AS TRÊS AVE-MARIAS

Neste mês de maio, dedicado à Virgem Maria, vamos falar de uma maneira bela e profunda de rezar a ela, muito pouco conhecida e, no entanto, tão simples, que está ao alcance de qualquer pessoa, seja ela um fiel assíduo da Missa dominical ou alguém cuja fé ainda está dando os primeiros passos e nem sempre o leva até a igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Uma revelação da Virgem Maria a Santa Matilde (uma freira beneditina do século XIII) popularizou e conferiu autoridade a uma prática que remonta, segundo alguns, ao tempo dos apóstolos. Certa vez, quando Santa Matilde rogava à gloriosa Virgem Maria que se dignasse a assisti-la com sua presença em sua hora final, ela lhe respondeu: “Eu te prometo; mas tu, rezes três Ave-Marias todos os dias.” 

E a Virgem Maria esclareceu o significado das três Ave-Marias:

– a primeira honra o Pai, que lhe concede o seu poder;

– a segunda é rezada em honra do Filho, que lhe concede a sua sabedoria;

– a terceira, em honra do Espírito Santo, que lhe concede a sua misericórdia.

Dessa forma, a prática das três Ave-Marias dá glória à Santíssima Trindade, ao mesmo tempo em que louva os três grandes atributos da mãe de Jesus Cristo: poder, sabedoria e misericórdia. Acrescentemos que essa oração é explicitamente indicada para obter a graça de uma boa morte ou, o que dá no mesmo, da salvação eterna. Continuar lendo

“E VÓS, NÃO TENHAIS MEDO!”

Ao chegarem ao túmulo onde o corpo de Jesus havia sido depositado, as santas mulheres — Maria Madalena e a outra Maria — ouviram, na manhã da Páscoa e por duas vezes, primeiro do anjo que rolou a pedra e depois do Cristo ressuscitado: “Não tenhais medo!”

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

A expressão, porém, não é nova nas Escrituras: pelo contrário, ela permeia todo o texto sagrado, a ponto de alguns terem encontrado até 365 vezes! Mas ela ganha todo o seu sentido na Páscoa, à luz da Ressurreição: se Jesus Cristo venceu o pecado com sua consequência, a morte, o que bem podem temer todos aqueles que depositaram nele sua fé e sua esperança?

Mais do que imaginamos, o medo — em todas as suas formas, fracas ou fortes — determina, ou pelo menos modifica, nossas ações, pensamentos, reações e planos. Como qualquer outra emoção, o medo não deve ser negado, nem mesmo rejeitado de forma absoluta: ele sinaliza àquele que o sente uma ameaça real ou imaginária; cabe a cada um, então, avaliar a realidade, a gravidade e a iminência do perigo para saber até que ponto é importante deixar o medo prosperar ou não no coração. Continuar lendo

“SENTIR” FÉ?

O arrependimento: um sentimento inútil? - A mente é maravilhosa

Muitos se preocupam por não sentirem nada quando rezam.

Fonte: Apostol nº 200 – Tradução: Dominus Est

Muitos se preocupam por não sentirem nada quando rezam; por não sentirem nada quando vão à confissão pedir perdão pelos seus pecados; por não sentirem nada quando comungam na Missa; por não sentirem nada quando se esforçam para amar a Deus ou perdoar o próximo. Não seria isso um sinal, dizem eles, de que Deus não os está ouvindo; de que seus pecados não estão perdoados; de que sua comunhão é ruim; de que seu amor por Deus é inexistente; de que seu perdão é hipócrita?

Essa preocupação é frequentemente reavivada pela lembrança de agradáveis sensações de bem-estar, plenitude, paz… às vezes até físicos: lágrimas, arrepios, sensações de calor… em certos momentos da vida – especialmente nos momentos que se seguem a uma conversão – a ponto de sermos tentados a associar, ou mesmo identificar, nossos sentimentos com a qualidade de nossa vida de fé. Continuar lendo

AO TRABALHO!

