REDEFINIR O CISMA PARA INCLUIR A FSSPX?

Em entrevista concedida ao Distrito Italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco aborda a acusação de cisma feita contra a FSSPX e explica a distinção entre desobediência a um ato específico de autoridade e recusa da própria autoridade.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — A plena comunhão com a Igreja Católica é tradicionalmente descrita por meio de três vínculos fundamentais: a profissão da mesma fé, a comunhão nos sacramentos e a comunhão no governo da Igreja, ou seja, com o Papa e os bispos em comunhão com ele.

A Fraternidade São Pio X é frequentemente acusada de se encontrar em situação de cisma porque, ao sagrar bispos sem mandato pontifício, teria rejeitado a autoridade do Papa, rompendo assim um desses três laços.

Mas será realmente correto equiparar a desobediência a um ato específico da autoridade à recusa da própria autoridade? Do ponto de vista teológico e canônico, como a Fraternidade explica sua posição? Continuar lendo

PEQUIM ESCOLHE BISPOS COMUNISTAS…E ROMA APROVA

A rendição do catolicismo ao maoísmo.

Pequim escolheu um novo bispo católico, que promoveu a ideologia comunista, participou da “reeducação” política maoísta e negou relatos de perseguição contra católicos em sua própria diocese. Roma o aprovou mesmo assim. A sagração de Paulo Liu Honggang, argumenta Gaetano Masciullo, é um exemplo chocante do que o acordo sino-vaticano produziu: o regime comunista escolhe e Roma apenas concorda.

Fonte: The Remnant – Tradução: Dominus Est

A farsa diplomática da Ostpolitik do Vaticano atingiu um novo e desolador ápice. Em 31 de agosto passado , Paul Liu Honggang foi sagrado bispo de Datong. A nomeação havia sido formalizada pelo Papa Leão XIV em 10 de agosto, meses depois de a Associação Patriótica Católica Chinesa tê-lo “eleito” unilateralmente em 28 de abril. Como já é prática comum: Pequim escolhe, Roma ratifica e consagra.

A figura de Liu Honggang personifica perfeitamente o drama da “sinização” do catolicismo: um processo que não explica a fé à cultura local, como gostariam de fazer crer os defensores do mecanismo sino-vaticano criado sob a direção de Bergoglio e Parolin nos últimos anos, mas subordina a doutrina do Evangelho à ideologia marxista.

O bispo que qualificou as denúncias de perseguição como “inventadas”.

O currículo do novo bispo de Datong fala por si só. Em outubro de 2018, Liu liderou pessoalmente cerimônias de hasteamento da bandeira para promover os “valores socialistas fundamentais”. Quando, em novembro de 2018, oito fiéis de sua diocese assinaram e publicaram na AsiaNews uma carta desesperada, denunciando a destruição de uma cruz, de uma igreja e a apreensão de Bíblias, Liu não agiu como um pastor, mas se tornou um negador da perseguição, publicando uma carta na qual as acusações feitas por seus próprios fiéis foram descartadas como invenções. Continuar lendo

DOM SCHNEIDER SUPLICA QUE ROMA RECONHEÇA OS NOVOS BISPOS DA FSSPX

Em uma entrevista concedida ao jornalista Niwa Limbu para o AdVaticanum, em 2 de setembro de 2026, Dom Athanasius Schneider explica porque ele continua a defender a Fraternidade São Pio X apesar das sanções que se seguiram às sagrações episcopais de 1° de julho. Ele também aborda as ambiguidades do Vaticano II, as exigências impostas à Fraternidade e a reforma litúrgica, respondendo à recente catequese de Leão XIV, que não corresponde “nem à realidade nem à história”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Santo Atanásio e a desobediência a uma ordem papal

Dom Schneider começa esclarecendo a dimensão da comparação que ele fizera entre a situação atual da Fraternidade e a de Santo Atanásio, sob o papa Libério. De forma alguma ele pretende que o bispo de Alexandria tenha realizado sagrações episcopais sem mandato pontifício: “Nenhuma comparação é exata em 100%. Em situações históricas difíceis, ela serve mais como ilustração. Naturalmente, não comparei o caso de Atanásio ao das sagrações em si. Seria errôneo.”

Tal afirmação seria, além do mais, anacrônica, porque o mandato pontifício não era então requerido na sua forma atual para as sagrações episcopais. O ponto comum reside em outro lugar: em ambas as situações, uma ordem concreta do Papa foi recusada para não comprometer a integridade da fé.

Santo Atanásio tinha recebido do papa Libério a ordem de estabelecer a comunhão eclesiástica com certos bispos hereges ou semi-hereges do Oriente. Essencialmente, dizia-lhe: “Eu, o Papa, estou em comunhão com estes bispos. Como vós, Atanásio, podeis recusar a comunhão com um grupo de bispos com os quais eu mesmo, enquanto Papa, estou em comunhão?” Ele se recusa a obedecer e prossegue, apesar da excomunhão pronunciada contra ele, o governo da sua diocese e da sua província eclesiástica. Continuar lendo

UM NOVO DOCUMENTO APROVADO POR LEÃO XIV: BUDA COMPARADO A SÃO FRANCISCO, EVOLUCIONISMO E PALAVRAS ALEATÓRIAS SOBRE O VEGETARIANISMO. ENFIM, NADA DE SURPREENDENTE

Nuovo documento approvato da Leone XIV: Buddha paragonato a San Francesco, evoluzionismo e parole in libertà sul vegetarianesimo. Insomma, tutto da programma.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Trata-se de um emaranhado interminável de palavras, por vezes ilegível, devido à sua prolixidade e falta de conclusões. Mas, sobretudo, devido aos seus erros contidos. Estamos falando do documento “Cuidando da Nossa Casa Comum”: Uma Resposta Responsável e Fraternal ao Deus Trinitário, cujo título por si só já causa certa apreensão.

