SOBRE O MAGISTÉRIO INFALÍVEL DO PAPA – PARTE 3/3

Isto é o que deve saber sobre as supostas relíquias de São Pedro ...

Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est

O perigo de ser atraído para o erro

Os católicos estão menos preparados para enfrentar a crise do Magistério Pontificial Autêntico porque a confusão em suas mentes a respeito da distinção entre o Magistério Ordinário Infalível do papa e seu Magistério Ordinário simplesmente “autêntico”. Esse problema foi destacado antes do Vaticano II; ele fez e continua fazendo com que os católicos sejam atraídos para o erro ao acreditar erroneamente que eles deveriam dar igual assentimento à todas as palavras do papa, negligenciando as distinções e as condições precisas as quais estamos aqui recapitulando.

“A obrigação de acreditar firmemente sem examinar o assunto em questão… pode ser realmente vinculante apenas se a autoridade em questão é infalível” (Billot, De Ecclesia, tese XVII). É por isso que um assentimento firme e incondicional é exigido no Magistério Infalível (seja ele Ordinário ou Extraordinário).

Quanto às decisões doutrinais não-infalíveis proferidas pelo papa e pelas congregações de Roma, há um estrito dever de obediência que nos obriga a dar assentimento interno… isso é prudente e habitualmente exclui toda dúvida razoável, mas esse assentimento é legitimado não pela infalibilidade, mas antes pelo alto grau de prudência com o qual a autoridade eclesiástica habitualmente age em tais circunstâncias (verbete “Église” in DTC, vol. IV, col. 2009).

É por isso que ao Magistério “autêntico” devemos não um cego e incondicional assentimento, mas um prudente e condicional: Continuar lendo

3 DE SETEMBRO – DIA DE SÃO PIO X

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Nesta data tão importante para a Igreja, listamos abaixo alguns links que postamos sobre o Santo:

SOBRE O MAGISTÉRIO INFALÍVEL DO PAPA – PARTE 2/3

Isto é o que deve saber sobre as supostas relíquias de São Pedro ...

Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est

O ponto da questão

A infalível garantia de assistência divina não é limitada somente aos atos do Magistério Solene; ela estende-se ao Magistério Ordinário, embora isso não cubra e assegure todos os atos deste último da mesma maneira (Fr. Labourdette, O.P., Revue Thomiste, 1950, p. 38).

Assim, o assentimento devido ao Magistério Ordinário “pode ir do simples respeito até ao verdadeiro ato de fé”. (Mons. Guerry, La Doctrine Sociale de l’Église, Paris, Bonne Presse, 1957, p. 172). É mais importante, portanto, saber precisamente quando o Magistério Ordinário do romano pontífice está imbuído do carisma da infalibilidade.

Dado que apenas o papa possui a mesma infalibilidade conferida por Jesus Cristo à sua Igreja (i.e., o papa mais os bispos em comunhão com ele, cf. Dz. 1839), devemos concluir que apenas o papa, em seu Magistério Ordinário, é infalível no mesmo grau e sob as mesmas condições que Magistério Ordinário da Igreja é.

Então a verdade que é ensinada deve ser proposta como já definida, ou como algo que sempre foi acreditado ou aceito pela Igreja, ou atestado pela concordância unânime e constante dos teólogos como sendo uma verdade católica [que é, portanto, estritamente obrigatório a todos os fiéis (“Infaillibilité du Pape”, DTC vol. VII, col. 1705)]. Continuar lendo

SOBRE O MAGISTÉRIO INFALÍVEL DO PAPA – PARTE 1/3

Isto é o que deve saber sobre as supostas relíquias de São Pedro ...

Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est

O que mais preocupa os católicos na atual crise da Igreja é precisamente o “problema do Papa”. Precisamos de ideias muito claras sobre esse assunto. Devemos evitar naufragar à direita ou à esquerda, seja pelo espírito de rebelião ou, por outro lado, por uma inapropriada e servil obediência. O preocupante erro que está por trás de muitos dos atuais desastres é a crença de que o “Magistério Autêntico” não é diferente do “Magistério Ordinário”.

O “Magistério Autêntico” não pode ser simplesmente identificado como sendo o próprio Magistério Ordinário. Com efeito, o Magistério Ordinário pode ser infalível e não-infalível, e é apenas no segundo caso que é chamado de “Magistério Autêntico”. O Dictionnaire de Théologie Catholique [daqui em diante citado como DTC – N.E.] no verbete “infalibilidade papal” (Vol. VII, col. 1699ss) faz as seguintes distinções: 1) Existe a “definição infalível ou ex cathedra no sentido definido pelo Vaticano I” (col. 1699); 2) Existe o “ensinamento papal infalível que provém diretamente do Magistério Ordinário do papa” (col. 1705); 3) Existe o “ensinamento papal não-infalível” (col. 1709).

De maneira similar, Salaverri, em sua Sacrae Theologiae Summa (vol. I, 5ª ed. Madrid, B.A.C.) distingue: 1) Magistério Papal Extraordinário Infalível (nº 592ss); 2) Magistério Papal Ordinário Infalível (nº 645ss); 3) Magistério Papal que é mere authenticum, ou seja, apenas “autêntico” ou “autorizado” no que diz respeito à sua própria pessoa, e não no que diz respeitos à sua infalibilidade (nº 659ss).

Embora o papa tenha sempre total e suprema autoridade doutrinal, ele nem sempre a exerce no mais alto nível, ou seja, no nível da infalibilidade. Como dizem os teólogos, ele é como um gigante que nem sempre usa sua força total. O que acontece é o seguinte: Continuar lendo

15 DE AGOSTO – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

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Para ler a Meditação de Santo Afonso para essa data, clique aqui.

Para ler a belíssima Encíclica MUNIFICENTISSIMUS DEUS, de Pio XII, que define o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em Corpo e Alma, clique aqui.

