<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>DOMINUS EST</title>
	<atom:link href="https://catolicosribeiraopreto.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://catolicosribeiraopreto.com</link>
	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
	<lastBuildDate>Thu, 11 Jun 2026 23:25:14 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=4.2.2</generator>
	<item>
		<title>MISSA DA FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, DIRETO DO PRIORADO DE SÃO PAULO</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/missa-da-festa-do-sagrado-coracao-de-jesus-direto-do-priorado-de-sao-paulo-3/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/missa-da-festa-do-sagrado-coracao-de-jesus-direto-do-priorado-de-sao-paulo-3/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 21:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=29918</guid>
		<description><![CDATA[Para assistir a Santa Missa clique na imagem acima]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.youtube.com/live/b6IZHpzikps?si=KPknfTr-8X9dekzI"><img class=" wp-image-19788 aligncenter" src="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2020/05/Missa-publ.jpg" alt="Missa publ" width="416" height="216" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Para assistir a Santa Missa clique na imagem acima</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/missa-da-festa-do-sagrado-coracao-de-jesus-direto-do-priorado-de-sao-paulo-3/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>MONS. STAGLIANÒ: &#8220;EU, BISPO DA IGREJA CATÓLICA, DIGO-VOS: JOHN LENNON TEM RAZÃO.&#8221;</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/mons-stagliano-eu-bispo-da-igreja-catolica-digo-vos-john-lennon-tem-razao/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/mons-stagliano-eu-bispo-da-igreja-catolica-digo-vos-john-lennon-tem-razao/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 16:39:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=35135</guid>
		<description><![CDATA[Mons.Antonio Staglianò, presidente da Pontifícia Academia de Teologia, apresentou a famosa canção Imagine, de John Lennon — que nos convida a imaginar um mundo sem paraíso, sem religião e, em última instância, sem Deus — como &#8220;a canção mais bela do &#8230; <a href="https://catolicosribeiraopreto.com/mons-stagliano-eu-bispo-da-igreja-catolica-digo-vos-john-lennon-tem-razao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/2k5bd8n.jpg?itok=dPP20oID" alt="" width="520" height="296" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Mons.Antonio Staglianò, presidente da Pontifícia Academia de Teologia, apresentou a famosa canção <em>Imagine</em>, de John Lennon — que nos convida a imaginar um mundo sem paraíso, sem religião e, em última instância, sem Deus — como <em>&#8220;a canção mais bela do mundo&#8221;</em>, chegando a afirmar: &#8220;<em>Eu, bispo da Igreja Católica, digo-vos: John Lennon tem razão.&#8221;</em></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-stagliano-president-lacademie-pontificale-theologie-ne-peux-pas-etre-un-eveque-heretique">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O prelado italiano, nomeado chefe da Pontifícia Academia de Teologia pelo Papa Francisco em 6 de agosto de 2022, lidera esta venerável instituição do Vaticano, fundada em 1718 pelo Papa Clemente XI com o objetivo de formar teólogos competentes e promover o estudo da teologia católica. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Considerada uma das mais antigas academias da Santa Sé, ela deveria ser um local eminente de defesa e transmissão da ortodoxia doutrinária, mas desde o Concílio Vaticano II, e ainda mais desde as reformas de João Paulo II (1999) e depois de Francisco (2023), ela passou por uma profunda reorientação, sendo agora chamada a tornar-se um fórum de discussão para os principais temas conciliares: diálogo com os não crentes, ecumenismo, diálogo inter-religioso, envolvimento em questões sociais e culturais contemporâneas e a ampla participação do &#8220;<em>povo de Deus&#8221;</em> na reflexão teológica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">&#8220;John Lennon tem razão&#8221;</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em um breve vídeo publicado em 18 de maio e compartilhado nas redes sociais, Mons. Staglianò declarou: “<em>Vamos abolir a religião, abolir Deus, abolir o paraiso. Quem diz isso? Hum… John Lennon, na canção mais linda do mundo, Imagine, o hino à paz, um hino universal à paz. Ele está certo ou errado? Eu, bispo da Igreja Católica, digo a vocês: John Lennon está certo.”</em></span><span id="more-35135"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Lançada em 1971, a canção <em>Imagine</em> convida, de fato, a imaginar um mundo sem paraíso, sem religião e, por fim, sem Deus. Ela se tornou um dos hinos mais conhecidos do humanismo ateísta contemporâneo, baseado na ideia de que as divisões religiosas constituiriam uma das principais causas dos conflitos entre os homens e que a paz poderia ser alcançada através da superação das crenças transcendentais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ciente da dificuldade que representa, para um bispo católico, elogiar tal canção, Mons. Staglianò oferece sua própria interpretação. Segundo ele, John Lennon não está condenando todas as religiões, mas apenas aquelas <em>&#8220;pelas quais é preciso matar ou morrer&#8221;.</em> Ele evoca desde o Valhalla viking até o extremismo islâmico, ou ainda o que chama, de forma depreciativa, de &#8220;<em>paraíso católico das Cruzadas</em>&#8220;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O martírio é colocado em questão</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja sempre ensinou que a fé não pode ser imposta pela força e que a violência cometida injustamente em nome de Deus é contrária ao Evangelho. No entanto, as declarações de Mons. Staglianò vão muito além dessa afirmação quando ele declara: &#8220;<em>Eu também, tal como John Lennon, não quero uma religião pela qual tenha de matar ou morrer; não quero um paraíso pelo qual tenha de matar ou morrer; não quero um Deus pelo qual tenha de matar ou morrer. E não se preocupem: isto já foi dito, antes de John Lennon, há dois mil anos, por Jesus de Nazaré&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A tradição católica sempre considerou o martírio o testemunho supremo da Verdade, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde os primeiros séculos, a Igreja venerou aqueles que preferiram perder a vida a negar a verdadeira fé. O próprio Cristo deu o exemplo desse testemunho ao aceitar livremente a sua Paixão e morte. Da mesma forma, os Apóstolos, os mártires dos primeiros séculos e os inúmeros cristãos perseguidos ao longo da história demonstraram que as verdades da fé valem a pena ser defendidas, mesmo ao ponto de sacrificar a própria vida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Um Cristo reinventado</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para justificar sua leitura de <em>Imagine</em>, Mons. Staglianò também atribui a Cristo um discurso no qual ele rejeita explicitamente certos episódios do Antigo Testamento, notadamente os castigos divinos narrados no Livro do Êxodo ou em livros históricos: <em>“Diante do sumo sacerdote, Jesus de Nazaré disse: ‘Afasta da mente a ideia de que meu Abba, meu Deus, meu Pai, tenha matado todos esses primogênitos do Egito, que tenha exterminado todos os cavaleiros e cavalos do exército egípcio, que tenha pedido a Saul que passasse à espada homens, mulheres e crianças. Tire isso da sua mente, porque meu Abba é apenas amor, sempre e somente amor. Com meu Abba, você só pode fazer a paz, a reconciliação e o perdão</em>.”. Jesus Cristo revelaria, portanto, um Deus que é unicamente amor e a quem não se podem atribuir os atos de justiça divina mencionados na Antiga Aliança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal oposição entre o Antigo e o Novo Testamento é inadmissível. A Igreja sempre professou a unidade da Revelação divina. O Deus que fala aos patriarcas, que liberta Israel do Egito e que guia a história da salvação é o mesmo Deus que se revela plenamente em Nosso Senhor Jesus Cristo. Cristo não veio para corrigir ou substituir o Deus da Antiga Aliança, Ele veio para cumprir as Escrituras e manifestar plenamente o plano divino nelas contido: <em>“Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir”</em> (Mt 5,17).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O amor de Deus não se opõe à sua justiça. Esses dois atributos estão harmoniosamente unidos no mistério divino. Reduzir Deus a uma concepção exclusivamente sentimental de amor obscurece diversos aspectos essenciais da Revelação, incluindo o pecado, a necessidade da redenção e o próprio significado do sacrifício de Cristo na cruz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">&#8220;Não posso ser um bispo herege.&#8221;</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante de uma série de reações indignadas tanto de leigos quanto de padres escandalizados, Mons. Staglianò, longe de se retratar, ironizou em um novo vídeo publicado em 22 de maio: <em>“Eu, um bispo herege? Esse é um luxo que não posso me dar. Sou bispo e, além disso, com todo o respeito, presidente da Pontifícia Academia de Teologia; portanto, não posso ser um bispo herege. <strong>Se alguém pensa que professo heresia, claramente tem alguma confusão doutrinal na cabeça.</strong> Como eu poderia ser um herege? Dizendo que não se pode associar violência e castigo à Sagrada Face do Senhor?”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Será que a autoridade na Igreja bastaria, portanto, para tornar infalível e incapaz de heresia aquele que a exerce? Tal raciocínio talvez satisfaça certos defensores de um voluntarismo eclesiológico desligado da realidade, mas dificilmente convencerá os católicos perplexos que, com o catecismo em mãos, constatam, desde o Concílio Vaticano II, a ruptura manifesta de muitos homens da Igreja com o ensinamento tradicional.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mons. Staglianò já havia sido alvo de críticas severas quando participou, em 16 de fevereiro de 2024, de um encontro a portas fechadas com os dirigentes das principais obediências da maçonaria italiana. Organizada pelo GRIS (Grupo de Pesquisa e Informação Socio-Religiosa) na Fundação Ambrosianeum de Milão, essa reunião contou com a presença, em particular, dos grão-mestres das três principais lojas maçônicas do país, ao lado de vários prelados católicos, entre os quais o arcebispo de Milão, Dom Mario Delpini, e o cardeal Francesco Coccopalmerio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Um sintoma de uma crise mais profunda.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A poucas semanas das sagrações episcopais previstas pela Fraternidade São Pio X em Écône, essa desconcertante indiferença por parte do presidente de uma instituição tão prestigiosa quanto a Pontifícia Academia de Teologia é mais um exemplo, entre tantos outros, do estado de emergência em que se encontra a Igreja. Essa indiferença que leva, apoiada em uma canção de John Lennon, a questionar pontos tão fundamentais quanto a unidade da Revelação ou o valor do testemunho dos mártires.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A crise atual é uma crise da própria fé, e cada vez mais clérigos e fiéis em todo o mundo estão tomando consciência disso. Diante dessa situação, a Fraternidade São Pio X pretende prosseguir com determinação, no lugar que lhe cabe, sua obra a serviço da Tradição, a fim de transmitir intacto às gerações futuras o tesouro da fé católica, tal como a Igreja sempre acreditou e ensinou ao longo dos séculos.</span></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Nc8H5BUD3Lk?si=JCk7lesuKS2oZnRE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/mons-stagliano-eu-bispo-da-igreja-catolica-digo-vos-john-lennon-tem-razao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>MAGNIFICA HUMANITAS – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/magnifica-humanitas-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/magnifica-humanitas-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 11:24:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=35150</guid>
