RESPONDENDO À ALGUMAS DÚVIDAS SOBRE O COMPORTAMENTO DAS CRIANÇAS NA MISSA

Resultado de imagem para CRIANÇA REZANDO IGREJA VÉUFonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est 

Revmo. Padre, sou pai da família e me surgiram algumas dúvidas a respeito do comportamento de meus filhos ao assistirem o Santo Sacrifício da Missa. Formulei algumas perguntas que peço que me responda, assim poderei saber o que devo fazer. 

1 – Padre, as crianças pequenas e bebês aproveitam a Missa?

Claro que sim, todo fiel batizado, ainda que seja um bebê de peito, recebe as graças celestiais quando se aproximam do Santo Sacrifício com as devidas disposições. 

2 – Aproveitam da Missa os bebês que dormem durante a mesma?

Certamente que sim, pois os fiéis aproveitam cumprindo com suas boas disposições. No caso do bebê, seu dever de estado não parece ser outro além de comer, dormir e se comportar bem.

3 – Aproveitam a Missa as crianças maiores que brincam durante a Missa?

Não tanto, pois é claro que seu dever como um batizado é ter reverência ao culto divino e isso não é demonstrado jogando e fazendo caprichos. 

4.- Meus filhos devem aprender a se comportar e participar da Missa. Sei que sou obrigado a ensiná-los e corrigi-los se necessário, no entanto, por estar vigiando-os não assisto a Missa e sinto que não cumpro o preceito dominical. O que devo fazer?

Primeiro deve cuidar de seus filhos e tentar ensinar-lhes a se comportarem como pede o Deus bom. O senhor também deve cumprir o dever do seu estado para receber as graças do Santo Sacrifício. Se o senhor não cuida de seus filhos, não está cumprindo seu dever de estado, portanto, não recebe todas as graças que deveria do Santo Sacrifício e ademais, não deixa que os outros cumpram com o preceito. 

5.- O que devo fazer quando meu bebê, por mais que eu tente, não se cala durante a Missa e distrai os outros?

As crianças devem ser ensinadas a se comportarem durante a Santa Missa, preparando-as antecipadamente. O erro mais frequente dos pais é que, quando o bebê começa a incomodar, depois de tentar acalmá-lo, distraindo todos ao seu redor, terminam por leva-lo para fora. Há de preparar as crianças para a Santa Missa! Um lembrete para os pais: crianças pequenas ainda não entendem, simplesmente dependem muito de suas impressões sensíveis.

Pode-se ajudar um bebê a comportar-se bem na capela fazendo-o encontrar um lugar mais confortável dentro dela. Deixe-me explicar: os pais tiram seu bebê de um lugar confortável (sua casa), o cobrem como um esquimó para levá-lo para fora (a criança segue confortável) e o levam para a capela. Aqui lhes tiram o casaco e então a criança entende que é hora de brincar … Um pouco maiores, já sabem que bastam chorar ou fazer birra para que os pais o levem para o pátio (a um lugar mais cômodo) e alí pode brincar… Senhora Mamãe: Alguma vez já se perguntou por que quando está frio lá fora as crianças choram menos na capela?

Elementar, as crianças querem se sentir confortáveis ​​!!! Conheci uma mãe que entendendo esses princípios, tomou duas resoluções práticas, que foram altamente eficientes com seus filhos pequenos: Primeiro: o bebê era levado com pouco abrigo até a capela e o bebê chegava meio tremendo de frio ao átrio. Ao entrar na capela, a mãe o cobria devidamente, lhe dava um beijo e o acalmava. Oh surpresa, o bebê queria ficar lá dentro!!! E se o bebê começava a incomodar, essa mãe “sanguinária e desnaturada”, lhe tirava o abrigo e depois de uma palmada o castigava. Oh, surpresa, o bebê não queria mais sair! Essa mãe “bárbara e sanguinária” educou a várias crianças que são um batalhão de ordem quando estão na missa.  

