ENTREVISTA COM D. MARCEL LEFEBVRE

Resultado de imagem para MARCEL LEFEBVREEntrevista com S.E.R. Dom Marcel Lefebvre, feita por um jornalista do The Age, de Melbourne, Austrália.

– Por qual razão chegou-se a este desacordo entre o senhor e o Vaticano?

O desacordo proveio das novas orientações do Concílio Vaticano II e das reformas que se seguiram.

A “liberdade religiosa”, em nome da qual se suprime a todos os Estados católicos, está concebida em um sentido que é absolutamente oposto à doutrina oficial da Igreja católica.

O “ecumenismo” que arrasta a reforma litúrgica é uma atitude totalmente nova da Igreja a respeito dos não católicos (sejam protestantes, muçulmanos, budistas e até comunistas, maçons, etc.), manifestamente oposta à doutrina e à prática da Igreja católica durante vinte séculos.

Finalmente, a ideia de “colegialidade” mal compreendida está quebrando a unidade da Igreja constituindo Igrejas nacionais, pela desaparição do exercício da autoridade pessoal do Papa e dos bispos, contra a constituição divina da Igreja.

– O senhor vê alguma solução nas circunstâncias presentes? E se há uma, qual é?

A única solução é o retorno à doutrina tradicional e à experiência saudável da tradição segundo a sabedoria que a Igreja sempre manifestou para sua aplicação no espaço e no tempo. Continuar lendo

O QUE DIZER A PESSOAS DE OUTRAS RELIGIÕES? – PALAVRAS DE MONS. LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Eis algumas palavras do monsenhor Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre nossa atitude em relação às pessoas de outras religiões. Devemos ficar calados e dar-lhes razão, ou devemos dizer-lhes a verdade?

Podemos conversar com pessoas de diferentes religiões e responder quando nos pedem explicações. O que temos que dizer-lhes? Temos que deixá-las em sua boa consciência e dizer-lhes: “Não se preocupem, tendes uma religião muito bonita que, basicamente, vale a mesma que a nossa …”? Isso seria cometer um crime, porque talvez essas almas esperem de nós a verdade e não as estaríamos dando. Portanto, não se converteriam.

Um dia alguns jovens protestantes me convidaram para ir a Lausanne para lhes dar uma conferência. Queriam ouvir sobre Ecône. Eu lhes disse: “Falo-vos como bispo católico. Creio que me convidaram como tal. Não estranheis que eu os diga com franqueza o que penso do protestantismo“. Estava claro. Disse-lhes claramente que para nós existe apenas uma religião verdadeira e que Ecône representa precisamente essa convicção, pois ninguém se salva fora da Igreja Católica. Por isso somos tradicionalistas, o que não significa que desprezamos aos demais, mas para nós a religião protestante é um erro.

Pois bem, alguns dias depois esses jovens protestantes escreveram para me parabenizar. Me disseram: “É isso que queríamos ouvir. Sabemos que um católico é católico e que não admite que o protestantismo seja a verdadeira religião “. Assim não se surpreenderam.

Por outro lado, se lhes tivesse falado como fazem agora os ecumenistas, e lhes teria dito: “Em Ecône, é claro, nós amamos a Igreja Católica, mas somos amigos dos protestantes e acreditamos que sua religião é bonita…” acredito que, em primeiro lugar, não teriam ficado felizes pensando que os bajulava e que tratava de ficar bem com eles, mas no fundo, não dizia o que ele realmente acreditava. Isso os faria perder uma oportunidade de refletir sobre uma possível conversão.

Tudo isso é importante e constantemente, nós católicos, nos deparamos com situações semelhantes. Façamos um favor a essas almas e pensemos sempre em sua salvação: “Se eu não digo a verdade nem lhes ofereço a verdade, pode haver almas que se salvem e que por minha culpa não serão“. É claro que Deus pode trabalhar diretamente sem passar por nós para converter o mundo inteiro. No entanto, quis servir-se de sacerdotes e missionários. Deus conta conosco. Temos que ser um meio para a conversão de almas. Eis que há de se pensar na graça de Deus, que aproveita tal conversa ou tais palavras para abrir a alma desses protestantes e dar-lhes a graça da conversão, já que, é claro, é Ele quem converte as almas.

+ Monsenhor Marcel Lefebvre.

Extrato do livro: “Sou eu o acusado quem vos deveria julgar

A MÃE: O CORAÇÃO DA CASA

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

É sabido que a mãe deve ser o coração da casa. Eis um exemplo concreto: a mãe de Mons. Marcel Lefebvre.

A mãe [Sra. Lefebvre] nunca esperava estar totalmente recuperada para ter seus filhos batizados. A família ia sem ela à igreja, e somente em seu retorno aceitava pegar o bebê em seus braços, renascido para a vida divina e adornado com a graça santificante.

(…)

A mãe da família era uma alma profundamente espiritual e extremamente apostólica: recordemos duas características de sua fisionomia moral, que Marcel herdaria. Enfermeira formada da Cruz Vermelha, dedicava um dia e meio por semana cuidando dos doentes do ambulatório, realizando o trabalho que desagradava os outros. Ela e seu marido fizeram parte da Conferência de São Vicente de Paulo, mas seu maior apostolado era o da terceira ordem franciscana: pelo estímulo da Sra. Lefebvre, convertida em presidente do discretório de Tourcoing, a fraternidade das “Irmãs” da terceira ordem chegou a 800 membros, com professoras de noviças escolhidos por ela e retiros fechados.

Dirigida espiritualmente pelo padre Huré, montfortiano, sua alma foi elevada a uma vida de união constante com Jesus Cristo; praticava a oração e leitura espiritual; viril e magnânima, se exercitava na mortificação e na renúncia, e em 1917 fez o “voto dos mais perfeitos” (renovado  de confissão em confissão). Vivia pela fé, recomendando todos os acontecimentos a Deus e à sua vontade. A característica mais constante de sua alma e seu espírito era a ação de graças à Divina Providência.

(…)

O lar da família dos Lefebvre era um santuário com seu ritual próprio. Enquanto o pai, acompanhado de Louise, assistia a Missa das 06:15h, no qual acolitava ao pároco, a mãe acordava as crianças traçando-lhes o sinal da cruz na testa e pedindo-lhes para oferecer as obras do dia; depois ia à missa das 07:00h com seus filhos em idade de caminhar, a menos que, sendo já mais velhos, assistiriam a Missa no internato.

Todas as tardes a oração em comum aliviava os reveses da jornada e unia os corações na mesma caridade de Deus. As crianças não iam dormir sem receber a bênção de seus pais.

“Durante o mês de maio, dizia Christiane, íamos em peregrinação a La Marlière, ao lado da cidade de Tourcoing, perto da fronteira com a Bélgica. Procurávamos fazer uma novena de peregrinações durante o mês. Tínhamos que levantar às 05:00h, fazíamos 45 minutos de caminhada (e em jejum), para assistir à Missa das seis e voltar a tempo para as nossas aulas.

Marcel Lefebvre – Dom Bernard Tissier de Mallerais

ROMA, O QUE FIZESTE DO MARTÍRIO DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO?

Meus caríssimos irmãos,

Eis-nos outra vez reunidos sob o patrocínio de São Pedro e São Paulo, mártires. Como não lançar nossos olhares, pelo pensamento, pelo coração, para Roma? Roma que este Papa e o apóstolo São Paulo regaram com o seu sangue, acompanhados de tantos e tantos mártires. Foi também com emoção que lemos esta manhã as lições do Papa São Leão, que se dirigia assim à Cidade Eterna: 

“Ó Roma, quæ eras magistra erroris facta est discípula veritatis – Ó Roma, tu que eras mestra do erro, que ensinaste o erro, eis que te fizeste serva da Verdade”. 

Que bela palavra: serva da Verdade! E ele acrescentava que esta cidade de Roma reunia todos os erros de todas as nações: Omnium gentium serviebat erroribus

Roma parecia estar a serviço dos erros de todas as nações. Acolhendo todas as divindades, Roma julgava, diz ainda São Leão, que tinha uma grande religião, magnam religionem, porque, precisamente, ela reunia todos os erros, todas as religiões, em seu seio.

Estas palavras de São Leão descrevendo a Roma pagã, a Roma antiga, faz-nos refletir hoje.

Qual é, atualmente, a situação de Roma? O que pensa de nós, reunidos aqui para realizar, assistir ou participar destas ordenações sacerdotais?

