A RELIGIÃO DOS MODERNISTAS PÓS-CONCILIARES – CARACTERÍSTICAS

Fonte: Corsia dei Servi – Tradução: Gederson Falcometa

Muitas declarações e ações da hierarquia católica que se sucedem a um ritmo cada vez maior são cada vez menos explicáveis como desvios marginais da reta doutrina.

Parece mais a emersão de uma versão humanitária da nossa Santa Religião, a qual gradualmente, com os aplausos dos teólogos e dos operadores da comunicação, conquistou o centro da cena, a ponto de ser pregada abertamente como a doutrina atual da Igreja.

As ideias vetoriais do modernismo inoculadas no catolicismo na sequência da revolução joanina atuaram nestes anos conciliares, provocando uma transmutação alquímica do catolicismo, de uma religião revelada tendo por finalidade a salvação das almas para um humanismo filantrópico que apoia o poder mundano.

Nesta versão diluída do cristianismo ad usum delphini dois aspectos se destacam principalmente, o historicismo e o naturalismo.

Historicismo

Com o historicismo se abandona as categorias verdadeiro-falso e bom-mau a favor de uma concepção evolucionista em que cada expressão e ação deve ser julgada de acordo com o momento histórico em que aconteceu: o verdadeiro e o bom são prisioneiros do tempo. Continuar lendo

FRANCISCO FALA DE SEU SUCESSOR: JOÃO XXIV. E TALVEZ POSSAMOS DIZER ALGO SOBRE

Bergoglio parla del suo successore: Giovanni XXIV. E forse possiamo dirvi qualcosa.

Em seu voo de retorno da Mongólia, o Papa Francisco deixou claro que, se não puder ir ao Vietnã durante a sua próxima viagem internacional, o seu sucessor, João XXIV, poderá ir em seu lugar (literalmente).

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Talvez possamos contar mais sobre essa figura e a era que ele inaugurará.

João XXIV será italiano e de ideias controversas. Ele terá um pontificado curto. Estará aberto ao mundo moderno e pronto para liderar uma igreja de misericórdia . Ele convocará um novo Concílio que será concluído por seu sucessor. Nele e com ele triunfarão os erros condenados pela Igreja: ecumenismo indiferentista, colegialidade-sinodalismo, liberalismo religioso, liturgia protestantizada. 

Será impressionante porque estes miasmas anticatólicos serão aceitos por muitos fiéis, embora já tenham sido definitivamente condenados na: Auctorem Fidei, Mirari Vos, Qui Pluribus, Sillabo, Libertas, Pascendi, Notre Charge Apostolique, Quas Primas, Mortalium Animos, Humani Generis , e em muitos outros documentos papais. Continuar lendo

A BATALHA DE CAPORETTO DOS CATÓLICOS – O TRIUNFO DO CONCILIARISMO

Concílio Vaticano II precisa ser mais conhecido também pelos leigos -  Vatican News
Fonte: EreticaMente –  Tradução: Gederson Falcometa

É a fé dos católicos como a ave fênix: todos dizem que existe, onde está ninguém sabe. Conseguimos com a perífrase de um verso de Pietro Metastasio, tomando nota de uma ampla pesquisa realizada entre os italianos que se declaram católicos pela revista mensal Il Timone. A minoria que ainda vai à missa quase nunca se confessa, ignora o que é a Eucaristia e o pecado, aprova o aborto, a contracepção e o casamento homossexual. O caos reina sobre os fundamentos: assim conclui a desanimada capa do jornal.

Realmente preocupante mesmo para quem é um simples crente observador das coisas da Igreja. A Caporetto* da fé e dos passados “princípios inegociáveis” é impressionante, tendo em conta que as ideias levantadas não dizem respeito os simples batizados, mas aos praticantes, aqueles que participam dos ritos, recebem os sacramentos, pertencem a galáxia associativa e cultural chamada mundo católico. Cujos membros – mas talvez sejam aqueles a quem o cardeal Biffi chamou de “não crentes praticantes” – pensam mais ou menos como a cultura anti-religiosa dominante. A separação entre a doutrina de sempre e a conduta concreta é impressionante. A comparação com o que Jesus disse aos seus discípulos faz-nos sorrir: vós não sois do mundo, mas eu escolhi-vos do mundo. A cidade do homem já não se parece com a cidade de Deus. A própria referência a um criador parece afastar-se da sensibilidade dos “fiéis” – a quê coisa? – e Jesus Cristo é muitas vezes uma desculpa para falar de outra coisa.

As recentes Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa foram um exemplo disso. Grandes palavras, canções, ambientalismo, eco-ansiedade: o catolicismo reduzido a uma corrente verde que reflete sobre a Mãe Terra, mas não sobre o Pai Eterno. O prelado português organizador garante que não “quer fazer proselitismo”; quando acreditavam em Deus, chamavam-lhe apostolado, mas assim soa também o sino fúnebre para a organização, o edifício concreto e mundano da Igreja. Sem prosélitos, a loja fecha, salta a “persistência dos agregados” (V. Pareto), a tendência humana de preservar as organizações. Continuar lendo

ASSIM É, SE ASSIM LHE PARECE. CUIDADO COM O “TRADICARISMATISMO” (MESMO QUANDO PARECE “CATÓLICO”)

Così è, se vi appare. Occhio al tradicarismatismo (anche quando sembra “cattolico”)

Extraído do livro Palavras claras sobre a Igreja. Por que existe uma crise, onde ela surge e como sair dela, de D. Daniele di Sorco, FSSPX

Fonte: Radio Spada – Tradução: Gederson Falcometa

[…] Antes de enunciar alguns princípios gerais, gostaríamos de dizer uma palavra sobre um fenômeno relativamente recente, que chamaremos de tradicarismatismo.

Com este termo indicamos aqueles sacerdotes que, por trás de um verniz tradicional (rito antigo, rejeição dos ensinamentos do Papa Francisco, mais raramente do Concílio), possuem uma concepção carismática da fé, para a qual, na vida cristã, o elemento decisivo é representado por intuições pessoais (qualificadas como «ouvir a Deus», «fazer a experiência Deus») e por revelações privadas.

