<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Álvaro Calderón</title>
	<atom:link href="http://catolicosribeiraopreto.com/tag/pe-alvaro-calderon/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://catolicosribeiraopreto.com</link>
	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
	<lastBuildDate>Sat, 23 May 2026 00:26:42 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=4.2.2</generator>
	<item>
		<title>A CORREDENTORA – PELO PADRE ÁLVARO CALDERÓN, FSSPX</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/a-corredentora-pelo-padre-alvaro-calderon/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/a-corredentora-pelo-padre-alvaro-calderon/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 05 Nov 2025 14:38:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=33848</guid>
		<description><![CDATA[[Trecho retirado do livro La Santa Misa y la Vida Cristiana, pgs. 64-72] “Depois apareceu no céu um grande sinal: Uma mulher vestida de sol, e a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre sua &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-corredentora-pelo-padre-alvaro-calderon/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><img class="" src="https://3.bp.blogspot.com/-yB3wzGAMiXo/TuEwJZJIGWI/AAAAAAAAAow/JuoiJAbSF3Q/s640/Nossa+Senhora+das+Gra%25C3%25A7as.jpg" alt="FRANCISCO E NOSSA SENHORA CORREDENTORA | DOMINUS EST" width="243" height="330" /></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">[Trecho retirado do livro <em>La Santa Misa y la Vida Cristiana</em>, pgs. 64-72]</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Depois apareceu no céu um grande sinal: Uma mulher vestida de sol, e a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre sua cabeça” [1]. A Mulher foi anunciada desde o princípio, associada ao Homem Deus, como projeto último na obra da criação, de que os anjos conheciam a intenção mas não a sabedoria que acompanhava a como que uma inversão da ordem natural das coisas. “O senhor me possui no princípio de seus caminhos, desde o princípio, antes que criasse coisa alguma. Desde a eternidade fui constituída, e desde o princípio, antes que a terra fosse criada.” [2] </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A liturgia aplica à Santíssima Virgem esses textos que falam da Sabedoria de Deus. Se Deus criou o mundo, foi com a ideia da Encanação, e nesse grande projeto foi determinado, desde o princípio, que o Verbo recebesse sua natureza humana de uma Mulher, que por isso seria coroada como Rainha-Mãe de todo universo. Contra Ela pecou Lúcifer, criando inimizade que em seguida seria consolidada por Nosso Senhor; por Ela combateu São Miguel como cabeça dos santos anjos. Somente a obra da redenção do gênero humano justificou o mistério da Encarnação, pois era a única maneira com que o homem poderia reparar plenamente seu pecado. E a única que poderia fazer do Verbo Encarnado um de nós era a Virgem Mãe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A execução desse projeto começou com o privilégio único da Imaculada Conceição: “Declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.” [3] Esse dogma foi definido dogmaticamente em 1854. Embora os Santos Padres nunca aceitassem que se falasse em pecado na Santa Mãe de Deus, os grandes teólogos escolásticos tiveram dificuldade em aceitar o privilégio da isenção do pecado original, em primeiro lugar por um motivo teológico: a universalidade do dogma da Redenção. Pois alguns queriam eximir de tal maneira à Santíssima Virgem do pecado original a ponto de não precisar de Cristo Salvador. </span><span id="more-33848"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na definição do dogma, diz-se claramente que foi isenta “em vista dos méritos de Jesus Cristo, seu Filho e Redentor do gênero humano”. E em segundo lugar, havia uma dificuldade filosófica, pois a biologia antiga via-se obrigada a distinguir os momentos da concepção e da animação, retardando a última por algumas semanas. Como podia ser preservada, no momento da concepção, se não existia alma espiritual capaz de receber a graça. Essa dificuldade foi desaparecendo com o progresso da investigação biológica, e embora na definição dogmática não se mencione, define-se simplesmente que foi preservada “no primeiro instante da sua concepção”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A graça, em todos os demais, agiu depois que se constituiu a pessoa pela concepção, mesmo naqueles que foram santificados no seio materno, como São João Batista e certamente São José. Em todos eles, a graça agiu como princípio de redenção, porque resgatou-os do domínio de Satanás, e como princípio de reparação, porque pouco a pouco restaurou as feridas deixadas pelo pecado original.  Na Santíssima Virgem, ao contrário, a graça santificante interveio no mesmo instante em que se constituía a pessoa por concepção – e por isso se diz:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; que não que foi resgatada, pois nunca careceu da vida da graça, e sim preservada</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– tampouco teve de ser restaurada, porque a graça não interveio curando uma natureza ferida, mas sim preservando a natureza para que não se constituísse com desordem interior.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se deve compreender a isenção do pecado original como se a Santíssima Virgem tivesse recebido a mesma graça que Eva, adornada de dons preternaturais. Não, essa graça se perdeu e não foi transmitida. A Virgem recebe a graça de Cristo, em previsão do mérito da Cruz, mas recebeu-a no mesmo instante de sua concepção, sendo constituída com uma natureza absolutamente sã, e extraordinariamente dotada mesmo no humano e no corporal – também agiu a providência dispondo em São Joaquim e Sant’Ana a melhor herança genética – porque deveria ser Mãe do Redentor em corpo e alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nascida por promessa de graça a pais já idosos, que segundo antigas tradições viviam em Jerusalem em boas condições, foi apresentada no Templo aos três anos, ficando lá como interna para sua educação. Se Santa Teresinha decidiu ser religiosa aos dois anos e meio, e aos quatorze sentiu a necessidade de deixar seu amado pai para entregar-se a Deus, também podemos pensar que a Virgem Menina percebera tal necessidade aos três anos. Os sacerdotes encontravam-se então muito corrompidos, como também os rabinos, mas não faltavam almas santas no Templo de Jerusalém, como a profetisa Ana e o velho Simeão. Acaso poderiam deixar de ter reconhecido tamanha santidade no coração dessa Menina? As almas semelhantes se descobrem e se atraem. O que não teriam ensinado a uma alminha tão sedenta de Deus, e tão ardente com os dons do Espírito Santo? Quanto terá ela pensado naquela Virgem que anunciava Isaias como Mãe do Redentor, quanto amor, quanta compaixão não teria sentido por Aquela que deveria oferecer seu filho como cordeiro em sacrifício. Acaso não compartilhou com Simeão a convicção de ver o Ungido do Senhor? Seguramente, o voto de virgindade foi feito em seus anos no Templo – feito para associar-se à Virgem Mãe do Redentor, provavelmente pedindo a Deus que fosse uma pequena criada a seu serviço.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como pode ser que a filha de uma família rica de Jerusalém 10 anos depois aparecesse casada em uma pobre aldeia na Galileia? Tem de ter perdido rapidamente seus pais idosos, e não é de se estranhar que a órfãzinha perdesse sua herança nas intrigas cobiçosas dos sacerdotes do Templo. Mas tais manipulações entravam nos planos da providência, que lhe deu o esposo mais digno à sublime missão de guardar a Virgem e a seu Menino-Deus: São José. Ali, no lar humilde de Nazaré, a oração dos patriarcas e profetas do Antigo Testamento – “Rorate caeli desuper!” – Derramai, ó Céus, lá dessas alturas o vosso orvalho, e as nuvens façam chover o justo; abra-se a terra, e brote o Salvador, e ao mesmo tempo nasça a justiça!” [4] – elevada desde o Coração puríssimo e ardentíssimo da Virgem, alcançaria acentos de pressa a que o céu não conseguiria resistir: “Converte-nos, ó Deus, salvador nosso, e afasta de nós a tua ira. Porventura estarás para sempre irado contra nós? Ou estenderás a tua ira de geração em geração? Ó Deus, voltando-te para nós, restituir-nos-ás a vida, e o teu povo se alegrará em ti. Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia, e dá-nos a tua salvação.” [5] Dias antes de ser recebida por São José, quando o sol começava o equinócio da primavera indicando um novo ano, quando as horas de luz começavam a superar as horas de trevas, em 25 de março, ao serafim São Gabriel, “um dos sete espíritos que assistem diante do Senhor”, [6] o mesmo que havia comunicado ao profeta Daniel o tempo da redenção [7], revelava desde a profundidade do mistério de Deus quem era a Eleita do céu como Mãe do Redentor, e lhe dava a missão de pedir seu consentimento. Normalmente, somente os coros inferiores dos anjos agem imediatamente entre os homens, de tal modo que os anjos da guarda são tomados sempre entre os coros inferiores de anjos e arcanjos, mas perante à Rainha eleita deveria aproximar-se um embaixador supremo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim como convinha que Eva fosse filha e companheira do primeiro Adão, agora era conveniente que a nova Eva fosse companheira e Mãe do último Adão. A maternidade de Maria deveria ser o vínculo que uniria o Redentor conosco, os filhos de Adão, os necessitados de redenção. O Verbo queria nos redimir sendo um de nós, para que pudéssemos fazer algo uno com Ele, associando-nos à obra da redenção. Mas a redenção não seria gratuita, mas pela Cruz, e nossa associação à obra da redenção significava associar-nos ao sacrifício do Redentor. Por isso, o Verbo não quis desposar-se com nossa humanidade sem pedir nosso consentimento, porque não era pouco o que nos iria pedir. E esse consentimento foi pedido à Santíssima Virgem, digna representante, pois seria Rainha e Mãe de todos os eleitos. O “<em>Fiat mihi</em>” de Maria, “faça-se em mim” [8], é o <em>“Fiat nobis” </em>de todos nós: faça-se em nós. Ela o deu com plena advertência do que implicava, porque havia sido instruída pelo Espírito Santo sobre o sacrifício do Redentor. Ela sabia que o <em>fiat </em>deveria ser sustentado aos pés da Cruz, quando a espada atravessasse seu Imaculado Coração. Assim Ela, e assim nós se queremos ser seus súditos e filhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após seu consentimento, o Espírito Santo desceu a seu puríssimo seio e consumou a obra da Criação. É Espírito de Amor, e é próprio ao amor que se comunique, por isso fez a suprema comunicação – não somente dando o ser ao que não existia, não somente elevando a natureza espiritual à participação da natureza divina, mas assumindo uma natureza humana na própria pessoa do Verbo de Deus. É próprio do amor unir, e o Espírito Santo uniu o criado com o divino, o tempo com a eternidade, a justiça com a misericórdia: “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se oscularam. A fidelidade brotou da terra, e a justiça olhou do alto do céu. Porque o Senhor dará a sua bondade, e a nossa terra produzirá o seu fruto.” [9] O Amor renova tudo, e acabou com o velho para que começasse o Novo: “Enviarás o teu espírito, e serão criados, e renovarás a face da terra.” [10].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Santíssima Virgem não somente foi o Templo vivo onde se realizou a unção do Sumo Sacerdote, mas foi a Terra Nova que, sob o orvalho do céu, deu o Fruto que se esperava, porque Ela não é apenas o lugar da Encarnação, mas também a matéria viva e disposta pelo amor, na qual agiu o Espírito Santo: “<em>Et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine</em>”. A Maternidade divina supõe uma consagração de todo o ser da Santíssima Virgem, pela qual fica enxertada no mistério mesmo da União Hipostática. A paternidade e maternidade humanas não são resultado de um ato puramente biológico, como nas plantas, mas de um ato propriamente humano, mais espiritual do que corporal. A esposa se une ao esposo em um desejo de cooperar com Deus na transmissão da vida, em uma amorosa entrega que se prolongará com a educação da prole concebida. Em Adão e Eva o ato da concepção estaria animado pela caridade infusa, servindo como causa instrumental na transmissão da graça santificante à prole, de maneira análoga como age o batismo em relação à graça de Jesus Cristo. A relação de paternidade e maternidade, então, é uma relação humana, que reside primeiramente no espírito e não na pura carne. O “<em>Fiat</em>” da Santíssima Virgem foi um consentimento materno à ação do Espírito Santo, pelo qual se dispôs de alma e de corpo a que nela ocorresse a concepção do Verbo. Os Santos Padres insistem em esclarecer que, antes de conceber o Verbo em seu seio puríssimo, primeiro o concebeu em seu espírito, por um especialíssimo ato de fé nas palavras do Anjo: “Bem-aventurada tu, que creste” [11]; de esperança na redenção: “meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador” [12]; e de intensíssimo amor pelo qual começava a amar seu Deus como seu Filho: “Fez em mim grandes coisas aquele que é poderoso, e cujo nome é santo” [13]. O mesmo quis dizer Nosso Senhor quando corrigiu o elogio que se fez de sua Mãe: “Aconteceu que, enquanto ele dizia estas palavras, uma mulher, levantando a voz no meio da multidão, disse-lhe: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos a que foste amamentado. Porém ele disse: Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus, e a põem em prática.” [14] Porque a relação de maternidade que a Virgem guarda com seu Filho é uma relação cujo sujeito não somente é o corpo, mas também (e mais ainda) o espírito, porque seu fundamento é a ação propriamente materna, que é mais espiritual do que corporal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, a relação de maternidade termina na própria pessoa do Filho, porque pela concepção o filho começou a ser. Por isso, embora a Maternidade da Virgem refira-se à natureza humana que seu Filho assumiu, contudo termina na própria pessoa do Verbo que a assume. Isso deve ser tomado de modo muito estrito. É tão assim que, embora Jesus Cristo seja muito verdadeiramente filho de Maria, sua filiação humana com relação a ela não é propriamente uma relação real, porque uma Pessoa divina não admite relações reais com suas criaturas – já que presumiriam uma modificação acidental que a simplicidade divina não permite. [15] Disso se segue que a Maternidade da Virgem se diz divina em sentido estrito, enquanto concebeu a pessoa divina do Verbo; também diz-se divina sob certo aspecto, enquanto a carne e sangue que d’Ela foram tomadas para conformar o corpo de seu Filho acabaram assumidas pelo Verbo, em condição de certo modo divina, como acima dissemos. Assim como a matéria tomada da Virgem termina na condição de pureza cristalizada que implica o corpo assumido de Jesus Cristo, que – como dissemos – somente pode existir nessa condição enquanto recebe o ser do próprio Verbo de Deus – o mesmo deve ser dito da Maternidade da Virgem, não de todo seu ser, mas somente de sua relação de mãe de Jesus Cristo: é uma Maternidade assumida, que pertence à ordem hipostática, que não deixa de ser humana, mas que tem condição de pureza cristal que não poderia dar-se e existir em nenhuma mera mulher – que somente existe nela por sua relação com o Verbo divino. Por isso, chega a dizer Santo Tomás que “tanto a humanidade de Cristo por estar unida a Deus, como a beatitude criada por ser fruição de Deus, assim como também a Santíssima Virgem por ser Mãe de Deus, têm certa dignidade infinita, pelo bem infinito que é Deus. E por tal aspecto, não se pode fazer algo melhor do que elas, do mesmo modo que não pode haver algo melhor do que Deus”. [16]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa condição da Maternidade da Virgem tem uma propriedade e duas consequências. A propriedade que apresenta, e que nos interessa particularmente, é sua permanência. Assim como foi colocada na existência não pelo ato humano de ser próprio da Virgem – estamos usando linguagem tomista – mas pelo próprio Verbo divino enquanto é princípio de existência da união hipostática, assim portanto existe enquanto exista a união hipostática, isto é, por toda a eternidade. Porque a relação de maternidade de uma mãe humana se perde quando seu filho morre, porque deixa de existir a pessoa concebida – a alma de seu filho não é propriamente pessoa. Mas a Maternidade da Virgem não se perdeu perante a morte de seu filho na Cruz, porque não deixou de existir a pessoa concebida, e tanto o corpo como a alma de Jesus Cristo seguiram unidos hipostaticamente ao Verbo de Deus. Ela seguiu sendo Mãe da Vítima oferecida, Mãe do Corpo divino que teve em seus braços ao ser descido da Cruz, e Mãe da Alma divina que desceu aos infernos para comunicar a vida eterna aos Justos do Antigo Testamento. E assim como a Santíssima Virgem conservou seu direito materno para com a Vítima da Cruz, conserva-o para com a Vítima dos altares, onde se separa incruentamente Corpo e Sangue.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além dessa propriedade, a Maternidade divina tem – dissemos – duas consequências, que correspondem com as que apontamos para a humanidade de Jesus Cristo pelo fato da assunção. Em primeiro lugar, elevou-se a uma condição maior do que a plenitude de graça que a Virgem tinha pela Imaculada Conceição. A Maternidade da Virgem, como dissemos, foi movida primeiramente por atos excelentes de fé, esperança e caridade, e a condição de assunção hipostática que adquiriu por obra do Espírito Santo, isto é, a pureza cristal, conferiu-lhe como por refluxo uma firmeza e força únicas a todo organismo sobrenatural da Virgem, a sua graça santificante e as suas virtudes e dons infusos. Foi semelhante ao que ocorre com o batizado graças ao caráter batismal, que é também – como diremos – uma realidade que pertence à ordem hipostática. Semelhante, mas muito superior, porque é muito superior a relação de Maternidade com respeito ao Redentor, do que aquela que podemos ter de participação no Sacerdócio pelo caráter batismal. No momento mesmo da concepção do Verbo, imediatamente após o “<em>Fiat</em>” da Virgem, a plenitude de graça da Imaculada recebeu uma ampliação quase infinita, pois passou de ser, sim, a mais santa das criaturas de Deus, a ser a Mãe do Redentor. A novo ofício corresponde nova plenitude, mas ao ofício divino de ser Mãe de Deus corresponde uma plenitude de graça divinamente maior, que somente se explica pela nova disposição n’Ela produzida por sua divina Maternidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E a segunda consequência, que corresponde com a instrumentalidade que pode assumir a humanidade de Cristo por estar unida hipostaticamente ao Verbo, é a condição de cooperadora do Redentor que a relação de Maternidade permitiu à Santíssima Virgem, ou seja, sua condição de Corredentora e Mediadora de todas as graças. Dissemos que quanto mais unido está o instrumento ou ministro ao agente principal, para mais elevadas operações pode ser usado por esse agente principal. Ora, depois da própria natureza humana de Cristo, nada houve mais unida ao Verbo do que sua Mãe. Porque a mãe tem direito sobre seu filho, como a terra sobre seu fruto, e dada a permanência dessa relação de maternidade da Mãe com seu Filho, nada pode remover esse direito materno. Se a própria morte não o conseguiu, tampouco o casamento que Nosso Senhor realizaria com a Igreja. Porque embora Deus deu como lei que o homem deixa o pai e a mãe para unir-se a sua mulher, essa lei não valia para Ela. Jesus Cristo iria desposar a Igreja, mas o mútuo consentimento que deveria selar tal união dependia, ou melhor, consistia – como dissemos – no “<em>Fiat</em>” da Virgem. A livre aceitação de sua Maternidade era a condição da Redenção, porque dela dependia o vínculo do Redentor com os redimidos e, portanto, a própria decisão da encarnação. Portanto, nem a morte sacrificial nem o matrimônio redentor com a Igreja poderiam desvincular a Mãe de seu Filho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jesus Cristo era d’Ela, e a Ela cabia entregá-lo, ou não, à imolação da Cruz, do mesmo modo como Isaac pertencia à Abraão, e a Abraão Deus pediu que o imolasse, e o mérito desse sacrifício foi tanto de Isaac que obedeceu, como de Abraão que o entregou. À Santíssima Virgem correspondeu desatar a Hora da Paixão. Quanto pediu a seu filho um milagre em Caná, justamente em um casamento, Jesus Cristo lhe respondeu que todavia ainda não tinha chegado a sua Hora, porque bastaria que a Luz brilhasse com o resplendor de seus milagres, para que as trevas se voltassem para crucificá-la. E deu início a essa Hora impulsando-o ao milagre: a Ela lhe correspondia como Mãe. E Ela estará ali, aos pés da Cruz, consumando o sacrifício em seu ofício de Corredentora. Como Mulher, não lhe cabia o ofício sacerdotal, como coube a Abraão, que deveria com suas próprias mãos imolar Isaac, mas como Mãe [de Maternidade divina] ninguém poderia tirar a vida de seu filho sem seu consentimento. O que disse Jesus de sua própria vida, poderia ser dito também por Maria Santíssima: “Ninguém a tira de mim; dou-a voluntariamente; tenho poder para dá-la e poder para recuperá-la novamente; essa é a ordem que recebi do Pai.” E ninguém poderia tirar a vida de seu filho sem a ela tirar a vida, porque era alma de sua alma, e formavam uma única Vítima.