Podemos sabê-lo lendo o livro do Cardeal Ratzinger que acaba de ser lançado  e que fala de nós.

O que diz ele de nós? Diz que é espantoso que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X seja tão ligada aos papas anteriores ao Concílio – o que para nós é verdadeiramente um testemunho que nos alegra – e que façamos tão grandes reservas aos papas que se seguiram ao Concílio. Se são tão ligados ao papado, porque, espanta-se ele, fazer distinção entre os papas? Continuar lendo

CATECISMO DAS VERDADES OPORTUNAS: OS “RALLIÉS” (VISTOS POR MONS. LEFEBVRE)

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

1) Quem são os “ralliés”?

Chamamos de “ralliés” as comunidades, os sacerdotes e os fiéis que escolheram inicialmente defender a Tradição, mas que depois das sagrações de 30 de Junho de 1988 e da excomunhão contra Mons. Lefebvre, Mons. Castro Mayer e os quatro bispos sagrados, escolheram se submeter efetivamente sob a dependência da hierarquia atual, conservando, contudo, a liturgia tradicional. Logo, eles se “ralliés” à igreja conciliar.

Por extensão, o termo “ralliés” designa as comunidades, sacerdotes e fiéis que mantém a liturgia tradicional, mas aceitam os grandes erros conciliares, assim como a plena validade e legitimidade do Novus Ordo de Paulo VI e dos sacramentos promulgados e editados por Paulo VI .

Dom Gerard, em sua declaração, faz referência ao que lhe foi dado e aceito ao se submeter à obediência da Roma modernista, que permanece fundamentalmente anti-tradicional” (1).

2) A palavra “ralliés” não é pejorativa?

Sim, a palavra “ralliés” é pejorativa, pois expressa uma traição em relação à Tradição.

3) Como os “ralliés”  traíram a Tradição?

Os “ralliés” traíram a Tradição porque muitos deles, tendo começado a servi-la, pararam de defendê-la, para depois abandoná-la, fazendo gradualmente apologia dos erros conciliares, e se opondo à Tradição e seus defensores,

“Eles nos traem. Agora eles dão as mãos àqueles que demolem a Igreja, os liberais, os modernistas “(2). Continuar lendo

A PERDA DO ESPÍRITO DE SACRIFÍCIO – PALAVRAS DE MONSENHOR LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Um dos efeitos da reforma litúrgica é a perda do espírito de sacrifício. O sacrifício já não é mais buscado sem o prazer. Dom Lefebvre denuncia essa nova orientação e lembra por que a Igreja sempre pediu aos fiéis a mortificação.

1 – Se já não há sacrifício da missa, tampouco há espírito de sacrifício

O catolicismo está fundado essencialmente sobre a cruz. Se não existe mais a noção do sacrifício da Cruz, do sacrifício da missa que continua o sacrifício da Cruz, já não se é mais católico. Nesta fé, na Cruz de Jesus e em seu Coração aberto, é onde encontramos a fonte das graças. Quando contemplamos sua cabeça coroada de espinhos e suas mãos transpassadas, encontramos todas as graças de ressurreição e de redenção que necessitamos. Se o sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo é suprimido em nossos altares, apenas uma Eucaristia permanece, ou seja, uma refeição compartilhada, uma comunhão. Esse já não é mais o espírito da Igreja Católica que se fundamenta essencialmente na Cruz e no espírito de sacrifício.

Devemos reconhecer que o espírito de sacrifício está desaparecendo à nossa volta. Ninguém quer se mortificar, mas gozar e aproveitar a vida, mesmo entre os católicos. Por quê? Porque a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo já não está mais lá. E se já não há mais uma Cruz, já não existe mais uma Igreja Católica. É uma questão de considerável gravidade. É a mudança de orientação que foi feita durante o Concílio.

2 – Sem o espírito de sacrifício, toda a vida familiar é afetada

Em razão do fato de que depois do Concílio já não mais se fala do sacrifício da missa, o espírito de sacrifício desaparece e ninguém mais o entende. Continuar lendo

30 ANOS DEPOIS: O SERMÃO DAS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DO ARCEBISPO LEFEBVRE

Imagem relacionada“Preferimos continuar na Tradição, guardar a Tradição, esperando que essa Tradição reencontre seu lugar em Roma; seu lugar entre as autoridades romanas, e no espírito dessas autoridades romanas.” — Lefebvre

Introdução de Michael J. Matt (editor de Remnant) – Tradução Dominus Est

Em 1976, quando eu tinha dez anos, fui crismado pelo Arcebispo Marcel Lefebvre. Lembro-me de um homem bondoso e santo, de fala suave e verdadeiramente humilde. Mesmo crianças, meus irmãos e eu entendemos que ali estava um verdadeiro soldado de Cristo, que assumira uma posição corajosa e solitária em defesa da sagrada Tradição, em um momento em que não havia nada mais “hip” do que novidade e inovação. Nosso pai estava junto a ele, e esses homens eram “traddies” muito bem antes de “traddy” ser algo legal.

Lembrem-se: o mundo inteiro estava no auge da revolução da época — sexual, política, litúrgica, cultural — e não havia nada mais antiquado do que o passado. A resistência solitária dos primeiros tradicionalistas pôde, então, ser comparada a algo tão absurdo (aos olhos do mundo na época) como um homem na lama em Woodstock que insistisse para que os hippies colocassem suas roupas de volta e parassem de gotejar ácido e fumar maconha. Ninguém se importava. Eram zombados, riam deles e, eventualmente, mandados ir para bem longe da Igreja.

Os tempos estavam realmente ‘mudando’, e com poucas exceções, o elemento humano da Igreja de Cristo acompanhou a loucura — com efeito, poder-se-ia dizer, liderando o caminho.

Quando nos lembramos o porquê desses homens terem resistido à loucura dos anos 60, lembremo-nos de que eles não foram motivados principalmente pela ideia de salvaguardar suas próprias circunstâncias. O Arcebispo Lefebvre, por exemplo, estava aposentado antes que o mundo descobrisse quem ele era. Ele foi persuadido a sair de sua aposentadoria por seminaristas que, de repente, viram-se cercados por lobos em pele de ovelha, nos próprios seminários. Os modernistas estavam, literalmente, em toda parte. Continuar lendo

SACERDOTE, MÉDICO DAS ALMAS – PALAVRAS DE MONS. LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

O sacerdote desempenha o papel de médico das almas. Nosso Senhor nos precedeu, e com que perfeição! Poderia surpreender-nos? Não, claro, é lógico.

Qual a virtude que utilizava para curar almas e os corpos? A misericórdia. O que é misericórdia? É a perfeição da caridade, pois a caridade é, por essência, um dom desinteressado, de modo que, para praticar a misericórdia é preciso ser desinteressado, pois no pecador e no enfermo existe um princípio de morte, e a morte é repugnante e repulsiva. O coração misericordioso percebe através destas repugnâncias uma possibilidade de vida e, controlando suas repugnâncias e esquecendo-se de sim mesmo, reaviva o enfermo e o pecador.

Nosso Senhor tem sido a misericórdia por excelência. Toda a sua vida foi uma obra de misericórdia. “Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, e estando nós mortos por nossos delitos, nos vivificou com Cristo” (Ef 2, 4-5).

Ao mesmo tempo em que ficamos confusos ante a misericórdia que supõe toda a Redenção e ante as misteriosas humilhações de Nosso Senhor em sua Paixão, meditemos para a nossa educação sacerdotal e pastoral as ações e palavras de Nosso Senhor com os pecadores, sem nos deter em todas as enfermidades corporais que aliviou, porque não eram senão a imagem do pecado e de suas conseqüências. Vede a admirável misericórdia daquele pai na comovente história do filho pródigo: “Quando ainda estava longe, seu pai o viu e, compadecido, correu até ele e lançou-se em seu pescoço e o cobriu com beijos” (Lc 15, 20 ). Que exemplo magnífico! E, no caso da mulher adúltera, ele disse: “Vá e não peques mais” (Jo 8, 11). Em suma, tudo se resume nessas palavras: “Seja misericordioso, como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36). E, quantas vezes devemos praticar a misericórdia? “Até setenta vezes sete” (Mt 18, 22).
Continuar lendo

A ESSÊNCIA DA ORAÇÃO É A ELEVAÇÃO DA ALMA PARA DEUS – PALAVRAS DE MONS. LEFEBVRE

Eis aqui algumas palavras de Mons. Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre a parte fundamental da oração, isto é, a elevação da alma a Deus, pois é muito fácil confundir-se com devoções exteriores que, por vezes, podem chegar a nos distrair ao invés de nos ajudar.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A Igreja medita os ensinamentos recebidos e pede para dispor às almas a buscar santamente a graça.

