MONS. VIGANÒ, SUAS CARTAS E D. LEFEBVRE

viganoFonte: SSPX Great Britain – Tradução: Dominus Est 

“Calcam, Senhor, o teu povo, e oprimem a tua herança; trucidam a viuva e o peregrino, tiram a vida aos órfãos.” (Sl 94, 5-6) 

Meus caros irmãos,

Há um senso coletivo de que o mundo está à beira de mudanças dramáticas. De certo, a crise do Covid-19 e a recente agitação civil em muitos países – ambos com características de uma sinistra orquestração – tem sido ocasião de um condicionamento social em massa e de uma violação dramática dos direitos religiosos e civis. Lamentavelmente, parece que deve acontecer o mesmo de sempre. A grande mídia está criando expectativas com expressões como “o novo normal”, o colapso econômico é iminente e o Fórum Econômico Mundial – uma organização para os “minions” da Nova Ordem Mundial – lançou uma iniciativa chamada “The Great Reset”, que parece augurar a imposição de um controle individual mais direto, do ecologismo e da cultura da morte em todo o planeta.

“E dizem: Não o vê o Senhor, nem o nota o Deus de Jacob.” (Sl 94, 7) 

Enquanto isso, Deus é ignorado em toda essa agitação e os homens de boa vontade estão sendo manipulados para fazer uma escolha entre apoiar o “novo normal” dos marxistas culturais ou enfrentar a exclusão social e econômica.

“Quem se levantara por mim contra ob malfeitores? Quem estará por mim contra os que praticam a iniquidade?” (Sl 94,16) 

Não podemos perder a esperança, no entanto, o mal que está nos visitando é a ocasião de um grande heroísmo por parte daqueles que se mantêm firmes na fé católica. Os membros da FSSPX sempre se recordam dos atos heróicos do Arcebispo Marcel Lefebvre, seu fundador, para dar um exemplo de fidelidade à fé. Ele enfrentou os malfeitores que fomentaram uma revolução na Igreja e fundou a FSSPX para continuar o trabalho da Igreja através da formação de padres católicos. Continuar lendo

MONS. VIGANÒ EM 2020, MONS. LEFEBVRE EM 1966

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em resposta à carta de uma religiosa de clausura, em 29 de maio de 2020, Mons. Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, fala da atual crise na Igreja como como “a metástase do câncer conciliar“. Esta carta e a resposta de Monsenhor Viganò foram publicadas em 31 de maio por Marco Tosatti em seu blog Stilum Curiæ e traduzidas por Jeanne Smits em 2 de junho.

A afirmação do diplomata romano encontra-se no seguinte parágrafo: “Acredito que o ponto essencial para liderar efetivamente uma batalha espiritual, doutrinal e moral contra os inimigos de Cristo é a certeza de que a crise atual é a metástase do câncer conciliar: se não entendermos a relação de causa e efeito entre o Vaticano II e suas consequências lógicas e necessárias nos últimos 60 anos, não será possível restaurar o timão da Igreja na direção do curso estabelecido pelo timoneiro divino e mantido por 2000 anos. Temos sido catequizados há décadas com seu abominável “não há volta” em questões de liturgia, fé, moral, penitência, ascetismo: hoje também ouvimos repetir servilmente as mesmas expressões na esfera civil, enquanto se tenta doutrinar as massas com a ideia de que “nada será como antes”. O modernismo e o Covid-19 estão ligados pela mesma marca e, para aqueles que tem o olhar no transcendente, não é difícil entender que o pior medo daqueles que querem que acreditemos que a corrida ao abismo é inevitável e imparável, é que podemos não acreditar neles, podemos ignorá-los, desmascarar sua conspiração. Esta é a nossa tarefa hoje: abrir os olhos de muitas pessoas, incluindo clérigos e religiosos que ainda não estabeleceram o panorama geral e que se limitam a olhar a realidade de maneira parcial e desordenada. Depois de fazê-los entender o mecanismo, também entenderão todo o resto.

“Sim, podemos voltar atrás; podemos garantir que os bens dos quais fomos fraudulentamente despojados sejam devolvidos para nós. Mas isso só será alcançado na consistência da doutrina, sem flexibilização, sem abrir mão de nada, sem oportunismo. O Senhor se dignará a conceder-nos uma parte de sua vitória, mesmo que sejamos fracos e sem meios materiais, mas somente se nos abandonarmos completamente a Ele e a Sua Mãe Santíssima.” Continuar lendo

UMA MISSA TRIDENTINA PARA “SÃO” PAULO VI?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Já é oficial há alguns dias (nota 1) … As comunidades Summorum Pontificum  (nota 2) poderão celebrar a missa tradicional em homenagem a “São” Paulo VI no dia de sua festa, 29 de maio, assim como a de “Santa” Madre Teresa ou de “São” João Paulo II (nota 3) . Bento XVI quis assim e foram necessários anos de reflexão para destronar os Santos tradicionais, a fim de abrir espaço para a coorte de novos Santos.

“Se me amas, Simão Pedro, apascenta meus cordeiros, apascenta minhas ovelhas” (Introito da Missa dos soberanos pontífices). “Eis que te constituo hoje sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e destruires, para arruinares e dissipares, para edificares e plantares.” (Ofertório). Para São Pio X, sim; para João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, não!

Dos 177 Santos que compõe o missal tradicional, 70 deles foram eleitos pela comissão romana e mantêm a supremacia sobre os santos do Concílio, mas os outros terão que ceder seu lugar se o padre preferir celebrar em honra de um novo Santo. A lista é longa, já que João Paulo II canonizou mais Santos que seus predecessores dos últimos 5 séculos juntos… E Francisco já procedeu com 51 canonizações (ou 899 pessoas).

As Missas celebradas nos Priorados da FSSPX obtêm, portanto, uma distinção adicional em relação às comunidades Ecclesia Dei: não pela una cum que recitamos, mas pelo “rito extraordinário” deles que se afasta da liturgia tradicional, concordando com as novidades da Roma modernista. Continuar lendo

RESUMO DO CATECISMO DA CRISE DA IGREJA – PE. RUBIO

Nesta conferência, Pe. Rubio, FSSPX, nos oferece um resumo dos principais pontos abordados pela grande obra do Padre Gaudron “Catecismo Católico da Crise na Igreja“, que é altamente recomendável.
O livro pode ser comprado clicando aqui ou aqui.

A MISSA NOVA LEVA AO PECADO CONTRA A FÉ – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A missa nova é escandalosa, não no sentido do escândalo que causa estranheza. Não se trata disso. O escândalo é que conduz ao pecado. Pois bem, a nova missa leva ao pecado contra a fé, que é um dos pecados mais graves e perigosos, porque a perda da fé é, verdadeiramente, afastar-se da Revelação, de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Igreja.

Isso equivale a concluir que uma pessoa que estava ciente e está a par do perigo dessa missa e que foi a ela, cometeria, é claro, pelo menos um pecado venial. Por que, me direis, por que não nos diz ser um pecado mortal? Porque acredito que assistir uma só vez essa missa não constitui um perigo próximo. Acredito que o perigo se torna grave e, portanto, se torna motivo de um pecado grave, pela repetição. (…) O pecado torna-se grave se uma pessoa consciente e está a par do assunto frequenta regularmente e diz: “Ah, pra mim é a mesma coisa, não tenho medo quanto a minha fé”!, sendo que sabe perfeitamente que é algo perigoso. Ele sabe: é testemunha que as crianças perderam a fé porque assistiam regularmente a missa nova, é testemunha de que os pais deixaram a Igreja … mas, enfim, vai a ela de qualquer jeito. Nesse caso, é evidente que ele está realmente colocando em risco sua fé.

Para julgar a falta subjetiva dos que celebram a missa nova ou dos que a assistem, devemos aplicar as regras do discernimento de espíritos, segundo as diretrizes da teologia moral e pastoral. Devemos agir sempre como médicos de almas e não como justiceiros ou carrascos, como são tentados a fazer aqueles que são animados por um zelo amargo e não por um zelo verdadeiro(1) . Os jovens sacerdotes devem inspirar-se nas palavras de São Pio X em sua primeira encíclica e em muitos textos de autores espirituais conhecidos, como os de D. Chautard em A alma de todo apostolado, de Garrigou-Lagrange no segundo volume de  Perfeição cristã e Contemplação e D. Marmion em Cristo Ideal do Monge . 

