<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>DOMINUS EST &#187; Judaísmo</title>
	<atom:link href="http://catolicosribeiraopreto.com/tag/judaismo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://catolicosribeiraopreto.com</link>
	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
	<lastBuildDate>Sat, 23 May 2026 13:21:57 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=4.2.2</generator>
	<item>
		<title>NÓS CATÓLICOS NÃO PODEMOS APOIAR A CRIAÇÃO DE UM TERCEIRO TEMPLO EM JERUSALÉM</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/nos-catolicos-nao-podemos-apoiar-a-criacao-de-um-terceiro-templo-em-jerusalem/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/nos-catolicos-nao-podemos-apoiar-a-criacao-de-um-terceiro-templo-em-jerusalem/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 09 Mar 2025 14:37:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Judaísmo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=32854</guid>
		<description><![CDATA[Artigo postado originalmente em Lifesitenews Traduzido pelo excelente Verbum Fidelis Entre as consequências da campanha militar de Israel em Gaza, que já dura mais de um ano, está um entusiasmo renovado entre judeus e sionistas cristãos pela construção do chamado “terceiro &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/nos-catolicos-nao-podemos-apoiar-a-criacao-de-um-terceiro-templo-em-jerusalem/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F79960b06-9981-4a22-939b-63a09943aaae_810x497.png" alt="" width="640" height="396" /><p class="wp-caption-text"><span style="color: #000000;">O ministro israelense Ben-Gvir visita o Monte do Templo em Jerusalém</span></p></div>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">Artigo postado originalmente em </span><span style="color: #0000ff;"><u><a style="color: #0000ff;" href="https://www.lifesitenews.com/opinion/christians-cannot-support-the-creation-of-a-third-temple-in-jerusalem-heres-why/"><span class="tm10">Lifesitenews</span></a></u></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Traduzido pelo excelente <span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; text-decoration: underline;"><a style="color: #0000ff; text-decoration: underline;" href="https://verbumfidelis.substack.com/p/a-farsa-do-terceiro-templo?utm_source=post-email-title&amp;publication_id=2492687&amp;post_id=158619353&amp;utm_campaign=email-post-title&amp;isFreemail=false&amp;r=3xjg51&amp;triedRedirect=true&amp;utm_medium=email">Verbum Fidelis</a></span></span></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Entre as consequências da campanha militar de Israel em Gaza, que já dura mais de um ano, está um entusiasmo renovado entre judeus e sionistas cristãos pela construção do chamado “terceiro templo” em Jerusalém.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Em agosto passado, por exemplo, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, de extrema direita, visitou o Monte do Templo (pela sexta vez), onde reivindicou o direito dos judeus de orar no local e construir uma sinagoga. O jornal israelense </span><em><span class="tm9">Haaretz</span></em><span class="tm8">, que cobriu o evento, chamou-o de um “ato ardiloso”, ocultando o objetivo de longo prazo de destruir as estruturas islâmicas no Monte do Templo e construir o terceiro templo.</span><u><span class="tm10">(1)</span></u></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">No início do ano passado, em uma entrevista na televisão, um membro de extrema direita do Knesset endossou a construção do terceiro templo onde “poderemos comer (&#8230;) dos sacrifícios da Páscoa”<u><span class="tm10">(2)</span></u></span><span class="tm8">. Após a eleição presidencial de novembro nos EUA, Yosef Berger, o rabino responsável pelo local da Tumba do Rei Davi, declarou que “Como Ciro, Deus colocou Donald Trump no poder para construir o Templo e preparar o caminho para o </span><em><span class="tm9">moshiach</span></em><span class="tm8"> [messias] <u><span class="tm10">(3)</span></u></span><span class="tm8">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Nas fileiras americanas, os jornalistas descobriram um discurso de 2018 de Pete Hegseth, o novo secretário de Defesa de Donald Trump, no qual ele parecia endossar o “milagre do restabelecimento do templo”<u><span class="tm10">(4)</span></u></span>. A revista <em><span class="tm9">Jewish Currents</span></em><span class="tm8"> observou recentemente que republicanos notáveis, como o ex-vice-presidente Mike Pence, o deputado Jim Jordan e o governador da Flórida Ron DeSantis, se reuniram com membros de organizações kahanistas radicais, que fazem parte da espinha dorsal do movimento do terceiro templo de Israel<u><span class="tm10">(5)</span></u></span>.</span><span id="more-32854"></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Certamente a cobertura jornalística desde outubro de 2023 concentrou-se na terrível campanha de Gaza, seguida pelo cessar-fogo de janeiro de 2025, que entrou em vigor um dia antes da segunda posse de Trump. Durante esse tempo, a possível construção de um terceiro templo não passou de uma nota jornalística. No entanto, em círculos restritos, o interesse israelense em construir o terceiro templo agora parece estar no mesmo nível da demolição de Gaza, da anexação da Cisjordânia e até mesmo de uma barata tomada de terras na Síria.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Sob o novo governo Trump, fortemente pró-sionista, há a possibilidade de que os Estados Unidos endossem — ou pelo menos não se oponham — a uma iniciativa israelense de construir o terceiro templo<u><span class="tm10">(6)</span></u></span>. Além das imensas ramificações internacionais de tal ato, o católico — e qualquer cristão sério — deve considerar suas consequências morais e espirituais.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Se alguém fosse julgar o empreendimento sionista de Israel pelos dois grandes mandamentos de Cristo (amor a Deus e amor ao próximo), ele receberia notas baixas em ambos os quesitos (não que os Estados Unidos ou a maioria dos países se saíssem melhor). Entretanto, a construção do terceiro templo, com sua aparente retomada da lei mosaica e do sacrifício de animais, representa uma afronta ao céu, pois caracteriza uma rejeição aberta à redenção de judeus e gentios por Jesus Cristo. Isso é qualitativamente diferente dos muitos outros pecados institucionais da humanidade nos últimos dois mil anos. E à medida em que os gentios não se opõem ao templo, eles o apoiam<u><span class="tm10">(7)</span></u></span>. As ações de Deus e dos judeus ao longo da história com relação ao conceito de um “templo” são intrigantes e merecem uma análise mais detalhada.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Este artigo, embora não seja de forma alguma exaustivo, propõe-se a oferecer alguns insights sobre o conceito de “templo” como um elemento-chave na história da salvação, que ainda está acontecendo hoje, possivelmente em direção a um clímax perigoso.</span></p>
<p class="tm6 tm14" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">O Templo de Salomão</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">A história do planejamento do primeiro templo (sob Davi) e sua construção (sob Salomão) está espalhada em vários livros do Antigo Testamento, incluindo 2 Samuel, 1 e 2 Crônicas e 1 Reis.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><img class="" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F00f35789-dcec-4d62-83a3-490ed30957dd_640x487.jpeg" alt="" width="533" height="408" /></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><u></u><em><span class="tm10">Concepção artística do templo de Salomão. Ele continha os objetos mais sagrados para o povo judeu, incluindo a Arca da Aliança e as tábuas dos Dez Mandamentos, ambos perdidos para a história após o saque de Jerusalém pelos babilônios por volta de 586 a.C. (Crédito: Wikicommons)</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">No entanto, a base divina para o templo, sua aquisição por Davi e sua localização são reveladas em um curto capítulo. O capítulo 24 do segundo livro de Samuel começa com um relato da decisão de Davi de fazer um censo no auge de seu reinado — um ato de orgulho pelo qual Deus puniu o povo judeu com uma praga em toda a terra:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span class="tm10" style="color: #000000;">Mandou, pois, o Senhor a peste a Israel, desde aquela manhã até ao tempo assinalado, morrendo do povo, desde Dan até Bersabé, setenta mil homens. Tendo estendido o anjo do Senhor a sua mão sobre Jerusalém para a destruir, o Senhor compadeceu-se da sua aflição e disse ao anjo exterminador do povo: Basta, detém agora a tua mão. O anjo do Senhor estava junto da eira de Arauna Jebuseu. Davi, logo que viu o anjo ferindo o povo, disse ao Senhor: Eu sou o que pequei, eu fui o que procedi mal; que fizeram estes, que são as ovelhas? Volte-se, te peço, a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pai. (2Sam. 24, 15-17)</span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Nesse ponto, o autor do segundo livro de Samuel, tendo transmitido o remorso de Davi por seu pecado, muda abruptamente de assunto:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span class="tm10" style="color: #000000;">Gad foi naquele dia ter com Davi, e disse-lhe: Vai, e levanta um altar ao Senhor na eira de Arauna Jebuseu.E Davi foi, conforme o que Gad lhe tinha dito, por ordem do Senhor. Tendo Arauna levantado os olhos, viu que vinham para ele o rei e os seus servos, e, adiantando-se, fez ao rei uma profunda reverência, prostrado o rosto em terra, e disse: Que motivo há para que o rei meu senhor venha a casa do seu servo? Davi respondeu-lhe: Para comprar a tua eira e edificar nela um altar ao Senhor, para que cesse a mortandade que grassa no povo. Arauna disse a Davi: Tome-a o rei meu senhor, e sacrifique como bem lhe parecer; eis aqui estão bois para o holocausto um carro e jugos de bois que servirão de lenha. Arauna deu tudo ao rei. Arauna disse mais ao rei: O Senhor teu Deus receba o teu voto. O rei respondeu-lhe: Eu não posso receber o que tu me ofereces, mas comprar-te-ei pelo que vale, e não oferecerei ao Senhor meu Deus holocaustos que me não custem nada. Comprou, pois, Davi a eira e os bois por cinquenta siclos de prata. Davi edificou ali um altar ao Senhor, e ofereceu holocaustos e hóstias pacíficas. O Senhor compadeceu-se da terra, e cessou o flagelo que assolava Israel. (2 Sam 24, 18-25).</span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O que podemos concluir desse capítulo?</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">É claro que o “altar ao Senhor” que Davi se propôs a comprar de Arauna se tornaria o templo de seu filho Salomão no devido tempo. E foram os “holocaustos e ofertas pacíficas” no templo que aplacariam a ira divina, pelo menos até certo ponto. Podemos inferir, pelo estímulo do profeta Gad, que o templo foi ideia de Deus, não de Davi. Na verdade, ele parece ser um presente de Deus para Davi em troca de seu arrependimento sincero.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Portanto, o primeiro templo não nasceu de uma vitória militar, como a conquista das terras árabes em 1967 (ou 2025?). Certamente Davi teve muitas vitórias, se esse fosse o critério de Deus. Tampouco nasceu do orgulho ou da prosperidade (veja abaixo uma discussão sobre o templo de Herodes). Em vez disso, o primeiro templo foi o produto da misericórdia de Deus combinada com a contrição e a humildade de Davi. Um segundo ponto é que Davi recusou a eira como um presente gratuito de Arauna; em vez disso, ele insistiu em pagar algo semelhante ao “valor justo de mercado” pela propriedade. Novamente vemos um contraste com o terceiro templo proposto. Os israelenses, apesar de toda a sua riqueza, nunca demonstraram interesse em </span><em><span class="tm9">comprar</span></em><span class="tm8"> o Monte do Templo do governo da Jordânia ou de seu Waqf islâmico em Jerusalém, ou de fornecer uma compensação<u><span class="tm10">(8)</span></u></span>. Em vez disso, a suposição generalizada dentro do universo sionista é que Israel possui a propriedade (mesmo antes de sua captura em 1967) com base simplesmente nas Sagradas Escrituras. Mas Israel não pode ter as duas coisas: não pode reivindicar um direito divino à terra com base nos escritos milenares dos profetas hebreus e, ao mesmo tempo, afirmar as proteções do direito internacional moderno para suas outras ações.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Aprendemos mais sobre o primeiro templo e o plano divino por trás dele em outros versículos do Antigo Testamento.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">No segundo livro das Crônicas, capítulo 3, versículo 1, descobrimos que o local escolhido por Davi para o templo, a eira dos jebuseus, ficava “no Monte Moriá”. Isso é mencionado apenas uma outra vez nas Escrituras (Gênesis 22, 2), quando Deus orientou Abraão a sacrificar seu filho Isaque em uma montanha na “terra de Moriá”. Portanto, a própria localização do templo era importante para Deus por causa do ato supremo de amor e obediência de Abraão a Deus cerca de mil anos antes.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Em segundo lugar, parece que Deus proibiu Davi de ter o privilégio de construir o templo, por causa de seu passado guerreiro. Como o próprio Davi diz em 1Crônicas 28, 3: “Deus, porém, disse-me: ‘Tu não edificarás uma casa ao meu nome, porque és um homem guerreiro, tens derramado sangue’”<u><span class="tm10">(9)</span></u></span>. Em vista dessa declaração da Torá, como os líderes do Israel moderno, um dos estados mais militaristas do mundo, podem acreditar que o Senhor agora os está chamando para honrá-Lo com um templo, sendo que este foi um privilégio que Ele negou a Davi?</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Por fim, é preciso observar que o Templo de Salomão foi principalmente, mas não exclusivamente, um projeto judeu. Embora Arauna, o jebuseu, tenha fornecido o terreno, havia também milhares de trabalhadores, inclusive artesãos qualificados sob os auspícios do rei Hiram de Tiro, que contribuíram para a construção. Sabemos, pela genealogia de Cristo, que alguns de seus antepassados não eram judeus, especialmente as mulheres Tamar e Raabe (ambas cananeias), Rute (moabita) e Bate-Seba, que legalmente era hitita<u><span class="tm10">(10)</span></u></span>. Por que deveríamos nos surpreender ao ver que o templo que Deus ordenou que fosse construído também deveria envolver os gentios?</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O templo de Salomão, construído aproximadamente em 966 a.C., durou cerca de 400 anos. Esse era o templo conhecido por Isaías, Ezequiel e Jeremias, todos os quais fizeram severas advertências ao povo judeu sobre o arrependimento de seus maus caminhos. Jeremias, que profetizou a destruição de Jerusalém em sua própria vida, fez uma forte repreensão a seus compatriotas no próprio portão do templo:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span class="tm10" style="color: #000000;">Eis o que diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Tornai bons os vossos caminhos e as vossas obras, e eu habitarei convosco neste lugar. Não ponhais a vossa confiança em palavras de mentira (dos) que dizem: É este o templo do Senhor, o templo do Senhor, o templo do Senhor! Mas se dirigirdes bem os vossos caminhos, se emendardes as vossas obras, se fizerdes justiça aos que pleiteiam entre si, se não oprimirdes o peregrino, o órfão e a viúva, nem derramardes o sangue inocente neste lugar, se não andardes após os deuses alheios, para vossa desgraça, então habitarei convosco neste lugar, nesta terra que dei a vossos pais, pelos séculos dos séculos. Contudo, eis que confiais, para vosso mal, em palavras de mentira, que vos não servirão para nada. Pois quê! Furtar, matar, adulterar, jurar falso, sacrificar a Baal e ir após os deuses estranhos, que não conheceis, e (depois disto) vir à minha presença nesta casa, onde o meu nome é invocado, e dizer: Estamos livres (de todo o mal) &#8211; com a ideia de continuar a cometer todas estas abominações! Logo, esta minha casa, onde é invocado o meu nome, é, a vossos olhos, um covil de ladrões? Eu, eu também vi (as vossas abominações), diz o Senhor. Ide ao meu santuário, a Silo, onde habitou o meu nome, a princípio, e vede o que eu lhe fiz por causa da malícia do meu povo de Israel. E agora, porque tendes feito todas estas obras, diz o Senhor, e porque, quando vos falei e avisei com tempo, não me ouvistes, quando vos chamei, não me respondestes, farei a esta casa onde o meu nome é invocado e na qual pondes a vossa confiança, a este lugar, que vos dei a vós e a vossos pais, (farei, digo) o mesmo que fiz a Siló; (Jer. 7, 3-14)</span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Siló, que já foi o lar da tenda ou santuário que abrigava a Arca da Aliança, havia sido reduzida a ruínas na época de Jeremias<u><span class="tm10">(11)</span></u></span>.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Em 586 a.C., o Senhor permitiu que os babilônios, sob o comando do rei Nabucodonosor, conquistassem o Reino de Judá, capturando Jerusalém e destruindo o magnífico templo de Salomão, com a Arca da Aliança. Hoje, a evidência arqueológica do majestoso templo de Salomão é “quase nula”. De acordo com a BBC, por exemplo, “[a] única evidência é a Bíblia. Não há outros registros que o descrevam e, até o momento, não há nenhuma evidência arqueológica do Templo”<u><span class="tm10">(12)</span></u></span>. Com as dez tribos perdidas de Israel já desaparecidas na história, as duas tribos restantes, Judá e Benjamim, começaram um exílio de mais de 40 anos na Babilônia, pois a nação judaica não existia mais.</span></p>
<p class="tm6 tm14" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">O Segundo Templo</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Nos misteriosos caminhos de Deus, os judeus tiveram uma segunda chance na Terra Prometida, graças à conquista da Babilônia pelos persas em 539 a.C.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O rei persa Ciro emitiu um édito autorizando os judeus cativos não apenas a retornar à sua terra natal, mas também a reconstruir seu templo em Jerusalém, com os vasos do templo que haviam sido capturados pelos babilônios. Vale ressaltar que o interesse atual na construção de um terceiro templo gerou uma comparação bizarra entre Donald Trump e o rei Ciro.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">A política externa fortemente pró-sionista de Trump durante seu primeiro governo, especialmente o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel em 2017, criou uma aparente semelhança com o antigo rei persa, pelo menos entre judeus e sionistas cristãos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, endossou publicamente essa comparação. Por sua vez, alguns sionistas cristãos começaram a considerar Trump como uma espécie de instrumento divino, por mais imperfeito que seja (não há problema nisso!), que realiza a vontade de Deus para a preservação de Seu povo escolhido<u><span class="tm10">(13)</span></u></span><span class="tm8">. A reputação de Ciro como um instrumento divino parece garantida; o livro deuterocanônico de 1 Esdras afirma que “o Senhor suscitou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual mandou fazer em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação:’Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra e encarregou-me de construir-lhe um templo em Jerusalém, que fica na terra de Judá’” (Esd. 2, 1-2). Quanto a Trump, embora existam documentos da Casa Branca para suas muitas decisões pró-Israel como presidente, nenhum deles cita a vontade de Deus como um fator.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F00d44603-9232-4b56-82f2-4d2eb0051f7f_1498x930.png" alt="" width="497" height="310" /></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: center;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">A paixão dos judeus por um terceiro templo aumentou drasticamente após o início da primeira presidência de Donald Trump em 2017. O “Sinédrio” moderno em Israel cunhou uma réplica de um meio-shekel de prata apresentando Trump com o rei persa Ciro e o primeiro-ministro britânico Arthur Balfour, autor da Declaração de Balfour exatamente cem anos antes. (Crédito: temple-coins.com)</span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Ao retornarem à Judeia, os judeus começaram a reconstruir seu templo sob a liderança de Zorobabel, que havia nascido na Babilônia durante o exílio. O novo templo, finalmente dedicado em 515 a.C., era uma imitação pobre de seu antecessor, dada a pobreza que se abateu sobre os judeus durante o exílio.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">No livro de Esdras, capítulo 3, versículo 12, é relatado o choro dos anciãos na cerimônia de dedicação, presumivelmente porque eles reconheceram a inferioridade do segundo templo em comparação com o original<u><span class="tm10">(14)</span></u></span>. No entanto, o templo de Zorobabel duraria quase até a época de Cristo. Durante essa época, a Judeia gradualmente se helenizou e também foi reduzida a um peão por vizinhos mais fortes, como os persas, os ptolomeus e os selêucidas. Foi o templo de Zorobabel que foi profanado por volta de 169 a.C. pelo infame rei Antíoco IV Epífanes da Síria.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">De acordo com um historiador grego, Antíoco “sacrificou um grande porco à imagem de Moisés e ao altar de Deus que ficava no pátio externo e os aspergiu com o sangue do sacrifício. Ele ordenou também que os livros, com os quais eles eram ensinados a odiar todas as outras nações, fossem borrifados com o caldo feito de carne de porco. E apagou a lâmpada (chamada por eles de imortal) que ardia continuamente no templo. Por fim, obrigou o sumo sacerdote e os outros judeus a comerem carne de porco”<u><span class="tm10">(15)</span></u></span>. Esse incidente ultrajante, também documentado como o ‘horror terrível’ ou ‘abominação da desolação’ no livro deuterocanônico 1 Macabeus, tornou-se o ímpeto para a revolta macabeia, um dos episódios mais célebres da história judaica. No entanto, o triunfo macabeu foi apenas temporário. Cerca de cem anos depois (63 a.C.), o templo de Zorobabel testemunhou uma humilhação final quando o general romano Pompeu conquistou Jerusalém. A captura do monte do Templo por Pompeu “foi acompanhada de grande matança. Os sacerdotes que estavam oficiando apesar da batalha foram massacrados pelos soldados romanos, e muitos cometeram suicídio; além disso, 12.000 pessoas foram mortas. O próprio Pompeu entrou no Templo, mas ficou tão impressionado com sua santidade que deixou o tesouro e os vasos caros intocados”<u><span class="tm10">(16)</span></u>.</span></p>
<p class="tm6 tm14" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">O Templo de Herodes</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Na época da profanação do templo por Pompeu, o futuro rei Herodes, o Grande, tinha nove anos de idade.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Em 40 a.C., o Senado romano nomeou Herodes como rei da Judeia, onde se esperava que ele representasse os interesses romanos. Em voga em sua época, Herodes provou ser um dos grandes construtores da antiguidade<u><span class="tm10">(17)</span></u></span><span class="tm8">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Sua obra-prima foi um novo templo, projetado para substituir perfeitamente o templo de Zorobabel, agora com 500 anos de idade (talvez porque o templo de Zorobabel não tenha sido realmente destruído, mas efetivamente “reformado e ampliado”; de acordo com a Wikipédia, o termo “segundo templo” tem sido aplicado historicamente a ambas as estruturas)<u><span class="tm10">(18)</span></u></span>. De qualquer forma, Herodes reconstruiu o segundo templo a partir do zero, com mármore e ouro. O edifício principal tinha mais de quinze andares e sua fundação incluía blocos de calcário de 500 toneladas<u><span class="tm10">(19)</span></u>.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Um projeto tão elaborado, incluindo os pórticos circundantes, os pátios e o restante do complexo, levou cerca de 80 anos para ser concluído, muito além do tempo de vida do próprio Herodes. Quando Herodes anunciou a iniciativa pela primeira vez (por volta de 20 a.C.), ele se gabou de que seria “a mais gloriosa de todas as suas ações” e serviria como “um memorial eterno dele”, de acordo com o historiador judeu Flávio Josefo. Da mesma forma, Herodes lembrou arrogantemente a seus súditos que “com a ajuda de Deus, eu levei a nação dos judeus a um grau de felicidade que eles nunca tiveram antes”<u><span class="tm10">(20)</span></u></span>.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Na época de sua conclusão, em 63 d.C., apenas sete anos antes de sua destruição total pelo general romano Tito, Josefo pôde testemunhar sua magnificência da seguinte forma: “Ora, a face externa do templo, em sua frente, não tinha nada que pudesse surpreender a mente ou os olhos dos homens, pois era toda coberta com placas de ouro de grande peso que, ao nascer do sol, refletiam um esplendor muito ardente e faziam com que aqueles que se forçavam a olhar para ele desviassem os olhos, como teriam feito com os raios do próprio sol. Mas este templo parecia aos estranhos, quando se aproximavam dele à distância, como uma montanha coberta de neve; pois as partes dele que não eram douradas eram extremamente brancas”<u><span class="tm10">(21)</span></u></span>. O complexo do templo de Herodes não era apenas grandioso, mas enorme. As estimativas modernas são de que todo o monte do templo tinha cerca de 36 acres, aproximadamente o dobro do tamanho do templo original de Salomão e do Fórum de Trajano em Roma<u><span class="tm10">(22)</span></u>. Apesar de sua majestade, no entanto, a sala mais interna do templo (o Santo dos Santos) estava vazia, já que a Arca da Aliança e seus dois querubins de ouro que a acompanhavam haviam desaparecido há muito tempo.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Na época de Cristo, a realização de sacrifícios no templo era um setor importante. Como observa o autor Paul Johnson, “muitos milhares de sacerdotes, levitas, escribas e judeus piedosos trabalhavam na área do templo e em seus arredores”. Os sacerdotes eram responsáveis pelos sacrifícios de animais e outros rituais. De acordo com Aristeas, um peregrino judeu de Alexandria, cerca de 700 sacerdotes se dedicavam a “realizar os sacrifícios, trabalhando em silêncio, mas manuseando as pesadas carcaças com habilidade profissional e colocando-as exatamente na parte certa do altar”. Devido ao grande número de animais, o abate, a sangria e o corte das carcaças tinham que ser feitos rapidamente; e para se livrar das grandes quantidades de sangue, a plataforma não era sólida, mas oca, um gigantesco sistema de limpeza” contendo 34 cisternas. Várias aberturas traziam água das cisternas, enquanto os drenos levavam as torrentes de sangue, de modo que “todo o sangue era coletado em grandes quantidades e lavado em um piscar de olhos”<u><span class="tm10">(23)</span></u></span>.</span></p>
