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	<title>DOMINUS EST &#187; Papa Paulo VI</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>CARTA DE MARCEL DE CORTE A JEAN MADIRAN &#8220;SOBRE A MISSA NOVA&#8221; &#8211; 1970 &#8211; &#8220;PAULO VI É UM HOMEM CHEIO DE CONTRADIÇÕES&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Sep 2024 12:06:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
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		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Paulo VI]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Blog Rorate Caeli &#8211; Tradução: Dominus Est Marcel De Corte Devo confessar-lhe, meu caro Jean Madiran, que mais do que uma vez me senti tentado a abandonar a Igreja Católica em que nasci. Se não o fiz, dou graças a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/carta-de-marcel-de-corte-a-jean-madiran-sobre-a-missa-nova-1970-paulo-vi-e-um-homem-cheio-de-contradicoes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><img class="aligncenter" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjcqB769oWPYUD39hEA1-tYbHjPeyLk-WXZ4BgrqATC-eXn6dLmuLtidtk2bv45iLMgqHYzf60KWfi361lFZ9WeHTjxOX49EILzUwkIZQWe0UeCL2NAzXqh7Ot9EwM6ZOTOqYRI9XvjxIfH_6ToFmUUY40gi1PcCQRPGgfgXN9k5cqXdrcob1Zt=w400-h336" alt="" /></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Fonte: </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://rorate-caeli.blogspot.com/2024/07/marcel-de-cortes-1970-letter-to-jean.html"><span class="tm7">Blog Rorate Cael</span></a><u><a style="color: #0000ff;" href="https://rorate-caeli.blogspot.com/2024/07/marcel-de-cortes-1970-letter-to-jean.html"><span class="tm7">i</span></a></u></span><span class="tm7"> &#8211; Tradução: </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/"><span class="tm7">Dominus Est</span></a></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Marcel De Corte</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Devo confessar-lhe, meu caro Jean Madiran, que mais do que uma vez me senti tentado a abandonar a Igreja Católica em que nasci. Se não o fiz, dou graças a Deus e ao bom senso de camponês com que Ele me abençoou. A Igreja — murmuro para mim mesmo neste momento — é como um saco de trigo infestado de carunchos. Por mais numerosos que sejam os parasitas — e, à primeira vista, estão enxameando! — não afetaram todos os grãos. Alguns, por muito poucos que sejam, permanecem férteis. Estes brotarão e os carunchos morrerão depois de terem devorado todos os outros. </span><em><span class="tm9">Bon appétit</span></em><span class="tm7">, meus senhores, estão comendo a vossa própria morte.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Enquanto isso, sofremos de fome, de fome de sobrenatural. O número de padres que nos distribuem o pão da alma diminui a um ritmo alarmante. Na hierarquia, a situação é ainda pior. E no topo, de onde se poderia esperar algum consolo, é desastroso.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Confesso que, durante muito tempo, me deixei enganar por Paulo VI. Pensava que estava tentando preservar o essencial. Repetia para mim próprio as palavras de Luís XIV ao Delfim: “Não receio dizer-lhe que, quanto mais elevada é a posição, mais coisas há que não se podem ver ou saber senão quando se a ocupa”. Não sendo papa, nem sequer clérigo, disse a mim mesmo: “Ele vê o que eu não posso ver, devido à sua posição. Por isso, confio nele, mesmo que a maior parte dos seus atos, atitudes e declarações não me agradem e que as suas constantes (aparentemente constantes) manobras me deem a volta à cabeça. Pobre homem, é digno de pena, tanto mais que é evidente que não está à altura do cargo&#8230; Mas mesmo assim, com a ajuda de Deus&#8230;&#8221;</span><span id="more-32075"></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">No entanto — e isto é para glória da humanidade — não há nenhum exemplo na história de um enganador que não tenha acabado por se desmascarar. Ao esforçar-se demasiado por ser o que não é, acaba por revelar a sua verdadeira natureza. Demasiada astúcia volta contra si mesma. Os homens estão dispostos a tolerar um pouco de artimanha, especialmente quando tem um toque italiano. Mas há um limite e, para além dele, deixa-se de ser um bom ator e torna-se prisioneiro da sua própria charada, enredado nas suas próprias proezas de ilusão.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Para mim, a virada deu-se com a controvérsia sobre a Santa Missa. Até então, era possível ser enganado, iludido e ludibriado. Era o preço das honras devidas aos poderes estabelecidos. Mas agora, o tempo de “brincar comigo”, como dizia o meu velho professor, acabou. É uma frase que usava quando estávamos no campo, onde essa franqueza é natural, e ele era muito mais enérgico. Ao Padre Cardonnel, cheio de literatura e que a vomita a toda a gente, falta-lhe essa deliciosa espontaneidade de linguagem, essa afirmação orgulhosa e viril de quem já não suporta ser enganado nem por um momento. “Acabou. Acabou. Acabou”, diria ele ao colega imprudente que tivesse levado as coisas longe demais.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Digo isso com toda a calma e reflexão, com toda a confiança de um homem de origem camponesa, onde o catolicismo é transmitido de pai para filho, onde o sobrenatural é palpável, que deixou de cultivar os campos como os seus antepassados (dos quais sou muito indigno) para cultivar as mentes, de quem Deus tirou um filho dedicado à Igreja, e que se sente, da cabeça aos pés, profundamente enraizado na Igreja. Digo-lhe com firmeza, sem a menor hesitação: “NÃO. Estou farto. Não me vão enganar. Não me vão levar pelo caminho do jardim. Não vou fingir que Paulo VI é um novo São Pio X, profundamente transformado, para melhor, claro, como convém à nossa era progressista”.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Como é que se ousa proclamar que não há uma “nova Missa”, que “nada mudou”, que “tudo está como antes”, quando nada ou quase nada resta da Missa que tantos santos valorizaram com amor? Quando os “peritos” nomeados para trabalhar nesse projeto de demolição por razões de utilidade pública o descreveram repetidamente como uma verdadeira “revolução” litúrgica? Quando as consciências simples dos fiéis comuns foram abaladas por essa reviravolta? Como exclamou uma senhora idosa ao sair da igreja no primeiro domingo do Advento, esmagada pelo “novo rito” (o adjetivo é de Paulo VI, que gosta de brincar com as contradições): &#8220;Isso! Uma missa? Já não se consegue reconhecê-la!” Isso era tão evidente que o celebrante, por distração ou por pressa, tinha omitido a consagração do vinho! Mas o que é que isso importa numa missa onde o conceito de sacrifício está, por definição, ausente?</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Não vou repetir aqui os argumentos contra essa nova liturgia. Outros, bem informados, competentes e fiáveis, já o fizeram e fizeram-no bem. Quando as opiniões dos especialistas coincidem com o senso comum de um cristão comum, não há necessidade de acrescentar os seus próprios comentários. Tudo já foi dito por ilustres especialistas, teólogos e canonistas experientes, sacerdotes e religiosos devotos, e até por aquela boa mulher comum que exprimiu o mais profundo e sentido protesto das massas cristãs contra essa “transformação”: “Já não se consegue reconhecê-la!” Isto resume-o na perfeição: “Já não se consegue reconhecê-la!” Os fiéis sentem-no por instinto: “Já não há nada de católico nisso”.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm9">“Essa Missa representa, tanto no seu conjunto como nos seus detalhes, um afastamento notável da teologia católica da Santa Missa</span></em><span class="tm7">, tal como foi formulada na vigésima segunda sessão do Concílio de Trento, que, fixando definitivamente os ‘cânones’ do rito, ergueu uma barreira intransponível contra qualquer heresia que pudesse atentar contra a integridade do Mistério”. As palavras severas do Cardeal Ottaviani dificilmente podem ser contestadas por qualquer pessoa de boa fé que tenha estudado o novo </span><em><span class="tm9">Ordo Missæ</span></em><span class="tm7"> e considerado todos os seus detalhes. Ninguém de boa fé pode ignorar a sua triste realidade depois de ter ouvido, como aconteceu na Bélgica depois de 30 de novembro, todos os domingos e no Natal, “a nova Missa”, pré-fabricada por tecnocratas da fé. Espremido entre uma pomposa e teatral Liturgia da Palavra e uma Liturgia da Refeição</span><em><span class="tm9"> “self-service”</span></em><span class="tm7">, o SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA, ou seja, o ESSENCIAL, é despachado num piscar de olhos por um clérigo que, nove em cada dez vezes, segundo a minha experiência, não parece acreditar um único momento no que está fazendo.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Repito: isso foi exaustivamente demonstrado e, contra estas provas e argumentos, nada mais foi oferecido em resposta do que retórica serpentina e jeremíades.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span class="tm7" style="color: #000000;">*</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Esta “nova Missa” DEVE SER REJEITADA com toda a energia e coragem do Padre Roger-Thomas Calmel, O.P. e de acordo com as diretrizes estabelecidas por Jean Madiran, mesmo que tenham de ser ajustadas individualmente conforme necessário, com a devida cautela e dependendo das circunstâncias, com a dupla intenção, sempre presente, de rejeitar o que é herético no ofício e de aceitar apenas o que é ortodoxo.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span class="tm7" style="color: #000000;">*</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Da minha parte, tapo cuidadosamente os meus ouvidos com cera. Escondo-me ao fundo da igreja, atrás de uma cortina, cujo biombo engrosso sentando-me na cadeira mais baixa que consigo encontrar. Leio a Santa Missa no Missal que a minha santa mãe me deu, depois de o anterior ter sido usado até ficar em farrapos. Leio a </span><em><span class="tm9">Imitação de Cristo </span></em><span class="tm7">em latim durante o o bate-papo que se finge de sermão. Participo com todo o meu coração na renovação do Sacrifício do Calvário. Obrigo o sacerdote que distribui a comunhão nas mãos das “ovelhas” que ele foi encarregado de domesticar a dar-mo na grade da comunhão, onde me ajoelho. E, durante a última algazarra, saio para meditar, rezando para que o Senhor me torne ainda mais surdo ao clamor do mundo, tanto literal quanto figurativamente.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span class="tm7" style="color: #000000;">*</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Devo dizer que, por vezes, fico furioso quando ouço chegar aos meus ouvidos algumas idiotices, como esta, cuja autenticidade garanto: “Oremos, meus irmãos, para que entre os jovens, homens e mulheres, reunidos pelos seus penteados e roupas semelhantes, não haja mais diferença de sexo”. Mas podemos habituar-nos a tudo, mesmo aos disparates mais ridículos. Como dizia com razão Léon Bloy, é preciso ser moderado no desprezo, porque há muitos que o merecem.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Não dissimulemos a verdade. A nossa recusa implica um julgamento sobre os atos e as palavras de Paulo VI, e mesmo sobre a sua pessoa, com quem devemos, contra a nossa vontade, praticar a virtude da “correção fraterna”, que São Tomás de Aquino considerava um prolongamento das virtudes da esmola e da caridade, e que, segundo ele, se deve praticar mesmo publicamente com os superiores, depois de ter esgotado todos os meios ocultos para o fazer (</span><em><span class="tm9">Suma Teológica, </span></em><span class="tm7">II-IIae, q. 33). Pode presumir-se com segurança que um inferior tão respeitador da autoridade papal como o Cardeal Ottaviani não tornou pública a sua carta memorial a Paulo VI sem antes ter exercido toda a prudência diplomática possível. “Se um superior é virtuoso”, escreve um comentador da </span><em><span class="tm9">Suma</span></em><span class="tm7">, “aceitará com gratidão todas as advertências que lhe possam dar clareza. Será o primeiro a admitir que é justo adverti-lo e que ele não é intocável em todos os aspectos”. E acrescenta, seguindo São Tomás, que a advertência deve ser pública “quando, por exemplo, um superior declara publicamente heresias manifestas ou causa grande escândalo, pondo assim em perigo a fé e a salvação dos seus subordinados”.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O Cardeal Ottaviani não é certamente o único a pensar que Paulo VI, com as suas palavras e atos, está “afastando-se notavelmente da teologia católica da Santa Missa”. Com efeito, é inconcebível que o Papa tenha simplesmente passado por cima de um documento tão importante e o tenha assinado descuidadamente. O </span><em><span class="tm9">Ordo Missæ</span></em><span class="tm7"> e a Nova Missa que vigorosamente rejeitamos foram desejados e impostos por Paulo VI a todos os Católicos.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Como é que uma tal atitude pode ser possível da parte de um Papa durante um período tão crítico da história da Igreja? Não posso deixar de me colocar essa questão. E não posso continuar a calar a minha resposta. Os riscos são demasiado grandes para que os leigos deixem os padres de todas as classes lutarem sozinhos, sem o apoio de alguns fiéis que eles alertaram para o perigo, contra o “escândalo” da Nova Missa.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Não se trata de se indignar — por mais tentador que seja — mas de compreender.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span class="tm7" style="color: #000000;">*</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Paulo VI é um homem cheio de contradições. É um homem que exalta o Santo Sacrifício da Missa em termos grandiosos e tradicionais no seu “Credo do Povo de Deus”, mas que o desvaloriza na Nova Missa que impõe à cristandade católica. Este é um homem que assina e promulga as declarações oficiais do Concílio sobre o latim, “a língua litúrgica por excelência”, sobre o canto gregoriano, um tesouro a preservar zelosamente, e que, além disso, se compromete publicamente a preservá-los, mas que renega a sua assinatura e a sua palavra depois de ter consultado, numa questão tão importante como o modo de expressão do culto oferecido a Deus, apenas peritos litúrgicos, alguns dos quais são suspeitos e outros pertencem a comunidades cristãs dissidentes. Este é o homem que se encarrega de censurar o Catecismo holandês, mas que tolera a difusão dos erros dogmáticos que ele contém. Este é o homem que autoriza o Catecismo francês, cujos erros, omissões e distorções da Verdade revelada são tanto mais graves quanto é destinado às crianças, mas que investiga os desvios da fé no mundo inteiro. Este é o homem que proclama Maria Mãe da Igreja, mas que permite que inúmeros clérigos de todos os escalões manchem a pureza do seu nome. Este é o homem que reza em São Pedro e na Câmara de Reflexão nas Nações Unidas, de estilo maçônico. Este é o homem que dá audiência a duas atrizes deliberada e provocantemente vestidas com minissaias, mas que depois fala contra a crescente onda de sexualização no mundo. Este é o homem que diz ao Pastor Boegner que os católicos não são suficientemente maduros para o controle da natalidade com “a pílula”, mas que publica </span><em><span class="tm9">Humanæ vitæ</span></em><span class="tm7">, permitindo que esta seja contestada por conferências episcopais inteiras.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Este é o homem que proclama que a lei sobre o celibato clerical nunca será abolida, mas que permite que seja questionada incessantemente, ao mesmo tempo que facilita aos padres que desejam casar-se. Este é o homem que proíbe a comunhão na mão, mas que a permite, autorizando mesmo certas igrejas, por indulto especial, a ter leigos a distribuir as hóstias sagradas. Este é o homem que lamenta a “auto-destruição da Igreja”, mas que, apesar de ser o seu chefe e cabeça, nada faz para a impedir, deixando-a acontecer com o seu próprio consentimento. Este é o homem que emite a </span><em><span class="tm9">Nota prævia </span></em><span class="tm7">sobre os seus poderes, mas que permite que ela seja descartada no Sínodo de Roma como ultrapassada e relegada ao esquecimento, etc.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Poder-se-ia continuar a enumerar as contradições do Papa. O próprio homem é uma permanente contradição e versatilidade, bem como uma ambiguidade fundamental.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Por isso, há duas possibilidades.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Um homem que não consegue ultrapassar as suas próprias contradições internas e que as mostra abertamente a todos, não consegue ultrapassar as contradições externas com que se depara no governo da Igreja. É um Papa fraco e indeciso, como outros na história da Igreja, que esconde as suas vacilações por detrás de uma torrente de retórica que o imperador Juliano, chamado o Apóstata, chamou, falando dos bispos arianos do seu tempo que a praticavam tão habilmente, “a arte de minimizar o que importa, exagerar o que não importa e substituir a realidade das coisas pelo artifício das palavras”. Às vezes, em uma única frase de um discurso papal, o preto e o branco são combinados e reconciliados por truques sintáticos.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A segunda hipótese não é menos provável: o Papa sabe o que quer e as contradições que apresenta são apenas aquelas que um homem de ação, movido pelo objetivo que quer atingir, encontra-as no seu caminho e com as quais não está minimamente preocupado, levado como está pela força da sua ambição.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">A este respeito, podemos presumir, sobretudo depois do </span><em><span class="tm9">Novus Ordo Missæ</span></em><span class="tm7"> e da nova Missa, que a intenção de Paulo VI é reunir numa única ação litúrgica o clero e os leigos das várias confissões cristãs. Como qualquer político experiente, o Papa sabe que é possível unir pessoas com “opiniões filosóficas e religiosas” fundamentalmente diferentes, como dizíamos nos encontros da minha juventude. Se assim for, podemos esperar, num futuro próximo, novas manifestações de ação ecumênica pontifícia, segundo o modelo das manobras políticas.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">É verdade que as duas interpretações do comportamento de Paulo VI podem ser combinadas. Um homem fraco foge da sua fraqueza ou, mais precisamente, de si mesmo, e mergulha numa ação em que as contradições são apenas fases diferentes das mudanças essenciais à própria ação. Esses temperamentos estão claramente voltados para o mundo e para as metamorfoses que ele implica e que influenciam as suas ações. Pode-se, então, aceitar sem dificuldade um “novo catecismo”, inconciliável com o catecismo antigo, “porque há um mundo novo”, como dizem os bispos franceses, e, na linguagem do mundo, “um mundo novo” não tem nada em comum com o anterior, assim como uma moda nova não tem nada em comum com uma moda antiga. “Por isso, já não é possível, acrescentam, considerar os ritos como permanentemente fixos em um mundo em rápida evolução”. Estejamos avisados: a nova missa é como a revolução permanente que agrada a todos os adolescentes e adultos que ainda não ultrapassaram as suas crises de puberdade, porque mascara as contradições que não conseguem ultrapassar, precisamente porque essas contradições são parte integrante deles.