NOSSA SENHORA FICOU CONTENTE

Imagem relacionadaAo ser Santa Teresa de Ávila nomeada superiora, a primeira coisa que fez foi colocar a estátua da Virgem Santíssima na cadeira destinada à Priora e pôs aos pés dela as chaves de sua casa e as regras do instituto, pedindo-lhe que se dignasse tomar a direção espiritual e temporal  da comunidade.

Tão agradável foi à Mãe de Deus esta homenagem de sua devota serva que, na véspera de S. Sebastião, substituiu pessoalmente sua imagem e declarou que tomava o governo do mosteiro.

Eis como a Santa conta a aparição:

O primeiro ano em que fui priora do convento da Encarnação, na vigília da festa de S. Sebastião e quando se começava a cantar a “Salve-Rainha”, vi descer a Santíssima Virgem acompanhada de uma multidão de Anjos e sentar-se no lugar destinado à priora. Já não vi a imagem senão tão somente a boa Mãe com certa semelhança àquela mesma. Isso ocorreu em tão breve tempo que não saberia precisa-lo, pois que entrei em êxtases. Enxerguei ao mesmo tempo vários Anjos ao lado do sólio. Isso durou o tempo em que se cantou a Salve-Regina. A Santíssima Virgem disse-me: “Tendes feito bem em colocar aqui minha estátua; eu estarei presente durante os louvores que terdes a meu Filho e lho oferecerei em vosso nome”.

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Nossa Senhora é muito melhor do que nós pensamos. Fazem muito bem os que colocam um belo quadro ou imagem da Virgem Santa em seus lares. Aconselha-se muitíssimo ao lado de S. Coração de Jesus uma artística efígie do Puríssimo Coração de Maria.

Que os Santíssimos Corações de Jesus e de Maria estejam como em tronos em nossas casas.

Felizes e benditas serão essas moradias!

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

GRANDEZAS INEFÁVEIS DE MARIA SANTÍSSIMA

mariaEgo ex ore Altissimi prodivi, primogenita ante omnem creaturam — “Eu saí da boca do Altíssimo, a primogênita antes de toda a criatura” (Ecclus. 24, 5)

Sumário. Assim como o divino Redentor, a Santíssima Virgem pode ser também chamada Filha primogênita de Deus. Primogênita na ordem da natureza; porque na criação do universo, depois da glória de si mesmo e de Jesus Cristo, o Senhor teve em mira a de Maria. Primogênita na ordem da graça; porque mais do que qualquer outro foi cheia de todas as graças celestiais. Primogênita na ordem da glória; por ser a Rainha de todos os Santos. Façamos um ato de fé acerca de todas estas grandezas da divina Mãe; demos graças a Deus em seu nome e pelos nossos obséquios procuremos desagravá-la de todos os ultrajes que recebe.

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É com razão que a Igreja põe na boca da Santíssima Virgem este elogio da divina Sabedoria: Eu saí da boca do Altíssimo como a primogênita; porquanto, semelhante a Jesus Cristo, ela é verdadeiramente a Filha primogênita de Deus, na ordem da natureza, da graça e da glória.

Primogênita na ordem da natureza, não quanto ao tempo, mas, como afirma São Bernardo, quanto à intenção; porque o eterno Artífice, projetando a formação do universo, dirigiu tudo, depois da sua própria glória e depois da de Jesus Cristo, para a glória de Maria. — Por isso se diz de Maria que ela não somente escolheu as coisas mais excelentes, mas dentre as coisas mais excelentes a ótima parte; porque o Senhor a dotou, em grau supremo, de todos os dons gerais e particulares conferidos às demais criaturas: Optimam partem elegit (1).

Maria é também a primogênita de Deus na ordem da graça; porque, sendo destinada a ser Mãe de Deus, foi, desde o primeiro instante de sua imaculada Conceição, tão enriquecida de graças, que levava vantagem a todos os anjos e santos juntos. — Nem deixou o grande cabedal de graças desaproveitado; mas, como estivesse dotada do uso perfeito da razão desde o seio de sua mãe, começou desde logo e continuou sempre a fazê-lo rendoso, e mesmo, como dizem os teólogos, a duplicá-lo em cada momento de sua longa vida. De sorte que ela pode dizer com verdade: Senhor, se não Vos amei tanto como o mereceis, ao menos Vos amei quanto me foi possível. Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE HUMILDADE

mariaRespexit humilitatem ancillae suae; ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes – “(Deus) pôs os olhos na baixeza da sua escrava; eis que desde agora me chamarão bem-aventurada todas as gerações” (Luc. 1, 48).

Sumário. Assim como Maria Santíssima foi a primeira e mais perfeita discípula de Jesus Cristo em todas as virtudes, assim o foi também na virtude da humildade. A Santíssima Virgem tinha sempre o conceito mais baixo de si mesma, ocultava os seus dons celestes e suportava com resignação todas as humilhações e desprezos. Que motivo de pejo para nós, que nos gloriamos de ser filhos de Maria e somos tão orgulhosos!… Ponderemos bem, que, a continuarmos assim, ficaremos sempre igualmente pobres de bens espirituais; porque a divina Mãe, imitando Jesus Cristo, resiste aos soberbos e comunica suas graças aos humildes.

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Era desconhecida no mundo a virtude, tão bela e tão necessária, da humildade; mas veio o Filho de Deus à terra para a ensinar pelo seu exemplo. E, assim como Maria foi a primeira e mais perfeita discípula de Jesus Cristo em todas as virtudes, assim o foi também na virtude da humildade, pela qual mereceu ser exaltada sobre todas as criaturas.

O primeiro ato de humildade é o ter baixo conceito de si; e Maria teve sempre tão modesta opinião de si própria, que, posto que se visse cheia de graças, contudo, segundo foi revelado a Santa Mechtildes, não se preferiu jamais a ninguém, lembrando-se de que tudo era dom da liberalidade divina.

Outro ato de humildade é ocultar os dons celestes. Pois bem, Maria Santíssima quis encobrir mesmo a São José a graça de ter sido feita Mãe de Deus, apesar de que a manifestação parecia necessária para livrar o pobre Esposo das suspeitas, que podia formar acerca da sua pureza, vendo-a gravida, ou ao menos para o tirar da confusão que a ignorância do mistério lhe devia causar. Continuar lendo

SANTA MORTE

Resultado de imagem para virgem mariaUm jovem de nobre família italiana, João Batista de Prato, encontrando-se em Dillingen como pensionista no colégio de S. Jerônimo, caiu mortalmente enfermo de certa disenteria epidêmica que fazia grandes estragos naquela cidade. Recebidos os santos sacramentos, dispunha-se resignado e tranqüilo para a morte e infundia valor a dois de seus irmãos que choravam inconsoláveis.

– Por que chorais? Dizia-lhe; eu vou para o Céu, sim, vou para o Céu.

Essa confiança lhe era inabalável e apoiava-se, conforme ele declarou a seu confessor, na aparição de Maria Santíssima, que lhe mostrara um precioso quadro onde seu nome estava escrito.

O Padre recomendou-lhe, para dar maior fé à visão, que, em subindo ao Céu, obtivesse o desaparecimento da terrível epidemia.

Prometeu-lho João Batista, e apenas morreu, cessou a peste; e o rosto do jovem conservou-se, até o enterro, tão formoso que admirou a todos.

Não foi em vão que o bom moço tivera profunda e filial devoção à Virgem Imaculada. Quanto bem lhe queria!

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

MARIA SANTÍSSIMA É O REFÚGIO DOS PECADORES

refugioConvenite et ingrediamur civitatem munitam; et sileamus ibi — “Ajuntai-vos, e entremos na cidade fortificada, e guardemos aí silêncio” (Ier. 8, 14).

