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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Patrick de La Rocque</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>CONTEMPLANDO UMA VIRGEM E O MENINO</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Feb 2025 17:17:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>

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		<description><![CDATA[Quer seja esculpida ou pintada, a Virgem com o Menino sempre deslumbra. Três motivos levam a isso, enquanto o quarto, mais surpreendente, é carregado de lições. Fonte: Lou Pescadou n° 251 – Tradução: Dominus Est Naturalmente, toda mãe que carrega seu &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/contemplando-uma-virgem-e-o-menino/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/01/image.jpg" alt="" width="256" height="336" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Quer seja esculpida ou pintada, a Virgem com o Menino sempre deslumbra. Três motivos levam a isso, enquanto o quarto, mais surpreendente, é carregado de lições.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/01/Lou-Pescadou-251-2502.pdf">Lou Pescadou n° 251</a> </span><span style="color: #000000;">– Tradução:</span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/"> Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Naturalmente, toda mãe que carrega seu recém-nascido canta por si só o magnífico mistério da vida, ao qual ninguém pode permanecer insensível. Nela se cumpre a missão primordial e fundamental confiada à natureza do homem: transmitir a tão bela chama da vida. Eis aí a primeira alegria, perfeitamente natural, enquanto as demais são acessíveis apenas pela fé. Estas últimas são descobertas olhando, alternadamente, a mãe, depois o filho, e, enfim, o olhar que os une.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabemos que esta mãe é uma Virgem. Este imenso mistério só pode proporcionar uma grande alegria, aquela que produz esperança (Rm 12, 12). Maria, que sabemos ser imaculada, deu a vida, ainda que sempre virgem! No seio de um mundo universalmente manchado pelo pecado, uma nova Eva então se levanta, verdadeira mãe dos vivos (Cf. Gn 3, 20). Dela nascerá uma nova descendência (Cf. Gn 3, 15), livre do pecado. Mãe da esperança, aurora da salvação, essa Virgem mãe é verdadeiramente a causa de nossa alegria.</span><span id="more-32732"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, o maior dom é evidentemente o Filho. Este filho é Filho-Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Em outras palavras, Aquele que tem a Vida em si mesmo (Jo 5, 26), que é a Vida (Jo 14, 6), se fez, por nós, simples vida humana. Infinito, Ele se fez pequeno. Onipotente, Ele se fez criança. Eterno, Ele se fez mortal. Estes paradoxos inauditos descrevem o único e imenso paradoxo da misericórdia divina: este Deus, a quem tudo é devido, se fez por nós o Deus-dado! Em sua humanidade assim assumida, Jesus é ao mesmo tempo o consagrado de Deus por excelência e o sumo-sacerdote dos bens futuros (He 9, 11). Ele assumiu a carne para fazer a única coisa que Ele não podia fazer enquanto Deus: sofrer! Sofrer por nós, em nosso nome, a fim de oferecer sua vida e expiar, em sua morte, o nosso pecado. Só podemos nos deslumbrar e adorar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O mais surpreendente, não obstante, é o olhar que este Filho divino tem por sua mãe: em tudo, Ele quis ser-lhe dependente. Neste mundo, seu futuro está em suas mãos. Seguramente, toda criança recebe tudo de sua mãe, e isso, cotidianamente. Outrossim, pode-se dizer que o futuro de todo recém-nascido está nas mãos de sua mãe. Todavia, aqui, se trata muito mais. Recordamos, em primeiro lugar, que Deus colocou tudo nas mãos da humanidade de Cristo: Todo poder me foi dado no céu e sobre a terra (Mt 28, 18), dirá Jesus enquanto homem. Ora, eis que este mesmo Jesus coloca nas mãos da Santíssima Virgem sua humanidade, aquela pela qual Ele é o consagrado de Deus por excelência, o sumo-sacerdote dos bens futuros. Logo, pode-se dizer, de um certo modo, que Deus confia seu futuro neste mundo a mãos simplesmente humanas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso era verdade ontem, com a Virgem Maria, logo: a encarnação foi suspensa em seu <em>Fiat</em>. Uma vez nascido, Ele se deixará carregar: “<em>Maria carrega em seu seio Aquele que carrega o mundo</em>”, extasiava-se São Bernardo. Além de uma dependência física evidente nos primeiros anos, existe ainda uma dependência voluntária, que Cristo quis viver: <em>et erat subditus illis </em>(Lc 2, 51) é dito dele. Em tudo, Ele lhe era submisso. Jesus a José e Maria, um Deus a simples homens.