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	<title>DOMINUS EST &#187; Mons. Landriot</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>INDICAÇÃO DE LEITURA: A MULHER FORTE</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 13:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Caritatem]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Landriot]]></category>

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		<description><![CDATA[A Mulher Forte se tornou o livro principal das mulheres católicas na França e depois no mundo inteiro. Resumo: &#8220;La Femme Forte&#8221; &#8211; A Mulher forte, escrita por monsenhor Landriot em 1862, é uma obra inspirada no livro de Provérbios &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/indicacao-de-leitura-a-mulher-forte/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Mulher Forte se tornou o livro principal das mulheres católicas na França e depois no mundo inteiro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><span style="text-decoration: underline;">Resumo:</span> &#8220;La Femme Forte&#8221; &#8211; A Mulher forte, escrita por monsenhor Landriot em 1862, é uma obra inspirada no livro de Provérbios 31, que conquistou uma enorme popularidade no mundo católico, justamente por realçar as características inerentes à mulher, suas peculiaridades, como a sua energia, sua coragem, a sua desenvoltura em lidar com as preocupações cotidianas; a sua resistência ao enfrentar os turbilhões nos quais são inseridas pelas contingências da vida; a maneira serena com que vivencia períodos de incertezas, tristezas; as dificuldades mais íntimas que permeiam o coração e alma de uma mulher; a sabedoria imperturbável com que cuida de seu lar, dos afazeres domésticos, de seus filhos, de seu marido; retrata como são verdadeiramente especiais e fortes.</span></strong></p>
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<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">A obra  </span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Mulher Forte é uma obra primorosa, escrita em 1876 por um grande sacerdote francês, Monsenhor Landriot, e ao longo dos séculos perpassou seus ensinamentos com maestria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, profundamente enraizado na Tradição Católica, A Mulher Forte é o suspiro de um coração que deseja amar e servir a Deus como Ele deseja ser amado e servido – ao modelo das Sagradas Escrituras.</span><span id="more-25328"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Escrito para as mulheres francesas, todas as moças que tiveram a graça de tocar essa obra beberam da mesma graça que contém essas conferências.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Elas buscam mergulhar e esclarecer quem é a mulher forte que as Sagradas Escrituras retratam no livro de Provérbios.  </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Sobre a Mulher Forte </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O capítulo de 31 de Provérbios deixa um questionamento:<em> ‘’quem encontrará a Mulher Forte?’’ (10)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Logo após, é dita sua característica excepcional e que a destaca dentre as outras mulheres:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>‘’ela é mais preciosa que as pérolas que vêm das extremidades do mundo’’</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao lado do questionamento é posto, portanto, o que far-se-á sua distinção. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desse modo, pode pensar ser fácil encontrar uma mulher forte, porém Monsenhor Landriot faz uma proposta contrária e pergunta:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>‘’quem encontrará a mulher volúvel, inconstante e fria? – Quem encontrará naturezas móveis como o vento?’’</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pensando bem, responder essas perguntas seriam mais fáceis que responder a pergunta de Provérbios 31.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Quem é a Mulher Forte? </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Mulher Forte, então, é aquela que, dirigida pela religião, tornou seu caráter fixo e adquiriu uma perseverança que coroa o uso de suas faculdades mais esplêndidas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ainda assim, ela entende que fora de Deus é fraca e miserável para fazer amadurecer o fruto da virtude. Ela se preocupa com toda a produção da árvore e com a pérola escondida por trás do título de ‘’mulher forte’’.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>‘’Sede verdadeiras cristãs, sede profundas e sinceramente piedosas, fazei de Deus o alimento habitual de vossas vidas, e só então vós podereis aproximar do ideal da força e do vigor que as heroínas cristãs nos deram exemplos e que faziam exclamar os filósofos pagãos: que admiráveis mulheres são as cristãs!’’</em> </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Características da mulher de Provérbios 31</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Mulher Forte é aquela que São Gregório reúne ao número dos mártires da vida quotidiana. Ela é, portanto, instruída e paciente, fiel e confiável. É como o sol, pois diz o autor: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>‘’Assim como o sol derrama das alturas a luz e o calor, e parece vivificar a natureza inteira, assim o rosto duma mulher virtuosa é o ornamento da sua casa.’’ </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O trabalho da Mulher Forte </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A relação com as miudezas foi concedido à mulher. Não por falta de capacidade, mas pelo trabalho que demanda o modesto domínio de sua casa e o império interior da vida doméstica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muito embora a secularização e a luta por igualdade de gênero turvou nossa visão para a real missão feminina, as Sagradas Escrituras ainda nos recordam nossa via de salvação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Gregório Nazianzo falava que sua doce mãe colocava em prática todos os conselhos do livro de Provérbios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ela cuidava tanto do seu lar que talvez dissessem que ela não se ocupava das coisas do Céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao contrário, era tão piedosa que encontrava nos bens de sua família os tesouros que as traças não corroem.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Ser uma Mulher Forte é um título de honra</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Monsenhor Landriot é um grande escritor. Uniu-se estritamente aos apelos dos corações femininos e certamente por eles foi tão acolhido e amado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ele compreendia a largura e a profundidade dos anseios femininos e tamanha honra cabiam no título que as Escrituras desejam louvar. Em uma de suas mais belas citações, ele diz:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Quereis rebaixar a mulher, convertendo-a em um simples instrumento de casa, condenando-a a vigilância de sua cozinha? Isto não é esquecer o que a mulher pode ter de grande, de nobre na inteligência e no coração?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Não é calcar aos pés todos os germes intelectuais que se acham no espírito das mulheres e que, afinal de contas, embora diferentes, nem por isso deviam de valer tanto como aqueles de que os homens se orgulham e vangloriam?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na mulher forte, até a ciência deve ser simples, graciosa, flexível, amena e modesta. Pois, a linha do centro é a linha de sabedoria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então, para ser digna do título de mulher forte não é necessário altos dotes culinários, intelectuais, físicos e braçais, o único necessário é seguir a lição que as Sagradas Escrituras ensinam como molde: Provérbios 31.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, sedes fiéis, senhoras e senhoritas, ao título que o bom Deus deseja concedê-las. Por mais árduo que seja o caminho, a recompensa será o repouso debaixo de vossa vinha.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Lá podereis tocar a íntima alegria que Nosso Senhor prometeu aos Seus eleitos, que é uma das mais doces recompensas da virtude.</span></p>
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		<title>MULHER FORTE E A ESMOLA</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2016 15:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Landriot]]></category>

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		<description><![CDATA[Manus suam aperuitinopi et palmas suasextendit ad pauperem. Ela abriu a sua mão ao indigente, e estendeu os braços e as mãos ao pobre. (Prov., XXXI) Senhoras. Explicando os dois antecedentes versículos do livro dos provérbios, sobre a mulher forte, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/mulher-forte-e-a-esmola/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em><img class="irc_mi i58FtNyoYOH8-pQOPx8XEepE aligncenter" src="http://www.guia.heu.nom.br/images/Caridade3.jpg" alt="Resultado de imagem para caridade" width="324" height="228" />Manus suam aperuitinopi et palmas suasextendit ad pauperem.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Ela abriu a sua mão ao indigente, e estendeu os braços e as mãos ao pobre.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em>(Prov., XXXI)</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Senhoras.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Explicando os dois antecedentes versículos do livro dos provérbios, sobre a mulher forte, vimos que ela podia gozar do bem que se opera em derredor dela, do bom resultado das suas obras, e deixar expandir o coração no espetáculo da felicidade e da prosperidade de sua família, uma vez que a sua alegria não fosse de orgulho e estivesse contida nos limites da sabedoria: pois o abuso das melhores coisas pode conduzir a alma aos sentimentos do pueril amor-próprio e da triste vaidade, que, de tal forma são comuns entre os homens, que até, muitas vezes, senão sabe que conselhos se lhes hão de dar.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Se alguém os empenha a rejubilarem-se em Deus, e rejubilarem-se com tudo quanto pode ser bom na vida, porque a vista do bem dilata e anima, deixam-se cair no ridículo e na desorientação de uma miserável vaidade; se, no contrário, alguém comprime ao mesmo tempo, a mola do louvor e da justa apreciação das coisas, e se detém assim a legítima satisfação que pertence necessariamente à virtude, segundo a doutrina de São Tomás, a alma estiola-se, e expõe-se a perder toda a energia, e toda a atividade para o bem.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Recomendamos em seguida, uma grandíssima reserva na manifestação do bem e da alegria. Pondo mesmo de parte os princípios da humildade, o orgulho, a inveja, a vaidade magoada e os pequenos amores-próprios, que nos rodeiam sempre, como pequenas serpentes, deveriam empenhar-nos a viver na obscuridade, a ocultar a nossa ventura, o nosso engrandecimento, e a passar neste mundo, tanto quanto possível, como o regalo sob a folhagem.</strong></span><span id="more-6449"></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Depois de ter dado um sentido anagógico ao outro versículo: “<em>A sua luz não se apagará nas trevas</em>”; depois de tê-lo aplicado às mulheres admiráveis, que conservam sempre no seu espírito e no seu coração a alampada dos santos desejos, dos nobres pensamentos, dissemos, com a Escritura, quanto era necessário à mulher o pôr a mão nas coisas fortes, o armar-se de coragem, e lutar energicamente contra as dificuldades da vida. Afinal, a propósito do fuso que gira entre as mãos da mulher forte, ajuntamos que ele representava a vida, e que a nossa existência era feliz ou desventurosa, segundo a qualidade da lã que fiávamos.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O versículo seguinte pode traduzir-se, conformando-nos com o original: &#8211; <strong><em>A mulher forte abriu a sua mão ao indigente, e estendeu os seus braços e as suas mãos ao pobre</em></strong>. Não vou hoje fazer um tratado a respeito da esmola: tal assunto levar-nos-ia muito longe, além de que talvez o desenvolvamos qualquer dia. Vou, sobretudo, encarar a esmola, nas suas relações com a mulher forte e com o fim da nossa associação.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Recordemos primeiro que há uma obrigação severa e rigorosa de dar esmolas, cada um segundo as suas posses, já se vê. Há para o rico – e a maior parte da gente tem a riqueza relativa que permite dar alguma coisa – há para o rico um expresso mandamento de dar, ao menos uma parte do seu supérfluo, ao pobre. O rico não é aos olhos da fé, um proprietário dos seus bens, por tal forma independente, que possa gastá-los e abusar deles à sua vontade: o rico é, perante a justiça de Deus, uma espécie de usufrutuário que tem de dar contas ao primeiro Senhor do universo, do emprego dos seus tesouros; e um dos principais empregos, depois do uso conveniente e determinado pela sabedoria, é o de derramar o que transborda da sua fortuna, no seio dos pobres. Mas – e insistimos sobre este ponto porque separa o ensino católico das doutrinas subversivas de toda a sociedade – o pobre esquecido não tem o direito de fazer justiça por suas mãos: o rico, para o cumprimento do preceito da esmola, não é réu do tribunal da revolução, pois só Deus tem o direito de se constituir em vingador do pobre desamparado.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta admirável doutrina conserva a esmola o seu mais belo caráter, que é a espontaneidade; e, todavia, em toda a parte há operado prodígios de caridade. Segui outros princípios, que não estes, e caíres necessariamente nos insondáveis abismos das teorias socialistas.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agradecei, senhoras, a divina Providência, que vos ajuntou num grêmio de caridade, e vos deu assim o meio de mais facilmente praticardes um dever, que cumpre a todos os cristãos. Quando se está só, isolado, sem estimulante exterior, acaba-se por se dormir sobre as respectivas obrigações; esquece-se, é se indiferente; desliza-se, sem se pensar, num declive insensível, e chega-se ao sono mais completo.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal mulher daria a esmola, porque é bondosa, porque é cristã, porque é naturalmente misericordiosa, mas nem nisso pensa. Retirada na sua vida intima encontra menos facilmente as ocasiões; raramente lhe é lembrada esta obrigação; atrofia-se-lhe o sentimento de caridade; torna-se áspera para os pobres, não por sistema, mas por hábito. Parece-me, ao contrário, senhoras, que as vossas reuniões mensais, que as vossas assembléias particulares, que a visita ao pobre e o conjunto da vossa organização, são um discurso vivo, que vos recorda um dos principais deveres: é o despertar da alma indolente e preguiçosa; é a súplica do pobre; é o seu grito de agonia que se vos faz ouvir sob todas as formas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É, pois, uma benção especial de Deus, o ter-vos chamado a fazer parte duma obra de caridade, porque reunindo vossos pensamentos e esforços, Ele deu-lhes uma força e uma solidez que nunca se encontra no isolamento. É uma benção de Deus, porque a graça do céu é permitida a reunião de duas ou três pessoas, quando se faz em nome de Cristo: e, sob esta relação, não temos a dirigir a Providência senão ações de graças. A nossa obra foi além de todas as esperanças, desenvolveu-se dum modo admirável, pela quantidade e pela qualidade dos membros; e hoje se não é sobre dois ou três que o olhar de Deus se detém com complacência, é sobre uma assembléia tão numerosa, como escolhida. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há, pois, sob esta relação, uma verdadeira benção do céu; mas não é também uma benção do céu, o tocante espetáculo das almas piedosas que se reúnem para ouvirem missa, para escutarem a palavra de Deus, e conversarem juntos nos meios a tomar para fazerem e aperfeiçoarem o bem? Sim, senhoras, digo-o com toda a certeza: foi-vos concedida a graça de Deus, e deveis em reconhecimento, e com receio dum abuso que seria altamente culpável, deveis aproveitá-la para reanimardes o vosso zelo e a vossa caridade para com os pobres. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<strong><em>A mulher abriu a sua mão ao indigente, e estendeu os braços e as mãos ao pobre.”</em></strong> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tendes feito pelo pobre e pela nossa associação tudo quanto podeis? Não julgueis que vos venho assustar com obrigações desconhecidas. Começai por tomardes das vossas rendas tudo quanto é necessário e seriamente útil, não só as necessidades absolutas, mas a prosperidade e decoro de vossa casa. Tendes na sociedade a classe que deveis ocupar, e guardai-a com tanta conveniência como amenidade; nestas concessões, creio ser tão largo, como o reclamam a vossa posição, a reputação de vossas famílias, e o futuro de vossos filhos. Mas, uma vez feitas estas concessões, retomemos a nossa questão: &#8211; Tendes feito pelos pobres e pela nossa associação tudo quanto podeis? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Primeiro em socorro materiais: a nossa quota é pequeníssima; não foi o máximo o que nós quisemos estabelecer, foi o mínimo para nos pôr-mos ao alcance de todas as bolsas, foi um mínimo, que se pode exceder, e que sempre nos será grato ver excedido. Não poderíeis fazer mais, e se o podíeis porque o não fizesteis? Se pretendeis que a vossa esmola seja desconhecida, há mil meios de conservardes o benefício do anônimo e a felicidade de só serdes conhecidas de Deus. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fora de nossa instituição, procurais, segundo os vossos meios, acudir as mil formas de miséria? Direis talvez: &#8211; Eu não posso; este sacrifício é impossível, porque arruinaria sucessivamente a minha família e os meus filhos. Se há impossibilidade real, não insistirei, e retiro a minha interrogação. Mas tendes a certeza de que não podeis? Quereis permitir-me que eu visite convosco o vosso guarda-vestidos? Não recearei, segundo o método dos Santos Padres, nas suas instruções familiares, descer a minuciosidades, que podem parecer exageradas, mas que têm a inapreciável vantagem de entrarem no âmago da questão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que coleção de coisas sem serventia! Quantas dúzias de vestidos, de chalés, de chapéus, e de tantos outros objetos, de que tantos outros objetos, de que nunca soube os nomes! Dizei-me com toda a sinceridade se não serieis tão bem adornadas, tão convenientemente vestidas; se a vossa aparição na sociedade não seria tão razoavelmente brilhante, depois de terdes cortado, ao menos, metade dessa coleção de coisas empilhadas? Quem, durante a sua vida, não ouviu uma ou várias histórias de mulheres ricas, e que, no entanto não têm nada? Perdão, engano-me; têm uma multidão de contas a pagarem nas lojas de todos os fornecedores da cidade. Essas têm a mania de comprarem continuamente objetos novos, chapéus, vestidos, chalés e calçado; a derradeira moda é sempre a melhor. Possuem um número fabuloso de armários; e, uma vez comprado o objeto, servem-se dele, quando muito em duas ou três ocasiões, abrem depois um dos seus móveis, e nele depõem o objeto condenado a não mais ver o dia. Chegam assim a elevarem grandes montes de roupa, e se alguma vez são obrigadas a mudar, o público pode pôr-se as janelas para ver desfilar o cortejo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não carrego a narração, senhoras; historio apenas&#8230; – Obrigadas! Direis, mas isso é uma monomania, graças a Deus! Ser-me-á permitido responder que há diversos graus de febre? Pois muito bem, e, com franqueza, não tereis um pouco desta monomania, não proximamente no mesmo grau, não até ao ridículo exterior? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em verdade calculai todos os objetos de luxo do vosso uso, percorrei os vossos aposentos e armários: quantas coisas sem serventia absolutamente de qualidade alguma! Pois eu não chamo qualquer coisa ao capricho de um momento, a desarrazoada fantasia de uma imaginação sempre em busca de novas modas, sempre engenhosa, em se criar pretendidas necessidades, e que nunca soube conter-se nos limites da razão, da sabedoria e de uma honrosíssima representação&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deixemos, porém, o passado; faço-vos uma súplica para o futuro, e faço-a em nome de Nosso Senhor, em nome dos pobres, em nome dos vossos mais caros interesses e dos da vossa família. Cortai do orçamento das vossas despesas todos os objetos verdadeiramente inúteis, imponde este sacrifício as exigências da vossa fantasia. Sede severas neste ponto, pois, certificai-vos antecipadamente, os pretextos não vos faltarão. Quantas vezes a imaginação vos dirá, ao entrardes duma loja: &#8211; Como este vestido me ficaria bem! Que magnífico efeito produziria! E este chapéu! Como está elegantemente fabricado, com a mais delicada combinação nas cores! Como eu o aproveitaria bem nos dias festivos! E este móvel! Se eu o comprasse para adornar os meus aposentos!&#8230; </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Lamentarei os pobres, a bolsa de vosso marido e a vossa própria ilusão, se escutardes a voz de tal sereia. Julgais que sereis mais felizes depois da aquisição de quanto cobiçastes; enganai-vos e talvez que a experiência vos tenha ensinado já a este respeito. Não; não sereis mais felizes; mal vestireis o vestido, ou deposto o móvel na vossa câmara, já todo o prestígio terá desaparecido, toda a frescura da aquisição será murcha: ficar-vos-á o vácuo no coração, e talvez, se sois seriamente cristãs, o aguilhão de remorso. O remorso! Pois não é verdade que muitas mulheres trazem sobre si, em objetos perfeitamente inúteis a conveniência do seu estado, e até ao esplendor da sua posição, o que bastaria para sustento de um grande número de famílias, que morrem de fome? Quando as coisas chegam a este ponto, é certo, aos olhos da razão e da fé, que a dor dos desgraçados é um grito de vingança, contra os que cometem semelhantes excessos. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tendes ouvido falar das catástrofes violentas, que transforma as fortunas mais sólidas, ou dos íntimos pesares que atingem as mais belas posições e crucificam as almas, num doloroso calvário, no meio de todas as magnificências de uma brilhante posição. Não sabeis como explicar sucessos tão imprevistos, quando a verdadeira explicação está na doutrina que desenvolvo neste momento. Havia talvez nessas famílias os excessos de gozo e de bem-estar que igualavam as do paganismo; havia na mesa e nos aposentos suntuosidades quase orientais, enquanto que na rua passavam, arrastando-se, os pobres, famintos e nus, sem vestidos e sem alimentos: <em>Et epulabaturquotidiesplendide, et erat quidammendicus, nomine Lazarus</em> (Luc. XVI.) </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus sofreu por muito tempo, mas uma hora foi chegada em que a Sua justiça desbordou; vibrou golpes que são um ensino para todos. E quando não fere sobre a terra, é isso, muitas vezes, a prova de que a Sua cólera chegou aos últimos limites, e de que reserva para o crime outros castigos, de que os da terra apenas são uma tênue sombra; pois quando Deus pune neste mundo, é sempre com a idéia oculta de misericórdia. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que ventura, ao contrário, no sacrifício que se faz em favor do pobre! E não me refiro somente ao sacrifício real; trata-se. Em muitas circunstâncias, de um sacrifício de fantasia. Renunciasteis ao vosso desejo, aparasteis as asas à curiosidade feminina, que quer, não somente ver, senão ta,bem possuir tudo quanto vê. Não é desta curiosidade que se poderiam dizer também estas palavras da Bíblia: &#8211; “<em>Ela nunca saciou os seus olhos nem os seus gozos</em>”; ou: &#8211; “<em>Irei e nada me recusarei de quanto possa agradar-me: &#8211; Vadam et affluamdeliciis et fruarbonis</em>.” (Eccl. II) </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tivesteis a coragem do renunciamento, e em lugar de satisfazerdes um capricho, consagrasteis a soma dele a uma boa ação, e, sobretudo, ao alívio dos pobres. Deveis julgar-vos mil vezes felizes: cumpristeis um preceito, e tanto basta para a vossa dita. Vede, porém, como o Senhor combinou tudo de um modo maravilhoso: fizesteis bem aos pobres; é uma recordação que se vos grava no coração e que vos perfuma a existência. Nunca a posse de um objeto de fantasia, nunca o achado e o uso de um vestido de cores brilhantes vos produzirão tais alegrias, essa paz, essa doce e profunda emoção, que dá a lembrança de um pobre socorrido. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu agradeço a Deus por ter estabelecido esta lei, por ter avaliado a grandeza da nossa alma, permitindo-lhe que não encontre verdadeira satisfação nos brinquinhos de luxo e da vaidade. Agradeço-Lhe o ter estabelecido esta lei, de que nunca a nossa alma desça aos lugares inferiores, para ali procurar um gozo culpado, sem encontrar pontas acirradas, amarguras e dores purgentíssimas; agradeço-Lho, porque tais martírios são, muitas vezes, necessários, para fazerem elevar a alma humana, e lhe fazerem deparar com o lugar que nunca deveria ter deixado. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tendes feito bem aos pobres! – Sabeis a transformação que se opera? Não é para com os míseros, é para convosco que sois misericordiosas. O óbolo lançado no seio do pobre, é dinheiro emprestado a elevados juros, dinheiro que produzirá centuplicadamente, e vos fará a vós e à vossa família, dignas das graças abundantíssimas. Deus é tão generoso, que quando se dá, em Seu nome, esmola a um pobre, não pretende que seja gratuitamente: constitui-se imediatamente em caução dEle, em Seu fiador, e manda aos anjos do céu que tomem nota da soma dada, e que registrem o capital com os juros da taxa mais subida. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um dia, no céu, espantar-nos-emos de encontrarmos numerosos tesouros que se amontoarão, cuja base primitiva terá sido uma pequena esmola dada com muito amor, do mesmo modo que uma pequena esfera de neve, se torna, nas altas montanhas o centro de uma imensa avalanche que cobre os prados. Sabeis por que certa casa prospera? Examinai-a de perto, e vereis a sombra de uma mulher piedosa que, oculta na penumbra da humildade, pratica o bem, convertendo-se no fundamento em que assenta a felicidade da sua família. Deus, na nova lei, não ligou à observação dos preceitos a ventura temporal como fim e recompensa principal; mas, entretanto, segundo dizem os doutores da Igreja, a dita, acompanha ordinariamente neste mundo a virtude sabiamente regulada. (S. Tomás, In Epístola I ad Corinthios)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não só a felicidade, mas a prosperidade material e o aumento da fortuna são uma das conseqüências da esmola; parece uma contradição, e, todavia, é uma verdade experimentada. Quanto mais água se tira de um poço, em certos limites, tanto mais abundante ele é; o mesmo acontece, não sei por que mistério da ordem moral, com a esmola lançada no regaço do pobre, que se torna para as famílias uma fonte de prosperidade e de engrandecimento. Dir-se-ia que a esmola é como a água que o sol levanta de antemão sobre os rios e os marasmos; parece que é um desfalque que o astro do dia lhes faz sofrer, e é precisamente o contrário: &#8211; a água sobe, transforma-se em nuvens, e desce mais pura e mais fresca. Experimentai, senhoras, e não vos ficará dúvida alguma a este respeito. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pelo contrário, quantas catástrofes nas fortunas, que foram lentamente reconstruídas com as durezas para os pobres? E quando a catástrofe exterior não existe, operam-se ocultamente espantosos mistérios de justiça. O Senhor tira a certos ricos o sentido da verdadeira ventura, crucifica-os sobre os seus tesouros, flagelá-os com cada objeto que parecem possuir; impõe às rosas dos seus jardins que brotem espinhos para os ferirem, e tudo quanto os devia tornar felizes, converte-se para eles numa fonte de agonias e cruéis decepções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Mas Deus</em> – diz a Escritura – <em>ouve o grito do pobre</em>.&#8221; (Os. IX, 13); e que pede o soluço do mísero, senão a felicidade do que se lhe mostrou generoso? A súplica do pobre, quando roga pelo seu benfeitor, o ai de uma alma desgraçada a quem se prestou um serviço, são para mim de uma extrema confiança, e não vos ocultarei, que uma das grandes alegrias da minha vida pastoral, desde que tomei posse da diocese, foi esta: ou recebi, há meses, um bilhete de uma pobre rapariga doente, que outrora confirmei, no seu leito de dor; tinha andado a pé alguns centos de metros para a visitar, e cito estaminuciosidade, porque naquela alma tudo se havia convertido em assunto de reconhecimento. Escrevia-me algumas palavras simples e comoventes para me agradecer e terminava, pouco mais ou menos assim: &#8211; “<em>Há cinco anos que se não tem passado um único dia sem que tenha orado por vós</em>.” </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta singela frase fez-me melhor que o melhor presente que a bondosa rapariga me pudesse mandar. Pois bem, senhoras; vós podeis granjear consolações desta natureza; podeis adquiri-las todos os dias, pois tenho a certeza de que de vários leitos de dor, de vários casebres obscuros, se levanta, para vós e vossas famílias, um grito agudo, que vos obtém as graças mais preciosas, que vos afasta de gravíssimos perigos, assegurando-vos o vosso futuro e o futuro de vossos filhos. O Senhor está empenhado nisso e deu a Sua palavra: “<em>Deus</em> – diz o sábio- <em>escutará a súplica do pobre</em>” (Eccl. IV, 6); e além disto, o salmista ajunta, que o Senhor atenderá “<em>o seu simples desejo</em>”; <em>desideriumpauperumexaudivit Dominus</em>. (Ps., X,17). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A esmola não é, pois, na realidade, mais que um empréstimo feito a Deus na pessoa do pobre, um empréstimo de usura, cujo juro centuplica o capital, começando a pagar-se neste mundo. Depois destas considerações gerais sobre a esmola, volvo ao estudo mais especial do nosso texto: &#8211; “<strong>A<em> mulher forte abriu a sua mão ao indigente e estendeu as suas mãos e os braços ao pobre</em></strong>.” </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maneira mais verdadeira de praticar isto, é a visita ao pobre, como vos impõe o vosso regulamento: só assim podereis dizer em toda a verdade que estendeis as mãos ao pobre: <em>Palmas suas extendit ad pauperem</em>. A visita aos necessitados é um dos alvos principais da nossa associação; e é feita por vós, regularmente? Se realmente tendes ocupações incompatíveis com esta visita, não insisto; mas são altamente sérios os motivos? Não é antes uma certa preguiça, ou, se gostais mais, uma certa timidez de caráter que não se apraz em experimentar o que ignora? Não é receio do deslocamento? O medo de algum sacrifício? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Longe estou de supor que a visita aos pobres não tenha os seus enfados para a natureza; deveis encontrar coisas e pessoas, às vezes pouco amáveis; deveis achar-vos em face de desordens capazes de vos afastarem, e que sei eu? Talvez palavras pungentes e processos injuriosos como recompensa dos vossos serviços. Mas não é necessário sofrer por Nosso Senhor? Não é necessário sofrer, fazendo bem? Assim tem-se mais mérito, e a recompensa será mais formosa. Não é o calvário a montanha do cristão, e não vale mais subi-la, sofrendo pela justiça? Encontrareis, sem dúvida, almas reconhecedoras, que vos agradecerão; encontrareis, e tenho a certeza de que já tendes encontrado, belas almas, e delicados corações, sob uma casca, às vezes, um pouco verde.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O coração humano tem fibras, em que bem sempre se toca em vão; e, entre essas, ponhamos em primeiro lugar, o reconhecimento e a recordação dos benefícios. Essas flores da alma não brotam talvez no momento em que quereríamos colhê-las; encontrareis naturezas em que o botão parece morto, e que, a uma certa hora, vos espantará, com o seu imprevisto desabrochamento. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vista do pobre terá uma grande vantagem; far-vos-á ver, de perto, a dor, mas a verdadeira dor&#8230; Muitas vezes queixais-vos, de coisas que alegrariam o coração do necessitado, e outras, a causa dos vossos sofrimentos é, ao menos em parte, na imaginação, nas chimeras do espírito, ou ainda na abundância de uma posição, que vos torna mais que exigentes. Ide ver o verdadeiro martírio, ide contemplar o pobre e o enfermo no seu obscuro casebre, ide visitar as míseras mulheres, cuja vida é um tormento lentíssimo, e cuja nudez externa é zero em comparação das privações do coração. Ide ver esse espetáculo, e voltareis quase envergonhadas de vós mesmas, voltareis fortes, generosas, e dispostas a levardes a vossa cruz com varonil coragem. Seria isto uma imensa vantagem, quando a visita aos pobres não produzisse outras. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tende ido muitas vezes a espetáculos aonde a entrada é caríssima, para não trazerdes senão o aborrecimento, o vácuo e um desgosto mais profundo do vosso intimo. O espetáculo da virtude pobre e cansada, em luta com a enfermidade e a indigência, ligar-vos-á, mais fortemente a todos os vossos deveres, e dar-vos-á uma dupla consolação, a consolação do coração que lenitiva, e a do coração que compara: pois mais vale – diz o Espírito Santo – ir a uma casa de luto, que a uma casa de alegria. (Ecles. VII,3). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira deixa uma impressão de salubridade moral, a segunda, ou um peso ou um vácuo no coração, quando não vem o remorso fazer-vos pagar mais caro ainda os prazeres doentios! Suplico-o, senhoras, e dirijo-me a todas as de entre vós, que o podem, retomai a visita aos pobres, se a abandonasteis, ou se ainda a não praticasteis ide hoje mesmo dar o vosso nome e fazer-vos inscrever na lista das damas visitadoras. Suplico &#8211; vo-lo do modo mais instante, e não podereis granjear, seguindo este conselho, maior prazer para o coração do vosso pastor. A visita aos pobres é um dos cunhos especiais da nossa associação, e trabalho para lho conservar religiosamente. Indo ver os pobres aos seus domicílios, fareis um bem que não operareis nunca, ainda mesmo dando dinheiro, que pessoas estranhas levarão, e ainda mesmo que a quantia seja muito considerável. Vereis o necessitado e a vossa presença o animará; falar-vos-ei afetuosamente, e as vossas boas palavras ser-lhe-ão ainda mais agradáveis e mais úteis do que a vossa esmola, ou, pelo menos, juntas ao socorro material, tornar-lhe-ão muito maior o poder.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mulher, quando quer, tem a delicadeza da atenção, a previdência de processos, a doçura das palavras que serena os males e aumenta a força e a paciência. É na visita aos pobres, sobretudo, que ela pode ser a mensageira das boas novas: pode vibrar palavras com a santa destreza da caridade; pode dizer uma palavra, uma única, mas dizê-la com esse tom, com esse assento, com essa forma graciosa, que só pertencem à sua natureza; pode proferir uma palavra e eis talvez uma alma quase convertida, eis, pelo menos, o gérmen de uma conversão próxima – “<strong><em>Os pés dos santos, podem grandes coisas, quando visitam as casas</em></strong> – diz São Crisóstomo – <strong><em>santificam o pavimento que tocam, levam tesouros consigo, corrigem as naturezas viciadas, e expulsam a miséria corporal</em></strong>”. (Ecclog. De Eleemosyn. T. XII)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Visitai os pobres, senhoras; e não vos contenteis convosco nas semanas em que o não fizerdes: não sabeis o bem que operareis, porque se o supusésseis, ouso acreditar, que, exceto as que estão na impossibilidade de o fazerem, todas daríeis o vosso nome para a visita a Nosso Senhor, nas pessoas dos Seus pobres. É, sobretudo nestas visitas que “<strong><em>abrireis a vossa mão e o vosso coração, e que as estendereis ao indigente</em></strong>.” </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Numa recente viagem vi representada como símbolo de um dos mais belos vales dos Períneos, uma mulher de elegante estatura, que semeava flores na sua passagem. Que seja também assim o símbolo da vossa vida: semeai a esmola, semeai os benefícios, semeai as boas palavras e os bons conselhos na vossa passagem; que vossas mãos e vosso coração estejam sempre abertas; quando vos faltar o dinheiro, daí a moeda do coração, pois diga-se o que se disser nesta época de materialismo, esta moeda tem o seu valor, é ainda mais preciosa que a outra: mão a substitui completamente, mas deve acompanhá-la sempre; e quando os limites impostos à melhor vontade já não permitam dar a esmola em dinheiro, a mulher forte acha, na bolsa inesgotável do seu coração, recursos desconhecidos, prodigaliza-os com toda a ternura da caridade, e assim é sempre verdade o dizer-se dela: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; <strong>“<em>Abriu a sua mão ao indigente, e estendeu os braços e as mãos ao pobre: Manus suam aperuitinopi et palmas suas extendit ad pauperem</em>.”</strong> (Prov., XXXI) </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A Mulher Forte</em> – Mons. Landriot</span></p>
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		<title>A MULHER FORTE E A VIGILÂNCIA NO LAR</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2016 19:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Landriot]]></category>

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		<description><![CDATA[Consideravit semitas domus suae,et panem otiosa non comedit.Surrexerunt filie jus et beatissimam praedicaverunt; vir ejus et laudavit eam. Considerou os corredores de sua casa e não comeu o pão na ociosidade; seus filhos levantaram-se e proclamaram-na feliz; seu marido levantou-se também &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-mulher-forte-e-a-vigilancia-no-lar/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/04/mulher.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4583" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/04/mulher-250x300.jpg" alt="mulher" width="250" height="300" /></a>Consideravit semitas domus suae,et panem otiosa non comedit.Surrexerunt filie jus et beatissimam praedicaverunt;</em> <em>vir ejus et laudavit eam.</em><em><br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Considerou os corredores de sua casa</em> <em>e não comeu o pão na ociosidade;</em> <em>seus filhos levantaram-se e proclamaram-na feliz;</em> <em>seu marido levantou-se também e cantou-lhe os louvores.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(Prov., XXXI, 27-28)</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">************************</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Uma força misturada de graças, uma dignidade cheia de encantos, são o vestuário da mulher forte. A sua beleza é pedida à alma, impõe respeito e inspira nobres e generosos sentimentos. Nada de lânguido, de afeminado e sensual; é a virtude que se pinta em seus órgãos, e que atrai para elevar mais alto. Ela também não conhece os amargos pesares que se reservam as mulheres, cuja beleza frívola foi a causa de deploráveis desvios.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A sua velhice é cercada de respeito e de afeição, e tem nos lábios, sobre o leito de morte o sorriso da alma predestinada: <em>Et ridebit in die novissimo</em>.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O Espírito Santo ajunta: &#8211; &#8220;<em>Abriu a boca à sabedoria, e a lei da clemência está em seus lábios</em>.&#8221;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Tiramos deste texto vários conselhos relativos à conversação, à oportunidade do discurso, e recomendamos, com instância, a sobriedade e a sabedoria nas palavras: máxima sempre repetida, é, no entanto, quase sempre esquecida na prática.</strong></span><span id="more-4594"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Afinal, senhoras, fostes apresentadas como rainhas da clemência, tendo na família o papel e as palavras da doçura e da ternura, votando pelas medidas pacíficas, fazendo inclinar o prato da justiça para o lado do perdão, e nas relações com a generalidade dos homens, inclinando-o para o lado da benevolência, que desculpa e justifica.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sigamos hoje o nosso caminho que em breve será terminado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>&#8220;A mulher forte considerou os corredores de sua casa, e não comeu o seu pão na ociosidade; seus filhos levantaram-se e proclamaram-na feliz; seu marido levantou-se também e cantou-lhe os louvores.&#8221;</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Considerou os corredores de sua casa: Consideravit semitas domus suae.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já o dissemos muitas vezes: &#8211; <strong>a guarda da casa, pertence especialmente à mulher: ao homem, os negócios externos</strong>, as grandes empresas, as excursões longínquas. <strong>A mulher, semelhante à mãe dos passarinhos, fica no ninho da família, chocando tudo com o seu amor e com a sua ativa previdência</strong>. Nada lhe escapa; e se Deus lhe deu o sentido &#8220;advinhador&#8221;, que presente as coisas, se é dotada de rara perpiscácia, para entrever e suspeitar o que se quer afastar da sua vista, é então que ela tem uma missão providencial, qual a de <strong>guardar o interior da sua família, de a preservar do perigo, alimentando-lhe sempre uma vida cheia de confianç</strong>a: &#8211; <em>Sicut vir publicis officiis, ita mulier domesticis ministeriis habilior destimatur</em><em>.</em></span><br />
<span style="color: #000000;"> (Santo Ambrósio. De Parad., nº 50).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Feliz a família</strong> que repousa assim no coração de uma <strong>mulher piedosa</strong>!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Feliz o ninho</strong> em que as asas maternais se estendem para aquecer, ou voam ao redor dele, para se certificarem se nada há a recear pela ventura dos seus filhos!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A família pode repetir com a tranquilidade da confiança, a frase do Profeta: &#8211; &#8220;<em>Morrerei no meu ninho de amor, e todavia multiplicarei os meus dias, como os da palmeira: In nidulo meo moriar</em>&#8221; (Job. XXIX,18).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tendes praticado este conselho do sábio?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tendes considerado bem os corredores de vossa casa?</span><br />
<span style="color: #000000;"> Sabeis por quem são frequentados e quais as suas desembocaduras?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entremos, se quereis, nalgumas minuciosidades.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tendes criados: sabeis bem quem eles são?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estais suficientemente ao fato da sua moralidade, probidade e discrição?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabeis quais são as pessoas com quem convivem, e quais as que introduzem em casa? tendes, sobre a sua conduta, dados suficientes para vos certificardes? Não vos contentais com esses quases, que têm, ordinariamente, por conclusão, as mais deploráveis consequências?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Longe estou de querer transformar-vos em inspetoras oficiais, com a aspereza das posições e das palavras que se censuram na vigilância pedagógica: é necessário uma vigilância ativa, porém cheia de bondade; possuir o talento de ver sem espionagem; de inspecionar do modo mais natural e sem afetação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nestas condições, a fiscalização de uma dona de casa não pesa como um sonho horrível, aceita-se sem dificuldade, ainda mesmo que se receie, e compreende-se-lhe a necessidade, ainda que se procure fugir a ela.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vigilância quotidiana e de quase todos os instantes, é exercida por vós, a respeito do que tendes de mais caro, em vossos filhos queridos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conheceis os lugares e as pessoas que frequentam? Sabeis qual a natureza das companhias que eles gostam de escolher? Que digo, sabeis o que eles se tornam em vossa própria casa?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há mães, às quais estas interrogações admirariam profundamente, porque nunca as dirigiram a si, nem supunham que se pudesse fazer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seus filhos!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Elas ocupam-se pouco deles, exceto talvez na hora da refeição, porque é preciso fazer-lhes justiça, elas trabalham para que se saiba e se diga que seus filhos são perfeitamente alimentados, que a saúde passeia em rubras cores nos seus rostos, fazendo, deste modo, a honra à cozinha da casa. Em tudo o mais está a menor das suas ocupações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outras ligarão uma grande importância ao êxito dos seus filhos; e o que mais a lisonjeia, é o ponto de honra, a vaidade maternal que se acha assim agradavelmente acariciada; mas a moralidade, a conduta, o espírito religioso de seus filhos, é um cuidado a que nunca se entregaram, porque têm muitos outros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estou, por sem dúvida, muito longe de repreender as solicitudes e os passos para os legítimos e razoáveis sucessos dos filhos, e para o seu avançamento no mundo, contanto que as regras da moderação e da sabedoria cristã sejam observadas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o futuro dos filhos não consiste somente nestas coisas; e concedendo de boa vontade aos legítimos interesses um lugar conveniente nas previdências, é necessário não abandonar o mais essencial: <em>Haec oportuit facere et illa non omittere</em> (Math., XXIII,23).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vigiai a educação de vossos filhos, a cultura do seu espírito, e empregai todos os meios que estão à vossa disposição para lhes preparardes bom êxito, mas <strong>não esqueçais a cultura da alma</strong>. Recordai-vos de que, no jardim da vida, <strong>há uma flor necessária, a da fé</strong> &#8211; e que aonde ela não medra, essa planta celeste &#8211; outras flores enmurchecem rapidamente, sobretudo, a da verdadeira ventura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como mulheres cristãs, podeis, sobre este assunto, exercer uma poderosa influência, pelos vossos exemplos, pelos vossos conselhos, pela vossa bondade, pela vossa paciência, e, sobretudo, pela oração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não há dúvida que, quando a criança chega a uma certa idade, parece escapar-vos a sua inteligência e fugirem-vos as rédeas do seu espírito, e, no entretanto, o vosso poder é mais forte e mais extenso do que aparenta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É incessante a vossa influência sobre o coração quando sabeis dirigi-la, e a vossa palavra, quando é inspirada pelo amor maternal, é um orvalho que sabe sempre encontrar as raízes da vida, mesmo na vida intelectual.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O coração e a alma influem mais do que se julga nas convicções, e quando a mãe sabe ferir as cordas do coração nada há inteiramente perdido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um doce olhar, um conselho afetuoso, um nobre e doloroso silêncio, operarão, algumas vezes, prodígios sobre uma alma que tiver escapado às mais eloquentes predicas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A recordação de Santa Mônica, fez mais, talvez, depois da graça, pela conversão de Santo Agostinho, que todos os outros meios exteriores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para preparardes de antemão todos estes felizes resultados, vigiai vosso filho deste tenra idade; examinai as frequentações externas e internas; dai-vos conta do emprego do seu dia; no momento em que a vossa vigilância ficar inativa, soará talvez a hora do perigo e da queda. O gênio do mal vela também a alma de vosso filho, e ele tem desgraçadamente uma inteligência inerente à natureza humana, e que é, muitas vezes, de uma precocidade espantosa nas crianças; é a corrupção nativa, que embaraça os mais hábeis esforços, e que inspira à mocidade meios conhecidos dela, para escapar à vigilância mais desenvolvida; é ela que lhe ensina os estratagemas e os desvios e que os colores com todas as aparências da candura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vigiai especialmente as leituras de vossos filhos, e insistimos neste ponto, embora tenhamos de repetir. Tende a precaução e a coragem de subtrair aos seus filhos todas publicações que tanto mal fazem na nossa época. Se tendes biblioteca, não a conserveis aberta à vossa jovem família, senão com a prudência da mais severa reserva.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não falo aqui de obras essencialmente más, pois suponho que não as possuis. Muitas vezes, obras boas, ou, pelo menos, indiferentes, em si, podem ser relativamente perigosas para o coração de vossos filhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há licores que sustentam e fortificam o homem chegado à idade madura, e que matariam o ser débil, cujo temperamento só suporta ainda o licôr do seio materno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É este o princípio de sabedoria vulgar, que se põe habitualmente de lado, na prática da vida, e em particular na educação dos filhos; e, muitas vezes, uma ciência intempestiva, inoportuna e prematura, produziu na alma da mocidade horrorosos estragos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tais são, senhoras, os vossos principais deveres para a vigilância de vossos filhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para melhor os cumprirdes ponde sempre nos vossos atos, nas vossas palavras e olhares, a bondade do coração maternal que obtêm facilmente tudo quanto quer porque se impõe com afeição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto mais ativa for a vigilância sobre a família, tanto mais deve ser cercada de amor e verdadeira dedicação: chegareis assim a fazer saborear, ou, pelo menos, a suportar o que em si é de natureza indigesta, para a independência da mocidade. Recordai-vos do que éreis outrora, e tende piedade dessa pobre mocidade: se as vossas apreciações se modificaram pela madureza dos anos e a experiência da vida, há uma coisa que não se modifica e cuja idade nos demonstra mais e mais a utilidade: é a benevolência, e a afeição, condimento sempre essencial no banquete da vida, sobretudo quando o alimento preparado tem alguma amargura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa amargura é necessária, concordo; é indispensável para melhor assegurar o futuro; mas que, ao menos, seja temperada por uma mistura de amor e de suavidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>A mulher forte considerou os corredores de sua casa</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é bastante vigiar os criados e os filhos. Lançai os olhos e tudo quanto se passa em vossa casa, para que nada vos escape, para que certas idas e vindas, sejam por vós analisadas e compreendidas; sabei prever e impedir, tereis mil meios despercebidos de resistência, achareis mil processos naturalíssimos, para desfazer certas intrigas: e a mulher, sem que o pense, pode muito habilmente cortar os tramas mais invisíveis. Mas para isto é necessário que vigie, que conheça todos os caminhos que conduzem a sua casa, e todos os que lhe dão saída: &#8211; <em>Consideravit semitas domus suae</em>; é necessário que ela adeje, como a ave, sobre o seu ninho, e que saiba ver claramente, mesmo nas trevas. Nada de rumor, nada de violências, nada de palavras imprudentes; uma ação firme, lenta e doce; a energia e a tranquila ação da vaga tranquila, quando arrasta os restos do naufrágio sobre a praia, pois os conduz docemente sobre a areia, e a sua ação é tão forte, é tão irresistível quanto é calmo o seu movimento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ouço as almas indolentes soltarem um grito de espanto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Na verdade que trabalho nos tendes preparado! Que atividade exigis de nós! Que serviço constante! Que ocupações de todas as horas! Ainda mesmo que se pareça estar na ociosidade!