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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Frédéric Weil</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>TERRA PLANA? OS BASTIDORES DE UMA FALSIFICAÇÃO PARTE 4/4</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 13:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Frédéric Weil]]></category>

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		<description><![CDATA[Eclipse Solar na Imago Mundi de Gossuin de Metz &#8211; 1246 Não, a falsificação de que falaremos não vem da NASA, mas diz respeito à ideia profundamente arraigada, mas falsa, de uma Idade Média &#8220;terraplanista&#8221; e aos fundamentos ideológicos deste &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/terra-plana-os-bastidores-de-uma-falsificacao-parte-44/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/sspx/files/styles/dici_image_full_width/public/media/news/new-news/eclipse_de_soleil.jpg?itok=4h_JebE9" alt="" width="511" height="291" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><em><span style="color: #000000;">Eclipse Solar na Imago Mundi de Gossuin de Metz &#8211; 1246</span></em></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Não, a falsificação de que falaremos não vem da NASA, mas diz respeito à ideia profundamente arraigada, mas falsa, de uma Idade Média &#8220;terraplanista&#8221; e aos fundamentos ideológicos deste mito. Depois de ter refutado o mito de uma Idade Média que pensava que a terra era plana, e de ter esclarecido como esta ideia se estabeleceu, é necessário considerar o nascimento do mito.</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8"><span style="color: #000000;">Fonte:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/it/news-events/news/terra-piatta-i-retroscena-di-una-falsificazione-4-84972">FSSPX &#8211; News</a></span> <span style="color: #000000;">&#8211; Tradução: Gederson Falcometa</span></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">A inércia de uma falsificação</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Todos esses elementos [cfr. artigo (3)] podem enganar os não iniciados, mas não conseguem impressionar nem mesmo um historiador sério. Os primeiros propagadores do mito foram os mais culpados. Mas passadas as primeiras falsificações, as subsequentes repetiram o catecismo voltariano, movidas por uma fé cega no progresso, sem olhar crítico, e com o tempo, a falsificação repetida milhares de vezes assumiu o valor de uma verdade histórica consolidada.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Michelet, que merece o título de romancista e não de historiador, obviamente retomou esta fábula, entre muitas outras. Foi ampliado também por Antoine-Jean Letronne, titular da cátedra de história do prestigiado Collège de France no século XIX [1]. O tempo fez errar um autor como Arthur Koestler, mesmo se estes tenham contribuído para desmistificar o caso Galileu [2].</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Existe até um livro de 2015 que pretende “desmascarar os mitos” e lhe transmite uma versão ligeiramente atenuada [3]. Inicialmente, este mito foi difundido principalmente por círculos anticatólicos, mas com o tempo rapidamente passou a enganar os católicos.</span><span id="more-30458"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Outros elementos foram adicionados posteriormente, como mapas antigos, às vezes exibidos como evidência do &#8220;Terraplanismo&#8221; medieval. Mas tomar os planisférios como evidência de &#8220;terraplanismo&#8221; é um argumento de estupidez surpreendente que nos faria classificar os criadores dos mapas Michelin ou os designers do Google Maps como &#8220;terraplanistas&#8221;, sob o pretexto de que representam a superfície da Terra plana.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Quanto às representações seccionais, que poderiam constituir provas reais, não são retiradas de manuscritos medievais, mas são produções contemporâneas destinadas a ilustrar o mito! O mito torna-se assim o criador das suas próprias “provas”. Se auto sustenta.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">As origens do &#8220;terraplanismo&#8221; contemporâneo.</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Por irônia da sorte, o nascimento do atual fenómeno da “terra plana” encontra-se no século XIX, pouco depois do “Iluminismo”, na ascensão do racionalismo, dentro de uma comunidade socialista utópica.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">De fato, por volta de 1839, Samuel Rowbotham, secretário da efémera comunidade utópica Manea Fen, de inspiração owenista [4], realizou experiências no rio Bedford, das quais concluiu que a Terra era plana. Ele escreveu um panfleto intitulado &#8220;</span><em><span class="tm9">Astronomia Zetética</span></em><span class="tm7">&#8221; (1849) para defender sua estranha conclusão, apelando para seu método &#8220;zetético&#8221; [5] baseado apenas na razão.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Realizou depois uma obra mais importante (1881) acrescentando algumas passagens bíblicas interpretadas de forma muito pessoal, sem apelar nem aos Padres, nem a Cosme, nem à Idade Média, e certamente também não ao Magistério, porque é protestante. que não parece pertencer a nenhuma denominação.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">As suas ideias foram depois adotadas por uma seita protestante, a </span><em><span class="tm9">Christian Catholic Apostolic Churc</span></em><span class="tm7">, que evidentemente não tem nada de católica apesar do nome, e depois pela famosa Flat-Earth Society, que ainda persiste hoje.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Conclusão</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">É inquietante e significativo que um erro tão grave ainda esteja tão difundido. Se tal mito pode ter enchido os livros escolares durante dois séculos, quantos outros ainda estão escondidos nas representações contemporâneas do cristianismo medieval? Por exemplo, a alegada proibição da dissecação [6], a história absurda da discussão sobre as almas das mulheres [7], o mito do </span><em><span class="tm9">ius primae noctis</span></em><span class="tm7"> que Voltaire não tem problema em atribuir aos bispos [8], etc.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A realidade é ainda mais difícil de encontrar quando se trata de fatos reais que estão parcialmente misturados com mitos, como a caça às bruxas, a inquisição ou o caso Galileu. Todos estes mitos criaram raízes ainda mais duradouras à medida que passaram a reforçar as ideias preconcebidas dos anticlericais de todas as convicções, revolucionários ou protestantes, mesmo que tivessem constantemente nos lábios a &#8220;luta contra os preconceitos&#8221;.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">É neste estado de espírito que devemos encontrar a causa raiz destes mitos: julgamos o período medieval irracional porque o olhamos com um olhar irracional. Projetamos a nossa irracionalidade no passado para melhor fortalecer o orgulho de um presente considerado “iluminado” pela razão: o passado é “obscurantista” e nós finalmente somos “iluminados”, diz-se com orgulhoso maniqueísmo.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Mas o “iluminismo” do terceiro milénio não é tão claro: não vemos as pessoas no topo a pensar seriamente na conveniência de colocar homens em prisões femininas ou em competições desportivas femininas, simplesmente porque estes homens declararam que se sentem como mulheres?</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Na verdade, nosso mundo não gira em direção ao justo. A perda da fé não teria algo a ver com esta perda da razão? Ao esquecer esta verticalidade religiosa que faz o homem tender para Deus, a Terra de hoje perdeu uma das suas dimensões: tornou-se espiritualmente plana.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Pe. Frederico Weil</span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">[1]</span><em><span class="tm9"> Des opinions cosmographiques des Pères de l’Eglise</span></em><span class="tm7">, in </span><em><span class="tm9">Revue des deux Mondes</span></em><span class="tm7">, t. 1, 1834.