CATECISMO DAS VERDADES OPORTUNAS: OS “RALLIÉS” (VISTOS POR MONS. LEFEBVRE)

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

1) Quem são os “ralliés”?

Chamamos de “ralliés” as comunidades, os sacerdotes e os fiéis que escolheram inicialmente defender a Tradição, mas que depois das sagrações de 30 de Junho de 1988 e da excomunhão contra Mons. Lefebvre, Mons. Castro Mayer e os quatro bispos sagrados, escolheram se submeter efetivamente sob a dependência da hierarquia atual, conservando, contudo, a liturgia tradicional. Logo, eles se “ralliés” à igreja conciliar.

Por extensão, o termo “ralliés” designa as comunidades, sacerdotes e fiéis que mantém a liturgia tradicional, mas aceitam os grandes erros conciliares, assim como a plena validade e legitimidade do Novus Ordo de Paulo VI e dos sacramentos promulgados e editados por Paulo VI .

Dom Gerard, em sua declaração, faz referência ao que lhe foi dado e aceito ao se submeter à obediência da Roma modernista, que permanece fundamentalmente anti-tradicional” (1).

2) A palavra “ralliés” não é pejorativa?

Sim, a palavra “ralliés” é pejorativa, pois expressa uma traição em relação à Tradição.

3) Como os “ralliés”  traíram a Tradição?

Os “ralliés” traíram a Tradição porque muitos deles, tendo começado a servi-la, pararam de defendê-la, para depois abandoná-la, fazendo gradualmente apologia dos erros conciliares, e se opondo à Tradição e seus defensores,

“Eles nos traem. Agora eles dão as mãos àqueles que demolem a Igreja, os liberais, os modernistas “(2). Continuar lendo

REFLEXÕES SOBRE O “PENSAMENTO ÚNICO”

As antigas escolas filosóficas nas quais se “aprendia a pensar”

Fonte: FSSPX Distrito América do Sul – Tradução para o português: Dominus Est

 

O mundo do “livre pensamento” também tem suas máximas. Pode-se “pensar o que quiser” sempre que obrigatoriamente “se pense dessa maneira”. Esse “pensamento único” manipulado pelos meios de comunicação é o que abre as portas para todos os infortúnios que vivemos na atualidade.

Hoje, a cultura dominante, se podemos falar cultura, é essencialmente baseada na destruição de todos os cânones da ética cristã. A demolição das estruturas éticas está alinhada com o espírito do homem de hoje: se a “verdade” condena a realidade como a reduzimos, então a “verdade” é adaptada. Com o objetivo de não encarar a realidade e não precisar assumir responsabilidades, a maioria das pessoas adota crenças absurdas, renuncia à liberdade, prefere reconstruir a realidade adaptando-a às suas próprias ilusões.

“A verdade gera ódio; por isso alguns, para não incorrer no ódio daqueles que os escutam, velam sua boca com o manto do silêncio. Se pregaram a verdade, como a própria verdade exige e a divina Escritura abertamente impõe,incorreriam no ódio das pessoas mundanas, que acabariam expulsando-as de seus ambientes. Mas, como caminhamos de acordo com a mentalidade dos mundanos, temem escandalizá-los, enquanto nunca se deve faltarà verdade, nem mesmo à custa de escândalo”.[1]

Os fundamentos da vida ética estão sendo destruídos: os valores cristãos, a família, o Estado soberano, a escola. O Estado desaparece como estrutura que protege o bem comum e, com a normalização dos casais homossexuais, desaparecem as figuras do pai e da mãe e, portanto, da família. São considerados inimigos todos aqueles que ousam opor os valores éticos cristãos da vida pública.

A batalha contra a verdade emprega forças tão grandes que impedem as poucas pessoas “não contagiadas” de organizar e formar um movimento compacto e consistente. O poder da Besta aumenta a cada ataque, já que o Bezerro de Ouro, ou seja, o sistema financeiro internacional, é capaz de financiar qualquer operação. Os instrumentos monetários utilizados para o controle global são claramente devidos à coletividade.

O Bezerro de Ouro, para manter seu sistema de benefícios, precisa, contudo, impor o pensamento totalitário, eliminando todo vínculo moral, espiritual e cultural, de maneira que nos converta a todos em ignorantes, cheios de caprichos e sem qualquer responsabilidade em relação ao mundo exterior. O pensamento único globalizado – com seus promotores, arquitetos, vigilantes – serve para fazer previsíveis e controláveis os comportamentos sociais.

O homem de hoje está cada vez mais animalizado e globalizado, tendo escolhido aceitar a estupidificaçãotelevisiva e obedecer aos ditames do pensamento único “politicamente correto”.

Muitos já têm consciência da realidade dos “desenhos animados”. Não têm a menor ideia de como governos, bancos e instituições estão controladas para subverter a ordem natural e espiritual desejada por Deus.Acredita-se ainda que os telejornais e os periódicos são fontes de ciência e verdade, isentos de conflitos de interesses e intentos propagandísticos. Não há a menor consciência de que as mídiassão o instrumento de propaganda utilizado para manipular a percepção pública de ações governamentais e econômicas, para consolidar um sistema que vai completamente contra as leis de Deus. Tudo isso é claramente reforçado por instituições educacionais e escolares, nas quais é assimilado um conhecimento criado para distrair da compreensão do que está acontecendo.

Muitas pessoas pensam que a realidade começa e termina exatamente onde elas foram levadas a acreditar. Mas, como Sêneca nos advertiu:

“Não há pessoa mais escravizada do que aquela que se crê livre”.

A verdade é que vivemos em um “sistema de poder” corrupto, que, por meio do uso de ações dificilmente opináveis, por ser sustentadas por motivos “aparentemente coerentes”, dirige-nospor caminhos acima determinados pelos Veneráveis Irmãos Iluminados,os “Cavaleiros da Mesa Posta”, a serviço do Grande Arquiteto dos Distribuidores e dos Alimentadores.

A “ditadura do pensamento único” é a evolução dos antigos sistemas totalitários. Para convencer ou conquistar, não é necessário recorrer aos métodos autoritários de um tempo; por meio do controle dos meios de comunicação são criadas opiniões majoritárias. As descobertas no campo da psicologia cognitiva permitiram a criação de sofisticadas técnicas de manipulação que têm nos “Spin Doctors” [peritos]suas figuras de referência. São os Spin Doctorsos que, atuando dentro das instituições como consultores ou assistentes de políticos, ditam a agenda dos meios de comunicação.

São Tomás de Aquino, defensor do conhecimento da única verdade

A neo-linguagem do “pensamento único”, análogo ao orwelliano, inverte o significado das palavras. Ridiculariza, isola, reprime todas as formas de pensamento que divergem da “ortodoxia”, sem utilizar argumentos racionais, mas simplesmente por meio de acusações e slogans pré-fabricados.

Para dirigir segundo os planos o curso da transformação da sociedade, constroem-se “crenças protegidas” continuamente reforçadas nos telejornais; algumas das mais recorrentes são: impostos, dívida pública, imigração. Essas “crenças protegidas” são usadas pelos vassalos do poder mundialista para determinar a forma da sociedade porque, como afirmava Pio XII:

“Da forma dada à Sociedade, conforme ela concorda ou não com as Leis divinas, depende o bem ou o mal das almas”.

Como Orwel previu, hoje são as massas que defendem as “mentiras oficiais”. É suficiente desligar a televisão e ligar o cérebro para entender sobre quais bases se apoiam. Um pouco de espírito crítico é suficiente para ver a mentira tecnocrática segundo a qual o que acontece na política e na economia é muito difícil de compreender.

Não basta entender que a tarefa das “instituições legítimas” deveria ser a de emitir moeda, não subtraí-la do povo para dar aos banqueiros privados, fazendo-o pagar, como os italianos pagaram, dois trilhões de euros de “juros da dívida”. Não basta entender que a assim chamada “dívida pública” é uma superestrutura criada pela concessão da soberania monetária a banqueiros privados, o que acontece quando uma moeda do Estado é substituída por uma moeda privada como o euro. Não basta entender que justificar a imigração como forma de compensar o declínio demográfico é uma mentira: em vez de gastar 45 euros por dia por cada africano que entra na Itália, seria suficiente dar 45 euros por dia a todos os casais italianos que tenha um filho…

Se não se fizer o esforço para desligar a TV e ligar o cérebro, corre-se o risco de se tornar como a maioria das pessoas, que se “confina” na televisão depositando plena confiança em jornalistas telegênicos da moda, colocados ali para organizar o pensamento coletivo.

Infelizmente, a população, além de se adaptar ao “pensamento único”, também tende a se acostumar com a imoralidade do poder, já que pensar na injustiça sofrida é muito doloroso. A dimensão da batalha espiritual é imponente e não é possível tomá-la sem a verdadeira fé cristã; isto é, aquela que não foi mutilada pelo espírito inovador da Igreja “emancipada”, que, em vez de converter o mundo ao Evangelho, prefere “adaptar” o Evangelho ao mundo moderno.

