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	<title>DOMINUS EST &#187; Magistério</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>A PASCENDI EXPLICADA &#8211; LUZES DA ENCÍCLICA PARA OS CATÓLICOS DE HOJE</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2026 13:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[São Pio X]]></category>

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		<description><![CDATA[“Julgamos oportuno escrever-vos estas coisas, Veneráveis Irmãos, a bem da salvação de todos os fiéis.” Papa São Pio X Introdução: Cem anos depois: o modernismo ainda mata Quando voltei a ler a encíclica “Pascendi” (08/09/1907) de São Pio X, tive &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-pascendi-explicada-luzes-da-enciclica-para-os-catolicos-de-hoje/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://www.abim.inf.br/wp-content/uploads/2014/08/Sao-Pio-X-artigo-11.jpg" alt="PASCENDI — a monumental encíclica que fulminou a heresia modernista (PARTE  II) – Agência Boa Imprensa – ABIM" width="247" height="353" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"><em>“Julgamos oportuno escrever-vos estas coisas, Veneráveis Irmãos, a bem da salvação de todos os fiéis.” </em></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Papa São Pio X </span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Introdução: Cem anos depois: o modernismo ainda mata</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando voltei a ler a encíclica “<em>Pascendi</em>” (08/09/1907) de São Pio X, tive um profundo sentimento de agradecimento para com o último Papa canonizado. Esse documento é uma pedra angular na defesa verdadeira e equilibrada do catolicismo. Tem a assinatura de um Papa Santo, cheio de Fé e de Caridade. Lembra a voz do Bom Pastor, reconhecida pelas ovelhas. Lembra que não existe pregação caritativa da Verdade sem condenação explícita dos erros e heresias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O santo Papa do século XX nos entrega nesta encíclica um trabalho fundamental, preciso e paciente. Explica para os católicos, com uma precisão que maravilha, todo o sistema modernista. Define o erro com as palavras adequadas e mostra a raiz do mal. Encontrada a raiz do mal, as soluções e os remédios seguem naturalmente.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Prezado leitor, o modernista não é utópico, sonhador, idealista. Isso é a sua aparência exterior. O modernista é visceralmente orgulhoso. Orgulhoso na sua inteligência e também na sua vontade. O modernismo é um sistema que mente ao homem sobre a realidade da sua natureza. Atribui ao homem faculdades que não são de seu alcance. Diz assim que: “<strong>a <em>religião, no homem Jesus Cristo assim como em nós, é fruto inteiramente espontâneo da natureza</em></strong><em>.”. </em>E São Pio X conclui:<em> “Nada pode vir mais a propósito para dar cabo de toda a ordem sobrenatural.</em>”. Mas ao mesmo tempo o modernismo recusa reconhecer outras faculdades que são próprias a todos os homens quando conhecem uma coisa qualquer ou uma realidade. Nega a capacidade da inteligência humana de conhecer a natureza, a essência das coisas. Pela abstração a inteligência humana conhece muito mais do que a cor do pôr-do-sol! Conhece a beleza do pôr-do-sol. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dessa maneira, o modernista conhece apenas a cor da religião e nada de sua beleza e grandeza essencial. Conhecem ainda as palavras típicas da religião católica, mas sem poder dar definições definitivas a cada uma delas. Usam as palavras Missa, Deus, alma, graça, religião, fé, dogma, tradição para se servir delas e defini-las segundo a experiência religiosa de cada um! O modernismo não quer mais receber de Deus a religião, mas construir uma que o ‘elevará’ até a divinização do Homem pelo Homem.</span><span id="more-14259"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estimado leitor, como seria aparentemente terrível falar assim se um Santo Papa não o houvesse feito primeiro! São Pio X tinha motivos bem fundados para escrever essa encíclica, a saber, a gravidade sem precedente do mal descrito dentro da Igreja. Há cem anos que a ‘<em>Pascendi</em>’ foi escrita e o diagnóstico segue em pé. “<em>E o que exige que sem demora falemos, é antes de tudo que os fautores do erro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, esse precioso documento deve nos ajudar a atravessar a tempestade sem cair nos erros e nas armadilhas. O Evangelho que pregou Nosso Senhor Jesus Cristo deve ser o Evangelho pregado hoje pela Igreja católica fundada por Jesus Cristo. A pregação não se dirige aos mesmos homens, mas deve ser essencialmente a mesma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podemos fazer uma aplicação prática que manifesta a atualidade da encíclica ‘<em>Pascendi</em>’. Vejam por exemplo, neste documento fundamental da Igreja, como o modernismo desvirtua o culto católico, reduzido a um conjunto de sinais capazes de despertar sentimentos religiosos. Se oficialmente a Santa Missa é devolvida pelo Papa Bento XVI a muitos católicos, qual é a razão desse bem? Devolver à Santa Missa e a sua teologia o seu devido lugar, ou reconhecer a validade da experiência religiosa e da <strong>sensibilidade religiosa</strong> de muitos católicos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alguns vão responder também: os dois! Ou: um pouco dos dois! Mas os dois não são compatíveis. Um exclui o outro. A doutrina modernista exclui a doutrina católica. O que é errado exclui o verdadeiro! Agora, podemos também considerar, como o faz Dom Fellay na última carta aos amigos e benfeitores, que por ser incompatíveis um com o outro, uma presença publicamente e claramente autorizada da Verdade litúrgica no seio da Igreja, provocará também uma luta doutrinal contra o erro. Do lado dos modernistas o motivo pode ser pernicioso, mas do lado de Deus, esse mesmo motivo poderá ser não a causa, mas a ocasião de um bem maior. O homem nunca pode fazer um mal para que dele venha um bem, mas Deus sabe tornar o mal ocasião de bem. O pecado original, mal moral gravíssimo, foi a ocasião de dar para nós o divino Redentor, e a liturgia canta: “<em>Oh felix culpa</em>” na Vigília de Páscoa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, rezemos pela Igreja e por nós, e peçamos a São Pio X os dons do Espírito Santo que o animaram desde a sua juventude até sua santa morte e seu triunfo como santo no céu. Procuremos as graças escondidas nas chagas gloriosas do Salvador para discernir sempre entre o bem e o mal, e escolher o bem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padre Joël Danjou Nos 100 anos da Encíclica <em>Pascendi Dominici Gregis</em> do Papa São Pio X</span></p>
<p style="text-align: center;">*****************************</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1) OS FUNDAMENTOS da filosofia religiosa modernista</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Dois princípios entrelaçados: Agnosticismo e imanência vital</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fundamento da filosofia religiosa modernista é o agnosticismo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo o agnosticismo, a razão humana só consegue conhecer fenômenos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“(&#8230;) <em>A razão humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenômenos, isto é, só das coisas perceptíveis e pelo modo como são perceptíveis</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pensando assim, o filósofo modernista diz que não pode conhecer a realidade como ela é, não conhece o que são as coisas. Não se trata mais de compreender a realidade, mas o que aparece.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, o homem estabelece primeiro, por ele mesmo, certa ciência da realidade conhecendo os fenômenos. E, depois, ele aplica este conhecimento imperfeito e superficial sobre a realidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dessa maneira, o agnosticismo diz que não conhece a realidade, mas admite um conhecimento sensível da realidade, os fenômenos. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por esse caminho, a conclusão lógica é a negação da existência de Deus. Se não consegue definir ou dizer o que é uma pêra ou uma maçã que vê, que poderá dizer de Deus que ninguém vê! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal homem, cuja inteligência pretende não poder dizer o que é a realidade, mas só designá-la ou qualificá-la, se torna prisioneiro e encarcerado em si mesmo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, tudo o que consegue dizer ou viver esse homem é uma expressão do que está nele. O homem diz às coisas o que são. Estamos no subjetivismo: O sujeito, o &#8220;eu&#8221; é afirmado em primeiro lugar, e daí se segue o resto!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Mas, então, por que um modernista não professa diretamente e imediatamente o ateísmo?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porque não nega o sensível. A religião pode observar-se também de maneira sensível: <em>Vejo uma pessoa rezar</em>! Logo, o filósofo modernista deve explicar esse fenômeno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Qual será a única resposta possível?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A religião vem do interior do homem (imanente = <em>in</em>&#8211;<em>manere</em> = dentro-permanecer = permanece dentro) e pertence aos fenômenos sensíveis. É o que a encíclica <em>Pascendi</em> chama de “<em>imanência vital</em>”. A religião é uma forma de vida humana (<em>vita</em> = vida, <em>vitalis</em> = vital) que nasce e permanece dentro dos homens, e procura e reage aos fenômenos. É, segundo os modernistas, uma necessidade do homem, ou, em outros termos, do coração humano. Há, no homem, uma necessidade do divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fé modernista é a aceitação voluntária pela consciência desta necessidade do divino que o homem experimenta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fé é a resposta à necessidade do divino cuja origem exata não é conhecida. Não posso conhecer as coisas além do sensível, mas pela “fé”, aceito a realidade da experimentação deste “além”. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A experiência do divino é a única prova formal da sua existência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Explicação</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O filósofo modernista explica que o conhecimento da ciência e da história se mantém necessariamente entre dois limites.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“&#8230; <em>a ciência e a história, dizem eles, acham-se fechadas entre dois termos: um externo, que é o mundo visível; outro interno, que é a consciência</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além do mundo visível e da consciência “&#8230; <em>acha-se o incognoscível. Diante deste incognoscível, seja que ele se ache fora do homem e fora de todas as coisas visíveis, seja que ele se ache oculto na subconsciência do homem, a necessidade de um quê divino, sem nenhum ato prévio da inteligência</em>&#8230; (&#8230;)&#8230; <em>gera no ânimo já inclinado um certo sentimento particular&#8230;.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fato de descobrir a existência do incognoscível não corresponde a um ato da inteligência, mas a uma experiência religiosa. Assim, visito um convento, uma igreja, vejo um filme, escuto o testemunho de um convertido&#8230; e nasce em mim uma atitude interior, uma impressão que não consigo explicar, quer com os elementos do mundo visível, quer com a minha consciência atual das coisas e deste fenômeno!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que nasce então em mim é um certo sentimento que responde à necessidade de aderir ou aproximar-se deste misterioso “quê” divino. E considero tal sentimento essencial, porque é ele que, “&#8230; <em>de certa maneira, une o homem com Deus. É precisamente a este sentimento que os modernistas dão o nome de fé e tem-no como princípio de religião</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que é a Revelação, Deus que se revela, para o modernismo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para o modernismo a Revelação é o divino manifestado. Mas, manifestado adentro do homem. Segundo a encíclica <em>Pascendi</em>, a “Revelação” modernista, ou ao menos o seu princípio, é “<em>aquele sentimento religioso, que se manifesta na consciência</em>” (que chamam “fé”: assentimento da consciência à necessidade subconsciente do divino), ou “<em>também <strong><u>o mesmo Deus a manifestar-se às almas</u></strong></em>” pelo meio desta fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Revelação não é mais externa ao homem, assim como o ensina o catolicismo (A Revelação tem duas fontes: a Tradição e a Sagrada Escritura), mas interna, imediata, direta, sem intermediário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“&#8230; <em>sendo Deus ao mesmo tempo objeto e causa da fé, essa revelação é de Deus como objeto e também provém de Deus como causa; isto é, tem a Deus ao mesmo tempo como revelante e revelado. Segue-se daqui, Veneráveis Irmãos, a absurda afirmação dos modernistas, segundo a qual toda a religião, sob diverso aspecto, é igualmente natural e sobrenatural.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O natural pode ser ao mesmo tempo o sobrenatural! É contraditório.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há uma grave confusão e, logicamente, graves conseqüências: “<em>Segue-se daqui a promíscua significação que dão aos termos consciência e revelação. Daqui a lei que dá a consciência religiosa, a par com a revelação, como regra universal, à qual todos se devem sujeitar, inclusive a própria autoridade da Igreja, seja quando ensina seja quando legisla em matéria de culto ou de disciplina</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><u>A lei deve erigir a consciência religiosa como regra universal do agir</u></strong>. Desse ponto se segue que a liberdade de consciência e a liberdade religiosa não podem ter limites. <strong><u>Toda consciência humana é divinizada</u></strong>. Isto explica todo o concílio Vaticano II e o magistério pós-conciliar! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>O sentimento religioso, que por imanência vital surge dos esconderijos da subconsciência, é pois o gérmen de toda a religião e a razão de tudo o que tem havido e haverá ainda em qualquer religião</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“(&#8230;) <em>Fica-se pasmo em se ouvindo afirmações tão audaciosas e sacrílegas! Entretanto, Veneráveis Irmãos, não é esta linguagem usada temerariamente só pelos incrédulos. Homens católicos, até muitos sacerdotes</em> [<strong>E essa encíclica tem 100 anos!</strong>&#8230;]<em>, afirmaram estas coisas publicamente, e com delírios tais se vangloriam de reformar a Igreja. Já não se trata aqui do velho erro, que à natureza humana atribuía um quase direito à ordem sobrenatural. Vai-se muito mais longe ainda; <strong>chega-se até a afirmar que a nossa santíssima religião, no homem Jesus Cristo assim como em nós, é fruto inteiramente espontâneo da natureza</strong>. Nada pode vir mais a propósito para dar cabo de toda a ordem sobrenatural.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O que é a religião neste sistema?