Em todo retorno de férias, lembremo-nos de que o trabalho traz, junto com os frutos e lucros que dele se obtêm, a felicidade: um sinal de que Deus assim assim o deseja e traz a sua bênção.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Sabemos que o trabalho corresponde à vontade de Deus para o homem: Adão, o primeiro deles, é conduzido pelo Senhor Deus “ao jardim do Éden para o cultivá-lo e guardá-lo” (Gn 2,15). Assim como comer e beber, o trabalho traz, junto com os frutos e o lucro que dele se obtêm, a felicidade: um sinal de que Deus assim o deseja e traz a sua bênção.

No Antigo Testamento, os livros sapienciais frequentemente afirmam: “E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.“, diz Eclesiastes (3, 13). “Porque comerás do trabalho das tuas mãos: bem-aventurado és! E te irá bem”, diz o Salmo 127 ao pai de família. E no livro de Provérbios (cap. 31), a mulher forte — modelo da mulher judia, fiel a Deus e sábia no governo da sua casa — é elogiada pelo trabalho das suas mãos, desde o preparo das refeições até o governo das criadas, desde os negócios até as obras de misericórdia: “Dai-lhe graças pelo fruto do seu trabalho“! Continuar lendo

O PODER DA GRATIDÃO

Língua Portuguesa: a origem da palavra «Obrigado»

Uma virtude para restaurar nossa alma.

Fonte: Apostol n°198 – Tradução: Dominus Est

À medida que um ano letivo chega ao fim — e antes que o próximo surja no horizonte — as férias oferecem um momento de pausa e relaxamento, um momento para rever o ano que passou, um momento para despertar a gratidão em almas que muitas vezes estão cansadas e fatigadas.

A gratidão é o movimento que nos leva em direção àqueles que nos fizeram bem, demonstrando-lhes estima, atenção, consideração e honra. Temos o dever de agradecer a nossos pais ou benfeitores, sejam eles quem forem: é justiça para com eles. Mas, como toda boa atitude que é cultivada, a gratidão também tem o poder de colocar nosso coração em ordem e remediar muitos de nossos infortúnios; tem o poder de restaurar o equilíbrio e a simplicidade de almas perdidas e complicadas; também pode restaurar a alegria e o ímpeto do desejo e da esperança de corações deprimidos que estão afundando em uma espiral negativa. Continuar lendo

“DES”ORDEM SACRAMENTAL

A ordem dos sacramentos entre si é muitas vezes ignorada na prática contemporânea. 

Fonte: Apostol, maio 2025 – Tradução: Dominus Est

Na Páscoa deste ano, novamente, os batismos de adultos e adolescentes aumentaram de forma exponencial. Essa é, sem dúvida, uma boa notícia, mas também reflete (como não é novidade) uma profunda descristianização do país (e, correlativamente, uma queda não menos espetacular no número de batismos de bebês), mas que também mostra que a graça de Jesus Cristo continua a trabalhar nos corações e que a fé católica não disse a sua última palavra, especialmente porque precisamos acrescentar a esses recém-batizados aqueles que, embora já batizados, estão agora chegando à fé e à Igreja porque não foram ensinados por suas famílias e/ou paróquias. A Igreja Católica na França poderia, portanto, encontrar um novo impulso se esses batismos fossem suficientemente bem-preparados e acompanhados.

Mas nada é menos certo: alguns tipos de relatórios (que, reconhecidamente, não têm a precisão e o rigor das estatísticas) mostram que o sacramento do batismo, às vezes, é conferido fora de qualquer lógica sacramental. Por exemplo: o matrimônio católico nem sempre é exigido daqueles que, embora já vivam como casal, solicitam o batismo ou a crisma. Muito frequentemente, a participação na Missa dominical não é condição sine qua non para quem pede o batismo, como se a lei da Igreja – ainda em vigor – não expressasse o vínculo essencial entre o batismo e a Eucaristia, com o batismo encontrando sua realização na comunhão na Missa e a Missa dominical fornecendo o alimento indispensável que permite que o batismo se fortaleça, floresça e dê frutos. Continuar lendo

O ENCONTRO DE DUAS GERAÇÕES

O encontro entre o menino Jesus, com 40 dias de vida, e o velho Simeão no Templo de Jerusalém é, provavelmente, o único encontro no Evangelho que reúne duas idades tão extremas.

