REDEFINIR O CISMA PARA INCLUIR A FSSPX?

Em entrevista concedida ao Distrito Italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco aborda a acusação de cisma feita contra a FSSPX e explica a distinção entre desobediência a um ato específico de autoridade e recusa da própria autoridade.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — A plena comunhão com a Igreja Católica é tradicionalmente descrita por meio de três vínculos fundamentais: a profissão da mesma fé, a comunhão nos sacramentos e a comunhão no governo da Igreja, ou seja, com o Papa e os bispos em comunhão com ele.

A Fraternidade São Pio X é frequentemente acusada de se encontrar em situação de cisma porque, ao sagrar bispos sem mandato pontifício, teria rejeitado a autoridade do Papa, rompendo assim um desses três laços.

Mas será realmente correto equiparar a desobediência a um ato específico da autoridade à recusa da própria autoridade? Do ponto de vista teológico e canônico, como a Fraternidade explica sua posição? Continuar lendo

POLÔNIA: 700 PEREGRINOS AOS PÉS DE NOSSA SENHORA DE CZĘSTOCHOWA

De 4 a 15 de agosto de 2026, a 32ª Peregrinação Internacional da Tradição Católica ligou Varsóvia a Jasna Góra. Durante 11 dias, os fiéis caminharam em direção ao grande santuário mariano da Polônia, sob a orientação espiritual dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X.

Não se tratava apenas de chegar a Częstochowa, mas de apresentar intenções pessoais, familiares e religiosas diante da imagem milagrosa da Virgem Negra, aceitando as dificuldades da jornada em espírito de penitência e oração. 

O tema escolhido para esta 32ª edição resumia essa orientação profundamente mariana: “A Santíssima Virgem Maria, Corredentora e Medianeira de todas as graças”.

De Varsóvia a Jasna Góra

A partida ocorreu no dia 4 de agosto da Igreja da Imaculada Conceição em Varsóvia-Radość. A Peregrinação teve início com uma Missa reazada pelo Padre Karol Stehlin, que proferiu um sermão para preparar os fiéis para os 11 dias de caminhada. Continuar lendo

DOM SCHNEIDER SUPLICA QUE ROMA RECONHEÇA OS NOVOS BISPOS DA FSSPX

Em uma entrevista concedida ao jornalista Niwa Limbu para o AdVaticanum, em 2 de setembro de 2026, Dom Athanasius Schneider explica porque ele continua a defender a Fraternidade São Pio X apesar das sanções que se seguiram às sagrações episcopais de 1° de julho. Ele também aborda as ambiguidades do Vaticano II, as exigências impostas à Fraternidade e a reforma litúrgica, respondendo à recente catequese de Leão XIV, que não corresponde “nem à realidade nem à história”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Santo Atanásio e a desobediência a uma ordem papal

Dom Schneider começa esclarecendo a dimensão da comparação que ele fizera entre a situação atual da Fraternidade e a de Santo Atanásio, sob o papa Libério. De forma alguma ele pretende que o bispo de Alexandria tenha realizado sagrações episcopais sem mandato pontifício: “Nenhuma comparação é exata em 100%. Em situações históricas difíceis, ela serve mais como ilustração. Naturalmente, não comparei o caso de Atanásio ao das sagrações em si. Seria errôneo.”

Tal afirmação seria, além do mais, anacrônica, porque o mandato pontifício não era então requerido na sua forma atual para as sagrações episcopais. O ponto comum reside em outro lugar: em ambas as situações, uma ordem concreta do Papa foi recusada para não comprometer a integridade da fé.