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">[2] </span><em><span class="tm9">Les Somnambules</span></em><span class="tm7">, 1955. Koestler não é um historiador, mas tem o mérito de pesquisar frequentemente as fontes&#8230; exceto no período pré-copernicano, onde ele considera Cosmas uma autoridade indiscutível.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">[3] “No início da Idade Média, o obscurantismo imposto pela Igreja Católica fez prevalecer a ideia de que a Terra era plana. Mas os contemporâneos de Cristóvão Colombo sabiam que a Terra não era plana”. Lydia Mammar, </span><em><span class="tm9">C’est vrai ou c’est faux ? 300 mythes fracassés</span></em><span class="tm7">, Paris, L&#8217;Opportun, 2015, seção: Antes de Cristóvão Colombo, todos pensavam que a Terra era plana.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">[4] Nomeado em homenagem a Robert Owen, fundador do socialismo utópico britânico. Owen viu essas comunidades como a única maneira de levar uma vida &#8220;racional&#8221; e fundou a Sociedade Racional para promover a sua ideologia, defendendo, entre outras coisas, o controle da natalidade e visões muito liberais sobre o casamento. Rowbotham buscou a aprovação da Rational Society para sua comunidade, mas não teve sucesso, embora houvesse apoio. A comunidade ganhou as manchetes e durou apenas dois anos (1839-1841), após os quais o próprio Rowbotham a considerou &#8220;repreensível e impraticável&#8221;. Cfr. </span><em><span class="tm9">“A Monument of Union”: Social Change and Personal Experience at the Manea Fen Community</span></em><span class="tm7">, 1839–1841, John Langdon, 2012.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">[5] Do grego zeteo, &#8220;procuro&#8221;. Como a maioria daqueles que ainda hoje usam o termo zetético, Rowbotham afirma confiar principalmente na experiência, embora seja mais um teórico. Ele não é o inventor deste uso do termo zetético. Na verdade, encontra-se na Sociedade Zetética dos Livres Pensadores de Edimburgo, fundada em 1820 por livres pensadores ateus pertencentes ao povo comum.</span></p>
<p class="Normal" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>TERRA PLANA? OS BASTIDORES DE UMA FALSIFICAÇÃO PARTE 3/4</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/terra-plana-os-bastidores-de-uma-falsificacao-parte-34/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Oct 2023 13:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Frédéric Weil]]></category>

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		<description><![CDATA[Cristo que rege o globo terrestre, Catedral de Reims, século XIII Não, a falsificação de que falaremos não vem da NASA, mas diz respeito à ideia profundamente arraigada, mas falsa, de uma Idade Média &#8220;terraplanista&#8221; e aos fundamentos ideológicos deste &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/terra-plana-os-bastidores-de-uma-falsificacao-parte-34/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm7" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/sspx/files/styles/dici_image_full_width/public/media/news/new-news/le_beau_dieu_reims.jpg?itok=mLgNqNtG" alt="" width="601" height="342" /></p>
<p class="Normal_Web_ tm6 tm7" style="text-align: center;"><em><span class="tm8" style="color: #000000;">Cristo que rege o globo terrestre, Catedral de Reims, século XIII</span></em></p>
<p class="Normal tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Não, a falsificação de que falaremos não vem da NASA, mas diz respeito à ideia profundamente </span><span class="tm8">arraigada</span><span class="tm8">, mas falsa, de uma Idade Média &#8220;terraplan</span><span class="tm8">ista</span><span class="tm8">&#8221; e </span><span class="tm8">aos fundamentos</span><span class="tm8"> ideológic</span><span class="tm8">os</span><span class="tm8"> deste mito. </span>Depois de ter refutado o mito de uma Idade Média que pensava que a terra era plana, e de ter esclarecido a forma como esta ideia foi imposta, é necessário considerar o ensinamento da Sagrada Escritura e da Igreja.</strong></span></p>
<p class="Normal tm7" style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/it/news-events/news/terra-piatta-i-retroscena-di-una-falsificazione-3-84959">FSSPX &#8211; News</a></span> &#8211; <span style="color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa</span></strong></p>
<p class="Normal tm7" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">A Bíblia é “terraplanista”?</span></strong></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">No tribunal do “terr</span><span class="tm11">a</span><span class="tm11">plan</span><span class="tm11">ismo</span><span class="tm11">”, Voltaire obviamente chama as Sagradas Escrituras para o banco dos réus. Ele escreve com sua ironia cáustica característica: “O devido respeito pela Bíblia, que nos ensina muitas verdades mais necessárias e mais sublimes, tem sido a causa deste erro universal entre nós. Descobrimos no Salmo 103 que Deus espalhou o céu sobre a Terra como uma pele&#8221; [1].</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">Certamente</span><span class="tm11">, se quisermos extrair das Escrituras uma admissão de “terr</span><span class="tm11">a</span><span class="tm11">plan</span><span class="tm11">ismo</span><span class="tm11">”, podemos sempre enjaular esta ideia preconcebida num versículo que de alguma forma se encaixe nela [2]. O </span><span class="tm11">contrário</span><span class="tm11"> também é possível, uma vez que a Vulgata designa regularmente a Terra com a palavra &#8220;</span><em><span class="tm12">orbis</span></em><span class="tm11">&#8220;, que facilmente traduziríamos como &#8220;globo&#8221; [3].</span></span></p>
<p class="Normal tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm11" style="color: #000000;">Mas em vez de conduzir estes debates estéreis, lembremo-nos deste conhecido princípio católico segundo o qual a Escritura deve ser lida à luz da interpretação dos Padres. Mas Voltaire não é um Pai da Igreja. Em vez disso, deixemos a palavra à extraordinária sabedoria de São Basílio de Cesaréia († 379):</span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">“Os físicos que estudaram o mundo têm falado muito sobre a forma da Terra, se é uma esfera ou um cilindro, se se assemelha a um disco e é arredondada em todos os lados, ou se tem a forma de uma carruagem</span><span class="tm11">, e </span><span class="tm11">se </span><span class="tm11">é</span><span class="tm11"> oc</span><span class="tm11">a</span><span class="tm11"> no centro; pois tais são as ideias que os filósofos tiveram e com as quais lutaram entre si.”</span></span><span id="more-30456"></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">“Quanto a mim, não irei tão longe a ponto de desprezar a nossa formação do mundo porque o servo de Deus, Moisés, não falou da forma da terra, que não disse que ela tem uma circunferência de 180.000 estádios [5]; porque ele não mediu o espaço de ar em que e</span><span class="tm11">stende</span><span class="tm11"> a sombra da terra quando o sol deixou nosso horizonte; porque ele não explicou como essa mesma sombra, aproximando-se da lua, causa eclipses”.</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">“Visto que </span><span class="tm11">silenciou </span><span class="tm11">sobre estes pontos que &#8211; sendo inúteis para nós &#8211; não nos interessam, deve</span><span class="tm11">mos inflacioná-los,</span><span class="tm11"> comparando a</span><span class="tm11"> tola</span><span class="tm11"> sabedori</span><span class="tm11">a</span><span class="tm11"> [do mundo]</span><span class="tm11">, </span><span class="tm11">os ensinamentos do Espírito Santo?</span><span class="tm11"> Ou ao contrário, glorificaremos </span><span class="tm11"> Aquele que, longe de divertir a</span><span class="tm11">s</span><span class="tm11"> nossa</span><span class="tm11">s</span><span class="tm11"> mente</span><span class="tm11">s</span><span class="tm11"> com vaidade</span><span class="tm11">s</span><span class="tm11">, quis que tudo fosse escrito para a edificação e </span><span class="tm11">a </span><span class="tm11">salvação das nossas almas?