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Os epígonos manifestam este traço de forma mais evidente, e até mesmo exagerada. Marx dizia que a história repetia a tragédia de Napoleão I como comédia no reinado Napoleão III. Do mesmo modo, um certo bispo belga, que me parece uma espécie de mini-Paulo VI, acaba de ser encarregado de apresentar a nova missa ao público perplexo. “Isto, declarou ele em termos risíveis, marca o primeiro capítulo final da reforma litúrgica em curso desde o Vaticano II”. Assegura-nos que haverá um segundo capítulo final, e depois um terceiro, e assim por diante, sem parar. O homem que tenta fugir de si próprio através da mudança nunca o alcança, apesar dos seus esforços por vezes cômicos.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span class="tm7" style="color: #000000;">*</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Nesta perspectiva, é difícil encontrar dois papas na história que tenham divergido mais radicalmente do que São Pio X e Paulo VI.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Reli recentemente a encíclica </span><em><span class="tm9">Pascendi</span></em><span class="tm7">. Em quase todas as páginas, constato que aquilo que o primeiro rejeita, o segundo aceita, tolera e apoia.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">São Pio X foi a rocha da doutrina, um homem que não abandonou o seu posto e nem o seu povo durante a tempestade, e que não fugiu a nenhuma das suas responsabilidades, como Paulo VI admite ter feito no notável discurso que pronunciou a 7 de dezembro de 1968: “Muitos esperam do Papa gestos dramáticos e intervenções enérgicas e decisivas. O Papa não acredita que deva seguir outra linha que não seja a da confiança em Jesus Cristo, a quem a sua Igreja está confiada mais do que a qualquer outro. É Ele quem acalmará a tempestade”.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">São Pio X não era o homem de governo exclusivamente pastoral que Paulo VI pretendia ser no seu discurso de 17 de fevereiro de 1969, onde se dizia “aberto à compreensão e à indulgência”. Pelo contrário, foi um Papa que seguiu o exemplo dos seus predecessores, que defendeu a sã doutrina com extrema vigilância e firmeza inabalável, empenhado em salvaguardá-la de qualquer dano, recordando o mandato do Apóstolo: “Guarda o bom depósito” (2 Tim. I, 14)</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Para São Pio X, “Jesus Cristo ensinou que o primeiro dever dos Papas é guardar com a maior vigilância o depósito tradicional da fé, rejeitando as novidades profanas das palavras”, contra “aqueles que desprezam toda a autoridade e, apoiando-se numa falsa consciência, tentam atribuir ao amor da verdade aquilo que é na realidade o resultado do orgulho e da obstinação”. Nunca teria admitido, como Paulo VI insinuou muitas vezes, que “a verdade se encontra igualmente nas experiências religiosas” de outras religiões e que o mesmo Deus é comum aos judeus, muçulmanos e cristãos. Ele nunca “concedeu honras aos mestres do erro”, como Marie-Dominique Chenu e a sua laia, “de modo a fazer crer que a sua admiração não se destina apenas às pessoas, que talvez não sejam desprovidas de mérito, mas aos erros que professam e defendem abertamente”.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">São Pio X nunca teria sugerido que “o culto nasce de uma necessidade, pois tudo no sistema dos modernistas se explica por impulsos ou necessidades interiores”. Quantos textos de Paulo VI poderíamos enumerar aqui que afirmam exatamente o contrário, especialmente o seu discurso de 26 de novembro de 1969, onde justificou o seu repúdio do latim e do canto gregoriano na nova missa invocando a suposta necessidade de o povo de compreender a sua oração e de participar do ofício “na sua língua quotidiana”. São Pio X não aprovou a “grande ansiedade dos modernistas em encontrar uma forma de conciliação entre a autoridade da Igreja e a liberdade dos crentes”, como faz constantemente Paulo VI. Ele não professou “aquela doutrina perniciosíssima que faria dos leigos um fator de progresso na Igreja” e nem procurou “compromissos e transações entre as forças de conservação e de progresso na Igreja, a fim de realizar as mudanças e o progresso exigidos pelo nosso tempo”. Da mesma forma, São Pio X não seguiu o método “puramente subjetivo” que leva os modernistas “a colocarem-se na posição e na pessoa de Cristo e depois a atribuírem-Lhe o que teriam feito nas mesmas circunstâncias”, como faz Paulo VI quando afirma, depois de ter decretado unilateralmente o uso da missa nova, que a sua vontade “é a vontade de Cristo, o sopro do Espírito que chama a Igreja a esta transformação”, acrescentando, pateticamente, para mostrar que a sua inspiração coincide com a inspiração divina (embora especifique que não é o caso no seu Credo), que “este momento profético que atravessa o Corpo místico de Cristo, que é a Igreja, sacode-a, acorda-a e obriga-a a renovar a arte misteriosa da sua oração” (26 de novembro de 1969). “O que é mais seguro, dizia São João da Cruz, é fugir das profecias e das revelações, e se nos for revelada alguma coisa de novo em matéria de fé [a </span><em><span class="tm9">lex orandi</span></em><span class="tm7"> é também </span><em><span class="tm9">lex credendi</span></em><span class="tm7">, e toda a novidade manifesta no culto é novidade na fé] não se deve de modo algum consentir nela” (</span><em><span class="tm9">Subida do Monte Carmelo</span></em><span class="tm7">, 1. II, cap. 19 e 27).</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Por fim, não é evidente que, por detrás das intervenções de Paulo VI na cena mundial, se esconde a convicção, que São Paulo X rejeitava como perniciosa, de que “o Reino de Deus foi-se desenvolvendo lentamente no decurso da história, adaptando-se sucessivamente aos diferentes meios pelos quais passou, tomando emprestado deles, por assimilação vital, todas as formas [&#8230;] que lhe serviram de propósito”?</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Como John H. Knox observou num artigo penetrante na </span><em><span class="tm9">National Review</span></em><span class="tm7"> (21 de outubro de 1969), não há dúvida de que “nunca houve e provavelmente nunca haverá um papa que tenha tentado tanto agradar aos liberais e que partilhe tão sinceramente tantas das suas crenças”. E, no entanto, Paulo VI, num ato de suprema contradição, rotula este progressismo de </span><em><span class="tm9">modernismus redivivus</span></em><span class="tm7">!</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Em todo o caso, Paulo VI partilha evidentemente o objetivo principal dos modernistas de tornar a Igreja Católica aceitável para as igrejas não católicas e mesmo para todos os regimes ateus, como sugere o seu recente discurso de Natal (e muitos outros anteriores): A China e a Rússia merecem agora a deferência e a estima dos católicos! Recordemos o seu apoio entusiástico à juventude chinesa que Mao mobilizou para a “Revolução Cultural”!</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Trata-se de um sonho, de uma ilusão cuja vaidade o próprio Evangelho nos revela: a Igreja, por mais chamativa que se tente fazer, nunca será amada pelo mundo. Por mais dura que seja a nossa avaliação de Paulo VI, devemos dizer, em última análise, que, apesar das inegáveis qualidades do seu coração, o atual Papa vê sistematicamente as coisas de forma diferente do que elas são. O seu espírito é falso.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Como todos os falsos espíritos, é inconscientemente cruel. Enquanto um contemplativo é gentil, um homem de ação que, como Paulo VI, vê o objetivo da sua ação através de uma lente onírica, é impiedoso para com as pobres almas de carne e osso que não vê ou, se vê, considera como obstáculos. Assim se explica a inflexibilidade do caráter de Paulo VI, aparentemente contraditória com a sua incapacidade de governar a Igreja. Um homem de ação é quase sempre desumano, mas quando se move numa atmosfera milenar e espiritualmente triunfante, é preciso então ter medo&#8230; Paulo VI avançará, sem olhar para trás, esmagando todas as resistências&#8230;</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A menos que Deus lhe abra os olhos&#8230; Isso seria um milagre&#8230;</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span class="tm7" style="color: #000000;">*</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Resta-nos tentar incorporar na nossa vida a obrigação que São João da Cruz menciona numa das suas cartas: “Para ter Deus em todas as coisas, é preciso não ter nada em todas as coisas”. A Igreja entrou na Noite Escura dos sentidos e do espírito, a porta de entrada para a Aurora. A sua condição convida-nos a entrar na nossa.</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Esta fonte eterna está escondida nas profundezas,</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Bem sei onde tem a sua nascente,</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Embora seja noite!</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm9">Fim.</span></em></span></strong></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;"> </span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">* (Marcel De Corte nasceu na Bélgica em 1905 e morreu em 1994. Filósofo, herdeiro da grande tradição aristotélica, contemporâneo de Jacques Maritain, Étienne Gilson, Gabriel Marcel e Gustave Thibon, ensinou na Universidade de Liège até 1975. Colaborador frequente da revista católica </span><em><span class="tm9">Itinéraires</span></em><span class="tm7"> e autor de mais de vinte obras de reflexão filosófica, interessou-se nomeadamente pelas evoluções sociais decorrentes da Revolução Francesa e da Revolução Industrial, principalmente no que diz respeito à desintegração moral e social do homem moderno).</span></span></p>
<p class="Normal" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>SINAIS CERTÍSSIMOS: SOBRE OS MILAGRES E A CANONIZAÇÃO DO PAPA PAULO VI</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2021 13:38:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Paulo VI]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[Courrier de Rome n.º 608, Março de 2018 – Tradução: Dominus Est Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX [Nota do blog: texto escrito antes da canonização do Papa Paulo VI] «Signis certissimis»: tal é a expressão destacada pelo Concílio Vaticano I na &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sinais-certissimos-sobre-os-milagres-e-a-canonizacao-do-papa-paulo-vi/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignright" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b0/Paulus_VI%2C_by_Fotografia_Felici%2C_1969.jpg" alt="Papa Paulo VI – Wikipédia, a enciclopédia livre" width="182" height="235" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Courrier de Rome n.º 608, Março de 2018 – Tradução:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">[Nota do blog: texto escrito antes da canonização do Papa Paulo VI]</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«<em>Signis certissimis</em>»: tal é a expressão destacada pelo Concílio Vaticano I na constituição dogmática <em>Dei Filius</em>, sobre a fé católica. «Ora, para que, não obstante, o obséquio de nossa fé estivesse em conformidade com a razão [cf. Rm 12,1], quis Deus ajuntar ao auxílio interno do Espírito Santo os argumentos externos de sua revelação, isto é, os fatos divinos, e sobretudo os milagres e as profecias, que, por demonstrarem luminosamente a onipotência e a ciência infinita de Deus, são da revelação divina <strong>sinais certíssimos</strong> e adaptados à inteligência de todos»<strong>[1]</strong>. Este ensinamento do Concílio Vaticano I é confirmado pelo ensinamento do Papa São Pio X no <em>Juramento antimodernista</em>: «Segundo: admito e reconheço como sinais certíssimos da origem divina da religião cristã as provas externas da Revelação, isto é, os feitos divinos, em primeiro lugar os milagres e as profecias, e afirmo que são perfeitamente adaptadas à inteligência de todos as idades e [de todos os] homens, inclusive os da época presente»<strong>[2]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os sinais certíssimos são, portanto, os milagres. Em sua etimologia, a palavra «milagre» vem do substantivo latino <em>miraculum</em>, que por sua vez deriva do verbo <em>mirari</em>, que não significa «admirar»<strong>[3]</strong>, mas «considerar com espanto». Ora, espantar-se é considerar um efeito cuja causa é desconhecida. Portanto, o milagre é um efeito cuja causa mantém-se oculta, porquanto é incognoscível. Especificando ainda mais esse vínculo que relaciona a noção de milagre (e portanto de espanto) à ignorância de uma causa, Santo Tomás <strong>[4]</strong> mostra que o espanto sobrevém diante não de um efeito raro, mas de um novo e inabitual<strong>[5]</strong>. Ora, esse gênero de efeitos é aquele que não procede de causas já conhecidas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vamos mais longe distinguindo o que diz respeito ao espanto: Ele procede da ignorância de uma causa, e ela pode ser ignorada de duas maneiras. Ela pode estar oculta para uma categoria de observadores, mas não para todos: ela provoca então o espanto do vulgo diante daquilo que se convém chamar de maravilhoso (<em>mirum</em>). Por exemplo, o eclipse causa espanto no vulgo, mas não causa espanto no astrônomo. Em seguida, a causa pode estar oculta para qualquer que seja o observador: é o <em>miraculum</em> propriamente dito, aquele que provoca o espanto de todos, mesmo dentre estudiosos e sábios. A definição sintética e científica do milagre é formulada pelo doutor angélico<strong>[6]</strong> em termos já tornados clássicos: um fenômeno constatável pelo homem (e portanto sensível), mas cuja produção lhe escapa, dado que é sobrenatural, tem Deus como seu autor único e está além das capacidades de todas as naturezas criadas, inclusive a dos anjos.</span><span id="more-25691"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O milagre é um sinal na medida em que é um efeito que remete necessariamente a uma intervenção divina. Nesse caso, desde que o sinal seja verificado, o raciocínio sobre o qual se apoia torna-se irrefutável. O único meio de refutá-lo é negar o sinal. Porquanto se há efeito, há causa: se há fumaça, há fogo. Se há um milagre, há uma intervenção de Deus que atesta a verdade da doutrina ou a santidade da vida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás insiste sobre essa razão de ser do milagre. Deus faz os milagres em prol dos homens e em dois casos: seja para autenticar a pregação da fé, seja para autenticar a santidade de um homem que Ele quer propor como um modelo de virtude. Conforme o segundo fim, somente os santos podem fazer milagres, enquanto estão vivos ou após a morte<strong>[7]</strong>. O Concílio Vaticano I, no trecho já citado, insiste no fato de que os milagres são «fatos <strong>divinos</strong>» que, por demonstrarem luminosamente a onipotência e a ciência infinita de Deus, são sinais certíssimos da revelação divina. Esses «sinais» são fatos divinos, e é precisamente por serem divinos que eles são «certíssimos». O fato observado é o «sinal certíssimo» e absolutamente indubitável da verdade da doutrina ou da santidade da vida, na medida exata em que ele é um «fato divino», ou seja, um fato que só Deus poderia ter produzido. Fora disso, nenhum sinal e nenhuma certeza. Um fato em que não se pudesse dizer que só Deus poderia produzi-lo, ou seja, em particular um fato em que a ciência ou a medicina não conhecem tudo o que lhe diz respeito, de tal maneira que não se poderia excluir absolutamente a intervenção de uma causa criada de ordem natural para explicar sua produção, esse tal fato não poderia representar o sinal certíssimo requerido pela Igreja para atestar a verdade da doutrina ou da santidade de vida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo o parecer de todos os médicos competentes, certas curas, ainda que raras ou excepcionais, não são por isso miraculosas: elas não são nem novas e nem inabituais<strong>[9]</strong>. Os fatos desse gênero não poderiam representar, portanto, os «sinais certíssimos» necessários para atestar a santidade de vida, tal como se requer durante um processo de beatificação ou de canonização. Por isso a sabedoria milenar da Igreja, tal como se exprimiu nas normas anteriores ao Novo Código de 1983, previa a não consideração desses fatos. Desde o Novo Código, as novas normas pós-conciliares abriram a porta para todos os abusos, incluindo a canonização dos papas fundadores do Vaticano II: João XXIII, Paulo VI e João Paulo II.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A canonização de Paulo VI está sendo considerada seriamente para o próximo outono. Os teólogos da Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano reconheceram um suposto milagre atribuído à intercessão de João Batista Montini. Esse milagre diz supostamente a respeito ao nascimento de uma criança originária de Verona, acontecido em 2014. No quinto mês da gravidez, acontece uma ruptura da placenta. Sua mãe, recusando-se recorrer ao aborto preconizado pela medicina, reza então, ao lado de uma religiosa, no Santuário das Graças em Brescia. A garotinha, chamada Amanda, nasceu no sexto mês da gravidez e desde então cresceu sem problemas. Não obstante o parecer dos teólogos do atual Vaticano, a natureza miraculoso desse fato mantém-se mais que duvidosa. Com efeito, ocorre que frequentemente um bebê sobrevive ao descolamento de placenta. A separação da placenta da parede uterina, se ela se dá no último trimestre de gravidez, pode certamente comprometer a vida e a saúde do bebê, mas não leva necessariamente à morte do feto ou à má formação congênita. Há somente um sério fator de risco, não uma causa certa de morte ou deformidade. Para ser exato, o pretenso milagre não consiste na cura não explicada de uma doença fetal existente ou de uma deformidade, nem a cura da placenta já descolada. Contenta-se aqui em afirmar que o risco não produziu seus efeitos. O caráter milagroso de tal resultado é afirmado de maneira puramente gratuita, sem verdadeiras provas. Não há nenhum «sinal certíssimo» da santidade de Montini.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ademais, Deus, sendo a própria Sabedoria, não pode produzir esses «sinais certíssimos» para se tornar testemunha do erro ou do pecado; tampouco para atestar uma virtude no máximo ordinária; e menos ainda para respaldar o escândalo de um pontificado que acelerou a protestantização da Igreja. O milagre é necessário para atestar a virtude heroica, que por sua vez é o que constitui a santidade e o que a Igreja quer dar como exemplo<strong>[10]</strong>. A virtude heroica supõe as virtudes morais e teologais em grau eminente. Ora, sem a prudência, diz Santo Tomás<strong>[11]</strong>, não se poderia ter verdadeira virtude moral e não está nem um pouco claro que Paulo VI tenha exercido essa virtude cardeal em grau eminente. Quanto às virtudes teologais, elas apoiam-se na fé, e é bem duvidoso que Paulo VI tenha possuído e exercido essa virtude fundamental em grau eminente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É concebível dar como exemplo a toda a Igreja o papa que declarou: «A Tradição não é um dado congelado ou morto, um fato de alguma maneira estático que bloquearia em dado momento a vida desse organismo ativo que é a Igreja» e que censurou Mons. Lefebvre de evocar um conceito «falseado» da Tradição<strong>[12]</strong>? O pontificado de João Batista Montini é, em todo caso, um sinal certíssimo da introdução de um espírito novo na Igreja, «espírito liberal, teillardiano, modernista, oposto ao Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo»<strong>[13]</strong>. Um espírito oposto Àquele que animava todos os santos canonizados antes do Concílio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">DS 3019.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">DS 3539.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Admirar» traduz com precisão o verbo latino <em>animadvertere</em>. A admiração está no termo final da busca filosófica, enquanto que o espanto está em seu termo inicial. Começamos por nos espantarmos, pois não vemos a causa da qual procede o efeito observado (o que implica uma deficiência, ou uma privação de conhecimento) e em seguida admiramos conjuntamente o efeito e sua causa enfim descoberta (o que implica uma perfeição ou uma plenitude de conhecimento). Admiramos porque compreendemos, porque vimos e porque sabemos, enquanto que nos espantamos porque não compreendemos, porque não vemos e porque ignoramos.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Suma Teológica</em>, IIIa pars, questão 15, artigo 8.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que é raro não necessariamente é novo e inabitual. Um efeito raro é um efeito que não se produz com frequência, mas pode se tratar de um efeito já produzido e com uma frequência suficiente para não ser nem novo e nem inabitual. Assim ocorre com certas curas, raras mas perfeitamente identificadas e explicadas pela medicina.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Suma Teológica</em>, Ia pars, questão 110, artigo 4.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Suma Teológica</em>, IIaIIa, questão 178, artigo 2, corpus.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">DS 3019.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cf. explicação do Doutor Jean-Pierre Dickès, «Santo súbito: um milagre subitamente explicável e portanto de forma alguma miraculoso!» no site <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/actualites/eglise/santo-subito-un-miracle-subitement-explicable-donc-nullement-miraculeux-dr-j-p-dickes-10-juin-2014"><em>La Porte Latine</em></a></span>, 10 de junho de 2014. Segundo o parecer dos especialistas, o suposto milagre tomado pela Santa Sé para a canonização de João Paulo II cai nessa categoria de curas raras, mas medicamente explicáveis por fatores naturais. Médicos de reputação internacional protestaram com veemência contra a fraude, mas em vão.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>10</strong>. Cf. artigo «D’avril à octobre» publicado no número de julho-agosto de 2014 do <em>Courrier de Rome.</em></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Suma Teológica</em>, IaIIa, questão 58, artigo 4.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Proposta de Paulo VI citada por Mons. Lefebvre na Conferência em Écône de 18 de outubro de 1976, <em>Vu de haut</em> nº 13, capítulo XIV, p. 45-46.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Extraído do livro <em>J’accuse le Concile</em>, citado por Mons. Lefebvre, <em>Vu de haut</em> nº 13, capítulo XII, p. 37.</span></li>