Santo Atanásio tinha recebido do papa Libério a ordem de estabelecer a comunhão eclesiástica com certos bispos hereges ou semi-hereges do Oriente. Essencialmente, dizia-lhe: “Eu, o Papa, estou em comunhão com estes bispos. Como vós, Atanásio, podeis recusar a comunhão com um grupo de bispos com os quais eu mesmo, enquanto Papa, estou em comunhão?” Ele se recusa a obedecer e prossegue, apesar da excomunhão pronunciada contra ele, o governo da sua diocese e da sua província eclesiástica. Continuar lendo

UM NOVO DOCUMENTO APROVADO POR LEÃO XIV: BUDA COMPARADO A SÃO FRANCISCO, EVOLUCIONISMO E PALAVRAS ALEATÓRIAS SOBRE O VEGETARIANISMO. ENFIM, NADA DE SURPREENDENTE

Nuovo documento approvato da Leone XIV: Buddha paragonato a San Francesco, evoluzionismo e parole in libertà sul vegetarianesimo. Insomma, tutto da programma.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Trata-se de um emaranhado interminável de palavras, por vezes ilegível, devido à sua prolixidade e falta de conclusões. Mas, sobretudo, devido aos seus erros contidos. Estamos falando do documento “Cuidando da Nossa Casa Comum”: Uma Resposta Responsável e Fraternal ao Deus Trinitário, cujo título por si só já causa certa apreensão.

Aprovado por Leão XIV, trata-se de mais uma confirmação, desnecessária, da plena continuidade com as heterodoxias vaticanosegundistas em geral e bergoglianas em particular. Vejamos rapidamente três observações: Continuar lendo

LEÃO XIV RECEBEU OS LUTERANOS NORUEGUESES

Após receber Sarah Mullally como Arcebispa Anglicana de Canterbury, Leão XIV acolheu os bispos luteranos da Noruega e os convidou a construir a comunhão sobre o fundamento de um “batismo comum” e uma “missão compartilhada”.

Fonte: DICI – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

Em 26 de agosto de 2026, Leão XIV recebeu no Vaticano uma delegação de onze bispos da “Igreja da Noruega”, a denominação luterana oficial do país. Vários membros dessa delegação eram mulheres. Esses títulos de “bispo”, usados sem reservas pela própria Santa Sé, não designam, contudo, um episcopado ou sacerdócio sacramentalmente válido.

Essa invalidade remonta ao estabelecimento da Reforma no Reino da Dinamarca-Noruega em 1536-1537. Após a deposição dos bispos católicos, o reformador Johannes Bugenhagen instalou os primeiros sete “superintendentes” luteranos das dioceses dinamarquesas em 2 de setembro de 1537. Bugenhagen havia recebido a ordenação sacerdotal católica em 1509, antes de sua conversão a Lutero, mas nunca fora consagrado bispo. Portanto, não podia transmitir a autoridade episcopal que não possuía. A sucessão apostólica foi, assim, interrompida desde o início dessa nova hierarquia.

Essa ruptura material foi agravada pelo abandono da doutrina católica do sacerdócio sacrificial e pela alteração do rito e da intenção necessários para a validade do sacramento da Ordem. Quanto às mulheres agora apresentadas como “bispas”, elas são, em todo caso, fundamentalmente incapazes de receber validamente a ordenação. Continuar lendo

A FÉ EM DEUS NÃO SE LIMITA À SUA UNIDADE

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa terceira parte relembra que Deus é o Criador de todas as coisas, que Ele pode ser conhecido pela razão humana e que Se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Ela reafirma que o mistério da Santíssima Trindade deve ser professado integralmente, sem omissões nem atenuações.

II – Deus, princípio e fim de todas as coisas, Santíssima Trindade

18 – Professo a existência de um Deus único, pessoal, vivo e verdadeiro, princípio primeiro e fim último de todas as coisas, que no começo criou a partir do nada o céu e a terra, as coisas visíveis e invisíveis. Infinitamente perfeito, eterno e onipotente, imutável, incompreensível na sua essência e soberanamente livre nas suas obras, Ele é distinto do mundo que criou livremente, que conserva na existência e que governa por meio de sua Providência.

