CORONAVIRUS: ENTRE O MEDO E A AUDÁCIA

Dom Lourenço Fleichman OSB

Mais uma vez me vejo na obrigação de esclarecer nossa posição católica, diante de crises que se abatem sobre a nossa sociedade. Nosso mundo anda mergulhado no que lhe parece ser um grande sol a iluminá-lo, quando na verdade é apenas uma escravidão consentida e desejada. Sim, os tecnológicos homens desse mundo pós-moderno sabem, percebem sua incapacidade de fugir da compulsão das redes sociais, das massificantes notícias e informações, e sobretudo da sensação que tomou conta de todos, de serem livres como um passarinho a voejar entre galhos de árvores e fios elétricos. 

Poderíamos perguntar a nós mesmos o porquê dessa doença; creio que responderia que o homem busca companhia. Até certo ponto, convenhamos, essa busca é natural, visto a definição mais do que antiga feita pelo Filósofo, segundo a qual o homem é um animal político: vive na companhia dos seus semelhantes. Ora, como o mundo moderno desenhou no pé da mesa do computador (eu sei, eu sei, já não é mais no computador, é deitado na cama ou no sofá com o celular nos dedos, mas não atrapalhem, por favor, a minha história!)… então, retomemos: como o mundo moderno desenhou no pé da cama, ou da mesa, uma bola de ferro virtual, e disse ao ser debruçado na máquina: – veja, caro amigo, esta é uma bola de ferro virtual, nada mais “real” do que o virtual. Portanto, você está preso, velho escravo. Não se mexa, não saia daí.

Como sói acontecer, o homem moderno nem escutou o que o mundo lhe disse, do mesmo modo que não escuta o pai, ou a esposa, a lhe dizer que o jantar está na mesa, ou que o filho caiu do telhado e quebrou a perna. Embasbacado estava diante do altar da nova religião… embasbacado continuou. Essa falta de reação é a prova da aceitação tácita da escravidão. 

Foi ele assim pilhado, surpreendido, acuado pelas alarmantes notícias que chegavam do outro lado do mundo, da China cheia de histórias, de civilizações pagãs, de comunismos modernos. A China do mercado, do chinguilingue, dos automóveis incrivelmente mal fabricados. Diriam as más línguas que o escravo das redes sociais chegou a experimentar certa dose de satisfação por ter sido o primeiro a ler a notícia sobre um estranho vírus coroado que teria ultrapassado as milenares muralhas. Enquanto as notícias, procuradas agora com ânsia em todos os sites, comentadas alegremente com seus parceiros de escravidão, falavam da China ou da Itália, continuava o alegre escravo a comer sua pizza de entrega super rápida, por esses mágicos aplicativos que trazem a gordura do queijo aos beiços famintos do escravo, o qual insiste em se achar a mais livre das criaturas. Nunca o mundo conheceu mais perfeita escravidão. Pobre gente. 

Eis que o improvável aconteceu: o vírus virtual chegou ao Brasil, e o escravo teve medo de ser ele real. Grudado que estava nas ondas virtuais, colou-se ainda mais forte ao que lhe parecia ser a vida. Abraçou seu celular, beijou-o com carinho: “meu Salvador, só vós podeis, nessa hora de angústias, me fazer companhia, me livrar desse bicho mau”!

A desordem instalou-se por toda parte, leis contraditórias, especialistas a explicar o grau de letalidade do vírus coroado, e outros especialistas a explicar que o importante é o mercado não parar. Médicos a pedir que todos fiquem reclusos em suas casas, e médicos a dizer que podem passear, trabalhar, só tendo cuidado com os velhinhos e meia dúzia de outras castas de doentes no grupo de risco. Políticos impondo regras rígidas de controle, e outros políticos querendo que a economia não pare, pois seria ainda pior a situação, se os médicos não tiverem com o que trabalhar, e o trabalhador não tiver com o que comer.

Valha-me Deus, que os homens escravos já eram doentes sem o pânico, agora já não se tolera mais ouvi-los, tamanha a balbúrdia que provocam, a agitação que causam nas almas, o medo que se instala no coração de todos. Continuar lendo

PROJETO PERMANÊNCIA TV

PermanênciaPrezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como todos sabem, os momentos são difíceis para todos (inclusive para as capelas em que D. Lourenço é responsável), e sobretudo para outros fiéis de estados longínquos que não desfrutam da missa dominical.

Viu-se que as transmissões chegam à muitos e tem dado bons frutos, pois estão atingindo pessoas que, mesmo nos períodos de normalidade, não podem assistir a missa.

Pensando nisso, Dom Lourenço pretende continuar com as transmissões, mesmo quando tudo voltar a normalidade. No entanto, é preciso material para tal. O material hoje utilizado, pertence a uma produtora, que gentilmente cedeu para que não fiquemos sem alimento espiritual. 

Agora vamos direto ao ponto:

O projeto PERMANÊNCIA TV, pretende arrecadar fundos para aquisição de um material básico para as transmissões, por isso, solicito aqui, a ajuda de todos, aos que puderem obviamente, para que possamos arrecadar fundos para aquisição desse material.

Associação Capela N. Sra da Conceição

Banco Itaú

Agência 1638

Conta 06869-0

CNPJ: 39845995000127

Nubank – Pedro Fleichman – CPF: 01575081709

Paypal: domlou@capela.org.br

Caso tenham duvidas, solicito que entrem em contato com o padre via telefone ou e- mail.

A fim de gerar clareza entre as atividades, o que pretendemos adquirir são os materiais abaixo:

  • CÂMERA CANON T7, ou CANON T7i, ou SONY A6500.
  • MICROFONE DIRECIONAL RODE  Rode VideoMicro condensador black
  • TRIPÉ PARA VIDEO (Diferente do tripé de fotografia)
  • BLACKMAGIC WEB PRESENTER

Lembrando que esse é um material Básico, porém já entrega uma excelente qualidade de imagem e som.

Muito obrigado desde já e Deus abençoe a todos!

“AVE, Ó CRUZ, NOSSA ÚNICA ESPERANÇA”

Ave Crux Spes Unica ! | Penso, logo escrevo!“[…] Queridos fiéis confinados, que hoje não podem ter a graça de estar aqui para assistir o Santo Sacrifício da Missa e comungar, eu gostaria de lhes dizer umas palavras: primeiro, que há algo mais contagioso e letal que o coronavírus, que já se disseminou por toda a Igreja, desde o Concílio Vaticano II, e a ameaça perigosamente: o modernismo e suas terríveis sequelas: o indiferentismo religioso, o naturalismo, o desânimo, a falta de fé, etc; segundo, que não ponham as suas esperanças nesta ou naquela autoridade liberal, neste ou naquele cientista, neste ou naquele homem: lembrem-se do que dizia o profeta Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem”. Devemos por toda a nossa esperança na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! Donde virá a solução para esta crise e a cura desta pandemia? Somente das causas segundas, somente da habilidade dos homens? Não, não, queridos fiéis, o remédio para tudo isto está, primeiramente, em fazermos uma verdadeira penitência por nossos pecados, unindo os nossos sofrimentos, as mortificações que nos envia a Providência (como esta epidemia e o confinamento) à Cruz de Nosso Senhor, quem transformará tudo isto no antídoto ideal e eficaz para ambas crises.

Em terceiro lugar, a Paixão de Nosso Senhor foi o meio mais conveniente para a nossa redenção, porque Cristo, com a sua Paixão, não só libertou o homem do pecado, senão que ainda lhe mereceu a graça santificante e a vida eterna. Graça esta que nos faz filhos adotivos de Deus e herdeiros do Paraíso.

Em quarto lugar, porque obriga o homem a conservar-se em graça, segundo São Paulo: “Vós fostes comprados por um grande preço [isto é, pelo Sangue de Cristo]; glorificai, pois, e trazei a Deus no vosso corpo”16. Isto nos deve fazer refletir quão pouco damos valor à graça. Quantas vezes, contritos devemos admitir, trocamos este tesouro preciosíssimo pelo que há de mais vil na face da terra! Não meditamos um só instante no preço que ela custou a Nosso Senhor: a morte e morte de cruz. Que temos feito com a graça de Deus, que temos feito com a nossa vocação, que temos feito com os dons que Deus nos deu? Esta é a pergunta que nos devemos fazer cada dia, e sobretudo nesta Quaresma.

Por fim, em quinto lugar, para maior dignidade do homem, de modo que assim como fora vencido e enganado pelo diabo, assim também fosse ele quem vencesse o diabo; e assim como o homem mereceu a morte, assim também, morrendo, vencesse-a, como canta o Prefacio: “É verdadeiramente digno e justo, necessário e salutar que sempre e em toda parte Vos demos graças, Senhor, Pai Santo, Deus Onipotente e eterno, que no madeiro da cruz pusestes a salvação do gênero humano, a fim de que, donde nascera a morte, daí ressurgira a vida, e aquele que no madeiro vencera[isto é, satanás], no madeiro fosse vencido, por Jesus Cristo Nosso Senhor”.

Ave, ó Cruz, nossa única esperança

Trecho do sermão do Pe. Olivieri Toti proferido na Missa do Domingo da Paixão.

Para ler o sermão completo clique aqui ou para ouvi-lo durante a Missa clique aqui.

O DESAFIO DO CONFINAMENTO – PELO PADRE JEAN-FRANÇOIS MOUROUX,FSSPX

http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2019/11/jean.pngSão Paulo, 24 de março de 2020

Estimados fiéis,

Hoje começamos o confinamento, que se estenderá pelo menos até o dia 7 de abril. Este confinamento é um desafio. Faz lembrar algumas das histórias dos marinheiros. Quando o mar está tranquilo, o navio fica imóvel, sem vento, sem ondas. A falta de ação e de perspectiva irritam toda a tripulação. Só há uma maneira de evitar o caos: a disciplina. Este confinamento é um desafio. Sem vida interior, sem o hábito do estudo e do silêncio, pode ser difícil para muitos.

A primeira coisa que temos de fazer é estabelecer um horário. “O dia começa com a hora de dormir”, diz-nos São Francisco de Sales. Ir tarde para a cama significa se levantar tarde, por isso não podemos cumprir bem o nosso dever de estado. E se nos levantarmos cedo, o resultado pode ser o mesmo por causa da fadiga. É, portanto, fundamental definir os horários para levantar e ir para a cama.

A segunda coisa a prever: tempos de oração. A oração da manhã, da noite e o Terço são os momentos indispensáveis, que dão ritmo ao dia de um cristão. Aproveitemos o fato de estarmos juntos debaixo do mesmo teto para rezar em família.

Uma terceira coisa não deve ser deixada de lado: os horários das refeições. Ninguém deve vir e se servir na geladeira à hora que bem entender. A refeição, precedida e seguida da oração, deve ser tomada em comum. A refeição é um momento de convívio que permite intercâmbios essenciais. É a ocasião de detectar certas tristezas ou preocupações. É uma oportunidade para compartilhar informações e mesmo algo engraçado para relaxar o ambiente. Também continua a ser o momento privilegiado para definir um programa.

Uma quarta coisa a que devemos estar atentos: às nossas atividades. E aqui devemos apontar um grande perigo: a Internet. Claro, há muitas coisas boas na Internet. Podemos assistir à Missa lá todos os dias. Podemos encontrar palestras interessantes, artigos relevantes e até mesmo livros que não se encontram nas livrarias. E um bom filme de vez em quando será um passatempo fácil, especialmente para as crianças… Sim, mas devemos ter cuidado. É preciso lembrar que o uso prolongado de telas cansa e irrita, sem falar da imoralidade e da violência presentes em todas as partes. E, além disso, usada menos de uma hora antes de ir para a cama, impede o sono. Em um ambiente confinado isto pode rapidamente levar a um comportamento problemático.

Uma quinta recomendação se segue naturalmente: ser fisicamente ativo. “Uma mente saudável num corpo saudável”. Para a maioria das pessoas é impossível passear lá fora. Deve-se planejar um tempo de exercícios diário.

Aqui está o programa de vida dos sacerdotes na maioria dos priorados da Fraternidade: 

6h: levantar; 

6h30 min: Ofício de Prima, meditação e Santa Missa.

