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	<title>DOMINUS EST &#187; Santa Catarina de Sena</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>O DEVER DE DESOBEDECER AOS HOMENS PARA OBEDECER A DEUS</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Nov 2023 12:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Permanencia]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Catarina de Sena]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Permanencia Um leitor nos escreve: “Prezado Diretor, Faço questão de participar-lhe do alívio e da satisfação que senti ao ler o Si Si No No de fevereiro de 2003 [edição italiana], especialmente o artigo ‘Autoridade e verdade. Noite ao &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-dever-de-desobedecer-aos-homens-para-obedecer-a-deus/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://templariodemaria.com/wp-content/uploads/2016/10/joelhofobia_de_joelhos.jpg" alt="JÁ OUVIU FALAR EM &amp;quot;JOELHOFOBIA&amp;quot;?" width="456" height="261" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5312">Fonte: Permanencia</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um leitor nos escreve:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em style="font-weight: inherit;">Prezado Diretor,</em></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em style="font-weight: inherit;">Faço questão de participar-lhe do alívio e da satisfação que senti ao ler o Si Si No No de fevereiro de 2003 [edição italiana], especialmente o artigo ‘Autoridade e verdade. Noite ao meio dia?’ [que está sendo publicado neste número da edição brasileira]. Realmente, a brilhante argumentação referente à autoridade papal, que não é absoluta e está limitada pelo direito divino e, portanto, nem sempre obriga à obediência, confirmou-me, mais uma vez, que têm razão de sobra os que decidem continuar pertencendo à Igreja de sempre, isto é, à Igreja da Tradição Apostólica.</em></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em style="font-weight: inherit;">Suas demonstrações e provas, dedicadas à refutação dos neomodernistas e “conciliaristas” (que hoje estão soltos pelo mundo e como que possessos por uma sanha diabólica), baseiam-se num plano profundo da moral e da doutrina que nos enche de certeza e esperança quanto ao futuro da Igreja e também à salvação de nossas almas.</em></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em style="font-weight: inherit;">Mas, caro diretor, eis aqui a razão de minha carta: há pouco tempo deparei-me com um texto que transcrevo brevemente e que me causou uma pequena “crise” [&#8230;]. Trata-se de um livro sobre os grandes santos italianos [&#8230;] em que Santa Catarina de Sena, a grande santa do século XIV, padroeira da Itália, dirige-se a Sire Bernabó Visconti, senhor de Milão, um dos mais perigosos inimigos do papado (1373): “Pecamos diariamente, e por isso necessitamos diariamente de receber o perdão de nossos pecados, mas só a Igreja administra este sacramento, por ser a única depositária do sangue do Cordeiro. Então, quão néscio é quem se afasta do Vigário de Cristo, guardião das chaves do céu! Mesmo que fosse o diabo encarnado, o senhor não deveria rebelar-se contra ele, e sim, humilhar-se sempre e pedir o sangue [do Cordeiro] por misericórdia. De outro modo não poderia obtê-lo nem participar de seus frutos. Rogo-vos, pelo amor de Cristo crucificado, que nunca façais nada contra vosso Chefe [&#8230;]. Dai-vos conta de que só o demônio pode vos ter tentado a fazer justiça em relação aos maus pastores da Igreja. Não creiais no demônio; o castigo dos prelados não é vossa incumbência; não o consente nosso Salvador, que não quer que Vós nem criatura alguma faça tal justiça, pois é ele próprio quem deseja realizá-la [&#8230;]”.</em></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em style="font-weight: inherit;">Mais tarde [&#8230;], em 1375, a República de Florença rebelou-se abertamente contra a autoridade do Papado; Catarina trovejou e fulminou seus anátemas contra os reitores do Povoado de Sena:</em></span><span id="more-24557"></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em style="font-weight: inherit;">“Quem, como membro infecto, rebela-se contra a Santa Igreja e contra nosso Pai, o Cristo na Terra, cai no domínio da morte, porque o que se faz ao Vigário de Cristo faz-se ao próprio Cristo. Prestai atenção ao que conseguistes com vossa desobediência e perseguições: cair na morte, tornar-vos odiosos a Deus e desagradáveis a Ele; não vos podia acontecer coisa pior do que estar privados de Sua graça. Admito que muitos imaginam não ofender a Deus agindo assim, e que enquanto perseguem a Igreja e seus pastores se desculpam alegando que eles são maus e autores de toda sorte de dano. Mas digo-vos que Deus quer e manda que, apesar de o Cristo na terra e os outros pastores serem diabos encarnados, submetamo-nos igualmente e os obedeçamos. Não por causa de suas pessoas, senão por obediência a Deus, pois o Papa é o vigário de Cristo”.</em></span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em style="font-weight: inherit;">Chegando a esse ponto, caro Diretor, peço-lhe um comentário, uma explicação sobre as afirmações de Santa Catarina relativas ao Papa e à obediência absoluta que lhe devemos, como parece, em qualquer caso ou circunstância, mesmo que seja o demônio encarnado. Encontro-me entre a “cruz” das poderosas razões que o senhor expôs no artigo supracitado e a “espada” das palavras da padroeira da Itália que parecem, à primeira vista, irrefutáveis e irrepreensíveis”.</em></span></p>
<h2 style="text-align: justify;"><span style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #000000;">Carta assinada</span></h2>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para compreender os textos de Santa Catarina é mister levar em conta que para ela eram perfeitamente normais e verdadeiras as noções de obediência e desobediência. São Pedro também dizia aos escravos que obedecessem a seus senhores mesmo que fossem maus (I Pedro 2, 18) mas, certamente, não queria dizer com isso que deviam obedecer às más ordens dos maus senhores, nem a Igreja jamais o compreendeu assim (caso contrário, os mártires teriam oferecido sacrifícios aos deuses para obedecer ao imperador). Portanto, aproveitando a ocasião que nos oferece o leitor, “tiremos o pó” da doutrina católica sobre a obediência, já recordada aqui em mais de uma ocasião.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Comecemos por descartar que Santa Catarina exija uma obediência “absoluta” ao Papa. Na verdade, a Igreja ensina que a obediência absoluta se deve somente a Deus. Santo Tomás pergunta-se, em sua <em style="font-weight: inherit;">Summa Theologica</em> se é necessário obedecer a Deus em tudo (<em style="font-weight: inherit;">S. Th</em>. II-II, q.104, a.4). Sim, responde, porque além de ser o senhor supremo, Deus não pode mandar nada contra a verdade e a virtude (ibid. ad 2). Depois o santo pergunta-se se os subordinados também estão obrigados a obedecer em tudo a seus superiores (<em style="font-weight: inherit;">S.Th. </em>II-II, q.104, a.5). Não, responde, porque o superior pode mandar alguma coisa contra Deus, e nesse caso é imperativo obedecer a Deus sem considerar a ordem da autoridade inferior, de acordo com o princípio proclamado por São Pedro (At 5, 29): “É preciso obedecer a Deus antes que aos homens”(ibid.).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tampouco é absoluta a obediência a que estão obrigados por voto os religiosos. Tal obediência está submetida à norma supracitada, e a partir daí Santo Tomás distingue três tipos de obediência:</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A primeira, suficiente para a salvação, limita-se a obedecer nas coisas obrigatórias; a segunda, perfeita, obedece em todas as coisas lícitas; a terceira, desordenada (indiscreta), obedece também no que é ilícito” (ibid. ad 3). Entretanto, é em nome dessa última obediência “indiscreta”, desordenada e sem discernimento, que muitos religiosos e eclesiásticos se dobram frente ao modernismo, outrora condenado pela Igreja.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, “a obediência é ilimitada quando diz respeito a Deus&#8230;; quanto aos homens, ela é limitada pelo direito divino (natural e positivo), por toda autoridade humana superior e pela matéria subtraída ao poder do superior” (Enciclopédia Católica, verbete “ubbidienza”).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não há autoridade humana que seja superior à do Papa, mas seu poder não está isento dos outros dois limites: o direito divino (natural e positivo) e a matéria que não é de sua competência.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A revista jesuíta <em style="font-weight: inherit;">La Civiltá Cattolica,</em> que era, então, influente, gloriosa e benemérita, escrevia há mais de um século:</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em style="font-weight: inherit;">Todo poder absoluto nesse mundo repugna. Nem a Igreja o possui: ela tem no Evangelho um código imutável; em seu organismo, uma constituição de que não pode afastar-se; na assistência divina um guia que a conforta. Temos algum poder graças à verdade, mas nada podemos contra ela. São Paulo escreveu: Non possumus aliquid adversus veritatem, sed pro veritate [&#8230;]. Só Deus, Senhor supremo de Suas criaturas, carece de limites de qualquer tipo, porque não necessita deles de modo algum, sendo reto e sábio por essência; portanto só Ele é regra para si próprio. [&#8230;] Qualquer outro poder só pode ser ministerial, pois acha-se circunscrito por limites e necessita de direção” (vol II, série XV, 1892, pág. 10). Também comentou acerca do Papa em particular: “Mas, enfim, é verdade que o Papa goza de soberania absoluta na Igreja? Tal expressão, se nos fixarmos no sentido próprio das palavras, é falsa. Não há dúvida de que a Igreja parece reger-se monarquicamente – assim é, de fato. Mas uma coisa é pôr no Papa uma soberania monárquica na forma, e outra muito distinta é fazer dele sujeito de uma soberania absoluta. A soberania monárquica refere-se ao sujeito do poder, e significa governo de um só; a soberania absoluta faz referência ao poder, e significa um poder independente de quem quer que seja. O Papa goza da soberania monárquica enquanto que só nele está concentrado todo o governo da Igreja, mas não tem a soberania absoluta, visto que não é rei nem dono da Igreja, senão vigário de seu rei e de seu dono: Cristo. Donde se segue que, assim como o vigário não pode exercer a administração de que está encarregado a seu “bel prazer” e está obrigado a submeter-se às prescrições daquele de quem é vigário, também o Papa não pode conduzir a Igreja de acordo com seus caprichos, mas tem que depender da vontade de Cristo, de quem é vigário. Em outros termos, o Papa tem que guardar, sem violar, as leis e prescrições dadas por Cristo e, atendo-se a elas, tem de administrar a Igreja com prudência</em>” (vol VII, série IX, 1875, pág 193).