O essencial da oração é a elevação de nossas almas a Deus. É um erro acreditar que somos obrigados a ler todas as orações da missa para assisti-la. É muito bom associar-se à cerimônia: é algo excelente, mas fez-se dos missais um elemento quase essencial. Aquele que não abre seu livrinho durante a missa e lê as orações escandaliza ao que o vê, embora ele possa rezar melhor do que aquele que lê seu missal. Se essa pessoa conhece bem as diferentes partes da Missa, se associa a todas as orações do sacerdote e se prepara particularmente para a santa comunhão, unindo-se profundamente no amor de Nosso Senhor nela, essa pessoa segue a Missa de modo admirável. As bênçãos de Deus podem ser mais abundantemente derramadas sobre ela do que aqueles que seguiram o missal com exatidão, talvez se distraindo por tentar entender todas as palavras, apegando-se à letra e esquecendo o espírito da Missa.

A Missa Nova foi concebida para que tudo fosse compreendido; há de se seguir tudo; por isso que o sacerdote diz tudo em voz alta, todos devem seguir e os fiéis participam o tempo todo. Na realidade, os fiéis rezam seguramente menos do que rezavam antes. Não à toa o Concílio de Trento afirma: “Se alguém disser que o rito da Igreja Romana que prescreve que parte do Cânon e as palavras da consagração se profiram em voz baixa deva ser condenado, seja anátema“. Isto está nos cânones sobre o santo sacrifício da Missa do Concílio de Trento. 

Em nossa época existem ilusões completas. Há de se ater na definição da oração. O que conta é a elevação de nossas almas a Deus. Agora, não há dúvida de que o santo sacrifício da Missa e toda a liturgia tradicional nos ajuda muito a elevar nossas almas a Deus.

BENTO XVI É ACUSADO DE PROPAGAR HERESIAS

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Após as acusações lançadas contra Francisco, que pervertem o Magistério através de pelo menos sete heresias formais, nada menos que dois textos acusam, por sua vez, o teólogo Ratzinger, então Papa Bento XVI, de desvios heréticos evidentes.

O primeiro ataque levantado nos últimos dias contra o teólogo Ratzinger se encontra no livro “Au cœur de Ratzinger, au cœur du monde” (No coração de Ratzinger, no coração do mundo)“, que acaba de ser lançado na imprensa com a assinatura de Enrico Maria Radaelli. O autor é conhecido como o mais fiel discípulo de Romano Amerio (1905-1997), o filósofo suíço que, em 1985, publicou “ Iota Unum“, a acusação mais sistemática e bem argumentada contra a Igreja Católica da segunda metade do século XX, na qual acusa de haverem subvertido os fundamentos da doutrina em nome do subjetivismo moderno. 

O livro de Radaelli acaba de ser publicado pela Aurea Domus, editora de propriedade do mesmo autor, que pode ser comprado por e-mail e também em algumas livrarias em Roma e Milão. 

O que fez com que Radaelli culpasse igualmente a teologia de Ratzinger de ser subversiva foi a leitura e análise de seu trabalho teológico mais conhecido e mais amplamente lido: “Einführung in das Christentum ” (Introdução ao Cristianismo) [publicado em francês sob o título “A fé cristã ontem e hoje]. Publicado pela primeira vez em 1968 antes de ser reeditado dezenas de vezes e traduzido para várias línguas até hoje. 

O segundo, ainda mais frontal – pelo menos no título – é um texto que apoia o livro de RadaelliÉ intitulado ” “L’eresia al potere” (A heresia no poder) e provém de um dos teólogos e filósofos mais renomados, Dom Antonio Livi, Decano Emérito da Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Lateranense, Acadêmico Pontifício e Presidente da Associação Internacional de Ciências e Comunicações. 

Na verdade, segundo Mons. Livi, Ratzinger e sua teologia contribuíram significativamente para o surgimento do que chama de “ a teologia modernista e seus desvios heréticos evidentes“, que se tornou cada vez mais hegemônica nos seminários, ateneus pontificais, nas comissões doutrinais, nos dicastérios da Cúria, bem como os níveis mais altos da hierarquia, até o papado. 

Disso resulta que hoje, Francisco não é o único papa a ser alvo de uma “correção” por heresia, pois até mesmo seu antecessor emérito não está salvo. 

Radaelli e Livi figuram entre os primeiros signatários dacorrectiodirigida ao Papa Francisco no verão passado. E hoje igualmente contra Bento XVI. 

*****************************

Nota do Blog: um livro excelente para que se entenda certas acusações e circunstâncias é “Do Liberalismo à Apostasia“, de Mons. Marcel Lefebvre, que pode ser lido clicando aqui.

A VERDADEIRA HUMILDADE – PALAVRAS DE MONS. MARCEL LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Acima do conceito da obediência, da vida comunitária, do apostolado e da própria santidade, ressalta agora a vocação pessoal, o carisma e a dignidade da pessoa humana, exigindo respeito pelas ideias e pelas orientações pessoais. Como conciliar essa concepção com a humildade? 

A alma humilde – diz nosso Venerável Padre François Libermann – é doce na obediência e obedece sem dificuldade e sem contestar, porque não se apega a sua própria vontade. A humildade é a mãe da regularidade, o apoio da união interna e a mais forte garantia de subordinação.

É evidente que Nosso Senhor nos ensinou a mesma doutrina: “Aprenda comigo, que sou manso e humilde de coração“. “Todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado“.

Quantos textos poderiam ser citados da parte dos Apóstolos e, em particular, o exemplo de Nosso Senhor, do qual fala São Paulo na segunda Epístola aos Filipenses: “Se humilhou fazendo-se obediente até a morte … pelo qual também Deus o exaltou acima de todas as coisas“. É também a lição da Santíssima Virgem, quando cantou as bondades que Deus tivera com ela: “Porque olhou a humildade de sua serva“. 

Todos os santos deram um exemplo vivo dessa virtude, que é condição indispensável para a presença de Deus em uma alma. Santo Tomás de Aquino disse que esta virtude “remove obstáculos e nesse sentido ocupa o lugar principal na medida em que elimina o orgulho, na qual Deus resiste, e torna o homem obediente e sempre submisso para receber o influxo da graça divina eliminando o inchaço do orgulho.” Continuar lendo

A PREPARAÇÃO DOS NOIVOS PARA O MATRIMÔNIO – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A preparação dos noivos para o casamento faz parte do apostolado do sacerdote. A Igreja sempre pediu aos sacerdotes que preparem as pessoas que receberão um sacramento. Não podemos imaginar que se possa administrar os sacramentos às pessoas que não são conscientes do que recebem. Quão importante é o Sacramento do Matrimônio! Compromete toda a vida das pessoas.

Está claro que o sacerdote não pode se contentar com, simplesmente, pedir algumas pequenas formalidades antes do casamento, e dizer-lhes: Venham confessar-se no dia anterior ao casamento, então se casam e acabou. Não, não! O sacerdote ciente do que deve fazer tem que dizer aos noivos: Escutem, se vocês não têm oportunidade de fazer um retiro de noivado, devem vir a mim. Vou lhes repassar algumas palestras sobre a natureza do sacramento do matrimônio, sobre os ministros deste sacramento, sobre o objeto do contrato, sobre questões morais relacionadas ao casamento, etc. Hoje em dia a imoralidade é algo muito comum!

É uma pena que, mesmo na Igreja, parece que se tem medo de falar das faltas contrárias à santidade do matimônio, a tal ponto que os jovens casados podem se perguntar se o que fazem está ou não de acordo com a moral. O sacerdote tem, portanto, que instruir os futuros esposos sobre o que é permitido e proibido no uso de casamento, sendo, obviamente, muito discreto na forma de explicar tais coisas. Havia um padre na Vendea, já falecido, o Pe. Loiseau, ex-aluno do Seminário Francês, que pregava excelentes retiros aos noivos sobre todos os pontos de vista: espiritual, doutrinal e moral. Falava da importância do sacramento do matrimônio e do papel dos pais na educação dos seus filhos; dava todo um conjunto de instruções excepcionais.