Isso exige esforço e obediência. Uma criança caprichosa, na qual os pais não ensinaram a obedecer e se controlar (mesmo com um bom corretivo) é impossível entender de repente que deve ficar quieto e em ordem dentro da igreja. Infelizmente na capela só vemos uma parte do que os pais têm em suas casas … Continuar lendo

UMA ESPIRITUALIDADE SALESIANA?

Une spiritualité salésienne ? • La Porte Latine

Na escola de São Francisco de Sales, a alma cristã possui um guia seguro, cheio de equilíbrio e bondade.

Fonte: Apostolo nº 159 – Tradução: Dominus Est

Muito acima de um simples humanismo, a espiritualidade salesiana é inteiramente católica, baseada na caridade e equilíbrio. Devemos reconhecer em São Francisco de Sales essa característica de temperar as exigências da ascese com uma nota de doçura e amor que torna sua espiritualidade especialmente atraente. Ele sempre retrata Deus na forma de um Pai que nos quer bem, ao contrário dos jansenistas e calvinistas que gostavam de apresentá-Lo como um juiz distante e implacável. Assim, São Francisco de Sales coloca o amor de Deus no centro da espiritualidade que ensina às almas: “Para o amor, no amor e do amor na Santa Igreja.”

E ele desenvolve esse pensamento no Tratado do Amor de Deus (compre aqui), sua obra-prima, na qual trabalhou durante 9 anos. Ele ensina, por exemplo, que, segundo sua atração, os santos deram mais importância a esta ou aquela virtude, como por exemplo São Francisco de Assis à pobreza ou São Bento à piedade litúrgica, mas que, no fundo, é o amor que anima tudo, que é o fim a qual devemos chegar e o meio para alcançar Deus. “Não é pela grandeza de nossas ações que agradamos a Deus, mas pelo amor com que as fazemos. Continuar lendo

PRECISAMOS DE AJUDA COM AS LEGENDAS/SINCRONIZAÇÕES DO CATECISMO EM VÍDEO

billecocq

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Precisamos de uma grande ajuda dos senhores.

Como sabem, temos nosso Canal no Youtube na qual publicamos, entre outros vídeos, o Catecismo em Vídeo ministrado pelo Pe. Gabriel Billecocq, FSSPX (veja aqui também).

Após a perda do nosso antigo Canal, e por uma série de situações atuais, não estamos conseguindo fazer o trabalho de sincronização das legendas no vídeo. A vontade e o pedido de muitos nos encoraja mas, infelizmente, falta-nos tempo. Vejam que paramos na lição 48, de um total de 125.

Assim, PEDIMOS, POR CARIDADE, a ajuda de pessoas que conheçam os aplicativos de legenda para o Youtube e sincronizalçao e queira nos ajudar a dar continuidade nesse grande trabalho, que a tantas almas vem instruindo.

Se quer nos ajudar, ajudar a FSSPX e à Igreja, escreva-nos: gespiox@yahoo.com.br

A tradução nós já temos e disponibilizamos. Obviamente daremos os devidos créditos aos amigos que se disponibilizarem

Contamos também com as orações de todos para que almas generosas apareçam.

Muito obrigado

Equipe Dominus Est

A FRATERNIDADE SÃO PIO X ESTÁ FORA DA IGREJA?

lefebvre

Não temamos essa pergunta direta, não nos esquivemos da resposta. Tentemos, sem arrogância ou qualquer espírito rebelde, sermos justos.

Fonte: Le Carillon nº 182 – Fonte: Dominus Est

O fundamento da existência da Fraternidade São Pio X (FSSPX) é o testemunho de toda a fé católica tradicional e não apenas uma parte dela. Este testemunho não é um capricho pessoal da FSSPX, não provém de um carisma particular ou extraordinário, mas é uma necessidade de salvação para cada cristão. Infelizmente, ele [o testemunho] nos coloca “em oposição formal, profunda e radical à Igreja do Vaticano II infestada de ideias modernistas” (Coletiva de imprensa de D. Lefebvre – 15 de junho de 1988). 

O que fazer?