Diretrizes práticas 

Os fiéis católicos devem fazer todo o possível para manter a fé católica intacta e íntegra: assistir à Missa de sempre quando puderem, ainda que seja uma vez por mês e colaborar ativamente para ajudar os sacerdotes fiéis na celebração da Missa da sempre e na distribuição dos sacramentos segundo os ritos antigos e o catecismo antigo.

Quando não podem ir a essas missas, podem lê-la aos domingos no missal, em família se possível, como os cristãos dos países missionários, que só recebem a visita do padre duas ou três vezes por ano e, às vezes, apenas uma!

Damos essas diretrizes para que cada uma possa seguir a linha de conduta mais favorável para a preservação da fé. É evidente que o preceito de domingo é obrigatório apenas quando há uma Missa de sempre acessível. É a época do heroísmo. Acaso não é uma graça de Deus viver nestes tempos turbulentos, para poder encontrar a Cruz de Jesus, seu sacrifício redentor, e estimar em seu justo valor essa fonte de santidade da Igreja, colocá-la novamente em  honra e apreciar melhor a grandeza do sacerdócio?

Entender melhor a Cruz de Jesus é elevar-se ao céu e aprofundar na verdadeira espiritualidade católica do sacrifício, e o sentimento de sofrimento, da penitência, da humildade e da morte.

A Missa de Sempre – Mons. Marcel Lefebvre +

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 5): DOM GUÉRANGER E O MOVIMENTO LITÚRGICO (CONTINUAÇÃO)

Abadia de Solesmes, restaurada e ilustrada por Dom Guéranger

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os primeiros quatro artigos nos trouxeram ao século XIX, para Dom Guéranger e para seu magnífico trabalho de restauração da liturgia Romana, prelúdio e começo do movimento litúrgico. Há, entretanto, no trabalho do fundador de Solesmes, uma passagem notável que se amolda alegremente ao estudo da nova missa.

Heresia Anti-Litúrgica

No XIVº Capítulo do primeiro livro das ‘Instituições Litúrgicas’, Dom Guéranger caracteriza o espírito anti-litúrgico em suas várias manifestações falando de heresia. Por esse termo, que repeliu o Padre Lacordaire que entendeu isso em sentido estrito, ele [Dom Guéranger] não quis significar a negação ou recusa de verdades reveladas pela fé.

Sob o nome de heresia anti-litúrgica, Dom Guéranger descreve um espírito, uma atitude na qual “vai contra as formas de adoração”. Ele procede essencialmente pelo modo de negação ou destruição, que inclui qualquer transformação que perturba ao pont de desfigurar. Ele sempre procede de uma razão profunda, que tem como alvo as crenças em si, em razão do elo íntimo entre liturgia e credo.

Dom Guéranger não hesita em qualificar como sectários aqueles que trabalham para destruir a liturgia em quaisquer tempo que seja. Admitidamente, na maioria dos casos, eles não são organizados entre si. Mas suas ações procedem do mesmo motivo. Dom Guéranger não hesita em agrupá-los sobre o nome geral de seita.

O autor de ‘Instituições Litúrgicas’ descobriu a primeira manifestação disso [heresia anti-liturgica em Vigilance, um padre da Gália [Nome da atual região da França nos tempos do Império Romano] nascido por volta do ano 370. Ele criticava a veneração das relíquias dos santos, bem como o simbolismo das cerimônias, atacou o celibato de ministros sacros e vida religiosa, “tudo para manter a pureza da Cristianismo”.
Continuar lendo

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 4): DOM GUÉRANGER E O MOVIMENTO LITÚRGICO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os primeiros três artigos desta série nos levaram ao século XIX. Naquele tempo, o Missal Tridentino, que havia sido estabelecido em quase todo lugar, estava sendo desafiado em particular pelo Galicanismo e Jansenismo. Essa dificuldade foi encontrada especialmente na França, mas também na Itália com o famoso sínodo de Pistóia, realizado pelos Jansenistas em 1786.

O estado das coisas no começo do Século XIX

Na França, a diversidade de missais havia se tornado preocupante: quase todas as dioceses tinham uma liturgia particular, em seu próprio modo. Além disso, as fronteiras das novas dioceses  criadas seguindo a concordata de 1801 não coincidiam com aquelas das velhas dioceses. Como resultado, um bispo poderia se encontrar confrontado com várias liturgias diferentes.

Aqui está um exemplo. Após se tornar Bispo de Langre em 1836m Monsenhor Parisis falou de sua perplexidade: “Criado por veneráveis padres, todos confessores da fé, no uso exclusivo das modernas liturgias, eu dificilmente suspeitei que poderia haver dúvidas sobre sua legitimidade tanto mais quanto sua ortodoxia. Aqui está o que eu encontrei na diocese de Langres: Primeiramente, cinco liturgias diferentes respectivamente seguidas por fragmentos de cinco dioceses que agora formam a nova diocese de Langres [Langres, toul, Chalons, troyes e Besançon]; então, vários usos não mais reconhecidos, estabelecidos por todos os párocos que se sucederam ali durante quarenta anos, ou simplesmente [estabelecidos]pelos professores das escolas.Finalmente, na catedral, a missa é rezada e o ofício cantado de acordo com o Rito Romano, mas o breviário recitado de acordo com a edição semi Parisiense que não possui mais do que dez anos de existência.”

Dom Guéranger: O Homem Providencial

Prosper Louis Pascal Guéranger  nasceu em 04 de abril de 1805 em Sablé, nas várzeas do [rio] Sarthe, e foi batizado no mesmo dia. Aos 17 anos de idade ele entrou no seminário de Le Mans, no ano de filosofia, e entrou no seminário maior no ano seguinte. Ele foi ordenado padre em 07 de outubro de 1827. Sua ordenação foi marcada por um incidente profético: o bispo omitiu uma importante imposição de mãos durante a cerimonia; o Padre Guéranger reclamou sobre isso, até que, tendo reparado seu erro, o bispo seguiu as prescrições pontificais.
Continuar lendo

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 3): O MISSAL TRIDENTINO POSTO À PROVA PELO GALICANISMO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Meio século atrás, o Papa Paulo IV impôs uma reforma litúrgica para toda a Igreja  em nome do Concílio que acabara de terminar. Assim nasceu a missa do Vaticano II. Ela foi imediatamente rejeitada por dois cardeais e desde então a oposição contra ela não enfraqueceu. Esse triste aniversário é uma oportunidade para traçar sua história.

Antes de considerar-se a reforma litúrgica de Paulo VI e a nova missa, vale a pena recontar a história do Missal Romano, porque sua reforma alega ser o desenvolvimento homogêneo do passado. O que é absolutamente questionável. Uma revisão histórica facilita a pesrpectiva geral.

A primeira e segunda parte dessa visão geral histórica recontou o desevolvimento do Missal Romano, o ora trabalho do Concílio de Trento  do Papa São Pio V, até  o século dezesseis. Vamos considerar agora a evolução da liturgia no período que se seguiu. 

O Século XVII

A difusão da liturgia Tridentina fora geral em um primeiro momento. Entretanto, na segunda fase, o despertar de particularidade provocou um certo retorno à divisão que reinava anteriormente ao Concílio de Trento, especialmente na França.

Esse país alegremente aceito os livros Romanos publicados pelo Concílio de Trento e mesmo contribuiu para o início dos estudos litúrgicos.

Entretanto no último terço do século XVII, um movimento neo-galicano começo a emergir, o qual Dom Guéranger corretamente descreveu como sendo de “um desvirtuamento litúrgico”. Foi, ademais, quase exclusivamente na França que esse ataque à unidade litúrgica, promovido pelo Concílio de Trento, se desenvolveu.
Continuar lendo

COM QUE SONHA O PAPA?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em sua exortação pós-sinodal Querida Amazônia, publicada em 12 de fevereiro de 2020, o Papa Francisco expõe seus sonhos. Ele tem quatro: um “sonho social”, um “sonho cultural“, um “sonho ecológico” e até um “sonho eclesial“. Pensávamos que o papa não estava no trono de Pedro para sonhar, mas para “confirmar seus irmãos na fé” (cf. Lc 22, 32); estávamos errados? Acreditávamos que “os devaneios do caminhante solitário” eram reservados para Jean-Jacques Rousseau, que os discípulos de Cristo não deveriam cochilar ou adormecer, mas vigiar e orar (Mt 26, 41); estávamos errados?

