UMA CURA EM LOURDES

Imagem relacionadaQuando Jesus andava pelo mundo, bastava a sua palavra e, às vezes, um olhar seu para curar os doentes e ressuscitar os mortos.

A hóstia consagrada, onde se acha oculto, tem o mesmo poder, quando ele o quer.

É muito notável um caso referido pelo célebre médico Dr. Boissarie em seu relatório dos milagres em Lourdes.

Margarida de Sabóia chegou à gruta em estado lastimável: entrevada, metida num caixão como se fora um cadáver, pálida, sem voz, sem carnes, tendo embora 25 anos, pesava apenas 16 quilos.

Quando partiu para Lourdes disseram-lhe os médicos que não teria mais de 15 dias de vida; e os da gruta não se atreveram a tocá-la, por que mal ainda respirava. Nem sequer pensaram em levá-la à piscina, mas contentaram-se de colocá-la diante da Virgem ali mesmo.

Ao passar o Santíssimo, uma sacudida forte e irresistível atirou-a para fora de sua maca. Quando Margarida se deu conta de que estava de joelhos ao pé da caminha, levantou-se por si mesma, sem auxílio de ninguém, e gritou com toda a força:

– Estou curada!

A mãe, atônita, corre ao encontro da filha que a abraça e diz com voz forte:

– Mãe, estou curada!

No mesmo dia – diz o Dr. Boissarie – entrou em nosso escritório, bem segura sobre seus próprios pés, embora meio morta pela debilidade. O seu contentamento era tão grande, a sua alegria tal que nem sentia fraqueza.

Dissemos que pesava 16 quilos; poucos dias após a cura pesava já 44. O crescimento tomou seu curso natural e a estatura aumentou de sete a oito centímetros. Isto na idade de 25 anos!

Aqui não se trata de cura, mas de ressurreição. A virtude do Deus da Eucaristia operou este milagre.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

A IGREJA ONDE ESTÁ JESUS SACRAMENTADO É O SANTUÁRIO MAIS AUGUSTO

santElegi et sanctificavi locum istum, ut… permaneant oculi mei et cor meum ibi cunctis diebus – “Escolhi e santifiquei este lugar… para nele estarem fixos os meus olhos, e o meu coração, em todo o tempo” (2 Par. 7, 16).

Sumário. Os peregrinos experimentam grande ternura em visitar a Casa Santa de Loreto, ou os lugares da Terra Santa onde Jesus nasceu, habitou, morreu e foi sepultado. Muito maior, porém, deve ser a nossa devoção quando estamos numa igreja em presença de Jesus Cristo mesmo, oculto no Santíssimo Sacramento. Com efeito, não há santuário mais devoto e consolador do que uma igreja a na qual está Jesus sacramentado. Todavia a maior parte dos homens o deixam quase sempre só e abandonado!

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Oh! Que ternura experimentam os peregrinos ao visitar a Casa Santa de Loreto ou os lugares da Terra Santa, a Gruta de Belém, o Calvário, o santo Sepulcro, onde Jesus habitou, morreu, foi sepultado! Mas quanto mais terna não deve ser a nossa devoção quando nos achamos numa igreja, em presença do próprio Jesus, que está no Santíssimo Sacramento! Costumava o Bem-aventurado João de Ávila dizer que não conhecia santuário mais devoto e mais consolador do que uma igreja na qual se acha Jesus sacramentado. Por sua vez o Padre Balthazar Alvares chorava ao ver os palácios dos grandes cheios de gente, e as igrejas, onde está Jesus Cristo, vazias e abandonadas.

Meu Deus! Se o Senhor se tivesse deixado ficar em uma só igreja da terra, por exemplo, na de São Pedro em Roma, e ali quisesse dar audiência só num dia do ano, quantos peregrinos, quantos personagens grandes, quantos monarcas procurariam ter a ventura de se achar ali em tal dia, afim de prestarem homenagem ao Rei do céu, voltado à terra! Que tabernáculo precioso, de ouro e ornado de pedrarias não lhe seria preparado! Com que profusão de luzes não se havia de solenizar em tal dia a permanência de Jesus Cristo! Mas não, diz o Redentor, não quero morar em uma só igreja, nem por um dia do ano somente; não exijo tamanha riqueza nem tantas luzes; quero morar continuamente em todos os tempos e lugares, onde quer que vivam os meus fiéis, afim de que todos me achem com facilidade e sempre, na hora que quiserem. Continuar lendo

JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, O MELHOR DOS AMIGOS

santAmicus fidelis medicamentum vitae et immortalitatis — “O amigo fiel é um medicamento de vida e de imortalidade”(Ecclus. 6, 16).

Sumário. Bem suave é estar a gente na companhia de um amigo querido: e será possível que nós, neste vale de lágrimas, não achemos consolação perto do melhor de nossos amigos que nos pode encher de todos os bens? Eis que no Santíssimo Sacramento nos podemos entreter com Jesus à nossa vontade, abrir-Lhe o nosso coração, expor-Lhe as nossas necessidades, pedir-Lhe graças. Aproximemo-nos, pois, de Jesus com grande confiança e amor, unamo-nos a Ele, e peçamos-Lhe sobretudo a graça de O podermos amar sempre com todas as nossas forças.

