SÉTIMO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES: OS FALSOS PROFETAS E A NECESSIDADE DAS BOAS OBRAS

loboOmnis arbor, quae non facit fructum bonum, excidetur et in ignem mittetur – “Toda a árvore que não dá bom fruto será cortada e metida no fogo” (Mat. 7, 19).

Sumário. Persuadamo-nos de que a fé por si sós não basta para a nossa salvação. São também necessárias as obras, porquanto, como diz nosso Senhor no Evangelho de hoje: “Toda a árvore que não dá bom fruto será cortada e metida no fogo.” Estas obras não são as mesmas para todos; diferem segundo o estado em que Deus nos colocou. Quantos cristãos, desejando fazer coisas grandes, descuidam os deveres do próprio estado e se condenam! Meu irmão, põe a mão na consciência: serás tu porventura um destes infelizes?

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I. No Evangelho de hoje Jesus Cristo nos põe de sobreaviso contra os corruptores da doutrina e da moral cristã; e especialmente contra os que negam a necessidade das boas obras para se conseguir a salvação eterna.

“Guardai-vos”, diz o Senhor (1), “dos falsos profetas, que vêm a vós com vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os reconhecereis. Por ventura colhem-se uvas de espinhos, ou figos de abrolhos? Assim, toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá frutos maus.

“Não pode a árvore boa”, assim prossegue o Senhor, “dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Pelos seus frutos, portanto, os reconhecereis. Nem todo o que diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas o que faz a vontade de meu Pai, … esse entrará no reino dos céus.”

A fé, portanto, não basta por si só para a salvação; são necessárias também as obras, sem as quais a fé é morta (2). São em primeiro lugar necessárias aos inocentes porque Deus nos diz que no dia do juízo dará a cada um segundo as suas obras (3). Elas são mais necessárias ainda aos penitentes; porque a conversão não consiste somente na contrição do coração e na confissão oral, mas também em fazer dignos frutos de penitência (4). Àquele que não produz tais frutos, está reservada á sorte da árvore inútil: Será cortada e lançada ao fogo. – Examina agora, meu irmão, se tens a fé, que é acompanhada de frutos de boas obras; ou somente de folhas e flores de desejos vãos e propósitos ineficazes. Reflete bem, que muitos cristãos, teus semelhantes, estão agora queimando no inferno por haverem tido uma fé morta. Continuar lendo

NOSSA SENHORA, NOS TEMPOS DO ANTICRISTO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Este artigo do Padre Calmel, OP – uma grande figura do tradicionalismo católico – mostra-nos como devemos pedir a intercessão da Santíssima Virgem em nosso tempo de confusão geral.

“Quisera eu viver nos tempos do Anticristo” escrevia a pequena Teresa em seu leito de agonia. Não há dúvida de que a carmelita que se ofereceu como vítima de um holocausto ao Amor Misericordioso intercederá por nós quando surgir o Anticristo, nem há dúvida que já está intercedendo especialmente em nosso tempo, em que os precursores do Anticristo se introduziram no seio da Igreja. Também não há dúvida de que sua oração está unida com a súplica infinitamente mais poderosa da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus. Aquela que esmaga a cabeça do dragão infernal em sua Imaculada Conceição e sua Maternidade virginal, a que foi glorificada de corpo e alma e que reina no céu com seu Filho. Ela domina como soberana todos os tempos de nossa história e, particularmente, os momentos mais tremendos para as almas, a saber, os da vinda do Anticristo e aqueles em que seus diabólicos precursores prepararão esta vinda.

Maria se manifesta não somente como Virgem Poderosa e consoladora nos momentos de angústia para a cidade terrestre e a vida corporal, mas se mostra, sobretudo, como Virgem auxiliadora, forte como um exército em ordem de batalha, em tempos de devastação da Santa Igreja e de agonia espiritual de seus filhos. Ela é a rainha da história do gênero humano, não somente para os tempos de angústia, mas também para os tempos do Apocalipse.

A Primeira Guerra Mundial foi um desses tempos de angustia: matanças de ofensiva mal preparadas, derrota implacável sob um furacão de ferro e fogo … Quantos homens ao apertarem seus cintos saíam com a terrível certeza de perecer neste tornado alucinante sem nunca ver a vitória; mesmo às vezes, e era o mais atormentador, as dúvidas lhes vinham à mente a respeito do valor de seus chefes e a prudência em suas ordens. Mas, no final, em um ponto eles não tinham dúvidas e essa questão superava todas: a da autoridade espiritual. O capelão que auxiliava esses homens a serviço da pátria até sua morte era absolutamente firme em todos os artigos da fé e nunca teria pensado em adaptar pastoralmente a Santa Missa. Celebrava o Santo Sacrifício da Missa segundo o rito e as palavras antigas; celebrava com uma piedade muito mais profunda, que o sacerdote sem armas e seus paroquianos armados, poderiam ser chamados a unir, de um momento a outro, seu sacrifício de pobres pecadores com o único sacrifício do Filho de Deus que tira os pecados do mundo.  Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA É A MEDIANEIRA DOS PECADORES PARA COM DEUS

mariaFacta sum coram eo quasi pacem reperiens — «Tenho-me tornado na sua presença como uma que acha a paz» (Cant 8, 10)

Sumário. É com razão que Maria Santíssima é comparada aoiris; porque é a medianeira e o penhor da paz entre Deus e os homens. Com efeito, quantos pecadores que agora são grandes Santos no céu, estariam talvez ardendo no inferno, se Maria não tivesse intercedido junto ao Filho para lhes obter perdão! Seja qual for o estado da nossa alma, recorramos com confiança a esta querida Mãe e seremos salvos. Lembremo-nos, porém, que para merecermos a sua proteção especial, é preciso que tenhamos ao menos a vontade de nos emendar.

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O principal ofício que foi dado a Maria, quando veio à terra, consistiu em levantar as almas decaídas da graça divina e reconciliá-las com Deus. Eis como o Espírito Santo a faz falar nos sagrados Cânticos: Eu me tornei diante dele como uma que achou a paz. Eu sou, diz Maria, a defesa daqueles que a mim recorrem, e a minha misericórdia é, em benefício deles, como uma torre de refúgio, porque o Senhor me fez medianeira de paz entre os pecadores e Deus. — Oh, quantos daqueles que são agora grandes Santos no paraíso, estariam talvez a arder no inferno, se a Virgem não tivesse intercedido junto ao Filho para lhes obter perdão!

Por isso, os Santos Padres comparam Maria Santíssima, não só com a arca de Noé, onde acharam abrigo todos os animais, figuras dos pecadores; mas ainda com a pomba, que, saída da arca, para ela voltou, trazendo no bico o ramo de oliveira, em sinal da paz que Deus concedia aos homens.

