INFALIBILIDADE PAPAL: QUAIS OS LIMITES?

Em entrevista concedida ao Distrito italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco expõe os limites da infalibilidade papal e os diferentes graus do magistério do Papa.

FSSPX Itália — Quais são os limites da infalibilidade papal? Em particular, como distinguir entre o ensinamento privado do Papa, o magistério público não infalível e a definição solene ex cathedra ? E o que aconteceria se um Papa ensinasse algo contrário a uma verdade já definida pelo magistério anterior?

Padre Daniele di Sorco — O ensinamento católico sobre a infalibilidade do Papa encontra-se, em primeiro lugar, no Concílio Vaticano I, um grande ato do magistério que definiu essa verdade, e, em segundo lugar, no ensinamento de teólogos católicos antes, durante e também depois do Concílio, que esclareceram, sob a orientação do magistério, o verdadeiro significado desses ensinamentos.

É preciso, antes de tudo, distinguir entre o ensinamento privado e o ensinamento público do Papa. Continuar lendo →

A FSSPX AINDA PODERIA ESPERAR ALGO DE ROMA?

Em entrevista concedida ao Distrito italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 14 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco explica as necessidades práticas que impossibilitaram o adiamento das sagrações episcopais, apesar dos esforços empreendidos junto a Roma. Ele também aborda a profissão de fé publicada pela Fraternidade e os obstáculos doutrinais que, até o momento, impediram qualquer acordo verdadeiro.

FSSPX Itália — Voltando especificamente às sagrações, elas poderiam ter sido evitadas?

Alguns defendem que a Fraternidade poderia ter esperado mais um pouco, construído um relacionamento com Leão XIV, tentado obter um mandato pontifício ou aguardado uma mudança na liderança do Dicastério para a Doutrina da Fé.

A Fraternidade realmente tentou todas as vias possíveis antes de chegar a essa decisão?

Por que o senhor considera que era o momento oportuno para sagrar os novos bispos?

Padre Di Sorco — A Fraternidade decidiu prosseguir agora com as sagrações episcopais por uma razão eminentemente prática. 

Na Fraternidade, restavam apenas dois bispos em atividade. Esses dois bispos estão envelhecendo e enfrentavam dificuldades para atender a todas as necessidades dos fiéis e dos sacerdotes. Continuar lendo →

O ESTADO DE NECESSIDADE INVOCADO PELA FSSPX É REAL?

Em uma entrevista concedida ao Distrito da Itália da Fraternidade São Pio X e publicada em 14 de agosto de 2026, o padre Daniele Di Sorco explica por que os erros decorrentes do Concílio Vaticano II não podem ser combatidos por meras críticas e como a atual crise da Igreja gera um verdadeiro estado de necessidade espiritual.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — O que o senhor responderia aos católicos que reconhecem o caráter problemático desses episódios (oração inter-religiosa em Assis, beijo no Alcorão por João Paulo II, cerimônia da Pachamama no Vaticano e recepção a Sarah Mullaly), mas consideram a reação da Fraternidade São Pio X excessiva ou injustificada?

Padre di Sorco — Existem, de fato, católicos chamados de conservadores e que se opõem a esses excessos.

Por exemplo, católicos que não aceitam a legitimação da homossexualidade, que não aceitam a comunhão a pessoas divorciadas e recasadas, que ficam profundamente perplexos diante de documentos como o de Abu Dhabi, onde se afirma que todas as religiões são fruto da vontade de Deus, que constituem uma riqueza desejada por Deus.

O problema é que esses conservadores param por aí.

Eles rejeitam, digamos, a segunda fase do modernismo, mas aceitam a primeira. Não compreendem que esses desenvolvimentos na esfera moral ou dogmática nada mais são do que as consequências lógicas dos erros do Concílio Vaticano II. Continuar lendo →

REDEFINIR O CISMA PARA INCLUIR A FSSPX?

Em entrevista concedida ao Distrito Italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco aborda a acusação de cisma feita contra a FSSPX e explica a distinção entre desobediência a um ato específico de autoridade e recusa da própria autoridade.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — A plena comunhão com a Igreja Católica é tradicionalmente descrita por meio de três vínculos fundamentais: a profissão da mesma fé, a comunhão nos sacramentos e a comunhão no governo da Igreja, ou seja, com o Papa e os bispos em comunhão com ele.