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso Bento XIV escreveu o seguinte ao bispo de Breslava (12 de setembro de 1750): “O fato de que nós conhecemos isso e o toleramos deve ser suficiente para tranqüilizar vossa consciência, pois nesse assunto não há nenhuma oposição ao direito divino (natural ou positivo) [caso houvesse oposição, a consciência do bispo não poderia gozar de tranqüilidade], somente ao direito eclesiástico”.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, até mesmo nessa questão de uma tolerância não contrária ao direito divino, o Papa se acha na obrigação de justificar-se: “Tudo que fazemos, testemunhamos diante de Vós, e ao pé do crucifixo, fazemo-lo somente para evitar maiores males à nossa religião”.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim respondeu Pio VI a Napoleão, que lhe pedia que anulasse o matrimônio – válido &#8211; de seu irmão: “Se usurpássemos uma autoridade que não temos, tornar-nos-íamos culpáveis do abuso mais abominável de nosso ministério diante do tribunal de Deus e da Igreja” (Que Votre Majesté, 26 de junho de 1805).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Compreendido isso, claro está que ao falar de obediência ao Papa, Santa Catarina refere-se, como São Pedro, a ordens que não usurpem uma autoridade que o Papa não recebe de Cristo; ela se refere a ordens que não contrariem o direito divino (natural ou positivo), que mesmo sendo um “demônio encarnado”, o Papa pode dar. Se além de ser um “demônio encarnado” o Papa der ordens próprias de um “demônio encarnado”, então o fato de ser Papa não basta para “tranqüilizar a consciência” de ninguém (cf. Bento XIV cit).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A obediência, na verdade, exige não apenas que a autoridade seja legítima, mas que as ordens sejam também legítimas (e por aqui se vê a inconsistência do sedevacantismo: se meu pai me ordena algo mau, não devo me preocupar em provar que ele não é meu verdadeiro pai. Para negar-lhe obediência, basta que sua ordem seja má).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A obediência é uma virtude moral, não teologal. Entre as duas categorias há uma diferença fundamental: não é possível pecar por excesso nas virtudes teologais (fé, esperança e caridade), porque tendo Deus por objeto direto, quanto mais se crê, mais se espera e mais se ama, melhor. Nas virtudes morais, entretanto, pode-se pecar por excesso ou por falta. Quanto à obediência, “peca-se por defeito quando não se executa uma ordem legítima. Nesse caso, há desobediência. Peca-se por excesso contra a obediência quando se obedecem a coisas contrárias a uma lei ou um preceito superiores; nesse caso há abjeção (ou servilismo)” (cf Roberti, Dizzionario de Theologia Morale, ed. Studium verbete “ubbidienza”). Por isso São Francisco de Sales escreve: “Muitos se enganaram profundamente ao crer que a obediência consistia em cumprir, com ou sem razão, tudo que nos é mandado, mesmo quando for contrário aos mandamentos de Deus e da Santa Igreja, no que erraram sobremaneira [&#8230;] porque em tudo que diz respeito aos mandamentos de Deus, os superiores não têm faculdade para dar uma ordem contra eles e os subordinados não têm jamais obrigação de obedecer em tal caso. Pior ainda: se obedecessem, cometeriam um pecado” (Centelhas Espirituais, cap IX, págs 170-171).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, o dever de obedecer pressupõe sempre que a ordem do superior seja sempre legítima. Caso contrário, não há obediência e sim, pecado contra a obediência. E para a obediência perfeita, também chamada “cega” o Padre Persh esclarece: “Para que ocorra um ato de obediência é necessário que o subordinado veja duas coisas: </span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1<sup>o</sup>. Que quem manda é um superior competente.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2<sup>o</sup>. Que aquilo que ele manda não é um pecado. </span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para assegurar-se desses dois pontos, a obediência deve enxergar e não ser cega&#8230; Em que sentido então se fala de obediência “cega” como ato perfeito de obediência? No sentido de que, estando seguros acerca dos dois pontos acima, tanto da competência do superior quanto da liceidade de sua ordem, nós excluímos a <em style="font-weight: inherit;">prudência carnal</em>, que torna odioso para nós tudo aquilo que vai contra nossa natureza corrompida e nos estimula a buscar razões para subtrairmo-nos aos preceitos desagradáveis” (Pralectionas Dogmatical, t. 9, ed 1923, nn 261 s.).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, há um caso em que se deve ao Papa uma obediência “verdadeiramente” cega, e é quando ele fala “ex cathedra” (magistério extraordinário infalível) ou quando ele propõe novamente o que a Igreja sempre creu e ensinou (magistério ordinário infalível). Assim, a obediência cega pressupõe uma autoridade infalível (cardeal Billot, De Ecclesia): no primeiro caso, o Papa goza pessoalmente da infalibilidade prometida a Pedro e a seus sucessores; no segundo, seu ensino goza da infalibilidade prometida por Nosso Senhor Jesus Cristo à sua Igreja em geral. Por isso, a obediência cega, que “não examina a intenção nem pesa as razões [&#8230;] é absolutamente necessária em relação a Deus e ao magistério infalível da Igreja” (Enciclopedia Cattolica, verbete “ubbidienza”).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conclui-se que, fora do magistério infalível, vale para o Papa o mesmo critério que para qualquer superior (melhor dizendo, vale com maior razão para o Papa, dadas suas gravíssimas responsabilidades): nos casos em que ele não goza do dom de infalibilidade, ele tem o dever de ser muito prudente e os súditos não têm obrigação de obedecer “cegamente”, achando-se, sim, obrigados àquela obediência que pode e deve “enxergar”, como dizia acima o padre Persh. “Enxergar” é perceber com o “sensus fidei” (que não é o juízo pessoal dos luteranos) um contraste com o que a Igreja sempre creu, ensinou, e praticou constantemente. Claro, não nos referimos a um contraste de gostos ou opiniões particulares.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso os bispos alemães responderam a Bismarck, depois da definição da infalibilidade pontifícia, que “a Igreja Católica não é, certamente, uma sociedade em que se admite o princípio imoral e despótico de que a ordem do superior libera, sem condições, os inferiores de qualquer responsabilidade pessoal”; e que tampouco a infalibilidade faz do Papa “um soberano absoluto”, como pretendia o chanceler alemão, porque “a infalibilidade é uma propriedade que se refere unicamente ao magistério supremo do Papa; e isto coincide com o âmbito do magistério infalível da Igreja em geral e está diretamente ligado às Sagradas Escrituras e à Tradição, assim como às definições efetuadas pelo magistério eclesiástico”.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pio IX aprovou, em nome de sua suprema autoridade apostólica, a supracitada declaração coletiva dos bispos alemães, louvou-a e fê-la sua, e por isso ela figura no Denzinger 5 (cf parag. 3115-3116).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na Inglaterra, Gladstone acusou os católicos de não poderem ser súditos leais à rainha porque deviam ao Papa uma obediência “absoluta”, o que dava ao Papa “o direito de criar uma consciência falsa para seus fins” e tornava os católicos “escravos intelectuais e morais”. O cardeal Newman respondeu que o Papa não reivindicava uma obediência absoluta, nem os católicos obedeciam daquela maneira, em coisas lícitas ou ilícitas. Newman citou São Belarmino, entre outros doutores da Igreja: “assim como seria lícito resistir ao Papa se ele atacasse fisicamente qualquer homem, também seria lícito resistir-lhe se ele atacasse as almas e perturbasse os Estados, e com maior razão se ele pretendesse destruir a Igreja. Seria lícito resistir-lhe não cumprindo o que ele mandasse e impedindo que sua vontade fosse cumprida” (Newman, carta ao Duque de Norfolk, Belarmino, De Romano Pontifice, II, 29). Se devêssemos interpretar os textos de Santa Catarina no sentido em que entendeu nosso leitor, com sua conseqüente perturbação (o demônio é bem esperto na hora de arrumar um jeito de roubar a paz às almas de boa vontade), teríamos de dizer que, apesar do ensinamento da Igreja e de seus doutores, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo é realmente uma sociedade em que está vigente o princípio imoral segundo o qual a ordem do superior libera, sem condições, os subordinados de toda responsabilidade pessoal, o que é falso. Portanto, devemos supor, e a história daquele tempo no-lo confirma, que se tratavam de príncipes ou governantes que resistiam a ordens papais legítimas (ou que não estavam fora de sua competência) e que se justificavam hipocritamente, como se depreende da carta ao povo de Sena, com o pretexto da indignidade pessoal do Papa e dos demais pastores da Igreja; por isso, Santa Catarina sublinha que se devia obediência “àquele e a estes, não por causa de suas pessoas, mas por obediência a Deus, de quem o Papa é vigário”. A Santa não teria escrito tal coisa se a obediência exigida pelo Papa fosse contrária a Deus e ao ofício do vigário de Cristo.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando as ordens ou as diretrizes do Papa contradizem o direito divino (natural ou positivo), deve-se obediência a uma autoridade mais alta que o Papa, a Jesus Cristo Nosso Senhor, de quem ele é o vigário. Vale então para o Papa o que vale para toda autoridade terrena: “quando o mandato é contrário à razão, à lei eterna, à autoridade de Deus, então deve-se desobedecer aos homens para obedecer a Deus” (Leão XIII, Libertas Praestantissimum, no. 15).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No que tange à situação atual, limitar-nos-emos a uns poucos exemplos:</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1) Sabemos que Deus quer que o Evangelho seja pregado a todos os homens, porque não há salvação fora de Jesus Cristo nem de sua Igreja (Mc 16, 15-16), e por isso a Igreja sempre foi missionária.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ecumenismo atual, entretanto, quer que abracemos a idéia de que já não é necessário pregar o evangelho de Jesus Cristo, nem que as pessoas sejam batizadas em sua Igreja; além disso, tacha de “proselitismo” toda ação missionária de cunho tradicional, porque dizem que para os mouros se salvarem basta que sejam bons mouros (o que significa negar a Trindade de Deus, a divindade de Jesus Cristo, a realidade de seu sacrifício pelos homens, etc.); para os hindus, basta serem bons hindus (o que significa até negar a unidade de Deus), e assim para todos os outros, inclusive os heréticos e cismáticos.