Abaixo colocamos o momento da proclamação do dogma pelo Papa Pio XII

OS BENS RECEBIDOS E OS BENS DEVIDOS

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Eis, aliás, em algumas palavras, o resumo desta doutrina: Quem quer que tenha recebido da divina Bondade maior abundância, quer de bens externos e do corpo, quer de bens da alma, recebeu-os com o fim de os fazer servir ao seu próprio aperfeiçoamento, e, ao mesmo tempo, como ministro da Providência, ao alívio dos outros. “E por isso, que quem tiver o talento da palavra tome cuidado em se não calar; quem possuir superabundância de bens, não deixe a misericórdia entumecer-se no fundo do seu coração; quem tiver a arte de governar, aplique-se com cuidado a partilhar com seu irmão o seu exercício e os seus frutos.

Trecho da Encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII

EM QUE MOMENTO A PESSOA PASSA A TER SEU ANJO DA GUARDA?

O Anjo da Guarda (1690) de Luca Giordano | Tela para Quadro na ...O quinto [artigo] discute-se assim — Parece, que o anjo não é delegado, para guardar o homem desde o nascimento deste.

  1. — Pois, os anjos são mandados em ministério, a favor daqueles que hão de receber a herança da salvação, como diz o Apóstolo. Ora, os homens começam a receber a herança da salvação, quando batizados. Logo, o anjo é delegado para guardar o homem, desde o tempo do batismo e não desde o nascimento.
  2. Demais. — Os homens são guardados pelos anjos, enquanto estes os iluminam pela doutrina. Ora, os recém-nascidos não são capazes de doutrina por não terem o uso da razão. Logo, não lhes são delegados anjos da guarda.
  3. Demais. — As crianças no ventre materno têm, depois de certo tempo, alma racional, bem como a têm depois da natividade. Ora, enquanto no ventre materno, não lhes são delegados anjos da guarda, como se sabe, porque os ministros da Igreja ainda não lhes comunicaram os sacramentos. Logo, não são delegados aos homens anjos da guarda, imediatamente depois do nascimento.

Mas, em contrário, diz Jerônimo, que cada alma, imediatamente depois de nascida, tem um anjo da guarda que lhe é deputado.

Solução. — Como diz Orígenes há, sobre este assunto, dupla opinião. Assim, uns ensinam que o anjo é dado ao homem, como guarda, desde o tempo do batismo. Outros porém, que desde o tempo do nascimento. E esta opinião Jerônimo a aprova, e com razão. Pois, os benefícios dados ao homem por Deus, desde que é cristão, começam do tempo do batismo, como receber a Eucaristia e outros. Ora o que a Providência divina dá ao homem, desde que este tem natureza racional, ele o recebe desde que ao nascer tem tal natureza. E tal benefício é a guarda dos anjos, como resulta claro do que já foi dito. Por onde, desde a sua natividade, o homem tem um anjo da guarda, que lhe é deputado. 

Donde a resposta à primeira objeção. — Os anjos são enviados em ministério eficaz, só quanto àqueles que hão de receber a herança da salvação, se se considerar o efeito último da guarda, que é o recebimento da herança. Contudo, também os outros não são privados desse ministério. Pois embora este não tenha a eficácia de os levar à salvação, é todavia eficaz,pelos livrar de muitos males.

Resposta à segunda. — A função de guardar se ordena à iluminação da doutrina, como ao último e principal efeito. Contudo, tem também muitos outros efeitos, que convêm às crianças, a saber, afastar os demônios e livrar de outros males, tanto corpóreos como espirituais.

Resposta à terceira. — Enquanto no ventre materno, a criança não está totalmente separada da mãe, sendo por uma como ligação ainda algo dela, assim como o fruto pendente é algo da árvore. E por isso pode-se provavelmente, dizer que o anjo que guarda a mãe, guarda a prole existente no ventre materno. Mas, ao separar-se da mãe, pela natividade, é lhe deputado um anjo da guarda, como diz Jerônimo.

(II Sent., dist. XI, part. I, a. 3. corp. et ad 3)

EXORTAÇÃO À PRÁTICA MAIS PURA E MAIS EXTENSA DO CULTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Resultado de imagem para sagrado coração de jesus"1) Convite a compreender e praticar melhor as várias formas da devoção ao coração de Jesus

Antes de terminarmos as considerações tão belas e tão consoladoras que vos estamos fazendo sobre a natureza autêntica deste culto e a sua cristã excelência, nós, cônscios do ofício apostólico confiado em primeiro lugar a s. Pedro depois que ele por três vezes professou o seu amor a Jesus Cristo nosso Senhor, julgamos conveniente, veneráveis irmãos, exortar-vos uma vez mais, e por vosso intermédio exortar todos os caríssimos filhos que em Cristo temos, a que vos esforceis com crescente entusiasmo por promover esta suavíssima devoção, pois confiamos que dela hão de brotar grandes proveitos também nos nossos tempos.

Em verdade, se se ponderam devidamente os argumentos em que se funda o culto ao coração ferido de Jesus, todos verão claramente não se tratar aqui de uma forma qualquer de piedade, que se possa pospor a outras ou ter em menos, mas sim de uma prática religiosa sumamente apta para conseguir a perfeição cristã. Se segundo o conceito teológico tradicional, expresso pelo Doutor angélico – “a devoção não é outra coisa senão a vontade pronta de se dedicar a tudo o que se relaciona com o serviço de Deus”,(40) pode haver serviço divino mais devido e mais necessário, e ao mesmo tempo mais nobre e mais suave, daquele que se presta ao seu amor? Que coisa pode haver mais grata e mais aceita a Deus do que o serviço que se faz à caridade divina, e que se faz por amor, sendo, como é, todo serviço voluntário, de certo modo, um dom, e constituindo o amor “o dom primeiro e origem de todos os dons gratuitos”? (41) Digna é, pois, de sumo apreço uma forma de culto mediante a qual o homem ama e honra mais a Deus e se consagra com maior facilidade e liberdade à caridade divina; forma de culto que o nosso próprio Redentor se dignou propor e recomendar ao povo cristão, e que os sumos pontífices confirmaram com memoráveis documentos e enalteceram com grandes louvores. Por isso, quem tivesse em pouco esse insigne benefício que Jesus Cristo deu à sua Igreja, procederia temerária e perniciosamente, e ofenderia o próprio Deus.