Aprovado por Leão XIV, trata-se de mais uma confirmação, desnecessária, da plena continuidade com as heterodoxias vaticanosegundistas em geral e bergoglianas em particular. Vejamos rapidamente três observações: Continuar lendo

LEÃO XIV RECEBEU OS LUTERANOS NORUEGUESES

Após receber Sarah Mullally como Arcebispa Anglicana de Canterbury, Leão XIV acolheu os bispos luteranos da Noruega e os convidou a construir a comunhão sobre o fundamento de um “batismo comum” e uma “missão compartilhada”.

Fonte: DICI – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

Em 26 de agosto de 2026, Leão XIV recebeu no Vaticano uma delegação de onze bispos da “Igreja da Noruega”, a denominação luterana oficial do país. Vários membros dessa delegação eram mulheres. Esses títulos de “bispo”, usados sem reservas pela própria Santa Sé, não designam, contudo, um episcopado ou sacerdócio sacramentalmente válido.

Essa invalidade remonta ao estabelecimento da Reforma no Reino da Dinamarca-Noruega em 1536-1537. Após a deposição dos bispos católicos, o reformador Johannes Bugenhagen instalou os primeiros sete “superintendentes” luteranos das dioceses dinamarquesas em 2 de setembro de 1537. Bugenhagen havia recebido a ordenação sacerdotal católica em 1509, antes de sua conversão a Lutero, mas nunca fora consagrado bispo. Portanto, não podia transmitir a autoridade episcopal que não possuía. A sucessão apostólica foi, assim, interrompida desde o início dessa nova hierarquia.

Essa ruptura material foi agravada pelo abandono da doutrina católica do sacerdócio sacrificial e pela alteração do rito e da intenção necessários para a validade do sacramento da Ordem. Quanto às mulheres agora apresentadas como “bispas”, elas são, em todo caso, fundamentalmente incapazes de receber validamente a ordenação. Continuar lendo

A FÉ EM DEUS NÃO SE LIMITA À SUA UNIDADE

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa terceira parte relembra que Deus é o Criador de todas as coisas, que Ele pode ser conhecido pela razão humana e que Se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Ela reafirma que o mistério da Santíssima Trindade deve ser professado integralmente, sem omissões nem atenuações.

II – Deus, princípio e fim de todas as coisas, Santíssima Trindade

18 – Professo a existência de um Deus único, pessoal, vivo e verdadeiro, princípio primeiro e fim último de todas as coisas, que no começo criou a partir do nada o céu e a terra, as coisas visíveis e invisíveis. Infinitamente perfeito, eterno e onipotente, imutável, incompreensível na sua essência e soberanamente livre nas suas obras, Ele é distinto do mundo que criou livremente, que conserva na existência e que governa por meio de sua Providência.

19 – Professo que Deus pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão a partir das suas criaturas, como a causa é conhecida pelos seus efeitos. A fé católica reconhece, de fato, que a inteligência humana é capaz de atingir verdadeiramente a realidade das coisas, de conhecer frequentemente as suas causas e de chegar a verdadeiras certezas. Continuar lendo

UMA PEREGRINAÇÃO ISLÂMICO-CRISTÃ A LOURDES

Poucos meses antes de proibir a Fraternidade São Pio X de celebrar missas, administrar os sacramentos e realizar quaisquer orações públicas no Santuário, Lourdes recebeu uma peregrinação islâmico-cristã na presença de D. Jean-Marc Micas. Durante quatro dias, cristãos e muçulmanos foram convidados a rezar e meditar em torno de uma suposta imagem comum de Maria.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

De 18 a 21 de outubro de 2025, cerca de 100 cristãos e muçulmanos de toda a França reuniram-se em Lourdes para a primeira edição da peregrinação “Juntos com Maria”. O evento foi organizado pela associação de mesmo nome com várias entidades.

O site oficial do Santuário anunciou uma “experiência de oração, partilha, meditação e convívio”, na presença de D. Jean-Marc Micas, bispo de Tarbes e Lourdes. O objetivo declarado era permitir que os participantes “refletissem, recarregassem suas energias, partilhassem, se conhecessem melhor e avançassem juntos em um caminho de esperança”.

Uma cerimônia na capela de Nossa Senhora

Os participantes foram acolhidos na Cité Saint-Pierre, uma instalação dos Serviços Católicos de Assistência em Lourdes. Durante três dias, sucederam-se ensinamentos, discussões em pequenos grupos e momentos de oração. Entre os palestrantes estavam o Padre Jean-François Bour, um frade dominicano do Serviço Nacional para as Relações com os Muçulmanos, Tareq Oubrou, o Grande Imã de Bordeaux, bem como Georges Jousse e Hamid Demmou. Continuar lendo

A FSSPX PRATICA UM “LIVRE EXAME” DA TRADIÇÃO?

Em uma entrevista concedida ao Distrito da Itália da Fraternidade São Pio X, e publicada em 11 de agosto de 2026, o padre Daniele Di Sorco responde à acusação de “livre exame” frequentemente dirigida à FSSPX, e explica porque ela considera que pode recusar determinados ensinamentos do Vaticano II em nome do magistério anterior da Igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X nasceu, sem que isso constituisse a sua única razão de ser, como reação a certas doutrinas e orientações pastorais que surgiram com ou após o Concílio Vaticano II, consideradas em ruptura com o magistério anterior da Igreja.

As questões evocadas com maior frequência dizem respeito à liberdade religiosa, ao ecumenismo, à colegialidade episcopal – cuja sinodalidade constitui hoje um desenvolvimento suplementar – e a reforma litúrgica. De acordo com a Fraternidade, esses elementos não seriam conciliáveis com o ensinamento perene da Igreja. Logo, a questão envolve diretamente o primeiro dos três vínculos da comunhão eclesial: a profissão da mesma fé.

Se tal é o diagnóstico, é necessário, todavia, se perguntar sobre as consequências teológicas e eclesiológicas. Como é possível afirmar que se permanece em plena comunhão eclesial quando, ao mesmo tempo, se considera que uma parte da hierarquia da Igreja ensina ou promove doutrinas incompatíveis com o magistério anterior? Continuar lendo

QUE “COMUNHÃO”? – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

Na festa de São Pedro e São Paulo, o Papa evocou as chaves como símbolo da unidade da Igreja.

Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

Nosso Santo Padre o Papa Leão XIV, Vigário de Jesus Cristo e Chefe supremo de toda a Igreja universal, celebrou no dia 29 de junho passado, na presença dos cardeais reunidos em Roma por ocasião do Consistório, a missa da festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo. Foi nessa celebração que o Papa impôs o pálio aos novos arcebispos metropolitanos.

Na homilia que proferiu nesse dia, Leão XIV insistiu na “solicitude fiel e paciente pela unidade” que cabe ao sucessor de Pedro e que é “muito bem expressa pelo símbolo das chaves, com o qual frequentemente o identificamos (cf. Mt 16, 19)”. E desenvolveu assim a descrição da metáfora: “Uma chave, com efeito, não derruba as portas, mas as abre e depois as fecha, procurando em seu interior as alavancas certas e acompanhando seus movimentos, para que os bloqueios se desfaçam, as fechaduras deslizem e as portas girem livremente sobre seus gonzos, unindo assim os espaços e fazendo dos numerosos cômodos isolados uma única e mesma casa acolhedora”.

Como se deve, portanto, compreender, à luz dessa metáfora, a definição da unidade e da comunhão na Igreja? “Do mesmo modo”, explica Leão XIV, “a comunhão na Igreja não se constrói fixando-se nas próprias posições, mas buscando, no coração de cada um, os pontos de encontro na Verdade, à única luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento”. E é aqui que surge a questão fundamental: de que “Verdade” se trata? O bispo de Bourges, Dom Sylvain Bataille, fez recentemente eco a essa reflexão do Papa quando, posicionando-se, em um comunicado datado de 13 de julho passado, a respeito das sagrações realizadas pela Fraternidade São Pio X, o recente sucessor de Dom Jérôme Beau declara: “Não sonhemos com uma unidade de compromisso, fundada na ambiguidade” [1]. Continuar lendo

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – SETEMBRO/26

São Pio X e Inspetoria Salesiana do Sul do Brasil

Caros fiéis, 

Neste mês de nosso padroeiro, São Pio X, convém trazer à tona a célebre frase que ele pronunciou com profunda tristeza, mas irredutível firmeza, quando, em 9 de dezembro de 1905, a Terceira República Francesa aprovou a Lei de Separação da Igreja e do Estado. Dirigindo-se ao episcopado na Encíclica Gravissimo Officii Munere (10 de agosto de 1906), declarou o Papa: Queridos bispos da França, “prefiro uma Igreja pobre, mas livre.” Ou seja, uma Igreja independente do mundo e com mais razão, independente do espírito do mundo. 

Poderíamos nos perguntar por que este santo Pontífice assim procedeu com o país considerado a “Fille aînée de l’Église”— a nação mais rica em catedrais barrocas, mosteiros românicos e conventos. A resposta é simples: “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32). Trata-se da liberdade própria daquele que fala com autoridade e simplicidade, movido por uma convicção inabalável, pois a Verdade é simples, perfeita, infinita, imutável, eterna e única. A Verdade é o próprio Deus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). 

Na Teologia Moral, um famoso axioma prescreve: Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu (“Para que uma coisa seja boa, deve sê-lo em toda a sua integridade; para que seja má, basta-lhe um único defeito”). Continuar lendo

O DEPÓSITO DA FÉ NÃO SE ALTERA

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de fé católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta segunda parte relembra que a fé católica não é fruto de uma evolução nem de uma experiência religiosa, mas da adesão à Revelação divina confiada de uma vez por todas à Igreja, que a transmite fielmente por meio da Sagrada Escritura e da Tradição.

I -A Revelação divina, a fé e a Tradição

7 – Creio que Deus, na sua bondade, chamou o homem, pelo dom da graça, a alcançar a visão beatífica. Sustento firmemente e professo que essa exaltação do homem ultrapassa as forças e as exigências da natureza humana, e que é um dom gratuito de Deus, ou seja, um dom sobrenatural.

8 – Creio que Deus não deixou o homem entregue às suas meras forças naturais, mas lhe revelou os mistérios de sua vida divina e do destino sobrenatural a que o chama. Foi por isso que, depois de ter falado outrora aos profetas na Antiga Aliança, falou definitivamente, por meio do seu único Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, na Nova Aliança, com a qual a Revelação divina se completou perfeitamente.

9 – Essa Revelação é a palavra veraz de Deus, confiada à Igreja como um depósito, e proposta aos homens como regra de fé na forma de um corpo de doutrina, onde os mistérios são formulados de uma maneira que os torna inteligíveis e exprimíveis em palavras. A Revelação não é a expressão progressiva de uma consciência religiosa, nem o fruto de uma experiência coletiva da comunidade dos crentes; é a verdade mesma de Deus comunicando-se de modo sobrenatural à inteligência dos homens para a sua salvação. Continuar lendo

NÃO HÁ UNIDADE NA AMBIGUIDADE

Em Bourges (como em vários locais do mundo), nada de ecumenismo para os inimigos do ecumenismo.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Ao explicar aos fiéis de sua diocese o alcance das sagrações de 1º de julho, Dom Sylvain Bataille, arcebispo de Bourges, insistiu: Não sonhemos com uma unidade de compromisso, fundada na ambiguidade“. A isso, só podemos concordar.

No entanto, na véspera de sua nomeação como Arcebispo de Bourges, em 15 de outubro de 2025, um encontro ecumênico organizado pela diocese foi realizado em sua sede episcopal com o tema: Descobrindo Formas de Orar… com Lutero e Calvino”. Após apresentações sobre Martinho Lutero e John Calvino — uma delas feita pelo presidente da Igreja Reformada de Bourges — seguiu-se uma discussão, e depois uma oração em comum. Durante a discussão sobre a doutrina dos sacramentos, um padre católico presente insistiu no respeito tanto pela teologia protestante quanto pela católica, já que ambas evoluíram: “Em certo momento, tínhamos 12 sacramentos… Nós também evoluímos!”. Nenhuma explicação foi dada para essa afirmação. Tampouco foi mencionada a questão de que a doutrina católica expressa a verdade revelada, enquanto o protestantismo a contradiz. A cortesia ecumênica exige isso.

