SERMÃO SOBRE O MATRIMÔNIO

Resultado de imagen para imagenes sagrada familia de nazaretFonte: Los Cocodrilos del Foso – Tradução: Bruno Rodrigues da Cunha

Nem tudo o que se encontra na Suma Teológica, de Santo Tomás, é exclusivamente para teólogos. Uma das pérolas mais acessíveis e úteis lá encontradas é seu pequeno tratado acerca dos bens do matrimônio.

Ele começa dizendo: “Nenhum homem sábio deve aceitar um prejuízo se ele não vier compensado por um bem igual ou maior”. E observa que o matrimônio traz juntamente consigo bens e males. Quem se casa aceita sofrer estes para alcançar aqueles.

Até essa frase, todos estão de acordo. Mas, daqui em diante — e é assustador percebê-lo — entre o que ensina Santo Tomás, resumindo toda a Tradição e bom senso católicos, e o sentir comum de hoje, não há uma mera divergência, e sim uma total e exata inversão. Aquilo que para o Doutor da Igreja são males, agora são considerados bens, e os bens, males. Deixemos bem claro que falamos de pessoas que se consideram católicas, de forma sincera.

Embora devamos reconhecer que tanto nos tempos de maior fé, como na época de Santo Tomás, quanto nos tempos de muita incredulidade, como hoje, muitos renunciam ao matrimônio (claro, antigamente renunciavam antes do casamento para se entregar a Deus, e hoje renunciam depois dele, para entregar-se a… sabe-se lá Deus). Ainda assim, tanto antes quanto agora, a grande maioria segue casando. E é curioso, porque apesar dessa inversão exata de valores, o saldo continua sendo positivo.

Quais são, segundo Santo Tomás, os males que o casamento traz consigo? Em primeiro lugar, uma decaída da atividade espiritual, devido à veemência das paixões própria do trato conjugal. E em segundo lugar, a “tribulação da carne”, ou seja, as preocupações e os trabalhos ocasionados pelas necessidades temporais.

Contudo, esses não tão pequenos males são extensamente superados por três grandes bens: a prole, a fidelidade e o sacramento. São os filhos, a prole, o primeiro e o grande bem do matrimônio, aquilo pelo qual Deus o instituiu. O segundo bem é a fidelidade, pela qual o homem se une com uma única mulher, e a mulher com um único homem, tendo cada um no outro um apoio em que poderão confiar. E o terceiro bem, selo sagrado dos demais, é o sacramento, pelo qual o matrimônio se vê transformado por Deus em laço indissolúvel e fonte de santidade para toda a família. Continuar lendo

D. FELLAY: NECESSÁRIA DEPENDÊNCIA DIANTE DE DEUS E NATUREZA DA OBEDIÊNCIA EM RELAÇÃO ÀS AUTORIDADES ROMANAS

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Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est 

Nesta Quinta-feira Santa, no Seminário São Pio X de Ecône , D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade de São Pio X, celebrou a Missa Crismal cercado por muitos sacerdotes. É durante esta Missa que são consagrados os santos óleos que serão usados durante o ano todo: o óleo dos catecúmenos para o batismo e a ordenação sacerdotal, o óleo dos enfermos para a extrema-unção e o santo crisma para o batismo e confirmação. Em seu sermão, o bispo Fellay recordou a dependência necessária diante de Deus e esclareceu a natureza da obediência em relação às autoridades romanas.

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Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,

Prezados Senhores Padres, caros seminaristas, queridos fiéis,

Nesta manhã, temos a alegria – de acordo com a Tradição da Igreja – de confeccionar os santos óleos, os Santos Óleos que servirão em quatro dos sete sacramentos da Igreja, alguns para a validade, outros para a perpetração do sacramento. Esta cerimônia é muito, muito especial, e ainda que tenhamos que ser breves, visto que os sacerdotes devem voltar ao seu ministério, devemos mesmo assim apresentar-lhes algumas noções.

Ter belos ornamentos

A primeira é que, de acordo com o que sei, este é o único lugar de todo o missal onde se encontra nas rubricas a exigência de ter belos ornamentos. A Igreja pede que o bispo esteja vestido de vestes preciosas. Isso não quer dizer que esta seja a única vez onde as coisas devem ser assim, denota a preocupação da Igreja, tão bem expressa por São Pio X: o povo cristão deve orar sobre a beleza. Trata-se do culto de Deus. É de tal forma normal, deveria ser evidente que, para honrar o bom Deus, damos-Lhe o melhor e, portanto, temos esse cuidado, especialmente nós que queremos manter toda a liturgia em toda a sua beleza, em toda a sua expressão. A liturgia é o culto de Deus e, portanto, que tenhamos esse cuidado com a beleza, em toda Santa Missa, em todo ato litúrgico, é necessário ter essa preocupação. Não é simplesmente fazer qualquer coisa, trata-se de honrar a Deus, glorifica-Lo, trata-se de toda a nossa adoração e nosso amor ao bom Deus. E como em todo amor, a gente cuida dos detalhes.

A Igreja é profundamente hierárquica.

Uma segunda noção: esta cerimônia expressa a profunda natureza da Igreja, profundamente hierárquica. Foi o bom Deus que quis as coisas. Tudo de bom, tudo de bom, tudo o que recebemos, recebemos do bom Deus. Quer se tratem das graças, quer se tratem de certas qualidades, dos poderes, tudo, tudo vem de Deus. E o modo de distribuir esses dons, sobretudo os dons sobrenaturais, está de tal forma expressa nesta Missa. Antes de tudo, a transmissão da graça. Tudo decorre da Santa Missa.

Verdadeiramente todas as graças que recebemos foram merecidas por Nosso Senhor na cruz, em Seu Sacrifício. E a Missa, a Santa Missa, que não é apenas a renovação, mas a perpetuação da Cruz, é exato e identicamente o mesmo Sacrifício de Nosso Senhor na cruz. Bem, esta Santa Missa será o instrumento utilizado por Deus para difundir por toda a terra Sua graça. Continuar lendo

UM URGENTE APELO PELA RENOVAÇÃO DO MONAQUISMO

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Em nossos dias fala-se muito sobre a restauração na Igreja mas raramente consideramos a maneira como a Cristandade foi primeiramente estabelecida. A resposta é simples — monges.

A seguir estão as seleções de uma série maior, em duas partes: “… Forward to Benedict” originalmente publicado no The Angelus de 2001. A série completa foi publicada neste site em homenagem à festa de São Bento de 2018.

Acima, dissemos: “a resposta é simples — monges”. Monges seguindo a Regra de São Bento para ser preciso. Pode ser uma simplificação, mas qualquer estudante de história sabe que os mosteiros foram a principal influência cristianizadora e civilizadora em uma Europa pagã (na melhor das hipóteses, ariana).

Não devemos ter uma noção incorreta de como o monasticismo [ou monaquismo] afeta a sociedade. Certamente não é por esforçar-se no sentido de implementar um programa político. Não, os meios são inteiramente sobrenaturais. As armas são, pela graça de Deus, oração, fé, esperança e caridade. É como Nosso Senhor prometeu: “Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas” (Mt. 6,33).

O monasticismo que resolverá os problemas sociais é aquele que visa principalmente a reforma do indivíduo. Sem santidade, nada … com santidade, tudo.

Hoje, em todas as nações, os homens pensantes reconhecem que nossa civilização se encontra à beira da ruína. Felizmente não há necessidade de ir ao político, ao economista ou ao estudante superficial de ciência política ou sociologia para uma análise do problema atual.

São Bento — Pai do Monaquismo Ocidental

Nunca o mundo estivera em uma condição tão deplorável do que no final dos primeiros cinco séculos da Cristandade. Todos os historiadores retratam a confusão, a corrupção e o desespero. Na moral, na lei, na ciência e na arte, tudo estava em ruínas. Os seguidores do Cristianismo estavam irremediavelmente divididos pela heresia e em todo o Império Romano não havia um imperador, rei, príncipe ou governante que não fosse pagão, ariano ou eutiquiano. Continuar lendo

MÃES, SEJAM SANTAS!

Santa Mônica com seu filho Santo Agostinho

Eis um texto para nossas mães de família. Rezemos para que Deus nos dê mães santas.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

“Lembrem-se desta grande palavra de Cristo: “E através deles me santifico, para que também eles sejam santificados na verdade.” É o mesmo que toda mãe cristã dever dizer. A santificação é um dever pessoal, mas se infelizmente se se chega a esquecer disso como um dever pessoal, pelo menos deve ser lembrado como um dever maternal, como uma dívida para com seus filhos. Só Deus sabe a influência que tem a santidade de uma mãe tem nas almas de seus pequeninos. Quase todos os grandes santos tinham mães muito piedosas. A primeira graça que é dada a um homem é ter uma mãe segundo o coração de Deus. Temos o hábito de dizer: “Tal pai, tal filho” … mas diríamos de forma ainda melhor: “Tal mãe, tal filho “.

