CARTA DO SUPERIOR GERAL AOS FIÉIS EM TEMPOS DE EPIDEMIA

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Carta do Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, dirigida a todos os fiéis confinados em seus lares e que não têm mais acesso à Santa Eucaristia, devido à epidemia do coronavírus.

Caríssimos fiéis,

Neste momento de provação, certamente difícil para todos vós, gostaria de vos dirigir algumas reflexões.

Não sabemos quanto tempo durará a situação atual, nem, sobretudo, como as coisas evoluirão nas próximas semanas. Diante dessa incerteza, a tentação mais natural é buscar desesperadamente garantias e explicações nos comentários e hipóteses dos mais instruídos “especialistas”. Muitas vezes, no entanto, essas hipóteses – atualmente abundante por todos os lados – se contradizem e aumentam a confusão, em vez de trazer um pouco de serenidade. Sem dúvida, a incerteza é parte integrante desta prova. Cabe a nós saber como tirar proveito disso.

Se a Providência permite uma calamidade ou um mal, sempre o faz para obter um bem maior que, direta ou indiretamente, incide sempre  em nossas almas. Sem essa premissa essencial, corremos o risco de nos desesperar, porque uma epidemia, uma outra calamidade ou qualquer provação sempre nos acharão insuficientemente preparados.

Neste ponto, o que Deus quer que entendamos? O que Ele espera de nós nesta Quaresma em particular, quando Ele parece ter decidido quais sacrifícios devemos fazer?

Um simples micróbio é capaz de colocar a humanidade de joelhos. Na era das grandes conquistas tecnológicas e científicas, é, sobretudo, o orgulho humano que ele coloca de joelhos. O homem moderno, tão orgulhoso de suas realizações, que instala cabos de fibra ótica no fundo dos oceanos, constrói porta-aviões, usinas nucleares, arranha-céus e computadores, que depois de pisar a lua continua sua conquista até Marte, este homem é impotente diante de um micróbio invisível. O alvoroço midiático nos últimos dias e o medo que podemos ter disso não devem nos fazer perder esta lição profunda e fácil de entender, para os corações simples e puros que examinam com fé os dias atuais. A Providência ainda hoje ensina por meio de eventos. A humanidade – e cada um de nós – tem a oportunidade histórica de retornar à realidade, à realidade e não ao virtual, composto de sonhos, mitos e ilusões.

Traduzida em termos evangélicos, esta mensagem corresponde às palavras de Jesus que nos pede para permanecermos unidos, o mais próximo possível, a Ele, porque sem Ele nada podemos fazer ou resolver, qualquer problema que seja (cf. Jo 15, 5). Nossos tempos incertos, a expectativa de uma solução, o sentimento de nosso desamparo e de nossa fragilidade devem nos encorajar a buscar Nosso Senhor, implorar-Lhe, pedir Seu perdão, rezar a Ele com mais fervor e, acima de tudo, abandonar-nos a Sua Providência.

A isto se acrescenta a dificuldade, ou mesmo, a impossibilidade de participar livremente da Santa Missa, o que aumenta a dureza dessa provação. Mas resta, em nossas mãos, um meio privilegiado e uma arma mais poderosa que a ansiedade, a incerteza ou o pânico que podem causar a crise do coronavírus: trata-se do Santo Rosário, que nos liga à Santíssima Virgem e ao céu.

Chegou a hora de rezar o rosário em nossas casas de forma mais sistemática e com mais fervor do que o habitual. Não percamos nosso tempo diante das telas e não se deixemos dominar pela febre midiática. Se tivermos que observar o confinamento, aproveitemos a oportunidade para transformar nossa “prisão domiciliar” em uma espécie de feliz retiro familiar, durante o qual a oração encontre seu lugar, seu tempo e a importância que merece. Leiamos os Evangelhos por completo, meditemo-los calmamente, escutemo-los em paz: as palavras do Mestre são as mais eficazes, porque alcançam facilmente a inteligência e o coração.