A Fraternidade São Pio X é frequentemente acusada de se encontrar em situação de cisma porque, ao sagrar bispos sem mandato pontifício, teria rejeitado a autoridade do Papa, rompendo assim um desses três laços.

Mas será realmente correto equiparar a desobediência a um ato específico da autoridade à recusa da própria autoridade? Do ponto de vista teológico e canônico, como a Fraternidade explica sua posição? Continuar lendo →

A FSSPX PRATICA UM “LIVRE EXAME” DA TRADIÇÃO?

Em uma entrevista concedida ao Distrito da Itália da Fraternidade São Pio X, e publicada em 11 de agosto de 2026, o padre Daniele Di Sorco responde à acusação de “livre exame” frequentemente dirigida à FSSPX, e explica porque ela considera que pode recusar determinados ensinamentos do Vaticano II em nome do magistério anterior da Igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X nasceu, sem que isso constituisse a sua única razão de ser, como reação a certas doutrinas e orientações pastorais que surgiram com ou após o Concílio Vaticano II, consideradas em ruptura com o magistério anterior da Igreja.

As questões evocadas com maior frequência dizem respeito à liberdade religiosa, ao ecumenismo, à colegialidade episcopal – cuja sinodalidade constitui hoje um desenvolvimento suplementar – e a reforma litúrgica. De acordo com a Fraternidade, esses elementos não seriam conciliáveis com o ensinamento perene da Igreja. Logo, a questão envolve diretamente o primeiro dos três vínculos da comunhão eclesial: a profissão da mesma fé.

Se tal é o diagnóstico, é necessário, todavia, se perguntar sobre as consequências teológicas e eclesiológicas. Como é possível afirmar que se permanece em plena comunhão eclesial quando, ao mesmo tempo, se considera que uma parte da hierarquia da Igreja ensina ou promove doutrinas incompatíveis com o magistério anterior? Continuar lendo →

ASSIM É, SE ASSIM LHE PARECE. CUIDADO COM O “TRADICARISMATISMO” (MESMO QUANDO PARECE “CATÓLICO”)

Così è, se vi appare. Occhio al tradicarismatismo (anche quando sembra “cattolico”)

Extraído do livro Palavras claras sobre a Igreja. Por que existe uma crise, onde ela surge e como sair dela, de D. Daniele di Sorco, FSSPX

Fonte: Radio Spada – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo Gederson Falcometa

[…] Antes de enunciar alguns princípios gerais, gostaríamos de dizer uma palavra sobre um fenômeno relativamente recente, que chamaremos de tradicarismatismo.

Com este termo indicamos aqueles sacerdotes que, por trás de um verniz tradicional (rito antigo, rejeição dos ensinamentos do Papa Francisco, mais raramente do Concílio), possuem uma concepção carismática da fé, para a qual, na vida cristã, o elemento decisivo é representado por intuições pessoais (qualificadas como «ouvir a Deus», «fazer a experiência Deus») e por revelações privadas.

Eles pretendem resolver os nós da crise atual não à luz dos princípios da sã teologia, mas com base no que uma pessoa “inspirada” diz (isto é, na maioria das vezes, eles mesmos) ou uma suposta mensagem sobrenatural.

Por exemplo, há quem acredite que Francisco seja um antipapa e espere um “sinal do céu” para poder designar o verdadeiro Papa. Continuar lendo →

A REAÇÃO PARADOXAL DAS COMUNIDADES “EX-ECCLESIA DEI” AO MOTU PROPRIO TRADITIONES CUSTODES

La réaction paradoxale des communautés « ex-Ecclesia Dei » au motu proprio  Traditionis Custodes • La Porte Latine

Se a nova missa é “fecunda” e “legítima”, por que recusar seu uso exclusivo? Especialmente se o papa tomou tal decisão motivado pelo desejo de união na Igreja…

Fonte: La Porte Latine – Tradução cedida pelo nosso amigo Bruno Rodrigues da Cunha

Amicus Plato, sed magis amica veritas. “Sou amigo de Platão, mas mais amigo da verdade”. Se por um lado lastimamos sinceramente um motu proprio que revoga quase todo direito de cidadania à liturgia tradicional, por outro lado não podemos deixar de notar o caráter paradoxal das reações dos institutos “ex-Ecclesia Dei”.

