EXORTAÇÃO À PRÁTICA MAIS PURA E MAIS EXTENSA DO CULTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Resultado de imagem para sagrado coração de jesus"1) Convite a compreender e praticar melhor as várias formas da devoção ao coração de Jesus

Antes de terminarmos as considerações tão belas e tão consoladoras que vos estamos fazendo sobre a natureza autêntica deste culto e a sua cristã excelência, nós, cônscios do ofício apostólico confiado em primeiro lugar a s. Pedro depois que ele por três vezes professou o seu amor a Jesus Cristo nosso Senhor, julgamos conveniente, veneráveis irmãos, exortar-vos uma vez mais, e por vosso intermédio exortar todos os caríssimos filhos que em Cristo temos, a que vos esforceis com crescente entusiasmo por promover esta suavíssima devoção, pois confiamos que dela hão de brotar grandes proveitos também nos nossos tempos.

Em verdade, se se ponderam devidamente os argumentos em que se funda o culto ao coração ferido de Jesus, todos verão claramente não se tratar aqui de uma forma qualquer de piedade, que se possa pospor a outras ou ter em menos, mas sim de uma prática religiosa sumamente apta para conseguir a perfeição cristã. Se segundo o conceito teológico tradicional, expresso pelo Doutor angélico – “a devoção não é outra coisa senão a vontade pronta de se dedicar a tudo o que se relaciona com o serviço de Deus”,(40) pode haver serviço divino mais devido e mais necessário, e ao mesmo tempo mais nobre e mais suave, daquele que se presta ao seu amor? Que coisa pode haver mais grata e mais aceita a Deus do que o serviço que se faz à caridade divina, e que se faz por amor, sendo, como é, todo serviço voluntário, de certo modo, um dom, e constituindo o amor “o dom primeiro e origem de todos os dons gratuitos”? (41) Digna é, pois, de sumo apreço uma forma de culto mediante a qual o homem ama e honra mais a Deus e se consagra com maior facilidade e liberdade à caridade divina; forma de culto que o nosso próprio Redentor se dignou propor e recomendar ao povo cristão, e que os sumos pontífices confirmaram com memoráveis documentos e enalteceram com grandes louvores. Por isso, quem tivesse em pouco esse insigne benefício que Jesus Cristo deu à sua Igreja, procederia temerária e perniciosamente, e ofenderia o próprio Deus.

Isso posto, não se pode duvidar de que os cristãos que honram o sacratíssimo coração do Redentor cumprem o dever, por demais gravíssimo, que eles têm de servir a Deus, e que justamente se consagram a si mesmos e todas as suas coisas, seus sentimentos interiores e sua atividade exterior, ao seu Criador e Redentor, e que desse modo observam aquele divino mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças” (Mc 12,30; Mt 22,37). Além disso, têm a certeza de que honrar a Deus não os move principalmente o proveito pessoal, corporal ou espiritual, temporal ou eterno, e sim a bondade do próprio Deus, a quem eles procuram obsequiar com correspondência de amor, com atos de adoração e com a devida ação de graças. Se assim não fora, o culto ao sacratíssimo coração de Jesus não corresponderia ao caráter genuíno da religião cristã, visto que com tal culto o homem não honraria principalmente o amor divino; e não sem motivo, como às vezes sucede, poder-se-ia increpar de excessivo amor e solicitude de si mesmos os que entendem mal esta nobilíssima devoção ou não a praticam convenientemente. Continuar lendo

NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PROGRESSIVO DO CULTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Resultado de imagem para sagrado coração de jesus"1) Albores do culto ao sagrado coração na devoção às chagas sacrossantas da paixão

À vossa consideração, veneráveis irmãos, e à do povo cristão quisemos expor em suas linhas gerais a íntima natureza e as perenes riquezas do culto ao coração sacratíssimo de Jesus, atendo-nos à doutrina da revelação divina como à sua fonte primária. Estamos persuadidos de que estas nossas reflexões, ditadas pelo próprio ensinamento do Evangelho, mostraram claramente como, em substância, este culto não é outra coisa senão o culto ao amor divino e humano do Verbo encarnado, e também o culto àquele amor com que o Pai e o Espírito Santo amam os homens pecadores. Porque, como observa o Doutor angélico, a caridade das três Pessoas divinas é o princípio da redenção humana nisto que inundando copiosamente a vontade humana de Jesus Cristo e o seu coração adorável, com a mesma caridade o induziu a derramar o seu sangue para nos resgatar da servidão do pecado:(33) “Com um batismo tenho de ser batizado, e como me sinto oprimido enquanto ele não se cumpre!” (Lc 12,50). 

Aliás, é persuasão nossa que o culto tributado ao amor de Deus e de Jesus Cristo para com o gênero humano, através do símbolo augusto do coração transfixado do Redentor, nunca esteve completamente ausente da piedade dos fiéis, embora a sua manifestação clara e a sua admirável difusão em toda a Igreja se haja realizado em tempos não muito distantes de nós, sobretudo depois que o próprio Senhor revelou este divino mistério a alguns de seus filhos após havê-los cumulado com abundância de dons sobrenaturais, e os elegeu para seus mensageiros e arautos.