Saibam Mães, que sua maternidade não terminará enquanto, em sua tarefa, não tenham feito crescer Jesus Cristo no coração de seus filhos. A Igreja, esta Mãe divina através da qual Deus exerce principalmente a sua própria maternidade, deu à luz aos seus filhos para a vida eterna. O batismo é apenas uma semente e o batizado nada mais é do que um recém-nascido. Depois de colocar a semente, é necessário cultivá-la … após o nascimento, o crescimento. Esse é o seu dever e as senhoras não poderão fazê-lo sem serem santas. Oh, que missão a sua! Quantas coisas dependem das senhoras! Se a sociedade está tão doente ao ponto que nos perguntamos se está morrendo é porque há muito poucos cristãos. Agora, se há poucos cristãos, há poucas mães suficientemente cristãs. “

Cardeal Pie

“ELES TÊM OS TEMPLOS, VÓS A FÉ APOSTÓLICA”

Fonte: FSSPX Distrito do México – Tradução: Dominus Est

Carta de São Atanásio, Bispo de Alexandria, aos seus fiéis, onde lhes fala sobre a importância de permanecer dentro da verdadeira fé e adesão à Tradição.

“Que Deus vos conforte! … O que tanto vos entristece é que os inimigos ocuparam vossos templos pela violência, enquanto vós, em todo esse tempo, encontrais-vos fora.

É um fato que eles têm os edifícios, os templos, mas, por outro lado, vós tendes a fé apostólica. Eles conseguiram tirar-nos nossos templos, mas estão fora da verdadeira fé. Vós tendes que permanecer fora dos lugares de culto, mas permaneceis, contudo, dentro da fé.

Reflitamos: o que é mais importante, o lugar ou a fé? Evidentemente, a verdadeira fé. Nesta luta, quem perdeu, quem ganhou: aquele que guardou o lugar ou aquele que guardou a fé?

O lugar, é verdade, é bom, (mas) quando nele se prega a fé apostólica; é santo se tudo o que nele acontece e passa é santo.

Sois afortunados, porque permaneceis na Igreja por vossa fé, que chegou até vós através da Tradição Apostólica e se, sob pressão, um zelo execrável pretendeu quebrantar vossa fé, essa pressão não obteve êxito. São eles os que se separaram, na presente crise da Igreja.

Ninguém jamais prevalecerá contra vossa fé, caríssimos irmãos. E nós sabemos que um dia Deus nos devolverá nossos templos.

Assim, pois, quanto mais eles insistem em tirar nossos lugares de culto, mais eles se separam da Igreja. Eles pretendem representar a Igreja, quando, na realidade, expulsaram-se a si mesmos e se extraviaram.

Os católicos que permanecem leais à Tradição, ainda que reduzidos a um pequeno resto, são a verdadeira Igreja de Jesus Cristo”.

Santo Atanásio

GARRIGOU-LAGRANGE, RATZINGER E BERGOGLIO

pap

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

No quinto aniversário da eleição do bispo de Roma Francisco, parece-me oportuno pôr em evidência alguns pontos em comum entre Bergoglio e seu predecessor Ratzinger, tido por alguns ingênuos, sem nenhum fundamento, como um baluarte da sagrada e imutável tradição da Igreja.

Infelizmente, aqui no Brasil os blogs dos grupos Summorum Pontificum, atrelados à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei Adflicta, não deram a merecida publicidade ao lançamento do livro do filósofo italiano Enrico Radaelli, curador da obra de Romano Amerio, Al cuore di Ratzinger – al cuore del mondo

Na referida obra, Radaelli imputa a Ratzinger diversos erros filosóficos e teológicos defendidos em sua obra de juventude Introdução ao cristianismo, sendo que em alguns desses erros reincidiu o autor após ter abdicado do trono de São Pedro.

Diz Radaelli que, segundo Ratzinger, a existência de Deus é a melhor hipótese mas não é um dado da razão, como ensina São Tomás de Aquino. Ratzinger, portanto, seria um “tradicionalista rígido”, ou melhor, um fideísta. Quando li que Ratzinger considera Deus a melhor hipótese lembrei-me do que dizia D. Pestana sobre a mentalidade materialista de hoje: “Considera-se Deus uma hipótese inútil”.

Procurei, então, entender o alcance e as consequências do erro defendido pelo ex-papa. E logo me acudiram à memória as 24 teses tomistas concebidas sob o pontificado de São Pio X e publicadas  por Bento XV, em 1916. As 24 teses foram elaboradas e propostas como regras seguras de direção intelectual, a fim de que se evitassem erros filosóficos que tivessem consequências deletérias nos estudos teológicos. Continuar lendo

DEZ REFLEXÕES DO PADRE PIO SOBRE A QUARESMA

Fonte: FSSPX Distrito América do Sul – Tradução: Dominus Est

Padre Pio de Pietrelcina acompanha-nos também durante este período de mortificação, através da sabedoria de suas palavras.

1 – Precisamos entender a necessidade da guerra espiritual

Que sempre tenhamos diante de nossos olhos o fato de que aqui na Terra estamos em um campo de batalha e que é no paraíso que receberemos a coroa da vitória.

Que aqui é um banco de provas, o prêmio será outorgado lá em cima.

Que estamos agora em uma terra de exílio, enquanto nossa verdadeira pátria é o Céu a que devemos aspirar continuamente.

Satanás é um leão rugindo à procura de alguém para devorar e devemos manter isso sempre em mente durante a Quaresma.

2 – O Rosário é a arma secreta para a batalha

Empunhar o Rosário com firmeza. Ser gratos à Virgem porque foi ela quem nos deu Jesus.

Por amor à Virgem e para merecer o seu amor, rezar sempre o Rosário e com a maior frequência possível.

3 – A humildade é a chave mestra, a pureza o nosso escudo

A humildade é infinita. A pureza é poder. Imaginar a pureza e segui-la.

Estas também são armas na batalha. Humildade e pureza são as asas que nos levam a Deus e nos tornam quase divinos. Continuar lendo

RUMO À CANONIZAÇÃO DE PAULO VI

news-header-imageFonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Por ocasião de uma entrevista concedida ao site norte americano Crux, o cardeal Pietro Parolin anunciou em 6 de março de 2018 que o Papa Paulo VI (1963-1978) poderia ser canonizado em outubro próximo, no sínodo dos bispos dedicados aos jovens.

Este anúncio teve lugar após a aprovação, por parte da Congregação para as Causas dos Santos, em 6 de fevereiro de 2018, do reconhecimento de um “milagre” atribuído à intercessão de Giovanni Battista Montini.

Em 27 de abril de 2014, o Papa Francisco canonizou os papas João XXIII (1958-1963) e João Paulo II (1978-2005). Em 19 de outubro do mesmo ano, no final do sínodo familiar, beatificou Paulo VI.

Em 17 de fevereiro de 2018, durante um reencontro com o clero de Roma, o Papa Francisco declarou que a canonização de Paulo VI terá lugar no decorrer de 2018: “Paulo VI será canonizado este ano, a beatificação de João Paulo I está em processo, em relação a Bento XVI e a nós mesmos, estamos na lista de espera”, ele brincou.

Através destas canonizações à marcha forçada de todos os papas modernos, o que realmente se canoniza, de certo modo, é a reforma geral da Igreja que ocorreu há cinquenta anos e que, ao mesmo tempo, torna-se irreversível. Além disso, tem a pretensão de fortalecer a religião conciliar, isto é, a concepção e o espírito da prática do catolicismo como redefinido pelo Concílio Vaticano II através de suas destrutivas reformas de culto, da fé e da doutrina.

Mais uma vez, surge a questão da evolução dos processos de beatificação e canonização, bem como a sua utilização para fins de política eclesiástica.

Monsenhor Marcel Lefebvre, que foi suspenso a divinis durante o pontificado de Paulo VI, explicou aos seminaristas de Ecône a opinião que tinha sobre este papa, durante as conferências ministradas sobre as Atas do Magistério, que forneceram o material para o seu livro Le Destronaron, Capítulo XXXI, “Paulo VI, o Papa Liberal”, o qual nos permite saber exatamente o que o fundador da Fraternidade São Pio X havia dito sobre o anúncio desta próxima “canonização”.

O pontificado do Papa Paulo VI (1963-1978) descerá na história como o pontificado do Concílio Vaticano II e sua implementação, que introduziu a revolução na Igreja. As seguintes são algumas das principais reformas resultantes desse concílio: a Missa Nova, cujo espírito e rito são perigosamente semelhantes à “liturgia” protestante; um falso ecumenismo que ignora a verdadeira unidade da Igreja; o aggiornamento geral que aboliu as veneráveis ​​tradições das ordens e congregações ao questionar a vida sacerdotal e religiosa; a prolongada crise da Igreja, com a destruição da fé e das vocações, do espírito católico na educação, da prática moral e religiosa em todos os aspectos, etc. Paulo VI, um papa torturado, presa da dúvida e da preocupação, tentou proibir a Missa de São Pio V no consistório de 1976 e perseguiu a legítima reação da Tradição, a qual se opôs à revolução conciliar com os vinte séculos de vida e ensino da Igreja.

NÃO É ESTA A HORA DE JESUS?