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A religião é o testemunho da resposta da consciência humana ao sentimento do divino em nós. <u>Todas as religiões</u> são eflorescências dessa necessidade do divino. E como há uma diversidade de expressões há também diversas religiões.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Temos, pois, assim a origem de toda a religião, até mesmo da sobrenatural; e estas não passam de meras explicações do sentimento religioso. Nem se pense que a católica é excetuada; está no mesmo nível das outras, pois não nasceu senão pelo processo de imanência vital na consciência de Cristo, homem de natureza extremamente privilegiada, como outro não houve nem haverá&#8221;, </em>Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>E o que é o dogma?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando a inteligência vai pensar e analisar esses sentimentos religiosos do homem, ela irá traduzir “<em>em representações mentais os fenômenos de vida, que nele aparecem, e depois os manifesta com expressões verbais</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em uma primeira etapa, a inteligência exprime esses sentimentos com proposições simples, mas “<em>depois, com reflexão e penetração mais íntima, ou, como dizem, elaborando o seu pensamento, exprime o que pensou com proposições secundárias, derivadas certamente da primeira, porém, mais polidas e distintas. Estas proposições secundárias, se forem finalmente sancionadas pelo supremo magistério da Igreja, constituirão o dogma</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O dogma é útil ao crente para que possa dar razão a sua fé. A inteligência do crente analisa a sua fé, a consciência do divino, e encontra fórmulas para determiná-lo. Porém, segundo a definição da fé modernista, a consciência do divino de ontem, de hoje e de amanhã, corresponde a diferentes experiências e percepções do sentimento religioso. O verdadeiro dogma modernista é necessariamente vivo e adaptado à expressão vital do religioso em mim! Ou seja, o dogma na sua formulação muda segundo as experiências variadas ou repetidas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, a Encíclica <em>Pascendi</em> mostra que tal dogma tem duas funções para o crente. Primeira, ser <u>símbolo</u> do divino intrínseco, mas símbolo sempre incompleto porque não se pode definir o que são as coisas. As fórmulas dogmáticas “<em>são expressões inadequadas</em>” do objeto do dogma. Segunda função, o dogma é também <u>instrumento</u> do homem para falar do divino aos outros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora, como todo conhecimento está limitado aos fenômenos sensíveis e a fé depende deles, na medida em que o dogma é a expressão desta fé, então o dogma deve variar tanto como as várias sensações religiosas do crente. Caso contrário não seria mais símbolo verdadeiro do divino!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E enquanto instrumento, pelo dogma, o homem deverá falar de maneira infinitamente variada do que está vivendo, do seu “vivido”. Em hipótese contrária seria a morte da religião! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Daí surge uma nova “tradição”</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O princípio da experiência religiosa é transmitido à Tradição. Ela é comunicação e transmissão da fé, ou seja, transmissão da experiência religiosa. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A nova tradição é a transmissão das experiências sensíveis vividas. E, enquanto vividas, pertencem imediatamente ao âmbito da religião. As experiências fixas, ao contrário, não são expressões da religião. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal tradição tem, portanto, uma virtude sugestiva. Provoca uma reação sensível, faz tomar consciência do vivido do homem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vemos, assim, por exemplo, como é justo dizer que o “carismatismo” é um modernismo organizado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, o modernista crente explica assim a presença da realidade divina na sua alma: “<em>Se, porém, procurarmos saber que fundamento tem esta asserção do crente, respondem os modernistas: é a experiência individual. — Com esta afirmação, enquanto na verdade discordam dos racionalistas, <u>caem na opinião dos protestantes e</u> <u>dos pseudo-místicos</u></em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Os sacramentos</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São sinais sensíveis que produzem (eles mesmos) uma “graça”, uma virtude sugestiva, que provoca uma reação sensível, que desperta o sentimento. O cristão é “interpelado” pelos ritos, pelos gestos, pelas palavras e pelos sinais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, para não perder a sua força sugestiva, o sacramento deve seguir interpelando o crente. Por isso a necessidade de poder variar os gestos, as palavras&#8230; e de reformar as reformas litúrgicas!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Do culto não haveria muito que dizer, se debaixo deste nome não se achassem também os Sacramentos, a respeito dos quais muito erram os modernistas. Pretendem que o culto resulta de um duplo impulso; pois que, como vimos, pelo seu sistema, tudo se deve atribuir a íntimos impulsos. O primeiro é dar à religião, alguma coisa de sensível; o segundo é a necessidade de propagá-la, coisa esta que se não poderia realizar sem uma certa forma sensível e sem atos santificantes, que se chamam Sacramentos. <strong>Os modernistas, porém, consideram os Sacramentos como meros símbolos ou sinais, bem que não destituídos de eficácia</strong>. E para indicar essa eficácia, servem-lhes de exemplo certas palavras que facilmente vingam, por terem conseguido a força de divulgar certas idéias de grande eficácia, que muito impressionam os ânimos. E assim como aquelas palavras são destinadas a despertar as referidas idéias, assim também o são os Sacramentos com relação ao sentimento religioso; nada mais do que isto. Falariam mais claro afirmando logo que os Sacramentos foram só instituídos para nutrirem a fé. Mas esta proposição é condenada pelo Concílio de Trento (Sess. VII, de Sacramentis in genere, cân.5): Se alguém disser que estes Sacramentos foram só instituídos para nutrirem a fé, seja anátema</em>.” (Pascendi – <em>o modernista teólogo</em>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Igreja</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja nasce de duas necessidades:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Necessidade de comunicar sua fé aos outros</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Necessidade de organizar-se quando a fé é comum a vários, quando se torna coletiva, a fim de conservar e propagar esse tesouro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja, portanto, é o fruto da consciência religiosa coletiva, a reunião de todas as reações individuais. Um conjunto de pessoas que se juntam porque fazem experiências semelhantes do divino e que se organizam para proteger, desenvolver e dar a conhecer esse bem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, uma igreja é também um grupo de consciências que consta de uma mesma origem vital. Para os católicos, Jesus Cristo. Para os muçulmanos, Maomé, para certos protestantes, Lutero, para outros, Calvino, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Constituem-se grupos, faz-se “igreja” que é a consciência universal. E, é enquanto há “posta em comum”, que se constitui a Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Cumpre, entretanto, desde já, notar que, posta esta doutrina da experiência unida à outra do simbolismo, <strong>toda religião</strong>, não executada sequer a dos idólatras, <strong>deve ser tida por verdadeira</strong>. E na verdade, porque não fora possível o se acharem tais experiências em qualquer religião? E não poucos presumem que de fato já se as tenha encontrado. Com que direito, pois, os modernistas negarão a verdade a uma experiência afirmada, por exemplo, por um maometano? Com que direito reivindicarão experiências verdadeiras só para os católicos? E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras. É claro, porém, que eles não poderiam pensar de outro modo. Em verdade, postos os seus princípios, em que se poderiam porventura fundar para atribuir falsidade a uma religião qualquer? Sem dúvida seria por algum destes dois princípios: ou por falsidade do sentimento religioso, ou por falsidade da fórmula proferida pela inteligência. Ora, o sentimento religioso, ainda que às vezes menos perfeito, é sempre o mesmo; e a fórmula intelectual para ser verdadeira basta que corresponda ao sentimento religioso e ao crente, seja qual for a força do engenho deste. <strong>Quando muito, no conflito entre as diversas religiões, os modernistas poderão sustentar que a católica tem mais verdade, porque é mais viva, e <u>merece mais o título de cristã</u>, porque mais completamente corresponde às origens do cristianismo</strong>. &#8211; A ninguém pode parecer absurdo que estas conseqüências todas dimanem daquelas premissas. <strong>Absurdíssimo é</strong>, porém, que católicos e sacerdotes que, como preferimos crer, têm horror a tão monstruosas afirmações, se ponham quase em condição de admiti-las.&#8221;, </em>Pascendi &#8211; O modernista crente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A autoridade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como qualquer organização, essa igreja vai precisar de um chefe. Mas essa autoridade deverá estar, sobretudo, atenta às experiências, ouvindo essas experiências individuais de cada um para não desfigurar a consciência coletiva do grupo, estar ao serviço de cada um para nutrir seus sentimentos religiosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por exemplo: Encontrar o rito que melhor convém a cada um, mas conservando ao mesmo tempo a unidade do grupo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para que o grupo fique unido, para evitar uma dissociação que diminui a força do sentimento coletivo, essa autoridade pode e deve condenar o que representa um perigo para esta unidade coletiva a fim de preservar a consciência universal que é a fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por exemplo: A autoridade dará um golpe contra a teologia da libertação quando considera que exagera no progressismo, e outro golpe contra Dom Lefebvre que exageraria na sua fidelidade (“fixista”) à Igreja de sempre! Assim, a autoridade não passa de um simples serviço vital de organização e de controle. O Papa só toma o “pulso” universal do grupo a fim de prever e evitar abusos mortais à consciência coletiva e preservar sua identidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, no modernismo, o chefe religioso é um ‘organizador de compartilhamento’. Não há mais autoridade propriamente dita. A autoridade não vem mais de Deus imediatamente. “<em>Assim como a Igreja emanou da coletividade das consciências, a autoridade emana virtualmente da mesma Igreja. A autoridade, portanto, da mesma sorte que a Igreja, nasce da consciência religiosa, <u>e por esta razão fica dependente da</u> <u>mesma</u></em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a autoridade esquece ou parece desprezar essa consciência religiosa estará legitimamente declarada tirânica, retrógrada ou ultra conservadora!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Quanto às relações da Igreja com as sociedades temporais, os estados temporais, elas estão inevitáveis.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A regra de atuar nesta matéria deverá considerar a natureza e o fim de cada uma destas sociedades. Quanto à natureza, os modernistas recusam seguir a doutrina multissecular da Igreja, que ensina que Ela é instituída diretamente por Deus. Para eles, a Igreja e o Estado são sociedades feitas pelo homem e que respondem essencialmente a diferentes necessidades do homem. Ora, mesmo assim, observam que os fins e objetivos de cada uma delas são essencialmente distintos. Fim espiritual para a Igreja, fim temporal para o Estado. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como conseqüência, temos, segundo os modernistas, duas sociedades existindo e necessitadas pelo bem do ‘homem total’ e cujos objetivos são efetivamente e absolutamente distintos. Daí, Deus estando afastado das suas constituições essenciais, não se pode falar da superioridade de uma sobre a outra. Cada uma deverá certamente respeitar a outra, mas não será mais admitido ensinar que o temporal possa ser subordinado ao espiritual. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Falava-se outrora do temporal sujeito ao espiritual, de questões mistas, em que a Igreja intervinha qual senhora e rainha, porque então se tinha a Igreja como instituída imediatamente por Deus, enquanto autor da ordem sobrenatural. Mas estas crenças já não são admitidas pela filosofia, nem pela história. Deve, portanto, a Igreja separar-se do Estado, e assim também o católico do cidadão.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Reclamando então a separação da Igreja e do Estado, os modernistas reclamam necessariamente também a separação do católico e do cidadão, do católico na sua vida privada e do católico na vida pública. Mas esta separação e aparente igualdade de tratamento levam necessariamente à submissão do espiritual ao temporal!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, a cada instante o católico dará a impressão de entrar no terreno do outro! Ser católico unicamente na vida privada significa ser invisível na vida pública! E isto não se consegue sem esconder as necessárias conseqüências visíveis da religião! Mas como é absolutamente impossível evitar toda manifestação pública exterior da religião, a Igreja deverá aceitar submeter-se ao Estado nestas circunstâncias! Culto, sacramentos (matrimônio!), atividades eclesiásticas, questões morais, todas essas manifestações exteriores da religião entram também no âmbito temporal das sociedades. O Estado separado da Igreja reclamará então a submissão da Igreja à suas decisões nestas matérias públicas! Lógica fria! Mas lógica!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>No entanto, à escola dos modernistas não basta que o Estado seja separado da Igreja. Assim como a fé deve subordinar-se à ciência, quanto aos elementos fenomênicos, assim também nas coisas temporais a Igreja tem que sujeitar-se ao Estado. Isto não afirmam talvez muito abertamente; mas por força de raciocínio são obrigados a admiti-lo. Em verdade, admitido que o Estado tenha absoluta soberania em tudo o que é temporal, se suceder que o crente, não satisfeito com a religião do espírito, se manifeste em atos exteriores, como, por exemplo, em administrar ou receber os Sacramentos, isto já deve necessariamente cair sob o domínio do Estado. Postas as coisas neste pé, para que servirá a autoridade eclesiástica? Visto que esta não tem razão de ser sem os atos externos, estará em tudo e por tudo sujeita ao poder civil. É esta inelutável conseqüência que leva muitos dentre os protestantes liberais a desembaraçar-se de todo o culto externo e até de toda a sociedade religiosa externa, procurando pôr em voga uma religião, que chamam individual. — E se os modernistas, desde já, não se atiram francamente a esses extremos, insistem pelo menos em que a Igreja se deixe espontaneamente conduzir por eles até onde pretendem levá-la e se amolde às formas civis.