A LIBERDADE É CATÓLICA

Fonte: Boletim Permanencia

“A liberdade, bem excelente da natureza”. É com essa deliciosa provocação que Leão XIII abre a sua magistral Encíclica Libertas, para mostrar que a Igreja é a verdadeira defensora da liberdade, e para condenar os liberais.

Mais do que amiga da liberdade, a Igreja é mesmo a única a tê-la estabelecido no mundo, segundo Mons. de Ségur:

“A Igreja inimiga da liberdade!? Não foi ela, e somente ela, que a estabeleceu no mundo? Não foi ela que a trouxe de volta ao coração do homem ao romper as cadeias do pecado e o jugo de todas as paixões? A Igreja inimiga da liberdade! Não foi ela que restabeleceu a liberdade da família, derrubando o triplo despotismo do pai, do marido e do amo? Não foi ela que introduziu a liberdade no Estado, negando o poder absoluto do César, dizendo-lhe na cara que mais vale obedecer a Deus que aos homens? Não foi o Papado, não foi a Igreja católica que formou, educou, constituiu as nações cristãs que possuem incomparavelmente mais liberdade que todas as civilizações antigas, tão louvadas pelos nossos pagãos modernos?” (La Liberté)

Assim também, no domínio econômico, podemos nos afastar do liberalismo ao mesmo tempo em que defendemos a liberdade econômica sem medo de contradição. Ensinava Pio XII:

“A economia, como outros ramos da atividade humana, não é, por sua natureza, uma instituição do Estado; ela é, ao contrário, o produto vivo da livre iniciativa dos indivíduos e das associações livremente constituídas” (Alocução de 7/5/49 – grifos nossos)

Os liberais querem impostos baixos? Nos tempos de Pio IX, os Estados Pontifícios eram conhecidos por terem uma das menores tributações da Europa.

Os liberais querem limitar o MEC? Nós preferiríamos suprimi-lo, pois, como ensina o Pe. Berto, resumindo o pensamento da Igreja:

“… [a] função do Estado não comporta absolutamente que o Estado funde por conta própria colégios, que mantenha ele mesmo um corpo de ensino (à exceção das escolas especiais destinadas a preparar para os grandes serviços públicos: exército etc). Assim, ainda que o ensino ‘do Estado’ (…) não estivesse manchado dos erros suplementares da neutralidade, de infiltração comunista etc, seria, no entanto, por sua mera existência, uma instituição contrária à reta razão, à doutrina social da Igreja, aos interesses dos cidadãos”.

Os liberais querem reformar a Previdência? Preferiríamos — mas sabemos não ser isso possível atualmente — subtrai-la das garras do Governo, como queria o grande bispo francês Charles-Émile Freppel:

“Seria fazer um socialismo de Estado se esse último se tornasse, ele mesmo, o garantidor, o administrador, o empreendedor, o gestor dos fundos da previdência. Não devemos tornar o poder público uma espécie de servente ou provedor universal! O legislador deve, portanto, se limitar a exigir o estabelecimento de fundos de previdência; mas, quanto à sua administração, deve confiá-lo a comitês formados por patrões e trabalhadores…”

Falemos como católicos,”en catholique”: podemos defender com a doutrina da Igreja uma sã liberdade econômica.

O princípio de subsidiaridade (do latim ‘subsidium’, proteção) implica num dever do Estado de apoiar, favorecer e fomentar as iniciativas privadas honestas, e não de arruiná-las ou de se substituir a elas.

Marcel de Corte, filósofo e católico de verdade, dizia que, se um governo desejasse ajudar a economia a atingir seu fim próprio, deveria começar por não exercer “ele mesmo, enquanto tal ou por meio de sociedades paraestatais interpostas, nenhuma função econômica de produção propriamente dita”.

Essa concepção, claro está, opõe-se ao erro do Estatismo, vício das sociedades modernas, em especial da brasileira, que rebaixa a população até infantilizá-la, como no prognóstico sombrio de Tocqueville:

Acima deles, ergue-se um poder imenso e tutelar, que se incumbe de assegurar a sua fruição e de velar pelo seu bem estar. É um poder absoluto, detalhista, previdente e doce. Pareceria com um poder paterno se, como tal, tivesse o fim de preparar os homens para a idade viril; mas, ao contrário, não quer senão fixá-los na infância. Ele gosta que os cidadãos se divirtam, desde que não queiram mais do que isso”

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Alguém poderá perguntar: Como resolver essa aparente contradição entre a defesa da liberdade e a condenação ao liberalismo? Por que tantos pensam, ao contrário, que a Igreja é avessa à liberdade?

Essa é a pergunta que Leão XIII se faz na Encíclica Libertas, a qual não saberíamos recomendar o bastante. Resumindo em pouquíssimas palavras, o pontífice responde o seguinte:

“Não sabeis o que é liberdade.”

É SEMPRE BOM LEMBRAR: OS PECADOS QUE CLAMAM VINGANÇA AO CÉU

Fonte: Distrito do México – Tradução: Dominus Est

ALERTA! Há pecados que clamam ao céu!… e são punidos neste mundo. Veremos a seguir o que são e qual o comportamento de um verdadeiro discípulo de Cristo.

“Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis desviar pela diversidade de doutrinas estranhas. É muito melhor fortificar a alma pela graça do que por alimentos que nenhum proveito trazem aos que a eles se entregam” (Hb 13,8).

Todo homem quer ser feliz e viver em paz. Vive em paz aquele que segue a ordem que Deus colocou no mundo e obedece às leis que regem o mundo para que tudo funcione harmoniosamente. A lei natural é obra de Deus, consiste em fazer o bem e evitar o mal. O bêbado, por não obedecer à lei do seu corpo, com o tempo destrói seu fígado e morre. O motorista que não obedece à lei do trânsito em uma curva perigosa, pode acidentar-se e morrer. Deus criou o homem com inteligência e livre arbítrio. O mau uso da liberdade produz o pecado, e o pecado é a causa de nossos problemas. Hoje, a filosofia liberal subjetivista, fruto do livre exame protestante e maçônico, não leva em consideração as leis da natureza. Os homens que perderam a fé cristã católica, pensam que têm o poder e o direito de transtornar as leis da natureza das coisas; eles pensam que a realidade humana deve obedecer suas ideias, mesmo que sejam falsas. Isso faz com que a sociedade passe a ter sérios problemas. A causa de nossos problemas é o pecado; o remédio é seguir a lei de Cristo e respeitar a lei natural.

O que é o pecado?

O pecado é uma desobediência voluntária à lei de Deus. Existem dois tipos de pecado: pecado grave e pecado leve. O pecado grave é chamado de mortal, o pecado leve é chamado venial. O pecado mortal separa o homem de Deus e o entrega ao poder do demônio; abre diante dele a porta do inferno eterno. O pecado mortal coloca o homem numa situação anormal, destrói a graça santificante e a caridade, e expulsa o Espírito Santo da alma. Se uma pessoa morre em pecado mortal, sem confissão e sem arrependimento sincero, ela cairá no inferno, que é um lugar de fogo e sofrimento eterno. Há três condições para que um pecado seja mortal: matéria grave, plena advertência de que um pecado é grave e pleno consentimento. Isso significa que eu sei que o mal que quero fazer é algo grave, e mesmo assim, quero fazê-lo ou dou o meu consentimento. Por exemplo, matar, fornicar, adulterar, embriagar-se.

Entre os pecados mortais, há quatro que são tão graves que Deus os castiga neste mundo. Estes pecados que clamam ao Céu são: Continuar lendo

DOSSIÊ: A MISSA DE PAULO VI

Imagem relacionadaPe. François-Marie Chautard

A missa é o que há de mais belo e melhor na Igreja […] Assim, o diabo sempre procurou,
através dos hereges, privar o mundo da missa. –
Santo Afonso de Ligorio

A despeito de tal pensamento, Lutero não mascarou sua vigorosa rejeição da Missa: “Quando a Missa for destruída, penso que teremos derrubado o papado! Pois é sobre a missa, como sobre uma rocha, que todo o papado descansa, com seus mosteiros, seus bispados, suas universidades, seus altares, seus ministros e sua doutrina … Tudo ruirá quando ruir essa missa sacrílega e abominável.”1

Para além da virulência da intenção, é evidente o abismo que separa a concepção luterana e a doutrina católica sobre a missa.

Esta oposição parece ter sido consideravelmente diminuída com a reforma do Missal Romano operada por Paulo VI, em abril de 1969. Já em maio de 1969, o protestante Max Thurian, da comunidade de Taizé, afirmava placidamente: “Com a nova liturgia, as comunidades não-católicas poderão celebrar a Ceia do Senhor com as mesmas orações que a Igreja Católica. Teologicamente, é possível.”

Como explicar tal mudança? O novo rito estaria mais próximo da posição protestante? Ou foram os protestantes que mudaram? Duas opiniões, uma, de um católico, outra, um de protestante, favorecem a primeira interpretação. 

Monsenhor Bugnini, principal arquiteto da reforma litúrgica, admitiu com surpreendente simplicidade: “[na reforma litúrgica] a Igreja foi guiada pelo amor das almas e pelo desejo de fazer tudo para facilitar aos nossos irmãos separados o caminho da união, removendo qualquer pedra que pudesse constituir sequer uma sombra de risco de tropeço ou desagrado.”2

Os termos utilizados são reveladores: “fazer tudo”, “sombra de risco”, “tropeço ou desagrado”. Para evitar essa “sombra de risco”, Monsenhor Bugnini não negligenciou nada. Seis pastores protestantes foram chamados para ajudá-lo a projetar a nova missa. 

