CRISTO MORREU POR TODOS, MAS NEM TODOS SÃO SALVOS.

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa sexta parte professa que Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é o único Mediador e Salvador da humanidade. Por meio de seu sacrifício na Cruz, Ele mereceu a salvação para todos, mas essa salvação deve ser recebida pela fé, conversão e graça: nem todos são salvos somente por esse ato.

V – Jesus Cristo, Verbo Encarnado, único Mediador e Redentor

37 – Creio e professo que Nosso Senhor Jesus Cristo é o Verbo eterno de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, consubstancial ao Pai, segundo a divindade, e de mesma natureza que nós, segundo a humanidade, semelhante a nós, a não ser no pecado 41. É Ele o único Mediador entre Deus e os homens, o único Salvador do gênero humano, o único Rei das almas e das sociedades, prometido por Deus, na sua misericórdia, aos nossos primeiros pais, e anunciado pelos profetas.

38 – Professo que, ao chegar a plenitude dos tempos, o Filho de Deus se encarnou, não para confirmar o homem na sua dignidade humana ou para lhe revelar a imagem de Deus nele, mas para o salvar do pecado e tornar a dar-lhe acesso à vida eterna. Nascido da Virgem Maria, sem deixar de ser Deus, tomou uma natureza humana verdadeira, viveu entre nós, ensinou a verdade, cumpriu as profecias, manifestou a sua divindade pelos seus milagres, e então se ofereceu livremente sobre a Cruz em sacrifício propiciatório pelos pecados do mundo.

39 – Professo que a Redenção é uma satisfação verdadeira oferecida à justiça divina, em reparação pelo pecado original e pelos pecados pessoais. Cristo, Sacerdote e Vítima em sua humanidade santa, resgatou-nos pelo seu sangue. Arcando com os nossos pecados e sofrendo a pena que nos era devida, oferece ao seu Pai um ato perfeito de obediência, ato de amor e de reparação, ao qual a dignidade da sua Pessoa divina conferia um valor meritório infinito. Continuar lendo →

SERMÃO DE D. LEFEBVRE — PRIMEIRA MISSA DO PADRE DANIEL MARET — 30 DE JUNHO DE 1979

Para ouvir o sermão, clique aqui.

Caríssimo Padre Maret,

Com que alegria te acompanhamos hoje ao altar de Nosso Senhor. Todos os que te rodeiam, todos os que aqui se encontram e vieram assistir e participar da tua primeira Missa, alegram-se por haver doravante um sacerdote do Valais, saído da nossa casa de Écône e que, estamos persuadidos, fará honra a este Valais católico e às tradições deste cantão. Tradição de fé, tradição de generosidade: tantas vocações saíram desta terra abençoada, tantos missionários, tantos religiosos, tantas religiosas. Não é possível que as graças e as bênçãos que Deus concedeu a este país com tão grande abundância se tenham esgotado. Por isso hoje nos alegramos verdadeiramente e damos graças a Deus por um filho desta terra poder subir ao altar e oferecer o Sacrifício de Nosso Senhor.

Peço-te primeiro, caro amigo, que lances um olhar para o passado, a fim de contemplar e reconhecer todas as graças que Deus te concedeu. Creio que quase todos os presentes nesta cerimônia conhecem tanto as alegrias profundas e espirituais quanto as graças que recolheste no seio da tua família; mas todos conhecem igualmente as provações. Provação cruel que Deus enviou à tua família; é preciso, porém, considerá-la — e, graças a Deus, tua querida mãe e todos os teus irmãos e irmãs a encaram com fé profunda, com fé sobrenatural, de modo que sabem que Deus a quis para que a família recebesse graças particulares, as quais de fato recebeu e continua a receber.