</ol>
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		<title>A CRISE NA IGREJA CATÓLICA PARTE 4 &#8211; A MISSA NOVA DE PAULO VI</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Apr 2020 15:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nesta quarta parte sobre a Crise na Igreja Católica nossos amigos Diogo e Sara abordam o tema da Missa Nova de Paulo VI. Para além de representar um perigo para a fé, pelas adulterações do ofertório e cânon, todo o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-crise-na-igreja-catolica-parte-4-a-missa-nova-de-paulo-vi/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nesta quarta parte sobre a Crise na Igreja Católica nossos amigos Diogo e Sara abordam o tema da Missa Nova de Paulo VI. Para além de representar um perigo para a fé, pelas adulterações do ofertório e cânon, todo o seu desenvolvimento está imbuído de um espirito protestante ecumênico que falha em transmitir a doutrina católica. A Santa Missa tem 4 objetivos principais: Adoração a Deus, Remissão dos Pecados (vivos e mortos), Ação de Graças e Petição. A Missa de Paulo VI é por sua vez ecumênica, uma refeição, presidida por um &#8220;presidente&#8221; da comunidade, toda a sua concepção é errônea e conduz à deformação da fé. Para além de todos os problemas doutrinais, existe ainda envolvente que decorre desta fraquíssima expressão teológica, nomeadamente a imodéstia no vestir, a irreverência (comunhão na mão, de pé, ministros da comunhão), tudo isto frutos de uma ideia errado do Santo Sacrifício.</span></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/wwlR2m_cew4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>AS DEMOLIÇÕES DE PAULO VI</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Nov 2019 14:24:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nota da Permanência: Retomamos a publicação da série &#8220;Breve crônica da ocupação neo-modernista na Igreja Católica&#8221;, utilíssima para quem quiser compreender como chegamos ao atual estado de coisas em Roma. Na foto ao lado, o Papa Paulo VI entrega seu &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-demolicoes-de-paulo-vi/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><img class="aligncenter" src="http://permanencia.org.br/drupal/sites/default/files/imagens/ramsey.png" alt="" width="312" height="233" />Nota da Permanência: Retomamos a publicação da série &#8220;Breve crônica da ocupação neo-modernista na Igreja Católica&#8221;, utilíssima para quem quiser compreender como chegamos ao atual estado de coisas em Roma. Na foto ao lado, o Papa Paulo VI entrega seu anel episcopal ao &#8220;arcebispo&#8221; anglicano Ramsey.</em></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto a Paulo VI, é claro que um filo modernista como ele, chegando a ocupar – com a permissão de Deus e em punição de nossos pecados – a Sé de Pedro, não poderia ser senão um demolidor da Igreja. Além, evidentemente, de suas intenções pessoais, ou melhor, de suas utopias pessoais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Admirador de personagens como Blondel, <a style="color: #000000;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5203">Teilhard de Chardin</a>, Henri de Lubac, do &#8220;segundo&#8221; Jacques Maritain e de outros da mesma laia, o Papa Paulo VI se emprenhou, com obstinação digna das melhores causas, à aplicar em todos os domínios as novas doutrinas do Vaticano II. Ele desmantelou todas as defesas da Igreja, em particular pela reforma do Santo Ofício; promoveu a difusão da <em>nova teologia</em> em todas as faculdades pontificais, universitárias e seminários (ainda hoje, como já sublinhamos, Henri de Lubac e Von Balthasar, com Karl Rahner, dominam imperturbavelmente o currículo dos estudos teológicos); obrigou os religiosos dos dois sexos a um <em>aggionarmento</em> catastrófico de suas Regras e Constituições segundo o “espírito” do Vaticano II (resultado: conventos vazios e vocações raras); favoreceu também o <em>aggionarmento</em> de padres e seminaristas a fim de que se engajassem na abertura ao mundo promovida pelo Concílio (resultado: defecção súbita de <em>dezenas de milhares de padres</em> e a difusão lenta mas inexorável de um espírito secularizado, que se reflete até mesmo nas vestimentas); deixou completamente impunes os propagadores de heresias e de imoralidades que, imediatamente após o Vaticano II, espalharam-se como fogo no mundo católico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Por ocasião da morte do Papa João &#8212; relembrava o Pe. Francisco Spadafora, célebre exegeta – dava-se como certa a eleição de Montini, e os membros do Sacro Colégio foram advertidos que isto constituiria <strong>um grave perigo para a fé</strong>. Foi tudo em vão: a maior parte dos eleitores devia as suas púrpuras aos bons ofícios de Montini, sob a influência do qual se tinha desenrolado o pontificado do Papa João: por esta razão também, sua eleição era certa.</span><span id="more-17997"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Depois que se tornou Papa, Giovanni Battista Montini teve entre as mãos o poder de impor desde o alto as orientações liberais e filo modernistas as quais aspirava desde sua juventude. Ele empreendeu assim a operação mais louca e catastrófica que jamais se poderia conceber: a experimentação na Igreja das novidades defendidas pelos modernistas. E é aqui que começa o “paralelismo antitético” que ocorre espontaneamente ao espírito de quem quer que corra o olhar sobre a vida de São Pio X, da sua infância até o episcopado, de quando era Patriarca de Veneza até tornar-se Soberano Pontífice. <strong>São Pio X armou contra o modernismo uma série de barreiras; Paulo VI jogou-as por terra, uma após a outra</strong>:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Contra a infiltração modernista nas fileiras do clero, São Pio X, pelo Motu Proprio <em>Sacrorum Antistitum</em>(Setembro de 1910), tinha imposto um juramento anti-modernista; Paulo VI o aboliu em Dezembro de 1967.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Aos eclesiásticos modernistas ou filo-modernistas que ousavam se atrever apesar do Decreto <em>Lamentabile</em>e da Encíclica <em>Pascendi</em>, São Pio X, pelo Motu Proprio de 18 de Novembro de 1907, pronunciou a excomunhão<em> Latae Sententiae</em> reservada <em>simpliticer</em> ao Pontífice Romano; Paulo VI quis que não se falasse mais de excomunhões.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Para combater a &#8220;síntese de todas as heresias&#8221;, que era o Modernismo, São Pio X reorganizara o Santo Ofício com a Constituição <em>Sapienti Concilio</em>de 29 de Junho de 1908; Paulo VI desarmou-o de modo insensato, declarando que heresias e desordens generalizadas “graças a Deus, não existiam mais no seio da Igreja” (cf. Enciclica <em>Ecclesiam suam</em>) e que “a defesa da fé agora é melhor servida pela promoção da doutrina” do que por condenações (1965); como se aos promotores de heresias, homens como Schillebeeckx, Chenu, Congar, Rahner, Kung, faltasse doutrina e não boa fé. Como se a Igreja não tivesse mais o gravíssimo dever de empregar contra a tenacidade dos hereges o poder coercitivo do qual Nosso Senhor Jesus Cristo a dotou.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Hoje, o ex-Santo Ofício é simplesmente a Congregação para a Doutrina da Fé, que emite, de tempos em tempos, para assinalar um erro mais evidente em um mar de heresias, <em>Notas</em> que ninguém lê e do qual se pode em toda impunidade, não levar em conta. </span></li>
<li><span style="color: #000000;">Para impedir toda a manipulação modernista da catequese, São Pio X, quisera um catecismo fundamental, único para toda a Igreja. O Catecismo de São Pio X foi vítima de ostracismo com Paulo VI, que quis o pluralismo também na Catequese, mostrando-se incrivel e culpavelmente tolerante quando explodiu o escândalo do herético catecismo holandês, protótipo de todos os catecismos que em seguida vieram à luz, como cogumelos venenosos na Igreja.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Para desarmar a tática incidiosa dos modernistas, que simulavam incerteza e indecisão, e apresentavam seus erros de modo disperso e desarticulado, São Pio X desmascarou a conexão existente entre todas estas perniciosas novidades, demonstrando que “se encontrava diante de um verdadeiro sistema de erros bem organizados”. A Encíclica <em>Pascendi</em>, revelando a face do modernismo, dera-lhe um golpe mortal e interrompera a sua marcha vitoriosa.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Ora, por ocasião do septuagésimo aniversário da grande Encíclica os meios de comunicação do Vaticano (Rádio Vaticano de 4 e 6 de Setembro de 1977 e o <em>L’Osservatore Roman</em>o de 8 de Setembro de 1977: <em>repetita iuvant!</em>) definiram a Encíclica <em>Pascendi</em>como uma revelação do modernismo “não inteiramente respeitosa do ponto de vista histórico”: exatamente a tese sustentada em seu tempo pelos modernistas. Mas isso não era suficiente: toda a luta anti-modernista de São Pio X foi denegrida por estes mesmos órgãos com a incrível afirmação: “<em>não se soube, não se quis ou não se teve a respeitosa coragem de ler em sua realidade distinções e diferenças”</em>.</span><br />
<span style="color: #000000;"> São Pio X, em suma, teria sido um imbecil, um desonesto ou um pusilânime: estranha comemoração, que revelava na alma do Papa Montini uma corrosão de longa data. Os diferentes documentos oficiais ligados à <em>Pascendi</em> foram rejeitados do mesmo modo (Decreto <em>Lamentabili</em> e os diferentes Motu Proprio), como “um corte imprevidente aos botões que ainda estavam em crescimento” &#8212;  esses botões são hoje uma mata espessa abafando a boa semente na Igreja.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Para combater o racionalismo modernista na exegese, São Pio X, dera uma estabilidade à Comissão Bíblica Pontifical, querida por Leão XIII e pelo Motu Proprio de 18 de Novembro de 1907, ele decretara que “todos são obrigados em consciência às decisões passadas e futuras da Comissão Bíblica Pontifical, como aos decreto das doutrinais das Sagradas Congregações aprovadas pelo Pontífice”. Hoje todo mundo está livre desta obrigação de consciência, porque a Comissão Bíblica Pontifical foi reduzida por Paulo VI em 1972 a uma sessão inútil e desarmada da Congregação para a Doutrina da Fé, e ela nunca mais emitiu um só decreto.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Para colocar ao abrigo dos modernistas no domínio bíblico os jovens clérigos desejosos de se especializar na ciência da Sagrada Escritura, São Pio X erigiu em Roma em 7 de Maio de 1909 o Instituto Bíblico Pontifical. </span><br />
<span style="color: #000000;"> Hoje, graças a Paulo VI, o Instituto Bíblico Pontifical é um antro de modernistas, uma das principais fontes de contaminação da Igreja. Relembremos, entre outros, que em 1964 por vontade expressa do Papa Montini e por pressões exercidas pela Companhia, reclamaram ao <em>Biblicum</em>os jesuítas Zerwick e Lyonnet, outrora expulsos do ensino e condenados pelo Santo Ofício sob o pontificado de João XXIII. O penúltimo reitor do Biblicum, Carlo Maria Martini S.J., que em seguida foi feito arcebispo de Milão e cardeal por&#8230; méritos particulares.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Para assegurar uma formação do clero doutrinalmente sólida e ortodoxa, São Pio X quisera os seminários regionais e produzira as “regras para a orientação educativa e disciplinar dos Seminários da Itália”. Paulo VI confiou a Congregação para a Educação Católica ao cardeal Garrone que tinha o mérito&#8230; de ter desencadeado, durante o Concílio, um feroz ataque contra os seminários regionais. Era a autorização para demolir estes gloriosos Institutos, dos quais não restam hoje mais do que a lembrança.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Para consolidar a Igreja em seu conjunto, São Pio X, empreendera a unificação das leis eclesiásticas em um Código de Direito Canônico, promulgado em seguidas por Bento XV; Paulo VI quis outro Código, sem outro motivo que o de abrir a Igreja para a penetração dos princípios modernistas.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">São Pio X condenara resolutamente o diálogo inter-religioso, porque nocivo para a fé dos católicos e fonte de indiferença religiosa; Paulo VI adotou o ecumenismo insensato dos modernistas, definido por São Pio X como “caridade sem fé, benevolente para com os incrédulos, e abrindo a todos, infelizmente, a via da eterna ruína”.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Arcebispo de Milão, Giovanni Battista Montini declarava em 1958: “os limites da ortodoxia não coincidem com “os da caridade pastoral”. Uma vez Papa, seguiu na mesma direção. (Neste domínio, João Paulo II o excedeu, indo muito mais longe que seu “mestre”, como ele gostava de chamar Paulo VI).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Até aqui o relato do Pe. Spadafora1. Só nos resta agora denunciar, em uma ordem cronológica, alguns outros golpes de marreta dados na Santa Igreja por Paulo VI, em nome de suas utopias:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">20 de Março de 1965: Paulo VI recebe os dirigentes do Rotary Clube, uma organização “da qual o erro maçônico é bem conhecido”, como o confirma o padre Rosário Espósito SSP. Durante a audiência,  no entanto, Paulo VI assegurou que “a fórmula associativa” deste clube para-maçônico “era bom (&#8230;) assim como o método (&#8230;) e os objetivos seguidos”2.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Um tal pensamento diz muita coisa sobre a origem das idéias do Vaticano II promovidas pelo Papa Montini.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">15 de Setembro de 1965: Paulo VI, pelo Motu Proprio <em>Apostolica Sollicitudo</em>, institui o Sínodo dos Bispos para a Igreja Universal; um organismo que jamais existiu outrora na Igreja, gerado por um “imbróglio” doutrinal da<em>Lumen Gentium</em>, e que, bem que ele não tenha – por enquanto – um papel puramente consultivo, constitui  nas primeiras intenções dos novos modernistas um primeiro rascunho do futuro parlamento eclesial, na qual o Primado de jurisdição do Papa, um tanto detestado, será finalmente abolido para dar lugar a um simples e inútil primado de honra, em uma confederação de Igrejas praticamente autônomas.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">4 de Outubro de 1965: Paulo VI, convidado ao Palácio de Vidro da ONU em Nova Iorque, afima: “Senhores, fizestes uma grande obra: vós ensinastes aos homens a paz. A ONU é a grande escola onde se recebe esta educação&#8230; somente pela política e pelo equilíbrio das forças e dos interesses. Ela se constrói pelo espírito, pelas ideias, pelas obras da paz. Vós trabalhais para esta grande obra.”. No entanto, é sabido que a ONU, herdeira da Sociedade das Nações, é uma instituição puramente maçônica, bem como os seus ramos e as associações que lhe são ligadas, como o reconhece expressamente o Padre Espósito SSP, que nos forneceu em outros lugares uma curta lista das principais sociedades de origem maçônica que trabalhavam “para realizar a paz”, à saber: “a Cruz Vermelha, as Conferências e os institutos da Aja, a ONU (que se chamava Sociedade das Nações), a UNESCO, a Organização Mundial de Saúde, a FAO, a UNICEF”</span><br />
<span style="color: #000000;"> Cada um pode medir a gravidade das palavras de Paulo VI: a ONU, ou seja o humanitarismo maçônico, trará a paz ao mundo&#8230;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">7  de Agosto de 1965: Paulo VI e o Patriarca cismático de Constantinopla, Atenágoras I, assinam uma declaração comum na qual são retiradas, reciprocamente, as excomunhões pronunciadas no ano de 1054 pelo Papa São Leão IX (plenamente válida) e, em retaliação, pelo cismático Miguel Cerulário, Patriarca de Constantinopla (totalmente inválida).</span><br />
<span style="color: #000000;"> Deixando de lado toda a consideração, observamos que o caminho abria-se indiretamente à falsa doutrina das “Igrejas irmãs” (a Católica e as “ortodoxas”): como se Nosso Senhor Jesus Cristo não tivesse fundado uma só Igreja Católica sobre o rochedo de Pedro, ou como se a única Igreja Católica pudesse ser dividida em várias partes &#8212; tese, como já vimos, condenada Pio IX na Encíclica <em>Mortalium Animos</em>.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">23 de Março de 1966: Paulo VI, na Basílica romana de São Paulo fora dos Muros, fez com que os presentes fossem abençoados – entre os quais cardeais e bispos &#8212; pelo “arcebispo” herege e cismático anglicano da Cantuária, Doutor Ramsey (na realidade, um simples leigo: as ordenações anglicanas foram declaradas inválidas pelo Papa Leão XIII na Bula <em>Apostolicae curae</em>de 13 de Setembro de 1896)3. Enfim, num gesto claramente simbólico, ele tira do seu dedo o anel papal, símbolo da autoridade dos Sucessores de Pedro, e o coloca no dedo de Ramsey4</span></li>