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Corredentora junto ao Redentor, foi também necessariamente Mediadora de todas as graças junto ao “único mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem” [17]. Porque ninguém pode entrar dentro do âmbito da salvação sem se associar ao consentimento materno da Santíssima Virgem, a seu “<em>Fiat</em>”. Nada fará Deus em mim se não digo com Ela “faça se em mim segundo a vossa Palavra”. Como diremos a seguir, não podemos ser objeto da Redenção sem pertencer a Jesus Cristo como o membro a sua Cabeça, e a mãe não é mãe somente da cabeça, por mais que seja o que sai primeiro. Gozosíssima deu a luz em Belém à Cabeça do Corpo místico, e dolorosíssima terminou de dar a luz ao Corpo no Calvário: “Disse a sua Mãe: Mulher, eis aí o teu Filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe.” O Coração Imaculado de Maria é o âmbito da Redenção, é o Templo da Nova Jerusalém, único onde pode encontrar-se o Redentor, Ela é Mãe da Igreja e de certo modo se identifica com a Igreja; fora d’Ela não há salvação: “<em>Extra Mariam nulla salus</em>”. Por isso, não há graça que possa passar de Jesus Cristo aos homens que não passe por sua mediação materna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] Ap 12, 1</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[2] Pr 8, 22-23</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[3] Papa Pio IX, Bula <em>Ineffabilis Deus</em>, 8 de dezembro de 1854.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[4] Is 45, 8</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[5] Sl 84, 4-7</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[6] Tb 12, 15</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[7] Dn 9, 21</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[8] Lc 1 38</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[9] Sl 84, 11-13</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[10] Sl 103, 30</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[11] Lc 1, 45</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[12] Lc 1, 47</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[13] Lc 1, 49</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[14] Lc 11, 27-28</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[15] Não explicaremos em detalhe. Veja-se Santo Tomás, <em>Suma Teológica</em>, III, q. 35, a. 5</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[16] Santo Tomás, <em>Suma Teológica</em>, I, q. 25, a. 6 ad 4</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[17] 1Tm 2, 5</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[18] Jo 19, 26-27</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/a-corredentora-pelo-padre-alvaro-calderon/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>AS VIRTUDES DA FAMÍLIA CATÓLICA</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/as-virtudes-da-familia-catolica/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/as-virtudes-da-familia-catolica/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Sep 2025 14:03:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=33650</guid>
		<description><![CDATA[Pelo Pe. Álvaro Calderón, FSSPX Introdução O demônio é o príncipe desse mundo que, antes da chegada de Jesus Cristo, conquistara até mesmo o povo escolhido; e, como homem armado, guardava seu reino. Jesus Cristo, mais forte do que ele, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-virtudes-da-familia-catolica/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://media.benedictine.edu/wp-content/uploads/2021/10/Catholic-Family-1200x630.jpg" alt="A Brief Rule of Life for Catholic Families – Benedictine College Media &amp;  Culture" width="545" height="295" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pelo Pe. Álvaro Calderón, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Introdução</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O demônio é o príncipe desse mundo que, antes da chegada de Jesus Cristo, conquistara até mesmo o povo escolhido; e, como homem armado, guardava seu reino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jesus Cristo, mais forte do que ele, expulsou-o da verdadeira Israel, ou seja, da Igreja Católica – Igreja que ergueu no meio das trevas como Torre de Ouro e de Marfim, escada de Jacó fortificada que leva até o céu; para que acudissem a ela os indivíduos, as famílias e as nações, se desejam sua salvação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja possui as virtudes de Jesus Cristo, o Ouro de sua Divindade e o Marfim de sua humanidade, o Ouro de sua caridade e o Marfim de sua pureza, com os quais é capaz de <em>confirmar </em>as almas, as famílias e os povos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja chegou a receber uma família de povos que se chamou Cristandade, forte em graça e em sabedoria. Mas após um ataque de sete séculos, acabou caindo e foi invadida pelos maus espíritos, sua ruína pior do que a princípio. O que foi a Cristandade, a Cidade de Deus, a Cidade do Amor a Deus até a entrega de si, voltou a ser Babel, a Cidade de Caim, a Cidade do Amor-próprio até o desprezo de Deus.</span><span id="more-33650"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os escombros da Cristandade terminam de cair quando o Concílio Vaticano II envenena de liberalismo a hierarquia católica, que deixa de confirmar os governos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nessa Cristandade invadida ainda se luta nas ruas: perderam-se os povos, mas permanecem famílias católicas, que sustentam certa guerra civil. Queridos jovens: parece-lhes que suas famílias estão firmes neste combate? Feliz do que pode dizer “sim”, pois geralmente é evidente que não. Há feridas, há tristíssimas quedas, as colunas dos lares tremem e as paredes sacodem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De onde, então, tiramos as forças? Como fortalecer as famílias nesta batalha? É importante saber: vou falar das “virtudes da família católica” em sentido propriíssimo e formalíssimo. As virtudes são disposições espirituais semelhantes às capacidades corporais, como as exibidas nas Olimpíadas. São potências ou forças devidamente dirigidas. Mas não vou falar das virtudes da família do ponto de vista ético ou natural (moral, econômica), e sim das virtudes da família “católica”, ou seja, do suplemento de virtude que a família tem por ser parte da Igreja. Em uma comparação não muito bonita: assim como às vezes os esportistas são tentados e usam drogas anabolizantes que lhes dão poderes não naturais, e um coxo ganha a corrida de 100 metros, assim também há suplementos de potências espirituais dadas pela Igreja, que faz com que nós, paralíticos como somos, não paremos no meio do caminho. A isso nos referimos quando falamos que a Igreja confirma as almas, as famílias e os povos. Dá-lhes uma firmeza que não têm como própria, mas como que comunicada pela Igreja, que faz dos povos, das famílias e das almas uma partezinha viva da própria Igreja, participantes da fortaleza da própria Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse suplemento de fortaleza vem-lhes por meio do Sacerdócio de Jesus Cristo, que se exerce por meio da hierarquia da Igreja. Assim, podemos dizer que o Papa confirma a Cristandade, os bispos confirmam os povos, as paróquias confirmam as famílias e os sacerdotes confirmam as almas. Isso é patente, de modo muito claro, no Ritual do sacramento do matrimônio. Os ministros são os esposos, mas o matrimônio é inválido sem a confirmação do pároco: “E eu, da parte de Deus Todo-Poderoso e dos Bem-aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo, e da Santa Igreja, os desposo, e este Sacramento confirmo, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vamos articular três coisas neste artigo: diremos quais são essas virtudes, indicaremos como provém do exercício do sacerdócio e mostraremos como se contrapõem às disposições da família liberal. Atenção: vou falar da família católica ideal e da família liberal ideal, a modo de ideias platônicas; mas todos sabemos que cada uma das nossas queridas famílias têm doses de uma e da outra: algo de trigo e algo de joio. Feliz a família que tem o grão bom em abundância!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É fácil enumerar as virtudes que a Igreja comunica à família, porque são as mesmas da Igreja: a família católica é una, santa, católica e apostólica. Quatro pontos para nossa exposição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Unidade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A unidade da Igreja tem seu fundamento na unidade da Fé, sustentada pelo exercício do Magistério infalível da Igreja. Digamos, de passagem, que o Concílio Vaticano II foi causa de divisão porque, muito estranhamente, não quis exercer esse magistério infalível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é difícil ver quão é confirmada a unidade da família pelo pertencimento à Igreja. O próprio do homem é ser racional, animal racional, e por isso o bem humano por excelência é a verdade. O homem deve reger sua conduta por certa sabedoria, para conhecer os fins últimos pelos quais vive, e que lhe permitam discernir o bem do mal. A Igreja comunica ao pai e à mãe essa sabedoria de maneira altíssima, certíssima e pedagógica, como nenhum filósofo conseguiu fazer. Pai e mãe têm soluções para todos os assuntos que podem influenciar na direção da vida: religiosos, morais, sociais, etc. É pouco, e secundário, o que pode entrar em discussão. De maneira que a família, à luz dessa Sabedoria católica, tem notabilíssima unidade de ação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a iluminação da família católica não advém apenas pelo exterior. Assim como o sacramento da Ordem estabelece a sociedade eclesiástica, o sacramento do Matrimônio estabelece a sociedade doméstica. E assim como o primeiro dom que o sacramento da Ordem confere – à hierarquia sacerdotal – é o carisma do magistério, assim também as primeiras graças que o sacramento do matrimônio confere à hierarquia doméstica – ao pai e à mãe – são luzes de sabedoria e prudência. Assim como o Papa e os bispos são assistidos pela sabedoria de Jesus Cristo, assim também o pai e a mãe são assistidos por um carisma especial além da própria graça e virtude: é suplemento de luz sacramental.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A família liberal, ao contrário, contra a própria natureza humana, coloca como fundamento não a verdade, mas a liberdade, contra o que diz Nosso Senhor: “A verdade” e somente a verdade “os fará livres”. E a liberdade principal é a liberdade de opinião. À esposa liberal soa como anular a personalidade se pensa o mesmo que o esposo: se ele é são-paulino, ela será corintiana. E assim entre todos com todos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desse modo, somente há unidade nas coisas que se impõem de fora: deve-se mandar os filhos para a escola, ir ao médico; mas há pluralismo nas questões mais fundamentais, que parecem ser questão de opinião. E a ação, mesmo a individual, sempre será débil, porque em nada se tem certeza. O ápice do espírito liberal é levar à liberdade religiosa até o casamento de um muçulmano com uma católica, e o melhor que pode acontecer com os filhos é ser budistas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A unidade firmíssima da família católica, então, se funda nessa Sabedoria que recebe da Igreja e que é participação na unidade da Igreja. Ora, é evidente que ela depende, essencialmente, do sacerdócio católico. Primeiramente, como dissemos, porque a Sabedoria católica foi exposta com a autoridade do próprio Cristo, pelo Magistério dos Papas e dos Concílios. Mas não só isso, por que acaso há algum pai que seja tão instruído, que nessa matéria não precise do conselho do sacerdote? Sacerdote cuja ciência própria é a sabedoria católica, ou seja, a Teologia&#8230; Os pais devem se instruir na Sabedoria Católica, devem alcançar um sentir católico, mas suas ocupações e profissões lhes impedem dedicar-se plenamente à Teologia. A isso se dedica o sacerdote, com dedicação especial, com estudos, com graças especiais. Assim como para a saúde corporal, os pais devem ser suficientemente instruídos para o cuidado de seus filhos, mas necessitam constantemente do conselho dos médicos; assim também, para a saúde espiritual, necessitam dos sacerdotes, que confirmam a unidade da família.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma última, e importantíssima, advertência. Na Cristandade, havia três ordens subordinadas: a família, o Estado e a Igreja. A família está subordinada ao Estado pela ordem natural, o Estado está subordinado à Igreja pela elevação à ordem sobrenatural. Tal subordinação presume, em primeiro lugar, uma subordinação dos critérios sapienciais ou, mais claramente, presume que o Estado <em>sabe mais </em>do que a família e a Igreja <em>sabe mais </em>do que o Estado. Para a criança católica, é natural e espontâneo pensar que os professores da escola sabem mais do que os pais e que os párocos sabem mais do que os professores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Atenção: a família católica vive, hoje em dia, num Estado liberal. Há pais que creem que, como os filhos amam mais a eles do que aos professores da escola, vão acreditar mais nos pais. E é um erro tremendo. Basta a criança sair do lar e entrar na escola para que lhe seja aberto o mundo social, e imediatamente se dá conta que esse mundo tem mais autoridade do que os pais; o pai não é livre para enviá-lo ou não para a escola, de exigir que seja dada esta ou outra matéria, e os demais reconhecem essa nova autoridade. Não, a criancinha percebe imediatamente que está perante critérios superiores, e o espontâneo e natural é que confie mais na escola do que no pai.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A única maneira de que o jovem católico não se torne liberal é que, tendo uma fé suficientemente viva, veja que na paróquia (no priorado) os sacerdotes estão conforme o pai e não com os professores. Nos sacerdotes, reconhece uma autoridade maior do que a da escola, porque é a autoridade de Deus. É muito, muito frequente entre nossas famílias que os próprios pais desautorizem os sacerdotes, às vezes em tom de brincadeira, socavando as bases de sua própria autoridade, acreditando que basta a própria formação teológica. E depois se surpreendem de que os filhos confiem mais no mundo do que neles: “Como não confia em mim, que sou seu pai, sua mãe?” “Sim, me amas mais do que o médico, mas o médico sabe: o mundo sabe mais e, se fica incomodado, te põe na cadeia.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira nota da família católica é a unidade, e se fundamenta principalmente na Sabedoria Católica, confirmada pela intervenção sacerdotal. Essa sabedoria é como o marco da prudência católica, pela qual os pais devem guiar o barquinho familiar. Sem prudência, não há virtude verdadeira.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Santidade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A segunda nota da Igreja é a santidade: <em>unam</em>, <em>sanctam</em>. E, na Igreja, a santidade flui dos Sacramentos. A família católica participa dessa nota de santidade justamente pelo sacramento do Matrimônio, que não somente santifica a união dos esposos, mas que faz do matrimônio um “Este mistério é grande – <em>magnum sacramentum</em>” ao inseri-lo no mistério da Igreja, como diz São Paulo: “mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas olhemos com um pouco mais de atenção. O fim para o qual se constitui a família católica, o bem comum que buscam os esposos ao unir-se, é certa e efetivamente a santidade. Não falo de esposos particularmente piedosos, mas suficientemente católicos. Saberão que o fim do matrimônio é duplo: o fim principal é a procriação e o fim secundário é o auxílio mútuo. Pois bem, os esposos católicos sabem claramente que o fim é levar sua prole ao céu: é a santidade dos filhos. Esse é o propósito principal. E o fim secundário, o auxílio mútuo, é auxílio na mútua santificação, porque é claro que não há nada a mais a se fazer nessa vida. O fim certo, claro, efetivo, da família católica é a santidade, embora nela esteja toda a incoerência posta ali pela debilidade das pessoas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E uma virtude que aparece como a flor mais bela desse propósito, que é adorno e vestimenta principal da família católica, é a castidade. É belo percebê-lo, e pode parecer surpreendente que o seja, mas é fácil entender que seja assim. A atração sexual é, certamente, a paixão humana mais forte, pois Deus a associou à função mais importante, transmitir a vida; mas por ser a mais forte, é nela que se manifesta mais do que nas outras a desordem do pecado original. Contudo, ao elevar o amor conjugal, o matrimônio católico dignifica e eleva o próprio ato conjugal: torna-se patente que é meio de um fim santo. A sexualidade fica dignificada e santificada. A isso contribui especialmente a graça do sacramento. E por isso, na família católica, o relativo à sexualidade se conserva no melhor equilíbrio, pois se combate o desenfreio libertino, mas não se cai no ocultamento puritano. Ademais, a convivência católica de muitos filhos e filhas faz com que a relação entre homens e mulheres seja levada com normalidade, sem má curiosidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na família liberal, por sua vez, acontece o contrário. Para o liberal, o bem supremo é a liberdade, e o vínculo conjugal, como a palavra mesma o diz, é um jugo mútuo que se colocam os esposos, justificado apenas pela sexualidade. O fim principal não é a prole, mas ajuda mútua – ajuda mútua em quê? Somente no sexual. O resto é pessoal, cada um por si. A esposa trabalha porque precisa de liberdade econômica. O espiritual é o mais pessoal e, portanto, individual, e seria lamentável que tivessem a mesma opinião religiosa, pois – como dissemos – se suspeitaria que um influenciou ao outro. O fim do matrimônio liberal é a sexualidade. Isso supondo que a sociedade conserve certo impulso católico, pois enquanto socialmente se aceita a liberdade sexual, a família desaparece, como vemos com horror hoje em dia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Posto um fim último em certo âmbito, tudo se ordena a ele e tudo se valora por ele. Essa finalidade, real e efetiva – quem não sabe? – tende a, digamos, prostituir a família liberal. Prostituir vem de <em>pro statuere</em>, colocar diante, expor. Para os latinos, significa profanar. É colocar à venda, oferecer em intercâmbio algo sagrado, o que implica uma inversão de finalidades. A Bíblia usa essa palavra para os que deixam a Deus por dinheiro, por ídolos de interesses terrenos. E isso é feito pela família liberal: inverte o fim da santificação para o fim da impureza – pois a sexualidade se torna impureza, prostituição, ao inverter-se sua finalidade. Pode soar feio, mas tende a ser assim: a mulher tende a ser prostituta do marido, e o marido da mulher, e os filhos vivem no ambiente de uma casa de prostituição. O afeto conjugal que une os esposos é apenas o erotismo. Quando o eros é apenas o eco de um amor honesto e cristão, torna-se belo e digno e tende a permanecer; mas quando o eros deve alimentar-se por si só, necessita de impacto e novidade – e é assim que o matrimônio liberal que quer perseverar unido tende a inventar coisas novas e estranhas; até consente em se alimentar de pornografia, perdoem-me! (Pode haver algo mais triste do que um par de esposos que olham filmes pornográficos para manter sua relação?) E os filhos bebem desse ambiente de impureza. A conversa impura, a pornografia, a curiosidade má mesmo entre irmãos e irmãs&#8230; E quem não se dá conta de que isso tende a transbordar além do âmbito da família. O esposo encontra mais novidades fora do casamento, e a mulher se acostuma a agradar de má vontade não apenas a seu esposo. E começa a perder seus atrativos com a idade e se deprime, pois sua vida acaba.