“Não pode ser negligenciado o espetáculo miserável de um mundo em desordem pela ruína, operada, das estruturas morais fundamentais da vida… Não podemos, contudo, deixar de notar a crescente onda de culpas privadas e públicas, que tenta submergir as almas na lama e subverter todos os ordenamentos sociais saudáveis. Como toda época tem suasmarcas que selam suas obras, nossa era, em sua própria culpabilidade, distingue-se por indicadorescomo os séculos passados, talvez,nunca viram igualmente reunidos”.[2]

AnonimoPontino

(Traduzido para o espanhol por Marianuso eremita)

Sí Sí NO NO, 22 de junho de 2018.

[1] Sto. Antônio de Pádua. Sermões.

[2] Pio XII, Homilia, Basílica Vaticana, 26 de março de 1950.

O PECADO DA MURMURAÇÃO: QUÃO FÁCIL É FALAR E QUÃO DIFÍCIL É CALAR!

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A Murmuração é uma língua de víbora, que de um só golpe fere três pessoas (Rm 1,30): O murmurado, o que ouve e o murmurador, odiado por Deus (São Bernardo).

A) Aquele de quem se murmura

As Sagradas Escrituras e os Santos Padres frequentemente chamam a murmuração de homicídio, porque arrebata a vida social, mais estimável que a do corpo.

“Os pecados cometidos contra o próximo são medidos pelos danos que causam … O homem desfruta de um triplo bem, a saber: o da alma, o do corpo e a dos bens exteriores … Entre esses últimos, a fama supera muito as das riquezas, porque se opõe aos bens espirituais, pela qual se diz nos Provérbios (22,1): “O bom nome vale mais do que riquezas“. Portanto, a murmuração, embora seja um pecado menor que o homicídio e o adultério é, sem dúvidas, maior que o roubo” (São Tomás de Aquino).

Matéria grave é ferir a reputação de alguém, uma vez que é o maior bem do homem, e perde-la lhe impede trabalhar muitos bens que seriam capazes”, conforme o Eclesiástico (41,15): “Cuide do seu nome, que permanece mais que milhares de tesouros ” (São Tomás de Aquino).

O homem de juízo dá por bem empregado qualquer dispêndio destinado a recuperar sua boa reputação. Então aquele que o priva dela prejudica-o mais que roubando-lhe. Eis como o murmurador profissional é mal visto. Apesar disso, temos vergonha de ter cometido um roubo e não temos de haver murmurado vinte vezes. Continuar lendo

NOSSA SENHORA, NOS TEMPOS DO ANTICRISTO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Este artigo do Padre Calmel, OP – uma grande figura do tradicionalismo católico – mostra-nos como devemos pedir a intercessão da Santíssima Virgem em nosso tempo de confusão geral.

“Quisera eu viver nos tempos do Anticristo” escrevia a pequena Teresa em seu leito de agonia. Não há dúvida de que a carmelita que se ofereceu como vítima de um holocausto ao Amor Misericordioso intercederá por nós quando surgir o Anticristo, nem há dúvida que já está intercedendo especialmente em nosso tempo, em que os precursores do Anticristo se introduziram no seio da Igreja. Também não há dúvida de que sua oração está unida com a súplica infinitamente mais poderosa da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus. Aquela que esmaga a cabeça do dragão infernal em sua Imaculada Conceição e sua Maternidade virginal, a que foi glorificada de corpo e alma e que reina no céu com seu Filho. Ela domina como soberana todos os tempos de nossa história e, particularmente, os momentos mais tremendos para as almas, a saber, os da vinda do Anticristo e aqueles em que seus diabólicos precursores prepararão esta vinda.

Maria se manifesta não somente como Virgem Poderosa e consoladora nos momentos de angústia para a cidade terrestre e a vida corporal, mas se mostra, sobretudo, como Virgem auxiliadora, forte como um exército em ordem de batalha, em tempos de devastação da Santa Igreja e de agonia espiritual de seus filhos. Ela é a rainha da história do gênero humano, não somente para os tempos de angústia, mas também para os tempos do Apocalipse.

A Primeira Guerra Mundial foi um desses tempos de angustia: matanças de ofensiva mal preparadas, derrota implacável sob um furacão de ferro e fogo … Quantos homens ao apertarem seus cintos saíam com a terrível certeza de perecer neste tornado alucinante sem nunca ver a vitória; mesmo às vezes, e era o mais atormentador, as dúvidas lhes vinham à mente a respeito do valor de seus chefes e a prudência em suas ordens. Mas, no final, em um ponto eles não tinham dúvidas e essa questão superava todas: a da autoridade espiritual. O capelão que auxiliava esses homens a serviço da pátria até sua morte era absolutamente firme em todos os artigos da fé e nunca teria pensado em adaptar pastoralmente a Santa Missa. Celebrava o Santo Sacrifício da Missa segundo o rito e as palavras antigas; celebrava com uma piedade muito mais profunda, que o sacerdote sem armas e seus paroquianos armados, poderiam ser chamados a unir, de um momento a outro, seu sacrifício de pobres pecadores com o único sacrifício do Filho de Deus que tira os pecados do mundo.  Continuar lendo

A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO – CRIME QUE CLAMA VINGANÇA AO CÉU

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Fonte: Hojitas de Fe, 253, Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução:
Dominus Est

O livro de Daniel, ao contar-nos o episódio da casta Susana, em que dois judeus iníquos, velhos maliciosos, tentaram condenar uma mulher inocente à morte, para dissimular a paixão que os inflamava e se vingarem daquela que não cedera, diz deles:

“Naquele ano tinham sido constituídos juízes dois velhos dentre o povo, daqueles de quem o Senhor falou, quando disse: A iniquidade saiu da Babilônia por meio de velhos que eram juízes, os quais pareciam governar o povo.” (Dn13 5).

O mesmo está acontecendo em nossa terra natal [Argentina]. Em 13 de junho de 2018, o projeto de lei de descriminalização do aborto foi aprovado na Argentina, na Câmara dos Deputados da Nação. Já em 25 de maio, havia sido na Irlanda, por 65% dos votos, e no Chile, em setembro de 2017. A iniquidade vem daqueles mesmos que estão encarregados de governar o povo, dando-lhes leis; os inocentes, neste caso os nascituros, são condenados à morte por aqueles mesmos que deveriam velar por suas vidas, e isso por causa de interesses sórdidos, paixões não confessadas.

Confrontado o caos de ideias e argumentos sobre a questão do aborto exibidos, é necessário fazer uma pontuação de esclarecimento, para apresentar a realidade como ela é. Iniciemos com algumas reflexões. Continuar lendo

MÊS DE JULHO, DEDICADO AO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS CRISTO

Resultado de imagem para sangue de jesusFoste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça” (Ap 5,9).

Fonte: Fojitas de Fe, 203, Seminário Nossa Senhora Corredentora
Tradução:
Dominus Est

A Igreja dedica todo o mês de julho ao amor e adoração do Preciosíssimo Sangue de nosso Salvador Jesus. É justo que nós adoremos na santa humanidade de Cristo, com um culto especial, aquelas partes que são mais significativas de algum mistério ou perfeição divina; e assim honramos: • SEU CORAÇÃO: para prestar culto ao seu amor infinito; • SUAS CHAGAS: para prestar culto a suas dores e sua paixão; • SEU SANGUE: para prestar culto ao preço de nossa Redenção.

No entanto, esse culto do Sangue do Salvador assume um caráter festivo no mês de julho e na festa com a qual este mês inicia. Já na Quinta-feira Santa celebramos a instituição da Eucaristia e na Sexta-feira Santa o Sangue de Cristo derramado por nós; mas o acento da celebração centrava-se em sentimentos de dor, de compunção, de contrição. A Igreja volta depois a dar culto à Sagrada Eucaristia na festa de Corpus Christi, e também à Paixão e Sangue do Salvador, mas com maior ênfase nos sentimentos de alegria e triunfo.

Por este culto nós agradecemos a Nosso Senhor a Redenção como uma vitória já obtida, e nos exultamos em tomar parte entre o número dos redimidos, daqueles que foram lavados no Sangue do Cordeiro. E prestamos culto de latria ao Sangue do Redentor, reconhecendo especialmente uma virtude salvadora, como se vê: Continuar lendo

D. FELLAY: A CRISE NA IGREJA -RAÍZES E REMÉDIOS

news-header-imageMensagem de Mons. Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, na jornada de estudo sobre “as raízes da crise na Igreja“, Roma, 23 de junho de 2018.

Fonte: FSSPX News – Tradução: Dominus Est

A presente jornada de estudo é muito útil, porque hoje é mais do que necessário retomar às raízes da crise da Igreja. Em setembro passado, quando da publicação da Correctio filialis que assinei, era meu desejo que ” o debate sobre essas grandes questões se ampliasse, de maneira que a verdade seja restabelecida e o erro condenado” (FSSPX.News 09/26/17), ou seja, que adiro plenamente ao objetivo que os senhores propõem: “A rejeição desses erros e o retorno, com o auxílio de Deus, à Verdade católica plena e vivenciada, é a condição necessária para o renascimento da Igreja” (Apresentação do congresso de 23 de junho de 2018).

Correspondência entre o Cardeal Ottaviani e Monsenhor Lefebvre

A abordagem que os senhores fazem agora segue a linha de uma troca de correspondência pouco conhecida entre o Cardeal Ottaviani e o Monsenhor Lefebvre, o que pode nos proporcionar um valioso esclarecimento. Esse intercâmbio ocorreu um ano após o final do Concílio, em 1966.