Sumário. Nas cidades antigas de refúgio, não achavam abrigo todos os delinqüentes, nem para toda a espécie de delitos. Mas debaixo do manto da proteção de Maria, todo o pecador acha refúgio, seja qual for o crime cometido; porquanto foi esta a vontade de Deus constituindo-a Refúgio dos pecadores. Não desanimemos, pois, meu irmão; mas, seja qual for o nosso estado, chamemos a divina Mãe em nosso auxílio e acha-la-emos sempre pronta a ajudar-nos em todas as necessidades. Invoquemo-la especialmente sob o título que ela preza tanto, de Mãe do Perpétuo Socorro.

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Um dos títulos com que a santa Igreja nos manda recorrer a Maria, e que mais anima os pobres pecadores, é o titulo de Refúgio dos pecadores. Antigamente havia na Judéia umas cidades de refúgio, aonde iam parar os delinqüentes para ficarem livres do castigo que mereciam. Agora não há tantas cidades de refúgio como então, mas há uma só, que é Maria, da qual está escrito: Gloriosa dicta sunt de te, civitas Dei(1) — “Coisas gloriosas se têm dito de ti, ó cidade de Deus”. Há, porém, uma diferença. Nas cidades antigas não havia refúgio para todos os delinqüentes, nem para toda a espécie de delitos; mas, debaixo do manto de Maria todos os pecadores acham refúgio; seja qual for o delito que hajam cometido: basta que a ela recorram para se refugiarem. Pelo que São João Damasceno a faz dizer: “Eu sou a cidade de refúgio para todos aqueles que vêm a mim.” O Bem-aventurado Alberto Magno aplica à Virgem Maria estas palavras de Jeremias: Ajuntai-vos, e entremos na cidade fortificada.

Logo que alguém entrar nesta cidade mística, recuperará a graça divina. Nem sequer lhe é preciso falar para ser salvo. Et sileamus ibi — “Guardemos aí silêncio”. Sim, porque a Virgem piedosa, vendo-nos sem ânimo de pedir ao Senhor, falará por nós, e tão eficazmente, que, conforme a revelação de Jesus Cristo à Santa Brígida, ela obteria o perdão mesmo para Lúcifer, se (coisa aliás impossível) o espírito orgulhoso se humilhasse a pedir-lhe proteção.

Numa palavra, conclui São Bernardo, que Maria não tem horror de qualquer pecador, por imundo e abominável que seja. Contanto que recorra a Maria e lhe implore misericórdia, ela, o Refúgio dos pecadores, não hesitará em lhe dar a mão piedosa, afim de o arrancar do fundo da desesperação. Oh! seja sempre bendito e louvado nosso Deus, que nos deu uma Mãe tão doce e tão benigna. — ó Maria, infeliz de quem não vos ama! Infeliz de quem não recorre a vós, não confia em vós. Continuar lendo

O DEVOTO DE MARIA SANTÍSSIMA DEVE IMITAR-LHE AS VIRTUDES

Resultado de imagem para virgem santíssima sob seu mantoNunc ergo, filii, audite me: Beati qui custodiunt vias meas – “Agora pois, filhos, ouvi-me: bem-aventurados os que guardam os meus caminhos” (Prov. 8, 32).

Sumário. A Santíssima Virgem, depois que tirou alguma alma das garras de Lúcifer, quer que ela se aplique à imitação das suas virtudes, pois que, de outro modo, não poderá enriquecê-la com as suas graças, vendo-a a si contrária nos costumes. Entremos, portanto, nas vistas de nossa boa Mãe; e estejamos certos de que é este o melhor obséquio que lhe podemos fazer. Se não nos sentirmos com força suficiente, roguemo-la à Bem-Aventurada Virgem que se chama e é a dispensadora de todas as graças.

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Diz Santo Agostinho que, para obtermos com maior certeza e abundância o favor dos Santos, é preciso imitá-los; porque, vendo que praticamos as virtudes que eles mesmos praticaram, mais se movem a rogar por nós. Pelo que a Rainha dos Santos e a nossa principal advogada, Maria, depois que livrou alguma alma das garras de Lúcifer e a uniu a Deus, quer que ela se aplique a imitá-la. De outro modo não poderá enriquecê-la com as suas graças, como desejaria, vendo-a a si contrária nos costumes. Por isso Maria chama bem-aventurados àqueles que diligenciam em imitá-la: Bem-aventurados os que guardam os meus caminhos(1). “Quem ama”, diz um provérbio, “ou se acha semelhante, ou procura fazer-se semelhante à pessoa amada”.

Por isso nos exorta São Jerônimo que, se amamos Maria, é necessário que procuremos imitá-la; porque é este o melhor obséquio que lhe podemos oferecer. E Ricardo de São Lourenço acrescenta que são e podem chamar-se verdadeiros filhos de Maria somente aqueles que procuram viver conforme à vida dela: Filii Mariae imitatores eius. – Procure pois o filho, conclui São Bernardo, imitar sua Mãe, se deseja o seu favor; pois que então, vendo-se ela honrada como mãe, o tratará e favorecerá como filho.

Falando das virtudes de nossa Mãe, verdade é que poucas coisas em particular se lêem registradas nos Evangelhos a este respeito; contudo, dizendo-se ali que ela foi cheia de graça, claramente se nos dá a entender que ela teve todas as virtudes em grau heróico. “De modo tal”, diz Santo Tomás, “que, assim como cada um dos Santos foi excelente em alguma virtude particular, a Bem-Aventurada Virgem foi excelente em todas as virtudes, e em todas as virtudes nos foi dada por modelo”. Antes dele já tinha dito isso Santo Ambrósio: “A vida de Maria foi tal, que serve de exemplo para todos”: Talis fuit Maria, ut eius unius vita omnium disciplina sit. Continuar lendo

O SENHOR AMA A SUA MÃE?

Resultado de imagem para santíssima virgemFoi um valente soldado o cabo Pedro Pitois, que fez essa pergunta a Napoleão.

Pedro estava sempre na primeira linha de combate, não temia as balas inimigas, e, a 6 de julho de 1809, na batalha de Wagram, ainda pelejou valorosamente.

Depois desapareceu. Desertara do exército… Não demorou muito foi preso e condenado à morte.

– Tu, um dos mais valentes, por que fizeste isso? perguntavam-lhe os companheiros.

– Não me arrependo – respondia – não fiz mal.

À meia-noite, na véspera da execução, um oficial entrou na cela de Pedro. Era Napoleão e o preso não o reconheceu.

Tomando-o o pela mão, o Imperador disse-lhe com carinho: “Amigo, eu como oficial sempre admirei o teu valor nos combates. Agora venho saber se tens alguma recordação para tua família, que a enviarei depois da tua morte.

– Não, nenhuma.

– Não queres mandar um adeus a teu pai, a teus irmãos ou irmãs?

– Meu pai é falecido; não tenho irmãos nem irmãs.

– E a tua mãe?

– Ai! não a nomeie, porque, quando ouço nomeá-la, tenho vontade de chorar e um soldado não deve chorar.

– Por que não? replicou Napoleão. Eu não teria vergonha de chorar ao lembrar-me de minha mãe.

– Ah! o Sr. quer bem a sua mãe? Vou contar-lhe tudo.

De tudo que existe no mundo, nada amei tanto como minha mãe. Quando parti, deu-me sua bênção e disse-me: “Se me amas, cumpre o teu dever”.

Nas batalhas, diante das balas, sempre me recordei de suas palavras. Não tinha medo algum. Um dia soube que estava gravemente enferma; pedi licença para ir abraçá-la pela última vez e… não me deixaram partir. Recebi, afinal, a notícia de que falecera e pedi licença para ir vê-la ao menos morta. Segunda vez me disseram que não. Não aguentei mais: era preciso ir depositar uma flor ao menos sobre a sua sepultura. Fui, chorei e recolhi esta flor de miosótis que aqui trago sobre o meu coração. Morrerei amanhã, mas a morte não me amedronta.

Napoleão, depois de algumas palavras de conselho, retirou-se grandemente comovido. No outro dia foi o preso conduzido ao lugar do suplício.