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Lembram-se, amigos, quando à cabeça da Igreja havia um papa como o Venerável Pio XII? Ou um Padre Pio que nos trazia a certeza de ver Cristo vivo nele? Hoje, não há mais nada. A quem olhamos? A quem vamos? Não seria este o momento perfeito para a hora de Jesus?

Uma Babel como a atual no mundo e na Igreja nunca tinha sido vista antes. Autoridades da Igreja que se calam diante de legisladores que legalizam até aquilo que os antigos se envergonhavam; que propõem instituir “diaconisas”; os melhores católicos muitas vezes “amordaçados”; muitos anticlericais e sem Deus sendo apresentados como modelos… e outras amenidades.

Sacerdotes e Bispos que reduziram sua pregação pouco menos do que a educação cívica; o Credo católico e a Moral abalados por um documento que se chama Amoris laetitia, mas isso deve ser chamado de “Amoris malitia”. Tudo isso e mais ainda deixa as pessoas ainda honestas e amigas da Verdade sem palavras, aterrorizadas, alucinadas.

Sabemos que há reuniões de padres que competem para ver quem diz mais bobagens. Diante de todos, o vazio das igrejas e dos seminários, causado por pelo menos três gerações, abandonadas sem verdadeira catequese. Culpa-se a secularização, o declínio dos nascimentos, como se os homens da Igreja não tivessem a culpa quando, durante mais de 50 anos, mudaram a religião e hoje temos um pastor que não sabe mais quem ele é. As pessoas, que acreditam ou não acreditam, dizem uma só coisa: “Não há nada, tudo foi demolido, não há certezas ou pontos de referência. Não há guias, não há chefes: não há diretrizes de marcha, em uma palavra, não há mais nada”. Continuar lendo

ONDE JESUS DIZ BRANCO, RATZINGER DIZ PRETO

Em janeiro havíamos publicado um post que noticiava um bombástico livro e um texto de apoio ao mesmo que acusavam Bento XVI de algumas heresias (leia aqui: BENTO XVI É ACUSADO DE PROPAGAR HERESIAS).

Traduzimos agora uma matéria em que Enrico Maria Radaelli coloca 5 exemplos resumidos que estão em seu livro “No coração de Ratzinger. No coração do Mundo” mostrando a contradição entre os ensinamentos do então Prof. Ratzinger (confirmado posteriormente enquanto Papa) e a Doutrina da Igreja/Sagradas Escrituras.

Fonte: Cooperatores Veritatis – Tradução: Dominus Est

Por Enrico Maria Radaelli

Queremos aqui oferecer pelo menos cinco, dos muitos exemplos, da total incompatibilidade entre: de um lado os ensinamentos das Sagradas Escrituras e dogmas da Igreja, e de outro os ensinamentos apresentados pelo Professor Ratzinger em seu celebre livro de 1968, “Introdução ao Cristianismo”, até hoje verdadeiro e único paradigma de seu pensamento, vendido há cinquenta anos em todo o mundo, nunca negado, senão confirmado em 2000 por um novo Ensaio Introdutório escrito por seu próprio autor, na época Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, e, na sua linha de pensamento, ainda reiterado em uma entrevista publicada em L’Osservatore Romano em 17 de março de 2016, portanto, apenas dois anos atrás, e tendo o digníssimo Sujeito completado três anos da grande renúncia do papado. Livro, portanto, ainda muito atual.

Ele constitui o objeto da análise crítica do meu [livro] “No coração de Ratzinger. No coração do mundo”, pro manuscripto, Aurea Domus, Milão, novembro de 2017, pág. 370, disponível nas livrarias Ancora (Milão e Roma), Coletti (Roma), Hoepli (Milão), Leoniana (Roma), bem como no site metafísico Aurea Domus.

Pretendo também assegurar ao leitor, neste artigo, a contextualização mais ampla das citações do pensamento ratzingeriano, de modo a garantir ao estudioso uma compreensão mais profunda e, acima de tudo, o significado nem sempre claro.

É considerada urgente a máxima divulgação do livro No coração de Ratzinger, No coração do mundo, a fim de que seja evidente que esse que assina, podendo começar a trabalhar nele somente a partir de setembro de 2015, fez todo o possível para chegar a tempo de provar – pelo menos tentar – e convencer o ilustre autor da Introdução ao Cristianismo da necessidade de refletir sobre todos os seus pressupostos antes que seja tarde demais. Continuar lendo

FOCO SOBRE A FRANCO-MAÇONARIA?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Pergunta-se por que seria necessário, subitamente, dar foco à Franco-Maçonaria. Simplesmente porque ambos, o mundo em que vivemos e a igreja conciliar, são hoje “maçonizados”. E foram pela única causa que é conveniente a este resultado: a maçonaria em si.

De que maneira o mundo e a Igreja foram maçonizados? A resposta está em apenas uma palavra: Relativismo. De fato, a mentalidade do mundo atual é uma mentalidade relativista: não há mais verdade saída da adequação da inteligência ao real (verdade natural) ou saída da Revelação (verdade sobrenatural), mas a cada um sua verdade. O mais grave é que o relativismo realmente entrou na mente dos homens da Igreja que querem ser fiéis ao Concílio Vaticano II.

O exemplo hoje vem de cima, já que vem do próprio Papa. Em seu vídeo de janeiro de 2016, vemos Francisco sentado atrás de uma mesa e o ouvimos dizer:

A maioria dos habitantes do planeta declara-se crentes. Isso deveria ser motivo para o diálogo entre as religiões. Não devemos deixar de rezar por isso e colaborar com quem pensa de modo distinto“.

O papa continua:

Muitos pensam de maneiras diferentes, sentem de maneira diferente, procuram Deus ou o encontram de diversas maneiras. Nessa multidão, nesta variedade de religiões, só há uma só certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus “(esse vídeo escandaloso pode ser visto aqui).

Historicamente, é fato que a “maçonização” da sociedade civil que precedeu e permitiu a maçonização da Igreja Católica. A famosa seita maçônica dos Carbonários (condenada pelo papa Pio VII em sua encíclica Ecclesiam a Jesu Christo, de 13 de setembro de 1821) concebeu o seguinte plano que foi realizado com o Concílio Vaticano II:

O que devemos pedir […] é um papa segundo nossas necessidades […]. Assim, caminharemos mais seguramente ao assalto da Igreja […]. Para asseguramos um Papa nas devidas proporções, devemos inicialmente preparar para este Papa uma geração digna do reino que sonhamos. […] Dentro de alguns anos  este  clero  jovem  terá  forçosamente  ocupado todas as funções; será quem governa, administra, julga, forma o conselho soberano e será chamado para eleger o Pontífice que terá que reinar, e este pontífice como a maioria de seus contemporâneos, estará necessariamente mais ou menos imbuído dos princípios italianos e humanitários que começaremos a pôr em circulação. […] Que o clero ande sob vosso estandarte, acreditando ir sempre atrás das bandeiras das Chaves apostólicas. […] Vós trareis amigos em torno da cadeira apostólica. Vós tereis pregado uma revolução em tiara e pluvial, marchando com a cruz e estandarte.”

A conclusão dessas considerações é a seguinte: combatendo sobrenaturalmente a Franco- Maçonaria, atacamos a raiz do mal atual.

Originalmente publicado na: Carta da Milícia da Imaculada – número 2 – também publicado na Revista Le Chardonnet n° 315, fev/2016, pág. 6)

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NOTA DO BLOG DOMINUS EST: D. Marcel Lefebvre já exclamava isso em seu livro DO LIBERALISMO À APOSTASIA, no capítulo: A CONSPIRAÇÃO DA ALTA VENDA DOS CARBONÁRIOS

 

NOSSA SENHORA TRABALHANDO ATRAVÉS DE SEUS FILHOS

maxiO franciscano conventual mártir São Maximiliano Kolbe, fundador de Niepokalanów, também chamada “a Cidade da Imaculada”, uma comunidade católica, em Teresin, perto de Varsóvia, na Polónia, construída em um terreno oferecido pelo príncipe Jan Drucki-Lubecki, em 1 de outubro de 1927. É a sede internacional da Milícia da Imaculada. Em Abril de 1980, o Papa João Paulo II concedeu o título de basílica menor à sua igreja.

Fonte: FSSPX Canadá — Tradução: Dominus Est

Queridos amigos e benfeitores,

Fevereiro trouxe-nos a bela festa de Nossa Senhora de Lourdes e, portanto, o grande mistério da Imaculada Conceição: “Eu sou a Imaculada Conceição!” Ao dizer “Imaculada Conceição”, diz-se uma eterna “inimizade”, uma luta, um combate tanto entre a Imaculada e a serpente amaldiçoada, quanto entre os seus descendentes, assim como há inimizade entre graça e pecado. O apóstolo disse bem: “Que compatibilidade pode haver entre Cristo e Belial, entre a luz e a escuridão?” (II Cor 6: 15)

Ao revermos os últimos dois séculos a partir desse ângulo da Imaculada, é claro que Nossa Senhora continua a lutar sozinha, direta e indiretamente, através de seus filhos. No século XIX, com 1) a Medalha Milagrosa (1830), 2) Nossa Senhora das Vitórias e a consagração ao Imaculado Coração (1836), 3) a redescoberta em 1847, no fundo de um antigo baú, do Tratado da Verdadeira Devoção de São Luís Maria Grignon de Montfort e 4) Lourdes (1858) — para mencionar apenas essas quatro datas — vemos a Rainha do Céu lembrando-nos que ela está aqui, entre nós, trazendo-nos esperança, confiança e algumas armas muito poderosas para a guerra espiritual que, antes de tudo, é dela mesma.