Com efeito, em 24 de julho de 1966, o Cardeal Alfredo Ottaviani, então pró-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, enviou aos bispos uma carta em que apontava 10 erros que se manifestaram após o Concílio Vaticano II. Nela podemos ler as seguintes afirmações, cuja relevância, após mais de 50 anos, permanece intacta:

“A verdade objetiva, absoluta, firme e imutável, dificilmente é aceita por alguns, que sujeitam todas as coisas a um certo relativismo, e isso conforme essa razão obscurecida segundo a qual a verdade segue necessariamente o ritmo da evolução da consciência e da história” (no. 4). Continuar lendo

A PREPARAÇÃO PARA O NATAL, PREFIGURADA NA PESSOA DO BATISTA

Para a Festa de hoje, de São João Batista.

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Fonte:  Hojitas de Fe, 17. | Seminário Nossa Senhora Corredentora FSSPX / – Tradução: Dominus Est

Como é sabido, o tempo do Advento prepara nossas almas para as três vindas ou adventos de Cristo entre nós: • a primeira é sua vinda em carne mortal, pela Encarnação, para padecer e morrer por nós; • a segunda é sua vinda espiritual a nossas almas, pela graça, para nos fazer viver de seus mistérios; • a terceira é sua vinda no final dos tempos, pela Parusia, pra julgar os vivos e os mortos.

Pois bem, essas três vindas reclamam uma preparação semelhante, maravilhosamente prefigurada e expressa por São João Batista. Poderíamos até mesmo dizer que São João Batista é um advento em ação: toda sua pessoa e missão estão inteiramente ordenadas a preparar os corações para receber a Cristo. Assim, pois, considerando o que São João Batista foi na primeira vinda de Cristo, veremos quais são as disposições que são agora necessárias em nós para nos prepararmos dignamente para a festa de Natal.

1ª Penitência: Preparai os caminhos do Senhor.

Quando São João Batista apareceu, o mundo inteiro se comoveu, ao menos na Judeia. Por mais de quatro séculos já não havia profetas em Judá, e a voz do Senhor houvera se calado durante tanto tempo justamente para que o povo eleito estivesse em expectativa, em relação ao futuro Messias. Por isso, quando João fez sua aparição, todos vieram até ele.

Para devidamente cumprir sua missão, João teve que conhecer, à luz do Espírito Santo, três coisas: • o advento iminente do Messias; • as disposições morais com que Israel deveria recebê-lo; • a ação que ele, como Precursor, deveria realizar, tanto em ordem ao Messias, a quem havia de apontar com o dedo, como em ordem a Israel, a quem havia de dispor. Pois bem, entre essas disposições, a primeira que João pregou foi a penitência:

“O Senhor falou a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele foi por toda a terra do Jordão, pregando o batismo de penitência para remissão dos pecados, como está escrito no livro das palavras de Isaías profeta: ‘Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas; todo o vale será terraplanado, e todo o monte e colina será arrasado, e os caminhos tortuosos tornar-se-ão direitos, e os escabrosos planos; e todo o homem verá a salvação de Deus’”. Continuar lendo

ATENÇÃO: AVISO SOBRE UM TAL BLOG DOMINUS EST “EM ESPANHOL”

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vimos através deste post fazer um esclarecimento acerca de uma confusão que está sendo amplamente divulgada nas redes sociais (Facebook, Whatsapp, Twiter, etc…).

Chegou-nos um texto onde se dizia que nosso pequeno blog, o Dominus Est, estaria promovendo matérias contra a FSSPX e D. Lefebvre. Uma total incoerência, visto que pertencemos a uma Missão da FSSPX em Ribeirão Preto/SP.

Ao tentar entender o que estava acontecendo acabamos por encontrar um blog, em espanhol, cujo nome também é Dominus Est. Ao que parece é um blog ligado à famigerada Fraternidade São Pedro (FSSP), que é neoconservadora e está subordinada à Comissão Ecclesia Dei, criada para tentar minar o trabalho da FSSPX, porém, sem muito sucesso.

Realmente o tal blog tem vários escritos detratando a FSSPX, porém nada que se possa dar valor, visto que são matérias simplistas e que já foram refutadas há décadas. Não iremos colocar o link do tal blog, que também mantém uma página no Facebook com o mesmo nome, para que não haja propaganda gratuita de páginas neoconservadoras.

Então, para que fique claro, nossos links são:

Blog: Dominus Est (Fiéis Católicos de Ribeirão Preto)http://catolicosribeiraopreto.com/

Facebook: Dominus Est (Católicos Ribeirão Preto) https://m.facebook.com/catolicosribeiraopreto/

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCjPrdZNrnEHiwhE_W-8zzXw

Peço que façam a divulgação para que não tenhamos problemas e confusões desnecessárias.

Obrigado a todos que nos acompanham, confiam em nosso trabalho e de prontidão nos defenderam nas redes sociais.

Equipe Dominus Est

A EUCARISTIA, ANTÍDOTO UNIVERSAL AO VENENO DO LIBERALISMO

Resultado de imagem para comunhão tridentinaFonte: “Fojitas de Fe”, 251 | Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução:
Dominus Est

Hoje as pessoas, famílias e sociedades agonizam e morrem pelo pior dos venenos: o liberalismo. Esse é o seu nome científico: consiste em uma falsa concepção da liberdade, que a coloca como o valor máximo, essencial, em certo modo único para a humanidade. Os sábios antigos sempre definiram o homem como um animal racional. Mas o liberalismo o redefine como um animal livre: o que é próprio e específico da pessoa humana, que a distingue de tudo o mais, já não é mais sua racionalidade, mas sua liberdade.

Tomemos nota do diagnóstico! Acaso não é passo fundamental que o médico consiga descobrir o que está matando o paciente? E não é qualquer veneno, mas a essência mesma de todo tóxico da alma. A ilusão que está no fundo de todo pecado, que lhe dá força, seu mecanismo mais íntimo, é a ilusão liberal: “Non serviam!” Não servirei, não serei escravo de ninguém!

Bem, esse veneno universal, ocasionador de todas as doenças, tem remédio? Os remédios que curam todas as outras enfermidades espirituais, são apenas paliativos do liberalismo, causador de todas elas. Há apenas um antídoto universal ao liberalismo: o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; e isso tanto no indivíduo, como na família e na sociedade. Continuar lendo

AS VIRTUDES E A VIDA INTERIOR A VIRTUDE DA ESPERANÇA

pedroFonte: Hojitas de Fe, 245 | Seminário Internacional Nossa Senhora Corredentora, FSSPX – Tradução: Dominus Est

A palavra de Deus é uma luz que no-Lo mostra à nossa inteligência e, assim, estabelece a fé; mas é também uma promessa que nos assegura sua posse e, portanto, estabelece a esperança.

1º Natureza da esperança.

A esperança é uma virtude teológica infusa que nos inclina a esperar, com garantia firme, a bem-aventurança eterna do céu e os meios necessários para alcançá-la. Portanto, a esperança tem como objeto o próprio Deus: Deus como fim e Deus como meio.

Deus como fim: o objeto principal da esperança é a posse eterna de Deus, ou a bem-aventurança eterna do céu.

Deus como meio: o objeto secundário da esperança é o conjunto de socorros úteis ou necessários para chegar à posse de Deus, e que podem ser: — de ordem sobrenatural: o perdão de nossos pecados, a graça santificante, as graças atuais para triunfar contra nossos inimigos espirituais, para praticar as virtudes de nosso estado, para tender eficazmente à perfeição; a graça da perseverança final; — ou também favores temporais, na medida em que se relacionam com a bem-aventurança eterna e nos são necessários ou úteis alcançá-la.

2º Fundamento de nossa esperança.

A esperança cristã apoia-se na natureza de Deus, em suas promessas e em seus dons.

A natureza de Deus. Tem-se confiança em alguém na medida em que pode e quer socorrer. Agora, Deus, por sua natureza: é todo-poderoso, realiza tudo o que quer, e sabe inclusive transformar em meio soberanamente eficaz o que se levanta como obstáculo insuperável; é infinitamente bom, uma vez que “Deus é caridade” (IJo. 4 16), e quer comunicar-nos os bens e felicidade de que Ele mesmo goza. Continuar lendo

SÃO JOSÉ: UMA VOCAÇÃO À VIRTUDE ESCONDIDA

Fonte: FSSPX/Distrito da Grã-Bretanha – Tradução: Dominus Est

São José, uma vocação oposta a dos apóstolos

Bossuet em seu primeiro panegírico do santo diz: “Dentre as diferentes vocações, noto duas nas Escrituras que parecem diretamente opostas: a primeira é a dos Apóstolos, a segunda a de São José.

  • Jesus foi revelado aos apóstolos para que eles pudessem anunciá-Lo por todo o mundo; Ele foi revelado a São José, para que permanecesse em silêncio e O mantivesse escondido.
  • Os Apóstolos são luzes para fazer o mundo ver Jesus; José é um véu para cobri-Lo; e sob esse misterioso véu estão escondidos de nós a virgindade de Maria e a grandeza do Salvador das almas
  • Aquele que torna os apóstolos gloriosos com a glória da pregação glorifica José pela humildade do silêncio”. A hora da manifestação do mistério da Encarnação ainda não chegara: deveria ser precedida pelos trinta anos de vida escondida.

