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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Calmel</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>A CIDADE DA GRAÇA CRISTÃ &#8211; PELO PE. CALMEL</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 17:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[Retirado do livro: Les Mystères du royaume de la Grâce, Pe. Calmel &#8211; Tradução: Dominus Est Sob mais de um aspecto, a Igreja de Deus pode ser definida como a cidade da graça cristã. Primeiro, no sentido óbvio de que o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-cidade-da-graca-crista-pelo-pe-calmel/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5"><img class="aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2021/03/Pere-Roger-Thomas-Calmel-255x300.jpg" alt="50 ANOS DA DECLARAÇÃO DO PE. CALMEL | DOMINUS EST" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Retirado do livro: Les Mystères du royaume de la Grâce, Pe. Calmel<i> &#8211; </i>Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/" target="_blank">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Sob mais de um aspecto, a Igreja de Deus pode ser definida como a cidade da graça cristã. Primeiro, no sentido óbvio de que o autor e dispensador de toda a graça, o próprio Jesus, permaneceu presente em sua Igreja por meio da Eucaristia; Ele está presente está alí em virtude de uma presença que não é diminuída e nem atenuada. Jesus em pessoa reside sempre em Sua Igreja, tão realmente presente quanto está presente à direita do Pai, tão realmente imolado quanto no Calvário, embora a presença e a imolação se realizem de modo sacramental. O autor da graça está para sempre presente em sua Igreja, não cessando de alcançá-la por contato sacramental e de cumulá-la de graças. Ele faz isso por meio de seus ministros, em virtude de poderes hierárquicos sobrenaturais, de sorte que a Igreja é constituída ao mesmo tempo como verdadeira cidade e como cidade santa.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A Igreja é ainda cidade da graça, no sentido de que a função própria e reservada dessa sociedade é de ordem sobrenatural; os poderes indestrutíveis conferidos à sua hierarquia asseguram, com a assistência indefectível do Espírito Santo, dois grandes tipos de função: por um lado, manter intacta e explicar a revelação definitiva dada por Nosso Senhor em vista de nossa salvação, de nossa vida segundo a graça; por outro lado, conferir os sacramentos, que são os sinais eficazes da graça, que nos configuram a Jesus Cristo e, ao menos para três deles, nos marcam com um caráter.</span><span id="more-34525"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">De um terceiro ponto de vista, a Igreja pode ser chamada a cidade da graça cristã porque, em virtude da caridade que não cessa de ser derramada em seu coração, em particular por meio dos sacramentos, a Igreja é o templo do Espírito Santo, que permanece nela por inabitação de graça e de amor.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Assim, quer se considere a Igreja como mediadora da verdade e da vida divinas, quer como morada de Deus, sob esses dois aspectos ela é um mistério intrinsecamente sobrenatural. Ela se apresenta como uma sociedade hierárquica e ordenada que transcende as sociedades terrenas e as pátrias deste mundo. Ela as transcende, mas também as purifica e transforma; nada mais deseja do que despertá-las para a ordem temporal cristã, elevá-las ao nível de sociedades cristãs, de cristandades.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">O que importa compreender bem em todos os tempos, mas ainda mais nesta hora de trevas em que o modernismo trabalha para dissolver a Igreja por dentro, é que as duas grandezas essenciais da Igreja — morada de Deus, mediadora da salvação — são, aqui embaixo, necessariamente inseparáveis. Sem dúvida, quando a Igreja, tendo alcançado seu Esposo na visão beatífica, tendo passado toda inteira deste mundo para o Pai (Jo. 13, 1), se tiver tornado enfim toda inteira gloriosa, sem dúvida então será a Jerusalém unicamente triunfante; deixará de cumprir sua função de mediação. Como seria ainda mediadora da verdade, se veremos face a face? Ou mediadora da vida divina, se possuiremos sem necessidade de sinais sacramentais? Ou mediadora de um sacrifício propiciatório e suplicante, visto que já não haverá pecado a reparar e seremos consumados no puro amor? A grandeza que faz da Igreja morada de Deus dura por toda a eternidade; a grandeza que faz da Igreja mediadora da salvação não dura mais do que o tempo. Permanece, porém, que, sobre esta terra, até o fim da peregrinação terrestre dos filhos de Adão, até o termo das gerações humanas, a grandeza da vida mística e da santidade, e a presença real eucarística, em uma palavra, a grandeza da Igreja como morada de Deus, adere por toda parte à sua grandeza de mediadora e se sustenta por ela.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Todo o esforço do modernismo consiste em corroer a grandeza da mediação — digamos: da mediação hierárquica — na ideia de que, desse modo, ao fazê-lo, corroeria e destruiria, de uma só vez, a grandeza da santidade, e arruinaria a Igreja como morada de Deus. Na verdade, ele não destruirá nem uma nem outra. Ele não destruirá a Igreja como morada de Deus porque, em primeiro lugar, sua fúria e sua astúcia serão impotentes contra a Igreja enquanto mediadora da salvação.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Falei da astúcia do modernismo. É preciso esclarecer. Não se trata de uma astúcia comum e ordinária; trata-se de uma astúcia diabólica. Ela segue por um viés em que não se imagina. O modernismo não empreende um ataque frontal.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Ele não vai negar abertamente que a Igreja seja mediadora da verdade e da graça, que seja dotada de poderes hierárquicos em vista dessa função. Mas o modernismo desliza e se insinua precisamente no ponto em que meios de instituição eclesiástica, suscetíveis de certa variação, se unem ao dado de instituição divina, do qual são o instrumento indispensável. Mesmo, por exemplo, quando o modernismo nega que a Igreja seja depositária infalível e mensageira fiel da revelação de Cristo, não faz dessa negação franca sua arma principal. Julga muito mais hábil — e é de fato mais hábil — omitir habitualmente, relativizar discretamente as fórmulas e os anátemas, isto é, as humildes condições humanas de uma linguagem certa e de um pensamento preciso.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm7">A esse respeito, em sua obra Essai œcuménique, o Pe. Congar diz, na p. 27, a propósito da encíclica Mortalium animae [sic], “há certamente algo de inválido, mas há também algo de válido”. Essa citação destaca bem a tentativa de relativizar o alcance do magistério lançada pela corrente modernista.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Na medida em que consegue isso, é evidente que não há mais necessidade de negar à Igreja o poder de transmitir a verdade sobrenatural; é inútil julgá-la a esse respeito, uma vez que se lhe retira o meio elementar de cumprir seu papel. ‑ O mesmo procedimento se aplica aos poderes hierárquicos. Embora o modernismo não se prive de combater a primazia romana ou a sucessão apostólica dos bispos, ele prefere, e de longe, neutralizá-los sem dar a impressão de fazê-lo, tentando tornar impossíveis as humildes condições instituídas pela Igreja para permitir seu exercício justo e regular; o meio do modernismo aqui é a democratização, batizada de colegialidade, ou seja, todo um sistema rousseauista e revolucionário de reuniões, assembleias e votações, todo um aparato de comissões, que reduzem a primazia romana ou a jurisdição do bispo a nada mais do que uma sombra de si mesma.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm7">Em sua obra Sacerdócio e Laicado na Igreja, ed. du Vitrail, 1947, o Pe. Congar, após criticar a concepção hierarquiológica da Igreja, afirma na página 8: “Nossa geração redescobre e reafirma, no mistério da Igreja, o mistério do Espírito Santo e o mistério do laicato, uma pneumatologia e uma laicologia”.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">— É um método semelhante — este método que consiste em insinuar-se na junção entre o que é de instituição divina e o que é de instituição eclesial — que é aplicado à Missa e aos sacramentos. Se esse método tivesse êxito, os sacramentos deixariam de ser os sinais eficazes da graça para se tornarem cerimônias heréticas e vazias. A Missa deixaria de ser, na verdade, o santo sacrifício, para cair ao nível de uma representação religiosa mais ou menos digna. Vê-se muito bem o método seguido para se chegar a esse ponto. Sob o pretexto de que as rubricas e os formulários, os ritos e as orações que cercam e solenizam a forma sacramental não são fixados pelo Evangelho, sob o pretexto de que sofreram variações ao longo dos séculos, alega-se que são puramente humanos. Tornam-nos multiformes, polivalentes, indefinidamente evolutivos ao sabor das urgências pastorais. Depois disso, a forma sacramental, desmantelada dos humildes elementos protetores exigidos pela condição humana, corre o risco profundo de se tornar ineficaz e inválida.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Esse processo de destruição é muito mais perigoso do que uma contestação leal; pode generalizar-se muito mais entre os pastores e os fiéis antes que estes o tenham percebido. Ele pode revestir-se de uma aparência de razão, uma vez que o elemento que se pretende descartar não é de instituição divina. De fato, não se encontra no Novo Testamento nem a organização da Igreja por dioceses, nem o cânone romano-latino, nem a regulamentação do rito da comunhão, nem as fórmulas dogmáticas de Nicéia, Calcedônia ou Trento. Somente se vocês subverterem tudo isso, se sustentarem que tudo isso pode se tornar brinquedo de alguma mutação conciliar e que não há nada a dizer, já que a maioria o aceita, que o mundo o espera e que o progresso histórico o exige; se vocês pensarem e agirem assim, destruirão a função mediadora da Igreja; se vocês alcançassem seu objetivo, a Igreja deixaria de ser o templo de Deus. Como, com efeito, Deus habitaria pela caridade teologal numa Igreja cuja fé fosse incerta, cujo poder de ordem fosse duvidoso e cuja eucaristia fosse herética? E como a fé, privada de definições, não se tornaria incerta? Como o poder de Ordem estaria assegurado, se vacilasse a fé ortodoxa que rege o rito de ordenação? Como a eucaristia não se tornaria herética, se fosse por longo tempo celebrada segundo um formulário e ritos cuja ortodoxia é tão pouco afirmada que os hereges deles se servem muito bem para suas próprias cerimônias? Se a Igreja sucumbisse à tentativa modernista que ataca de viés indiretamente sua função de mediação, tornar-se-ia se tornaria o reino da ausência: não haveria mais caridade, já que a caridade requer a fé e os sacramentos da fé; da mesma forma, não haveria mais presença eucarística nem sacrifício eucarístico, uma vez que a forma desse sacramento, assim como a forma de todos os sacramentos, precisa ser preservada, defendida, solenizada e glorificada por formulários apropriados e cerimônias adequadas e fixas.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">O argumento sofístico de que se serve o modernismo é o seguinte: aquilo que na Igreja é de natureza eclesiástica deve ser considerado humano, pura e simplesmente. A conclusão que daí se tira é que isso pode tornar-se qualquer coisa para responder às exigências da história. Falar assim é, antes de tudo, esquecer que, mesmo na cidade profana, o humano e o terreno que constituem a cidade — isto é, o humano e o terreno que são o bem comum político e a organização dos poderes — não podem tornar-se qualquer coisa nem deixar-se levar por qualquer corrente histórica; é esquecer que existe uma natureza da cidade e que o tipo de cidade inventado pela Revolução de 1789 e levado pelo comunismo ao seu ponto culminante é um tipo de cidade contra a natureza. Mas o mais grave no erro em que o modernismo se apoia, sem o dizer, é ignorar que aquilo que declara ser terreno e humano, na santa Igreja, não se reduz ao humano nem ao terrestre; pelo contrário, está ligado a uma ordem de coisas intrinsecamente sobrenatural; é o meio escolhido por uma autoridade assistida pelo Espírito Santo com o objetivo de assegurar a comunicação de uma verdade e de uma vida que não são do homem, mas de Deus. Ora, esse meio, que permite transmitir os bens celestiais, a Igreja não pode transformá-lo à sua vontade nem fazê-lo evoluir ad nutum, porque esse meio deve adaptar-se a um bem celestial preciso e determinado e porque ela o escolheu para isso — A Igreja não pode, portanto, moldar seu governo para organismos semelhantes aos das sociedades secretas porque, além da iniquidade intrinseca desses organismos, eles são incompatíveis com os poderes sobrenaturais que o Senhor lhe conferiu. — A Igreja não pode negligenciar definições e anátemas, nem adotar a linguagem flutuante e fugidia da suposta pastoral posterior ao Vaticano II, porque essa linguagem não só ofende o espírito humano, mas, antes de tudo, não pode ser homóloga à revelação. — A Igreja não pode acomodar-se a ritos indeterminados e polivalentes, porque eles põem em perigo mortal os sacramentos que ela recebe de seu Esposo.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Se tudo na Igreja, exceto o pecado, pertence à Igreja — isto é, a uma cidade de ordem sobrenatural —, não por isso ignoramos que, no que diz respeito às instituições eclesiásticas, nem tudo é, em igual medida, assistido pelo Espírito Santo. Nesse domínio, ao contrário do que é diretamente instituído pelo Senhor, há espaço para o falível, o variável, o modificável e o revogável. Além disso, seria simplista querer introduzir a imutabilidade nesse contexto. Assim, por exemplo, embora o estado de virgindade consagrada, proveniente do próprio Evangelho e inaugurado por Nossa Senhora, não possa ser nem alterado nem abolido, é, por outro lado, impossível que as virgens de Cristo sigam, em todas as épocas, literalmente, a mesma disciplina regular. Sabemos também que o que na Igreja tem origem eclesiástica é também o lugar privilegiado das misturas impuras, das combinações excessivamente humanas e, finalmente, e talvez sobretudo, da prepotência eclesiástica, ou seja, do clericalismo. Basta pensar na maneira despótica com que certos padres impõem as atitudes durante a Missa, sob pretexto de que a Liturgia exige uma atitude litúrgica. E nada diremos da tirania de certos bispos, mesmo antes de ter sido inflada e exacerbada pela colegialidade. É verdade que eles muitas vezes imaginam que toda forma de desobediência às suas ordens ou às suas advertências constitui, por si mesma, obrigatoriamente, um pecado.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Mas estas observações, acerca do que na Igreja é de origem eclesiástica e acerca do humano que aí facilmente vem alojar-se, às vezes a ponto de o tornar nulo, falhariam seu objetivo se nos desviassem de ver esta verdade primeira: na cidade de Deus, até mesmo os elementos de origem eclesiástica, a menos que sejam ilegítimos, ainda que com aparências contrárias — coisa muito fácil em tempos de infiltração modernista —, esses elementos de origem eclesiástica pertencem ainda à cidade de Deus. — Nos sacramentos, por exemplo, não são apenas a matéria e a forma que se ligam a uma ordem de coisas sobrenatural, mas também, em graus certamente diversos, os formulários e as rubricas.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Se não percebêssemos isso, se colocássemos, não uma distinção, mas uma heterogeneidade entre os dados da Escritura relativos à Igreja e os desenvolvimentos introduzidos pela Igreja para permanecer fiel a esses dados, se víssemos o divino de um lado e, do outro, simplesmente o humano, se considerássemos que, por exemplo, enquanto o texto da Escritura é imutável, as definições de Calcedônia e de Trento são caducas e ultrapassadas, ou que o Cânon da Missa, por ter sido estabelecido pela Igreja, pode ser abandonado às supostas exigências históricas dos pedidos do mundo e do ecumenismo, enquanto a consagração, por vir do Senhor, não deve ser alterada — se tivéssemos essas concepções, deixaríamos de perceber a transcendência do mistério da Igreja. A Igreja, considerada em toda a sua essência, deixaria de ser um mistério; não seria mais reconhecida como uma cidade verdadeiramente sobrenatural. Ela deixaria de ser a Santa Igreja.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A fé da Igreja e sua esperança — os sacramentos da Igreja, seu culto e seu magistério —, seus poderes de ordem e de jurisdição, seus estados de vida, enfim, já não continuarão na Pátria. Só a caridade arderá eternamente. Mas essa caridade eterna, essa caridade que derivará da visão face a face das Três Pessoas, terá sido formada e nutrida na fé e na esperança — pelos ensinamentos do magistério e pela celebração do culto —, antes de tudo pela celebração do Santo Sacrifício e, por fim, no interior de estados de vida determinados. Por sua vez, os ensinamentos do magistério, a celebração dos sacramentos e a fidelidade nos estados de vida terão sido guardados e favorecidos por meio de instituições eclesiásticas que lhes são indispensáveis.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Eis por que esses meios não devem ser considerados como algo extrínseco ao mistério sobrenatural da Igreja, como algo puramente terreno, totalmente acessório, meramente humano, passível de alteração conforme o bel-prazer das colegialidades e comissões, ou de acordo com as quimeras de tal ou tal hierarca. É por isso que faremos o que estiver ao nosso alcance para impedir que esses meios sejam pervertidos e aniquilados, como tem sido praticado desde o Concílio Vaticano II por meio de manobras revolucionárias. Em nossa resistência, temos a certeza de ser fiéis à Igreja, pois esta, embora o modernismo diga o contrário, deseja manter esses meios que lhe são necessários para assegurar sua função de mediação. E ela deseja assegurar sua função de mediação a fim de viver na caridade, para que o Senhor resida nela por meio da habitação do amor e da presença eucarística.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A Virgem Mãe de Deus, a Virgem do Stabat, de Pentecostes e das intervenções milagrosas ao longo da história, a Virgem Maria corredentora preservará na santa Igreja não somente os dados instituídos pelo Senhor, mas também os meios de origem eclesiástica pelos quais a Esposa de Cristo será indefectivelmente, no meio dos homens, ao mesmo tempo mediadora da salvação e morada onde Deus reside, até o dia eterno da Parusia do Bem-Amado</span></p>
