BREVES ANOTAÇÕES SOBRE A NOVA DOUTRINA BERGOGLIANA SOBRE A PENA DE MORTE

Pe. Mauro Tranquillo, FSSPX

Já analisamos aqui o fundo modernista da nova doutrina do Papa que condena a pena de morte. Vimos que, ao contrário, a doutrina da Igreja, fundada sobre a Revelação, a considera lícita. Ainda assim, falta fazer algumas outras observações sobre o escrito pontifício de 01/08/2018 e o discurso que o anunciava em 11/10/2017.

1 – Em 1962, para mudar a doutrina (liberdade religiosa, ecumenismo, colegialidade, etc) foi preciso um Concílio ecumênico. Ainda em 2016, para dar a comunhão aos divorciados recasados, foi preciso um sínodo. Este enésimo vulnus formal no ensinamento da Igreja se fez, ao contrário, com um simples ato administrativo de uma Congregação Romana, depois de uma audiência com o Papa. Além disso, não constam até o momento reações ou “dúbia” de prelados “conservadores”. (Continue a leitura)

2 – Difícil dizer se contestações surgirão no futuro próximo. Entretanto, todos os artigos da doutrina, enquanto revelados por Deus, têm a mesma importância nas profissões de Fé, e a negação de apenas um deles nos faz pecar contra a virtude da Fé. A explicação possível a esta diferente atitude dos “conservadores” (se for confirmada pelos fatos) bem como da simplicidade do procedimento utilizado neste caso, parece-nos que se deve reconhecer no que afirma o próprio Papa Francisco:

“Esta problemática não pode ser reduzida a uma mera recordação de ensinamento histórico sem fazer emergir (…) o progresso na doutrina pelas mãos dos últimos Pontífices”. A referência, explicitada no discurso de 11/10, é particularmente à nova doutrina sobre a dignidade humana, caríssima a João Paulo II. O conservador, que fez sua a doutrina conciliar e pós-conciliar sobre o assunto, ainda que graças à síntese “neo-ortodoxa” operada por Ratzinger, dificilmente objetará a argumentação do Papa Bergoglio, antes com toda chance terminará por se encontrar à vontade neste caso. Continuar lendo

A IGREJA CATÓLICA E A OUTRA

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Dom Lourenço Fleichman OSB

A leitura do debate em torno das Cartas do Concílio, do Padre Berto, teólogo de Mons. Marcel Lefebvre no Concílio, publicado na revista dos dominicanos franceses Le Sel de la Terre nº 45 mostrou-me, ainda uma vez o quanto a crise atual joga as almas em todas as direções no meio desta névoa espessa que cobre a Igreja.

Parece evidente que, quarenta anos após o Concílio, é necessário trabalhar mais a fundo a questão da natureza exata da crise modernista, sua essência, a base teológica explicativa de tal situação, sem esquecer os apoios nas Sagradas Escrituras e nos Padres da Igreja, também importantes. Assim, como conseqüência desta análise, devemos procurar estabelecer de modo mais sólido, até que medida um católico é obrigado a seguir a Roma modernista, seus textos, seus ritos, seus acordos.

Devemos estar sempre disponíveis para fazer acordos, sempre de boa vontade e acolhedores para os textos do Papa ou dos cardeais, para em seguida criticá-los ou, ao contrário, devemos nos afastar de verdade das autoridades romanas e levar nossa crítica ao conjunto de textos da Roma conciliar, mesmo reconhecendo, aqui ou ali, algumas frases mais tradicionais? A questão não é nova. A novidade está nas circunstâncias atuais, quarenta anos depois do concílio e quinze depois das sagrações episcopais de 1988.

É um fato que cada vez que nos aproximamos dessa espécie de máquina, de mecânica que se estabeleceu nas congregações romanas, voltamos machucados, deixando presos nas rodas padres amigos, fiéis engolidos nos meandros da nova religião; um pedaço de nossas vidas. Continuar lendo

PAULO VI (1887-1978), UM NOVO SANTO?

Pe. Thierry Gaudray, FSSPX – Fonte: Permanencia

No dia 5 de agosto passado, o Papa Francisco falou à multidão reunida na praça São Pedro para a oração do Angelus: “Há quarenta anos, o Beato Papa Paulo VI estava vivendo as suas últimas horas nesta terra. Morreu, de fato, na noite de 6 de agosto de 1978. Recordemos dele com muita veneração e gratidão, à espera da sua canonização, em 14 de outubro próximo. Do céu interceda pela Igreja, que tanto amou, e pela paz no mundo. Este grande Papa da modernidade, o saudemos com um aplauso, todos!

Não há dúvida que, ao canonizar Paulo VI, após tê-lo feito com João XXIII e João Paulo II, Francisco tem a intenção de confirmar os católicos nas novas orientações tomadas pela Igreja desde o Concílio, e dar um novo lustro à liturgia reformada1. Paulo VI foi, de resto, o primeiro papa a lançar mão da canonização dos santos para avalizar o Concílio, anunciando, no dia 18 de novembro de 1965, antes do seu término, portanto, a introdução das causas de beatificação de Pio XII, mas também de João XXIII2.

No entanto, quão opostos eram os julgamentos desses dois papas sobre Monsenhor Montini! Se este último foi um colaborador próximo do Cardeal Pacelli por muitos anos, em 1954 foi afastado de Roma por vontade do Papa Pio XII. O sobrinho de Paulo VI testemunhou que seu tio jamais nutriu a menor ilusão a esse respeito: “para ele, tratava-se de um drama no mais pleno sentido da palavra”3. Ainda que Pio XII não tenha julgado conveniente afastar um substituto nos assuntos ordinários da secretaria de Estado sem lhe conceder uma aparente promoção, a censura não deixava de ser notória. A Sé de Milão era tradicionalmente ocupada por um cardeal, ora “Pio XII não criou mais nenhum cardeal”, e isto “para não ter de designar Monsenhor Montini”4

João XXIII, ao contrário, no dia 4 de novembro de 1958, um pouco antes da cerimônia da sua coroação, escreveu um bilhete para Monsenhor Montini afim de anunciar que esta dignidade lhe seria brevemente conferida5, e sete anos mais tarde, no seu leito de morte, disse: “Meu sucessor será o Cardeal Montini”.  Continuar lendo

ROMA, O QUE FIZESTE DO MARTÍRIO DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO?

Meus caríssimos irmãos,

Eis-nos outra vez reunidos sob o patrocínio de São Pedro e São Paulo, mártires. Como não lançar nossos olhares, pelo pensamento, pelo coração, para Roma? Roma que este Papa e o apóstolo São Paulo regaram com o seu sangue, acompanhados de tantos e tantos mártires. Foi também com emoção que lemos esta manhã as lições do Papa São Leão, que se dirigia assim à Cidade Eterna: 

“Ó Roma, quæ eras magistra erroris facta est discípula veritatis – Ó Roma, tu que eras mestra do erro, que ensinaste o erro, eis que te fizeste serva da Verdade”. 

Que bela palavra: serva da Verdade! E ele acrescentava que esta cidade de Roma reunia todos os erros de todas as nações: Omnium gentium serviebat erroribus

Roma parecia estar a serviço dos erros de todas as nações. Acolhendo todas as divindades, Roma julgava, diz ainda São Leão, que tinha uma grande religião, magnam religionem, porque, precisamente, ela reunia todos os erros, todas as religiões, em seu seio.

Estas palavras de São Leão descrevendo a Roma pagã, a Roma antiga, faz-nos refletir hoje.

Qual é, atualmente, a situação de Roma? O que pensa de nós, reunidos aqui para realizar, assistir ou participar destas ordenações sacerdotais?

Podemos sabê-lo lendo o livro do Cardeal Ratzinger que acaba de ser lançado  e que fala de nós.

O que diz ele de nós? Diz que é espantoso que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X seja tão ligada aos papas anteriores ao Concílio – o que para nós é verdadeiramente um testemunho que nos alegra – e que façamos tão grandes reservas aos papas que se seguiram ao Concílio. Se são tão ligados ao papado, porque, espanta-se ele, fazer distinção entre os papas? Continuar lendo

O ACORDO ROMA-MOSCOU

O artigo seguinte trata de uma das páginas mais tristes de nossa história, o acordo Roma-Moscou firmado em 1962. Ele nos ajuda a compreender o porquê do Vaticano ter se calado sobre o comunismo no Concílio, bem como as origens da atual política de simpatia por políticos e personalidades de esquerda. 

Revelado inicialmente pela imprensa comunista, foi confirmado posteriormente por publicações progressistas e comentado no periódico católico “Itinéraires”. Mas ninguém leu, ou se leu, não acreditou, ou se acreditou, deu ao acordo uma interpretação complacente que não mais se pode manter.

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Jean Madiran

A negociação secreta entre a Santa Sé e o Kremlin efetivamente realizou-se. Concluiu-se realmente o acordo. Roma comprometeu-se de verdade. Tudo mostra que o pacto continua em vigor, embora não seja de ontem mas de anteontem. Ele é de 1962. Há 22 anos a atitude mundial da Igreja Católica em face do comunismo está subordinada às promessas feitas aos negociadores soviéticos.

Não revelo segredo algum. Relembro o que todos deviam saber, mas esqueceram, ou jamais souberam ou fingem ignorar. No entanto, publicaram-se, em 1962, três coisas na imprensa comunista e na católica: 1) a existência da negociação; 2) a conclusão do acordo; 3) as promessas feitas pela Santa Sé. O essencial foi dito, escrito, impresso sob completa desatenção. Os comentadores mais bem informados baixaram os olhos pudicamente. Não se registrou nenhum comentário pormenorizado, salvo em “Itinéraires”. Admitindo-se que, na época, a distração, real ou fictícia, foi universal, hoje a ignorância é completa. De sorte que, resumindo o assunto em algumas dezenas de linhas em “Présent” de 30 de dezembro de 1983, provoquei a estupefação dos mais experimentados na matéria e topei freqüentemente com uma incredulidade desdenhosa ou indignada. Era esse o meu resumo: “João XXIII comprometeu-se com o negociador soviético — que era Mons. Nicodemo — a não atacar o povo nem o REGIME da Rússia. Isso era para que Moscou permitisse que os observadores ortodoxos russos comparecessem ao Concílio. Desde então a Santa Sé considera-se ligada pelos compromissos de João XXIII. Já não se nomeia o comunismo em nenhum documento pontifício”. Diante dessas linhas, as pessoas reagiram como se jamais tivessem ouvido falar dessa negociação e dessa promessa. Continuar lendo

A PASCENDI EXPLICADA – LUZES DA ENCÍCLICA PARA OS CATÓLICOS DE HOJE

Pelo Pe. Joël Danjou, FSSPXResultado de imagem para pascendi

“Julgamos oportuno escrever-vos estas coisas, Veneráveis Irmãos, a bem da salvação de todos os fiéis.”