No século XX, a Rainha organiza ainda mais suas tropas para uma luta que se intensifica. Claro, há Fátima, sobre a qual muito falamos no ano passado. Gostaria de destacar aqui duas organizações que tiveram um impacto extraordinário nos últimos cem anos e que estão ganhando cada vez mais importância nas fileiras da Tradição em nossos difíceis tempos: a Milícia da Imaculada (MI) e a Legião de Maria.

A MI foi fundado em Roma, pelo jovem irmão Maximiliano-Maria Kolbe, polonês, 3 dias após o milagre do sol de Fátima, em 16 de outubro de 1917, véspera da festa de Santa Margarida. A fundação da Legião de Maria segue de perto, sendo fundada em Dublin, na Irlanda, em 7 de setembro de 1921, nas primeiras vésperas da festa da Natividade de Maria pelo Sr. Frank Duff. O Irmão Maximiliano-Maria Kolbe ainda não era um sacerdote (ele será ordenado um ano depois), nem qualquer um dos seus seis companheiros franciscanos em seu convento de Roma, na fundação da MI. Frank Duff, ele próprio um funcionário do governo que nunca se casará, que rezará o breviário completo em latim por quase cinquenta anos, reuniu um sacerdote e um grupo de senhoras, eram em quinze, para colocar-se a serviço da Santíssima Virgem. Continuar lendo

MONS. FELLAY SOBRE O ATUAL ESTADO DA FRATERNIDADE

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Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Monsenhor Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, graciosamente concordou em proferir uma conferência aos fiéis da Igreja de São José, ocasião em que falou sobre o desenvolvimento das relações da Fraternidade com Roma. Durante esta conferência, concedida em 3 de fevereiro de 2018, ele forneceu muita informação sobre isso e, acima de tudo, incentiva um assunto que pode parecer tão obscuro para os católicos hoje.

Diante de um grupo de fiéis muito interessados da Igreja de São José, Monsenhor Fellay abriu a conferência falando sobre os antecedentes da obra da FSSPX, relembrando os eventos e movimentos que tiveram lugar antes do Concílio Vaticano II. Ele também lembrou que o “respeito humano” em que o clero caiu, foi a razão pela qual eles evitaram condenar o comunismo e introduziram o conceito muito venenoso de liberdade religiosa. O último foi solicitado especificamente à Igreja pela Loja Maçônica B’nai B’rith.

No entanto, a influência do comunismo e da maçonaria não terminou no Concílio, mas devastou a Igreja extensivamente nas décadas seguintes. Os inimigos de Cristo atacaram o coração de sua Igreja apontando suas armas para o sacerdócio. Com a implantação de candidatos cuidadosamente selecionados nos seminários, esses inimigos conseguiram reduzir o corpo sacerdotal a uma mera sombra do que fora um dia, em questão de algumas décadas. Sua Excelência observou, por exemplo, o caso de uma paróquia na França que conta com dois sacerdotes, com mais de 60 anos de idade, aos quais foram confiados 92 centros de missas. É uma situação verdadeiramente dramática, e definitivamente não há avanço neste momento.

Em rápidas pinceladas, Monsenhor delineou um breve resumo dos tratados da Fraternidade com Roma desde a sua fundação em 1970. Entre outras coisas, ele falou do protocolo de 1988 — um documento que, apesar de não ser perfeito, era suficiente em si mesmo, e que teria concedido à Fraternidade o seu lugar legítimo na Igreja. Monsenhor Lefebvre voltou atrás em assinar este documento por uma razão prática; depois de rezar, deu-se conta de que estava sendo enganado, e de que não lhe seria concedido um sucessor. Continuar lendo

“A TRADIÇÃO É O ÚNICO FUTURO POSSÍVEL PARA A IGREJA”

Entrevista exclusiva com o Padre Fausto Buzzi – assistente do Superior do Distrito da FSSPX na Itália, com Francesco Boezi, do jornal italiano Il Giornale

A Tradição representa o único futuro possível para a Igreja. Dom Fausto Buzzi tem uma visão clara. Sacerdote da Fraternidade São Pio X, a mesma fundada por Marcel François Lefebvre em 1 de novembro de 1970, logo após Concílio Vaticano II, Buzzi é hoje assistente do Superior italiano. Ele serviu durante alguns anos na associação Alleanza Cattolica. Depois, em 1972, conheceu Monsenhor Lefebvre e ingressou no seminário de Ecône. Nesta entrevista exclusiva, o sacerdote de São Pio X falou, entre os pontos abordados, da reunificação doutrinal com o Vaticano.

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Il Giornale: O que ainda separa  Fraternidade São Pio X da Igreja Católica?

Dom Fausto Buzzi: É bom ressaltar que a Fraternidade São Pio X não tem nada que a separa da Igreja Católica. Nós estamos unidos à Igreja Católica e nunca nos separamos dela, apesar das divergências com as autoridades da Igreja. Ora, essas divergências não partem de nós. Mons. Lefebvre dizia sempre que o condenaram pelos mesmos motivos pelos quais os papas costumavam enaltecê-lo, particularmente o Papa Pio XII. Foi Roma que mudou e, com o Vaticano II, se distanciou da bimilenar Tradição da Igreja. Em resumo, podemos dizer que o que nos separa de Roma são os graves e fundamentais problemas doutrinais”.

IG: Um pároco me disse, certa vez: “Fala-se muito sobre cisma, mas esses não têm a competência teológica de Marcel Lefebvre“. É isso mesmo?

FB: Muitos criticam ou condenam a Fraternidade São Pio X sem conhece-la e sem compreender as graves razões que a colocam em uma situação hostil em relação às autoridades eclesiásticas. Hoje, muitos, sacerdotes e leigos, estão começando a se perguntar o que está acontecendo na Igreja e estão abrindo os olhos para o fato de que aqueles que foram taxados por muitos anos como cismáticos são aqueles que permaneceram mais fiéis à Igreja Católica e, paradoxalmente, os mais fiéis ao papado. Em nossos seminários, Mons. Lefebvre queria que estudássemos a Summa Theologica de Santo Tomás de Aquino e outras obras clássicas de teologia. Lhe asseguro que foi uma grande graça para nós recebermos uma formação tão profunda e tão sólida.

IG: Qual a sua opinião sobre o Papa Francisco?

FB: Para nós, o Papa Francisco não é nem pior nem melhor do que os outros Papas conciliares ou pós-conciliares. Ele trabalha na mesma obra inaugurada por João XXIII, a de autodemolição da Igreja Católica com a finalidade de construir uma outra que esteja em conformidade com o espírito liberal do mundo. Eu ainda lhe direi mais: o atual Papa não é tão responsável quanto foi o Papa Paulo VI [em seguir adiante com a agenda de autodemolição da Igreja]. Este papa conduziu o Concílio, o concluiu, e conduziu também todas as reformas. E tudo isso, agora, é a causa da gravíssima crise que vemos na Igreja. É certo que as ações e as palavras do Papa Francisco parecem mais graves do que as de seus predecessores. Mas não é assim. Hoje, o efeito midiático ressoa muito mais do que no passado. No entanto, substancialmente, os atos de Paulo VI são muito mais graves do que os de Francisco. Continuar lendo

ONDE O SEDEVACANTISMO E NEOCONSERVADORISMO SE ENCONTRAM

A TENTAÇÃO SEDEVACANTISTA

FSSPX Distrito do México – Tradução: Dominus Est

Um estudo sobre a preocupante tendênciaque existe entre alguns católicos que amam os ensinamentos tradicionais e perenes da Igreja.

Sedevacantismo é uma palavra muito extensa que significa, literalmente, que a Santa Sede está vacante. Atualmente, indica a crença de que a pessoa que ocupa a cadeira de São Pedro não é o verdadeiro Papa, mas um impostor sem qualquer direito a exercer o oficio papal.

A razão alegada pelos sedevacantistas é que a crise da igreja tem o respaldo do Bispo de Roma. Eles afirmam que por omissão ou comissão, o Papa está promovendo erros e heresias como a nova Missa, o ecumenismo, a liberdade religiosa e a colegialidade. Os sedevacantistas pensam que um verdadeiro Papa não pode ser responsável por uma crise assim.

Esta mesma crise também produziu outro grupo, o dos neoconservadores, que aderem a tudo o que o Papa diga, pelo simples fato de ser o Papa. Deste modo, são levados a aceitar os falsos ensinamentos do Concilio Vaticano II mencionados acima.