A segunda opinião vem de um protestante. Em 1984, após o indulto do Papa João Paulo II autorizando a celebração da Missa de São Pio V sob certas condições, o jornal Le Monde publicou o seguinte texto, assinado pelo pastor Viot 3

“A reintrodução da Missa de São Pio V (…) é muito mais do que uma questão de linguagem: é uma questão doutrinal da mais alta importância, no centro dos debates entre católicos e protestantes, debates que, da minha parte, julgava felizmente estarem encerrados (…) Muitos dos nossos antepassados ​​na fé reformada de acordo com a Palavra de Deus preferiram ir à fogueira ao invés de assistir esse tipo de missa que o Papa Pio V tornou oficial contra a Reforma. Ficamos, portanto, encantados com as decisões do Vaticano II sobre o assunto e a firmeza de Roma em relação àqueles que não quiseram se submeter ao Concílio e continuaram a usar uma missa que, aos nossos olhos, contraria o Evangelho.”

O pensamento é claro, a linguagem é direta: a irredutibilidade da doutrina protestante e da Missa tradicional permanece. 

A mudança de posição não vem, portanto, dos protestantes, mas do rito católico. Eis a conclusão que precisamos fundamentar em bases sólidas. 

O estudo da missa de Paulo VI não é, pois, de interesse trivial. Esclarecemos, para evitar qualquer mal-entendido, que o exame desse rito cobrirá apenas o texto oficial de 1962, e não as adaptações inacreditáveis, mas infelizmente recorrentes.

Para abordar a reforma do missal litúrgico, procederemos da seguinte maneira:

  1. Alguns lembretes sobre a doutrina católica. 
  2. O paralelo com a missa de Lutero. 
  3. Deficiências doutrinais da missa de Paulo VI. 
  4. Seus autores. 
  5. O delicado problema de sua validade. 
  6. Consequências morais no comparecimento à missa de Paulo VI.

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1. Citado por Cristiani, Du luthéranisme au protestantisme, 1910.

2. Todas essas citações foram tiradas de La messe a-t-elle une histoire? , éd du MJCF, 2002, p. 134.

3. Retornou desde então à Igreja Católica e foi ordenado padre.

A EUTANÁSIA EM QUESTÃO

Dom Bernard Tissier de Mallerais

Nota da Permanência: No momento em que a Cultura da Morte se lança sobre mais uma vítima, convém conhecer o que a Igreja nos ensina acerca do problema da Eutanásia.

Os motivos invocados: da compaixão ao cinismo

O sentimento de pena por aqueles que não têm cura, no estágio das “dores terminais”, intoleráveis para ele e para mim, obrigam-me a abreviar os seus sofrimentos. Eu vou lhe aplicar uma injeção, como fazemos com os animais. Desse modo, não faço mais do que apressar uma morte absolutamente inevitável (cf. D. C. 1885, 1128).

A dignidade humana funda um “direito a morrer com dignidade”. Ora, os sofrimentos intoleráveis ou o estágio de inconsciência são indignos do homem. Eu tenho portanto o direito de preveni-los ou abreviá-los… (cf. L’Alsace 21.09.1984)

A liberdade, apanágio da pessoa humana, deve estender-se igualmente à “escolha da vida”, à “escolha da morte” (tema do Congresso de Nice, 21-23.09.1984 — organizado pela ADMD: Associação pelo Direito de uma Morte Digna). Eu afirmo minha liberdade ao não me deixar impôr pela natureza uma morte contrária ao meu alvitre. O suicídio de Henri de Montherlant, condenado pelo seus médicos, foi a morte de um homem livre!

O interesse da sociedade… “Cremos que a sociedade não tem nem o interesse nem a necessidade genuína da sobrevivência de um doente condenado” (declaração de quarenta personalidades, entre as quais três prêmios Nobel, 1974). “A morte legal pode se situar após os 80 anos, data além da qual os médicos poderiam se manter isentos… Eu não creio mais absolutamente no ponto de vista tradicional segundo o qual todos os homens nascem iguais e sagrados” (Professor Crick, Tribune médicale, 21.11.1970). Continuar lendo

HOMENAGEM A SÃO PIO X POR OCASIÃO DO 65º ANIVERSÁRIO DE SUA CANONIZAÇÃO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 29 de maio de 1954, há 65 anos, o papa Pio XII canonizava o papa Pio X diante de uma inumerável multidão. Esta canonização mostrou-se extraordinária, pois fez remontar a 1712 – ano em que Clemente XI inscreveu no catálogo dos santos o nome de Pio V, o Papa do Rosário, de Lepanto e da Missa – para assim ver exaltada a figura de um soberano pontífice. 

Através de São Pio X, papa de 1903 a 1914, Pio XII quis dar um exemplo para toda a Igreja da santidade do cabeça, uma “santidade papal” [1] capaz de guiar as ovelhas em tempos difíceis. No resumo da beatificação (3 de junho de 1951), Pio XII enumerou os principais traços dignos da atenção e admiração das multidões:

1- A preocupação com a santidade do clero,pedra angular para renovar todas as coisas em Cristo, segundo seu sublime lema [2]. Pio X quis um clero caracterizado pela sua piedade, sua obediência e sua ciência.  

2 – A renovação dos estudos eclesiásticos. Pio X exorta os filósofos cristãos a defenderem a verdade sob a bandeira de Santo Tomás de Aquino. Ele fundou, em Roma, o Pontifício Instituto Bíblico, encorajou as ciências teológicas, uma exegese inspirada e uma pregação cuidadosa por parte do clero. 

3 – A preocupação da salvação eterna das almas. Se Pio X queria um clero santo, era para a instrução dos fiéis a quem dava um catecismo, destinado tanto a adultos quanto a crianças. Para estes, ele permanecerá sendo sempre o Papa da Eucaristia, favorecendo a comunhão precoce, mas também – e para todos – a comunhão frequente e mesmo cotidiana. 

4 – A defesa da fé íntegra e pura. As falsas doutrinas que sintetizavam um conjunto de erros foram desmascaradas sob o nome de modernismo, e sabiamente reprimidas (Encíclica Pascendi, 8 de setembro de 1907). Nestas circunstâncias, como em seu combate contra as leis anti-clericais e a laica separação dos Estados, São Pio X foi, nas palavras do Pastor angelico, um “mestre infalível da fé”, o “vingador intrépdo da religião” e ” guardião da liberdade da Igreja “. Continuar lendo

OU UMA COISA, OU OUTRA

A coisa é simples: não é possível ser católico e acreditar na tal Unidade Transcendente de todas as religiões. Ponto final.

A Torre de Babel, Pieter Bruegel

Fonte: Boletim Permanencia

Essa ideia, da qual a Torre de Babel é uma alegoria exemplar, é o fundamento do perenialismo, cuja versão cabocla ronda nossas igrejas e capelas. Supõe que todas as religiões – o catolicismo inclusive – têm uma origem comum: seriam como que traduções mais ou menos imperfeitas de uma mesma realidade.

Colocam-se assim no mesmo saco o erro e a verdade, como se fosse indiferente abraçar a Religião revelada por Deus ou algum delírio excogitado pelos homens. Será preciso recordar aqui os rudimentos mesmos do Catecismo?

P: Que nos proíbe o primeiro Mandamento?
R: O primeiro Mandamento proíbe-nos a idolatria, a superstição, o sacrilégio, a heresia, e todo e qualquer outro pecado contra a religião. (Catecismo de S. Pio X)

Não é preciso pensar muito para ver que o perenialismo faz pouco do sangue dos mártires e da constância dos religiosos, tem como inúteis as missões e o apostolado, desdenha do Sacrifício da Cruz.

Não é tudo. Dentro da louca perspectiva deles, o Catolicismo, longe de ser a Verdade Revelada pelo Deus Vivo, seria necessariamente a mais equivocada e estúpida de todas as religiões por sua pretensão à exclusividade, por declarar Extra Ecclesiam nulla salus est (fora da Igreja não há salvação). Jesus, ao dizer “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, só poderia ter se enganado.

P: Somos obrigados a acreditar em todas as verdades que a Igreja ensina?
R: Sim, somos obrigados a acreditar em todas as verdades que a Igreja nos ensina, e Jesus Cristo declarou que quem não crê, já está condenado.

Se a tese da unidade transcende de todas as religiões é vitoriosa, só pode ser no sentido de ter granjeado para si o respeito e a admiração de uma quantidade de mentes débeis, de todo ignorantes da doutrina católica.

O que é pior, no Brasil, essa baboseira exotérica (sim, com “x” mesmo), após as inevitáveis adaptações, produziu um falso catolicismo meio-conservador meio-ecumênico que, como se disse acima, hoje toma de assalto muitas igrejas e capelas, com o beneplácito, diga-se, de alguns sacerdotes.

Como um pouco de catecismo lhes faria bem!

P: Que é a heresia? 
R: A heresia é um erro culpável de inteligência, pelo qual se nega com pertinácia alguma verdade de fé. 

Formam, enfim, no máximo, mais uma seita, cuja característica mais original é ser daquelas a que se pode acrescentar o apodo “dos Últimos Dias”, mas não porque aguardem o apocalipse para breve, mas porque — por não se estribarem na doutrina revelada — suas opiniões e análises mudam ao sabor dos ventos da conveniência, de tal modo que o que foi dito nos “últimos dias” sempre difere do que fora dito nos “últimos dias” anteriores. Aqui, no entanto, não se encontrará unidade transcendente ou imanente para as suas opiniões.

O SEGREDO DO CONFESSIONÁRIO

São João Nepomuceno lançado da ponte Carlos, em Praga.

Fonte: Boletim Permanencia

Entre as muitas perversidades do mundo contemporâneo, vemos renascer o ânimo contra o sigilo do sacramento da confissão. Na Austrália, alguns estados já aprovaram lei obrigando o padre a revelar às autoridades certos crimes que lhe forem confessados. Nos Estados Unidos, um projeto de lei do mesmo teor será avaliado em breve pelo senado na ultra-liberal California, e os padres infratores poderão até mesmo ser presos.

Tudo isso é inaceitável para toda alma verdadeiramente católica. O sigilo da confissão é inviolável por instituição divina. “O sacramento necessariamente exige que o confessor oculte os pecados”, ensinava Santo Tomás, e o direito canônico de 1917 determina: “O sigilo da confissão é inviolável” (Cânone 889).