São José, uma vocação superior a dos apóstolos

A vocação do silêncio e da obscuridade de São José ultrapassou a dos Apóstolos porque se aproximava mais da Encarnação redentora. Depois de Maria, José estava mais próximo do Autor da graça, e no silêncio de Belém, durante o exílio no Egito, e na pequena casa de Nazaré ele recebeu mais graças do que qualquer outro santo.

Dupla era a sua missão. Em relação a Maria, ele preservou sua virgindade contraindo com ela um casamento verdadeiro, mas totalmente sagrado. Maria encontraria ajuda e proteção em São José. Ele a amava com um amor puro e devotado, em Deus e por Deus. Continuar lendo

ALCANCE JURÍDICO DA BULA “QUO PRIMUM”

Resultado de imagem para PIO VI – NOTAS PRELIMINARES

1 – Se a Bula promulga uma verdadeira lei, esta será uma lei humana, cujo valor provem, não da natureza das coisas nem da vontade revelada de Deus, mas certamente de uma refletida escolha do legislador humano.

2 – Este deverá, então, manifestar da maneira mais clara e completa que lhe for possível, a natureza e a extensão de sua vontade:

1º) Dizer que promulga uma verdadeira lei, criando uma obrigação jurídica. Não se trata, pois, de um simples desejo ou recomendação, nem de uma “diretiva”, ou mesmo talvez, de uma vontade formal, mas vontade que não se declarasse como impondo uma ordem que obriga seus súditos.

2º) Em seguida, delimitar o campo de aplicação de sua lei quanto ao tempo, lugares e pessoas.

3º) Precisar, se for o caso, as modalidades da decisão legislativa: o que ela manda, o que permite e, talvez certos privilégios que concede ao lado da lei comum.

4º) No caso em que a prescrição não legisla sobre matéria inteiramente nova, precisar a relação da presente lei à lei ou aos costumes precedentes:

a) simples derrogação parcial;

b) simples abrogação.

5º) Como a lei habitual, não escrita, é munida de uma força que lhe é própria, decidir expressamente o que a nova lei dela conserva ou suprime.

3 – Para a expressão formal, oficial, destas diversas vontades, há certas “regras de direito”, um vocabulário próprio, um “própria verborum significatio” que os juristas conhecem bem. A Igreja jamais as desprezou, pois são a garantia única, ao mesmo tempo contra o despotismo arbitrário e contra a anarquia.

Estava reservada à “Igreja pósconciliar” desprezar estas regras, o que ela chama de “juridismo”, isto é, em todas as matérias (dogmática, ética, disciplinar) desprezar a expressão clara, honesta, leal do pensamento e das coisas. Continuar lendo

HOMEM DESDE O MOMENTO DA CONCEPÇÃO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Concebido no ventre de sua mãe, esse pequeno embrião, dê a ele o nome que quiser, já é um homem. Se antigamente poderia duvidar-se que houvesse uma nova vida humana no ventre de uma mãe, desde o momento da concepção da criança – com tudo o que isso implica –, a ciência hoje não nos deixa nenhuma dúvida: interromper a gravidez voluntariamente, ainda que fosse possível fazê-lo no primeiro momento da concepção, seria assassinar um inocente e privá-lo para sempre da visão de Deus. Tal crime não pode ser descriminalizado sem incorrer em terríveis castigos para uma nação inteira.

A alma do embrião na biologia tomista

Este poderia ser o título de um livro inteiro e estamos escrevendo apenas um artigo em uma revista de divulgação, mas diremos algumas coisas. Interessa enormemente ao moralista e ao teólogo definir com precisão o momento em que o homem recebe a alma espiritual, e o instante em que a perde. Porém determinar precisamente o momento da concepção de um organismo vivo, com suas diferentes etapas e também o instante de sua morte, não pertence propriamente ao moralista nem ao que é comumente entendido por um teólogo, senão ao biólogo.

E hoje que a biologia moderna fez progressos tão maravilhosos, parece que a “Suma Teológica” de São Tomás de Aquino já não tem mais nada a nos dizer. Mas, certamente, não é assim.

A ciência moderna perdeu, há muito tempo, a sabedoria, pois desconfiou da inteligência e se apegou à observação e à medida. Daí que seus progressos foram reduzidos à ordem puramente corporal e material, que é sensível e quantificável, perdendo de vista de toda a realidade que se eleve acima deste horizonte, pois já não sabe ver com a mente.

Ela perdeu a capacidade de perceber, então, não só a realidade da alma espiritual, própria do homem, mas também a dos princípios animadores dos organismos vivos – a alma animal e vegetal – que, embora dependam, em sua existência, da organização material – que poderíamos chamar de físico-química – no entanto, não apenas não se reduzem a ela, senão que, precisamente, a organizam e a governam. Essa carência não causa tantos problemas para a física, mas é uma catástrofe na biologia.  Continuar lendo

ENCÍCLICA MEDIATOR DEI – CONDENAÇÃO POR ANTECIPAÇÃO DA “REFORMA LITÚRGICA” DE PAULO VI

Resultado de imagem para missa ecumênicaUma “lei nociva”: o “Ordo Missae” ecumênico

Há 30 anos (3 de abril de 1969), o Novus Ordo Missae de Paulo VI sucedeu ao antiqüíssimo e venerável rito romano da Santa Missa.

Pela Festa de Corpus Christi deste mesmo ano, foi apresentado a Paulo VI um Breve exame crítico do “Novus Ordo Missae“, precedido duma “Carta” dos cardeais Ottaviani e Bacci, na qual se afirmava: “Os súditos, para o bem dos quais se quer estabelecer uma lei, tiveram sempre, mais do que o direito, o dever de pedir, com confiança filial, ao legislador a ab-rogação da própria lei, quando ela se demonstra ser nociva”.

E como o Novus Ordo era “nocivo”, a ponto de fundamentar um verdadeiro “dever” de pedir a sua ab-rogação, os dois cardeais diziam sem rodeios: o novo rito da Missa “representa, tanto no seu conjunto como nos seus pormenores, um afastamento impressionante da teologia católica da Santa Missa, tal como foi formulada na sessão XXII do Concílio de Trento”.

A “Mediator Dei”

Este “afastamento da teologia católica da Santa Missa” tinha já sido apontado e reprovado por Pio XII no movimento litúrgico que precedeu o Concílio Vaticano II. Na “Mediator Dei” (1947), escrevia o Papa: “Nós notamos com muita apreensão que alguns são demasiado ávidos de novidades e se afastam do caminho da são doutrina e da prudência. Na intenção e no desejo duma renovação litúrgica, eles interpõem freqüentemente princípios que, na teoria ou na prática, comprometem esta causa santíssima, e muitas vezes até a contaminam de erros que afetam a fé e a doutrina ascética“.

Com esta Encíclica, Pio XII se propunha “afastar da Igreja” “falsas opiniões… inteiramente contrárias à santa doutrina tradicional“, “erros que afetam a fé católica e a doutrina ascética“, “exageros e desvios da verdade que não se harmonizam com os preceitos autênticos da Igreja“… opiniões, erros, exageros, desvios, que são a alma da “reforma litúrgica” de Paulo VI e das suas múltiplas realizações que, chegando mesmo às vezes além da letra, se situam, não obstante, no “espírito do Concílio” e do Novus Ordo (como o demonstra também o fato de que eles não são objeto de nenhuma sanção disciplinar). Continuar lendo

SERMÃO SOBRE O MATRIMÔNIO

Resultado de imagen para imagenes sagrada familia de nazaretFonte: Los Cocodrilos del Foso – Tradução: Bruno Rodrigues da Cunha

Nem tudo o que se encontra na Suma Teológica, de Santo Tomás, é exclusivamente para teólogos. Uma das pérolas mais acessíveis e úteis lá encontradas é seu pequeno tratado acerca dos bens do matrimônio.

Ele começa dizendo: “Nenhum homem sábio deve aceitar um prejuízo se ele não vier compensado por um bem igual ou maior”. E observa que o matrimônio traz juntamente consigo bens e males. Quem se casa aceita sofrer estes para alcançar aqueles.

Até essa frase, todos estão de acordo. Mas, daqui em diante — e é assustador percebê-lo — entre o que ensina Santo Tomás, resumindo toda a Tradição e bom senso católicos, e o sentir comum de hoje, não há uma mera divergência, e sim uma total e exata inversão. Aquilo que para o Doutor da Igreja são males, agora são considerados bens, e os bens, males. Deixemos bem claro que falamos de pessoas que se consideram católicas, de forma sincera.

Embora devamos reconhecer que tanto nos tempos de maior fé, como na época de Santo Tomás, quanto nos tempos de muita incredulidade, como hoje, muitos renunciam ao matrimônio (claro, antigamente renunciavam antes do casamento para se entregar a Deus, e hoje renunciam depois dele, para entregar-se a… sabe-se lá Deus). Ainda assim, tanto antes quanto agora, a grande maioria segue casando. E é curioso, porque apesar dessa inversão exata de valores, o saldo continua sendo positivo.

Quais são, segundo Santo Tomás, os males que o casamento traz consigo? Em primeiro lugar, uma decaída da atividade espiritual, devido à veemência das paixões própria do trato conjugal. E em segundo lugar, a “tribulação da carne”, ou seja, as preocupações e os trabalhos ocasionados pelas necessidades temporais.