Foi também figura expressiva de Maria o iris, que, na visão de São João, cercava o trono de Deus: Et iris erat in circuitu sedis (Apoc 4, 3). Sim, porque, na explicação de um intérprete, a Santa Virgem sempre assiste no tribunal divino para mitigar a sentença e o castigo devido aos pecadores; ou ainda, porque, segundo diz São Bernardino de Sena, como Deus à vista do arco-íris se lembra da paz prometida à terra, assim também, pelos rogos de Maria, perdoa aos pecadores as ofensas feitas, e faz pazes com eles. Continuar lendo

FOTOS DAS ORDENAÇÕES EM ZAITZKOFEN – ALEMANHA (2018)

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Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

No sábado, 30 de junho de 2018, Dom Alfonso de Galarreta, bispo auxiliar da Fraternidade São Pio X, cercado pelos padres Niklaus Pfluger, Primeiro Assistente Geral da FSSPX e Stefan Frey, Diretor do Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Zaitzkofen, na Alemanha, ordenou 6 sacerdotes, na presença de uma multidão de quase 2.500 fiéis.

Os jovens levitas são de diferentes países: Alemanha, Áustria, Polônia, Rússia e Suíça. Nosso fundador, Mons. Marcel Lefebvre, disse uma vez, ver um sinal de Deus no fato de que jovens, animados por uma autêntica fé católica e vindos dos quatro cantos do mundo, se juntam à Fraternidade.

Rezemos pela perseverança dos ordenados de que tanto precisamos.

Deo gratias!

“Senhor, dai-nos sacerdotes,

Senhor, dai-nos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas,

Senhor, dai-nos famílias católicas, 

São Pio X, rogai por nós”

DA VIDA PENOSA DE JESUS CRISTO

cruzDefecit in dolore vita mea, et anni mei in gemitibus – “A minha vida tem desfalecido com a dor, e os meus anos com os gemidos” (Ps. 30, 11).

Sumário. O nosso amável Redentor, desde o primeiro instante da sua vida, teve sempre presentes os ultrajes e as dores que o esperavam pela vista horrível de todos os males que o deviam afligir. Quando nos sentirmos oprimidos pelas cruzes que se nos afiguram longas ou pesadas demais, lancemos um olhar para Jesus Cristo e lembremo-nos da vida penosa que ele levou. Assim de certo não nos ousaremos queixar da mão paternal que nos fere para nosso bem.

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Deus, usando de compaixão para conosco, não nos faz conhecer, antes do tempo, as penas que nos esperam. Se a um criminoso, que expira sobre o patíbulo, tivesse sido revelado, desde o uso da razão, o suplício que o esperava, teria jamais podido experimentar alegria? Se, desde o princípio do seu reinado, tivesse sido mostrada a Saul a espada que o devia traspassar, se Judas tivesse visto de antemão o laço que o devia estrangular, quão amarga teria sido a sua vida!

O nosso amável Redentor, porém, desde o primeiro instante da sua vida, teve sempre presentes os açoites, os espinhos, a cruz, os ultrajes da sua Paixão e a morte desolada que o esperava. Quando via as vítimas sacrificadas no templo, bem sabia que eram outras tantas figuras do sacrifício que ele mesmo, o Cordeiro sem mancha, devia consumar sobre o altar da cruz. Quando via a cidade de Jerusalém, bem sabia que era ali que devia perder a vida em um mar de dores e de opróbrios. Quando lançava os olhos para a sua amada Mãe, já imaginava vê-la agonizante de dor ao pé da cruz, na qual Ele expirava.

Assim, ó meu Jesus, a vista horrível de tantos males Vos teve num tormento e numa aflição incessantes, muito tempo antes da vossa morte. E Vós aceitastes e sofrestes tudo isso por meu amor. – Ó Senhor, só a vista de todos os pecados do mundo, particularmente dos meus, fez com que a vossa vida fosse a mais aflita e penosa, de todas as existências passadas e futuras. – Mas, ó Deus! Em que lei bárbara está escrito que um Deus ame tanto a uma criatura e que depois disto a criatura viva sem amar a seu Deus; mais ainda, viva a ofendê-Lo e contrista-Lo? Ah, Senhor! Fazei-me conhecer a grandeza do vosso amor, afim de que eu deixe de Vos ser ingrato. Se eu Vos amasse, ó meu Jesus, se eu Vos amasse verdadeiramente, quão doce me seria sofrer por Vós! Continuar lendo

CONTRIBUA COM A TRADIÇÃO! AJUDE-NOS!

CAPELAPrezados amigos, prezados leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vocês que acessam e gostam de nosso blogvocês que acompanham as ações da FSSPX pelo mundo, vocês que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor, vocês que sabem que a Tradição é a única solução para a restauração a Igreja… AJUDE-NOS! 

Estamos, mais uma vez, pedindo vossa ajuda nessa campanha em prol da compra de um terreno e futura construção de mais uma Capela para a Tradição e para a Santa Igreja. Sabemos que o caminho é longo e árduo, por isso, toda ajuda é importante.

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Ad Majorem Dei Gloriam

Aproveitamos para agradecer a todos que nos ajudam ou ajudaram em algum momento nessa campanha, mesmo de forma anônima. Contem com nossas orações.

Que Nossa Senhora os conduza ao caminho da santidade.

MISSA DAS CRIANÇAS NA FSSPX

Como é uma Missa para as crianças na FSSPX?

Eis abaixo uma delas, em São Nicolau du Chardonnet, uma das paróquias da FSSPX em Paris.

Ao contrário do que vemos em muitas catedrais e paróquias conciliares (entregues ao modernismo e já com a total perda da noção do ridículo, visto que para esses a Missa é uma ceia, um simples memorial…), obviamente nas Missas da FSSPX não há sacerdote-palhaço, nem fantoches, nem catequistas alienados, nem musiquinhas bobas, nem animadores idiotas… porque as crianças, muito bem catequizadas, são sensíveis ao verdadeiro sacrifício da Missa, que os capta sem necessidade de outra coisa.

JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO FAZ AS DELÍCIAS DAS ALMAS DESPRENDIDAS

santUbicumque fuerit corpus, illuc congregabuntur et aquilae — “Por toda a parte onde se achar o corpo, aí se reunirão as águias” (Luc. 17, 37)

Sumário. As almas desapegadas são aquelas águias magnânimas que se elevam acima de todas as coisas criadas e têm pelo afeto sua morada continua no céu. Ainda na terra elas acham o seu paraíso na presença de Jesus sacramentado e nunca se fartam de visitá-Lo e fazer-Lhe companhia. Se nós também quisermos achar nossas delícias no divino Sacramento, desapeguemos nosso coração de nós mesmos e de todos os bens terrestres; e quando cometermos alguma falta, refugiemo-nos logo em nosso divino Salvador, afim de que nos purifique.