É esse o ensinamento constante da Igreja, e não são poucos os mártires do sigilo do confessionário. São João Nepomuceno, por exemplo, foi torturado e afogado por ordem de Venceslau IV, rei da Boêmia, por recusar-se a contar-lhe os pecados que a rainha lhe revelara em confissão. Mais próximo de nós, no México, em plena guerra Cristera, houve um sacerdote assassinado por se recusar a dizer aos agentes do governo o que ouvira no confessionário.

Mas o mundo moderno liberal, com seu dogma da soberania popular, “não reconhece nenhum limite que lhe seja exterior, nenhum valor que lhe seja superior, nenhum outro direito que possa resistir-lhe”, estando preparadas as bases para o Estado totalitário. Se os governantes se julgam em condições de desprezar o direito natural — como fazem na questão do aborto — como imaginar que respeitarão as leis da Igreja?

O Liberalismo é nosso inimigo e, sim, a guerra é espiritual.

 

DE PROFUNDIS

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Gustavo Corção

Sempre desejei escrever um estudo, um ensaio, um livro, para mostrar, aos que se escandalizam com os desconcertos do mundo, que é esse turbado espetáculo o melhor encaminhamento para uma demonstração da existência de Deus. Não pretendo ter achado uma nova via demonstrativa além das clássicas cinco vias da Escola. Penso apenas que aquele caminho, contraparte ou avesso do argumento baseado na harmonia do mundo, é o mais indicado para nossos tempos de paradoxos e crises. Talvez seja um remédio bom para todas as épocas, a julgar pela ênfase com que a idéia aparece no Antigo e no Novo Testamento. o livro do Eclesiastes, por exemplo, é uma longa demonstração, por absurdo, da transcendência da sorte humana e da existência de Deus, pois se ficamos nos limites traçados “sub sole”, nos limites dos horizontes terrestres, a vida se torna inteiramente absurda. os grandes salmos, as grandes antíteses paulinas, tudo nos leva a crer que talvez seja a estrada real para Deus o escuro caminho das tribulações que desemboca no fundo dos abismos.

Olha em volta de ti, alma atribulada e triste. O mundo, com todas as suas montagens, com todos os seus prestígios, tem o ridículo das coisas frágeis que se julgam enormes. Olha em volta de ti, alma cansada, e considera as farsas, as máscaras, os espetáculos, as galas, os príncipes, as cúpulas, os demagogos, os dirigentes em todos os escalões, e os dirigidos, ah! os pobres dirigidos que se extasiam de admiração diante de quem os desfalca, diante de quem os oprime. Mundo, mundo, triste mundo… É bem verdade que sempre andamos a servir um Deus invisível, um Deus mergulhado nas coisas, um Deus escondido nas aulas que damos, nos artigos que escrevemos. Quando combatemos isto ou aquilo, estamos sempre procurando servir a exatidão e a veracidade das coisas, e assim sendo é sempre Deus, nos seus inúmeros pseudônimos, que estamos servido, consciente ou inconscientemente. Pode ser que nesta ou naquela circunstância o amor próprio tenha entrado com suas amargas exigências, e a doce e santa verdade tenha sofrido o ultrajante eclipse de nossa própria glória. Pode ser. Mas na media em que podemos aquilatar o que dissemos de todos os problemas provocantes que o mundo tem armado como um desafio, talvez nos possamos gabar — se nos permitem um momento de loucura — de termos sempre procurado servir a Deus, servindo o bem e a verdade nas suas difusas, minúsculas e efêmeras manifestações.
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DEVERES DOS PAIS PARA COM OS FILHOS

Estimada senhora, na carta anterior eu lhe dizia que há aproximadamente dois séculos o homem mudou a ordem desejada por Deus e, com isso, por sua desobediência, propagou erros e maus costumes em toda a sociedade, nas famílias e na educação dos filhos. Tentarei mostrar essa desordem para ajudá-la em sua vocação de educadora de seu filho – vocação que, sem dúvida, se tornou muito difícil em nossos dias. A senhora percebe que em todas as partes só se fala dos direitos da criança, a tal ponto que se poderia pensar que os pais não têm mais nada a dizer. A criança sabe disso e aproveita a situação para satisfazer seus caprichos e não obedecer mais, sob pena de se rebelar na época da adolescência. Mas será que o ensinaram verdadeiramente a obedecer? Desde pequeno? Em verdade, nesse momento da adolescência, alguns pais se encontram desprovidos de meios e não sabem mais o que fazer.

O QUE NOS ENSINA O CATECISMO SOBRE ISSO?

Em primeiro lugar, os três primeiros mandamentos nos ensinam nossos deveres para com Deus, que é nosso Criador e Senhor de todas as coisas; esses deveres são:

– A adoração que se deve só a Deus, Uno e Trino (honrar o próprio Deus);

– O respeito para com o santo Nome de Deus (honrar o seu santo Nome);

– A santificação do Dia do Senhor (honrar o seu santo Dia).

O nome de Deus está inscrito nesses três mandamentos.

Depois vêm os outros sete mandamentos, que nos ensinam nossos deveres para com o próximo e, portanto, nossas relações com ele. O objeto do quarto mandamento concerne a todos nós e nos dita nossos deveres para com o próximo: nossos pais, nossos superiores, nossos educadores; mas, antes de tudo, nossos pais.

“HONRARÁS TEU PAI E TUA MÃE”

O Livro do Êxodo (cap. 20, v. 12) diz: “Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longo tempo na terra que o Senhor, teu Deus, te dá”. Esse mandamento está formulado em alguns catecismos deste modo: “honrarás pai e mãe, para que vivas longo tempo”. Dito de outro modo, quem observa esse mandamento recebe as bênçãos de Deus, inclusive sobre a terra.

Esse mandamento tem como objeto principal os deveres da criança para com seus pais; mas compreende também os deveres dos pais para com seu filho, assim como os deveres recíprocos dos patrões e dos empregados, dos maridos e das esposas.

Gostaria, em primeiro lugar, de falar dos deveres dos pais de família. Isso ajudará a senhora a ter o trato adequado com seu filho, para ajuda-lo, por sua vez, a cumprir bem o quarto mandamento. É bom que a criança saiba que também a senhora tem deveres para com ela. De fato, se a criança está inteirada da obrigação que seus pais têm perante Deus de trata-la da forma que a seguir estudaremos, ela mesma dará mais importância aos conselhos e reprovações dos pais.

Quais são os deveres dos pais para com seus filhos? Voltemos o olhar para a Sagrada Família, mais especialmente no mistério de Jesus encontrado no Templo pela Santíssima Virgem e por São José.

O primeiro dever é alimentá-lo. Por alimento, devemos entender todo o necessário para viver: alimentos, roupas, moradia. Desse modo, o pai de família deve trabalhar para atender às necessidades de sua família. Neste aspecto, cumpre ensinar à criança o dever da gratidão.

O segundo dever é instruí-lo. Há duas instruções: a comum, recebida na escola, e a religiosa, proporcionada com o catecismo. Jesus alude à segunda quando responde à Sua Mãe quando ela o encontra no Templo: “não devo me ocupar das coisas de meu Pai?”.

A primeira instrução oferece à criança algumas “receitas” para a vida presente. Tem verdadeira importância e não se deve descuidar dela, porque ao filho instruído será mais fácil ganhar a vida. Mas a segunda instrução proporciona ao filho os meios para alcançar mais tarde a felicidade eterna. Essa última instrução, portanto, oferece ao filho o máximo bem, e é a mais necessária, já que dela depende sua eternidade, ditosa ou infeliz. Os pais que se descuidam dela são gravemente culpáveis (daí a importância da escolha de uma escola verdadeiramente católica).

O terceiro dever é educá-lo. Quer dizer, corrigi-lo e incentivá-lo, uma vez que a criança tem defeitos – inimigos de sua alma – assim como qualidades e talentos que devemos fazer frutificar. Esse não foi o caso da Santíssima Virgem e de São José, pois eles não tiveram jamais de corrigir o Menino Jesus. Ele só tinha virtudes. Mas Ele e Nossa Senhora foram as únicas crianças desse gênero; assim, o dever de todo pai é ter em conta aqueles dois elementos com vistas à educação da criança. O que diz a Santa Escritura a respeito? “Não poupes nada na correção do filho”. E em outra parte: “Um cavalo sem domar se torna insuportável, e a criança abandonada à sua vontade se torna insolente”.

Essas palavras se aplicam muito bem à criança malcriada. E creio que muitos pais criam mal seu filho descuidando-se desse terceiro dever. Não basta corrigi-lo; é preciso corrigi-lo bem, quer dizer, adequar o castigo à falta. Muito frequentemente tenho visto pais castigarem de maneira inconsiderada; a senhora pode ter certeza de que nesse caso o castigo não produzirá bons frutos, mas más consequências. Normalmente o castigo tem como primeira finalidade a correção e, portanto, deve ser proporcional à falta. Se Deus quiser, falarei mais longamente sobre este ponto em outra carta.

São Pedro Damião dizia: “Aquele que não repreende seus filhos quando roubam ovos, há de vê-los logo roubando cavalos. Quem no começo era só um ladrãozinho se tornará com o tempo um grande ladrão”.

Um provérbio diz: “Quem ama castiga”. Em geral, quando se leva a criança a reconhecer sua falta e a arrepender-se (a meu ver, isso é o mais importante), ela aceitará o castigo, pois as crianças têm um grande senso de justiça (a menos que já tenham sido deformadas nesse aspecto).

O quarto dever é dar bom exemplo. Tal pai, tal filho. Tal mãe, tal filha. A atitude dos pais é o livro com o qual os filhos se instruem. Um provérbio diz, com razão, que se aprende mais com os olhos do que com os ouvidos. O bom exemplo dos pais é o melhor catecismo do filho. Não basta que os pais evitem o mal; é necessário que façam o bem, que rezem a Deus de manhã e de noite, que assistam à Missa no domingo, que recebam regularmente os Sacramentos e que cumpram todos os deveres cristãos.

