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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. François-Marie Chautard</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>LIBERALISMO MORTÍFERO</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Sep 2024 14:46:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard, FSSPX “O fim dos modernos é a segurança na fruição privada; e eles chamam de liberdade as garantias concedidas pelas instituições a essa fruição” (Benjamim Constant) Fecundação artificial, “barriga de aluguel”, uniões homossexuais, eutanásia, aborto, contracepção, divórcio, a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/liberalismo-mortifero/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><em><img class=" alignright" src="https://helytimes.files.wordpress.com/2017/11/saturn-eating-his-son.jpg?w=590" alt="Resultado de imagem para liberalismo&quot;" width="249" height="438" /><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5578">Pe. François-Marie Chautard</a>, FSSPX</span></em></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><em>“O fim dos modernos é a segurança na fruição privada; e eles chamam de liberdade<br />
as garantias concedidas pelas instituições a essa fruição” </em>(Benjamim Constant)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fecundação artificial, “barriga de aluguel”, uniões homossexuais, eutanásia, aborto, contracepção, divórcio, a lista dos vícios validados, avalizados e encorajados pelas leis não cessa de crescer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E se por acaso os católicos buscam — ainda que timidamente — impedir uma nova legislação imoral, lança-se ao seu rosto o repetitivo argumento: Como vocês ousam se opor a uma disposição legal que não faz mal a ninguém? Com base em quê a opinião dos católicos deveria prevalecer sobre a dos demais cidadãos, quando se trata de práticas que em nada lesam os católicos? Não é prova de intolerância querer impor aos demais uma conduta que não lhes diz respeito? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O argumento é revelador do princípio fundamental que caracteriza os tempos modernos: a autonomia absoluta do homem como único limite da liberdade dos demais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde que uma lei não fira um “direito” individual nem [incomode] uma minoria, desde que não gere transtornos à ordem pública, o homem é soberanamente livre de promulgar leis: eis o credo do “homo modernus”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Benjamin Constant exprimia esse princípio de um modo límpido: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Eu defendi por quarenta anos o mesmo princípio, a saber, liberdade em tudo, em religião, filosofia, literatura, indústria e política: e por liberdade, compreendo o triunfo da individualidade, tanto sobre a autoridade que gostaria de governar pelo despotismo, como sobre as massas que reclamam o direito de sujeitar a minoria à maioria. O despotismo não tem direito algum. A maioria tem, sim, o direito de obrigar a minoria a respeitar a ordem: mas tudo o que não perturba a ordem, tudo o que é meramente interior, como a opinião; tudo o que, na manifestação da opinião, não perturba o próximo, quer provocando violências físicas, quer impedindo a manifestação contrária; tudo o que, de fato, em assuntos industriais, permite à indústria rival operar livremente, é individual e não poderia ser legitimamente submetido ao poder público.”</em></span><span id="more-18711"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa pretensão é duplamente especiosa. Primeiro porque essa autonomia é a recusa categórica de uma autoridade transcendente que veio dar uma regra à qual o homem está obrigado a se submeter. Jacques Chirac é conhecido por ter dito esta máxima digna das lojas maçônicas: “Não pode haver leis ‘religiosas’ acima das leis da República”, isto é, das leis humanas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Creonte não se exprimia de outro modo a Antígona: “É preciso obedecer àquele que a cidade escolheu como senhor, tanto nas coisas pequenas como nas grandes, nas justas e nas iníquas”. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No fundo, nessa recusa obstinada de uma autoridade superior à do homem, ouve-se o eco do grito de Lúcifer: <em>non serviam, </em>não servirei.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa legislação dita liberal é, na verdade, uma legislação intrinsecamente blasfematória. A autoridade humana erige-se em juiz supremo da boa conduta humana, e recusa-se a se submeter à autoridade de seu criador. E quando os católicos repetem o grito de São Miguel, “Quem é como Deus?”, um ódio surdo vindo dos infernos se levanta contra eles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em segundo lugar, o individualismo congênito dos “Direitos do homem” supõe que as ações imorais, mesmo privadas, de uma parte considerável da população, não exercem nenhum impacto sobre o resto da nação e não lesam em nada os demais cidadãos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso equivale a esquecer que o homem não é, nem de longe, um ser isolado de seus semelhantes. Por suas escolhas, seus julgamentos, suas afirmações, suas ações e mesmo seus hábitos de consumo e todo o resto do seu comportamento, ele imprime uma marca ao redor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando uma lei iníqua é votada, a virtude é <em>ipso facto </em>humilhada, a tentação facilitada, o pecado banalizado, o vício encorajado. O simples fato de autorizar legalmente o pecado põe, publicamente, o vício em pé de igualdade com a virtude. Isso é começar uma falsificação da consciência pública, é abrir as portas à degradação moral de uma parcela importante do país. Pouco a pouco, esse vício que rompeu as amarras se espalha tão facilmente quanto uma epidemia. O nível moral do país se rebaixa, e já se prepara para novas quedas, ainda mais graves.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A decadência de um país segue um itinerário semelhante à decadência de um indivíduo. Uma primeira queda — sobretudo se não é corrigida, mas admitida em seu princípio — facilita uma outra, torna a queda seguinte menos chocante e até mais sedutora.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É impressionante ver um país manter-se numa indiferença tão avassaladora diante das leis iníquas votadas por um Parlamento democraticamente eleito. Como milhões de homens podem aceitar sem pestanejar que se permita que crianças não sejam concebidas, gestadas, paridas, amadas e educadas como eles mesmos o foram, e como o foram os seus pais desde a aurora dos tempos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas nos impressionaremos menos se considerarmos que o vício tão difundido da luxúria, exibido por toda parte na nossa sociedade, penetrou tão completamente a alma, o coração e o espírito de nossos contemporâneos que eles já não vêem mal algum em liberar novas depravações. Mesmo privado, mesmo escondido, o vício produz, mais dia, menos dia, os seus efeitos na esfera pública. Uma alma que decai, diminui o mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segue verdadeiro, no entanto — e a esperança católica estriba-se nesse belo dogma da comunhão dos santos — que uma alma que se eleva, eleva consigo o mundo. Cabe a nós sermos uma dessas almas, discípulas do Salvador.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O NOVO RITO DA EXTREMA-UNÇÃO</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 14:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Sacramentos]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>

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		<description><![CDATA[Cinquenta anos após a promulgação do novo rito, surge uma pergunta: quais são as principais diferenças entre o antigo e o novo rito de Extrema-Unção? Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est Vinde ver o mais belo espetáculo que se &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-novo-rito-da-extrema-uncao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.mx/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/drupal-7/extreme_onction_sacrement_malade_pretre_eglise_0.jpg?itok=MpZjqIWt" alt="" width="531" height="307" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Cinquenta anos após a promulgação do novo rito, surge uma pergunta: quais são as principais diferenças entre o antigo e o novo rito de Extrema-Unção?</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.mx/es/news/el-nuevo-rito-la-extremauncion-21009">FSSPX México</a> </span>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vinde ver o mais belo espetáculo que se pode apresentar na terra; vinde e vereis morrer um fiel cristão&#8230; Assim como um sacramento abriu as portas do mundo aos justos, assim outro também as fechará; a religião teve o prazer de embalá-lo no berço da vida; seus belos cânticos e sua mão maternal o adormecerão também no berço da morte&#8230; O sacramento libertador gradualmente rompe seus laços; sua alma, já quase separada de seu corpo, é como que visível em seu rosto.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Chateaubriand, O Gênio do Cristianismo</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Principais mudanças</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todo sacramento é constituído de uma parte essencial e de uma parte acidental.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A parte essencial é composta de matéria e forma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O assunto corresponde ao que é oferecido ao sacramento e à forma pela qual é apresentado. Por exemplo, a matéria do sacramento do batismo é a água que corre sobre o catecúmeno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A forma é a fórmula utilizada que especifica o significado da matéria. A forma do batismo é a seguinte: &#8220;<em>Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo&#8221;</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As partes acidentais ou secundárias constituem a totalidade do rito, gestos e orações, que especificam o significado do sacramento e sustentam a fé e a devoção do celebrante e dos fiéis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As mudanças introduzidas pela reforma conciliar referem-se a esses diferentes pontos.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>A matéria e o problema do óleo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O novo ritual prevê o uso de um óleo diferente do de oliva. Paulo VI justifica-o nestes termos: “<em>Dado que o azeite de oliva, até agora prescrito para conferir validamente (1) o sacramento, é escasso ou difícil de obter em certas regiões, decretamos, a pedido de vários Bispos, que, por conveniência, outro óleo possa ser utilizado no futuro, desde que este seja extraído diretamente das plantas, de modo que seja um óleo o mais próximo possível do azeite [de oliva]</em>&#8220;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta inovação constitui uma ruptura com a Tradição, ainda que o Concílio de Florença tenha sido extremamente explícito a respeito: “<em>O quinto sacramento é a extrema-unção cuja matéria é o azeite de oliva abençoado pelo Bispo</em> (2)”. O catecismo do Concílio de Trento, o Código de Direito Canônico de 1917 (3) e Santo Tomás (4) expressam-se da mesma forma quando mencionam <em>o azeite &#8220;oleum olivae&#8221;.</em></span><span id="more-29005"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Visto que esta novidade afeta a própria matéria do sacramento, não deixa de suscitar sérias dúvidas sobre a validade dos sacramentos da Extrema-Unção conferidos sem azeite de oliva.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O número de unções</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No rito tradicional, o padre realiza 6 unções (nos olhos, orelhas, nariz, boca, mãos e pés). Dessa forma, o rito manifestava a variedade dos pecados cometidos (pela visão, audição, olfato, palavras e paladar, tato e passos) e a magnitude da misericórdia divina que cura os vários males do pecador.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O novo tem por objeto a simplicidade (5) e reduz a unção à 2 unções: cabeça (testa) e às mãos.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>A forma sacramental</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A forma sacramental também foi modificada. A antiga é: &#8220;<em>Por esta santa unção e por sua piedosíssima misericórdia, que o Senhor vos perdoe por tudo o que pecastes pela visão.</em>&#8221; Da mesma forma para todos os outros órgãos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A nova fórmula passou a ser: &#8220;<em>Por esta santa unção e por sua bondosa misericórdia, que o Senhor vos ajude com a graça do Espírito Santo.<br />
R/. Amém.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Para que, livre de vossos pecados, vos conceda a salvação e vos conforte na sua doença.<br />
R/. Amém”. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Novamente, Paulo VI justifica assim a sua mudança: &#8220;<em>Pensamos, portanto, mudar a fórmula sacramental de tal maneira que, fazendo referência às palavras de São Tiago, se expressem mais claramente os seus efeitos sacramentais</em> (6)&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estas palavras de Paulo VI fornecem-nos a chave para a leitura do novo sacramento.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Uma ordem inversa</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na teologia tradicional, o sacramento da Extrema-unção é conferido principalmente para outorgar graças espirituais e, secundariamente, para aumentar a saúde.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As graças espirituais são conferidas sobretudo para remediar o pecado e preparar a alma para a última batalha. Em segundo lugar, eles capacitam os doentes, e não apenas os moribundos, a suportar a doença de maneira cristã. Agora a ordem dos efeitos foi invertida: primeiro há a saúde dos enfermos, depois a graça de suportar a doença e, finalmente, o remédio para os pecados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso se reflete na forma sacramental onde o verbo &#8220;<em>perdoar</em>&#8221; (<em>indulgeat</em> em latim) dá lugar a &#8220;c<em>onfortar</em>&#8221; (<em>adjuvet</em> em latim). Já não se fala da misericórdia divina, mas da bondade (7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta inversão aparece também na mudança de nome: fala-se da <em>Unção dos Enfermos</em> e não mais da <em>Extrema-Unção</em>. A ênfase não está mais na preparação para o julgamento de Deus, mas na doença. Finalmente, essa modificação é manifestada no rito.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O rito</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As rubricas introdutórias mostram-no claramente: “<em>A Unção dos enfermos é o sacramento para o tempo da doença&#8230; Receber a Unção dos enfermos é um gesto de fé e de esperança. É pedir a Deus a força em tempos de provação e o apoio de que precisamos&#8230;&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Às crianças, especificam as rubricas, podem receber a Unção se tiverem uso suficiente da razão para serem consoladas por este sacramento</em>.&#8221; (62)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O restante do texto refere-se aos milagres de Jesus para curar os enfermos (8) .</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Durante a cerimônia, se oferece ao enfermo &#8220;<em>reconciliar-se</em>&#8221; com Deus (9). Em seguida, são solicitados os benefícios divinos onde se pede força, paz, alegria, alívio do sofrimento, &#8220;<em>melhor saúde</em>&#8220;, coragem e confiança &#8220;<em>na vida eterna</em>&#8220;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A oração da bênção do óleo contém a mesma insistência na doença em detrimento do pecado e das últimas lutas (10).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No momento da imposição das mãos, reza-se dessa maneira: &#8220;<em>Concedei-lhe, nós Vos rogamos, a força para lutar pela sua cura, a saúde do corpo e do espírito.&#8221;</em> &#8220;<em>A oração que se segue imediatamente à unção [&#8230;] sintetiza mais uma vez os efeitos implorados, nomeadamente, a consolação física e moral, a cura corporal e espiritual&#8230; </em>(11).&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta inversão, já anunciada pelo Concílio Vaticano II (12) , e sugerida por Paulo VI, fica ainda mais clara na definição da &#8220;<em>unção dos enfermos</em>&#8221; contida no Novo Catecismo da Igreja Católica: &#8220;n.º 1511: <em>A Igreja crê e confessa que existe, entre os sete sacramentos, um sacramento especialmente destinado a confortar os que são provados pela doença: a unção dos enfermos&#8221;</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tomaremos aqui a liberdade de apontar uma ironia. Visto que, por um lado, o sacramento é normalmente eficaz <em>ex opere operato</em> (isto é, em virtude de si mesmo), e, por outro lado, que o principal efeito deste sacramento é agora o alívio dos corpos, isso significa que todo sacramento dos enfermos deveria trazer um alívio físico. Deveria aliviar o corpo&#8230; médico. E, no entanto, este não é o caso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, há duas possibilidades: ou a nova teologia do sacramento da Extrema-Unção está errada, ou o novo ritual é inválido&#8230; Ou ambos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, cabe destacar que existem diversas possibilidades nos textos a serem lidos.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O espírito da nova reforma</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante dessas mudanças, que espírito surge? A perda do espírito cristão.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>A morte se oculta</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um dos primeiros efeitos manifestos reside na supressão da ideia e da palavra morte. Como em toda reforma litúrgica, os fins últimos são sempre esquecidos. Teme-se assustar o moribundo, perdendo-se assim a finalidade principal deste sacramento e a sua necessidade.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O combate espiritual</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nenhuma menção implícita ou explícita é feita ao combate espiritual. Mais uma vez, a reforma litúrgica se reveste de um otimismo complacente. Isto vai de mãos dadas com o desaparecimento de qualquer menção aos anjos do mal.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Nenhuma menção ao diabo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ritual tradicional manifesta três vezes o demônio que assombra, especialmente, o quarto dos moribundos. O novo rito não menciona o diabo. Ele já não existe.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O pecado é removido</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora o pecado não seja negado, sua presença também é atenuada. É mencionado apenas quatro vezes (incluindo as duas unções na testa e nas mãos). No rito antigo, a memória do pecado é onipresente (nove menções): no número de unções, na fórmula sacramental ou nas orações. Esta redução é tanto mais lamentável quanto este sacramento é conferido para apagar os pecados e suas consequências.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Naturalismo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A característica mais manifesta dessa reforma é o naturalismo, a perda do espírito sobrenatural. A saúde do corpo tem prioridade sobre a saúde da alma. As prioridades são invertidas. O antigo rito vê neste sacramento, principalmente, o dom da graça para ajudar a alma; o novo o considera, antes de tudo, como um remédio corporal e um consolo moral.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Arqueologismo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é surpreendente encontrar nesta reforma a rejeição da teologia tradicional e o retorno indevido a uma visão antiga que ainda não se beneficiava da precisão fornecida pelo Magistério. Em um comentário à doutrina tradicional, o Pe. Prétot, beneditino e professor do Instituto Católico de Paris, assinala: &#8220;<em>Pouco a pouco, o efeito sobre o corpo praticamente desaparecerá em favor do efeito único sobre a alma</em> (13)&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E acrescenta: “<em>Ao modificar o nome deste sacramento, o Concílio Vaticano II reinterpretou o seu significado. Passar de “extrema-unção” (extrema unctio) para “unção dos enfermos” (infirmorum unctio) não é uma simples mudança de vocabulário. É uma transformação da própria representação do ato ritual</em>” (14).