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		<title>O SOLDADO E O SANTO</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jun 2024 14:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. Calmel Nós sabemos bem distinguir, e não confundimos de modo algum, o heroísmo dos santos e o do soldado. (&#8230;) Sim, nós distinguimos sem dificuldade os dois heroísmos e jamais identificamos o grito do herói tombado por uma “pátria &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-soldado-e-o-santo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class="alignright" src="https://archive.org/services/img/declaracao-pe.-calmel" alt="DECLARAÇÃO : Roger-Thomas Calmel OP : Free Download, Borrow, and Streaming  : Internet Archive" /></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><em><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/712">Pe. Calmel</a></strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nós sabemos bem distinguir, e não confundimos de modo algum, o heroísmo dos santos e o do soldado. (&#8230;) Sim, nós distinguimos sem dificuldade os dois heroísmos e jamais identificamos o grito do herói tombado por uma “pátria carnal” com o cântico do santo que expira consumido pela caridade divina. Sabemos perfeitamente que as últimas palavras de Joana, agonizante, exprimem, acima de tudo, o heroísmo da santidade, e suas palavras só puderam ser aquelas porque, na sua alma, o heroísmo do chefe guerreiro estava iluminado, transformado pelo heroísmo da “Pucelle”, “filha de Deus”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sempre ensinamos as distinções irredutíveis entre a natureza e a graça, mas não seremos nós que as transformaremos em oposições; e, por isso, depois de termos discorrido brevemente sobre o heroísmo dos santos, queremos agora exaltar o heroísmo do soldado.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pertencem a duas ordens distintas, é certo, mas uma ordem pode penetrar a outra, resplandecer através da outra, como a chama ardente através de um cristal. Fazemos questão, uma vez que falamos do heroísmo dos santos, lembrar o heroísmo guerreiro que só parecerá desprezível aos corações covardes, ou aos intelectuais cerebrinos, tornados abomináveis em suas cogitações egoísticas e vazias. Sem o heroísmo do soldado, a sociedade dos homens não terá recursos para discernir praticamente, concretamente que sua instituição visa mais alto do que à produção e ao consumo&#8230; Sem o heroísmo do soldado a sociedade entra em putrefação, e dentro dela as almas vivas estão a cada momento ameaçadas de asfixia. Sem o heroísmo do soldado, a sociedade, fechada sobre si mesma, torna-se semelhante, ora a uma usina colossal de portas aferrolhadas, ora a um circo gigantesco, ameaçado de desmoronar-se entre as chamas de um incêndio implacável.</span><span id="more-18451"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não considero aqui as possibilidades e as vias pelas quais o soldado se degrada em mercenário [ou em puro técnico, com diria Bernanos]. Bem sabemos que essa degradação é possível. Também não me preocupa aqui a distinção entre o heroísmo da “guerra sem ódios” e o fanatismo demoníaco de um militarismo imperialista. A distinção se impõe. Mas o que quero assinalar, o que desejo indicar é que uma Cidade que despreza o soldado perde o senso de honra, torna-se indigna do homem, e não sabe mais, na prática, que o estabelecimento na terra não é o seu bem supremo. Pelo fato de estar a vida do soldado ligada de perto à vida da alma, e à vida sobrenatural, compreende-se que a sociedade moderna, infestada de materialismo, tenha pelo soldado uma sólida aversão. Ouçamos o que diz Bernanos: “O Estado Moderno, simples agente de transmissão entre a finança e a indústria, tem razão de farejar no exército uma outra Igreja, quase tão perigosa e quase tão incompreensível. Não detêm ambas, embora desigualmente, o segredo de formar os homens, sim, de formar os homens que um dia farão tudo dobrar-se diante deles pela única força do espírito, já que o herói não cede o passo senão diante do santo? Por isso, o Estado que prudentemente classifica o santo entre os alienados, obrigado a servir-se do herói em tempos de guerra, trata de só utilizar-se dele com medida, e com o mínimo de risco. A sociedade moderna sabe muito bem que a simples idéia de sacrifício, introduzida sem retoques em laboriosa moral de solidariedade, estouraria como uma bomba” — Bernanos “<em>La Grande Peur des Bien-Pensants</em>”.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Tradução de parte do artigo publicado em “Itinéraires”, janeiro de 1969.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/712"><strong>Permanência</strong></a></span> n°7, Ano II, Abril de 1969.</span></p>
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		<title>FILHOS DA IGREJA EM TEMPOS DE PROVAÇÃO</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2023 14:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado em 1975 na revista Itinéraires, este texto do Pe. Calmel permanece atualíssimo. Ele confirmará aqueles que, sem entrar no jogo da subversão, esperam permanecer como filhos fiéis da Igreja (as legendas foram acrescentadas pelo La Porte Latine). Fonte: La Porte &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/filhos-da-igreja-em-tempos-de-provacao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6"><img class="aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/01/rome-176009__340.jpg" alt="" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm7">Publicado em 1975 na revista Itinéraires, este texto do Pe. Calmel permanece atualíssimo. Ele confirmará aqueles que, sem entrar no jogo da subversão, esperam permanecer como filhos fiéis da Igreja (as legendas foram acrescentadas pelo La Porte Latine).</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/fils-de-leglise-en-un-temps-depreuve">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Seria inútil tentar esconder que a Igreja está sendo submetida, por seu Senhor, a uma provação muito severa, uma provação relativamente nova porque os inimigos que fazem essa guerra contra ela estão escondidos em seu seio. Apesar dos discursos otimistas, o atual Papa</span><strong><span class="tm10">(1)</span></strong><span class="tm9"> não hesitou em falar sobre esta crise. Termos como “</span><em><span class="tm11">autodestruição</span></em><span class="tm9">” são, de fato, dele próprio</span><strong><span class="tm10">(2)</span></strong><span class="tm9">.</span><sup><span class="tm12">.</span></sup><span class="tm9"> Aliás, a experiência quotidiana já não nos permite mais pensar que, tanto do ponto de vista das garantias dadas pela autoridade como do ponto de vista da fé dos fiéis, tudo continuaria a funcionar como funcionava antes do Concílio. A expressão usada por Maritain em </span><em><span class="tm11">Le Paysan de la Garonne</span></em><span class="tm9">: apostasia imanente, nos faz verificar, cada dia mais, sua terrível exatidão. São inúmeros os fatos que revelam as deficiências da autoridade hierárquica, o surpreendente poder das autoridades paralelas, os sacrilégios no culto e as heresias no ensino doutrinal.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm13" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm14">A questão da obediência</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Diante dessa provação, um grande número de sacerdotes e fiéis tomaram partido daquilo que eles chamam de </span><em><span class="tm11">obediência</span></em><span class="tm9">. Na realidade, eles não obedecem verdadeiramente, porque ordens verdadeiras que ofereçam plena garantia jurídica não são cumpridas. Tomo o exemplo que bem conheço de religiosos e religiosas ou mesmo sacerdotes seculares. Estes e aqueles que se vestem em trajes civis, recitam um ofício forjado por tal casa ou para tal casa, os sacerdotes (e aqui quero dizer os padres piedosos) que compõem as liturgias que mais lhes convêm de acordo com os dias e as assembleias: a respeito de todos eles, devemos dizer que eles obedecem?</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Na realidade, eles seguem, geralmente sem muito entusiasmo, indicações ambíguas, submetem-se e absorbem as inovações. Os mais sábios tentam não se comprometer demais de uma forma ou de outra; não excluem radicalmente o que se fazia há séculos, nem assumem o que se chama uma posição de liderança. De qualquer modo, embora caminhem na direção das inovações, é certo que não se trata de obediência no sentido próprio da palavra, mesmo que pensem que é. Eles não se conformam a um preceito que teria as qualidades de um preceito, que se apresentaria com a clareza e a força da obrigação. Parece, sobretudo</span><strong><span class="tm10">(3)</span></strong><span class="tm9">, que eles não querem, ou não ousam, contrariar uma certa moda, cujo valor e validade permanecem bastante perplexos. Em todo caso, esses fiéis, esses padres e esses religiosos estão determinados a não questionar a fé da Igreja, nem a moral que ela ensina. Pensamos que, para um certo número deles, a sua docilidade e a sua boa-fé foram surpreendidas; eles são abusados ao invés de culpados. Mas nunca nos passou pela cabeça pensar que não estariam mais no seio da Igreja. Não os consideramos de outra forma, é evidente, a não ser como filhos da Igreja. A desgraça, a grande desgraça, é que, mesmo sem quererem, seu comportamento entra no jogo da subversão. Eles, de fato, cederam às inovações desastrosas, inovações introduzidas por inimigos ocultos, transformações equívocas e polivalentes, que não têm outro objetivo efetivo senão minar uma certa e sólida tradição, enfraquecê-la e finalmente, sem despertar suspeita, mudar – gradualmente – a religião. Sob o pretexto de que era necessário fazer reformas, sob o pretexto de que era preciso tentar conquistar os protestantes, os modernistas, esses hereges ocultos, trouxeram a Revolução.</span></span><span id="more-29250"></span></p>
<blockquote>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">Eles, de fato, cederam às inovações desastrosas. A desgraça, a grande desgraça, é que, mesmo sem querer, seu comportamento entra no jogo da subversão.</span></strong></span></p>
</blockquote>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Ora, há fiéis, padres seculares e regulares, religiosas, alguns bispos, que tendo discernido, mais ou menos rapidamente, mais ou menos profundamente, que as inúmeras inovações provinham da intenção revolucionária do inimigo – e de um inimigo que trabalhava no mesmo lugar –, decidiram, por apego à Igreja, manter o que se praticava, o que se ensinava antes do período muito amargo e muito perigoso da </span><em><span class="tm11">autodemolição. </span></em><span class="tm9">Para a Missa, atêm-se ao rito, à linguagem, à fórmula da </span><em><span class="tm11">Missa tradicional católica, latina e gregoriana</span></em><span class="tm9">;</span><em><span class="tm11"> </span></em><span class="tm9">se tiverem que recitar o breviário, usam sempre aquele que era de uso universal antes de João XXIII; mantêm a versão milenar dos salmos, que precede a ridícula revisão jesuíta do Cardeal Bea(4), continuam a rezar o </span><em><span class="tm11">Pai Nosso</span></em><span class="tm9"> e a </span><em><span class="tm11">Ave Maria </span></em><span class="tm9">como aprenderam; eles ainda usam a batina de seu estado clerical ou a túnica de sua profissão religiosa, ensinam o catecismo de São Pio X e, assim como na pregação não confundem a vida de graça com o desenvolvimento econômico, assim também no estudo doutrinal não se deixam enganar pela quimera de conciliar o ensinamento da Igreja com as filosofias modernas. Por fim, eles consideram que na ordem social e política a Igreja aprova e favorece unicamente uma cidade que esteja em conformidade com a moral natural e que reconheça os direitos de Deus e do seu Cristo. Eles estão certos de que a Igreja não coloca, e nunca colocará em pé de igualdade uma sociedade e leis revolucionárias de um lado e uma sociedade conforme a lei natural e cristã de outro. A Igreja condena a Revolução e sempre a condenará,</span><span class="tm16"> </span><span class="tm9">seja ela chamada liberalismo ou socialismo.</span></span></p>
<blockquote>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">Os cristãos que, conscientes da ambiguidade das recentes inovações e das intenções perversas, que na realidade estão na sua origem, e que as recusaram por apego à fé e à Igreja, devem ser acusados de desobediência? Se hesitam em segui-los, pelo menos não atire pedras neles.</span></strong></span></p>
</blockquote>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Dessa forma, portanto, os cristãos que, conscientes da ambiguidade das recentes inovações e das intenções perversas que na realidade estão na sua origem, que os arruínam e corrompem radicalmente, os cristãos, digo eu, que as recusaram por apego à fé e a Igreja, esses fiéis cristãos serão acusados de desobediência? Lamentaremos sua cegueira acusando-os de ceder ao livre-exame, por se colocarem como árbitros da situação? Ficaremos escandalizados por eles não terem uma consciência pesada? Em vez disso, compreendamos que diante da angustiante falta de autoridade, diante da assustadora incerteza das diretrizes e da incrível multiplicidade de mudanças, longe de se colocarem como árbitros, se apegam, por assim dizer, a uma arbitragem, a um conjunto de leis e costumes que se perpetuaram até João XXIII, que ainda eram recebidos pacificamente há cerca de quinze anos, e que só podem ter a certeza absoluta de terem para eles a força da tradição </span><em><span class="tm11">in eodem sensu e eodem essentia</span></em><strong><span class="tm14">(5)</span></strong><em><span class="tm11">. </span></em><span class="tm9">Os cristãos de que falo rezam com toda a sua alma a Cristo nosso Senhor, que é nossa cabeça e nosso Rei invisível, para fazer sentir o poder e a santidade de seu governo sobre o corpo místico por uma cabeça visível, por um pontífice romano que, em vez de lamentar </span><em><span class="tm11">a autodemolição, </span></em><span class="tm9">cumprirá seu ofício supremo com clareza e doçura e confirmará a Tradição. Ele irá confirmá-la tendo em conta algumas adaptações necessárias, confirma-la-á sem ambiguidade, garantindo o essencial longe de o expor à ruína. Na expectativa desse dia, não vejo o que autorizaria certos cristãos a tachar de desobedientes aqueles fiéis ou os sacerdotes que guardam a Tradição. Vejo menos ainda o que permitiria acusá-los de não serem mais filhos da Igreja.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm13" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm14">A intenção revolucionária dos inovadores</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">A posição desses fiéis não é nem um pouco confortável. Recusam compromissos, recusam-se a serem cúmplices de uma Revolução que é seguramente modernista. Sociologicamente, eles são mantidos a distância. Quaisquer que sejam seus méritos, posições de responsabilidade não são para eles. Eles não se queixam do restante, sabendo que não podem dar testemunho sem serem pouco ou muito expostos, de acordo com lugares e pessoas, às censuras, à suspeita, à segregação. Eles não se queixam de pagar esse preço para permanecerem filhos da Igreja. Se você hesita em segui-los, ao menos não atire pedras neles. Você teria tanto menos razão em fazê-lo. Eles mesmos nunca pensaram em anatematizá-lo, embora pensem que, provavelmente sem o compreender bem, que vocês estão no jogo da subversão.