SANCTE PIE DECIME

Nas vozes da Schola Cantorum St. Cecilia, da FSSPX em Utrecht, na Holanda.

Nota do blog: é em Utrecht (Holanda) que a FSSPX mantém uma de suas mais belas igrejas: a de St. Willibrord. Nos links abaixo é possível ver mais sobre ela:

PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÔNIO – PARTE 2/2

Resultado de imagem para noivado catolicoPreparação próxima para o Matrimônio

A preparação próxima não mais depende dos pais, pertence aos jovens. E para isto, há uma instituição toda particular: o tempo de noivado.

A religião católica cuida de um modo especial e com tato particular do noivado. Não é um tempo de embriaguez, de fantasias e quimeras, e sim uma época de estudar a si mesmo, e o futuro companheiro de vida.

A) O noivado é tempo de estudo sério de si mesmo. Estudo que se deve realizar invocando-se o auxílio particular de Deus. Há com efeito, na vida humana, um momento mais importante, em que haja mais necessidade da direção divina, que o da escolha de um esposo? Não é esta a significação do provérbio russo: “Partes para a guerra? Reza uma vez. Vais andar pelo oceano? Reza duas vezes. Vais casar? Reza três vezes”.

a) É impossível que um jovem sério, no momento de casar-se, não faça um profundo exame de consciência, pois empreende uma grande tarefa. Eu vou fundar um lar. Deverei ocupar-me de uma mulher e de filhos. Contentar-me com alegrias silenciosas e puras. Trabalhar desinteressadamente. Renunciar, muitas vezes, tantas coisas… Eis a primeira parte deste exame de consciência.

A segunda parte oferece pensamentos consoladores e confortantes: serei o chefe responsável de um pequeno e feliz reino. Meu trabalho sustentará minha família. Meu amor edificará uma vida nova, e eu é que hei de assegurar a felicidade deste novo ninho.
Será isto difícil, será uma tarefa penosa, um sacrifício perpétuo, mas serei indenizado de tudo isto, ao cêntuplo, quando ouvir estas palavras: “Papai, Papai”.

b) É impossível que também uma jovem séria, no instante de casar-se não faça, igualmente, um bom exame de consciência.
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PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÔNIO – PARTE 1/2

Resultado de imagem para noivado catolicoUm provérbio afirma: “Filhos pequenos – pequenos cuidados, filhos grandes – grandes cuidados“.

Pena que não haja uma continuação: os cuidados são, com efeito, maiores, quando, já maiores, se tornam eles moços ou moças, e querem voar para fora do ninho doméstico, e construir um novo lar. É, na realidade, o instante em que o coração dos bons pais são dominados por uma grande ansiedade: será para a felicidade o casamento que seu filho ou sua filha quer contrair perante o altar?

Não há pais que deixem de pensar, com o coração oprimido e angustiado, no futuro casamento de seus filhos. Há, porém, muitos, infelizmente, que se atêm a este sentimento confuso e angustiante, abandonando tudo ao acaso, em lugar de, por meio de uma educação sábia e previdente, assegurarem a felicidade futura desse casamento.

Os filhos devem ser preparados para o casamento, e quantos pais negligenciam esta educação. Ensinam-lhes a polidez e as boas maneiras, ensinam-lhes a se apresentarem com desembaraço e elegância, ensinam-lhes os esportes, a dança, a música, as línguas, mas só não cuidam de lhes ensinar uma coisa, e de grande importância: a realizarem um casamento feliz. Para a felicidade no matrimônio, há necessidade de uma preparação:

I) remota e II) próxima, e se nesta instrução indicamos, em linhas gerais, estas obrigações, é para que os pais se esforcem, graças a elas, por assegurar a paz e a felicidade no casamento de seus filhos. Continuar lendo

CATECISMO REVOLUCIONÁRIO

Resultado de imagem para revolucionárioSumário: — Catecismo Revolucionário, por Manuel da Benarda, Lisboa, 1910 — Um volume, in-8o., de 606 páginas, com XIII de prólogo, por Teófilo Ibérico, e finíssimas estampas.  
 