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; É verdade senhoras, que para a prática destes conselhos é preciso não dormir, porque se dormis, o homem inimigo virá e semeará o joio no campo da vossa família. Para seguirdes estes conselhos é necessário estar sempre na brecha.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a verdadeira vida é uma atividade perpétua; essa atividade é uma fonte de ordem, de riqueza, de prosperidade e ventura. A preguiça, ao contrário, é a mãe de todos os vícios, de todas as desordens, de todas as desditas. Sem a atividade e o trabalho do corpo ou do espírito, vossa casa semelhar-se-á a um campo coberto de espinhos e silvedos; e oxalá que esse campo não seja o covil de serpentes venenosas!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O sábio compreendia muito bem essa atividade continua da mulher forte, porque ajunta:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Ela não comeu o seu pão na ociosidade: Panem otiosa non comedit.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Paulo dizia:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<strong><em>Não deve comer quem não trabalha.</em></strong>&#8221; (II Tes. III,10)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se se apertasse com o rigor da letra desta palavra, quantas pessoas deveriam jejuar absolutamente todos os dias!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mulher forte, pelo contrário, não come o seu pão na ociosidade, porque está sempre ocupada. madruga, ordena tudo, distribui o serviço pelas suas pessoas, excita-as com o seu exemplo, gosta do trabalho manual, e não despreza a cultura da inteligência.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Navio carregado de ricas mercadorias, entra em cada tarde no porto da família, trazendo consigo preciosíssimos tesouros. Se às vezes parece inativa, é que, semelhante à abelha, esta encerrada na colméia, preparando o mel delicioso, o mel dos santos pensamentos, das conversações íntimas, o mel colhido nas flores mais delicadíssimas da sua inteligência e do seu coração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outras vezes, derramará secretamente o suor de sua alma, e a sua vida gastar-se-á num trabalho subterrâneo silencioso, e tanto mais ativo e mais penoso quanto menos o pensam os homens. Mas sejam quais forem a natureza do seu trabalho e a esfera da sua atividade, a mulher forte não come nunca o seu pão na ociosidade: <em>Panem otiosa non comedit</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quantas mulheres, ao contrário, que fazem da ociosidade vida, e cujos dias se arrastam pesadamente num estado que se assemelha a uma indolência perfeita! Dir-se-ia que dormem habitualmente, como a tardia criatura que os naturalistas chamam &#8211; preguiça. Em casa delas só um membro trabalha &#8211; a língua, e forçoso é confessar-se que trabalha superabundantemente, e que substitui, de um modo completo, a ação de todos. Parece que os outros lhe passaram procuração, e que, querendo descansar, lhe legaram a missão de se agitarem à vontade, e asseguro-vos que nenhum testamenteiro compreendeu tão bem o seu encargo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entretanto, a língua é o membro que precisamente, mais vezes devia descansar, e cujo exercício importuno é também nocivo aos nossos interesses e aos do próximo: e notou-se que, justamente quando está mais ativo é sempre com prejuízo das verdadeiras e serias ocupações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segui desde pela manhã até à noite a mulher leviana: que faz ela? Nada, ou quase nada. Passa metade do dia em visitas completamente inúteis, em conversações, pelo menos, frívolas, em entretendimentos, que se não deixam, de ordinário, sem se terem ferido pelo menos dois ou três mandamentos de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O resto da sua vida é uma nuvem que vagueia nos espaços: sonha, e, muitas vezes à beira dos abismos; a sua imaginação encandecente espalha-se como a lava nas proximidades; o seu espírito mais ou menos romanesco enche-se de chimeras, de planos impossíveis; ou então encerra-se nos seus aposentos e conversa com os livros frívolos e perigosos, de cujas páginas saem, mais ou menos emanações postilentas, em que o veneno está quase que sob cada palavra em dose invisível, matando as almas lentamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Valeria muito mais para esta desgraçada mulher um sonho completo e uma ociosidade em que todas as  faculdades do espírito e do corpo estivessem completamente adormecidas. Seria, ao menos, sob muitos pontos de vista, um sono inofensivo; mas a ociosidade do mal  da frivolidade, o sono, em que nos mergulham os sonos da imaginação, atacam a vida moral! É um veneno disfarçado sob formas que seduzem e conduzem em breve a uma letargia mortal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Bíblia acrescenta:</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> <em>&#8220;Os filhos da mulher forte levantaram-se e proclamaram-na feliz; e seu marido levantou-se também e publicou-lhe os louvores.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que há mais belo e mais consolador, do que ver uma mulher venerável, uma mãe de família, cercada de estima, de confiança e de amor de seus filhos e de seu marido?</span><br />
<span style="color: #000000;"> Quando anda em casa com um aspecto cheio e graça e de dignidade, dir-se-ia que toda a família se levanta, para lhe fazer um cortejo de honra e dizer à porfia: &#8211; Eis a nossa glória,  a raiz da nossa vida e da nossa ventura, o centro do nosso amor, centro querido onde todos os corações vão fundir-se e estreitar os seus laços, purificando-se.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É a sombra tutelar aonde íamos descansar e desencalmar-nos, e como os <em>rendez-vous</em> dados outrora junto ao velho carvalho, é junto do coração, sempre jovem, da esposa e da mãe, que a família se reúne, onde tudo se acalma, tudo se purifica, onde as nuvens da vida desaparecem, e onde a alegria renasce com amor puro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Taça deliciosa do coração da mãe, vós sois necessária para ministrardes a todos a embriaguez da felicidade doméstica; perto de vós esquecem-se os pesares da existência, e o licor que dais a beber, junto à doce harmonia dos vossos sentimentos, recorda a palavra da Bíblia: &#8211; &#8220;<em>O bom vinho e a música rejubilam o coração do homem</em>: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; <em>Vinum et musica laetificat cor</em>.&#8221; (Eccl. XL,20)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pode haver, senhoras, e há desgraçadamente muitas nuvens na vida da família: os caracteres são tão diferentes, as paixões tão múltiplas e tão complicadas no seu jogo, que a serenidade completa é impossível. Mas quando uma mulher cumpriu bem os seus deveres, quando foi seriamente cristã, quando constantemente fez face a todas as suas obrigações com a constância da força, a ternura perseverante do amor, e a longanimidade da paciência, a hora da justiça e do reconhecimento soa mais tarde ou mais cedo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um dia seu marido levanta-se fazendo sinal a seus filhos e todos se inclinam com respeito, saudando o anjo do lar doméstico, proclamando-a ditosa, e suplicando-lhe para alargar mais o seu coração, para nele dar abrigo a um novo amor da família, e que parece renascer para uma vida nova!<em>Surrexerunt filii ejus, et beatissimam proedicaverunt; vir ejus et laudavit eam</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nesse dia há um grande júbilo no coração da mãe, e ele é ainda mais feliz com a alegria da sua família do que com a sua própria, ou antes, estas suas alegrias só fazem uma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Profeta disse que, &#8220;<strong><em>ordinariamente se semeia em pena e em lágrimas, mas que se colhe em alegria</em></strong>&#8220;. (Ps., C.XXV,5)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é este o resumo da vida da mulher?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Semeia em penas, em dor e em trabalho: após as sementeiras vem, muitas vezes, o frio, as brumas, a neve e os ardores do sol. Mas que rico outono! Que doce estação aquela em que se recolhe o que se semeou, em que se recolhe uma colheita, tanto mais abundante, quanto maior foi o sofrimento!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A vida é assim: vai-se e vem-se, lançando a semente dos seus pensamentos, das suas palavras, dos seus atos e benefícios; espalha-se muitas vezes exteriormente, o que há de melhor na alma, e chora-se para a regar:<em> &#8211;</em></strong><em> Euntes ibant et flebant, mittentes semina sua&#8230; Qui seminant in lacrymis</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Correi em abundância, lágrimas da vida, lágrimas do coração: correi sempre, e cai sobre a terra que deveis fecundar. A vossa emissão faz, às vezes, sofrer cruelmente o que vos dá, porque vos formais arrancando as gotas mais íntimas do coração: as lágrimas verdadeiras &#8211; dizem os santos &#8211; são o sangue da alma, e, algumas vezes, os suores da agonia</strong>. (S.Agostinho., Sermão. 351, nº 7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não importa: correi sempre; ou vos chamem o sangue do coração, o suor da vida íntima, ou a derivação de uma alma liquificada pela dor e por um penoso trabalho, correi sempre, pois sois vós que preparais as verdadeiras colheitas, colheitas das almas, tesouros de virtudes, de sabedoria e de prosperidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seja assim entre vós, senhoras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Oxalá que possais, depois de terdes sofrido muito, assistir um dia a essas ceifas espirituais, no interior de vossas famílias, quando os corações de vossos filhos e de vossos maridos, como cachos de uvas, pareçam aproximar-se de vós, na vossa passagem, convidando-vos a colhê-los; quando vosso marido e vossa família se reunirem em derredor de vós como os feixes de centeio de que falava o jovem José, e vos oferecerem a homenagem do seu respeito, do seu amor e do seu reconhecimento: <em>Putabam nos ligare manipulos in agro et quasi consurgere manipulum meum et stare, vetrosque manipulos circumstantes adorare manipulum meum. </em>(Gen. XXXVII,7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não quero terminar esta instrução sem me levantar também para vos proclamar cheias de piedade filial, e vos agradecer paternalmente todos os vossos bons sentimentos, durante a curta doença que sofri, e todas as vossas excelentes orações.</span><br />
<span style="color: #000000;"> O resultado harmonizou-se com os vossos votos, e eu posso hoje cumprir à letra a palavra da Escritura, que modificarei levemente, para vos dizer, mudando-lhe um único termo: &#8211; O arcebispo pode levantar-se, também, para louvar e agradecer à mulher forte: <em>Surrexerunt filii ejus, et laudaverunt eam; vir ejus et laudavit eam.</em></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> <em>A Mulher Forte &#8211; </em> Mons. Landriot</span></p>
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		<title>A MULHER E A VERDADEIRA FORÇA</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Apr 2016 15:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Landriot]]></category>

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		<description><![CDATA[Accinxit fortitudine lumbos suos, et roboravit brachium suum.(Prov. XXXI) Pôs a força como um cinto em volta de seus rins, e fortaleceu seu braço. Senhoras. A força, já o dissemos, é uma energia da alma, que nos faz suportar com &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-mulher-e-a-verdadeira-forca/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/04/modesta2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4215" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/04/modesta2-233x300.jpg" alt="modesta2" width="233" height="300" /></a>Accinxit fortitudine lumbos suos,</em></strong> <strong><em>et roboravit brachium suum.(Prov. XXXI)</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Pôs a força como um cinto em volta de seus rins,</em></strong> <strong><em>e fortaleceu seu braço</em></strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Senhoras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A força, já o dissemos, é uma energia da alma, que nos faz suportar com serenidade os enfados e os males da vida, que nos dá a coragem de prosseguirmos nos nossos intentos com inabalável firmeza, e nos conserva um vigor de ação, que os obstáculos humanos não podem deter.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cada uma das nossas qualidades tem dois defeitos vizinhos que caminham de cada lado, um à direita, outro à esquerda, este pecando por excesso, aquele por privação. Esta máxima aplica-se perfeitamente à força e à firmeza de caráter: a obstinação excede os limites da verdadeira força, porque leva as suas idéias além do verdadeiro e do conveniente tornando-se, por isso mesmo, uma fraqueza perigosa como a locomotiva que descarrila.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fraqueza, propriamente dita, é, pelo contrário, o defeito de um ser sem consistência que toma as formas que se quer, e que se colore sucessivamente com todas as cambiantes de idéias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitas vezes, este último defeito é apenas o cálculo político das naturezas de camaleão, que variam de cor, segundo a posição e os reflexos do sol; pois, verdadeiros atores, têm sempre meia dúzia de opiniões no seu camarim, vestindo-se do mesmo modo que o histrião muda de trajes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre a obstinação e a fraqueza, caminha a verdadeira firmeza, que se prende às suas idéias, aos seus projetos, tanto quanto é necessário: secundum quod oportet – diz São Tomás – expressão cheia de senso e de amplitude, que não fixa as coisas de um modo absoluto, e que abandona as soluções às circunstâncias reguladas pela sabedoria prática.</span><span id="more-4214"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de terminar estas diferentes explicações, devo assinalar-vos outro defeito, que se opõe à força e lhe paralisa a ação – a susceptibilidade. Quando se tem febre, a pele torna-se, de tal modo, susceptível, que até é necessário garantir os doentes contra a menor ação do ar: dir-se-ia que, nas naturezas susceptíveis, a pele da alma é trabalhada por uma febre moral, que a mais leve aragem duplica. Quase que se torna necessário encerrar tais temperamentos numa caixa de algodão, e, ainda assim, creio que, à força de se agitarem, acabariam por tornarem irritada a pele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Continuemos senhoras, este importante assunto e terminemos hoje o comentário ao versículo: </span><br />
<span style="color: #000000;"> &#8211; <em>“<strong>Ela pôs a força como um cinto em volta de seus rins, e fortaleceu seu braço.”</strong></em></span><br />
<span style="color: #000000;"> <strong><em><br />
</em></strong>O animal marítimo tem o seu invólucro, o soldado o escudo, o navio o forro de cobre. A alma deve ser também o seu escudo e o seu cinto; o escudo, que é a firmeza, o cinto, que é a força: <em>Accinxit fortitudine lumbos suos, et roboravit brachium suum.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A força é necessária, tem um uso quotidiano, nem sempre para atuar, <strong>mas, sobretudo para suportar</strong>, para resistir á ação dos choques exteriores, e das desventuras íntimas. A ponte de granito suspensa sobre um vasto rio, não atua; é imóvel, mas é forte porque suporta tudo, porque resiste á rápida corrente, à ação do ar, ao peso das viaturas e dos transeuntes, e porque se agüenta a si própria: todos estes fardos reunidos formam uma carga enorme, de que só os engenheiros apreciam a gravidade.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Vede ainda a trave: só ela, se fosse sensível, poderia avaliar o peso que tem em cima, só ela poderia queixar-se dele, porque só ela conhece o seu trabalho de resistência. Também para o homem a principal ação da força consiste em sofrer os acontecimentos da vida, e em se suportar a si próprio. Esta ação primária e principal da força é a que exige mais constância e energia: está latente, ninguém a descobre, ninguém a suspeita, mas, muitas vezes, o coração do homem é semelhante a uma trave, prestes a ceder, mesmo quando todos o crêem feliz e isento de tribulações, precisamente porque tudo está misteriosamente oculto e invisível no desenvolvimento da força interior.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quantas almas não têm feito assim uma quotidiana despesa de coragem! Quantos corações não têm suado continuamente o sangue da sua vida mais íntima, sem que nada tenha transparecido no exterior!</span><br />
<span style="color: #000000;"> Felizmente o que mais atrai o olhar do Céu, o que os anjos têm como melhor, aquilo que o Senhor mais leva em conta, é a vida íntima que desliza em segredo, longe dos olhos do homem, e que o olhar do mundo não profanou pelas influências da sua vaidade corruptora; é o que cabe, gota a gota, do coração, para ir diretamente ao coração de Deus: &#8211; <em>Pater tuus qui videt in abscondito, redd et tibi</em> (Mat., VI, 4).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, há lá em cima um Pai, cujo coração é onipotente de amor, que vê tudo, e tudo sabe; e quando a alma está ligada a esta idéia fundamental, torna-se forte, porque pode dizer com um santo anacoreta: &#8211; “<strong><em>Eu saberei, se for preciso, ficar só neste mundo com Deus: Nisi homo dixerit in corde suo: Ego solus et Deus simus in mundo, requiem non habebit.</em></strong> (Apopht. Patr. – Patrol. Graec.)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando a força se exerce exteriormente, quando atua, quando fere como o guerreiro, ou vai lutar contra os obstáculos, como o fragata blindada de ferro, ela exige muito menos vigor moral: pois a natureza humana é tal, que a ação excita a coragem, e o movimento de impulso tem a propriedade de desenvolver o vigor; é possível também que mil considerações de amor próprio não sejam estranhas á vivacidade da ação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A força física, em diferentes graus, é necessária em todos os movimentos do corpo, é necessária a todas as horas do dia. Do mesmo modo, a força moral, é de um uso quotidiano e contínuo. O homem tem necessidade dela para lançar contra as dificuldades da vida, contra os perigos do mundo, os revezes da fortuna, as dores da família, as atribulações íntimas, e contra essas mil formas de sofrimento, de ansiedade e de agonia, que rodeiam o homem desde o berço, e que se ordenam em falange, em volta dele, como os insetos alados que se encontram nos lugares úmidos.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Mas pondo de parte este posto de vista geral, que apenas indico, <strong>devo demorar-me especialmente no uso da força na vida das mulheres.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Distinguimos duas espécies de forças: a força que atua e a que <strong>suporta</strong>: <strong>é desta última, sobretudo, que tendes mais necessidade</strong>. Falei ainda há pouco de uma ponte, aonde passa todo o mundo, que tudo suporta, a ação do ar, os ímpetos da corrente, o peso de quanto se apóia nela, sem contar a própria carga de granito de que é construída.</span><br />
<span style="color: #000000;"> <strong>Não está nisto uma imagem da vida das mulheres?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A mulher não é uma espécie de ponte na família?</strong></span><br />
<span style="color: #000000;"> Todos pesam um pouco sobre ela, o marido, os filhos, os criados, não contando os vizinhos importunos: uma grande parte dos cuidados domésticos rola sobre ela, carregando-lhes continuamente os ombros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, senhoras, quando a lua de mel tiver passado, tereis um marido, cujo humor, caráter, e tendências se vos tornarão antipáticas; e, ainda mesmo que ele menos o pense, ferir-vos-á os nervos, agastar-vos-á por palavras, e só a sua presença excitará, às vezes, a fibra da sensibilidade malévola.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É provável que lhes presteis o mesmo serviço e que o fluído das antipatias se comunique do vosso coração ao dele, pois ordinariamente tais impressões são recíprocas. Longe estou de pretender que este estado seja permanente, e que prejudique, sobretudo, a afeição essencial da família; mas repete-se demasiadas vezes para fatigar, ou, pelo menos, contristar o coração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tereis, pois, necessidade de força, não somente para vos não deixardes levar à febre da irritação, não somente para suportardes, <strong>senão também para deixardes triturar o vosso amor próprio, para deixardes quebrar, como a oliveira, todas as vossas antipatias, mudando-vos em óleo, e executando em toda a parte os processos benévolos, as operações untuosas da vossa caridade</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Este uso da força que acaba por transformá-la em óleo é o mais seguro dos meios de adoçardes os choques, de temperardes o coração do vosso marido, no momento talvez em que ele ia endurecer-se, e de desenvolverdes entre os dois uma afeição, que começava a gelar-se</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os <strong>filhos experimentarão a vossa paciência</strong>: tereis de tratar com naturezas excelentes no fundo, mas de difícil humor, de caracteres ásperos; bons corações, mas más cabeças, cujo ruído bastará para vos fastigar. Tomai em cada manhã e em cada tarde cinco pílulas da força que resiste: sede serenas, mas firmes; doces e vigilantes, pois atuais na tranqüilidade da vossa força.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os criados completarão o quadro: queixais-vos da sua indocilidade, do seu humor, do seu espírito de independência, e que sei eu? Da sua incapacidade, da sua falta de virtude e do seu caráter intolerável. Estou longe de vos empenhar em que os conserveis sempre, quando os seus defeitos atinjam um certo grau impossível de suportar-se. Não proíbo as representações, as caridosas advertências, nem as correções mais ou menos severas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, antes de tudo, insisto na força que sofre, na firmeza que espera, pois este meio é, muitas vezes, o melhor e o mais enérgico para chegardes ao fim desejado.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Não são só vossos maridos, vossos filhos e vossos criados os que porão em prova a vossa paciência, serão ainda as vossas amigas, os vossos conhecimentos. Contais com tal pessoa: é uma cana que se vos despedaça na mão, não logo na primeira, mas na segunda vez que vos encostardes a ela.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Onde estão, pois, os amigos deste mundo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pretende-se que as mulheres dificilmente encontram uma amiga segura e sólida no coração de outra mulher. Aos naturalistas explicam estas dificuldades por mil considerações sobre as antipatias naturais, sobre as questões secretas da vaidade, em que é raro que duas brilhem igualmente com o mesmo esplendor, sobre o não sei que de frágil que existe na flor e nas construções de vidro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; “<em>É necessária uma prodigiosa amizade entre duas mulheres</em> – disse Madame Swetchine – <em>para tirar a que é inferior a toda a fraqueza da inveja</em>.” </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Admitamos que possais encontrar verdadeiras amigas: mas ajuntemos, para permanecermos na verdade, que são raras. Contais com certo coração como com o vosso: um dia chegar-vos ao ouvido um vago zum-zum, vem em seguida às suspeitas, e, por fim a certeza. Essa pessoa traiu-vos mil vezes dum modo mais ou menos grave, foi infiel no que há de mais sagrado na amizade. Essa nova subida é como a onda violenta contra o navio da vossa alma! Que abalo no coração!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outras vezes são os vossos parentes; quantas dificuldades nas famílias! Quantas misérias! Quantas antipatias secretas! Cada um produz o seu contingente, e, algumas vezes, os que gritam mais alto não são os menos espinhosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais longe encontrareis os vossos inimigos, porque, quem é que os não têm na terra? Vós tê-lo-eis, talvez, porque os vossos defeitos vo-los terão atraído, mas esta razão não é a única. Tendes uma inimiga em determinada pessoa, porque lhe prestastes um serviço, e, para certas naturezas, não há crime maior do que o de as condenarem à condição inferior em que as põe o reconhecimento.</span><br />
