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	<title>DOMINUS EST</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>MISSA DO DOMINGO &#8220;IN ALBIS&#8221;, DIRETO DO PRIORADO DE SÃO PAULO</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Apr 2026 11:30:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

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		<description><![CDATA[Para assistir a Santa Missa clique na imagem acima]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.youtube.com/live/I8ervh0ckuU?si=HbfZylXqh6Psci7v"><img class="aligncenter  wp-image-19788" src="http://www.catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2020/05/Missa-publ.jpg" alt="Missa publ" width="427" height="222" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Para assistir a Santa Missa clique na imagem acima</strong></p>
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		<title>DOMINGO “IN ALBIS”: SÓ EM DEUS SE ACHA A VERDADEIRA PAZ (OITAVA DA PÁSCOA)</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Apr 2026 10:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Santo Afonso]]></category>

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		<description><![CDATA[Acesse a leitura clicando na imagem. Você pode acompanhar diariamente as Meditações de Santo Afonso em nossa página exclusiva no blog, pelo nossa página no Facebook ou por nosso Canal no Telegram]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/domingo-in-albis-so-em-deus-se-acha-a-verdadeira-paz-oitava-da-pascoa/"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/-i6nuQVvZ9pU/Tbk7XUDD_sI/AAAAAAAAA9c/599ons8_zwk/s1600/Rembrandt_Harmensz__van_Rijn_040.jpg" alt="" width="264" height="272" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Acesse a leitura clicando na imagem.</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Você pode acompanhar diariamente as Meditações de Santo Afonso em nossa <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/meditacoes-de-santo-afonso-para-cada-dia-do-ano/">página exclusiva no blog</a>, p</span></span><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;">elo nossa <a style="color: #0000ff;" href="https://www.facebook.com/catolicosribeiraopreto">página no Facebook</a> ou por nosso <a style="color: #0000ff;" href="https://t.me/catolicosribeiraopretofsspx">Canal no Telegram</a></span></span></strong></p>
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		<title>CUIDADO! UM CONCÍLIO PODE ESCONDER OUTRO</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 14:09:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Alain Lorans]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante o encontro que o Padre Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, teve em 12 de fevereiro de 2026 com o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, este último declarou pessoalmente &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cuidado-um-concilio-pode-esconder-outro/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/concile_ouverture_superdogme_2026.jpeg?itok=hqD6fmMP" alt="" width="550" height="319" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Durante o encontro que o Padre Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, teve em 12 de fevereiro de 2026 com o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, este último declarou pessoalmente que &#8220;<em>embora fosse possível dialogar sobre o Concílio, não seria possível corrigir seus textos</em>&#8220;.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/attention-un-concile-peut-cacher-un-autre-58256">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa declaração do prelado romano suscitou uma resposta por parte de D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, em 17 de fevereiro. A seu ver, os textos de um concílio que se recusou a ser dogmático e se propôs a ser apenas pastoral podem perfeitamente ser revisados ou corrigidos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dom Schneider chega a pensar, inclusive, que a Santa Sé deveria ser grata à Fraternidade São Pio X, porque &#8220;<em>atualmente é quase a única grande entidade eclesiástica a apontar aberta e publicamente a existência de elementos ambíguos e incorretos em certas declarações do Concílio e no Novus Ordo Missæ</em>&#8220;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo ele, a Fraternidade poderia &#8220;<em>contribuir de forma construtiva para o bem de toda a Igreja, mantendo uma distinção clara entre o que diz respeito à fé divinamente revelada e à doutrina definitivamente proposta pelo Magistério, e o que, tendo um caráter essencialmente pastoral em circunstâncias históricas particulares, está aberto a um estudo teológico aprofundado, como sempre foi prática na Igreja</em>&#8220;.</span><span id="more-34579"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal não é a opinião do cardeal Fernández, que considera que um concílio que se autodenominou pastoral é dogmaticamente irreformável e doutrinariamente incorrigível. A tal ponto que nos perguntamos se não seria necessário acrescentar ao Credo: &#8220;<em>Creio na liberdade religiosa, no ecumenismo, na colegialidade e na Missa de Paulo VI, assim como na Santíssima Trindade.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como bem nos lembra o canonista espanhol Padre Jaime Mercant Simó, em sua conta X, de 21 de fevereiro: “<em>O CVII foi um concílio de ‘natureza pastoral’, não dogmática; consequentemente, não se beneficiou do carisma da infalibilidade, visto que em nenhum momento algo foi definido ou condenado infalivelmente; tal foi a decisão expressa da maioria dos padres conciliares</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>No entanto, na era pós-conciliar, apesar dessa ‘natureza pastoral’, alguns procuraram transformar este concílio em um ‘superdogma’… segundo as próprias palavras de Joseph Ratzinger, que, durante uma visita aos bispos do Chile (1988), utilizou esse termo</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante disso, como explicar essa dogmatização da pastoral? Não seria isso um sinal de que o <em>aggiornamento</em> conciliar – supostamente uma simples “<em>atualização”</em> pastoral – era, na realidade, uma mudança dogmática latente, bem escondida por trás de uma pastoralidade de fachada? Uma vez encerrado o Concílio, sua verdadeira natureza se revelou: a revolução doutrinária tornou-se evidente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E para se impor pela força, recorreu ao status de &#8220;<em>superdogma</em>&#8220;: o dogma conciliar colocado acima dos dogmas tradicionais que procurava suplantar. – Após 60 anos, o resultado é claro. O superdogma deu origem a um sistema subpastoral que esvazia as paróquias, que têm de ser constantemente fundidas devido à falta de fiéis, e a sub-seminários regionais que têm de ser preenchidos com os poucos candidatos provenientes de numerosas dioceses. A árvore é julgada pelos seus frutos.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Padre Alain Lorans, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>ONDE A TRADIÇÃO É VERDADEIRAMENTE VIVIDA, A IGREJA CRESCE.</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 13:57:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Um sacerdote húngaro, o padre Daniel Östör, responsável pelo apostolado da juventude da FSSPX na Hungria, regressou de uma viagem de estudos aos Estados Unidos e transmitiu o seguinte relato. Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est No início da Quaresma &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/onde-a-tradicao-e-verdadeiramente-vivida-a-igreja-cresce/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/district-deutschland/SMA-3.jpg?itok=DICVm7Uw" alt="" width="577" height="337" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Um sacerdote húngaro, o padre Daniel Östör, responsável pelo apostolado da juventude da FSSPX na Hungria, regressou de uma viagem de estudos aos Estados Unidos e transmitiu o seguinte relato.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/la-ou-la-tradition-est-reellement-vecue-leglise-grandit-58457">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No início da Quaresma de 2026, durante minha viagem aos Estados Unidos, tive a oportunidade de visitar dois lugares de particular importância na vida da Fraternidade São Pio X: a cidade de Armada, no estado de Michigan, e St. Marys, no estado do Kansas. Esses dois lugares diferem em tamanho e história, mas manifestam duas faces da mesma realidade eclesial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://stjosephs-priory.com/en">Armada</a> </strong></span>é uma comunidade familiar com cerca de 600 a 800 membros — a primeira fundação da Fraternidade nos Estados Unidos — que se encontra hoje no início de uma nova fase de desenvolvimento. <strong><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/ao-vivo-dedicacao-e-consagracao-da-immaculata-a-maior-igreja-construida-pela-fsspx/">St. Marys</a>,</span></strong> por outro lado, com seus 5.000 a 6.000 mil fiéis, é quase uma pequena cidade católica, e sob essa forma praticamente única no mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história de Armada remonta aos primórdios da Fraternidade. A comunidade foi fundada em 1973 pelo próprio D. Marcel Lefebvre. Foi uma experiência especial visitar locais diretamente ligados à sua pessoa e à sua obra. Durante a minha estadia, realizou-se um funeral: foi sepultado um pai de família com mais de noventa anos que, após o serviço militar, dedicou toda a sua vida à Fraternidade. Era pai de mais de dez filhos. A presença de numerosos filhos, netos, familiares e fiéis demonstrou de forma impressionante o quanto essas comunidades se apoiam nas famílias.