DO ESGOTO DO MUNDO À SALVAÇÃO DOS NOSSOS FILHOS

abcDom Lourenço Fleichman OSB

O que me leva a escrever hoje é a constatação, cada dia mais evidente, da dificuldade que as famílias católicas têm para viver neste mundo enlouquecido e transviado. O espetáculo que estamos assistindo, e que não se limita ao carnaval, mas ao ano todo, e a todos os anos, é de meter medo. Nossas famílias, nossas melhores famílias, não conseguem se isentar deste mundo. Todos pactuam  com práticas diversas de destruição do que resta de decência e de família. Digo “família” porque já não há mais nada de sociedade a ser preservado, já não temos mais o que defender! Tudo está destruído. Mas talvez ainda possamos lutar dentro de nossas famílias, ou dentro de nossos corações.

Ora, é justamente esta constatação da destruição de todas as realidades sadias da  antiga sociedade que explica a dificuldade das pessoas em não se contaminar.  Explico.

Dentro de uma sociedade em vias de corrupção, as pessoas teriam de sair de casa tomando certos cuidados para não serem contaminadas: cuidados com os outdoors, com as bancas de jornal, com o convívio no trabalho, e até mesmo com  os assaltos na rua. Dentro de suas casas, haveria necessidade de lutar constantemente contra os programas de televisão, tomar cuidado com o tipo de gibi ou de video-game que compra para os filhos. Dentro de uma sociedade assim, indiferente a Deus e apóstata da Santa Religião Católica, os pais de família teriam de trazer para seus filhos um bom catecismo, uma Capela onde se celebre a Santa Missa Tridentina, onde o catecismo fosse ensinado segundo a doutrina de sempre da Igreja.

Mas não é numa sociedade em vias de decadência, que nós vivemos. E é nesse ponto que se encontra o erro de tantos pais. Ao achar que a questão é de grau de corrupção, eles procuram defender  suas famílias sem no entanto tirá-las do ambiente em que estão sendo corrompidas.

Vejam bem o que quero dizer: nossa sociedade já não tem mais nada que mereça a nossa atenção. Os valores em voga nessa sociedade formam um esgoto nojento e fedorento que emporcalha tudo e todos. Não há como escapar! Você sai na rua, você vai ao médico, você compra um jornal, você é engenheiro, ou advogado, ou motorista de ônibus, o que seja, o que se faça, na rua ou dentro de casa, o esgoto se espalha, contamina, agarra-se em nossas peles, transmite o seu cheiro insuportável. E é tal a realidade disso que estou dizendo, que, estando todos contaminados, estando todos sujos e fedorentos nas entranhas de nossos costumes e de nossos interesses, os homens não sentem mais o fedor de si mesmos! Todos agem,  pensam, falam, com os critérios da lama e da cloaca. Continuar lendo

MODERNISTAS CONTRADITÓRIOS E MODERNISTAS COERENTES

Resultado de imagem para minotauro labirinto rio MeandroPe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

A seita modernista assemelha-se ao famoso labirinto habitado pelo monstro Minotauro e construído engenhosamente por Dédalo, à maneira do rio Meandro, cuja correnteza obedecia à lei do fluxo e refluxo, de modo que não tinha começo nem fim. Como se sabe, quem entrava no labirinto não encontrava mais a saída, ficava perdido, ao menos que tivesse o novelo de linha de Ariadne, e acabava devorado pelo Minotauro.

Assim também, em geral, quem entra para a seita modernista não percebe suas infinitas contradições, fica desorientado, e acaba tendo devoradas a fé e a razão. Entretanto, na seita modernista há quem queira conservar a fé apesar de enredado por contradições doutrinárias, e há também os que, percebendo as contradições, renegam a fé como adesão da inteligência à verdade revelada, aderem ao imanentismo religioso, ficam subjetivistas e rebaixam a razão a uma função pragmática, interessados apenas em resolver problemas concretos e imediatos.

Segundo o filósofo italiano Michele Federico Sciacca em seu belo estudo sobre O idealismo moderno, publicado no volume Heresias do nosso tempo (Porto, 1956), o filósofo idealista Giovanni Gentili teve o mérito de pôr em evidência as contradições dos modernistas: “o vosso princípio é intelectualista (Deus transcendente); o vosso método subjetivista (Deus imanente). Permaneceis católicos porque o princípio opõe-se ao vosso método, mas, na realidade, este método, julgado à luz desse princípio, leva ao ateísmo”. O modernismo, digamos assim, é duplamente herético: relativamente ao Cristianismo, porque o seu método leva ao ateísmo; relativamente ao próprio idealismo, de que é filho, porque o seu princípio (a transcendência) contradiz a imanência idealista.

Com efeito, o referido ensaio de Siacca pode servir como um novelo de linha de Ariadne ajudando as pessoas  que entraram no labirinto do modernismo a encontrar a saída e o retorno à integridade da fé católica. Continuar lendo

ESPERAMOS SUA AJUDA!

carid

Prezados amigos, prezados leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vocês que acessam e gostam de nosso blogvocês que acompanham as ações da FSSPX pelo mundo, vocês que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor, vocês que sabem que a Tradição é a única solução para a restauração a Igreja… AJUDE-NOS! 

Estamos, mais uma vez, pedindo vossa ajuda nessa campanha em prol da compra de um terreno e futura construção de mais uma Capela para a Tradição e para a Santa Igreja. Sabemos que o caminho é longo e árduo, por isso, toda ajuda é importante.

CLIQUE AQUI E SAIBA COMO!

Faça um gesto nobre de caridade, por amor à Santa Igreja!!

Ad Majorem Dei Gloriam

Aproveitamos para agradecer a todos que nos ajudam ou ajudaram em algum momento nessa campanha, mesmo de forma anônima. Contem com nossas orações.

Que Nossa Senhora os conduza ao caminho da santidade.

A AMORIS LÆTITIA E SÃO LUIS DE MONTFORT

A AMORIS LÆTITIA OU A “SABEDORIA” CONCILIAR … OU COMO DISFARÇAR A MENTIRA SOB O MANTO DA VERDADE E O VÍCIO SOB O DA VIRTUDE

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em 19 março de 2016 foi publicada a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Lætitia Amoris, do papa Francisco, sobre o amor na família. Por quê falar sobre este documento pontifício na visão da espiritualidade Montfortnina? Porque o Padre de Montfort lança uma luz singular sobre os problemas apresentados por este documento.

Um lembrete para começar. A “leitmotiv”, a ideia motriz do Vaticano II foi o “aggiornamento” – em latim: accomodatio renovata – isto é, a abertura e adaptação ao mundo moderno. Paulo VI se explicou no discurso de abertura da Segunda Sessão (1963): “que o depósito da doutrina cristã seja conservado e apresentado de forma mais eficaz” e que a doutrina “seja aprofundada e exposta seguindo os métodos de pesquisa e apresentação utilizada pelo pensamento moderno.” Tratava-se assim, para falar em termos simples, de unir a doutrina católica com o ateísmo, o evolucionismo, o modernismo, o liberalismo e a imoralidade do mundo moderno. Esse é o problema fundamental: como explicar a revelação divina, isto é, a fé e a moral católica com o pensamento do mundo atual? Esta é, propriamente, uma tentativa de inventar a quadratura do círculo.

Para utilizar, dessa vez, uma terminologia mais “Montfortnina”, o problema do Concílio Vaticano II foi o casamento da sabedoria divina com a sabedoria mundana. São Luis Maria Grignion de Montfort não trata disso no livro Amor da Sabedoria Eterna, nos números 74-89? O Padre de Montfort explica que o mundo se utiliza “finamente da verdade para inspirar a mentira, da virtude para permitir o pecado e das máximas do próprio Jesus Cristo para permitir as suas” (n° 79). O Padre Grignon precisa também que a sabedoria do mundo é “uma perfeita conformidade com as máximas e modas do mundo … não de maneira grosseira e barulhenta, cometendo qualquer pecado escandaloso, mas de uma maneira fina, enganosa e política; caso contrário não seria mais sabedoria – do ponto de vista do mundo – mas sim libertinagem “(n°. 75). Finalmente, ele define o mundano como alguém “que faz um secreto e funesto acordo entre a verdade e mentira, do Evangelho com o mundo, da virtude com o pecado” (nº 76). Montfort descreveu um século antes (século XIX) a existência do catolicismo liberal, que triunfou no Vaticano II e suas reformas.