Bem suave é estar a gente na companhia de seu amigo querido; e não nos será suave, neste vale de lágrimas, estarmos na companhia do melhor de nossos amigos, de um amigo que pode encher-nos de todos os bens, nos ama apaixonadamente e por isso se deixa ficar continuamente conosco? Eis que no Santíssimo Sacramento nos podemos entreter com Jesus à nossa vontade, abrir-Lhe o nosso coração, expor-Lhe as nossas necessidades, pedir-Lhe graças. Podemos, numa palavra, neste mistério tratar com o Rei do céu com toda confiança e singeleza.

Foi nimiamente feliz José, quando Deus, como atesta a Sagrada Escritura, se dignou descer por sua graça ao cárcere para consolá-Lo: Descendit cum illo in foveam, et in vinculis non dereliquit eum (1) — “A divina Sabedoria desceu com Ele ao fosso, e não o deixou nas cadeias”. Mas muito mais felizes somos nós por termos sempre conosco, nesta miserável terra, nosso Deus feito homem, que, com o coração cheio de amor e de misericórdia, nos honra com sua presença real a cada instante de nossa vida. Continuar lendo

JESUS PRESENTE NOS ALTARES PARA SER ACESSÍVEL A TODOS

taberVenite ad me omnes, qui laboratis et onerati estis; et ego reficiam Vos ― “Vinde a mim todos os que estais cansados e carregados e eu vos aliviarei” (Matth. 11, 28).

Sumário. Nesta terra não é permitido a todos os súditos falar ao príncipe. O mais que os pobres podem esperar é falar-lhe por meio de terceira pessoa. Não é assim com o Rei do céu, que está no Santíssimo Sacramento. Com este pode falar quem o deseje, e sem acanhamento. Procuremos, portanto, ir muitas vezes à sua audiência e expor-Lhe todas as nossas necessidades. Peçamos-Lhe particularmente que desligue o nosso coração de todas as coisas terrestres e o encha do seu santo amor.

Dizia Santa Teresa que nesta terra não é permitido a todos os súditos falar a seu príncipe. O mais que os pobres podem esperar é falhar-lhe por meio de terceira pessoa. Mas para conversar convosco, ó Rei do céu, não se precisa de terceira pessoa; quem quiser, pode achar-Vos no Santíssimo Sacramento, e falar-Vos à vontade e sem acanhamento. Por isso a mesma Santa dizia que Jesus Cristo velou a sua majestade sob as aparências do pão, para nos inspirar mais confiança e nos tirar todo o temor de nos aproximarmos d’Ele.

Ah! Parece que lá dos altares Jesus ainda cada dia exclama e diz: Venite ad me omnes, qui laboratis et onerati estis, et ego reficiam vos ― “Vinde a mim todos os que estais cansados e carregados, e eu vos aliviarei”. Vinde a mim, vós pobres, vinde enfermos, vinde atribulados, vinde justos e pecadores; em mim achareis o remédio para todos os vossos males e aflições. O que Jesus Cristo deseja é consolar a quem a Ele recorre. Permanece presente sobre os altares tanto de dia como de noite para ser acessível a todos e comunicar a todos as suas graças. Continuar lendo

JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, NOSSO CONSOLADOR

santVenite ad me omnes, qui laboratis et onerati estis, et ego reficiam vos — “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Matth. 11, 28).

Sumário. Enquanto vivermos sobre a terra, nunca nos faltarão angústias, tribulações e trabalhos; aliás ela não seria para nós um vale de lágrimas. Se, porém, quisermos sentir menos o peso das cruzes, amemos muito a Jesus, e habituemo-nos a recorrer freqüentemente a Ele no seu Santíssimo Sacramento. Imaginemos vê-lo ali coroado de espinhos, coberto de chagas, aflito e chorando a ingratidão dos homens. Unamos as nossas lágrimas com as de Jesus. Oh, quanto é doce chorar com o nosso divino Consolador!

Quando o nosso Divino Redentor estava na terra, convidava todos a que a Ele recorressem para serem consolados, dizendo-lhes: Vinde todos a mim. E os factos correspondiam às palavras: pois, como diz São Lucas: Jesus andou de lugar em lugar, fazendo bem e sarando a todos os oprimidos do demônio(1) — Ora, no Santíssimo Sacramento do Altar o nosso amabilíssimo Jesus exerce continuamente o mesmo oficio de Consolador das almas. Ali está noite e dia, cheio todo de misericórdia, esperando, chamando e acolhendo todos os que o vêm visitar.

Vendo que são tão poucos os que querem gozar das suas consolações e movido pelo seu amor e pelo desejo de nos fazer bem, chega a queixar-se pela boca do Profeta: Num quid resina non est in Galaad, aut medicus non est ibi? (2) — Não há bálsamo em Galaad, e não se encontra aí medico algum? Galaad é uma montanha da Arábia, rica em ungüentos aromáticos; segundo o venerável Beda, ela é figura de Jesus Cristo, que nos preparou na Eucaristia todos os remédios para as nossas enfermidades. — Porque então, parece nos dizer o Divino Redentor, porque vos queixais das vossas misérias, ó filhos de Adão? Pois, quaisquer que sejam os vossos males, neste Sacramento achareis o médico e os remédios. Oh! Se recorresseis sempre a mim, certamente não serieis miseráveis como sois. Continuar lendo

A SANTÍSSIMA EUCARISTIA, NOSSA FORÇA CONTRA NOSSOS INIMIGOS

eucaParasti in conspectu meo mensam adversus eos, qui tribulant me — “Preparaste uma mesa diante de mim, contra aqueles que me angustiavam” (Ps. 22, 5).