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Adolf Adam é de opinião semelhante: &#8220;<em>Infelizmente, desde a Alta Idade Média, estabeleceu-se uma falsa concepção e uma prática deplorável. (&#8230;) Portanto, foi colocada cada vez menos ênfase no papel curativo e consolador deste sacramento e cada vez menos se enfatizou o papel curativo e consolador deste sacramento e cada vez mais na promessa do perdão dos pecados (&#8230;) Somente graças ao movimento de renovação litúrgica e pastoral das últimas décadas se conseguiu uma reconsideração das coisas </em>(15)”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conclusão: um empobrecimento da fé e da devoção</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>A comparação entre os dois ritos revela um verdadeiro empobrecimento do ritual moderno.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A redução do número de unções, a supressão do beijo do crucifixo pelos enfermos, o desaparecimento do demônio, a atenuação do pecado, a ocultação da morte e dos fins últimos, tudo contribui para diminuir o espírito de fé e devoção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este sacramento deveria ajudar os enfermos, e especialmente os moribundos, a prepararem-se para a morte e a suportarem cristãmente o sofrimento da doença; no entanto, o novo rito priva estas almas de um auxílio oportuno. Mais uma vez, a reforma litúrgica aparece impregnada de uma perda do espírito de fé e devoção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pior ainda, é uma revolução que inverte os fins do sacramento. Entende-se melhor então por que o Papa Francisco, tão apegado à reforma litúrgica, teve o cuidado de proibir o ritual tradicional.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, devemos acrescentar a dúvida que paira sobre a validade deste sacramento devido ao uso de um azeite diferente ao de oliva.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todas essas razões nos exortam a continuar preservando, a todo custo, nosso bom e velho sacramento da extrema-unção, na esperança que o novo morra sem grande alvoroço&#8230;</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>História</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A questão da Extrema-Unção é abordada pelo Concílio nas constituições <em>Lumen Gentium</em> (nº 11) e <em>Sacrosanctum Concilium</em>, que tratam da liturgia. Nesta última, onde a importância dos textos bíblicos é enfatizada (nº 24 e 35), o sacramento da extrema-unção (16) torna-se a &#8220;<em>Unção dos enfermos</em>&#8221; (17), denominação já antiga. A mudança não é inofensiva, como veremos. Recorda-se também oportunamente que este “<em>não é apenas o Sacramento de quem se encontra nos últimos momentos da vida</em>”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um novo ritual é anunciado (n. 74), explica Paulo VI, na Constituição Apostólica Sacram Unctionem Infirmorum de 30 de novembro de 1972, para que este sacramento “<em>pudesse se adaptar melhor às condições do nosso tempo”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 7 de dezembro de 1972, a Sagrada Congregação para o Culto Divino publicou o <em>Ordo unctionis infirmorum eorumque pastoralis curae</em>, ou seja, o ritual do sacramento dos enfermos, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1973, substituindo o anterior que agora é obsoleto (18).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por meio do Motu Proprio <em>Traditionis custodes</em> de 16 de julho de 2021, o Papa Francisco parece, mais uma vez, descartar a possibilidade de usar o ritual tradicional para os sacramentos (19). No dia 18 de novembro seguinte, o Sumo Pontífice confirmou as respostas às <em>dubia</em> geradas pelos <em>Traditionis custódis</em>, em particular, sobre o uso do ritual tradicional. Desta vez, a resposta foi explícita:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>&#8220;Pergunta:</strong> De acordo com as disposições do Motu Proprio <em>Traditionis Custodes,</em> é possível celebrar os sacramentos com o Rituale Romanum (&#8230;) anterior à reforma litúrgica do Concílio Vaticano II?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Resposta:</strong> Não. Apenas às paróquias pessoais canonicamente erigidas que, segundo as disposições do Motu Proprio <em>Traditionis custodes</em>, celebrem com o <em>Missale Romanum</em> de 1962, o Bispo diocesano está autorizado a conceder licença para usar apenas o <em>Rituale Romanum</em> (última edição típica de 1952) (&#8230;) anterior à reforma litúrgica do Concílio Vaticano II&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Pe. François-Marie Chautard, FSSPX</em></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">**********************************</span></p>
<p><strong>MAIS SOBRE A EXTREMA UNÇÃO PODE SER VISTO NOS LINKS ABAIXO:</strong></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/catecismo-de-sao-pio-x-da-extrema-uncao/">CATECISMO DE SÃO PIO X – DA EXTREMA-UNÇÃO</a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/d-lefebvre-explica-a-extrema-uncao/">D. LEFEBVRE EXPLICA A EXTREMA-UNÇÃO</a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-novo-batismo-o-novo-casamento-a-nova-penitencia-a-nova-extrema-uncao/">O NOVO BATISMO, O NOVO CASAMENTO, A NOVA PENITÊNCIA, A NOVA EXTREMA-UNÇÃO</a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/beneficios-da-extrema-uncao-um-padre-testemunha/">BENEFÍCIOS DA EXTREMA-UNÇÃO: UM PADRE TESTEMUNHA</a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">**********************************</span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">(1) &#8211; No texto em latim se diz “<em>ad valorem</em>”</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">(2) </span><span class="tm8">Bula <em>Exsultate Deo</em> sobre a união com os armenios, 22 de novembro de 1439, Decreto para os armenios; DS 1324.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(3) </span><span class="tm8">CDC 1917, c. 945.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(4) </span><span class="tm8">Supl. 29, 4, c.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(5) </span><span class="tm8">“Em relação ao número de unções e os membros a serem ungidos, pareceu oportuno simplificar o rito. “</span><em><span class="tm10">Ad numerum unctionum et ad membra ungenda quod attinet, opportunum visum est ritum simpliciorem reddere</span></em><span class="tm9">. Paulo VI, op. cit.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(6)</span><em> <span class="tm8">Formulam sacramentalem ita mutare censuimus ut, verbis Iacobi relatis, effectus sacramentales satius exprimerentur</span></em><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(7) </span><span class="tm8">Na versão francesa do ritual (aprovado por Roma), mas não na versão espanhola nem no original em latim que preserva o &#8220;</span><em><span class="tm10">misericordiam&#8221;</span></em><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(8) &#8220;</span><span class="tm8"><em>Rezemos (oração para escolher, por exemplo). Senhor Jesus Cristo, Salvador do Mundo, foste por toda parte fazendo o bem. Fostes visitar os enfermos para consolá-los e socorrê-los&#8230; Rogamos-vos por N&#8230;. Perdoai-lhe todos os seus pecados. Dê-lhe valor em sua doença.</em>”</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(9) </span><span class="tm8">“<em>Antes de celebrar a unção dos enfermos, deixemo-nos reconciliar por Deus; peçamo-Lhe perdão. Perdoemo-nos uns aos outros</em>.&#8221; </span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(10) &#8220;</span><span class="tm8"><em>Enviai, desde o céu, o seu Espírito Santo Consolador sobre este óleo que vossaa criação nos adquiriu para para restaurar o vigor de nossos corpos. Que se converta, por vossa bênção, o Santo Óleo que recebemos de vós para aliviar o corpo, a alma e o espírito dos enfermos que receberão a unção, para afastar toda dor, toda doença, todo sofrimento físico e moral. Que este óleo se torne assim o instrumento que usais para nos dar a vossa graça, em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor, que convosco reinais para todo o sempre</em>.&#8221;</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(11) </span><span class="tm8">Adolf Adam, La liturgie aujourd&#8217;hui, Brépols, 1989, p. 193</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(12) </span><span class="tm8">Observe o processo clássico de subversão (desvio, inversão, perversão). Se enfatiza um aspecto secundário (desvio), que permite ressaltá-lo (inversão) e mudar a natureza do sacramento (perversão). Este método também foi usado para a Missa, insistindo na pregação em detrimento ao sacrifício.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(13) &#8220;</span><span class="tm8"><em>Les sacraments pour les malades, l&#8217;action de Dieu dans la faiblesse</em>&#8221; Transversalités, out-dez 2013, n.º 128, p.7. Na página 80, o Padre fala de uma “eliminação” em relação ao decreto do Concílio de Florença.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(14) I</span><span class="tm8">bidem., pág. 87.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(15) </span><span class="tm8">Adolfo Adam, op. cit., pág. 186.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(16) </span><span class="tm8">Este sacramento é chamado de “<em>Extrema-Unção</em>” desde o século VII. Veja Card. Grent. Les sept sacraments, Fayard, coll. Le livre chrétien, 1952, p. 143. Santo Tomás ensina, no século XIII, que &#8220;<em>este sacramento é chamado por todos de Extrema-Unção</em>”, Supp 32, 2, sed contra</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(17) </span><span class="tm8">“<em>A Extrema-unção”</em>, que também pode ser chamada de “unção dos enfermos”.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(18) </span><span class="tm8">&#8220;O ordo antigo pode ser usado até 31 de dezembro de 1973. A partir de 1º de janeiro de 1974, o novo ordo deve ser o único (tantum) usado por todos aqueles a quem corresponde.&#8221;</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">(19) </span><span class="tm8">&#8220;<em>Artigo 1. Os livros litúrgicos promulgados pelos santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única expressão da lex orandi do Rito Romano</em>.&#8221;</span></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">MAIS SOBRE A EXTREMA UNÇÃO PODE SER VISTO NOS LINKS ABAIXO:</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/catecismo-de-sao-pio-x-da-extrema-uncao/">CATECISMO DE SÃO PIO X – DA EXTREMA-UNÇÃO</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/d-lefebvre-explica-a-extrema-uncao/">D. LEFEBVRE EXPLICA A EXTREMA-UNÇÃO</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-novo-batismo-o-novo-casamento-a-nova-penitencia-a-nova-extrema-uncao/">O NOVO BATISMO, O NOVO CASAMENTO, A NOVA PENITÊNCIA, A NOVA EXTREMA-UNÇÃO</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/beneficios-da-extrema-uncao-um-padre-testemunha/">BENEFÍCIOS DA EXTREMA-UNÇÃO: UM PADRE TESTEMUNHA</a></strong></span></p>
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		</item>
		<item>
		<title>VIVEMOS UMA ÉPOCA LUCIFERINA</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2021 13:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cristianofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>

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		<description><![CDATA[Trechos do sermão do Pe. François-Marie Chautard(*) – Tradução: Dominus Est Não vivemos em uma sociedade que oferece oficialmente um culto a Satanás, mas nossa sociedade vive em uma mentalidade de rejeição a Deus, natureza própria do pecado de Lúcifer. O &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/vivemos-uma-epoca-luciferina/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/06/PADRE.png"><img class="aligncenter  wp-image-23888" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/06/PADRE.png" alt="PADRE" width="397" height="202" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LFQ4_ZH9Wqc"><span style="color: #0000ff;">Trechos do sermão do Pe. François-Marie Chautard</span></a>(*) – Tradução:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/watch?v=LFQ4_ZH9Wqc">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não vivemos em uma sociedade que oferece oficialmente um culto a Satanás, mas nossa sociedade vive em uma mentalidade de rejeição a Deus, natureza própria do pecado de Lúcifer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O “<em>Príncipe deste mundo</em>”, Lúcifer, em oposição ao “<em>Rei dos Céus</em>”, afasta-nos da luz de Deus, das luzes sobrenaturais com o desejo de nos tornarmos independentes de Deus. Essa independência é traduzida pela:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; recusa de considerar Deus;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; recusa de julgar de acordo com os princípios de Deus;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; recusa de agir de acordo com as leis de Deus;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde o &#8220;<em>Non Serviam</em>!&#8221; Lúcifer destila a escuridão do erro e da mentira. A religião da república e a religião do laicismo não negam oficialmente a Deus, mas transformam-No em &#8220;opinião&#8221; &#8230; indolor, mas terrivelmente eficaz!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde o &#8220;<em>Non Serviam</em>&#8220;, há uma recusa em julgar! A partir do pecado original, a serpente seduz pela mentira, perverte o julgamento de Deus e distorce o julgamento de Eva transformando o Mal em Bem e o Bem em Mal. Nossa sociedade moderna participa dessa perversão de julgamento. Os vícios são promovidos e valorizados, até mesmo resgatados! Seus opostos são silenciados, ou ao menos &#8220;condenados ao ostracismo&#8221;. Desde o “<em>Non Serviam</em>”, há uma recusa da ordem de Deus. As leis da república querem estar acima das leis religiosas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Lembremo-nos que devemos servir a Verdade, mas também que a Verdade nos serve! A obra de Lúcifer se opõe à sabedoria. Deus é a pedra angular do Conhecimento e a Fé traz uma profundidade, uma amplitude de visão, uma capacidade de visão &#8230; uma elevação. Isso requer esforço e perseverança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Sem a unidade divina e suas consequências de disciplina e dogma, a unidade mental, a unidade moral, a unidade política desaparecem ao mesmo tempo. Elas só são reformadas se a primeira unidade for restabelecida. Sem Deus, não há mais verdadeiro nem falso, não há mais direito, não há mais lei. Sem Deus, uma lógica rigorosa iguala a pior loucura à razão mais perfeita &#8230; porque sem Deus só subsiste o princípio do exame, um princípio que pode excluir tudo, mas que não pode encontrar nada&#8221;</em>.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>(*) Em 05/02/2021 na <em><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/as-mais-belas-igrejas-da-fsspx-parte-7-saint-nicolas-du-chardonnet-franca/">Igreja Saint-Nicolas-du-Chardonnet</a></span></em>, da FSSPX, em Paris</strong></span></p>
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		</item>
		<item>
		<title>O PATRIOTISMO É UMA VIRTUDE CRISTÃ?</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/o-patriotismo-e-uma-virtude-crista/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/o-patriotismo-e-uma-virtude-crista/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2020 19:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.catolicosribeiraopreto.com/?p=19494</guid>
		<description><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard, FSSPX “Se o catolicismo fosse inimigo da pátria,  não seria uma religião divina”. São Pio X (1) Desagrade ou não a Jean-Jacques Rousseau, o homem é um animal social. Portanto, não seria coerente tratar da perfeição moral &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-patriotismo-e-uma-virtude-crista/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" src="https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcTS44DATiXyMYwWOYF_IIejFWj9JlVGLPaShEY0OEThqhwVeito&amp;usqp=CAU" alt="O valor dos patriotas e do patriotismo – Instituto Liberal" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><em><a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5655">Pe. François-Marie Chautard, FSSPX</a></em></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="color: #000000;">“Se o catolicismo fosse inimigo da pátria, </span></em></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="color: #000000;">não seria uma religião divina”.</span></em></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="color: #000000;">São Pio X (1)</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desagrade ou não a Jean-Jacques Rousseau, o homem é um animal social.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, não seria coerente tratar da perfeição moral sem examinar as relações que o homem estabelece com Deus e seus semelhantes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essas relações envolvem vínculos, trocas, deveres e direitos; daí existir no homem uma virtude que lhe permite cumprir retamente seus distintos deveres para com Deus, a sociedade e o próximo: a virtude da justiça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É incontestável que os deveres variam em função das diferentes formas de relações: o dever para com o bem comum da sociedade não é o mesmo que o dever para com um simples bem particular. Igualmente, os deveres variam segundo as pessoas: Deus, os pais, ou desconhecidos. Eis por que a justiça ramifica-se em várias espécies e partes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, uma virtude que se tornou desconhecida a muitos, por causa da ingratidão cristalizada do espírito moderno, é a virtude da piedade para com a nação, a pátria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao examinar a virtude da justiça, pela qual “a vontade se dispõe a dar a cada um o que lhe é de direito”, Santo Tomás examina seus beneficiários, que são variados e de diversas ordens. Por exemplo, o comerciante a quem se deve pagar uma quantia exata cobrada por um objeto comprado. É um caso bastante simples, pois o que é devido – o valor – é algo preciso, exato. Uma vez que o comprador pagou a fatura, quitou seu dever em toda a justiça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste caso, a dívida repara estritamente a justiça, pois quita uma dívida precisa (pagar uma quantia exata). Mas quando se trata de Deus, dos pais ou da nação, poderíamos   alguma vez nos julgarmos quites? Poderíamos aplicar essa justiça? Poderíamos, por exemplo, em toda a justiça prestar o culto devido a Deus? Ou recompensar aos pais um bem equivalente ao da vida que nos deram, sem falar na educação?</span><span id="more-19494"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É claro que não. Por isso algumas espécies de justiça não têm a sua medida <em>perfeita</em>, visto que não se pode pagar plenamente o que é devido. É o caso de três virtudes:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; a<em> religião</em>: Devemos um culto a Deus, mas sozinhos jamais chegaríamos a honrá-lo na medida que a sua grandeza exige, bem como não poderíamos jamais retribuir-Lhe suficientemente e lhe dar tanto quanto nos deu 2.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; a <em>piedade</em>: Essa espécie de justiça reconhece a dívida de gratidão para com nossos pais, entendidos tanto no sentido estrito como no sentido amplo (ancestrais e pátria). Santo Tomás exprime-se assim: “A piedade, que se deve principalmente aos pais, deve se estender também a todos os que têm conosco vínculo de sangue, pois somos descendentes dos mesmos parentes; em seguida, deve se estender aos compatriotas, porque têm em comum conosco a mesma terra natal.” 3 </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; a <em>observância</em>: Consiste no reconhecimento e na honra devidas às pessoas de grande mérito e grande virtude, ou seja, os grandes homens de uma nação: santos, heróis militares, estadistas etc. Pois bem, jamais se recompensa suficientemente uma virtude vivida em grau excelente. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o fato de não se conseguir recompensá-la suficientemente não faz disto algo dispensável. Muito pelo contrário. Como o homem jamais conseguiria restituir a Deus, aos pais ou a pátria o tanto que deles recebeu, ele nunca está quite e, portanto, deveria se pôr a praticar diligentemente essa virtude!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Em que consiste a piedade “patriótica”?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa piedade não é o fervor com que se reza a Deus, mas sim a veneração que se tem para com os pais e a pátria, porque estão no princípio de nossa existência. Segundo Cícero, “a piedade é o exato cumprimento de nossos deveres para com os pais e os amigos de nossa pátria.