Do interessante opúsculo supramencionado e que ora nos chega de Lisboa, julgo conveniente extratar algumas perguntas e respostas, que terão, talvez, o sabor da atualidade.
 
P. — Sois revolucionário?
 
R. — Sim, mas não por graça nem de graça.
 
P. — Que é ser revolucionário?
 
R. — Ser revolucionário é aceitar, pregar e praticar as doutrinas da revolução.
 
P. — E quais são elas?
 
R. — Diversas. Pode-se mesmo dizer que seu nome é Legião. Mas a capital é o ódio sistemático da autoridade.
 
P. — É certo que a revolução, em geral, e particularmente a denominada Grande Crise, em França, foi que no planeta estabeleceu a igualdade, a liberdade e a fraternidade?
 
R. — Costumamos afirmar isto, por ser mais conhecida a famosa campanha que se iniciou pela tomada da Bastilha: mas a nossa origem perde-se em a noite dos tempos. Nosso mais antigo fundador foi aquele que primeiro clamou: Non serviam!
 
P. — Que entendeis por igualdade?
 
R. — O nivelamento de todas as condições sociais. Nosso ideal em fisiografia seria uma planície. Detestamos as colinas pretensiosas e os cabeços das montanhas coroados de nuvens. Em geometria suprimiríamos uma das três dimensões. Adoramos o largo e o chato.
 
P. — Entretanto quando vos constituís governos é preciso que exerçais autoridade e que então a cerqueis de todas as notas externas da superioridade social e política.
 
R. — Distinguimos. No princípio abolimos os tratamentos cerimoniáticos, os títulos e condecorações. É o período dos ex: o ex-rei, o ex-barão, o ex-comendador. Depois pouco a pouco restabelecemos tudo isso. Teófilo Braga anda em carros de segunda classe, que no Brasil se chamam caras-duras… Mas já no Rio os cidadãos elevados ao pináculo se fazem admirar em soberbos attelages à d’Aumont. No começo predomina o tratamento de vós. Depois reinam as excelências. Os revolucionários alçados ao poder são muito mais majestosos do que as majestades de nascimento.

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A MISSA É UM FREIO AO GLOBALISMO

Espanha e Portugal

Pe. Xavier Beauvais, FSSPX

Durante este encarceramento a que estamos em vias de nos submeter, vimos surgir um grande furor contra a Missa nas nossas capelas e igrejas.

É certo que, golpeando-se a Missa, a Igreja é enfraquecida. Nós já o vimos em 1969, com o novo rito de Paulo VI. Para que a Igreja vacile no tocante ao dogma e à disciplina, é preciso combater a Missa. Esse era (e ainda é) um dos melhores meios de evacuar e substituir, pouco a pouco, a moral católica, os usos e costumes da catolicidade.

O governo francês atual sabe muito bem disso quando nos impede de celebrar a Missa.

Sabemos que o alinhamento dos costumes de todo o mundo à ética maçônica está o coração do globalismo em marcha. Todo freio – e a Missa é um freio – todo obstáculo a esse projeto deve ser tiranicamente suprimido. O principal adversário do globalismo é a renovação do Sacrifício da Cruz, pois sabemos que a Missa é o remédio individual, social e político ao vírus e aos males dos tempos modernos.

Em face da liberdade desenfreada, ela clama ao dom de si.

Em face da igualdade absoluta, apela ao senso de hierarquia.

Em face da fraternidade fundada sobre o homem, lembra da caridade, ou seja, do amor na verdade que os homens devem uns aos outros, em nome de Deus.

Toda a ordem da civilização repousa sobre o altar, eis o porquê de ser preciso lutar sem cessar pelo tesouro oferecido por Nosso Senhor e gritar: “Devolvam-nos a Missa”.

É justamente nesse espírito que o Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, lançou no dia 21 de novembro um apelo enérgico a uma Cruzada de Orações até a Quinta-Feira Santa, 1º. de abril de 2021. Continuar lendo

CARTA DO SUPERIOR GERAL DA FSSPX AOS AMIGOS E BENFEITORES – N° 90

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Caros fiéis, amigos e benfeitores,

Estamos vivendo um momento muito especial da história, excepcional por assim dizer, com a crise do coronavírus e todas as repercussões que ela teve. Milhares de perguntas surgem em tal situação, para as quais haveria outras tantas respostas a dar. Seria utópico pretender dar uma solução a cada problema em particular, e não é esse o propósito destas poucas reflexões. Ao contrário, gostaríamos de analisar aqui um perigo de certo modo mais grave do que todos os males que atualmente afligem a humanidade: é o perigo que os católicos correm de reagir de forma excessivamente humana ao castigo que atualmente atinge nosso mundo, tornado pagão através de sua apostasia.