<li><span style="color: #000000;">14 de Junho de 1966: Paulo VI, pela Notificação <em>Post Litteras apostólicas </em>do antigo Santo Ofício<em>,</em>aboliu o <em>Index</em> dos livros proibidos, sob o pretexto da “consciência [doravante] madura dos fiéis“. Essa consciência, em sua opinião, iria mantê-los afastados das leituras perigosas para a fé e a moral. Os resultados só podemos imaginar.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">18 de Junho de 1967: Paulo VI, no Motu Proprio <em>Sacrum diaconatos ordinem</em>, sob o pretexto de restaurar o Diaconato sob uma forma permanente e não mais somente em previsão do sacerdócio, estabeleceu que, “podem ser chamados ao diaconato homens de idade mais madura, tanto celibatários quanto casados”. Era a primeira etapa necessária para preparar gradualmente os fiéis a aceitar a futura ordenação sacerdotal de homens casados, idéia fixa ecumênica da Karl Rahner, para quem o diaconato de homens casados constituía uma cartilha ideal da destruição do celibato sacerdotal. Seu mais fiel discípulo, Herbert Vorglirmer, escrevia com efeito, dele: “Desta reforma[do diaconato – Ndr] no interior da Igreja, ele se prometia de obter uma imagem menos rígida do clero, mais variada&#8230;O clero evitaria assim de exibir assim uma sacralidade mais afastada do mundo; ele poderia se casar, ou não se casar.”5</span><br />
<span style="color: #000000;"> Um clero laicizado, amando suas comodidades, desprovido do espírito de sacrifício e, finalmente, casado&#8230;Olhando bem ao redor de nós, já estamos quase atingindo este ponto.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">3 de Abril de 1969: Paulo VI, pela Constituição Apostólica <em>Missale Romanum</em>, depois pela publicação do <em>Novus Ordo Missae</em>, tenta substituir o antigo rito romano da Santa Missa por uma “nova missa” &#8212; esta de hoje – elaborada com fins ecumênicos, com a supressão ou atenuação das expressões ou de gestos que exprimem os dogmas recusados pelos protestantes (seis “peritos” protestantes foram chamados para dar sugestões na matéria durante o trabalho da Comissão Litúrgica). Desse ponto trataremos mais longamente em seguida, devido a particular gravidade da coisa.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">30 de Abril de 1969: Paulo VI aprova a Instrução <em>Fidei Custos</em>da Sagrada Congregação para os Sacramentos.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Nesta Instrução, o Papa, contra a precedente e constante interdição da Igreja desde os tempos apostólicos, autorizou os leigos a distribuírem a santa Comunhão com o habitual e especioso pretexto de “circunstâncias particulares ou novas necessidades”. Como se tais “circunstâncias” e “necessidades” particulares inexistissem no passado, sem, entretanto que os Papas ousassem autorizar tais disposições. Tratava-se na realidade de outro gesto ecumênico (em vista de um futuro nivelamento entre o sacerdócio e o laicato, tal qual defendido por Lutero) e demo-conciliar: os leigos, homens e mulheres, entram no Santo dos Santos e substituem assim o dever reservado pelo Cristo aos apóstolos e ao clero.</span><br />
<span style="color: #000000;"> Um passo após o outro, os dois sacerdócios (o sacerdócio hierárquico decorrente do sacramento da Ordem e o sacerdócio comum dos simples batizados), teoricamente ainda declarados distintos por essência, são gradualmente colocados em igualdade e assimilados na prática, ou seja, na liturgia e na pastoral, domínio de ação preferida desde sempre pelos modernistas de todos os tempos. </span></li>
<li><span style="color: #000000;">29 de Maio de 1969: Paulo VI aprova a Instrução <em>Memoriale Domini </em>da Sagrada Congregação para o Culto Divino, que, de modo manifestamente incoerente e ilógico, depois de ter reafirmado a posição da Igreja acerca da distribuição da Santa Eucaristia nas mãos, posição motivada em particular pelo “perigo de profanar as espécies Eucarísticas” mesmo involuntariamente, e também pela necessidade de conservar “o reverente respeito dos fiéis para a Eucaristia” conclui, algumas linhas depois, com uma autorização (para as Conferência Episcopais de nações onde a prática da comunhão nas mãos <em>já havia sido abusiva e ilegalmente introduzida</em>) para que seja deliberado sobre a sua admissibilidade&#8230;De fato, era um sinal claro dado aos modernista do grupo de “vanguarda” para que continuassem seu trabalho demolição da fé. Será suficiente àqueles que ainda duvidam olhar em torno deles para constatar que aquilo mesmo que tinha sido explicitamente qualificado de <em>abuso gravíssimo</em>e de gesto potencialmente <em>sacrílego</em> tornou-se hoje, graças ao trabalho dos inefáveis “bispos conciliares”, um <em>uso geral</em> no mundo católico inteiro.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">15 de Agosto de 1969: Paulo VI aprova o novo rito <em>Rito dos Funerais</em>pelo qual, rompendo mais uma vez com a Tradição apostólica, concedeu o rito dos funerais mesmo “àqueles que teriam escolhido a cremação de seu cadáver”, com a única condição de que “sua escolha não seja ditada por uma motivação contrária à doutrina cristã&#8221;.</span><br />
<span style="color: #000000;"> A matéria estava regrada, no antigo Código, pelo Cânon 1203 §1 e 2, que privava de funerais e de sepultura eclesiástica – em tanto que pecadores  públicos – aqueles que tinham escolhido deliberadamente a cremação de seu corpo6, e condenava aqueles que cooperavam a este ato sob pena de excomunhão e interdição7. Desde os tempos apostólicos, com efeito, a Igreja tinha ordenado aos fiéis a prática da inumação ou sepultura “salvo caso de necessidades como as epidemias, guerras, e etc.” como manifestação da fé católica na ressurreição dos corpos. E é por esta razão que a propaganda para a prática crematória tinha sido um cavalo de batalha nas lojas maçônicas entre o final do século XIX e os primeiros decênios do século XX, na esperança de corromper progressivamente a fé do povo cristão. Hoje essa propaganda retorna sempre mais insidiosa e sustentada por argumentos astutos já refutados (exigência de lugar, de higiene, etc.), mas desta vez – está aí a triste novidade – com o apoio indireto da “hierarquia conciliar”. A explicação desta enésima mudança nos é dada na revista dos religiosos paulinos <em>Vita Pastorale</em>, um dos numerosos periódicos pseudo-católicos italianos (como, para um público mais largo, <em>Famiglia Cristiana</em>, <em>Jesus</em> e outros ainda) destinados à reciclagem conciliar do clero e dos religiosos: “A Igreja continua a preferir a inumação, mas ela apaga as sanções canônicas que atingiam a cremação. Deste modo, o caminho da reconciliação com a maçonaria foi facilitado”.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">31 de março de 1970: Paulo VI, com o Motu Proprio <em>Matrimonia mixta, </em>aboliu a exigência feita aos cônjuges não católico de prometerem de forma solene a deixar que os filhos sejam batizados e educados na religião católica (como sempre fora feito: cf. <em>Codex Iuris Canonici, </em>de 1917, can. 1061). O cônjuge não católico doravante deverá ser simplesmente “informado&#8221; dos engajamentos assumidos pela parte católica, sem nenhum engajamento pessoal da sua própria parte.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa regra absurda e mortal passará em seguida para no novo Código de 1983 (can. 1125). E assim, graças à “magnânima caridade ecumênica e pastoral” de Paulo VI e do “clero conciliar”, só resta hoje imaginar quantas almas não puderam receber o batismo, a verdadeira fé e a salvação. </span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Mas, ainda resta o problema de saber <em>quantos desses casamentos são efetivamente válidos, </em>posto que se trata — não esqueçamos — de casamentos em si mesmos <em>interditos de direito </em>divino por conta do perigo de perversão espiritual do cônjuge católico e dos filhos. Sua validade é, portanto, condicionada ao afastamento do perigo em questão (evidentemente, deve tratar-se de um perigo <em>próximo), </em>a ponto de mesmo o bispo não poder <em>validamente </em>dar a dispensa na ausência desta garantia. Garantia que as novas regras <em>ecumênicas </em>não garantem mais, na maior parte.</span></li>
<li>21 de novembro de 1970: o Papa Paulo VI, pelo Motu Proprio <em>Ingravescentem aetatem, </em>proibiu aos cardeais com mais de 80 anos participarem no Conclave para a eleição do Soberano Pontífice. Tratou-se de uma disposição absolutamente inédita na Igreja, assim como o foi também a exortação que pressionava pela demissão dos bispos com mais de 75 anos de idade, pelo Motu Proprio <em>Ecclesiae sanctae</em>, de 6 de agosto de 1966. Deste modo, Paulo VI podia eliminar das dioceses, da Cúria e sobretudo do futuro Conclave, uma boa parte dos elementos ainda demasiado “tradicionais&#8221; que teriam perturbado a instauração da nova “Igreja conciliar”, nascida do Vaticano II. Ao mesmo tempo, Paulo VI cuidava para que os postos vagos fossem ocupados por candidatos selecionados segundo os novos critérios “conciliares”: adesão — ou ao menos aquiescência — à <em>abertura ao mundo </em>e <em>às novidades conciliares</em>. Quanto a isso, o Cardeal Ratzinger foi claríssimo: “Nos primeiros anos após o Vaticano II [e ainda é assim] — o candidato ao episcopado devia ser um padre que fosse, antes de tudo, ‘aberto ao mundo’: de todo modo, este pre-requisito foi posto em primeiro lugar”8.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis em que mãos caiu o pobre e iludido “povo de Deus”!</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">22 de julho de 1976: Paulo VI, por uma Notificação da Sagrada Congregação dos Bispos (Prot. n. 514/76), e por um abuso manifesto de poder, infringiu a pena da suspensão <em>a divinis</em>ao Arcebispo Marcel Lefebvre, após as ordenações sacerdotais que realizou, apesar da interdição papal.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O “erro&#8221; de Dom Lefebvre foi na realidade, como o próprio Papa Paulo VI afirmou, o ter se oposto às novidades protestantizantes e maçonizantes do Vaticano II, e de ter querido continuar a formar seminaristas conforme a Tradição perene da Igreja católica, exatamente como todos os bispo do mundo fizeram — ou deveriam ter feito — <em>até apenas dez anos antes, </em>segundo as graves diretrizes do Papa Pio XII.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5544">Permanencia</a></span></strong></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">F.SPADAFORA, O Post-Concilio. Crise, diagnóstico e tratamento, Editora Settimo Sigillo, Roma 1991, PP 83-87</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Oss Rom, 22 e 23 de Março de 1965.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Dz 3315-3319</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Oss.Rom.De 25 de Março de 1966</span></li>
<li><span style="color: #000000;">H.VORGLIRMER, Karl Ruhner verstehen, Herder, Fribour 1985, p.188</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Can.1240, §1, n.5</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Can. 2339.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">J. Ratzinger, <em>Entretiens sur la foi</em>.</span></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>PAULO VI E A AUTO-DEMOLIÇÃO DA IGREJA</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/paulo-vi-e-a-auto-demolicao-da-igreja/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Oct 2019 14:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Paulo VI]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>
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		<description><![CDATA[Pe. François Marie-Chautard, FSSPX É preciso reconhecer que o papa Paulo VI trouxe um sério problema à consciência dos católicos. Esse papa causou mais males à Igreja que a Revolução de 1789”. (Dom Marcel Lefebvre)1 Quando em junho de 1963 Paulo &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/paulo-vi-e-a-auto-demolicao-da-igreja/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" src="http://permanencia.org.br/drupal/sites/default/files/imagens/Paulo_VI.jpeg" alt="" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5485">Pe. François Marie-Chautard, FSSPX</a></em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>É preciso reconhecer que o papa Paulo VI trouxe um sério problema à consciência dos católicos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Esse papa causou mais males à Igreja que a Revolução de 1789”.</em> (Dom Marcel Lefebvre)1</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando em junho de 1963 Paulo VI tomou posse do segundo e terceiro andares do Palácio Apostólico, tradicionalmente reservados ao Santo Padre, tratou de arrumá-los a seu gosto. Amante de arte contemporânea, queria dar um aspecto moderno a seus apartamentos. Tapeçaria e poltronas antigas foram substituídas por tecidos e móveis de estilo recente, os aposentos renovados foram adornados com obras de artistas em voga, e sua capela privada foi transformada no espírito dos anos 60.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história do seu pontificado revelaria que essa nova decoração era representativa da maneira com a qual o novo papa iria considerar e reger a Tradição da Igreja. <a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5485">(Continue a ler)</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No vocabulário católico, a palavra Tradição indica várias realidades. Em primeiro lugar o objeto da Revelação, ou seja, as verdades reveladas, o depósito da fé. “Tradição” indica igualmente o ato de ensino pelo qual esse depósito revelado é fielmente transmitido. Pode também significar o órgão deste ensino, isto é, o Magistério constituído pelo papa e os bispos. Mais amplamente, a palavra “Tradição” compreende todo o patrimônio doutrinal, canônico, litúrgico, pastoral, religioso e artístico da Igreja. Desde a crise da Igreja, a palavra é utilizada para qualificar o movimento dos católicos da Tradição, os tradicionalistas. Por fim, ela qualifica a noção ou o modo de transmissão, e assim fala-se de “Tradição viva”. As relações de Paulo VI para com a Tradição podem ser vistas a partir dessas diferentes acepções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Tradição como depósito da fé</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O papa Paulo VI nunca ensinou heresias propriamente ditas. No decurso de uma ocasião solene, em 30 de junho de 1968, ele mesmo proclamou um Credo que repercutiu no mundo inteiro, um sinal de seu excepcional caráter. Suas evocações tradicionais, suas advertências sobre a santa Eucaristia, o tomismo ou ainda a Igreja, creditaram-lhe a imagem de um papa liberal de duas faces2: de doutrina tradicional e pastoral de ruptura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quarenta anos após a sua morte, porém, a sua herança deixa transparecer um pontificado espantosamente progressista. Paulo VI permitiu que tantas heresias se propagassem, encorajou os inovadores de modo tão flagrante, nomeou cardeais e bispos tão progressistas, perseguiu os defensores da fé de modo tão virulento que o seu governo foi tragicamente prejudicial ao depósito da fé. Mas, sobretudo, o seu próprio ensino fez naufragar a doutrina multissecular da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O problema inicial e principal está no Concílio, o qual fez o jogo dos inovadores em detrimento da doutrina tradicional em muitos pontos fundamentais: o Magistério, a Santa Igreja, o sacerdócio, as Sagradas Escrituras, as falsas religiões, a autoridade, a liberdade etc. Essa turbulência gerou muitos atritos e a aula conciliar foi  teatro regular de controvérsias importantes cujo resultado é bem conhecido. Mas tudo isso não poderia ter ocorrido sem a autoridade papal. Sem o aval do papa um concílio não é nada, assim como um decreto ministerial preparado por comissões só tem valor quando é assinado pelo ministro. Ainda que os textos conciliares sejam preparados, debatidos e votados por milhares de bispos, um concílio é essencialmente obra do sucessor de Pedro. Ao ratificar as decisões dos padres, Paulo VI endossou a responsabilidade maior do concílio. Em toda verdade, o concílio Vaticano II é obra do papa Paulo VI. Um gesto traduz essa afinidade com o concílio: o anel que esse papa ofereceu a todos os bispos do mundo em 6 de dezembro de 1965, às vésperas do fechamento de Vaticano II, e que ele usou até a sua morte em lugar do anel de pescador. Aí está todo um símbolo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Tradição como ato de ensino</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A modificação do conteúdo do ensino foi acompanhada de uma mudança na própria concepção deste, já que a natureza do ensino é correlata à do seu objeto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Paulo VI voltou frequentemente para a expressão seguinte: a Igreja está <em>em diálogo: </em>“O Concílio trabalhará para lançar uma ponte em direção ao mundo contemporâneo (&#8230;) vocês quiseram antes de tudo se ocupar não das suas tarefas, mas daquelas da família humana, e travar um diálogo não entre vocês, mas com os homens”, disse ele aos padres conciliares3. “A Igreja se faz palavra, a Igreja se faz mensagem; a Igreja se faz conversa”4. Até Pio XII, os soberanos pontífices procuravam falar como doutores da fé. Ensinavam as verdades de Cristo com a soberana autoridade de Pedro. Seu objetivo era pregar a verdade e condenar o erro. Paulo VI privilegiou o diálogo. O papa não ensinava mais, ele dialogava, conversava. Naturalmente, condenava ainda menos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O episódio é célebre. Dom Lefebvre, reencontrando Mons. Montini nos anos 1950, pediu a condenação do “Rearmamento moral”5. E Mons. Montini respondeu que “a Igreja vai parecer uma madrasta”. O futuro soberano pontífice considerava esses anátemas como polêmicas estéreis e improdutivas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>As heresias, além disso, haviam se tornado questões secundárias a seus olhos</strong>. “Não se trata mais de extirpar da Igreja tal ou qual heresia determinada ou certas desordens generalizadas&#8221;, escreve em sua encíclica<em> Ecclesiam suam,</em> &#8220;graças a Deus, não reinam mais na Igreja&#8221;6; “na defesa da fé, contribuiremos mais promovendo a doutrina”.7 </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em sentido contrário, recordemos essas palavras cheias de espírito católico: “Em todos os tempos&#8221;, escreveu o cardeal Pie, &#8220;surgiram espíritos que consideraram a defesa [da fé] como um escândalo adicionado ao do ataque, e que de bom grado unem sua indignação à do inimigo, quando os apóstolos da verdade se esforçam em tornar sua voz tão retumbante quanto à da mentira.&#8221;8</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Tradição como órgão de ensino</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O adágio era célebre: <em>Roma locuta, causa finita est</em>. Com tal vontade de diálogo e a apologia dos erros conciliares, é a própria natureza do órgão de ensino que foi alterada. Poder-se-ia ainda falar de um verdadeiro exercício de poder do Magistério, tendo vocação em ensinar com autoridade? À exceção de algumas felizes reações, como a condenação da contracepção por <em>Humanae Vitae</em> em 25 de julho de 1968, os ensinamentos se revelavam mais indicativos que imperativos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em vez disso, o papa deixou se instalar uma liberdade teológica que degenerou em verdadeira anarquia dogmática. Quando da publicação dos catecismos canadenses e holandeses editados pelas correspondentes conferências episcopais, Roma adotou uma moderação espantosa e uma desaprovação discreta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Pio X tinha redigido um catecismo; Paulo VI fechou os olhos à difusão de catecismos heréticos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Face ao perigo do modernismo, São Pio X tinha imposto um juramento antimodernista, que deveria ser pronunciado por todas as pessoas encarregadas de autoridade de ensino e direção. Paulo VI o aboliu em 1967.