Eles pretendem resolver os nós da crise atual não à luz dos princípios da sã teologia, mas com base no que uma pessoa “inspirada” diz (isto é, na maioria das vezes, eles mesmos) ou uma suposta mensagem sobrenatural.

Por exemplo, há quem acredite que Francisco seja um antipapa e espere um “sinal do céu” para poder designar o verdadeiro Papa. Continuar lendo

O CRISTIANISMO QUE NÃO MORRERÁ

Gustavo Corção: o Olavo de Carvalho (sem os palavrões) dos anos 1960

Gustavo Corção

As reflexões que no artigo de quinta-feira andamos fazendo, despertadas pela releitura de uma página de Chesterton, levam-nos à conclusão de que haverá arrefecimento do cristianismo todas as vezes que os homens se afligirem, se envergonharem ou se cansarem de o sentir tão incôngruo em relação ao curso da história, e daí tirarem a intenção de afeiçoá-lo àquele andamento.

A crise de nossos dias, a mais ampla e profunda de toda a história da Igreja, começou por um propósito de aggiornamento. O cristianismo estava envelhecido, a Igreja esclerosada, e o bravo mundo moderno passou a interessar-se prodigiosamente por sua renovação. Reformas… reformas… reformas… O pastor anglicano John Robinson, que andou por aqui a fazer conferências, escreveu um volume inteiro para explicar que hoje, na era espacial, não é possível ter a mesma idéia de Deus “fora de nós” tida e mantida pelos antigos. Eis o que diz na tradução portuguesa esse tipo bem representativo de nossa época: “Enquanto não tinham sido explorados, ou era possível explorar (por meio de radiotelescópios, se não com foguetões) os últimos recantos do Cosmos, ainda se podia localizar Deus mentalmente nalguma terra incógnita. Mas agora parece não haver lugar para Ele, não apenas na estalagem, mas em parte alguma do universo: é que já não há lugares vazios.”

É difícil, em tão poucas linhas, dizer mais densa coleção de asneiras sobre a presença de Deus que, para esse notável anglicano, ao que se vê, sempre esteve no limbo das primeiras imagens infantis. O reverendo (que o Prof. Cândido Mendes Almeida importou quando por aqui é abundantíssimo o similar nacional), fascinado por leituras de vulgarizações, e esquecido da presença de Deus em todas as coisas como causa primeira, e como sustentador de todas as existências, pensa que o homem já explorou todos os recantos do universo! Continuar lendo

SERMÃO DE D. LEFEBVRE: OS PRINCÍPIOS DA REVOLUÇÃO FRANCESA PENETRARAM EM TODAS AS INSTITUIÇÕES – 19 DE ABRIL DE 1987

“Ao longo da história, a Igreja tem feito de tudo para garantir que a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo seja mantida, confirmada, consolidada. Quando povos inteiros se convertiam, ela suplicava aos príncipes que a ajudassem – de bom grado – a organizar universidades católicas naqueles países, a ajudar no estabelecimento de mosteiros, instituições religiosas, instituições cristãs, escolas católicas”.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Os princípios da Revolução penetraram em todas as instituições

Mas as forças do mal são poderosas e o Bom Deus permitiu que essas forças satânicas finalmente penetrassem no coração dos próprios Estados cristãos, no interior dessas grandes famílias que constituíram os Estados católicos, essas grandes famílias cristãs, e que, através do protestantismo, espalhassem a discórdia. As forças do mal acabaram por destruir estes Estados cristãos decapitando os reis, arruinando os Estados católicos.

E assim, os princípios da Revolução de 1789, tendo agora penetrado em todas as instituições, minam a fé católica em todos os lugares, em todas as famílias, até mesmo nos seminários, até mesmo na Igreja e até mesmo no clero! Eis o que disse São Pio X:

“Agora vemos que o inimigo não está apenas fora da Igreja, mas dentro dela. E onde ele está especialmente trabalhando? Está nos seminários.”(1).

Por isso ele pedia aos bispos que expulsassem todos os professores modernistas dos seminários, a fim de não permitir que idéias errôneas, idéias falsas se espalhassem dentro dos seminários. Se as ideias da Revolução, as ideias contrárias à fé católica penetrarem nos seminários, sairão deles um dia padres, bispos e, então, o que será da Igreja? Continuar lendo

PORTUGAL: O FUTURO CARDEAL NÃO QUER CONVERTER JOVENS A CRISTO

Novo cardeal com caminho aberto para se tornar bispo de Lisboa

D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa, responsável pela Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá de 1 a 6 de agosto em Portugal, será criado cardeal pelo Papa Francisco em setembro. Ele fez uma declaração um tanto estranha durante uma entrevista concedida em 6 de julho à RTP Notícias.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Esta entrevista com D. Aguiar ocorreu três dias antes de o Papa Francisco anunciar a criação de 21 novos cardeais, incluindo o Bispo auxiliar de Lisboa. Nesta entrevista, o Bispo declarou que, em sua opinião, a intenção da JMJ é fazer os jovens viajarem juntos, respeitando a sua diversidade.

Para o cardeal nomeado, o objetivo é permitir que cada jovem diga: “Penso de maneira diferente, sinto de maneira diferente, organizo minha vida de forma diferente, mas somos irmãos e vamos juntos construir o futuro. É a mensagem principal deste encontro com o Cristo vivo que o Papa quer levar aos jovens.”

Dom Aguiar prosseguiu: “Não queremos converter os jovens a Cristo, à Igreja Católica ou a qualquer outra coisa”

Ele continuou ainda: Continuar lendo

O BIRRITUALISMO, UMA SOLUÇÃO PÓS MODERNA

El birritualismo, una solución posmoderna - Adelante la Fe

Fonte: Adelante la Fe – Tradução: Dominus Est

A modernidade é, especificamente, o cancelamento do anterior por algo novo, mas por algo novo que transgride uma ordem anterior, e se o passado realmente é cancelado de forma definitiva (como queriam os jacobinos com o Ancién Régime) a novidade logo se torna velha e deve-se (chaf! chaf!) guilhotiná-la como a Danton e Robespierre. Napoleão não foi tão categórico e, contudo, foi mais revolucionário. Como veem, nada há de novo neste mundo; como verão, Napoleão era pós-moderno.

