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	<title>DOMINUS EST &#187; Familia</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>ONDE A TRADIÇÃO É VERDADEIRAMENTE VIVIDA, A IGREJA CRESCE.</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 13:57:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Um sacerdote húngaro, o padre Daniel Östör, responsável pelo apostolado da juventude da FSSPX na Hungria, regressou de uma viagem de estudos aos Estados Unidos e transmitiu o seguinte relato. Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est No início da Quaresma &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/onde-a-tradicao-e-verdadeiramente-vivida-a-igreja-cresce/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/district-deutschland/SMA-3.jpg?itok=DICVm7Uw" alt="" width="577" height="337" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Um sacerdote húngaro, o padre Daniel Östör, responsável pelo apostolado da juventude da FSSPX na Hungria, regressou de uma viagem de estudos aos Estados Unidos e transmitiu o seguinte relato.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/la-ou-la-tradition-est-reellement-vecue-leglise-grandit-58457">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No início da Quaresma de 2026, durante minha viagem aos Estados Unidos, tive a oportunidade de visitar dois lugares de particular importância na vida da Fraternidade São Pio X: a cidade de Armada, no estado de Michigan, e St. Marys, no estado do Kansas. Esses dois lugares diferem em tamanho e história, mas manifestam duas faces da mesma realidade eclesial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://stjosephs-priory.com/en">Armada</a> </strong></span>é uma comunidade familiar com cerca de 600 a 800 membros — a primeira fundação da Fraternidade nos Estados Unidos — que se encontra hoje no início de uma nova fase de desenvolvimento. <strong><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/ao-vivo-dedicacao-e-consagracao-da-immaculata-a-maior-igreja-construida-pela-fsspx/">St. Marys</a>,</span></strong> por outro lado, com seus 5.000 a 6.000 mil fiéis, é quase uma pequena cidade católica, e sob essa forma praticamente única no mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história de Armada remonta aos primórdios da Fraternidade. A comunidade foi fundada em 1973 pelo próprio D. Marcel Lefebvre. Foi uma experiência especial visitar locais diretamente ligados à sua pessoa e à sua obra. Durante a minha estadia, realizou-se um funeral: foi sepultado um pai de família com mais de noventa anos que, após o serviço militar, dedicou toda a sua vida à Fraternidade. Era pai de mais de dez filhos. A presença de numerosos filhos, netos, familiares e fiéis demonstrou de forma impressionante o quanto essas comunidades se apoiam nas famílias.</span><span id="more-34623"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após muitos anos, a comunidade de Armada chegou agora ao ponto de empreender um projeto de construção de maior envergadura. Já foi adquirido um terreno adequado, no qual devem ser erguidos uma igreja, uma escola e um priorado. O plano foi cuidadosamente elaborado: começará-se pela construção da escola; em seguida, a comunidade se mudará para o novo local; depois os edifícios atuais serão vendidos, e o produto dessa venda permitirá financiar a construção da igreja e do priorado. Esta não será a primeira mudança da comunidade. Sua história sempre foi marcada pelo fato de que, assim que um local mais adequado para a missa era encontrado, ele rapidamente se tornava pequeno demais e era necessário se instalar novamente em instalações mais amplas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assegurar a vida espiritual para as famílias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma particularidade da realidade americana é o alto grau de mobilidade. O que muitas vezes nos parece estranho na Europa — famílias mudando de residência para se juntar a uma comunidade religiosa — é muito mais comum nos Estados Unidos. Isso é particularmente evidente em St. Marys. Conversei com várias famílias que escolheram conscientemente se estabelecer lá. Algumas admitiram abertamente que havia sido um grande sacrifício para elas. St. Marys está localizada em uma região bastante isolada e sem grandes atrativos do Kansas, onde o clima às vezes pode ser, por vezes, muito extremo. Mesmo assim, muitas famílias aceitaram esses desafios porque era importante para elas que seus filhos crescessem em um ambiente católico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história de St. Marys é notável. Originalmente, era o local de um grande centro jesuíta, que mais tarde foi abandonado. A Fraternidade conseguiu adquirir essa vasta propriedade por um preço simbólico. Quatro anos depois, no entanto, a igreja principal do campus foi completamente destruída por um incêndio. A comunidade, portanto, teve que viver e funcionar por muitos anos em circunstâncias excepcionais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As missas de domingo eram celebradas, por exemplo, no ginásio. Cinco missas sucediam-se imediatamente, e os fiéis tinham de deixar rapidamente o local após cada celebração, pois o grupo seguinte já aguardava. Os antigos confessionários ainda existem hoje, e foram criadas possibilidades adicionais para a confissão no priorado. Mesmo nos Estados Unidos, foram necessários quase vinte anos para que se pudesse construir um primeiro Priorado. A situação atual é, portanto, fruto de muitos anos de privações, humilhações e grandes sacrifícios materiais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma diferença fundamental entre a situação nos Estados Unidos e na Hungria reside no fato de que, nos Estados Unidos, não houve uma ruptura completa na tradição litúrgica. Sempre houve uma geração que cresceu no rito tradicional. Na Hungria, por outro lado, essa continuidade foi quase totalmente interrompida. É por isso que muito precisa ser reconstruído do zero. Quanto mais tarde esse trabalho começar, mais tempo será necessário para que uma comunidade estável possa se formar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nos Estados Unidos, observa-se também claramente que as comunidades católicas vivas costumam desenvolver-se em torno de suas escolas. No entanto, essas escolas representam um encargo financeiro significativo para as famílias. Muitas têm vários filhos – frequentemente dez ou mais – e as mensalidades escolares constituem, portanto, um peso considerável. Acontece que, em algumas famílias, as meninas são educadas em casa, enquanto os meninos frequentam a escola. A educação católica das crianças exige, portanto, grandes sacrifícios, mas constitui, ao mesmo tempo, um dos alicerces mais importantes para o futuro da comunidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A igreja de St. Marys é um edifício impressionante. Sua construção custou o equivalente a cerca de quinze bilhões de forints. O edifício foi construído sem grandes concessões; apenas os vitrais coloridos tiveram de ser temporariamente removidos. Em seu lugar, o padre Rutledge concebeu um vasto programa iconográfico executado na forma de afrescos. Sob a igreja encontra-se, além disso, uma sala muito ampla, utilizada como igreja inferior e sala de reuniões polivalente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O tamanho da comunidade é notável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">St. Marys assemelha-se, em muitos aspectos, a uma pequena cidade católica. Cerca de 5 a 6 mil fiéis assistem regularmente à missa dominical. Cerca de 450 crianças frequentam a escola primária, um número semelhante o ensino médio, e outros de 100 estudantes também pertencem à comunidade. Durante a missa dominical solene, cerca de 1.600 fiéis estão presentes, e a igreja fica completamente lotada por três vezes. A secretaria paroquial emprega seis colaboradores leigos em tempo integral.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A organização da liturgia é extremamente cuidadosa. Existem seis equipes de sacristãos, cada uma composta por vários membros. Os acólitos também cumprem seu serviço de acordo com uma divisão precisa, e em cada missa há assistência prevista.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em uma sala de aula do ensino fundamental, perguntei quem gostaria de se tornar padre. Sem hesitar, três meninos levantaram a mão. Isso aconteceu de forma natural – sem grande entusiasmo, mas também sem qualquer receio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A comunidade também inclui 9 religiosas que, quando não estão lecionando, cantando ou cumprindo seus deveres domésticos, passam grande parte do tempo na igreja em oração silenciosa e adoração eucarística.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É claro que também existem tensões e correntes diferentes, por exemplo, pequenos grupos com posições mais radicais dentro do movimento tradicional. No entanto, eles continuam sendo uma minoria muito pequena.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos convertidos vêm do protestantismo, incluindo alguns membros do clero. Um padre observou que muitas comunidades protestantes, ao longo do tempo, perderam a seriedade e a profundidade espiritual, levando alguns fiéis a buscar uma base religiosa mais sólida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que me impressionou, particularmente, foi a grande amabilidade e a disponibilidade das pessoas. Desde o aeroporto, fiquei impressionado com essa atitude. Nas famílias, também notei uma grande simplicidade e uma verdadeira humildade; percebe-se muito pouco orgulho ou presunção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">St. Marys cresceu tanto que a comunidade se tornou quase uma cidade por si só. Talvez exista ali um limite natural ao crescimento, pois, a partir de um certo tamanho, torna-se difícil abranger a vida comunitária em sua totalidade. Mas o que vemos hoje é, acima de tudo, fruto de décadas de paciência, trabalho árduo e grandes sacrifícios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que determina o futuro de uma comunidade católica?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma convicção se enraizou profundamente em mim ao longo desta viagem: o futuro de uma comunidade católica se decide, em última instância, nas famílias e na educação. Onde existem famílias sólidas e escolas onde a fé é transmitida, uma comunidade pode crescer e perdurar. Onde esses alicerces faltam, mesmo as melhores intenções não trazem frutos duradouros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para concluir, gostaria de mencionar um encontro pessoal que me alegrou particularmente. Nos Estados Unidos, encontrei um padre de origem húngara: o padre Steve Soos, cujo pai é húngaro. Ele gosta muito da Hungria e da cultura húngara. Embora, infelizmente, não fale a língua, ele espera poder visitar em breve o nosso país. Ele reza pela comunidade católica na Hungria.</span></p>
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		<title>A ABSURDA DEFESA DA FAMÍLIA</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 14:04:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Dardo Juan Calderón Fonte: Adelante la fe &#8211; Tradução: Dominus Est No século XX, alertava-se acerca do fato de que a família, como instituição formadora, estava sendo atacada por um sistema liberal individualista, que apontava seus canhões sobre o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-absurda-defesa-da-familia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://media.benedictine.edu/wp-content/uploads/2021/10/Catholic-Family-1200x630.jpg" alt="AS VIRTUDES DA FAMÍLIA CATÓLICA | DOMINUS EST" width="511" height="277" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Por Dardo Juan Calderón</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://adelantelafe.com/la-absurda-defensa-de-la-familia/">Adelante la fe</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No século XX, alertava-se acerca do fato de que a família, como instituição formadora, estava sendo atacada por um sistema liberal individualista, que apontava seus canhões sobre o princípio de autoridade, pilar fundamental de toda instituição. Contudo, ninguém tinha dúvidas sobre as vantagens emotivas de ter uma família e a reprodução tinha seus números mais altos. O que se questionava é se essa família impunha a seu integrante – na qualidade de herdeiro sem benefício de inventário – uma concepção de ordem, uma cosmologia que condicionasse seu recebedor para o resto de sua vida. Aos mais avisados, não se ocultava que essa cosmologia era a essência mesma da instituição, que não era nada além da religião católica – e que, uma vez escamoteada, tudo cairia por seu próprio peso, inclusive a agradável tarefa de se reproduzir. A família é para continuar o religioso, ou se torna uma carga insuportável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O assunto vinha de um século antes, pensado como estratégia para romper os esquemas sociais estabelecidos pelo “Antigo Regime” mediante o Código Civil Napoleônico que rompia com os patrimônios familiares, debilitando a coesão social e aumentando a pressão do Leviatã. Os confusos desvios monárquicos do corso e seu acordo (vergonhoso) com a Santa Sé, acordo que pariu o ralliement, fez com que muitos católicos perdessem a clara consciência de que o liberalismo atacava concretamente a Ordem Católica, a Cosmologia Católica e o Antigo Regime somente enquanto sustentava o mundo católico; mas poder-se-ia até salvar o sistema monárquico – desde que não fosse católico, como na Inglaterra. Cresceram crendo que a discussão era assunto de políticas em que se devia fazer acordos e acomodar-se, para desse modo poder seguir sendo católicos – mesmo com o mundo sendo diferente.