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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Jean-Michel Gleize</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>SOBRE A DECLARAÇÃO RECENTE DO CARDEAL FERNANDEZ (13 DE MAIO DE 2026) – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2026 12:45:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[“Médico, cura-te a ti mesmo” (Lc 4, 23) Fonte: DICI &#8211; Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio 1. O Gabinete de Imprensa do Vaticano publicou, nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, a seguinte declaração do cardeal &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-declaracao-recente-do-cardeal-fernandez-13-de-maio-de-2026-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/image2_9.png?itok=0K75TDSf" alt="" width="440" height="251" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"><em>“Médico, cura-te a ti mesmo”</em> (Lc 4, 23)</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte:</span> <a href="https://fsspx.news/fr/news/propos-la-declaration-recente-du-cardinal-fernandez-13-mai-2026-59127"><span style="color: #0000ff;">DICI</span> </a><span style="color: #000000;">&#8211; Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1. O Gabinete de Imprensa do Vaticano publicou, nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, a seguinte declaração do cardeal Fernandez, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé:</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No que diz respeito à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, reiteramos o que já foi comunicado. As ordenações episcopais anunciadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X não são acompanhadas do correspondente mandato pontifício. Este gesto constituirá “um ato cismático” (João Paulo II, Ecclesia Dei, n.º 3) e “a adesão formal ao cisma constitui uma grave ofensa a Deus e acarreta a excomunhão prevista pelo direito da Igreja” (ibid., 5c; cf. Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, Nota explicativa, 24 de agosto de 1996).</span></p>
<p><span style="color: #000000;">O Santo Padre continua, em suas orações, a pedir ao Espírito Santo que ilumine os responsáveis da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para que reconsiderem a gravíssima decisão que tomaram.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Do Vaticano, 13 de maio de 2026</span></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2. Há aqui, portanto, matéria de Direito Canônico, no capítulo das penas impostas por eventuais delitos. Mas isso não é novidade. A novidade que aparece nesta declaração de Roma é que as sagrações episcopais previstas para o próximo 1.º de julho não serão “<em>acompanhadas do correspondente mandato pontifício”</em>. Da parte de um Prefeito de dicastério do Vaticano, esta incisa equivale, de modo bastante claro, a fazer entender à Fraternidade que o Papa Leão XIV se recusará a autorizar as sagrações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3. De certa forma, tampouco isso é novidade, pois é a repetição do que a Fraternidade já viveu em 1988. No <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/d-lefebvre-sermao-das-sagracoes-episcopais-de-1988/"><strong>sermão que proferiu no dia das sagrações, em 30 de junho,</strong></a></span> Dom Lefebvre já aludia a diferentes estudos canônicos redigidos por especialistas na matéria, nos quais se podia apoiar para legitimar o ato da sagração episcopal naquela circunstância de 30 de junho. Entre esses estudos(1), o do professor Rudolf Kaschewsky(2) foi publicado inicialmente no número de março-abril de 1988 da Una Voce-Korrespondenz.</span><span id="more-34868"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4. Trata-se precisamente aqui da questão das penas incorridas por um eventual delito. O Novo Código de 1983 indica no cânon 1323 quais são as situações em razão das quais o ato praticado não revestirá, do ponto de vista jurídico do direito canônico, a natureza de um delito. O n.º 4 precisa:<em> “Não é punível com nenhuma pena a pessoa que, ao violar uma lei ou um preceito: […] agiu […] impelida pela necessidade, ou para evitar um grave inconveniente, a não ser, todavia, que o ato seja intrinsecamente mau ou cause dano às almas”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cânon seguinte, 1324, precisa no § 1 que “<em>se o delito é intrinsecamente mau ou causa dano às almas”</em>, quem viola a lei <em>“não fica isento de pena, mas a pena prevista pela lei ou pelo preceito deve ser atenuada, ou então uma penitência deve ser substituída, se o delito foi cometido por quem agiu […] impelido pela necessidade ou para evitar um grave inconveniente”</em>. E o § 3 do mesmo cânon precisa ainda que <em>“nas circunstâncias de que trata o § 1, o culpado não é atingido por uma pena latae sententiae”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, portanto, de acordo com o direito da Igreja, quem não respeita a lei não comete nenhum delito punível, desde que seja impelido pela necessidade e que esse desrespeito não equivalha a um ato intrinsecamente mau ou prejudicial às almas. E mesmo que essa equivalência se verificasse, o ato então delituoso não poderia ser sancionado com uma pena <em>latae sententiae</em>, incorrida pelo próprio fato do delito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5. O n.º 7 do cânon 1323 precisa ainda que o ato praticado não revestirá, do ponto de vista jurídico do direito canônico, a natureza de um delito não apenas se foi efetivamente praticado em razão de uma necessidade (n.º 4), mas também se quem o praticou <em>“acreditou que se apresentava uma das circunstâncias previstas no n.º 4”</em> — ou seja, a circunstância de uma necessidade. Em outras palavras, mesmo que se admita não haver necessidade real para justificar o ato, o simples fato de que seu autor o tenha praticado impelido pelo que acreditava ser uma necessidade real é suficiente para excusar do delito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O n.º 8 do § 1 do cânon 1324 diz também que aquele que “<em>por um erro de que é culpável, acreditou que se apresentava uma das circunstâncias de que trata o n.º 4 do cânon 1323</em>”, não fica isento de pena, mas esta deve ser atenuada, ou então uma penitência deve ser substituída. E vale sempre aqui o que é dito no § 3 do mesmo cânon 1324: em tal caso, a pena latae sententiae não é incorrida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6. Assim, portanto, de acordo com o direito da Igreja, quem não respeita a lei não comete nenhum delito punível desde que seja impelido por uma necessidade não apenas real, mas mesmo putativa — isto é, suposta erroneamente em razão de um erro subjetivo —, desde que este não seja culpável, mas acompanhe-se da mais plena boa-fé. E mesmo que o erro fosse culpável, o ato então delituoso não poderia ser sancionado com uma pena <em>latae sententiae</em>, incorrida pelo próprio fato do delito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">7. Mais fundamentalmente ainda, e como não cessa de repetir Dom Davide Pagliarani, na esteira de Dom Lefebvre, a Fraternidade busca o bem da Igreja, que é o bem das almas. E é por isso que ela não leva em conta essa aplicação da lei eclesiástica que pretenderia imputar-lhe um delito e infligir-lhe a pena correspondente. Por quê? Simplesmente porque a lei eclesiástica não pode ser aplicada em detrimento da salvação das almas. E é precisamente para responder à necessidade grave e urgente da salvação das almas que a Fraternidade prevê essas sagrações episcopais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na realidade, não há da parte da Fraternidade nenhum delito, nenhum cisma. Mas apenas o mesmo zelo que permanece inalterado — ainda que assuma ares paradoxais aos olhos do mundo — pela glória de Deus e pela salvação das almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">8. Excomungados? Mas por quem? Por aqueles que recebem a bênção de uma mulher cismática, a arcebispa de Cantuária, Sarah Mullaly? Por aqueles que autorizam a bênção da Fiducia supplicans? E que se ajoelham diante da Pachamama?… As penas, na Igreja, são medicinais. Mas então, a palavra de Nosso Senhor, no Evangelho, não deveria subir aos lábios do católico de boa vontade:<em> “Medice, cura teipsum</em>”(3) (Lc 4, 23)?</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Padre Jean-Michel Gleize, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">Notas:</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span dir="auto">1 &#8211; Foram publicados em junho de 1989 pela <em>Editions du Courrier de Rome</em>, em um livreto separado intitulado </span><em><span dir="auto">La Tradition excommuniée</span></em><span dir="auto">. O estudo ao qual nos referimos aqui aparece nas páginas 51 a 57.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span dir="auto">2 &#8211; Rudolf Kaschewsky (1939-2020), Doutor em Teologia e renomado sinólogo especializado em Budismo e na China, foi professor na Universidade de Bonn de 1974 a 2004. Ele se interessou pelos aspectos canônicos da sagração episcopal devido a eventos bem conhecidos que ocorreram dentro da Igreja na China. Veja seu artigo: &#8220;Zur Frage der Bischofsweihe ohne päpstlichen Auftrag&#8221; na  </span><em><span dir="auto">China heute</span></em><span dir="auto"> . Informações sobre Religião e Cristo no Raum Chinês. Jahrgang VIII (1989), não. 5 (45), pp. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span dir="auto" style="color: #000000;">3 &#8211; &#8220;Médico, cura-te a ti mesmo.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO &#8220;<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>&#8221; COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
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		<title>VÍDEO: GERAÇÃO Z QUESTIONA TEÓLOGO DA FSSPX SOBRE AS SAGRAÇÕES</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2026 17:24:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[Com a aproximação das sagrações episcopais de 1º de julho em Écône, muitos fiéis católicos se perguntam: por que esse ato é considerado legítimo? O que a teologia católica realmente diz sobre a Igreja, a autoridade, a unidade e o estado &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/video-geracao-z-questiona-teologo-da-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/05/1-Nouveaux-sacres-deveques-_-un-theologien-de-la-FSSPX-repond-aux-jeunes-ab-Gleize.jpeg" alt="" width="574" height="331" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span dir="auto">Com a aproximação das sagrações episcopais de 1º de julho em Écône,</span><span dir="auto"><span dir="auto"> muitos fiéis católicos se perguntam: por que esse ato é considerado legítimo? O que a teologia católica realmente diz sobre a Igreja, a autoridade, a unidade e o estado de necessidade? Para responder a essas questões cruciais com clareza, o Pe. Jean-Michel Gleize, professor de eclesiologia, responde às perguntas de quatro jovens fiéis.</span></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8">CLIQUE AQUI</a></span> E ACESSE O VÍDEO COMPLETO</strong></p>
<h2 class="tm6 tm7"></h2>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">Capítulos </span></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">A importância dos sacramentos </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=44s" target="">00:44</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Por que essas sagrações são tão importantes para a Fraternidade? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=100s" target="">01:40</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Como podem dizer que é para a Igreja, se agem contra Roma? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=160s" target="">02:40</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> A FSSPX costume falar sobre &#8220;Operação Sobrevivência&#8221;. O que essa sobrevivência implica ? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=220s" target="">03:40</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> A Igreja ainda se encontra em estado de &#8220;sobrevivência&#8221; hoje? </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">O estado de necessidade </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=342s" target="">05:42</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> O Estado de Necessidade: o que significa realmente esse argumento da Fraternidade? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=415s" target="">06:55</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> A Fraternidade corre o risco de se desviar para o protestantismo? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=477s" target="">07:57</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Por que a Fraternidade rejeita o caminho “Ecclesia Dei”, apesar de sua aparente segurança? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=525s" target="">08:45</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Sacerdotes ordenados sem bispos próprios: por que isso não é suficiente, segundo a Fraternidade ? </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">Os erros do Vaticano II </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=580s" target="">09:40</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Os erros do Vaticano II são realmente decisivos para a sobrevivência da fé? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=680s" target="">11:20</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Existem, para os fieis, sinais concretos desse Estado de Necessidade? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=749s" target="">12:29</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Indefectibilidade da Igreja: A Fraternidade questiona esse dogma? </span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">Quais leis estão sujeitas a exceções? </span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=864s" target="">14:24</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> O Estado de Necessidade justifica tudo? Quais são os seus verdadeiros limites? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1022s" target="">17:02</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Sagrações sem mandato pontifício: oposição ao direito divino ou simplesmente à lei eclesiástica? </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">Cisma ou desobediência? </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1140s" target="">19:00</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Desobediência grave ou cisma? Compreendendo a diferença essencial </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1247s" target="">20:47</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> As sagrações de 1º de Julho são intrinsicamente más? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1282s" target="">21:22</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> O que realmente tornaria uma sagração episcopal cismática? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1317s" target="">21:57</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> A Fraternidade já age como se tivesse jurisdição? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1460s" target="">24:20</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Resistir sem deixar a Igreja: Como distinguir os Bispos da FSSPX dos verdadeiros cismáticos?</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Fé e obediência </span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1586s" target="">26:26</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Fé e Obediência: Em que se baseia, antes de tudo, a verdadeira unidade da Igreja? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1650s" target="">27:30</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Uma Igreja sobrenatural, mas visível: como podemos compreender essa unidade? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1729s" target="">28:49</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> É possível obedecer em detrimento da fé? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1796s" target="">29:56</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> O Papa como princípio visível da unidade: Como podemos conciliar a autoridade com a fidelidade à fé? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1879s" target="">31:19</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Como podemos amar verdadeiramente o Papa em tempos de crise na Igreja? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=1939s" target="">32:19</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Resistir sem se desviar: Como podemos evitar a armadilha do sedevacantismo? </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">Poder de ordem e poder de jurisdição </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=2058s" target="">34:18</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> O Poder da Ordem e o Poder da Jurisdição: A distinção fundamental para compreender as sagrações </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=2243s" target="">37:23</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> O Poder da Ordem e da Jurisdição: por que podem ser distintos apesar de sua união habitual? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=2372s" target="">39:32</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Sagração e missão canônica: por que essa distinção é teologicamente decisiva? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=2441s" target="">40:41</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> O Vaticano II objetificou a distinção entre o Poder da Ordem e a Jurisdição? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=2540s" target="">42:20</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> A crescente autoridade dos leigos na Igreja confirma a distinção entre Ordem e Jurisdição? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=2596s" target="">43:16</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Ordem e Jurisdição: Os elementos essenciais para a compreensão simples dos fiéis </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">Objeções de círculos conservadores e da Ecclesia Dei </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=2639s" target="">43:59</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Cardeal Sarah: qual é o limite fundamental de sua posição? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=2690s" target="">44:50</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Um bispo é definido, antes de tudo, pelo seu poder de jurisdição? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=2831s" target="">47:11</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Padre de Blignières: seu erro diz respeito ao estado de necessidade ou à unidade da Igreja? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3101s" target="">51:41</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> A liturgia da sagração une intrinsecamente ordem e jurisdição? </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">Apoio externo </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3278s" target="">54:38</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> D. Strickland e Mons. Schneider confirmam a análise da Fraternidade? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3353s" target="">55:53</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"><span style="color: #0000ff;"> </span>Apoio externo: reforçam o argumento&#8230; ou apenas aumenta sua visibilidade? </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">Excomunhão </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3385s" target="">56:25</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Ameaça de excomunhão: automática, válida… sem alcance real? </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">1988 e 2026 </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3497s" target="">58:17</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> 1988 e 2026: O que realmente mudou? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3664s" target="">1:01:04</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> 1988 e 2026: O mesmo princípio de transmissão sem jurisdição? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3707s" target="">1:01:47</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> O “cisma de Econe” veiculado pela mídia mascara o verdadeiro debate teológico? </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto">O que um fiel deve lembrar? </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3787s" target="">1:03:07</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Às vésperas de 1º de julho: o essencial que cada fiel deve lembrar. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3845s" target="">1:04:05</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Às vésperas de 1º de julho: que perigo ameaça os fiéis? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3883s" target="">1:04:43</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Que ato concreto de fé é necessário para permanecer verdadeiramente católico hoje? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=3986s" target="">1:06:26</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> O ato de inteligência: que distinção essencial deve ser compreendida para manter a fé? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto" style="color: #0000ff;"><a class="ytAttributedStringLink ytAttributedStringLinkCallToActionColor" style="color: #0000ff;" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=oVLMSZFEip8&amp;t=4043s" target="">1:07:23</a></span><span class="ytAttributedStringLinkInheritColor" dir="auto"> Em 30 segundos: Por que as consagrações de 2026 são necessárias?</span></p>