Sumário. Meu irmão, se te achas languido no bem, fraco no combate espiritual, põe a culpa sobre ti mesmo, porque não recebes a divina Eucaristia, ou a recebes sem as devidas disposições. Todos os Santos testemunham, e a experiência o confirma, que este divino Sacramento apaga o fogo das paixões, dá força e coragem para vencer o mundo com as suas vaidades, e debela todas as forças dos inimigos infernais. Numa palavra, os demônios, vendo uma alma incorporada no seu divino Chefe pela santa comunhão, ficam atemorizados e sem forças contra ela.

É com razão que a Santíssima Eucaristia foi simbolizada pelo pão milagroso que o Anjo preparou para Elias; pois, assim como o Profeta se sentiu de tal modo fortalecido, que pôde subtrair-se à fúria de Jesabel e chegar ao monte do Senhor, assim os cristãos fortalecidos por este pão divino terão força para vencer todos os formidáveis inimigos que lhes estorvam o caminho da perfeição.

Diz São Cirilo de Alexandria, e confirma-o Santo Tomás, que, “quando Jesus Cristo está dentro de nós, mitiga o ardor da nossa concupiscência, acalma as inclinações desregradas da carne, e robustece a piedade”. Este Sacramento, qual fonte de água, apaga o fogo das paixões que nos consomem; por isso, quem se sentir abrasado pelo fogo de alguma paixão, aproxime-se da Mesa sagrada e logo a paixão será morta ou amortecida. — Pelo que dizia São Bernardo: “Meus irmãos, se alguém não sente tão freqüente nem tão violentamente os movimentos da ira, da inveja, da incontinência, agradeça-o ao Santíssimo Sacramento, que operou nele tão salutar mudança.” Continuar lendo

JESUS, NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, ESPERA-NOS COM EXTREMA MISERICÓRDIA

santIesus ergo fatigatus ex itinere, sedebat sic supra fontem — “Jesus, pois, fatigado do caminho, estava assim assentado sobre o poço” (Io. 4, 6).

Sumário. Assim como um dia o Senhor, todo bondade e amor, estava sentado à borda de um poço, esperando a Samaritana para a converter, assim agora, descido do céu sobre os nossos altares, que são outras tantas fontes de graças, permanece conosco, esperando as almas e convidando-as a lhe fazerem companhia. Animemo-nos, pois, a recorrer sempre a este divino Sacramento, abramos-lhe o coração, cheios de confiança, e peçamos-lhe tudo de que precisamos. Ao mesmo tempo entreguemo-nos com abandono filial à sua providência, certos de que disporá tudo para nosso bem.

Oh, que belo espetáculo foi ver o nosso doce Redentor naquele dia em que, fatigado do caminho, se sentara, todo bondade e amor, à borda de um poço, esperando a Samaritana para a converter e salvar! Jesus estava assim sentado sobre o poço. Pois, com igual doçura o mesmo Jesus se conserva, dia a dia, no meio de nós, descido do céu sobre os nossos altares, como outras tantas fontes de graças, esperando as almas e convidando-as a Lhe fazerem companhia, ao menos por alguns instantes, a fim de as atrair ao seu perfeito amor.

Parece que de todos os altares, onde está Jesus sacramentado, fala assim a todos: “Filhos de Adão, porque fugis da minha presença? Porque não vindes a mim e não vos aproximais de mim, que tanto vos amo, e para vosso bem aqui estou no abatimento em que me vedes? Que temeis? Não é ainda como juiz que eu agora estou na terra; neste sacramento de amor me ocultei unicamente para encher de graças e salvar a quem quer que a mim recorra: Non veni, ut iudicem mundum, sed ut salvificem mundum (1) — Não vim a julgar o mundo, mas a salvá-lo.” Continuar lendo

AMOR DE JESUS NA INSTITUIÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, ANTES DE IR MORRER

SacramentoDominus Iesus, in qua nocte tradebatur, accepit panem … et dixit: Hoc est corpus meum — “O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão… e disse: Isto é o meu corpo” (I Cor. 11, 23).

Sumário. Porque os testemunhos de amor, dados pelos amigos no momento de morrer, se gravam mais fundo na memória e se conservam mais preciosamente, o Senhor quis instituir a santíssima Eucaristia na véspera de sua morte. Ó prodígio de amor! Os homens preparam para Jesus açoites, espinhos e uma cruz, e ele escolhe exatamente esse tempo para nos dar a prova mais preciosa de seu amor. Este amor de Jesus convida-nos a que lhe correspondamos pelo nosso afeto e façamos alguma coisa por seu amor.