		<description><![CDATA[O católico espera que o Papa lhe explique em que aspectos o uso da inteligência artificial é moralmente bom e em que aspectos não o é, à luz de uma moral que se define com referência à Lei de Deus. &#8230; <a href="https://catolicosribeiraopreto.com/magnifica-humanitas-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/image1_16.png?itok=Y8UofzgE" alt="" width="518" height="295" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O católico espera que o Papa lhe explique em que aspectos o uso da inteligência artificial é moralmente bom e em que aspectos não o é, à luz de uma moral que se define com referência à Lei de Deus.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/magnifique-humanite-59566">DICI</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É a primeira Carta Encíclica do Papa Leão XIV data de 15 de maio de 2026, um ano após a eleição de Robert Francis Prevost para a Santa Sé. Com um total de 245 parágrafos, o texto do novo Papa não é nem mais nem menos extenso do que as Encíclicas de seu predecessor imediato. Conforme explica no § 3 do capítulo 1, Leão XIV quis aproveitar a ocasião do 135° aniversário da Encíclica <em>Rerum novarum</em> de Leão XIII, publicada em 1891, para dar continuidade, por sua vez, a &#8220;<em>essa reflexão sobre a sociedade, a economia e a política que hoje chamamos de Doutrina Social da Igreja&#8221;</em>. E isso, por si só, já deveria ser suficiente para causar consternação entre os católicos, ou pelo menos agravar ainda mais a perplexidade em que se encontram os pobres fiéis há mais de 60 anos, desde que se realizou o Concílio Vaticano II.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Uma nova concepção de doutrina social</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, o objetivo de um documento do Magistério eclesiástico, como é o caso de uma encíclica papal, não é conduzir &#8220;uma reflexão&#8221;, mas transmitir, com a própria autoridade de Deus, um ensinamento, a fim de declarar e explicar o sentido da verdade revelada por Deus. E a Doutrina Social da Igreja não é, pelo menos em primeiro lugar e acima de tudo, uma reflexão &#8220;<em>sobre a sociedade, a economia e a política&#8221;.</em> Ela é parte da doutrina moral que a Igreja ensina aos seus fiéis em nome de Deus, ou seja, a doutrina que deve indicar-nos como orientar as nossas ações com vista à salvação eterna das nossas almas.</span><span id="more-35150"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, a regra que rege as ações humanas é a eterna lei divina, que se expressa tanto na lei divina natural (isto é, nos Dez Mandamentos revelados por Deus a Moisés) quanto na lei divina positiva (isto é, nos preceitos e conselhos do Evangelho, revelados por Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, e fielmente transmitidos na Santa Igreja por seus apóstolos e seus sucessores, os bispos). Além disso, essas ações humanas nunca são puramente individuais, pois o homem, sendo por natureza o que é, não pode alcançar sua perfeição humana e muito menos alcançar a perfeição sobrenatural da santidade e salvar sua alma sem viver em sociedade, ou seja, sem coordenar suas ações com as dos outros sob a direção de uma autoridade, a fim de obter, com a ajuda dos outros, aquilo que não poderia realizar por sua própria atividade individual.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É por isso que a &#8220;<em>doutrina social&#8221;</em> da Igreja faz parte de sua doutrina moral, ou, mais precisamente, constitui a expressão plena, em conformidade com as exigências da natureza humana, dessa doutrina moral — doutrina moral, se assim se quiser, considerada em tudo o que a natureza do homem implica, inclusive na vida em sociedade. E essa doutrina social nada mais é do que o ensinamento pelo qual o Papa e os bispos indicam aos fiéis como suas ações, realizadas no âmbito dessa vida em sociedade, devem estar em conformidade com a lei de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A “<em>reflexão</em>” que representa a Doutrina Social da Igreja no espírito do Papa Leão XIV é descrita como “<em>uma herança de sabedoria na qual encontramos princípios para pensar, critérios para discernir e julgar, e orientações concretas para agir</em>”. O vago caráter dessas expressões, que não faz nenhuma referência à elevação gratuita do gênero humano à ordem sobrenatural, não satisfará ninguém entre os católicos preocupados em permanecer fiéis às promessas de seu batismo. Ainda menos porque o objetivo dessa reflexão não parece mais claramente orientado pela salvação eterna das almas: essa doutrina social “<em>ajuda-nos a analisar com lucidez os desafios do presente, identificando os caminhos próprios para viver um autêntico testemunho cristão com alegria e a serviço do mundo</em>” […] <em>“que preserva a vocação da humanidade para uma vida plena e justa</em>” (§ 3). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa retórica vazia, que faz malabarismos com o vocabulário padronizado da nova teologia conciliar, tem dificuldade em indicar-nos qual é o objeto formal e adequado da doutrina social da Igreja. Mas essa inadequação não é nova: tem suas raízes profundas na constituição pastoral <em>Gaudium et spes</em> , uma verdadeira obra-prima de uma conversa fiada inconsistente — e de ilusões modernistas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Da lei de Deus à dignidade humana</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, além desse absurdo, a verdadeira desgraça é que, parafraseando Pierre Gaxotte, esse engano das palavras não é inocente, pois abre caminho para os desvios do espírito. Para além desse discurso à primeira vista indeciso, a nova “doutrina social” encontra seu significado profundo por referência a fundamentos e princípios que são recordados no capítulo 2 da Encíclica: o fundamento dessa doutrina é a falsa ideia da dignidade humana, introduzida pelo Concílio Vaticano II, especialmente na Declaração <em>Dignitatis humanae</em> sobre a liberdade religiosa, mas também na Constituição Pastoral <em>Gaudium et spes</em>; os princípios são a nova falsa ideia do bem comum e da ordem social, consequência desse falso fundamento da dignidade humana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A essência da Encíclica está, portanto, resumida nos parágrafos 48 a 58. É aí que reside o cerne da questão, pois é aí que o Papa nos indica, desta vez em linguagem suficientemente clara e precisa, o verdadeiro objeto formal — ou ideia norteadora — de toda a sua argumentação. É certo que esta Encíclica trata, como seu tema, das novas técnicas que se impuseram ao uso do homem – notadamente e principalmente a inteligência artificial. Mas se a Encíclica fala delas, é para indicar como devem ser utilizadas, em conformidade com uma nova doutrina social cujo fundamento é a dignidade ontológica da pessoa humana, “<em>imagem do Deus Trino</em>”. A própria essência, o verdadeiro coração da Encíclica a este respeito, encontra-se no parágrafo 52, que nenhum católico digno desse nome poderia ler sem se sentir tomado por um genuíno temor. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Quando falamos de dignidade, nem sempre empregamos a palavra da mesma forma: por vezes, referimo-nos à dignidade moral, ou seja, à forma como uma pessoa orienta as suas escolhas e ações; outras vezes, pensamos na dignidade social, ou seja, nas condições de vida da pessoa e no respeito concreto que lhe é reconhecido pela sociedade; noutros casos ainda, referimo-nos à dignidade existencial, ou seja, à forma como uma pessoa percebe o valor de si mesma e da própria vida. Estas dimensões da dignidade podem aumentar ou diminuir. No entanto, além destes significados, existe um nível mais profundo – o mais importante – que consiste na dignidade ontológica. É a dignidade que pertence a cada ser humano simplesmente porque existe, foi desejado, criado e amado por Deus: nenhum pecado, nenhum fracasso, nenhuma humilhação, nenhuma exclusão pode afetar o valor profundo de uma vida humana que Ele desejou e chamou à existência.”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O homem no centro da discussão</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É a partir dessa perspectiva que o Papa Leão XIV pretende avaliar tudo o mais. O uso das novas tecnologias e da inteligência artificial é considerado em sua relação com &#8220;<em>a dignidade inerente a cada ser humano simplesmente em virtude de sua existência, de ter sido desejado, criado e amado por Deus</em> &#8220;, uso esse que deve contribuir para o <em>&#8220;desenvolvimento humano integral</em>&#8220;, em referência à encíclica Populorum <em>Progressio</em> (1967) do Papa Paulo VI, ou seja, desenvolvimento &#8220;<em>orientado para a promoção de cada indivíduo e da pessoa como um todo</em>&#8220;. Portanto, &#8220;<em>o desenvolvimento humano integral é o horizonte a partir do qual podemos interpretar as transformações do nosso tempo, inclusive as da revolução digital</em>&#8221; (§ 85). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E a questão fundamental que a “<em>reflexão”</em> da Encíclica busca responder é esta: “ estas inovações tecnológicas – nomeadamente a inteligência artificial” […] “<em>contribuem realmente para fazer crescer as pessoas e os povos em humanidade e fraternidade, no respeito pela Casa Comum e pelas gerações futuras?</em><em>”</em> (§ 85). Não para fazer avançar as pessoas no caminho para o Céu, mas para ajudá-las a crescer no respeito pelo mundo e pela humanidade aqui na Terra. <strong>O santo Cura d&#8217;Ars prometera ao menino que encontrou em seu caminho que lhe indicaria o caminho para o Paraíso: “<em>Tu me mostraste o caminho para Ars, eu te mostrarei o caminho para o Céu”.