Papa São Pio X

Introdução: Cem anos depois: o modernismo ainda mata

Quando voltei a ler a encíclica “Pascendi” (08/09/1907) de São Pio X, tive um profundo sentimento de agradecimento para com o último Papa canonizado. Esse documento é uma pedra angular na defesa verdadeira e equilibrada do catolicismo. Tem a assinatura de um Papa Santo, cheio de Fé e de Caridade. Lembra a voz do Bom Pastor, reconhecida pelas ovelhas. Lembra que não existe pregação caritativa da Verdade sem condenação explícita dos erros e heresias.

O santo Papa do século XX nos entrega nesta encíclica um trabalho fundamental, preciso e paciente. Explica para os católicos, com uma precisão que maravilha, todo o sistema modernista. Define o erro com as palavras adequadas e mostra a raiz do mal. Encontrada a raiz do mal, as soluções e os remédios seguem naturalmente.  

Prezado leitor, o modernista não é utópico, sonhador, idealista. Isso é a sua aparência exterior. O modernista é visceralmente orgulhoso. Orgulhoso na sua inteligência e também na sua vontade. O modernismo é um sistema que mente ao homem sobre a realidade da sua natureza. Atribui ao homem faculdades que não são de seu alcance. Diz assim que: “a religião, no homem Jesus Cristo assim como em nós, é fruto inteiramente espontâneo da natureza.”. E São Pio X conclui: “Nada pode vir mais a propósito para dar cabo de toda a ordem sobrenatural.”. Mas ao mesmo tempo o modernismo recusa reconhecer outras faculdades que são próprias a todos os homens quando conhecem uma coisa qualquer ou uma realidade. Nega a capacidade da inteligência humana de conhecer a natureza, a essência das coisas. Pela abstração a inteligência humana conhece muito mais do que a cor do pôr-do-sol! Conhece a beleza do pôr-do-sol. 

Dessa maneira, o modernista conhece apenas a cor da religião e nada de sua beleza e grandeza essencial. Conhecem ainda as palavras típicas da religião católica, mas sem poder dar definições definitivas a cada uma delas. Usam as palavras Missa, Deus, alma, graça, religião, fé, dogma, tradição para se servir delas e defini-las segundo a experiência religiosa de cada um! O modernismo não quer mais receber de Deus a religião, mas construir uma que o ‘elevará’ até a divinização do Homem pelo Homem. Continuar lendo

O BURRO FAZ BURRICE, O IDIOTA IDIOTICE E A IGREJA CONCILIAR FAZ “CONCILIARICE”

Pela graça de Deus o final foi melhor que o esperado!!! Esperamos que os pais também tenham enxergado as contradições da “misericórdia conciliar”.

DIOCESE DE BUFFALO NEGA CATOLICIDADE DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Um casal que frequenta a capela da FSSPX em Nova York foi impossibilitado, pela Diocese local, de serem padrinhos batismal do bebê de um parente.

Um infeliz e preocupante incidente em relação à FSSPX se desenrolou nas últimas semanas em Buffalo, Nova York. Quando autoridades da Diocese de Buffalo souberam que um casal que participa da Missão local da FSSPX havia sido convidado para ser padrinho de batismo de sua sobrinha no domingo, 15 de abril de 2018, eles entraram em ação. 

O Sr. e a Sra. X de Batávia, paroquianos da Capela Nossa Senhora do Rosário, da FSSPX em Buffalo, foram informados pela diocese de que não poderiam atuar como padrinhos de batismo. Em vez disso, lhes foi dito que poderiam assistir apenas como “testemunhas” (de acordo com a Canon 874 §2). A decisão foi tomada pela Irmã Regina Murphy, SSMN, chanceler interina da diocese e confirmada pelo bispo auxiliar de Buffalo, D.Edward Grosz.

A diocese esclarece sua posição 

Apesar de, na quarta-feira – 11 de abril, ter havido uma reunião por telefone com Superior do Distrito norte americano Pe. Jürgen Wegner e a FSSPX fornecer documentos explicativos sobre seu status canônico, a Sra. Regina replicou, em um e-mail enviado ao Distrito, na quinta-feira, 12 de abril, de que seria impossível para católicos que frequentam as capelas da Fraternidade, atuarem como padrinhos, escrevendo:

“A Fraternidade São Pio X não está em plena comunhão com o Papa e não reconhece a validade de muitas decisões do Concílio Vaticano II. Embora um católico romano batizado que frequenta uma igreja assistida pela Fraternidade São Pio X possa ser testemunha em um batismo católico romano, ele ou ela não pode ser padrinho de uma criança a ser batizada pelas seguintes razões: A pessoa pratica sua fé católica dentro de uma igreja que não está em união com a Igreja de Roma e que rejeitou a absoluta autoridade do Santo Padre e de muitas das reformas do Concílio Vaticano II.[.]”

Uma criança não deveria ser colocada em uma posição possivelmente confusa onde os pais frequentam uma igreja em união com Roma e os padrinhos outra, não unida a Roma. Não é um julgamento sobre a vida da fé ou a sinceridade de qualquer pessoa, enquanto indivíduo mas simplesmente o fato de encontrar padrinhos que estejam vivendo a Fé Católica Romana, de modo que possam ajudar a transmitir essa fé.

Há uma diferença considerável entre um padrinho e uma testemunha. A presença de um padrinho remonta à Igreja primitiva: eles fazem a profissão de fé em nome de quem será batizado e contraem uma relação espiritual, real e com obrigações. Uma testemunha simplesmente atesta que o batismo aconteceu validamente.

Uma declaração contraditória

É contraditório aceitar que os fiéis que frequentam as capelas da FSSPX são “Católicos Romanos batizados” que “praticam [ ] [sua] Fé Católica” mas não “vivem a fé católica romana” e não podem “ajudar a transmitir essa fé”. Eles são vistos como capazes de assistir apenas como testemunhas, sob o Cânon 874 por não pertencerem à Igreja Católica, mas são reconhecidos como membros batizados de uma “comunidade eclesial não católica”.

O Sr. Y de Éden, Nova York, pai da recém-nascida que havia programado o batismo em sua paróquia (Santo Antônio de Pádua, em Búfalo, que hospeda uma Missa Tradicional diocesana), obviamente pergunta:

O que torna a Fraternidade [São Pio X] não católica? Eles simplesmente continuam a adorar e ensinar como o catolicismo fez por 2.000 anos. No entanto, a Diocese de Buffalo e o Bispo não têm problemas em realizar atos condenados pela Igreja. Eles participam e promovem uma adoração falsa e não católica. No ano passado, o Bispo rezou com os luteranos e celebrou os 500 anos do cisma, um verdadeiro cisma. A Diocese também, escandalosamente, vendeu belas igrejas como a Queen of Peace, Saint Gerard e Saint Agnes para se tornarem mesquitas muçulmanas e templos budistas. Há uma enorme contraposição, que não pode ser ignorada.

Seu irmão (o padrinho escolhido), declarou:

“Sinto-me insultado, para dizer o mínimo, por não sermos reconhecidos como católicos e que nos fora sugerido que assistíssemos como “testemunhas cristãs”. Como é possível admitir que assistindo à Missa em uma igreja da Fraternidade [São Pio X] cumpre-se a obrigação do domingo, e ao mesmo tempo não seja considerado católico?”

Uma injustiça cometida

A Diocese de Buffalo claramente considera a Fraternidade São Pio X uma denominação não católica. Ainda, a simples participação na Missa em uma capela da FSSPX é interpretada como um ato formal de deserção da Igreja Católica. Isto, apesar da legislação canônica atual!

O recente debate sobre os casamentos feitos pela FSSPX é esclarecedor aqui. Com relação ao casamento, todo católico é obrigado a submeter-se à autoridade da Igreja, uma vez que a jurisdição é necessária para um casamento válido. Assim, um católico deve ser casado por um padre que tenha autoridade ou que tenha recebido delegação para tal. Se um católico não segue a “forma ordinária” do casamento, este é inválido. As únicas exceções previstas pelo Direito Canônico são situações em que um católico não pode ter acesso a um padre. Tais situações podem ocorrer na diáspora, ou, como justifica a FSSPX, situações em que o católico tema que a compreensão da doutrina matrimonial da Igreja, seja plena, integral e descomprometida, possam  colocar em perigo o matrimônio durante a preparação e a celebração em si. Não-Católicos, não estando sob a autoridade da Igreja, estão desobrigados a seguir a forma canônica instituída pela Igreja. Desta forma, seus casamentos podem ainda ser considerados válidos.

Nas últimas décadas, os casamentos testemunhados pelos padres da Fraternidade São Pio X foram “anulados” alegando-se defeito de forma, precisamente porque os católicos, que participavam da vida paroquial da Fraternidade eram considerados católicos, mas em situação canônica irregular. (Como nota adicional, para aqueles que estão escandalizados em casos recentes, em que um padre diocesano ou religioso recebeu os votos dos fiéis da FSSPX, eles aparentemente ignoram o fato de que esta tem sido uma prática da FSSPX desde o início. A legislação recente apenas formaliza o que tem sido feito ad hoc no passado. Ao contrário do que alguns afirmaram, não há novidade neste aspecto.)