Uma última observação: pelo amor de Deus que reina na alma de seu filho batizado, agora que se aproximam as férias de verão, não se esqueça, querida senhora, de aproveitar a oportunidade para lhe ensinar o pudor, o respeito ao seu próprio corpo, portador da presença divina em sua alma. Ensine-lhe a vestir-se corretamente, como Jesus se vestiria. E para isso faça com que a própria roupa da senhora não contradiga as suas palavras. A criança tem um espírito lógico. Vê muito bem o exemplo que a senhora lhe oferece. Se a senhora tiver a coragem de dar-lhe o bom exemplo, ela mesma respeitará e porá em prática suas palavras.

Que Nossa Senhora seja sempre sua guia e modelo, especialmente durante as férias em família.

Irmãs da Fraternidade São Pio X

Fonte: Permanencia

O RESPEITO DEVIDO ÀS AUTORIDADES

“A autoridade é a grande aliada da liberdade”

Fonte: Boletim Permanencia

O propósito deste texto é tratar da pergunta seguinte: Qual o dever do católico diante das autoridades civis?

Santo Tomás de Aquino ensinava que “governar é dirigir para o fim devido”, e que os que governam têm de certo modo excelência superior a dos governados (S.T. IIa IIae, q. 102, a. 2). Leão XIII, em Immortale Dei, vai além, e afirma que “A autoridade dos príncipes reveste uma espécie de caráter mais sagrado do que humano”.

Tudo isso parecerá chocante à mentalidade moderna, segundo a qual a liberdade é o bem supremo e a autoridade não passa de um mal necessário — hay gobierno? Soy contra. Essa idéia que nos torna por princípio avessos a todo governo, e faz parecer que a única atitude sensata é a do antagonismo, é diametralmente oposta ao ensinamento da Igreja.

Pe. Jean-Dominique ensina que foi no iluminismo que surgiu a idéia de contrapor liberdade e autoridade, governado e governante. Montesquieu seria o principal responsável por essa reviravolta. Nas suas “Cartas Persas”, narra a história de um povo que um dia resolveu escolher um rei para governar e, para tanto, elegeu o mais virtuoso dos homens. O novo rei, no entanto, protesta que morrerá de desgosto, pois antes o povo era livre, e agora submisso.

Pura bobagem, a autoridade é tudo menos inimiga da liberdade. Ensina Mons. de Ségur que a autoridade é o poder “delegado por Deus a alguns homens para proteger, ajudar e estimular a liberdade dos outros”. Por isso mesmo, conclui, não é menos digna de estima do que a liberdade. Continuar lendo

O PADRE E A MENINA

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Gustavo Corção

Na semana em que estavam reunidos bispos e frades, e até no mesmo dia em que foi publicado um “documento base” a ser debatido na II Conferência geral do episcopado da América Latina em Bogotá, saiu publicado num canto de jornal, sem nenhum destaque, um pequeno tópico de faits-divers a que quase ninguém deu atenção, embora também envolvesse um padre, que, como ninguém ignora, é hoje o mais jornalístico dos personagens, como já o previra o Apóstolo Paulo: “somos dados em espetáculo ao mundo”.

No episódio a que me refiro, o padre não dirigia nenhuma passeata nem conscientizava os camponeses. Passava pela praia quando viu ao longe no mar uma menina a se debater. Atirou-se na água e, nadando em direção à menina, conseguiu segurá-la quando já se afogava, e levou-a até um barquinho pequeno que remava em sua direção.

Ergueu a menina, colocou-a no barco pequeno demais para três e tentou voltar a nado para a praia. Faltando-lhe as forças, foi levado pelas ondas do mar. E assim morreu para salvar a menina o padre jesuíta que se chamava Flodualdo, nome tão liricamente brasileiro que me lembra a Vila Isabel de antigamente. E assim morreu o padre, realizando uma tarefa de seu ofício, morreu salvando …

É a tal coisa, dizia eu outro dia a outro bom padre que me falava das dores da Igreja, é a tal coisa, basta aparecer um padre assim, um padre salvador, um padre padre, e logo se revolvem em nós as entranhas de ternura e respeito. Como gostaríamos de beijar aquelas mãos docemente ungidas para o ofício de salvar!

Depois de ouvir a história, cheia de lacunas e imprecisões, fixei-me na cena que vejo e torno a ver com obsessiva admiração: duas mãos que erguem uma hóstia viva por sobre as ondas do mar. “O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”. O bom padre Flodualdo deu a sua vida moça e plena para salvar a menina desconhecida que se afogava. E não terá sido por mera coincidência que isso aconteceu na mesma semana do “documento base”, com que seus redatores pretendem salvar abstratas estruturas sócio-econômicas à custa de uma conivência com a revolução mundial que virá tirar definitivamente do altíssimo valor que ainda hoje damos a uma vida de menina.

Uma menina não é uma molécula social, uma parte, uma unidade numérica: uma menina é uma pessoa inteira, maior do que o mundo e diretamente ordenada a Deus, através de todas as comunidades e estruturas. É uma pequena coisa imensa que só um coração cristão pode entender ou adivinhar, porque o cristianismo consistiu e sempre consistirá essencialmente nesse jogo de Deus, em que as coisas grandes se tornam pequenas para que as coisas pequenas se tornem grandes.

Jesus-menino, em sua terrível e humílima encarnação, é o Deus recém-nascido que veio salvar os homens um por um.

A figura do padre que salvou a menina, e assim cumpriu bem uma tarefa de seu ofício, evocou-me logo outra figura de padre que, dias atrás, vi no batistério da paróquia a salvar outra menina. Os personagens principais são os mesmos, o padre e a menina, e mesmíssimo é o elemento, a água; mas agora, em torno da pia, o rito tem a majestosa tranqüilidade da liturgia: “Liturgy is passion recollected in tranquility”.

A cena que temos diante dos olhos é assaz conhecida e completamente destituída de qualquer suspense. Basta porém uma fresta de imaginação vivificada pela fé para vermos de repente, atrás do rito monótono, um relâmpago de eternidade. E então, sem perder sua mansa pequenez de rés-do-chão, a cerimônia ganha um destaque novo, e o padre nos aparece, quando estende a mão sobre a cabeça escura da criança, humilde como um escravo, majestoso como um rei, poderoso como Deus.

Quem pode perdoar os pecados? Haverá no mundo inteiro coisa mais bela do que a mão ungida que pode apagar os pecados? E logo me voltam à lembrança as mãos do padre Flodualdo a elevarem uma hóstia viva por sobre as ondas do mar.

Não esperem do padre serviços sociais portentosos, nem queiram que ele batize as “estruturas”, e muito menos que dê a comunhão à “realidade brasileira”. Nestas coisas eles poderão trazer os grandes princípios morais que a Igreja elaborou através dos séculos. Mais do que isto não saberão fazer melhor do que os outros homens. Ao contrário, se se empenharem demais só poderão trazer desordem e confusão.

Parece pouco o que lhes fica e todavia é imenso: pregar o Evangelho e batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Posso ainda acrescentar um serviço que o padre pode trazer ao mundo: o de desprendimento do mundo.

O mundo se perderá se os homens quiserem avidamente salvá-lo e se deixarem prender no visgo temporal; o mundo se salvará na medida em que os homens aprenderem a viver mais de leve, vivendo como quem não faz muito empenho, possuindo como se nada tivessem.

Creio na comunhão dos santos, na interligação de todos os atos humanos, na única e verdadeira socialização dos méritos e deméritos. Por isso creio no valor da oração, na transcendental utilidade da contemplação, e no imenso valor de tantos atos escondidos.

Dentro deste dogma infinitamente espaçoso, creio na fecundidade ramificada e sobrenatural do gesto daquelas duas mãos consagradas que arrancaram a menina das ondas do mar.

Haverá assim, em Bogotá, vinda do Brasil, alguma coisa a contrapor ao “documento base”.

(01/08/1968, A Tempo e Contratempo)

O CATOLICISMO NÃO É “JUDAICO-CRISTÃO”

Fonte: Boletim Permanencia

Este texto é o resumo de um longo artigo do historiador argentino Rúben Calderón Bouchet (1918-2012).

Tornou-se moda entre os cristãos referir-se à nossa religião com a denominação de judaico-cristã. A Igreja, na medida em que rompeu sua conexão original com a Sinagoga, adaptou seu magistério às exigências da civilização greco-latina e se separou de tudo aquilo que, na tradição israelita, pudesse ter de hebraico. A atitude de Pedro e de Paulo ao tomar Roma como centro do seu apostolado foi, desde o começo, favorável a um entendimento profundo com as expressões mais notáveis da civilização helênico-romana.

Política, arte, ciência, economia e língua vinham agora do mundo gentio greco-latino. De Israel se conservava a Escritura e, com ela, o conteúdo da tradição revelada, mas examinado à luz dos princípios impostos pelo mistério do Verbo Encarnado. O encontro de gregos e cristãos foi decisivo para o futuro de uma assembleia religiosa cuja catolicidade dependia dessa união.

Ninguém pode negar que o povo de Israel, como qualquer outro, teve usos e costumes que dependiam naturalmente de seu temperamento, de suas virtudes, de seus vícios, das vicissitudes da sua história, de sua ignorância e de seus conhecimentos. Separar isso dos conteúdos revelados tem sido a tarefa do Magistério da Igreja.

O Símbolo de Niceia é uma condensação particularmente feliz desse discernimento e prepara, no início do século IV, a formulação de uma Teologia Dogmática que pouco terá que adicionar a seu conteúdo essencial, no transcurso dos séculos. Continuar lendo

O PODER DA ORAÇÃO

Imagem relacionadaFonte: Boletim Permanencia

Uma boa frase vale mais do que mil palavras.

A história a seguir é a versão editada de uma das que foram publicadas na última edição da Revista Permanência. Todas têm por protagonista Katharina Tangari, uma dessas personagens anônimas e santas que em segredo aplacam a ira de Deus contra infâmia do mundo.

A história, belíssima, vale ser lida integralmente. Mas a conclusão que Katharina tira dela deveria vir escrita no coração de todos:

“Pouco importa o que pedimos, contanto que o peçamos com grande simplicidade.”