Assim, a preparação para o matrimônio forma parte do apostolado do sacerdote. Deve-se saber que o matrimõnio é um sacramento. Não é coisa pequena, pois é a base da sociedade. A preparação dos noivos para o matrimônio é, portanto, uma das importantes funções do sacerdote.

A Santidade Sacerdotal – Dom Marcel Lefebvre + 

A VERDADE DA IGREJA SOBRE A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A LIBERDADE

Eis aqui algumas palavras de Mons. Marcel Lefebvre, fundador da FSSPX, sobre algumas verdades da Igreja que incomodam tanto a protestantes como aqueles católicos imbuídos de liberalismo.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est 

Evidentemente a Verdade da Igreja tem consequências que incomodam os protestantes e também alguns católicos imbuídos de liberalismo. A partir de agora, o novo dogma que ocupará o lugar que correspondia à Verdade da Igreja será o da dignidade da pessoa humana, juntamente com o bem supremo da liberdade: duas noções que se evita definir claramente. Disso resulta que, segundo nossos inovadores, a liberdade de expressar publicamente a religião da própria consciência torna-se um direito estrito de toda pessoa humana e que ninguém no mundo pode proibir. Pouco importa se se trata de uma religião verdadeira ou falsa, ou se promove virtudes ou vícios. O único limite será um bem comum que zelosamente se recusam a definir!

Dessa forma, deverá rever os acordos entre o Vaticano e as nações que, de outra parte, outorgam, com razão, uma situação preferencial à religião católica. O Estado deveria ser neutro em matéria de religião e assim deverá rever muitas constituições de Estado, e não apenas nas nações católicas. Não ocorreu a estes novos legisladores da natureza humana que o Papa também é um chefe de Estado? Irão também convidá-lo a secularizar o Vaticano? Consequência disso seria que os católicos perderiam o direito de agir para estabelecer ou restabelecer um Estado Católico. Seu dever consistiria em manter o indiferentismo religioso do Estado.

Recordando Gregorio XVI, Pio IX qualificou essa atitude de delírio e, mais ainda, de “liberdade de perdição.” (1) Leão XIII abordou o tema em sua admirável Encíclica Libertas. Tudo o que era adequado para sua época, mas não para 1964! Continuar lendo

NECESSIDADE ABSOLUTA DA RELIGIÃO CRISTÃ CATÓLICA PARA A SALVAÇÃO E PARA A SANTIDADE

Resultado de imagem para praça são pedro pio xiiFonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

A procura da santidade cristã em Jesus Cristo e por meio de Jesus Cristo não é facultativa. «Elegit nos, in Ipso ante mundi constitutionem. ut essemus sancti» (Ef.I,4) – Ele nos escolheu nEle, antes da criação do mundo, para que fossemos santos.

Nenhuma criatura humana pode escapar dessa necessidade absoluta para alcançar a salvação. Toda a Escritura testemunha isso. E Nosso Senhor, por quem todas as coisas foram criado, instituiu a Igreja, o Estado e a família para contribuírem, cada um segundo sua natureza, à santificação das almas por meio de Jesus Cristo. 

A liberdade que Deus nos dá é essencialmente direcionada à Verdade e ao Bem, mediante a lei da caridade. Não somos livres para amar ou não amar a Deus, à Santíssima Trindade e o nosso próximo. A liberdade está relacionada à Lei do amor e da caridade. 

Deus cuidou de nos dar suas leis por meio de seu Verbo, leis divinas inspiradas pelo Espírito de caridade, pelo Espírito Santo. As leis da Igreja, do Estado e da família devem estar de acordo com estas leis divinas e vir assim em socorro das almas atraídas pelo erro e pelo pecado, e ajudá-las a se converter ao único médico: Jesus Cristo, Verdade e Santidade.

(Dissolver as almas pela obediência as leis da sociedade civil, que são aplicações das leis divinas, e fazer desta liberação um direito natural, é um crime de rebelião contra Deus, contra Nosso Senhor. A laicização dos Estados católicos e sua liberação de toda religião constituem crime de apostasia que clama por vingança, quando se calculam as consequências pela perdição das almas. A liberdade dos cultos e o ecumenismo que o encoraja são um «delírio», como disse Gregório XVI na sua encíclica Mirari vos).

Trecho do Itinerário espiritual, segundo São Tomás de Aquino em sua Summa Teológica – Mons. Marcel Lefebvre

RECONSTRUIR A CIDADE CATÓLICA

Resultado de imagem para marcel lefebvre“Liberalismo, por tua causa estou morrendo”, diz a Igreja em sua agonia. Ela pode dizer como Jesus disse aos que vieram prendê-lo: “Esta é a vossa hora e o poder das trevas” (Lc 22, 53). A Igreja está em Getsêmani, mas não morrerá. Tem o aspecto de uma cidade ocupada pelo inimigo, mas a resistência à seita liberal se organiza e fortifica.

Vimos surgir esta seita no século XVI, da rebelião protestante, e  logo se transformar na instigadora da Revolução. Durante um século e meio de lutas sem trégua, os papas têm condenado os princípios e os pontos de aplicação do liberalismo. Apesar disso a seita  continuou seu caminho. Assistimos sua penetração na Igreja, sob a aparência de um liberalismo aceitável, com a idéia de conciliar Jesus Cristo com a Revolução. Depois contemplamos estupefatos a intriga da seita liberal para penetrar na hierarquia católica. Vimos seus progressos até atingir os mais altos postos e seu triunfo no Concílio Vaticano II. Tivemos papas liberais… O primeiro papa liberal,  aquele que ria dos “profetas da desgraça”, convocou o primeiro concílio liberal da história da Igreja. As portas do redil foram abertas e os lobos penetraram e massacraram as ovelhas. Veio um segundo papa liberal, o papa da dupla face, o papa humanista, que derrubou o altar, aboliu o Sacrifício, profanou o santuário266. Chegou finalmente o  terceiro  papa  liberal,  o  papa  dos  direitos  do  homem,  o   papa ecumenista, o papa das Religiões Unidas e que lavou as mãos e cobriu os olhos diante de tantas ruínas, para não ver as chagas sangrentas da Filha de Sion, as feridas mortais da Esposa Imaculada de Jesus Cristo.

Não me resignarei, não assistirei a agonia de minha Mãe a Santa Igreja de braços cruzados. Certamente não compartilho do otimismo beato de alguns sermões: “Vivemos uma época magnífica. O Concílio foi uma renovação extraordinária. Saudemos esta época de transformação cultural! Nossa sociedade se caracteriza pelo pluralismo religioso e pela completa liberdade ideológica. Sem dúvida este ‘avanço’ da História vem novamente acompanhado de algumas contrariedades: prática religiosa nula, contestação a toda autoridade, os cristãos em minoria. Mas vejam quantos benefícios! Os cristãos são o levedo escondido na massa, a alma da cidade pluralista em gestação, vitalmente cristã, são o motor de um mundo novo, mais fraterno, mais pacífico, mais livre!”. Continuar lendo

REMÉDIO CONTRA O LIBERALISMO: RESTAURAR TUDO EM CRISTO

Resultado de imagem para marcel lefebvrePara os grandes males, grandes remédios! O que poderá curar o câncer ou a aids na Igreja? A resposta é clara, é necessário aplicar os remédios que os Papas propuseram contra os erros modernos: a filosofia tomista, a sã teologia e o Direito que resulta de ambas. 

A Sã Filosofia, a de São Tomás de Aquino 

Para combater o subjetivismo e o racionalismo, que são a base dos erros liberais, não farei alusão às filosofias modernas infectadas precisamente de subjetivismo e racionalismo. Não é nem o sujeito, nem seus conhecimentos e nem seus anseios que a filosofia de sempre, e em particular a metafísica, toma por objeto, é o ser mesmo das coisas, é aquilo que é. Com efeito, é o ser com suas leis e princípios, o que nosso conhecimento mais espontâneo descobre. E no seu ápice a sabedoria natural (que é essa filosofia) chega pela teodicéia ou teologia natural ao Ser por excelência, ao Ser subsistente por si mesmo. É este Ser primeiro que o senso comum, apoiado, sustentado e elevado pelas verdades de fé, sugere que seja colocado no topo do real, conforme à sua definição revelada: “Ego sum quis um” (Ex 3, 14): Eu sou aquele que sou. Vocês sabem que quando Moisés perguntou seu nome, Deus lhe respondeu: Eu sou o que sou, o que significa: Eu sou Aquele que é por si mesmo, possuo o ser por mim mesmo. É o “ens a se”: o ser por si mesmo, em oposição a todos os outros seres que são “ens ab alio”: ser por  outroser, pelo dom que Deus lhes fez da existência! Este é um princípio tão admirável, que se pode meditar sobre ele durante horas. Ter o ser por si, é viver na eternidade, é ser eterno. Aquele que tem o ser por  si mesmo sempre teve que tê-lo, o ser nunca poderia havê-lo abandonado. É sempre, foi sempre, será sempre. Pelo contrário, aquele que é “ens ab alio”, ser por outro ser, recebeu de outro, portanto começou a ser em algum momento, portanto começou!