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Somos herdeiros e devedores. Assim o ensina Santo Tomás, com sua clareza habitual: “O homem é constituído devedor a diferentes títulos para com os outros, segundo a excelência diversa deles e os benefícios diversos que deles recebeu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Ora, em ambos os casos o lugar supremo pertence a Deus, por ser excelentíssimo e o princípio primeiro que nos deu o ser e nos governa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Mas, em segundo lugar, este título convém a nossos pais e a nossa pátria, dos quais e na qual recebemos a vida e a educação. Portanto, depois de Deus, somos devedores sobretudo dos pais e da pátria. Em consequência, assim como o fim da religião é prestar culto a Deus, assim também, num degrau inferior, o objeto da piedade é prestá-lo aos pais e à pátria. Ademais, o culto dos pais se estende ao que prestamos a todos da mesma ascendência, como o demonstra Aristóteles. Ora, o culto da pátria abrange o prestado a todos os cidadãos e a todos os amigos dela. Por isso a eles se estende de maneira principal a piedade.”4</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Normalmente, quando falamos em “culto”, referimo-nos ao culto destinado a Deus, pois a honra devida ao pai e, por fim, a toda a autoridade, faz parte da honra rendida a Deus, já que toda autoridade criada é um reflexo da autoridade divina 5. É por isso que a apostasia hoje reinante está necessariamente acompanhada de uma crise de autoridade. Do mesmo modo, a restauração dos direitos do pai ou de qualquer autoridade só poderá ter resultados duradouros com a restauração dos direitos de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, como “as relações entre consanguíneos e concidadãos tocam mais intimamente os <strong>princípios da nossa existência</strong> do que as relações de amizade”6, a honra e a piedade devem se dirigir antes de tudo aos pais e às autoridades. Quando certos católicos defendem que a Igreja deveria abster-se de toda consideração política, manifestam assim o senso estreito e raquítico de sua virtude da justiça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A pátria, princípio de nosso ser</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Falta definir o que entendemos por pátria. Primeiramente, é a terra dos pais. Charles Péguy assim a definia: “A pátria é certa extensão de terra onde se fala uma língua, onde os costumes podem reinar; é um espírito, uma alma, um culto, é a porção de terra onde uma alma pode respirar. É a terra que se tornou nosso lar”. A essa noção da pátria carnal, o Rev. Pe. de Chivré acrescenta um complemento oportuno:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Na origem de uma pátria, há uma escolha, um casamento psicológico, um ‘noivado’ moral, entre um homem e um lugar, e o que compõe a pátria é o resultado entre o elemento temporal que se adotou e a ligação livre e definitiva do humano a esse elemento. Uma terra escolhida por um homem, na qual ele decidiu realizar atividades que unem a terra a si: eis a pátria.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Existem, então, dois elementos: um carnal e outro livre e psicológico. Esta escolha da pátria traz consigo oportunidades de ação proporcionadas pela terra, o mar, a montanha, as minas, etc. A terra é um princípio de atividade. O Estado, responsável pela pátria, tem como primeiro dever obrigar a terra a fornecer seu máximo de atividade ao homem</em>” 7.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, para além da terra, há a herança dos pais, que não é somente o solo, mas o sangue, os bens, os princípios, a religião: os deuses de nossos pais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em seu comentário sobre o artigo de Santo Tomás citado acima, Caetano insiste na noção de princípio que fundamenta essa virtude. A pátria é para nós um princípio e inicialmente talvez isso nos surpreenda. Mas ao refleti-lo bem, não somos dependentes do passado da nação? Se somos católicos, não o devemos a nossos avós? Os costumes católicos aos quais nos habituamos, não os herdamos de nossos pais? Nossa língua, precisa e estruturante para o espírito, não é um patrimônio legado por nossos antepassados? As igrejas, os palácios, os monumentos que embelezam nossas cidades, não contribuem para criar uma atmosfera à qual não damos mais atenção hoje? Porventura a fé gravada nas pedras de nossas igrejas do interior, dos muros de nossos casarões antigos, de nossos cruzeiros do campo, não conta nada na transmissão da civilização e da cultura católicas? Quem quer que já tenha viajado, mesmo pouco, sabe o quão forte e durável é a marca deixada pela sociedade em seus membros: o homem é formado sobre um passado e não faz senão construir sobre esse passado, essa herança. É preciso ter uma mentalidade de adolescente para imaginar que um homem pode se construir sozinho, amputando suas raízes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse culto dos pais encontrava-se tão enraizado na Antiguidade pagã que estava no fundamento de todas as sociedades e do direito das sociedades 8. A antiguidade havia até caído no excesso contrário, oferecendo um culto divino aos pais. A Igreja o corrigiu, mas salientou o que ele tinha de nobre:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Depois de Deus, diz Santo Tomás, é a nossos pais e à pátria a quem mais devemos (IIa IIae, q.101, a.1). O verdadeiro patriotismo é a virtude moral da piedade filial, que, iluminada pela fé sobrenatural e a prudência cristã, como se vê em um São Luís ou uma Santa Joana d’Arc, é uma virtude infusa, uma virtude perfeitamente subordinada ao amor de Deus e de todos os homens nele.</em>”9</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Quais os meios de se prestar culto à pátria e aos pais?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo, presta-se culto10 à pátria e aos pais perpetuando a lembrança e rendendo honra aos ancestrais e heróis. Aí, a comemoração dos heróis da guerra de 1914 é um ato de justiça elementar para com aqueles que combateram até verem libertado o solo da pátria, a herança dos pais 11. E, para numerosos soldados cristãos, esse sangue derramado pela França o foi em reparação aos crimes da França anticlerical e maçônica. E foram até à morte nesse espírito. “Sabemos bem que a nossa missão é redimir a França pelo sangue”, escreveu Psichari 12.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>História nacional e virtude da piedade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta gratidão pelo passado requer o conhecimento da história do próprio país. Um homem que desconhece a história de sua pátria é um inculto na pele de um ingrato. Pode-se mensurar aqui o quanto a deterioração do ensino de história contribui para minar a piedade nacional. Além do que, no caso da França, fundada pelo batismo de Clóvis, a dimensão cristã é tão forte que não se pode compreender a sua história sem conhecer o seu passado religioso. É importante então conhecer os santos nacionais e locais e prestar-lhes culto. Aqui, ainda, nestes tempos de crescente globalização, é fundamental trazer à nação a lembrança dessa lição de bom senso, tão ancorada no espírito de nossos antepassados!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além do dever de lembrarmo-nos de nossos ancestrais, é preciso honrar as autoridades legítimas, ato de justiça chamado observância. É necessário aqui um esclarecimento, já que a baixíssima qualidade dos governantes atuais nos faz duvidar desse dever. Santo Tomás já previra a objeção e a respondeu deste modo: “Os superiores maus não são honrados por causa da excelência de sua virtude própria, mas por causa de sua eminente dignidade, que faz deles ministros de Deus. E também porque neles é honrada toda a comunidade, de que são superiores.” 13</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A transmissão do patrimônio</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Está implícito que essa virtude da piedade supõe a transmissão de um patrimônio. Ora, essa transmissão se dá antes de tudo pela família e pela pátria. Estava tão ancorada na Antiguidade pagã – entre os indianos, gregos e romanos – que o celibato era ali rigorosamente proibido, como já lembramos. Com efeito, a transmissão da vida é a propagação do bem comum. Recorramos mais uma vez à explicação de Santo Tomás: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>A geração humana tem múltiplos fins: em primeiro lugar a continuidade da espécie, a continuidade também de um certo bem político, ou seja, a continuidade de um povo numa mesma cidade; a continuidade também da Igreja, que é o agrupamento dos fiéis. Tal geração deve, pois, obedecer a leis diversas. Ordenada ao bem natural, à continuidade da espécie, a geração está ordenada para esse fim pela natureza que a ela inclina: diz-se, neste sentido, que é um ofício de natureza. Ordenada ao bem da cidade, está submissa às disposições de lei civil. Ordenada ao bem da Igreja, ela deverá submeter-se ao governo eclesiástico.</em>” 14</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outra vez, podemos mensurar o quanto uma sociedade contraceptiva e abortista é inimiga da pátria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa transmissão do patrimônio é também a transmissão dos princípios civilizacionais. A fé, evidentemente, e a história, da qual já tratamos, mas também os sãos costumes nacionais e, por fim, a conservação dos monumentos materiais do país.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sobre isso, espanta-nos a imprudência com a qual herdeiros muitas vezes dilapidam seu patrimônio familiar. Outrora se apegava à terra, aos móveis, aos bens dos familiares, mas nossos contemporâneos parecem não lhes dar muito valor, preferindo bens puramente financeiros e, portanto, impessoais. Se ao menos os desprezassem para entrar em um mosteiro, por amor à pátria celeste!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Está claro, enfim, que a virtude da piedade filial inclina o homem a trabalhar pelo bem comum da Cidade e não só pelo de sua própria família, de seus correligionários, de seu clã ou partido. E isso vai desde o respeito pelos costumes, pela propriedade e pelas preferências nacionais, até o sacrifício de dar o sangue pela pátria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim o ensinaram os papas. Segundo Bento XV: “Se a caridade deve se estender a todos os homens, mesmo a nossos inimigos, ela quer que amemos especialmente os que estão unidos conosco pelos vínculos de uma pátria comum.” (Carta de 15 de julho de 1919). E Pio XII, em sua encíclica <em>Summi Pontificatus</em> (1939), acrescenta: “Existe uma ordem estabelecida por Deus segundo à qual deve-se ter um amor mais intenso e fazer o bem primeiramente aos que estão unidos conosco por vínculos especiais. O Divino Mestre deu o exemplo dessa preferência por sua terra e sua pátria quando chorou sobre ‘a iminente destruição da Cidade Santa’.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O dom de piedade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a piedade é uma virtude, é também um dom do Espírito Santo. Este último certamente não tem por fim o dever de piedade para com a pátria. No entanto, na medida em que esse dom inclina a alma a ver em Deus um pai e, nos outros cristãos, irmãos, ele contribui grandemente para a vida em sociedade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à justiça exercida para com os homens, esse dom ajuda-nos a abrandar o que poderia haver de áspero na virtude da justiça e coloca um bálsamo nas relações, muitas vezes áridas, entre os homens. O dom de piedade traz consigo um suave unguento que aperfeiçoa a justiça e dá-lhe um rosto humano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>É a flor da civilização cristã</em>, conclui Dom Lefebvre. <em>Onde quer que falte essa graça do Espírito Santo, há o risco de se recair num mundanismo, no qual as manifestações exteriores de simpatia para com o próximo são muitas vezes falsas ou exageradas, onde falta-lhes sinceridade, onde são meras formalidades, ao passo que a civilização cristã é inspirada pelo Espírito santo, pelo verdadeiro espírito de humildade e caridade, de amor ao próximo e de amor a Deus, amor inspirado por Deus. 15</em>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(<em>Le Chardonnet</em>, N. 300, julho-agosto-setembro 2014)</span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alocução Nous vous remercions, 19 de abril de 1909.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Através de Jesus Cristo, porém, isto é possível, pois o sacrifício da Missa rende a Deus uma honra infinita.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">II Sent. d.33, q.3, a.4, q.1, ad2.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">IIa. IIae. q. 101, a. 1, c.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ibidem, ad 1um.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ibidem, ad 3um.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pe. De Chivré, Le Mal, Carnets spirituels n.19, dezembro de 2008, pág.45;</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cf. Fustel de Coulanges, La cité antique, diversas reedições. O autor mostra que as leis da família e da cidade estavam ligadas ao culto dos antigos. O casamento, por exemplo, era obrigatório, porque evitá-lo significaria extinguir o culto dos filhos aos pais; as filhas estavam excluídas da herança paterna porque estavam destinadas a se unirem em casamento ao homem de outra família e, portanto, a abandonar o culto de seus pais pelo culto dos pais de seu marido.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pe. Garrigou-Lagrange, L’amour de Dieu et la croix de Jesus, tomo I, Les Éditions Militia, 1953, pág.265.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cf. IIa IIae, q. 102, a. 3.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[N. do E] O presente artigo foi escrito por um francês para um público francês.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Citado pelo Pe. Jean-Dominique, O.P., Le Père Roger-Thomas Calmel, Clovis, 2013, pág. 35.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">IIa. IIae. q. 103, a. 2, ad 2.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contra Gentes, L.4, q.78.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Monsenhor Lefebvre, La sainteté sacerdotal, Clovis, 2008, pág. 258.</span></li>
</ol>
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		<title>PAULO VI E A AUTO-DEMOLIÇÃO DA IGREJA</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Oct 2019 14:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Paulo VI]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>
		<category><![CDATA[Permanencia]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. François Marie-Chautard, FSSPX É preciso reconhecer que o papa Paulo VI trouxe um sério problema à consciência dos católicos. Esse papa causou mais males à Igreja que a Revolução de 1789”. (Dom Marcel Lefebvre)1 Quando em junho de 1963 Paulo &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/paulo-vi-e-a-auto-demolicao-da-igreja/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" src="http://permanencia.org.br/drupal/sites/default/files/imagens/Paulo_VI.jpeg" alt="" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5485">Pe. François Marie-Chautard, FSSPX</a></em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>É preciso reconhecer que o papa Paulo VI trouxe um sério problema à consciência dos católicos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Esse papa causou mais males à Igreja que a Revolução de 1789”.</em> (Dom Marcel Lefebvre)1</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando em junho de 1963 Paulo VI tomou posse do segundo e terceiro andares do Palácio Apostólico, tradicionalmente reservados ao Santo Padre, tratou de arrumá-los a seu gosto. Amante de arte contemporânea, queria dar um aspecto moderno a seus apartamentos. Tapeçaria e poltronas antigas foram substituídas por tecidos e móveis de estilo recente, os aposentos renovados foram adornados com obras de artistas em voga, e sua capela privada foi transformada no espírito dos anos 60.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história do seu pontificado revelaria que essa nova decoração era representativa da maneira com a qual o novo papa iria considerar e reger a Tradição da Igreja. <a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5485">(Continue a ler)</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No vocabulário católico, a palavra Tradição indica várias realidades. Em primeiro lugar o objeto da Revelação, ou seja, as verdades reveladas, o depósito da fé. “Tradição” indica igualmente o ato de ensino pelo qual esse depósito revelado é fielmente transmitido. Pode também significar o órgão deste ensino, isto é, o Magistério constituído pelo papa e os bispos. Mais amplamente, a palavra “Tradição” compreende todo o patrimônio doutrinal, canônico, litúrgico, pastoral, religioso e artístico da Igreja. Desde a crise da Igreja, a palavra é utilizada para qualificar o movimento dos católicos da Tradição, os tradicionalistas. Por fim, ela qualifica a noção ou o modo de transmissão, e assim fala-se de “Tradição viva”. As relações de Paulo VI para com a Tradição podem ser vistas a partir dessas diferentes acepções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Tradição como depósito da fé</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O papa Paulo VI nunca ensinou heresias propriamente ditas. No decurso de uma ocasião solene, em 30 de junho de 1968, ele mesmo proclamou um Credo que repercutiu no mundo inteiro, um sinal de seu excepcional caráter. Suas evocações tradicionais, suas advertências sobre a santa Eucaristia, o tomismo ou ainda a Igreja, creditaram-lhe a imagem de um papa liberal de duas faces2: de doutrina tradicional e pastoral de ruptura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quarenta anos após a sua morte, porém, a sua herança deixa transparecer um pontificado espantosamente progressista. Paulo VI permitiu que tantas heresias se propagassem, encorajou os inovadores de modo tão flagrante, nomeou cardeais e bispos tão progressistas, perseguiu os defensores da fé de modo tão virulento que o seu governo foi tragicamente prejudicial ao depósito da fé. Mas, sobretudo, o seu próprio ensino fez naufragar a doutrina multissecular da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O problema inicial e principal está no Concílio, o qual fez o jogo dos inovadores em detrimento da doutrina tradicional em muitos pontos fundamentais: o Magistério, a Santa Igreja, o sacerdócio, as Sagradas Escrituras, as falsas religiões, a autoridade, a liberdade etc. Essa turbulência gerou muitos atritos e a aula conciliar foi  teatro regular de controvérsias importantes cujo resultado é bem conhecido. Mas tudo isso não poderia ter ocorrido sem a autoridade papal. Sem o aval do papa um concílio não é nada, assim como um decreto ministerial preparado por comissões só tem valor quando é assinado pelo ministro. Ainda que os textos conciliares sejam preparados, debatidos e votados por milhares de bispos, um concílio é essencialmente obra do sucessor de Pedro. Ao ratificar as decisões dos padres, Paulo VI endossou a responsabilidade maior do concílio. Em toda verdade, o concílio Vaticano II é obra do papa Paulo VI. Um gesto traduz essa afinidade com o concílio: o anel que esse papa ofereceu a todos os bispos do mundo em 6 de dezembro de 1965, às vésperas do fechamento de Vaticano II, e que ele usou até a sua morte em lugar do anel de pescador. Aí está todo um símbolo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Tradição como ato de ensino</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A modificação do conteúdo do ensino foi acompanhada de uma mudança na própria concepção deste, já que a natureza do ensino é correlata à do seu objeto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Paulo VI voltou frequentemente para a expressão seguinte: a Igreja está <em>em diálogo: </em>“O Concílio trabalhará para lançar uma ponte em direção ao mundo contemporâneo (&#8230;) vocês quiseram antes de tudo se ocupar não das suas tarefas, mas daquelas da família humana, e travar um diálogo não entre vocês, mas com os homens”, disse ele aos padres conciliares3. “A Igreja se faz palavra, a Igreja se faz mensagem; a Igreja se faz conversa”4. Até Pio XII, os soberanos pontífices procuravam falar como doutores da fé. Ensinavam as verdades de Cristo com a soberana autoridade de Pedro. Seu objetivo era pregar a verdade e condenar o erro. Paulo VI privilegiou o diálogo. O papa não ensinava mais, ele dialogava, conversava. Naturalmente, condenava ainda menos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O episódio é célebre. Dom Lefebvre, reencontrando Mons. Montini nos anos 1950, pediu a condenação do “Rearmamento moral”5. E Mons. Montini respondeu que “a Igreja vai parecer uma madrasta”. O futuro soberano pontífice considerava esses anátemas como polêmicas estéreis e improdutivas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>As heresias, além disso, haviam se tornado questões secundárias a seus olhos</strong>. “Não se trata mais de extirpar da Igreja tal ou qual heresia determinada ou certas desordens generalizadas&#8221;, escreve em sua encíclica<em> Ecclesiam suam,</em> &#8220;graças a Deus, não reinam mais na Igreja&#8221;6; “na defesa da fé, contribuiremos mais promovendo a doutrina”.7 </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em sentido contrário, recordemos essas palavras cheias de espírito católico: “Em todos os tempos&#8221;, escreveu o cardeal Pie, &#8220;surgiram espíritos que consideraram a defesa [da fé] como um escândalo adicionado ao do ataque, e que de bom grado unem sua indignação à do inimigo, quando os apóstolos da verdade se esforçam em tornar sua voz tão retumbante quanto à da mentira.