SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA: A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS CRISTO E AS DELÍCIAS DO PARAÍSO

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AS DEMOCRACIAS ATUAIS DESONRAM OS DIREITOS DE DEUS

As democracias nascidas de 1789 não são as dos antigos gregos.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Entre os gregos, o governo da cidade era confiado à massa de cidadãos a fim de garantir o interesse geral. Pelo fato de todos os cidadãos serem considerados iguais, todos eles podiam reivindicar a defesa do bem comum sem que nenhum deles fosse superior. Esse era o regime constitucional comumente chamado hoje de democracia. Regime esse diferente dos outros dois (regime monárquico ou aristocrático), pois todos tinham acesso ao poder e não apenas um ou alguns como nesses citados. Nessas democracias, nenhum cidadão tinha mais poder que outro e ninguém era mais subserviente do que qualquer outro, mas todos tinham a obrigação de subscrever as leis em vigor e governar com justiça.

Essa forma de governo baseava-se, portanto, na igualdade de todos os cidadãos e, consequentemente, também na liberdade política de cada indivíduo. Um pouco quimérico, é verdade, esse regime poderia degenerar-se devido à falta de virtude por parte dos seus cidadãos, e a democracia seria, na verdade, uma corrupção desse regime constitucional. Os pobres aproveitavam-se disso para enriquecer impunemente. Continuar lendo

O HOMEM FERVOROSO E O HOMEM MORNO

The fervent man and the lukewarm man

As considerações abaixo foram escritas para religiosos, mas aplicam-se, com algumas adaptações, a qualquer cristão. Elas são, de fato, sintomas de mornidão, sintomas dos quais devemos estar cientes porque, muitas vezes, encontramo-nos afetados sem que sequer saibamos disso.

Fonte: FSSPX Ásia – Tradução: Dominus Est

O homem fervoroso observa sua regra até nas menores coisas. O menor medo de desagradar o divino Mestre é suficiente para compeli-lo a tudo. Ao contrário, um homem morno muitas vezes viola a sua regra, dispensa os exercícios prescritos tanto quanto pode, não gosta da oração, do estudo ou da leitura espiritual, ele é altamente sensível aos julgamentos humanos e desperdiça seu tempo em uma miríade de trivialidades.

Um homem fervoroso geralmente sente prazer em cumprir seu dever de Estado. Se, por vezes, encontra dificuldades, não desanima, seu fervor transforma as dificuldades em felicidade pela unção que espalha em sua alma. Isso leva-o até a acrescentar orações, austeridades e práticas devocionais às obras obrigatórias, todas as quais ele impõe a si mesmo com a permissão do seu confessor ou superior. Portanto, ele está sempre contente e exibe apenas atitudes gentis e graciosas, mesmo com aqueles que podem causar problemas.

Por outro lado, um homem morno considera as práticas do seu estado um fardo insuportável. Ele suporta toda a amargura sem sentir a doçura ou merecer o mérito. Consequentemente, ele é sempre um fardo para si mesmo e não consegue deixar de torná-lo conhecido externamente. Continuar lendo

TOMADA DE HÁBITO DAS IRMÃS DA FSSPX EM PILAR (ARG) -2024

Irmãs da Fraternidade São Pio X – A serviço de Jesus em seus sacerdotes

No seio da Igreja, cada família religiosa ocupa o seu lugar e a sua missão. As Irmãs da Fraternidade São Pio X foram fundadas por Mons. Lefebvre em 1974. Sua irmã, Marie Gabriel, que na época era missionária na África, providencialmente assumiu o trabalho de formar as jovens mulheres aspirantes à vida religiosa, sendo assim a co-fundadora dessa Congregação nascente.

O espírito da Fraternidade está centrado inteiramente na devoção ao Sacrifício da Missa, celebrado segundo as normas do Concílio de Trento e da Tradição da Igreja. Por esta razão, compreendemos porque Mons. Lefebvre colocou as Irmãs sob o duplo patrocínio de Nossa Senhora da Compaixão e de São Pio X.