&#8221;</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">&#8220;</span><span class="tm11">Não conseguindo</span><span class="tm11">, </span><span class="tm11">me </span><span class="tm11">parece, </span><span class="tm11">entendê-la</span><span class="tm11">, alguns tentaram, com alterações de significado e interpretações figurativas,</span> <span class="tm11">atribuir</span><span class="tm11"> por eles mesmos </span><span class="tm11">às Escrituras</span><span class="tm11"> uma profundidade tomada por empréstimo</span><span class="tm11">. Mas isso significa ser mais sábio do que os oráculos do Espírito Santo e, sob o disfarce de interpretação, introduzir pensamentos pessoais no texto. Tomemos, portanto, [esses oráculos] como estão escritos. </span><em><span class="tm12">Homilias sobre o Hexameron</span></em><span class="tm11">, h. IX.</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">Encontramos </span><span class="tm11">uma </span><span class="tm11">observação semelhante em Santo Agostinho, a respeito do movimento das estrelas: “Nunca o Evangelho põe nos lábios do Senhor palavras como estas: ‘Envio-</span><span class="tm11">vos</span><span class="tm11"> o Paráclito para te ensinar</span><span class="tm11">-vos</span><span class="tm11"> o curso da lua e do sol’. &#8230; Jesus Cristo quis fazer cristãos e não matemáticos. Sobre estes temas os homens precisam</span><span class="tm11"> apenas</span><span class="tm11"> das lições que lhes são dadas nas escolas.&#8221; </span><em><span class="tm12">Contra Félix, o Manique</span><span class="tm11">o</span><span class="tm11">, l. </span><span class="tm11">I</span></em></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">A Igreja é “terra</span><span class="tm8">-e</span><span class="tm8">sferista”?</span></strong></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">A Igreja, </span><span class="tm11">então</span><span class="tm11">, não afirmou nem</span><span class="tm11"> a</span><span class="tm11"> planaridade nem</span><span class="tm11"> a</span><span class="tm11"> redondeza porque não afirma nada sobre este tema. Todos os Padres, teólogos e papas que afirmam que a Terra é esférica não baseiam o seu pensamento na fé, porque a consideram</span><span class="tm11"> silenciosa</span><span class="tm11"> sobre este tema. </span><span class="tm11">S</span><span class="tm11">istematicamente </span><span class="tm11">se referem </span><span class="tm11">a “filósofos”, “físicos</span><span class="tm11">” e</span><span class="tm11"> “matemáticos”.</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">Eles fornecem argumentos extraídos da razão e da observação: a sombra da Terra </span><span class="tm11">sobre a</span><span class="tm11"> Lua durante os eclipses, o mastro do navio desaparecendo após o casco, ou mesmo novas estrelas aparecendo no horizonte durante a viagem. Este é um ponto importante, porque o mito</span><span class="tm11"> buscava insinuar</span><span class="tm11"> que a fé seria a</span><span class="tm11"> detentetora </span><span class="tm11">da ciência.</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">O crente teria sido levado a buscar a verdade somente pela fé, sem deixar espaço a razão. Mas este não é o pensamento da Igreja. Os Padres da Igreja </span><span class="tm11">tinham ao coração </span><span class="tm11">rejeitar a ideia da eternidade do mundo transmitida pela cosmologia antiga. A cosmologia moderna não os </span><span class="tm11">reprimirá</span><span class="tm11"> por isso.</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><span class="tm11">Pe. Frederico Weil</span></span></strong></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">Notas:</span></span></p>
<p><span class="tm11">[1] Voltaire adicionou as palavras </span><span class="tm11">“sobre </span><span class="tm11">a Terra&#8221; que não são encontradas no versículo citado.</span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">[2] Alguns referem-se a Isaías (40, 22) falando do Senhor &#8220;sentado no círculo [gyrum] da Terra&#8221;, mas, visto que o fato de </span><span class="tm11">por</span><span class="tm11"> Deus</span><span class="tm11">em posição</span><span class="tm11"> sentad</span><span class="tm11">a</span><span class="tm11"> é claramente um antropomorfismo a ser entendido </span><span class="tm11">em</span><span class="tm11"> sentido metafórico, obviamente não há como confiar neste versículo para </span><span class="tm11">chegar a</span><span class="tm11"> um significado literal correto. Temos também esta passagem de um salmo: “Estabeleci as suas colunas” (Sl 74,4), mas Santo Ambrósio diz claramente desta passagem “não podemos consider</span><span class="tm11">ar que seham</span><span class="tm11"> verdadeiras</span><span class="tm11"> e proprias</span><span class="tm11"> colunas, mas daquela</span><span class="tm11">s</span><span class="tm11"> virtude</span><span class="tm11">s</span><span class="tm11"> pela qual [Deus] </span><span class="tm11">re</span><span class="tm11">for</span><span class="tm11">ça</span><span class="tm11"> e sustenta a substância da Terra” (P. L. XIV, col. 133).</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">[3] Veja o Intróito de Pentecostes: &#8220;O Espírito do Senhor encheu o globo terrestre [</span><em><span class="tm12">orbem terrarum</span></em><span class="tm11">]&#8221; (Sb 1,7).O latim orbis é ambíguo, pois pode significar &#8220;círculo&#8221; ou &#8220;esfera&#8221;. </span><span class="tm11">É</span><span class="tm11"> a mesma ambiguidade da palavra &#8220;redonda&#8221;: falamos de &#8220;Terra Redonda&#8221; para designar uma esfera, mas também falamos de uma &#8220;mesa redonda&#8221; que no entanto é plana. O dicionário latino de F. Gaffiot traduz assim a expressão &#8220;</span><em><span class="tm12">orbis terræ</span></em><span class="tm11"> &#8220;: &#8220;disco da terra segundo</span><span class="tm11"> as</span><span class="tm11"> ideias antigas, para nós o globo terrestre&#8221;.</span> <span class="tm11">Mas está claro que Gaffiot é influenciado pelo mito. Se olharmos os textos dos Padres, vemos, por exemplo, Santo Ambrósio falando indiscriminadamente </span><span class="tm11">de</span><span class="tm11"> orbis lunæ e globus lunæ, o que indica que o </span><em><span class="tm12">orbis</span></em><span class="tm11"> é de fato um globo (P. L., t. XIV, col. 127 e 200). No século XVI, o estudioso e poeta Jean-Pierre de Mesmes não hesita em fazer esta aplicação: “Devemos, portanto, concluir que a massa terrestre é redonda, pois a sua sombra é redonda: algo que os Santos Profetas confessam, chamando a Terra em diferentes ocasiões </span><em><span class="tm12">Orbis terræ” (Institutions astronomiques</span></em><span class="tm11">, cap. 18, p. 54–55).</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm13" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm11">[4] </span> <span class="tm11">São Basílio evoca aqui as opiniões dos filósofos gregos, porque nem todos eles apoiam a esfericidade. Citamos o </span><span class="tm11">canônico</span><span class="tm11"> Copérnico que nos informa sobre os autores dessas diferentes opiniões: “A terra não é plana, como disseram Empédocles e Anaxímenes, nem em forma de pandeiro, como disse Leucipo, nem em forma de barco, como disse Heráclito, nem oc</span><span class="tm11">a</span><span class="tm11"> de outra forma, como disse Demócrito. Nem ainda cilíndrico, como disse Anaximandro, nem enraizado na espessura infinita da parte inferior, como disse Xenófanes, mas absolutamente esférico, como pensam os Filósofos&#8221;. (Copernicus, </span><em><span class="tm12">De Revolutionibus orbium cœlestium</span></em><span class="tm11">) Estes últimos filósofos são essencialmente Pitágoras, Platão e Aristóteles. Note-se que a imaginação humana vai muito além da dualidade redutiva entre disco e esfera.</span></span></p>
