UMA PANDEMIA DE DESESPERO

Eles não estão brincando, os evangélicos estão de fato partindo para o momento em que a teologia do domínio tentará chegar ao poder político' (João Cezar de Castro Rocha)

Por Dardo Juán Calderón

Fonte: Adelante la Fe

Perante a – em princípio inexplicável e aparentemente surpreendente – condescendência na proliferação de condutas pervertidas em ambientes religiosos, surpreendentemente especial na Igreja Católica, devemos lembrar que uma geração marcada pela falta de compromisso pessoal, pela falta de amor, iria afetar a Igreja desde um mundo corrompido (ao qual o Concílio Vaticano II dá boas vindas e compreensão), degenerando em uma tempestade de sentimentos impuros, que já reinavam gordos nas nações e que hoje mostram, no clero católico, a ponta de um iceberg que vinha congelando há muito tempo.

Os agnósticos estudiosos dos fenômenos sociais já o viam nesse mundo tão louvado pelos padres conciliares, e a definição de desespero, de falta de esperança, era a chave que encontravam. “Se ao menos pudesse sentir algo!”, é a fórmula de Lipovetsky para expressar o que chama de “novo desespero”. E segue desvelando tal desespero como “um mal-estar difuso que tudo invade, um sentimento de vazio interior e de absurdidade da vida”. Agrega Christopher Lasch: “os indivíduos aspiram cada vez mais a um desapego emocional, em razão dos riscos de instabilidade que sofrem, atualmente, as relações pessoais”, o que define como “a fuga ante o sentimento”. Não escapa a esses autores nenhum dos fenômenos que essa personalidade traz consigo, acentuando o lugar que o “sexo” ocupa nesse homem desesperado. “A liberação sexual, o feminismo e a pornografia, apontam ao mesmo fim: levantar barreiras contra as emoções e deixar de lado as intensidades afetivas”: é a aparição do cool sex, das relações livres, a condenação dos ciúmes e da possessividade, “trata-se de fato de esfriar o sexo”, “não somente para proteger-se das decepções, mas também para proteger-se dos próprios impulsos que ameaçam o equilíbrio interior”. O homossexualismo é a realização total desse desprendimento de compromisso afetivo, é em si mesma e conaturalmente uma relação sem futuro possível e até com um enorme dose de desilusão (ou melhor, repugnância) imediata ao ato de prazer, que apenas uma grande intervenção artificial das ciências (medicina, direito positivo, publicidade) consegue ocultar de seu decurso desagradável. “Uma temporada no inferno”, descreverá Rimbaud e “De profundis”, Oscar Wilde. Verlaine sangrará poemas de arrependimento no limite do desespero. Entendemos que como em Judas, possa, para aprofundar a tragédia, coexistir um fio de Fé com o desespero, mas a única explicação para que homens da Igreja amparem – e, por isso, promovam – tal abismo de amargura existencial é produto de eles mesmos sofrerem a mesma deformação por perda das virtudes teologais. E o que expressam é autocompaixão. Continuar lendo →

“NÓS O INCITAREMOS AO CISMA!”

Tal como a Revolução, o pós-Concílio redefine o bom cidadão da Igreja.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em um testemunho publicado em 2009, pouco antes da sua morte, D. Jacques Masson(1) (1937–2010) relatou que o seu bispo, D. Jacques Ménager, furioso com a sua colaboração à obra de D. Lefebvre, exclamou durante uma entrevista acalorada com ele em 1971: “D. Lefebvre é um integrista, fez de tudo para sabotar o Concílio. Diz que é fiel ao Papa, mas desobedece a Paulo VI: recusa-se a celebrar a missa nova. Pois bem! Veremos até onde irá a sua fidelidade ao Papa: faremos com que o Papa Paulo VI proíba a Missa de São Pio V: ou ele obedecerá ao Papa celebrando a missa nova, ou nós o incitaremos ao cisma(2)!”

D. Ménager foi bispo auxiliar de Versalhes, bispo de Meaux, depois arcebispo de Reims, presidente da Comissão Francesa “Justiça e Paz” (!) do episcopado francês quando esta foi criada em 1967.

O episódio tem o mérito de mostrar que quanto mais se prega a abertura e o diálogo, mais se abrem as hostilidades. Continuar lendo →

OS TRADICIONALISTAS SÃO JANSENISTAS: UMA ACUSAÇÃO ERRÔNEA – PARTE 2/2

A primeira parte desta série de artigos (clique aqui para lê-la) lançou um olhar crítico sobre certas distorções do catolicismo tradicional encontradas no polêmico artigo de Josh Blanchard e Rick Yoder, “A Rival Magisterium“. Especificamente, argumentau-se que acusar os tradicionalistas de serem “jansenistas“, embora seja um tropo de longa data, carece de mérito. Este artigo aborda a acusação mais séria feita por Blanchard e Yoder, a saber, que, assim como os jansenistas de antigamente, os católicos tradicionalistas construíram seu próprio magistério paralelo — ou melhor, rival — desafiando a autoridade do magistério da Igreja.

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Uma distinção necessária

Embora haja divergências entre alguns católicos tradicionalistas quanto ao status exato do Concílio Vaticano II e à ortodoxia doutrinária de diversos documentos de ensino que emanaram da Igreja nas últimas seis décadas, a Fraternidade São Pio X (FSSPX) tem consistentemente chamado a atenção para os pontos em que esses pronunciamentos se desviam do depósito da fé. A liberdade religiosa, a colegialidade e o ecumenismo – todos os ensinamentos do Concílio Vaticano II — foram cuidadosamente examinados pela Fraternidade e por outros tradicionalistas. Essa postura crítica, que sempre foi adotada em defesa da fé católica, não equivale à construção de um magistério rival dentro da Igreja. Ela é feita a serviço da Igreja, para lembrar aos fiéis o que ela professava claramente antes do advento do modernismo.

Não é de surpreender, portanto, que Blanchard e Yoder dediquem uma parte significativa de sua atenção à Fraternidade, incluindo seu fundador, D. Marcel Lefebvre. Recordando a famosa “Declaração de 1974” do Arcebispo, a dupla aparentemente enxerga um espírito jansenista nessa declaração — antes de confessar que essa proclamação de fidelidade à Tradição Católica, na verdade, nada tem a ver com o jansenismo propriamente dito.  Continuar lendo →

OS TRADICIONALISTAS SÃO JANSENISTAS: UMA ACUSAÇÃO ERRÔNEA – PARTE 1/2

Acusar católicos tradicionalistas de serem “jansenistas” é um tropo desgastado que persiste há décadas. Essa acusação mal formulada geralmente não tem nada a ver com os enigmáticos debates sobre graça e predestinação que definiram o jansenismo histórico do século XVII. Em vez disso, o “jansenismo” é usado como sinônimo pejorativo de rigorismo estéril, frieza espiritual e desobediência eclesiástica. Embora avanços significativos tenham sido feitos nos últimos anos para esclarecer a real história do jansenismo e dos movimentos adjacentes que ele inspirou, é irônico que dois acadêmicos que tem procurado atualizar a compreensão pública sobre o jansenismo tenham voltado a comparar os tradicionalistas católicos a esse movimento condenado pelo Papa.