Deveríamos considerar isso apenas um deslize ocasional, levando em conta que uma conversa informal pode conter imprecisões, ou  até mesmo descuidos? Continuar lendo

A FÉ CATÓLICA INTEGRAL, NADA MENOS QUE ISSO!

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa primeira parte expõe as razões que tornam necessária, hoje em dia, uma profissão integral da fé, sem diminuir em nada a doutrina transmitida pela Igreja.

Em nome da santa e indivisa Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.

Preâmbulo

1 – Professo e abraço a inteira verdade da fé católica, tal como foi “recebida pelos Apóstolos dos próprios lábios de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou transmitida como de mão em mão pelos próprios Apóstolos conforme lhes ditava o Espírito Santo”, e a seguir conservada fielmente até chegar a nós por uma sucessão ininterrupta na Igreja católica, através da pregação dos papas e dos bispos, dos escritos dos Padres da Igreja e dos teólogos, e das definições dos santos concílios.

2 – Recebo firmemente todas e cada uma das verdades que a Igreja infalível propôs como divinamente reveladas e necessárias para a salvação, seja pelas definições do seu Magistério solene, seja pela unanimidade do seu Magistério ordinário e universal 3. Recebo também tudo o que pertence à doutrina católica em razão de uma conexão necessária com o depósito revelado 4, e tenho por certas as verdades que a Igreja ensinou com constância a fim de preservar esse depósito em face dos erros 5.

3 – Rejeito, consequentemente, todos os erros contrários a essa fé, especialmente os do liberalismo, do  indiferentismo, do modernismo, do ecumenismo e do laicismo, condenados pelos papas Pio IX , Leão XIII, São Pio X, Pio XI e Pio XII. Tais erros, com efeito, obscurecem a doutrina revelada, falseiam a Tradição, desfiguram a santa liturgia, corrompem a moral, enfraquecem o espírito missionário e desagregam a ordem social cristã, causando grave prejuízo à salvação das almas. Continuar lendo

DE MITOS E MALDIÇÕES. O “MITO” CRISTÃO

 Les 50 ans de la nouvelle messe : la fabrication du nouveau missel | FSSPX  Actualités

O sacerdote modernista não é mau sujeito, está tentando “chegar” com a “mensagem” da melhor forma que encontra, porque já perdeu a ideia de que está “renovando um “fato” que tem efeitos em e por si mesmo.

por Dardo Juan Calderón

Não creio que restem muitos que não pensem que o relato evangélico e muito mais o do antigo testamento não seja um “mito” que tem uma “mensagem” a decifrar, à maneira do mito grego ou de outras religiões. O Mito Bíblico. Que não é algo histórico que ocorreu realmente e que, captando o sentido oculto, este nos ajudará a entender algo de nossa existência. E então me pus a pensar que este assunto da fé nesse conjunto de histórias que foram reveladas ao cristão para que cresse, conselhos para que seguisse e leis para que obedecesse, na medida em que passam a ser entendidas como mitos não necessitam de fé, mas de interpretação (hermenêutica), porém… como os outros mitos, atenção, pois devem necessariamente conter uma maldição!

O que se nos quer dizer com isso de que Deus se encarnou em Jesus de Nazaré? Se é um mito, devemos explicá-lo, extrair a “mensagem”. A missa passaria a ser a teatralização do mito, uma atualização dos símbolos desse mito do Deus encarnado que, com a liturgia da palavra, há que ir esclarecendo para os simples. O sacerdote faz um pouco de teatro e o explica. Isso é a nova teologia e a nova liturgia, e isso explica o porquê da suma importância que tem a “liturgia da palavra”, a explicação do mito, a interpretação do mito. A hermenêutica. Quanto ao que corresponde à “teatralização” do mito, é possível que para a melhor interpretação seja necessário fazer uma “versão adaptada” ao novo público e ao novo tempo, utilizando uma simbologia mais adequada a esse público e a esse tempo, como o filme da Odisseia e como as mil versões adaptadas de “Shakespeare” que há no cinema. E essa “adaptação” depende da perícia e das condições do “adaptador”, que consegue que a “mensagem” chegue de melhor maneira. Ratzinger dizia que a crucificação era o símbolo perfeito para a mensagem do sacrifício pelos outros naquela época do século I, mas hoje se pode dizer o mesmo com a ideia do “trabalho” e se entenderia melhor. E algo parecido com a ressurreição, que naqueles tempos significava que despertou da morte, mas que a mensagem é que “hoje vive em nós” e podemos prescindir daquele símbolo pelo de que o amor torna presente aquele que morreu (“A estranha teologia de Ratzinger”, dizia em sua obra Monsenhor Tissier). Continuar lendo

PAPA LEÃO XIV NOMEIA CONSULTORES QUE APOIAM A “ORDENAÇÃO” DE MULHERES E A AGENDA DO FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL

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Foram nomeadas para o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral pessoas que têm defendido a sinodalidade e mudanças no ensinamento católico sobre a moral sexual.

No final desse texto, algumas das últimas nomeações de Leão XIV.

Fonte: Life Site News – Tradução: Dominus Est

Na terça-feira, o Papa Leão XIV nomeou uma dúzia de consultores para o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, incluindo várias pessoas que têm defendido a “ordenação” de mulheres ao sacerdócio, a sinodalidade, mudanças no ensinamento católico sobre moralidade sexual e até mesmo uma pessoa com vínculos com o Fórum Econômico Mundial (WEF).