Aparentemente a Diocese de Buffalo quer tudo ao mesmo tempo: a Fraternidade é uma denominação não-católica quando se trata de batismo, mas católica quando se trata de casamento. A ironia é que, neste caso, é a FSSPX que insiste em seguir a lei da Igreja ao pé da letra – e com isso os católicos fiéis são os que sofrem!

Um final feliz

No final, felizmente o bebê foi batizado na capela local da Fraternidade, no Domingo do Bom Pastor, com a participação dos padrinhos escolhidos. O Distrito norte-americano da Fraternidade de São Pio X informou a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei a respeito da injustiça e espera um esclarecimento de Roma a fim de que triste situação não se repita. A FSSPX continuará a fazer o que a Igreja sempre fez pelo bem das almas, independentemente das circunstâncias.

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Uma carta de Santo Atanásio que mostra bem essa situação atual pode ser lido aqui.

ESPECIAIS DO BLOG: ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II

jpEm mais uma “Operação Memória” de nosso blog, trazemos novamente os links para os capítulos do “Estudo sobre o Naturalismo dos Mistérios Luminosos, escrito pelo Padre Peter R. Scott – FSSPX que expõe de forma clara a tentativa velada de promover o naturalismo da revolução pós-conciliar.

Como isso poderia ser possível? Como poderia um papa errar recomendando o Rosário? Como poderia Nossa Senhora abandonar aqueles que continuam a recitar suas Ave-Maria? Como poderia um católico criticar um papa que diz que o Rosário é “sua oração predileta”, “Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade” ?

Leiam e entendam.

 

TRABALHANDO E CAMINHANDO EM SENTIDOS OPOSTOS

Talvez essa vigília não seja tão escandalosa como tantas que temos aqui no Brasil (principalmente em relação ao sincretismo com religiões pagãs), mas vale o exemplo de como deve ser nossa postura perante o novo ecumenismo pós-conciliar, que ofende tanto a Nosso Senhor, e mostra como a igreja conciliar caminha em sentido oposto ao da Igreja Católica, como já dito por D. Lefebvre. Parabéns ao Priorado da FSSPX em Albano (Itália) pelo belo exemplo dado.

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

No sábado, 20 de janeiro, por ocasião da “vigília ecumênica” organizada pela diocese de Albano-Laziale e presidida pelo bispo D. Marcello Semeraro, um grupo de fiéis da Fraternidade São Pio X se reuniu perto da Catedral com a intenção de informar aos participantes da vigília sobre a insensatez de tal prática que, de modo algum, pode ser definida como católica e que destrói profundamente o conceito de “unidade dos cristãos” cuja única base é a integridade da fé.

Na entrada e na saída da igreja foram distribuídos folhetos para alertar sobre o erro praticado hoje e para esclarecer acerca da verdadeira posição do Magistério a este respeito.

Durante a celebração, foi recitado um rosário liderado pelos sacerdotes da Fraternidade, em espírito de reparação ao falso ecumenismo que ofende a Deus e faz os não-católicos permanecerem no erro. Algumas horas antes, na capela do Priorado, foi celebrada uma Missa de reparação. 

Do site da Diocese de Albano-Laziele:

“[…] Sábado, 20 de janeiro, às 19:30h na Catedral de Albano, será celebrada a Vigília ecumênica diocesana, presidida pelo bispo de Albano Marcello Semeraro com a pregação do bispo da diocese ortodoxa romena da Itália, Monsenhor Siluan e a abertura pelo pastor da Igreja Evangélica Batista de Ariccia, Giuseppe Miglio (vice-presidente da UCEBI). A animação litúrgica será organizada pela comunidade evangélica, da comissão ecumênica diocesana, o coral polifônico ortodoxo “San Romano il melode” e pelo organista da Igreja Batista de Ariccia, Alberto Annarilli “.

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Nota do nosso Blog: para entender o verdadeiro significado do ecumenismo, segundo o magistério da Igreja, deve-se ler a Encíclica Mortalium Animos, de Pio XI.

“A IGREJA NÃO É O CORPO MÍSTICO DO PAPA; A IGREJA É, COM O PAPA, O CORPO MÍSTICO DE CRISTO”

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Não voe muito baixo

Propomos aos nossos leitores este artigo (retirado da última edição da “Le Seignadou”, o boletim do Priorado “Saint-Joseph-des-Carmes”, no sul da França) de D. Michele Simoulin, ex-Reitor do Seminário Ecône (1988 -1996) e Superior do Distrito Italiano da FSSPX (1997-2004), a quem agradecemos a gentil autorização para publicá-la (original do texto italiano).

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Todos nós conhecemos a Declaração de Mons. Lefebvre, de 21 de novembro de 1974. Se a esquecemos, vamos relê-la: ela não envelheceu. Na verdade, é ainda mais atual: ainda hoje – e certamente será por muito tempo – o fundamento da nossa posição na atual situação da Igreja: “Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neo-modernista e neo-protestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram“.

Não esqueçamos, no entanto, o que a declaração diz logo após: “Nenhuma autoridade, nem sequer a mais alta na hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há dezenove séculos“.

O cerne da questão, portanto, é a fé, propósito e razão de ser da Igreja e de seu magistério. Mons. Lefebvre é muito claro e delineia claramente o objeto final de sua fidelidade: “a Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé“. Todo o resto é secundário ou simplesmente pertence à ordem dos meios, incluindo o Papa, os sacramentos, a moral, a teologia, o catecismo, etc. Tudo, até mesmo a Santa Igreja está a serviço da fé!

E assim não nos esqueçamos da exortação, cheia de força e sabedoria, do padre de Chivré para “não voar muito baixo“. Pode-se facilmente cair em uma espécie de racionalismo que reduz as questões da Igreja aos assuntos puramente humanos. Talvez tenhamos o mau hábito de referir tudo aos homens: Papa, bispos, sacerdotes…aos detentores da autoridade na Igreja, à Roma, ao Papa ou a Mons. Fellay – em vez de Deus e Jesus Cristo. Ao contrário, tudo passará: até a Igreja e a Fraternidade passarão, “mas minhas palavras não passarão” (Mt 24, 35). Somente a Igreja eterna, isto é, a Santíssima Trindade, pode justificar e merecer que se abandone tudo para servi-la. Continuar lendo

NA ‘MISSA NOVA’, O SANTO SACRIFÍCIO SE TORNOU A LITURGIA DOS SALVOS

Este capítulo demonstrará que a perspectiva panteísta fornece uma explicação global e coerente às inovações litúrgicas do concílio Vaticano II. Com razão, alguns não deixarão assim de levantar a questão da influência protestante sobre o Vaticano II, mais que visível, aliás, na missa nova. Seríamos os últimos a querer negá-la ou minimizá-la. Porém devemos ver nela a origem última da subversão religiosa? O protestantismo não é ele próprio o vetor de outras influências, que só se revelam progressivamente no desenrolar da história? Ele não é apenas uma etapa na subversão espiritual.

Não buscaremos evidenciar aqui a filiação histórica entre gnósticos, maniqueus, cátaros, albigenses, humanistas, cabalistas, Rosa-Cruzes e maçons, de um lado, e protestantes, do outro. Somente esta enumeração demonstra a extensão das pesquisas a serem conduzidas a termo. Não se pode negar que todos[1] estes movimentos são anteriores à Reforma e não podem provir dela. A influência destas correntes anti-católicas sobre a origem da Reforma, uma semelhança espiritual frequentemente muito profunda com o protestantismo (que este capítulo evidenciará implicitamente) e a convergência dos herdeiros de todas estas forças durante o concílio Vaticano II estabelecem naturalmente um vasto problema. Não tomaremos a iniciativa de resolvê-lo aqui, mencionando somente que ele conduz a conclusões muito perturbadoras sobre a origem do protestantismo e, portanto, do ecumenismo e do Vaticano II.

A proximidade, não mais histórica, mas intelectual, entre os movimentos gnósticos e o protestantismo exige, não obstante, um esclarecimento rápido[2]. Por que tantos elementos do concílio Vaticano II podem ser interpretados tanto em uma perspectiva holística, gnóstica e maçônica, quanto em um âmbito protestante? Por que o ecumenismo, a colegialidade, a liberdade religiosa, a missa nova, a confusão entre a natureza e a graça, figuram naturalmente nestes dois sistemas de interpretação? Devemos resumir aqui umas considerações que mereceriam desenvolvimentos mais amplos. A doutrina maçônica, que é também aquela do Vaticano II, confunde a natureza e a graça, divinizando a natureza. “Esta natureza foi elevada em nós a uma dignidade incomparável. Pois, por sua encarnação, o Filho de Deus se uniu de algum modo a todo homem“. Por sua vez, Lutero confundia a natureza e a graça, destruindo a natureza para deixar subsistir somente Deus: o pecado original, que o batismo não apaga, corrompeu radicalmente o homem. A natureza estando irremediavelmente ferida, não pode o homem fazer nenhum esforço moral. Toda a nossa santificação é obra somente de Deus, e não podemos de modo algum colaborar com ela. Assim os eleitos são justificados somente pela graça de Deus, que lhes imputa a justiça de Cristo, revestindo-os como por um manto de seus méritos. Chega-se assim ao panteísmo por duas vias opostas: seja exaltando e divinizando o homem, seja o rebaixando até  à aniquilação.

Todavia, resta mencionar que, apesar de todas estas semelhanças profundas, o protestantismo não pode por si só justificar a doutrina do Vaticano II: a confusão entre o Criador e a criatura, a salvação universal, a salvação cósmica, a unidade do gênero humano, nossa graça natural e a dignidade humana só podem ser explicadas no âmbito do pensamento holístico. O livre exame protestante só tomará sua amplitude com a doutrina conciliar e gnóstica da revelação interior. Assim, a Reforma aparece como uma simples etapa na transmutação alquímica da cristandade que culminou no concílio Vaticano II. Continuar lendo

BENTO XVI É ACUSADO DE PROPAGAR HERESIAS

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Após as acusações lançadas contra Francisco, que pervertem o Magistério através de pelo menos sete heresias formais, nada menos que dois textos acusam, por sua vez, o teólogo Ratzinger, então Papa Bento XVI, de desvios heréticos evidentes.