</span><span id="more-34623"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após muitos anos, a comunidade de Armada chegou agora ao ponto de empreender um projeto de construção de maior envergadura. Já foi adquirido um terreno adequado, no qual devem ser erguidos uma igreja, uma escola e um priorado. O plano foi cuidadosamente elaborado: começará-se pela construção da escola; em seguida, a comunidade se mudará para o novo local; depois os edifícios atuais serão vendidos, e o produto dessa venda permitirá financiar a construção da igreja e do priorado. Esta não será a primeira mudança da comunidade. Sua história sempre foi marcada pelo fato de que, assim que um local mais adequado para a missa era encontrado, ele rapidamente se tornava pequeno demais e era necessário se instalar novamente em instalações mais amplas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assegurar a vida espiritual para as famílias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma particularidade da realidade americana é o alto grau de mobilidade. O que muitas vezes nos parece estranho na Europa — famílias mudando de residência para se juntar a uma comunidade religiosa — é muito mais comum nos Estados Unidos. Isso é particularmente evidente em St. Marys. Conversei com várias famílias que escolheram conscientemente se estabelecer lá. Algumas admitiram abertamente que havia sido um grande sacrifício para elas. St. Marys está localizada em uma região bastante isolada e sem grandes atrativos do Kansas, onde o clima às vezes pode ser, por vezes, muito extremo. Mesmo assim, muitas famílias aceitaram esses desafios porque era importante para elas que seus filhos crescessem em um ambiente católico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história de St. Marys é notável. Originalmente, era o local de um grande centro jesuíta, que mais tarde foi abandonado. A Fraternidade conseguiu adquirir essa vasta propriedade por um preço simbólico. Quatro anos depois, no entanto, a igreja principal do campus foi completamente destruída por um incêndio. A comunidade, portanto, teve que viver e funcionar por muitos anos em circunstâncias excepcionais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As missas de domingo eram celebradas, por exemplo, no ginásio. Cinco missas sucediam-se imediatamente, e os fiéis tinham de deixar rapidamente o local após cada celebração, pois o grupo seguinte já aguardava. Os antigos confessionários ainda existem hoje, e foram criadas possibilidades adicionais para a confissão no priorado. Mesmo nos Estados Unidos, foram necessários quase vinte anos para que se pudesse construir um primeiro Priorado. A situação atual é, portanto, fruto de muitos anos de privações, humilhações e grandes sacrifícios materiais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma diferença fundamental entre a situação nos Estados Unidos e na Hungria reside no fato de que, nos Estados Unidos, não houve uma ruptura completa na tradição litúrgica. Sempre houve uma geração que cresceu no rito tradicional. Na Hungria, por outro lado, essa continuidade foi quase totalmente interrompida. É por isso que muito precisa ser reconstruído do zero. Quanto mais tarde esse trabalho começar, mais tempo será necessário para que uma comunidade estável possa se formar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nos Estados Unidos, observa-se também claramente que as comunidades católicas vivas costumam desenvolver-se em torno de suas escolas. No entanto, essas escolas representam um encargo financeiro significativo para as famílias. Muitas têm vários filhos – frequentemente dez ou mais – e as mensalidades escolares constituem, portanto, um peso considerável. Acontece que, em algumas famílias, as meninas são educadas em casa, enquanto os meninos frequentam a escola. A educação católica das crianças exige, portanto, grandes sacrifícios, mas constitui, ao mesmo tempo, um dos alicerces mais importantes para o futuro da comunidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A igreja de St. Marys é um edifício impressionante. Sua construção custou o equivalente a cerca de quinze bilhões de forints. O edifício foi construído sem grandes concessões; apenas os vitrais coloridos tiveram de ser temporariamente removidos. Em seu lugar, o padre Rutledge concebeu um vasto programa iconográfico executado na forma de afrescos. Sob a igreja encontra-se, além disso, uma sala muito ampla, utilizada como igreja inferior e sala de reuniões polivalente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O tamanho da comunidade é notável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">St. Marys assemelha-se, em muitos aspectos, a uma pequena cidade católica. Cerca de 5 a 6 mil fiéis assistem regularmente à missa dominical. Cerca de 450 crianças frequentam a escola primária, um número semelhante o ensino médio, e outros de 100 estudantes também pertencem à comunidade. Durante a missa dominical solene, cerca de 1.600 fiéis estão presentes, e a igreja fica completamente lotada por três vezes. A secretaria paroquial emprega seis colaboradores leigos em tempo integral.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A organização da liturgia é extremamente cuidadosa. Existem seis equipes de sacristãos, cada uma composta por vários membros. Os acólitos também cumprem seu serviço de acordo com uma divisão precisa, e em cada missa há assistência prevista.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em uma sala de aula do ensino fundamental, perguntei quem gostaria de se tornar padre. Sem hesitar, três meninos levantaram a mão. Isso aconteceu de forma natural – sem grande entusiasmo, mas também sem qualquer receio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A comunidade também inclui 9 religiosas que, quando não estão lecionando, cantando ou cumprindo seus deveres domésticos, passam grande parte do tempo na igreja em oração silenciosa e adoração eucarística.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É claro que também existem tensões e correntes diferentes, por exemplo, pequenos grupos com posições mais radicais dentro do movimento tradicional. No entanto, eles continuam sendo uma minoria muito pequena.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos convertidos vêm do protestantismo, incluindo alguns membros do clero. Um padre observou que muitas comunidades protestantes, ao longo do tempo, perderam a seriedade e a profundidade espiritual, levando alguns fiéis a buscar uma base religiosa mais sólida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que me impressionou, particularmente, foi a grande amabilidade e a disponibilidade das pessoas. Desde o aeroporto, fiquei impressionado com essa atitude. Nas famílias, também notei uma grande simplicidade e uma verdadeira humildade; percebe-se muito pouco orgulho ou presunção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">St. Marys cresceu tanto que a comunidade se tornou quase uma cidade por si só. Talvez exista ali um limite natural ao crescimento, pois, a partir de um certo tamanho, torna-se difícil abranger a vida comunitária em sua totalidade. Mas o que vemos hoje é, acima de tudo, fruto de décadas de paciência, trabalho árduo e grandes sacrifícios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que determina o futuro de uma comunidade católica?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma convicção se enraizou profundamente em mim ao longo desta viagem: o futuro de uma comunidade católica se decide, em última instância, nas famílias e na educação. Onde existem famílias sólidas e escolas onde a fé é transmitida, uma comunidade pode crescer e perdurar. Onde esses alicerces faltam, mesmo as melhores intenções não trazem frutos duradouros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para concluir, gostaria de mencionar um encontro pessoal que me alegrou particularmente. Nos Estados Unidos, encontrei um padre de origem húngara: o padre Steve Soos, cujo pai é húngaro. Ele gosta muito da Hungria e da cultura húngara. Embora, infelizmente, não fale a língua, ele espera poder visitar em breve o nosso país. Ele reza pela comunidade católica na Hungria.</span></p>
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		<title>A VERDADEIRA QUESTÃO EM JOGO NAS SAGRAÇÕES, SEGUNDO O CARDEAL MÜLLER &#8211; PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 16:42:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Cardeal Muller]]></category>
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		<description><![CDATA[O cardeal recrimina a Fraternidade por adotar a atitude daqueles que acreditam poder remediar as crises &#8220;se escondendo em um canto amuado de uma Igreja dos puros, último bastião de ortodoxia que deseja impor sua reintegração completa na Igreja Católica, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-verdadeira-questao-em-jogo-nas-sagracoes-segundo-o-cardeal-muller-pelo-pe-jean-michel-gleize/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/3e48697.jpg?itok=Duo0I3fD" alt="" width="499" height="288" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O cardeal recrimina a Fraternidade por adotar a atitude daqueles que acreditam poder remediar as crises <em>&#8220;se escondendo em um canto amuado de uma Igreja dos puros, último bastião de ortodoxia que deseja impor sua reintegração completa na Igreja Católica, convertendo-a ao seu próprio cenáculo&#8221;</em>. Na verdade, não seria o contrário? Na realidade, não é a Igreja dos puros do Vaticano II, o último bastião entrincheirado do neomodernismo, que deseja impor uma pseudo unidade da Igreja, uma <em>“plena comunhão eclesial”</em>, convertendo todos os católicos à nova liturgia e à nova teologia do Concílio?</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/le-vrai-enjeu-des-sacres-selon-le-cardinal-muller-58441">DICI</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O cardeal Müller, o protótipo do conservador na Igreja?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cardeal Gerhard Ludwig Müller, nascido em Mainz, em 1947, foi um homem de confiança de Bento XVI. Aliás, foi este último que, em 2 de julho de 2012, quis elevá-lo à dignidade de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, da mesma forma, lhe confiou a Presidência da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Dois anos depois, em 12 de janeiro de 2014 – tendo o Papa Bento XVI renunciado nesse ínterim – o Papa Francisco o elevou ao cardinalato.