&#8221;8</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Tradição como órgão de ensino</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O adágio era célebre: <em>Roma locuta, causa finita est</em>. Com tal vontade de diálogo e a apologia dos erros conciliares, é a própria natureza do órgão de ensino que foi alterada. Poder-se-ia ainda falar de um verdadeiro exercício de poder do Magistério, tendo vocação em ensinar com autoridade? À exceção de algumas felizes reações, como a condenação da contracepção por <em>Humanae Vitae</em> em 25 de julho de 1968, os ensinamentos se revelavam mais indicativos que imperativos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em vez disso, o papa deixou se instalar uma liberdade teológica que degenerou em verdadeira anarquia dogmática. Quando da publicação dos catecismos canadenses e holandeses editados pelas correspondentes conferências episcopais, Roma adotou uma moderação espantosa e uma desaprovação discreta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Pio X tinha redigido um catecismo; Paulo VI fechou os olhos à difusão de catecismos heréticos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Face ao perigo do modernismo, São Pio X tinha imposto um juramento antimodernista, que deveria ser pronunciado por todas as pessoas encarregadas de autoridade de ensino e direção. Paulo VI o aboliu em 1967.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Pio X tinha fulminado o modernismo com excomunhões. Paulo VI suprimiu as excomunhões, como suprimiu a Inquisição, cujo papel era precisamente o de ensinar com clareza a fé católica e reprimir as heresias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>Index</em> também desapareceu na tormenta de 14 de junho de 1966, pela Notificação do Santo Ofício, <em>Post Litteras apostólicas</em>. O pretexto invocado é sem precedentes: “A Igreja confia na consciência madura dos fiéis”. O significado era claro: o poder de ensino não reconhecia mais a necessidade de julgar com autoridade o que os fiéis constatavam por si mesmos no fundo da sua consciência. Não havia mais mestres nem discípulos. Todos os fiéis tinham se tornado seus próprios mestres.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um gesto resumia essa revolução: em 13 de novembro de 1964, Paulo VI tinha abandonado a tiara e a sedia gestatória. A tiara é símbolo da monarquia papal. A hora era da colegialidade, da divisão de poder. O ensino se tornava colegial, sinodal. A Igreja se transformava num vasto fórum de discussões.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Tradição como patrimônio da Igreja</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois da Revolução Francesa, os papas se levantaram contra o espírito revolucionário que queria pôr abaixo a herança de Pedro. Liberalismo, falso ecumenismo, arqueologismo litúrgico, relativismo moral, pastoral relaxada, tinham sido regularmente condenados. Reencontraram, porém, direito de cidadania com Paulo VI.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma não tinha cessado de condenar a secularização dos Estados, a separação da Igreja e do Estado, a liberdade de cultos. Citemos <em>Mirari Vos</em>, de Gregório XVI, <em>Libertas</em>, de Leão XIII, <em>Vehementer </em>de São Pio X. Paulo VI fez com que fossem suprimidas uma a uma (ou as modificou num sentido liberal) as concordatas que uniam Estado e Igreja: Espanha, Irlanda, Colômbia, certos cantões suíços etc. Paulo VI não queria mais a cristandade, essa união admirável entre a Igreja e a Cidade, ilustrada por <strong>Constantino, Carlos Magno, São Luiz, Garcia Moreno</strong> e tantos outros. Adepto das teorias modernas de Jacques Maritain, o papa sonhava com uma nova cristandade, bem distinta, laica, humanista, em que os muçulmanos poderiam livremente invocar Maomé. Em 4 de outubro de 1965, ele falava a ONU numa linguagem digna de lojas maçônicas e louvava os direitos do homem que seus antecessores tinham tomado o cuidado de condenar: “Os senhores proclamam aqui os direitos e deveres fundamentais do homem, a sua dignidade, sua liberdade, e antes de tudo a liberdade religiosa. Sentimos que os senhores são os intérpretes do que há de mais alto na sabedoria humana. Diríamos quase: seu caráter sagrado”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma tinha condenado as reuniões inter-religiosas, o pan-cristianismo, notadamente na encíclica <em>Mortalium animos</em>, do papa Pio XI. Paulo VI encorajou as reuniões ecumênicas. Assim “em 7 de dezembro de 1975, ele recebeu o metropolita (ortodoxo) Meliton de Calcedônia. O papa se pôs de joelhos diante dele e beijou-lhe os pés.&#8221;9</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os pastores protestantes que tinham participado na elaboração da reforma litúrgica foram felicitados e encorajados. Paulo VI apareceu sorridente, como se estivesse satisfeito em receber luzes de peritos protestantes no objetivo de reformar a missa católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com a encíclica <em>Mediator Dei</em>, de Pio XII, Roma tinha condenado os desvios do movimento litúrgico que pretendia retornar a uma liturgia arcaica, privada dos admiráveis desenvolvimentos de vinte séculos de santidade. Paulo VI quis evitar tudo o que pudesse ofender os “irmãos separados”. Ele validou as inovações litúrgicas cujo resultado foi a destruição da liturgia da Igreja. A missa (1969), o breviário (1970), a oração dos padres, o ritual (modificado progressivamente), os sacramentos da Igreja, as ordens menores (1972), foram submetidas a uma mudança completa cujos efeitos perniciosos continuam a se fazer sentir. Para essa “reforma”, notadamente do ofício divino, o papa se apoiou em Annibale Bugnini, que declarou o espírito com o qual pretendia reformar o Breviário: “Trata-se de se orientar para uma redução do <em>pensum</em> [sic] quotidiano”10.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Até então, Roma tinha denunciado o relativismo moral e a moralidade situacional. Paulo VI permitiu a instalação de um ensino deletério nos seminários, nas universidades católicas e nas casas religiosas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma tinha sempre encorajado os religiosos a desprezar o mundo condenado por Cristo e aderir principalmente às realidades espirituais. Paulo VI obrigou todas as ordens religiosas, todas as congregações educadoras a se “reformar” segundo o espírito liberal, humanista e naturalista de Vaticano II. Diminuição trágica do fervor religioso, rarefação das vocações, fechamento de inumeráveis conventos, tais foram as consequências desastrosas dessa fracassada reforma, cujos efeitos se estenderam até mesmo ao ensino católico, que foi varrido nesta tormenta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma tinha educado o Ocidente. O latim, língua da cultura profana e religiosa, foi sacrificado no altar do pluralismo. A arte católica, admirável em beleza, foi quebrada pelos bárbaros, que não eram mais os pagãos infiéis, mas os próprios ministros do Templo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Os tradicionalistas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os defensores da Tradição não foram melhor tratados que ela: “O servo não está acima do mestre”. Paulo VI, que em 23 de março de 1966 pediu ao doutor Ramsey, pretendido arcebispo de Cantuária, para abençoar a multidão de fiéis católicos; que em 7 de agosto de 1965 beijou o patriarca grego cismático de Constantinopla; que em 4 de outubro de 1965 encheu-se de compreensão pelos maçons da ONU, não suportava os tradicionalistas e o principal deles, Dom Marcel Lefebvre, só teve direito a repreensões veementes e condenações severas. O Seminário de Êcone, berçário de padres formados como a Igreja vinha formando há séculos, foi oficialmente suspenso em 6 de maio de 1975, sem respeito ao direito da Igreja na matéria. Em 22 de julho de 1976, o prelado se viu atingido por uma suspensão <em>a divinis</em>. Malgrado seus reiterados apelos, ele jamais pôde ser julgado segundo o Direito, nem teve verdadeiramente a possibilidade de se explicar e defender.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde 1963, Paulo VI considerava constranger os bispos de mais de 75 anos a pedir sua demissão e excluir os cardeais de mais de 80 anos do conclave. Foi feito em 21 de novembro de 1970 pelo Motu próprio <em>Ingravescentem ætatem. </em>Seria intenção do papa impedir toda resistência dos prelados conservadores e lhes substituir por jovens sucessores entusiastas das novas idéias? Eis uma resposta a essa pergunta: “Nos primeiros anos depois do Vaticano II&#8221;, nota o cardeal Ratzinger, &#8220;todo candidato ao episcopado demonstrava ser ‘aberto ao mundo’: em todo caso, esse pré-requisito era colocado em primeiro lugar”11.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cardeal Mindszenty incomodava a Ostpolitik do Vaticano: ele foi afastado. Mas Janos Kadar, primeiro secretário do partido comunista húngaro, (foi declarado por Paulo VI) principal promotor e o mais autorizado para normalização das relações entre a Santa Sé e a Hungria”12.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A noção de Tradição</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que resta da Tradição no sentido de transmissão? Sua própria noção está substancialmente modificada. Para o papa Paulo VI, a Tradição não aparece mais como uma herança preciosa e viva que deve ser transmitida à posteridade conservando o seu sentido exato e inalterável, esforçando-se por torná-la ainda mais preciosa, ainda mais bela, ainda mais adaptada aos filhos de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade, o papa habitualmente tratava a Tradição não como um depósito a ser transmitido, mas como um objeto a ser transformado, como se o passado e a Tradição fosse uma espécie de depósito morto, que somente uma revisão completa seria capaz de reviver. Correndo o risco de não transmiti-lo fielmente, mas de modificá-lo substancialmente. A noção de Tradição foi radicalmente alterada. E isso talvez seja o mais grave. A ação de Paulo VI esvaziou-a de seu profundo significado: fez dela uma realidade evolutiva nas mãos dos homens.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Conclusão</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O imenso entusiasmo suscitado em muitos católicos pelo concílio e pelas reformas conciliares rapidamente cedeu lugar a uma constatação muito amarga. Paulo VI se lamentará da autodemolição da Igreja13 e da fumaça de Satanás14. A palavra “demolição” indica a natureza do mal: uma deliberada e sistemática desconstrução do pensamento e das estruturas tradicionais da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quais são as causas? <strong>A expressão “autodemolição” exclui de si as causas externas</strong>. Devemos, portanto, buscar uma causa intrínseca, no interior mesmo da Igreja, ou seja, a causa está do lado dos que possuíam autoridade, que implementaram esse empreendimento de demolição. Muitas autoridades podem ser contadas, mas todas elas estiveram na dependência da autoridade suprema que operava as principais alavancas dessa destruição, validando o Concílio e lançando suas reformas, nomeando os progressistas aos postos de comando e condenando os filhos mais fiéis da Igreja. Paulo VI certamente não queria essa demolição. Ele, no entanto, a realizou. <em>Fecit tamen</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como não refletir nestas palavras do Eclesiástico: <em>&#8220;Um governador sábio mantém seu povo em disciplina, e o governo de um homem sensato será estável. Tal o juiz do povo, tais os seus ministros; tal o governador da cidade, tais os seus habitantes. Um rei privado de juízo perde o seu povo, as cidades povoam-se pelo bom senso dos que governam.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Epílogo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Quanto mais precisamos de um papa santo, mais devemos começar colocando a nossa vida, com a graça de Deus, e mantendo a Tradição, na esteira dos santos. Então o Senhor Jesus terminará dando ao rebanho o pastor visível, de quem ele se esforçará para se tornar digno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“À insuficiência ou à deserção do chefe não acrescentemos nossa negligência particular. Que a Tradição apostólica esteja pelo menos viva no coração dos fiéis, ainda que, no momento, esteja enfraquecida no coração e nas decisões de quem é responsável no nível da Igreja. Então o Senhor certamente nos mostrará misericórdia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Ainda por isso, é necessário que a nossa vida interior não se refira ao papa, mas a Jesus Cristo. Nossa vida interior, que evidentemente inclui as verdades da revelação sobre o papa, deve se referir puramente ao sumo sacerdote, ao nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, para superar os escândalos que chegam à Igreja pelo papa.”15 </span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5485">Permanencia</a></strong></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Dom Marcel Lefebvre, <em>Carta aberta aos católicos perplexos</em>, Editora Permanência.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Ibid.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">DC 1963, n° 1357, col. 101 : “O problema do diálogo entre a Igreja e o mundo moderno. Este é o problema que cabe ao Concílio descrever em toda a sua amplitude e complexidade, e resolver, na medida do possível, nos melhores termos. (&#8230;) A Igreja deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. (&#8230;) o diálogo deve caracterizar o nosso apostolado.” Encíclica <em>Ecclesiam suam</em>de 6 agosto 1964, n° 15, 67 et 69.</span></li>
<li><span style="color: #000000;"><em>Ecclesiam suam</em>, n°67.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Fundado em 1938 pelo protestante Franck Buchman, esse movimento visa a federar toda a boa vontade, independentemente das confissões religiosas, com o objetivo de promover a paz no mundo, o diálogo e a liberdade.</span></li>
<li><span style="color: #000000;"><em>Ibidem</em>, n°46.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Citado por Paul Poupard, <em>Connaissance du Vatican : histoire, organisation, activité</em>, Beauchesne, 1974, p. 111.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Mgr Baunard, <em>Histoire du cardinal Pie</em>, Oudin, 1886, pp. 605-606.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Yves Congar, “L’œcuménisme de Paul VI”, in <em>Paul VI et la modernité dans l’Eglise</em>, Actes du colloque de Rome (2-4 juin 1983), Ecole Française de Rome, 1984, p. 817.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Yves Chiron, <em>Mgr.  Bugnini (1912-1982), Réformateur de la liturgie</em>, Desclée de Brouwer, 2016, pp. 36-37.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Joseph Ratzinger, <em>Entretiens sur la foi</em>, citado par Don Mancinella, 1962 <em>Révolution dans l’Eglise</em>, Ed. Courrier de Rome, 2009, p. 104.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Dom Marcel Lefebvre, <em>Carta aberta aos católicos perplexos</em>, Editora Permanência.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Discurso de 7 de dezembro de 1968, DC n°1531 (1969), p 12.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">29 de junho de 1972.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Pe. Roger-Thomas Calmel, o.p. “De l’Eglise et du pape en tous les temps et en notre temps”, revista <em>Itinéraires</em>n°173, maio de 1973, p. 39.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>OS PRINCÍPIOS DA AÇÃO CATÓLICA – PARTE 4/4</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Nov 2017 14:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>

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		<description><![CDATA[Pelo Pe. François-Marie Chautard Fonte: Le Chardonnet nº 269 &#8211; Tradução: Dominus Est Por mais pertinente que sejam os campos de ação do Apóstolo, e por mais elevado que esse campo seja na sociedade, sua eficácia depende necessariamente de algumas condições &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-principios-da-acao-catolica-parte-44/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong><img class="shrinkToFit alignright" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/08/Meeting_of_doctors_at_the_university_of_Paris.jpg" alt="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/08/Meeting_of_doctors_at_the_university_of_Paris.jpg" width="341" height="532" />Pelo Pe. François-Marie Chautard</strong></span></p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: Le Chardonnet nº 269 &#8211; Tradução: <a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por mais pertinente que sejam os campos de ação do Apóstolo, e por mais elevado que esse campo seja na sociedade, sua eficácia depende necessariamente de algumas condições pessoais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, o católico que deseja ver o reino de Jesus Cristo intervém em dois tipos de esfera bem distintas: uma puramente espiritual e a outra puramente temporal. Além disso, o verdadeiro apóstolo deve ser dotado de qualidade espirituais e humanas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Meios sobrenaturais</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um adágio filosófico extremamente simples ensina que a causa é proporcional ao efeito. Se o apóstolo pretende fazer uma obra sobrenatural, ele mesmo deve ser profundamente sobrenatural. Caso contrário, sua ação será humana e o fruto&#8230; humano. Se o apóstolo quer obter um fruto bem profundo e durável, ele mesmo deve ter um vida interior profunda.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O apóstolo deve, portanto, ter necessariamente como apoio uma profunda vida interior. Por isso é que os papas insistem tanto na <strong>vida de oração</strong> que deve dirigir toda a ação católica, que por sua vez é um prolongamento da ação salvífica de Cristo e dos Apóstolos. E, com efeito, trata-se de uma verdadeira vida de oração, e não do cumprimento de alguns exercícios de piedade. É uma vida de piedade, e não um verniz de piedade que não teria qualquer influência sobre a maneira de viver e julgar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa vida de oração deve igualmente ser acompanhada de uma vida de fé sólida e instruída. E a formação doutrinal deve também ter uma importância de primeira ordem. Enfim, o apóstolo não deve poupar-se de um verdadeiro espírito de sacrifício.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conforme escreveu São Pio X, «Antes de tudo, é preciso estar profundamente convencido de que o instrumento é inútil se ele não é apropriado ao trabalho que se quer executar. Conforme o que foi evidenciado acima, a ação católica, na medida em que se propõe a restaurar todas as coisas em Cristo, constitui um verdadeiro apostolado para a honra e glória do próprio Cristo. <strong>Para bem cumpri-lo é preciso que se tenha a graça divina e que o apóstolo só a receba se estiver unido a Cristo.</strong> Somente quando tivermos formado em nós Jesus Cristo é que podemos mais facilmente trazê-Lo às famílias e à sociedade. Todos aqueles que são chamados a dirigir ou que se consagram à promover o movimento católico, devem ser católicos à toda prova, <em>convictos</em> <em>de sua fé, firmemente instruídos nos assuntos religiosos, sinceramente submissos à Igreja</em> e especialmente à suprema Sé Apostólica e ao Vigário de Jesus Cristo sobre a terra; eles devem ser <em>homens de piedade verdadeira, de varonil virtude, íntegros nos costumes</em> e de uma vida de tal modo intemerata que eles sirvam a todos de eficaz exemplo.