Se não queremos nos tornar uns burgueses conformistas e manter a imagem transgressora, a novidade deve ser urgentemente cancelada por algo mais novo. Por isso podemos assegurar que a missa nova, para todos aqueles que enclausuraram o Vetus Ordo e perderam sua memória, já se tornou velha. Foi perdendo seu sentido transgressor e conservá-la é tão absurdo quanto conservar um televisor de transístores. O certo, de fato, é que se buscava “comunicar” algo aos fieis dentro de um ambiente, e com linguagem adequada aos tempos — já, perante os novos meios de comunicação, ela tornou-se completamente obsoleta.

A reforma litúrgica, para os verdadeiros inovadores, era a porta para a dinâmica irrefreável do progresso; de fato, ao ler a história dessa reforma e alguns testemunhos de seus fautores (como Bouyer) é notável o desleixo, a pressa, o cinismo e a transitoriedade. O importante era o momento da desconstrução e o pontapé inicial de uma dialética que era presumida expressada (e assim foi) em um certo “caos criativo”. Os mais organizados, inimigos do caos e amigos dos “sistemas”, planejavam há vários anos a reforma da reforma, para que depois houvesse outra e outra — mas não feitas ao acaso ou com caos progressista, mas segundo a planificação progressista. Continuar lendo

QUANDO D. LEFEBVRE “DISCERNIU A ESSÊNCIA DO DISCURSO” E ESCREVEU A JOÃO PAULO II

Dom Marcel Lefebvre | Permanência

É com prazer que apresentamos aos nossos leitores esta carta tão atual, escrita em 1988.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Carta de D. Marcel Lefebvre a João Paulo II – 2 de junho de 1988

Santíssimo Padre,

As conversações e encontros com o Cardeal Ratzinger e seus colaboradores, embora tenham ocorrido em clima de cortesia e caridade, convenceram-nos de que ainda não chegou o momento de uma colaboração franca e efetiva.

Com efeito, se todo cristão está autorizado a pedir às autoridades competentes da Igreja que guarde a fé do seu batismo, o que dizer dos sacerdotes, religiosos e religiosas?

É para manter intacta a fé do nosso batismo que tivemos de nos opor ao espírito do Vaticano II e às reformas que ele inspirou.

O falso ecumenismo, que está na origem de todas as inovações do Concílio, na liturgia, nas novas relações entre a Igreja e o mundo, na própria concepção da Igreja, conduz a Igreja à ruína e os católicos à apostasia. Continuar lendo

AS RESPOSTAS DO PAPA – PELO PE. CARLOS MESTRE, FSSPX

Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Carlos Mestre, no Priorado S. Pio X de Lisboa, por ocasião do II Domingo depois de Páscoa (23/04/23), com um comentário à entrevista que o Papa Francisco deu a 10 jovens da atualidade no longa metragem Amén: Francisco Responde.

É NECESSÁRIO RECEBER O SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO SOB CONDIÇÃO?

Crismas 2019 – Galeria fotográfica | Fraternidade Sacerdotal São Pio X no  Brasil

Fonte: Courrier de Rome  n° 662 – Tradução: Dominus Est

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Da etimologia à teologia

Todos conhecem Gaffiot. Félix Gaffiot (1870-1937), decano da Faculdade de Letras de Besançon, que não é conhecido apenas pela sua famosa adega (1), leiloada no domingo, 8 de maio de 1938. Ele é, sobretudo, autor do prestigiado Dicionário ilustrado Francês-Latim, publicado pela Editions Hachette, em 1934, e constantemente reeditado desde então. Aprendemos lá que o substantivo feminino “oliva”, que designa simultaneamente a oliveira e o seu fruto natural, a oliva (azeitona), deu origem ao outro substantivo neutro “oleum”, que significa o óleo. A relação etimológica aqui apoia essa ligação: aos olhos dos antigos, o óleo era, como tal, obtido do fruto da oliveira e, portanto, o óleo era essencialmente um azeite de oliva. Todos os demais “óleos” só foram nomeados como tais por analogia, ou seja, à custa de uma ampliação de sentido que vem acompanhada de uma certa perda do conceito. Além do azeite de oliva, existem também (para nos atermos aos óleos vegetais) óleo de amendoim, óleo de noz, óleo de colza, óleo de milho, óleo de linhaça, óleo de palma, óleo de rícino, óleo de soja e óleo de girassol. Existem ainda óleos animais (óleo de fígado de bacalhau, óleo de foca e, sobretudo, óleo de baleia, utilizados até ao século XIX, antes do advento do gás, como combustível para lâmpadas de iluminação) e óleos minerais, alguns dos quais podem ser obtidos por destilação do petróleo. Sem falar nos óleos essenciais. Mas esses “óleos” são apenas substitutos e, além das semelhanças externas, a verdadeira substância que corresponde adequadamente a esse nome só pode ser o oleum, o líquido proveniente da oliva, fruto natural da oliveira.

2. De acordo com essa abordagem dos antigos, a Igreja sempre reconheceu apenas o azeite de oliva como matéria válida para os sacramentos da Confirmação e da Extrema Unção, excluindo qualquer outro tipo de óleo. Definitivamente, o mesmo se aplica ao pão. O pão é a matéria válida do sacramento da Eucaristia, mas – nosso Gaffiot ainda está aí para atestar isso – trata-se aqui unicamente do pão feito de farinha de trigo, pois, como o óleo em sentido próprio é o azeite, também o pão no sentido próprio é o pão feito com as espécies mais nobres (o “triticum”) do gênero do trigo (o “frumentum”). Os outros “pães” são assim chamados em virtude de uma analogia que tanto diminui como amplia a noção e é por isso que eles não são chamados de “pão” em seu sentido próprio. Aos olhos da Igreja, o pão feito com cevada (“hordeum”), aveia (“avena”), arroz (“oryza”), milho, castanhas, batatas ou outros vegetais não é matéria válida para a Eucaristia, pois esses ingredientes não pertencem ao gênero do trigo; a espelta (“spelta, ae, f“) e o centeio são, certamente, espécies do género do trigo, mas distintas da sua espécie mais nobre, o “triticum“, razão pela qual não é matéria adequada para fazer pão em sentido próprio, ou seja, não é matéria válida para o sacramento da Eucaristia. Continuar lendo

ITÁLIA: NENHUMA PENALIDADE CIVIL PARA O PADRE EM TRAJE DE BANHO

A justiça civil italiana retirou as acusações contra o padre que causou polêmica após celebrar uma “missa” em traje de banho no verão de 2022, usando um colchão de ar como altar.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Leia a matéria da época: O RITO NÁUTICO

Segundo o jornal italiano La Repubblica, a juiza do tribunal de Crotone decidiu, em 28 de fevereiro de 2023, que o padre não precisaria comparecer (à audiência), pois a investigação aberta pelo Ministério Público sobre um possível delito de ofensa religiosa foi encerrada.