Estando a guarda para disparar, chegou o Imperador a cavalo, poupou a vida de Pedro Pitois e nomeou-o oficial.

– Amais a vossa mãe do céu?

Respondereis certamente com S. Estanislau: “Como não a hei de amar, se é minha Mãe?”

E ela vos diz: “Cumpri o vosso dever, e eu vos alcançarei a perseverança, a graça final”.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

HISTÓRIA DA INVOCAÇÃO DA VIRGEM DO CARMO

12madonn_1467607Fonte: Hojitas de fe / Seminario de La Reja – Tradução: Dominus Est

O dia 16 de julho é a festa de Nossa Senhora do Carmo, devoção muito popular da Virgem, por ser a padroeira de uma das mais insignes ordens religiosas, e por nos ter dado o Santo Escapulário, que é uma das devoções marianas mais queridas do povo fiel.

1ª História da Ordem do Carmo.

A Ordem de Carmo e a invocação de Nossa Senhora do Carmo, segundo antigas tradições, remonta ao profeta Elias, que viveu no século IX aC. Este profeta viveu no Monte Carmelo, localizado na Palestina, em um promontório que entra no Mar Mediterrâneo, e é famoso por dois acontecimentos na vida do profeta Elias:

• A vitória contra os sacerdotes idólatras de Baal, no tempo do ímpio rei Acabe (860-852 aC), a quem o profeta fez matar após punir Israel com uma seca de três anos e meio.

• A visão da nuvenzinha misteriosa que a chuva trouxe: depois de matar os sacerdotes de Baal, Elias reabriu o céu que antes havia fechado; e foi então que ele viu uma nuvem misteriosa vinda do mar, muito pequena a princípio, mas que cresceu progressivamente, até trazer uma chuva abundantíssima; e por revelação divina Elias soube que esta nuvem era uma figura da futura Mãe do Messias.
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DA CONFIANÇA QUE DEVEMOS TER EM MARIA, COMO NOSSA MÃE

mariaDeinde dicit discipulo: Ecce mater tua — “Depois diz ao discípulo: Eis aí tua mãe” (Io. 19, 27)

Sumário. Se Jesus Cristo é o Pai de nossas almas, porque as regenerou à vida da graça, Maria, que é a Mãe verdadeira de Jesus, deve igualmente ser chamada nossa Mãe espiritual, porque pelas suas dores cooperou para nossa redenção. Ponhamos, pois, nela a nossa confiança e sejamos quais crianças que têm sempre o nome de mãe na boca e em qualquer perigo levantam a voz e chamam sua mãe em socorro. Para sermos, porém, facilmente atendidos, imitemos as suas virtudes, especialmente as que são próprias do nosso estado.

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Não é por acaso, nem debalde, que os devotos de Maria a chamam Mãe e parece que não sabem invocá-la com outro nome, nem se fartam de chamá-la Mãe. Mãe, sim, porque se Jesus Cristo, reconciliando-nos com Deus, se fez Pai de nossas almas, conforme a predição do Profeta: Pater futuri saeculi(1) — “Pai do século futuro”, Maria deve ser chamada e é verdadeiramente nossa Mãe espiritual.

Segundo a explicação dos Doutores, esta grande Mãe pelo seu amor gerou-nos à graça, quando consentiu em que o Verbo Eterno se fizesse seu filho, porque, no dizer de São Bernardino de Sena, ela desde então pediu a Deus com afeto imenso a nossa salvação e de tal sorte a procurou, que bem se pode dizer que desde então nos trouxe em suas entranhas como mãe amorosíssima. Pelo que Santo Ambrósio aplica à Virgem as palavras dos sagrados Cânticos: Venter tuus sicut acervus tritici, vallatus liliis (2) — “Teu seio é como um monte de trigo, cercado de açucenas”.

O tempo em que Maria nos deu à luz, foi quando (vendo o amor do Eterno Pai para com os homens, em querer seu Filho morto pela nossa salvação e o amor do Filho em querer morrer por nós), afim de conformar-se com este amor excessivo do Pai e do Filho para com o gênero humano, ela também consentiu com toda a sua vontade que seu Filho morresse e fez o doloroso sacrifício d’Ele no Calvário. — E isto quis exatamente dizer nosso Salvador, quando, antes de expirar, olhando para sua Mãe e acenando para o discípulo predileto, lhe disse: Mulier, ecce filius tuus (3) — “Mulher, eis aí teu filho”. Como se lhe dissesse: Eis aí o homem que em consequência da oferta que tu fazes de minha vida pela sua salvação, já nasce para a graça; eu te declaro sua mãe. Continuar lendo

CURA DO BARÃO COTTA

Resultado de imagem para nossa senhora auxiliadoraNo ano de 1865 o Barão Cotta, banqueiro de Turim e senador da Itália, achava-se moribundo no leito. D. Bosco chega para fazer-lhe uma visita.

– Meu Padre, esta será a última vez que vos vejo, disse-lhe o enfermo com voz apenas perceptível; eu me vou; não poderei passar de hoje.

– Oh! Não, senhor Barão. A Santíssima Virgem necessita de vós neste mundo e quer que a ajude na construção de sua igreja. (O Santo estava ajuntando dinheiro para construir o belíssimo Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora).

– Teria muito gosto nisso, porém os médicos já não me dão a menor esperança.

– Que bem faríeis se Maria Auxiliadora vos sarasse?

– Ah! Se eu sarasse, daria, por seis meses, dois mil francos cada mês para sua igreja.

– Perfeitamente, disse o Santo. Volto ao Oratório para pôr em oração a todos os meus meninos. Ânimo!

Três dias depois, estando D. Bosco em seu escritório, anunciaram-lhe uma visita: era o Barão Cotta, completamente são, que vinha apresentar sua primeira oferenda a Maria Auxiliadora.

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

MARIA SANTÍSSIMA É A MEDIANEIRA DOS PECADORES PARA COM DEUS

mariaFacta sum coram eo quasi pacem reperiens — «Tenho-me tornado na sua presença como uma que acha a paz» (Cant 8, 10)

Sumário. É com razão que Maria Santíssima é comparada aoiris; porque é a medianeira e o penhor da paz entre Deus e os homens. Com efeito, quantos pecadores que agora são grandes Santos no céu, estariam talvez ardendo no inferno, se Maria não tivesse intercedido junto ao Filho para lhes obter perdão! Seja qual for o estado da nossa alma, recorramos com confiança a esta querida Mãe e seremos salvos. Lembremo-nos, porém, que para merecermos a sua proteção especial, é preciso que tenhamos ao menos a vontade de nos emendar.

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O principal ofício que foi dado a Maria, quando veio à terra, consistiu em levantar as almas decaídas da graça divina e reconciliá-las com Deus. Eis como o Espírito Santo a faz falar nos sagrados Cânticos: Eu me tornei diante dele como uma que achou a paz. Eu sou, diz Maria, a defesa daqueles que a mim recorrem, e a minha misericórdia é, em benefício deles, como uma torre de refúgio, porque o Senhor me fez medianeira de paz entre os pecadores e Deus. — Oh, quantos daqueles que são agora grandes Santos no paraíso, estariam talvez a arder no inferno, se a Virgem não tivesse intercedido junto ao Filho para lhes obter perdão!

Por isso, os Santos Padres comparam Maria Santíssima, não só com a arca de Noé, onde acharam abrigo todos os animais, figuras dos pecadores; mas ainda com a pomba, que, saída da arca, para ela voltou, trazendo no bico o ramo de oliveira, em sinal da paz que Deus concedia aos homens.

Foi também figura expressiva de Maria o iris, que, na visão de São João, cercava o trono de Deus: Et iris erat in circuitu sedis (Apoc 4, 3). Sim, porque, na explicação de um intérprete, a Santa Virgem sempre assiste no tribunal divino para mitigar a sentença e o castigo devido aos pecadores; ou ainda, porque, segundo diz São Bernardino de Sena, como Deus à vista do arco-íris se lembra da paz prometida à terra, assim também, pelos rogos de Maria, perdoa aos pecadores as ofensas feitas, e faz pazes com eles. Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE OBEDIÊNCIA

mariaEcce ancilla Domini: fiat mihi secundum verbum tuum – “Eis aqui a escrava do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra” (Luc. 1, 38).