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tem algo a fazer, o sacerdote? Evidentemente. Depois do magistério, a função mais propriamente sacerdotal é a santificação. Mas vamos à família, em particular. O ordenamento à santidade pode receber o nome de “direção espiritual”, e é ofício especial do pároco para com as famílias. Mas costuma dizer-se algo à maneira de objeção: os pais são, por natureza, os diretores espirituais dos seus filhos, e o esposo de sua esposa. Em certo sentido, é verdade, como pode ser dito também do magistério. Normalmente, o pároco dá a direção espiritual <em>geral </em>das famílias por meio de seus sermões, e os pais a direção espiritual <em>particular</em>. Certamente os pais católicos devem se preocupar com a direção espiritual dos seus filhos, pois a educação não é apenas ensinar a escovar os dentes. E seria desejável que o esposo tenha maior formação espiritual do que a esposa, e possa ajudá-la em sua santificação – embora aconteça o contrário muitas vezes, já que as mulheres costumam ser mais piedosas. De todo modo, a sociedade conjugal é um modo de amizade que se ordena à mútua santificação. Disse que normalmente é assim, porque, enquanto uma alma é levada por Deus a maiores santificações, nessa mesma medida necessita de uma direção espiritual superior, que só pode ser dada pelo sacerdote. Assunto delicado: é verdade que o sacerdote tem de ter cuidado de não suplantar os pais na educação dos filhos, o que pode tentar por não ter filhos próprios; e, mais delicado, o mesmo com as esposas. Mas deve, sim, estar presente quando descobre uma vocação especial à santidade, seja nos filhos, seja nos pais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E em relação à santidade, e à pureza em particular, tem especial função, indispensável e insubstituível, a confissão, que é um dos maiores e mais consoladores tesouros do sacerdócio. É fundamental que os pais respeitem o claustro sagrado da consciência de seus filhos e os esposos do outro esposo. Ali é permitida somente a entrada do sacerdote. E isso ajuda, especialmente, quanto à pureza, pois suas desordens são, ao mesmo tempo, as mais vergonhosas e as mais incontroláveis. Se há algo que se conserva e se restaura somente pela graça da confissão, é a pureza. Não há castidade – o adorno mais precioso da família católica – sem confissão frequente. Quanto devem encorajar os pais e os sacerdotes aos adolescentes para não temerem abrir seu coração na confissão, dada a confusão que lhes desperta a sexualidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dupla advertência. Uma sociedade liberal necessariamente cai na impureza, e isso acontece conosco. A família católica é, hoje, um barquinho que flutua num mar de impurezas, e que difícil é permanecer impermeável a essas águas fétidas. Primeira advertência: abram as vias que comunicam a casa com a paróquia (priorado), vias de dreno, e fechem os caminhos que comunicam a casa com o mundo: televisão, internet, diversões. Segunda advertência: somente a família católica tem o suplemento de força para conservar a castidade de seus membros. <em>Vae soli!</em> Ai do solitário (Ecl 4, 10). O relativo à pureza tem uma força tão grande que não basta a virtude católica normal para se sustentar, e é necessário que se veja, que esteja presente, algo católico: <em>onde se acham dois ou três congregados em meu nome, aí estou eu no meio deles.</em> E ao estar Jesus Cristo em um meio, há virtude superior. Ai do esposo que não corre do trabalho para casa, nem da casa para o trabalho. É somente dar atenção à sua mulher e filhos o que mantém a castidade do esposo; é apenas o olhar da família que mantém a castidade dos noivos. Hoje, não se mantém o olhar sobre os noivos, e não há noivado puro. É simples assim.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Catolicidade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A terceira nota da Igreja é a catolicidade: <em>unam, sanctam, catholicam</em>. Católico significa universal. A Igreja tem uma aptidão extraordinária para integrar, na estreita unidade familiar, gentes de todas as nações e, em cada nação, de toda condição social. E a família católica participa desse dom. Podemos dizer que a família católica é <em>integradora </em>(integrista?) e nisso é católica. E a virtude que provém dessa nota da Igreja é uma virtude de dupla face: a <em>caridade/obediência</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A caridade é o amor divinizado. É o amor elevado pela graça santificante, que vem de Deus e que termina em Deus, pois ama tudo enquanto tudo é de Deus. Os pais católicos veem, nos filhos, tesouros de Deus que lhe são confiados, e então entendem o valor infinito de uma alma, e o sentido que tem o sacrifício de ter muitos filhos. Pelo amor <em>natural </em>(não de caridade), os esposos amam de uma maneira os próprios filhos e de outra muito distinta os alheios; e, se adotam um filho, amam-no como adotado. Mas quando o amor natural é informado pela fé católica, os esposos já não veem seus filhos como algo próprio, mas como algo de Nosso Senhor. E então já não se nota tanto a diferença entre filhos e sobrinhos, porque por todos eles Nosso Senhor deu a vida. No coração dos pais católicos, tendem a apagar-se essas diferenças: começam a se dar conta de que, aos olhos de Deus, pode valer mais a jovenzinha empregada doméstica que os próprios filhos, e então o trato passa a ser de verdadeiro amor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A outra cara da caridade é a obediência. Amar a Deus é identificar minha vontade com Sua vontade, o que significa obedecer: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra” (Jn 14, 23). Quando vejo que meu superior me manda por amor a Deus com sacrifício pessoal, é o próprio amor que me manda obedecer. A caridade é vínculo de perfeição na Igreja e na família, porque instala a perfeita obediência. É assim que a família católica tende a fazer-se grande: tem muitos filhos, tem grande vínculo com os primos, tende a acolher como família os que trabalham na casa. E assim, faz-se socialmente forte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em particular, a caridade deve brilhar especialmente no pai. São Paulo pede-a, de modo especial, para com a esposa: “Maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e por ela se entregou a si mesmo, para a santificar, purificando-a no batismo da água pela palavra da vida, para apresentar a si mesmo esta Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e imaculada. Assim também os maridos devem amar as suas mulheres, como os seus próprios corpos. O que ama a sua mulher, ama a si mesmo. Porque ninguém aborreceu jamais a sua própria carne, mas nutre-a e cuida dela, como também Cristo o faz à Igreja, porque somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa só carne. Este mistério é grande, mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja. Por isso também cada um de vós ame sua mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o seu marido” (Ef. 5, 25-33).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui há algo especial, e não me acusem de dar uma versão romântica do matrimônio. É essencial para a família católica que o esposo ame muito à esposa, pois Cristo amou muito a Igreja. Os filhos são algo muito da esposa, pois saem de seu ventre e são a ela mais unidos. É difícil que o esposo que não ame a esposa consiga amar seus filhos, pois necessariamente os verá como algo dela. O esposo, como chefe, deve amar o bem comum familiar acima do bem próprio, até dar a vida, como Cristo, e o bem comum é – de certo modo – a esposa. E esse amor do chefe é o que rege o amor dos súditos, o que causa a concórdia (comunhão de corações) da sociedade doméstica. Quando o pai não ama a esposa, ninguém ama a ninguém na família. Quando o pai ama sua esposa, tudo se fortalece e caminha. Uma mulher, quase que por instinto, busca no homem acima de tudo ser amada, e não se equivoca muito. Mas deve ser amor cristão, de caridade, pois se não é, não é amor verdadeiro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na esposa, deve brilhar a caridade/obediência. À mulher, São Paulo não pede que ame o marido, mas que esteja submissa a ele, como a Igreja a Cristo: “As mulheres sejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor; porque o marido é cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo, do qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres a seus maridos em tudo” (Ef 5, 22-24). E tenham em conta que em São Paulo se une a experiência de vida e a sabedoria do Espírito Santo. A mulher ama ao marido facilmente porque é mais afetiva e, deve ser dito, por necessidade, porque fica presa pelos filhos. Mas esse amor deve ser cristão, marcado pela humildade da submissão. A esposa é também autoridade na família, embora seja subordinada à do marido. Mas tem o exercício do <em>ministério do interior</em>. O esposo governa <em>ad extra</em>, relacionando a família com a sociedade, e a esposa governa <em>ad intra</em>, os trâmites internos da casa. E isso lhe dá um enorme poder, pois o esposo não sabe o que se passa na casa exceto por meio dos olhos da esposa, e ela é que pode abrir o caminho para os filhos e fazer com que respondam a seu mando, ou fechá-lo e armar uma revolução. É ela também que estabelece o nível social e econômico do lugar, fazendo um homem feliz ou deixando-o louco (ou pior, ladrão), pois o esposo não tem tempo de ir ao mercado nem sabe que falta faz, no lar, cada eletrodoméstico. Que pode fazer um general sem capitães fiéis? A submissão da mulher é a alma da casa, e não pode existir sem humildade cristã.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso mostrar muito para ver que a família liberal é completamente <em>desintegradora</em>? O pensamento liberal engendra um enorme <em>egoísmo</em> (nasceu do egoísmo). Porque o amor verdadeiro exige um grande sacrifício, como nos mostrou Nosso Senhor, pois para buscar o bem do outro devo sacrificar o meu, e mesmo incomodar o outro para lhe corrigir. Os pais devem combater contra seus filhos para lhes fazer algum bem, os esposos devem combater entre eles (um pouco menos, porque devem tolerar-se mais) para corrigir-se pelo bem de todos. O liberalismo, ao contrário, oferece-lhes a doce renúncia ao exercício da autoridade: “Filhinho querido, pega aqui uns reais e faz como quiser, porque respeito sua liberdade; e não me incomode mais.” Não há amor, não há obediência: ao egoísmo se segue a desobediência; portanto, a desunião. Querem um termômetro do contágio liberal que sofremos todos? Hoje há muito pouco <em>amor natural </em>(não digo cristão): os antigos livros de espiritualidade insistem que o religioso corte os laços familiares para pertencer à religião, enquanto hoje temos de insistir aos seminaristas que escrevam às suas mães. Há pouco afeto familiar, há pouco afeto aos irmãos, aos pais, e o que é muito grave, há pouco amor dos pais aos filhos, porque queiram ou não queiram, têm de se acostumar a cuidar pouco deles. E do pouco afeto familiar se segue pouco afeto na relação com Deus: fé seca. Os corações são muito pobres.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como a paróquia confirma a catolicidade da família? Pela <em>espiritualidade eucarística</em>. Não existe catolicidade, universalidade, sem a Eucaristia. Em primeiro lugar, porque somente participando do Sacrifício de Jesus Cristo, por amor a nós, podem aprender pai e mãe a sacrificar-se por amor aos seus. Ademais, somente perante o Altar se manifesta a dignidade católica de cada alma, ao vê-la comungar: porque ali se vê receber a Deus igualmente o poderoso e o débil, o rico e o pobre, o filho e o alheio. O esposo se dá conta que tem de respeitar a esposa quando a vê comungar, porque “vê” que ela não é sua, mas de Cristo; ali veem os pais que os filhos são de Cristo e não próprios; que os filhos alheios são tão de Cristo quanto os seus; que a empregada doméstica não é menos do que eles perante o amor de Nosso Senhor. Uma escola sem capela se transforma necessariamente em escola de ricos ou de pobres, pois somente o Altar é capaz de superar essas “discriminações” (acepção de pessoas). A Igreja fez-se Família Grande por reunir a seus filhos em torno da Mesa Eucarística.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Advertência final. Já dissemos: não podemos nos salvar sozinhos, e estamos numa sociedade liberal anticristã. Devemos, pois, agrupar, integrar. São bons, portanto, os grupos de jovens: de rapazes e moças, de priorados, interprovinciais, internacionais. Mas sem tirar importância deles, parece-me que o esquema de integração, ao mesmo tempo, mais católico e mais natural, é o de priorados-famílias: o forte vínculo natural das famílias <em>confirmado </em>pelo mais forte ainda vínculo sacerdotal dos priorados na Fraternidade (das paróquias nas Dioceses). Por parte da Fraternidade, a debilidade vem da carência da autoridade do Papa, mas vamos seguindo&#8230; Por parte das famílias, talvez possamos especificar um problema: as mulheres são feitas por Deus para interessar-se pela própria família, e construir família enche sua vida e seu coração. Mas o homem é feito para vincular a família com a sociedade, e se interessa mais por política, pelo exército, pela profissão. Embora alguns não gostem do que vou dizer, parece-me evidente que a defesa da família é, hoje, um propósito certo, enquanto a defesa da política, do exército e das profissões&#8230; não digo que são inúteis, mas são propósitos incertos. Disso se segue que hoje temos moças animadas (com projeto de família) e jovens desanimados (sem projetos sociais). Hoje o varão deve ver que, perante o desastre social, é muita coisa defender a <em>pusillus grex </em>(o pequeno rebanho) familiar: ao quebrar-se a ordem de batalha e as linhas de comando, ao bom capitão não resta outra função do que retirar-se, tratando de salvar seu batalhão. Necessitamos que os varões – se não têm vocação – dilatem seu coração e queiram combater como leões para sustentar uma família, e provavelmente nada mais. Custa a renúncia a horizontes mais amplos, mas isso não é efeminar-se.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Apostolicidade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja se diz “apostólica” porque Cristo a fundou sobre os doze Apóstolos: sobre seus dons e doutrinas, que foram transmitidos íntegra e fielmente de geração em geração. Dizer que a Igreja é “apostólica” é o mesmo que dizer que é “tradicional”. Há uma diferença entre a Igreja e qualquer outra sociedade de homens, a diferença entre as coisas divinas e as humanas: as coisas humanas procedem do imperfeito ao perfeito (da potência ao ato, se não se estragam), enquanto as divinas são perfeitas desde o começo. A Igreja tem sabedoria (doutrina), recursos (sacramentos e instituições) e estratégias (espiritualidade) de vida perfeitos desde o começo e aptos para todas as circunstâncias da história do homem. E a família católica é assim: tradicional, pois sabe que a chave de sua felicidade não está por ser descoberta, mas consiste em seguir como sempre foi. Disso se segue que a virtude associada a essa nota do cristianismo é a <em>perseverança</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O tradicionalismo da família católica não é uma nostalgia de tempos passados, como poderia ter uma família aristocrática em decadência. Não, é o apreço desperto do tesouro que possui na Igreja. Não somos estupidamente medievais, brincando de damas antigas e cavaleiros: apreciamos enormemente o mal chamado medievo porque foi tempo de esplendor da Igreja. Mas tampouco somos estupidamente modernos, como se o moderno, por ser moderno (novo), fosse melhor. Não, somos católicos, conscientes de ser herdeiros de uma fortuna imensa que não devemos perder. Somos filhos de milionário: Jesus Cristo.</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Por que a família católica se aferra à liturgia tradicional? Por nostalgia? Faz 50 anos que a mudaram&#8230; Não, porque é a liturgia que expressa e professa o dogma católico; porque é belíssima, uma obra de arte de música e poesia, perante a grosseria da Missa Nova; porque é eficaz para tocar os corações e convertê-los.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">A família católica não se deslumbra com as inovações tecnológicas ou com as novas filosofias, porque sabe claramente que nada tem mais sabedoria verdadeira do que o Magistério da Igreja e a teologia tomista. Não a convencem tão facilmente de que seus primeiros padres não foram Adão e Eva, mas sim uns orangotangos.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Disso se segue que, na família católica, o avô não é um móvel velho que já não serve, mas o patriarca que tem muitos tesouros a nos dar, pois ao tesouro de seu catolicismo se somou o valor da experiência: os mais velhos não são <em>velhos,</em> mas <em>grandes</em>. A família católica tem história, dá valor a seu passado, conserva suas tradições próprias.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Isso, que ocorre principalmente com os bens espirituais, translada-se também aos bens materiais. Ama a casa paterna, mas não por mera nostalgia, e sim porque sua própria arquitetura responde a uma concepção de vida. Assim como não há muitas maneiras de construir uma Igreja, porque deve responder à doutrina e à realidade que ali se celebra, e as igrejas de arquitetura nova não servem, assim também é com as casas de família. E com os móveis, e com as roupas. Por que preferir um móvel antigo? Porque são muito melhores feitos, com madeiras preciosas, com arte; eram feitos assim porque iriam ser usados por muitas gerações. Hoje em dia, contudo, deve-se mudar tudo a cada cinco anos, porque se deve seguir uma moda enlouquecida – vale apenas o último, o novo, pois sempre estaríamos passando a algo superior: nós, em relação ao homem que virá amanhã, seríamos como o orangotango de ontem em relação a nós. O tradicionalismo em relação aos bens materiais se traduz como verdadeiro “espírito de pobreza”. A família católica cuida das coisas, conserva-as, transmite-as a seus filhos.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A família liberal, ao contrário, corta tão imediatamente com o passado, está tão preocupada com a novidade, que nem sequer vive em paz no presente. Basta comprar o último modelo de celular para se angustiar porque sabe que, no mesmo instante, anuncia-se um mais novo. Com o avô, o melhor que pode fazer é colocar num asilo para ler jornais velhos. O adulto, pelo fato de ter se formado em suas opiniões e costumes, por isso mesmo já não serve, pois vale apenas o que se pode transformar em algo novo de um dia para o outro. E esse é o jovem, que não tem nem sabedoria, nem experiência, nem costume, nem nada. Mas a juventude é algo fugaz, e se passa da inquietude à depressão. A família liberal é devorada pelo tempo! (Cronos que devora seus filhos).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a família católica não recebe a herança apostólica propriamente de seus avôs, mas dos sacerdotes, que são justamente os sucessores dos Apóstolos. Eles são justamente os encarregados de transmitir íntegra e fielmente a doutrina e os sacramentos às famílias católicas. A indefectível fidelidade da Igreja na transmissão do Depósito da Fé é associada por Jesus Cristo ao sacerdócio. Eles são os “Padres” que transmitem a herança a seus filhos. Aquele que queira ser “tradicionalista” sem sacerdotes encontra-se numa herética ilusão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dissemos que a virtude associada à nota de “Apostolicidade”, isto é, ao caráter “tradicional” do católico, é a <em>perseverança.</em> Nosso Senhor, falando das perseguições que os Apóstolos sofreriam até o fim dos tempos, diz-lhes: “E vós, por causa do meu nome, sereis odiados por todos; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo”. (Mt. 10, 22). Hoje, a nós e às famílias, pede-se sobretudo perseverar na fé e na confiança na Igreja, e em seu tesouro de doutrina e costumes. Se houve um pecado nos que fizeram o Vaticano II, foi deixar de crer que se poderia seguir falando o que sempre se falou na Igreja ao mundo moderno. E perante a corrupção geral e o falso prestígio do moderno, o grande desafio é perseverar. Como diz Jesus Cristo à Igreja de Filadélfia: “Porque guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação, que virá a todo o mundo para provar os habitantes da terra. Eis que venho brevemente; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3, 10-11).</span></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/as-virtudes-da-familia-catolica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>OS SETE ESPÍRITOS DA MODERNIDADE</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/os-sete-espiritos-da-modernidade/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/os-sete-espiritos-da-modernidade/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 02 Aug 2025 16:17:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=33348</guid>