O primeiro ataque levantado nos últimos dias contra o teólogo Ratzinger se encontra no livro “Au cœur de Ratzinger, au cœur du monde” (No coração de Ratzinger, no coração do mundo)“, que acaba de ser lançado na imprensa com a assinatura de Enrico Maria Radaelli. O autor é conhecido como o mais fiel discípulo de Romano Amerio (1905-1997), o filósofo suíço que, em 1985, publicou “ Iota Unum“, a acusação mais sistemática e bem argumentada contra a Igreja Católica da segunda metade do século XX, na qual acusa de haverem subvertido os fundamentos da doutrina em nome do subjetivismo moderno. 

O livro de Radaelli acaba de ser publicado pela Aurea Domus, editora de propriedade do mesmo autor, que pode ser comprado por e-mail e também em algumas livrarias em Roma e Milão. 

O que fez com que Radaelli culpasse igualmente a teologia de Ratzinger de ser subversiva foi a leitura e análise de seu trabalho teológico mais conhecido e mais amplamente lido: “Einführung in das Christentum ” (Introdução ao Cristianismo) [publicado em francês sob o título “A fé cristã ontem e hoje]. Publicado pela primeira vez em 1968 antes de ser reeditado dezenas de vezes e traduzido para várias línguas até hoje. 

O segundo, ainda mais frontal – pelo menos no título – é um texto que apoia o livro de RadaelliÉ intitulado ” “L’eresia al potere” (A heresia no poder) e provém de um dos teólogos e filósofos mais renomados, Dom Antonio Livi, Decano Emérito da Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Lateranense, Acadêmico Pontifício e Presidente da Associação Internacional de Ciências e Comunicações. 

Na verdade, segundo Mons. Livi, Ratzinger e sua teologia contribuíram significativamente para o surgimento do que chama de “ a teologia modernista e seus desvios heréticos evidentes“, que se tornou cada vez mais hegemônica nos seminários, ateneus pontificais, nas comissões doutrinais, nos dicastérios da Cúria, bem como os níveis mais altos da hierarquia, até o papado. 

Disso resulta que hoje, Francisco não é o único papa a ser alvo de uma “correção” por heresia, pois até mesmo seu antecessor emérito não está salvo. 

Radaelli e Livi figuram entre os primeiros signatários dacorrectiodirigida ao Papa Francisco no verão passado. E hoje igualmente contra Bento XVI. 

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Nota do Blog: um livro excelente para que se entenda certas acusações e circunstâncias é “Do Liberalismo à Apostasia“, de Mons. Marcel Lefebvre, que pode ser lido clicando aqui.

NOVA PÁGINA DO BLOG – PALESTRAS FSSPX: DVDs À VENDA

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Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Criamos uma página exclusiva aqui no blog para venda dos DVDs das palestras proferidas pelos padres do Priorado da FSSPX em Santa Maria.

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Sempre que tivermos novidades nos títulos e mas quantidade disponíveis  essa página será atualizada.

É uma grande oportunidade para instrução/formação pessoal e também conhecimento do trabalho da FSSPX.

Nesse mar de heresias e ambiguidades pós-conciliares, nada melhor que o porto seguro da verdadeira Doutrina Católica.

MAIS UMA DE FRANCISCO VERSUS DOUTRINA CATÓLICA

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O Papa Francisco fez um discurso sobre a pena de morte em uma reunião organizada pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, por ocasião do 25º aniversário da publicação do ambíguo e contraditório Catecismo da Igreja Católica, em 1992.

Resumindo, o Papa disse que “é preciso afirmar com força que a sentença à pena de morte é uma medida desumana que humilha”.

“É em si mesma contrária ao Evangelho porque, com ela, decide-se voluntariamente uma vida humana, que é sempre sagrada aos olhos do Criador, e da qual Deus, em última instância, é o único juiz”, acrescentou.

Francisco manifestou que “ninguém pode tirar não só a vida como a possibilidade de uma redenção moral e existencial que seja em favor da comunidade”.

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Bom, perante tudo isso, qual a verdadeira posição da Igreja Católica sobre o assunto?

Não vamos fazer um estudo. Vamos apenas citar alguns trechos sobre tal, de acordo a doutrina da Igreja. Aliás, um bom estudo do Pe. Jean-Michel Gleize pode ser lido clicando aqui.

Será que todos os filósofos, teólogos e papas que apoiaram a legitimidade da pena de morte, diante do atual Pontífice, traíram o Evangelho?

Façamos então uma comparação da opinião de Francisco com o ensinamento da Igreja: Continuar lendo

A IGREJA DO VATICANO II E MARTINHO LUTERO

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

É perfeitamente compreensível que haja tantos católicos da tradição chocados com as comemorações do 5º centenário da Revolução Luterana. De fato, é doloroso ver o Vigário de Cristo na Terra, o sucessor de Pedro, encabeçando e incentivando um ditirambo do asqueroso heresiarca.

A mim, pessoalmente, já beirando os 56 anos  de idade e tendo vivido cenas semelhantes nos tempos de João Paulo II, não me causa tanta surpresa ver a hierarquia empolgada com tudo isso. O que me causa mais revolta é ver nossas antigas igrejas, aquelas joias do gótico e do barroco, lugares sagrados e abençoados, ricos de tanto significado para os verdadeiros católicos, abrigando as orgias ecumênicas promovidas por hereges modernistas e luteranos mancomunados na perseguição contra os católicos, como se viu na expulsão de jovens belgas que rezavam o Rosário em desagravo contra a profanação de uma catedral sequestrada para uma esdrúxula cerimônia ecumênica  modernista-luterana.

Entretanto, é preciso dizer que é igualmente compreensível que a Igreja do Vaticano II celebre o 5º centenário da obra nefasta de Martinho Lutero. Afinal, sem Lutero e sua revolução, com todas as suas consequências, não se explica o Vaticano II, seus vários documentos e as múltiplas reformas que dele emanaram.

Com efeito, a nova eclesiologia conciliar (em contradição com a Satis Cognitum de Leão XIII e a Mystici Corporis de Pio XII), tal como está exposta na Lumen Gentium, com a famosa expressão “a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”, é de origem protestante. Está provado e documentado que essa horrível expressão, que tem o único objetivo de empanar  a perfeita identidade da Igreja de Cristo com a Igreja Católica, foi introduzida pelo Dr. Ratzinger, por sugestão de um pastor protestante.

Recorde-se, outrossim, a história da desastrada reforma litúrgica. O escritor Jean Guiton, amigo de Paulo VI, declarou que Paulo VI lhe disse que tinha a intenção de fazer uma reforma litúrgica que abolisse todos os elementos que eram do desagrado dos “irmãos separados”. Por isso mesmo, após o concílio convidou “peritos” protestantes para participar da comissão encarregada da  reforma do missal romano. Disto resultou uma liturgia ambivalente. E hoje não há ninguém com um mínimo de juízo crítico que não reconheça que a missa moderna, como celebrada na maioria das paróquias e tão apreciada pelos católicos renovados, não parece um arremedo do culto protestante. Continuar lendo

CAUSAS E TÁTICAS MODERNISTAS

Para mais a fundo conhecermos o modernismo e o mais apropriado remédio acharmos para tão grande mal, cumpre agora, Veneráveis Irmãos, indagar algum tanto das causas donde se originou e porque se tem desenvolvido. Não há duvidar que a causa próxima e imediata é a aberração do entendimento. As remotas, reconhecemo-las duas: o amor de novidades e o orgulho. O amor de novidades basta por si só para explicar toda a sorte de erros. Por esta razão o Nosso sábio predecessor Gregório XVI, com toda a verdade escreveu (Encicl. “Singulari Nos” 7/07/1834): «Muito lamentável é ver até onde se atiram os delírios da razão humana, quando o homem corre após as novidades e, contra as admoestações de São Paulo, se empenha em saber mais do que convém e, confiando demasiado em si, pensa que deve procurar a verdade fora da Igreja Católica, onde ela se acha sem a menor sombra de erro». Contudo, o orgulho tem muito maior força para arrastar ao erro os entendimentos; e é o orgulho que, estando na doutrina modernista como em sua própria casa, aí acha à larga de que se cevar e com que ostentar as suas manifestações.

Efetivamente, o orgulho fá-los confiar tanto em si que se julgam e dão a si mesmos como regra dos outros. Por orgulho loucamente se gloriam de ser os únicos que possuem o saber, e dizem desvanecidos e inchados: Nós cá não somos como os outros homens. E, de fato, para o não serem, abraçam e devaneiam toda a sorte de novidades, até das mais absurdas. Por orgulho repelem toda a sujeição, e afirmam que a autoridade deve aliar-se com a liberdade.

Por orgulho, esquecidos de si mesmos, pensam unicamente em reformar os outros, sem respeitarem nisto qualquer posição, nem mesmo a suprema autoridade. Para se chegar ao modernismo não há, com efeito, caminho mais direto do que o orgulho. Se algum leigo ou também algum sacerdote católico esquecer o preceito da vida cristã, que nos manda negarmos a nós mesmos para podermos seguir a Cristo, e se não afastar de seu coração o orgulho, ninguém mais do ele se acha naturalmente disposto a abraçar o modernismo! – Seja portanto, Veneráveis Irmãos, o vosso primeiro dever   resistir a esses homens soberbos, ocupá-los nos misteres mais humildes e obscuros, a fim de serem tanto mais deprimidos  quanto mais se enaltecem, e, postos na ínfima plana, tenham menor campo a prejudicar. Além disto, por vós mesmos ou pelos reitores dos seminários, procurai com cuidado conhecer os jovens que se apresentam candidatos às fileiras do clero; e se algum deles for de natural orgulhoso, riscai-o resolutamente do número dos ordinandos. Neste ponto, quisera Deus que se tivesse sempre agido com a vigilância e fortaleza que era mister! Continuar lendo

INDIFERENTES À MISSA NOVA?

Dois ritos diferentes coexistindo para a celebração da Missa. Realmente devemos considerá-los como duas expressões de uma mesma coisa? Certamente isso não é uma questão de gosto: é a fé católica que está em jogo. Lembremo-nos de como devemos julgar a missa reformada de 1969.