O Santíssimo Sacramento é um dom feito unicamente por amor. Segundo os decretos divinos, foi necessário para nossa salvação que o Redentor morresse e que, pelo sacrifício de sua vida, satisfizesse à divina justiça pelos nossos pecados. Mas que necessidade havia que Jesus Cristo se nos desse em sustento, depois de sua morte? Assim o quis o seu amor. Se Ele instituiu a Eucaristia, diz São Lourenço Justiniani, foi unicamente para nos fazer compreender o imenso amor que nos tem.

É o que escreve também São João: Sciens Iesus quia venit hora eius (1) — Sabendo Jesus que era chegado o tempo de deixar a terra, quis deixar-nos a maior prova de seu amor, isto é, o dom do Santíssimo Sacramento. Tal é o precisamente o sentido destas palavras: In finem dilexit eos – “Amou-os até o fim”, isto é, segundo a explicação de Teofilato e São João Crisóstomo, extremo amore, summe dilexit eos — “amou-os com amor extremo”. — E observemos o que nota o Apóstolo: o tempo em que Jesus nos quis fazer este donativo, foi o de sua morte: na noite em que foi entregue. Enquanto os homens preparavam açoites, espinhos e uma cruz para o supliciarem, é que o bom Salvador nos quis dar este último penhor de sua ternura. Continuar lendo

O QUE TENHA DE FAZER A ALMA NA PRESENÇA DE JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

santiDelectare in Domino, et dabit tibi petitiones cordis tui — “Deleita-te no Senhor, e te outorgará as petições do teu coração” (Ps. 36, 4).

Sumário. Estas palavras ensinam-nos como temos de nos haver na presença de Jesus no Santíssimo Sacramento. Diante do tabernáculo, agradeçamos ao Senhor os muitos benefícios que nos fez, especialmente o querer Ele ficar conosco sobre o altar; amemo-Lo com todas as nossas forças e ofereçamo-nos a Ele sem reserva. Afinalsupliquemos a Jesus Cristo as graças de que necessitamos, principalmente o aumento do amor e a união à sua vontade divina. Oh! Se nós soubéssemos aproveitar bem da companhia de nosso divino amante, em breve seríamos todos santos.

A condessa de Feria, feita religiosa de Santa Clara, escolheu uma cela donde se avistava o altar do Santíssimo Sacramento, e aí se demorava quase todo o tempo, de dia e de noite. Perguntada sobre o que fazia durante longas horas na igreja, respondeu: “Ah! Eu ficaria ali durante toda a eternidade. Que é o que se faz diante do Santíssimo Sacramento? Agradece-se, ama-se e pede-se.” — Eis ai, meu irmão, um belo método para aproveitares bem o tempo na presença de Jesus no Santíssimo Sacramento.

Em primeiro lugar, agradece-se. És tão agradecido a um parente que veio de longe para te visitar, e não tens uma palavra de gratidão para Jesus Cristo, que desceu do céu, não só para te visitar, mas para estar sempre contigo? Quando, pois, o visitares, antes de mais nada aviva a tua fé, adora o Esposo de tua alma e rende-Lhe graças pela bondade com que por teu amor fixou a sua morada sobre esse altar. Continuar lendo

FELICIDADE DOS RELIGIOSOS EM MORAREM JUNTO COM JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

img_2740_editedBeati qui habitant in domo tua, Domine; in saecula saeculorum laudabunt te — “Bem-aventurados, Senhor, os que moram em tua casa; pelos séculos te louvarão” (Ps. 83, 5).

Sumário. Se os mundanos estimam tanto serem chamados pelos reis para habitarem nos seus palácios, quanto mais os religiosos devem estimar o habitarem continuamente com o Rei do céu em sua casa? Meu irmão, já estás morando muito tempo com Jesus Cristo debaixo do mesmo teto; mas que fruto tiraste até agora de sua presença?… Procura ao menos aproveitá-la para o futuro, demorando-te o mais possível a seus pés, expandindo ali os teus afetos, as tuas aflições, os teus desejos de amá-Lo de todo o coração e de O contemplar um dia no céu.

I. A Venerável Madre Maria de Jesus, fundadora de um instituto em Tolosa, dizia que por dois grandes motivos estimava a sua felicidade de ser religiosa: o primeiro, porque os religiosos são todos de Deus pelo voto de obediência; segundo, porque os religiosos têm a ventura de habitar sempre com Jesus sacramentado. — E na verdade, se os mundanos estimam tanto serem chamados pelos reis para habitarem nos seus palácios, quanto mais os religiosos devem estimar o habitarem continuamente com o Rei do céu na sua casa?

Nas casas religiosas, Jesus se deixa ficar na igreja expressamente para eles, a fim de que O achem a toda hora. Os seculares podem ir visitá-Lo apenas de dia, e em muitas partes só de manhã; mas o religioso acha-O no sacrário sempre que O procure: de manhã, de dia e de noite. Aí pode entreter-se continuamente com seu Senhor, e aí Jesus se compraz em tratar familiarmente com seus amados servos, que Ele para este fim tirou do Egito, isto é, do mundo, para nesta vida lhes fazer companhia, escondido no Santíssimo Sacramento, e na outra, ser-lhes companheiro, mas então descoberto, no céu. A respeito de qualquer casa religiosa pode-se dizer: “Ó beata solidão, em que Deus fala e trata familiarmente com os seus!” (1) Continuar lendo

JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, NOSSO BOM PASTOR

santEgo sum pastor bonus — “Eu sou o bom pastor” (Io. 10, 14).