Agora não é o momento de deixar o mundo adentrar nossos lares, agora que as circunstâncias e as ações das autoridades nos separam do mundo! Tiremos proveito dessa situação. Demos prioridade aos bens espirituais que nenhum germe pode atacar: acumulemos tesouros no céu, onde nem os vermes nem a ferrugem nos destroem. Pois onde está nosso tesouro, alí está também nosso coração (cf. Mt 6, 20-21).

Aproveitemos a oportunidade de mudar nossas vidas, conscientes de como nos abandonar à Providência divina. E não nos esqueçamos de rezar por aqueles que estão sofrendo nesse momento. Devemos recomendar ao Senhor todos aqueles a quem o dia do julgamento se aproxima, e pedir-Lhe que tenha misericórdia de tantos contemporâneos nossos que permanecem incapazes de tirar boas lições dos acontecimentos atuais para suas almas. Rezemos para que, uma vez superada as provações, eles não voltem à sua vida anterior, sem mudar nada. As epidemias sempre serviram para trazer os tíbios à prática religiosa, ao pensamento de Deus, à detestação do pecado. Temos o dever de pedir essa graça a cada um de nossos conterrâneos, sem exceção, incluindo – e acima de tudo – aos pastores que não têm espírito de fé e que não sabem mais discernir a vontade de Deus.

Não desanimemos: Deus nunca nos abandona. Saibamos meditar nas palavras cheias de confiança que nossa Santa Madre Igreja coloca nos lábios do sacerdote em tempos de epidemia: “Ó Deus que não quereis a morte, mas a conversão dos pecadores, volvei com bondade ao vosso povo que se volta para Vós e, enquanto fiel a Vós, livrai-o com misericórdia do flagelo de Vossa cólera ”.

Recomendo a todos ante o Altar e à paternal proteção de São José. Que Deus vos abençoe!

Pe. Davide Pagliarani +

*****************

Leiam também o post do Sermão do Pe. Puga: CORONAVÍRUS: UMA VISÃO SOBRENATURAL

 

CARTA DO SUPERIOR GERAL AOS AMIGOS E BENFEITORES – N° 89

ab-pagliarani_fsspx_menzingen_2018_2Fonte: FSSPX

Caros fiéis, amigos e benfeitores,

Há muito tempo eu queria vos dirigir algumas palavras. Com efeito, nós nos encontramos atualmente entre dois aniversários importantes: por um lado, há cinquenta anos, a nova missa era promulgada e, com ela, os fiéis viram ser imposto sobre eles uma nova concepção de vida cristã, adaptada às ditas exigências modernas. Pelo outro, festejamos neste ano o 50º aniversário de fundação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Não é preciso dizer o quanto esses dois aniversários possuem uma estreita relação, porquanto o primeiro acontecimento demandava uma reação proporcional. É sobre isso que eu gostaria de falar para então poder extrair algumas conclusões válidas para o presente, mas fazendo primeiro um retorno ao passado, pois esse conflito, que se manifestou há cinquenta anos, começou na verdade já durante a vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De fato, quando Nosso Senhor anunciou pela primeira vez aos Apóstolos e à turba que o ouvia em Cafarnaum o grande dom da Missa e da Eucaristia, um ano antes de sua Paixão, alguns se separaram dele, enquanto que outros se juntaram de maneira mais radical. Isso é paradoxal, mas é a própria ideia da Eucaristia que provocou o primeiro “cisma” e, ao mesmo tempo, levou os Apóstolos a aderirem definitivamente à pessoa de Nosso Senhor.

Eis como São João relata as palavras de Nosso Senhor e a reação de seus ouvintes: «Assim como me enviou o Pai que vive, e euvivo pelo Pai, assim o que me comer a mim, essemesmo também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que comeram osvossos pais, que morreram. O que come deste pãoviverá eternamente. Jesus disse estas coisas, ensinandoem Cafarnaum, na Sinagoga.Muitos de seus discípulos, ouvindo isto, disseram:“Dura é esta linguagem; quem a pode ouvir?” (…) Desde então muitos deseus discípulos tornaram atrás, e já não andavamcom ele» (Jo 6, 57-60, 66). Continuar lendo

A FSSPX PEDE UM DIA DE PENITÊNCIA NESTE SÁBADO, 9 DE NOVEMBRO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Após o Sínodo para a Amazônia, o Superior Geral da Fraternidade São Pio X, Pe. Davide Pagliarani, convidou todos os padres, religiosos e oblatas, seminaristas e membros da Terceira Ordem a observar um dia de orações e penitências reparadoras, para defender a santidade da Igreja.