Seguindo o exemplo de Nossa Senhora, juntamente com seu divino Filho, Sumo Sacerdote, as Irmãs fazem de sua vida uma oração contínua baseada na compaixão e na reparação amorosa, oferecendo-se pela santificação dos sacerdotes e pela fecundidade do seu apostolado. “A caridade de Cristo nos impele”, exclamou São Paulo. Sendo filhas de duas almas missionárias, as Irmãs terão o espírito missionário, não apenas através das suas orações e sacrifícios, mas também através das suas obras. E como as necessidades são múltiplas e variadas, as diversas capacidades de cada uma se unem para responder às exigências de um amplo campo de apostolado.

À imitação de Nossa Senhora e das santas mulheres que seguiram Nosso Senhor e seus Apóstolos, as religiosas ajudam os sacerdotes nas necessidades materiais.
Elas também complementam o apostolado dos sacerdotes com seus próprios trabalhos em paróquias e missões, por exemplo:

  • Ensinar o catecismo às crianças e prepará-las para os Sacramentos, ensiná-las nas escolas primárias e formá-las nas virtudes cristãs. 
  • Estabelecer bases sólidas de doutrina e piedade para as moças. 
  • Visitar os pobres, os doentes e os idosos, os membros sofredores de Cristo. 

Essas são as diferentes funções que as religiosas procuram desempenhar. Como elas próprias vivem de Deus, procurando estar intimamente unidas a Ele, as Irmãs procuram torná-lo conhecido e amado por todas as almas.

As religiosas realizam todas estas obras com o mesmo amor e espírito de sacrifício, sejam eles humildes e ocultos, sejam mais diretamente apostólico.

Deixamos aqui algumas fotos da cerimônia de “tomada do hábito” que ocorreu em um dos nossos noviciados, em Pilar, na Argentina, onde 4 jovens deram o primeiro passo na Vida Religiosa.

Graças a Deus e a ajuda das almas beneficentes, o noviciado está em processo de expansão, pois não há quartos suficientes para as irmãs que ali vivem. Confiamos este trabalho às suas orações e generosidade.

A colheita é abundante.” Senhor, dê-nos muitos santos sacerdotes. E para a santificação dos sacerdotes, dai-nos muitas santas vocações religiosas.

Mais sobre as Irmãs da FSSPX e a vocação religiosa feminina pode ser visto clicando aquiaquiaqui e aqui.

A QUARESMA – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Oferecemos aqui uma reflexão de D. Lefebvre sobre a Quaresma.

Fonte: FSSPX Distrito da América Central – Tradução: Dominus Est

Meus queridos irmãos,

De acordo com uma antiga e salutar tradição da Igreja, por ocasião do início da Quaresma, dirijo-me aos senhores para encorajá-los a adentrar plenamente neste tempo penitencial com as disposições desejadas pela Igreja, e para cumprir o propósito para o qual a Igreja as prescreve.

Se eu olhar para os livros da primeira metade deste século, parece-me que indicam três fins para as quais a Igreja recomenda este tempo penitencial:

  • Primeiro, refrear a concupiscência da carne;
  • Segundo, facilitar a elevação de nossas almas às realidades divinas;
  • Finalmente, satisfazer nossos pecados.

Nosso Senhor nos deu o exemplo, durante Sua vida aqui na terra: a oração e a penitência. Entretanto, Nosso Senhor, estando livre da concupiscência e do pecado, fez penitência e, de fato, satisfação por nossos pecados, o que demonstra que nossa penitência pode ser benéfica não apenas para nós mesmos, mas também para os outros.

Rezar e fazer penitência. Fazer penitência para rezar melhor, a fim de se aproximar de Deus Todo-Poderoso. Isso é o que todos os Santos fizeram, e é isso que todas as mensagens de Nossa Senhora nos recordam. Continuar lendo

IMMUTEMUR HABITU

Cantada na imposição das Cinzas..