Sumário. O ofício de bom pastor é guiar as suas ovelhas, apascentá-las e defendê-las contra os lobos devoradores. Depois de ter cumprido este tríplice dever durante toda a sua vida terrestre, Jesus continua a cumpri-lo no Santíssimo Sacramento do Altar. Aí Ele nos guia pelos exemplos, defende-nos contra os inimigos espirituais, e alimenta-nos com o seu corpo imaculado. Se quisermos progredir na vida espiritual, nunca percamos de vista o nosso amante Pastor, visitemo-Lo freqüentemente, e lembremo-nos que, se ficarmos perto d’Ele, receberemos os seus mais especiais favores.

I. O ofício do bom pastor é guiar as suas ovelhas, apascentá-las e defendê-las contra os lobos devoradores. Depois de ter cumprido este tríplice dever durante toda a sua vida terrestre, Jesus Cristo continua a cumpri-lo ainda no Santíssimo Sacramento do Altar. — Em primeiro lugar, lá, de dentro do tabernáculo, Ele nos guia pelos seus exemplos de humildade profunda e de paciência perfeita no meio dos muitos ultrajes que recebe; de grande resignação e de obediência pronta a cada aceno dos sacerdotes; e sobretudo de ardente caridade e zelo extremo pela glória de Deus e salvação das almas.

Jesus não só nos guia, mas nos defende também contra os lobos, isto é, contra os três inimigos formidáveis de nossa salvação eterna, subministrando-nos armas poderosas, para sustentarmos o combate contra as tentações malignas do demônio, contra as máximas perversas do mundo e contra os apetites desregrados da carne corrompida. — Muitas vezes apaga até o ardor das paixões que nos consomem. Pelo que dizia São Bernardo: “Se alguém dentre vós não experimenta mais tão freqüentes nem tão violentos movimentos de ira, de inveja, de luxúria, agradeça-o ao Santíssimo Sacramento, que produziu efeito tão salutar.”
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JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, MODELO DE VIRTUDE

santQui appropinquant pedibus eius, accipient de doctrina illius — “Os que chegam a seus pés, receberão da sua doutrina” (Deut. 33, 3).

Sumário. Para a nossa salvação, é mister que no dia do juízo a nossa vida se ache conforme à de Jesus Cristo. Esforcemo-nos, pois, por imitar os exemplos luminosos de virtude que Ele nos dá continuamente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia: a sua humildade profunda, a sua mansidão inalterável, aceitando de boa vontade o que Deus manda. Para suprirmos ao que nos falta, ofereçamos a Deus muitas vezes, e particularmente na missa, os merecimentos do divino Redentor.

I. Consideremos os belos exemplos de virtude que nos dá Jesus Cristo na Santíssima Eucaristia. Inefável é a suapaciência. Ele vê que a maior parte dos homens não O adora neste sacramento, nem O quer reconhecer pelo que é. Já antes da instituição sabia que muitas vezes os homens chegariam a calcar aos pés as hóstias consagradas e a atirá-las sobre a terra, à água e ao fogo.

Mas o que mais Lhe amargura o coração tão sensível, é o ver que também a maior parte dos que n’Ele crêem, em vez de repararem tantos ultrajes pelos seus obséquios, ou vão à Igreja para o ofenderem pela sua irreverência, ou o deixam abandonado sobre os altares, desprovidos às vezes de lâmpada e dos ornamentos necessários. Tudo isso Jesus, escondido sob as espécies eucarísticas, o vê e sabe, e todavia sofre-o com paciência e fica calado. Oh, que exprobração de nossa loquacidade nos momentos de ira! Continuar lendo

JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO DÁ AUDIÊNCIA A TODOS E A QUALQUER HORA

viewAd vocem clamoris tui, statim ut audierit, respondebit tibi — “Logo que ouvir a voz do teu clamor, te responderá” (Is 30, 19).

Sumário. Os reis da terra não dão sempre audiência e muitas vezes acontece que o que lhes deseja falar é despedido pelos guardas a pretexto de que não é tempo de audiência e deve vir mais tarde. Jesus, porém, no Santíssimo Sacramento, não faz assim; dá audiência a todos e a toda hora. É por isso que as igrejas estão sempre abertas. Porque então é que nós, que temos a sorte feliz de morar no palácio do Senhor, não aproveitamos melhor a sua condescendência para lhe expor as nossas necessidade e pedir graças?

Falando do nascimento do Redentor no presépio de Belém, São Pedro Crisólogo diz que os reis da terra não dão sempre audiência, e que, quando alguém lhes deseja falar, muitas vezes acontece que os guardas o despedem a pretexto de que não é tempo de audiência e deve vir mais tarde. O divino Redentor, pelo contrário, quis nascer numa gruta aberta, sem portas nem guardas, para dar audiência a todo o mundo e a toda a hora: Non est satelles qui dicat: Non est hora — “Não  há guarda para dizer que não é a hora”. Isto mesmo faz Jesus no Santíssimo Sacramento. As Igrejas estão continuamente abertas; cada um pode, quando lhe aprouver, ir entreter-se com o Rei do céu.