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Estes cristãos que guardam a Tradição, nada concedendo à Revolução, desejam ardentemente, a fim de serem plenamente filhos da Igreja, que a sua fidelidade seja imbuída de humildade e de fervor. Eles não têm gosto pelo sectarismo ou pela ostentação. Em seu lugar, que é modesto e apenas suportado, procuram manter o que a Igreja lhes transmitiu, tendo a certeza de que ela não o revogou e esforçando-se, na sua manutenção, por manter o espírito daquilo que sustentam.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">É obviamente em vista da glória de Deus e da salvação das almas que a Tradição nos transmitiu o rito latino e gregoriano da Santa Missa, o breviário anterior às turbulências, o Catecismo Romano, a ascese e a disciplina do estado eclesiástico e o estado religioso. É também por amor a Deus e pelo bem das almas – em primeiro lugar a nossa alma – e não por um espírito de discórdia ou zelo amargo que tentamos permanecer. Ao fazê-lo, não duvidamos de que somos filhos da Igreja. Não somos, de forma alguma, uma pequena seita marginal. Somos da única Igreja Católica, Apostólica e Romana. Nós nos preparamos da melhor maneira possível para o abençoado dia em que a autoridade, tendo se encontrado em plena luz, tenha a Igreja finalmente libertada das névoas sufocantes do presente julgamento. Ainda que esse dia demore, procuremos não afrouxar o dever essencial de nos santificarmos. Fazemos isso mantendo a Tradição </span><em><span class="tm11">no mesmo espírito em que a recebemos,</span></em><span class="tm9"> um espírito de santidade.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Não pertencemos menos à Igreja porque fizemos uma escolha nas Missas que se celebram ou nas formas de sepultamento que se pretendem impor às famílias, contrariando – aliás – a vontade expressa do defunto. Não temos nada de cismático em escolher entre ritos, orações, pregações, pois esta escolha a própria Igreja nos ensinou a fazer. – A este respeito, lembro-me das lamentáveis palavras de Louis Daménie, que era o diretor da </span><em><span class="tm11">Ordem francesa; </span></em><span class="tm9">era fim de 1969, durante a invasão das novas missas. “</span><em><span class="tm11">Até recentemente</span></em><span class="tm9">”, confidenciou-me ele, “</span><em><span class="tm11">eu ia à Missa quase todos os dias e no horário que melhor se ajustava às minhas viagens. Eu estava tranquilo sobre a Missa que encontraria, qualquer que fosse a igreja que eu tivesse entrado. Mas agora vejo tantas variações e diferenças, sofro tanto com esses ritos de comunhão irreverentes e até sacrílegos, esses ritos vis, contrários à fé na Presença Real, contrários à função reservada ao sacerdote&#8230; Em uma palavra, acho – por toda parte e por tantas vezes – missas protestantes, missas que não têm nem o caráter de fé nem o de piedade, de modo que sou obrigado a me abster. Afinal, foi a Igreja que me ensinou a fazer como eu faço: não compactuar com quem destrói a fé. Limitei-me à algumas capelas; mas pelo próprio fato desta inevitável limitação, não vou mais à Missa nos dias de semana, exceto muito raramente</span></em><span class="tm9">”. Quem ousaria dizer que o cristão de uma lealdade exemplar que tomou esta decisão tão dolorosa deixou de ser tão filial em relação à Igreja desde o dia em que fez esta escolha? Ele fez esta escolha precisamente porque amava a Igreja como um filho; porque ele sabia que nossa Madre Igreja considera os ritos ambíguos como abomináveis, pois uma Igreja cuja liturgia é ambígua seria injuriosa ao seu Esposo, o Sumo Sacerdote, pois ela exporia seus fiéis a um perigo mortal. Desejo a todos os nossos irmãos católicos que forem tentados a atribuir nossas escolhas a alguma paixão sectária, a qualquer atração pelo cisma, que considerassem que é precisamente para escapar à ruptura na disciplina e do declínio da fé, é para permanecer no seio da Santa Igreja, que mantemos as escolhas que a Tradição manteve. Além disso, se nossas escolhas relativas aos ritos da Missa, catecismos, funerais ou batismos abrissem uma brecha cismática ou procedessem de uma raiz diabólica de rebeldia, seria para que fôssemos atingidos pelas regras e condenados legalmente. Mas não somos. É verdade que somos vistos com desconfiança, muitas vezes somos vistos com indelicadeza, ridicularizados ou desprezados; mas isto não tem nada a ver com sanções legais. </span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">É porque pertencemos à Igreja, é para permanecermos seus filhos dóceis e amorosos, que optamos por não caminhar na direção de todas essas inovações, sabendo bem que o objetivo não declarado, mas certo, é a demolição, </span><em><span class="tm11">a autodemolição. </span></em><span class="tm9">Além disso, é evidente que essas inovações que se multiplicam sem medida e sem restrições não são controladas pelas autoridades eclesiásticas.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm13" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm14">A ocupação da Igreja não vai durar para sempre</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Não só a Igreja não nos excomungou por estarmos conformes à doutrina e à prática pré-conciliar, mas tudo o que acreditamos sobre a Igreja e em sua viva estabilidade nos convence de que, sem tardar e com muita clareza, ela aprovará nossa atitude e a consagrará com sua autoridade. Não pensamos, não dizemos que ela condenará toda adaptação, abençoará a esclerose, canonizará o entorpecimento&#8230; dizemos, ao contrário, que, por efeito de sua santa vontade de afirmar a Tradição no que ela verdadeiramente é, Ela rejeitará com grande clareza as inovações ambíguas que distorcem a Tradição, que a extenuam e a destroem, sob o pretexto de lhe restituir sua pureza primitiva ou a sua amplitude missionária. (Como se, apesar da fraqueza dos homens da Igreja, houvesse alguma antinomia entre vida e Tradição, entre Tradição e zelo, Tradição e vida evangélica). Esperamos na paz, e não no sono, mas na fidelidade atenta que a Igreja, sem demora, levante sua voz poderosa e emita decretos eficazes para fazer saber que Ela não suporta catecismos duvidosos, missas protestantes, a abolição prática do latim na liturgia, nem a supressão prática do cânon latino tradicional romano, nem aquele rito de comunhão tendencioso que sorrateiramente frustra a fé na Eucaristia e no sacerdócio; – e nada diremos aqui sobre a indisciplina religiosa e a anarquia clerical que são um ultraje ao sacerdócio e um insulto aos santos fundadores.</span></p>
<blockquote>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">É porque pertencemos à Igreja, é para permanecermos seus filhos dóceis e amorosos, que optamos por não caminhar na direção de todas essas inovações, sabendo bem que o objetivo não declarado, mas certo, é a demolição, </span><span class="tm14">a autodemolição.</span></strong></span></p>
</blockquote>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Certamente chegará o dia em que a Igreja, que nos últimos tempos sofreu com a ocupação inimiga, como repete Madiran com tanta precisão, condenará abertamente todos esses chamados avivamentos que são modernisticamente tendenciosos e contrários à Tradição; e romperá simultaneamente com essas novidades modernistas, com essas autoridades ocultas que, do fundo de algum covil maçônico, habilmente puxam os cordões e introduzem na prática a religião anticristã do homem em evolução. Chegará o dia em que cantaremos com o grande clássico que parafraseava Isaías:</span></p>
<blockquote>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm15">Jerusalém renasce mais brilhante e mais bela&#8230;<br />
De onde vem a ela, de todos os lados,<br />
Os filhos que ela não gerou em seu ventre?<br />
Levanta-te, Jerusalém, levanta a tua cabeça altiva&#8230;<br />
Os povos caminham à tua luz(6).</span></strong></span></p>
</blockquote>
<p class="Normal tm5 tm13" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Em suma, se estamos convencidos de que as inovações pós-conciliares não são da Igreja e que não comprometem nossa obediência, e que serão claramente rejeitadas quando a ocupação da Igreja terminar, é porque essas perturbações agem </span><em><span class="tm11">por si só</span></em><span class="tm9"> para destruir a Igreja se a considerarmos em seu mistério fundamental. Se, de fato, vemos a Igreja como o templo e </span><em><span class="tm11">morada de Deus</span></em><span class="tm9"> entre os homens ou como </span><em><span class="tm11">mediadora divinamente assistida</span></em><span class="tm9"> da verdade e da graça, se a vemos como o Corpo de Cristo e sua extensão mística – </span><em><span class="tm11">Jesus Cristo derramado e comunicado, </span></em><span class="tm9">disse Bossuet – ou como </span><em><span class="tm11">a Noiva sem mácula, nem ruga,</span></em><span class="tm9"> que dispensa bênçãos sobrenaturais aos pecadores, em íntima união com seu Noivo e seu Rei; seja como for</span><strong><span class="tm10">(7)</span></strong><span class="tm9">,</span><strong><span class="tm10"> </span></strong><span class="tm9">as medidas ambíguas, o ritual mutável, o catecismo sem forma, a moral sem preceito, a disciplina religiosa sem obrigação, a autoridade hierárquica despersonalizada e transferida a um aparelho fugaz e anônimo, enfim, nenhuma destas invenções pós-conciliares pertence verdadeiramente à Igreja. Não temos que levar isso em conta, pois somos filhos da Igreja e pretendemos continuar assim. Guardamos a Tradição com paciência. As forças modernistas ocupantes não poderão mais pregar os lábios sagrados de nossa Mãe. Ela nos dirá em voz alta que não temos nada melhor a fazer do que guardar santamente a Tradição. </span><em><span class="tm11">Patientia pauperum non peribit in finem </span></em><span class="tm9">(Salmo 9): A paciência dos pobres não será mais enganada indefinidamente.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm10">Notas:</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm19">1.</span></strong><span class="tm20"> Trata-se, portanto, em 1975, o Papa Paulo VI (nota da LPL).</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm19">2.</span></strong><span class="tm20"> Sobre algumas dessas expressões de Paulo VI, tomamos a liberdade de nos referir ao </span><span class="tm12">artigo</span><span class="tm20"> do Padre Jean-Michel Gleize, </span><em><span class="tm21">“Les fumes de Satan”</span></em><span class="tm20"> (Nota da LPL).</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm19">3.</span></strong><span class="tm20"> Falamos de simples sacerdotes regulares e seculares; o caso dos Bispos e Cardeais, especialmente na França e em Roma, é certamente muito mais complexo e muito mais perturbador.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm19">4.</span></strong><span class="tm20"> Esta versão, lançada no final do reinado de Pio XII, já não é mais defendida por ninguém, nem mesmo pela Companhia de Jesus. – Para compreender a imprudência desta </span><em><span class="tm21">reformulação</span></em><span class="tm20"> do Saltério, com a abolição do latim bíblico, pode-se ler no </span><em><span class="tm21">Dictionnaire de Theologie catholique </span></em><span class="tm20">o artigo </span><em><span class="tm21">Versions de la Bible. </span></em><span class="tm20">Mas quem, há quase 30 anos, teria interesse em aconselhar um grande Papa numa “</span><em><span class="tm21">reforma</span></em><span class="tm20">” já tão alheia à Tradição?</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm19">5.</span></strong><em><span class="tm21"> No mesmo sentido e na mesma concepção. </span></em><span class="tm20">(São Vicente de Lerins, Commonitorium. Citado no I</span><sup><span class="tm20"> </span></sup><span class="tm20">Conc. do Vaticano, Constituição Dei Filius, final do cap. IV.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm19">6.</span></strong><span class="tm20"> Cena VII do Ato III de </span><em><span class="tm21">Athalie</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5 tm22" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm19">7.</span></strong><span class="tm20"> Sobre este duplo aspecto do único mistério da Igreja, tomamos a liberdade de remeter o benevolente leitor ao capítulo VII do tomo I de </span><em><span class="tm21">Mystères du Royaume de la Grâce</span></em><span class="tm20"> (Editora DMM Paris), págs. 122–127.</span></span></p>
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		<title>CRÊR NA IGREJA</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2022 14:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[Em um escrito à memória e honra do Pe. Victor-Alain Berto, o Pe. Calmel recordou um ponto importante relativo ao artigo do Credo, “Creio na Igreja”; verdade a ser meditada na turbulência que a Igreja Católica atravessa hoje. Fonte: La Trompette de &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/crer-na-igreja/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/crer.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-26577" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/crer.jpg" alt="crer" width="294" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Em um escrito à memória e honra do Pe. Victor-Alain Berto, o Pe. Calmel recordou um ponto importante relativo ao artigo do Credo, “Creio na Igreja”; verdade a ser meditada na turbulência que a Igreja Católica atravessa hoje.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/01/Trompette-27.pdf">La Trompette de Saint-Vincent n° 27</a> </span>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podemos crer na Igreja de muitas maneiras. Podemos crer nela de forma frágil, sem nunca ter tido uma consciência clara que existe uma ligação intransponível entre a pertença à Igreja e a salvação eterna. Podemos crer nela sem atribuir a devida importância à absoluta necessidade da hierarquia eclesiástica. Quer por uma inconsistência de pensamento e temperamento que pode não proceder de malícia, ou por uma leviandade que já está inclinada à traição, quer pela exasperação diante da mediocridade ou pela perversidade deste ou daquele dignitário eclesiástico: Os cristãos por vezes põem de lado tudo o que é hierárquico na Igreja sem, felizmente, chegarem ao ponto de cair em apostasia.</span></p>
<p><img class="aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/01/berto.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">Padre Victor-Alain Berto (1900-1968). Teólogo, ex-diretor da revista <em>La Pensée Catholique</em> .</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma das características mais marcantes da vida interior do Pe. Berto foi o vigor, a pureza, a lógica da sua fé na Igreja. Ele acreditava na Igreja assim como acreditava em Jesus Cristo, no céu e na condenação eterna. O que era demasiado humano nos membros da Igreja, incluindo algumas grandes figuras, não passou despercebido para ele. Se ele falava disso com tranquila liberdade, era porque sabia, no fundo de sua alma, que a Igreja não era isso; isso que, nos membros da Igreja, pertence à estupidez humana, às trevas de Satanás, e não à autoridade e santidade de Jesus Cristo. O mesmo se aplica ao Soberano Pontífice.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ele não era um admirador incondicional dos Papas. Mas ele acreditava no Papa e o amava pelo que, neste homem único, pertencia verdadeiramente ao Vigário de Jesus Cristo, permanecia inexpugnável a todas as forças do Inferno. Essa fé granítica foi o que mais me impressionou nos meus primeiros encontros com o Padre. […] Ele foi um dos que mais seguramente me levou a compreender que se o pecado existe em todos os clérigos, independentemente da sua posição hierárquica, ter fé na Igreja consiste em não lhe dar atenção, quero dizer, não pôr em dúvida nenhum dos pontos da constituição hierárquica da Igreja por causa disso, mas ao mesmo tempo lutar sem piedade contra os germes do erro e da morte que um membro da hierarquia faria penetrar até no seio da igreja; lutar impiedosamente, sobretudo, pela oração e sacrifício, mas também, de acordo com nossas forças e nossa posição, através da pregação, da controvérsia, da exposição direta; – e o exercício corajoso da autoridade para aqueles que a detêm.</span></p>
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		<title>&#8220;DEFENDEI, SENHOR JESUS&#8230;&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2022 20:42:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[“Defendei, Senhor Jesus, os sacerdotes, as religiosas, os fiéis que querem guardar, custe o que custar, esta forma de Missa, inassimilável à heresia, que é a Missa autêntica e justa de sempre.” Pe. Calmel, OP]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/03/170226_40ans_st_nicolas_report001.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-26881" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/03/170226_40ans_st_nicolas_report001.jpg" alt="170226_40ans_st_nicolas_report001" width="600" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em>“Defendei, Senhor Jesus, os sacerdotes, as religiosas, os fiéis que querem guardar, custe o que custar, esta forma de Missa, inassimilável à heresia, que é a Missa autêntica e justa de sempre.”</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Pe. Calmel, OP</em></strong></span></p>