“Immutemur habitu in cinere et cilicio; jejunemus, et ploremus ante Dominum; quia multum misericors est dimittere peccata nostra Deus noster.”

“Mudemos as  vestes e cubramo-nos de cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque o nosso Deus é misericordioso e perdoará os nossos pecados.”

VÍDEO TUTORIAL PARA APRENDER A SEGUIR A MISSA TRADICIONAL

Conheça a essência do missal bilíngue em nosso mais recente vídeo tutorial. Aprofunde-se na estrutura detalhada do missal, familiarize-se com suas seções principais e aprenda como acessar orações e leituras específicas durante o Santo Sacrifício da Missa em Latim.

O vídeo está em espanhol, porém é de fácil entendimento.

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A CABALA JUDAICA CONTRA A IGREJA DE CRISTO: HISTÓRIA SECRETA DA PSICANÁLISE, PELO PROF. MATTEO D’AMICO

Palestra proferida pelo Prof. Matteo D’amico durante o 29° Congresso de Estudos Católicos, promovido pela FSSPX italiana e a Revista La Tradizione Católica, em Rimini, Itália. 


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11 DE FEVEREIRO – DIA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES

OurLadyofLourdes

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Seguem abaixo a indicação de dois textos publicados pelo excelente blog O Segredo do Rosário sobre Lourdes:

Outros dois que publicamos:

O sobrenatural em Lourdes – Parte 1

O sobrenatural em Lourdes – Parte 2

E também uma pequena história do livro Tesouro de Exemplos: Uma cura em Lourdes

PACIÊNCIA E IMPACIÊNCIA – PARTE 21 – TERCEIRO FRUTO DA PACIÊNCIA: A ALEGRIA

an angel statue next to a stone column

Fonte: Bulletin Hostia (SSPX Great Britain & Ireland) – Tradução: Dominus Est

Como se estivéssemos triste, mas sempre alegres.” (2 Cor 6, 10).

Essa é a descrição que São Paulo faz dos ministros de Cristo, que trabalham pela salvação das almas. O que é verdade para eles é verdade para todos os servos fiéis a Deus. Na superfície, aparente miséria, mas nas profundezas da alma, intensa alegria. Desta alegria diz São Paulo: “Estou cheio de consolação, estou inundado de alegria no meio de todas as nossas tribulações”. (2 Cor 7, 4). O que faz esse encanto funcionar? Paciência. Uma resistência paciente, uma humilde submissão à vontade de Deus, uma resignação à Sua providência.

Como é possível que da tristeza surja a alegria? A razão é que se vivermos para Deus e na dependência Dele, e buscarmos promover a Sua glória, então, embora na ordem natural possamos ser esmagados pela dor e pelo sofrimento, estaremos cheios de alegria por causa da alegria sobrenatural que Deus nos concede. “A vossa alegria”, diz nosso Senhor aos Seus apóstolos, “ninguém vo-la tirará”. (Jo 16, 22). Tenho alguma experiência dessa alegria? Se assim for, agradecerei a Deus por isso; caso contrário, devo esperar pacientemente e ver se não há algum impedimento de minha parte para tal.

De onde vem essa alegria? Do céu. É por isso que supera todas as alegrias terrenas e torna doces os sofrimentos terrenos. É o primeiro tênue reflexo da luz do Céu em meio às nuvens e à escuridão da Terra; a primeira amostra da alegria com a qual os justos serão acolhidos pelo seu Senhor na porta do Céu. Se uma gota dela na Terra adoça toda amargura e torna leves todos os sofrimentos, qual deve ser a intensidade da alegria que inebriará todos aqueles que aqui suportaram tribulações e sofrimentos por causa de Cristo?