O Padre Pagliarani escreve em seu Comunicado de 28 de outubro de 2019: “Tal é devido a honra que se deve à Santa Igreja Católica Romana, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que não é idólatra e nem panteísta“.

Numa época em que a missão civilizadora do catolicismo está profundamente desnaturalizada e onde a santidade do sacerdócio é ameaçada por novas reformas, todos os fiéis são cordialmente convidados a se unirem neste sábado, 9 de novembro de 2019, jejuando e rezando, especialmente para reparar os recentes escândalos que ocorreram na capital do cristianismo.

Deus não abandona sua Igreja; as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela (Mt 16,18).

COMUNICADO DO SUPERIOR GERAL DA FSSPX SOBRE O SÍNODO SOBRE A AMAZÔNIA

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Menzingen, 28 de outubro de 2019

Na festa dos Santos Simão e Judas, apóstolos.

Caros membros da Fraternidade,

O recente Sínodo da Amazônia mostrou-nos cenas terríveis onde, de maneiras novas e impensáveis, dentro do santuário de Deus, deu-se a abominação de ritos idólatras. E depois, o documento final dessa tumultuosa assembléia atacou a santidade do sacerdócio católico, incitando a abolição do celibato eclesiástico e o estabelecimento de um diaconato feminino. Verdadeiramente, as sementes da apostasia que nosso venerável Fundador, Mons. Marcel Lefebvre, identificara desde os primeiros dias de seu trabalho no Concílio, continuam produzindo seus frutos podres com renovada eficácia.

Em nome da inculturação, elementos pagãos estão cada vez mais integrados ao culto divino e podemos ver, mais uma vez, como a liturgia que seguiu ao Concílio Vaticano II é perfeitamente adequada a isso.

Em resposta a esses eventos, conclamamos todos os membros da Fraternidade, incluindo os membros da Terceira Ordem, a observar um dia de oração e reparação, visto que não podemos permanecer indiferentes a tais ataques à santidade da Santa Madre Igreja. Pedimos que um jejum seja observado em toda as nossas casas no sábado, 9 de novembro. Convidamos todos os fiéis à participarem e também incentivamos as crianças a oferecerem orações e sacrifícios.

No domingo, 10 de novembro de 2019, cada sacerdote da FSSPX celebrará uma Missa de reparação e, em cada capela, as Ladainhas de todos os Santos, retiradas da Liturgia das Rogações, serão cantadas ou recitadas para pedir a Deus que proteja Sua Igreja e para poupá-la dos castigos que tais atos possam fazer recair sobre Ela. Exortamos todos os sacerdotes amigos, bem como todos os católicos que amam a Igreja, a fazer o mesmo.

Tal é devido a honra que se deve à Santa Igreja Católica Romana, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que não é idólatra e nem panteísta.

Pe. Davide Pagliarani

Superior Geral

OS FIÉIS GUARDIÕES DO VATICANO II – SOBRE UMA ENTREVISTA COM O CARDEAL SARAH

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

National Catholic Register publicou recentemente (23 de setembro de 2019) uma longa entrevista do cardeal Sarah, conhecido por suas posições conservadoras, por seu amor à famosa “forma extraordinária” da Missa.

Esta entrevista ilustra muito bem a recente declaração do Padre Pagliarani (“Uma Igreja de pernas para o ar). Nosso Superior Geral, a respeito desses prelados que vão na direção certa, denunciando certos erros ou reafirmando certas verdades, afirma – longe de se alegrar com tais acontecimentos: “que a Fraternidade tem o dever de estar muito atenta a essas reações, e ao mesmo tempo, tentar impedir tornem autodestrutivas e não alcancem nada.”.