É muito interessante que ambos os grupos, neoconservadores e sedevacantistas, servem-se do mesmo princípio: “O Papa é infalível em tudo, e o que ele ensina é verdadeiro e bom.” A diferença reside na forma como este princípio é aplicado. Os conservadores afirmam que, uma vez que o Vaticano II obteve a aprovação papal, devemos aceitar cegamente seus ensinamentos como bons e verdadeiros, sem importar-nos ou preocuparmos com o que possamos sentira respeito. Os sedevacantistas sustentam que, quando o Vaticano II promove heresias, sua autoridade não pode provir do verdadeiro Papa. Aqui está o dilema perfeito: neoconservador ou sedevacantista!

A solução para o dilema tem sua raiz no próprio princípio. A infalibilidade não é um passe universal para absolutamente tudo o que sai da boca do Papa ou tudo o que Roma diz. A infalibilidade está limitada a declarações específicas, que devem atender a certas condições para ter sua proteção. Esta proteção não se aplica aos documentos do Concílio Vaticano II nem à legislação em torno da Missa nova.

Monsenhor Lefebvre, em seu conhecimento da política romana e sabedoria sobrenatural, conhecia os principais problemas que ocorreram durante o Concílio Vaticano II: presidiu o Coetus, que foi o grupo formado pelos bispos em oposição aos modernistas provenientes dos países do Reno. Ao contrário dos sedevacantistas, o santo bispo não se escandalizou pela terrível confusão que sofreram a fé e a Missa sob o nome de ecumenismo. Ele lutou como um leão contra a Roma modernista e, no entanto, reconhecia a autoridade do Romano Pontífice. Ele agiu do mesmo modo que um bom menino o faria ao resistir a um pai que lhe pedisse para que roubasse, sem deixar de reconhecê-lo como pai.

Alguns sedevacantistas afirmam que os sacerdotes tradicionalistas (incluindo a FSSPX) invocam a pessoa do Papa dizendo “una cum” no cânon da Missa. Para eles ser “una cum” é tanto como dizer “Amém” às heresias promovidas pelo Papa. Na verdade, a tradução mais precisa do termo é que oramos pelo Papa, como cabeça visível da Igreja.

Por muito tentadora que possa parecer neste momento a opção do sedevacantismo, devemos resistir a cair nesse erro. No entanto, isso não significa que devemos alinhar-nos com os neoconservadores que tomam cada declaração papal como quase infalível. Recordemos que na história da Igreja houve santos e homens santos que consideraram necessário resistir ao Papa sem se tornarem sedevacantistas. Esta é a razão pela qual Monsenhor Lefebvre, mesmo com toda a sua oposição à Roma modernista, nunca adotou essa posição, e prudentemente proibiu os sacerdotes da FSSPX professá-la.

OS PECADOS QUE CLAMAM VINGANÇA AO CÉU

Distrito do México – Tradução: Dominus Est

ALERTA! Há pecados que clamam ao céu!… e são punidos neste mundo. Veremos a seguir o que são e qual o comportamento de um verdadeiro discípulo de Cristo.

“Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis desviar pela diversidade de doutrinas estranhas. É muito melhor fortificar a alma pela graça do que por alimentos que nenhum proveito trazem aos que a eles se entregam” (Hb 13,8).

Todo homem quer ser feliz e viver em paz. Vive em paz aquele que segue a ordem que Deus colocou no mundo e obedece às leis que regem o mundo para que tudo funcione harmoniosamente. A lei natural é obra de Deus, consiste em fazer o bem e evitar o mal. O bêbado, por não obedecer à lei do seu corpo, com o tempo destrói seu fígado e morre. O motorista que não obedece à lei do trânsito em uma curva perigosa, pode acidentar-se e morrer. Deus criou o homem com inteligência e livre arbítrio. O mau uso da liberdade produz o pecado, e o pecado é a causa de nossos problemas. Hoje, a filosofia liberal subjetivista, fruto do livre exame protestante e maçônico, não leva em consideração as leis da natureza. Os homens que perderam a fé cristã católica, pensam que têm o poder e o direito de transtornar as leis da natureza das coisas; eles pensam que a realidade humana deve obedecer suas ideias, mesmo que sejam falsas. Isso faz com que a sociedade passe a ter sérios problemas. A causa de nossos problemas é o pecado; o remédio é seguir a lei de Cristo e respeitar a lei natural.

O que é o pecado?

O pecado é uma desobediência voluntária à lei de Deus. Existem dois tipos de pecado: pecado grave e pecado leve. O pecado grave é chamado de mortal, o pecado leve é chamado venial. O pecado mortal separa o homem de Deus e o entrega ao poder do demônio; abre diante dele a porta do inferno eterno. O pecado mortal coloca o homem numa situação anormal, destrói a graça santificante e a caridade, e expulsa o Espírito Santo da alma. Se uma pessoa morre em pecado mortal, sem confissão e sem arrependimento sincero, ela cairá no inferno, que é um lugar de fogo e sofrimento eterno. Há três condições para que um pecado seja mortal: matéria grave, plena advertência de que um pecado é grave e pleno consentimento. Isso significa que eu sei que o mal que quero fazer é algo grave, e mesmo assim, quero fazê-lo ou dou o meu consentimento. Por exemplo, matar, fornicar, adulterar, embriagar-se. Continuar lendo

“SE VOCÊ QUER AJUDAR A RESTAURAR A IGREJA, É PRECISO COMEÇAR COM O SACERDÓCIO”

news-header-imageFonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Trecho da entrevista concedida por Dom Bernard Fellay à MaikeHickson (MH) de OnePeterFive, sobre o centenário de Fátima e a crise da Igreja. Nota: as perguntas foram enviadas ao Bispo Fellay em finais de 2017, mas em razão de vários contratempos a entrevista foi concluída somente no presente mês.

MH: Cada vez mais muitos observadores parecem ver paralelos entre os princípios em que a Fraternidade São Pio X (FSSPX) baseou sua própria resistência contra certas novidades anteriormente vindas de Roma, e entre os princípios agora aplicados por aqueles críticos do documento exortatório do Papa Francisco, Amoris Laetitia. O próprio Professor Seifert repetidamente fez referência explícita em analogia ao seu próprio caso. O senhor poderia nos explicar esses princípios fundamentais na medida em que os vê em alguma correspondência mútua e reforçada?

Temos almas para salvar. A Igreja não é nova. Se seguimos o que a Igreja sempre fez, e o que os santos sempre fizeram, temos a certeza de estar no caminho seguro para o Céu. Em todos os tempos, a Igreja considerou perigosas as novidades e o fruto do orgulho. Podemos, hoje, dizer que há uma doença de novidade e mudança. Mas Deus não muda. A fé não muda. Os mandamentos não mudam. Seja fiel ao que a Igreja sempre ensinou em seus catecismos e você terá a certeza de estar no lado certo dessa luta por Deus e Sua glória.

MH: A FSPX desde cedo se opôs a certos aspectos do ecumenismo e da liberdade religiosa. Como o senhor relataria essa resistência anterior ao debate atual sobre a indissolubilidade do matrimônio à luz do fato de que essas outras religiões muitas vezes não acreditam neste dogma?

Uma vez que muitas religiões rejeitam a indissolubilidade do casamento, podemos pensar que as medidas tomadas por Roma se inspirariam no ecumenismo, mas não tenho certeza de que exista necessariamente uma ligação. Penso que o problema é uma relativização geral da verdade e, consequentemente, uma aplicação frouxa da lei e compreensão dos mandamentos de Deus. Ou, seguindo os princípios do personalismo, tal insistência na pessoa humana, no sentido de que a ordem de Deus não está em primeiro lugar. (Em outras palavras, o homem se torna Deus.) Você encontra isso no nível da religião e mesmo da legislação hoje. João Paulo II descreveu isso como antropocentrismo. Agora vemos isso aplicado ao matrimônio. Todos querem uma vida fácil… Continuar lendo

AINDA EXISTE, NA ALMA CATÓLICA, VERDADEIRA ORAÇÃO?

Resultado de imagem para rezando véu igrejaO que vem a ser Rezar ?

Mas se é para medir e regular nossa oração, caberia a cada um de nós perguntarmos: e eu rezo? O tempo da Quaresma serviu para melhorar minha oração?

Para responder a esta pergunta é necessário saber o que seja rezar. Ora, tanto o Catecismo como os santos doutores nos falam sobre a boa oração. Diz lá, então, a doutrina perene:

– Rezar é elevar a alma a Deus.

Santo Agostinho nos dará uma compreensão melhor ao afirmar:

– Rezar é ter uma intenção afetiva do espírito para Deus.

Outros santos dirão:

– Rezar é ter uma conversa íntima com Deus.

Ora, estas definições ou explicações se completam maravilhosamente e nos ajudarão a medir o nosso grau de oração, a sabermos se, de fato, rezamos de verdade ou não.

Ainda se encontra quem reze?

Mas a experiência de qualquer sacerdote, nos dias de hoje, deixa-nos assustados, a ponto de podermos interrogar: – O que está acontecendo conosco? Onde estão as almas que rezam de verdade? E se muitos adultos ainda guardam o costume salutar de recolher-se, todos os dias, diante de Deus, já os adolescentes, os jovens, deixando a idade da infância, porque abandonam tão facilmente a prática da oração que nos dá o céu? Onde encontraremos oração que seja elevação da alma, intenção afetiva, ou conversa íntima com Deus?