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A quem prestaremos a obediência de nosso intelecto: a Deus ou a alguns homens da Igreja que traem a Deus e a sua Igreja? (Não julgamos seu grau de responsabilidade, porque não nos cabe julgar).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2) O direito divino proíbe que os fiéis tenham parte e relação com os infiéis, a não ser no campo das atividades materiais e por necessidade (São Paulo: Haereticum hominem devita: “evita o herege”, Tito 3, 10, e São João: “Nem sequer o saudais”. 2 Jo. 10, etc.). Na verdade, é um pecado contra a fé expô-la ao perigo (cf. Enciclopedia Cattolica, verbete fé). O ecumenismo atual, entretanto, promove contatos em todos os níveis, inclusive no âmbito do culto e da pregação (intercâmbio de púlpitos), com infiéis de todo tipo (hereges, cismáticos, idólatras).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A quem devemos obediência: a Deus, ou a homens que, mesmo sendo homens da Igreja, não agem como tais?</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3) Nosso Senhor Jesus Cristo fundou sua Igreja na unidade da fé, raiz e fundamento da vida cristã e de toda virtude, a caridade inclusive, porque é conforme à própria natureza do homem que a concórdia das vontades nasça da concórdia das inteligências (cf. Leão XIII, Satis Cognitum, Pio XI, Mortalium animos).</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ecumenismo atual nos diz, entretanto, que devemos colocar a “caridade” como fundamento, desconsiderando a fé e abraçando a idéia de “unidade na diversidade” (salta aos olhos que se referem à diversidade de fé, porque a diversidade na unidade de fé sempre houve na Igreja). A quem obedeceremos: a Deus ou aos homens? E poderíamos estender-nos muito mais em nossos exemplos. </span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabemos – porque a Santa Madre Igreja sempre nos ensinou (e porque a reta razão no-lo dita) – que é preciso obedecer primeiro a Deus, e depois aos homens (Atos, 5, 29), mesmo que sejam homens da Igreja (mas que abusam de sua autoridade). Conclui-se que, com tranqüilidade de consciência, defendamos nossa fé e a de nossos irmãos contra o “novo rumo” promovido na Igreja em nome de um concílio apresentado como “pastoral” e imposto como “dogmático”; melhor dizendo, como se fosse o único concílio dogmático, ou ao menos como se fosse superior a todos os demais, inclusive ao de Nicéia (Paulo VI!), que defendeu a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo contra Ário.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que diria hoje Santa Catarina? Ela fez os desobedientes voltarem à verdadeira obediência, mas em sua carta ela também exortou aos Papas, com extrema franqueza, que cumprissem seus deveres: “Peço-vos que façais virilmente o que tendes de fazer, e com temor de Deus”. “Sede homem varonil, não um covarde” (a Gregório XI). Assim, as deficiências daqueles Papas não eram nem de longe como as da hierarquia atual. E tal comentário não supõe que estejamos nos arrogando o direito de “julgar” o Papa (ou os outros pastores). Na verdade, escreve Vitoria, grande teólogo dominicano, citando Caetano e outros teólogos de renome na Igreja: “Nós afirmamos tudo isso (o direito de resistir, inclusive publicamente, ao Papa que demole a Igreja), não porque alguém tenha o direito de julgar o Papa ou porque tenha autoridade sobre ele (exceto Deus, entende-se), mas porque é lícito defender-se. Todo mundo goza do direito (inclusive natural) de resistir a um ato injusto, de tentar impedi-lo, de defender-se dele” (Vitoria, Obras, pág. 487). Com maior razão quando se trata de fé.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não, os príncipes e governantes a quem Santa Catarina escrevia, não tinham de escolher, como nós, entre a fé e uma “obediência” indevida ao Papa, entre a fidelidade a Cristo e uma “fidelidade” indevida a seu vigário, que deslumbrado pela quimera do ecumenismo, sai de seus limites de vigário e expõe a fé, as almas e a Igreja a todos os tipos de perigo. Caso contrário, Santa Catarina, ao exortar-nos a uma falsa obediência ao homem, indevida e ruinosa, teria nos exortado a desobedecer a Deus para obedecer aos homens.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit; text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5312">Georgius</a></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>DEUS PAI FALA SOBRE A FUNÇÃO DAS FACULDADES NA VIDA ESPIRITUAL</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jun 2017 15:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Catarina de Sena]]></category>

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		<description><![CDATA[AS FACULDADES COMO DEGRAUS COMUNS Então Deus Pai, cheio de bondade, olhou para o desejo santo e a fome daquela serva e lhe disse: &#8211; Filha querida, não desprezo os santos desejos dos homens; gosto até de realiza-los. Vou mostrar &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/deus-pai-fala-sobre-a-funcao-das-faculdades-na-vida-espiritual/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><img class=" alignright" src="https://pbs.twimg.com/media/C4L8FQfVUAAJiNq.jpg" alt="Imagem relacionada" width="289" height="224" />AS FACULDADES COMO DEGRAUS COMUNS</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Então Deus Pai, cheio de bondade, olhou para o desejo santo e a fome daquela serva e lhe disse:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Filha querida, não desprezo os santos desejos dos homens; gosto até de realiza-los. Vou mostrar e explicar quanto pedes. Queres que eu te fale detalhadamente sobre os três degraus e diga-te como hão de agir os pecadores para abandonar o rio do pecado e atingir a ponte. Já me ocupei deste assunto antes quando falei da ilusão e cegueira dos maus, esses &#8220;mártires&#8221; do demônio que vivem na certeza do inferno. Mostrei que recompensa recebem por suas más ações (14.5) e fiz ver como deveriam comportar-se (14.14). Todavia, para atender ao teu pedido, vou dar maiores explicações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já sabes que todos os males procedem do egoísmo (2.7); é ele que obscurece a razão, na qual se encontra a iluminação da fé. Quem perde uma dessas duas luzes, perde ambas. Ao criar o homem à minha imagem e semelhança, dei-lhe a memória, a inteligência e a vontade. Entre elas, a mais nobre é a inteligência. Embora seja movida pela vontade, é a inteligência que alimenta a vontade. Por sua vez, a vontade fornece à memória a recordação de mim e de meus favores. Essa recordação dará à pessoa solicitude e gratidão. Como vês, uma faculdade reabastece a outra, nutrindo o homem na vida da graça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não vive o homem sem amor; ele sempre procura algo para amar. Criei por amor, criei-o no amor. Assim, a vontade move a inteligência, quase dizendo-lhe: &#8220;Quero amar; o amor é meu sustento&#8221;. Desperta-se então a inteligência e responde: &#8221; Se queres amar, vou dar-te o bem para que o ames&#8221;! Reflete ela sobre a dignidade humana e sobre a indignidade proveniente do pecado. Na dignidade enxerga a bondade e o amor com que criei o homem; na indignidade percebe a misericórdia, graças à qual dou-lhe o tempo (de arrepender-se) e o liberto do mal. Diante dessas realidades, a vontade se alimenta de amor: sente o desejo santo, despreza a sensualidade, torna-se humilde e paciente, concebe interiormente as virtudes, pratica-as mais ou menos perfeitamente no próximo, de acordo com a perfeição atingida. Mas disso falarei depois (18).</span><br />
<span id="more-9500"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em sentido inverso, se o apetite sensível procura os bens materiais, a eles orienta-se a inteligência; e quando a mesma toma como objeto os bens passageiros, surgem o egoísmo, o desprezo pelas virtudes, o apego ao vício e, como consequência, o orgulho e a impaciência. Por sua vez, a memória encher-se-á com tais elementos, fornecidos pelo afeto sensual, obscurecendo-se a inteligência, que não mais vê senão aparências de bem. Tais aparências ficam sendo, então, a única claridade mediante a qual a inteligência olha e a vontade ama todo objeto de prazer. Sem estas aparências, o homem não pecaria, pois, como tendência inata, ele só pode desejar o bem. Peca, porque o mal toma colorações de bem. A inteligência não mais discerne ou reconhece a Verdade; por cegueira, engana-se e procura o bem e a satisfação onde eles não estão. Já afirmei antes (14.11) que os prazeres mundanos são espinhos venenosos; engana-se a inteligência ao considerá-los, a vontade ao amá-los, a memória ao retê-los. Comporta-se a inteligência como uma ladra, apoderando-se do alheio; igualmente a memória, conservando a contínua lembrança de realidades distantes de mim. Com tudo isso, a alma se priva da minha graça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É muito estreita a união destas três faculdades. Quando uma delas me ofende, as outras também o fazem. Como disse (16.1), uma apresenta à outra o bem ou o mal, conforme agrada ao livre arbítrio. Este se acha na vontade e a move como quer, em conformidade ou não com a razão. Possuís a razão &#8211; sempre unida a mim, a menos que o livre arbítrio a afaste mediante um amor desordenado &#8211; e tendes em vós uma lei perversa, que luta contra o espírito. Tendes, então, duas partes em vós mesmos: A sensualidade 62 e a razão. A sensualidade foi dada ao homem como servidora, a fim de que as virtudes sejam exercidas e provadas através do corpo. O homem é livre, já que meu Filho o libertou com seu sangue. Ninguém pode dominar a pessoa humana quanto à vontade, pois ela possui o livre arbítrio. Este se identifica com a vontade, concorda com ela. Fica, pois, o livre arbítrio entre a sensualidade e a razão, e inclina-se ora de um lado, ora de outro, conforme preferir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando a pessoa tenta livremente &#8220;congregar&#8221; as três faculdades em mim, na maneira explicada, todas as atividades espirituais e corporais humanas ficam unificadas. O livre arbítrio se afasta da sensualidade, tende para o lado da razão e eu me coloco no centro das faculdades, realizando a palavra do meu Filho: &#8220;Quando dois ou três se reunirem em meu nome, estarei no meio deles&#8221;(Mt 18,20). Realmente, como te disse (10.1) ninguém pode vir a mim senão por meio de Cristo. Esta a razão pela qual fiz dele uma ponte com três degraus. Esses degraus, como declarei (18.), representam três estados (espirituais) do homem.</span><br />
<span style="color: #000000;">    </span><br />