De fato, sempre houve almas especialmente consagradas a Deus que, inspirando-se nos exemplos da excelsa mãe de Deus, dos apóstolos e de insignes padres da Igreja, tributaram culto de adoração, de ação de graças e de amor à humanidade santíssima de Cristo, e de modo especial às feridas abertas no seu corpo pelos tormentos da paixão salvadora.

Aliás, como não reconhecer nas próprias palavras: “Senhor meu e Deus meu” (Jo 20,28), pronunciadas pelo apóstolo Tomé e reveladoras da sua súbita transformação de incrédulo em fiel, uma clara profissão de fé, de adoração e de amor, que da humanidade chagada do Salvador se elevava até a majestade da Pessoa divina? Continuar lendo

PARTICIPAÇÃO ATIVA E PROFUNDA QUE TEVE O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS NA MISSÃO SALVADORA DO REDENTOR

Resultado de imagem para coeur sacré de jésus"1) O sagrado coração de Jesus, símbolo de amor perfeito: sensível, espiritual, humano e divino, durante a vida terrena do Salvador

Agora, veneráveis irmãos, para que destas piedosas considerações possamos tirar abundantes e salutares frutos, bom é meditarmos e contemplarmos brevemente os múltiplos afetos humanos e divinos de nosso Salvador Jesus Cristo, dos quais; durante o curso da sua vida mortal, o seu coração participou e continua agora participando e não deixará de participar por toda a eternidade. Nas páginas do Evangelho é onde principalmente encontraremos a luz pela qual iluminados e fortalecidos poderemos penetrar no segredo deste divino coração, e admirar com o Apóstolo das gentes “as abundantes riquezas da graça (de Deus) na bondade usada conosco por amor de Jesus Cristo” (Ef2,7).

O adorável coração de Jesus Cristo pulsa de amor ao mesmo tempo humano e divino desde que a virgem Maria pronunciou aquela palavra magnânima: “Fiat”, e o Verbo de Deus, como nota o Apóstolo, “ao entrar no mundo disse: Não quiseste sacrifício nem oferenda, mas me apropriaste um corpo; holocaustos pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis que venho: segundo está escrito de mim no princípio do livro, para cumprir, ó Deus, a tua vontade… Por esta vontade, pois, somos santificados pela oblação do corpo de Cristo feita uma só vez” (Hb10,5-7.10). De maneira semelhante palpitava de amor o seu coração, em perfeita harmonia com os afetos da sua vontade humana e com o seu amor divino, quando, na casa de Nazaré, ele mantinha aqueles celestiais colóquios com sua dulcíssima Mãe e com seu pai putativo, s. José, a quem obedecia e com quem colaborava no fatigante ofício de carpinteiro. Esse mesmo tríplice amor movia o seu coração nas suas contínuas excursões apostólicas, quando realizava aqueles inúmeros milagres, quando ressuscitava os mortos ou restituía a saúde a toda sorte de enfermos, quando sofria aqueles trabalhos, suportava o suor, a fome e a sede; nas vigílias noturnas passadas em oração a seu Pai amado; e, finalmente, nos discursos que pronunciava e nas parábolas que propunha, especialmente naquelas que tratam da misericórdia, como a da dracma perdida, a da ovelha desgarrada e a do filho pródigo. Nessas palavras e nessas obras, como diz Gregório Magno, manifesta-se o próprio coração de Deus. “Conhece o coração de Deus nas palavras de Deus, para que com mais ardor suspires pelas coisas eternas”.(26)

De amor ainda maior pulsava o coração de Jesus Cristo quando da sua boca saíam palavras que inspiravam amor ardente. Assim, para dar algum exemplo, quando, ao ver as turbas cansadas e famintas, ele disse: “Tenho compaixão desta multidão” (Mc8, 2), e quando, ao avistar Jerusalém, a sua cidade predileta, destinada a uma ruína fatal por causa da sua obstinação no pecado, exclamou: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados: quantas vezes eu quis recolher teus filhos, como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintinhos, e não o quiseste!” (Mt23, 37). O seu coração também palpitou de amor para com seu Pai, e de santa indignação, quando ele viu o comércio sacrílego que se fazia no templo, e verberou os violadores com estas palavras: “Escrito está: minha casa será chamada casa de oração; mas vós fizestes dela uma espelunca de ladrões” (Mt 21, 13). Continuar lendo

LEGITIMIDADE DO CULTO AO SANTÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS SEGUNDO A DOUTRINA DO NOVO TESTAMENTO E DA TRADIÇÃO

Resultado de imagem para coeur sacré de jésus"1) O amor de Deus no mistério da encarnação redentora segundo o Evangelho