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E foi o novo Cardeal Müller que, no outono de 2014, cinco anos após as primeiras discussões doutrinais de 2009-2011, retoma – na sua qualidade de Presidente da Comissão Ecclesia Dei – o diálogo com a Fraternidade São Pio X, e recebe, em Roma, Dom Bernard Fellay, então Superior Geral da referida Fraternidade. Diálogo que atingiu um ponto sem retorno em 6 de junho de 2017, quando o Cardeal Müller, em nome da Santa Sé, enviou a Dom Fellay uma carta na qual era exigido que, no caso de uma normalização canônica da Fraternidade, ou de um restabelecimento da <em>&#8220;plena comunhão&#8221;</em>, os membros da Fraternidade <em>&#8220;declarem, explicitamente, sua aceitação dos ensinamentos do Concílio Vaticano II e daqueles do período pós-conciliar, concedendo às referidas afirmações doutrinárias o grau de adesão que lhes é devido&#8221;</em>, e que reconhecessem <em>“não apenas a validade, mas também a legitimidade do Rito da Santa Missa e dos Sacramentos, de acordo com os livros litúrgicos promulgados após o Concílio Vaticano II”</em>(1).</span><span id="more-34620"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O desfecho é bem conhecido: incapaz de aceitar estas condições, Dom Fellay, mais uma vez, manifestou seu pesar a Roma, pesar acompanhado de uma enésima explicação sobre as causas profundas da crise que assola a Igreja desde o Concílio Vaticano II. Em 2018, o Padre Davide Pagliarani é eleito à liderança da Fraternidade. Antes disso, contudo, pouco mais de um mês após o envio da carta a Dom Fellay, em 1º de julho de 2017, o Papa Francisco havia destituído o cardeal Müller de seu cargo de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Seu sucessor, Prefeito do que passou a ser um Dicastério, foi o jesuíta Luis Ladaria Ferrer. Gerhard Müller já havia se mostrado crítico em relação às orientações doutrinárias e pastorais do Papa Francisco, e segui este caminho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 20 de dezembro de 2023, o Prefeito Emérito da Congregação para a Doutrina da Fé denunciava, em comunicado, a Declaração <em>Fiducia Suplicans</em>, pela qual o Vaticano autorizava a bênção de casais em situação irregular, casais em união estável, divorciados e recasados, e até mesmo pessoas do mesmo sexo. Segundo ele, este documento deve ser visto como um <em>“salto doutrinal”</em> e um <em>“risco de blasfêmia”</em>. Além disso, durante uma sessão de perguntas e respostas na <em>Conferência Chamado à Santidade 2025</em>, realizada em Michigan, o Cardeal Müller mostrou-se crítico em relação à aplicação do Motu proprio Traditionis custodes, qualificando de <em>“problemático”</em>, e <em>“nada pastoral”</em>, o fato de alguns bispos limitarem a celebração do rito romano tradicional segundo o Missal de 1962. Anteriormente, em 20 de maio de 2024, Gerhard Müller havia celebrado, segundo o antigo rito de 1962, a Missa pontifícia da segunda-feira de Pentecostes, no encerramento da peregrinação a Chartres organizada pela Associação Notre-Dame de Chrétienté, o que lhe rendeu o rótulo de <em>“Amigo dos tradicionalistas e inimigo do Papa Francisco”</em> na primeira página do site do <em>jornal </em><a style="color: #000000;" href="https://fsspx.news/fr/news/le-vrai-enjeu-des-sacres-selon-le-cardinal-muller-58441#footnote2_Eyz4GnnTS22n6-NvMwt2avE39Ffr0STV64cBrfAiww_y3j2ihjEB6NM">Libération</a>(2).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>As sagrações de 1º de julho: consequência de uma batalha doutrinária</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto, entre a prática e a teoria, seria um grande erro esperar que o próprio cardeal Müller também se posicionasse, ao lado de Dom Schneider e Dom Strickland, para justificar e defender as consagrações de 1º de julho de 2026. Infelizmente, foi exatamente o contrário que aconteceu (3). Em uma entrevista publicada no site alemão da revista internacional <em>Communio</em>, em 19 de março, de uma forma que não favorece em nada a decisão tomada por D. Davide Pagliarani, o cardeal responde longamente às perguntas de Jan-Heiner Tück, denunciando, em vez disso, “uma atitude cismática” e um “falso apelo a um estado de necessidade”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para além das críticas e das acusações de “cisma”, esta declaração do Cardeal Müller tem o grande mérito de colocar, na sua verdadeira dimensão, o problema que opõe Roma à Fraternidade São Pio X. Longe das declarações insatisfatórias de um cardeal Sarah(4) ou de um Monsenhor Eleganti(5), este tipo de discurso apresenta, de fato, a grande vantagem da clareza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cardeal indica desde o início onde exatamente reside o ponto controverso: <em>“O verdadeiro problema não reside na liturgia — isto é, nas formas rituais clássicas (pós-Tridentinas) e renovadas (pós-Vaticano II) — mas na doutrina da fé, que eles [os membros da FSSPX] consideram comprometida pela liturgia renovada. Certas formulações do Concílio Vaticano II prestam-se a interpretações duvidosas, como a ideia de que os muçulmanos, à semelhança dos cristãos e dos judeus, na tradição de Abraão, reconhecem o Criador e adoram o Deus único conosco”</em>. O cardeal indica, em seguida, os pontos do ensinamento do Concílio Vaticano II em que a Fraternidade denuncia uma contradição que torna esse ensinamento incompatível com os ensinamentos constantes do Magistério da Igreja: a doutrina sobre o valor das religiões não cristãs em <em>Nostra aetate</em>; a doutrina do ecumenismo em <em>Unitatis redintegratio</em>; a doutrina da liberdade religiosa em <em>Dignitatis humanae</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cardeal entendeu corretamente: o estado de necessidade na Igreja encontra, aos olhos da Fraternidade, sua razão profunda nestes pontos errôneos que constituem a fonte envenenada do relativismo doutrinário e moral na Igreja. A decisão de prosseguir com as sagrações é apenas o meio adotado para remediar este relativismo, garantindo a continuidade de uma pregação verdadeiramente católica, pois imune a estes erros. <em>“É por isso”</em>, concluiu o Cardeal, <em>“que insisti, durante as conversas com a FSSPX, que a crítica deles a certas declarações do Concílio Vaticano II só seria justificada se o Concílio tivesse de fato ensinado o que lhe atribuíam”</em>. Ora, segundo ele, os ensinamentos do Concílio Vaticano II não seriam a fonte contaminada do relativismo, pois não conteriam estes erros que a Fraternidade acredita ver neles. <em>“Aliás”</em>, disse ele, <em>“aqueles que atribuem graves erros de fé ao legítimo Concílio Vaticano II estão enganados, contrariamente à comprovada hermenêutica católica”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A questão da doutrina, fundamento do estado de necessidade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Contudo</strong>, evidentemente, é o próprio cardeal quem se engana, ao tentar eximir os textos do Concílio das acusações formuladas pela Fraternidade. “<em>A ideia”</em>, diz ele, “de que os muçulmanos, à semelhança dos cristãos e dos judeus, na tradição de Abraão, reconhecem o Criador e adoram o Deus único conosco” deveria ser entendida, no texto da <em>Nostra aetate,</em> em conformidade com <em>“o ensinamento católico clássico segundo o qual a razão humana é, em princípio, capaz de reconhecer a existência e a unidade de Deus, enquanto os mistérios da Trindade e da Encarnação só se revelam pela fé sobrenatural”</em>. Sem dúvida, é verdade que a razão natural permanece capaz, em todo homem, e independentemente de sua religião, de alcançar o conhecimento de um Deus Criador.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto, é preciso observar que o texto da declaração <em>Nostra aetate</em> vai além disso, pois, segundo ele, não se trata apenas da razão do homem, mas sim <em>“as próprias regras e doutrinas”</em> destas falas religiões que, <em>“embora difiram em muitos aspectos do que ela própria [a Igreja] professa e propõe, refletem, no entanto, frequentemente um raio da verdade que ilumina todos os homens” (§ 2)</em>. Há uma diferença entre dizer que o brilho da verdade que ilumina todos os homens é a luz da razão natural, presente em todo homem, e dizer que este mesmo brilho encontra seu reflexo nas regras e doutrinas das falsas religiões. A <em>Nostra aetate</em> não fala da razão natural, mas das regras e doutrinas religiosas. O § 3 se refere especificamente à <em>“fé islâmica”</em>. O § 4 gera confusão no que diz respeito ao povo judeu, sem fazer a distinção entre o povo eleito do Antigo Testamento e o povo que se afastou desta eleição e se tornou infiel a Deus, no Novo Testamento. Confusão que se manifesta quando se afirma que “os judeus ainda permanecem, por causa de seus pais, muito queridos de Deus, cujos dons e chamado são irrevogáveis” e quando o texto evoca o “grande patrimônio espiritual, comum aos cristãos e aos judeus”, enquanto os judeus contemporâneos continuam se recusando a reconhecer Jesus de Nazaré como o Messias anunciado nas Escrituras e como o próprio Filho de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“No que diz respeito ao ecumenismo com cristãos não católicos, comunidades cristãs e Igrejas Ortodoxas”, afirma o cardeal que “o Concílio, em nenhum momento, questionou a necessidade da Igreja Católica para a salvação ou sua plena identidade com a Igreja dos Apóstolos”. Sem dúvida, e não é isto que a Fraternidade critica no decreto <em>Unitatis redintegratio</em>. O que ela critica é que o decreto obscureceu, chegando mesmo a negar, a ideia de que a Igreja Católica é necessária como único meio de salvação, excluindo todas as comunidades cristãs não católicas. E o que a Fraternidade também critica neste decreto, bem como na constituição <em>Lumen gentium,</em> e nos documentos subsequentes da Congregação para a Doutrina da Fé, é que ele afirma que, se a Igreja Católica é totalmente idêntica à Igreja dos Apóstolos, as comunidades cristãs não católicas são parcialmente idênticas a ela na medida em que nelas se encontram “elementos de santificação e de verdade” ( <em>Lumen gentium</em> n.