Isso posto, não se pode duvidar de que os cristãos que honram o sacratíssimo coração do Redentor cumprem o dever, por demais gravíssimo, que eles têm de servir a Deus, e que justamente se consagram a si mesmos e todas as suas coisas, seus sentimentos interiores e sua atividade exterior, ao seu Criador e Redentor, e que desse modo observam aquele divino mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças” (Mc 12,30; Mt 22,37). Além disso, têm a certeza de que honrar a Deus não os move principalmente o proveito pessoal, corporal ou espiritual, temporal ou eterno, e sim a bondade do próprio Deus, a quem eles procuram obsequiar com correspondência de amor, com atos de adoração e com a devida ação de graças. Se assim não fora, o culto ao sacratíssimo coração de Jesus não corresponderia ao caráter genuíno da religião cristã, visto que com tal culto o homem não honraria principalmente o amor divino; e não sem motivo, como às vezes sucede, poder-se-ia increpar de excessivo amor e solicitude de si mesmos os que entendem mal esta nobilíssima devoção ou não a praticam convenientemente. Continuar lendo

NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PROGRESSIVO DO CULTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Resultado de imagem para sagrado coração de jesus"1) Albores do culto ao sagrado coração na devoção às chagas sacrossantas da paixão

À vossa consideração, veneráveis irmãos, e à do povo cristão quisemos expor em suas linhas gerais a íntima natureza e as perenes riquezas do culto ao coração sacratíssimo de Jesus, atendo-nos à doutrina da revelação divina como à sua fonte primária. Estamos persuadidos de que estas nossas reflexões, ditadas pelo próprio ensinamento do Evangelho, mostraram claramente como, em substância, este culto não é outra coisa senão o culto ao amor divino e humano do Verbo encarnado, e também o culto àquele amor com que o Pai e o Espírito Santo amam os homens pecadores. Porque, como observa o Doutor angélico, a caridade das três Pessoas divinas é o princípio da redenção humana nisto que inundando copiosamente a vontade humana de Jesus Cristo e o seu coração adorável, com a mesma caridade o induziu a derramar o seu sangue para nos resgatar da servidão do pecado:(33) “Com um batismo tenho de ser batizado, e como me sinto oprimido enquanto ele não se cumpre!” (Lc 12,50). 

Aliás, é persuasão nossa que o culto tributado ao amor de Deus e de Jesus Cristo para com o gênero humano, através do símbolo augusto do coração transfixado do Redentor, nunca esteve completamente ausente da piedade dos fiéis, embora a sua manifestação clara e a sua admirável difusão em toda a Igreja se haja realizado em tempos não muito distantes de nós, sobretudo depois que o próprio Senhor revelou este divino mistério a alguns de seus filhos após havê-los cumulado com abundância de dons sobrenaturais, e os elegeu para seus mensageiros e arautos.

De fato, sempre houve almas especialmente consagradas a Deus que, inspirando-se nos exemplos da excelsa mãe de Deus, dos apóstolos e de insignes padres da Igreja, tributaram culto de adoração, de ação de graças e de amor à humanidade santíssima de Cristo, e de modo especial às feridas abertas no seu corpo pelos tormentos da paixão salvadora.

Aliás, como não reconhecer nas próprias palavras: “Senhor meu e Deus meu” (Jo 20,28), pronunciadas pelo apóstolo Tomé e reveladoras da sua súbita transformação de incrédulo em fiel, uma clara profissão de fé, de adoração e de amor, que da humanidade chagada do Salvador se elevava até a majestade da Pessoa divina? Continuar lendo

PARTICIPAÇÃO ATIVA E PROFUNDA QUE TEVE O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS NA MISSÃO SALVADORA DO REDENTOR

Resultado de imagem para coeur sacré de jésus"1) O sagrado coração de Jesus, símbolo de amor perfeito: sensível, espiritual, humano e divino, durante a vida terrena do Salvador

Agora, veneráveis irmãos, para que destas piedosas considerações possamos tirar abundantes e salutares frutos, bom é meditarmos e contemplarmos brevemente os múltiplos afetos humanos e divinos de nosso Salvador Jesus Cristo, dos quais; durante o curso da sua vida mortal, o seu coração participou e continua agora participando e não deixará de participar por toda a eternidade. Nas páginas do Evangelho é onde principalmente encontraremos a luz pela qual iluminados e fortalecidos poderemos penetrar no segredo deste divino coração, e admirar com o Apóstolo das gentes “as abundantes riquezas da graça (de Deus) na bondade usada conosco por amor de Jesus Cristo” (Ef2,7).

O adorável coração de Jesus Cristo pulsa de amor ao mesmo tempo humano e divino desde que a virgem Maria pronunciou aquela palavra magnânima: “Fiat”, e o Verbo de Deus, como nota o Apóstolo, “ao entrar no mundo disse: Não quiseste sacrifício nem oferenda, mas me apropriaste um corpo; holocaustos pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis que venho: segundo está escrito de mim no princípio do livro, para cumprir, ó Deus, a tua vontade… Por esta vontade, pois, somos santificados pela oblação do corpo de Cristo feita uma só vez” (Hb10,5-7.10). De maneira semelhante palpitava de amor o seu coração, em perfeita harmonia com os afetos da sua vontade humana e com o seu amor divino, quando, na casa de Nazaré, ele mantinha aqueles celestiais colóquios com sua dulcíssima Mãe e com seu pai putativo, s. José, a quem obedecia e com quem colaborava no fatigante ofício de carpinteiro. Esse mesmo tríplice amor movia o seu coração nas suas contínuas excursões apostólicas, quando realizava aqueles inúmeros milagres, quando ressuscitava os mortos ou restituía a saúde a toda sorte de enfermos, quando sofria aqueles trabalhos, suportava o suor, a fome e a sede; nas vigílias noturnas passadas em oração a seu Pai amado; e, finalmente, nos discursos que pronunciava e nas parábolas que propunha, especialmente naquelas que tratam da misericórdia, como a da dracma perdida, a da ovelha desgarrada e a do filho pródigo. Nessas palavras e nessas obras, como diz Gregório Magno, manifesta-se o próprio coração de Deus. “Conhece o coração de Deus nas palavras de Deus, para que com mais ardor suspires pelas coisas eternas”.(26)