Entre as nomeações feitas pelo Papa Leão em 18 de agosto para o dicastério está Peter G. Kirchschlager, especialista em ética social da Universidade de Lucerna, na Suíça, que afirmou que a Igreja tem um problema não resolvido em relação à impossibilidade da ordenação de mulheres ao sacerdócio. Outro dos nomeados pelo pontífice, o padre Peter Klasvogt, um sacerdote alemão, abraçou o Caminho Sinodal e pediu que o ensinamento da Igreja sobre “sacerdotisas” e moralidade sexual fosse revisto com uma “disposição para mudar”. Continuar lendo

O ARCEBISPO DE BOURGES DIANTE DAS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO – PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 2 DE 2

“A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”…

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Leia a Parte 1 aqui

Aos olhos de D. Sylvain Bataille de Bourges (1), a Tradição “não consiste numa herança estática, estagnada e intocável. Pelo contrário, é a transmissão viva da própria fé dos Apóstolos, incessantemente aprofundada sob a orientação do Espírito e vivida em diferentes contextos históricos e culturais” […]“. A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”.  A iniciativa das sagrações de 1 de julho ficaria, assim, privada de sua principal justificativa.

Aqui encontramos o discurso evolucionista inaugurado pelo Vaticano II e teorizado por Bento XVI, com a ambiguidade que abre as portas a todo tipo de negação, sob o pretexto de aprofundar a compreensão. O parágrafo 17 da Profissão de Fé apresentada em 24 de junho pela Fraternidade dissipa essa ambiguidade: 

A Tradição pode ser chamada de “viva” não no sentido de que mudaria de significado, mas no sentido de que o Magistério vivo propõe ao longo dos séculos, de maneira sempre mais clara e mais explícita, a mesma verdade com o mesmo significado(2). O que foi crido por todos, sempre e em todo lugar, como pertencente a fé, não pode ser negado nem posto em dúvida por nenhuma voga teológica, nenhuma pressão pastoral, nenhuma necessidade diplomática, nenhuma pretensa exigência do mundo moderno (3).

Vemos claramente, infelizmente, que a “transmissão viva” à qual se refere Dom Bataille instaura uma forma de praticar a religião que altera o sentido da verdade revelada, sob o pretexto da adaptação. A prática do ecumenismo, por exemplo, insinua cada vez mais o erro do indiferentismo.

No que diz respeito ao culto, o arcebispo de Bourges gostaria de criticar a expressão “missa de sempre”, utilizada por Dom Lefebvre, para justificar as reformas litúrgicas do pós-Vaticano II: Continuar lendo

DOM SCHNEIDER: UM ENVOLVIMENTO SÉRIO DO VATICANO COM A FRATERNIDADE SÃO PIO X MARCARIA O “COMEÇO DO FIM” DO PROJETO MODERNISTA

Fonte: Diane Montagna’s Substack – Tradução: Dominus Est

Dom Athanasius Schneider divulgou sua primeira declaração pública desde que Roma declarou que os seis bispos da FSSPX incorreram em excomunhão automática devido às sagrações episcopais realizadas pela Fraternidade em Écône, em 1º de julho, contra a vontade do Papa Leão XIV.

Sua Excelência tem sido uma voz ativa no debate sobre as sagrações, e sua reação às consequências do ocorrido era aguardada com particular interesse. Nos meses anteriores, ele implorou repetidamente ao Papa Leão XIV que concedesse à Fraternidade São Pio X um mandato apostólico, em vez de permitir que o ato prosseguisse sem sua aprovação — principalmente em um “Apelo Fraterno” de 24 de fevereiro, que exortava o Papa a agir como um “construtor de pontes” e alertava contra “uma divisão adicional, verdadeiramente desnecessária e dolorosa, dentro da Igreja”.

Em uma nova declaração intitulada “O dilema entre preservar a integridade inequívoca da fé católica e ser reconhecido canonicamente pelo Papa” (texto completo abaixo), D. Schneider argumenta que a FSSPX se deparou com uma escolha “trágica” e pouco comum: manter-se fiel à doutrina católica tal como sempre foi ensinada ou garantir o reconhecimento formal da Santa Sé.

Ele enquadra a situação atual como um exemplo de um dilema enfrentado anteriormente na história da Igreja, por Santo Atanásio de Alexandria, no século IV. Quando o Papa Libério, sob pressão imperial, entrou em comunhão com os bispos arianos e exigiu que Atanásio fizesse o mesmo, Atanásio recusou-se — e foi excomungado pelo próprio Papa, acusado de “perturbar a paz da Igreja”. Continuar lendo

O ARCEBISPO DE BOURGES DIANTE DAS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO – PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 1 DE 2

Sua Excelência D. Sylvain Bataille, na qualidade de Arcebispo de Bourges, considerou oportuno divulgar alguns “pontos de referência para compreender a situação” referente às sagrações episcopais da Fraternidade São Pio X( 1).

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

É possível colocar-se acima da Igreja, rejeitar um Concílio que reuniu os bispos de todo o mundo? É possível considerar que, há mais de 60 anos, 7 papas sucessivos, os 8.000 bispos do mundo — com poucas exceções — e a imensa maioria dos sacerdotes e fiéis teriam abandonado a verdadeira fé? Na raiz de todos os cismas, sempre se identifica a mesma tentação: a de acreditar que só se detém a verdade, que só se é fiel, que só se é puro, que só se pode salvar a Igreja.

A unidade da Igreja seria, então, a de uma maioria?… Se fosse esse o caso, já se poderia reverter a questão contra seu autor e perguntar-lhe: “Pode-se rejeitar, em nome do ecumenismo, da liberdade religiosa e da colegialidade, cerca de vinte concílios ecumênicos que reuniram os bispos de toda a história?” Pode-se considerar que, durante quase 2000 anos, 260 papas sucessivos, juntamente com os bispos, os padres e os fiéis, teriam cometido graves erros na fé, desconhecendo os verdadeiros princípios da eclesiologia e da doutrina social?”. A bem ver, sim, se a unidade da Igreja é a de uma maioria, foi justamente a Igreja do Concílio Vaticano II que sucumbiu à tentação de acreditar que é a única detentora da verdade, é precisamente a Igreja desses 7 papas, que há mais de 60 anos pregam uma nova eclesiologia e uma nova doutrina social, que sucumbiram à tentação de acreditar que é a única a ser pura, a ser fiel e a poder salvar as almas. É essa Igreja que seria, de fato, cismática. Continuar lendo

QUAL A CREDIBILIDADE DOUTRINAL E A AUTORIDADE MORAL DO CARDEAL FERNÁNDEZ?