O que é a Amoris Lætitia? Um lembrete da doutrina da indissolubilidade do matrimônio (nos números 52-53, 62, 77, 86, 123 e 178) e, ao mesmo tempo, das afirmações que dão a possibilidade aos divorciados recasados de receberem os sacramentos, quer dizer, à confissão e à comunhão sem conversão, sem arrependimento, sem reparação do escândalo, sem deixar de viver em adultério, sem deixar de pecar (nos números 243, 298-299, 301 305 e especialmente na nota 351). Como prova, o leitor poderá se reportar a duas revistas de fácil acesso, tanto informaticamente como intelectualmente: DICI  n° 345 de 25 de Novembro de 2016 (para compra) e a Courrier de Rome n° 595 de janeiro 2017 (gratuito) .

Montfort, com seu olho de águia, bem viu o cerne do problema que hoje nos ocupa: a sabedoria conciliar consiste em disfarçar (um termo caro ao nosso santo, que aparece várias vezes em seus cantos) a mentira sob o manto da verdade e o vicio sob o da virtude. Assim, a Amoris Lætitia, sob o disfarce de caridade, permite transgredir o Decálogo, sob disfarce de misericórdia permite o adultério, e sob um disfarce pastoral permite o sacrilégio. Aliás, o Sínodo 2018 pode realizar o mesmo truque com celibato eclesiástico para permitir a ordenação de homens casados.

Montfort é verdadeiramente um homem à frente de seu tempo. Isto porque ele mantém a doutrina católica, aquela do Concílio de Trento, que segue a de São Tomás de Aquino. Na verdade, a história nos ensina que, durante este Concílio, dois livros foram colocados sobre o altar: a Bíblia ou Sagradas Escrituras (a Tradição escrita) e a Summa Theologica de São Tomás de Aquino (representando a Tradição Oral ).

E esta doutrina católica, na época, não foi exposta com a ajuda de uma filosofia ateísta, que se opõe à fé católica, mas com a sã filosofia aristotélica-tomista, chamada Philosophia perennis, que é “a Serva da teologia ” (Santo Tomás de Aquino).

Pe. Guy Castelain, sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

CARTA AOS AMIGOS E BENFEITORES – Nº 87

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O livre exame nega a necessidade de uma autoridade sobrenatural e torna impossível a unidade na Verdade.

Queridos amigos e benfeitores:

Há 500 anos, Martinho Lutero se revoltava contra a Igreja, arrastando consigo um terço da Europa – foi provavelmente a maior perda sofrida pela Igreja Católica durante sua história, depois do cisma do Oriente em 1054. Assim ele privou milhões de almas dos meios necessários à salvação, afastando-as não de uma organização religiosa entre tantas, mas realmente da única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, da qual ele negou o caráter sobrenatural e sua necessidade para a salvação. Ele desfigurou completamente a fé, cuja qual ele rejeitou os dogmas fundamentais, que são o Santo Sacrifício da Missa, a presença real na Eucaristia, o sacerdócio, o papado, a graça e a justificação.

Na base de seu pensamento, que ainda hoje é a base do protestantismo em seu conjunto, há o“livre exame”. Este princípio equivale a negar a necessidade de uma autoridade sobrenatural e infalível que possa se impor aos julgamentos particulares e interromper os debates existentes entre aqueles que ela tem por missão guiar no caminho do céu. Este princípio claramente reivindicado torna totalmente impossível o ato de fé sobrenatural, que repousa sobre a submissão da inteligência e da vontade à Verdade revelada por Deus e ensinada pela Igreja com autoridade.

O livre exame, definido como princípio, não torna somente inacessível a fé sobrenatural, que é o caminho da salvação (“quem não crer será condenado ” – Mc.16,16), mas também torna impossível a unidade na Verdade. Dessa forma, estabeleceu como princípio a impossibilidade dos protestantes obterem tanto a salvação eterna como a unidade na Verdade. E, de fato, a multiplicação de seitas protestantes não para de crescer desde o século XVI.

Diante de um espetáculo tão desolador, quem não compreenderia os esforços empregados maternalmente pela verdadeira Igreja de Cristo em buscar a ovelha perdida? Quem nãosaudaria suas numerosas iniciativas apostólicas para libertar tantas almas aprisionadas neste princípio falacioso que lhes interdita o acesso à salvação eterna? Esta preocupação em retornar à unidade da verdadeira fé e da verdadeira Igreja atravessa os séculos. Não é nada novo, basta considerar a oração da Sexta-feira Santa: Continuar lendo

A IGREJA OCUPADA

Podemos comparar isso a uma espécie de possessão diabólica. A palavra é muito forte, como são as palavras de Nossa Senhora em La Salette e em Fátima, mas para aqueles que já viram um exorcismo real, a analogia é verdadeiramente apropriada

Fonte: SSPX Canadá – Tradução: Sensus Fidei

 

Caros amigos e benfeitores,

Quando Nossa Senhora de La Salette falou de um eclipse da Igreja, ela quis dizer que uma entidade misteriosa encobriria a verdadeira Igreja e procuraria receber as honras devidas à verdadeira Igreja. E isso é um eclipse: você olha para o sol, e você vê a lua na frente dele. Esta estranha entidade eclipsando a Igreja no presente, sem dúvida, é o que se denomina “Igreja Conciliar”.

A partir da década de 1960, em suas cartas, a Irmã Lúcia usou a expressão “desorientação diabólica”, como significando essa mesma batalha final entre o demônio e Nossa Senhora. Esta desorientação será manifesta por falsas doutrinas e cegueira, até os mais altos escalões da Igreja.

Podemos comparar isso a uma espécie de possessão diabólica. A palavra é muito forte, como são as palavras de Nossa Senhora em La Salette e em Fátima, mas para aqueles que já viram um exorcismo real, a analogia é verdadeiramente apropriada.

Alguns de nossos sacerdotes na Ásia e em outros lugares tiveram que realizar exorcismos solenes no decorrer de seu ministério. Um caso na Ásia foi o de uma senhora que apresentou todos os sinais clássicos de uma verdadeira possessão diabólica, tais como: conhecer línguas estrangeiras, entender o latim, por exemplo, e saber coisas verdadeiramente impossíveis dela saber. Quando o sacerdote lhe perguntou em latim: “Quot estis? Quantos vocês são – replicou ela com raiva em seu próprio dialeto: “Quinze!” Em outra sessão de exorcismo, uma vez que já houvera muitos deles ao longo dos anos, um médico estava presente. Ele testemunhou como essa pobre senhora estava literalmente “ocupada”, “possuída” por outros espíritos malignos. Dentre eles falava um com perfeito sotaque britânico, outro no dialeto de feiticeiros de remotas aldeias das montanhas. Era um corpo ocupado por muitas “almas”. O médico comentou mais tarde: “Os sintomas que apareceram nessa mulher tão gentil, como observados em sua voz suave, não podem caber em qualquer classificação encontrada em nenhuma mesa clínica até hoje na literatura médica”. Continuar lendo

ITINERÁRIO DE UM CATÓLICO NÃO PERPLEXO

Resultado de imagem para church aloneFonte: DICI –  Tradução: Dominus Est

Final de agosto de 1976, George assistia à missa de Lille que apresentou ao mundo inteiro a luta de Dom Lefebvre pela Tradição. Seu Cura havia ameaçado: “O senhor está seguindo um bispo rebelde que celebra uma missa proibida.”  

Em 1988, ele foi às sagrações episcopais em Ecône, e seu Cura, na missa que ele tinha deixado de ir, o advertiu: “Vocês todos estão cismáticos, o senhor e seus bispos”  

Quando se casou em Saint Nicolas du Chardonnet, o Cura assegurou-lhe que ele não era válido. Ele tinha o costume de confessar a um sacerdote dessa igreja, e seu Cura lhe disse que ele poderia muito bem visitar uma assistente social porque o padre não podia absolver os pecados mais do que ela.

Em 2007, George soube que a Missa Tridentina nunca havia sido ab-rogada, e que há 30 anos ele não participava de uma massa proibida. Em 2009, apesar dos brados furiosos de seu Cura, o bispo que tinha confirmado seus filhos não era mais excomungado.  

