AS TRÊS AVE-MARIAS

Neste mês de maio, dedicado à Virgem Maria, vamos falar de uma maneira bela e profunda de rezar a ela, muito pouco conhecida e, no entanto, tão simples, que está ao alcance de qualquer pessoa, seja ela um fiel assíduo da Missa dominical ou alguém cuja fé ainda está dando os primeiros passos e nem sempre o leva até a igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Uma revelação da Virgem Maria a Santa Matilde (uma freira beneditina do século XIII) popularizou e conferiu autoridade a uma prática que remonta, segundo alguns, ao tempo dos apóstolos. Certa vez, quando Santa Matilde rogava à gloriosa Virgem Maria que se dignasse a assisti-la com sua presença em sua hora final, ela lhe respondeu: “Eu te prometo; mas tu, rezes três Ave-Marias todos os dias.” 

E a Virgem Maria esclareceu o significado das três Ave-Marias:

– a primeira honra o Pai, que lhe concede o seu poder;

– a segunda é rezada em honra do Filho, que lhe concede a sua sabedoria;

– a terceira, em honra do Espírito Santo, que lhe concede a sua misericórdia.

Dessa forma, a prática das três Ave-Marias dá glória à Santíssima Trindade, ao mesmo tempo em que louva os três grandes atributos da mãe de Jesus Cristo: poder, sabedoria e misericórdia. Acrescentemos que essa oração é explicitamente indicada para obter a graça de uma boa morte ou, o que dá no mesmo, da salvação eterna.

Estas três Ave-Marias foram praticadas de maneiras diferentes pelos santos e pelo povo cristão. Não nos esqueçamos de que elas são a forma original do nosso atual Ângelus. São Luís Maria Grignion de Montfort, por sua vez, introduziu o costume — ainda praticado hoje — de recitá-las antes de começar o Rosário. São Leonardo de Porto Maurício, que foi o seu pregador mais zeloso, estabeleceu o costume de rezar estas três Ave-Marias todos os dias, uma vez pela manhã ao acordar e uma segunda vez à noite antes de dormir, seguida da fórmula: “Maria, minha boa Mãe, preservai-me do pecado mortal”.

Sejamos claros: essa prática tão simples constitui uma boa introdução à oração. Para aqueles que nunca rezam; aos que não sabem por onde começar; aos que não sabemos como orientar no caminho da oração; aos que não conseguem fazer uma oração pela manhã e à noite, propomos, para começar, esta forma de rezar: repetir três vezes a Ave-Maria no início e no fim de nossos dias, quando surge uma dificuldade ou quando se apresenta um momento de silêncio.

Ao ouvir com bondade este apelo, a Virgem Maria saberá levar nossa oração ao seu Filho Jesus, ela saberá nos ensinar a rezar e nos acompanhar na caminhada rumo ao céu, ela estará lá, como prometeu, na hora de nossa morte, assistindo-nos com sua presença e sua ternura maternal.

Pe. Luís Maria Berthe, FSSPX

Visão da Virgem Maria a Santa Matilde

Enquanto Santa Matilde rezava à gloriosa Virgem Maria para que se dignasse a assisti-la com sua presença em sua hora final, a Santíssima Virgem respondeu-lhe: “Eu te prometo; mas tu, rezes três Ave-Marias todos os dias.”

“Na primeira, irás se dirigir a Deus Pai, que, em seu poder soberano, exaltou minha alma a tal ponto que me conferiu uma posição somente após a dEle, no céu e na terra, e irás Lhe pedir que eu esteja presente na hora da sua morte para confortá-la e afastar de ti todo poder adverso.”

Na segunda oração, irás se dirigir ao Filho de Deus que, em Sua insondável sabedoria, Me dotou de tamanha plenitude de conhecimento e entendimento que me permite desfrutar da Santíssima Trindade, em um conhecimento que supera o de todos os santos. Irás pedir também a Ele que, por meio dessa claridade que de mim faz um sol radiante o suficiente para iluminar todo o céu, eu encha vossa alma, na hora de vossa morte, com as luzes da fé e da ciência, e que sejais protegida contra toda ignorância e todo erro.

Por meio da terceira oração, irás se dirigir ao Espírito Santo, que me inundou com o seu amor para me conceder tal abundância de doçura e ternura que somente Deus possui mais do que eu; e pedirás que eu esteja presente na hora da sua morte para derramar na tua alma a suavidade do amor divino. Assim, poderás triunfar das dores e da amargura da morte, a ponto de vê-las transformarem-se em doçuras e alegrias”

Trecho do Livro da Graça Especial, Revelações de Santa Matilde, virgem da ordem de São Bento.