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Pio X tinha fulminado o modernismo com excomunhões. Paulo VI suprimiu as excomunhões, como suprimiu a Inquisição, cujo papel era precisamente o de ensinar com clareza a fé católica e reprimir as heresias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>Index</em> também desapareceu na tormenta de 14 de junho de 1966, pela Notificação do Santo Ofício, <em>Post Litteras apostólicas</em>. O pretexto invocado é sem precedentes: “A Igreja confia na consciência madura dos fiéis”. O significado era claro: o poder de ensino não reconhecia mais a necessidade de julgar com autoridade o que os fiéis constatavam por si mesmos no fundo da sua consciência. Não havia mais mestres nem discípulos. Todos os fiéis tinham se tornado seus próprios mestres.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um gesto resumia essa revolução: em 13 de novembro de 1964, Paulo VI tinha abandonado a tiara e a sedia gestatória. A tiara é símbolo da monarquia papal. A hora era da colegialidade, da divisão de poder. O ensino se tornava colegial, sinodal. A Igreja se transformava num vasto fórum de discussões.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Tradição como patrimônio da Igreja</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois da Revolução Francesa, os papas se levantaram contra o espírito revolucionário que queria pôr abaixo a herança de Pedro. Liberalismo, falso ecumenismo, arqueologismo litúrgico, relativismo moral, pastoral relaxada, tinham sido regularmente condenados. Reencontraram, porém, direito de cidadania com Paulo VI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma não tinha cessado de condenar a secularização dos Estados, a separação da Igreja e do Estado, a liberdade de cultos. Citemos <em>Mirari Vos</em>, de Gregório XVI, <em>Libertas</em>, de Leão XIII, <em>Vehementer </em>de São Pio X. Paulo VI fez com que fossem suprimidas uma a uma (ou as modificou num sentido liberal) as concordatas que uniam Estado e Igreja: Espanha, Irlanda, Colômbia, certos cantões suíços etc. Paulo VI não queria mais a cristandade, essa união admirável entre a Igreja e a Cidade, ilustrada por <strong>Constantino, Carlos Magno, São Luiz, Garcia Moreno</strong> e tantos outros. Adepto das teorias modernas de Jacques Maritain, o papa sonhava com uma nova cristandade, bem distinta, laica, humanista, em que os muçulmanos poderiam livremente invocar Maomé. Em 4 de outubro de 1965, ele falava a ONU numa linguagem digna de lojas maçônicas e louvava os direitos do homem que seus antecessores tinham tomado o cuidado de condenar: “Os senhores proclamam aqui os direitos e deveres fundamentais do homem, a sua dignidade, sua liberdade, e antes de tudo a liberdade religiosa. Sentimos que os senhores são os intérpretes do que há de mais alto na sabedoria humana. Diríamos quase: seu caráter sagrado”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma tinha condenado as reuniões inter-religiosas, o pan-cristianismo, notadamente na encíclica <em>Mortalium animos</em>, do papa Pio XI. Paulo VI encorajou as reuniões ecumênicas. Assim “em 7 de dezembro de 1975, ele recebeu o metropolita (ortodoxo) Meliton de Calcedônia. O papa se pôs de joelhos diante dele e beijou-lhe os pés.&#8221;9</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os pastores protestantes que tinham participado na elaboração da reforma litúrgica foram felicitados e encorajados. Paulo VI apareceu sorridente, como se estivesse satisfeito em receber luzes de peritos protestantes no objetivo de reformar a missa católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com a encíclica <em>Mediator Dei</em>, de Pio XII, Roma tinha condenado os desvios do movimento litúrgico que pretendia retornar a uma liturgia arcaica, privada dos admiráveis desenvolvimentos de vinte séculos de santidade. Paulo VI quis evitar tudo o que pudesse ofender os “irmãos separados”. Ele validou as inovações litúrgicas cujo resultado foi a destruição da liturgia da Igreja. A missa (1969), o breviário (1970), a oração dos padres, o ritual (modificado progressivamente), os sacramentos da Igreja, as ordens menores (1972), foram submetidas a uma mudança completa cujos efeitos perniciosos continuam a se fazer sentir. Para essa “reforma”, notadamente do ofício divino, o papa se apoiou em Annibale Bugnini, que declarou o espírito com o qual pretendia reformar o Breviário: “Trata-se de se orientar para uma redução do <em>pensum</em> [sic] quotidiano”10.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Até então, Roma tinha denunciado o relativismo moral e a moralidade situacional. Paulo VI permitiu a instalação de um ensino deletério nos seminários, nas universidades católicas e nas casas religiosas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma tinha sempre encorajado os religiosos a desprezar o mundo condenado por Cristo e aderir principalmente às realidades espirituais. Paulo VI obrigou todas as ordens religiosas, todas as congregações educadoras a se “reformar” segundo o espírito liberal, humanista e naturalista de Vaticano II. Diminuição trágica do fervor religioso, rarefação das vocações, fechamento de inumeráveis conventos, tais foram as consequências desastrosas dessa fracassada reforma, cujos efeitos se estenderam até mesmo ao ensino católico, que foi varrido nesta tormenta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma tinha educado o Ocidente. O latim, língua da cultura profana e religiosa, foi sacrificado no altar do pluralismo. A arte católica, admirável em beleza, foi quebrada pelos bárbaros, que não eram mais os pagãos infiéis, mas os próprios ministros do Templo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Os tradicionalistas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os defensores da Tradição não foram melhor tratados que ela: “O servo não está acima do mestre”. Paulo VI, que em 23 de março de 1966 pediu ao doutor Ramsey, pretendido arcebispo de Cantuária, para abençoar a multidão de fiéis católicos; que em 7 de agosto de 1965 beijou o patriarca grego cismático de Constantinopla; que em 4 de outubro de 1965 encheu-se de compreensão pelos maçons da ONU, não suportava os tradicionalistas e o principal deles, Dom Marcel Lefebvre, só teve direito a repreensões veementes e condenações severas. O Seminário de Êcone, berçário de padres formados como a Igreja vinha formando há séculos, foi oficialmente suspenso em 6 de maio de 1975, sem respeito ao direito da Igreja na matéria. Em 22 de julho de 1976, o prelado se viu atingido por uma suspensão <em>a divinis</em>. Malgrado seus reiterados apelos, ele jamais pôde ser julgado segundo o Direito, nem teve verdadeiramente a possibilidade de se explicar e defender.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde 1963, Paulo VI considerava constranger os bispos de mais de 75 anos a pedir sua demissão e excluir os cardeais de mais de 80 anos do conclave. Foi feito em 21 de novembro de 1970 pelo Motu próprio <em>Ingravescentem ætatem. </em>Seria intenção do papa impedir toda resistência dos prelados conservadores e lhes substituir por jovens sucessores entusiastas das novas idéias? Eis uma resposta a essa pergunta: “Nos primeiros anos depois do Vaticano II&#8221;, nota o cardeal Ratzinger, &#8220;todo candidato ao episcopado demonstrava ser ‘aberto ao mundo’: em todo caso, esse pré-requisito era colocado em primeiro lugar”11.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cardeal Mindszenty incomodava a Ostpolitik do Vaticano: ele foi afastado. Mas Janos Kadar, primeiro secretário do partido comunista húngaro, (foi declarado por Paulo VI) principal promotor e o mais autorizado para normalização das relações entre a Santa Sé e a Hungria”12.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A noção de Tradição</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que resta da Tradição no sentido de transmissão? Sua própria noção está substancialmente modificada. Para o papa Paulo VI, a Tradição não aparece mais como uma herança preciosa e viva que deve ser transmitida à posteridade conservando o seu sentido exato e inalterável, esforçando-se por torná-la ainda mais preciosa, ainda mais bela, ainda mais adaptada aos filhos de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade, o papa habitualmente tratava a Tradição não como um depósito a ser transmitido, mas como um objeto a ser transformado, como se o passado e a Tradição fosse uma espécie de depósito morto, que somente uma revisão completa seria capaz de reviver. Correndo o risco de não transmiti-lo fielmente, mas de modificá-lo substancialmente. A noção de Tradição foi radicalmente alterada. E isso talvez seja o mais grave. A ação de Paulo VI esvaziou-a de seu profundo significado: fez dela uma realidade evolutiva nas mãos dos homens.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Conclusão</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O imenso entusiasmo suscitado em muitos católicos pelo concílio e pelas reformas conciliares rapidamente cedeu lugar a uma constatação muito amarga. Paulo VI se lamentará da autodemolição da Igreja13 e da fumaça de Satanás14. A palavra “demolição” indica a natureza do mal: uma deliberada e sistemática desconstrução do pensamento e das estruturas tradicionais da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quais são as causas? <strong>A expressão “autodemolição” exclui de si as causas externas</strong>. Devemos, portanto, buscar uma causa intrínseca, no interior mesmo da Igreja, ou seja, a causa está do lado dos que possuíam autoridade, que implementaram esse empreendimento de demolição. Muitas autoridades podem ser contadas, mas todas elas estiveram na dependência da autoridade suprema que operava as principais alavancas dessa destruição, validando o Concílio e lançando suas reformas, nomeando os progressistas aos postos de comando e condenando os filhos mais fiéis da Igreja. Paulo VI certamente não queria essa demolição. Ele, no entanto, a realizou. <em>Fecit tamen</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como não refletir nestas palavras do Eclesiástico: <em>&#8220;Um governador sábio mantém seu povo em disciplina, e o governo de um homem sensato será estável. Tal o juiz do povo, tais os seus ministros; tal o governador da cidade, tais os seus habitantes. Um rei privado de juízo perde o seu povo, as cidades povoam-se pelo bom senso dos que governam.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Epílogo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Quanto mais precisamos de um papa santo, mais devemos começar colocando a nossa vida, com a graça de Deus, e mantendo a Tradição, na esteira dos santos. Então o Senhor Jesus terminará dando ao rebanho o pastor visível, de quem ele se esforçará para se tornar digno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“À insuficiência ou à deserção do chefe não acrescentemos nossa negligência particular. Que a Tradição apostólica esteja pelo menos viva no coração dos fiéis, ainda que, no momento, esteja enfraquecida no coração e nas decisões de quem é responsável no nível da Igreja. Então o Senhor certamente nos mostrará misericórdia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Ainda por isso, é necessário que a nossa vida interior não se refira ao papa, mas a Jesus Cristo. Nossa vida interior, que evidentemente inclui as verdades da revelação sobre o papa, deve se referir puramente ao sumo sacerdote, ao nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, para superar os escândalos que chegam à Igreja pelo papa.”15 </span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5485">Permanencia</a></strong></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Dom Marcel Lefebvre, <em>Carta aberta aos católicos perplexos</em>, Editora Permanência.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Ibid.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">DC 1963, n° 1357, col. 101 : “O problema do diálogo entre a Igreja e o mundo moderno. Este é o problema que cabe ao Concílio descrever em toda a sua amplitude e complexidade, e resolver, na medida do possível, nos melhores termos. (&#8230;) A Igreja deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. (&#8230;) o diálogo deve caracterizar o nosso apostolado.” Encíclica <em>Ecclesiam suam</em>de 6 agosto 1964, n° 15, 67 et 69.</span></li>
<li><span style="color: #000000;"><em>Ecclesiam suam</em>, n°67.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Fundado em 1938 pelo protestante Franck Buchman, esse movimento visa a federar toda a boa vontade, independentemente das confissões religiosas, com o objetivo de promover a paz no mundo, o diálogo e a liberdade.</span></li>
<li><span style="color: #000000;"><em>Ibidem</em>, n°46.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Citado por Paul Poupard, <em>Connaissance du Vatican : histoire, organisation, activité</em>, Beauchesne, 1974, p. 111.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Mgr Baunard, <em>Histoire du cardinal Pie</em>, Oudin, 1886, pp. 605-606.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Yves Congar, “L’œcuménisme de Paul VI”, in <em>Paul VI et la modernité dans l’Eglise</em>, Actes du colloque de Rome (2-4 juin 1983), Ecole Française de Rome, 1984, p. 817.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Yves Chiron, <em>Mgr.  Bugnini (1912-1982), Réformateur de la liturgie</em>, Desclée de Brouwer, 2016, pp. 36-37.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Joseph Ratzinger, <em>Entretiens sur la foi</em>, citado par Don Mancinella, 1962 <em>Révolution dans l’Eglise</em>, Ed. Courrier de Rome, 2009, p. 104.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Dom Marcel Lefebvre, <em>Carta aberta aos católicos perplexos</em>, Editora Permanência.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Discurso de 7 de dezembro de 1968, DC n°1531 (1969), p 12.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">29 de junho de 1972.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Pe. Roger-Thomas Calmel, o.p. “De l’Eglise et du pape en tous les temps et en notre temps”, revista <em>Itinéraires</em>n°173, maio de 1973, p. 39.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>DOSSIÊ: A MISSA DE PAULO VI</title>
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		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/dossie-a-missa-de-paulo-vi/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 10 Jun 2019 15:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Paulo VI]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard, FSSPX A missa é o que há de mais belo e melhor na Igreja [&#8230;] Assim, o diabo sempre procurou, através dos hereges, privar o mundo da missa. &#8211; Santo Afonso de Ligorio A despeito de tal &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/dossie-a-missa-de-paulo-vi/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><em><a href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5513"><img class="irc_mi alignright" src="https://tradicaocatolicaes.files.wordpress.com/2011/01/sixprotestantministers-b.jpg" alt="Imagem relacionada" width="327" height="251" data-iml="1560092527767" /><span style="color: #0000ff;">Pe. François-Marie Chautard, FSSPX</span></a></em></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><em>A missa é o que há de mais belo e melhor na Igreja [&#8230;] Assim, o diabo sempre procurou,<br />
através dos hereges, privar o mundo da missa. &#8211; </em>Santo Afonso de Ligorio </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A despeito de tal pensamento, Lutero não mascarou sua vigorosa rejeição da Missa: &#8220;Quando a Missa for destruída, penso que teremos derrubado o papado! Pois é sobre a missa, como sobre uma rocha, que todo o papado descansa, com seus mosteiros, seus bispados, suas universidades, seus altares, seus ministros e sua doutrina &#8230; Tudo ruirá quando ruir essa missa sacrílega e abominável.&#8221;<a style="color: #000000;" href="https://permanencia.org.br/drupal/#footnote1_oql5tyq">1</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para além da virulência da intenção, é evidente o abismo que separa a concepção luterana e a doutrina católica sobre a missa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta oposição parece ter sido consideravelmente diminuída com a reforma do Missal Romano operada por Paulo VI, em abril de 1969. Já em maio de 1969, o protestante Max Thurian, da comunidade de Taizé, afirmava placidamente: &#8220;Com a nova liturgia, as comunidades não-católicas poderão celebrar a Ceia do Senhor com as mesmas orações que a Igreja Católica. Teologicamente, é possível.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como explicar tal mudança? O novo rito estaria mais próximo da posição protestante? Ou foram os protestantes que mudaram? Duas opiniões, uma, de um católico, outra, um de protestante, favorecem a primeira interpretação. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Monsenhor Bugnini, principal arquiteto da reforma litúrgica, admitiu com surpreendente simplicidade: &#8220;[na reforma litúrgica] a Igreja foi guiada pelo amor das almas e pelo desejo de fazer tudo para facilitar aos nossos irmãos separados o caminho da união, removendo qualquer pedra que pudesse constituir sequer uma sombra de risco de tropeço ou desagrado.&#8221;<a style="color: #000000;" href="https://permanencia.org.br/drupal/#footnote2_rr4j31c">2</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os termos utilizados são reveladores: &#8220;fazer tudo&#8221;, &#8220;sombra de risco&#8221;, &#8220;tropeço ou desagrado&#8221;. Para evitar essa “sombra de risco”, Monsenhor Bugnini não negligenciou nada. Seis pastores protestantes foram chamados para ajudá-lo a projetar a nova missa. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A segunda opinião vem de um protestante. Em 1984, após o indulto do Papa João Paulo II autorizando a celebração da Missa de São Pio V sob certas condições, o jornal <em>Le Monde</em> publicou o seguinte texto, assinado pelo pastor Viot <a style="color: #000000;" href="https://permanencia.org.br/drupal/#footnote3_hjohjir">3</a>: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;A reintrodução da Missa de São Pio V (&#8230;) é muito mais do que uma questão de linguagem: é uma questão doutrinal da mais alta importância, no centro dos debates entre católicos e protestantes, debates que, da minha parte, julgava felizmente estarem encerrados (&#8230;) Muitos dos nossos antepassados ​​na fé reformada de acordo com a Palavra de Deus preferiram ir à fogueira ao invés de assistir esse tipo de missa que o Papa Pio V tornou oficial contra a Reforma. Ficamos, portanto, encantados com as decisões do Vaticano II sobre o assunto e a firmeza de Roma em relação àqueles que não quiseram se submeter ao Concílio e continuaram a usar uma missa que, aos nossos olhos, contraria o Evangelho.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O pensamento é claro, a linguagem é direta: a irredutibilidade da doutrina protestante e da Missa tradicional permanece. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mudança de posição não vem, portanto, dos protestantes, mas do rito católico. Eis a conclusão que precisamos fundamentar em bases sólidas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O estudo da missa de Paulo VI não é, pois, de interesse trivial. Esclarecemos, para evitar qualquer mal-entendido, que o exame desse rito cobrirá apenas o texto oficial de 1962, e não as adaptações inacreditáveis, mas infelizmente recorrentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para abordar a reforma do missal litúrgico, procederemos da seguinte maneira:</span></p>