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o ‘<em>modernista reformador</em>’ insiste: “<em>Deve mudar-se a atitude da autoridade eclesiástica nas questões políticas e sociais, de tal sorte que não se intrometa nas disposições civis, mas procure amoldar-se a elas, para penetrá-las no seu espírito”, </em>Pascendi. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A encíclica denuncia claramente essas idéias que, infelizmente, triunfaram nos anos sessenta no concílio Vaticano II. Hoje, a hierarquia modernista de nosso século nascente chora e se lamenta frente à invasão planetária do aborto e de tantos outros males públicos, mas não quer enxergar as causas que ela mesma promoveu e edificou!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O princípio radical do modernismo: A evolução de tudo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como vimos, o modernismo tem um quadro e certos limites, mas o seu fundamento seguro é o âmbito do sensível, os fenômenos. Ora, o sensível é variável. Logo, o modernismo reclamará, como uma necessidade e uma condição absoluta, uma religião evolutiva. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Têm eles por princípio geral que numa religião viva, tudo deve ser mutável e mudar-se de fato. Por aqui abrem caminho para uma das suas principais doutrinas, que é a evolução. O dogma, pois, a Igreja, o culto, os livros sagrados e até mesmo a fé, se não forem coisas mortas, devem sujeitar-se às leis da evolução. Quem se lembrar de tudo o que os modernistas ensinam sobre cada um desses assuntos, já não ouvirá com pasmo a afirmação deste princípio. Posta a lei da evolução, os próprios modernistas passam a descrever-nos o modo como ela se efetua. E começam pela fé. Dizem que a forma primitiva da fé foi rudimentar e indistintamente comum a todos os homens; porque se originava da própria natureza e vida do homem. Progrediu por evolução vital; quer dizer, não pelo acréscimo de novas formas, vindas de fora, mas por uma crescente penetração do sentimento religioso na consciência</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta evolução é considerada boa porque é o resultado de uma oposição frutuosa entre uma força conservadora e outra progressista.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Estudando, pois, mais a fundo o pensar dos modernistas, deve-se dizer que a evolução é como o resultado de duas forças que se combatem, sendo uma delas progressiva e outra conservadora. A força conservadora está na Igreja e é a tradição. O exercício desta é próprio da autoridade religiosa, quer de direito, pois que é de natureza de toda autoridade adstringir-se o mais possível à tradição; quer de fato, pois que, retraída das contingências da vida, pouco ou talvez nada sente dos estímulos que impelem ao progresso. Ao contrário, a força que, correspondendo às necessidades, arrasta ao progresso, oculta-se e trabalha nas consciências individuais, principalmente naquelas que, como eles dizem, se acham mais em contato com a vida. — Neste ponto, Veneráveis Irmãos, já se percebe o despontar daquela perniciosíssima doutrina que introduz na Igreja o laicato como fator de progresso. De uma espécie de convenção entre as forças de conservação e de progresso, isto é, entre a autoridade e as consciências individuais, nascem as transformações e os progressos. As consciências individuais, ou pelo menos algumas delas, fazem pressão sobre a consciência coletiva; e esta, por sua vez, sobre a autoridade, obrigando-a a capitular e pactuar.</em>”, Pascendi. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O progresso vem dos compromissos e das transações entre as duas forças! A base pressiona a autoridade que pode assim colecionar as reações individuais. Se a pressão se desenvolve e se torna mais viva, a autoridade deverá tomar conta dela e, assim, modificar as posições do momento presente para outras, novas e mais adaptadas à consciência coletiva.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É um equilíbrio sempre instável, não perdura, o seu destino é mudar sempre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste contexto, quando um pseudo-teólogo, modernista ou progressista demais, está publicamente repreendido, ele é imediatamente considerado pelos colegas como vítima necessária do progresso. Ele mesmo proclama não poder entender que a Igreja o condena quando favorece o seu bem, o seu progresso!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Traçado este caminho, eles continuam; continuam, com desprezo das repreensões e condenações, ocultando audácia inaudita com o véu de aparente humildade. Simulam finalmente curvar a cabeça; mas, no entanto a mão e o pensamento prosseguem o seu trabalho com ousadia ainda maior. E assim avançam com toda a reflexão e prudência, tanto porque estão persuadidos de que a autoridade deve ser estimulada e não destruída, como também porque precisam de permanecer no seio da Igreja, para conseguirem pouco a pouco assenhorear-se da consciência coletiva, transformando-a; mal percebem porém, quando assim se exprimem, que estão confessando que a consciência coletiva diverge dos seus sentimentos, e que portanto não têm direito de declarar-se intérpretes da mesma.</em>”, Pascendi. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O sistema modernista está então claramente apoiado sobre princípios determinados: agnosticismo, imanência vital, evolucionismo. Mas a conseqüência concreta destes princípios desastrosos e caóticos é necessariamente confusa e nebulosa. Daí a impressão que têm os católicos de que o modernismo não tem bases claras e sólidas. Mas não é assim.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Imaginemos encontrar um homem jogando pela janela, um atrás do outro, todos os livros da sua biblioteca. “Perdeu a cabeça”, dizem os sensatos! “Deve estar todo confuso!” “Não se dá mais conta do que está fazendo!” Mas ele poderia responder no seu interior: “Confuso? Eu? Não! Estou apenas procurando uma citação de alguém que possa exprimir o sentimento que sinto vibrar agora dentro de mim! O resto não vale mais nada!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Até o novo direito humano: o direito de contradizer Deus</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A última conseqüência do sistema modernista será a legitimação necessária de afirmações contraditórias. A religião do sentimento divino imanente leva necessariamente a sentir hoje o que não sentia assim ontem. Mas os dois sentimentos são válidos no seu contexto, no seu tempo!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“(&#8230;) <em>Posto isto, que será dos dogmas da Igreja? Também estes estão cheios de evidentes contradições; mas, além de serem aceitos pela lógica da vida, não se acham em oposição com a verdade simbólica; pois, neles se trata do infinito, que tem infinitos aspectos. Enfim, tanto eles aprovam e defendem essas teorias, que não põem dúvida em declarar que se não pode render ao Infinito maior preito de homenagens, do que afirmando acerca do mesmo coisas contraditórias! <u>E admitindo-se a contradição, que é</u> <u>o que se não admitirá?</u></em>”, Pascendi </span></p>
<h1 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2) AS CAUSAS DO MODERNISMO</span></h1>
<h2 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2.1) Causas morais: <u>Curiosidade</u> e <u>orgulho</u></span></h2>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A perversão do espírito é evidentemente a mais grave. Tal perversão tem duas causas principais, a curiosidade sem regras &#8211; ou o amor das novidades &#8211; e o orgulho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>O amor de novidades basta por si só para explicar toda a sorte de erros.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto ao orgulho, este se manifesta já na própria raiz do modernismo, quando pretende elevar-se para dominar o real e não estar mais submisso a ele. É certamente poderosa a razão humana, mas foi feita para ser submissa ao real. Quanto mais a inteligência conhece o real, mais se abre e se desabrocha. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem não deve dizer “penso, então o real é assim”, mas, “penso que o real é assim”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Por orgulho, esquecidos de si mesmos, pensam unicamente em reformar os outros, sem respeitarem nisto qualquer posição, nem mesmo a suprema autoridade. <strong>Para se chegar ao modernismo não há, com efeito, caminho mais direto do que o orgulho</strong>. Se algum leigo ou também algum sacerdote católico esquecer o preceito da vida cristã, que nos manda negarmos a nós mesmos para podermos seguir a Cristo, e se não afastar de seu coração o orgulho, ninguém mais do que ele se acha naturalmente disposto a abraçar o modernismo!</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma conseqüência concreta desta disposição errada e perversa é a recusa da autoridade que representa o real, o que é. Daí surge inevitavelmente o velho conflito entre liberdade e autoridade. E daí também as fortes recomendações e ordens do Papa São Pio X: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Seja portanto, Veneráveis Irmãos, o vosso primeiro dever resistir a esses homens soberbos, ocupá-los nos misteres mais humildes e obscuros, a fim de serem tanto mais deprimidos quanto mais se enaltecem, e, postos na ínfima plana, tenham menor campo a prejudicar. Além disto, por vós mesmos ou pelos reitores dos seminários, procurai com cuidado conhecer os jovens que se apresentam candidatos às fileiras do clero; e se algum deles for de natural orgulhoso, riscai-o resolutamente do número dos ordinandos. Neste ponto, quisera Deus que se tivesse sempre agido com a vigilância e fortaleza que era mister!</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O orgulho de um modernista &#8211; Um exemplo histórico</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>&#8220;Teólogo&#8221; do Concílio Vaticano II, o padre Yves Congar reconhece que a liberdade religiosa não existe mas prefere inventá-la falsamente! </em></strong> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Eu contribuí aos últimos parágrafos da declaração Dignitatis Humanae (Vaticano II – Declaração sobre a liberdade religiosa) – os quais menos me satisfazem. <u>Tratava-se de mostrar que o tema da liberdade religiosa já aparecia nas Escritura</u>. <strong><u>Ora, não aparece aí</u></strong>. <strong><u>Então</u></strong>, eu trabalhei com dois biblistas, um jesuíta, o Padre Lyonnet, e um dominicano, o Padre Bento, da Escola Bíblica de Jerusalém. Nós nos esforçamos em mostrar como Jesus mesmo não tinha sido violento” </em>(Padre Yves Congar, OP, co-fundador em 1965 da revista modernista <em>Concilium,</em> <em>apud “</em>À direita do Pai”, 1994)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pela curiosidade e o orgulho a inteligência está descontrolada e quer saber tudo por si mesma. Há, então, no fundamento do modernismo, uma verdadeira disposição habitual de má vontade, mais ou menos consciente ou voluntária, muito difícil de corrigir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.2) Causa intelectual: <u>a ignorância</u></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A aliança de uma falsa filosofia com a fé produz todo um sistema falso. Esse sistema encontra três grandes obstáculos que os modernistas intentam desprezar, silenciar ou corromper.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Três obstáculos incomodam sobremaneira os modernistas:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">A filosofia escolástica e o “<em>método escolástico de raciocinar</em>”</span></li>
<li><span style="color: #000000;">A autoridade dos Padres com a Tradição</span></li>
<li><span style="color: #000000;">O magistério eclesiástico</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Saibamos observar como os modernistas usando os Padres da Igreja têm habitualmente o objetivo de opô-los explicitamente ou implicitamente aos santos teólogos escolásticos (cujo mestre e doutor comum é santo Tomás de Aquino). Costumam citar os primeiros para fazer pensar que os outros são secos e frios, sem contato direto com o “vivido”. Explicaremos esta impressão quando falarmos dos remédios para modernismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Também usarão os escritos dos Santos Padres, sem a luz da Igreja para compreendê-los corretamente. Porém, são precisamente os esclarecimentos dos escolásticos, dos tomistas, que permitem saborear com prudência e com bons frutos esses escritos influenciados pela filosofia outrora dominante, o platonismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não esqueçamos que os modernistas têm uma visão extremamente falsa da Tradição, reduzida a uma comunicação da experiência religiosa. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>São também muito astuciosos em desvirtuar a natureza e a eficácia da Tradição, a fim de privá-la de todo o peso e autoridade. Porém, nós, os católicos, teremos sempre do nosso lado a autoridade do segundo Concílio de Nicéia, que condenou «aqueles que ousam&#8230;, à maneira de perversos hereges, desprezar as tradições eclesiásticas e imaginar qualquer novidade&#8230; ou pensar maliciosa e astutamente em destruir o que quer que seja das legítimas tradições da Igreja católica».</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vemos assim que o magistério tradicional incomoda e bloqueia as afirmações e conclusões dos modernistas. “<em>Põem, finalmente, todo o empenho em diminuir e enfraquecer o magistério eclesiástico, ora deturpando-lhe sacrilegamente a origem, a natureza, os direitos, ora repetindo livremente contra ele as calúnias dos inimigos.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, apesar da noção distorcida que têm do magistério, quando séculos de ensino e escritos da hierarquia eclesiástica condenam e contradizem o que pensam, escrevem e pregam, não encontram outro remédio senão recorrer a “lei do silêncio”. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Em vista disto, Veneráveis Irmãos, não é para admirar que os católicos, denodados defensores da Igreja, sejam alvo do ódio mais desapoderado dos modernistas. Não há injúria que lhes não atirem em rosto; mas de preferência os chamam ignorantes e obstinados. Se a erudição e o acerto de quem os refuta os atemoriza, procuram descartá-lo, recorrendo ao silêncio.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.3) Mais duas notas e causas do modernismo!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Os que têm costume de <em>escrever com demais liberdade</em> ou precipitação.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal costume resulta de uma falta de rigor e de trabalho. O leigo ou o clero que atua assim vai deixando mais facilmente de lado os princípios e procura naturalmente fazer “algo novo”, diferente, para ser lido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Lamentamos esses muitos que, embora não se tenham adiantado tanto, tendo contudo respirado esse ar infeccionado, já pensam, falam e escrevem com tal liberdade, que em católicos não assenta bem. Vemo-los entre os leigos; vemo-los entre os sacerdotes; e, quem o diria? Vemo-los até no seio das famílias religiosas</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>O mau espírito</em> que anima os modernistas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é o aspecto mais visível, mas é gravíssimo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Podem estar eles na persuasão de fazerem coisa agradável a Deus e à Igreja; na realidade, porém, ofendem gravemente a Deus e à Igreja, se não com suas obras, de certo com o espírito que os anima e com o auxílio que prestam ao atrevimento dos modernistas.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vemos neste caso que é a prática que vai revelar claramente ou desmascarar os modernistas. Os católicos devem preservar-se e proteger-se deste mau espírito. Devem conhecer e aprender a reconhecer os bons livros, lê-los e voltar também a lê-los de vez em quando para lembrar os grandes princípios e esclarecer as idéias pervertidas pelas máximas do mundo. </span></p>