Em 2015, o sacerdote que recebe sua confissão, a faz validamente, o que ele não tinha dúvida, mas que deveria acalmar seu Cura – talvez não ao ponto de ir ele mesmo se confessar em St. Nicolas… Neste mês, ele ficou sabendo que o padre o casou validamente e não há nenhuma obrigação de se “casá-lo” novamente, o que certamente permitirá que seu Cura lhe felicite, com algumas décadas de atraso …

George nunca foi um católico perplexo. Hoje ele tem uma certeza: apesar de todas as críticas, ele fez bem em seguir Monsenhor Lefebvre, que transmitiu o que ele mesmo recebeu.

Pe. Alain Lorans

ANÁLISE DA CARTA DA COMISSÃO ECCLESIA DEI SOBRE OS MATRIMÔNIOS DOS FIÉIS DA FSSPX

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os casamentos na FSSPX são válidos e incontestáveis

No dia 1º de setembro de 2015, o Papa anunciou que todos os fiéis que se confessassem, durante o Ano Santo da Misericórdia, aos padres da Fraternidade São Pio X receberiam uma “absolvição válida e lícita de seus pecados.” Em um comunicado de imprensa publicado naquele mesmo dia, a Casa Geral da FSSPX agradeceu ao Papa recordando que: “No ministério do sacramento da penitência, ela sempre se apoiou, com toda a certeza, na jurisdição extraordinária conferida pela Normae generales do Código de Direito Canônico. Por ocasião do Ano Santo, o Papa Francisco quer que todos os fiéis que desejam se confessar aos padres da Fraternidade São Pio X possam fazê-la sem serem importunados“.

Em 20 de novembro de 2016, a Carta Apostólica do Papa Francisco, Misericordia et misera (nº. 12) estendeu para além do Ano da Misericórdia a faculdade de confessar concedida em 1º de setembro de 2015. (o Esclarecimento da FSSPX a respeito lê-se aqui). Se a situação de crise que atravessa a Igreja, infelizmente, continua a mesma, a perseguição que privava injustamente os padres e fiéis da jurisdição ordinária cessou, desde que foi concedida pelo Sumo Pontífice.

Em 4 de abril de 2017 foi publicada uma carta do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e do Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei dirigida aos Ordinários das Conferências Episcopais. O Cardeal Gerhard Ludwig Müller recordou a decisão do Papa Francisco de conceder a todos os padres [da Fraternidade] poderes de confessar validamente os fiéis a fim de assegurar a validade e a legalidade do Sacramento que eles administram.” Em seguida, anunciou as novas disposições do Santo Padre, que com o mesmo espírito “decidiu autorizar os Ordinários locais a também conceder a permissão para a celebração de casamentos de fiéis que seguem a atividade pastoral da Fraternidade.”(o comunicado da Casa Geral da FSSPX a respeito lê-se aqui). Continuar lendo

UM LAR CRISTÃO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Sensus Fidei

É a oração em família que fortalecerá a união de suas almas, que lhes dará força, incentivo e conforto nas dificuldades e provações e que atrairá as bênçãos do céu em seu lar.

“Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, nós lhes suplicamos queridos esposos…” — disse o Papa Pio XII —”… que guardem intacta a bela tradição das famílias cristãs: a oração da noite em família. A família reúne-se, no final de cada dia, para implorar a bênção de Deus e honrar a Virgem Imaculada através da recitação do Santo Rosário… os louvores de todos aqueles que irão dormir sob o mesmo teto … “.

Complementando essa vida de oração, o lar também encontrará sua força para frequentar os sacramentos: a confissão frequente, especialmente em momentos de tentações e dificuldades, e também para frequentar o Sacramento da Eucaristia e a Santa Missa, enquanto renovação do Sacrifício Calvário. Porque a união de Nosso Senhor com a humanidade (da qual o matrimônio é a imagem) foi realizada sobre a Cruz, não devemos esquecer. É nesse momento que Nosso Senhor deu sua vida por sua Esposa Mística nascida do sangue e da água vertidos de seu Coração trespassado. Então, é a assistência frequente e fervorosa ao Santo Sacrifício da Missa que manterá e ressuscitará a graça de seu matrimônio. A Santa Missa é a pedra angular da família cristã e, portanto, ela é a fonte da civilização cristã.

Como a Missa nova atenuou de forma alarmante tudo o que pode lembrar-nos que a Missa é realmente o Sacrifício da Cruz, é preciso fundamentar seus lares na Missa Tradicional, não se pode construir sobre a areia… deve-se construir sobre a rocha. Sua fidelidade e esforços para participar da Missa Tradicional (mesmo que seja necessário levantar cedo e percorrer muitos mais quilômetros) obterão as graças de paz e bem-aventuranças em seus lares, fundamentados na Cruz de Jesus Cristo.

Pe. M.D. Roulon, O.P., Les Sacraments

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA – PARTE 4

Para ler a Primeira Parte clique aqui.

Para ler a Segunda Parte clique aqui.

Para ler a Terceira Parte clique aqui.

QUARTA PARTE: O CONCÍLIO DO PAPA JOÃO

Ângelo Giuseppe Roncalli: o futuro João XXIII

No conclave após a morte de Pio XII, o cardeal Ângelo Giuseppe Roncalli, patriarca de Veneza, foi eleito Soberano Pontífice e tomou o nome de João XXIII. O novo Papa tinha antecedentes bastante inquietantes.

Na época de seus estudos eclesiásticos, o jovem Ângelo Giuseppe Roncalli tinha se tornado amigo de certos condiscípulos já ligados ao modernismo e que deviam depois se tornar seus célebres representantes: Dom Ernesto Buonaiuti, Dom Alfonso Manaresi e Dom Giulio Belvederi, que ele encontrava todas as noites na igreja do Gesú em Roma para a visita ao Santíssimo Sacramento, mas também para inflamadas discussões “progressistas”.

Isso, evidentemente, não permite deduzir automaticamente uma adesão de Ângelo Giuseppe Roncalli ao movimento modernista, até porque naquela época ele era jovem e inexperiente. Mas pode-se legitimamente pensar que as ideias debatidas naquela época tiveram uma influência, nem que fosse indireta, sobre certos comportamentos desconcertantes que ele adotará mais tarde e também depois da sua eleição como Papa.

Em contrapartida, Roncalli foi incontestavelmente influenciado por seu amigo Lambert Beauduin, monge beneditino e famoso liturgista, censurado mais tarde devido a seu desenfreado ecumenismo irenista que dissolvia o dogma católico, e cujas ideias falsas em matéria de ecumenismo e de eclesiologia foram claramente adotadas pelo futuro João XXIII, condicionando fortemente as orientações e decisões do seu pontificado.

Dessa influência, nós já encontramos vários traços nos escritos e sermões de Roncalli da época em que era delegado apostólico na Bulgária, na Grécia e na Turquia. Em 1926, por exemplo, a um jovem seminarista búlgaro, da igreja cismática dita “ortodoxa”, que lhe perguntava se poderia seguir seus estudos na Igreja Católica, o delegado apostólico respondeu negativamente e o exortou, ao contrário, “como eu sempre fiz com todos os jovens ortodoxos, a aproveitar os estudos e a educação que recebem no seminário de Sofia [cismático evidentemente – n.d.r.], porque segundo Rocalli, “os católicos e os ortodoxos não são inimigos, mas sim irmãos. Eles têm a mesma fé, participam dos mesmos sacramentos, sobretudo da mesma eucaristia. Alguns mal-entendidos sobre a constituição divina da Igreja de Jesus Cristo nos separaram […]. Deixemos de lado as velhas controvérsias […]. Mais tarde, apesar de passar por caminhos diferentes, nos encontraremos na união das igrejas para formar todos juntos a verdadeira e única Igreja de Nossa Senhor Jesus Cristo”[1]. Continuar lendo

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA – PARTE 3

Para ler a primeira parte clique aqui.

Para ler a segunda parte clique aqui.

TERCEIRA PARTE

A CONDENAÇÃO OFICIAL DA NOVA TEOLOGlA  

O Papa Pio XII condena a nova teologia 

O cardeal Eugenio Pacelli, eleito Soberano Pontífice em 1939 com o nome de Pio XII, perfeitamente consciente das consequências letais de uma tomada de poder na Igreja pelos novos teólogos, interveio resolutamente para condenar em nome da Igreja a nova teologia e seus propagadores.