º 8) e na medida em que esta Igreja de Cristo ainda está “presente e ativa” nelas (Declaração <em>Dominus Jesus</em> de 6 de agosto de 2000, n.º 17).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“E no que diz respeito à liberdade religiosa”, continuou o cardeal, “a declaração <em>Dignitatis humanae</em> ensina nada menos que ‘o direito de todo ser humano — naturalmente enraizado no espírito e na liberdade da pessoa — de se defender da interferência do Estado em sua consciência’, ou seja, ‘o direito de cada pessoa de escolher e praticar sua religião livre de qualquer coação externa ou manipulação interna, segundo sua consciência’”. O Cardeal Müller ignora algumas distinções fundamentais aqui. Uma coisa é usar a coerção no âmbito externo para levar as pessoas a professarem a verdadeira religião, e outra bem diferente é usar a coerção no âmbito externo para impedir que as pessoas professem uma falsa religião. A doutrina social da Igreja exige que o Estado exerça sua autoridade em favor da verdadeira religião, usando a coerção no espaço público para prevenir ou dissuadir a profissão do erro. A Igreja condenou apenas o uso da coerção para impor a verdadeira religião. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que a Fraternidade contesta no parágrafo 2 da <em>Dignitatis humanae</em> não é o fato de afirmar que “todo ser humano tem o direito de se defender da interferência do Estado em sua consciência”, nem o fato de afirmar que “uma pessoa tem o direito de escolher sua religião, livre de toda coerção externa ou manipulação interna”. Isto a Igreja sempre ensinou, no sentido de que sempre afirmou que nenhuma autoridade pode exercer coação para levar as pessoas a abraçar e professar a verdadeira religião. Mas a Igreja também ensinou (esse é o sentido da doutrina enunciada por Pio IX em Quanta cura) que a autoridade tem o dever de impedir, no âmbito externo, a prática de uma religião falsa. É preciso, portanto, distinguir aqui “o direito de escolher” e “o direito de praticar” a própria religião, livre de qualquer coação externa. Segundo a doutrina da Igreja, a escolha deve ser livre de qualquer coação, mas a prática, se se tratar de uma religião falsa, não deve sê-lo, devendo antes ser impedida por uma certa coação, e é na negação deste segundo ponto que a <em>Dignitatis humanae</em> coloca um problema real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como demonstraremos a seguir, estas dificuldades levantadas pelos textos do Concílio são graves a ponto de criar um verdadeiro estado de necessidade na Igreja, pois colocam em risco a salvação das almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Onde está o cisma?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, ao contrário do que afirma o Cardeal Müller, os argumentos apresentados pela Fraternidade não são “<em>argumentos falaciosos, destinados a evitar a plena submissão à autoridade do Papa”</em>. Pois, de fato, sobre os pontos levantados, existe uma contradição, uma ruptura, como preferir, entre os ensinamentos do Vaticano II s e a constante Tradição do Magistério da Igreja. A esta evidência que nos é imposta pelo princípio da não contradição, qual é a resposta do Prefeito Emérito da Congregação para a Doutrina da Fé? “<em>Admitir isto não só seria fundamentalmente errôneo, como também constituiria a autodestruição hermenêutica da Igreja, coluna e fundamento da verdade (1 Tm 3,15).” </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Logo, seria necessário admitir que a Tradição da Igreja se reduz apenas ao Concílio Vaticano II, e que a própria Igreja se reduz aos Papas pós-conciliares? Seria necessário admitir que a Igreja, coluna e fundamento da verdade, exerce a hermenêutica correta pregando ora o sim, ora o não? O cardeal recrimina a Fraternidade por adotar a atitude daqueles que acreditam remediar as crises <em>“se escondendo em um canto amuado de uma Igreja dos puros, último bastião da ortodoxia que deseja impor sua completa reintegração à Igreja Católica, convertendo-a ao seu próprio cenáculo”</em>. Não verdade, não seria o contrário? Na realidade, não é a Igreja dos puros do Vaticano II, o último bastião entrincheirado do neomodernismo, que deseja impor uma pseudo unidade da Igreja, uma <em>“plena comunhão eclesial”</em>, convertendo todos os católicos à nova liturgia e à nova teologia do Concílio?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, indefinidamente, poderíamos nos acusar mutuamente de um autocefalismo – ou de um cisma. Mas o critério da verdadeira comunhão, o da unidade e da apostolicidade da Igreja, não é o da maioria: o lado menos numeroso não é necessariamente o lado do bastião cismático. Este critério nos foi transmitido por São Vicente de Lerins: é o critério da constância e da universalidade da profissão de fé, ao longo do tempo. E este critério positivo está, por sua vez, associado a um negativo: o (lado) que contradiria atualmente a profissão de fé explícita da Igreja não pode representar o princípio da unidade e da apostolicidade. Ora, em todos os pontos assinalados, os documentos do Concílio citados pelo cardeal representam e expressam esta contradição. Portanto, não é a Fraternidade que se afasta da unidade da Igreja, ao se recusar a admitir estes pontos doutrinais, mas sim todos aqueles que desejam impô-los contra a Tradição constante do Magistério católico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Que diálogo?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, o Cardeal Müller apresenta todos estes pontos doutrinais, claramente contrários aos ensinamentos do Magistério da Igreja, como tendo um valor absolutamente vinculativo, ainda que em graus diferentes(8). Não se pode, portanto, invocar as palavras de João XXIII, que apresentara o suposto <em>“Magistério”</em> do Concílio como <em>“um Magistério de caráter pastoral”,</em> para diminuir, ou até mesmo negar, o valor vinculativo dos ensinamentos do Vaticano II. <em>“A ideia de um pretenso concílio pastoral”</em>, diz ele, <em>“configura um sensacionalismo midiático, e não tem nenhum significado dogmático. Um concílio ecumênico é a mais alta autoridade na Igreja Católica, em matéria de fé e disciplina.”</em> [&#8230;] <em>“Há, evidentemente”</em>, esclarece ele, <em>“uma hierarquia de verdades, que vai desde a fé na Trindade e na Encarnação — necessárias para a salvação — à legitimidade da veneração de imagens, que, embora não sejam necessária para a salvação, favorece a piedade. O que a Igreja propõe que seja crido, deve ser determinado, em sua autoridade graduada, pelo contexto doutrinal e pela intenção dos bispos e do Papa.” </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não deixa de ser verdade que o contexto sempre impõe um certo grau de autoridade. <em>“Embora a Nostra Aetate”</em>, acrescenta o cardeal, a título de exemplo, <em>“seja, do ponto de vista literário, uma simples declaração, suas afirmações são vinculativas como dogma, por exemplo, quando afirma que todos os povos formam uma só comunidade e têm sua origem e seu fim em Deus</em> (NA 1).<em> Que cristãos e judeus adorarem o mesmo Deus, é uma doutrina vinculativa da fé”.</em> E conclui de forma muito categórica: <em>“O Concílio deve ser aceito em sua totalidade por todo católico, cada um de acordo com a intenção das afirmações: explicação doutrinária, instrução moral ou indicação de medidas necessárias atuais, como o diálogo inter-religioso ou o compromisso com a modernidade”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O estado de necessidade torna-se ainda mais evidente. Por um lado, porque estes erros graves, que representam o maior obstáculo à salvação das almas, são inegavelmente apresentados como objeto de um ensinamento cujo valor é vinculativo. Por outro lado, e sobretudo, porque não se pode falar em corrigir o que quer que seja: o Cardeal Müller escrevera isto em sua carta a Dom Fellay, em 6 de junho de 2017, onde exigia da Fraternidade uma adesão incondicional aos textos do Concílio e do período pós-conciliar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Também fica bem claro o sentido do<em> “diálogo teológico”</em> proposto recentemente a Dom Davide Pagliarani pelo cardeal Fernández, durante a entrevista realizada em 12 de fevereiro passado, e que teria como objetivo estabelecer <em>“os diferentes graus de adesão exigidos pelos diversos textos do Concílio Ecumênico Vaticano II, e sua interpretação”</em>, com o cardeal Fernandez deixado bem claro que, embora fosse possível dialogar sobre o Concílio, não seria possível corrigir seus textos. Isto coincide exatamente com as palavras do cardeal Müller. A intenção da Santa Sé é conduzir conosco sempre o mesmo diálogo, já iniciado nos anos 2009-2011, a pedido do Papa Bento XVI, e que tinha como objetivo levar a Fraternidade a aceitar a famosa hermenêutica da <em>“renovação na continuidade”</em>, segundo a qual a ruptura dos textos do Concílio em relação à Tradição da Igreja seria apenas aparente, enquanto a continuidade seria real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diálogo inútil e vão. Cujo único interesse, se é que havia algum, seria confirmar a urgência do estado de necessidade e justificar a iniciativa das consagrações de 1º de julho de 2026.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Notas:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1) <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/carta-do-cardeal-muller-dom-fellay-6-junho-2017-57314">https://fsspx.com.br/pt/news/carta-do-cardeal-muller-dom-fellay-6-junho-2017-57314</a></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(2)<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.liberation.fr/societe/le-cardinal-muller-ami-des-tradis-et-ennemi-du-pape-francois-20240520_UF3PDEDLU5HQ5DXZD2ZLM4LCIU/">https://www.liberation.fr/societe/le-cardinal-muller-ami-des-tradis-et-ennemi-du-pape-francois-20240520_UF3PDEDLU5HQ5DXZD2ZLM4LCIU/</a></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(3) <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.herder.de/communio/theologie/kardinal-mueller-ueber-den-konflikt-mit-der-piusbruderschaft-die-rede-von-einer-abgestuften-zustimmung-zum-konzil-ist-problematisch-/">https://www.herder.de/communio/theologie/kardinal-mueller-ueber-den-konflikt-mit-der-piusbruderschaft-die-rede-von-einer-abgestuften-zustimmung-zum-konzil-ist-problematisch-/</a></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(4) <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/ja-tarde-demais-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/">https://catolicosribeiraopreto.com/ja-tarde-demais-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/</a></span></span></p>