<p class="Normal_Web_ tm9 tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm11" style="color: #000000;">[5] Esta é a medida dada por Ptolomeu em sua Geografia. Ele utilizou o estágio filetário do valor de 210 metros que dá uma circunferência de 37.800 km. O valor real é de 40.070 km. Ver Pierre Duhem, Le Système du monde, t. II, pág. 7.</span></p>
<p class="Normal">
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		<title>TERRA PLANA? OS BASTIDORES DE UMA FALSIFICAÇÃO PARTE 2/4</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/terra-plana-os-bastidores-de-uma-falsificacao-parte-24/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Oct 2023 13:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Frédéric Weil]]></category>

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		<description><![CDATA[Imago Mundi, de Gossuin de Metz Não, a falsificação de que falaremos não vem da NASA, mas diz respeito à ideia profundamente arraigada, mas falsa, de uma Idade Média &#8220;terraplanista&#8221; e aos fundamentos ideológicos deste mito. Depois de ter refutado &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/terra-plana-os-bastidores-de-uma-falsificacao-parte-24/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/sspx/files/styles/dici_image_full_width/public/media/news/new-news/imago_mundi_gossuin_de_metz.jpg?itok=h7aja-1B" alt="" width="453" height="258" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #000000;">Imago Mundi, de Gossuin de Metz</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Não, a falsificação de que falaremos não vem da NASA, mas diz respeito à ideia profundamente </strong><strong>arraigada</strong><strong>, mas falsa, de uma Idade Média &#8220;terraplan</strong><strong>ista</strong><strong>&#8221; e </strong><strong>aos fundamentos</strong><strong> ideológic</strong><strong>os</strong><strong> deste mito. Depois de ter refutado o mito de uma Idade Média que pensava que a terra era plana,</strong><strong> agora</strong><strong> é necessário esclarecer como esta ideia se estabeleceu.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/it/news-events/news/terra-piatta-i-retroscena-di-una-falsificazione-2-84938">FSSPX &#8211; News</a></span> &#8211; <span style="color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Bastidores do mito</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Poderíamos dar pouca importância a tudo isso. Afinal, o cristão pode salvar a sua alma independentemente da forma que dê à Terra. O essencial não será talvez esta redução assustadora da esperança de vida que hoje é de “apenas” 85 anos, enquanto na Idade Média era a esperança da vida eterna?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certamente, mas o que nos interessa aqui não é a forma da Terra ou a ciência dos tempos antigos, mas a origem do mito contemporâneo e o que ele nos diz sobre o nosso tempo. Este mito serviu durante muito tempo como uma fórmula pronta para ridicularizar de uma só vez a suposta estupidez da era cristã condensada sob o termo redutor &#8220;Idade Média&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas este alegado “obscurantismo” volta-se contra os propagadores do mito, tanto mais fortemente quanto o acesso ao conhecimento é hoje incomparavelmente melhor do que na época em que a imprensa ainda não existia. É fácil dissipar o mito do &#8220;terraplanismo&#8221; medieval, enquanto na Idade Média era necessária uma energia considerável para preservar o conhecimento dos antigos.</span><span id="more-30351"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em um bom livro publicado em 2021, <em>La Terre plate, généalogie d’une idée fausse</em> [1], dois acadêmicos traçam a origem desse mito tenaz. Devemos ficar surpresos ao descobrir que o principal autor do mito não é outro senão Voltaire?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Lactâncio e Cosmas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade, existem alguns elementos que contribuíram para a fundação do mito, em particular o apologista cristão Lactâncio († 325) que representa a única exceção ocidental a favor da Terra plana. Mas a sua opinião não foi seguida por ninguém e nunca foi incluído entre os Padres da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No Oriente encontramos um certo Cosmas Indicopleustes († por volta de 550) que escreveu uma Topografia Cristã da &#8220;Terra plana&#8221;. Este ilustre desconhecido, cujo nome é incerto, parece ser um comerciante de língua grega do cisma Nestoriano. A primeira tradução latina de sua Topografia data de 1707.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Será talvez necessário especificar que ele é totalmente desconhecido no Ocidente medieval? Voltaire, entretanto, cita Lactâncio e Cosmas como representantes da posição de todos os Padres: &#8220;Os Padres consideravam a Terra como um grande navio cercado por água; a proa estava no leste e a popa no oeste.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isto significa perder uma contextualização elementar que mede a transmissão de ideias. Com tais amálgamas também se poderia dizer que o terceiro milénio é “terraplanista”, se julgarmos por certos vídeos na Internet: isto significa tomar como norma uma tese marginal. Ainda hoje não é raro ver Cosma citado como a referência que nunca existiu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A questão dos antípodas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na Cidade de Deus, Santo Agostinho diz que não devemos acreditar naqueles que afirmam a existência dos antípodas [3], ou seja, dos habitantes do lado oposto da Terra, porque esta teoria se baseia em conjecturas incertas e relatos inconclusivos . Santo Agostinho mostra aqui uma exigência empírica que dificilmente se poderia censurar e que não diz respeito à forma da Terra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Disto, Voltaire concluiu, no entanto, que o grande doutor da Igreja negou a esfericidade da Terra! Voltaire também afirma que “Alonso Tostado, bispo de Ávila, no final do século XV, declara, em seu Comentário ao Gênesis, que a fé cristã vacila não somente se acredita que a Terra seja redonda”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todavia, assim que abrimos o livro em questão, descobrimos imediatamente a mentira de Voltaire, porque este bispo fala da “Terra esférica”, ou do “nosso hemisfério”[4]. Por outro lado, Tostado pensa, como Santo Agostinho, que os antípodas não são habitados. Pierre d&#8217;Ailly, na obra citada acima, qualifica as diversas teses sobre a habitação dos antípodas como “opiniões”. Aqui estamos muito longe do dogma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É a esta questão marginal dos “antípodas” que a exploração de Cristóvão Colombo fornece uma resposta. Ele então criou a lenda de um Cristóvão Colombo que veio quebrar o dogma da “terra plana” na rocha da experiência, especialmente em uma biografia produzida por Washington Irving, que contribuiu significativamente para esse mito.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Frédéric Weil, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">(Continua&#8230;)</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Notas:</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> [1] Violaine Giacomotto-Charra e Sylvie Nony, Ed. Les Belles Lettres, 2021. Nos baseamos muito sobre este livro.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> [2] <em>Dictionnaire philosophique</em>  (1764), articolo Figure. Veja-se também os artigos “Il Cielo Materiale” e “Il Cielo degli Antichi”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[3] A Cidade de Deus, l. XVI, sec. IX.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[4] Alphonsi Tostati Episcopi Abulensis, <em>Opera omnia</em>, <em>Commentaria in Genesim</em>, Venezia, 1728, p.</span></p>
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		<title>TERRA PLANA? OS BASTIDORES DE UMA FALSIFICAÇÃO PARTE 1/4</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/terra-plana-os-bastidores-de-uma-falsificacao-parte-14/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 13:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Frédéric Weil]]></category>