19 – Professo que Deus pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão a partir das suas criaturas, como a causa é conhecida pelos seus efeitos. A fé católica reconhece, de fato, que a inteligência humana é capaz de atingir verdadeiramente a realidade das coisas, de conhecer frequentemente as suas causas e de chegar a verdadeiras certezas. Continuar lendo

UMA PEREGRINAÇÃO ISLÂMICO-CRISTÃ A LOURDES

Poucos meses antes de proibir a Fraternidade São Pio X de celebrar missas, administrar os sacramentos e realizar quaisquer orações públicas no Santuário, Lourdes recebeu uma peregrinação islâmico-cristã na presença de D. Jean-Marc Micas. Durante quatro dias, cristãos e muçulmanos foram convidados a rezar e meditar em torno de uma suposta imagem comum de Maria.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

De 18 a 21 de outubro de 2025, cerca de 100 cristãos e muçulmanos de toda a França reuniram-se em Lourdes para a primeira edição da peregrinação “Juntos com Maria”. O evento foi organizado pela associação de mesmo nome com várias entidades.

O site oficial do Santuário anunciou uma “experiência de oração, partilha, meditação e convívio”, na presença de D. Jean-Marc Micas, bispo de Tarbes e Lourdes. O objetivo declarado era permitir que os participantes “refletissem, recarregassem suas energias, partilhassem, se conhecessem melhor e avançassem juntos em um caminho de esperança”.

Uma cerimônia na capela de Nossa Senhora

Os participantes foram acolhidos na Cité Saint-Pierre, uma instalação dos Serviços Católicos de Assistência em Lourdes. Durante três dias, sucederam-se ensinamentos, discussões em pequenos grupos e momentos de oração. Entre os palestrantes estavam o Padre Jean-François Bour, um frade dominicano do Serviço Nacional para as Relações com os Muçulmanos, Tareq Oubrou, o Grande Imã de Bordeaux, bem como Georges Jousse e Hamid Demmou. Continuar lendo

A FSSPX PRATICA UM “LIVRE EXAME” DA TRADIÇÃO?

Em uma entrevista concedida ao Distrito da Itália da Fraternidade São Pio X, e publicada em 11 de agosto de 2026, o padre Daniele Di Sorco responde à acusação de “livre exame” frequentemente dirigida à FSSPX, e explica porque ela considera que pode recusar determinados ensinamentos do Vaticano II em nome do magistério anterior da Igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X nasceu, sem que isso constituisse a sua única razão de ser, como reação a certas doutrinas e orientações pastorais que surgiram com ou após o Concílio Vaticano II, consideradas em ruptura com o magistério anterior da Igreja.

As questões evocadas com maior frequência dizem respeito à liberdade religiosa, ao ecumenismo, à colegialidade episcopal – cuja sinodalidade constitui hoje um desenvolvimento suplementar – e a reforma litúrgica. De acordo com a Fraternidade, esses elementos não seriam conciliáveis com o ensinamento perene da Igreja. Logo, a questão envolve diretamente o primeiro dos três vínculos da comunhão eclesial: a profissão da mesma fé.

Se tal é o diagnóstico, é necessário, todavia, se perguntar sobre as consequências teológicas e eclesiológicas. Como é possível afirmar que se permanece em plena comunhão eclesial quando, ao mesmo tempo, se considera que uma parte da hierarquia da Igreja ensina ou promove doutrinas incompatíveis com o magistério anterior? Continuar lendo

3 DE SETEMBRO – DIA DE SÃO PIO X

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Nesta data tão importante para a Igreja, listamos abaixo alguns links que já postamos sobre o Santo:

QUE “COMUNHÃO”? – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

Na festa de São Pedro e São Paulo, o Papa evocou as chaves como símbolo da unidade da Igreja.

Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

Nosso Santo Padre o Papa Leão XIV, Vigário de Jesus Cristo e Chefe supremo de toda a Igreja universal, celebrou no dia 29 de junho passado, na presença dos cardeais reunidos em Roma por ocasião do Consistório, a missa da festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo. Foi nessa celebração que o Papa impôs o pálio aos novos arcebispos metropolitanos.