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		<title>A IGREJA E O PAPA EM TODOS OS TEMPOS E EM NOSSO TEMPO</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2021 13:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[R.T. Calmel O.P. Em uma conjuntura tão perigosa, será ainda possível ao simples fiel, ao modesto padre do campo ou da cidade, ao religioso que se sente cada dia mais isolado dentro de sua ordem; será possível à religiosa que &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-igreja-e-o-papa-em-todos-os-tempos-e-em-nosso-tempo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" alignright" src="http://melhorespontosturisticos.com.br/wp-content/uploads/2015/05/Ponto-Turistico-na-Italia-Vaticano-1-Copia.jpg" alt="Resultado de imagem para vaticano" width="333" height="206" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://www.capela.org.br/Tradicao/calmel.htm">R.T. Calmel O.P.</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em uma conjuntura tão perigosa, será ainda possível ao simples fiel, ao modesto padre do campo ou da cidade, ao religioso que se sente cada dia mais isolado dentro de sua ordem; será possível à religiosa que se pergunta se ela não foi mistificada em nome da obediência; será possível a todas estas ovelhinhas do imenso rebanho de Jesus Cristo e de seu vigário não perderem a cabeça, resistirem a um imenso aparelho que os induz, progressivamente, a mudar de fé, mudar de culto, mudar de hábito religioso e de vida religiosa, em uma palavra mudar de religião?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Gostaríamos de repetir para nós mesmos com toda a doçura e acerto as palavras de verdade, as palavras simples da doutrina sobrenatural aprendidas no catecismo, que não agravassem o mal mas antes nos persuadissem profundamente, pelo ensinamento da Revelação, de que Roma, um dia, será curada; de que a Igreja que vemos, em breve perderá sua aparência de autoridade. Logo essa igreja se transformará em poeira, pois sua principal força vem de sua mentira intrínseca que passa por verdade, sem nunca ter sido efetivamente desmentida de cima. Gostaríamos, no meio de tão grande catástrofe, de nos dizer palavras que não estivessem muito defasadas com o misterioso discurso, sem ruído de palavras, que o Espírito Santo murmura no coração da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1 —Mas por onde começar? Sem dúvida pela lembrança da verdade primeira que diz respeito ao senhorio de Jesus Cristo sobre sua Igreja. Ele quis uma Igreja que tivesse à frente o bispo de Roma, que é seu vigário visível e, ao mesmo tempo, bispo dos bispos e de todo o rebanho. Conferiu-lhe a prerrogativa da pedra a fim de que o edifício não ruísse nunca. Pediu, em uma oração eficaz, que seu vigário, ao menos, entre todos os bispos, não naufragasse na fé de sorte que, tendo-se recuperado depois de quedas das quais não seria necessariamente preservado, confirmasse por fim seus irmãos na fé; ou então, se não for ele em pessoa que fortaleça seus irmãos na fé, que seja um de seus primeiros sucessores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal é sem dúvida o primeiro pensamento de conforto que o Espírito Santo sugere a nossos corações nestes dias desolados em que Roma está parcialmente invadida pelas trevas: não há Igreja sem vigário do Cristo infalível e detentor da primazia. Por outro lado, quaisquer que sejam as misérias, mesmo no domínio religioso, deste vigário visível e temporário de Jesus Cristo, é o próprio Jesus quem governa sua Igreja, que governa seu vigário no governo da Igreja; que governa seu vigário de tal maneira que este não possa comprometer sua autoridade suprema nas desordens ou cumplicidade que mudariam a religião. — Até aí se estende, em virtude da Paixão soberanamente eficaz, a força divina da regência do Cristo subido ao céu. Ele conduz sua Igreja tanto de dentro como de fora e domina sobre o mundo inimigo. Faz sentir seu poder a este mundo perverso, mesmo e sobretudo quando os operários da iniqüidade, como o modernismo, não somente penetram na Igreja, mas pretendem se fazer passar pela própria Igreja.</span><span id="more-17228"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pois a astúcia do modernismo se desdobra em dois tempos: primeiro promovendo a confusão entre as autoridades paralelas heréticas com a hierarquia regular, da qual puxa os fios; em seguida servindo-se de uma dita pastoral universalmente reformadora que cala ou que esquerdiza, por sistema, a verdade doutrinal; que recusa os sacramentos ou que torna seus ritos duvidosos. A grande habilidade do modernismo é utilizar esta pastoral do Inferno para, ao mesmo tempo, deturpar a doutrina santa confiada pelo Verbo de Deus à sua Igreja hierárquica, e depois alterar e mesmo anular os sinais sagrados portadores de graças, dos quais a Igreja é a dispensadora fiel.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Chefe da Igreja é sempre infalível, sempre sem pecado, sempre santo, ignorando qualquer intermitência e qualquer interrupção em sua obra de santificação. Este é o único Chefe, pois todos os outros, incluindo o mais elevado, só detêm a autoridade por ele e para ele. Ora este Chefe santo e sem mancha, absolutamente apartado dos pecadores, elevado acima dos céus, não é o papa, é aquele do qual nos fala magnificamente a Epístola aos Hebreus, é o Soberano Padre: Jesus Cristo.  Jesus nosso redentor pela cruz, antes de subir aos céus, de se tornar invisível a nossos olhos, quis estabelecer em sua Igreja, além e acima dos numerosos ministros particulares, um ministro universal único, um vigário visível, que é o único a exercer a jurisdição suprema. Ele o cumulou de prerrogativas: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão sobre ela”. (Mat. XVI, 18-19) — “Sim, Senhor, sabeis que vos amo. Jesus lhe diz: “Apascenta meus cordeiros&#8230; Apascenta minhas ovelhas”. (Jo., XXI, 16-18) Pedi por ti a fim de que não percas a fé, e tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos”. (Luc., XXII, 32).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, se o papa é o vigário visível de Jesus que subiu ao céu invisível, não é nada mais do que o vigário: “<em>vices gerens</em>” aquele que substitui, mas continua outro. Não é do papa que deriva a graça que faz viver o corpo místico. A graça, tanto para o papa como para nós, deriva do único Senhor Jesus Cristo. A mesma coisa quanto à luz da revelação. O papa detém, a título único, a guarda dos meios da graça, os sete sacramentos, como também a verdade revelada. É assistido de modo único, para ser o guardião e intendente fiel. Mas, para que sua autoridade receba uma assistência privilegiada, é preciso que ele não renuncie a exercê-la &#8230; Por outro lado, se o papa está preservado de falha quando empenha sua autoridade enquanto infalível, pode muito bem falhar em outros casos. Se o papa falha, bem entendido no que comporta sua falibilidade, isto não impede o chefe único da Igreja, o Soberano Padre invisível, de continuar a governar sua Igreja; isto não muda nem a eficácia de sua graça, nem a verdade de sua lei; isto não o tornará impotente para limitar as falhas de seu vigário visível nem para substituí-lo logo por um novo e digno papa, para reparar o que o predecessor deixou estragar ou destruiu, pois a duração da insuficiência e das fraquezas, e mesmo das traições parciais de um papa, não ultrapassam a duração de sua existência mortal. Desde que subiu ao céu, foi assim que Jesus escolheu e providenciou duzentos e sessenta e três papas. Na verdade, somente um pequeno número deles foram vigários de tal forma fiéis que os invocamos como amigos de Deus e santos intercessores. Um número ainda mais reduzido caiu em faltas muito graves. No entanto, a maioria dos vigários de Cristo foram apenas convenientes. Nenhum deles, continuando ainda papa, traiu e não poderá trair até a heresia, explicitamente ensinada com a plenitude de sua autoridade. Sendo esta a situação de cada papa e da sucessão de papas em relação ao Soberano Padre Jesus Cristo, em relação ao chefe da Igreja que reina no céu, é preciso que as fraquezas de um papa não nos façam esquecer, por pouco que seja, a solidez e a santidade do senhorio de nosso Salvador, impedindo-nos de ver o poder de Jesus e sua sabedoria a qual mantém nas suas mãos até os papas insuficientes, cujas insuficiências contém em limites que não se pode transpor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2 — Mas para ter esta confiança no chefe invisível e soberano da santa Igreja, sem obrigar-nos a negar as faltas graves das quais não está isento seu vigário visível, o bispo de Roma; para pôr em Jesus esta confiança realista que não esconde o mistério do sucessor de Pedro com seus privilégios; para que o desânimo que pode nos sobrevir, provocado pelo detentor do papado, seja absorvido pela esperança teologal que colocamos no Soberano Padre, é preciso, evidentemente, que nossa vida interior seja toda referida a Jesus Cristo e não ao papa; que nossa vida interior seja baseada não na hierarquia e no papa, mas no Pontífice divino, neste padre que é o Verbo encarnado Redentor, cujo vigário visível dele depende ainda mais do que os outros padres; com efeito, o papa é sustentado pela mão de Jesus Cristo mais do que os outros, em vista de uma função que não tem equivalente. Mais do que qualquer outro, a título superior e único, ele não poderá deixar de confirmar seus irmãos na fé, ele mesmo ou seu sucessor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja não é o corpo místico do papa; a Igreja, com o papa, é o corpo místico de Cristo. Quando a vida interior dos cristãos tem, cada vez mais, como ponto de referência Jesus Cristo, tais cristãos não ficam desesperados, mesmo que sofram até a agonia com as falhas de um papa, seja este Honório I ou os papas antagonistas do fim da Idade Média ou ainda, como extremo limite, um papa que fraqueje segundo as novas possibilidades de falhas oferecidas pelo modernismo. Para continuarem certo das prerrogativas papais, os cristãos não têm necessidade de mentir sobre as falhas de um papa, se tiverem em Jesus Cristo o princípio e a alma da vida interior. Sabem que estas falhas nunca atingirão a um tal grau que Jesus deixasse de governar sua Igreja por estar eficazmente impedido por seu vigário. Tal papa poderia se aproximar do ponto limite que implicaria  em mudar a religião cristã, por cegueira ou por espírito de quimera ou por uma ilusão mortal quanto a uma heresia como o modernismo. O papa que a isto chegasse não tiraria do Senhor Jesus sua regência infalível que tem na mão o próprio papa transviado, impedindo-o de comprometer na perversão da fé, a autoridade que recebeu do alto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma vida interior que tem como referencial Jesus Cristo e não o papa não poderia excluir o papa sem deixar de ser uma vida interior cristã. Uma vida interior que tem, como deve, sua referência no Senhor Jesus inclui o Vigário de Jesus Cristo e a obediência a esse Vigário, mas <strong>em primeiro lugar, servir a Deus</strong>: quer dizer que esta obediência, longe de ser incondicional, é sempre praticada na luz da fé teologal e da lei natural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vivemos por e para Jesus Cristo, graças a sua Igreja, que é governada pelo papa, a quem obedecemos em tudo o que é de sua competência. Não vivemos pelo e para o papa como se tivesse sido ele que nos adquiriu a redenção eterna; eis porque a obediência cristã não pode sempre e em tudo identificar o papa com Jesus Cristo. O que geralmente acontece é que o Vigário de Cristo costuma governar em conformidade com a tradição apostólica, o bastante para não provocar, na consciência dos fiéis dóceis, maiores conflitos. Mas algumas vezes pode ser de outro modo. Ainda que excepcionalmente, pode acontecer que o fiel tenha de se perguntar legitimamente: como guardarei a Tradição se seguir as diretivas deste papa?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vida interior de um filho da Igreja que ponha de lado os artigos de fé relativos ao papa, a obediência a suas ordens legítimas e a oração por ele, tal vida interior deixa de ser católica. Por outro lado, uma vida interior que inclui ser agradável ao papa incondicionalmente, quer dizer, às cegas, em tudo e por tudo, é uma vida interior que está necessariamente entregue ao respeito humano, que não é livre em relação à criatura, que se expõe a facilidades e cumplicidades. Na sua vida interior, o verdadeiro filho da Igreja, tendo recebido de todo coração os artigos de fé que se referem ao Vigário de Cristo, reza fielmente por ele e lhe obedece de bom grado, mas somente às claras, isto é, estando salva e intacta a tradição apostólica e, bem entendido, a lei natural. — É verdade que muitas vezes pregou-se um tipo de obediência em relação ao papa em que se visava mais o sucesso de movimentos de conjunto do que a fidelidade à luz da fé, ainda que tivesse havido resultados espetaculares. Sem dúvida não estava ausente de tal pregação o cuidado de guardar a tradição apostólica e a fidelidade a Jesus Cristo, mas mais importante, mais altivo, mais urgente, era, apesar de tudo, dar satisfação a um homem, atrair-lhe os favores; muitas vezes fazer carreira, preparar a cabeça para o chapéu cardinalício ou dar brilho a sua Ordem ou Congregação. Mas nem Deus nem o serviço do papa têm necessidade de nossa mentira: <em>Deus non eget nostro mendacio.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Lembremo-nos da grande prece do início do Cânon romano, este Cânon que Paulo VI não hesitou em aviltar, pondo-o no nível das preces polivalentes acomodadas às ceias calvinistas. (Equiparar deste modo o Cânon romano não tem o menor fundamento na tradição apostólica e se opõe de frente a esta tradição imprescritível). Assim o padre, no Cânon romano, depois de ter instantemente suplicado ao Pai clementíssimo por seu Filho Jesus Cristo, para santificar o sacrifício sem mancha oferecido unicamente <em>pro Ecclesia tua santa catholica&#8230;</em> continua assim: <em>una cum famulo tuo Papa nostro&#8230; et Antistite nostro&#8230;</em> A Igreja nunca pensou em dizer: <em>una cum SANCTO famulo tuo Papa nostro et SANCTO Antistite nostro,</em> mas diz: <em>pro Ecclesia tua SANCTA.</em> O papa, diferentemente da Igreja, não é obrigatoriamente santo. A Igreja é santa, com membros pecadores, que somos nós mesmos; membros pecadores que não tendem ou não tendem mais para a santidade. Pode muito bem acontecer que o próprio papa figure nesta triste categoria. Deus o sabe. Em todo o caso, já que a condição de chefe da Santa Igreja não é necessariamente a condição de um santo, não devemos nos escandalizar se sobrevierem provações, e às vezes provações muito cruéis para a Igreja, da parte de seu chefe visível. Não devemos nos escandalizar pelo fato de que, sujeitos embora ao papa, não possamos segui-lo às cegas, incondicionalmente, em tudo e por tudo. Na medida em que a nossa vida interior tiver como referência o chefe invisível da Igreja, o Senhor Jesus, soberano Padre; na medida em que nossa vida interior for alimentada com a tradição apostólica, com os dogmas, o missal e o ritual da tradição, com a tendência para o perfeito amor que é a alma desta tradição santíssima, nesta medida nós aceitaremos muito melhor ter de santificar-nos dentro de uma Igreja militante cujo chefe visível, se está preservado de errar segundo certos limites precisos, não está, no entanto, subtraído à condição comum de pecador.