Em 24 de julho de 2022, o padre em questão, vigário da igreja de Louis de Gonzaga em Milão, fez tal celebração – com água até a cintura – em uma praia de Capo Colonna. O evento aconteceu em um domingo, durante um acampamento, com a presença de cerca de 20 estudantes.

Eram 10:30h e o sol estava escaldante, então decidimos ir para o único lugar confortável: a água”, explicou o padre de 36 anos. Continuar lendo

MÉXICO: RITOS MAIAS NA MISSA

A diocese de San Cristóbal de las Casas, no sul do México, enviará ao Papa Francisco uma proposta para incluir ritos indígenas maias nas “Missas”. Isso incluiria danças, música, até mesmo a participação de mulheres na liturgia.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O cardeal Felipe Arizmendi Esquivel, antigo Bispo de San Cristóbal, que coordena os trabalhos, explicou, em 1º de março de 2023, à agência de notícias de língua espanhola EFE, que esta proposta será apresentada em abril à assembleia da Conferência Episcopal Mexicana (CEM) .

Em seguida, em maio, será apresentada em Roma, pelo Arcebispo de Puebla, Víctor Sánchez Espinosa, presidente da Comissão Pastoral Mexicana para a Liturgia.

Dom Martínez esclareceu que as inovações em questão já foram praticadas nas celebrações em tzeltal e tzotzil(*). “Elas foram aprovadas pelo Bispo e pela comunidade e agora queremos que haja uma aprovação de Roma, da Sé Apostólica para a Igreja universal”, acrescentou ele.

Trata-se da segunda proposta desse tipo proveniente de uma comunidade católica local, segundo a EFE, sendo a primeira a do Rito Zairense, aprovado pela Santa Sé em 1988. Continuar lendo

POR QUE D. LEFEBVRE NÃO ASSINOU A PROFISSÃO DE FÉ DO VATICANO EM 1989?

Em 19 de novembro de 1989, D. Lefebvre rezou a Missa do 60º aniversário de sua ordenação sacerdotal. Ele falou longa e magnificamente sobre o sacerdócio. Falou também sobre os inimigos do sacerdócio, especialmente as mudanças no espírito da Igreja, “… abrindo suas portas para todos aqueles que não compartilham nossa fé, dando-lhes a impressão de que não há diferenças entre eles e nós”.

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

D. Lefebvre prosseguiu dizendo que naquele momento ele não via a possibilidade de contatos regulares com Roma, porque Roma estava exigindo que, para quaisquer concessões a serem feitas, a FSSPX assinasse uma nova profissão de fé escrita em fevereiro de 1989. Ele equiparou fazer essa profissão com a aceitação explícita do Concílio Vaticano II e suas consequências que prejudicaram a Fé.[1] Se essa era uma questão tão importante, deveríamos perguntar…

O que é a Profissão de Fé de 1989?

Qualquer profissão de fé destina-se a proteger [a fé], destinada a ser uma fórmula específica para declarar explicitamente os ensinamentos da Igreja para serem aceitos por parte dos católicos. A Profissão de Fé de 1989 pede o consentimento dos católicos ao Credo Niceno-Constantinopolitano e a uma explicação adicional encontrada em 3 diferentes grupos de verdades.

O primeiro grupo de verdades é tudo o que o Magistério da Igreja propõe. Isso inclui tanto o Magistério Extraordinário da Igreja, seus “julgamentos solenes” e o Magistério ordinário, o que sempre foi ensinado em toda parte, mas nunca definido solenemente. A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), ao explicar melhor o texto em 1998, deu como exemplo “a doutrina da presença real e substancial de Cristo na Eucaristia”. Essas verdades exigem um consentimento da Fé.[2]           

O segundo grupo de verdades é tudo o que a Igreja definitivamente propõe sobre fé e moral, cuja negação seria uma rejeição da doutrina católica. A todos é exigido um consentimento firme e definitivo a estas verdades, com base na fé na assistência do Espírito Santo ao Magistério da Igreja e na doutrina católica da infalibilidade do Magistério nestes assuntos.[3] Como exemplo, o CDF mencionou a ilicitude da eutanásia.[4] Continuar lendo

O CARDEAL METEOROLOGISTA

O cardeal Raniero Cantalamessa tem sido o pregador da Casa Pontifícia desde 1980. Como tal, todos os anos, ele prega a Quaresma aos membros da Cúria Romana. O exórdio do primeiro sermão, proferido em 3 de março, mostra claramente que ele prega em sua paróquia.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Atentem-se: “A história da Igreja no final do século XIX e início do século XX deixou-nos uma lição amarga que não deveríamos esquecer, para não repetir o erro que está em sua origem. Refiro-me ao atraso, ou melhor, à recusa em reconhecer as mudanças ocorridas na sociedade e da crise do modernismo que daí resultou.”

E prossegue: “Que danos resultaram para uns e para outros, quer dizer, tanto para a Igreja como para os chamados [sic] “modernistas”. A falta de diálogo, por um lado, empurrou alguns dos modernistas mais notórios para posições cada vez mais extremas e, em última instância, claramente heréticas.

“Por outro lado, privou a Igreja de enormes energias, provocando em seu interior lagrimas e sofrimentos sem fim, levando-a a se fechar cada vez mais em si mesma e a ficar para trás em relação ao seu tempo.” Continuar lendo

OUÇAMOS ESTAS PALAVRAS PROFÉTICAS DE D. LEFEBVRE SOBRE O DESAPARECIMENTO DE NOSSAS LIBERDADES

Trecho de um discurso de D. Lefebvre, em 22 de agosto de 1979, em Shawinigan, Quebec.