<p>     <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/resposta-ao-cardeal-sarah-58290"> https://fsspx.com.br/pt/news/resposta-ao-cardeal-sarah-58290</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(5) Veja o artigo “Mgr Schneider e Mgr Eleganti” nesta edição do Courrier de Rome.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(6) Isso não é novidade e corresponde ao que D. Pozzo já dizia na década de 2010. Veja o artigo &#8220;Nada de novo&#8221; na edição de abril de 2016 do Courrier de Rome.</span></p>
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		<title>O TRIUNFO DE CRISTO &#8211; PELO PE. CARLOS MESTRE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:16:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
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		<description><![CDATA[Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Carlos Mestre, no Priorado de S. Pio X de Lisboa, no Domingo de Páscoa sobre o triunfo de NSJC]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Carlos Mestre, no Priorado de S. Pio X de Lisboa, no Domingo de Páscoa sobre o triunfo de NSJC</strong></span><br />
<iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/e1nlAPuPrGY?si=O6NvBBVwsapBgY08" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>A ABSURDA DEFESA DA FAMÍLIA</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 14:04:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Dardo Juan Calderón Fonte: Adelante la fe &#8211; Tradução: Dominus Est No século XX, alertava-se acerca do fato de que a família, como instituição formadora, estava sendo atacada por um sistema liberal individualista, que apontava seus canhões sobre o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-absurda-defesa-da-familia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://media.benedictine.edu/wp-content/uploads/2021/10/Catholic-Family-1200x630.jpg" alt="AS VIRTUDES DA FAMÍLIA CATÓLICA | DOMINUS EST" width="511" height="277" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Por Dardo Juan Calderón</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://adelantelafe.com/la-absurda-defensa-de-la-familia/">Adelante la fe</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No século XX, alertava-se acerca do fato de que a família, como instituição formadora, estava sendo atacada por um sistema liberal individualista, que apontava seus canhões sobre o princípio de autoridade, pilar fundamental de toda instituição. Contudo, ninguém tinha dúvidas sobre as vantagens emotivas de ter uma família e a reprodução tinha seus números mais altos. O que se questionava é se essa família impunha a seu integrante – na qualidade de herdeiro sem benefício de inventário – uma concepção de ordem, uma cosmologia que condicionasse seu recebedor para o resto de sua vida. Aos mais avisados, não se ocultava que essa cosmologia era a essência mesma da instituição, que não era nada além da religião católica – e que, uma vez escamoteada, tudo cairia por seu próprio peso, inclusive a agradável tarefa de se reproduzir. A família é para continuar o religioso, ou se torna uma carga insuportável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O assunto vinha de um século antes, pensado como estratégia para romper os esquemas sociais estabelecidos pelo “Antigo Regime” mediante o Código Civil Napoleônico que rompia com os patrimônios familiares, debilitando a coesão social e aumentando a pressão do Leviatã. Os confusos desvios monárquicos do corso e seu acordo (vergonhoso) com a Santa Sé, acordo que pariu o ralliement, fez com que muitos católicos perdessem a clara consciência de que o liberalismo atacava concretamente a Ordem Católica, a Cosmologia Católica e o Antigo Regime somente enquanto sustentava o mundo católico; mas poder-se-ia até salvar o sistema monárquico – desde que não fosse católico, como na Inglaterra. Cresceram crendo que a discussão era assunto de políticas em que se devia fazer acordos e acomodar-se, para desse modo poder seguir sendo católicos – mesmo com o mundo sendo diferente.</span><span id="more-34600"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O século XI deu a entender, para toda Europa, que o Catolicismo poderia ser apagado da história – as lojas festejavam de antemão seu desaparecimento. Mas de modo surpreendente as instituições católicas fizeram força para se sustentar como somente o ser consegue ante o nada – uma força, poderíamos dizer, ontológica –  na qual o mesmo mal ajuda na sobrevivência, como o parasita que não quer matar seu hospedeiro (muitos maçons famosos ditarão sábias máximas familiares). Isso encorajou aos católicos, que não se deram conta do patente: que, em sua luta pela sobrevivência, suas instituições se contorcionavam, se deformavam, como se deforma um corpo na masmorra com pouco ar e luz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso ser é social é a sobrevivência que busca é também social, esse prisioneiro se pendurava nas grades da janelinha tratando de manter diálogo e de receber o que pudesse de fora – mas o processo distorceu todas as suas formas até tornar as instituições católicas quase irreconhecíveis. Não é preciso ser muito heideggeriano para saber que ser, na condição terrena do pecado, é ser para a morte e não há nada mais absurdo do que resistir. A Igreja saiu da prisão no Concílio Vaticano II já completamente desfigurada. O inimigo havia aprendido a lição que o ser e o bem se sustentam de modo incrivelmente tenaz e ele, o anjo caído, ausência de bem, maldito demolidor (desconstrutor) pode somente, como aquele Maldoror dos cantos do Conde de Lautremont, deformar, enfeiar, desnaturalizar, mas não tem o poder de matar. O fracasso de sua intenção niilista já foi patente com Aquele Nazareno; não é a morte o reino infernal do demônio, mas ele reina no horror de uma vida de oposição e destruição controlada. Aprendeu que não somente Deus não morreu, também não deve morrer; deve ser falsificado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A família é uma instituição católica, não há nem houve outra família (deixo para outras reflexões o fundamento dessa afirmação) que pudesse ser dita como tal, mesmo nas civilizações antigas. Sua luta por SER, e por ser em sociedade, que é tão louvável no ponto de vista que chamamos ontológico, levou-a a uma brutal desnaturalização e desfiguração por não querer morrer, por não aceitar seu fim. Sua persistência e sua obstinação foram sua cama de Procusto, como aconteceu com a Igreja moderna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Geme Maldoror: <strong>“Pai do céu ajuda, chama as desgraças que podem cair sobre nossa família&#8230; mãe, me estrangula&#8230; pai, ajuda-me&#8230; não posso respirar mais&#8230; sua bênção” </strong>E com ele podemos concluir com essa súplica inaudita: <strong>“Seu coração já não clama mais. Ela morreu no mesmo momento de suas entranhas, fruto que não posso reconhecer mais; está totalmente desfigurado&#8230; Minha esposa!&#8230; Meu filho!&#8230; Recordo um tempo distante no qual fui esposo e pai.”</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ser tende à eternidade e se esquece que deve morrer para transpor sua estreita condição existencial que, embora tacanha, ama a si mesma de todo coração até o ponto de confundi-la com a eternidade. No afã de viver, se torce e tenta o infinito por meio da vida, do bem ou do mal (tanto faz) enquanto se respeite sua vida, vida de mil formas insensatas. Sim, somos seres e seres sociais, mas a morte anulará as duas condições. Todas as coisas para poder alcançar o verdadeiro infinito devem enfrentar essa morte, esse deixar de ser, deixar de ser para morrer sozinhos. A Igreja precisou abandonar sua vontade de vida e enfrentar sua Paixão para poder seguir sendo Igreja e emular seu Fundador, a família deve hoje enfrentar sua Paixão para seguir sendo família. O desejo de viver a todo custo desfigura, a obediência de morrer no momento correto transpõe a uma vida superior, a um novo ser e a uma nova sociedade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se poderá prescindir da família, assim como não se pode prescindir do ser, mas ambas realidades estão se tornando irreconhecíveis em sua vontade de subsistência. A Família ou se sobrenaturaliza ou engendrará monstros. Aquela que ao viver era a célula fundacional do social, hoje em sua gana de sobreviver é uma paródia cruel do humano. Ao saber enfrentar sua Paixão e Morte, seria a primeira fagulha do Céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos os esquemas defensivos que se buscam para conseguir sua sobrevivência, que outrora foram louváveis, hoje são apenas caretas que enfeiam o rosto. Sua abertura ao social, sua disposição ao econômico, seu interesse por se sustentar apesar dos defeitos humanos, apesar da traição da maternidade e paternidade&#8230; antes dirigiam-se para o ideal católico, e hoje são apenas atos desesperados de sobrevivência que cada vez mais a afastam do paradigma. O que era causado pelo amor hoje é produzido pelo espanto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os velhos sabemos que há um ponto em que seguir agarrando-se à vida converte a pessoa no ser mais ignóbil que habita a terra. Uma máquina em decomposição concentrada apenas em engolir, defecar e respirar a todo custo, mesmo incomodando a todos. E embora não seja legítimo acabar com a própria vida, tampouco é estendê-la por qualquer meio. A morte só pode ser combatida sem prejuízo da honra quando se é jovem e quando se tem cargas a levar, e por isso não se dá o triste espetáculo da resistência. A morte é mistério, ou é absurda, e se deve escolher. É Cristo quem reina sobre a morte e assim como Ele decidiu sua hora, também temos de deixar que ela eleja a nossa sem tanta admiração. A medicina moderna fez do homem um triste espetáculo com vil final.