Mas somente pelo Evangelho chegamos a conhecer com perfeita clareza que a nova aliança estipulada entre Deus e a humanidade – aliança da qual a pactuada por Moisés entre o povo e Deus foi somente uma prefiguração simbólica, e o vaticínio de Jeremias mera predição – é aquela que o Verbo encarnado estabeleceu e levou à prática merecendo-nos a graça divina. Esta aliança é incomparavelmente mais nobre e mais sólida, porque, a diferença da precedente, não foi sancionada com sangue de cabritos e novilhos, mas com o sangue sacrossanto daquele que esses animais pacíficos e privados de razão, prefiguravam: “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (cf. Jo1, 29; Hb9, 18-28; 10, 1-17). Porque a aliança cristã, ainda mais do que a antiga, manifesta-se claramente como um pacto, não inspirado em sentimentos de servidão, não fundado no temor, mas apoiado na amizade que deve reinar nas relações entre pai e filhos, sendo ela alimentada e consolidada por uma mais generosa distribuição da graça divina e da verdade, conforme a sentença do evangelho de João: “Da sua plenitude todos nós participamos, e recebemos uma graça por outra graça. Porque a lei foi dada por Moisés, mas a graça foi trazida por Jesus Cristo” (Jo 1, 16-17).

Introduzidos, por essas palavras do “discípulo amado que durante a ceia reclinara a cabeça sobre o peito de Jesus” (Jo21, 20), no próprio mistério da infinita caridade do Verbo encarnado, é coisa digna, justa, reta e salutar nos detenhamos um pouco, veneráveis irmãos, na contemplação de tão suave mistério, a fim de, iluminados pela luz que sobre ele projetam as páginas do Evangelho, podermos também nós experimentar o feliz cumprimento do voto que o Apóstolo formulava escrevendo aos fiéis de Éfeso: “Habite Cristo, pela fé, nos vossos corações, vós que estais arraigados e cimentados em caridade, para que possais compreender com todos os santos qual é a largura e comprimento, a altura e profundidade deste mistério, e conhecer também o amor de Cristo a nós, o qual sobrepuja todo conhecimento, para que sejais plenamente cumulados de todos os dons de Deus” (Ef3, 17-19).

Com efeito, o mistério da divina redenção é, antes de tudo e pela sua própria natureza, um mistério de amor: isto é, um mistério de amor justo da parte de Cristo para com seu Pai celeste, a quem o sacrifício da cruz, oferecido com coração amante e obediente, apresenta uma satisfação superabundante e infinita pelos pecados do gênero humano: Cristo, sofrendo por caridade e obediência, ofereceu à Deus alguma coisa de valor maior do que o exigia a compensação por todas as ofensas feitas a Deus pelo gênero humano.(8) Além disso, o mistério da redenção é um mistério de amor misericordioso da augusta Trindade e do divino Redentor para com a humanidade inteira, visto que, sendo esta totalmente incapaz de oferecer a Deus uma satisfação condigna pelos seus próprios delitos,(9) mediante a imperscrutável riqueza de méritos que nos ganhou com a efusão do seu precioso sangue, Cristo pode restabelecer e aperfeiçoar aquele pacto de amizade entre Deus e os homens violado pela primeira vez no paraíso terrestre por culpa de Adão e depois, inúmeras vezes, pela infidelidade do povo escolhido. Portanto, havendo na sua qualidade de nosso legítimo e perfeito mediador, e sob o estímulo de uma caridade energética para conosco, conciliando as obrigações e compromissos do gênero humano com os direitos de Deus, o divino Redentor foi, sem dúvida, o autor daquela maravilhosa reconciliação entre a divina justiça e a divina misericórdia, a qual justamente constitui a absoluta transcendência do mistério da nossa salvação, tão sabiamente expresso pelo doutor angélico com estas palavras: “Convém observar que a libertação do homem, mediante a paixão de Cristo, foi conveniente tanto para a justiça como para a misericórdia do mesmo Cristo. Antes de tudo para a justiça, porque com a sua paixão Cristo satisfez pela culpa do gênero humano, e, por conseguinte, pela justiça de Cristo foi o homem libertado. E, em segundo lugar, para a misericórdia, porque, não sendo possível ao homem satisfazer pelo pecado, que manchava toda a natureza humana, deu-lhe Deus um reparador na pessoa de seu Filho. Ora, isto foi, da parte de Deus, um gesto de mais generosa misericórdia do que se ele houvesse perdoado os pecados sem exigir qualquer satisfação. Por isso está escrito: ‘Deus, que é rico em misericórdia, movido pelo excessivo amor com que nos amou quando estávamos mortos pelos pecados, deu-nos vida juntamente em Cristo'” (Ef2, 4).(10) Continuar lendo

FUNDAMENTOS E PREFIGURAÇÕES DO CULTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS NO ANTIGO TESTAMENTO

Resultado de imagem para coeur sacré de jésus"1) Incompreensão da verdadeira natureza do culto ao coração sacratíssimo de Jesus por parte de alguns cristãos

Conquanto a Igreja em tão grande estima tenha tido sempre e ainda tenha o culto do sacratíssimo coração de Jesus, a ponto de se empenhar em fomentá-lo e propagá-lo por toda parte entre o povo cristão, e conquanto se esforce diligentemente por defendê-lo contra o “naturalismo” e o “sentimentalismo”, todavia é muito doloroso verificar que, no passado e em nossos dias, alguns cristãos não têm este nobilíssimo culto na honra e estima devidas, e às vezes não o têm nem mesmo aqueles que se dizem animados de zelo sincero pela religião católica e pela própria perfeição.