</span><span id="more-11176"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a alma ainda não está preparada, não só será difícil promover o bem aos demais, mas será quase impossível agir com retidão de intenção e faltar-lhe-ão as forças para suportar com perseverança os problemas que surgem com todo apostolado: as calúnias dos adversários, a frieza e pouca ajuda até mesmo dos homens bons, e finalmente há às vezes os ciúmes dos amigos e dos companheiros de luta (sem dúvida perdoável, dada a fraqueza da natureza humana, mas muito danoso e causador de discórdias, de ofensas e querelas intestinas). Somente uma virtude paciente e firme no bem, e ao mesmo tempo suave e delicada, é capaz de remover ou diminuir essas dificuldades de maneira que a obra a qual estão consagradas as forças católicas não sejam comprometidas. A vontade de Deus, dizia São Pedro aos primeiros cristãos, é que, obrando, vós caleis os insensatos: <em>“porque assim é a vontade de Deus, que obrando bem façais emudecer a ignorância dos homens imprudentes”</em> [1Pe 2, 15]»<strong>[1]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quase meio século mais tarde, Pio XII renovava a mesma advertência insistindo na virtude pessoal. Esse esclarecimento nos parece capital conforme cresce a cada dia a distância entre a vida em comum e a vida pessoal: zelosos em grupo na ocasião de alguma manifestação, muitos católicos abdicam da luta quando estão isolados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esses meios sobrenaturais são evidentemente usados nas obras puramente espirituais como um grupo de oração, no apostolado do catecismo, etc. Mas eles têm da mesma maneira seu lugar necessário nas obras temporais: um trabalhador cristão irradiará em sua empresa se ele conhece seu catecismo, se ele é aplicado ao seu dever de estado, se ele reza em seu trabalho, evita as palhaçadas e outras palavras que soam inconvenientes na boca de um cristão, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Qualidades naturais</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dito isso, as qualidades naturais não devem entretanto ser deixadas de lado, longe disso. Seria um sonhador o apóstolo que negligenciasse suas reuniões de apostolado ou de ação sob o pretexto de que ele oferece seu apostolado à Providência. Seria cair num angelismo bem afastado do espírito do cristianismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esses meios naturais são os seguintes: a organização metódica — ou mesmo científica —, a competência, o espírito de equipe, a polidez e a pontualidade. Em suma, esses meios são aqueles que têm todo espírito sério que se lança num empreendimento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quantas ações de pequena ou grande envergadura falham por falta de preparação suficiente, por uma estupenda negligência dentre os apóstolos (negligência entretanto sobrenatural), que não permitiriam tal desleixo se se tratasse de seu dever de estado profissional. Pense nas equipes de um movimento de juventude que parte de noite para uma sessão de amostra de cartazes. Eles recitaram antes seu rosário, mas não pensaram em trazer consigo a cola, em ter um plano direcionado àquele segmento visado e discutem entre si sobre preferências supérfluas. E eis que eles se surpreendem com o pouco sucesso do empreendimento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A imprecisão, a improvisação e o amadorismo devem ser banidos se se tem alguma ambição de sucesso. Como em todas as coisas naturais e sobrenaturais, a negligência não pode jamais produzir frutos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«&#8230;para que a ação católica seja eficaz em todos os aspectos, advertiu São Pio X, não basta que ela seja proporcionada às necessidades sociais atuais; convém antes que ela se faça valer por <em>todos os meios práticos</em> que lhe fornecem hoje o progresso dos estudos sociais e econômicos, as experiências já realizadas em outros lugares, as condições da sociedade civil e a própria vida pública dos Estados»<strong>[2]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ademais, essa ação não deve ser unicamente individual, caso contrário ela seria ineficaz. Ela deve ser dirigida ao cerne das organizações estruturadas e hierarquizadas<strong>[3]</strong>. Querer agir unicamente de uma maneira solitária reduz consideravelmente o campo e a eficácia do apostolado. O individualismo não convém de maneira alguma, sobretudo no apostolado!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Evidentemente, esses meios naturais são identificados nas obras mais diretamente temporais, mas também se encontram nas obras puramente espirituais: o apostolado de um movimento de juventude desenvolve melhor se os membros desse movimento são pontuais, organizados, disciplinados e sabem trabalhar em equipe. Eis, por exemplo, uma conferência sobre assunto espiritual programada para acontecer num horário determinado. Mas os membros interessados chegam à conta-gotas de modo que a conferência não pode começar senão com meia hora de atraso. Resultado: a refeição prevista após a conferência é marcada para outro dia (e isso irrita a todos), e a prece final é abreviada — quando não pura e simplesmente suprimida. A falha pode incidentalmente vir do próprio conferencista, cuja intervenção pode ser desleixada e mais longa que o previsto. E então, os que vieram pela primeira vez prometem a si mesmos nunca mais voltar num movimento em que os slogans de campanha são diametralmente e ridiculamente opostos às realidades concretas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É um fracasso: os membros são desencorajados e o demônio esfrega as mãos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A necessidade de uma elite</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em outros termos, a Ação católica requer um espírito de perfeição antípoda ao espírito do mundo, do espírito de facilidade e do diletantismo. Se o católico quer se envolver em uma ação de qualquer extensão, então que ele se envolva com coragem e perseverança, munido de todas as qualidades que preparam as vitórias do futuro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na ordem sobrenatural, somente os santos, as almas verdadeiramente naturais, fazem as coisas avançarem e convertem as almas. Os 12 apóstolos converteram o mundo. Hoje, quantos milhões de católicos há? Eles fazem a Igreja avançar?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na ordem natural só os espíritos judiciosos, metódicos, organizados e audaciosos obtêm sucesso. Nessa esfera, a competência, o método, o <em>esprit de finesse</em> [espírito de perspicácia] e a força de convicção trazem consigo as boas recomendações. Hoje em dia, quantos católicos consideram o apostolado não como um passatempo, mas como uma ação cuidadosamente organizada, atenciosamente preparada e pacientemente conduzida?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, quaisquer que sejam as qualidades requeridas, tudo se reduz a isto: o espírito de perfeição. Que possam todos os católicos cultivar esse espírito em vez de simplesmente sonhar com ele. Só o espírito de perfeição poderá trazer de volta à Igreja e à Cidade o brilho com o qual sempre resplandeceram e que são capazes de irradiar em todas as épocas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[1] </strong>São Pio X, <em>Il fermo proposito</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[2]</strong> Ibidem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[3]</strong> Cf. Léon XIII, <em>Le Laïcat</em>, Les enseignements pontificaux réunis par les moines de Solesmes, Desclée, n° 150; Pie XI, ibidem, n° 548.</span></p>
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		<title>OS PRINCÍPIOS DA AÇÃO CATÓLICA – PARTE 3/4</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2017 14:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>

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		<description><![CDATA[Pelo Pe. François-Marie Chautard Fonte: Le Chardonnet nº 268 &#8211; Tradução: Dominus Est Cristianizar a sociedade em todos os seus elementos e fazer irradiar Cristo Rei: tal é o desejo caro a muitos corações católicos. Ainda é preciso saber como se &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-principios-da-acao-catolica-parte-34/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong><img class=" alignright" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a3/Leo_XIII.jpg/240px-Leo_XIII.jpg" alt="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a3/Leo_XIII.jpg/240px-Leo_XIII.jpg" width="267" height="330" />Pelo Pe. François-Marie Chautard</strong></span></p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: Le Chardonnet nº 268 &#8211; Tradução: <a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cristianizar a sociedade em todos os seus elementos e fazer irradiar Cristo Rei: tal é o desejo caro a muitos corações católicos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ainda é preciso saber como se tomar uma decisão acerca dos meios. Por isso, após ter evocado os grandes princípios da Ação católica, resta-nos ver como aplicá-los: em quais campos de ação<strong>[1]</strong> e segundo quais condições.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Ademais, importa — observa São Pio X — definir claramente as obras pelas quais as forças católicas devem se esforçar empregando toda sua energia e constância. Essas obras devem ser de uma tão evidente importância, responder de tal maneira aos desejos da sociedade atual, adaptar-se tão bem aos interesses morais e materiais — sobretudo os do povo e das classes mais pobres —, que, enquanto instiga nos promotores da ação católica a melhor atividade para obter os resultados importantes e certos que se devem esperar dessas obras, elas sejam também facilmente compreendidas e alegremente bem-vindas por todos»<strong>[2]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Privilegiar as estruturas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, mantidas inalteradas todas as outras coisas, parece necessário visar ainda mais as estruturas<strong>[3]</strong> que os indivíduos. O indivíduo afeta os demais indivíduos e desaparece em seguida. A estrutura permanece.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Privilegiar as estruturas já existentes</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa atenção às instituições é dupla. Por um lado ela visa dar novamente um respiro às estruturas existentes, isto é, dar um verdadeiro espírito cristão; por outro lado ela visa fundar novas estruturas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse apostolado pode então se ordenar em duas palavras: <strong>conservar </strong>e <strong>desenvolver.</strong> Antes de fazer melhor do que aquilo que existe, convém antes fazer bem aquilo que existe. Também vale mais proteger e desenvolver as obras existentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Infelizmente, esse princípio é frequentemente esquecido. Seduzido por uma idéia que lhe parece genial, o apóstolo se lança de cabeça numa obra que aos seus olhos parece indispensável: uma nova confraria, um novo círculo, um grupo de oração em torno de uma devoção esquecida há muito e que lhe parece imperativo ressuscitar<strong>[4]</strong>. Na Ação católica, assim como em tudo, é preciso desconfiar da tentação que tem aparência de bem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, frequentemente é preferível apoiar o que já existe. Além disso, é um meio certo de evitar o apego à uma obra pessoal e todos os inconvenientes humanos que ela traz consigo.</span><span id="more-11174"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Num segundo momento, após ter desenvolvido uma obra suficientemente madura, é preciso expandir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Ação católica pode conter assim quatro partes:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Defender:</strong> o bem, a verdade, uma boa obra, etc. Trata-se aqui tanto de proteger uma boa obra quanto evitar a propagação do mal. Essa defesa é multiforme: impedir que se estenda o trabalho até o domingo, lutar contra as amostras de pornografia, opor-se à destruição da igreja da vizinhança, participar de conferências contraditórias<strong>[5]</strong>, ou petições como as que Leão XIII encorajou<strong>[6]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Apoiar:</strong> muitas obras de salvação devem sua existência somente à ajuda de fiéis generosos de suas pessoas ou de seus bens. Nos absurdos anos que se seguiram após o Concílio, muitos padres fiéis à Tradição tiveram a boa graça da ajuda de fiéis que não se contentavam em «se servir» e doavam de si mesmos. Esse tipo de ajuda é muito variado: devotar-se ao coral de uma paróquia, assinar a revista paroquial (além do bem recebido, é uma maneira de manter uma obra), colocar seus filhos nas boas escolas (além do bem primordial para as próprias crianças, trata-se de manter as obras existentes), preferir ir a um simpósio em vez de passear, ir à excursão até Lourdes [ndt: no caso do Brasil, à Aparecida] organizada pela paróquia em vez de fazer sua viagem «pessoal» na qual você só atende ao próprio interesse, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Ampliar:</strong> Após ter apoiado ou mantido obras, é preciso reforçá-las e melhorá-las. Pode-se recrutar para os retiros espirituais, levar os novatos a um curso de catecismo, a uma escola, a um círculo de jovens famílias, a um acampamento de férias, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Fundar:</strong> Enfim, após ter ampliado suficientemente, convém difundir por meio da fundação de novas estruturas: um curso de catecismo <strong>[7]</strong>, uma escola, um grupo de estudos, um círculo de Tradição ou um grupo de terço numa nova capela.</span><span style="color: #000000;"><strong> </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Privilegiar as estruturas existentes</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, é mais oportuno privilegiar as estruturas naturais e primordiais<strong>[8]</strong> em vez das estruturas artificiais e secundárias, tanto da sociedade civil quanto da eclesiástica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por exemplo, se um leigo se pergunta se ele deve aplicar seu tempo livre na fundação de uma nova confraria ou na ajuda a uma escola, mais vale ajudar a escola; é mais necessário e mais fundamental.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em um texto que dificilmente envelhecerá<strong>[9]</strong>, Pio XII indicou três campos de apostolado que um cristão deve considerar como prioritários. Não serão encontrados campos novos e inexplorados; ao contrário, o que se encontrará serão os terrenos clássicos e acessíveis a todo católico: a Igreja, a família e o trabalho<strong>[10]. </strong>O resto vem depois, tão logo estiverem fortificados e desenvolvidos esses campos de ação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse ensinamento de Pio XII, afinal de contas, não foi senão uma aplicação do princípio segundo o qual devemos defender e restaurar os corpos intermediários<strong>[11]</strong>. A ação católica se diversifica enquanto visa a santificação:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Da família[12]:</strong> desde ajuda financeira até os acampamentos de jovens, passando pela monitoria de crianças durante a Missa e o Movimento Católico das Famílias. No mundo da Tradição, onde as jovens mães de família estão frequentemente sobrecarregadas, a organização mais estruturada de ajuda concreta às mães feita pelas jovens garotas que se devotam benevolentemente a tal atividade é um exemplo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Da escola[13]:</strong> A obra das escolas representa um belo terreno para o apostolado. Essa ajuda, mencionada acima, pode se realizar de diversas maneiras. Sem dúvida é importante trazer uma ajuda financeira<strong>[14]</strong>. Os pais, que comumente não têm dinheiro, costumam deixar a situação mais confortável aos avós. Mas é mais benéfico ainda investir a sua própria pessoa, oferecendo-se benevolentemente para dar cursos caso possua habilidades que possam ser oferecidas<strong>[15]</strong>; ou ajudando a escola nas várias atividades que fazem parte dela: cozinha, manutenção e monitoramento de alunos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Agremiações profissionais[16]:</strong> a Tradição conta ainda com diversos grupos desse tipo: Association Catholique des infirmiers et médecins [Associação Católica de enfermeiros e médicos], Association des Juristes Catholiques [Associação de Juristas Católicos]. Para apoiar esse tipo de agremiação pode-se entrar em uma, torná-la conhecida às pessoas próximas e propagar os materiais impressos e afins que demonstram sua necessidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Cidades pequenas e a vida política:</strong> Um certo número de fiéis conseguiu obter uma responsabilidade política e ter uma influência real. Destacam-se, dentre outras possibilidades de ação, a interdição de uma festa rave, a interdição da construção de uma mesquita, a restauração da igreja local, etc. O próprio Mons. Lefebvre encorajava os fiéis a ocuparem cargos de responsabilidade na vida política local, e o movimento Civitas o fez.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ação católica é portanto bem mais completa que as manifestações de rua ou colagem de cartazes. Não que essas duas ações não sejam jamais boas, mas a ação católica deve ser mais profunda, mais durável e mais eficaz. Por conseguinte, ela não se coloca naquilo que é passageiro. E para ser mais eficaz, ela deve proteger e desenvolver antes de tudo as estruturas naturais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o que é verdade para sociedade civil é verdade para a sociedade eclesiástica<strong>[17]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Privilegiar os objetivos próximos</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na mesma linha de ideias de um apostolado que privilegia os meios naturais, convém antes se ocupar de objetivos ao nosso alcance em vez de se comprometer com um objetivo de grande envergadura ou afastado do nosso campo de ação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Infelizmente, por conta da intervenção midiática, há uma tendência a se entusiasmar por uma obra longínqua; à se apiedar das vítimas cuja ajuda não nos é possível. Ora, a teologia moral é clara: nós devemos amar e ajudar nosso <em>próximo</em>, ou seja, aquele que é mais próximo de <em>nós</em>: próximos pela fé, pelos laços de sangue, pela nacionalidade, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em particular, antes de pensar em fundar todo tipo de associação, é preferível defender as estruturas que estão próximas de nós: nossa paróquia, a escola local, o grupo do priorado, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de fundar um grupo político ou de lutar contra a subversão, o pai de família deve se ocupar com sua esposa e com seus filhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É um sistema cristão e «civilizacional» que é preciso criar, e não uma insígnia cristã visível a todos e em todos os lugares. Portanto, não é preciso considerar o apostolado da mesma maneira que, <em>grosso modo</em>, considera-se o comércio. Essa distinção tem sérias consequências no emprego de meios mais concretos. Por trata-se de apoiar obras basicamente naturais como a família, os meios adequados serão frequentemente naturais e, por isso mesmo, acessíveis à maioria. O combate na internet, por exemplo, é certamente útil, mas secundário, e portanto ele deve servir para desenvolver as estruturas cristãs naturais. Quando se vê quanto tempo muitos dos fiéis passam olhando os sites da Tradição em busca de qualquer novidade, é o caso de perguntar se esses sites fazem um serviço ou um desserviço à vida interior dos fiéis, fim supremo do apostolado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Os meios artificiais</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, ao se esforçar para manter uma obra artificial (como um site de internet) os meios utilizados serão mais artificiais e mais perigosos de se manusear, valorizando mais a imaginação e o «marketing» do que a vida interior e o dever de estado, predispondo o apóstolo mais à superficialidade do que à mortificação ou à interioridade ou ao sobrenatural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por infelicidade, quem é da era da comunicação em massa sonha com meios proporcionais à sua ambição. Sonha-se com meios artificiais e fáceis: grande manifestação, grande público, mailing, programas de rádio, televisão ou internet. São meios artificiais cujos resultados são frequentemente escassos&#8230; sobrenaturalmente. Frequentemente os meios artificiais levam a resultados sensacionais&#8230; mas artificiais. O efeito está à altura da causa. Se o apóstolo usa de todos os meios para obter sucesso, esses meios artificiais, que os santos sabem usar, vêm num segundo momento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Manifestação ou confissão pública</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um desses meios artificiais restantes é a manifestação pública com seus slogans tais como aquelas manifestações que se vê passar na capital todos os dias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa manifestação de caráter escandaloso deve ser absolutamente distinta de uma manifestação de confissão pública de fé, como é uma procissão do Santíssimo Sacramento. Tal confusão seria funesta tanto num sentido como no outro. Uma procissão é uma ação que decorre naturalmente e estruturalmente da fé católica. Não há nada de artificial no próprio conceito de uma procissão ou de um desfile, pois é natural ao homem e ao cristão manifestar publicamente aquilo que ele louva — ou mesmo aquilo que reprova. Um desfile militar, uma procissão do Santíssimo Sacramento, uma festa local com seus desfiles inocentes são obras que decorrem da natureza social do homem. Uma procissão em honra à Virgem Maria é tudo, menos um meio artificial de apostolado, mesmo se uma procissão vir a ser algo que vise o aspecto quantitativo ou sensacional.