Em busca dum auxílio especial numa situação difícil, planejei uma peregrinação ao santuário da Madona do Rosário de Pompeia. (…) Visitei essa amiga para pedir os conselhos necessários à peregrinação (…). Para minha surpresa, ela ofereceu com muita candura a sua companhia (…) Escolhêramos partir no primeiro sábado do mês do Rosário, dia 1º de outubro de 1949.

Durante a peregrinação aconteceu um estranho episódio que me aproximou ainda mais do Padre Pio. Fazíamos já dez horas de estrada quando, ao atravessar por San Giovanni de Teduccio, um rapazinho veio por trás de nós e, falando comigo, mostrou-me um livreto de orações com a estampa da Madona de Pompeia. Pressuroso, perguntou-me o rapaz: “As senhoras não perderam isto?” e, após dar-me o livro, desapareceu.

Esse livrinho era o da Novena de agradecimento à Madona de Pompeia, que eu levara na intenção de recitá-la ao final da peregrinação. Guardara-o numa bolsinha de couro que estava costurada dentro do bolso do casaco. Junto à novena havia o dinheiro para a viagem de volta — no total, três mil liras — um vale de dezesseis mil liras, a fotografia do meu marido e uma do Padre Pio ofertada por uma irmã franciscana, uma imagem do Menino Jesus encontrada no livro de Del Fante, em que estava escrito: “Abençoada pelas mãos estigmatizadas do Padre Pio”. Continuar lendo

A VINGANÇA DOS COVARDES

Valle de los caídos, Espanha

Fonte: Boletim Permanencia

No pequeno cemitério do Vimieiro, aldeia do centro de Portugal, uma simples lápide de pedra com uma cruz encima e “AOS 1970” gravado em um dos lados, indica a última morada do homem providencial que governou o país entre 1932 e 1968: António de Oliveira Salazar. A poucos metros dali encontra-se a pequena igreja do seu baptismo e, mais acima, a modesta casa que o viu nascer.

O despojamento da sepultura, a simplicidade do povoado, a humildade do lar natal, contrastam com a dimensão extraordinária alcançada pelo homem e pela obra de restauração nacional que realizou em sua pátria.

Três atributos são – ou deveriam ser – fundamentais em um governante: inteligência, integridade e dedicação. Se não é tarefa fácil identificar uma dessas qualidades em um homem público, mais difícil é encontrar duas, e improvável encontrar as três simultaneamente. Para o bem de Portugal e dos portugueses, a Salazar foi concedida – e amplamente – a graça de possuir aquela tríade de ouro do verdadeiro condutor da Polis. Não apenas inteligência, mas uma inteligência superior; não só integridade, mas uma integridade – pese a redundância – absoluta; não apenas dedicação, mas uma dedicação total da sua pessoa a Portugal.

E nele, essas três características essenciais não estavam “soltas” a flutuar no espaço, mas solidamente ancoradas em um profundo amor a Deus e à pátria. Só então pode entender-se o núcleo do seu pensamento político, no qual a nação é o valor supremo na ordem temporal e o Estado “o ministro de Deus para o bem comum” – conceitos naturalmente incompreensíveis para a mentalidade materialista, hedonista e mundialista dos nossos dias. Continuar lendo

SOA O DOBRE POR NOTRE DAME

Resultado de imagem para incêndio notre dameDom Lourenço Fleichman, OSB

Acompanhei um pouco a situação em Paris pelos jornais franceses, e me parece importante escrever para os meus fiéis e leitores do site, para lhes falar um pouco sobre esse acontecimento estranho do incêndio de Notre Dame de Paris.

Muitas catedrais, igrejas, mosteiros queimaram em incêndios antes desse. Muitos terremotos derrubaram suas flechas monumentais, como vimos hoje cair a de Paris. 

Mas não posso deixar de considerar que essa destruição tem um caráter diferente. Antes do fogo destruir esta Citadela da Fé católica, há muito tempo já desaparecera o fogo que a levantara há cerca de 1.000 anos atrás.

Quando leio nos jornais os políticos falando de cultura, de Europa, de arte, não posso deixar de pensar na culpa que esses senhores têm por tudo o que foi jogado fora de civilização católica, dos mil anos da Cristandade, da Idade Média. Não posso impedir que brote no coração o ódio por essa Revolução que há 250 anos destrói o que nossos heróis construíram, para pasmo do mundo moderno, pelo simples amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, a sua Mãe Maria, e a sua Esposa, a Santa Igreja  Católica Apostólica Romana.

Não posso deixar de odiar com todas as forças da alma esse Modernismo de Vaticano II, que ainda hoje derruba as simbólicas cruzes da fé nos corações.

Na verdade o mundo moderno e a Igreja modernista não merecem esses monumentos da fé antiga, pois que a repudiaram com desprezo e violência.

Era normal que, na Apostasia Geral em que vivemos, os marcos da fé de outrora fossem desaparecendo, como destruídos foram os Sacramentos, as Orações, o Sacerdócio, as igrejas e tudo o mais que ocupava pela vida interior esses mesmos monumentos.

Mas a vida continua.

Já estão arrecadando o dinheiro da reconstrução. Muito dinheiro. Já anunciaram que reunirão os melhores artífices do mundo para refazer o que foi destruído pelas chamas. De que serve? Levantarão uma Catedral do Pluralismo revolucionário. Cantarão loas à Fraternidade universal. Incensarão a deusa Liberdade no altar da nova Notre Dame. E todos, unidos pela Igualdade sem Jesus crucificado, soltarão fogos no dia da inauguração. 

No limiar da nossa Semana Santa, quando nos preparamos para o luto litúrgico pela Paixão e Morte de Cristo, soa o dobre por Notre Dame.

E mais uma vez choramos a destruição da fé.

Domingo que vem nos alegraremos com Cristo Ressuscitado, e poderemos tratar da nossa salvação eterna, nos nossos esconderijos, nas nossas catacumbas da Tradição.

UMA LUVA PARA TODAS AS ALMAS

A Torre de Babel, Pieter Brueghel

Fonte: Boletim Permanencia

“Há o orgulho, esse vício capital que mais do que tudo pesa no mundo do homem. Vício geral, vício universal, apego do eu, desregrada estima de sua própria excelência, erro interior, falsa avaliação do próprio ser, afronta a Deus único e perfeito.

Se nós escrevemos num papel amassado “orgulhoso” e o soltássemos dum oitavo andar da Avenida Rio Branco, ele cairia certo, em cima de rico ou de pobre, de sábio ou de néscio. Certíssimo. Luva para qualquer alma. Adjetivo para qualquer humano substantivo.

O orgulho é o primeiro e último vício, o mais persistente, o mais difundido. Não há idade que lhe resista; não há condição social que dele se defenda. A concupiscência tem momentos de pacificação. Arde em desejos quando não possui, mas pacifica-se, neutraliza-se quando atinge o bem cobiçado. O orgulho, não. Quanto mais servido mais ampliado fica. É uma fome inextinguível. Quando parece estar pacificado é justamente quando está mais exasperado. O orgulho é uma coisa feia. É sobretudo uma coisa transcendentalmente ridícula. É a mais comumente merecida das acusações, mas é também a mais grave.

[…]

O orgulho é um movimento da vontade, e procede de um erro, de um equívoco central. Sua composição é pois em tudo contrária à luz: é uma teimosia em campo obscuro, alimenta-se de erro, e desenvolve-se na medida em que a vontade não consulta a sua regra. Tanto pode ocorrer num homem de estudo como num homem iletrado, mas é mais provável que se desenvolva naquele que se nutre de mentiras vitais e que não se examina. O que se pode sensatamente dizer do homem muito lúcido, do poeta, do filósofo, é que a sua parcela de orgulho fica mais pública, mais visível. Mas não se pode dizer que essa parcela existe nele por causa da lucidez, da poesia e da filosofia. Não. Anda por aí muito orgulhoso calado, muito orgulhoso sem armas, muito orgulhoso que inventa seu próprio universo moral, que acha sozinho, na latrina talvez, a sua própria filosofia, a sua própria religião. Continuar lendo

UM NEFASTO ANIVERSÁRIO

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Paulo VI e os pastores protestantes que ajudaram na elaboração da Nova Missa 

Fonte: FSSPX Italia – Tradução: Dominus Est

3 de abril de 1969: Paulo VI promulga uma nova missa que é “… um impressionante afastamento da teologia católica da Santa Missa, como formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento“.

Aconteceu ontem(*), 3 de abril, o nefasto aniversário de 50 anos da promulgação do novo missal de Paulo VI que, entrou em vigor oficialmente no advento do mesmo ano de 1969. Com esse missal seria seguida, rapidamente, a reforma de todos os livros litúrgicos da Igreja, de modo a apresentar claramente a ruptura com todo o culto católico, para a fundação de uma nova forma religiosa. Para usar as palavras dos Cardeais Ottaviani e Bacci no Breve Exame Crítico, o novo missal se apresenta rapidamente “como um todo e também em detalhes, como um impressionante afastamento da teologia católica da Santa Missa, que foi formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento“. O elemento protestante é fortíssimo: a nova missa não se apresenta como um sacrifício expiatório, mas como uma assembleia que faz presente a memória da Ceia do Senhor. O padre é reduzido a presidente e perde todo o sentido de sua função, que se torna paralela e interconectada com a da assembléia que preside. Monsenhor Lefebvre chamará esse rito de “Missa de Lutero”, pedindo a todos os católicos que a evitem para preservar a fé.

Cinquenta anos depois, compreendemos ainda melhor o significado daquela ruptura com a expressão tradicional da fé católica no culto tridentino: o povo católico, até agora em grande parte deformado pela nova missa e alheio aos ritos anteriores, até mesmo por razão de idade, de católico – mesmo sem intenção – agora tem muito pouco. De fato, quanto mais essas pessoas são assíduas às novas funções, menos parecem acreditar e raciocinar como católicas. De modo análogo e ainda mais triste é a situação dos padres e bispos que tiveram que extrair sua identidade do novo rito, perdendo completamente o significado de suas funções.