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Por este corpo os Santos entendem comumente o de Jesus Cristo, e pelas águias entendem as almas desapegadas, que se elevam, como estas aves, acima das coisas da terra e voam para o céu, para onde tendem sem cessar por seus pensamentos e afetos e onde têm a sua morada continua. Estas águias ainda na terra acham seu paraíso, onde quer que achem a Jesus sacramentado e parece que nunca se podem fartar de o visitarem e de ficarem na sua presença. — Se as águias, diz São Jerônimo, percebendo o cheiro de alguma presa logo se lançam para a tomar, com quanto maior ardor devemos nós correr e voar para Jesus no Santíssimo Sacramento, como para o mais precioso alimento dos nossos corações?

Os Santos, neste vale de lágrimas, correram sempre com avidez, como cervos sequiosos, para esta fonte celeste. A grande serva de Deus, Maria Diaz, que viveu no tempo de Santa Teresa, obteve do bispo de Ávila licença para morar numa tribuna da igreja, onde ficava continuamente na presença de Jesus sacramentado, a quem chamava seu vizinho. O venerável frei Francisco do Menino Jesus, carmelita descalço, passando diante das igrejas onde estava o Santíssimo Sacramento, não podia deixar de entrar nelas para o visitar, dizendo que não convém a um amigo passar diante da casa de seu amigo sem entrar ao menos para saudá-lo e dizer-lhe uma palavra.

Finalmente, o Padre Alvarez, qualquer que fosse a sua ocupação, dirigia muitas vezes os olhos para o lado onde sabia que repousava o Santíssimo Sacramento; freqüentemente o visitava e passava algumas vezes noites inteiras na sua presença. Derramava lágrimas vendo os palácios dos grandes cheios de gente, para fazerem corte a um homem, de quem esperam algum mísero bem; e tão abandonadas as igrejas, onde reside no meio de nós, como num trono de amor, o soberano Senhor do céu, rico de bens infinitos e eternos. Dizia que são muito felizes os religiosos que na sua própria casa podem visitar, quantas vezes querem, de noite e de dia, este augusto Senhor no Santíssimo Sacramento; o que não é dado às pessoas do século. Continuar lendo

UM TOUR PELO SEMINÁRIO SÃO TOMÁS DE AQUINO – DILLWYN (EUA)

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

O Seminário Santo Tomás de Aquino é uma casa de estudos da Fraternidade São Pio X (FSSPX), estabelecido nos Estados Unidos em 1973, para a formação de padres Católicos Romanos de acordo com o ensinamento tradicional da Igreja. O Seminário Santo Tomás de Aquino extrai das maiores riquezas dos 2.000 anos de história da Igreja a formação de seus sacerdotes. A formação que os seminaristas recebem é tradicional em todos os aspectos: doutrina, liturgia, retiros, rotinas diárias, etc. O núcleo do estudo dos seminaristas é a filosofia e a teologia de São Tomás de Aquino, enquanto que a proficiência moderada em latim é exigida antes da ordenação. Um dia típico na vida do seminarista contém três horas de oração, três horas de aula, quatro horas de estudo e uma hora e meia de recreação. Espera-se que os seminaristas alcancem a santidade exigida de um sacerdote, através dos meios oferecidos no Seminário: Missa diária, meditação, o Rosário e as horas do Ofício Divino, bem como as bênçãos, retiros Inacianos, orações de recolhimento mensais e confissões semanais e direção espiritual.

QUEM AMA A DEUS, SUSPIRA POR VÊ-LO NO CÉU

ceuHeu mihi, quia incolatus meus prolongatus est – “Ai de mim, que o meu desterro se prolongou” (Ps. 119, 5).

Sumário. As almas que amam a Deus, são como que outras tantas nobres peregrinas, destinadas a serem eternamente esposas do Rei do céu, mas ainda estão longe d’Ele sem O poderem ver. Estão, é verdade, contentes com a sua sorte, porque se conformam com a vontade de Deus que as quer deixar no exílio; sempre, porém, suspiram para irem ao céu, onde eles sabem que o Esposo as espera. Se não sentimos o mesmo desejo de nos unirmos a Deus é porque o amamos pouco. Mas querermos ficar sempre assim? – Ah, Senhor, de hoje em diante quero amar-Vos de todo o meu coração.

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As almas que neste mundo não amam senão a Deus, são como que umas nobres peregrinas, destinadas, pelo seu estado, a serem as esposas eternas do Rei do céu; mas que vivem longe d’Ele sem O poderem ver. Pelo que suspiram incessantemente por irem à pátria bem-aventurada onde sabem que o Esposo as espera.

Sabem que o objeto do seu amor lhes está sempre presente; mas está como escondido atrás de um reposteiro e não se deixa ver. Está, para dizer melhor, como muitas vezes o sol entre as nuvens, donde de tempo a tempo faz luzir um raio de seu esplendor, mas sem se deixar ver a descoberto. – Aquelas esposas amadas têm os olhos vendados, de sorte que não podem ver o seu amado. Vivem, todavia, contentes, conformando-se com a vontade do Senhor, que as quer deixar no exílio e longe de si; mas, apesar disso, não podem deixar de suspirar incessantemente pelo desejo de O conhecerem face a face, afim de se abrasarem mais de amor e O amarem com mais ardor.

Por isso, cada uma delas vai freqüente mas docemente queixar-se ao dileto, porque se não deixa ver, e diz: O amor único do meu coração, já que me amais tanto e me feristes com o vosso santo amor, porque é que Vos escondeis e não Vos deixais ver? Sei que sois uma beleza infinita; amo-Vos, mais que a mim mesma, ainda que não Vos tenha visto; descobri-me a vossa face formosa; quero conhecer-Vos a descoberto, afim de não olhar mais nem para mim mesma nem para outras criaturas, e não pensar mais senão em Vos amar, meu Bem supremo: Ai de mim, porque se prolongou o meu desterro! Continuar lendo

A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO – CRIME QUE CLAMA VINGANÇA AO CÉU

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Fonte: Hojitas de Fe, 253, Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução:
Dominus Est

O livro de Daniel, ao contar-nos o episódio da casta Susana, em que dois judeus iníquos, velhos maliciosos, tentaram condenar uma mulher inocente à morte, para dissimular a paixão que os inflamava e se vingarem daquela que não cedera, diz deles:

“Naquele ano tinham sido constituídos juízes dois velhos dentre o povo, daqueles de quem o Senhor falou, quando disse: A iniquidade saiu da Babilônia por meio de velhos que eram juízes, os quais pareciam governar o povo.” (Dn13 5).

O mesmo está acontecendo em nossa terra natal [Argentina]. Em 13 de junho de 2018, o projeto de lei de descriminalização do aborto foi aprovado na Argentina, na Câmara dos Deputados da Nação. Já em 25 de maio, havia sido na Irlanda, por 65% dos votos, e no Chile, em setembro de 2017. A iniquidade vem daqueles mesmos que estão encarregados de governar o povo, dando-lhes leis; os inocentes, neste caso os nascituros, são condenados à morte por aqueles mesmos que deveriam velar por suas vidas, e isso por causa de interesses sórdidos, paixões não confessadas.