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que era verdadeiro ontem o é sempre: Deus confia à Igreja sua presença neste mundo, seu futuro aqui na terra. Isso é verdade, inicialmente, em cada um de nós. Pela graça, Deus habita nossa alma, age nela e através dela. Mas esta presença e seu alcance depende de cada um, de sua docilidade ou não à obra de Deus em si: os santos propagarão Deus no mundo. Os pecadores continuarão a matá-lo…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta verdade é válida ainda para a Igreja tomada em seu conjunto, ela, que nada mais é do que Jesus Cristo difundido e comunicado, de acordo com a tão justa palavra de Bossuet. O futuro da Igreja e, portanto, de Deus neste mundo, nos é confiado a todos. Membros da Igreja, diz São Pedro, somos pedras vivas destinadas a construir o edifício (1 Pe 2, 5; Col 2, 21), ou seja, a Igreja. Certamente, Cristo, consagrado de Deus por excelência, continua sua intercessão neste mundo, principalmente pelas almas consagradas. Certamente, Cristo, sumo-sacerdote dos bens futuros, purifica e santifica o mundo por seus sacerdotes. Isso significa que o futuro de Deus no mundo despende, primeiramente, da santidade e do número das vocações religiosas e sacerdotais. Todavia, Jesus se dirigia a nós todos quando Ele dizia: a messe é grande, e os operários são poucos. Pedi, pois, ao mestre da messe, a fim que ele envie operários à sua messe (Mt 9, 37-38). Logo, pode-se dizer que, assim como Jesus colocou seu futuro terrestre na dependência de Maria, assim, também a nós – cada um ao seu modo – Cristo, em sua Igreja, quis ser dependente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estas luzes indicam porque o Pe. Pagliarani, em sua última carta aos Amigos e Benfeitores, nos convida a uma grande cruzada do rosário, a fim de pedir, ao longo deste ano jubilar, santas e numerosas vocações, quer sejam religiosas ou sacerdotais. Não há maior meio para satisfazer o bem da Igreja, e, portanto, do mundo.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Patrick de La Rocque, FSSPX</strong></span></p>
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		<title>A HISTÓRIA DA ORAÇÃO DO ÂNGELUS</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Nov 2024 14:41:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Orações e Piedade]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>

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		<description><![CDATA[O Angelus deriva seu nome das primeiras palavras que evocam o relato da Anunciação: Angelus Domini nuntiavit Mariæ: &#8220;o Anjo do Senhor anunciou a Maria&#8221;&#8230; que ela seria a mãe do Salvador. É, tradicionalmente, recitado pela manhã, ao meio-dia e à &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-historia-da-oracao-do-angelus/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.asia/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/district-asia/image_123650291.jpg?itok=_m9jsFTO" alt="" width="555" height="323" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O Angelus deriva seu nome das primeiras palavras que evocam o relato da Anunciação: </span><em><span class="tm8">Angelus Domini nuntiavit Mariæ</span></em><span class="tm7">: &#8220;o Anjo do Senhor anunciou a Maria&#8221;&#8230; que ela seria a mãe do Salvador. É, tradicionalmente, recitado pela manhã, ao meio-dia e à noite, por exemplo, antes das refeições.