Tu mesmo, caro amigo, recebeste graças particulares e especiais ao longo de todo o seminário, graças à tua família e às orações daqueles que te cercaram na juventude. Agradece hoje a Deus por todas essas graças e peçamos a Ele que alivie as provações da tua família. Continuar lendo →

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – OUTUBRO/26

São Domingos e o Santo Rosário – Paróquia Nossa Senhora de Fátima RTS

Queridos fiéis,

 Neste mês de outubro, mês dedicado especialmente ao Santo Rosário e coroado pela festa de Nossa Senhora do Rosário no dia sete, eu gostaria de elevar algumas reflexões sobre a grandeza desta oração profundamente católica. É uma oração divina pela sua constituição essencialmente bíblica, pela sua origem entregue diretamente pelas mãos de Nossa Senhora e pelos seus efeitos de inúmeros milagres.

“O Rosário é um baluarte de salvação e de paz que Deus, em sua grande misericórdia, quis dar à humanidade na pessoa de sua augusta Mãe.” (Fidentem Piumque Animum, Papa Leão XIII)

O nome do Santo Rosário não deve ser uma simples denominação material, mas uma expressão de nossa vida íntima com Deus, uma expressão de sua graça — desta graça que deve santificar-nos particularmente e ser, ao mesmo tempo, um poderoso socorro em nossos grandes combates. Rezar bem e regularmente o Rosário, todos os dias e com boa vontade, é sempre possível. É preciso, inclusive, chegar ao ponto em que essa recitação diária não seja para a alma apenas um dever que se impõe — e que, por isso mesmo, poderia às vezes parecer pesado e até fastidioso —, mas uma necessidade do nosso coração, da nossa fé e da nossa vida espiritual, que não podem prescindir deste alimento amado, inteiramente consolador e fecundo. Continuar lendo →

03 DE OUTUBRO – DIA DE SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

História da autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus – Santuário  Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

No dia dessa grandiosa Santa, disponibilizamos abaixo alguns links sobre ela:

COMO MANTER A PACIÊNCIA?

A VIA MARIANA DA “PEQUENA TERESA” NO FIM DE SUA VIDA

CURA A SANTA TERESINHA

EDITORIAL DA REVISTA PERMANENCIA NO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SANTA TERESINHA (1973)

A VIA DA INFÂNCIA ESPIRITUAL

TERESINHA, TEMPLO DE DEUS

SANTA TERESINHA, POR GUSTAVO CORÇÃO

NA IMITAÇÃO DE TERESINHA ESTÁ A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE

SÃO JOSÉ, SEGUNDO SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

CONCERTO DA SCHOLA STELLA MARIS

Concerto realizado no dia 25 de março de 2026, na igreja de Saint-Méen e Sainte-Croix, em La Fresnais, na França.

A Schola Stella Maris é um coral e conjunto instrumental da escola Sainte Marie em Saint-Père-Marc-en-Poulet, perto de Saint-Malo.

O Concerto completo pode ser visto clicando aqui.

02 DE OUTUBRO – DIA DOS SANTOS ANJOS DA GUARDA

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Clique aqui para ler a Meditação de Santo Afonso sobre os Anjos da Guarda.

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Para um bom entendimento sobre questões referentes aos anjos colocamos abaixo alguns links sobre o assunto:

 

O HOMEM NÃO PODE SALVAR A SI MESMO

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta quinta parte relembra a realidade do pecado original e a profunda ferida que ele infligiu à natureza humana. Ela afirma, contra o naturalismo moderno, que nem o progresso, nem a ciência, nem a cultura podem salvar o homem: ele precisa da Redenção e da graça de Cristo.

IV – O pecado original e a condição humana

29 – Creio que os nossos primeiros pais foram por Deus estabelecidos num estado de justiça e de santidade originais, e dotados dos dons de integridade, de impassibilidade e de imortalidade. Por um favor particular de Deus, possuíam não apenas a integridade da sua natureza própria, mas ainda os dons sobrenaturais que os ordenavam à vida mesma de Deus. Adão, cabeça e princípio da humanidade, recebeu ademais o dom de ciência.

30 – Professo que, pela sua desobediência, Adão realmente cometeu o pecado original, que se transmite a todos os homens pela geração. Esse pecado é para todos um pecado de natureza, que os condena à morte, ao sofrimento, à ignorância e à concupiscência. Despojados da graça santificante e dos dons preternaturais, que não podiam mais transmitir à sua descendência, Adão e Eva foram expulsos do paraíso terrestre.