8h: café da manhã e depois pessoalmente: leitura da Sagrada Escritura, leitura espiritual, estudo.

12h15 min: Ofício de Sexta seguido do almoço.

18h30 min: Terço. Em nosso Priorado de São Paulo, aproveitamos o confinamento para fazer a adoração ao Santíssimo Sacramento. Depois vem o jantar.

21h (em São Paulo): Ofício de Completas.

22h: grande silêncio

Espero que estes poucos conselhos os ajudem. Amanhã celebraremos a Festa da Anunciação. Feliz festa a todos! Peçamos a Nossa Senhora que aceitemos humildemente a vontade de Deus, manifestada através destes acontecimentos.

Que Nossa Senhora Aparecida vos proteja.

Padre Jean-François Mouroux, FSSPX

Prior do Priorado de São Paulo/SP

O DISCERNIMENTO

Resultado de imagem para rezando joelhosAs almas que desejam santificar-se têm às vezes dificuldades para discernir a vontade de Deus. Sabem que Ele a manifesta em primeiro lugar por seus mandamentos e que, nesse aspecto, basta cumprir o que está prescrito. Mas, em várias decisões que devem ser tomadas ao longo da vida, o campo livre é tão vasto que nem sempre é fácil ver claramente o que Deus espera de nós.

Essa dificuldade não é nova. Todas as almas piedosas que quiseram agradar a Deus enfrentaram a mesma situação. Para resolvê-la, vejamos a solução proposta por São Francisco de Sales, que teve a prudência, a sabedoria e o equilíbrio de um guia seguro, além da santidade e de uma longa experiência com as almas que dão às suas respostas um peso considerável.

TRÊS ATOS DA VIRTUDE DA PRUDÊNCIA

Para ver esse assunto mais claramente, convém distinguir nossas decisões entre aquelas que comprometem todo nosso futuro e aquelas que têm menor importância.

Pedir a luz do Espírito Santo

As grandes decisões, como escolher uma profissão, mudar-se de cidade, escolher uma vocação ou fazer um gasto importante, merecem muita atenção. Um erro de apreciação pode ter consequências desastrosas e, infelizmente, todos nós temos tristes exemplos disso ao nosso redor. Talvez nós mesmos já tivemos que pagar o preço, mais cedo ou mais tarde, por haver tomado uma má decisão. Por isso, para evitar novas decepções, escutemos com atenção os conselhos de São Francisco de Sales, que descreveu em poucas palavras no “Tratado do amor de Deus” o processo que devemos seguir: É necessário ser muito humildes, diz, e não pensar em encontrar a vontade de Deus a força de investigações e de sutilezas de discurso.

Mas, depois de pedir a luz do Espírito Santo, de propor-nos agradá-lo, de pedir o conselho de nosso confessor e, em determinado caso, de outras duas ou três pessoas piedosas, devemos com a graça de Deus decidir.

Portanto, devemos em primeiro lugar rezar, para que Deus esteja no centro de nossas deliberações. Depois, devemos reflexionar, para analisar as vantagens e os inconvenientes das diferentes soluções consideradas, lembrando-nos de que Deus nos deu uma inteligência para que a usemos. Por isso, a oração não dispensa a reflexão. Continuar lendo

A ESPADA DE DOR NAS MÃOS DE SÃO JOSÉ

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

“Levante-se, pegue o Menino e sua mãe, fuja para o Egito e fique lá até que Eu avise;  porque Herodes vai procurar o menino para o matar ”(Mt 2, 13). Esta mensagem do anjo, no meio da noite, muitos meses após o nascimento do Menino Jesus, foi um grande tormento para São José.

Essa notícia acabou com as alegrias do Natal e tornou-se o começo do cumprimento da profecia de Simeão: “E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este (Menino) está posto para ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. E uma espada trespassará a tua alma, a fim de se descobrirem os pensamentos escondidos nos corações de muitos.” (Lc 2, 34-35).

Maria, vítima toda pura, não podia se sacrificar, se imolar sozinha mais do que o próprio Cristo. Era-lhe necessário um sacrificador, alguém que os enviasse, por assim dizer, à morte. O Pai que enviou seu Filho único para ser sacrificado, enviou José para transpassar o Coração de Maria com esta dura notícia. É assim que começa uma longa série de sofrimentos. São José sabia o que estava fazendo quando acordou Maria e seu filho. Ele já podia imaginar a dor agonizante da espada que ele teria que penetrar em seu Coração Imaculado. São José não poderia fazer o contrário, porque Deus o havia ordenado dessa forma, pela voz do anjo. O tempo também estava acabando pois os homens de Herodes iam partir ao amanhecer.

As penas e os sofrimentos de uma longa jornada abriram caminho às inúmeras dificuldades de viver e trabalhar em um país estrangeiro. A espada que José havia introduzido no coração de Maria voltava sempre aele através de todas essas incontáveis ​​contrariedades. A dificuldade de sustentar sua esposa e o Menino era uma dor diária para ele. Os sofrimentos que suportaram por estarem fora da terra de Israel também pesaram em suas almas tão puras e tão sensíveis. Foi um sofrimento adicional para São José. Na verdade, ele sofreu na companhia de Jesus e Maria e suportou suas próprias tristezas com eles. Ele sabia a quem servia, e esse serviço, embora cheio de grandes sofrimentos, também era uma fonte de alegria e paz.

Assim deve ser para nós. Companheiros de Jesus e Maria, adentremos também essa espada de dor em seus corações, não pelo cumprimento de uma profecia, mas por nossos pecados e nossas negligências. Em vez de reclamarmos de nossas contrariedades, deveríamos nos considerar felizes e compartilhar com Jesus e Maria os sofrimentos desta terra, as rejeições a qual eram objeto, os pecados e as indiferenças que eles encontraram.

Para imitar São José, compartilhemos voluntariamente esses sofrimentos que são de três tipos:

1) Muitos são os sofrimentos que nos chegam de pessoas próximas a nós. Não vamos reclamar disso e carreguemos esse fardo voluntariamente.

2) Os sofrimentos também chegam a nós por nossos próprios pecados e quedas. Não nos surpreendamos, mas os suportemos, sabendo que é pela paciência que salvaremos nossas almas.

3) Os interesses e desígnios de Deus devem ser nossos e Deus deseja a salvação e a santificação de todos. É por isso que devemos ter conhecimento dos pecados do mundo e levá-los em uma oração frutífera e restauradora pela salvação das almas.

São José, testemunha silenciosa dos sofrimentos de Jesus e Maria, rogai por nós. E nós, pobres pecadores, não cessemos de gritar: Ave Maria.

CARTA DO SUPERIOR GERAL AOS FIÉIS EM TEMPOS DE EPIDEMIA

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Carta do Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, dirigida a todos os fiéis confinados em seus lares e que não têm mais acesso à Santa Eucaristia, devido à epidemia do coronavírus.

Caríssimos fiéis,

Neste momento de provação, certamente difícil para todos vós, gostaria de vos dirigir algumas reflexões.

Não sabemos quanto tempo durará a situação atual, nem, sobretudo, como as coisas evoluirão nas próximas semanas. Diante dessa incerteza, a tentação mais natural é buscar desesperadamente garantias e explicações nos comentários e hipóteses dos mais instruídos “especialistas”. Muitas vezes, no entanto, essas hipóteses – atualmente abundante por todos os lados – se contradizem e aumentam a confusão, em vez de trazer um pouco de serenidade. Sem dúvida, a incerteza é parte integrante desta prova. Cabe a nós saber como tirar proveito disso.

Se a Providência permite uma calamidade ou um mal, sempre o faz para obter um bem maior que, direta ou indiretamente, incide sempre  em nossas almas. Sem essa premissa essencial, corremos o risco de nos desesperar, porque uma epidemia, uma outra calamidade ou qualquer provação sempre nos acharão insuficientemente preparados.

Neste ponto, o que Deus quer que entendamos? O que Ele espera de nós nesta Quaresma em particular, quando Ele parece ter decidido quais sacrifícios devemos fazer?

Um simples micróbio é capaz de colocar a humanidade de joelhos. Na era das grandes conquistas tecnológicas e científicas, é, sobretudo, o orgulho humano que ele coloca de joelhos. O homem moderno, tão orgulhoso de suas realizações, que instala cabos de fibra ótica no fundo dos oceanos, constrói porta-aviões, usinas nucleares, arranha-céus e computadores, que depois de pisar a lua continua sua conquista até Marte, este homem é impotente diante de um micróbio invisível. O alvoroço midiático nos últimos dias e o medo que podemos ter disso não devem nos fazer perder esta lição profunda e fácil de entender, para os corações simples e puros que examinam com fé os dias atuais. A Providência ainda hoje ensina por meio de eventos. A humanidade – e cada um de nós – tem a oportunidade histórica de retornar à realidade, à realidade e não ao virtual, composto de sonhos, mitos e ilusões.

Traduzida em termos evangélicos, esta mensagem corresponde às palavras de Jesus que nos pede para permanecermos unidos, o mais próximo possível, a Ele, porque sem Ele nada podemos fazer ou resolver, qualquer problema que seja (cf. Jo 15, 5). Nossos tempos incertos, a expectativa de uma solução, o sentimento de nosso desamparo e de nossa fragilidade devem nos encorajar a buscar Nosso Senhor, implorar-Lhe, pedir Seu perdão, rezar a Ele com mais fervor e, acima de tudo, abandonar-nos a Sua Providência.

A isto se acrescenta a dificuldade, ou mesmo, a impossibilidade de participar livremente da Santa Missa, o que aumenta a dureza dessa provação. Mas resta, em nossas mãos, um meio privilegiado e uma arma mais poderosa que a ansiedade, a incerteza ou o pânico que podem causar a crise do coronavírus: trata-se do Santo Rosário, que nos liga à Santíssima Virgem e ao céu.

Chegou a hora de rezar o rosário em nossas casas de forma mais sistemática e com mais fervor do que o habitual. Não percamos nosso tempo diante das telas e não se deixemos dominar pela febre midiática. Se tivermos que observar o confinamento, aproveitemos a oportunidade para transformar nossa “prisão domiciliar” em uma espécie de feliz retiro familiar, durante o qual a oração encontre seu lugar, seu tempo e a importância que merece. Leiamos os Evangelhos por completo, meditemo-los calmamente, escutemo-los em paz: as palavras do Mestre são as mais eficazes, porque alcançam facilmente a inteligência e o coração.

Agora não é o momento de deixar o mundo adentrar nossos lares, agora que as circunstâncias e as ações das autoridades nos separam do mundo! Tiremos proveito dessa situação. Demos prioridade aos bens espirituais que nenhum germe pode atacar: acumulemos tesouros no céu, onde nem os vermes nem a ferrugem nos destroem. Pois onde está nosso tesouro, alí está também nosso coração (cf. Mt 6, 20-21).

Aproveitemos a oportunidade de mudar nossas vidas, conscientes de como nos abandonar à Providência divina. E não nos esqueçamos de rezar por aqueles que estão sofrendo nesse momento. Devemos recomendar ao Senhor todos aqueles a quem o dia do julgamento se aproxima, e pedir-Lhe que tenha misericórdia de tantos contemporâneos nossos que permanecem incapazes de tirar boas lições dos acontecimentos atuais para suas almas. Rezemos para que, uma vez superada as provações, eles não voltem à sua vida anterior, sem mudar nada. As epidemias sempre serviram para trazer os tíbios à prática religiosa, ao pensamento de Deus, à detestação do pecado. Temos o dever de pedir essa graça a cada um de nossos conterrâneos, sem exceção, incluindo – e acima de tudo – aos pastores que não têm espírito de fé e que não sabem mais discernir a vontade de Deus.

Não desanimemos: Deus nunca nos abandona. Saibamos meditar nas palavras cheias de confiança que nossa Santa Madre Igreja coloca nos lábios do sacerdote em tempos de epidemia: “Ó Deus que não quereis a morte, mas a conversão dos pecadores, volvei com bondade ao vosso povo que se volta para Vós e, enquanto fiel a Vós, livrai-o com misericórdia do flagelo de Vossa cólera ”.

Recomendo a todos ante o Altar e à paternal proteção de São José. Que Deus vos abençoe!