</span><span id="more-34600"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O século XI deu a entender, para toda Europa, que o Catolicismo poderia ser apagado da história – as lojas festejavam de antemão seu desaparecimento. Mas de modo surpreendente as instituições católicas fizeram força para se sustentar como somente o ser consegue ante o nada – uma força, poderíamos dizer, ontológica –  na qual o mesmo mal ajuda na sobrevivência, como o parasita que não quer matar seu hospedeiro (muitos maçons famosos ditarão sábias máximas familiares). Isso encorajou aos católicos, que não se deram conta do patente: que, em sua luta pela sobrevivência, suas instituições se contorcionavam, se deformavam, como se deforma um corpo na masmorra com pouco ar e luz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso ser é social é a sobrevivência que busca é também social, esse prisioneiro se pendurava nas grades da janelinha tratando de manter diálogo e de receber o que pudesse de fora – mas o processo distorceu todas as suas formas até tornar as instituições católicas quase irreconhecíveis. Não é preciso ser muito heideggeriano para saber que ser, na condição terrena do pecado, é ser para a morte e não há nada mais absurdo do que resistir. A Igreja saiu da prisão no Concílio Vaticano II já completamente desfigurada. O inimigo havia aprendido a lição que o ser e o bem se sustentam de modo incrivelmente tenaz e ele, o anjo caído, ausência de bem, maldito demolidor (desconstrutor) pode somente, como aquele Maldoror dos cantos do Conde de Lautremont, deformar, enfeiar, desnaturalizar, mas não tem o poder de matar. O fracasso de sua intenção niilista já foi patente com Aquele Nazareno; não é a morte o reino infernal do demônio, mas ele reina no horror de uma vida de oposição e destruição controlada. Aprendeu que não somente Deus não morreu, também não deve morrer; deve ser falsificado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A família é uma instituição católica, não há nem houve outra família (deixo para outras reflexões o fundamento dessa afirmação) que pudesse ser dita como tal, mesmo nas civilizações antigas. Sua luta por SER, e por ser em sociedade, que é tão louvável no ponto de vista que chamamos ontológico, levou-a a uma brutal desnaturalização e desfiguração por não querer morrer, por não aceitar seu fim. Sua persistência e sua obstinação foram sua cama de Procusto, como aconteceu com a Igreja moderna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Geme Maldoror: <strong>“Pai do céu ajuda, chama as desgraças que podem cair sobre nossa família&#8230; mãe, me estrangula&#8230; pai, ajuda-me&#8230; não posso respirar mais&#8230; sua bênção” </strong>E com ele podemos concluir com essa súplica inaudita: <strong>“Seu coração já não clama mais. Ela morreu no mesmo momento de suas entranhas, fruto que não posso reconhecer mais; está totalmente desfigurado&#8230; Minha esposa!&#8230; Meu filho!&#8230; Recordo um tempo distante no qual fui esposo e pai.”</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ser tende à eternidade e se esquece que deve morrer para transpor sua estreita condição existencial que, embora tacanha, ama a si mesma de todo coração até o ponto de confundi-la com a eternidade. No afã de viver, se torce e tenta o infinito por meio da vida, do bem ou do mal (tanto faz) enquanto se respeite sua vida, vida de mil formas insensatas. Sim, somos seres e seres sociais, mas a morte anulará as duas condições. Todas as coisas para poder alcançar o verdadeiro infinito devem enfrentar essa morte, esse deixar de ser, deixar de ser para morrer sozinhos. A Igreja precisou abandonar sua vontade de vida e enfrentar sua Paixão para poder seguir sendo Igreja e emular seu Fundador, a família deve hoje enfrentar sua Paixão para seguir sendo família. O desejo de viver a todo custo desfigura, a obediência de morrer no momento correto transpõe a uma vida superior, a um novo ser e a uma nova sociedade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se poderá prescindir da família, assim como não se pode prescindir do ser, mas ambas realidades estão se tornando irreconhecíveis em sua vontade de subsistência. A Família ou se sobrenaturaliza ou engendrará monstros. Aquela que ao viver era a célula fundacional do social, hoje em sua gana de sobreviver é uma paródia cruel do humano. Ao saber enfrentar sua Paixão e Morte, seria a primeira fagulha do Céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos os esquemas defensivos que se buscam para conseguir sua sobrevivência, que outrora foram louváveis, hoje são apenas caretas que enfeiam o rosto. Sua abertura ao social, sua disposição ao econômico, seu interesse por se sustentar apesar dos defeitos humanos, apesar da traição da maternidade e paternidade&#8230; antes dirigiam-se para o ideal católico, e hoje são apenas atos desesperados de sobrevivência que cada vez mais a afastam do paradigma. O que era causado pelo amor hoje é produzido pelo espanto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os velhos sabemos que há um ponto em que seguir agarrando-se à vida converte a pessoa no ser mais ignóbil que habita a terra. Uma máquina em decomposição concentrada apenas em engolir, defecar e respirar a todo custo, mesmo incomodando a todos. E embora não seja legítimo acabar com a própria vida, tampouco é estendê-la por qualquer meio. A morte só pode ser combatida sem prejuízo da honra quando se é jovem e quando se tem cargas a levar, e por isso não se dá o triste espetáculo da resistência. A morte é mistério, ou é absurda, e se deve escolher. É Cristo quem reina sobre a morte e assim como Ele decidiu sua hora, também temos de deixar que ela eleja a nossa sem tanta admiração. A medicina moderna fez do homem um triste espetáculo com vil final.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo o que é deve deixar de ser em seu momento adequado e todo esforço que se produz além dessa hora destrói a razão e sentido da existência, deixando a recordação do mal gosto da covardia e dando, em seu fim esnobe, razão a todos os inimigos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A família católica está chegando nesse ponto, perante um mundo que lhe exige a deformidade e ao grotesco para poder existir; está ratificando todas as reprovações que dela faziam seus detratores, não levando a lugar algum inclusive no ponto de vista emotivo. Os pais já nem sequer impõem freios, apenas trabalham e se mantêm dentro do meio social com unhas e dentes, entregando seus filhos a alguns profissionais pagos, provavelmente católicos, metidos na mesma contradição. “Olhai!” dirão “essa é finalmente a família católica!” Uns pobres tipos adotando todos os vícios da modernidade para poder ter o direito de ser. De ser o quê? Uma união para sobrevivência física mesquinha e sobrevivência espiritual retorcida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É claramente mais lógico o homem atual que não quer repetir o mau modelo do espírito e se aferra a uma vida materialmente cômoda, que não quer se comprometer com ninguém, nem se reproduzir, nem se apaixonar. Não quer essa versão triste e deformada que cada vez dá frutos piores: homens e mulheres que se entregam pela metade, e aos quais ninguém agradece no final.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E então? Então deve-se “guardar a forma” apesar dos piores augúrios e estar dispostos a morrer. A morrer socialmente, a morrer economicamente, a não tentar recorrer a nenhuma das “defesas” que a desnaturalizam: o trabalho moderno, a educação moderna, a religião moderna, todas invenções que queremos emular mas com uma pátina de catolicismo. O ansiado prostíbulo católico. Que faz com que um pai não seja um pai, e uma mãe não seja uma mãe, mas dois profissionais que se imolam para salvar os filhos do ostracismo social, percebendo mais e mais com maior evidência que devem salvá-los de si mesmos; que desnaturalizaram sua família para poder resistir como família. Que no fundo, e na forma, são iguais a todos os outros – exceto no fato de terem se reproduzido, e de que têm de resolver sem muitas ganas nem vocação esse problema.</span></p>
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		<title>A TODAS AS MULHERES…</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 13:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[…que em todos os dias do ano se espelham “na Mulher” apresentada abaixo e tem-Na como exemplo de conduta de vida, nossos sinceros votos de crescimento espiritual e santificação.Assim, parabenizamos a vocês, mulheres católicas, que no seu dia a dia (todos os dias do ano), &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-todas-as-mulheres-9/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">…<span style="text-decoration: underline;">que em todos os dias do ano</span> se espelham “na Mulher” apresentada abaixo e tem-Na como exemplo de conduta de vida, nossos sinceros votos de crescimento espiritual e santificação.</span><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/03/nossa-senhora-do-bom-conselho.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-3770" src="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/03/nossa-senhora-do-bom-conselho.jpg" alt="nossa-senhora-do-bom-conselho" width="242" height="355" /></a><span style="color: #000000;">Assim, parabenizamos a vocês, mulheres católicas, que no <u>seu dia a dia (todos os dias do ano)</u>, como filhas de Nossa Senhora:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Buscam incansavelmente sua santificação e a santificação de sua família;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Que não se importam com comemorações liberais e pagãs;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Não se deixam levar por ideologias feministas, esquerdistas e pela moda reinante;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Que não querem essa “liberdade” anti-cristã para si e para suas filhas;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Que não querem outro espaço a conquistar que não seja o coração do marido;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Que sabem, como católicas, que homens e mulheres não são iguais em direitos e deveres;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Que sabem, como solteiras, de seus direitos e deveres para com seu estado;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Que sabem, como casadas, que não tem os mesmos direitos e deveres de seus maridos (e conhecem seus direitos e deveres para com o marido);</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Que sabem, como viúvas, de seus direitos e deveres para com seu estado;</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parabenizamos a vocês, <strong>m</strong><strong>ulheres católicas, que todos os dias</strong>, como filhas de Nossa Senhora:</span></p>
<ul>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São virtuosas;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São humildes;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São generosas;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São amáveis;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São fiéis;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São exemplo de caridade;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São benevolentes;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São exemplo de modéstia e pudor;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aceitam santamente o sofrimento;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aceitam com paciência todos os filhos que Deus envia;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se entregam à Providência;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que não colocam os bens materiais acima dos bens espirituais;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabem o que é o verdadeiro amor cristão para com sua família e ao próximo; </span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Concedem uma educação sobrenatural a seus filhos;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São “o sol” de sua casa, iluminando e irradiando alegria, ternura, carinho e amor cristão aos filhos e ao marido;</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/03/woman-veil-church.png"><img class="aligncenter  wp-image-3774" src="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/03/woman-veil-church.png" alt="woman-veil-church" width="476" height="152" /></a><span style="color: #000000;">Façamos hoje pequenos atos de desagravo ao Coração Imaculado de Maria, ao longo do dia. Façamos uma pequena penitência e ofereçamos à Mãe de Deus, pelos muitos membros do clero e pelos muitos católicos leigos que se atrevem a comemorar este dia, fruto do liberalismo (o tal “Dia internacional da Mulher”).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Doce coração de Maria, sede nossa salvação.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">**************************</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Para saber mais sobre a origem do Dia Internacional das Mulheres e o Feminismo,</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/dia-internacional-da-mulher-e-o-feminismo-socialista/">clique aqui</a></strong></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>BEM-AVENTURADOS OS MANSOS, NÃO OS FRACOS!</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 13:04:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Podemos ver claramente que a gentileza não é inata. Ela é aprendida através de uma tríplice formação: formação do coração, formação da mente e formação do discernimento. Fonte: Foyers ardents, nº 55  &#8211; Tradução: Dominus Est Joãozinho, de três anos, está &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/bem-aventurados-os-mansos-nao-os-fracos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/05/Jean_baptiste_de_la_Salle.jpg" alt="Jean-Baptiste de La Salle - Wikipedia" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Podemos ver claramente que a gentileza não é inata. Ela é aprendida através de uma tríplice formação: formação do coração, formação da mente e formação do discernimento.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/01/Composition-FA-55-pour-site.pdf">Foyers ardents, nº 55</a></span>  &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Joãozinho, de três anos, está brincando com carrinhos na sala de estar de seu bisavô, fazendo barulhos tão altos e cansativos que o avô pede aos pais que o levem para brincar em outro lugar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Ah, não sei se o Joãozinho vai querer… Joãozinho, você poderia ir para o quarto?”</em> Os barulhos continuam mais altos do que nunca.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Ah, desculpe, ele não está me ouvindo, vai se irritar e gritar se eu insistir&#8230;”</em> Isso continua até que um tio pega o Joãozinho pela mão, explica que a sala de estar não é uma sala de jogos, motiva-o e cria uma distração indo brincar com ele por alguns instantes no quarto. Quem exerceu a verdadeira virtude da mansidão?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Mansidão e firmeza</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São João Batista de La Salle (1651–1719), um grande educador, atribui à mansidão o lugar mais elevado entre as 12 virtudes que exige de um bom professor (1). No entanto, a mansidão não é fraqueza nem tolerância. A mansidão deve ser firme, tendo em vista o bem que se busca alcançar: a prática das virtudes, a santificação, o bem particular de um indivíduo ou o bem comum. Na educação, deve ser combinada com a força para se opor à desordem, a coragem para estabelecer e manter regras de vida equilibradas e a perseverança diante dos obstáculos e fracassos.