31 – Em Adão, no entanto, a natureza do homem não foi destruída, mas tão somente ferida. A sua inteligência, embora obscurecida, permanece capaz de conhecer a verdade; seu livre-arbítrio, embora enfraquecido, permanece capaz de querer e de amar o bem natural. Por essa razão, rejeito todas as doutrinas que, num pessimismo desesperado, consideram que o homem está irremediavelmente corrompido e é incapaz de qualquer bem. Continuar lendo →

IRMÃ MARY MICHAEL, PRIMEIRA IRMÃ DA FSSPX: 50 ANOS DE SUA PROFISSÃO

Há meio século, o ramo feminino fundado por D. Lefebvre acolheu a sua primeira irmã professa. No dia 29 de setembro de 2026, a Irmã Mary Michael celebrou um jubileu na Austrália que a liga diretamente às origens da obra. Nascida Janine Ward, ela foi, de fato, a primeira postulante das Irmãs da Fraternidade, tendo feito os seus votos em 1976.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 29 de setembro de 2026, festa de São Miguel Arcanjo, a Irmã Mary Michael celebrou o 50° aniversário de sua primeira profissão religiosa no Priorado da Santa Cruz em Goulburn, Nova Gales do Sul, Austrália. O Superior Geral da Fraternidade São Pio X, Padre Davide Pagliarani, celebrou uma missa solene no local, na presença de várias irmãs e 24 sacerdotes do Distrito da Austrália.

Em seu sermão, o Superior Geral apresentou a Santíssima Virgem Maria como modelo de abnegação e perseverança. Ele agradeceu à Irmã Maria Miguel pelo exemplo que ela, por sua vez, dá a todos os membros da Fraternidade e exortou as Irmãs a meditarem constantemente, seguindo o exemplo de Nossa Senhora, sobre as palavras, os atos e toda a vida de seu divino Filho.

“MONSENHOR, POSSO ENTRAR NA VOSSA CONGREGAÇÃO DE IRMÃS?”

No início da década de 1970, Janine Ward, uma jovem australiana de Melbourne, desejava consagrar-se a Deus. Ela então dirigiu um pedido bastante incomum a D. Marcel Lefebvre: “Monsenhor, posso entrar na vossa congregação de irmãs?”

O problema era que ainda não havia Irmãs.

22 de setembro de 1974: Primeira investidura das Irmãs da Fraternidade em Écône. Madre Marie-Gabriel e Irmã Mary Michael.

“Elas existiam na minha mente”, diria mais tarde D. Lefebvre sobre essa futura congregação. Já existia um “embrião” dela nos estatutos da Fraternidade Sacerdotal, que previa a filiação de religiosas quando a Providência as suscitasse. Assim, em outubro de 1972, o fundador anunciou a seus amigos e benfeitores sua “esperança de, em breve, fundar um noviciado das Irmãs Auxiliares do Sacerdócio”.

O pedido de Janine Ward ajudaria a concretizar este projeto. No outono de 1973, as duas primeiras postulantes foram confiadas à Madre Marie-Gabriel, irmã de D. Lefebvre e Missionária do Espírito Santo. Ela concordou, não sem hesitação, em ajudar seu irmão a formar a nova comunidade religiosa.

Em 2 de outubro de 1973, Janine Ward chegou a Écône depois atravessar mundo, vinda da Austrália. Ela era a primeira postulante. Quatro dias depois, uma jovem americana juntou-se a ela. Juntamente com a Madre Marie-Gabriel, irmã de D. Lefebvre, essas duas jovens formaram, nas palavras deste último, o ramo feminino da Fraternidade São Pio X.

Tomando o hábito em Écône em 1974: as primeiras Irmãs da Fraternidade em torno do Arcebispo Lefebvre. A Irmã Mary Michael está em pé à sua direita.

A pedido de D. Lefebvre, as duas postulantes foram acolhidas pelas Irmãs Dominicanas do Espírito Santo. Antes mesmo de poderem iniciar efetivamente sua formação religiosa, tiveram que aprender francês.