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		<description><![CDATA[A coroação de Otão III em 983. O imperador tem na mão o globus crucifiger. Fonte: FSSPX &#8211; News &#8211; Tradução: Gederson Falcometa Não, a falsificação de que vamos falar não vem da NASA, mas diz respeito à ideia arraigada, mas falsa, de &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/terra-plana-os-bastidores-de-uma-falsificacao-parte-14/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class="aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/sspx/files/styles/dici_image_full_width/public/media/news/new-news/otton_iii.jpg?itok=7fWig9yq" alt="" width="371" height="211" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>A coroação de Otão III em 983. </em></span><br />
<span style="color: #000000;"><em> O imperador tem na mão o globus crucifiger.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/it/news-events/news/terra-piatta-i-retroscena-di-una-falsificazione-1-84884">FSSPX &#8211; News</a></span> &#8211; <span style="color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Não, a falsificação de que vamos falar não vem da NASA, mas diz respeito à ideia arraigada, mas falsa, de uma Idade Média de &#8220;terraplan</strong><strong>ista</strong><strong>&#8221; e aos fundamentos ideológicos deste mito.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A recente coroação de Carlos III nos deu uma imagem que parece ter saído de um livro de história: o novo rei Carlos III tem nas mãos as insígnias do poder real, incluindo o <em>glob</em><em>us</em><em> cruciger</em>, ou seja, a esfera encimada por uma cruz, que simboliza a Terra redimida pela Cruz de Jesus Cristo. Esta esfera tem um uso muito antigo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É encontrada ao longo de toda a Idade Média, principalmente nas representações de Cristo, que segura o globo na mão ou o tem sob os pés. A esfera apresenta um hemisfério delineado em três partes devido aos três continentes conhecidos na época. Assim, um fato se destaca: a Terra é representada como uma esfera muito antes da descoberta da América.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isto deverá levantar questões sobre um mito muito difundido, nomeadamente o de que “<em>na Idade Média acreditava-se que a Terra era plana</em>”. Ouvimo-lo da boca de jornalistas, intelectuais, antigos ministros como Marlène Schiappa ou Claude Allègre, e até em filmes históricos, livros de história e livros escolares, mesmo os mais recentes.</span><span id="more-30349"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Numa transmissão de 2022 de &#8216;C Jamy&#8217; patrocinada pelo famoso Jamy Gourmaud, o orador disse: &#8220;<em>No século XV, durante a época de Cristóvão Colombo, muitas pessoas pensavam que a Terra era plana. Bíblia [</em><em>imagem </em><em>de São Tomás de Aquino], mas Cristóvão Colombo não acreditou nem por um segundo</em>.&#8221; [1]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E se consultarmos o barômetro do pensamento dominante, ou seja, o ChatGPT, ele nos diz o seguinte: “<em>Na Idade Média pensava-se geralmente que a Terra era plana</em><em>. [&#8230;] Teorias científicas sobre a forma da terra, como</em><em> aquel</em><em>as</em><em> desenvolvid</em><em>a</em><em>s pelos antigos gregos, eram conhecid</em><em>a</em><em>s, mas muitas vezes foram considerados controvers</em><em>a</em><em>s ou herétic</em><em>a</em><em>s pela Igreja</em>&#8220;. [2]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vemos assim que o suposto “terraplanismo” medieval está associado à fé católica, que alegadamente teria dogmatizado esta ideia ingénua baseada na Bíblia contra o conhecimento dos gregos pagãos. Só que já se passaram várias décadas desde que estudos mostraram inequivocamente que isso é um mito [3].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Incontáveis</strong><strong> provas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para além do discurso iconográfico, bastaria abrir alguns livros eruditos de um padre católico deste vasto período para pôr fim ao mito do “terraplanismo” medieval. Sabemos que Cristóvão Colombo baseou a sua ousada empresa numa obra inacabada do Papa Pio II († 1458), a <em>Historia rerum ubique gestarum</em>, que o explorador tinha anotado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde as primeiras linhas desta obra enciclopédica, Pio II afirma: “Praticamente, todos concordam em dizer que a forma do mundo [4] é esférica [<em>rotundam</em>]; e concordam que isto também vale para a Terra” . Na mesma obra, o Papa trata das medições da circunferência terrestre feitas por Eratóstenes (século III a.C.) e Ptolomeu (século II).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cristóvão Colombo também anotou uma obra do Cardeal Pierre d&#8217;Ailly († 1420), a <em>Imago mundi</em>. O erudito cardeal falou do raio e do volume da esfera terrestre, das zonas climáticas segundo a latitude ou os pólos. Afirmou, por exemplo, como conclusão lógica, que &#8220;aqueles que viveriam no Pólo teriam durante metade do ano o sol acima do horizonte, e durante a outra metade, uma noite contínua [5]&#8221;, o que é extraordinariamente preciso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pierre d&#8217;Ailly inspirou-se no <em>Tratado da Esfera</em> de Nicolas Oresme († 1322), bispo de Lisieux e conselheiro de Carlos V. O título da obra é suficientemente evocativo. O próprio Oresme inspirou-se numa obra homónima, o<em> Tratado da Esfera</em> do monge inglês Jean de Sacrobosco († 1256), que foi um grande sucesso pedagógico republicado, complementado e comentado durante vários séculos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao mesmo tempo, Santo Tomás de Aquino, logo nas primeiras páginas da <em>Summa Theologica</em>, desejando mostrar que a mesma conclusão pode ser alcançada por diferentes caminhos, assim ilustra o seu ponto: &#8220;O astrônomo e o físico, por exemplo, chegam a mesma conclusão: que a terra é redonda [6]&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É, portanto, uma questão de obviedade aceita pelos vários estudiosos da época. Na virada para o segundo milênio, Gerberto de Aurillac († 1003), eleito papa com o nome de Silvestre II, criou um globo terrestre e, como muitos estudiosos da época, comentou Macróbio [7] († 400), que afirma a esfericidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acrescentamos também São Beda, o Venerável († 735) que nos diz que &#8220;A Terra é semelhante a um globo&#8221;, Santo Isidoro de Sevilha († 636) que nas suas famosas <em>Et</em><em>y</em><em>mologi</em><em>e</em><em>s</em> fala do &#8220;globo terrestre&#8221;, Boécio († 524 ) que evoca a &#8220;massa redonda da Terra&#8221; [8], São Gregório de Nissa († 395) que descreve um eclipse por meio da projeção da &#8220;forma esférica&#8221; [9] da Terra na Lua, etc. [10].</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Naturalmente, a cosmologia antiga também afirma uma Terra imóvel no centro de um cosmos esférico fechado, mas estes erros são tirados dos gregos.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong> Pe. Frédéric Weil, FSSPX</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>(Continua)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Notas:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] Evan Adelinet, C Jamy del 22 aprile 2022. Encontramos o mesmo erro por parte de  Jamy Gourmaud em outro episódio do show.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> [2] A resposta do ChatGPT a pergunta “Que forma tinha a terra segundo os habitantes do Medievo?”. Precisamos ter em conta que se colocamos a pergunta específica: “O que dizem os recentes estudos sobre a ideia de que no Medievo acreditava-se que a terra fosse plana?”, obteremos uma resposta diametralmente oposta que desmascara o mito. Onde vemos como esta IA foi “adestrada” com dados contraditórios, a maior parte dos quais repete o mito. A primeira questão, mais ampla, obtém assim a resposta que corresponde a maior parte dos textos, e então reflete a opinião dominante. A segunda pergunta direciona a resposta para estudos mais específicos sobre esta ideia recebida.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> [3] Ver <em>Inventing the Flat Earth</em>, Jeffrey Burton Russel, 1991.