</span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.asia/en/news/history-angelus-prayer-47851">FSSPX Ásia</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">De acordo com uma placa na catedral de Saintes (Charente-Maritime), a origem dessa oração pode ser atribuída a esse local: &#8220;</span><em><span class="tm8">Foi a partir dessa basílica que o Ângelus se espalhou para conquistar o mundo. Em 1095, no Concílio de Clermont, o Papa Urbano II solicitou que os sinos das catedrais e das igrejas da cristandade fossem tocados, de manhã e à noite, para que fossem feitas orações à Virgem Maria pelo sucesso da Primeira Cruzada, conhecida como a Cruzada dos Pobres</span></em><span class="tm7">”. Naquela época, o Ângelus consistia apenas na simples recitação de três Ave-Marias pela manhã e à noite. Invocar a Mãe de Deus com a Saudação Angélica não era algo insignificante, pois os muçulmanos rejeitavam precisamente o mistério da Encarnação e, consequentemente, a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Rezar por eles, e mesmo em seu nome de certa forma, só poderia trazer-lhes graças da conversão.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Após o término da Primeira Cruzada, a Catedral de Saintes continuou a tocar seus sinos e a fazer orações de manhã e à noite. Dois séculos depois, o papa francês João XXII recomendou que esse piedoso costume fosse estendido à Igreja universal (</span><em><span class="tm8">Bula Quam pium quam delicium</span></em><span class="tm7">, 13 de outubro de 1318, e </span><em><span class="tm8">Saluternum illud</span></em><span class="tm7">, 3 de maio de 1327).</span></span><span id="more-32374"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Mais um século se passaria, e após um novo desastre na cristandade, essa oração também seria feita não apenas pela manhã e à noite, mas também ao meio-dia. O ano de 1453 marcou, de fato, a queda de Constantinopla para os turcos e o fim do Império Bizantino. Essa vitória não deteve o líder otomano, Mehmed II. Travando uma guerra implacável contra os venezianos e genoveses ainda presentes no Mediterrâneo Oriental, ele logo obteve uma vitória após a outra. Assim, em 1456, para enfrentar essa ameaçadora expansão do Islã, o Papa Calisto III estendeu a recitação das três Ave-Marias não apenas para a manhã e a noite, mas também para o meio-dia, “</span><em><span class="tm8">pela conversão do Islã e pela paz</span></em><span class="tm7">”. Essa prescrição foi renovada pelos papas Sisto IV (1476) e Alexandre IV (1500).</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Será que essa oração deteve o Islã às portas da Europa? É possível supor que sim. De fato, enquanto Mehmet II havia tomado posse de algumas ilhas venezianas no Adriático (1479), um de seus vizires desembarcou na Itália e conquistou Otranto (12 de agosto de 1480), massacrando 12.000 vítimas. Mas em 1481, Mehmet II teve um mal subto, atingido por uma doença desconhecida. Ele tinha apenas 49 anos. Sua morte e a disputa sucessória que se seguiu marcaram o fim das conquistas muçulmanas em terras europeias. Não seria irracional pensar que o Ângelus de Calisto III desempenhou um papel nesse fato&#8230;</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Mas o Ângelus só tomou sua forma final, como o conhecemos hoje, sob o Papa da vitória em Lepanto (1571), São Pio V. A fórmula atualmente em uso apareceu pela primeira vez na revisão do Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria, solicitada por este papa dominicano. Essa breve história nos lembra como, neste século 21, a oração do Ângelus continua relevante. Rezar dessa forma à Santíssima Virgem Maria pela manhã, ao meio-dia e à noite, recordando o mistério da Encarnação, é uma maneira poderosa de pedir a conversão dos muçulmanos e a paz.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">Pe. Patrick de la Rocque, FSSPX</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">℣. O Anjo do Senhor anunciou a Maria: </span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">℟. E ela concebeu do Espírito Santo. </span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.<br />