<p class="tm6 tm14" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">O templo, Cristo e sua Mãe</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O templo de Herodes foi o cenário de vários eventos importantes na vida de Cristo, começando com sua apresentação e circuncisão logo após o nascimento. No entanto, vamos considerar primeiro a “purificação do templo” feita por Cristo no primeiro ano de seu ministério público, conforme registrado por São João. Após a expulsão de Cristo dos mercadores e cambistas:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Tomaram então a palavra os Judeus, e disseram-lhe: “Com que sinal nos mostras tu que tens autoridade para fazer estas coisas?”</span><strong><span class="tm17"> </span></strong><span class="tm10">Jesus respondeu-lhes: “Destruí este templo, e o reedificarei em três dias.” Replicaram os Judeus: “Este templo foi edificado em quarenta e seis anos, e tu o reedificarás em três dias?” Ora ele falava do templo de seu corpo. (Jo. 2, 18-21)</span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Obviamente Jesus não tinha 46 anos de idade nessa época e a referência a 46 anos pode não ter nenhum outro significado. No entanto, os escribas bíblicos, e especialmente João, frequentemente têm significados ocultos em seus textos que faríamos bem em explorar.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Já que os 46 anos não se referem ao próprio Cristo, será que poderiam se referir ao corpo de Sua Mãe? As revelações de Maria à Beata Maria de Ágreda (autora de </span><em><span class="tm9">A Mística Cidade de Deus</span></em><span class="tm8">), embora não pretendam responder a essa pergunta diretamente, fornecem um nível fascinante de detalhes sobre a vida da Santíssima Virgem e de Seu Filho divino. Nesse caso, podemos considerar o texto fornecido no final da vida de Maria, que afirma que “&#8230;quando Cristo, nosso Salvador, nasceu, sua mãe virginal tinha quinze anos, três meses e dezessete dias de idade”<u><span class="tm10">(24)</span></u></span><span class="tm8">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Embora não saibamos a idade de Cristo nesse momento inicial de seu ministério público, não é inconcebível que os judeus estivessem se referindo, sem saber, à idade de Sua Mãe Santíssima. Em outras palavras, enquanto Herodes e seus entusiastas seguidores judeus lançavam seu projeto terreno de um novo e grandioso templo, não poderia o próprio Deus estar introduzindo simultaneamente a nova aliança por meio da Imaculada Conceição (ou nascimento) de Maria? Será que Maria talvez fosse o verdadeiro novo templo ou até mesmo a Arca da Aliança definitiva, que era o objeto mais sagrado do templo original?<u><span class="tm10">(25)</span></u></span> A resposta a essa pergunta aguarda a eternidade.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">De fato, os escritos de Maria de Ágreda estão repletos de referências à Santíssima Virgem como o novo templo e/ou a nova Arca da Aliança no plano divino da salvação. Seguem alguns exemplos:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">(1) Antes da Anunciação, a preparação de Maria por Deus para sua grande missão a descreve como um templo.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Para dar o último toque a essa prodigiosa obra de preparação de Maria Santíssima, o Senhor estendeu seu braço poderoso e renovou expressamente o espírito e as faculdades da grande Senhora, dando-lhe novas inclinações, hábitos e qualidades, cuja grandeza e excelência são inexprimíveis em termos terrestres. Foi o ato de acabamento e o retoque final da imagem viva de Deus, a fim de formar, nela e dela, a própria forma na qual o Verbo eterno, a imagem essencial do Pai eterno (2 Cor. 4, 4) e a figura de sua substância (Heb. 1, 3), deveria ser moldado. Assim, </span><strong><span class="tm17">todo o templo de Maria Santíssima, mais do que o de Salomão, foi coberto com o ouro mais puro </span></strong><span class="tm10">da Divindade, por dentro e por fora (1Rs. 6, 30), de modo que em nenhum lugar se podia ver nela qualquer grosseria de uma filha terrena de Adão. Todo o seu ser foi feito para resplandecer a Divindade, pois como o Verbo divino deveria sair do seio do Pai eterno para descer ao seio de Maria, Ele providenciou a maior semelhança possível entre a Mãe e o Pai.<u>(26)</u></span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">(2) Da mesma forma, na Visitação, sua prima Elizabeth se refere a Maria como um templo e como a nova Arca da Aliança.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">A fim de encontrar algum consolo, Santa Elisabeth resolveu abrir seu coração à Senhora celestial, que, no entanto, não ignorava sua tristeza; e disse a Ela com grande submissão e humildade: “Prima, querida Senhora, por causa do respeito e da consideração com os quais sou obrigada a te servir, não ousei até agora falar de meu desejo e da tristeza em meu coração; dê-me agora a permissão de aliviá-los, tornando-os conhecidos. O Senhor, em sua misericórdia, condescendeu em enviar-te até aqui, para que eu pudesse ter a bênção imerecida de conversar contigo e de conhecer os mistérios que sua divina Providência confiou a ti, minha Senhora. Não sou digno de louvá-Lo eternamente por esse favor: “Tu és bem-dito sobre o trono do teu reino, digno do máximo louvor e exaltação, por todos os séculos” (Dan. 3, 53). Tu és o templo vivo da sua glória, a arca do Testamento, contendo o Maná, que é o alimento dos anjos” (Heb. 9, 4). “Tu és a tábua da verdadeira lei, escrita no seu próprio Ser” (Salmos 77, 25).<u>(27)</u></span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">(3) Após a Ascensão de Nosso Senhor, ficamos sabendo do papel singular desempenhado por Maria nos primeiros dias da Igreja, em cumprimento à promessa de Cristo de que “Eu estarei convosco convosco todos os dias&#8230;” (Mt 28, 20).</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">[Jesus] permaneceu sacramentalmente presente em sua Mãe desde a última Ceia, conforme relatado acima. Mas isso não teria sido inteiramente cumprido após sua Ascensão, se Ele não tivesse realizado esse novo milagre na Igreja; pois naqueles primeiros anos os </span><strong><span class="tm17">Apóstolos não tinham um templo</span></strong><span class="tm10"> ou um arranjo adequado para preservar continuamente a Sagrada Eucaristia e, portanto, eles sempre a consumiam inteiramente no dia de sua consagração.</span><strong><span class="tm17"> Somente Maria Santíssima era o santuário e o templo, no qual, por alguns anos, o Santíssimo Sacramento foi preservado, a fim de que a Igreja de Cristo não fosse privada, nem por um momento, do Verbo feito carne, desde o momento em que Ele ascendeu ao céu até o fim do mundo.</span></strong><span class="tm10"> Embora não estivesse presente naquele Tabernáculo para o uso dos fiéis, estava ali para o benefício deles e para outros fins mais gloriosos, já que a grande Rainha oferecia suas orações e intercessões por todos os cristãos no templo de seu próprio coração e adorava o Cristo sacramental em nome de toda a Igreja, enquanto que, por sua habitação naquele seio virginal, Cristo estava presente e unido ao corpo místico dos fiéis. Acima de tudo, essa grande Senhora foi a causa da suprema felicidade daquela época; pois, ao abrigar assim em seu seio seu Filho e Deus sacramental, assim como Ele está agora abrigado nos santuários e tabernáculos, Ele foi continuamente adorado com a mais alta reverência e piedade pela Maria Santíssima, e nunca foi ofendido, como Ele é agora, em nossas igrejas”.<u>(28)</u></span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">(4) Finalmente, Maria de Ágreda nos oferece este comentário inspirado sobre a morte de Maria:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Então essa alma puríssima passou de seu corpo virginal para ser colocada em glória sem limites, no trono à direita de seu divino Filho. Imediatamente a música dos anjos pareceu se retirar para o ar superior, pois toda aquela procissão de anjos e santos acompanhou o Rei e a Rainha até os céus empíreos. O corpo sagrado de Maria Santíssima, que havia sido o templo e o santuário de Deus em vida, continuou a brilhar com uma luz resplandecente e exalava uma fragrância tão maravilhosa e inaudita, que todos os espectadores se encheram de doçura interior e exterior.<u>(29)</u></span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Coletivamente, essas referências, entre muitas outras, devem nos levar a considerar que, com a vinda do Redentor e sua nova e eterna Aliança, o conceito original de um templo físico foi substituído por algo muito mais sublime, que necessariamente está no reino espiritual.</span></p>
<p class="tm6 tm14" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">A destruição do templo de Herodes</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Voltando à saga do templo de Herodes, durante a vida de Cristo ele já havia se tornado não apenas o foco religioso da aliança mosaica, mas também o centro político, social, cultural e até mesmo econômico da vida judaica.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Quando Jesus foi questionado por seus seguidores sobre a magnificência do complexo do templo, o Evangelho de São Mateus (24, 2) registra sua resposta: </span><em><span class="tm9">“Vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”</span></em><span class="tm9"><u><span class="tm10">(30)</span></u></span><span class="tm8">. A conquista romana de Jerusalém e a destruição do templo que cumpriu essa profecia ocorreria em 70 d.C., cerca de uma geração no futuro. Entretanto, uma pista perturbadora sobre o destino do templo deveria ter alarmado os líderes judeus apenas alguns anos depois, quando eles executaram Cristo, seu tão esperado Messias, como um criminoso comum.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Essa pista, é claro, foi o rasgo do véu do templo em dois, conforme documentado por três dos evangelistas (Mateus 27, 51, Marcos 15, 38, Lucas 23, 45). Quando nos voltamos novamente para Maria de Ágreda, aprendemos que foi o apelo inspirado da Virgem Santíssima a Deus Pai, para proteger a honra de seu (e dela) Filho divino, que causou o rompimento da cortina do templo e outros eventos milagrosos:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Quando a grande Rainha dos anjos, a Santíssima Maria, percebeu que os judeus, em sua perfídia e inveja obstinada, procuravam desonrá-Lo, blasfemá-Lo como o mais perverso dos homens e desejavam apagar seu nome da terra dos vivos, como Jeremias havia profetizado (Jer. 11, 19), Ela se inflamou com um novo zelo pela honra de Seu Filho e verdadeiro Deus. Prostrada diante da pessoa do Crucificado e adorando-o, Ela suplicou ao Pai eterno que zelasse pela honra de seu Unigênito e a manifestasse por meio de sinais tão evidentes que a perfídia dos judeus pudesse ser confundida e sua malícia frustrada em seu intento. Depois de apresentar essa petição ao Pai, Ela, com o zelo e a autoridade da Rainha do universo, dirigiu-se a todas as criaturas irracionais e disse: ‘Criaturas insensíveis, criadas pela mão do Todo-Poderoso, manifestais vossa compaixão, que, em uma loucura mortal, é negada a Ele por homens capazes de raciocinar. Vós, céus, sol, lua e vós, estrelas e planetas, parai em vosso curso e suspendei vossa atividade em relação aos mortais. Vós, elementos, mudai vossa condição, a terra perde vossa estabilidade, deixai que vossas rochas e penhascos se rasguem. Vós, sepulcros e monumentos dos mortos, abri e enviai vossos conteúdos para a confusão dos vivos. </span><strong><span class="tm17">Vós, véu místico e figurativo do templo, dividi-vos em duas partes e, com vossa separação, ameaçai os incrédulos com castigo, dai testemunho da verdade e da glória de seu Criador e Redentor, que eles estão tentando obscurecer’.<u><span class="tm10">(31)</span></u></span></strong></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Em 66 d.C., o atrito contínuo entre os judeus e Roma resultou em uma invasão da Palestina pelos exércitos romanos sob o comando de Vespasiano e seu filho Tito, ambos futuros imperadores. O historiador judeu Josefo, testemunha em primeira mão dessa campanha (e que mudou de lado no meio), deixou-nos um relato detalhado.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">A guerra de quatro anos culminou com o cerco romano a Jerusalém, com a destruição de toda a cidade e a queima do templo em agosto de 70 d.C. Assim como o templo de Salomão, mais de seis séculos antes, a obra-prima de Herodes foi totalmente demolida. Josefo registra que Jerusalém “foi tão completamente destruída até o chão por aqueles que a escavaram até o alicerce, que não restou nada que fizesse com que aqueles que chegassem lá acreditassem que ela já havia sido habitada. Esse foi o fim a que Jerusalém chegou pela loucura dos que eram a favor de inovações; uma cidade que, de outra forma, seria de grande magnificência e de grande fama entre toda a humanidade”<u><span class="tm10">(32)</span></u></span><span class="tm8">. É importante observar que o avanço das legiões romanas sobre Jerusalém levou os cristãos a fugirem para a cidade de Pela, na margem leste do Jordão. Assim, eles foram poupados do terrível destino dos defensores judeus. Os cristãos estavam bem cientes das palavras de advertência de Cristo: </span><em><span class="tm9">“Mas quando virdes que Jerusalém é sitiada por exércitos, então sabei que está próxima a sua desolação. Os que então estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, retirem-se; os que estiverem nos campos, não entrem nela; porque estes são dias de vingança, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Ai das mulheres grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! porque haverá grande angústia sobre a terra, e ira contra este povo. Cairão ao fio da espada, serão levados cativos a todas as nações, e Jerusalém será calcada pelos gentios, até se completarem os tempos dos gentios”</span></em><span class="tm8"> (Lucas 21, 20-24).<u><span class="tm10">(33)</span></u></span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7"><em><img class="aligncenter" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0f735549-675e-43a3-9b8e-c6331159f054_1452x816.png" alt="" width="543" height="307" /></em></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: center;"><em><span style="color: #000000;"><u></u><span class="tm10">Destruição do templo de Herodes em agosto de 70 d.C. O metódico cerco romano a Jerusalém durou cinco meses e causou fome em massa entre os desesperados defensores judeus (Crédito: Wikicommons)</span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Ao contrário dos judeus, os cristãos sabiam que seu reino — o Reino de Deus — não estava nos imóveis da Palestina, mas na Igreja, em seus sacramentos e no coração dos fiéis. Como se as ações das legiões de Tito não fossem suficientes para cumprir a profecia de Cristo, o imperador Adriano acrescentou mais um insulto várias décadas depois. Em suas viagens pelo império oriental em 130 d.C., Adriano ordenou que toda a cidade de Jerusalém fosse reconstruída em estilo romano com um nome romano — Aelia Capitolina — e que o templo de Javé fosse substituído por um templo para o deus pagão Zeus. Certamente, Jerusalém já estava “calcada pelos gentios”.</span></p>
<p class="tm6 tm14" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">Por falar em templos</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">À medida que a pequena semente do cristianismo se expandia, no primeiro século d.C., da Judeia para o grande mundo mediterrâneo, ela se beneficiava de inúmeros milagres realizados pela Santíssima Virgem. Mais uma vez, vemos que as revelações documentadas por Maria de Ágreda no século XVI fornecem detalhes intrigantes. Consideraremos brevemente a experiência de São Tiago (irmão de São João) na Espanha e um incidente durante a estada da Santíssima Virgem em Éfeso. No primeiro caso, o resultado foi a construção de um novo templo (ou seja, uma igreja) dedicado especificamente a Maria como Nossa Senhora do Pilar. No segundo, que ocorreu apenas alguns anos depois, o resultado foi a destruição milagrosa de um templo pagão dedicado à deusa Diana, ou Artemis.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Tiago foi o primeiro dos apóstolos a deixar Jerusalém, segundo a tradição. Cerca de dezessete meses após a paixão e morte de Nosso Senhor, ele seguiu a ordem de Cristo de levar o Evangelho para a longínqua Espanha, onde enfrentou a perseguição dos judeus da diáspora. Cristo, sempre atento às necessidades de seus discípulos, apareceu a Maria e se dirigiu a ela da seguinte forma:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Desejo que você o visite [Tiago] na Espanha, onde ele está pregando em meu nome&#8230; Vá a Saragoça, onde ele está agora, e ordene-lhe que volte a Jerusalém [para ser martirizado]. Mas antes que ele deixe aquela cidade,</span><strong><span class="tm17"> ele deve construir um templo em teu nome e título</span></strong><span class="tm10">, onde você será venerada e invocada para o bem-estar daquele país, para minha glória e louvor, e o da Santíssima Trindade&#8221;<u>(34)</u></span><span class="tm10">.</span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">A Santíssima Virgem então foi milagrosamente para a Espanha e encontrou Tiago em oração às margens do rio Ebro. Os anjos que a acompanhavam traziam consigo ‘uma pequena coluna talhada em mármore ou jaspe e uma imagem não muito grande de sua rainha’. Por ordem de seu Filho, Maria se dirigiu a Tiago da seguinte maneira: ‘Meu filho Tiago, </span><strong><span class="tm17">este lugar que o altíssimo e onipotente Deus do céu destinou para ser consagrado por ti na terra para a construção de um templo e casa de oração, onde, sob meu patrocínio e nome</span></strong><span class="tm10">, Ele deseja ser glorificado e magnificado, onde os tesouros de sua mão direita serão distribuídos e todas as suas antigas misericórdias serão abertas para os fiéis por meio de minha intercessão, se eles as pedirem com verdadeira fé e sincera piedade. Em nome do Todo-Poderoso, prometo-lhes grandes favores e bênçãos de doçura, bem como minha proteção e assistência, pois essa será minha casa e templo, minha herança e posse. Uma garantia dessa verdade e de minha promessa será esta coluna [pilar] com minha imagem colocada sobre ela. No templo que você construirá para mim, ela permanecerá e será preservada, juntamente com a santa fé, até o fim do mundo. Você começará imediatamente a construir esse templo de Deus e, depois de concluí-lo, partirá para Jerusalém, pois meu Filho divino deseja que você ofereça o sacrifício de sua vida no mesmo lugar em que Ele ofereceu a dele para a salvação da raça humana’.<u>(35)</u></span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Essa foi, em resumo, a origem do santuário de Nossa Senhora do Pilar, hoje uma catedral e basílica mundialmente famosa.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Pouco depois desse incidente na Espanha, a Santíssima Virgem, acompanhada por São João, foi conduzida à cidade de Éfeso, onde realizaria outro grande milagre. Como explica Maria de Ágreda, Éfeso era uma cidade que estava sob controle diabólico há séculos. O ponto central eram as amazonas, um grupo de mulheres de inspiração demoníaca que, com o passar do tempo, criaram seu lar em um templo e escolheram uma delas — Diana — como deusa. O templo se tornou o local de atos sexuais imorais e, por fim, Lúcifer “se apropriou da estátua de Diana como assento ou trono de sua maldade”<u><span class="tm10">(36)</span></u></span><span class="tm8">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Enquanto isso, São João apelou para a Santíssima Virgem, percebendo que somente ela poderia agir para impedir a adoração de demônios “naquele lugar abominável”<u><span class="tm10">(37)</span></u></span>. Depois de apelar em oração para seu Filho divino, Maria “ordenou que todos os demônios do templo de Diana descessem imediatamente para as profundezas do inferno e deixassem o lugar, que haviam infestado como se fosse deles por tantos anos”<u><span class="tm10">(38)</span></u>. “Após sua vitória, a grande senhora do mundo, com o consentimento de Cristo, nosso Salvador, ordenou imediatamente que um de seus santos anjos fosse ao templo de Diana e o destruísse sem deixar pedra sobre pedra”<u><span class="tm10">(39)</span></u>. Em resposta, seu anjo “executou a ordem de sua rainha e senhora e, no mais curto espaço de tempo, o rico e famoso templo de Diana, cujo estabelecimento havia consumido muitas eras, foi reduzido a pó: tão repentina foi sua destruição e ruína que despertou o espanto e o medo dos habitantes de Éfeso”<u><span class="tm10">(40)</span></u>. “Esse evento parece ser referenciado no apócrifo Atos de João, que &#8220;relata uma história em que o apóstolo João orou no templo, resultando na divisão de seu altar e no colapso de uma parte do templo”<u><span class="tm10">(41)</span></u>.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Juntos, esses dois incidentes ilustram a ajuda milagrosa que Cristo forneceu a Seus apóstolos por meio de Sua Santa Mãe nesse momento crítico para a Igreja nascente. No primeiro caso, Cristo recompensou Sua Mãe com um templo (igreja) especialmente reservado em sua honra; ele se tornaria a primeira de milhares de igrejas dedicadas dessa forma. Em um segundo momento, Maria recebeu o poder de destruir milagrosamente um templo de uma falsa deusa. Assim começou a era da Igreja apostólica, quando os templos desapareceram, milagrosamente ou não, e surgiram igrejas em todo o Império Romano.</span></p>
<p class="tm6 tm14" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">O Templo de Juliano, o Apóstata</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Vamos agora avançar para o século IV para considerar nosso último templo da história.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Ao contrário de todos os outros, esse templo nunca saiu do papel. Foi uma ideia de um sobrinho de 31 anos do grande imperador Constantino, que morreria em batalha contra os persas apenas um ano depois, tendo governado o império por apenas dezenove meses. Ao ser proclamado imperador em 361 d.C., o jovem Juliano revelou ao mundo que havia renunciado à fé cristã e se convertido ao paganismo, adorando os deuses e deusas de seus ancestrais<u><span class="tm10">(42)</span></u></span><span class="tm8">. Na verdade, as novas crenças de Juliano eram sincréticas, “absorvendo uma grande variedade de crenças e práticas”. Com efeito, Juliano estava aberto a quase tudo, exceto ao cristianismo, que ele chamava de “doença”<u><span class="tm10">(43)</span></u></span><span class="tm8">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7"><img class="aligncenter" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F572ff931-f06c-460e-bc19-963847893bcd_269x420.jpeg" alt="" /></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><u></u><em><span class="tm10">Um esboço de 1877 intitulado “Incêndios subterrâneos derrotam o esforço de Juliano para reconstruir o templo”, iniciado em 19 de maio de 363 d.C. Testemunhado por vários observadores confiáveis, esse evento levou muitos pagãos à fé cristã. (Crédito: Wikicommons)</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Além de emitir vários decretos prejudiciais ao cristianismo, ele anunciou seu plano de reconstruir o templo de Jerusalém, que havia sido destruído pelos romanos quase três séculos antes. Em uma carta à comunidade judaica, Juliano declarou que reconstruiria “a cidade sagrada de Jerusalém [incluindo o templo, mencionado em outro lugar], que por tantos anos vós desejardes ver habitada, e [vós] podereis trazer colonos para lá e, juntos, poderão glorificar o Deus Altíssimo nela”<u><span class="tm10">(44)</span></u></span>.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Felizmente, temos várias fontes contemporâneas, tanto cristãs quanto pagãs, que documentaram a tentativa abortada de Juliano de reconstruir o templo em 363 d.C. Entre elas estão os futuros santos Gregório de Nazianzeno e Efrém da Síria, bem como o historiador romano Ammianus Marcellinus. Sabemos que os judeus de Jerusalém abordaram esse projeto com grande entusiasmo; até mesmo as mulheres contribuíram com ornamentos e carregaram a terra com seus vestidos, conforme relatou Gregório.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Efrém observou que os judeus “se enfureceram, deliraram e tocaram as trombetas” e que “todos eles se enfureceram loucamente e não se contiveram”<u><span class="tm10">(45)</span></u></span>. “Apesar desse início auspicioso, o trabalho no templo provavelmente durou apenas alguns dias. Diversos relatos, tanto pagãos quanto cristãos, atribuem a interrupção do trabalho a um incêndio e, talvez, a um terremoto. O historiador romano Ammianus Marcellinus relatou que “bolas de fogo aterrorizantes continuavam a irromper perto das fundações do Templo”, queimando alguns dos trabalhadores até a morte e pondo fim ao empreendimento. Gregório de Nazianzo escreveu sobre “uma furiosa rajada de vento” e “&#8221;uma chama [que] saía do lugar sagrado”. Efraim observou que houve ventos, terremotos e relâmpagos, e que um ‘fogo saiu’”<u><span class="tm10">(46)</span></u>.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">O destino do projeto de Juliano, assim como o do templo de Diana três séculos antes, parece claramente ter origem em causas sobrenaturais. Os cristãos da época, é claro, tinham plena consciência da profecia de Cristo sobre o templo (“</span><em><span class="tm9">não ficará aqui pedra sobre pedra”</span></em><span class="tm8">). Se Juliano tivesse tido sucesso com seu templo, isso teria validado a crença judaica de que Cristo não era o Messias e, portanto, o cristianismo era uma religião falsa. O entusiasmo dos judeus pelo templo foi, em parte, para demonstrar que eles continuavam sendo o povo escolhido de Deus. A motivação de Juliano para construir um terceiro templo tem sido debatida por estudiosos. Seu objetivo era insultar os cristãos, agradar os judeus ou restaurar a cultura pagã tradicional? Possivelmente todas essas coisas. Um motivo parece certo: Juliano era um conhecido defensor do sacrifício de animais, que certamente seria ressuscitado se os judeus conseguissem construir um terceiro templo. Com o fim abrupto e dramático do projeto de Juliano, o Apóstata, o cristianismo continuou a florescer, a comunidade judaica continuou a se atrofiar e a Palestina ficou cada vez mais empobrecida e despovoada.</span></span></p>