Confrontado o caos de ideias e argumentos sobre a questão do aborto exibidos, é necessário fazer uma pontuação de esclarecimento, para apresentar a realidade como ela é. Iniciemos com algumas reflexões. Continuar lendo

A PAZ QUE DEUS FAZ GOZAR AOS BONS RELIGIOSOS

Resultado de imagem para clausuraSedebit populus meus in pulchritudine pacis, et in tabernaculis fiduciae, et in requie opulenta – “Assentar-se-á meu povo na formosura de paz, e nos tabernáculos da confiança, e num descanso opulento” (Is 32, 18)

Sumário. Por isso vemos que os bons religiosos, encerrados em suas celas, bem que mortificados, desprezados, pobres e enfermos, vivem mais contentes do que os grandes do mundo com todas as riquezas, pompas e prazeres que gozam. Se os homens refletissem bem nesta grande verdade, todo o mundo se tornaria um convento, todos se fariam religiosos.

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A paz da alma é um bem que vale mais do que todos os reinos do mundo. De que serviria ter o domínio de todo o mundo sem a paz interior? É melhor ser o aldeão mais pobre do mundo e estar contente, do que ser senhor de todo o mundo e viver inquieto. -Mas, quem pode dar esta paz? O mundo? Não. A paz é um bem que só de Deus pode vir. Por isso ele mesmo se chama o Deus de toda a consolação: Deus totius consolationis (1).

Ora, se Deus é o único dispensador da paz, a quem pensamos que Deus a concederá senão àqueles que deixam tudo e se desprendem das criaturas, para se consagrarem inteiramente ao Criador? Por isso vemos que os bons religiosos, encerrados em suas celas, bem que mortificados, desprezados, pobres e enfermos, vivem mais contentes de que os grandes do mundo com todas as riquezas, pompas e prazeres que gozam.

Dizia Santa Escolástica que, se os homens conhecessem a paz que experimentam os bons religiosos, todo o mundo se tornaria um convento. E Santa Maria Magdalena de Pazzi acrescentava que todos haviam de tomar de escalada os conventos, se soubessem a paz que neles se goza. -O coração humano, criado para um bem infinito, não se pode contentar com todas as criaturas, que são bens finitos e caducos. Só Deus, que é o bem infinito, o pode contentar. Delectare in Domino, et dabit tibi petitiones cordis tui (2) – “Deleita-te no Senhor, e te outorgará as petições do teu coração”. Continuar lendo

FOTOS DAS ORDENAÇÕES DIACONAIS E SACERDOTAIS EM ECÔNE – 2018

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

No dia 29 de junho de 2018, sob um sol radiante, a cerimônia de ordenações sacerdotais em Ecône (Suíça) começou às 9 horas. D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, celebrou a Missa Pontifical dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. 

FOTOS DA PROCISSÃO DE ENTRADA

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Na longa fila de sacerdotes, religiosos, irmãos e seminaristas e seguiram os futuros 5 diáconos, todos para a FSSPX e os futuros 5 padres, sendo 3 para a SSPX, 1 para os Beneditinos de Bellaigue e 1 – Pe. Alban Marie – para a Fraternidade da Transfiguração.

FOTOS DA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

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A cerimônia de ordenação sacerdotal demonstrou todo o esplendor da liturgia tradicional, em Ecône, em 29 de Junho de 2018. Foram 121 sacerdotes, que vieram de todos os países onde está localizada a FSSPX , que impuseram as mãos sobre os futuros sacerdotes .

Eles próprios, após a Missa, impuseram as mãos em seus parentes e amigos, dando-lhes suas primeiras bênçãos.

OS CINCO NOVOS DIÁCONOS

D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, realiza a cerimônia de elevação ao diaconato de 5 seminaristas.

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Os 5 jovens levitas que foram elevados hoje para o diaconato receberam o subdiaconato das mãos de D. Bernard Tissier de Mallerais, em 17 de março.

Rezemos pela perseverança destes novos diáconos da Igreja que estão agora no último passo em direção ao sacerdócio e que as vocações sacerdotais e religiosas sejam abundantes nas famílias.

SACERDOTES PARA A ETERNIDADE

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D. Fellay, em seu sermão, disse aos 5 jovens candidatos ao sacerdócio que ele iria ordenar em alguns instantes:

Se soubéssemos o que é ser padre”, disse o Santo Cura, “morreríamos de amor porque ele é muito grande”. Sacerdos in eternum, padre para a eternidade, para sempre. É um título que a Igreja lhes concede. Este caráter, que vai tocar profundamente vossas almas, jamais poderá perdê-lo – nem na terra nem no céu. Isso que vos fazem sacerdotes não serão capaz de perdê-lo. Realmente, vos lançará em uma dimensão diferente da pura dimensão humana. Estabelece-vos na eternidade “.

PRIMEIRA MISSA COM O BISPO

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PRIMEIRAS BÊNÇÃOS DOS JOVENS PADRES

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É um momento sempre muito comovente, especialmente para os pais e mães dos jovens sacerdotes, que são aqueles que recebem a primeira bênção das mãos de seu filho que se tornou um alter Christus .

“Senhor, dai-nos sacerdotes,

Senhor, dai-nos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas,

Senhor, dai-nos famílias católicas, 

São Pio X, rogai por nós”

IMPORTÂNCIA DO ÚLTIMO MOMENTO DA VIDA

leitoMortuo homine impio, nulla erit ultra spes, et expectatio sollicitorum peribit – “Morto o homem ímpio, não restará mais esperança alguma e a expectação dos ambiciosos perecerá” (Prov. 11, 7).

Sumário. Um pagão, a quem perguntaram qual era a melhor sorte neste mundo, respondeu: Uma boa morte. Que dirá, pois, o cristão, que sabe pela fé que nesse momento começa a eterna alegria ou o eterno sofrimento? Oh! De que importância é o último momento, a última respiração, o último cair do pano sobre o teatro do mundo! Que loucura, portanto, a nossa, se, por amor aos prazeres vis e passageiros deste mundo, nos expuséssemos ao perigo de morrermos de morte desgraçada e de irmos sofrer para sempre no inferno!

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Que loucura! Por amor aos miseráveis e breves prazeres de tão curta vida, correr o risco de uma morte desgraçada e com esta principiar uma eternidade desgraçada! De que importância é o último momento, a última respiração, o último cair do pano sobre o teatro do mundo! Vale uma eternidade, ou de todas as alegrias, ou de todos os tormentos; uma vida, ou sempre feliz, ou sempre desgraçada! – Consideremos que Jesus Cristo quis morrer de morte tão ignominiosa e amarga para nos obter uma boa morte. Tantas vezes Ele nos convida, nos dá tantas luzes e nos avisa por tantas ameaças, afim de que nos determinemos a consumar o nosso último instante na graça de Deus!