</em> Se ele ainda estivesse vivo hoje, atento às palavras do Papa Leão XIV, para não abandonar a Barca de Pedro rompendo a comunhão hierárquica, não deveria dizer ao menino desta vez: “<em>Tu me mostraste o ChatGPT, eu lhe explicarei como adotar uma atitude ecológica</em>”?&#8230;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O discurso de Leão XIII, na Encíclica <em>Rerum novarum</em>, situava-se em outro nível. O Papa falava ali das inovações — mais econômicas do que técnicas — de seu tempo, mas falava delas para indicar o uso que se devia fazer delas em conformidade com a lei de Deus, a fim de praticar a verdadeira justiça, que é de ordem sobrenatural, e não colocar obstáculos à salvação das almas. O fundamento que inspirava todo o discurso desse Papa era a grande realidade dos fins últimos, realidade que constitui a ideia orientadora de todo o discurso da Igreja, desde que o Verbo Encarnado veio pregar o Reino dos céus. Agora, a nova Encíclica do novo Papa vem pregar-nos o novo Reino da Casa Comum e da Fraternidade universal. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O esquecimento do pecado e do fim último</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em última análise, a grande ideia ausente na <em>Magnifica humanitas</em> é justamente aquela que está no fundamento da moralidade e, com ela, no fundamento de toda a doutrina social da Igreja: a ideia de pecado. O ângulo a partir do qual devemos abordar os problemas que o uso da inteligência artificial pode suscitar é precisamente este: os católicos esperam que o Papa lhes diga de que maneiras esse uso é moralmente bom e de que maneiras não o é, em relação a uma moralidade definida pela Lei de Deus. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O católico espera que o Papa lhe diga em que medida esse uso seria pecaminoso e comprometeria a salvação de sua alma. Mas isso significaria adotar uma atitude “teocêntrica”, ou mesmo “cristocêntrica”, em que o homem deve encontrar sua verdadeira dignidade não em si mesmo, mas na dependência que deve ligar seus atos ao absoluto de Deus. O fundamento indicado por Leão XIV no capítulo 2 de sua Encíclica ficaria, assim, subvertido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto, as palavras do Evangelho (Mateus 16, 26-27) não passarão: <em>“Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma? Ou, o que dará ele em troca da sua alma?”</em> IA?</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX</span></strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/magnifica-humanitas-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>DEPOIMENTO DE PIETRA BERTOLAZZI SOBRE A FSSPX&#8230;</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/depoimento-de-pietra-bertolazzi-sobre-a-fsspx/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/depoimento-de-pietra-bertolazzi-sobre-a-fsspx/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 22:10:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=35152</guid>
		<description><![CDATA[&#8230;de como as coisas funcionam, na prática&#8221;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>&#8230;de como as coisas funcionam, na prática&#8221;</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong> <iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/FpNJw9cW_Xk?si=dIOXoGg1a3HcOiK0" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/depoimento-de-pietra-bertolazzi-sobre-a-fsspx/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>VÍDEO/CURSO 12 &#8211; O PONTIFICADO DE FRANCISCO</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/videocurso-12-o-pontificado-de-francisco/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/videocurso-12-o-pontificado-de-francisco/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 19:22:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=35146</guid>
		<description><![CDATA[O Padre Tarcisio Ferreira da Costa, da FSSPX, apresenta uma análise do pontificado do Papa Francisco, seu liberalismo prático levado aos extremos. Analisa de modo claro e profundo a nova igreja sinodal e os erros de base que regem esse &#8230; <a href="https://catolicosribeiraopreto.com/videocurso-12-o-pontificado-de-francisco/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/casa-autonoma-do-brasil/tarc.png?itok=UFB3alSs" alt="" width="489" height="284" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Padre Tarcisio Ferreira da Costa, da FSSPX, apresenta uma análise do pontificado do Papa Francisco, seu liberalismo prático levado aos extremos. Analisa de modo claro e profundo a nova igreja sinodal e os erros de base que regem esse novo modo de viver o cristianismo.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ASSISTA O VÍDEO<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/watch?v=9Fra2GqNMHI"> CLICANDO AQUI</a></span></span></strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/videocurso-12-o-pontificado-de-francisco/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O “EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA A IGREJA” DE LEÃO XIV SE VOLTA CONTRA ELE PRÓPRIO NO TRATAMENTO DADO POR ROMA À FSSPX</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/o-exame-de-consciencia-para-a-igreja-de-leao-xiv-se-volta-contra-ele-proprio-no-tratamento-dado-por-roma-a-fsspx/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/o-exame-de-consciencia-para-a-igreja-de-leao-xiv-se-volta-contra-ele-proprio-no-tratamento-dado-por-roma-a-fsspx/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 13:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=35024</guid>
		<description><![CDATA[Por Robert Morrison Fonte: The Remnant – Tradução: Dominus Est A Magnifica Humanitas, de Leão XIV, exorta a Igreja a rejeitar os “abusos de consciência”, a acolher as diversas sensibilidades e a praticar a escuta sinodal — princípios que podem &#8230; <a href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-exame-de-consciencia-para-a-igreja-de-leao-xiv-se-volta-contra-ele-proprio-no-tratamento-dado-por-roma-a-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://www.remnantnewspaper.com/wp-content/uploads/2026/05/leo-lefebvre.jpg" alt="" width="393" height="223" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Por Robert Morrison</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.remnantnewspaper.com/leo-xivs-examen-for-the-church-backfires-on-romes-treatment-of-the-sspx/">The Remnant </a></span>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Magnifica Humanitas, de Leão XIV, exorta a Igreja a rejeitar os “<em>abusos de consciência</em>”, a acolher as diversas sensibilidades e a praticar a escuta sinodal — princípios que podem comprometer qualquer tentativa de censura à Fraternidade São Pio X.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dos 245 parágrafos da encíclica de Leão XIV “<em>sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial (IA</em>)”, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/encyclicals/documents/20260515-magnifica-humanitas.html"><em><u>Magnifica Humanitas</u></em></a></span>, quatro deles (86 a 89) referem-se a um “<em>exame de consciência para a Igreja”:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Para concluir, gostaria de abordar um ponto que me é particularmente caro. A Doutrina social não é apenas uma palavra dirigida à sociedade: é também um exame de consciência para a Igreja, casa e escola de comunhão, chamada sempre a averiguar se os princípios evocados neste capítulo são vividos, em primeiro lugar, dentro de si mesma.”(86)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora o “<em>exame de consciência</em>” descrito na encíclica se refira principalmente a questões de doutrina social, podemos aplicar os mesmos princípios delineados por Leão XIV a questões mais especificamente relacionadas ao tratamento dado pela Igreja aos católicos. Assim, a análise que se segue aplica o exame de consciência da <em>Magnifica Humanitas</em> à situação da Fraternidade São Pio X (FSSPX).</span><span id="more-35024"></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se sinodalidade significa ouvir as consciências marginalizadas, então Roma não pode excluir a FSSPX sem contradizer seus próprios princípios.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para começar, vale a pena recordar as palavras de Pio XII, extraídas de sua encíclica de 1943 sobre o Corpo Místico de Cristo, <span style="color: #0000ff;"><em><u><a style="color: #0000ff;" href="https://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi.html">Mystici Corporis Christi</a></u></em></span>, a respeito da forma <em>limitada</em> como podemos atribuir culpa à Igreja Católica:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>E se às vezes na Igreja se vê algo em que se manifesta a fraqueza humana, isso não deve atribuir-se a sua constituição jurídica, mas àquela lamentável inclinação do homem para o mal, que seu divino Fundador às vezes permite até nos membros mais altos do seu corpo místico para provar a virtude das ovelhas e dos pastores e para que em todos cresçam os méritos da fé cristã. Cristo, como acima dissemos, não quis excluir da sua Igreja os pecadores; portanto se alguns de seus membros estão espiritualmente enfermos, não é isso razão para diminuirmos nosso amor para com ela, mas antes para aumentarmos a nossa compaixão para com os seus membros. Sem mancha alguma, brilha a santa madre Igreja nos sacramentos com que gera e sustenta os filhos; na fé que sempre conservou e conserva incontaminada; nas leis santíssimas que a todos impõe, nos conselhos evangélicos que dá; nos dons e graças celestes, pelos quais com inexaurível fecundidade produz legiões de mártires, virgens e confessores. Nem é sua culpa se alguns de seus membros sofrem de chagas ou doenças; por eles ora a Deus todos os dias: &#8220;Perdoai-nos as nossas dívidas&#8221; e incessantemente com fortaleza e ternura materna trabalha pela sua cura espiritual.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como podemos ver, a Igreja é imaculada nos Sacramentos, na fé, nas leis sagradas e em outros meios para a nossa salvação. No entanto, ainda é verdade que a Igreja é composta por pecadores que podem agir contra o que a Igreja de fato ensina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao avaliar o exame de consciência de Leão XIV para a Igreja, podemos assumir, para fins de argumentação, que ele está de acordo com a compreensão exposta por Pio XII. Na medida em que tal não ocorra, o(s) autor(es) da encíclica estariam em falta — mas isso não se tornaria, por isso, uma “falta da Igreja”. Com esse entendimento em mente, podemos simplesmente utilizar o critério fornecido pela nova encíclica de Leão para avaliar a situação atual entre a FSSPX e Roma.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Abordagem sinodal para o bem comum</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O parágrafo 86 da <em>Magnifica Humanitas</em> diz o seguinte:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Para concluir, gostaria de abordar um ponto que me é particularmente caro. A Doutrina social não é apenas uma palavra dirigida à sociedade: é também um exame de consciência para a Igreja, casa e escola de comunhão, chamada sempre a averiguar se os princípios evocados neste capítulo são vividos, em primeiro lugar, dentro de si mesma. <strong>No âmbito eclesial, o bem comum assume o rosto dum estilo sinodal para a missão ao serviço do Reino.