“Se conhecesses o dom de Deus” (Jo 4, 10). Servimo-nos dessas palavras veneráveis irmãos, nós, que por disposição divina fomos constituídos guardas e dispensadores do tesouro da fé e da religião que o divino Redentor entregou à sua Igreja, para admoestar todos aqueles dos nossos filhos que, apesar de, vencendo a indiferença e os erros humanos, já haver o culto do sagrado coração de Jesus penetrado no seu corpo místico, ainda abrigam preconceitos para com ele, e chegam até a reputá-lo menos adaptado, para não dizer nocivo, às necessidades espirituais mais urgentes da Igreja e da humanidade na hora presente. Porque não falta quem, confundindo ou equiparando a índole primária deste culto com as diversas formas de devoção que a Igreja aprova e favorece, mas não prescreve, o tem como um acréscimo que cada um pode praticar à vontade, e alguns há também que consideram oneroso este culto, e mesmo de nenhuma ou pouca utilidade, especialmente para os militantes do reino de Deus, empenhados em consagrar o melhor das suas energias, dos seus recursos e do seu tempo à defesa da verdade católica, para ensiná-la e propagá-la, e para difundir a doutrina social católica, fomentando práticas religiosas e obras por eles julgadas mais necessárias nos nossos dias. Por último, há quem creia que este culto, longe de ser um poderoso meio para estabelecer e renovar os costumes cristãos na vida individual e familiar, é antes uma devoção sensível não enformada em altos pensamentos e afetos, e, portanto, mais própria para mulheres do que para pessoas cultas.

Outros, finalmente, ao considerarem que esta devoção pede penitência, expiação e outras virtudes, sobretudo as que se chamam “passivas”, por não produzirem frutos externos; não a julgam a propósito para reacender a piedade, a qual deve tender cada vez mais à ação intensa, encaminhada ao triunfo da fé católica e à valente defesa dos costumes cristãos, os quais hoje, como todos sabem, se vêm facilmente infectados pelo indiferentismo, que não reconhece nenhum critério para distinguir o verdadeiro do falso no modo de pensar e de agir, e, assim, se vêem lamentavelmente alheados pelos princípios do materialismo ateu e do laicismo. Continuar lendo

HITLER QUERIA SEQUESTRAR O PAPA: O PLANO SECRETO DO VATICANO PARA PROTEGER PIO XII

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Documentos inéditos dos arquivos da Gendarmeria Pontifícia revelam o plano secreto implementado para defender a Santa Sé e “exfiltrar” o Papa Pio XII, no caso de uma ocupação do Vaticano. 

Entre 8 de setembro de 1943 – data da ocupação de Roma pelos alemães – e a libertação da Cidade Eterna, em 4 de junho de 1944, o Vaticano se viu nos olhos de um ciclone. Esse período é destacado pelo historiador Cesare Catananti em seu livro Il Vaticano nella tormenta, publicado pelas edições San-Paolo, em 17 de janeiro de 2020.

Por meio de documentos que ele pôde, excepcionalmente, consultar na sede da gendarmeria papal, o historiador demonstra que o chanceler alemão havia planejado a invasão dos 44 hectares do Vaticano, bem como o sequestro do soberano pontífice. Ele seria deportado então para Munique ou para o Liechtenstein. 

O secretário de Estado, tendo sido informado sobre esse projeto, colocou em prática um verdadeiro plano de guerra. O Vaticano montou uma barricada: reforço das grandes portas com monumentais barras e sacos de areia, organização da defesa pela guarda suíça, fornecimento de água e comida para se preparar para um longo cerco. 

Se Hitler não recuasse por nada e decidisse enviar seus panzers para romper a muralha, não havia problema, o plano de defesa previa uma redistribuição tática nos palácios apostólicos, com, como fase final, um corpo a corpo sangrento com a guarda nobre, à porta do apartamento pontifício, onde o agressor pensaria ter encontrado o soberano pontífice. 

O tempo ganho por uma luta tão heróica e desesperada seria usado para permitir que o sucessor de Pedro e seus familiares chegassem à torre gregoriana – também chamada Torre dos Ventos – localizada ao norte da Basílica do Vaticano. Através de passagens secretas, todos poderiam chegar rapidamente a um lugar seguro, com o apoio do MI9 britânico. 