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> [4] O ‘mundo” não é a Terra, mas se refere a antiga cosmologia de um universo fechado e esférico. A confusão entre os dois é frequente, mesmo nas obras dos historiadores. Buscamos remover essa ambiguidade em todo nosso artigo.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> [5] <em>Ymago mundi</em> di Pierre d&#8217;Ailly, traduzido e comentado por Edmond Buron, volume 1, Maisonneuve frères, 1930</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[6] <em>Summa Theologica</em>, Ia pars, q. 1, a. 1, ad 2um.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[7] <em>Comentário ao sonho de Scipião.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[8] <em>A consolação da filosofia, II, 13</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[9] “Segundo os astrônomos, neste mundo cheio de luz, a sombra [sobre a Lua] é causada pela interposição do corpo da Terra. Mas a sombra, de acordo com sua forma esférica, é encerrada posteriormente pelos raios do sol e assume a forma de um cone. O sol, várias vezes maior que a Terra, envolve-a por todos os lados com seus raios e, no limite do cone, une entre eles os pontos de fixação da luz&#8221;. <em>A criação do homem</em>, Sources Chrétiennes n° 6, cap. 21, pág. 181.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[10] Santo Ambrósio afirma a esfericidade do “mundo” assim como do sol e da lua, mas é difícil encontrar uma menção exata à Terra, porque este não é o tipo de questão que interessava aos Padres. No entanto, a sua cosmologia pressupõe fortemente a esfericidade da Terra (cf. P. L. XIV, col. 133). O mesmo vale para Eusébio de Cesaréia (<em>Collectio Nova Patrum et Scriptorum</em>, ed. Montfaucon, t. 1, p. 460) ou São Jerônimo (<em>Comentário à Carta aos Efésios</em>, trad. Abbé Bareille)</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>SOFRER AO INVÉS DE AGIR?</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2021 13:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Frédéric Weil]]></category>

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		<description><![CDATA[Diante dos erros modernos que ele desaprova, o Padre &#8220;X&#8221; optou por permanecer em silêncio, oferecendo os sofrimentos que isso lhe causa. Isso é realmente admirável? Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Ouvimos, por vezes, ecos de um ou &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sofrer-ao-inves-de-agir/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/06/prete.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-24191" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/06/prete.jpg" alt="prete" width="200" height="203" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Diante dos erros modernos que ele desaprova, o Padre &#8220;X&#8221; optou por permanecer em silêncio, oferecendo os sofrimentos que isso lhe causa. Isso é realmente admirável?</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/documents/crise-eglise/souffrir-plutot-quagir">La Porte Latine</a> </span>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ouvimos, por vezes, ecos de um ou de outro sacerdote de boa-fé que, demasiado conservador aos olhos de sua hierarquia, é obrigado a reduzir o ardor apostólico e a obedecer às injunções progressistas. Ele então se encontra acorrentado à toda-poderosa Equipe de Animação Pastoral e, com relutância, tem que lidar com a ecologia e o ecumenismo mais do que com a salvação das almas. Ele deve então ensinar as almas a viverem bem aqui na Terra de acordo com as máximas do mundo, ao invés de pregar as virtudes celestiais do desprezo por esta terra de exílio. Muitos padres conservadores dizem que sofrem com isso. Queremos acreditar neles! Substituem o ministério sacerdotal pelo ministério do sofrimento: o sofrimento por não poder cumprir o seu ministério. Mas é suficiente sofrer?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Encontramos no Papa Paulo VI uma atitude semelhante. Em 21 de junho de 1972, durante uma audiência geral, ele revelou parte de suas notas pessoais: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Talvez o Senhor me tenha chamado e me mantenha neste serviço[o papado] não tanto por qualquer aptidão que eu possua <strong>ou para que eu governe e salve a Igreja das suas dificuldades atuais </strong>[grifo nosso], mas para que eu sofra algo pela Igreja e fique claro que Ele, e mais ninguém, a guia e salva</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Romano Amerio, autor do famoso livro <em>Iota Unum (<strong>compre <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.editorapermanencia.net/pre-venda-iota-unum-um-estudo-das-mudancas-na-igreja-catolica-no-seculo-xx.html">aqui</a></span> ou <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.stacruzartigoscatolicos.com.br/livros/iota-unum-um-estudo-das-mudancas-na-igreja-catolica-no-seculo-xx-romano-amerio">aqui</a></span></strong>)</em> sobre a crise na Igreja, qualifica esta admissão como &#8220;<em>exorbitante</em>&#8220;: Deus o teria chamado ao ofício papal, mas não para que governe. Amério mostra que Paulo VI não se contentou com essas estranhas palavras, mas que muitas vezes renunciou sua autoridade diante dos muitos desvios graves que marcaram seu pontificado. Para sua função pública de pastor supremo, o Papa substituiu assim uma virtude pessoal: sofrer em vez de comandar. Como se um pai abandonasse seu papel para sofrer exclusivamente as dificuldades de sua família. Dificuldades que não deixarão de surgir precisamente porque o pai abandona sua função. Paulo VI procurou assim “<em>salvar a Igreja</em>” não por sua ação, mas por seu sofrimento&#8230;devido, em parte, à sua inação.</span><span id="more-24190"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certamente, o caso de Paulo VI apresenta uma grande diferença em relação aos párocos: ele foi o depositário da autoridade suprema e, portanto, livre de seus atos, enquanto estes últimos são impedidos por sua hierarquia. A questão torna-se então a seguinte: não deveríamos aceitar uma condenação, mesmo injusta, com humildade, sem nos opormos a ela? Santo Tomás de Aquino mesmo parece afirmar isso<sup>[1]</sup> . Melhor ainda, Nosso Senhor não afirmou: “<em>Eu, porém, digo-vos que não resistais ao (que é) mau; mas se alguém te ferir na face direita, apresenta-lhe também a outra</em>” (São Mateus V, 39)? Isso não é o mais meritório?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Bem pessoal e bem comum</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Seria um grave erro aplicar isso ao nosso caso, pois as passagens citadas contemplam uma condenação pessoal. É certamente meritório dar a outra face a quem nos insulta pessoalmente. Por outro lado, não se deve virar a face de outro que é insultado! Aquele que, vendo sua mãe insultada, a faz virar a outra face à força, obviamente não está agindo como um cristão, mas como um ímpio! O mesmo acontece com a nossa mãe, a Igreja: quando é insultada, não só é apenas legítimo defendê-la, mas é até mesmo um dever. E o mesmo acontece com o padre que se vê condenado por pregar a fé católica: já não é ele o alvo, mas sim a fé católica. Já não se trata de um bem pessoal, mas do bem comum, da salvação das almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É por isso que, depois do Vaticano II, vários padres se opuseram às inovações destrutivas impostas por sua hierarquia, mesmo que isso significasse sofrer condenações, como fizeram o Pe. Coache, o Pe. Sulmont e muitos outros em seu tempo. Este é obviamente o caso de D. Marcel Lefebvre em primeiro lugar.  Queriam cumprir o seu ministério &#8220;<em>a tempo e a contratempo</em>&#8220;: &#8220;<em>vigia, suporta os trabalhos, faze a obra de evangelista, cumpre teu ministério&#8221;</em> (II Tim, 4,5). Nesta situação, o sacerdote deve sofrer, não abandonando seu santo ministério ou adulterando-o, mas opondo-se o melhor possível à sua esterilização forçada. O quanto Mons. Lefebvre não sofreu por ter que se opor a Roma?! Onde ele foi formado, onde ele recebeu uma doutrina sólida baseada em dois milênios de compreensão da fé. Que desgosto para ele se ver condenado pela Roma modernista por colocar em prática o que aprendera com a Roma eterna! Eis um sofrimento que não abandona o ministério, mas pelo contrário, o torna fecundo. Certamente é Deus quem salva, mas Deus salva através dos homens dóceis à sua graça, cumprindo com fidelidade o seu ministério.