Fonte: FSSPX/Distrito da América do Sul – Tradução: Dominus Est 

Muitos problemas seriam resolvidos se fossemos ao menos indiferentes à Nova Missa. De Roma não nos pedem outra coisa. De tantos católicos perplexos com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, muitos acreditaram que o mal do novo rito viria apenas da maneira de celebrá-lo e os peregrinam pelas paróquias buscando padres, sempre escassos, que celebrem com piedade e não deem a comunhão nas mãos. Outros, melhor informados, sabem que a diferença não está nos modos do sacerdote, senão no próprio rito e reivindicam a Missa tradicional argumentando, com alguma hipocrisia, o enriquecimento que implica a pluralidade de ritos: o novo é bom, mas o antigo também, melhor então ficar com os dois!

Embora não haja tolos em Roma, eles deixaram correr essa desculpa para os grupos tradicionais que se amparam na Comissão “Ecclesia Dei”. Além disso permitiram para os Padres tradicionalistas da diocese de Campos, no Brasil, que ficassem com seu rito tradicional mesmo dizendo que a Nova Missa é “menos boa”. Mas em Roma perturba nossa Fraternidade porque não só não se diz que é boa, mas que a combate como perversa, perturbando a perplexidade que depois de quarenta anos de Concílio tantos católicos não deixam de sofrer. Se, ao menos, fôssemos indiferentes – que os outros rezem como queiram – Roma nos deixaria em paz. 

Podemos ser indiferentes à Nova Missa?

Na véspera de sua Paixão, havendo chegado a hora de oferecer seu sacrifício redentor a seu Pai, Nosso Senhor fez uma aliança com Sua Igreja: Hæc quotiescumque feceritis, em mei memoriam facietis (Lembre-se de que morri por vossos pecados, que me lembrarei de vós na presença do Pai). E, sendo Deus, nos deixou o imenso mistério da Missa, pelo qual seu Sacrifício permanece sempre vivo, sempre novo, permitindo-nos assistir como ladrões arrependidos: Memento Domine, famulorum famularumque tuarum (Lembra-te Senhor de nós agora que estais em seu Reino).

A memória viva da Paixão que se renova pela dupla consagração graças aos poderes do Sacerdócio, a união misteriosa com a Vítima Divina que se realiza pela comunhão é a única maneira que tem o coração duro do homem para retornar ao amor de Deus, porque nada chama tanto ao amor como conhecer-se muito amado, e a Paixão de Nosso Senhor foi a maior demonstração de amor: ninguém ama mais do que aquele que dá a vida por seu amigo. É por isso que a obra da Redenção que Cristo realizada na Cruz não se faz eficaz para nós senão graças ao Sacrifício da Missa. Continuar lendo

AS DIFERENTES POSIÇÕES DO CATÓLICOS NO PÓS-CONCÍLIO

Devido ao grande número de questionamentos que recebemos – desde pessoas que querem, humildemente, entender a posição da FSSPX e crise de fé que abala a Igreja até alguns “grandes sábios de redes sociais” que nos acusam de coisas que, além de nos causar grandes risadas, mostram nitidamente que não entendem nada sobre a Tradição, relinchando jargões já refutados há décadas – republicamos um texto da década de 80, escrito pelos até então “Padres Tradicionalistas de Campos” e que permanece atual, para que cada um, de uma maneira simples, analise sua posição de católicos nessa crise pós conciliar.

AS VÁRIAS POSIÇÕES TOMADAS NA CRISE ATUAL

frame-crise-na-igreja1) PROGRESSISMOse subdivide em diversas categorias:

a) Obediência cega: aqueles que não admitem resistência às autoridades. É a posição mais cômoda na crise atual. Tem vários graus. Há até aqueles que dizem: “Prefiro errar com o Papa a acertar sem ele”“Se o Papa fosse para o inferno eu iria junto”. Peca por excesso: chama-se subserviência. Destes tais dizia São Bernardo: “Aquele que faz o mal, sob o pretexto de obediência, faz antes um ato de rebeldia do que de obediência”.

b) Ultra-progressismo: são aqueles que, seguindo os princípios do Concílio Vaticano II, são mais lógicos e vão até às últimas conseqüências, sendo mais avançados do que as próprias autoridades auto-demolidoras da Igreja, não respeitando os freios que estas, por receio de escândalo, tentam impor. São os que, por exemplo, promovem os cultos afros, na linha da inculturação preconizada por João Paulo II; são os que pregam o ecumenismo total, na linha do encontro ecumênico de Assis; são os que apóiam as invasões de terra e o socialismo, na linha da teologia da libertação, etc.

c) Oficialismo: é a posição daqueles que, talvez pelo receio de serem chamados cismáticos, procuram tranqüilizar a própria consciência dizendo que seguem as autoridades oficiais da Igreja, mesmo quando favorecem à autodemolição. É a tentação da oficialidade, que reconhecemos ser bastante forte e sedutora, como se viu na Paixão de Jesus, quando a grande maioria do povo preferiu ficar do lado das autoridades religiosas oficiais que condenavam injustamente a Jesus, que ficou com poucos amigos fiéis.

Os que defendem tal posição teriam ficado com Aarão, sumo sacerdote oficial escolhido por Deus, que levou o povo a adorar o bezerro de ouro; teriam ficado com Caifás, sumo sacerdote oficial, que condenou a Jesus, teriam ficado com o Papa Libério, que favoreceu ao semi-arianismo e excomungou Santo Atanásio; teriam ficado com o Papa Honório que foi anatematizado pela Igreja, após sua morte, por ter também favorecido à heresia.

d) Conservadorismo: são os tidos como “conservadores”, querem conservar os ritos antigos, sem resistir aos novos ritos e às novas doutrinas instaladas na Igreja. Subdividem-se em:

Bi-ritualismo, “ralliés”: São os que gostariam de conservar a Tradição (Liturgia tradicional) ao mesmo tempo que a obediência às autoridades atuais e aos seus princípios, sobretudo aos princípios inovadores do Concílio Vaticano II, aceitando a legitimidade e exatidão doutrinária do Novus Ordo. Calam-se sobre pontos da doutrina tradicional, como preço pago a serem reconhecidos na Igreja hoje. Neste grupo se incluem o Barroux, a Fraternidade São Pedro, o Instituto Cristo Rei. São os que pleiteiam a “missa do indulto” e o bi-ritualismo, isto é, a legitimidade dos dois ritos, o da Missa tradicional e o da Missa nova.

“Sirismo”: Posição do Cardeal Siri, e dos que se assemelham a ele: “Mesmo que Paulo VI seja um papa pouco ortodoxo, é preciso se submeter a ele. … A nova missa é um castigo de Deus para os padres que celebravam mal a missa antes do Concílio” (Card. Siri). Esta posição consiste em aceitar as novidades da autodemolição por espírito de submissão e sofrer com isso. Obedecer e sofrer. Posição muito espalhada também.

2) SEDEVACANTISMO (de várias gamas: desde os mais extremistas até aos mais moderados): baseia-se no mesmo princípio equivocado anterior de não admitir resistência às autoridades. Levados, talvez, até pelo zelo da ortodoxia na Igreja e não podendo conceber que as autoridades favoreçam à heresia, classificam esses desvios doutrinários como heresias formais e concluem que perderam os seus cargos. Os mais extremistas acham que se deva eleger outro Papa e organizar outra hierarquia. Outros acham que a Igreja visível acabou (=heresia!). Alguns acham que a Igreja está sem Papa desde Pio XII. Dividem-se, porém, sobre a causa exata e a data em que tal coisa aconteceu.

3) CISMÁTICOS (recentes)São aqueles que acham que a Igreja atual falhou, separaram-se dela e elegeram um outro Papa. Assim são, por exemplo, os seguidores da igreja de Palmar de Troya, na Espanha e do movimento de Santa Jovita, no Canadá.

4) NOSSA POSIÇÃO NESSA CRISE: Nós, padres de Campos que formamos a União Sacerdotal São João Batista Maria Vianney, (FSSPX) somos católicos apostólicos romanos. Não somos “lefebvristas”, porque não existe, nem nunca existiu “lefebvrismo”, porquanto Dom Marcel Lefebvre não tinha doutrina própria nem formou uma hierarquia própria. Não somos “tradicionalistas”, no sentido de que “tradicionalismo” identifica um partido na Igreja. Somos fiéis à Tradição da Igreja como todo católico sempre foi e sempre deverá ser. Nem cismáticos, nem excomungados como nos acusam, a fim de impressionar a imaginação coletiva e formar um vazio ao nosso redor.

Esta é a também a posição de Dom Marcel Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer, Fraternidade São Pio X, e dos fiéis em geral ligados à Tradição.

Fonte: Católicos Apostólicos Romanos – Nossa posição, na atual crise da Igreja – Livreto editado pelos “Padres Tradicionalistas de Campos”, antes do acordo com Roma

Publicado originalmente em dez/2015

ANÁLISE DA “NOVA RELIGIÃO”

Resultado de imagem para garrigou lagrangeO título destas páginas, tiradas da obra de Garrigou-Lagrange, é de nossa autoria. Julgamos que, embora escritas em 1928, permanecem impressionantes por sua atualidade e vigor.
A mortificação, assim como a humildade, estabelecidas de um modo permanente na vida religiosa pela prática dos três conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, são coisas tão contrárias ao espírito mundano que este se esforçará sempre por negar-lhes a necessidade. O naturalismo prático sempre renascente sob uma outra  forma — que se chame “americanismo” quer “modernismo” — deprecia sempre a mortificação  e com ela os votos religiosos nos quais pretende ver não um nascimento para uma vida nova mas um entrave ao bem que cada um deve fazer em torno de si.
 
Por que, dizem, falar tanto em mortificação se o Cristianismo é uma doutrina de vida? Ou tanto de renúncia se o Cristianismo deve assimilar toda atividade humana em lugar de destruí-las? Ou falar tanto de obediência se o Evangelho é uma doutrina de libertação? Tais virtudes passivas não têm maior importância senão para espíritos negativos, incapazes de empreender qualquer coisa e que não têm senão a força da inércia.
 