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">℣. Eis a escrava do Senhor, </span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">℟. Faça-se em mim segundo a vossa palavra. Ave Maria&#8230;</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">℣. E o Verbo se fez carne, </span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">℟. E habitou entre nós. Ave Maria&#8230;</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">℣. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, </span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Oremos: Infundi, Senhor, em nossas almas a Vossa graça, para que nós, que conhecemos, pela Anunciação do Anjo, a Encarnação de Jesus Cristo, Vosso Filho, cheguemos, por sua Paixão e morte na cruz, à glória da Ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. </span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">℟. Amém.</span></p>
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		<title>POR QUE REZAR À SANTÍSSIMA VIRGEM?</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Oct 2024 13:46:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>

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		<description><![CDATA[Tão familiar a todo cristão digno desse nome, a devoção à Bem-Aventurada Virgem Maria é uma interrogação àqueles que, recentemente, entraram pela porta de uma igreja, ainda habitado por uma confusa sede de Deus. Por que, pergunta ele, rezar assim à &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/por-que-rezar-a-santissima-virgem/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2021/02/David-Gerard-1460-1523-Primitifs-flamands-Bruges-001.jpg" alt="" width="497" height="286" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Tão familiar a todo cristão digno desse nome, a devoção à Bem-Aventurada Virgem Maria é uma interrogação àqueles que, recentemente, entraram pela porta de uma igreja, ainda habitado por uma confusa sede de Deus. Por que, pergunta ele, rezar assim à Santíssima Virgem?</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/09/Lou-Pescadou-247-Pourquoi-prier-la-sainte-Vierge-2410.pdf">Lou Pescadou n° 247</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história da Anunciação (Lc 1, 26-38) descreve, por si só, a missão principal da Santíssima Virgem e, assim, o motivo principal de nossas orações a ela: cabe a Maria apresentar Deus ao mundo. O anjo Gabriel, mensageiro divino, não lhe pede nada mais que isso! Ele lhe anuncia o plano divino da salvação, como Deus quer tomar a carne dela, para expiar em sua carne os pecados do mundo. Nesse momento, o Céu e a terra pareciam expectar a aceitação de Maria. E eis que seu sim ressoa em magníficas palavras: <em>Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.</em> Ela, imediatamente, torna-se a mãe de Deus, gerando, por assim dizer, Deus no mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Longe de ser um evento simples e pontual, sua missão de trazer Deus ao mundo se perpetua ao longo dos séculos. Aos pés da cruz, Maria vê a sua missão maternal estender-se a todos os <em>homens que são objeto da boa vontade</em> (cf. Lc 2,13). Com efeito, Cristo, apontando o discípulo que amava – e, portanto, cada um de nós – disse-lhe: <em>Eis o teu filho</em> (Jo 19,26). Desde aquele dia, a Santíssima Virgem tem sido nossa Mãe Celestial. Cabe a ela, portanto, como mãe, trazer Deus para nossas vidas e nos aprofundar cada vez mais na vida de Deus. Uma criança não descobre o mundo através dos olhos de sua mãe? Eis então o primeiro e fundamental motivo da nossa oração à Virgem Maria: por meio de sua intercessão, Deus se entrega a nós, enquanto ela nos ensina a nos entregarmos a Deus.</span><span id="more-32208"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O segundo motivo da nossa devoção mariana encontra seu fundamento nas primeiras páginas do Gênesis. Através dos seus pecados, Adão e Eva foram derrotados pelo demônio, estabelecido agora como “<em>príncipe deste mundo</em>”. Adão, por ser o princípio da humanidade, havia, de fato, arrastado esta última em sua escravidão ao mal do qual, espantado, ele descobriu a realidade.  