Tomando o hábito em Écône em 1974: as primeiras Irmãs da Fraternidade em torno do Arcebispo Lefebvre. A Irmã Mary Michael está em pé à sua direita.

No ano seguinte, outras quatro jovens, dos Estados Unidos, Espanha e França, juntaram-se em Écône. Em 22 de setembro de 1974, Janine Ward recebeu o hábito religioso e tornou-se Irmã Mary Michael.

No dia seguinte, o pequeno noviciado partiu de Écône para Albano, perto de Roma. Esta casa, destinada a seminaristas, acolheria as Irmãs em seus primeiros passos durante três anos. Sua chegada começou de forma significativa com uma peregrinação a Roma. Nos túmulos de São Pedro e São Pio X, sob a proteção de Nossa Senhora da Compaixão, as primeiras Irmãs vieram implorar a bênção de Deus sobre seu trabalho e demonstrar sua devoção à Sé de Pedro.

Foi em Albano que, dois anos depois, em 29 de setembro de 1976, a Irmã Mary Michael pronunciou seus primeiros votos de pobreza, castidade e obediência. Ela se tornou, assim, a primeira freira professa da Fraternidade São Pio X.

Foi esse compromisso, assumido há 50 anos, que ela acaba de comemorar em seu país natal.

“Oferecer-se à Vítima divina”

Dom Lefebvre queria conferir às irmãs uma vocação própria, intimamente ligada ao sacrifício da Missa e ao sacerdócio.

Ele resumiu, da seguinte forma, o espírito da instituição nos primeiros rascunhos de seus estatutos: “Assim como a Mãe de Jesus participou, por meio de sua Compaixão, da obra sacerdotal de Jesus, morrendo na cruz pela redenção das almas, as Irmãs da Fraternidade São Pio X terão uma devoção especial ao sacrifício da Missa e à Vítima Eucarística.”

Seu objetivo principal é, portanto, “oferecer-se com a Vítima divina à imagem e seguindo os passos de Nossa Senhora da Compaixão“. Dom Lefebvre insistia nisso: “O fim espiritual é o principal, e é isso que importa; o restante é meramente um meio”.

A essa vida interior, soma-se uma missão apostólica: “facilitar e complementar o apostolado sacerdotal”. As Irmãs, portanto, auxiliam os sacerdotes por meio de tarefas muitas vezes discretas nos priorados, seminários e casas da Fraternidade, mas também por meio do ensino, da catequese e de diversas obras de caridade.

Essa união entre contemplação e ação está no cerne do pensamento do fundador. A adoração eucarística, em particular, deve ocupar um lugar especial em sua vida religiosa. “Conto muito”, escreveu-lhes ele, “com a hora de adoração de vocês para a santificação da Fraternidade.”

Após os primeiros passos em Albano, o noviciado foi estabelecido em 1978 em Saint-Michel-en-Brenne, na França. Outros noviciados foram posteriormente abertos nos Estados Unidos, na Argentina e na Alemanha, enquanto comunidades de Irmãs se espalharam pelas diversas obras da Fraternidade em todo o mundo.

Cinquenta anos após os primeiros votos da Irmã Mary Michael, a obra nascida com grande simplicidade, se expandiu amplamente. Em abril de 2026, as Irmãs da Fraternidade somavam 226 irmãs professas e 20 noviças, presentes em muitos países a serviço das obras da Fraternidade.

Um desenvolvimento que as duas jovens postulantes reunidas em torno da Madre Marie-Gabriel no outono de 1973 dificilmente poderiam imaginar!

PAPA LEÃO XIV CONCEDE PRÊMIO RATZINGER A UM TEÓLOGO QUE CONSIDEROU A MISSA TRIDENTINA DEFICIENTE

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“Consideramos que chegou a hora daqueles que passaram a fazer parte do movimento litúrgico tridentino reconsiderem sua posição”, escreveram o professor John Cavadini e seus coautores em 2022.

Fonte: Life Site News – Tradução: Dominus Est

O Papa Leão XIV entregará pessoalmente o Prêmio Ratzinger deste ano a um teólogo que questionou o Summorum Pontificum .