A invasão não ocorreu, mas a história está cheia de reviravoltas. Em junho de 1944, na época da libertação de Roma, Pio XII abriria a muralha leonina aos soldados alemães – os mesmos que deveriam pegá-lo alguns meses antes – a fim de protegê-los das represálias de uma população exacerbada e com sede de vingança. 

ALOCUÇÃO DE PIO XII SOBRE AS FAMÍLIAS NUMEROSAS

Imagem relacionadaNo dia 20 de janeiro de 1958, o Papa dirigiu a palavra a um grupo de dirigentes e membros da Federação Nacional (italiana) das Associações de Famílias Numerosas.

1. Entre as visitas mais agradáveis ao Nosso coração, destacamos a vossa, caros filhos e filhas, dirigentes e representantes das Associações de Famílias Numerosas de Roma e da Itália. Conheceis, com efeito, a viva so­licitude que dedicamos à família. Não perdemos ne­nhuma ocasião de assinalar-lhe a dignidade em seus múl­tiplos aspectos, de afirmar e defender-lhe os direitos, de inculcar-lhe os deveres, numa palavra, de fazer dela um ponto fundamental de nosso ensinamento pastoral.

2. Em razão dessa solicitude para com a família, consentimos com todo o prazer, quando as ocupações de Nosso cargo a isso não se opõem, em receber, mesmo que seja por breves momentos, os grupos de famílias que vêm até a Nossa residência e mesmo em deixar- Nos fotografar em sua companhia, para perpetuar, de algum modo, a lembrança da Nossa e sua alegria.

3. O Papa no meio de uma família! Não é este um lugar que bem lhe convém? Não é ele próprio, com um significado altamente espiritual, o Pai da família humana regenerada no Cristo e na Igreja? E não é por intermédio do Vigário de Cristo na terra que se realiza o admirável desígnio da Sabedoria criadora, que ordenou toda paternidade humana no sentido de prepa­rar a família eleita dos céus, onde o amor de Deus, Uno e Trino, a envolverá num só e eterno abraço, dando-se a Si mesmo como herança de beatitude?

4. Entretanto não representais apenas a família, mas sois e representais as famílias numerosas, isto é, as que são mais abençoadas por Deus, queridas e esti­madas pela Igreja como os tesouros mais preciosos. Destas recebe, com efeito, com mais evidência, um trí­plice testemunho, pois ao mesmo tempo em que confirmam aos olhos do mundo a verdade de sua doutrina e a retidão de sua prática, tornam-se, em virtude do exem­plo, de grande auxílio para todas as outras famílias e para a própria sociedade civil. Com efeito, quando são encontradas com freqüência, as famílias numero­sas atestam a saúde física e moral do povo cristão, a fé viva em Deus e a confiança em sua Providência, a santidade fecunda e feliz do casamento católico. Continuar lendo

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA – 15 DE AGOSTO

assum

Para ler a Meditação de Santo Afonso para essa data, clique aqui.

Para ler a belíssima Encíclica MUNIFICENTISSIMUS DEUS, de Pio XII, que define o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em Corpo e Alma, clique aqui.

Abaixo colocamos o momento da proclamação do dogma pelo Papa Pio XII

QUERIA MATAR O PAPA… E CONVERTEU-SE

Faz alguns anos. Pio XII estava na sua capela, a rezar o terço com um grupo de trabalhadores italianos. Acabada a reza, aproximou-se de Santo Padre Bruno Carnacchila, italiano de 31 anos de idade, e entregou-lhe um punhal, dizendo todo comovido: “Santo Padre, com este punhal jurara matar Vossa Santidade. Que Vossa Santidade me perdoe!”

Pio XII permaneceu silencioso por um momento, e, apanhando o punhal, disse apenas:

– Perdôo-te, meu filho.

Esse Bruno fora terrível comunista. Odiava a Santa religião. Não podia ver Padres. Largara completamente suas orações.

Mas quem não o abandonou foi Maria Santíssima a quem ele tanto rezara em pequeno.

Passando um dia por uma gruta de Nossa Senhora, olhara para a bela imagem, e ela fixou seus olhos nele…e converteu-o totalmente.

Após ter renunciado ao comunismo, e ter-se reconciliado com a Igreja, decidiu entregar pessoalmente o punhal ao Papa.

 

Como Maria Santíssima é Boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA – 15 DE AGOSTO

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Para ler a belíssima Encíclica MUNIFICENTISSIMUS DEUS, de Pio XII, que define o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em Corpo e Alma, clique aqui.

Abaixo colocamos o momento da proclamação do dogma pelo Papa Pio XII

ENCÍCLICA MEDIATOR DEI – CONDENAÇÃO POR ANTECIPAÇÃO DA “REFORMA LITÚRGICA” DE PAULO VI

Resultado de imagem para missa ecumênicaUma “lei nociva”: o “Ordo Missae” ecumênico

Há 30 anos (3 de abril de 1969), o Novus Ordo Missae de Paulo VI sucedeu ao antiqüíssimo e venerável rito romano da Santa Missa.