Pe. Davide Pagliarani +

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Leiam também o post do Sermão do Pe. Puga: CORONAVÍRUS: UMA VISÃO SOBRENATURAL

 

NOSSA SENHORA, TESOURO DE SÃO JOSÉ

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Quando o rei Salomão subiu ao trono, Deus lhe prometeu, em sonho, que lhe daria o que quisesse. Salomão pediu “um coração dócil, para poder julgar seu povo e discernir entre o bem e o mal; pois quem pode fazer justiça ao seu povo, a esse povo tão numeroso? ”(3 Reis 3, 9).

Diante da humildade dessa resposta, Deus concedeu ao rei riqueza, longevidade e vitória sobre seus inimigos, além da sabedoria que ele desejava. Precisamente porque ele havia mostrado que preferia ser justo do que gozar dos bens que não eram necessários à sua salvação, Deus lhe cobriu de todos os bens.

De fato, certos dons de Deus não são essenciais e Ele, às vezes, não os concede a nós, a menos que estejamos desapegados deles. O patriarca Abraão teve uma dolorosa experiência no momento do sacrifício de “seu filho, seu único filho, o objeto de sua afeição” por ordem de Deus, antes que o anjo o impedisse, pois seu temor a Deus havia sido suficientemente comprovado.

Ser casado com Nossa Senhora não era necessário à salvação de José. E, no entanto, ele certamente não deixou de saber, em sua alma já tão profunda, que o tesouro que havia lhe sido confiado não tinha preço. Esse tesouro, a Providência exigiu primeiramente que o abandonasse. Vendo que Maria esperava um filho e que ele não participaria desse mistério, para observar a lei sem prejudicar sua noiva que ele sabia ser pura, resolveu deixá-la secretamente (Mt 1,19), e foi somente depois de tomar essa decisão que Deus lhe confiara expressamente Maria e o filho. Sua afeição já tão profunda foi assim purificada por um corajoso sacrifício.

Da mesma forma, Nossa Senhora renunciou à alegria e ao orgulho da maternidade dedicando sua virgindade a Deus. E Deus, que não se deixa vencer em generosidade, honrou esse propósito, concedendo milagrosamente que ele fosse mãe, e mãe de Seu Filho!

Maria era o tesouro de José, Jesus o de Maria. Mas tanto Maria como José buscaram primeiro o reino de Deus e sua justiça, e a plenitude deles era superabundante. Que eles se dignem a transformar nossos corações em bens verdadeiros!

SÃO JOSÉ, SEGUNDO SANTA TERESA DE JESUS

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Santa Teresa de Jesus sempre se encomendou a São José, e por isso falou muito do Santo Padroeiro da Igreja Universal, e foi grande devota dele.

1 – E tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e me encomendei muito a ele. Vi com clareza que, tanto desta necessidade como de outras maiores, de perder a fama e a alma, esse pai e senhor meu me livrou melhor do que aquilo que eu sabia pedir. Não me lembro até hoje de haver-lhe suplicado nada que não me tenha concedido (V 6, 6).

É coisa que espanta as grandes mercês que me fez Deus por meio deste bem-aventurado santo, e dos perigos de que me livrou, tanto de corpo como de alma; que a outros santos parece que lhes deu o Senhor graça para socorrer em uma necessidade; mas a este glorioso santo tenho experiência de que socorre em todas, e quer o Senhor nos dar a entender, que assim como a ele esteve submetido na terra, pois como tinha nome de pai, sendo guardião, nele podia mandar, assim no céu faz o quanto lhe pede.

2.- E isso comprovaram algumas pessoas, às quais eu dizia que se encomendassem a ele, também por experiência; e ainda há muitas que começaram a ter-lhe devoção, havendo experimentado esta verdade (V 6, 6).

3.- Procurava eu celebrar a sua festa com toda a solenidade que podia, mais cheia de vaidade que de espírito, querendo que se o fizesse bem e com muitos detalhes, ainda que com boa intenção (V 6, 7).

4.- Queria eu persuadir a todos que fossem devotos desse glorioso santo, pela grande experiência que tenho dos bens que alcança de Deus. Não conheci ninguém que lhe tenha verdadeira devoção e lhe faça serviços especiais, que não se veja mais beneficiado na virtude; pois ajuda muito às almas que a ele se encomendam (V 6, 7). Continuar lendo

A MISSA NOVA LEVA AO PECADO CONTRA A FÉ – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A missa nova é escandalosa, não no sentido do escândalo que causa estranheza. Não se trata disso. O escândalo é que conduz ao pecado. Pois bem, a nova missa leva ao pecado contra a fé, que é um dos pecados mais graves e perigosos, porque a perda da fé é, verdadeiramente, afastar-se da Revelação, de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Igreja.

Isso equivale a concluir que uma pessoa que estava ciente e está a par do perigo dessa missa e que foi a ela, cometeria, é claro, pelo menos um pecado venial. Por que, me direis, por que não nos diz ser um pecado mortal? Porque acredito que assistir uma só vez essa missa não constitui um perigo próximo. Acredito que o perigo se torna grave e, portanto, se torna motivo de um pecado grave, pela repetição. (…) O pecado torna-se grave se uma pessoa consciente e está a par do assunto frequenta regularmente e diz: “Ah, pra mim é a mesma coisa, não tenho medo quanto a minha fé”!, sendo que sabe perfeitamente que é algo perigoso. Ele sabe: é testemunha que as crianças perderam a fé porque assistiam regularmente a missa nova, é testemunha de que os pais deixaram a Igreja … mas, enfim, vai a ela de qualquer jeito. Nesse caso, é evidente que ele está realmente colocando em risco sua fé.

Para julgar a falta subjetiva dos que celebram a missa nova ou dos que a assistem, devemos aplicar as regras do discernimento de espíritos, segundo as diretrizes da teologia moral e pastoral. Devemos agir sempre como médicos de almas e não como justiceiros ou carrascos, como são tentados a fazer aqueles que são animados por um zelo amargo e não por um zelo verdadeiro(1) . Os jovens sacerdotes devem inspirar-se nas palavras de São Pio X em sua primeira encíclica e em muitos textos de autores espirituais conhecidos, como os de D. Chautard em A alma de todo apostolado, de Garrigou-Lagrange no segundo volume de  Perfeição cristã e Contemplação e D. Marmion em Cristo Ideal do Monge . 

Diretrizes práticas 

Os fiéis católicos devem fazer todo o possível para manter a fé católica intacta e íntegra: assistir à Missa de sempre quando puderem, ainda que seja uma vez por mês e colaborar ativamente para ajudar os sacerdotes fiéis na celebração da Missa da sempre e na distribuição dos sacramentos segundo os ritos antigos e o catecismo antigo.

Quando não podem ir a essas missas, podem lê-la aos domingos no missal, em família se possível, como os cristãos dos países missionários, que só recebem a visita do padre duas ou três vezes por ano e, às vezes, apenas uma!

Damos essas diretrizes para que cada uma possa seguir a linha de conduta mais favorável para a preservação da fé. É evidente que o preceito de domingo é obrigatório apenas quando há uma Missa de sempre acessível. É a época do heroísmo. Acaso não é uma graça de Deus viver nestes tempos turbulentos, para poder encontrar a Cruz de Jesus, seu sacrifício redentor, e estimar em seu justo valor essa fonte de santidade da Igreja, colocá-la novamente em  honra e apreciar melhor a grandeza do sacerdócio?

Entender melhor a Cruz de Jesus é elevar-se ao céu e aprofundar na verdadeira espiritualidade católica do sacrifício, e o sentimento de sofrimento, da penitência, da humildade e da morte.

A Missa de Sempre – Mons. Marcel Lefebvre +

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 5): DOM GUÉRANGER E O MOVIMENTO LITÚRGICO (CONTINUAÇÃO)

Abadia de Solesmes, restaurada e ilustrada por Dom Guéranger

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os primeiros quatro artigos nos trouxeram ao século XIX, para Dom Guéranger e para seu magnífico trabalho de restauração da liturgia Romana, prelúdio e começo do movimento litúrgico. Há, entretanto, no trabalho do fundador de Solesmes, uma passagem notável que se amolda alegremente ao estudo da nova missa.

Heresia Anti-Litúrgica

No XIVº Capítulo do primeiro livro das ‘Instituições Litúrgicas’, Dom Guéranger caracteriza o espírito anti-litúrgico em suas várias manifestações falando de heresia. Por esse termo, que repeliu o Padre Lacordaire que entendeu isso em sentido estrito, ele [Dom Guéranger] não quis significar a negação ou recusa de verdades reveladas pela fé.

Sob o nome de heresia anti-litúrgica, Dom Guéranger descreve um espírito, uma atitude na qual “vai contra as formas de adoração”. Ele procede essencialmente pelo modo de negação ou destruição, que inclui qualquer transformação que perturba ao pont de desfigurar. Ele sempre procede de uma razão profunda, que tem como alvo as crenças em si, em razão do elo íntimo entre liturgia e credo.

Dom Guéranger não hesita em qualificar como sectários aqueles que trabalham para destruir a liturgia em quaisquer tempo que seja. Admitidamente, na maioria dos casos, eles não são organizados entre si. Mas suas ações procedem do mesmo motivo. Dom Guéranger não hesita em agrupá-los sobre o nome geral de seita.

O autor de ‘Instituições Litúrgicas’ descobriu a primeira manifestação disso [heresia anti-liturgica em Vigilance, um padre da Gália [Nome da atual região da França nos tempos do Império Romano] nascido por volta do ano 370. Ele criticava a veneração das relíquias dos santos, bem como o simbolismo das cerimônias, atacou o celibato de ministros sacros e vida religiosa, “tudo para manter a pureza da Cristianismo”.
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50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 4): DOM GUÉRANGER E O MOVIMENTO LITÚRGICO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os primeiros três artigos desta série nos levaram ao século XIX. Naquele tempo, o Missal Tridentino, que havia sido estabelecido em quase todo lugar, estava sendo desafiado em particular pelo Galicanismo e Jansenismo. Essa dificuldade foi encontrada especialmente na França, mas também na Itália com o famoso sínodo de Pistóia, realizado pelos Jansenistas em 1786.

O estado das coisas no começo do Século XIX

Na França, a diversidade de missais havia se tornado preocupante: quase todas as dioceses tinham uma liturgia particular, em seu próprio modo. Além disso, as fronteiras das novas dioceses  criadas seguindo a concordata de 1801 não coincidiam com aquelas das velhas dioceses. Como resultado, um bispo poderia se encontrar confrontado com várias liturgias diferentes.

Aqui está um exemplo. Após se tornar Bispo de Langre em 1836m Monsenhor Parisis falou de sua perplexidade: “Criado por veneráveis padres, todos confessores da fé, no uso exclusivo das modernas liturgias, eu dificilmente suspeitei que poderia haver dúvidas sobre sua legitimidade tanto mais quanto sua ortodoxia. Aqui está o que eu encontrei na diocese de Langres: Primeiramente, cinco liturgias diferentes respectivamente seguidas por fragmentos de cinco dioceses que agora formam a nova diocese de Langres [Langres, toul, Chalons, troyes e Besançon]; então, vários usos não mais reconhecidos, estabelecidos por todos os párocos que se sucederam ali durante quarenta anos, ou simplesmente [estabelecidos]pelos professores das escolas.Finalmente, na catedral, a missa é rezada e o ofício cantado de acordo com o Rito Romano, mas o breviário recitado de acordo com a edição semi Parisiense que não possui mais do que dez anos de existência.”

Dom Guéranger: O Homem Providencial

Prosper Louis Pascal Guéranger  nasceu em 04 de abril de 1805 em Sablé, nas várzeas do [rio] Sarthe, e foi batizado no mesmo dia. Aos 17 anos de idade ele entrou no seminário de Le Mans, no ano de filosofia, e entrou no seminário maior no ano seguinte. Ele foi ordenado padre em 07 de outubro de 1827. Sua ordenação foi marcada por um incidente profético: o bispo omitiu uma importante imposição de mãos durante a cerimonia; o Padre Guéranger reclamou sobre isso, até que, tendo reparado seu erro, o bispo seguiu as prescrições pontificais.
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VINTE-VINTE: MAIS DO MESMO

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Fonte: Boletim Permanencia

Confesso aos leitores que quando publico esses textos que parecem levar a sério o que é mera especulação, recebo mensagens e acenos para revelar tudo que imaginam que sei a respeito, compilar em alguns parágrafos todas as conjecturas e decifrar os enigmas arcanos por trás dos textos, como se o futuro do mundo já estivesse escrito e pertencesse a essa elite do Mal, que caçoa das pessoas comuns criptografando mensagens nas capas de suas publicações.