De amor ainda maior pulsava o coração de Jesus Cristo quando da sua boca saíam palavras que inspiravam amor ardente. Assim, para dar algum exemplo, quando, ao ver as turbas cansadas e famintas, ele disse: “Tenho compaixão desta multidão” (Mc8, 2), e quando, ao avistar Jerusalém, a sua cidade predileta, destinada a uma ruína fatal por causa da sua obstinação no pecado, exclamou: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados: quantas vezes eu quis recolher teus filhos, como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintinhos, e não o quiseste!” (Mt23, 37). O seu coração também palpitou de amor para com seu Pai, e de santa indignação, quando ele viu o comércio sacrílego que se fazia no templo, e verberou os violadores com estas palavras: “Escrito está: minha casa será chamada casa de oração; mas vós fizestes dela uma espelunca de ladrões” (Mt 21, 13). Continuar lendo

LEGITIMIDADE DO CULTO AO SANTÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS SEGUNDO A DOUTRINA DO NOVO TESTAMENTO E DA TRADIÇÃO

Resultado de imagem para coeur sacré de jésus"1) O amor de Deus no mistério da encarnação redentora segundo o Evangelho

Mas somente pelo Evangelho chegamos a conhecer com perfeita clareza que a nova aliança estipulada entre Deus e a humanidade – aliança da qual a pactuada por Moisés entre o povo e Deus foi somente uma prefiguração simbólica, e o vaticínio de Jeremias mera predição – é aquela que o Verbo encarnado estabeleceu e levou à prática merecendo-nos a graça divina. Esta aliança é incomparavelmente mais nobre e mais sólida, porque, a diferença da precedente, não foi sancionada com sangue de cabritos e novilhos, mas com o sangue sacrossanto daquele que esses animais pacíficos e privados de razão, prefiguravam: “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (cf. Jo1, 29; Hb9, 18-28; 10, 1-17). Porque a aliança cristã, ainda mais do que a antiga, manifesta-se claramente como um pacto, não inspirado em sentimentos de servidão, não fundado no temor, mas apoiado na amizade que deve reinar nas relações entre pai e filhos, sendo ela alimentada e consolidada por uma mais generosa distribuição da graça divina e da verdade, conforme a sentença do evangelho de João: “Da sua plenitude todos nós participamos, e recebemos uma graça por outra graça. Porque a lei foi dada por Moisés, mas a graça foi trazida por Jesus Cristo” (Jo 1, 16-17).

Introduzidos, por essas palavras do “discípulo amado que durante a ceia reclinara a cabeça sobre o peito de Jesus” (Jo21, 20), no próprio mistério da infinita caridade do Verbo encarnado, é coisa digna, justa, reta e salutar nos detenhamos um pouco, veneráveis irmãos, na contemplação de tão suave mistério, a fim de, iluminados pela luz que sobre ele projetam as páginas do Evangelho, podermos também nós experimentar o feliz cumprimento do voto que o Apóstolo formulava escrevendo aos fiéis de Éfeso: “Habite Cristo, pela fé, nos vossos corações, vós que estais arraigados e cimentados em caridade, para que possais compreender com todos os santos qual é a largura e comprimento, a altura e profundidade deste mistério, e conhecer também o amor de Cristo a nós, o qual sobrepuja todo conhecimento, para que sejais plenamente cumulados de todos os dons de Deus” (Ef3, 17-19).

Com efeito, o mistério da divina redenção é, antes de tudo e pela sua própria natureza, um mistério de amor: isto é, um mistério de amor justo da parte de Cristo para com seu Pai celeste, a quem o sacrifício da cruz, oferecido com coração amante e obediente, apresenta uma satisfação superabundante e infinita pelos pecados do gênero humano: Cristo, sofrendo por caridade e obediência, ofereceu à Deus alguma coisa de valor maior do que o exigia a compensação por todas as ofensas feitas a Deus pelo gênero humano.(8) Além disso, o mistério da redenção é um mistério de amor misericordioso da augusta Trindade e do divino Redentor para com a humanidade inteira, visto que, sendo esta totalmente incapaz de oferecer a Deus uma satisfação condigna pelos seus próprios delitos,(9) mediante a imperscrutável riqueza de méritos que nos ganhou com a efusão do seu precioso sangue, Cristo pode restabelecer e aperfeiçoar aquele pacto de amizade entre Deus e os homens violado pela primeira vez no paraíso terrestre por culpa de Adão e depois, inúmeras vezes, pela infidelidade do povo escolhido. Portanto, havendo na sua qualidade de nosso legítimo e perfeito mediador, e sob o estímulo de uma caridade energética para conosco, conciliando as obrigações e compromissos do gênero humano com os direitos de Deus, o divino Redentor foi, sem dúvida, o autor daquela maravilhosa reconciliação entre a divina justiça e a divina misericórdia, a qual justamente constitui a absoluta transcendência do mistério da nossa salvação, tão sabiamente expresso pelo doutor angélico com estas palavras: “Convém observar que a libertação do homem, mediante a paixão de Cristo, foi conveniente tanto para a justiça como para a misericórdia do mesmo Cristo. Antes de tudo para a justiça, porque com a sua paixão Cristo satisfez pela culpa do gênero humano, e, por conseguinte, pela justiça de Cristo foi o homem libertado. E, em segundo lugar, para a misericórdia, porque, não sendo possível ao homem satisfazer pelo pecado, que manchava toda a natureza humana, deu-lhe Deus um reparador na pessoa de seu Filho. Ora, isto foi, da parte de Deus, um gesto de mais generosa misericórdia do que se ele houvesse perdoado os pecados sem exigir qualquer satisfação. Por isso está escrito: ‘Deus, que é rico em misericórdia, movido pelo excessivo amor com que nos amou quando estávamos mortos pelos pecados, deu-nos vida juntamente em Cristo'” (Ef2, 4).(10) Continuar lendo

FUNDAMENTOS E PREFIGURAÇÕES DO CULTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS NO ANTIGO TESTAMENTO

Resultado de imagem para coeur sacré de jésus"1) Incompreensão da verdadeira natureza do culto ao coração sacratíssimo de Jesus por parte de alguns cristãos

Conquanto a Igreja em tão grande estima tenha tido sempre e ainda tenha o culto do sacratíssimo coração de Jesus, a ponto de se empenhar em fomentá-lo e propagá-lo por toda parte entre o povo cristão, e conquanto se esforce diligentemente por defendê-lo contra o “naturalismo” e o “sentimentalismo”, todavia é muito doloroso verificar que, no passado e em nossos dias, alguns cristãos não têm este nobilíssimo culto na honra e estima devidas, e às vezes não o têm nem mesmo aqueles que se dizem animados de zelo sincero pela religião católica e pela própria perfeição.