Francisco sonha, mas com o que ele sonha? Ele nos diz: “Sonho com comunidades cristãs capazes de se doar e se encarnar na Amazônia, a ponto de dar à Igreja novos rostos com características amazônicas.” Uma igreja diversificada e multicolorida, não monocromática e monótona.

Este é um sonho premonitório? Pelo contrário, é uma reminiscência. O jesuíta Jorge Mario Bergoglio lembra do testamento do jesuíta progressista Carlo Maria Martini. De fato, o último livro do cardeal-arcebispo de Milão se intitula O sonho de Jerusalém (DDB, 2009), que trata de conversas que ele teve com o Pe. Georg Sporschill s.j.. Ele as apresenta da seguinte forma: “Durante essas entrevistas, nos permitimos sonhar em voz alta. Sabemos que durante a noite as ideias nascem mais facilmente do que na luz do dia.” O livro milita “por uma Igreja audaciosa” (p.11) e “por uma Igreja aberta“(p.157).

Francisco, um discípulo fiel, esforça-se por realizar o sonho do cardeal Martini que declarou em seu livro: “O Vaticano II enfrentou corajosamente os problemas de nosso tempo. Ele iniciou o diálogo com o mundo moderno tal como ele é, sem se fechar friamente em si mesmo. E, acima de tudo, o Concílio detectou onde existiam numerosas forças positivas no mundo que avançam com o mesmo objetivo de nossa Igreja, ou seja, o de ajudar os homens, além de buscar e adorar o Deus único.” (P.162)

De fato, o irenismo conciliar é um onirismo. Diante da realidade da vertiginosa queda das vocações e da prática religiosa, esse sonho beatífico é uma mentira. Hoje, como ontem, São Paulo diz aos Romanos: “Hora est jam nos de somno surgere, agora é a hora de acordar.” (Rm 13,11)

Pe. Alain Lorans

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 2): O DESENVOLVIMENTO DO MISSAL ROMANO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Meio século atrás, o Papa Paulo VI impôs uma reforma litúrgica para toda a Igreja  em nome do Concílio que acabara de terminar. Assim nasceu a missa do Vaticano II. Ela foi imediatamente rejeitada por dois cardeais e desde então a oposição contra ela não enfraqueceu. Esse triste aniversário é uma oportunidade para traçar sua história.

Antes de se considerar a reforma litúrgica de Paulo VI e a nova Missa, é necessário recontar a história do Missal Romano, desde que essa reforma alega ser uma continuação do passado. Tal afirmação é absolutamente questionável. A distância histórica demonstra-o facilmente.

A primeira parte desta visão histórica geral sobre o desenvolvimento do Missal Romano volta para o século XII. Um novo estágio decisivo foram os trabalhos do Concílio de Trento e do Papa São Pio V, os quais apresentamos nesta segunda parte.

**************************

Do século XII ao século XVI

O missal da Cúria Romana estava bem estabelecido no século XI. Começando com o século XII, um espírito de “reforma” foi instituído para tentar reduzir a multiplicação de composições e para restringir certos costumes, especialmente no Ofício Divino. Esse movimento pôde ser visto tanto nas ordens religiosas – Cartuxos, Cistercienses, Premonstratenses – ,  como nas seculares. A reforma litúrgica de Císter (abadia) era a mais notável. O alvo de cada Ordem era a unificação. Isso resultou no avanço da harmonização da liturgia por todo o mundo Romano.

No século XIII ainda havia várias formas do Missal Romano na própria Roma: o de Latrão, o da Basilica Liberiana, o de Santa Maria Maior, e outros. Deve ser enfatizado que as diferenças eram muito pequenas. Finalmente, o missal da Cúria seria o que iria prevalecer, e, por volta de 1230, o estado do Missal Romano estava a ponto de não mais ser modificado. Continuar lendo

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 1): A ELABORAÇÃO DO MISSAL ROMANO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Meio século atrás, o Papa Paulo VI impôs uma reforma liturgica para toda a Igreja  em nome do Concílio que acabara de terminar. Assim nasceu a missa do Vaticano II. Ela foi imediatamente rejeitada por dois cardeais e desde então a oposição contra ela não enfraqueceu. Esse triste aniversário é uma oportunidade para traçar sua história.

Antes de considerar a reforma liturgica de Paulo VI e a nova missa, é necessário recontar a história do Missal Romano, pois essa reforma afirma ser a continuação do passado. A perspectiva histórica ajudará  com o entendimento sobre a inanidade dessa alegação.

**************************

O desenvolvimento do Missal Romano extendeu-se por vários séculos. Mesmo que os elementos essenciais, requeridos para o cumprimento do Santo Sacrifício da Missa, sempre fizeram-se presentes, eles passaram por uma progressiva consagração em ritos os quais os fazem possíveis de se entendê-los e compreender seus profundos significados.

Os Primeiro Três Séculos

Os textos do Novo testamento recontam a instituição da Santa Eucaristia no anoitecer da Quinta Feira Santa. É a refeição pascal, a nova Páscoa, que estabelece a nova aliança com o precioso Sangue de Cristo. O dia escolhido para a renovação é o Domingo, o dia da Ressurreição. O ‘Didaqué’ do fim do primeiro século, fala do ‘Dia do Senhor”, e São Justino atesta isso no Século II.’

Os textos evangélicos também mencionam a ‘partilha do pão’ que traduz um elemento essencial em nessa nova adoração, o cumprimento do mandamento do Senhor: “Fazei isso em memória de mim”. O Livro dos Atos dos Apóstolos mostra essa cerimônia sendo realizada em casas privadas “no primeiro dia da semana, quando nos reuníamos para partilha do pão”(At. 20,7)

As primeiras construções reservadas a adoração apareceram bem rapidamente, já no Século II. A mais velha igreja foi fundada em Doura-Europos no Eufrates, e é datada de por volta do ano 232. Em Roma, teríamos que esperar até o começo do século III para encontrar traços documentais de construções religiosas cristãs.. Mas apesar da Primeira Apologia de São Justino, mártir, ( morto em 165), esse período não fornece qualquer detalhe quanto ao desdobramento da adoração Cristã e das orações empregadas. Aqui está uma notória passagem do santo apologista: Continuar lendo

VALIDADE NÃO É SUFICIENTE PARA FAZER QUE UMA MISSA SEJA BOA – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Validade é uma palavra enganosa. Para muitas pessoas que não estão acostumadas a termos teológicos e canônicos, validade significa que é válida. (…) Não se trata disso! Validade significa que a presença e a eficácia da graça que está no sacramento, a eficácia do efeito, podem estar presentes, mesmo que a cerimônia seja sacrílega! Uma Missa válida pode também ser sacrílega!

A missa reformada é apenas “menos boa”?

Uma vez examinadas as debilidades da reforma litúrgica, a nova Missa é apenas menos boa que a tradicional ou pode ser qualificada como ruim? Todas as Missas válidas são boas? 

Embora a validade da nova missa possa não estar em risco, é uma missa envenenada, porque a partir do momento que as verdades católicas da Missa não são mais confirmadas a fim de agradar aos protestantes, a fé nessas verdades também desaparecem pouco a pouco. É algo tão evidente ver as conseqüências da nova Missa! Por esse motivo, é impossível dizer que essa reforma é apenas ruim de uma maneira puramente acidental, puramente exterior e extrínseca.

Consideramos que a reforma da Missa, tendo sida composta por protestantes, tem uma influência ecumenista que produz um efeito que deixa, de tal modo, um sabor protestante e que, aos poucos, faz desaparecer a noção do sacrifício propiciatório, pelo qual as mudanças que foram realizadas na Missa tornam-na perigosa e envenenada.

Como essa reforma é fruto do liberalismo e do modernismo, está totalmente envenenada; sai da heresia e termina nela, embora todos os seus atos não sejam formalmente heréticos.