Em 2 de julho de 2026, o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinou o decreto de “excomunhão” contra os bispos sagrantes e os sagrados no dia anterior em Écône. É irônico ver este decreto assinado por um prelado que, em 27 de janeiro, durante a sessão plenária de seu dicastério, convidava à “humildade intelectual, espiritual e teológica”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Na ocasião, ele denunciou uma “absolutização da própria razão ou de determinados critérios morais que poderia levar a graves abusos’. Entre os exemplos mencionados figuravam a Inquisição, as guerras mundiais e o Holocausto… Essa advertência está agora sendo ignorada pelo cardeal argentino, mas apenas porque implica excomungar uma Tradição bimilenar.”

No InfoVaticana, em 6 de julho, Pedro Gómez Carrizo considera que o decreto assinado pelo cardeal Fernández aponta, acima de tudo, para o fracasso de Leão XIV. Ele se indigna, com razão: “Que tal personagem promova uma excomunhão em nome da pureza da comunhão eclesial é simplesmente o cúmulo. É o cúmulo porque um dos aspectos que mais distanciam os excomungados dos excomungadores é que aqueles denunciam, precisamente, até que ponto estes esvaziaram de sentido seus atos”. Em outras palavras: até que ponto transformaram seus atos em algo sem sentido.

E explica em que se transformou hoje a Doutrina da Fé, da qual o cardeal Fernández é responsável: “A doutrina é pouco mais do que o relatório de um grupo de trabalho, sempre dependente do contexto; a moral vem se dissolvendo nessa misericórdia sem julgamento que acompanha o pecador, procurando não incomodá-lo; a liturgia sofre há décadas com a criatividade paroquial; a Alemanha vem há anos ensaiando o cisma por etapas e o Partido Comunista da China ordenando bispos; a Cúria coloca cardeais a serviço de prefeitas religiosas, enquanto casais homossexuais são abençoados desde que não rezem em latim; o trabalho pastoral já não é conduzir as almas à verdade, mas sim amenizar essa verdade, a ponto de ocultá-la completamente, e a sinodalidade conseguiu que antigas heresias renasçam reluzentes, como se tivessem acabado de sair de uma sessão de  brainstorming”. Continuar lendo

SUMÁRIO DAS AULAS – AULA 14 DO CURSO SOBRE A CRISE NA IGREJA – COMENTÁRIOS FINAIS

Nesta última aula, Dom Lourenço Fleichman faz uma descrição das 14 aulas – sendo algumas em duas partes – do Curso sobre a crise na Igreja Católica. Agradece a todos os colaboradores e menciona os comentários dos assistentes, fazendo uma crítica aos espírito de desordem dos sedevacantistas, e lamentando não ter podido responder aos bons comentários e às dúvidas de boa fé de muitos. No final, uma visão sobre as Sagrações de Ecône no momento da tempestade simboliza o bom combate pela fé.

Acesse o vídeo clicando aqui

CARDEAL FERNÁNDEZ: A CANETA DE FRANCISCO E LEÃO XIV

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Foi o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, quem assinou, em 2 de julho de 2026, o decreto de “excomunhão” contra os bispos sagrantes e sagrados da Fraternidade São Pio X, e que ameaçava com a mesma sanção os sacerdotes e fiéis que aderissem ao “cisma”.

Essa aplicação do Direito Canônico não é isolada; ela se insere no âmbito do magistério “líquido” da Igreja “sinodal”. De fato, essa “excomunhão” é decretada por um prelado que foi o redator do Papa Francisco, para quem escreveu “Amoris laetitia” [2016] — autorizando os divorciados civilmente recasados a receber a comunhão —, bem como “Fiducia supplicans” [2023] — permitindo a bênção de casais do mesmo sexo.

A propósito, vale lembrar que Víctor Manuel Fernández, antes de se tornar a eminência que é hoje graças a Francisco, é autor de duas obras: “Sáname con tu boca: El arte de besar” [Cura-me com tua boca: a arte de beijar, 1995] e “La pasión mística: espiritualidad y sensualidad” [A paixão mística: espiritualidade e sensualidade, 1998]. Os títulos eloquentes desses livros — dos quais nunca se retratou — afirmam que a temperança é uma virtude cardinal… exceto para o cardeal Fernández. Continuar lendo

1974-1983-2026, SEMPER IDEM

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Profissão de Fé Católica que a Fraternidade São Pio X dirigiu ao Papa Leão XIV e a todos os cardeais em 24 de junho de 2026, uma semana antes das sagrações episcopais de 1º de julho, está em direta consonância com a Carta Aberta dirigida a João Paulo II por D. Marcel Lefebvre e D. Antonio de Castro Mayer em 21 de novembro de 1983, nove anos após a famosa Declaração  do fundador da Ecône em 21 de novembro de 1974, e cinco anos antes das sagrações de 30 de junho de 1988. A crise na Igreja continua, a doutrina da Igreja permanece. 

Eis o que os dois bispos, que realizaram juntos a sagração em 1988, escreveram a João Paulo II em 1983: “Milhares de clérigos e milhões de fiéis vivem em angústia e perplexidade devido a ‘autodestruição da Igreja’. Os erros contidos nos documentos do Concílio Vaticano II, as reformas pós-conciliares e, especialmente, a reforma litúrgica, as falsas concepções disseminadas por documentos oficiais e os abusos de poder perpetrados pela hierarquia os lançam em turbulência e desordem.”