		<description><![CDATA[Padre Álvaro Calderón, FSSPX Os espíritos malignos não buscam nada, porque não têm esperança alguma, mas opõem-se a todo bem. Satanás é o inimigo do Bem, “o qual se oporá [a Deus], e se elevará sobre tudo o que se &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-sete-espiritos-da-modernidade/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkDKcFccZp8G-Wvm2bwwbfLHcBT9heQsg59qWILuBKIMHFUGir_B6Ft67DjqO57ezDpWtMTcqhVveayQdEw5U5GpVWnLu56Ry8GtGVesGfe169eCTmGIC_1D-BGEhyA6Z43qHeV4B1WEEJ/s1600/23736408Nnx.jpg" alt="Ordem de Siles: Demônios (Parte 3)" width="347" height="224" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Padre Álvaro Calderón, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os espíritos malignos não buscam nada, porque não têm esperança alguma, mas opõem-se a todo bem. Satanás é o inimigo do Bem, <em>“o qual se oporá [a Deus], e se elevará sobre tudo o que se chama Deus”</em><strong>[1]</strong>. Adversário de Deus e muito especialmente inimigo do homem, manifesta-se por sua oposição: dele sairá o Anticristo, dele vem o anticatolicismo e tudo o que é anti-humano. E esses espíritos de oposição são os que se manifestaram de modo cada vez mais perceptível a partir do Concílio Vaticano II. Porque é notável que, a partir dos anos 1960, houve uma grande difusão do satanismo. O otimismo conciliar declarou uma Igreja sem inimigos e assim deixou de denunciar a existência e a natureza do demônio, passando então a ser Satanás, de certo modo, o primeiro “<em>redimido</em>” do Vaticano II.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Talvez sua manifestação mais potente tenha ocorrido pelo fenômeno do rock, cuja aparição coincide, estranhamente, com os anos do pós-concílio. Àquele que não acredita no demônio pode lhe parecer uma espécie de moda, uma maneira de se opor e virar de cabeça para baixo tudo o que veio anteriormente, vendo em Satanás apenas um símbolo do proibido. Mas, hoje, qualquer um pode buscar na internet as impressionantes listas de artistas que confessaram ter se consagrado a Satanás para triunfar: e olha como triunfaram! Com o respeito por qualquer opção em ordem religiosa, promovido pelo mesmo ecumenismo conciliar, não apenas se considerou digna a irreligião do ateísmo, mas também digna a antirreligião do satanismo, e por isso temos multidões de seitas satânicas registradas nos ministérios de culto de todos os países liberais. Satanás conseguiu se fazer aceitar no panteão das divindades, inaugurado pelo próprio Papa em Assis. De fato, a espiritualidade satânica não é propriamente negadora de Deus, mas dualista, pois sustenta que o bem deve ser moderado pelo mal para que daí saia o melhor, e por isso se sente cômoda em um ambiente ecumênico.</span><span id="more-33348"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <strong>primeiro espírito</strong> que prepara e acompanha o retorno de Satanás é o espírito do ocultismo. O príncipe das trevas tem necessidade de que os homens percam o medo aos poderes ocultos. A bruxaria sempre existiu, mas a Igreja se preocupou em deixar claro o que era. Mas o modernismo conciliar justifica todo sentimento religioso, em especial o da devoção popular, sem distingui-lo da superstição. E é assim que ajudou os homens a entrarem nas regiões ocultas do preternatural. Os novos movimentos pentecostais e carismáticos se entrelaçam perigosamente com o fenômeno New Age, que é bruxaria com celular. Agora temos sacerdotes e religiosas praticando meditação transcendental e Reiki, e quantas lojas católicas trocaram as medalhas religiosas por velas vermelhas e negras, que vendem muito mais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <strong>segundo espírito</strong> é o espírito da mentira. O diabo é o pai da mentira, e é impressionante como os homens passaram do subjetivismo à aberta instrumentalização da mentira como teoria e prática da modernidade: se a verdade é aquilo que te convém, minto para que fiques bem. Vivemos em um mundo de informação e de comunicação cada vez mais rápida e global, mas do qual foi retirado todo critério de verdade. Chamam de filosofia a antifilosofia de Hegel, que nada mais é do que o sofisma de Satanás infundido nos princípios do conhecer: o não-ser melhora o ser. A pseudociência se aferra ao evolucionismo sem poder se libertar dele. Todos sentem que a democracia é uma imensa mentira, e também todas as promessas dos direitos humanos e da solidariedade internacional; e que é mentira o contrato de trabalho e a promessa matrimonial. E quanta culpa tem o Concílio, que colocou debaixo do alqueire a candeia da verdade, que não é outra senão a Cátedra de Pedro. Agora os homens sentem que seria horroroso abrir-se à verdade, e aqui especialmente está a mensagem do segundo espírito demoníaco: abraça a mentira, pois a verdade te desesperará. Não! o rosto da verdade é a doce face de Jesus Cristo. Ah, se voltássemos a ouvir dele que somente a verdade nos libertará!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por trás do espírito de mentira vem, <strong>em terceiro lugar</strong>, o espírito de tristeza para confirmar sua ameaça. A depressão é uma epidemia mundial, com mais mortos que as duas guerras mundiais, e é também um sinal manifestíssimo da presença de Satanás, o Triste por antonomásia. E aqui, também tem grande culpa a espiritualidade conciliar, que se envergonhou de pregar a Cruz de Cristo, porque o grande segredo do catolicismo é que somente na aceitação da cruz está a verdadeira alegria, cuja fonte é o santo Sacrifício da Missa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <strong>quarto espírito</strong> é o espírito do antinatural. O demônio é o inimigo da ordem sobrenatural, mas sabe que o melhor modo para a destruir é atacando a própria natureza em que o sobrenatural se apoia. Assim como para destruir a fé foi mais eficaz do que propagar heresias o destruir a razão pelo subjetivismo, assim também para secar as fontes da graça, o mais eficaz é destruir a natureza. O antinatural é sinal de presença demoníaca, e hoje o homossexualismo não somente se difunde como praga, em cuja propaganda se investem enormes somas de dinheiro, mas se impõe pela própria força da lei. Nunca antes ocorreu algo igual! Quem não vir aqui os inícios do reino de Satanás está muito cego.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <strong>quinto</strong> é o espírito de homicídio. Satanás “era homicida desde o princípio”, por isso um dos principais espíritos que acompanham seu retorno é o do homicídio. E não do mero homicídio, mas do derramamento de sangue. O demônio quer o derramamento de sangue humano, seu modo de se opor ao Sangue de Cristo que nos salva. Dois grandes sinais do advento do reino de Satanás foram as duas guerras mundiais, guerras fratricidas entre nações cristãs, nas quais se derramou um oceano de sangue batizado. E, agora, o aborto é como o sacrifício cotidiano da antirreligião satânica, pelo qual se arrancam cruelissimamente muitas almas de Jesus Cristo. É o anti-pedido: “Impedi que as crianças cheguem a Ele”. E se o sangue dos circos romanos era sinal do antigo domínio de Belzebu, agora o sinal são os filmes cruentíssimos, de realismo horripilante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <strong>sexto espírito </strong>é o de tirania ou da anti-Cristandade. Todos esses princípios dissolventes parecem ser contraditos pela presença de um enorme poder de unificação político-econômico. Somente um poder acima do humano pode unificar os homens: ou Deus, que por meio da Igreja formou a Cristandade, ou Satanás, que por meio da Sinagoga busca fundar uma anti-Cristandade. Ora, na era pós-conciliar se observam movimentos de unidade verdadeiramente admiráveis, como a União Europeia e as intenções imperialistas dos Estados Unidos. E o Vaticano II se colocou ao serviço desse processo, no pedido de <em>Gaudium et Spes </em>por uma autoridade mundial que assegure a paz. Mas se trata, claramente, de uma anti-ordem mundial, porque as doutrinas, os fins e as autoridades que a buscam são ocultos, embora possamos ver que sejam contra o bem temporal das nações. Como não ver, aqui, a operação de Satanás em sua intenção de estabelecer o reinado do Anticristo? Quanto tempo demorará para que <em>“ninguém possa comprar ou vender, exceto aquele que tiver o sinal ou o nome da besta”</em><strong>[2]</strong>?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o <strong>sétimo espírito</strong> é o da anti-Igreja. O espírito mais astuto que preparou esse retorno do príncipe dos demônios, o sétimo enganador, foi o que soube infiltrar, nas veias da Igreja, o modernismo liberal, pelo qual alcançou, para o serviço de Satanás, o próprio sucessor de São Pedro, e por meio dele toda a hierarquia eclesiástica. Algo similar ocorreu na vida de Nosso Senhor, quando foi condenado pelo próprio Sumo Sacerdote, Caifás. Mas, embora haja anúncios de que se daria algo terrivelmente enganador no fim dos tempos: “<em>Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes milagres e prodígios, de tal modo que (se fosse possível) até os escolhidos se enganariam”</em><strong>[3]</strong>, essa manobra do espírito maligno era impensável. Mas esse espírito nunca triunfará, porque o Papa não estará nunca completamente ao serviço de Satanás, pois Nosso Senhor rezou por ele, de maneira que as portas do inferno não prevalecerão:<em> “Simão, Simão, eis que Satanás vos busca com instância para vos joeirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não falte”</em><strong>[4]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <em>La Santa Misa Y La Vida Cristiana</em>, pp. 44-47</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">II Tes 2, 4</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ap 13, 17</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mt 24, 24</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Lc 22, 31-32</span></li>
</ol>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/os-sete-espiritos-da-modernidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A NOVA ORDEM MUNDIAL É “NOVA”?</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/a-nova-ordem-mundial-e-nova/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/a-nova-ordem-mundial-e-nova/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Sep 2022 14:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cristianofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=28026</guid>
		<description><![CDATA[Se por um lado os meios tecnológicos tornam cada vez mais possível um governo mundial de homens “amantes de si mesmos, avarentos, altivos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, malvados, sem afeição, sem paz, caluniadores de nenhuma temperança, desumanos, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-nova-ordem-mundial-e-nova/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/09/novus.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-28027" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/09/novus.jpg" alt="novus" width="410" height="276" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se por um lado os meios tecnológicos tornam cada vez mais possível um governo mundial de homens “<em>amantes de si mesmos, avarentos, altivos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, malvados, sem afeição, sem paz, caluniadores de nenhuma temperança, desumanos, inimigos dos bons, traidores, protervos, orgulhosos e mais amigos de deleites do que de Deus</em>” (2Tim. 3, 2-4), tais como aqueles que o Apóstolo disse que viriam no fim dos tempos, pelo outro não é novo esse impulso na alma humana. Diz o Padre Álvaro Calderón, FSSPX:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>O impulso imperial – nesta linha de impérios providenciais – provém da forte tendência que têm os bens universais a serem difundidos. É o desejo de Adão em ter a quem comunicar as riquezas de sua alma, pelo que lhe foi dado a mulher, ou seja, a família, ou seja, a sociedade. Aquele que tem ciência tem o desejo de ensinar, e aquele que sabe organizar sofre a desordem nos demais. Aquele que por sua vez ama o dinheiro, que é puramente material, só pensa em despojar os demais, pois este se gasta ao comunicá-lo, enquanto que os bens universais quanto mais se distribuem, mais se tem. Os impérios de Daniel eram impérios de cultura e não de dinheiro[1], eram impérios fundados em um bem comum espiritual e não carnal, em um bem universal e não particular.</em>&#8220;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Mas a obscura realidade do pecado original continua com suas consequências, por isso que a ideia do império sofre conflito, conflito esse que desencadeou-se justamente em Babel. Até então era a “terra de uma só língua e um mesmo modo de falar”[2], mas o esforço cultural desse povo unido foi empregado para construir um altar para a glória do homem e não para a de Deus: “Disseram ainda: vinde, façamos para nós uma cidade e uma torre, cujo cimo chegue até ao céu, e tornemos célebre o nosso nome”[3]. Por isso que Deus se viu obrigado a confundi-los e dividi-los: “Eis que são um só povo e têm todos a mesma língua: começaram a fazer esta obra, e não desistirão do seu intento, até que a tenham de todo executado. Vamos, pois, desçamos e confundamos de tal sorte a sua linguagem, que um não compreenda a palavra do outro”[4]. Babilônia permanece em seu projeto de unificação e glória, mas Deus se mostrou contrário à ideia imperial – «Ecce unus est populus», e dividiu-a –, pois um poder político tão grande em corações soberbos não deixaria de produzir um grande mal.</em></span><span id="more-28026"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">“Ao serem confundidas as línguas, foi confundida e dividida a religião. Daí que a tarefa de reunificação imperial traria consigo, como vimos, aquilo que poderíamos chamar de um «humanismo». O homem é um animal essencialmente político-religioso, e não há império possível se não se resolve o problema da religião, que desde Babel havia ficado fragmentada e cada vez mais desfigurada. Mas na falta de uma clara manifestação divina que consagrasse um Pontífice e restabelecesse o vínculo religioso com Deus, o único princípio e fundamento verdadeiramente universal era a razão: o mais divino do homem. A tarefa imperial supõe, então, a unificação em torno dos bens culturais mais universais, a ciência e o direito, com uma regulamentação das caprichosas religiões dentro da ordem do razoável, o que leva necessariamente a um desprestígio das tradições religiosas. Isso é o que já observamos em Ciro, e mais em Alexandre e sobretudo em Augusto: é o império do «humanismo».</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">“Acreditamos não estar transferindo indevidamente ao passado o que vivemos em nosso tempo: se não se conta com uma religião universal – ou não se quer contar –, não há outro modo de unificar politicamente os povos senão com um enfoque ecumênico não muito distinto do Vaticano II. É claro que se o primeiro Concílio de Jerusalém tivesse tomado o mesmo caminho, a Igreja não haveria tido os louros dos seus muitíssimos martírios, porque César nos ofereceria com gosto um belo altar em seu Panteão (Пαν-Θειον: templo consagrado a todos os deuses).</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">“Ora, o poder político em corações soberbos não deixa de cair sob o domínio de Satanás, mas há domínio e domínio.”</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(Extraído de Padre Álvaro Calderón, FSSPX, <em>El Reino de Dios, La Iglesia y el orden político</em>, pp. 271-272)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vejamos também o que diz São João Crisóstomo em sua sétima homilia à segunda Carta de São Paulo a Timóteo (trad. Editora Paulus) quando fala do homem que tem uma fome voraz (βουλιμία) e insaciável por bens materiais, que quer que morra todo o mundo para que todos os bens fiquem para si:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Não existe homem mais ingrato que o cobiçoso, tão insensível quanto o avarento. É inimigo da terra inteira. Aborrece-se por existir tanta gente. Queria que existisse apenas um deserto a fim de se apossar de tudo. E imagina várias coisas semelhantes. Oxalá houvesse um terremoto na cidade, diz ele, e todos fossem soterrados, somente eu subsistisse e, se possível, tomasse todos os bens! Oxalá grassasse uma peste e tudo perecesse, exceto o ouro! Oxalá viesse um dilúvio, ou inundação do mar! Imagina somente inúmeras calamidades, nada de bom, almejando que sobrevenham terremotos, raios, guerras, pestes etc. Dize-me, miserável e infeliz, mais vil que todos os escravos, se tudo fosse ouro, acaso poderias, esgotado pela fome, livrar-te por meio dele?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">Se houvesse um terremoto, derrocasse a terra, perecerias tu conjuntamente, com tua perniciosa cupidez. Se na terra não se encontrasse mais homem algum, não acharias meios de subsistência. Imaginemos que os homens tivessem desaparecido inteiramente da terra, e todo ouro e prata fluíssem de certo modo até vossa casa (Imaginação estulta e impossível!) e douradas as riquezas, ouro, prata, vestes de seda, caíssem por si mesmas em tuas mãos, que utilidade teriam? Desta maneira, a morte é que viria de surpresa, devido à carência de padeiros, agricultores; as feras devorariam tudo, e os demônios encheriam de pavor a tua alma. E agora efetivamente os demônios, e muitos, já se apoderaram dela, mas nesse caso então te levariam à loucura, e logo à perdição. Mas eu não quero isto, replicas; queria ter agricultores e padeiros. Ora, eles fariam despesas. Mas não queria que gastassem. A tal ponto a cobiça é insaciável!</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">O que há de mais ridículo? Vistes que é impossível? Quer ter muitos servos, e se entristece por precisarem de alimento, diminuindo-lhe os recursos. E então? Dize-me. Queres homens feitos de pedra? Tudo isto provoca zombaria, ondas, procela, inverno, tempestade, grande perturbação da alma: Sempre faminto, sempre sedento. Dize-me. Não havemos de ter compaixão dele, de deplorá-lo?”</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O santo Crisóstomo, como se pode ver, fala até naquele desejo oculto do cobiçoso de, se fosse possível, ter “homens feitos de pedra” (<em>homines lapídeos</em> ou λιθίνους ανθρώπους) que lhe serviriam sem, em contrapartida, gerar os gastos que geram um empregado. Mas, então, o que são hoje os cada vez mais desenvolvidos e autônomos robôs senão a realização tecnológica desse desejo oculto dos avarentos de possuírem riquezas sem por isso precisar dividi-las com a força de trabalho que a gera? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É verdade que a robotização, em suas primeiras etapas, acabou tendo o efeito reverso: ao criar novos campos até então desconhecidos, destruiu antigos e acabou com profissões inteiras, mas acabou, por outro lado, criando outros novos e realocando novamente a força de trabalho que então ficara ociosa. Mas e quando esses robôs adquirirem autonomia dentro do processo de produção em cada vez mais áreas? É uma questão para os futuristas e economistas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cada vez mais, porém, nos aproximamos da interessante época onde a força de trabalho (que é a verdadeira geração de riqueza) não será mais uma força humana, mas a matéria produzindo matéria. Sempre haverá uma &#8220;nova&#8221; etapa onde os cobiçosos tentarão abocanhar todas as riquezas da terra para si e, quanto maior for essa riqueza, mais insaciável ela será e maior o desejo homicida de seus possuidores (os potentados de hoje possuem uma pujança política e econômica que na Antiguidade os pagãos comparariam ao poder de deuses; mas em vez de saciar essa sanha por bens materiais, o desejo de possuir cada vez mais bens materiais aumentou na mesma proporção, quiçá mais: &#8220;sempre faminto, sempre sedento&#8221;).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas tudo isso, como mostraram o Padre Calderón e São João Crisóstomo, não é a “Nova Ordem Mundial”, pois ela é velha como o diabo e segue o desejo original do primeiro assassino: Caim, que criou toda uma civilização para proteger sua mente perturbada pelos demônios que o assaltavam (Gn. 4, 17). Essa é a Velha Ordem dos caídos, sempre de cara nova, mas sempre velha e podre por dentro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Notas:</span></strong></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Resumimos no dinheiro tudo o que é material e carnal: prazer, violência, etc., pois tudo isso se consegue com dinheiro. Assim também resumiu Nosso Senhor quando falou só de dois senhores: Deus e Mamon.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Gn. 11, 1.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Gn. 11, 4.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Gn. 11, 6-7.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">