Como esta consideração nos deve manter em humildade! Compenetrarmo-nos do nada que somos diante de Deus! “Eu sou aquele que é, e tu és aquele que não é”, dizia Nosso Senhor a uma santa alma. Como é verdadeiro! Quanto mais o homem absorver este princípio da mais elementar filosofia, melhor sentirá seu verdadeiro lugar diante de Deus.

Somente o fato de dizer: eu sou “ab alio”, Deus é “ens a se”; eu comecei a ser, Deus é sempre. Que contraste admirável! Que  abismo! É por acaso este pequeno “ab alio”, que recebe seu ser de Deus, que teria o poder de limitar a Glória de Deus? Teria o direito de dizer a Deus: tens direito a isto, mas a mais nada? “Reina nos corações, nas sacristias, nas capelas, sim; mas na rua e na cidade não!” Que petulância! Igualmente seria este “ab alio” quem teria o poder de reformar os planos de Deus, de fazer com que as coisas sejam de outra maneira, diferentes de como Deus as fez? E as leis que Deus em sua sabedoria e onipotência criou para todos os seres e especialmente para o homem e a sociedade, teria o desprezível “ab alio” o poder de rechaçá-las a seu capricho, dizendo: “Eu sou livre!”, que pretensão! Que absurda esta rebelião do liberalismo! Vede como é importante possuir uma sã filosofia e ter assim um conhecimento profundo da ordem natural, individual, social e política. Para isto    oensinamento de Santo Tomás de Aquino é insubstituível. Leão XIII os citou em sua encíclica “Aeterni Patris” de 4 de agosto de 1879: Continuar lendo

UM LIBERALISMO SUICIDA – AS REFORMAS PÓS-CONCILIARES

Resultado de imagem para marcel lefebvreOs espíritos leais e um mínimo perspicazes, falam de “crise da Igreja”, para assinalar a época pós-conciliar. Antigamente se falou  da “crise ariana”, da “crise protestante”, mas nunca na “crise da Igreja”… Mas infelizmente nem todos concordam com as causas desta tragédia. O Cardeal Ratzinger por exemplo, vê bem a crise, mas desculpa totalmente o Concílio e as reformas pós-conciliares. Começa por reconhecer a crise:

“Os resultados que vieram depois do Concílio parecem cruelmente opostos ao que todos esperavam, começando pelo Papa João XXIII e depois Paulo VI (…). Os papas e os Padres conciliares esperavam uma nova unidade católica, e pelo contrário chegou-se a uma dissensão que, como disse Paulo  VI, parece haver passado da autocrítica à autodestruição. Esperava-se um novo entusiasmo e ao contrário, freqüentemente se chegou ao tédio e ao desalento. Esperava-se um salto à frente e pelo contrário surgiu um processo evolutivo de decadência”248.

Eis a explicação para a crise, dada pelo Cardeal:

“Estou convencido que os estragos que sofremos nestes vinte anos, não se devem ao ‘verdadeiro’ concílio mas ao desencadeamento de forças latentes agressivas e centrífugas no interior da Igreja; e no exterior, devido ao impacto de uma revolução cultural no ocidente, a afirmação de uma classe média superior, a ‘burguesia’ com sua ideologia liberal radical do tipo individualista, racionalista, hedionda”249.

Mais adiante o Cardeal Ratzinger diz o que lhe parece a verdadeira causa “interior” da crise: um anti-espírito do Concílio:

“Já durante as sessões e cada vez mais durante o período seguinte, se opôs um pretendido ‘anti-espírito’. Segundo este pernicioso ‘Konzils-Ungeist’, tudo o que é novo (ou  presumido como tal: quantas antigas heresias têm sido apresentadas durante muitos anos, como novidades) seria sempre melhor do que existe ou do que existiu, qualquer coisa que seja. Este é o anti-espírito, segundo o qual a história da Igreja deveria começar a partir do Vaticano II, considerado como uma espécie de ponto zero”250.

Então o Cardeal propõe uma solução: voltar ao “verdadeiro Concílio”, considerando-o não “como um ponto de partida do qual se afaste correndo, mas uma base sobre a qual é necessário construir solidamente”. Continuar lendo

PAULO VI – PAPA LIBERAL

Resultado de imagem para marcel lefebvreTalvez perguntem, como é possível que o liberalismo tenha  triunfado através dos Papas João XXIII e Paulo VI e mediante o Concílio Vaticano II? Como se pode conciliar esta catástrofe com as promessas feitas por Nosso Senhor à Pedro e à sua Igreja: “As portas do inferno não prevalecerão contra Ela” (Mt 16, 18); “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo? (Mt 28, 20) Creio que não há contradição efetivamente, na medida em que estes Papas e o Concílio negligenciaram ou recusaram fazer uso da infalibilidade. Deixando de usar este carisma, que lhes é assegurado pelo Espírito Santo sempre e quando o queiram usar, puderam cometer erros doutrinais e com maior razão ainda, deixar penetrar o inimigo na Igreja, graças à sua negligência e cumplicidade. Em que grau foram cúmplices? De que faltas foram culpados? Em que medida sua função fica questionada?

É evidente que a Igreja, um dia, julgará este Concílio, julgará estes Papas. E em especial, como será julgado o Papa Paulo VI? Alguns afirmam que fui herege, cismático e apóstata; outros crêem poder demonstrar que Paulo VI não tinha em vista o bem da Igreja, e portanto não foi papa, é a tese dos “Sedes Vacans”. Não nego que estas opiniões tenham algum argumento à seu favor. Poderão dizer que em trinta anos se descobrirão coisas que estavam ocultas ou se verá melhor elementos que deveriam ter sido mais claros para os contemporâneos, como afirmações deste Papa absolutamente contrárias à tradição da Igreja, etc. Pode ser, mas creio necessáriorecorrer a estas explicações; penso inclusive que é um erro seguir certas hipóteses.

Outros pensam de modo simplista, que havia então dois papas: um, o verdadeiro, estava prisioneiro nos porões do Vaticano, enquanto o outro, o impostor, o sósia, ocupava o trono de São Pedro, para a infelicidade da Igreja. Livros foram escritos sobre “os dois papas”, baseados em revelações de uma pessoa possuída do demônio e em argumentos pseudocientíficos que afirmam, por exemplo, que a voz do sósia não é a do verdadeiro Paulo VI!

Finalmente outros pensam que Paulo VI não foi responsável pelos seus atos, sendo prisioneiro dos que o cercavam, inclusive drogado. Isto estaria corroborado por várias testemunhas de um papa fisicamente esgotado, inclusive necessitando ser amparado, etc… A meu ver é uma solução demasiadamente simples, pois então não teríamos mais que esperar um próximo papa. Mas já tivemos (não falo de João Paulo I, que reinou somente um mês) outro papa, João Paulo II, que prosseguiu ininterruptamente na linha traçada por  Paulo VI. Continuar lendo

VATICANO II – TRIUNFO DO LIBERALISMO DITO CATÓLICO

Resultado de imagem para marcel lefebvreNão creio que me possam chamar de exagerado, quando digo que o Concílio representou o triunfo das idéias liberais; os capítulos anteriores expuseram suficientemente os fatos: as tendências  liberais, as táticas e os êxitos dos liberais no Concílio e finalmente seus pactos com os inimigos da Igreja.

Os próprios liberais, os católicos liberais, proclamam que o Vaticano II foi a sua vitória. Na entrevista com o jornalista Messori, o Cardeal Ratzinger, antigo “especialista” do espírito liberal do Concílio explica como Vaticano II planejou e resolveu o problema da assimilação dos princípios liberais pela Igreja Católica; não diz que terminou em um êxito admirável, mas afirma que a assimilação foi feita:

“O problema dos anos sessenta era adquirir os melhores valores aparecidos na era da cultura ‘liberal’. São valores que mesmo nascidos fora da Igreja, podem encontrar seu lugar depois de depurados e corrigidos, na sua visão do mundo. É o que foi feito”243.