A posição de D. Lefebvre permaneceu sempre inalterada: “A característica própria de um católico é amar Roma. Uma vez somos dolorosamente atingidos e martirizados pelo obscurecimento da doutrina da Igreja Romana, devemos nos separar da Igreja de Roma? E ligamo-nos diretamente a Nosso Senhor Jesus Cristo? Esse é um erro perigoso! É nosso dever pensar bem sobre a questão, a fim de não nos desviarmos e desejarmos, em nossos corações, sentimentos e orientações que nos conduziriam então, de fato, para fora da Igreja” (7 de setembro de 1981).

Concretamente, quando a FSSPX recebeu a aprovação da Igreja por meio de D. Charrière em 1º de novembro de 1970, D. Lefebvre escreveu: “Não foi providencial? Esta data de 1º de novembro de 1970 é, aos meus olhos, um acontecimento capital em nossa história: é a certidão de nascimento oficial da Fraternidade: é a Igreja que, naquele dia, a fez nascer. A Fraternidade é uma obra da Igreja. Particularmente, eu detestaria fundar qualquer coisa sem a aprovação de um Bispo” (Revista Fideliter, n° 59, pág. 66). Continuar lendo

OS BISPOS ITALIANOS E OS NOVOS SACRAMENTOS PANDÊMICOS

Enquanto a Fraternidade São Pio X enfrenta mil dificuldades para manter suas igrejas abertas em Québec – e em muitos casos vendo-se obrigada a fechá-las – por não cumprir com a obrigação de exigir a vacinação dos fiéis que vão aos serviços sagrados, os Bispos italianos vão além das exigências do próprio governo e criam novos poderes sacramentais reservados aos vacinados.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Atualmente, apesar de um “super green pass” em vigor na Itália, que requer a vacinação para participar de quase todas as atividades da vida civil, o acesso aos locais de culto e a participação nos serviços sagrados permanece regulamentado por um protocolo governamental de 7 de abril de 2020, referendado pela Conferência Episcopal Italiana. Agora não é o momento para discutir o valor jurídico (mesmo partindo dos princípios iníquos da constituição italiana e da péssima Concordata de 1984) de tal documento. O fato é que o acesso aos serviços sagrados ainda é possível sem vacina ou exames de cotonete, respeitando as imposições sobre distanciamentos, máscaras, comunhão na mão e distorções semelhantes do culto.

Os Bispos italianos, no entanto, na onda do entusiasmo pela ampliação das exigências de vacinação por parte do governo, não querem ficar para trás. Durante meses, muitas dioceses impuseram, por iniciativa própria, a vacina ou exames a cada 2 dias a padres, diáconos, ministros da Eucaristia, agentes pastorais, etc., com um zelo certamente digno de registro.

Mas não para por aí. Para o Bispo Francesco Beschi, de Bérgamo, a vacina é literalmente “uma obrigação moral“, e não apenas legal. Continuar lendo

KEEP CALM AND CARRY ON

Uma das coisas que prejudica nossa força espiritual hoje em dia: o excesso de informação. Frequentemente perdemos nosso discernimento, bem como o bom senso.

Fonte: Le Saint-Anne n°339 – Tradução: Dominus Est

Caros fiéis,

Vamos falar um pouco de inglês e fazer um pequeno sobre um cartaz que se tornou um ícone global usado em muitos produtos ou atividades.

Desenhado em 1939 pelo governo britânico, um cartaz com a recomendação que poderia ser traduzido como “Mantenha a calma e prossiga (siga em frente)” seria afixado nas paredes de Londres no caso de uma invasão da Grã-Bretanha por tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. Como a invasão não aconteceu, o cartaz nunca se tornou público e ficou esquecido até ser descoberto em uma caixa de livros que seria leiloada em Londres em 2001.

O cartaz e o seu lema depressa se tornaram um sucesso mundial. Por quê?

Parece que o caráter sedutor do tema reside no fato de que as duas virtudes às quais ele apela, serenidade e perseverança, são muito necessárias hoje e são, muitas vezes, a chave para resolver muitos problemas pessoais. A coragem, que é a expressão dessas duas virtudes, está muito ausente hoje em dia porque o mundo não nos exorta verdadeiramente a tê-la, mas sabemos que precisamos dela. Continuar lendo

O SEGREDO DA CONFISSÃO: LEI DIVINA OU LEI HUMANA?