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo o que é deve deixar de ser em seu momento adequado e todo esforço que se produz além dessa hora destrói a razão e sentido da existência, deixando a recordação do mal gosto da covardia e dando, em seu fim esnobe, razão a todos os inimigos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A família católica está chegando nesse ponto, perante um mundo que lhe exige a deformidade e ao grotesco para poder existir; está ratificando todas as reprovações que dela faziam seus detratores, não levando a lugar algum inclusive no ponto de vista emotivo. Os pais já nem sequer impõem freios, apenas trabalham e se mantêm dentro do meio social com unhas e dentes, entregando seus filhos a alguns profissionais pagos, provavelmente católicos, metidos na mesma contradição. “Olhai!” dirão “essa é finalmente a família católica!” Uns pobres tipos adotando todos os vícios da modernidade para poder ter o direito de ser. De ser o quê? Uma união para sobrevivência física mesquinha e sobrevivência espiritual retorcida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É claramente mais lógico o homem atual que não quer repetir o mau modelo do espírito e se aferra a uma vida materialmente cômoda, que não quer se comprometer com ninguém, nem se reproduzir, nem se apaixonar. Não quer essa versão triste e deformada que cada vez dá frutos piores: homens e mulheres que se entregam pela metade, e aos quais ninguém agradece no final.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E então? Então deve-se “guardar a forma” apesar dos piores augúrios e estar dispostos a morrer. A morrer socialmente, a morrer economicamente, a não tentar recorrer a nenhuma das “defesas” que a desnaturalizam: o trabalho moderno, a educação moderna, a religião moderna, todas invenções que queremos emular mas com uma pátina de catolicismo. O ansiado prostíbulo católico. Que faz com que um pai não seja um pai, e uma mãe não seja uma mãe, mas dois profissionais que se imolam para salvar os filhos do ostracismo social, percebendo mais e mais com maior evidência que devem salvá-los de si mesmos; que desnaturalizaram sua família para poder resistir como família. Que no fundo, e na forma, são iguais a todos os outros – exceto no fato de terem se reproduzido, e de que têm de resolver sem muitas ganas nem vocação esse problema.</span></p>
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		<title>O DIREITO DE NÃO SABER</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:36:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo Moderno]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. François Delmotte]]></category>

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		<description><![CDATA[Falar sobre tudo sem saber e querer ter uma opinião sobre todos os assuntos é prova da vaidade e da presunção da alma. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Em 8 de junho de 1978, em um famoso discurso &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-direito-de-nao-saber/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/04/Droit-de-ne-pas-savoir.jpg" alt="" width="295" height="412" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Falar sobre tudo sem saber e querer ter uma opinião sobre todos os assuntos é prova da vaidade e da presunção da alma.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/spiritualite/le-droit-de-ne-pas-savoir">La Porte Latine</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 8 de junho de 1978, em um famoso discurso na Universidade de Harvard (EUA), o dissidente russo Alexander Solzhenitsyn defendeu um novo direito humano.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Todos têm o direito de saber tudo. Mas esse é um slogan falso, fruto de uma falsa era. De valor muito maior é este direito confiscado, o direito das pessoas de não saber, de não terem sua alma divina sufocada por fofocas, estupidez e palavras vazias. Uma pessoa que leva uma vida plena de trabalho e significado não tem absolutamente nenhuma necessidade desse fluxo pesado e incessante de informações. (&#8230;) A imprensa é o lugar privilegiado onde se manifestam essa pressa e essa superficialidade que constituem a doença mental do século XX. Ir ao cerne dos problemas é-lhe contraindicado, isso não está em sua natureza; ela retém apenas as frases sensacionalistas.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alexander Solzhenitsyn, discurso proferido na Universidade de Harvard, 8 de junho de 1978.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas Soljenítsin está só.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem o ouviu? Quem reivindicou para si esse “<em>direito de não saber</em>”? E quem o colocou em prática? Ninguém, ou quase ninguém…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse apelo de Soljenitsyn denuncia um sintoma: o da superficialidade. Por trás desse sintoma, há uma doença. E essa doença tem um nome: a vaidade da alma humana. Na imprensa, nas redes sociais ou em conversas privadas, frases sensacionalistas e julgamentos precipitados são, com demasiada frequência, preferidos ao esforço pela verdade e à caridade do real.</span><span id="more-34602"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por que isso? Sem dúvida, em primeiro lugar, porque a ignorância é assustadora. De fato, é preciso tempo para refletir, para conhecer as coisas com exatidão. Por outro lado, divulgar uma informação requer apenas algumas palavras ou um clique. Assim, é fácil, e demasiado tentador, preencher o vazio que a ignorância provoca com suposições ou conjecturas sem fundamento. Elas são falsas ou distorcidas, mas parecem verdadeiras para quem as formula, porque estão em conformidade com suas crenças. E essa pessoa pouco se importa em verificar se correspondem à realidade. O que é ainda mais grave é o fato de que essas conjecturas nunca são refutadas com a mesma força do anúncio inicial. Elas se tornam, então, verdades aceitas na mente dos ouvintes, criando uma realidade paralela construída sobre areia. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;A necessidade de fornecer informações imediatas e confiáveis nos obriga a preencher as lacunas com conjecturas, a repetir rumores e suposições que jamais serão desmentidas e permanecerão gravadas na memória coletiva. Todos os dias, quantos julgamentos precipitados, temerários, presunçosos e falaciosos obscurecem a mente dos ouvintes – e ali se fixam!&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alexander Solzhenitsyn, discurso proferido na Universidade de Harvard, 8 de junho de 1978.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade, falar sobre tudo sem saber e querer ter uma opinião sobre todos os assuntos é uma prova da vaidade e da presunção de uma alma. Em última análise, trata-se de um traço de orgulho. Soljenitsyne evoca a necessidade de transmitir informações com segurança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é isso que o homem pensa na maioria das vezes? Todos acreditam ter a necessidade, a obrigação, de dar sua opinião. Será isso sabedoria e reflexão? São Paulo, porém, é claro a esse respeito: “<em>Não aspireis a coisas altas, mas acomodai-vos as humildes. Não queirais ser sábios aos vossos olhos</em>” (Rm 12,16). E em outro trecho, ele zomba dessa suposta sabedoria: “<em>Se alguém se lisonjeia de saber alguma coisa, este ainda não conheceu de que modo se deve saber</em>.” (1 Cor 8, 2).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em segundo lugar, é preciso reconhecer que é heroico admitir que não se sabe algo. Falar sobre tudo cria a ilusão de conhecimento e compreensão. E nada é pior do que não saber ou não entender. Admitir a própria ignorância é visto como uma fraqueza, uma pequena morte do ego. Em uma discussão, muitas vezes é difícil admitir: &#8220;<em>Não sei; não conheço esse assunto; não tenho opinião sobre esse assunto&#8221;. </em>Isso implica reconhecer as próprias limitações, de sua ignorância. E é preciso ser forte — com aquela força que a humildade proporciona – para confessá-lo com toda a simplicidade e franqueza. Muitas vezes, a alma superficial prefere, mesmo assim, falar para assim mascarar sua ignorância sobre o assunto. A verborragia esconde os limites. Ao fazer isso, ela leva a fazer prevalecer, na prática, o erro sobre a humildade, preferindo ter uma opinião errada a não ter opinião alguma. Um erro que gera outro, e acaba por acontecer que a pessoa nem mesmo consegue mais ver ou reconhecer a própria ignorância, a falta de conhecimento para tratar com seriedade e competência o assunto em questão. Trata-se de uma manifestação da vaidade, do orgulho que busca obter uma pequena e reconfortante glória de suas palavras e julgamentos. Mas isso é um erro.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Peca-se por vaidade quando se busca manifestar a própria excelência por meio de palavras arrogantes, ou falando de coisas que não se conhece para parecer sábio.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás de Aquino, Summa Theologica, IIa-IIae, Q. 132, art. 1</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>As consequências dessa cobiça do conhecimento</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que cria esse desejo irrefletido de saber tudo? Por um lado, uma certa ilusão: a de controlar as coisas. E isso tranquiliza o homem de espírito pouco profundo. Por outro lado, cria também uma espécie de nova opressão: a da informação contínua, sobre todos os assuntos: saber tudo sobre tudo, o tempo todo, e rapidamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas essa vã agitação é extremamente prejudicial à alma. Tal saturação de informações e fofocas impede a reflexão profunda e o verdadeiro conhecimento da realidade. Além disso, torna impossível o silêncio, que é condição <em>essencial</em> para a vida interior, para uma verdadeira existência intelectual e espiritual.