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		<title>LEÃO XIV E A SRA. MULLALY – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 13:50:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Ecumenismo]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[Tendo permanecido até agora indiferente às iniciativas empreendidas pelo Superior Geral da Fraternidade São Pio X para obter dele uma simples audiência, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano, nesta segunda-feira, 26 de abril, com todas as honras devidas a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/leao-xiv-e-a-sra-mullaly-pelo-pe-jean-michel-gleize/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/image4_4.png?itok=1ApDnbsY" alt="" width="512" height="299" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Tendo permanecido até agora indiferente às iniciativas empreendidas pelo Superior Geral da Fraternidade São Pio X para obter dele uma simples audiência, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano, nesta segunda-feira, 26 de abril, com todas as honras devidas a um arcebispo, a representante oficial do cisma anglicano, que incentiva o lobby LGBT, se declara aberta à possibilidade do aborto e recebeu uma ordenação inválida, perpetrada em desrespeito ao direito divino.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/leon-xiv-et-madame-mullaly-58806">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Uma visita estranha</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Uma mulher atravessa o pátio de São Dâmaso no Vaticano, vestida com uma batina púrpura, uma faixa, um colarinho romano, uma cruz peitoral e um anel episcopal. Cardeais a saúdam, abrem-lhe as portas e a acompanham até o gabinete do Papa. Ela posará ao lado de Leão XIV. Receberá as honras devidas a um primaz. Ela abençoará a todos, conforme o costume dos bispos. A imagem circulará pelas primeiras páginas, abrirá os noticiários televisivos, ficará gravada nos livros de história ecumênica. E a imagem dirá, sem palavras, mas com extrema eloquência, o seguinte: diante dessa pessoa e diante do sucessor de Pedro, os sinais sacramentais são intercambiáveis..</em> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa equivalência visual é falsa. E é falsa de uma forma realmente importante, porque os sinais sagrados não são meros ornamentos protocolares. São o que Santo Agostinho chamava de <em>verba</em> <em>visibilia</em>, palavras visíveis: comunicam uma realidade teológica. [&#8230;] Significam que aquele que os ostenta recebeu, pela imposição de mãos em sucessão apostólica ininterrupta, o poder da ordenação, o caráter sacramental. [&#8230;] Esse poder é, na fé católica, a única razão pela qual o bispo se veste como se veste e abençoa como abençoa. Quando o sinal é separado de seu conteúdo, ele não permanece neutro: torna-se ativo na direção oposta. Informa que o conteúdo nunca importou de fato(1).</span><span id="more-34722"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “<em>Este tipo de gesto não corresponde a um ecumenismo baseado na clareza doutrinal, mas dilui os limites que a própria Igreja precisamente definiu </em>” (2).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim se expressa o site &#8220;<em>Infovaticana</em>&#8220;, um site conservador fundado pelo jornalista espanhol Gabriel Ariza(3). Todos — pelo menos entre aqueles que ainda mantém a fé católica e à razão — concordarão que seria difícil contestar essa afirmação. E o que mais se poderia dizer?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>As origens profundas do anglicanismo: um cisma herético complexo</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mulher que percorreu os corredores do Vaticano no final de abril de 2026 era ninguém menos que Sarah Mullaly, Primaz da Comunhão Anglicana e Arcebispa de Canterbury. Ela foi de fato recebida pelo Papa Leão XIV na manhã de segunda-feira, 27 de abril de 2026. Mas, ainda hoje, permanece à frente de uma pseudoigreja, que na realidade representa uma ruptura com a verdadeira Igreja, uma dupla ruptura de cisma e heresia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Comunhão Anglicana, de fato, teve origem no cisma provocado em 1534 pelo Rei Henrique VIII da Inglaterra (1509-1547) com o Ato de Supremacia, que consistia no princípio da rejeição da jurisdição papal sobre a Igreja da Inglaterra. Pior ainda, sob o reinado do sucessor de Henrique VIII, o jovem Rei Eduardo VI (1547-1553), por instigação do Arcebispo de Canterbury, Thomas Crammer, o Reino da Inglaterra aderiu á heresia protestante. Em 1549, Crammer aboliu a antiga liturgia e compôs o <em>Livro de Oração Comum</em>, ou <em>Livro de Oração</em>, o equivalente ao missal e breviário católicos para os protestantes na Inglaterra. Paralelamente, em 1550, surgiu o novo <em>Ordinal</em> Anglicano , com os ritos de ordenação às ordens sagradas: este é o rito cuja invalidade Leão XIII definiria em 1896. Por fim, ainda em 1552, Crammer publica uma Confissão de Fé em 42 artigos, essencialmente calvinista, com pontos da doutrina luterana, zwingliana e católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após um breve retorno ao catolicismo sob o reinado de Maria Tudor (1553-1558), o Reino da Inglaterra mergulhou definitivamente no cisma e na heresia sob Elizabeth I (1558-1603). Em 1559, a rainha depôs os quinze bispos do reino que se recusaram a prestar juramento de respeito ao Ato de Supremacia. Todos os bispados do reino ficaram vagos. Uma nova hierarquia precisava ser criada. Em 1º de agosto de 1559, Matthew Parker foi eleito Arcebispo de Canterbury pelo capítulo; sua sagração ocorreu em 17 de dezembro de 1559. Seguiu-se uma grande perseguição anticatólica, durante a qual muitos católicos morreram como mártires (entre eles o jesuíta Santo Edmundo Campion). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Ordenações inválidas e pseudo-bispos</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A consagração de Matthew Parker é a origem de toda a hierarquia anglicana e foi declarada inválida pelo Papa Leão XIII em 1896. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os Papas já haviam declarado essa invalidade de forma consistente, muito antes da declaração de Leão XIII, por exemplo, Júlio III em 1554 e Paulo IV em 1555. E até o século XIX, a Igreja sempre exigiu que a pessoa fosse reordenada incondicionalmente e como se o ordenando nunca tivesse recebido nada, visto que os ministros haviam recebido as ordens na comunhão anglicana, segundo o rito de Eduardo VI. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ato solene e infalível que estabelece definitivamente a invalidade de princípio das ordenações anglicanas é a Carta Apostólica <em>Apostolicae curae,</em> de 18 de setembro de 1896.(4) O Papa Leão XIII explica nela que o próprio rito de ordenação desenvolvido e usado pelos anglicanos não é o verdadeiro rito da Igreja. As ordenações conferidas segundo esse rito são, portanto, inválidas por três razões: primeiro, por falta de forma; segundo, por falta de intenção, porque o ministro que usa esse rito não pode ter a intenção exigida, que é fazer o que a Igreja faz, isto é, usar o seu rito; terceiro, por falta de um ministro, visto que, desde a consagração de Matthew Parker, nenhum ministro da Comunhão Anglicana é verdadeiramente sacerdote ou bispo. Embora alguns pseudo-bispos anglicanos tenham conseguido, ao longo dos últimos dois séculos, solicitar e obter uma ordenação válida de bispos cismáticos ortodoxos, o fato é que as ordenações conferidas por esses ministros anglicanos sempre foram inválidas pelos dois primeiros motivos indicados acima.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Leão XIV acumula escândalos</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após o Jubileu Ecumênico, após a viagem à Turquia e a recitação do Credo sem o &#8220;Filioque&#8221;, omitido para não ofender os ortodoxos, o Papa Leão XIV agora se aventura no surreal. Esta visita de Sarah Mullaly vai muito além do escopo de uma simples visita diplomática. Trata-se claramente da visita de uma líder religiosa, recebida como tal por outro líder religioso, o Arcebispo de Canterbury e o Bispo de Roma, dois chefes de Igrejas que se consideram irmãs. Já na Mensagem que lhe dirigiu por ocasião de sua entronização(5), em 20 de março, o Papa expressou reconhecimento oficial da missão da Sra. Sarah, invocando o Espírito Santo por ela em diversas ocasiões e pedindo o Espírito da Sabedoria. Ao fazer isso, Leão XIV dá a impressão de considerar a pseudo-Igreja Anglicana como um instrumento de salvação, na medida em que encoraja a Sra. Mullaly – que não é mais bispa do que Santa Joana d&#8217;Arc – em sua missão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao autorizar também todo este protocolo, que não é apenas um protocolo simples, como nos lembra o site &#8220;Infovaticana&#8221;, o Papa Leão XIV coloca-se em aberta contradição com os seus dois predecessores, Leão XIII, que declarou a invalidade das ordenações anglicanas, e também João Paulo II, que, pela Carta Apostólica <em>Ordinatio sacerdotalis</em> de 22 de maio de 1994, condenou a possibilidade de ordenar mulheres às funções sagradas do sacerdócio(6).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O estado de necessidade</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os últimos escrúpulos que ainda poderiam fazer hesitar certas consciências, desde que o Superior Geral da Fraternidade São Pio X anunciou novas sagrações episcopais para o próximo dia 1º de julho, não devem encontrar aqui motivo para preocupação. Sem dúvida, sim, a operação prevista pela Fraternidade apresenta um aspecto um tanto paradoxal, já que envolve a sagração de bispos contra a vontade do Papa. Mas não é o paradoxo mais escandaloso, por parte do Papa Leão XIV, essa atitude que leva a complacência ecumênica além dos seus limites? Que credibilidade poderia o Sumo Pontífice encontrar, depois disso, em excomungar aqueles que desejam permanecer fiéis ao ensinamento de Leão XIII, que declarou inválidas as ordenações anglicanas? Ou mesmo ao de João Paulo II, que declarou impossível ordenar mulheres bispas? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Será que as coroações de 1º de julho levarão Leão XIV a demonstrar um rigor e uma severidade nunca antes vistos nele? Alguns já o profetizam (7). Se assim fosse, ele traria sobre a santa Igreja de Deus, já profundamente afligida pelas consequências incessantes e cada vez piores do Concílio Vaticano II, o escândalo indizível de uma injustiça flagrante. Tendo permanecido até então surdo aos pedidos de D. Davide Pagliarani por uma simples audiência, o Papa recebe com todas as honras devidas a um arcebispo a representante oficial do cisma anglicano, que apoia o movimento LGBT, que se declara aberta à possibilidade do aborto(8) e que recebeu uma ordenação inválida, perpetrada em desrespeito ao direito divino.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Padre Jean-Michel Gleize, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO &#8220;<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>&#8221; COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<ul>
<li><a href="https://infovaticana.com/fr/2026/04/26/qui-est-sarah-mullally-la-eveque-recue-avec-honneurs-a-rome/">https://infovaticana.com/fr/2026/04/26/qui-est-sarah-mullally-la-eveque-recue-avec-honneurs-a-rome/</a></li>
<li><a href="https://infovaticana.com/fr/2026/04/25/polemique-benediction-de-sarah-mullally-au-vatican-avant-sa-reunion-avec-le-pape/">https://infovaticana.com/fr/2026/04/25/polemique-benediction-de-sarah-mullally-au-vatican-avant-sa-reunion-avec-le-pape/</a></li>
<li>Gabriel Ariza não goza de boa reputação no Vaticano: <a href="https://benoit-et-moi.fr/archives/2018/actualite/vatican-vs-infovaticana.html">https://benoit-et-moi.fr/archives/2018/actualite/vatican-vs-infovaticana.html</a></li>
<li><a href="https://www.vatican.va/content/leo-xiii/la/apost_letters/documents/litterae-apostolicae-apostolicae-curae-13-septembris-1896.html">https://www.vatican.va/content/leo-xiii/la/apost_letters/documents/litterae-apostolicae-apostolicae-curae-13-septembris-1896.html</a></li>
<li><a href="https://www.vatican.va/content/leo-xiv/fr/messages/pont-messages/2026/documents/20260320-arcivescovo-canterbury.html">https://www.vatican.va/content/leo-xiv/fr/messages/pont-messages/2026/documents/20260320-arcivescovo-canterbury.html</a></li>
<li><a href="https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/fr/apost_letters/1994/documents/hf_jp-ii_apl_19940522_ordinatio-sacerdotalis.html">https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/fr/apost_letters/1994/documents/hf_jp-ii_apl_19940522_ordinatio-sacerdotalis.html</a></li>
<li><a href="https://tribunechretienne.com/le-pape-leon-xiv-serait-pret-a-excommunier-la-fraternite-saint-pie-x/">https://tribunechretienne.com/le-pape-leon-xiv-serait-pret-a-excommunier-la-fraternite-saint-pie-x/</a></li>
<li><a href="http://www.belgicatho.be/archive/2025/10/04/une-femme-soutenant-l-avortement-et-la-cause-lgbt-nommee-nou-6565177.html">http://www.belgicatho.be/archive/2025/10/04/une-femme-soutenant-l-avortement-et-la-cause-lgbt-nommee-nou-6565177.html</a><br />
Sarah Mullally expressou suas opiniões pró-aborto em um blog, onde escreveu em 2012: “<em>Acho que descreveria minha abordagem a essa questão como pró-escolha em vez de pró-vida(sic), embora, se fosse um espectro, eu me colocaria em algum lugar entre pró-vida em relação à minha própria escolha e pró-escolha em relação à escolha de outros, se isso fizer sentido</em>.”</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>PADRE DE BLIGNIÈRES E A UNIDADE DA IGREJA &#8211; PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 14:28:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[A unidade da Igreja se baseia, em primeiro lugar, na fé, e não na obediência. Inverter esses princípios equivale a transformar a autoridade papal numa tirania. Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Desde o anúncio das sagrações ocorrido &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/padre-de-blignieres-e-a-unidade-da-igreja-pelo-pe-jean-michel-gleize/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/09/Saint-Pierre-Ingres.jpg" alt="" width="365" height="387" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A unidade da Igreja se baseia, em primeiro lugar, na fé, e não na <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/obediencia-e-desobediencia/">obediência</a></span>. Inverter esses princípios equivale a transformar a autoridade papal numa tirania.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/rapports-rome-fsspx/le-pere-de-blignieres-et-lunite-de-leglise">La Porte Latine</a> </span>– Tradução:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/obediencia-e-desobediencia/"> Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde o anúncio das sagrações ocorrido no último dia 2 de fevereiro, o padre de Blignières ataca, com força redobrada, a Fraternidade São Pio X<a style="color: #000000;" href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>. De acordo com ele, as sagrações episcopais de 1º de julho serão <span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-cisma/">cismáticas</a></strong></span> e passíveis, como tais, da excomunhão <em>latae sententiae</em>. Ora, não o são, com toda a certeza, porque representam a medida excepcional à qual é legítimo recorrer em razão de um estado de necessidade bem óbvio para que ele precise ser demonstrado. Bem óbvio também para que seja possível demonstrar sua não existência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não obstante, de que meio o padre de Blignières se dota para concluir pelo <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-cisma/"><strong>cisma</strong></a></span>?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Duas estratégias lhe continuam viáveis. A primeira consiste em minimizar o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-estado-de-necessidade-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/"><strong>estado de necessidade</strong> </a></span>para concluir, daí, que ele não beira ao ponto de exigir a medida tão excepcional que as sagrações episcopais representam. A segunda consiste em invocar canonicamente o direito divino: ainda que o estado de necessidade exigisse a medida excepcional supramencionada, não deixaria de ser menos ilegítima e, portanto, impossível, porque consagrar bispos em contradição com a vontade do Papa seria contrário ao direito divino.</span><span id="more-34538"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira estratégia – que prega a convertidos – é manifestada pelo padre de Blignières nas colunas desta confortável e tranquilizadora revista que se tornou a <em>Famille chrétienne</em>. A segunda estratégia, suscetível de atingir os eclesiasticistas eventualmente hesitantes, apresenta, na revista <em>Sedes sapientiae</em>, todos os recursos do direito canônico e da teologia, no padrão Vaticano II. Desses recursos, aliás, demonstramos a inanidade<a style="color: #000000;" href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Indicamos aqui apenas a ideia mestra da entrevista publicada na <em>Famille chrétienne</em>: ela cobre seu autor com a mais avassaladora vergonha. Como pode acusar a Fraternidade São Pio X de não <em>“se importar mais com a unidade da Igreja”</em>? A verdadeira unidade da Igreja se baseia, inicialmente, e antes de tudo, na fé, assim como ensina o Papa Pio XI na Encíclica <em>Mortalium animos</em>: “Porque a caridade se apoia na fé integra e sincera como em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal.” O vínculo principal, ou seja, o elo que é, por si, o fundamento da unidade de governo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, que faz o Papa Leão XIV com este ecumenismo e este diálogo inter-religioso que ocultam cada vez mais, ao ponto de enfraquecer, o vínculo principal da unidade da Igreja? Que fizeram antes dele todos os seus predecessores desde o Vaticano II? Na verdade, separaram os católicos da Igreja, sob o pretexto de agradar aqueles que dela estão separados. Com efeito, devemos aplicar-lhes as próprias palavras do Papa Leão XIII, que condena o indiferentismo em sua Carta Apostólica <em>Testem benevolentiae</em>: “<em>Longe de nós diminuir ou suprimir, por qualquer motivo, qualquer doutrina que tenha sido transmitida. Tal política tenderia a separar os católicos da Igreja, em vez de atrair aqueles que discordam.