Por que, acrescentam, depreciar nossa atividade natural? Nossa natureza não é boa? Não vem de Deus? Não se inclina a amar seu Autor mais do que a si mesma e acima de tudo? Nossas paixões ou emoções, isto é, os diversos movimentos de nossa sensibilidade, desejo ou aversão, alegria ou tristeza, etc., não são, do ponto de vista moral, nem boas nem más, só se tornam boas ou más conforme a intenção de nossa vontade que consente nelas, desperta-as, modera-as ou não as modera. E então não há que mortifica-las, cumpre apenas regula-las, são forças a utilizar, não a destruir. Não é este o ensinamento de Santo Tomás, tão diferente, acrescentam, do de tantos outros autores espirituais, notadamente do autor da “Imitação” 1.III,c.54, onde ele trata “dos diversos movimentos da natureza e da graça” em termos tais que fazem pensar naqueles que usarão mais tarde os jansenistas?
 
Por que, continua o naturalismo prático a dizer, combater tanto o julgamento próprio, a vontade própria? É lançar-nos no escrúpulo e pôr-nos em estado de servidão que destrói toda espontaneidade.
Porque condenar a vida do mundo, uma vez que é no mundo que a Providência nos colocou não para o combater mas para melhora-lo? O valor da vida religiosa se mede por sua influência social e para exercer esta influência ela não deve ser coibida por estas preocupações excessivas de renúncia, mortificação, humildade, obediência. Ela deve, ao contrário, deixar se desenvolver ao máximo o espírito de iniciativa, todas as aspirações naturais que nos permitirão compreender as almas do nosso tempo e entrar em contato com este mundo que nós não devemos desprezar mas tornar melhor.

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BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA – PARTE 6

Para ler a Primeira Parte clique aqui.

Para ler a Segunda Parte clique aqui.

Para ler a Terceira Parte clique aqui.

Para ler a Quarta Parte clique aqui.

Para ler a Quinta Parte clique aqui.

AS “NOVIDADES CONCILIARES”, QUINTESSÊNCIA DA NOVA TEOLOGIA

Vamos nos debruçar aqui sobre as “novidades conciliares” em suas grandes linhas, examinando somente alguns textos do Vaticano II, a saber: Lumen Gentium nº 8; Unitatis Redintegratio c. I nº 3; Nostra Aetate;Dignitatis Humanae; Gaudium et Spes e Lumen Gentium c. III. 

Temos de deixar de lado, por razões de concisão, outros documentos importantes do Vaticano II, como por exemplo, Dei Verbum e outros acontecimentos graves decisivos, como as tratativas informais da Santa Sé, por intermédio do cardeal Bea, com os representantes do judaísmo mundial a fim de chegar a uma representação favorável ao judaísmo no documento Nostra Aetate; ou ainda a escandalosa e deliberada ausência de condenação do comunismo (por razões ecumênicas): era a condição posta pelo governo soviético para a presença de representantes do patriarcado ortodoxo de Moscou no Vaticano II como “observadores”, com o abandono da petição apresentada pelos 450 padres conciliares…

Lumen Gentium

A constituição dogmática Lumen Gentium afirma: “… a única Igreja de Cristo […], constituída e organizada neste mundo como uma comunidade subsiste na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e os bispos em comunhão com ele”.[1]

Trata-se de uma única palavra: “subsiste”, mas de uma palavra sustentada por uma questão de fé, e uma das mais graves.

A doutrina católica, na verdade, sempre identificou a única, verdadeira Igreja de Cristo com a única Igreja católica romana, excluindo a diversas seitas heréticas e cismáticas que se separaram dela ao longo dos séculos. Trata-se, em última análise, da questão mais importante na vida de cada homem, a da verdadeira religião e da verdadeira Igreja na qual poderemos encontrar a vida eterna. A voz da Tradição e dos Padres da Igreja sempre foi unânime neste assunto.

“O homem não pode se salvar senão na Igreja Católica”. Lembrava Santo Agostinho de Hipona, enquanto que “fora da Igreja Católica ele consegue tudo, menos se salvar. Ele consegue cargos, ele pode receber os sacramentos, pode cantar ‘aleluia’ e responder ‘Amem’, pode ter o Evangelho, ter fé e pregar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas em nenhum lugar além da Igreja Católica ele poderá obter a salvação”[2].

O esquema da Comissão preparatória do Concílio tinha afirmado com clareza a doutrina eterna, reafirmando que “a Igreja de Cristo é a Igreja Católica”[3]. Os neo-modernistas, ao contrário, conseguiram introduzir no novo texto conciliar o “subsiste” (subsistir), abrindo assim as portas para a demolição da Igreja e a ruína eterna de todos, católicos e não-católicos, através do ecumenismo atual, que considera todas as confissões cristãs heréticas e cismáticas — “ortodoxas”, anglicanas, luteranas, etc. — como já fazendo parte, se bem que não plenamente, da única Igreja de Cristo, na qual a Igreja Católica limitar-se-ia justamente a “subsistir”, sem se identificar com ela de modo exclusivo. Continuar lendo

O ECUMENISMO MODERNO E SEUS ESCÂNDALOS – LITURGIA LUTERANO-CATÓLICA EM SALAMANCA

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Foi presidida sobre pelo bispo Brian Farrell, secretário do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, e por Martin Junge, secretário-geral da Federação Luterana Mundial. O ato contou, entre os pregadores, com cardeal Ricardo Blázquez, arcebispo de Valladolid e presidente da Conferência Episcopal Espanhola e Pedro Zamora, pastor da Igreja Evangélica Espanhola.

O ato consistiu, informa a Universidade Pontifícia de Salamanca, em “uma comemoração ecumênica, entre luteranos e católicos, que reflete em sua estrutura litúrgica básica o tema da ação de graças, da confissão e do arrependimento, e o testemunho e compromisso comum” .

É chamativa a referência à confissão, detestada pelos protestantes na medida que exige a mediação do sacerdote para o perdão dos pecados e rompe a ideia de Lutero da salvação pela sola fide [somente a fé]. Este ato parece desprovido de toda condição sacramental.

Se começa a perder (e, felizmente, diríamos) uma referência à Eucaristia e ao sacramento ordenado a ela, que é da Ordem Sacerdotal. Foram excluídos dessa relação porque, de acordo com Martin Junge, “seu caráter sacramental e a definição teológica do ministério e sua publicação dentro do contexto eclesial não oferece, até o momento, uma base comum com a suficiente convergência para seguir avançando nos processos de unidade“.

E essa realidade é pertinaz: ou os luteranos aceitam a teologia católica da Santa Missa, e então já não serão luteranos ou católicos a abandonam, e, então, já não serão católicos. O que não haverá nunca é uma liturgia luterano-católica, e tampouco foi essa de Salamanca. Foi uma liturgia luterana, embora participando dela um bispo da Cúria e um cardeal.

A dita cerimônia encerrava um congresso de Teologia Ecumênica por ocasião do quinto centenário da Reforma, celebrado sob o título Do conflito à comunhão.

Nela se produziam algumas das vazias declarações que são frequentes no campo ecumênico: “Nossos diferentes tradições teológicas, litúrgicas, espirituais e canônicas são uma variedade de dons que temos de cuidar, compartilhar e apresentar, e dessas legítimas diferenças, aprofundar e lutar pela unidade” disse a reitora da Universidade Pontifícia de Salamanca, Mirian de las Mercedes Cortes Dieguez. Se católicos e protestantes tem apenas “tradições” distintas (de modo que pode ser entendidos os ritos católicos orientais e o latino), se ademais essas tradições são “dons” (entende-se que do Espírito Santo) e se as diferenças que nos separam são “legítimas” … o que detém esse movimento ecumênico oficialista de chegar até as últimas consequências? Se é “legítimo” e é um “dom” que os luteranos celebrem uma “ceia” sem consagração sacramental nem transubstanciação, para que continuar dialogando sobre o tema? Vamos nos unir em um sincretismo absoluto que tolere os opostos e esquecer o princípio da contradição, e pronto!

Tanto mais, como apontou o decano da Faculdade de Teologia, Gonzalo Tejerina Arias, “a unidade não tem marcha à ré, é o futuro do cristianismo: a unidade dos crentes é o único horizonte do futuro do cristianismo“. Dizer que a “unidade” é o futuro é esquecer de que a “unidade” é uma das notas essenciais atuais (não futuras) da verdadeira Igreja. O futuro desejável é que regressem a ela quem delas se separou. Dessa forma, apontar como “único horizonte de futuro” do cristianismo uma união de compromisso entre católicos, hereges e cismáticos é um verdadeiro insulto à virtude teologal da Esperança e uma falta de caridade para com os errantes. É assinalar  que, sem o ecumenismo, a Igreja morreria, contra a promessa de Nosso Senhor da sua sobrevivência até o fim dos tempos.

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Nota do Blog: sobre o verdadeiro ecumenismo, indicamos a leitura da Encíclica Mortalium Animos, de Pio XI

SINOPSE DOS ERROS IMPUTADOS AO CONCÍLIO VATICANO II

Continuamos nosso trabalho de denúncia dos erros do Concílio Vaticano II. Consideramos ser este tipo de denúncia teológica a única saída, em termos humanos, para a crise que nos atormenta já há décadas, visto que da parte das autoridades do vaticano, os erros continuam a ser ensinados e difundidos. Tanto os Congressos realizados pelo jornal Si Si No No, quanto o recentemente lançado Simpósio de Paris, que deve se repetir de ano a ano, são algumas das iniciativas que temos assistido e que nos permitem aprofundar a análise deste Concílio que, decididamente, não foi católico. Deve ser rejeitado, sim, e o será um dia pela autoridade suprema do Vigário de Cristo. Por enquanto ele ainda é a pedra de tropeço para tantas comunidades religiosas e padres que, acreditando ser possível manter a Tradição e aderir ao Concílio, aceitam acordos que sempre terminaram por inserir estes padres e fiéis no ambiente pervertido, heretizante e modernista que reina no Vaticano.   

A presente Sinopse dos Erros de Vaticano II é a tradução da versão francesa do jornal SiSiNoNo, publicada a partir do número 247, de julho-agosto de 2002.    