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Dois jovens acadêmicos renovam uma antiga acusação

Em um artigo que é, ao mesmo tempo, informativo e frustrante, “A Rival Magisterium” (Commonweal), os estudiosos jansenistas Shaun Blanchard e Richard T. Yoder se propuseram a explicar  “o que os tradicionalistas de hoje têm em comum com os jansenistas”. Blanchard, por sua vez, é o autor de The Synod of Pistoia and Vatican II: Jansenism and the Struggle for Catholic Reform – Jansenismo e a luta pela reforma católica (Oxford University Press 2020). Pistoia, que foi um sínodo diocesano italiano de 1786, foi condenado pelo Papa Pio VI em 1794 por emitir uma série de decretos que, entre outras coisas, buscavam introduzir o vernáculo na liturgia, limitar o calendário de santos e abolir todas as ordens monásticas, exceto as que seguiam a Regra de São Bento. Blanchard argumenta que Pistoia não foi apenas um precursor do Concílio Vaticano II, mas uma espécie de “ponto culminante” da incorporação de certas reformas jansenistas na vida da Igreja.

Yoder, juntamente com Blanchard, também foi curador de Jansenism: An International Anthology (Catholic University of America Press, 2024). Essa coletânea de textos jansenistas (ou relacionados ao jansenismo) abrange cerca de 150 anos de história da Igreja, abrangendo geograficamente desde o Vallée de Chevreuse, a sudoeste de Paris, na França, até Beirute, no Líbano. Ele também contém uma extensa introdução sobre a história do jansenismo feita pela dupla, que é amplamente repetida de forma condensada em sua polêmica contra o catolicismo tradicional. Embora não seja possível recapitular essa história aqui, é suficiente dizer que Blanchard e Yoder prestaram um serviço à erudição histórica ao traçar o jansenismo (nomeado assim em homenagem ao bispo Cornelius Jansen – um bispo e teólogo cujo controverso Tomo sobre o pensamento de Santo Agostinho ajudou a engendrar o movimento) de uma disputa sobre graça e predestinação a uma série de disparates, mas conectados, que questionaram o alcance da autoridade papal; a natureza do governo da Igreja; a estrutura e o serviço da liturgia; práticas devocionais populares; e certas vertentes da teologia moral e da práxis. Por fim, sua obra se soma ao pequeno, mas crescente, corpus da literatura anglófona que vê certas vertentes do jansenismo prenunciando a Nouvelle Théologie do século XX e as reformas do Vaticano II. Continuar lendo →

ESPECIAIS DO BLOG: A MISSA NOVA

La nouvelle messe • LPL

Em mais uma “Operação Memória” de nosso blog, colocamos abaixo alguns textos/vídeos/estudos que publicamos sobre a missa nova:

A MISSA NOVA DE PAULO VI É UM SACRIFÍCIO? PARTE 1

A MISSA NOVA DE PAULO VI É UM SACRIFÍCIO? PARTE 2

A NOVA DEFINIÇÃO DA MISSA SEGUNDO PAULO VI

O NOVO ORDO MISSÆ DE PAULO VI É MAU EM SI MESMO?

DOSSIÊ: A MISSA DE PAULO VI

CONFERÊNCIA: A MISSA NOVA E A TRÍPLICE RUPTURA: LITÚRGICA, TEOLÓGICA E MAGISTERIAL

MISSA NOVA: UM CASO DE CONSCIÊNCIA

A MISSA DE PAULO VI É LÍCITA?

A NOVA MISSA E A FÉ CATÓLICA, PELO CÔNEGO RENÉ MARIE BERTHOD

NA “MISSA NOVA”, O SANTO SACRIFÍCIO SE TORNOU A LITURGIA DOS SALVOS

CARTA DE MARCEL DE CORTE A JEAN MADIRAN “SOBRE A MISSA NOVA” – 1970 – “PAULO VI É UM HOMEM CHEIO DE CONTRADIÇÕES”

INDIFERENTES À MISSA NOVA?

A MISSA NOVA – PELO PE. BONIFACE, FSSPX

A PARTICIPAÇÃO NA MISSA, TRADICIONAL OU NOVA, INFLUENCIA A FÉ?

BREVE EXAME CRÍTICO DO NOVUS ORDO MISSAE

LIVRO – A MISSA NOVA DE PAULO VI, DE MICHAEL DAVIES

TESTEMUNHOS INSUSPEITOS DE PROTESTANTES SOBRE A MISSA NOVA

A ILEGITIMIDADE DA MISSA NOVA

UM NEFASTO ANIVERSÁRIO

O ESPÍRITO SANTO E A MISSA NOVA

PODEMOS CHAMAR A MISSA NOVA DE “RITO ROMANO ORDINÁRIO”?

MISSAS OU QUERMESSES?

VÍDEO: A MISSA NOVA DE PAULO VI – NOVA ETAPA NA CRISE

VÍDEO: CONFERÊNCIA PADRE HESSE 1: SOBRE A VALIDADE OU INVALIDADE DA NOVA MISSA E A ECCLESIA DEI

A MISSA NOVA EM QUESTÃO

62 RAZÕES PARA NÃO ASSISTIR A MISSA NOVA

A MISSA NOVA É PROTESTANTIZADA

MISTURAM DESORDENADAMENTE AS PALAVRAS DA MISSA COM AS CERIMÔNIAS

O “SUBSISTIT IN” E A NOVA CONCEPÇÃO DE IGREJA

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“A questão da Igreja e de sua constituição, as novas abordagens e perspectivas que o Concílio Vaticano II traz sobre a Igreja estão no centro de um debate teológico que nos leva a questionar a ortodoxia de vários de seus textos. Não se pode deixar de estudá-los se se quer compreender as questões de um debate cinquentenário, que não deve se perder nas falsas pistas de uma correta ou má recepção dos textos, que, na verdade, estariam em conformidade com a doutrina da Igreja Católica, de uma correta ou má interpretação ou hermenêutica desses mesmos textos, moldadas conforme as intenções de ruptura, que iriam além daquelas do magistério conciliar. O pressuposto de que os textos são necessariamente isentos de erros esterilizaria qualquer exame teológico sério.”

Assim, a novidade que a expressão “subsistit in” – que associa a Igreja de Cristo subsistindo na Igreja Católica – constitui para todos pode ser qualificada como estratégica. Ela é estratégica do ponto de vista do novo ecumenismo implementado e propagado pelos Papas conciliares e pós-conciliares.

Recordemos que o ecumenismo moderno busca em todas as religiões cristãs o menor denominador comum, a fim de recuperar a unidade perdida. Isso sempre foi condenado, até 1949, por Pio XII [1]. O ecumenismo, no sentido católico, busca renegar as comunidades cristãs dissidentes para integrar a única Igreja de Cristo, que é a Igreja Católica, única arca e fonte de salvação. Quanto ao diálogo inter-religioso, nascido do movimento e extensão do ecumenismo moderno, busca, por meio do debate aberto entre representantes de religiões não cristãs, promover a paz e o intercâmbio sobre os valores éticos, excluindo qualquer proselitismo [2]. Continuar lendo →

MUNDO, MUNDO…

Gustavo Corção – Conservador ardente | Pro Roma Mariana

Gustavo Corção

Entre os belos Cantos Eucarísticos do grande poeta místico que foi Santo Tomás de Aquino, vêm-nos à memória estes versos.

Solum expertus potest scire

quid sit Jesum diligere

Traduzimos, sem sabermos traduzir o sabor original: “Somente aqueles que o experimentaram podem saber o que seja o amor de Jesus”. Ou, “somente os que por experiência sabem…”.

Todos os mestres místicos ensinaram que a contemplação infusa é uma “quase experiência de Deus”. Por que “quase”? Este termo parece restritivo, e portanto impróprio para definir a mais alta de todas as aventuras da alma humana, a subida do Carmelo ou do Calvário, nas pegadas de um Deus que por nós se deixou crucificar. É por isso mesmo, aliás, que nunca poderemos encontrar termos próprios para exprimir a sobrenatural aventura. A linguagem dos místicos é inevitavelmente hiperbólica, antitética e metafórica; e é aqui, mais do que na poesia, que se aplica o que disse Rimbaud: que tentava dizer o indizível.