A reação mais emblemática é, sem dúvida, a do padre Paul-Joseph, Superior do Distrito francês da Fraternidade São Pedro. Numa entrevista à Famille Chrétienne, ele disse que “a Fraternidade São Pedro nunca rejeitou o Concílio Vaticano II. Para nós, ele não contém dificuldades fundamentais, mas unicamente demanda esclarecimentos acerca de determinados pontos, que nós interpretamos à luz da tradição da Igreja tal como preconiza Bento XVI”. Disse também que “jamais colocamos em dúvida a validade e a fecundidade do missal de Paulo VI”.

Essas palavras nos lembram que, diferentemente do que alguns pensam, as posições da Fraternidade São Pedro sobre o Concílio e a missa nova são completamente diferentes das posições da Fraternidade São Pio X.

A Fraternidade São Pio X afirma que no Concílio e no ensinamento dos papas pós-conciliares há erros, que se colocam em descontinuidade em relação à doutrina católica de sempre. Por exemplo, a liberdade religiosa, o ecumenismo, a colegialidade, citando apenas os pontos mais importantes. A Fraternidade São Pedro reduz tudo isso a um problema de interpretação e de esclarecimentos a serem dados. Continuar lendo →

PEQUENO CATECISMO DA COMUNHÃO NAS MÃOS

la porte

Fonte: L’Hermine n ° 61 (em La Porte Latine) – Tradução: Dominus Est

Nestes últimos meses, as autoridades da Igreja “conciliar” se apoiaram na pandemia do Covid-19 para encorajar ou impor a prática de receber a Sagrada Eucaristia nas mãos. Em sentido inverso, circulam muitas publicações que pretendem provar que a comunhão sempre foi recebida na língua, mesmo nos primeiros séculos da Igreja. O que devemos pensar? Na Internet existem muitos documentos que, embora defendam a comunhão na língua, o fazem com base em argumentos falaciosos. É necessário, portanto, aprofundar a questão, sem, no entanto, abandonar o estilo simples do catecismo. Por isso, decidimos inserir no texto apenas as principais conclusões, relegando todo o aparato crítico das evidências às notas finais.

  1. O que é a comunhão nas mãos hoje?

A comunhão nas mãos é uma prática da liturgia romana reformada após o Concílio Vaticano II. O sacerdote (ou outro ministro da Eucaristia, que na nova liturgia também pode ser um leigo [1] coloca a hóstia sobre a palma da mão esquerda do fiel, que a pega com a mão direita e a leva à boca.

  1. Quando essa prática foi introduzida?

A prática atual da comunhão nas mãos foi introduzida oficialmente em 29 de maio de 1969 pela Instrução Memoriale Domini da Sagrada Congregação para o Culto Divino [2]. Este documento, embora exprima uma preferência pela comunhão na língua, confia às Conferências Episcopais, após consulta ao Vaticano, o poder de autorizar a comunhão nas mãos.

  1. Trata-se de uma simples tolerância ou uma autorização verdadeira?

Alguns autores, se apoiando na carta da Instrução Memoriale Domini, vêem a comunhão na mão como um mal que o Vaticano teria tolerado unicamente por causa das circunstâncias. De fato, em alguns países (especialmente Bélgica, Holanda, França e Alemanha) a comunhão na mão já havia sido introduzida abusivamente. Ao invés de deixar a porta aberta para uma experimentação anárquica, o Vaticano teria preferido aceitá-la e regulamentá-la. Esta interpretação benevolente é, no entanto, contrariada pelos fatos. De fato, se tivesse sido apenas uma mera tolerância, o Vaticano teria que desencorajar a comunhão nas mãos nos países onde ela não havia sido difundida. No entanto, aconteceu o oposto. Por exemplo, a comunhão nas mãos foi autorizada na Itália em 1989, na Argentina em 1996, na Polônia em 2005. Além disso, D. Annibale Bugnini, Secretário da Congregação para o Culto Divino, deixou claras as intenções do Vaticano em um artigo publicado em 15 de maio de 1973 no Osservatore Romano e revisado pelo próprio Paulo VI [3]: para não mortificar “um significativo número de bispos, que se referem a uma prática [comunhão na mão] igualmente válida na história da Igreja e que, em certas circunstâncias, pode ser útil ainda hoje”. Agora, “válido” e “útil” não se referem a um mal que é tolerado, mas a um bem que é autorizado. A conclusão é óbvia: não há mera tolerância, mas verdadeira autorização, embora restrita. Continuar lendo →