</span><span id="more-34181"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os defeitos opostos à firmeza são facilmente detectados por nossos interlocutores:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Tolerância excessiva, a fraqueza de não punir.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Inconstância na ação: dar ordens ou ameaças sem agir.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Familiaridade excessiva ou excesso de palavras, que geram desprezo e insubordinação.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Timidez excessiva, um ar preocupado ou constrangido.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O que é a verdadeira mansidão?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São João Batista de La Salle cita quatro tipos de mansidão A do espírito, que julga sem amargura, sem paixão ou interesse próprio. A do coração, que busca obter as coisas sem obstinação e de maneira justa. A da moral: que envolve conduzir-se segundo bons princípios, sem buscar reformar aqueles sobre os quais não se tem direito, ou assuntos que não nos dizem respeito. Por fim, a da conduta: que consiste em agir com simplicidade, integridade, sem contradizer os outros e com moderação razoável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É um programa e tanto! Para nos ajudar nesse caminho de imitação de Jesus Cristo, o Santo nos adverte contra os seguintes defeitos:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Susceptibilidade: Como reagimos a comentários inoportunos feitos a nosso respeito?</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Vivacidade e reações impetuosas Atenção, sanguíneos!</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Humor sombrio, bizarro e rude, com uma atmosfera melancólica. Atenção, melancólicos!</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Maneiras ríspidas ou desdenhosas, um semblante excessivamente orgulhoso.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Palavras duras, ofensivas ou simplesmente tristes.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Distúrbios violentos, sanções precipitadas ou intensificadas.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esses defeitos, opostos a mansidão, ameaçam obviamente o equilíbrio da nossa vida doméstica, a educação dos filhos e até mesmo o nosso sucesso profissional.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em contrapartida, a verdadeira mansidão se manifestará em maneiras envolventes ou persuasivas, benevolência, sensibilidade e, às vezes, até mesmo em atenção afetuosa para com os outros. Ela elimina do comando sua parte de dureza e austeridade. A insinuação, a persuasão e a gentileza obterão resultados mais duradouros do que a coerção fria ou a violência, porque tocarão o destinatário mais profundamente, em seu intelecto, vontade e coração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Como praticar a mansidão?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São João Batista de La Salle recomenda algumas ações para a educação das crianças:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Corrigir os próprios modos rudes ou grosseiros, que são o oposto da mansidão.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Definir regras e ordens equilibradas, levando em consideração habilidades, circunstâncias, personalidades e temperamentos, o momento apropriado, sem perder de vista o objetivo desejado.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Ser simples, preciso e paciente: a regra deve ser compreendida e seguida diligentemente, embora sem zelo excessivo.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Evitarconversas excessivas e sermões prolongados.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Manter uma atenção gentil e vigilante, com igual bondade para com todos.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Quando for necessário repreender uma criança, não o faça sob o efeito da raiva! Evite ser amargo, insultá-la ou humilhá-la. O objetivo deve ser que a criança, depois de se acalmar, entenda o erro e aceite a punição.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Dê liberdade à criança para expressar suas dificuldades, por exemplo, no trabalho, ouvindo-a realmente, pois isso pode fornecer pistas para ações futuras.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Saber elogiar e recompensar, o que incentiva a fazer o bem.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Diariamente, tenha uma palavra edificante, fale de uma virtude&#8230; O tempo fará o seu trabalho.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Aprenda a ser educado! É essencial para viver bem em sociedade.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podemos ver claramente que a mansidão não é inata. Ela é aprendida por meio de uma tripla formação. Formação do coração para inclinar-se para as virtudes, adquirir bons hábitos, afastar as paixões e os vícios. Formação da mente: amar nossa religião e seus dogmas, falar com justiça e bom senso, agir sabendo discernir o objetivo louvável a ser alcançado e sabendo explicar suas escolhas. Formação do julgamento: julgar a relação entre as coisas, distinguir o bem e o mal em nossa conduta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, a mansidão é a virtude dos fortes, daqueles que trilham o caminho para o Reino de Deus e que sabem que, na prática, é preciso repetir o trabalho centenas de vezes!</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Hervé Lepère</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>(1) As Doze Virtudes de um Bom Professor</em> &#8211; São João Batista de La Salle e Irmão Agathon. Um manual prático de 90 páginas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>NOVA IGREJA DA FSSPX EM NAIRÓBI, NO QUÊNIA</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 13:41:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

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		<description><![CDATA[Isto vai se tornar isto. Esta é a Igreja Católica da Santa Cruz. A única igreja no Quênia que oferece a Missa tradicional em latim, sob o cuidado da FSSPX. E, nos últimos 22 anos, a Santa Cruz tem levado &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/nova-igreja-da-fsspx-em-nairobi-no-quenia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/4TTqoAGC2gE?si=ZYaLWTV13sNj-kuY" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Isto vai se tornar isto. </span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Esta é a Igreja Católica da Santa Cruz. A única igreja no Quênia que oferece a Missa tradicional em latim, sob o cuidado da FSSPX. E, nos últimos 22 anos, a Santa Cruz tem levado a Missa tridentina não apenas para centenas de fiéis quenianos, mas também para milhares em todo o mundo. Bem-vindos ao novo projeto da igreja Santa Cruz, FSSPX, aqui em Nairóbi, Quênia.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Desde 2005, a Igreja Católica da Santa Cruz continua a servir diferentes classes sociais, desde as mais abastadas até às áreas mais densamente povoadas, em comunidades mais marginalizadas. O caráter missionário único desta igreja permite que todas as famílias, independentemente de sua condição social, venham adorar o Deus Todo-Poderoso da forma como os santos sempre adoraram.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A Igreja Católica da Santa Cruz não apenas promove a Missa tradicional em latim, preservando-a e celebrando-a fielmente, como também avança em sua missão, proporcionando uma sólida educação católica para centenas de crianças no Quênia e em alguns outros países.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Com uma população estudantil crescente, a Escola Internacional Católica da Santa Cruz acolhe alunos brilhantes e talentosos de todas as classes sociais. Isso demonstra verdadeiramente a missão da FSSPX de proporcionar uma educação católica sólida e de qualidade a todos os alunos, integrando o currículo internacional ao catecismo da Igreja Católica. Ao final, essas crianças se tornam católicas devotas, cruzados da Eucaristia e discernem suas vocações desde muito jovens.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Paralelamente à sua missão de construir uma nova igreja da Santa Cruz, FSSPX aqui em Nairóbi, Quênia, ela continua a difundir a verdade por meio de boa literatura católica, sacramentais, devocionais e muitos outros artigos católicos que você pode encontrar na única livraria tradicional do Quênia, a Livraria Católica da Santa Cruz. Parte da missão da FSSPX é a formação de sacerdotes santos. E nas últimas duas décadas, aqui na Paróquia da Santa Cruz, temos visto um aumento tremendo no número de vocações. E à medida que essas vocações para o sacerdócio continuam a aumentar, torna-se imprescindível que construamos um novo Priorado ao lado da nova capela da Santa Cruz, FSSPX para podermos atender a todas essas vocações que recebemos para a vida religiosa e o sacerdócio.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Dito isso, precisamos da sua ajuda para construir esta nova igreja da Santa Cruz, FSSPX, que será a única paróquia tradicional da FSSPX aqui no Quênia. Nossa comunidade está crescendo, desde os fiéis da igreja até nossos alunos, passando pelas jovens famílias católicas e pelas gerações futuras. Portanto, apelamos a você para que doe para este projeto. Cada tijolo, cada banco, cada pedra, cada doação, grande ou pequena, nos ajudará a alcançar o maior número possível de almas, oferecendo esta Missa de sempre e proporcionando uma comunidade onde as almas são verdadeiramente salvas ao participar da missa dos santos. Você pode encontrar todos os detalhes sobre doações em nossas páginas, na descrição, nas legendas e, claro, no site da Fraternidade São Pio X da Santa Cruz Católica. Sinta-se à vontade para compartilhar esta informação com suas paróquias, seus amigos e familiares, e doar para esta nobre causa, à medida que promovemos a missão da Fraternidade São Pio X de restaurar todas as coisas em Cristo &#8211;</span><em><span class="tm7"> Instaurare omnia in Christo</span></em><span class="tm6">. Para a Immaculata TV, meu nome é Esther.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: center;"><strong><span class="tm9" style="color: #000000;"><a href="https://holycross.sc.ke/"><span style="color: #0000ff;"> CLIQUE AQUI</span> </a>e conheça o Colegio Internacional da Santa Cruz, no Quênia.</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span class="tm10" style="color: #000000;"><span class="yt-core-attributed-string--link-inherit-color" dir="auto"><span dir="auto">Para apoiar o projeto de construção da igreja, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://new.holycross.ke/donate/">CLIQUE AQUI.</a></span></span></span></span></strong></p>
<p class="Normal">
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		<title>SABEDORIA DA IDADE E RESPEITO DA JUVENTUDE</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 13:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Benoît de Jorna]]></category>

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		<description><![CDATA[A reverência que devemos aos mais velhos mantém a memória de que precisamos para agir com prudência. Fonte: Fideliter nº 265 – Tradução: Dominus Est Tradidi quod et accepi, “Transmiti o que recebi”. Consideramos quase banal essa frase, pois convivemos com ela &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sabedoria-da-idade-e-respeito-da-juventude/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/06/together-we-are-strong-g41e1bdf87_1920-1.jpg" alt="indefinido - Fonte: Pixabay.  Livre de royalties." width="495" height="294" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A reverência que devemos aos mais velhos mantém a memória de que precisamos para agir com prudência.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/publication/revue-fideliter-n-265-la-place-des-anciens">Fideliter nº 265</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tradidi quod et accepi, </em>“<em>Transmiti o que recebi</em>”. Consideramos quase banal essa frase, pois convivemos com ela cotidiamente. Preparando-se para sua sucessão, D. Marcel Lefebvre repetiu-a muitas vezes e quis que fosse gravado em seu túmulo. Retomou estas palavras que São Paulo escreveu aos Coríntios: “<em>Foi do Senhor que aprendi o que vos ensinei.</em>” Não podemos deixar de dar graças por tal gesto de heróica prudência, em um momento em que a chamada Missa de São Pio V tendia a desaparecer. Sem a sabedoria prática deste Bispo, esta Missa simplesmente teria desaparecido. Com efeito, desde o Vaticano II, tem sido afirmado e constantemente repetido que a única liturgia conforme à doutrina deste Concílio é a chamada missa de Paulo VI. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, contra todas as probabilidades, mesmo romanas, D. Lefebvre forneceu aos católicos os meios para preservar, para manter e fortalecer sua fé, sem a qual é impossível agradar a Deus. As <span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-do-blog-as-sagracoes-da-fsspx/">sagrações de 1988</a></strong></span>, essa &#8220;<em>operação sobrevivência</em>&#8220;, como ele a chamava, salvou a Tradição de seu desaparecimento, ou mais precisamente, mantiveram-na. Desta forma, outros Bispos poderiam assegurar futuras ordenações sacerdotais tradicionais para que outros sacerdotes continuassem a dispensar os sacramentos que são os meios ordinários de nossa Salvação.</span><span id="more-27695"></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><strong>As consagrações de 1988 mostram a sabedoria de D. Lefebvre</strong></em></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este ato, infelizmente mal compreendido pela maioria, é, no entanto, bastante surpreendente, ou seja, admirável: mostra em abundância a sabedoria da velhice e sua respeitabilidade. Em seu Tratado sobre a Prudência, Santo Tomás de Aquino enuncia algumas sentenças características desta época. Ele, primeiramente, lembra que a Bíblia, no livro do Eclesiástico, afirma: “<em>Põe-te no meio dos antigos… e una o seu coração à sabedoria deles</em>”. Explica então: “<em>é do passado que temos de traçar a nossa previsão e conhecimento do futuro</em>”. E depois acrescenta: “A prudência é uma matéria em que o homem precisa, mais do que em qualquer outro lugar, das luzes do próximo; os antigos, entre todos, estão qualificados para iluminá-lo, que chegaram a uma compreensão sólida dos fins relativos às ações. Daí a frase: “<em>é importante estar atento às declarações e opiniões indescritíveis ​​dos mais velhos.”</em> Foi precisamente na noite de sua vida, cheia de experiência e fortalecida pelo tempo vivido, que D. Lefebvre sagrou quatro Bispos. Este magnífico exemplo mostra todo o respeito e veneração que devemos aos mais velhos, pois eles guardam o passado, cuja memória precisamos preservar para agir com prudência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, além da atenção cuidadosa aos mais velhos, para que nossas ações não sejam aventureiras ou desprovidas de verdadeira sabedoria, é bom saber honrá-los com uma virtude que desapareceu completamente do agir contemporâneo: a piedade. Não podemos afirmar ser cristãos se não soubermos honrar àqueles cujas vidas nos são caras. Os nossos pais e nossos avós têm direito a esta dívida essencial: aquela que é devida aos nossos pais pelo simples fato de serem pais, porque são o princípio vivo da nossa existência. E Cícero ainda diz que não se pode ser um homem de bem se não se dá o dever e o culto aos pais; dever que se relaciona ao serviço e culto ao respeito, diz ele. A ausência dessas virtudes humanas, que podemos ver assim que entramos no transporte público, revela que, praticamente, vivemos hoje sem Deus. Deixar de honrar ou respeitar os próprios pais não é nem mais nem menos desprezar o próprio Deus, que é o princípio do ser e do governo de uma maneira infinitamente mais excelente do que eles. O comportamento habitual esconde uma recusa de obediência e uma negação da dependência. Pretendemos viver sem Deus nem mestre. &#8220;<em>Do passado façamos ‘tábula rasa’, multidão escrava, levante-se! Levante-se, o mundo vai mudar desde as bases: não somos nada, sejamos tudo!</em>&#8220;. Essas palavras são retiradas da <em>Internacional</em>, o antigo hino nacional soviético, composto pelo maçom francês Eugène Pottier.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><strong>A sabedoria da idade exige o respeito da juventude.</strong></em></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nas circunstâncias em que foi proclamado, o lema &#8220;<em>Tradidi quod et accepi&#8221;</em> não apenas significa um profundo apego à Tradição da Igreja, mas afirma que não há outra civilização além da civilização cristã, ou seja, que o bom Deus é nosso Pai.</span></p>