Le secret de confession, loi divine ou loi humaine ? • La Porte Latine

No site do jornal  La Croix, Jean-Eudes Fresneau, sacerdote da diocese de Vannes(França), contesta a afirmação da Santa Sé segundo a qual “o segredo inviolável da Confissão provém diretamente do direito divino revelado”(1).

Fonte: Courrier de Rome n° 648 – Tradução: Dominus Est

Ele afirma, ao contrário, que a Igreja tem o direito de modificar sua disciplina sobre o assunto. Que, com efeito, este segredo não é declarado pela Igreja como parte dos quatro elementos necessários, indispensáveis ​​e estruturantes do sacramento (contrição, confissão, satisfação e absolvição).

E o autor do artigo conclui: “Já não é absolutamente possível que a Igreja seja objetivamente cúmplice de crimes escondendo-os sob uma falsa misericórdia. “

Devemos, portanto, nos perguntar: a obrigação do confessor de guardar o mais estrito segredo sobre os pecados ouvidos na confissão provém apenas de uma lei eclesiástica, ou tem Deus como seu autor? No primeiro caso, o Papa poderia modificá-lo. No segundo, o Papa não teria poder sobre ela porque, como diz Santo Tomás: “O Papa não tem o poder de dispensar da lei divina“(2).

Recordemos de que o direito divino tem duas vertentes. A primeira é a lei natural, que se funda na natureza das coisas. A segunda é positiva, ou revelada, e baseia-se na Revelação, seja no Antigo ou no Novo Testame Continuar lendo

PRIMEIRAMENTE, SERVOS DE DEUS

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Fonte: SSPX Great Britain and Scandinavia – Tradução: Dominus Est

Caros fiéis,

O mundo

O novo ano inicia com uma sensação de “mau presságio”, como se estivéssemos às vésperas de uma guerra. A sociedade ocidental está se desintegrando porque não há mais nenhuma cultura para unir e direcionar as almas a um bem comum. O racionalismo, o materialismo e o capitalismo seguiram seu curso e foram considerados insuficientes; as elites globais visam agora a tecnologia e a coerção para sustentar as estruturas existentes, enquanto preparam uma nova ordem de coisas para manter sua hegemonia. Essa nova ordem mundial será uma tirania ateia, muito provavelmente como a da China, mas com vícios ainda mais antinaturais; e então, por sua vez, entrará em colapso, mas não antes de muito sofrimento e a perda eterna de muitas almas. Eis o presságio.

A Igreja

A única coisa que pode salvar o mundo é a Igreja, instituição essa fundada e dirigida por Deus Encarnado, Jesus Cristo, com uma hierarquia visível de ministros cujo dever é continuar a missão de Jesus Cristo na terra: ensinar, governar e santificar almas. A Igreja é Cristo no mundo: um sinal de contradição, uma cidade assentada no monte, mestra da verdade, defensora da lei natural e divina, uma criadora de santos.

Infelizmente, a Igreja também está em crise. Embora ela seja espiritualmente perfeita como o Corpo Místico de Cristo, ela está fisicamente doente porque muitos de seus ministros parecem ter perdido a fé. Coletivamente, comeram do fruto chamado Modernismo no Concílio Vaticano II, que apregoou uma nova compreensão da fé, uma nova consciência e um novo Pentecostes, mas que então causou um colapso espetacular da fé, da moral e dos membros. Continuar lendo

NA ALEMANHA: ELE FOI BANIDO DA IGREJA POR RECUSAR “LINGUAGEM INCLUSIVA”

O Presidente da Associação para a Língua Alemã, Walter Krämer, foi forçado a “deixar a Igreja” na Alemanha por não querer submeter-se à ideologia de gênero, em particular, a escrita inclusiva.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Nascido em 1948, o Sr. Krämer não é um desconhecido. Economista renomado, ele é professor de estatística econômica e social na Universidade Técnica de Dortmund. É, também, o fundador da Associação para a Língua Alemã (Verein Deutsche Sprache), que tem mais de 36.000 membros e é ativo na promoção e na defesa da língua alemã.