MODERNISTAS CONTRADITÓRIOS E MODERNISTAS COERENTES

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A seita modernista assemelha-se ao famoso labirinto habitado pelo monstro Minotauro e construído engenhosamente por Dédalo, à maneira do rio Meandro, cuja correnteza obedecia à lei do fluxo e refluxo, de modo que não tinha começo nem fim. Como se sabe, quem entrava no labirinto não encontrava mais a saída, ficava perdido, ao menos que tivesse o novelo de linha de Ariadne, e acabava devorado pelo Minotauro.

Assim também, em geral, quem entra para a seita modernista não percebe suas infinitas contradições, fica desorientado, e acaba tendo devoradas a fé e a razão. Entretanto, na seita modernista há quem queira conservar a fé apesar de enredado por contradições doutrinárias, e há também os que, percebendo as contradições, renegam a fé como adesão da inteligência à verdade revelada, aderem ao imanentismo religioso, ficam subjetivistas e rebaixam a razão a uma função pragmática, interessados apenas em resolver problemas concretos e imediatos.

Segundo o filósofo italiano Michele Federico Sciacca em seu belo estudo sobre O idealismo moderno, publicado no volume Heresias do nosso tempo (Porto, 1956), o filósofo idealista Giovanni Gentili teve o mérito de pôr em evidência as contradições dos modernistas: “o vosso princípio é intelectualista (Deus transcendente); o vosso método subjetivista (Deus imanente). Permaneceis católicos porque o princípio opõe-se ao vosso método, mas, na realidade, este método, julgado à luz desse princípio, leva ao ateísmo”. O modernismo, digamos assim, é duplamente herético: relativamente ao Cristianismo, porque o seu método leva ao ateísmo; relativamente ao próprio idealismo, de que é filho, porque o seu princípio (a transcendência) contradiz a imanência idealista.

Com efeito, o referido ensaio de Siacca pode servir como um novelo de linha de Ariadne ajudando as pessoas  que entraram no labirinto do modernismo a encontrar a saída e o retorno à integridade da fé católica. Continuar lendo

RECONSTRUIR A CIDADE CATÓLICA

Resultado de imagem para marcel lefebvre“Liberalismo, por tua causa estou morrendo”, diz a Igreja em sua agonia. Ela pode dizer como Jesus disse aos que vieram prendê-lo: “Esta é a vossa hora e o poder das trevas” (Lc 22, 53). A Igreja está em Getsêmani, mas não morrerá. Tem o aspecto de uma cidade ocupada pelo inimigo, mas a resistência à seita liberal se organiza e fortifica.

Vimos surgir esta seita no século XVI, da rebelião protestante, e  logo se transformar na instigadora da Revolução. Durante um século e meio de lutas sem trégua, os papas têm condenado os princípios e os pontos de aplicação do liberalismo. Apesar disso a seita  continuou seu caminho. Assistimos sua penetração na Igreja, sob a aparência de um liberalismo aceitável, com a idéia de conciliar Jesus Cristo com a Revolução. Depois contemplamos estupefatos a intriga da seita liberal para penetrar na hierarquia católica. Vimos seus progressos até atingir os mais altos postos e seu triunfo no Concílio Vaticano II. Tivemos papas liberais… O primeiro papa liberal,  aquele que ria dos “profetas da desgraça”, convocou o primeiro concílio liberal da história da Igreja. As portas do redil foram abertas e os lobos penetraram e massacraram as ovelhas. Veio um segundo papa liberal, o papa da dupla face, o papa humanista, que derrubou o altar, aboliu o Sacrifício, profanou o santuário266. Chegou finalmente o  terceiro  papa  liberal,  o  papa  dos  direitos  do  homem,  o   papa ecumenista, o papa das Religiões Unidas e que lavou as mãos e cobriu os olhos diante de tantas ruínas, para não ver as chagas sangrentas da Filha de Sion, as feridas mortais da Esposa Imaculada de Jesus Cristo.

Não me resignarei, não assistirei a agonia de minha Mãe a Santa Igreja de braços cruzados. Certamente não compartilho do otimismo beato de alguns sermões: “Vivemos uma época magnífica. O Concílio foi uma renovação extraordinária. Saudemos esta época de transformação cultural! Nossa sociedade se caracteriza pelo pluralismo religioso e pela completa liberdade ideológica. Sem dúvida este ‘avanço’ da História vem novamente acompanhado de algumas contrariedades: prática religiosa nula, contestação a toda autoridade, os cristãos em minoria. Mas vejam quantos benefícios! Os cristãos são o levedo escondido na massa, a alma da cidade pluralista em gestação, vitalmente cristã, são o motor de um mundo novo, mais fraterno, mais pacífico, mais livre!”. Continuar lendo

REMÉDIO CONTRA O LIBERALISMO: RESTAURAR TUDO EM CRISTO

Resultado de imagem para marcel lefebvrePara os grandes males, grandes remédios! O que poderá curar o câncer ou a aids na Igreja? A resposta é clara, é necessário aplicar os remédios que os Papas propuseram contra os erros modernos: a filosofia tomista, a sã teologia e o Direito que resulta de ambas. 

A Sã Filosofia, a de São Tomás de Aquino 

Para combater o subjetivismo e o racionalismo, que são a base dos erros liberais, não farei alusão às filosofias modernas infectadas precisamente de subjetivismo e racionalismo. Não é nem o sujeito, nem seus conhecimentos e nem seus anseios que a filosofia de sempre, e em particular a metafísica, toma por objeto, é o ser mesmo das coisas, é aquilo que é. Com efeito, é o ser com suas leis e princípios, o que nosso conhecimento mais espontâneo descobre. E no seu ápice a sabedoria natural (que é essa filosofia) chega pela teodicéia ou teologia natural ao Ser por excelência, ao Ser subsistente por si mesmo. É este Ser primeiro que o senso comum, apoiado, sustentado e elevado pelas verdades de fé, sugere que seja colocado no topo do real, conforme à sua definição revelada: “Ego sum quis um” (Ex 3, 14): Eu sou aquele que sou. Vocês sabem que quando Moisés perguntou seu nome, Deus lhe respondeu: Eu sou o que sou, o que significa: Eu sou Aquele que é por si mesmo, possuo o ser por mim mesmo. É o “ens a se”: o ser por si mesmo, em oposição a todos os outros seres que são “ens ab alio”: ser por  outroser, pelo dom que Deus lhes fez da existência! Este é um princípio tão admirável, que se pode meditar sobre ele durante horas. Ter o ser por si, é viver na eternidade, é ser eterno. Aquele que tem o ser por  si mesmo sempre teve que tê-lo, o ser nunca poderia havê-lo abandonado. É sempre, foi sempre, será sempre. Pelo contrário, aquele que é “ens ab alio”, ser por outro ser, recebeu de outro, portanto começou a ser em algum momento, portanto começou!

Como esta consideração nos deve manter em humildade! Compenetrarmo-nos do nada que somos diante de Deus! “Eu sou aquele que é, e tu és aquele que não é”, dizia Nosso Senhor a uma santa alma. Como é verdadeiro! Quanto mais o homem absorver este princípio da mais elementar filosofia, melhor sentirá seu verdadeiro lugar diante de Deus.

Somente o fato de dizer: eu sou “ab alio”, Deus é “ens a se”; eu comecei a ser, Deus é sempre. Que contraste admirável! Que  abismo! É por acaso este pequeno “ab alio”, que recebe seu ser de Deus, que teria o poder de limitar a Glória de Deus? Teria o direito de dizer a Deus: tens direito a isto, mas a mais nada? “Reina nos corações, nas sacristias, nas capelas, sim; mas na rua e na cidade não!” Que petulância! Igualmente seria este “ab alio” quem teria o poder de reformar os planos de Deus, de fazer com que as coisas sejam de outra maneira, diferentes de como Deus as fez? E as leis que Deus em sua sabedoria e onipotência criou para todos os seres e especialmente para o homem e a sociedade, teria o desprezível “ab alio” o poder de rechaçá-las a seu capricho, dizendo: “Eu sou livre!”, que pretensão! Que absurda esta rebelião do liberalismo! Vede como é importante possuir uma sã filosofia e ter assim um conhecimento profundo da ordem natural, individual, social e política. Para isto    oensinamento de Santo Tomás de Aquino é insubstituível. Leão XIII os citou em sua encíclica “Aeterni Patris” de 4 de agosto de 1879: Continuar lendo

A AMORIS LÆTITIA E SÃO LUIS DE MONTFORT

A AMORIS LÆTITIA OU A “SABEDORIA” CONCILIAR … OU COMO DISFARÇAR A MENTIRA SOB O MANTO DA VERDADE E O VÍCIO SOB O DA VIRTUDE

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em 19 março de 2016 foi publicada a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Lætitia Amoris, do papa Francisco, sobre o amor na família. Por quê falar sobre este documento pontifício na visão da espiritualidade Montfortnina? Porque o Padre de Montfort lança uma luz singular sobre os problemas apresentados por este documento.

Um lembrete para começar. A “leitmotiv”, a ideia motriz do Vaticano II foi o “aggiornamento” – em latim: accomodatio renovata – isto é, a abertura e adaptação ao mundo moderno. Paulo VI se explicou no discurso de abertura da Segunda Sessão (1963): “que o depósito da doutrina cristã seja conservado e apresentado de forma mais eficaz” e que a doutrina “seja aprofundada e exposta seguindo os métodos de pesquisa e apresentação utilizada pelo pensamento moderno.” Tratava-se assim, para falar em termos simples, de unir a doutrina católica com o ateísmo, o evolucionismo, o modernismo, o liberalismo e a imoralidade do mundo moderno. Esse é o problema fundamental: como explicar a revelação divina, isto é, a fé e a moral católica com o pensamento do mundo atual? Esta é, propriamente, uma tentativa de inventar a quadratura do círculo.