Sumário. A obediência de Maria foi incomparavelmente mais perfeita que a dos outros santos; porque, imune de todo labéo de culpa, ela era como que uma roda que pronta se movia a cada inspiração divina. Pelo mérito desta virtude Maria remediou o dano que causou Eva com sua desobediência. E tu como é que obedeces a teus superiores? Como é que observas as leis de Deus e da Igreja e os deveres próprios do teu estado? Lembra-te de que a virtude de obediência faz entrar os bem-aventurados na glória.

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Pelo afeto que Maria consagrava à virtude de obediência, não quis, quando São Gabriel lhe veio anunciar a maternidade divina, chamar-se com outro nome senão com o de escrava: Eis aqui a escrava do Senhor. Sim, diz Santo Tomás de Villanova, porque esta fiel escrava, nem com suas obras nem com o pensamento contradisse jamais ao Senhor; mas, despida de toda a vontade própria, viveu sempre e em tudo obediente à divina vontade.

Observa São Bernardino de Sena que a obediência de Maria foi muito mais perfeita que a dos outros santos, porque todos os homens, por causa da inclinação ao mal pelo pecado original, sentem dificuldade em fazer o bem. Maria, ao contrário, imune, como era, de todo o labéo de culpa, foi como que uma roda que prontamente se movia a cada inspiração divina e outra coisa não fazia senão observar e executar o que agradava a Deus. – Dela é que foi dito: Anima mea liquefacta est, ut dilectus meus locutus est (1) – “A minha alma se derreteu, assim que meu amado falou”; porque, na explicação de Ricardo, a alma da Virgem era como que um metal derretido, disposta a tomar todas as formas que Deus queria.

Quanto era pronta para obedecer, mostrou-o claramente Maria quando, para agradar a Deus, quis obedecer também ao imperador romano, fazendo a viagem a Belém, em tempo de inverno, grávida e tão pobre que se viu obrigada a dar à luz numa gruta. – Foi igualmente pronta quando São José a avisou, que se pusesse a caminho na mesma noite, para viagem mais longa e perigosa ao Egito. Continuar lendo

DA SAUDAÇÃO ANGÉLICA

saudaAve, gratia plena, Dominus tecum – “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Luc. 1, 28).

Sumário. Entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a Saudação Angélica, ou a Ave-Maria, é a mais excelente em si mesma, a mais agradável ao coração da divina Mãe e a mais útil para nós. A experiência demonstra que o que saúda a Maria com esta oração é logo retribuído por ela com algum favor especial. Recitemo-la, pois, freqüente e devotamente durante o dia, mormente no princípio e no fim de cada ação. Felizes as ações que forem compreendidas entre duas Ave-Marias.

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Considera que entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a mais excelente, a mais aceita e a mais útil é a Ave-Maria.

Ela é a mais excelente considerada em si mesma; porque foi composta, por assim dizer, pela Santíssima Trindade e pronunciada a primeira vez pelo Arcanjo São Gabriel e depois por Santa Isabel, então cheia do Espírito Santo. Pelo que o Bem-aventurado Alano afirma que a Saudação Angélica, pela sua excelência, alegra todo o céu, enche a terra de prodígios, faz tremer e põe em fuga o demônio.

Em segundo lugar, ela é a mais aceita ao coração da Virgem, pois, quando dizemos Ave-Maria, parece que se lhe renova o prazer que sentiu quando lhe foi anunciado que havia sido eleita para Mãe de Deus. Mais, pela Ave-Maria mostramos que tomamos parte em sua felicidade, lembrando-lhe as suas grandezas. Disse a mesma divina Mãe a Santa Mechtildes, que nada lhe podia ser mais honroso e mais agradável do que a oferta freqüente da saudação do Anjo. Continuar lendo

DO GRANDE AMOR QUE NOS TEM MARIA SANTÍSSIMA

mariaEgo diligentes me diligo; et qui mane vigilant ad me, invenient me — “Eu amo os que me amam, e os que vigiam desde a manhã por me buscarem, me acharão” (Prov. 8, 17)

Sumário. Se uma mãe não pode deixar de amar seus filhos, quanto mais não nos amará a Santíssima Virgem, que no Calvário, juntamente com Jesus Cristo, nos gerou para a vida da graça, entre as mais acerbas dores? Ah! Se fosse reunido em um só o amor que todas as mães têm a seus filhos, não igualaria o amor que Maria tem a uma só alma. É justo portanto que ao amor da divina Mãe corresponda o nosso. Sim, minha santa Mãe, depois de Deus, amo-vos de todo o coração mais que a mim mesmo, e pronto estou a fazer tudo por vosso amor.

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Afim de compreendermos de algum modo o muito que nos ama nossa boa Mãe, Maria, consideremos as principais razões deste amor. — A primeira razão é o grande amor que ela tem a Deus. O amor para com Deus e para com o próximo, como diz São João, se contém no mesmo preceito, de sorte que, quanto cresce um, tanto o outro se aumenta.Hoc mandatum habemus a Deo: ut qui diligit Deum, diligat et fratrem suum(1) — “Nós temos de Deus este mandamento, que o que ama a Deus, ame também a seu irmão”. Pelo que, assim como entre todos os espíritos bem-aventurados não há quem ame a Deus mais do que Maria, assim tampouco temos, nem podemos ter, quem, depois de Deus, nos ame mais do que esta nossa Mãe amorosíssima.

Além disso, Maria nos ama, porque, afim de nos gerar à vida da graça, sofreu a pena de ela mesma oferecer à morte o seu querido Jesus, consentindo em o ver morrer diante dos seus olhos, à força de tormentos. Como frutos, portanto, da oferta dolorosa da Virgem, somos-lhe excessivamente caros, porque lhe custamos tantas angústias e dores. — E mais ainda, porque o próprio Jesus Cristo, antes de expirar, nos entregou a ela por filhos, na pessoa de São João, dizendo-lhe como último adeus: Mulher, eis aí teu filho (2).

Disto nasce uma terceira e mais poderosa razão pela qual somos tão amados de Maria: vem a ser que todos nós somos o preço da morte de Jesus Cristo. Se uma mãe visse um servo remido por um seu filho à custa de trinta anos de prisão e de trabalhos, quanto estimaria o servo por esta só consideração! Quanto mais deverá então a divina Mãe estimar nossas almas, vendo que o Verbo Eterno não desceu do céu à terra e se fez seu Filho, senão para as salvar à custa de todo o seu sangue! Eu vim salvar o que estava perdido (3) — “Salvum facere quod perierat”. Continuar lendo

O ROSÁRIO NOS PERIGOS

Resultado de imagem para rosárioJá faz bastante tempo, deu-se na cidade de Cartago, na república de Costa Rica, um terremoto tão violenta que a destruiu quase por completo.

A Revista “América”, dos Jesuítas de Nova York, narrando os pormenores da pavorosa catástrofe, chamou a atenção dos leitores para o fato seguinte:

Ezequiel Gutiérrez, que fôra presidente daquela república, no momento do cataclismo, achava-se em sua casa rezando o rosário acompanhado de toda a sua família. Algumas pessoas quiseram interromper a reza e fugir para a rua, mas o chefe obrigou-as a ficar até terminar o rosário.

Acabada a oração, saíram à rua e qual não foi o assombro de todas ao verem as casas convertidas em ruínas. Em toda a redondeza nenhum edifício ficara intacto; a desolação era completa; somente a casa do ex-presidente não sofrera nenhum dano, nem sequer um abalo.