De fato a brincadeira soa verdadeira quando certas coincidências se manifestam com aquela “sincronicidade suspeita” que faz a festa dos conspiracionistas. Por outro lado, como veremos a seguir, boa parte dos textos aludem a fatos conhecidos, pessoas importantes, aniversários famosos, agendas políticas e modismos.

A capa deste ano segue um padrão de fácil assimilação, pois não parece esconder nenhum nome ou sigla, desde que o leiamos em seqüência. Vejamos:

The world in 2020 (O mundo em 2020), Trump, Brexit, AI (Inteligência Artificial), Tokyo, Mars (Marte), Climate (Clima), Xi [Jiping], Recession (Recessão), [Narendra] Modi, Expo, SDGs (Metas para desenvolvimento sustentável), [James] Bond, Beethoven, Visions (Visões), Biodiversity (Biodiversidade), Rat (Rato), NPT (Tratado de Não Proliferação), [Elizabeth] Warren, Raphael [Sanzio], [Florence] Nightingale, Russia.

Os sobrenomes da vez são de Donald Trump, Xi Jiping, Narendra Modi e Elizabeth Warren, que respectivamente são os líderes dos EUA, China e Índia, acrescidos da pré-candidata ao pleito americano pelo partido Democrata. Seria isso uma previsão da sua indicação como candidata à presidência pelo seu partido? Se Warren for um nome, pode apontar para o mega investidor W. Buffet, que completará 90 anos em agosto, notório financiador dos democratas. Continuar lendo

CARTA DO SUPERIOR GERAL AOS AMIGOS E BENFEITORES – N° 89

ab-pagliarani_fsspx_menzingen_2018_2Fonte: FSSPX

Caros fiéis, amigos e benfeitores,

Há muito tempo eu queria vos dirigir algumas palavras. Com efeito, nós nos encontramos atualmente entre dois aniversários importantes: por um lado, há cinquenta anos, a nova missa era promulgada e, com ela, os fiéis viram ser imposto sobre eles uma nova concepção de vida cristã, adaptada às ditas exigências modernas. Pelo outro, festejamos neste ano o 50º aniversário de fundação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Não é preciso dizer o quanto esses dois aniversários possuem uma estreita relação, porquanto o primeiro acontecimento demandava uma reação proporcional. É sobre isso que eu gostaria de falar para então poder extrair algumas conclusões válidas para o presente, mas fazendo primeiro um retorno ao passado, pois esse conflito, que se manifestou há cinquenta anos, começou na verdade já durante a vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De fato, quando Nosso Senhor anunciou pela primeira vez aos Apóstolos e à turba que o ouvia em Cafarnaum o grande dom da Missa e da Eucaristia, um ano antes de sua Paixão, alguns se separaram dele, enquanto que outros se juntaram de maneira mais radical. Isso é paradoxal, mas é a própria ideia da Eucaristia que provocou o primeiro “cisma” e, ao mesmo tempo, levou os Apóstolos a aderirem definitivamente à pessoa de Nosso Senhor.

Eis como São João relata as palavras de Nosso Senhor e a reação de seus ouvintes: «Assim como me enviou o Pai que vive, e euvivo pelo Pai, assim o que me comer a mim, essemesmo também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que comeram osvossos pais, que morreram. O que come deste pãoviverá eternamente. Jesus disse estas coisas, ensinandoem Cafarnaum, na Sinagoga.Muitos de seus discípulos, ouvindo isto, disseram:“Dura é esta linguagem; quem a pode ouvir?” (…) Desde então muitos deseus discípulos tornaram atrás, e já não andavamcom ele» (Jo 6, 57-60, 66). Continuar lendo

UTILIDADE DAS TENTAÇÕES

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Excelente artigo escrito pelo Revmo. Pe. José María Mestre, da FSSPX, onde ele nos explica o que são as tentações, por onde elas chegam até nós e como vencê-las.

O tempo sagrado da Quaresma representa a vida do cristão sobre a terra, vida que assume o papel de uma guerra constante contra inimigos tenazes que buscam nossa perdição eterna. É verdade que, assim como a Quaresma nos leva à glória da luminosa manhã de Páscoa, da mesma maneira os sofrimentos e lutas desta vida, cristianamente aceitos, nos levam à possessão eterna da bem-aventurança. Mas, enquanto isso, devemos lutar, sofrer. A Quaresma é, então, um tempo de renúncia e dor. É um tempo de tentações por parte de Satanás, do mundo e da carne. A tentação, a prova, é a condição constante do homem que quer ganhar o céu. O próprio Cristo, nossa Cabeça, nosso Modelo, quis ser tentado, para nos ensinar:

  1. Que seremos tentados.
  2. Por onde seremos tentados.
  3. Que armas devemos usar para vencer a tentação.

1º Ao longo de nossas vidas, seremos tentados

A partir do exemplo de Nosso Senhor, que, sendo nossa Cabeça, desejou suportar a tentação do demônio, deduzimos, antes de tudo, que também seremos continuamente tentados. E então podemos nos perguntar: Por que Deus permite que o demônio nos tente? Em outras palavras, que vantagens obtemos da tentação?

Na vida de Santa Catarina de Siena, lê-se que uma vez ela se viu envolvida em um combate espiritual muito prolongado e horrível. Representações torpes, provocadas pelo demônio, desfilavam uma após a outra por sua imaginação. E quanto mais ela as descartava, mais fortemente atacavam. Parecia-lhe que uma água suja a envolvia e que ela estava totalmente submersa nela; apenas sua vontade, que não consentia, permanecia à tona. A prova durou vários dias, no final dos quais o Senhor lhe apareceu:
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50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 3): O MISSAL TRIDENTINO POSTO À PROVA PELO GALICANISMO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Meio século atrás, o Papa Paulo IV impôs uma reforma litúrgica para toda a Igreja  em nome do Concílio que acabara de terminar. Assim nasceu a missa do Vaticano II. Ela foi imediatamente rejeitada por dois cardeais e desde então a oposição contra ela não enfraqueceu. Esse triste aniversário é uma oportunidade para traçar sua história.

Antes de considerar-se a reforma litúrgica de Paulo VI e a nova missa, vale a pena recontar a história do Missal Romano, porque sua reforma alega ser o desenvolvimento homogêneo do passado. O que é absolutamente questionável. Uma revisão histórica facilita a pesrpectiva geral.

A primeira e segunda parte dessa visão geral histórica recontou o desevolvimento do Missal Romano, o ora trabalho do Concílio de Trento  do Papa São Pio V, até  o século dezesseis. Vamos considerar agora a evolução da liturgia no período que se seguiu. 

O Século XVII

A difusão da liturgia Tridentina fora geral em um primeiro momento. Entretanto, na segunda fase, o despertar de particularidade provocou um certo retorno à divisão que reinava anteriormente ao Concílio de Trento, especialmente na França.

Esse país alegremente aceito os livros Romanos publicados pelo Concílio de Trento e mesmo contribuiu para o início dos estudos litúrgicos.

Entretanto no último terço do século XVII, um movimento neo-galicano começo a emergir, o qual Dom Guéranger corretamente descreveu como sendo de “um desvirtuamento litúrgico”. Foi, ademais, quase exclusivamente na França que esse ataque à unidade litúrgica, promovido pelo Concílio de Trento, se desenvolveu.
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É MAIS FÁCIL FAZER PENITÊNCIA COM A VIRGEM

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

A verdade é que, à primeira vista, a penitência nos assusta. Talvez nós simplesmente não queiramos fazê-la, ou talvez pensemos que não podemos? Mas esse modo de pensar produz maus frutos e leva à destruição da vida da graça, porque é o oposto da vida de Cristo.

A penitência, embora amarga, é tão necessária à nós quanto a comida e a bebida são para o corpo. Mas esse alimento amargo no início, carrega uma doçura espiritual muito especial, acima de tudo o que a terra pode oferecer.

Se isso não é suficiente para nos encorajar no caminho da penitência, nosso bom Pai, que está no céu, nos deu uma terna Mãe para nos moldar em sua prática. Como uma criança toma seu remédio amargo? Ele toma o que não gosta graças aos afagos de sua mãe.

É o mesmo na vida espiritual. E Maria nos ensina dessa forma em Lourdes e Fátima: “Penitência, penitência!

A vida de Nossa Senhora era, de fato, uma vida de dor sem comparação. Ora, a penitência é essencialmente a dor pelo pecado, com a firme resolução de repará-lo e não fazê-lo novamente. Pela pena de seus pecados, o homem reconhece seus delitos contra Deus, que é a fonte de toda bondade e amante das almas.

O segundo pensamento, que pode nos ajudar a perseverar na prática da penitência, é o pensamento em Jesus e Maria.

No meio da alegria do Natal, enquanto Maria segurava Jesus nos braços, Simeão profetizou: “Eis que este menino está posto para a ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição, e uma espada trespas­sa­rá a tua alma a fim de se descobrirem os pensamentos escondidos nos corações de muitos.” (Lc 2, 34). O Pe. Faber diz que essas palavras encheram a alma de Maria de uma dor indescritível e que lhe foi dada conhecer todos os detalhes da futura paixão de Cristo. Em outras palavras, como Jesus desejou sua paixão desde a concepção, Maria obteve essa graça 40 dias após o nascimento de seu Filho. Assim, a partir do dia da Apresentação, Jesus e Maria se uniram em uma sinfonia de dores, em uma vida de penitência.

Essa verdade profunda nos ensina exatamente como praticar a penitência. Não necessariamente de flagelações diárias ou jejuns freqüentes de pão e água. A forma mais profunda de penitência, a mais acessível e mais necessária a todos, é manter presente essa dor contínua do pecado, enquanto olha as severas penas de Cristo em nossos corações.

Você está sentado em seu escritório? Em união com Maria, deixe que as tristezas de Cristo ocupem uma parte importante de seu espírito, mesmo que você faça tarefas mais humildes em seu computador. Suas mãos que digitam e seus olhos cansados ​​são como aquelas mãos pregadas e dos olhos que buscam os corações que O buscam. É assim que Marie viveu. Ela viu as mãozinhas de Jesus bebê e sabia que um dia elas seriam pregadas em uma cruz. Ela olhou nos olhos de Jesus e viu as almas que Ele estava procurando. Cada movimento na vida de Cristo foi acompanhado por dor interior, por um verdadeiro sofrimento no Coração de Maria.

Em cada tarefa de nossa vida cotidiana, neste período da Quaresma, possamos nós reviver a vida de Maria. Que, com Maria, vejamos em cada árvore uma cruz, em cada mão um prego, em cada trabalho, cada obra, um fardo divino. Façamos todos nossos trabalhos diários neste espírito de união com o homem de dores. É assim que nossa conversão será concluída.

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 2): O DESENVOLVIMENTO DO MISSAL ROMANO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Meio século atrás, o Papa Paulo VI impôs uma reforma litúrgica para toda a Igreja  em nome do Concílio que acabara de terminar. Assim nasceu a missa do Vaticano II. Ela foi imediatamente rejeitada por dois cardeais e desde então a oposição contra ela não enfraqueceu. Esse triste aniversário é uma oportunidade para traçar sua história.

Antes de se considerar a reforma litúrgica de Paulo VI e a nova Missa, é necessário recontar a história do Missal Romano, desde que essa reforma alega ser uma continuação do passado. Tal afirmação é absolutamente questionável. A distância histórica demonstra-o facilmente.

A primeira parte desta visão histórica geral sobre o desenvolvimento do Missal Romano volta para o século XII. Um novo estágio decisivo foram os trabalhos do Concílio de Trento e do Papa São Pio V, os quais apresentamos nesta segunda parte.