O Vatican News anunciou na terça-feira que o Dr. John C. Cavadini, professor de teologia da Universidade de Notre Dame, foi selecionado pelo Comitê Científico da “Fundação Vaticana Joseph Ratzinger-Bento XVI” para receber o prêmio, que leva o nome do Papa Bento XVI. O Papa Leão XIV aprovou a premiação e a entregará pessoalmente a Cavadini no Palácio Apostólico em 19 de dezembro.

Cavadini, que dedicou seus estudos especialmente aos Padres da Igreja e a Santo Agostinho, foi coautor de uma série publicada em 2022 pelo Church Life Journal, na qual argumentava que aqueles que frequentam a Missa Tridentina deveriam deixar de fazê-lo, retornando ao Novus Ordo Missae.

“Consideramos que chegou a hora daqueles que passaram a fazer parte do movimento litúrgico tridentino reconsiderem sua posição”, escreveram Cavadini, Mary Healy e Thomas Weinandy. Os autores sustentaram que “é imprescindível que aqueles que fazem parte do movimento tridentino, para o bem do Corpo de Cristo, retornem à forma litúrgica ordinária da Igreja”, em prol da “unidade”. Continuar lendo →

DOM LEFEBVRE E SHAKESPEARE

King Lear Casting Out His Daughter Cordelia, Richard Earlom (London 1743–1822 London)

Rei Lear expulsando sua filha Cordélia, de Richard Earlom (Londres, 1743–1822)

Por Andrew J. Clarendon

Fonte: Angelus Press – Tradução: Dominus Est

No livro Ideias Têm Consequências, Richard Weaver escreve: «É evidente que o domínio singular da língua, próprio do poeta, é o que lhe permite enxergar as potências latentes nas circunstâncias. Ninguém ensina melhor do que ele a causa e o efeito nos negócios humanos; […] os poetas são os mais rápidos a apreender a verdade necessária.» Quem lida com «o poder evocativo das palavras […] e a força poderosa do símbolo» não surpreende que ensine verdades profundas mesmo séculos depois da morte. No grau mais alto, a lição poética tem valor perene.

Tão grande é o poder da inspiração que o poeta chega a parecer profeta: pensa-se na famosa Quarta Écloga de Virgílio, dita messiânica porque se lê como anúncio da vinda de Cristo. Em inglês, o maior poeta é, naturalmente, Shakespeare, cujas peças, embora apresentem determinado enredo e determinadas personagens, exprimem temas universais.

As lições que transmitem aplicam-se, por isso, a outras situações e servem para compreender a causa e o efeito nos negócios humanos. Neste ano em que se celebra o cinquentenário da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, reler alguns temas da tragédia Rei Lear e da comédia Como Gostais é um modo poético e conatural de apreciar melhor a defesa da tradição e da ortodoxia feita por Dom Lefebvre. Continuar lendo →

O HOMEM E OS ANIMAIS

A proximidade – e o afeto que o homem por vezes nutre pelos animais – constitui algo bom, desde que se mantenha a ordem inerente à definição, ou seja, a diferença essencial que é a razão.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O Senhor Deus trouxe todos os animais diante de Adão, para que ele pudesse nomeá-los. Adão deu a cada um dos animais um nome próprio. E o nome que Adão deu a cada um dos animais é o seu verdadeiro nome”(1) .

Adão, com isso, exerceu uma autoridade recebida de Deus; e Deus manifestou assim o lugar único que o homem ocupa na Criação. Pois o homem não é um ser vivo como qualquer outro: ele foi criado para conhecer, ordenar e governar. Nomear os animais, portanto, consistia não apenas em designá-los, mas também em reconhecer sua natureza e manifestar a ordem que a rege.

Essa superioridade do homem sobre os animais não elimina, no entanto, a proximidade que une ambos. Aliás, foi no contexto da busca por uma “ajuda semelhante a ele” que Deus conduziu os animais até Adão, precisamente porque o homem, formado do limo da terra, é ele próprio um animal. Continuar lendo →

LIBERDADE RELIGIOSA, IGUALDADE COLEGIAL, FRATERNIDADE ECUMÊNICA

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Sobre nosso último post PAPA LEÃO XIV CELEBRA O LEMA MAÇÔNICO E REVOLUCIONÁRIO FRANCÊS “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE”….vejamos o que D. Lefebvre diz sobre a Revolução implantada na Igreja através do Vaticano II.