<span style="color: #000000;"> <strong>A SEDE DA ÁGUA VIVA.</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Acabei de explicar-te a figura dos três degrau comuns, que são as três faculdades da alma. São etapas sucessivas para se chegar à ponte-mensagem do meu Filho. Sem a unificação dessas três faculdades, ninguém conseguirá perseverar. Sobre a perseverança já falei antes (14.14), quando me imploraste sobre como devem agir os pecadores para saírem do rio do pecado e querias mais detalhes. Então eu disse que, sem perseverança, ninguém chega à meta final. Dupla é a meta: o vício e a virtude. Todas as duas pedem perseverança. Se queres chegar à Vida, hás de perseverar na prática das virtudes; quem preferir a morte eterna, que persevere no pecado. Pela perseverança chega-se até a mim, que sou a vida, ou ao demônio para beber as águas mortas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos vós, na &#8220;caridade comum&#8221; ou na &#8220;via perfeita&#8221;, fostes convidados por meu Filho, que inflamado de desejo santo gritava no templo: &#8220;Quem tem sede venha a mim e beba, pois eu sou a fonte da água viva (Jo 7,37; 4,10). Ele não disse: &#8220;Vá ao Pai e beba&#8221;, mas &#8220;venha a mim&#8221;. Por que? Porque eu, Pai, não posso sofrer; ele, sim. Também vós, enquanto sois caminhantes e peregrinos nesta vida mortal, sempre tendes dificuldades. Como ficou dito (10.2), depois do pecado original, a terra produziu espinhos. E por que razão afirmou: &#8220;Venha a mim e beba&#8221;? Porque ao viver na &#8220;caridade perfeita&#8221;, seguindo os mandamentos e conselhos, ou na &#8220;caridade comum&#8221;, seguindo de fato só os mandamentos, conforme sua mensagem, vós bebeis e saboreais o sangue do Verbo encarnado. Quando vos unis a ele, imergis também em mim, oceano de paz. Eu e o Filho somos uma só coisa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estais convidados, então, à fonte da água viva! É de vosso interesse que passeis pela ponte com perseverança. Nenhum obstáculo ou vento &#8211; próspero ou adverso &#8211; vos faça retroceder. Perseverai até me encontrar. Dar-vos-ei água viva em meu doce e amoroso Verbo encarnado, o Filho unigênito. Ele afirmou: &#8220;Eu sou a fonte da água viva&#8221; porque pela união da natureza divina com a humana ele me continha, como doador da água viva.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Por que razão disse: &#8220;Venha a mim e beba?&#8221; Porque vós não viveis sem padecimentos. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ele pode sofrer, eu não! Fiz dele uma ponte; sem passar por ele ninguém consegue chegar até mim. Quando disse: &#8220;Ninguém chega ao Pai senão por mim&#8221; (Jo 14,6), falava uma verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conheces agora qual o caminho a ser seguido, sabes como andar, isto é, com perseverança. Por outro modo não se bebe, pois essa é a virtude que alcança a glória e a coroa do triunfo em mim, vida duradoura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>QUE SIGNIFICA REUNIR &#8220;DOIS OU TRÊS&#8221;</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Volto a falar dos degraus gerai que deveis percorrer a fim de sair do rio do pecado, atingir a água viva e inserir-me na vossa caminhada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pela graça eu repouso em vossas almas. Querendo progredir, é necessário que tenhais sede. Somente os sedentos acolhem aquele convite: &#8220;Quem tem sede, venha a mim e beba&#8221; (Jo 7,37). Quem não está com sede desanima de caminhar, para por cansaço ou em prazeres, vai de mãos vazias, sem se preocupar em levar consigo um balde para atingir a água. Mas sozinho ninguém progride. Ao apresentar-se o ferrão das contradições, olha-o como a um inimigo e retrocede. O homem solitário teme o encontro do inimigo; quem vai acompanhado, não sente medo. Pois bem, o cristão que ainda não percorreu os três degraus gerais, caminha solitário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ocorre, pois, ter sede e reunir dois, três ou mais, na maneira explicada. Por que eu disse &#8220;dois e três&#8221;? Porque não existe dois sem três e três sem dois 65. O homem que está só não possibilita minha presença &#8220;no meio&#8221;, por falta de companheiro que me permita estar &#8220;entre&#8221; eles. O solitário é um vazio, bem como aquele que só possui o egoísmo e vive sem amor pela minha graça e pelo próximo. Um nada, eis o que é a pessoa em quem estou ausente, por causa do pecado. Somente eu &#8220;sou aquele que sou&#8221; (Ex 3,14). O egoísta, solitário, não conta diante de mim, não me agrada. Eis por que meu Filho diz: Se dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles&#8221; (Mt 18,20). Afirmei antes que não existe dois sem três ou três sem dois. Explico-me.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabes que os mandamentos da lei se reduzem a dois; sem eles, nenhum outro é observado. São: amar-me sobre todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesma. Eis o começo, o meio e o fim dos mandamentos da lei. Todavia esses &#8220;dois&#8221; não se &#8220;reúnem&#8221; em mim sem os &#8220;três&#8221;, isto é, sem a unificação das três faculdades da alma: a memória, a inteligência e a vontade. A memória há de recordar-se dos meus benefícios e da minha bondade; a inteligência pensará no amor inefável revelado em Cristo, pois ele se oferece como objeto de reflexão para manifestar a chama do meu amor; a vontade, unindo-se às duas faculdades anteriores, me amará e desejará como seu fim. Quando essas três faculdades estão assim reunidas, acho-me presente estre elas pela graça. E, como consequência, a pessoa vê-se repleta de amor por mim e pelo próximo, na &#8220;companhia&#8221; de verdadeiras e múltiplas virtudes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em primeiro lugar, a vontade se dispõe a ter sede. Sede das virtudes, sede da minha glória, sede das almas. As demais sedes se apagam e morrem. Tendo subido o primeiro degrau, da afeição, o homem caminha seguro de si, sem temor servil. Livre do egoísmo, a vontade se põe acima de si mesma e acima dos bens passageiros. Se a pessoa quer possuir tais bens, ama-os e deles se serve em mim, com temor santo e verdadeiro, virtuosamente. Em seguida, passa-se ao segundo degrau, o da inteligência, no qual a pessoa, em cordial amor por mim, medita sobre Cristo crucificado, enquanto mediador. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, a memória enche-se da minha caridade e alcança paz e a tranquilidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um recipiente vazio, ao ser tocado, faz rumor; o recipiente cheio, nenhum som produz. Da mesma forma, quando a memória está tomada pela luz da inteligência e pelo amor, a pessoa já não se perturba diante das adversidades ou atrativos do mundo; está repleta da minha presença, como sumo bem; não sente falsas alegrias, nem impaciência. Quando o homem sobe (os três degraus comuns), suas faculdades unificam-se, colocam-se sob domínio da razão e &#8220;congregam-se&#8221; em meu nome. Uma vez reunidos os dois amores &#8211; por Deus e pelo próximo &#8211; com as três faculdades &#8211; a memória para reter, a inteligência para refletir e a vontade para amar &#8211; encontra-se o homem na minha companhia, forte e seguro; está na companhia das virtudes; caminha seguro de si. Estou presente nele!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parte, então, o cristão, inflamado de desejo santo, sequioso de ir pelo caminho da verdade, à procura da fonte da água viva. É o desejo da minha glória, da salvação pessoal e da santificação alheia que incentiva a caminhar, pois é o único meio que possibilita alcançar a meta final. Na saída, o coração está vazio de apegos terrenos. Mas enche-se logo! Nenhum recipiente permanece com vácuo; se não contiver objetos materiais, enche-se de ar. O mesmo acontece com o coração humano. Ao se retirar dele o apego dos bens materiais, enche-se com o &#8220;ar&#8221; celeste do amor divino e com a &#8220;água&#8221; da graça. Em posse deste dom, o caminhante entra pela porta de Cristo e bebe a água viva em mim, oceano de paz.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> <strong>SUMÁRIO E EXORTAÇÃO</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Acabei de mostrar-te como devem comportar-se as pessoas, em geral, para sair do rio do pecado, evitando o afogamento e a condenação eterna. Fiz ver quais são os três degraus comuns &#8211; as três faculdades &#8211; que são percorridos juntos. Expliquei aquela palavra de meu Filho: &#8220;Se dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles&#8221; e afirmei que se trata da unificação dessas três faculdades com os dois principais mandamentos da lei, o amor por mim e pelo próximo. Ao realizar tal ascensão ou unificação, a pessoa sente sede da água viva, põe-se a caminho, passa pela ponte seguindo as pegadas de Cristo, o qual é tal ponte. Como disse, Jesus grita como fazia no templo: &#8220;Quem tem sede, venha a mim e beba, pois eu sou a fonte da água viva&#8221;, e vós correis à sua voz que chama. Expliquei o sentido dessas palavras, como devem ser compreendidas. Compreendes melhor, agora, como vos amo e quanto é grande a confusão dos pecadores que vão pela estrada do demônio, convidados por ele às águas mortas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Foi dado assim resposta à tua pergunta sobre o modo de comportar-se para não morrer no rio do pecado: a solução é subir para a ponte (de Cristo), unificando ou &#8220;congregando&#8221; (as faculdades) com o amor ao próximo. É preciso levar até minha presença o coração e a vontade qual recipiente, pois dou a beber a quem mo suplica; é necessário encaminhar-se pela estrada de Cristo crucificado com perseverança até a morte! Este modo de comportar-se é igual para todos os homens, qualquer que seja o estado de vida. Ninguém pode desculpar-se dizendo: &#8220;Sou casado, tenho filhos e compromissos sociais, por isso me dispenso de seguir tal estrada&#8221;. Impedimentos não existem e nenhuma pessoa tem razões para falar assim! Já disse que todos os estados de vida são do meu agrado, quando vividos santamente. Todos os seres são bons; todos foram feitos por mim. Não criei as coisas para que vos causassem a morte, mas a vida. E nada existe mais fácil do que amar; nem nada mais agradável. Somente vos peço amor por mim e pelos outros, algo que pode ser feito em qualquer tempo, lugar ou condição. É suficiente amar e possuir os bens (materiais) para louvor e glória do meu nome!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já expliquei a ilusão dos pecadores. Não seguem a iluminação da fé, são egoístas, amam e possuem os bens materiais esquecidos de mim. Vão sofrendo, insuportáveis a si mesmos. Se não se converterem pela forma explicada (14.14), irão para a condenação eterna. Eis como hão de comportar-se todas as pessoas, em geral. Até eu te falei da vivência própria dos cristãos da &#8220;caridade comum&#8221;, isto é, daqueles que praticam os mandamentos, mas somente seguem os conselhos intencionalmente. Passo a ocupar-me dos que iniciam a escalada (da ponte) e desejam um caminho mais perfeito, obedecendo concretamente seja aos mandamentos como aos conselhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vou mostra-los em três estados, como que em três degraus especiais, dos quais já falei &#8220;em comum&#8221; ao tratar das faculdades da alma. Um estado é imperfeito, o segundo mais perfeito, o terceiro perfeitíssimo; no primeiro (o homem) se comporta como servo assalariado, no segundo como servo fiel, no terceiro como filho, ou seja, como pessoa que me ama sem interesses pessoais. São três estados que podem acontecer em diversas pessoas ou (sucessivamente) numa única pessoa. Acontecem ou podem acontecer numa mesma pessoa quando ela progride esforçadamente, aproveitando o tempo, e passa do estado servil ao liberal, e do liberal ao filial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eleva-te pela fé e contempla como caminha a humanidade peregrina! Uns com imperfeição, outros obedecendo perfeitamente aos mandamentos, outros ainda vivendo perfeitissimamente os conselhos evangélicos. Verás donde procede a imperfeição, donde a perfeição; entenderás como é grande a ilusão daqueles que não matam a raiz do egoísmo, já que em qualquer estado de vida, urge destruir o amor-próprio. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Diálogo</em> &#8211; Santa Catarina de Sena</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span><br />