Evidentemente Nossa Senhora a tomara sob a sua especial proteção, porque ali se rezava o seu rosário.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

AÇÃO GENEROSA BEM PREMIADA

Imagem relacionadaJoão Mazio, homem ilustre e grande defensor do Papado contra os gibelinos, possuía um filho único de 19 anos. Moço distinto e adornado das mais belas virtudes.

Preparava-se o casamento com uma donzela, digna dele, quando traiçoeiramente foi assassinado. É fácil imaginar a dor que sentia D. João ao receber tão funesta nova.

Sem perda de tempo mandou seus vassalos em seguimento do covarde traidor, com a ordem de traze-lo vivo ou morto.

O perseguido tratou de refugiar-se na primeira casa que pôde. E foi exatamente em um prédio que pertencia a D. João.

Voltou um mensageiro a comunicar a feliz noticia ao irado pai.

– Senhor, o criminoso acha-se em vossas mãos, ordenai o devemos fazer com ele.

O primeiro pensamento, que lhe passou pela cabeça, foi dar-lhe a morte com as próprias mãos. Mas pediu que esperasse um instante.

Muito devoto de Maria Santíssima, retirou-se a fim de solicitar conselho.

Ajoelhou-se perante belíssima imagem, em seu oratório. Muito após, levantou-se todo calmo, buscou vultuosa soma de dinheiro e falou ao núncio:

–  Dê este dinheiro e meu melhor cavalo ao assassino, e diga-lhe que fuja prontamente.

O criado não compreendeu tal gesto. Estava a pensar que a dor lhe transtornara a mente.

Mas D. João repetiu:

– Obedeça, jamais hei de mudar o que Maria me aconselhou.

O doméstico partiu sem replicar.

O réu, admiradíssimo e confuso, pôs-se a salvo prontamente, envergonhado e arrependido de seu crime.

Voltou D. João resignado a seu quarto, e coisa inaudita! (escreveu Appiani na Vida de Santo Emídio) encostou sobre o genuflexório diante da imagem uma carta escrita de punho próprio por seu filho com os dizeres:

– “Amadíssimo pai, tão agradável tem sido a Deus a generosa misericórdia que, por amor de Maria, haveis usado para com o assassino, que, em prêmio dela, fui logo livre das penas do purgatório que devia sofrer por vários anos. Subo agora para o céu. Dentro de um ano, Deus vos dará outro filho. Continuai a viver cristãmente. Eu rogarei por vós no céu”.

Com efeito, um ano depois, e justamente no aniversário da morte do filho, D. João celebrava o nascimento de outro.

Como poderia gesto tão nobre e generoso não ser premiado por Nossa Senhora!  

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

CORAÇÃO DE MARIA, IMAGEM FIEL DO CORAÇÃO DE JESUS

sagraimacMater eius conservabat omnia verba haec in corde suo – “Sua Mãe conservava todas estas palavras em seu coração” (Luc. 2, 51).

Sumário. Todas as qualidades que nos dias anteriores contemplamos no Coração de Jesus acham-se, com as devidas proporções, também no Coração de Maria, sua Mãe. Durante os trinta anos que a Virgem Santíssima conviveu com Jesus, não fez senão estudar continuamente no livro do Coração do Filho. Se, pois, amamos deveras a Maria e queremos ser seus dignos filhos, estudemos igualmente o Coração de Jesus e aprendamos de Nossa Senhora a praticarmos a humildade e o amor para com Deus e para com o próximo.

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Depois da Encarnação do Verbo, a ocupação habitual de Maria Santíssima foi estudar o grande livro do Coração amabilíssimo de Jesus e nesta escola divina fez progressos tão grandes, que se tornou uma imagem fiel de Jesus. Pelo que todos os dotes que nos dias anteriores contemplamos no Coração do Filho, acham-se também, observadas as devidas proporções, no Coração da Mãe.

Com efeito, que coração há mais amável que o Coração de Maria? Coração todo puro, santo, imaculado, perfeito; Coração, em suma, no qual Deus acha as suas delícias, as suas complacências. – Coração ao mesmo tempo tão amante dos homens, que, se todas as criaturas unissem as suas forças, nem de longe conseguiriam igualar o amor de Maria: Amat nos amore invicibili (1) – “Ela nos ama com amor inexcedível”. Este amor de Maria para com o gênero humano, rivalizando com o do Eterno Pai, levou-a a fazer o sacrifício doloroso, de entregar à morte seu Filho inocente. Leva-a continuamente a compadecer-se com ternura maternal das nossas misérias; a socorrer-nos generosamente em nossas necessidades; a ser-nos reconhecida e recompensar fielmente qualquer obra boa feita por seu amor, qualquer palavra dita para glória sua, cada bom pensamento que lhe agrada.

Como retribuição de todos os benefícios que a divina Mãe nos dispensou e ainda continuamente nos dispensa, não exige senão nosso amor; porquanto seu coração, à semelhança do de Jesus, é um coração desejoso de ser amado. – Vê, portanto, quanta aflição deve sentir vendo-se pago com desprezos. Não sejas tu do número daqueles ingratos que assim afligem a nossa terna Mãe. Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE CASTIDADE

maria2Sicut lilium inter spinas, sic amica mea inter filias – “Como é a açucena entre os espinhos, assim é a minha amiga entre as filhas” (Cant. 2, 2).

Sumário. A pureza da Santíssima Virgem foi tão grande, que o Verbo divino a elegeu para sua Mãe, afim de que servisse a todos de exemplo de castidade. Como recompensa da sua inefável virgindade, Maria tem o privilégio de preservar do pecado os seus devotos e de os levantar depois da queda. É necessário, porém, que da nossa parte ponhamos em prática os meios para vencer, especialmente o evitar as ocasiões, e praticar a oração, consagrando-nos à Virgem de manhã e à noite, e invocando o seu nome em cada assalto do inimigo infernal.

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Depois da queda de Adão e de os sentidos se haverem rebelado contra a razão, a virtude da castidade tornou-se a mais difícil de ser praticada. Mas, seja para sempre louvado o Senhor, que em Maria nos deu um grande modelo desta virtude. Diz o Bem-aventurado Alberto Magno que Maria é chamada com razão Virgem das virgens; pois que, sendo ela a primeira, sem conselho nem exemplo de ninguém, a oferecer a sua virgindade a Deus, deu ao mesmo Deus todas as virgens que depois a imitaram, segundo a profecia de Davi: Adducentur Regi virgines post eam(1) – “Serão apresentadas ao Rei virgens depois dela“. E São Sofrônio acrescenta que Deus escolheu esta Virgem puríssima por Mãe, exatamente para que ela servisse a todos de modelo de castidade. Pelo que Santo Ambrósio lhe dá o belo título de Porta-bandeira da virgindade.

Por motivo desta sua pureza foi a Santíssima Virgem chamada pelo Espírito Santo bela como a rola (2); como também açucena: sicut lilium inter spinas. E aqui adverte Dionísio Cartusiano, que ela foi chamada açucena entre os espinhos, porque todas as demais virgens foram espinhos para si próprias ou para os outros; Maria Santíssima, ao contrário, não o foi nem para si nem para os outros. Segundo observa Santo Tomás, a beleza de Maria inspirava a todos amor à pureza e só ao ser vista infundia pensamentos e afetos castíssimos.

Numa palavra, diz um autor que a Bem-aventurada Virgem foi tão amante desta virtude, que, para a conservar, estaria disposta a renunciar ainda à dignidade de Mãe de Deus. Isto se colige das mesmas palavras que dirigiu ao Arcanjo e das que por fim acrescentou: Fiat mihi secundum verbum tuum (3) – “Faça-se em mim segundo a tua palavra“; significando que dava o seu consentimento porque o Anjo lhe assegurava que devia ser mãe unicamente por obra do Espírito Santo. Continuar lendo

SERMÃO DA MISSA DA PEREGRINAÇÃO E RENOVAÇÃO DA CONSAGRAÇÃO DA FSSPX NO BRASIL

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como é sabido, no sábado passado (19/05) a FSSPX fez sua tradicional Peregrinação à Aparecida.