Foi mantido o estilo oral na tradução.

Tradução: Dominus Est

Mas o que também legitima o nosso medo é pensar que através dessa degradação da Igreja, essa degradação das ideias mesmo na Igreja, das ideias, porque são as ideias liberais que penetram no interior da Igreja, as ideias definitivamente maçônicas que penetram na Igreja, que ainda era o bastião da resistência. Agora que o inimigo penetrou nos mais altos níveis da Igreja, como Nossa Senhora disse em Fátima, como predisse Nossa Senhora em Fátima e em La Salette, é ao mesmo tempo todo o edifício social que está em vias de ruir, porque a Igreja, através de seus princípios, ainda sustentava, diria eu, a verdadeira liberdade, a verdadeira liberdade. A liberdade de cumprir o nosso dever. É isso. Por que temos liberdade? Para cumprir o nosso dever. Porque temos o dever de amar a Deus e amar nosso próximo e cumprir, portanto, o nosso dever, o nosso dever para com Deus na religião e no nosso dever para com o próximo através das funções que temos, funções sociais, quaiquer que sejam elas. Temos que cumprir nosso dever como Estado.

Ora, cada vez menos somos capazes de cumprir nosso dever como estado, tanto religioso quanto social, porque tudo está sendo dirigido e orientado por um Estado socialista. “O socialismo está fazendo progressos consideráveis, mas isso com todo o poder da maçonaria presente em toda parte, em toda parte, em toda parte, que está em Roma e em toda parte. A Maçonaria está em toda parte e dirige tudo. Em breve estaremos listados (conectados) com computadores, todos teremos nosso número e não poderemos fazer nada sem que tudo esteja indicado na planilha que teremos, e tudo isso pelo computador. Estaremos em uma situação pior que de um país soviético. Dirão que são países livres, mas não são países livres: não seremos mais livres para fazer nada. Imagine só, é absolutamente inacreditável. Continuar lendo

SOLVE ET COAGULA – A OPERAÇÃO ALQUÍMICA REALIZADA PELA REVOLUÇÃO CONCILIAR

Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Fonte: Courrier de Rome nº 660, janeiro de 2023 — Tradução: Dominus Est

Este texto é uma continuação do post OS 60 ANOS DO CONCÍLIO

Em alquimia, a Grande Obra é a realização da pedra filosofal, a famosa pedra capaz de transmutar os metais, curar infalivelmente os males do corpo e trazer a imortalidade. Na origem da teoria que afirma a existência de tal pedra nós encontramos uma tradição segundo a qual os diversos metais estariam, no seio da terra, em lenta maturação para um dia chegar ao estado metálico ideal, ou seja, do ouro. A Grande Obra é a aceleração dessa maturação por meio do uso, como catalisador, do agente ativo dessa evolução. A operação alquímica da Grande Obra comporta, por conseguinte, duas etapas principais: primeiro isolar esse princípio de transmutação, separando-o de todos os demais corpos aos quais está misturado e que impedem sua ação (solvere); em seguida, utilizá-lo como agente ativo de evolução, associando-o de uma maneira nova a todos os demais corpos dos quais ele fora anteriormente isolado (coagulare).

Oportunidade de perspectiva de leitura?

A expressão utilizada para designar esse procedimento dos alquimistas ganhou fama, especialmente porque a alquimia é uma ciência oculta e, enquanto tal, por sua correspondência com as outras ciências e outras práticas que são abrangidas pelo mesmo gênero de ocultismo. É assim que a maçonaria retomou por conta própria essa fórmula que caracteriza a partir de então seu próprio modo de proceder: “aplainar o terreno antes de construir”[1]. Esse método de ação maçônica foi perfeitamente analisado por Mons. Delassus em seu livro A Conjuração Anticristã[2]. A divisão dos capítulos do livro mostra-o por si só: a maçonaria atém-se primeiramente a corromper (é esse o sentido da palavra latina solvere) as tradições e as ideias antes de reconstruir uma nova ordem social, porém reutilizando os elementos que compunham a ordem antiga e que se encontram a partir de então desarticulados (é o sentido da palavra latina coagulare). É o que o velho Aristóteles já chamava de “desarmonizar e rearmonizar”.

Esse plano maçônico é uma realidade devidamente atestada em seu plano geral por numerosos trabalhos sérios, dos quais Mons. Delassus reuniu sua substância, e que foram continuados desde então e cujas principais conclusões mantêm ainda sua atualidade[3] na medida em que foram retomadas e desenvolvidas nas análises da questão do globalismo[4]. Dito isso, por que esse plano não poderia, hoje, no contexto pós-Vaticano II — e mais particularmente no contexto do pontificado do Papa Francisco — servir de fio condutor para o católico que se manteve fiel às promessas de seu batismo e está preocupado em aprender a exata natureza da mudança de rumo dos acontecimentos no interior da Igreja? Com efeito, já desde dez anos atrás quando o Papa Francisco aceitou sua eleição para o Soberano Pontificado, parece cada vez mais claramente que essa mudança de rumo é nova não somente em relação ao que a Igreja conhecia antes do Vaticano II, mas também em relação à evolução seguida desde João XXIII até Bento XVI. É preciso forçosamente reconhecer que os dez anos do pontificado de Francisco pouco se parecem com os anos precedentes aos quais estávamos habituados a uma certa continuidade na ruptura — ou mais exatamente na dissolução do patrimônio sagrado da Santa Igreja: operação cuja continuação parece a ponto de confundir-se com aquela que os alquimistas nomearam usando a palavra latina solvere. Atualmente, e isso nunca deixa de assombrar os mais diferentes observadores da atualidade na Igreja, de qualquer obediência que seja, parece muito que a histórica data da quarta-feira, 13 de março de 2013, inaugurou um verdadeiro desvio: um ponto de não-retorno. Ou ainda como que uma nova ruptura nessa continuidade da ruptura. Continuar lendo

OS 60 ANOS DO CONCÍLIO

Sessenta anos após o Concílio Vaticano II, já não é mais o tempo de adaptar a apresentação da doutrina para torná-la acessível à mentalidade do homem moderno. Parece ter chegado o momento de percorrer um “caminho de conversão e reforma […] institucional e pastoral”. 