PROGRESSISMO E CONSERVADORISMO: HISTÓRIA DA DISSOLUÇÃO DO HOMEM NO MUNDO E NA IGREJA NOS ÚLTIMOS 100 ANOS

O politicamente correto, esse desconhecido

Fonte: Sì Sì No No, ano XXXV, n. 14 – Tradução: Dominus Est

Esquema introdutório

• Antonio Gramsci (1891-1937) trabalhou na expansão do pensamento revolucionário da década de 1920 até o final da década de 1930. Seu estudo tinha como objetivo fazer com que a filosofia do materialismo dialético marxista fosse aceita intelectualmente por meio de manipulação mental (“entrismo”) e não pela força. Gramsci queria uma “revolução cultural”, ou seja, adquirir a hegemonia, o consenso e a direção da sociedade civil-cultural europeia (penetrando na escola, na imprensa, nas publicações, no judiciário e na mídia de massa). Só então se poderia pensar em ocupar o poder, o governo e o domínio do Estado. Gramsci é o progenitor de todas as correntes revolucionárias (Escola de Frankfurt, Estruturalismo francês) que tentarão, depois dele, trabalhar a revolta dentro do homem individual e não apenas na sociedade.

• Um autor que buscará revolucionar a Europa também religiosamente (e não só culturalmente como Gramsci) é Ernst Bloch (1885-1977), filósofo alemão de origem judaica, que na década de 1960 trabalhou para converter os católicos à dialética social-comunista por meio do diálogo, opondo à religião tradicional ou dogmática (tese) uma religião progressista (antítese), a fim de alcançar um messianismo terreno e imanentista ou “socialismo-cristão” (síntese). Infelizmente, sua estratégia foi bem-sucedida com o Concílio Vaticano II, que se propôs a dialogar com o mundo sem mais querer convertê-lo.

• Dos anos 1920-1930 até os anos 1960, a “Escola de Frankfurt” (Adorno-Marcuse), por meio de drogas, psicanálise, pansexualismo, moda e música pop, tentou revolucionar e aniquilar (a partir da Alemanha e dos EUA) o próprio homem nos aspectos mais profundos de sua alma e personalidade[1] (inclinações, intelecto e vontade) e não mais apenas a sociedade cultural (Gramsci) ou religiosa (Bloch). Continuar lendo

A ACÉDIA

Mas, do que se trata? Por que falar sobre isso?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A acédia é uma forma de tristeza avassaladora que produz, no espírito humano, um profundo desânimo, uma verdadeira desolação da alma. É uma “depressão”, na qual qualquer forma de entusiasmo, de desejo genuíno, são transformadas e concentradas em um único desejo: o de não fazer mais nada, de cessar a luta.

Santo Tomás de Aquino define-a como “um torpor do espírito que não consegue empreender o bem”. Em última análise, é uma tendência que mergulha a alma em um grande cansaço, dando-lhe aversão aos exercícios espirituais e ao devido respeito pelas exigências da religião. Portanto, ela afeta, de modo particular, o exercício da nossa vida cristã.

Devemos estar atentos porque esse defeito, porque é efetivamente um defeito, é um mal que pode acarretar sérias consequências se não for combatido. É por isso que é necessário falar sobre isso.

São Gregório afirma: “Ninguém pode permanecer muito tempo sem prazer, em companhia da tristeza”. O mesmo acontece com a natureza humana e vemos que uma pessoa triste terá, obviamente, uma tendência a se afastar daquilo que lhe está causando dor e a se voltar para outras atividades nas quais espera encontrar prazer e alegria. Continuar lendo

AS RAÍZES PURITANAS DO ESPÍRITO AMERICANISTA

Bernard Gribble: Mayflower

Fonte: Sì Sì No No, ano XXXIV, n. 15 – Tradução: Dominus Est

Protestantismo moderado e protestantismo radical

havíamos dito que, para poder considerar a civilização americana e europeia como um unicum, os “neoconservadores” fazem silêncio sobre a profunda ruptura marcada na história da Europa pelo protestantismo, no qual o espírito americanista tem suas “raízes”.