<h2 style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Editorial do Pe. Benoît de Jorna, Superior do Distrito da FSSPX na França</span></h2>
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		<title>O DEVER DE EDUCAR BEM OS FILHOS &#8211; PELO PE. CARLOS MESTRE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 13:04:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
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		<description><![CDATA[Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Carlos Mestre, no Priorado S. Pio X de Lisboa, na Festa da Sagrada Família com uma exortação à boa educação católica dos filhos.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Carlos Mestre, no Priorado S. Pio X de Lisboa, na Festa da Sagrada Família com uma exortação à boa educação católica dos filhos.</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/IlxPZWLkNmU?si=BUHd11FY5wCpBguW" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: center;">
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		<title>SEJAMOS SEMPRE ALEGRES!</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 14:31:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
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		<description><![CDATA[Se nossa alma se sente pesada e melancólica, repitamos a ela as palavras do salmista: “Por que estás triste, ó minha alma? Espera em Deus…” Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Para começar, permitam-me narrar um pequeno fato ocorrido &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sejamos-sempre-alegres/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/08/15-Joie-enfantine.jpg" alt="" width="575" height="329" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Se nossa alma se sente pesada e melancólica, repitamos a ela as palavras do salmista:<em> “Por que estás triste, ó minha alma? Espera em Deus…”</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <a href="https://laportelatine.org/formation/doctrine/soyons-toujours-joyeux"><span style="color: #0000ff;">La Porte Latine</span> </a>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para começar, permitam-me narrar um pequeno fato ocorrido em uma de nossas escolas primárias. Certo dia, fui informada de que um policial me procurava na sala de visitas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Apreensiva, dirigi-me à sala indicada e logo me deparei com um jovem que me cumprimentou gentilmente e simplesmente expressou seu desejo de matricular seu filho em nossa escola. Respirei aliviada quando ele explicou os motivos que o levaram a essa decisão. Então, de repente, ele me disse: &#8220;<em>Irmã, faço parte da J.U.D.B.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem entender, me perguntei se não seria uma abreviação de alguma força policial secreta…Mas o rosto sorridente do policial contrastava com meus pensamentos íntimos. “<em>Hum&#8230; O que significa J.U.D.B.?</em>”, perguntei, vagamente preocupada. E o homem me respondeu com um grande sorriso, um pouco surpreso com minha ignorância: &#8220;<em>Ora, é a Jubilosa União de Dom Bosco!&#8221;</em></span><span id="more-34134"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que descoberta! Assim, apesar do nosso mundo moderno e da crise da Igreja, este homem conseguiu manter a sua alma na fé da sua infância e na virtude, graças à sua participação na <em>Società dell&#8217;allegria,</em> fundada por São João Bosco.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Sirva ao Senhor com alegria. </em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A educação do pequeno batizado deve ser conduzida sem fraqueza, sabemos bem, pois por trás de sua cabecinha de anjo, há defeitos gritantes a serem combatidos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, para não correr o risco de prejudicar o caráter da criança, essa educação deve ser alegre e prazerosa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Notemos imediatamente que não se trata aqui da alegria segundo o mundo, que muitas vezes se traduz pela palavra “<em>diversão</em>”. A alegria cristã é, antes de tudo, uma alegria interior, fruto e manifestação do nosso amor por Deus. A atmosfera do bom Deus, da sua graça, é alegria. O pecado só gera tristeza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A criança deve ter aprendido em casa que a virtude esconde alegrias profundas, que a religião nunca é amiga da tristeza, mas, pelo contrário, que abençoa e incentiva toda alegria pura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Que a alegria esteja sempre com você.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A criança só se desenvolverá plenamente em um ambiente de alegria. Manter a alegria no lar é um dever e uma necessidade para os pais. Um dever, pois eles devem lembrar que as alegrias mais puras da vida são vividas durante a infância. Necessidade também, pois a alegria favorece a saúde física e moral, facilita o despertar da inteligência, afasta o vício, mantém a confiança e, finalmente, contribui para o florescimento da virtude. Cercada por serenidade e alegria, a vontade aceita mais facilmente e executa com mais entusiasmo as ordens e os conselhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Criar um clima de alegria cristã ao seu redor, espalhando seus benefícios por onde passar, é um dos melhores atos de caridade que alguém pode praticar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maioria dos pais, preocupados em suas próprias responsabilidades, não percebem as riquezas que perdem — tanto para si mesmos quanto para seus filhos — por não sorrirem para eles. Uma criança que não recebe sorrisos não aprende a sorrir. Certamente, a vida apresenta muitas dificuldades e aborrecimentos, mas nada é mais prejudicial ao desenvolvimento harmonioso de uma criança do que expô-la excessivamente a eles, sem levar em conta sua idade.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Viva a alegria, mesmo assim!&#8221; </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Teófano Venard</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para superar pacificamente as provações que a aguardam, a criança deve saber reagir com bom humor e possuir uma boa dose de otimismo que lhe permita sempre ver o lado positivo das pessoas e das situações. Nada supera o exemplo de uma atitude alegre e sorridente dos pais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É desde os primeiros anos que se deve acostumar a criança a encarar tudo com bom humor, pois essa é uma virtude que se adquire dia após dia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em um dia de folga, a mãe planejou um passeio agradável no parque para um piquenique. Todas as crianças estavam animadas. Mas então uma chuva fria e persistente começou a assombrar seus rostinhos. A mãe reúne seus pequenos: “<em>O bom Deus permitiu isso e Ele nos ama. O que faremos? Vamos passear mesmo assim, mostrando que somos valentes e não tememos a chuva? E se isso for impossível, organizaremos uma tarde de jogos em casa.</em>”</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Repito-vos: sejam sempre alegres.&#8221; </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Paulo</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É nos detalhes concretos do seu dia a dia, aproveitando cada oportunidade, que ensinaremos às crianças pequenas o que é alegria. Suas pequenas tristezas, seus fracassos, suas lágrimas, nós as acolheremos com carinho, mas teremos o cuidado de não dramatizá-las e de animar a criança com um pequeno comentário que a faça sorrir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a criança caprichosa se fechar em um silêncio mal-humorado, o que fazer para tirá-la dessa situação? Com tato e carinho, quando o momento “<em>apaixonado</em>” passar, peça-lhe para sorrir. “<em>Era assim que me corrigiam da minha teimosia, na minha infância</em>”, escreverá Santa Emília de Rodât.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Expressar alegria é uma forma de despertá-la. Durante as refeições, pais e mães, deixem de lado suas preocupações e animem a conversa com alegria. Em seus passeios, compartilhem com seus filhos sua admiração pela beleza da criação. Caminhando à beira de um lago na montanha, pais surpresos ouviram sua filhinha de dois anos exclamar, batendo palmas: “Oh, que bonito!” Várias vezes ela ouvira seus pais exclamarem de admiração diante dessas belezas da natureza e esses sentimentos haviam sido incutidos em sua jovem alma.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Sta allegro&#8221; &#8220;Sejam alegres&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São João Bosco</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A única maneira de educar os filhos na alegria cristã é, antes de tudo, educar-se a si mesmo. Se nossa alma se sente pesada e melancólica, repitamos-lhe as palavras do salmista: “Por que estás triste, ó minha alma? Espera em Deus&#8230;”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pais cristãos, peçam incansavelmente a graça da alegria, pois ela é uma graça, àquela que a Igreja chama em suas litanias de “Causa da nossa alegria”. E que o doce sorriso de Nossa Senhora da Alegria ilumine o seu lar e cada um dos seus membros.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>UMA VIDA EQUILIBRADA</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 13:50:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo Moderno]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

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		<description><![CDATA[Para uma vida espiritual fervorosa, é necessário garantir que nossa vida natural seja equilibrada. Aqui estão algumas reflexões apresentadas pelo diretor de uma instituição educacional. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus est Vivemos num mundo cada vez mais desordenado. &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/uma-vida-equilibrada/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/12/image-9.jpeg" alt="" width="340" height="410" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Para uma vida espiritual fervorosa, é necessário garantir que nossa vida natural seja equilibrada. Aqui estão algumas reflexões apresentadas pelo diretor de uma instituição educacional.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/une-vie-equilibree">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vivemos num mundo cada vez mais desordenado. E todos percebem, ainda que vagamente, que é necessário recuperar uma vida equilibrada se quisermos progredir na vida cristã, ou mesmo simplesmente levar uma boa vida cristã. Temos diante de nossos olhos as consequências desastrosas do modo de vida atual: depressões, separações ou divórcios, ansiedade crescente, desordens familiares, instabilidade e fraqueza de caráter, tibieza espiritual, vulnerabilidade de espírito…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos queremos evitar isso, para nós e para nossos filhos. É por isso que é necessário <em>“começar pelo começo</em>”, ou seja, impor a nós mesmos condições de vida saudáveis e equilibradas.</span><span id="more-34108"></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O que é, afinal, uma vida equilibrada?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É simplesmente uma vida na qual nos impomos um certo número de condições que favorecem o desenvolvimento harmonioso das faculdades humanas e das virtudes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contemplem Deus em sua criação! Ele fez tudo com ordem e medida. E se a criação como um todo glorifica a Deus, manifesta as perfeições de Deus, é porque ela oferece sua plenitude, na ordem harmoniosa desejada por Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Da mesma forma, para que o homem ascenda em sabedoria e virtude, ele precisa ordenar todos os aspectos de sua vida de modo a promover a elevação de sua alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vida beneditina continua sendo um modelo de vida equilibrada, porque é organizada para alcançar a perfeição de todas as almas, independentemente de seus talentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O mundo moderno já não tem um objetivo tão nobre, pois tornou-se materialista, buscando o lucro, fomenta a independência e deposita a felicidade em todos os prazeres terrenos… Já não compartilhando o mesmo ideal de uma vida humana plena, não oferece mais os mesmos fundamentos, as mesmas condições de vida. E é assim que nos afastamos dos hábitos de uma vida equilibrada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/12/image-9-847x1024.jpeg" alt="" width="178" height="215" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após essas breves considerações, apresentemos uma lista das condições essenciais que formam o ambiente propício para o florescimento normal da vida cristã.