Num discurso pronunciado em 17 de setembro de 1946 no Capítulo Geral dos Jesuítas, o Papa já tinha alertado os Padres capitulares contra uma “nova teologia que evolui juntamente com a evolução de todas as coisas, semper itura, numquam perventura, “sempre a caminho (para a verdade) sem nunca atingi-la”, acrescentando estas palavras proféticas: “Se tal opinião for abraçada, o que será da imutabilidade dos dogmas, o que seria da unidade e da estabilidade da fé?[1]”.

É quase o mesmo discurso que Pio XII dirigirá depois aos padres dominicanos, reunidos também em Capítulo Geral, confirmando como antídoto contra o novo modernismo a obrigação de não se afastar da doutrina de Santo Tomás de Aquino, assim como foi prescrito pelo Canon 1366, parágrafo 2, do Código de Direito Canônico[2].

Mas os efeitos desta denúncia foram praticamente nulos por causa da profundidade da infecção neo-modernista no mundo da intelligentsia católica, a ponto de o Papa decidir intervir de modo oficial e definitivo pela publicação da encíclica Humani generis[3].

Nesta grande encíclica, que pode ser considerada como o terceiro Syllabus contra os erros da época moderna (depois do Syllabus, com a encíclica Quanta cura, do bem aventurado Pio IX, e depois do decreto Lamentabillii com a encíclica Pascendi de São Pio X). O Papa condenava severamente “certas opiniões falsas que ameaçavam arruinar os fundamentos da doutrina católica”, sem nomear explícita e individualmente seus partidários. Continuar lendo

NAVEGANTES E NAUFRAGANTES

Resultado de imagem para naufragosFonte: Capela Santa Maria das Vitórias

Na travessia do mar tempestuoso desta vida há católicos que infelizmente preferem ouvir o canto da Sereia ao canto da Stella Maris, o canto da Senhora Soberana do céu e da terra. Certissimamente vão naufragar porque se recusam a sofrer todas as humilhações que a Providência Divina envia aos eleitos para purificá-los na demanda do reino do céu.

A vida do católico aqui na terra sempre foi e será um esforço constante para não desertar do combate a ser travado sob os estandartes de Cristo Rei contra o reino de Satanás e do Anticristo. É a doutrina exposta e defendida pelos grandes teólogos e mestres da vida espiritual com base na Sagrada Escritura. É a doutrina de Santo Agostinho na monumental Cidade de Deus. Em um regime de cristandade, em um estado confessional católico, onde as autoridades políticas se empenham em organizar a sociedade conforme a lei de Deus, a luta contra os inimigos da salvação pode ser menos renhida, mas, mesmo assim, a vida do católico será sempre uma luta.

Desgraçadamente, a partir do Vaticano II semelhante concepção da vida católica como um combate foi sendo deixada de lado para ser finalmente substituída pelo mito do diálogo. Não o diálogo como sempre o entendeu toda a tradição desde a antiguidade, como, por exemplo, Platão. Não o diálogo como uma investigação de pessoas que, tendo os mesmos princípios e valores, se unem em um esforço comum para chegar à solução de um problema ou sanar uma dúvida que aflige a todos. Mas um diálogo de céticos desesperados e contraditórios que, não vendo sentido em nada, se unem apenas no afã de descobrir uma regra geral de como compartilhar melhor as alegrias e penas de uma vida efêmera. Sinceramente, acho que não há exagero nestas palavras.

Foi assim que deixando de lado o hino Stella Maris, muitos católicos passaram a ouvir e a cantar o canto da Sereia e abraçaram os ídolos dos tempos modernos: democracia, liberdade, igualdade de oportunidades, direitos humanos. E agora vêem-se até defrontados com a necessidade de dialogar sobre questões que a princípio pode causar-lhes alguma repugnância mas terão de engolir se não quiserem receber a pecha de fundamentalistas. Refiro-me aos tópicos constantes da agenda da nova ordem mundial: direitos reprodutivos e sexuais da mulher, aborto, “casamento homossexual”, ideologia do gênero etc. Continuar lendo

O QUARTO MANDAMENTO

Uma desordem total invadiu o nosso século. Em proporções gigantescas e com indomável força ela, dia a dia, conquista os núcleos básicos da comunidade humana.
A característica principal da forma moderna da desordem é a inversão dos valores do convívio humano, que começa cortando os laços que ligam os diversos escalões da hierarquia social e termina no desentendimento total dos homens.
 
Na família, os filhos estão surdos para o timbre da voz paterna. Os pais estupefatos temem os filhos. Temem principalmente perdê-los. Com cabisbaixa fraqueza cedem às suas imposições, para não perderem aqueles que de há muito perderam. Congrega-os o lar apenas por laços de um certo instinto gregário e os interesses monetários dos filhos. Mas o filho já é um estranho na casa.
 
Na escola, a professora condicionada por uma pedagogia que nega a tendência da criança para o mal (tendência que é um claro indício do pecado original) e o valor educativo das punições, docilmente cede a todos os caprichos infantis.
 
Nos ginásios, os adolescentes agrupados na promiscuidade da co-educação, iniciam-se nas “viagens do fumo” e dos tóxicos, preparam-se para o amor nas “inocentes” práticas sexuais, sob os olhares estimulantes e compreensivos dos orientadores educacionais.
 
Nas universidades, os representantes do mais tolo mito do século, o mito do JOVEM, elaboram os programas, impõem e depõem os mestres e dirigentes, sob o pastoral treinamento, nas universidades católicas, de sacerdotes mais imaturos que eles e que os orientam conforme a moral permissiva e a linha subversiva.

Continuar lendo

NINGUÉM PODE SERVIR A DOIS SENHORES

Interessante artigo em que o Pe. Jean-Michel Gleize, professor no Seminário Internacional São Pio X (Ecône) da FSSPX, nos mostra porque não se pode chorar sobre o catastrófico texto da Amoris Laetitia se não se chora antes pelo Concílio Vaticano II.

É preocupante constatar que, entre todos aqueles que emitiram algumas reservas sobre a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, e cuja oposição ao relativismo moral é suficientemente conhecida, muitos poucos se voltaram às verdadeiras fontes do mal. Quase ninguém nem mesmo colocou em dúvida publicamente os erros graves e contrários a toda Tradição da Igreja presentes, desde então, nos textos do Concílio Vaticano II, erros que hoje encontram seu resultado lógico na Amoris laetitia”.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Em 29 de junho de 2016, quarenta e cinco teólogos de todo o mundo enviaram ao decano do Sacro Colégio, cardeal Angelo Sodano, um estudo crítico da Exortação pós-sinodal Amoris laetitia onde 19 proposições do documento romano são censuradas. O documento conclui assim: “As proposições abaixo censuradas foram condenadas em muitos documentos do Magistério. É necessário e urgente que sua condenação seja repetida pelo Soberano Pontífice  de maneira definitiva e sem possibilidade de apelação, e que seja declarado com autoridade que a Amoris Laetitia não pede que seja criado, nem se considere como verdadeira nenhuma dessas proposições.

Esta confissão é de grande importância.Quarenta e cinco teólogos, na verdade, acabam de reconhecer publicamente os méritos de toda iniciativa empreendida por D. Marcel Lefebvre e a Fraternidade São Pio X, que hoje tem mais de 40 anos. Não podemos deixar de reconhecer a coragem e lucidez que os inspira. Mas também não podemos esquecer que esta iniciativa levou o antigo arcebispo de Dakar a refutar erros que são mais graves do que aqueles que a Amoris laetitia apresenta. A recente Exortação do Papa Francisco autoriza o relativismo moral na ação pastoral da Igreja. Mas essa relativização da moral, tão grave em si mesma, não é mais que uma remota consequência de outro relativismo muito mais profundo, que é de ordem doutrinal. E é precisamente esse relativismo, o centro de todos os ensinamentos do Concílio Vaticano II:

  • o relativismo da nova eclesiologia modernista, conduzindo ao colegialismo e latitudinarianismo ecumênico, com a Constituição Lumen Gentium e o Novo Código de Direito Canônico, publicado em 1983; 
  • relativismo da liberdade religiosa, conduzindo ao indiferentismo dos poderes públicos e da negação do reinado social de Cristo, com a declaração Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa e a constituição pastoral Gaudium et Spes. 