“Nessas circunstâncias dolorosas, muitos perdem a fé, a caridade esfria e o conceito da verdadeira unidade da Igreja desaparece no tempo e no espaço. Para tanto, tomamos a liberdade de anexar a esta carta um anexo [intitulado:  Breve Resumo dos Principais Erros da Eclesiologia Conciliar ] contendo os principais erros que estão na origem desta situação trágica e que, além disso, já foram condenados por seus predecessores.”

A lista a seguir apresenta um enunciado, mas não é exaustiva: Continuar lendo

ROMA CONDENA CANONICAMENTE, MAS SE CALA DOUTRINALMENTE

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 2 de julho de 2026, um dia após as sagrações episcopais em Écône, o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinou um “decreto de excomunhão latae sententiae” que impunha automaticamente os bispos sagrantes e sagrados, e ameaçava com a mesma sanção os sacerdotes e fiéis que aderissem a esse “ato cismático”. Ou seja, somente na cerimônia de 1º de julho: mais de 16.500 fiéis, 589 padres, irmãos e seminaristas, e 397 religiosas, representando 65 nacionalidades.

A Roma atual excomunga muitos. Mas mantém silêncio sobre a Declaração de Fé da Fraternidade São Pio X de 14 de maio (Nouvelles de Chrétienté n.º 219, maio-junho de 2026, pp. 3-5), bem como sobre a Carta aberta ao papa e aos cardeais e a Profissão de fé católica de 24 de junho (DICI n.º 470, julho de 2026, pp. 8-11, e a presente edição das Notícias da Cristandade, pp. 13-22). Seriam esta declaração e esta profissão heterodoxas? Não revelariam elas as verdadeiras razões doutrinais da luta pela fé? Roma permanece em silêncio. E Leão XIV não recebeu o Padre Davide Pagliarani, apesar dos repetidos pedidos, em 2025 e 2026.

Roma prefere aplicar a lei de forma automática, sem considerações doutrinárias. A sanção se aplica por si só ou, melhor ainda, segundo alguns comentaristas, os bispos teriam se excomungado a si mesmos…“Dura lex, sed lex; a lei é dura, mas é a lei”, é a desculpa oferecida em voz baixa, pois esse formalismo jurídico pré-conciliar não se coaduna com a recepção fraternalmente ecumênica reservada à “arcebispa” anglicana, Sarah Mullally, ao abençoar cardeais romanos, no último dia 4 de maio. É melhor que a “excomunhão” ocorra automaticamente, sem que as autoridades precisem intervir. Para não terem de se retratar. Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 13 – AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS

Dom Lourenço Fleichman gravou esta aula antes das sagrações de 1º de julho de 2026, mas o anúncio das sagrações já fora feito. 

Leitura dos textos iniciais entre a Fraternidade Sacerdotal São Pio X e as autoridades de Roma.

Acesse o vídeo clicando aqui.

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NEM ÁRIO NEM ATANÁSIO

“The Semi-arians attempted a middle way between orthodoxy and heresy, but could not stand their ground”Cardeal John Henry Newman (1801-1890)

1. Introdução

Há um certo grupo de católicos que, não humildemente e aproveitando-se sofisticamente da clássica definição de virtude1, coloca-se como o caminho certo entre dois desvios do pós-Concílio Vaticano II. Eles se veem como uma bela montanha cercada por dois precipícios, os quais podemos resumir da seguinte maneira:

  • De um lado, os modernistas/progressistas, que dizem: “ainda bem que a Igreja mudou” — celebram a ruptura.
  • Do outro, os tradicionalistas: “infelizmente a Igreja mudou” — lamentam a ruptura.

Para nos salvar desses dois grupos, eis então que vem o “conservador” católico ou, como alguns desse grupo costumam se autointitular, continuístas. Estes, como cavaleiros brancos em armadura reluzente, apresentam sempre os defeitos dos dois lados e, como bons vendedores, colocam-se como a solução verdadeiramente católica. Nem o apego a um passado cristalizado, dizem, nem a tempestade revolucionária.

Não nego que o sofisma tenha seu apelo, caso contrário seus vários fautores não estariam cercados de seguidores de rede social (não que essa métrica signifique algo além de mais problemas para suas almas no Juízo, mas enfim…).

Leia esse excelente texto, por completo, no Verbum Fidelis clicando aqui.
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CURTO-CIRCUITO LÓGICO

Admitir que é necessário resistir aos desvios do magistério atual ao mesmo tempo que se condena a Fraternidade porque ela se dota dos meios para continuar essa resistência não é um verdadeiro curto-circuito lógico?

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Segundo algumas pessoas, denunciar publicamente os desvios do magistério moderno (por exemplo: a bênção de casais homossexuais, a comunhão dada a divorciados que se casam novamente, a negação da corredenção, etc.) seria perfeitamente lícito: não haveria aqui nem desobediência, nem insubordinação, nem cisma.

Por outro lado, consagrar bispos a fim de continuar a denunciar esses mesmos erros e preservar integralmente a fé católica constituiria um ato de desobediência, insubordinação e cisma.

Recordamos inicialmente que ao magistério não infalível é devido, não obstante, um assentimento interior e religioso da mente. Em outras palavras, não basta nem um conformismo exterior nem um silêncio respeitoso: é requerido ao fiel que ele adira sinceramente, por sua inteligência e vontade, ao que a Sé apostólica ensina (Cf. Pio IX, Quanta Cura; Pio XII, Humani generis). É óbvio que existem diferentes graus de assentimento. Aquele que é devido ao magistério infalível é o assentimento de fé, absoluto e incondicional, enquanto o que é devido ao magistério não infalível é o assentimento baseado nas virtudes da obediência e religião, que não é absoluto, mas condicionado. Trata-se, não obstante, de um assentimento: sob o pretexto de que existem diferentes graus de adesão, pode-se transformar o assentimento em dissensão.