Pela Festa de Corpus Christi deste mesmo ano, foi apresentado a Paulo VI um Breve exame crítico do “Novus Ordo Missae“, precedido duma “Carta” dos cardeais Ottaviani e Bacci, na qual se afirmava: “Os súditos, para o bem dos quais se quer estabelecer uma lei, tiveram sempre, mais do que o direito, o dever de pedir, com confiança filial, ao legislador a ab-rogação da própria lei, quando ela se demonstra ser nociva”.

E como o Novus Ordo era “nocivo”, a ponto de fundamentar um verdadeiro “dever” de pedir a sua ab-rogação, os dois cardeais diziam sem rodeios: o novo rito da Missa “representa, tanto no seu conjunto como nos seus pormenores, um afastamento impressionante da teologia católica da Santa Missa, tal como foi formulada na sessão XXII do Concílio de Trento”.

A “Mediator Dei”

Este “afastamento da teologia católica da Santa Missa” tinha já sido apontado e reprovado por Pio XII no movimento litúrgico que precedeu o Concílio Vaticano II. Na “Mediator Dei” (1947), escrevia o Papa: “Nós notamos com muita apreensão que alguns são demasiado ávidos de novidades e se afastam do caminho da são doutrina e da prudência. Na intenção e no desejo duma renovação litúrgica, eles interpõem freqüentemente princípios que, na teoria ou na prática, comprometem esta causa santíssima, e muitas vezes até a contaminam de erros que afetam a fé e a doutrina ascética“.

Com esta Encíclica, Pio XII se propunha “afastar da Igreja” “falsas opiniões… inteiramente contrárias à santa doutrina tradicional“, “erros que afetam a fé católica e a doutrina ascética“, “exageros e desvios da verdade que não se harmonizam com os preceitos autênticos da Igreja“… opiniões, erros, exageros, desvios, que são a alma da “reforma litúrgica” de Paulo VI e das suas múltiplas realizações que, chegando mesmo às vezes além da letra, se situam, não obstante, no “espírito do Concílio” e do Novus Ordo (como o demonstra também o fato de que eles não são objeto de nenhuma sanção disciplinar). Continuar lendo

15 DE AGOSTO – DIA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

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Para ler a Meditação de Santo Afonso para essa data, clique aqui.

Para ler a belíssima Encíclica MUNIFICENTISSIMUS DEUS, de Pio XII, que define o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em Corpo e Alma, clique aqui.

Abaixo colocamos o momento da proclamação do dogma pelo Papa Pio XII

MUNIFICENTISSIMUS DEUS

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CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA PIO XII

MUNIFICENTISSIMUS DEUS

DEFINIÇÃO DO DOGMA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA EM CORPO E ALMA AO CÉU

Introdução 

  1. Deus munificentíssimo, que tudo pode, e cujos planos de providência são cheios de sabedoria e de amor, nos seus imperscrutáveis desígnios, entremeia na vida os povos e dos indivíduos as dores com as alegrias, para que por diversos caminhos e de várias maneiras tudo coopere para o bem dos que o amam (cf. Rm 8,28).
  2. O nosso pontificado, assim como os tempos atuais, tem sido assediado por inúmeros cuidados, preocupações e angústias, devido às grandes calamidades e por muitos que andam afastados da verdade e da virtude. Mas é para nós de grande conforto ver como, à medida que a fé católica se manifesta publicamente cada vez mais ativa, aumenta também cada dia o amor e a devoção para com a Mãe de Deus, e quase por toda parte isso é estímulo e auspício de uma vida melhor e mais santa. E assim sucede que, por um lado, a santíssima Virgem desempenha amorosamente a sua missão de mãe para com os que foram remidos pelo sangue de Cristo, e por outro, as inteligências e os corações dos filhos são estimulados a uma mais profunda e diligente contemplação dos seus privilégios.
  3. De fato, Deus, que desde toda a eternidade olhou para a virgem Maria com particular e pleníssima complacência, quando chegou a plenitude dos tempos (Gl 4,4) atuou o plano da sua providência de forma que refulgissem com perfeitíssima harmonia os privilégios e prerrogativas que lhe concedera com sua liberalidade. A Igreja sempre reconheceu esta grande liberalidade e a perfeita harmonia de graças, e durante o decurso dos séculos sempre procurou estudá-la melhor. Nestes nossos tempos refulgiu com luz mais clara o privilégio da assunção corpórea da Mãe de Deus.
  4. Esse privilégio brilhou com novo fulgor quando o nosso predecessor de imortal memória, Pio IX, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição. De fato esses dois dogmas estão estreitamente conexos entre si. Cristo com a própria morte venceu a morte e o pecado, e todo aquele que pelo batismo de novo é gerado, sobrenaturalmente, pela graça, vence também o pecado e a morte. Porém Deus, por lei ordinária, só concederá aos justos o pleno efeito desta vitória sobre a morte, quando chegar o fim dos tempos. Por esse motivo, os corpos dos justos corrompem-se depois da morte, e só no último dia se juntarão com a própria alma gloriosa.
  5. Mas Deus quis excetuar dessa lei geral a bem-aventurada virgem Maria. Por um privilégio inteiramente singular ela venceu o pecado com a sua concepção imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos.
  6. Quando se definiu solenemente que a virgem Maria, Mãe de Deus, foi imune desde a sua concepção de toda a mancha, logo os corações dos fiéis conceberam uma mais viva esperança de que em breve o supremo magistério da Igreja definiria também o dogma da assunção corpórea da virgem Maria ao céu.