Contudo, esses não tão pequenos males são extensamente superados por três grandes bens: a prole, a fidelidade e o sacramento. São os filhos, a prole, o primeiro e o grande bem do matrimônio, aquilo pelo qual Deus o instituiu. O segundo bem é a fidelidade, pela qual o homem se une com uma única mulher, e a mulher com um único homem, tendo cada um no outro um apoio em que poderão confiar. E o terceiro bem, selo sagrado dos demais, é o sacramento, pelo qual o matrimônio se vê transformado por Deus em laço indissolúvel e fonte de santidade para toda a família. Continuar lendo

D. FELLAY: NECESSÁRIA DEPENDÊNCIA DIANTE DE DEUS E NATUREZA DA OBEDIÊNCIA EM RELAÇÃO ÀS AUTORIDADES ROMANAS

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Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est 

Nesta Quinta-feira Santa, no Seminário São Pio X de Ecône , D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade de São Pio X, celebrou a Missa Crismal cercado por muitos sacerdotes. É durante esta Missa que são consagrados os santos óleos que serão usados durante o ano todo: o óleo dos catecúmenos para o batismo e a ordenação sacerdotal, o óleo dos enfermos para a extrema-unção e o santo crisma para o batismo e confirmação. Em seu sermão, o bispo Fellay recordou a dependência necessária diante de Deus e esclareceu a natureza da obediência em relação às autoridades romanas.

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Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,

Prezados Senhores Padres, caros seminaristas, queridos fiéis,

Nesta manhã, temos a alegria – de acordo com a Tradição da Igreja – de confeccionar os santos óleos, os Santos Óleos que servirão em quatro dos sete sacramentos da Igreja, alguns para a validade, outros para a perpetração do sacramento. Esta cerimônia é muito, muito especial, e ainda que tenhamos que ser breves, visto que os sacerdotes devem voltar ao seu ministério, devemos mesmo assim apresentar-lhes algumas noções.

Ter belos ornamentos

A primeira é que, de acordo com o que sei, este é o único lugar de todo o missal onde se encontra nas rubricas a exigência de ter belos ornamentos. A Igreja pede que o bispo esteja vestido de vestes preciosas. Isso não quer dizer que esta seja a única vez onde as coisas devem ser assim, denota a preocupação da Igreja, tão bem expressa por São Pio X: o povo cristão deve orar sobre a beleza. Trata-se do culto de Deus. É de tal forma normal, deveria ser evidente que, para honrar o bom Deus, damos-Lhe o melhor e, portanto, temos esse cuidado, especialmente nós que queremos manter toda a liturgia em toda a sua beleza, em toda a sua expressão. A liturgia é o culto de Deus e, portanto, que tenhamos esse cuidado com a beleza, em toda Santa Missa, em todo ato litúrgico, é necessário ter essa preocupação. Não é simplesmente fazer qualquer coisa, trata-se de honrar a Deus, glorifica-Lo, trata-se de toda a nossa adoração e nosso amor ao bom Deus. E como em todo amor, a gente cuida dos detalhes.

A Igreja é profundamente hierárquica.

Uma segunda noção: esta cerimônia expressa a profunda natureza da Igreja, profundamente hierárquica. Foi o bom Deus que quis as coisas. Tudo de bom, tudo de bom, tudo o que recebemos, recebemos do bom Deus. Quer se tratem das graças, quer se tratem de certas qualidades, dos poderes, tudo, tudo vem de Deus. E o modo de distribuir esses dons, sobretudo os dons sobrenaturais, está de tal forma expressa nesta Missa. Antes de tudo, a transmissão da graça. Tudo decorre da Santa Missa.

Verdadeiramente todas as graças que recebemos foram merecidas por Nosso Senhor na cruz, em Seu Sacrifício. E a Missa, a Santa Missa, que não é apenas a renovação, mas a perpetuação da Cruz, é exato e identicamente o mesmo Sacrifício de Nosso Senhor na cruz. Bem, esta Santa Missa será o instrumento utilizado por Deus para difundir por toda a terra Sua graça. Continuar lendo

UM URGENTE APELO PELA RENOVAÇÃO DO MONAQUISMO

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Em nossos dias fala-se muito sobre a restauração na Igreja mas raramente consideramos a maneira como a Cristandade foi primeiramente estabelecida. A resposta é simples — monges.

A seguir estão as seleções de uma série maior, em duas partes: “… Forward to Benedict” originalmente publicado no The Angelus de 2001. A série completa foi publicada neste site em homenagem à festa de São Bento de 2018.

Acima, dissemos: “a resposta é simples — monges”. Monges seguindo a Regra de São Bento para ser preciso. Pode ser uma simplificação, mas qualquer estudante de história sabe que os mosteiros foram a principal influência cristianizadora e civilizadora em uma Europa pagã (na melhor das hipóteses, ariana).

Não devemos ter uma noção incorreta de como o monasticismo [ou monaquismo] afeta a sociedade. Certamente não é por esforçar-se no sentido de implementar um programa político. Não, os meios são inteiramente sobrenaturais. As armas são, pela graça de Deus, oração, fé, esperança e caridade. É como Nosso Senhor prometeu: “Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas” (Mt. 6,33).

O monasticismo que resolverá os problemas sociais é aquele que visa principalmente a reforma do indivíduo. Sem santidade, nada … com santidade, tudo.

Hoje, em todas as nações, os homens pensantes reconhecem que nossa civilização se encontra à beira da ruína. Felizmente não há necessidade de ir ao político, ao economista ou ao estudante superficial de ciência política ou sociologia para uma análise do problema atual.

São Bento — Pai do Monaquismo Ocidental

Nunca o mundo estivera em uma condição tão deplorável do que no final dos primeiros cinco séculos da Cristandade. Todos os historiadores retratam a confusão, a corrupção e o desespero. Na moral, na lei, na ciência e na arte, tudo estava em ruínas. Os seguidores do Cristianismo estavam irremediavelmente divididos pela heresia e em todo o Império Romano não havia um imperador, rei, príncipe ou governante que não fosse pagão, ariano ou eutiquiano. Continuar lendo

MÃES, SEJAM SANTAS!

Santa Mônica com seu filho Santo Agostinho

Eis um texto para nossas mães de família. Rezemos para que Deus nos dê mães santas.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

“Lembrem-se desta grande palavra de Cristo: “E através deles me santifico, para que também eles sejam santificados na verdade.” É o mesmo que toda mãe cristã dever dizer. A santificação é um dever pessoal, mas se infelizmente se se chega a esquecer disso como um dever pessoal, pelo menos deve ser lembrado como um dever maternal, como uma dívida para com seus filhos. Só Deus sabe a influência que tem a santidade de uma mãe tem nas almas de seus pequeninos. Quase todos os grandes santos tinham mães muito piedosas. A primeira graça que é dada a um homem é ter uma mãe segundo o coração de Deus. Temos o hábito de dizer: “Tal pai, tal filho” … mas diríamos de forma ainda melhor: “Tal mãe, tal filho “.

Saibam Mães, que sua maternidade não terminará enquanto, em sua tarefa, não tenham feito crescer Jesus Cristo no coração de seus filhos. A Igreja, esta Mãe divina através da qual Deus exerce principalmente a sua própria maternidade, deu à luz aos seus filhos para a vida eterna. O batismo é apenas uma semente e o batizado nada mais é do que um recém-nascido. Depois de colocar a semente, é necessário cultivá-la … após o nascimento, o crescimento. Esse é o seu dever e as senhoras não poderão fazê-lo sem serem santas. Oh, que missão a sua! Quantas coisas dependem das senhoras! Se a sociedade está tão doente ao ponto que nos perguntamos se está morrendo é porque há muito poucos cristãos. Agora, se há poucos cristãos, há poucas mães suficientemente cristãs. “

Cardeal Pie

“ELES TÊM OS TEMPLOS, VÓS A FÉ APOSTÓLICA”

Fonte: FSSPX Distrito do México – Tradução: Dominus Est

Carta de São Atanásio, Bispo de Alexandria, aos seus fiéis, onde lhes fala sobre a importância de permanecer dentro da verdadeira fé e adesão à Tradição.

“Que Deus vos conforte! … O que tanto vos entristece é que os inimigos ocuparam vossos templos pela violência, enquanto vós, em todo esse tempo, encontrais-vos fora.

É um fato que eles têm os edifícios, os templos, mas, por outro lado, vós tendes a fé apostólica. Eles conseguiram tirar-nos nossos templos, mas estão fora da verdadeira fé. Vós tendes que permanecer fora dos lugares de culto, mas permaneceis, contudo, dentro da fé.

Reflitamos: o que é mais importante, o lugar ou a fé? Evidentemente, a verdadeira fé. Nesta luta, quem perdeu, quem ganhou: aquele que guardou o lugar ou aquele que guardou a fé?

O lugar, é verdade, é bom, (mas) quando nele se prega a fé apostólica; é santo se tudo o que nele acontece e passa é santo.

Sois afortunados, porque permaneceis na Igreja por vossa fé, que chegou até vós através da Tradição Apostólica e se, sob pressão, um zelo execrável pretendeu quebrantar vossa fé, essa pressão não obteve êxito. São eles os que se separaram, na presente crise da Igreja.