Uma crítica a conservadores que ainda poupam o Vaticano II

E o Pe. Pagliarani fornece a chave essencial: esses prelados também devem reconhecer a “continuidade entre os ensinamentos do Concílio, dos papas da era pós-conciliar e o atual pontificado“. Pois esses mesmos prelados, ao mesmo tempo, querem nos fazer engolir o Concílio Vaticano II e as reformas pós-conciliares. Exemplo: Cardeal Müller, o mais virulento de todos contra a Amoris laetitia e o Instrumentum laboris (projeto de reforma da Cúria),  não hesita em falar em “ruptura com a tradição”. Mas é o mesmo cardeal Müller quem “queria impor à FSSPX – em continuidade com seus predecessores e sucessores na Congregação para a Doutrina da Fé – a aceitação de todo o Concilio e do magistério pós-conciliar.”

Como esse diagnóstico do Superior Geral da Fraternidade diz respeito ao cardeal Sarah, algumas linhas da entrevista deste serão suficientes para demonstrar!

Quando a forma extraordinária é celebrada no espírito do Concílio Vaticano II, ela revela toda a sua fecundidade, diz o cardeal. O ideal desejo dele seria amar a liturgia tradicional à luz do Concílio? Continuar lendo

A COMUNHÃO DOS ADÚLTEROS E A “OUTRA”

O Casamento da Virgem. Giotto, c. 1305 (afresco).

Fonte: Boletim Permanencia

“As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo.”

(Epístola de S. Paulo aos Efésios, V, 22-28)

Eis a sublime lição que nos dá a Santa Igreja em cada casamento que celebra: a santa união de Cristo com seu Corpo Místico é o modelo da união entre os esposos, que Nosso Senhor elevou à ordem sacramental.

Nos últimos anos, sob o pontificado de Francisco, cresce a perplexidade de muitos fiéis (e até prelados) ante o escândalo da condescendência papal com o adultério. Mesmo em ambientes distantes e às vezes hostis à Tradição, levantam-se vozes estarrecidas com a oficialização, pelas mãos do Papa, de uma praxe há muito consumada em paróquias mais vanguardistas: a comunhão dos divorciados “recasados”. Espantam-se com razão, porque as palavras de Nosso Senhor não deixam margem à dúvida: “Todo aquele que abandonar sua mulher e casar com outra, comete adultério; e quem se casar com a mulher rejeitada, comete adultério também”[1].

Mas se hoje Roma contemporiza com as relações adúlteras, se da Cátedra de Pedro nos vem uma voz estranha, diferente da do Bom Pastor, a chamar de “misericórdia” a crueldade de confirmar o pecado ao invés de corrigi-lo, é porque meio século atrás um outro adultério ainda mais grave se introduziu no templo católico: um concílio ecumênico deu carta de repúdio à Fé de sempre para se unir às ideologias do mundo moderno, na infidelidade conhecida como aggiornamento. Não é à toa que Monsenhor Lefebvre, o fidelíssimo Atanásio do século XX, definiu a obra do Concílio e suas reformas como uma união adúltera entre os homens da Igreja e os princípios da Revolução[2]. E nosso Gustavo Corção, pouco depois, vislumbrou na novilíngua conciliar, no espírito saído do Vaticano II, os trejeitos e gafes que denunciavam a traição à Esposa com a “Outra”[3]. De fato, não há adultério sem a “outra”. Continuar lendo

UMA IGREJA DE PERNAS PARA O AR – ENTREVISTA COM O PE. DAVIDE PAGLIARANI

Fonte: DICI

Revmo. Pe. Pagliarini – Superior Geral, são esperados eventos importantes até o final do ano, como o Sínodo da Amazônia e a reforma da Cúria Romana. Eles terão uma repercussão histórica na vida da Igreja. Em sua opinião, que lugar eles ocupam no pontificado do Papa Francisco?