</strong> Com efeito, a Igreja é o “sujeito comunitário e histórico da sinodalidade e da missão”. Isto pede atenção à forma de tomar decisões e de exercer a responsabilidade. Entre as práticas decisivas para a transformação missionária, o Documento Final do Sínodo identifica a cultura da transparência, da prestação de contas e da avaliação.”</em></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo a própria estrutura de pensamento de Leão XIV, coagir católicos tradicionalistas contra a sua consciência poderia constituir um &#8220;abuso de poder&#8221;.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No contexto eclesial (que se aplicaria à situação da FSSPX), “<em>o bem comum assume a forma de uma abordagem sinodal para a missão a serviço do Reino”.</em> Os conceitos-chave do “<u><a style="color: #000000;" href="https://www.synod.va/content/dam/synod/news/2024-10-26_final-document/ENG---Documento-finale.pdf">Documento Final</a></u>” (da sessão de outubro de 2024 do Sínodo sobre a Sinodalidade) a que Leão XIV se referiu incluem: <em>“escuta”, “diversidade” e “aceitação”</em> daqueles que procuram seguir a sua consciência. Eis, por exemplo, o que diz o parágrafo 55 do Documento Final:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Muitos dos males que afligem o nosso mundo também são visíveis na Igreja. A crise dos abusos, nas suas diversas e trágicas manifestações, tem causado sofrimento indescritível e, muitas vezes, contínuo às vítimas e sobreviventes, bem como às suas comunidades. A Igreja precisa ouvir com especial atenção e sensibilidade as vozes das vítimas e sobreviventes de abusos sexuais, espirituais, econômicos, de poder e de consciência cometidos por membros do clero ou por pessoas com funções na Igreja. A escuta é um elemento fundamental no caminho para a cura, o arrependimento, a justiça e a reconciliação”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É compreensível que muitos católicos tradicionais leiam isso com consternação — afinal, parece que o legado de Francisco tem sido acolher aqueles que acreditam em quase tudo, exceto na verdade pura da Igreja, e, simultaneamente, condenar e perseguir aqueles que preferem morrer a negar uma única doutrina da fé. No entanto, essa é a medida que Leão escolheu para seu exame de consciência pela Igreja, pelo que parece que ele está obrigado a segui-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como seria, então, uma abordagem verdadeiramente sinodal para a situação da FSSPX? Certamente implicaria algo como o seguinte:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Aceitar respeitosamente, e até mesmo nutrir, as crenças dos membros da FSSPX, que se baseiam verdadeiramente num desejo consciente de aderir à fé católica.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Abster-se de quaisquer manifestações de oposição tirânica àqueles que buscam sinceramente seguir a fé católica.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Buscar formas de resolver diferenças de opinião que não atormentem as consciências.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os membros da FSSPX podem zombar dessas ideias sinodais, mas Leão XIV e o Vaticano são obrigados a acatá-las se quiserem respeitar verdadeiramente o processo sinodal. Assim sendo, é evidente que seria uma grande “violação da consciência sinodal” se o Vaticano censurasse a Fraternidade São Pio X por suas consagrações episcopais planejadas, especialmente considerando que a Fraternidade São Pio X deseja, evidentemente, preservar a união com Roma.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Vaticano não pode celebrar as &#8220;diversas sensibilidades&#8221; dos progressistas enquanto pune os católicos ligados à Tradição.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Valorizar os carismas e evitar o paternalismo que sufoca a liberdade evangélica</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O parágrafo 87 da <em>Magnifica Humanitas</em> diz o seguinte:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Nesta perspectiva, a subsidiariedade torna-se um critério de governo e de vida pastoral, <strong>que reconhece e apoia a responsabilidade dos fiéis e dos organismos eclesiais intermédios, valorizando os carismas e as competências, e evitando qualquer paternalismo que sufoque a liberdade evangélica</strong>. Em concreto, a participação dos batizados nos processos de decisão e a corresponsabilidade na missão passam por organismos de participação reais, e não meramente nominais.”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre as diversas ideias presentes neste parágrafo, encontramos uma ênfase na valorização dos carismas e na necessidade de evitar o paternalismo sufocante. Um “<em>carisma</em>” em particular que é especialmente subvalorizado hoje em dia é aquele que D. Marcel Lefebvre mencionou em seu <u><a style="color: #000000;" href="https://www.sspxasia.com/Documents/Archbishop-Lefebvre/Archbishops-Sermon-60th-Anniversary-of-Ordination.htm">sermão</a></u> de 1989, por ocasião do 60° aniversário de sua ordenação:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“E não só isso, não devemos apenas defender nossa fé. Devemos professá-la. Eis a conclusão do <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/juramento-anti-modernista/"><span style="color: #0000ff;"><u>juramento antimodernista</u></span> </a></span>de São Pio X – que possamos repetir muitas vezes estas palavras – Portanto, mantenho firmissimamente a fé dos Padres e a manterei até o último sopro da minha vida sobre o carisma certo da verdade, que está, esteve e sempre estará na sucessão do episcopado desde os Apóstolos; não para que se sustente o que mais bem e mais apto possa parecer conforme à cultura de cada idade, mas para que nunca se creia de outro modo, nunca de outro modo se entenda a verdade absoluta e imutável pregada desde o princípio pelos Apóstolos. – eis o que diz o juramento antimodernista de São Pio X – mas que a verdade absoluta e imutável pregada desde o início entre os apóstolos nunca seja acreditada ou entendida de qualquer outra forma. ”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É claro que o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/juramento-anti-modernista/">Juramento antimodernista</a></span> de São Pio X  foi abandonado após o Concílio Vaticano II, mas aderir ao <em>“carisma da verdade</em>” é obviamente legítimo e digno de ser valorizado, em vez de sufocado paternalisticamente. Assim sendo, é evidente que seria uma grande “violação da consciência sinodal” se o Vaticano censurasse a Fraternidade São Pio X por suas consagrações episcopais planejadas, especialmente considerando a realidade de que a Fraternidade evidentemente deseja preservar a união com Roma.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A encíclica do Papa Leão XIV pode ter, involuntariamente, fornecido o argumento mais forte até agora contra qualquer repressão à Fraternidade São Pio X (FSSPX).</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Sensibilidades diversas e convicções fortes são fontes de riqueza</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O parágrafo 88 da <em>Magnifica Humanitas</em> diz o seguinte:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Para a comunidade cristã, a solidariedade encontra a sua fonte no mistério de Cristo e alimenta-se da Eucaristia. <strong>Ela nasce da comunhão na fé e nos Sacramentos:</strong> o Batismo e a Confirmação unem-nos em Cristo, para que sejamos um só corpo e um só espírito, um só coração e uma só alma (cf. Ef 4, 4; At 4, 32). A Eucaristia, sacramento da unidade, alimenta a nossa pertença ao corpo de Cristo e educa-nos para a partilha. <strong>As diversas sensibilidades presentes na Igreja, as convicções fortes que animam cada um, são uma riqueza se permanecerem ancoradas na certeza da unidade, enquanto dom recebido e tarefa a assumir.”</strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais uma vez, vemos o grande valor atribuído à unidade cristã, com ênfase na solidariedade que brota da fé e dos sacramentos. Em consonância com a sinodalidade, Leão XIV enfatiza o valor das “diversas sensibilidades” e das “fortes convicções”, o que representa pontos de vista que não correspondem exatamente ao ensinamento oficial da Igreja. É evidente que a forte convicção da FSSPX de que deve aderir ao que a Igreja sempre ensinou merece ser incluída entre as “diversas sensibilidades” da Igreja. Como tal, é evidente que seria uma grande “violação da consciência sinodal” se o Vaticano censurasse a Fraternidade São Pio X por suas consagrações de bispos planejadas, especialmente considerando a realidade de que a Fraternidade São Pio X evidentemente deseja preservar a união com Roma.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a Igreja sinodal pode acolher dissidentes declarados, por que não os católicos que simplesmente desejam preservar o que a Igreja sempre ensinou?</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Prevenindo os danos associados ao abuso de consciência</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O parágrafo 89 da <em>Magnifica Humanitas</em> diz o seguinte:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Viver a justiça na Igreja significa melhorar as relações e as estruturas eclesiais, eliminando as distorções que geram desigualdades, opacidades e prevaricações. <strong>A este respeito, a escuta das vítimas de abusos espirituais, económicos, institucionais, sexuais, de poder e de consciência é parte integrante dum caminho de justiça, que inclui o reconhecimento do dano causado, a justa reparação e a prevenção. Todo o poder está ao serviço da comunhão e da missão. Toda a autoridade está ao serviço do povo de Deus.</strong> Esta diaconia manifesta-se não só na fé celebrada e vivida nos Sacramentos, e na aquisição de um estilo sinodal, mas também na partilha concreta dos bens: segundo o exemplo da Igreja primitiva, os recursos eclesiais são chamados a tornar-se verdadeiramente comuns, para que entre nós ninguém passe necessidade (cf. At 4, 34) e para que a sua administração apoie a missão de anúncio do Evangelho aos mais pobres. Devem promover-se formas regulares de avaliação do exercício das responsabilidades ministeriais, que não sejam um julgamento das pessoas, mas instrumentos de aprendizagem e de correção orientados à missão. Na medida em que nos abrimos à ação do Espírito Santo, estes princípios da Doutrina social encarnam-se na vida eclesial. Deste modo, a Igreja é capaz de oferecer à sociedade um sinal crível de que procurar juntos, na corresponsabilidade e na fraternidade, o bem de todos não é uma utopia, mas uma possibilidade concreta.”