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3 — O Senhor governa de tal maneira sua Igreja pelo papa e a hierarquia, pela hierarquia submetida ao papa, que a Igreja é sempre protegida na tradição, conhecendo bem a tradição que é a sua, nunca inconsciente nem esquecediça. A Igreja é assistida de tal sorte sobre as verdades do catecismo, sobre a celebração do santo sacrifício e sobre os sacramentos, sobre a estrutura hierárquica fundamental, sobre os estados de vida e sobre o chamado ao perfeito amor, em suma, sobre todos os pontos maiores da tradição, que todo batizado, tendo a fé, seja bispo, papa ou simples fiel, sabe claramente onde se firmar. Assim, o simples cristão que se recusasse a seguir um padre, um bispo, uma colegialidade, ou mesmo um papa em algum ponto importante da tradição que estes arruinariam, este simples cristão que, nesse caso específico se recusasse a deixar-se levar e a obedecer, não estaria dando com isso, como alguns pretendem, sinais característicos de livre-exame ou orgulho de espírito; pois não é orgulho nem prova de insubmissão discernir a tradição que estes em seus pontos maiores, ou recusar a traí-la. Todo fiel sabe que é inadmissível que padres católicos celebrem a Missa manifestando falta de fé, como, por exemplo, sem marca alguma de adoração ou qualquer sinal de fé nos santos mistérios, ainda que a colegialidade de bispos ou o secretário de alguma congregação romana tenha feito manipulações para esse fim. Aquele que recusa ir a tal Missa, ou melhor, a tal culto que, na maior parte das vezes já deixou de ser Missa, não faz um livre-exame, não é um revoltado; é um fiel estabelecido em uma tradição que vem dos apóstolos e que ninguém na Igreja poderia mudar. Porque ninguém na Igreja, seja qual for a sua posição hierárquica, mesmo a mais alta, ninguém tem o poder de mudar a Igreja e a tradição apostólica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sei que muitas vezes, dá a impressão de ser farsante ou maníaco o padre que, não tendo adotado a reviravolta do missal e do ritual empreendida pelo atual pontífice romano (Paulo VI), ousa no entanto afirmar: estou com Roma, mantenho-me na tradição apostólica guardada por Roma. — Está com Roma, dizem-me alguns: ora veja! Mas qual é seu modo de batizar, de dizer a Missa? — O modo, digo-lhes, do próprio Paulo VI, até 1970; a maneira mais do que milenar sancionada pelo papas da Igreja Latina. Faço aquilo que eles fizeram unanimemente, quando mantenho os exorcismo do batismo solene; quando ofereço o santo sacrifício segundo um Ordo Missæ consagrado por quinze séculos e que nunca foi aceito pelos negadores do santo sacrifício. Se nós, enfim, ministros de Jesus Cristo que tratamos assim a Missa e os sacramentos, rompemos com Roma e com a tradição da qual Roma é a garantia, por que não fomos atingidos por sanções canônicas cujo cancelamento estivesse exclusivamente reservado ao vigário de Cristo? Escrevo isto porque é verdadeiro e porque espero confortar alguns fiéis que não chegam a compreender esta contradição evidente: estar com Roma seria adotar em matéria de fé ou de sacramento aquilo que destrói a tradição apostólica e aquilo em que ninguém pode precisar até que ponto o atual pontífice romano (Paulo VI) pretendeu comprometer sua autoridade? (Assim também, depois de 10 anos de Vaticano II, ninguém sabe até que ponto este concílio pastoral tem autoridade). Ainda uma vez a tradição apostólica é bem clara sobre todos os pontos principais. Não é preciso olhar por uma lupa nem ser cardeal ou prefeito de algum discatério romano para saber o que se lhe opõe. Basta ter aprendido o catecismo e a liturgia, anteriormente à corrupção modernista.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitas vezes, no que se refere a não romper com Roma, os fiéis e padres foram formados com um temor em parte mundano, de sorte que são tomados de pânico, vacilam em suas consciências e nada mais examinam assim que qualquer um acusa-os <strong>de não estar com Roma</strong>. Uma formação verdadeiramente cristã nos ensina, ao contrário, a preocuparmo-nos de estar com Roma não no pavor e sem discernimento, mas na luz e na paz, segundo um temor filial na fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4 — Que nos importa se os adversários zombam de nós, acusando-nos de não sabermos distinguir na tradição uma parte contingente e variável do que é essencial e irreformável? Suas zombarias só poderiam nos atingir se caíssemos no ridículo de darmos o mesmo valor a tudo o que pretenda fazer parte da tradição. Não é assim. Dizemos somente, e isto é a única coisa que nos importa, que, primeiramente, nos pontos principais da tradição, a Igreja é estável, certa, irreformável; depois, que todo cristão, ainda que só um pouco instruído em sua fé, conhece-os sem hesitar; terceiro, que é a fé, não o livre-exame, que nos permite discerni-los, assim como é a obediência, a piedade, o amor, não a insubordinação, que nos faz manter esta tradição; quarto, que as tentativas da hierarquia ou as fraquezas do papa que tenderam para destruir ou deixar destruir esta tradição, elas é que serão um dia destruídas, enquanto que a tradição triunfará. Estamos tranqüilos sobre este ponto: quaisquer que sejam as armas hipócritas postas pelo modernismo entre as mãos dos colegiados episcopais e do próprio vigário do Cristo, — armas do Inferno sobre as quais talvez se iludam — qualquer que seja a perfeição destas novas armas, a tradição (por exemplo, do batismo solene que inclui os anátemas contra o <em>Diabo maldito</em>) não ficará afastada por muito tempo; a tradição de não absolver em princípio os pecados senão depois da confissão individual não ficará abandonada por muito tempo; a tradição da Missa católica tradicional, latina gregoriana, com língua, cânon e conjunto de atitudes que sejam fiéis ao missal romano de São Pio V, esta tradição será, cedo, recolocada em posição de honra; a tradição do catecismo de Trento, ou de um manual que lhe seja exatamente conforme, ressurgirá sem tardar. Sobre os pontos principais do dogma, da moral, dos sacramentos, dos estados de vida, da perfeição a que somos chamados, a tradição da Igreja é conhecida por seus membros de todos os níveis. Aí se manterão eles (com a consciência tranqüila) mesmo se os guardiães hierárquicos desta tradição pretenderem intimidá-los ou lançá-los na dúvida; mesmo se os perseguirem com os ácidos refinamentos dos carrascos modernistas. Estão seguríssimos de que, mantendo a tradição, não cortam com o vigário visível de Cristo. Porque o vigário visível de Cristo é governado pelo Cristo de tal maneira que não possa transmutar a tradição da Igreja, nem fazê-la esquecer. Se por infelicidade tentar o contrário, ele mesmo ou seus sucessores imediatos serão obrigados a proclamar, alto e bom som, o que permanece para sempre vivo na memória da Igreja: a tradição apostólica. A Esposa de Cristo não corre o risco de perder a memória.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto aos que dizem, a esse respeito, que tradição é sinônimo de esclerose, ou que o progresso se faz em oposição à tradição, em resumo, todos os que levam ao delírio, as miragens de uma absurda filosofia da evolução, recomendo-lhes ler São Vicente de Lerins no seu <em>Commonitorium</em> e estudar um pouco mais a história da Igreja: dogmas, sacramentos, estruturas fundamentais, vida espiritual, para entrever a diferença essencial que existe entre: “seguir em frente” e “andar enviezado”, ter “idéias avançadas” ou “avançar segundo idéias justas”; resumindo: distinguir entre profectus e permutatio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5 — Mais do que em tempo de paz, tornou-se útil e salutar meditar com espírito de fé sobre as provações da Igreja. Seríamos talvez tentados a reduzir estas provações às perseguições e ataques vindo do exterior. Ora, os inimigos do interior são geralmente mais temíveis; conhecem melhor os pontos vulneráveis, podem ferir ou envenenar quando menos se espera, o escândalo que provocam é bem mais difícil de vencer. Assim, em uma paróquia, um educador anti-religioso, por mais que faça, não conseguirá estragar o povo fiel tão profundamente quanto um padre gozador e modernista. Assim como um simples padre que deixa a batina, ainda que com escândalo, não terá conseqüências tão funestas quanto a incúria ou a traição de um bispo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De qualquer maneira, é certo que se um bispo trai a fé católica, mesmo sem deixar a batina, impõe à Igreja uma provação muito mais acabrunhadora do que um padre que toma uma mulher e que deixa de oferecer a santa Missa. — Depois disto, é preciso explicar que espécie de provação pode sofrer a Igreja de Jesus Cristo por obra do próprio papa, pelo vigário de Cristo em pessoa? A simples formulação desta pergunta, muitos escondem o rosto e não estão longe de gritar que é blasfêmia. Este pensamento os tortura. Recusam-se a olhar de frente uma provação de tal gravidade. Compreendo seus sentimentos. Não ignoro que uma espécie de vertigem se apodera da alma quanto esta é posta diante de certas iniqüidades. <em>Sinite usque huc</em> (Luc. XX, 51) dizia Jesus agonizante aos três Apóstolos, quando avançava a soldadesca do grande sacerdote aos que vinha para prender Jesus, arrastá-lo ao tribunal e à morte. Ele que é o Padre soberano e eterno<strong>. </strong><em>Sinite usque huc</em>; é como se o Senhor dissesse: o escândalo pode atingir até aqui; mas deixai; e segundo minha recomendação: VIGIAI E ORAI POIS O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO MAS A CARNE É FRACA. <em>Sinite usque huc</em>: pelo consentimento em beber do cálice Eu vos mereci todas as graças, enquanto vós dormíeis e me deixastes só; obtive particularmente uma graça de força sobrenatural na medida de todas as provas; na medida até mesmo da provação que pode sobrevir à santa Igreja por obra do papa. Tornei-vos capazes de escapar a esta própria vertigem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A respeito desta provação extraordinária há o que diz a História de Igreja e o que não diz a revelação sobre a Igreja. Pois a revelação sobre a Igreja não diz em parte alguma que os papas não pecarão nunca por negligência, covardia, espírito mundano na guarda e na defesa da tradição apostólica. Sabemos que não pecarão nunca fazendo crer diretamente em uma outra religião: este é o pecado que estão preservados pela natureza de seu cargo. E quando empenham sua autoridade dotada de infalibilidade é o próprio Cristo que nos falará e nos instruirá: este é o privilégio de que são revestidos no momento em que se tornam sucessores de Pedro. Mas se a revelação nos afirma estas prerrogativas do papado não diz em parte alguma que, quando o papa exerce sua autoridade num nível abaixo daquele em que é infalível, ele não poderá fazer o jogo de Satã e favorecer até certo ponto a heresia; também, não está escrito nas Santas Cartas que além de não poder ensinar formalmente uma outra religião, o papa nunca poderá deixar sabotar as condições indispensáveis à defesa da verdadeira religião. Uma tal defecção chega a ser consideravelmente favorecida pelo modernismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, a revelação sobre o papa não assegura em parte alguma que o vigário de Cristo não infligirá nunca à Igreja a provação de certos escândalos graves; falo de escândalos graves não só na ordem dos costumes privados, mas também na ordem propriamente religiosa e, se se pode assim dizer, na ordem eclesial da fé e dos costumes. De fato, a história da Igreja nos relata que este gênero de provação vinda por obra do papa não faltou à Igreja, ainda que tenha sido rara e nunca tenha se prolongado em estado agudo. O contrário é que seria surpreendente, quando se constata o pequeno número de papas canonizados depois de Gregório VII, o pequeno número de vigários de Cristo que são invocados e venerados como amigos de Deus, santos de Deus. E o mais surpreendente é que papas que suportaram tormentos cruéis, por exemplo um Pio VI ou um Pio VII, não tenham sido tidos como santos nem pela <em>Vox Ecclesiæ</em> nem pela <em>Vox populi</em>. Se esses pontífices, apesar de terem sofrido duramente por serem papas, não suportaram o sofrimento com tal grau de amor que fossem por isso santos canonizados, como se espantar que outros papas, que consideram seu cargo de um modo mundano, cometam faltas graves, ou imponham à Igreja de Cristo provações particulares temíveis e dilacerantes? Quando se está reduzido ao extremo de ter tais papas, os fiéis, os padres, os bispos que querem viver da Igreja têm o grande cuidado de não somente rezar pelo Pontífice supremo, que é então motivo de grande aflição para a Igreja, mas se apegam, mais do que nunca à tradição apostólica: a tradição dos dogmas, do missal e do ritual; à tradição do progresso interior e ao chamado de todos ao perfeito amor no Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É aqui que a missão daquele irmão pregador que, entre todos os santos é o que mais diretamente trabalhou para o papado, é aqui que a missão do filho de São Domingos, Vicente Ferrer, é particularmente esclarecedora. Anjo do julgamento, legado <em>a latere Crhisti</em>, fazendo depor um papa depois de ter tido a seu respeito uma infinita paciência, Vicente Ferrer é também, e ao mesmo tempo, o missionário intrépido e cheio de benignidade, transbordante de prodígios e milagres, que anuncia o Evangelho à multidão imensa do povo cristão. Ele traz em seu coração de apóstolo não apenas o pontífice supremo, tão enigmático, tão obstinado, tão duro, mas ainda todo o conjunto do rebanho de Cristo, a multidão dos homens do povo desamparados, a <em>turba magna ex ominibus tribubus et populis et linguis</em>. Vicente compreendeu que o autêntico serviço da Igreja estava longe de ser o cuidado maior do vigário de Cristo; o papa punha em primeiro lugar a satisfação de sua obscura vontade de poder. Mas se, ao menos entre os fiéis, o senso da vida dentro da Igreja podia ser despertado, o cuidado de viver em conformidade com os dogmas e os sacramentos recebidos da tradição apostólica; se um sopro puro e veemente de conversão de oração se desencadeassem enfim sobre a cristandade lânguida e desolada, então, sem dúvida, poderia aparecer um vigário de Cristo que fosse verdadeiramente humilde, tivesse uma consciência cristã de seu cargo supereminente, se preocupasse em exercê-lo o melhor possível, no espírito do Soberano padre. Se o povo cristão reencontrasse uma vida de acordo com a tradição apostólica, então se tornaria impossível ao vigário de Jesus Cristo, quando se tratasse de manter e defender esta tradição, cair em certos desvios por demais profundos, deixar-se envolver em certas cumplicidades com a mentira. Tornar-se-ia necessário que um bom papa ou talvez um papa santo sucedesse sem tardar ao mau papa ou ao papa transviado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas muitos fiéis padres, bispos gostariam que em dias de grande infelicidade, quando a provação chega à Igreja da parte de seu papa, as coisas se ponham em ordem sem que eles tenham de fazer nada ou quase nada. No máximo, aceitam murmurar algumas orações. Hesitam mesmo diante do rosário cotidiano: cinco dezenas cada dia, oferecidas a Nossa Senhora, em honra da vida oculta, da Paixão e da glória de Jesus. Têm muito pouca vontade de se aprofundar na fidelidade à tradição apostólica no que diz respeito aos dogmas, ao missal e ritual, à vida interior (o progresso da vida interior faz, evidentemente, parte da tradição apostólica). Tendo, como fiéis, consentido em ser tíbios, escandalizam-se, no entanto, com que o papa, como papa, não seja, ele tampouco, fervorosíssimo quando se trata de guardar para a Igreja toda a tradição apostólica, quer dizer, cumprir fielmente a missão única que lhe foi confiada. Esta visão das coisas não é justa. Quanto mais necessidade temos de um santo papa, mais devemos começar por colocar nossa vida, com a graça de Deus e guardando a tradição, nas pegadas dos santos. Então o Senhor Jesus acabará por conceder ao rebanho o pastor visível que o rebanho se esforçou por merecer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À insuficiência e defecção do chefe não acrescentemos nossa negligência particular. Que a tradição apostólica esteja ao menos viva no coração dos fiéis mesmo se, no momento, ela é fraca no coração e nas decisões daquele que é responsável pela Igreja. Então, certamente, o Senhor usará de misericórdia para conosco.