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em contrapartida, esses qualificativos (artificialidade, o aspecto quantitativo e sensacional) adequam-se naturalmente à manifestação pública criada na democracia moderna, porquanto ela é uma caricatura da natureza sociável do homem, na qual uma trupe instigada pela fúria berra insultos com tal desordem, que não se pode nem mais falar em desfile. Noutros casos, a manifestação parece um passeio de classe para adultos no qual as pessoas soltam balões e, desta maneira, acreditam estar servindo uma causa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nossa época usa e abusa das manifestações. Ademais, estas se integram perfeitamente ao sistema democrático. A democracia tem como fundamento — oficial — a multidão; A multidão faz as leis. Além disso, num sistema democrático, a manifestação de massa serve de válvula de escape. Como nos dias do carnaval de Veneza em que um manifestante que gritou sem parar para seus governantes após ter se vestido com uma camiseta adequada à situação — isso mostra o quanto o homem moderno precisa sempre se cobrir com um disfarce —; voltou a se acalmar por ter então se manifestado diante de todos. Ele protestou publicamente o tanto que pôde e desfrutou da satisfação de ter ao menos defendido aquilo que lhe é caro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O apóstolo reluta em usar esse meios. Se ele o usa, é a contragosto; e só após ter constatado que, nas circunstâncias presentes, esse meio ficou como o único utilizável — um pouco como a greve justa na qual as condições de legitimidade são tão severas quanto raras. Em termos de eficácia, raramente compensa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Bem mais vantajoso são os campos de influência e direção. E, novamente, trata-se de privilegiar a qualidade de ação e não a multidão de ativos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>As posições de influência</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«É certo, lembrou São Pio X, que as constituições atuais dos Estados dão indiscriminadamente a todos a faculdade de exercer influência sobre a coisa pública; e os católicos, com o devido respeito às obrigações impostas pela lei de Deus e pelos preceitos da Igreja, podem certamente usar isso em proveito próprio; e podem de tal maneira, que eles podem se mostrar tão capazes como os demais (ou mesmo mais do que os outros) ao cooperar com o bem-estar civil e social do povo. Ao fazer isso, eles adquirirão aquela autoridade e prestígio que lhes tornarão capazes de defender e promover os bem maiores, ou seja, os bens das almas»<strong>[18]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E de maneira ainda mais explícita, Leão XIII, em um documento maior sobre a Ação católica, <em>Graves de communi</em>, de 18 de janeiro de 1901, lembrou a importância das posições de influência: «Deve-se, sobretudo, recorrer à benevolente ajuda daqueles cuja posição, fortuna, cultura espiritual ou moral garantem-lhes mais influência na sociedade. Estando ausente essa ajuda, dificilmente será feito algo de verdadeiramente eficaz que venha a melhorar, da maneira que se gostaria, a vida das pessoas».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, são diversos os postos de influência no seio da sociedade civil. Eis alguns exemplos:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O padre</em>. Pode parecer surpreendente colocá-lo aqui. Com efeito, embora seu poder de decisão ou de direção seja quase inexistente na cidade, seu poder de influência é considerável. Evidentemente não é ele quem vai dirigir o funcionamento de um empreendimento. Mas ao exercer sua influência sacerdotal tanto sobre os diretores quanto sobre os empregados, ele espalha-a sobre a empresa. Pela pregação no púlpito, no confessionário, no catecismo, na direção espiritual, por meio da escrita ou das conferências, ou antecipadamente na formação escolar, ele exerce uma influência real, invejada pelos inimigos de todo aquele que é cristão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O jornalista, a mídia</em>. Neste caso também, seu papel de decisão é quase nulo. Todavia, seu poder de influência, sobretudo num mundo dominado pela opinião pública, é extremamente forte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O professor</em>. Ele insufla um espírito, uma maneira de julgar, de pensar e, portanto, de agir. O ofício de professor, embora difícil de se exercer nos dias de hoje, permanece um dos mais belos e mais úteis no que diz respeito à obra civilizatória.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O médico, o advogado, em suma: <em>o notável</em>. A influência do médico é conhecida: curando os corpos, é raro que ele não venha a desempenhar qualquer papel sobre as almas. Ademais, o notável, seja qual for, permanece uma referência. Se o médico, o advogado ou o tabelião vão à missa tradicional e têm uma família numerosa com filhos bem criados, eles tornam-se referência e acabam ficando conhecidos em seu círculo pessoal, em seu segmento profissional e em sua clientela.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse papel de influência é muito importante, especialmente por ele não necessitar de um grande número de pessoas e nem a possessão de uma autoridade efetiva. No jargão moderno, estamos falando de lobbying. Este termo é frequentemente entendido num sentido subversivo, embora não seja necessariamente o caso. Pelo menos não para os católicos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Dirigir</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, acima do poder de influência encontra-se o poder de direção. O diretor de uma empresa, o chefe de uma equipe médica num hospital, um oficial superior e o enfermeiro chefe: todos têm grande importância. Suas decisões repercutem desde o topo até a base da hierarquia e lhe dão um caráter. É o superior que insufla caráter na hierarquia ou deixa que outro lá se instaure. Pode-se atenuar os efeitos de uma má direção ou melhorar ainda mais os efeitos de uma boa; substituí-la, jamais. O que é conhecido na esfera profissional (pontualidade e competência) é também verdadeiro no domínio moral.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alguns exemplos concretos surgem: que um diretor não admita anedotas picantes ou hostis à religião por parte de seus colaboradores não é indiferente ao caráter do conjunto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«A bondade e a justiça dos princípios cristãos, ressalta São Pio X, a reta moral que professam os católicos, seu inteiro desinteresse por aquilo que lhe é pessoal, a franqueza e a sinceridade com aqueles que buscam unicamente a verdade, o sólido, o supremo bem dos outros, enfim, sua evidente aptidão para servir os verdadeiros interesses econômicos do povo: tudo isso não pode deixar de causar impressão sobre o espírito e sobre o coração»<strong>[19]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, e mesmo que a ideia seja rejeitada, o chefe representa sempre um pai e um modelo. Ademais, ele pode se permitir certos conselhos ou admoestações que um outro não poderia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Novamente, não é portanto uma questão estatística ou de números<strong>[20]</strong>. É uma questão de mérito e de prática concreta da vida cristã na vida profissional, especialmente através da competência. A consequência apostólica é nítida. É preciso ser ambicioso para influenciar e dirigir. Não é um orgulho disfarçado; é, ao contrário, uma caridade cristã bem esclarecida que é antípoda da pusilanimidade fácil e cômoda que camufla a preguiça e a indiferença ao bem comum da Cristandade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é preciso nem dizer que essa ação apostólica pressupõe que o apóstolo atenda à certas condições.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>(Continua)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[1]</strong> Campo e meio de ação estão ligados. Escolher seu terreno é o meio de ser eficaz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[2] </strong>São Pio X, <em>Il fermo proposito.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[3]</strong> Por estrutura entendemos tudo aquilo que dura além dos indivíduos e que pode mais ou menos contribuir para manter um espírito cristão. São evidentemente as corporações, escolas, mais ainda as festas cristãs de preceito como a segunda-feira de Pentecostes, a igreja do povoado, a cruz na entrada da cidade, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[4] </strong>Um velho cura, cansado da multidão de obras que dispersavam seu rebanho, anunciava corajosamente a quem lhe pedia para fundar uma nova confraria, que ele já pertencia por batismo à confraria dos 10 mandamentos, os quais já tinham grande necessidade de ser defendidos e protegidos!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[5]</strong> Em março de 2010, o cardeal Vingt-Trois convidou um rabino para falar na catedral; um grupo de fiéis alegremente interveio recitando o rosário cantado e, por isso mesmo, obrigou o rabino a se retirar para a sacristia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[6]</strong> «É preciso usar a ação, as petições, colocar tudo em ação na medida do possível, nos limites da lei, e não descansar enquanto que não Nos for restaurada — e não apenas em aparência — essa liberdade [da Santa Sé na Itália]» <em>Le Laïcat</em>, Les enseignements pontificaux réunis par les moines de Solesmes, Desclée, n° 119, p. 90.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[7]</strong> Uma jovem mãe de família, recentemente chegada na Tradição, teve a feliz iniciativa de fazer um curso de catecismo para as crianças em sua casa. E o sucesso teve a altura do seu esforço. Sobre esse assunto, ver os encorajamentos de São Pio X em <em>Le Laïcat</em>, n° 310, p. 195.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[8]</strong> O senso prático e o espírito sobrenatural de Mons. Lefebvre sempre o levou a fundar prioritariamente obras sobrenaturais fundamentais antes de (re-)fundar estruturas mais secundárias (sem ser supérfluas). Sua principal e mais importante obra prática continua sendo a fundação de um seminário e em seguida a Fraternidade São Pio X com seu conjunto de obras que dali nasceram: os outros seminários, os priorados, as casas de retiro espiritual, as escolas, as Terceiras-Ordens, etc. Desses priorados e distritos surgem ou são divididos hierarquicamente muitos outros movimentos diversos e secundários: A Cruzada eucarística, a Legião de Maria, Civitas, os Veteranos aposentados, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[9]</strong> 10. Cf. <em>Consignes aux militants</em>, Les enseignements pontificaux réunis par les moines de Solesmes, Desclée n° 187, p. 97.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[10]</strong> O Marechal não estava, portanto, afastado desse pensamento quando ele substituiu justamente, enquanto chefe de Estado, a Igreja pela Pátria e defendeu a restauração nacional reunindo todos em torno do trabalho, da família e da pátria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[11]</strong> Na encíclica <em>Mater et magistral</em>, João XXIII, seguindo Pio XI, lembrou a necessidade da «reorganização da vida social mediante a reconstituição de corpos intermediários autônomos com finalidade econômica e profissional, criados pelos particulares e não impostos pelo Estado». Citado por M. Creuzet, <em>Les corps intermédiaries</em>, 1ª e 2ª parte, ed. Cercles Saint Joseph, Martigny, sem data de edição, p. 54.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[12]</strong> Cf. Leão XIII em <em>Le Laïcat</em>, n° 168, p. 121.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[13]</strong> Cf. Pio XI em <em>Le Laïcat</em>, n° 42, p. 38.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[14]</strong> Especialmente passando pela Association de Défense de l’École Catholique (ADEC).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[15]</strong> Graças a Deus, esse exemplo — como muitos outros citados aqui — não são teoria, mas uma realidade em diversos locais da Tradição para a maior edificação das crianças.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[16]</strong> Cf. <em>Le Laïcat</em>, São Pio X, nº 387 e 388 e Pio XI nº 533.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[17]</strong> É particularmente lamentável constatar que se sonha com mais frequência em formar um novo grupo de oração do que ir às Vésperas, que por sua vez constituem <em>A</em> oração litúrgica de Cristo em sua Igreja. Queira Deus que a energia empregada pelas orações privadas seja direcionada à prece litúrgica!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[18]</strong> São Pio X, <em>Il fermo proposito</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[19] </strong>São Pio X, <em>Il fermo proposito</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>[20]</strong> Como dizia Santo Afonso de Ligório: «Se eu conseguisse ganhar um rei, teria feito mais pela causa de Deus do que se tivesse pregado em centenas ou milhares de missões». Citado por Creuzet, op. cit., p. 55.</span></p>
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		<title>OS PRINCÍPIOS DA AÇÃO CATÓLICA – PARTE 2/4</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Oct 2017 18:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>

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		<description><![CDATA[Pelo Pe. François-Marie Chautard Fonte: Le Chardonnet nº 260 &#8211; Tradução: Dominus Est No artigo anterior foram evocados os objetivos assim como os três princípios da ação católica tais como o Magistério nos deu em seus ensinamentos: O objetivo da &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-principios-da-acao-catolica-parte-24/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><img class=" aligncenter" src="https://www.herodote.net/_images/8-papaute2-henri4-agenouille-gregoire7-vatican.jpg" alt="https://www.herodote.net/_images/8-papaute2-henri4-agenouille-gregoire7-vatican.jpg" width="527" height="343" />Pelo Pe. François-Marie Chautard</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: Le Chardonnet nº 260 &#8211; Tradução: <a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No artigo anterior foram evocados os objetivos assim como os três princípios da ação católica tais como o Magistério nos deu em seus ensinamentos:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O objetivo da ação católica é contribuir para a instauração do Reino de Jesus Cristo nos indivíduos, nas famílias e nas sociedades.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esses três primeiros princípios<strong>[1]</strong> da ação católica são os seguintes:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ação católica deve se adaptar à ordem natural e impregná-la da graça. Em poucas palavras, ela deve cristianizar a ordem das coisas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sendo a natureza do homem sociável, a ação católica deve impregnar sem destruir toda a vida social e política do homem, ou seja, cristianizar os corpos intermediários e, finalmente, todas as instituições sociais e políticas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sendo dupla a natureza das obras humanas — temporal e espiritual —, os princípios da ação católica variam de acordo com esses dois modos. E esses princípios engendram outros:<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Quarto princípio: a ação católica deve estar submissa à autoridade eclesiástica</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a ação católica visa instaurar o Reinado de Nosso Senhor na ordem puramente espiritual ou temporal, sua ação é eminentemente sobrenatural e diz respeito à ordem da graça. Ora, o que diz respeito à ordem da graça diz respeito à autoridade eclesiástica. Por conseguinte, a obediência condiciona o sucesso do apostolado, conforme ensina Pio XII:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Essa estreita colaboração do laicato ao apostolado hierárquico, em uma inteligente e alegre obediência em relação aos chefes espirituais que o Espírito Santo colocou para reger a Igreja de Deus, é a garantia de sucessos sobrenaturais divinamente prometidos aos mensageiros do Evangelho (&#8230;)»<strong>[2]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contrariamente a isso, afastar-se da tutela eclesiástica nas esferas que lhe pertencem equivale a se privar das bênçãos do Céu.</span><span id="more-11160"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Magistério da Igreja é particularmente claro sobre esse capítulo da obediência. Em várias ocasiões os papas retornaram ao assunto, especialmente com o Sillon<strong>[3]</strong>. Essa insistência explica-se facilmente pela propensão recorrente na qual os leigos engajados na ação política e social emancipam-se voluntariamente da autoridade eclesiástica. Ativos na Cidade, esses leigos esquecem facilmente que as esferas sociais e políticas tocam a moral cristã e, por isso mesmo, dependem da hierarquia eclesiástica: «não se edificará a sociedade, insiste São Pio X, se a Igreja não deitar as bases e não<em> dirigir </em>os trabalhos»<strong>[4]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certas áreas dependem exclusivamente da autoridade temporal. Entretanto, muitas das áreas afetam, de alguma forma,as competências eclesiásticas. Em particular, a educação, a medicina e a economia estão estreitamente ligadas aos princípios morais. E muito idealista seria aquele que imaginasse encontrar soluções gerais fazendo da economia uma direção moral.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Evidentemente isso não significa que os leigos não tenham qualquer poder de direção e nem que a doutrina política da Igreja se confunda com a teocracia. Entretanto, isso significa que, por direito, os leigospermanecem sujeitos à hierarquia católica nos assuntos que tratam de fé e moral. A batina evidentemente não tem de dirigir os protocolos da pesquisa médica, mas se por ventura a pesquisa tiver como objeto os embriões humanos ou qualquer outra questão que concerne de alguma forma mesmo à moral natural, então a Igreja possui um dever e um direito de controle. É, portanto, para retomar uma expressão de São Pio X, uma «alta direção», e não um minucioso controle dos mínimos detalhes e aplicações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais precisamente, a autoridade da Igreja distingue-se na medida em que a ação se relaciona diretamente a um assunto espiritual — como um patronato, um curso de catecismo, um grupo de orações — ou sobre uma questão temporal em que certos aspectos dizem respeito à fé e à moral, como a medicina ou as leis econômicas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, a direção de uma obra propriamente espiritual concerne <em>diretamente</em> e em todos os seus aspectos à autoridade eclesiástica. Por outro lado, a direção de uma obra propriamente temporal concerne diretamente à autoridade temporal e <em>indiretamente</em> à autoridade espiritual. A gestão de uma empresa depende por direito a um leigo, mas esse poder permanece sujeito à autoridade eclesiástica do ponto de vista moral. Dessa maneira, se um leigo vier à faltar com o direito cristão na sua gestão, a autoridade eclesiástica estaria em posição de — pelo menos por direito — penalizá-lo; como, por exemplo, se um diretor de empresa forçasse, por meio do seu próprio cargo, seus empregados a trabalharem de domingo.