A Associação “está empenhada em garantir que o alemão não se torne um dialeto qualquer, mas continue a ser uma língua de cultura, economia e ciência“, de acordo com sua página na web. O Sr. Krämer também é vice-presidente da Academia de Ciências e Artes da Renânia do Norte-Vestfália.

Durante anos, este amante da lingua de Goethe luta contra a insuportável deformação da linguagem inclusiva veiculada pela ideologia de gênero, a qual ele deu o apelido de Gaga-Gender. Continuar lendo

MANUAL DA VERDADEIRA RESISTÊNCIA TRADICIONAL ÀS ORDENS MODERNISTAS: O MILAGRE DE SAINT NICOLAS DU CHARDONNET

AS MAIS BELAS IGREJAS DA FSSPX – PARTE 7 – SAINT NICOLAS DU CHARDONNET  (FRANÇA) | DOMINUS EST

“Se forem expulsos, simplesmente ocuparão outra igreja, e o processo legal terá que começar novamente – a Catedral de Notre Dame havia sido mencionada.”

Faça um tour virtual na Saint Nicolas du Chardonnet clicando aqui

Conheça mais sobre Mons. Ducaud-Bourget clicando aqui.

Fonte: FSSPX Ásia – Tradução: Dominus Est

No domingo, 27 de fevereiro de 1977, a igreja de Saint Nicolas du Chardonnet, em Paris, foi “ocupada” por Católicos tradicionalistas, ou melhor, “libertada” como eles preferem expressar. A igreja estava ainda firmemente sob o controle deles em 1983, e é, certamente, a mais popular e próspera paróquia de Paris. Histórias melodramáticas do evento foram divulgadas por progressistas. Houve até relatos que deram a impressão de que ela havia caído nas mãos de um esquadrão de uma milícia fascista que usava rosários como socos-ingleses! Quando o Papa visitou a França em 1981, um apelo lhe foi feito para celebrar a Missa com os paroquianos depostos no Salão (Salle Wagram­), que eles tiveram que usar desde que ficaram sem igreja. O Papa recusou o convite. Como o artigo a seguir deixa claro, Saint Nicolas funcionava como paróquia-conjunta com a paróquia de Saint Sérvrin, literalmente a poucos passos de distância. Nesta enorme igreja há uma ampla sala que comporta 100 vezes o número dos paroquianos de Saint Nicolas, ou supostos paroquianos dessa igreja, que não querem mais rezar lá, agora que a Missa Tridentina é oferecida mais uma vez. Embora, estritamente falando, a ocupação de Saint Nicolas não faça parte da história da ruptura entre D. Lefebvre e o Vaticano, que é o assunto deste livro, ela deve ser inserida dentro deste contexto histórico– particularmente no que diz respeito à situação da França. Foi certamente o acontecimento mais dramático do conflito secular entre Tradição e Liberalismo que ocorreu na França desde a triunfante Missa em Lille, pouco mais de seis meses antes (cfr. Vol. I, pp. 253-271)

Tive a grande sorte de visitar Saint Nicolas em 12 de abril de 1977. O relato que se segue é o que escrevi para o The Remmant de 30 de abril de 1977.

Data: terça-feira, 12 de abril de 1977.

Local: Paris – mais precisamente a estação de metrô Maubert-Mutualité. 

Horário: cerca de 18:15h. 