Até um pagão, Antisthenes, a quem perguntaram qual era a melhor sorte neste mundo, respondeu: Uma boa morte. Que dirá, pois, um cristão, que sabe pela fé que então começa a eternidade, de forma que lhe cabe uma das duas sortes, ou a que traz a eterna alegria ou a que traz consigo o eterno sofrimento? – Se metessem num saco dois bilhetes, um com a palavra inferno, outro com a palavra céu e vos mandassem tirar a sorte, que precaução não tomaríeis para tirar a que vos desse direito ao céu? Como os desgraçados, condenados a jogar a vida, tremem ao estender a mão para lançar os dados, de cuja sorte depende a sua vida ou a sua morte!

Quais serão as tuas agonias, quando te aproximares desse último momento, quando tiveres de dizer: Do instante que se avizinha, depende a minha vida ou a minha morte eterna! Vai ser decidido se serei feliz para sempre ou desesperado para sempre! – São Bernardino de Sena conta que um príncipe, ao expirar, disse muito consternado: Eu que possuo tantas terras e palácios no mundo, não sei qual será a minha morada se vier a morrer esta noite! – meu Jesus, que será de mim no último instante da minha vida? Ah! Não me permitais que me perca e fique privado de Vós, meu único Bem. Continuar lendo

AS TURBAS FAMINTAS E A VAIDADE DOS BENS TERRESTRES

multMisereor super turban: quia ecce iam triduo sustinent me, nec habent quod manducent –“Tenho compaixão da multidão; porque desde três dias já me acompanham e não têm o que comer” (Marc. 8, 2).

Sumário. A fome das turbas de que fala o Evangelho, nos pode ensinar que a felicidade das riquezas, das dignidades e dos prazeres, jamais pode saciar o nosso coração. Persuadamo-nos bem de que o que possui todos os tesouros da terra, mas não possui a graça de Deus, é o homem mais pobre do mundo… Se em tempos passados tivemos a insensatez de apegar o nosso coração às vaidades, sejamos agora mais prudentes; unamo-nos à Jesus Cristo, que nos saciará espiritualmente, assim como com sete pães apenas saciou corporalmente mais de quatro mil pessoas. 

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I. Eram tais os atrativos do nosso divino Salvador, e tal a doçura com que acolhia todos, que se viu um dia cercado de uma multidão de cerca de quatro mil pessoas, que tendo-o seguido três dias não tinham o que comer. Movido de compaixão, disse aos discípulos: Tenho compaixão da multidão que me vem acompanhando três dias e não tem o que comer. E, sabendo que ali havia sete pães e uns poucos peixes, fez o grande milagre da multiplicação dos pães e alimentou abundantemente toda a multidão faminta.

É este o sentido literal do Evangelho de hoje; porém, o sentido místico significa que não há nenhum manjar neste mundo que possa saciar nossas almas. Todos os bens da terra, as riquezas, as honras, os prazeres, deleitam somente os sentidos do corpo; mas para o espírito são vaidade e aflição: Universa vanitas et afflictio spiritus (1), Se os bens deste mundo contentassem o homem, seriam inteiramente felizes os poderosos e os ricos; não obstante, a experiência demonstra inteiramente o contrário; ela nos faz ver que eles são os mais desgraçados, porque vivem sempre sob a opressão do temor, da inveja, da tristeza e da cobiça de possuírem mais. Continuar lendo

MÊS DE JULHO, DEDICADO AO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS CRISTO

Resultado de imagem para sangue de jesusFoste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça” (Ap 5,9).

Fonte: Fojitas de Fe, 203, Seminário Nossa Senhora Corredentora
Tradução:
Dominus Est

A Igreja dedica todo o mês de julho ao amor e adoração do Preciosíssimo Sangue de nosso Salvador Jesus. É justo que nós adoremos na santa humanidade de Cristo, com um culto especial, aquelas partes que são mais significativas de algum mistério ou perfeição divina; e assim honramos: • SEU CORAÇÃO: para prestar culto ao seu amor infinito; • SUAS CHAGAS: para prestar culto a suas dores e sua paixão; • SEU SANGUE: para prestar culto ao preço de nossa Redenção.

No entanto, esse culto do Sangue do Salvador assume um caráter festivo no mês de julho e na festa com a qual este mês inicia. Já na Quinta-feira Santa celebramos a instituição da Eucaristia e na Sexta-feira Santa o Sangue de Cristo derramado por nós; mas o acento da celebração centrava-se em sentimentos de dor, de compunção, de contrição. A Igreja volta depois a dar culto à Sagrada Eucaristia na festa de Corpus Christi, e também à Paixão e Sangue do Salvador, mas com maior ênfase nos sentimentos de alegria e triunfo.

Por este culto nós agradecemos a Nosso Senhor a Redenção como uma vitória já obtida, e nos exultamos em tomar parte entre o número dos redimidos, daqueles que foram lavados no Sangue do Cordeiro. E prestamos culto de latria ao Sangue do Redentor, reconhecendo especialmente uma virtude salvadora, como se vê: Continuar lendo

FESTA DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

Resultado de imagem para sangue de nosso senhorRedemisti nos Deo in sanguine tuo… et fecisti nos Deo nostro regnum—«Remiste-nos para Deus com o teu sangue… e fizeste-nos para nosso Deus reino» (Apoc. 5, 9).

SumárioO Senhor podia obter-nos a salvação sem sofrer; pois que uma só lagrima, uma só oração teria sido bastante para salvar uma infinidade de mundos. A fim de nos patentear, porém, o seu amor, quis derramar o seu Sangue até à ultima gota, no meio das mais atrozes dores. Como é que os homens respondem a um tão grande amor?… Mostremo-nos ao menos nós gratos para com esse Coração amabilíssimo, e para reparar as ofensas que lhe tenhamos feito habituemo-nos a oferecer muitas vezes ao Eterno Pai este preço da nossa Redenção.

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Considera o imenso amor que o Filho de Deus nos mostrou, remindo-nos ao preço de seu divino Sangue. Podia salvar-nos sem sofrer; pois que uma só lagrima, um só suspiro, até uma só oração, sendo de valor infinito, teria sido o suficiente para salvar o mundo e até mil mundos. Mas o que bastava para a Redenção, diz São João Crisóstomo, não bastava para patentear o amor que Deus nos tinha; tanto mais que ele quis fazer-se ao mesmo tempo o nosso guia e o nosso mestre: Remiste-nos para Deus com o teu sangue.