Os pontos essenciais desse relativismo foram denunciados publicamente por D. Lefebvre e D. Castro Mayer, em uma Carta Aberta dirigida ao Papa João Paulo II no dia 21 de novembro de 1983. Continuar lendo

OS PAPAS E A CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA

Nossa Senhora, na terceira aparição em Fátima, em 13 de julho de 1917, falou pela primeira vez sobre a consagração da Rússia e a comunhão reparadora. Nestes termos ela oferecia o único remédio decisivo e eficaz contra os males do mundo atual:

Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior […]. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

Nossa Senhora retornou anos mais tarde, conforme havia prometido, a fim de pedir a consagração da Rússia. Aconteceu o retorno em 13 de junho de 1929, em Tui, na Espanha, no convento das Irmãs Doroteias, onde Lúcia ingressara:

É chegado o momento em que Deus pede ao Santo Padre fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra Mim cometidos, que venho pedir reparação; sacrifica-te por esta intenção e ora.

A Santíssima Virgem é clara na indicação de que se não deve consagrar nem o mundo nem outro país qualquer ao Seu Imaculado Coração, mas tão-somente a Rússia.

Não existe outro pedido explícito de consagração nas mensagens de Fátima, Pontevedra e Tui, recebidas entre 1917 e 1929 por Irmã Lúcia, a qual tem absoluta certeza de haver transmitido com fidelidade as palavras de Nossa Senhora. Atesta-o Pe. Alonso, o grande especialista oficial de Fátima:

De fato, Lúcia, em 1917, desconhecia a realidade político-geográfica da Rússia, desconhecia até mesmo o nome do país. Interrogada por seu diretor, o Pe. Gonçalves, para que esclarecesse como chegou ao conhecimento da Rússia ou porque se recordara do nome da Rússia, e para que transmitisse o que Nossa Senhora lhe pedira na aparição de julho, respondeu Lúcia: “Até então, só tinha ouvido falar dos galegos e dos espanhóis, não sabia o nome de nenhum país. Mas o que percebíamos durante as aparições de Nossa Senhora ficava de tal modo gravado em nós que nunca esqueceríamos. Por isso é que eu sei bem, e com certeza, que Nossa Senhora falou expressamente da Rússia em julho de 1917” (Por eso es que yo sé bien, y con certeza, que Nuestra Señora hablo expresamente de Rusia, en julio de 1917)[1]. Continuar lendo

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA – PARTE 2

Para ler a primeira parte clique aqui.

Segunda parte

Os novos modernistas da Nova teologia[1]

Henri de Lubac e os “novos teólogos”

Nos anos 30 e 40, uma nova geração de modernistas entrou em cena. Seus nomes serão muito conhecidos mais tarde, como os dominicanos Marie-Dominique Chenu e Yves Congar, os jesuítas Henri de Lubac, Hans Urs von Balthasar e, em seguida, Karl Rahner, formuladores de uma “nova teologia”, cujas raízes estão fincadas no velho modernismo.

Assim como os “velhos” modernistas, os novos teólogos estavam, eles também, fortemente impregnados de imanentismo, subjetivismo e relativismo, com todas as consequências imagináveis no domínio da dogmática e da moral.

O Padre Henri de Lubac, por exemplo, líder da Nova Teologia e, por isso mesmo, tido como “pai” do Concílio Vaticano II e da nova Igreja conciliar, tinha ele também, assim como seus mestres modernistas, uma noção muito elástica da verdade.

Certamente, nos seus escritos oficiais, Lubac era bastante prudente e cauteloso para não deixar transparecer seu relativismo de fundo, mas nos seus escritos privados manifestava evidentemente com mais liberdade seu pensamento real, sem dissimulá-lo por detrás das habituais elocubrações intelectuais.

Numa carta ao filósofo Maurice Blondel, seu amigo, escrevia ele:

“[…] O número de Recherches de science religieuse recentemente publicado, traz um artigo do Pe. Bouillard [representante da Nova Teologia – Ndr]  que contesta fortemente as idéias do Pe. Garrigou-Lagrange [adversário de Lubac – Ndr] sobre as noções conciliares e suas visões simplistas acerca do absoluto da verdade. Este artigo, eu posso te confidenciar, não foi apenas aprovado, mas desejado por gente de cima[2]”.

Estamos persuadidos de que Lubac não hesitaria em acusar Nosso Senhor mesmo, notoriamente intransigente neste quesito, de “visões simplistas sobre o absoluto da verdade” Continuar lendo

QUANDO O BEM E O MAL SÃO COLOCADOS EM PLANO DE IGUALDADE PERANTE A LEI

Quando o bem e o mal são colocados em plano de igualdade perante a lei, o mal prevalecerá na sociedade civil. Foi isto que o Papa Leão XIII apontou em 1888 na sua encíclica fundamental sobre a verdadeira natureza da liberdade humana

Fonte: Sensus Fidei

Segundo o regime americano da Primeira Emenda constitucional pró-liberdade, o Estado não deve agir em defesa da verdade contra o erro em assuntos de religião ou de Moralidade. A noção moderna (e idiota) de liberdade é que todos têm “o direito ao erro”, até mesmo o direito a defender o assassínio de crianças no útero materno ou o “casamento” de pessoas do mesmo sexo.

-Ah! Mas não quando se trata de dinheiro! O absurdo do nosso regime de liberdade de expressão demonstra-se com um simples exemplo: Alguém que espalhe mentiras sobre o valor de um produto comercial, induzindo as pessoas a gastar alguns dólares a mais, pode ficar sujeito a penas civis e até criminais, inclusive a uma pena de prisão, por defraudar o consumidor. Mas alguém que propague mentiras sobre Deus e a Sua Lei, induzindo as pessoas a abandonar a Fé e a Moral, com consequências eternas infinitamente piores do que a simples perda de algum dinheiro, tem o “direito constitutional” absoluto de o fazer.

Pior ainda: quem interferir com a promulgação de erros mortais para a alma é que se sujeita às penalidades da lei, incluindo a prisão.

Este regime escandaloso é ainda mais ofensivo na Quadra Natalícia. Por exemplo, em Boca Raton, na Flórida, uma estação local de TV relatou que, entre uma árvore de Natal e um presépio, que fazem parte de uma “exposição festiva” em propriedade pública, um adorador de Satanás ergueu um “grande pentagrama em que se lê: ‘Confiamos em Satanás’, ‘Celebremos o Solstício de Inverno’ e ‘Viva Satanás, e não os deuses’.” Continuar lendo

SÓ A RELIGIÃO VERDADEIRA TEM DIREITOS

liberdade de cultos, hoje tão apregoada, foi rotundamente condenada pelo Magistério da Igreja. Numerosos Papas nos advertiram de seus graves perigos, entre eles Leão XIII na encíclica Libertas praestantissimum sobre a liberdade e o liberalismo

Javier Navascués – Adelante la Fe | Traduzido por Frei Zaqueu

Fonte: Sensus Fidei

O liberalismo é uma das ideologias mais deletérias para a religião católica, a única verdadeira, posto que concede os mesmos direitos ao erro que à verdade. Esta perniciosa doutrina está tristemente presente na Igreja carcomendo o reto ensino, sacudindo seus mesmos cimentos e causando um grande dano às almas. Como consequência dela, hoje em dia se nos propõe um herético ecumenismo onde a religião verdadeira e as falsas crenças estão ao mesmo nível.

Se nos convida a não fazer proselitismo da verdade católica em prol de um mortífero ecumenismo casado com a heresia e em conivência com as falsas religiões de Satanás. A liberdade de cultos, hoje tão apregoada, foi rotundamente condenada pelo Magistério da Igreja. Numerosos Papas nos advertiram de seus graves perigos, entre eles Leão XIII na encíclica Libertas praestantissimum sobre a liberdade e o liberalismo.

Borja Ruiz, historiador, tem estudado em profundidade a mencionada encíclica. Seguindo a solidíssima doutrina deste Pontífice, de feliz memória, expõe o daninho que é conceder direitos ao mal e ao erro. Tendo como base um profundo pensamento filosófico e teológico, denuncia o gravíssimo câncer do liberalismo e uma de suas funestas consequências: a liberdade de cultos. Continuar lendo

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA

Primeira parte

Preâmbulo

Eis que a quatro décadas o mundo católico assiste a uma série aparentemente sem fim de mudanças na Igreja.

Como se estivessem em um estranho espetáculo pirotécnico eclesiástico, os católicos viram numerosas verdades de Fé se desfazerem, umas após as outras, de modo mais ou menos direto, nos fogos de artifício inventados por uma Hierarquia e um clero cada vez mais inspirado pelo aggiornamento conciliar, aberto a todas as correntes de pensamento, e pronto para trocar a verdade revelada pela miragem de um falso ecumenismo e de uma falsa paz mundial.