No caso em questão, Santo Tomás ousa empregar o termo “experimentar” quando canta, mas seus discípulos, quando tentam explicar o canto de maior linguagem especulativa, recuam diante do termo que traz sobre si uma pesada carga de conotações empíricas e carnais. E até ensinam que na subida do Caminho da perfeição o desejo de experiências sensíveis, sejam elas embora feitas do mais piedoso afeto, constituem pedras de tropeço, e até às vezes atrasos e retrocessos, porque nelas a alma se demora e se compraz no sabor e nas consolações de tal afeto. Ora, não foi este o exemplo que Jesus nos deixou na subida do Calvário. A subida mística só se fará se deixarmos para trás o lastro de terra e de carne, e se, corajosamente, aceitarmos a purificação da noite dos sentidos. Daí se explica a reserva dos mestres quando falam mais na pauta especulativa do que naquela da “experiência” ou “superexperiência” vivida na união com Deus.

* * *

Mas agora, caído em mim de tais alturas que tanto desejara ter alcançado, e das quais só ouso falar com ciência de empréstimo e de desejo, imagino o leitor a interpelar-me: — A que vêm todas essas considerações em torno da experiência mística, e dos cantos eucarísticos de Santo Tomás, quando falávamos da agonia da Espanha, e esperávamos comentários das efervescências nacionais em torno da denúncia em boa hora levantada por Dom Sigaud sobre a infiltração comunista na CNBB? Continuar lendo →

SÉRIE “CRISE NA IGREJA” – EPISÓDIO 10: INFILTRAÇÃO MODERNISTA – OS PRIMÓRDIOS

Neste episódio, temos a presença do Pe. Paul-Isaac Franks, professor no St. Mary’s College, para iniciar nosso estudo sobre o modernismo, analisando os antecedentes desse erro. Primeiro, veremos como ele surgiu na teologia protestante, depois, como o Modernismo tentou dar uma interpretação inteiramente nova das Escrituras e da Divindade de Nosso Senhor e, finalmente, como esses erros se espalharam nas mentes de alguns teólogos católicos no final do século XIX. No final, veremos como esses teólogos teriam sido extremamente influentes nas mentes dos clérigos ao longo do século XX e além.

DESCONTINUIDADE: A DESVIRILIZAÇÃO DA LITURGIA E DO SACERDÓCIO NO NOVUS ORDO MISSAE

Resumo de um excelente artigo do Padre Richard G. Cipolla sobre a “desvirilização” da liturgia do Novus Ordo.

Fonte: Chiesa e Post Concilio – Tradução: Dominus Est

Aquilo a que o cardeal estava se referindo está no cerne da forma Novus Ordo da Missa Romana e nos profundos e inerente problemas que afligem a Igreja desde a imposição do Novus Ordo Missae em 1970. Pode-se ser tentado a cristalizar o que o Cardeal Heenan vivenciou como a feminização da liturgia. Mas esse termo seria inadequado e, em última análise, enganoso, visto que há um aspecto mariano autêntico na liturgia que é, indubitavelmente, feminino. A liturgia carrega a Palavra de Deus; oferece o Corpo da Palavra à Adoração e o dá como Alimento. Uma terminologia melhor poderia ser que, no rito da Missa Novus Ordo, a Liturgia foi efeminizada

[…] Quando se fala da feminização da liturgia, corre-se o risco de ser mal interpretado, como se se estivesse desvalorizando o significado de ser mulher e da própria feminilidade. Sem adotar a perspectiva um tanto machista de César sobre os efeitos da cultura sobre os soldados, pode-se certamente falar de uma desvirilização do soldado que absorve sua força e sua determinação para fazer o que deve. Isso não é uma rejeição do feminino: em vez disso, descreve o enfraquecimento do que significa ser um homem.

Este termo desvirilização é o que quero usar para descrever o que o Cardeal Heenan testemunhou naquele dia de 1967, durante a celebração da primeira Missa experimental. Continuar lendo →

DECADÊNCIA E CRISE DO SACERDÓCIO NA ATUAL CRISE DA IGREJA, PELO PE. CORNÉLIO FABRO

CAPÍTULO V DO LIVRO L’AVVENTURA DELLA TEOLOGIA PROGRESSISTA

Padre Cornélio Fabro

Milão, 1974

Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo Gederson Falcometa

Aquilo que na presente situação, segundo May, sobretudo é deprimente, são os erros de professores, não tanto a fraqueza e a vileza dos Bispos: aquilo que é mais deprimente no cuidado das almas é a fraude e a pena que foi dada ao bravo povo alemão. A nenhum observador diligente da Igreja Católica escapou nos últimos anos que a Igreja na Alemanha percorre um caminho suicida no que diz respeito ao cuidado das almas. Basta dar uma olhada na situação.

Atitude de monopolização da teologia progressista

É preciso partir de um fenômeno que é decisivo e ao mesmo tempo surpreendente para os católicos, a saber a determinante, ou melhor, dominante posição da teologia Igreja aggiornata. Essa parece ter se transformado de uma Igreja de Bispos em uma Igreja de professores. Devo em verdade me corrigir: dominante não é simplesmente a teologia, mas uma determinada forma de teologia que se chama com a modéstia, que lhe é própria, teologia do progresso, que eu porém indico como progressista. Muito menos esta teologia é uma unidade, e contudo, mostra em um certo campo características comuns  [1].

Evidentemente esta teologia progressista não tem nada a ver com o verdadeiro progresso, que se chama aproximação da perfeição – e é isto em verdade o verdadeiro progresso -, ao qual o Senhor da Igreja nos convida. O progresso autêntico afirma os valores presentes e busca desenvolvê-los, não os destrói. Ao invés disso, o progressismo contém um programa de total insegurança. Aquilo que esse afirma ser progresso é na verdade regresso, a saber desagregação de valores, esvaziamento de conteúdos, destruição de formas: em resumo, uma demolição, uma liquidação de que uma vez um professor de teologia dogmática me disse: «A liquidação se pode fazer apenas uma vez!». As oposições na Igreja não são de fato entre conservadores e progressistas. Não se trata de fato de uma diversa impostação da mesma herança católica que por ninguém é negada, mas se trata de fidelidade aos valores católicos ou de sua traição. Alguns meses atrás o episcopado alemão, como é notável, organizou uma consulta aos sacerdotes. Entre as muitas respostas existiu uma que sem dúvida é extremamente significativa: 68% dos sacerdotes se lamentou da confusão em que foi precipitada a teologia. Seja os sacerdotes seja o povo católico todos estavam habituados até poucos anos atrás (a esperar) que os teólogos que ensinam por encargo da Igreja anunciassem também a sua doutrina. Mas a situação, já faz alguns anos, mudou. Hoje não é raro o fato mirabolante que os anunciadores da fé, autorizados pela Igreja, ensinem em contraste com a doutrina da Igreja. Eu não exagero se digo que a guia da Igreja passou de fato em larga escala de pastores relevantes e responsáveis a teológos progressistas irresponsáveis. Continuar lendo →

TESTEMUNHOS INSUSPEITOS DE PROTESTANTES SOBRE A MISSA NOVA

Pastores protestantes Georges, Jasper, Sephard, Konneth, Smith, e Thurian com o Papa Paulo VI.

É notório que, nos trabalhos de preparação do novo “Ordo Missae”, seis pastores protestantes, especialmente convidados, estiveram presentes. Este fato explica a tendência do novo “Ordo” de conciliar o ponto de vista protestante com o católico nos assuntos relativos à ceia dos protestantes e à Missa da Santa Igreja. Esta tendência teve como resultado um “Ordo Missae” que, segundo declarações de próceres protestantes, pode ser empregado também na liturgia de suas “ceias do Senhor”.