</em>” De tanto omitirem ou minimizarem os pontos doutrinais que diferenciam os católicos daqueles que não o são, de tanto quererem se abrir ao mundo, tal como tem ocorrido desde 1789, todos esses Papas, de Paulo VI a Leão XIV, mereceram essa recriminação lançada injustamente pelo padre de Blignières na face da Fraternidade São Pio X. Não, não é ela, mas sim Leão XIV e seus predecessores desde o Vaticano II que parecem <em>“não se importar mais com a unidade da Igreja”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na realidade, a Fraternidade São Pio X, mais do que qualquer outro, tem uma grande preocupação com a unidade da Igreja, em uma época onde as verdades mais elementares da fé católica são cada vez mais desconhecidas pelos católicos, de tanto serem colocadas debaixo do alqueire pelas mais altas autoridades na Igreja, pelo Papa e pela maioria dos bispos. E essa constatação não é feita apenas por nós, mas também por Dom Schneider, cuja palavra é ouvida cada vez mais como o eco daquela sustentada por Dom Lefebvre em seu tempo. Que lhe retrucará o padre de Blignières? Deveríamos ver nas afirmações sustentadas pelo bispo auxiliar de Astana, a exemplo daquelas sustentadas atualmente pela Fraternidade São Pio X, uma <em>“maximização irracional das críticas”</em> que Dom Lefebvre outrora dirigia ao Concílio e à reforma litúrgica? Certamente, não. Pelo contrário, é o padre de Blignières que denigre injustamente a Fraternidade ao minimizar a realidade do estado de necessidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nas palavras do bom padre, a Fraternidade se fixara <em>“progressivamente em uma separação voluntária cada vez mais radical”</em>. Porém, separação de quem e de quê?… Obviamente, não separação da unidade da Igreja, mas separação dos erros que prejudicam essa unidade. A separação justificada com as orientações dos homens da Igreja não equivale de forma alguma a se separar da Igreja. Todos os teólogos o atestam. <em>“O cisma”</em>, diz o Dicionário de Teologia Católica para resumir sua concepção<a style="color: #000000;" href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>, <em>“é uma separação ilegítima </em>(sublinhada em itálico no texto)<em> da unidade da Igreja”</em>, pois <em>“poderia haver uma separação legítima, como se alguém recusasse a obedecer ao Papa, este ordenando uma coisa má ou indevida. […] Haveria aqui uma separação da unidade puramente exterior e putativa”</em>, em outras palavras, uma separação aparente, mas não real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ideia que o padre de Blignières se faz da unidade da Igreja surge então em toda sua falsidade: não é mais a unidade de fé, é uma pseudo unidade baseada na obediência absoluta ao Papa. De tanto insistir na necessidade dessa obediência, acabam por menosprezar a extrema gravidade de todas as iniciativas que escandalizam cada vez mais os membros da Igreja em sua fé e costumes. A fé é preterida pela obediência, e, de modo equivalente, a autoridade de Deus sobrevêm àquela dos homens da Igreja. Acontece como se o Papa não fosse mais o que deve ser – não mais o vigário de Cristo, encarregado de transmitir a única palavra da Única verdade – mas um homem revestido da mais absoluta autoridade para impor todos os caprichos de sua teologia pessoal. Em termos precisos, um verdadeiro tirano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao acusar a Fraternidade de não se importar mais com a unidade da Igreja, tal como a concebe, o padre de Blignières encoraja essa tirania.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Jean Michel Gleize, FSSPX</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Uma outra resposta do Pe. Gleize ao Pe. Blignières pode ser vista nos links abaixo:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-prejudicaram-um-elemento-essencial-da-fe-catolica-a-unidade-da-igreja/">PARTE 1: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988 PREJUDICARAM UM ELEMENTO ESSENCIAL DA FÉ CATÓLICA: A UNIDADE DA IGREJA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-realizadas-por-d-lefebvre-em-1988-representam-um-ato-de-natureza-cismatica/">PARTE 2: AS SAGRAÇÕES REALIZADAS POR D. LEFEBVRE EM 1988 REPRESENTAM UM ATO DE NATUREZA CISMÁTICA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-o-dilema-ecclesia-dei/">PARTE 3: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988: O DILEMA ECCLESIA DEI</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1) Artigo intitulado: “A communion hiérarchique des évêques est-elle de droit divin?”, publicado na edição 174, de dezembro de 2025, da revista Sede sapientiae e disponibilizada no site dessa revista em 4 de fevereiro de 2026. “Entrevista” publicada no site da Famille chrétienne, em 13 de fevereiro de 2026. Artigo intitulado: “Les sacres de la Fraternité sacerdotale Saint Pie X: une usurpation de juridiction”, disponibilizado no site da revista Sedes sapientiae em 21 de fevereiro de 2026 e republicado no site Claves da Fraternidade São Pedro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(2) Ver em particular a edição do Courrier de Rome de junho de 2025.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(3) Artigo “Cisma” no Dictionnaire de Théologie catholique, tomo XIV, primeira parte, Letouzey et Ané, 1939, col. 1302.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>“ONDE ESTÁ O CISMA?”, PELO PADRE JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 12:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
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		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[O cisma existe de fato. Mas não está onde alguns acreditam vê-lo. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio O anúncio das sagrações episcopais, previstas para o próximo dia 1º de julho, não deixou ninguém &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/onde-esta-o-cisma-pelo-padre-jean-michel-gleize-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/02/IT575447B.jpg" alt="" width="516" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O cisma existe de fato. Mas não está onde alguns acreditam vê-lo.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/rapports-rome-fsspx/ou-est-le-schisme">La Porte Latine</a> </span>&#8211; Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/a-casa-geral-da-fsspx-anuncia-futuras-sagracoes/">anúncio das sagrações episcopais</a></span>, previstas para o próximo dia 1º de julho, não deixou ninguém indiferente. Especialmente porque a Carta endereçada em 18 de fevereiro passado ao Cardeal Fernández pelo Superior Geral da Fraternidade permaneceu, até agora, sem qualquer reação por parte de Roma. Diante deste silêncio de Roma, bispos se pronunciam: uns para censurar a iniciativa das sagrações, outros para justificá-la e defendê-la contra as censuras incorridas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As declarações de Dom Schneider são agora bem conhecidas.<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/d-athanasius-schneider-revela-detalhes-de-sua-audiencia-com-leao-xiv-e-fala-sobre-a-fsspx/"> Recebido em audiência em 18 de dezembro de 2025 pelo Papa Leão XIV, o bispo auxiliar de Astana já havia pleiteado a causa da Fraternidade São Pio X</a></span>. Posteriormente, em uma entrevista concedida em 17 de fevereiro ao jornalista Robert Moynihan, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/rome-et-la-fraternite-mgr-schneider-repond-au-cardinal-fernandez-57406">Dom Schneider opôs-se firmemente às declarações feitas pelo Cardeal Fernández</a> </span>ao Superior Geral da Fraternidade São Pio X durante o encontro de 12 de fevereiro — declarações tornadas públicas, pelas quais o Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé pretendia impor à Fraternidade a retomada de um diálogo que já se previa sem saída, e que teria como único efeito tangível adiar sine die a data das sagrações episcopais, em grande detrimento da salvação das almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 24 de fevereiro, Dom Schneider tornou público um &#8220;<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/exclusivo-d-athanasius-schneider-apela-ao-papa-leao-xiv-para-que-construa-uma-ponte-entre-roma-e-a-fsspx/">Apelo fraterno dirigido ao Papa Leão XIV</a></span>&#8220;: &#8220;<em>A Santa Sé</em>&#8220;, declara ele, &#8220;<em>deveria estar grata à FSSPX, pois ela é atualmente quase a única entidade eclesiástica de relevo a sublinhar aberta e publicamente a existência de elementos ambíguos e incorretos em certas declarações do Concílio e no Novus Ordo Missae. Nesta empreitada, a FSSPX é guiada por um amor sincero à Igreja: se não amasse a Igreja, o Papa e as almas, não empreenderia este trabalho, nem dialogaria com as autoridades romanas — e sua vida seria, sem dúvida, mais fácil&#8221;</em>. E concluiu que o Papa deveria conceder sem condições o mandato apostólico para as sagrações episcopais de 1º de julho de 2026. Por fim, em 9 de março passado, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-schneider-les-consecrations-episcopales-la-fsspx-ne-seront-aucun-cas-schismatiques-57822">em uma longa entrevista concedida ao jornalista Andreas Wailzer no canal de YouTube Kontrapunkt</a></span>, Dom Schneider afirma categoricamente que as sagrações episcopais não serão cismáticas, pois são a reação necessária e legítima exigida pela salvação das almas por parte da Fraternidade São Pio X.</span><span id="more-34504"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por sua vez, Dom Strickland, bispo emérito de Tyler,<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-strickland-loue-hautement-mgr-lefebvre-49411">já se tornara conhecido por seu elogio enfático a Dom Lefebvre e à Declaração de 21 de novembro de 1974</a></span>. Não contente em reconhecer o estado de necessidade na Igreja e justificar a atitude da Fraternidade São Pio X, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/uma-carta-de-dom-joseph-strickland/">o prelado dos Estados Unidos chega a legitimar as futuras sagrações episcopais anunciadas por Dom Davide Pagliarani</a></span>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estes dois prelados reconhecem, ambos, o estado de grave necessidade que assola a Igreja desde o Vaticano II. E, fato notável, ambos remontam também às causas profundas desta situação. Segundo eles, a crise generalizada que afeta toda a Igreja não se explica apenas por simples abusos provenientes de uma má aplicação das reformas empreendidas pelo Concílio ou na dependência deste. A crise encontra, antes de tudo, sua verdadeira explicação nas próprias reformas, na nova doutrina social baseada no falso princípio da liberdade religiosa, na nova eclesiologia ecumenista, na concepção colegialista e sinodalizante do governo da Igreja e na nova liturgia protestantizada. Assim, ambos os prelados dão inteira razão à obra empreendida por Dom Lefebvre para assegurar a sobrevivência da Igreja através da sobrevivência de seu sacerdócio. Sobrevivência da unidade da Igreja, contra todas as forças de dissolução que a ameaçam cada vez mais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De outro lado, seguindo o Cardeal Sarah, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://lesalonbeige.fr/fsspx-mgr-eleganti-conteste-linterpretation-de-mgr-schneider/">Dom Eleganti acaba de se manifestar</a></span> para denunciar &#8220;um estado de espírito e um comportamento cismáticos&#8221; na vontade de realizar as sagrações episcopais previstas para o próximo 1º de julho. Seu discurso apresenta-se como um desmentido ao de Dom Schneider. No entanto, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-eleganti-critique-fortement-vatican-ii-et-la-nouvelle-liturgie-54923">embora crítico como este último em relação às reformas oriundas do Concílio Vaticano II</a></span> (<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-eleganti-vatican-ii-ou-le-printemps-annonce-qui-na-jamais-eu-lieu-56019">leia também aqui</a></span>), o antigo bispo auxiliar de Coira recua diante das medidas de exceção a serem tomadas para garantir a sobrevivência da Igreja em sua fé e em seus costumes, face à corrupção generalizada da doutrina e da moral.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas onde está o cisma? &#8220;De acordo com o cânon 1325 do Código de Direito Canônico de 1917, no § 2&#8243;, explica o especialista em direito canônico Raoul Naz[1], o cisma atenta contra a unidade da Igreja &#8220;<em>porque supõe uma recusa sistemática e habitual de dependência. Ao contrário, a desobediência pode ser apenas um ato passageiro, sem que seu autor conteste de modo algum a autoridade da lei ou do legislador, ou queira subtrair-se a ela de forma habitual&#8221;</em>. Ora, é claro e comprovado que nem Dom Lefebvre nem seus sucessores à frente da Fraternidade jamais quiseram separar-se da unidade da Igreja, pois nunca quiseram recusar o princípio mesmo da dependência em relação a Roma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a Fraternidade é cismática, por que então todos esses contatos da Fraternidade com o Vaticano, com Roma? Por que, após a eleição de Leão XIV, o Superior Geral da Fraternidade escreveu ao Papa pedindo para encontrá-lo? Portanto, não apenas a Fraternidade nunca quis separar-se da unidade da Igreja em sua intenção, mas também, independentemente dessa boa intenção, o ato em si da sagração episcopal, tomado isoladamente e embora realizado aparentemente contra a vontade de Roma, não representa um cisma. Há cisma apenas se o bispo que sagra outros bispos tem a pretensão de lhes dar autoridade para governar, pois isso somente o Papa pode fazer. Sagrar bispos, mesmo contra a vontade do Papa, sem lhes conferir jurisdição, não é fazer um cisma, pois não é recusar em seu princípio o poder do Papa, que é a fonte da jurisdição. Dom Eleganti confunde tudo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cisma existe de fato. Mas não está onde Dom Eleganti acredita vê-lo. E está onde ele não o vê. O cisma é esse ecumenismo desenfreado perseguido com uma obstinação terrível pelo Papa Leão XIV. O que atenta gravemente contra a unidade da Igreja, com efeito, não são as sagrações de Ecône, é o ecumenismo, é o diálogo inter-religioso. Pois, tomadas em si mesmas, estas iniciativas supõem todas que a dependência em relação a Deus não passa necessariamente pela dependência em relação ao Vigário de Cristo, que é o Papa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em dezembro passado, durante sua viagem ao Líbano, o Papa Leão XIV disse, dirigindo-se ao mesmo tempo a cristãos católicos e muçulmanos: &#8220;Vossa presença aqui hoje, neste lugar notável onde os minaretes e as torres das igrejas se erguem lado a lado, mas ambos se elevam para o céu, testemunha a fé inabalável desta terra e a devoção sem falhas de seu povo ao Deus único. Aqui, nesta terra amada, que cada som de sino, cada adhān, cada apelo à oração se funda e se eleve em um só hino, não apenas para glorificar o Criador misericordioso do céu e da terra, mas também para elevar uma oração sincera pelo dom divino da paz&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Onde está o cisma?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">Nota:</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] Raoul Naz (1889–1977) é o especialista incontestado em Direito Canônico no século XX, autor de um clássico Dicionário de Direito Canônico, Letouzey et Ané, 1965, no sétimo volume do qual (col. 886 e seguintes) figura o verbete “Cisma”, do qual extraímos as seguintes considerações</span></p>
<p style="text-align: center;">***************************************</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO “ESPECIAL DOS ESPECIAIS” SOBRE TEMAS COMO CISMA, OBEDIÊNCIA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
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		<title>ORDEM E JURISDIÇÃO: O VATICANO NA ENCRUZILHADA &#8211; PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 12:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio O cardeal Marc Ouellet, prefeito emérito do Dicastério para os Bispos, reflete sobre a nomeação de leigos para cargos de autoridade no seio da Cúria Romana, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/ordem-e-jurisdicao-o-vaticano-na-encruzilhada-pe-jean-michel-gleize-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/11/FR405067B.jpg" alt="" width="455" height="308" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/ordre-et-juridiction-le-vatican-a-la-croisee-des-chemins?feed_id=6108">La Porte Latine</a></span> – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cardeal Marc Ouellet, prefeito emérito do Dicastério para os Bispos, reflete sobre a nomeação de leigos para cargos de autoridade no seio da Cúria Romana, perguntando-se se se trata de uma concessão a ser revista ou de um avanço eclesiológico[1].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A reflexão impõe-se de fato, e deve ser espinhosa, no contexto criado pelo anúncio das consagrações episcopais previstas para o próximo 1º de julho, em Ecône. Qual é a dificuldade a resolver? Demos aqui a palavra ao cardeal Ouellet, a quem devemos reconhecer o grande mérito de uma inteira lucidez:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre as decisões audaciosas do Papa Francisco, deve-se contar a nomeação de leigos e de religiosas para cargos de autoridade habitualmente reservados a ministros ordenados, bispos ou cardeais, nos dicastérios da Cúria Romana. O Papa justificou essa inovação pelo princípio sinodal, que chama a uma participação acrescida dos fiéis na comunhão e na missão da Igreja. Essa iniciativa, contudo, choca-se com o costume ancestral de confiar as posições de autoridade a ministros ordenados.</span><span id="more-34378"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É precisamente aqui que começa a dificuldade. De onde vem esse “costume ancestral”? Precisamente, embora “ancestral”, trata-se apenas de um “costume”, isto é, de uma maneira de agir que não está necessariamente ligada à constituição divina da Igreja. Pois, em si mesmo, o poder de jurisdição é outro que o poder de ordem e essencialmente distinto deste, tanto na sua definição formal ou em razão do seu objeto quanto na sua origem ou em razão da causa que o faz existir em um sujeito determinado. O poder de ordem, que é o poder de conferir os sacramentos, é obtido pelo rito de uma consagração[2], ao passo que o poder de jurisdição, que implica o poder de governar, é obtido por um ato da vontade do Papa, designado como “missão canônica”. O costume ancestral quer que, em regra geral, seja um mesmo sujeito que receba ordinariamente um e outro poder: ordinariamente, o poder de governar é atribuído a ministros ordenados, e os ministros ordenados recebem um poder de governar, poder ordinário no caso do bispo ou delegado no caso dos demais ministros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se nos mantivermos nessa lógica, então, sim, permanece sempre possível — porque não absolutamente contrário à constituição divina da Igreja (seja conveniente ou não, o que é outra questão) — confiar, na santa Igreja de Deus, o poder de governar a sujeitos que não sejam ministros ordenados, isto é, a simples clérigos, a simples leigos, inclusive mulheres. Mas isso supõe, evidentemente, como lembrado acima, que o dito poder de jurisdição não decorra de modo algum nem da consagração episcopal nem, muito menos, da ordenação sacerdotal. E isso o supõe necessariamente, de tal modo que, se se postula que o rito da consagração episcopal confere ao mesmo tempo os dois poderes, a ordem e a jurisdição, torna-se absolutamente impossível — por ser contrário ao direito divino — confiar cargos de autoridade na Igreja a outros que não ministros ordenados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim como o seu confrade, o cardeal Ghirlanda, o cardeal Ouellet encontra-se, portanto, no tear, e com ele toda a orientação sinodalista da Igreja conciliar, o falecido Papa Francisco incluído. E o suplício desse cruel dilema é tanto mais dilacerante quanto, precisamente, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que acaba de anunciar, pela voz de seu Superior Geral, a intenção de realizar consagrações episcopais, pretende justificar e legitimar esse gesto apoiando-se na distinção essencial e radical lembrada acima: em plena conformidade com o direito divino da constituição da Igreja, permanece sempre possível conferir o poder de ordem episcopal, mediante o rito de uma consagração, sem alimentar minimamente a pretensão — que seria abusiva e cismática — de conferir ao mesmo tempo o poder de jurisdição, cuja atribuição depende pura e simplesmente de um ato da vontade do Papa, e somente dele. A lógica seguida pela Fraternidade é a de toda a Tradição da Igreja, hoje depreciativamente qualificada de “pré-conciliar”, lógica à qual se opõe formalmente a nova eclesiologia do Vaticano II, na medida em que postula, no número 21 da constituição Lumen gentium, que a jurisdição é conferida pelo próprio ato da consagração episcopal, cabendo à intervenção do Papa apenas moderar o seu exercício. Daí decorre que se torna impossível, se se quiser permanecer coerente — e obediente! — a essa nova eclesiologia do Concílio, realizar “a nomeação de leigos e de religiosas para cargos de autoridade habitualmente reservados a ministros ordenados, bispos ou cardeais, nos dicastérios da Cúria Romana”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os herdeiros do Papa Francisco e, com ele, do Concílio, chegam a uma contradição inevitável: ou vão até o fim do seu sinodalismo, exigido pela lógica profunda da Lumen gentium, e, para isso, devem apoiar-se na lógica “pré-conciliar” invocada pela Fraternidade São Pio X para justificar as sagrações; ou então se afastam dessa lógica anterior ao Vaticano II para permanecer fiéis — e obedientes — à sua nova eclesiologia, e assim ter como qualificar de cismáticas as sagrações previstas na Fraternidade, mas isso também os impede de levar até o fim a lógica do Vaticano II, desembocando no sinodalismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cardeal Ouellet julga sair do impasse invocando uma “atenção renovada à ação do Espírito Santo”, o que não convencerá ninguém. “Não se trata aqui de sutilezas”, observa o site reputado conservador Infovaticana, que intitula (maliciosamente?): Os cardeais Ghirlanda e Ouellet pensam como a Fraternidade São Pio X[3]. “Pois a Fraternidade São Pio X defende, no que se refere à LG 21, a mesma posição pré-conciliar que Ghirlanda e Ouellet. Evidentemente, os objetivos são diferentes. Os cardeais querem impor a justiça de gênero na Igreja. A Fraternidade São Pio X quer legitimar as consagrações episcopais previstas. Mas no ponto em que ambos concordam é este: a jurisdição é transferida pelo Papa por via legal, sem que o sacramento da ordem seja necessário (ver o anexo II da carta de 18 de fevereiro de 2026). A Fraternidade São Pio X não se baseia em carismas quiméricos, como Ouellet, mas numa visão pré-conciliar que, de fato, foi defendida por teólogos e Papas: o sacramento da ordem era considerado conferido com a ordenação sacerdotal. Os bispos recebiam então a jurisdição do Papa, o que os tornava bispos diocesanos”. O mesmo site pretende lançar descrédito sobre essa disciplina anterior ao Vaticano II, contudo solidamente enraizada na Tradição doutrinal do Magistério. Pio XII recorda, com efeito, na encíclica Mystici Corporis de 1943, que os bispos recebem a sua jurisdição “imediatamente do Sumo Pontífice”. Nisso, e ao contrário do que afirma o Infovaticana, os bispos não se veem de modo algum transformados “em vigários do Papa, por assim dizer, em seus gerentes de filial”. Esquece-se um pouco depressa que, não sendo o Papa senão o Vigário de Cristo, o seu poder é essencialmente o próprio poder de Cristo: os bispos recebem, portanto, o seu poder de jurisdição como uma participação equivalente tanto no poder do Papa quanto no de Cristo, sendo ambos o mesmo poder. Nesse sentido, não seriam também os bispos, ainda que de outro modo, “vigários de Cristo”?…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas se todos os bispos, inclusive o bispo de Roma, recebem a sua jurisdição pela sua sagração, vê-se mal como os bispos seriam “vigários de Cristo” de maneira diferente do bispo de Roma. Seriam todos Papas, enquanto membros do mesmo Colégio? Ora, para magnificar o Colégio a ponto de fazê-lo o verdadeiro sujeito do poder supremo na Igreja, uma tal concepção coloca um sério obstáculo à sinodalidade e à promoção dos leigos a cargos de autoridade na mesma Igreja. O único meio de legitimar esta última seria aderir às posições eclesiológicas defendidas pela Fraternidade São Pio X.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Os novos hiperpapalistas do Vaticano”, observa o site já citado, “em acordo com a Fraternidade São Pio X, deixam igualmente de lado o sacramento da ordem e afirmam que a nomeação pelo Papa é a única coisa decisiva para exercer a potestas sacra. O Papa Francisco o colocou em prática. Como se sabe, era considerado progressista. Contudo, neste ponto, parece que era um reacionário pré-conciliar, assim como os cardeais mencionados. Tudo isso se torna ainda mais grotesco se se leva em conta que o Papa Francisco pregava ao mesmo tempo o sinodalismo, o que evoca um formato participativo. É praticamente o contrário do que significa a derivação de toda a jurisdição da superpotestas papal. Esse processo torna-se ainda mais grotesco se se considera o ataque ao direito canônico, que não cessou desde o Concílio Vaticano II: Igreja do amor em vez de Igreja do direito. Pois isso significa precisamente a judicialização total da Igreja quando o sacramento da ordem se torna um acessório que não é necessário para governar a Igreja”. Dito e feito…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A conclusão parece difícil de evitar: “O Papa Leão XIV deve agora decidir se o Concílio Vaticano II permanece válido ou não numa questão dogmática decisiva. E deve agir em consequência. Se der um passo atrás em relação ao Concílio Vaticano II — como, infelizmente, parece que o fará —, não ficará pedra sobre pedra. Pois como poderá exigir de modo credível a obediência ao Concílio Vaticano II — diante da Fraternidade São Pio X e de muitos outros — se ele próprio lhe desobedece?”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Todo reino dividido contra si mesmo perecerá[4]”: a nova eclesiologia do Vaticano II encerra em si mesma os germes da sua autodestruição. A Fraternidade São Pio X, por sua vez, encontra na sua fidelidade à eclesiologia tradicional o meio de assegurar a operação de sobrevivência, tão necessária para a salvação das almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Notas:</span></strong></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.vaticannews.va/fr/vatican/news/2026–02/cardinal-ouellet-laics-curie-romaine-eveques-synode.html">https://www.vaticannews.va/fr/vatican/news/2026–02/cardinal-ouellet-laics-curie-romaine-eveques-synode.html</a></span></li>
<li><span style="color: #000000;">Esse rito é certamente o de um sacramento para o diaconato e o presbiterato; a questão de saber se o é também para o episcopado permanece teologicamente em aberto.</span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://infovaticana.com/fr/2026/02/23/les-cardinaux-ghirlanda-et-ouellet-pensent-comme-la-fraternite-saint-pie-x/">https://infovaticana.com/fr/2026/02/23/les-cardinaux-ghirlanda-et-ouellet-pensent-comme-la-fraternite-saint-pie-x/</a></span></li>
<li><span style="color: #000000;">Mateus 12,25</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>BREVE CONSIDERAÇÃO SOBRE O CORAÇÃO DOLOROSO E IMACULADO DE MARIA</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 14:17:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;É preciso compreendermos bem o papel da mulher no pecado para compreendermos bem o seu papel na Redenção. Eva explica Maria&#8221; Thomas Dehau, op, Eve e Marie, 1950, p. 76. Pelo Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX Fonte: La Porte Latine &#8211; &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/breve-consideracao-sobre-o-coracao-doloroso-e-imaculado-de-maria/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://fsspx.news/sites/default/files/fsspxactualites/fsspxnews/galeries/5_coeur_immacule_marie.jpg" alt="Happy Feast of the Immaculate Heart of Mary | FSSPX News" width="449" height="347" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span class="tm7" style="color: #000000;">&#8220;É preciso compreendermos bem o papel da mulher no pecado para compreendermos bem o seu papel na Redenção. Eva explica Maria&#8221;</span></em></strong></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm8">Thomas Dehau, op, Eve e Marie, 1950, p. 76.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pelo Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX</strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/doctrine/breve-consideration-sur-le-coeur-immacule-et-douloureux-de-marie">La Porte Latine </a></span><span style="color: #000000;">&#8211; Tradução:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Em 8 de dezembro de 1854, na Constituição Apostólica </span><em><span class="tm10">Ineffabilis Deus</span></em><span class="tm9">, o Papa Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição; em 2 de fevereiro de 1904, na encíclica </span><em><span class="tm10">Ad diem illum</span></em><span class="tm9">, o Papa São Pio X ensinou que a Mãe de Deus estava associada ao seu Filho no ato redentor de toda a humanidade; em 11 de outubro de 1954, na encíclica </span><em><span class="tm10">Ad caeli reginam,</span></em><span class="tm9"> o Papa Pio XII baseou-se nesse duplo ensinamento de seus predecessores para declarar que a Mãe de Deus também compartilha a realeza de seu Filho sobre todas as almas. Assim, por mais de um século e meio, os papas prepararam o caminho para uma futura definição dogmática: espera-se que estas possam oferecer à fé de toda a Igreja Católica o que seria o dogma da Mediação Universal da Santíssima Virgem Maria. </span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Essa solene afirmação chegaria no momento oportuno para dissipar todas as ambiguidades decorrentes do Concílio Vaticano II. De fato, uma das consequências desse ecumenismo, que inspira a nova teologia, é a rejeição, mais ou menos velada da ideia de mediação. No caso de Cristo, assim como no de sua Mãe Santíssima, a ideia de mediação, real e objetiva, é substituída pela ideia de sacramentalidade: assim como seu divino Filho, a Virgem Santíssima é apresentada primordialmente como modelo para a consciência da Igreja; esta é, aliás, a ideia que aparece no Capítulo 8 da constituição </span><em><span class="tm10">Lumen Gentium.</span></em><span class="tm9"> Observemos, por fim, o seguinte: esta verdade da mediação mariana nos dá acesso à compreensão profunda de um mistério que está, por ora, e providencialmente, no centro da devoção do povo católico: o mistério do Coração Imaculado e Doloroso de Maria. Se esse mistério fosse melhor explicado por meio desses ensinamentos do magistério, sem dúvida essa devoção que o expressa ganharia todo o seu sentido e se tornaria mais proveitosa.</span></span><span id="more-33987"></span></p>
<p class="tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">Estado da questão</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A teologia distingue dois aspectos na mediação de Cristo. Por um lado, há a mediação objetiva, que equivale ao ato da redenção. Por este ato, Cristo conquistou a salvação como sua causa ou princípio, e para toda a humanidade. Este é o ato único e definitivo da Sexta-Feira Santa(1)</span><span class="tm9">. Por outro lado, há a mediação subjetiva, que equivale ao ato que Cristo exerce agora como cabeça invisível da sociedade visível da Igreja, recorrendo a instrumentos distintos que são os sacramentos. Esta atividade é múltipla e repetida se considerada sob a perspectiva das criaturas; Cristo age, assim, para dispensar a graça da salvação e para exercer a sua mediação não só em princípio, mas efetivamente e para cada indivíduo em particular(2). De maneira semelhante, aplica-se a mesma distinção quando se fala da assistência prestada pela Virgem Maria à atividade redentora de Cristo. Falaremos de Maria como Corredentora para designar a assistência na redenção objetiva; e falaremos de Maria, Medianeira de Todas as Graças, para designar a contribuição para a redenção subjetiva. As considerações que se seguem focam-se principalmente no primeiro destes dois aspetos.</span></span></p>
<p class="tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12"><span style="color: #000000;">Dificuldade da questão</span></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Parece que a Bem-Aventurada Virgem Maria não pode cooperar no ato da redenção, precisamente porque este ato é aquele pelo qual Cristo redime toda a humanidade. Todo crente batizado pode cooperar no ato da redenção, em dependência de Cristo e na medida em que toda satisfação humana imperfeita deriva seu valor da satisfação perfeita do Deus-Homem(3)</span><span class="tm9">. Este é o sentido da declaração do Apóstolo São Paulo aos Colossenses: </span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">“<em>Eu que agora me alegro nos sofrimentos por vós e que completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu corpo(místico), que é a Igreja”(</em>4).</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">No entanto, tal cooperação permanece essencialmente subordinada, pois ninguém pode adquirir a primeira graça para si mesmo; e, consequentemente, tal cooperação é essencialmente restrita, de modo que ninguém pode adquirir a graça para todos os fiéis da Igreja. Quando os santos cooperam na Paixão de Cristo, o valor do seu ato pode certamente beneficiar toda a Igreja, mas apenas como exemplo e modelo a ser imitado(5)<a id="identifier_5_252106" style="color: #000000;"></a>; somente o ato de Cristo possui esse valor satisfatório e redentor suficiente para a salvação de toda a humanidade(6). Assim é com a Santíssima Virgem, como com toda criatura: ela depende do ato redentor de Cristo, visto que é este ato que é a fonte da graça primeira de Maria, que é a graça da Imaculada Conceição. Essa dependência coloca-a no mesmo nível que nós e impede-a de cooperar na Paixão, como no ato que redime toda a humanidade. Parece, portanto, lógico, reduzir a mediação universal da Santíssima Virgem Maria ao exercício de uma causalidade exemplar, como fez o Vaticano II. Acrescentemos isto: o ato de redenção se realiza por um sacrifício cruento, onde Cristo oferece a sua vida como satisfação pelo pecado; e, de fato, a Santíssima Virgem Maria não cooperou com tal ação oferecendo a sua própria vida como satisfação pelo pecado, enquanto inúmeros mártires o fizeram(7).</span></p>
<p class="tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">Solução para a questão</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">No entanto, os Papas ensinam claramente que a Santíssima Virgem Maria poderia ser associada forma única no ato redentor em que Cristo realiza a redenção de toda a humanidade. São, em particular, as afirmações explícitas de São Pio X: “Maria mereceu legitimamente tornar-se a reparadora da humanidade decaída” (8); de Bento XV: “Pode-se dizer que Maria redimiu o gênero humano com Cristo” (9) e de Pio XII: “Na realização da redenção, a Santíssima Virgem esteve certamente muito intimamente unida a Cristo” (10). Além disso, a Tradição (11) chama Maria de “nova Eva” e significa com isso que Maria está unida a Cristo na obra da redenção, assim como Eva está unida a Adão na obra do pecado; ora, Eva foi a cúmplice de Adão para precipitar todo o gênero humano no pecado; a Tradição afirma, portanto, implicitamente que Maria foi a associada de Cristo para realizar a redenção de toda a humanidade (12)</span><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">Explicação da solução</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Na encíclica </span><em><span class="tm10">Ad diem illum</span></em><span class="tm9"> , o Papa São Pio X oferece a explicação deste ensinamento: </span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“</span><em><span class="tm8">Maria excede a todos em santidade e em união com Cristo, e por ter sido associada por Ele à obra redentora, ela nos merece de congruo, segundo a expressão dos teólogos, o que Jesus Cristo nos mereceu de condigno, sendo ela ministra suprema da dispensação das graças.</span></em><span class="tm7">”(13)</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Acrescentemos a isso que a redenção de toda a humanidade é realizada por Cristo, na medida em que o ato de sua paixão merece, com toda justiça, todas as graças da salvação para toda a humanidade. Daí resulta que a Santíssima Virgem pôde merecer, por conveniência, todas as graças da salvação para toda a humanidade, o que equivale a dizer que a Santíssima Virgem pôde redimir toda a humanidade com Cristo. Em outras palavras, ser corredentora com Cristo significa merecer por conveniência, ou seja, na dependência do mérito em toda justiça de Cristo. Esse mérito subordinado decorre do mérito em toda justiça e o pressupõe. E, no caso da Santíssima Virgem, esse mérito por conveniência obtém, na dependência do mérito em toda a justiça de Cristo, a redenção de toda a humanidade. Tudo depende, de fato, da caridade que está no princípio do mérito, pois o efeito do mérito corresponde ao princípio do mérito, e o princípio do mérito é a caridade; e a caridade da Santíssima Virgem é precisamente de uma ordem à parte, pois é uma caridade que está no princípio de um mérito único em seu gênero e singular, que é de natureza a obter, por conveniência, como seu efeito próprio, a redenção de toda a humanidade.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Para entender isso, consideremos que a caridade é obtida na criatura pelo mérito de Cristo, que faz a expiação pelo pecado dessa criatura. E Cristo satisfaz pela Santíssima Virgem de uma maneira mais sublime do que pelas demais criaturas, pois essa satisfação a livra antecipadamente do pecado que ela não cometeu(14)</span><span class="tm9">. Por meio disso, a caridade da Santíssima Virgem é de uma ordem absolutamente única, pois é a caridade de uma criatura que não contraiu o pecado original, caridade da Imaculada Conceição ou caridade da primeira redimida. Primeira não em termos de tempo, mas em termos do plano da sabedoria divina: pois, para ser redimida e depender do ato redentor de Cristo, Maria não é redimida da mesma forma que as outras criaturas e não depende de Cristo como elas dependem dele. </span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“</span><em><span class="tm8">A graça é concedida a Maria no exato momento em que, ao se tornar filha do homem, deveria assumir esse pecado. Por um lado, há a humanidade considerada como um único homem pecador, do qual Adão é a cabeça. E Jesus morre em seu nome para expiar esse pecado. Por outro lado, há Maria, que não está incluída nesse pecado coletivo nem nessa expiação. Sua redenção consiste precisamente em ser separada da natureza pecaminosa, em não ter que se beneficiar de uma reparação que visa um pecado com o qual ela não pode ter qualquer ponto em comum. E se essa criação na graça, que é o efeito próprio para Maria da morte de Jesus, pode, no entanto, ser chamada de redenção, é de uma maneira diferente daquela para a humanidade. O sacrifício de Cristo vale, portanto, separadamente para a Virgem Santa e separadamente para todo o resto da humanidade”</span></em><span class="tm7">(15).</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Maria é redimida em antecipação aos méritos de Cristo e &#8220;</span><em><span class="tm10">antes&#8221;</span></em><span class="tm9"> da redenção de toda a humanidade. Esse &#8220;</span><em><span class="tm10">antes</span></em><span class="tm9">&#8221; não expressa, obviamente, uma anterioridade temporal que distinguiria dois atos de redenção; antes, essa expressão designa uma ordem entre efeitos que decorrem distintamente do mesmo ato redentor, e é a ordem em que a Sabedoria divina quis que as graças da redenção fossem adquiridas. Para expressar essa ordem de uma maneira um pouco menos abstrata, o Papa São Pio X evoca a imagem de São Bernardo: Maria é como o aqueduto que recebe todas as águas antes de espalhá-las por todos os canais. Ou ainda, para retomar a comparação de São Bernardino de Siena, Maria é como o pescoço, que conecta o corpo à cabeça e concentra nele todas as influências da cabeça antes de transmiti-las ao corpo. Sendo a caridade de Maria anterior, segundo o ponto de vista assinalado, à de qualquer outra pessoa, é-lhe então possível cooperar nesta obra de redenção universal, merecendo, na dependência de Cristo, o princípio do mérito para o resto de toda a humanidade.</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“</span><em><span class="tm8">O sofrimento de Cristo redime primeiro a Virgem no sentido de que ela obtém a sua criação fora da solidariedade com o pecado humano, cuja concepção na carne foi a causa natural; depois, ele se une ao sofrimento e ao mérito da Virgem para redimir com ela toda a humanidade pecadora. O ato redentor permanece então indivisível se a redenção de Maria, que é seu primeiro efeito, estiver ordenada à redenção de todos os homens, se a redenção do gênero humano começar na de Maria, que lhe é anterior apenas para contribuir para realizá-la, se a graça da Imaculada Conceição a separa do corpo dos outros redimidos apenas para torná-la capaz de agir sobre ele”</span></em><span class="tm7">(16).</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">A graça da Imaculada Conceição, equivalente à graça de uma redenção anterior e mais sublime, não é, portanto, a causa da corredenção, mas sua condição: ela é necessária, embora não seja suficiente. Ela apenas a torna possível. A verdadeira causa, que torna a corredenção não mais uma possibilidade, mas uma realidade, só pode ser a livre decisão de Deus, baseada em uma conveniência. Essa conveniência é o próprio fato da maternidade divina: somente Maria é capaz de merecer sofrendo de uma maneira única, como somente uma mãe pode sofrer pela morte de seu filho. Uma vez que, no plano da sabedoria divina, o modo concreto de nossa libertação deve ser o de uma redenção e, portanto, de uma paixão, se Deus decide associar uma criatura privilegiada ao sofrimento de Cristo, não poderia haver conveniência maior do que associar a própria mãe de Cristo Jesus. </span></p>