Para nos ensinar pelo seu exemplo a obediência às ordens do Pai, também a custo de sacrifícios, Jesus começou a derramar o seu precioso sangue, quando tinha oito dias apenas, sob o cutelo da circuncisão.—Além disso, para nos ensinar a domarmos as nossas paixões rebeldes, e ao mesmo tempo a nos conformarmos em tudo com a vontade divina, mesmo com sacrifício da vida, continuou a derramá-lo no horto das oliveiras, numa agonia mortal e com tamanha abundância que corria sobre a terra: Factus est sudor eius sicut guttai sanguinis decurrentis in terram  — «Veio-lhe um suor, como de gotas de sangue que corria sobre a terra».—Para reparar a delicadeza com que tratamos o nosso corpo, e mais ainda as nossas satisfações indignas, os nossos pensamentos de soberba e luxúria, Jesus Cristo quis derramar seu sangue no pretório de Pilatos sob os golpes de uma cruel flagelação e de uma bárbara coroação de espinhos.

Finalmente, depois de haver tinto com o seu sangue o caminho do Calvário, para nos ensinar que o caminho do céu é o dos sofrimentos; depois de o haver derramado ainda copiosissimamente pelas mãos e pés, deixando-se crucificar a fim de reparar o abuso da nossa liberdade; vendo por um lado que o coração humano é a raiz viciada de todos os males, e por outro, que no seu coração restavam ainda poucas gotas de seu precioso sangue, quis derrama-las também, permitindo que o seu lado sacrossanto fosse aberto por uma lançada: Unus militum lancea tatus eius aperuit — «Um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança». Continuar lendo

DO JUÍZO PARTICULAR – PONTO III

Imagem relacionadaEm resumo: para que a alma consiga a salvação eterna, o juízo há de patentear que a vida dessa alma fora conforme a vida de Cristo.

É o que fazia tremer Jó, quando exclamava:

“Que farei quando Deus se levantar a julgar? E quando me perguntar, que lhe responderei?” (Rm 8,29)

Repreendendo Filipe II um de seus criados, que o tinha enganado, disse-lhe apenas estas palavras: É assim que me enganas?…

Aquele infeliz, ao voltar à sua casa, morreu de pesar. Que fará pois, e que responderá o pecador a Jesus Cristo, seu juiz? Fará como aquele homem do Evangelho, que se apresentou ao banquete sem a veste nupcial. Não soube o que responder e calou-se (Mt 22,12). As próprias culpas lhe fecharam a boca (Sl 106,42). A vergonha — diz São Basílio — será então para o pecador maior tormento que as próprias chamas infernais.

Finalmente, o juiz pronunciará a sentença:

“Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno!”

Quão terrivelmente ressoará aquele trovão — exclama Dionísio, o Cartuxo…

“Quem não treme à consideração dessa horrenda sentença — observa Santo Anselmo — não está dormindo, mas morto”.

Santo Eusébio acrescenta que será tão grande o terror dos pecadores ao ouvir a sua condenação, que se não fossem já imortais morreriam de novo. Então, — como escreve São Tomás de Vilanova, — já não será tempo de suplicar, já não haverá intercessores a quem recorrer. A quem, efetivamente, hão de recorrer?… Porventura, a seu Deus a quem desprezaram?. Talvez aos Santos, à Virgem Maria?… Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE OBEDIÊNCIA

mariaEcce ancilla Domini: fiat mihi secundum verbum tuum – “Eis aqui a escrava do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra” (Luc. 1, 38).

Sumário. A obediência de Maria foi incomparavelmente mais perfeita que a dos outros santos; porque, imune de todo labéo de culpa, ela era como que uma roda que pronta se movia a cada inspiração divina. Pelo mérito desta virtude Maria remediou o dano que causou Eva com sua desobediência. E tu como é que obedeces a teus superiores? Como é que observas as leis de Deus e da Igreja e os deveres próprios do teu estado? Lembra-te de que a virtude de obediência faz entrar os bem-aventurados na glória.

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Pelo afeto que Maria consagrava à virtude de obediência, não quis, quando São Gabriel lhe veio anunciar a maternidade divina, chamar-se com outro nome senão com o de escrava: Eis aqui a escrava do Senhor. Sim, diz Santo Tomás de Villanova, porque esta fiel escrava, nem com suas obras nem com o pensamento contradisse jamais ao Senhor; mas, despida de toda a vontade própria, viveu sempre e em tudo obediente à divina vontade.

Observa São Bernardino de Sena que a obediência de Maria foi muito mais perfeita que a dos outros santos, porque todos os homens, por causa da inclinação ao mal pelo pecado original, sentem dificuldade em fazer o bem. Maria, ao contrário, imune, como era, de todo o labéo de culpa, foi como que uma roda que prontamente se movia a cada inspiração divina e outra coisa não fazia senão observar e executar o que agradava a Deus. – Dela é que foi dito: Anima mea liquefacta est, ut dilectus meus locutus est (1) – “A minha alma se derreteu, assim que meu amado falou”; porque, na explicação de Ricardo, a alma da Virgem era como que um metal derretido, disposta a tomar todas as formas que Deus queria.

Quanto era pronta para obedecer, mostrou-o claramente Maria quando, para agradar a Deus, quis obedecer também ao imperador romano, fazendo a viagem a Belém, em tempo de inverno, grávida e tão pobre que se viu obrigada a dar à luz numa gruta. – Foi igualmente pronta quando São José a avisou, que se pusesse a caminho na mesma noite, para viagem mais longa e perigosa ao Egito. Continuar lendo

AS FALSAS RELIGIÕES FORAM INVENTADAS PELO DEMÔNIO – PALAVRAS DE MONSENHOR LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México Tradução: Dominus Est

“Os Papas, que de modo algum eram liberais e que permaneceram firmes na fé, sempre distinguiram explicitamente a verdadeira religião das falsas. De que espírito vem as falsas religiões? De Deus ou do demônio? Se são falsas foram inventados pelo espírito do erro e da mentira, e o mestre da mentira e do erro é o demônio “.

Os progressistas ficam furiosos se dissermos que as outras religiões são falsas. Eles não suportam ouvir isso. “Assim que os senhores condenam todas as outras religiões?” “Todas as outras religiões são más?” É algo visceral para eles e seu conceito concorda com o próprio princípio do liberalismo, segundo o qual todas as religiões são boas. 

Os senhores acreditam – dizem – que apenas a religião católica é boa e capaz de fazer o bem à sociedade. Mas veja a piedade dos muçulmanos ou budistas …”

As falsas religiões foram inventadas pelo demônio justamente para afastar populações e países inteiros de Nosso Senhor, e impedir-lhes que se tornem católicos e ouçam a Verdade. Não há dúvida. Por isso que é quase impossível converter muçulmanos. Continuar lendo

QUANTO AGRADA A JESUS A LEMBRANÇA DA SUA PAIXÃO

Resultado de imagem para paixão de cristoGratiam fideiussoris ne obliviscaris; dedit enim pro te animam suam – “Não te esqueças da graça que te fez teu fiador, pois ele expos sua alma para te valer” (Ecclus. 29, 20).