Eis os fatos que mostram que se perde a fé nas realidades dogmáticas essenciais da Missa. (…) É relativamente fácil estudar a nocividade da Missa nova, que não vale para nada a conclusão de algumas pessoas, às vezes muito próximas de nós e que são supostamente “tradicionalistas”, a quem se ouve dizer : “A Missa antiga é melhor, é claro, mas a outra não é ruim.” Foi o que disse o abade de Fontgombault respondendo a uma pessoa que lhe escreveu dizendo que ele não podia ser oblata beneditina daquela abadia porque estavam ligados à Missa Nova. O abade de Fontgombault respondeu: “Sim, é verdade. Reconheço, de fato, que a massa antiga é melhor, mas o novo não é ruim e, portanto, a dizemos para obedecer ”.

Não aceitamos essa conclusão de forma alguma! Dizer que a Missa nova é boa: não! A Missa nova não é boa! Se fosse boa, começaríamos a dizê-la amanhã. Se é boa, devemos obedecer. Se a Igreja nos dá algo bom e nos diz: “Os senhores precisam fazer assim“, qual seria o motivo para dizer não? Enquanto isso dizemos: “Essa Missa está envenenada; é má e faz perder, gradualmente, a fé ”, estamos claramente obrigados a rejeitá-la.

A Missa de Sempre – MONS. MARCEL LEFEBVRE +

O QUE ACONTECEU DEPOIS DO CONCÍLIO? – A DESTRUIÇÃO DO ENSINO RELIGIOSO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste quinto artigo de uma série que publicaremos, extraídos de uma conferência proferida por D. Lefebvre em Roma, em 6 de julho de 1977, intitulada “A Igreja depois do Concílio“, explicaremos uma a uma as conseqüências desastrosas e a tempestade causada pelas mudanças feitas no Concílio Vaticano II.

Porque temos o dever de adorar a Deus, temos o direito de ter nossas igrejas, nossas escolas católicas. O mesmo se aplica no caso da família. Por termos o dever de fundar uma família cristã, temos o direito de ter tudo o que sirva para defender a família cristã. Daí o decálogo. Nunca vi os direitos do homem em um catecismo antigo, mas sempre vi o Decálogo. O decálogo deveria ser a lei básica e fundamental de toda sociedade. Se colocarmos o Decálogo como base, não teremos divórcio, nem contracepção ou aborto. Devemos retornar ao nosso Catecismo do Concílio de Trento, de São Pío X, de São Carlos Borromeu. Eis a base de nossa civilização cristã, a base de nossa fé: o Credo, o Decálogo, o santo sacrifício da Missa, os sacramentos e o “Pater Noster”, a oração de Nosso Senhor. Mas nossos catecismos atuais não servem pra nada. Levei ao cardeal Wright aos catecismos canadenses e ele imediatamente me disse: “Esses catecismos não são católicos“.

Na reunião que tive com três cardeais: Wright, Garrone e Tabera, disse a um deles: “Eminência, o senhor me ataca pelo seminário Ecône, mas eu ataco por todos os catecismos. Depois do Papa, o senhor é responsável pelos catecismos de todo o mundo.” O cardeal me disse que escreveu uma carta para a Catequese, mas não lhe obedeceram. O catecismo de Paris é abominável, modernista, totalmente anticatólico e decididamente herético. Enviei o prospecto com a catequese de Paris ao cardeal Seper. Eis sua resposta: “Roma, 23 de fevereiro de 1974. Recebi sua carta de 2 de janeiro com o material anexo. Muito obrigado. Irei estudá-lo todo. O que o senhor me mostra é surpreendente, abominável. O que resta do catolicismo? Não entendo como a autoridade eclesiástica não reage nesse lugar. Roma não pode intervir em todos os lugares e, especialmente, a tempo. E se Roma não pode intervir, estamos mal.” O próprio cardeal diz: “O que resta do catolicismo?”

A situação da Igreja é realmente trágica. Em Houston, nos Estados Unidos, para confirmar as crianças, o bispo exige que pais e os filhos fiquem com um pastor protestante e o rabino por 15 dias para receber lições de ecumenismo. Somente depois podem receber confirmação.

O QUE ACONTECEU DEPOIS DO CONCÍLIO? – A MUDANÇA DOS RITOS E ORAÇÕES

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste quarto artigo de uma série que publicaremos, extraídos de uma conferência proferida por D. Lefebvre em Roma, em 6 de julho de 1977, intitulada “A Igreja depois do Concílio“, explicaremos uma a uma as conseqüências desastrosas e a tempestade causada pelas mudanças feitas no Concílio Vaticano II.

Devo insistir no por que tudo deriva da nova definição de Igreja, de haver mudado o conceito de Igreja. E o mudaram para alcançar a comunhão com todas as religiões. Era necessário mudar o culto, a liturgia não poderia ser deixada intacta. Nossa liturgia era católica demais, manifestava claramente a vitória de nosso Senhor Jesus Cristo, com a cruz, sobre o pecado, sobre o mundo, sobre a morte…Tudo foi modificado.

Se eu tivesse mais tempo – mas não quero abusar de vossa paciência -, falaria sobre um trabalho que um de nossos padres realizou sobre as modificações das orações. É um estudo extraordinário para ver o espírito com o qual eles fizeram a reforma litúrgica. As orações litúrgicas foram modificadas no sentido pacifista: não há mais hereges, não há mais inimigos da Igreja, não há mais pecado original, o combate não é mais necessário, não há mais lutas espirituais.

O canonista Rose, belga, membro da Comissão Litúrgica, que renunciou indignado com o que acontecia, fez um trabalho sobre a liturgia dos defuntos, na qual ele demonstra que foram suprimidos os dogmas: na liturgia dos defuntos, foi suprimida a palavra “alma”. Porque? Porque como não há mais distinção entre corpo e alma, não se fala mais do purgatório. É incrível.

Tudo isso para agradar aos não-católicos, para poder estar com todos aqueles que não acreditam no que acreditamos, que não acreditam na distinção entre alma e corpo. Mas devemos permanecer católicos, não podemos inesperadamente nos tornar membros de todas as religiões, mudar toda a nossa liturgia para agradá-los.

Uma mudança capital é a mudança da festa de Cristo Rei. Não se deseja mais o Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. A festa de Cristo Rei foi colocada no final do ano litúrgico, porque Ele virá na Parusia, no fim do mundo. Aqui na terra já não deve mais reinar, ou apenas sobre os indivíduos, estritamente em privado, nas famílias, mas já não publicamente, nem mais na sociedade civil. No hino de Cristo Rei foram suprimidas as duas estrofes que proclamavam Nosso Senhor como Rei da família, do Estado, da cidade. Está claro por que foram suprimidos.

Aqui está uma das estrofes que foram suprimidas:

“O nationum praesides honore tollant publico, colant magistri, judices, leges et artes exprimant.”

É o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre os povos, juristas, juízes, leis e artes, que devem honrá-lo. São coisas muito graves.

O QUE ACONTECEU DEPOIS DO CONCÍLIO? – A MUDANÇA DOS SACRAMENTOS

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste terceiro artigo de uma série que publicaremos, extraídos de uma conferência proferida por D. Lefebvre em Roma, em 6 de julho de 1977, intitulada “A Igreja depois do Concílio“, explicaremos uma a uma as conseqüências desastrosas e a tempestade causada pelas mudanças feitas no Concílio Vaticano II.

Todos os sacramentos foram modificados no sentido de uma comunhão humana, apenas humana – já não mais uma comunhão sobrenatural -, uma espécie de coletivização. Coletivizaram os sacramentos.

O batismo tornou-se apenas a iniciação em uma comunidade religiosa; não é mais a destruição do pecado original para ser purificado no Sangue de Jesus Cristo, para ressuscitar no Sangue de Jesus Cristo, afastar-se do pecado e de Satanás através dos exorcismos que se faziam no batismo. Se é apenas uma iniciação à comunidade religiosa, o batismo pode servir para todos, também aos não-cristãos.

O mesmo conceito é encontrado na comunhão. A comunhão é agora, como dizia, uma assembléia, um tipo de comunidade que se comunica, que compartilha o pão da comunidade. Também temos absolvição coletiva, a penitência coletiva. Daí segue-se que o sacerdote não é mais o santificador marcado pelo caráter sacerdotal para oferecer o santo sacrifício da Missa. Ele se torna o presidente da assembléia. E se o sacerdote é apenas o presidente, ele pode ser escolhido dentre os fiéis. Conseqüentemente, não é mais necessário que o sacerdote seja celibatário. Ele pode, perfeitamente, se casar.