</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><strong><span style="color: #000000;">Domínio da sensibilidade e da imaginação</span></strong></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A inteligência e a vontade, para se exercitarem normalmente, não devem ser monopolizadas pela parte sensível da alma. Por isso, em algumas pessoas, é necessário colocar a sensibilidade e a imaginação dentro de limites adequados, caso contrário, a vida transcorre em instabilidade: muitas vezes se passa em um <em>&#8220;sobe e desce&#8221;</em>, da mais profunda desolação à exuberância descontrolada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para recuperar essas habilidades, é necessário criar uma distração desde o início, mergulhando na realidade, em uma atividade manual que ajude a pessoa a sair de si mesma e, portanto, traga satisfação.</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><strong><span style="color: #000000;">A regularidade dos horários</span></strong></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma vida bem ordenada é uma vida em que se pode respeitar a hierarquia das coisas sem nos sentirmos sobrecarregados. Esse único aspecto facilita a prática de muitas virtudes: a piedade, a vida familiar, o trabalho, o lazer, a formação espiritual e intelectual, a vida social. Essa ordem é muito importante; ela nos permite dominar as atividades do nosso dia e, portanto, manter a prática da vontade de Deus, sem sobrecarga, eliminando os caprichos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É necessário ser rigoroso com o horário de dormir e, consequentemente, com o horário de acordar. Para funcionar em pleno rendimento sem se cansar demasiado, o corpo necessita dessa regularidade.</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><strong><span style="color: #000000;">Refeições equilibradas e relaxamento</span></strong></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O mundo moderno transmite a impressão de que o tempo da refeição é tempo perdido, e muitos “despacham” essa obrigação para com o seu corpo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso é um erro! O corpo precisa do repouso proporcionado pelos quarenta e cinco minutos de uma refeição normal; além disso, precisa de uma dieta equilibrada e bem mastigada. Quem pode negar que o corpo influencia a alma? Portanto, respeitemos as verdadeiras necessidades do &#8220;<em>irmão burro</em>&#8220;, se quisermos que ele seja um bom instrumento da alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O relaxamento também se torna indispensável neste mundo agitado e estressante. Não é perda de tempo! O sistema nervoso também precisa se recuperar e descansar. Relaxar através da atividade física é a melhor maneira: caminhadas, esportes, jogos, jardinagem, ciclismo…</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><strong><span style="color: #000000;">Estar um passo à frente</span></strong></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para atividades atípicas, a organização nos permite realizar projetos de curto prazo e evitar a sensação de sobrecarga. O importante é prever com antecedência o tempo necessário para cada coisa. Assim, permaneceremos calmos, disponíveis, e a paciência, a gentileza e a bondade serão mais fáceis de exercer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por outro lado, a possibilidade de ter projetos de curto prazo e realizá-los permite desenvolver todas as nossas faculdades, aprender a superar alguns obstáculos e saborear satisfações e alegrias que nos mantêm generosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/12/image-10.jpeg" alt="" width="255" height="213" /></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><strong><span style="color: #000000;">Uma vida simples, associada à devoção.</span></strong></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aprender a se contentar com o necessário no mundo material elimina muitas oportunidades para o pecado e permite que nossas verdadeiras riquezas se manifestem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A devoção elimina o egoísmo que reside no fundo de cada um de nós, obrigando-nos a renunciar a nós mesmos; e então nos ajuda a relativizar nossas provações, descobrindo misérias morais ou espirituais. Facilita muito o exercício da caridade fraterna e da piedade. No entanto, é necessário encontrar o meio-termo para não prejudicar a vida familiar e espiritual.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vida moderna já não nos oferece um exemplo de vida equilibrada, mas cabe a nós trabalharmos para que isso facilite nossa vida cristã.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O autor destas poucas linhas viveu antes da era digital. Acrescentemos, portanto, para completar o quadro, que o excesso de tempo gasto em dispositivos de comunicação é destrutivo!</em></span></strong></p>
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		<title>AMOR E CASAMENTO</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2025 16:34:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Permanencia A ESCOLHA Não pretendo ensinar aqui a arte de escolher cônjuge, tal como outros se gabam de ensinar a arte de se defender na rua ou de ganhar na bolsa. Não tenho receitas práticas para este fim. Um &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/amor-e-casamento/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://cdn0.casamentos.com.br/usr/0/3/9/1/cfb_2031975.jpg" alt="Nossas músicas da Cerimônia" width="231" height="344" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/1308">Permanencia</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">A ESCOLHA</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não pretendo ensinar aqui a arte de escolher cônjuge, tal como outros se gabam de ensinar a arte de se defender na rua ou de ganhar na bolsa. Não tenho receitas práticas para este fim. Um casamento (e refiro-me às uniões mais refletidas) está condicionado por tantos acasos (acasos de situações, de encontros, de fortuna, de sentimentos etc.) que seria ridículo ingressar nestes domínios armado de regras matemáticas. De resto, a escolha humana está rodeada de uma tal obscuridade que aquele que tenha a pretensão de fazer uma escolha definitiva, aquele a quem paralisa uma idéia excessivamente precisa da «alma gêmea» se arrisca bastante, ou a nunca mais se casar, ou a fazer uma escolha absurda, uma dessas escolhas «que nunca se poderia imaginar» como diz La Fontaine, como a experiência nos revela todos os dias. «Em toda a parte tenho conhecido compradores cautelosos ― escreve, não sem um certo exagero, Frederico Nietzsche ― mas mesmo o mais esperto acaba por comprar a mulher a olho». Mesmo nas uniões mais clarividentes, há um aspecto de salto no desconhecido, de «pari», no sentido pascaliano da palavra. Deste modo, as poucas indicações gerais que vou dar sobre este assunto não visam fornecer certezas, mas simples probabilidades.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um dos problemas primordiais que se põem para a escolha de um cônjuge é o problema biológico. Da saúde dos esposos depende, com efeito, grande parte do equilíbrio material e moral do lar, a existência e o futuro dos filhos. Mas apenas pretendo focar aqui este problema sob o ângulo psicológico e social. Entre os fatores que contribuem para determinar a escolha nupcial, há alguns, na verdade, que são exteriores ou sociais (consideram-se o meio, a classe social, a fortuna) e outros interiores ou psicológicos (decide-se pelo amor ou pela razão). Detenhamo-nos um momento sobre estes pontos.</span><span id="more-33824"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">CASAMENTO E MEIO SOCIAL</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dantes este problema não se punha. Cada pessoa se casava dentro da sua casta e, muito freqüentemente, no meio da sua paróquia ou da sua profissão. Os diversos organismos sociais, firmemente diferenciados, não se invadiam uns aos outros; ausência de invasão que não implicava, aliás, quero sublinhá-lo, ausência de intercâmbios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Hoje, mercê da facilidade e da freqüência das comunicações e mercê sobretudo da confusão de classes e de funções, este estado de coisas mudou inteiramente. As uniões entre pessoas de meios geográficos, culturais ou profissionais muito diferentes, multiplicam-se cada vez mais. Mesmo nos nossos campos<a style="color: #000000;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/1308#footnote1_a6093rw">1</a>, para não citar mais do que um exemplo, os jovens aldeões que outrora só desposavam moças, não só pertencentes à mesma casta, mas ainda, no meio desta casta, de famílias impregnadas das mesmas tradições, e com opiniões políticas e religiosas iguais às suas, casam-se agora muito freqüentemente com uma datilógrafa parisiense ou com uma italiana recentemente imigrada. E casos semelhantes se observam em todos os meios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Di-lo-ei claramente: esta confusão não significa um progresso. A identidade do meio social parece-me uma das condições centrais da felicidade conjugal. Não quer isto dizer que eu afaste de um modo absoluto as uniões entre pessoas de diferentes meios. Penso unicamente que devem constituir uma exceção: exigem, de todos os modos, qualidades individuais que não se podem pedir à generalidade dos homens. Sempre que um homem e uma mulher entram, através do casamento, para um meio superior ou simplesmente estranho ao seu, é preciso que entrem subindo (hoje há uma tendência excessiva para entrar em toda parte no mesmo plano) e que superem pelo poder do amor e da adaptação a comunhão espontânea que resulta da identidade do meio. Um príncipe só poderá desposar com acerto uma pastora se essa pastora tiver uma alma de princesa, o que, em boa verdade, não é excessivamente freqüente. Uma das taras do mundo moderno é pretender fazer um costume do que só pode constituir exceção, e cair abaixo da norma ao querer generalizar o que está acima da norma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Numa união entre indivíduos do mesmo meio, os hábitos, os gostos, as necessidades comuns ― todo esse complexo de elementos bio-psicológicos imponderáveis que constituem o que vulgarmente se chama <em>costume</em> ― contribui para fortalecer a harmonia. No caso contrário, todo o peso do passado dos dois esposos tende, de alguma maneira, a desuni-los. É difícil prever até que ponto determinado comportamento material ou moral, perfeitamente natural num dado meio social, se poderá tornar um fator de perturbação e de escândalo noutro meio diferente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma anedota vivida poderá ilustrar esta afirmação. Assisti um dia a uma conversa de uma velha caseira da minha terra com o filho que pretendia desposar a filha de um comerciante da aldeia. A mãe recusava o seu consentimento e, como <em>ultima ratio</em>, lançou-lhe, em tom de quem faz uma acusação infamante, estas palavras decisivas: «Não te cases com esta moça! Ela precisa de comer carne todos os dias». Esta reprovação estava perfeitamente justificada. Nos nossos campos, o consumo quotidiano de carne tornou-se, desde o fim da outra guerra, incompatível com as possibilidades materiais dos trabalhadores. Por isso, era espontâneamente considerado como um luxo condenável, uma espécie de vício. Confesso que escolhi um exemplo basto, um exemplo limite, se se quiser. Não deixa de ser certo, no entanto, que dois esposos, igualmente animados da melhor boa vontade, se arriscam a desconhecer-se e a chocar dolorosamente pelo simples fato de terem sido modelados por um clima social diferente. O peso dos costumes, as fatalidades do meio, é melhor tê-los como ajuda que como obstáculo à união. Bem sei que vencer tais dificuldades é próprio dos grandes caracteres. Mas refiro-me ao termo médio dos homens&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Poder-me-ão dizer que basta o afeto recíproco dos esposos para suprir todos os vínculos climatéricos, se assim lhes podemos chamar, e que o amor, possuindo todos os poderes, tem também todos os direitos. E eu peço então licença para refletir um pouco. Só conheço um amor que seja todo poderoso: aquele de que fala São João na sua definição de Deus: <em>Deus est charitas</em>. E, além disso, coisa curiosa, sempre notei que, quanto mais um homem proclama os direitos absolutos do amor, menos o amor opera nele milagres, e mais provável é que os seus amores acabem mal. É precisamente quando o amor julga ter todos os direitos que ele tem menos poder. E isto deve incitar-nos a procurar o que se esconde, na maioria dos casos, sob o belo nome de amor. E isso nos levará a falar das determinantes propriamente psicológicas da escolha nupcial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">CASAMENTO DE AMOR OU DE CONVENIÊNCIA</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seja-me desculpado o exumar esta velha síntese, já ultrapassada pelos costumes atuais; mas o simples fato de ela ter existido põe já um problema bastante difícil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As dicotomias neste gênero são anti-naturais: nascem da decadência das almas e dos costumes. Aliás, em presença de muitas fórmulas deste tipo, interessa antes do mais, perguntar, a título de simples hipótese de trabalho, se as palavras não servirão para encobrir uma realidade absolutamente contrária ao que elas exprimem: fazem-se muitas descobertas com este método. Quando uma palavra está na moda, é muito freqüente que aquilo que ela designa seja muito raro ou ande muito adoentado no mundo; todos se precipitam então sobre a palavra como um álibi. No presente caso, eu poderia afirmar, se tivesse o gosto dos paradoxos verídicos como Chesterton, que não conheço nada menos conveniente que um casamento chamado «de conveniência», e nada mais egoísta do que um casamento chamado «de amor».