Como se fez isto? Sem dúvida no Concílio, que ratificou os princípios liberais em “Gaudium et Spes” e “Dignitatis Humanae”. Como se fez? Mediante uma tentativa condenada ao fracasso, do  tipo da quadratura do círculo: casar a Igreja com os princípios da Revolução. É precisamente o fim, a ilusão dos católicos liberais.

O Cardeal Ratzinger não se ufana muito da empresa, inclusive julga o resultado com severidade:

“Mas agora o clima é diferente, ficou escurecido em relação àquele que justificava um otimismo sem dúvida ingênuo. Agora é preciso procurar novo equilíbrio”244.

Portanto o equilíbrio ainda não foi encontrado, vinte anos depois! Entretanto continua a procura: é a ilusão liberal de sempre! Continuar lendo

UM CONCÍLIO PACIFISTA

Resultado de imagem para marcel lefebvreO diálogo e a livre procura proposta pelo Concílio, são sintomas característicos do liberalismo do Vaticano II. Quiseram inventar novos métodos de apostolado para os não cristãos, deixando de lado o espírito missionário. É o que chamei de “apostasia dos princípios”, que caracteriza o espírito liberal. Ainda mais, o liberalismo que impregnou o concílio chegou até à traição, assinando a paz com os inimigos da Igreja. Quiseram fazer um concílio pacifista.

Lembrem como João XXIII, em sua alocução de abertura do Concílio, expôs a nova atitude que a Igreja devia ter com respeito  aos erros que ameaçavam a doutrina: recordando que a Igreja nunca deixou de se opor aos erros e que freqüentemente os havia condenado com grande severidade, o Papa deixou claro, diz Wiltgen239, que agora a Igreja prefere “utilizar o remédio da misericórdia antes que o rigor, e julgava oportuno, nas  circunstâncias atuais, expor com mais amplidão a força de sua doutrina do que recorrer às condenações”. Não se trata somente de expressões lamentáveis que manifestam um pensamento bastante confuso, mas de um programa que expressa o pacifismo que caracterizou o Concílio.

É necessário, dizia-se, fazer a paz com os maçons, a paz com os comunistas, a paz com os protestantes. Deve-se acabar com estas guerras intermináveis, esta hostilidade permanente!

É o que havia dito Mons. Montini, então substituto na Secretaria de Estado, quando em uma de minhas visitas à Roma nos anos cinqüenta lhe pedi a condenação do “Rearmamento Moral”; ele respondeu: “Ah, não se deve estar sempre condenando, condenando! A Igreja parecerá uma madrasta!” Estas foram as palavras usadas  por Mons. Montini, substituto do Papa Pio XII. Ainda me lembro como se fosse hoje. Portanto, não mais condenações, não mais anátemas! Pactuemos! Continuar lendo

A LIBERDADE RELIGIOSA DO VATICANO II – PARTE 3

Resultado de imagem para marcel lefebvreII 

Vaticano II e a Cidade Católica 

Procuremos encerrar o assunto. A Declaração conciliar sobre liberdade religiosa se mostra desde logo contrário ao Magistério constante da Igreja225, e também não se situa na direção dos direitos definidos pelos últimos Papas226. Pelo que vimos, ela também não se apóia em nenhum fundamento revelado. Por último, é importanteexaminar se ela se acha de acordo com o sprincípios católicos que regem as relações da cidade temporal com a religião. 

Limites da Liberdade Religiosa 

Para começar, o Vaticano II afirma que a liberdade religiosa deve-se restringir aos “justos limites” (DH. I), “de acordo com as regras jurídicas (…) conformes à ordem moral objetiva, que são requeridas para salvaguardar eficazmente os direitos de todos (…) a autêntica paz pública (…) assim como a proteção devida à moralidade pública” (DH. 7). Tudo isto é muito razoável, mas deixa de lado a questão essencial que é a seguinte: o Estado não tem o dever, e por conseguinte o direito de salvaguardar a unidade religiosa das pessoas na Religião verdadeira, e de proteger as almas católicas contra o escândalo e a propagação do erro religioso, e somente por isso limitar o exercício dos cultos falsos e inclusive proibi-los, se necessário?

Tal é a doutrina exposta com veemência pelo Papa Pio IX na “Quanta Cura”, onde o pontífice condena a opinião daqueles que, contrariamente à doutrina da Escritura, da Igreja e dos Santos  Padres, não temem afirmar que “o melhor governo é aquele em que não se reconhece ao poder a função de reprimir por sanções, aos violadores da Religião católica, salvo se o exigir a paz pública (PIN. 39, Dz. 1690). O sentido óbvio da expressão “violadores da Religião católica”, é: aqueles que exercem publicamente um culto diferente  do católico, ou que não observam publicamente as leis da Igreja. Pio IX ensina portanto, que o Estado governa melhor quando reconhece em si mesmo o ofício de reprimir o exercício público de cultos falsos,  somente  pelo  motivo  de  serem  falsos  e  não  apenas  para salvaguardar a paz pública; somente pelo motivo de que contrariam  a ordem cristã e católica da Cidade, e não porque a paz e a moralidade públicas possam ser afetadas.

Por isso deve-se dizer que os “limites” fixados pelo Concílio à liberdade religiosa são como poeira nos olhos que oculta o seu defeito radical, que é o de não levar em conta a diferença entre a verdade e o erro. Contra toda justiça, pretende-se atribuir o mesmo direito à verdadeira religião e às falsas, e artificialmente procura-se limitar os prejuízos por meio de barreiras que estão longe de satisfazer às exigências da doutrina católica. De bom grado compararia “os limites” da liberdade religiosa aos muros de segurança das auto-estradas, que servem para conter os veículos quando o motorista perdeu o controle deles. Seria preferível entretanto, certificar-se antes se estão dispostos a respeitar os regulamentos de trânsito.  Continuar lendo

A LIBERDADE RELIGIOSA DO VATICANO II – PARTE 2

Resultado de imagem para marcel lefebvreLiberdade Religiosa, Direito Natural à Imunidade? 

Sem invocar a tolerância, o Concílio definiu um simples direito natural à imunidade: o direito de não ser perturbado no exercício do próprio culto, qualquer que seja.

A astúcia ou pelo menos o procedimento astuto, era evidente: por não poder definir um direito ao exercício de todo culto, pois este direito não existe para os falsos cultos, empenharam-se em formular um direito natural somente para a imunidade, que sirva aos adeptos de todos os cultos.

Assim todos os “grupos religiosos” (inocente qualificativo para esconder a Babel das religiões) gozariam naturalmente da imunidade a toda coação em seu “culto público à divindade suprema” (por Deus!, de que divindade se trata?) e também se beneficiariam do “direito de não ser impedidos de ensinar e manifestar sua fé (que  fé?) publicamente, oralmente ou por escrito” (DH. 4).

É imaginável maior confusão? Todos os adeptos de todas as religiões, tanto da verdadeira como das falsas, absolutamente reduzidos ao mesmo pé de igualdade, gozariam de um mesmo  direito natural, sob o pretexto de que se trata somente de um “direito à imunidade”. É por acaso concebível? É mais do que evidente que os adeptos das falsas religiões, somente por este título, não gozam de nenhum direito natural à imunidade. Permitam-me ilustrar esta verdade com um exemplo concreto: se vocês quisessem impedir a oração pública de um grupo muçulmano na rua, ou perturbar seu culto em uma mesquita, pecariam talvez contra a caridade e seguramente contra a prudência, mas não fariam  a estes crentes nenhuma injustiça. Não se sentiriam feridos em nenhum dos bens a que têm direito, nem em nenhum de seus direitos a estes bens211; em nenhum de seus bens, porque seu verdadeiro bem não é exercer sem coação seu culto falso, mas poder exercer um dia  o verdadeiro; em nenhum de seus direitos, pois eles têm  precisamente o direito de exercer o “culto de Deus em particular e em público”212 e a não ser nisso impedidos, mas o culto de Alá não é o culto de Deus! Realmente Deus revelou, Ele mesmo, o culto com que quer ser honrado exclusivamente, que é o da  Religião católica213.