Tudo isso deriva do novo conceito de igreja. Chega agora a dar coletivamente a Extrema Unção. Em Lourdes, na cidade mariana, convidaram para reunirem-se todos os que tinham mais de 65 anos para receberem, coletivamente, a extrema unção. Isso é grave, muito grave, porque assim o sacramento já não é mais válido. O sujeito da extrema unção deve ser um doente. E até agora eu nunca tinha ouvido falar que depois dos 65 anos fossemos todos doentes. Não é por ter 65 anos que estamos doentes.  Si quis infirmatur “, diz São Tiago, “Está entre vós algum enfermo, chame o sacerdote e lhe administre…”, mas se não está doente,  não se pode estar sujeito a extrema unção. Isso é muito sério porque denota uma orientação totalmente nova.

***************************

NOTA DO BLOG: D. Lefebvre explica muito bem isso em sua Carta Aberta aos Católicos Perplexos, no capítulo: O NOVO BATISMO, O NOVO CASAMENTO, A NOVA PENITÊNCIA, A NOVA EXTREMA-UNÇÃO

O QUE ACONTECEU DEPOIS DO CONCÍLIO? – A MUDANÇA DA DEFINIÇÃO DE IGREJA

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste segundo artigo de uma série que publicaremos, extraídos de uma conferência proferida por D. Lefebvre em Roma, em 6 de julho de 1977, intitulada “A Igreja depois do Concílio“, explicaremos uma a uma as conseqüências desastrosas e a tempestade causada pelas mudanças feitas no Concílio Vaticano II.

Em suma, qual foi um dos resultados mais graves do Concílio? No meu parecer, o de haver mudado a definição de Igreja. Sua definição foi modificada. A Igreja já não é uma sociedade divina, visível e hierárquica, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo para a salvação das almas. Não, a partir de agora a Igreja é uma “comunhão“.

O que significa isto? O que se quer dizer com “Igreja-comunhão”? Comunhão com todas as religiões? 

Será a Comunhão que acolherá dentro da Igreja vários grupos religiosos totalmente diferentes da Igreja Católica. E virá não apenas a aceitar religiões cristãs não-católicas, mas também religiões não-cristãs e até mesmo não-crentes. Haverá uma Comissão para as religiões não-cristãs e uma Comissão para não-crentes, para os ateus dentro da Igreja Católica.

Isso fica claro em uma ata do Secretariado para não-cristãos, datado de 14 de abril de 1972:

O final desta sessão: as religiões não-cristãs tradicionais, caracterizando-se em seu objetivo, entram no propósito geral deste Secretariado, que é o desenvolvimento, no interior da Igreja, dos pontos de vista objetivos do diálogo e encontro das várias religiões, a descoberta de recíproco conhecimento e estima para trabalhar juntos.

Trabalhar juntos em quê? Como se pode “trabalhar em conjunto” com ateus? “Na libertação histórica do homem e em sua autêntica inserção no sentido último da vida e da história humana”. 

O que isso significa? Onde está a salvação, onde está a graça, onde está Nosso Senhor Jesus Cristo? Não há nada sobre isso. E acrescenta: “Essas religiões podem fazer parte do patrimônio da humanidade, podem contribuir para a construção do homem, a união entre os homens, enfim, a um encontro total com Cristo“. 

Um encontro total com Cristo nas religiões, para os “não-cristãos”! E este é um autêntico documento do Vaticano.

Para alcançar essa união, a essa comunhão com as religiões não-católicas, não-cristãs, com não-crentes, é necessário (como já escrevi) “satelitizar a Igreja“. Não deve mais haver essa união centralizada da Igreja, devem ser criados satélites que serão as Conferências Episcopais nacionais. São os satélites que gravitam em torno da Igreja, e pode haver outros satélites: os anglicanos, os ortodoxos, também algumas seções muçulmanas, budistas, todas sendo seções da Igreja, uma “comunhão“. É por isso que a definição da Igreja foi alterada, com todas as suas conseqüências. A reforma foi feita no sentido da “comunhão”, toda reforma litúrgica tem esse sentido.

O QUE ACONTECEU DEPOIS DO CONCÍLIO? – A MUDANÇA DA MISSA

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste primeiro artigo de uma série que publicaremos, extraído de uma conferência proferida por D. Lefebvre em Roma, em 6 de julho de 1977, intitulada “A Igreja depois do Concílio”, explicaremos uma a uma as consequências desastrosas e a tempestade causada pelas mudanças feitas no Concílio Vaticano II.

Na Santa Missa, o Sacrifício foi substituído pela Ceia. Assim, ao invés do Sacrifício da Cruz, se insistirá sobre a Ceia, sobre a comunhão e a participação dos fiéis. Essa orientação é completamente contrária à Tradição da Igreja e à fé da Igreja.

O que é importante em nossa Missa é o sacrifício. O sacrifício da Missa não é apenas uma ceia, não é a ceia evangélica, é um verdadeiro sacrifício. Porque também se o sacerdote oferece, sozinho, o Sacrifício da Missa, isto vale o mesmo que se mil pessoas estivessem com ele, como se houvesse uma multidão na Igreja. Agora, pelo contrário, parece que a Missa é sobretudo uma assembleia e que o padre é o presidente da assembleia. Presidente, e não sacrificador. É uma nova noção da Missa. Como podem ver, é uma mudança radical, muito grave.

Não digo que a nova Missa seja herética, nunca disse isso; mas enfatizo que há cada vez mais Missas inválidas, porque se alteram as bases da mesma. Eu realmente acho que esta Missa é uma Missa equívoca, porque pode ser dita tanto por protestantes como por católicos. Os protestantes concordam em dizer esta Missa. Tenho aqui um documento que prova isso, um documento dos protestantes da Alsácia que se reuniram, documento da “Confissão de Augsburgo na Alsácia-Lorena”. O documento diz: Continuar lendo

RECRUTAMENTO DE BISPOS: A SURPREENDENTE OBSERVAÇÃO DO CARDEAL OUELLET

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Se alguém aspira ao episcopado, deseja uma boa função“, escreve o apóstolo São Paulo (1Tim 3,1). Quase dois mil anos depois, essa aspiração parece ser mais rara, acredita o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos. 

O prelado explica: “Quando cheguei à Congregação para os Bispos há quase uma década, um em cada dez recusava o episcopado, citando razões pessoais entre outras. Agora, são três vezes mais.” O cardeal acrescenta: “Talvez isso se deva ao fato de que eles não se sentem capazes, que lhes faltem fé ou que tenham dificuldades pessoais; ou então preferem não correr o risco de prejudicar a Igreja”. 

Essa situação, continua Mons. Ouellet, deve estar relacionada à “crise geral de fé” predominante em grande parte do mundo, que também se manifesta “no casamento, na vida consagrada, na vida sacerdotal e na cultura”. Essa lúcida constatação não chega a questionar a orientação da Igreja há mais de cinquenta anos. Não há ligação entre a crise geral da fé, do sacerdócio, da vida religiosa e da moral católica e as profundas reformas empreendidas em nome do Concílio Vaticano II?  

Criado cardeal em 2003 por João Paulo II, Mons. Ouellet foi chamado a Roma por Bento XVI em 2010. Sua análise permanece, de fato, sucinta e “bergogliana“. Assim, desenhando o retrato-falado do candidato ideal para o episcopado, ele afirma: “não basta enfatizar as verdades da fé, porque a cultura mudou muito nos últimos quarenta anos, uma nova era de diálogo se abriu”

Usando elementos da linguagem caras ao Papa Francisco, o alto prelado lembra que a Igreja precisa de “menos professores do que pastores, que têm empatia e estão interessados ​​nos pobres e nas periferias“. Palavras vazias que ignoram as soluções reais. 

Por outro lado, a lei da Igreja enumera as qualidades daqueles que são chamados ao episcopado: eles devem ter “boa moral e ter piedade, zelo pelas almas, prudência e outras qualidades que os tornam aptos para governar uma diocese”; eles devem dedicar seus esforços “à preservação da pureza da fé e dos costumes do clero e do povo, especialmente entre as crianças e pessoas menos instruídas; devem garantir que a educação de crianças e jovens seja dada de acordo com os princípios da religião católica.” (Cânones 331 a 336 do código de 1917). 

O que a Igreja precisa para sair da crise geral de fé são os bispos santos, fiéis aos deveres de seu ofício de conservar e transmitir a pureza da fé e dos costumes. 