<h1 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3) OS REMÉDIOS</span></h1>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após uma detalhada analise do sistema modernista e de suas causas, São Pio X não deixa a Igreja sem esperança e grandes remédios. O Bom Pastor denuncia os erros e sara as almas. Não foge diante do modernismo e de seus falsos ensinos como o mercenário diante do lobo. Não ensina tampouco que o lobo é um amigo! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nos remédios que resumimos aqui, podemos também reconhecer ainda que quem lê São Pio X, seja modernista ou católico, não precisa de uma segunda leitura ‘<em>com a lupa</em>’ para entender ou interpretar o que está afirmado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.1) A filosofia escolástica</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “<em>No que se refere aos estudos, queremos em primeiro lugar e mandamos terminantemente, que a filosofia escolástica seja tomada por base dos estudos sacros</em>” (&#8230;) “<em>O que importa saber, antes de tudo, é que a filosofia escolástica, que mandamos adotar, é principalmente a de Santo Tomás de Aquino; a cujo respeito queremos fique em pleno vigor tudo o que foi determinado pelo Nosso Predecessor e, se há mister, renovamos, confirmamos e mandamos severamente sejam por todos observadas aquelas disposições. Se isto tiver sido descuidado nos seminários, insistam e exijam os Bispos que para o futuro se observe. Tornamos extensiva a mesma ordem aos Superiores das Ordens religiosas. E todos aqueles que ensinam fiquem cientes de que não será sem graves prejuízos que especialmente em matérias metafísicas, se afastarão de Santo Tomás. Fundamentada assim a filosofia, sobre ela se erga com a maior diligência o edifício teológico</em>.”, Pascendi<em>.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A teologia escolástica dogmática estuda a Verdade, Deus, sem fazer considerações históricas. É o trabalho e os raciocínios da inteligência iluminada pelos dados da Fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A teologia chamada “positiva” estuda também Deus, mas a partir dos escritos históricos e suas circunstâncias. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As tentativas modernistas quanto à teologia positiva consistem em exagerar a sua faceta viva. A história conta fatos vividos. Logo, dizem que a teologia positiva estuda a Fé vivida. Daí, para os modernistas, será muito fácil dar mais um passo dizendo que a fé fundada e verdadeira é só uma fé vivida e legitimar o falso princípio da necessária evolução desta fé. E inevitavelmente chegam assim a relativizar a Verdade! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outra conseqüência imediata desse desvio será a repugnância com relação à escolástica, acusada implicitamente de estudar uma fé morta!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma aplicação concreta desta atitude modernista foi o caso dos catecismos! Os catecismos seguindo o método tradicional, com boa doutrina (!!!) e com perguntas e respostas, método aconselhadíssimo e usado por São Pio X, desapareceram nos anos sessenta após o concílio Vaticano II. Considerados secos e inaptos, foram substituídos por outros com desenhos (muitos deles horríveis) e textos teoricamente mais vivos e bem adaptados à juventude! O resultado é hoje visível&#8230; um imenso vazio onde entraram facilmente abundantes seitas de qualquer espécie.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Terminemos então este parágrafo lembrando que o papel da teologia positiva é de ajudar e confirmar a teologia dogmática, e não de incitar o teólogo ou os leigos a criticar ou desprezar a escolástica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.2) A exclusão dos modernistas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Papa São Pio X reclama uma grande vigilância: “<em>Todo aquele que tiver tendências modernistas, seja ele quem for, deve ser afastado quer dos cargos quer do magistério; e se já tiver de posse, cumpre ser removido. Faça-se o mesmo com aqueles que, às ocultas ou às claras, favorecerem o modernismo, louvando os modernistas, ou atenuando-lhes a culpa, ou criticando a escolástica, os Santos Padres, o magistério eclesiástico, ou negando obediência a quem quer que se ache em exercício do poder eclesiástico</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Não deve ser menor a vossa vigilância e severidade na escolha daqueles que devem ser admitidos ao Sacerdócio. Longe, muito longe do clero esteja o amor às novidades; Deus não vê com bons olhos os ânimos soberbos e rebeldes! — A ninguém doravante se conceda a láurea da teologia ou direito canônico, se primeiro não tiver feito todo o curso de filosofia escolástica</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.3) As publicações autorizadas ou proibidas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como diz São Pio X, o modernista reformador reclama que : « <em>Também devem ser transformadas as Congregações romanas, e antes de todas, as do Santo Ofício e do Índice. »,</em> Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, São Pio X é Papa e portanto rege, ensina e santifica. Conseqüentemente, decide proteger os sacerdotes e os fiéis instituindo, além do ‘Índice’ instaurado pelo Concílio de Trento, a ‘<em>imprimatur</em>’. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Acresce também saber que, assim como todo e qualquer alimento não serve igualmente para todos, da mesma sorte um livro que pode ser inocente num lugar, já noutro, por certas circunstâncias, pode tornar-se nocivo.”, </em>Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“No entanto não basta impedir a leitura ou a venda de livros maus; cumpre, outrossim, impedir-lhes a impressão. Usem pois, os Bispos a maior severidade em conceder licença para impressão. — E visto como é grande o número de livros que, segundo a Constituição Officiorum, hão mister da autorização do Ordinário, é costume em certas dioceses designar, em número conveniente, Censores, por ofício, para o exame dos manuscritos. Louvamos com efusão de ânimo essa instituição de censura; e não só exortamos, mas mandamos que se estenda a todas as dioceses. Haja, portanto, em todas as Cúrias episcopais censores para a revisão dos escritos em via de publicação”, </em>Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>O Censor dará o seu parecer por escrito. Se for favorável, o Bispo permitirá a impressão com a palavra ‘Imprimatur’, que deverá ser precedida do ‘Nihil obstat’ e do nome do Censor.”,</em> Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>CONCLUSÃO do Papa São Pio X</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Julgamos oportuno escrever-vos estas coisas, Veneráveis Irmãos, a bem da salvação de todos os fiéis. Por certo os inimigos da Igreja hão de valer-se disto, para de novo repisarem a velha acusação, com que procuram fazer-Nos passar por inimigos da ciência e dos progressos da civilização”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“(&#8230;) <em>Queira Deus secundar os Nossos desígnios, e auxiliarem-nos todos quantos têm verdadeiro amor à Igreja de Jesus Cristo. – Entretanto, Veneráveis Irmãos, para vós, em cuja obra e zelo tanto confiamos, pedimos de coração a plenitude das luzes celestiais, afim de que, nesta época de tão grande perigo para as almas, devido aos erros que de toda parte se infiltram, descortineis o que deveis fazer e o executeis com todo o ardor e fortaleza. Que vos assista com seu poder Jesus Cristo, autor e consumidor da fé; que vos assista com o seu socorro a Virgem Imaculada, destruidora de todas as heresias. E Nós, como penhor da Nossa afeição e como arras das divinas consolações no meio de vossos trabalhos, de coração vos damos a vós, ao vosso clero, e ao vosso povo a Benção Apostólica. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Dado em Roma, junto a São Pedro, no dia 8 de setembro de 1907, no quinto ano do Nosso Pontificado. PIO X, PAPA.”</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pelo Pe. Joël Danjou, FSSPX(*)</strong></span></p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: justify;">(*) Hoje o Pe. Danjou não se encontra mais na FSSPX</p>
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		<title>DISCURSO DO PAPA PIO XII A UM GRUPO DE CATÓLICOS BRASILEIROS</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 14:42:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[PIO XII]]></category>

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		<description><![CDATA[17 de Abril de 1939 É com intensa alegria paterna que recebemos a visita dos representantes do longínquo e grande Brasil. Grande pelo territorio, grande pelo numero de habitantes, grande pelo seu presente de trabalho e progresso, grande pelo seu &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/discurso-do-papa-pio-xii-a-um-grupo-de-catolicos-brasileiros/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class=" aligncenter" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cc/Pio_XII.jpg" alt="Ficheiro:Pio XII.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre" width="217" height="292" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><em>17 de Abril de 1939</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É com intensa alegria paterna que recebemos a visita dos representantes do longínquo e grande Brasil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Grande pelo territorio, grande pelo numero de habitantes, grande pelo seu presente de trabalho e progresso, grande pelo seu porvir, e grande sobretudo por sua Fé Catholica tão sinceramente professada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nós mesmo temos ainda a alma transbordante das impressões colhidas na visita que tivémos a ventura de fazer á vossa Pátria em 1934.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jamais poderemos esquecer o espetáculo deslumbrante da vossa natureza e do acolhimento que Nos dispensaram todos, desde o mais alto magistrado da Republica, as altas auctoridades civis e militares, a Assembléa legislativa, a Suprema Côrte, até os mais humildes representantes populares.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais que na retina dos olhos, guardamos no espírito a visão incomparável que se descortina aos pés de Christo Redemptor no Corcovado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E a esse Christo, Redemptor da Humanidade e única Salvação do mundo, que elevado immerecidamente às culminâncias de Seu Vigário na terra, pedimos a abundância de todas as graças celestes para vós, para as vossas famílias, e para todos os que vos são caros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma bênção affectuosíssima para o Nosso muito querido Cardeal Leme, e para todos os seus irmãos no Episcopado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma grande bênção para o Chefe da Nação, para os seus auxiliares do Governo e para todo o povo brasileiro.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/speeches/1939.html">Site do Vaticano</a></span></span></strong></p>
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		<title>CARTA “QUAE NOBIS HAUD ITA”, DO PAPA PIO XI</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 14:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Pio XI]]></category>

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		<description><![CDATA[AO CARDEAL ADOLFO BERTRAM, BISPO DE BRESLAU: SOBRE OS PRINCÍPIOS E FUNDAMENTOS GERAIS DA AÇÃO CATÓLICA. Diletíssimo filho Nosso, saudações e bênção apostólica. Grande foi Nossa alegria pela notícia que Nos comunicastes acerca de vossas iniciativas em ordem a promover &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/carta-quae-nobis-haud-ita-do-papa-pio-xi/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YxKQ!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6c566a4a-f22c-47b8-9b2e-5392ac9e26eb_1280x720.jpeg" alt="" width="410" height="236" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">AO CARDEAL ADOLFO BERTRAM, BISPO DE BRESLAU: SOBRE OS PRINCÍPIOS E FUNDAMENTOS GERAIS DA AÇÃO CATÓLICA.</span></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!y2mk!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2c7943c2-0b2c-4ac0-8455-5bc9e11bffd7_960x1126.png" alt="" width="176" height="206" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diletíssimo filho Nosso, saudações e bênção apostólica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Grande foi Nossa alegria pela notícia que Nos comunicastes acerca de vossas iniciativas em ordem a promover o crescimento da Ação Católica entre os vossos fiéis, mostrando assim vosso respeito à Sé Apostólica, ao desejar que em carta aos queridos filhos da vossa diocese indicássemos o método mais acertado de progredir no caminho empreendido e déssemos novos encorajamentos para maiores progressos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A causa em questão não era desconhecida da própria era apostólica, visto que o Apóstolo São Paulo, em sua carta aos Filipenses (cap. IV, v. 3), menciona <em>“seus cooperadores”</em> e fala daquelas <em>“que combateram” </em>com ele no Evangelho. Mas mais do que nunca em nossos tempos, quando a integridade da fé e da moral está em perigo cada vez maior e a escassez de padres é, infelizmente, tão extremada que eles são completamente incapazes de atender às necessidades das almas, devemos ter maior confiança na Ação Católica para ajudar e, com numerosos colaboradores leigos do poder temporal, suprir essa considerável escassez de clérigos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É evidente que Nossos predecessores aprovaram e aplicaram este método de cuidar da causa católica, os quais, à medida que os tempos se tornavam mais difíceis para a Igreja e para a sociedade dos homens, exortavam todos os fiéis com ainda mais fervor, em uníssono, a se empenharem, sob a liderança dos Bispos, em lutas santas e a proverem a salvação eterna de seus semelhantes da melhor maneira possível. Não foi pouca nossa preocupação com o crescimento da Ação Católica desde o início do nosso pontificado, pois, na Encíclica <em>“<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/enciclica-ubi-arcano-dei-consilio/">Ubi arcano Dei</a>”</span></em>, declaramos publicamente que ela não estava de modo algum separada do ministério pastoral e da vida cristã, e depois explicamos sua natureza e finalidade, que, se forem devidamente consideradas, não têm outro objetivo senão o de que os leigos participem de certo modo do apostolado hierárquico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Continue lendo essa C<span style="color: #000000;">arta, no excelente Verbum Fidelis, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://verbumfidelis.substack.com/p/quae-nobis?utm_source=post-email-title&amp;publication_id=2492687&amp;post_id=172046297&amp;utm_campaign=email-post-title&amp;isFreemail=false&amp;r=3xjg51&amp;triedRedirect=true&amp;utm_medium=email">CLICANDO AQUI</a></span></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>PIO XII CONTRA O AMERICANISMO</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jun 2025 14:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[PIO XII]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Sì Sì No No, Ano LI, n. 9 &#8211; Tradução: Dominus Est O catolicismo entre o liberalismo e o socialismo Pio XII[1], ao contrário de Russel Kirk (†1994), Edmund Burke (1797) e os neoconservadores atuais, compreendeu muito bem a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/pio-xii-contra-o-americanismo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm6" style="text-align: center;"><img class="" src="https://sapientiaechristianae.org/wp-content/uploads/2022/10/6804ca5c-f9ce-47ed-b644-3c221bdaa006.jpeg?w=504" alt="" width="421" height="324" /></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Fonte: Sì Sì No No, Ano LI, n. 9 &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">O catolicismo entre o liberalismo e o socialismo</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Pio XII[1], ao contrário de Russel Kirk (†1994), Edmund Burke (1797) e os neoconservadores atuais, compreendeu muito bem a oposição irreconciliável entre o espírito liberal/americanista (não uma questão de raça, mas de ideias) e o catolicismo; entre o comunismo (trotskista ou stalinista, essencialmente iguais, acidentalmente diferentes) e o cristianismo.