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ainda mais, é preciso para isto que nossa vida interior se refira não ao papa, mas a Jesus Cristo. Nossa vida interior, que inclui evidentemente, as verdades da revelação a respeito do papa, deve se referir puramente ao Soberano Padre, a nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, para sobrepujar os escândalos que sobrevêm à Igreja pelo Papa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal é a lição imortal de São Vicente Ferrer nos tempos apocalípticos de uma das maiores falências do pontífice romano. Mas, com o modernismo, estamos conhecendo provações mais terríveis. Razão a mais imperiosa para vivermos puramente, e em todos os pontos, a tradição apostólica; — em todos os pontos, compreendendo esse ponto capital de que, praticamente, nunca mais se falou depois da morte do padre dominicano Garrigou-Lagrange: a tendência efetiva para a perfeição do amor. E no entanto, na doutrina moral<strong> </strong>revelada pelo Senhor e transmitida pelo apóstolos, está dito que devemos tender para o amor perfeito, já que a lei do crescimento em Cristo é a própria lei da graça e da caridade que nos unem ao Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6 — Devemos ainda considerar a transcendência e obscuridade do dogma relativo ao papa: o dogma de um pontífice que é vigário universal de Jesus Cristo e que, no entanto, não está ao abrigo de falhas, até mesmo graves, que podem ser muito perigosas para os súditos. Ora, o dogma do pontífice romano não é , em si mesmo, senão um aspecto do mistério mais fundamental, o da Igreja. Sabemos que duas grandes proposições nos introduzem neste mistério: primeiramente, a Igreja, recrutada entre pecadores, o que somos todos, é no entanto dispensadora infalível da luz e da graça, porque, infalivelmente, do alto dos céus, seu chefe e salvador a anima, a sustenta e a governa; enquanto que, sobre a terra, Ele oferece por ela, seu sacrifício e a alimenta de Sua própria substância. Em seguida, a Igreja, Esposa santa do Senhor Jesus, deve ter parte na cruz, incluindo a cruz da traição pelos seus; — ela não deixa por isso, de ser assistida fortemente em sua estrutura hierárquica, a começar pelo papa, e de ser ardente de caridade; em resumo, permanece em todo tempo bastante pura e santa para ser capaz de participar das provações de seu Esposo, incluindo a traição de certos hierarcas, conservando intacta seu senhorio interior e sua força sobrenatural. A Igreja não será nunca entregue à vertigem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se, em nossa vida interior, a verdade cristã a respeito do papa está situada como deve no interior da verdade cristã a respeito da Igreja, venceremos na luz o escândalo da mentira que pode sobrevir à Igreja pelo vigário de Cristo ou pelos sucessores dos apóstolos. Ao menos quanto aos bispos, santa Joana d’Arc é, nisso, um modelo incomparável. Por nossa vez, e segundo nossa fraca medida, tentaremos ser fiéis àquilo que foi uma das graças particulares de santa Joana d’Arc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">7 — Quando pensamos no atual papa (Paulo VI), no modernismo instalado na Igreja, na tradição apostólica, na perseverança nesta tradição, somos cada vez mais reduzidos a só podermos considerar estas questões na oração, implorando instantemente pela Igreja inteira e por aquele que, em nossos dias, conserva nas mãos as chaves do reino dos céus. Ele as conserva em suas mãos, mas delas não faz uso, por assim dizer. Deixa abertas as portas do aprisco que dão para o caminho por onde se aproximam os malfeitores; não fecha as portas protetoras que os seus predecessores tinham mantido invariavelmente trancadas, com fechaduras inquebráveis e cadeados infranqueáveis; algumas vezes até parece abrir o que será para sempre conservado fechado e este é o equívoco do ecumenismo pós-conciliar. Eis-nos reduzidos à necessidade de só pensar na Igreja rezando por ela e pelo papa. É uma bênção. No entanto, pensar na nossa Mãe, pensar na Esposa de Cristo nestas condições de grande piedade, não diminui em nada a resolução de ver claro. Ao menos que esta lucidez indispensável, esta lucidez sem a qual afrouxará toda força, seja penetrada de tanta humildade e doçura que façamos violência ao Soberano Padre para que Ele se apresse em nos socorrer<strong>. </strong><em>Deus in adjutorium meum intende, Domine ad adjuvandum me festina</em>. Pedimos-lhe encarregar sua santíssima Mãe, Maria Imaculada, de nos trazer, o mais cedo possível, o remédio eficaz. </span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Tradução de “Itinérarires”, n° 206 de Júlio Fleichman.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.capela.org.br/Tradicao/calmel.htm">Revista Permanência  N° 140-141, Julho-Agosto de 1980</a></span>.</span></strong></p>
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		<title>DECLARAÇÃO PÚBLICA DO PE. CALMEL SOBRE SUA ESCOLHA DE RECUSAR O NOVUS ORDO DE PAULO VI E DE SE ATER À MISSA DE SEMPRE.</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Sep 2021 12:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Ecclesia Dei]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[Perante a vergonhosa e já esperada Capitulação conjunta  Declaração conjunta &#8211; dos Institutos Eccleia Dei, que até ontem eram vendidos, por muitos, como defensores da Tradição, republicamos a Carta do Pe. Calmel, escrita em 1970, antes mesmo da fundação da FSSPX, proclamando publicamente sua &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/declaracao-publica-do-pe-calmel-sobre-sua-escolha-de-recusar-o-novus-ordo-de-paulo-vi-e-de-se-ater-a-missa-de-sempre/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Perante a <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://rorate-caeli.blogspot.com/2021/09/communique-of-superiors-general-of.html">vergonhosa e já esperada <del>Capitulação conjunta</del>  Declaração conjunta</a> &#8211; <span style="color: #000000;">dos <em>Institutos Eccleia Dei, </em></span></span>que até ontem eram vendidos, por muitos, como defensores da Tradição, republicamos a Carta do Pe. Calmel, escrita em 1970, antes mesmo da fundação da FSSPX, <span style="color: #000000;"><em>proclamando publicamente sua escolha de recusar o novus ordo de Paulo VI e de se ater à M</em></span><span style="color: #000000;"><em>issa de sempre.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;">Adicionamos aqui também outros 3 textos relacionados ao assunto, mostrando a verdadeira face de tudo isso.</p>
<ul>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/e-a-mesma-missa-tridentina-sim-mas-nao-o-mesmo-combate/">É A MESMA MISSA TRIDENTINA? SIM, MAS NÃO O MESMO COMBATE</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/catecismo-das-verdades-oportunas-os-rallies-vistos-por-mons-lefebvre/">CATECISMO DAS VERDADES OPORTUNAS: OS “RALLIÉS” (VISTOS POR MONS. LEFEBVRE)</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/as-diferentes-posicoes-do-catolicos-no-pos-concilio/">AS DIFERENTES POSIÇÕES DOS CATÓLICOS NO PÓS-CONCÍLIO</a></strong></span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2021/03/Pere-Roger-Thomas-Calmel-255x300.jpg" alt="Père Roger-Thomas Calmel • La Porte Latine" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/documents/crise-eglise/nouvelle-messe/je-men-tiens-a-la-messe-traditionnelle">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">A MISSA TRADICIONAL</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu me atenho à MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por quê? Porque, na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa atual, e que se reveste, por um momento, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">UMA REFORMA REVOLUCIONÁRIA</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se aceitarmos este rito novo, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (como de fato o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e, portanto, nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?</span><span id="more-25082"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Perguntar-me-iam: ao manter, contra tudo e contra todos, a Missa de sempre, o senhor refletiu a que está se expondo? Certamente. Estou me expondo, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de sacerdote. Exponho-me a tranquilizar os fiéis desamparados, tentados pelo cepticismo ou pelo desespero. De fato, todo padre que se conserve no rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-reforma, permite que fiéis participem do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comunguem, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Por outro lado, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, de sua parte, para instaurar progressivamente urna Missa enganosa, onde a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio. Por isso mesmo o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus. Finalmente, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes.</span><!--more--></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não consentir em colaborar para a instauração revolucionária de uma missa equívoca, orientada para a destruição da Missa, será entregar-se a certas desventuras temporais, e certas desgraças neste mundo? O Senhor o sabe, e Sua graça basta. Na verdade, a graça do Coração de Jesus, que chega até nós pelo Santo Sacrifício e pelos Sacramentos, sempre é suficiente. É por isso que Nosso Senhor nos diz tão tranquilamente: “<em>Aquele que perder a sua vida neste mundo por minha causa, salva-la-á na vida eterna”.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">EU RECONHEÇO A AUTORIDADE DO SANTO PADRE</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Reconheço, sem nenhuma hesitação, a autoridade do Santo Padre. Entretanto, afirmo que qualquer Papa, no exercício de sua autoridade, pode cometer abusos de autoridade. Sustento que Paulo VI comete um abuso de autoridade excepcionalmente grave quando constrói um rito novo da Missa baseado numa definição de Missa que deixou de ser católica. “<em>A Missa</em>”, escreve ele em seu Ordo Missae, “<em>é a reunião do povo de Deus, presidida por um sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor”</em>. Esta definição insidiosa omite propositadamente aquilo que faz católica a Missa católica, sempre irredutível à ceia protestante. Pois a Missa católica não é um memorial qualquer. O memorial é de tal natureza, que contém realmente o Sacrifício da Cruz, porque o Corpo e o Sangue de Cristo se fazem realmente presentes pela virtude da dupla consagração. Isto aparece, inequivocamente, no rito codificado por São Pio V; mas aparece flutuante e equívoco no rito fabricado por Paulo VI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Da mesma maneira, na Missa católica o padre não exerce nenhum tipo de presidência; marcado com um caráter divino que o distingue por toda a eternidade, ele é o ministro de Cristo que, por si mesmo, realiza a Missa; é inadmissível que o padre seja assemelhado a um pastor qualquer, um delegado dos fiéis para liderar sua assembleia. Isto é perfeitamente evidente no rito da Missa ordenado por São Pio V mas torna-se dissimulado, se não escamoteado, no novo rito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, não só a simples honestidade &#8211; mas infinitamente mais: a honra sacerdotal, exigem que eu não tenha a impudência de traficar a Missa católica, recebida no dia de minha ordenação. Como se trata de uma questão de lealdade e principalmente  matéria de gravidade divina, não há autoridade no mundo, ainda que seja a autoridade pontifícia, que possa me impedir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outrossim, a primeira prova de fidelidade e de amor que o padre deve dar a Deus e aos homens é manter intacto o depósito infinitamente precioso que lhe foi confiado quando o bispo lhe impôs as mãos. É, primeiramente, sobre esta prova de fidelidade e de amor que serei julgado pelo Supremo Juiz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Espero, com toda a confiança, da Virgem Maria, Mãe do Sumo Sacerdote, que me conceda permanecer fiel até à morte à Missa católica, verdadeira e inequívoca.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tuus sum ego, salvum me fac.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Revista <em>Itinéraires,</em> n° 139, janeiro de 1970</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/50-anos-da-declaracao-do-pe-calmel/">Publicado originalmente em 2019</a></strong></span></p>
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		<title>MARIA, A NOVA EVA</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Feb 2021 14:40:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. Calmel, O.P. Dizemos tudo o que é preciso, ao menos em substância, em relação a Nossa Senhora, quando pronunciamos as duas primeiras invocações da Ladainha: Santa Mãe de Deus, Santa Virgem das Virgens. As palavras Mãe de Deus designam a dignidade &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/maria-a-nova-eva/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignright" src="https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcS-IqesQdYLrVxNLY0SiSblmUs1KjxxvFKU_cCSTqCWMbGGNStd" alt="Resultado de imagem para virgem santÃ­ssima" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/449?__cf_chl_jschl_tk__=eada8b9aca51e8c49229f3044f2c541854af0c77-1613226600-0-AUPOpILjj_pBdgF3qda35vXvJZoQTqOPuGbIUS59Ws5U7y5NAE_PCZrkU5iubNZ6RH4pec8ruQPWQ9x213y0cXCEBhqQhYMz55bIrc1xlm0ahe54t8Qb7SvnUO923zhIlsTIZhK9IB8vYjQDWDKtUm4mg4to3G4XcCsDX7mJUSvMqbhozNkwHvvMOdRXjMF0K-FT9Vt9PptjmhQtcZFCGqRb_Yy3-LzdRP_2fgV3SA-X9Ui0igfSjEgrhNKlPmkfYZKjBkv_JVbr-sL9ajX6m-UIVv1haT6FE9zunDomIbkg4be853pvCR57r2hCUakOpVCSrSqtMJWbd7PU1iiWqjE">Pe. Calmel, O.P.</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dizemos tudo o que é preciso, ao menos em substância, em relação a Nossa Senhora, quando pronunciamos as duas primeiras invocações da Ladainha: Santa Mãe de Deus, Santa Virgem das Virgens. As palavras <em>Mãe de Deus</em> designam a dignidade única da maternidade divina que situa Nossa Senhora imediatamente depois do Verbo encarnado, seu próprio Filho, acima portanto, de todos os bem-aventurados e de todos os anjos. A precisão <em>Santa</em>, posta antes de Mãe de Deus, nos adverte que Maria foi dignamente preparada para sua missão por uma plenitude de graças e de santidade; que ela preencheu dignamente esta missão com toda consciência e caridade e que fez sua vontade de redenção que lhe manifestara seu Filho desde a visita do arcanjo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Justamente porque o vocábulo Santa Mãe de Deus vai ao fundo do mistério de Maria, as definições da Igreja a respeito de Nossa Senhora começaram por aí. O Concílio de Éfeso em 431, sob o impulso de São Cirilo, o ilustre patriarca de Alexandria, proclama que Maria é <em>aghia theotocos, sancta Dei genitrix</em>, santa Mãe de Deus; e até o fim do mundo, a segunda parte da Ave-Maria faz eco à definição do terceiro concílio ecumênico: <em>Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós</em>. Este eco não cessará com a consumação dos séculos; ele se repetirá por toda a eternidade, e ressoará para sempre através da multidão sem números de anjos e santos; mas então <em>rogai por nós</em> não terá mais a significação de súplica pois Deus estará todo em nós: traduzirá somente nossa exultação, nosso reconhecimento no tremor sagrado de termos sido salvos e beatificados apesar de nossa capacidade radical de danação: salvos pela Paixão de Cristo e a compaixão de Maria. <em>Ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim o título de Santa Mãe de Deus contém de alguma maneira tudo o que cremos sobre Maria; evoca convenientemente todas as riquezas que nela estão. No entanto, a fim de ser mais explícita, a Ladainha acrescenta um segundo título: <em>Santa Virgem das Virgens.</em> Por essa invocação compreendemos melhor a que profundidade e de que maneira a Mãe de Deus é santa. Ela é santa estando toda reservada, toda consagrada a seu Filho para a obra da Encarnação redentora. A reserva de Maria para o Cristo e a maternidade divina é de tal natureza que não somente em sua alma mas também em seu corpo, ela só poderia pertencer a Deus. Na verdade, qualquer homem bem nascido e que não tenha sentimentos baixos ou indignos, a respeito de Deus Santíssimo, não poderia imaginar senão que a Mãe de Deus lhe fosse exclusivamente reservada e consagrada. Virgem antes do parto, Virgem durante o parto, Virgem depois do parto: estas três afirmações do dogma cristão são de soberana conveniência. Para imaginar que não fosse assim era preciso ter de Deus e dos atributos divinos um sentimento bastante vulgar; no fundo seria preciso não ter o senso de Deus, não saber que os procedimentos divinos são todos de honra, de dignidade, de respeito por sua criatura. A dignidade da mãe de Deus exige que ela seja sempre virgem, e não só sempre virgem mas nunca tocada pela sombra do mal a começar pela mal hereditário do pecado original [1].</span><span id="more-17226"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim porque a Mãe de Deus não pode ter outra missão e santidade do que ser Mãe de Deus; porque ela realiza uma tal missão e possui uma tal santidade em toda plenitude, por estas razoes a Mãe de Deus é a Virgem por excelência. Ela está associada a seu Filho e à obra de seu Filho mais do que os doze apóstolos e os maiores santos. Está associada como aquela por quem se realiza os mistérios da Encarnação redentora. Está associada como a que foi capaz de dizer o “Fiat” à vontade do Verbo de Deus de se fazer homem para salvar os homens; para reinar sem fim (e pela cruz) na casa de Jacob. Evidentemente Nossa Senhora é a única criatura cuja associação ao mistério do Filho de Deus encarnado, redentor, atinge esta profundidade e intimidade. E não seria associada a tal ponto se não estivesse totalmente reservada em seu próprio corpo imaculado. Assim dizer Virgem das Virgens que dizer a mesma coisa que plenamente associada.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>* * *</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A partir daí podemos entrever a utilidade do vocábulo tradicional nova Eva. Foi empregado pelo filósofo São Justino desde o século primeiro; o bispo de Lyon, Santo Irineu [2]por volta do ano 180 explicou-o longamente; mais tarde o povo cristão cantou o <em>Ave Maris Stella</em>.</span></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #000000;">Sumens illud Ave</span></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #000000;">Gabrilis ore</span></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #000000;">Funda nos in pace</span></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #000000;">Mutans Evae nomen  </span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os antigos notaram que a saudação de Gabriel, Ave, era o contrário de Eva, nome latino da esposa perfeita que Deus criou para Adão e que devia prevaricar com ele; aquela é nossa primeira mãe, mãe do gênero humano; aquela que nos transmitiu uma vida decaída, ferida, impura em sua fonte.