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os defensores dos «direitos do amor» não deixaram de pôr em manifesto ― sobretudo durante o século XIX ― as conseqüências lamentáveis dos casamentos impostos a dois seres por móbeis perfeitamente extrínsecos à atração dos corações (consideração de castas, de fortuna, de situação etc). Acusaram o «casamento de conveniência» de ser a causa de todos os desastres sociais. longe de mim o pensamento de tomar a sua defesa&#8230; Mas basta unicamente um olhar em volta de nós para nos apercebermos de que o «casamento de amor» está muito longe, também, de ser uma garantia segura de estabilidade e harmonia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dei-me ao trabalho de acompanhar na minha região alguns casos típicos de casamento de conveniência2 e de casamento de amor. No primeiro caso, tratava-se de jovens que se casavam quase sem se conhecerem, porque a situação moral e material das suas famílias era sensivelmente idêntica e porque tinha passado por ali um desses benévolos casamenteiros que abundam nos nossos campos. No segundo caso, os jovens casavam-se por pura inclinação recíproca, sem intermediários familiares, e muitas vezes mesmo contra a vontade das suas famílias. Pois bem. Enquanto que a maior parte dos «casamento de conveniência» davam origem a lares sãos e sólidos, era sobretudo entre os casamentos chamados «de amor» que se observavam os resultados pessoais e familiares mais negativos: esterilidades voluntária, desentendimento ou separação dos esposos, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na realidade, a conveniência e o amor representam aqui dois atentados contra a unidade da vida, duas idolatrias que se atraem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seja-me permitida, a este respeito, uma pequena digressão histórica. Nas épocas clássicas, as instituições morais, políticas ou religiosas, estavam acima dos indivíduos que as representavam e levavam atrás de si. A monarquia era mais do que o rei, o sacerdócio mais do que o padre. Isso explica que fosse então possível darem-se ao luxo de desprezar determinado rei ou determinado Papa, sem que o próprio princípio da monarquia fosse de modo algum posto em causa. Recordemo-nos, por exemplo, das invectivas duma santa, como Catarina de Sena, contra o clero do seu tempo, ou de um grande católico como Dante, que punha o Papa então reinante no inferno. Agora, como em todas as épocas de decadência, assistimos ao fenômeno inverso: as instituições só são toleradas e amadas através das pessoas: eis porque, seja dito de passagem, temos necessidade, mais do que nunca, de chefes políticos e religiosos íntegros e enérgicos. Agora mais do que nunca, o chefe que falta á sua missão, compromete a par da sua efêmera pessoa, o princípio eterno que representa. É um tanto ou quanto angustioso ver indivíduos fracos carregar sobre os seus ombros todo o peso das responsabilidades sociais. Julgais que os italianos e os alemães estavam tão vinculados ao princípio da ditadura como à primeira vista parecia? Absolutamente; era a pessoa de Mussolini e de Hitler que eles adoravam. E julgais também que é possível atualmente um anti-clericalismo que não seja ao mesmo tempo anti-religioso? Ah! Cada dia se torna mais difícil separar a causa das instituições da causa das pessoas&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A instituição matrimonial sofreu, como é natural, as mesmas vicissitudes. Outrora, as pessoas encontravam-se não somente subordinadas, mas ainda muitas vezes sacrificadas às instituições. No antigo regime (o mesmo estado de coisas se verifica, aliás, em todos os meios sociais, com exceção da classe estritamente proletária) uma moça estava votada ao matrimônio mais do que a um determinado esposo. As pessoas pouco importavam; o que importava eram as tradições e os quadros sociais. Isto não deixava de ter o seu lado bom. Primeiramente, nada impedia que um amor sólido e até apaixonado se enxertasse numa união contraída por razões de puro conformismo social. Depois, mesmo que a união lhes não desse nenhuma plenitude pessoal, os esposos tiravam dessas imensas reservas de força e de continuidade que são as instituições, o gosto e a coragem para permanecerem fiéis aos seus deveres (aliás, é próprio dos climas clássicos tornar espontâneo e como que natural o cumprimento dos deveres e de sacrifícios que num meio decadente exigem sobressaltos heróicos da personalidade). Quando a hora da tentação chegava, uma esposa do grande século lutava, não somente para permanecer fiel ao seu marido, mas ainda ― para além da personalidade deste ― para permanecer fiel ao matrimônio&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enquanto estas tradições se mantiveram vivas, isto é, alimentadas de seiva cristã e apoiadas na pessoa de Deus, elas foram, a despeito dos excessos sempre inerentes a tudo o que é humano, sólidos tutores, apoios orgânicos para os indivíduos. Mas, desde que foram separadas do concreto divino, desde que degeneraram em formalismo exangue, converteram-se em cargas intoleráveis para os homens.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O casamento, tal como se efetuava em certos meios burgueses do século XIX recusava à pessoa original e livre, ao homem da carne e de alma, o seu lugar no mundo. A «lei» exigia do homem todos os sacrifícios, e isso sem lhe oferecer as profundas compensações concretas que acompanham toda a imolação de natureza religiosa. Então, como era natural, a reação produziu-se: a personalidade retomou o seu lugar. Que direi eu? Fez o que fazem todas as coisas que estão comprimidas e se revoltam: para retomar o seu lugar, ocupou todo o lugar! Subversão total de valores: imolavam-se os indivíduos às instituições; agora, imolam-se as instituições aos indivíduos. Proclamaram-se os direitos absolutos da escolha individual, pretendeu-se tudo submeter ao arbítrio do amor. O século XIX oferece o curioso espetáculo do conservantismo mais chão e mais esclerosado coexistindo com a febre individualista mais ardente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se aquilo a que os clássicos degenerados chamam ordem e lei não é mais do que a marca da impotência e da opressão, aquilo a que os românticos de todos os gêneros chamam amor, parece-se bastante a uma espécie de véu adulador lançado sobre a divinização da sensualidade e do eu. Muitos homens tomam por uma verdadeira paixão espiritual, por uma escolha profunda, o que na realidade não passa de uma paupérrima mistura de atração instintiva e de orgulho: nada de mais perfeitamente egoísta que certos casamentos de amor que nascem, não da união íntima de duas almas, mas da vulgar sede de uma felicidade superficial e imediata, de uma felicidade impermeável ao dever&#8230; E é essa a razão de que tantos descontentamentos se sigam a essas uniões: aquele que se casa sem consultar outra coisa em si que não seja a concupiscência dos olhos e o orgulho da vida, como diz São Paulo, no dia em que a lassidão ou uma nova paixão o invadirem, estará fortemente ameaçado, uma vez mais, de escutar «a voz do coração» e de exercer de novo «o seu direito ao amor». É difícil permanecer fiel a uma escolha operada pela arbitrariedade individual fora de influências supra-pessoais que emanem do meio moral e social.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A lei, separada de Deus e divinizada, não é mais do que uma abstração esgotadora. Mas o indivíduo concreto, igualmente separado de Deus e divinizado, converte-se também numa abstração sem força e sem vida. É preciso superar esta antítese. O divórcio moderno entre as instituições e os indivíduos acabará, ou nas piores catástrofes, ou numa síntese mais elevada e mais bela do que tudo o que até agora se viu. É possível conceber instituições mais adaptadas que as de outrora às necessidades e à dignidade das pessoas, e, por outro lado, pessoas mais respeitadoras que as de hoje, das instituições sociais e morais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já, em muitos casos, a escolha nupcial deixa hoje de ser uma escolha simplesmente «de conveniência» ou simplesmente «de amor», para se tornar uma escolha total, quer dizer, uma escolha de amor, mas de um amor bastante esclarecido para poder respeitar e para poder assumir, ao lado da atração individual dos corpos e das almas, não direi os preconceitos, mas as necessidades centrais da vida social. Uma escolha desse gênero ― é preciso dizê-lo ― só pode ser uma escolha impregnada de espírito religioso, uma escolha apoiada em Deus, Criador comum do indivíduo e da cidade; e no seio da qual se unem todas as coisas que, sob o clima essencialmente dissociador da idolatria, pareciam votadas a uma guerra eterna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">A VIDA COMUM</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois destas declarações um pouco extrínsecas, voltemos à vida comum propriamente dita. A união dos esposos, para ser completa e fecunda deve repousar sobre quatro condições que separo por necessidade de exposição, mas que na vida se confundem até à identidade: a paixão, a amizade, o sacrifício e a oração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">CASAMENTO E VIDA SEXUAL</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Serão uma só carne», diz o Evangelho. Eu não concebo o casamento sem uma atração sexual recíproca.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui há dois escolhos a evitar: a falta de atração sexual e o primado da atração sexual. O casamento deve encaminhar-se para a plenitude sexual que seja, ao mesmo tempo, uma plenitude humana; quer isto dizer que ele deve repousar sobre a atração dos sexos, mas sobre esta atração assumida, coroada e ultrapassada pelo espírito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem tem sempre tendência para menosprezar aquilo a que os filósofos chamam causalidade material. Julgou-se durante muito tempo que se poderia estabelecer a união conjugal independentemente das regras da sexualidade. Nem a comunidade de meio ou de casta, nem a estima recíproca, nem o sentido do dever social ou religioso, podem suprir a paixão carnal quando esta falta. Quantas uniões soçobram por completo ou não conservaram mais do que a fachada legal por causa do desentendimento sexual! Há que confessar que a educação das moças, tal como se vinha fazendo durante séculos, constituía, sob este aspecto, um paradoxo de que não nos assombramos ainda bastante. Educavam-se as meninas num misto de ignorância e de horror às coisas da carne, e depois lançavam-se de um dia para o outro, sem outra precaução, numa situação em que as coisas, ainda ontem revestidas de uma espécie de <em>mysterium tremendum</em>, se deviam tornar, sem transição, num hábito e num dever! Como admirar-se, depois disto, do fracasso total ou parcial de tantas uniões preparadas com semelhante desprezo das exigências elementares da vida?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, uma união fundada sobre a atração exclusiva dos sexos não é também uma união verdadeiramente humana. Separados das raízes, o caule e as flores murcham, mas a raiz por sua vez apodrece sempre que a não prolongam e dominam, o caule e as flores. Não há nada tão vulgar, tão vazio sob o brilho das aparências, nem tão frágil e vulnerável ao tempo como um amor dominado pelo impulso dos sentidos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Disse-se que o matrimônio não resolve o problema sexual. Isto é verdade se se faz do problema sexual um absoluto, se se diviniza a carne separada da alma (o culto da carne, a sexolatria, é uma das pragas do nosso tempo); mas é falso se se põe a sexualidade no seu devido lugar, se a considerarmos já não como um todo autônomo, mas como uma parte ligada organicamente a um conjunto e impregnada por este conjunto. As reivindicações de certos apóstolos da sexualidade baseiam-se na confusão do sexo e da alma, do sexo e de Deus. Nós, pelo contrário, não queremos uma plenitude sexual comprada em troca da plenitude humana; não temos nenhum gosto pelos costumes que, sob pretexto de satisfazerem plenamente o sexo, tornam o homem vazio de tudo o mais. Só o casamento pode satisfazer o instinto sem degradar a pessoa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A este respeito seja-me permitido esvaziar um dos balões da psicologia contemporânea em que mais se soprou. Pretendo referir-me ao suposto «instinto poligâmico do sexo masculino» ― esse pobre instinto que a instituição de casamento condena a tão tristes renúncias! Pois bem. Na verdade, não há instinto poligâmico. O instinto enquanto tal, isto é, o instinto considerado na sua pureza biológica e virgem de qualquer infiltração espiritual, não é nem poligâmico nem monogâmico3. É realmente neutro em relação à fidelidade e à mudança; está mais aquém dessas categorias&#8230; O instinto sexual de um animal tende para a fêmea; é-lhe absolutamente indiferente que esta seja a mesma ou outra. Sem dúvida, se uma nova <em>fêmea</em> se apresentar, ele deseja-la-á, mas este desejo irá dirigido à<em>fêmea</em> e não à outra: acomodar-se-á tão bem a esta como à que possuía ontem ou no ano passado, sempre e quando ela preencha as condições fisiológicas desejadas&#8230; O que impele o homem para a poligamia é a <em>curiosidade</em>, é o pecado do espírito infiltrado no instinto. O instinto puro deseja a outra enquanto mulher; a curiosidade sexual deseja a mulher enquanto outra. É uma grande ilusão pensar que os impulsos sexuais de um homem civilizado são exclusivamente feitos de instinto sexual; não se sabe até que ponto poderá o instinto estar aqui ao serviço da vontade de poder, da sede de conhecer e de dominar. Se fosse doutra maneira ver-se-iam acaso tantos homens pôr tanto empenho em seduzir mulheres que são muitas vezes inferiores, sob o ponto de vista fisiológico, à sua própria esposa? Quando um homem luta por permanecer fiel a uma mulher amada, não é o ideal que luta nele contra o instinto ― são antes dois «ideais» que se enfrentam, e o combate é sobretudo espiritual. O ideal monogâmico luta, então, contra essa espécie de ideal negativo que é o instinto sexual impregnado e depravado pelo apetite de mudança, de conquista e de conhecimento; luta contra uma das múltiplas facetas dessa mentirosa, dessa infernal sede de infinito que, a partir do pecado original, consome o homem. A fidelidade conjugal não é um problema fisiológico, é um problema moral. Se a alma é profundamente, simplesmente monogâmica, o instinto segui-la-á sempre. Pode-se repetir com Cristo: se o teu olho é simples, todo o teu corpo será luminoso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A castidade conjugal reside, como antes dissemos, não na negação da carne em proveito da alma, mas na adoção, no «envolvimento» da carne pela alma. Nietzsche disse sobre isso palavras definitivas: «No verdadeiro amor, é a alma que &#8216;envolve&#8217; o corpo».