No século XVI, a cristandade europeia passou por uma grave crise com o protestantismo, que rompeu sua unidade político-religiosa sob o papado romano e o Sacro Império Romano-Germânico. A Igreja Romana conhecia as heresias desde seu nascimento, mas havia triunfado sobre elas. A virada herética de Martinho Lutero (†1546), por outro lado, não pôde ser detida e se estabeleceu no norte da Europa (especialmente na Alemanha), onde os hereges se tornaram a maioria, organizados em igrejas autônomas oficialmente apoiadas pelos príncipes alemães. Todo o norte da Europa foi subtraído do papado. O protestantismo, com efeito, rejeita a Igreja de Roma (seu Credo, Sacramentos e Lei) e o papado, negando as origens apostólicas e petrinas da Esposa de Cristo.

Os Países Baixos[1] e os países escandinavos (Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia) seguiram e até ultrapassaram a Alemanha, acusando Lutero de excessiva moderação. Na Alemanha, entretanto, o extremismo já havia tido suas manifestações na forma do movimento dos camponeses (anabatismo, que considerava o batismo válido apenas para adultos). Essas correntes levariam o luteranismo ao extremo, chegando até à negação da Santíssima Trindade e da divindade de Jesus Cristo. Na Suíça, João Calvino (†1564) exasperou a doutrina predestinacionista luterana e apontou o sucesso terreno e mundano como sinal da eleição divina. Na Inglaterra, o calvinismo foi chamado de puritanismo, porque queria “limpar” a igreja nacional anglicana de qualquer resíduo de papismo; ele desempenhou um papel importante no nascimento da América e no espírito americanista, principalmente por meio de seus dois pilares principais: sucesso econômico mundano e antitrinitarismo. Continuar lendo

(NEO)CONSERVADORISMO – UMA IDEOLOGIA ATEU-REVOLUCIONÁRIA CAPAZ DE SEDUZIR OS CATÓLICOS

Leo Strauss [ crédito: http://leostrausscenter.uchicago.edu/ ] ORG XMIT: 354301_0.tif Retrato de Martinho Lutero (1483-1546) feito pelo artísta plástico Lucas Cranach. (Reprodução)

Fonte: Sì Sì No No, ano XXXIII, n. 19 – Tradução: Dominus Est

“Choque de civilizações” e neoconservadorismo

Na sequência dos acontecimentos internacionais deste início de milênio, uma corrente de pensamento chamou a atenção da opinião pública: o chamado “neoconservadorismo”, cujos principais intelectuais são os criadores diretos e indiretos das estratégias políticas e econômicas dos EUA.

No entanto, apesar do nome que foi dado a esse círculo intelectual, trata-se de uma escola de pensamento que carrega uma ideologia “ateu-messiânica” e um programa político “revolucionário-conservador” que hoje tenta e engana a muitos católicos.

O início do terrorismo islâmico-fundamentalista provocou um clamor no contexto católico tradicionalista – ou pelo menos conservador (os dois campos não coincidem perfeitamente) – em defesa de um “Ocidente” confundido com sua Cristandade perdida, ou com o que dele restaria e seria, portanto, digno de defesa a todo custo na perspectiva do iminente “choque de civilizações” de Samuel Huntington.

O que não foi compreendido por parte desses setores do catolicismo tradicionalista ou conservador é a falta de fundamento da tese huntingtoniana, segundo a qual, entre as diferentes civilizações que atualmente se confrontam no cenário mundial, a “euro-americana” constitui um “unicum” ou seja, a “civilização ocidental”. Na realidade, se devemos falar de um confronto, estamos, como veremos, diante de um confronto que é inteiramente interno ao chamado “mundo ocidental”. Trata-se do choque entre “a religião do Deus que se fez Homem e a religião do homem que pretende tornar-se Deus”. Com efeito, de um ponto de vista coerentemente católico, a passagem dos séculos, que desde a cristandade medieval nos levou através do interlúdio da Europa cristã dos séculos XVI-XVII até ao Ocidente global de hoje, não pode ser lida ignorando a grande ruptura protestante, que é a verdadeira raiz do Ocidente americanocêntrico. Continuar lendo