<div id="icpbravoaccess_loaded"></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/a-nova-ordem-mundial-e-nova/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>INDIFERENTES À MISSA NOVA?</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/indiferentes-a-missa-nova-2/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/indiferentes-a-missa-nova-2/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 21 Sep 2021 13:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=25232</guid>
		<description><![CDATA[Dois ritos diferentes coexistindo para a celebração da Missa. Realmente devemos considerá-los como duas expressões de uma mesma coisa? Certamente isso não é uma questão de gosto: é a fé católica que está em jogo. Lembremo-nos de como devemos julgar a missa reformada &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/indiferentes-a-missa-nova-2/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx-sudamerica.org/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/drupal-7/misanueva5.jpg?itok=bfFaTSTN" alt="" width="494" height="286" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span style="color: #000000;">Dois ritos diferentes coexistindo para a celebração da Missa. Realmente devemos considerá-los como duas expressões de uma mesma coisa? Certamente isso não é uma questão de gosto: é a fé católica que está em jogo. Lembremo-nos de como devemos julgar a missa reformada de 1969.</span></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.fsspx-sudamerica.org/es/news-events/news/%C2%BFindiferentes-la-nueva-misa-31872">FSSPX/Distrito da América do Sul</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a> </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos problemas seriam resolvidos se fossemos ao menos indiferentes à Nova Missa. De Roma não nos pedem outra coisa. De tantos católicos perplexos com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, muitos acreditaram que o mal do novo rito viria apenas da maneira de celebrá-lo e os peregrinam pelas paróquias buscando padres, sempre poucos, que celebrem com piedade e não deem a comunhão nas mãos. Outros, melhor informados, sabem que a diferença não está nos modos do sacerdote, senão no próprio rito e reivindicam a Missa tradicional argumentando, com alguma hipocrisia, o enriquecimento que implica a pluralidade de ritos: o novo é bom, mas o antigo também, melhor então ficar com os dois!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora não haja tolos em Roma, toleraram essa conversa nos grupos tradicionais que se amparam (1) na Comissão <em>&#8220;Ecclesia Dei&#8221;. </em>Além disso permitiram aos Padres tradicionalistas da diocese de Campos, no Brasil, que ficassem com seu rito tradicional mesmo dizendo que a Nova Missa é “<em>menos boa</em>”. Mas em Roma  nossa Fraternidade porque causa incômodo, porque não só não diz que a missa nova é boa, mas a combate como perversa, incomodando a perplexidade que mesmodepois de quarenta anos de Concílio tantos católicos não deixam de padecer. Se, ao menos, fôssemos indiferentes &#8211; que os outros rezem como queiram &#8211; Roma nos deixaria em paz. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Podemos ser indiferentes à Nova Missa?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na véspera de sua Paixão, havendo chegado a hora de oferecer seu sacrifício redentor a seu Pai, Nosso Senhor fez uma aliança com Sua Igreja: <em>Hæc quotiescumque feceritis, em mei memoriam facietis</em> (Lembre-se de que morri por vossos pecados, que me lembrarei de vós na presença do Pai). E, sendo Deus, nos deixou o imenso mistério da Missa, pelo qual seu Sacrifício permanece sempre vivo, sempre novo, permitindo-nos assistir como ladrões arrependidos: <em>Memento Domine, famulorum famularumque tuarum </em>(Lembra-te, Senhor, de nós agora que estais em seu Reino).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A memória viva da Paixão que se renova pela dupla consagração graças aos poderes do Sacerdócio, a união misteriosa com a Vítima Divina que se realiza pela comunhão é a única maneira que tem o coração duro do homem para retornar ao amor de Deus, porque nada chama tanto ao amor como conhecer-se muito amado, e a Paixão de Nosso Senhor foi a maior demonstração de amor: ninguém ama mais do que aquele que dá a vida por seu amigo. É por isso que a obra da Redenção que Cristo realizada na Cruz não se faz eficaz para nós senão graças ao Sacrifício da Missa.<span id="more-25232"></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, assim como não pode haver indiferença perante a Cruz de Cristo, tampouco pode haver perante o rito que renova seu Sacrifício. <em>Quem não está comigo está contra mim</em>, disse Nosso Senhor, e esta lei foi imposta pela Paixão. Posso passar reto por um vendedor se não necessito do que ele oferece; mas não posso ignorar um homem ferido porque ele precisa de mim. Não é um pecado evidente a indiferença ante a Jesus dos Milagres, pois posso dizer com São Pedro: retira-te<em> de mim, pois sou pecador</em>; mas é uma traição horrível dizer: <em>não conheço tal homem</em>, perante Jesus Crucificado. É a Cruz de Nosso Senhor que nos obriga a tomar partido, não me é permitido deixar de lado Aquele que morre pelos meus pecados!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O novo rito, criado sob Paulo VI para substituir o bimilenar rito romano da Santa Missa, suprimiu o escândalo da Cruz: <em>evacuatum est scandalum crucis! </em>A intenção imediata que guiou a reforma da missa foi o ecumenismo: criar um rito suficientemente ambíguo para ser aceito pelos protestantes mais &#8220;<em>próximos</em>&#8221; ao catolicismo; mas a intenção final foi suprimir a espiritualidade dolorosa da Cruz, porque sua negatividade supostamente repele o homem moderno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É assombroso, mas se nossa religião remove o escândalo da Cruz, cessa a perseguição e os judeus são os primeiros a aceitar o diálogo ecumênico. São Paulo apontava esse mistério aos Gálatas, tentados a judaizar, acreditando que fosse necessário circuncidar-se:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Quanto a mim, irmãos, se ainda prego a circuncisão (como falsamente dizem os que vos seduzem), por que sou ainda perseguido? Logo, cessou o escândalo da cruz”!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como mostra o livrinho sobre o problema da reforma litúrgica, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, a teologia subjacente à missa de Paulo VI obscurece a Paixão de Nosso Senhor para permanecer apenas com as alegrias da Ressurreição: supera o Mistério da Cruz com a nova estratégia do Mistério Pascal. Repete-se o que aconteceu quando Jesus anunciou pela primeira vez sua paixão:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span style="font-size: 11pt;">Tomando-o Pedro aparte, começou a increpá-lo, dizendo: &#8220;Deus tal não permita. Senhor; não te sucederá isto&#8221;. (Mt 16, 22)</span></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Visto com olhos muito humanos, com Cristo ressuscitado a Igreja pode entrar no mercado deste mundo, que morre em todos os lugares, com um produto de luxo: a esperança da ressurreição; mas com o Crucificado, todos os sermões devem começar como o primeiro de São Pedro, reprovando perigosamente aos poderosos deste mundo: <em>&#8220;Vós o matastes&#8221; </em>(Atos <em>2:23</em> ). Mas, qual foi a reação de Nosso Senhor ante a mudança de estratégia de mudança que lhe proporia seu Vigário?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000;">“<em>Retira-te de mim, Satanás! Tu serves-me de escândalo, porque não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas dos homens.”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em todos esses anos de resistência às transformações litúrgicas, dentre as fileiras dos perplexos emergiram muitos cruzados &#8211; bem ou mal intencionados, só Deus sabe &#8211; que, fazendo uso da boa teologia, defenderam que a reforma não é tão ruim como a retratamos. Vimos publicada até mesmo uma piedosa explicação da Missa Nova em que se mostra a história dos ritos como se nada tivesse mudado entre Paulo VI e São Gregório Magno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por que, então, reclamamos tanto! O que aconteceu foi que ficaram perplexos justamente os católicos que não conheciam muito bem as correntes subterrâneas da teologia modernista que, embora condenada e perseguida pelos papas antes do Concílio, foram ganhando terreno até instalarem-se no Vaticano, graças ao apoio de João XXIII e Paulo VI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O pensamento que guiou as reformas, na sua raiz e na sua coerência interna, é verdadeiramente satânico, e infelizmente, não exageramos! É verdade que os materiais com os quais o novo rito foi construído vêm, em sua maior parte, da demolição do antigo; e, por isso, ante um olhar superficial &#8211; muito superficial! &#8211; parecem semelhantes: ato penitencial, leituras, repetição das palavras de Cristo, comunhão, benção final, tudo em <del>castelhano</del> português e de forma confusa. <span style="font-size: 11pt;">Acaso tudo isso seria tão diferente?</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, é totalmente diferente. Se tantos católicos que batizamos com o insultante, mas merecido título de <em>&#8220;neocons”(2),</em> vissem claramente como é e o porquê do rito da Nova Missa, certamente deixariam a indiferença sob a qual esconderam para juntarem-se ao clamor para que os altares das igrejas voltem a ser Calvários.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O livrinho sobre a Reforma que mencionamos, mostra minuciosamente qual é a teologia que anima a Nova Missa. O primeiro (satânico) princípio é que Deus, sendo imutável, não sofre danos pelos nossos pecados, de modo que por mais que pequemos, não deixamos de ser filhos amados, e basta que nos arrependamos para que tudo seja esquecido, sem exigir de nós reparação ou satisfação alguma por danos e prejuízos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É muito interessante. Imaginemos um banqueiro com capital infinito: basta que peçamos perdão e fiquemos com a coisa roubada, porque em suas contas nunca aparece a subtração. Este pequeno sofisma  remove imediatamente a necessidade da Cruz &#8211; e também da própria Encarnação &#8211; porque o Verbo se fez homem e morreu por nós para reparar nossos pecados. O rito tradicional está profundamente marcado pela dívida da justiça que temos com Deus, é uma liturgia de “<em>publicanos</em>” sempre necessitados da redenção:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Meu Deus, tem piedade de mim pecador”. </em>(Lc 18, 13).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O novo rito, ao contrário, removeu todas as expressões com finalidade propiciatória, considerando que os fiéis, depois de pedir o perdão inicial, já estão santificados, podendo fazer sua a oração do fariseu: <em>“Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os outros homens”.</em> Aquele que olha para o novo rito com medo de achar defeitos, pode facilmente negar essa intenção, porque a liturgia não prega sua doutrina em linguagem científica, e sim encarnada em gestos e imagens. Contudo basta ir aos livros dos teólogos que a fizeram e poderá comprovar a grande advertência com que dirigiram essas mudanças.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como a paixão e a morte de Cristo perdem o sentido se o pecado não exige reparação, elas foram escondidas sob o conceito de Páscoa ou &#8220;<em>passagem</em>&#8220;, ou seja, a morte não seria mais do que a passagem para a Ressurreição. A consequência litúrgica é que a Missa não é mais um rito sacrificial que renova o Calvário, mas um duplo banquete que antecipa a alegria  dos ressuscitados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Às vezes nos custa aceitar que até haja sacerdotes que não reconheçam a enorme diferença que há entre o antigo rito sacrificial e o novo banquete. O rito tradicional tem uma parte preparatória ou ante-missa, que termina no Credo, e há três partes integrais: o oferecimento ou ofertório, a imolação pela dupla consagração e a comunhão com a Vítima Divina.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><img class="aligncenter" src="http://www.fsspx-sudamerica.org/sites/sspx/files/styles/news_big/public/news/misanueva9.jpg?itok=VSTEwqXu" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>&#8220;Não é muito diferente o tratamento que Jesus Cristo sofreu em sua Via crucis com o que agora sofre com a comunhão na mão&#8221;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O novo rito, no entanto, segue um caminho absolutamente diferente: consiste em duas partes paralelas, a liturgia ou a &#8220;mesa&#8221; da Palavra e a mesa da Eucaristia, da qual a primeira não é a menos importante. Isto já é uma novidade absoluta, como uma simples preparação pode substituir em importância o que era propriamente a Missa?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E as três partes da liturgia da Eucaristia já não são as de um sacrifício, mas uma refeição: apresentação dos alimentos, ação de graças e a refeição propriamente dita. O que há de semelhante com o Santo Sacrifício da Missa? São somente os materiais de demolição. As &#8220;<em>palavras da consagração</em>&#8221; não são mais consideradas como tais, mas agora são apenas uma recordação dos gestos e palavras de Cristo, por cuja <em>“memória”</em> se faria objetivamente presente o <em>Kyrios,</em> o Senhor da glória com seus mistérios. É muito difícil para aqueles que foram formados na doutrina clássica entender essa nova linguagem &#8211; sabemos por experiência &#8211; e lhes custa acreditar que se pense o rito de forma tão diferente. É assim entre nós discutimos se remover o <em>Mysterium Fidei </em>da fórmula da consagração ou o tom narrativo invalida ou não a transubstanciação, mas para o novo rito esta discussão não tem sentido, porque para ele a presença de Cristo é efetivada por outro mecanismo: o poder evocativo do memorial. É difícil acreditar? Por exemplo: em Roma pôde ser considerada válida uma anáfora, a de Addai e Mari, sem as palavras da consagração. Evidentemente, sob o nome de Missa nova ou antiga estão sendo entendidas coisas muito, mas muito diferentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A nova teologia, que não é mais que um novo disfarce do camaleônico modernismo condenado por São Pio X, toma como instrumento o pensamento moderno, anti-realista e anti-metafísico, para reinterpretar a Revelação ao gosto do &#8220;<em>homem de hoje</em>&#8220;, uma criatura mitológica inventada pelos meios de comunicação. Assim, eles pretendem substituir a profunda teologia sacramental, levada tão alto por Santo Tomás e canonizada em muitos dos seus pontos pelo magistério da Igreja, com o confuso simbolismo dos pensadores modernos, que esvazia da realidade todos os mistérios e os deixa flutuando em uma esfera imaginária de puros conceitos. Para ela, não há apenas sete sinais sacramentais, mas tudo é &#8220;símbolo&#8221;: Cristo é sacramento, a Igreja é sacramento, a Escritura, a realidade, tudo o que percebemos se transforma em puro sinal de um mistério indefinível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A realidade da transubstanciação, da união hipostática, do caráter sacerdotal, da graça santificante, tudo desaparece diante dessa maneira de pensar. E este é o pensamento que anima a Nova Missa. Cristo está presente na assembleia dos fiéis, na Sagrada Escritura, no ministro que presidente, no Pão Eucarístico, mas todas essas presenças se confundem em uma mesma, que resulta tão confusa e indefinível, que se desvanece: se Cristo está tanto no meio, no livro, no Padre, na Hóstia, se está em toda parte, não está em nenhuma! E os fiéis o encontram tanto nas igrejas como na rua.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A alma da Nova Missa é uma alma perversa. Os católicos que se esforçam em ver nela apenas os materiais de demolição, tentando reconstruir em sua cabeça a figura do rito tradicional, podem não percebê-la e atenuar os danos causados ​​por sua presença. Certamente não se trata de uma substância viva e é necessário dar-lhe vida por certa compreensão do que seus ritos significam. Mas as formas sensíveis têm sua força e o homem não pode resistir por muito tempo a elas. Assim como não se pode frequentar as discotecas sem a erosão da honestidade, tampouco pode frequentar um rito modernista sem o desgaste da fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim é, ao menos, para o mais comum dos mortais. E estamos olhando para um único lado da moeda, porque devemos ter em mente que os ritos tradicionais são &#8220;<em>sacramentais</em>&#8220;, isto é, são formas sensíveis com uma alma sagrada, que transmitem graças atuais quando recebidas com fé. Qualquer fiel católico pode unir-se à Missa ainda que à distância, mas se a Igreja mandou, sob pecado, que a cada domingo se assistida, é justamente pela eficácia santificadora de seus ritos, que predispõem a alma a unir-se mais eficazmente ao Santo Sacrifício. Por ter suprimido o rito tradicional, a fé dos católicos definha; por ter instalado um ritual modernista se propaga eficazmente – se torna mais um gesto do que um silogismo &#8211; um espírito carismático profundamente contrário ao catolicismo autêntico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não podemos ser indiferentes à Nova Missa, não podemos permitir que a Cruz de Cristo seja suprimida como se ninguém tivesse matado Nosso Senhor. Ratzinger(3) disse que o &#8220;<em>homem de hoje&#8221;</em> não é capaz de compreender o sacrifício e deve-se falar em outra linguagem. É completamente falso. Um mero filme sobre a Paixão atraiu pessoas que já não iam mais à igreja, porque a única coisa que pode nos comover é o Sangue de Nosso Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando pensamos em tantos cristãos que estão de banquete perante o Calvário, parecemos sentir a queixa de Nosso Senhor:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Tornei-me um estranho para os meus irmãos, e um desconhecido para os filhos de minha mãe. Falam contra mim os que se sentam à porta, e escarnecem-me os que bebem vinho</em>”. (Salmo 68).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, eles não sabem o que estão fazendo. Tampouco sabia a população manipulada pelos judeus na sexta-feira santa, mas não é muito diferente o tratamento que Jesus Cristo sofreu em sua <em>Via Crucis</em> daquele que agora sofre com a comunhão na mão. Católicos, assistir ao drama da paixão sem reação é pecado!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se pode assistir calado a uma Missa que pretende ignorar o Crucificado, que canta alegremente perante sua dor, que coloca as mãos não consagradas em tudo o que há de mais sagrado: sacerdote, altar, missal, sacrário e até o corpo divino&#8230;. tudo e por todos é manuseado. Quantos males cometeu o inimigo nos nossos altares! Mas não cessaremos de lutar até a abominação desoladora cessar nos lugares santos.<em> </em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Pe. Álvaro Calderón</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tirado da revista &#8220;Iesus Christus&#8221; nº 97, correspondente ao bimestre de janeiro / fevereiro de 2005.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] No dia 21/09/2021, data da revisão do texto (publicado originalmente em <strong>2005</strong>) já não existe mais Ecclesia Dei, e o <em>motu proprio</em> <em>Summorum Pontificum </em>já foi promulgado e ab-rogado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[2] Cada país inventou uma denominação, algo analógica, para essa grei: <em>línea media </em>na Argentina (e no texto original), <em>rallié </em>na França, <em>conservatives </em>nos Estados Unidos. Aqui no Brasil convencionou-se chamar de neoconservadores, ou com a abreviação neocon – e acredito que há verdadeira conveniência com os neoconservadores americanos: ambos são devotos de uma falsa universalidade, humanista e imbecil; e do poder puro e arbitrário que impõe tal falsidade mundo afora</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[3] Na data de publicação da Revista, o Cardeal Ratzinger ainda não era Papa</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/indiferentes-a-missa-nova-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A SUBORDINAÇÃO DA ORDEM TEMPORAL À ESPIRITUAL SEGUNDO SÃO TOMÁS</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/a-subordinacao-da-ordem-temporal-a-espiritual-segundo-sao-tomas/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/a-subordinacao-da-ordem-temporal-a-espiritual-segundo-sao-tomas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 05 Dec 2020 14:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>