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Existe um materialismo da vida em comum. É o casamento baseado unicamente nas alegrias carnais. Mas existe também um pseudo-idealismo amoroso que julga desprezar a carne, mas que na realidade está feito não de espírito, mas de uma sensualidade impotente e turva4. Estas duas aberrações «mutiladoras» são igualmente de evitar. A vida em comum deve ser de um realismo total, de um realismo centrado no alto, mas estendido a todo o homem. Os esposos devem educar-se, não renunciando à carne como os ascetas, mas, o que é talvez mais difícil, arrastando a carne na ascensão da sua alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem dúvida, este ideal plenamente humano implica fatalmente sacrifícios de ordem sexual. O primeiro destes sacrifícios é a adaptação à estrutura sexual do cônjuge. Convém não esquecer, como parecem fazê-lo alguns apóstolos dos direitos imprescritíveis do sexo, que o exercício da função sexual, diferentemente de outros instintos, como a nutrição por exemplo, exige companheiro. Ora, a constituição sexual da mulher e, por conseguinte, os seus gostos e as suas necessidades sob este aspecto, são muito diferentes das do homem. Além disso, é preciso ter em conta as divergências individuais resultantes do temperamento, da educação etc. Se cada um dos cônjuges não procurasse senão a sua própria satisfação que sucederia? O mais elementar sentimento do dever conjugal ensina aos esposos a subordinar sempre a alegria que recebem à alegria que dão. No casamento, o máximo da plenitude sexual recíproca só poderá ser atingido se cada um dos esposos consentir em sacrificar, em certa medida, a sua plenitude sexual individual.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pode acontecer também que em virtude de necessidades biológicas, sociais ou morais, o sacrifício total dos prazeres da carne seja imposto aos esposos. É preciso então que este sacrifício seja um autêntico sacrifício, isto é, uma imolação reta e franca, a plena luz, sem subterfúgios, sem segundas intenções, sem compensações equívocas. Precisemos: este sacrifício não deve ser um recalcamento. O verdadeiro sacrifício, imolando o instinto, sublima-o e transfigura-o; o recalcamento limita-se a transpô-lo, a disfarçá-lo, a fazer dele uma força vergonhosa e assolapada que recai sobre o espírito e o contamina, uma fonte de ressentimentos, de falsos ideais, de virtudes farisaicas. Depois de Nietzsche e de Freud é inútil insistir na descrição deste quadro&#8230; o verdadeiro sacrifício alimenta a alma, o recalcamento envenena-a.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Haveria muito que dizer sobre esta sublimação dos instintos nos esposos votados a uma continência permanente ou transitória. Uma análise diferencial da sexualidade superior no homem e na mulher seria muito elucidativa a esse respeito. Mas o problema é demasiado vasto e demasiado delicado para poder ser abordado aqui. Contentemo-nos com fazer notar que, quando os dois esposos sacrificam as suas relações de ordem puramente genésica, o homem sublima normalmente o seu instinto sexual em pensamento, em ideal extra-pessoal e a mulher em ternura. Se a mulher é muito menos carnal que o homem no exercício material da sexualidade, é-o muito mais nas suas sublimações mais sãs. A compenetração da carne e da alma existe nela num grau desconhecido para o sexo oposto; nas emoções mais carnais ela põe mais alma que o homem; pelo contrário, mistura muito mais do que ele a carne nas paixões do espírito. Freqüentemente sucede que, quanto mais uma mulher se encontra privada de satisfação sexual completa, mais carinhosa ela se torna: a sua sexualidade, muito menos localizada e brutal, muito menos animal, por assim dizer, que a do homem, encontra muitas vezes nas mais inocentes satisfações de ternura uma satisfação suficiente. Porém as próprias carícias que para a mulher <em>substituem</em> a plena posse carnal, apenas conseguem, no homem, preparar esta posse e, em vez de acalmar o instinto, exacerbá-lo mais. Se as mulheres soubessem isto, creio que a continência conjugal se tornaria em muitos casos mais fácil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Subordinado deste modo o amor ao dever e como que embebido no espírito, a união dos corpos fica revestida do seu mais profundo significado e realiza a sua finalidade verdadeiramente humana. Não é já unicamente a sociedade de dois desejos soldados um ao outro, a conjunção de dois egoísmos; é a expressão mais forte que pode existir da doação mútua e como que o selo material, o símbolo sensível da união das almas. Sob este aspecto, a posse corporal confere ao amor um não se quê de acabado e de irrevogável que só os verdadeiros esposos conhecem. E é uma grande tristeza ver tantos seres humanos ― e entre estes tantos esposos ― profanar este sinal sagrado do amor e abandonar a sua carne enquanto reservam a sua alma. Em vez de ser posta em primeiro lugar e, muitas vezes, de andar sozinha, a união dos corpos deveria seguir e prolongar um dom superior,<em>descer</em> da plenitude do amor. Assim abandona o ramo à terra o seu fruto e o céu o seu orvalho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O significado profundo da sexualidade reside no uso que o homem dela faz. Segundo o modo como ela é vivida, usada pela personalidade, poderá tornar-se na mais forte manifestação do amor espiritual ou no pior obstáculo a este amor. De resto, o instinto sexual não pode nunca exercer-se na sua pureza e simplicidade animais. É preciso que se remonte mais acima ou caia mais abaixo de si mesmo. Se se não elevar para Deus descerá para o diabo. Se não é <em>amor</em>, tornar-se-á <em>luxúria</em>. Muitas vezes se tem pretendido que os dois esposos (e o marido em particular) se podem entregar a todos os seus impulsos inferiores e cometer carnalmente o adultério enquanto se mantém fiéis na alma. Hipócrita justificação da pior das desordens! Como se a carne não estivesse, ainda no seu fundo, impregnada pela alma! Como se a alma estivesse <em>cativa</em> e não fosse a forma do corpo!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Bem sei que um tal grau de integração espiritual do instinto não é coisa vulgar nem fácil. Falo dele como de um ideal que os esposos não deveriam nunca perder de vista, por maiores que sejam as suas fraquezas e os seus desfalecimentos concretos. Porque, se viver na mediocridade é de si um mal, consentir na mediocridade é uma espécie de mal supremo, de pecado contra o espírito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">CASAMENTO E AMIZADE</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é sob a paixão carnal, e não é também ― porque não existem no homem paixões puramente animais ― sobre essa espécie de ternura superficial que nasce da emoção sexual, sobre esse sentimentalismo de romance e de café-concerto que se pode fundar uma união sólida e pura. A vida em comum exige uma comunhão muito mais profunda, muito mais universal. O amor dos esposos, para ser verdadeiramente amor e não um capricho do instinto, deve ser também uma amizade.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nietzsche diz algures que todo o homem, antes de se casar, deveria fazer a si próprio uma pergunta: Serás capaz de conversar com esta mulher em todos os dias da tua vida? E, realmente, não há pior solidão que viver junto a um ser ao qual nos une unicamente uma atração subordinada ao instinto. A carne, como tal, não é a porta da alma. Com razão escreveu o poeta:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>«A tua carne, impenetrável à força da proximidade, pedra tão suave e tão dura, onde se afia a minha solidão.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>«A tua carne que eu toco e que não sabe o caminho da minha essência e do meu centro</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>«Enquanto que a mais longínqua estrela corre dos meus olhos até ao meu coração».</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E Paul Géraldy, que tão bem expressou, no seu pequeno livro <em>Toi et Moi</em> a miséria desta ternura epidérmica de colorido puramente sexual que tantos modernos tomam por amor, faz dizer o amante à amante: «Se fosses um homem, seríamos amigos?»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O instinto sexual, com efeito, é o isolamento. Os animais procuram-se e acasalam-se, mas, psiquicamente, continuam totalmente impermeáveis um ao outro. Acontece-me muitas vezes contemplar o soberbo pavão que ornamenta a minha capoeira: ele empertiga-se, espilra, arma a cauda, reveste-se de todo o seu atrativo sexual sem que a fêmea se digne premiá-lo com a menor atenção; cada um evolui na sua esfera impenetrável como as mónadas sem janela de Leibnitz, e quando se juntam, pensa-se, na realidade, nalguma harmonia pré-estabelecida, mais do que numa simpatia, no sentido psicológico da palavra. Se uma tal solidão pudesse ser consciente, seria a coisa mais trágica e mais insuportável do mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O instinto sexual é também guerra. Nenhum amor está tão próximo do ódio como este. A brutalidade do macho e a astúcia e a coqueteria da fêmea demonstram suficientemente a tensão entre os dois sexos. Naturalmente este dualismo biológico foi consideravelmente agravado e infectado pela malícia do homem pecador. Quando o eu (no sentido «pascaliano» e pejorativo do termo) se sobrepõe, com o seu orgulho e a sua vontade de poder, ao instinto sexual, o amor converte-se na guerra mais surda que se pode imaginar. Então, a própria atração exercida pelo ser «amado» se transforma em tortura e veneno. Aos psicólogos que pretendem que o amor do homem e da mulher está baseado no ódio mortal dos sexos, não lhes faltariam argumentos concretos. Que outra coisa é a mulher fatal e pérfida (Dalila, Cleópatra, etc.), tal como a história no-la revela, senão uma mistura de instinto sexual e de pecado ― uma fêmea em cuja carne se enxerta não uma alma, mas um eu que a corrompe? 5 Ora, a verdadeira mulher é, antes de mais, uma alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O instinto sexual é também a indiferença em relação à personalidade. O instinto procura no outro a sua própria satisfação e não o ser singular que o satisfaz. «Gostarias menos de mim se eu fosse um outro?», pergunta ainda Géraldy. Nem mais, nem menos, se é apenas o instinto que está em jogo. Vimos já que os problemas de fidelidade e de mudança não tinham qualquer entrada neste domínio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A amizade, essa, penetra o objeto amado, vive da sua vida, desposa a sua alma. E, deste modo, destrói a solidão interior que afeta os seres a quem um mero instinto sexual aproxima.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A amizade é também portadora de paz. Corrige e domina a tensão inerente ao dualismo sexual. No amor dos sexos, conserva o ardor e acalma o conflito. Ensina o homem a dominar sem brutalidade e sem jactância e a mulher a dar-se sem baixeza e sem artifício. Aqui devemos destacar um ponto em particular. O homem só conta com o amor espiritual para vencer em si a inconstância e a guerra sexual, enquanto que a mulher, além deste amor, possui ainda um outro instinto que, misturado à sexualidade, assegura a esta uma estabilidade e uma profundidade que não estão na sua natureza. Refiro-me ao instinto mais elevado e mais puro que existe, à maravilha biológica por excelência: o instinto maternal. A mulher, com efeito, pode realizar o prodígio (inteiramente desconhecido no mundo animal) de fazer convergir para o mesmo ser, o seu instinto sexual e o seu instinto maternal. Julgo que não exagero se disser que o primeiro filho de qualquer mulher, que nasceu realmente para ser mãe, é o seu esposo. E penso que é essa uma das mais profundas raízes da perenidade do amor feminino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, a amizade, que está feita de atração e de <em>escolha</em> pessoais, dá à personalidade o seu lugar no amor e substitui a <em>ligação</em> necessariamente efêmera de dois egoísmos pela união estável de dois seres eleitos um para o outro e insubstituíveis um para o outro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Só a amizade permite aos esposos compreenderem-se. Mas como esta mesma amizade, por mais espiritual que seja, fica enraizada na sua constituição (e por conseguinte na sua diferença) sexual, reveste-se, de um lado e de outro, de formas muito diferentes. Para melhor se compreenderem ― e, portanto, para melhor se amarem ― os esposos devem compreender antes de mais com que espécie de amor são amados um pelo outro. Um amor mal compreendido pelo ser amado está mais exposto a ferir ou a cansar este do que talvez a própria indiferença.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Larousse do século XX diz-nos no artigo Mulher que o traço dominante do caráter feminino é o<em>egoísmo</em>. Todos sabemos, por outro lado, quanto as mulheres têm o costume de se queixarem do egoísmo masculino. Na realidade, o homem e a mulher têm cada qual o seu modo específico de egoísmo e de amor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É sabido ― e não insistirei mais sobre este ponto já tantas vezes tratado ― que o amor da mulher se dirige em geral para objetos, não direi mais concretos, mas mais imediatos, mais materiais, se se quiser, do que o amor masculino. O ideal da mulher está muito mais «encarnado» que o do homem. A mulher foi criada para se sacrificar pelos seres que a rodeiam e que conhece, e assegurar o futuro imediato da humanidade. O homem, pelo contrário, está votado a um dom mais universal; a sua missão é entregar-se ― desgastar-se muitas vezes ― por fins sem dúvida igualmente reais, mas muito menos próximos no tempo e no espaço. A mulher vela pelas subestruturas, o homem pelas superestruturas. E não creio que estas duas funções ganhem nada por estarem invertidas como o estão freqüentemente nos nossos dias (há que confessar, no entanto, que com algumas exceções). A consciência pública considera espontaneamente um fraco, e até como um covarde, um homem que, ao ter de optar por uma coisa ou por outra, sacrifica a sua missão na sociedade ao amor de uma mulher (será preciso recordar o recente exemplo do rei de Inglaterra?), ao passo que uma mulher que, em face de idêntico dilema, renunciasse a um ser amado para fazer política ou filosofia, seria, com razão, tida por ridícula6. O heroísmo está polarizado de uma maneira muito diferente segundo os sexos&#8230; E o egoísmo também (refiro-me ao egoísmo normal, ao egoísmo bom): o da mulher consiste em abstrair das coisas longínquas e universais para melhor se dedicar às coisas próximas; o do homem em desprezar, em certa medida, as coisas imediatas com vistas a um dom mais elevado e mais longínquo. Esta divergência não se pode dar sem certos choques.