E lá, Jesus quer que lhe falemos com toda a confiança: por esta razão é que ele se conserva sob as espécies de pão. Se o Senhor aparecesse sobre os altares num trono de luz, como aparecerá no juízo final, quem se atreveria a se aproximar d’Ele? Mas, reflete Santa Teresa, como Ele deseja que lhe falemos e peçamos suas graças cheios de confiança e sem temor, velou sua majestade sob as espécies de pão. Ele deseja, diz também Tomás de Kempis, que falemos a Ele como um amigo fala a seu amigo. Por isso, acrescenta o cardeal Hugo, nos sagrados Cânticos Jesus se chama a si próprio flor dos campos e açucena dos vales: Ego flos campi et lilium convallium (1). As flores dos jardins são encerradas e reservadas; mas as flores dos campos estão à disposição de todos. Continuar lendo

OS ADORADORES DE JESUS SACRAMENTADO

sacraGustate et videte, quoniam suavis est Dominus – “Provai e vede quão suave é o Senhor” (Ps. 33, 9).

Sumário. Entre todas as devoções, a devoção de Jesus sacramentado é, sem dúvida, depois da recepção dos sacramentos, a primeira, a mais agradável a Deus e a mais proveitosa para nós. Por isso é que todos os santos ardiam de amor a esta dulcíssima devoção. Não te pese, pois, meu irmão, abraçá-la também, e abreviando tuas conversações com os homens, vai freqüentemente entreter-te com Jesus e comunicar-lhe as tuas necessidades. Ganharás talvez mais, num quarto de hora de oração diante do Santíssimo Sacramento, que em todos os mais exercícios devotos do dia.

A fé ensina, e nós somos obrigados a crer, que na Hóstia consagrada está realmente Jesus Cristo, sob as espécies de pão. Mas devemos ao mesmo tempo estar persuadidos que Ele reside em nossos altares, como sobre um trono de amor e misericórdia, para dispensar as suas graças e mostrar-nos o amor que nos consagra. Quanto são, portanto, agradáveis ao Coração de Jesus os que o visitam freqüentemente e se comprazem em fazer-Lhe companhia nas igrejas! Jesus Cristo ordenou a Santa Maria Madalena de Pazzi que o visitasse trinta e três vezes por dia. E esta esposa tão amada obedecia-Lhe fielmente, aproximando-se do altar o mais que podia.

Deixemos falar as almas devotas, que vão freqüentes vezes entreter-se como o diviníssimo Sacramento e digam-nos os favores, as luzes, as chamas de amor que ali recebem e o paraíso de que gozam em presença do Deus eucarístico. O servo de Deus, Padre Luiz la Nuza, famoso missionário, desde jovem e secular, amava tão ardentemente Jesus Cristo, que parecia não poder afastar-se da presença de seu amado Senhor. Sentia ali tantos encantos que, tendo-lhe seu diretor proibido que ali passasse mais de uma hora, a violência que se devia fazer para obedecer e desprender-se de Jesus Cristo era tal, que parecia uma criança arrancada ao seio materno. São Luiz de Gonzaga tinha também recebido proibição de ficar diante do Santíssimo Sacramento; e, passando junto do tabernáculo e sentindo-se atraído a ficar, pelos suaves encantos de seu Senhor, violentava-se para se retirar e na ternura do seu amor exclamava: Recede a me, Domine, recede – “Afastai-Vos de mim, Senhor, afastai-Vos”. Era ali ainda que São Francisco Xavier encontrava o repouso após as grandes fadigas nas Índias: consagrava o dia ao bem das almas e a noite passava-a em oração perante o Santíssimo Sacramento. São Francisco de Assis, apenas sentia qualquer aflição, ia imediatamente comunicá-la a Jesus na santa Eucaristia. – Numa palavra, lê as vidas dos santos e verás que todos eram cheios de ardor por esta tão doce devoção, convencidos de que não é possível encontrar na terra tesouro mais amável do que Jesus na Eucaristia. Continuar lendo

JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO NÃO DESEJA SENÃO DISPENSAR GRAÇAS

santMecum sunt divitiae… ut ditem diligentes me, et thesauros eorum repleam — “Comigo estão as riquezas, para enriquecer os que me amam e encher os seus tesouros” (Prov. 8, 18; 21)

Sumário. Porque Jesus Cristo é a bondade infinita, tem desejo extremo de nos comunicar seus bens e está sempre pronto a fazer-nos bem. Ensina contudo a experiência que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia Jesus dispensa as graças mais fácil e abundantemente. Felizes, portanto, de nós se, conformo nô-lo permitir nosso estado, procurarmos freqüentemente visitá-Lo, entreter-nos com Ele e recebê-Lo em nosso peito! A graça que sobretudo Lhe devemos pedir é que nos abrase mais e mais em seu santo amor.