Com efeito, durante várias décadas, esperávamos um castigo divino, ou alguma intervenção providencial que viesse remediar uma situação que, durante muito tempo, poderia nos parecer perdida. Alguns imaginavam uma guerra nuclear, uma nova onda de pobreza, um cataclismo, uma invasão comunista ou mesmo um choque petrolífero… Em suma, poderíamos esperar algum evento providencial pelo qual Deus puniria o pecado da apostasia das nações, e suscitaria reações salutares ​​entre aqueles que estivessem bem dispostos. Em todo caso, esperávamos algo que revelasse os corações. Porém, se não há necessariamente os contornos que prevíamos, as angústias pelas quais estamos passando, sem dúvida, desempenham esse papel revelador.

O que está acontecendo com a crise que vivemos agora? Procuremos analisar os sentimentos que estão conquistando os corações dos nossos contemporâneos e procuremos, sobretudo, examinar se as nossas disposições para conosco, católicos, são capazes de se elevar ao nível de nossa fé.

Medos demasiado humanos

Para simplificar, descobrimos três tipos de medo que estão hoje emaranhados em quase todos os homens e que esgotam todas as suas energias.

Em primeiro lugar, existe o medo da epidemia como tal. Não se trata aqui de discutir a nocividade do coronavírus: mas o certo é que nosso mundo sem Deus se apega à vida mortal como sendo seu bem absoluto, diante do qual todos os outros se inclinam e perdem sua importância. Inevitavelmente, portanto, essa perspectiva distorcida engendra uma ansiedade universal e incontrolável. O mundo inteiro parece estar enlouquecendo. Hipnotizados pelo perigo que ameaça a “prioridade das prioridades”, literalmente em pânico, todos se mostram fundamentalmente incapazes de refletir sobre outra questão, ou de se elevar acima de uma situação que está acima de seu controle.

Depois, há o espectro da crise econômica. Evidentemente, é perfeitamente normal que um pai se preocupe com o futuro de seus filhos, e Deus sabe que nessa época as preocupações mais legítimas abundam. Mas quero falar sobre esse medo mais geral e, definitivamente, muito mais egoísta, que é o se tornar um pouco mais pobre e de não poder mais gozar do que era considerado como garantido e objeto de direitos intocáveis. Esta perspectiva está estreitamente ligada à anterior: porque se a vida aqui embaixo é o bem supremo, as riquezas que nos permitem desfrutá-la mais, ou tanto quanto possível, tornam-se também, por necessidade, um bem supremo. Continuar lendo

AJUDE A FSSPX EM SUA CRUZADA DE ORAÇÕES, PELAS MISSAS E PELAS VOCAÇÕES

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A situação internacional está claramente se deteriorando. Um dos pontos mais críticos diz respeito à proibição das Missas públicas. Como todos sabemos que a Missa é a alavanca que levanta o mundo, só podemos nos preocupar com o futuro.

Os fiéis e os sacerdotes da FSSPX, em todo o mundo, estão preocupados em se opor a esta situação com meios proporcionais. Para encorajar tal estado de espírito, ajudando a lutar principalmente em um nível sobrenatural, o Superior Geral decidiu lançar uma Cruzada de Orações, apoiada pela recitação do Rosário.

É uma cruzada tanto pela Missa quanto pelas vocações. Assim, ao mesmo tempo que responde à necessidade presente, esta cruzada responde ao próprio objetivo da Fraternidade, permitindo manter nossa preocupação com as vocações e nosso apego à Missa. (DICI)

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Clique aqui para saber mais sobre essa Cruzada e como se juntar a nós nessas orações.

MARIA, A NOVA EVA

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Pe. Calmel, O.P.