Na homilia que proferiu nesse dia, Leão XIV insistiu na “solicitude fiel e paciente pela unidade” que cabe ao sucessor de Pedro e que é “muito bem expressa pelo símbolo das chaves, com o qual frequentemente o identificamos (cf. Mt 16, 19)”. E desenvolveu assim a descrição da metáfora: “Uma chave, com efeito, não derruba as portas, mas as abre e depois as fecha, procurando em seu interior as alavancas certas e acompanhando seus movimentos, para que os bloqueios se desfaçam, as fechaduras deslizem e as portas girem livremente sobre seus gonzos, unindo assim os espaços e fazendo dos numerosos cômodos isolados uma única e mesma casa acolhedora”.

Como se deve, portanto, compreender, à luz dessa metáfora, a definição da unidade e da comunhão na Igreja? “Do mesmo modo”, explica Leão XIV, “a comunhão na Igreja não se constrói fixando-se nas próprias posições, mas buscando, no coração de cada um, os pontos de encontro na Verdade, à única luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento”. E é aqui que surge a questão fundamental: de que “Verdade” se trata? O bispo de Bourges, Dom Sylvain Bataille, fez recentemente eco a essa reflexão do Papa quando, posicionando-se, em um comunicado datado de 13 de julho passado, a respeito das sagrações realizadas pela Fraternidade São Pio X, o recente sucessor de Dom Jérôme Beau declara: “Não sonhemos com uma unidade de compromisso, fundada na ambiguidade” [1]. Continuar lendo

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – SETEMBRO/26

São Pio X e Inspetoria Salesiana do Sul do Brasil

Caros fiéis, 

Neste mês de nosso padroeiro, São Pio X, convém trazer à tona a célebre frase que ele pronunciou com profunda tristeza, mas irredutível firmeza, quando, em 9 de dezembro de 1905, a Terceira República Francesa aprovou a Lei de Separação da Igreja e do Estado. Dirigindo-se ao episcopado na Encíclica Gravissimo Officii Munere (10 de agosto de 1906), declarou o Papa: Queridos bispos da França, “prefiro uma Igreja pobre, mas livre.” Ou seja, uma Igreja independente do mundo e com mais razão, independente do espírito do mundo. 

Poderíamos nos perguntar por que este santo Pontífice assim procedeu com o país considerado a “Fille aînée de l’Église”— a nação mais rica em catedrais barrocas, mosteiros românicos e conventos. A resposta é simples: “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32). Trata-se da liberdade própria daquele que fala com autoridade e simplicidade, movido por uma convicção inabalável, pois a Verdade é simples, perfeita, infinita, imutável, eterna e única. A Verdade é o próprio Deus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). 

Na Teologia Moral, um famoso axioma prescreve: Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu (“Para que uma coisa seja boa, deve sê-lo em toda a sua integridade; para que seja má, basta-lhe um único defeito”). Continuar lendo

O DEPÓSITO DA FÉ NÃO SE ALTERA

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de fé católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta segunda parte relembra que a fé católica não é fruto de uma evolução nem de uma experiência religiosa, mas da adesão à Revelação divina confiada de uma vez por todas à Igreja, que a transmite fielmente por meio da Sagrada Escritura e da Tradição.

I -A Revelação divina, a fé e a Tradição

7 – Creio que Deus, na sua bondade, chamou o homem, pelo dom da graça, a alcançar a visão beatífica. Sustento firmemente e professo que essa exaltação do homem ultrapassa as forças e as exigências da natureza humana, e que é um dom gratuito de Deus, ou seja, um dom sobrenatural.

8 – Creio que Deus não deixou o homem entregue às suas meras forças naturais, mas lhe revelou os mistérios de sua vida divina e do destino sobrenatural a que o chama. Foi por isso que, depois de ter falado outrora aos profetas na Antiga Aliança, falou definitivamente, por meio do seu único Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, na Nova Aliança, com a qual a Revelação divina se completou perfeitamente.