<ol>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/index.php/home/detalhar_pagina/705">Alguns lembretes sobre a doutrina católica. </a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/index.php/home/detalhar_pagina/706">O paralelo com a missa de Lutero. </a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/index.php/home/detalhar_pagina/707">Deficiências doutrinais da missa de Paulo VI. </a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/index.php/home/detalhar_pagina/708">Seus autores. </a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/index.php/home/detalhar_pagina/709">O delicado problema de sua validade.</a> </strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/index.php/home/detalhar_pagina/710">Consequências morais no comparecimento à missa de Paulo VI.</a></strong></span></li>
</ol>
<p style="text-align: center;">***************************</p>
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="https://permanencia.org.br/drupal/#footnoteref1_oql5tyq">1.</a> Citado por Cristiani, Du luthéranisme au protestantisme, 1910.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="https://permanencia.org.br/drupal/#footnoteref2_rr4j31c">2.</a> Todas essas citações foram tiradas de La messe a-t-elle une histoire? , éd du MJCF, 2002, p. 134.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="https://permanencia.org.br/drupal/#footnoteref3_hjohjir">3.</a> Retornou desde então à Igreja Católica e foi ordenado padre.</span></p>
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		<title>PAULO VI (1887-1978), UM NOVO SANTO?</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Oct 2018 14:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Paulo VI]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. Thierry Gaudray, FSSPX &#8211; Fonte: Permanencia No dia 5 de agosto passado, o Papa Francisco falou à multidão reunida na praça São Pedro para a oração do Angelus: “Há quarenta anos, o Beato Papa Paulo VI estava vivendo as suas &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/httppermanencia-org-brdrupalnode5467paulo-vi-1887-1978-um-novo-santo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="http://permanencia.org.br/drupal/sites/default/files/imagens/PopePaulVI-790x480.jpg" alt="" width="329" height="202" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Thierry Gaudray, FSSPX &#8211; Fonte: <a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467">Permanencia</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No dia 5 de agosto passado, o Papa Francisco falou à multidão reunida na praça São Pedro para a oração do <em>Angelus</em>: “<em>Há quarenta anos, o Beato Papa Paulo VI estava vivendo as suas últimas horas nesta terra. Morreu, de fato, na noite de 6 de agosto de 1978. Recordemos dele com muita veneração e gratidão, à espera da sua canonização, em 14 de outubro próximo. Do céu interceda pela Igreja, que tanto amou, e pela paz no mundo. Este grande Papa da modernidade, o saudemos com um aplauso, todos!</em>“</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não há dúvida que, ao canonizar Paulo VI, após tê-lo feito com João XXIII e João Paulo II, Francisco tem a intenção de confirmar os católicos nas novas orientações tomadas pela Igreja desde o Concílio, e dar um novo lustro à liturgia reformada<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote1_whmunps">1</a>. Paulo VI foi, de resto, o primeiro papa a lançar mão da canonização dos santos para avalizar o Concílio, anunciando, no dia 18 de novembro de 1965, antes do seu término, portanto, a introdução das causas de beatificação de Pio XII, mas também de João XXIII<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote2_0zxxf5b">2</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto, quão opostos eram os julgamentos desses dois papas sobre Monsenhor Montini! Se este último foi um colaborador próximo do Cardeal Pacelli por muitos anos, em 1954 foi afastado de Roma por vontade do Papa Pio XII. O sobrinho de Paulo VI testemunhou que seu tio jamais nutriu a menor ilusão a esse respeito: “para ele, tratava-se de um drama no mais pleno sentido da palavra”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote3_cnohf5p">3</a>. Ainda que Pio XII não tenha julgado conveniente afastar um substituto nos assuntos ordinários da secretaria de Estado sem lhe conceder uma aparente promoção, a censura não deixava de ser notória. A Sé de Milão era tradicionalmente ocupada por um cardeal, ora “Pio XII não criou mais nenhum cardeal”, e isto “para não ter de designar Monsenhor Montini”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote4_fe2l4zs">4</a>. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">João XXIII, ao contrário, no dia 4 de novembro de 1958, um pouco antes da cerimônia da sua coroação, escreveu um bilhete para Monsenhor Montini afim de anunciar que esta dignidade lhe seria brevemente conferida<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote5_3iiopua">5</a>, e sete anos mais tarde, no seu leito de morte, disse: “<em>Meu sucessor será o Cardeal Montini</em>”. </span><span id="more-14708"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como é possível que o Papa Francisco utilize novamente as palavras sagradas da canonização para propôr como exemplo um coveiro da Tradição? Deixamos aos teólogos o encargo de responder a esta questão. No momento, o bom senso e a fé nos bastam para recusarmo-nos prestar culto a Paulo VI. As graves omissões na defesa da fé, a promulgação da missa nova, o abandono do zelo missionário pelo reino de Nosso Senhor provam que Paulo VI era um liberal e que não pode servir de modelo para os católicos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A defesa da fé</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Por vezes surgem livros que diminuem a fé em pontos importantes, mas o episcopado se cala e não julga esses livros estranhos… isso é que é estranho aos meus olhos</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote6_5bt41gq">6</a>. Mas o próprio papa suprimiu o <em>Index</em>, paralisou o Santo Ofício, não tomou nenhuma medida contra os que negavam a fé como, por exemplo, os bispos holandeses, que publicaram um catecismo escandaloso negando tanto os anjos e o sacerdócio como a Incarnação e a Presença real. Se, no dia 30 de junho de 1968, professou um <em>Credo </em>ortodoxo, jamais defendeu a fé condenando os heréticos. Em Roma, honrou os professores que outrora foram expulsos pelo Santo Ofício. “<em>Paulo VI deixou a santa Igreja de Deus ser invadida pelas vagas pantanosas da apostasia iminente</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote7_7bs9o8g">7</a>. Não se tratava de fraqueza (o que já seria suficientemente grave num soberano pontífice), mas de uma atitude irenista e irrealista que lhe era habitual. A Encíclica <em>Mysterium Fidei</em><a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote8_u2x27nd">8</a><em> </em>pode ser citada como uma ilustração disso. Com efeito, antes mesmo do fim do Concílio, multiplicavam-se as inovações litúrgicas<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote9_1dwrl68">9</a>, e se difundiam doutrinas que, como ele mesmo disse, perturbavam as almas dos fiéis e produziam uma grande confusão. Ora, não apenas o papa não condenou ninguém, mas não pôde deixar de admirar as boas intenções dos fautores de heresias: “<em>Não negamos que aqueles que propagam opiniões surpreendentes tenham o desejo louvável de se aprofundar num mistério tão grande</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote10_2q8urro">10</a>. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A verdade é que Paulo VI mostrou-se severo apenas com os defensores da Tradição. Invariavelmente, cedia e deixava os outros livres<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote11_hy6ezod">11</a>. É por isso que o Padre Calmel considerava o pontificado de Paulo VI como uma “eclipse do papado”, uma vez que ele pretendia “<em>governar a Igreja reunindo sínodos e sem condenar ninguém</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote12_emj1e8r">12</a>. O Professor Amerio intitulou um dos sub-capítulos de <em>Iota Unum, </em>sua obra prima: “<em>A renúncia ao exercício da autoridade”. </em>O dia 13 de novembro de 1964, quando Paulo VI depôs a tiara, sinal da plenitude do poder papal, foi simbólico!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A publicação da Encíclica <em>Humanae Vitae</em>, no dia 25 de julho de 1968, foi a única vez que Paulo VI impôs seu ensinamento. Mas, mesmo aí, não tomou nenhuma medida contra as conferências episcopais que, revezando com uma miríade de publicações, ousavam se opôr publicamente a sua decisão que, nesse ponto, não era senão a repetição do ensino tradicional, ao menos nas suas conclusões. Mas a questão ia muito além da contracepção. O Cardeal Suenens, o Cardeal Alfrink e muitos outros repreendiam-no de se ter mostrado infiel à colegialidade que o Concílio Vaticano II acabara de introduzir na Igreja. O papa apelou então à compaixão dos seus contraditores, mas não se portou como chefe: “<em>Talvez o Senhor não tenha me chamado para este serviço porque eu fosse especialmente apto, ou para que eu governe a Igreja e a salve nas dificuldades presentes, mas para que eu sofra algo pela Igreja</em>…”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote13_alu1phi">13</a> Ora, o encargo de Soberano Pontífice prescrevia a Paulo VI comandar, e não se apiedar, nem tão-somente exortar e admoestar<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote14_2cfssde">14</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Paulo VI jamais aceitou questionar o Concílio Vaticano II, que, na sua opinião, “<em>Não tem menor autoridade, e é mesmo sob certos aspectos mais importante, que o de Nicéia</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote15_ausiion">15</a>. No entanto, ele conheceu os seus frutos: “<em>Esperávamos a primavera, sobreveio a tempestade</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote16_94qdg25">16</a>. É bem conhecido o discurso proferido a um grupo de seminaristas, no dia 7 de dezembro de 1968: “<em>A Igreja encontra-se numa hora de inquietude, de autocrítica, dir-se-ia mesmo, de demolição</em>”. Ele acrescenta uma observação que revela a que ponto o papa se manteve surdo aos gritos de alarme que lhe foram lançados: “<em>É como uma agitação interior, aguda e complexa, que ninguém teria esperado após o Concílio</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote17_kymka8b">17</a>. Dez anos após o Concílio, às vésperas da morte de Paulo VI, o número de religiosos no mundo diminuíra em um quarto, e a vida religiosa de boa parte dos remanescentes não passava de uma caricatura<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote18_pejhhp1">18</a>. Os fiéis deixavam as igrejas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A devoção a Nossa Senhora também sofreu muito durante o pontificado de Paulo VI. Na primeira seção do Concílio, o Cardeal Montini já se opunha a atribuição de novos títulos à Virgem Maria. Foi ele quem fez com que o esquema preparado sobre Nossa Senhora fosse suprimido, para ser reduzido a um capítulo do esquema consagrado à Igreja. Em 1967, deu ao governo turco o estandarte que os católicos tinham tomado dos muçulmanos em Lepanto, graças à proteção da Santíssima Virgem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A nova missa</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 21 de outubro de 1969, um <em>Breve exame crítico </em>sobre a nova missa foi apresentado ao papa pelos Cardeais Ottaviani e Bacci. Pouco mais de um mês antes, Dom Antônio de Castro Mayer, bispo de Campos, lhe havia escrito: “<em>O Novus Ordo Missae não só não afervora, senão que extenua a fé nas verdades centrais da vida católica, como a Presença Real de Jesus na SS. Eucaristia, a realidade do Sacrifício propiciatório, o sacerdócio hierárquico</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote19_1s52dna">19</a>. Paulo VI, contudo, mostrou-se irredutível na imposição desta nova liturgia concebida para agradar os Protestantes: “<em>Não é uma decisão arbitrária; não é uma experiência temporária ou facultativa; não é uma improvisação vinda de algum diletante. Trata-se de uma lei elaborada por eminentes liturgistas após longas discussões e estudos</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote20_m3nkw6o">20</a>. As palavras mais violentas nesse sentido foram as do consistório de 24 de maio de 1976: “<em>É em nome da Tradição que pedimos a todos os filhos, a todas as comunidades católicas, que celebrem, com dignidade e fervor, a Liturgia reformada. A adoção do Novo “Ordo Missæ” não é deixada certamente ao arbítrio dos padres ou fiéis […] O Novo Ordo foi promulgado para substituir o antigo […] Com a mesma autoridade suprema [que a de São Pio V] que nos vêm de Cristo Jesus, nós exigimos a mesma disponibilidade…</em>” À Jean Guitton, que lhe sugeriu autorizar a missa de São Pio V para apaziguar os espíritos, o papa respondeu: “<em>Isso nunca!</em>” No entanto, em 2007, no Motu proprio <em>Summorum Pontificum</em>, Bento XVI reconheceu que a antiga missa jamais fora ab-rogada. Paulo VI, assim, é culpado de um abuso de poder.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas os padres que morreram de desgosto porque a missa lhes foi tirada, não foram os mais desafortunados: durante o pontificado de Paulo VI, o número dos que abandoraram o sacerdócio adquiriu proporções inimagináveis. O próprio papa o reconheceu, mas sempre com a mesma inércia: “<em>As estatísticas nos entristecem, cada caso em particular nos desconcerta, as motivações seguramente nos impõem respeito e compaixão, mas dão-nos uma imensa pena. A sorte dos fracos que reuniram forças para desertar de seus deveres nos confunde</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote21_3wjckwn">21</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A questão da comunhão na mão não é menos sintomática. A instrução <em>Memoriale Domini</em><a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote22_kso2yz9">22</a><em> </em>é uma apologia da comunhão dada pelo padre sobre a língua do comungante. Ela explica como este procedimento exprime melhor o respeito devido ao Santíssimo Sacramento bem como a humildade com a qual deve ser recebido. Ela menciona uma consulta feita aos bispos, cuja maioria “julga que nada deve ser mudado no tocante à disciplina atual” e estipula, portanto, que “este modo de distribuir a Santa Comunhão tem de ser conservado”. Alude à prática de dar a comunhão na mão, prática que se difundiu sem que a Santa Sé tenha dado a menor autorização. Os culpados serão severamente reprimidos? Absolutamente! No mesmo documento romano, as Conferências episcopais são instadas a avaliar cuidadosamente as circunstâncias especiais que possam existir (!) afim de, em seguida, tomar quaisquer decisões “que sejam necessárias para regular as situações”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, o uso do latim na liturgia foi, a um só tempo, louvado e suprimido por Paulo VI. O papa agia às avessas dos princípios que enumerava, e dizia sofrer por isso! Domingo, dia 7 de março de 1965, celebrou pela primeira vez a missa (tradicional) inteiramente em italiano. Na sua alocução, durante o <em>Angelus, </em>declarou: &#8220;<em>Este domingo assinala uma data memorável na história espiritual da Igreja, porque a língua falada entra oficialmente no culto litúrgico, como já vistes nesta manhã</em>. (…) <em>É um sacrifício que a Igreja realizou da própria língua, o latim; língua sacra, grave, bela, extremamente expressiva e elegante. Sacrificou tradições de séculos e sobretudo sacrifica a unicidade de linguagem nos vários povos, em homenagem a esta maior universalidade, para chegar a todos</em>”. No dia 4 de maio de 1967, o “sacrifício&#8221; foi executado por meio da instrução <em>Tres abhinc annos</em>que estabeleceu o uso da língua vulgar para a recitação, em voz alta, do cânon da missa. Se em junho de 1969, durante a sua viagem para Uganda, consentiu em celebrar a missa em latim à pedido dos bispos africanos, na sua alocução encorajou as reformas: “<em>Um pluralismo é legítimo, e até desejável, no tocante à língua, à índole, à cultura</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote23_6eywysn">23</a>. No dia 26 de novembro desse mesmo ano, durante a apresentação do novo rito da missa, o abandono do latim tornou-se definitivo: “<em>Não é mais o latim, mas a língua corrente, que será a língua principal da missa. Para todo aquele que conhece a beleza, a força do latim, sua aptidão para exprimir as coisas sagradas, será certamente um grande sacrifício vê-lo substituído pela língua corrente. Perdemos a língua dos séculos cristãos, tornamo-nos como que intrusos e profanos no domínio literário da expressão sagrada. Perdemos também em grande parte esta admirável riqueza artística e espiritual que é o canto gregoriano. Seguramos temos razão para experimentar desgosto e quase nos desassossegarmos</em>”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A salvação das almas e o ecumenismo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na Encíclica <em>Ecclesiam suam, </em>Paulo VI afirmou que, para a Igreja, há um dever missionário<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote24_27ndz3o">24</a>, mas não podia concebê-lo senão como diálogo: “<em>A Igreja deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. A Igreja faz-se palavra, faz-se mensagem, faz-se colóquio</em>”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote25_kx5djdf">25</a>. Consagrado pelo concílio Vaticano II, o ecumenismo foi imposto à consciência católica pelo papa por meio de gestos espetaculares e escandalosos que seus sucessores se limitarão a imitar. Em 1964, Paulo VI fez uma viagem a Terra Santa<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote26_t1t6j0x">26</a> durante a qual reencontrou o patriarca de Constantinopla em pé de igualdade: após terem lido alternadamente o evangelho, benzeram conjuntamente a assistência, por iniciativa de Paulo VI<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote27_8yu44jp">27</a>De regresso a Roma, não hesitou em dar aos ortodoxos a cabeça de Santo André, uma das relíquias mais insignes da Basílica de São Pedro. No último dia do Concílio, 7 de dezembro de 1965, Paulo VI anunciou o levantamento da excomunhão dos ortodoxos sem exigir a menor abjuração da sua parte. Durante a sua viagem a Turquia, em 1967, o papa entregou uma carta oficial ao patriarca de Constantinopla, na qual as igrejas ortodoxas e a Igreja católica eram apresentadas como “Igrejas irmãs”. O que equivale dizer que Roma não mais pretendia ser a mãe de todas as igrejas<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote28_q44izhl">28</a> e que o papa não mais pedia ser reconhecido como o pai comum de todos os fiéis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto ao ecumenismo com os protestantes, basta evocar a recepção do Dr. Ramsey, “arcebispo e primaz” da igreja anglicana, em março de 1966. O papa lhe prometeu reexaminar a questão da validade das ordenações anglicanas (que fora resolvida por Leão XIII) e já lhe adianta qual era o seu pensamento ao lhe pedir que benzesse a assembléia na sua presença. O “primaz&#8221; inglês não compreendeu este pedido inusitado e começou a pôr-se de joelhos. O papa prontamente o reergueu. Mas essa foi apenas a primeira surpresa. Paulo VI, num gesto premeditado, tirou em seguida o seu próprio anel episcopal para colocá-lo no dedo do Dr. Ramsey.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O reino de Nosso Senhor jamais sofreu tanto das mãos de um papa. É verdade que este tinha sobretudo o culto do homem!