É com grande ALEGRIA que obtivemos autorização do Pe. Juan María, Prior da Casa Autônoma da FSSPX no Brasil para a publicação (exclusiva) do sermão da Missa daquele dia, proferia pelo Pe. Carlos Herrera e da Consagração da FSSPX Brasil à Nossa Senhora Aparecida.

A gravação não é profissional e sendo assim, a qualidade não é boa. Fizemos o possível, porém acredito que o conteúdo é mais importante.

SERMÃO

RENOVAÇÃO DA CONSAGRAÇÃO

ATENÇÃO: é expressamente proibido baixar os arquivos e repassá-los por qualquer meio digital e rede social. A divulgação pode ser feita única e exclusivamente enviando o link desse post.

GRANDE RECOMPENSA, POR POUCO

Resultado de imagem para santa tereza d'avilaQuem conta o fato é a célebre carmelita Santa Tereza de Ávila.

Estava ela entretida na construção de conventos para sua ordem, quando se apresentou um senhor muito distinto e lhe ofereceu vasto terreno para levantar um mosteiro, nos arredores de Valadolid. Vendo a Santa a boa vontade do cavalheiro e de sua devoção, pois queria agradar à Nossa Senhora do Carmo, aceitou prontamente o generoso presente.

Dois meses depois, o dito senhor caiu doente. Perdeu a fala, e morreu sem poder confessar-se.

No mesmo dia Nosso Senhor apareceu à Santa e afirmou-lhe que o falecido estivera em sério perigo de condenar-se. Fora, contudo, salvo pela doação que fizera em honra de Maria Santíssima. Disse-lhe que só sairia do purgatório quando lá, no terreno presenteado, se celebrasse a primeira Missa.

A Santa, embora muito empenhada na construção de uma casa em Toledo, largou tudo, a fim de socorrer o benfeitor.

Tendo ido examinar o novo local, não gostou dele por ser muito distante da cidade e insalubre. Mas, lembrando-se dos terríveis sofrimentos que aquela alma padecia, não quis demorar-se.

Mandou vir pedreiros e carpinteiros, para arranjar logo o que fosse mais urgente, para, quanto antes, dizer-se a Santa Missa. Recorreu ao senhor Bispo, para obter as devidas licenças. E já no domingo, o sacerdote celebrou o sacrifício da Missa.

Na hora da Santa Comunhão, de repente, apresentou-se, ao lado da Santa, o tal cavalheiro de rosto resplandecente a transbordar de júbilo.

Agradeceu-lhe profundamente ter sido libertado naquela hora do purgatório.

Foi Maria Santíssima quem o buscou das chamas onde sofria dolorosamente.

*          *          *

Agradeçamos a Nossa Senhora os muitos benefícios que nos tem prestado. São muito mais que pensamos.

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

13 DE MAIO – FESTA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

QUEM SE LEMBRA DE FÁTIMA?

O esquecimento sobre as aparições

No dia 13 de maio de 1995 ocorreu o 78o. aniversário da primeira aparição da Santíssima Virgem Maria em Fátima, Portugal, em 1917. Esse grande evento, manifestação realmente excepcional da Misericórdia divina, é agora deixado no mais profundo esquecimento e isso, precisamente, por culpa da hierarquia católica. Sobre o único sobrevivente dos três pequenos videntes1, Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado, mais conhecida sob o nome de irmã Lúcia (Lúcia dos Santos), paira o silêncio há vários anos. Enclausurada no Carmelo de Coimbra desde março de 1948, ela recebia periodicamente visitas autorizadas  das mais diversas personalidades eclesiásticas, de cardeais a simples pesquisadores sobre as aparições, assim como uma importante correspondência vinda de todos os cantos do mundo. Mas já a partir de 1954 (durante os três últimos anos do reinado de Pio XII) as visitas começaram a ser reduzidas pelas autoridades competentes, para terminar por serem completamente suprimidas a partir de 1960. Nesse ano estava prevista a leitura pública, pelo papa, do famoso “terceiro segredo” de Fátima, leitura que — como se sabe — não foi feita2. Ao contrário, a partir desse ano, Irmã Lúcia não pôde mais falar com ninguém sobre as aparições, nem mesmo por carta. Com exceção dos cardeais, aos quais não se aplicam as proibições da clausura, dos parentes mais próximos e benfeitores conhecidos das autoridades, ninguém pode se aproximar do parlatório do convento. As permissões de visita são dadas pelo prefeito da Congregação pela Doutrina da Fé, mas este (o Cardeal Ratzinger) há muitos anos não concede nenhuma.

Assim, foi imposto à Irmã Lúcia uma clausura dentro da clausura. É um fato surpreendente que, por si só, já dá uma idéia do ambiente no Vaticano. Aquela que, nesse século, pode testemunhar ter visto e ouvido a Santíssima Virgem Maria (e Nosso Senhor) é mantida num isolamento total, muito além das regras mais rígidas da clausura. Que o Vaticano tenha adotado a orientação de apagar e de fazer esquecer Fátima, resulta também do fato de que a obra científica fundamental e oficial sobre as aparições — os quatorze volumes do padre Alonso, nos quais esse pesquisador de valor recolheu, classificou e comentou 5396 documentos — essa obra esteja pronta desde 1976, mas sua publicação ainda não tenha sido autorizada pelas autoridades competentes3. Na realidade, a hierarquia parece não ter compreendido a importância da “mensagem de Fátima”. Senão os Papas teriam se empenhado com outro ardor em satisfazer os pedidos. Começando pelos atos de culto ordinário e extraordinário, pedidos repetidas vezes por Nossa Senhora e por Jesus em pessoa, nas visões e nas mensagens com as quais a Irmã Lúcia foi gratificada de 1917 à 1952 (pelo que sabemos). Nos referimos ao pedido de instituir a Comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados do mês em honra do Imaculado Coração de Maria e de Lhe consagrar publicamente, explicitamente e solenemente a Rússia, em união manifesta de todos os bispos.

Pio XI e Pio XII não fizeram a verdadeira consagração da Rússia

Nenhum dos dois pedidos foram ouvidos. O primeiro não foi nem mesmo tomado em consideração. Para o segundo, houve consagrações, mas nenhuma válida, porque não estavam conformes às modalidades expressamente pedidas pelo Céu. Os dois pedidos estão, aliás, ligados, porque no segredo comunicado no dia 13 de julho de 1917, a Santíssima Virgem disse: “Para impedir isso [a guerra mundial que acabava de ser profetizada em punição pela infidelidade e malícia humanas] virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora dos primeiros sábados [do mês]. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá é terão paz. Se não, ela espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, meu Coração Imaculado triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de paz“. Continuar lendo

RECUPEROU OS OUVIDOS

Resultado de imagem para surdezUm jovem de Flêscia, França, que por causa de seus estudos (escreveu o grande missionário Padre Segneri) deixara a prática, pediu a certa ocasião a seus pais que lhe enviassem dinheiro. Como estes não lhe mandassem, quanto ele desejava, remeteu-lhe uma carta cheia de desaforos. Apenas partira a missiva, o moço ensurdeceu totalmente. Toda a diligência dos médicos foi inútil para cure-lo.

Perdida inteiramente a esperança neles, o rapaz resolveu fazer uma peregrinação a Loreto, Itália, a fim de solicitar de Maria a cura que não conseguiram dar-lhe os doutores. Chegou à Santa Casa (é a mesma casa em que moraram Jesus, Maria e S. José em Nazaré, transportada inteirinha pelos Anjos até Loreto) na vigília da Assunção e, de noite, viu em sonhos uma celestial Senhora de grande majestade e esplendor, acompanhada de duas pessoas. Eram o pai e mãe do desgraçado estudante. A Senhora, que era a própria Maria Santíssima, voltada para os que a acompanhavam, pergunta-lhes:

– É este vosso filho?