<span style="color: #000000;"> 62 &#8211; Repito que o termo &#8220;sensualidade&#8221; tem um sentido especial em Catarina. Trata-se da parte sensível do homem enquanto perturbada pelo pecado original e fortemente inclinada para o mal.</span><br />
<span style="color: #000000;"> 65 &#8211; Catarina resume um ponto de doutrina importante no seu esquema ascético-místico: sem a observância dos &#8220;dois&#8221; mandamentos (amor de Deus e do próximo) é impossível unificar em Deus as três faculdades (inteligência, memória e vontade) e vice-versa. Para progredir na caminhada do espírito, é preciso por em sintonia a vivência exterior (mandamentos e conselhos) com a psicologia espiritual interior (unificação das faculdades em Deus).</span></p>
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		<title>CAMINHOS DA CONVERSÃO</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jun 2017 15:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Passo a falar-te agora dos pecadores que, forçados pelos sofrimentos da vida e medo dos castigos futuros, procuram livrar-se do egoísmo. Envio-lhes contrariedades, para que compreendam que esta vida não constitui a meta final, que as realidades terrenas são imperfeitas &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/caminhos-da-conversao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class="irc_mi alignright" src="http://domtotal.com/img/noticias/2016-05/1000715_254234.jpg" alt="Resultado de imagem para conversão" width="396" height="221" />Passo a falar-te agora dos pecadores que, forçados pelos sofrimentos da vida e medo dos castigos futuros, procuram livrar-se do egoísmo. Envio-lhes contrariedades, para que compreendam que esta vida não constitui a meta final, que as realidades terrenas são imperfeitas e passageiras, que eu sou o fim último. Por medo da punição, tais pessoas saem do rio do pecado, &#8220;vomitando&#8221; (na confissão) o &#8220;veneno&#8221; que o &#8220;escorpião&#8221; neles injetara em forma de &#8220;ouro&#8221;. Haviam sido iludidos, mas ao perceber o engano, aos poucos elas se erguem e, dirigindo-se para a margem, agarram-se à ponte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o temor servil (medo de castigos), sozinhos, não é suficiente para fazer o pecador progredir, limpar sua casa e afastar-se dos pecados mortais. É preciso encher a alma de virtudes, sob o alicerce da caridade. Por si mesmo o temor servil não dá a vida (da graça); o pecador há de coloca-lo no primeiro degrau da ponte (v. 12.1) os dois pés do amor 58 que conduzem até Cristo. É o primeiro degrau da escada do seu corpo. Tal é o primeiro acordar dos escravos do pecado que se convertem: o medo dos castigos! Muitas vezes, os próprios sofrimentos causados pela vida pecaminosa produzem tédio e repulsa. Quando o temor servil é acompanhado pela iluminação da fé, os pecadores passam do mal para o bem. Infelizmente, muitos deles passam a viver em tal tibieza que com facilidade retrocedem, após ter atingido as margens do rio do pecado; ventos contrários obrigam-nos a retornar às ondas no caudal tenebroso do pecado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Umas vezes, é o vento da prosperidade. Sem ter atingido o primeiro degrau por negligência, ainda sem amor à virtude, o homem retorna aos prazeres desordenados. Outras vezes, é o vento da adversidade. Então, retrocedem por impaciência. Tendo deixado o pecado só por medo das penas e não porque se trata de uma ofensa contra mim, retorna a ele. Em matéria de virtudes, necessita-se da perseverança. Quem não persevera, jamais realiza seus desejos, levando a termo o que começou. Sem perseverança, nada se faz; a força de vontade no cumprimento de um ideal supõe esta virtude.</span><br />
<span id="more-9122"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Disse antes que os pecadores retornam ao pecado pressionados por diversos fatores. Dentro de si mesmos, por causa da sensualidade, que combate contra o espírito; a partir das criaturas, enquanto se apegam a elas com desordenada atenção e se impacientam diante das ofensas; enfim, por tentações do demônio, em combates variados e numerosos. Neste último caso, às vezes o maligno as despreza, dizendo para confundir: &#8220;A obra que começaste para nada serve por causa dos teus pecados&#8221;. A intenção do diabo é fazer com que volte atrás, abandonando o pouco que já fez. Outras vezes ele procura agradar, insistindo na esperança do meu perdão: &#8220;Por que cansas? Goza a vida! No fim, arrepender-te-ás e serás perdoado&#8221;. Com isto ele quer que o homem perca o medo inicial do castigo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devido a esses e muitos outros motivos, os convertidos desanimam, não são constantes, não perseveram. Retrocedem antes de arrancar as raízes do egoísmo; por presunção, erroneamente, firmam-se na esperança de serem perdoados, continuam a ofender-me. Pensam poder contar com a misericórdia. Jamais ofereci ou ofereço minha misericórdia para que me ofendam. A finalidade do meu perdão é que, pela misericórdia, os pecadores se defendam do demônio e da confusão de espírito. Agem diversamente! Ofendem-me porque sou bom! Prova de que não houve a primeira conversão, ao se deixar o pecado por medo de castigos e sob o influxo dos sofrimentos. Faltando a conversão, o pecador não chega ao amor das virtudes, não persevera. A mudança (de vida) é indispensável. Quem não progride, volta atrás. Assim os pecadores, se não progridem na virtude, passando do medo ao amor, inevitavelmente retornam ao rio do pecado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Diálogo</em> &#8211; Santa Catarina de Sena</span></p>
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		<title>OS PECADORES SOFREM</title>
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		<pubDate>Sat, 27 May 2017 15:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Expliquei antes que é a vontade que faz o homem sofrer (14.9). Meus servidores não sofrem, porque se despojaram da vontade própria e se revestiram da minha. Eles vivem contentes, sentem minha presença em suas almas. Mesmo que possuíssem o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-pecadores-sofrem/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class="irc_mi alignright" src="http://site.ucdb.br/public/liturgia-diaria/9779-nao-vim-chamar-os-justos-mas-os-pecadores.jpg" alt="Resultado de imagem para pecadores" width="311" height="211" />Expliquei antes que é a vontade que faz o homem sofrer (14.9). Meus servidores não sofrem, porque se despojaram da vontade própria e se revestiram da minha. Eles vivem contentes, sentem minha presença em suas almas. Mesmo que possuíssem o mundo inteiro, não seriam felizes se eu estivesse ausente. As realidades terrenas são menores que o homem, para ele foram criadas, não vice-versa. Por tal motivo os bens materiais não satisfazem; somente eu sou capaz de saciar o homem. Já os infelizes pecadores, como cegos, afadigam-se continuamente, à procura de uma felicidade fora de mim. E sofrem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Queres saber como sofrem? Quando alguém perde algo, com o que se identificara, seu apego faz sofrer. É o que acontece  com os pecadores, identificados por vários modos com os bens materiais. Eles se materializam. Uns identificam-se com a riqueza, outros com a posição social, outros com os filhos; uns se afastam de mim por apego a uma pessoa; outros transformam o próprio corpo em animal imundo e impuro. Todos eles assim se nutrem de bens terrenos. Gostariam que tais realidades fossem duradouras, mas não o são. São perdidas por ocasião de mortes ou de outros acontecimentos por mim dispostos. Diante de tal perda, os pecadores entram em sofrimento atroz, pois a dor da separação se compara à desordenada afeição a posse. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se os pecadores usassem os bens materiais enquanto emprestados, sem nenhum sofrimento os perderiam. Angustiam-se, por não mais ter o que amavam. O mundo não dá a felicidade total; não se sentindo inteiramente saciados, os pecadores sofrem. Quanta ilusão produz, por exemplo, o remorso; como se martiriza quem deseja vingar-se! O homem desejoso de vingança se corrói e morre antes mesmo de matar o inimigo. O primeiro morto é ele mesmo. Mata-se com o punhal do ódio. Quantos padecimentos no ganancioso, que multiplica ao extremo suas necessidades. E o invejoso, a morder-se no próprio coração; jamais se alegra com a felicidade alheia, angustia-se por falsos temores em tudo quanto se apega. Todos estes carregam-se com a cruz do diabo e experimentam nesta vida a certeza da condenação. Vivem diversamente doentes e, se não se corrigirem, vão depois para a morte eterna.     </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São homens feridos pelos espinhos das contradições, a torturarem-se interna e externamente. E por cima, sem merecimento algum! Sofrem na alma e no corpo, nada merecem; é sem paciência que padecem esses males. Vivem revoltados, apegando-se aos bens materiais com desordenado amor. Não possuem a graça e a caridade, são árvores mortas (v. 14.2) que produzem frutos mortíferos. Vão se afogando na dor pelo rio do pecado; cheios de ódio entram pela porta do diabo; atingem as águas mortas e chegam à condenação!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Diálogo</em> &#8211; Santa Catarina de Sena</span></p>
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		<title>OS PECADORES E AS RIQUEZAS</title>