Sumário. Quão agradável é a Jesus que nos lembremos da sua Paixão, conclui-se de que o Santíssimo Sacramento foi instituído exatamente para conservar em nós a memória dela. Eis porque todos os santos meditavam continuamente nos sofrimentos e desprezos que o Redentor padeceu em toda a sua vida e particularmente na morte. Procuremos dar esta satisfação ao Coração amabilíssimo

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Quão agradável é a Jesus Cristo que nos lembremos freqüentemente da sua paixão e da morte ignominiosa que por nós sofreu, conclui-se da instituição do Santíssimo Sacramento do altar, a qual foi feita exatamente para guardar sempre viva a lembrança do amor que nos mostrou Jesus, sacrificando-se sobre a cruz pela nossa salvação. – Já sabemos que Jesus instituiu este Sacramento de amor na véspera da sua morte e que depois de ter dado seu corpo aos discípulos, lhes disse, e na pessoa deles também a nós, que quando tomassem a santa comunhão, anunciassem a morte do Senhor(1), quer dizer, que se lembrassem do muito que por nosso amor sofreu. Por isso, a Igreja ordena que na missa o celebrante diga depois da consagração, em nome de Jesus Cristo: Haec quotiescumque feceritis, in mei memoriam facietis– “Todas as vezes que fizerdes estas coisas, as fareis em memória de mim”.

Se alguém padecesse pelo seu amigo injúrias e açoites e depois lhe contassem que o amigo, ouvindo falar disso, nem quer escutar dizendo: Falemos em outra coisa, que pena não havia de sentir de tamanha ingratidão? Que consolação teria, ao contrário, sabendo que o amigo proclama a sua gratidão eterna e dele sempre se lembra e fala com lágrimas de ternura? – Eis porque os santos, sabendo quanto agrada a Jesus Cristo a lembrança freqüente da sua Paixão, se tem aplicado sempre a meditar nas dores e nos desprezos que o amantíssimo Redentor sofreu em toda a sua vida e especialmente em sua morte.

Refere-se na vida do Bem-aventurado Bernardo de Corlione, capuchinho, que, quando os religiosos, seus irmãos, queriam ensiná-lo a ler, foi primeiro tomar conselho com Jesus crucificado. Respondeu-lhe o Senhor: Que leitura! Que livros! Eu, o crucificado, quero ser teu livro, no qual poderás ler o amor que te hei consagrado. – Jesus crucificado foi também o livro predileto de São Filipe Benício. No leito da morte pediu o Santo lhe dessem seu livro. Os assistentes não sabiam qual era o livro que desejava, mas frei Ubaldo, seu confidente, deu-lhe a imagem de Jesus crucificado e então disse o Santo: “É este o meu livro”; e, beijando as chagas sagradas, exalou a sua alma bendita. Continuar lendo

ORDENAÇÕES SACERDOTAIS EM ZAITZKOFEN (AO VIVO) – 30/06/18

No dia 30 de junho de 2018, Mons. Alfonso de Galarreta ordenará sacerdote a 6 diáconos.

Pela primeira vez, os senhores poderão assistir as ordenações sacerdotais de Zaitzkofen, ao vivo, pela Internet. A cerimônia começará às 9 da manhã (04:00h – horário de Brasília).

Para assistir a transmissão ao vivo, você pode acessar o site do Seminário no dia das ordenações, clicando no canal no YouTube PIUSFILM .

DO JUÍZO PARTICULAR – PONTO II

Resultado de imagem para juízo particularConsidera a acusação e o exame:

“Começou o juízo e os livros foram abertos” (Dn 7,10)

Haverá dois livros: o Evangelho e a consciência.

Naquele, ler-se-á o que o réu devia fazer; nesta, o que fez. Na balança da divina justiça não se pesarão as riquezas, nem as dignidades e a nobreza das pessoas, mas somente suas obras.

“Foste pesado na balança — diz Daniel ao rei Baltasar — e achado demasiadamente leve” (Dn 5,27)

Quer dizer, segundo o comentário do Padre Álvares, que “não foram postos na balança o ouro e as riquezas, mas unicamente a pessoa do rei”. Virão logo os acusadores e em primeiro lugar o demônio.

“O inimigo estará ante o tribunal de Cristo, — disse Santo Agostinho — e referirá as palavras de tua profissão”. “Recordar-nos-á tudo quanto temos feito, o dia e a hora em que pecamos”

Referir as palavras de nossa profissão significa que apresentará todas as promessas que fizemos, que esquecemos e, por conseguinte, deixamos de cumprir. Denunciar-nos-á nossas faltas, designando os dias e as horas em que as cometemos. Depois dirá ao juiz:

“Senhor, eu não sofri nada por este réu; mas ele vos abandonou, a vós que destes a vida para salvá-lo, e se fez meu escravo. É a mim que ele pertence…” Continuar lendo

JESUS NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO É PRISIONEIRO DE AMOR

santDescendit cum illo in foveam, et in vinculis non dereliquit eum – “Desceu (Deus) com ele ao fosso, e não o deixou nas cadeias” (Sap. 10, 13).

Sumário. Considera que Jesus está noite e dia sobre os altares como em outras tantas prisões de amor. Bastava que ali ficasse só de dia; porém Ele quis ficar também durante a noite, afim de que de manhã o possa achar quem o venha buscar. Só esta fineza devia excitar todos os homens a ficar sempre na presença de Jesus sacramentado; mas é o contrário que se dá. Nós ao menos procuremos dar-Lhe alguma compensação, multiplicando o mais possível nossas visitas, e ao sairmos da Igreja, deixemos nossos corações com todos os seus afetos ao pé do altar, ou encerrados dentro do santo Tabernáculo.

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Nosso amantíssimo Pastor, que deu a vida por nós, suas ovelhas, não quis pela morte separar-se de nós. Eis-me aqui, diz Ele, eis-me aqui, sempre no meio de vós, minhas queridas ovelhas. Por vós me deixei ficar sobre a terra neste Sacramento; aqui me achareis sempre que quiserdes, para vos ajudar e consolar com a minha presença; não vos deixarei até o fim dos séculos, enquanto estiverdes sobre a terra.

Eis, pois, que Jesus Cristo está sobre os altares como em outras tantas prisões de amor. Os sacerdotes tiram-No do Tabernáculo para O exporem, ou para O darem na santa comunhão, e depois tornam a encerra-Lo. E Jesus de boa vontade aí fica dia e noite. – Mas, meu Redentor, para que ficar em tantas igrejas também durante a noite, quando se fecham as portas e os homens Vos deixam só? Bastava que ficásseis somente de dia. Não; Jesus quer ficar também de noite, embora sozinho, afim de que de manhã o possa achar logo quem O queira procurar.

A sagrada Esposa andava procurando a seu Amado e perguntava a todos que encontrava: Não vistes porventura àquele que meu coração ama? (1) E, não o achando, prorrompia em lamentos, dizendo: Meu esposo, fazei-me saber, onde estais. Então a Esposa não o achava, porque ainda não havia o Santíssimo Sacramento; mas agora se uma alma deseja achar Jesus Cristo, basta que vá a uma igreja ou a qualquer mosteiro, e ali achará seu amado, que está à espera dela. Continuar lendo

DEUS É O BEM QUE FAZ O PARAÍSO

facEgo ero merces tua magna nimis – “Eu serei tua recompensa infinitamente grande” (Gen. 15, 1).