Fonte: Apostolo n°192 – Tradução: Dominus Est

A liturgia de 2 de fevereiro, que comemora esse evento, reflete sobre ele da seguinte forma: “O santo velho carregava o Menino, mas o Menino dirigia o ancião”. O velho concentra e resume em si a Lei e os Profetas: é um homem justo, fiel aos mandamentos de Deus; vive na expectativa do Salvador de Israel e, sob a inspiração do Espírito, anuncia o Salvador prometido. Quando Simeão carrega o Menino nos braços, acolhe o Messias, há muito aguardado e esperado, por milhares de anos, por todo um povo. E se o Menino, por sua vez, conduz o ancião, é por meio da Vida de Deus, como uma fonte jorrante, que o Menino Jesus traz consigo.

Embora esse encontro no Templo de Jerusalém represente a passagem da Antiga Aliança para a Nova, ela também representa a transição de uma geração para a seguinte. O ancião acolhe o recém-nascido e carrega-o, nos braços e em seu coração, com vistas ao futuro; a criança, com o frescor e a esperança de uma nova vida que carrega dentro de si, dá uma segunda juventude aos mais velhos. Continuar lendo

JULGAR OBJETIVAMENTE

Muitas de nossas dificuldades cotidianas decorrem da falta de discernimento. O que isso significa?

Fonte: Apostol n° 188 – Tradução: Dominus Est

Não apreciamos a realidade dos fatos tal como eles são objetivamente. Deixamos de julgar corretamente uma determinada situação. Não se trata de erros, que afetam o nosso conhecimento sobre Deus, a humanidade ou do mundo material: erros que poderíamos chamar de “teóricos”. Mas trata-se de interpretar mal o comportamento do próximo; interpretar mal uma mensagem escrita ou oral, atribuindo-lhe um significado que ela não possui; não compreender as reações emocionais dos outros; fazer conexões – sem base alguma – entre dois fatos independentes; atribuir uma causa extraordinária a um fenômeno que pode ser explicado de forma mais simples pelas leis da natureza… Nosso olhar, fascinado pelos detalhes ou aspectos da realidade, esquece-se de considerá-la em sua totalidade: uma visão superficial que leva a um mal-entendido parcial ou até mesmo total.

Esses erros práticos de julgamento podem ter consequências mais ou menos graves, por vezes dramáticas. Na medida em que agimos de acordo com a maneira como avaliamos a realidade, é evidente que um erro de julgamento pode levar a decisões insensatas que vão contra nosso bem e nossa felicidade. Infelizmente, isso não é incomum… e o único objetivo deste artigo é apontar o dedo para um problema frequentemente encontrado. Continuar lendo

A MISSA QUE ENTERRA O VATICANO II

CV

Frequentar a Missa tradicional afasta [as pessoas] do Concílio, como mostram alguns fatos práticos.

Fonte: Apostol n ° 156 – Tradução: Domimus Est

Recentemente o Papa emitiu um Motu Proprio sobre o uso da Missa tradicional, programando – nada mais, nada menos – seu progressivo desaparecimento. E por qual motivo? Por que é uma Missa que enterra o Vaticano II. A assistência a esta Missa afasta, com efeito, do Concílio (a princípio de forma inconsciente, mas depois de forma cada vez mais explícita), uma vez que é a expressão completa e mais marcante da fé e da vida católica, da qual o Concílio se afastou, de fato, por querer se adaptar à modernidade. Alguns fatos práticos mostram isso.

Quanto mais um padre celebra a Missa tradicional, mais descobre que não é mais o presidente de uma assembleia, mas o ministro de Jesus Cristo que se oferece na Cruz. Será apenas coincidência que o número de sacerdotes diocesanos esteja diminuindo enquanto onde se celebra a Missa tradicional nasçam muitos mais vocações sacerdotais, proporcionalmente falando?

Quanto mais os fiéis assistem à Missa tradicional, tanto mais compreendem que a participação ativa não consiste em posturas externas (fazer uma leitura, bater palmas, etc), mas em uma profunda atitude de união com a Cruz de Nosso Senhor. Será apenas coincidência que onde se celebra a Missa tradicional floresça, mais do que em qualquer outro lugar, com espírito de sacrifício, famílias numerosas e vocações religiosas? Continuar lendo