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por outro lado, e de forma insidiosa, essa pretensão do homem de saber tudo sobre tudo prejudica fortemente a verdade, a caridade e a vida social. A verdade, pois muitas vezes nas discussões expressam-se apenas ideias da moda. Mesmo sem que a pessoa se dê conta disso. Pois pode-se estar na moda do tempo… ou mesmo na moda daqueles que se opõem à moda do tempo! Existe, assim, um conformismo do anticonformismo. É lisonjeiro para o ego ser “<em>aquele que sabe”,</em> “<em>aquele que não se deixa enganar pela desinformação”,</em> e assim por diante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso também prejudicial à caridade. Quem é responsável pelas suas palavras hoje em dia? Pois, quando são injustas, distorcem a realidade ou propagam rumores infundados. Ao fazê-lo, além de prejudicar a reputação alheia, perder tempo discutindo o que não nos diz respeito, ou o que está além da nossa compreensão, também fere a alma e o espírito de quem o faz. Quantos julgamentos precipitados são feitos sem que se dedique tempo ou esforço para verificar os fatos! Reclamamos e denunciamos o dia todo as <em>notícias falsas</em> e a desinformação que achamos que nos saturam. Mas com que frequência fazemos o mesmo? Em vez de julgar à distância, sem conhecimento real, com base em rumores em vez de fatos comprovados (método comum de certos meios de comunicação e redes sociais, e de calúnias e difamações), por que não priorizar a interação direta? Já fomos, ao menos uma vez, conversar com o nosso vizinho para expressar a nossa surpresa com a sua conduta e perguntar-lhe, com preocupação pela caridade e pela verdade, as suas razões? Isso permitiria ouvi-lo antes de julgá-lo. E talvez até mesmo de rever o seu julgamento, já que, possivelmente, teremos a oportunidade de descobrir as verdadeiras razões de seu agir, que permaneciam ocultas, pois não podemos, nem devemos, saber tudo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, é um incômodo para a vida em sociedade. Pois todo membro de qualquer sociedade, seja qual for a sua natureza, deve reconhecer que existem assuntos que não lhe dizem respeito, informações que fogem à sua área de especialização. Negar isso é sucumbir à ideologia igualitária, a ideologia que nos faz acreditar que todos são iguais em todos os aspectos e, consequentemente, deveriam saber tudo sobre tudo. Pode-se ser o primeiro a denunciar o totalitarismo ou a ditadura de uma única forma de pensar… mas depois reivindicar e exercer esse falso direito de saber tudo sobre tudo e sobre todos.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O escudo das virtudes contra a cobiça de tudo saber.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A virtude da fé diz respeito ao que o homem não pode ver ou conhecer por si mesmo. Ela adere a um mistério que lhe é revelado por Deus. Em contraste com a pretensão de saber tudo, é a aceitação alegre e livre de que nem tudo pode ser compreendido. Isso permite que a alma receba os dons de Deus. De fato, no Evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo muitas vezes não responde a todas as perguntas. Em contrapartida, Ele sempre desperta e chama à fé aqueles com quem fala.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se o homem sente incessantemente essa necessidade de julgar e comentar, é muitas vezes por ansiedade: um desejo de se tranquilizar e controlar a realidade através da linguagem. Em contrapartida, a virtude da esperança liberta a alma da necessidade dessas ansiedades tão humanas. Ela se apoia apenas na graça divina concedida pelos sacramentos. Essa é a virtude dos filhos de Deus. E, como todos os filhos, o cristão não perde tempo tentando saber tudo; ele confia em seu Pai Celestial. Ao fazer isso, ele é livre. Não saber tudo permite a verdadeira liberdade interior do cristão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Julgamentos precipitados prejudicam a alma tanto de quem os profere quanto de quem os ouve. A caridade assenta num movimento inverso: ama o próximo como a si mesmo, por amor a Deus. Ama, portanto, o próximo o suficiente para não procurar encaixá-lo numa definição, num rótulo ou num boato. Em vez de ser uma caixa de ressonância para os rumores (as calúnias, a imprensa, as redes sociais), a alma torna-se uma sarça ardente que queima as fofocas sem as propagar. “<em>Ora eu digo-vos que de qualquer palavra ociosa que tiverem proferido os homens, darão conta dela no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras será justificado ou condenado.”</em> (Mt 2, 36-37)</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. François Delmotte, FSSPX</strong></span></p>
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		<title>SERMÃO DE D. LEFEBVRE PARA A PÁSCOA &#8211; 11 DE ABRIL DE 1982</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Apr 2026 16:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Marcel Lefebvre]]></category>
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		<description><![CDATA[Clique na imagem acima para ouvir o Sermão Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo Robson Carvalho Caríssimos amigos, Caríssimos irmãos, Cristo Ressuscitou. Nós cremos nisso de toda nossa alma e de todo nosso coração. E como dizia o padre ontem, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sermao-de-d-lefebvre-para-a-pascoa-11-de-abril-de-1982-2/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="https://soundcloud.com/laportelatine/homelie-a-econe-11-avril-82"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2020/04/lefebvre_econe_001.jpg" alt="" width="428" height="288" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">Clique na imagem acima para ouvir o Sermão</span></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo Robson Carvalho</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Caríssimos amigos,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Caríssimos irmãos,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cristo Ressuscitou. Nós cremos nisso de toda nossa alma e de todo nosso coração. E como dizia o padre ontem, ao dispor os grãos de incenso em forma de Cruz sobre o Círio pascal, repetimos com ele hoje:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Christus heri et hodie</em>: Cristo ontem e hoje.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Principium et finis alpha et oméga</em>: Jesus Cristo é o Princípio e o fim de todas as coisas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Ipsius sunt tempora et scæula:</em> A Ele todos os tempos e todos os séculos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Ipsius sunt gloria et imperium per omnia sæcula:</em> A Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Gloriosa vulnera custodiant nos</em>: Que suas chagas gloriosas nos conservem, nos conservem na fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabeis, meus caríssimos irmãos, hoje existe entre os católicos, infelizmente, um grande número que hesita sobre a realidade da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso Senhor não teria tomado, não teria reavido seu Corpo. Esse Corpo que ele recebeu da Virgem Maria. Mas seria um corpo espiritual, um corpo diferente que ele teria tomado, reavido, e não aquele que foi crucificado sobre a Cruz. Ora, Nosso Senhor quis ele próprio, para combater esses erros, que houvesse entre os apóstolos um incrédulo, São Tomé, que não quis acreditar na realidade da Ressurreição de Nosso Senhor. Então Nosso Senhor se apresentou em pessoa enquanto ele mesmo estava presente, enquanto Tomé estava presente e lhe disse: “<em>Tomé, vejas, coloques teus dedos em minhas feridas</em>”.</span><span id="more-31504"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Duvidaremos, caríssimos irmãos, que Nosso Senhor tenha ressuscitado com o Corpo com o qual ele foi crucificado, e que ele recebeu da Santíssima Virgem Maria? Para nós, é nossa fé. E não queremos modificar esta fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É claro que essa ressurreição de Nosso Senhor é um argumento irrefutável de sua divindade. O demônio, que tinha acreditado que acabaria com o reinado de Nosso Senhor fazendo-o crucificar sobre a Cruz, encontrará agora outros meios para tentar impedir que seu Corpo Místico cresça; que seus membros se multipliquem após a Ascensão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E mal Ele ressuscitou, e os meios que ele empregou durante séculos, ele empregará imediatamente. A mentira pelo dinheiro. Pagam os guardas que testemunharam a Ressurreição, a fim que eles mintam e digam que, enquanto dormiam, os apóstolos vieram buscar o corpo de Nosso Senhor. Como dizia tão bem Santo Agostinho ao longo da Lição que lemos durante as <em>Trevas</em> desta noite: Se dormiam, como puderam dizer que testemunharam que os apóstolos vieram buscar o Corpo de Nosso Senhor?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, assim, mentiras sobre mentiras, que os Príncipes dos sacerdotes conseguiram induzir aos soldados, a fim de negar a Ressurreição de Nosso Senhor. Ora, evidentemente, ela os incomodava. Eles, que eram os servos de Satanás; eles, que também acreditaram poder acabar com Nosso Senhor, e Nosso Senhor ressuscitou.