		<category><![CDATA[São Tomás de Aquino]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.catolicosribeiraopreto.com/?p=17536</guid>
		<description><![CDATA[Rev. Pe. Álvaro Calderón, FSSPX A relação dos poderes espiritual e temporal na Igreja pode ilustrar-se mediante a analogia: O espiritual está para o temporal na Igreja como a alma está para o corpo no homem A analogia com a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-subordinacao-da-ordem-temporal-a-espiritual-segundo-sao-tomas/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><img class="irc_mi alignright" src="https://lareja.fsspx.org/sites/sspx/files/styles/colorbox-big/public/002_2.jpg" alt="Resultado de imagem para alvaro calderón" width="230" height="304" /><a href="https://www.fsspx.com.br/a-subordinacao-da-ordem-temporal-a-espiritual-segundo-sao-tomas/">Rev. Pe. Álvaro Calderón, FSSPX</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A relação dos poderes espiritual e temporal na Igreja pode ilustrar-se mediante a analogia:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O espiritual está para o temporal na Igreja como a alma está para o corpo no homem</strong><br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>A analogia com a alma e o corpo</strong> </span><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando São Tomás tem que explicar a intervenção do poder espiritual nos assuntos temporais, recorre à analogia da alma e do corpo. À objeção que diz: “a potestade espiritual é distinta da temporal, mas, às vezes, os prelados, que têm potestade espiritual, se intrometem nas coisas que pertencem ao poder temporal”; responde: “<em>a potestade secular se submete à espiritual como o corpo à alma</em>; e por isto não há juízo usurpado se um prelado espiritual se intromete nas coisas temporais com respeito àqueles assuntos nos quais a potestade secular lhe está submetida, ou que a potestade secular deixa a seu cuidado”<a style="color: #000000;" href="https://www.fsspx.com.br/a-subordinacao-da-ordem-temporal-a-espiritual-segundo-sao-tomas/#_ftn1">[1]</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As coisas análogas certamente não são iguais em tudo, mas todas as analogias acima consideradas não são metafóricas, senão próprias, pelo que valem naquilo que têm de mais caraterístico. Ao comparar a constituição do espiritual e do temporal na Igreja com a alma e o corpo no homem, quer-se afirmar, primeiro e principalmente, que:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Não são duas realidades completas na sua ordem, senão dois co-princípios que constituem um todo único. Assim como o corpo e a alma não são duas substâncias que existem de modo separado, senão que são dois princípios que se complementam para que exista a única substância composta que é o homem, assim também a ordem espiritual e a temporal não são duas sociedades que possam existir de modo separado como realidades completas, senão que são dois elementos complementares da única e mesma realidade social: A Igreja.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">À objeção que diz que a Igreja e o Estado são duas sociedades perfeitas responde-se que são sociedades perfeitas no aspecto jurídico, no sentido em que ambas as potestades são supremas na sua ordem, mas ambos ordenamentos jurídicos têm por sujeitos os mesmos homens e ambos são necessários para alcançar o mesmo e único fim último sobrenatural.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">No segundo lugar, afirma-se que são princípios realmente distintos, com origem distinta e capazes de se separarem: Assim como a alma tem sua origem em Deus e o corpo nos pais, e depois de unidos poderiam separar-se, deixando a alma a sua condição de temporal e passando o corpo a cadáver, assim também o poder espiritual vem de cima e o poder temporal tem suas raízes na história pátria e poderiam separar-se, ficando no Céu a Igreja triunfante e na terra cadáveres de cidades. Mas, assim como a separação total do corpo e da alma implica a morte do homem, também a separação completa do poder espiritual de toda sociedade temporal implicaria a morte da Igreja militante, o que Cristo prometeu que não iria acontecer.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é fácil compreender este duplo aspecto aparentemente contraditório pelo qual se tem uma <em>realidade única </em>mas ao mesmo tempo uma <em>distinção real</em>, e só o gênio de Aristóteles pode expressá-lo com as noções de matéria e forma (potência e ato). Para compreender melhor de que modo podem constituir uma mesma coisa, temos que considerar como estes dois princípios se abraçam em mútua causalidade. Temos então que:</span><span id="more-17536"></span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Assim como a alma é forma que vivifica e move o corpo, e o corpo é matéria e instrumento da alma, o mesmo acontece com as ordens espiritual e temporal.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">E assim como a alma e o corpo constituem uma única substância e não têm fins diferentes senão que concorrem ao único fim do homem; assim também a ordem espiritual e temporal constituem um único organismo social e não têm fins diferentes senão que concorrem ao único fim da Igreja: a salvação das almas.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se agora olhamos para trás, tudo o que temos dito indica onde está o erro: considera-se as duas ordens não como co-princípios, mas como realidades completas. Mas, como dissemos, quando o corpo perde o espírito, não fica um bruto perfeito com sensibilidade; isto é, quando a ordem política não está vivificada pelo poder espiritual da Igreja, tampouco temos uma sociedade natural, senão um cadáver de cidade.<br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>A distinção é subordinação dos ministérios</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estabelecido o anterior, São Tomás diz de que modo Cristo, na sua sabedoria, quis distinguir os dois ministérios, espiritual e temporal: ‟A administração deste reino, a fim de não confundir as coisas terrenas e as coisas espirituais, tem sido encarregada, não aos reis terrenos senão aos sacerdotes, e principalmente ao Sumo Sacerdote, sucessor de Pedro, Vigário de Cristo, que é o Romano Pontífice, a quem tem que obedecer, como ao mesmo Jesus cristo, todos os reis do povo cristão. Pois a ele, a quem pertence o cuidado do fim último, hão de estar subordinados aqueles a quem incumbe os cuidados dos fins anteriores, e por ele hão de ser dirigidos”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cuidado, então, do fim último ou bem comum transcendente pertence ao poder eclesiástico; por outro lado, a busca dos bens imanentes ou fins intermédios, especialmente a justiça ou vida virtuosa da multidão, e também os bens de cultura e prosperidade, correspondem ao poder político. Agora bem, com certeza e sem dúvida possível, a subordinação de fins que aqui está suposta é <em>per se </em>e não <em>per accidens.</em> A doutrina de São Tomás acerca da subordinação das causas e especialmente a dos fins em ordem ao fim último, é muito clara e está desenvolvida em muitos lugares da suas obras. ‟ Vemos que as causas ordenam-se de dois modos, essencialmente e acidentalmente:</span></p>
<p><span style="color: #000000;">a) Essencialmente, quando a intenção da causa primeira faz referência ao último efeito, passando por todas as causas intermédias. Como quando o artesão move a mão, e a mão o martelo, que expande o ferro golpeado, ao que se dirige a intenção do agente.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">b) Acidentalmente, quando a intenção da causa só se dirige ao efeito próximo. Está fora da intenção do primeiro agente o fato de que novamente por esse efeito se faça algo mais além do que já foi feito, assim como, quando alguém acende uma vela, está fora de sua intenção que essa vela acenda uma outra e assim sucessivamente. Diz-se que o que acontece fora da intenção acontece de modo acidental”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fim do poder político estaria subordinado “<em>per accidens” </em>ao fim transcendente se o governante procurara por si mesmo a prosperidade, cultura e virtude de seu povo, sem atender à ordem que estes bens têm com o fim último da salvação. Um rei que governa sem se importar se seu povo vai ou não ao Inferno, é como o capitão do Titanic que só procura o bom passar dos passageiros sem se importar se vai em direção ao porto ou contra o iceberg. Portanto, se os fins estão subordinados <em>per se</em> e essencialmente, também o estão as potestades. Todos os reis e governantes da Terra devem receber da Igreja a razão e medida de seus fins imediatos.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Conclusões:</strong><br />
</span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span style="text-decoration: underline;">A Igreja e a Cidade:</span> </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus pôs como princípio de salvação do gênero humano o mistério da união da natureza divina e humana na única pessoa do Verbo encarnado; mas, dado o caráter social da natureza humana, este mistério devia prolongar-se no mistério do Corpo Místico pela união da sociedade divina e da sociedade humana na única <em>quasi</em> pessoa da Igreja. Figura deste mistério foi o povo escolhido do Antigo Testamento; e o exemplar primeiro desta união das ordens sociais é a Sagrada Família, na qual a hierarquia eclesiástica – Jesus, Maria e José – é perfeitamente inversa à social – José, Maria e Jesus -; mas perfeitamente unida e em paz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se pode pensar a ordem espiritual como constituindo um todo – a Igreja – que depois terá certas relações como outros todos de ordem temporal – os Estados. Como temos repetido talvez até cansar, estas duas ordens são co-princípios <em>quasi</em> substanciais a modo de matéria e forma do Reino de Deus na terra. Não pode haver Cidade sem Igreja nem Igreja sem Cidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isto pode ver-se claramente na mesma instituição dos Sacramentos que são os princípios divinos que comunicam a vida da Cabeça a todo o Corpo Místico. Como indica São Tomás ‟a vida espiritual tem certa conformidade com a vida corporal… e em na vida corporal se perfeição alguém de dois modos: de um primeiro modo com respeito à própria pessoa; de um outro modo com respeito à comunidade da sociedade na qual se vive, posto que o homem é naturalmente animal sociável”. Assim, Nosso Senhor instituiu os cinco primeiros sacramentos em ordem à vida das pessoas individuais, enquanto que em relação à vida de comunidade instituiu o sacramento da Ordem, pelo que se estabelece a hierarquia eclesiástica, e o sacramente do Matrimônio, pelo que se santifica e se incorpora à Igreja a célula mesma de toda a ordem civil. O sacramento do Matrimônio é, portanto, o principio santificador de todo o tecido social, porque todos os poderes civis são certa continuação da pátria potestade.<br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>A Igreja na Cidade:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja não pode alcançar convenientemente seus fins espirituais sem a cooperação dos poderes civis. É verdade que a Igreja tem a fortaleza de Cristo e é capaz de subsistir ainda no meio de reinos não cristãos. Mas a Igreja sem a Cidade é a Igreja dos mártires, porque os poderes civis não batizados pela Igreja caem inevitavelmente sob o domino de Satanás e se tornam perseguidores: “<em>Quem não está comigo está contra mim”.</em> E são muito poucas as almas com espírito de mártires, capazes de resistir à violência, senão física, ao menos moral das leis e costumes contrárias à lei de Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para compreender o que dissemos não é necessário, por desgraça, imaginar os primeiros séculos de cristianismo; hoje já vivemos numa sociedade apóstata cada vez mais anticristã, e as exigências espirituais para salvar-se vão sendo cada vez maiores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é necessário ter vivido muito para perceber que a grande maioria dos homens segue a lei e o costume social: se é costume ir à Missa, então se vai, e se há lei de divórcio, se divorciam. Por isso, quando a Igreja está na Cidade – como a alma no corpo – a maioria das pessoas se salva, mas quando não está, só se salvam almas de exceção.<br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>A Cidade na Igreja:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Estado não pode alcançar de nenhum modo seus fins se não estiver na Igreja – como a parte no todo. A Cidade sem Cristo é só um cadáver de cidade, alimento dos demônios carronheiros. Ao ter ficado a natureza humana ferida pelo pecado, os homens ficaram impossibilitados de se ordenar ao bem comum, o que só pode ser feito pela graça, e o poder político se transformou em tirania dos poderosos sobre os deveres: ‟Teu marido te dominará”. Ainda que o homem não perca toda a bondade natural e possam os reis procurar certos bens temporais, ao merecer pelo pecado ficar sob o domínio de Satanás, a carne e o mundo serão irremediavelmente instrumentalizados pelos demônios para ruina temporal e eterna do gênero humano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a ordem política ressuscitou, como Lázaro, depois de quatro dias de mil anos, quando Jesus Cristo ordenou: ‟Dai a César o que é de César”. Desde esse momento começaram a existir cidadãos sob as ordens do César que obedeciam por amor ao Reino de Deus. ‟Todos hão de estar submetidos às autoridades superiores –pede São Paulo aos romanos – pois não há autoridade senão sob Deus… É preciso submeter-se não só pelo temor do castigo, mas por consciência” e São Pedro: ‟ Por amor do Senhor, estai sujeitos a toda instituição humana… temei a Deus e honrai o imperador”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tão bons vassalos não deixaram de obter bons senhores fundando os sólidos reinos cristãos. Mas… ai desta casa varrida e embelezada por Cristo! O demônio do paganismo voltou com outros sete espíritos piores que ele, os demônios da apostasia, e o fim da ordem social vem a ser pior que os começos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="https://www.fsspx.com.br/a-subordinacao-da-ordem-temporal-a-espiritual-segundo-sao-tomas/#_ftnref1">[1]</a> II-II, qu.60 a.6, 3<sup>a </sup>objeção</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/a-subordinacao-da-ordem-temporal-a-espiritual-segundo-sao-tomas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>HOMEM DESDE O MOMENTO DA CONCEPÇÃO</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/homem-desde-o-momento-da-concepcao/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/homem-desde-o-momento-da-concepcao/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Apr 2018 15:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Aborto]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>
		<category><![CDATA[São Tomás de Aquino]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=13193</guid>
		<description><![CDATA[Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est Concebido no ventre de sua mãe, esse pequeno embrião, dê a ele o nome que quiser, já é um homem. Se antigamente poderia duvidar-se que houvesse uma nova vida humana no ventre de uma &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/homem-desde-o-momento-da-concepcao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><img class="aligncenter" src="http://fsspx.mx/sites/sspx/files/styles/news_big/public/news/baby-fetus-in-womb_0.jpg?itok=pVx6_rx-" alt="" />Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://fsspx.mx/es/news-events/news/hombre-desde-el-momento-de-la-concepci%C3%B3n-37204">FSSPX México</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Concebido no ventre de sua mãe, esse pequeno embrião, dê a ele o nome que quiser, já é um homem. Se antigamente poderia duvidar-se que houvesse uma nova vida humana no ventre de uma mãe, desde o momento da concepção da criança – com tudo o que isso implica –, a ciência hoje não nos deixa nenhuma dúvida: interromper a gravidez voluntariamente, ainda que fosse possível fazê-lo no primeiro momento da concepção, seria assassinar um inocente e privá-lo para sempre da visão de Deus. Tal crime não pode ser descriminalizado sem incorrer em terríveis castigos para uma nação inteira.</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><strong style="font-style: inherit;"><u style="font-style: inherit; font-weight: inherit;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">A alma do embrião na biologia tomista</span></u></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Este poderia ser o título de um livro inteiro e estamos escrevendo apenas um artigo em uma revista de divulgação, mas diremos algumas coisas. Interessa enormemente ao moralista e ao teólogo definir com precisão o momento em que o homem recebe a alma espiritual, e o instante em que a perde. Porém determinar precisamente o momento da concepção de um organismo vivo, com suas diferentes etapas e também o instante de sua morte, não pertence propriamente ao moralista nem ao que é comumente entendido por um teólogo, senão ao biólogo.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">E hoje que a biologia moderna fez progressos tão maravilhosos, parece que a &#8220;Suma Teológica&#8221; de São Tomás de Aquino já não tem mais nada a nos dizer. Mas, certamente, não é assim.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">A ciência moderna perdeu, há muito tempo, a sabedoria, pois desconfiou da inteligência e se apegou à observação e à medida. Daí que seus progressos foram reduzidos à ordem puramente corporal e material, que é sensível e quantificável, perdendo de vista de toda a realidade que se eleve acima deste horizonte, pois já não sabe ver com a mente.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Ela perdeu a capacidade de perceber, então, não só a realidade da alma espiritual, própria do homem, mas também a dos princípios animadores dos organismos vivos &#8211; a alma animal e vegetal &#8211; que, embora dependam, em sua existência, da organização material &#8211; que poderíamos chamar de físico-química &#8211; no entanto, não apenas não se reduzem a ela, senão que, precisamente, a organizam e a governam. Essa carência não causa tantos problemas para a física, mas é uma catástrofe na biologia.</span></span><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;"> </span></span></span><span id="more-13193"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">São Tomás é um teólogo. Contudo, um teólogo não só se interessa somente pelas coisas divinas, mas também se interessa por tudo, pois tudo é obra de Deus e, por isso, a teologia tem algo a dizer sobre qualquer assunto.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">O santo se interessou, pois, pela biologia, adentrando com sua mente prodigiosa nos escritos de Aristóteles; este não foi apenas o filósofo por excelência, mas também se dedicou à observação e investigação dos fenômenos vitais, tanto dos homens quanto das plantas e animais.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Nem Aristóteles, a propósito, nem São Tomás dispunham de microscópios eletrônicos para observar a constituição de uma célula, de modo que, comparado ao que se poderia ver hoje, suas observações são muitas vezes grosseiras.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Mas não se envergonhavam de usar a inteligência, e essa sim era muito poderosa. Por essa razão que a biologia tomista tem muito a corrigir e aprender com a biologia moderna, mas é muitíssimo maior aquilo que a biologia moderna deve aprender com São Tomás de Aquino.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Deve aprender a ver que o é o próprio princípio vital (ou seja, a alma) o princípio  que explica e governa todo o fenômeno da vida; mas que ela é uma realidade que não aparece na tela de nenhum dispositivo, pois está acima da ordem puramente material. A diferença entre um biólogo moderno &#8211; que sabe muito sobre &#8220;DNAs&#8221; e nada de animação &#8211; e um verdadeiro biólogo, é mais ou menos a mesma que existe entre um farmacêutico e um médico.