Declarações de protestantes:

a) Max Thurian, da Comunidade protestante de Taizé: “Um dos frutos do novo “Ordo” será talvez que as comunidades não católicas poderão celebrar a santa ceia com as mesmas orações da Igreja católica. Teologicamente é possível” (“La Croix”, 305-69).

b) “O movimento litúrgico de âmbito universal que tem lugar atualmente na Igreja Romana constitui um esforço tardio no sentido de promover uma participação ativa e inteligente do laicato na Missa de modo que os fiéis possam julgar-se “concelebrantes” com o sacerdote” (Luther D. Reed, The lutheran liturgy, p. 234). Continuar lendo →

ESPECIAIS DO BLOG: OBEDIÊNCIA E DESOBEDIÊNCIA

Nessa coletânea, Mons. Lefebvre e padres da FSSPX desmascaram o golpe de mestre que a inteligência perversa do demônio inventou para prejudicar a Igreja pós-Vaticano II: levar à desobediência por meio da obediência.

Por outro lado, repetimos com São Pedro: “Devemos obedecer a Deus e não aos homens” (Atos dos Apóstolos), ou com São Bernardo: “Aquele que pela obediência se submete ao mal está aderido à rebelião contra Deus e não à submissão devida a Ele“.

O GOLPE DE MESTRE DE SATANÁS

O FALSO DILEMA DA OBEDIÊNCIA

A FSSPX: SOB A ARTILHARIA DE SEIS OBJEÇÕES

UMA TRIPLA E ESPANTOSA CONFUSÃO

DESOBEDIÊNCIA APARENTE, OBEDIÊNCIA VERDADEIRA

A VERDADEIRA OBEDIÊNCIA

O DEVER DA DESOBEDIÊNCIA

SERMÃO DE D. LEFEBVE EM POITIERS, FRANÇA, 1977 – “DESOBEDIÊNCIA APARENTE, MAS OBEDIÊNCIA REAL…”

OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA

A VERDADEIRA OBEDIÊNCIA ATÉ O FIM

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LEÃO XIV INAUGURA A MISSA BERGOLIANA PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO

Léon XIV inaugure la messe bergoglienne pour la sauvegarde de la création

No dia 09 de julho, nos jardins de Castel Gandolfo, o Papa Leão XIV celebrou a nova “Missa pelo cuidado da Criação”. Em um espírito muito bergogliano, ele adotou a doutrina de Francisco de “conversão ecológica”.

Fonte: Medias Presse Info – Tradução: Dominus Est

Usando simbolicamente a cruz peitoral de Francisco, Leão XIV celebrou a Missa Bergogliana “pelo cuidado da criação”

Usando simbolicamente a cruz peitoral de Francisco, seu sucessor Leão XIV celebrou a missa Bergogliana “pelo cuidado da criação” nos jardins dedicados ao centro “Burgo Laudato Si”, na residência de verão papal, o Castel Gandolfo, “uma catedral natural“.

Preparada por Francisco, esta nova missa votiva do Novus Ordo, que Leão aprovou há algumas semanas, é diretamente inspirada na encíclica neopagã bergogliana Laudato Si ‘.

O sermão do novo pontífice nessa primeira celebração foi igualmente de inspiração bergogliana. Diante de uma pequena plateia de prelados e religiosos, incluindo o Arcebispo Vittorio Viola, Secretário da Congregação para o Culto Divino, e o Arcebispo John Joseph Kennedy, chefe da seção disciplinar do Dicastério para a Doutrina da Fé, Leão XIV mais uma vez elogiou seu predecessorvaticavatica Continuar lendo →

TRECHO DO FANTÁSTICO SERMÃO DE MONS. MARCEL LEFEBVRE EM LILLE (1976)

“Pois se, ao invés do que fiz naquele tempo eu tivesse formado meus seminaristas assim como eles são formados hoje em dia nos seminários atuais eu que seria excomungado.

Se tivesse ensinado o catecismo assim como ele está sendo ensinado hoje nas escolas, eu é que seria chamado de herege.

Se eu tivesse celebrado a Santa Missa do modo que ela é celebrada hoje, eu é que seria considerado suspeito de heresia e fora do âmbito da Igreja.

Isto que acontece está além da minha compreensão.

Isto significa que alguma coisa mudou dentro da Igreja.

Na hora de minha morte, quando Nosso Senhor me perguntar: “O que fizeste com seu episcopado? ” O que fizeste dom sua graça episcopal e sacerdotal? Eu não quero ouvir de seus lábios as terríveis palavras: “Ajudastes a destruir a Igreja assim como os demais”.”

PALAVRAS DE MONS. LEFEBVRE AO CARDEAL RATZINGER: OS SRS. TRABALHAM EM PROL DA DESCRISTIANIZAÇÃO DA SOCIEDADE, DA PESSOA HUMANA E DA IGREJA, E NÓS TRABALHAMOS PARA A CRISTIANIZAÇÃO.

Resumi ao Cardeal Ratzinger em poucas palavras, porque digamos que é difícil resumir toda esta situação, mas eu lhe disse: “Eminência, mesmo que nos conceda um Bispo, mesmo que nos conceda certa autonomia em relação aos Bispos, mesmo se nos outorgue toda a liturgia de 1962, nos conceda continuar a obra dos seminários da Fraternidade tal como o fazemos atualmente, nós não podemos colaborar. É impossível, é impossível, porque nós trabalhamos em duas direções diametralmente opostas: os Srs. trabalham em prol da descristianização da sociedade, da pessoa humana e da Igreja, e nós trabalhamos para a cristianização. Não podemos, portanto, nos entender.”

Então eu lhe disse: “Para nós, Cristo é tudo; Nosso Senhor Jesus Cristo é tudo, é a nossa vida. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, é Sua noiva mística. O padre é outro Cristo; sua Missa é o sacrifício de Jesus Cristo e o triunfo de Jesus Cristo pela cruz. Nosso seminário: ali onde aprendemos a amar a Cristo e somos totalmente propensos ao Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso apostolado é pelo reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eis o que somos. E os Srs. fazeim o oposto. O Sr. acabou de me dizer que a sociedade não deve ser cristã, não pode ser cristã, que é contra sua natureza!  Acabou de me provar que Nosso Senhor Jesus Cristo não pode e não deve reinar nas sociedades! Quer provar que a consciência humana é livre em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo! – ‘É preciso dar-lhes liberdade e um espaço social autônomo’, como disse. É a descristianização. Pois bem, nós somos pela cristianização” .

Eis então porque não podemos nos entender. E isso, garanto aos senhores, isso é o resumo. Não podemos seguir essas pessoas.

Conferência de Mons. Lefebvre durante o Retiro dos Sacerdotes da FSSPX, 1987

Trecho retirado da Revista Sal de la Terre, nº 87

30/06/25 – 37 ANOS DAS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS EM ÉCÔNE

Preferimos continuar na Tradição, esperando que essa Tradição reencontre seu lugar em Roma, esperando que ela reassuma seu lugar entre as autoridades romanas, em suas mentes” — Mons. Marcel Lefebvre

CLIQUE AQUI E OUÇA O SERMÃO DO DIA DAS SAGRAÇÕES 

Introdução de Michael J. Matt (editor de Remnant) – Tradução Dominus Est

Em 1976, quando eu tinha dez anos, fui crismado pelo Arcebispo Marcel Lefebvre. Lembro-me de um homem bondoso e santo, de fala suave e verdadeiramente humilde. Mesmo ainda sendo crianças, meus irmãos e eu entendemos que ali estava um verdadeiro soldado de Cristo, que assumira uma posição corajosa e solitária em defesa da sagrada Tradição, em um momento em que não havia nada mais “hip” do que novidade e inovação. Nosso pai estava junto a ele, e esses homens eram “traddies” muito bem antes de “traddy” ser algo legal.