Ninguém jamais prevalecerá contra vossa fé, caríssimos irmãos. E nós sabemos que um dia Deus nos devolverá nossos templos.

Assim, pois, quanto mais eles insistem em tirar nossos lugares de culto, mais eles se separam da Igreja. Eles pretendem representar a Igreja, quando, na realidade, expulsaram-se a si mesmos e se extraviaram.

Os católicos que permanecem leais à Tradição, ainda que reduzidos a um pequeno resto, são a verdadeira Igreja de Jesus Cristo”.

Santo Atanásio

GARRIGOU-LAGRANGE, RATZINGER E BERGOGLIO

pap

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

No quinto aniversário da eleição do bispo de Roma Francisco, parece-me oportuno pôr em evidência alguns pontos em comum entre Bergoglio e seu predecessor Ratzinger, tido por alguns ingênuos, sem nenhum fundamento, como um baluarte da sagrada e imutável tradição da Igreja.

Infelizmente, aqui no Brasil os blogs dos grupos Summorum Pontificum, atrelados à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei Adflicta, não deram a merecida publicidade ao lançamento do livro do filósofo italiano Enrico Radaelli, curador da obra de Romano Amerio, Al cuore di Ratzinger – al cuore del mondo

Na referida obra, Radaelli imputa a Ratzinger diversos erros filosóficos e teológicos defendidos em sua obra de juventude Introdução ao cristianismo, sendo que em alguns desses erros reincidiu o autor após ter abdicado do trono de São Pedro.

Diz Radaelli que, segundo Ratzinger, a existência de Deus é a melhor hipótese mas não é um dado da razão, como ensina São Tomás de Aquino. Ratzinger, portanto, seria um “tradicionalista rígido”, ou melhor, um fideísta. Quando li que Ratzinger considera Deus a melhor hipótese lembrei-me do que dizia D. Pestana sobre a mentalidade materialista de hoje: “Considera-se Deus uma hipótese inútil”.

Procurei, então, entender o alcance e as consequências do erro defendido pelo ex-papa. E logo me acudiram à memória as 24 teses tomistas concebidas sob o pontificado de São Pio X e publicadas  por Bento XV, em 1916. As 24 teses foram elaboradas e propostas como regras seguras de direção intelectual, a fim de que se evitassem erros filosóficos que tivessem consequências deletérias nos estudos teológicos. Continuar lendo

DEZ REFLEXÕES DO PADRE PIO SOBRE A QUARESMA

Fonte: FSSPX Distrito América do Sul – Tradução: Dominus Est

Padre Pio de Pietrelcina acompanha-nos também durante este período de mortificação, através da sabedoria de suas palavras.

1 – Precisamos entender a necessidade da guerra espiritual

Que sempre tenhamos diante de nossos olhos o fato de que aqui na Terra estamos em um campo de batalha e que é no paraíso que receberemos a coroa da vitória.

Que aqui é um banco de provas, o prêmio será outorgado lá em cima.

Que estamos agora em uma terra de exílio, enquanto nossa verdadeira pátria é o Céu a que devemos aspirar continuamente.

Satanás é um leão rugindo à procura de alguém para devorar e devemos manter isso sempre em mente durante a Quaresma.

2 – O Rosário é a arma secreta para a batalha

Empunhar o Rosário com firmeza. Ser gratos à Virgem porque foi ela quem nos deu Jesus.

Por amor à Virgem e para merecer o seu amor, rezar sempre o Rosário e com a maior frequência possível.

3 – A humildade é a chave mestra, a pureza o nosso escudo

A humildade é infinita. A pureza é poder. Imaginar a pureza e segui-la.

Estas também são armas na batalha. Humildade e pureza são as asas que nos levam a Deus e nos tornam quase divinos. Continuar lendo

RUMO À CANONIZAÇÃO DE PAULO VI

news-header-imageFonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Por ocasião de uma entrevista concedida ao site norte americano Crux, o cardeal Pietro Parolin anunciou em 6 de março de 2018 que o Papa Paulo VI (1963-1978) poderia ser canonizado em outubro próximo, no sínodo dos bispos dedicados aos jovens.

Este anúncio teve lugar após a aprovação, por parte da Congregação para as Causas dos Santos, em 6 de fevereiro de 2018, do reconhecimento de um “milagre” atribuído à intercessão de Giovanni Battista Montini.

Em 27 de abril de 2014, o Papa Francisco canonizou os papas João XXIII (1958-1963) e João Paulo II (1978-2005). Em 19 de outubro do mesmo ano, no final do sínodo familiar, beatificou Paulo VI.

Em 17 de fevereiro de 2018, durante um reencontro com o clero de Roma, o Papa Francisco declarou que a canonização de Paulo VI terá lugar no decorrer de 2018: “Paulo VI será canonizado este ano, a beatificação de João Paulo I está em processo, em relação a Bento XVI e a nós mesmos, estamos na lista de espera”, ele brincou.

Através destas canonizações à marcha forçada de todos os papas modernos, o que realmente se canoniza, de certo modo, é a reforma geral da Igreja que ocorreu há cinquenta anos e que, ao mesmo tempo, torna-se irreversível. Além disso, tem a pretensão de fortalecer a religião conciliar, isto é, a concepção e o espírito da prática do catolicismo como redefinido pelo Concílio Vaticano II através de suas destrutivas reformas de culto, da fé e da doutrina.

Mais uma vez, surge a questão da evolução dos processos de beatificação e canonização, bem como a sua utilização para fins de política eclesiástica.

Monsenhor Marcel Lefebvre, que foi suspenso a divinis durante o pontificado de Paulo VI, explicou aos seminaristas de Ecône a opinião que tinha sobre este papa, durante as conferências ministradas sobre as Atas do Magistério, que forneceram o material para o seu livro Le Destronaron, Capítulo XXXI, “Paulo VI, o Papa Liberal”, o qual nos permite saber exatamente o que o fundador da Fraternidade São Pio X havia dito sobre o anúncio desta próxima “canonização”.

O pontificado do Papa Paulo VI (1963-1978) descerá na história como o pontificado do Concílio Vaticano II e sua implementação, que introduziu a revolução na Igreja. As seguintes são algumas das principais reformas resultantes desse concílio: a Missa Nova, cujo espírito e rito são perigosamente semelhantes à “liturgia” protestante; um falso ecumenismo que ignora a verdadeira unidade da Igreja; o aggiornamento geral que aboliu as veneráveis ​​tradições das ordens e congregações ao questionar a vida sacerdotal e religiosa; a prolongada crise da Igreja, com a destruição da fé e das vocações, do espírito católico na educação, da prática moral e religiosa em todos os aspectos, etc. Paulo VI, um papa torturado, presa da dúvida e da preocupação, tentou proibir a Missa de São Pio V no consistório de 1976 e perseguiu a legítima reação da Tradição, a qual se opôs à revolução conciliar com os vinte séculos de vida e ensino da Igreja.

NÃO É ESTA A HORA DE JESUS?

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Lembram-se, amigos, quando à cabeça da Igreja havia um papa como o Venerável Pio XII? Ou um Padre Pio que nos trazia a certeza de ver Cristo vivo nele? Hoje, não há mais nada. A quem olhamos? A quem vamos? Não seria este o momento perfeito para a hora de Jesus?

Uma Babel como a atual no mundo e na Igreja nunca tinha sido vista antes. Autoridades da Igreja que se calam diante de legisladores que legalizam até aquilo que os antigos se envergonhavam; que propõem instituir “diaconisas”; os melhores católicos muitas vezes “amordaçados”; muitos anticlericais e sem Deus sendo apresentados como modelos… e outras amenidades.

Sacerdotes e Bispos que reduziram sua pregação pouco menos do que a educação cívica; o Credo católico e a Moral abalados por um documento que se chama Amoris laetitia, mas isso deve ser chamado de “Amoris malitia”. Tudo isso e mais ainda deixa as pessoas ainda honestas e amigas da Verdade sem palavras, aterrorizadas, alucinadas.

Sabemos que há reuniões de padres que competem para ver quem diz mais bobagens. Diante de todos, o vazio das igrejas e dos seminários, causado por pelo menos três gerações, abandonadas sem verdadeira catequese. Culpa-se a secularização, o declínio dos nascimentos, como se os homens da Igreja não tivessem a culpa quando, durante mais de 50 anos, mudaram a religião e hoje temos um pastor que não sabe mais quem ele é. As pessoas, que acreditam ou não acreditam, dizem uma só coisa: “Não há nada, tudo foi demolido, não há certezas ou pontos de referência. Não há guias, não há chefes: não há diretrizes de marcha, em uma palavra, não há mais nada”. Continuar lendo

ONDE JESUS DIZ BRANCO, RATZINGER DIZ PRETO

Em janeiro havíamos publicado um post que noticiava um bombástico livro e um texto de apoio ao mesmo que acusavam Bento XVI de algumas heresias (leia aqui: BENTO XVI É ACUSADO DE PROPAGAR HERESIAS).

Traduzimos agora uma matéria em que Enrico Maria Radaelli coloca 5 exemplos resumidos que estão em seu livro “No coração de Ratzinger. No coração do Mundo” mostrando a contradição entre os ensinamentos do então Prof. Ratzinger (confirmado posteriormente enquanto Papa) e a Doutrina da Igreja/Sagradas Escrituras.