O mundo católico assistiu, por exemplo, a subversão do Rito Romano da Missa, substituído por um outro – o atual – a tal ponto ambíguo e ecumênico que foi aprovado pelos próprios protestantes, alguns dos quais, aliás, participaram com sugestões na elaboração do novo rito[1]. Em seguida, ocorreram progressivamente as missas-bazar com música de fundo, a introdução da comunhão na mão e o seu cortejo de inevitáveis sacrilégios, o acesso dos membros do sexo frágil no altar na qualidade de “ministras” de eucaristia (ao menos até agora).

Viu pela primeira vez na história um papa – Paulo VI – enviar num gesto eloquente o seu anel, símbolo de sua autoridade pontifical suprema, ao herético, cismático e impenitente arcebispo de Canterbury[2], e convidá-lo a abençoar a multidão e os numerosos cardeais e bispos presentes na Basílica romana de São Paulo Extramuros. 

Há pior. Viu um João Paulo II convidar os representantes das principais religiões falsas do mundo a Assis (primeiro encontro de 1986) para uma reunião de oração com grande auxílio de cachimbos da paz, oferendas de animistas a espíritos ancestrais e budistas incensando uma estátua de Buda colocada sobre o altar principal de uma igreja católica daquela cidade.

Escutou, boquiaberto, o mesmo João Paulo II declarar abertamente aos protestantes e aos “ortodoxos” sua plena disposição para modificar o modo de exercício do Primado papal segundo os seus desejos, o que equivale na prática a esvaziar o sentido do dogma do Primado de Jurisdição, ao renunciar a exercê-lo de fato (cf. Encíclica Ut unum sint).

Viu o cardeal Ratzinger, Prefeito do Santo Ofício, aprovar e assinar um documento da Comissão Teológica Internacional (“O Cristianismo e as religiões”) que nega abertamente o dogma da fé segundo o qual “fora da Igreja não há salvação” (Cf. Concílio Ecumênico do Latrão, IV, Denz. 800), reduzindo-o a uma simples “frase” de “caráter parenético”, ou seja, a uma simples exortação dirigida tão-somente aos católicos… Continuar lendo

NECESSIDADE DA AUTORIDADE

Resultado de imagem para Christian BouchacourtFonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

De acordo com a filosofia política, uma das causas essenciais de qualquer sociedade é a “unidade social”, ou seja, o fato de se ter uma ação comum. Ora, o princípio desta unidade social é a autoridade. Com efeito, um membro de uma sociedade qualquer pode espontaneamente perseguir seus objetivos pessoais. Contudo, se todos fossem deixados à sua própria vontade, não haveria nenhuma ação conjunta.  É próprio da autoridade, ao contrário, determinar a ação comum a qual todos participarão, permitindo aos membros “formar a sociedade”.

A recordação destes princípios nos faz entender que a desintegração da autoridade constitui um problema para uma sociedade. E que isso se torna um drama ainda maior quando o eclipse da autoridade alcança as sociedades que edificam o ser humano, principalmente a família, a Cidade e a Igreja.

Ora, é isto o que infelizmente vivemos hoje. Sofremos a ruína da autoridade, os lideres deixam de mandar, os indivíduos se recusam a obedecer. Na família, os pais renunciam enquanto seus filhos contestam. Nas associações civis, nas empresas, ninguém quer obedecer se não for analisada previamente a ordem dada, enquanto os chefes evitam comandar e “delegam”.”Na cidade, os eleitos estão a mercê dos eleitores, enquanto esses últimos se rebelam a qualquer momento. Continuar lendo

ASSIS, FRUTO DO IMPÉRIO MAÇOM

Conferências de Dom Lefebvre em Barcelona e Madri – Outubro de 1986 

comu

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Ao longo de duas conferências, feitas em Barcelona e Madri na época em que ocorria a primeira reunião de Assis, Dom Lefebvre refez o caminho aberto e seguido pelo liberalismo até a subordinação da Igreja às exigências da Maçonaria.

O liberalismo é um pecado

Não somente o liberalismo é um pecado grave que atinge a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas também uma religião. Morremos do liberalismo e de suas consequências. Já faz dois séculos que ele tem se difundido por toda parte, em nossas escolas, em nossas sociedades. É um veneno que destrói os mandamentos de Deus, tudo o que gera a beleza e a grandeza da civilização cristã.

É bom delimitá-lo, como o fez Leão XIII sobre a Maçonaria, em sua encíclica Humanum genus:

“É preciso arrancar-lhes sua máscara e mostrá-los tais como são, para que os evitemos e evitemos seus erros”.

Acredito que o liberalismo é um fruto da Maçonaria e que ele deve ser desmascarado de modo que compreendam todos os seus perigos.

O liberalismo tem sua deusa: é a liberdade. Na época da Revolução francesa, adorou-se a deusa Razão na catedral Notre-Dame de Paris, ou seja, a liberdade, a liberdade do Homem, esta liberdade que tem sua estátua na entrada de Nova Iorque, que se festejou de um modo inacreditável há pouco tempo. O Homem é livre, enfim ele está liberto de toda lei e, em particular, da lei de Deus. A liberdade é a deusa da religião do liberalismo. Continuar lendo

O DESAPARECIMENTO DOS ADULTOS

Fonte: Modéstia Masculina

Uma sociedade de eternos adolescentes?

Giovanni Cucci S.I.[i]

Continua-se a estar sempre mais atingido pelo nivelamento das gerações que se vê em rapazes e moças, jovens e adultos unidos por uma mesma dinâmica: no modo de vestir, falar, se comportar, mas, sobretudo, nas relações e na afetividade revelam-se muitas vezes as mesmas dificuldades, até o ponto em que se torna difícil entender quem desses é realmente o adulto. Ao mesmo tempo, preocupa a sempre maior difundida fuga da responsabilidade, que leva a procrastinar indefinidamente as escolhas de vida, iludindo-se de ter sempre intactos, diante de si, todas as possibilidades.
Uma pesquisa da Istat[ii], realizada em 2008 (e, por conseguinte, anterior à grave crise que infelizmente levou ao desemprego milhares de jovens e de adultos), revelava que mais de 70% das pessoas com idade entre 19 e 39 anos vivem ainda com os pais. O motivo é também, mas não somente, econômico, já que nessa faixa há pessoas com trabalho estável e uma renda que permitiria viver de maneira independente.
As mesmas pesquisas mostram, além disso, que na Itália, mas também em outros países da Europa, há um aumento preocupante de jovens/adultos que pararam numa espécie de “limbo”, sem escolhas e sem perspectivas. Essa situação abarca uma faixa etária sempre maior, ao ponto de ser agora classificada como categoria sociológica, “a geração nem-nem[iii]. Mas, principalmente, tal condição, não é vista como problemática pela maioria das pessoas: “Há 270 mil jovens entre 15 e 19 anos que não estudam e não trabalham (9%): a maior parte porque não encontra trabalho; 50 mil porque fizeram de sua inatividade uma escolha; há ainda 11 mil que não querem saber de trabalhar ou estudar (“não me interessa”, “não preciso”, dizem). A mesma tendência ocorre nos dados relativos aos jovens entre 25 e 35 anos: um milhão e noventa mil não estudam e não trabalham; ou seja, quase um quarto deles (25%). Um milhão e duzentos mil desses gravitam no desemprego (mas entre estes últimos há quem diga que não procura bem porque está “desanimado” ou porque “de qualquer modo, o emprego não existe mesmo”). Setecentos mil são, ao contrário, os “inativos convictos”: não procuram trabalho e não estão dispostos a procurá-lo […]. Uma pesquisa espanhola recente, assinada pela sociedade Metroscopia, revela que 54% dos jovens da idade dos 18 aos 35 anos declara “não haver nenhum projeto sobre o qual desenvolver o próprio interesse ou os próprios sonhos”[iv].