Recordamos, há 2 anos, os 500 anos da “reforma” luterana. A “reforma” de Paulo VI, em cinquenta anos, causou um dano ainda maior que aquele do reformador alemão, em um décimo do tempo. Renovamos, neste aniversário, nosso apego à Missa Tridentina e, sobretudo seguindo os passos de nosso Fundador, a nossa firme rejeição ao novo rito, a fim de fazer da Missa tradicional uma verdadeira bandeira que indica a integridade da fé católica, contra todo o conjunto de erros da Roma de tendências neo-modernista e neo-protestante”, permanecendo fiéis à “Roma católica, guardiã da fé“.

Pela glória da Santíssima Trindade 

Por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo

Por devoção à Santíssima Virgem Maria 

Por amor à Igreja, por amor ao Papa 

Por amor aos bispos, sacerdotes e a todos os fiéis 

Pela  salvação do mundo, pela salvação das almas 

Guardem este testamento de Nosso Senhor Jesus! 

Guardem o sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo!

Guardem a Missa de Sempre!”(**)

Mons. Marcel Lefebvre

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Notas:

(*) No original oggi (hoje), alterado devido a data dessa publicação

(**) https://marcellefebvre.info/pt/content/16115

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Outro excelente artigo pode ser lido nesse link: MISSA NOVA, UM CASO DE CONSCIÊNCIA

DEPRAVAÇÃO DO CORPO: “ELES” COMEÇAM PELAS CRIANÇAS

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Gustavo Corção

Muitas vezes aludimos à crise que envenenou o Ocidente cristão, e que hoje se tornou universal graças ao movimento histórico da ocidentalização que, por paradoxo, se volta contra o Ocidente. Mais de uma vez tentamos percorrer os marcos históricos e as correntes de idéias que animaram a chamada civilização moderna e que agora deságuam pelo imenso estuário de mil disparates num oceano de sombrias perplexidades. A Renascença e a Reforma, debaixo de seus aspectos progressistas, e a par dos reais progressos trazidos pelas ciências da natureza, que asseguraram ao homem o conhecimento e o domínio das coisas exteriores e inferiores, foi o primeiro degrau do itinerário em que o homem se extravia de si mesmo, e para ganhar o mundo hipoteca a própria alma. Depois, na Revolução Francesa temos outro marco onde começa a grande impostura moderna das histórias mal contadas. Poderíamos dizer, embora nos repugne o neologismo, que a história recente é uma sucessão de estórias mal contadas. Num processo de sucessivo empulhamento que começou nos primórdios da Revolução Francesa, com as famosas societés de pensée denunciadas por Augustin Cauchin, seguiu-se a história do socialismo, a ascensão do liberalismo, a Revolução Russa, e as duas grandes guerras. Até hoje se conta a história da 2ª Guerra como se a Rússia tivesse desempenhado nela papel decisivo, papel de vencedor. Agora temos a super-impostura do progressismo “católico”, como uma síntese de todos os erros cometidos pela humanidade nestes últimos séculos. E qual é a direção geral, o efeito principal desses movimentos históricos?

Ninguém negará, evidentemente, a ocorrência de um progresso de que se gloria a moderna civilização: o homem inventou o telégrafo, a máquina a vapor, os computadores eletrônicos, o raio laser e finalmente chegou à Lua. Mas dificilmente se contestará outra evidência: o homem se distancia do humano, do espiritual, do sagrado. Os imbecis, evidentemente, pensarão que o homem só se reaproximará do humano na medida em que se afastar do espiritual e do sagrado.

Em nossa reta doutrina nós sabemos que o homem, de dois modos e em dois níveis, transcende ao mundo físico e à história. Por sua natureza racional, o homem possui uma dimensão que ultrapassa todo o universo; por sua elevação à ordem da graça e por sua ordenação à glória da visão de Deus três vezes santo, o homem ultrapassa o próprio nível de sua natural humanidade. Continuar lendo

PREDIÇÕES DO SANTO CURA D’ARS SOBRE OS ATAQUES AO SACERDÓCIO

“Quando se quer destruir a religião, começa-se atacando o sacerdote, porque onde não há sacerdotes, não há sacrifício, e onde já não há sacrifício, não há mais religião.” Estas palavras do Cura d’Ars oferecem o melhor comentário que se pode fazer sobre os eventos atuais da Igreja neste 2019.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

São João Maria Vianney afirma a estreita relação que une o sacerdote ao sacrifício e a religião. Em sua época, as pessoas ainda podiam se lembrar dos padres massacrados pela Revolução Francesa e daqueles que juraram lealdade à constituição civil do clero. No interior e exterior da Igreja, o sacerdote foi atacado para que não houvesse mais sacrifício, para que não houvesse mais religião, exceto a da deusa da Razão. O Cura de Ars costumava dizer: “Deixem uma paróquia sem sacerdote durante 20 anos e as pessoas começarão a adorar os animais“.

Hoje, o sacrifício tem sido atacado por fora e por dentro. O mundo consumista rejeita o espírito de sacrifício para satisfazer sua ganância: prazer, dinheiro e orgulho, como nos diz São João. Infelizmente, ao tratar de abrir a Igreja ao mundo moderno, o aggiornamento conciliar colocou de lado o espírito de sacrifício, como relegou o tabernáculo aos corredores laterais: o altar tornou-se uma mesa, a Missa tornou-se num jantar A salvação do planeta se prega do púlpito, juntamente com as boas-vindas aos migrantes … O Cura de Ars ensinou seu rebanho: Todas as boas obras do mundo juntas não são equivalentes ao sacrifício da Missa, porque são obras dos homens, e a Santa Missa é obra de Deus.

É hora de perceber que o sacerdote sem o sacrifício conduz diretamente a uma religião sem sacerdotes, a uma Igreja sem vocações, a igrejas sem fiéis. Hoje vemos todos esses males e eles nos dominam. The Cura of Ars conhecia a solução: “Oh! Que bem faz um sacerdote em oferecer-se a Deus, todas as manhãs, em sacrifício!”

Padre Alain Lorans

A CONSAGRAÇÃO DO GÊNERO HUMANO

Fonte: Boletim Permanencia

Ainda está para ser escrita a relação entre os papas do século XX e as aparições de Nossa Senhora de Fátima: Bento XV era o papa no tempo das aparições, era por ele que as crianças ofereciam seus tão generosos sacrifícios; Pio XI foi o único expressamente mencionado nas aparições e Pio XII foi sagrado bispo precisamente no dia 13 de maio de 1917.

A relação continua com os papas do pós-concílio: João Paulo II, por exemplo, foi baleado no aniversário das aparições, também em um 13 de maio. E quem será aquele Papa e toda a gente ao seu redor, que Jacinta menciona?

– Posso dizer que vi o Santo Padre e toda aquela gente?
– Não. Não vês que isso faz parte do segredo e que por aí logo se descobria?

Num post recente comentamos como as aparições foram de certo modo preparadas pelos papas que imediatamente as precederam, e destacamos o papel de Leão XIII na promoção do Rosário. Mas há outra relação deste pontífice com as aparições, uma relação um tanto mais misteriosa, envolvendo também Portugal e uma consagração.

Escreveu o biógrafo Charles de T’serclaes: Continuar lendo

BUGNINI, PAI DAS MISSAS “SUMMORUM PONTIFICUM” E “ECCLESIA DEI” (RIP)

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Fonte: FSSPX Portugal

O Arcebispo Bugnini, Núncio Apostólico no Irã, não cessou de se interessar pelas consequências de sua reforma. Em Setembro de 1976, ano da ‘suspens a divinis’ de Dom Marcel Lefebvre, ele mandou para Roma umas propostas a serem feitas ao bispo rebelde: seria-lhe concedida a celebração da missa mediante certas condições, incluindo uma afirmação de que a nova missa não é nem herética, nem protestante; a celebração da Missa tradicional em igrejas especificadas, com horário fixo; implementação confiada aos Bispos diocesanos (Annibale Bugnini, Yves Chiron, p. 204).

Paulo VI recusou qualquer tentativa de acomodação. O arcebispo Lefebvre não teve de rejeitar estas propostas que eram a negação da luta da Fraternidade de São Pio X que ele havia fundado. Foi por esta luta que expôs-se a estas sanções, aquele que dois anos mais cedo viu na reforma litúrgica, na modificação da Lex Orandi, a expressão da modificação da Lex credendi acontecida no Concílio: “a uma nova Missa corresponde um novo catecismo, um novo sacerdócio, novos seminários, novas universidades, uma igreja pentecostal carismática, todas coisas que se opõem à ortodoxia e ao magistério de sempre “. (D. Marcel Lefebvre, Declaração do 21/11/1974, extracto).

Nihil novi sub sole, a igreja conciliar continua na linha dos reformadores neo-protestantes, impondo aos incautos católicos desejosos de liturgia tradicional as mesmas condições propostas pelo astuto prelado, autor da missa nova, esterilizando toda veleidade de restauração verdadeira da Fé e do culto verdadeiros na Igreja toda.

Pelo contrário, a FSSPX continua o seu combate para a restauração íntegra e universal da Tradição católica na Igreja toda.

Já sabemos, em boca de D. Annibale em pessoa, onde está a luta útil, e onde está a reserva de índios sem futuro.

Pe Samuel Bon, FSSPX

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Para entender mais sobre essas questões:

BEM VINDO À MATRIX

Fonte: Boletim Permanencia

Em abril de 2011, um homem de 23 anos invadiu a escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, assassinou 11 crianças, e depois cometeu suicídio.

Em outubro de 2017, um vigilante noturno entrou na creche Gente Inocente, na cidade de Janaúba, MG. Dez crianças e dois adultos morreram.

Semana passada, dois homens, um de 17 e outro de 25 anos, invadiram a escola Estadual Raul Brasil, na cidade de Suzano, SP, armados e atirando a esmo. Assassinaram cinco adolescentes e três adultos, depois se suicidaram.