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Do século XII ao século XVI

O missal da Cúria Romana estava bem estabelecido no século XI. Começando com o século XII, um espírito de “reforma” foi instituído para tentar reduzir a multiplicação de composições e para restringir certos costumes, especialmente no Ofício Divino. Esse movimento pôde ser visto tanto nas ordens religiosas – Cartuxos, Cistercienses, Premonstratenses – ,  como nas seculares. A reforma litúrgica de Císter (abadia) era a mais notável. O alvo de cada Ordem era a unificação. Isso resultou no avanço da harmonização da liturgia por todo o mundo Romano.

No século XIII ainda havia várias formas do Missal Romano na própria Roma: o de Latrão, o da Basilica Liberiana, o de Santa Maria Maior, e outros. Deve ser enfatizado que as diferenças eram muito pequenas. Finalmente, o missal da Cúria seria o que iria prevalecer, e, por volta de 1230, o estado do Missal Romano estava a ponto de não mais ser modificado. Continuar lendo

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 1): A ELABORAÇÃO DO MISSAL ROMANO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Meio século atrás, o Papa Paulo VI impôs uma reforma liturgica para toda a Igreja  em nome do Concílio que acabara de terminar. Assim nasceu a missa do Vaticano II. Ela foi imediatamente rejeitada por dois cardeais e desde então a oposição contra ela não enfraqueceu. Esse triste aniversário é uma oportunidade para traçar sua história.

Antes de considerar a reforma liturgica de Paulo VI e a nova missa, é necessário recontar a história do Missal Romano, pois essa reforma afirma ser a continuação do passado. A perspectiva histórica ajudará  com o entendimento sobre a inanidade dessa alegação.

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O desenvolvimento do Missal Romano extendeu-se por vários séculos. Mesmo que os elementos essenciais, requeridos para o cumprimento do Santo Sacrifício da Missa, sempre fizeram-se presentes, eles passaram por uma progressiva consagração em ritos os quais os fazem possíveis de se entendê-los e compreender seus profundos significados.

Os Primeiro Três Séculos

Os textos do Novo testamento recontam a instituição da Santa Eucaristia no anoitecer da Quinta Feira Santa. É a refeição pascal, a nova Páscoa, que estabelece a nova aliança com o precioso Sangue de Cristo. O dia escolhido para a renovação é o Domingo, o dia da Ressurreição. O ‘Didaqué’ do fim do primeiro século, fala do ‘Dia do Senhor”, e São Justino atesta isso no Século II.’

Os textos evangélicos também mencionam a ‘partilha do pão’ que traduz um elemento essencial em nessa nova adoração, o cumprimento do mandamento do Senhor: “Fazei isso em memória de mim”. O Livro dos Atos dos Apóstolos mostra essa cerimônia sendo realizada em casas privadas “no primeiro dia da semana, quando nos reuníamos para partilha do pão”(At. 20,7)

As primeiras construções reservadas a adoração apareceram bem rapidamente, já no Século II. A mais velha igreja foi fundada em Doura-Europos no Eufrates, e é datada de por volta do ano 232. Em Roma, teríamos que esperar até o começo do século III para encontrar traços documentais de construções religiosas cristãs.. Mas apesar da Primeira Apologia de São Justino, mártir, ( morto em 165), esse período não fornece qualquer detalhe quanto ao desdobramento da adoração Cristã e das orações empregadas. Aqui está uma notória passagem do santo apologista: Continuar lendo

O QUE ACONTECEU DEPOIS DO CONCÍLIO? – A DESTRUIÇÃO DO ENSINO RELIGIOSO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste quinto artigo de uma série que publicaremos, extraídos de uma conferência proferida por D. Lefebvre em Roma, em 6 de julho de 1977, intitulada “A Igreja depois do Concílio“, explicaremos uma a uma as conseqüências desastrosas e a tempestade causada pelas mudanças feitas no Concílio Vaticano II.

Porque temos o dever de adorar a Deus, temos o direito de ter nossas igrejas, nossas escolas católicas. O mesmo se aplica no caso da família. Por termos o dever de fundar uma família cristã, temos o direito de ter tudo o que sirva para defender a família cristã. Daí o decálogo. Nunca vi os direitos do homem em um catecismo antigo, mas sempre vi o Decálogo. O decálogo deveria ser a lei básica e fundamental de toda sociedade. Se colocarmos o Decálogo como base, não teremos divórcio, nem contracepção ou aborto. Devemos retornar ao nosso Catecismo do Concílio de Trento, de São Pío X, de São Carlos Borromeu. Eis a base de nossa civilização cristã, a base de nossa fé: o Credo, o Decálogo, o santo sacrifício da Missa, os sacramentos e o “Pater Noster”, a oração de Nosso Senhor. Mas nossos catecismos atuais não servem pra nada. Levei ao cardeal Wright aos catecismos canadenses e ele imediatamente me disse: “Esses catecismos não são católicos“.

Na reunião que tive com três cardeais: Wright, Garrone e Tabera, disse a um deles: “Eminência, o senhor me ataca pelo seminário Ecône, mas eu ataco por todos os catecismos. Depois do Papa, o senhor é responsável pelos catecismos de todo o mundo.” O cardeal me disse que escreveu uma carta para a Catequese, mas não lhe obedeceram. O catecismo de Paris é abominável, modernista, totalmente anticatólico e decididamente herético. Enviei o prospecto com a catequese de Paris ao cardeal Seper. Eis sua resposta: “Roma, 23 de fevereiro de 1974. Recebi sua carta de 2 de janeiro com o material anexo. Muito obrigado. Irei estudá-lo todo. O que o senhor me mostra é surpreendente, abominável. O que resta do catolicismo? Não entendo como a autoridade eclesiástica não reage nesse lugar. Roma não pode intervir em todos os lugares e, especialmente, a tempo. E se Roma não pode intervir, estamos mal.” O próprio cardeal diz: “O que resta do catolicismo?”

A situação da Igreja é realmente trágica. Em Houston, nos Estados Unidos, para confirmar as crianças, o bispo exige que pais e os filhos fiquem com um pastor protestante e o rabino por 15 dias para receber lições de ecumenismo. Somente depois podem receber confirmação.

“…OS IDIOTAS AMANHECERAM NOVOS E CONFIANTES…”

Resultado de imagem para boca com ziperA vontade de republicar esse atualíssimo texto de Gustavo Corção TODA SEMANA é imensa, visto as barbárias (para não dizer “zurros”) que ouvimos de tempos em tempos.

Entendedores entenderão!!!

Assim, em homenagem ao Homo postconciliarius (que Corção cita no texto)…..

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[…] O que pude garantir ao meu amigo não-católico é que antigamente a atitude média dos idiotas era tímida, modesta e respeitosa. E isto que se observava nas ruas, nas aulas particulares, nos salões de bilhar e nos clubes de xadrez, observava-se também na Igreja. De repente, em certo ângulo da história, mercê de algum gás novo na atmosfera, ou de algum fator ainda não deslindado, os idiotas amanheceram novos e confiantes. Já ouvi e li muitas vezes o termo “mutação” surrupiado das prateleiras da genética e aplicado à história, à Igreja, ao dogma e aos costumes. Dois ou três bispos franceses não sabem falar dez minutos sem usar o termo “um mundo em mutação”. 

Se mutação houve, estou inclinado a crer que foi naquele ponto a que atrás aludimos: os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação. O mundo é deles. Será genético o fenômeno e por conseguinte transmissível?

— “Receio muito”, gemeu a voz de meu amigo, “você não leu os jornais da semana passada?”

— O quê? — perguntei com a aflição já engatilhada.

— A descoberta do capim!

Não tinha lido tão importante notícia, e o meu amigo explicou-me: um sábio, creio que dinamarquês, chegou à conclusão de que o capim é um dos melhores alimentos do homem. Meu amigo não me explicou que se tratava do Homo Sapiens, do Everlasting Man – de Chesterton, ou do Homo postconciliarius. Seja como for, dentro de quatro ou cinco anos teremos a humanidade de quatro e espalhada nos pastos.

Trecho do incrível texto de Corção: ANTIGAMENTE CALAVAM-SE (Leia por inteiro clicando nesse link)

MORTE CEREBRAL E TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS

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Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Tendo em vista os comentários acerca da revogação do Papa Bento XVI do consentimento à doação de seus órgãos, acreditamos ser apropriado apresentar essa breve exposição do Pe. Peter Scott acerca desta importante questão moral, frequentemente confusa para os católicos.

Pe. Peter Scott estudou medicina antes de entrar no seminário e foi ordenado em 1988 pelo Arcebispo Lefebvre. Ele serviu como professor de Teologia, Filosofia, Latim e História no seminário, assim como dois termos consecutivos como Superior do Distrito dos EUA pela FSSPX e como pároco do Holy Cross Seminary em Goulburn, Austrália. Atualmente, ele é reitor em Ontario, Canadá. Seus artigos eruditos e respostas acerca das questões a medicina moderna vem sendo muito valorizados ao longo dos anos.

A frequência do transplante de órgãos nos últimos anos trouxe à tona um debate não resolvido pelos Papas João Paulo II e Bento XVI, apesar das inúmeras discussões sobre a questão. Este não se trata de um debate acerca da moralidade intrínseca do transplante de órgãos. Essa questão foi, de fato, resolvida pelo Papa Pio XII, quando de sua alocução sobre o transplante da córnea ocular, a qual pode ser extraída do cadáver de uma pessoa falecida. Sobre o assunto, disse o seguinte a especialistas em cirurgia oftalmológica em 14 de maio de 1956: “O cadáver não é, no sentido apropriado da palavra, o sujeito de direitos, pois está privado da personalidade, única causa que o tornaria sujeito de direitos. A extração não é mais uma remoção de um bem; os órgãos visuais não mais possuem, em efeito, a qualidade de um bem em um cadáver, pois não mais o servem, e estão privados de finalidade.” Retira-se então a seguinte conclusão: “A pessoa falecida de quem a córnea é  retirada não é lesada em nenhum dos bens ao qual ela possui um direito, nem no próprio direito a esses bens.” (Citado de Courrier de Rome, #312, junho de 2008).

Os mesmos princípios podem ser aplicados ao transplante de órgãos vitais, moralmente permissíveis se retirados de um cadáver. João Paulo II confirmou este claríssimo ensinamento em um discurso ao 18º Congresso Internacional de Medicina em Transplante em 24 de agosto de 2000: “Órgãos vitais individuais em um corpo podem ser removidos unicamente após a morte. Este requerimento é óbvio, visto que agir diferentemente significaria intencionalmente causar a morte do doador ao remover seus órgãos.” 

Morte Cerebral e Morte Real 

Todavia, o debate se impõe acerca da determinação do momento do óbito, necessário para moralmente remover os órgãos e realizar o transplante. A dificuldade se encontra no fato de que o momento da morte, a separação do corpo de sua alma, não é um evento sempre evidente perante a investigação empírica. Além disso, é claro que, como admitido por Pio XII e João Paulo II, a determinação desse momento não é uma questão para a teologia ou o Magistério da Igreja, mas sim de qualidade técnica pela qual a profissão médica é responsável.

Antes de 1968, o momento do óbito era determinado pela parada das funções cardíaca e respiratória, absolutamente necessárias para manter a unidade do ser vivo. Todavia, em 1968, os critérios de Harvard foram propostos e aceitos, a saber, que a morte cerebral poderia ser utilizada para determinar o óbito. Professor Seifert, especialista na questão, afirmou o seguinte ao LifesiteNews em 24 de fevereiro de 2009: “É em vão que buscamos qualquer argumento a favor desta alteração inaudita da forma de determinar o óbito …exceto por duas razões pragmáticas para a introduzir, as quais nada tem a ver com o estado vital do paciente, mas unicamente lidam com a praticidade de o considerar ou definir como morto …o desejo de obter órgãos para implante e a fim de ter um critério para desligar a ventilação mecânica nas UTIs.”