Continuar lendo

OS PAPAS CONCILIARES E A MODERNIDADE

Jornal Si Si No No, Ano XLII, nº10

1º) João XXIII, no discurso de abertura do Concílio, em 11/10/1962, disse: “ferem agora os ouvidos sugestões de pessoas (…) que, nos tempos modernos, só veem prevaricação e ruína; vão repetindo que nossa época, comparada com as passadas, foi piorando (…) A Nós parece ter que dissentir desses profetas de desgraças[1], que anunciam sempre eventos infaustos (…). Sempre a Igreja se opôs aos erros, várias vezes os condenou com máxima severidade. Agora, porém, a Esposa de Cristo prefere usar a medicina da misericórdia em vez da severidade. (…) Não que faltem doutrinas falazes (…), mas hoje em dia parece que os homens estão propensos a condená-las por si mesmos” (Enchiridion Vaticanum, Documenti. Concilio Vaticano II, EDB, Bologna, IX ed., 1971, p.39 e p.47).

Respondemos:

a) Os tempos modernos começam com Descartes para a filosofia, Lutero para a religião e Rousseau para a política, e os seus sistemas estão em ruptura com a Tradição Apostólica, a Patrística, a Escolástica e o dogma católico. De fato, a modernidade é caracterizada pelo subjetivismo. Seja na filosofia: “Penso, logo existo”, que é a via aberta por Descartes ao idealismo para o qual é o sujeito que cria a realidade. Seja em religião, com o livre exame da Bíblia sem a interpretação dos Padres e o Magistério e com a relação direta homem-Deus sem mediadores (Lutero: “sola Scriptura” “solus Christus”). Seja em política, pois o homem não é animal social por natureza, antes é solitário, portanto é ele quem cria a sociedade temporal mediante o “contrato social”.

O subjetivismo da modernidade, unindo-se à doutrina católica, transforma-a, esvazia desde dentro, torna-a um produto do intelecto humano ou do subconsciente e não mais uma Revelação divina real e objetiva a que se tem de assentir.

A afirmação de João XXIII coincide com a essência do modernismo, tal como a descreve São Pio X na Encíclica Pascendi (08/09/1907): o conúbio entre o idealismo filosófico da modernidade e a doutrina católica, que se tornaria, assim, um produto do pensamento ou do sentimento humano.

b) Se “Sempre a Igreja se opôs aos erros, várias vezes os condenou com máxima severidade. Agora, porém, a Esposa de Cristo prefere usar a medicina da misericórdia em vez da severidade”, isso significa que se prefere ir contra a doutrina e a prática constante da Igreja (ver Pio IX em Tuas libenter, 1863). Continuar lendo

A EDUCAÇÃO MODERNA CRIOU ADULTOS QUE SE COMPORTAM COMO BEBÊS

Fonte: Modéstia Masculina

A educação moderna exagerou no culto à autoestima – e produziu adultos que se comportam como crianças. Como enfrentar esse problema é o tema da reportagem a seguir, publicada na revista Época.

Os alunos do 3º ano de uma das melhores escolas de ensino médio dos Estados Unidos, a Wellesley High School, em Massachusetts, estavam reunidos numa tarde ensolarada para o momento mais especial de sua vida escolar: a formatura. Com seus chapéus e becas coloridos e pais orgulhosos na plateia, todos se preparavam para ouvir o discurso do professor de inglês David McCullough Jr. Esperavam, como sempre nessas ocasiões, uma ode a seus feitos acadêmicos, esportivos e sociais. O que ouviram do professor, porém, pode ser resumido em quatro palavras: vocês não são especiais. Elas foram repetidas nove vezes em 13 minutos. “Ao contrário do que seus troféus de futebol e seus boletins sugerem, vocês não são especiais”, disse McCullough logo no começo. “Adultos ocupados mimam vocês, os beijam, os confortam, os ensinam, os treinam, os ouvem, os aconselham, os encorajam, os consolam e os encorajam de novo. (…) Assistimos a todos os seus jogos, seus recitais, suas feiras de ciências. Sorrimos quando vocês entram na sala e nos deliciamos a cada tweet seus. Mas não tenham a ideia errada de que vocês são especiais. Porque vocês não são”.

O que aconteceu nos dias seguintes deixou McCullough atônito. Ao chegar para trabalhar na segunda-feira, notou que havia o dobro da quantidade de e-mails que costumava receber em sua caixa de entrada. Paravam na rua para cumprimentá-lo. Seu telefone não parava de tocar. Dezenas de repórteres de jornais, revistas, TV e rádio queriam entrevistá-lo. Todos queriam saber mais sobre o professor que teve a coragem de esclarecer que seus alunos não eram o centro do universo. Sem querer, ele tocara num tema que a sociedade estava louca para discutir – mas não tinha coragem. Menos de uma semana depois, McCullough fez a primeira aparição na TV. Teve de explicar que não menosprezava seus jovens alunos, mas julgava necessário alertá-los. “Em 26 anos ensinando adolescentes, pude ver como eles crescem cercados por adultos que os tratam como preciosidades”, disse ele à revista Época. “Mas, para se dar bem daqui para a frente, eles precisam saber que agora estão todos na mesma linha, que nenhum é mais importante que o outro”. Continuar lendo

ESCLARECIMENTO SOBRE A “EXTENSÃO” DE FRANCISCO SOBRE A VALIDADE DA CONFISSÃO NA FSSPX

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Neste dia 21 de novembro, a Santa Sé publicou a Carta Apostólica do Papa Francisco, Misericordia et misera, de 20 de Novembro. No nº 12 deste documento, o Santo Padre estende para além do Ano da Misericórdia a faculdade de confessar concedida aos padres da Fraternidade São Pio X, em 1º de Setembro de 2015:

Ao longo do Ano Jubilar, aos fiéis que por diversas razões frequentam as igrejas atendidas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, concedera a faculdade de receber válida e licitamente a absolvição sacramental de seus pecados. Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade de seus sacerdotes, afim que a plena comunhão na Igreja Católica possa ser reencontrada com a ajuda de Deus, estabeleço por decisão própria que se estenda esta faculdade para além do período jubilar, até que sejam tomadas novas disposições sobre o assunto, para que a ninguém jamais falte o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja.”

Neste dia 21 de novembro, aniversário da declaração que Dom Marcel Lefebvre fez em 1974, não se pode recordar senão a profissão de fé do fundador da Fraternidade São Pio X: “Com a graça de Deus, o socorro da Virgem Maria, de São José e de São Pio X, estamos convictos de permanecermos fiéis à Igreja Católica e Romana e a todos os sucessores de Pedro, e de sermos os ‘fideles dispensatores mysteriorum Domini Nostri Jesu Christi in Spiritu Sancto” (cf. I Cor. 4, 1 e ss.), fiéis dispensadores dos mistérios de Nosso Senhor Jesus Cristo, no Espírito Santo.”

Em 1º de Setembro de 2015, a Casa Geral publicara a seguinte declaração, que continua relevante:

“A Fraternidade São Pio X tomou conhecimento, através da imprensa, das disposições que o Papa Francisco tomou por ocasião do próximo Ano Santo. No último parágrafo de sua carta de 1º de setembro de 2015 a Mons. Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, o Santo Padre escreve: “Instituí por minha própria disposição que aqueles que, ao longo do Ano Santo da Misericórdia, se aproximarem para receber o sacramento da Reconciliação dos padres da Fraternidade São Pio X receberão a absolvição válida e lícita dos seus pecados.”

 A Fraternidade São Pio X expressa seu agradecimento ao Sumo Pontífice por este gesto paternal. No ministério do sacramento da penitência, ela sempre se apoiou, com absoluta certeza, na jurisdição extraordinária conferida pelas Normae generales do Código de Direito Canônico. Por ocasião deste Ano Santo, o Papa Francisco quer que todos os fiéis que desejam se confessar com os sacerdotes da Fraternidade São Pio X possam fazê-lo sem serem importunados.

******************************

Nota da Edição – Dominus Est: na Declaração publicada em 2015 a FSSPX reiterou de forma clara a validade e a licitude de todos seus sacramentos, visto o atual estado de necessidade na Igreja e a consequente jurisdição extraordinária, apoiada pelo próprio Código de Direito Canônico. 

O que muda com essa “concessão” de Francisco é que as confissões deixam seu caráter extraordinário de suplência (necessidade) e passam a ser Ordinárias. Porém, na prática, isso não muda nada em relação ao período anterior à tal gesto. Se não houvesse essa “extensão”, as confissões continuariam sendo válidas e lícitas, porém voltando à jurisdição anterior de suplência. 

Para saber mais sobre a FSSPX, a “jurisdição” e o “estado de necessidade”, clique aqui.

A FIGURA DO PAI

A luta da esquerda para destruir a família é sobretudo a luta para destruir e/ou diminuir a figura masculina, infantilizando-a. O socialismo é uma forma eminentemente feminina de organizar a sociedade.