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		<pubDate>Sat, 20 May 2017 15:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Enganam-se, pois, os pecadores. Ao se privarem da luz da fé, tornam-se cegos e caminham tateando, agarrando-se a tudo que encontram. Com o olhar obscurecido, afeiçoam-se aos bens materiais e passageiros, iludem-se como tolos que vêem o ouro e não &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-pecadores-e-as-riquezas/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class="irc_mi alignright" src="http://blog.cancaonova.com/diarioespiritual/files/2013/06/Jovem-rico.jpg" alt="Resultado de imagem para jovem rico" width="275" height="213" />Enganam-se, pois, os pecadores. Ao se privarem da luz da fé, tornam-se cegos e caminham tateando, agarrando-se a tudo que encontram. Com o olhar obscurecido, afeiçoam-se aos bens materiais e passageiros, iludem-se como tolos que vêem o ouro e não o veneno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deves saber que as realidades materiais, com seus prazeres e deleites, quando conseguidas e conservadas sem mim, só por egoísmo desordenado, não passam de escorpiões enganadores. Na tua juventude, depois da visão da árvore (14.8), eu te fiz ver escorpiões com cabeça de ouro e cauda de veneno. O ouro e o veneno confundiam-se, mas o aspecto que primeiro se via era do ouro. Apenas conseguiam escapar do veneno aqueles que estavam iluminados pela fé. Como te disse naquela ocasião, tais pessoas eram as que eliminavam o veneno da própria sensualidade. Os que preferiam possuir bens materiais, eram os que usavam sua inteligência na aquisição, posse e uso do &#8220;ouro&#8221; deste mundo. As almas desejosas de grande perfeição, desprezavam o ouro, afetiva e efetivamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como te afirmei aquela vez, estes últimos são os que seguem os conselhos (evangélicos) quanto ao desejo e quanto à prática, conforme o legado de Cristo. Outros, na posse de bens, seguem os conselhos somente pelo desejo, não na vida prática. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como os conselhos estão ligados aos mandamentos, ninguém vive estes últimos se não segue os conselhos, senão efetivamente, pelo menos quanto ao desejo. Em outras palavras, o cristão que possui bens, deve fazê-lo na humildade, sem orgulho, como coisa emprestada, não própria. Dou-vos os bens para o uso. Tanto possuís, quanto concedo; tanto conservais, quanto permito; e tanto permito, quanto julgo útil à vossa salvação. Tal há de ser a vossa atitude quanto ao uso dos bens materiais. Assim fazendo, o cristão obedece aos mandamentos &#8211; amando-me sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo &#8211; e conserva o coração desapegado das riquezas, afetivamente, como nada possuindo. Não se apega aos bens, não os possui em oposição aos meus desígnios. </span><span id="more-9118"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Possui externamente, ao passo que seu íntimo é pobre. Tais pessoas, como disse (14.11), eliminam o veneno do egoísmo. São os cristãos da &#8220;caridade comum&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os cristãos da &#8220;caridade perfeita&#8221; já obedecem aos mandamentos e seguem os conselhos afetiva e efetivamente. Com simplicidade, praticam quanto o meu Filho aconselhou na passagem do jovem rico (Mt 19,16ss). Quando este lhe perguntou: &#8220;Que poderia eu fazer, Mestre, para alcançar a vida eterna?&#8221;, Ele respondeu: &#8220;Observa os mandamentos da lei&#8221;. Então o jovem prosseguiu: &#8220;Eu já os observo&#8221;. Jesus retomou:&#8221;Bem, se tu queres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá-o aos pobres&#8221;. O jovem ficou triste, porque amava exageradamente os bens que possuía. Os perfeitos não se comportam assim, ou seja, após ter praticado os mandamentos, deixam o mundo com seus prazeres, mortificam o corpo com penitência, fazem vigílias e preces contínuas e humildes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os cristãos da &#8220;caridade comum&#8221;, embora possuam bens, vão também eles para o céu. Não são obrigados a possuir; se querem tê-los, devem comportar-se na maneira explicada. Não é pecado ter bens. Todas as coisas são boas e foram criadas por mim para utilidade dos homens. Mas tais cristãos não devem virar escravos dos prazeres sensíveis. Se querem ter posses, façam-no; mas como dominadores delas, não como dominados. O afeto do coração deve estar em mim, não nas coisas externas; elas não pertencem aos homens, são dadas em empréstimo. Não tenho preferências por pessoas ou posições sociais; somente pelos desejos do coração. Todo homem, qualquer que seja sua condição social, tem possibilidade de agradar-me, caso possua uma vontade reta e santa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem possui bens materiais dessa forma? Os que anularam o &#8220;veneno&#8221; das riquezas, desprezando a sensualidade e amando a virtude. Quem afastar de si o apego desregrado e se orientar para mim na caridade e no santo temor, tal pessoa poderá escolher o estado de vida que quiser. Em qualquer um deles alcançará a vida eterna. Suponhamos que seja mais perfeito e agradável a mim que o homem viva interior e exteriormente despojado dos bens materiais. Se uma pessoa não sentir a coragem de abraçar tal perfeição devido a alguma fraqueza pessoal, que permaneça na &#8220;caridade comum&#8221; qualquer que seja seu estado de vida. Em minha bondade dispus que assim fosse, para que nenhuma pessoa viesse a desculpar-se por pecados cometidos em determinadas situações. Ninguém poderá dar desculpas. Sou condescendente com as tendências e fraquezas humanas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se as pessoas desejam viver no mundo, possuir bens, ocupar altas posições sociais, casar-se, ter filhos, trabalhar por eles, façam-no. É lícito viver em qualquer posição social; contanto que se evite o veneno da sensualidade, o qual pode conduzir à morte perpétua. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não sendo &#8220;vomitada&#8221; 55 e medicada qual veneno, a sensualidade prejudica e mata. É ela o &#8220;escorpião&#8221; do amor mundano (v. 14.11). Os bens materiais, como disse antes, são bons em si mesmos; foram criados por mim, Bondade infinita. Os homens hão de usá-los como lhes aprouver, mas no temor e no amor autênticos. O perigo está na vontade pervertida do homem. É ela que envenena e mata a alma, quando não se purifica pela penitência e caridade. Embora pareça um remédio amargo, a confissão é eficaz para curar o veneno da sensualidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vê onde está o engano dos pecadores; sendo-lhes possível possuir-me, fugir da angústia, viver alegres e consolados, preferem o mal de um bem aparente, correm atrás do &#8220;ouro&#8221; (v. 14.11) com desordenado amor. Cegos em grande infidelidade, não percebem a ilusão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Envenenam-se, sem medicar-se. Carregam-se com a cruz do diabo e vivem na certeza do inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Diálogo</em> &#8211; Santa Catarina de Sena</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">55 &#8211; A palavra &#8220;vomitar&#8221; quer indicar a acusação dos pecados mortais no sacramento da penitência.</span></p>
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		<title>INFELICIDADE DOS PECADORES</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2017 14:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Expliquei qual é a ilusão dos pecadores no seu desordenado temor e como sou um Deus imutável, livre da acepção de pessoas, unicamente atento ao desejo santo. Foi o que te revelei no simbolismo da árvore. Passo a falar dos &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/infelicidade-dos-pecadores/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="http://www.chamada.com.br/assets/images/stories/ainda_pecadores.jpg" alt="Resultado de imagem para pecadores" width="468" height="172" />Expliquei qual é a ilusão dos pecadores no seu desordenado temor e como sou um Deus imutável, livre da acepção de pessoas, unicamente atento ao desejo santo. Foi o que te revelei no simbolismo da árvore. Passo a falar dos que sofrem e dos que não sofrem ante os espinhos e dores que a terra produziu depois do pecado (original). Tendo-me ocupado da situação dos pecadores que se deixam iludir pela própria sensualidade, vou explicar-te em que sentido essas pessoas são feridas por tais espinhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos os que nascem e vivem neste mundo passam por fadigas corporais e espirituais. Sim, também os meus servidores padecem nos seus corpos; mas em seus espíritos não, porque suas vontades estão identificadas com a minha. O que faz o homem sofrer é a vontade. Quanto aos pecadores, sofrem na alma e no corpo. Eles experimentam no mundo as primícias do Inferno, como os meus servidores já gozam a garantia do Céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabes qual é a grande felicidade dos santos? É possuir a vontade satisfeita em todas as suas aspirações. Ao desejar-me, possuem-me, tendo deixado o peso do corpo que produzia a lei que luta contra o espírito. Na vida terrena, o corpo impedia o perfeito conhecimento da Verdade e minha visão face a face. Separando-se do corpo, a vontade dos bem-aventurados realiza-se: ao desejo de ver-me corresponde a visão, e com ela, a beatitude. Vendo, conhecem-me; conhecendo, amam-me; amando, saboreiam-me; saboreando, realizam-se quanto ao desejo de me ver e conhecer. Desejando, possuem; possuindo, desejam. Como disse (14.4), o sofrimento está distante do desejo e fastio da saciedade. Como vês, meus servidores são felizes, especialmente na visão celeste. Ela satisfaz seus desejos, sacia suas vontades. Neste sentido afirmei (14.9) que a vida eterna consiste na posse das coisas que a vontade deseja, isto é, conhecer-me, ver-me.</span><br />