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>« Et moi je vous salue, ô premiêre mortelle&#8230;</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Vous en avez tant mis dans d’augustes linceuls</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Pliés sur vos genoux comme des nourissons.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>On vous en a tant pris de ces pauvres garçons</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Qui marchaient à la mort téméraires et seuls&#8230;</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Des ces enfants tombés comme des hecatombes,</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Offerts a quelque Dieu qui n’est pas le vrai Dieu</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Frappés sur quelque autel qui n’est pas holocauste,</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Perdus dans la bataille ou dans quelque avant-poste,</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>Tombés dans quelque lieu qui n’est pas le vrai Lieu [3] ».</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dilacerante lamentação. Mas sabemos, e Péguy sabia como nós, e o cantou em Nossa Senhora de Chartres, que fomos levantados da primeira queda (não sem lutas e sacrifícios, mas verdadeiramente levantados); sabemos que a falta de Eva foi lavada ; na mesma noite do primeiro pecado, Adão e Eva souberam pela boca do Pai que seriam perdoados, eles e sua descendência e que uma filha de sua raça esmagaria a cabeça da serpente. Foi assim que Deus consolou nossa mãe quebrada e destronada, antes mesmo que deixasse o Paraíso de deleitosas árvores. Desde aquele momento, Eva teve a certeza de que o desastre seria reparado, que por uma de suas filhas, num século longíquo ela se tornaria vitoriosa. O nome Eva seria restaurado por Maria. <em>Mutans Evae nomen.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isto quer dizer que Maria é nossa mãe, mãe de todos os homens, pela regeneração sobrenatural como Eva é a mãe de todos os homens pela geração segundo a carne, o pecado e a morte. Isto quer dizer que na economia da graça e da salvação, a criatura feminina leva precisamente aquilo que tem de mulher, assim como no destino do pecado e da morte a criatura feminina representou um papel particular. Naturalmente Jesus Cristo é o único autor e realizador de nossa salvação. Fora do nome de Jesus não há outro que seja dado aos homens para que sejam salvos. Somente Ele tem poder sobre toda carne, somente Ele age no íntimo de toda liberdade para convertê-la e sem diminuir esse poder, longe de apagar a cooperação humana, Ele a provoca e solicita. Este é um aspecto essencial da conduta de Deus. Longe de dispensar a criatura de agir, Deus lhe comunica a dignidade da causalidade, de modo que, na dependência de Deus, ela dá tudo o que é capaz, até o extremo de seus recursos. Então, ainda que baste Jesus para a redenção do gênero humano e que somente Ele baste, longe de suprimir a cooperação de Maria, a suscita e a sustenta. Esta cooperação de Nossa Senhora, longe de fazer sombra às riquezas da salvação que estão no Cristo, é a mais bela manifestação, o mais magnífico efeito delas. Longe de retirar qualquer coisa das prerrogativas da redenção que são unicamente de Jesus Cristo, a cooperação de Nossa Senhora as faz resplandecer com um brilho novo, tão doce e atraente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, Nossa Senhora só coopera na Encarnação redentora porque este poder lhe foi dado pelo próprio Jesus Cristo. Ela canta no Magnificat: “Meu espírito exulta de alegria em Deus meu salvador. Porque olhou para a humildade de sua serva”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus a olhou não para apagar seu pecado, porém, maravilha infinitamente mais espantosa, para a preservar de todo pecado; olhou-a para avisá-la de sua intenção de salvação no momento em que se tornava seu Filho: olhou-a para nela fazer germinar um amor sem limite de mãe imaculada e de mulher abençoada por essa humanidade perdida da qual Ele se tornava o Salvador. – Em sua misericórdia, ele fez, primeiro, que eu, a pequena serva de meu Deus, me tornasse sua mãe sempre virgem; depois, que os pecadores que crêem nele tornem-se sua Igreja e vivam da vida divina graças à minha união com Ele. Cascatas de maravilhas. Degraus de misericórdia. E a mais alta destas misericórdias é ter feito de mim sua mãe, pedindo ao mesmo tempo minha união para a vida da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem dúvida, Maria, em sua relação com o Cristo, não é o mesmo que Eva em relação a Adão; Maria, ao contrário de Eva, se acha em total dependência de Cristo; todo seu poder de santidade vem de Cristo. Neste sentido, não se pode falar em paralelismo da primeira e da nova Eva. No entretanto é verdade que Maria é a nova Eva junto ao novo Adão porque, indissoluvelmente e para sempre, lhe está associada na redenção de todos os homens; porque, de fato, não há redenção sem uma tal união da Santa Virgem, porque a dependência total na qual se encontra Maria em relação a seu Filho, longe de afastar sua intervenção não cessa de requerê-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Unicamente no caso do Filho de Deus ter nascido de sua mãe sem requerer dela união e cooperação com sua obra de vida é que sua mãe não seria a nova Eva mas esta hipótese, tão contrária aos procedimentos divinos, que estimulam a ação da criatura em vez de negligenciá-la, é igualmente contrária à realidade, ao decorrer histórico do mistério. Desde o momento em que o Verbo se fez carne, com efeito, vemo-lo pedir o consentimento de Maria, não apenas para encanar-se em seu seio, mas fazê-lo com um fim muito preciso: ser, para toda a humanidade, <em>Jesus</em>, que quer dizer <em>Salvador</em>. E o <em>Fiat</em> de Maria vale para a Encarnação do Verbo, mas também para o conjunto do mistério redentor. Por este Fiat ela coopera na nossa regeneração sobrenatural com o coração e o amor de uma mãe, com a ternura e a força de uma mulher, abençoada entre todas. No entanto Jesus devia realizar nossa salvação por um excesso de amor e graça no sacrifício do Calvário. Assim como, para se encarnar em vista de nossa libertação ele quis o Fiat de sua mãe, assim, também, para consumar nossa libertação pela cruz, quis o <em>Stabat</em> de sua mãe. Por este <em>Stabat,</em> pela compaixão sem limite de seu coração doloroso e imaculado, Maria acaba sua cooperação para a nossa redenção com todo seu amor de mãe. Daí por diante, na redenção dos homens, haverá por toda a eternidade esta associação, com Nossa Senhora. Verdadeiramente a nova Eva.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>* * *</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Perguntam-me o que isto pode mudar ou acrescentar à vida da Igreja, a vida espiritual de cada um de nós. Ora, daí tiramos que nossa vida espiritual, nossa vida segundo a graça será e não pode deixar de ser dependente, em sua própria fonte, desta intervenção maternal; que temos de ter a oração da <em>mulher bendita entre todas</em> na origem de nossa conversão, de nosso crescimento no Cristo e nossa transformação no Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já imaginaram de que maneira a Santa Virgem entrou nos sentimentos do Salvador desde o instante da Encarnação até o sacrifício da cruz? Por pouco que se reze a Nossa Senhora ou se recite seu Rosário, adivinha-se que ela participava dos sentimentos do Salvador de maneira diferente da dos apóstolos com a qualidade de inteligência e de amor, a finura de sensibilidade espiritual, o sofrimento e a paz no sofrimento, absolutamente reservados à Virgem das Virgens, à Santa Mãe de Deus. Estas são realidades interiores, mais fáceis de pressentir do que de explicar com razoes demonstrativas. É inadequado formular em linguagem de prosador a tonalidade particular que a mulher introduziu na ordem do coração e da inteligência. E quando se fala de pureza, de reserva, de totalidade no dom de si mesmo, de sentimento sagrado de dependência, de imensa compaixão, quando de tudo isto se tiver falado, estaremos ainda a sugerir de longe a complementaridade da mulher em relação ao homem no domínio espiritual.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em todo caso, por mais inadequado que seja defini-lo, o espiritual feminino se acha em Nossa Senhora sob sua forma mais bela e mais sublime. E todas as nuances da caridade que marcaram a união de Maria e Jesus durante a vida terrestre esplendem em sua intercessão celeste. Desde então Maria saberá como obter a nossa admissão aos sentimentos de Jesus, um pouco como ela mesma foi admitida; saberá fazer que participemos de seus mistérios com essa simplicidade e total adesão que são a parte reservada da nova Era aos pés do novo Adão.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>* * *</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas então não é o Espírito Santo que nos introduz nos mistérios de Jesus, nos faz entrar nos seus segredos e em seu sacrifício? Não é o Paráclito que nos faz tomar parte na caridade de Cristo e espalha esta caridade em nossos corações? “Muitas coisas ainda tenho a vos dizer mas não as podia suportar agora”, disse Jesus antes da sua Paixão. “Mas o Espírito Santo vos ensinará todas as coisas e vos há de recordar de tudo o que vos tenho dito” (Jo. 16, 12 e 14, 26). É na verdade o Espírito Santo quem nos transforma no Cristo. Mas quem atrai o Espírito Santo para nossa alma? Que oração será bastante adequada ao Deus Santíssimo para fazer que venha o Paráclito em nós e nos dispor seguir suas inspirações? Aspiramos a uma vida desprendida, passada toda ela no mistério de Jesus, entregue a seu Espírito Santo e verdadeiramente mística. Mas este voto é irrealizável sem a prece de Maria. Os textos revelados indicam-no suficientemente. Expõem à luz três ordens de coisas inseparavelmente ligadas: a compaixão de Maria no Calvário; a missão, para a vida das almas, de que foi então investida, o exercício desta missão durante o retiro do Cenáculo, antes de Pentecostes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao pé da cruz de Jesus, manteve-se de pé, Maria sua mãe, tão unida ao sacrifício de seu Filho, tão dolorosa quanto o podia estar esta mãe que é também a Virgem das Virgens; estava de pé, ao lado da cruz, nova Eva ao lado do novo Adão, para a vida sobrenatural da humanidade. “Mulher, eis vosso filho”, lhe diz Jesus, designando S. João, o apóstolo amado. Ora, quarenta dias mais tarde, após a Ressurreição do Salvador e sua Ascensão, Maria se encontrava em oração no Cenáculo com o apóstolo João, os outros apóstolos e as santas mulheres. Então levada, sustentada pela oração de Maria, a súplica deste pequeno grupo fiel obtém para a Igreja que começava e para a Igreja de todos os séculos a efusão superabundante do Espírito Santo. A Igreja, com seu jorrar inesgotável de vida sobrenatural, mas também com seu poder de levantar com pureza as forças da verdadeira civilização, a santa Igreja, esposa sem mancha do Senhor Jesus, nunca teria começado sem a vinda do Espírito Santo; mas o Espírito Santo não teria descido sem a oração de Maria. E a oração de Maria conta com este poder porque Maria está associada à Paixão de Jesus para a vida das almas, como unicamente ele poderia estar. – Este papel de Maria, tão visível em Pentecostes, prolonga-se por toda a história da Igreja e na conversão e na santificação de todo cristão; na instauração e na defesa de toda ordem temporal honesta e digna do Cristo-Rei.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>* * *</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Observemos agora a maneira pela qual o Espírito do Cristo nos santifica: não nos dota de uma natureza sobressalente, mas penetra de amor todas as forças vivas da natureza que nós temos, todos os recantos, todos os segredos. O Espírito do Cristo modela para nós deste modo, um caráter cristão, um caráter transfigurado pela espiritualidade cristã. Qualquer que seja nossa estrutura natural, se nos entregarmos a este Espírito, não traremos mais as marcas de uma espiritualidade mais ou menos falsa: ou uma espiritualidade mole e flácida, efeminada, que tem pena de si mesma e que se volta finalmente para a traição, baixezas vergonhosas para preservar o eu; ou, ao contrário, endurecida, rígida, uma auto-suficiência feroz, e finalmente uma figura inumana. “Longe de nós os heróis sem humanidade!” O heroísmo que endurece não é o verdadeiro. Em lugar de firmar, no interior do homem, as forças nobres e verdadeiras, seca-se e mata-as; heroísmo sem coração, nem heróico nem cristão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quantos homens e mulheres são homens e mulheres no mau sentido da palavra. Tornar-se, pelo Espírito do Cristo um homem ou uma mulher na acepção da palavra, quer dizer, um homem ou uma mulher na verdade da graça, é este o nosso desejo imediatamente, logo que tomamos consciência de nossa regeneração pelo batismo. Mas quem poderá dar-nos, com profundidade suficiente, nossa difícil educação? Uma intuição, uma paciência, uma firmeza como Deus as põe no coração da mulher são indispensáveis. Há nuances que não chegamos a perceber, um modo de fazer que nos escapa, se nos falta uma intervenção maternal; esta palavra dita baixinho, este olhar que atinge imediatamente o segredo do coração, este gesto sem ruído de palavra. Assim, esta ação, esta presença maternal é dada ao batizado e mesmo, misteriosamente, a todo homem que vem a este mundo. A mulher bendita, a Mãe da divina graça, a nova Eva não deixa de se ocupar de nós. Sem dúvida é do Espírito Santo que depende no fundo, nossa educação; nós nos tornamos plenamente filhos de Deus porque somos conduzidos pelo Espírito de Deus (Rom. VIII, 14). Mas a visita do Espírito de Deus é implorada por Maria. Na origem da ação do Espírito durante o tempo que esta ação se prolonga, até estarmos prontos para o Paraíso, a Virgem está presente e não cessa de interceder. Ela o faz de pleno direito, a título soberano, em virtude de sua união com Jesus, desde a Anunciação ao Calvário; ela o faz com este modo próprio de mulher bendita entre todas; com seus incomparáveis dons de educadora, sua maravilhosa aptidão que desperta cada um dos humanos para sua verdadeira vida segundo a graça. Mesmo sem nos dirigirmos especialmente a Maria, ela não deixará de pedir a vinda e a ação do Espírito Santo em nós. Quanto mais forte e mais eficaz sua súplica será se nos voltamos para ela com plena consciência e decisão. Mais ainda, podemos vir a Maria suplicando, com uma vontade firme, que nos faça entrar em seus sentimentos e como que nos colocar em seu coração a fim de aprender por Maria quem é o Cristo e como nos conformamos a Ele. É com o Rosário que tomamos esta atitude. Por ele, certamente, a Virgem Maria fará nossa educação, nos obterá a graça de sermos transformados pelo Espírito de Jesus. (esta ação particular de Maria não se exerce somente na formação de cada um de nós, mas também de maneira análoga na formação das sociedades e sua humanização; tentaremos mostrá-lo em outra ocasião).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não ignoro o que pode haver de falsidades e falcatruas na devoção a Maria como em outras manifestações da vida espiritual; sei que tal devoto não faz muita honra a nossa Mãe na divina graça; nem pretendo que o recurso a Maria seja infalível para obter para os cristãos que sejam cristãos de caráter. Afirmo somente que este é o recurso normal e mesmo indispensável e seria loucura afastá-lo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seria também inépcia não querer que a mãe exista para educação espiritual. Seria sempre o desprezo de um dado elementar: não haveria humanidade se Eva não estivesse ao lado de Adão, nem haveria regeneração sobrenatural da humanidade se a nova Eva não tivesse pronunciado o <em>Fiat</em>, não tivesse aceitado o <em>Stabat</em>, não continuasse para sempre sua intercessão no Paraíso em virtude da Anunciação e da Compaixão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tomemo-lo, assim como ele é, o mistério da Encarnação redentora: ele supõe a união inefável da Santa Mãe de Deus a Jesus nosso Salvador. Aceitemos o quanto pudermos e não apenas como um ato de fé fugidio sem nenhuma conseqüência mas na oração prolongada e na disposição habitual de nosso coração, a parte singular de Maria na Encarnação redentora, a parte da criatura feminina extraordinariamente exaltada: Maria é a Santa Mãe de Deus, a Virgem das Virgens, a nova Eva.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Tradução: Anna Luiza Fleichman de <em>Itineraires</em> n° 77.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><a href="https://permanencia.org.br/drupal/node/449?__cf_chl_jschl_tk__=eada8b9aca51e8c49229f3044f2c541854af0c77-1613226600-0-AUPOpILjj_pBdgF3qda35vXvJZoQTqOPuGbIUS59Ws5U7y5NAE_PCZrkU5iubNZ6RH4pec8ruQPWQ9x213y0cXCEBhqQhYMz55bIrc1xlm0ahe54t8Qb7SvnUO923zhIlsTIZhK9IB8vYjQDWDKtUm4mg4to3G4XcCsDX7mJUSvMqbhozNkwHvvMOdRXjMF0K-FT9Vt9PptjmhQtcZFCGqRb_Yy3-LzdRP_2fgV3SA-X9Ui0igfSjEgrhNKlPmkfYZKjBkv_JVbr-sL9ajX6m-UIVv1haT6FE9zunDomIbkg4be853pvCR57r2hCUakOpVCSrSqtMJWbd7PU1iiWqjE">Permanência n° 138-139, maio-junho de 1980</a>. </span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Notas:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] Alguns raciocinantes observam aqui que essas exigências da santidade de Maria se tomam do ponto de vista do poder ordenado do Senhor Deus, não em consideração do seu poder absoluto. Respondemos que meditamos sobre os mistérios divinos a partir justamente do que Deus ordenou como um fato; a partir de seu poder ordenado; deixando aos espíritos quiméricos a estéril ocupação de fabricar uma teologia romanceada sobre o que Deus poderia ter feito em termos de poder absoluto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[2] Adversus Haereses, Contre les Heresies, 1. III seção 3, texto, tradução e notas na edição do P. Sagnard O.P. (Ed. Du Cerf, coleção Sourcer Cletiennes). — Ver também Bossuet, <em>Elevações sobre os Mistérios</em>, oitava semana, 2ª e 3ª elevação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[3] Peguy, <em>Eve</em>, (começo).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">“E a vós saúdo, ó primeira mortal&#8230;</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">Vós que tantos pusestes em augustas mortalhas,</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">Dobradas sobre os joelhos como recém-nascidos.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">Que iam para a morte temerários e sós&#8230;</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">Das crianças caídas como hecatombes</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">A um Deus oferecidas não ao verdadeiro Deus.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">Abatidas sobre um altar que não é holocausto,</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">Caídas em um canto, não no verdadeiro Lugar”.</span></em></p>