“Se conhecesses o dom de Deus” (Jo 4, 10). Servimo-nos dessas palavras veneráveis irmãos, nós, que por disposição divina fomos constituídos guardas e dispensadores do tesouro da fé e da religião que o divino Redentor entregou à sua Igreja, para admoestar todos aqueles dos nossos filhos que, apesar de, vencendo a indiferença e os erros humanos, já haver o culto do sagrado coração de Jesus penetrado no seu corpo místico, ainda abrigam preconceitos para com ele, e chegam até a reputá-lo menos adaptado, para não dizer nocivo, às necessidades espirituais mais urgentes da Igreja e da humanidade na hora presente. Porque não falta quem, confundindo ou equiparando a índole primária deste culto com as diversas formas de devoção que a Igreja aprova e favorece, mas não prescreve, o tem como um acréscimo que cada um pode praticar à vontade, e alguns há também que consideram oneroso este culto, e mesmo de nenhuma ou pouca utilidade, especialmente para os militantes do reino de Deus, empenhados em consagrar o melhor das suas energias, dos seus recursos e do seu tempo à defesa da verdade católica, para ensiná-la e propagá-la, e para difundir a doutrina social católica, fomentando práticas religiosas e obras por eles julgadas mais necessárias nos nossos dias. Por último, há quem creia que este culto, longe de ser um poderoso meio para estabelecer e renovar os costumes cristãos na vida individual e familiar, é antes uma devoção sensível não enformada em altos pensamentos e afetos, e, portanto, mais própria para mulheres do que para pessoas cultas.

Outros, finalmente, ao considerarem que esta devoção pede penitência, expiação e outras virtudes, sobretudo as que se chamam “passivas”, por não produzirem frutos externos; não a julgam a propósito para reacender a piedade, a qual deve tender cada vez mais à ação intensa, encaminhada ao triunfo da fé católica e à valente defesa dos costumes cristãos, os quais hoje, como todos sabem, se vêm facilmente infectados pelo indiferentismo, que não reconhece nenhum critério para distinguir o verdadeiro do falso no modo de pensar e de agir, e, assim, se vêem lamentavelmente alheados pelos princípios do materialismo ateu e do laicismo. Continuar lendo

A EDUCAÇÃO CABIDA AO ESTADO

Resultado de imagem para catholic school fsspxComo grandíssimas vantagens derivam para toda a sociedade de um tal primado da missão educadora da Igreja e da família, como temos visto, assim também nenhum dano pode ele causar aos verdadeiros e próprios direitos do Estado relativamente à educação dos cidadãos, segundo a ordem estabelecida por Deus.

a) Em ordem ao bem comum

Estes direitos são concedidos à sociedade civil pelo próprio autor da Natureza, não a título de paternidade, como à Igreja e à família, mas sim em razão da autoridade que lhe compete para promover o bem comum e temporal, que é precisamente o seu fim próprio. Por conseqüência a educação não pode pertencer à sociedade civil do mesmo modo por que pertence à Igreja e à família, mas de maneira diversa, correspondente ao seu próprio fim.

Ora, este fim, o bem comum de ordem temporal, consiste na paz e segurança de que as famílias e os cidadãos gozam no exercício dos seus direitos, e simultaneamente no maior bem-estar espiritual e material de que seja capaz a vida presente mediante a união e o coordenamento do esforço de todos.

b) Duas funções

Dupla é portanto a função da autoridade civil, que reside no Estado: proteger e promover, e de modo nenhum absorver a família e o indivíduo, ou substituir-se-lhes.

Portanto relativamente à educação, é direito, ou melhor, é dever do Estado proteger com as suas leis o direito anterior da família sobre a educação cristã da prole, como acima indicamos, e por conseqüência respeitar o direito sobrenatural da Igreja a tal educação cristã.

Dum modo semelhante pertence ao Estado proteger o mesmo direito na prole, quando viesse a faltar, física ou moralmente, a acção dos pais, por defeito, incapacidade ou indignidade, visto que o seu direito de educadores, como acima declaramos, não é absoluto ou despótico, mas dependente da lei natural e divina, e por isso sujeito à autoridade e juízo da Igreja, e outrossim à vigilância e tutela jurídica do Estado em ordem ao bem comum, tanto mais que a família não é sociedade perfeita que tenha em si todos os meios necessários ao seu aperfeiçoamento. Em tal caso, excepcional de resto, o Estado não se substitui já à família, mas supre as deficiências e providência com os meios apropriados, sempre de harmonia com os direitos naturais da prole e com os sobrenaturais da Igreja. Continuar lendo

OPERAÇÃO MEMÓRIA: O MAGISTÉRIO DA IGREJA E A POLÍTICA

Resultado de imagem para VATICANOEm tempos de tamanha desorientação espiritual, a área mais atacada depois da Verdadeira Religião é a política, pois é por ela que se ordena arquitetonicamente as demais práticas da sociedade tendo como fim o bem humano último, que é a bem-aventurança. Sabedora disso, a Igreja não desamparou seus fiéis e, ao longo de séculos tão turbulentos como têm sido estes após a Revolução Francesa, houve uma profusão de grandes orientações do Magistério autêntico para orientar o fiel nesse mar revolto que se tornou a sociedade. Abaixo seguem algumas dessas Encíclicas traduzidas por nós especialmente aqui para o blog:

1 – Diuturnum Illud – A origem do poder civil (Leão XIII)

Nesta primeira encíclica do corpus politicum leonianum explica-se as questões relacionadas à origem do poder e às obrigações dos súditos em relação aos governantes.

2 – Il Fermo Proposito – Para o estabelecimento e desenvolvimento da Ação Católica (São Pio X)

Aqui, São Pio X delimita o campo de ação do católico na sociedade. “Qual deve sê-lo?” “Como deve estar munido o católico?” “O que é verdadeiramente ação política?“ são algumas das perguntas que são respondidas.