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Frédéric Weil, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">S.T. Supp, q. 21, a. 4 c. &#8220;<em>Se se suportar com humildade, o mérito de sua humildade compensa então o dano da excomunhão</em>.&#8221;</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>ELES TREMIAM DE MEDO ONDE NÃO HAVIA NADA A TEMER</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2021 14:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo Moderno]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Frédéric Weil]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Pe. Frédéric Weil, FSSPX Os tempos não são mais de festa. Há alguns anos, o medo invadiu nossas sociedades. A esperança está desaparecendo do nossos horizontes em favor de um mundo de incertezas. O católico &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/eles-tremiam-de-medo-onde-nao-havia-nada-a-temer/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/01/medo.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-22105" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/01/medo-295x300.jpg" alt="medo" width="295" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/actualites/lectures/ils-ont-tremble-de-frayeur-la-ou-il-ny-avait-rien-a-craindre">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Frédéric Weil, FSSPX</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Os tempos não são mais de festa. Há alguns anos, o medo invadiu nossas sociedades. A esperança está desaparecendo do nossos horizontes em favor de um mundo de incertezas. O católico deve se juntar ao terror que o cerca?</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Terror ambiente</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Terrorismo, aquecimento global, tensões sociais e raciais, censura, confrontos urbanos, fluxos migratórios e ainda por cima o famoso vírus: estes são os novos avatares do terror contemporâneo que pairam sobre este mundo como pássaros de mau agouro. De novembro de 2015 a 2017, a França passou 2 anos em &#8220;estado de emergência&#8221; através de 6 prorrogações devido aos atentados. Em janeiro de 2019, a jovem Greta Thunberg falou na cúpula de Davos sobre o aquecimento global: &#8220;<em>Quero que entrem em pânico, quero que sintam o medo que sinto todos os dias</em>&#8220;, como uma profetisa de um apocalipse sem revelação divina. Mais recentemente o jornal <em>Liberation</em>, em sua edição de <a style="color: #000000;" href="https://www.liberation.fr/france/2020/10/04/covid-19-rassurez-vous-qu-ils-disaient_1801403">4</a> de <a style="color: #000000;" href="https://www.liberation.fr/france/2020/10/04/covid-19-rassurez-vous-qu-ils-disaient_1801403">outubro de 2020</a>, publicou um artigo sobre o perigo dos &#8220;<em>tranquilizadores</em>&#8221; que erraram ao quebrar o consenso do medo. <em>&#8220;Eles me assustam muito</em>&#8220;, disse um médico sobre essas pessoas. Era preciso temer quem tranquilizava.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As posições se invertem quando se fala em vacina. O campo do medo então se torna o de “<em>tranquilidade</em>” e vice-versa, de modo que não podemos designar de maneira unívoca um campo do medo. Um medo é correlativo a um outro: uma pessoa que não teme o vírus pode temer medidas governamentais, anátemas jornalísticos, crítica de colegas, discussões acaloradas, denúncias da vizinhança, multa ou mesmo a perda de um trabalho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que varia é o que tememos: o objeto de nossos medos é um indicativo de quem somos.</span><span id="more-22104"></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Devemos banir o medo?</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Antigo Testamento não tem o monopólio do medo. Nosso Senhor Jesus Cristo mesmo conheceu o medo no Jardim das Oliveiras: <em>Ele começou a ser tomado de medo e angústia</em> (Mc 14, 33) <em>. </em>Mais tarde, os Atos dos Apóstolos nos ensinam sobre a fraude de Safira e Ananias que São Pedro reprovou duramente. Então: <em>Ananias, ao ouvir essas palavras, caiu e expirou. Infundiu-se um grande temor em todos os que o ouviram isto</em> (At 5, 5). São Paulo também diz que devemos trabalhar em nossa salvação <em>com temor e tremor</em> (Fl, 2, 12).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O medo é útil. É bom que a criança tenha medo de fogo. Isso a mantém fora de perigo. Quando ela não o teme, é a mãe que teme pelo filho. Santo Tomás de Aquino observa que as paixões &#8211; e, então, o medo &#8211; só são ruins &#8220;<em>quando escapam ao governo da razão</em>&#8221; <em>[1]</em> . O medo é ruim quando não é regulado pela razão: seja pelo excesso ou pela omissão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em excesso, existem medos infundados como a lepidofobia: trata-se do medo de borboletas &#8230; Também existem medos bem fundamentados, mas excessivos: é preciso ter medo do fogo, certamente, mas não se pode entrar em pânico. O pânico precipita más decisões, muitas vezes piores do que o temido mal. A razão, ao contrário, tem seu tempo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por omissão, também é possível não ter medo: “<em>Não temes a Deus</em>?”(Lc, 23, 40) perguntou acertadamente o bom ladrão ao seu comparsa que atacava Nosso Senhor na Cruz. Muitos homens caminham com imprudência em relação à sua perdição eterna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O salmista denuncia tanto o excesso quanto a falta do insensato que não acredita em Deus: “<em>O temor de Deus não está diante de seus olhos</em>. [&#8230;] <em>Eles não invocaram o Senhor; tempo virá em que tremerão de temor. </em>&#8220;(Sl 14, 3 e 5)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>temor de Deus</em> ocupa um lugar importante nas Escrituras. Ele é o “<em>princípio da Sabedoria</em>” (Sl 110, 10). O salmista nos diz que ele é &#8220;<em>santo</em>&#8221; e &#8220;<em>permanece para todo o sempre</em>&#8221; (Sl 18,10), mesmo na bem-aventurada eternidade. É até um dom do Espírito Santo (Is, 11, 3).</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Gênese do medo</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Longe da opinião moderna que opõe o amor ao medo, Santo Tomás de Aquino coloca o amor na origem de toda paixão e, então, do medo <em>[2]</em> . Com efeito, tememos que um mal atinja um ente querido. Quem não ama não teme. Quanto menos nos apegamos ao dinheiro, menos tememos sua perda inesperada. É assim que Santo Agostinho afirma que “as paixões são boas ou más, dependendo se o amor é bom ou mau.&#8221; <em>[3]</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um pouco mais adiante, Santo Agostinho enuncia a conhecida fórmula: “<strong>DOIS AMORES ERIGIRAM DUAS CIDADES:</strong>  o amor de si até o desprezo de Deus, a cidade terrena, e o amor de Deus até o desprezo a si mesmo, a cidade celestial.&#8221; <em>[4]</em> Se existem dois amores, então também existem dois medos: um mundano e um outro divino. Um entre o mundo e nosso corpo, o outro entre Deus e nossa alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas na origem do amor está o conhecimento. Santo Tomás de Aquino observa que nada é amado que não seja primeiro conhecido <em>[5]</em>. Devemos conhecer o bem para amá-lo e devemos conhecer o mal para temê-lo. Devemos ao menos supor conhecer porque o erro também alimenta o amor e o medo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, existem também diferentes medos, dependendo do que alimenta nossa inteligência: a mídia ou o sermão. O temor de Deus desaparece quando deixamos de ouvir a pregação das verdades divinas ou de fazer leituras piedosas. Sem dúvida, é útil informar-se com certa medida nos meios de comunicação, mas é justo dar a melhor parte à pregação que nos inspira temor pela nossa eternidade e não pelo que se passa (nesse mundo).