É a identificação da morte cerebral à morte real o fundamento moral para toda transplante de órgãos vitais desde 1968, visto que essa permite a extração de órgãos de uma pessoa considerada juridicamente morta (consequentemente não uma pessoa, nem considerada portadora de dignidade ou direitos humanos, exceto tal como determinado em seu último testamento), apesar de manter toda a aparência de sua vida biológica, partindo do fato de que suas funções cardíaca e respiratória são mantidas artificialmente. Tal opinião foi encorajada pelo Papa João Paulo II quando do discurso supracitado de agosto de 2000:

“Podemos dizer que os critérios recentemente estabelecidos para determinar o óbito com certeza, a saber, a completa e irreversível cessação de atividade cerebral, se rigorosamente aplicados, não parecem estar em conflito com os elementos essenciais de uma antropologia séria …a certeza moral é considerada a base necessária e suficiente para agir de forma eticamente correta.”

A opinião foi subsequentemente confirmada em 2006 por uma declaração da Santa Sé, intitulada “Por que o Conceito de Morte Cerebral é Válido como Definição do Óbito” (N.T.: tradução livre) e assinada pelo Cardeal Georges Cottier, então teólogo papal; Cardeal Alfonso Lopez Trujillo, naquele momento presidente do Conselho Pontifício para a Família; Cardeal Carlo Maria Martini, prévio Arcebispo de Milão; e Bispo Elio Sgreccia, na época presidente da Academia Pontifícia para a Vida.

Contudo, a declaração de João Paulo II certamente não foi definitiva, e, assim como Pio XII, ele aceitava o princípio de que, em dúvida, a pessoa deveria ser presumida viva, de forma alguma morta: “Ademais, reconhecemos o princípio moral segundo o qual mesmo a mínima suspeita de estar na presença e uma pessoa viva carrega consigo a obrigação de total respeito a ela e da abstenção de qualquer ação que busca ocasionar sua morte.” (20 de Março de 2004; Discurso a um congresso de médicos católicos). Seu assentimento para com a dúvida acerca dessa questão se evidenciou em sua aprovação da decisão da Academia Pontifícia para a Vida de convocar um encontro de especialistas em fevereiro de 2005 “Da Determinação do Momento Preciso da Morte” (N.T.: tradução livre), cujo propósito seria nulo se o critério neurológico fosse a resposta segura da questão.

Bento XVI prosseguiu com a mesma atitude deveras ambígua, de um lado a favor do transplante de órgãos como ato de caridade (ele mesmo um portador do cartão de doador de órgãos até ser eleito Papa), do outro insistindo que apenas a morte verdadeira pode legitimar o transplante. Professor E. Christian Brugger, colaborador sênior em Ética na fundação Culture of Life, ressaltou que em sua alocução de novembro de 2009 em uma conferência sobre transplante de órgãos organizada parcialmente pela Academia Pontifícia pela Vida, Bento XVI “advertiu que o princípio de certeza moral para a determinação do óbito deve ser de altíssima prioridade aos médicos. Com seu grupo de palestrantes, essa conferência …não tocou na questão moral que é central na controvérsia acerca dos transplantes de órgãos.” (LifeSiteNews, 4 de fevereiro de 2011).

Enquanto eticistas de escola tradicional mantêm a esperança de que a opinião no Vaticano retorne a condenar a morte cerebral como critério de morte real, devemos nos perguntar o porquê de tamanha timidez em frente a tão importante questão. Por que é que a evidente observação do bom senso de que a morte cerebral não é causa de dissolução do organismo, nem de sua unidade, nem de suas atividades vitais, não é claramente admitida  por teólogos modernistas? Só pode haver uma explicação: a influência da ética casuística, que declara que a moralidade de cada ato particular depende essencialmente das circunstâncias, e não do ato em si, resulta na hesitação em condenar atos como intrinsecamente maus. Isto, combinado com o foco em uma ética mais secular, concentrando valor na existência física do homem, em oposição à primazia de sua alma e de sua salvação eterna, gera tal confusão. Se apenas tivéssemos a clareza do Papa Pio XII que, em seu discurso sobre os problemas da ressuscitação, afirmou: “A vida humana prossegue enquanto suas funções vitais – o que não é a simples vida dos órgãos – prosseguem a se manifestar espontaneamente ou com o auxílio de procedimentos artificiais.(no Courrier de Rome, supracitado).

A falsidade da regra do doador falecido

Uma contribuição particularmente interessante ao debate sobre a moralidade da remoção de órgãos de pessoas consideradas cerebralmente mortas provém de uma fonte inesperada. É o New England Journal of Medicine que a publicou, em 14 de agosto de 2008, vol. 359 (7), pg. 674-675, em um artigo que demonstra para além de quaisquer graves dúvidas que a remoção de órgãos é realizada em pessoas que estão verdadeiramente vivas, e que, de fato, é a própria extração desses órgãos vitais, como pulmões, coração, dois rins, fígado completo e pâncreas, a real causa de morte.

O título do artigo é “A Regra do Doador Falecido e Transplante de Órgãos” (N.T.: tradução livre) e foi escrito pelo Dr. Truong e Professor Miller (vide excerto abaixo).

Os autores não concluem que, desta forma, o transplante não deve ser realizado, mas, ao contrário, justificam-no por um não-princípio utilitarista de que a pessoa falecerá logo de de um modo ou de outro. Isto não podemos aceitar, visto que a Igreja consistentemente ensina que o fim não justifica os meios, e não se pode assassinar uma pessoa pelo bem que trará a outra pessoa. De qualquer forma, a passagem infracitada como nota ilustra o princípio de que o doador de órgãos é, de fato, uma pessoa viva, e, destarte, o ato de tomar seus órgãos é uma aniquilação deliberada de sua vida, e que o transplante de órgãos vitais só pode ser justificado como a tomada de uma vida para salvar ou prolongar outra – ou seja, é como se fazer de Deus. Os autores são inteiramente a favor de tal imoralidade, mas ao menos eles evitam a hipocrisia proveniente de qualquer tentativa de justificar esse ato dissimulando que a pessoa vítima de morte cerebral é, na realidade, uma não-pessoa falecida, ressaltando que ela mantém diversas funções vitais e poderia viver por anos nesse estado.

Em suas próprias palavras: “A inconfortável conclusão que provém desta literatura é que, apesar de ser perfeitamente ética a remoção de órgãos vitais de pacientes, para transplante, que satisfazem o critério diagnóstico de morte cerebral, a razão pela qual esse ato seria ético não pode ser de que temos o convencimento que eles estejam realmente mortos.” Os autores nem mesmo hesitam em questionar os motivos pelos quais a profissão médica alterou a definição de morte da parada de função cardíaca para a morte cerebral, com o simples fim de obter órgãos para transplantação: “Na pior das hipóteses, a atual aprovação [dessas alterações] sugerem que a profissão médica vem manipulando a definição de morte para que esta cuidadosamente se conforme com as condições mais favoráveis para transplante. Na melhor das hipóteses, a regra proveu um uma cobertura ética que não resiste ao escrutínio criterioso.”

Dada esta exposição, resta-nos o urgente problema moral dos pacientes que estão morrendo, e cuja única esperança é o transplante de fígado, pulmão ou coração. Certamente, se está nas mãos da profissão médica a determinação do óbito, da mesma forma é responsabilidade da Igreja afirmar claramente que a morte cerebral não é morte real, nem é justificativa para o transplante. Esses órgãos só podem ser efetivamente obtidos de corpos que ainda mantém suas funções vitais e estão intactos – ou seja, estão biologicamente vivos. O fato de que a pessoa sofreu morte cerebral não altera esse fato[ de que estão biologicamente vivos] de qualquer forma. Essas pessoas não possuem outra alternativa, a não ser aceitar sua enfermidade terminal e se preparar para uma morte santa. Aceitar a doação de órgãos é aceitar que se termine a vida de outro para seu próprio bem.

Contudo, deve-se distinguir claramente as pessoas que podem receber a doação de um órgão de uma pessoa viva, sem a remoção do órgão causar-lhe a morte. Este é o caso da transplante de um único rim, da parte de um fígado ou pâncreas (seja de uma pessoa em boa saúde, seja de alguém em vias de morte), da córnea ou de outros procedimentos não lesivos, como doação de medula óssea (N.T.: como todo procedimento invasivo, a doação de medula pode ocasionar danos ao doador, mas esses são transitórios. Numa rápida busca pela literatura, não encontrei um exemplo sequer de mortalidade. É neste sentido que o procedimento deve ser considerado “não lesivo”.) Pelo contrário, tais transplantes, que requerem um sacrifício da parte do doador, mas não a perda da vida, são fortemente encorajados dado que eles representem um tratamento médico apropriado e proporcional

Finalmente, deve-se recordar os católicos de que não se deve garantir uma permissão geral para o transplante de órgãos de seu próprio corpo, como é frequentemente requerido, e que não devem consentir que tal permissão seja incluída em sua carteira de motorista (N.T.: o autor exemplifica que é prática comum nos Estados Unidos que a permissão seja impressa na carteira de motorista. O exemplo se estende, naturalmente, a quaisquer permissões formais em documentos oficiais). Efetivamente, esse consentimento significaria permissão para remover seus órgãos imoralmente, consequentemente para seu próprio assassinato, no caso de uma morte cerebral, e retiraria de seus parentes católicos a capacidade de evitar a realização desse procedimento por parte da profissão médica.

Excerto citado:

Padre Scott citou o seguinte artigo publicado por Dr. Truong e Prof. Miller, publicado no New England Journal of Medicine, em 14 de agosto, edição de 2008, vol. 359 (7), pg. 674-675.

Ele chocantemente demonstra que a indústria médica admite que pacientes “cerebralmente mortos” estão, na realidade, vivos. Assim, conclui-se sem erros que a extração de órgãos vitais desses pacientes é um ato imoral.

A regra do doador falecido e transplante de órgãos

Desde sua concepção, o transplante de órgãos é conduzido pelo requerimento ético geral conhecido como regra do doador falecido, que afirma que pacientes devem ser declarados mortos antes da remoção de quaisquer órgãos vitais para transplantação.

Antes do desenvolvimento da terapia intensiva atual, o diagnóstico de morte era relativamente simples: pacientes estavam mortos quando se tornavam frios, azulados e enrijecidos. Infelizmente, órgãos desses cadáveres não podem ser usados para transplante. 40 anos atrás, um comitê ‘ad hoc’ da Faculdade de Medicina de Harvard, presidido por Henry Beecher, sugeriu a revisão da definição de morte a fim de que pacientes com lesão neurológica devastadora se tornassem aptos para o transplante de órgãos sob a regra do doador falecido.

O conceito de morte cerebral nos serviu bem e vem sendo a justificativa ética e legal para milhares e doações e transplantes essenciais para salvar a vida dos recipientes. Ainda assim, persistiram as questões acerca do estado vital de pacientes com lesão cerebral massiva, apneia e perda de reflexos do tronco cerebral. Afinal, quando a lesão é inteiramente intracraniana, esses pacientes parecem inteiramente vivos: estão quentes e rosados; digerem e metabolizam comida; excretam; passam por maturação sexual e até mesmo reproduzem. Para um observador casual, eles se parecem inteiramente com os pacientes que recebem ventilação artificial por longos períodos e dormem.

Os argumentos que defendem que esses pacientes devem ser considerados mortos nunca foram inteiramente convincentes. A definição de morte cerebral requer total ausência de todas as funções de todo o cérebro, entretanto eles retêm a função neurológica essencial, como a secreção regulada de hormônios hipotalâmicos. Há quem argumente que esses pacientes estão mortos pois estão permanentemente inconscientes (o que é verdade), mas, se essa é a justificativa, então pacientes que estão em estado vegetativo permanentes, e que respiram espontaneamente, também deveriam ser considerados mortos, uma caracterização que a maioria consideraria implausível. Outros ainda afirmam que pacientes “cerebralmente mortos” estão mortos pois seu dano cerebral levou à “cessação permanente do funcionamento do organismo em sua totalidade”. Ao contrário, as evidências mostram que se esses pacientes forem assistidos além da fase aguda de sua enfermidade (o que raramente é feito), eles podem sobreviver por muitos anos. A inconfortável conclusão que provém desta literatura é que, apesar de ser perfeitamente ética a remoção de órgãos vitais de pacientes que satisfazem o critério diagnóstico de morte cerebral, a razão pela qual esse ato seria ético não pode ser de que temos o convencimento que eles estejam realmente mortos.