Saio da estação de metrô, e a primeira coisa que observo é o som do sino da igreja soando triunfante, imperiosamente sobre o barulho do tráfego da hora do rush e as multidões apressadas para voltarem pra casa. Em poucos instantes, vejo a igreja onde o sino está tocando – é a Igreja de St. Nicolas du Chardonnet, a igreja onde ocorreu um milagre. Um milagre? Il ne faut pas exagérer, dizem os franceses: “Não se deve exagerar”. Mas isso não é exagero. Até o primeiro domingo da Quaresma, isso era típico da maioria das igrejas paroquiais de Paris. Menos de 100 fiéis compareciam a todas as Missas celebradas no domingo. A outrora bela igreja tinha uma aparência suja e dilapidada. As assembleias dominicais, como a Missa agora é chamada na França, eram celebradas sobre uma mesa colocada sobre um pódio coberto com um material roxo extremamente esfarrapado. O altar havia sido abandonado – aparentemente para sempre.

Durante a Missa, no final da manhã do primeiro domingo da Quaresma, começou o milagre. O punhado de devotos começou a crescer. Lenta, mas seguramente, a igreja começou a encher. Em pouco tempo, ela estava cheia. Os fiéis estavam em pé nos corredores. Um dos clérigos da paróquia não conseguiu conter seu espanto. Continuar lendo

TEMPO, UM PRESENTE DE DEUS

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Enquanto Deus parece nos dar mais tempo, peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a usar sabiamente os dias desse novo ano, segundo o conselho de São Paulo: “Façamos o bem enquanto temos tempo” (Gal 6, 10). A vida na terra prepara para a eternidade. Longe de desperdiçar nosso tempo, é importante que façamos bom uso dele para crescer em Cristo.

Dois olhares no tempo

As Sagradas Escrituras dissertam com lucidez sobre a brevidade da vida. O homem apenas passa pela terra, onde as provas o aguardam. “O homem nascido de mulher vive pouco tempo e está cheio de misérias. Como uma flor nasce e é logo cortada e foge como uma sombra e jamais permanece num mesmo estado” (Jó 14, 1-2).

Na realidade, como explica Bossuet, o tempo pode ser considerado de duas maneiras [1] . Em si mesmo, o tempo “não é nada, porque não tem forma nem substância “. Ele “desvanece em um movimento sempre progressivo, que nunca regride“. Ele não faz nada além de “passar” e ” perecer “. Mas se o homem prende ao tempo “algo mais imutável do que ele mesmo “, então esse tempo se torna “uma passagem para a eternidade que permanece “.

Além disso, continua o Bispo de Meaux, um “homem que teria envelhecido nas vaidades da terra ” não viveu realmente, porque “todos os seus anos foram perdidos“. Mas uma vida cheia de boas obras, por mais curta que seja, é eternamente benéfica. A riqueza de uma vida é medida não por sua longevidade, mas pelo valor de suas ações. A Igreja que honra a virtude do velho Simeão celebra também o martírio dos santos inocentes.

O tempo é precioso, conclui Bourdaloue, porque “é o preço da eternidade”. A salvação depende do tempo. Além disso, “não é somente para nós, mas ainda mais para Ele mesmo e para Sua glória, que Deus nos deu o tempo. Ele quer que o usemos para servi-lo e glorificá-lo” [2] . Continuar lendo

O QUE FIZERAM COM O NATAL?

Qu'ont-ils fait de Noël ? • La Porte Latine

Nenhuma celebração manifesta tão claramente a imensa lacuna que separa os promotores da religião conciliar – pois trata-se de uma religião – da autêntica mensagem católica.

Fonte: Lou Pescadou n ° 217 – Tradução: Dominus Est

Estamos todos demasiado familiarizados com o Papai Noel e as festas reduzidas a banquetes. Com razão, o Natal dos pagãos não traz nada mais do que sofrimento ao coração cristão. Mas não tenho certeza se isso é o mais doloroso. Nenhuma celebração, ao que parece, manifesta tão claramente a imensa lacuna que separa os promotores da religião conciliar – pois trata-se de uma religião – da autêntica mensagem católica. Para compreender isso, basta reler a mensagem que João Paulo II dirigiu ao mundo em seu primeiro Natal como Papa, em 25 de dezembro de 1979.