<span style="color: #000000;"> <strong>Tal pessoa tem-vos inveja: é talvez, porque tendes uma qualidade boa, ou porque brilhais muito para ela</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; <em>Porque me atacas</em>? – perguntava uma vez o pirilampo a um vil animal, tão feio quão venenoso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; <em>Porque brilhas</em> – respondeu ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta resposta é a explicação dum grande número de ódios, de vinganças e de irritações. Há tantas baixezas no coração humano, ao lado de tantos instintos de grandeza! Tantas invejas, a par de tanto amor pelo bem e pelas coisas elevadas!</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Talvez até que vós tenhais feito demasiadas vzes um vão pacote das vossas qualidades, pois ou as tendes exagerado, ou pelo menos tendes fatigado o público, tende o aspecto de as apresentardes diante deles: e o que mais rapidamente fatiga os homens é a exposição das boas qualidades do próximo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Perdoar-se-nos-á muito facilmente uma longa exibição dos nossos defeitos e ridículos, porque esta cena coloca o espectador numa posição de superioridade para conosco; mas o mais difícil de se fazer perdoar são as qualidades reais, por muito pouco, ainda assim, que obscureçam a glória dos outros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Poderia continuar esta descrição e seguir convosco todas as correntes da vida; mostrar-vos em toda a parte as vagas que trabalham na demolição do vosso barco, no seu desconjuntamento, na sua submersão. O vosso navio tem necessidade de ser perfeitamente construído; as peças, formadas de madeira vigorosa, devem estar solidamente ligadas, e, no caso de o destinardes a afrontar certos mares, deveis ainda mandá-los forrar de cobre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Não chegamos, todavia, ainda, ao vosso inimigo mais implacável, que sois vós próprias</strong>. Sim, levar-se a si própria, em certas horas, resistir aos choques da imaginação, aos abalos do coração, suportar a inércia, o torpor do seu caráter, sustentar sua alma em certos dias, em que se pergunta se se vive, em certas semanas, em que mais se sente a prisão do corpo, a dureza do exílio, o peso das cadeias, em que nos torturam mil sonhos chimericos, em que parece que lâminas finíssimas d’agonia nos separam as carnes, o sangue, a alma e o espírito, tal é a hora do combate verdadeiro, <strong>o momento em que é necessário o desenvolvimento duma séria coragem.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Suportar-se-iam ainda o marido, os filhos, os criados e os inimigos! Mas este desgraçado <em>eu</em>, muitas vezes tão estranho, tão bizarro, tão inconstante, eis o maior peso, e tanto maior, quanto nem um único instante nos deixa!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pode-se escapar ao marido, aos filhos, aos amigos e parentes, mas este triste eu é uma esfera pesadíssima que a natureza nos prendeu ao pé, no dia do nosso nascimento, não havendo forças humanas, bastante fortes, que possam romper-lhe a cadeia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Chego agora a um delicado assunto, de que já levantei aos vossos olhos uma ponta do véu que o cobre, de que já esbocei alguns traços na nossa primeira conferência: &#8211; “<em>Como é uma coisa fraca o coração da mulher!”</em> – disse o trágico inglês. (Shakespeare, Julio Cesar, ato I, cena 4ª)</span><br />
<span style="color: #000000;"> Prestai atenção até ao fim antes de julgardes o que tenho a dizer-vos. </span><br />
<span style="color: #000000;"> O corpo humano precisa de carnes e ossos; as carnes são naturalmente, e devem sê-lo, mais moles que os ossos. <strong>Do mesmo modo, nos planos do Criador, e no magnífico ideal da união do homem e da mulher, eram necessários dois caracteres diferentes, um mais sólido, outro mais frágil: o pecado transtornou esta ordem primitiva, não lhe abalou os fundamentos.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A missão da mulher exige alguma coisa mais doce na alma e nas formas, mais elástico</strong>, mais semelhante ao galhardete que se reprega e se torna, assim, mais facilmente o ornamento da árvore na qual está suspenso: a existência <strong>somente de partes sólidas neste mundo, produziria o mais solene enfado da imobilidade geométrica.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois, <strong>a fraqueza do coração; quando é contida nos limites da virtude e da sabedoria, é a mais doce imagem da bondade de Deus</strong>. A família seria incompleta, mesmo sob o ponto de vista moral e sob a relação de influências, que devem exercer-se, se não houvesse em casa mais que o caráter viril do marido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Bem vedes, pois, senhoras, que não sou um severo acusador.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Mas a natureza mais frágil e mais elástica da mulher, pode degenerar, e muitas vezes degenera, sobretudo, na nossa época, em verdadeira fraqueza, em fraqueza mais ou menos culpada, mais ou menos nociva nos resultados.</strong> Depende isto da maneira mole e muito fácil com que se educam as meninas, da ausência de verdadeiros e sólidos princípios religiosos? Será necessário acusar a febre de idéias, a agitação dos homens e das coisas, que fazem da sociedade uma vaga sempre em movimento?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É certo que os caracteres estão enfraquecidos, e que, naturalmente, esta fraqueza, esta falta de energia, se fazem sentir, sobretudo, nas mulheres. Será necessário atribuir ainda este triste resultado as leituras enervadoras que amolecem, mais e mais, as almas, aos sonhos chimericos, que são os maiores dissolventes da força moral?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nós cremos que a reunião de todos estes elementos diversos contribui para a produção do mesmo efeito: e, agora, sobretudo, pode-se, salvo raras e honrosas exceções, repetir com o trágico inglês: &#8211; “<em>Como é uma coisa frágil o coração da mulher!”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta fraqueza é causa dum outro defeito, que se censura em várias mulheres – <strong>a teimosia</strong>. – “<em>Eu conheci centos e centos de mulheres</em> – diz Montaigne – <em>às quais mais facilmente faríeis morder um ferro em brasa, do que fazer mudar duma opinião concebida em momento de cólera</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É provável que a opinião de Montaigne se possa aplicar a todos os países, e que em toda a parte haja, para as mulheres, o perigo de caírem na teimosia. Tanto que uma idéia se lhes apodera da cabeça, deixa-lhe traços indeléveis, e, muitas vezes, não cede lugar a outra, por muito boa, por muito perfeita que ela seja: enroscam-se, e mais fácil vos era quebrá-la do que torcê-las uma linha.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desconfiai da pertinácia, e por este sinal a conhecereis: &#8211; quando sentirdes elevar-se a temperatura da cabeça, aninhar-se o vosso caráter, pularem as vossas faculdades à menor contradição, dizei logo a vós próprias: &#8211; Cuidado! Eis os sintomas da febre da obstinação, já lhe sinto as tremuras. </span><br />
<span style="color: #000000;"> Ajoelhai imediatamente aos pés da cruz e dizei a Deus: &#8211; <strong><em>Senhor, defendei-me de mim própria, contra as minhas fraquezas, contra as minhas obstinações; retemperai minh’alma na Vossa graça, afim de que ela se não obstine nunca e conserve sempre a flexibilidade da inteligência e da caridade</em></strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mulher é fraca por natureza, por compleição; por temperamento, em conseqüência de sua educação: <em>femineum genus plerumque sane est et anima et corpore prorsus imbecillum</em>. (Cyril. Alex. Hom. Pasch. 28). </span><br />
<span style="color: #000000;"> E, todavia, quando a alma da mulher é excitada por uma generosa dedicação, quando, sobretudo, o amor de Cristo está no seu coração, ela é capaz de quanto há de mais elevado no pensamento, de mais nobre no coração, de mais heróico na coragem, de mais perseverante na luta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<strong><em>Há mulheres</em></strong>, diz São Crisóstomo, <strong><em>que, não somente tem sido mais corajosas do que os homens, senão que também chegam à impassibilidade dos anjos. Há-as que, semelhantes ao rochedo imóvel são só não têm sido arrastada pela onda, mas que até hão quebrado em volta de si o mar espumante: tinham a solidez do ferro e a límpida dureza do diamante: Ut ferrum, ut adamas</em></strong>.” (De studo praesent. Hom.5)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, senhoras, se a natureza vos não deu no mesmo grau que ao homem, a força moral ativa, a graça pode operar em vós uma obra de transfiguração e comunicar-vos, sobretudo, a força de paciência, a força de inércia inteligente, a força do rochedo à beira-mar, o qual vê as ondas levantadas contra ele permanecendo imóvel, o que faz com que, em breve, as dispersem frementes, e se desfaça, em espuma.</span><br />
<span style="color: #000000;"> É especialmente esta força de longanimidade que eu vos recomendo: raramente tendes ocasião de exercer a força ativa, e se esta ocasião se apresentar, sabereis, como a mulher forte, <em>fortalecer o vosso braço</em>, e dirigi-lo sabiamente e com energia para a ação; mas mais habitualmente sedes fortes pela vossa impassibilidade, pela abnegação e pelo sacrifício. Tomai ao pé da cruz, nas vossas comunhões, nas vossas meditações, a elástica tenacidade para o bem, que vos converterá em heroínas, no lar doméstico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os homens não contarão os diamantes do vosso suor, nem as vossas lágrimas de sangue sobre a pedra duma vida oculta; mas contá-las-á Deus, e os anjos as guardarão. Cada lágrima invisível que cair assim do vosso coração, transformar-se-á numa pérola preciosa. <strong>E que felicidade não será a vossa, quando um dia encontrardes no Céu um número incalculável delas, que formarão sobre a vossa cabeça mil diademas de glória e de alegria!</strong>Tais diademas serão tanto mais belos e mais gloriosos, quanto mais fraca tiver sido a natureza da mulher vitoriosa: <em>Ibi est corona gloriosa, ubi sexus infirmior</em>. (S. Aug. Serm. nº 281)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que meios tereis, senhoras, de adquirirdes este espírito de força? Eu não conheço nenhum melhor do que a confiança em Deus, e o recurso a Deus, nas circunstâncias em que sentirdes desfalecida a vossa coragem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>O Senhor é o fundamento da minha vida – diz o Profeta – é o meu refúgio e o meu libertador: Dominus petra mea et robur meum</em>.” (II. Reg. XXXII,2.)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Apoiar-vos em Deus, como vos apoiais no braço, e, sobretudo no coração de uma pessoa dedicada, e nunca vos faltará à verdadeira força. Poderá haver desfalecimento na parte inferior do ser, fadiga na imaginação, perturbação nos sentidos; mas a parte elevada da alma conservará sempre a sua serenidade, e isso é a principal virtude: o resto é um acessório, que, não só não tira nada ao verdadeiro mérito, senão que o aumenta e o torna mais agradável a Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando sentirdes as águas da tribulação prestes a submergir-vos, o enfado a ponto de cair sobre vós como um inimigo encarniçado, ide descansar alguns instantes aos pés da cruz. Dizei a Deus: &#8211; <em>Sim, tudo aceito, quero tudo quanto quereis, a tudo me resigno, com tanto que não cesse de Vos amar, nem deixe de permanecer unida a Vós!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Levantar-vos-eis sempre com um sentimento de coragem e uma potência de ação, como não podeis supor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>A segurança do justo</em> – diz São Gregório, o Grande –<em> é justamente comparada à do leão, porque quando sente os ataques dirigidos contra ele, interna-se na inexpugnável fortaleza da sua alma: sabe que será o senhor de todos os seus inimigos, porque ama unicamente aquele, que ninguém pode subtrair-lhe</em>.” (Moral, 1.31, c. 28.)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sede, pois, como o leão, senhoras, tende a sua segurança. Ele tem confiança e não teme: tal é a natureza que Deus lhe deu, e é este caráter de seguridade e de força que Deus imprime aos seus verdadeiros amigos: <em>Justus quasi leo confidens, absque terrore erit.</em> (Prov. XXVIII).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A alma forte pode ainda comparar-se a uma ilha, pobre, nas costas, mas rica, verdejante e imóvel no interior. Sede, senhoras, como a ilha afortunada: no meio das águas amargas que vos rodeiam – e cada uma tem uma boa provisão -; no meio das ondas que solevantam a barquinha da vossa existência, retirai-vos para o interior da vossa ilha, isto é, <strong>para a parte mais secreta do vosso coração</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Tornai-vos num santuário oculto de que fechareis a porta, e não ouvireis o estampido das tempestades</strong>. Repetireis com toda a segurança o cântico do Profeta: &#8211; <em>O Senhor é o fundamento da minha vida, é o meu refúgio e o meu libertador</em>. (Ps. XVII.). <em>É a pedra firme sobre a qual me apoio</em> (Reg. XXII); <em>nunca serei agitado: Non movebor amplius</em>. (Ps. LXI)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A mulher forte</em> – Mons. Landriot</span></p>
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		<title>A MULHER FORTE E A FIRMEZA DE CARÁTER</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Apr 2016 15:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Ela pôs a força como um cinto em volta dos seus rins,e fortaleceu o seu braço:  Accinxit fortitudine lumbos suos, et roboravit brachium suum.&#8221; (Prov. XXXI, 17) O que é a força? Poderia definir-se, a energia da alma, que nos &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-mulher-forte-e-a-firmeza-de-carater/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/04/modes.jpg"><img class="alignleft  wp-image-4206" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/04/modes-200x300.jpg" alt="modes" width="237" height="349" /></a>&#8220;Ela pôs a força como um cinto em volta dos seus rins,e fortaleceu o seu braço:</em> <em> Accinxit fortitudine lumbos suos, et roboravit brachium suum.&#8221;</em> (Prov. XXXI, 17)</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O que é a força?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Poderia definir-se, a energia da alma, que nos faz suportar com serenidade os enfados e os males da vida, que nos dá a coragem de prosseguirmos nos nossos desígnios com inabalável firmeza, e nos conserva com vigor da ação, que os obstáculos humanos não podem deter. “<em>É,</em> diz São Cirilo<em>,</em><em>uma ativa energia que faz com que a alma se ponha em ação com o vigor da mocidade</em>.” (Isai. 1.V)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estas diferentes definições são o comentário destas palavras da Bíblia: <em>Ela pôs a força como um cinto, em volta dos seus rins, e fortaleceu o seu braço.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A <em>força </em>e a <em>firmeza </em>de caráter são virtudes que caminham no meio de dois defeitos contrários, a <em>obstinação</em> e a <em>fraqueza</em>; e há uma nova prova desta importante verdade, sobre a qual, por mais de uma vez, tenho chamado a vossa atenção; a virtude e o vício estão, muitas vezes, separados um do outro apenas pela dose da mistura; tornai conveniente a dose e a virtude existe; tirai mais ou menos á dose e o vício começará.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Escutai São Tomás com a sua clareza e concisão ordinária: “<em>A obstinação consiste no apego mais que necessário ás idéias e aos projetos; a fraqueza não tanto, e a firmeza, segundo o necessário:</em> <em>secundum quod oportet</em>”.(Q. II.).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não encontrareis nunca destas naturezas, de tal modo enfatuadas de si próprias que tudo quanto dizem e pensam deve ser verdadeiro? Tudo quanto sonham se deve realizar? E para as quais o resto vai todo torto?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tanto que uma idéia lhes penetrou no cérebro, de tal modo se instala que não deixa um cantinho para a opinião contrária. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta idéia tem, muitas vezes, os seus lados absurdos: não importa, entrou nessa cabeça, tomou todos os lugares disponíveis e o <em>omnibus</em> vai completo. Viajantes honestos e elegantes, isto é, pensamentos justos, verdadeiros, graciosos se apresentam, mas os bilhetes estão todos vendidos e já ninguém pode entrar.</span><span id="more-4205"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Se acontecer</em> – diz Alberto, o grande – <em>a esses espíritos afirmarem que o dia é noite, não tenteis provar-lhes o contrário porque perdereis completamente o vosso tempo</em>”.(Ética, 1,7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A pertinácia, senhores, é segundo as notas dos moralistas, uma prova de fraqueza de espírito, ou, pelo menos, indica uma paixão não razoável de amor próprio e de vaidade; basta a estes espíritos o terem avançado uma vez ao público para não mais o quererem soltar: e uma vez pronunciadas num sentido e num momento de paixão irrefletida, nada há que os faça recuar, nem mesmo quando sintam o erro da sua persistência. É realmente triste!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a razão e a verdade não conduzem, a maior parte das vezes a inteligência do homem, é a paixão, e, sobretudo, a paixão azeda: e isto é tão verdadeiro quanto podeis fazer passar sucessivamente de uma opinião a outra, certos homens, tomando-se pelo lado em que o vento os lisonjeia. Também nada há mais móvel que os caracteres obstinados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nunca estão mais próximos de uma mudança do que quando protestam apego á sua idéia. Esperai alguns dias, e o novo Proteu, tão inflexível e tão absoluto da véspera, terá variado a sua forma: o essencial é reservar-lhe a satisfação de crer que só ele, e sem alguma influência estranha, operou a metamorfose. Não nos espantemos com estas variações: só a verdade é sólida e estável, e o teimoso não está na verdade, nem tem, tão pouco, a sábia medida dela.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há naturezas colocadas noutro extremo: são os <em>caracteres fracos</em>, que não têm nenhuma consistência. Semelhantes ás esponjas, tomam sucessivamente todas as cores dos líquidos em que as mergulhais. Lançai a esponja numa substância de um negro carregado e ela tornar-se-á negra, passai-a, em seguida, do vermelho ao branco, e ela executará, uma após as outras, as cores mais opostas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis a imagem do temperamento de certas almas! Por fraqueza, pela impotência de resistir, e, outras vezes, por cálculo, adotarão todas as idéias que vos agradarem, dirão sim e não a propósito da mesma questão, como o vento que ora sopra do norte, ora do sul. Seria curioso seguir essas naturezas nos diferentes salões, em que as cambiantes de idéias mais contrárias dominam como soberanas; seria curioso ouvi-las exclamar aqui: &#8211; <em>Eu sou rato, vede os meus pés!</em> E ali: &#8211; <em>Eu sou ave, vê de as minhas asas!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seria ainda curioso ouvi-las na mesma conversação, discreteando pró e concluído contra, segundo tal influência, tal receio, tal reviramento de bordo, ou simplesmente, por fraqueza, esse defeito de formas múltiplas e indefinidas, que faz com que um ser ceda, logo que sente oposição e resistência, e que na fraqueza tem muito de preguiçoso, que acha tudo bem ordenado, com tanto que o deixem dormir.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Entre os caracteres obstinados e as naturezas fracas, marcha a virtude da firmeza, que pertence ás suas idéias, aos seus projetos, ás suas resoluções: &#8211; <em>secundum quod oportet</em>. O caráter firme, uma vez que examinou perante Deus; que consultou os que a Providência lhe deu por conselheiros naturais, que tomou todas as precauções que sugere a prudência cristã, o caráter firme, repetimos, vai direto ao seu fim, e nada o detêm, nem os discursos dos homens, nem as injustiças da opinião, nem a voz das paixões. Como o corcel de Job, adora a guerra a exclama: &#8211;<em>Vamos! Et dixit, vah!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entretanto, a firmeza não exclui a destreza, a ductibilidade da alma, e a disposição para admitir novas idéias que aperfeiçoam as primeiras: pois é tal a fraqueza humana, tal a ignorância da nossa natureza, que os melhores espíritos não devem nunca parar e petrificar-se numa idéia, a ponto de não admitirem outros que não conservem, limitem, estudem e modifiquem as que já possuímos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; “<em>A verdadeira firmeza</em> – diz Fenelon – <em>é doce, humilde e tranqüila. Qualquer firmeza austera, altiva e inquieta é indigna de sustentar as obras de Deus.”</em> (Cartas espirituais. CX)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando a firmeza tem suas condições, quando é serena, quando se possui na paz e sob o olhar de Deus, nunca ela é extrema, nem impele as coisas e os homens; sabe condescender e apiedar-se; é mola de aço finamente temperado: &#8211; tem a consistência e a elasticidade do metal habilmente preparado. É forte, porque se apóia sobre o verdadeiro e o divino; é flexível porque se enche de humildade; inteligente porque desconfia se si própria, e porque volve a decisões que não tivessem sido sabiamente amadurecidas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estou a ver que me apresentais uma objeção séria, dizendo-me: Vós não fazeis mais do que recuar a dificuldade. A obstinação é um defeito, que nos prende ás nossos projetos, mais do que é necessário: a fraqueza cede de um modo despropositado. A força, pelo contrário, é uma qualidade que nos prende aos nossos pensamentos e resoluções como é necessário: &#8211; <em>secundum quod oportet</em>. Mas onde encontrar a medida que São Tomás chama o necessário?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confesso, senhoras, que me julgaria felicíssimo se pudesse fazer-vos conhecer um instrumento, com que pudésseis medir tudo, e que vos servisse de indicador para misturardes convenientemente e adesão firme ao verdadeiro, a sábia desconfiança de vós mesmas, e a disposição de vos deterdes, de avançar, de recuar, segundo a oportunidade das circunstâncias e as regras da verdadeira sabedoria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Existem instrumentos para as misturas perfeitas: tantas colheres de azeite, de vinagre e tantos graeiros de sal. Infelizmente, na ordem moral não os há tão preciosos e tão matemáticos, e esta é a melhor resposta aos espíritos absolutas, que querem, em tudo, uma precisão rigorosa, e decisões, cujos ângulos sejam sempre perfeitamente retos. Ao passo que se avança na vida, tomam-se por suspeitas estas maneiras de conduzir e de talhar as questões.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todavia indiquemos brevemente as precauções que a prudência sugere.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes da adoção de tal ou tal idéia, de terdes seguido este ou aquele partido, refletisteis seriamente? Consultasteis as pessoas nas quais deveis depositar confiança? Não tendes a rijeza que, até na linha do bem, é sempre um defeito? Em vós não degenera a firmeza em uma espécie de fé á vossa infabilidade pessoal, que é nociva ás melhores causas?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabeis volver-vos, ouvindo a linguagem na sabedoria e o testemunho das pessoas graves? Outra questão muito essencial: &#8211; Sois serenas nas vossas apreciações? Como vos bate o pulso? Não estais agitadas? A agitação nem sempre é, sem dúvida, uma prova de que se esteja em falsidade, mas deve, ao menos, fazer refletir: deve levar-nos a esperar, a dormir uma noite, várias noites sobre um projeto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Examinai bem, sobretudo, se a vossa pretendida firmeza não vem do amor próprio irritado, da zanga, do azedume, e isto facilmente se conhece, por não sei que tom sacudido, por não sei que movimentos febris, por um humor em ebulição que procura todas as ocasiões de sair com uma lava incandescente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>A força que se bebe na zanga, na irritação, nunca é senão fraqueza” – diz Madame Swetchine.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é este o vosso caso? Não sentis em todas as vossas faculdades a dureza do metal, a tenacidade do bronze, que não cede, e que se recusa a todas a elasticidade nos movimentos? Se assim é considerai a vossa firmeza, ao menos de suspeita:<em> “Pois-</em> diz Fenelon <em>– a verdadeira firmeza é doce, humilde, tranqüila. Toda a firmeza austera, altiva, inquieta é indigna de sustentar as obras de Deus&#8230; </em><em>Humilhai-vos</em><em> –</em> diz ainda o grande arcebispo<em> –</em><em>mas sem vos amolecerdes</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quer isto dizer que depois de tomadas todas estas precauções, não vos enganareis algumas vezes na aplicação? Ah! minhas senhoras, o erro é a sorte da natureza humana, porque só Deus é infalível. Enganar-vos-eis, sem dúvida, ireis, ora para a direita da fraqueza, ora para a esquerda da obstinação: mas, os vossos erros, não serão, pelo menos, perigosos, porque os não sabereis reconhecer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus, que vos ama, dar-vos-á, na ocasião luzes suficientes para que possais descobrir; uma prudente desconfiança de vós próprias tornará fácil a entrada da luz divina, e tereis bastante firmeza para reagirdes no sentido que a graça vos indicar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas se pode haver engano tomando todas estas precauções, que diremos das naturezas obstinadas que só seguem as suas idéias pessoais, que não crêem senão em si próprias, que de tal modo se ligam a um pensamento, sob pretexto de que é verdadeiro, que, a final, acabam por cair em deploráveis exagerações?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não refletem que, mesmo seguindo uma idéia justa, podem bater no falso porque há no mundo intelectual vários pensamentos que se cruzam, se aperfeiçoam, e porque o exclusivismo é um sistema muito mau, que pode conduzir a abismos, ainda mesmo cavalgando-se um idéia verdadeira.