Não! Não! O que vemos hoje nestas almas é uma oração pesada, um coração irritado, uma oração rápida e mecânica.

Mas se é pesada por causa da contrariedade que se sente em rezar, então não se eleva.

Se vem carregada com irritação, nunca será uma intenção afetiva. Se é mecânica, não se pode pensar em conversa íntima com Deus. Continuar lendo

30 ANOS DEPOIS: O SERMÃO DAS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DO ARCEBISPO LEFEBVRE

Imagem relacionada“Preferimos continuar na Tradição, guardar a Tradição, esperando que essa Tradição reencontre seu lugar em Roma; seu lugar entre as autoridades romanas, e no espírito dessas autoridades romanas.” — Lefebvre

Introdução de Michael J. Matt (editor de Remnant) – Tradução Dominus Est

Em 1976, quando eu tinha dez anos, fui crismado pelo Arcebispo Marcel Lefebvre. Lembro-me de um homem bondoso e santo, de fala suave e verdadeiramente humilde. Mesmo crianças, meus irmãos e eu entendemos que ali estava um verdadeiro soldado de Cristo, que assumira uma posição corajosa e solitária em defesa da sagrada Tradição, em um momento em que não havia nada mais “hip” do que novidade e inovação. Nosso pai estava junto a ele, e esses homens eram “traddies” muito bem antes de “traddy” ser algo legal.

Lembrem-se: o mundo inteiro estava no auge da revolução da época — sexual, política, litúrgica, cultural — e não havia nada mais antiquado do que o passado. A resistência solitária dos primeiros tradicionalistas pôde, então, ser comparada a algo tão absurdo (aos olhos do mundo na época) como um homem na lama em Woodstock que insistisse para que os hippies colocassem suas roupas de volta e parassem de gotejar ácido e fumar maconha. Ninguém se importava. Eram zombados, riam deles e, eventualmente, mandados ir para bem longe da Igreja.

Os tempos estavam realmente ‘mudando’, e com poucas exceções, o elemento humano da Igreja de Cristo acompanhou a loucura — com efeito, poder-se-ia dizer, liderando o caminho.

Quando nos lembramos o porquê desses homens terem resistido à loucura dos anos 60, lembremo-nos de que eles não foram motivados principalmente pela ideia de salvaguardar suas próprias circunstâncias. O Arcebispo Lefebvre, por exemplo, estava aposentado antes que o mundo descobrisse quem ele era. Ele foi persuadido a sair de sua aposentadoria por seminaristas que, de repente, viram-se cercados por lobos em pele de ovelha, nos próprios seminários. Os modernistas estavam, literalmente, em toda parte. Continuar lendo

PODEMOS FAZER ALGO PELA SALVAÇÃO DE NOSSOS ENTES QUERIDOS?

Chegarás primeiro às sereias, que encantam a quantos homens vão a seu encontro. Aquele que imprudentemente se aproxima delas e ouve sua voz, já não volta a ver sua esposa nem seus pequeninos filhos rodeando-o, cheios de alegria, quando retorna aos seus lares; mas ele é enfeitiçado pelas sereias com seu canto hamonioso, sentado em um prado e tendo ao seu redor uma enorme pilha de ossos de homens putrefatos cuja pele se vai consumindo.” (A Odisséia)

Fonte: Adelante la Fé – Tradução: Dominus Est

A mitologia menos infantil sobre as sereias as ilustra como seres perversos que atraíam os marinheiros com seus hipnóticos cantos, sussurrando entre suas melodias mensagens com um  atrativo tão sugestivo para a vítima que não se podia resistir, se aproximando para ser devorados. Em “A Odisséia”, Ulysses advertiu seus marinheiros e, com tampões de cera, conseguiram esquivar seu perigo. Mas ele, querendo ouvi-las cantar, amarrou-se ao mastro de seu próprio navio para não ser pego, consciente de que seu poder sedutor e narcótico o faria inevitavelmente ir à direção delas.

Hoje em dia Satanás exerce sobre nós um poder sedutor, não similar, mas sim infinitamente mais poderoso. Suas “sereias” são numerosas: a televisão, os filmes, internet, a educação, os governos, a falsa espiritualidade … e nos cantam continuamente “venha, venha conosco fazer o que todos fazem e serás feliz”. No seu conjunto é um rolo compressor que é muito difícil escapar, e como se estivéssemos no barco de Ulisses sem tampões ou nós, vamos vendo com horror como a grande maioria dos nossos entes queridos vão caindo lentamente em seus braços.

Estes, por sua própria vontade, caem nas mãos do diabo, porque, não nos enganemos, ou se está nas mãos de Deus ou nas de Satanás, não há um estado intermediário de “boa pessoa” que não está nem com um nem com outro. E quando isso acontece, nos diz Santo Afonso Maria de Ligório, Deus acaba abandonando o pecador. E como Ele faz isso? Deixando-o cego e surdo à Luz divina, por isso vemos que essas pessoas deslizam como o óleo na água absolutamente tudo o que podemos dizer-lhes, ler-lhes ou ensinar-lhes. É como se eles tivessem uma armadura que os imuniza de Deus, e assim nos damos conta de sua dureza e cegueira. E é aqui que o diabo, que sempre tenta pescar em águas turbulentas, se aproveita e nos leva ao desespero: “não há nada a fazer“, “é um caso impossível“… Continuar lendo

ESPECIAIS DO BLOG: ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II

jpEm mais uma “Operação Memória” de nosso blog, trazemos novamente os links para os capítulos do “Estudo sobre o Naturalismo dos Mistérios Luminosos, escrito pelo Padre Peter R. Scott – FSSPX que expõe de forma clara a tentativa velada de promover o naturalismo da revolução pós-conciliar.

Como isso poderia ser possível? Como poderia um papa errar recomendando o Rosário? Como poderia Nossa Senhora abandonar aqueles que continuam a recitar suas Ave-Maria? Como poderia um católico criticar um papa que diz que o Rosário é “sua oração predileta”, “Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade” ?

Leiam e entendam.

 

“A IGREJA NÃO É O CORPO MÍSTICO DO PAPA; A IGREJA É, COM O PAPA, O CORPO MÍSTICO DE CRISTO”

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Não voe muito baixo

Propomos aos nossos leitores este artigo (retirado da última edição da “Le Seignadou”, o boletim do Priorado “Saint-Joseph-des-Carmes”, no sul da França) de D. Michele Simoulin, ex-Reitor do Seminário Ecône (1988 -1996) e Superior do Distrito Italiano da FSSPX (1997-2004), a quem agradecemos a gentil autorização para publicá-la (original do texto italiano).

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Todos nós conhecemos a Declaração de Mons. Lefebvre, de 21 de novembro de 1974. Se a esquecemos, vamos relê-la: ela não envelheceu. Na verdade, é ainda mais atual: ainda hoje – e certamente será por muito tempo – o fundamento da nossa posição na atual situação da Igreja: “Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neo-modernista e neo-protestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram“.

Não esqueçamos, no entanto, o que a declaração diz logo após: “Nenhuma autoridade, nem sequer a mais alta na hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há dezenove séculos“.

O cerne da questão, portanto, é a fé, propósito e razão de ser da Igreja e de seu magistério. Mons. Lefebvre é muito claro e delineia claramente o objeto final de sua fidelidade: “a Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé“. Todo o resto é secundário ou simplesmente pertence à ordem dos meios, incluindo o Papa, os sacramentos, a moral, a teologia, o catecismo, etc. Tudo, até mesmo a Santa Igreja está a serviço da fé!

E assim não nos esqueçamos da exortação, cheia de força e sabedoria, do padre de Chivré para “não voar muito baixo“. Pode-se facilmente cair em uma espécie de racionalismo que reduz as questões da Igreja aos assuntos puramente humanos. Talvez tenhamos o mau hábito de referir tudo aos homens: Papa, bispos, sacerdotes…aos detentores da autoridade na Igreja, à Roma, ao Papa ou a Mons. Fellay – em vez de Deus e Jesus Cristo. Ao contrário, tudo passará: até a Igreja e a Fraternidade passarão, “mas minhas palavras não passarão” (Mt 24, 35). Somente a Igreja eterna, isto é, a Santíssima Trindade, pode justificar e merecer que se abandone tudo para servi-la. Continuar lendo

A FAMÍLIA COMO SANTUÁRIO E ESCOLA DE SANTIDADE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Entre as mil maneiras apresentadas perante ao Verbo para aparecer em carne mortal entre nós e realizar a nossa Redenção, escolheu uma: ter uma Mãe, a quem fez Imaculada, e pela qual a quis desposada com um varão eminentemente justo, da altura de sua Mãe, para velar assim pela boa honra da Santíssima Virgem; assemelhando-se, deste modo, em tudo a nós, exceto no pecado.