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal como na passagem citada acima do Documento Final da sessão de 2024 do Sínodo sobre a Sinodalidade, este parágrafo enfatiza as virtudes sinodais de ouvir os marginalizados, incluindo aqueles que sofrem de “abusos de consciência”. É quase certo que não pode haver maior “abuso de consciência” concebível do que exercer o poder ostensivo da Igreja Católica para coagir um católico tradicional a agir contra sua consciência bem formada. Assim sendo, é evidente que seria uma grande “violação da consciência sinodal” se o Vaticano censurasse a SSPX por suas sagrações de bispos planejadas, especialmente considerando a realidade de que a SSPX evidentemente deseja preservar a união com Roma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, <em>de acordo com a encíclica de Leão XIV</em>, parece não haver a menor dúvida de que censurar a FSSPX por sagrar bispos seria um grave pecado. Que Deus conceda ao Papa Leão XIV a graça de evitar este tremendo escândalo que clamaria pelo castigo divino. Se a consciência sinodal impele o Vaticano a promover bispos homossexuais para propagar ideologias homossexuais inequivocamente anticatólicas, certamente Leão XIV poderá acolher aqueles que preferem morrer a trair a fé católica pura. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/o-exame-de-consciencia-para-a-igreja-de-leao-xiv-se-volta-contra-ele-proprio-no-tratamento-dado-por-roma-a-fsspx/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O PARECER DE MAIS UM CANONISTA SOBRE A POSSÍVEL EXCOMUNHÃO APÓS AS SAGRAÇÕES</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/o-parecer-de-mais-um-canonista-sobre-a-possivel-excomunhao-apos-as-sagracoes/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/o-parecer-de-mais-um-canonista-sobre-a-possivel-excomunhao-apos-as-sagracoes/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 18:34:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=35121</guid>
		<description><![CDATA[Um cônego de Shaftesbury, canonista inglês, não hesitou em publicar &#8220;uma defesa canônica, teológica e pastoral contra a excomunhão prevista da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X&#8221;. Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est Segundo o site kath.net, de 29 de abril &#8230; <a href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-parecer-de-mais-um-canonista-sobre-a-possivel-excomunhao-apos-as-sagracoes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEibf__m0jNd6t_-xMCoOCkeoYvmsyQf8wT5fdFsgxCc-rDmqaClayE7bEjzz7SH40T6QjfP4uTsjdTHPChDkeMtEW0TdTqVbSSndFR43JTMjw-tEvsbeaHH8B0lv6occQjVJvYRfJ1Gbx7ADMxbg4YpokO8AyOPqJZxxy7OaVc0E2M2AS5hVfZw=w521-h391" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Um cônego de Shaftesbury, canonista inglês, não hesitou em publicar <em>&#8220;uma defesa canônica, teológica e pastoral contra a excomunhão prevista da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X&#8221;.</em></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/avis-dun-canoniste-sur-une-eventuelle-excommunication-apres-les-sacres-59531">DICI</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo o <em>site kath.net</em>, de 29 de abril de 2026, o Vaticano declarará a Fraternidade São Pio X excomungada e <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-cisma/"><strong>cismática</strong> </a></span>após as <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-do-blog-as-sagracoes-da-fsspx/"><strong>sagrações episcopais</strong></a></span> agendadas para 1º de julho em Écône, na Suíça. O site em alemão cita as palavras do jornalista italiano Nico Spuntoni à vaticanista americana, Diane Montagna<em>: &#8220;Fontes bem informadas me confirmaram que o Dicastério para a Doutrina da Fé já se preprara para um cisma após as novas sagrações episcopais&#8221;.</em> E, segundo as mesmas fontes, Nico Spuntoni afirma que o dicastério do Cardeal Víctor Manuel Fernández prevê oferecer <em>&#8220;apoio pastoral aos membros do clero pertencentes à Fraternidade que não desejam permanecer nela, após uma nova ruptura com Roma</em>&#8220;.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso faz lembrar a Comissão Pontifícia <em>Ecclesia Dei</em>, estrutura criada por Roma para acolher os sacerdotes que se recusaram a aceitar as ordenações de 1988, com o “<em>sucesso</em>” que todos conhecem! Essa comissão foi integrada à Congregação para a Doutrina da Fé em 2009 e, em seguida, simplesmente dissolvida em 2019, deixando as antigas comunidades <em>da Ecclesia Dei</em> à mercê dos caprichos dos bispos. Foi assim que a Fraternidade São Pedro foi brutalmente extinta em 2024 por D. Laurent Dognin, Bispo de Quimper e Léon.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A respeito dessa possível excomunhão, é sempre útil mencionar <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/professor-da-diocese-de-maiorca-sobre-o-tema-das-sagracoes-nem-cisma-nem-pecado/"><strong>a tese do padre Jaime Mercant Simó, canonista espanhol, que declarou em 21 de fevereiro que não haveria &#8220;<em>nem cisma nem pecado</em>&#8221; em virtude das sagrações em Écône</strong></a></span>. Na mesma linha, o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://rorate-caeli.blogspot.com/2026/05/on-excommunication-and-sspx-canonical.html"><strong>site americano <em>Rorate Coeli</em> publicou, em 6 de maio, o parecer de um cônego de Shaftesbury</strong></a></span>, que, ao que parece, deseja permanecer anônimo nestes tempos conturbados. Este canonista de língua inglesa não hesitou em publicar &#8220;<em>uma defesa canônica, teológica e pastoral contra a proposta de excomunhão da Fraternidade São Pio X&#8221;</em>.</span><span id="more-35121"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo ele, uma excomunhão, &#8220;<em>se imposta, não seria canonicamente sensata, nem teologicamente coerente, nem pastoralmente oportuna. Baseando-se na tradição jurídica da Igreja, nos precedentes históricos e nos imperativos pastorais constantemente invocados pelos pontificados recentes, pode-se sustentar que a excomunhão prevista seria arbitrária, incoerente e contraproducente para a unidade e a missão da Igreja Católica.&#8221;</em> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E ressalta: “<em>Há anos que a Fraternidade busca uma regularização e uma solução negociadas para a questão da sucessão episcopal. A aparente incapacidade do Vaticano de se reunir com a Fraternidade, ao mesmo tempo que acolhe grupos doutrinariamente muito mais heterodoxos, revela um perturbador &#8220;dois pesos e duas medidas&#8221; padrão que mina a credibilidade da autoridade disciplinar de Roma e envia uma mensagem nefasta aos fiéis ligados à tradição da Igreja</em>.” </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O canonista destaca que essa proposta de excomunhão representaria uma tripla falha, porque:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><span style="color: #000000;">&#8220;1. <span style="text-decoration: underline;">Do ponto de vista canônico</span>, o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-estado-de-necessidade-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/">Estado de Necessidade</a></span>, a ausência de intenção cismática e a interpretação estrita do direito militam contra a sanção.&#8221;</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><span style="color: #000000;">&#8220;2. <span style="text-decoration: underline;">Do ponto de vista teológico</span>, a diferença de tratamento entre os católicos fiéis à doutrina e os católicos heterodoxos revela uma incoerência eclesiológica.&#8221;</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><span style="color: #000000;">“3. <span style="text-decoration: underline;">Do ponto de vista </span><span style="text-decoration: underline;">pastoral</span>, a sanção abandonaria comunidades vivas a uma marginalização injusta, quando existem soluções pacíficas” </span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E defender uma solução pacífica: “<em>A Fraternidade São Pio X vem repetindo há anos que a Igreja atravessa uma crise de fé, de liturgia e da sua própria identidade. A resposta da Santa Sé às sagrações previstas corre o risco de confirmar esse diagnóstico: quando aqueles que defendem a Tradição são tratados como inimigos e aqueles que a contradizem são considerados parceiros, significa que a desordem se instalou. O remédio não é o martelo da lei, mas a mão estendida do diálogo, da misericórdia e de uma aplicação verdadeiramente pastoral do direito canônico, que a Igreja conserva para o bem de todos os seus fiéis.” – Será que esse parecer será ouvida em Roma? O futuro, que a Deus pertence, dirá</em>”. </span></p>
<p style="text-align: center;">*************************************</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO “<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>” COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, ECCLESIA DEI, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><a href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/"><span style="color: #0000ff;">CLICANDO AQUI</span></a>.</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/o-parecer-de-mais-um-canonista-sobre-a-possivel-excomunhao-apos-as-sagracoes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A IGREJA ABERTA E SEU INIMIGO</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/a-igreja-aberta-e-seu-inimigo/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/a-igreja-aberta-e-seu-inimigo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 11:36:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=35057</guid>