<br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2017/10/1.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-11161" src="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2017/10/1.png" alt="1" width="454" height="304" /></a><span style="color: #000000;"><em>Embora seja de natureza temporal, a pesquisa médica não escapa, assim como outras disciplinas, ao direito de controle da Igreja.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Colocados esses princípios, podemos medir a amplitude e a extensão dos poderes da Igreja na Cidade: na medida em que a ação católica visa cristianizar as estruturas e os indivíduos, ela tende a um objetivo tanto espiritual como temporal.  Ela não é então puramente temporal, e portanto deve estar sujeita à hierarquia, ou seja ao direito comum da Igreja, aos bispos. Tudo isso está alias nitidamente exposto por São Pio X:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Resta-nos, Veneráveis irmãos, tratar de uma outra questão da maior importância: a relação que todas as obras da ação católica devem ter com a autoridade eclesiástica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se se considerar bem as doutrinas que Nós desenvolvemos na primeira parte da Nossa Encíclica, concluir-se-á facilmente que todas as obras que vêm <em>diretamente</em> ao encontro do ministério espiritual e pastoral da Igreja, e que por conseguinte se propõem a um fim religioso, visam <em>diretamente</em> o bem das almas e devem <em>em todos os seus detalhes</em> estarem subordinadas à autoridade da Igreja e, portanto, igualmente à autoridade dos bispos, que foram estabelecidos pelo Espírito Santo para governar a Igreja de Deus nas dioceses em que lhes foram confiados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, <em>mesmo as outras obras</em> que, conforme dissemos, são especialmente fundadas para restaurar e promover em Cristo a verdadeira civilização cristã, e que constituem no sentido mais alto a ação católica, não podem de maneira alguma serem concebidas independentes do <em>conselho e da alta direção</em> da autoridade eclesiástica, especialmente porque todas elas devem se conformar aos princípios da doutrina e da moral cristã; e menos ainda é possível concebê-las em oposição mais ou menos aberta à essa mesma autoridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É certo que tais obras, dada sua natureza, devem se mover com a liberdade que lhes razoavelmente convém, pois é sobre elas mesmas que recairá a responsabilidade das suas ações, sobretudo nos assuntos temporais e econômicos, assim como naqueles da vida pública, administrativa ou política — todas elas alheias ao ministério puramente espiritual. Mas uma vez que os católicos carregam sempre o estandarte de Cristo, por isso mesmo eles carregam o estandarte da Igreja; e é portanto razoável que eles recebam-no das mãos da Igreja, que o guarda para que sua honra seja sempre imaculada, e que à ação dessa vigilância maternal os católicos submetam-se como filhos dóceis e afetuosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Daí fica manifesto o quão errado estavam aqueles que, embora poucos, aqui na Itália e sob Nossos olhos, quiseram se encarregar de uma missão que não haviam recebido nem de Nós e nem de qualquer um dos nossos Irmãos do episcopado; e que se puseram à cumpri-la não somente sem o devido respeito à autoridade, mas até mesmo indo abertamente contra a vontade dela, buscando legitimar sua desobediência por meio de distinções fúteis. Eles diziam, ainda assim, que levavam um estandarte com o nome de Cristo; mas tal estandarte não poderia ser de Cristo, pois eles não traziam consigo a doutrina do Divino Redentor, de modo que aplicam-se aqui essas palavras: “O que a vós ouve, a mim ouve: e o que a vós despreza, a mim despreza” [Luc. 10, 16]; “O que não é comigo, é contra mim; e o que não colhe comigo, desperdiça” [Luc. 11, 23]. Essa é uma doutrina de humildade, submissão e respeito filial»<strong>[5]</strong>.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Quinto princípio: a ação católica deve ser confessional</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por ter um objetivo sobrenatural, a ação católica deve usar de meios sobrenaturais e propagar a fé católica. Necessariamente, ela vem acompanhada da profissão pública de sua pertença à fé católica. Se por infelicidade ela não o fizer, sua ação cessaria de ser propriamente católica e deveria antes se chamar ação neutra ou deísta, ou até mesmo ecumênica. Porquanto, a ação católica não deve ser aconfessional (sem religião) e nem mista (inter-religiosa).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma outra razão que conduz ao mesmo princípio: o católico deve evitar na medida do possível tudo aquilo que coloque em perigo sua fé ou a profissão pública da sua fé. É por isso que o católico deve evitar atuar em terrenos estreitamente ligados à fé ou à moral com os acatólicos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás de Aquino observou muito justamente: «Assim, certos estão de tal modo firmes na fé, que se pode esperar, da sua convivência com os infiéis, que antes, os convertam do que percam a fé. Por onde, não se lhes deve proibir comuniquem-se com os infiéis, pagãos ou judeus, que ainda não receberam a fé; e sobretudo urgindo a necessidade. &#8211; Aos que porém forem simples e fracos na fé, cuja subversão possa provavelmente temer-se, se lhes deve proibir comunicar com os infiéis; e sobretudo para que não venham a ter com eles grande familiaridade ou com eles comuniquem, sem necessidade»<strong>[6]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, ser firme na fé supõe não somente tê-la, mas tê-la bem «arraigada» e bem formada; algo que é privilégio de poucos. Daí o escândalo frequente dos jovens de antigamente, que perdiam a fé no serviço militar e hoje perdem-na na universidade laica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa defesa se compreende se entendermos a tendência natural da psicologia humana à colocar de lado a diferença (religiosa ou não) a partir do momento em que se trabalha em comum. Com efeito, a inclinação natural (ou naturalista) é relegar ao segundo plano sua fé para evitar se zangar ou desagradar seus colegas. Sob o pretexto de eficácia na própria ação apostólica, a tentação habitual consiste em se mostrar «discreto» acerca da sua fé, imaginando que se poderá mais tarde afirmá-la mais nitidamente. Isso é esquecer que a contrapartida da associação com acatólicos terá ela também um preço, e que será ainda mais difícil afirmar sua fé uma vez que ela já foi colocada entre parênteses.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, é ilusório querer se opor ao aborto dissimulando suas convicções católicas e as razões propriamente católicas que sustentam essa defesa. Conformar-se com argumentos e slogans puramente filantrópicos equivale a deixar a ação propriamente católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, se por infelicidade, esse gênero de ação se enraizar numa prática habitual, o combate ao aborto não terá algo de verdadeiramente católico, mas antes de propriamente naturalista: acaba-se por não combater mais o aborto como antes sendo um pecado cometido contra Deus, mas sim como uma ofensa à Vida; algo que, no final das contas, está em conformidade com os pagãos:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«O perigo dessas colaborações, escreveu Mons. Lefebvre, reside na necessidade de dever ocultar os propósitos católicos que nos fazem agir e, assim, de dar a impressão que nossos propósitos são puramente naturais e humanos. Isso já é praticamente alinhar nossos propósitos de ação aos propósitos acatólicos»<strong>[7]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2017/10/2.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-11162" src="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2017/10/2.png" alt="2" width="317" height="425" /></a><span style="color: #000000;">Deposto por São Gregório VII, Henrique IV, imperador do Sacro Império Romano-Germânico veio fazer a <em>amendehonorable</em> em Canossa aos pés do pontífice (nave lateral da basílica de São Pedro)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma ação comum pode entretanto ser empreendida <em>excepcionalmente </em>com os acatólicos<strong>[8]</strong>, seguindo condições bem precisas, conforme resumiu Mons. Lefebvre:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Nessa colaboração é preciso que nossos propósitos estejam claramente afirmados (1), e por conseguinte que o objetivo a alcançar seja especificado (2) e em geral breve (3), não necessitando contatos prolongados (4) que perturbem a afirmação da fé»<strong>[9]</strong>. Senão, isso constituiria «um ecumenismo prático inadmissível entre católicos e escandalosos»<strong>[10]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seguindo o mesmo princípio, o católico não deve entrar em sindicatos neutros ou mistos<strong>[11]</strong>. Ele não deve ter ação católica (ou seja, com um objetivo ou contato religioso) com os acatólicos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No fundo, essa chamada a uma ação propriamente católica corresponde à uma tentação persistente dos homens de ação: abandonar os meios sobrenaturais em prol das ações exclusivamente naturais. Isso equivale a contradizer frontalmente o objetivo da ação católica, que consiste precisamente em cristianizar a ordem natural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ainda falta saber como escolher os meios adequados (naturais e sobrenaturais) para aplicar esses cinco princípios da ação católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>(Continua&#8230;)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] Para ser mais preciso, o Magistério fornece esses princípios sem estabelecer explicitamente sua ordem e sua articulação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[2] Citado em <em>Consignes aux militants</em>, Les enseignementspontificaux réunis par les moines deSolesmes, Desclée n° 142, p. 76.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[3] Ver os índices dos volumes de <em>Le Laïcat</em> e <em>Consignes aux militants</em>, enseignements pontificauxréunis par les moines de Solesmes, que citam abundantemente o ensinamento de Leão XIII, São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[4] São Pio X, <em>Notre Charge apostolique</em>, 25 de agosto de 1910.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[5] São Pio X, <em>Il fermo proposito</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[6] Suma Teológica, IIaIIae parte, q. 10; art. 9.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[7] «Essa carta foi enviada em 1990 à HervéBigeard, então presidente da MJCF, a propósito de um projeto de ações anti-aborto que seriam realizadas em parceria com a “liga pela Vida”, uma organização não-confessional», Jean Belem em «S’unir à desnonchrétiens?», <em>Fideliter,</em> julho-agosto de 2005, n.º 166, p. 22, citando essa carta de Mons. Lefebvre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[8] Cf. <em>Singulariquadamcaritate</em> de 24 de setembro de 1912, cujo artigo da <em>Fideliter</em> citado acima fornece as passagens.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[9] Ibidem. Os números entre parênteses foram acrescentados por nós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[10] Ibidem. Ver os textos pontificais citados pelo artigo do periódico <em>Fideliter</em> citado acima.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[11] Cf. Breve apostólico ao conde da Albânia, 19 de março de 1904. <em>Actes de saint Pie X.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>OS PRINCÍPIOS DA AÇÃO CATÓLICA – PARTE 1/4</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2017 14:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François-Marie Chautard]]></category>

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		<description><![CDATA[Pelo Pe. François-Marie Chautard Fonte: Le Chardonnet nº 260 &#8211; Tradução: Dominus Est Conforme diagnosticou São Pio X na sua encíclica Notre charge apostolique de 25 de agosto de 1910, o «pecado original» do Sillon não consistia numa falta de &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-principios-da-acao-catolica-parte-14/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #000000;"><img class=" alignright" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/65/Chlodwigs_taufe.jpg/300px-Chlodwigs_taufe.jpg" alt="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/65/Chlodwigs_taufe.jpg/300px-Chlodwigs_taufe.jpg" />Pelo Pe. François-Marie Chautard</span></strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: Le Chardonnet nº 260 &#8211; Tradução: <a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conforme diagnosticou São Pio X na sua encíclica <em>Notre charge apostolique</em> de 25 de agosto de 1910, o «pecado original» do Sillon não consistia numa falta de generosidade, mas sim numa falta de formação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse fato é importante: M. Sangnier e seus adeptos foram católicos piedosos e zelosos; infelizmente esse ardor foi desviado por uma cruel falta de conhecimento, e por se emanciparem da autoridade eclesiástica. É por isso que, antes de se lançar no campo da ação<strong>[1]</strong>, é indispensável instruir-se.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ademais, antes mesmo de buscar os <em>princípios</em> da ação católica, é importante conhecer a <em>natureza</em> da ação católica. Mas para aprender isso convém examinar o <em>objetivo</em> da ação católica.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>I – OBJETIVO DA AÇÃO CATÓLICA: A CRISTANDADE</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Pio X forneceu uma descrição da natureza da Ação católica em sua magistral encíclica <em>Il fermo proposito</em> de 11 de junho de 1905:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Com efeito, todos nós da Igreja de Deus somos chamados à formar um único corpo cuja cabeça é Cristo; corpo do qual, conforme ensina o Apóstolo Paulo, “coligado e unido por todas as juntas, por onde se lhe subministra o alimento, obrando à proporção de cada membro, toma aumento de um corpo perfeito para se edificar em caridade”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E assim nessa obra de “edificação do Corpo de Cristo” (&#8230;) Nosso primeiro dever é o de ensinar, de indicar o método a seguir e os meios a se empregar, de advertir e de exortar paternalmente; é também dever de todos Nossos caríssimos filhos ao redor do mundo ouvir Nossos conselhos e de aplicá-los antes em si mesmos e cooperar eficazmente para que eles também sejam comunicados aos demais, cada um conforme a graça que recebeu de Deus, conforme seu estado e suas funções e conforme o zelo que inflamar em seu coração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui Nós queremos somente relembrar essas múltiplas obras de zelo para o bem da Igreja, da sociedade e dos indivíduos — comumente designadas pelo nome de Ação Católica — que, pela graça de Deus, florescem em todos os lugares&#8230;».</span><span id="more-11158"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Ação católica tem portanto como objetivo a instauração do reino de Jesus Cristo na Igreja, nas sociedades e nos indivíduos. Seu campo de atividade é imenso e diz respeito tanto à sociedade civil quanto à eclesiástica. Não se deve então reduzi-la ao apostolado privado. Ao contrário: ela visa a instauração integral do reino de Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pode-se resumir isso em uma palavra, e São Pio X o fez em uma passagem célebre. O que se deve ter em vista é a restauração da «cidade católica»:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Veneráveis irmãos, é preciso lembrar energicamente, nesta época de anarquia social e intelectual em que cada um se coloca como doutor e legislador, que não se construirá a cidade senão como Deus a construiu; não se edificará a sociedade se a Igreja não deitar as bases e não dirigir os trabalhos. Não, <em>a civilização já não é mais algo a ser inventado, e nem é uma cidade nova a se construir nas nuvens.</em> Ela já existia, ela existe, é a civilização cristã, é a cidade católica»<strong>[2]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os papas falam igualmente da restauração da ordem social. Que eles falem de ordem social ou de cidade católica, ou mesmo de civilização católica ou cristandade, isso indica umfim bem claro. Não se trata unicamente de agir sobre indivíduos ou micro-sociedades como a família, mas sim sobre a sociedade como um todo em seu emaranhamento de instituições tanto sociais quanto políticas. É a vila, o bairro, a província e o país que devem ser cristãos. Incluem-se aí as corporações de ofício (hoje chamados de sindicatos), as empresas e as escolas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Longe de se reduzir à cultura, ao aspecto midiático ou ocasional, a civilização cristã tende à cristianização plena dos indivíduos e das sociedades (tanto civil quanto eclesiástica) como foi a cristandade a qual se referiu São Pio X<strong>[3]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para compreender isso é preciso retornarmos a um dado fundamental de toda ação cristã, de toda a moral cristã e de toda a vida cristã: o dogma da graça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>II – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Princípio fundamental: o dogma da graça</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse dogma permite em todas as épocas buscar a maneira pela qual se deve considerar a vida cristã. Evidentemente isso pressupõe nuances (muitas nuances), mas esse princípio é fundamental, de modo que esquecê-lo pode conduzir à catástrofes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse princípio pode ser enunciado da seguinte maneira: a graça — ou a vida sobrenatural — vem se somar à natureza humana ferida pelo pecado original.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vida sobrenatural é um acréscimo. Isso significa que não haveria a graça — a participação na vida divina — se não houvesse uma alma, um fundamento natural, uma inteligência capaz de conhecer Deus e um coração predisposto a amar Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por conseguinte, a santidade de um homem não é a mesma de um anjo, e a de um adulto não é a mesma de uma criança e assim por diante. É por isso que podemos dizer que a graça segue os contornos da vida natural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A graça tem dois efeitos: o primeiro e mais fundamental consiste em elevar a natureza. Assim, o sobrenatural eleva a inteligência pela luz da fé e a vontade pela caridade; o sobrenatural eleva também a esperança e todas as virtudes morais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A graça, todavia, não só eleva a natureza. Ela cuida da natureza humana ferida pelo pecado original, que está sempre pronta a cair no erro, na dureza de coração, nas facilidades, no amor pelo conforto, no egoísmo e na sensualidade. A graça vem para corrigir essas tendências ruins. Ela corrige o espírito pela Revelação sobrenatural e pela vida de fé; pela graça, a vontade é curada de seu amor próprio; de seu egoísmo, o espírito é curado pela caridade e pelas outras virtudes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante desse dogma da graça que vem a penetrar uma natureza, elevando-a e corrigindo-a, surgem dois erros opostos que trazem consigo suas respectivas desventuras: o angelismo e o naturalismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— O angelismo enfatiza indevidamente o sobrenatural em detrimento do natural e da natureza ferida. No angelismo esquece-se que a santidade depende do chão no qual o sujeito está pisando. Concretamente, o angelismo para um cristão equivale a limitar-se à oração sem fazer seu dever de estado. Na vida profissional isso consiste em acumular as novenas para passar o serviço para outros sem contudo dar-lhe a devida atenção. Para uma mãe de família é estar na missa quando seus filhos voltam da aula ou quando seu marido volta do trabalho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— O naturalismo consiste, ao contrário, em exaltar a natureza perdendo de vista não somente as feridas profundas da natureza (o pecado original), mas sobretudo as colaborações da graça e dos meios sobrenaturais. De maneira prática, um «apóstolo» naturalista pensa em converter as almas por meio de argumentos eruditos sem recorrer às orações e penitências. Um pai de família naturalista não pensa em dar ao seu filho os meios sobrenaturais: a criança fica numa escola não católica, cercada portanto de uma atmosfera na qual o sobrenatural está excluído.