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">A excomunhão do comunismo ateu e materialista</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">De fato, depois de ter excomungado o comunismo apóstata, por ser ateu e materialista, em 1949, e de ter se pronunciado abertamente contra o perigo de uma junta social/comunista em Roma, em 1952, ele expulsou Alcide De Gasperi da Sé por não querer se aliar (tal como De Gasperi havia pedido) à direita contra a esquerda e por ter denunciado Giovanni Guareschi. Por fim, ele também expulsou Monsenhor Montini de Roma por estar muito próximo da mentalidade secularista e democrata-cristã de De Gasperi.</span><span id="more-33160"></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">&#8230;mas Pacelli também condenou o liberalismo</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Além disso, o Papa Pacelli condenou o outro erro que se opõe ao coletivismo totalitário do comunismo: a saber, o individualismo liberal/libertário e consumista do Ocidente americanizado, definido por Pacelli como “puro automatismo” e apenas exterior ou aparentemente “puro/livre”; enquanto que real e interiormente torna o homem “escravo” da moda, da riqueza, do pecado e da amoralidade relativista.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Pio XII não simpatizou com o Pacto Atlântico (em 1950, por ocasião da guerra contra a Coreia), atraindo a ira de Roosevelt. Assim como no final da Segunda Guerra Mundial, ele não quis ficar do lado nem do Terceiro Reich nem do Pacto Atlântico.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">A última cruzada realizada em 1950</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">No início dos anos cinquenta, Pacelli lança a Igreja em uma conquista da sociedade civil (elegendo como modelo Gregório VII, Inocêncio III e beatificando Inocêncio XI, que havia ajudado a deter os turcos em Viena no século XVII, salvando assim toda a Europa e, mais tarde, canonizando Pio X, o papa antimodernista), ensinando positivamente o mundo; foi a era das grandes reuniões de massa, com as “entregas aos militantes”, nas quais milhões de pessoas foram “a Roma para ver Pedro”, organizadas pelo professor Luigi Gedda e pelo padre Lombardi. Basta pensar na instituição da festa litúrgica de São José, patrono dos artesãos, a ser solenizada em 1º de maio, para arrebatar as massas trabalhadoras das garras do marxismo. Um dia de festa tão detestado tanto pelos comunistas quanto pelos paleoconservadores, irritados por insano arqueologismo.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Pacelli convidou os fiéis a despertarem da letargia espiritual que os havia envolvido e a se dedicarem, de corpo e alma, ao apostolado militante. Em 1950, ele proclamou o dogma da Assunção de Maria ao céu, vendo e propondo Nossa Senhora como o último refúgio antes do castigo inevitável se a humanidade não sair de sua letargia.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Em 1951, proclamou a “cruzada da pureza” (em um mundo que deslizava para a amoralidade e a impudência) e canonizou Maria Goretti como mártir da castidade, propondo-a como modelo para o mundo e especialmente para a juventude.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Em 1954, ele proclamou o Ano Mariano, um ano de oração e penitência (que não tinha nada a ver com as atuais “jornadas da juventude”, que são muito mais parecidas — infelizmente, mas é a realidade e “contra fatos não há argumentos” — com os bacanais pagãos, repletos de música afro-americana selvagem, orgias, preservativos e drogas).</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Todos os meses, Pio XII recebe e convida todas as classes sociais: as famosas categorias de “artes e ofícios”, que ainda eram a espinha dorsal da Itália (ainda não americanizada) de economia, austeridade, moralidade, frugalidade e fé no período pós-guerra; estimulando-as a impregnarem-se a si mesmas, suas famílias, suas categorias e, portanto, a sociedade com o espírito cristão para realizar o reino social de Jesus Cristo. Pio XII se preocupa com uma relação séria e não histriônica com as massas: ele é o Papa das grandes reuniões (e não dos espetáculos ou, pior ainda, das mascaradas); ele escolhe os meios de comunicação de massa com astúcia e seriedade para fazer com que o Evangelho chegue íntegro a todos, não adoçado, diluído ou disfarçado e deformado em um vago filantropismo carnavalesco.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">1955: o mundo se afasta da cruzada católica antiliberal/comunista</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Infelizmente, Pio XII percebeu, em 1954-1955, que o mundo (passada a perplexidade e a reflexão dos primeiros anos do pós-guerra) não queria mais ouvir a voz da Igreja, e que, a essa altura, já havia caído no consumismo, no conformismo e no relativismo ocidentais (o outro erro do pós-guerra espelhado, mas não com o mesmo grau de malícia, oposto ao horror do comunismo “intrinsecamente perverso”); Assim como antes da guerra o neopaganismo pan-germânico foi condenado, que não havia abolido a religião ao impor o ateísmo estatal, na família e na propriedade privada, como o bolchevismo comunista havia feito. A cidade do bem-estar do homem ocidental e americanizado, que Pacelli havia se esforçado para construir positiva e ativamente (de 1945 a 1954) no mundo devastado material e espiritualmente pela Segunda Guerra Mundial, agora é mais sedutora do que a de Deus.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">Testemunho, oração, silêncio interior e penitência</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Infelizmente, o consumismo e o hedonismo suplantam a austeridade e a simplicidade do catolicismo romano. O mundo não quer ouvir, e muito menos colocar em prática, os conselhos da “voz do Pastor”.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Assim, Pacelli se retirou (de 1955) até sua morte (1958) para o silêncio, a oração e a penitência; ele sempre continuou a admoestar o mundo para evitar o perigo iminente de uma catástrofe, mas entendeu que agora “não quer que Cristo reine sobre ele”; Pio XII é visto em uma fotografia com os cordeirinhos, os pardais voando e pousando em sua mão, como São Francisco, que falava aos animais quando os homens não o ouviam, limitando-se e sempre tentando dar o testemunho de uma vida justa; ele se contentava em andar pelas ruas das cidades de Assis, em oração silenciosa, com seu hábito pregando implicitamente a pobreza, a castidade e a humildade.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O Papa está “perplexo” neste mundo de riqueza e consumismo e compreende perfeitamente que ele corre para a perdição (</span><em><span class="tm10">massa damnata quae ruit in perditionem</span></em><span class="tm7">).</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Além disso, o Sagrado <a id="aGoBack" style="color: #000000;"></a>Coração lhe aparece (1954), ele vê o milagre do sol (1950) que se realizou em Fátima em 1917 e pede a Jesus: </span><em><span class="tm10">Jube me venire ad Te!</span></em></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Sua última Encíclica[2] será uma visão sombria, mas realista, ou melhor, uma profecia apocalíptica sobre a Igreja no mundo, caminhante e peregrina na noite espiritual entre as sombras da morte das almas. A humanidade relativista e hedonista não tem mais forças para levantar a lápide que fabricou com suas próprias mãos e colocou sobre sua própria cabeça.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">Audiface</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">[1]</span></strong><span class="tm7"> R. Serrou, </span><em><span class="tm10">Pie XII. Le pape-roi</span></em><span class="tm7">, Paris, Perrin, 1992; A. Chélini, </span><em><span class="tm10">L&#8217;Eglise sous Pie XII</span></em><span class="tm7">. </span><em><span class="tm10">L&#8217;après-guerre 1945-1958</span></em><span class="tm7">, II vol., Paris, Fayard, 1989; G. SALE, </span><em><span class="tm10">De Gasperi, gli USA e il Vaticano all&#8217;inizio della guerra fredda</span></em><span class="tm7">, Milano, Jaca Book, 2005.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">[2]</span></strong> <em><span class="tm10">Meminisse Juvat</span></em><span class="tm7">, 14 de julho de 1958. Nela lemos: &#8220;Novos perigos ameaçam o povo cristão e a Igreja (&#8230;) todavia ainda não reina a justa paz (&#8230;), as espantosas armas, ora descobertas pelo engenho humano, são de tamanha expressão, que podem arrasar e submergir no extermínio universal não só os vencidos, mas também os vencedores e a humanidade inteira. (&#8230;)Necessário é, portanto, voltar aos preceitos do cristianismo, (&#8230;)Turbas de cidadãos, especialmente do povo menos instruído, com facilidade são atraídas por erros amplamente divulgados e, não raro, revestidos da aparência da verdade; as lisonjas e os incentivos do vício (&#8230;) por meio de publicações (&#8230;) de filmes e programas de televisão, corrompem especialmente a juventude incauta. (&#8230;)Numa palavra, tenta-se temerariamente fazer verificar o dito: &#8220;Ferirei o pastor e o rebanho será dispersado&#8221;. (&#8230;) Não há dúvida de que sociedade fundada por Cristo deve ser martirizada nos séculos por perseguições, contrariedades, calúnias,&#8230;, mas é igualmente certo que, no fim, assim como Cristo nosso redentor triunfou, ela também alcançará sobre todos os seus inimigos (&#8230;). Que nenhum dos senhores se torne desertor (&#8230;)mister se faz seja adotada a reforma cristã dos costumes, sem a qual as nossas preces são vozes vãs”. (Disponível em </span><span style="color: #0000ff;"><u><a style="color: #0000ff;" href="https://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_14071958_meminisse-iuvat.html"><span class="tm7">https://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_14071958_meminisse-iuvat.html</span></a></u></span><span class="tm7">).</span></span></p>
<p class="Normal" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>31 DE MAIO – FESTA DE NOSSA SENHORA RAINHA (MARIA RAINHA)</title>
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		<pubDate>Sat, 31 May 2025 10:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[PIO XII]]></category>

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		<description><![CDATA[Clique na imagem para acessar a CARTA ENCÍCLICA AD CAELI REGINAM, do Sumo Pontífice Papa Pio XII,SOBRE A REALEZA DE MARIA  E A INSTITUIÇÃO DA SUA FESTA]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/31-maio-festa-de-nossa-senhora-rainha/"><span style="color: #000000;"><strong><img class="" src="https://img.cancaonova.com/cnimages/canais/uploads/sites/2/2022/08/Nossa-Senhora-Rainha.jpg" alt="Nossa Senhora Rainha, mediadora da paz" width="249" height="249" /></strong></span></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Clique na imagem para acessar a CARTA ENCÍCLICA <em>AD CAELI REGINAM, </em>do Sumo Pontífice Papa Pio XII<em>,</em>SOBRE A REALEZA DE MARIA  E A INSTITUIÇÃO DA SUA FESTA</strong></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>CARTA ENCÍCLICA OCTOBRI MENSE</title>
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		<pubDate>Sat, 24 May 2025 14:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[CARTA ENCÍCLICA OCTOBRI MENSE DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS IRMÃOS, OS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS E BISPOS DO ORBE CATÓLICO, EM GRAÇA E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA Veneráveis &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/carta-enciclica-octobri-mense/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/69/C_o_a_Leone_XIII.svg/200px-C_o_a_Leone_XIII.svg.png" alt="Resultado de imagem para leão xiii brasão" width="238" height="228" /></p>
<p style="text-align: center;">CARTA ENCÍCLICA<br />
<strong><em>OCTOBRI MENSE</em></strong><br />
DE SUA SANTIDADE<br />
<strong>PAPA LEÃO XIII</strong><br />
A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS<br />
IRMÃOS, OS PATRIARCAS,<br />
PRIMAZES, ARCEBISPOS<br />
E BISPOS DO ORBE CATÓLICO,<br />
EM GRAÇA E COMUNHÃO<br />
COM A SÉ APOSTÓLICA</p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Veneráveis Irmãos,<br />