Lembrem-se que o mundo inteiro estava passando por um revolução na época — sexual, política, litúrgica, cultural — e “não havia nada mais antiquado do que o passado“. A resistência solitária dos primeiros tradicionalistas pôde, então, ser comparada a algo tão absurdo (aos olhos do mundo na época) como um homem na lama em Woodstock que insistisse para que os hippies colocassem suas roupas de volta e parassem de tomar ácido e fumar maconha. Ninguém se importava. Eram zombados, riam deles e, por fim, mandados que saíssem da Igreja.

Os tempos estavam realmente ‘mudando’, e com poucas exceções, o elemento humano da Igreja de Cristo acompanhou a loucura — com efeito, poder-se-ia dizer, liderando o caminho.

Quando nos lembramos do motivo desses homens terem resistido à loucura dos anos 60, lembremo-nos de que eles não foram motivados principalmente pela ideia de salvaguardar suas próprias circunstâncias. O Arcebispo Lefebvre, por exemplo, estava aposentado antes que o mundo descobrisse quem ele era. Ele foi persuadido a sair de sua aposentadoria por seminaristas que, de repente, viram-se cercados por lobos em pele de cordeito, nos próprios seminários. Os modernistas estavam, literalmente, em toda parte. Continuar lendo →

PIO XII CONTRA O AMERICANISMO

Fonte: Sì Sì No No, Ano LI, n. 9 – Tradução: Dominus Est

O catolicismo entre o liberalismo e o socialismo

Pio XII[1], ao contrário de Russel Kirk (†1994), Edmund Burke (1797) e os neoconservadores atuais, compreendeu muito bem a oposição irreconciliável entre o espírito liberal/americanista (não uma questão de raça, mas de ideias) e o catolicismo; entre o comunismo (trotskista ou stalinista, essencialmente iguais, acidentalmente diferentes) e o cristianismo.

A excomunhão do comunismo ateu e materialista

De fato, depois de ter excomungado o comunismo apóstata, por ser ateu e materialista, em 1949, e de ter se pronunciado abertamente contra o perigo de uma junta social/comunista em Roma, em 1952, ele expulsou Alcide De Gasperi da Sé por não querer se aliar (tal como De Gasperi havia pedido) à direita contra a esquerda e por ter denunciado Giovanni Guareschi. Por fim, ele também expulsou Monsenhor Montini de Roma por estar muito próximo da mentalidade secularista e democrata-cristã de De Gasperi. Continuar lendo →

A OPUS DEI, VISTO POR RUBÉN CALDERÓN BOUCHET

Fonte: Statis Veritas – Tradução: Dominus Est

Li a obra sobre o “Opus Dei” escrita por Jean Saunier, em 1973, e traduzida ao espanhol pela editora Roca de Méjico. O livro é um pouco velho, especialmente em tudo o que se refere à situação política da Espanha, que mudou bastante desde a morte de Franco e, especialmente, durante o período em que governou o socialismo sob a condução de Felipe González. O livro está escrito em tom claro e tem um desenrolar fácil de seguir. Não há dúvidas de que seu autor não é católico e isso se vê nas primeiras linhas da obra, por certas alusões equívocas que mostram sua ignorância de teologia e um modo de compreender a história europeia que ubicam Saunier em um radicalismo esquerdista e provavelmente marxistóide — embora este último não seja tão evidente.

A crítica, fundada em um bom conhecimento dos fatos, carece de perspectiva religiosa de tal modo que o católico tradicionalista se encontra perante uma diatribe que parece especialmente dirigida ao que o autor chama “integrismo” do Opus; que consistiria em uma defesa impetuosa da Igreja, sempre feita com métodos adequados à situação atual do mundo econômico. Com o propósito de evidenciar o caráter tradicional do Opus Dei, o autor nos lembra de associações religiosas passadas que buscaram recuperar, com maior ou menor sucesso, a antiga importância política da Igreja Católica em tentativas, mais ou menos bem-sucedidas, de assumir o poder político através de certas intrigas secretas levadas a cabo por esses grupos escolhidos. Assim teriam sido “A Cabala dos Devotos” no tempo de Luís XIV, os “Cavaleiros da Fé” durante a restauração e o movimento integrista “La Sapinière” durante o pontificado de São Pio X. Continuar lendo →

CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS: ECLIPSE DA AUTORIDADE APOSTÓLICA NA IGREJA PÓS-MODERNA

por Daniele Trabucco*

Fonte: Blog Duc in Altum – Tradução: Dominus Est

No plano divino revelado por Cristo, a Igreja é uma sociedade sobrenatural fundada sob princípios inegociáveis ​​de ordem e hierarquia, derivados imediatamente da vontade de seu Fundador. Sua estrutura essencial baseia-se em uma tríplice ordem: Cristo, Cabeça, o Romano Pontífice como seu Vigário visível, e os Bispos, sucessores dos Apóstolos, constituídos pastores das Igrejas particulares “in solidum cum Petro et sub Petro”. Qualquer introdução de estruturas intermediárias que se interponham entre o ofício episcopal e a autoridade suprema do Romano Pontífice, ou que substituam o exercício pessoal e direto do “munus” episcopal, aparece, após cuidadosa reflexão canônica e filosófica, como uma alteração da ordem desejada por Deus e transmitida apostolicamente. As Conferências Episcopais, tal como se desenvolveram especialmente no período pós-guerra — e ainda mais no período pós-conciliar — representam precisamente isso: uma estrutura organizacional e administrativa que, embora carente de fundamento teológico-dogmático e de jurisdição própria (cf. Cânon 455 “Codex iuris canonici” de 1983), adquiriu progressivamente uma proeminência indevida, a ponto de reduzir a responsabilidade pessoal do Bispo em sua própria Diocese. O princípio, em si mesmo admissível, da cooperação entre os bispos para fins pastorais específicos, deu lugar a uma concepção para-sinodal e quase “parlamentar” do episcopado, na qual a deliberação comum é transposta como se fosse dotada de magistério, quando na verdade não faz parte dele, exceto pela unanimidade ou aprovação “ex audientia pontifícia” (cf. a Carta Apostólica em forma de Motu Proprio “Apostolos suos” de 1998 de João Paulo II). A filosofia jurídica da Igreja ensina que a autoridade deriva da natureza e do propósito: “actus sequitur esse”.

Ora, o ser do Bispo é o ser sucessor dos Apóstolos, investido de um “múnus” que deriva não do corpo episcopal como um todo, nem de uma Conferência nacional, mas da atribuição sacramental unida ao mandato canônico. Qualquer realidade que tenda a nivelar essa identidade singular e imediata, em favor de uma “coletividade decisória”, contradiz a ontologia do poder sagrado e introduz um critério de operação que responde mais à lógica das estruturas democrático-funcionais do que à lógica da “potestas sacra”. O que tem valor na Igreja é o que flui da graça e da ordem: não o consenso horizontal, mas a obediência vertical à Tradição, à Sé Apostólica e à Verdade revelada. Continuar lendo →

LEÃO XIV E AS ANDORINHAS

A recente nomeação de um bispo revela as aplicações das aproximações do Vaticano II.

Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O cardeal Robert Francis Prevost tornou-se o Papa Leão XIV em 8 de maio desse ano de 2025. No dia 22 de maio seguinte, o novo Vigário de Cristo confirmou a eleição do padre Beat Grögli, pároco da catedral da diocese de St. Gallen, na Suíça(1). De acordo com os termos de uma concordata assinada em 1845 entre a Santa Sé e a Igreja Católica no estado suíço, o Bispo de St. Gallen é escolhido pelo Capítulo da catedral com a participação do colégio católico local, uma espécie de parlamento eclesiástico eleito pelos católicos da diocese e também composto por leigos. A Santa Sé pode então confirmar ou invalidar a eleição do bispo, o que, segundo a eclesiologia do Código de 1917, equivale a investir este bispo eleito com seu poder de jurisdição, mesmo antes de receber a sagração episcopal. O mesmo acontece com o bispo de uma igreja particular, seguindo o exemplo do Papa: o bispo recém-eleito, designado como tal para ser investido de seu poder, recebe seu poder diretamente de Cristo pelo próprio fato de aceitar sua eleição, no caso do Papa, e o recebe diretamente do Papa pelo próprio fato de que este último confirma sua eleição, no caso do bispo diocesano de uma igreja particular. Em ambos os casos, a atribuição do poder de jurisdição permanece independente da atribuição do poder de ordem, que ocorre com a consagração episcopal.

Um exemplo histórico atesta esse fato: o cardeal Ottobone Fieschi, sobrinho do Papa Inocêncio IV, foi eleito 186º sucessor de Pedro em 11 de julho de 1276, para substituir o beato Inocêncio V. Ele seria Papa somente até 18 de agosto, data de seu falecimento. E fez isso sem ter recebido a sagração episcopal e nem mesmo a ordenação sacerdotal, permanecendo como um simples diácono durante os 39 dias de seu pontificado. Continuar lendo →

ESPECIAL DOS ESPECIAIS DO BLOG: VATICANO II

O Concílio Vaticano II é uma bússola que permite que a Igreja chegue à  meta, afirma Bento XVI

Em mais uma Operação Memória de nosso Blog, colocamos abaixo alguns links sobre o Vaticano II:

OS ENSINAMENTOS DO CONCÍLIO VATICANO II FAZEM PROPRIAMENTE PARTE DO MAGISTÉRIO?

A CRÍTICA DO VATICANO II

POR UMA JUSTA REAVALIAÇÃO DO VATICANO II

DO MAGISTÉRIO VIVO E DA TRADIÇÃO – PARA UMA “RECEPÇÃO TOMISTA” DO VATICANO II?

A LEI ANTIGA E A LEI EVANGÉLICA SEGUNDO O VATICANO II E SEGUNDO A TRADIÇÃO CATÓLICA

VATICANO II: INTRODUÇÃO A UMA NOVA RELIGIÃO

SINOPSE DOS ERROS IMPUTADOS AO CONCÍLIO VATICANO II

A IGREJA CONCILIAR SUBSISTE

PODE-SE FALAR DE UMA IGREJA CONCILIAR?

O “SUBSISTIT IN” E A NOVA CONCEPÇÃO DE IGREJA

A IGREJA DA NOVA LITURGIA

A LINGUAGEM OPACA DA IGREJA CONCILIAR

A IGREJA CONCILIAR E AS 4 NOTAS

AS 3 FRATERNIDADES

PALAVRAS DE BENTO XVI: “O PAPA NÃO É UM SOBERANO ABSOLUTO, CUJOS PENSAMENTOS E VONTADES SÃO LEI”.

A PROTESTANTIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 1

A PROTESTANTIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 2

A PROTESTANTIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 3

PRINCIPAIS ERROS DO VATICANO II

A PLENA COMUNHÃO

O ESPÍRITO SANTO E O ESPÍRITO DO VATICANO II

A LIBERDADE RELIGIOSA DO VATICANO II

VÍDEO: A HISTÓRIA DO VATICANO II

DO LIBERALISMO À APOSTASIA

A IGREJA ABERTA E SEU INIMIGO

A ESSÊNCIA DO PROGRESSISMO

ITÁLIA – ULTIMATO DO RABINO CHEFE DE ROMA: “OU OS LEFEBVRISTAS OU NÓS”

CARDEAL FERNÁNDEZ: A CANETA DE FRANCISCO E LEÃO XIV

DOM SCHNEIDER: UM ENVOLVIMENTO SÉRIO DO VATICANO COM A FRATERNIDADE SÃO PIO X MARCARIA O “COMEÇO DO FIM” DO PROJETO MODERNISTA 

A FSSPX PRATICA UM “LIVRE EXAME” DA TRADIÇÃO?

ESPECIAL DO BLOG: AS SAGRAÇÕES DA FSSPX

AS SAGRAÇÕES NA FSSPX – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX | DOMINUS EST

Em mais uma Operação Memória de nosso blog, colocamos alguns textos sobre as Sagrações Episcopais da FSSPX.

D. LEFEBVRE: UM BISPO NA TORMENTA – Documentário obrigatório para entender os acontecimentos da época e também os atuais

ESTUDOS TEOLÓGICOS E CANÔNICOS

AS SAGRAÇÕES REALIZADAS POR D. LEFEBVRE EM 1988 REPRESENTAM UM ATO DE NATUREZA CISMÁTICA?

AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988 PREJUDICARAM UM ELEMENTO ESSENCIAL DA FÉ CATÓLICA: A UNIDADE DA IGREJA?

AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988: O DILEMA ECCLESIA DEI

UMA LEITURA CUIDADOSA? SOBRE AS FUTURAS SAGRAÇÕES NA FSSPX

COM OU SEM MANDATO? SOBRE AS FUTURAS SAGRAÇÕES NA FSSPX

AS SAGRAÇÕES NA FSSPX

AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1° DE JULHO DE 2026 – PELO PE. GLEIZE

ESTUDO TEOLÓGICO DAS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988

O ESTADO DE NECESSIDADE

ESTUDO TEOLÓGICO DO JORNAL SI SI NO NO – Parte I, Parte II – ESTUDO CANÔNICO – Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte 5

ANÁLISE CANÔNICA: O DECRETO DDF DE 2026 SOBRE A FSSPX

POSTS RELACIONADOS AO TEMA

CARTA ABERTA A SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV E AOS CARDEAIS DA SANTA IGREJA

OS NÚMEROS DAS SAGRAÇOES EM ÉCÔNE

VÍDEO:RESISTIR A UM PAPA INFALÍVEL?

PROFISSÃO DE FÉ CATÓLICA DA FRATERNIDADE SÃO PIO X PARA ESCLARECER AS ALMAS CONFRONTADAS COM OS ERROS MODERNOS

SERMÃO DO PE. PAGLIARANI NAS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DA FSSPX

A FRATERNIDADE SÃO PEDRO CONTRA AS SAGRAÇÕES

A “EXCOMUNHÃO” DO ABSURDO (E O RIDÍCULO DOS “CONSERVADORES DE INTERNET”)

O CONCEITO MODERNISTA DE EXCOMUNHÃO

CARTA AO SANTO PADRE SOBRE O DECRETO DO DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ

APÓS AS SAGRAÇÕES, D. GÄNSWEIN ACUSA A FSSPX DE PROTESTANTISMO: UMA RESPOSTA PONTO A PONTO.

ROMA CONDENA CANONICAMENTE, MAS SE CALA DOUTRINALMENTE

LEÃO XIV, AS “CHAVES DE SÃO PEDRO” E A FRATERNIDADE SÃO PIO X

LEÃO XIV À FSSPX: “SE ELES FIZEREM ESSA ESCOLHA, LAMENTO, MAS PRECISAMOS SEGUIR EM FRENTE.”

ISSO É MUITO DOLOROSO PARA NÓS…

D. LEFEBVRE, CAUSA DA CRISE NA IGREJA? – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O EPISCOPADO NA ENCRUZILHADA – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

QUAL RUPTURA? ANÁLISE DO LIVRO DO PE. ALBERT JAQUEMIN – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

AS SAGRAÇÕES PELA IGREJA

É POSSÍVEL IGNORAR O ESTADO DE NECESSIDADE DA IGREJA?