Clique nesse link para acessar o texto e entender o porquê disso: LIBERDADE RELIGIOSA, IGUALDADE COLEGIAL, FRATERNIDADE ECUMÊNICA

PAPA LEÃO XIV CELEBRA O LEMA MAÇÔNICO E REVOLUCIONÁRIO FRANCÊS “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE”

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O Papa Leão XIV celebrou um lema usado pelos maçons que remonta à sangrenta Revolução Francesa, período marcado pelo ódio anticatólico.

Fonte: Life Site News – Tradução: Dominus Est

O Papa Leão XIV celebrou um lema da Revolução Francesa usado pelos maçons — “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” — como “imperativos éticos universais” durante um discurso no Palácio do Eliseu na sexta-feira.

“A França foi responsável por avanços significativos em nosso mundo, incluindo o reconhecimento dos direitos humanos fundamentados na natureza da pessoa humana, particularmente a liberdade religiosa”, afirmou Leão na presença do presidente Emmanuel Macron e de autoridades francesas.

“Essa ênfase constante na dignidade inerente a cada pessoa encontra eco em vosso lema nacional. Liberdade, igualdade e fraternidade não são simplesmente palavras estampadas na fachada dos vossos edifícios públicos; referem-se a imperativos éticos universais que encontram também na mensagem do Evangelho uma fonte inesgotável de inspiração e realização”, disse o pontífice.

A referência de Leão a “Liberdade, igualdade e fraternidade” como “imperativos éticos universais” é preocupante porque, embora essas palavras sirvam como lema nacional da França, elas também servem como lema do Grande Oriente Maçônico e da Grande Loja da França. O lema tem origem na Revolução Francesa, que se opôs ferozmente à Igreja Católica e matou milhares de bispos, padres, religiosos e leigos católicos na guilhotina durante o “Reino do Terror”.

O elogio de Leão à “liberdade religiosa” que, segundo ele, foi reconhecida pela França também contraria a compreensão tradicional da Igreja Católica sobre o assunto. A encíclica Quanta Cura e o Syllabus, do Papa Pio IX, condenaram a ideia de que “todo homem é livre para abraçar e professar a religião que, guiado pela luz da razão, considerar verdadeira”. Continuar lendo →

INFALIBILIDADE PAPAL: QUAIS OS LIMITES?

Em entrevista concedida ao Distrito italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco expõe os limites da infalibilidade papal e os diferentes graus do magistério do Papa.

FSSPX Itália — Quais são os limites da infalibilidade papal? Em particular, como distinguir entre o ensinamento privado do Papa, o magistério público não infalível e a definição solene ex cathedra ? E o que aconteceria se um Papa ensinasse algo contrário a uma verdade já definida pelo magistério anterior?

Padre Daniele di Sorco — O ensinamento católico sobre a infalibilidade do Papa encontra-se, em primeiro lugar, no Concílio Vaticano I, um grande ato do magistério que definiu essa verdade, e, em segundo lugar, no ensinamento de teólogos católicos antes, durante e também depois do Concílio, que esclareceram, sob a orientação do magistério, o verdadeiro significado desses ensinamentos.

É preciso, antes de tudo, distinguir entre o ensinamento privado e o ensinamento público do Papa. Continuar lendo →

A VIRTUDE DA FORTALEZA EM TEMPOS DE CRISE

Fonte: Le Parvis nº 169 – Tradução: Dominus Est

O martírio é o principal ato da virtude da fortaleza.

A crise atual na Igreja pode-nos levar a várias perguntas e, entre elas: Quanto tempo irá durar? Parece haver muitas opções para lidar com o sofrimento e as inquietações que ela provoca. Tanto a precipitação quanto a hesitação prolongada, mesmo que com boas ações, nos conduzem pelo caminho errado e nos levam a tomar decisões equivocadas.