9 – Essa Revelação é a palavra veraz de Deus, confiada à Igreja como um depósito, e proposta aos homens como regra de fé na forma de um corpo de doutrina, onde os mistérios são formulados de uma maneira que os torna inteligíveis e exprimíveis em palavras. A Revelação não é a expressão progressiva de uma consciência religiosa, nem o fruto de uma experiência coletiva da comunidade dos crentes; é a verdade mesma de Deus comunicando-se de modo sobrenatural à inteligência dos homens para a sua salvação. Continuar lendo

COMPREENDER O AMOR DE DEUS POR NÓS

O que Deus quis ao vir até nós, senão mostrar-nos o seu amor? Se até agora não nos esforçamos para amá-Lo, que ao menos não demoremos mais em retribuir-Lhe amor com amor.”

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O que não nos aparenta valor atrai pouca atenção. Esse é o destino reservado, com demasiada frequência, ao Evangelho. O fiel católico ouve e lê trechos da Sagrada Escritura todos os domingos na missa. O hábito se instala e, com ele, a falta de atenção. Essa negligência é profundamente prejudicial. Pois o que é a Sagrada Escritura, senão uma sucessão de cartas inspiradas pelo coração de Deus, nas quais Ele se revela às suas criaturas? Para ler essas cartas, é preciso, antes de tudo, possuir o espírito que as inspirou. “A letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Cor 3, 6). Sem a fé e a humildade, o texto sagrado permanece mal compreendido, ou carece da atenção necessária. Torna-se, então, letra morta para a alma.

Para evitar essa armadilha, é essencial lembrar-se um fato singular entre todos: Deus escreve ao homem. Deus, na Trindade, digna-se a adaptar-se aos modos de agir do homem, sua criatura, para se dar a conhecer a ele. A simples constatação desse fato demonstra a importância das Sagradas Escrituras na vida de todo cristão. Sobrecarregada pelas muitas preocupações do cotidiano, testada pelas dificuldades da existência ou simplesmente entorpecida pela rotina ou pela mundanidade, a alma fiel chega, às vezes, a esquecer uma verdade que, no entanto, é primordial e fundamental: Deus nos ama, Ele se importa conosco.

A Palavra divina está repleta de exemplos e provas desse amor de Deus por cada um. Ele se manifesta de forma evidente na criação. Deus, então, decidiu livremente compartilhar sua existência, e até mesmo sua vida espiritual, com seres que não existiam. Isso só pode ser explicado por um gesto de amor, pois é preciso amar para dar a vida. Continuar lendo

NÃO HÁ UNIDADE NA AMBIGUIDADE

Em Bourges (como em vários locais do mundo), nada de ecumenismo para os inimigos do ecumenismo.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Ao explicar aos fiéis de sua diocese o alcance das sagrações de 1º de julho, Dom Sylvain Bataille, arcebispo de Bourges, insistiu: Não sonhemos com uma unidade de compromisso, fundada na ambiguidade“. A isso, só podemos concordar.

No entanto, na véspera de sua nomeação como Arcebispo de Bourges, em 15 de outubro de 2025, um encontro ecumênico organizado pela diocese foi realizado em sua sede episcopal com o tema: Descobrindo Formas de Orar… com Lutero e Calvino”. Após apresentações sobre Martinho Lutero e John Calvino — uma delas feita pelo presidente da Igreja Reformada de Bourges — seguiu-se uma discussão, e depois uma oração em comum. Durante a discussão sobre a doutrina dos sacramentos, um padre católico presente insistiu no respeito tanto pela teologia protestante quanto pela católica, já que ambas evoluíram: “Em certo momento, tínhamos 12 sacramentos… Nós também evoluímos!”. Nenhuma explicação foi dada para essa afirmação. Tampouco foi mencionada a questão de que a doutrina católica expressa a verdade revelada, enquanto o protestantismo a contradiz. A cortesia ecumênica exige isso.