EXCOMUNGADOS POR UMA IGREJA QUE JÁ NÃO EXCOMUNGA NINGUÉM?

SAGRAÇÕES EPISCOPAIS: O QUE O PADRE PAGLIARANI DISSE AOS MEMBROS DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

“QUEM É QUE RASGA A TÚNICA DE CRISTO?” – ENTREVISTA COM O SUPERIOR-GERAL DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

CARTA DOS SUPERIORES DA FSSPX AO CARDEAL GANTIN, DE 6 DE JULHO DE 1988 – QUE PODE SER ATUALIZADA PARA CARD. FERNANDEZ EM 13 DE MAIO DE 2026

VÍDEO: GERAÇÃO Z QUESTIONA TEÓLOGO DA FSSPX SOBRE AS SAGRAÇÕES

CARTA: QUEM PRESTARÁ CONTAS A DEUS? CONTRA O LEGALISMO SEMÂNTICO DOS MODERNISTAS: A CARIDADE DA VERDADE NAS SAGRAÇÕES DA FSSPX

DECLARAÇÃO DE FÉ CATÓLICA ENDEREÇADA AO PAPA LEÃO XIV

BISPOS DEVEM GARANTIR A VIDA CRISTÃ

ORDEM E JURISDIÇÃO: O VATICANO NA ENCRUZILHADA – PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

ESTEJAMOS PREPARADOS – A VIRTUDE DA FORTALEZA NAS FUTURAS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DA FSSPX

SAGRAÇÕES EPISCOPAIS NA FSSPX? APRENDENDO COM O PASSADO

PE. PAGLIARANI: SAGRAÇÕES, POR FIDELIDADE À IGREJA E ÀS ALMAS

SERMÃO ÉPICO DO PE. DE LACOSTE – SAGRAÇÕES POR UM ESTADO DE NECESSIDADE

PUNIÇÕES INVÁLIDAS, SACRAMENTOS VÁLIDOS

PROFESSOR DA DIOCESE DE MAIORCA SOBRE O TEMA DAS SAGRAÇÕES: “NEM CISMA, NEM PECADO”

D. ATHANASIUS SCHNEIDER REVELA DETALHES DE SUA AUDIÊNCIA COM LEÃO XIV E FALA SOBRE A FSSPX

EXCLUSIVO: D. ATHANASIUS SCHNEIDER APELA AO PAPA LEÃO XIV PARA QUE CONSTRUA UMA PONTE ENTRE ROMA E A FSSPX

O ERRO DO CARDEAL SARAH CONTRA A FRATERNIDADE SÃO PIO X – PELO PROF. MATTEO D’AMICO

SIM: ALEA IACTA EST

O PODER SEM A VERDADE

UMA CARTA DE DOM JOSEPH STRICKLAND

VÍDEO DO SERMÃO DE D. LEFEBVE NAS SAGRAÇÕES DE 1988

TRADIÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA FORMIDÁVEL E TEMIDA

SOBRE A DECLARAÇÃO RECENTE DO CARDEAL FERNANDEZ (13 DE MAIO DE 2026) – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O QUE ACONTECERÁ EM 1º DE JULHO DE 2026?

DOM SCHNEIDER, MAIS UMA VEZ SOBRE AS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO: “NÃO CONCORDO QUE CONSTITUA UM CISMA.”

AMANHÃ, EXCOMUNHÃO!

POR QUE A CONFUSÃO COMUNICATIVA-DOUTRINÁRIA DO VATICANO (E DOS NEOCONSERVADORES) COLOCOU A FSSPX EM UMA SITUAÇÃO EM QUE ELA SÓ TEM A GANHAR?

PADRE MURR, ANTIGO COLABORADOR DO CARDEAL GAGNON, TAMBÉM SE PRONUNCIA: “A SAGRAÇÃO DOS BISPOS DA FSSPX ESTÁ TOTALMENTE CORRETA.”

MONS. SCHNEIDER EXPÕE A “QUESTÃO CENTRAL” NO DEBATE SOBRE AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DA FSSPX

O “EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA A IGREJA” DE LEÃO XIV SE VOLTA CONTRA ELE PRÓPRIO NO TRATAMENTO DADO POR ROMA À FSSPX

O PARECER DE MAIS UM CANONISTA SOBRE A POSSÍVEL EXCOMUNHÃO APÓS AS SAGRAÇÕES

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OS BRASÕES E LEMAS DOS FUTUROS BISPOS

EXCOMUNHÃO NUCLEAR – SERMÃO DO PE. PAUL ROBINSON, FSSPX

VÍDEO/CURSO 13 – AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS

O ARCEBISPO DE BOURGES DIANTE DAS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO – PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 1 E PARTE 2

ROMA CONDENA CANONICAMENTE, MAS SE CALA DOUTRINALMENTE 

NÃO HÁ UNIDADE NA AMBIGUIDADE 

QUAL A CREDIBILIDADE DOUTRINAL E A AUTORIDADE MORAL DO CARDEAL FERNÁNDEZ?

“LEÃO”MANIA? NA VERDADE, NÃO É BEM ASSIM. PALAVRA DE UM “VILÃO TRADICIONALISTA”

Leonemania? Non è proprio il caso. Parola di tradizionalista cattivo

O site Radio Spada extraiu do Duc in altum essa intervenção de um “sacerdote anônimo”, cuja visão compartilhamos em grande parte.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Caro Valli,

Sou sacerdote e li, vi e ouvi (artigos, podcasts, blogs, Twitter etc.) expressões de um irreprimível e irrefreável tripúdio pela eleição do novo Papa, qualquer outro Papa que não fosse um Francisco II (melhor dizendo Desmanzelado II), que fosse pelo menos um pouco decente e que, pelo simples fato de ser outro alguém, sancionasse a saída do pesadelo distópico que durou cerca de duas décadas.

A exultação e o desejo de voltar (de voltar a poder dizer “viva o Papa“) transbordaram em projeções entusiasmadas, imaginativas e, por vezes, segundo alguns comentários, até mesmo infantis e grotescas, sobre as expectativas em relação ao Eleito.

Cada gesto seu se torna épico, cada movimento deve forçosamente indicar uma mudança de ritmo, cada palavra um marco na qual a História nunca mais será a mesma. E quando não há nada marcante, se inventa.

Agora, me permita observar que essa maneira de tratar os gestos e as palavras do Santo Padre é parte fundamental de um problema estrutural e grave de um certo catolicismo alterado que faz da Igreja o Corpo Místico não de Cristo, mas do Papa e que, entre outras coisas, contribuiu para aquela síndrome hipodoutrinária de imunodeficiência à heterodoxia que permitiu que o Papa Francisco dissesse e fizesse as mais escabrosas atrocidades em meio aos aplausos constrangidos de um Colégio Episcopal reduzido a uma claque da parterre norte-coreana. Continuar lendo →

A FALÊNCIA PÓS-CONCILIAR É CADA VEZ MAIS EVIDENTE E ADMITIDA

Dois testemunhos de fontes muito diferentes apontam para a desordem cada vez mais clara iniciada pelo Concílio Vaticano II, continuada pelas reformas pós-conciliares, agravada em particular pelo recente pontificado findado e que só pode ser resolvido por um retorno determinado à Tradição da Igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os números falam por si

Primeiramente, um padre que não se impressiona mais com o Vaticano II não hesita em listar os números do colapso pós-conciliar. No site de língua espanhola Infocatolica, em 15 de março, o padre madrilenho Jorge Guadalix escreveu: “As expectativas do Vaticano II eram altas. Todas as esperanças eram justificadas. Mas, sejamos honestos, algo deu errado.