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31 MAIO – FESTA DE NOSSA SENHORA RAINHA (MARIA RAINHA)

CARTA ENCÍCLICA AD CAELI REGINAM
DO SUMO PONTÍFICE PAPA PIO XII

SOBRE A REALEZA DE MARIA  E A INSTITUIÇÃO DA SUA FESTA

AOS VENERÁVEIS IRMÃOS
PATRIARCAS, PRIMAZES,
ARCEBISPOS E BISPOS
E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR 
EM PAZ E COMUNHÃO
COM A SÉ APOSTÓLICA

INTRODUÇÃO

Desde os primeiros séculos da Igreja católica, elevou o povo cristão orações e cânticos de louvor e de devoção à Rainha do céu tanto nos momentos de alegria, como sobretudo quando se via ameaçado por graves perigos; e nunca foi frustrada a esperança posta na Mãe do Rei divino, Jesus Cristo, nem se enfraqueceu a fé, que nos ensina reinar com materno coração no universo inteiro a Virgem Maria, Mãe de Deus, assim como está coroada de glória na bem-aventurança celeste.

Ora, depois das grandes calamidades que, mesmo à nossa vista, destruíram horrivelmente florescentes cidades, vilas e aldeias; diante do doloroso espetáculo de tantos e tão grandes males morais, que transbordam em temeroso aluvião; quando vacila às vezes a justiça e triunfa com freqüência a corrupção; neste incerto e temeroso estado de coisas, sentimos nós a maior dor; mas ao mesmo tempo recorremos confiantes à nossa rainha, Maria santíssima, e patenteamos-lhe não só os nossos devotos sentimentos mas também os de todos os fiéis cristãos.

É grato e útil recordar que nós próprios – no dia 1° de novembro do ano santo de 1950, diante de grande multidão formada de cardeais, bispos, sacerdotes e simples cristãos, vindos de toda a parte do mundo – definimos o dogma da assunção da bem-aventurada virgem Maria ao céu(1), a qual presente em alma e corpo, reina entre os coros dos anjos e santos, juntamente com o seu unigênito Filho. Além disso – ocorrendo o primeiro centenário da definição dogmática do nosso predecessor de imortal memória Pio IX, que proclamou ter sido a Mãe de Deus concebida sem qualquer mancha do pecado original – promulgamos,(2) com grande alegria do nosso coração paterno, o presente ano mariano; e vemos com satisfação que não só nesta augusta cidade – especialmente na Basílica Liberiana, onde inumeráveis multidões vão testemunhando bem claramente a sua fé e ardente amor a Mãe do céu – mas em todas as partes do mundo a devoção à virgem Mãe de Deus refloresce cada vez mais, ocorrendo grandes peregrinações aos principais santuários de Maria. Continuar lendo

MAGISTÉRIO CONTRA “MAGISTÉRIO”: PIO XII RESPONDE À “NOVA MORALIDADE” DA LAETITIA AMORIS DO PAPA FRANCISCO

pieXIIFonte: La Porte Latine

Discurso do Papa Pio XII ao Congresso Internacional da Federação Mundial da Juventude Feminina Católica 

O tema do Congresso

Sejam bem-vindas filhas amadas da Federação Mundial da Juventude Feminina Católica. Eu vos saúdo com o mesmo carinho que recebi, há cinco anos em Castel Gandolfo, por ocasião do grande encontro internacional das Mulheres Católicas.

Os estímulos e os sábios conselhos que foram proporcionados a vocês neste Congresso, assim como as palavras que então dirigimos não foram certamente infrutíferos. Sabemos os esforços que neste intervalo vocês têm desenvolvido para atingir os objetivos precisos dos quais vocês tinham uma visão clara. Isso também prova o relatório impresso durante a preparação deste Congresso que fizemos lá: “La Foi des Jeunes – Problème de notre temps”. Suas 32 páginas têm o peso de um grosso volume, e Nós temos analisado com muito cuidado, porque resume e sintetiza os ensinamentos de numerosas questões sobre a situação da fé na juventude católica da Europa, cujas conclusões são altamente instrutivas.