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que pensar dos espiritosinhos, dos pequenos vasos de tal modo penetrados, embebidos no seu próprio licor, que não crêem possível a existência de um vinho melhor e mais generoso do que o que eles encerram? Também nada os pode entrar, porque estão cheios de si próprios e da fé na sua medida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que pensar dos caracteres abruptos, talhados em facetas, que tomam a pertinácia por firmeza, que chamam respeito de si e da sua própria dignidade ás suas ridículas obstinações, e que julgariam desonrar-se, convindo nas suas tolices?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estas espécies de temperamentos semelham-se, na guia dos negócios, aos cavalos indomáveis que uma vez atrelados a uma viatura, se precipitam com violência, não cedendo ao freio, nem á voz do cocheiro, chegando ao fundo da montanha, depois de terem despedaçado tudo, e talvez comprometido à vida das pessoas que cometeram a imprudência de se confiarem deles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As naturezas dispostas assim são uma desgraça para as sociedades e para as famílias. Quebram tudo nos negócios e nos homens, e coisas há que, uma vez partidas, nunca mais se concertam. Afastam os espíritos e os corações; e, muitas vezes, o estado de sofrimento que pesa sobre as famílias e as relações sociais, não tem outra causa mais do que esta desinteligência obstinação das naturezas que nunca sabem ceder.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto ao contrário, não seria a vida mais doce, mais cristã, se os caracteres se parecessem com as molas das viaturas bem feitas? Elas são sólidas, suportam os maiores pesos, mas vergam tão docemente que nem se percebem os abalos causados pelos acidentes da estrada, parecendo antes estar num flácido colchão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É assim que vão os caracteres formados na escola evangélica: são sólidos e resistam a todos os choques; e para melhor resistirem, cedem muitas vezes, e cedem com energia e doçura: &#8211; com energia, porque estão á prova dos maus caminhos, e porque mal cedem voltam a tomar o seu lugar; mas tudo isso se opera com tanta doçura e facilidade, que o viajante pode dormir em paz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Possais vós, senhoras, ser em vossas casas, como estas molas flexíveis e corajosas! Possa a vossa família repousar em vós: marido, filhos e criados!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O vosso papel neste mundo é serem molas dentro de casa; ao menos sede-as sólidas, perfeitamente doces e, sobretudo, sempre oleadas. Deste modo, a criatura caminhará tranqüilamente, com alguns balanços, é certo, porque são inevitáveis neste mundo; mas é neles que se reconhece a perfeição das molas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No momento do abalo vergareis sem ruído, abaixar-vos-eis sem violência; passada a agitação, retomareis o vosso lugar ordinário. Ainda mesmo que vosso marido tenha o humor difícil, há de acabar por admirar o que nem sempre havia compreendido, e num momento de verdade e de expansão, dirá falando de vós: <em>Que excelente mola tenho em minha casa! Que flexibilidade! Que graciosa elasticidade! E, ao mesmo tempo, que hábil solidez,que me cede resistindo e me resiste vergando! Eu era verdadeiramente desarrazoado queixando-me.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se, pelo contrário, quereis ser mola inflexível e imóvel, o abalo chegará infalivelmente, o ferro quebrará e a criatura talvez seja partida; e ainda que, coisa difícil, o caso permaneceu secreto, por pouco que transpire, dareis assunto, e talvez divirtais o público á vossa custa.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Susceptibilidade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de terminar este primeiro entretenimento sobre a firmeza, digamos alguma coisa de um defeito, que lhe é completamente oposto, que perturba a vida inteira, e faz da existência uma grande e perpétua maré, e sempre agitada por violentas nortadas: quero falar da <strong><em>susceptibilidade</em></strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É um assunto que nenhum livro tratou ainda talvez, e sobre o qual tenho de deter-me alguns instantes, porque é um defeito ou uma enfermidade, que, faz, muitas vezes, a desgraça da vida e sem outra causa estranha.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Que é, pois, susceptibilidade?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Torna-se difícil definir o silfo ligeiro, calcular a direção dos ventos do mar, os caprichos da imaginação e os sonhos de uma pessoa que tem febre; mas mais difícil ainda definir a susceptibilidade e calcular-lhe as numerosas metamorfoses.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Susceptibilidade vem duma palavra latina que significa facilidade em receber as impressões.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tendes notado alguns doentes atacados de reumatismo? Pois esses receiam as menores correntes de ar, e, para eles tudo o é; a menor frescura, o menor ruído fere-os e faz-lhes mal. A susceptibilidade é uma espécie de reumatismo na ordem moral: tudo fatiga os doentes desta natureza, tudo os achaca, tudo se transforma numa corrente de ar que lhes produz febre. Se se vai para a direita, magoam-se; se se vai para a esquerda contrariam-se horrivelmente. Os menores atos, as palavras mais inofensivas, tomam para eles proporções espantosas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se conversais inocentemente, é contra eles; se guardais silêncio, é porque estais sombrio e triste ao seu lado; se sorris, tendes o ar zombador; se estais grave, é porque não estais bem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando o vosso espírito, ou naturalmente distraído, ou demasiadamente culpado, parece, numa circunstância indiferentíssima ou sem nenhum cálculo, conservar certa reserva silenciosa, o doente achará que o esqueceis completamente, e que pondes de lado os deveres mais sagrados da afeição: debalde permanece no fundo da vossa alma, a mais verdadeira e sincera dedicação de que, mil vezes, lhe tendes dado provas; nada poderá, talvez, curar a sua injusta prevenção esse cérebro fatigado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que direi eu? É tão impossível contentar as pessoas assim como saber a direção do vento nos equinócios; é necessário que a melhor vontade do mundo se resigne a sofrer as abordagens do seu humor e do seu descontentamento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A susceptibilidade indica uma grande fraqueza de espírito e de caráter, ou uma formidável dose de amor próprio e, algumas vezes até, estes dois defeitos reunidos. As almas fortes não são susceptíveis; têm tempero vigoroso, e não se deixam ferir nem atingir pelos mil nadas, pelos mil graus de pó que formam, por assim dizer, o fundo da vida humana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A alma susceptível é sempre desgraçada, impressionável como a sensitiva, e sempre agitada ao sopro do vento; e apesar de todas as precauções possíveis, a vida é de tal modo feita assim, que, sobre a terra haverá sempre, pelo menos, pequenas correntes de ar na atmosfera das almas, e, muitas vezes, abalos para agitarem esses caracteres vacilantes, que não têm mais consistência do que as folhas da floresta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Às almas que tão facilmente são afetadas pelas menores coisas, poderia eu dirigir uma frase de São Crisóstomo e dizer-lhes:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>“<em>Não é a natureza das coisas, é a fraqueza de vossa alma que vos ocasiona tal pesar: &#8211; Non rerum natura, sed animi imbecillitas hanc tibi maestitiam affert</em>.”</strong> (Epist. Aos Cor.)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não, não é a natureza das coisas, não foi tal pessoa que vos ocasionou tal pesar, porque nem nisso pensou até; essa idéia é que vos penetrou na cabeça e já não quer sair, e só ela é a causa da vossa desventura. Não, não é á vossa amiga dedicadíssima que é necessário acusar; é a vossa cabeça que zumbe, é a vossa imaginação que tem a faculdade de criar fantasmas. </span><br />
<span style="color: #000000;"> Creio que tais fantasmas vos rodeiam realmente, mas no nosso cérebro é que está a magnífica oficina da fabricação deles; o cérebro é que carece de cura. E quando mesmo no espaço andassem voando algumas moscas, quem é que presta atenção ás moscas neste mundo? Há quem procure bater-se com os insetos que volteiam em toda a parte?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Haveria muito que fazer, e no fim de contas seria tempo perdido. Um filósofo pagão, deu-nos, sobre este assunto os mais sábios conselhos:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>A maneira mais nobre de perdoar</em> – diz Sêneca – <em>é ignorar os males de cada um. A credulidade faz muito mal: muitas vezes nem mesmo se deve escutar; pois em certas coisas, mais vale ser enganado do que estar em desconfiança. É necessário banir da alma qualquer suspeita, qualquer conjectura, como fonte de injustas cóleras. Tal indivíduo saudou-me polidamente; um outro abraçou-me com frieza; este interrompeu-me bruscamente uma frase começada; aquele não me convidou para o seu banquete; o rosto de um último pareceu-me pouco risonho. Nunca os pretextos faltarão ás suspeitas: vejamos, porém, mais simplesmente as coisas e julguemo-las com benevolência</em>.” (Da cólera, 1.II, c. 23-24)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fala-nos o mesmo filósofo dum sibarita do seu tempo que se queixou de ter uma arranhadura, por se haver deitado sobre as folhas de rosas dobradas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há nesse mundo um grande número de pessoas ás quais parece que nada falta para a felicidade, e, todavia, a susceptibilidade corta-lha a todos os instantes, e é um obstáculo que se interpõe entre elas e os objetos exteriores. Essas pessoas são um pouco semelhantes ao homem de Sêneca: tudo as fatigaria, e até as folhas de rosa, se nelas se deitassem muitas vezes&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os melros e as outras avezinhas um pouco selvagens, ainda mesmo que eu avance com as intenções mais pacíficas, e até sem pensar nelas, começavam a piar e a fugir de medo, por entre os ramos das árvores; dir-se-ia, em verdade, que me supõem as intenções mais hostis. Mas a causa do seu receio está unicamente na cabeça delas, e o mais seguro seria calarem-se e permanecerem escondidas sob a folhagem, deixando-me passar. Deste modo, eu, nem sequer suspeitaria ali a sua presença e elas estariam perfeitamente protegidas pelo seu silencioso descanso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, não está nisso uma pequena imagem dos carateres susceptíveis?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Passeais tranquilamente pelas áleas da vida, quando de súbito, sem saber porque, nem como, esses caracteres começam a soltar altos gritos: &#8211; dir-se-ia que era intenção vossa declarar-lhes uma guerra encarniçada, quando, com certeza, nem disso concebieis a menor idéia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal ruído não passa da imaginação delas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A suceptibilidade, senhoras, pode vir dos nervos, do temperamento, de uma imaginação doentia. Quantas sensitivas neste mundo!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O melhor conselho que lhes posso dar é o de cortarem em duas partes, e, às vezes, em três, as suas impressões, ou então suprimi-las completamente, porque só assim estarão na verdade. Desejar-lhes-ia ainda uma alma amiga e sinceramente dedicada, na qual tivessem confiança e derramassem a enchente das suas águas amargas, mas sob a condição de lhes permitirem uma inteira franqueza, e de lhe conservarem uma submissão infantil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A susceptiblidade, como a princípio dissemos, também nasce, muitas vezes, do amor próprio, e ainda mesmo  que outras causas existissem, o amor próprio e a vaidade, entram, ordinariamente na mistura, em dose consideráveis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há naturezas por tal forma vaidosas, que lhes parece que todo o mundo devia pensar nelas: é um instinto de amor próprio, é uma idéia desgraçada que as persegue por toda a parte: se são esquecidas um instante todas as benquerenças são postas de lado. Mal de vós se sois tão imprudentes que não lhes ofereceis um grão de incenso, e, muitas vezes, um turibulo inteiro! Mal de vós se vos escapa uma palavra de crítica, mesmo muito benigna, ou se, em tal <em>soirée</em>, vos aconteceu, por involuntária distração, não lhes prodigalizardes o ramo de mentiras que se chamam &#8211; comprimentos!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podeis ter a certeza de atrair uma erupção de malquerenças, de azedumes, ou pelo menos de fazerdes concentrar interiormente uma futura explosão de cólera profunda.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A humildade, senhoras, não é somente uma grande virtude, é ainda uma fonte de nom senso, de paz e felicidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Como se é feliz quando se é humilde!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que profunda paz se não goza, quando se pode prescindir das criaturas, das suas enganosas palavras e mentirosos elogios!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como se é ditoso, quando se sabe, nas ocasiões oportunas, transformar-se num tapete que todo o mundo pode calcar aos pés, sem mesmo o atritar!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A natureza não compreende esta linguagem, e, no entretanto, é a linguagem da fé, da verdadeira razão, e a chave da verdadeira ventura. Quer se queira ou não, é necessário que a gente se resigne a ser, muitas vezes, calcado aos pés neste mundo!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quer se queira ou não, as línguas, as traições, os negrumes, os maus procedimentos farão de nós um tapete, aonde se poderá caminhar com o prazer de um patinador maligno. Pode-se suportar este papel, sem cólera, sem inquietação séria; é perfeitamente conciliável com a dignidade do cristão e a nobreza da resignação, e há uma verdadeira grandeza no levantar-se, no pôr a mão no rosto, e em dizer como o conhecido imperador: &#8211; &#8220;<em>Nem mesmo me sinto ferido!&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A indiferença por uma multidão de coisas externas, é o segredo da ciência do cristão, e a causa principal da serenidade da alma do justo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma palavra somente como conselho, e terminarei. Se viveis com caracteres susceptíveis, tendo por eles uma terna caridade, aliada a uma sábia firmeza. Sede cheias de compaixão, mas não receies, algumas vezes, fazer-lhes tocar o dedo os moínhos de vento que se lhes afiguram guerreiros armados contra eles. Quando um cavalo é medroso, leva-se ao próprio lugar do perifo imaginário, e acaba-se por curá-lo mostrando-lhe o ridículo do seu medo chimerico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas como há coisas que se não curam completamente na terra, tende paciência, tolerai: evitai, tanto quanto possível o que pode causar-lhes agitação. Há pessoas, cuja cabeça é doente, e cujo cérebro não é muito forte, e já Santo Agostinho o havia notado desde muito:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Quanto mais fracos são os espíritos, tanto mais facilmente se ofendem: &#8211; Eo magis offenduntur homines, quo infirmioris sunt</em>.&#8221; (Da doutrina de Cristo, I. II, nº 20.)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A caridade quer que tenhamos piedade destes doentes, e que não os exponhamos abertamente a dificuldades, que, na realidade, apenas são grãos de areia tornando-se, todavia, enormes montanhas á força da imaginação. Não tenho pretensões a que evitaremos todos os atritos, pois isso seria um milagre permanente; peço somente o possível e o razoável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devo ainda dizer-vos que se viverdes com tais caracteres, tende sempre por precaução um manto de <em>caoutchuc</em>: pois tereis necessidade dele no momento das primeiras bategas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Possam, senhoras, estas primeiras noções sobre a força ter-vos esclarecido, e preparado para vós a inteligência desta virtude, que é uma das principais belezas da mulher.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Restam-nos ainda muitas coisas a desenvolver; reservo-as para a nossa próxima reunião, e talvez chegueis a compreender que profunda doutrina e que ensino prático há neste elogio que a Bíblia faz á mulher forte:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Ela pôs a força como um cinto em volta dos seus rins, e fortaleceu o seu braço: </em><em>Accinxit fortitudine lumbos suos, et roboravit brachium suum</em>.&#8221; </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Mulher Forte</em> &#8211; Mons. Landriot</span></p>
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		<title>MULHER FORTE E A VERDADEIRA BELEZA</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2016 19:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Landriot]]></category>

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		<description><![CDATA[Fortitudo et decor indumentum ejus,  et ridebit in die novissimo.  Os suum aperuit sapientiae,  et lex clementiae in lingua ejus. Uma força misturada de graça é o seu vestido,  e ela terá alegria nos seus últimos dias.  Ela abriu a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/mulher-forte-e-a-verdadeira-beleza/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/03/modes.jpg"><img class="alignleft  wp-image-4040" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/03/modes.jpg" alt="modes" width="258" height="345" /></a>Fortitudo et decor indumentum ejus,  </em></span><span style="color: #000000;"><em>et ridebit in die novissimo.  </em></span><span style="color: #000000;"><em>Os suum aperuit sapientiae,  </em></span><span style="color: #000000;"><em>et lex clementiae in lingua ejus.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"> <em>Uma força misturada de graça é o seu vestido,  </em></span><span style="color: #000000;"><em>e ela terá alegria nos seus últimos dias.  </em></span><span style="color: #000000;"><em>Ela abriu a boca a sabedoria  </em></span><span style="color: #000000;"><em>e a lei da clemência está em seus lábios.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"> (Prov. XXXI, 25-26)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Nós temos o hábito de começar os nossos entretenimentos pelo resumo do entretenimento precedente: este método tem  talvez, a dupla vantagem de ligar o conjunto da doutrina e recordar sucessivamente o que se disse da última reunião.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A mulher forte deve ter o talento de enobrecer seu marido pelo doce contato de uma natureza diferente, de lhe tornar flexível o caráter, de comunicar-lhe alguma coisa da estranha penetração, do olfato dos pequenos nadas, que tanta importância têm nas relações sociais. É esta uma das mais nobres e mais esplêndidas missões da mulher, quando a toma a peito dá algumas vezes um grandíssimo valor ao que estaria em estado de vinha inculta. Sobre isto explicamos as palavras da Bíblia: &#8211; &#8220;<em>O marido da mulher forte será ilustre nas assembléias, quando sentado no meio dos senadores da terra</em>&#8220;; e se o lugar do senador está reservado para alguns privilegiados, a mulher forte pode, todavia, praticar num sentido, o conselho do Espírito Santo: Perto dela o marido adquire uma certa distinção que lhe permite sustentar-se, ao menos, com conveniência na assembléia dos velhos e dos prudentes, pois tal é a primitiva etimologia da palavra senador.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O versículo seguinte forneceu-nos ocasião de darmos alguns conselhos práticos as pessoas envolvidas no comércio. Recomendamos-lhes especialmente a probidade e a afabilidade: a probidade que sabe negociar honestamente e que é a mãe de um verdadeiro e sólido sucesso, e o único que devem ambicionar o homem que atrai as práticas e que se torna uma das melhores e mais legítimas condições do bom êxito.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O texto seguinte será o tema da nossa conferência de hoje:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<strong><em>Uma força misturada de graça é o seu vestido, e ela terá alegria nos últimos dias. Ela abriu a boca a sabedoria, e a lei da clemência está em seus lábios</em></strong>.&#8221;</span><span id="more-4034"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Uma força misturada de graça é o seu vestido</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mulher forte tem no ar, no aspecto, na fisionomia e no olhar, uma dignidade cheia de encantos.<strong> Não é uma beleza efeminada, que se dirige principalmente aos sentidos</strong>; é um raio do céu, <strong>cuja beleza exterior não serve senão para cobrir uma nobre e varonil virtude</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Caminha assim, levando aos ombros este manto de glória; e há tanta simplicidade nos seus modos, tanta bondade nas suas palavras e no seu olhar, tanta expressão na sua fisionomia, que a inveja desarma-se: admira-se e ama-se. &#8220;<strong><em>A raiz desta beleza</em></strong> &#8211; diz Santo Ambrósio &#8211;<strong><em> é uma virtude interior, sempre viçosa, cuja flor se projeta em todos os órgãos</em></strong>.&#8221; (De offic., 1.I, c. 45)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vista dessa mulher admirável <strong>eleva os pensamentos em lugar de os abaixar</strong>, e a luz do seu olhar purifica sempre. Quando a gente se encontra, lembra logo a bela máxima de Clemente de Alexandria:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<strong><em>O que olha a beleza com uma casta afeição esquece a beleza da carne pela da alma: só admira o corpo como uma estátua, e eleva-se por essa terrestre, até ao primeiro artista, até a própria essência da beleza. Para ele as formas exteriores são um símbolo sagrado que ele mostra aos anjos guardadores, das avenidas do Céu; é o cunho luminoso da justiça, é o perfume de uma alma perfeitamente harmonizada, é a manifestação dos sentimentos íntimos de um coração, que a presença do Espírito Santo faz estremecer</em></strong><strong><em>.&#8221; (Stromat., I. IV. cap. 13)</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis a verdadeira beleza da mulher forte: é uma água pura que sabe de um <strong>coração virtuoso</strong>, é uma água límpida, em que se reflete <strong>a claridade de um sol interior</strong>, e que parece refrescar o olhar. A sua força é<strong>cercada de graça</strong>, e a graça é protegida pelo baluarte de uma força divina: <em>Fortitudo et decor indumentum ejus</em><em>.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todas estas admiráveis qualidades, cuja base está sempre no interior, podem encontrar-se nas mulheres que não possuem precisamente, o que, por convenção, se chama a beleza física das feições. Há pessoas as quais o mundo confere, ao menos em palavras, um prêmio de beleza, e que, para o observador atento, têm uma expressão de fealdade pronunciadíssima: traem-se-lhes a alma em certas linhas fugitivas, em certas rugas que vão e vêm, produzindo um efeito que a pena não pode descrever, mas que o pensamento agarra na sua rápida passagem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Encontram-se, ao contrário, figuras que certa gente chamaria feias, <strong>e que são admiravelmente belas na expressão e na forma imaterial.</strong> O verdadeiro belo, o que arte da alma, está impresso na fisionomia; está sempre claro, semelhante a um formoso diamante que não estivesse ricamente lapidado, e ao qual a forma externa fornece ocasião para mais cintilar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contemplando-as lembra logo o pensamento de outro Padre, que já por mais de uma vez temos citado:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>&#8220;A virtude brilha como uma flor nos corpos em que habita e reveste-os de uma luz suave e pura.&#8221;</em></strong><em> </em></span><br />