Fonte: Cooperatores Veritatis – Tradução: Dominus Est

Por Enrico Maria Radaelli

Queremos aqui oferecer pelo menos cinco, dos muitos exemplos, da total incompatibilidade entre: de um lado os ensinamentos das Sagradas Escrituras e dogmas da Igreja, e de outro os ensinamentos apresentados pelo Professor Ratzinger em seu celebre livro de 1968, “Introdução ao Cristianismo”, até hoje verdadeiro e único paradigma de seu pensamento, vendido há cinquenta anos em todo o mundo, nunca negado, senão confirmado em 2000 por um novo Ensaio Introdutório escrito por seu próprio autor, na época Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, e, na sua linha de pensamento, ainda reiterado em uma entrevista publicada em L’Osservatore Romano em 17 de março de 2016, portanto, apenas dois anos atrás, e tendo o digníssimo Sujeito completado três anos da grande renúncia do papado. Livro, portanto, ainda muito atual.

Ele constitui o objeto da análise crítica do meu [livro] “No coração de Ratzinger. No coração do mundo”, pro manuscripto, Aurea Domus, Milão, novembro de 2017, pág. 370, disponível nas livrarias Ancora (Milão e Roma), Coletti (Roma), Hoepli (Milão), Leoniana (Roma), bem como no site metafísico Aurea Domus.

Pretendo também assegurar ao leitor, neste artigo, a contextualização mais ampla das citações do pensamento ratzingeriano, de modo a garantir ao estudioso uma compreensão mais profunda e, acima de tudo, o significado nem sempre claro.

É considerada urgente a máxima divulgação do livro No coração de Ratzinger, No coração do mundo, a fim de que seja evidente que esse que assina, podendo começar a trabalhar nele somente a partir de setembro de 2015, fez todo o possível para chegar a tempo de provar – pelo menos tentar – e convencer o ilustre autor da Introdução ao Cristianismo da necessidade de refletir sobre todos os seus pressupostos antes que seja tarde demais. Continuar lendo

FOCO SOBRE A FRANCO-MAÇONARIA?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Pergunta-se por que seria necessário, subitamente, dar foco à Franco-Maçonaria. Simplesmente porque ambos, o mundo em que vivemos e a igreja conciliar, são hoje “maçonizados”. E foram pela única causa que é conveniente a este resultado: a maçonaria em si.

De que maneira o mundo e a Igreja foram maçonizados? A resposta está em apenas uma palavra: Relativismo. De fato, a mentalidade do mundo atual é uma mentalidade relativista: não há mais verdade saída da adequação da inteligência ao real (verdade natural) ou saída da Revelação (verdade sobrenatural), mas a cada um sua verdade. O mais grave é que o relativismo realmente entrou na mente dos homens da Igreja que querem ser fiéis ao Concílio Vaticano II.

O exemplo hoje vem de cima, já que vem do próprio Papa. Em seu vídeo de janeiro de 2016, vemos Francisco sentado atrás de uma mesa e o ouvimos dizer:

A maioria dos habitantes do planeta declara-se crentes. Isso deveria ser motivo para o diálogo entre as religiões. Não devemos deixar de rezar por isso e colaborar com quem pensa de modo distinto“.

O papa continua:

Muitos pensam de maneiras diferentes, sentem de maneira diferente, procuram Deus ou o encontram de diversas maneiras. Nessa multidão, nesta variedade de religiões, só há uma só certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus “(esse vídeo escandaloso pode ser visto aqui).

Historicamente, é fato que a “maçonização” da sociedade civil que precedeu e permitiu a maçonização da Igreja Católica. A famosa seita maçônica dos Carbonários (condenada pelo papa Pio VII em sua encíclica Ecclesiam a Jesu Christo, de 13 de setembro de 1821) concebeu o seguinte plano que foi realizado com o Concílio Vaticano II:

O que devemos pedir […] é um papa segundo nossas necessidades […]. Assim, caminharemos mais seguramente ao assalto da Igreja […]. Para asseguramos um Papa nas devidas proporções, devemos inicialmente preparar para este Papa uma geração digna do reino que sonhamos. […] Dentro de alguns anos  este  clero  jovem  terá  forçosamente  ocupado todas as funções; será quem governa, administra, julga, forma o conselho soberano e será chamado para eleger o Pontífice que terá que reinar, e este pontífice como a maioria de seus contemporâneos, estará necessariamente mais ou menos imbuído dos princípios italianos e humanitários que começaremos a pôr em circulação. […] Que o clero ande sob vosso estandarte, acreditando ir sempre atrás das bandeiras das Chaves apostólicas. […] Vós trareis amigos em torno da cadeira apostólica. Vós tereis pregado uma revolução em tiara e pluvial, marchando com a cruz e estandarte.”

A conclusão dessas considerações é a seguinte: combatendo sobrenaturalmente a Franco- Maçonaria, atacamos a raiz do mal atual.

Originalmente publicado na: Carta da Milícia da Imaculada – número 2 – também publicado na Revista Le Chardonnet n° 315, fev/2016, pág. 6)

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NOTA DO BLOG DOMINUS EST: D. Marcel Lefebvre já exclamava isso em seu livro DO LIBERALISMO À APOSTASIA, no capítulo: A CONSPIRAÇÃO DA ALTA VENDA DOS CARBONÁRIOS

 

NOSSA SENHORA TRABALHANDO ATRAVÉS DE SEUS FILHOS

maxiO franciscano conventual mártir São Maximiliano Kolbe, fundador de Niepokalanów, também chamada “a Cidade da Imaculada”, uma comunidade católica, em Teresin, perto de Varsóvia, na Polónia, construída em um terreno oferecido pelo príncipe Jan Drucki-Lubecki, em 1 de outubro de 1927. É a sede internacional da Milícia da Imaculada. Em Abril de 1980, o Papa João Paulo II concedeu o título de basílica menor à sua igreja.

Fonte: FSSPX Canadá — Tradução: Dominus Est

Queridos amigos e benfeitores,

Fevereiro trouxe-nos a bela festa de Nossa Senhora de Lourdes e, portanto, o grande mistério da Imaculada Conceição: “Eu sou a Imaculada Conceição!” Ao dizer “Imaculada Conceição”, diz-se uma eterna “inimizade”, uma luta, um combate tanto entre a Imaculada e a serpente amaldiçoada, quanto entre os seus descendentes, assim como há inimizade entre graça e pecado. O apóstolo disse bem: “Que compatibilidade pode haver entre Cristo e Belial, entre a luz e a escuridão?” (II Cor 6: 15)

Ao revermos os últimos dois séculos a partir desse ângulo da Imaculada, é claro que Nossa Senhora continua a lutar sozinha, direta e indiretamente, através de seus filhos. No século XIX, com 1) a Medalha Milagrosa (1830), 2) Nossa Senhora das Vitórias e a consagração ao Imaculado Coração (1836), 3) a redescoberta em 1847, no fundo de um antigo baú, do Tratado da Verdadeira Devoção de São Luís Maria Grignon de Montfort e 4) Lourdes (1858) — para mencionar apenas essas quatro datas — vemos a Rainha do Céu lembrando-nos que ela está aqui, entre nós, trazendo-nos esperança, confiança e algumas armas muito poderosas para a guerra espiritual que, antes de tudo, é dela mesma.

No século XX, a Rainha organiza ainda mais suas tropas para uma luta que se intensifica. Claro, há Fátima, sobre a qual muito falamos no ano passado. Gostaria de destacar aqui duas organizações que tiveram um impacto extraordinário nos últimos cem anos e que estão ganhando cada vez mais importância nas fileiras da Tradição em nossos difíceis tempos: a Milícia da Imaculada (MI) e a Legião de Maria.

A MI foi fundado em Roma, pelo jovem irmão Maximiliano-Maria Kolbe, polonês, 3 dias após o milagre do sol de Fátima, em 16 de outubro de 1917, véspera da festa de Santa Margarida. A fundação da Legião de Maria segue de perto, sendo fundada em Dublin, na Irlanda, em 7 de setembro de 1921, nas primeiras vésperas da festa da Natividade de Maria pelo Sr. Frank Duff. O Irmão Maximiliano-Maria Kolbe ainda não era um sacerdote (ele será ordenado um ano depois), nem qualquer um dos seus seis companheiros franciscanos em seu convento de Roma, na fundação da MI. Frank Duff, ele próprio um funcionário do governo que nunca se casará, que rezará o breviário completo em latim por quase cinquenta anos, reuniu um sacerdote e um grupo de senhoras, eram em quinze, para colocar-se a serviço da Santíssima Virgem. Continuar lendo

MONS. FELLAY SOBRE O ATUAL ESTADO DA FRATERNIDADE

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Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Monsenhor Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, graciosamente concordou em proferir uma conferência aos fiéis da Igreja de São José, ocasião em que falou sobre o desenvolvimento das relações da Fraternidade com Roma. Durante esta conferência, concedida em 3 de fevereiro de 2018, ele forneceu muita informação sobre isso e, acima de tudo, incentiva um assunto que pode parecer tão obscuro para os católicos hoje.