<p class="tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">Respostas às dificuldades</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm13">Fundamento da co-redenção: a Imaculada Conceição – É claro, portanto, que a graça da Imaculada Conceição é a condição necessária para essa cooperação única da Virgem Santa no ato redentor de Cristo. Maria só poderia ser Co-Redentora se sua Conceição fosse Imaculada. Assim, se se recusa essa condição, recusa-se o que dela depende necessariamente. É por isso que todos os teólogos que negaram a Imaculada Conceição foram levados a negar também a coredenção universal de Maria. </span><span class="tm9"> A dificuldade que impedia esses teólogos já não nos impede, e é a própria dificuldade da Imaculada Conceição. Essa dificuldade é resolvida se admitirmos que, para redimir toda a humanidade, o mérito de Maria não decorre menos do mérito de Cristo, e que a graça capital continua sendo privilégio exclusivo deste. Da mesma forma, nossa caridade é o princípio meritório de todos os nossos atos salvíficos e, no entanto, essa caridade deriva da caridade de Cristo e continua sendo um dom gratuito de Deus(17).</span><span class="tm9"> Em outras palavras, pode-se estabelecer a seguinte analogia: a relação da Santíssima Virgem, primeira redimida pela vontade retificada pela primeira graça operante é proporcionalmente idêntica à relação da redenção de toda a raça humana realizada por Maria com Cristo com a vontade que merece sob o movimento da graça cooperante.</span></span></p>
<p class="tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">No fundamento da compaixão: a Maternidade Divina</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Fica, portanto, claro também que nem o sofrimento nem a morte são, em si mesmos, causa suficiente de redenção; esta é, antes de tudo, um ato meritório, e a imolação física tem valor na medida em que é oferecida sob o impulso da caridade. O próprio martírio tira seu valor do ato de caridade perfeita do qual deriva. A Santíssima Virgem Maria não suportou o sofrimento físico do martírio, mas, mesmo assim, sua caridade superava a de todos os mártires juntos(18). Esse grau único de caridade já teria sido suficiente; mas, concretamente, a caridade de Maria se exerceu, como a de Cristo, </span><span class="tm9">na perseverança. Mãe de Cristo Redentor, ela coopera na Paixão sofrendo como só uma Mãe pode sofrer a dor e a morte de seu próprio Filho. Aqui encontramos uma exigência do mistério da Encarnação, e essa exigência poderia explicar a diferença entre a corredenção propriamente dita e a compaixão. Maria pode nos redimir em união com Cristo porque ela é a Imaculada Conceição; Mas para nos redimir, Maria sofre em união com o sofrimento de Cristo, e assim sofre um sofrimento único, porque ela é a Mãe daquele que suporta a Paixão.</span></span></p>
<p class="tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">No fundamento do comportamento exemplar: a Nova Eva</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Por fim, Maria também age como mulher. Ela está associada a Cristo na obra desta redenção da humanidade, assim como Eva esteve associada a Adão na obra do pecado original. Assim, ao lado do novo Adão, ela representa a nova Eva: é, portanto, toda a natureza humana que é usada por Deus para realizar a obra da redenção(19)<a id="identifier_19_252106" style="color: #000000;"></a></span><span class="tm9">. Desta perspectiva, a Virgem Santíssima, à semelhança de Cristo, age como um exemplo e um modelo. Isto continua a ser verdade, desde que não sejam negligenciados os dois aspectos anteriores.</span></span></p>
<p class="tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">Epílogo: a devoção ao Imaculado Coração</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A devoção ao Coração Imaculado e Doloroso de Maria é a expressão apropriada dessas verdades teológicas. O </span><strong><span class="tm13">Coração</span></strong><span class="tm9"> designa o amor sobrenatural da Santíssima Virgem e, portanto, a sua caridade. Este </span><strong><span class="tm13">Imaculado</span></strong><span class="tm9"> Coração significa a caridade absolutamente única da Imaculada Conceição, condição indispensável para a Corredenção. Finalmente, o Imaculado e </span><strong><span class="tm13">Doloroso</span></strong><span class="tm9"> Coração designa essa caridade tal como ela se exerce para merecer, no ato de uma satisfação corredentora única, através da compaixão de uma Mãe. Tal é o objeto que se impôs à devoção na Santa Igreja: há aí um fato sem dúvida providencial. Nem a liturgia nem a piedade popular acolheram tão prontamente a expressão do Coração da Mãe de Deus, inicialmente propagada por São João Eudes. Por outro lado, é impressionante ver como a devoção foi expressa preferencialmente pela expressão do Coração Imaculado e Doloroso de Maria, uma expressão que é a tradução mais precisa possível do mistério da Corredenção, tal como Deus o revelou e o confiou à Tradição da sua Igreja.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm16" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm18">Notas:</span></strong></span></p>
<ol class="Normal tm6">
<li class="tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">Santo Tomás de Aquino, </span><em><span class="tm21">Suma Teológica, 3a</span></em><span class="tm22"> , q. 49, a. 1, ad 3. “Pela sua paixão, Cristo nos libertou dos nossos pecados por um modo de causalidade: a paixão, de fato, estabelece a causa da nossa libertação, uma causa pela qual quaisquer pecados, presentes ou futuros, podem ser perdoados a qualquer momento; como um médico que prepara um remédio capaz de curar qualquer doença, mesmo no futuro.”</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm21">Ibidem</span></em><span class="tm22">, ad 4. “A Paixão de Cristo, como acabamos de dizer, é como a causa anterior da remissão dos pecados. É, no entanto, necessário que ela seja aplicada a cada pessoa, para que seus próprios pecados sejam apagados. Isso se faz por meio do batismo, da penitência e dos outros sacramentos, que derivam seu poder da Paixão de Cristo, como será explicado mais adiante.”</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">“Omnis satisfactio imperfecta in satisfaze perfecta fundatur” (Santo Tomás de Aquino, </span><em><span class="tm21">Summa Theologica, 3a</span></em><span class="tm22"> , q 1, art 2, ad 2).</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span class="tm20" style="color: #000000;">Colossenses I, 24.</span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">São Tomás de Aquino, </span><em><span class="tm21">Suma Teológica, 3a</span></em><span class="tm22"> , q 48, art 5, ad 3. “Os sofrimentos dos santos beneficiam a Igreja, não por meio de redenção, mas como exortação e exemplo.”</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm21">Ibidem</span></em><span class="tm22"> , art. 5. É próprio de Cristo e somente dele ser o redentor.</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">Santo Tomás de Aquino, </span><em><span class="tm21">Suma Teológica, 3a</span></em><span class="tm22"> , q. 66, art. 12. O martírio ou batismo de sangue é o ato em que melhor se imita a paixão de Cristo.</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">São Pio X, </span><em><span class="tm21">Ad diem illum</span></em><span class="tm22">, Solesmes, n. 233.</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">“Dici merito queat ipsam cum Christo humanum genus redemisse” – Bento XV: </span><em><span class="tm21">Sodalitati Nostrae Dominae a Bona Morte</span></em><span class="tm22"> , 2 de março de 1918.</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">Pio XII: </span><em><span class="tm21">Ad caeli reginam,</span></em><span class="tm22"> Solesmes, n° 704.</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">Veja sobre este assunto o livro do Padre Terrien, sj, </span><em><span class="tm21">A Mãe de Deus e a Mãe dos Homens</span></em><span class="tm22">, 2 parte, livro 1º </span><sup><span class="tm22">,</span></sup><span class="tm22"> capítulos 1–2. Santo Alberto Magno assim se expressa em sua obra </span><em><span class="tm21">Mariale</span></em><span class="tm22">, questão 150: “Ut ipsam participem faceret beneficii redemptionis, participem esse voluit et poenae passionis, quatenus sic adiutrix redemptionis per compassionem, ita mater fieret omnium per recreationem: et sicut totus mundus obligatur Deo per suam passionem, ita et Dominae omnium per compassione”.</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">Esse é o raciocínio teológico em que se baseia o Papa Pio XII na encíclica </span><em><span class="tm21">Ad caeli reginam,</span></em><span class="tm22"> Solesmes, n. 705.</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span class="tm20" style="color: #000000;">“Universis sanctitate praestat Maria conjunctioneque cum Christo atque a Christo ascita in humanae salutis opus de congruo ut aiunt promeret nobis quae Christus de condigno” (DS 3370).</span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">Pio IX, </span><em><span class="tm21">Ineffablis Deus</span></em><span class="tm22"> de 8 de dezembro de 1854, Solesmes, n.º 43. “A Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, em antecipação aos méritos de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Redentor, nunca esteve sujeita ao pecado original; mas foi inteiramente preservada da mancha do pecado original e, consequentemente, redimida de modo mais sublime (sublimiori modo redempta).”</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">Pe. Marie-Joseph Nicolas, OP., “A doutrina da corredenção no âmbito da doutrina tomista da redenção” em: </span><em><span class="tm21">Revue thomiste de</span></em><span class="tm22"> 1947, página 24.</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm21">Ibidem</span></em></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span class="tm20" style="color: #000000;">“Maria não merece a sua própria caridade. Mas o primeiro efeito do mérito de Cristo é obter para Maria a caridade especial que a torna sua associada na obra da redenção. Em seguida, com ela, Ele dá aos homens o que primeiro deu a ela. É um pouco o que acontece com cada um de nós, em uma ordem restrita e pessoal. Minha primeira graça é puramente dada. É o puro efeito do mérito e da caridade de Cristo. Mas, uma vez justificado e com Cristo, que permanece como causa primeira do apoio perpétuo da minha graça, contribuo com meus atos pessoais para merecer o aumento dessa primeira graça e, finalmente, a glória eterna à qual ela me ordena intrinsecamente. A diferença aqui é que, para Maria, trata-se de obter não apenas sua bem-aventurança pessoal, mas também a primeira graça de todos os homens” (RP Marie-Joseph Nicolas, art. cit. página 25</span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm20">Cf. 2a2ae, q. 124, art. 4, ad. 1: se se diz que a SintíssimaVirgem suportou o martírio aos pés da cruz, isso deve ser entendido num sentido impróprio e devido a uma certa semelhança. A expressão na Liturgia de 15 de setembro estabelece a distinção entre o ato objetivo e a recompensa que ele merece: isso é particularmente evidente na Comunhão da Missa: “Felices sensus beatae Mariae Virginis qui sine morte meruerunt martyrii palmam sub cruce Domini”. Permanece sempre possível merecer, na ordem da causalidade moral, o efeito correspondente a um ato que não se praticou na ordem da causalidade física, e esse é o caso aqui da Santíssima Virgem em relação ao martírio. Mesmo que ela não tenha morrido aos pés da cruz, sua preeminente caridade permitiu-lhe obter o grau de glória equivalente ao martírio, e mesmo maior. O mesmo se pode dizer em relação à redenção das almas: a Virgem Santíssima não redimiu as almas no sentido estrito da metáfora, na medida em que não as satisfez derramando o seu sangue como Cristo o fez. Mas, por meio da sua compaixão, ela mereceu o mesmo resultado que o sofrimento corporal e a morte de Cristo produziram segundo a eficácia física. Veja Terrien, op. cit., Parte 2 </span><sup><span class="tm22">,</span></sup><span class="tm22"> Livro 3, Capítulo 3, pp. 226–232.</span></span></li>
<li class="Normal tm6 tm19" style="text-align: justify;"><span class="tm20" style="color: #000000;">“Para que todo o homem reparasse, era necessário que, na realização da própria obra da Redenção, estivessem presentes o homem e a mulher, cada um desempenhando o seu próprio papel. Este é o mistério da nova Eva. A ideia de associar a mulher ao homem na obra da exaltação e da redenção da humanidade está profundamente ligada à ideia de fazer do próprio homem, em toda a sua natureza, o autor da sua Redenção” (Padre Marie-Joseph Nicolas, op. cit., p. 36).</span></li>
</ol>
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		<title>CISMÁTICOS E HEREGES? PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 2/2</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 15:12:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Para acessar a Parte 1, CLIQUE AQUI Tradivacantismo? I &#8211; Da obediência bem compreendida 1. A obediência — fosse ela devida ao Vigário de Cristo — é uma virtude moral, parte da justiça, e, como &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cismaticos-e-hereges-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx-parte-22/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/04/FR267971B.jpg" alt="" width="449" height="306" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/ecclesiadeisme/et-schismatiques-et-heretiques">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Para acessar a Parte 1, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/cismaticos-e-hereges-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx-parte-12/">CLIQUE AQUI</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Tradivacantismo?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>I &#8211; Da obediência bem compreendida</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1. A obediência — fosse ela devida ao Vigário de Cristo — é uma virtude moral, parte da justiça, e, como tal, situa-se em um justo meio (14). Com efeito, a virtude moral está no princípio de uma ação propriamente humana, realizada de acordo com toda a perfeição exigida, perfeição de um ser dotado de razão – e sabemos que “<em>a razão perfeita foge de todos os extremos”</em>. A obediência ocupa, portanto, o equilíbrio, diz o Aquinate, “<em>entre o excesso e a falta”</em>. Seu objeto é nada mais nada menos do que o preceito (ou mandamento) legítimo de um superior humano(15). Esse preceito exige a obediência como algo que lhe é devido – e a obediência cumpre, a partir de então, uma obra de justiça – na medida exata em que é legítimo, ou seja, na medida exata em que é a expressão do governo de Deus, que governa as criaturas inferiores não imediatamente por Si mesmo, mas por intermédio das criaturas superiores(16). Assim que o preceito deixa de ser a expressão exata desse governo divino, a obediência cessa, por falta de objeto. Exigir ou impor a submissão da vontade a tal preceito constituiria, então, uma atitude viciosa, oposta, por excesso, ao bem da verdadeira obediência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2. A obediência bem compreendida, a obediência virtuosa, exclui, portanto, por si mesma, como escreve o Pe. Hilaire Vernier(17), “<em>a submissão aos abusos de poder”</em>, ainda que proviessem da hierarquia eclesiástica. Abusos de poder que, como explica Santo Tomás, podem ocorrer de duas maneiras(18). Primeiro, quando o preceito de um superior humano contradiz um preceito de um superior de ordem mais elevada, por exemplo, quando o comando do homem contradiz o de Deus: assim, não há obediência possível em relação a um governo que legitimasse atos contrários à lei divina natural do Decálogo, por exemplo, a eutanásia ou o aborto. Segundo, quando o preceito do superior humano aborda um domínio que não lhe pertence, pois atentaria à esfera privada e a autonomia física ou moral do indivíduo: assim, não há obediência possível em relação a um governo que pretendesse impor às famílias um limite de nascimentos a um número específico de filhos, ou o controle de sua vida privada pela instalação de câmeras em suas casas (incluindo nos banheiros). Aqui, Santo Tomás recorre, com Sêneca, à autoridade do senso comum: “<em>Errat si quis existimat servitutem in totum hominem descendere &#8211; Seria um erro querer fazer com que o peso de sua autoridade recaísse sobre o homem todo”</em>, sobre todos os domínios e todas as áreas da vida do indivíduo.</span><span id="more-33591"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>II &#8211; Diferentes posições mal compreendidas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3. Qual é, então, a diferença entre a posição n.º 1, que o Pe. Vernier apresenta como sendo a das comunidades <em>Ecclesia Dei</em>, e a posição n.º 2, que seria seguida pela Fraternidade São Pio X? Qual a diferença entre a obediência da Fraternidade São Pedro, considerada virtuosa, porque exclui “<em>a submissão aos abusos de poder”</em>, e a posição dos discípulos de D. Lefebvre, para os quais o princípio da obediência permanece, mas não deve ser aplicado, na prática, “<em>em caso de crise provocada pela hierarquia”</em>? Vamos falar sério: aqui, o padre está brincando com as palavras. Ou, mais precisamente, a Fraternidade São Pio X vai ao extremo da virtude, ao não aplicar o princípio da obediência diante do abuso generalizado de poder que habitualmente assola a Santa Igreja de Deus desde o Concílio Vaticano II, enquanto a Fraternidade São Pedro, embora admita em teoria os justos limites da obediência, os excede na prática. Indo mais além, tudo depende da natureza precisa dessa “<em>crise provocada pela hierarquia”</em>. Ela representa, sim ou não, um abuso de poder suficientemente grave e habitual, para que a obediência esbarre em limites sérios?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4. De forma ainda mais radical, não se trata, na intenção da Fraternidade São Pio X, de um princípio que permanece na teoria, mas que não deve ser aplicado na prática. É o próprio princípio que não cessa, mas que, pelo contrário, continua a ser aplicado, na prática, até o fim, justamente em razão de todas as suas exigências. Pois é o próprio princípio da virtude que reprova todos os defeitos e todos os excessos que se opõem a ele, e é, portanto, a própria obediência que exige a rejeição às novidades introduzidas na Igreja por ocasião do último Concílio. Assim se expressou Mons. Lefebvre numa conferência espiritual dada em Ecône, em 10 de abril de 1981: “<em>Não há ninguém que esteja tão ligado à obediência ao Magistério do Papa, dos concílios e dos bispos como nós. Nós somos, creio eu, espero eu, os mais ligados da Igreja à obediência ao Magistério dos Papas, dos concílios e dos bispos. E é precisamente porque estamos ligados a esse Magistério que não podemos aceitar um magistério que não seja fiel ao Magistério de sempre”</em>(19).