Deveríamos considerar isso apenas um deslize ocasional, levando em conta que uma conversa informal pode conter imprecisões, ou  até mesmo descuidos? Continuar lendo

A FÉ CATÓLICA INTEGRAL, NADA MENOS QUE ISSO!

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa primeira parte expõe as razões que tornam necessária, hoje em dia, uma profissão integral da fé, sem diminuir em nada a doutrina transmitida pela Igreja.

Em nome da santa e indivisa Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.

Preâmbulo

1 – Professo e abraço a inteira verdade da fé católica, tal como foi “recebida pelos Apóstolos dos próprios lábios de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou transmitida como de mão em mão pelos próprios Apóstolos conforme lhes ditava o Espírito Santo”, e a seguir conservada fielmente até chegar a nós por uma sucessão ininterrupta na Igreja católica, através da pregação dos papas e dos bispos, dos escritos dos Padres da Igreja e dos teólogos, e das definições dos santos concílios.

2 – Recebo firmemente todas e cada uma das verdades que a Igreja infalível propôs como divinamente reveladas e necessárias para a salvação, seja pelas definições do seu Magistério solene, seja pela unanimidade do seu Magistério ordinário e universal 3. Recebo também tudo o que pertence à doutrina católica em razão de uma conexão necessária com o depósito revelado 4, e tenho por certas as verdades que a Igreja ensinou com constância a fim de preservar esse depósito em face dos erros 5.

3 – Rejeito, consequentemente, todos os erros contrários a essa fé, especialmente os do liberalismo, do  indiferentismo, do modernismo, do ecumenismo e do laicismo, condenados pelos papas Pio IX , Leão XIII, São Pio X, Pio XI e Pio XII. Tais erros, com efeito, obscurecem a doutrina revelada, falseiam a Tradição, desfiguram a santa liturgia, corrompem a moral, enfraquecem o espírito missionário e desagregam a ordem social cristã, causando grave prejuízo à salvação das almas. Continuar lendo

22 DE AGOSTO – IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

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Ladainha ao Imaculado Coração de Maria

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós

Cristo, olhai-nos.
Cristo, escutai-nos

Deus Pai celestial, Tem misericórdia de nós.
Deus Filho Redentor do mundo, Tem misericórdia de nós.
Deus Espírito Santo, Tem misericórdia de nós.
Santa Trindade, um só Deus, Tem misericórdia de nós.

Santa Maria, Coração Imaculado de Maria, rogai por nós
Coração de Maria, cheio de graça, rogai por nós
Coração de Maria, vaso do amor mais puro, rogai por nós
Coração de Maria, consagrado íntegro a Deus, rogai por nós
Coração de Maria, preservado de todo pecado, rogai por nós
Coração de Maria, morada da Santíssima Trindade, rogai por nós
Coração de Maria, delícia do Pai na Criação, rogai por nós
Coração de Maria, instrumento do Filho na Redenção, rogai por nós
Coração de Maria, a esposa do Espírito Santo, rogai por nós
Coração de Maria, abismo e prodígio de humildade, rogai por nós
Coração de Maria, medianeiro de todas as graças, rogai por nós
Coração de Maria, batendo em uníssono com o Coração de Jesus, rogai por nós
Coração de Maria, gozando sempre da visão beatífica, rogai por nós
Coração de Maria, holocausto do amor divino, rogai por nós
Coração de Maria, advogado ante a justiça divina, rogai por nós
Coração de Maria, transpassado por uma espada, rogai por nós
Coração de Maria, Coroado de espinhos por nossos pecados, rogai por nós
Coração de Maria, agonizando na paixão de teu Filho, rogai por nós
Coração de Maria, exultando na Ressurreição de teu Filho, rogai por nós
Coração de Maria, triunfando eternamente com Jesus, rogai por nós
Coração de Maria, fortaleza dos cristãos, rogai por nós
Coração de Maria, refúgio dos perseguidos, rogai por nós
Coração de Maria, esperança dos pecadores, rogai por nós
Coração de Maria, consolo dos moribundos, rogai por nós
Coração de Maria, alívio dos que sofrem, rogai por nós
Coração de Maria, laço de união com Cristo, rogai por nós
Coração de Maria, caminho seguro ao Céu, rogai por nós
Coração de Maria, prenda de paz e santidade, rogai por nós
Coração de Maria, vencedora das heresias, rogai por nós
Coração de Maria, da Rainha dos Céus e Terra, rogai por nós
Coração de Maria, da Mãe de Deus e da Igreja, rogai por nós
Coração de Maria, que por fim triunfarás, rogai por nós
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Perdoai-nos Senhor
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Escutai-nos Senhor
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Tem misericórdia de nós.