Ao longo dos últimos anos, a aprovação da regra do doador falecido foi novamente desafiada, dessa vez pela emergência da doação após morte cardíaca como via de doação de órgão. Sob os protocolos para esse tipo de doação, pacientes que não estão cerebralmente mortos, mas que estão passando por uma retirada planejada do suporte vital são monitorados para o evento de uma parada cardíaca. Pelos protocolos típicos, pacientes são considerados mortos dois a cinco minutos após uma assístole (considerada segundo critérios cardíacos), e seus órgãos são subsequentemente removidos para transplante. Apesar de todos concordarem que muitos pacientes poderiam ser ressuscitados após um intervalo de dois a cinco minutos, advogam por essa abordagem à doação com a defesa de que esses pacientes podem ser considerados mortos, pois a decisão foi tomada em prol de não tentar a ressuscitação.

Tal compreensão da morte é problemática em múltiplos níveis. A definição de morte cardíaca requer a cessação irreversível de função cardíaca. Enquanto a compreensão comum de “irreversível” é “impossível de reverter”, nesse contexto irreversibilidade é interpretada como o resultado da escolha de não reverter. Essa interpretação cria o paradoxo de que os corações de pacientes considerados mortos por perda irreversível de função cardíaca foram, de fato, transplantados e passaram a funcionar no tórax de outrem. Novamente, apesar de que pode ser ético a remoção dos órgãos vitais desses pacientes, acreditamos que a justificativa ética não pode ser fundamentada no convencimento de que os doadores estão mortos.

Na aurora do transplante de órgãos, a regra do doador falecido era aceita como uma premissa ética que não exigia reflexão ou justificativa, presumivelmente pois parecia ser necessária como segurança contra a remoção antiética dos órgãos vitais de pacientes vulneráveis. Em retrospecto, porém, parece que a aprovação da regra do doador falecido possui maior potencial de comprometer a confiança no empreendimento do transplante do que de preservá-la. Na pior das hipóteses, a atual aprovação sugere que a profissão médica vem manipulando a definição de morte para que esta cuidadosamente se conforme com as condições mais favoráveis para o transplante. Na melhor das hipóteses, a regra proveu um uma cobertura ética que não resiste ao escrutínio criterioso. Uma melhor abordagem na busca de órgãos vitais, enquanto se protege pacientes vulneráveis contra o abuso, seria enfatizar a importância de obter consentimento válido e informado de pacientes doadores ou seus procuradores antes da retirada do suporte de vida em situações de lesão neurológica devastadora e irreversível….

O QUE ACONTECEU DEPOIS DO CONCÍLIO? – A MUDANÇA DOS RITOS E ORAÇÕES

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste quarto artigo de uma série que publicaremos, extraídos de uma conferência proferida por D. Lefebvre em Roma, em 6 de julho de 1977, intitulada “A Igreja depois do Concílio“, explicaremos uma a uma as conseqüências desastrosas e a tempestade causada pelas mudanças feitas no Concílio Vaticano II.

Devo insistir no por que tudo deriva da nova definição de Igreja, de haver mudado o conceito de Igreja. E o mudaram para alcançar a comunhão com todas as religiões. Era necessário mudar o culto, a liturgia não poderia ser deixada intacta. Nossa liturgia era católica demais, manifestava claramente a vitória de nosso Senhor Jesus Cristo, com a cruz, sobre o pecado, sobre o mundo, sobre a morte…Tudo foi modificado.

Se eu tivesse mais tempo – mas não quero abusar de vossa paciência -, falaria sobre um trabalho que um de nossos padres realizou sobre as modificações das orações. É um estudo extraordinário para ver o espírito com o qual eles fizeram a reforma litúrgica. As orações litúrgicas foram modificadas no sentido pacifista: não há mais hereges, não há mais inimigos da Igreja, não há mais pecado original, o combate não é mais necessário, não há mais lutas espirituais.

O canonista Rose, belga, membro da Comissão Litúrgica, que renunciou indignado com o que acontecia, fez um trabalho sobre a liturgia dos defuntos, na qual ele demonstra que foram suprimidos os dogmas: na liturgia dos defuntos, foi suprimida a palavra “alma”. Porque? Porque como não há mais distinção entre corpo e alma, não se fala mais do purgatório. É incrível.

Tudo isso para agradar aos não-católicos, para poder estar com todos aqueles que não acreditam no que acreditamos, que não acreditam na distinção entre alma e corpo. Mas devemos permanecer católicos, não podemos inesperadamente nos tornar membros de todas as religiões, mudar toda a nossa liturgia para agradá-los.

Uma mudança capital é a mudança da festa de Cristo Rei. Não se deseja mais o Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. A festa de Cristo Rei foi colocada no final do ano litúrgico, porque Ele virá na Parusia, no fim do mundo. Aqui na terra já não deve mais reinar, ou apenas sobre os indivíduos, estritamente em privado, nas famílias, mas já não publicamente, nem mais na sociedade civil. No hino de Cristo Rei foram suprimidas as duas estrofes que proclamavam Nosso Senhor como Rei da família, do Estado, da cidade. Está claro por que foram suprimidos.

Aqui está uma das estrofes que foram suprimidas:

“O nationum praesides honore tollant publico, colant magistri, judices, leges et artes exprimant.”

É o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre os povos, juristas, juízes, leis e artes, que devem honrá-lo. São coisas muito graves.

O QUE ACONTECEU DEPOIS DO CONCÍLIO? – A MUDANÇA DOS SACRAMENTOS

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste terceiro artigo de uma série que publicaremos, extraídos de uma conferência proferida por D. Lefebvre em Roma, em 6 de julho de 1977, intitulada “A Igreja depois do Concílio“, explicaremos uma a uma as conseqüências desastrosas e a tempestade causada pelas mudanças feitas no Concílio Vaticano II.

Todos os sacramentos foram modificados no sentido de uma comunhão humana, apenas humana – já não mais uma comunhão sobrenatural -, uma espécie de coletivização. Coletivizaram os sacramentos.

O batismo tornou-se apenas a iniciação em uma comunidade religiosa; não é mais a destruição do pecado original para ser purificado no Sangue de Jesus Cristo, para ressuscitar no Sangue de Jesus Cristo, afastar-se do pecado e de Satanás através dos exorcismos que se faziam no batismo. Se é apenas uma iniciação à comunidade religiosa, o batismo pode servir para todos, também aos não-cristãos.

O mesmo conceito é encontrado na comunhão. A comunhão é agora, como dizia, uma assembléia, um tipo de comunidade que se comunica, que compartilha o pão da comunidade. Também temos absolvição coletiva, a penitência coletiva. Daí segue-se que o sacerdote não é mais o santificador marcado pelo caráter sacerdotal para oferecer o santo sacrifício da Missa. Ele se torna o presidente da assembléia. E se o sacerdote é apenas o presidente, ele pode ser escolhido dentre os fiéis. Conseqüentemente, não é mais necessário que o sacerdote seja celibatário. Ele pode, perfeitamente, se casar.

Tudo isso deriva do novo conceito de igreja. Chega agora a dar coletivamente a Extrema Unção. Em Lourdes, na cidade mariana, convidaram para reunirem-se todos os que tinham mais de 65 anos para receberem, coletivamente, a extrema unção. Isso é grave, muito grave, porque assim o sacramento já não é mais válido. O sujeito da extrema unção deve ser um doente. E até agora eu nunca tinha ouvido falar que depois dos 65 anos fossemos todos doentes. Não é por ter 65 anos que estamos doentes.  Si quis infirmatur “, diz São Tiago, “Está entre vós algum enfermo, chame o sacerdote e lhe administre…”, mas se não está doente,  não se pode estar sujeito a extrema unção. Isso é muito sério porque denota uma orientação totalmente nova.

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NOTA DO BLOG: D. Lefebvre explica muito bem isso em sua Carta Aberta aos Católicos Perplexos, no capítulo: O NOVO BATISMO, O NOVO CASAMENTO, A NOVA PENITÊNCIA, A NOVA EXTREMA-UNÇÃO

CANTORES HOJE, CATÓLICOS AMANHÃ

Irmãs da FSSPX

Tantas mães católicas hoje choram por crianças que se perderam nesse pobre mundo! Quando o filho pródigo voltou para casa, foi porque pensou na incomparável alegria que sentia no local. Há uma maneira muito simples que os pais podem utilizar para desenvolver e fomentar essa alegria: através das canções. A Educação é, acima de tudo, um respiro, e as canções lançam o perfume do bom humor que tanto favorece a saúde física e moral, ajudando a despertar a inteligência, remover os perigos do vício e da corrupção e contribuindo com o crescimento da virtude. É uma inclinação tão natural aos seres humanos que dificilmente se recusam a participar. O que nossas crianças cantarão no futuro, quando seus corações estiverem cheios de entusiasmo, se ninguém se ocupar de sua formação através de boa música? Provavelmente terão prazer em ouvir as canções modernas – esses agentes facilitadores de depravação moral. Sim, a música tem poder sobre o coração dos homens – para o bem ou para o mal. Devemos acrescentar que as canções estimulam nossa capacidade de ouvir, o que pode vir a poupar os jovens de problemas na escola. Além disso, o estudo do ritmo influencia o cérebro, desenvolvendo a lógica e a razão.

Música boa e música ruim.

Como agir de forma concreta nessa questão? Ao ouvirmos belas canções, ajudamos a formatar a capacidade de ouvir de nossas crianças. Prefira sempre a música barroca (Vivaldi, Bach, Haendel, etc.) ou clássica (Haydn, Mozart, etc.), ou mesmo canções folclóricas. A harmonia dos sons deve elevar os sentimentos ao invés de excitá-los ao extremo. Música romântica por demais passional deve ser ouvida com cautela. Devemos obviamente fechar as portas de nossos lares para o tipo de música diabólica como o rock, tão amado por muitos católicos jovens por influência de seus pais. Sim, precisamos levar beleza às nossas crianças, para que tenham nojo do que é ruim. Os pais devem colocar música para tocar em seus carros em alguns momentos, assim devem encher suas salas de belas canções nos domingos e dias de festa. E devem ser os primeiros a cantar, seja uma bela canção folclórica ou católica, utilizando-se de gestual e entonação que cative a audiência. Ao botar os pequeninos para dormir, as mães podem presenteá-los com canções de ninar para coroar um bom dia.

Em todos os momentos.

As crianças aprendem rápido as canções cantadas por sua família, assim como cada gesto e cada coreografia (“Cai cai, balão, cai cai, balão, aqui na minha mão…”). Enquanto crescem, juntam suas vozes às de seus pais quando estão no carro, lavando a louça ou durante as noites em que estão juntos. É bom cantar em coro, pois isso ensina aos pequeninos a segurar suas vozes sem que as mesmas sejam apagadas pelas dos adultos. Deste modo, a música consegue aplacar o tédio. E não é só isso: devemos ouvir música durante os momentos difíceis e tensos (“Não importa o que aconteça, sempre estarei sorrindo…”). Quantos conflitos são serenados e quantas discussões entre irmãos apaziguadas se cantarem juntos! Nada como uma boa canção para criar um ambiente pacífico. Podemos, também, cantar enquanto trabalhamos para que o ambiente se mantenha alegre, assim como quando precisamos encorajar as crianças. Os feriados devem ser cheios de música: antes de abrirem os presentes, pode-se cantar uma canção para o Menino Jesus em frente ao presépio. É também um jeito simples de agradar os outros. Pode-se preparar uma canção para quando se visita os avós, ou nas festas familiares, em aniversários de casamentos e até mesmo cantar letras adaptadas pelos filhos mais velhos (que devem ser encorajados a participar de coros da escola onde aprenderão a controlar a respiração e a voz de forma correta, e também impagáveis peças polifônicas).

Por fim, não devemos separar a necessidade de boa música e do canto da vida espiritual de nossos filhos. Podemos fazer as orações da noite cantando, cantar no momento do  Gloria Patri do Terço, podemos dar graças cantando antes e depois das refeições e devemos amar fazer parte da Missa Cantada aos domingos. Cantar é rezar duas vezes: com o corpo e com a alma. E como as disposições do corpo auxiliam as da alma, cantar torna as orações mais fervorosas e intensas – o que podemos observar pelas vezes em que se canta durante a liturgia.