<span style="color: #000000;"> (Clem. Alex, Pedag. I. II, c. 12)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu não tenho receio de entrar em todas estas minuciosidades, a fim de vos fazer compreender, mais e mais, que a religião é um aroma que conserva tudo, mesmo o que a mulher tem de mais frágil e, algumas vezes, de mais perigoso nas suas qualidades. O cristianismo é suficientemente forte para dizer tudo, mesmo sobre as matérias as mais delicadas, é suficientemente forte para tudo preservar, porque é divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Sejam quais forem as vossas qualidades exteriores, andai de modo que elas tenham sempre o reflexo de uma alma grande e virtuosa</strong>. Se Deus vos deu algumas vantagens corporais, <strong>seja a virtude a raiz que as alimente</strong>: terão sempre mais frescura e verdade, semelhantes as árvores cuja profunda raiz bebe a seiva interiormente, e que se estiolam quando ela é a superfície. Se a natureza não fez por vós tudo quanto tendes, talvez, sonhado, <strong>tenha a vossa virtude uma luz mais viva</strong>; <strong>e a flor da alma, como a chamam os santos, brilhará tanto mais nos vossos orgãos, quanto a condecinha flor mais simples</strong>; o ramo de flores tem às vezes um encanto a mais, quando o vaso que o contém não encerra toda a elegância da arte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitas vezes, no mundo decaído há contrastes entre a forma e a riqueza interior, e as coisas são tanto mais sólidas e seguras, quanto menos predomina nelas o elemento natural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Que a força ornada da graça seja, pois, o vosso vestido</strong>:<em> Fortitudo et decor indumentum ejus</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na igreja, no passeio, em um encontro com os amigos, seja a vossa fisionomia o espelho do quanto a gente gosta de supor no coração de uma mulher virtuosa; tenha o vosso sorriso a graça de uma bondade sobrenatural; sejam os vossos olhares a pintura abreviada dos vossos sentimentos; <strong>tenha o vosso porte a dignidade e a simplicidade de uma alma verdadeira; que tudo enfim, imponha respeito, atraindo as almas e elevando os caracteres.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Sagrada Escritura ajunta que &#8220;<em>a mulher forte terá alegria nos seus últimos dias</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um dos mais belos e mais enternecedores espetáculos é o de ver uma mãe de família cercada dos seus filhos, que ela educou no temor de Deus, que ela viu crescer e prosperar em torno dela, como rebentos de oliveiras, sempre verdejantes: <em>Sicut novellae olivarum</em> (Ps. CXXVII, 3.)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Expande-se-lhe o coração e sorri-lhe o rosto; é o sol que vai em breve esconder-se num céu puro, e que, antes de desaparecer no extremo do horizonte, parece deter o seu curso, lançando um olhar de saudade sobre a natureza que vivificou: <em>Et ridebit in die novissimo</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ela recorda com ventura as alegrias da sua mocidade maternal, as bênçãos que o Céu se aprazia em derramar sobre a sua família, e os puros júbilos de seus filhos e de seu marido. Os trabalhos que empreendeu, as penas que sofreu, as dores inseparáveis das felicidades deste mundo, as preocupações e os cuidados do seu amor, tudo se lhe converte em assunto de ventura: é feliz, e goza, como o jardineiro que acha, na recordação dos seus rudes trabalhos e dos seus suores, motivo de consolação, porque recolhe no outono os frutos abundantes dos seus dias de labor e de sofrimento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Ditosa mãe, rejubilai-vos com o bem que praticasteis, rejubilai-vos em Deus, porque essa alegria é um dom do Céu: <em>Hoe donum Dei est</em> (Ecles.I, II).</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que a ventura, a virtude, a prosperidade <strong>da vossa numerosa família</strong> formem em volta de vós uma como coroa de flores, um como tapete de verdura, a fim de ensombrecer-vos os últimos dias e embalsamar-vos de antemão os membros fatigados, antes de descerem ao túmulo, aonde encontrarão o derradeiro repouso:<em>Et ridebit in die novisimo</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É sobretudo na derradeira hora, e sobre o leito fúnebre que o sorriso da mulher forte toma uma expressão angélica. E, como o santo patriarca, é, sem dúvida obrigada a dizer: &#8211; &#8220;<em>A minha peregrinação foi semeada de dias curtos e maus</em>&#8221; (Gen. XLVII), pois tal é a lei de todas as criaturas humanas,<strong> e as lágrimas da dor e do sacrifício são o melhor orvalho para certos crescimentos sobrenaturais da alma.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém depois desta confissão, que a verdade reclama, a mulher forte deve ajuntar: &#8211; <em>Meu Deus, acabei o meu curso, terminei a obra que me confiasteis, e agora volto a Vós, como Autor de toda a paternidade, a fim de Vos amar e de Vos suplicar ainda com mais amor e fervor por aqueles que vão permanecer depois de mim</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O padre responde-lhe: &#8211; <em>Parti, alma cristã, porque o Cristo vai receber-vos nos prados verdejantes do Céu</em>&#8211; <em>Intra paradisi semper amaena virentia</em>. (ritual romano)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A alma levanta-se com estas palavras, toma vôo, e depois de partida, fica sobre os lábios, nos olhos, e na fronte uma expressão de sorriso angélico, que é como o último adeus da alma, e que parece ficar para falar ainda da sua ventura: <em>Et ridebit in die novissimo</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ponhamos em paralelo um outro quadro: esbocemo-lo brevemente, para que não vos entristeçais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vede essa mulher do mundo, que nunca tomou a vida a sério. Passou a juventude nos prazeres, nas festas e no meio dos divertimentos da terra. <strong>Descurou a sua casa, não soube fixar o coração de seu marido, pelas sólidas qualidades, que são a melhor salvaguarda da afeição duradoura</strong>. <strong>Abandonou a educação dos filhos, entregou-os às primeiras mãos que encontrou, e não vigiou o seu lar; pouco e pouco a desordem introduziu-se nele sob todas a formas, as ilusões dissiparam-se, a idade avançou, as sombras sedutoras desapareceram, e começou o reino das mais amargas decepções</strong>. Acabou por sentar-se na vida como um velho tronco mirrado; olhou em roda e tudo desapareceu, exceto o fantasma das suas tristes recordações; sepultou-se-lhe o coração e agora só tem lágrimas solitárias para derramar&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pobre alma tão desgraçada! Deixai que eu vá em vosso socorro e vos diga que nem tudo está perdido para vós, se quiserdes seguir o meu afetuoso conselho. Soa a hora de vos voltardes para Deus, pois Deus é tão bondoso que nunca acha tarde. Suplicai-Lhe com amor e arrependimento, e Ele descerá para derramar sobre vós o orvalho que prepara sempre para os corações aflitos; tomareis o vosso coração com as raízes quase secas, mergulha-lo-eis no banho celeste, e ele rejuvenecerá ainda. Todos os dias o retemperareis com lágrimas de compunção e de esperança, e essas lágrimas misturadas ao rossio do alto, dar-vos-ão uma existência nova, e direis a Deus com o acento de um amor penetrado de reconhecimento:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O velho tronco não perdeu toda a esperança&#8230; as suas raízes envelheceram na terra, e a sua haste parecia morta ao pó, mas ele reverdeceu ao primeiro contato de água, e cobre-se de folhagem, como no dia em que foi plantado pela primeira vez: <em>Ad odorem aquae germinabit, et faciet comam quasi cum primum plantatum est</em>. (Job. XIV, 9)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Ela abriu a sua boca a sabedoria e a lei da clemência está em seus lábios.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A reserva e o silêncio são uma das primeiras qualidades da mulher forte</strong>, e tanto mais, quanto a mulher está mais exposta a faltar a ela. Há alguns anos que consagramos três instruções aos defeitos da língua e eu não quero tratar isso agora minuciosamente. Diremos algumas palavras apenas, para explicação da sentença do sábio: &#8211; &#8220;<strong><em>Abriu a sua boca a sabedoria</em></strong>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quantas pessoas que abrem todos os dias a boca a tolice, a cólera, a vingança, a calúnia e ao vício da impureza!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pois haja ao menos, aqui e ali, <strong>algumas mulheres verdadeiramente cristãs</strong>, que tenham confiado a sabedoria a chave da sua boca. Sabedoria na natureza das palavras, nada dizendo de inconveniente, nada de indigno, para uma alma religiosa, respeitando a autoridade, as crenças, a moral e as decências da sociedade. Sabedoria na parcimônia do discurso: meditai antes de falar, e não solteis o vosso pensamento com a precipitação da leviandade: algumas palavras pronunciadas com senso e sobriedade farão mais efeito que a interminável conversação dos espíritos superficiais, que dizem tudo, porque ignoram tudo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Poucas palavras e muitas ações boas, eis o meio de fazer bem, e de adquirir a reputação dos espíritos sábios e retos que sabem conter-se em justos limites. Sabedoria na oportunidade dos tempos e das circunstâncias! Tal palavra será inofensiva hoje, e amanhã será óleo sobre o lume. A conversação empenha-se em tal assunto, provoca-se o vosso parecer, e vós o dais com toda a prudência e franqueza: a vossa resposta será de um excelente efeito. Se, ao contrário provocais a conversação, se tendes ar de pôr e de querer estabelecer sentenças, fatigais o auditório e pondê-lo de prevenção contra vós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Há, com relação a isto, uma infinidade de cambiantes imperceptíveis, que é necessário saber apanhar e compreender: é preciso tato, reserva e reflexão.; tato para adivinhar a direção do vento; reserva para melhor estudar, reflexão para a seguir convenientemente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Sabedoria na oportunidade da escolha das pessoas: estais num pequeno círculo de pessoas amigas e seguras: quantas coisas podereis dizer inocentíssimamente, e que chegariam o lume a pólvora se as proferísseis perante outras pessoas!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Por que?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Porque as que nos escutam hoje são caracteres firmes e bem intencionados; compreendem o verdadeiro sentido das vossas palavras, o limite em que se fixa o vosso pensamento, e param sempre perante as exagerações, que é fácil prestar a uma idéia muitíssimo justa em si. Mas se essas palavras que saem do coração numa conversa íntima e sem serem alinhadas com o compasso geométrico, forem proferidas diante de pessoas desconfiadas, mal dispostas, e pouco inteligentes; diante de espíritos fracos, de almas mesquinhas e naturalmente malévolas, sabeis o que acontecerá?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Será dado a vossa conversa um sentido que exclui precisamente o vosso pensamento; apresentar-se-á como expressão da vossa idéia quanto havíeis repelido formalmente, porque tínheis recomendado que não vos invertessem as palavras e que as sustentassem nos limites, além dos quais sairiam necessariamente da verdade e da razão; envenenar-se-á a sincera candura da vossa alma; alguma viborazinha que deslize para junto de vós sem que a vejais, preparará o dardo que vos há de ferir; lançará o veneno nos vossos melhores pensamentos, nos vossos inofensivos projetos: e bem depressa recebereis pela posta do público uma segunda edição de vós próprias, não aperfeiçoada, mas malissimamente aumentada, falsificada, invertida. E não tereis quase que o direito de vos queixardes!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Porque tendes deixado cair a luz íntima da vossa vida, sobre os vidros raiados, contornados, facetados, que se chamam espíritos falsos e corações malévolos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Não vos admireis se o objeto da vossa idéia, e a forma das vossas palavras, forem representadas inversamente, e segundo a natureza dos espíritos que vos ouviram.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Eu peço-vos, senhoras, que antes de abrirdes a boca, chegueis a porta a ver se é a sabedoria que bate; se for, nada de melhor, abri de pronto, abri-a de par em par. Falai com toda a confiança e Deus abençoará o que sair do vosso coração. <strong>Mas tomai cuidado: há interiormente vozes de &#8220;sereias&#8221;, que pedem emprestadas a linguagem e a voz da sabedoria</strong>. Essas &#8220;sereias&#8221; são numerosas e de formas múltiplas: chama-se a intemperança da língua, a necessidade de sair da sua casa, isto é, do seu coração, a vingança, a cólera, o furor de maldizer e caluniar, o prurido desse órgão que o Apóstolo chama o <em>mal inquieto</em> .</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Velai, senhoras, com o maior cuidado: detende-vos antes de falar, refleti, em na dúvida, guardai silêncio, estas preocupações são tanto mais necessárias, quanto, no meio de eminentes qualidades, o vosso sexo é mais fraco por este lado, a darmos crédito aos moralistas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Eis o retrato, que a propósito deste versículo, traça um dos comentadores da Sagrada Escritura:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> <strong>&#8220;Há mulheres, que são ociosas e curiosas, e que falam continuamente: nem sempre têm a cabeça sólida, e agitam-se aos ventos de todas as paixões. Assim, dizem muitas imprudências, maldades, e, às vezes, até insolências: &#8211; <em>Multa imprudenter, dicuciter et procaciter effetiunt et vociferantur</em>&#8220;.</strong> </span><br />
<span style="color: #000000;"> (Cornelius a Lapide, in Prov. XXXI)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Cito esta passagem muito convencido de que não se aplica a nenhuma de vós; mas algumas vezes é bom explicar a moral pelo exposto dos extremos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Por fim a Escritura diz que <em>&#8220;a lei de clemência está em seus lábios.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Que admirável sentença! Os lábio da mulher forte são depositários da lei da clemência: <em>Lex clementiae in lingua ejus.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Ao homem a força, a coragem e uma certa autoridade no interior da família. Não digo mal desta austeridade, <strong>porque é necessária, e, sem ela, dissolver-se-ia a família num excesso de mole bondade; mas apesar de tudo não é ela suficiente, tem o seu complemento no coração e nos lábios da mulher</strong>. Quando o marido faz ouvir a sua voz cheia de autoridade, que lança em tudo o movimento e a vida, chega a mulher, e, <strong>como óleo de suavidade, desliza através das engrenagens, adoça os atritos e facilita a execução</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Se o pai mostra aos filhos a firmeza, que é a garantia do êxito, a mulher lá está para vigiar os movimentos muito bruscos, para os acalmar, para lhes dar flexibilidade, sem nada subtrair à sua atividade; a uma palavra enérgica e paternal, junta ela um conselho de mãe; uma frase do seu coração, um olhar afetuoso; <strong>e esta sábia combinação de esforços contrários faz com que tudo vá bem na família.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> O sábio disse nalguma parte, e já o citamos, que, nas obras de Deus, há tendências e energias opostas. Este pensamento que bem explica contradições exteriores, aplico-o à família.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Existem, devem existir no marido e na esposa aptidões diversas, operações variadas, que convergem ao mesmo fim, por caminhos aparentemente opostos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Desgraçadamente os consortes nem sempre compreendem suficientemente esta doutrina: a mulher censura a severidade ao marido, e este, por sua vez fala da fraqueza da mulher, e estas palavras são trocadas por um e outro como censuras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Em lugar da mutuação de recriminações, não valeria mais unir a bondade da mulher à firmeza do homem?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Nesta união encontrariam precisamente o que procuram ambos&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Que o homem conserve nos lábios uma lei de firmeza, e a mulher uma lei de clemência, e estes dois elementos fundidos por uma afeição reciprocamente, farão  a felicidade e assegurarão o futuro da família.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Poder-se-ia ainda dar um outro sentido as palavras:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">  &#8220;<em>A lei de clemência está em seus lábios: &#8211; Lex clementia in ore ejus</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> <em>&#8220;A mulher forte</em> &#8211; diz o comentador já citado, <strong>não é impertinente, mordente nem berradora; é doce, suave, modesta e benévola: &#8211; <em>Non est aspera, morosa, clamorosa, iracunda, sed levis, blanda, modesta, suavis ut non nisi clementia et benevola proferat</em>.&#8221;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> <strong>Que tristíssima coisa não é a malevolência! E todavia, como é vulgar!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Como é rara a benevolência! E no entretanto, que doce e preciosíssima qualidade da alma! Pois não só é excelente, mas até mais ordinariamente conforme com a verdade!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> <strong>Quantas línguas de víboras neste mundo!</strong></span><br />
<span style="color: #000000;"> <strong>Quantas invejas a morderem e a rasgarem!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Essas, posso jurá-lo, não têm a lei da clemência sobre os lábios, mas a lei da malvadez, da perfídia e da mais negra invenção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> <strong>Quanto a vós, senhoras, conservai-vos sempre no número das mulheres fortes</strong>, tais como as quer o Espírito Santo: elaborai para vós uma lei da benevolência, da caridade, e da clemência nas imprecações, e da benignidade nas palavras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Como sereis mais felizes e mais tranquilas convosco!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Quando a víbora humana entrar nos seus subterrâneos, sofre cruelmente, e a recordação do veneno que derramou não lhe permitirá dormir; mas a vida feliz e serena, <strong>os sonos pacíficos são a partilha das almas cristãs</strong>, que respeitam as pessoas e as ações de seus irmãos, que espalham palavras serenas em volta de si, e que, mesmo sobre abismos, mais gostam de lançar flores do que atirar pedras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Seguindo estas máximas atraíreis a benevolência geral, o vosso bondoso coração será conhecido, e todos confiarão nele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> &#8220;<strong><em>A vossa memória será um excelente preparador; deixareis uma recordação, doce como mel, e harmoniosa como um concerto musical, num banquete de vinhos deliciosos</em></strong>.&#8221; (Ps. LI)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Se, ao contrário, rasgardes os outros, em breve tereis feito uma reputação má. Cada um dirá, depois de vos ter ouvido falar do próximo: &#8211; Que afiada navalha, que serra não é esta língua!<strong> <em>Sicut novacula acuta!</em></strong>(Isai. XXVIII)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Como corta em toda a gente!</span><br />
<span style="color: #000000;"> Provavelmente a minha hora soará em breve, e eu passarei também  pelos dentes da serra: <strong><em>In</em></strong><em> <strong>serris triturabitur</strong></em> (Eccl. XLIX).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Quando uma pessoa é assim conhecida e apreciada, far-se-lhe-á talvez boa cara pela frente, porque se receia dela; mas apenas voltar as costas. a recompensa é certa, e encontram-se também instrumentos para a retalhar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> É a pena de Talião: &#8211; <em>Olho por olho, dente por dente</em> (Lev. XXIV): os homens podem ser injustos, e o são, muitas vezes, aplicando a lei, mas outras tantas se serve a Providência da maldade deles para cumprir a obra da Sua alta e omnipotente justiça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Então o culpado experimenta por sua vez a triste verdade das palavras de São Crisóstomo:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> <strong><em>&#8220;Nada há pior que a língua , pois é mais perigosa que os embustes e mais cruel que a espada&#8221;.</em></strong> (Job, c.5)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Neste caso, senhoras, a lei da clemência em vossos lábios e nas vossas palavras! Se a grande carta da benevolência fosse adotada por todos, quanta alegria nas sociedades! Quanta sinceridade nas relações!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Juntai-lhe a lei da sabedoria, que a Sagrada Escritura recomenda também a mulher forte, e então merecereis completamente o elogio do Espírito Santo:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> <strong><em>&#8220;Ela abriu a boca a sabedoria, e a lei da clemência está em seus lábios: &#8211; Os suum aperuit sapientiae, et lex clementiae in lingua ejus.&#8221;</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A Mulher Forte &#8211; Mons. Landriot</em></span></p>
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		<title>NA TEMPESTADE DO MUNDO &#8211; A MULHER FORTE</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2016 16:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
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		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Landriot]]></category>

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		<description><![CDATA[Facta est quasi navis institoris, de longe portans panem suum. (Prov. XXXI, 14) Ela converte-se n&#8217;um como navio d&#8217;um mercador, que traz de longe as suas riquezas  Senhoras, A mulher deve vigiar o interior de sua casa; está nisto um dos &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/na-tempestade-do-mundo-a-mulher-forte/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/03/temp.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3736" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/03/temp-300x225.jpg" alt="temp" width="300" height="225" /></a>Facta est quasi navis institoris,</em> <em>de longe portans panem suum.</em> <em>(Prov. XXXI, 14)</em></span><br />
<span style="color: #000000;"> <em>Ela converte-se n&#8217;um como navio d&#8217;um mercador,</em> <em>que traz de longe as suas riquezas </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Senhoras,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mulher deve vigiar o interior de sua casa; está nisto um dos princípios dos seus deveres. Não se humilha nunca descendo às minudencias do lar, porque é um modo de descer que em nada compromete a dignidade, a autoridade e o caráter. Nós vemos todos os dias a luz do sol, que, sem nada perder do seu brilho e da sua esplendida majestade, a toda parte chega, iluminando os planos mais inferiores. O trabalho manual, qualquer que seja a sua forma, quer se fie a lã ou o linho, quer se tome o fuso ou a agulha, quer se vigie a cozinha ou a preparação dos vestidos, o trabalho manual é um dos maiores e mais úteis recursos na vida das mulheres. Ora um dos cancros da nossa época é vê-lo abandonado, ou, pelo menos, raramente praticado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quer isto dizer que o trabalho intelectual deve ser abandonado e que o papel da mulher tem de limitar-se à vigilância da cozinha e ao fabrico de rendas?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cremos ter estabelecido o contrário, indicando-vos a linha do centro entre todos os extremos. Sem querer fazer de vós mulheres sábias, o que seria um papel ridículo e comprometedor sob diversos pontos de vista; sem querer obrigar todas as mulheres a estudarem, o que, muitas vezes, seria impossível, pareceu-nos que para várias, que para algumas e em diferentes graus de iniciação, o estudo é uma coisa muito útil, e fácil nos foi confirmar estes princípios por autoridades consideráveis, e em particular, pelo exemplo da mãe de santo Agostinho. Continuemos a explicação do livro dos Provérbios, seguindo sempre a ordem dos versículos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Ela converte-se n’um como navio d’um mercador, que traz de longe as suas riquezas</em>”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Um navio a mulher!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta idéia da Escritura parece-me tão bela e tão fecunda em bosquejos cheios de graça e de verdade, que vos solicito permissão para nela me deter, e, até, para a ela consagrar inteiramente esta conferência. Devo dizer-vos que este entretenimento é absolutamente rochelez, porque o compus com as minhas recordações dos passeios à beira-mar.</span><span id="more-3735"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vede aquele navio habilmente construído; é gracioso e solido, e quando se lança sobre as vagas, munido de todas as velas, elegante e donairoso, é um dos ornamentos do oceano. De longe poderia ser tomado por uma ave gigantesca, que, com as asas abertas, adejasse sobre a superfície líquida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Construção do Navio</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não basta que o navio seja gracioso; é necessário que seja solidamente construído para que se não desconjunte na primeira agitação, nem sossobre com a primeira rajada de vento. Mas escolheu-se a madeira para o construir; trabalharam-se com minucioso cuidado os materiais que se juntaram com toda a arte. Algumas vezes, quando a embarcação é de grande lote e tem de afrontar o mar largo, forra-se de cobre, para que possa resistir a todos os choques, e para que o ferro, depois de ter sofrido uma preparação elétrica, se não oxide ao contato da água.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Maravilhosa imagem da mulher forte!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ela é graciosa como um navio bem construído: a sua palavra, os gestos, os modos, tudo tem a beleza e a elegância da embarcação. Ela é o ornamento da família e da sociedade; nas reuniões de pessoas gradas apresenta-se como as yoles que se admiram no nosso porto, cuja história e origem se desejam conhecer. Ela é a aplicação viva da letra da Bíblia:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A mulher graciosa encontrará a glória: Mulier gratiosa inveniet gloriam (Prov. XI, 16)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a graça seria inútil, tornar-se-ia, até, perigosa, se não fosse acompanhada; assim a mulher forte é sólida como navio, o seu temperamento cristão é vigoroso, e ela pode resistir aos grandes mares, afrontar as vagas não respeitosas e continuar a sua derrota pelo meio delas; é forrada e cavilhada de cobre, isto é, de virtudes sérias, à prova do choque das paixões. Gosta de permanecer na onda salgada entre os perigos as vida, porque se conserva intacta, fazendo respeitar o pavilhão de sua família.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Velas do Navio</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O navio tem numerosas velas, de todas as grandezas, de todas as formas e em todas as posições; tem-nas para qualquer direção do vento; desfranda-as com engenhosa arte e segundo as circunstâncias, e ora são todas soltas, perfeitamente pandas, apresentando um formoso quadro aos olhos do espectador, ora parecem reservar-se produzindo-se somente em uma ordem, e conforme uma escolha determinada. Quando os ventos são contrários, a embarcação, inteligente, aproveita-os ainda no seu fim, manobra habilmente, parece desviar-se da sua derrota e corre por diferentes abordagens, forçando o vento espantado a tornar-se-lhe favorável. Em tempo seco, quando a calmaria no mar apresenta a imagem da imobilidade, a embarcação utiliza-se de um recurso que a ciência lhe põe à disposição; ascende as caldeiras, e agita-se um movimento desconhecido, e o mar é obrigado, no meio da sua surpresa, a abrir-lhe uma larga e rápida esteira.