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, logo fará vinte séculos que estes fatos ocorreram. Em cinquenta e um anos, festejaremos o vigésimo século da morte e da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o que aconteceu desde então? Pois bem! A humanidade se dividiu. Há aqueles que estão com Nosso Senhor Jesus Cristo; e há aqueles que estão contra Nosso Senhor Jesus Cristo. E ao longo dos séculos pudemos notar se, no curso de certos períodos da História cristã, houve uma adesão geral, em massa, a Nosso Senhor Jesus Cristo. Proclamando a fé na Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Após as perseguições, a partir do reinado de Constantino, pode-se dizer que durante dez séculos, a fé cristã se difundiu pelo mundo. E que, da Irlanda até Mumbai, onde São Tomé pregara o Evangelho, onde ainda encontramos lembranças do apóstolo São Tomé, a fé católica era afirmada por toda parte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, infelizmente, Satanás, aquele que semeia a cizânia, não estava dormindo! E veio o Renascimento. O Renascimento que não era outra coisa senão um retorno ao paganismo, um retorno à exaltação do homem contra Deus, contra Nosso Senhor. E foi então que nasceu o protestantismo, recusando o magistério da Igreja, recusando a fé na palavra da Igreja, rejeitando a Igreja definitivamente, a fim de dar lugar à razão, à liberdade de cada um interpretar as Escrituras como quiser.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E então veio, pouco a pouco, aqueles que, definitivamente, criaram todas as peças do evangelho satânico contra o Evangelho de Nosso Senhor, com seus falsos princípios. Princípio dos Direitos do Homem contra os direitos de Deus, princípio da dignidade humana sem dignidade cristã. Enquanto não há dignidade humana sem dignidade cristã.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Somos dignos na medida em que somos cristãos, e na medida em que as pessoas ainda possam nos tornar cristãs. Consequentemente, falsa dignidade aquela do pecador, daquele que está no erro, aquela daquele que busca o vício e o mal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois, liberdade: liberdade religiosa, todos têm sua própria religião, cada um pode crer no que quer. Não há diferença entre o erro e a verdade, não há diferença entre a virtude e o vício. Não há mais dogmas. Há apenas uma busca geral por uma verdade que nunca se conhecerá: Eis o evangelho de Satanás.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, agora, esse evangelho se espalhou por toda parte. E estamos em uma época espantosa. Que existam inimigos da Igreja, inimigos de Nosso Senhor, Nosso Senhor o anunciara: O mundo me odeia e vos odiará, meus discípulos, não se espantem com isso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, o mundo odeia Nosso Senhor e odiou Nosso Senhor. Então, não há nada de surpreendente nisso. O demônio está por toda parte; ele busca dividir a humanidade e empurrá-la contra Nosso Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o que em nossa época é impressionante, inaudito, que, talvez, nunca tenha existido na História da humanidade, é que aqueles que deveriam manifestar sua fé, aqueles que deveriam afirmar sua fé na Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, agora difundem erros sobre essa Ressurreição, e temos sido as testemunhas disso, aqui em Écône.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pois bem! Em 11 de novembro de 1974, quando nos enviaram alguns visitadores aqui mesmo, em Écône. Bem!, esses enviados de Roma colocaram em dúvida a realidade da Ressurreição de Nosso Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como isso é possível? Logo, fomos as testemunhas, de mandatários de Roma, daqueles que vieram aqui para ver se tínhamos a Verdade; para ver se guardávamos a fé… São eles que corromperam a fé! São eles que já disseram para mim mesmo: mas, Monsenhor, não se pode tratar de manter o celibato para os padres. Mais cedo ou mais tarde os padres poderão se casar. E eram os enviados de Roma!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, Satanás entrou na Igreja, e nos encontramos diante de uma conjuração como a Igreja jamais sofreu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja sofre sua Paixão hoje. Os inimigos invadiram e agora espalham os erros, os erros. Esse catecismo de Satanás, eles o difundem por meio daqueles que deveriam pregar a Verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Puderam ler nestes dias – se os senhores leem o jornal Présent – um artigo de Hugues Kéraly, que diz abertamente: Os bispos da França renegaram três vezes Nosso Senhor. E adianta os fatos. Três vezes, com efeito, publicadamente, nos escritos que difundiram no meio dos fiéis, os bispos interpretam algumas palavras da Escritura, que afirmam explicitamente a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, os bispos as traduzem de tal modo que não se pode reconhecer mais a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por exemplo, quando Pilatos interroga Nosso Senhor e lhe diz: É verdade que és Rei? <em>Tu dicis quia Rex sum ego</em>. Toda a Tradição traduziu: “<em>Tu o dizes, com efeito, sou Rei</em>”. Os bispos traduzem: <em>É você quem diz que sou Rei”</em>. Não é isso que diz Nosso Senhor. Nosso Senhor diz: “<em>Tu o dizes, sou Rei</em>”, ele afirma sua divindade. Não é uma palavra de Pilatos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, bispos, publicamente, podem modificar as palavras da Escritura que afirmam a divindade de Nosso Senhor colocando, de algum modo, em dúvida, sua divindade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E vemos coisas surpreendentes. Recentemente pudestes ler nos jornais que, na Inglaterra, teólogos católicos, protestantes e anglicanos se reuniram a fim de acabar com a divisão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ah, queira Deus que essa divisão acabe e que os anglicanos voltem para a unidade da fé na Igreja católica. Oh, é o que pedimos ao Bom Deus todos os dias. Mas não se trata disso. Trata-se de uma união entre os anglicanos e os católicos, da qual o papa seria o Presidente de honra. E parece-lhes que agora tudo acabou com as dificuldades que existiram entre os anglicanos e os católicos ao longo dos séculos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Houve protestos dos bispos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E isso foi publicado, e me disseram que depois de seis anos de trabalho, agora a questão estava resolvida e que a viagem do papa estando próxima, poderiam proclamar a união definitiva dos anglicanos e dos católicos. A união da Verdade e do erro, a união da Luz e das trevas, a união de Belial e Deus! É o que diz São Paulo. Existe a possibilidade de unir essas coisas?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esperamos que essas coisas não aconteçam, porque elas não podem ocorrer sem destruir a Verdade da Igreja. Ainda aqui, os bispos faltam com seus deveres de pastores, de pastores da Verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outro exemplo: na Alemanha, por duas vezes, se reuniram na diocese de Rotemburgo 165 teólogos – ou pretensos teólogos católicos – vindos de todas as dioceses da Alemanha.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eles fizeram uma reunião ao longo da qual disseram, concluíram: Doravante, não queremos mais que haja divisão entre os católicos e os protestantes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais uma vez queira Deus que não haja mais divisões entre os católicos e os protestantes, mas que os protestantes se convertam à Verdade católica. É o único modo de concretizar a unidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não! Para eles, não é assim. Eles concluem: Doravante, a união deve acontecer, nos fatos, na prática, e solicitamos que os padres católicos possam se tornar párocos nas paróquias protestantes, e que os pastores possam se tornar párocos nas paróquias católicas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ninguém protestou! Nenhum bispo protestou: 165 teólogos católicos vindos de todas as dioceses da Alemanha!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vivemos realmente em uma época em que se renega Nosso Senhor; onde não se crê mais na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então, caríssimos irmãos, quanto a nós, quanto a nós, aos quais o Bom Deus fez a graça de guardar a fé de nossa infância, a fé que nossos pais nos deram, a fé pela qual morreram tantos mártires e pela qual ainda sofrem tantas pessoas atrás da “<em>cortina de ferro”</em>, abandonaremos esta fé? Não!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Hoje, nesta festa de Páscoa, afirmamos novamente, com a Igreja de sempre, que cremos em Jesus ressuscitado!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que ele ressuscitou com seu Corpo, com o Corpo com o qual ele foi crucificado, e que suas chagas gloriosas nos guardam nesta fé, como dizia a Igreja ontem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Veremos um dia – com a graça de Deus – as chagas de Nosso Senhor, gloriosas, pelas quais fomos resgatados; pelas quais poderemos participar na glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então, não queremos negar a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou colocá-la em dúvida. E pediremos à Virgem Maria para nos guardar nesta fé. Pode ela dizer que o Corpo com o qual Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou não é aquele que ela Lhe deu?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pode ela pensar uma coisa assim? Ela foi a testemunha da crucificação de seu Divino Filho; ela O seguiu até o túmulo e ela está segura de que o Corpo que ele retomou é aquele, é, sim, aquele que ela lhe deu, e que ela sempre viu até a sua Ressurreição e Ascensão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Peçamos à Virgem Maria para que ela nos guarde em nossa fé, nos guarde na fé católica, na fé da Igreja, e não nos deixe arrastar por todos esses erros modernos que nos afastariam de Nosso Senhor, e poderiam nos separar Dele para sempre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.</span></p>
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		<title>MISSA DO DOMINGO DE PÁSCOA, DIRETO DA CASA DE PORTUGAL, EM SÃO PAULO</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Apr 2026 11:30:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.youtube.com/live/ndQtkagD7h0?si=DEE-QjbKKd2R1usW"><img class="aligncenter size-full wp-image-27155" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/04/dom.png" alt="dom" width="728" height="299" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Para assistir a Santa Missa clique na imagem acima</strong></p>
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