Ou seja, o Verbo Encarnado quis levar uma vida em família e que essa vida em família fosse o começo da obra redentora. E isso por muitas razões, mas especialmente por duas, que gostaria de destacar hoje:

  1. Para nos mostrar a vida espiritual sob uma faceta conhecida e atraente: a vida em família;
  2. Para santificar o lar cristão em todos os seus aspectos, convertendo-o em fonte de santidade para os seus membros e mostrando-o como o princípio de todas as virtudes.

A vida espiritual assume o aspecto de uma vida familiar.

Deus quis calcar a vida sobrenatural sobre a vida natural, colocando assim semelhanças entre elas, de modo que não nos fosse completamente desconhecida, mas, pelo conhecimento que temos da vida natural, possamos intuir pelo menos um pouco o que é a vida sobrenatural. E assim, a vida sobrenatural como a vida natural, conta com: Continuar lendo

UMA REFLEXÃO SOBRE A OCIOSIDADE

“QUEM NÃO QUER TRABALHAR, É JUSTO QUE NÃO COMA”

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste artigo do Revmo. Pe. Lethu, da FSSPX, falaremos sobre a “ociosidade”, coisa muito perigosa que abre a porta ao demônio e a inúmeros pecados. Aprendamos, então, como combatê-la para não nos tornar “irmãos moscas” como São Francisco de Assis chamava os ociosos.

Caro fiéis:

O mundo moderno realmente não me conhece, mas muito me ama, a tal ponto que me oferece gratuitamente técnicas que permitam me desenvolver para que as pessoas, sem perceberem, desperdicem seu tempo. O mundo moderno quase nunca fala de mim, mas bebe de minhas águas viciosas dia a dia. Comigo, as virtudes e as obras de misericórdia desaparecem da face da terra e os piores vícios se multiplicam todos os dias. O mundo moderno me quer unanimemente porque satisfaço o egoísmo de cada um. Pior ainda, a juventude moderna se casou comigo e me abraça tanto que não podem viver sem mim. Quem sou? Sou um pecado pouco conhecido, mas muito comum. A Sagrada Escritura me chama “a mãe de todos os vícios”. Eu sou a ociosidade!

Quem são os ociosos?

Se podem chamar ociosos:

  1. Aqueles que negligenciam sua salvação, vivendo como se não tivessem uma alma para salvar. Uma coisa é necessária: nossa salvação, e eles não se importam.
  2. Aqueles que seguem suas paixões deixando-se dominar por elas, como na parábola do filho pródigo (Lc 15, 11-32).
  3. Aqueles que se deixam devorar pelas coisas temporais, esquecendo os assuntos eternos.
  4. São ociosos aqueles que não fazem nada no dia, consumindo seu tempo em conversas inúteis, brincando, dormindo … chateando, navegando como internautas em águas turvas, pendurados no celular, divertindo-se ao invés de trabalhar … São Francisco de Assis chama os religiosos ociosos de “Irmãos Moscas”, porque a única coisa que fazem é irritar aqueles que trabalham. Como a mosca, eles têm uma vida sem obras, inútil, preguiçosa, indigna de um homem.
  5. Aqueles que fazem outra coisa ao invés do seu dever, seguindo seus caprichos; por exemplo, praticar ou assistir esportes antes das tarefas e/ou antes da convivência em família. Cuidado, se a Igreja condena a ociosidade, não condena os esportes e diversões saudáveis ​​e oportunas. Um dia, um estrangeiro que estava armado, com arco e flechas, surpreendeu a São João Apóstolo, evangelista e Bispo de Éfeso, brincando em um momento de descanso com uma perdiz domesticada. Ele a tinha em uma mão, e o pequeno animal ia subindo em suas costas, até empinar-se sobre sua cabeça. Este estrangeiro manifestou ao apóstolo a sua estranheza diante desse espetáculo e San Juan perguntou por que ele portava o arco desarmado? O estrangeiro respondeu: “Porque o arco sempre armado perde sua força“. E São João respondeu: “Assim também acontece com homens muito afetados em sua fadiga e cuidados; para que estas não destruam a força do espírito, devem buscar um passatempo honesto em diversões inocentes”. Muitas vezes, de fato, os passatempos são mais do que um prazer, são uma necessidade do espírito. É por isso que se diz: “Bem é relaxar, depois de trabalhar“.
  6. Aqueles que trabalham sem pureza de intenção, isto é, sem oferecer seu trabalho a Deus. Essas pessoas podem fazer boas e santas obras em si mesmas, mas buscam sua própria satisfação ou os louvores das criaturas, em vez de se referi-las a Deus.

Gravidade da ociosidade

A ociosidade é a violação de um preceito divino: “com o suor do seu rosto ganharás seu pão“, disse Deus diz a Adão depois do pecado original. E São Paulo ressalta: “ Nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem. Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão.” (2 Tes. 3, 8-15).

Permanecer ocioso é abrir a porta para ao demônio e todos os vícios. A água, quando corre, mantém sua nitidez, mas quando ela deixa de correr ela fica turva, prejudicial, fétida, pantanosa. Da mesma forma, quando Sansão luta contra os inimigos do seu povo, é invencível, mas quando ele dorme sobre os joelhos de uma mulher, perde sua força, suas virtudes e sua glória. Davi quando está encabeçando o exército é casto, doce e justo, mas ocioso em seu palácio torna-se impudico, injusto e cruel … “uma ocupação prudente – diz Jerônimo – é o escudo do coração“.

Permanecer ocioso é perder duas coisas que têm um preço infinito: o tempo e a graça. Sem o tempo e sem a graça, como conquistar o céu? Perdê-los em coisas inúteis é expor-se a perder a alma por toda a eternidade. O que o Senhor não sofreu em sua paixão por todo esse tempo desperdiçado? É por isso que Deus odeia tanto a ociosidade. “Quando penso em como usei o tempo“, diz San Francisco de Sales, “receio que Deus não me dê sua eternidade, porque ele só dá àqueles que usaram bem seu tempo“.

Remédios para ociosidade

  1. Olhemos sem cessar a Nosso Senhor. Depois de ter dado o exemplo, Nosso Senhor envia seus apóstolos ao trabalho. E nós, pecadores, permaneceríamos ociosos, confortavelmente?
  2. Mantenhamo-nos na presença de Deus colocando todo nosso coração no cumprimento de Sua Vontade. “Vontade de Deus, és meu paraíso“, exclamava Santa Teresa.
  3. Julguemo-nos e castiguemo-nos quando perdemos tempo e assim Deus não nos julgará. 
  4. Obriguemo-nos a obedecer regras, horários fixos, tanto quanto possível. Há uma hora católica para deitar-se. Há uma hora católica para levantar-se, para fazer as orações da manhã, para tomar café da manhã, para trabalhar, para comer, para fazer as tarefas, para jogar/brincar … para voltar do trabalho, para recitar o rosário em família, para jantar juntos e fazer o oração da noite juntos.
  5. O céu sofre violência e são os violentos que o ganham“, diz Nosso Senhor. Deixemo-nos então ser exigentes para com nós mesmos, antes de tudo encontrando a energia necessária na oração freqüente e nos sacramentos bem recebidos.

Que o demônio os encontre sempre ocupados“, diz São Jerônimo, “e assim não poderá vencê-los“.

Padre Donatien Lethu, FSSPX +

SERÁ O CANTO GREGORIANO EM BREVE A REGRA EM VEZ DA EXCEÇÃO?

Em artigo publicado neste Natal por Crux, a tendência orgânica para a atração dos jovens católicos pela beleza do canto gregoriano foi enaltecida com otimismo.

Fonte: SSPX -USA (Agradecemos ao nosso amigo Sr. Adolfo J. G. Correa pela tradução)

O artigo menciona o experimento realizado em St. John the Beloved Catholic Church, localizada em McLean, Virginia, onde o Canto Gregoriano tornou-se uma genuína atração. A princípio, o retorno ao canto gregoriano foi perturbador para alguns dos paroquianos. Mas, recentemente, começou a atrair mais e mais fiéis e provoca a curiosidade por parte dos recém-chegados.

Para o diretor musical de St. John the Beloved, James Senson, a principal razão da crescente popularidade do canto gregoriano consiste no fato de que ele “é uma parte da Igreja. É o texto da Igreja”.

O artigo publicado em Crux cita ainda o seminarista do Colégio Teológico, Gabe Bouck, dizendo que «a liturgia deve falar para a glória de Deus» e:

“…a liturgia é o ápice de qualquer tipo de experiência de adoração que jamais encontraremos deste lado da eternidade. Então, se eu sei que não há nada maior nessa terra que eu possa fazer do que adorar a Deus, então tudo o que se passa naquela liturgia precisa ser o melhor e o mais belo do que pudermos transmitir“. Continuar lendo

A VERDADEIRA HUMILDADE – PALAVRAS DE MONS. MARCEL LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Acima do conceito da obediência, da vida comunitária, do apostolado e da própria santidade, ressalta agora a vocação pessoal, o carisma e a dignidade da pessoa humana, exigindo respeito pelas ideias e pelas orientações pessoais. Como conciliar essa concepção com a humildade? 