Nestes tempos marcados por incertezas, sofrimentos e provações, a doutrina católica oferece uma perspectiva especial por meio da virtude da fortaleza, uma das quatro virtudes cardeais. Ela pode ser definida da seguinte forma: “A fortaleza é a virtude moral que assegura, diante das dificuldades, firmeza e constância na busca do bem. Ela fortalece a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza nos capacita a vencer o medo, inclusive da morte, e a enfrentar provações e perseguições. Ela nos dispõe a chegar até a abnegação e ao sacrifício da própria vida para defender uma causa justa.” Essa virtude não é uma simples resistência estoica ou uma coragem puramente natural. É uma disposição habitual da alma, aperfeiçoada pela graça, que ordena o apetite irascível — aquela parte de nós que reage às dificuldades e ameaças — segundo a razão iluminada pela fé. Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica (I-II, q. 123), esclarece que a fortaleza tem como principal objeto o medo e a ousadia, particularmente diante dos perigos da marte. Consiste em dois movimentos complementares: “aggredi” (enfrentar, atacar o mal) e “sustinere” (suportar; perseverar). Em tempos de crise, é frequentemente o segundo que prevalece: a paciência e a constância diante daquilo que não pode ser mudado imediatamente. Continuar lendo →

IDE E “DIALOGAI” EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO

No dia 16 de setembro de 2026 foi publicado no site da Santa Sé o último documento aprovado pelo papa Leão XIV e assinado pelos prefeitos dos dicastérios para a Promoção da unidade dos cristãos, para o Diálogo inter-religioso e para a Doutrina da fé. A presença desse último, na pessoa do cardeal Fernández, é particularmente significativa: ela enfatiza a extensão doutrinária do documento.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Trata-se da nota Um caminho de esperança. Sessenta anos de diálogo e de fraternidade inter-religiosa à luz da declaração conciliar Nostra ætate. O título e o subtítulo já dizem quase tudo. Limitar-nos-emos a algumas observações. Aqueles que desejarem aprofundar a questão encontrarão material suficiente nos textos citados em nota.

A nota recorda que “a declaração Nostra ætate nasceu após a Segunda Guerra mundial e que inicialmente não se referia ao diálogo com as demais religiões, mas constituía uma resposta às trágicas consequências do antissemitismo, que culminaram na Shoah”. Foi após o seu encontro “com o judeu Jules Isaac (ateu e comunista, ndt.), tornado possível pela mediação de Maria Vingiani, fundadora do Secretariado para as Atividades Ecumênicas”, que João XXIII, “já muito sensível a essa questão, […] encarregou o cardeal Augustin Bea de redigir um texto conciliar destinado a sanar e renovar as relações entre a Igreja e o povo judeu” (§ 4). Continuar lendo →

O DEMÔNIO TOCA FLAUTA

As repugnantes blasfêmias proferidas em certas instituições da Igreja não provocam quaisquer reações das autoridades, que estão ocupadas  demais com o processo sinodal.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Um artigo no  site da Conferência Episcopal Alemã, katholisch.de, provocou protestos em todos os meios de comunicação católicos ditos conservadores. O texto apresenta, sem a menor análise crítica, uma obra publicada por Simone e Claudia Paganini, professores de teologia, exegese e filosofia, ambos considerados católicos devotos. O livro busca, em diversas figuras bíblicas, indícios de distúrbios psicológicos: depressão em Moisés, transtorno obsessivo-compulsivo em Jó (afinal, ele oferece sacrifícios pelos possíveis pecados de seus filhos), tendências maníacas em Judite, uma propensão ao álcool no próprio Jesus (já que seus adversários o chamam de bêbado) e narcisismo em Deus, por ele afirmar ser o único Deus. Era só isso que faltava.Diante dessa repugnante blasfêmia, ainda aguardamos os comunicados anunciando a proibição de toda oração pública nos santuários de Lourdes ou Mariazell para tais escritores e todos aqueles que os recomendam, como a Conferência Episcopal Alemã. Qual seria a reação? “E daí?”, diria Jesus,  segundo o evangelho apócrifo do Padre Arnaud Alibert, editor-chefe de La Croix. Assim como nas polêmicas em torno das uniões contra a natureza, nos responderão que isso não é o mais importante. O que é urgente é a sinodalidade e a denúncia dos pecados contra a ecologia. A Igreja está atordoada com encontros sinodais, mistagógicos e kerigmáticos, e obcecada por cubos de gelo e espécies ameaçadas de extinção. Continuar lendo →

EDUCAÇÃO: A HARMONIA ENTRE OS PAIS

Quando os pais se contradizem, a criança aprende depressa a tirar proveito disso.

Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio 

Como todas as noites, sua mãe acompanha os deveres de Claire, uma mocinha bastante inclinada à preguiça, sobretudo quando é preciso aplicar-se e pensar. Por isso, a mãe decide com firmeza, para ajudá-la a vencer seu feio defeito:

— Agora que você entendeu bem, Claire, vai terminar sozinha os seus exercícios de cálculo, e só irá brincar lá fora quando eles estiverem terminados e bem feitos.

Claire suspira, boceja, lança um olhar pela janela, rabisca alguns números vagos no caderno de rascunho, suspira novamente… A mãe não cede:

— Coragem, Claire; vou preparar a mamadeira de Pierre e, quando eu voltar, quero que o primeiro exercício esteja feito.

Assim que a mãe sai, Claire se levanta, corre para a sala, senta-se no colo do pai e lhe pede, com um ar carinhoso: Continuar lendo →

A FSSPX AINDA PODERIA ESPERAR ALGO DE ROMA?

Em entrevista concedida ao Distrito italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 14 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco explica as necessidades práticas que impossibilitaram o adiamento das sagrações episcopais, apesar dos esforços empreendidos junto a Roma. Ele também aborda a profissão de fé publicada pela Fraternidade e os obstáculos doutrinais que, até o momento, impediram qualquer acordo verdadeiro.

FSSPX Itália — Voltando especificamente às sagrações, elas poderiam ter sido evitadas?

Alguns defendem que a Fraternidade poderia ter esperado mais um pouco, construído um relacionamento com Leão XIV, tentado obter um mandato pontifício ou aguardado uma mudança na liderança do Dicastério para a Doutrina da Fé.

A Fraternidade realmente tentou todas as vias possíveis antes de chegar a essa decisão?

Por que o senhor considera que era o momento oportuno para sagrar os novos bispos?

Padre Di Sorco — A Fraternidade decidiu prosseguir agora com as sagrações episcopais por uma razão eminentemente prática. 

Na Fraternidade, restavam apenas dois bispos em atividade. Esses dois bispos estão envelhecendo e enfrentavam dificuldades para atender a todas as necessidades dos fiéis e dos sacerdotes. Continuar lendo →

O CÉU É UMA DÁDIVA, NUNCA UM DIREITO

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta quarta parte relembra que o homem, criado à imagem de Deus, é chamado gratuitamente a um destino sobrenatural que ultrapassa as forças de sua natureza. Ela reafirma que somente a graça eleva o homem até Deus e rejeita as doutrinas que reduzem a fé a um mero humanismo.

III – A criação do homem e a ordem sobrenatural da graça

23 – Creio que Deus criou o homem à sua imagem, provido de uma alma espiritual e imortal, capaz de conhecer a verdade, de amar o bem conhecido pela razão natural, e de se voltar livremente para o seu Criador. O homem, portanto, não é o produto necessário de uma evolução cega, nem o mero resultado de forças materiais; vem de Deus como de sua causa criadora, depende de Deus, que o mantém no ser, e está ordenado a Deus como ao seu fim.

24 – Professo que Deus não destinou o homem à sua perfeição meramente natural, senão que o chamou gratuitamente a um fim sobrenatural que ultrapassa absolutamente as forças e os direitos da natureza criada: a visão beatífica, na qual o homem verá Deus face a face e participará da vida íntima da Santíssima Trindade. Que o homem seja chamado a tornar-se filho de Deus, partícipe da natureza divina e herdeiro do Céu, não é a consumação necessária da sua natureza, mas um puro efeito da liberalidade divina. Continuar lendo →