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5. Essa capacidade de discernir, dentro de um princípio em si, todas as potencialidades que ele contém, e de deduzir, a partir delas, as conclusões práticas adequadas às circunstâncias excepcionais, é uma forma particular de prudência, analisada como tal por Santo Tomás. “<em>Acontece às vezes</em>, diz ele, <em>de</em><em>que se deve agir sem observar as regras comuns da ação. Por conseguinte, deve-se julgar esses casos de acordo com princípios mais elevados do que as regras comuns. [&#8230;] E de acordo com esses princípios mais elevados, uma virtude superior é exigida: ela se chama gnome e implica uma certa perspicácia de julgamento”</em>(20). E acrescenta: “Considerar a totalidade das coisas que podem acontecer fora do curso comum pertence somente à Providência divina. Todavia, entre os homens, aquele que é mais perspicaz pode julgar, por sua razão, um número maior desses casos. E este é o papel da <em>gnome</em>, que implica uma certa perspicácia de julgamento”(21). Toda a avaliação dessa “<em>crise causada pela hierarquia”</em>depende disso. E isso é de grande importância.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6. Ora, precisamente, as diferentes posições elencadas pelo Pe. Vernier surgiram no contexto pós-Vaticano II, ou seja, em uma circunstância que todos concordam em reconhecer — e cada vez mais com o Papa Francisco — como sendo uma exceção. É precisamente por isso que essas posições não podem encontrar sua explicação profunda em motivos puramente doutrinários. Uma coisa é, de fato, evidente: nenhuma das posições elencadas pretende questionar os dogmas fundamentais relativos à natureza e às propriedades da Igreja, que nosso bom padre evoca com toda a ingenuidade de quem abre portas já abertas. Todos os seguidores das posições elencadas professam fé no dogma católico da indefectibilidade da Igreja, e é inclusive em nome desse dogma que pretendem justificar, de uma forma ou de outra, sua maneira de agir no contexto extraordinário acima mencionado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">7. Seria, portanto, inútil, para não dizer ridículo, invocar o clichê do “<em>eclesiovacantismo”</em>e levantar o espectro da heresia ou do cisma. Pois os fatos estão aí, são simples e claros. Depois de ter, sob o pretexto do ecumenismo e da liberdade religiosa, introduzido o indiferentismo e o liberalismo na pregação e na pastoral da hierarquia eclesiástica, o atual Papa e a maioria dos bispos estão ampliando esse liberalismo para o domínio da moral. A gravidade da situação parece evidente aos olhos de muitos católicos de obediência oficial, e já se foram os tempos em que apenas o falecido Dom Lefebvre e seus jovens discípulos denunciavam a “<em>Roma de tendência neomodernista e neoprotestante”</em>. Em duas ocasiões, cardeais conservadores apresentaram <em>Dubia</em>ao Papa Francisco, a primeira vez em 2016, a respeito de proposições consideradas suspeitas na <em>Amoris Laetitia,</em> e uma segunda vez em 2023, a respeito de várias proposições que tornam problemática a relação entre a revelação divina e o Magistério eclesiástico. A isso se soma, em 2017, a <em>Correctio filialis </em>assinada por 62 personalidades católicas, clérigos e leigos, denunciando como heréticas sete proposições presentes na Exortação <em>Amoris Laetitia e</em> pedindo ao Santo Padre que as condenasse de forma rápida e clara. E o que dizer das reações recentes à Declaração <em>Fiducia Supplicans(22)? </em>O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Papa Francisco, considera que este documento “<em>suscitou reações muito fortes”</em> e que, consequentemente, deverá “<em>ser objeto de uma análise mais aprofundada”</em>. O Cardeal Gerhard Ludwig Müller, ex-prefeito da antiga Congregação para a Doutrina da Fé, acredita que “<em>abençoar uma realidade contrária à criação não é apenas impossível, [mas] blasfemo”,</em> e que, por conseguinte, um padre que abençoasse um casal homossexual estaria cometendo um “<em>sacrilégio”</em>. O Cardeal Robert Sarah afirmou que esta Declaração constitui uma “<em>heresia que mina seriamente a Igreja”</em>. O Cardeal Joseph Zen, Bispo Emérito de Hong Kong, sugere a renúncia do autor deste texto, o Cardeal Víctor Manuel Fernández. Os dominicanos da província de Toulouse expressaram suas críticas na <em>Revue Thomiste.</em> O texto da <em>Fiducia</em> supplicans é considerado pelo Pe. Emmanuel Perrier como “<em>incoerente, contraditório com o Magistério e fonte de confusão”</em>(23), e este julgamento não passou despercebido na imprensa oficial católica, já que o jornalista Matthieu Lasserre sentiu-se obrigado a noticiá-lo no jornal <em>La Croix(24)</em>. Quanto ao Pe. Thomas Michelet, professor de teologia na Pontifícia Universidade do Angelicum, ele ecoou as reservas do Pe. Perrier em sua análise da Declaração(25), e também expressou reservas muito bem fundamentadas – e estamos usando aqui um eufemismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>III &#8211; Excesso de zelo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">8. O zelo de um Pe. Vernier contém, sem dúvida, algo de cavalheiresco, e o entusiasmo com que ele pretende combater tudo o que pareça pôr em dúvida e em perigo o dogma da indefectibilidade da Igreja, bem como a sua visibilidade, mereceria, em outras circunstâncias, uma aprovação irrestrita. Infelizmente, esse zelo e esse ardor parecem claramente desproporcionais, tendo em conta as circunstâncias da crise que ainda assola, e de mal a pior, o seio da Santa Igreja. Neste contexto, o teólogo, tal como o simples fiel, deve guardar-se de um duplo perigo.(26) E é precisamente esse o perigo que o bom servo do Evangelho evita. Este último, escrevemos(27) “<em>é louvado pelo Senhor por ter sido não apenas fiel, mas também prudente. A fé e a prudência, longe de se excluírem, devem, portanto, apoiar-se mutuamente. Uma não pode ser perfeita, nem mesmo verdadeira, sem a outra. A fé sem prudência degenera em fanatismo. A prudência sem fé degenera em liberalismo”</em>. O fanatismo de uma fé desprovida de prudência encontra sua expressão em todos aqueles que não reconhecem a plena extensão das circunstâncias em que os princípios necessários – e trata-se aqui de dogmas, como o da indefectibilidade da Igreja – devem encontrar sua verificação. Fanatismo daqueles que, para avaliar a plena gravidade dos erros introduzidos na pregação e na pastoral dos homens da Igreja, por ocasião do Concílio Vaticano II, desconhecem essa circunstância excepcional onde são precisamente os detentores da autoridade que causaram essas heresias: é precipitado concluir que o Papa não é mais Papa, como fazem os sedevacantistas, ou que todo contato com a Roma atual deve ser recusado, como afirmam os defensores da suposta “<em>Resistência”</em>. Fanatismo também da parte daqueles que, para determinar que são realmente os titulares da autoridade que endossam todas as novidades introduzidas durante e pós Concílio, ignoram todo o prejuízo que elas causam à fé dos católicos, e a gravidade indescritível dos erros para os quais elas abrem caminho: então, é igualmente precipitado concluir que nenhuma oposição deve se manifestar diante dos atos abusivos da autoridade considerada legítima, e é esse tipo de precipitação que sustenta as declarações do Pe. Vernier.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">9. Não importa o que diga, não deixa de ser verdade que as circunstâncias atuais, onde os católicos são chamados a professar sua fé, apresentam uma dupla dificuldade, aparentemente insolúvel, que a simples evocação do dogma da indefectibilidade da Igreja não é suficiente para evitar. “<em>Se o Papa</em>, escrevemos(28), <em>cai em heresia ou, pelo menos, habitualmente abre a porta à heresia, de duas coisas, uma. Ou ele deixa de ser Papa e o católico reconhece como Igreja de Cristo uma Igreja sem uma cabeça visível. Ou ele permanece Papa e o católico reconhece como Igreja de Cristo uma Igreja cuja cabeça visível compromete grave e habitualmente a fé católica. Do ponto de vista doutrinário, ou seja,, do ponto de vista da conformidade com os dados da Revelação, nenhuma dessas duas conclusões é aceitável</em>. Em teoria pura, e em respeito aos dados elementares de seu catecismo, o católico não pode reconhecer como a verdadeira Igreja de Cristo: nem uma Igreja habitualmente desprovida de uma cabeça visível, nem uma Igreja habitualmente provida de uma cabeça visível que abra caminho para a heresia.” Em outras palavras, significa que o dogma da indefectibilidade da Igreja deve andar de mãos dadas com o da sua santidade, principalmente a santidade de sua doutrina. E as circunstâncias atuais parecem obrigar o católico a concluir que uma excluiria a outra, o que é obviamente absurdo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">10. É por isso que falamos deliberadamente de “<em>precipitação”</em>qualificar a atitude daqueles que, como nosso padre da Fraternidade São Pedro, gostariam, em nome do dogma, de decretar soluções demasiado simples – ou, pelo menos, anatematizar posições inspiradas por uma reflexão minimamente atenta às circunstâncias. A precipitação é, de fato, uma atitude viciosa, oposta à virtude da prudência(29), e ela própria está enraizada em outra atitude viciosa, que é a imprudência, ou seja, (30) na ignorância das circunstâncias concretas da ação. São estas que devem reger em grande medida a reflexão do teólogo, bem como a do simples fiel, neste atoleiro do período pós-Vaticano II.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>IV &#8211; Sedevacantismo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">11. É por isso que, se quisermos fazer uma avaliação tão justa quanto possível da tese do “<em>sedevacantismo”</em>, no sentido mais amplo do termo – e de modo que inclua não só a tendência absoluta, mas também a tendência mitigada – é importante fazer algumas distinções(31).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">12. Sem dúvida, sim, a longo prazo, a posição que se recusa a reconhecer, mesmo momentaneamente, devido a circunstâncias extraordinárias, a realidade de uma cabeça visível à frente de toda a Igreja, conduz ao cisma e à heresia. Mas ela apenas conduz, e não equivale diretamente a isso por si mesma. De fato, escrevemos(32), “<em>a posição sedevacantista equivale a uma recusa não de princípio, mas de fato, pois se explica pelas circunstâncias posteriores ao Concílio Vaticano II. </em>O sedevacantismo se define precisamente como “<em>a recusa de estar em comunhão com o ocupante <strong>atual </strong>da Santa Sé de Roma, ou seja, não com qualquer ocupante dessa Santa Sé, mas com aqueles ocupantes que consideram terem atualmente uma intenção habitual e objetiva contrária ao bem comum da Igreja”</em>. Tal atitude, portanto, não é propriamente e formalmente um cisma. Representa, à primeira vista, e formalmente, de maneira direta, um pecado contra a prudência. Não representa um pecado direto e imediato contra a unidade da Igreja, fruto da caridade, ainda que, naqueles que o adotam, possa levar a um estado de espírito cismático e causar, a longo prazo, um cisma propriamente dito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">13. Sem dúvida, a heresia também consiste em se recusar a professar que o Bispo de Roma é o chefe de toda a Igreja e representa um grave pecado contra a fé. No entanto, observemos que a heresia, se for direta, formal e imediata, deve consistir, aqui, em negar uma proposição universal e necessária, pois, como tal, deve professar que nenhum bispo de Roma é chefe de toda a Igreja. “A posição sedevacantista, por sua vez, nega uma proposição particular e contingente, pois expressa um julgamento relativo às circunstâncias. A heresia afirma, por princípio, que o bispo de Roma não pode ser o chefe da Igreja. O sedevacantismo afirma que, de fato, tal eleito designado bispo de Roma não recebeu o soberano pontificado. Não nega que ele possa recebê-lo posteriormente, nem que outros possam recebê-lo e o tenham recebido de fato”(33). Tal posição, portanto, não é diretamente herética, de forma imediata e formal. Representa, no máximo, um pecado contra a prudência, não um pecado contra a fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">14. Em todo caso, o pecado é certamente grave – até mesmo gravíssimo. E Dom Lefebvre não deixou de salientar isso. “<em>A questão da visibilidade da Igreja é demasiado necessária à sua existência, para que Deus possa omitir isso durante décadas”</em>, dizia ele aos seus seminaristas logo nos anos pós-Concílio: “<em>O raciocínio daqueles que afirmam a inexistência do papa coloca a Igreja numa situação inextricável”</em>(34). Certa vez ele chegou a escrever ao Padre Guérard des Lauriers para lhe explicar por que reprovava sua atitude. “Na prática, não é a inexistência do Papa que fundamenta minha conduta, mas a defesa de minha fé católica. Ora, vocês acreditam em consciência que devem partir deste princípio que infelizmente causa confusão e divisões violentas, que desejo evitar”(35). E o que ele repreendia era, antes de tudo, a falta de prudência: “Se o senhor tem a prova da perda legal do Papa Paulo VI, entendo sua lógica subsequente. Mas, pessoalmente, tenho uma dúvida séria, e não uma evidência absoluta”(36). Vemos claramente que toda a atitude de D. Lefebvre, ainda hoje mantida pela Fraternidade São Pio X, sempre foi inspirada, antes de tudo, pela prudência: “<em>Enquanto eu não tiver a evidência”</em>, dizia ainda D. Lefebvre, “<em>de que o Papa não seria o Papa, bem, tenho a presunção a seu favor, a favor do Papa</em>. <em>Não digo que não possam existir argumentos que possam levantar dúvidas em certos casos. Mas é preciso ter a certeza de que não se trata apenas de uma dúvida, uma dúvida válida. Se o argumento for duvidoso, não se tem o direito de tirar conclusões importantes!</em>”(37) .</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">15. Dom Lefebvre sempre rejeitou a tese sedevacantista. Ele a via como um erro grave, mas era principalmente, a seu ver, um erro de imprudência. A passagem em que D. Lefebvre se explica mais explicitamente sobre o assunto é a conferência de 5 de outubro de 1978. Ele afirma que sua posição é ditada pela prudência, não pelo que seria uma posição dogmática absoluta. “<em>Isso não significa, porém”</em>, diz ele após ter exposto sua posição, “<em>que eu esteja absolutamente certo de estar certo na posição que assumo. Assumo-a, sobretudo, de maneira prudencial, diria eu, uma prudência que espero ser a sabedoria de Deus, que espero ser o dom do conselho, em suma, uma prudência sobrenatural. É neste domínio que me coloco, diria eu, mais talvez do que no domínio puramente teológico e puramente teórico.”</em>Com isso, a dúvida permanece sempre possível, uma vez que, no plano prático, nem sempre é possível agir com absoluta certeza. Apesar de tudo, permanece uma certa margem de incerteza, uma certa hesitação, porém esta é insuficiente para pôr em causa a posição considerada “<em>segura”</em>, a posição mais segura, tendo em conta as circunstâncias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">16. De onde vem, então, essa margem de hesitação e, com ela, a dúvida? A dúvida se justifica por toda essa nova pregação, por toda essa nova pastoral que, desde o Concílio Vaticano II, negam cada vez mais, na prática, a Tradição da Igreja, e abrem cada vez mais as portas à heresia e à apostasia. Diante desses fatos, o reconhecimento pacífico da eleição do Papa permanece o que é: não a causa, mas o sinal da legitimidade do Papa. Ele não pode dar mais do que uma probabilidade, e expressa apenas a certeza da prudência, em vista de todas as outras circunstâncias. E é aqui que a hesitação (pois a dúvida não é nem mais nem menos do que a hesitação, e, certamente, não a probabilidade da hipótese adversa) permanece legítima, precisamente em vista dessas circunstâncias externas à eleição e sua aceitação aparentemente pacífica. Aqui, mais uma vez, a argumentação peremptória do Pe. Vernier permanece insuficiente, por não avaliar a importância dessas circunstâncias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>V &#8211; Da Fraternidade São Pio X</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">17. A “posição” — n.º 2, segundo o Pe. Vernier — sempre seguida pela Fraternidade São Pio X, não é única. Pois não se trata, precisamente, de uma “<em>posição”</em>, no sentido que se deveria entender por isso um princípio dogmático. É aqui, aliás, desde o início de sua análise, que o defensor do movimento <em>Ecclesia Dei</em>se engana — originalmente, poderíamos dizer – sobre a natureza exata da dificuldade a ser resolvida. Portanto, a solução não será reivindicar um princípio dogmático, o da indefectibilidade da Igreja, contra outro, o de uma “<em>posição”</em>que negaria, ainda que apenas na prática ou implicitamente, o referido princípio. A solução é falsa porque os dados do problema foram previamente distorcidos, distorcidos porque são mal compreendidos. De um problema que, aos olhos da Fraternidade São Pio X, surge essencialmente de um ponto de vista prático e prudencial, o padre da Fraternidade São Pedro faz um problema dogmático. A partir daí, sua análise deve, senão, deixar de lado a verdadeira atitude de Dom Lefebvre e de seus continuadores. Em termos consagrados, isso se chama “<em>off-topic”</em>. O bom Aristóteles via nisso o sofisma da “<em>ignoratio elenchi”</em>, em que o argumentador desconhece a verdadeira natureza do problema que se coloca.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">18. “<em>Não contestamos a autoridade do Papa, mas sim o que ele faz.”</em>(38) Há uma grande diferença aqui entre dizer que o Papa não é, e dizer que o Papa não age como Papa. A primeira afirmação é a do sedevacantismo, e é radical, pois não admite a possibilidade de o Papa agir, não admitindo o próprio ser do Papa, da qual deve derivar sua ação. A segunda afirmação é a da Fraternidade São Pio X, e é a expressão de uma prudência que permanece atenta aos fatos, pois admite a possibilidade de ação do Papa, admitindo a existência do Papa, mesmo levando em conta o fato de que o Papa, infectado pelos erros do neomodernismo, não age como Papa. Mesmo que essa ação modernista do Papa, que paralisa sua ação como Papa, continue prevalecendo a ponto de o Papa quase nunca agir como Papa, a razão pela qual a Fraternidade é levada a não obedecer ao Papa é fundamentalmente diferente da do sedevacantismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">19. O clichê do “<em>eclesiovacantismo”</em>poderia facilmente – até mesmo com demasiada facilidade – voltar-se contra o seu autor. Ao querer evitar a vacância da Igreja, acaba-se por endossar, inconscientemente, é certo, a vacância de sua doutrina, a vacância de sua Tradição. E mesmo hoje, com o Papa Francisco, a vacância da sua teologia moral. Esse é o risco que correm os teólogos do movimento <em>Ecclesia Dei</em>, mas é um risco que está inscrito na certidão de nascimento dessas comunidades ditas “tradicionais”, com o Motu proprio Ecclesia Dei afflicta, de 2 de julho de 1988(39), que lhes deu o nome.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">20. Em seu tratado sobre a virtude da obediência, Santo Tomás de Aquino observa que o homem pode contemplar a busca de dois benefícios muito diferentes (40). Entre esses dois, há a vantagem de que o homem é necessariamente obrigado a obter, como, por exemplo, amar a Deus “<em>ou algo semelhante”</em>– e aqui pensamos na necessidade da Profissão de fé católica, tanto quanto na necessidade de reconhecer uma cabeça visível à frente da Igreja. E o Aquinato declara, com razão, que tal benefício não pode de forma alguma ser omitido por obediência&#8230; Deixamos aqui aos leitores do <em>Courrier de Rome</em>a tarefa de julgar qual seria a melhor atitude a seguir, para não omitir, nem mesmo por obediência, nenhum desses dois benefícios, o da fé íntegra e o da visibilidade do Papa. De todo modo, parece-nos indubitável que a teologia do abade Vernier não consegue alcançar esse objetivo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Notas:</span></p>
<ol start="14">