Fonte: Modéstia Masculina

Fui ver o filme O Regresso, do diretor mexicano Alejandro Iñarritu, um belo filme que é narrado desde a perspectiva masculina. Não à toa está indicado para uma dúzia de estatuetas do Oscar. Merecido de tão bom. É uma história de superação, de coragem e de resistência diante de intempéries, feras selvagens e inimigos. O filme se passa na segunda metade do século XIX, portanto não faz muito tempo, e se reporta a fatos ocorridos na vida real.

O que me chamou à atenção é a quase total ausência de mulheres, isso porque o filme é ambientado em uma situação de extrema dureza e em ambiente bastante inóspito. A única mulher que aparece é uma índia, filha de chefe, que foi raptada e abusada e salva pelo herói da película. A outra mulher, a esposa, é ausente e vem como lembrança do herói nos momentos mais difíceis. Há sempre uma presença feminina a velar na alma do homem. O filme é o retrato do que foi em todos os tempos: a figura heroica do homem é que garante a segurança, a sobrevivência e a inviolabilidade dos seus. Não ao acaso a virtude mais valorizada nos homens é a coragem, sem a qual o sujeito não teria condições de ser o defensor dos seus.

Certo, no século XX tivemos o esplendor do uso do ar comprimido e da energia elétrica e as armas são cada vez mais brinquedos de videogame, que uma mulher pode perfeitamente portar/usar. A força física do homem ficou secundária, mas essa é uma verdade sempre parcial. Vimos o que houve na Alemanha recentemente, com milhares de mulheres estupradas e abusadas por imigrantes islâmicos em face da ausência de qualquer elemento masculino que as pudesse defender. Sem seus homens, o feminino sempre fica vulnerável ao homem desconhecido, parece uma verdade evidente.

Quem acompanha o noticiário policial também pode ver que a maior parte das mulheres assassinadas por namorados ou companheiros se dá quando não há a presença de um homem forte na família. Este seria a garantia da inviolabilidade. No passado sempre foi assim, não se matava à toa a filha de um homem dominante, ou irmã. A vingança era imediata. Continuar lendo

AUTODEMOLIÇÃO CIVILIZACIONAL

Relatório do Senado francês aponta que 2.800 igrejas em todo o país, muitas delas construídas a séculos, serão demolidas ao longo dos próximos anos sob alegação de que os custos de restauração excedem o das demolições. Em contrapartida, mesquitas islâmicas florescem por toda a França

Sensus fidei: De acordo com um relatório do Senado francês, 2.800 igrejas em todo o país, muitas delas construídas a séculos, serão demolidas ao longo dos próximos anos sob alegação de que os custos de restauração excedem o das demolições. Em contrapartida, mesquitas islâmicas florescem por toda a França.

Esta igreja, Église Saint-Jacques d’Abbeville [vídeo abaixo], uma obra neo-gótica em Abbeville, Nord-Pas-de-Calais-Picardie que remonta a 1868, foi demolida em 2013 por um custo total de 350.000 €. O raciocínio: o custo da demolição foi muito menor do que custaria a restauração.

Neo expansão islâmica

A neo expansão islâmica rapidamente progride na nova Europa maçônica anticristã e anticlerical. Um exemplo disso, a Grande Mesquita de Paris, construída em 1926, obteve recentemente um telhado moderno, totalmente retrátil, como é normalmente encontrado apenas nos estádios de futebol e centenas de novas mesquitas são construídas a cada ano para as centenas de milhares de novos muçulmanos nascidos ou que imigram na sociedade francesa, muitas vezes com dinheiro do contribuinte. Nos dois vídeos a seguir, imagens do projeto de alta tecnologia na construção do novo telhado e detalhes do suntuoso interior da mesquita.

Autodemolição civilizacional

Enquanto o número de franceses na França continua a diminuir devido às taxas de natalidade recorde de baixa, alta emigração e imigração muçulmana, por outro lado, os membros da fé católica, estão agora na maior baixa de todos os tempos. Para muitas cidades na França, especialmente nas cidades em que os cristãos são a minoria, a falta de interesse e o alto valor de propriedade dos edifícios simplesmente não justificam o custo de uma possível restauração dessas igrejas. Muitos prefeitos escolhem as demolições mais baratas. Milhares de igrejas estão sendo demolidas e sendo substituídas por shoppings, lojas, apartamentos ou estacionamentos.

A seguir, um vídeo perturbador, com imagens e informações da tv iraquiana revelando claramente o verdadeiro e mal dissimulado caráter que anima o espírito religioso muçulmano e que se esconde sob o alarmante incentivo das novas políticas migratórias impostas pela União Europeia. Infelizmente, o nível de compreensão do afetado cidadão-zumbi da nova ordem mundial está muito longe de perceber que ele próprio é protagonista no suicídio de nossa civilização.

Fontes de consulta:

The European Union Times – France is Demolishing Thousands of Churches, Building Mosques

Tradition in Action – Europe Chastised & a Deeper Look at Islam

SEPULTURA CATÓLICA: QUANDO CONCEDÊ-LA OU NEGÁ-LA?

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Alguns católicos não sabem que a Igreja Católica pode e deve negar a sepultura eclesiástica a determinadas pessoas, ainda que sejam batizadas. Isto significa que o cadáver não pode entrar no templo para celebrar as exéquias. Não só a Igreja pode proibir a entrada do corpo do templo, mas também pode negar a bênção. Assim, o corpo vai direto para o cemitério e será sepultado sem qualquer cerimônia religiosa.

Ao contrário, a Igreja recebe e honra o corpo daqueles que merecem receber os últimos sacramentos para os mortos. A Igreja oferece a Santa Missa pelo eterno descanso do falecido e dá-lhe a absolvição sobre seu caixão. O padre acompanha o morto ao cemitério para abençoar a sepultura e pronunciar as últimas orações.

Agora, usando o Código de Direito Canônico (1917), vamos mostrar, a quem se deve conceder ou negar o sepultamento católico para, em seguida, compará-lo com o Novo CDC (João Paulo II, 1983). Continuar lendo

O SUICÍDIO DE LUTERO

Étienne Couvert

Em 20 de maio de 1505, Lutero iniciara seus estudos de Direito na Universidade de Erfurt. Pouco tempo depois, porém, uma desgraça ocorreu. Tendo encontrado seu amigo Jerônimo Buntz, desentenderam-se, travaram um duelo e Lutero acabou por matar seu companheiro. Em junho daquele mesmo ano, preocupado com as consequências da morte, Martinho buscou seu protetor e amigo, João Braun, vigário colegial em Eisenach, para lhe pedir conselho. Este o estimulou a tornar-se religioso, a fim de evitar as consequências judiciais do caso. Lutero acatou a sugestão e em 17 de julho de 1505 entrou para o convento dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt. Beneficiou-se assim do direito de asilo, então reconhecido pela justiça civil. Seu primeiro tratado, redigido por ele mesmo, intitula-se: “Sobre aqueles que se refugiam nas igrejas, muito útil para os juízes seculares e para os reitores de uma igreja e os prelados de mosteiros”. (“De his qui ad ecclesiam confugiunt tam judicibus secularibus quam Ecclesiae Rectoribus et Monasterioum Praelatis perutilis”). A obra foi publicada anonimamente em 1517, e depois em 1520 com o nome de Lutero. Nela, é lembrado que quem mata sem ter sido inimigo, por erro ou sem premeditação, não é culpado segundo a lei de Moisés.

Em seu mosteiro, porém, Lutero não encontrou paz de espírito. Sua vocação, bastante questionável, foi resultado mais de medo que de um chamado divino ou amor à oração e à solidão.

Devido a seu temperamento hereditário, em acréscimo à sua educação familiar, Martinho era dotado de um caráter violento e explosivo, de tipo primário, que no primeiro impulso age sem refletir, além de uma alma escrupulosa que depois de ter agido, rumina bastante sobre o erro ou a falta cometida desnecessariamente e que podia ter sido evitada com um pouco de reflexão. É um tipo de humanidade bastante comum neste mundo e que não deveria, de modo algum, provocar uma angústia suicida.

Uma morte cometida durante uma rixa, certamente mais acidental que premeditada, não deveria jamais provocar essa crise, que não fez senão acentuar-se ao longo de sua existência, até o suicídio final. A isso é preciso acrescentar outro fator. Continuar lendo