		<description><![CDATA[Popularizada por Karl Popper e adotada por George Soros através de sua Open Society, a ideia de uma sociedade aberta sempre revela seus inimigos. O que dizer, então, da &#8220;Igreja aberta&#8221; nascida do Vaticano II e do lugar que ela &#8230; <a href="https://catolicosribeiraopreto.com/a-igreja-aberta-e-seu-inimigo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/image2_11.png?itok=oZqNbP_h" alt="" width="498" height="284" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Popularizada por Karl Popper e adotada por George Soros através de sua Open Society, a ideia de uma sociedade aberta sempre revela seus inimigos. O que dizer, então, da <em>&#8220;Igreja aberta&#8221;</em> nascida do Vaticano II e do lugar que ela reserva para a Tradição?</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/leglise-ouverte-et-son-ennemi-59470">DICI</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Frequentemente denuncia-se Georges Soros e sua <em>Open Society Foundation</em> pelo papel subversivo que desempenham nas sociedades ocidentais. O próprio título dessa fundação advém de uma obra escrita pelo famoso filósofo Karl Popper, <em>A sociedade aberta e seus inimigos</em> (The Open Society and Its Enemies), publicada em 1945. Nesse título, Popper fazia uma referência direta a Henri Bergson, de quem admirava o pensamento, e a uma de suas últimas obras, <em>As duas fontes da moral e da religião</em>, publicada em 1932.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa obra de primorosa literatura (seu ator recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1927) coloca em oposição a sociedade aberta e a sociedade fechada, que vivem de dois princípios morais distintos: uma aberta até a mística e a outra curvada em obrigações limitantes. O corolário dessas duas morais são evidentemente duas religiões diferentes, uma religião dinâmica e uma religião estática. Bergson evita utilizar o termo religião aberta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Bergson pensava que o cristianismo seria a religião mais aberta. Frédéric Worms, professor de filosofia no ENS, sintetizava em um programa da RCF, em 2021<a style="color: #000000;" href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>, o que se poderia deduzir disso:</span><span id="more-35057"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">“A religião aberta e a religião fechada são reconhecidas pela moral, a religião aberta a todo mundo e a religião que exclui, que se torna a religião de uns e não de outros, até mesmo contra os outros”. Worms resume assim a posição da religião fechada: “Se exclui alguém, é fechada.”</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podemos dizer, sem querermos nos precipitar, que, em seu espírito, o Vaticano II tende a transformar a religião católica em uma religião aberta. Muito facilmente encontraríamos as declarações da época conciliar e todas as metáforas sobre a vida, a renovação, a abertura, que denotam a pertinência da comparação entre religião aberta <em>bergoniana</em> e a religião tal como é pensada no espírito do Vaticano II.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O problema é que esse dinamismo implica um abandono do que imobiliza, do que exclui. Ora, há muitas pessoas que, no seio da religião católica, atém-se às definições, às definições entre bem e mal. Então, desde o Vaticano II, o princípio para destruir essas resistências é simples. Contornam, relativizam, preconizam a abertura e denunciam a firmeza, o dogmatismo, o fixismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Colocam no centro um Deus amor, pessoal, que se oporia a uma religião do dogma e do mandamento, fonte da proibição e da exclusão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No dia em que Roma recordou gravemente à FSSPX seu desacordo profundo e denunciou o “cisma” que seria prorrogado pelas novas sagrações, foi publicado um livro, prefaciado pelo cardeal arcebispo de Alger, Dom Vesco, cujo título não deixa nenhuma dúvida: <em>Homos et Cathos, l’Église à l’épreuve du reel</em> (Homossexuais e Católicos, a Igreja à prova do real).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No prólogo, duas mulheres cofundadoras da associação “Reconhecimento”, uma associação de pais católicos cujos filhos têm as inclinações descritas pelo livro, escrevem estas linhas:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">“Além do mais, esta singularidade não é a oportunidade para revisitar o edifício de uma moral afetiva e sexual que, ao longo do tempo, insensivelmente se afastou da dinâmica do mundo, da vivência das pessoas, do avanço das ciências humanas, até mesmo do apelo de Cristo para conhecer o seu próximo?  Não somos convidados a redescobrir as condições do exercício de uma consciência esclarecida, “o ponto mais secreto do homem, o santuário onde ele se encontra sozinho com Deus e sua voz se faz ouvir<a style="color: #000000;" href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>”? </span></em><span style="color: #000000;">De voltar aos fundamentos da nossa fé?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis porque tomamos a iniciativa de interrogar novamente uma doutrina que muito frequentemente, segundo as palavras do papa Francisco, se contenta em <em>“repetir de forma abstrata fórmulas e esquemas do passado”<a style="color: #000000;" href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>,</em> é necessário um ajuste à realidade, em toda a sua diversidade. Para entrar neste processo, respondemos ao seu convite: em novembro de 2023, em sua reforma da Pontifícia Academia de teologia, Francisco conclamava a elaborar uma <em>“teologia fundamentalmente contextual”, “capaz de ler e interpretar o Evangelho nas condições da vida diária dos homens e das mulheres, nos diferentes meios geográficos, sociais e culturais<a style="color: #000000;" href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vemos perfeitamente o apelo à abertura desse livro. Certamente, o papa atual fechou as portas para novos avanços, mas consideramos que esse fechamento tem algo de temporário, e as palavras do papa em setembro último não nos contradizem:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ele evoca <em>Fiducia Supplicans</em>, destacando que a mensagem essencial desse documento é, “certamente, podermos abençoar todo mundo, mas não deveríamos buscar ritualizar qualquer benção”. Sem dúvida alguma o Santo Padre adere à mensagem de Francisco, de acolher <em>“todos, todos, todos”: “Todos são convidados”,</em> não em razão de uma “identidade específica”, mas porque todos são filhos de Deus. Isso não implica, todavia, uma mudança de doutrina: “Considero extremamente improvável – <strong>certamente em um futuro próximo &#8211;</strong>, (destaques nossos) que a doutrina da Igreja (mude) em relação ao que ela ensina sobre a sexualidade, sobre o matrimônio”, afirma. Ou seja <em>“uma família composta por um homem e uma mulher”</em>, “abençoados no sacramento do matrimônio”<a style="color: #000000;" href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos devem compreender que, desde o Vaticano II, a autoridade eclesiástica é um ator da abertura, da inclusão. Todos aqueles que querem ter um lugar na Igreja devem aceitar esse princípio que, no fundo, é o único que vale. O papa Francisco considerava que se apegar à forma antiga do rito era permanecer engessado, permanecer em uma religião fechada. Leão XIV será talvez mais conciliador com os tradicionalistas – desde que aceitam aderir a essa visão aberta da Igreja e da religião em perpétuo dinamismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Bergson pensava que a religião dinâmica e a religião estática seriam irreconciliáveis: <em>“Da sociedade fechada à sociedade aberta, da cidade para a humanidade, nunca se passará pelo caminho do alargamento. Não são da mesma essência. (…) A religião dinâmica que surge assim se opõe à religião estática, saída da função fabuladora, como a sociedade aberta à sociedade fechada<a style="color: #000000;" href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a>.”</em> Não é de se surpreender que Dom Lefebvre e, depois dele, a Fraternidade São Pio X tenham solicitado inutilmente o respeito pela Tradição? Essa é julgada incômoda. Pouco importa que ela seja o que constitui a autoridade do sucessor de Pedro. A religião não é, nesta perspectiva evolucionista, senão uma dinâmica que pretende abraçar todo o mundo, contanto que esse mundo esteja fora dos muros da Igreja, das definições e dos conteúdos morais. Tudo é válido nessa perspectiva! O próprio Bergson reconhecia implicitamente que a abertura excluía aqueles que se fecham, aqueles que permanecem estáticos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O título de Popper sobre a sociedade aberta é inequívoco, uma sociedade aberta sempre tem inimigos. Qual é o inimigo dessa religião dinâmico? Já respondemos parcialmente, a Tradição. Não a Fraternidade São Pio X, não seus membros ou os fiéis que frequentam-na. Eles não são a Tradição, eles pretendem defendê-la, recordá-la ainda que saibam que são suas débeis testemunhas. A Tradição como depósito intangível do dogma e da moral, eis o freio, eis a encarnação da moral fechada, da religião estática. E a Fraternidade São Pio X e todos aqueles que gravitam em torno dela são recriminados por desobedecer a uma orientação, a um dinamismo impulsionado pela autoridade – mas contra o mandato que lhe é dado do Alto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, quem é o inimigo dessa religião nova por princípio, por essência dinâmica? Cristo, em sua verdade, em sua realidade imutável. É precisamente o que Dom Lefebvre sempre disse desde que se opôs frontalmente às autoridades. Seguramente, todas as autoridades, e até os católicos como estas senhoras que citamos pretendem reencontrar um Cristo verdadeiro que a Tradição teria deformado. Mas por mais que se lhes desagrade, Cristo não é apenas um vago amor tolerante. À pecadora que ele acaba de arrancar do apedrejamento, ele diz: “<em>Vá, e não peque mais!”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Cristo que nos é proposto nessa religião dinâmica é um Cristo desfigurado, desnaturalizado, uma caricatura mais perversa que aquela dos folhetins que o insultam descaradamente. Com efeito, os ilustradores que blasfemam não pretendem descrever o verdadeiro Jesus Crenauristo, não dão a mínima para ele. Contudo, aqueles que promovem uma visão alegadamente positiva e autêntica de Cristo desviam do Salvador aqueles que os escutam, e isso fundamenta a nossa recusa.</span></p>
<p class="Textbody" style="margin-bottom: 8.5pt; text-align: right;" align="right"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Renaud de Sainte Marie, FSSPX</span></strong></p>
<p class="Textbody" style="margin-bottom: 8.5pt; text-align: justify;" align="right"><strong><span style="color: #000000;">Notas:</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] https://www.rcf.fr/articles/vie-spirituelle/henri-bergson-penseur-de-la-religion</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[2] Vaticano II, Constituição pastoral sobre a Igreja deste tempo Gaudium et Spes, 1965, n. 16.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[3] Carta apostólica sob a forma de Motu Proprio Ad theologiam promovendam, 1° novembro 2023.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[4] Ibid.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[5] Resumo feito pelo site Vatican News da entrevista de Leão XIV com Elise Ann Allen, cf. www.vaticannews.va/fr/pape/news/2025–09/pape-leon-chine-polorisation-ponts-eglise-femmes-saint-siege.html</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[6] As duas fontes da moral e da religião, IV.</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/a-igreja-aberta-e-seu-inimigo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O PRINCÍPIO DE GAMALIEL E A FSSPX</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/o-principio-de-gamaliel-e-a-fsspx/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/o-principio-de-gamaliel-e-a-fsspx/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 20:22:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=35125</guid>