Saúde e Bênção Apostólica.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Convite ao Rosário</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1. Ao aproximar-se o mês de Outubro, já agora consagrado à beatíssima Virgem, é para Nós coisa sumamente grata relembrar as solícitas recomendações que, nos anos precedentes, vos dirigimos, ó Veneráveis Irmãos, a fim de que em toda parte os fiéis, impelidos pelo vosso zelo autorizado, se volvessem, com reavivada piedade, para a grande Mãe de Deus, para a poderosa auxiliadora do povo cristão; a ela recorrendo suplicantes, durante o mês inteiro, com o rito do santo Rosário: Rosário que a Igreja habitualmente usou e divulgou, sobretudo nos tempos mais tempestuosos; e sempre com o desejado êxito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2. Temos a peito manifestar-vos, também este ano, o mesmo desejo, e renovar-vos a mesma exortação. Impele-nos a isto urgentemente, e a isso nos estimula, o Nosso amor à Igreja, cujas angústias, antes que se aligeirarem, crescem cada dia mais em número e em aspereza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Males que afligem a Igreja</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3. A todos são conhecidos os males que Nós deploramos: a luta desapiedada contra os sagrados e intangíveis dogmas, que a Igreja guarda e transmite; a zombaria da integridade da virtude cristã, que a Igreja defende; a trama de calúnias de mil modos urdidas; o ódio fomentado contra a sagrada ordem dos bispos, e principalmente contra o Romano Pontífice; os ataques dirigidos, com a mais impudente audácia e a criminosa impiedade, contra a própria divindade de Cristo, no intuito de extirpar pelas raízes e de destruir a obra divina da Redenção, que força alguma poderá jamais destruir nem cancelar.</span><span id="more-33073"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4. Estes ataques não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Porquanto, depois do aviso dado por Cristo aos Apóstolos, ela sabe que, para instruir os homens no caminho da verdade e guiá-los à salvação eterna, ela deve todo dia descer a campo e travar combate. E, na realidade, nos séculos ela sempre lutou intrepidamente até ao martírio, considerando como sua precípua alegria e glória o poder unir o seu sangue ao do seu Fundador: no qual está depositada a segura esperança da prometida vitória.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5. Por outra parte, entretanto, não podemos ocultar nos o profundo senso de tristeza que penetra os melhores, ante esta contínua tensão de batalha. De fato, é motivo de imensa tristeza ver o grande número dos que, pela perversidade dos erros e por esta insolente atitude contra Deus, são arrastados para longe e impelidos para o abismo; o grande número dos que, pondo num mesmo plano todas as formas de religião, pode-se dizer que já estão na iminência de abandonar a fé divina; o número notável dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E ainda mais nos aflige e nos atormenta o ânimo o considerarmos que a causa principal de tais ruinosos tais ruinosos e deploráveis males está na exclusão completa da Igreja das ordenações sociais, enquanto de propósito se hostiliza a sua salutar influencia. E nisto é de reconhecer um grande e merecido castigo de Deus, o qual cega miseravelmente as nações que se afastam d’Ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A necessidade da oração </em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6. Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança &#8220;sem nunca cessar&#8221; (<em>1Tim</em>5, 17); e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a se dignar, na sua infinita bondade, de livrar a sua Igreja &#8220;dos homens insolentes e malvados&#8221; (<em>2</em><em>Tim</em> 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">7. Espetáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos que, pela bondade divina, os tempos lhe oferecem, todavia não é nestes meios que ela deposita a sua principal esperança; mas sim na oração, coletiva e insistente, elevada ao seu Deus. Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida; porque, elevando-se, mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranqüila, da própria vida de Cristo. E nisto ela é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Exemplos de oração na Sagrada Escritura</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">8. Este grande ensinamento do cristianismo sempre foi escrupulosamente praticado pelos cristãos dignos deste nome. Quando à Igreja ou a quem lhe regia os supremos destinos estava iminente algum perigo, mercê da perfídia e da violência de homens perversos, então com maior insistência e freqüência elevavam os cristãos suas preces a Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">9. De tal costume achamos luminoso exemplo nos fiéis da Igreja nascente, exemplo digno de ser proposto à imitação de todos os pósteros. Pedro, Vigário de Cristo, Pontífice supremo de toda a Igreja, por ordem do ímpio Herodes fora lançado no cárcere, e destinado a segura morte. Ninguém estava em condições de lhe levar auxílio para o subtrair àquele perigo. Mas não faltava esse auxílio único que a devota oração sabe obter de Deus. Como nos testemunha a Sagrada Escritura, a Igreja elevava a Deus fervorosíssimas preces por ele: &#8220;Mas a Igreja fazia a Deus contínuas preces por ele&#8221; (<em>At</em>12, 5). E tanto mais ardente se tornava o empenho da sua oração, quanto mais grave era a angústia que eles experimentavam por aquela desventura. Todos sabem que essas preces foram atendidas. Antes, todos os anos o povo cristão celebra sempre com agradecida alegria a lembrança da miraculosa libertação de S. Pedro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">10. Outro exemplo, ainda mais luminoso, antes divino, dá-no-lo o próprio Cristo, que se propusera encaminhar e formar na perfeição a sua Igreja não só com os novos preceitos, mas também com a sua vida. Durante e curso de toda a sua vida Ele se dedicara mui freqüente e longamente à oração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, nas suas horas supremas, quando, no horto de Getsêmani, a sua alma foi invadida de uma angústia imensa e oprimida por uma tristeza mortal, Ele não somente orava, porém &#8220;orava mais intensamente&#8221; (<em>Lc</em> 22, 43). E isto Ele fez não para si mesmo, pois, como Deus, nada podia temer e de nada precisava; mas fê-lo para nossa vantagem, e para vantagem da sua Igreja, cujas futuras orações e futuras lágrimas desde então Ele generosamente fazia suas, tornando fecundas umas e outras com a sua graça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Maria mediadora de todas as graças</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">11. Mas, depois que, por virtude do mistério da Cruz, foi realizar a salvação do gênero humano, e depois que, com o triunfo de Cristo, a Igreja foi plenamente constituída dispensadora da sua salvação, desde então a Providência preparou e estabeleceu para este novo povo uma ordem nova.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">12. As disposições da divina Sabedoria devem ser olhadas com profunda veneração. O Filho eterno de Deus, querendo assumir a natureza humana para redimi-la e nobilitá-la, e portanto para contrair um místico consórcio com o gênero humano, não deu cumprimento a este seu desígnio senão depois de obter o livre consentimento daquela que fora designada para sua Mãe, e que, em certo sentido, representava todo o gênero humano; segundo a célebre e veracíssima sentença do Aquinate: &#8220;Por meio da Anunciação aguardava-se o consentimento da Virgem, em nome e em representação de toda a natureza humana&#8221; (<em>S. Tomás</em>, 3, q. 30, a. 1).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por conseqüência, pode-se com toda verdade e rigor afirmar que, por divina disposição, nada nos pode ser comunicado, do imenso tesouro da graça de Cristo &#8211; sabe-se que &#8220;a glória e a verdade vieram de Jesus Cristo&#8221; (<em>Jo</em> 1, 17), &#8211; senão por meio de Maria. De modo que, assim como ninguém pode achegar-se ao Pai Supremo senão por meio do Filho, assim também, ordinariamente, ninguém pode achegar-se a Cristo senão por meio de sua Mãe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">13. Quanta sabedoria e misericórdia resplandece nesta disposição da Divina Providência! Que compreensão da debilidade e fragilidade humana! De fato, nós cremos na infinita bondade de Cristo, e por ela lhe rendemos louvor; mas também cremos na sua infinita justiça, e desta temos temor. Sentimos uma profunda gratidão pelo amor do Salvador, que por nós deu generosamente o seu Sangue e a sua vida; mas, ao mesmo tempo, tememo-lo no seu caráter de juiz inexorável. Apreensivos pela consciência dos nossos pecados, precisamos, por isto, de um intercessor e de um patrono que, de um lado, goze em alto grau do favor divino, e, de outro, seja de ânimo tão benévolo que a ninguém recuse o seu patrocínio, nem mesmo aos mais desesperados, e ao mesmo tempo infunda confiança na divina clemência àqueles que, abatidos, jazem no desconforto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Mãe de Deus e Mãe dos homens</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">14. Pois bem: essa eminentíssima criatura é justamente Maria: certamente Ela é poderosa, porque é Mãe de Deus onipotente, porém &#8211; o que é mais consolador -é amorosa, de uma extrema benevolência, de uma indulgência sem limites. Tal no-la deu o próprio Deus, que, havendo-a escolhido para Mãe de seu Unigênito, infundiu-lhe, por isso mesmo, sentimentos requintadamente maternos, capazes somente de bondade e de perdão. Tal no-la mostrou Jesus, quer quando consentiu em ser sujeito e obedecer a Maria, como um filho a sua mãe, quer quando, do alto da Cruz, confiou às suas amorosas solicitudes todo o gênero humano, na pessoa do discípulo João. Tal, enfim, se mostrou ela mesma quando, acolhendo generosamente a pesada herança que lhe deixava seu Filho moribundo, desde aquele momento começou a cumprir, para com todos, os seus deveres de Mãe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>O recurso a Maria na tradição cristã</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">15. Este plano de terna misericórdia executado por Deus em Maria e ratificado por Cristo com a sua última vontade, foi desde o início compreendido com imensa alegria pelos santos Apóstolos e pelos primeiros fiéis; foi compreendido e ensinado pelos venerandos Padres da Igreja; foi concordemente compreendido, em todos os tempos, pelo povo cristão. E mesmo quando a tradição e a literatura se calassem, esta verdade seria igualmente atestada com grandíssima eloquência pela voz que irrompe do coração de cada cristão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem uma fé divina não se explicaria o imperioso impulso que nos impele e docemente nos arrasta para Maria; o vivo desejo, ou, melhor, a necessidade que sentimos de procurar refúgio na proteção e no auxílio daquela a quem podemos confiar plenamente os nossos projetos e as nossas ações, a nossa inocência e o nosso pensamento, os nossos tormentos e as nossas alegrias, as nossas preces e os nossos votos, em suma todas as nossas coisas; a doce esperança e a confiança, por nós nutridas, de que aquilo que seria menos aceito a Deus, porque apresentado por nós, indignos pecadores, poderá tornar-se-lhe agradabilíssimo se o confiarmos a sua Mãe Santíssima.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto mais a alma se alegra com a verdade e suavidade destes pensamentos, outro tanto se entristece por causa daqueles que, privados da fé divina, não honram Maria: antes, não a consideram nem mesmo como Mãe. E ainda mais se contrista o Nosso coração por causa daqueles que, embora participantes da santa fé, ousam acusar os bons de excessivo e exagerado culto para com Maria, ofendendo com isto grandemente a piedade filial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">16. Portanto, no meio da tempestade de males que tão duramente atormentam a Igreja, todos os devotos filhos desta mesma Igreja vêem claramente que urgente dever têm de orar insistentemente a Deus onipotente, e, sobretudo, de que modo devem aplicar-se a isso para que as suas preces tenham máxima eficácia. Seguindo o exemplo de nossos piedosíssimos pais e antepassados, recorramos a Maria, nossa santa Rainha; e, concordemente, supliquemos a Maria, Mãe de Jesus Cristo e Mãe nossa: &#8220;Mostra-te nossa Mãe, e por meio de ti acolha nossas preces Aquele que, nascido para nós, quis ser teu Filho&#8221; (<em>Da sagrada liturgia</em>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Excelência do Rosário</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">17. Ora, como quer que, entre a diversas formas e maneiras de honrar a divina Mãe, são de preferir aquelas que por si mesmas são julgadas mais excelentes e a ela mais agradáveis, apraz-nos expressamente apontar e vivamente recomendar o santo Rosário. A este modo de orar foi dado, na linguagem comum, o nome de &#8220;coroa&#8221;, porque ela também recorda, num feliz enredo, os grandes mistérios de Jesus e de Maria: as suas alegrias, as suas dores e os seus triunfos. Se os fiéis meditarem e contemplarem devotamente, na ordem, devida, estes augustos mistérios, haurirão deles um admirável auxílio, quer em alimentar a sua fé e em preservá-la da ignorância e do contágio dos erros, quer em elevar e fortalecer o vigor do seu espírito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De feito, por esse modo o pensamento e a memória de quem reza são, à luz da fé, atraídos com suavíssimo ardor para estes mistérios. Neles concentrados e imersos, nunca se cansarão de admirar a obra inenarrável da Redenção humana, levada a efeito a tão caro preço e com uma sucessão de tão grandes acontecimentos. E, diante destas provas da divina caridade, a alma se inflamará de amor e de gratidão, consolidará e aumentará a sua esperança, e avidamente visará à recompensa celeste, preparada por Cristo para aqueles que se Lhe houverem unido pela imitação dos seus exemplos e pela participação das suas dores. E, enquanto isso, com os lábios se pronunciam as orações ensinadas pelo próprio Cristo, pelo Arcanjo Gabriel e pela Igreja. Orações tão cheias de louvores e de salutares aspirações não poderão ser repetidas e continuadas, na sua vária e determinada ordem, sem produzirem sempre novos e suaves frutos de piedade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Origem e glórias do Rosário</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">18. Que, pois, a própria Rainha do Céu haja ligado a esta oração uma grande eficácia, demonstra-o o fato de haver ela sido instituída e propagada pelo ínclito S. Domingos, por impulso e inspiração dela, em tempos especialmente tristes para a causa católica, e bem pouco diferentes dos nossos, e instituída como um instrumento de guerra eficacíssimo para combater os inimigos da fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">19. Com efeito, a seita herética dos Albigenses, ora sorrateira, ora abertamente, invadira numerosas regiões; espantosa descendência dos Maniqueus, repetia ela os monstruosos erros destes, e renovava as suas hostilidades, as suas violências e o seu ódio profundo contra a Igreja. Contra essa turba tão perniciosa e arrogante, já agora pouco ou nada se podia contar com os auxílios humanos, quando o socorro veio manifestamente de Deus, por meio do Rosário de Maria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, graças à Virgem, gloriosa e debeladora de todas as heresias, as forças dos ímpios foram abatidas e quebradas, e a fé de muitíssimos ficou salva e intacta. E pede-se dizer que semelhantes fatos se verificaram no seio de todos os povos. Quantos perigos conjurados! Quantos benefícios alcançados! A história antiga e moderna aí está para o demonstrar com os mais luminosos testemunhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Difusão e vitalidade do Rosário</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">10. Porém outra prova evidente também nos é fornecida pelo fato de, apenas instituída a oração do Rosário, haver-se a sua prática em brevíssimo tempo propagado por toda parte, entre toda classe de pessoas. E, de feito, se é verdade que o povo cristão tem achado diversas formas e títulos insignes para honrar a Mãe de Deus, que sozinha se eleva, entre todas as criaturas, por tantas excelsas prerrogativas, todavia é inegável que os fiéis sempre amaram de modo todo particular o título do Rosário: isto é, essa maneira de orar que é considerada como a senha da nossa fé e o compêndio do culto a ela devido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E têm-na praticado particularmente e em público, no interior das casas e no seio das famílias; instituindo confrarias, consagrando altares, promovendo solenes procissões; convencidos de que de nenhum outro modo poderiam melhor honrar as suas festas e merecer o seu patrocínio e as suas graças.