Por conseguinte, se na justiça natural não se prejudica de nenhum modo a estes crentes ao impedir ou perturbar seu culto, é porque não têm nenhum direito natural de não serem perturbados em seu exercício. Continuar lendo

A LIBERDADE RELIGIOSA DO VATICANO II – PARTE 1

Resultado de imagem para marcel lefebvreDe acordo com o Vaticano II a pessoa humana teria direito em nome de sua dignidade, a não ser impedida no culto religioso, qualquer   que ele fosse, em particular ou em público, salvo se prejudicasse a tranqüilidade ou a moralidade pública193. Reconheçam que a moralidade pública do Estado “pluralista” promovida pelo Concílio não é do tipo a causar dano a esta liberdade, como também a corrupção avançada da sociedade liberal não limitaria o direito à liberdade do “concubinato” se fosse proclamado indistintamente, em nome da dignidade humana, para casais em união livre ou casados.

Assim pois, muçulmanos, rezai tranqüilamente no meio de nossas ruas cristãs, construí vossas mesquitas e minaretes junto aos campanários de nossas igrejas, a Igreja do Vaticano II vos assegura que não o podemos impedir194; o mesmo para vocês budistas e hindus…!

Em troca, nós católicos pediremos a liberdade religiosa em vossos países, em nome da liberdade que damos nos nossos… Poderemos assim defender nossos direitos religiosos ante os regimes  comunistas, em nome de um princípio declarado por uma assembléia religiosa tão solene e já reconhecida pela O.N.U. e pela maçonaria… É a declaração que me fez o Papa João Paulo II, na audiência que concedeu em 18 de novembro de 1978: “O senhor sabe, me disse, a liberdade religiosa nos foi muito útil contra o comunismo na Polônia”. Eu tinha vontade de contestar: “Muito útil pode ser como argumento  “ad  hominem”,  já  que  os  regimes  comunistas  têm   a liberdade de culto inscrita em suas constituições195, mas não como princípio doutrinal da Igreja Católica”.

I 

Liberdade Religiosa e Verdade 

Era isto ao menos, o que dizia o P. Garrigou-Lagrange:

“Nós podemos (…) fazer da liberdade de culto um argumento ‘ad hominem’ contra aqueles que, enquanto proclamam a liberdade de culto, perseguem a Igreja (Estados laicos e socializantes), ou impedem o culto direta e indiretamente (Estados comunistas, islâmicos, etc.). Este argumento ‘ad hominem’ é justo e a Igreja não o despreza, usando-o para defender eficazmente o direito de sua liberdade. Mas não se segue que a liberdade de culto, considerada em si mesma, seja sustentada pelos católicos como um princípio, porque ela é em si absurda e ímpia; com efeito, a verdade e o erro não podem ter os mesmos direitos”196. Continuar lendo

VATICANO II À LUZ DA TRADIÇÃO

Resultado de imagem para marcel lefebvre“A liberdade religiosa (…) não causa nenhum prejuízo à doutrina católica…”

“Por outro lado, ao falar desta liberdade religiosa, o Santo Concílio entende por ela, o desenvolvimento da doutrina dos últimos Soberanos Pontífices sobre os direitos invioláveis da pessoa humana…”180.

Este preâmbulo que quer parecer tranqüilizador, precede a Declaração conciliar sobre a liberdade religiosa. Ela é apresentada como uma continuação da linha da Tradição. O que há de certo nisto? A questão se apresenta, como vimos, a partir do fato de que os Papas do século XIX condenaram, sob o nome de liberdade de consciência e de cultos, uma liberdade religiosa que parece irmã daquela do Vaticano II.

I 

Vaticano II e Quanta Cura 

Proposições condenadas por Pio XI em Quanta Cura

A – “A melhor condição da sociedade é aquela na qual não se reconhece o direito de reprimir com penas legais aos que violam a religião católica, salvo quando a paz pública o exige”.

B – “A liberdade de consciência e de culto é um direito próprio de todo indivíduo”.

C – “Tal direito deve ser proclamado e estar garantido em toda sociedade corretamente organizada”181.

Proposições afirmadas em Vaticano II, Dignitatis H. 

A’ – “Em matéria religiosa que ninguém seja impedido de agir segundo sua consciência, em privado ou em público, só ou associado, nos justos limites”.

B’ – “A pessoa tem o direito à liberdade religiosa. Ela consiste…” (segue em A’).

C’ – “Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa deve ser reconhecido na ordem jurídica da sociedade como um direito civil”182. Paralelo assombroso! Sua análise183 nos leva a concluir numa contradição em suas doutrinas. O próprio Pe. Congar confessa que “Dignitatis Humanae” é contrário ao Syllabys de Pio IX: Continuar lendo

QUESTIONAMENTO E DIÁLOGO – MORTE DO ESPÍRITO MISSIONÁRIO

Resultado de imagem para marcel lefebvreO Questionamento 

Temos visto que o espírito católico-liberal não tem suficiente confiança na verdade. O espírito conciliar, por sua vez, perde a esperança de conseguir chegar à verdade; sem dúvida a verdade existe, mas ela passa a ser objeto de uma procura sem fim.

Veremos que isto significa que a sociedade não se pode organizar sobre a verdade, verdade que é Jesus Cristo. Em tudo isto, a palavra chave é “questionamento”, ou orientação, tendência para a verdade, procura da verdade, caminho para a verdade. Na linguagem conciliar e pós-conciliar encontra-se com abundância os termos “movimento” e “dinâmica”.

Com efeito, o Concílio Vaticano II canonizou a procura em sua Declaração sobre a liberdade religiosa: “A verdade deve ser procurada conforme o modelo próprio da pessoa humana e de sua natureza social, ou seja, por meio da livre procura…”. O Concílio  põe a procura em primeiro lugar, antes do ensino e da educação. Entretanto a realidade é outra: as convicções religiosas são impostas pela educação das crianças, e uma vez que estão fixadas nos  espíritos e manifestadas nos cultos religiosos, para que procurá-las?

Por outro lado, muito raramente a “livre procura” conseguiu alcançar a verdade religiosa e filosófica. O grande Aristóteles não está isento de erros. A filosofia do livre exame acaba em Hegel… E também, que dizer das verdades sobrenaturais? Eis o que diz São Paulo falando aos pagãos: “Como poderão crer, se não lhes fazem  prédicas? Como se poderá pregar, se não lhes enviam missões?”  (Rm 10, 15). Não é o questionamento que a Igreja deve pregar, mas  a necessidade das missões: “Ide e ensinai todas as nações” (Mt 28, 19), tal é a ordem dada por Nosso Senhor. Sem a ajuda do Magistério da Igreja, quantas almas poderão encontrar a verdade, permanecer na verdade? A livre procura é um irrealismo total, no fundo um naturalismo radical. Na prática, qual a diferença entre quem se questiona e um livre pensador?

Os Valores das outras Religiões 

O Concílio se ocupou em exaltar os valores salvíficos ou simplesmente os valores das outras religiões. Falando das religiões cristãs não católicas, o Vaticano II ensina que “mesmo que as consideremos vítimas de deficiências, elas não estão de modo algum desprovidas de significação e de valor no mistério da salvação”173. Isto é uma heresia! O único meio de salvação é a Igreja Católica. As comunidades protestantes, enquanto estão separadas da unidade da verdadeira Fé, não podem ser utilizadas pelo Espírito Santo. Ele só pode agir diretamente sobre as almas, ou usar meios (por exemplo o batismo), que em si não leva nenhum sinal de separação. Continuar lendo

O ESPÍRITO DO CONCÍLIO

Resultado de imagem para marcel lefebvreQuantos enganos e orientações heterodoxas poderiam ter sido evitados, se o Vaticano II tivesse sido um concílio dogmático e não um concílio que se chamou pastoral!

Quando se examina as sucessivas redações de documentos conciliares, vê-se as orientações que eles deram. Permitam-se indicar algumas:

O Sacerdócio dos Fiéis 

“Lúmen Gentium” faz distinção entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial dos padres (nº 10). Mas em continuação, apresenta as páginas que falam do sacerdócio em geral, confundindo os dois e fazendo do sacerdócio ministerial uma função mais ligada ao sacerdócio comum (nº 11).

Exaltação da Consciência acima da Lei 

Igualmente se diz que o homem deve se submeter à lei de Deus (Dignitatis Humanae, nº 2). Mas logo a seguir exalta-se a liberdade do homem, a consciência pessoal (nº 3), chega-se a sustentar a “objeção de consciência” (ib. nº 3) de maneira tão geral que chega a ser falsa: “o homem não deve ser constrangido a agir contra sua consciência”.