– Sim, Mãe e Senhora nossa, disseram eles.

– Quereis que recobre a audição?

– Humildemente vo-lo suplicamos.

A Santíssima Virgem aproximou-se da cama do jovem e mostrou-lhe a carta escrita a seus pais:

–  Lei-a, disse-lhe.

O moço, envergonhado e arrependido, cativou a Mãe de Deus, que lhe tocou suavemente ambos os ouvidos, e desapareceu.

Despertou o estudante e com grande contentamento e maravilha achou-se são. Pediu novamente perdão pela má-criação e deixou na Casa Santa um escrito juramentando de todo o ocorrido.

Maria Virgem é sempre boa Mãe para todos, mormente para os que a procuram, pedindo-lhe graça s e favores.

*           *           *

Apesar de o filho ter merecido aquele castigo pela má-criação, uma vez arrependido, Nossa Senhora não só lhe perdoou tudo, senão também o curou completamente.

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

PODER DE MARIA SANTÍSSIMA PARA NOS DEFENDER NAS TENTAÇÕES

esmagaInimicitias ponam inter te et mulierem … Ipasa conteret caput tuum – “Porei inimizade entre ti e a mulher… Ela te esmagará a cabeça” (Gen. 3,15).

Sumário. Com muita razão a Santíssima Virgem é comparada a um posto em ordem de batalha, porque ela sabe ordenar o seu poder e a sua misericórdia para confusão dos inimigos infernais e benefício dos seus devotos. Felizes de nós, se nas tentações recorrermos sempre a esta divina Mãe, invocando o seu doce nome juntamente com o de Jesus. O obséquio mais agradável a Maria é: recomendarmo-nos muitas vezes a ela e metermo-nos debaixo da sua proteção: Sub tuum praesidium confugimos, sancta Dei Genitrix – “Sob tua proteção nos refugiamos, ó santa Mãe de Deus!

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Maria Santíssima não é só Rainha do céu e dos Santos, mas também do inferno e dos demônios, por tê-los vencido intrepidamente com as suas virtudes. Todos os Santos Padres concordam em dizer que a Bem-aventurada Virgem é aquela mulher poderosa, prometida por Deus desde o princípio do mundo, a qual, juntamente com o Filho, deveria estar em perpétua inimizade com a serpente infernal e, a seu tempo, havia de lhe esmagar a cabeça, abatendo-lhe o orgulho. Por isso Lúcifer se vê constrangido a ficar prostrado debaixo dos pés de Maria. – O espírito maligno, para vingar a sua derrota, vira toda a sua sanha contra os devotos da divina Mãe; esta, porém, não permite que lhes cause o menor dano.

Maria foi figurada na coluna, ora de nuvem, ora de fogo, que guiava o povo escolhido para a terra prometida (1). A coluna representava os dois ofícios que a Virgem exercita continuamente para o nosso bem. Como nuvem, ela nos protege do ardor da divina justiça, e como fogo, nos defende dos demônios. Assim como os homens caem na terra quando um raio do céu lhes parece cair sobre eles, assim caem abatidos os espíritos rebeldes só ao ouvirem o nome de Maria.

Pela mesma razão a Virgem é chamada pelo divino Esposo terrível contra o poder do inferno: como um exército bem ordenado: Terribilis ut castrorum acies ordinata (2). Ela sabe ordenar bem o seu poder, a sua misericórdia e os seus rogos para confusão dos inimigos e benefício dos seus servos, que nas tentações invocam o seu poderosíssimo socorro. Como foi revelado a Santa Brígida, o orgulhoso Lúcifer antes queria que se lhe multiplicassem as penas do que ver-se dominado pelo poder de uma mulher. Feliz, pois, aquele que nas lutas com o inferno recorre sempre à divina Mãe e invoca o belo nome de Maria. Continuar lendo

MOTIVOS PARA CELEBRAR O MÊS DE MARIA

Resultado de imagem para perpétuo socorro barrocaMensis iste vobis principium mensium: primus erit in mensibus anni – Este mês será para vós o princípio dos meses: será o primeiro dos meses do ano” (Ex. 12, 2).

Sumario. Seja qual for o estado da tua alma, sempre tens motivos especiais para celebrar bem o mês de Maria. Se és inocente, deves faze-lo para que a divina Mãe te conserve sempre tal; se és pecador, para que te ajude a levantar-te; se és penitente, para que te obtenha a santa perseverança. Para praticares bem este santo exercício, imagina-te que terás de morrer no princípio de junho, e emprega todo o mês de maio em te preparar a morte, especialmente pelo cumprimento exato dos deveres do teu estado.

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Mui grande é a necessidade que tens da proteção de Maria para a tua salvação. És inocente? Lembra-te que trazes o tesouro da inocência em vasos frágeis de barro, e que estás em perigo continuo de o perder: Habemus thesaurum istum in vasis fictilibu (1)..Quantos, mais inocentes do que tu, caíram depressa em pecado e se perderam! Quantos ficaram amigos de Deus durante muitos meses, e até anos, e em seguida perderam a graça de Deus e naufragaram exatamente quando estavam para entrar no porto! – Isto tem acontecido não só a pessoas engolfadas em negócios temporais, nos prazeres do mundo; outras retiradas na solidão, exaustas pelos jejuns, extenuadas pelos trabalhos, levavam vida austera e penitente, e, todavia, caíram vítimas infelizes do pecado, talvez por um olhar, por um pensamento! Vê, pois, que também a tua inocência não te pode dar segurança.

És pecador? Sabe então que sem um auxílio poderoso te é impossível levantar-te do abismo em que caíste. O pecado tirou-te as forças: a natureza corrompida, os hábitos inveterados, as ocasiões perigosas prendem-te fortemente à terra. E quem te defenderá contra a ira de Deus, que já está talvez com a espada levantada? Quem te livrará de tantos perigos? Quem te salvará no meio de tantos inimigos?

Se porventura já te levantaste do pecado, não precisas menos de amparo. Quem te assegura que não tornarás a cair? Quem te assegura que serás fiel até á morte? Já mais de uma vez voltaste a Deus e mais de uma vez tornaste a pecar. Ah! Se não fosse Maria, estarias talvez irreparavelmente perdido!

Pois, bem: com a devoção deste mês de Maria, podes obter o seu patrocínio e a tua salvação. Será possível que uma Mãe tão terna deixe de atender a um seu filho devoto? Se por causa de um Rosário, de um jejum ela tem concedido favores assinalados aos mais grandes pecadores, de certo não te os negará, se a servires durante um mês inteiro. – Mas ai de ti, se perderes a presente graça! Ai de ti se, começando bem, depois de poucos dias refrouxares! Quem sabe se não é este o último convite que Deus te faz? A última ocasião para te converteres? Quem sabe se a este exercício não está ligada a tua perseverança final?… E, além disto, quem sabe se não é este o último ano, o ultimo mês da tua vida? Pensa nisto seriamente e resolve-te.

Seja o fruto desta meditação a mais fervorosa celebração deste mês de Maria, preparando-te para a morte como se realmente te fora revelado que o presente mês é o último da tua vida e que terás de morrer nos primeiros dias de junho. Em vez de augmentar o número dos teus exercícios de devoção, procura antes fazer ações do costume com mais perfeição, e cumprir com todo o rigor os deveres do teu estado.

Para esse fim, levanta-te logo, quando for hora de levantar, para não começar o dia com um ato de preguiça, e consagra-te inteiramente a divina Mãe. Faze a tua meditação com mais fervor, ouve cada manhã uma Santa Missa, e durante o dia, conforme o permitirem as tuas ocupações, lê algum tempo sobre as Glórias de Maria, ou em outro livro espiritual; faze uma visita a Jesus sacramentado e conserva-te continuamente na presença de Deus pelo uso frequente das orações jaculatórias. Examina sobretudo a tua consciência, e, se achares alguma cousa que te possa incomodar na hora da morte, ajusta-a quanto antes por meio de uma boa confissão; e durante todo este mês guarda-te de cometer pecados veniais plenamente deliberados. Depois, não deixes de praticar com exatidão algum obsequio especial que te proponhas fazer em honra de Maria Santíssima e invoca-a sempre em tuas necessidades, particularmente com o belo título de Mãe do Perpétuo Soccorro.