<p class="tm6 tm14" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">E quanto ao Terceiro Templo?</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O surgimento do sionismo no final do século XIX, embora fosse um movimento secular, foi o catalisador da migração de milhares de judeus religiosos para a Palestina.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Durante a era do mandato da Palestina (1922-1947) e os primeiros anos da independência israelense, as questões de crescimento econômico e segurança tinham prioridade esmagadora e o interesse em um terceiro templo era insignificante. Entretanto, a vitória dramática de Israel na guerra de junho de 1967, erroneamente considerada “milagrosa” por alguns,<u><span class="tm10">(47)</span></u></span><span class="tm8"> fez com que o interesse no templo proliferasse. Em grande parte, isso se deveu ao fato de o exército israelense ter avançado apenas algumas centenas de metros pela “Linha Verde” até a antiga Jerusalém, capturando assim o Monte do Templo dos jordanianos<u><span class="tm10">(48)</span></u></span><span class="tm8">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Em agosto, o futuro rabino-chefe de Israel, Shlomo Goren, estava liderando as orações públicas dos judeus no Monte do Templo. Desde então, o Monte do Templo tem sido palco de conflitos e até mesmo de violência entre judeus religiosos ou de direita e os árabes muçulmanos, que continuaram a ter o direito de acessar o Monte do Templo e rezar na Mesquita Al-Aqsa. Ironicamente, desde então, o rabinato israelense se opôs ao direito dos judeus de rezar no monte por causa da “impureza ritual”<u><span class="tm10">(49)</span></u></span>. Talvez convenientemente, isso ajudou a minimizar o contato entre judeus e muçulmanos, especialmente no sábado, reduzindo assim as chances de violência. No entanto, o Monte do Templo ocasionalmente é palco de uma visita provocativa de líderes israelenses de direita, inevitavelmente precipitando a violência com os árabes. Por exemplo, em setembro de 2000, o falecido líder do Partido Likud, Ariel Sharon, fez uma visita ao local, cercado por centenas de policiais israelenses, o que resultou em uma briga em grande escala com os palestinos. No ano seguinte, Sharon foi nomeado primeiro-ministro.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">O acesso ao Monte do Templo também estimulou o ativismo judaico a começar a se preparar para o terceiro templo. Pelo menos três grandes organizações têm trabalhado para atingir esse objetivo há várias décadas. Elas são o Temple Institute (Instituto do Templo)<u><span class="tm10">(50)</span></u></span>, o Temple Mount and Land of Israel Faithful Movement (Movimento de Fiéis do Monte do Templo e da Terra de Israel, abreviado como TMF)<u><span class="tm10">(51)</span></u>, e o Returning to the Temple Mount (Retornando ao Monte do Templo)<u><span class="tm10">(52)</span></u>. É importante observar que todas as três organizações mantêm sites em inglês, calculados para atrair os muitos sionistas cristãos americanos e europeus que apoiam a iniciativa do templo.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Coletivamente conhecidas como o “Movimento do Monte do Templo”, essas organizações representam uma mistura eclética de judeus ortodoxos e sionistas seculares. O Instituto do Templo, financiado pelo governo, administra um centro de visitantes e um museu em Jerusalém, treina sacerdotes, fabrica vasos para uso em cerimônias rituais e doutrina crianças de escolas israelenses com sua agenda. Surpreendentemente, o Instituto do Templo afirma conhecer a localização precisa e oculta da Arca da Aliança, “aguardando o dia em que ela será revelada”<u><span class="tm10">(53)</span></u></span>.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">O site do TMF afirma que “o Monte do Templo nunca poderá ser consagrado ao Nome de D’us sem a remoção desses santuários pagãos [a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha]. Foi sugerido que eles fossem removidos, transferidos e reconstruídos em Meca”. Além disso, a consagração do Monte do Templo o tornará “o centro moral e espiritual de Israel, do povo judeu e do mundo inteiro”<u><span class="tm10">(54)</span></u></span>. Em 1990, o TMF tentou colocar a pedra angular do terceiro templo, resultando em um tumulto no Monte do Templo no qual dezessete palestinos foram mortos<u><span class="tm10">(55)</span></u>. O líder do movimento, Gershon Salomon, lamentou apenas que o sangue muçulmano tenha contaminado o Monte do Templo. Em 2022, o TMF anunciou no Facebook que “oferecerá um prêmio em dinheiro para aqueles que conseguirem sacrificar um cordeiro no Monte do Templo, bem como para aqueles que forem presos durante o processo”<u><span class="tm10">(56)</span></u>.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Israel continua sendo uma sociedade amplamente secular e o interesse em um terceiro templo está predominantemente confinado aos judeus ultraortodoxos (ou haredi). No entanto, os haredim são o grupo que mais cresce em Israel; de 13% da população do país em 2023, espera-se que sejam 16% até o final da década.<u><span class="tm10">(57)</span></u></span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">No entanto, a motivação judaica para controlar o monte do templo e construir um terceiro templo não é totalmente religiosa. De acordo com uma pesquisa de 2014 com judeus religiosos, uma pergunta indagava por que os judeus deveriam “subir” ao Monte do Templo. Enquanto 54% responderam que a visita deveria ser feita para cumprir um “mandamento positivo” e orar no local, 97% também responderam que visitar o local constituiria “uma contribuição para fortalecer a soberania israelense no local sagrado”<u><span class="tm10">(58)</span></u></span><span class="tm8">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Em uma análise de 2013 sobre o movimento do templo, uma organização judaica escreveu:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Nossas descobertas mostram um aumento dramático no número e na influência de organizações que abrangem desde a conscientização contemporânea sobre o papel do Templo até o objetivo ativo de restabelecê-lo no Monte do Templo/Haram al-Sharif. Vinte anos atrás, essas organizações estavam nas margens radicais do mapa político e religioso, mas desde 2000 elas alcançaram uma posição respeitável dentro da corrente principal da direita política e religiosa e se beneficiaram de laços estreitos com as autoridades do Estado de Israel. Há uma correlação entre a escalada do conflito israelense-palestino no Monte do Templo/Haram al-Sharif e ao redor dele desde 2000 e um aumento paralelo na atividade das organizações do Templo. Embora as várias organizações do Templo possam ter objetivos diferentes e impactos variados, um denominador comum de messianismo religioso e nacionalista distingue o movimento como um todo. A religião se tornou uma ferramenta para a realização de objetivos nacionais extremos em um local que é um ponto focal de tensão política e religiosa<u>(59)</u></span>.</span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Os entusiastas do templo têm se ocupado há décadas com a fabricação de artefatos para uso no templo, como a menorá (que pesa meia tonelada),<u><span class="tm10">(60)</span></u></span> vestimentas sacerdotais e vasos de cobre. Já em 1986, a jornalista americana Grace Halsell documentou as observações de um guia turístico israelense sobre os planos para o futuro templo:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Temos todos os planos desenhados para o templo. Até mesmo os materiais de construção estão prontos. Eles estão escondidos em um local secreto. Há várias lojas onde os israelenses trabalham, fabricando os artefatos que usaremos no novo templo. Um israelense está tecendo o linho puro que será usado nas vestimentas dos sacerdotes do templo. Em uma escola religiosa&#8230; localizada perto de onde estamos, os rabinos estão ensinando os jovens a fazer sacrifícios de animais.<u>(61)</u></span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Por fim, nenhuma discussão sobre o terceiro templo estaria completa sem mencionar a busca pela inapreensível &#8220;novilha vermelha&#8221;, um projeto do Instituto do Templo que atraiu a atenção internacional.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">De acordo com a ordem do Senhor a Moisés e Arão em Números 19, 1-10, o povo de Israel deve obter </span><em><span class="tm9">“perfeita, na qual não haja nenhum defeito, e que não tenha (ainda) levado o jugo”</span></em><span class="tm8">. Como descreve a autora Victoria Clark, o sacrifício ritual da novilha “fornecerá as cinzas necessárias para a purificação, primeiro dos construtores e depois dos futuros sacerdotes do Templo. De acordo com as instruções divinas detalhadas em Números 19, o animal deve ser sem um único defeito e vermelho da cabeça aos pés. Se houve nove dessas novilhas entre o final do século XIII a.C., quando Moisés viveu, e a destruição do Segundo Templo, em 70 d.C., não houve nenhuma nesse intervalo de quase dois mil anos”<u><span class="tm10">(62)</span></u></span><span class="tm8">. (O filósofo judeu do século XII, Moisés Maimônides, havia proclamado que o aparecimento da décima novilha sinalizaria a vinda do Messias).</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Os sionistas cristãos americanos vieram em socorro, primeiro na pessoa de Clyde Lott, um pregador pentecostal e criador de gado do Mississippi. Depois de prolongadas negociações com rabinos ortodoxos do Temple Institute na década de 1990, Lott se preparou para enviar milhares de cabeças de gado red angus para Israel, onde a novilha vermelha perfeita, de acordo com as diretrizes rabínicas, poderia ser criada. Lott viajou pelos Estados Unidos, falando em igrejas e conferências e levantando fundos significativos. Os doadores eram solicitados a patrocinar, por exemplo, a compra de uma novilha vermelha por US$ 1.000, ou uma meia novilha, ou a passagem aérea para uma vaca por US$ 341.<u><span class="tm10">(63)</span></u></span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">O projeto da novilha vermelha evocou toda a gama de reações previsíveis em Israel, em grande parte secular, onde, por exemplo, o autor judeu Gershom Gorenberg se referiu sarcasticamente a Lott e seus associados como “criadores de gado do Apocalipse”. O Temple Institute teve pelo menos dois “quase-acidentes” em seus esforços de reprodução ao longo dos anos. Isso inclui o muito divulgado nascimento de Melody em 1996, uma bezerra vermelha pura que, inconvenientemente, desenvolveu um tufo de pelos brancos em sua cauda antes dos dois anos de idade<u><span class="tm10">(64)</span></u></span><span class="tm8">. Destemidos, os ativistas judeus, com o apoio dos sionistas cristãos americanos, continuam sua busca pela novilha vermelha perfeita.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Em 2022, outro fazendeiro americano do Texas entregou cinco novilhas vermelhas a Israel, que foram recebidas com a devida cerimônia no Aeroporto Ben Gurion. De acordo com o </span><em><span class="tm9">Jerusalem Post</span></em><span class="tm8">, “se elas permanecerem 100% vermelhas e não apresentarem nenhuma mancha que as desqualifique, cada uma delas será elegível para ser usada para criar as cinzas exigidas pela lei judaica para purificar aqueles que estiveram em contato com um cadáver”<u><span class="tm10">(65)</span></u></span>. Para os não iniciados, a crença judaica ortodoxa considera todos os judeus, inclusive os sacerdotes, impuros devido ao contato com um cadáver e, portanto, incapazes de entrar no templo. No entanto, os sacerdotes (kohanim) teriam permissão para realizar serviços no templo depois de serem purificados com as cinzas de uma novilha vermelha, “tornando a criação de tais cinzas um requisito necessário para qualquer tentativa de <u><a style="color: #000000;" href="https://www.jpost.com/opinion/columnists/tradition-today-rebuilding-the-temple-319533"><span class="tm10">restabelecer o Templo</span></a></u>”<u><span class="tm10">(66)</span></u>.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F13d8bdf9-b109-4aad-a7b5-d345e5fdace0_1994x1120.png" alt="" width="538" height="304" /></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><u></u><em><span class="tm10">Novilhas vermelhas nascidas no Texas, transplantadas para Israel em 2022. De acordo com a crença judaica, se uma delas permanecer completamente vermelha e sem manchas, suas cinzas purificarão os sacerdotes judeus para entrar no terceiro templo. (Crédito: YouTube Screenshot from the Daily Wire)</span></em></span></p>
<p class="tm6 tm14" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">Observações finais</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">A história de três mil anos dos templos na comunidade judaica é, em grande parte, uma história de tragédia devido ao orgulho, à descrença e à punição. No plano divino, o advento do Messias e o estabelecimento de sua Igreja foram planejados para convencer os judeus de que o templo e o sacrifício mosaico não eram mais necessários, tendo sido substituídos pela Nova Aliança. O próprio Cristo em seu corpo místico era o verdadeiro templo (João 2, 19-22), o grande sumo sacerdote (Heb. 4, 14) e o Cordeiro sacrificial de Deus (João 1, 29). Quanto ao templo em Jerusalém, ele estava destinado à lata de lixo da história.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Cristo até mesmo abordou essa questão com os samaritanos. A mulher à beira do poço o questionou:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm12">Nossos pais adoraram sobre esta montanha, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Jesus disse-lhe: ‘Mulher, crê-me que é chegada a hora, em que não adorareis o Pai, nem nesta montanha, nem em Jerusalém. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque dos Judeus é que vem a salvação. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, porque é destes adoradores que o Pai deseja’”</span></em><span class="tm10"> (Jo. 4, 20-23).</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Em seus escritos, São Paulo reforçou o conceito do Corpo Místico de Cristo: </span><em><span class="tm9">“Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Com efeito, é santo o templo de Deus, que vós sois”</span></em><span class="tm8"> (1Cor. 3, 16-17).</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Infelizmente, a ascensão do protestantismo no século XVI, que foi ainda mais distorcida pelo sionismo cristão no século XIX, corrompeu o conceito de “templo” conforme ordenado por Deus em seu plano de salvação. Atualmente, milhões de cristãos ocidentais aprovam e até apoiam a construção de um terceiro templo em Jerusalém, com sacrifício de animais e dezenas de regras arcanas que foram abolidas pelo sacrifício supremo de Cristo no Calvário. Como é possível que os sionistas cristãos, que presumivelmente acreditam no batismo, também aceitem a exigência de matar uma novilha vermelha para purificar um judeu? A reinstituição do templo judaico e de seus rituais do Antigo Testamento não é a rejeição final do Filho de Deus, que cumpriu a Lei e os profetas? (Mt. 5, 17).</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">A maioria dos pré-requisitos para um terceiro templo já está em vigor. As únicas exceções são o acesso ao Monte do Templo e uma novilha vermelha adequada. Como potência ocupante em Jerusalém Oriental, o governo israelense poderia, a qualquer momento, autorizar a destruição das estruturas muçulmanas no Monte do Templo, permitindo assim o início da construção do templo.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">No entanto, os israelenses sabem muito bem que essa medida enfureceria o mundo muçulmano. No entanto, na era de Donald Trump, parece haver novas possibilidades.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Durante seu primeiro governo, Trump intermediou o que ficou conhecido como os ‘Acordos de Abraão’ entre Israel e quatro países árabes. Da mesma forma, seu governo testemunhou a criação da Abrahamic Family House, um “complexo inter-religioso” até então inimaginável, composto por uma mesquita, uma igreja católica e uma sinagoga em Abu Dhabi. Dado seu ego considerável e seu status de “pato manco”<u><span class="tm10">(67)</span></u></span><span class="tm8"> como presidente, seria totalmente típico de Trump intermediar algum acordo que permitisse a construção do terceiro templo. Além disso, Trump é um homem do setor imobiliário por profissão: ele pode se relacionar com (e possivelmente invejar) os grandes papéis de Salomão, Ciro e Herodes na construção dos templos anteriores. O rabino Yosef Berger, citado no início deste artigo, declarou em novembro que “assim como Ciro, Deus colocou Donald Trump no poder para construir o Templo e preparar o caminho para o </span><em><span class="tm9">moshiach</span></em><span class="tm8"> [messias]”. O Templo será construído por não judeus, o que “só será totalmente revelado depois que Trump cumprir esse papel”<u><span class="tm10">(68)</span></u></span><span class="tm8">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Por fim, observamos um comentário intrigante de David Ben Gurion, o primeiro primeiro-ministro de Israel, em 1962. Escrevendo para a Look Magazine, o autoproclamado ateu previu:</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Em Jerusalém, as Nações Unidas (as verdadeiras Nações Unidas) construirão um Santuário dos Profetas para servir à união federada de todos os continentes; essa será a sede da Suprema Corte da Humanidade, para resolver todas as controvérsias entre os continentes federados, conforme profetizado por Isaías.<u>(69)</u></span></span></em></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Estaria Ben Gurion, conscientemente ou não, prevendo o terceiro templo? Ele parece estar se referindo a um local que invoca a preeminência judaica sobre os gentios, em vez de um local projetado para adorar o Deus Todo-Poderoso. Outro ato de orgulho em vez de humildade. O que quer que o futuro traga com relação a um terceiro templo — com ou sem Donald Trump — ele não pode ser agradável a Deus e, mais cedo ou mais tarde, sofrerá o mesmo destino dos templos anteriores. Pois </span><em><span class="tm9">“Jesus Cristo [é] a principal pedra angular, sobre o qual todo o edifício (espiritual) bem ordenado se levanta para ser um templo santo no Senhor”</span></em><span class="tm8"> (Ef. 2, 20-21).</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas de Rodapé: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://verbumfidelis.substack.com/p/a-farsa-do-terceiro-templo">Cfr. na tradução original</a></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm18">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/nos-catolicos-nao-podemos-apoiar-a-criacao-de-um-terceiro-templo-em-jerusalem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A CABALA JUDAICA CONTRA A IGREJA DE CRISTO: HISTÓRIA SECRETA DA PSICANÁLISE, PELO PROF. MATTEO D&#8217;AMICO</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/a-cabala-judaica-contra-a-igreja-de-cristo-historia-secreta-da-psicanalise-pelo-prof-matteo-damico/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/a-cabala-judaica-contra-a-igreja-de-cristo-historia-secreta-da-psicanalise-pelo-prof-matteo-damico/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Feb 2024 16:40:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cristianofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[Judaísmo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=31052</guid>
		<description><![CDATA[Palestra proferida pelo Prof. Matteo D&#8217;amico durante o 29° Congresso de Estudos Católicos, promovido pela FSSPX italiana e a Revista La Tradizione Católica, em Rimini, Itália.  Clique aqui e conheça nosso Canal no YouTube ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Palestra proferida pelo Prof. Matteo D&#8217;amico durante o 29° Congresso de Estudos Católicos, promovido pela FSSPX italiana e a Revista <em>La Tradizione Católica</em>, em Rimini, Itália. </strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="" src="https://www.youtube.com/embed/emaAnR0QMBE" width="640" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe><br />
<span style="color: #000000;"><strong><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://youtube.com/@dominusest-fieiscatolicosd9102?si=_87loYRmfpbq5HUv">Clique aqui </a></span>e conheça nosso Canal no YouTube </strong></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/a-cabala-judaica-contra-a-igreja-de-cristo-historia-secreta-da-psicanalise-pelo-prof-matteo-damico/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O JUDAÍSMO RABÍNICO OU PÓS-CRISTÃO &#8211; PARTE 2/2</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/o-judaismo-rabinico-ou-pos-cristao-parte-22/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/o-judaismo-rabinico-ou-pos-cristao-parte-22/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Dec 2023 15:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Judaísmo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=30728</guid>
		<description><![CDATA[Fonte: Fonte: Sì Sì No No, Ano XXXV n. 8 &#8211; Tradução: Dominus Est 1. Gênese do Talmud Eugênio Zolli, ex-rabino-chefe de Roma e convertido ao catolicismo define o Talmud como “grande corpus da tradição rabínica”[1]. Riccardo Calimani, um israelita, escreve: “Uma crença rabínica, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-judaismo-rabinico-ou-pos-cristao-parte-22/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.liceus.com/wp-content/uploads/2017/08/Juda%C3%ADsmo-Rab%C3%ADnico-e1580292266633.jpg" alt="Judaísmo Rabínico. Historia de las Religiones . Biblioteca Virtual" width="398" height="300" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sisinono.org/" target="_blank">Sì Sì No No, Ano XXXV n. 8</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></span></strong></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">1. Gênese do Talmud</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Eugênio Zolli, ex-rabino-chefe de Roma e convertido ao catolicismo define o Talmud como “grande </span><em><span class="tm8">corpus</span></em><span class="tm7"> da tradição rabínica”</span><strong><span class="tm6">[1]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Riccardo Calimani, um israelita, escreve: “Uma crença rabínica, que ao longo do tempo se espalhou cada vez mais e se tornou oficial, chegou ao ponto de sustentar que Moisés tinha recebido a Torá [=Lei] total no Monte Sinai, tanto na forma escrita: </span><em><span class="tm8">Torá</span></em><span class="tm7"> ou Pentateuco, e na forma oral, </span><em><span class="tm8">Mishná</span></em><span class="tm7">. Foi transmitida a Josué e dele aos mais velhos e depois, aos poucos [&#8230;], foi confiada à memória dos homens que o escreveram fisicamente. Nesta nova luz, a </span><em><span class="tm8">Mishná</span></em><span class="tm7"> [&#8230;] adquire, como lei oral transcrita depois da Revelação no Sinai, enorme importância [&#8230;]. Não é de surpreender, portanto, que tenham surgido inúmeros comentários [&#8230;]. Os </span><em><span class="tm8">amoraim</span></em><span class="tm7"> (literalmente: relatores) eram aqueles mestres que, aproximadamente entre os séculos III e V [d. C.], sucederam aos </span><em><span class="tm8">tannaim</span></em><span class="tm7"> (repetidores, professores, do século I ao III) e deram vida a um grande comentário chamado </span><em><span class="tm8">Guemará </span></em><span class="tm7">que, somado à </span><em><span class="tm8">Mishn</span></em><span class="tm7">á, tomou o nome de </span><em><span class="tm8">Talmud</span></em><span class="tm7">. A escola palestina produziu o </span><em><span class="tm8">Talmud</span></em><span class="tm7"> de Jerusalém, e a da Babilônia o </span><em><span class="tm8">Talmud Babli</span></em><span class="tm7">, considerado o mais importante e concluído no século VI [d. C.]”</span><strong><span class="tm6">[2]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">São João Bosco, por sua vez, (</span><em><span class="tm8">Storia sacra</span></em><span class="tm7">, Turim, SEI, IX ed., 1950), explica: “O Talmud é o corpo da doutrina judaica que abrange a religião, as leis e os costumes dos judeus. Existem dois deles: o de Jerusalém, composto pelos rabinos dessa cidade por volta do ano 200 d.C., em favor dos judeus que viviam na Judéia; e o da Babilônia, composto nessa cidade cerca de 200 anos depois do primeiro, para uso dos judeus que viviam além do Eufrates. […]</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">A) </span><em><span class="tm8">Mishná</span></em><span class="tm7">: código de direito eclesiástico e civil dos judeus. Esta palavra significa “repetição da lei” ou “segunda lei”. Os judeus acreditam que, além da Lei escrita, Moisés recebeu outras leis no Monte Sinai que ele comunicou oralmente e que foram preservadas entre os doutores na Sinagoga até a época do famoso rabino Judas, o Santo, que escreveu a Mishná no ano 180 d.C. Nada mais é do que a coleção de ritos e leis orais dos judeus;</span></span><span id="more-30728"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">B) </span><em><span class="tm8">Guemará</span></em><span class="tm7">: “complemento” ou “perfeição”. É o nome da segunda parte do Talmud, sendo a primeira a Mishná. A Guemará é considerada pelos judeus como o “cumprimento ou perfeição da lei” (Mishná) e uma explicação dela” (pp. 234, 241, 253). </span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">2. Importância do Talmud</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Elio Toaff, rabino-chefe de Roma na época em que escrevia, explica em seu livro </span><em><span class="tm8">Essere ebreo</span></em><span class="tm7"> que “as origens do Judaísmo hoje são encontradas no Talmud. Ao estudar o Talmud descobrimos as origens do judaísmo moderno”</span><strong><span class="tm6">[3]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Joseph Bonsirven era um rabino com profundo conhecimento do Talmud. Convertendo-se ao catolicismo, tornou-se jesuíta e professor universitário de teologia em Lyon e de exegese no “Biblicum” de Roma. Seus trabalhos são muito científicos e precisos</span><strong><span class="tm6">[4]</span></strong><span class="tm7">. No </span><em><span class="tm8">Dictionnaire de Théologie Catholique</span></em><span class="tm7"> [</span><em><span class="tm8">Dicionário de Teologia Católica</span></em><span class="tm7">], ele editou, como especialista no assunto, o verbete do Talmud, ilustrando seu plano, teologia e espírito.