Santo Agostinho disse: “Cantar é para os que amam”. Onde há amor, há alegria, e a alegria é a mãe da Música. Para a Igreja, a Música é uma necessidade e uma expressão de seu Amor. Que possamos fomentar essa necessidade em nossas crianças para que um dia cantem em suas almas a canção interior que é, em si mesma, um manifesto de gratidão.

DEVEMOS TER MEDO DAS PAIXÕES?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A raiva cega, o medo paralisa, o afeto torna fraco e sentimental.  Parece que as emoções tendem a virar nossa cabeça, para nos impedir de agir e julgar de maneira sensata.

Os estóicos não pensavam diferentes, acreditavam que toda paixão era uma falha. Mas a santidade não é estóica, é cristã. A bem-aventurada Maria da Encarnação (Madame Acarie no mundo) não apreciava muito a virtude de uma alma cujas paixões não eram exaltadas (1). Como diz um pensador, “é fácil ser santo quando não se quer ser humano  “.

Como emoções ou paixões pertencem à nossa sensibilidade criada por Deus, elas são sua reação perante as solicitações diárias. O próprio Salvador, longe de ser um mármore, ficou alegre até a saciedade (Jo 4, 33), triste até as lágrimas (Lc 19,41), abalado pela desordem (Mt 26 , 38), irado ao ponto de agredir (Jo 2, 15). Embora ele tivesse pleno controle, ele queria testar as paixões para nos dar exemplo.

As paixões nos servem quando são bem reguladas: amplificam nossas boas ações (“nada de bom é feito sem paixão, disse um filósofo), e até ajudam a refinar nosso julgamento. De fato, somente com nossa inteligência é difícil conseguimos, pelo raciocínio, tomar uma decisão. ” Por mais que a razão grite, não pode valorizar as coisas.”  (2) Então ela deve se deixar guiar pelo coração, se estiver bem formado. 

Por qual fórmula ela objetivará melhor do que a inteligência? Nada diferente disso: gostamos de tudo o que, por hábito, fazemos. Isso vale tanto em música como em bricolagem ou jardinagem ou até mesmo nas matemáticas, mas também na virtude. Se costumamos fazer o bem, temos prazer nele e, ao fazer o que gostamos, fazemos o bem, com um instinto que engana cada vez menos.

Mas o pecado original desregulou as paixões, e é isso que explica os excessos. Portanto, é necessário não sufocá-los, mas formá-los, saber contê-los ou excitá-los, conforme o caso. As virtudes da força e da temperança nada mais são do que o domínio de nossas emoções. Sem dúvida, haverá erros nesses esforços, mas devemos preferir a apatia total? Não, de acordo com o padre Calmel:  

“No começo, infelizmente e provavelmente, haverá uma certa mistura. Isso não significa que não devemos começar! A situação considerada à luz de Deus exige que exista um sentimento de certa natureza. Não vamos torná-los inexistentes. Vamos tentar torná-los puros!”(3)

Pe. Nicolas Cadiet

Notas:

(1) Cf. Bruno de Jésus-Marie, La Belle Acarie, DDB 1942, p.29.

(2) Blaise Pascal, Pensées, in Œuvres complètes, éd. Chevallier, Gallimard, bibliothèque de la Pléiade, 1954, n°104, p.1116.

(3) Roger-Thomas Calmel, Si ton œil est simple, Toulouse, 1955, p.46

 

COMO POSSO AMAR MARIA AINDA MAIS?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Quem reconheceu e contemplou profundamente o amor inexprimível de Maria sobre si mesmo, quer responder a esse amor com o maior amor filial possível.

Olhamos com admiração e talvez um pouco de inveja a devoção dos grandes santos que fizeram tanto e sofreram por Maria, e gostaríamos de nos tornar pelo menos uma miniatura de um São Bernardo, um Grignion de Montfort ou de um Maximiliano Kolbe.

É difícil imaginar que possa haver outra maneira de amar Maria ainda mais.

No entanto, sabemos que ninguém amava Maria mais que seu próprio Filho. Ele a amava com toda a perfeição de sua natureza humana e divina. Ele fez mais por ela do que por todas as outras criaturas reunidas, assim como mostram os privilégios extraordinários que Deus nunca concedeu a uma criatura: a Imaculada Conceição, a plenitude das graças, a virgindade perpétua, a maternidade divina, a maternidade espiritual como Co-Redentora e Medianeira de todas as graças e, finalmente, a Assunção de seu corpo e alma ao céu. Não, ninguém amou mais Maria que o próprio Jesus.

Então, eis aí o caminho para amar Maria mais do que os outros santos. De fato, recebemos a graça imensurável de estarmos totalmente unidos a Cristo pela graça santificante, assim como os membros do corpo estão unidos à cabeça e formam um todo com ele. Assim, nossa vida e a vida de Cristo são apenas uma. A plenitude desta vida está na cabeça, em Cristo, e deste Cristo, ela flui em nós, em cada um dos membros, pela ação do Espírito Santo, alma deste corpo místico.

Esta vida sobrenatural que é nossa é a vida do próprio Cristo, como os ramos participam da vida da videira, como os membros participam da vida de todo o Corpo. Então, quando sofremos, rezamos, trabalhamos, amamos, etc., unidos à vida de Cristo, então é Cristo quem continua seu sofrimento, sua oração, sua obra, seu próprio amor, etc. em nós.

Assim, nosso amor por Maria é muito mais que uma distante imitação do amor filial de Jesus em relação a sua Mãe celestial. Tudo como nossa vida sobrenatural é uma participação, uma continuação e, em certo sentido, a extensão da vida de Cristo, nosso amor por Maria é uma participação, uma continuação e uma extensão do amor de Cristo por Ela. Portanto, se amamos Maria, não somos nós que a amamos, mas Cristo, “nossa vida”, que ama Maria em nós, através de nós, e conosco!

É este amor e a mais alta devoção possível a Maria, que contém em si toda a devoção dos anjos e santos.

Assim, quando Cristo nos diz que ele nos deu um exemplo e nos pediu para fazer como ele, então devemos não apenas imitá-lo, mas devemos honrar, glorificar e amar Maria unida a Ele.

Que alegria imensurável para uma criança mariana poder “amar tanto Maria” e, assim, dar-lhe a maior alegria! Ame Maria com o Amor de Jesus.

Por esse motivo, o ” Mihi vivere Christus est ” deve ser a grande realidade de nossa vida!

UM ESTUDO ANTROPOLÓGICO FAZ JUSTIÇA AO CASAMENTO CRISTÃO

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Um estudo publicado pela Science Magazine sugere que a Igreja Católica desempenhou um papel importante no surgimento de elites no Ocidente. Como? Regulamentando a sociedade através da instituição do matrimônio cristão.

Sem muito sentimentalismo, o casamento na igreja pode até ser a chave para o sucesso e a realização pessoal. Pelo menos, de acordo com um estudo aprofundado antropológico, publicado pelo periódico mensal Science, de 8 de novembro de 2019.

Uma equipe de pesquisadores americanos da George Mason University  (GMU) descobriu que o que antes era chamado de “elites ocidentais” constitui um grupo separado de todos os outros tipos de população do mundo: mais altruísta, mais desenvolvida, mais inclinada ao sucesso.

Para explicar esse fenômeno, nossos cientistas sociais usaram “fatores psicossociais” nos quais vêem a herança de um modelo familiar muito específico.

Segundo eles, a Igreja Católica, gradualmente permeando as sociedades, levou lentamente a um novo tipo de relações humanas, cujo clã deixa de prevalecer sobre a unidade familiar. A família pode, portanto, prosperar, para o bem de cada um de seus membros: cônjuges e filhos.

O meio privilegiado desse desenvolvimento foi o matrimônio cristão, que, ao fazer desaparecer a endogamia, permitiu à família adquirir uma irradiação moral, intelectual e social. Isso só foi possível pelo cristianismo, do qual provém o homem ocidental.

Aos olhos do grupo de pesquisadores da GMU, o homem ocidental deve seu sucesso à “instituição familiar duradoura” estabelecida pela Igreja nos séculos passados.

Não é comum que as ciências humanas mexam com as convicções daqueles que elogiam a desconstrução e a ideologia do “gênero”, onde é comum ver no matrimônio cristão a fonte de todas as “discriminações”. Diante da generalizada transgressão e da corrupção moral, nunca é tarde para voltar às fontes da verdadeira civilização, aquelas da cidade católica.

A INFÂNCIA DE JESUS: NOSSA VIDA E NOSSA DEVOÇÃO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em matéria de devoção, há uma coisa que todos deveriam fazer, que Jesus, Maria e José fizeram, que os Magos fizeram e na qual cada santo viveu.

O que seria, então, essa coisa a fazer?

É viver uma verdadeira vida interior. Isso é o que os romanos aspiravam com sua sabedoria natural: “Ser o que és, uma criatura racional“. Ou seja, viver segundo a razão, praticando a virtude e tudo o que é justo, bom e belo. É nesse sentido que Bossuet escreveu: Ninguém pode executar corretamente seu trabalho, se não for primeiro um bom homem. Da mesma forma, ninguém pode ser uma boa esposa, um bom marido ou um bom pai, a menos que sejam primeiro uma boa mulher e um bom homem.

Um caminho rápido para adquirir uma vida interior profunda é a prática da devoção à Infância de Jesus Cristo.  Santa Teresinha chamava isso de “infância espiritual”. Jesus disse assim: “Se não vos converterdes e vos fizerdes como pequenas crianças, não entrareis no reino dos céus. Pois quem se tornar humilde como uma criança desta, este será o maior no reino dos céus.” (Mt 18, 3).

Essa conversão da qual Jesus fala é um importantíssimo ato interior da alma. Uma conversão verdadeira e profunda perdura a vida inteira. Mas para que essa conversão seja frutífera, devemos adotar esse espírito de filhos, esse espírito de infância espiritual que Nosso Senhor proclama ser indispensável à salvação.  Não se trará de uma inocência inconsciente ou uma virtude não comprovada, mas um ato consciente de humildade e de fé em nossa condição de filhos adotivos de Deus e imitadores de Jesus Cristo.

Mas como exatamente devemos viver quotidianamente essa infância espiritual? Primeiramente, devemos acreditar firmemente que somos filhos de Deus por meio do batismo e devemos lembrar continuamente quem somos aos olhos de Deus.

Segundo, devemos reconhecer “a maneira” pela qual age um filho adotado de Deus. De fato, somos continuamente atraídos pela luxúria, pela má vontade, pelo egoísmo e malícia. E, contrariamente e simultaneamente, o Espírito de Deus derrama Sua graça em nossos corações para nos ajudar a agir como filhos. Essa graça é realmente uma participação na própria vida do Cristo-Menino. A infância de Cristo é o molde de nossa própria infância espiritual.

Nela vemos o que somos:

1) filhos de Maria;

2) obrigados a crescer em idade, graça e sabedoria, sob a tutela de nossa Mãe;

3) sujeitos a uma lei de amor e obediência contínuos a nossa Mãe;

4) obrigados para praticar diligentemente os deveres de nossa religião;

5) devemos ter a honra de nosso Pai continuamente diante de nossos olhos em tudo o que fazemos;

6) destinados a nos ocupar das coisas desse mesmo Pai, isto é, a salvação de nossa própria alma assim como as almas dos demais;

7) obrigados a manter diante de nossos olhos a realidade do pecado e o dever de combatê-lo, pelo espírito de reparação.

Ao fazer isso em um espírito de humildade, praticamos real e profundamente a infância espiritual. Seguindo nossa Mãe, tendo-a como nossa guia, daremos os primeiros passos no caminho dessa infância espiritual, rezando o terço todos os dias. Progrediremos, nesse caminho, quando adicionamos momentos de oração. Finalmente, chegamos ao objetivo quando somos capazes de pequenos sacrifícios durante as diversas cruzes da vida cotidiana, na busca da imitação das virtudes cristãs, ou como penitência na luta contra nossos pecados diários. 

Por fim, lembremos que, com Maria, os sacrifícios são mais fáceis de serem feitos. Sejamos generosos. Ave Maria!