Sumário. A formosura dos Santos, as harmonias celestiais e todas as outras delícias do céu, são os menores bens desse reino bem-aventurado. O bem que faz a alma plenamente feliz e faz propriamente o céu é o Bem supremo, é Deus, é vê-lo face a face e amá-lo. Ânimo, pois, meu irmão, visto que tão grande recompensa nos aguarda também. Mas, para o conseguirmos, mister é que abracemos de boa vontade as cruzes e tribulações da vida presente, mormente se no passado houvéssemos tido a desgraça de merecer o inferno.

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A formosura dos Santos, as harmonias celestiais e todas as outras delícias do céu são os menores bens desse reino bem-aventurado. O bem que faz a alma plenamente feliz e que constitui propriamente o paraíso é o Bem supremo, é o Deus, é ver Deus face a face e amá-lo. – Diz Santo Agostinho que, se Deus se deixasse ver aos réprobos, o inferno com todos os seus tormentos se mudaria para ele no mesmo instante em um paraíso. E acrescenta que, se fosse dada a uma alma, ao sair desta vida, a escolha de ver a Deus ficando nas penas do inferno, ou de ser livre das penas do inferno, mas privada da vista de Deus, preferiria ver o Senhor nos tormentos do inferno.

A felicidade de ver e amar a Deus face a face, não pode ser de nós concebida nesta terra. Procuremos, porém, formar dela alguma idéia. Em primeiro lugar, sabemos que o amor divino é tão encantador, que mesmo nesta terra chegou a arrebatar não só as almas, como também os corpos dos Santos. São Filipe Neri foi certa vez arrebatado ao ar, juntamente com o banco em que estava sentado. São Pedro de Alcântara foi também elevado sobre a terra, a ponto de desarraigar a árvore à qual estava abraçado.

Sabemos, além disso, que os santos mártires, pela doçura do amor divino, se regozijavam até no meio dos tormentos. São Vicente falava de tal maneira, enquanto o atormentavam, que, na expressão de Santo Agostinho, parecia ser um que sofria e outro que falava. São Lourenço, enquanto estava na grelha em brasa, zombava do tirano nestes termos: Vira-me e come. – Que suavidade não enche a alma, quando, iluminada na oração por um raio da luz divina, vê a bondade divina e as misericórdias de Deus para com ela e o amor que lhe teve Jesus Cristo. Então a alma se sente toda abrasada e como que cair desfalecida pelo amor. Continuar lendo

D. FELLAY: A CRISE NA IGREJA -RAÍZES E REMÉDIOS

news-header-imageMensagem de Mons. Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, na jornada de estudo sobre “as raízes da crise na Igreja“, Roma, 23 de junho de 2018.

Fonte: FSSPX News – Tradução: Dominus Est

A presente jornada de estudo é muito útil, porque hoje é mais do que necessário retomar às raízes da crise da Igreja. Em setembro passado, quando da publicação da Correctio filialis que assinei, era meu desejo que ” o debate sobre essas grandes questões se ampliasse, de maneira que a verdade seja restabelecida e o erro condenado” (FSSPX.News 09/26/17), ou seja, que adiro plenamente ao objetivo que os senhores propõem: “A rejeição desses erros e o retorno, com o auxílio de Deus, à Verdade católica plena e vivenciada, é a condição necessária para o renascimento da Igreja” (Apresentação do congresso de 23 de junho de 2018).

Correspondência entre o Cardeal Ottaviani e Monsenhor Lefebvre

A abordagem que os senhores fazem agora segue a linha de uma troca de correspondência pouco conhecida entre o Cardeal Ottaviani e o Monsenhor Lefebvre, o que pode nos proporcionar um valioso esclarecimento. Esse intercâmbio ocorreu um ano após o final do Concílio, em 1966.

Com efeito, em 24 de julho de 1966, o Cardeal Alfredo Ottaviani, então pró-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, enviou aos bispos uma carta em que apontava 10 erros que se manifestaram após o Concílio Vaticano II. Nela podemos ler as seguintes afirmações, cuja relevância, após mais de 50 anos, permanece intacta:

“A verdade objetiva, absoluta, firme e imutável, dificilmente é aceita por alguns, que sujeitam todas as coisas a um certo relativismo, e isso conforme essa razão obscurecida segundo a qual a verdade segue necessariamente o ritmo da evolução da consciência e da história” (no. 4). Continuar lendo

DO JUÍZO PARTICULAR – PONTO I

Resultado de imagem para juízo particularOmnes nos manifestari oportet ante tribunal Christi – “Porque é necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo” (2 Cor 5, 10)

Consideremos o comparecimento do réu, a acusação, o exame e a sentença deste juízo. Primeiramente, quanto ao comparecimento da alma perante o juiz, dizem comumente os teólogos que o juízo particular se efetua no mesmo instante em que o homem expira, que no próprio lugar onde a alma se separa do corpo é julgada por Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual não delega seu poder, mas vem ele mesmo julgar esta causa.

“Na hora que não cuidais, virá o Filho do homem” (Lc 12,40).

“Virá com amor para os fiéis — disse Santo Agostinho — e com terror para os ímpios”.

Qual não será o espanto daquele que, vendo pela primeira vez o seu Redentor, vir também a indignação divina!

“Quem poderá subsistir ante a face de sua indignação?” (Na 1,6)

Meditando nisto, o Padre Luís de la Puente estremecia de tal modo, que a cela em que se achava tremia com ele. O venerável Padre Juvenal Ancina se converteu ao ouvir cantar o Dies irae, porque, considerando o terror que se apodera da alma quando se apresentar em juízo, resolveu deixar o mundo, o que efetivamente fez.

A indignação do juiz será prenúncio de eterna condenação (Pr 16,14); e fará sofrer mais as almas que as próprias penas do inferno, segundo afirma São Bernardo. Têm-se visto criminosos banhados em copioso suor frio na presença dos juízes terrestres. Pison, em traje de réu, comparecendo no senado, sentiu tamanha confusão e vergonha, que ali mesmo se deu a morte. Que aflição profunda sente um filho ou um bom vassalo quando vê seu pai ou seu amo gravemente indignado!… Mágoa muito maior sentirá a alma quando vir indignado a Jesus Cristo, a quem desprezou! (Jo 19,37). Irritado e implacável, então, se lhe apresentará esse Cordeiro divino, que foi no mundo tão paciente e amoroso, e a alma, sem esperança, clamará aos montes que caiam sobre ela e a ocultem à indignação de Deus (Ap 6,16). Falando do juízo, disse São Lucas: Continuar lendo