<span id="more-7704"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já a partir desta vida meus servidores gozam da eternidade, ao saborearem a causa de sua felicidade. E qual é tal causa? Respondo: é a certeza da minha presença em suas vidas, é o conhecimento da minha Verdade. Tal conhecimento se realiza na inteligência, que é o olho da alma; pupila de tal olho é a fé. Pela iluminação da fé, eles distinguem, conhecem e seguem a estrada-mensagem do Verbo encarnado. Sem a fé, ninguém reconhece tal estrada, à semelhança daquele que possuísse o olho, mas coberto por um pano. Sim, a pupila deste olho é a fé; nada verá quem cobrir sua inteligência com o pano da infelicidade, por causa do egoísmo. Tal pessoa terá a inteligência, mas não a luz para conhecer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, tais pessoas vendo, conhecem; conhecendo, amam; amando, afogam e destroem a vontade própria; tendo-a destruído, revestem-se da minha vontade, a qual deseja unicamente a vossa santificação (1 Ts 4,3). Com isso, deixam o rio do pecado, sobem para a ponte, superam os espinhos que já não lhes machucam os és do amor. Já se conformaram à minha vontade. Neste sentido, como disse acima, meus servidores não padecem no espírito, mas somente no corpo. O querer sensível já morreu, ele que é a fonte de sofrimento e dor para o homem. Destruída essa &#8220;vontade&#8221; sensível, o sofrimento desaparece e meus servidores tudo passam a tolerar com respeito. Consideram como graça as dificuldades que permito, só desejam o que eu desejo. Quando deixo que os demônios os atormentem com tentações para provar suas virtudes, como expliquei antes, eles as superam com a intervenção da vontade, por mim fortalecida. Humilham-se, consideram-se indignos de sossego e merecedores de castigo. Vivem, pois, na alegria, sem sofrer. Nas perseguições e adversidades provenientes dos homens, na pobreza ou rebaixamento social, na morte de filhos e pessoas amadas &#8211; espinhos produzidos pela terra depois do pecado de Adão &#8211; meus servidores tudo suportam com discernimento e fé. Confiam em mim, Bondade suprema, certos de que somente quero o bem e para o seu bem tudo permito com amor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após fixar o pensamento em mim, eles olham para si mesmos e reconhecem os próprios defeitos; na fé, sabem que toda virtude será premiada e todo mal punido. Entendem que a menor culpa merece castigo eterno, porque atenta contra minha bondade infinita. Com gratidão porque aceito de puni-los nesta vida passageira, dão reparação às suas culpas mediante a contrição interior. Obtêm méritos com a perfeita paciência. Tais esforços terão a paga de um prêmio sem medida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eles sabem que, devido à transitoriedade do tempo, são de pouca monta os sofrimentos desta vida. O tempo é como a ponta de uma agulha, nada mais. Acabado o tempo, também a dor cessa. Como vês, é passageira a dor. Pacientemente, e sem prejuízo interior, esses homens superam os acontecimentos adversos. Seus corações estão livres do amor sensível e unidos a mim na caridade. Realmente, já possuem no mundo a garantia do céu: na água, não se molham; sobre espinhos, não se ferem. Tendo-me conhecido, procuram o bem supremo onde de fato ele está, ou seja, no Verbo, meu Filho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Diálogo</em> &#8211; Santa Catarina de Sena</span></p>
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		<title>A FÉ MORTA DOS PECADORES</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jan 2017 14:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Santa Catarina de Sena]]></category>

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		<description><![CDATA[Disse tais coisas, para que saibas melhor como os pecadores, pela acenada ilusão (14.8), vivem na certeza do inferno. Agora explico a origem de tal ilusão: a falta de fé proveniente do egoísmo. Da mesma maneira como a Verdade é &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-fe-morta-dos-pecadores/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="http://3.bp.blogspot.com/-BaDBPn2bbcM/VT_bDem4EUI/AAAAAAAAaMs/e7DXnn_-d5c/s1600/mulher-chorando.jpg" alt="Resultado de imagem para chorando mulher" width="486" height="251" />Disse tais coisas, para que saibas melhor como os pecadores, pela acenada ilusão (14.8), vivem na certeza do inferno. Agora explico a origem de tal ilusão: a falta de fé proveniente do egoísmo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Da mesma maneira como a Verdade é conhecida na luz da fé, assim a mentira e a ilusão brotam da falta de fé. Falo da falta de fé dos batizados, pois no batismo ela lhes foi dada. Ao chegar à idade da razão, os batizados que escolhem a vida virtuosa conservam a luz da fé e praticam o bem em benefício dos outros; comportam-se como a mulher que gera um filho e o entrega vivo ao marido (v. 2.10). Fazem o mesmo para comigo, esposo da alma, oferecendo-me virtudes vivas na caridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diverso é o comportamento dos pecadores. Ao atingirem a idade da razão, não exercitam a fé, nem praticam o bem na vida da graça, mas geram obras mortas. Suas ações, praticadas em estado de pecado, sem a iluminação da fé, são obras mortas. Do batismo conservam só a recordação, não a graça. O olhar da fé se obscurece pelo egoísmo e já não podem ver. Deles se diz que possuem a fé, não as obras (Tg 2,26). Com a fé morta e encoberta pelo modo dito acima (14.9), eles não reconhecem o próprio nada, ignoram os seus defeitos, esquecem-se dos benefícios meus, pois de mim receberam o ser e as demais perfeições. </span><span id="more-7706"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ignorantes de mim e de si, ao invés de odiar, eles amam a sensualidade, realizam suas tendências, cometem muitos pecados mortais. Não me amam, nem amam o próximo a quem quero bem. Não procuram fazer o que me agrada, isto é, não praticam as virtudes verdadeiras e reais. Gosto de ver em vós tais virtudes. Não por interesse, dado que vós não me podeis ser de utilidade. Sou aquele que sou (Ex 3,14). Nada existe sem mim, com exceção do pecado, que é privação. O pecado priva o homem de mim, sumo Bem, ao tirar-lhe a graça. Para interesse vosso agradam-me as virtudes. Possuindo-as, terei modo de vos premiar em mim mesmo, vida duradoura que sou.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como vês, a fé dos pecadores é uma fé morta. Não possuem as obras, e as que possuem não merecem a vida eterna, devido à ausência da caridade. Assim mesmo, eles devem praticar o bem, com ou sem a graça. Toda obra boa é remunerada, como todo mal terá seu prêmio. Quando praticada no estado de graça, a boa obra merece o céu; quando feita em pecado, embora sem merecimento, terá sua paga de várias maneiras: umas vezes, concedo vida mais longa ou inspiro a meus servidores contínuas orações em favor, com o qual tais pessoas se convertem, outras vezes, em lugar de vida mais longa e das orações, concedo bens materiais. Neste caso, os pecadores são como animais de engorda para o matadouro. Esses homens que sempre resistem à minha bondade, fazem, no entanto, algum bem, mesmo em seu estado de pecado. Se recusam converter-se através dos meios acima citados, com que os chamo &#8211; vida mais longa, preces &#8211; recompenso o pouco de bem que fazem; dou-lhes bens temporais, com os quais &#8220;engordam&#8221;. Não havendo mesmo conversão, vão para o suplício eterno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Diálogo</em> &#8211; Santa Catarina de Sena</span></p>
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		<title>A ILUSÃO DO PECADO</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2016 14:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Pecado]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu disse antes (14.7) que os demônios convidam os homens para a água-morta, a única que lhes pertence, cegando-os com prazeres e satisfações do mundo. Usa o anzol do prazer e fisga-os mediante a aparência de bem. Sabe ele que &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-ilusao-do-pecado/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class="irc_mi iFI3FvRMEGbs-pQOPx8XEepE alignright" src="http://3.bp.blogspot.com/-yTq3ze_1eoQ/TlQq0-bZ1II/AAAAAAAAArk/8xtqjLXbifI/s1600/319308_240675029304822_100000869805923_636014_1806279_n.jpg" alt="Resultado de imagem para olhar maligno" width="355" height="224" />Eu disse antes (14.7) que os demônios convidam os homens para a água-morta, a única que lhes pertence, cegando-os com prazeres e satisfações do mundo. Usa o anzol do prazer e fisga-os mediante a aparência de bem. Sabe ele que por outros caminhos nada conseguiria; sem o vislumbre de um bem ou satisfação, os homens não se deixariam aprisionar. Por sua própria natureza, a alma humana tende ao bem. Infelizmente, devido à cegueira do egoísmo, o homem não consegue discernir qual é o bem verdadeiro, realmente útil ao corpo e à alma. Percebendo isso, o demônio, maldoso, apresenta-lhe numerosos atrativos maus, disfarçados porém sob alguma utilidade ou prazer. Adapta-se ele às diversas pessoas, variando atitudes e males conforme crê oportuno. De uma forma tenta o leigo, de outra o religioso, o prelado, os chefes; a cada um, conforme a sua posição social.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Falei dessas coisas porque no presente estou ocupando-me dos pecadores que se afogam pelo rio do pecado. São homens egoístas, que só pensam em si mesmos. Amam a si mesmos, ofendem-me. Já disse (14.5) para onde se encaminham; agora quero mostrar-te como se iludem, pois ao tentar fugir dos sofrimentos, em sofrimentos caem. Julgam que o fato de me seguir através da ponte-Cristo seja causa de muita fadiga, por isso voltam atrás com medo dos espinhos. Na realidade tal atitude procede da cegueira e ignorância da Verdade, como te fiz ver no início de tua vida, quando rogavas misericórdia em favor do mundo, desejosa de que eu o libertasse do pecado mortal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Naquela ocasião, mostrei-me a ti na figura de uma árvore (54). Não vias onde começava, nem onde terminava; somente percebias sua raiz na terra. A &#8220;terra&#8221; era vossa natureza humana, unida à natureza divina (em Cristo). No tronco da árvore &#8211; se ainda recordas &#8211; havia alguns espinhos. Evitavam-nos os amantes da própria sensualidade, os quais corriam para um monte de palha, símbolo dos prazeres humanos. A palha assemelhava-se ao trigo. Vias que muitos ali morriam de fome; outros, ao dar-se conta da ilusão, voltavam à árvore, superavam com decisão os espinhos. Essa decisão, antes de ser tomada, parece difícil a quem deseja seguir a estrada da Verdade. Há sempre luta entre a consciência de um lado e a sensualidade do outro. </span><span id="more-7413"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas quando a pessoa virilmente renega a si mesma e se decide dizendo: &#8220;Quero seguir Cristo crucificado&#8221;, então ela quebra aqueles espinhos e descobre inestimável doçura. Foi o que te fiz ver aquela vez. A doçura será maior ou menor, conforme a boa disposição e o esforço pessoal. Então eu te disse: &#8220;Sou o Deus imutável; não me escondo de quem me procura&#8221;. Embora sendo invisível, mostrei-me visível aos homens em Cristo. Fiz ver o que é amar algo fora de mim. Infelizmente os homens, cegos pela fumaça do egoísmo, não me conhecem, não se conhecem. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vê como se iludem: preferem morrer de fome do que superar um pequeno espinho. Mas não ficarão sem dificuldades. Nesta vida, ninguém vive sem cruz. A não ser aqueles que caminham pela estrada superior; eles também sofrem, mas sua dor não aflige. Pelo pecado, como disse acima, o mundo produziu dificuldades e dores, bem como nasceu o rio do pecado, esse mar tempestuoso; mas para vós eu construí uma ponte, de modo que não vos afogueis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Nota:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">54 &#8211; A visão é narrada por Catarina (Libellus de Suplemento,I, 5); ter-se-ia verificado em 1362, no dia em que Catarina entrou para a Ordem da Penitência de São Domingos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Diálogo</em> &#8211; Santa Catarina de Sena</span></p>