Rogai por nós Santa Mãe de Deus
R. Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo

Oremos:
Vós que nos tens preparado no Coração Imaculado de Maria uma digna morada de teu Filho Jesus Cristo, concedei-nos a graça de viver sempre conforme a sua vontade e de cumprir seus desejos.
Por Cristo teu Filho, Nosso Senhor. Amém

SER HOMEM E SER CRISTÃO: É A MESMA COISA?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A questão do humanismo surgiu desde o início do cristianismo. São Paulo escreve, por um lado, aos Filipenses (capítulo 4): 

“Tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, santo, amável, de bom nome, as virtudes, seja isso o objeto de vossos pensamentos.”

E, por outro lado, vejamos os Gálatas (capítulo 6): 

“O mundo morreu para mim na Cruz, e na Cruz eu morri para o mundo.”

São Paulo, portanto, começa por discernir o que vem do mundo: é preciso reter do mundo o que é verdadeiro. Mas há mentiras no mundo. O diabo reina nele como mentiroso. É preciso reter o que é nobre. Mas há baixezas no mundo. O senso de honra às vezes se mistura com a vaidade e a ambição. Devemos extrair do mundo o que é justo, mas a injustiça domina o mundo. O que encontramos no mundo é, antes, sede de justiça. É preciso reter do mundo o que nele há de puro. O exemplo natural das crianças, da maioria delas pelo menos, mas o mundo, como vemos com demasiada clareza hoje, está à mercê da imoralidade. Continuar lendo

UM CRUCIFIXO MILAGROSAMENTE POUPADO DE UM INCÊNDIO FLORESTAL

A foto de um crucifixo viralizou rapidamente após sua publicação em 26 de julho. Essa cruz estava localizada no epicentro de um incêndio que devastou as florestas da Gironda. Intacta em meio às árvores carbonizadas, esse belo crucifixo foi preservado, gerando comentários espontâneos sobre um “milagre” nas redes sociais e na imprensa.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Tirada em 26 de julho pelo fotojornalista Patrick Bernard, essa foto do crucifixo em Saumos despertou entusiasmo imediato. Muitos a viram como um milagre, um sinal do Céu e um sinal de esperança, e recordaram a vitória de Cristo sobre o inferno.

Esse entusiasmo e fervor de fé não foram bem recebidos pelo clero de Bordéus. O site da Diocese de Bordéus publicou um artigo do Padre Clément Barré, que se opôs à descrição do evento como um milagre. Ele escreveu:

“Se afirmarmos que Deus interveio para poupar esse crucifixo, estamos simultaneamente afirmando que Ele não interveio pelas casas, pelas florestas, pelos animais, pelos bombeiros mortos ou feridos e por aqueles que perderam tudo. Um Deus que salvasse a sua imagem e deixasse as suas criaturas queimarem não seria o Pai de Jesus Cristo. Seria um ídolo, zeloso da sua madeira e indiferente à carne.”

Essa é uma linha de raciocínio estranha. Deduzir, a partir de um ato milagroso, uma vontade divina — ou, pelo menos, uma passividade — de Deus em relação a outras criaturas é, no mínimo, estranho. Para demonstrar isso, vamos citar alguns exemplos que falarão mais alto do que uma refutação lógica em boa e devida forma. Continuar lendo

O ARCEBISPO DE BOURGES DIANTE DAS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO – PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 2 DE 2

“A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”…

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Leia a Parte 1 aqui

Aos olhos de D. Sylvain Bataille de Bourges (1), a Tradição “não consiste numa herança estática, estagnada e intocável. Pelo contrário, é a transmissão viva da própria fé dos Apóstolos, incessantemente aprofundada sob a orientação do Espírito e vivida em diferentes contextos históricos e culturais” […]“. A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”.  A iniciativa das sagrações de 1 de julho ficaria, assim, privada de sua principal justificativa.

Aqui encontramos o discurso evolucionista inaugurado pelo Vaticano II e teorizado por Bento XVI, com a ambiguidade que abre as portas a todo tipo de negação, sob o pretexto de aprofundar a compreensão. O parágrafo 17 da Profissão de Fé apresentada em 24 de junho pela Fraternidade dissipa essa ambiguidade: 

A Tradição pode ser chamada de “viva” não no sentido de que mudaria de significado, mas no sentido de que o Magistério vivo propõe ao longo dos séculos, de maneira sempre mais clara e mais explícita, a mesma verdade com o mesmo significado(2). O que foi crido por todos, sempre e em todo lugar, como pertencente a fé, não pode ser negado nem posto em dúvida por nenhuma voga teológica, nenhuma pressão pastoral, nenhuma necessidade diplomática, nenhuma pretensa exigência do mundo moderno (3).

Vemos claramente, infelizmente, que a “transmissão viva” à qual se refere Dom Bataille instaura uma forma de praticar a religião que altera o sentido da verdade revelada, sob o pretexto da adaptação. A prática do ecumenismo, por exemplo, insinua cada vez mais o erro do indiferentismo.

No que diz respeito ao culto, o arcebispo de Bourges gostaria de criticar a expressão “missa de sempre”, utilizada por Dom Lefebvre, para justificar as reformas litúrgicas do pós-Vaticano II: Continuar lendo

DOM SCHNEIDER: UM ENVOLVIMENTO SÉRIO DO VATICANO COM A FRATERNIDADE SÃO PIO X MARCARIA O “COMEÇO DO FIM” DO PROJETO MODERNISTA

Fonte: Diane Montagna’s Substack – Tradução: Dominus Est

Dom Athanasius Schneider divulgou sua primeira declaração pública desde que Roma declarou que os seis bispos da FSSPX incorreram em excomunhão automática devido às sagrações episcopais realizadas pela Fraternidade em Écône, em 1º de julho, contra a vontade do Papa Leão XIV.

Sua Excelência tem sido uma voz ativa no debate sobre as sagrações, e sua reação às consequências do ocorrido era aguardada com particular interesse. Nos meses anteriores, ele implorou repetidamente ao Papa Leão XIV que concedesse à Fraternidade São Pio X um mandato apostólico, em vez de permitir que o ato prosseguisse sem sua aprovação — principalmente em um “Apelo Fraterno” de 24 de fevereiro, que exortava o Papa a agir como um “construtor de pontes” e alertava contra “uma divisão adicional, verdadeiramente desnecessária e dolorosa, dentro da Igreja”.

Em uma nova declaração intitulada “O dilema entre preservar a integridade inequívoca da fé católica e ser reconhecido canonicamente pelo Papa” (texto completo abaixo), D. Schneider argumenta que a FSSPX se deparou com uma escolha “trágica” e pouco comum: manter-se fiel à doutrina católica tal como sempre foi ensinada ou garantir o reconhecimento formal da Santa Sé.

Ele enquadra a situação atual como um exemplo de um dilema enfrentado anteriormente na história da Igreja, por Santo Atanásio de Alexandria, no século IV. Quando o Papa Libério, sob pressão imperial, entrou em comunhão com os bispos arianos e exigiu que Atanásio fizesse o mesmo, Atanásio recusou-se — e foi excomungado pelo próprio Papa, acusado de “perturbar a paz da Igreja”. Continuar lendo