Consideremos como Jesus na Eucaristia dá audiência a todos, para a todos fazer bem. Segundo Santo Agostinho, o Senhor deseja mais dar-nos suas graças do que nós recebê-las. A razão é que Deus é infinitamente bom e a bondade da sua natureza é expansiva, de sorte que tende a comunicar seus bens a todos. Deus se queixa das almas que lhe não vão pedir graças. “Porque”, diz Ele, “não quereis mais vir a mim? Tenh sido para vós terra estéril ou tardia quando me pedistes favores?” — Quare ergo dixit populus meus: Non veniemus ultra ad te? (1). São João diz que viu o Senhor cingido aos peitos com um cinturão de ouro, querendo Jesus sob essa figura mostrar-nos a multidão de graças que em sua misericórdia nos deseja conceder: Vidi praecinctum ad mamillas zona aurea (2). Jesus Cristo está sempre disposto a fazer-nos bem; mas, diz o discípulo que é especialmente no Santíssimo Sacramento que dispensa suas graças com maior abundância. E o Bem-aventurado Henrique Suso dizia que na Santíssima Eucaristia Jesus atende de melhor vontade às nossas súplicas.

Assim como uma mãe corre aonde está seu filhinho para nutri-lo e aliviá-lo de seu leite, assim o Senhor, lá do sacramento do Amor, nos chama para si e diz: “Sereis como meninos que sua mãe aperta com ternura sobre o seio” — Ad ubera portabimini… Quomodo si cui mater blandiatur, ita ego consolabor vos (3). O Padre Baltazar Álvarez viu a Jesus no Santíssimo Sacramento com as mãos cheias de graças, procurando distribuí-las, mas não havia quem as quisesse. Oh, feliz da alma que fica ao pé do altar, afim de pedir graças a Jesus Cristo! Dentro de pouco tempo subirá ao mais alto grau de perfeição e ficará enriquecida de méritos imensos para o céu. Continuar lendo

DA ORAÇÃO FEITA DIANTE DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

santIn conspectu angelorum psallam tibi, adorabo ad templum sanctum tuum – “À vista dos anjos te cantarei salmos; eu te adorarei no teu santo templo” (Ps. 137, 2).

Sumário. Depois da oração feita na comunhão, a que se faz na presença de Jesus sacramentado é a mais agradável a Deus e a mais proveitosa para nós. Sim, porque o Senhor está ali presente exatamente para consolar a todos que o vêm visitar e expor-lhe as suas necessidades, e, portanto, dispensa as suas graças com mais abundância. Procuremos, pois, visitar freqüentemente o Santíssimo Sacramento e fazer na sua presença as orações que temos por hábito fazer durante o dia.

Depois da oração feita na santa comunhão, a que se faz na presença de Jesus Cristo no Sacramento do Altar é a mais agradável a Deus e a mais proveitosa para nós. Sim, pois que o Senhor, embora esteja em toda a parte, pronto a atender ao que reza, todavia no Santíssimo Sacramento dispensa as graças com mais abundância; porque se deixa ficar de dia e de noite em nossas igrejas exatamente para consolar a todos os que o vêm visitar e recomendar-Lhe suas necessidades.

É certo que, se em toda a terra houvesse só uma igreja como residência de Jesus Cristo sobre o altar, ela estaria continuamente repleta de fiéis, ocupados em venerar nosso Salvador que se digna ficar incessantemente conosco sob as espécies de pão. Mas porque Ele quis estar presente em tantas igrejas afim de se fazer achar pelos que O amam, eis que em muitas igrejas Ele fica só durante a maior parte do dia. Continuar lendo

SANTO AFONSO, MODELO DE DEVOÇÃO A JESUS SACRAMENTADO

afoUbi thesaurus vester est, ibi et cor vestrum erit – “Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Luc. 12, 34).

Sumário. Foi desde criança que o Santo Doutor começou a praticar a devoção a Jesus sacramentado, visitando-o todos os dias: com o crescer dos anos cresceu também a sua devoção, de forma que a sua vida foi como que uma estada contínua na presença da santíssima Eucaristia. Procuremos imitar Santo Afonso: em toda necessidade, em toda a tentação, em todo o negócio mais importante recorramos sempre ao Santíssimo Sacramento para auxílio e conselho. Estejamos convencidos de que esta devoção é a mais agradável a Deus e a mais proveitosa para nós.

“É incontestável que, entre todas as devoções, a que nos faz adorar Jesus no Santíssimo Sacramento, é, depois da frequência dos sacramentos, a primeira, a mais agradável a Deus e a mais proveitosa para nós.” (1) Esta bela verdade, enunciada pelo nosso Santo, foi por ele posta em prática desde a sua mais tenra idade, e nunca mais deixou de a praticar, nem mesmo entre os multíplices afazeres do foro.