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> A mulher forte também tem velas no espírito e no coração; possui uma multidão de recursos, que combinados com toda a honra, retidão e probilidade, servem para a conduzir na direção sempre difícil dos negócios do mundo. Quando o vento é favorável navega com todas as velas, e deixa que o sopro da prosperidade a conduza ao porto suspirado, mas como sábio piloto põe os olhos no vento e não confia na fixidez das coisas deste mundo, como o marítimo na constância do oceano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tanto que ela percebe uma modificação nos homens ou nas coisas, varia as suas combinações com a retidão de uma alma prudente, dispõe os meios para as conseqüências e arria as velas que seriam inúteis a até perigosas. Se o vento se torna absolutamente contrário, a mulher forte muda logo de orientação, dá outra posição ao barco, põe inteira confiança na vigorosa construção dele, tem a certeza da contextura sólida das velas, e, todavia, não é tão temerária que lute, face a face, com a tempestade. Adota uma posição média, em que se tomam as abordagens, em que se força o vento a cair obliquamente sobre as velas com ímpetos moderados, com força demasiado fraca para poder virar o navio, mas bastante poderosa para lhe poder dar um impulso, e fazê-lo ir precisamente aonde o vento não quereria &#8230; Depois, se o vento cessa rapidamente e a derrota da embarcação é ameaçada de outro contratempo – a calmaria – a mulher forte recorre ao vapor, a energia da sua alma, ao vigor de uma caráter rijamente temperado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Quero dizer que a mulher com a finura do seu espírito, com a ductilidade do seu caráter, a flexibilidade da sua natureza, a perspicacidade da sua inteligência e a faculdade adivinhadora do seu coração, pode, quando põe todos os recursos á disposição da sabedoria e da virtude, livrar-se de todos os perigos, de todas as situações difíceis, e forçar, pouco e pouco, todos os elementos contrários a prestarem-lhe justiça e a auxiliá-la na sua viagem. </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Mas para conseguimento disto, senhoras, é necessário que pertençais a classe das mulheres fortes, na calmaria, e possuir-vos do vigor moral; é preciso que haja alguma coisa de viril no vosso caráter. A mulher perde demasiadas vezes o equilíbrio no meio da tempestade, e cai desfalecida; ou agita-se ela própria, e altera-se algumas vezes, mais tempestuosamente ainda que o mar. Em tais violências ou prostrações o navio sofre sempre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não nos cansamos em contemplar a graciosa embarcação. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tem ela uma qualidade muito preciosa e muito rara, qual é a de se bambolear sobre as vagas, a de ter uma força de elasticidade com a qual as segue: sobe com elas, com elas desce, e, todavia, prossegue na derrota. Ela gosta mais deste modo de avançar do que da luta, prefere a agilidade dos movimentos á violência que se precipitaria de contínuo, procurando cortar bruscamente as ondas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu recomendo-vos, senhoras, &#8211; esta ciência do equilíbrio sobre as vagas, porque é a melhor das táticas, em muitas circunstâncias. Sim, o melhor, o mais seguro, o mais perfeito, é, muitas vezes, deixar as ondas no seu vai e vem, deixá-las bater o navio em todos os sentidos, e exclamar tranquilamente como o Profeta:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Meu Deus! É a vossa providência quem governa e abre a senda no meio dos mares, quem prepara uma via segura por sobre as ondas; mostrais assim que podeis salvar a gente de todos os perigos, ainda mesmo quando se embarca sem conhecimentos náuticos: Etiamsi sine arte aliquis adeat maré.&#8221;</em> (Sabedoria XIV, 3-4)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois desta oração do marítimo, o melhor, muitas vezes, é não fazer coisa alguma e esperar, seguir o movimento das vagas e não procurar mesmo contrariá-las. É preciso, sim, conservar com cuidado a destreza e imponderância que nos colocam sempre á superfície das vagas; é preciso nada perdermos dos nossos hábitos e das nossas convicções verdadeiras, e flutuarmos á mercê de Deus, esperando dias melhores. Nada aplaca tanto as ondas como este procedimento, pois elas acabam por compreender que nada ganham atacando certos navios, e resignando-se a sorte de não serem escusadas, acalmam-se muito mais facilmente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma piedade séria e profunda, enraizada na alma poderá dar-vos a destreza e a energia que luta tanto mais, quanto mais parece ceder. O que sobre este assunto parece tão simples, tão natural, tão necessário, é extremamente difícil. Custa muito ao amor próprio chegar lá; são necessários sacrifícios a todos os instantes, sacrifícios de idéias e de afetos; são necessárias imolações constantes, pois a vaidade julga-se ferida, atacado o caráter, e todas as susceptibilidades despertam ao mesmo tempo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não, a natureza abandonada a si própria nunca produzirá tais efeitos, com quanto pareçam tão simples, tão fáceis, tão indispensáveis á felicidade; quando muito compreender-lhe-á beleza ideal; mas o amor próprio terá as suas revoltas e tornar-se-á mau conselheiro, não quererá ceder, gostará mais de resistir e sofrer as conseqüências deploráveis da sua pertinácia. A verdadeira piedade, destacando-nos do humano, levantando-nos da terra e elevando-nos o caráter, predispõe-nos naturalmente para o estado vigoroso e forte do equilíbrio, em que a prudência é o nosso lastro, e em que os movimentos impetuosos do nosso amor próprio são contidos por uma sabedoria superior.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> &#8211; Ancoras do Navio</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O navio tem ainda outro recurso: se o tempo está mau, lança ancora, que é um grosso instrumento de ferro, recurvo para dois lados, em uma extremidade, e que anda suspenso nos flancos da embarcação. Em mares alterosos e perigos na derrota, arria-se a ancora. Esta massa desce ao mar, e, pelo peso, fixa o navio, convertendo-se em uma espécie de fundamento sólido, no meio dos abismos.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> A alma deve ter também uma ancora, ou várias ancoras suspensas nos seus lares, para que, quando a tempestade estale, as lance nas profundidades do Ser divino, permanecendo imóvel, esperando a bonança.</span><br />
<span style="color: #000000;"> A ancoras da alma são de várias espécies, e sob este nome compreendo tudo quanto pode sustentar-nos e ficar-nos: &#8211; princípios sólidos e vigorosamente estabelecidos, uma grande firmeza de caráter, amizades sérias e cheias de confiança, e, sobretudo, uma crença inabalável em Deus, uma energia de fé capaz de transtornar as montanhas. Tais são as verdadeiras ancoras para a alma, e nunca a corrente que as suspende se quebra quando é fabricada no céu. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu suplico-vos, senhoras, para que, no meio das dificuldades da vida de família, no meio das alterosas vagas, que chegam subitamente e agitam o navio humano em todos os sentidos, peço-vos para que sigais o meu conselho: lançai ancora e permanecei assim!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E que fazer depois? – me perguntais vós. Nada mais que sustentá-la e orar. Não é isto o que faz o nauta em pleno mar?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Bússola do Navio</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todo o navio tem uma bússola. Com este pequeno instrumento o marítimo sabe onde está e as regiões a que se dirige, e pela agulha magnetizada conhece a situação da derrota do baixel. Os astros podiam bastar-lhe em muitas circunstâncias, e a estrela polar é a melhor indicação para a direção ao norte, mas as nuvens cobrem muitas vezes o céu, e a cintilação das estrelas está oculta. Neste caso a bússola é indispensável, porque substitui a luz das alturas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Pois na vida ainda é necessário ter uma bússola, um indicador celeste para se não andar caminho errado. A maior desgraça de muitas mulheres é não a terem tido em muitas circunstâncias da sua vida, e, sobretudo, na sua mocidade. Um dia estalou a tempestade e as trevas condensaram-se, e não sabendo aonde se dirigiam despedaçaram-se de encontro a uns escolhos. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A melhor bússola da mulher será uma piedade esclarecida, e tão doce como firme; a luz da fé deve sempre iluminar-lhe a derrota, e no interior da alma deve ter uma prudência cheia de sabedoria, um instinto celeste, uma consciência reta que sirva para a dirigir na marcha e para lhe indicar a verdadeira posição dos objetos. Com estas precauções, senhoras, não flutuareis á mercê de qualquer vento de doutrina, e sabereis que há derrotas que a mulher cristã não deve seguir, e que há certos escolhos que devem ser evitados se não quer naufragar. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A bússola pode ainda estender-se de outro modo: &#8211; há imaginações que a não têm, ou que as têm desorientada, e, neste caso, colocam o norte ao sul, o oriente ao ocidente, e não poucas vezes vêem os objetos invertidos. Perdem, de contínuo, o norte, para me servir de uma expressão marítima: nada tem de fixo, nada certo, ou antes, tem uma mobilidade perpétua, um reviramento de bordo, tão freqüente como inopinado, de modo que delas se pode dizer que só logram constância na inconstância.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Que conselho a dar-lhes, uma vez que a religião os deve ter para todas as situações da vida e para todas as formas de caráter? Ser-lhe-á especialmente útil a prática da humildade; e uma profunda desconfiança de si próprias e das suas apreciações, uma sábia lentidão nos seus movimentos e resoluções servirão para prevenir numerosos perigos e impedir passos em falso. Eu aconselho-as, além disto, a fazerem-se rebocar por outra embarcação, munida de bússola e governada por um hábil piloto, a deixarem-se dirigir e conduzir por pessoas sábias e dedicadas, e a não fazerem coisa alguma sem prévio conselho. Deste modo suprirão, quanto é possível, a impotência natural, e sem esta indispensável precaução, o número dos seus naufrágios será incalculável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Continuemos, pois, na análise do nosso navio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Mastro do Navio</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como se chama as árvores limpas de córtex, despidas de ramos e de folhas que se elevam no meio dele? Três principais conto eu: servem de ponto de apoio ao cordame, ás vergas e a todo o aparelho da embarcação. Quando o barco tem os mastros partidos perde a força, luta mais dificilmente e está próximo da sua ruína.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Do mesmo modo é necessário que a alma tenha pensamentos fortes, princípios sólidos que sejam uma como armação da vida moral, e não aplico este conselho somente em matérias religiosas, mas ainda em tudo quando pode interessar a vida humana, nos negócios temporais, e nas regras de conduta nas relações com os homens e as coisas. Em tudo são necessários princípios, não princípios sistemáticos, porque o sistema é um perigo e uma causa de continuas imprudências, de faltas mais ou menos graves; são necessários princípios, que, sem saírem da linha da verdade, tenham bastante elasticidade para se prestarem a todas as exigências da sabedoria e da caridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eles convertem-se em pontos de apoio da existência, e mastros do navio humano; em volta deles grupam-se e ligam-se as idéias da alma, o conjunto dos seus projetos e resoluções, e os cabos e cordas variadas que compõem a rede da vida. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desditosa a alma que não tem mastreação!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porque não terá resistência nem poderá lutar no meio das contradições e das correntes opostas, e porque terá um movimento irregular e desordenado como o de uma embarcação que navega á mercê de todos os ventos contrários.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Leme do Navio</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não basta ainda a mastreação, é necessário também um leme, &#8211; pequena peça de madeira meio oculta na água. O piloto, sem que isto se perceba, comunica-lhe um movimento que varia constantemente nos lugares difíceis, e a mobilidade do leme é a verdadeira força que conduz o barco, que lhe dá um impulso que pode variar a cada instante, e que lhe inclina a marcha em sentidos postos. O navio dirigido, assim, por mão hábil e inteligente, transpõe todos os escolhos, vence todas as dificuldades. – A alma também deve ter o seu leme, isto é, um espírito de sabedoria, largo e esclarecido, que em um olhar abrace o horizonte, descubra as dificuldades da travessia e comunique á derrota a linha reta; que sem sair das vias da verdade e da justiça, possa desviar, segundo as circunstâncias, obliquar tanto para bombordo como para estibordo, e fazer da existência uma linha quebrada, composta de linhas retas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Será isto bastante para a condução do navio?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Conhecimento dos mares</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não, senhoras; a embarcação mais sólida, melhor equipada, mais provida de velas, com excelente mastreação e leme habilmente manobrado, poderia sossobrar depois de algumas horas ou de alguns dias de viagem. É necessário que o piloto conheça perfeitamente o estado dos mares e das costas, a profundidade da água, a posição dos escolhos, dos bancos de areia, o sopro dos ventos e da direção das correntes; é necessário que tenha, mas bem a fundo, o conjunto de conhecimentos que constituem a ciência náutica. Além disto uma carta minuciosa aonde tudo se ache consignado, para que saiba que em tal lugar encontrará uma costa perigosa, um cabo aonde o mar é furioso, um recife aonde facilmente iria abalroar, um baixio que lhe faria encalhar a embarcação e uma corrente que a sepultaria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vós deveis ter também, senhoras, uma carta do mar, mais que todos, difícil e tempestuoso, o mar da vida. Eu me explico: conheceis, tanto quanto possível, o forte e o fraco do que vos cerca; não vos apoieis em certas praias, porque ireis de encontro a grandes rochedos, e desconfiai do desfiladeiro de homem ou das coisas, onde sois obrigadas a passar. Em tal lugar há correntes pérfidas, e, tanto mais, quanto menos se anunciam á superfície. Mais longe está um banco de areia. – O que é um banco de areia? – perguntais vós. É o homem, é a mulher, é o caráter com o qual contáveis, talvez. Não vos apoieis nele, peço-vos; é um banco de areia sem solidez, o vosso baixel encalharia nele, e, uma vez encalhado, seria, talvez, difícil retirá-lo.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Há naturezas de que não se desfaz a gente como se pretende, quando se está preso na areia sem fim; parecem-se muito com o estreito de Maumusson, onde os navios, tendo tocado o fundo, descem gradualmente e com uma força, cuja potência a lentidão não modifica.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Vós contais tal praia, freqüentais tal companhia e pretendeis que o vento vos é ali favorável. Engano, talvez: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O vento sopra, é verdade, do vosso lado quando estais presentes; mas voltai as costas e pedi notícias a algum marítimo dedicado que permaneceu na praia, e ele vos dirá que as vossas palavras, os atos, a vossa própria recordação, tudo foi despedaçado por uma brisa fria e violenta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que mais direi ainda? No mar há peixes guarnecidos de dentes que rasgam as carnes dos nadadores, surpreendendo-os no momento em que menos o pensam, porque estes seres malvados navegam sempre entre duas águas. Do mesmo modo há também caracteres que caminham sempre debaixo da água, para me servir de uma expressão de São Gregório de Nazianzo: &#8211; “<em>Os armênios</em> – dizia ele – <em>não são nem simples nem francos, são absolutamente dissimulados e semelhantes aos rochedos que se escondem sob as águas do mar.”</em> (Oraç. XLIII, nº 17)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vós não pensáveis talvez na existência destes peixes humanos, e só começais a suspeitá-la quando vos ferem com os seus dentes cruéis e tanto mais perigosos, quanto mais ocultos. Escondem-se no oceano, ou sob veludo, quando habitam a terra, porque estes seres são anfíbios. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Volto, porém, ao nosso navio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Interior do Navio</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quereis comigo descer ao interior? Como tudo está admiravelmente disposto! Que sábia distribuição! Que limpeza! Que bom arranjo na sala de jantar, na câmara e nos beliches! O capitão vigia tudo e tudo se faz em perfeita ordem. Nenhum embaraço da carga, nem a mínima alteração entre os passageiros; a equipagem é numerosa, mas obedece como se fora um só homem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> – Do mesmo modo a alma da mulher forte: visitai comigo os seus numerosos compartimentos; a sabedoria é o comandante do navio; tudo está em ordem, os pensamentos, os desejos, os projetos, as resoluções. O maquinismo interior funciona todo com maravilhosa simplicidade, o vapor da imaginação é perfeitamente regulado, cada coisa está no seu lugar, e pode em verdade dizer-se que a principal beleza da alma consiste no seu interior: <em>Omnibus gloria ejus ab intus.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que diferença quando a comparais com outras almas!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se fosse possível percorrer-lhes o interior com um archote na mão! Que câmara escura! Que desordem! Os objetos mais disparatados postos em monte, uns sobre os outros; os mais estranhos pensamentos a abalroarem-se, os desejos mais bizarros procurando aproximar-se; em uma palavra, a imagem da mais formosa desordem, da mais completa ausência de regularidade, podendo dizer-se que estão sempre ocupadas nos eu desarranjo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não terminei ainda a explicação do texto:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“A mulher forte converte-se n&#8217;um navio d&#8217;um mercador, que traz de longe as suas riquezas”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">-Riquezas trazidas pelo Navio</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não basta que a embarcação seja graciosa e solidamente equipada, que tenha velas, mastros, vapor e um hábil piloto a bordo, conhecendo perfeitamente a derrota e o estado dos mares: é também necessário que se enriqueça. Bem vedes, o navio parte, vai á Índia, na América, e volta carregado de mercadorias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim a mulher forte deve também enriquecer a família pelos seus cuidados, atenção, economia e contínua vigilância: é isto o seu negócio, o seu comércio, as suas viagens. Tem-se visto muitos mercadores fazerem consideráveis fortunas com pequenos lucros; mas os grãos de areia amontoaram-se pouco e pouco, cada vaga foi trazendo alguns, e, a final a praia cobriu-se; a água da cisterna tornou-se considerável, e no entretanto caiu gota a gota. A mulher pode também pelos cuidados, pela vigilância e pela severa economia chegar a admiráveis resultados; no fim de cada mês, ou mesmo de cada semana, pode entrar no porto da família com um carregamento inesperado.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Mas, senhoras, na vida outra coisa há além do dinheiro. Quantas riquezas morais e intelectuais não pode recolher a mulher forte, em cada dia, nas suas relações com as almas, e, sobretudo, com as almas sérias e cristãs! Pode tirar a nata ás conversações, ás leituras, aos discursos e fazer uma rica pirataria nos mares intelectuais; é nobre o ofício e perfeitamente honroso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E quando entrar na família, dar-lhe-á parte das suas riquezas, abrir-lhe-á o porão do navio, e todos os filhos correrão pra quinhoarem da carga, como a família dos mercadores que esperam uma valiosa carregação expedida da América, ou melhor ainda, como os pequenos peixes que se vêem a espreitar os navios que chegam, e lançar-se sobre eles, como sobre uma pressa a que têm algum direito. Assim, sobre todos os pontos de vista da riqueza material ou espiritual, a mulher forte é verdadeiramente como o navio de um mercador que traz de longe os seus tesouros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um dos mais graciosos espetáculos que eu gozei na Rochelle, senhoras, foi o de ver, algumas vezes, nos meus passeios matinais, uma multidão de barquinhas saindo do porto e cobrindo o mar. Dir-se-ia que se enfileiravam em ordem de batalha contra o inimigo desconhecido que vinha desafiá-las, mas felizmente a flotinha só era dirigida contra peixes. Tinham um aspecto deslumbrante; os galhardetes, as cores variadas, as velas soltas, os movimentos e os pequenos balanços das embarcaçõezinhas, tudo contribuía para atrair a vista. Estas flotinhas partem vazias, mas regressam com seus carregamentos de riquezas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que elas sejam a vossa imagem, senhoras!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> <em>A Mulher Forte</em> &#8211; Mons. Landriot</span></p>
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		<title>A MULHER FORTE, QUEM A ENCONTRARÁ?</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2016 15:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Landriot]]></category>

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		<description><![CDATA[Mulierem fortem quis inveniet? Procul et de ultimis finíbus pretium ejus.  Confidit in ea cor viri sui, et spoliis non indigebit:  Reddet ei bonum et non malum, omnibus diebus vitae suae.    Quem encontrará a mulher forte? Ela é mais &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-mulher-forte-quem-a-encontrara/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"><b><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/01/mulher-forte.jpg"><img class=" size-full wp-image-3121 aligncenter" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2016/01/mulher-forte.jpg" alt="mulher forte" width="240" height="296" /></a><em>Mulierem fortem quis inveniet? Procul et de ultimis finíbus pretium ejus. </em></b></div>
<div style="text-align: center;"><em><b>Confidit in ea cor viri sui, et spoliis non indigebit: </b></em></div>
<div style="text-align: center;"><em><b>Reddet ei bonum et non malum, omnibus diebus vitae suae. </b></em></div>
<div style="text-align: center;"><em><b> </b></em></div>
<div style="text-align: center;"><em><b>Quem encontrará a mulher forte? Ela é mais preciosa que as pérolas </b></em></div>
<div style="text-align: center;"><em><b>que vêem das extremidades do mundo. O coração do seu marido põe nela </b></em></div>
<div style="text-align: center;"><em><b>inteira confiança e não terá necessidade de riquezas estranhas. </b></em></div>
<div style="text-align: center;"><em><b>Ela dar-lhe-á o bem e não o mal durante os dias da sua vida.</b></em><br />
<em> <b>(Prov., XXXI, 10-12) </b></em></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Senhoras. </span></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Qualquer escrito divinamente inspirado, é útil para instruir e para ensinar, a fim de que nos façamos perfeitos, e próprios para todas as boas ações.”<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn1">[1]</a></span></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Sagrada Escritura, dizem os Santos Padres, é como um vasto prado, esmaltado de flores, onde as plantas mais formosas, mais variadas, de mais admirável matiz, crescem e se desenvolvem para agrado da vista, preparando para os dias do outono, saborosíssimos frutos. Com efeito, nada há mais profundo que o ensino das Divinas Escrituras, nada mais belo, mais simples, e, ao mesmo tempo, mais gracioso. As palavras dos livros santos têm um sabor particular, uma luz que lhes é própria, uma claridade e um calor, que penetram de certo modo, que atraem o coração por um movimento, tão doce quanto enérgico. Nunca as obras dos homens produziram resultado tão maravilhoso. </span><span style="color: #000000;">Uma única palavra da Bíblia converte-se em semente que produz centuplicados frutos e desenvolve na alma uma farta seara de virtudes, quando encontra o terreno bem preparado. Vede esse grãozinho que a brisa suspende no ar: se o examinardes de perto, achá-lo-eis munido de um aparelho, alternativamente sólido e delicado, semelhante a umas asas. Com ele ondula ligeira e graciosamente! Segue à mercê da Providência, cujo olho maternal o acompanha sempre; e quando lhe chega a hora de germinar, dir-se-ia que uma mimosa e previdente mão o abate sobre um fragmento de terra. Cai, penetra-a, desenvolve-se, cresce e carrega-se de numerosos e fecundos frutos. Assim vão as palavras da Escritura Sagrada: graça à predicação evangélica, o ar está cheio desses germens divinos, e as sementes aladas volteiam por toda a parte; e quando uma alma está preparada, o sopro da graça leva-lhe um destes maravilhosos átomos, que vêm não se sabe de onde, e que pode produzir com o tempo uma floresta de alentadas árvores: &#8211; Et terra gignet germen suum, et pomis arbores replebuntur.<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn2">[2]</a></span></div>