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“Os dois Talmuds [de Jerusalém e da Babilônia] – escreve ele – apresentam-se como um comentário sobre a Mishná [lei oral] e, portanto, devem se referir a ela [&#8230;] Está dividido em seis seções, e cada seção inclui vários tratados, que são divididos em capítulos e versículos”</span><strong><span class="tm6">[5]</span></strong><span class="tm7">. A seção IV é a mais interessante no que diz respeito às relações judaico-cristãs, e é intitulada </span><em><span class="tm8">Neziqim</span></em><span class="tm7"> (A ordem dos danos).</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O Padre Joseph Bonsirven S.J. aponta que a dialética talmúdica não entra em acordo com a lógica aristotélica, feita de silogismos e deduções rigorosas: o Talmud está imbuído de um </span><u><span class="tm7">espírito hermético</span></u><span class="tm7">, usa uma terminologia particular, tem um estilo </span><u><span class="tm7">impenetrável</span></u><span class="tm7">, usa expressões convencionais e conclui que “o único método para tornar-se mestre [do Talmudismo] é ir – desde a infância – à escola de um doutor versado na linguagem e terminologia [talmúdica], que conhece os segredos da legislação [judaica], ler e reler o texto com o mestre, repetir e aprender de cor e empiricamente inúmeras noções que não se encontram em obras científicas e críticas, como dicionários, gramáticas e terminologias”</span><strong><span class="tm6">[6]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Portanto, é completamente inapropriado tentar estudar o Talmud puro sem ter recebido uma educação rabínica: para conhecer o seu espírito é necessário confiar em especialistas como Bonsirven ou Zolli, que conhecem o seu verdadeiro significado e não exageram o ódio racial ou o diminuem devido aos preconceitos do diálogo ecumênico inter-religioso, tão em voga agora especialmente no ambiente eclesial</span><strong><span class="tm6">[7]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O Jesuíta Bonsivern no </span><em><span class="tm8">D.T.C.</span></em><span class="tm7"> escreve que no Talmud “notamos desvios [&#8230;] que levam a uma forma de </span><u><span class="tm7">religião mais naturalista e mais racionalista</span></u><span class="tm7">. Isso se deve a uma ênfase excessiva em dois dogmas: a eleição de Israel e a autoridade divina [&#8230;] da Torá. A preocupação em salvaguardar a nação santa conduz, na prática, a um </span><u><span class="tm7">separatismo e a um particularismo sufocantes e ruinosos</span></u><span class="tm7">, a um </span><u><span class="tm7">orgulho étnico inevitável</span></u><span class="tm7">, que facilmente se transforma em </span><u><span class="tm7">racismo</span></u><span class="tm7"> e ódio aos estrangeiros. O culto do povo e a quase adoração da </span><em><span class="tm8">letra</span></em><span class="tm7"> da Lei conduzem às seguintes consequências: [a] uma tal estima pela liberdade humana a ponto de querer que ela seja impenetrável ao beneplácito de Deus e à ação da sua graça; [b] a repugnância pela ordem sobrenatural propriamente dita e o excesso do espírito legalista e jurídico que multiplica as prescrições e sufoca a vida num labirinto impenetrável de observações e práticas, abrindo a porta ao formalismo, muito próximo da hipocrisia; [c] </span><em><span class="tm8">a autoridade exorbitante das decisões rabínicas que vinculam a vontade de Deus e colocam em cheque os seus mandamentos</span></em><span class="tm7">”</span><strong><span class="tm6">[8]</span></strong><span class="tm7">. Concluindo, “o espírito do judaísmo [talmúdico] [&#8230;] fecha as almas à </span><u><span class="tm7">mensagem cristã, totalmente sobrenatural</span></u><span class="tm7">”</span><strong><span class="tm6">[9]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Então o Padre Bonsirven cita “o grande historiador do povo judeu” Henri Graetz (</span><em><span class="tm8">Histoire des Juifs</span></em><span class="tm7">, fr., volume V, p. 154) que escreve: “Os defeitos do método de ensino talmúdico, as </span><u><span class="tm7">sutilezas</span></u><span class="tm7">, o hábito de debater e a </span><u><span class="tm7">astúcia</span></u><span class="tm7"> penetraram na vida prática e se degeneraram em </span><u><span class="tm7">duplicidade,</span></u> <u><span class="tm7">espírito complicado</span></u><span class="tm7"> e deslealdade. Foi difícil para os judeus enganarem-se uns aos outros, uma vez que todos receberam a mesma educação [talmúdica] e, portanto, lutaram em igualdade de condições. Mas eles muitas vezes usaram engano e meios injustos em relação aos não-judeus”. Mais do que o próprio Talmud – conclui Bonsirven – é o espírito ou a educação e o ensino talmúdico que tanto mal causou aos judeus”</span><strong><span class="tm6">[10]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">3. Polêmica entre cristãos e judeus</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Os cristãos logo fizeram sérias acusações contra o Talmud, em primeiro lugar censurando-o pelas intoleráveis ​​blasfêmias contra Jesus: “Na verdade – escreve Joseph Bonsirven – o Talmud contém o núcleo das histórias, coletadas e desenvolvidas no infame panfleto </span><em><span class="tm8">Toledot Jesu</span></em><span class="tm7">, publicado na Alemanha por volta do século IX [&#8230;]. Isidore Loeb [judeu e grande especialista em judaísmo] reconhece isso: ‘não há nada de surpreendente que o Talmud contenha ataques contra Jesus. Seria estranho se não houvesse’ (</span><em><span class="tm8">Révue des études juives</span></em><span class="tm7">, t. I, p. 256). Outra acusação: a inimizade irreconciliável contra os cristãos [&#8230;]. Encontramos no Talmud a severa condenação dos </span><em><span class="tm8">minim</span></em><span class="tm7">, e muitos veem-no como uma designação dos cristãos”</span><strong><span class="tm6">[11]</span></strong><span class="tm7">. Félix Vernet explica que: “A palavra </span><em><span class="tm8">minim</span></em><span class="tm7"> […] servia para designar os cristãos, e o mesmo vale para a palavra </span><em><span class="tm8">goyim</span></em><span class="tm7">: eles – amaldiçoados pelo Talmud – representavam antigamente os gregos de Antíoco ou os romanos de Tito e Adriano […]. Ora, é ponto pacífico que, mais tarde, uma vez afastados os gregos e os romanos&#8230;, e sofrendo a presença dos cristãos, os judeus adquiriram o hábito de lhes aplicar as sentenças contra os </span><em><span class="tm8">goyim</span></em><span class="tm7">” e acrescenta: “A atitude do Talmud em relação a Jesus Cristo é maldosa. Ali se encontram blasfêmias e vulgaridades contra Jesus: seu nascimento ilegítimo, insultos a Nossa Senhora [&#8230;]. Pode-se ler todos os textos talmúdicos relativos a Jesus, não em uma edição expurgada dos mesmos, mas nas edições completas, ou nas antologias compiladas por G. DALMAN, em H. LAIBLE, </span><em><span class="tm8">Jesus Christus in Talmud</span></em><span class="tm7">, Berlim, 1891 […] . No entanto – alerta o professor Vernet – aconteceu que, no calor da controvérsia antijudaica, foram anexados textos inautênticos ou mal compreendidos. Foi dito que todo o Talmud é totalmente ruim. Isso é impreciso; textos repreensíveis, em geral, são relativamente raros, mas se o Talmud não é apenas ódio contra Cristo e os cristãos, há não obstante esse ódio”</span><strong><span class="tm6">[12]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">A Igreja começou a conhecer a fundo a doutrina talmúdica entre 1238 e 1240, graças a “um judeu convertido Nicolau Donin, de La Rochelle, que apresentou ao Papa Gregório IX, em 1238, trinta e cinco artigos que reproduziam a doutrina do Talmud e que, de fato, foram extraídos com exatidão. […] Gregório IX ordenou a abertura de uma investigação […], e o Talmud foi condenado e cópias foram queimadas publicamente em Paris, por volta de 1242”</span><strong><span class="tm6">[13]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Outros Papas condenaram então o judaísmo talmúdico</span><strong><span class="tm6">[14]</span></strong><span class="tm7"> e quase todos os Padres e Doutores da Igreja, bem como os Santos canonizados, argumentaram teologicamente com o judaísmo pós-cristão</span><strong><span class="tm6">[15]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Por exemplo, São Justino, filósofo, apologista e mártir (+165 cerca), escreve que </span><u><span class="tm7">o judaísmo talmúdico odeia o cristianismo</span></u><span class="tm7"> e desonra os cristãos com linguagem sórdida e difamatória, amaldiçoando-os nas orações que são recitadas na sinagoga. “Provavelmente – comenta Vernet – alude à principal oração do judaísmo, a </span><em><span class="tm8">Amida</span></em><span class="tm7"> ou </span><em><span class="tm8">Chemoné-esré</span></em><strong><span class="tm6">[16]</span></strong><span class="tm7">, que era recitada três vezes ao dia&#8230;, era composta por dezoito bênçãos&#8230;, e por volta de 80 d.C. era intercalada entre a 11ª e a 12ª bênção uma imprecação formulada da seguinte forma: ‘Que os apóstatas não tenham esperança e que o império do orgulho seja erradicado imediatamente; que os nazarenos e os </span><em><span class="tm8">minim</span></em><span class="tm7"> pereçam num instante&#8230;’”.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Nesse texto – continua Vernet – os nazarenos são claramente nomeados; mas este é apenas o caso na edição palestina dessa oração, descoberta no Cairo por S. Schechter e publicada em </span><em><span class="tm8">The Jewish Quarterly Review</span></em><span class="tm7">, Londres, 1898, t. X, pág. 654-659</span><strong><span class="tm6">[17]</span></strong><span class="tm7">. São Justino também diz que o principal inimigo do judaísmo talmúdico não é o paganismo, mas o cristianismo (</span><em><span class="tm8">Dial.</span></em><span class="tm7"> VIII): os judeus do século II “amaldiçoam o crucifixo e insultam-no, como são ensinados pelos líderes das sinagogas após a oração (</span><em><span class="tm8">Dial.</span></em><span class="tm7"> 137). Eles se vangloriam de tê-lo matado. Tratam-no como mágico e nascido do adultério”</span><strong><span class="tm6">[18]</span></strong><span class="tm7">. Até São Jerônimo no comentário a Isaías (5, 18) menciona a oração de maldição contra os cristãos: “Três vezes ao dia, em todas as sinagogas, sob o nome de nazarenos, amaldiçoam o nome cristão” (</span><em><span class="tm8">“Ter per singulos dies in omnibus Synagogis subnome Nazarenorum anathemizant vocabulum christianum”</span></em><span class="tm7">).</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Eugenio Zolli acrescenta que “a apologética judaica dos primeiros séculos d.C. […] tende a descartar da figura do Messias qualquer aparência de igualdade com Deus, afirmando plenamente o seu caráter humano. Trifão repete… que o Messias… será um homem entre os homens”. Além disso, “os sacerdotes e anciãos do povo judeu enviaram mensageiros a todos os povos para disseminar suspeitas contra os ensinamentos de Cristo entre os judeus [da diáspora]”</span><strong><span class="tm6">[19]</span></strong><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">4. Antijudaísmo e antissemitismo</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O antijudaísmo da Igreja não é passional, como o do mundo greco-romano, mas é doutrinal porque tem a sua raiz em um conflito teológico e especificamente na cristologia da Igreja, que remonta ao ensinamento do próprio Jesus, que ainda é rejeitado pela massa de judeus: Cristo não é apenas o Messias esperado, mas é o Filho de Deus, consubstancial ao Pai e Salvador de todos, judeus e gentios. O antijudaísmo da Igreja é, portanto, muito distinto do antissemitismo racial</span><strong><span class="tm6">[20]</span></strong><span class="tm7">. Ela rejeita o antissemitismo, como materialismo que nega a espiritualidade da alma humana. Com efeito, se cada homem não é apenas matéria, mas também espírito, pode, com graça divina e boa vontade, corrigir os seus próprios defeitos e os da sua linhagem ou cultura; o judeu é, portanto, suscetível à redenção e à conversão.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A Igreja luta teologicamente contra o judaísmo talmúdico, que rejeitou e rejeita Nosso Senhor Jesus Cristo; condena o “ódio malicioso” e a violência desmotivada ou desproporcional contra os judeus, mas admite uma defesa legítima prudente e proporcional, bem como a controvérsia teológico-doutrinária contra o judaísmo rabínico. Aceita o judaísmo mosaico ou o Antigo Testamento como preparatório para o Novo Testamento; o antissemitismo racial, por outro lado, nega a Antiga Aliança e a Igreja, que a continua e aperfeiçoa em Jesus Cristo. Alguns autores dizem hoje que o antijudaísmo e o antissemitismo são a mesma coisa e, portanto, devem ser reprimidos legalmente. Isso é doutrinariamente falso e equivaleria a proibir e criminalizar a doutrina tradicional da Igre<a id="aGoBack" style="color: #000000;"></a>ja Católica, que tem lutado (e não pode deixar de lutar) contra o judaísmo teologicamente anticristão, desde a sua criação, durante dois milênios, como fez o Divino Salvador desde o seu nascimento até a sua morte. Seria equivalente a impedir a Igreja de cumprir a missão recebida de Deus de pregar a salvação para todos, judeus e não judeus, em Cristo Jesus. A caridade é inseparável da verdade e os católicos têm um dever de verdade e de caridade para com os judeus como para com todos os homens.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Portanto, atenção para evitar os dois erros por excesso (ódio racial: judaísmo = erro e mal absoluto) e por defeito (filo-judaísmo: judeus = “irmãos mais velhos”). A verdade é encontrada no justo meio de profundidade e não de mediocridade e, portanto, a controvérsia doutrinária e teológica antijudaica é legítima: há erros reais no talmudismo, a Antiga Aliança foi revogada e o judaísmo talmúdico é </span><em><span class="tm8">mortuus et mortiferus</span></em><span class="tm7">. Nem judaizantes e nem antissemitas. Ambas essas atitudes, com efeito, ofendem a verdade e a caridade. “O antissemitismo como tal, sendo uma manifestação de ódio, é estranho à Igreja Católica”</span><strong><span class="tm6">[21]</span></strong><span class="tm7"> escreve Eugenio Zolli, e o Padre Pierre Benoit escreve que “seria ilusório e falso fingir […] que o atual Estado Israel mantém todos os seus ‘privilégios’, como outro ‘povo de Deus’ paralelo à Igreja, da qual esta deverá esperar a integração para finalmente ter à sua disposição todos os seus meios de salvação”</span><strong><span class="tm6">[22]</span></strong><span class="tm7">. Infelizmente, essa falsidade, gravemente ilusória tanto para judeus como para cristãos, foi adotada, contra o ensinamento de Jesus Nosso Senhor, dos Apóstolos, dos Padres e do Magistério eclesiástico, pelo neomodernismo prevalecente graças à confusão teológica resultante do Concílio (</span><em><span class="tm8">Nostra aetate</span></em><span class="tm7">) sobre a relação entre o cristianismo e o judaísmo.</span><strong><span class="tm6">[23]</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">Agobardo</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">Notas</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">1. </span></strong><span class="tm7">E. ZOLLI, verbete </span><em><span class="tm8">Talmud</span></em><span class="tm7">, in “Enciclopedia Cattolica”, vol. XI, coll. 1714-1715, Città del Vaticano, 1953.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">2. </span></strong><span class="tm7">R. CALIMANI, </span><em><span class="tm8">Non è facile essere ebreo. L’ebraismo spiegato ai non ebrei</span></em><span class="tm7">, Milano, Mondadori, 2004, pp. 40-42.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">3.</span></strong><span class="tm7"> A. ELKANN-E. TOAFF, </span><em><span class="tm8">Essere ebreo</span></em><span class="tm7">, Milano, Bompiani, 1994, p. 107.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">4. </span></strong><span class="tm7">J. BONSIRVEN, </span><em><span class="tm8">Textes rabbiniques des deux premiers siècles chrétiens. Pour servir à l’intelligence du Nouveau Testament</span></em><span class="tm7">, Roma, Pontificio Istituto Biblico, 1955.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">*Este livro é muito útil e importante para nós. Na verdade, é uma antologia – compilada cientificamente &#8211; de textos rabínicos (traduzidos para o francês) desde os dois primeiros séculos da era cristã até o encerramento da Mishná. A Guemará (que vai do século IV ao VI d.C.) não é, portanto, aí relatada. É composto por uma coleção de &#8220;antigas orações judaicas&#8221; (pp. 1-12), dos “</span><em><span class="tm8">Midrashim</span></em><span class="tm7"> jurídicos” (pp. 13-87), distintos dos hagádicos (isto é, morais ou filosóficos), e finalmente de “Documentos Talmúdicos” (pp. 88-710), que contêm as seis seções [1°) </span><em><span class="tm8">Zeraim</span></em><span class="tm7">, 2°) </span><em><span class="tm8">Moed</span></em><span class="tm7">, 3°) </span><em><span class="tm8">Nasim</span></em><span class="tm7">, 4°) </span><em><span class="tm8">Neziqim</span></em><span class="tm7">, 5°) </span><em><span class="tm8">Qodasim</span></em><span class="tm7">, 6°) </span><em><span class="tm8">Tohorot</span></em><span class="tm7">] do Talmud, sem – como já foi escrito – o “Comentário” (Guemará) sobre o “Texto” (Mishná), que é traduzido.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Ver também J. BONSIRVEN, </span><em><span class="tm8">Exégèse rabbinique et exégèse paulinienne</span></em><span class="tm7">, Parigi, 1939 ; ID, </span><em><span class="tm8">Le judaisme palestinien au temps de Jésus Christ; sa </span></em><span class="tm7">théologie, 2 voll., Parigi, 1935 ; ID., </span><em><span class="tm8">Les idées juives au temps de Notre –Seigneur</span></em><span class="tm7">, Parigi, 1934; ID., </span><em><span class="tm8">Sur les ruines du Temple, ou le judaisme après 70</span></em><span class="tm7">, Parigi, 1928 ; F. BRENIER, </span><em><span class="tm8">Les Juifs et le Talmud</span></em><span class="tm7">, Parigi, LFA, 1913 ; J. M. RABBINOWICZ, </span><em><span class="tm8">Législation criminelle du Talmud</span></em><span class="tm7">, Parigi, Imprimerie Nazionale, 1876; A. DARMESTETER, </span><em><span class="tm8">Le Talmud</span></em><span class="tm7">, Parigi, Allia, 1991; A.F. SAUBIN</span><em><span class="tm8">, Le Talmud et la Synagogue moderne</span></em><span class="tm7">, Parigi, Bloude, 1912; M. BELINSON – D. Lattes, </span><em><span class="tm8">Il Talmud. </span><span class="tm7">Scelta di massime, parabole, leggende</span></em><span class="tm7">, Paravia, Torino, 1924; NADAV ELIAHU MAVESSER TOV, </span><em><span class="tm8">I numeri del segreto. La numerologia secondo la cabala</span></em><span class="tm7">, Milano, ed. privada, 1990.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">5. </span></strong><em><span class="tm8">Dictionnaire de Théologie Catholique </span></em><span class="tm7">(D. Th. C.), verbete </span><em><span class="tm8">Talmud</span></em><span class="tm7">, col. 15, Parigi, Letouzey, 1903-1950.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">6. </span></strong><span class="tm7">Cf. </span><em><span class="tm8">D. T. C.</span></em><span class="tm7">, cit., coll. </span><span class="tm7">18-19.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">7. </span></strong><span class="tm7">Não se pode presumir conhecimento do Talmud depois de ter estudado os primeiros rudimentos do hebraico ou do aramaico; para os não-judeus, deve-se recorrer a resumos feitos por judeus convertidos, como Donin, e a antologias populares como as de A. ROHLING (</span><em><span class="tm8">Der Talmudjude</span></em><span class="tm7">, 1878, aumentado fr. tr., Paris, 1889) e G.B. PRAINATIS (</span><em><span class="tm8">Christianus in Talmude Judaeorum</span></em><span class="tm7">, Petropoli, 1892, tr. it., Roma, Tumminelli, 1939, rest., Milan, Effedieffe, 2005), para citar os mais conhecidos, que, apesar de terem seus limites (não expressam todo a teologia talmúdica), também têm a sua utilidade (dá a conhecer o pensamento do judaísmo pós-bíblico sobre Cristo e os cristãos), tendo o cuidado de não se envolver emocionalmente em espírito de vingança, mas sem sequer proibir o seu uso para não cair em abusos (</span><em><span class="tm8">abusus non tollit usum</span></em><span class="tm7">).</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">8. </span></strong><em><span class="tm8">D.T.C</span></em><span class="tm7">., cit., col. 24.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">9. </span></strong><em><span class="tm8">Ibidem.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">10. </span></strong><em><span class="tm8">D.T.C.</span></em><span class="tm7">, cit., col. 26.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">11. </span></strong><em><span class="tm8">D.T.C.</span></em><span class="tm7">, cit., col. 27-28.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">12.</span></strong><span class="tm7"> D.A.F.C., cit, coll. 1689-1690.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">13.</span></strong><span class="tm7"> D.A.F.C., cit., coll. </span><span class="tm7">1691-1692. Na Espanha, a disputa cristã contra o talmudismo foi conduzida de forma muito científica e equilibrada, desde finais do século XIV, por alguns judeus sinceramente convertidos: Pablo de Santa Marìa (anteriormente Salomon Ha-Levi, rabino-chefe de Burgos, convertido em 1390), </span><em><span class="tm8">Scrutinium Scripturarum</span></em><span class="tm7">, publicado apenas em 1591; Jerònimo de Santa Fe (primeiro Yeshua Ha-Lorqui, que liderou a famosa disputa contra vários rabinos em Tortosa, em 1413, por ordem do Papa Bento XIII), </span><em><span class="tm8">Haebraeo Mastix</span></em><span class="tm7">, publicado no século XV. Pedro de la Caballerìa (grande jurista aragonês, especialista em árabe e hebraico, viveu entre o final do século XIV e o início do século XV) </span><em><span class="tm8">Tractatus zelus Christi</span></em><span class="tm7">, publicado em 1592. *Seguiram-se outros autores, menos treinados e mais polêmicos.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">14.</span></strong><span class="tm7"> Clemente IV (1267), Honório IV (1285), João XXII (1320), Bento XIII (1415), Júlio III (1554), Paulo IV (1564), Gregório XIII (1581), Clemente VIII (1593), Bento XIV (1751), Pio VI (1775). </span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">15.</span></strong><span class="tm7"> Pseudo-Barnabé, S. Justino, Tertulliano, S. Cipriano, Novaciano, Commodiano, S. Melitone, S. Ireneu, S. Apolinário, S. Serafione, Eusébio de Cesarea, S. Gregório de Nissa, S. João Crisóstomo, S. Isidoro, S. Basílio, S. Cirilo de Alexandria, S. Jerônimo, S. Agostinho, S. Máximo de Torino, S. Isidoro de Sevilha, S. Juliano de Toledo, S. Agobardo de Leão, S. Pedro Damião, S. Ambrósio, S. Leão Magno, S. Gregório Magno, S. Bernardo de Claraval, S. Vicente Ferrer, S. João Capistrano, S. Bernardino de Siena, beato Bernardino de Feltre e S. Antonino de Florença.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">16.</span></strong><span class="tm7"> Quanto à referida oração (</span><em><span class="tm8">“Amida”</span></em><span class="tm7"> que significa “em pé”, visto que deve ser recitada nesta posição, ou </span><em><span class="tm8">“Shemoné Esré”</span></em><span class="tm7"> que significa ‘dezoito’ relativamente ao número de bênçãos que a compõem) cf. J. BONSIRVEN, </span><em><span class="tm8">Textes rabbiniques des deux premiers siècles chrétiens. </span><span class="tm7">Pour servir à l’intelligence du Nouveau Testament</span></em><span class="tm7">, Roma, Pontifício Instituto Bíblico, 1955, pp. 2-3. </span><span class="tm7">Bonsirven escreve que é “o mais oficial e representativo do judaísmo. [&#8230;] Raban Gamaliel II, por volta do final do primeiro século, encarregou um certo Simão de modificá-lo, para excluir os cristãos do culto comum, introduzindo a décima segunda ‘bênção’ [na realidade uma maldição] dirigida contra eles” (</span><em><span class="tm8">Ibid.</span></em><span class="tm7">, pág. 2).</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">17. </span></strong><span class="tm7">D.A.F.C, art. cit., col. 1660.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">18. </span></strong><em><span class="tm8">Ibidem</span></em><span class="tm7">, col. 1661. Cf. também M. J. LAGRANGE, </span><em><span class="tm8">Le messianisme chez les Juifs</span></em><span class="tm7">, Parigi, 1909; A. VACCARI, verbete </span><em><span class="tm8">Messianismo</span></em><span class="tm7">, in Enciclopedia Italiana, vol. XXII, pp. 953-958, Roma, Istituto dell’Enciclopedia Italiana, 1929-1936; J. BARTOLOCCI, </span><em><span class="tm8">Bibliotheca magna rabbinica</span></em><span class="tm7">, Roma, 1683; L. RUPERT, </span><em><span class="tm8">L’Eglise et la Synagogue</span></em><span class="tm7">, Paris, 1859; J.-C. WAGENSEIL, </span><em><span class="tm8">Tela ignea Satanae, hoc est arcani et horribiles judaeorum adversus Christum Deum et christianam religionem</span></em><span class="tm7">, Altdorf, 1681; J. IMBONATI, </span><em><span class="tm8">Adventus Messiae, </span></em><span class="tm7">Roma, 1694 J. B. DE ROSSI, </span><em><span class="tm8">Della vana aspettazione degli Ebrei del loro re Messia</span></em><span class="tm7">, Parma, 1773; J.M. BAUER, </span><em><span class="tm8">Le judaisme comme preuve du christianisme</span></em><span class="tm7">, Parigi, 1866; J. B. DE ROSSI, </span><em><span class="tm8">Bibliotheca judaica antichristiana</span></em><span class="tm7">, Parma, 1800; J. DARMESTETER, </span><em><span class="tm8">Coup d’oeil sur l’histoire du peuple juif</span></em><span class="tm7">, Parigi, 1881.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">19.</span> </strong><em><span class="tm7">Ibidem</span></em><span class="tm7">, p. 129.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">20.</span></strong><span class="tm7"> Cfr. B. LAZARE, </span><em><span class="tm8">L’antisemitismo. Storia e cause</span></em><span class="tm7">, Verrua Savoia (TO), CLS, 2000. O autor (judeu e portanto não antissemita, nem vítima de preconceito) explica que as causas gerais do antijudaísmo se encontram no judaísmo talmúdico, uma vez que este não quer assimilar-se com os outros povos que o acolhem, e nem pretendem aceitar sua cultura e seus costumes. O judaísmo forma assim um Estado dentro do Estado e desperta uma reação hostil (antissemitismo ou antijudaísmo). Além disso, é uma forma de racismo anticristão (cristianofobia ou clerofobia) pois acredita que Israel, como grupo étnico, é uma raça superior que domina o mundo e que os outros povos são inferiores e os seus escravos.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">EUGENIO ZOLLI em seu livro </span><em><span class="tm8">Antissemitismo</span></em><span class="tm7"> (Roma, AVE, 1945, resto. Cinisello Balsamo, S. Paolo, 2005) explica que “Antissemitismo significa ódio [racialbiológico-materialista] ao povo judeu. O termo foi utilizado pela primeira vez por Wilhelm Marr em 1879; […] A teoria de Marr era que os judeus constituíam um grupo racial distinto, física e moralmente inferior. […] Os judeus estavam predispostos a ser uma raça escrava e inferior, enquanto os arianos, os povos nórdicos e teutônicos, eram a raça superior” (</span><em><span class="tm8">Ibid.,</span></em><span class="tm7"> pp. 7-8). No entanto, as causas do antijudaísmo (muito diferente do antissemitismo), também segundo Zolli, deveriam ser procuradas (</span><em><span class="tm8">ad intra</span></em><span class="tm7">) no particularismo ou exclusividade religioso judaico, combinado com uma consciência de superioridade sobre outros povos “como uma força fomentadora ódio” (p. 37). Daí surge uma “diferenciação étnica&#8230; de natureza política” (p. 38) juntamente com “dois outros fatores&#8230; o económico e o cultural”, que dão origem a “um sentimento religioso nacional judaico” ou religião nacional (</span><em><span class="tm8">ibidem</span></em><span class="tm7">); junto (</span><em><span class="tm8">ad extra</span></em><span class="tm7">) com o “monismo adomático” e prático ou com a própria ética de Israel, toda “ação e implementação” (p. 41), “que viu na realização das prescrições, usos, formalidades de todo gênero&#8230; um ato de defesa” (p. 99), que o leva a governar-se de modo a permanecer distinto e inassimilável aos povos que o acolhem e que, portanto, estão inclinados a resistir-lhes (pp. 41 e 99).</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">21.</span></strong><span class="tm7"> E. ZOLLI. </span><em><span class="tm8">Antisemitismo</span></em><span class="tm7">, rist. Cinisello Balsamo, S. Paolo, 2005, p. 117.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">22.</span></strong><span class="tm7"> P. Benoit, </span><em><span class="tm8">Revue Biblique</span></em><span class="tm7">, 68 (1961), p. 459.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm6">23.</span></strong><span class="tm7"> V. texto do mesmo autor deste: </span><em><span class="tm8">“A revolução realizada pela declaração ‘Nostra Aetate’: ‘a Antiga Aliança nunca foi revogada’”</span></em><span class="tm7">, disponível em https://catolicosribeiraopreto.com/a-revolucao-realizada-pela-declaracao-nostra-aetate-a-antiga-alianca-nunca-foi-revogada/</span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/o-judaismo-rabinico-ou-pos-cristao-parte-22/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O JUDAÍSMO RABÍNICO OU PÓS-CRISTÃO &#8211; PARTE 1/2</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/o-judaismo-rabinico-ou-pos-cristao-parte-12/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/o-judaismo-rabinico-ou-pos-cristao-parte-12/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 13:10:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Judaísmo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=30725</guid>