<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote29_na2zxw3">29</a> Tendo se recusado a condenar o comunismo ao longo do Concílio, Paulo VI dobrou-se muitas vezes às exigências dos países do leste. Basta recordar o caso do Cardeal Mindszenty que provavelmente sofreu mais das manobras do papa do que de seus verdugos na Hungria<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote30_719qpsl">30</a>. Todos os países ainda católicos foram encorajados a riscar o nome de Nosso Senhor de suas constituições: depois da Espanha, a Colômbia, alguns cantões suíços, foi a vez da Itália<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote31_zr9xftq">31</a>. A doutrina condenada de Lamennais foi retomada na mensagem de Paulo VI aos governantes: &#8220;E que pede a Igreja de vós… neste momento? Ela vô-lo disse num dos documentos mais importantes deste Concílio: ela não vos pede senão a liberdade”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote32_957px1y">32</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Um duplo aspecto</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Pe. Congar dizia de Paulo VI que ele falava à direita e agia à esquerda<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote33_l8a182o">33</a> Dom Marcel Lefebvre, citando o Cardeal Daniélou, dava a verdadeira razão desta atitude: Paulo VI era um liberal e, portanto, um incoerente, um homem que afirma princípios e que faz o contrário deles. “Este papa é como um fruto do liberalismo, toda sua vida foi impregnada de influência de homens que o rodeavam ou que tomou por mestres, e que eram liberais”<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote34_unhrdg9">34</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta contradição fazia de Paulo VI um papa triste. Os italianos faziam um jogo de palavras: Paulo VI (<em>Paolo sesto) </em>era um “<em>Paolo mesto” </em>(Paulo triste)<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote35_szkigj7">35</a>. Bem diferente era a tristeza dos santos. No seu Diário, João XXIII que se encontrara com São Pio X, e notara este véu de tristeza nos olhos do Pontífice, dizia não acreditar na sua santidade. Este sofrimento, contudo, vinha diretamente da caridade. Não havia incoerência alguma entre as palavras e a vida de São Pio X! Ao contrário, a alma de Paulo VI era ansiosa e paradoxal. Embora tivesse a nostalgia da grandeza da Igreja, trabalhou ativamente para a sua destruição. Seria o juramento feito por ocasião da sua coroação que, retornando por vezes ao seu espírito, atormentava-lhe: “Se eu vier a trair a Tradição recebida dos meus predecessores, Deus não será um juiz misericordioso no Julgamento Final”?<a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5467#footnote36_m4mlxi2">36</a></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Junto com a missa dita de São Pio V, qualificada de ‘rito extraordinário’, haverá a de “São Paulo VI”</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Yves Chiron, <em>Paul VI, le pape écartelé</em>, p. 247, édition Perrin.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Giorgio Montini, &#8220;<em>Mons oncle, le pape”</em></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Yves Chiron, <em>Paul VI, le pape écartelé</em>, p. 153, édition Perrin.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roberto de Mattei, “<em>Il Concilio Vaticano II”, </em>p. 113.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jean Guitton, “Paul VI secret”, p. 168.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Carta do Pe. Calmel de 4 de julho de 1970 citada pelo Pe. Jean-Dominique <u>in</u>“Le père Roger-Thomas Calmel”, p. 461.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3 de setembro de 1965 (o encerramento do Concílio será no dia 8 de dezembro de 1965).</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira constituição conciliar era sobre a liturgia e já produzia seus frutos.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Caminhando para o final do seu pontificado, enquanto o episcopado do mundo olhava de cima suas encíclicas, ele exaltava a “<em>extrema unanimidade de toda a Igreja com seu pastor supremo e de todos com seus próprios bispos</em>” (che vengono dalla grandissima consonanza di tutta la Chiesa col suo Supremo Pastore e con i propri Vescovi) &#8212; alocução de 23 de junho de 1975.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Falando de abusos litúrgicos, o Cardeal Gut, Prefeito da Congregação para o culto divino, observava, “Muitos padres faziam o que queriam. Eles se impuseram. Agiam sem autorização e, muitas vezes, não era mais possível detê-los. Na sua grande bondade e sabedoria, o Santo Padre então cedeu, freqüentemente contra sua vontade” D.C. n<sup>o.</sup>1551 citado em <em>Iota Unum</em> n<sup>o.</sup>69.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Carta de 17 de janeiro de 1969, citada por Pe. Jean-Dominique <u>in</u>“Le père Roger-Thomas Calmel”, p. 365.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Discurso no Sacro Colégio, 22 de junho de 1972 <u>in</u><em>Iota Unum</em> n<sup>o.</sup> 65.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mesmo na sua exortação apostólica <em>Paterna</em>, de 8 de dezembro de 1974, em que reivindica a sua autoridade e se insurge contra a desobediência, ele o faz sem condenar, mas como uma espécie de advertência.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Carta de Paulo VI a Dom Marcel Lefebvre, escrita em 29 de junho de 1976. O próprio Cardeal Villot lhe aconselhara a não escrever semelhante coisa!</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao Cardeal G. Colombo, arcebispo de Milão.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Citado, por exemplo, em <em>Iota Unum </em>n<sup>o.</sup>7</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O papa obrigara todos os institutos de vida religiosa (até mesmo os cartuxos, que jamais tiveram necessidade de reforma) a rescrever suas regras e sua constituição.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[N. da P.] Nossos leitores poderão ler a íntegra da carta aqui: <a style="color: #000000;" href="https://www.capela.org.br/Missa/antonio.htm%5B">https://www.capela.org.br/Missa/antonio.htm</a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Discurso de Paulo VI (19 de novembro de 1969) sobre o novo rito da missa, citado em “<em>Histoire de la messe interdite”, </em>por Jean Madiran, p. 34.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Carta ao clero secular e regular da diocese de Roma, 10 de fevereiro de 1978.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Instrução de 29 de maio de 1969 da Sagrada Congregação para o culto divino.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Chiron, <em>Paul VI, Le pape écartelé</em>, p. 296.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>É o dever da evangelização, é o mandato missionário, é o dever de apostolado</em>”. Encíclica de 6 de agosto de 1964.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando era substituto na Secretaria de Estado, em março de 1949, recebeu Roger Schutz e Max Thurian, da comunidade protestante de Taizé, e considerou a possibilidade da Igreja participar do Conselho ecumênico das igrejas (idéia que um <em>monitum </em>do Santo Ofício havia precisa e formalmente afastado no ano anterior), e que Ela deveria reconhecer os erros dos seus membros ao longo da história e nos dias de hoje. Cf. Chiron, <em>Paul VI, le pape écartelé, </em>p. 134.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira dessas viagens internacionais a que os papas conciliares nos habituaram.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Chiron, <em>Paul VI, le pape écartelé</em>, p. 217.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pela palavra “igreja”, queremos dizer as dioceses governadas por um bispo, mas em dependência do papa</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Vós, humanistas do nosso tempo, que negais as verdades transcendentes, dai ao Concílio ao menos este louvor e reconhecei este nosso humanismo novo: também nós —  e nós mais do que ninguém somos cultores do homem”. </em>Discurso de encerramento do Concílio Vaticano II, 7 de dezembro de 1965.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Fideliter </em>no. 243, maio-junho de 2018.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde 1976, Paulo VI preparava o tratado, concluído somente em 1984, que ab-rogava o artigo  especificando a religião católica como a única religião do Estado.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mensagem do Concílio de 8 de dezembro de 1965.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dom Marcel Lefebvre fazia uma observação semelhante: “Num momento era tradicionalista, ao menos nas palavras, logo depois, nos atos, fazia coisas completamente opostas, não condenava o que deveria ser condenado e condenava, ao contrário, o que não deveria ser condenado”. (Conferência espiritual aos seminaristas, 18 de março de 1977).</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">”<em>Ils l’ont découronné</em>”, cap. 31, p. 224.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Chiron, <em>Paul VI, le pape écartelé, </em>p. 10.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Juramento multissecular feito ao longo da coroação papal.</span></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>RUMO À CANONIZAÇÃO DE PAULO VI</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Mar 2018 19:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Paulo VI]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est Por ocasião de uma entrevista concedida ao site norte americano Crux, o cardeal Pietro Parolin anunciou em 6 de março de 2018 que o Papa Paulo VI (1963-1978) poderia ser canonizado em outubro próximo, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/rumo-a-canonizacao-de-paulo-vi/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="http://fsspx.news/sites/sspx/files/styles/dici_image_full_width/public/news/pape_paul_vi_canonisation.jpg?itok=WoZBSKEN" alt="news-header-image" width="478" height="276" />Fonte:</span> </strong><a href="http://fsspx.news/es/news-events/news/hacia-la-canonizaci%C3%B3n-de-pablo-vi-36197"><strong>DICI</strong></a><span style="color: #000000;"><strong> – Tradução: </strong></span><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/"><strong>Dominus Est</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Por ocasião de uma entrevista concedida ao site norte americano <em>Crux</em>, o cardeal Pietro Parolin anunciou em 6 de março de 2018 que o Papa Paulo VI (1963-1978) poderia ser canonizado em outubro próximo, no sínodo dos bispos dedicados aos jovens.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este anúncio teve lugar após a aprovação, por parte da Congregação para as Causas dos Santos, em 6 de fevereiro de 2018, do reconhecimento de um &#8220;milagre&#8221; atribuído à intercessão de Giovanni Battista Montini.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 27 de abril de 2014, o Papa Francisco canonizou os papas João XXIII (1958-1963) e João Paulo II (1978-2005). Em 19 de outubro do mesmo ano, no final do sínodo familiar, beatificou Paulo VI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 17 de fevereiro de 2018, durante um reencontro com o clero de Roma, o Papa Francisco declarou que a canonização de Paulo VI terá lugar no decorrer de 2018: &#8220;Paulo VI será canonizado este ano, a beatificação de João Paulo I está em processo, em relação a Bento XVI e a nós mesmos, estamos na lista de espera&#8221;, ele brincou.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Através destas canonizações à marcha forçada de todos os papas modernos, o que realmente se canoniza, de certo modo, é a reforma geral da Igreja que ocorreu há cinquenta anos e que, ao mesmo tempo, torna-se irreversível. Além disso, tem a pretensão de fortalecer a religião conciliar, isto é, a concepção e o espírito da prática do catolicismo como redefinido pelo Concílio Vaticano II através de suas destrutivas reformas de culto, da fé e da doutrina</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais uma vez, surge a questão da evolução dos processos de beatificação e canonização, bem como a sua utilização para fins de política eclesiástica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Monsenhor Marcel Lefebvre, que foi suspenso <em>a</em> <em>divinis</em> durante o pontificado de Paulo VI, explicou aos seminaristas de Ecône a opinião que tinha sobre este papa, durante as conferências ministradas sobre as Atas do Magistério, que forneceram o material para o seu livro <em>Le Destronaron</em>, Capítulo XXXI, &#8220;Paulo VI, o Papa Liberal&#8221;, o qual nos permite saber exatamente o que o fundador da Fraternidade São Pio X havia dito sobre o anúncio desta próxima &#8220;canonização&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O pontificado do Papa Paulo VI (1963-1978) descerá na história como o pontificado do Concílio Vaticano II e sua implementação, que introduziu a revolução na Igreja. As seguintes são algumas das principais reformas resultantes desse concílio: a Missa Nova, cujo espírito e rito são perigosamente semelhantes à &#8220;liturgia&#8221; protestante; um falso ecumenismo que ignora a verdadeira unidade da Igreja; o <em>aggiornamento</em> geral que aboliu as veneráveis ​​tradições das ordens e congregações ao questionar a vida sacerdotal e religiosa; a prolongada crise da Igreja, com a destruição da fé e das vocações, do espírito católico na educação, da prática moral e religiosa em todos os aspectos, etc. Paulo VI, um papa torturado, presa da dúvida e da preocupação, tentou proibir a Missa de São Pio V no consistório de 1976 e perseguiu a legítima reação da Tradição, a qual se opôs à revolução conciliar com os vinte séculos de vida e ensino da Igreja.</span></p>
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		<title>&#8220;A TRADIÇÃO É O ÚNICO FUTURO POSSÍVEL PARA A IGREJA&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Feb 2018 15:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Francisco]]></category>
		<category><![CDATA[Papa João XXIII]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Paulo VI]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista exclusiva com o Padre Fausto Buzzi &#8211; assistente do Superior do Distrito da FSSPX na Itália, com Francesco Boezi, do jornal italiano Il Giornale A Tradição representa o único futuro possível para a Igreja. Dom Fausto Buzzi tem uma visão &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-tradicao-e-o-unico-futuro-possivel-para-a-igreja/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><img class=" alignright" src="https://www.sanpiox.it/archivio/images/stories/Massi/don-Faustocut.png" alt="" width="246" height="320" />Entrevista exclusiva com o Padre Fausto Buzzi &#8211; assistente do Superior do Distrito da FSSPX na Itália, com Francesco Boezi, do <a href="http://www.ilgiornale.it/news/cronache/tradizione-lunico-futuro-possibile-chiesa-1492531.html">jornal italiano <em>Il Giornale</em></a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Tradição representa o único futuro possível para a Igreja. Dom Fausto Buzzi tem uma visão clara. Sacerdote da Fraternidade São Pio X, a mesma fundada por Marcel François Lefebvre em 1 de novembro de 1970, logo após Concílio Vaticano II, Buzzi é hoje assistente do Superior italiano. Ele serviu durante alguns anos na associação <em>Alleanza Cattolica</em>. Depois, em 1972, conheceu Monsenhor Lefebvre e ingressou no seminário de Ecône. Nesta entrevista exclusiva, o sacerdote de São Pio X falou, entre os pontos abordados, da reunificação doutrinal com o Vaticano.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <a href="http://www.sanpiox.it/attualita/2039-la-tradizione-e-l-unico-futuro-possibile-per-la-chiesa">FSSPX Itália</a> &#8211; Tradução: </strong></span><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/"><strong>Dominus Est</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Il Giornale:</span> O que ainda separa  Fraternidade São Pio X da Igreja Católica?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Dom Fausto Buzzi:</strong></span> É bom ressaltar que a Fraternidade São Pio X não tem nada que a separa da Igreja Católica. <a href="https://www.fsspx.com.br/declaracao-de-1974/">Nós estamos unidos à Igreja Católica e nunca nos separamos dela, apesar das divergências com as autoridades da Igreja</a>. Ora, essas divergências não partem de nós. Mons. Lefebvre dizia sempre que o condenaram pelos mesmos motivos pelos quais os papas costumavam enaltecê-lo, particularmente o Papa Pio XII. Foi Roma que mudou e, com o Vaticano II, se distanciou da bimilenar Tradição da Igreja. Em resumo, podemos dizer que o que nos separa de Roma são os graves e fundamentais problemas doutrinais&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>IG: Um pároco me disse, certa vez: &#8220;<em>Fala-se muito sobre cisma, mas esses não têm a competência teológica de Marcel Lefebvre</em>&#8220;. É isso mesmo?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FB:</strong> Muitos criticam ou condenam a Fraternidade São Pio X sem conhece-la e sem compreender as graves razões que a colocam em uma situação hostil em relação às autoridades eclesiásticas. Hoje, muitos, sacerdotes e leigos, estão começando a se perguntar o que está acontecendo na Igreja e estão abrindo os olhos para o fato de que aqueles que foram taxados por muitos anos como cismáticos são aqueles que permaneceram mais fiéis à Igreja Católica e, paradoxalmente, os mais fiéis ao papado. Em nossos seminários, Mons. Lefebvre queria que estudássemos a <em>Summa Theologica</em> de Santo Tomás de Aquino e outras obras clássicas de teologia. Lhe asseguro que foi uma grande graça para nós recebermos uma formação tão profunda e tão sólida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>IG: Qual a sua opinião sobre o Papa Francisco?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FB:</strong> Para nós, o Papa Francisco não é nem pior nem melhor do que os outros Papas conciliares ou pós-conciliares. Ele trabalha na mesma obra inaugurada por João XXIII, a de autodemolição da Igreja Católica com a finalidade de construir uma outra que esteja em conformidade com o espírito liberal do mundo. Eu ainda lhe direi mais: o atual Papa não é tão responsável quanto foi o Papa Paulo VI [em seguir adiante com a agenda de autodemolição da Igreja]. Este papa conduziu o Concílio, o concluiu, e conduziu também todas as reformas. E tudo isso, agora, é a causa da gravíssima crise que vemos na Igreja. É certo que as ações e as palavras do Papa Francisco parecem mais graves do que as de seus predecessores. Mas não é assim. Hoje, o efeito midiático ressoa muito mais do que no passado. No entanto, substancialmente, os atos de Paulo VI são muito mais graves do que os de Francisco.