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, o medo se extingue quando a tela é desligada. Às vezes é necessário desligar para não cair na espiral do medo: a informação fomenta o medo e o medo faz com que se busque mais informação. Tanto mais que aquele que teme &#8220;<em>acredita que as coisas são mais terríveis do que são</em>&#8221; <em>[6]</em>. Os filmes de terror nos provam que existe um desejo mórbido de se ter medo, e esse desejo não afeta apenas a ficção. Sabemos que às vezes que o perigo deve ser silenciado para não causar pânico.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Medo e Providência</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás mostra que só tememos o que escapa ao nosso poder <em>[7]</em>. O medroso, portanto, procurará recuperar o controle sobre o mal ou confiar em alguém que o controle.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É natural que o homem busque controlar o que está em seu poder. Deus conferiu ele um poder sobre o mundo que desenvolve por meio da tecnologia, especialmente da medicina. Mas aconteça o que acontecer, sempre haverá uma parte das coisas que estará além de seu conhecimento ou poder: “<em>Quem dentre vos pode acrescentar um côvado à sua estrutura</em>?&#8221;(Mt, 6, 27)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A partir de então, devemos reconhecer nossos limites e confiar no Pai Eterno que pode fazer tudo. Com medo, a criança é tranqüilizada por seu pai e o cristão se confia a Deus:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Não vos preocupeis </em><em>[8] </em><em>com vossa vida [&#8230;] olhai as aves do céu [&#8230;] vosso Pai Celeste as sustenta. Porventura não sois vós muito mais do que elas?</em><em>(Mt, 6, 25-26)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa ideia de abandono a Deus se tornou insuportável para o homem moderno que quer acreditar que pode saber tudo e dominar tudo. Estamos acostumados a um mundo asséptico, onde nada vai além de um quadro estabelecido; tudo é suavizado com a ajuda de tecnologias avançadas, de seguros de todos os tipos e de uma administração poderosa, se não invasiva. Armados com o princípio da precaução, procuramos garantir que nada escape ao controle do homem no estado social paternalista, semelhante a Deus Pai.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nessa perspectiva, não é mais contraditório expulsar alguns promovendo a eutanásia e proibir outros de morrer, mesmo que isso signifique privá-las de toda liberdade. Esses são apenas dois aspectos de um desejo de controlar o que pertence ao único poder soberano de Deus: a vida e a morte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas quando se torna evidente que o homem é mais hábil em restringir a vida do que evitar a morte, quando ele se mostra impotente para conter um vírus mil vezes menor do que um cabelo, tudo o que resta é cair mais violentamente no medo.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Medo de Deus, medo dos homens</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; mas temei antes aquele que pode lançar no inferno a alma e o corpo. </em><em>(Mt, 10, 28)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mesma frase de Nosso Senhor contém as duas injunções contrárias. Não há apenas o famoso “<em>não tenha medo</em>” <a style="color: #000000;" href="https://laportelatine.org/actualites/lectures/ils-ont-tremble-de-frayeur-la-ou-il-ny-avait-rien-a-craindre#footnote_8_94080">[9]</a>, mas também o “<em>tenha medo</em>”: é um mandamento de Deus. Nosso Senhor nos tranquiliza contra a tanatofobia: o medo de perder nossa vida corporal. Ele nos ordena temer por nossa alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O mundo hoje não tem medo de promover e desenvolver o assassinato de bebês durante a gestação, enquanto teme por golfinhos, ursos polares e afins. O medo de revelar o corpo, que se chama de modéstia, desaparece deste mundo enquanto as pessoas se ofendem com qualquer coisa que vá além dos padrões das redes sociais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao contrário, o católico deveria ter menos medo do aquecimento global do que do resfriamento das almas. A descristianização deve preocupá-lo mais do que as tensões sociais ou raciais. Ele deve temer o esgotamento das vocações sacerdotais e religiosas, e não a tirania da opinião e do modo de vida dominante. O católico não deve ter medo de afirmar sua fé por palavras e obras, para que Deus não o reprove por sua fraqueza: “<em>quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos</em>”(Mc, 8, 38). Acima de tudo, ele deve temer a lepra do pecado muito além das doenças físicas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso tempo está longe da audácia de um São Paulo enfrentando perigos pelo amor das almas: &#8220;<em>muitas vezes em viagens, entre perigos de rios, perigos de ladrões, perigos dos da minha nação, perigos dos Gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos dos falsos irmãos, no trabalho e na fadiga, em muitas vigílias, na fome e na sede, em muitos jejuns, no frio e na nudez.</em>&#8220;(2 Cor 11,26-27)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 1905, ano de combate, o Pe. Janvier OP pregou em Notre-Dame de Paris palavras que parecem ser ditas para o nosso tempo:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>[&#8230;] O medo dos homens age sobre nossa conduta, impondo-nos atitudes que nossa consciência reprova, a omissão de atos que nossas convicções exigem.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>[&#8230;] Penetrai nos grupos de nossa sociedade, vereis homens serem obrigados a abandonar seus deveres, a negar sua educação, suas tradições, seus senhores, permanecerem escravos de um punhado de desgraçados dos quais temem. O que a odiosa seita dos maçons não consegue alcançar em nossa geração?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>[&#8230;] eles temem a crítica de um boletim ruim, a desaprovação de seus eleitores, o que eu sei? A personalidade, a liberdade abandonam-se sob a influência desse sentimento que é decorado com o nome de prudência, que leva à traição, que se chama na psicologia, medo e na moralidade, covardia. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>(</em></span><span style="color: #000000;"><em>Pe. Janvier, OP, Exposição da Moral Catolica III – As Paixões, Edição Lethielleux.)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, não procuremos banir todo o medo, mas busquemos o verdadeiro temor a Deus. O que mais se deve temer é o que um dia Deus dirá de nós: “<em>o temor de Deus não está diante de seus olhos. [&#8230;] Eles tremiam de medo onde não havia nada a temer.</em>” (Sl 14).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>NOTAS:</strong></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">ST Ia IIæ, q. 24, a. 2</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">ST Ia IIæ, q. 25, a. 1 e 2.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A Cidade de Deus</em> , l. XIV, ch. 7.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A Cidade de Deus</em> , l. XIV, ch. 28.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Non postest amari nisi cognitum</em>. Ia IIæ, q. 27, a. 2. Santo Tomás retoma Santo Agostinho, citado no mesmo artigo: <em>nullus potest amare aliquid incognitum</em>.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">ST Ia IIæ, q. 44, s. 2. corpus.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">ST Ia IIæ, q. 42, a. 3: A rigor, não podemos temer o pecado porque ele está em nosso poder, mas devemos temer a tentação.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A exortação para deixar de lado as preocupações é repetida 3 vezes nesta bela passagem do Sermão da Montanha.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não tenha medo”, frequentemente aparece na boca do Verbo que se fez carne: quase 12 vezes. Nosso Senhor dá repetidamente a razão para que não haja medo: &#8220;<em>Sou Eu</em>&#8220;, disse ele.</span></li>
</ol>
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