Isto está certo somente para uma consciência verdadeira  ou  para  uma  consciência  invencivelmente  errônea.  A tendência é colocar a consciência acima da lei e a subjetividade acima da ordem objetiva das coisas, quando na verdade, é evidente,  a consciência existe para conformar-se com a lei.

Definição Liberal da Verdade 

Da mesma maneira, continuamente e de um modo especial na Declaração sobre a liberdade religiosa, repete-se que não se deve forçar, que não deve haver coação (Gaudium et Spes, nº 47, Dignitatis Humanae, nº 1, 2, 3, 10). A liberdade é definida como a ausência de coação. É evidente que não há sociedade sem a coação física das penas, sem a coação moral do temor das penas que estão nas leis; em caso contrário surge a anarquia. Nosso Senhor ele mesmo não deixou de usar a coação; que coação mais forte do que a frase: “Quem não crer será condenado” (Mc 16, 16)? O inferno pesa sobre as consciências, isto é bem uma coação. Há portanto boas e saudáveis coações. Continuar lendo

A MISTIFICAÇÃO DO VATICANO II

Resultado de imagem para marcel lefebvreÉ interessante encontrar um precedente ao Concílio Vaticano II, pelo menos quanto aos métodos usados por uma ativa minoria liberal, que rapidamente se transformou em maioria. A este respeito deve-se observar o Concílio Geral de Éfeso, a que o Papa São Leão I deu o nome de “A Mistificação de Éfeso”. Este concílio foi presidido por um bispo ambicioso e sem escrúpulos, Dióscoro, que com a ajuda de seus monges e dos seus soldados imperiais, exerceu uma pressão extraordinária sobre os Padres do Concílio. Foi negada a presidência aos legados do Papa, presidência que eles reclamavam; as cartas pontificais não foram lidas. Este Concílio, que não foi ecumênico, chegou a declarar ortodoxo o herege Eutiques, que sustentava o erro do monofisismo (uma única natureza em Cristo).

O Vaticano II foi igualmente uma mistificação, com a diferença de que os Papas (João XXIII e Paulo VI) apesar de estar presentes, não opuseram resistência nem ao menos à manipulação dos liberais, mas até a favoreceram. Como foi possível isto? Declarando este Concílio pastoral e não dogmático, insistindo no “aggionarmento” e no ecumenismo, estes Papas privaram a si mesmos e ao próprio Concílio da intervenção do carisma da infalibilidade, que o haveria preservado de qualquer erro.

Neste  capítulo  mostrarei  três  manobras  do  clã  liberal  durante o Concílio Vaticano II. 

Manipulação nas Comissões Conciliares 

O Pélerin Magazine de 22 de novembro de 1985 citava declarações muito esclarecedoras do Cardeal Liénart ao repórter Claude  Beaufort, em 1972, sobre a primeira congregação Geral do Concílio. Cito “in extenso” este artigo intitulado “O Cardeal Liénart: O Concílio, a Apoteose de Minha Vida”. Apenas acrescentarei minhas observações167.

“Dia 13 de outubro de 1962: o Concílio Vaticano II tem sua primeira sessão de trabalho. A ordem do dia prevê que a Assembléia designe os membros das Comissões  especializadas, chamadas para ajudá-la em sua tarefa. Mas os 2300 padres reunidos na imensa nave de São Pedro mal se conheciam. Podem eleger assim equipes competentes? A Cúria resolve a dificuldade: distribui juntamente com as cédulas de votação as listas das comissões preparatórias, que haviam sido constituídas por ela. É evidente o convite para manter as mesmas equipes…”. Continuar lendo

A SUBVERSÃO DA IGREJA OPERADA POR UM CONCÍLIO

Resultado de imagem para marcel lefebvreUm grande iluminado, o cônego Roca, viu há mais de um século os detalhes da tentativa de subversão da Igreja e do Papado projetada pela seita maçônica. Mons. Rudolf Graber em seu livro “Atanásio”, cita as obras de Roca (1830-1893), sacerdote em 1858, cônego honorário em 1869. Excomungado mais tarde, pregou a revolução e anunciou o advento da sinarquia. Fala a miúdo, em seus escritos, de uma “Igreja novamente iluminada”, que estaria influenciada pelo socialismo de Jesus e seus Apóstolos. “A nova Igreja, diz ele, que certamente não poderá guardar nada do ensino e da forma primitiva da antiga Igreja, receberá entretanto a benção e a jurisdição canônica de Roma”. Roca anuncia também a reforma litúrgica: “O culto  divino tal como rege a liturgia, o cerimonial, o ritual, as prescrições da Igreja romana, sofrerão uma transformação após um concílio ecumênico (…) que lhe devolverá a simplicidade respeitável da idade de ouro apostólica, segundo o novo estado da consciência da civilização moderna”.

Roca especifica os frutos deste concílio: “sairá dele algo que encherá o mundo de estupor e o porá de joelhos ante seu Redentor: a demonstração do perfeito acordo entre o idealismo da civilização moderna e o idealismo de Cristo e de seu Evangelho. Será a consagração da Nova Ordem Social e o solene  batismo  da civilização moderna”.

Ou seja: todos os valores dessa cultura liberal, serão reconhecidos e canonizados logo após o concílio em questão.

Vejam também o que Roca escreve sobre o Papa: “Prepara-se um sacrifício que apresentará uma penitência solene (…) O Papado cairá, morrerá sob o punhal sagrado forjado pelos Padres do último concílio. O César pontifical é a hóstia preparada para o sacrifício”. Devemos acreditar que tudo isto está para chegar, a não ser que Nosso Senhor o impeça! Por fim Roca fala dos novos sacerdotes que aparecerão, chamando-os de “progressistas”; fala da supressão da batina, do casamento de sacerdotes… muitas outras profecias! Notem como Roca viu bem o papel determinante para a subversão da Igreja, de um último concílio ecumênico.

Mas não foram somente os inimigos da Igreja que assinalaram os transtornos que traria consigo um concílio ecumênico reunido em uma época em que as idéias liberais já haviam penetrado profundamente na Igreja.
Continuar lendo

OS PAPAS DENUNCIAM A CONSPIRAÇÃO DA SEITA

Resultado de imagem para marcel lefebvreA trama da seita liberal contra a Igreja consistia em atacá-la utilizando sua própria hierarquia, pervertendo-a até ao seu mais alto posto, como lhes mostrei no capítulo precedente.

Mas os Papas, com a clarividência de seu cargo e as luzes que Deus lhes deu, viram e denunciaram claramente este programa.

Leão XIII (1878-1903) pressentiu este “subversio capitis”, esta subversão do chefe e a descreveu com todos os detalhes, em toda a sua crueza, escrevendo o pequeno exorcismo contra Satanás e os espíritos malignos. Eis o techo em questão, que figura na versão original mas foi suprimido nas versões posteriores por não sei qual sucessor de Leão XIII, provavelmente por considerá-lo impossível, impensável, impronunciável… Pelo contrário, após cem anos de sua composição, este trecho nos parece cheio de uma verdade candente:

“Eis que astutos inimigos encheram de amargura a Igreja, Esposa do Cordeiro Imaculado, deram-lhe absinto para beber e puseram suas mãos ímpias sobre tudo o que há nEla de mais precioso. Onde a Sede do bem-aventurado Pedro e a Cátedra da Verdade haviam sido estabelecidas como luz para as  nações, eles erigiram o trono da abominação da sua impiedade, para que uma vez golpeado o pastor possam dispersar o rebanho”.

Como isto é possível? me perguntarão. Asseguro-lhes que não sei, mas isto ocorre cada vez mais, dia após dia. Isto nos causa uma grande angústia, nos sugere uma pergunta dolorosa: quais são então estes Papas que toleram a autodemolição que contribuem para ela? Em seu tempo, São Paulo já dizia: “já se está realizando o mistério da iniqüidade” (2 Ts 2, 7). O que diria ele hoje?

Por sua parte São Pio X (1903-1914) confessará a angústia de que era possuído ante os progressos alcançados pela seita no interior mesmo da Igreja. Em sua primeira Encíclica “E Supremi Apostolatus” de 4 de outubro de 1903, expressa seu temor de que o tempo da apostasia que entrava na Igreja, fosse o tempo do Anti- Cristo, falsificação de Cristo, usurpador de Cristo. Eis abaixo  o texto:
Continuar lendo