Para utilizar, dessa vez, uma terminologia mais “Montfortnina”, o problema do Concílio Vaticano II foi o casamento da sabedoria divina com a sabedoria mundana. São Luis Maria Grignion de Montfort não trata disso no livro Amor da Sabedoria Eterna, nos números 74-89? O Padre de Montfort explica que o mundo se utiliza “finamente da verdade para inspirar a mentira, da virtude para permitir o pecado e das máximas do próprio Jesus Cristo para permitir as suas” (n° 79). O Padre Grignon precisa também que a sabedoria do mundo é “uma perfeita conformidade com as máximas e modas do mundo … não de maneira grosseira e barulhenta, cometendo qualquer pecado escandaloso, mas de uma maneira fina, enganosa e política; caso contrário não seria mais sabedoria – do ponto de vista do mundo – mas sim libertinagem “(n°. 75). Finalmente, ele define o mundano como alguém “que faz um secreto e funesto acordo entre a verdade e mentira, do Evangelho com o mundo, da virtude com o pecado” (nº 76). Montfort descreveu um século antes (século XIX) a existência do catolicismo liberal, que triunfou no Vaticano II e suas reformas.

O que é a Amoris Lætitia? Um lembrete da doutrina da indissolubilidade do matrimônio (nos números 52-53, 62, 77, 86, 123 e 178) e, ao mesmo tempo, das afirmações que dão a possibilidade aos divorciados recasados de receberem os sacramentos, quer dizer, à confissão e à comunhão sem conversão, sem arrependimento, sem reparação do escândalo, sem deixar de viver em adultério, sem deixar de pecar (nos números 243, 298-299, 301 305 e especialmente na nota 351). Como prova, o leitor poderá se reportar a duas revistas de fácil acesso, tanto informaticamente como intelectualmente: DICI  n° 345 de 25 de Novembro de 2016 (para compra) e a Courrier de Rome n° 595 de janeiro 2017 (gratuito) .

Montfort, com seu olho de águia, bem viu o cerne do problema que hoje nos ocupa: a sabedoria conciliar consiste em disfarçar (um termo caro ao nosso santo, que aparece várias vezes em seus cantos) a mentira sob o manto da verdade e o vicio sob o da virtude. Assim, a Amoris Lætitia, sob o disfarce de caridade, permite transgredir o Decálogo, sob disfarce de misericórdia permite o adultério, e sob um disfarce pastoral permite o sacrilégio. Aliás, o Sínodo 2018 pode realizar o mesmo truque com celibato eclesiástico para permitir a ordenação de homens casados.

Montfort é verdadeiramente um homem à frente de seu tempo. Isto porque ele mantém a doutrina católica, aquela do Concílio de Trento, que segue a de São Tomás de Aquino. Na verdade, a história nos ensina que, durante este Concílio, dois livros foram colocados sobre o altar: a Bíblia ou Sagradas Escrituras (a Tradição escrita) e a Summa Theologica de São Tomás de Aquino (representando a Tradição Oral ).

E esta doutrina católica, na época, não foi exposta com a ajuda de uma filosofia ateísta, que se opõe à fé católica, mas com a sã filosofia aristotélica-tomista, chamada Philosophia perennis, que é “a Serva da teologia ” (Santo Tomás de Aquino).

Pe. Guy Castelain, sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

UM LIBERALISMO SUICIDA – AS REFORMAS PÓS-CONCILIARES

Resultado de imagem para marcel lefebvreOs espíritos leais e um mínimo perspicazes, falam de “crise da Igreja”, para assinalar a época pós-conciliar. Antigamente se falou  da “crise ariana”, da “crise protestante”, mas nunca na “crise da Igreja”… Mas infelizmente nem todos concordam com as causas desta tragédia. O Cardeal Ratzinger por exemplo, vê bem a crise, mas desculpa totalmente o Concílio e as reformas pós-conciliares. Começa por reconhecer a crise:

“Os resultados que vieram depois do Concílio parecem cruelmente opostos ao que todos esperavam, começando pelo Papa João XXIII e depois Paulo VI (…). Os papas e os Padres conciliares esperavam uma nova unidade católica, e pelo contrário chegou-se a uma dissensão que, como disse Paulo  VI, parece haver passado da autocrítica à autodestruição. Esperava-se um novo entusiasmo e ao contrário, freqüentemente se chegou ao tédio e ao desalento. Esperava-se um salto à frente e pelo contrário surgiu um processo evolutivo de decadência”248.

Eis a explicação para a crise, dada pelo Cardeal:

“Estou convencido que os estragos que sofremos nestes vinte anos, não se devem ao ‘verdadeiro’ concílio mas ao desencadeamento de forças latentes agressivas e centrífugas no interior da Igreja; e no exterior, devido ao impacto de uma revolução cultural no ocidente, a afirmação de uma classe média superior, a ‘burguesia’ com sua ideologia liberal radical do tipo individualista, racionalista, hedionda”249.

Mais adiante o Cardeal Ratzinger diz o que lhe parece a verdadeira causa “interior” da crise: um anti-espírito do Concílio:

“Já durante as sessões e cada vez mais durante o período seguinte, se opôs um pretendido ‘anti-espírito’. Segundo este pernicioso ‘Konzils-Ungeist’, tudo o que é novo (ou  presumido como tal: quantas antigas heresias têm sido apresentadas durante muitos anos, como novidades) seria sempre melhor do que existe ou do que existiu, qualquer coisa que seja. Este é o anti-espírito, segundo o qual a história da Igreja deveria começar a partir do Vaticano II, considerado como uma espécie de ponto zero”250.

Então o Cardeal propõe uma solução: voltar ao “verdadeiro Concílio”, considerando-o não “como um ponto de partida do qual se afaste correndo, mas uma base sobre a qual é necessário construir solidamente”. Continuar lendo

PAULO VI – PAPA LIBERAL

Resultado de imagem para marcel lefebvreTalvez perguntem, como é possível que o liberalismo tenha  triunfado através dos Papas João XXIII e Paulo VI e mediante o Concílio Vaticano II? Como se pode conciliar esta catástrofe com as promessas feitas por Nosso Senhor à Pedro e à sua Igreja: “As portas do inferno não prevalecerão contra Ela” (Mt 16, 18); “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo? (Mt 28, 20) Creio que não há contradição efetivamente, na medida em que estes Papas e o Concílio negligenciaram ou recusaram fazer uso da infalibilidade. Deixando de usar este carisma, que lhes é assegurado pelo Espírito Santo sempre e quando o queiram usar, puderam cometer erros doutrinais e com maior razão ainda, deixar penetrar o inimigo na Igreja, graças à sua negligência e cumplicidade. Em que grau foram cúmplices? De que faltas foram culpados? Em que medida sua função fica questionada?

É evidente que a Igreja, um dia, julgará este Concílio, julgará estes Papas. E em especial, como será julgado o Papa Paulo VI? Alguns afirmam que fui herege, cismático e apóstata; outros crêem poder demonstrar que Paulo VI não tinha em vista o bem da Igreja, e portanto não foi papa, é a tese dos “Sedes Vacans”. Não nego que estas opiniões tenham algum argumento à seu favor. Poderão dizer que em trinta anos se descobrirão coisas que estavam ocultas ou se verá melhor elementos que deveriam ter sido mais claros para os contemporâneos, como afirmações deste Papa absolutamente contrárias à tradição da Igreja, etc. Pode ser, mas creio necessáriorecorrer a estas explicações; penso inclusive que é um erro seguir certas hipóteses.

Outros pensam de modo simplista, que havia então dois papas: um, o verdadeiro, estava prisioneiro nos porões do Vaticano, enquanto o outro, o impostor, o sósia, ocupava o trono de São Pedro, para a infelicidade da Igreja. Livros foram escritos sobre “os dois papas”, baseados em revelações de uma pessoa possuída do demônio e em argumentos pseudocientíficos que afirmam, por exemplo, que a voz do sósia não é a do verdadeiro Paulo VI!

Finalmente outros pensam que Paulo VI não foi responsável pelos seus atos, sendo prisioneiro dos que o cercavam, inclusive drogado. Isto estaria corroborado por várias testemunhas de um papa fisicamente esgotado, inclusive necessitando ser amparado, etc… A meu ver é uma solução demasiadamente simples, pois então não teríamos mais que esperar um próximo papa. Mas já tivemos (não falo de João Paulo I, que reinou somente um mês) outro papa, João Paulo II, que prosseguiu ininterruptamente na linha traçada por  Paulo VI. Continuar lendo

VATICANO II – TRIUNFO DO LIBERALISMO DITO CATÓLICO

Resultado de imagem para marcel lefebvreNão creio que me possam chamar de exagerado, quando digo que o Concílio representou o triunfo das idéias liberais; os capítulos anteriores expuseram suficientemente os fatos: as tendências  liberais, as táticas e os êxitos dos liberais no Concílio e finalmente seus pactos com os inimigos da Igreja.

Os próprios liberais, os católicos liberais, proclamam que o Vaticano II foi a sua vitória. Na entrevista com o jornalista Messori, o Cardeal Ratzinger, antigo “especialista” do espírito liberal do Concílio explica como Vaticano II planejou e resolveu o problema da assimilação dos princípios liberais pela Igreja Católica; não diz que terminou em um êxito admirável, mas afirma que a assimilação foi feita:

“O problema dos anos sessenta era adquirir os melhores valores aparecidos na era da cultura ‘liberal’. São valores que mesmo nascidos fora da Igreja, podem encontrar seu lugar depois de depurados e corrigidos, na sua visão do mundo. É o que foi feito”243.

Como se fez isto? Sem dúvida no Concílio, que ratificou os princípios liberais em “Gaudium et Spes” e “Dignitatis Humanae”. Como se fez? Mediante uma tentativa condenada ao fracasso, do  tipo da quadratura do círculo: casar a Igreja com os princípios da Revolução. É precisamente o fim, a ilusão dos católicos liberais.

O Cardeal Ratzinger não se ufana muito da empresa, inclusive julga o resultado com severidade:

“Mas agora o clima é diferente, ficou escurecido em relação àquele que justificava um otimismo sem dúvida ingênuo. Agora é preciso procurar novo equilíbrio”244.

Portanto o equilíbrio ainda não foi encontrado, vinte anos depois! Entretanto continua a procura: é a ilusão liberal de sempre! Continuar lendo