Santíssima Mãe de Deus e Mãe da misericórdia, eis-me aqui na vossa presença e na de vosso divino Filho, para vos tributar as minhas homenagens, vos louvar com a minha língua e vos venerar com o meu coração. Iluminai Senhora, o meu espírito, inflamai a minha vontade, afim de que vos possa oferecer dignamente o tributo da minha servidão, para maior glória de Deus, para honra vossa e proveito da minha alma.

  1. 2 Cor 4,7

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

NOSSA SENHORA E O FAMOSO CAÇADOR

Imagem relacionadaCerto manhã, pouco antes do almoço, descia do trem em Lourdes um senhoraço, completamente indiferente, que mal se resolvera a acompanhar a esposa e a filha ao balneário. Não pensava em demorar-se ali mais que o tempo que medeia entre dois trens: era tudo o que conseguiram alcançar dele a esposa e a filha.

Apenas lá chegadas, correram as duas à gruta para rezar pelo chefe da família, que tanta pena lhes causava por sua irreligião.

Ele, porém, mais preocupado com o estômago do que com a alma, foi à procura do melhor hotel e, chamando o garçom, disse:

– Enquanto espero minha senhora e minha filha prepare para nós três um bom almoço.

– Deseja o Sr. comida como de sexta-feira?

– Como? De sexta-feira?

– É que hoje é dia de abstinência e quase toda gente o guarda, pelo menos aqui.

– Que me importa o dia? diz o livre-pensador. Ora essa! O almoço tem que ser substancioso, e demais sou caçador, quero carne, ouviu?

O garçom inclinou-se respeitoso e deu ordem ao cozinheiro de preparar bife, frango, etc.

Acendendo um bom charuto, o nosso homem dizia de si para si:

– Não hão de dizer que não vi a famosa gruta… irei ver aquilo.

Chegou lá muito antes que as duas senhoras tivessem terminado suas visitas à gruta, à basílica e à cripta, em toda a parte rezando e suplicando por seu querido rebelde… Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE POBREZA

maria2Si vis perfectus esse, vade, vende quae habes, et da pauperibus; …et veni, sequere me – “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, e dá-o aos pobre; …depois vem, e segue-me” (Matth. 19, 21).

Sumário. O divino Redentor, para nos ensinar a desprezar os bens do mundo, quis sempre ser pobre nesta terra. E a Santíssima Virgem seguiu-lhe o exemplo, mostrando-se a sua discípula mais perfeita, porque ela também nasceu, viveu e morreu na maior pobreza. Somos nós também amantes de tão bela virtude e dos incômodos que a acompanham?… Esforcemo-nos a todo custo por imitar a nossa querida Mãe, lembrando-nos de que o que ama as comodidades e as riquezas, nunca será santo.

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O nosso amoroso Redentor, para nos ensinar a desprezar os bens mundanos, quis ser pobre neste mundo. Por isso Jesus exorta a todo aquele que queira segui-Lo a que venda todos os seus haveres e distribua o produto entre os pobres:Si vis perfectus esse, vade, vende quae habes, et da pauperibus… et veni, sequere me– “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, e dá-o aos pobres… depois vem e segue-me“. Eis como Maria, a sua discípula mais perfeita, lhe seguiu exatamente o exemplo. Afirma o bem-aventurado Canisio, que a Santíssima Virgem, com a herança de seus pais, teria podido viver muito comodamente, mas preferiu ficar pobre, reservando para si uma pequena parte, e distribuindo o mais em esmolas ao templo e aos pobres.

Querem muitos escritores que Maria tivesse feito também voto de pobreza, e sabe-se que ela mesma revelou a Santa Brígida, que desde o principio de sua vida prometera no coração nunca possuir alguma coisa no mundo: A principio vovi in corde meo, nihil umquam possidere in mundo. – Os dons que recebeu dos santos Magos não foram certamente de pouco valor, mas distribuiu-os todos aos pobres, como atesta São Bernardo. Isto se deduz também de que ela, indo ao templo, não ofereceu o cordeiro, que era a oferta das pessoas abastadas (1), mas duas rolas ou dois pombinhos (2), a oferta dos pobres. Maria mesma disse a Santa Brigida: “Tudo o que podia obter, eu dava-o aos pobres, e não reservei nada para mim, senão um tênue alimento e o vestido.”

Por amor à pobreza a Virgem não duvidou desposar-se com um pobre oficial, qual foi São José, e depois sustentar-se com o trabalho de suas mãos, fiando ou cosendo, como atesta São Boaventura. Numa palavra, as riquezas do mundo foram para Maria como que lodo, e ela sempre viveu pobre e morreu pobre. Na morte não se sabe que deixasse outra coisa além de duas pobres vestes, que deu a duas mulheres que a haviam servido em vida (3). Continuar lendo

DO AMOR QUE SÃO JOSÉ TEVE A JESUS E MARIA

sagrada-familiaIacob autem genuit Ioseph, virum Mariae, de qua natus est Iesus — “Jacó gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus” (Matth. 1, 16).

Sumário. A longa familiaridade de pessoas amantes faz muitas vezes resfriar o amor, porque, quanto mais tratam uns com outros, tanto mais conhecem os defeitos mútuos. Mas não foi assim com São José. Quanto mais convivia com o divino Redentor e com a Santíssima Virgem, tanto mais chegou a conhecer-lhes a santidade. Concluamos disso quanto devia amar aqueles queridos penhores de seu coração, gozando tão longos anos a sua companhia. Roguemos ao santo Patriarca, que nos comunique uma parte de seu amor a Jesus e Maria; e ao mesmo tempo esforcemo-nos por imitá-lo, pela consideração de suas grandezas.

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Considera em primeiro lugar o amor que José teve a Jesus. Já que Deus destinou o Santo a servir de pai ao Verbo humanado, com certeza infundiu-lhe no coração um amor de pai, e de pai de um filho tão amável, e que ao mesmo tempo era Deus. O amor de José não foi, portanto, um amor puramente humano, como o dos outros pais, mas um amor sobre-humano, visto que na mesma pessoa via seu Filho e seu Deus.

Bem sabia José, pela certa revelação divina recebida do Anjo, que o Menino, que via continuamente em sua companhia, era o Verbo divino, feito homem por amor dos homens, mas especialmente dele. Sabia que o Verbo mesmo o havia escolhido entre todos para guarda de sua vida que queria ser chamado seu Filho. Considera, de que incêndio de amor não devia estar abrasado o coração de José, ao considerar tudo isso e ao ver seu Senhor, que lhe servia como oficial, ora abrindo e fechando a loja, ora ajudando-o a serrar a madeira, ora manejando a plaina ou o machado, ora ajuntando os cavacos e varrendo a casa; numa palavra, que lhe obedecia em tudo que lhe mandava, e não fazia nada sem o consentimento daquele que considerava como seu pai.

Que afetos não deviam ser despertados no coração de José, quando o tinha nos braços, o acariciava, ou recebia as carícias daquele doce Menino! Quando escutava as palavras de vida eterna, que foram como outras tantas setas a ferirem-lhe o coração! Especialmente quando observava os santos exemplos de todas as virtudes que o divino Menino lhe dava! — A longa convivência de pessoas que se amam mutuamente, muitas vezes resfria o amor; porque, quanto mais convivem, tanto mais descobrem mutuamente os defeitos. Não foi assim com São José: quanto mais convivia com Jesus, tanto mais lhe descobria a santidade. Conclui disso, quanto deve ter amado a Jesus, cuja companhia gozou, na opinião dos autores, pelo espaço de vinte e cinco ou trinta anos! Continuar lendo