É impossível não tentar traçar um paralelo entre essas tragédias. Esses crimes têm um aspecto moral em comum que a imprensa tem falhado em levar em consideração: o desprezo à vida.

Por que vivemos numa sociedade que despreza a vida?

Fundamentalmente porque o pensamento que orienta o mundo é materialista, nega a espiritualidade da alma e o fim último do homem. A religião católica, única verdadeira, foi reduzida às catacumbas, e o que nos chega do oriente com o nome de religião não passa de uma aeróbica da vaidade.

Há uma cena no primeiro filme da série Matrix que resume esse desprezo à vida: o protagonista entra no saguão da sede da polícia e se depara com uma multidão, sabendo que terá de matá-la. Ele vacila, mas é consolado por um de seus companheiros: “É um favor que você faz a eles”. A frase talvez não seja exatamente esta, mas é essa a idéia: matá-los era a maneira de libertá-los de uma vida de ilusão. A cena vale por um tratado. O próprio filme, aliás, é um resumo do pensamento gnóstico que é o fundo metafísico de todas as falsas religiões: a vida não vale nada.

O problema da sociedade descristianizada já começa na própria definição de vida. A discussão sobre o “direito ao aborto” é só o exemplo mais trágico do quão baixo chegamos nesse “conceito”: não importa a vida, mas o momento em que o ser vivente merece ser considerado vivo.

A partir daí, não será de estranhar que se venha depois a discutir quando poderá ser considerado morto. Variando apenas o juiz: ora um médico psicopata a favor da eutanásia, ora um tirano em busca de “soluções finais”.

MEDIA VITA

Pe. Luis Cláudio Camargo – FSSPX

 Eis aqui que no meio da vida nos assaltou a morte. 

Que auxilio procurar, senão a Vós, Senhor, que por nossos pecados com razão vos irritais?

Deus Santo, Deus forte, Salvador misericordioso, não nos entregueis à morte amarga. 

Em Vós nossos pais esperaram; esperaram e livraste-los. 

A Vós clamaram nossos pais; clamaram e não foram confundidos 1.

Introdução

A preparação litúrgica para a festa da Páscoa se divide em muitas partes. Inicia-se com o tempo da Septuagésima (preparação remota que compreende três domingos) e se prolonga com o tempo da Quaresma propriamente dito (que compreende quatro domingos). Com a aproximação da festa principal do ano litúrgico nos deparamos com o tempo da Paixão (preparação imediata com dois domingos: 1º Domingo da Paixão e Domingo de Ramos). No fim desta última semana – Semana Maior– estão os dias mais importantes do ano: Quinta Feira Santa (Instituição da Eucaristia), Sexta feira Santa (Morte de N. Senhor), Sábado Santo (Vigília Solene) e o Domingo da Ressurreição.

Uma análise de todos os textos litúrgicos seria de grande interesse, porém, nos parece importante, antes de entrar em tal análise, fazer o leitor encontrar os pontos de unificação de todos esses elementos. A prática das penitências quaresmais é certamente um dos principais. Queremos no presente artigo atrair a atenção sobre este ponto tão crucial.

Ia Parte – Não só de pão

A penitência tem como fim remover os obstáculos que dificultam nossa aproximação a Deus. Sua importância então não está nos atos penosos em si, mas sim no fim último ao qual está ordenada, o que quer dizer que tem a mesma medida da caridade. Vou tentar esclarecer um pouco mais: todo caminho sai de um lugar e conduz a outro. Aproximar- se do fim é necessariamente afastar-se do ponto de partida. Aproximar-se de Deus significa, por razão do movimento, afastar-se de si mesmo. A penitência é o aspecto negativo da união com Deus. Certamente o que importa é o Amor de Deus, mas a penitência é sua sombra. Ambos crescem na mesma medida, como de mãos juntas.  Continuar lendo

ESTAR NO ERRO COM O PAPA OU TER RAZÃO COM A TRADIÇÃO INDO CONTRA ELE?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Esta é uma objeção frequentemente feita à “Tradição”: um católico deve estar em completa união com o papa. Deveria preferir estar errado com ele ao invés de estar contra ele, pois será julgado com base a esse apego ao papa antes que por sua adesão à verdade! Como podemos responder a isso?

Esta objeção poderia apelar à autoridade de Santo Ambrósio: “Ubi Petrus, ibi Ecclesiaonde está Pedro, também está a Igreja“. Ou de São Cipriano”: Há um só Deus, um Cristo, uma Igreja e uma cátedra fundada sobre Pedro“. E, de fato, é essencial para a Igreja ser dirigida pelo Papa, o Vigário de Cristo. Inclusive poderíamos citar até mesmo as palavras do próprio Cristo: “E eu te digo, tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno se não prevalecerão contra ela. A ti darei as chaves do reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus“(Mt 16, 18-19).

Mas não foi também ao mesmo São Pedro a quem Nosso Senhor disse: “Afaste-se de mim, Satanás!” (Mc 8,33)? Palavras que ele dirigiu unicamente ao próprio demônio. Não foi São Pedro quem negou seu Mestre três vezes? O propósito dessas afirmações não é minar a dignidade do sucessor de Pedro, mas lembrar que ele tem um cargo que é certamente de uma dignidade incomparável, mas que, como todo cargo, tem seus direitos e deveres.

Como explica o Concílio Vaticano I: “Assim o Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro, não de maneira que eles pudessem, por revelação sua, tornar conhecida alguma nova doutrina, mas que, por sua assistência, pudessem guardar santamente e expor fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos” (Constituição Pastor Aeternus, Capítulo 4). Isto significa que o poder do soberano pontífice está regulado pela Revelação e as palavras que São Paulo aplicou a si mesmo também pode aplicar-se a ele: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema“(Gl 1: 8).

A submissão ao papa, portanto, está condicionada pela obediência à Revelação, da qual ele é servo e protetor. A história da Igreja mostra que, com exceção do caso de um exercício infalível do Magistério, cujas condições foram estabelecidas por este mesmo Concílio, um Papa pode desviar-se da verdade ou do caminho correto, embora isso sempre tenha sido raro. Neste caso, os fiéis podem, e devem obedecer a Deus antes que aos homens. Tomemos o exemplo de São Paulo: “Mas, quando Cefas (São Pedro) veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, por ser digno de repreensão” (Gl 2, 11). Há também o caso de Santo Atanásio, que foi excomungado pelo papa Liberio. E o papa João XXII, que pregou uma falsa doutrina sobre a visão beatífica em uma igreja em Avignon.

Segundo os objetantes, seria melhor ter aderido ao arianismo moderado com Libério do que ter permanecido firme com Santo Atanásio. Ter crido com João XXII que as almas dos fiéis defuntos devem esperar a ressurreição para poder receber a visão beatífica, em vez de ter mantido, com a grande maioria dos doutores e teólogos, que esta recompensa é dada para aqueles que são dignos de comparecer diante de Deus, sem ter que esperar pela ressurreição, uma doutrina que foi definida pelo sucessor de João XXII, o beato Bento XII. Ou ter preferido judaizar com São Pedro em vez de compartilhar a desaprovação de São Paulo.

De fato, uma oposição ao papa deve ter fundamentos muito sérios e deve seguir regras de prudência muito particulares. Mas quando dois ensinamentos são claramente opostos, assim como os da crise atual e a dos papas passados, qual deve ser considerada a correta? O Commonitorium de São Vicente de Lérins responde: “O que fará o cristão católico se… algum novo contágio do erro se difunde e trata de envenenar toda a Igreja de uma vez. Neste caso, o melhor será se apegar à antiguidade que, obviamente, já não pode mais ser seduzida por nenhuma novidade enganosa em absoluto“(III, 1, 2).

O SATÂNICO CAMARADA STALIN

A comunista Frida Kahlo celebrando Stalin

Fonte: Boletim Permanencia

Há sessenta e seis anos morria Joseph Stalin, a mente mais criminosa do século XX. Seu legado, para além de um país destroçado, foi a incrível marca de dezenas de milhões de mortos, para nada falar da multidão dos torturados ou deportados para os gelados gulags da Sibéria. Tudo isso, claro, em nome da liberdade e da justiça, em nome de uma ideologia satânica que ainda hoje encontra imbecis que a defendam.

Lembremos como era a situação dos católicos atrás da cortina de ferro nos anos que precederam imediatamente a morte do líder comunista. Os dados são de 1950, e foram publicados no livro Témoins du Christ à traves les persécutions du XXe siècle, Éditions du MJCF:

  • Na URSS, todos os bispos e todos os padres haviam sido assassinados, deportados ou exilados;
  • Na Sibéria, não havia mais bispos nem padres que pudessem exercer livremente o seu ministério no território. Ademais, centenas de milhares de católicos bálticos, poloneses, alemães, ucranianos, lá estavam como deportados ou prisioneiros;
  • Na Ucrânia, todos os bispos haviam sido deportados e três deles morreram na prisão. Estima-se que mais de 35.000 padres foram executados ou enviados para a Sibéria.
  • Na Lituânia, seis bispos foram presos ou exilados, 400 a 500 padres foram literalmente caçados. De uma população de quase dois milhões de católicos, a metade fora enviada para a Sibéria por motivações religiosas.
  • Na Letônia, os dois bispos foram exilados e, de cento e vinte padres, 33 foram deportados. Haviam ainda entre 300 e 400 mil católicos.
  • Na Estônia, o único bispo foi preso e 50 padres foram executados ou deportados. Havia cerca de 10.000 católicos.
  • Na Polônia, de um total de 24 milhões de habitantes, 75% eram católicos. Mais de 1.000 padres foram executados ou encarcerados.
  • Na Alemanha Oriental, havia na zona oriental três bispos e dois ou três administradores apostólicos, cerca de 400 padres e mais de dois milhões de católicos.
  • Na Tchecoslováquia, de 14.726.000 habitantes, 70% eram católicos. Todos os doze bispos viviam sob monitoramento e, de um total de 7.000 padres, mais de 1.500 estavam presos.
  • Na Hungria havia seis milhões de católicos numa população de nove milhões. Com a entrada das forças soviéticas, um bispo foi assassinado, o cardeal Mindzsenty foi preso, e mais de 500 padres foram mortos ou exilados.
  • Na Bulgária não havia mais de 6.000 católicos. A maior parte dos padres — uns 30 — ainda estavam livres, mas não podiam mais exercer o seu apostolado.
  • A Romênia contava com mais de 3 milhões de católicos numa população de 18 milhões. Doze bispos estavam presos, um único ainda vivia em liberdade. Todos os mil e quinhentos padres foram executados ou enviados para o cárcere.
  • A Iugoslávia era uma país com 5 milhões de católicos numa população de 16 milhões de habitantes; dois bispos foram assassinados, três encarcerados ou exilados. Mais de 250 padres foram assassinados e 400 estavam presos ou exilados.
  • Na Albânia, havia mais de 100.000 católicos numa população de 10 milhões de habitantes. Dois bispos haviam sido fuzilados e os demais estavam encarcerados. Praticamente não havia mais padres, enquanto outrora eram mais de cem.