FRANCISCO E NOSSA SENHORA CORREDENTORA

Resultado de imagem para nossa senhora corredentora"Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

A cada dia que passa torna-se mais evidente a insensatez de certos católicos conservadores que afirmam que, diante das inúmeras declarações desconcertantes e dos ensinamentos heterodoxos do papa Francisco, a única atitude correta (deveriam confessar, a única atitude cômoda), a única postura coerente de um católico é limitar-se a rezar pelo papa, disfarçando ao máximo seus desvios, numa dissimulação, num acobertamento de seus erros. Ao contrário dessa posição cômoda, que evita os dissabores de todo tipo de perseguição, Santa Catarina de Sena, que chamava o papa “o doce Cristo na terra”, dizia que o silêncio tudo corrompe.

Como ficar calado quando vemos a dignidade excelsa de nossa Mãe Maria Santíssima rebaixada por uma recente declaração de Francisco Bergoglio que disse que é uma “tonteria” proclamar Nossa Senhora Corredentora? Impossível guardar silêncio em face de quem tripudia sobre o título mais glorioso da Rainha dos Mártires.

Se o papa, em tom sereno e digno, se reportasse às dificuldades teológicas que o título de corredentora atribuído à Maria Santíssima implica, acataria respeitosamente as palavras do Santo Padre. Mas não é o caso.

A declaração infeliz de Francisco exige uma reparação pública, porque qualquer palavra, qualquer gesto tendente a diminuir a dignidade da Medianeira de todas as graças – a qual não é um simples membro ilustre do corpo místico de Cristo que intercede pelos seus filhos, como pretende a teologia modernista -, sobre ser suspeita de heresia, é nociva à piedade das pessoas mais simples e contradiz a doutrina tradicional resumida nos célebres dizeres de São Bernardo: De Maria nunquam satis.

É verdade que o título de corredentora suscita certas dificuldades, coisa admitida por  teólogos abalizados como o cardeal Pietro Parente no Dizionário di Teologia Dommatica (cf. verbete “Corredentrice”, Roma, 1957), mas não se trata de dificuldades insanáveis. Continuar lendo

CONFERÊNCIA PADRE HESSE 1: SOBRE A VALIDADE OU INVALIDADE DA NOVA MISSA E A ECCLESIA DEI

Padre Gregory Hesse S.T.D., J.C.D., S.T.L., J.C.L., Canonista, Doutor em Teologia Tomística, amigo e secretário pessoal do Cardeal Stickler no Vaticano de 1986-1988 .

Pe. Hesse conheceu aproximadamente 45 Cardeais enquanto estudava e trabalhava em Roma por 15 anos. Possui um conhecimento amplo e substancial da Crise da Igreja .

Ele nasceu em Vienna, Áustria em 1952, tendo parentesco sanguíneo com a linhagem real dos Habsburgos. Foi ordenado em 21 de novembro de 1981 na basílica de São Pedro e conquistou Licenciatura e Doutorado em direito Canônico e Teologia pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino (Angelicum) de Roma após conhecer a Tradição e perceber a Crise na Igreja, afastou-se do Novus Ordo e aproximou-se da Fraternidade Sacerdotal São Pio X trabalhando para a mesma na Europa, traduzindo e gravando áudios das homilias de Dom Marcel Lefebvre para utilização dos seminaristas de Zaitzkofen sob o comando do Pe. Franz Schmidberger.

O padre Gregorius Henricus Laurentius Diego Dagobertus Hervinus Hesse (conhecido como Gregorius Hesse ou Gregory Hesse) moreu em 25 de janeiro de 2006 de um derrame fulminante decorrente de seu diabetes e hipertensão. Pe. Hesse deixou muitas conferências e entrevistas em vídeo e áudio quem fez nos EUA demonstrando seu profundo conhecimento e Amor por Nosso senhor Jesus Cristo, por Maria Santíssima e pela Igreja.   

50 ANOS DA DECLARAÇÃO DO PE. CALMEL

Há cinquenta anos, o Pe. Calmel escrevia esta declaração para proclamar publicamente sua escolha de recusar o novus ordo de Paulo VI e de manter a Missa de sempre.

A MISSA TRADICIONAL

Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.

Por quê? Porque na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa atual, e que se reveste, momentaneamente, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.

UMA REFORMA REVOLUCIONÁRIA

Se aceitarmos este rito, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (como de fato o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e, portanto, nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?

Perguntar-me-iam: Mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor refletiu a que se expõe? Sim. Eu me exponho, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de padre. Exponho-me a dar segurança aos fiéis desamparados, tentados de cepticismo ou de desespero. De fato, todo e qualquer padre que conserve o rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-reforma, permitirá aos fiéis participar do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comungar, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Aliás, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, de sua parte, para instaurar progressivamente urna Missa falsa, em que a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio; e por isso mesmo o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus; enfim, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes. Continuar lendo

UMA PEQUENA E TRISTE ANÁLISE DAS CONSEQUÊNCIAS DO CVII

Resultado de imagem para mesa missa nova

…”Cinquenta anos depois, compreendemos ainda melhor o significado daquela ruptura com a expressão tradicional da fé católica no culto tridentino: o povo católico, (até agora em grande parte deformado pela nova missa e alheio aos ritos anteriores [ao CVII], até mesmo por razão de idade), de católico – mesmo involuntariamente – agora tem muito pouco. De fato, quanto mais essas pessoas são assíduas às novas funções, menos parecem acreditar e raciocinar como católicas. De modo análogo e ainda mais triste é a situação dos padres e bispos que tiveram que extrair sua identidade do novo rito, perdendo completamente o sentido de suas funções.

Trecho extraído do post UM NEFASTO ANIVERSÁRIO, sobre os 50 anos da Missa Nova.

O RETORNO DE TEILHARD DE CHARDIN?

 

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em uma carta enviada em 07 de outubro de 1929 ao Pe. Christopher Godfrey, o Pe. Teilhard de Chardin, jesuíta, escreveu: “às vezes me parece que, na Igreja atual, há três pedras perecíveis perigosamente colocadas nas fundações: a primeira é um governo que exclui a democracia; o segundo é um sacerdócio que exclui e minimiza a mulher; a terceira é uma revelação que exclui, no futuro, a Profecia “(1). 

Francisco, a realização de Teilhard?

Para alguns, esta passagem mostra quanto o Padre Teilhard de Chardin estava à frente de seu tempo. Por esse motivo, ele foi mal interpretado em sua vida por todos os que estavam no comando da Igreja. Para eles, o célebre jesuíta era um profeta, com a atual evolução da Igreja provando que ele estava bem a frente de todos os outros. É realmente surpreendente ver quanto o Papa Francisco parece ser o instrumento definitivo para erradicar essas “três pedras perecíveis perigosamente colocadas nas fundações” da Igreja. Existem muitas outras palavras e escritos do Papa Francisco que mostram o quanto ele está impregnado com o modo de pensar teilhardiano (não apenas sua encíclica Laudato Si, onde cita expressamente o Pe. Teilhard de Chardin).

A implementação de uma estrutura sinodal é claramente obra do papa Francisco. A colegialidade havia aberto o governo da Igreja universal aos bispos. A sinodalidade a abre a todo o povo de Deus e leva a uma nova Igreja, democrática.

O sínodo na Amazônia parece ser o caminho para erradicar “a segunda pedra colocadas nas fundações da Igreja. A vontade do Papa parece ser banir, a partir de agora, um sacerdócio que “exclui e minimiza a mulher”.

Em um sermão datado de seu primeiro ano de pontificado (16 de dezembro de 2013), o Papa Francisco falou da seguinte maneira: “Quando no povo de Deus falta profecia, está faltando alguma coisa: falta a vida do Senhor. Quando não há profecia a força recai sobre a legalidade, toma lugar o legalismo. Quando no Povo de Deus não há profecia o vazio causado é ocupado pelo clericalismo. Que nossa oração seja assim: Senhor, que não nos esqueçamos de sua promessa! Nós todos batizados, somos profetas. Que tenhamos forças para avançar! Que não nos fechemos nas legalidades que cerram as portas. Senhor, liberta o teu povo do espírito do clericalismo e ajude o teu povo com o espírito da profecia.”