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">21. Nem passe em silêncio um fato que focaliza uma particular providência de Nossa Senhora acerca do Rosário. E é este. Quando, com o correr do tempo, no seio de algum povo pareceu enfraquecer-se o gosto pela piedade, e relaxar-se também a prática desta oração, mal se desenhou, pelo lado do Estado, algum gravíssimo perigo, ou se apresentou qualquer necessidade pública, por voto unânime foi a prática do Rosário, de preferência a outras manifestações religiosas, que foi como que por encanto revocada a uso e recolocada no seu lugar de honra, com geral benefício. E desta asserção não se faz mister ir buscar as provas no passado, porque temos ao alcance da mão uma insigne nos nossos dias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como dissemos desde o princípio, estes nossos tempos são cheios de amargura para a Igreja de Deus, e ainda mais para Nós, chamado pela Providência Divina a governá-la. Ora, justamente nestes tempos é que nos é dado notar e admirar, em toda parte do orbe católico, um fervoroso despertar na prática e na devoção do Rosário. E, visto que este fato, antes que à diligência humana, se deve efetivamente atribuir a Deus, que dirige e conduz os homens, isto consola, e levanta o Nosso ânimo, enchendo-o de grande confiança em que, pela intercessão de Maria, a Igreja poderá alcançar novos e mais extensos triunfos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Como se deve orar</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">22. Há alguns que crêem as coisas que havemos relembrado; mas, depois, vendo não haver sido ainda alcançado nada daquilo que se esperava &#8211; e em primeiro lugar a paz e a tranqüilidade da Igreja, antes, vendo a situação tornar-se sempre mais ameaçadora, como que cansados e desconfiados diminuem a assiduidade e o ardor da sua oração. Mas estes deveriam, em primeiro lugar, refletir, e fazer com que as orações por eles dirigidas a Deus sejam dotadas dos requisitos que, segundo o preceito de Cristo Senhor Nosso, são necessários.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, depois, se as suas orações fossem realmente tais, deveriam eles além disso considerar que é coisa indigna e culposa o querer fixar a Deus o momento e o modo de vir em nosso socorro, a Deus que não nos deve nada; tanto que, quando Ele atende a quem lhe ora, e quando &#8220;coroa os nossos méritos, na realidade não coroa outra coisa senão os seus próprios dons&#8221; (S. Agostinho, <em>Epistola 194 al. 105 ad Sixtum</em>, c. 5, n. 19); e, quando não secunda os nossos desejos, comporta-se providencialmente como um bom pai para com seus filhos, o qual tem piedade da estultícia destes, e olha sempre à sua verdadeira utilidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A oração pela Igreja e a oração da Igreja</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">23. Mas Deus acolhe benignamente e atende as orações que amparadas pela intercessão dos Santos, devotamente lhe erguemos para torná-lo propício à sua Igreja; seja quando para a sua Igreja pedimos os bens mais altos e eternos, seja quando pedimos bens importantes e temporais, mas, em todo caso, úteis àqueles. Com efeito, a tais orações adita valor e imensa eficácia, com suas orações e seus méritos, Nosso Senhor Jesus Cristo, que &#8220;amou a Igreja e deu-se a si mesmo por ela, com o fim de santificá-la&#8230; para fazer aparecer diante de Si mesmo, gloriosa, a Igreja&#8221; (<em>Ef</em>5, 25-27); Ele que lhe é o Pontífice supremo, santo, inocente, &#8220;sempre estando vivo, para poder interceder por nós&#8221;; Ele que, nas suas orações e súplicas &#8211; cremo-lo por fé divina &#8211; sempre consegue o seu intento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">24. Portanto, no que diz respeito aos interesses da Igreja, é sabido que as mais das vezes ela deve lutar com adversários formidáveis por ódio e poder; e sobejas vezes deve ela doer-se de que pelos seus inimigos lhe sejam arrancados os seus bens, limitada e oprimida a sua liberdade, atacada e desprezada a sua autoridade, e, em suma, infligidos danos e violências de todo gênero.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, se nos perguntarem por que razão a maldade destes não chega ao cúmulo de injustiça que eles se propõem e se esforçam por atingir, e, de outra parte, por que razão a Igreja, mesmo no meio de tantas vicissitudes, refulge sempre, conquanto de modos diversos, da mesma grandeza e da mesma glória, e continua a progredir, justo é atribuir à verdadeira causa de um e de outro fato ao poder da oração unânime da Igreja; não podendo humanamente explicar-se como a iniquidade, mesmo tão descarada, seja contida dentro de limites tão estreitos ao passo que a Igreja, embora mantida em opressão, alcança sem embargo, tão esplêndidos triunfos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E isto aparece ainda mais evidente no campo desses bens de que a Igreja se serve para conduzir os homens à posse do bem supremo. Visto haver ela nascido justamente para esta missão, a sua oração deve ter uma grande eficácia em obter que se cumpra perfeitamente sobre os homens o desígnio da providência e misericórdia de Deus; de modo que, quando os homens oram com a Igreja e por meio da Igreja, em definitivo impetram e obtêm aquilo que &#8220;desde a eternidade Deus onipotente dispusera conceder&#8221; (S. Tomás, II-II, q. 83, a. 2: <em>de S. Greg. Magno</em>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Os milagres da oração</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">25. Neste mundo a mente humana falha em face dos excelsos planos da Divina Providência; mas dia virá em que o próprio Deus, na sua grande bondade, nos manifestará as causas e o enredo dos acontecimentos; e então aparecerá claramente que poderosa eficácia de impetração teve nesta ordem de coisas o dever da oração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então ver-se-á que foi justamente por virtude da oração que muitos, mesmo em meio à grande corrupção do mundo depravado, se conservaram puros e isentos &#8220;de toda contaminação de carne e de espírito, realizando a santificação no temor de Deus&#8221; (2 <em>Cor</em>, 7, 1); que outros, quando estavam a ponto de ceder ao mal, não somente se contiveram, mas do perigo e da tentação tiraram um acréscimo de virtude; que outros, já derrubados, por um estímulo interior foram impelidos a levantar-se e a lançar-se no amplexo de Deus misericordioso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">26. Por isto Nós conjuramos todos a quererem meditar atentamente estas verdades; a não se deixarem seduzir pelos ardis do antigo inimigo; a nunca abandonarem, por motivo algum, a prática da oração; antes os exortamos a perseverarem nela, sem nunca se cansarem. E, em primeiro lugar, lembrem-se de implorar o mais alto de todos os bens: a salvação eterna de todos, e a incolumidade da Igreja. Depois disto poderão invocar de Deus os outros bens que concernem à prosperidade temporal; contanto que sejam resignados à sua justíssima vontade, e que, atendidos ou não nas suas orações, saibam render-Lhe graças como ao mais benfazejo dos pais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por último, recomendamo-lhes orarem com esse espírito de religião e de piedade que sempre convém quando se trata com Deus: como costumavam fazer os Santos, e como fazia o nosso próprio Redentor e Mestre, &#8220;com fortes gritos e lágrimas&#8221; (<em>Heb</em> 5, 7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Com a oração, a mortificação</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">27. A esta altura, a dor e o afeto de Pai impele-nos a implorar de Deus, dador de todos os bens, para todos os filhos da Igreja, não somente o espírito da oração, mas também o da mortificação. Isto fazendo de todo coração, Nós exortamos todos, com a mesma solicitude, a praticarem esta virtude, tão estreitamente unida à outra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porquanto, se a oração conforta a alma, robustece-a e eleva-a às coisas celestes, a mortificação habitua-nos a dominar-nos a nós mesmos, e especialmente o corpo, que, por motivo de antiga culpa, é o mais perigoso inimigo da razão e da lei evangélica. Há entre estas virtudes &#8211; como é evidente um nexo indissolúvel. Elas se ajudam reciprocamente, e juntas tendem ao mesmo fim, que é o de desapegar o homem, nascido para o Céu, das coisas caducas deste mundo, para elevá-lo quase a uma celeste intimidade com Deus. Ao contrário, aquele que tem o ânimo aceso pelas paixões e amolecido pelos prazeres tem náusea das alegrias celestes, que nunca experimentou. A sua oração não passa de uma voz fria e lânguida, certamente indigna de ser escutada por Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>O exemplo dos santos</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">28. Temos sob os olhos os exemplos de mortificação a nós deixados pelos Santos. Pois bem: era justamente esse espírito de mortificação que tornava aceitas a Deus as suas orações; tanto que, como nos atesta a história sagrada, eles tiveram até mesmo o poder de operar milagres. Esses Santos eram assíduos em regular e refrear a mente, o coração e as paixões; submetiam-se sempre com grande docilidade e humildade à doutrina de Cristo, aos ensinamentos e aos preceitos da sua Igreja; nada queriam, nada recusavam, sem antes haver sondado a vontade de Deus; nas suas ações não se propunham outro escopo senão a maior glória de Deus; continham e reprimiam energicamente os apetites da carne; tratavam o próprio corpo duramente e sem piedade; e, por amor da virtude, abstinham-se até mesmo das coisas por si mesmas lícitas. Assim podiam com razão aplicar a si mesmos as palavras que o Apóstolo Paulo dizia de si: &#8220;já que a nossa cidadania é nos céus&#8221; (<em>Filip</em>3, 20); e, pela mesma razão, as suas orações eram tão eficazes em lhe tornar Deus propício e benigno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Necessidades da penitência</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">29. Certamente, nem a todos é dada a possibilidade, nem todos têm a obrigação de fazer o mesmo; mas cada um é obrigado, segundo o seu poder, a mortificar a sua vida e os seus costumes. Exige-o a justiça divina, à qual é dada estrita satisfação das culpas cometidas; e é preferível dar essa satisfação enquanto se está em vida, com penitências voluntárias, porque assim também se tem o mérito da virtude.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disto, já que nós todos estamos unidos e vivemos no corpo místico de Cristo, que é a Igreja, daí se segue, consoante S. Paulo, que, tal como os gozos, assim também as dores de um membro são comuns a todos os outros membros: quer dizer que os irmãos cristãos devem vir voluntariamente em auxílio dos outros irmãos nas suas enfermidades espirituais ou corporais, e, na medida em que estiver em seu poder, cuidar da cura deles; &#8220;os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros; e, se um membro sofre, sofrem com ele todos os membros; ou, se tem glória um membro, todos os membros se regozijam com ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, vós sois corpo de Cristo, e particularmente sois membros deste&#8221; (1 <em>Cor</em> 12,25-27). Nesta prova que a caridade nos pede, de expiarmos as culpas de outrem, a exemplo de Jesus Cristo, que com imenso amor deu a sua vida para redimir todos do pecado, está esse grande vínculo de perfeição que une estreitamente os fiéis entre si, com os Santos e com Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">30. Em suma, o espírito da santa mortificação é tão vário, industrioso e extenso, que qualquer um desde que animado de piedade e de boa vontade pode praticá-lo com muita freqüência e sem esforço excessivo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Exortações e esperanças</em></strong> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">31. Depois do que até aqui expusemos, não nos resta, Veneráveis Irmãos, senão esperar dos Nossos avisos e das Nossas exortações o êxito mais consolador. E de fato o esperamos da vossa singular e profunda piedade para com a augusta Mãe de Deus, da vossa solicitude e do vosso zelo pelo rebanho a vós confiado. E já a nossa alma se alegra em prever frutos felizes e abundantes, como aqueles que os católicos souberam colher da sua notável piedade para com Maria. Que, pois, graças aos vossos convites, às vossas recomendações e ao vosso exemplo, os fiéis, especialmente no próximo mês, acorram e se reúnam em torno dos altares, solenemente ornados, da augusta Rainha, da benigníssima Mãe; e com coração filial lhe entreteçam e lhe ofereçam místicas coroas com a recitação, a ela tão grata, do Rosário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De Nossa parte, confirmamos e ratificamos não só as prescrições já outras vezes dadas a propósito, mas também as sagradas Indulgências já concedidas (Encíclica &#8220;<em><a style="color: #000000;" href="https://www.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01091883_supremi-apostolatus-officio.html">Supremi Apostolatus</a></em>&#8220;, 1 Set. 1883. Encíclica &#8220;<em><a style="color: #000000;" href="https://www.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_30081884_superiore-anno.html">Superiore Anno</a></em>&#8220;, 30 Ag. 1884; Decreto S. R. C. &#8220;<em>Inter Plurimo</em>s&#8221;, 20 Ag. 1885; Encíclica &#8220;<em>Quanquam Pluries</em>&#8220;, 15 Ag. 1889). Oh! como será belo e vantajoso o espetáculo de milhões de fiéis que, em todo o orbe católico &#8211; nas cidades, nas aldeias, nos campos, em terra e no mar, &#8211; fundindo juntos os seus louvores e as suas preces, os seus pensamentos e as suas vozes, saudarem a todas as horas do dia Maria, invocarem Maria, e tudo esperarem de Maria! Roguem-lhe todos, com confiança, queira Ela obter de seu Filho que as nações transviadas voltem às instituições e aos princípios cristãos, nos quais assenta a base do bem-estar público, e da qual jorram os benefícios da desejada paz e da verdadeira felicidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém ainda mais insistentemente lhe peçam aquilo que deve estar no ápice dos desejos de todos os bons, ou seja a liberdade da Igreja e a pacífica posse dessa liberdade, de que ela não se serve senão para proporcionar aos homens o bem supremo. Desta liberdade, nem indivíduos nem Estados sofreram jamais dano algum; antes, dela hauriram sempre inúmeros e inestimáveis benefícios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">32. Finalmente, Veneráveis Irmãos, que pela intercessão da Rainha do Rosário Deus vos conceda os favores e as graças celestes, das quais possais haurir, em sempre maior abundância, auxílio e força para cumprirdes santamente os deveres do vosso ministério pastoral. E delas seja penhor e auspício a Bênção Apostólica que de coração concedemos a vós, ao vosso clero e ao povo confiado aos vossos cuidados.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><em>Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 22 de Setembro de 1891, décimo quarto ano do Nosso Pontificado.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>LEÃO PP. XIII</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/6105"> PERMANENCIA</a></span></strong></span></p>
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		<title>01/04/25 &#8211; 91º ANIVERSÁRIO DA CANONIZAÇÃO DE SÃO JOÃO BOSCO</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Apr 2025 14:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[São João Bosco]]></category>