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Summa theologica, </em>2a2ae , questão 104, artigo 2, ad 2.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Summa theologica, </em>2a2ae , questão 104, artigo 2, corpus.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Summa theologica, </em>2a2ae , questão 104, artigo 1, corpus.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Veja o artigo &#8220;Cismáticos e hereges&#8221; nesta edição do <em>Courrier de Rome</em>.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Summa theologica, </em>2a2ae , questão 104, artigo 5, corpus.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Vaticano II: a autoridade de um concílio em questão,</em>capítulo XVIII, Revista &#8220;Vu de haut&#8221; n° 13, p. 50.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Summa theologica, </em>2a2ae , questão 51, artigo 4, corpus.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Ibidem</em>, ad 3.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Veja o arquivo &#8220;Fiducia supplicans&#8221; na enciclopédia digital Wikipédia, <a style="color: #000000;" href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Fiducia_supplicans">https://fr.wikipedia.org/wiki/Fiducia_supplicans,</a>bem como a página de 25 de janeiro de 2024 no site Fsspx News: <a style="color: #000000;" href="https://fsspx.ch/fr/news/la-revue-thomiste-critique-severement-fiducia-supplicans-42090">https://fsspx.ch/fr/news/la-revue-thomiste-cri tique-severement-fiducia-suplicans-42090 </a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Emmanuel Perrier, op, &#8220;Fiducia supplicans diante do sentido da fé&#8221;, artigo publicado na página de 23 de janeiro de 2024 do site da Revue Thomiste <a style="color: #000000;" href="https://revuethomiste.fr/contenu-editorial/chroniques/lumieres-et-grains-de-sel/fiducia-supplicans-face-au-sens-de-la-foi">https://revuethomiste.fr/contenu-editorial/chroniques/lumieres-et -grãos-d-sel/fiducia-suplícios-face-au-sensores-d-lá-fé </a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Matthieu Lasserre, &#8220;Bênção aos casais homossexuais: os dominicanos de Toulouse entram no debate&#8221; no jornal <em>La Croix</em>, 24 de janeiro de 2024.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Thomas Michelet, op, &#8220;Podemos abençoar a Fiducia supplicans?&#8221; artigo publicado na página de 23 de janeiro de 2024 do site da Revue Thomiste </span><a href="https://revuethomiste.fr/contenu-editorial/chroniques/lumieres-et-grains-de-sel/peut-on-benir-fiducia-supplicans"><span style="color: #000000;">https://revuethomiste.fr/contenu-editorial/chroniques/lumier es-et-grains-de-sel/peut-on-benir-fiducia-supplicans</span> </a></li>
</ol>
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		<title>CISMÁTICOS E HEREGES? PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 1/2</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2025 13:10:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[Surpreendente efeito colateral da Traditionis Custodes: alguns continuístas brasileiros o site Claves, da Fraternidade São Pedro, parece estar tomado por um novo zelo antilefebvrista. Sob risco de “tradivacantismo”? Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Cismáticos e hereges? Uma acusação contra a Fraternidade São &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cismaticos-e-hereges-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx-parte-12/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/04/FR267971B.jpg" alt="" width="502" height="339" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Surpreendente efeito colateral da </em></strong><strong>Traditionis Custodes<em>: <span style="color: #000000;"><del>alguns continuístas brasileiros</del></span> o site </em>Claves, <em>da Fraternidade São Pedro, parece estar tomado por um novo zelo antilefebvrista. Sob</em> <em>risco de “tradivacantismo”?</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/ecclesiadeisme/et-schismatiques-et-heretiques">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>Cismáticos e hereges? Uma acusação contra a Fraternidade São Pio X</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>I &#8211; Atestado de procedência</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1. A certidão de nascimento da Fraternidade São Pedro – e, de modo geral, das comunidades do chamado “<em>movimento tradicional”</em>– está registrada no <em>Motu Proprio Ecclesia Dei afflicta,</em>de 2 de julho de 1988, que declara o cisma de D. Lefebvre e o condena por ter criado “<em>uma noção incompleta e contraditória da Tradição”</em>(1), por ter se recusado a reconhecer “<em>a continuidade do Concílio Vaticano II com a Tradição”</em>(2). Logo, as ditas comunidades estão congenitamente destinadas a denunciar o mesmo suposto cisma e a condenar a mesma noção supostamente incompleta e contraditória da Tradição. Elas estão destinadas a isso de forma inerente, em razão de sua própria fundação, sob pena de deixarem de ser o que são, e enquanto se reivindicarem como resultado das medidas tomadas por João Paulo II no <em>Motu Proprio</em> que lhes deu o nome. Outrossim, também estão destinadas, <em>de forma igualmente inerente, a “evidenciar a continuidade do Concílio com a Tradição”</em>(3).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>II &#8211; Um predeterminismo teológico?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2. Portanto, não é de se surpreender que, nesses últimos tempos, o site “Claves” da Fraternidade São Pedro tenha se empenhado em denunciar uma suposta falta de eclesialidade na Fraternidade São Pio X. Nos últimos tempos, ou seja, há quase três anos, após a publicação do Motu Próprio <em>Traditionis custodes</em>. A manutenção dos privilégios concedidos por João Paulo II exigiria um renovado protesto de não-lefebvrismo? De qualquer forma, vemos que o Pe. de Blignières se esforçou para demonstrar que o episcopado dos bispos da Fraternidade não era católico, insistindo na acusação de cisma(4). E eis que, no verão passado(5), o Pe. Hilaire Vernier, da Fraternidade São Pedro, pretende denunciar, por sua vez, “<em>o impasse do sedevacantismo”</em>, com uma crítica implícita dirigida à Fraternidade São Pio X. A conclusão do artigo assume a franca aparência de um clichê: a atitude de Dom Lefebvre e seus sucessores, implicitamente estigmatizada como um “<em>sedevacantismo oculto, teórico ou prático”,</em>levaria, inevitavelmente, a “<em>um verdadeiro eclesiovacantismo”</em>. De fato, “<em>não é apenas a sé de Pedro que estaria vaga há mais de 50 anos, mas é a Igreja Católica que teria deixado de ser o que essencialmente é desde sua fundação!” </em>Um clichê, no sentido de que a violência exagerada da expressão mal esconde a inconsistência dos argumentos que pretendem sustentá-la. Antes de avaliar sua consistência, comecemos – e esse será o objetivo do presente artigo – examinando os argumentos por si mesmos.</span><span id="more-33569"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>III &#8211; Análise teológica da Fraternidade de São Pedro</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3. A análise do Pe. Vernier(6) pretende, portanto, atribuir-se um certo rigor, apoiado-se em distinções pertinentes, que reconhecem “<em>uma grande diversidade” [&#8230;] “sobre o tema da adesão e da obediência à hierarquia eclesiástica desde o Concílio Vaticano II”</em>. Assim, sua argumentação diferencia, por um lado, aqueles para os quais (posição n.º 1) “<em>a obediência bem compreendida (ou obediência virtuosa que exclui a submissão a abusos de poder) à hierarquia é um princípio que permanece, mesmo em tempos de crise”</em>e, por outro lado, aqueles para os quais o princípio permanece em teoria, mas não se aplica mais na prática, sendo este, ainda, dividido em duas tendências, conforme essa não aplicação é justificada aos seus olhos, ou porque a hierarquia continua a existir, embora seja a fonte de uma crise (posição nº 2), ou porque a hierarquia deixou de existir (posição n.º 3) ou, pelo menos, deixou de deter o poder de jurisdição (posição n.º 4).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.1. Quatro posições</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4. A posição n.º 1, nos esclarece, “<em>é a das comunidades tradicionais que permaneceram ligadas à Sé de Pedro (por vezes chamadas comunidades Ecclesia Dei)”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5. A posição n.º 4 é a daqueles a quem o Pe. Vernier designa – por meio de um neologismo bem trabalhado – como “<em>sedeprivacionistas”</em>ou “s<em>edeprivatistas”</em>, e que o costume seguido em Ecône seria de designar até agora como sedevacantistas mitigados. São aqueles que consideram que &#8220;<em>o Papa – ainda que &#8220;aparentemente</em>&#8221; (materialmente) Papa – não está realmente investido da autoridade que lhe compete, devido a uma recusa tácita do seu ofício, por falta da intenção de governar ou ensinar catolicamente a Igreja (sob o pretexto de que ele não buscaria o bem comum). Mesmo que a posição seja resumida de um modo um tanto rápida, reconheceremos nela os defensores da tese chamada Cassiciacum, desenvolvida, em seu tempo, pelo Reverendo Pe.(que desde então se tornou Monsenhor) Guérard des Lauriers, e que estão reunidos, em sua maioria, no Instituto Mater Boni Consilii(7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6. A posição n.º 3 é a daqueles que o Pe. Vernier designa como “<em>sedevacantistas”,</em>e que, até então, era costume designar em Ecône como sedevacantistas estritos. São aqueles que consideram que “<em>a Sé Apostólica está vacante (vazia) – para alguns, desde 1965 (fim do Concílio Vaticano II), para outros, desde a eleição de Paulo VI, ou mesmo de João XXIII</em>. <em>Esta posição  se fundamenta</em><em>em vários argumentos (conforme os – numerosos – grupos): invalidade dos novos ritos de ordenação; heresias professadas pelo magistério do Vaticano II ou de Papas posteriores; heresia formal do candidato eleito ao pontificado soberano”</em>. Esta é, entre outras, a posição defendida hoje por Maxence Hecquard, no seu último livro, <em>A Crise da Autoridade na Igreja – Os Papas do Vaticano II são Legítimos?</em>, Edições Pierre-Guillaume de Roux, 2019, nova edição ampliada, 2023. Esta expressão já era encontrada na década de 1990, em Myra Davidoglou, redatora-chefe do Boletim <em>La Voie</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">7. Resta a posição nº 2. O Pe. Vernier a descreve como aquela de “c<em>ertas comunidades tradicionalistas</em>”, que “c<em>onsideram que a obediência à hierarquia eclesiástica, que se manifesta, entre outras coisas, pelo reconhecimento canônico (a integração oficial de sua comunidade na hierarquia eclesiástica), não é uma questão de fé na Igreja, mas sim de sua disciplina, que não é um fim em si mesma e pode ser infringida em caso de necessidade”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, seus membros afirmam que, <em>para permanecerem fiéis à integralidade da Revelação, é necessário subtrair-se, na prática, à submissão normalmente devida à hierarquia eclesiástica (Papa e ordinários locais: bispos diocesanos&#8230;) para exercer publicamente um ministério sacerdotal</em>&#8220;. E acrescentam que “<em>muitos deles, para justificar tal posição, chegam a se considerar os únicos detentores, pelo menos &#8220;interinamente&#8221;, da Tradição, considerando que a hierarquia a abandonou, e que aqueles que se submetem a ela são, no mínimo, cúmplices desse abandono, colocando-se, além disso, em impossibilidade de fazer a necessária denúncia”</em>(8). Devemos ver aqui, na intenção do autor destas linhas, a posição da Fraternidade São Pio X?&#8230; Esta não é, contudo, mencionada. O Pe. Vernier se contenta em dizer que essa posição é “<em>de fato assimilável, em nossa opinião, à dos sedeprivacionistas, mesmo que seus defensores se vangloriem verbalmente de reconhecer o Papa e rezar por ele, ou aceitar sua jurisdição para dar a absolvição sacramental</em>&#8220;(9). Segundo ele, esta posição n.º 2 seria, portanto, uma variante da posição n.º 4.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.2 Uma raiz comum?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">8. O estimado padre nos agracia, em seguida, com uma bela reflexão teológica sobre a indefectibilidade e a perpetuidade da Igreja, à qual, aliás, ninguém encontrará nada a objetar, antes de concluir que, com exceção da posição nº 1, todas as outras diferentes posições enumeradas acima &#8220;<em>se opõem à fé na indefectibilidade da Igreja, pois se reduzem a um sedevacantismo oculto [&#8230;] pois negam a necessidade da jurisdição ordinária presente [&#8230;] na Igreja, supondo que Cristo suplanta diretamente tudo o que é necessário, sem passar pelo Papa e pela hierarquia – como se essas instituições não fossem concretamente sempre necessárias”</em>(10) .</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">9. Levando sua reflexão à sua conclusão lógica, o Pe. Vernier destaca o que, em sua opinião, seriam os pressupostos radicais da tese do sedevacantismo oculto. &#8220;<em>Apesar das aparências, não há mais Papa, ou nenhum Papa investido de autoridade pontifícia, por mais de seis décadas. Consequentemente, não há mais sucessão apostólica formal, unidade de governo e exercício de verdadeira jurisdição vinculativa, verdadeiro magistério (por falta de intenção para alguns, de sujeito para outros), verdadeiros cardeais capazes de eleger um verdadeiro Papa. Para agravar ainda mais esta situação, os únicos sacramentos que certamente permaneceram válidos na Igreja latina são o matrimônio e o batismo (devido às reformas litúrgicas dos ritos, ou à dúvida que paira sobre a intenção dos Papas que aprovaram essas mudanças).&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">10. É aqui, na nota 7, que nosso autor finalmente alude à Fraternidade São Pio X, referindo-se ao nosso artigo &#8220;<em>Todos Duvidosos (II</em>)&#8221;, publicado no <em>Courrier de Rome</em>de março de 2023, do qual ele cita o seguinte (nº 10): &#8220;<em>É assim que devemos entender o que D. Lefebvre disse durante a cerimônia das sagrações em 30 de junho de 1988. Falando dos bispos conciliares, ele declarou que seus sacramentos &#8220;são todos duvidosos&#8221; e a razão que ele deu para isso é que &#8220;não sabemos exatamente quais são suas intenções</em>&#8220;. Precisamente, suas intenções são duvidosas na mesma medida em que os novos ritos reformados por Paulo VI são duvidosos. Sabemos que há uma dúvida, quanto à validade, para os dois sacramentos: da extrema-unção e da confirmação, por causa da matéria. Há também dúvida sobre o sacramento da Eucaristia, sobre a Missa, por causa da ambiguidade do novo rito, que pode distorcer a intenção do celebrante. Quanto ao sacramento da Ordem, o problema, se é que existe, é semelhante ao da Missa: só se pode julgar a validade caso a caso, em celebrações concretas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.3 Breve exame crítico</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">11. Retornando, então, em um segundo artigo (11), sobre o dogma da indefectibilidade da Igreja, o Pe. Vernier oferece uma avaliação teológica que essas diferentes posições mereciam, tais cono suporiam em sua raiz comum esse sedevacantismo oculto. Essa avaliação se baseia em três argumentos, que levam à conclusão de que a tese incriminada se opõe à visibilidade da Igreja e, portanto, à sua própria natureza e, consequentemente, também à sua indefectibilidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">12. De acordo com a própria vontade de Deus, a Igreja é uma sociedade perfeita e visível. Essa visibilidade, então, passa, necessariamente, pela hierarquia e seus atos próprios, que são a pregação das verdades da fé (decorrentes do poder do Magistério), o governo dos fiéis (decorrente do poder da Jurisdição) e a administração dos sacramentos (decorrente do poder da Ordem). O sedevacantismo oculto nega essa visibilidade na exata medida em que nega a realidade do triplo poder hierárquico – pelo menos tal como em seu sujeito aparente – e, da mesma forma, nega a validade da administração dos sacramentos. &#8220;A Igreja&#8221;, diz nosso autor, &#8220;<em>não pode ser governada somente por Cristo independentemente da hierarquia, nem esperar indefinidamente por uma intervenção milagrosa para se restaurar: seus poderes de santificação (sacramentos), ensino (magistério) e governo (jurisdição ordinária) devem ser preservados. Assim, o sedevacantismo oculto e as posições que, explícita ou implicitamente, levam ao desaparecimento total da Igreja como sociedade perfeita e visível.&#8221;</em>Essa visibilidade social da eclesialidade universal não pode ser alcançada por comunidades que defendem as posições mencionadas, de um lado, porque não a reivindicam e, por outro, porque nelas não aparecem as notas que deveriam atestá-la. A Igreja visível &#8220;<em>não é identificada por esses grupos com suas próprias comunidades – mais ou menos restritas. Além disso, é evidente que nenhuma delas possui as quatro notas próprias da Igreja: unidade, santidade, catolicidade, apostolicidade, e que nenhuma tem um cardeal nomeado pelo verdadeiro Papa, nem mesmo um bispo legitimamente ordenado e nomeado.</em>&#8220;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">13. Por outro lado, para retomar a expressão do nosso confrade da Fraternidade São Pio X, Pe. Álvaro Calderón(12), &#8220;<em>a não notoriedade é algo notório</em>&#8220;, e hoje é evidente que a grande maioria dos católicos psicologicamente equilibrados e doutrinalmente bem formados não considera que os Papas tenham deixado de ser Papas. Esse é o argumento que o Pe. Vernier gostaria de apresentar aqui: a tese do sedevacantismo oculto é propriamente improvável, tanto como sedevacantismo quanto como oculto. &#8220;<em>O sedevacantismo oculto equivale a afirmar que um fato tão importante e tão impactante como a vacância da Sé Apostólica é ignorado pela quase unanimidade dos fiéis e de todos os bispos atuais</em>.&#8221; O que é outra maneira de negar a visibilidade da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">14. Finalmente – este é o terceiro e último argumento – a aceitação pacífica da eleição de um Papa constitui, por parte da Igreja universal, um sinal suficientemente probatório, contra o qual a tese do sedevacantismo oculto não pode permanecer válida. &#8220;<em>O sedevacantismo oculto e as teses que dele decorrem são, portanto, igualmente contrários à doutrina católica da aceitação pacífica da Igreja universal, como sinal objetivo e visível da ocupação da Sé de Pedro por um verdadeiro Papa, investido da autoridade suprema para toda a Igreja. A aceitação pacífica universal significa que, quando todos os bispos legítimos da Igreja reconhecem <strong>uma pessoa </strong>como Papa, essa pessoa é o Papa legítimo: é impossível que todos os pastores da Igreja reconheçam, unanimemente, sem contestação significativa, um antiPapa</em>&#8220;. Nosso padre não tem dificuldade em reivindicar aqui, em apoio às suas afirmações, as referências mais incontestáveis da eclesiologia, o cardeal Louis Billot e o cardeal Charles Journet.