		<description><![CDATA[Fonte: Sì Sì No No, Ano XXXV n. 7 &#8211; Tradução: Dominus Est Um leitor nos pediu uma introdução ao judaísmo talmúdico ou “pós-bíblico”, ao qual aludimos muitas vezes, desde um ponto de vista puramente teológico, sem adentrarmos nas consequências sociais e &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-judaismo-rabinico-ou-pos-cristao-parte-12/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.liceus.com/wp-content/uploads/2017/08/Juda%C3%ADsmo-Rab%C3%ADnico-e1580292266633.jpg" alt="Judaísmo Rabínico. Historia de las Religiones . Biblioteca Virtual" width="398" height="300" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sisinono.org/" target="_blank">Sì Sì No No, Ano XXXV n. 7</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Um leitor nos pediu uma introdução ao judaísmo talmúdico ou “pós-bíblico”, ao qual aludimos muitas vezes, </span><u><span class="tm6">desde um ponto de vista puramente teológico</span></u><span class="tm6">, sem adentrarmos nas consequências sociais e econômicas disso. Faremos um breve resumo, esperando fazer algo útil aos católicos que hoje estão desorientados pelo pró-judaísmo dos modernistas, que (a partir da declaração </span><em><span class="tm7">Nostra aetate</span></em><span class="tm6">) camuflam a verdadeira natureza do judaísmo atual.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">1. Judaísmo do Antigo Testamento e judaísmo pós-cristão</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Eugenio Zolli (o antigo rabino-chefe de Roma que se converteu ao catolicismo) escreve: “O povo judeu, que tinha sido o veículo da Revelação quando esta se apresentou na sua plenitude com Cristo e os apóstolos, rejeitou-a, pelo menos na maior parte de seus membros, e colocou-se assim fora da Igreja [&#8230;]. A orientação geral [do judaísmo] tornou-se </span><u><span class="tm6">anacrônica</span></u><span class="tm6">. Porquanto, enquanto a Igreja está inteiramente voltada para Aquele que já veio para redimir e salvar [Jesus Cristo], o judaísmo debruçou-se sobre uma expectativa puramente vã. O judaísmo pós-bíblico [&#8230;] considera-se [ainda] um povo eleito e em relação de aliança com Deus”</span><strong><span class="tm8">[1]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Monsenhor Francesco Spadafora explica as causas da rejeição de Cristo e de sua Igreja: depois da heroica insurreição liderada pelos Macabeus contra Antíoco Epifânio (175 a.C.), começaram os acontecimentos habituais de uma dinastia, a dos asmoneus, cujas disputas “levaram [&#8230;] à intervenção de Roma (63 a.C.) e à chegada ao trono de Judá de um feroz idumeu, Herodes, sob a tutela de César. Nesses dois séculos (de 175 a.C. até à vinda de Jesus) formaram-se os grupos e instituições que encontramos no tempo de N. Senhor: fariseus, saduceus, essênios, Sinédrio, sinagogas, etc., e principalmente </span><u><span class="tm6">a concepção estreita de um messianismo nacionalista</span></u><span class="tm6">, com a exclusão dos gentios da salvação [&#8230;]. O puritanismo dos fariseus e a intransigência altiva e cética do Sinédrio opor-se-ão ao divino Salvador, aos Apóstolos e à Igreja nascente. O trágico desvio do judaísmo terá o seu fim e o seu castigo na destruição de Jerusalém (70 d.C.)”</span><strong><span class="tm8">[2]</span></strong><span class="tm6">.</span></span><span id="more-30725"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Uma eminente estudiosa do judaísmo, uma judia que se converteu ao catolicismo, Denise Judant especifica: “Devemos distinguir o judaísmo do Antigo Testamento do </span><em><span class="tm7">judaísmo pós-cristão</span></em><span class="tm6">. O primeiro é uma preparação do cristianismo [&#8230;], o segundo, porém, depois de ter renegado a messianidade e a divindade de Jesus Cristo, continua a rejeitá-la ainda hoje. Neste sentido, existe uma oposição radical entre o judaísmo e o Cristianismo de hoje [&#8230;]. Graças a Jesus, a Maria, aos Apóstolos e aos discípulos, um </span><u><span class="tm6">“pequeno grupo remanescente” de Israel correspondeu ao plano de Deus</span></u><span class="tm6">, aderindo ao Evangelho do Cristianismo, </span><u><span class="tm6">enquanto a grande maioria de Israel apostatou de Deus</span></u><span class="tm6">, rejeitando a Sua Palavra. […]. A </span><u><span class="tm6">ruptura</span></u><span class="tm6"> não existe entre o Antigo Testamento e o cristianismo, mas </span><u><span class="tm6">entre as duas partes do povo judeu: aqueles que rejeitaram o Evangelho e aqueles que o acolheram</span></u><span class="tm6">. […]. Tendo abandonado a Aliança com Deus, os judeus são sempre chamados a reingressá-la”</span><strong><span class="tm8">[3]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Antonio Rodríguez Carmona, professor de literatura intertestamentária da Faculdade de Teologia da Universidade de Granada, escreveu um livro muito interessante, publicado em espanhol em 2001 (</span><em><span class="tm7">La religión judía</span></em><span class="tm6">. </span><em><span class="tm7">História y teologia</span></em><span class="tm6">. Madrid, BAC, Biblioteca de Autores Cristianos) e traduzido para o italiano (</span><em><span class="tm7">La religione ebraica</span></em><span class="tm6">. </span><em><span class="tm7">Storia e teologia</span></em><span class="tm6">, Cinisello Balsamo, San Paolo, 2005), no qual explica em que consiste o judaísmo bíblico e pós-bíblico.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Carmona afirma que, no que diz respeito ao judaísmo atual ou pós-bíblico, convém mais falar de “</span><u><span class="tm6">Práxis religiosa</span></u><span class="tm6">” do que de “Religião”, pois os próprios judeus querem assim diferenciar-se do Cristianismo-religião, entendido como dogma, moralidade e autoridade</span><strong><span class="tm8">[4]</span></strong><span class="tm6">, enquanto o judaísmo é antes uma “</span><u><span class="tm6">forma de vida</span></u><span class="tm6">”</span><strong><span class="tm8">[5]</span></strong><span class="tm6">. Existem dois elementos que determinam a forma de vida judaica ou o “ser judeu”: “o étnico e o religioso”, que podem ser unidos ou separados. </span><u><span class="tm6">O fator étnico é basilar</span></u><span class="tm6"> e consiste em </span><u><span class="tm6">pertencer a um povo</span></u><span class="tm6"> que tem uma história singular [&#8230;]. O fator religioso consiste na aceitação daquilo que os círculos religiosos consideram como a quintessência dessa história religiosa particular”</span><strong><span class="tm8">[6]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">2. Da religião mosaica ao judaísmo talmúdico</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Quanto à </span><u><span class="tm6">história judaica</span></u><span class="tm6">, Carmona distingue entre a religião mosaica ou do Antigo Testamento e o atual judaísmo talmúdico, que “tem as suas raízes na religião da antiga Israel, mas que evoluiu até chegar ao judaísmo rabínico”</span><strong><span class="tm8">[7]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Após descrever a religião judaica desde os Patriarcas até a vinda de Jesus, o prof. Carmona começa a falar do judaísmo rabínico enquadrando-o no quadro histórico da destruição do Templo de Jerusalém por Tito (70 d.C.): o sacrifício cessa e a classe sacerdotal dos saduceus perde a sua razão de ser; então os fariseus assumem o controle e dão origem ao judaísmo rabínico ou farisaico-talmúdico</span><strong><span class="tm8">[8]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">O rabinismo ou judaísmo farisaico-talmúdico registra, após a última destruição de Jerusalém em 135 por obra de Adriano, “duas fases: a positiva, de reconciliação com Roma até Constantino, e outra negativa a partir deste. A situação começa a melhorar imediatamente após a morte de Adriano (138) [&#8230;]. Os rabinos [&#8230;] reconhecem a necessidade de aceitar o poder romano. Não renunciam com isso à sua pretensão de obter, como povo eleito de Deus, </span><u><span class="tm6">o primado sobre todos os povos</span></u><span class="tm6">, senão que renunciam à guerra como meio de consegui-lo. Em lugar da guerra, dedicam-se ao estudo da Torá”</span><strong><span class="tm8">[9]</span></strong><span class="tm6">. A fase negativa começa com Constantino, que legaliza o cristianismo como uma </span><em><span class="tm7">religião licita</span></em><span class="tm6"> (313), e com Teodósio I que o declara a </span><em><span class="tm7">religião do Estado</span></em><span class="tm6"> (380); piora com Teodósio II (438) e Justiniano (534), que “estabeleceram uma situação jurídica que prejudicou definitivamente os judeus, </span><u><span class="tm6">separando-os</span></u><span class="tm6"> da população cristã e reduzindo-os a </span><u><span class="tm6">cidadãos de segunda classe</span></u><span class="tm6"> [&#8230;]. Uma série de disposições que inspirarão as nações cristãs a tomá-las na Idade Média”</span><strong><span class="tm8">[10]</span></strong><span class="tm6">. A discriminação teológica, civil e política do judaísmo talmúdico começou com Justiniano em 534 e durou até o Iluminismo (século XVIII) por mais de mil e duzentos anos. Contudo, o judaísmo rabínico não desiste: substitui Jerusalém e o Templo por YHWH-Israel (seu povo escolhido) e a Torá e o sacerdócio pelo rabinato, cuja tarefa será preservar e transmitir fielmente a Torá escrita e oral (transcrevendo esta última para que não se perca; coisa que acontecerá, como veremos, com o Talmud) e explicar o seu significado, esperando por tempos melhores, aos quais o farisaísmo rabínico nunca renunciou.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">3. A afirmação do rabinato</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">&#8211; O Rabinato</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Nos primeiros séculos do exílio pós-babilônico (586 a.C.), os guardiães da Torá eram principalmente os sacerdotes, juntamente com alguns escribas (leigos). Porém, com o passar dos séculos, os leigos começaram a adquirir uma importância cada vez maior (175 a.C.). Por isso, após a catástrofe de 70 d.C., os escribas e fariseus, chamados “rabinos”, substituíram, sem muitas dificuldades, os sacerdotes que haviam sido massacrados (em grande parte) pelos romanos na destruição do Templo.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">O rabinato alcançou a supremacia total sobre todos os outros grupos do judaísmo apenas no século VII. Os rabinos tomaram emprestado dos fariseus a ideia de Israel como povo escolhido de Deus e dos escribas o conceito do estudo assíduo da Torá, que substitui (“momentaneamente”) o Templo e o sacerdócio, até tempos melhores, em que Israel recuperará sua terra, o Templo e o sacrifício</span><strong><span class="tm8">[11]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Antes do ano 70, “rabino” era apenas um </span><em><span class="tm7">“hobby”</span></em><span class="tm6"> honorífico, não remunerado e não oficialmente reconhecido e, portanto, o rabino tinha que fazer outro trabalho para viver; a partir do ano 70, passa a ser um título acadêmico, remunerado e oficial, de modo que ser rabino passa a ser uma profissão, o que garante poder viver disso. O rabinato só é alcançado após um “processo” de treinamento sob outro rabino e por meio de ordenação ou imposição de mãos (símbolo do mandato de transmissão da tradição – escrita e oral – recebida de Moisés). O imperador Adriano (135) proibiu a imposição de mãos, que, no entanto, continuou a ser praticada e foi substituída por um certificado apenas em 425.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">&#8211; O Patriarcado</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Foi a instituição política central e autoridade religiosa suprema do judaísmo do século II ao V durante a formação do rabinato (que prevaleceu definitivamente sobre o patriarcado apenas no século VII). Ele preencheu (junto com os rabinos) o vazio deixado pelo declínio do sacerdócio após o ano 70. Patriarca (em grego) traduz a palavra hebraica </span><em><span class="tm7">“nasì”</span></em><span class="tm6"> (príncipe). Roma (século II) reconheceu o patriarca como o representante da nação judaica. O patriarca também cobrava os impostos por ele impostos (com a permissão de Roma) aos judeus da Palestina e até administrava a justiça nos tribunais (</span><em><span class="tm7">“bet din”</span></em><span class="tm6">). Antes de chegar a essa posição, o patriarca deveria ser rabino, especialista e observador da Lei do patriarcado. Foi extinto em 429.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">O rabinato começou a rivalizar com o patriarcado, uma vez que este “havia gradualmente se secularizado e já não atuava de acordo com o modo de pensar rabínico, mas sim de acordo com interesses mundanos. Este tipo de tensão produzida entre eles resultou na aquisição de maior poder por parte dos rabinos”</span><strong><span class="tm8">[12]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">&#8211; O exilarcado</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Exilarca em grego significa “chefe do exílio”; traduz a palavra hebraica </span><em><span class="tm7">“resh galuta”</span></em><span class="tm6">, que significa “chefe da diáspora”. O exilarca tinha jurisdição política (cobrança de impostos e nomeação de juízes nos tribunais) e jurisdição religiosa (nomeação de rabinos) apenas sobre os judeus da Babilônia. O exilarcado babilônico e o patriarcado palestino se reconheciam e respeitavam um ao outro, embora fossem duas posições muito distintas e independentes, enquanto o rabinato entrou em colisão várias vezes primeiro com o patriarcado e depois com o exilarcado, ambos porque não queria ser submetido a tributo, e porque contestava a visão secularizada do exilarcado sobre Israel concebido não como povo escolhido e favorito de Deus, mas como assimilado a outros povos. A autoridade do exilarcado baseava-se em dois pilares: a autorização governamental dos persas ou partos para governar os judeus residentes na Babilônia e a (suposta) descendência davídica. Para se tornar um exilarca não era necessário ser rabino. O exilarcado também persistiu com a ocupação muçulmana (642) e durou até 1048, ano em que morreu</span><strong><span class="tm8">[13]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">&#8211; A Sinagoga</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Termo grego usado para indicar o local onde a comunidade judaica se reunia, ou para indicar a própria comunidade. A origem da sinagoga remonta à instituição das assembleias durante o exílio babilônico (586 a.C.). A existência de sinagogas na Palestina antes de 70 d.C. é certa e também comprovada arqueologicamente. Havia uma relação recíproca entre a adoração no Templo e a liturgia da sinagoga. Contudo, na sinagoga, ao contrário do Templo, o sacrifício não era oferecido, mas a Torá (e os Profetas) era lida e uma explicação era dada; orações também foram recitadas. Por isso, a sinagoga foi e é principalmente o local onde a comunidade judaica se reúne para rezar e ter ensino religioso; em segundo lugar, é também o centro cultural e social da comunidade (especialmente depois do ano 70).</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">&#8211; Tribunais</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">O sinédrio ou “tribunal supremo” (haviam “tribunais inferiores” em aldeias e cidades com mais de 120 habitantes) pretendia ser a continuação do grupo de 70 anciãos nomeados por Moisés para ajudá-lo a administrar a justiça. “Embora fosse um tribunal civil e religioso ao mesmo tempo, o exercício dos poderes civis e políticos – em princípio ilimitados – era altamente condicionado pelos governantes da época; por exemplo, a pena de morte exigia a aprovação da autoridade romana”</span><strong><span class="tm8">[14]</span></strong><span class="tm6">. Com o declínio do Sinédrio (que, tendo surgido em Jerusalém, depois de 70 foi reconstituído em Yabne, Usha, Bet Shearim, Séforis e finalmente em Tiberíades) em 425 (morte do </span><em><span class="tm7">“nasì”</span></em><span class="tm6"> Gamaliel VI), o exercício da justiça passou aos tribunais rabínicos. “Com o Iluminismo e a consequente emancipação, os judeus viram-se sujeitos aos tribunais nacionais como todos os cidadãos; os tribunais rabínicos viram as suas competências reduzidas a questões religiosas”</span><strong><span class="tm8">[15]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">O Professor Carmona, após ter ilustrado a era da assimilação e emancipação judaica durante o Iluminismo, conclui a sua digressão histórica escrevendo que “o resultado deste longo percurso histórico é a religiosidade judaica atual, caracterizada por um vasto pluralismo em que três formas básicas podem ser identificadas, com muitas nuances intermediárias: um judaísmo ortodoxo, um judaísmo conservador e um judaísmo reformado ou liberal”</span><strong><span class="tm8">[16]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Isso não significa que o judaísmo não exista, mas apenas que é representado por três correntes principais e suas diversas ramificações. Com efeito, depois de descrever as características desses três ramos principais do judaísmo atual, Carmona acrescenta: “Deve, no entanto, registar-se um processo de aproximação entre os diferentes setores, favorecido [&#8230;] sobretudo [depois da </span><em><span class="tm7">Shoah</span></em><span class="tm6">] por um sentimento crescente de pertencimento a Israel, que se espalha entre as novas gerações”</span><strong><span class="tm8">[17]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">4. O “credo” do judaísmo talmúdico</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Quanto à </span><u><span class="tm6">“religião” judaica</span></u><span class="tm6"> (embora fosse mais correto falar da “</span><u><span class="tm6">vida</span></u><span class="tm6"> ou forma </span><u><span class="tm6">religiosa</span></u><span class="tm6">” do judaísmo), Carmona explica que no judaísmo pós-bíblico “</span><u><span class="tm6">a práxis ocupa um lugar central</span></u><span class="tm6"> [&#8230;]. Por isso, pratica a religião judaica </span><em><span class="tm7">aquele que obedece e cumpre </span></em><span class="tm6">[a Lei]</span><em><span class="tm7">, não aquele que sabe e aceita um credo</span></em><span class="tm6">. [&#8230;]. Ora, a aceitação e o cumprimento da vontade de Deus [Lei] repousam sobre uma série de convicções teológicas, que funcionam como premissas objetivas que fundamentam uma prática e constituem a teologia judaica”</span><strong><span class="tm8">[18]</span></strong><span class="tm6">. Não podemos falar de dogma judaico em sentido estrito, uma vez que não existe uma autoridade magisterial única e infalível no judaísmo talmúdico, mas podemos falar de “</span><u><span class="tm6">credo</span></u><span class="tm6">” em sentido amplo, como verdades religiosas reveladas, mas não definidas e propostas para acreditar pelo magistério. Portanto, continua Carmona, “nunca existiu oficialmente uma doutrina </span><em><span class="tm7">ortodoxa</span></em><span class="tm6">, definida e imposta pela autoridade competente, e nem mesmo outra </span><em><span class="tm7">heterodoxa</span></em><span class="tm6">, cujo seguimento excluiria alguém da comunhão judaica. No judaísmo há uma maioria crente que, em maior ou menor grau, acredita em uma série de fatos e princípios religiosos; igualmente há uma minoria não crente, e nem por isso deixa de ser considerada judia</span><strong><span class="tm8">[19]</span></strong><span class="tm6">. [&#8230;] Ademais, o conceito de fé judaica não é intelectual, mas voluntarista, ou seja, a fé não é um ato do intelecto que, impulsionado pela vontade e movido pela graça, adere às verdades reveladas; mas é um </span><u><span class="tm6">entregar-se ou ter confiança</span></u><span class="tm6"> [ver “fé fiducial” ou “fé como ato puro de confiança” luterana] na ajuda de Deus para com Israel, seu povo escolhido</span><strong><span class="tm8">[20]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">São três as verdades fundamentais do judaísmo rabínico: 1ª) A unidade de Deus; 2ª) A Torá como vontade divina dada a Israel; 3ª) Israel como povo eleito de Deus e depositário de sua Lei.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Essas três verdades fundamentais, no entanto, devem ser compreendidas “de uma forma mais prática, e não teológico-especulativa, [&#8230;]. São afirmações pastorais, a serviço da vida espiritual do povo”</span><strong><span class="tm8">[21]</span></strong><span class="tm6">. Ou seja, a prática religiosa judaica pode existir sem a “fé” (mesmo no sentido amplo), que, se existir, tem apenas um valor prático e não dogmático (como também quer o modernismo) e está relacionada com o pertencimento ao povo de Israel. Na verdade, o judaísmo consiste essencialmente em pertencer ao povo de Israel do qual se pode alcançar acidentalmente uma prática da Lei que ajuda a manter a identidade do povo eleito; acidentalmente porque o sujeito é judeu, mesmo que não pratique, bastando que seja filho de mãe judia (</span><em><span class="tm7">“mater sempre certa, pater numquam”</span></em><span class="tm6">). Essa prática, normalmente mas não necessariamente (pode ser “praticada” sem acreditar, como querem hoje no campo católico os chamados “ateus devotos” como Pera, Ferrara etc.) baseia-se em algumas verdades religiosas, mas essas verdades têm uma finalidade mais pastoral (ou prática) do que dogmática (ou especulativa) porque servem para cimentar o sentimento de pertencimento ao povo eleito, separando-o dos outros, especialmente dos cristãos. Com efeito:</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">1°) A unidade de Deus serve para distinguir o judaísmo rabínico do cristianismo, que acredita na Unidade da Natureza divina na Trindade das Pessoas. Consequentemente, o judaísmo rabínico é caracterizado pela rejeição da SS. Trindade e da União hipostática (= Jesus verdadeiro Deus e verdadeiro homem).</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">2°) A Torá é a Lei (ou vontade) divina entregue por Deus a Israel. Serve para distinguir Israel de todos os outros povos. Se for praticada, é especialmente a partir desta perspectiva exclusivista e </span><u><span class="tm6">segregacionista</span></u><span class="tm6">. O judaísmo rabínico, com a literatura talmúdica, acrescentou outros 613 preceitos à Lei Mosaica (dos quais 248 são positivos e 365 negativos), para distinguir o talmudista do cristão, que olha para os Dez Mandamentos revelados por Deus a Moisés no Monte Sinai. De acordo com o talmudismo, entretanto, sete preceitos noaquidas foram entregues por Deus a todos os outros homens em Noé, como uma espécie de lei natural para os </span><em><span class="tm7">“goyim”</span></em><span class="tm6"> (não-judeus) correspondente ao Decálogo Mosaico.