A impressão que muitos católicos padecem atualmente é a de uma igreja à beira de uma nova catástrofe. Se fizermos uma retrospectiva, o próprio Concílio Vaticano II só foi possível porque foi o resultado de uma decadência que afetou a Igreja nos anos que precederam sua abertura: uma barragem se rompeu pela pressão de uma força que já operava há algum tempo. É isso que permite o sucesso das grandes revoluções, porque os legisladores apenas aprovam e sancionam uma situação que já é um fato consumado, pelo menos em parte.

Assim, a reforma litúrgica foi apenas o resultado de um desenvolvimento experimental que remonta ao período do entreguerras e que já havia penetrado em grande parte do clero. Mais próximos a nós, sob este pontificado, a Amoris lætitia foi a ratificação de uma prática, infelizmente, já presente na Igreja, especialmente no que diz respeito à possibilidade de comunhão às pessoas que vivem em estado de pecado público. Hoje a situação parece madura para outras reformas excessivamente sérias.

O senhor poderia especificar vosso julgamento sobre a exortação apostólica Amoris lætitia três anos após a sua publicação?

Amoris lætitia representa, na história recente da Igreja, o que Hiroshima ou Nagasaki são para a história moderna do Japão: humanamente falando, os danos são irreparáveis. Este é, sem dúvida, o ato mais revolucionário do Papa Francisco e, ao mesmo tempo, o mais contestado, mesmo fora da Tradição, porque afeta diretamente a moral conjugal, que permitiu muitos clérigos e fiéis detectar a presença de erros graves. Este documento catastrófico foi apresentado, indevidamente, como o trabalho de uma personalidade excêntrica e provocadora em suas palavras, que alguns querem ver no atual papa. Isso não está correto, e é inadequado simplificar dessa forma o problema. 

O senhor parece sugerir que essa consequência foi inevitável. Por que o senhor está relutante em definir o papa atual como uma pessoa original?

Na realidade, a Amoris laetitia é um dos resultados que, mais cedo ou mais tarde, deveria ocorrer como resultado das premissas estabelecidas pelo Concílio. O cardeal Walter Kasper já havia confessado e salientado que uma nova eclesiologia, aquela do Concílio, corresponde a uma nova concepção da família cristã[1].

De fato, o Concílio é primeiramente eclesiológico, ou seja, propõe em seus documentos uma nova concepção da Igreja. A Igreja fundada por Nosso Senhor não corresponde mais à Igreja Católica, simplesmente. Ela é mais ampla: inclui outras denominações cristãs. Como resultado, as comunidades ortodoxas ou protestantes teriam “eclesialidade” em virtude do batismo. Em outras palavras, a grande novidade eclesiológica do Concílio é a possibilidade de pertencer à Igreja fundada por Nosso Senhor em diferentes maneiras e graus. Daí a noção moderna da comunhão plena ou parcial, “à geometria variável”, poderíamos dizer. A Igreja tornou-se estruturalmente aberta e flexível. A nova modalidade de pertencimento à Igreja, extremamente elástica e variável, segundo a qual todos os cristãos estão unidos na mesma Igreja de Cristo, está na origem do caos ecumênico. Continuar lendo

COMUNICADO DO SUPERIOR GERAL DA FSSPX: A VERDADEIRA FRATERNIDADE

 

Fonte: FSSPX Italia – Tradução: Dominus Est

A verdadeira fraternidade existe somente em Jesus Cristo

Um Cristo ecumênico não pode ser o verdadeiro Cristo. Por mais de 50 anos, o ecumenismo moderno e o diálogo inter-religioso apresentam ao mundo um Cristo diminuto, irreconhecível e desfigurado.

O Verbo de Deus, Filho unigênito do Pai, a Sabedoria incriada e eterna encarnou-se e fez-se homem. Diante deste fato histórico, ninguém pode ficar indiferente: “Quem não está comigo está contra mim, e quem não ajunta comigo, espalha” (Mt. 12, 30). Pela Encarnação, Cristo tornou-se o Sumo Sacerdote da nova e única aliança e o Doutor que nos anuncia a verdade; tornou-se o Rei dos corações e da sociedade e “o primogênito de muitos irmãos” (Rom. 8, 29). Portanto, a verdadeira fraternidade existe somente em Jesus Cristo, e em nenhum outro: “Pois não foi dado aos homens outro nome debaixo do céu, pelo qual devemos ser salvos” (Atos 4, 12).

