D. LEFEBVRE EXPLICA A EXTREMA UNÇÃO

Almas Devotas: Os Sete Sacramentos - EXTREMA-UNÇÃO

O sentido pastoral de D. Lefebvre coloca a doutrina da Igreja sobre este sacramento ao alcance de todos os fiéis.

Fonte: Le Phare breton n°14 – Tradução: Dominus Est

Frequentemente as pessoas ficam assustadas com a Extrema Unção. Muitas pessoas pensam imediatamente na morte quando lhe falam sobre a Extrema Unção. E muitas vezes as pessoas em volta do paciente ficam mais assustadas que ele próprio.

Quem são aqueles a quem a Extrema Unção deve ser administrada? É importante lembrar isso porque erros são comuns sobre esse assunto, hoje em dia. A Extrema Unção deve ser administrada a uma pessoa doente e por uma doença que, eventualmente, pode a levar à morte. O Concílio de Trento declara: “Os fiéis devem ser ensinados que há um certo número de pessoas a quem não é permitido administrar este sacramento, embora tenha sido instituído para todos os cristãos, sem exceção. E, em primeiro lugar, não pode ser administrado a quem goza de boa saúde. As palavras do Apóstolo São Tiago são claras: “Se alguém estiver doente entre vós”. (Tg 5, 14) Mas, por outro lado, a própria razão nos mostra isso, uma vez que este sacramento foi instituído para servir de remédio não só para a alma, mas também para o corpo.[1]

Um dos efeitos do sacramento da Extrema Unção é, portanto, não apenas restaurar a saúde da alma, apagar os pecados, mas também dar saúde ao corpo. Está escrito literalmente no discurso de São Tiago: “Está entre vos algum enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e (estes) façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará” (Tg 5, 14-15).

De fato, é comum os doentes experimentarem uma verdadeira renovação da saúde após o sacramento da Extrema Unção. Muitos, agora, estão muito saudáveis ​​entre aqueles que a receberam, mas, mesmo quando este estado não perdura, o bom Deus permite assim ao moribundo oferecer verdadeiramente a sua vida, conscientemente e corajosamente.

Em qualquer caso, um dos primeiros efeitos é a remissão dos pecados. Outro efeito é dar paz à alma. “Nada é mais propício a trazer tranquilidade à alma na hora da morte do que remover dela toda a tristeza, fazê-la esperar a vinda do Senhor com o coração cheio de alegria e dispô-la a Lhe devolver, de boa vontade, o depósito que Lhe foi confiado, assim que Ele pedi-lo novamente. E precisamente a Extrema Unção possui a virtude de livrar os fiéis dessa ansiedade e de encher seus corações de uma alegria piedosa e santa [2].”

Essa paz da alma vem do fato que o sacramento afasta as ideias, as imaginações, os medos, as ansiedades que o demônio procura dar à alma. Antes da morte, o demônio busca fazer a alma acreditar que será condenada. Ele faz de tudo para despertar nela sentimentos que a possam fazê-la pecar e colocá-la novamente sob seu domínio, mas, “com extrema unção (…) esperança (…) aumenta a coragem do doente, que se sente tranquilizado, e que, a partir daí, suporta com mais paciência e força as dores que sofre, assim como evita mais facilmente as armadilhas e artimanhas do demônio que procura perdê-lo [3].”

Assim, dados todos os efeitos maravilhosos deste sacramento, não devemos esperar que o paciente esteja em coma para lhe oferecer.

Quando penso em todos aqueles moribundos que receberam um padre que foi levar-lhes a consolação do sacramento da extrema unção, a consolação da comunhão, do viático. Essas almas foram consoladas e preparadas para receber a graça da perseverança final. 

Notas

1 – Catecismo do Concílio de Trento, Dominique Martin Morin, 1991, cap. 25, § 2, pág. 297.

2 – Ibid ., P. 301.

3 – Ibid ., P. 301.