3 – Ubi Arcano Dei Consilio – A busca da Paz de Cristo no Reino de Cristo (Pio XI)

Após a Primeira Guerra Mundial, o mundo estava em escombros. Tudo estava desarrumado. Alguma direção precisava ser dada. Eis então que vem essa primeira encíclica de Pio XI que serve doutrinalmente como prefácio da Quas Primas.

4 – Quas Primas – Sobre Cristo Rei (Pio XI)

Segundo o Padre Álvaro Calderón, FSSPX, essa encíclica é nada mais nada menos que a Carta Magna da Cristandade. Ela vem coroar esse grande esforço iniciado por Bonifácio VIII com a Bula Unam Sanctam (1302) e que teve seu primeiro grande arranque com Gregório XVI na Encíclica Mirari Vos já no mundo pós-Revolução (1832).

ALOCUÇÃO DE PIO XII SOBRE AS FAMÍLIAS NUMEROSAS

Imagem relacionadaNo dia 20 de janeiro de 1958, o Papa dirigiu a palavra a um grupo de dirigentes e membros da Federação Nacional (italiana) das Associações de Famílias Numerosas.

1. Entre as visitas mais agradáveis ao Nosso coração, destacamos a vossa, caros filhos e filhas, dirigentes e representantes das Associações de Famílias Numerosas de Roma e da Itália. Conheceis, com efeito, a viva so­licitude que dedicamos à família. Não perdemos ne­nhuma ocasião de assinalar-lhe a dignidade em seus múl­tiplos aspectos, de afirmar e defender-lhe os direitos, de inculcar-lhe os deveres, numa palavra, de fazer dela um ponto fundamental de nosso ensinamento pastoral.

2. Em razão dessa solicitude para com a família, consentimos com todo o prazer, quando as ocupações de Nosso cargo a isso não se opõem, em receber, mesmo que seja por breves momentos, os grupos de famílias que vêm até a Nossa residência e mesmo em deixar- Nos fotografar em sua companhia, para perpetuar, de algum modo, a lembrança da Nossa e sua alegria.

3. O Papa no meio de uma família! Não é este um lugar que bem lhe convém? Não é ele próprio, com um significado altamente espiritual, o Pai da família humana regenerada no Cristo e na Igreja? E não é por intermédio do Vigário de Cristo na terra que se realiza o admirável desígnio da Sabedoria criadora, que ordenou toda paternidade humana no sentido de prepa­rar a família eleita dos céus, onde o amor de Deus, Uno e Trino, a envolverá num só e eterno abraço, dando-se a Si mesmo como herança de beatitude?

4. Entretanto não representais apenas a família, mas sois e representais as famílias numerosas, isto é, as que são mais abençoadas por Deus, queridas e esti­madas pela Igreja como os tesouros mais preciosos. Destas recebe, com efeito, com mais evidência, um trí­plice testemunho, pois ao mesmo tempo em que confirmam aos olhos do mundo a verdade de sua doutrina e a retidão de sua prática, tornam-se, em virtude do exem­plo, de grande auxílio para todas as outras famílias e para a própria sociedade civil. Com efeito, quando são encontradas com freqüência, as famílias numero­sas atestam a saúde física e moral do povo cristão, a fé viva em Deus e a confiança em sua Providência, a santidade fecunda e feliz do casamento católico. Continuar lendo

OUTUBRO: MÊS DO ROSÁRIO

Resultado de imagem para nossa senhora do rosarioPrezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesse mês do Rosário, disponibilizamos abaixo os links para as Encíclicas de Leão XIII sobre o Rosário e Nossa Senhora.

“Ora pro nobis, sancta Dei Genetrix, Ut digni efficiamur promissionibus Christi.”

ENCÍCLICA UBI ARCANO DEI CONSILIO

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ENCÍCLICA DE S.S. PIO XI

 A BUSCA DA PAZ DE CRISTO NO REINO DE CRISTO

Aos Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos e outros ordinários em paz e comunhão com a Sé Apostólica:

Veneráveis Irmãos: Saudação e Bênção Apostólica.

Desde o primeiro instante em que, pelos inescrutáveis desígnios de Deus, vimo-Nos elevados — sem merecê-lo — a esta cátedra da verdade e da caridade, desejamos vivamente dirigir-vos o quanto antes e com maior afeto nossa palavra, veneráveis irmãos; e por meio de vós nos dirigir a todos vossos amados filhos diretamente confiados a vosso cuidado. Julgamos haver dado uma prova desse vivo desejo quando, recém eleitos, desde o alto na basílica vaticana, demos a solene bênção Urbi et orbi na presença de uma imensa multidão; bênção essa que todos vós, desde todas as partes do mundo, unindo-se ao Sacro Colégio Cardinalício, recebestes com manifestações de agradecida alegria. Essas manifestações foram para Nós o mais doce consolo, que foi acrescentado à confiança no auxílio de Deus que havia à ocasião em que foi lançado inesperadamente sobre nossos ombros o peso tão inesperado deste gravíssimo cargo. Hoje, por fim, na antevéspera do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, e quase no começo de um novo ano, nossa boca está aberta para vós [2Cor 6, 11] e desejamos que ela vos chegue como solenes votos que o Pai envia a todos seus filhos.