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Para São Tomás, o momento da concepção do homem não coincide com o momento de sua animação, isto é, com o momento em que ele recebe sua alma espiritual. O momento da concepção é aquele exato instante em que, havendo fecundado o esperma do pai sobre o óvulo da mãe, começa a existir uma nova substância que tem vida independente da de seus progenitores.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Mas para São Tomás, seguindo fielmente a Aristóteles nisto, este primeiro estado vital não é o suficiente para receber de Deus a alma espiritual, e deve passar vários dias e vários novos estados progressivamente superiores para que o embrião esteja pronto para o momento de sua animação final, que começa a ser agora propriamente uma pessoa humana, animada de um princípio vital de ordem espiritual, único capaz de subsistir por si mesmo após a morte.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">As consequências desta opinião sobre o crime de aborto são muito importantes, porque se o aborto ocorre após a fertilização, mas antes da última animação, ainda há uma alma imortal e não se coloca em jogo, então, seu destino eterno. Assim, por exemplo, os embriões congelados que existem aos milhares nas<em style="font-weight: inherit;">frankensteinianas</em> clínicas modernas, não seriam nada além de projetos de seres humanos que não teriam ainda uma alma espiritual.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">A maioria dos autores tomistas mais recentes consideram obsoleta esta opinião da &#8220;animação tardia&#8221;, assumindo que a recepção da alma espiritual coincide plenamente com o primeiro instante da concepção &#8211; embora geralmente, deslumbrados com as precisões da biologia moderna não as incorpora no marco da verdadeira e necessária doutrina tomista das almas vegetativa, sensível e espiritual.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Alguns, no entanto, voltam a valorizar &#8220;animação tardia&#8221; por uma razão muito simples: para diminuir o tremendo problema teológico e moral que implica a manipulação genética e o aborto. Haveria uma imensa multidão de almas que saem de seus pequenos corpos sem a remota possibilidade do batismo! É claro que os teólogos do primeiro gênero, depois do Concílio Vaticano II, resolveram esse problema fechando o limbo e enviando generosamente todas essas almas para o céu, deixando de lado a doutrina dogmática da exigência do batismo para a salvação.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Que devemos pensar sobre a tese da &#8220;animação tardia&#8221;, se se quer ser completamente fiel a São Tomás? Para nós não há dúvida de que, dada a complexidade da primeira célula não é necessário &#8220;retardar&#8221; o instante da animação, distinguindo-o do momento da concepção. As almas se distinguem por suas potências. A alma vegetativa tem como potência básica a nutrição e a alma sensitiva o sentido do tato.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Mas essas potências não podem dar-se sem um órgão corporal associado como um instrumento, o que implica necessariamente uma certa complexidade estrutural. Seria contraditório pensar que uma alma vegetativa anime uma substância de estrutura corporal tão simples &#8211; por exemplo, uma solução salina &#8211; que não possui um sistema de nutrição e crescimento. E evidentemente o órgão do tato supõe algo ainda mais complexo.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Para Aristóteles era fácil comprovar que um ovo de galinha fecundado – que aparentemente não mostra mais complexidade do que a clara e a gema – teria o poder de alimentar-se de sua própria substância e crescer em complexidade, o que demonstrava a presença de, ao menos, um princípio vegetativo. Mas a simplicidade do que se observava não justificava a presença de órgãos dos sentidos, que parecem exigir o aparecimento de uma incoação, ao menos do sistema nervoso.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Assim, observando os estágios de complexidade da estrutura animal, Aristóteles estimava que só depois de algum tempo se fazia possível a presença de um princípio de vida sensitiva. Contudo, se ele tivesse conhecido a complexidade que tem a estrutura de uma simples célula, provavelmente não teria tido dificuldade em aceitar que desde o primeiro instante da concepção já se torna presente o princípio vital perfeito próprio da espécie, seja vegetal, animal ou humano.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">É evidente que, neste aspecto, a biologia tomista pode e deve progredir. Mas o grande defeito da biologia moderna é não ver além do estritamente material, e pretender dar uma explicação do fenômeno da vida por suas estruturas e potencialidades puramente físico-químicas, o que acaba sendo uma espécie de mecanismo cibernético.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Isso implica uma grande cegueira intelectual. Uma estrutura molecular tão complexa como a de uma célula, pelas puras forças físico-químicas só tenderia a desintegrar-se. A multiplicação de células, sua diversificação e especificação em um organismo de complexidade infinitamente superior àquela da célula inicial com a qual, por exemplo, um gato inicia sua vida, clama pela presença de um princípio superior &#8211; a alma &#8211; que dirija todo este processo; no qual se encontre virtualmente contido o desenho do organismo final. Mas, é claro, se se reconhece a existência de um princípio de ordem superior a todo processo físico-químico, deve-se descartar a teoria da evolução, pois já não haveria como saltar da ordem mineral à ordem orgânica sem a intervenção de um poderosíssimo Criador.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">E assim como a biologia moderna se fez incapaz de compreender o que é a vida, tampouco sabe o que é a morte, constituindo-se em um péssimo juiz do instante em que ela se produz. Que necessidade temos de biólogos tomistas, sem complexos de inferioridade perante os avanços científicos!</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;"><em style="font-weight: inherit;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Pe. Álvaro Calderón</span></em></span><em style="font-weight: inherit;"><span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;"><br style="font-style: inherit; font-weight: inherit;" /> <span style="font-style: inherit; font-weight: inherit;">Extraído da Revista &#8220;Iesus Christus&#8221; Nº 130, correspondente ao ano XXII, bimestre julho-agosto de 2010.</span></span></em></span></p>
<p style="margin-bottom: 19.5pt; background: white; text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/homem-desde-o-momento-da-concepcao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>SERMÃO SOBRE O MATRIMÔNIO</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/sermao-sobre-o-matrimonio/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/sermao-sobre-o-matrimonio/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 Apr 2018 15:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.catolicosribeiraopreto.com/?p=13074</guid>
		<description><![CDATA[Fonte: Los Cocodrilos del Foso &#8211; Tradução gentilmente cedida por um amigo Nem tudo o que se encontra na Suma Teológica, de Santo Tomás, é exclusivamente para teólogos. Uma das pérolas mais acessíveis e úteis lá encontradas é seu pequeno tratado &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sermao-sobre-o-matrimonio/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://mediaserver2.rr.pt/newrr/031873e2f6_664x373.jpg" alt="O NOVO CONCEITO DE MATRIMÔNIO E A INVERSÃO DE SEU FIM PRIMÁRIO | DOMINUS EST" width="423" height="241" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <a href="http://loscocodrilosdelfoso.blogspot.com.br/2018/04/sermon-sobre-el-matrimonio.html">Los Cocodrilos del Foso</a> &#8211; Tradução gentilmente cedida por um amigo</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nem tudo o que se encontra na <em>Suma Teológica</em>, de Santo Tomás, é exclusivamente para teólogos. Uma das pérolas mais acessíveis e úteis lá encontradas é seu pequeno tratado acerca dos bens do matrimônio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ele começa dizendo: “Nenhum homem sábio deve aceitar um prejuízo se ele não vier compensado por um bem igual ou maior”. E observa que o matrimônio traz juntamente consigo bens e males. Quem se casa aceita sofrer estes para alcançar aqueles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Até essa frase, todos estão de acordo. Mas, daqui em diante — e é assustador percebê-lo — entre o que ensina Santo Tomás, resumindo toda a Tradição e bom senso católicos, e o sentir comum de hoje não há uma mera divergência, e sim uma total e exata inversão. Aquilo que para o Doutor da Igreja são males, agora são considerados bens, e os bens, males. Deixemos bem claro que falamos de pessoas que se consideram católicas, de forma sincera.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora devamos reconhecer que tanto nos tempos de maior fé, como na época de Santo Tomás, quanto nos tempos de muita incredulidade, como hoje, muitos renunciam ao matrimônio (claro, antigamente renunciavam antes do casamento para entregar-se a Deus, e hoje renunciam depois dele, para entregar-se a… sabe lá Deus). Ainda assim, tanto antes quanto agora, a grande maioria segue casando. E é curioso, porque, apesar dessa inversão exata de valores, o saldo continua sendo positivo.</span><span id="more-13074"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quais são, segundo Santo Tomás, os males que o casamento traz consigo? Em primeiro lugar, uma decaída da atividade espiritual, devido à veemência das paixões própria do trato conjugal. E em segundo lugar, a “tribulação da carne”, ou seja, as preocupações e os trabalhos ocasionados pelas necessidades temporais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, esses não tão pequenos males são extensamente superados por três grandes bens: a prole, a fidelidade e o sacramento. São os filhos, a prole, o primeiro e o grande bem do matrimônio, aquilo pelo qual Deus o instituiu. O segundo bem é a fidelidade, pela qual o homem se une com uma única mulher, e a mulher com um único homem, tendo cada um no outro um apoio em que poderão confiar. E o terceiro bem, selo sagrado dos demais, é o sacramento, pelo qual o matrimônio se vê transformado por Deus em laço indissolúvel e fonte de santidade para toda a família.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, ao contrário, o que move hoje muitos católicos a se casar? Principalmente os sentimentos e a paixão, que para um cristão só podem ser satisfeitos legitimamente dentro do matrimônio. E, em segundo lugar, as conveniências práticas: que haja alguém que varra a casa e faça a comida, ou alguém que dê um teto e comida. E, por essas razões, como homens sábios, aceitam a pesada carga dos poucos filhos, que escapam a seus cuidados; o resignar-se só exteriormente ao único cônjuge; e submeter-se como um condenado à cadeia perpétua da indissolubilidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dissemos que percebemos, assustados, essa total inversão daquilo que é o matrimônio. Com terror! deveríamos dizer. Porque não se trata somente da perda das verdades de fé, o que já seria gravíssimo; senão da corrupção mesma da razão natural, o que é ainda pior. Um incrédulo pode se converter a Deus, mas um insensato não!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É evidente que para ter fé é necessário não estar louco. Mas, para ter a fé, não basta o uso da razão, mas também se faz necessário o uso correto da razão natural. Há uma relação mútua e estreita entre a fé e o bom senso das coisas naturais: nossa mente se eleva ao conhecimento dos mistérios divinos apoiada em comparações com as realidades naturais. E a luz desses mistérios faz com que compreendamos de um modo novo, muito mais profundo, as verdades das quais partimos. Essa é a explicação teológica do grande senso comum de um bom cristão, e da dificuldade de ser cristão àquele ao qual falta senso comum.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não seria necessária a Revelação para saber que os filhos são a grande recompensa do matrimônio, que a fidelidade é um grande bem e que a indissolubilidade é, no mínimo, necessária. Mas somente a luz divina poderia mostrar aos fiéis a grandeza imensa desses bens. “Grande é esse sacramento”, exclama São Paulo falando do matrimônio, “mas o digo em Cristo e na Igreja” (Ef 5, 32). Somente ao mirar o mistério de amor e de união entre Cristo e sua esposa, a Igreja, podemos nos assegurar da grandeza do matrimônio cristão, já que ele é como um reflexo ou imagem daquele outro Grande Mistério de fecundidade, de fidelidade e de santificação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mistério de fecundidade: Cristo deu todo o seu Sangue para fazer fecunda a Igreja, e a Igreja ardeu em desejos de lhe dar filhos. Em todos os povos os engendrou, generosa, porque é Católica; e por ser Apostólica os deu à luz, incansável, em todos os tempos. Que pais verdadeiramente cristãos fariam delongas com o último de seus filhos, quando de tal forma Cristo os desejou!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mistério de fidelidade: porque foi todo o seu Sangue o que Cristo deu, e nada guardou para si; não houve outra Igreja que pudesse ser objeto de seu amor. Por isso a Igreja é una, e com olhos para um único Senhor. É contemplando esse amor único, exclusivo porque é total, que os esposos cristãos aprendem a se amar: “maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou sua Igreja, e, como a Igreja está sujeita a Cristo, assim as mulheres devem ser sujeitas a seus maridos em tudo” (Ef 5, 24-25).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mistério de santificação: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para santificá-la”. É por sua união indissolúvel a Cristo na cruz que a Igreja é santa, e fonte inesgotável de santidade. Assim, o matrimônio cristão, elevado à dignidade de sacramento, é uma das sete fontes que derramam entre os homens a santidade que vem da cruz. Fonte de santidade na medida que é informada pela caridade e pelo espírito de sacrifício.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os esposos católicos, neste tempo de confusão tão profunda e universal, devem mirar a Cruz, contemplar ali o mistério da união entre Cristo e a Igreja, para redescobrir a grandeza do matrimônio cristão. Seus filhos, um dia, ao ter em vocês a fiel imagem desse mistério de fecundidade, de fidelidade e de santificação, facilmente compreenderão por que a Igreja é Católica, Apostólica, Una e Santa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que difícil é compreender a esse par de sobreviventes do egoísmo de seus pais que a Igreja dê seu sangue em suas missões. Que difícil, quando veem separar-se aqueles que foram seus pais, para atirar-se em braços de estranhos, entender que Cristo não pode repartir seu amor em pedaços entre uma infinidade de seitas e religiões; e, por causa disso, que difícil descobrir que o ecumenismo conciliar é uma mentira. Que difícil acreditar que somente na Igreja se possa nascer e crescer, que ela seja o único lugar para a vida da graça, quando nunca sentiram, coitados, o calor de uma família.<em> </em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Padre Álvaro Calderón, FSSPX</em></span></strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/sermao-sobre-o-matrimonio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>INDIFERENTES À MISSA NOVA?</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/indiferentes-a-missa-nova/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/indiferentes-a-missa-nova/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Sep 2017 19:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=10866</guid>
		<description><![CDATA[Dois ritos diferentes coexistindo para a celebração da Missa. Realmente devemos considerá-los como duas expressões de uma mesma coisa? Certamente isso não é uma questão de gosto: é a fé católica que está em jogo. Lembremo-nos de como devemos julgar a missa reformada &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/indiferentes-a-missa-nova/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx-sudamerica.org/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/drupal-7/misanueva5.jpg?itok=bfFaTSTN" alt="" width="548" height="313" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Dois ritos diferentes coexistindo para a celebração da Missa. Realmente devemos considerá-los como duas expressões de uma mesma coisa? Certamente isso não é uma questão de gosto: é a fé católica que está em jogo. Lembremo-nos de como devemos julgar a missa reformada de 1969.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.fsspx-sudamerica.org/es/news-events/news/%C2%BFindiferentes-la-nueva-misa-31872">FSSPX/Distrito da América do Sul</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a> </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos problemas seriam resolvidos se fossemos ao menos indiferentes à Nova Missa. De Roma não nos pedem outra coisa. De tantos católicos perplexos com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, muitos acreditaram que o mal do novo rito viria apenas da maneira de celebrá-lo e os peregrinam pelas paróquias buscando padres, sempre poucos, que celebrem com piedade e não deem a comunhão nas mãos. Outros, melhor informados, sabem que a diferença não está nos modos do sacerdote, senão no próprio rito e reivindicam a Missa tradicional argumentando, com alguma hipocrisia, o enriquecimento que implica a pluralidade de ritos: o novo é bom, mas o antigo também, melhor então ficar com os dois!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora não haja tolos em Roma, toleraram essa conversa nos grupos tradicionais que se amparam (1) na Comissão <em>&#8220;Ecclesia Dei&#8221;. </em>Além disso permitiram aos Padres tradicionalistas da diocese de Campos, no Brasil, que ficassem com seu rito tradicional mesmo dizendo que a Nova Missa é “<em>menos boa</em>”. Mas em Roma  nossa Fraternidade porque causa incômodo, porque não só não diz que a missa nova é boa, mas a combate como perversa, incomodando a perplexidade que mesmodepois de quarenta anos de Concílio tantos católicos não deixam de padecer. Se, ao menos, fôssemos indiferentes &#8211; que os outros rezem como queiram &#8211; Roma nos deixaria em paz. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Podemos ser indiferentes à Nova Missa?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na véspera de sua Paixão, havendo chegado a hora de oferecer seu sacrifício redentor a seu Pai, Nosso Senhor fez uma aliança com Sua Igreja: <em>Hæc quotiescumque feceritis, em mei memoriam facietis</em> (Lembre-se de que morri por vossos pecados, que me lembrarei de vós na presença do Pai). E, sendo Deus, nos deixou o imenso mistério da Missa, pelo qual seu Sacrifício permanece sempre vivo, sempre novo, permitindo-nos assistir como ladrões arrependidos: <em>Memento Domine, famulorum famularumque tuarum </em>(Lembra-te, Senhor, de nós agora que estais em seu Reino).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A memória viva da Paixão que se renova pela dupla consagração graças aos poderes do Sacerdócio, a união misteriosa com a Vítima Divina que se realiza pela comunhão é a única maneira que tem o coração duro do homem para retornar ao amor de Deus, porque nada chama tanto ao amor como conhecer-se muito amado, e a Paixão de Nosso Senhor foi a maior demonstração de amor: ninguém ama mais do que aquele que dá a vida por seu amigo. É por isso que a obra da Redenção que Cristo realizada na Cruz não se faz eficaz para nós senão graças ao Sacrifício da Missa.<span id="more-10866"></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, assim como não pode haver indiferença perante a Cruz de Cristo, tampouco pode haver perante o rito que renova seu Sacrifício. <em>Quem não está comigo está contra mim</em>, disse Nosso Senhor, e esta lei foi imposta pela Paixão. Posso passar reto por um vendedor se não necessito do que ele oferece; mas não posso ignorar um homem ferido porque ele precisa de mim. Não é um pecado evidente a indiferença ante a Jesus dos Milagres, pois posso dizer com São Pedro: retira-te<em> de mim, pois sou pecador</em>; mas é uma traição horrível dizer: <em>não conheço tal homem</em>, perante Jesus Crucificado. É a Cruz de Nosso Senhor que nos obriga a tomar partido, não me é permitido deixar de lado Aquele que morre pelos meus pecados!