“Trabalhamos na vinha do Senhor com todo o entusiasmo do mundo, absorvemos a mais fervorosa teologia pós-conciliar, dedicamos nossas vidas à causa do Evangelho. A primavera chegou? Não estou convencido. Nem um pouco convencido. Este ano marcará o 60° aniversário do seu encerramento.”

Sessenta anos depois, o que foi alcançado? O Pe. Guadalix responde sem rodeios: “Até agora, temos feito algo… mas os números falam por si. A secularização maciça [redução ao estado laico] de religiosos e padres, especialmente na década de 1970, nos assustou. O desastre do declínio das vocações para o ministério sacerdotal e a vida religiosa foi camuflado por uma média de idade que, no entanto, continuou a aumentar, ano após ano, e em ritmo cada vez mais acelerado.” Continuar lendo →

ESSES CATÓLICOS QUERIAM UMA RELIGIÃO, ENTÃO SE TORNARAM PROTESTANTES

À luz da doutrina de Leão XIII, faz-se urgente o retorno ao objetivo principal da Igreja, a salvação das almas. 

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Os acontecimentos atuais na Igreja convidam-nos a refletir a figura e o ensinamento do Papa Leão XIII, cuja solicitude em questões sociais, ilustrada pela Encíclica Rerum novarum (1891), é frequentemente evocada por seu atual sucessor. No entanto, o rico ensinamento doutrinário do predecessor direto de São Pio X diz respeito a muitas outras áreas da doutrina católica, em particular sobre a questão da Igreja, conforme discutido na Encíclica Satis cognitum (29 de junho de 1896) sobre a unidade da Igreja.

Ora, sendo a Igreja a extensão da obra do Salvador, a melhor maneira de explicar sua unidade é especificar seu propósito:

Como a missão divina [de Jesus Cristo] deveria ser duradoura e perpétua, fez discípulos aos quais transmitiu Seu poder e, tendo enviado sobre eles do céu “o Espírito da verdade”, ordenou-lhes que fossem por toda a Terra e pregassem fielmente a todas as nações o que Ele mesmo havia ensinado e prescrito, para que, professando Sua doutrina e obedecendo a Suas leis, a humanidade pudesse adquirir santidade na Terra e, no céu, felicidade eterna.

Este é o plano segundo o qual a Igreja foi constituída, estes são os princípios que presidiram ao seu nascimento.

O papel da Igreja é, portanto, conduzir as almas à santidade aqui na terra e ao céu no futuro. Essa é a tarefa principal, e o trabalho de civilização, pacificação e preocupação com os problemas terrenos decorrem espontaneamente dela, embora sejam tarefas secundárias. A missão principal é evangelizar, transmitir a fé, porque “quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado” (1). Continuar lendo →

IGREJAS A VENDA NA FRANÇA

Todos os anos, na França, de 10 a 15 igrejas são desconsagradas e colocadas à venda. Este ano, as pessoas podem adquirir uma igreja neogótica perto de Clermont-Ferrand por € 380.000, uma antiga basílica listada como Monumento Histórico, a 15 minutos de Poitiers por € 950.000, uma igreja do século XVII – também listada – em uma ilha no Loire por € 100.000, uma igreja do início do século XX na Bretanha por € 330.000 e a capela do antigo convento carmelita em Niort por € 220.000.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

E a diocese de Nancy-Toul colocou à venda a igreja de Notre-Dame-de-Franchepré em Joeuf, onde o prefeito planeja transformar em um museu do futebol, em homenagem a Michel Platini, famoso ex-jogador de futebol local.

A diocese de Arras está vendendo a igreja de Saint-Edouard, em Lens, e a imobiliária responsável pela transação publicou um anúncio no site Leboncoin. Construída no início do século 20 para uma população de mineiros, a igreja está listada como Monumento Histórico desde 2009, mas é apresentada como uma propriedade comum: “Casa à venda, 4 cômodos, 539 m2 – €362.500. Igreja com uma localização ideal, oferecendo uma série de possibilidades.” “Deixe sua imaginação correr solta com esta propriedade raríssima à venda.” 

O bispado está tentando tranquilizar os católicos que estão legitimamente chocados com a venda de uma igreja: será proibido realizar qualquer atividade contrária à moralidade no local, como uma casa de espetáculos, uma discoteca ou um salão de jogos… A igreja de Saint-Edouard agora tem apenas um punhado de fiéis e sua manutenção é muito cara. Continuar lendo →

PENTECOSTALISMO TRADICIONALISTA

“É preciso dizer que, em um bom número de regiões, há uma espécie de pentecostalismo tradicionalista”, lamentou D. Lefebvre em uma conferência dirigida aos seminaristas em junho de 1978.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O movimento pentecostal, nascido em círculos evangélicos protestantes, inspirou a Renovação Carismática entre os católicos – o que Dom Lefebvre chama de pentecostalismo progressista – que supõe invocar o Espírito Santo, sem passar pelos sacramentos: trata-se, portanto, de obter a graça por meios que não são os da Igreja.

Dom Lefebvre observa, embora seja de um tipo diferente, a mesma tendência entre os fiéis da Tradição: alguns tendem a buscar, não o aprofundamento da Tradição, os meios ordinários de santificação dispensados pela Igreja, mas meios extraordinários, mensagens, comunicações, por pessoas que têm “relações com o Céu“. Ele mesmo conheceu pessoas que usavam um distintivo especial, comunicavam-se de forma extraordinária, espalhando por toda parte as mensagens que uma alma “privilegiada” havia recebido; ou mesmo pessoas que tinham que lhe transmitir mensagens que lhe diziam respeito pessoalmente.

O fundador da Fraternidade São Pio X continua: “Sim, Nosso Senhor, a Santíssima Virgem podem falar, isso já aconteceu, em revelações privadas, mas, atualmente, não é possível que todas sejam verdadeiras.” E conclui: “Devemos ser muito, muito, muito cuidadosos em relação a isso.” Continuar lendo →

AUSÊNCIA DE REGULARIDADE CANÔNICA? – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

Segunda acusação contra a FSSPX: ausência de regularidade canônica. Continuação do primeiro post: D. LEFEBVRE, CAUSA DA CRISE NA IGREJA?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Haveria pouco a dizer sobre a prosa do Cônego Albert Jacquemin se não fosse pelo fato de que ele faz duas afirmações surpreendentes.

Pouco há a dizer, porque o bom cônego se contenta em repetir – usque ad nauseam – todos os argumentos sofísticos que negariam a D. Lefebvre a legitimidade do ato que realizou em 30 de junho de 1988.

Sagrar um bispo sem um mandato do Papa, e mesmo in casu contra a sua vontade explícita, constitui uma violação à primazia de jurisdição do Romano Pontífice, a quem pertence o direito exclusivo de instituir bispos livremente (p. 18).

O que falta aqui é a distinção crucial que seria de se esperar, e que D. Lefebvre teve o cuidado de tornar explícitar no Sermão proferido durante as sagrações em Ecône. “Sagrar um bispo, sem mandato do Papa, ou mesmo in casu contra sua vontade explícita “constitui” uma violação “de direito ou de fato” à primazia de jurisdição do Romano Pontífice“? Se se tratar de uma violação de direito, isso significa que a exceção nunca é possível e que nenhuma circunstância pode justificar tal ato. Se se trata de um ataque apenas de fato, isso significa que a exceção é possível, mesmo que seja rara e mesmo que seja justificada em uma circunstância excepcional: embora na maioria dos fatos haja violação à primazia do Papa, pode não haver uma violação em um fato isolado. Continuar lendo →