Em muitas das questões levantadas lá, Nós mesmos tratamos em nossa alocução de 11 de setembro de 1947 (1), que vocês assistiram, e em muitos outros discursos antes e depois. Hoje, Nós queremos aproveitar a oportunidade proporcionada por este encontro com vocês para dizer o que pensamos sobre um fenômeno que ocorre em todos os lugares, na vida de fé dos católicos e que afeta um pouco a todos, mas de uma forma particular afeta os jovens e seus educadores, como quando vocês dizem (p. 10): “Confundindo o cristianismo com um código de preceitos e proibições, os jovens têm a impressão de afogar-se nesse clima de “moral imperativa” e não é uma pequena minoria que deixa de lado esse “fardo constrangedor.”

Uma nova concepção da lei moral

Podemos chamar esse fenômeno de “uma nova concepção da vida moral”, uma vez que é uma tendência que se manifesta no campo da moralidade. No entanto os princípios da moralidade se baseiam nas verdades da fé e vocês sabem bem que é importância capital para a conservação e o crescimento da fé que a consciência da jovem se forme o mais cedo possível e se desenvolva segundo as normas morais justas e saudáveis. Assim, a concepção de “nova moralidade cristã” toca muito diretamente o problema da fé dos jovens. Continuar lendo

PIO XII E OS PROBLEMAS MODERNOS: A MULHER MODERNA

mulher-mod2O caráter da vida da mulher e a iniciação da cultura feminina eram inspirados, conforme a mais antiga tradição, pelo seu instinto natural que lhe atribuía como reino próprio de atividade a família, a não ser no caso de, por amor de Cristo, preferir a virgindade. Retirada da vida pública e à margem das profissões públicas, a jovem, como flor que cresce guardada e reservada, estava destinada por sua vocação a ser esposa e mãe. Junto da mãe aprendia os labores femininos, os cuidados e negócios da casa e tomava parte na vigilância dos irmãos e irmãs menores, desenvolvendo assim as forças, o engenho, e instruindo-se na arte e no governo do lar. […] Hoje, pelo contrário, a antiga figura feminina está em rápida transformação. Podeis ver que a mulher, e, sobretudo a jovem, sai de seu retiro e entra em quase todas as profissões, até aqui exclusivo campo de ação e vida do homem. [1]

Digamos imediatamente que para Nós o problema feminino, tanto em seu complexo, como em cada um de seus múltiplos aspectos particulares, consiste todo na conservação e no incremento da dignidade que a mulher recebeu de Deus. […] Em que consiste, portanto esta dignidade que a mulher tem de Deus?

Em sua dignidade de filhos de Deus, o homem e a mulher são absolutamente iguais, como também a respeito do fim último da vida humana, que é a eterna união com Deus na felicidade do céu. É glória imortal da Igreja ter colocado em luz e em honra esta verdade e haver livrado a mulher de uma degradante servidão contrária à natureza. Mas o homem e a mulher não podem manter e aperfeiçoar esta sua igual dignidade, senão respeitando e colocando em ato as qualidades particulares, que a natureza lhes concedeu a um e a outra, qualidades físicas e espirituais indestrutíveis, das quais não é possível mudar a ordem sem que a própria natureza sempre novamente a restabeleça. […] Ainda mais. Os dois sexos, por sua própria qualidade particular, são ordenados um para o outro de tal modo que esta mútua coordenação exercita seu influxo em todas as múltiplas manifestações da vida humana social. Continuar lendo

ALOCUÇÃO DE PIO XII SOBRE A MODA

mulher-catolicaDe todo o coração vos damos as boas-vindas paternais, caros filhos e filhas, promotores e associados de “União Latina de Alta Moda”, que desejastes vir à Nossa presença para Nos testemunhar a vossa filial devoção, e ao mesmo tempo, implorar os favores celestiais sobre a vossa União, colocando-a, desde o seu nascimento, sob a proteção d’Aquele para cuja glória deve encaminhar-se toda a atividade humana, mesmo as profanas em aparência, segundo o preceito do Apóstolo dos Gentios:“Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”(I Cor 10, 31). Proponde-vos enfrentar com vistas a desígnios cristãos um problema tão delicado quanto complexo, cujos imprescindíveis reflexos morais foram, em todo tempo, objeto de atenção e de ansiedade para aqueles que, por ofício, na família, na sociedade e na Igreja, esforçam-se para preservar as almas das insídias da corrupção e a comunidade inteira da decadência dos costumes, isto é, o problema da moda, especialmente feminina.

É justo que, aos vossos generosos propósitos, correspondam a gratidão Nossa e da Igreja e os ardentes votos de que a vossa União, nascida e inspirada por uma são consciência religiosa e civil, atinja, mediante a esclarecida autodisciplina dos próprios artífices da moda, o duplo escopo declarado nos vossos estatutos: moralizar este importante setor da vida pública e contribuir para elevar a moda a instrumento e expressão de uma bem entendida civilização.

Ansiosos por encorajar tão louvável empreendimento, consentimos de bom gosto no pedido a Nós feito de vos expor algumas das ideias, especialmente sobre a reta formulação do problema e sobre os seus aspectos morais, fazendo-vos, outrossim, algumas sugestões práticas, aptas a assegurar à União uma bem aceita autoridade num campo frequentemente tão discutido. Continuar lendo