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O novo rito, criado sob Paulo VI para substituir o bimilenar rito romano da Santa Missa, suprimiu o escândalo da Cruz: <em>evacuatum est scandalum crucis! </em>A intenção imediata que guiou a reforma da missa foi o ecumenismo: criar um rito suficientemente ambíguo para ser aceito pelos protestantes mais &#8220;<em>próximos</em>&#8221; ao catolicismo; mas a intenção final foi suprimir a espiritualidade dolorosa da Cruz, porque sua negatividade supostamente repele o homem moderno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É assombroso, mas se nossa religião remove o escândalo da Cruz, cessa a perseguição e os judeus são os primeiros a aceitar o diálogo ecumênico. São Paulo apontava esse mistério aos Gálatas, tentados a judaizar, acreditando que fosse necessário circuncidar-se:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Quanto a mim, irmãos, se ainda prego a circuncisão (como falsamente dizem os que vos seduzem), por que sou ainda perseguido? Logo, cessou o escândalo da cruz”!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como mostra o livrinho sobre o problema da reforma litúrgica, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, a teologia subjacente à missa de Paulo VI obscurece a Paixão de Nosso Senhor para permanecer apenas com as alegrias da Ressurreição: supera o Mistério da Cruz com a nova estratégia do Mistério Pascal. Repete-se o que aconteceu quando Jesus anunciou pela primeira vez sua paixão:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span style="font-size: 11pt;">Tomando-o Pedro aparte, começou a increpá-lo, dizendo: &#8220;Deus tal não permita. Senhor; não te sucederá isto&#8221;. (Mt 16, 22)</span></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Visto com olhos muito humanos, com Cristo ressuscitado a Igreja pode entrar no mercado deste mundo, que morre em todos os lugares, com um produto de luxo: a esperança da ressurreição; mas com o Crucificado, todos os sermões devem começar como o primeiro de São Pedro, reprovando perigosamente aos poderosos deste mundo: <em>&#8220;Vós o matastes&#8221; </em>(Atos <em>2:23</em> ). Mas, qual foi a reação de Nosso Senhor ante a mudança de estratégia de mudança que lhe proporia seu Vigário?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000;">“<em>Retira-te de mim, Satanás! Tu serves-me de escândalo, porque não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas dos homens.”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em todos esses anos de resistência às transformações litúrgicas, dentre as fileiras dos perplexos emergiram muitos cruzados &#8211; bem ou mal intencionados, só Deus sabe &#8211; que, fazendo uso da boa teologia, defenderam que a reforma não é tão ruim como a retratamos. Vimos publicada até mesmo uma piedosa explicação da Missa Nova em que se mostra a história dos ritos como se nada tivesse mudado entre Paulo VI e São Gregório Magno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por que, então, reclamamos tanto! O que aconteceu foi que ficaram perplexos justamente os católicos que não conheciam muito bem as correntes subterrâneas da teologia modernista que, embora condenada e perseguida pelos papas antes do Concílio, foram ganhando terreno até instalarem-se no Vaticano, graças ao apoio de João XXIII e Paulo VI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O pensamento que guiou as reformas, na sua raiz e na sua coerência interna, é verdadeiramente satânico, e infelizmente, não exageramos! É verdade que os materiais com os quais o novo rito foi construído vêm, em sua maior parte, da demolição do antigo; e, por isso, ante um olhar superficial &#8211; muito superficial! &#8211; parecem semelhantes: ato penitencial, leituras, repetição das palavras de Cristo, comunhão, benção final, tudo em <del>castelhano</del> português e de forma confusa. <span style="font-size: 11pt;">Acaso tudo isso seria tão diferente?</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, é totalmente diferente. Se tantos católicos que batizamos com o insultante, mas merecido título de <em>&#8220;neocons”(2),</em> vissem claramente como é e o porquê do rito da Nova Missa, certamente deixariam a indiferença sob a qual esconderam para juntarem-se ao clamor para que os altares das igrejas voltem a ser Calvários.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O livrinho sobre a Reforma que mencionamos, mostra minuciosamente qual é a teologia que anima a Nova Missa. O primeiro (satânico) princípio é que Deus, sendo imutável, não sofre danos pelos nossos pecados, de modo que por mais que pequemos, não deixamos de ser filhos amados, e basta que nos arrependamos para que tudo seja esquecido, sem exigir de nós reparação ou satisfação alguma por danos e prejuízos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É muito interessante. Imaginemos um banqueiro com capital infinito: basta que peçamos perdão e fiquemos com a coisa roubada, porque em suas contas nunca aparece a subtração. Este pequeno sofisma  remove imediatamente a necessidade da Cruz &#8211; e também da própria Encarnação &#8211; porque o Verbo se fez homem e morreu por nós para reparar nossos pecados. O rito tradicional está profundamente marcado pela dívida da justiça que temos com Deus, é uma liturgia de “<em>publicanos</em>” sempre necessitados da redenção:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Meu Deus, tem piedade de mim pecador”. </em>(Lc 18, 13).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O novo rito, ao contrário, removeu todas as expressões com finalidade propiciatória, considerando que os fiéis, depois de pedir o perdão inicial, já estão santificados, podendo fazer sua a oração do fariseu: <em>“Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os outros homens”.</em> Aquele que olha para o novo rito com medo de achar defeitos, pode facilmente negar essa intenção, porque a liturgia não prega sua doutrina em linguagem científica, e sim encarnada em gestos e imagens. Contudo basta ir aos livros dos teólogos que a fizeram e poderá comprovar a grande advertência com que dirigiram essas mudanças.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como a paixão e a morte de Cristo perdem o sentido se o pecado não exige reparação, elas foram escondidas sob o conceito de Páscoa ou &#8220;<em>passagem</em>&#8220;, ou seja, a morte não seria mais do que a passagem para a Ressurreição. A consequência litúrgica é que a Missa não é mais um rito sacrificial que renova o Calvário, mas um duplo banquete que antecipa a alegria  dos ressuscitados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Às vezes nos custa aceitar que até haja sacerdotes que não reconheçam a enorme diferença que há entre o antigo rito sacrificial e o novo banquete. O rito tradicional tem uma parte preparatória ou ante-missa, que termina no Credo, e há três partes integrais: o oferecimento ou ofertório, a imolação pela dupla consagração e a comunhão com a Vítima Divina.</span></p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.fsspx-sudamerica.org/sites/sspx/files/styles/news_big/public/news/misanueva9.jpg?itok=VSTEwqXu" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">&#8220;Não é muito diferente o tratamento que Jesus Cristo sofreu em sua Via crucis com o que agora sofre com a comunhão na mão&#8221;</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O novo rito, no entanto, segue um caminho absolutamente diferente: consiste em duas partes paralelas, a liturgia ou a &#8220;mesa&#8221; da Palavra e a mesa da Eucaristia, da qual a primeira não é a menos importante. Isto já é uma novidade absoluta, como uma simples preparação pode substituir em importância o que era propriamente a Missa?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E as três partes da liturgia da Eucaristia já não são as de um sacrifício, mas uma refeição: apresentação dos alimentos, ação de graças e a refeição propriamente dita. O que há de semelhante com o Santo Sacrifício da Missa? São somente os materiais de demolição. As &#8220;<em>palavras da consagração</em>&#8221; não são mais consideradas como tais, mas agora são apenas uma recordação dos gestos e palavras de Cristo, por cuja <em>“memória”</em> se faria objetivamente presente o <em>Kyrios,</em> o Senhor da glória com seus mistérios. É muito difícil para aqueles que foram formados na doutrina clássica entender essa nova linguagem &#8211; sabemos por experiência &#8211; e lhes custa acreditar que se pense o rito de forma tão diferente. É assim entre nós discutimos se remover o <em>Mysterium Fidei </em>da fórmula da consagração ou o tom narrativo invalida ou não a transubstanciação, mas para o novo rito esta discussão não tem sentido, porque para ele a presença de Cristo é efetivada por outro mecanismo: o poder evocativo do memorial. É difícil acreditar? Por exemplo: em Roma pôde ser considerada válida uma anáfora, a de Addai e Mari, sem as palavras da consagração. Evidentemente, sob o nome de Missa nova ou antiga estão sendo entendidas coisas muito, mas muito diferentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A nova teologia, que não é mais que um novo disfarce do camaleônico modernismo condenado por São Pio X, toma como instrumento o pensamento moderno, anti-realista e anti-metafísico, para reinterpretar a Revelação ao gosto do &#8220;<em>homem de hoje</em>&#8220;, uma criatura mitológica inventada pelos meios de comunicação. Assim, eles pretendem substituir a profunda teologia sacramental, levada tão alto por Santo Tomás e canonizada em muitos dos seus pontos pelo magistério da Igreja, com o confuso simbolismo dos pensadores modernos, que esvazia da realidade todos os mistérios e os deixa flutuando em uma esfera imaginária de puros conceitos. Para ela, não há apenas sete sinais sacramentais, mas tudo é &#8220;símbolo&#8221;: Cristo é sacramento, a Igreja é sacramento, a Escritura, a realidade, tudo o que percebemos se transforma em puro sinal de um mistério indefinível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A realidade da transubstanciação, da união hipostática, do caráter sacerdotal, da graça santificante, tudo desaparece diante dessa maneira de pensar. E este é o pensamento que anima a Nova Missa. Cristo está presente na assembleia dos fiéis, na Sagrada Escritura, no ministro que presidente, no Pão Eucarístico, mas todas essas presenças se confundem em uma mesma, que resulta tão confusa e indefinível, que se desvanece: se Cristo está tanto no meio, no livro, no Padre, na Hóstia, se está em toda parte, não está em nenhuma! E os fiéis o encontram tanto nas igrejas como na rua.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A alma da Nova Missa é uma alma perversa. Os católicos que se esforçam em ver nela apenas os materiais de demolição, tentando reconstruir em sua cabeça a figura do rito tradicional, podem não percebê-la e atenuar os danos causados ​​por sua presença. Certamente não se trata de uma substância viva e é necessário dar-lhe vida por certa compreensão do que seus ritos significam. Mas as formas sensíveis têm sua força e o homem não pode resistir por muito tempo a elas. Assim como não se pode frequentar as discotecas sem a erosão da honestidade, tampouco pode frequentar um rito modernista sem o desgaste da fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim é, ao menos, para o mais comum dos mortais. E estamos olhando para um único lado da moeda, porque devemos ter em mente que os ritos tradicionais são &#8220;<em>sacramentais</em>&#8220;, isto é, são formas sensíveis com uma alma sagrada, que transmitem graças atuais quando recebidas com fé. Qualquer fiel católico pode unir-se à Missa ainda que à distância, mas se a Igreja mandou, sob pecado, que a cada domingo se assistida, é justamente pela eficácia santificadora de seus ritos, que predispõem a alma a unir-se mais eficazmente ao Santo Sacrifício. Por ter suprimido o rito tradicional, a fé dos católicos definha; por ter instalado um ritual modernista se propaga eficazmente – se torna mais um gesto do que um silogismo &#8211; um espírito carismático profundamente contrário ao catolicismo autêntico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não podemos ser indiferentes à Nova Missa, não podemos permitir que a Cruz de Cristo seja suprimida como se ninguém tivesse matado Nosso Senhor. Ratzinger(3) disse que o &#8220;<em>homem de hoje&#8221;</em> não é capaz de compreender o sacrifício e deve-se falar em outra linguagem. É completamente falso. Um mero filme sobre a Paixão atraiu pessoas que já não iam mais à igreja, porque a única coisa que pode nos comover é o Sangue de Nosso Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando pensamos em tantos cristãos que estão de banquete perante o Calvário, parecemos sentir a queixa de Nosso Senhor:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Tornei-me um estranho para os meus irmãos, e um desconhecido para os filhos de minha mãe. Falam contra mim os que se sentam à porta, e escarnecem-me os que bebem vinho</em>”. (Salmo 68).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, eles não sabem o que estão fazendo. Tampouco sabia a população manipulada pelos judeus na sexta-feira santa, mas não é muito diferente o tratamento que Jesus Cristo sofreu em sua <em>Via Crucis</em> daquele que agora sofre com a comunhão na mão. Católicos, assistir ao drama da paixão sem reação é pecado!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se pode assistir calado a uma Missa que pretende ignorar o Crucificado, que canta alegremente perante sua dor, que coloca as mãos não consagradas em tudo o que há de mais sagrado: sacerdote, altar, missal, sacrário e até o corpo divino&#8230;. tudo e por todos é manuseado. Quantos males cometeu o inimigo nos nossos altares! Mas não cessaremos de lutar até a abominação desoladora cessar nos lugares santos.<em> </em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Pe. Álvaro Calderón</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tirado da revista &#8220;Iesus Christus&#8221; nº 97, correspondente ao bimestre de janeiro / fevereiro de 2005.</em></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/indiferentes-a-missa-nova/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A SANTIDADE DA IGREJA</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/a-santidade-da-igreja/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/a-santidade-da-igreja/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Jun 2017 19:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Jovens]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Álvaro Calderón]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.catolicosribeiraopreto.com/?p=9599</guid>
		<description><![CDATA[Fonte: FSSPX Sudamerica – Tradução: Dominus Est Perante o aumento da criminalidade entre os jovens, os juízes tendem a condenar os pais&#8230;É razoável? Muitas vezes, sim, mas razoável é julgar sempre em cada caso quem e até que ponto são culpados. &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-santidade-da-igreja/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><img class=" alignright" src="http://www.fsspx-sudamerica.org/sites/sspx/files/styles/colorbox-big/public/padrecalderon.jpg?itok=BUAq8nnL" alt="" width="188" height="240" />Fonte: <a href="http://www.fsspx-sudamerica.org/es/la-santidad-de-la-iglesia">FSSPX Sudamerica</a> – Tradução: Dominus Est</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Perante o aumento da criminalidade entre os jovens, os juízes tendem a condenar os pais&#8230;É razoável? Muitas vezes, sim, mas razoável é julgar sempre em cada caso quem e até que ponto são culpados.</strong> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É da responsabilidade dos pais, mas também do jovem, da escola, da rua. Se os pais e a escola fizeram o possível e o jovem se corrompe pelo que encontra na rua, a culpa poderia ser do presidente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não se pode acusar de forma rápida, pois também há de se julgar -de cima para baixo- quem cumpriu mal sua função: se o presidente ou o governador, o prefeito, a polícia ou simplesmente o vizinho desonesto. E se a culpa é do presidente, a pátria é culpada? Talvez sim, talvez não; não seria se o governante agiu contra as leis e costumes e do consentimento geral.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Suponhamos um caso em que a culpa era do jovem, mas houve negligência do governador. Quem pode, então, pedir perdão? Evidentemente, se perdoa os culpados e não aqueles que não são; e podem aqueles pedir perdão sob duas condições: mostrar sincero arrependimento e oferecer a devida reparação, pois são metafisicamente incapazes do perdão as más vontades.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas também podem pedir perdão – ainda de modo e razão muito diferente &#8211; os ofendidos: os pais ou o presidente; e fazem com mais argumento, porque merece mais ser ouvido pela nação e por Deus o pedido de perdão daqueles que foram capazes de perdoar os seus devedores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas aqui há outra condição: que eles sejam completamente inocentes, pois bem podem pedir perdão os meritórios pais que fizeram tudo o que podiam para dar bons filhos à pátria, mas não cabe que peçam perdão por outros: o governador negligente quando tem sua parte a expiar.</span><span id="more-9599"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se tanto nos valeu a voz que desde a Cruz disse: &#8220;<em>Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem</em>&#8220;, foi porque era a voz de &#8220;<em>um Pontífice como convinha, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores</em>&#8221; (Hb. 7, 26).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja pode pedir perdão pelos pecados de seus filhos? Assim o faz todos os dias há dois mil anos, mas não como ofensora mas como ofendida, não como dolosa mas como machucada, não como culpada mas como inocente e santa Mãe. A Igreja é santa e nunca se pode, estritamente por questão de justiça, atribuir-lhe culpa pelos pecados de seus filhos. &#8220;<em>A verdadeira Igreja é SANTA, diz o Catecismo de São Pio X, porque santa é sua cabeça invisível, que é Jesus Cristo</em><em>;</em><em> santos muitos de seus membros, santas sua fé, sua Lei, seus Sacramentos e, fora dela não há nem pode haver verdadeira santidade</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nunca ninguém pôde acusar Cristo do menor pecado; dois mil anos de história têm mostrado a santidade da doutrina e das leis em que fundou sua Igreja; multidões de santos manifestam que os impulsos da graça que comunicam os Sacramentos carregam a mais perfeita vida. Se um rei cristão ou um Papa cometeram pecados, salta à vista de um juiz honesto que isso foi feito contra os mandamentos, exemplos e influências da santa Instituição a que pertencem. E nunca poderá acusar sua Cabeça de negligência no governo, pois para cada doença de heresias ou pecados que possam ter invadido a Igreja, Nosso Senhor soube despertar os anticorpos necessários.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pretender que a Igreja peça perdão ao mundo levando a culpa de seus filhos é cometer a mais abominável das injustiças; é desconhecer a santidade da Igreja e blasfemar contra a santidade de Deus, que na pessoa do Verbo é a sua cabeça e no Espírito Santo seu coração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Daí o ato pelo qual os Papas que,supostamente em nome da Igreja, pediram perdão público como de próprias culpas, fica sendo o maior ultraje já recebido por nossa Santa Mãe, que clama ao céu por reparação. O que levou o rancor dos filhos liberais, castigados mil vezes por sua boa Mãe? Ou talvez a intenção de evitar que a Igreja seja crucificada, preferindo então, como Pilatos, oferecê-la ao mundo humilhada por uma autoflagelação: <em>Ecce Mulier</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas há também a grosseira materialidade do pensamento moderno que, intoxicado do nominalismo, tem ojeriza das distinções e formalidades dos escolásticos; e atribui ou nega, conforme lhe convém, o que é da parte ao todo e o que é do todo a parte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a parte peca, o todo deve assumir o encargo; e dessa maneira acaba-se por considerar a Igreja ou a sociedade culpáveis de tudo o que fizeram os seus membros criminosos; mas não há de se assustar tanto por se levar estas responsabilidades, pois agora sepode pedir perdão sem arrependimento nem reparação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não deixa de ser lógico, pois se todos são culpados de tudo, então a culpa não é de ninguém ou &#8230; se pensar bem &#8230; a culpa é de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Pe. Álvaro Calderón</em></strong></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catolicosribeiraopreto.com/a-santidade-da-igreja/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