Diante de um grupo de fiéis muito interessados da Igreja de São José, Monsenhor Fellay abriu a conferência falando sobre os antecedentes da obra da FSSPX, relembrando os eventos e movimentos que tiveram lugar antes do Concílio Vaticano II. Ele também lembrou que o “respeito humano” em que o clero caiu, foi a razão pela qual eles evitaram condenar o comunismo e introduziram o conceito muito venenoso de liberdade religiosa. O último foi solicitado especificamente à Igreja pela Loja Maçônica B’nai B’rith.

No entanto, a influência do comunismo e da maçonaria não terminou no Concílio, mas devastou a Igreja extensivamente nas décadas seguintes. Os inimigos de Cristo atacaram o coração de sua Igreja apontando suas armas para o sacerdócio. Com a implantação de candidatos cuidadosamente selecionados nos seminários, esses inimigos conseguiram reduzir o corpo sacerdotal a uma mera sombra do que fora um dia, em questão de algumas décadas. Sua Excelência observou, por exemplo, o caso de uma paróquia na França que conta com dois sacerdotes, com mais de 60 anos de idade, aos quais foram confiados 92 centros de missas. É uma situação verdadeiramente dramática, e definitivamente não há avanço neste momento.

Em rápidas pinceladas, Monsenhor delineou um breve resumo dos tratados da Fraternidade com Roma desde a sua fundação em 1970. Entre outras coisas, ele falou do protocolo de 1988 — um documento que, apesar de não ser perfeito, era suficiente em si mesmo, e que teria concedido à Fraternidade o seu lugar legítimo na Igreja. Monsenhor Lefebvre voltou atrás em assinar este documento por uma razão prática; depois de rezar, deu-se conta de que estava sendo enganado, e de que não lhe seria concedido um sucessor. Continuar lendo

“A TRADIÇÃO É O ÚNICO FUTURO POSSÍVEL PARA A IGREJA”

Entrevista exclusiva com o Padre Fausto Buzzi – assistente do Superior do Distrito da FSSPX na Itália, com Francesco Boezi, do jornal italiano Il Giornale

A Tradição representa o único futuro possível para a Igreja. Dom Fausto Buzzi tem uma visão clara. Sacerdote da Fraternidade São Pio X, a mesma fundada por Marcel François Lefebvre em 1 de novembro de 1970, logo após Concílio Vaticano II, Buzzi é hoje assistente do Superior italiano. Ele serviu durante alguns anos na associação Alleanza Cattolica. Depois, em 1972, conheceu Monsenhor Lefebvre e ingressou no seminário de Ecône. Nesta entrevista exclusiva, o sacerdote de São Pio X falou, entre os pontos abordados, da reunificação doutrinal com o Vaticano.

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Il Giornale: O que ainda separa  Fraternidade São Pio X da Igreja Católica?

Dom Fausto Buzzi: É bom ressaltar que a Fraternidade São Pio X não tem nada que a separa da Igreja Católica. Nós estamos unidos à Igreja Católica e nunca nos separamos dela, apesar das divergências com as autoridades da Igreja. Ora, essas divergências não partem de nós. Mons. Lefebvre dizia sempre que o condenaram pelos mesmos motivos pelos quais os papas costumavam enaltecê-lo, particularmente o Papa Pio XII. Foi Roma que mudou e, com o Vaticano II, se distanciou da bimilenar Tradição da Igreja. Em resumo, podemos dizer que o que nos separa de Roma são os graves e fundamentais problemas doutrinais”.

IG: Um pároco me disse, certa vez: “Fala-se muito sobre cisma, mas esses não têm a competência teológica de Marcel Lefebvre“. É isso mesmo?

FB: Muitos criticam ou condenam a Fraternidade São Pio X sem conhece-la e sem compreender as graves razões que a colocam em uma situação hostil em relação às autoridades eclesiásticas. Hoje, muitos, sacerdotes e leigos, estão começando a se perguntar o que está acontecendo na Igreja e estão abrindo os olhos para o fato de que aqueles que foram taxados por muitos anos como cismáticos são aqueles que permaneceram mais fiéis à Igreja Católica e, paradoxalmente, os mais fiéis ao papado. Em nossos seminários, Mons. Lefebvre queria que estudássemos a Summa Theologica de Santo Tomás de Aquino e outras obras clássicas de teologia. Lhe asseguro que foi uma grande graça para nós recebermos uma formação tão profunda e tão sólida.

IG: Qual a sua opinião sobre o Papa Francisco?

FB: Para nós, o Papa Francisco não é nem pior nem melhor do que os outros Papas conciliares ou pós-conciliares. Ele trabalha na mesma obra inaugurada por João XXIII, a de autodemolição da Igreja Católica com a finalidade de construir uma outra que esteja em conformidade com o espírito liberal do mundo. Eu ainda lhe direi mais: o atual Papa não é tão responsável quanto foi o Papa Paulo VI [em seguir adiante com a agenda de autodemolição da Igreja]. Este papa conduziu o Concílio, o concluiu, e conduziu também todas as reformas. E tudo isso, agora, é a causa da gravíssima crise que vemos na Igreja. É certo que as ações e as palavras do Papa Francisco parecem mais graves do que as de seus predecessores. Mas não é assim. Hoje, o efeito midiático ressoa muito mais do que no passado. No entanto, substancialmente, os atos de Paulo VI são muito mais graves do que os de Francisco. Continuar lendo

ONDE O SEDEVACANTISMO E NEOCONSERVADORISMO SE ENCONTRAM

A TENTAÇÃO SEDEVACANTISTA

FSSPX Distrito do México – Tradução: Dominus Est

Um estudo sobre a preocupante tendênciaque existe entre alguns católicos que amam os ensinamentos tradicionais e perenes da Igreja.

Sedevacantismo é uma palavra muito extensa que significa, literalmente, que a Santa Sede está vacante. Atualmente, indica a crença de que a pessoa que ocupa a cadeira de São Pedro não é o verdadeiro Papa, mas um impostor sem qualquer direito a exercer o oficio papal.

A razão alegada pelos sedevacantistas é que a crise da igreja tem o respaldo do Bispo de Roma. Eles afirmam que por omissão ou comissão, o Papa está promovendo erros e heresias como a nova Missa, o ecumenismo, a liberdade religiosa e a colegialidade. Os sedevacantistas pensam que um verdadeiro Papa não pode ser responsável por uma crise assim.

Esta mesma crise também produziu outro grupo, o dos neoconservadores, que aderem a tudo o que o Papa diga, pelo simples fato de ser o Papa. Deste modo, são levados a aceitar os falsos ensinamentos do Concilio Vaticano II mencionados acima.

É muito interessante que ambos os grupos, neoconservadores e sedevacantistas, servem-se do mesmo princípio: “O Papa é infalível em tudo, e o que ele ensina é verdadeiro e bom.” A diferença reside na forma como este princípio é aplicado. Os conservadores afirmam que, uma vez que o Vaticano II obteve a aprovação papal, devemos aceitar cegamente seus ensinamentos como bons e verdadeiros, sem importar-nos ou preocuparmos com o que possamos sentira respeito. Os sedevacantistas sustentam que, quando o Vaticano II promove heresias, sua autoridade não pode provir do verdadeiro Papa. Aqui está o dilema perfeito: neoconservador ou sedevacantista!

A solução para o dilema tem sua raiz no próprio princípio. A infalibilidade não é um passe universal para absolutamente tudo o que sai da boca do Papa ou tudo o que Roma diz. A infalibilidade está limitada a declarações específicas, que devem atender a certas condições para ter sua proteção. Esta proteção não se aplica aos documentos do Concílio Vaticano II nem à legislação em torno da Missa nova.

Monsenhor Lefebvre, em seu conhecimento da política romana e sabedoria sobrenatural, conhecia os principais problemas que ocorreram durante o Concílio Vaticano II: presidiu o Coetus, que foi o grupo formado pelos bispos em oposição aos modernistas provenientes dos países do Reno. Ao contrário dos sedevacantistas, o santo bispo não se escandalizou pela terrível confusão que sofreram a fé e a Missa sob o nome de ecumenismo. Ele lutou como um leão contra a Roma modernista e, no entanto, reconhecia a autoridade do Romano Pontífice. Ele agiu do mesmo modo que um bom menino o faria ao resistir a um pai que lhe pedisse para que roubasse, sem deixar de reconhecê-lo como pai.

Alguns sedevacantistas afirmam que os sacerdotes tradicionalistas (incluindo a FSSPX) invocam a pessoa do Papa dizendo “una cum” no cânon da Missa. Para eles ser “una cum” é tanto como dizer “Amém” às heresias promovidas pelo Papa. Na verdade, a tradução mais precisa do termo é que oramos pelo Papa, como cabeça visível da Igreja.

Por muito tentadora que possa parecer neste momento a opção do sedevacantismo, devemos resistir a cair nesse erro. No entanto, isso não significa que devemos alinhar-nos com os neoconservadores que tomam cada declaração papal como quase infalível. Recordemos que na história da Igreja houve santos e homens santos que consideraram necessário resistir ao Papa sem se tornarem sedevacantistas. Esta é a razão pela qual Monsenhor Lefebvre, mesmo com toda a sua oposição à Roma modernista, nunca adotou essa posição, e prudentemente proibiu os sacerdotes da FSSPX professá-la.