Uma análise sobre um recente discurso do Papa Francisco.

Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Fonte: Courrier de Rome n° 660, janeiro de 2023 – Tradução: Dominus Est

Irmãos e irmãs, voltemos ao Concílio, que redescobriu o rio vivo da Tradição sem estagnar nas tradições”.

Homilia proferida pelo Papa Francisco em 11 de outubro de 2022 em Roma.

1. Esta é, provavelmente, uma das frases-chave da Homilia proferida pelo Papa Francisco na terça-feira, 11 de outubro de 2022, na Basílica de São Pedro no Vaticano, por ocasião do 60° aniversário da abertura do Concílio Vaticano II (1). O que o bom Povo de Deus poderia lembrar desta reflexão? Muito provavelmente duas palavras: “rio vivo” e “estagnar”. Com efeito, são duas expressões que impressionam as pessoas porque apelam à imaginação. E aqui temos uma amostra particularmente representativa – mais uma! – da maneira surpreendente a qual o Papa nos habituou e que não cessa de nos desconcertar.

2. De fato, é notável como o pensamento do Papa Francisco sempre caminha mais ou menos por metáforas, ou seja, através de imagens que falam, antes de tudo, à imaginação. Certamente, o uso dessas figuras de linguagem é benéfico e mesmo necessário(2), pois está em conformidade com a natureza do homem elevar-se às ideias inteligíveis a partir das realidades sensíveis e concretas. O exemplo ilustrado da metáfora representa, portanto, uma ferramenta preciosa, graças a qual o espírito dos leitores ou dos ouvintes pode aceder à compreensão das definições e das distinções. Mas é ainda necessário que estas definições e distinções estejam presentes no decorrer da apresentação que se apoia na expressão metafórica. E esta expressão intervém às vezes antes que a definição seja dada, e aqui serve para preparar o espírito para compreendê-la e, às vezes após a definição ter sido dada, e aqui serve para dar sua confirmação. Em ambos os casos, para preparar e confirmar, a imagem desempenha o papel de exemplo ou ilustração. Mas é evidente que a ilustração pressupõe a ideia abstrata que se deseja ilustrar e que o exemplo pressupõe a noção geral que se deseja concretizar.

3. Entretanto, somos obrigados a constatar que o discurso pontifício da atualidade se limita, com demasiada frequência, a recorrer a fórmulas que são, sem dúvida, sedutoras, em virtude de sua originalidade, mas que permanecem puramente metafóricas em seu conteúdo. Onde se espera uma explicação ou uma prova, um argumento que, aos olhos da razão, deve explicar a afirmação repetida, não se encontra outra justificação que não seja a de uma imagem, e esta é demasiadamente decepcionante à expectativa do ouvinte, e mais parece um malabarismo. Continuar lendo

ABU DHABI: INAUGURAÇÃO DA CASA DA FAMÍLIA ABRAÂMICA

A Casa é um centro inter-religioso localizado no Distrito Cultural Saadiyat em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos (EAU): foi oficialmente inaugurada na quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023 pelo Sheikh Saif bin Zayed al-Nahyan, Vice-Primeiro-Ministro e Ministro do Interior, e Sheikh Nahyan bin Mubarak al-Nahyan, Ministro da Tolerância e Convivência.

Fonte: DICI  -Tradução: Dominus Est

O Centro abriga uma igreja dedicada ao Papa Francisco, uma mesquita, dedicada a Ahmed El-Tayeb, e uma sinagoga, dedicada a Moïse Maimonide (1138-1204), autoridade rabínica da Idade Média. A inauguração foi seguida na sexta-feira pela oração islâmica, no sábado pela celebração do sábado judaico e no domingo pela missa católica.

Localizada na Ilha Saadiyat, a Casa deveria inicialmente abrir em 2022, mas a construção demorou mais do que o previsto. A Casa da Família Abraâmica decorre da assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana pelo Papa Francisco e pelo Imã de al-Azhar, Ahmed el-Tayeb, com o objetivo de promover a convivência entre os povos e combater o “extremismo”.

A estrutura é obra de Sir David Adjaye e foi projetada para favorecer a solidariedade e o encontro, preservando o caráter distinto de cada uma das três religiões com sua descendência comum de Abraão. Continuar lendo

VAIDADE ECLESIÁSTICA

Artigo originalmente publicado em outubro de 1992

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Conta-se que um pretensioso padre escreveu uma obra de história local em três volumes: Minha paróquia antes de minha pessoa, Minha paróquia durante minha pessoa, Minha paróquia depois de minha pessoa. O segundo foi, de longe, o mais volumoso. O terceiro volume não foi impresso por falta de Nihil Obstat do sucessor deste glorioso pároco.

Hoje, essa acusação contra a vaidade eclesiástica é facilmente aplicável no terreno mais amplo da era pós-conciliar em geral. Inovadores progressistas escrevem constantemente com a mesma arrogância de nosso presunçoso pároco. Praticamente os dois primeiros volumes já foram escritos e circulam em fascículos: A Igreja antes de nós (todo preto), A Igreja feita por nós (todo rosa). Mas do terceiro volume, o que diriam?

Não há necessidade, claro, de prever um terceiro volume intitulado: A Igreja depois de nós. De fato, não restará nada da Igreja depois deles, nem dogmas, nem liturgia, nem Direito Canônico, nem orações, nem imagens, nem coroinhas, nem sinos, e nem sequer a consolação de um De Profundis.

Pe. Philippe Sulmont, em Toujours curé

 

A PARTICIPAÇÃO NA MISSA, TRADICIONAL OU NOVA, INFLUENCIA A FÉ?

Desde o início da reforma litúrgica, após a promulgação do Novus ordo missae (NOM), os defensores da tradição da Igreja advertiam para o perigo que esta nova liturgia representava. E, retomando o conhecido adágio – lex orandi, lex credendi – a lei da oração é a lei da crença, eles também advertiram sobre a futura decadência da fé que se seguiria.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os primeiros a emitir esta advertência foram os autores do Breve Exame Crítico (BEC) em sua análise ainda atual, que foi apoiada pelos cardeais Alfredo Ottaviani e Antonio Bacci, que concordaram em assinar a carta introdutória deste documento.