De fato, o pontificado do Papa Francisco é apenas o resultado das idéias do Concílio Vaticano II e está em continuidade com seus antecessores pós-conciliares. Isso é admiravelmente demonstrado pelo Padre Pagliarani, Superior Geral da FSSPX, na excelente entrevista que deu em 12 de setembro.

Após cinquenta anos de reformas pós-conciliares, o papa reinante está preparando o advento do Cristo cósmico“, tão querido pelo Pe. Teilhard.

Teilhard, um pensamento não católico

Mas, como escreveu o filósofo Marcel de Corte, “o teilhardismo não está à margem do catolicismo nem à beira do cristianismo, muito menos uma heresia cristã. É outra religião que usa Nosso Senhor Jesus Cristo como rolamento da “ascensão cósmica”. […] Afirmo que o Revmo. Pe. Teilhard de Chardin, padre da Companhia de Jesus, nunca foi cristão, nem de pensamento nem de alma. Ele nunca acreditou, no verdadeiro sentido da palavra acreditar, no Cristo das Escrituras. Como escreve com pertinência e moderação o Pe. Guerard des Lauriers O.P., professor da Pontifícia Universidade Lateranense: “uma doutrina que implica como conseqüência necessária a identificação de Cristo com a alma do cosmos material em evolução, essa doutrina é anticristã… Porque a fé cristã professa que o Verbo de Deus assumiu pessoalmente uma Humanidade proveniente não do cosmos, mas de uma criatura humana pessoalmente predestinada por Deus em vista dessa missão… Então deve-se declarar claramente: o Cristo de Teilhard é a figura contemporânea do anticristo.” (2)

Para um de seus amigos, o Pe. Auguste Valensin, o padre Teilhard escreveu: “Sonho com um novo São Francisco ou um novo Santo Inácio, que viria nos apresentar o novo tipo de vida cristã (mais envolvida com o mundo e mais desapegada, simultaneamente) que precisamos”

Infelizmente, é bem possível que o Concílio Vaticano II tenha gerado esse novo “São” Francisco, sonhado pelo padre Teilhard.

Pe. Thierry Legrand, padre da FSSPX.

NOTAS

Cartas inéditas, Le Rocher, 1988, p.80

2 Revista Itineraires,  nº 91, março de 1965, A Religião teilhardiana, de Marcel de Corte, págs. 144 e 149

MONS. BUGNINI E A PARTICIPAÇÃO “ATIVA E PLENA” DOS FIÉIS

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Annibale Bugnini, o principal articulador da reforma litúrgica, ou o “coveiro da Missa” definiu nestes termos a origem da reforma litúrgica:

“Na história da liturgia, a reforma do Concílio Vaticano II distingue-se de todas as outras pelo seu caráter pastoral. A participação e o envolvimento ativo do povo de Deus na celebração litúrgica são a finalidade da reforma e o objeto do movimento litúrgico” (em seu livro A Reforma da Liturgia, Edições Desclée de Brouwer, pág.23).

De fato, entre as principais linhas do decreto sobre a liturgia do Concílio Vaticano II (Sacrosanctum Concilium), encontramos freqüentemente esses dois grandes princípios:

– A participação ativa e plena dos fiéis

– Em nome do “sacerdócio” dos batizados.

É precisamente isso que Mons. Bugnini queria mostrar no início do seu livro A Reforma da Liturgia. Mons. Bugnini começa citando a primeira epístola de São Pedro (cap. 2, vers. 9): passagem tão cara aos defensores do “sacerdócio” dos batizados (e, infelizmente, muitas vezes, mal compreendida); ele afirma que “o caráter batismal dos fiéis faz deles: a raça escolhida, o sacerdócio real, a nação santa, o povo que pertence a Deus “.

Em seguida, ele só repetirá a Constituição Sacrosanctum Concilium (nº 14), que afirma que a própria natureza da liturgia e este “sacerdócio” dos batizados “exigem que eles sejam guiados para uma inteligência plena e uma participação ativa nas celebrações litúrgicas. Eles têm o direito e o dever “. Continuar lendo

PAPA FRANCISCO – CARDEAL SARAH: O ENTENDIMENTO ACOLHEDOR

CARDEAL SARAH DECLARA ADERIR PLENAMENTE À AÇÃO DO PAPA FRANCISCO

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O cardeal Sarah, frequentemente apresentado pelos conservadores como um oponente firme à linha liberal do Papa Francisco, recusou claramente qualquer diferença entre eles (La Croix , 9 de outubro de 2019).

Citações:

“A Igreja é representada na terra pelo vigário de Cristo, ou seja, o papa. E quem é contra o papa está “ipso facto” fora da Igreja.”

“Aqueles que me opõem ao papa não conseguem apresentar uma só de minhas palavras, uma só de minhas frases ou uma só de minhas atitudes em apoio a suas declarações absurdas e, diria eu, diabólicas”.

Ele defende “a análise incomparável do pensamento de Bento XVI com a grande e brilhante ação de Francisco”; além disso, “todo papa é” apenas “para sua época”.

“Na evidente diferença de sensibilidade, há uma grande harmonia e uma grande continuidade entre eles, como todos viram com o passar dos anos”.

“Devemos sempre interpretar as palavras do papa Francisco com a hermenêutica da continuidade”.

Que todos os conservadores e institutos Ecclesia Dei ouçam, portanto, este chamado a aderir de todo o coração à brilhante ação de Francisco, examinando a harmonia com a Tradição.

*************************

Outro texto interessante sobre esse assunto, publicado dias atrás:

Outro ainda é esse:

SOU TEU NETO…!!!

Resultado de imagem para vaticano IISou teu neto…

Estou cansado de teus discursos, de tuas promessas de renovação.

De novos planos, de novos brios…Já basta!

Sou jovem, mas não sou tolo.

Tenho um vazio, mas tu te empenhas para que eu não o preencha.

O tempo de esperança chegou ao limite,

Cansei de esperar, na dureza do inverno a primavera que nunca virá.

O ar que entrou pela janela me sufoca, me asfixia, me mata.

Tenho sede…

Tu tens um copo de água fresca e não queres me dar.

Exijo que me devolvam aquilo que uma geração hippie se atreveu a me tirar antes de eu nascer…

Me tiraram o leite materno, a segurança de estar nos doces braços de uma mãe, o beijo terno de alguém que me ama!

Filhos de seu tempo! O que me deixaram? Continuar lendo

OS FIÉIS GUARDIÕES DO VATICANO II – SOBRE UMA ENTREVISTA COM O CARDEAL SARAH

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

National Catholic Register publicou recentemente (23 de setembro de 2019) uma longa entrevista do cardeal Sarah, conhecido por suas posições conservadoras, por seu amor à famosa “forma extraordinária” da Missa.

Esta entrevista ilustra muito bem a recente declaração do Padre Pagliarani (“Uma Igreja de pernas para o ar). Nosso Superior Geral, a respeito desses prelados que vão na direção certa, denunciando certos erros ou reafirmando certas verdades, afirma – longe de se alegrar com tais acontecimentos: “que a Fraternidade tem o dever de estar muito atenta a essas reações, e ao mesmo tempo, tentar impedir tornem autodestrutivas e não alcancem nada.”.

Uma crítica a conservadores que ainda poupam o Vaticano II

E o Pe. Pagliarani fornece a chave essencial: esses prelados também devem reconhecer a “continuidade entre os ensinamentos do Concílio, dos papas da era pós-conciliar e o atual pontificado“. Pois esses mesmos prelados, ao mesmo tempo, querem nos fazer engolir o Concílio Vaticano II e as reformas pós-conciliares. Exemplo: Cardeal Müller, o mais virulento de todos contra a Amoris laetitia e o Instrumentum laboris (projeto de reforma da Cúria),  não hesita em falar em “ruptura com a tradição”. Mas é o mesmo cardeal Müller quem “queria impor à FSSPX – em continuidade com seus predecessores e sucessores na Congregação para a Doutrina da Fé – a aceitação de todo o Concilio e do magistério pós-conciliar.”

Como esse diagnóstico do Superior Geral da Fraternidade diz respeito ao cardeal Sarah, algumas linhas da entrevista deste serão suficientes para demonstrar!