Estar em desacordo com o magistério não infalível implica necessariamente uma desobediência ao papa, precisamente porque, como vimos, o assentimento devido a esse gênero de magistério se baseia nas virtudes da obediência e religião. Existe, todavia, uma situação em que é lícito não dar o seu assentimento: “Quando a Igreja, com a igual ou superior autoridade, decide de modo diferente” (J. Salaverri, De Ecclesia Christi, Madri, 1962, p. 707).

Ora, no caso da bênção dos casais homossexuais, da comunhão dada aos divorciados casados novamente, etc., a Igreja já tomou uma decisão, no passado, diferente e definitiva. Logo, é legítimo criticar, inclusive publicamente, os documentos do magistério que contenham esses erros. Não porque o magistério não infalível fosse facultativo em si, mas porque, nesse caso preciso, ele não é e não pode ser vinculativo, porque é contrário ao ensinamento tradicional da Igreja.

Por conseguinte, a Fraternidade faz algo diferente? A razão específica pela qual as consagrações de 1º de julho foram realizadas é continuar a denunciar publicamente os erros presentes no magistério atual e, consequentemente, conservar a fé católica em toda a sua integridade.

Querem uma prova? Toda vez que a Fraternidade procurou chegar a um acordo com Roma, a resposta sempre foi a mesma: os senhores devem dar o seu assentimento ao Vaticano II e ao magistério pós-conciliar, e parar de criticar o magistério contemporâneo do papa, assim como sua pessoa (Cf. documentos citados em anexo).

Querem uma contraprova? Nenhum dos institutos que nasceram da Ecclesia Dei jamais criticou publicamente, em documentos oficiais, os desvios do magistério atual. A única realidade que tinha tentado fazê-lo, os Franciscanos da Imaculada, foi destruída.

Pode-se objetar que as intenções da Fraternidade provavelmente seriam boas, mas que o fim (recusar os erros do magistério atual) não justifica os meios (consagrações sem mandato apostólico). Demonstramos, contudo, num artigo anterior (Nem cismáticos, nem desobedientes), que, na situação atual, consagrar bispos sem mandato apostólico não constitui nem uma insubordinação, nem um cisma, nem uma desobediência. A teologia é clara sobre esse ponto. Desde que a conheça.

Dom Daniele Di Sorco

Anexos

“O novo texto da Declaração doutrinal deverá conter um parágrafo no qual os signatários declararão explicitamente aceitar os ensinamentos do Concílio Vaticano II assim como os do período pós-conciliar, concedendo-lhes o grau de adesão que lhes é devido. Os membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X devem reconhecer não somente a validade, mas também a legitimidade do rito da Santa Missa e dos sacramentos conforme os livros litúrgicos promulgado após o Concílio Vaticano II”

(Carta do cardeal Müller a Dom Fellay, 6 de junho de 2017)

“Prometo fidelidade à Igreja católica e ao Pontífice Romano, Pastor supremo da Igreja, Vigário de Cristo, Sucessor do bem-aventurado Pedro em seu primado e Chefe do Colégio dos bispos, abstendo-me de qualquer declaração pública contrária à sua pessoa ou ao seu magistério (Cf. can. 1373 e 135 CIC).”

(Dicastério para a Doutrina da Fé, Prática para a reconciliação dos padres e leigos oriundos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, 2 de julho de 2026).

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APÓS AS SAGRAÇÕES, D. GÄNSWEIN ACUSA A FSSPX DE PROTESTANTISMO: UMA RESPOSTA PONTO A PONTO.

Monsenhor Georg Gänswein, secretário particular de Bento XVI

No dia 4 de julho, o Le Salon Beige publicou uma entrevista com Dom Georg Gänswein, ex-secretário de Bento XVI e atual Núncio Apostólico nos Estados Bálticos. Nela, o prelado formula várias acusações graves contra a FSSPX, em um tom ao mesmo tempo sentimental e doutrinário. Cada uma delas merece uma resposta franca.

Fonte: Medias Presse Info – Tradução: Dominus Est

“Bento XVI levantou a excomunhão como um pai que busca fazer as pazes. Uma mão estendida que eles não aceitaram.”

A frase é comovente. No entanto, também é imprecisa no que sugere.

A FSSPX não rejeitou o levantamento das excomunhões de 2009. Ela a acolheu com gratidão, como um ato de justiça — pois essas excomunhões eram, como já demonstramos em outra ocasião, canonicamente contestáveis. O que a Fraternidade recusou, por outro lado, foi assinar uma profissão de fé que incluísse uma adesão sem reservas aos textos do Concílio Vaticano II — condição que Roma impunha como pré-requisito para qualquer regularização canônica completa.

Mas foi precisamente aí que o diálogo se rompeu, não por obstinação da FSSPX, mas porque os textos em questão levantam problemas teológicos reais que os próprios cardeais, bispos e teólogos, alheios a qualquer corrente tradicionalista, já haviam levantado. Recusar-se a assinar aquilo em que não se acredita não é rejeitar uma mão estendida — é simplesmente honestidade intelectual e fidelidade à fé recebida. Continuar lendo

PUNIÇÕES INVÁLIDAS, SACRAMENTOS VÁLIDOS

“…O que incomoda as autoridades romanas hoje é o nosso apego à doutrina católica e nossa rejeição aos erros do Concílio Vaticano II. Esse é o cerne da questão. O problema é, portanto, doutrinário, e não disciplinar…”

Em um sermão proferido no domingo, 5 de julho de 2026, na igreja do Seminário São Pio X em Ecône, o padre Bernard de Lacoste, diretor do seminário, responde, à luz do direito canônico, às principais questões levantadas pelo decreto de 2 de julho referente às sagrações episcopais e à Fraternidade São Pio X.

Meus queridos irmãos,

No dia 2 de julho, um dia após as sagrações, o Cardeal Fernández publicou um decreto, um decreto severo, referente às sagrações e à Fraternidade São Pio X. Gostaria de dizer algumas palavras sobre este decreto e responder a quatro perguntas em particular: Continuar lendo