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">3°) Israel é o povo santo e o israelita pertence a esse povo escolhido por Deus: “A eleição de Israel é um dos princípios teológicos fundamentais do judaísmo rabínico”</span><strong><span class="tm8">[22]</span></strong><span class="tm6">. A tarefa de Israel é salvar o mundo, sendo um “reino de sacerdotes, uma nação santa” e a “luz das nações”. Israel, “em virtude de sua eleição, será um povo mediador entre Deus e toda a humanidade [&#8230;] que no final abandonará os falsos deuses e reconhecerá a soberania de Javé [e do seu povo Israel]”</span><strong><span class="tm8">[23]</span></strong><span class="tm6">. Carmona explica que: “a Torá foi dada em função da eleição, a qual no entanto [&#8230;] permanece mesmo quando </span><u><span class="tm6">o judeu decide ignorar as obrigações da aliança ou inclusive as recusar</span></u><span class="tm6"> [ver. </span><em><span class="tm7">S</span><span class="tm6">ì Sì No No, La ‘strana’ teologia di J. Ratzinger</span></em><span class="tm6">]. </span><span class="tm6">A eleição é o dado primário; a doação/recepção da Torá é o evento secundário”</span><strong><span class="tm8">[24]</span></strong><span class="tm6">. “Escolhido por Deus, Israel recebeu uma terra na qual poderia realizar-se como povo: a antiga terra de Canaã […] que </span><u><span class="tm6">desde então é a terra de Israel</span></u><span class="tm6"> (‘</span><em><span class="tm7">Eres Yisrael</span></em><span class="tm6">). Essa terra se considera </span><em><span class="tm7">santa</span></em><span class="tm6"> não por si mesma [&#8230;] mas por sua relação com o povo eleito a quem Deus a prometeu, e a quem deu a Torá, que só pode ser cumprida </span><em><span class="tm7">totalmente</span></em><span class="tm6"> em todos seus preceitos nessa terra”</span><strong><span class="tm8">[25]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Daí a importância que o sionismo tem para o judaísmo rabínico. Sem a terra “de Israel” (ou seja, Palestina), a Torá não pode ser vivida totalmente, mas apenas imperfeitamente. Portanto, o talmudismo é </span><u><span class="tm6">radical e virtualmente sionista</span></u><span class="tm6">. Além disso, é claro que toda a fé e lei rabínica são reduzidas à eleição de Israel e à sua primazia sobre outros povos, de modo que a prática e a teologia rabínica são ordenadas à pertença étnica ao povo santo. Essencialmente, o judaísmo consiste em ser </span><u><span class="tm6">geneticamente judeu</span></u><span class="tm6"> e, secundariamente, em praticar ou ter a fé: ainda se permanece israelita mesmo que não acredite ou pratique; é uma questão de “</span><u><span class="tm6">sangue e solo</span></u><span class="tm6">”, não de “fé e boas obras”. Com efeito, o amor ao próximo “limita-se aos compatriotas (os “próximos”) e não se refere a todas as relações interpessoais possíveis”</span><strong><span class="tm8">[26]</span></strong><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Quanto à mística judaica, Carmona explica que é melhor falar de </span><u><span class="tm6">misticismo</span></u><span class="tm6">, que (na tradição judaica) anda de mãos dadas com o </span><u><span class="tm6">esoterismo</span></u><strong><span class="tm8">[27]</span></strong><span class="tm6">. O misticismo é um desvio elitista e oculto (obtido através de técnicas humanas secretas) da mística, que por sua vez consiste antes na união com Deus, oferecida aberta ou publicamente pela graça divina a todos aqueles que querem responder ao seu chamado através de uma vida ascética séria, que depois será seguido pelo predomínio dos sete Dons do Espírito Santo como desenvolvimento normal da vida da graça santificante, que culminará no Céu na Visão Beatífica graças à </span><em><span class="tm7">lumen Gloriae</span></em><span class="tm6">. O misticismo judaico é chamado de Cabala ou Tradição porque é apresentado pelo judaísmo pós-bíblico como “uma revelação primordial dada a Adão ou às primeiras gerações humanas”</span><strong><span class="tm8">[28]</span></strong><span class="tm6">. Se no seu início a Cabala era um movimento reservado a uns poucos selecionados, com o hassidismo dos séculos XII e XIII (na França e na Alemanha), e sobretudo no século XVIII (na Polônia e na Ucrânia), tornou-se um movimento de massa, aberto ao homem comum, misturado com fenômenos de magia, amuletos e herbanário de baixa qualidade. Contudo também teve representantes muito cultos como Martin Buber (+1965) e W. Abraham J. Heschel (+1973), cujo pensamento teve enorme influência no Concílio Vaticano II e na formação intelectual de K. Wojtyla e J. Ratzinger.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Esta é, em poucas palavras, a história e teologia do judaísmo rabínico-talmúdico.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Agobardo</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><span class="tm8"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-judaismo-rabinico-ou-pos-cristao-parte-22/" target="_blank">(continua&#8230;)</a></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Notas</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">1.</span></strong><span class="tm6"> E. ZOLLI, verbete </span><em><span class="tm7">Ebraismo</span></em><span class="tm6">, in “Dizionario di Teologia morale”, a cura di F. ROBERTI &#8211; P. PALAZZINI, 1° vol., pp. 569-570, Roma, Studium, 5a ed.,1968.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">E. ZOLLI, </span><em><span class="tm7">L’Ebraismo</span></em><span class="tm6">, Roma, Studium, 1953.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">ID., </span><em><span class="tm7">Guida all’Antico e Nuovo Testamento</span></em><span class="tm6">, Milano, Garzanti, 1956.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">ID., </span><em><span class="tm7">Antisemitismo</span></em><span class="tm6">, Roma, AVE, 1945, rist. Cinisello Balsamo (Milano), San Paolo, 2005. ID.,</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">E. PETERSON, </span><em><span class="tm7">Il mistero degli ebrei e dei gentili nella Chiesa</span></em><span class="tm6">, Edizioni di Comunità, 1936.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">ID., </span><em><span class="tm7">Il monoteismo come problema politico</span></em><span class="tm6">, Brescia, Queriniana, 1983.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">D. LATTES, </span><em><span class="tm7">Apologia dell’ebraismo</span></em><span class="tm6">, Roma, Formaggini, 1923; rist. Genova, Il Basilisco, 1982.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">G. WIGODER (diretto da), </span><em><span class="tm7">Dictionnaire encyclopédique du Judaisme</span></em><span class="tm6">, Parigi, Cerf-Laffont, 1993.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">J. MAIER, </span><em><span class="tm7">Il giudaismo del secondo Tempio</span></em><span class="tm6">, Brescia, Paideia, 1991.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">G. FOHRER, </span><em><span class="tm7">Storia della religione israelitica</span></em><span class="tm6">, Brescia, Paideia, 1985.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">W. EICHRODT</span><em><span class="tm7">, Teologia dell’Antico Testamento</span></em><span class="tm6">, Brescia, Paideia, 1979.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">G. VON RAD, </span><em><span class="tm7">Teologia dell’Antico Testamento, </span></em><span class="tm6">Brescia, Paideia, 1972</span><em><span class="tm7">.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">H. CAZELLES, </span><em><span class="tm7">Il Messia nella Bibbia</span></em><span class="tm6">, Roma, Borla, 1981.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">J. NEUSNER, </span><em><span class="tm7">Il giudaismo nei primi secoli del cristianesimo</span></em><span class="tm6">, Brescia, Morcelliana, 1989.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">H. CHARLESWORTH, </span><em><span class="tm7">Gesù nel giudaismo del suo tempo alla luce delle più recenti scoperte</span></em><span class="tm6">, Torino, Claudiana, 1994.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">2. </span></strong><span class="tm6">F. SPADAFORA, </span><em><span class="tm7">Dizionario biblico</span></em><span class="tm6">, Roma, Studium, 3a ed., 1963, pp. 308-309.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">3. </span></strong><span class="tm6">D. JUDANT, </span><em><span class="tm7">Jalons pour une théologie chrétienne d’Israel</span></em><span class="tm6">, Parigi, éd. du Cèdre, 1975, pp. 33-83, passim.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">4. </span></strong><span class="tm6">A.</span> <span class="tm6">RODRÍGUEZ Carmona, </span><em><span class="tm7">La religión judía</span></em><span class="tm6">. </span><em><span class="tm7">História y teologia</span></em><span class="tm6">. Madrid, BAC, Biblioteca de Autores Cristianos, p. XXIII.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">5.</span></strong><span class="tm6"> N. DE LANGE, </span><em><span class="tm7">Judaism</span></em><span class="tm6">, Oxford, 1987, p. 3.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Cfr. anche: M. NOTH, </span><em><span class="tm7">Storia d’Israele</span></em><span class="tm6">, Brescia, Paideia, 1971.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">A. CAGIATI, </span><em><span class="tm7">Che cosa sappiamo della religione ebraica? </span></em><span class="tm6">Torino, Marietti, 1982.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">J. MAIER, </span><em><span class="tm7">Storia del giudaismo nell’antichità</span></em><span class="tm6">, Brescia, Paideia, 1992.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">J. NEUSNER, </span><em><span class="tm7">Disputa immaginaria tra un rabbino e Gesù, </span></em><span class="tm6">Casale Monferrato, Piemme, 1996.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">J. MAIER, </span><em><span class="tm7">Gesù Cristo e il cristianesimo nella tradizione giudaica antica</span></em><span class="tm6">, Brescia, Paideia, 1994.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">H. CONZELMANN, </span><em><span class="tm7">Le origini del cristianesimo</span></em><span class="tm6">, Torino, Claudiana, 1976.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">S. BEN CHORIM, </span><em><span class="tm7">Il giudaismo in preghiera</span></em><span class="tm6">, Cinisello Balsamo, San Paolo, 1988.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">J. DANIELOU, </span><em><span class="tm7">La teologia del giudeo-cristianesimo</span></em><span class="tm6">, Bologna, Il Mulino, 1968.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">L. RANDELLINI, </span><em><span class="tm7">La Chiesa dei giudeo-cristiani</span></em><span class="tm6">, Brescia, Paideia, 1968.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">S. M. KATUNARICH, </span><em><span class="tm7">Breve storia dell’ebraismo e dei suoi rapporti con la cristianità</span></em><span class="tm6">, Casale Monferrato, Piemme, 1987.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">P. NAVE’ LEVINSON, </span><em><span class="tm7">Introduzione alla teologia ebraica</span></em><span class="tm6">, Cinisello Balsamo, San Paolo, 1996.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">P. STEFANI, </span><em><span class="tm7">Introduzione all’ebraismo</span></em><span class="tm6">, Brescia, Queriniana, 1995.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">ID., </span><em><span class="tm7">Gli ebrei, </span></em><span class="tm6">Bologna, Il Mulino, 1997. </span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">G. SCHOLEM, </span><em><span class="tm7">La cabala</span></em><span class="tm6">, Roma, Mediterranee, 1992. </span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">ID., </span><em><span class="tm7">Le grandi correnti della mistica ebraica</span></em><span class="tm6">, Torino, Einaudi, 1993.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">L. SESTRIERI, </span><em><span class="tm7">Gli ebrei nella storia di tre millenni</span></em><span class="tm6">, Roma, Carucci, 1980.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">J. NEUSNER, </span><em><span class="tm7">Il giudaismo nella testimonianza della Mishnah</span></em><span class="tm6">, Bologna, EDB, 1995.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">D. BANON, </span><em><span class="tm7">Il Midrash. Vie ebraiche alla lettura della Bibbia</span></em><span class="tm6">, Cinisello Balsamo, San Paolo, 2001.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">D. LIFCSHITZ, </span><em><span class="tm7">I chassidim commentano la Scrittura</span></em><span class="tm6">, Roma, Dehoniane, 1995.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">G. BOCCACCINI, </span><em><span class="tm7">Il medio giudaismo</span></em><span class="tm6">, Genova, Marietti, 1993.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">6. </span></strong><span class="tm6">A.</span> <span class="tm6">RODRÍGUEZ Carmona, </span><em><span class="tm7">La religión judía,</span></em><span class="tm6"> p. XXIV.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">7. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. XXV.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">8. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem</span></em><span class="tm6">, p. 168.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">9. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 174.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">10. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> pp. 176-177.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">11. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 398.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">12. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 501.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">13. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> pp. 502-505.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">14. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 514.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">15. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 519.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">16. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 281.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">17. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 291.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">18. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 305.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">19. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 320.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">20. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 587.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">21. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 327.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">22. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 575.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">23. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> pp. 575-576.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">24. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 577.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">25. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 581.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">26. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 592. </span><span class="tm6">Cf. também:</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">D. NOVAK, </span><em><span class="tm7">L’elezione di Israele. L’idea di popolo eletto</span></em><span class="tm6">, Brescia, Paideia, 2001.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">K.-J. KUSCHEL, </span><em><span class="tm7">La controversia su Abramo. Ciò che divide e unisce ebrei, cristiani e musulmani</span></em><span class="tm6">, Brescia, Queriniana, 1996.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">A. J. HESCHEL, </span><em><span class="tm7">L’uomo non è solo</span></em><span class="tm6">, Milano, Rusconi, 1987.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">D. STEMBERGER, </span><em><span class="tm7">La religione ebraica</span></em><span class="tm6">, Bologna, EDB, 1996.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">H. HENEMANN, </span><em><span class="tm7">La preghiera ebraica</span></em><span class="tm6">, Magnano, Qiqajon, 1992.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">R. FABRIS, </span><em><span class="tm7">La spiritualità del Nuovo Testamento</span></em><span class="tm6">, Roma, Borla, 1985.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">L. JACOBS, </span><em><span class="tm7">La preghiera chassidica</span></em><span class="tm6">, Milano, Gribaudi, 2001.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">27. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 247.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">28. </span></strong><em><span class="tm7">Ibidem,</span></em><span class="tm6"> p. 255.</span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/o-judaismo-rabinico-ou-pos-cristao-parte-12/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>ESPECIAIS DO BLOG: SOBRE A CADEIRA DE MOISÉS SENTARAM-SE OS ESCRIBAS E OS FARISEUS</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 12 Dec 2021 15:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Judaísmo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=26216</guid>
		<description><![CDATA[Matéria publicada em 3 partes no Jornal Si Si No No(*) em novembro/dezembro de 2020. No Evangelho de São Mateus (23, 1-39), na Terça-feira Santa, Jesus fez um longo discurso onde ataca frontalmente os escribas e os fariseus, sobretudo no que diz &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="https://fecatolicadesempre.files.wordpress.com/2013/03/jesus-discute-com-fariseus.jpg?w=400" alt="jesus discute com fariseus | Fé Católica de Sempre" width="277" height="238" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Matéria publicada em 3 partes no Jornal <span style="color: #0000ff;"><em style="font-weight: inherit;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://sisinono.org/">Si Si No No</a></strong></em></span>(*) em novembro/dezembro de 2020.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;">No Evangelho de São Mateus (23, 1-39), na Terça-feira Santa, Jesus fez um longo discurso onde ataca frontalmente os escribas e os fariseus, sobretudo no que diz respeito ao seu comportamento moral, mas também por alguns dos seus desvios doutrinários, que começaram (como veremos melhor a seguir) a distorcer o Judaísmo do Antigo Testamento e a preparar o caminho para o Judaísmo pós-bíblico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;">Para compreender melhor o significado deste discurso do Redentor, é necessário primeiro dividi-lo em várias seções e depois ver o que a Tradição patrística, escolástica e exegética nos dizem em seus comentários sobre ele.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-13/">PARTE 1</a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-23/">PARTE 2</a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-33/">PARTE 3 </a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(*) <em>Fundado em 1975 em Roma, no coração da Igreja católica, pelo Padre Francesco Maria Putti (1909 &#8211; 1984) como reação ao modernismo que assolava (e ainda assola) a Igreja, o periódico Sì Sì No No “tornou-se um conforto, um sustentáculo, um encorajamento para tantos e tantos sacerdotes, e até mesmo para bispos, sem falar dos fiéis, que acharam nele uma âncora de salvação na tormenta”, nas palavras do Padre Emmanuel du Chalard, FSSPX. Desde então, tanto ele quanto seu irmão francês, o Courrier de Rome, vêm realizando esse grande trabalho de fortalecimento intelectual e espiritual dos fiéis perplexos.</em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>SOBRE A CADEIRA DE MOISÉS SENTARAM-SE OS ESCRIBAS E OS FARISEUS &#8211; PARTE 3/3</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-33/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-33/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Dec 2021 14:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Judaísmo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=25961</guid>
		<description><![CDATA[Fonte: Sì Sì No No &#8211; 15 de dezembro de 2020 &#124; Tradução: Dominus Est O dízimo e a caridade No versículo 23 do capítulo 23 do Evangelho de São Mateus, Jesus diz: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-33/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="https://ronildocruzribeiro.files.wordpress.com/2009/08/fariseus1.jpg?w=200" alt="Os Fariseus de hoje | Blog do Ronildo" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sisinono.org/anno-2020.html">Sì Sì No No</a></span> &#8211; 15 de dezembro de 2020 | Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O dízimo e a caridade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No versículo 23 do capítulo 23 do Evangelho de São Mateus, Jesus diz: “<em>Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo [&#8230;] e desprezais os pontos mais graves da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O preceito de Moisés sobre o pagamento do dízimo (Lv. 27, 30-33; Dt. 12, 2-27) dizia respeito a animais domésticos e alguns dos alimentos mais comuns produzidos a partir da terra (trigo, frutos das árvores, vinho, azeite&#8230;), mas os fariseus, para mostrar a todos, em vão, o seu zelo e a sua santidade exterior, chegaram ao ponto de pagar e, sobretudo, cobrar o dízimo também pelos produtos menos significativos da terra e pelas menores ervas (hortelã, endro<strong>(1)</strong> e cominho<strong>(2)</strong>). Contudo, isso não os impediu de negligenciar, especialmente se não fossem observados, os preceitos mais graves da Lei mosaica, como por exemplo a administração da justiça (que devolve aos outros o que lhe é devido) e da misericórdia (que inclui as obras de caridade e dá mais do que é estritamente devido) ou a fidelidade às alianças com Deus e para com o próximo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás de Aquino (Comentário ao Evangelho segundo Mateus, n.º 1869) explica: “<em>A intenção principal dos fariseus em fazer boas obras era a </em>simulação<em>. Muitos sacerdotes eram diligentíssimos em exigir o menor dízimo que lhes eram devidos, como aqueles pagos com o cominho e a hortelã, enquanto o que os fiéis deviam a Deus, como a justiça e a misericórdia, era negligenciado pelos sacerdotes, que cuidavam antes de tudo de seus próprios interesses e não dos de Deus”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, não se deve acreditar que Jesus proibiu o pagamento do dízimo, pois também disse: “<em>Estas coisas [dízimos] devem ser feitas sem omitir aquelas [misericórdia e justiça]”,</em> querendo Jesus dizer por isso que não condena o pagamento do dízimo como intrinsecamente mau. De fato, Ele diz que se deve fazer isso (ou seja, pagar o dízimo), mas sem omitir os deveres de caridade fraterna, como os fariseus hipocritamente o faziam.</span><span id="more-25961"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Jerônimo observa: “<em>Os fariseus, uma vez que o Senhor lhes ordenada oferecer uma décima parte de todos os seus bens ao Templo para que pudesse servir para sustentar os sacerdotes e levitas, preocupavam-se apenas em cumprir este preceito, enquanto não se importavam com os demais preceitos e prescrições mais importantes. Portanto, com essas palavras o Senhor reprova sua avareza, </em>por exigirem estritamente o dízimo até mesmo dos produtos mais vis da terra<em>, enquanto negligenciam a justiça em seus negócios, a misericórdia para com os fracos e a fidelidade a Deus; todas essas coisas são muito maiores do que os dízimos</em>” (Comentário a Mateus, 23, 23, livro IV).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O mosquito e o camelo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, Jesus chama os escribas e os fariseus de “<em>condutores cegos, que filtrais um mosquito e engolis o camelo!” </em>(v. 24); de fato, para não engolir algum animal considerado impuro (como o mosquito), filtravam suas bebidas; no entanto, eles não tinham medo de engolir (metaforicamente falando) um animal muito maior como um camelo inteiro, que também era considerado impuro (Lv. 11, 4); ou seja, Jesus os repreende por observar <em>exteriormente</em> para se <em>vangloriarem</em> das minúcias da Lei (o mosquito) nada difíceis de observar, sem se preocuparem minimamente em transgredir os preceitos essenciais Dela (o camelo), como a caridade fraterna, que antes lhes era penosa de colocar em prática. Jesus faz todo o possível e emprega todas as imagens que pode para mostrar a hipocrisia na qual eles não têm escrúpulos em observar as menores coisas, mas apenas por medo de serem vistos pelos homens infringindo uma impureza legal; mas depois disso, violam os preceitos maiores e não têm medo do pecado, desde que ele passe despercebido pelos homens.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Jerônimo, por sua vez, escreve: “<em>Indo contra os mandamentos de Deus, esquecemos as coisas mais importantes; enquanto mostramos todo o nosso zelo nas coisas que nos trazem ganhos materiais”</em> (Comentário a Mateus, 23, 24, livro IV).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, “o mal atinge seu ápice quando o homem mau acredita que é capaz de ensinar e guiar os outros. Desgraça extrema ocorre quando um cego sente que não precisa de orientação, mas imagine a que precipício conduz um cego que afirma conduzir os outros. Essa é a louca ambição dos fariseus e sua praga na qual Jesus coloca Seu dedo. Na verdade, eles fazem tudo por ostentação. Este orgulho os impediu de abraçar a fé e de acolher o Messias: fê-los negligenciar a verdadeira virtude e os impeliu a colocar todos os seus esforços na purificação do corpo sem se preocuparem minimamente com a purificação da alma.” (S. João Crisóstomo, Comentário ao Evangelho de São Mateus, Discurso 73, n. 2).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Eles limpam o superfície exterior, mas por dentro estão cheios de rapina</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No versículo 25 Jesus diz: “<em>Ai de vocês, escribas e fariseus hipócritas: que limpais o que está por fora do copo e do prato e por dento estais cheios de rapina e imundice</em>”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No Antigo Testamento, a purificação dos pratos era regulada por prescrições minuciosas e detalhadas (Num. 7, 4). Ora, era necessário antes da morte de Cristo observar essas cerimônias, mas o que Jesus censura aos fariseus não é sua observância, mas o fato de que não se importavam de forma alguma se os pratos continham o produto de roubo e de imundície ou avareza, ou seja, um desejo insaciável de enriquecer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Também aqui o Redentor condena a religiosidade por pura aparência, típica dos fariseus, que não pensavam em nada no seu aperfeiçoamento interior, mas apenas em parecerem limpos aos olhos dos homens. O que Jesus quer ensinar não é o desprezo pelas cerimônias, mas procura deixar claro, sobretudo, que a bondade dos atos procede da pureza interior da boa vontade, sem a qual a pureza exterior ou legal não vale a nada. Aqui também Ele sugere que é necessário ter, antes de tudo, pureza de alma e depois também pureza externa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, para se fazer compreender melhor, o Redentor acrescenta: “<em>Fariseu cego, purifica primeiro o que está dentro do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo”</em> (v. 26). Como podemos ver, Ele não proíbe a pureza legal e externa, mas a subordina à pureza interna e espiritual. Pelo contrário, Ele quer que a comida e a bebida dos fariseus não sejam mais fruto da injustiça, de modo que eles devem, antes de tudo, remover de seus corações toda imundice ou avareza, para que nada externo possa manchar seu espírito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São João Crisóstomo explica: “<em>O Senhor, querendo mostrar que não há risco em negligenciar as purificações corporais, mas que, ao invés disso, um grande tormento é causado ao negligenciar a purificação da alma, em que consiste a virtude, compara a primeira coisa a um mosquito, por ser insignificante e de pouca importância, e o segundo a um camelo por sua grande importância. Na realidade, todas aquelas minúsculas observâncias legais e cerimoniais foram estabelecidas em relação às essenciais e mais importantes, isto é, em relação à misericórdia e à justiça. Na verdade, mesmo antes da vinda de Cristo, a observância legal não constituía a essência da Lei e não era necessário colocar todo o empenho nelas, enquanto outros preceitos deviam ser observados</em>.” (Comentário ao Evangelho de S. Mateus, Discurso 73, 2).