		<description><![CDATA[Por que 18 anos de investigações não conseguiram descobrir um erro? Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est Em 1988, o motu próprio Ecclesia Dei Adflicta (2 de julho de 1988), publicado pelo papa João Paulo II após as sagrações episcopais &#8230; <a href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-principio-de-gamaliel-e-a-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="width: 496px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/image1_15.png?itok=YB43DcKc" alt="" width="486" height="282" /><p class="wp-caption-text"><span style="color: #000000;"><strong>D. Lefebvre com o cardeal Thiandoum, em Écone.</strong></span></p></div>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Por que 18 anos de investigações não conseguiram descobrir um erro?</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <a href="https://fsspx.news/fr/news/le-principe-gamaliel-et-la-fsspx-59536"><span style="color: #0000ff;">DICI</span> </a>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 1988, o motu próprio <em>Ecclesia Dei Adflicta </em>(2 de julho de 1988), publicado pelo papa João Paulo II após as sagrações episcopais de 30 de junho de 1988, assim identificava a causa do ato de D. Lefebvre:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">“A raiz deste ato cismático pode localizar-se numa incompleta e contraditória noção de Tradição.”</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tais sagrações foram consideradas como um ato cismático, supostamente causado por uma compreensão não católica da noção de Tradição. Em outros termos, D. Lefebvre foi acusado de sustentar uma concepção de Tradição contrária à fé católica?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Uma simples questão</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso levanta uma questão tão simples quanto fundamental: de 1970, data da fundação da FSSPX, até 1988, data da “<em>excomunhão”</em>, de onde Roma tirou tal <em>“incompleta e contraditória noção de Tradição”</em> que o Arcebispo teria professado?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em realidade, Roma fez três investigações oficiais entre 1970 e 1988. A primeira foi a visita canônica do seminário de Écône (1974); a segunda foi o encontre com os cardeais em Roma que resultou na <em>“supressão”</em> da FSSPX (1975); a terceira foi a visita apostólica do cardeal Gagnon (1987).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se D. Lefebvre e a FSSPX fossem julgados culpados de uma <em>“noção incompleta e contraditória da Tradição”</em> durante esses 18 anos, isso seria constatado e apontado nessas três investigações. Vejamos como foram.</span><span id="more-35125"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A primeira visita apostólica (1974)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa visita canônica, vinda de Roma, foi desencadeada após a recusa de D. Lefebvre em celebrar a missa nova. Dom Tissier de Mallerais escreveu o seguinte relato:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">&#8220;Mons. Albert Descamps, secretário da Comissão bíblica, e Mons. Guillaume Onclin, subsecretário da Comissão para a revisão do Código de direito canônico, chegaram 9 da manhã. Durante três dias, os dois belgas interrogaram os padres e seminaristas, e lhes faziam comentários teologicamente discutíveis. Consideravam a ordenação de homens casados normal e inevitável, não admitiam a imutabilidade da verdade e exprimiam dúvidas acerca da realidade física da Ressurreição de Cristo. Não iam à capela jamais e, quando foram embora, não apresentaram relatório algum de visita para D. Lefebvre assinar. Não obstante, disseram ao padre Gottlieb: “O seminário é 99% bom”. E o padre disse a si mesmo: “99%? Então sobra 1% para a missa nova, o que não é muita coisa! [1]&#8221;</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nenhum comentário sobe um suposto ensino herético em Écône foi dirigido a D. Lefebvre pelos visitadores apostólicos. O Vaticano nunca publicou o relatório oficial dessa visita. Além disso, alguns meses mais tarde, Roma reconheceu que os visitadores apostólicos não encontraram nada de repreensível no seminário. Tal admissão se encontra na carta dos três cardeais que condenaram a FSSPX em maio de 1975 (vejam o trecho seguinte consagrado à <em>“supressão”</em> da FSSPX). Essa carta de condenação repousava inteiramente sobre a declaração de 21 de novembro de 1974 publicada por D.. Lefebvre após a visita. <em>“&#8230; a Declaração exprime explicitamente o que o visitador de Écône (Mons. Descamps) não conseguiu trazer à luz”</em>, dizia a carta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Não conseguiram trazer à tona!” Como finamente aponta Michael Davies: “Os cardeais admitiam muito abertamente que a visita apostólica não descobriu motivo algum para fechar o seminário”.</em> [2]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Consequentemente, a primeira visita apostólica foi incapaz de demonstrar que D. Lefebvre estava no erro, tanto sobre a fé em geral quanto sobre a noção de Tradição em particular. As reuniões de 1975 viriam a trazer luz a essa questão?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A <em>“supressão”</em> da FSSPX (1975)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No meio deste tempo, escandalizado pelos comentários heréticos dos visitadores apostólicos, D. Lefebvre redigirá sua célebre declaração de 21 de novembro de 1974. Roma toma conhecimento da declaração e convoca o arcebispo, que encontrará em Roma três cardeais (Garrone, Wright e Tabera) no dia 13 de fevereiro de 1975, e depois no dia 3 de março do mesmo ano. Esses encontros, inicialmente informais, transformaram-se em realidade num processo oficioso centrado inteiramente na Declaração, mais do que na visita apostólica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os cardeais afirmavam que a Declaração foi dirigida contra o concílio Vaticano II e contra o papa. O arcebispo respondeu apontando todas as heresias e todos os escândalos litúrgicos que se produziram na Igreja e que julgava incompatíveis com a fé católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">“Reconheces o Magistério de ontem mas não o de hoje”, dirão os cardeais. “Ora, o concílio pertence ao Magistério&#8230;”</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“A Igreja conserva sua Tradição e não pode romper com ela”</em>, responde o arcebispo. <em>“Isso é impossível; tal é a natureza mesma da Igreja.</em>” [3]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à visita apostólica, Roma nunca publicou o relatório oficial dessas reuniões. Não obstante, Mons. Mamie, sucessor de Mons. Charrière [4], retira os atos e as concessões de seu predecessor e suprime a FSSPX com o aval explícito de Roma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essas reuniões, que tinham aparência de processo, tiveram ao menos o mérito de trazer a questão da Tradição e do Magistério – questões doutrinais que foram examinadas pela congregação romana competente em um verdadeiro processo. A comissão dos cardeais não poderia se constituir um tribunal regular. É por isso que D. Lefebvre apelou perante o Tribunal supremo da Assinatura Apostólica contra a decisão de Mons. Mamie: “<em>Demando ser julgado pelo único tribunal competente em tal matéria, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé”</em>, escreve ele [5].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seu recurso foi rejeitado no dia 10 de junho. Um segundo recurso foi introduzido no dia 14 de junho e nem resposta recebeu. No dia 29 de junho, o arcebispo recebeu uma carta do papa Paulo VI que lhe reprovava procurar um meio jurídico para invalidar a decisão dos cardeais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Convém notar que Paulo VI recusa a D. Lefebvre o que a Igreja, antes do Vaticano II, sempre concedeu aos piores hereges e cismáticos: um processo justo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Consequentemente, em 1975, a única conclusão oficial de Roma foi: fecha o teu seminário, dissolve a FSSPX e faz silêncio acerca das desordens que reinam na Igreja! Um processo justo, no qual poderia ter se defendido, foi-lhe recusado. É justo afirmar, portanto, que essa investigação de 1975 parte unicamente de uma decisão disciplinar – a supressão da FSSPX – que, por sua própria natureza, não prova nada quanto à fé ou quanto à doutrina das pessoas envolvidas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porventura o Cardeal Gagnon, visitador apostólico de 1987, foi mais eficiente em descobrir o suposto erro de Dom Lefebvre sobre a tradição?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A visita apostólica do Cardeal Gagnon (1987)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No dia 28 de julho de 1987, Roma propõe uma visita apostólica à Fraternidade, após D. Lefebvre demonstrar publicamente a intenção de sagrar bispos. <em>“Desde muito tempo pedia essa visita, para que Roma nos conhecesse melhor</em>”, diz ele aos seminaristas [6]. O cardeal Gagnon visita muitas casas da Fraternidade e D. Tissier de Mallerais relata tal visita:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">&#8220;Aonde ele ia, declarava-se satisfeito. Também tendia a reportar a Roma não somente um relatório favorável, mas também um projeto de solução. (&#8230;) A visita acontece no dia 8 de dezembro em Écône, onde o cardeal não hesita em assistir a uma missa pontifical celebrada pelo arcebispo “suspenso” [7] e em ver jovens recebendo suas missões em uma sociedade suprimida [8]. No livro de ouro do seminário, escreveu: “Que a Virgem Imaculada ouça nossas ferventes orações para que a obra de formação sacerdotal maravilhosamente realizada neste lugar possa estender largamente sua influência na vida da Igreja” [9] Esperamos que as orações de Sua Eminência tenham sido, e continuem sendo ouvidas&#8230;&#8221;</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De qualquer forma, &#8220;<em>não é aqui um problema de fé ou de uma má compreensão da Tradição: ao contrário, exprimem claramente o desejo de que a obra da FSSPX se espalhe muito por toda a Santa Igreja Católica.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Conclusão</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A conclusão é clara: apesar das três investigações, Roma nunca demonstrou que D. Lefebvre falhava em sua compreensão da Tradição. Não somente as duas visitas apostólicas (1974 e 1987) não identificaram nenhuma heresia ou erro doutrinal de sua parte, mas também louvaram a obra feita pela FSSPX – em especial a segunda visita. Quanto às reuniões de 1975, elas terminaram em uma mera decisão disciplinar sem trazer a menor prova de uma suposta falsa noção de tradição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como, portanto, o papa João Paulo II pôde afirmar que “<em>A raiz deste ato cismático pode localizar-se numa incompleta e contraditória noção de Tradição.”</em>?