É uma verdade de fé que Cristo é Rei de todos os homens, e que ele deseja reuni-los em Sua Igreja, Sua única Esposa, Seu único Corpo Místico. O reino que Ele estabelece é um reino de verdade e graça, de santidade, justiça e caridade e, portanto, pacífico. Não pode haver paz verdadeira fora de Nosso Senhor. Portanto, é impossível encontrar paz fora do reino de Cristo e da religião que Ele fundou. Esquecer essa verdade é construir sobre a areia, e o próprio Cristo nos adverte que tal empreitada está destinada a perecer (conf. Mt 7,26-27).

documento sobre a fraternidade humana pela paz mundial e a convivência comum, assinado pelo Papa Francisco e pelo grande Imã de Al-Azhar nada mais é do que uma casa construída sobre areia. E não apenas isso, é também uma impiedade que despreza o primeiro mandamento e que faz dizer à Sabedoria de Deus, encarnada em Jesus Cristo que morreu por nós na Cruz, que “o pluralismo e a diversidade de religiões” são uma “sapiente vontade divina “.

Tais afirmações se opõem ao dogma que afirma que a religião católica é a única religião verdadeira (conf. Syllabus, proposição 21). Trata-se de um dogma e o que se opõe a isso toma o nome de heresia. Deus não pode contradizer-se.

Seguindo a São Paulo e nosso venerado fundador, Mons. Marcel Lefebvre, sob a proteção de Nossa Senhora, Rainha da Paz, continuaremos a transmitir a fé católica que recebemos (1 Cor. 11, 23), trabalhando com todas as nossas forças para a salvação das almas e das nações, mediante a pregação da verdadeira fé e da verdadeira religião.

Ide todos e fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que eu os ordenei” (Mt 28, 19-20). “Quem crer e for batizado será salvo e quem não crer será condenado” (Mc 16, 16).

24 de fevereiro de 2019

Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral 
Mons. Alfonso de Galarreta, Primeiro Assistente 
Pe. Christian Bouchacourt, Segundo Assistente

ENTEVISTA DO PE. DAVIDE PAGLIARINI DURANTE XIV CONGRESSO DO COURRIER DE ROME

Entrevista do Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X realizada por ocasião do XIV Congresso do “Courrier de Rome”, sobre o tema “Francisco, o papa pastoral de um concílio não dogmático

COMUNICADO DA CASA GERAL DA FSSPX SOBRE O ENCONTRO ENTRE O CARDEAL LADARIA E D. DAVIDE PAGLIARANI

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Na quinta-feira, 22 de novembro, D. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, esteve em Roma, a convite do Cardeal Luis Ladaria Ferrer, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. D. Davide foi acompanhado por D. Emanuele du Chalard. O Cardeal Ladaria foi assistido por Mons. Guido Pozzo, Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei .

O encontro foi realizado nos escritórios da Congregação para a Doutrina da Fé, das 16h30 às 18h30. Seu objetivo era permitir que o cardeal Ladaria e D. Pagliarani se reunissem pela primeira vez e fizessem juntos um balanço das relações entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, depois da eleição do novo Superior Geral em julho passado.

Durante o encontro com as autoridades romanas, lembrou-se que o problema fundamental é de natureza puramente doutrinária, e nem a Fraternidade nem Roma podem eludi-lo. É precisamente por causa dessa irredutível divergência doutrinal que todas as tentativas de redigir um esboço de uma declaração doutrinal aceitável para ambos os lados fracassaram nos últimos 7 anos. Por isso que a questão doutrinal permanece absolutamente primordial.