<p><span id="more-3120"></span></p>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu já por várias vezes, senhoras, nas nossas conferências mensais, tive ocasião de apresentar às vossas meditações algumas frases da Bíblia, sobre os vossos principais deveres, e muito feliz me julgo por fazer-vos a justiça de crer que a semente divina caiu sempre em terras excelentes, o que não é, de certo, a menor consolação, nem a menor recompensa do vosso pastor. Havia muito tempo que eu alimentava a idéia de comentar um admirável capítulo dos Provérbios, sobre a mulher forte; parecia-me, até, ter antecipadamente visto nele numerosas e interessantes conclusões para a prática da vossa vida, porque a Bíblia que fala muitas vezes da mulher e dos deveres que lhe cumprem, parece ter resumido, em tal capítulo, a substancia do seu ensino. </span></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Começaremos, pois, agora, e prosseguiremos sucessivamente, a par e passo dos desenvolvimentos que se apresentarão ao meu espírito. </span></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">_________________ </span></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<div><span style="color: #000000;">Quem encontrará a mulher forte? &#8211; Mulierem fortem quis inveniet? O Senhor estabelece as suas obras duas a duas, diz a Sagrada Escritura, e o contraste é uma lei da criação: Intuere in omnia opera Altimissi: duo et duo et unam contra unum.<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn3">[3]</a> Este contraste é frisantíssimo na criação do homem e da mulher, e na distribuição das suas qualidades diferentes. Ao homem, d&#8217;um modo mais especial, conferiu a inteligência, o conselho e a força; a mulher, a inteligência do coração, a flexibilidade. É certo que as riquezas d&#8217;uma destas duas maravilhosas criaturas não são completamente recusadas à outra: designo somente as qualidades que, segundo as leis ordinárias, dominam n&#8217;uma mistura, em que os dons são continuamente variáveis. Assim, a força não é geralmente tida como caráter próprio e predominante da mulher, o que, por sem dúvida, não é afirmar que a mulher não possa ser forte e corajosa, nem tão pouco que o homem em muitas circunstâncias não seja mais fraco que a mulher. Trata-se unicamente do que mais habitualmente se apresenta, do que resulta da constituição primitiva, dos dons especiais concedidos a mulher e da sua missão neste mundo. </span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Diremos ainda que, ao lado de cada uma das nossas boas qualidades, se acha um defeito posto, e que em conseqüência das enfermidades da natureza e das misérias do pecado, a flexibilidade de caráter, e agilidade de constituição facilmente degeneram em fraqueza e inconstância. Foi isto o que fez dizer a São Tomás que as imperfeições do temperamento entram por muito na fraqueza censurada às mulheres &#8211; propter imperfectionem corporalis naturae.<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn4">[4]</a></span><span style="color: #000000;">Também o sábio responde ao pensamento dos séculos e ao julgamento da experiência, quando exclama: &#8211; Quem encontrará a mulher forte?</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Talvez que a resposta fosse mais fácil se se perguntasse: Quem encontrará a mulher volúvel, inconstante, sucessivamente ardente e fria? Quem encontrará esses caracteres entusiastas, que passam com extrema rapidez duma e outra convicção, cheios de indolência e inconsistência, e semelhantes aos seres gelatinosos, que se decompõem sobre a área, na praia, junto ao mar? Quem encontrará as naturezas móveis como o vento, que mudam de opinião conforme as variações do tempo, oi os caprichos da multidão insensata?</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">A tais interrogações seriam imediatamente as respostas e numerosas as aplicações.</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Quem encontrará a mulher forte? Essa mulher que sabe beber n&#8217;uma quotidiana coragem e energia necessária para fazer face a todas as dificuldades da sua posição, aos enfados diários, as preocupações de todas as horas e as contrariedades incessantes? A mulher forte que resiste aos numerosíssimos embates da vida, as tristezas da família, aos atritos da vida interna e a todos os íntimos pesares, que, semelhantes às legiões de insetos do outono, de contínuo cercam o coração da mulher?</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">A mulher forte, que preside com imperturbável sabedoria aos trabalhos da sua casa, as minudências da vida do lar, aos cuidados dos filhos, a vigilância dos criados, e a ordenança dessa multidão de pequenos serviços, que, na família, se sucedem tão rapidamente como as nuvens no céu? Quem encontrará a mulher forte, mais forte que a desgraça, que os enlaces da fortuna, que as calúnias, que a maldade humana, e que, após a passagem de todas as ondas, permanece como uma coluna do farol, em pleno mar, para iluminar e fortalecer os pobres náufragos? Mulierem fortem quis inveniet?</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Mais tarde, na explicação dos versículos seguintes, teremos ocasião, senhoras, de voltar mais minuciosamente a este importante assunto. Limitemo-nos, hoje, a algumas rápidas reflexões.</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">A razão, a firmeza de caráter e um conjunto de qualidades naturais, podem contribuir muitíssimo para edificar esse temperamento moral, essa natureza perfeita que a escritura apelida de mulher forte; e o que admiro em todos os Santos Padres da Igreja é a maravilhosa arte com a qual sabiam cultivar o solo da natureza, explorando-lhe com divina habilidade as menores riquezas, para lhe lançarem a sementeira do Evangelho e a regarem com a graça de Jesus Cristo. Mas só a religião poderá dar ao vosso caráter a fixidez, a superioridade de energia e a perseverança que coroam o uso das nossas mais esplêndidas faculdades. Fora de Deus e da sua assistência sobrenatural, a natureza é muito fraca e demasiado miserável para frutificar e, sobretudo amadurecer o fruto da virtude, essa exquista produção duma árvore por toda a parte sob o nome de mulher forte: Mulierem fortem quis inveniet?</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Sede verdadeiras cristãs, sede profundas e sinceramente piedosas, fazei de Deus o alimento habitual de vossas vidas, e só então vos podereis aproximar do ideal da força e do vigor, de que as heroínas cristãs nos deram sobejos exemplos, e que faziam exclamar os filósofos pagãos: &#8211; Que admiráveis mulheres não são as cristãs! Papae! Quales mulieres apud christianos sunt!<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn5">[5]</a></span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Á força de provar Deus, de O saborear e de constituir como amigo e confidente de vossos pesares e alegrias, indentificar-vos-ei com Ele, pois esse contato superior será o cimento invisível dos vossos pensamentos, dos vossos desejos, das vossas resoluções e sentimentos. As pedras da vossa vida, isto é, as vossas ações, serão conjuntamente unidas e consolidadas, como nos edifícios do povo romano, de que tantas vezes reza e história e que afrontaram a injúria das idades, porque um cimento tão duro como o bronze as converteu em monumentos imperecíveis. Foi assim que se formaram todas as mulheres cristãs que deram tão admiráveis exemplos a posteridade; foi em tal escola que beberam o seu heroísmo as virgens e as mulheres mártires, as Inezes, as Perpétuas, as Apolonias; foi nessas escolas que outras mulheres, cuja força se desenvolveu numa esfera menos brilhante, tomaram a energia que sofre o martírio lentamente, o martírio da vida diária, o martírio em que a natureza se imola e arde sobre o altar do dever, imolação sublime de que santo Ambrósio dizia: -&#8220;Que desconhecido número de mártires de Cristo, na secreta obscuridade da vida quotidiana!&#8221; e São Gregório o Grande: &#8211; &#8220;Se conservamos a verdadeira paciência no meio dos pesares da existência somos mártires, sem necessidade de algozes e cutelos!&#8221;. É ainda ali, e em conseqüência d&#8217;uma infiltração divina, que se exercem e crescem a paciência cheia de doçura e o espantoso vigor dessas virgens consagradas a Deus, nas escolas dos pobres, nos orfanatos, nos hospitais e nas visitas aos desgraçados de toda a espécie. Nada menos é preciso do que a força que criava os mártires, para multiplicar todos os dias semelhantes prodígios. No cristianismo não deve, pois, ser tão difícil a esta interrogação: &#8211; Quem encontrará a mulher forte? O sangue de Cristo fez a sementeira e ela germinou por toda a parte. Possa a graça multiplicar-lhe os frutos na nossa Associação! E se houver embaraços em encontrar uma solução às palavras da Bíblia, que facilmente se possa vir procurá-la entre vós, e entre vós se encontrem sempre os exemplos duma rara virtude: &#8211; Mulierem fortem quis inveniet? Não foi a uma mulher cristã que São Crisóstomo dirigiu este magnífico elogio? &#8211; “Vós possuis uma ciência superior a todas as tempestades; tendes a energia dum espírito superior, que é mais poderoso que numeráveis exércitos, e mais seguro que as altas muralhas e elevadas torres.”<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn6">[6]</a></span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Dificilmente poderemos acreditar que a raça de caracteres tão belos se extingue entre as mulheres cristãs. A Sagrada Escritura ajunta, que a mulher forte é mais preciosa que as pérolas que vêm das extremidades do mundo. &#8211; “Nada é melhor que uma excelente mulher, diz São Gregório Nazianzo, e nada pior do que uma mulher má.&#8221;<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn7">[7]</a></span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">A mulher excelente é um preciosíssimo tesouro para a sua casa; é a vida do lar, a luz com os seus mil reflexos graciosos, a alma que tudo penetra, e em toda a parte deixa vestígios dos seus contatos deliciosos. O Espírito Santo tratando este assunto, não receia empregar um termo de comparação, que ordinariamente é o reservado para descrever a ação benéfica e misericordiosa da Divindade: &#8211; &#8220;Assim como o sol derrama das alturas a luz e o calor e parece vivificar a natureza inteira, assim o rosto d&#8217;uma mulher virtuosa é o ornamento da sua casa.&#8221; E como se temesse não dizer o bastante continua o seu progressivo elogio, e compara a fisionomia dessa mulher à luz brilhante que cintilava no candelabro d&#8217;ouro do templo de Jerusalém: &#8211; “Sicut sol oriens mundo in altissimis Dei, sic mulieris bonae species in ornamentus domus ejus: lucerna splendens super candelabrun sanctum.”<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn8">[8]</a></span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Bem vedes, senhoras, que a Sagrada Escrituras tem palavras severas a respeito das mulheres, ela as redime com usura, prodigalizando louvores as que pelas virtudes e eminentes qualidades fazem glória do vosso sexo. Como ordinariamente nada há de medíocre na vossa natureza, entrai para o número das mulheres excelentes, a fim de que se possa dizer de vós, com inteira verdade, que valeis mais do que as pérolas compradas por alto preço nos países longínquos, e para que, nem mesmo de leve, se vos possa aplicar a outra frase dos livros santos: “A malícia da mulher má encerra e excede todas as outras malícias: &#8211; Omnis malitia nequitia mulieris&#8230; brevis omnis malitia super malitiam mulieris&#8221;.<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn9">[9]</a></span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">“O coração de seu marido, continua o sábio, põe nela inteira confiança, e não terá necessidade de riquezas estranhas.” A confiança, senhoras, é a alma da vida, a ventura da existência, o encanto das relações e o lago dos corações. A confiança é tudo na vida. Onde não há confiança existe a morte, e alguma coisa pior ainda do que ela, que é uma existência que não tem os seus elementos e cuja respiração é continuamente opressa. </span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Se eu tivesse de pregar a vossos maridos, dir-lhe-ia: &#8211; Fazei por merecer a confiança de vossas esposas, porque a íntima confiança do coração é uma coisa que se não dá, nem se impõe, mas que é necessário conquistar pela virtude. De tão elevadas coisas depende a confiança, que Deus não a quis pôr à livre disposição do homem, e eu devo agraderce-Lh’o, porque Ele não podia proteger mais vitoriosamente o mais nobre patrimônio da humanidade: &#8211; o respeito das grandes e das belas coisas. Eu perguntaria ainda a vossos esposos: &#8211; Quando perdeis o respeito e a confiança de vossas mulheres, não sois vós os que, principalmente, mereceis a acusação? </span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Mas é a vós, senhoras, que me dirijo, a vós que eu intento fazer boas, excelentes, perfeitas, quaisquer que possam ser os defeitos que vos rodeiam. Merecei sempre a confiança de vossos maridos, e merecê-la-eis infalivelmente por uma vida exemplar, por uma doce virtude, paciente, constantemente invariável, mesmo em meio de tudo quanto possa servir-vos. Um homem pode ter grandes defeitos, vícios graves; pode ter as suas horas de irritação, em que tratará a sua companheira com termos tão duros quão injustos. Não importa: se a mulher for o que deve ser, respeitá-la-á, apesar de tudo, porá nela inteira confiança, e a despeito das palavras violentas, nas quais, muitas vezes, a paixão finge crer, quando a cólera as profere, o coração permanecerá fiel, o coração curvasse-a perante a virtude, o coração terá confiança, porque um outro privilégio da verdade é que, não é permitido ao homem desprezar muito tempo e seriamente uma virtude que nada abala, e que persiste no meio de duríssimas experiências.</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Mas quando mais feliz não é o lar onde o coração dos dois esposos é atraído por uma confiança recíproca, onde existe a fusão das almas, onde elas se inclinam naturalmente uma para a outra, como dois vasos, um dos quais encerra o licor necessário ao outro! As iguais uniões são uma das mais preciosas bênçãos do céu; são a riqueza e a felicidade da existência, como lhe chama São Crisóstomo, são o paraíso na terra; são depois das alegrias celestes e dos júbilos de fé, neste exílio da terra, o antegosto de melhor da vida, de vida em que tudo quanto o coração pôde sonhar será o objeto da nossa íntima posse: &#8211; o respeito, a confiança, o amor puro e a eternidade.</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">O marido nesta vida de confiança mútua, derrama na alma da mulher a inteligência, a luz, o vigor e o conselho, pelo seu lado, entretece para o esposo uma coroa de flores graciosas; ela dá-lhe, como árvore fecunda, a frescura e os frutos da alma afetuosa, recompensa-o das fadigas da vida, bebe-lhe as lágrimas e infiltra-lhe nas veias um óleo de alegria e de felicidade. “A mulher forte, diz o Espírito Santo, é o jubilo de seu esposo, porque lhe fará viver em paz todos os anos da existência.”<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn10">[10]</a> “Introduzir-lhe-á o vigor nos ossos &#8211; impinguabit ossa illius.”<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn11">[11]</a></span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Ditoso o homem que possui uma companheira assim! Não terá necessidade de riqueza estranhas: spollis non indigebit. Terá no lar o tesouro do seu coração, e não lhe produzirá atrativos tudo quanto for, além disto, tudo quanto for exterior. A graça, a virtude, a afeição da esposa, serão um laço preparado pela Providência para conservá-lo na linha do dever. Poderia, dizer-se ainda, tomando as expressões em outro sentido, que o marido não terá necessidade de riquezas estranhas, porque a mulher, como mais tarde a explicaremos, se tornará pelos cuidados e atenção, a sua previdência e a sua economia, uma fonte de riquezas no santuário da família, que o despirá da necessidade de recorrer a esses meios de fortuna, cuja indústria fraudulosa, unida à agiotagem, ocorrem a todas as despesas: et spollis non indigebit.</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">“A mulher forte dará a seu marido o bem e não o mal, durante os dias da sua vida: reddet ei bonum et non malum, omnibus diebus vitae suae.”</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Nobre confiança que a Providência concede à mulher! Fazei constantemente o bem e nunca o mal! Fazer o bem, sobretudo a seu marido, porque se identifica com ele; fazer o bem em todas as circunstâncias, e por toda a espécie de meios, pelas palavras, pelas ações, pelos conselhos e mesmo pelo silêncio! Fazer o bem prevenindo em embutes e os pesares que podem ferir o homem, e trabalhando para os desviar! Fazer o bem quando ele é feliz, gozando-o conjuntamente com ele, partilhando-lhe a ventura; fazer o bem, sobretudo quando é desgraçado e mártir, compartilhando das penas, aliviando-as pelas mil delicadas atenções que tão engenhosamente sabe encontrar a mulher quando tem boa vontade! Fazer sempre o bem e nunca o mal: reddet ei bonum et non malum. Não! nunca o mal! E insisto sobre esse ponto, porque sei que a mulher tem muitíssimos meios para praticar quando quer; porque sei que ela tem imensos recursos para se vingar, alastrando de espinhos todas as vias, quando tem o coração ulcerado! Eu peço-vos, senhoras, que não useis semelhantes processos, ainda mesmo que vossos maridos sejam coléricos, vingativos e egoístas, ainda mesmo que sintais o coração ferido no que ele tem de mais íntimo: Peço-vo-lo em nome de Deus, dos vossos mais caros interesses, da vossa família, e do vosso sangue! Mas eu engano-me; tendes, é verdade, um excelente meio de vingança: &#8211; fazendo o bem, opondo um ato de abnegação e de renunciamento a cada ato de egoísmo; a cada palavra áspera uma palavra meiga, ou pelo menos o silêncio, não o silêncio provocador, mas o do amor e da paciência, e no dia seguinte, ou na própria noite, como continuação de tão nobre vingança, dai mais verdade a vossa afeição, mais atenção e mais engenho à vossa ternura! Ah se vós soubésseis vingar-vos assim, que de vitórias não alcançaríeis! Que lutas magnânimas! Que triunfos completos e pacíficos!</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Foi assim que Santa Mônica soube combater seu marido, que era violento, arrebatado e entregue a desordens doloríssimas para um coração de esposa. Ela evitava discussões que irritariam ainda chagas abertas e esperava o dia da misericórdia divina. Opunha a todos os arrebatamentos a seriedade e o silêncio somente, e quando julgava conveniente dar-lhe conta do seu procedimento, esperava que ele se acalmasse. Foi isto, continua Santo Agostinho, o que fez com que ela ganhasse a admiração e o respeitoso amor de seu marido: reverenter amabilem atque mirabilem viro<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn12">[12]</a>, e que preparou a conversão daquele que ela havia suportado com tanta paciência. A quantas mulheres vinham queixar-se-lhes das discussões internas respondia ela acusando-lhes as línguas e dando-lhes conselhos, com modos de amável gracejo. E quando estas mulheres, conhecendo o violento amor do pai de Santo Agostinho, não podiam admirar-se muito por não terem nunca ouvido dizer que ele tivesse batido em sua esposa, ou que a sua perfeita harmonia houvesse sofrido um único dia de interrupção, perguntavam a Santa Mônica o motivo de tal coisa e ele ensinava-lhes o seu modo de proceder. As que o ensaiavam felicitavam-se, as que o abandonavam continuavam a viver numa dura escravidão. A própria avó da santa havia-se deixado prevenir contra ela por pérfidas insinuações, mas desarmada por uma paciência infatigável, por um sofrimento cheio de respeito e de doçura, caiu em si e denunciou o seu filho às línguas viperinas que perturbavam a paz no lar, e dali em diante viveram juntas e no encanto da mais afetuosa benevolência: Nullaque Jam audente, memorabili inter se benevolentiae suavitate virxerunt.<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn13">[13]</a></span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Imitai senhoras, este esplêndido modelo: será a melhor resposta a muitas objeções, o meio mais seguro de evitar numerosos perigos e de fazer desaparecer uma grande parte de obstáculos que se opõem a paz das famílias. Imitai esta santa alma, de que Santo Agostinho dizia, que ainda entre os dissentimentos e as animosidades, intervinha somente para pacificar, e a qual, muitas vezes, confidente de propósitos cheios de fel e azedume, não dava as pessoas interessadas senão as palavras que podiam servir para as aproximar uma das outras: Nisi quod ad eos reconciliandos valeret.</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Terminemos este entretenimento com as últimas palavras do versículo: Ela lhe dará o bem e não o mal todos os dias de sua vida! Omnibus diebus vitae suae! Sim, todos os dias da sua existência. Quando o marido é novo, elegante, e conserva os traços de alguns encantos da mocidade, é talvez fácil fazer-lhe bem. Mas chegam mais tarde as rugas da velhice; as enfermidades com o seu cortejo triste batem à porta; o caráter torna-se algumas vezes sombrio, difícil e suscetível em razão da fraqueza. É este o momento da experiência para a verdadeira dedicação; é então que se torna preciso uma duplicação de cuidados, de atenção, de serviços e, sobretudo, de cordial afeição.</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Diz-se que o vinho é o leite dos velhos: esta frase é ainda mais verdadeira para o vinho dos afetos. Deveis ter no coração algumas gotas desse licor; deveis tê-lo até em abundância para o pouco que conservais o da juventude e o da virilidade. Ministrai a vosso marido, diariamente, uma taça dele, tão cheia que desborde, a vosso marido que já sucumbe, e em cuja fronte há já os traços dos últimos dias do outono e o selo dos primeiros do inverno. Dai vinho aos que tem coração triste, diz o Espírito Santo: Date vinum his qui amaro sunt animo.<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn14">[14]</a> E o melhor líquido, o que mais aquece o sangue da alma, quando ele pudesse ser gelado ao sopro da indiferença, é o vinho da afeição. </span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">A natureza, senhoras, desfaleceria muitas vezes nesta penosa tarefa: mas é a mulheres cristãs que eu me dirijo para lhes dizer que a piedade acabará por aliviar o que nem sempre seria agradável a pobre humanidade, n&#8217;uma vida de sacrifícios.</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Só a religião pode formar as mulheres verdadeiramente fortes em todas as circunstâncias da vida, as mulheres verdadeiramente superiores, que dominam os acidentes, as desgraças da existência, as repugnâncias da natureza, os defeitos do caráter e os atritos contínuos em que a alma é como que triturada no meio de pesadas pedras, ou, o que não é menos doloroso, lacerada entre mil afiados espinhos.</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Só uma piedade profunda e séria poderá desenvolver, entre as mulheres, o temperamento moral que resiste às dificuldades, e torná-las semelhantes às aves, para se elevarem acima das nuvens e das tempestades, e melhor cumprirem os seus deveres, na severidade d&#8217;uma paz inteiramente celeste. Mas para ser semelhante à ave é necessário ter asas, e Deus só pode das à alma as asas divinas, tão sólidas como leves, com as quais sobe e desce, como para disputar o prêmio da força e da agilidade dos príncipes do ar. Segundo a comparação do Profeta, qui in avibus coeli ludunt.<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn15">[15]</a> A força consiste, muitas vezes, no emprego dessas asas da alma, sobretudo, quando são animadas por um espírito da inteligência: A spiritus in alis earum.<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn16">[16]</a></span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #000000;">Possa o Senhor dar-vos duas como a mulher de que reza a Sagrada Escrituras, pois não vos serão inúteis para cumprirdes com energia e perseverança a vossa missão de mulheres fortes: Datae sunt muliers alae duae.<a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftn17">[17]</a></span></div>
</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A Mulher Forte</em> &#8211; Mons. Landriot</span></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref1">[1]</a> II. TIM. III, 16-17 </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref2">[2]</a> Levit. XXVI </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref3">[3]</a> Eccl. XXXIII, 15 </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref4">[4]</a> Eth. I.VII, liç. 5</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref5">[5]</a> Chrysost. t.I </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref6">[6]</a> Epist. 6. Olymp. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref7">[7]</a> Orat. In funere patris </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref8">[8]</a> Eccl. XXVI, 21-22 </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref9">[9]</a> Id. XXV </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref10">[10]</a> Eccl. XXXVI, 2 </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref11">[11]</a> Id. XXV, 16 </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref12">[12]</a> Confess., IX, c.9 </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref13">[13]</a> Confess., 1. XI, c.9. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref14">[14]</a> Prov. XXXI, 6 </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref15">[15]</a> Baruch III, 17 </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref16">[16]</a> Zach.V,9 </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Let%C3%ADcia%20di%20Raula/Meus%20documentos/Assuntos%20diversos/Escravas%20de%20Maria/Livros/Mulher%20forte.doc#_ftnref17">[17]</a> Apoc. XII, 14</span></div>
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