A conclusão do BEC advertia: “Abandonar uma tradição litúrgica que por quatro séculos manteve-se como um sinal e um compromisso da unidade de culto e substituí-la por outra liturgia que, devido às inumeráveis liberalidades que ela implicitamente autoriza, não pode ser outra coisa além de um sinal de divisão – uma liturgia na qual fervilham insinuações ou erros manifestos contra a integridade da fé católica – é, nós nos sentimos no dever de consciência de declarar isto, um erro incalculável.

Desde então – há mais de 50 anos – esta advertência ressoa de forma cada vez mais amplificada, face à progressiva perda da fé em setores cada vez mais amplos da Igreja. Uma perda da fé que se manifesta, antes de tudo, por um crescente desinteresse e por posições cada vez mais heterodoxas sobre os objetos de crença católica. Continuar lendo

O ÓDIO AO PENSAMENTO: O PONTIFICADO DO PAPA FRANCISCO

Nota do blog: Recomendamos que se leia (como pré-requisito) o livro O homem, animal político”, de Juan Antonio Widow, a fim de que se entenda a verdadeira noção de autoridade. Também a modo de complemento, após a leitura do texto recomendamos a palestra do Pe. Davide Pagliarani intitulada “O pontificado do Papa Francisco”.

por Dardo Juan Calderón

Fonte: Adelante la Fe – Tradução: Dominus Est

Meu corpo é meu

Se o crasso materialismo tivesse razão e o que chamamos “espírito” é, na realidade, uma secreção do cérebro — como é a bile do fígado ou os hormônios das glândulas — que se melhora e adapta-se com a evolução… por que esta secreção fica louca e se declara dona do corpo? Quem é o “eu” que se presume proprietário do corpo? Se sou apenas corpo! O cartel deveria dizer “sou corpo” e basta. Mas isso iria colocá-los em um problema; com que direito contrario o que o corpo define? Se somos matéria, é absurdo que se queira ser algo que a matéria não dispôs. Tanto o querer ser de outro sexo como o ser eterno são ideias que contrariam a matéria, e sem dúvida nascem de um “espírito” (ou de vários). Mas por que aparecem essas coisas ao espírito? Por acaso enlouqueceu?

Um materialista coerente nunca contrariaria as definições do seu corpo, nem sequer se rebelaria perante a morte recorrendo a mil artifícios para evitá-la; ao contrário, uma vez recebido o dado da caducidade e envelhecimento, faríamos como o cavalo da zamba (NdT: estilo musical argentino) que “correu ao barranco cansado de trotear”.

Não é concebível, por exemplo, um hormônio que entenda que todo o corpo exista para lhe dar prazer, que o corpo seja de sua propriedade, mas então… por que a mente do homem persegue ideias que rejeitam sua constituição corporal? Desde esse ponto de vista é tão inexplicável o martírio que sacrifica a vida corporal por uma “ideia” que vai contra o instinto de conservação quanto a homossexualidade que se rebela contra sua constituição biológica e entra em um labirinto de disfunções. São coisas ditadas por um espírito alheio ou superior ao corpo. Ou é certo que o homem é um  macaco enfermo de espírito? Continuar lendo

BISPO FRANCÊS CHAMA A POLÍCIA PARA RETIRAR JOVENS QUE REZARAM O TERÇO EM UMA “CELABRAÇÃO ECUMÊNICA”

Fonte: Media-Presse-Info – Tradução: Dominus Est

Cerca de 15 jovens católicos de rito romano se ajoelharam no dia 21 de janeiro na igreja de Belle-Beille para rezar o terço durante uma cerimônia ecumênica.

O Bispo de Angers, na França, D. Emmanuel Delmas, havia reunido várias confissões por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, a fim de promover a “ abertura ” e a “tolerância”. Mas quando os católicos começaram a rezar, o diácono Joël Caillé, que estava presente, chamou a polícia.

D. Delmas disse à mídia ativista que condenou “fortemente” a oração. Segundo ele, os jovens demonstraram uma “falta de respeito pela oração” e pela “sacralidade da igreja como lugar de unidade, paz e comunhão”, o que obviamente exclui os católicos que rezam o rosário.

Uma foto reveladora publicada pelo Courrier de l’Ouest mostra jovens católicos ajoelhados em uma igreja em meio a idosos secularizados.

O NOVO RITO DA EXTREMA-UNÇÃO

Cinquenta anos após a promulgação do novo rito, surge uma pergunta: quais são as principais diferenças entre o antigo e o novo rito de Extrema-Unção?

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Vinde ver o mais belo espetáculo que se pode apresentar na terra; vinde e vereis morrer um fiel cristão… Assim como um sacramento abriu as portas do mundo aos justos, assim outro também as fechará; a religião teve o prazer de embalá-lo no berço da vida; seus belos cânticos e sua mão maternal o adormecerão também no berço da morte… O sacramento libertador gradualmente rompe seus laços; sua alma, já quase separada de seu corpo, é como que visível em seu rosto.

Chateaubriand, O Gênio do Cristianismo

Principais mudanças

Todo sacramento é constituído de uma parte essencial e de uma parte acidental.

A parte essencial é composta de matéria e forma.

O assunto corresponde ao que é oferecido ao sacramento e à forma pela qual é apresentado. Por exemplo, a matéria do sacramento do batismo é a água que corre sobre o catecúmeno.

A forma é a fórmula utilizada que especifica o significado da matéria. A forma do batismo é a seguinte: “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

As partes acidentais ou secundárias constituem a totalidade do rito, gestos e orações, que especificam o significado do sacramento e sustentam a fé e a devoção do celebrante e dos fiéis.

As mudanças introduzidas pela reforma conciliar referem-se a esses diferentes pontos.