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		<title>OS PECADORES E O FIM DA VIDA</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2016 14:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Inferno]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Catarina de Sena]]></category>

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		<description><![CDATA[Aos homens que caminham pela estrada da mentira resta apenas, qual fruto, a água-morta (50) para onde o demônio os convida. Tendo perdido a iluminação fé, quais cegos e loucos sem entendimento seguiram-no, como se ele dissesse: &#8220;Quem tem sede &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-pecadores-e-o-fim-da-vida/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class="irc_mi iFI3FvRMEGbs-pQOPx8XEepE alignright" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/06/pecad.jpg" alt="Resultado de imagem para morte pecador" width="400" height="305" />Aos homens que caminham pela estrada da mentira resta apenas, qual fruto, a água-morta (50) para onde o demônio os convida. Tendo perdido a iluminação fé, quais cegos e loucos sem entendimento seguiram-no, como se ele dissesse: &#8220;Quem tem sede de água-morta, venha a mim, que lha darei&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sirvo-me do demônio qual instrumento de minha justiça para atormentar os que me ofendem. Nesta vida o coloquei qual tentador, molestando os homens. Não para que estes sejam vencidos, mas para que conquistem a vitória e o prêmio pela comprovação das virtudes(51). Ninguém deve temer as possíveis lutas e tentações do demônio. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fortaleci os homens, dei-lhes energia para a vontade no sangue de Cristo. Demônio ou criatura alguma conseguem dobrar a vontade. Ela vos pertence, é livre. Vós, pelo livre-arbítrio, é que escolheis o que querer ou não querer alguma coisa. A vontade, todavia, pode ser entregue como arma nas mãos do diabo, que pode usá-la para vos ferir e matar. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a pessoa não lhe dá esta arma, se não consente ante as tentações e lisonjas do maligno, jamais pecará por tentação. Sairá dela até fortalecido e compreenderá que permito as tentações unicamente para vos conduzir ao bem e comprovar vossa virtude.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A caminhada para o bem passa pelo conhecimento de si e de mim. Este duplo conhecimento aumenta no tempo da tentação, no sentido de que o homem toma consciência da própria nulidade, percebe que não consegue evitar as dificuldades indesejáveis, reconhece minha presença a fortalecer sua vontade para não consentir nos maus pensamentos, entende que a tentação é permitida por mim, vê que o demônio é fraco e nada pode além daquilo que lhe é permitido. Aliás, é por amor, não por maldade, que permito as tentações; desejo a vossa vitória, não a derrota. Quero que me conheçais e vos conheçais, atingindo uma virtude provada, pois o bem é comprovado em seu contrário.</span><br />
<span id="more-7411"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como vês, os demônios são encarregados por mim de atormentar os condenados ao inferno e de provar a virtude nos que se acham nesta existência. Tal não é a intenção dos demônios, pois nada fazem por amor. Desejariam privar-vos da virtude, mas não o conseguem. A menos que o queirais. Vê como é grande a tolice humana, cedendo justamente onde tornei o homem mais forte e consignando-se nas mãos do diabo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esforça-te por entender: é voluntariamente que os condenados se entregam ao demônio na hora da morte. Disse &#8220;voluntariamente&#8221;, já que ninguém os pode obrigar a isso. Sem aguardar qualquer julgamento, logo depois do último suspiro, os pecadores julgam-se a si mesmos pela própria consciência e se põem sob o perverso domínio do maligno. Desse modo, desesperados, condenam-se. No instante supremo, com muito ódio, encaminham-se para o abismo; e antes mesmo de chegar a ele, voluntariamente o escolhem como paga, junto aos demônios, seus senhores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqueles que morrem na caridade (perfeita), quando atingem o derradeiro instante, após ter vivido na perfeita iluminação da fé(52), na fé e na esperança do sangue do Cordeiro, contemplam o prêmio que lhes preparei; com amor, o acolhem; apertam-me com os laços da afeição, qual Bem sumo e eterno. Antes de deixar o corpo, antes de morrer, já gozam da vida eterna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outros, que haviam passado a vida na &#8220;caridade comum&#8221;(53) e atingem o último momento sem essa perfeição, também acolhem o prêmio eterno com essa fé e esperança, mas de modo imperfeito. Sentem-se culpados, mas reconhecem que minha misericórdia é maior que seus pecados. Os pecadores não agem assim. Ao divisar o lugar que lhes toca, recebem-no com ódio. Uns e outros, nem esperam o julgamento. Logo que deixam esta vida, cada um vai para o seu lugar, pressentido e apreendido antes mesmo de deixar o corpo na morte: os condenados, para o inferno, com ódio e desespero; os perfeitos, com amor, fé e esperança; os imperfeitos, com fé no perdão, vão para o purgatório.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">50 &#8211; Em analogia com a água-viva de Cristo, Catarina gosta de indicar o pecado como água morta.</span><br />
<span style="color: #000000;"> 51 &#8211; Veja-se o parágrafo 2.8.</span><br />
<span style="color: #000000;"> 52 &#8211; Veja-se adiante n. 24.3.</span><br />
<span style="color: #000000;"> 53 &#8211; Veja-se adiante n. 14.11</span><br />
<span style="color: #000000;">    </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Diálogo</em> &#8211; Santa Catarina de Sena</span></p>
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		<title>A CONDENAÇÃO ETERNA</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2016 14:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Ocupei-me da felicidade dos santos, para que entendesses melhor a infelicidade dos condenados ao inferno. Aliás, outro tormento destes últimos é ver quanto os bem-aventurados são felizes. Tal conhecimento acrescenta-lhes a pena, da mesma forma como a condenação dos maus &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-condenacao-eterna/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="http://www.imaculadamaria.com.br/z1img/18_11_2015__10_25_12623856437c921dfec8f5533e9efff6501b01b_640x480.jpg" alt="Resultado de imagem para condenado inferno" width="398" height="211" />Ocupei-me da felicidade dos santos, para que entendesses melhor a infelicidade dos condenados ao inferno. Aliás, outro tormento destes últimos é ver quanto os bem-aventurados são felizes. Tal conhecimento acrescenta-lhes a pena, da mesma forma como a condenação dos maus leva os justos a glorificar minha bondade. A luz é mais evidente na escuridão, e a escuridão na luz. Conhecer a alegria dos santos é dor para os réus do inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os condenados aguardam com temor o dia do juízo final. Sabem que então seus sofrimentos aumentarão. Ao escutar o terrível convite: &#8220;Surgite, mortui, venite ad juicium&#8221;, a alma retornará ao corpo. Para os bem-aventurados será um corpo de glória; para os réus, um corpo para sempre obscurecido. Diante do meu Filho, sentirão grande vergonha. Também diante dos santos. O remorso martirizará a profundidade do seu ser, quero dizer, a alma; mas também o corpo. Acusá-los-ão: o sangue de Cristo, por eles derramado; as obras de misericórdia, espirituais e corporais, do meu Filho; o bem que eles mesmos deveriam ter praticado em benefício dos outros, segundo o evangelho. Terá seu castigo a maldade com que trataram os irmãos, pois eu mesmo, compassivo, perdoara-lhes (Mt 18,33). Serão repreendidos pelo orgulho, egoísmo, impureza, ganância; e tudo isso reavivará seus padecimentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No instante da morte, somente a alma é repreendida; no juízo final também o corpo, por ter sido instrumento da alma na prática do bem ou do mal conforme a orientação da vontade. Todo bem e todo mal é feito através do corpo. Por esse motivo, minha filha, os justos terão no corpo glorificado uma luz e um amor infinitos; já os réus do inferno sofrerão pena eterna em seus corpos, usados para o pecado. Ao recuperar o corpo diante de Jesus ressuscitado, os réus sentirão tormento renovado e acrescido: a sensualidade sofrerá na sua impureza vendo a natureza humana unida à divindade, contemplando este barro adâmico &#8211; vossa natureza &#8211; colocada acima de todos os coros angélicos, enquanto eles, os maus, estarão no mais profundo abismo.</span><br />
<span id="more-6755"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os condenados verão brilhar sobre os eleitos a liberalidade e a misericórdia, quais frutos do sangue de Cristo; saberão das dificuldades suportadas pelos bons e que agora se mostram em seus corpos como frisos de adorno para as vestes. O valor de tais sofrimentos físicos, não provém do corpo, mas da riqueza da alma; e ela que dá ao corpo o merecimento da luta, como a companheira na prática das virtudes. Tal exteriorização se verifica porque o corpo manifesta o resultado das batalhas da alma, como o espelho reflete a face do homem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao se verem privados de tamanha beleza, os habitantes das trevas verão surgir em seus próprios corpos os sinais dos pecados e terão maiores tormentos e confusão. E ao soar aquela terrível sentença: &#8220;Ide, malditos, para o fogo eterno&#8221; (Mt 26,41), suas almas e corpos encaminhar-se-ão para a companhia dos demônios, sem mais remédio nem esperança. Cada um a seu modo, se envolverá na podridão em que viveu na terra, de acordo com as ações que praticou: o avarento arderá na sua ganância dos bens que desordenadamente amou; o maldoso, na sua ruindade; o impuro, na imunda e infeliz concupiscência; o injusto, nas suas iniquidades; o rancoroso, no seu ódio pelos outros. Quanto ao egoísmo, fonte de todos os males, arderá como princípio causador de tudo, em sofrimentos insuportáveis. O orgulho terá igual sorte. Assim, corpo e alma serão punidos em todos os vícios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Diálogo</em> – Santa Catarina de Sena </span></p>
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