Feito em seguida sacerdote, missionário e bispo, reconhecia que era a sua devoção a Jesus sacramentado que devia a graça de ter deixado o mundo, e tendo por outro lado mais comodidade para dar expansão à sua devoção, tomou esta tão grande incremento, que a sua vida se tornou como que uma estada contínua na presença da santíssima Eucaristia. Isso, não somente para desafogar com Jesus Cristo o seu amor; mas também para o consultar em suas dúvidas, buscar junto d’Ele força para seus trabalhos, e pedir-Lhe luzes na direção das almas. – Se o santo Doutor trabalhou com tanto fruto no tribunal da penitência, se as suas pregações foram tão eficazes, se os seus escritos abundam de uma unção celeste, a causa principal é esta: Antes de entrar no confessionário, ou subir ao púlpito ou pôr-se a escrever, Afonso ia sempre inspirar-se orando horas a fio diante do sagrado tabernáculo. Continuar lendo

JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO FAZ AS DELÍCIAS DAS ALMAS DESPRENDIDAS

sant

Ubicumque fuerit corpus, illuc congregabuntur et aquilae — “Por toda a parte onde se achar o corpo, aí se reunirão as águias” (Luc. 17, 37)

Sumário. As almas desapegadas são aquelas águias magnânimas que se elevam acima de todas as coisas criadas e têm pelo afeto sua morada continua no céu. Ainda na terra elas acham o seu paraíso na presença de Jesus sacramentado e nunca se fartam de visitá-Lo e fazer-Lhe companhia. Se nós também quisermos achar nossas delícias no divino Sacramento, desapeguemos nosso coração de nós mesmos e de todos os bens terrestres; e quando cometermos alguma falta, refugiemo-nos logo em nosso divino Salvador, afim de que nos purifique.

Por este corpo os Santos entendem comumente o de Jesus Cristo, e pelas águias entendem as almas desapegadas, que se elevam, como estas aves, acima das coisas da terra e voam para o céu, para onde tendem sem cessar por seus pensamentos e afetos e onde têm a sua morada continua. Estas águias ainda na terra acham seu paraíso, onde quer que achem a Jesus sacramentado e parece que nunca se podem fartar de o visitarem e de ficarem na sua presença. — Se as águias, diz São Jerônimo, percebendo o cheiro de alguma presa logo se lançam para a tomar, com quanto maior ardor devemos nós correr e voar para Jesus no Santíssimo Sacramento, como para o mais precioso alimento dos nossos corações? Continuar lendo

JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO É PRISIONEIRO DE AMOR

santDescendit cum illo in foveam, et in vinculis non dereliquit eum – “Desceu (Deus) com ele ao fosso, e não o deixou nas cadeias” (Sap. 10, 13).

Sumário. Considera que Jesus está noite e dia sobre os altares como em outras tantas prisões de amor. Bastava que ali ficasse só de dia; porém Ele quis ficar também durante a noite, afim de que de manhã o possa achar quem o venha buscar. Só esta fineza devia excitar todos os homens a ficar sempre na presença de Jesus sacramentado; mas é o contrário que se dá. Nós ao menos procuremos dar-Lhe alguma compensação, multiplicando o mais possível nossas visitas, e ao sairmos da Igreja, deixemos nossos corações com todos os seus afetos ao pé do altar, ou encerrados dentro do santo Tabernáculo.

Nosso amantíssimo Pastor, que deu a vida por nós, suas ovelhas, não quis pela morte separar-se de nós. Eis-me aqui, diz Ele, eis-me aqui, sempre no meio de vós, minhas queridas ovelhas. Por vós me deixei ficar sobre a terra neste Sacramento; aqui me achareis sempre que quiserdes, para vos ajudar e consolar com a minha presença; não vos deixarei até o fim dos séculos, enquanto estiverdes sobre a terra.

Eis, pois, que Jesus Cristo está sobre os altares como em outras tantas prisões de amor. Os sacerdotes tiram-No do Tabernáculo para O exporem, ou para O darem na santa comunhão, e depois tornam a encerra-Lo. E Jesus de boa vontade aí fica dia e noite. – Mas, meu Redentor, para que ficar em tantas igrejas também durante a noite, quando se fecham as portas e os homens Vos deixam só? Bastava que ficásseis somente de dia. Não; Jesus quer ficar também de noite, embora sozinho, afim de que de manhã o possa achar logo quem O queira procurar. Continuar lendo

NOVENA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – SEGUNDO DIA

Solenidade do Corpo de Deus.

Exulta et lauda, habitatio Sion; quia magnus in medio tui Sanctus Israel — “Exulta e louva, morada de Sião, porque o Grande, o Santo de Israel, está no meio de ti” (Is. 12, 6).

Sumário. Para celebrarmos com fruto a Solenidade do Corpo de Deus, conformemo-nos ao espírito da Igreja, que com a instituição da festa de hoje quis tributar a seu divino Esposo um tríplice preito: primeiro, um preito de veneração, em compensação das humilhações a que se sujeitou por nós; segundo, um preito de gratidão, pelo dom tão grande da Santíssima Eucaristia; terceiro, um tributo de reparação, para desagravá-Lo das injúrias que continuamente recebe neste divino Sacramento.

Consideremos os elevados fins que nossa Mãe a santa Igreja teve em mira pela instituição da festa do Santíssimo Sacramento com oitava solene. Com todo esse esplendor de missas, procissões e outros exercícios piedosos, ela quer tributar a seu divino Esposo um tríplice preito, de veneração, de gratidão e de reparação.

Um preito de veneração para compensar-Lhe de algum modo o estado de aniquilamento e humilhação a que se quis sujeitar e ainda se sujeita continuamente para ficar conosco sobre os altares; onde, na palavra de São Bernardo, esconde a sua divindade, esconde também sua humanidade, só deixando ver as aparências de pão para assim patentear a ternura do amor que nos tem: Latet divinitas, latet humanitas, sola patent viscera caritatis. Continuar lendo