Várias causas nos impediram até agora de realizar esse desejo. Foi necessário, em primeiro lugar, corresponder à filial atenção e delicadeza dos católicos de todo o mundo, que por meio de inumeráveis cartas saudavam e ofereciam as primeiras expressões de sua ardorosa devoção ao novo sucessor de São Pedro. Em seguida, começamos a sentir imediatamente as primeiras experiências pessoais daquilo que o Apóstolo chamava minha preocupação quotidiana, o cuidado de todas as igrejas [2Cor 11, 28]. E às preocupações ordinárias do nosso ofício acrescentaram-se outras novas: a de concluir os gravíssimos assuntos que encontramos já iniciados no que diz respeito à Terra Santa e ao estado de sua cristandade e de suas igrejas, que são as mais veneráveis dentre todas; a defesa da justiça e da caridade, como é nosso dever, em ocasião das conferências internacionais das potências vencedoras, nas quais se julgava o destino dos povos, exortando especialmente a se ter em conta os bens espirituais, cujo valor não é inferior, mas sim superior aos bens materiais; os auxílios prestados a imensas multidões de povos longínquos consumidas pela fome e toda classe de calamidades — ajuda que levamos a cabo enviando os maiores socorros que permitiam nossos pobres recursos — e implorando ao mesmo tempo a generosidade do mundo inteiro; finalmente, o esforço para apaziguar no próprio povo em que nascemos, e em cujo centro Deus colocou a Sé petrina, as lutas violentas que frequentemente surgiam, e que pareciam pôr em iminente perigo a própria sorte da nação tão amada por nós. Continuar lendo

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA – 15 DE AGOSTO

assum

Para ler a Meditação de Santo Afonso para essa data, clique aqui.

Para ler a belíssima Encíclica MUNIFICENTISSIMUS DEUS, de Pio XII, que define o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em Corpo e Alma, clique aqui.

Abaixo colocamos o momento da proclamação do dogma pelo Papa Pio XII

PRÓXIMO SÁBADO, PUBLICAÇÃO DA ENCÍCLICA UBI ARCANO DEI CONSILIO, EM PORTUGUÊS

Resultado de imagem para pio xi brasãoCom grande alegria, no próximo sábado, 17/08, publicaremos a Encíclica Ubi Arcano Dei Consilio (Quando, pelos inescrutáveis desígnios de Deus), de Sua Santidade Papa Pio XI, traduzido para o português.

De leitura obrigatória a todo católico que verdadeiramente luta pelo Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, essa Encíclica, sobre a “A Busca da Paz de Cristo no Reino de Cristo“, foi a primeira de Pio XI. Promulgada em dezembro de 1922, estava diretamente relacionada à sua visão de cristianizar todos os aspectos de uma sociedade cada vez mais secular.

No contexto histórico, entre os fatos característicos dos anos que vão de 1918 a 1923, esta era a situação enfrentada pela primeira encíclica de Pio XI: a desordem econômica e financeira na Europa, a afirmação do regime comunista, a fundação da III Internacional, a revolução na Alemanha, desunião dos vencedores, revoluções na Ásia e na África, marcha sobre Roma e advento do fascismo, ocupação de Ruhr, etc.

Nessa encíclica há de se notar duas preocupações fundamentais: uma, permanente na doutrina social da igreja, a saber, a importância do aspecto sobrenatural da crise mundial; outra, mais circunstancial, não só desses anos, mas em geral, que é a luta de classes.

Ela é a base para outra Encíclica sobre o Reinado Social, a Quas Primas, onde Pio XI institui a Festa de Cristo Rei e também para a Miserentissimus redemptor, dedicada ao culto ao Sagrado Coração de Jesus, além de promover a Ação Católica.

Aguardem o sábado….e aproveitem a leitura.

A LIBERDADE É CATÓLICA

Fonte: Boletim Permanencia

“A liberdade, bem excelente da natureza”. É com essa deliciosa provocação que Leão XIII abre a sua magistral Encíclica Libertas, para mostrar que a Igreja é a verdadeira defensora da liberdade, e para condenar os liberais.

Mais do que amiga da liberdade, a Igreja é mesmo a única a tê-la estabelecido no mundo, segundo Mons. de Ségur:

“A Igreja inimiga da liberdade!? Não foi ela, e somente ela, que a estabeleceu no mundo? Não foi ela que a trouxe de volta ao coração do homem ao romper as cadeias do pecado e o jugo de todas as paixões? A Igreja inimiga da liberdade! Não foi ela que restabeleceu a liberdade da família, derrubando o triplo despotismo do pai, do marido e do amo? Não foi ela que introduziu a liberdade no Estado, negando o poder absoluto do César, dizendo-lhe na cara que mais vale obedecer a Deus que aos homens? Não foi o Papado, não foi a Igreja católica que formou, educou, constituiu as nações cristãs que possuem incomparavelmente mais liberdade que todas as civilizações antigas, tão louvadas pelos nossos pagãos modernos?” (La Liberté)

Assim também, no domínio econômico, podemos nos afastar do liberalismo ao mesmo tempo em que defendemos a liberdade econômica sem medo de contradição. Ensinava Pio XII:

“A economia, como outros ramos da atividade humana, não é, por sua natureza, uma instituição do Estado; ela é, ao contrário, o produto vivo da livre iniciativa dos indivíduos e das associações livremente constituídas” (Alocução de 7/5/49 – grifos nossos)

Os liberais querem impostos baixos? Nos tempos de Pio IX, os Estados Pontifícios eram conhecidos por terem uma das menores tributações da Europa.

Os liberais querem limitar o MEC? Nós preferiríamos suprimi-lo, pois, como ensina o Pe. Berto, resumindo o pensamento da Igreja:

“… [a] função do Estado não comporta absolutamente que o Estado funde por conta própria colégios, que mantenha ele mesmo um corpo de ensino (à exceção das escolas especiais destinadas a preparar para os grandes serviços públicos: exército etc). Assim, ainda que o ensino ‘do Estado’ (…) não estivesse manchado dos erros suplementares da neutralidade, de infiltração comunista etc, seria, no entanto, por sua mera existência, uma instituição contrária à reta razão, à doutrina social da Igreja, aos interesses dos cidadãos”.

Os liberais querem reformar a Previdência? Preferiríamos — mas sabemos não ser isso possível atualmente — subtrai-la das garras do Governo, como queria o grande bispo francês Charles-Émile Freppel:

“Seria fazer um socialismo de Estado se esse último se tornasse, ele mesmo, o garantidor, o administrador, o empreendedor, o gestor dos fundos da previdência. Não devemos tornar o poder público uma espécie de servente ou provedor universal! O legislador deve, portanto, se limitar a exigir o estabelecimento de fundos de previdência; mas, quanto à sua administração, deve confiá-lo a comitês formados por patrões e trabalhadores…”

Falemos como católicos,”en catholique”: podemos defender com a doutrina da Igreja uma sã liberdade econômica.