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um homem, por exemplo, fica um pouco desiludido quando, no meio de uma conversa em que ele expõe com entusiasmo à sua mulher as suas mais caras convicções, esta o interrompe para lhe dizer: «A propósito: E se eu fizesse um <em>soufflé</em> com queijo para o jantar?». Inversamente, as mulheres espantam-se muitas vezes da falta de delicadeza e de atenção dos homens em mil pequenas circunstâncias da vida quotidiana. Para não sofrer com estas coisas é preciso compreender o cônjuge e saber que se pode ser amado por ele tanto ou mais do que o amamos, mas não com o mesmo amor. Além disso, entre os esposos, a reciprocidade do amor dá sempre origem a uma certa identidade de amor. O afeto da mulher universaliza-se em contato com o ideal do seu marido; do mesmo modo, o amor do homem ganha em delicadeza concreta em contato com a ternura feminina. A vida em comum preta a cada um dos cônjuges o maior serviço que pode receber um ser limitado e unilateral; ser salvo de si mesmo&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma outra diferença essencial na estrutura do amor dos esposos. O afeto feminino é infinitamente menos dependente do intelecto que o do homem. Existe, na mulher, uma espécie de autonomia do coração. Um homem ama uma mulher pelas suas qualidades: (tem ou julga ter razões para amar) justifica o seu amor em face da sua consciência. Uma mulher, pelo contrário, amará um homem por si mesmo. Um homem dirá: Amo-te porque tu és bela, ou meiga, ou boa, etc. A mulher dirá simplesmente: Amo-te porque te amo! Para o homem, amar é preferir. Para a mulher, amar é não comparar. Percebe-se o matiz&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É um lugar comum dizer que o amor da mulher é mais «cego» que o do homem. O que menos se tem feito notar é o seguinte: o amor feminino, precisamente porque é cego, como o amor, porque se apóia pouco nas razões de amar, permite uma maior clarividência em relação ao ser amado e nutre-se menos de ilusões. Na medida em que o amor é independente do intelecto, o intelecto pode, por sua vez, funcionar independentemente do amor. E é isto precisamente o que acontece na mulher. Ao contrário do homem, em quem o amor, ligado a juízos, a comparações, se sente ameaçado pela revelação das falhas do ser amado e reage através de ilusões, a mulher pode dar-se ao luxo de julgar lucidamente aquele que ama, sem que o seu amor diminua por isso. Para além das qualidades banais e como que provisórias que motivam a maior parte das vezes o afeto masculino, o seu amor, atinge, por assim dizer, a substância única e eterna do ser; situa-se espontaneamente para além da decepção, não necessita do apoio das ilusões. É por isso que se encontram tantas mulheres inflamadas de amor e de admiração por um homem e, ao mesmo tempo, conscientes de todos os pequenos defeitos desse homem. É por isso também que nos podemos mostrar tal qual somos diante de uma mulher, descer ao limite inferior de nós próprios sem pôr em perigo o seu amor (é típico, a este respeito, o exemplo das esposas dos criminosos). E creio, além disso, que há um grande número de homens que, julgando as mulheres pelas suas medidas, se crêem obrigados, para conquistar ou para as reter, a dissimular as suas fraquezas, a tomar atitudes falsas ou lançar-lhes poeira para os olhos. Não conseguem com isto, acrescentar o amor das mulheres, porque isso não é necessário, mas fazer com que se riam deles. Era o que fazia dizer a Toulet: as mulheres sabem muito bem que os homens não são tão bestas como se julga ― são bem mais&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a carne pode aproximar um do outro o homem e a mulher, só a amizade os pode abrir um ao outro. Não obstante, e a precedente análise o revela suficientemente, esta amizade só muito raramente poderá atingir essa perfeita transparência intelectual que constitui o único encanto das amizades entre os homens. Os dois sexos, porque são complementares e portanto diferentes, permanecem sempre um pouco opacos um ao outro; mais ainda, o amor que os une alimenta-se deste mistério recíproco, repousa em parte na impossibilidade de «se compreenderem» inteiramente: o que nos atrai num amigo é aquilo que sabemos dele; na mulher, aquilo que ignoramos (a isso nos conduz a consideração de que enquanto a amizade cresce na medida em que penetramos na alma do amigo, o amor muitas vezes decresce na medida em que despimos a mulher do seu mistério, como diz Proust). É preciso aceitar este estado de coisas. Creio que muitos esposos se encontram desiludidos porque o seu amor estava excessivamente carregado de exigências intelectuais. Quereriam possuir a esposa tanto pelo pensamento como pelo coração. Mas, se compreendessemos uma mulher a esse ponto, já a não poderíamos amar, porque deixaria de ser uma mulher, isto é, o ser estranho que nos completa. Poderíamos pôr ao invés o verso de Géraldy e dizer ao amigo mais querido: se fosses mulher, seríamos amantes? No casamento ― não pretendo levar demasiado longe a analogia, mas ela existe ― é preciso, como na vida mística, aprender a respeitar e a amar o que não se compreende totalmente. O amor da criatura, também ele, exige atos de fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">VIDA CONJUGAL E SACRIFÍCIO</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se há tarefa tragicamente urgente para o moralista moderno é a de lembrar aos homens a noção do sacrifício. Todos os desastres, todas as misérias do casamento, procedem do esquecimento desta necessidade. Não concebo um casamento feliz sem sacrifício mútuo. Não há nisto nenhum paradoxo. A primeira condição da felicidade é não a procurar. Nesta ordem de idéias é lícito dizer, pondo ao contrário as palavras evangélicas: Não procurei e encontrareis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um homem nobre esforçar-se-á por viver como um homem; um homem vil procurará viver feliz. O último procurará na terra as coisas e os seres que o poderão satisfazer; o primeiro procurará os seres e as coisas a quem se possa imolar. Não «arranjamos» uma esposa, damo-nos a ela. Casar é talvez o modo mais direto e mais exclusivo de deixar de pertencer-se. Chesterton, lendo um jornal americano onde dizia: «Todo o homem que se casa se deve convencer de que renuncia a cinqüenta por cento da sua independência», fazia notar: «Só no Novo Mundo é possível um otimismo deste gênero!».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O segredo da felicidade conjugal está em amar esta dependência. O ser que vive ao nosso lado, devemos amá-lo menos na medida do que nos <em>dá</em> que na medida do que nos <em>custa</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vocação do casamento consagra-nos ao nosso cônjuge. Estas palavras têm um grande alcance. Dão sentido a todos os nossos deveres e a todas as dores da vida comum. Fazem sobretudo da felicidade conjugal, não há uma espécie de sacrifício estéril, mas um ato religioso do mais alto valor humano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já não sabemos ser fiéis porque não sabemos sacrificar-nos. Tantos homens há que só amam pelo prazer imediato&#8230; Condenam-se, deste modo, a conhecer apenas a superfície do objeto amado, e, quando esta superfície os desilude, a trocá-lo por uma outra superfície, e assim por diante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Andar à volta de tudo e não chegar ao centro de nada, não será o que alguns denominam plenitude e liberdade? É de tal maneira mais fácil correr do que aprofundar! Mas aquele que quer saborear a profundidade de uma criatura deve saber sacrificar-se por essa criatura; o seu amor deve superar as decepções, superar o hábito; mais ainda, deve alimentar-se dessas decepções e desse hábito. O amor humano tem a sua aridez e as suas noites; também ele não encontra o seu centro definitivo senão para além da prova sofrida e vencida. Mas, uma vez chegado a esse ponto, ele saboreará a riqueza, a pureza eterna da criatura pela qual se imolou. Porque, se a criatura é tremendamente limitada em superfície, é infinita em profundidade. É profunda até Deus. Sempre cantaram os poetas esta captação amorosa do eterno através do ser efêmero:</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Tu que passas, tu que desvaneces,</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>busquei-te para além dos dias e das sombras,</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>sobre as praias invariáveis da vontade eterna&#8230;</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Desci às tuas entranhas,</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>mais além dos latidos do teu coração,</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>mais adentro que a fonte das tuas promessas</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>até ao centro solene onde a tua vida se une à Vida,</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>até ao fremir irrevogável,</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>até à palpitação criadora de Deus!</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>― Eu amo a tua alma!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Chegou a falar-se do que a vida conjugal tem de banal, de monótono, de terra à terra. Bem sabemos quanto o homem é capaz de banalizar e de prostituir as coisas mais profundas. Mas, se a vida conjugal é muitas vezes vulgar, que se poderia dizer da vida sexual extra-conjugal? Creio que uma das mais sutis malícias do demônio é tentar persuadir os homens de que a ordem é a morte e a desordem a vida. Na realidade, nada mais vulgar do que o vício. O demônio não é profundo <em>― </em>não é mais do que um revoltado. É um desertor que tenta fazer-se passar por evadido&#8230; 7</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As humildes realidades da vida quotidiana, o cortejo de pequenos deveres e de pequenos sofrimentos, em nada deverão alterar a pureza do amor nupcial. O verdadeiro ideal tira nova seiva destas pequenas coisas. O realismo da vida conjugal não tem por função profanar ou estiolar o ideal primitivo dos esposos, mas purgar este ideal das ilusões que com ele se misturam, e não reter dele mais do que a sua suprema essência. Na alma dos esposos que são dignos desse nome, a união do mais elevado amor e das necessidades mais terrenas, mais materiais, cria uma espécie de síntese do ideal e do real, uma espécie de realismo do ideal, se assim me posso exprimir, que em parte alguma poderá existir em tal grau.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Josefina Soulary disse que Deus <em>«</em>se só estivesse lá em cima, não estaria em parte alguma»<em>.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O casamento é, por excelência, a vocação que permite pôr Deus no que a vida tem aparentemente de mais comum e de mais banal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ia-me esquecer de uma observação importante. O casamento deve ser um sacrifício, é certo. Mas um sacrifício recíproco. Haverá algo de mais vão, de mais prejudicial mesmo, do que uma imolação em sentido único? Dois egoísmos juntos travam-se mutuamente e, de certo modo, neutralizam-se. Que caldo de cultura não seria para as tendências egoístas de uma criatura o sentir em torno de se uma atmosfera de dedicação infatigável! Todos conhecemos lares em que o espírito de sacrifício de um dos esposos faz do outro um monstro de exigência e de egoísmo. Cada esposo deve tirar do espetáculo de generosidade do seu cônjuge, não um <em>pretexto</em> para fazer as suas vontades, mas um motivo para se imolar mais a si mesmo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">AMOR E ORAÇÃO</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sacrificar-se a uma criatura, amá-la apesar do seu nada, por causa do seu nada, amá-la com um amor mais forte e mais puro que o desejo de felicidade, tudo isto só é possível se o amor humano se conjuga e se amalgama com o amor eterno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não convém divinizar o ser amado. Esta idolatria conduz, a breve prazo, à indiferença ou à repulsa. O autêntico amor nupcial acolhe o ser amado não como um Deus, mas como um dom de Deus em que todo o divino está escondido. Não o confunde nunca com Deus e não o separa nunca de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>«Ela olhava para o alto e eu olhava nela», </em>escreve Dante falando de Beatriz. Nisso reside o supremo segredo do amor humano; beber a pureza divina nos olhares, na alma, no dom de uma criatura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Sentir como o ser sagrado freme no ser querido», assim definia magnificamente Vitor Hugo, o grande amor. Num tal grau de amor, o ser amado é verdadeiramente insubstituível: dado por Deus, ele é único como Deus; um mistério inesgotável habita nele. Os verdadeiros esposos conservam eternamente almas de noivos; a posse aprofunda para eles a virgindade. Quanto mais são um para o outro, mais fome têm de ser um para o outro. É uma maneira sagrada de possuir as coisas que, em vez de matar o desejo, como na satisfação da carne, o exalta e transfigura. Aquele que beber desta água terá ainda sede&#8230; Como poderia estiolar-se o amor dos esposos, se eles foram criados e unidos para dar Deus um ao outro? A vida dos dois desenvolve-se e torna-se infinita numa oração única.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/1308">(Gustave Thibon, O Que Deus Uniu, Editorial Aster Ltda., Lisboa 1956)</a></strong></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[N. da P.] O autor refere-se ao interior da França.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aliás, seria mais verídico falar nestes casos, de casamento por <em>tradição</em> em vez de casamento de conveniência.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Falo aqui tanto para o homem como para a mulher. Se a mulher é mais espontaneamente fiel a um ser único, deve-se isso não à sua vida instintiva como tal, mas à integração, nela melhor conseguida que no homem, desta vida instintiva no amor.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não vou estender-me aqui sobre o problema do amor platônico. Ele é muito normal na época da puberdade, e mais na mulher que no homem. Quando demasiado prolongado ou demasiado exclusivo, tenho-o por uma compensação de qualidade inferior. De todos os modos, não poderia existir normalmente no casamento. A castidade e a própria continência conjugais nada têm que ver com esse pseudo-ideal, com essa travessura irrealista.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É trágico e prova até que ponto se corrompeu o amor dos sexos na humanidade o fato de muitos homens só poderem amar mulheres deste gênero. Os desprezos e os enganos alimentam a sua paixão e esta atrofia-se quando já não tem motivos para duvidar do ser amado. Muitas mulheres perderam o amor do seu amante ou do seu esposo por terem dado provas demasiado claras do seu afeto e da sua fidelidade.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Objetar-me-ão serem as vocações religiosas mais numerosas entre as mulheres; mas isto é totalmente diferente. Uma mulher que sacrifica a sua missão junto de seres querido para se dar a Deus, vê nesse Deus a pessoa, o «Tu» mais íntimo e concreto que se pode conceber.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8216;A maior parte das loucuras não passam de tolices&#8217; (Max Jacob)</span></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
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