Quando a forma extraordinária é celebrada no espírito do Concílio Vaticano II, ela revela toda a sua fecundidade, diz o cardeal. O ideal desejo dele seria amar a liturgia tradicional à luz do Concílio? Continuar lendo

SÍNODO DA AMAZÔNIA: UM COMENTÁRIO DO INSTRUMENTUM LABORIS

Matteo D’Amico

Fonte: Courrier de Rome, Julho-Agosto de 2019

Publicado na Permanencia

Conclusão

É possível e talvez necessário sintetizar, à guisa de conclusão, a estrutura do documento que acabamos de analisar, ressaltando os seus gravíssimos erros.

Em primeiro lugar, todo o discurso laborioso que o Instrumentum Laboris desenvolve jamais esclarece a situação da Igreja na Amazônia: não narra a sua história, nada se diz da sua difusão, do número de batismos ou de casamentos. O discurso é, portanto, completamente abstrato e, definitivamente, pouco sério. Ninguém poderá dizer, após a leitura desse texto, do que se está tratando e qual a situação do catolicismo na Amazônia.

Não há nenhuma avaliação rigorosa e séria da situação moral, do respeito ao laço conjugal, da frequência aos sacramentos etc. Não podemos dizer se a situação é boa ou péssima.

A confusão aumenta pelo fato de que jamais se diz se no documento se o tema é a evangelização de índios batizados e convertidos, ou de indígenas afastados do Evangelho. A cultura e as crenças indígenas “ancestrais” são exaltadas a tal ponto, que parece que ainda lidamos com pagãos.

Exalta-se de modo ridículo a visão de mundo dos índios amazonenses, como se fosse uma visão da vida de uma profundidade, beleza, harmonia e delicadeza insuperáveis: um conhecimento ainda que superficial desses povos bastaria para mostrar que se trata de um mundo muito longe de ser perfeito. O texto todo é perpassado desse equívoco, que o torna ridículo.

Jamais se trata, em ponto algum do texto, do tema da salvação das almas, da vida eterna, da imortalidade da alma. Estamos em face de um catolicismo situado entre o sentimental e o ideológico, a ser corrigido em prol da harmonia com a natureza. O texto apresenta uma fé completamente esvaziada do seu núcleo escatológico e soteriológico.

Não se fala do pecado e, em paralelo, não se faz a menor alusão à cruz de Cristo ou à economia da salvação fundada sobre a cruz. Como o pecado é completamente ausente, também é ausente, e não por acaso, o tema da salvação: Para que salvação se não há pecado? O nome mesmo de Jesus Cristo é pouquíssimo citado — e isso também não é por acaso. 

Falta, logicamente, toda alusão à vida da graça e à necessidade de alimentá-la pelos sacramentos e pela oração: toda vida de piedade é dissolvida numa nuvem de contínuas exaltações da espiritualidade original dos índios da Amazônia, os novos “bons selvagens”.

Trata-se do texto menos mariano de todo o pós-Concílio: não há praticamente nenhuma referência à Santíssima Virgem. Isso é muito suspeito e levanta sérias dúvidas sobre a fé daqueles que escreveram esse documento.

O documento apresenta uma idéia de inculturação completamente falsificada e deformada, que acaba por recomendar à Igreja a conversão à espiritualidade indígena.

Busca-se alterar o sacerdócio e a liturgia, e abonar a ordenação de mulheres de um modo ou de outro (ainda que não se ouse dizê-lo abertamente).

As referências doutrinais e escriturais são mínimas, e encontramos apenas uma enxurrada de referências aos textos de Francisco, de quem usa-se sem o menor pudor o jargão, repetindo como papagaios suas expressões típicas (em especial, “Igreja em saída”).

Todo o texto é francamente modernista sob cada um de seus aspectos, e sobretudo no seu modo de promover a causa do “mobilismo dogmático” mais desenfreado: onde a doutrina e amoral não podem ser rígidas nem opressivas, mas doces e aptas a se adaptarem a realidade concreta e às necessidades dos índios da Amazônia.

O Instrumentum Laboris que viemos de comentar não é um texto católico, mas um apanhado de heresias. É um texto escandaloso e é dever de todo católico, mas sobretudo de todo bispo, condená-lo publicamente e exigir que seja retirado, denunciando a sua falsidade e suas ciladas publicamente. Sua aplicação e sua utilização durante o Sínodo da Amazônia só podem provocar a ruína da Igreja na Amazônia, em primeiro lugar, e no mundo inteiro, quando sua aplicação for alargada.

UMA IGREJA DE PERNAS PARA O AR – ENTREVISTA COM O PE. DAVIDE PAGLIARANI

Fonte: DICI

Revmo. Pe. Pagliarini – Superior Geral, são esperados eventos importantes até o final do ano, como o Sínodo da Amazônia e a reforma da Cúria Romana. Eles terão uma repercussão histórica na vida da Igreja. Em sua opinião, que lugar eles ocupam no pontificado do Papa Francisco?

A impressão que muitos católicos padecem atualmente é a de uma igreja à beira de uma nova catástrofe. Se fizermos uma retrospectiva, o próprio Concílio Vaticano II só foi possível porque foi o resultado de uma decadência que afetou a Igreja nos anos que precederam sua abertura: uma barragem se rompeu pela pressão de uma força que já operava há algum tempo. É isso que permite o sucesso das grandes revoluções, porque os legisladores apenas aprovam e sancionam uma situação que já é um fato consumado, pelo menos em parte.

Assim, a reforma litúrgica foi apenas o resultado de um desenvolvimento experimental que remonta ao período do entreguerras e que já havia penetrado em grande parte do clero. Mais próximos a nós, sob este pontificado, a Amoris lætitia foi a ratificação de uma prática, infelizmente, já presente na Igreja, especialmente no que diz respeito à possibilidade de comunhão às pessoas que vivem em estado de pecado público. Hoje a situação parece madura para outras reformas excessivamente sérias.

O senhor poderia especificar vosso julgamento sobre a exortação apostólica Amoris lætitia três anos após a sua publicação?

Amoris lætitia representa, na história recente da Igreja, o que Hiroshima ou Nagasaki são para a história moderna do Japão: humanamente falando, os danos são irreparáveis. Este é, sem dúvida, o ato mais revolucionário do Papa Francisco e, ao mesmo tempo, o mais contestado, mesmo fora da Tradição, porque afeta diretamente a moral conjugal, que permitiu muitos clérigos e fiéis detectar a presença de erros graves. Este documento catastrófico foi apresentado, indevidamente, como o trabalho de uma personalidade excêntrica e provocadora em suas palavras, que alguns querem ver no atual papa. Isso não está correto, e é inadequado simplificar dessa forma o problema. 

O senhor parece sugerir que essa consequência foi inevitável. Por que o senhor está relutante em definir o papa atual como uma pessoa original?

Na realidade, a Amoris laetitia é um dos resultados que, mais cedo ou mais tarde, deveria ocorrer como resultado das premissas estabelecidas pelo Concílio. O cardeal Walter Kasper já havia confessado e salientado que uma nova eclesiologia, aquela do Concílio, corresponde a uma nova concepção da família cristã[1].

De fato, o Concílio é primeiramente eclesiológico, ou seja, propõe em seus documentos uma nova concepção da Igreja. A Igreja fundada por Nosso Senhor não corresponde mais à Igreja Católica, simplesmente. Ela é mais ampla: inclui outras denominações cristãs. Como resultado, as comunidades ortodoxas ou protestantes teriam “eclesialidade” em virtude do batismo. Em outras palavras, a grande novidade eclesiológica do Concílio é a possibilidade de pertencer à Igreja fundada por Nosso Senhor em diferentes maneiras e graus. Daí a noção moderna da comunhão plena ou parcial, “à geometria variável”, poderíamos dizer. A Igreja tornou-se estruturalmente aberta e flexível. A nova modalidade de pertencimento à Igreja, extremamente elástica e variável, segundo a qual todos os cristãos estão unidos na mesma Igreja de Cristo, está na origem do caos ecumênico. Continuar lendo

DESOBEDIÊNCIA APARENTE, OBEDIÊNCIA VERDADEIRA

Mons. Lefebvre apresenta acusações recebidas de ser, supostamente, desobediente à Igreja por se recusar a acompanhar as mudanças do Vaticano II. Deixa claro que não pode ser verdadeiro desobediente quem faz, crê e pratica o que a Igreja fez, acreditou e praticou durante dois mil anos. Trata-se de uma desobediência aparente, mas obediência verdadeira. Homilia de 1976.