Tudo isso sob o olhar complacente da Europa ocidental, que se esforçava para não ver, e o aplauso de artistas e intelectuais de cuja biografia essa adesão incondicional – e frutuosa em termos de carreira e dinheiro – foi apagada ou reduzida a um deslize sem maiores consequências.

No Brasil, o caso mais notório de idolatria foi Jorge Amado, que escreveu livros e textos louvando Stalin num estilo laudatório de fazer inveja ao mais abjeto puxa-saco. Em 1951, recebeu até o “Prêmio Stalin da Paz”, o equivalente comunista do Nobel.

Jorge Amado em Moscou para receber o “Nobel” que lhe coube em 1951.

Em contrapartida, os intelectuais e artistas que desde cedo perceberam a evidência e trataram de denunciá-la foram sistematicamente esquecidos, depois de detratados a base da mentira e da pilhéria. Entre nós, uma das vítimas – e talvez a maior de todas – foi Gustavo Corção. A mera comparação de profundidade e estilo entre um e outro escritor, se equacionada à publicidade dada a cada um, seria um claro indicador das causas de nossa miséria cultural.

A Stalin coube a tarefa de completar o trabalho começado com a Primeira Guerra Mundial: a demolição do Império Austro-Húngaro e a erradicação do Cristianismo – Católico ou Ortodoxo – de toda a Europa Oriental. É possível que Stalin não tivesse consciência das forças a que servia, mas lançou-se à tarefa com a dedicação que só o prazer é capaz de produzir: era um assassino com licença para matar.

Caído em desgraça depois da morte, no melhor estilo “vão-se os dedos, ficam os anéis”,
Stalin ainda é objeto de culto, por exemplo, no PCdoB, partido de Manuela D’Ávila, vice de Fernando Haddad na disputa pela Presidência da República na última eleição. E é claramente o modelo implícito, do comunismo cubano e do bolivarianismo de Chavez e Maduro.

CARTA AOS PAIS

Esta carta de André Charlier merece ser lida duas vezes. Uma, por seu conteúdo e oportunidade; Outra, tendo-se em vista a data em que foi escrita, 22 de outubro de 1954, quando Charlier era diretor da escola preparatória de Clères, na Normandia. 

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Embora escrita para pais franceses, estas breves reflexões certamente interessarão ao leitor brasileiro.

Fonte: Permanencia

Prezados amigos, escrevi há muitos anos “cartas aos pais”, e parei de escrevê-las, uma vez que, no final, não via utilidade. Elas não persuadiam senão aqueles que já se encontravam persuadidos. Muitos me escreviam: «Como o sr. tem razão!», mas não passavam desta aprovação platônica. Ora, tenho muito pouco tempo para escrever coisas inúteis. Se escrevo aos senhores hoje mais uma vez, é porque uma imperiosa necessidade me incita a isto. É preciso, de todo modo, que o homem ao qual os senhores confiaram a educação de seus filhos lhes diga o que pensa da juventude da França que cresce. Sua responsabilidade moral, como a minha, está empenhada e é preciso que aos senhores seja apresentada a realidade. O quadro que apresento é uma visão geral cujos elementos não foram tomados apenas do que pude constatar na Escola. Do que tenho a lhes dizer, cada um aproveitará o que quiser ou puder.

O que me espanta mais, é o quanto esta juventude é pouco viril. E por que é assim? Porque, simplesmente, os senhores jamais exigiram nada dela. Os senhores apenas se preocuparam de que fossem felizes e realizaram todos os seus desejos; desde a primeira infância, os satisfizeram de todos os modos possíveis; como poderão querer que tenham a idéia de que, por um lado, a vida é difícil, que as coisas difíceis são as únicas que interessam e que, por outro lado, todas as alegrias se compram e mesmo que custam tanto mais caro quanto mais elevadas são? Tudo sempre lhes foi dado e eles julgam normal que tudo lhes seja dado, estimam mesmo que é seu direito; e como a cultura e a ciência não se comunicam por si mesmas, vêem nisso uma espécie de injustiça. Eles não estão longe de se considerarem vítimas, posto que o Latim e as matemáticas não entregam tão facilmente os seus segredos.

Isto é assim porque, na educação que os senhores lhes deram, eles sempre receberam tudo de graça. Os senhores foram vítimas da demagogia universal e do moderno liberalismo, que considera a autoridade um vestígio de tempos bárbaros. Os senhores repudiaram a autoridade; quiseram agradar seus filhos para serem amados: mas não serão mais amados do que nossos pais o foram e serão, talvez, menos estimados por seus próprios filhos quando estes tiverem idade para julgar. Pois não lhes ensinaram que tudo tem um preço e que as coisas de valor custam caro. Jamais tiveram necessidade de merecer os prazeres que lhes foram dados; jamais aprenderam a fazer coisas contrárias às suas vontades. Ora, não é coisa agradável, em si mesma, por exemplo, estudar as declinações do latim ou do alemão. Continuar lendo

O ROSÁRIO É INDESTRUTÍVEL

Fonte: Boletim Permanência

“Minha mãe, vou rezar o terço com o Francisco, que foi o que Nossa Senhora mandou que nós fizéssemos”, disse Jacinta logo após revelar à mãe quem tinha visto na Cova da Iria.

Jamais se dirá o bastante sobre a importância que Nossa Senhora deu ao Rosário em Fátima. Nas seis vezes em que apareceu aos pastorinhos sem exceção, a Virgem mandou rezarmos o terço. Por que tanta insistência nessa devoção em particular?

Ora, num post recente, falávamos que quando as missas eram rezadas no rito de sempre, que é o mesmo sacrifício em substância que o sacrifício da cruz, havia como que uma rede de graças cercando o planeta. Com seus quatro fins, a Santa Missa traduzia em linguagem humana o indizível cântico dos anjos do Céu.

Em tempos normais, a Missa deveria ser o centro da vida do católico e o principal meio de santificação, como escreveu Garrigou-Lagrange:

“Para toda alma interior, a Missa deve ser, cada manhã, como a fonte eminente, de onde derivam todas as graças de que temos necessidade durante o curso do dia, fonte de luz e de calor, semelhante na ordem espiritual, ao que é o nascer do sol na ordem da natureza. […] Este então deveria ser o maior ato de nossos dias e na vida de um cristão, sobretudo de um religioso, todos os outros atos quotidianos só deveriam ser o acompanhamento daquele, ou seja, todas as outras orações e pequenos sacrifícios que devemos oferecer ao Senhor durante o dia.” Continuar lendo

PE. JÜRGEN WEGNER, FSSPX: A IGREJA SOBREVIVERÁ A ESTA ÉPOCA DE TRAIÇÃO DE SEUS MEMBROS

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

O Superior do Distrito americano da Fraternidade São Pio X, escreve aos fiéis no início deste período da Quaresma, sobre a sensação de desânimo sentido por muitos sobre o atual estado da Igreja Católica:

Querido amigo,

Em várias de minhas recentes cartas, tenho mencionado os problemas da Igreja. Infelizmente, a crise continua, inabalável. 

De fato, enquanto escrevo esta carta, o ex-cardeal Theodore McCarrick foi destituído do estado sacerdotal como resultado de seus crimes, e vários bispos e cardeais estão se reunindo com o Papa Francisco em Roma para uma cúpula sobre abuso sexual. Finalmente, em 4 de fevereiro, o Papa Francisco assinou um documento conjunto, intitulado “Sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência Comum”, com o Sheikh (xeque) Ahmed el-Tayeb, Grande Imã de Al-Azhar. 

Este documento contém a perturbadora afirmação de que “o pluralismo e a diversidade das religiões” são “desejados por Deus em Sua sabedoria”, uma afirmação que se opõe ao dogma que declara que a religião Católica é a única religião verdadeira.

Muitos de vocês que conheci em minhas viagens falaram do seu desânimo em relação ao estado atual da Igreja. Então digo isto a vocês: – A Igreja sobreviveu a muitas crises no passado – sacerdotes pecadores, falsos papas, cismas – e estamos confiantes, pela promessa de Cristo, de que a Igreja sobreviverá a isso também. Você também sobreviverá, contanto que ore e permaneça fiel. 

Com a iminente chegada da Quaresma, tens um bom momento para se afastar das coisas mundanas e se concentrar na vida espiritual. Encorajo-o, durante a Quaresma, a abandonar as distrações das redes sociais e da Internet ou, pelo menos, limitar o seu uso apenas ao que é necessário para a escola ou o trabalho. Isso não apenas ajudará você a evitar o desespero em relação aos problemas na Igreja e a cultura, mas lhe dará a oportunidade de fazer algo muito mais eficaz: orar.

Ore pela Igreja, ore pelo mundo, ore por suas famílias – e ore por um aumento na fé. 

E, por favor, ore pela Fraternidade São Pio X e seus sacerdotes.

Desejando-lhes uma Santa e espiritualmente frutífera Quaresma.

No amor de Cristo, 
Pe. Jürgen Wegner  
Superior do Distrito dos Estados Unidos