A própria Santa Sé não diz nada de diferente quando afirma solenemente que o estabelecimento de um estatuto jurídico para a Fraternidade não poderá ser feito senão após a assinatura de um documento de caráter doutrinal.

Portanto, tudo leva a Fraternidade a retomar a discussão teológica, consciente que Deus não lhe pede, necessariamente, que convença seus interlocutores, mas que ofereça à Igreja o testemunho incondicional da Fé.

O futuro da Fraternidade está nas mãos da Providência e da Santíssima Virgem Maria, como demonstra toda a sua história, desde a sua fundação até hoje.

Os membros da Fraternidade não querem fazer outra coisa senão servir a Igreja e cooperar efetivamente em sua regeneração, a fim de dar vida pelo seu triunfo, se assim necessário. Mas não lhes cabe escolher os meios, nem os fins que somente a Deus pertence.

Menzingen, 23 de novembro de 2018

PE. DAVIDE PAGLIARANI – SUPERIOR GERAL DA FSSPX: “O SACERDÓCIO EXISTE PARA A SANTIFICAÇÃO DAS ALMAS”

news-header-imageExcerto da entrevista do Pe. DavidePagliarani, novo Superior Geral da FSSPX, publicada em FSSPX News – Tradução: Dominus Est.

Creio que o objetivo da Fraternidade é a formação de sacerdotes. Mas, ao mesmo tempo, um sacerdote deve continuar amadurecendo, formando-se e se santificando ao longo de toda a sua vida. Penso que é aqui onde devemos concentrar todos os nossos esforços para ajudar os sacerdotes a perseverar nessa busca pela santidade.

Parece-me que cada um dos sacerdotes, cada vida sacerdotal, assemelha-se um pouco a uma corda de violino que requer muito cuidado para que esteja bem estirada e afinada, de modo que possa sempre produzir a nota certa… a nota que Deus espera de cada um de nós. Nesse sentido, penso que entre a vida do seminário, a formação do seminário e o que esperamos mais tarde do sacerdote em seu ministério, existe uma certa unidade, uma continuidade que não deve deixar de existir nessa busca de santidade. Penso que esta é a solução para a maioria dos nossos problemas.

(…)

Agora, o que eles (os fiéis) esperam de mim? Creio que eles esperam que a Fraternidade seja fiel à razão pela qual foi fundada. Já disse que foi fundada para formar sacerdotes, mas o sacerdócio existe para a santificação das almas, de modo que a fidelidade dos sacerdotes ao seu sacerdócio e a sua santificação inevitavelmente afeta os fiéis. É isso que os fiéis esperam, não só de mim, mas de todos os sacerdotes da Fraternidade.

COMUNICADO DA CASA GERAL DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X: ELEIÇÃO DO SUPERIOR GERAL

imagem Notícia-headerFonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 11 de julho de 2018, o 4º Capítulo Geral da FSSPX, que irá durar até 21 de julho, no Seminário São Pio X de Ecône (Suíça), elegeu o Padre Davide Pagliarani como Superior Geral por 12 anos. .

De nacionalidade italiana, o novo Superior Geral tem 47 anos. Ele recebeu o sacramento da Ordem das mãos de Mons. Bernard Fellay em 1996. Ele exerceu seu apostolado em Rimini (Itália), depois em Cingapura, antes de ser nomeado Superior do Distrito da Itália. Desde 2012, ele é diretor do Seminário Nossa Senhora Co-Redentora, em La Reja (Argentina).

Depois de aceitar seu cargo, o eleito pronunciou a Profissão de fé e o Juramento Anti-Modernista. Cada um dos membros presentes prometeu-lhe respeito e obediência, antes do canto do Te Deum em ação de graças.

Os 41 capitulantes prosseguirão amanhã com a eleição dos 2 Assistentes Gerais,por mandato também de 12 anos.

Ecône, 11 de julho de 2018

**************************

Rezemos pelo Pe. Pagliarini, pela sua santificação, pela sua nova missão e que o Espírito Santo o guie no governo da atual depositária da Tradição Católica, para que não caia nas armadilhas e seduções da Roma modernista.