</span><span id="more-12499"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>IG: No entanto, Bergoglio parece ter dado passos em direção a vocês&#8230;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FB:</strong> Ele certamente não deu nenhum passo doutrinário em nossa direção. No entanto, ele nos considera como uma realidade &#8220;periférica&#8221;. Como tal, somos objeto de sua benevolência. Quando ele era cardeal em Buenos Aires, um de nossos sacerdotes deu-lhe um livro sobre a vida de nosso fundador. Ele leu e permaneceu seriamente impressionado. Talvez isso também tenha contribuído para que tenha um olhar diferenciado para conosco. Muitos se perguntam por que ele não foi tão benevolente para com os Franciscanos da Imaculada que estavam decididamente abraçando a Tradição católica. Pelo contrário, neste caso, desconsiderando a misericórdia, ele os tratou com dureza e com extrema severidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>IG: Muitos os consideram como &#8220;extremistas&#8221; da Fé&#8230;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FB:</strong> Veja que a fé é uma virtude teologal, e uma virtude teologal pode crescer infinitamente porque seu objeto é o próprio Deus e portanto, não há limites para a Fé. Nesse sentido, seria virtuoso ser um extremista. Dito isto, eu poderia citar-lhe as palavras de Nosso Senhor quando disse, por exemplo: &#8220;<em>Quem não está comigo está contra mim</em>&#8220;. Ou as palavras de São Pedro: &#8220;<em>Não há outro Nome [Jesus Cristo] sob o céu pelo qual possamos ser salvos</em>&#8220;. Diga-me se estas não são palavras &#8220;extremistas&#8221;. Se então, pensarmos nos mártires que morreram em vez de trair sua fé, como os julgamos? Extremistas? Me parece que estamos perdendo o sentido da fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>IG: O que o senhor pensa sobre o debate doutrinário em torno de <em>Amoris Laetitia?</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FB:</strong> Veja, essa pergunta obriga-me a repetir o que já disse. Por um lado, são louváveis todas as iniciativas que visam corrigir este documento e defender a família católica indissolúvel e santificada por um sacramento, o verdadeiro problema é, no entanto, encontrado em um outro montante. Você sabe onde <em>Amoris Laetitia</em> está enraizada? O encontramos em um dos documentos do Concílio, a <em>Gaudium et Spes</em>. Portanto, como eu disse anteriormente, a horrível crise na Igreja é devido ao seu DNA, isto é, ao Vaticano II. Pense um pouco se ao invés da <em>Gaudium et Spes </em>fosse publicada em seu lugar a Encíclica <em>Casti Conubii </em>de Pio XI, teríamos hoje a catastrófica <em>Amoris Laetitia</em>? Penso que não.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>IG: E sobre a reabilitação de Lutero?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FB:</strong> O que quer que eu diga? Reabilitar o maior heresiarca da história, que secularizou toda a religião cristã, que fez a Igreja perder povos inteiros, é suicídio doutrinário e uma falsidade histórica. A reabilitação de Lutero faz parte da utopia ecumênica dos últimos cinquenta anos. Uma utopia que está levando os católicos a uma apostasia já não mais silenciosa, mas ensurdecedora. Recomendo que leia um novo livro sobre Lutero, publicado recentemente: <em>A verdadeira face de Lutero </em>(veja a capa abaixo), escrito por um dos nossos sacerdotes, professor de eclesiologia no Seminário de Ecône. Lendo este livro, se entenderá o absurdo dessa pretensa reabilitação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>IG: O senhor vê como possível, no futuro, a reunificação doutrinária entre a FSSPX e o Vaticano?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FB:</strong> Eu não sou um profeta. Esperamos que isso aconteça, especialmente para a salvação de tantas almas que correm o risco de se perder por toda a eternidade. Mas, se me permite, gostaria de lhe dizer o que hoje podemos fazer para contribuir com o triunfo da Tradição na Igreja. Devemos nós, cada católico, bispo, sacerdote fiel, retornar à Tradição católica de todos os tempos, e ninguém deve temer de sentir-se contra as autoridades da Igreja. Porque, na verdade, não estamos contra elas, mas, pelo contrário, é o meio mais eficaz de ajudá-las a entender que se deve retornar à Tradição, que é o único e exclusivo futuro da Santa Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.sanpiox.it/archivio/images/stories/immagini/Libri-in-evidenza/vero_volto_lutero.png" alt="" width="420" height="420" /></p>
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		<title>PAULO VI – PAPA LIBERAL</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Apr 2017 15:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Marcel Lefebvre]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Paulo VI]]></category>

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		<description><![CDATA[Talvez perguntem, como é possível que o liberalismo tenha  triunfado através dos Papas João XXIII e Paulo VI e mediante o Concílio Vaticano II? Como se pode conciliar esta catástrofe com as promessas feitas por Nosso Senhor à Pedro e &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/paulo-vi-papa-liberal/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="http://www.fsspx.es/sites/sspx/files/styles/colorbox-big/public/oracion_1.jpg" alt="Resultado de imagem para marcel lefebvre" width="185" height="245" />Talvez perguntem, como é possível que o liberalismo tenha  triunfado através dos Papas João XXIII e Paulo VI e mediante o Concílio Vaticano II? Como se pode conciliar esta catástrofe com as promessas feitas por Nosso Senhor à Pedro e à sua Igreja: “As portas do inferno não prevalecerão contra Ela” (Mt 16, 18); “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo? (Mt 28, 20) Creio que não há contradição efetivamente, na medida em que estes Papas e o Concílio negligenciaram ou recusaram fazer uso da infalibilidade. Deixando de usar este carisma, que lhes é assegurado pelo Espírito Santo sempre e quando o queiram usar, puderam cometer erros doutrinais e com maior razão ainda, deixar penetrar o inimigo na Igreja, graças à sua negligência e cumplicidade. Em que grau foram cúmplices? De que faltas foram culpados? Em que medida sua função fica questionada?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É evidente que a Igreja, um dia, julgará este Concílio, julgará estes Papas. E em especial, como será julgado o Papa Paulo VI? Alguns afirmam que fui herege, cismático e apóstata; outros crêem poder demonstrar que Paulo VI não tinha em vista o bem da Igreja, e portanto não foi papa, é a tese dos “Sedes Vacans”. Não nego que estas opiniões tenham algum argumento à seu favor. Poderão dizer que em trinta anos se descobrirão coisas que estavam ocultas ou se verá melhor elementos que deveriam ter sido mais claros para os contemporâneos, como afirmações deste Papa absolutamente contrárias à tradição da Igreja, etc. Pode ser, mas creio necessáriorecorrer a estas explicações; penso inclusive que é um erro seguir certas hipóteses.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outros pensam de modo simplista, que havia então dois papas: um, o verdadeiro, estava prisioneiro nos porões do Vaticano, enquanto o outro, o impostor, o sósia, ocupava o trono de São Pedro, para a infelicidade da Igreja. Livros foram escritos sobre “os dois papas”, baseados em revelações de uma pessoa possuída do demônio e em argumentos pseudocientíficos que afirmam, por exemplo, que a voz do sósia não é a do verdadeiro Paulo VI!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente outros pensam que Paulo VI não foi responsável pelos seus atos, sendo prisioneiro dos que o cercavam, inclusive drogado. Isto estaria corroborado por várias testemunhas de um papa fisicamente esgotado, inclusive necessitando ser amparado, etc&#8230; A meu ver é uma solução demasiadamente simples, pois então não teríamos mais que esperar um próximo papa. Mas já tivemos (não falo de João Paulo I, que reinou somente um mês) outro papa, João Paulo II, que prosseguiu ininterruptamente na linha traçada por  Paulo VI.</span><span id="more-8840"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A solução real me parece que é outra, muito mais complexa, penosa e dolorosa. O caminho nos é dado por um amigo de Paulo VI, o Cardeal Daniélou: em suas “Memórias” publicadas por um membro de sua família, o Cardeal diz explicitamente: “É evidente que Paulo VI é um papa liberal”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta é a solução que me parece historicamente mais verossímil: pois este  papa  é  como  um  fruto  do  liberalismo,  toda  sua  vida foi impregnada de influência de homens que o rodeavam ou que tomou por mestres, e que eram liberais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não escondeu suas simpatias liberais: no Concílio, em lugar dos presidentes designados por João XXIII, colocou homens que  chamou de moderadores. Estes moderadores foram: Cardeal Agagianian, cardeal da Cúria sem personalidade, e os Cardeais Lercaro, Suenens e Dòpfner; estes três últimos, liberais e seus amigos pessoais. Os antigos presidentes foram relegados a uma mesa de honra e foram os três moderadores que dirigiram os debates do Concílio. Da mesma maneira, Paulo VI sustentou durante todo o Concílio a facção liberal que se opunha à tradição da Igreja, isto é  um fato conhecido. Como já lhes disse, Paulo VI repetiu ao fim do Concílio as palavras de Lamennais textualmente: “A Igreja não pede mais do que a liberdade”. Doutrina condenada por Gregório XVI e Pio IX!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É inegável que Paulo VI esteve fortemente influenciado pelo liberalismo. Isto explica a evolução histórica vivida pela Igreja nestas últimas décadas e caracteriza muito bem o comportamento pessoal de Paulo VI. Como já lhes disse, o liberal é um homem que vive sempre em contradição; afirma os princípios mas faz o contrário, vive sempre na incoerência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deixem-me citar alguns exemplos destes binômios tese-antítese, em que Paulo VI se destacava ao propor tantos problemas insolúveis que refletiam seu espírito ansioso e paradoxal. A encíclica “Eclesiam Suam”, de 6 de agosto de 1964, que é a carta-programa de seu pontificado, nos ilustra a este respeito: “Se verdadeiramente, como dizíamos, a Igreja tem consciência do que o Senhor quer que ela seja, surge nela uma singular plenitude e uma necessidade de expressão, com a clara consciência de uma missão que a excede e uma novidade que deve propagar. É a obrigação de evangelizar, é o mandato missionário, é o dever de apostolado (&#8230;). Nós sabemos bem: ‘Ide e ensinai a todas as nações’, é o último mandamento de Cristo a seus apóstolos. Isto define sua irrecusável missão,  pelo próprio nome de apóstolos”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta é a tese, imediatamente seguida pela antítese:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A propósito deste impulso interior de caridade que tente a se transformar em um dom exterior, nós usaremos o nome que é atualmente usual: diálogo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja deve manter diálogo com o mundo em que vive. A Igreja se faz palavras, a Igreja se faz mensagem, a Igreja se faz conversação”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente vem a tentativa de síntese, que não faz mais do que consagrar a antítese:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“(&#8230;) inclusive antes de converter o mundo,  principalmente para convertê-lo, é necessário acercar-se dele e falar com ele”<a style="color: #000000;" href="#_bookmark281">246.</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais graves e mais características da psicologia liberal de Paulo VI, são as palavras com que logo após o Concílio declara a supressão do latim na liturgia. Logo após haver recordado os benefícios do latim: língua sagrada, língua estável, língua universal, pede em nome da adaptação o “sacrifício” do latim, confessando inclusive que será uma grande perda para a Igreja! Eis aqui as próprias palavras do Papa Paulo VI, citadas por Louis Salleron em sua obra “A Nova Missa”<a style="color: #000000;" href="#_bookmark282">247:</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 7 de março de 1965, Paulo VI declarava à multidão de fiéis reunidos na Praça São Pedro:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É um sacrifício da Igreja renunciar ao latim, língua sagrada, bela, expressiva, elegante. Ela sacrificou séculos de tradição e unidade da língua, por uma crescente aspiração à universalidade”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E a 4 de maio de 1967, o “sacrifício” era consumado com a instrução “Três Abhinc Annos”, que estabelecia o uso da língua vulgar na recitação em voz alta do Cânon da missa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este “sacrifício”, no espírito de Paulo VI, parece ter sido definitivo. Em 26 de novembro, ele explica ao apresentar o novo rito da missa:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Já não é o latim, mas a língua vernácula a língua principal da missa. Para quem conhece a beleza, o poder do latim, sua capacidade de expressar as coisas sagradas, será certamente  um  grande  sacrifício  vê-lo  substituído  pela  língua    vulgar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Perdemos a língua dos séculos cristãos, nos tornamos intrusos e profanamos o domínio literário da expressão sagrada. Perdemos assim em grande parte esta admirável e incomparável riqueza artística e espiritual que é o canto gregoriano. Sem dúvida, temos razão em sentir pesar e desconcerto”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, tudo deveria dissuadir Paulo VI de realizar tal “sacrifício” e persuadi-lo a conservar o latim. Mas não, acomodando-se em sentido oposto em seu “desconcerto”, de um modo singularmente masoquista, vai agir em sentido oposto aos princípios que acabava  de enumerar, e vai decretar o “sacrifício” em nome da compreensão  e da oração, argumento enganador que não passava de um pretexto dos modernistas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O latim litúrgico nunca foi obstáculo para conversão dos infiéis ou para a educação cristã; pelo contrário os povos simples da África e da Ásia gostam do canto gregoriano e desta língua una e sagrada, sinal de adesão à catolicidade. A experiência prova que onde o latim não foi imposto pelos missionários da Igreja latina, ficaram ocultos os germes de cismas futuros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Paulo VI pronuncia então a sentença contraditória:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A resposta parece trivial e prosaica, porém boa por ser humana e apostólica: a compreensão da oração é mais valiosa do que as antigas roupas de seda, elegância real com  que estava revestida. Mais preciosa é a participação do povo, deste povo que hoje quer que se fale claramente, de maneira inteligível que se possa traduzir em sua linguagem profana. Sea nobre língua latina nos separasse das crianças, dos jovens, do mundo de trabalho e dos negócios, se fosse um biombo opaco em vez de ser um cristal transparente, nós pescadores de almas teríamos uma atitude certa conservando-a na exclusividade da linguagem de oração e da religião?”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que confusão mental! Quem me impede de rezar em minha língua? Mas a oração litúrgica não é uma oração privada, é a oração de toda a Igreja. Também outra confusão lamentável, a liturgia não é um ensinamento dirigido ao povo, mas o culto dirigido pelo povo cristão a Deus. Uma coisa é o catecismo, outra a liturgia! Não se trata para o povo reunido na Igreja “que se fale claramente”, mas que este povo possa louvar a Deus de maneira mais bela, mais sagrada e mais solene que exista! “Rezar a Deus com beleza”, tal era a máxima litúrgica de São Pio X. Quanta razão ele tinha!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como vocês podem ver, o liberal é um espírito paradoxal e confuso, angustiado e contraditório; assim foi Paulo VI. Louis Salleron o explica muito bem quando descreve o aspecto físico de Paulo VI.  Ele diz: “tem dupla face”. Não fala de duplicidade, pois este termo expressa uma intenção perversa de enganar, que não era a de Paulo VI. É um personagem duplo, cujo rosto contraditório expressa a dualidade: ora tradicional nas palavras, ora modernista em seus atos; ora católico em sua premissas e princípios, ora progressista em suas conclusões, não condenando o que deveria condenar e condenando o que deveria aprovar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com esta debilidade psicológica este papa oferece uma ocasião sonhada, uma grande possibilidade aos inimigos da Igreja de  se servir  dele.  Sempre  guardando  uma  cara  (ou  meia  cara,     comoqueiram) católica, não teve dúvida em contradizer a tradição, mostrou-se favorável às mudanças, batizando-as de mutações e progresso, indo assim na mesma direção dos inimigos da Igreja que  o estimularam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se viu um dia, no ano 76 o “Izvestia”, órgão do partido comunista russo, reclamar de Paulo VI em nome do Vaticano II minha condenação e a de Ecône?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Igualmente, o diário comunista “L’Unitá” expressou uma solicitação similar, reservando-lhe uma página inteira, quando pronunciei meu sermão em Lille em 29 de agosto de 1976. Como estava furioso, por causa de meus ataques ao comunismo! Dirigindo-se a Paulo VI, diziam: “Tomai consciência do perigo que representa Lefebvre, e continuai o magnífico movimento de aproximação iniciado com o ecumenismo do Vaticano II”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É um pouco incômodo ter amigos como estes, não lhes parece? Triste ilustração de uma regra que temos destacado: o liberalismo leva do compromisso à traição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A psicologia de um papa liberal é facilmente compreensível, mas difícil de suportar! Com efeito, nos põe em uma situação muito delicada em relação a tal chefe, seja Paulo VI, seja João Paulo II&#8230; Na prática, nossa atitude deve se fundar em um discernimento  prévio, necessário para a circunstância extraordinária que significa um papa conquistado pelo liberalismo. Eis aqui este discernimento: quando o papa diz alguma coisa de acordo com a tradição, o seguimos; quando diz alguma coisa contrária à nossa fé, ou quando sustente ou deixe fazer algo que põe em perigo nossa fé, então não podemos segui-lo! Isto pela razão fundamental de que a Igreja, o Papa, e a hierarquia estão a serviço de nossa fé. Não são eles que fazem a fé, devem servir a ela. A fé não se faz, é imutável, a fé se transmite.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por este motivo, não podemos seguir os atos destes papas feitos com a finalidade de confirmar uma ação que vai contra a tradição. Seria colaborar com a autodemolição da Igreja, com a destruição de nossa fé!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fica claro que o que nos pedem sem cessar: completa submissão ao Papa e ao Concílio, aceitação de toda reforma litúrgica, vai em sentido oposto à tradição na medida em que o Papa, o Concílio e as reformas nos arrastam para longe da tradição, como os fatos provam através de anos. Assim pedir-nos isto significa pedir-nos colaborar com o desaparecimento da fé. Impossível! Os mártires morreram para defender a fé; temos exemplos dos cristãos prisioneiros, torturados, enviados a campos de concentração por sua fé! Um grão de incenso oferecido à divindade, teria salvo suas vidas. Me têm aconselhado algumas vezes: “Assinai, assinai que aceitais e tudo continuará como antes!” Não! Não se brinca com a fé!</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><em>Do Liberalismo à Apostasia</em> – Mons. Marcel Lefebvre</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Acompanhe a</span> <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/do-liberalismo-a-apostasia/">publicação dos capítulos aqui</a>, <span style="color: #000000;">ou compre por</span> <a href="http://www.editorapermanencia.net/do-liberalismo-a-apostasia.html">aqui</a> <span style="color: #000000;">ou</span> <a href="http://www.stacruzartigoscatolicos.com.br/livros/do-liberalismo-a-apostasia-mons-marcel-lefebvre">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">246 Documentos pontificais de Paulo VI, 1964. Ed. ST. Augustin, Saint Maurice, págs. 677-679.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">247 Coleção “Itineraires”, NEL, 2ª. Edição, 1976, pág. 83.</span></p>
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