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Jerônimo observa: “<em>A superstição dos fariseus consiste, sobretudo, em mostrar aos homens a santidade externamente nas roupas, nas palavras, nas filatérias, nas franjas; enquanto nos seus íntimos estão cheios de vícios e sujeira</em>” (Comentário a Mateus, 23, 25-26, livro IV).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Sepulcros caiados</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No versículo 27, Jesus reforça a dose, comparando os Escribas e os Fariseus a “<em>sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e toda sorte de podridão</em>”. De fato, em Jerusalém era costume branquear os túmulos todos os anos perto da Páscoa judaica, a fim de torná-los externamente belos para os peregrinos que vinham em grande número à Cidade Santa para festejar a Páscoa e, sobretudo, para os tornar visíveis e reconhecíveis, de modo que os peregrinos não se contaminassem, obtendo uma impureza legal durante uma semana inteira (Num. 9, 16), tocando-lhes nos corpos. No entanto, apesar de brancos e brilhantes como neve, os túmulos estavam cheios de podridão dentro. Assim, os fariseus e os escribas eram brancos por fora, mas por dentro estavam sujos e longe de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso Jesus acrescenta: “<em>Assim também vós por fora parecereis justo aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade</em>” (v. 28).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Jerônimo (Comentário a Mateus, 23, 27-28, livro IV) escreve: “<em>Jesus, neste ponto, confirma com o exemplo dos sepulcros, o que havia mostrado acima com o exemplo do copo e do prato. De fato, embora pareçam limpos por fora, são sórdidos por dentro</em>”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora Jesus conta um pouco da história de Israel para demonstrar o que disse acima. Com efeito, Ele acrescenta um novo “<em>Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais [que mataram os profetas], não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas</em>” (vv. 29-30). De fato, a história do povo judeu mostra que eles eram, muitas vezes, rebeldes contra Deus e Seus profetas, muitos dos quais foram perseguidos e até mortos por eles. Todavia, seus descendentes, os judeus do tempo de Jesus, farão ainda mais. De fato, eles chegarão ao ponto de matar o Messias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Assassinos dos profetas e de Cristo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os descendentes dos assassinos dos profetas, ou seja, os fariseus e os escribas da época de Jesus, restauraram, reconstruíram e, acima de tudo, veneraram seus túmulos, vangloriando-se de não terem participado dos pecados de seus antepassados. Ao contrário disso, Jesus, embora não condene em si mesmo o respeito que demonstraram (mesmo que apenas externamente) pelos profetas, mostra que a atitude deles para com Ele, o Messias anunciado pelos profetas, é a mesma que seus antepassados tinham para com os profetas, uma vez que estão conspirando contra Ele e já decidiram em seus corações denunciá-Lo aos romanos e mandar matá-Lo, apesar de sua doutrina incontroversa e de seus milagres surpreendentes. Portanto, sua intenção é perversa, embora em palavras condenem a conduta de seus pais e demonstrem reverência pelos profetas que foram mortos por eles. Portanto o seu interior é sujo, ou seja, é perversamente obstinado na intenção de matar o Messias e os Apóstolos que Ele enviará para continuar a Sua obra de Redenção, de modo que sejam ainda piores que seus antepassados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jesus lhes diz: “<em>Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais [que mataram os profetas], não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas. Assim dais testemunho contra vós mesmos de que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Acabai pois de encher a medida de vossos pais</em>” (v. 29-32).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os fariseus “<em>fingiram um aparente zelo para fingir honrar os mártires, mas na realidade e em seus corações aprovavam aqueles que os haviam matado</em>” (M. SALES, Comentário ao Evangelho segundo São Mateus, II ed., Proceno &#8211; Viterbo, Effedieffe, 2015, p. 123, nota n.º 29).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jesus os repreende porque “<em>sua intenção era má, pois estavam construindo os sepulcros apenas para mostrar externamente as aparências de piedade, enquanto eles tinham no coração a intenção íntima de matar Cristo e seus apóstolos</em>” (Santo Tomás de Aquino, Comentário ao Evangelho segundo Mateus, n.º 1882-1883).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São João Crisóstomo observa: “<em>Jesus amaldiçoa aqui os fariseus não porque eles construíam sepulcros ou denunciavam a maldade de seus antepassados, mas porque fazendo isso e fingindo condenar a impiedade de seus antepassados, eles cometem crimes ainda maiores. São Lucas (11, 47) afirma também que a acusação feita pelos fariseus contra seus pais é puro fingimento, lembrando que justamente por construírem os túmulos para os profetas, mostram que têm os mesmos sentimentos daqueles que os assassinaram: «Ai de vós que edificais sepulcros aos profetas e foram vossos pais que lhes deram a morte». Aqui o Senhor denuncia a intenção dos fariseus em construir estes túmulos: não os erguem para honrar os profetas martirizados, mas sim como que para engrandecer os seus assassinos e temendo que as provas e a memória daqueles crimes desapareçam se o tempo destruir esses túmulos. […] Como, entretanto, não há culpa em ser filho carnal de um assassino, se a pessoa não compartilha das más intenções dos pais, é evidente que Jesus os acusa de parentesco ou conivência espiritual na maldade de intenção. De fato, logo depois Ele diz: «Serpentes, raça de víboras», pois tal como as víboras se assemelham a seus pais pelo efeito mortal de seu veneno, também os fariseus se parecem com seus antepassados na sua intenção e natureza assassina e sanguinária. […] Cristo mostra que não há nada de estranho se Ele mesmo será sacrificado pelos filhos daqueles que mataram os profetas, filhos cruéis e pérfidos, cujos crimes excedem até mesmo os de seus pais. Eles são movidos apenas pelo orgulho, filosofando com palavras, fazendo o oposto com as obras. Além disso, ao chamá-los de «serpentes», Jesus quer dizer que eles são filhos perversos e mortalmente venenosos de pais perversos e mortalmente venenosos. Além disso, eles são piores do que seus pais porque cumprem a medida, pois estes últimos tinham matado os profetas, mas estão prestes a matar o Filho de Deus. Por isso o Senhor os exclui do parentesco espiritual de Abraão e demonstra que é puramente carnal e não lhes servirá de nada, visto que não imitam a fé e as obras de Abraão</em>” (Comentário sobre o Evangelho de São Mateus, Discurso LXXIV, 1).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Jerônimo escreve: “<em>O Redentor afirma que o que faltou a seus pais foi realizado por seus filhos. De fato, aqueles mataram os servos, vós crucificareis o Senhor; aqueles mataram os profetas, vós a quem os profetas anunciaram</em>” (Comentário sobre Mateus, XXIII, 29-31, livro IV).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em suma, o Salvador acusa-os explicitamente de terem a mesma disposição, mentalidade e vontade perversa de seus pais carnais. Na verdade, eles são ainda piores do que eles porque desprezaram o Precursor e perseguiram constantemente o próprio Messias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Castigo dos fariseus e de Jerusalém, serpentes e raça de víboras</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No auge de sua indignação, Jesus, retomando a injúria já usada por João Batista contra os judeus (Mt 3, 7; 12, 34), exclama: “<em>Serpentes, raça de víboras, como escapareis da condenação do inferno? Eis que vos envio profetas, sábios e escribas</em><strong>(3)</strong><em>; matareis e crucificareis uns, e açoitareis outros nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade. […]. Para que caia sobre vós todo sangue justo que se tem derramado sobre a terra [&#8230;]. Em verdade vos digo que tudo isso virá sobre esta geração</em>” (vv. 32-33).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, os fariseus que eram seus contemporâneos chegariam ao ponto de matar o próprio Messias, superando a malícia de seus pais, que haviam matado apenas os profetas que O anunciavam de longe. Ao fazer isso, eles levarão ao ápice a medida do delito de seus antepassados e a medida da ira divina, que os castigará com a destruição de Jerusalém e a quebra da Antiga Aliança estabelecida com Abraão e seus descendentes até se converterem a Jesus Cristo pouco antes do fim do mundo (cf. Rom., 11, 25-33).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás de Aquino explica que “<em>a serpente é um animal peçonhento e mata com o seu veneno, por isso são chamados serpentes porque mataram os profetas</em>” (Comentário ao Evangelho segundo Mateus, n.º 1889) e depois matarão também Cristo e seus apóstolos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Jerônimo conclui: “<em>Como de víboras nascem outras víboras, assim nascem assassinos dos vossos pais assassinos</em>” (Comentário sobre Mateus, XXIII, 33, livro IV).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A “<em>condenação</em>” ou “<em>julgamento do inferno</em>” é uma expressão tipicamente oriental que significa a condenação ao castigo eterno merecido pelos próprios pecados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O padre Severiano Dal Paramo observa: “<em>Palavras tão duras na boca de Jesus, que ensinava o amor ao inimigo, não deveriam surpreender. Uma coisa é desejar o mal espiritual do inimigo e outra coisa muito diferente é revelar sua hipocrisia para evitar que seu exemplo prejudique o próximo</em>” (Comentário ao Evangelho segundo Mateus, Roma, Cidade Nova, 1970, p. 343, nota nº 33). Com base em tudo isso, São Lucas nos Atos dos Apóstolos e os primeiros Padres Apostólicos, seguidos pelos Padres apologistas e eclesiásticos, concordam unanimemente que as primeiras perseguições contra os cristãos foram planejadas nas sinagogas dos judeus: “<em>Synagogae Judaeorum, fontes persecutionum</em>” (Tertuliano). De fato, os sofrimentos aqui anunciados por Jesus foram mais tarde infligidos aos Seus discípulos diretos e aos Apóstolos. Basta pensar no martírio de Santo Estêvão, de São Tiago Maior e do Menor e de São Simeão (o segundo Bispo de Jerusalém), assim como as perseguições às quais São Pedro e São João em Jerusalém foram imediatamente submetidos após o Pentecostes. E depois também São Paulo, em quase todos os lugares onde foi, encontrou judeus que estavam conspirando contra ele e que até tentaram matá-lo. Não foram os romanos os primeiros perseguidores de Jesus e dos cristãos, mas sim os judeus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O padre Severiano Dal Paramo especifica: “<em>É claro que Jesus considera o povo judeu como uma unidade moral desde o início de sua existência até o presente. As mortes de profetas perpetradas ao longo de sua história são, portanto, apresentadas como crimes nacionais. O assassinato de Jesus, o Senhor de todos os profetas, ultrapassou a medida da indulgência divina. A punição causada pelo deicídio atingiu, pela razão acima referida, toda a nação. Em outras palavras, os hebreus, ao matarem Jesus, ultrapassaram todos os limites e provocaram a vingança divina, que não tinha caído sobre eles por todo o sangue inocente que já tinham derramado: Jerusalém foi destruída, e com ela também o Templo, e os judeus deixaram de existir como nação</em> ”(citação, p. 344, nota n.º 38), eles perderam o Sacerdócio e o Sacrifício.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Visto que os fariseus do tempo de Jesus farão o que seus pais não ousaram fazer, isto é, matar o Filho de Deus, eles preencherão assim a medida da ira de Deus, que cairá sobre eles, sobre todo o povo e sobre os seus filhos. Além disso, Jesus mostra claramente o espírito criminoso que animou os fariseus de seu tempo e também seus antepassados, profetizando o tratamento que teriam reservado a Ele e aos apóstolos. De fato, Jesus predisse o que eles fariam logo depois e também o que Ele fará especialmente no ano 70 com a destruição de Jerusalém e seu Templo. Ele será morto em três dias, então enviará Seus apóstolos até eles, mas eles os perseguirão e os matarão, e depois o Senhor usará o exército romano para destruir sua Cidade Santa (70 d.C.) e, depois, toda a Palestina (135 d.C.), uma vez que pelo seu deicídio e perseverando neste crime, continuando a martirizar também os Apóstolos de Cristo (Estêvão, Tiago Maior e Menor), os escribas e saduceus cometeram um crime infinitamente mais grave do que aqueles cometidos por seus antepassados ao matarem os profetas do Antigo Testamento, e é por esta razão que eles serão tão severamente punidos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Fim.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><u>NOTAS</u></strong></span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">O endro é uma planta perfumada e odorífera cujas sementes os judeus usavam como condimento.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">O cominho é também uma planta odorífera cujo fruto era usado para dar sabor aromático à comida e ao vinho.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Os termos “profetas, sábios e escribas”, na linguagem semítica, indicam os evangelizadores cristãos, ou seja, os Apóstolos do Novo Testamento, que foram pregar o Evangelho primeiro na Palestina e depois em todo o mundo anunciando a mensagem cristã a todos, tanto judeus como gentios. O Evangelho de São Lucas chama-os de “ministros da palavra” (1, 2).</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-33/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>SOBRE A CADEIRA DE MOISÉS SENTARAM-SE OS ESCRIBAS E OS FARISEUS &#8211; PARTE 2/3</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-23/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-23/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Dec 2021 13:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Judaísmo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=25960</guid>
		<description><![CDATA[Fonte: Sì Sì No No &#8211; 30 de novembro de 2020 &#124; Tradução: Dominus Est As sete maldições de Jesus contra o farisaísmo (versículos 13-29) Com o versículo 13 começa a série de maldições ou “Ai de vós”, dirigidas diretamente &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-23/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://fecatolicadesempre.files.wordpress.com/2013/03/jesus-discute-com-fariseus.jpg?w=400" alt="jesus discute com fariseus | Fé Católica de Sempre" width="277" height="238" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sisinono.org/anno-2020.html">Sì Sì No No</a></span> &#8211; 30 de novembro de 2020 | Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>As sete maldições de Jesus contra o farisaísmo (versículos 13-29)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com o versículo 13 começa a série de maldições ou “<em>Ai de vós</em>”, dirigidas diretamente contra os fariseus, que Jesus repete por sete vezes, até o versículo 29.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Primeiro “<em>Ai de vós</em>”: Não entrais e não deixais que outros entrem no céu</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que fechais o Reino dos Céus aos homens, pois nem vós entrais nem deixais que entrem os que estão para entrar</em>” (v. 13).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Aquinate observa: “<em>Só se fecha o que está aberto. Ora, os ensinamentos de Cristo eram abertos e claríssimos, mas os fariseus os fecharam, tornando-os sombrios e difíceis. Por exemplo, quando o Redentor realizava milagres que provavam sua messianidade, eles diziam que Ele os realizava por meio de Belzebu, o príncipe dos demônios. Além disso, pela sua vida ruim, fecharam o acesso ao Céu, porque através do mau exemplo induziam o povo, simples fiéis, ao pecado</em>” (Santo Tomás de Aquino, <em>Comentário ao Evangelho segundo Mateus</em>, n.º 1858).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São João Crisóstomo observa: “<em>Os fariseus e os escribas não apenas se esquivam de seus deveres, mas, pior ainda, corrompem também os outros. Tais homens são chamados de pestilentos porque seu propósito é a perdição dos homens e são diametralmente opostos aos verdadeiros e bons mestres, que ensinam para salvar os outros. Eles são inúteis e incapazes de salvar os homens, pois não são apenas negligentes nisso, mas também traidores, pois corrompem e pervertem seus discípulos com o exemplo de sua vida perversa”</em> (<em>Comentário ao Evangelho de São Mateus</em>, Discurso LXXIII, n.º 1).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os fariseus com suas calúnias, suas blasfêmias e as falsas ideias que espalharam sobre o Messias, conquistador terrestre e libertador dos judeus do jugo romano, haviam distanciado o povo de Jesus (cf. M. SALES, <em>Comentário ao Evangelho segundo Mateus</em>).</span><span id="more-25960"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O Evangelho de Mateus é confirmado por São Paulo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deve-se notar que São Paulo (1Tes 2, 15-16) afirmava: <em>“(desses judeus) que mataram o Senhor Jesus e os profetas, que nos tem perseguido a Nós, não agradam a Deus e são inimigos de todos os homens, proibindo-nos de pregar aos gentios para que sejam salvos. Assim vão sempre enchendo a medida dos seus pecados. Mas a ira de Deus caiu sobre eles com todo o rigor</em>”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás de Aquino comenta:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Não importa se foram os romanos que mataram-No materialmente, porque foram os próprios judeus que com seus gritos pediram a Pilatos para crucificarem-No. […] Portanto, eles não agradam a Deus porque não trabalham com uma fé reta e “sem a fé é impossível agradar a Deus” (Heb. 11, 6). Por fim, São Paulo mostra que os judeus “são inimigos de todos os homens”. Na verdade, eles são inimigos porque nos proíbem e impedem que nós, apóstolos do Novo Testamento, possamos pregar a todos os homens e, assim, dificultam sua conversão. […] Assim, eles vivem até chegarem ao ponto em que Deus lhes permite. Na verdade, depois da Paixão de Cristo, Deus concedeu aos judeus um espaço de 40 anos de penitência, mas eles não apenas não se converteram, mas acrescentaram mais pecados aos já existentes. E Deus não tolerou mais isso. […] Todavia, não pense que esta ira divina durará 100 anos, mas durará “até o fim” do mundo, quando todos os pagãos tiverem abraçado a fé em Cristo” </em>(Thomas Aquinatis, <em>Expositio et lectura super Epistolas Pauli Apostoli. Super Primam Epistolam ad Thessalonicenses Lectura</em>, Lectio II, caput 2, versículos 15-16).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Settimio Cipriani comenta:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Observe o quadro sombrio que São Paulo pinta de seus compatriotas violentos e assassinos. Ele retrata maravilhosamente o espírito racista que até hoje não se extinguiu. No entanto, a ira de Deus atingiu seu ápice e não tardará a explodir. Na verdade, a Primeira Epístola aos Tessalonicenses foi escrita por volta de 50 d. C. e a destruição de Jerusalém teria ocorrido depois de 20 anos, nos anos 70. Mas a condenação da nação israelita não exclui a salvação dos judeus individualmente, crentes no Evangelho</em> (cf. Rom 9, 11)” (S. CIPRIANI, <em>Le Lettere di San Paolo</em>, Cittadella Editrice, 5ª edição, 1965, p. 68, notas 14-16).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, o Padre Marco Sales escreve:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A pérfida conduta dos judeus [na Tessalônica] traz à mente de São Paulo os grandes crimes e, portanto, torna seu dever lembrar-se deles. <em>Mataram o Senhor Jesus</em>: os romanos não foram mais que instrumentos débeis nas mãos dos judeus, sobre os quais recai a principal responsabilidade pela morte de Jesus. <em>E os profetas</em>: o Senhor também culpou os judeus por este crime (cf. Mt 23, 3-37; Atos, 7, 52). <em>Eles nos perseguiram</em>: Apóstolos de Jesus Cristo, levantando obstáculos por toda parte para que não pudéssemos pregar. <em>Eles nos expulsaram</em>: isto é, eles nos expulsaram pela perseguição nos lugares onde íamos pregar. Manchados de tantos crimes, os judeus já não são mais o povo eleito e deixaram de agradar a Deus. <em>São inimigos de todos os homens</em>: porque gostariam que todos, exceto eles, fossem excluídos da salvação messiânica, e por isso odeiam os outros e por sua vez são odiados. <em>Proibindo-nos</em>: eles mostram seu ódio contra todos, opondo-se por todos os meios à nossa pregação do Evangelho aos pagãos. <em>Acumulando, etc</em>: agindo dessa maneira, eles vêm adicionar culpa à culpa, e acumulá-las cada vez mais à medida de seus pecados, isto é, sua maldade, e atrair a ira de Deus. As palavras <em>para que sejam salvos</em>: indicam o desfecho feliz que deve conseguir aquela pregação, que os judeus tentam impedir. <em>Para acumular</em>: comportando-se desta forma, os judeus vêm adicionar culpa à culpa, e acumular cada vez mais a medida de seus pecados, isto é, de sua malícia, e atrair a ira de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, São Paulo acrescenta <em>que a ira de Deus lhes sobreveio</em>: ele anuncia como acontecido o que certamente acontecerá, referindo-se como os profetas, ao tempo vindouro. <em>Até o fim:</em> a ira de Deus contra os judeus atingiu o seu limite, o castigo está prestes a começar. A maioria dos comentaristas acredita que São Paulo fala profeticamente aqui da destruição de Jerusalém por Tito em 70. Outros autores, entretanto, pensam que São Paulo trata apenas do endurecimento e obstinação dos judeus, através da qual foram excluídos como um povo do Reino messiânico e da Nova Aliança, para serem readmitidos quando a plenitude dos gentios tiver chegado (cf. Rom. 11, 25 “<em>e então todo o Israel será salvo</em>.”) (M. SALES, <em>Le Lettere degli Apostoli</em>, Proceno di Viterbo, Effedieffe, II ed., 2016, p. 423, notas 15-16).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Hipocrisia farisaica</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Voltando ao Evangelho de São Mateus (23, 1-39), o vício que ali é principalmente censurado por Jesus, e que caracteriza mais do que todos os fariseus, é a hipocrisia, tanto que, genericamente, o termo “<em>fariseu</em>” tornou-se sinônimo de hipocrisia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui fica claro que os escribas e fariseus – com seu modo de vida relaxado, maus exemplos na vida prática acompanhados de seus rigorosos ensinos teóricos – não apenas distanciaram os fiéis do Messias Jesus de Nazaré e, portanto, de Deus, mas também impossibilitavam os fiéis a observarem a Lei, acrescentando-lhe todo tipo de preceitos humanos muito duros e dificilmente praticáveis. Portanto, no farisaísmo do tempo de Jesus, encontramos um duplo problema de rigor doutrinário e frouxidão prática.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Segundo “<em>Ai de vós</em>”: proselitismo ruinoso</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O segundo “<em>Ai de vós</em>” nos versículos 14-15 diz: “<em>Ai de vocês, escribas e fariseus hipócritas, que rodeais o mar e por terra para fazerdes um prosélito e, depois de o terdes feito, o tornais filho da geena duas vezes pior que vós</em>”. Em suma, no Antigo Testamento os fariseus eram animados por um notável espírito de proselitismo, ao contrário do judaísmo pós-bíblico, que se dirige apenas aos judeus de sangue. Por isso os fariseus da época de Jesus (antes do Deicídio e da destruição do Templo) desejavam fortemente converter os pagãos ou não judeus à religião judaica do Antigo Testamento (cf. G. RICCIOTTI, <em>Storia d&#8217;Israele</em>, Torino, SEI, 1932, II vol., pp. 231-237). Eles, como diz o Evangelho, “<em>rodeavam por mar e por terra</em>”, ou seja, faziam longas viagens da Palestina através dos países dos gentios com o objetivo de pregar a religião judaica ou mosaica no mundo pagão e converter os pagãos ao Judaísmo do Antigo Testamento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás explica: “<em>Quando vós, escribas e fariseus, fazeis dele um judeu, tornaste-o duas vezes mais filho da Geena do que vós, pois primeiro ele é pagão e depois judeu, e depois tem ainda um duplo pecado, isto é, politeísmo pagão e participação na morte de Cristo</em>” (Comentário ao Evangelho segundo Mateus, n.º 1861).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Terceiro “<em>Ai de vós</em>”: os juramentos envolvidos</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A terceira maldição que Jesus lança contra os fariseus diz respeito ao problema dos votos acompanhados de um juramento. Com efeito, o Redentor proclama: “<em>Ai de vós, condutores cegos, que dizeis: Se alguém jurar pelo Templo, isso não é nada; mas o que jurar pelo ouro do Templo, fica obrigado. […] E dizeis: Se alguém jurar pelo altar, isso não é nada, mas se alguém jurar pela oferenda [o animal que será sacrificado] que está sobre ele, fica obrigado</em>” (v. 16 e 18).