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A resposta a essa questão é capital: a noção incompleta e contraditória da Tradição se encontra, em realidade, do lado do Vaticano II e do Magistério que lhe seguiu, os quais tentaram fazer evoluir a Tradição – que nada mais é do que a transmissão da Revelação imutável – a fim de a adaptar ao espírito liberal dos tempos modernos. Essa concepção de uma Tradição evolutiva, conceito modernista denunciado e condenado repetidamente pelo Magistério anterior ao Vaticano II [10], é claramente incompatível com a compreensão católica da Tradição imutável. João Paulo II, portanto, julgou a fé e os atos de Mons. Lefebvre a partir de um ponto de vista puramente modernista, o que conduziu a uma inversão completa da acusação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A verdade é que D. Lefebvre permaneceu fiel à Tradição católica. Eis o porquê de as visitas apostólicas de 1974 e 1987 não encontrarem nada de repreensível na FSSPX. Eis também porque Roma não a poderia julgar segundo as normas habituais do direito canônico. Um processo público em 1975 teria provavelmente evidenciado, perante todos, que a Roma conciliar rompeu com a fé imutável da Igreja. O único meio restante para silenciar a Tradição foi o uso – ou melhor, o abuso – de sanções jurídicas destinadas a <em>“rotular”</em> o arcebispo e sua Fraternidade. Foi desse modo que ele mesmo e os quatro bispos consagrados em 30 de junho de 1988 foram declarados “<em>excomungados</em>” e “<em>cismáticos</em>”, estigmatizando desse modo essa obra de formação sacerdotal que o Cardeal Gagnon havia, contudo, descrito como “<em>tão maravilhosamente realizada”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Roma conciliar recorrerá novamente a tais simples sanções nominais, e a esses rótulos, contra a FSSPX no dia 1º de julho?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dada sua incapacidade de demonstrar que a Fraternidade se engana na fé e nos frutos espirituais de sua obra, a Igreja conciliar deveria reler as palavras que Gamaliel diz ao Sinédrio quando este queria aprisionar os Apóstolos:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>E agora aconselho-vos a que não vos metais com estes homens, e que os deixeis; porque, se esta ideia ou esta obra vem dos homens, ela mesma se desfará; mas, se vem de Deus, não a podereis desfazer; assim não correis o risco de fazer oposição ao próprio Deus.</em>” (At 5, 38-39)</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Padre Christophe Legrier, FSSPX</strong></span></p>
<p style="text-align: center;">*************************************</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO “<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>” COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, ECCLESIA DEI, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><a href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/"><span style="color: #0000ff;">CLICANDO AQUI</span></a>.</strong></p>
<p style="text-align: center;">*************************************</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1) Biografia, Marcel Lefebvre, de D. Tissier de Mallerais, Angelus Press, p. 478.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(2) Apologia pro Marcel Lefebvre, primeira parte, Angelus Press, 1979, p. 60. Michael Davies cita e comenta a totalidade desta carta.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(3) Biografia, Marcel Lefebvre, de D. Tissier de Mallerais, Angelus Press, pp.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(4) Aquele que autorizou oficialmente a fundação da FSSPX.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(5) Apologia pro Marcel Lefebvre, primeira parte, Angelus Press, 1979, p. 73. A carta é reproduzida lá na íntegra.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(6) Biografia, Marcel Lefebvre, de D. Tissier de Mallerais, Angelus Press, p. 550.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(7) <em>&#8220;Suspenso&#8221;</em> significa que o arcebispo não estava mais autorizado a administrar os sacramentos. Ele havia sido suspenso por Paulo VI em junho de 1976.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(8) Mons. Mamie suprimiu oficialmente a FSSPX em 1975.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(9) Biografia, Marcel Lefebvre, de D. Tissier de Mallerais, Angelus Press, p. 551.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(10) São Pio X denunciou essa afirmação de uma Tradição em evolução: <em>&#8220;O dogma não só pode, como deve evoluir e ser modificado.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É isto que os modernistas afirmam veementemente e que decorre claramente dos seus princípios, escreveu ele na sua encíclica Pascendi Dominici gregis, n.º 13 (8 de setembro de 1907).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Papa então condenou essa afirmação:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Cegos, na verdade, a conduzirem outros cegos, são esses homens que inchados de orgulhosa ciência, deliram a ponto de perverter o conceito de verdade e o genuíno conceito religioso, divulgando um novo sistema, com o qual, arrastados por desenfreada mania de novidades, não procuram a verdade onde certamente se acha; e, desprezando as santas e apostólicas tradições, apegam-se a doutrinas ocas, fúteis, incertas, reprovadas pela Igreja, com as quais homens estultíssimos julgam fortalecer e sustentar  a verdade </em>(Pascendi Dominici gregis, n. 13)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Considere os inúmeros escândalos litúrgicos de nossa época: a comunhão concedida a católicos divorciados e recasados, bênçãos concedidas a uniões pecaminosas, numerosas declarações elogiando falsas religiões, ritos da Pachamama realizados no Vaticano e as atuais ilusões sinodais — para citar apenas alguns — e pergunte-se se a afirmação de D. Lefebvre de que o Vaticano II é um concílio modernista provém de um espírito de desobediência ou de um espírito de fé…</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/o-principio-de-gamaliel-e-a-fsspx/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>EXCOMUNGADOS POR UMA IGREJA QUE JÁ NÃO EXCOMUNGA NINGUÉM?</title>
		<link>https://catolicosribeiraopreto.com/excomungados-por-uma-igreja-que-ja-nao-excomunga-ninguem/</link>
		<comments>https://catolicosribeiraopreto.com/excomungados-por-uma-igreja-que-ja-nao-excomunga-ninguem/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 11:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Alain Lorans]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=35047</guid>
		<description><![CDATA[Desde o Concílio Vaticano II, não se é mais excomungado. Atualmente, não se está “em plena comunhão”. Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est De fato, na abertura do Concílio, em 1962, João XXIII havia expressado seu desejo de uma Igreja &#8230; <a href="https://catolicosribeiraopreto.com/excomungados-por-uma-igreja-que-ja-nao-excomunga-ninguem/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/michael-hunter-hkei512qefo-unsplash.jpg?itok=iefIs_-N" alt="" width="565" height="322" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Desde o Concílio Vaticano II, não se é mais excomungado. Atualmente, não se está <em>“em plena comunhão</em>”.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/excommunies-par-une-eglise-qui-nexcommunie-plus-personne-59467">DICI</a></span> &#8211; Tradução:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, na abertura do Concílio, em 1962, João XXIII havia expressado seu desejo de uma Igreja nova, sem condenações nem anátemas. Apenas os canonistas que não assimilaram plenamente o espírito do Concílio Vaticano II – e os jornalistas que apreciam expressões simplistas – ainda podem brandir a excomunhão como um absoluto pré-conciliar, um <em>“ukase”</em> tridentino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em sua defesa, a noção <em>&#8220;comunhão parcial&#8221;</em>, que pretende ser generosa, levanta dificuldades reais. É possível estar em comunhão pela metade ou em três quartos? Nesse caso, está-se meio excomungado e meio em comunhão, ou excomungado em três quartos e em comunhão em um quarto? De fato, a excomunhão torna-se uma noção relativa, uma excomunhão de geometria variável.</span><span id="more-35047"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja hoje não exclui ninguém: <em>&#8220;Todos, todos, todos; todos têm o seu lugar na Igreja&#8221;,</em> repetia Francisco. Pessoas divorciadas e recasadas podem receber a comunhão , analisando-se caso a caso, desde a Amoris laetitia (19 de março de 2016); pares do mesmo sexo podem receber a bênção, desde a Fiducia supplicans (18 de dezembro de 2023); um pedaço de gelo da Groenlândia pode ser abençoado pelo papa (1º de outubro de 2025); Sarah Mullally, <em>“arcebispa”</em> anglicana, pode abençoar os cardeais no Vaticano (25 de abril de 2026.. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja hoje é <em>&#8220;inclusiva&#8221;</em> e misericordiosa para com todos, exceto para os sacerdotes e fiéis ligados à Tradição bimilenar, a quem exclui sem piedade. Por que esse contraste, em flagrante oposição ao espírito do Vaticano II? Precisamente porque aqueles que estão apegados à Tradição se opõem a esse espírito conciliar <em>&#8220;inclusivo&#8221;</em>, que, no fundo, não passa de um alinhamento com as ideologias e os costumes contemporâneos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Não há liberdade para os inimigos da liberdade!”</em>, bradavam os revolucionários. <em>“Não há inclusão para os inimigos da inclusão!”</em>, repetem as autoridades conciliares. A Tradição perene deve ser diluída pela história contemporânea, relativizada segundo a evolução das ideias e dos costumes. Aqueles que não aceitam essa inclusão dissolvente devem ser punidos com a exclusão. Excomungados por uma Igreja que excomunga a Tradição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que acontecerá após as sagrações de 1º de julho de 2026? Exatamente o que aconteceu em 1988. A Tradição atrairá todas as almas perturbadas por uma Igreja que segue as ideias e os costumes liberais, todos esses padres e fiéis legitimamente preocupados com a queda vertiginosa das vocações, com o fechamento progressivo dos seminários, com a venda generalizada dos conventos, com a queda dramática da prática religiosa…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E aguardarão com confiança que a Tradição recupere o seu lugar de direito na Igreja, pois sabem que <em>“as portas do inferno não prevalecerão”</em> (Mt 16,18), visto que Nosso Senhor está com a sua Igreja <em>“até o fim dos tempos”</em> (Mt 28,20). Aos seus olhos, todo o resto é mera especulação jornalística e disparate canônico. O direito está a serviço da Fé de sempre, e não de ideologias caducas, inevitavelmente destinadas a tornarem-se obsoletas. </span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Alain Lorans, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">*************************************</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO “<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>” COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, ECCLESIA DEI, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><a href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/"><span style="color: #0000ff;">CLICANDO AQUI</span></a>.</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://catolicosribeiraopreto.com/excomungados-por-uma-igreja-que-ja-nao-excomunga-ninguem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