Dizemos tudo o que é preciso, ao menos em substância, em relação a Nossa Senhora, quando pronunciamos as duas primeiras invocações da Ladainha: Santa Mãe de Deus, Santa Virgem das Virgens. As palavras Mãe de Deus designam a dignidade única da maternidade divina que situa Nossa Senhora imediatamente depois do Verbo encarnado, seu próprio Filho, acima portanto, de todos os bem-aventurados e de todos os anjos. A precisão Santa, posta antes de Mãe de Deus, nos adverte que Maria foi dignamente preparada para sua missão por uma plenitude de graças e de santidade; que ela preencheu dignamente esta missão com toda consciência e caridade e que fez sua vontade de redenção que lhe manifestara seu Filho desde a visita do arcanjo.

Justamente porque o vocábulo Santa Mãe de Deus vai ao fundo do mistério de Maria, as definições da Igreja a respeito de Nossa Senhora começaram por aí. O Concílio de Éfeso em 431, sob o impulso de São Cirilo, o ilustre patriarca de Alexandria, proclama que Maria é aghia theotocos, sancta Dei genitrix, santa Mãe de Deus; e até o fim do mundo, a segunda parte da Ave-Maria faz eco à definição do terceiro concílio ecumênico: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós. Este eco não cessará com a consumação dos séculos; ele se repetirá por toda a eternidade, e ressoará para sempre através da multidão sem números de anjos e santos; mas então rogai por nós não terá mais a significação de súplica pois Deus estará todo em nós: traduzirá somente nossa exultação, nosso reconhecimento no tremor sagrado de termos sido salvos e beatificados apesar de nossa capacidade radical de danação: salvos pela Paixão de Cristo e a compaixão de Maria. Ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.

Assim o título de Santa Mãe de Deus contém de alguma maneira tudo o que cremos sobre Maria; evoca convenientemente todas as riquezas que nela estão. No entanto, a fim de ser mais explícita, a Ladainha acrescenta um segundo título: Santa Virgem das Virgens. Por essa invocação compreendemos melhor a que profundidade e de que maneira a Mãe de Deus é santa. Ela é santa estando toda reservada, toda consagrada a seu Filho para a obra da Encarnação redentora. A reserva de Maria para o Cristo e a maternidade divina é de tal natureza que não somente em sua alma mas também em seu corpo, ela só poderia pertencer a Deus. Na verdade, qualquer homem bem nascido e que não tenha sentimentos baixos ou indignos, a respeito de Deus Santíssimo, não poderia imaginar senão que a Mãe de Deus lhe fosse exclusivamente reservada e consagrada. Virgem antes do parto, Virgem durante o parto, Virgem depois do parto: estas três afirmações do dogma cristão são de soberana conveniência. Para imaginar que não fosse assim era preciso ter de Deus e dos atributos divinos um sentimento bastante vulgar; no fundo seria preciso não ter o senso de Deus, não saber que os procedimentos divinos são todos de honra, de dignidade, de respeito por sua criatura. A dignidade da mãe de Deus exige que ela seja sempre virgem, e não só sempre virgem mas nunca tocada pela sombra do mal a começar pela mal hereditário do pecado original [1]. Continuar lendo

DO DESPREZO DE TODA HONRA TEMPORAL

Resultado de imagem para joelho crucifixo"Jesus: Filho, não te entristeças por veres os outros honrados e exaltados, ao passo que tu és desprezado e humilhado. Ergue a mim o teu coração até ao céu, e não te entristecerá o desprezo humano na terra.

A alma: Senhor, vivemos na cegueira, e facilmente nos engana a vaidade. Se bem me examino, nunca recebi injúria de criatura alguma; não tenho, pois, motivo de justa queixa contra vós.

Mas, porque cometi tantos pecados, e tão graves, contra vós, é justo que contra mim se armem todas as criaturas. A mim, pois, com muita razão, cabe confusão e desprezo, a vós, porém, louvor, honra e glória. E enquanto não estiver disposto a querer de bom grado ser desprezado e abandonado de todas as criaturas, e ser tido absolutamente em nada, não haverá em mim paz e tranqüilidade interior, nem serei espiritualmente iluminado, nem perfeitamente unido a vós.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis