima Mãe não está de maneira alguma presente nos demais mistérios. É o caso de se perguntar o que eles estão fazendo no Rosário além de levar sub-repticiamente a atenção para longe de Nossa Senhora.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Citemos esses cinco <em>“momentos” “luminosos”</em> e <em>“significantes” </em>(§21): O batismo de Cristo no Jordão, sua auto-revelação nas bodas de Caná, seu anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão, sua Transfiguração e, enfim, a instituição da Eucaristia. Você pode legitimamente se perguntar por que esses episódios do Evangelho e o quê esses episódios têm em comum para merecer o título de <em>“mistérios de luz”</em>. Evidentemente não têm nada a ver com Nossa Senhora, ou mesmo com a redenção objetiva.</span><span id="more-6593"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entretanto, há de fato um fator em comum, que é o fato de que todos os cinco “momentos luminosos” expressam de uma maneira ou outra a nova teologia do Mistério Pascal, que é um conceito totalmente novo de Redenção. Essa é a teoria que minimiza a importância do sacrifício da Cruz na nossa Redenção e que está por trás da <em>Novus Ordo Missae</em>, onde o sacrifício propiciatório foi efetivamente eliminado. De acordo com essa teoria, defendida amplamente pelos modernistas, a Redenção do homem é uma obra de puro amor ou misericórdia. A manifestação do amor de Deus é tão grande que não há necessidade de nada mais, nem sequer o pagamento de uma dívida pelo pecado. Por assim dizer, querer pagar uma dívida seria limitar o infinito amor de Deus. Por conseguinte, a redenção é qualquer coisa que manifeste o amor de Deus. Os <em>“mistérios de luz”</em> estão nessa categoria, pois vistos assim eles são manifestações da misericórdia e da glória de Jesus, e, com efeito, são manifestações mais poderosas que o Nascimento e morte na Cruz. De acordo com essa nova teologia não há necessidade da satisfação (i.e. reparar as ofensas) dos pecados do homem, nem da Cruz, nem do sacrifício, nem da penitência e nem da abnegação, exceto num sentido secundário, na medida em que eles forem manifestações da misericórdia de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As razões pelas quais esses cinco foram escolhidos torna-se, nessa perspectiva, evidente: são todas manifestações. No primeiro a missão é manifestada pelo Pai e pelo Espírito. No segundo mistério (de Caná) há uma manifestação de fé, pois Cristo <em>“abre à fé o coração dos discípulos graças à intervenção de Maria, <strong>a primeira entre os crentes</strong>”</em>. Assim, até mesmo Maria é evocada para o propósito do ecumenismo, pois de acordo com a teoria do Mistério Pascal, todos os crentes [em qualquer coisa] são manifestação da misericórdia divina, independente das suas crenças particulares. O terceiro mistério é a manifestação do Reino de Deus, e o quarto é a manifestação da<em> “Glória da Divindade”</em> (por que não dizer precisamente o que é? No caso não se diz a divindade de Cristo). No quinto mistério a instituição da Eucaristia é explicitamente descrita como a <em>“expressão sacramental do mistério pascal”</em>. Observe que aqui não se menciona qualquer um dos sete sacramentos que renova o sacrifício do Calvário de maneira incruenta, mas apenas de maneira generalizada e imprecisa menciona-se uma manifestação ou expressão do mistério oculto do amor de Deus — que é o que o Papa quer dizer quando comenta que nessa refeição Jesus está <em>“testemunhando ‘até ao extremo’ o seu amor pela humanidade”</em> (§21), citando deliberadamente e erroneamente São João (13, 1), pois o apóstolo afirma explicitamente que são <em>“os seus”</em> que Jesus ama até o fim, e não toda humanidade ou todo o mundo. O Papa resume esse novo conceito de Mistério Pascal (no sentido de que os mistérios são uma manifestação separada de qualquer ato de Redenção) quando diz que <em>“cada um destes mistérios é revelação do Reino divino já personificado no mesmo Jesus”</em>. É por isso que todos os crentes estão salvos, pois todos eles crêem de alguma maneira na manifestação ou revelação do amor divino, e que isso é tudo o que importa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Consequentemente, não pode haver qualquer dúvida que há razões não declaradas e profundamente heterodoxas que representam a verdadeira razão da inserção desses <em>“momentos luminosos”</em> — algo absolutamente impensável até antes do Vaticano II e que assim continua para aqueles que acreditam na tradicional teologia da Redenção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Foi o Papa Leão XIII, que em diferentes encíclicas sobre o Rosário, explicou efetivamente porque os mistérios do Rosário não são opcionais ou mutáveis. A ordem e o número do Rosário são para que se proponha de maneira perfeita a nós a <em>“obra inenarrável da Redenção humana”</em>, conforme explica Leão XIII em <em>Octobri mense</em> de 22 de setembro de 1891. O Rosário <em>“recorda, num feliz enredo, os grandes mistérios de Jesus e de Maria: as suas alegrias, as suas dores e os seus triunfos. Se os fiéis meditarem e contemplarem devotamente, <strong>na ordem, devida</strong>, estes augustos mistérios, haurirão deles um admirável auxílio, quer em alimentar a sua fé e em preservá-la da ignorância e do contágio dos erros, quer em elevar e fortalecer o vigor do seu espírito (&#8230;) e nunca se cansarão de admirar <strong>a obra inenarrável da Redenção humana</strong>, levada a efeito a tão caro preço e com uma sucessão de tão grandes acontecimentos”</em>. Uma citação tão explícita e tão contrária à [nova] teoria do Mistério Pascal não poderia ser encontrada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Leão XIII reiterou as mesmas idéias no ano seguinte em sua encíclica <em>Magnae Dei matris</em> de 8 de setembro de 1891, onde ele dá o nome de “principais mistérios da nossa religião” à obra da Redenção: “<em>Com efeito, com a sua maravilhosa e eficaz oração, ordenadamente repetida, ele [O Rosário] nos leva à recordação e à contemplação dos principais mistérios da nossa religião: em primeiro lugar, daqueles pelos quais &#8220;o Verbo se fez carne&#8221; e Maria, Virgem intacta e Mãe, lhe prestou com santa alegria os seus maternais ofícios. Vêm depois as amarguras, os tormentos, a morte de Cristo, preço da salvação do gênero humano. Finalmente, são os mistérios gloriosos (&#8230;) E esta a ordenada sucessão de inefáveis mistérios no Rosário é freqüente e insistentemente evocada à memória dos fiéis, e como que desenrolada diante dos seus olhos; de modo que aqueles que rezam bem o Rosário têm a alma inundada por ele de uma doçura sempre nova, experimentam a mesma impressão e emoção que experimentariam se ouvissem a própria voz de sua dulcíssima Mãe, no ato de lhes explicar esses mistérios e de lhes dirigir salutares exortações”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que poderosa a autoridade a qual Leão XIII fala a verdade, e que convicção quanto à integralidade e à ordem dos mistérios do Rosário tal como estão. Por conseguinte, exorto o leitor a recusar a novidade dos mistérios luminosos e manter-se firme nos mistérios que tão perfeitamente descrevem o mistério da nossa Redenção — e consequentemente são fonte de ilimitadas graças para nossas almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitas outras “melhorias” são propostas na carta, e pelos mesmos motivos que já vimos. Por exemplo, a modificação proposta na própria Ave Maria (§33). Como a Ave Maria é uma oração “cristológica”, o auge dela não pode ser a pessoa à qual se dirige (Maria), mas o nome de Jesus. <em>“O baricentro da Ave Maria, uma espécie de charneira entre a primeira parte e a segunda, é o nome de Jesus”</em> (§33). Isso, ademais, não é cristológico o bastante para o Papa. Ele quer enfatizar muito mais o nome de Jesus e, desta maneira, rebaixar a importância de Nossa Senhora. Ele propõe que se faça isso adicionando uma frase após o nome de Jesus, de maneira que essa frase se relacione à manifestação de Jesus no mistério em questão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Observa-se aí que não há absolutamente qualquer menção à oração ensinada às crianças em Fátima — como se ela não tivesse importância e nem sequer merecesse menção. Não obstante, em todo lugar tornou-se costume recitar a após cada dezena essa oração profundamente sobrenatural: <em>“Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno; levai as almas todas para o Céu, e socorrei principalmente as que mais precisarem”</em>. Entretanto o Papa encoraja o povo de Deus a criar suas próprias orações, que pode <em>“gozar de uma legítima variedade na sua inspiração”</em> (§35). Se assim for, o espírito sobrenatural, a constância e a inabalável solidez dessa imutável oração serão solapados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Continua&#8230;.</span></p>
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