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em suma, os rabinos – para dispensar do voto aqueles que o haviam feito imprudentemente – recorriam a toda sorte de peculiaridades e sutilezas mais ou menos hipócritas. Por exemplo, argumentavam que jurar pelo Templo, pelo altar do Templo ou pelo Céu não era obrigatório; enquanto era certamente obrigatório jurar pelo ouro do Templo ou pelas ofertas dos animais a serem sacrificados que eram feitas nele e a favor dele <em>e com os quais eles poderiam contar como seus e lucrar, tirando do ouro ou comendo os restos de os animais sacrificados</em>. Ora, esta distinção deixava claro que eles queriam ensinar aos fiéis um respeito “sagrado” pelas riquezas materiais (em preciosidades ou animais) guardadas no Templo, das quais os fariseus então tiravam abundantemente e que, portanto, queriam aumentar. Daí a hipocrisia e a avareza que Jesus os acusava, pois consideravam as sagradas ofertas como bens preciosos, mas não tão sagradas o Templo, o altar, o Céu. De fato, eles não podiam ganhar com o Templo e com o Céu, mas podiam tirar do tesouro que estava no Templo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aos sofismas desse último, o Redentor responde: “<em>Estultos e cegos! Qual é mais: o ouro ou o Templo, que santifica o ouro? […] Cegos! Qual é mais: a oferta ou o altar que santifica a oferta?</em>” (v. 17 e 19).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, Jesus afirma: “<em>Aquele, pois, que jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele e o que jura pelo templo, jura por ele e por Aquele que habita nele, e o que jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por Aquele que está sentado sobre ele</em>” (vv. 20-22).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A doutrina ensinada pelos fariseus baseava-se na pouca importância que davam aos juramentos feitos às criaturas; enquanto, segundo eles, apenas os juramentos feitos a Deus eram obrigatórios. Na verdade, eles muitas vezes juravam pelo Templo, pelo altar do Templo, pelo Céu, por Jerusalém, sem se sentirem obrigados pelo juramento. Em seguida, eles explicavam que, se a criatura sobre a qual se jura não está diretamente e imediatamente relativa a Deus, o juramento feito sobre ela não os obrigava. Portanto, como no Templo havia muitas coisas que não estavam em relação imediata e direta com Deus, podia-se jurar sobre isso sem ser obrigado a guardar o juramento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todavia, Jesus se opôs a eles: como se poderia então afirmar que, em vez disso, obriga o juramento feito sobre o ouro do Templo e sobre as ofertas feitas no Templo? Este é o problema e a chocante contradição da doutrina e prática farisaica/rabínica. De fato, o ouro do Templo e as ofertas feitas e depositadas nele são sagrados apenas na medida em que pertencem ao Templo e não em si mesmas. O ouro e ofertas de bens preciosos não são coisas sagradas, mas profanas. Infelizmente, eram do interesse dos fariseus precisamente devido ao seu valor material intrínseco e não pela sua relação com Deus. Por conseguinte, o Salvador concluiu, se obriga o juramento feito por estas ofertas que se encontram no Templo, deveria ainda obrigar a um juramento feito para ou pelo próprio Templo. Além disso, o juramento feito pelo Céu, que é o trono de Deus, também deveria obrigá-lo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Aquinate explica: “<em>É sabido que o que se encontra no Templo é sagrado em razão do Templo, por isso quem rouba no Templo, ou seja, num local sagrado, comete um sacrilégio. Portanto, é mais grave jurar pelo Templo do que pelo ouro. […] O Templo contém ouro e não vice-versa, da mesma forma o altar contém a oferta de sacrifício e não vice-versa. Portanto, quem jurar pelo Templo jura pelo ouro encontrado no Templo e quem jurar pelo altar jura pela oferta dele. Assim, quem jura pelo Templo ou pelo altar jura por Deus, visto que jura pelo Templo ou pelo altar como santificado e santificador, isto é, em relação à Divindade</em>” (Comentário ao Evangelho de Mateus, n.º 1865 e 1867).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Jerônimo comenta: “<em>Aqui está condenada a avareza dos fariseus, que tudo fazem por proveito. De fato, ao ampliar as filatérias e multiplicar as franjas, eles adquiriram certa reputação entre o povo, que acreditava em sua máscara de santidade. Fazendo isso, os fariseus ganhavam pela estima que tinham entre os fiéis</em>” (Comentário a Mateus, XXIII, 15, livro IV).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No versículo 23 há o quarto “<em>Ai de vós</em>”, mas veremos isso na última parte deste artigo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>(Continua&#8230;)</em></strong></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-23/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>SOBRE A CADEIRA DE MOISÉS SENTARAM-SE OS ESCRIBAS E OS FARISEUS &#8211; PARTE 1/3</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-13/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-13/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 07 Dec 2021 13:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Judaísmo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=25958</guid>
		<description><![CDATA[Fonte: Sì Sì No No &#8211; 15 de novembro de 2020 &#124; Tradução: Dominus Est No Evangelho de São Mateus (23, 1-39), na Terça-feira Santa, Jesus fez um longo discurso onde ataca frontalmente os escribas e os fariseus, sobretudo no &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-13/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://www.jornaldamadeira.com/wp-content/uploads/2019/05/Imagem-Fariseus.png" alt="Quem eram os fariseus? E o que significa verdadeiramente este nome? |  Jornal da Madeira" width="284" height="192" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sisinono.org/anno-2020.html">Sì Sì No No</a></span> &#8211; 15 de novembro de 2020 | Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No Evangelho de São Mateus (23, 1-39), na Terça-feira Santa, Jesus fez um longo discurso onde ataca frontalmente os escribas e os fariseus, sobretudo no que diz respeito ao seu comportamento moral, mas também por alguns dos seus desvios doutrinários, que começaram (como veremos melhor a seguir) a distorcer o Judaísmo do Antigo Testamento e a preparar o caminho para o Judaísmo pós-bíblico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para compreender melhor o significado deste discurso do Redentor, é necessário primeiro dividi-lo em várias seções e depois ver o que a Tradição patrística, escolástica e exegética nos dizem em seus comentários sobre ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Prefácio: “<em>Dixit Dominus Domino Meo</em>” (Mt. 22, 44)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fase que precede e que desencadeia o sermão de Jesus (Mt 23, 1-39) encontra-se também no final do Evangelho de São Mateus, no final do capítulo 22 (versículos 41-45). O Redentor acaba de encurralar os fariseus que se reuniram para lhe montar uma armadilha, perguntando-lhes: “<em>Que vos parece do Cristo? De quem é ele filho</em>?” (Mt 22, 41), ou seja, o Messias para vós é um simples homem, um Messias terreno ou é Deus? Os fariseus respondem que ele é filho de Davi, portanto é um simples homem, que devolverá a liberdade a Israel, expulsando os romanos. Então Jesus os incita citando o Salmo (109, 1) de Davi: “<em>Disse o Senhor [Deus Pai] ao Meu Senhor [Filho de Deus], senta-te à minha mão direit</em>a” e pergunta-lhes: Como Davi, o Autor inspirado dos Salmos, escreveu que o Messias é seu Senhor?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Primeira parte</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então, “<em>se Davi o chama de Senhor, como pode [o Messias] ser seu filho?</em>”. Os fariseus não sabiam o que responder e “<em>daquele dia em diante não houve mais quem ousasse interrogá-lo”</em> (v. 46), mas em vez de se converterem decidiram prendê-lo e entregá-lo aos romanos para ser executado, como aconteceu três dias depois. Foi então que Jesus voltou a falar e, contra-atacando, disse-lhes: “<em>Sobre a cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus&#8230;”</em> (23, 1).</span><span id="more-25958"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Jerônimo comenta: “<em>O veneno do ciúme pode ser derrotado, mas dificilmente desaparece</em>” (Comentário sobre Mateus 22, 41, livro 4). No entanto, apesar da maldade dos fariseus para com Ele, o Redentor &#8220;<em>exorta os fiéis a obedecê-los, por respeito à dignidade do seu sacerdócio e magistério, aceitando a sua doutrina e culto, mas não imitando as suas obras</em>&#8221; (S. Jerônimo, Comentário sobre Mateus 23, 1-3, livro 4).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis a origem da repreensão que Jesus dirige aos escribas e fariseus, que discutiremos neste artigo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Visão geral: &#8220;<em>Faça o que eles dizem, não faça o que eles fazem</em>&#8221; (versículos 1-12)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dos versículos 1 a 12 do capítulo 23, o Messias ensina aos fiéis que antes de tudo é necessário ouvir <em>a autoridade do ensino teórico</em> dos escribas e fariseus (que ainda não havia sido substancialmente estragado, como acontecerá imediatamente após a morte do Messias, por meio da doutrina talmúdica, que substituirá a mosaica); mas, acima de tudo, não deve imitar absolutamente sua conduta prática, que já na época de Jesus estava em desacordo com a Revelação divina e a Lei mosaica, ou seja, totalmente corrupta e hipocritamente falsa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Redentor inicia seu discurso trazendo à luz as trevas da má prática de vida dos escribas e fariseus, não sem deixar de mostrar as primeiras fissuras doutrinais que se infiltraram no judaísmo rabínico desde a era pós-macabeia (160 a.C.) e que já se tornaram bastante evidentes durante Sua vida pública. Não obstante, essas fissuras irromperão de maneira anti-veterotestamentária a partir do Deicídio, chegando finalmente ao martírio de Santo Estêvão e dos Apóstolos Tiago Maior e Menor na Palestina e, assim, no castigo pela destruição do Templo de Jerusalém por Deus, que usou o exército romano como Seu instrumento de punição (cf. Mt 22, 8, a parábola do banquete nupcial: “<em>O rei enviará o seu exército e destruirá a sua cidade”</em>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deve-se notar que São Mateus usa um capítulo inteiro (o 23), com 39 versículos, para relatar toda a acusação do Salvador contra aquela parte do Judaísmo, que estava prestes a romper formalmente com o Antigo Testamento, rejeitando e crucificando o Verbo Encarnado, a única perfeição e cumprimento da Antiga Aliança. Enquanto São Marcos (12, 38–40) e São Lucas (20, 45–47) se limitam a relatar, em apenas dois versículos cada, alguns golpes de Jesus contra os escribas e os fariseus. Mesmo a partir disso, Júlio Isaac disse erroneamente que os quatro evangelistas eram “<em>antissemitas</em>”, mas entre eles os mais ferozmente antissemitas eram aqueles de Mateus e de João.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Padre Marco Sales observa que “<em>Jesus fez este sermão magnífico às multidões de judeus para mantê-los longe da imitação da perversidade dos fariseus, que fizeram a santidade consistir em um formalismo inteiramente exterior</em>” (Comentário sobre o Evangelho segundo Mateus, 23 , 1, 2º ed., Proceno &#8211; Viterbo, Effedieffe, 2015, nota n. 1, p. 120).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Escribas e fariseus na cadeira de Moisés</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo os Padres da Igreja, os Doutores escolásticos e os Exegetas aprovados, Jesus visa aqui no versículo 1 (“<em>Sobre a cadeira de Moisés sentaram-se os Escribas e Fariseus</em>”) todos os membros do Sinédrio, compreendendo assim toda a suprema autoridade religiosa e política em Israel e não apenas os doutores da lei, ou seja, não só os escribas pertencentes à seita dos fariseus, mas também os sacerdotes pertencentes à seita dos saduceus, que exerciam o culto divino no sacerdócio de Aarão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás de Aquino explica que “<em>senta-se numa cadeira pestilencial quem recebe a tarefa de ensinar, mas traem-na com uma vida má e escandalosa ou a adulteram com suas perversas opiniões”</em> (<em>Comentário ao Evangelho segundo Mateus</em>, n.º 1858), enganando assim também seus discípulos e não apenas arruinando a si mesmo. Ora, este é precisamente o erro que Jesus então condena: o de haverem adulterado a Lei especialmente com suas vidas, que eram contrárias à essa mesma Lei.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os fariseus, cuja seita se refere à maior parte dos escribas, que estudavam, interpretavam e ensinavam a Lei de Moisés (acrescentando a ela outros 613 preceitos cerimoniais, também chamados de “<em>tradições”</em>) eram o partido mais forte e popular entre os judeus; enquanto os saduceus, que se aliaram ao invasor romano a partir de 63 a.C., eram pouco amados e seguidos pelos fiéis, apesar de serem favorecidos e promovidos por Roma aos cargos mais importantes e mais bem remunerados. Eles eram, em sua maioria, sacerdotes do Templo, abertamente materialistas e negavam a existência da alma imortal e da vida eterna. Assim, teologicamente, eles eram bastante “<em>progressistas</em>”, enquanto os fariseus eram predominantemente “tradicionalistas”. Como se vê, já haviam fendas e rachaduras doutrinais (falsas “tradições” morais farisaicas e materialismo sacerdotal) que começaram a poluir o judaísmo, que ainda era aparentemente mosaico, mas já inicialmente rabínico/talmúdico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os escribas e fariseus eram descendentes de Moisés (de quem, entretanto, eles não tinham mais o espírito), enquanto os saduceus eram os sucessores de Aarão no ministério sacerdotal (tendo também perdido a fé de seu fundador). Todos eles, por terem autoridade de juristas e sacerdotes, tinham em teoria o direito de serem ouvidos e obedecidos em seu ofício de dirigir e santificar os judeus. Jesus reconhece sua autoridade como mestres e santificadores, mas condena as interpretações doutrinárias e “tradições” morais acrescentadas pelos fariseus à Lei de Moisés, bem como o materialismo dogmático dos saduceus que se infiltraram no Sacerdócio aaronita. Acima de tudo, pois, os costumes e a conduta prática dos fariseus contrastavam com a pureza da doutrina que pregavam, ainda que em alguns pontos (como já mencionamos acima e como veremos melhor a seguir) eles tivessem adulterado a doutrina mosaica. É, portanto, sobretudo contra eles que Jesus pronuncia esta reprimenda.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O Sermão de Jesus ponto a ponto: &#8220;Escribas e fariseus sobre a cátedra de Moisés&#8221;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Sobre a cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e fariseus. Observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem, mas não imiteis as suas ações, porque dizem e não fazem</em>” (v. 2-3).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sentar-se na cadeira de alguém é uma expressão rabínica, que significa suceder a alguém no ensino. Portanto, os escribas e fariseus são os sucessores de Moisés no ensino e na interpretação da Lei (M. SALES, <em>Comentário sobre o Evangelho segundo Mateus</em>, cit., pag. 120, nota n.º 2), assim como os saduceus são os sucessores de Aarão no exercício do sacerdócio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás de Aquino observa que “<em>na cadeira de Moisés se sentam – de forma má – tanto os escribas quanto os fariseus, mas – corretamente – também os discípulos de Cristo. Na verdade, os escribas consideram apenas a letra da Lei mosaica e não o espírito ou o significado; os fariseus também chegam a discernir algo do significado interior disso, enquanto os discípulos de Jesus conhecem a letra e o espírito à luz do Evangelho</em>” (<em>Comentário sobre o Evangelho segundo Mateus</em>, n.º 1833). Santo Agostinho ensinava: “<em>In Vetere Novum latet, in Novo Vetus patet</em>” (O Novo Testamento está latente no Antigo Testamento, e no Novo Testamento o significado do Antigo é claro).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em primeiro lugar, Jesus condena o excessivo rigor doutrinal das normas morais que os fariseus impõem aos fiéis. Portanto, no ensino do farisaísmo na época de Jesus há também um erro doutrinal e não apenas de comportamento prático, devido ao excesso de rigorismo em matéria de moralidade, que é condenado por Nosso Senhor. De fato, explica o Evangelho de Mateus, “<em>atam cargas pesadas e impossíveis de levar ​​e as pões sobre os ombros dos homens, mas nem com um dedo as querem mover</em>” (v. 4). Em suma, os escribas e fariseus não apenas vivem mal, mas também pesam doutrinariamente as consciências dos fiéis com seus falsos ensinos rigoristas por meio de suas peculiares “<em>tradições</em>”, falsas e puramente humanas, como se fossem burros de carga, enquanto eles próprios em sua vida prática e privada – e eis o erro prático e não doutrinário dos fariseus – não se importam e &#8220;<em>nem mesmo moviam os dedos</em>&#8220;, ou seja, não fazem o menor esforço para observá-los.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sobre esses problema, Santo Tomás de Aquino especifica que “<em>o legislador ensina algumas coisas que devem ser observadas para sempre e estas devem ser feitas sempre; por outro lado, outros preceitos cerimoniais de Moisés eram pré-figurativos <u>da</u> realidade </em><em>– como sombras dela, isto é, de Cristo. Por exemplo, os Mandamentos morais devem sempre ser observados antes e depois de Cristo; enquanto os legais ou cerimoniais apenas por um certo tempo, ou seja, no Antigo Testamento e apenas antes do advento de Cristo. Portanto, quem os observa depois de Cristo, injuria a Cristo, como se Ele ainda não tivesse vindo. Por exemplo, se alguém dissesse: comerei amanhã, dirá bem, mas se depois de ter comido dissesse que comerá amanhã, então dirá mal, porque já teria comido. Assim, uma vez que os preceitos cerimoniais são sinais, sombras ou figuras da vinda de Cristo, quem os observa depois de Sua vinda não os observaria corretamente</em>” (<em>Comentário sobre o Evangelho segundo Mateus</em>, n.º 1835).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, Jesus convida a não imitá-los em suas ações, que são más, ensinando-lhes cautela e prudência. Agora, prossegue Santo Tomás, “<em>o Prelado é o chefe da Igreja porque ensina com a doutrina e porque incentiva a prática das boas obras. Portanto, devemos concordar com ele tanto na doutrina quanto na vida. Todavia, os fariseus estavam em dissonância entre a vida prática e a doutrinal. Por esse motivo, Jesus convidava os fiéis a ouvir o que ensinavam, mas sobretudo a não imitar o seu modo de vida. Na verdade, é preciso fazer o bem, mas os fariseus não o faziam. Portanto, os fiéis não precisavam agir de acordo com suas obras, que eram hipocritamente más. Finalmente o Senhor mostra a malicia deles, pois dizem, mas não fazem o que dizem. Agora, se dissessem e não o fizessem, seria grave, mas eles vão muito mais longe na medida que acrescentam aos Mandamentos de Deus alguns preceitos ou tradições humanas muito pesadas a serem observadas. Aqui Jesus mostra a presunção deles, pois acrescentam outros preceitos aos Mandamentos de Deus, como se fossem iguais a Ele. Em segundo lugar, mostra também a sua indiscrição ou imprudência, pois impõem de forma irresponsável fardos insustentáveis, não se contentando em impor razoáveis fardos. Enfim, são tão preguiçosos que não só se recusam a cumprir bem todo o seu dever e até o que é difícil, mas também não têm vontade de fazer nada, ou seja, não querem mexer nem uma palhinha com um dedo. Por esse motivo, quando ensinam segundo a Lei de Moisés, é necessário ouvi-los e fazer o que dizem, mas não os imitar nas suas más obras</em>” (<em>Comentário sobre o Evangelho segundo Mateus</em>, n.º 1837–1840).</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Cristo Jesus veio humilde da primeira vez; mais tarde virá exaltado. Na primeira vez veio dar exemplo de paciência; mais tarde virá julgar tudo, os bons e os maus, de acordo com os seus méritos. Na primeira vez Ele veio chamar, mais tarde virá para separar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parecerá terrível Aquele que parecia desprezível. Mostrará o seu poder Aquele que já mostrou sua paciência. Na cruz estava sua paciência, no Juízo haverá o seu poder.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Santo Agostinho</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Padre Marco Sales escreve: “<em>Como representantes da autoridade religiosa de Israel, as decisões dos escribas e fariseus, no que diz respeito à Lei e ao culto a Deus, têm força de lei e devem ser observadas, mas se sua autoridade de sucessores de Moisés deve levar à observância de suas decisões, sua vida dissidente de sua doutrina não deve levar à imitação</em>” (<em>Comentário sobre o Evangelho segundo Mateus</em>, citação, pag. 120, nota n.º 3).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Jesus condena a ostentação farisaica</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois Jesus condena a ostentação com que faziam tudo apenas para serem louvados pelos homens e não por amor de Deus: “<em>Fazem todas as suas obras para serem vistos pelos homens; Trazem mais largas [excessivamente] filatérias<strong>(1)</strong>, e mais compridas [desproporcionalmente] as franjas<strong>(2)</strong> dos vestidos&#8221;(</em>v. 5). Eles também são ambiciosos e orgulhosos. De fato, “<em>eles amam os primeiros lugares nos banquetes e nas sinagogas</em>” (v. 6), considerando-se melhores do que todos os outros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Doutor Angélico mostra a causa de seus erros e o motivo de sua obstinação e incorrigibilidade: a vanglória orgulhosa, observando: “<em>Como buscam apenas a sua glória, são incorrigíveis. Na verdade, eles fazem de tudo para serem vistos pelos homens. Eles não fazem coisas pesadas, mas fazem tudo que tem uma certa aparência exterior, vestindo – por exemplo – vestes religiosas, que não lhes custam nenhum esforço, mas querem mostra-la adicionando filatérias e franjas enormes para parecerem zelosos pela glória de Deus e para serem melhor vistos pelos homens</em>” (Santo Tomás de Aquino, <em>Comentário sobre o Evangelho segundo Mateus</em>, n.º 1842–1844).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Parênteses explicativos e ilustrativos contra vanglória</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui, do versículo 8 ao versículo 12, em meio ao discurso acusatório aos fariseus, Jesus abre quase uma espécie de parênteses ilustrativo e exortativo para distanciar ainda mais os fiéis israelitas do orgulho, dizendo: “<em>Eles adoram ser chamados rabi [guia moral, religioso ou espiritual] pelos homens. Mas vós não vos façais chamar rabi ou de mestre, porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. A ninguém chameis pai sobre a terra, porque um só é seu Pai, o que está no céu. Nem façais que vos chamem mestres, porque um só é vosso Mestre, o Cristo, visto que o seu preceptor [guia intelectual] é um só, o Cristo</em>” (v. 8).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em suma, o Salvador exorta os fiéis do Antigo – e logo do Novo Testamento – a fugirem de toda vanglória, adotando um estilo de vida diametralmente oposto àquele dos fariseus. Desde esse ponto de vista, é preciso saber distinguir o significado das palavras ditas agora por Jesus: com efeito, Ele não pretende proibir absolutamente, como intrinsecamente perversos, todos esses atos (usar filatérias e franjas, ser mestre, pai, preceptor, superior). Sobretudo e especialmente nestes quatro últimos versículos a atenção deve ser dada mais à intenção pedagógica curativa da vanglória pelo Redentor do que ao significado literal e etimológico das expressões e palavras individuais. Jesus quer corrigir os seus fiéis da vaidade da qual os fariseus eram dominados e incitá-los à modéstia e à humildade de coração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Toda sociedade é hierárquica e, portanto, precisa necessariamente de mestres/alunos, pais/filhos, preceptores/discípulos, superiores/subordinados. A família, o Estado e a Igreja são a sociedade e precisam dessas figuras e desses papéis. Além disso, Jesus também usava filatérias, conforme prescrito no livro do Êxodo (13, 16), Deuteronômio (11, 18) e Números (15, 38), e tinha franjas em seu manto (Mt. 9, 20; 14, 36); trata-se apenas uma questão de medida, de modalidade, e Jesus apenas nos convida a não exagerar em se encher de filatérias e franjas, nem em quantidade e nem em tamanho. Na verdade, Ele tinha a Lei de Deus sempre em Seu espírito e não apenas a carregava em Seu corpo; além disso, Ele se distinguia dos pagãos por Sua vida imaculada, e não apenas pelas fitas azuis nas bordas do manto. Assim é pela função de pai, mestre, preceptor, superior; em suma, o Salvador quer deixar claro que se pode ser mestre, pai, superior, preceptor, mas sem se tomar por “<em>Pai Eterno</em>” &#8230; Na verdade, o próprio Jesus foi chamado <em>rabi</em> por seu discípulos (Mt. 16, 25; 49).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em suma, os títulos não são condenados, mas a ambição e a vaidade que podem fomentar no coração dos homens que lhes foram agraciados, desejando-lhes desordenadamente que sejam mais estimados pelos homens. Portanto, eles podem ser usados, mas sem deixar Deus de lado, nem devem ser usados ​​com o propósito de ultrapassar e esmagar os outros. Certamente só Deus é o Pai, o Mestre, o Preceptor, o Superior por essência ou absoluta e infinitamente, mas nós homens podemos torná-lo por imitação, por participação, ou seja, de forma limitada e finita.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>(Continua&#8230;)</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>(1)</strong> Tiras de pergaminho em que estavam escritos os versículos do Antigo Testamento, que eram colocadas em pequenas caixas, as quais eram depois atadas à testa ou ao braço esquerdo, para recordar e tornar sempre presente aos fiéis israelitas a Fé e a Lei de Moisés. Coisa louvável em si mesma, mas os fariseus abusaram da forma como o fizeram, simplesmente usando-as nos seus corpos e não os tendo na sua mente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>(2)</strong> Ornamentos das abas inferiores do manto, especialmente dos judeus, cuja função era recordar-lhes os preceitos de Javé, eram arcos com um cordão azul.</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-cadeira-de-moises-sentaram-se-os-escribas-e-os-fariseus-parte-13/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