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No domínio da ação católica esses dados têm importância capital, pois deve-se levar em conta a natureza humana e a graça. Bem imprudente seria o missionário que não levasse minimamente em conta os costumes locais ou da natureza humana e se lançasse de cara no apostolado! «Fiz-me judeu com os judeus» dizia São Paulo com conhecimento de causa&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É precisamente isso que havia esquecido Marc Sangnier. Pecando pelo naturalismo, ele se enganou profundamente acerca da natureza humana e imaginou uma sociedade de iguais onde os então adultos teriam por força própria um comportamento responsável. Dupla quimera. Sangnier esquecia por um lado a desigualdade natural dos homens como origem de uma necessária hierarquia social e política, e do outro esquecia a ferida do pecado original como origem do comportamento repreensível e irresponsável de muitos homens.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Pio X apontou o erro: o Sillon «trabalha para estabelecer uma era de igualdade que, em virtude de si mesma, seria uma era mais justa. Assim, para o Sillon, toda desigualdade de condição é uma injustiça (&#8230;)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse é um princípio supremamente contrário à natureza das coisas, pois é gerador da inveja, da injustiça e da subversão de qualquer ordem social»<strong>[4]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contrariamente a isso, a Igreja sempre ensinou que, para cristianizar um povo,deve-se conservar e proteger a ordem natural e seus costumes legítimos. É por isso que, na Ação católica, a primeira regra é se adaptar ao real; real esse que é um emaranhamento entre natural e sobrenatural. É preciso respeitar as duas ordens sem querer manter uma em detrimento da outra, e de tal maneira que a graça venha elevar e curar a ordem natural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Ação católica deve então ter o cuidado de agir de acordo com a ordem natural entranhando-a da divina graça. Em poucas palavras, ela deve cristianizar a ordem das coisas.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Segundo princípio: a natureza social do homem</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira aplicação desse primeiro princípio consiste em tomar nota de um fato da natureza: o homem não é um ser isolado. Ele vive em sociedade e não alcança seu bem de maneira individual, mas sim de maneira coletiva, social e política. Deixado sozinho, mesmo na ordem natural o homem é incapaz de chegar a seu bem especificamente humano: a virtude, considerada em seu duplo sentido de contemplação e integridade moral. Deixado sozinho o homem é um selvagem. Sem ser educado por sua família e pela sociedade o homem permanece um adolescente perpétuo dominado pelos seus instintos mais grosseiros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«A realização integral do bem especificamente humano, observa Lachance, é condicionada pela participação na unidade e na multiplicidade da coletividade. É então enquanto homem que o indivíduo é sociável. Se ele não tivesse bens espirituais a buscar, a ele bastaria, como é o caso de muitas espécies de animais, viver em estado gregário»<strong>[5]</strong>.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Os corpos intermediários</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por outro lado, a vida em sociedade não é um coletivismo em que há de um lado o Estado todo-poderoso e providente e do outro o indivíduo isolado. Esse coletivismo — intentado pelo comunismo ao preço de carnificina humana e naufrágios econômicos — não pode existir senão sob a forte pressão de poderosos órgãos políticos ou financeiros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ordem política natural não é assim. Ela comporta algo que se chama corpos intermediários. Isso quer dizer que entre o indivíduo e o Estado (o poder político supremo), encontram-se a família, o bairro, a cidade, a província, as empresas locais, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Os corpos intermediários, escreveu René Pierron, são grupos sociais ou agrupamentos humanos situados entre o indivíduo isolado (ou a família, célula de base) e o Estado. Eles são constituídos — ora <em>naturalmente</em>, ora por <em>acordo deliberado </em>— tendo como objetivo atingir <em>um fim em comum</em> entre as pessoas que compõem esses grupos»<strong>[6]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Michel Creuzet diz em seguida: «Esses grupos são complementares uns aos outros:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Local:</em> grupo que se refere ao lugar de nascimento, de vida e de educação de uma pessoa: cidade, paróquia, comunidade (&#8230;)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Profissional</em>: grupos que dizem respeito à atividade humana: empresa, profissão, trabalho, sindicatos (&#8230;)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Cultural:</em> escola, faculdade local, companhia de música (&#8230;)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Religioso</em>: a paróquia, a diocese e suas obras;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Recreativo:</em> grupos esportivos, turísticos, de lazer, de colecionadores, etc.»<strong>[7]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cada conjunto de escalões intermediários constitui uma organização que aplica o princípio de subsidiariedade, a saber: um tipo de delegação, de descentralização do poder.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E cada corpo intermediário imprime sua marca no indivíduo. O homem é naturalmente marcado por sua família, sua cidade, sua formação, seu grupo profissional, seu país e sua cultura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por conseguinte, pretender cristianizar o homem separadamente das estruturas que estão presentes em sua vida é uma ilusão profunda. Se o homem vive num universo ateu, isto é, sem Deus na sua família, no seu trabalho, e em toda sua vida social, então, de maneira geral, é utópico pretender que ele tenha uma santificação verdadeira. Sendo assim, se se quer cristianizar o homem é preciso cristianizar a sociedade: os corpos intermediários e finalmente todas as instituições sociais e políticas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É o que a Igreja sempre se esforçou para conseguir: ela pegou o homem tal como ele era, dentro da sociedade. Então, após ter convertido os indivíduos, ela batizou as nações e as cristianizou: é a Cristandade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em suma, toda a doutrina social e política da Igreja pode se concentrar na aplicação desses dois primeiros princípios:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A graça deve entranhar toda a natureza do homem sem destruí-la;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Ora, o homem é sociável;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Então a graça deve entranhar, sem destruir, toda a vida social e política do homem.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como escreveu São Pio X, a Ação católica ultrapassa os arredores dos indivíduos: «Aqui Nós queremos apenas lembrar essas múltiplas obras de zelo, empreendimentos para <em>o bem da Igreja, da sociedade e dos indivíduos</em>, comumente chamadas pelo nome de Ação Católica».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Infelizmente, os intelectuais pouco familiarizados com as realidades concretas <strong>[8]</strong> imaginam que não é necessário cristianizar as sociedades até em suas instituições políticas, e que basta que se obre no mundo da cultura e das ideias;que basta o falatório sobre o efêmero, sobre o cultural; que basta falar com o mundo, mostrar-lhe as coisas e dialogar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além da injúria feita aos direitos que Jesus Cristo tem de reinar sobre toda a realidade — tanto espiritual como temporal —, essa ideologia com verniz de cristianismo despreza a realidade concreta de um homem necessariamente influenciado pelo meio em que vive.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Terceiro princípio: distinção das obras espirituais e temporais</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, se a Ação Católica visa cristianizar o homem por inteiro, em toda sua natureza, então essa ação divide-se em dois tipos de obras:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— As obras estritamente espirituais como a liturgia ou o catecismo. Essas obras são ordenadas diretamente a um bem sobrenatural e sua realização depende imediata e diretamente da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— As obras temporais nas quais se junta um elemento moral ou espiritual como cuidar de um doente ou restaurar a justiça. Essas obras são ordenadas diretamente a um fim temporal. Cuidar de um doente é, antes de tudo, uma obra natural; mas essa obra deve ser realizada no âmbito e no espírito cristão. Essa necessidade se vê hoje com as questões levantadas pela obstinação terapêutica, pela eutanásia e pela pesquisa embrionária. Esse domínio temporal depende diretamente das autoridades civis e indiretamente das autoridades eclesiásticas, de modo que as autoridades leigas devem obedecer às regras estabelecidas pela a Igreja no que diz respeito à fé e moral. Com efeito, segundo São Pio X, o domínio moral «é o domínio próprio da Igreja»<strong>[9]</strong>. Ademais, conforme sublinhou São Pio X, a verdadeira civilização não pode existir senão sobre bases moralmente saudáveis. Portanto, a verdadeira civilização cristã não pode existir sem a Igreja.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Cristandade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse entranhamento sobrenatural da ordem individual, social, política, temporal e espiritual é o que a Igreja fez — graças à colaboração das autoridades civis — naquilo que se chamou Cristandade e que São Pio X chamou de civilização cristã.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Do ponto de vista estritamente religioso, a Igreja se esforçou para desenvolver a vida sobrenatural:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Pela pregação da fé</em> por meio de catecismo, sermões dominicais, missões paroquiais e literatura religiosa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Pela proteção contra a heresia</em> através da vigilância e proibição de publicações heterodoxas, das condenações, do index, da Santa Inquisição, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Pelo culto:</em> a missa em cada cidade, o ofício divino cantado e todas as diversas orações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Pela fundação de inumeráveis ordens religiosas e monastérios</em> que cobriram a Europa inteira.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Pela instauração de uma rede de paróquias</em> que trazem a toda a população o socorro cotidiano e familiar da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Pela obra das missões apostólicas</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Pela fundação de terceiras-ordens</em>, que são afiliadas às ordens religiosas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Do ponto de vista temporal, a Cristandade não aboliu a natureza. Ela não suprimiu a família, nem as cidades, províncias ou Estados, nem o trabalho, nem as classes sociais, nem o poder político, nem a guerra, nem a educação e nem a cultura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Longe de suprimi-las, a Cristandade impregnou-as da divina graça:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A família:</em> A Igreja fortificou-a trazendo-lhe uma indissolubilidade mais firme, abençoando-a e honrando a mulher e mãe de família cristã, especialmente pelo culto à Virgem Maria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A cidade:</em>A Igreja estabeleceu a cidade em torno da igreja e do altar e unificou-a em torno do seu cura. A Igreja ritmou também a vida da cidade não só com o som dos seus sinos e ofícios divinos, mas também com todo seu ciclo litúrgico e festas de padroeiros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O trabalho:</em> Longe de abolir e de exacerbar as desigualdades, ela buscou permear sua influência sobrenatural nas confrarias corporativas. Ela inaugurou as festas dos padroeiros e instaurou o espírito cristão nos costumes e a caridade entre os membros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>As classes sociais:</em>progressivamente, a Igreja suprimiu a escravidão. Por outro lado, ela abençoou e reforçou os votos de fidelidade para com as autoridades (os Senhores), ensinando os súditos a verem em seus superiores como espelhos da autoridade de Deus; e aos superiores ensinou quais eram seus deveres pelos quais eles iriam prestar contas no tribunal divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O poder político</em>: A Igreja batizou e converteu — não sem dificuldades — as autoridades políticas. Os nomes de Constantino e Clóvis (para citar apenas dois) estão para sempre gravados na memória da Igreja. Ela consagrou os reis para dar-lhes ajuda, uma base e orientação espiritual, ordenando-lhes a defender a fé e assegurar o bem e a proteção dos seus súditos, especialmente os pobres e os fracos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A guerra: </em>A Igreja instaurou a trégua de Deus e insuflou o espírito autenticamente cavalheiresco.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A educação</em>: A Igreja cobriu a cristandade de escolas anexas às catedrais e depois de universidades, e ao mesmo tempo salvou de uma perda irreparável o patrimônio intelectual da Antiguidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A cultura:</em> a arte em todas as suas vertentes não somente foi encorajada como foi cristianizada, elevada à posição de instrumento de culto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o que dizer das obras de beneficência feitas pelos hospitais que atendem aos desvalidos [Hôtels-Dieu], leprosarias e asilos de todos os tipos! Não acabaríamos nunca de enumerar as obras suscitadas pela Igreja em seu desejo de restaurar todas as coisas em Cristo Jesus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Cristianizar as estruturas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dessa enumeração nos é imposta uma conclusão: a Igreja fundou e cristianizou as estruturas a fim de melhor cristianizar os indivíduos:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Na ordem propriamente espiritual</em>, a Igreja fundou as estruturas; Ela sempre teve essa preocupação. Após a passagem dos missionários, seu primeiro esforço constante foi o de perpetuar o apostolado através da fundação de paróquias, dioceses, monastérios e ordens religiosas. Por exemplo, São Bento não teria difundido tanto sua ordem e não continuaria a difundi-la se não tivesse estabelecido estruturas e uma regra. Ele perenizou sua obra por meio de uma regra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Na ordem temporal,</em> a Igreja suscita e cristianiza as estruturas. Ela não se contenta em marcar culturalmente as pessoas, mas visa batizar as estruturas. Esse foi o erro do <em>Sillon</em>, do modernismo, de Maritain e de todos os liberais ao pretender que é preciso se contentar com a ordem espiritual e alcançar os indivíduos sem buscar batizar as estruturas temporais. É um erro profundo que é condenado pela doutrina e pela prática tradicionais da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma outra conclusão se impõe: essas estruturas são multiformes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Na ordem espiritual</em> a organização da Igreja não é totalitária. Não há o papa de um lado e logo em seguida o cura da paróquia. Não é um coletivismo religioso. Não é também um igualitarismo absoluto ou a democracia. Entre o papa e os curas das paróquias há os bispos. E em cada diocese há paróquias e obras diocesanas diversas, múltiplas, mais ou menos independentes umas das outras ou independentes das paróquias, as quais são da competência dos bispos ou pelo menos de Roma pelas obras nacionais (arqui-confrarias). Sem esquecer os religiosos e religiosas que respondem diretamente ao bispo ou ao papa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Na ordem temporal</em> a Igreja visa cristianizar os corpos intermediários: cidades e corporações; quando elas são ameaçadas, protegê-las (assim como na Antiguidade era o papel dos defensores das cidades que tinham os bispos ameaçados pelos invasores bárbaros); e quando elas são destruídas, reconstruí-las.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Ação Católica dos homens do século XXI consiste então em buscar e proteger a cristianização das estruturas, dos corpos intermediários existentes e em recriar os corpos intermediários onde eles não existirem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entretanto, antes de prosseguirmos e expor os meios para alcançar isso, é preciso fornecer dois outros princípios essenciais da Ação Católica: as «relações que todas as obras da ação católica devem ter com a autoridade eclesiástica»<strong>[11]</strong> e o caráter confessional dessas obras (isto é, se elas devem confessar absolutamente a fé católica).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>(Continua&#8230;)</em></span></p>
<p style="text-align: center;">***********************</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] Poderíamos acrescentar que não somente antes, mas durante a ação. Porquanto, podemos nos formar, e depois, no ardor da ação, esquecer ao longo dos meses e anos a formação inicial. Assim se explicam muitas deserções e desvios progressivos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[2] São Pio X, <em>Notre Charge apostolique</em>, 25 de agosto de 1910.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[3] A questão, do ponto de vista puramente humano, acerca da possibilidade atual e imediata de tal empreendimento é outra. No entanto, não se pode pôr em causa os princípios e, em particular, o dever de se tender em direção a esse ideal. Além disso, na política — cristã ou não — o pior dos erros é considerar-se derrotado com antecedência. Toda a história da Igreja manifesta, ao contrário, a possibilidade, sob as condições mais sombrias, do estabelecimento do Reinado Social de Jesus Cristo. Cf. as conversões de Constantino ou Clovis assim como a epopéia de Santa Joana d’Arc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[4]São Pio X, <em>Notre Charge apostolique.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[5] Louis Lachance o.p. <em>L’humanisme politique de St Thomas d’Aquin</em> «<em>individu et état</em>» — EditionsSirey, p. 71.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[6] Citado por Michel Creuzet, <em>Les corps intermédiaires</em>, ed. des cercles Saint Joseph, supplémentà Verbe, n° 137 et 138, p. 11.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[7] Ibidem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[8] Jacques Maritain destacou-se muito por sua preocupação em estabelecer o reinado de Cristo não de forma política, mas cultural. Cf. sua obra <em>Religion et culture</em> publicada em 1930 e que já cheirava a enxofre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[9] São Pio X, <em>Notre Charge apostolique.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[10]Na sua encíclica <em>Graves de communi</em> de 18 de janeiro de 1901, sobre a Ação Católica, Leão XIII evocava essas instituições: «Essa ciência da caridade que Cristo transmitiu, os apóstolos colocaram-na em prática e aplicaram-na com religioso zelo. E após eles, aqueles que abraçaram a fé cristã tomaram a iniciativa de criar uma grande variedade de instituições para o alívio de todos os tipos de misérias que afligem a humanidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essas instituições, que perpetuamente progridem, são a propriedade, a glória e o ornamento da religião cristã e da civilização que foi originada por ela. Assim, os homens de reto juízo não podem deixar de admirá-las, dada sobretudo a acentuada inclinação que cada um de nós tem para buscar antes os próprios interesses em detrimento do próximo (&#8230;); uma das glórias da caridade é não somente aliviar as misérias do povo por meio de auxílios passageiros, mas principalmente através de um conjunto de instituições permanentes. Com efeito, dessa maneira os necessitados encontrarão uma garantia certíssima e mais eficaz. Também é digno de elogios o intento de ensinar os artesãos e trabalhadores a adquirirem seu sustento e provisões futuras, afim de que ao longo do tempo eles assegurem por si mesmos, pelo menos em parte, seus respectivos futuros.»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[11] São Pio X, <em>Il fermo proposito.</em></span></p>
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