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		<title>50 ANOS DA DECLARAÇÃO DO PE. CALMEL</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Nov 2019 14:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[Há cinquenta anos, o Pe. Calmel redigia esta declaração para proclamar publicamente sua escolha de recusar o novus ordo de Paulo VI e de se ater à Missa de sempre. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est A MISSA TRADICIONAL Eu me &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/50-anos-da-declaracao-do-pe-calmel/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2021/03/Pere-Roger-Thomas-Calmel-255x300.jpg" alt="Père Roger-Thomas Calmel • La Porte Latine" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Há cinquenta anos, o Pe. Calmel redigia esta declaração para proclamar publicamente sua escolha de recusar o novus ordo de Paulo VI e de se ater à M<em>issa de sempre.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/documents/crise-eglise/nouvelle-messe/je-men-tiens-a-la-messe-traditionnelle">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">A MISSA TRADICIONAL</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu me atenho à MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por quê? Porque, na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa atual, e que se reveste, por um momento, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">UMA REFORMA REVOLUCIONÁRIA</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se aceitarmos este rito novo, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (como de fato o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e, portanto, nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Perguntar-me-iam: ao manter, contra tudo e contra todos, a Missa de sempre, o senhor refletiu a que está se expondo? Certamente. Estou me expondo, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de sacerdote. Exponho-me a tranquilizar os fiéis desamparados, tentados pelo cepticismo ou pelo desespero. De fato, todo padre que se conserve no rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-reforma, permite que fiéis participem do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comunguem, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Por outro lado, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, de sua parte, para instaurar progressivamente urna Missa enganosa, onde a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio. Por isso mesmo o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus. Finalmente, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes.</span><span id="more-18324"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não consentir em colaborar para a instauração revolucionária de uma missa equívoca, orientada para a destruição da Missa, será entregar-se a certas desventuras temporais, e certas desgraças neste mundo? O Senhor o sabe, e Sua graça basta. Na verdade, a graça do Coração de Jesus, que chega até nós pelo Santo Sacrifício e pelos Sacramentos, sempre é suficiente. É por isso que Nosso Senhor nos diz tão tranquilamente: “<em>Aquele que perder a sua vida neste mundo por minha causa, salva-la-á na vida eterna”.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">EU RECONHEÇO A AUTORIDADE DO SANTO PADRE</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Reconheço, sem nenhuma hesitação, a autoridade do Santo Padre. Entretanto, afirmo que qualquer Papa, no exercício de sua autoridade, pode cometer abusos de autoridade. Sustento que Paulo VI comete um abuso de autoridade excepcionalmente grave quando constrói um rito novo da Missa baseado numa definição de Missa que deixou de ser católica. “<em>A Missa</em>”, escreve ele em seu Ordo Missae, “<em>é a reunião do povo de Deus, presidida por um sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor”</em>. Esta definição insidiosa omite propositadamente aquilo que faz católica a Missa católica, sempre irredutível à ceia protestante. Pois a Missa católica não é um memorial qualquer. O memorial é de tal natureza, que contém realmente o Sacrifício da Cruz, porque o Corpo e o Sangue de Cristo se fazem realmente presentes pela virtude da dupla consagração. Isto aparece, inequivocamente, no rito codificado por São Pio V; mas aparece flutuante e equívoco no rito fabricado por Paulo VI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Da mesma maneira, na Missa católica o padre não exerce nenhum tipo de presidência; marcado com um caráter divino que o distingue por toda a eternidade, ele é o ministro de Cristo que, por si mesmo, realiza a Missa; é inadmissível que o padre seja assemelhado a um pastor qualquer, um delegado dos fiéis para liderar sua assembleia. Isto é perfeitamente evidente no rito da Missa ordenado por São Pio V mas torna-se dissimulado, se não escamoteado, no novo rito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, não só a simples honestidade &#8211; mas infinitamente mais: a honra sacerdotal, exigem que eu não tenha a impudência de traficar a Missa católica, recebida no dia de minha ordenação. Como se trata de uma questão de lealdade e principalmente  matéria de gravidade divina, não há autoridade no mundo, ainda que seja a autoridade pontifícia, que possa me impedir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outrossim, a primeira prova de fidelidade e de amor que o padre deve dar a Deus e aos homens é manter intacto o depósito infinitamente precioso que lhe foi confiado quando o bispo lhe impôs as mãos. É, primeiramente, sobre esta prova de fidelidade e de amor que serei julgado pelo Supremo Juiz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Espero, com toda a confiança, da Virgem Maria, Mãe do Sumo Sacerdote, que me conceda permanecer fiel até à morte à Missa católica, verdadeira e inequívoca.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Tuus sum ego, salvum me fac.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Revista <em>Itinéraires,</em> n° 139, janeiro de 1970</span></strong></p>
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		<title>NOSSA SENHORA, NOS TEMPOS DO ANTICRISTO</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jul 2018 15:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Calmel]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: FSSPX México &#8211; Tradução: Dominus Est Este artigo do Padre Calmel, OP &#8211; uma grande figura do tradicionalismo católico &#8211; mostra-nos como havemos de pedir a intercessão da Santíssima Virgem em nosso tempo de confusão geral. &#8220;Quisera eu viver &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/nossa-senhora-nos-tempos-do-anticristo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://www.fsspx.mx/sites/sspx/files/styles/news_big/public/news/marie-femme-de-l-apocalypse-rubens-.jpg?itok=CcOPGtRa" alt="" width="460" height="260" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <a href="https://www.fsspx.mx/es/news-events/news/nuestra-se%C3%B1ora-en-tiempos-del-anticristo-16005">FSSPX México</a> &#8211; Tradução: <a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Este artigo do Padre Calmel, OP &#8211; uma grande figura do tradicionalismo católico &#8211; mostra-nos como havemos de pedir a intercessão da Santíssima Virgem em nosso tempo de confusão geral.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Quisera eu viver nos tempos do Anticristo</em>&#8221; escrevia a pequena Teresa em seu leito de morte. Não há dúvida de que a carmelita, que se ofereceu como <em>vítima de um holocausto ao Amor Misericordioso, </em>intercederá por nós quando surgir o Anticristo, e nem há dúvida que já está intercedendo, especialmente, em nosso tempo, em que os precursores do Anticristo se infiltraram no seio da Igreja. Tampouco há dúvida de que sua oração está unida à súplica infinitamente mais poderosa da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, aquela que esmaga a cabeça do dragão infernal em sua Imaculada Conceição e sua Maternidade virginal, a que foi glorificada de corpo e alma e que reina no céu com seu Filho. Ela domina como soberana todos os períodos de nossa história e, particularmente, os momentos mais tremendos para as almas, a saber: os da vinda do Anticristo e daqueles em que seus diabólicos precursores prepararão esta vinda.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Maria se manifesta não somente como Virgem Poderosa e consoladora nos momentos de angústia para a cidade terrestre e a vida corporal, mas se mostra, sobretudo, como Virgem auxiliadora, <em>forte como um exército em ordem de batalha</em>, em tempos de devastação da Santa Igreja e de agonia espiritual de seus filhos. Ela é a rainha da história do gênero humano, <em>não somente para os tempos de angústia, mas também para os tempos do Apocalipse.</em> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Primeira Guerra Mundial foi um desses tempos de angustia: matanças de ofensivas mal preparadas, derrota implacável sob um furacão de ferro e fogo &#8230; Quantos homens ao apertarem seus cintos saíam com a terrível certeza de perecer neste tornado alucinante sem nunca ver a vitória; mesmo às vezes, e era o mais atormentador, as dúvidas lhes vinham à mente a respeito do valor de seus chefes e a prudência em suas ordens. Mas, no final, em um ponto eles não tinham dúvidas e essa questão superava todas: a da autoridade espiritual. O capelão que auxiliava esses homens a serviço da pátria até sua morte era absolutamente firme em todos os artigos da fé e nunca teria pensado em adaptar pastoralmente a Santa Missa. Celebrava o Santo Sacrifício da Missa segundo o rito e as palavras antigas; celebrava com uma piedade muito mais profunda, que o sacerdote sem armas e seus paroquianos armados, poderiam ser chamados a unir, de um momento a outro, seu sacrifício de pobres pecadores com o único sacrifício do Filho de Deus que tira os pecados do mundo. </span><span id="more-14057"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mesma fidelidade do capelão se fundava tranquilamente na fidelidade da autoridade hierárquica que conservava e defendia a doutrina católica e o culto tradicional e não hesitava em apartar da comunhão católica os hereges e traidores. Depois, em poucos instantes talvez, na frente de batalha, os corpos iam ser esmagados, mutilados em um horror sem nome, talvez se sufocariam inexoravelmente e se asfixiariam lentamente em meio a uma camada de gás. Mas, apesar do suplício dos corpos, as almas permaneceriam intactas, sua serenidade inalterada, seu interior preservado, e o mais negro de todos os demônios, o das supremas mentiras, não deixaria escutar seus sarcasmos. A alma não ficaria abandonada aos ataques traiçoeiros, covardemente tolerada dos pseudo-profetas da pseudo-Igreja; apesar do suplício dos corpos, a alma voaria do local de uma fé protegida ao recinto luminoso da visão beatífica no paraíso. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Primeira Guerra Mundial foi um tempo de angústia. Mas agora, entramos em um tempo do Apocalipse. Todavia, sem dúvida, ainda não chegamos ao furacão de fogo que enlouquece os corpos, mas já presenciamos a agonia das almas, porque a autoridade espiritual parece já não querer defendê-las e se desinteressa da verdade da doutrina como da integridade do culto, ao não condenar ostensivamente os culpáveis. Eis aqui a agonia das almas na Santa Igreja, solapada desde o interior por traidores e hereges ainda não exilados. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na história, houve outros tempos do Apocalipse. Lembremo-nos, por exemplo, dos interrogatórios à Santa Joana d’Arc, privada dos sacramentos por homens da Igreja, relegada ao fundo de um calabouço escuro, sob a guarda de horríveis carcereiros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas as vitórias da graça sempre selam os tempos do Apocalipse. Porque embora as bestas do Apocalipse adentrem até a cidade santa e a coloquem em grande perigo, a Igreja não deixa de ser Igreja, cidade muito amada, inexpugnável para o demônio e seus asseclas, cidade pura e imaculada cuja Rainha é Nossa Senhora. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ela, a Rainha Imaculada, é a que abreviará os sinistros anos do Anticristo através de Jesus Cristo, seu Filho. E ainda, mais do que nunca, ela nos obterá durante esse tempo a graça de perseverar e nos santificar. Ela nos preservará a parte da autoridade espiritual legítima que absolutamente precisamos. Sua presença no Calvário, em pé próxima da cruz, nos anuncia isso infalivelmente. Ela estava de pé próxima da cruz de seu Filho, o próprio Filho de Deus, para unir-se mais perfeitamente ao seu Sacrifício redentor e merecer toda a graça para seus filhos adotivos. Toda a graça: a graça para enfrentar-nos as tentações e tribulações semeadas até nas vidas mais unidas; mas também a graça de perseverar, de voltar a levantar-se e santificar-se nas piores provas, provas de exaustão do corpo e as provas mais negras da agonia da alma, tempos em que a cidade carnal é invadida e os tempos em que a Igreja de Jesus Cristo deve resistir a auto-destruição. Ao estar em pé próxima da cruz de seu Filho, a Virgem Maria, cuja alma foi trespassada por uma espada de dor, a divina Virgem exausta e atônita como nenhuma criatura nunca será, nos dará a entender, sem dúvida, que será capaz de sustentar os redimidos nas provações mais terríveis com uma intercessão maternal, toda pura e poderosa. Esta Virgem muito doce e Rainha dos mártires nos persuade de que a vitória está oculta na própria Cruz e que muito depressa se manifestará; a brilhante manhã da Ressurreição logo surgirá sobre o dia sem fim da Igreja triunfante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na Igreja de Jesus, presa do modernismo até em sua cabeça, o sofrimento das almas e a queimadura do escândalo alcançam uma intensidade comovente. Tal drama é sem precedentes, mas a graça do Filho de Deus Redentor é mais profunda do que este drama. E nada interrompe a intercessão do Imaculado Coração de Maria, que alcança toda a graça. Nas almas mais abatidas e mais próximas da morte, a Virgem Maria intervém dia e noite para colocar fim, misteriosamente, a este drama e também misteriosamente romper as cadeias que o demônio acreditava ser inquebráveis: <em>Solve vincla reis</em> <em>(Aos réus desata os grilhões</em>). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos nós, a quem Nosso Senhor Jesus Cristo, por uma marca especial de honra, chama à fidelidade em meio a novos perigos e em uma forma de luta que nunca havíamos experimentado – luta contra os precursores do Anticristo infiltrados na Igreja – voltemos ao essencial: nossa fé. Lembremo-nos que cremos na divindade de Jesus, na maternidade divina e na maternidade espiritual de Maria Imaculada. Consideremos um pouco a plenitude de graça e sabedoria escondida no coração do Filho de Deus feito homem e que flui eficazmente em todos aqueles que crêem. Consideremos também a plenitude de doçura e da intercessão que é privilégio exclusivo do Imaculado Coração de Maria. Rezemos como as crianças a Nossa Senhora e façamos a experiência inefável que os tempos do Anticristo são tempos de vitória: vitória da Redenção plena de Jesus Cristo e da intercessão soberana de Maria</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padre R.-Th. CALMEL OP &#8211; 1975</span></p>
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