A matéria e o problema do óleo

O novo ritual prevê o uso de um óleo diferente do de oliva. Paulo VI justifica-o nestes termos: “Dado que o azeite de oliva, até agora prescrito para conferir validamente (1) o sacramento, é escasso ou difícil de obter em certas regiões, decretamos, a pedido de vários Bispos, que, por conveniência, outro óleo possa ser utilizado no futuro, desde que este seja extraído diretamente das plantas, de modo que seja um óleo o mais próximo possível do azeite [de oliva]“.

Esta inovação constitui uma ruptura com a Tradição, ainda que o Concílio de Florença tenha sido extremamente explícito a respeito: “O quinto sacramento é a extrema-unção cuja matéria é o azeite de oliva abençoado pelo Bispo (2)”. O catecismo do Concílio de Trento, o Código de Direito Canônico de 1917 (3) e Santo Tomás (4) expressam-se da mesma forma quando mencionam o azeite “oleum olivae”. Continuar lendo

HOLANDA: 50% MENOS FIÉIS. EM BREVE, 60% MENOS IGREJAS

Em 10 de setembro de 2022, D. Jan Hendricks, Bispo da diocese de Haarlem-Amsterdam na Holanda, anunciou que 60% de suas igrejas deverão fechar nos próximos cinco anos devido à diminuição do número de fiéis, benfeitores e receita.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Ele declarou a seus colaboradores: “A pandemia de coronavírus acelerou o processo de encolhimento em que já estávamos envolvidos: fiéis de idade avançada, agora, ainda mais velhos, deixaram de frequentar a igreja; outros, se acostumaram a uma forma litúrgica diferente para as manhãs de domingo, os benfeitores abandonaram as paróquias, os coros encerraram suas atividades.”

Assim, 99 das atuais 164 igrejas devem ser fechadas em cinco anos . Das 65 igrejas restantes, 37 poderiam continuar, entre 5 e 10 anos, como “igrejas de apoio”, deixando apenas 28 “igrejas centrais” consideradas viáveis ​​a longo prazo.

Deve-se dizer que os fiéis que assistiam à Missa dominical caíram de 25.000 em 2013 para 12.000 em 2021. Apenas 3% dos 425.000 católicos batizados na diocese de Haarlem-Amsterdam ainda assistem à Missa.

De sua parte, a diocese de Roermond, no sul do país, já pediu a algumas paróquias que reduzam o número de Missas devido à escassez de padres.

A Holanda conta com aproximadamente 3,7 milhões de católicos, ou 21,7% de uma população total de quase 18 milhões. Em 1970, os católicos representavam quase 40% da população.

ESPECIAIS DO BLOG – O MODERNISMO DO PAPA JOÃO PAULO II

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Em uma “Operação Memória” de nosso blog, trazemos novamente os 3 capítulos que publicamos da transcrição da conferência dada pelo Pe. Patrick de la Rocque, FSSPX, em novembro de 2007, por ocasião de um simpósio sobre a encíclica Pascendi Dominici Gregis.

Pe. de La Rocque, atualmente Prior de Nice, participou de discussões teológicas da FSSPX com Roma entre 2009 e 2011.

PARTE 1 – A IMANÊNCIA VITAL EM JOÃO PAULO II 

PARTE 2 – A ENCARNAÇÃO NA PERSPECTIVA DE JOÃO PAULO II 

PARTE 3 – A REDENÇÃO EM JOÃO PAULO II 

O MODERNISMO DO PAPA JOÃO PAULO II – PARTE 3/3 – A REDENÇÃO EM JOÃO PAULO II

Padre Pio profetizou que Karol Wojtyla seria Papa | São Pio de Pietrelcina

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Pe. Patrick de la Rocque, FSSPX

A falsa concepção de universalidade da Redenção

Quanto às deformações que o modernismo traz ao dogma da Redenção, pensamos primeiro na falsa concepção que se tem da sua universalidade. Com efeito, para João Paulo II a Redenção realizada por Cristo é universal não somente no sentido de que ela é superabundante para todo o gênero humano e que ela é proposta a cada um de seus membros em particular, mas também porque ela é aplicada de fato a todos os homens tomados individualmente. Se, portanto, por um lado “em Cristo a religião deixa de ser um «procurar Deus como que às apalpadelas» (cf. Atos 17, 27), para se tornar resposta de fé a Deus que Se revela: […] resposta feita possível por aquele Homem único […] e cada homem se torna capaz de responder a Deus”, pelo outro o Papa acrescenta que “nesse Homem responde a Deus a criação inteira”[25]. Esta última expressão merece esclarecimentos. Ela poderia ser entendida de maneira católica se por criação se entendesse o ser humano, um resumo da criação, acrescentando que por criação inteira entendemos cada homem, não no sentido de cada homem em particular, mas de qualquer tipo de homem[26]. Ora, não é essa a interpretação de João Paulo II. Para ele, são todos os homens, ou seja, cada um em particular, que estão unidos a Cristo pelo mistério da Redenção. Ele afirmou isso claramente quando se dirigiu aos povos pagãos: “E no Espírito Santo, cada indivíduo, cada povo tornou-se – através da Cruz e da Ressurreição de Cristo – filho de Deus, participante da vida divina e herdeiro da vida eterna[27].

Não insistirei aqui neste erro, que me pareceu mais sensato vincular à concepção que João Paulo II tinha da Encarnação. Conforme vimos, é nessa concepção que, segundo o Papa Wojtyla, todos os homens estão incluídos de maneira eficaz: “o homem – todos e cada um dos homens, sem exceção alguma – foi remido por Cristo; e porque com o homem – cada homem, sem exceção alguma – Cristo de algum modo se uniu, mesmo quando tal homem disso não se acha consciente”[28]. Desde esse ponto de vista, a Paixão e a Ressureição de Cristo não trouxeram nada de fundamentalmente novo. Eu destacaria apenas que essa concepção universalista de Redenção não decorre de um mal-entendido ou de uma interpretação injustificada do pensamento de João Paulo II. Ela é admitida por todos, a começar pelos seríssimos membros da Comissão Teológica Internacional, que declaravam em um de seus documentos escritos a pedido de João Paulo II: “Por causa das ações divinas da Encarnação redentora, todos os homens são dotados da dignidade de filhos adotivos de Deus; assim, tornam-se sujeitos e beneficiários da justiça e do supremo ágape”[29]. Continuar lendo