O princípio de subsidiaridade (do latim ‘subsidium’, proteção) implica num dever do Estado de apoiar, favorecer e fomentar as iniciativas privadas honestas, e não de arruiná-las ou de se substituir a elas.

Marcel de Corte, filósofo e católico de verdade, dizia que, se um governo desejasse ajudar a economia a atingir seu fim próprio, deveria começar por não exercer “ele mesmo, enquanto tal ou por meio de sociedades paraestatais interpostas, nenhuma função econômica de produção propriamente dita”.

Essa concepção, claro está, opõe-se ao erro do Estatismo, vício das sociedades modernas, em especial da brasileira, que rebaixa a população até infantilizá-la, como no prognóstico sombrio de Tocqueville:

Acima deles, ergue-se um poder imenso e tutelar, que se incumbe de assegurar a sua fruição e de velar pelo seu bem estar. É um poder absoluto, detalhista, previdente e doce. Pareceria com um poder paterno se, como tal, tivesse o fim de preparar os homens para a idade viril; mas, ao contrário, não quer senão fixá-los na infância. Ele gosta que os cidadãos se divirtam, desde que não queiram mais do que isso”

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Alguém poderá perguntar: Como resolver essa aparente contradição entre a defesa da liberdade e a condenação ao liberalismo? Por que tantos pensam, ao contrário, que a Igreja é avessa à liberdade?

Essa é a pergunta que Leão XIII se faz na Encíclica Libertas, a qual não saberíamos recomendar o bastante. Resumindo em pouquíssimas palavras, o pontífice responde o seguinte:

“Não sabeis o que é liberdade.”

ENCÍCLICA IL FERMO PROPOSITO – PARA O ESTABELECIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO CATÓLICA

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CARTA ENCÍCLICA DE SUA SANTIDADE PAPA PIO X

Tradução: Dominus Est

Aos Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, e todos os Bispos do Orbe Católico em comunhão com a Sé Apostólica:

Dirigida aos Bispos da Itália para o estabelecimento e desenvolvimento da Ação Católica, associação leiga para a propagação católica religiosa no mundo secular

Veneráveis Irmãos: Saudação e Bênção Apostólica,

O firme propósito, que havíamos concebido desde o primórdio do Nosso Pontificado, de querer consagrar todas as forças que a benignidade do Senhor se digne a nos conceder para a restauração de todas as coisas em Cristo, desperta em nosso coração uma grande confiança na poderosa graça de Deus, sem a qual não podemos pensar ou empreender aqui na terra nada de grande ou fecundo para a salvação das almas. Ao mesmo tempo, no entanto, sentimos viva mais do que nunca a necessidade de sermos secundados unanimemente e constantemente nessa nobre empresa de vós, Veneráveis Irmãos, chamados a participar do Nosso ofício pastoral; por todos os membros do clero e por cada um dos fiéis confiados a vossos cuidados. Com efeito, todos nós da Igreja de Deus somos chamados a formar um único corpo cuja cabeça é Cristo; corpo que, conforme ensina o Apóstolo Paulo, é“coordenado e unido por meio de todos os ligamentos que o servem, segundo uma operação proporcionada a cada membro, [e] opera o próprio crescimento, em ordem à sua edificação na caridade”(Ef 4, 16).E se, nessa obra de “edificação do Corpo de Cristo”,nosso primeiro dever é o de ensinar; de indicar o reto caminho a seguir e os meios para consegui-lo; de admoestar e de exortar paternalmente; é também dever de todos Nossos caríssimos filhos ao redor do mundo ouvir Nossos conselhos e de aplicá-los antes em si mesmos e cooperar eficazmente para que esses conselhos também sejam comunicados aos demais, cada um conforme a graça que recebeu de Deus, conforme seu estado e suas funções e conforme o zelo que inflamar em seu coração.

Aqui Nós queremos somente relembrar essas múltiplas obras de zelo para o bem da Igreja, da sociedade e dos indivíduos particulares — comumente designadas pelo nome de Ação Católica — que, pela graça de Deus, florescem em todos os lugares e que abundam também na nossa Itália. Bem compreendeis, Veneráveis Irmãos, quão queridas devem ser para Nós e o quanto desejamos intimamente vê-las consolidadas e favorecidas. Não somente em várias ocasiões tratamos em conversas acerca delas, ao menos com alguns de vós e com seus principais representantes na Itália, quando nos ofereciam pessoalmente a homenagem da sua devoção e de seu afeto filial, como também publicamos Nós mesmos sobre esse assunto, ou fizemos publicar com Nossa autoridade, vários documentos que todos já conheceis. É verdade que algumas dessas publicações, conforme pediam as circunstâncias, para Nós dolorosas, eram sobretudo dirigidas à remoção de obstáculos ao diligente desenvolvimento da ação católica e para condenar certas tendências indisciplinadas, que, com grave dano à causa comum, iam se insinuando. Mas Nosso coração esperava pela hora de dirigir-vos também uma palavra de paterno conforto e de exortação, com o fim de que neste terreno, pelo que Nos toca, já livre de impedimentos, continue-se na edificação e no crescimento mais amplo possível do bem. Portanto, é para Nós muito gratificante fazê-lo agora por meio desta Nossa carta para a comum consolação, na certeza de que Nossas palavras serão por todos docilmente ouvidas e obedecidas.

A AÇÃO DOS CATÓLICOS

a) Na ordem sobrenatural

Vastíssimo é o campo da ação católica, que por si mesma não exclui nada de quanto, de algum modo, direto ou indireto, pertença à divina missão da Igreja. Facilmente se reconhece a necessidade da participação individual à tão importante obra, não somente para a santificação de nossas almas, mas também para difundir e dilatar cada vez mais o Reino de Deus nos indivíduos, nas famílias e na sociedade, procurando cada um, na medida de suas forças, o bem do próximo por meio da difusão da verdade revelada, com o exercício das virtudes cristãs e com as obras de caridade ou de misericórdia espiritual ou corporal. Este é aquele caminhar digno de Deus ao qual nos exorta São Paulo, de forma que a Ele agrademos em tudo, frutificando em toda a boa obra e crescendo na ciência de Deus: “a fim de que andeis de um modo digno do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra e crescendo na ciência de Deus”(Col 1, 10).
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