“O  Natal é a festa do homem. É o nascimento do homem […] Esta mensagem é dirigida a cada homem, precisamente enquanto homem, à sua humanidade. É, de fato, a humanidade que se encontra elevada no nascimento terreno de Deus.” Com estas palavras, João Paulo II realiza uma verdadeira reviravolta, assim resumida: “Se hoje celebramos o nascimento de Jesus de forma tão solene, fazemo-lo para dar testemunho do fato de que cada homem é único, absolutamente único.” 

A dinâmica da Encarnação já não está mais voltada à Pátria celeste que o Verbo Encarnado torna novamente acessível, mas para a plena realização da humanidade aqui na Terra. A salvação já não está em Jesus, mas no respeito universal pela dignidade transcendente atribuída à pessoa humana. Neste Natal, não celebramos mais um Deus que se fez homem, mas um homem que se ergue como deus. Continuar lendo

RECANTO DOS PASTORES: GAUDENS GAUDEBO

A esperança do Redentor vir a esta manjedoura vazia se transforma em alegria após o Seu nascimento

O Salvador do mundo chega e traz vida, salvação e verdadeira alegria aos “homens de boa vontade”. Palavras ditas sob medida nessa época de Natal.

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Regozijo, regozijar-me-ei.” Estas palavras são frequentemente repetidas no contexto messiânico. Nos altos e baixos da vida, flutuamos entre o desespero e a esperança. As más notícias familiares, os cofres vazios, o inverno frio com as doenças que o acompanha – tudo isto tem um impacto diário, se não de hora em hora, no nosso humor. Estamos sujeitos aos sentimentos e paixões do momento.

Mas isso tem pouco a ver com a virtude da Esperança.

A esperança como virtude nada tem a ver com o clima de hoje ou com o bom humor de alguém. Baseia-se em Deus, e o demônio que sabe disso faz o máximo para nos lançar ao desânimo, na tristeza e no desespero.

A alegria é o fruto natural da esperança. Consiste no descanso e no deleite que experimentamos na posse real daquilo que esperávamos obter. Mas há uma toda variedade de alegrias que podemos sentir. A verdadeira alegria desce do alto para a alma e dela para o corpo, enquanto a alegria do mundo segue o contrário. Essa verdadeira alegria é um dos frutos do Espírito Santo (Gal 3). Ela cresce naturalmente a partir da caridade perfeita, que trabalha sempre para amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos. Aqui reside a verdadeira virtude, a verdadeira santidade e a verdadeira alegria. Continuar lendo

AS PIRUETAS DAS COMUNIDADES ECCLESIA DEI

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Como as comunidades Ecclesia Dei deverão reagir nos próximos meses? Deveriam recusar-se a obedecer ao Motu proprio de Francisco? Mas em nome de quê?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

1. A implementação do Motu Proprio Traditionis custodes segue de forma inexorável. No dia 18 de dezembro, a Sagrada Congregação para o Culto Divino emitiu uma série de esclarecimentos, sob a clássica forma de “Responsa ad dubia”. Onze respostas esclarecem as dúvidas. As coisas estão ainda mais claras: a Missa tradicional de São Pio V não é a norma de culto na Igreja Católica. A Missa, entendida no sentido de rito universal e obrigatório para toda a Igreja, é a Missa de Paulo VI.

2. E a resposta das diversas comunidades do movimento Ecclesia Dei torna-se também cada vez mais clara. Com efeito, qual é a resposta dos principais líderes destas comunidades? A resposta da Fraternidade de São Pedro (Comunicado de 19 de dezembro de 2021) é que o Motu proprio de François “não se dirige diretamente” a essas comunidades. A resposta da Fraternidade de São Vicente Ferrer (Mensagem de Natal de 23 de dezembro de 2021) é que este Motu proprio não pode dirigir-se a estas comunidades, cujo ato fundador reserva a celebração da liturgia tradicional. Basicamente é isso. E é lamentável. Diante de tais piruetas, o mal-estar só aumenta. 

3. Em suma: as comunidades Ecclesia Dei defendem a celebração da Missa tradicional, reivindicando-a como seu privilégio e fazendo referência ao Motu proprio de João Paulo II, porque haveria, aos olhos dessas comunidades, a expressão jurídica de sua razão de ser. Continuar lendo