A alma humilde – diz nosso Venerável Padre François Libermann – é doce na obediência e obedece sem dificuldade e sem contestar, porque não se apega a sua própria vontade. A humildade é a mãe da regularidade, o apoio da união interna e a mais forte garantia de subordinação.

É evidente que Nosso Senhor nos ensinou a mesma doutrina: “Aprenda comigo, que sou manso e humilde de coração“. “Todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado“.

Quantos textos poderiam ser citados da parte dos Apóstolos e, em particular, o exemplo de Nosso Senhor, do qual fala São Paulo na segunda Epístola aos Filipenses: “Se humilhou fazendo-se obediente até a morte … pelo qual também Deus o exaltou acima de todas as coisas“. É também a lição da Santíssima Virgem, quando cantou as bondades que Deus tivera com ela: “Porque olhou a humildade de sua serva“. 

Todos os santos deram um exemplo vivo dessa virtude, que é condição indispensável para a presença de Deus em uma alma. Santo Tomás de Aquino disse que esta virtude “remove obstáculos e nesse sentido ocupa o lugar principal na medida em que elimina o orgulho, na qual Deus resiste, e torna o homem obediente e sempre submisso para receber o influxo da graça divina eliminando o inchaço do orgulho.” Continuar lendo

BRASIL CATÓLICO

Resultado de imagem para brasil católicoO Brasil, durante muito tempo, foi considerado o maior país católico do mundo. Parece que houve épocas em que mais de 90% dos brasileiros eram católicos. Não é para espantar. Os países colonizados pelos portugueses e espanhóis foram fundados por homens que tinham uma preocupação grande com a salvação das almas. Apesar de muitas mentiras contadas para as nossas crianças nos livros escolares onde o papel civilizador e santificador da Igreja Católica é enegrecido e brutalizado por calúnias, a verdade límpida e pura é evidente: houve abusos, houve comércio, enriquecimento de alguns, ganância e crimes, certamente, porque em todo empreendimento humano sempre será desta forma; houve sim porque nem sempre os portugueses ou espanhóis que vieram para cá foram homens católicos ou, pelo menos, que vivessem o catolicismo de modo puro e sincero. Ao contrário, havia até condenados pela justiça que encontraram nos riscos de tal aventura um meio de escapar da prisão. Mas o que faziam os missionários dentro daquelas cascas de noz que atravessavam o Atlântico? O que queriam? Possuir terras e riquezas? Ouro? É curioso como se inverte a realidade. Se assim fosse, não seria mais lógico que primeiro deixassem que o ouro fosse descoberto para depois vir participar da “divisão”? Porque os padres e religiosos viriam sem saber se ouro havia? Porque eles sabiam de uma só coisa, e era suficiente: havia gente. Havia povos pagãos que precisavam do Evangelho para conseguir ir para o céu. E os mentirosos como o sr. Mário Smith, autor nefasto de livros de História envenenam grande quantidade de crianças brasileiras com carimbos e chancelas dos nossos ministérios. Gente como este senhor precisava responder a processos judiciais por envenenamento de almas. Ele faz o contrário do que faziam os missionários, ele corrompe, mente, debocha, destruindo nas consciências dóceis das crianças o amor por nosso passado, por nossa cultura católica, por nossa Pátria.

Onde estão os católicos do nosso país para denunciar esta corrupção da verdade? Onde estão os bispos brasileiros para proibir aos seus fiéis o uso de tal medíocre e mentiroso livro?

O Brasil era um país católico. Chamou-se Terra da Santa Cruz porque foi batizado próximo da festa da Invenção da Santa Cruz, no dia 3 de maio, que celebra a descoberta da verdadeira Cruz de Nosso Senhor, por Santa Helena, em Jerusalém. A sociedade brasileira, apesar de seus governos liberais, maçônicos, anti-católicos, manteve sempre acesa a luz da Fé e chegou aos meados do século XX como essa grande nação católica, que causava admiração a tantos, pela simplicidade e pela convicção do seu povo. Continuar lendo

A REVELAÇÃO DO HOMEM

Resultado de imagem para gustavo corçãoNão, caro leitor, não creio que possamos convenientemente definir e caracterizar as graves perturbações do mundo católico com as expressões condoídas que você usou em sua carta, tais como “lamentáveis divisões”, “dolorosas divergências”, “dissenções e polêmicas entre católicos”. Tentarei expor aqui meu pensamento com a mesma objetividade e isenção de ânimo que sempre pus nas minhas obras de engenheiro: receptores de ondas curtas, amplificadores de freqüências acústicas, sistemas eletrônicos de ondas portadoras etc. etc. Essas pequenas obras que deixei esparsas e que me sobreviverão por algum tempo, como ainda sobrevivem, em funcionamento, aparelhos que construí para a Companhia Telefônica Brasileira em 1937, são meu obscuro testemunho de uma docilidade ao real com que quero viver e morrer. O título com que dou aulas de religião aos que para isto ainda me procuram é também uma docilidade ao que aprendi com os apóstolos e seus descendentes. Melhor coisa não possuo senão esta capacidade de bem identificar o evangelho deixado pelos evangelistas e difundido por Paulo.

Não tinham grau de doutor em teologia os gálatas humildes a quem o apóstolo Paulo escrevia: “Mas ainda que nós mesmos ou até um anjo do céu vos anuncie um outro evangelho (…), anátema seja. Já vos disse antes e agora repito: se alguém pregar outro evangelho, diferente do que recebestes, seja anátema.” (Gal. 1, 8-9.)

Nesta singela e severa passagem se condensa toda a praticabilidade do cristianismo. Se os mais humildes fiéis não fossem capazes desse discernimento inicial e fundamental, ou se outro evangelho se pudesse inculcar como o mesmo já anunciado, vão teria sido o Sangue derramado na Cruz, vãos os ensinamentos de Jesus, vão o testemunho dos mártires, dos doutores, dos heróis da santidade: O cristianismo seria uma tertúlia de intelectuais e, por conseguinte, não seria o cristianismo.

Baseado neste diploma universal, que tem o sinete dos primeiros princípios e o escudo do senso comum, ouso dizer uma coisa ensurdecedoramente visível e ofuscantemente audível: não há apenas divisões dentro da Igreja (se com esses termos queremos designar os escândalos provocados por religiosos, padres e bispos), não há dissensões e polêmicas. O que há, a entrar pelos olhos adentro, é outra “igreja” a anunciar estridulamente outro evangelho. Não há duas alas, a dos conservadores e a dos progressistas; há duas coisas distintas: a Igreja de Cristo, de Pedro e de Paulo e a outra Coisa. Posso admirar-me e entristecer-me pelo fato de não ouvir o Papa dizer a palavra liberadora — anátema seja aos falsificadores, aos fabricantes de um novo super-protestantismo feito com os vômitos do que já envelheceu e apodreceu; mas não posso, sem desrespeito e paranóia, pretender suprir com minha voz o silêncio do Papa. Continuar lendo

D. FELLAY: CARTA AOS AMIGOS E BENFEITORES – Nº 88

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Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

1517 – 1917: A REVOLTA DE LUTERO E A REVOLUÇÃO BOLCHEVISTA À LUZ DE FÁTIMA

Caros amigos e benfeitores,

Neste mês de outubro de 2017, coincidiram três aniversários que determinaram o curso da história dos homens e da Igreja: a revolta de Lutero, a revolução bolchevista e o milagre de Fátima.

Há quinhentos anos, em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero iniciou sua revolta contra a Igreja Católica. Há cem anos, no dia 7 de novembro, estourou a revolução na Rússia. Segundo o calendário juliano, ela recebeu o nome de “Revolução de Outubro”.

E há cem anos, alguns dias antes, em 13 de outubro, o Coração Imaculado selou com um milagre espetacular sua mensagem, anunciando os grandes eventos futuros da Igreja e do mundo, dos quais alguns já fazem parte do passado, como a Segunda Guerra Mundial, e outros ainda não chegaram, como o triunfo do Coração Imaculado e a conversão da Rússia.

A reforma lançada por Lutero apareceu, em um primeiro momento, como um acontecimento religioso. E, desde logo, o heresiarca alemão abalou em seus fundamentos a Igreja Católica, atacando o papado, a graça, a Santa Missa, o sacerdócio, a Santa Eucaristia … A fé e os meios concedidos por Deus aos homens para alcançarem a salvação eterna foram rejeitadas ou profundamente falsificados.

Mas, tendo em conta os inegáveis ​​vínculos entre a ordem sobrenatural da Igreja e da graça, por um lado, e a ordem temporal dos governos humanos e da sociedade civil, por outro, muito em breve a rebelião contra a Igreja se estendeu à sociedade humana, dividindo a Europa até hoje, abrindo séculos de perseguição contra a Igreja nos países reformados e marcando toda a Europa com terríveis guerras, das quais a mais dolorosa foi a Guerra dos Trinta Anos. Realmente, nossa incompreensão é total quando atualmente vemos que alguns prelados católicos celebram e até mesmo comemoram esse acontecimento tão triste e tão assustador para a cristandade. Continuar lendo