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		<description><![CDATA[No 91º aniversário da canonização do (então) Beato João Bosco, celebrada por Pio XI no dia 1º de abril de 1934, Domingo de Páscoa: “Nós, Vigário de Jesus Cristo e Mestre Supremo da Igreja Católica, pronunciamos solenemente essa nossa tão &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/010425-91o-aniversario-da-canonizacao-de-sao-joao-bosco/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://static.wixstatic.com/media/c79bd9_de66119e4f4e4b21bb5fed753b22bdc3~mv2.jpg/v1/fill/w_408,h_600,al_c,lg_1,q_80/c79bd9_de66119e4f4e4b21bb5fed753b22bdc3~mv2.jpg" alt="São João Bosco (frases)" width="238" height="347" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No 91º aniversário da canonização do (então) Beato João Bosco, celebrada por Pio XI no dia 1º de abril de 1934, Domingo de Páscoa:</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Nós, Vigário de Jesus Cristo e Mestre Supremo da Igreja Católica, pronunciamos solenemente essa nossa tão desejada sentença:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em honra da Santíssima e indivisa Trindade, para exaltação da fé católica e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e pela nossa própria, tendo maduramente deliberado e repetidamente implorado a ajuda divina, e com o conselho de Nossos veneráveis irmãos Cardeais da Santa Igreja Romana, dos Patriarcas, Arcebispos e Bispos presentes na Urbe, <span style="text-decoration: underline;"><strong>decretamos que o Beato João Bosco é Santo</strong></span>, e o inscrevemos no catálogo dos Santos, estabelecendo que sua memória deve ser celebrada todos os anos, com piedosa devoção pela Igreja Universal, no dia do seu nascimento, ou seja, 31 de janeiro, entre os Santos Confessores, não Pontífices.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://aaase.pt/wp-content/uploads/2024/05/90-Anos-da-Canonizac%CC%A7a%CC%83o-de-Sa%CC%83o-Joa%CC%83o-Bosco-.jpeg" alt="" width="390" height="546" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.infoans.org/images/05-Galleria-Fotografica/Canonization%20of%20Saint%20Don%20Bosco/18921_443422249070333_531285451_n.jpg" alt="" width="393" height="531" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.infoans.org/images/05-Galleria-Fotografica/Canonization%20of%20Saint%20Don%20Bosco/563748_443421812403710_100645698_n.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="" src="http://s3-sa-east-1.amazonaws.com/rsborgbr/site/_gc_repositorio/2023_03_31/Canonizacao-de-Dom-Bosco-Rede-Salesiana-Brasil-RSB-1.jpg" alt="" width="430" height="288" /></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/J--y-F3ksCw?si=06UTMQZUDPR8Sp1V" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Para ler todos nossos posts sobre esse grande Santo,</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/tag/sao-joao-bosco/">CLIQUE AQUI</a></span></strong></p>
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		<title>QUANDO PIO XII ALERTOU OS CATÓLICOS CHINESES</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 15:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[PIO XII]]></category>

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		<description><![CDATA[Em seu relatório de outubro de 2024 intitulado Dez Bispos Católicos Perseguidos na China, a advogada de direitos humanos Nina Shea recorda a história das relações do governo comunista com a Igreja na China. Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est &#8220;A &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/quando-pio-xii-alertou-os-catolicos-chineses/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/armes_pie_xii.jpg?itok=KfgpcyYo" alt="" width="559" height="323" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Em seu relatório de outubro de 2024 intitulado </span><em><span class="tm8">Dez Bispos Católicos Perseguidos na China</span></em><span class="tm7">, a advogada de direitos humanos Nina Shea recorda a história das relações do governo comunista com a Igreja na China.</span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/quand-pie-xii-avertissait-les-catholiques-chinois-49576">DICI </a></span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">&#8220;<em>A China vem tentando separar a Igreja Católica da China do Papa desde a década de 1950, quando o Partido Comunista Chinês (PCC) expulsou o enviado do Papa e prendeu o cardeal de Xangai, Ignatius Kung, durante 30 anos, após este se ter recusado a renunciar à autoridade papal. (…)</em></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“A Associação Católica Patriótica Chinesa (ACPC) foi criada dentro da burocracia chinesa em 1957. Ficou sob o controle direto da seção de propaganda do PCC: o Departamento de Trabalho da Frente Unida, em 2018. O Vaticano nunca reconheceu a legitimidade da associação. (…)</span></em></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“Mas Pequim começou a aumentar a pressão sobre os bispos para que aderissem à Associação Patriótica imediatamente depois que a China e o Vaticano assinaram o acordo de 2018. A Santa Sé, então, publicou diretrizes em 2019, esclarecendo que o Vaticano permitia a objeção de consciência à Associação Patriótica Católica Chinesa, ao mesmo tempo em que aceitava a adesão como um novo normal. (&#8230;)</span></em><span id="more-32622"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“Em mais de 30 anos de diálogo com a China, o Vaticano se manteve em silêncio ou minimizou publicamente as negações da liberdade religiosa por parte da China. Isto assemelha-se à Ostpolitik da Santa Sé em relação ao comunismo da Europa Oriental.”</span></em></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Diante desta atitude do Vaticano em relação a Pequim, é necessário mostrar como a atitude do Papa Pio XII foi oposta. Ele não hesitou em levantar sua voz na encíclica </span><span style="color: #0000ff;"><em><span class="tm8"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.vatican.va/content/pius-xii/la/apost_letters/documents/hf_p-xii_apl_19520118_cupimus-imprimis.html">Cupimus imprimis</a></span></em></span><span class="tm7"> de 18 de janeiro de 1952 e na encíclica </span><span style="color: #0000ff;"><em><span class="tm8"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.vatican.va/content/pius-xii/la/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_07101954_ad-sinarum-gentem.html">Ad Sinarum Gentes</a></span></em></span><span class="tm7"> de 7 de outubro de 1954.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Ainda na encíclica </span><span style="color: #0000ff;"><em><span class="tm8"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061958_ad-apostolorum-principis.html">Ad Apostolorum Principis</a></span></em></span><span class="tm7">, de 29 de junho de 1958, ele teve o cuidado de esclarecer os fiéis chineses sobre a doutrina católica e de alertá-los sobre os perigos da Associação Patriótica Chinesa. Ele dá uma descrição fiel dos meios que as autoridades chinesas usaram na época e continuam a usar hoje. Tudo isso torna as linhas a seguir surpreendentemente atuais, dado o silêncio do Vaticano hoje.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Pio XII escreveu: “<em>É nosso dever denunciar abertamente – e o fazemos com profunda tristeza – a nova e mais insidiosa tentativa de aumentar e levar às extremas conseqüências o mesmo erro que nós claramente reprovamos. Com efeito, com premeditação cuidadosamente disposta, foi fundada junto de vós uma &#8220;associação patriótica&#8221;, a qual os católicos são obrigados a aderir com toda espécie de pressões.</em></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“Essa – como já foi dito várias vezes – teria a finalidade de unir o clero e fiéis em nome do amor à pátria e à religião, para propagar o espírito patriótico, defender a paz entre os povos e, ao mesmo tempo, cooperar na &#8220;construção do socialismo&#8221; já estabelecido no país, também para ajudar as autoridades civis a aplicar a assim chamada política de liberdade religiosa. Mas é já por demais claro que sob essas expressões de paz e de patriotismo que poderiam enganar os ingênuos, o movimento que se diz patriótico propugna teses e promove iniciativas que miram a bem precisas finalidades perniciosas..</span></em></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“Sob o falso pretexto de patriotismo, com efeito, a associação quer gradualmente levar os católicos a aderir e apoiar os princípios do materialismo ateu, negador de Deus e de todos os princípios sobrenaturais.</span></em></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“ Sob o pretexto de defender a paz, essa organização faz seus e difunde falsas suspeitas e acusações contra muitos eclesiásticos, contra pastores venerandos, contra a própria sede apostólica, atribuindo-lhes propósitos insanos de imperialismo, de aquiescência e de cumplicidade na exploração dos povos, de hostilidade preconcebida contra a nação chinesa.</span></em></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“Enquanto por um lado se afirma que é necessária uma liberdade religiosa absoluta, e se proclama de querer facilitar as relações entre a autoridade eclesiástica e a civil, de fato a associação pretende que a Igreja, pospostos e descuidados os seus direitos, permaneça completamente submetida às autoridades civis. Os membros portanto, são levados a aceitar e justificar providências injustas, como a expulsão dos missionários, a prisão dos bispos, de sacerdotes, de religiosos e religiosas, de fiéis; igualmente são obrigados a consentir às medidas tomadas para impedir pertinazmente a jurisdição de tantos pastores legítimos; são levados a defender princípios que repugnam à unidade e universalidade da Igreja e à sua constituição hierárquica, assim como admitir iniciativas dirigidas a subverter a obediência do clero e a dos fiéis aos Ordinários legítimos, a separar as várias comunidades católicas da unidade com a Sé Apostólica. (…)</span></em></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“Devem-se ainda lembrar aqueles cursos falazes de &#8220;doutrinação&#8221; a que são obrigados sacerdotes, religiosos e religiosas, alunos dos seminários, fiéis de todo ceto e idade, e que, mediante lições intermináveis, debates extenuantes, que se renovam às vezes por semanas e meses, exercem uma violência de ordem psicológica que tem por fim arrancar uma adesão que muitas vezes já não tem nada de humano. (…)</span></em></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“Deve-se, porém, acrescentar que se o cristão, por dever de consciência, deve às autoridades humanas o que lhes pertence, a autoridade humana não pode exigir dos cidadãos o obséquio naquilo que é devido a Deus e não a ela; ainda menos pode exigir-lhes a obediência incondicionada quando quer usurpar os direitos soberanos de Deus, ou obriga os fiéis a agir em contraste com seus deveres religiosos, ou a afastar-se da unidade da Igreja e da sua hierarquia legítima.</span></em></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><em><span class="tm7" style="color: #000000;">“Então o cristão não pode responder, sereno e firmemente, senão como já s. Pedro e os apóstolos aos primeiros perseguidores da Igreja: &#8220;Deve-se obedecer a Deus, antes que aos homens&#8221; (Atos 5,29).</span></em></p>
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		<title>A OBRA PRIMA DE DEUS &#8211; PELO PE. CARLOS MESTRE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Dec 2024 15:42:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Carlos Mestre]]></category>

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		<description><![CDATA[Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Carlos Mestre, no Priorado S. Pio X de Lisboa, na Festa da Imaculada Conceição.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Carlos Mestre, no Priorado S. Pio X de Lisboa, na Festa da Imaculada Conceição.<br />
<iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/IbtPRe0wAKU?si=hOr63-arquGn71iM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>A MISSA E O SINAI</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Oct 2024 13:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Lionel Héry]]></category>

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		<description><![CDATA[No ofertório, o sacerdote, como um novo Moisés, sobe à temível montanha para ali conversar com Deus e apresentar-lhe a sua oferta, em união com os fiéis. Fonte: Apostol n° 171 – Tradução: Dominus Est A partir do lavabo, o rito da &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-missa-e-o-sinai/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/02/Mont-Sinai-2.jpg" alt="" width="528" height="369" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em><b style="color: #000000;">No ofertório, o sacerdote, como um novo Moisés, sobe à temível montanha para </b><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><b>ali</b></span></span><b style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"> </span>conversar com Deus e apresentar-lhe a sua oferta, em união com os fiéis.</b></em></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/02/Apostol-171-fevrier-2023.pdf">Apostol n° 171</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A partir do <em>lavabo</em>, o rito da missa entra numa fase solene, marcada por um certo silêncio nas palavras e nos gestos cuja cronologia descreveremos a seguir. Inclinado no meio do altar, com as mãos unidas, o sacerdote recita, em voz baixa, uma grande oração que resume tudo o que ele realiza: &#8220;<em>Recebei, Santíssima Trindade, esta oblação que vos oferecemos</em>&#8230;&#8221; São Pio V escolheu esta oração como sendo a melhor entre todas as fórmulas muito semelhantes usadas nas diferentes igrejas para renovar o recolhimento do celebrante. Mencionando também os Santos, cujas relíquias estão incrustadas no altar, o sacerdote as beija e, voltando-se para os fiéis, diz “<em>Orate fratres”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">D. Gaume comenta: “O sacerdote deixará os fiéis para adentrar no segredo do santuário. Como um novo Moisés, ele vai subir a formidável montanha para ali conversar com Deus. Mas não se esquece, antes de dar este grande passo, que carrega consigo as inseparáveis fraquezas da humanidade e que precisa, nesta terrível ocasião, ser ajudado pelas orações do povo, e diz: <em>&#8216;Orai irmãos&#8217;</em>&#8220;. Esta expressão certamente remonta aos próprios apóstolos. O rito cartuxo diz: “<em>Orai por mim, pobre pecador</em>”. Ao resto da fórmula, enquanto o sacerdote se voltava para o altar, foi acrescentado posteriormente: “<em>o meu sacrifício que também é vosso…</em>”. Os fiéis respondem: &#8220;<em>Receba, o Senhor, de vossas mãos este sacrifício</em>&#8230;&#8221;. O padre, como que reconfortado e aliviado, responde em silêncio: <em>Amém</em>, isto é: &#8220;<em>assim seja&#8221;</em>!</span><span id="more-29281"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O isolamento do sacerdote é representado pelo fato de permanecer de costas para o povo. Na antiguidade latina e oriental, o santuário era fechado e o sacerdote desaparecia do olhar dos fiéis. Segue-se, então, a sacratíssima liturgia composta pela secreta, pelo prefácio e pelo cânon. A oração e o cânon formam a chamada <em>secreta:</em>  as coisas separadas e santíssimas. Elas são ditas em voz baixa. O <em>prefácio</em> também faz parte da <em>secreta,</em> mas não é silencioso. Em contraste, ele irrompe solenemente, assim como no Monte Sinai a majestade divina se manifestou numa liturgia de glória e santidade:<em> Sanctus, Sanctus Sanctus.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Lionel Héry, FSSPX</span></strong></p>
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