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">15. Em suma, toda a argumentação gira em torno da ideia da visibilidade da Igreja, querida por Deus através da visibilidade de sua cabeça, o Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo. A tese do sedevacantismo oculto se opõe a ela de três maneiras: diretamente, na medida em que nega a realidade de uma hierarquia visível; indiretamente, na medida em que postula o que ninguém tem evidência dentro da Igreja e na medida em que contradiz o que todos têm evidência dentro da mesma Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">16. A conclusão final do nosso padre assume, então, a forma indicada acima: o sedevacantismo oculto, seja prático ou teórico, representa &#8220;<em>uma posição contrária à Revelação</em>&#8220;, uma posição &#8220;<em>contrária à fé na indefectibilidade da Igreja, na sua unidade, na sua perpetuidade, na sua visibilidade</em>&#8220;. Conduz &#8220;<em>a um verdadeiro eclesiovacantismo</em>&#8220;, na medida em que, ao negar a realidade visível do Papa, nega, por si mesmo, a realidade visível da Igreja. Negação que, do ponto de vista do que seria o estado de espírito ou a atitude psicológica de seus defensores, se caracteriza por &#8220;<em>uma irreparável falta de realismo, de espírito de nuance e analogia, e de confiança na promessa de Cristo</em>&#8220;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">17. Uma posição contrária à Revelação, contrária à fé nos principais dogmas da eclesiologia: não é esta uma posição estritamente herética? Pois a heresia é claramente definida como a negação ou o simples questionamento de uma verdade revelada por Deus e proposta como tal pelo Magistério da Igreja, o que lhe confere o valor de um dogma. Nosso Pe. Hilaire Vernier não o diz, mas necessariamente decorre de suas palavras: a tese do sedevacantismo oculto, tal como ele a descreve, representa nem mais nem menos que uma heresia. E a Fraternidade São Pio X, da qual se diz claramente – ainda que na nota 7 – que inscreve a sua posição nos pressupostos radicais desse &#8220;<em>sedevacantismo oculto</em>&#8220;, basearia toda a sua atitude em uma tese herética, contrária à fé na indefectibilidade da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">18. Já éramos, aos olhos do Pe. de Blignières, francos cismáticos(13). E eis-nos agora, nas palavras de um padre da Fraternidade São Pedro, designados como igualmente verdadeiros hereges.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><em><strong>Continua na Parte 2 (<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/cismaticos-e-hereges-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx-parte-22/">clique aqui</a></span>)</strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Notas:</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1)  Motu proprio <em>Ecclesia Dei afflicta,</em> n° 4.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(2)  Motu proprio <em>Ecclesia Dei afflicta,</em> n° 5.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(3)  Motu proprio <em>Ecclesia Dei afflicta,</em> n° 5.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(4)   Veja as edições de julho-agosto, outubro e novembro de 2022 do <em>Courrier de Rome</em>. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(5)   Nas páginas de 13 e 19 de julho de 2023 do Site &#8220;Claves&#8221;, com um artigo em duas partes, intitulado: &#8220;Uma Igreja sem Papa? (1) e (2)&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(6)  &#8220;Uma Igreja sem Papa? (1)&#8221; na página de 13 de julho do site &#8220;Claves&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(7)  O Pe. Vernier os identifica como tal na nota 6 de &#8220;Uma Igreja sem Papa? (2)&#8221; na página de 19 de julho do site &#8220;Claves&#8221;. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(8)  Uma Igreja sem Papa? (1)&#8221; na página de 13 de julho do site &#8220;Claves&#8221;. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(9)  &#8220;Uma Igreja sem Papa? (1)&#8221; na página de 13 de julho do site &#8220;Claves&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(10)  &#8220;Uma Igreja sem Papa? (1)&#8221; na página de 13 de julho do site &#8220;Claves&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(11)  &#8220;Uma Igreja sem Papa? (2)&#8221; na página de 19 de julho do site &#8220;Claves&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(12)   Essa é a opinião expressa pelo Padre Calderón em <em>Le Sel de la terre</em> , n.º 47 (inverno de 2003–2004), pp. 73–74.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(13)  Veja as edições de julho-agosto, outubro e novembro de 2022 do <em>Courrier de Rome</em>.</span></p>
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		<title>COM OU SEM MANDATO? SOBRE AS FUTURAS SAGRAÇÕES NA FSSPX</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 14:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX Fonte: Courrier de Rome n° 687 &#8211; Tradução: Dominus Est Esse artigo é uma continuação do UMA LEITURA CUIDADOSA? SOBRE AS FUTURAS SAGRAÇÕES NA FSSPX 1 &#8211; Direito Divino e Direito Eclesiástico 1. Em todos os textos &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/com-ou-sem-mandato-sobre-as-futuras-sagracoes-na-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2020/07/histoire-1988-les-sacres-galerie4.jpg" alt="" width="531" height="343" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/publication/le-courrier-de-rome-n687-est-paru-juin">Courrier de Rome n° 687</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Esse artigo é uma continuação do <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/uma-leitura-cuidadosa/">UMA LEITURA CUIDADOSA? SOBRE AS FUTURAS SAGRAÇÕES NA FSSPX</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1 &#8211; Direito Divino e Direito Eclesiástico</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1. Em todos os textos em que Pio XII fala da sagração episcopal realizada sem mandato apostólico,(1) é tratado da sagração conferida com jurisdição. Ora, a sagração conferida com jurisdição só constitui uma violação ao direito divino quando é conferida sem mandato apostólico e contra a vontade do Papa. A passagem da <em>Encíclica Ad Apostolorum Principis</em>em que Pio XII caracteriza essa violação do direito divino utiliza a expressão &#8220;<em>contra jus fasque</em>&#8220;, que designa tanto o direito humano <em>(&#8220;jus&#8221;)</em>quanto o divino <em>(&#8220;fas&#8221;)</em>. Aqui, mais uma vez, é importante ter uma compreensão bastante clara do que esses conceitos implicam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2. O direito divino é o objeto da lei divina, imediatamente promulgada por Deus. É costume distinguir entre direito divino natural e direito divino positivo. O direito divino natural equivale à lei natural, isto é, a expressão da ordem moral estabelecida por Deus, autor da ordem natural por meio de sua criação, expressão presente para todos os homens. O direito divino positivo é o objeto de uma lei da qual Deus é o autor e que Ele promulgou por meio de sua Revelação sobrenatural (em oposição à lei divina natural). O direito eclesiástico é o objeto da lei humana promulgada pela Igreja para o bem comum de toda a sociedade eclesiástica e que obriga todos os fiéis batizados a partir dos 7 anos de idade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3. Pode-se dizer que um poder é de direito divino ou de direito eclesiástico em três sentidos diferentes.</span><span id="more-33392"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4. No primeiro sentido, esse poder é de direito divino ou de direito eclesiástico do ponto de vista de sua necessidade ou de sua própria existência. É de direito divino que, na Igreja, existam, como partes do poder da Ordem, o sacerdócio e o diaconato, sendo o episcopado o grau superior do sacerdócio, cujo grau inferior é o presbiterato. (2) E, segundo a opinião mais provável, é também de direito divino que, na Igreja, existam os poderes correspondentes às quatro Ordens menores. Mas é de direito eclesiástico que exista, na Igreja, o poder de jurisdição dos patriarcas, arcebispos ou párocos, ou o poder de impor o escapulário de Nossa Senhora do Carmo e de abençoar medalhas milagrosas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5. No segundo e terceiro sentidos, o poder é de direito divino ou eclesiástico, do ponto de vista de sua necessidade ou existência em relação a uma dada circunstância, por exemplo, a existência de um poder em um determinado sujeito. Isso, novamente, significa duas coisas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6. No segundo sentido, isso significa que foi Deus (direito divino) ou a autoridade humana da Igreja (direito eclesiástico) quem decidiu que esse poder existiria em um determinado sujeito distinto. Por exemplo, é de direito divino que, na Igreja, o poder do diácono seja confiado a um sujeito distinto do sacerdote; por outro lado, poderia ser de direito eclesiástico que, na Igreja, o poder de cada uma das quatro Ordens menores seja confiado a tantos sujeitos distintos, tanto do diácono quanto do sacerdote.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">7. No terceiro sentido, a distinção significa que ou Deus (direito divino) ou a autoridade humana da Igreja (lei eclesiástica) age para comunicar esse poder a esse sujeito, isto é, que investe o sujeito com esse poder. Se for Deus, o homem pode cooperar com Ele na conferência desse poder, mas será um mero instrumento: é o caso do bispo que, na ordenação sacerdotal, confere a um diácono o poder (por direito divino no primeiro sentido) de celebrar a Missa, ou que, na sagração episcopal, confere a um sacerdote o poder de conferir a ordenação sacerdotal. Se for a autoridade humana da Igreja, o homem atua como representante de Deus, mas não como um mero instrumento: é o caso do bispo que confere a um pároco o poder (por direito eclesiástico no primeiro e segundo sentidos) de governar uma paróquia; é também o caso do Papa, que concede a um bispo o poder (por direito divino no primeiro e segundo sentidos) de governar uma parte da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">8. São de direito divino, no primeiro sentido, o poder de ordem do diácono, o do sacerdote e o do bispo, bem como o poder de jurisdição do Papa e o dos bispos, sendo o primeiro supremo e universal, o segundo subordinado e restrito. (4) Dito isso, é fácil compreender que, no primeiro sentido, não é por direito divino que pertence ao Papa, e somente a ele, consagrar bispos, isto é, comunicar a um presbítero o poder da ordem episcopal. É por direito divino que pertence a todo bispo (e não apenas ao Bispo de Roma) sagrar outros bispos. A própria comunicação desse poder, tal como ocorre com a sagração de bispos, é então por direito divino no terceiro sentido, isto é, no sentido de que é Deus, e somente Deus, quem comunica esse poder, sendo o bispo consagrante, neste caso, meramente um instrumento. E esse bispo consagrante é, por direito divino, no primeiro sentido, todo bispo, e não apenas o Bispo de Roma. Os fatos bem conhecidos da história passada e presente da Igreja são suficientes para provar isso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">9. Em contrapartida, no primeiro sentido, é por direito divino que cabe ao Bispo de Roma, e somente a ele, conferir a qualquer outro bispo o poder episcopal de jurisdição necessário para governar uma parte da Igreja. A transmissão desse poder episcopal, tal como ocorre com a missão canônica, é, então, de direito eclesiástico no terceiro sentido (visto que é o Bispo de Roma, e não Deus, quem procede por si mesmo à transmissão desse poder).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2 &#8211; O Direito Divino do Papado.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">10. Observemos isto atentamente. Esta última verdade é uma consequência que decorre de outra verdade, que é o seu princípio: é por direito divino que o Bispo de Roma é o chefe supremo de toda a Igreja, isto é, ele possui, como sucessor do Apóstolo São Pedro, o poder episcopal de jurisdição suprema e universal sobre toda a Igreja de Cristo, a Igreja Católica Romana. A verdade de princípio e a consequência que dela decorre são aqui ambas por direito divino, no primeiro sentido, e isso é compreendido por que ambas se expressam no mesmo nível e em relação ao mesmo objeto, que é o poder episcopal de jurisdição divinamente instituído (ou por direito divino no primeiro sentido). Mas, apesar de tudo isso, nem toda comunicação de todo poder pertence necessariamente, na santa Igreja de Deus, somente ao Bispo de Roma, e, supondo que pertença a ele e somente a ele, este fato não decorre necessariamente do direito divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">11. Em outras palavras, se uma das consequências do mesmo princípio necessário também é necessária (porque é de direito divino no primeiro sentido), não se segue disso que todas as outras consequências desse mesmo princípio também sejam necessárias. Do mesmo princípio necessário (ou de direito divino no primeiro sentido) podem, de fato, decorrer consequências ora necessárias, ora contingentes (e, portanto, de direito eclesiástico apenas no primeiro sentido). (5) Vemos claramente, aliás, que o Governo divino impõe a necessidade a certas criaturas, mas implica a contingência e a liberdade de outras. E, no entanto, esse Governo permanece ele próprio necessário (e de direito divino!) em todos os seus atos, e o é precisamente como Governo de Deus, e não como o de qualquer IA (Inteligência Artificial).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">12. Certamente que sim, o Papa é, por direito divino, o chefe de toda a Igreja. E daí decorre que cabe somente a ele permitir que outros participem desse poder de jurisdição que ele possui em plenitude, sendo essa plenitude de poder a de Cristo, cujo vigário é o Bispo de Roma — e a exclusividade desse poder decorre de direito divino. Disso também decorre que a transmissão de qualquer outro poder na Igreja deve depender, de uma forma ou de outra, da vontade do Papa. Mas disso não decorre necessariamente que a transmissão de qualquer outro poder na Igreja dependa unicamente da vontade do Papa, nem que essa dependência, se verificada, derive de direito divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">13. Como já indicamos, (6) somente a sagração de um bispo, à qual está vinculada atribuição de um poder de jurisdição, depende, por direito divino, da vontade exclusiva do Papa. A sagração de um bispo, à qual não está vinculada a outorga de um poder de jurisdição, certamente depende da vontade do Papa, mas essa dependência não se baseia em direito divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3 &#8211; Com ou sem mandato? O sofisma do <em>La Nef</em> e dos eclesialistas.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">14. O raciocínio do <em>La Nef</em>é duplamente falso. É falso porque acumula citações do Magistério sem dar a compreensão exata delas, confundindo a consagração com jurisdição (da qual falam os textos de Pio XII e todos os outros textos citados) e a sagração sem jurisdição. É falso também porque busca autorizar uma inferência indevida: sendo o Papa a cabeça de toda a Igreja por direito divino, qualquer transferência de poder que dele dependa, dependeria dele em virtude do mesmo direito divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">15. Esse raciocínio é o seguinte: uma sagração conferida, com ou sem jurisdição, contra a vontade do Papa constitui uma violação do direito divino. No entanto, as sagrações episcopais sem jurisdição realizadas na Fraternidade São Pio X são conferidas contra a vontade do Papa. Portanto, as sagrações episcopais realizadas na Fraternidade São Pio X constituem uma violação do direito divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">16. A primeira premissa seria comprovada: primeiro, pelos textos do Magistério e, segundo, pela inferência assinalada, a saber, que, sendo o Papa o chefe da Igreja por direito divino, toda a comunicação de todo o poder na Igreja pertence, por direito divino, ao Papa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">17. Negamos esta primeira premissa na medida em que afirma que a sagração conferida, mesmo sem jurisdição, constitui uma violação do direito divino, e a aceitamos na medida em que afirma que a sagração conferida com jurisdição constitui uma violação do direito divino. E quando a negamos, negamos, por um lado, que os textos do Magistério falem de qualquer coisa além da sagração conferida com jurisdição, e negamos, por outro lado, a inferência assinalada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>4 &#8211; O Estado de Necessidade. </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">18. Embora a sagração de um bispo sem jurisdição, realizada contra a vontade do Papa, represente normalmente uma violação do direito eclesiástico, neste caso, e como tal, constitui nada menos do que um ato de desobediência, ou seja, uma grave injustiça, a injustiça aqui consistindo em não retribuir à autoridade o que lhe é devido, em consideração ao bem comum. Portanto, circunstâncias extraordinárias podem exigir tal sagração, precisamente por motivos de justiça, quando a autoridade abusa do seu poder e coloca gravemente em perigo o bem comum, isto é, quando existe o que se chama de &#8220;<em>estado de necessidade</em>&#8220;. Devido a este estado de necessidade, não há injustiça e, portanto, nenhuma desobediência em consagrar bispos — sem lhes conceder jurisdição — contra a vontade do Papa. De fato, o estado de necessidade é aquele em que é o próprio Papa quem comete a injustiça, negando aos membros da Igreja a oportunidade de prover para si mesmos pastores verdadeiramente bons. A gravidade dessa injustiça obriga todo bispo na Igreja a recusar ao Papa o que seria uma falsa obediência (e, na realidade, uma verdadeira cumplicidade na injustiça) e autoriza-o igualmente a prover aos membros da Igreja os pastores verdadeiramente bons de que necessitam e a sagrar bispos para esse fim, sem lhes conceder jurisdição ordinária. A chamada jurisdição de suplência, se houver, será apenas a resposta dada por esses bispos às necessidades das almas que a eles recorrem pedindo a administração dos verdadeiros sacramentos e a pregação da doutrina da verdadeira fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">19. Em última análise, tudo depende desse estado de necessidade e da correta avaliação das circunstâncias atuais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;<em>Vocês tem um mandato apostólico</em>?&#8221; [solicita o cerimonial da sagração dos bispos, 30 de junho de 1988.] </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;<em>Nós o temos</em>!&#8221; [responde o D. Lefebvre.] </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;<em>Que seja lido</em>!&#8221; </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; &#8220;<em>Nós o temos da Igreja Romana que, em sua fidelidade às sagradas tradições recebidas dos apóstolos, nos ordena que transmitamos fielmente essas sagradas tradições – isto é, o depósito da fé – a todos os homens, em virtude do dever de salvar suas almas. Dado que, desde o Concílio Vaticano II até hoje, as autoridades da Igreja Romana têm sido movidas por um espírito modernista, agindo contrariamente à Sagrada Tradição – &#8220;não suportam mais a sã doutrina, desviando os ouvidos da verdade e voltando-se das fábulas&#8221;, como diz São Paulo a Timóteo em sua Segunda Epístola (IV, 3-5) – consideramos sem peso todas as punições e censuras impostas por essas autoridades.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">D. Lefebvre, &#8220;<em>Texto do mandato lido em 30 de junho de 1988</em>&#8221; em Fideliter nº 65 (setembro-outubro de 1988), p. 11.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">CONTINUA&#8230;.</span></strong></p>
<p style="text-align: left;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1) Ver o artigo &#8220;Uma Leitura Diligente&#8221; nesta edição do Courrier de Rome.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(2) Charles Journet, A Igreja do Verbo Encarnado, Volume I, § 3 do L&#8217;Excursus II, p. 134, nota 5. Veja o artigo &#8220;O Episcopado&#8221; na edição de setembro de 2019 do Courrier de Rome.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(3) Até o século III, todos eram exercidos pelo diácono.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(4) Veja o Código de Direito Canônico de 1917, cânon 108, § 3: &#8220;De instituição divina, a hierarquia sagrada, fundada no poder de ordem, é composta por bispos, presbíteros e ministros; fundada no poder de jurisdição, inclui o pontificado supremo e o episcopado subordinado; de instituição eclesiástica, outros graus foram acrescentados.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(5) Este ponto é enfatizado por Santo Tomás de Aquino diversas vezes na Prima pars da Summa Theologica: Questão XIV, artigos 11 e 13 (sobre o conhecimento divino); Questão XIX, artigos 6 e 8 (sobre a vontade divina); Questão XXII, artigo 4 (sobre a Providência); Questão XXIII, artigos 5 e 6 (sobre a Predestinação); Questão CIII, artigos 7 e 8 (sobre o governo divino).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(6) Veja o artigo &#8220;Uma Leitura Diligente&#8221; nesta edição do Courrier de Rome.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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