Foi então que Deus prometeu, em sua misericórdia, que essa mesma humanidade, longe de permanecer escravizada pelo pecado, seria um dia vitoriosa sobre o demônio, precisamente por meio de uma mulher e de um homem: “<em>Porei inimizades entre ti e a mulher”, </em>disse ele ao demônio<em>, “entre a tua posteridade e a posteridade dela”</em> (Gn 3,15). E Deus acrescenta imediatamente que essa restauração de uma parte da humanidade exigiria batalhas terríveis: <em>ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar </em>(Gn 3,15). Nessas batalhas, que devemos travar todos os dias para sermos contados, em Cristo, entre a raça de Deus, a Santíssima Virgem tem, portanto, um lugar muito especial, em união com o seu divino Filho: ela esmagará a cabeça do demônio! Precisamente por ser nossa mãe, a Santíssima Virgem é a nossa força nessa batalha cristã: não é responsabilidade de uma mãe proteger o seu filho contra todos os perigos? São Bernardo não hesitou em dizer, falando da Santíssima Virgem: “<em>Se ela segurar a tua mão, não cairás. Se ela te proteger, você não terá medo. Se ela estiver com você, você certamente alcançará seu objetivo.</em>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que possamos, neste mês de outubro que lhe é consagrado, fazer crescer uma devoção mariana que seja tão verdadeira quanto eficaz.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Patrick de La Rocque, FSSPX</strong></span></p>
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		<title>CARTA A UM FIEL SOBRE O SEDEVACANTISMO</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/carta-a-um-fiel-sobre-o-sedevacantismo/</link>
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		<pubDate>Sat, 31 Aug 2024 14:01:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>
		<category><![CDATA[Sedevacantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Le Pescadou nº235 &#8211; Tradução: Dominus Est Pelo Pe. Patrick de La Rocque. Prezado Senhor, Por carta, o Sr. compartilhou comigo seus questionamentos relativos ao sedevacantismo. Com efeito, para quem aceita abrir os olhos com isenção e espírito sobrenatural, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/carta-a-um-fiel-sobre-o-sedevacantismo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Standard tm9" style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://www.acidigital.com/images/san-abundio-120424-1.webp?w=680&amp;h=378" alt="Roma sedia Encontro Internacional de Párocos em preparação ao Sínodo da Sinodalidade" width="587" height="331" /></p>
<p class="Standard tm9" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/09/Lou-Pescadou-235-2309.pdf"> Le Pescadou nº235</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Standard tm9" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pelo Pe. Patrick de La Rocque</strong></span>.</p>
<p class="Standard tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Prezado Senhor,</span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Por carta, o Sr. compartilhou comigo seus questionamentos relativos ao sedevacantismo.</span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Com efeito, para quem aceita abrir os olhos com isenção e espírito sobrenatural, a situação que a Igreja, em geral, e o papado, em particular, atravessam desde meio século é terrivelmente desconcertante. Ao passo que o “</span><em><span class="tm12">Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para revelar uma nova doutrina, mas para, com a sua assistência, guardar santamente e expor fielmente a revelação transmitida pelos apóstolos, ou seja, o depósito da fé</span></em><span class="tm10">” (Vaticano I, </span><em><span class="tm12">Const. Pastor æternus</span></em><span class="tm10">), é patente que os papas recentes, infelizmente, se servem de sua posição não para este objetivo, mas, ao contrário, para promover uma doutrina humanista e liberal repetidamente condenada por seus predecessores. E não hesitam em levar essa utopia até as suas consequências mais dramáticas. Assim, vimos João Paulo II beijar o Corão e invocar São João Batista para que ele proteja o Islã, ou o papa Francisco celebrar a </span><em><span class="tm12">Pachamama</span></em><span class="tm10"> no Vaticano. Da mesma forma, os mais consagrados princípios morais são atualmente enfraquecidos ao ponto de legitimar a comunhão dos divorciados recasados e dos protestantes, ou de provocar a quase dominação dos lobbys LGBT+ na linguagem oficial da Igreja. Tudo isso acontece sobre as cinzas da Tradição católica, renegada em muitos pontos, inclusive em sua liturgia. Esses papas, aliás, baniram oficialmente a Tradição bimilenar da Igreja quando condenaram aqueles que, ao rejeitarem esses princípios errôneos e suas consequências blasfematórias, quiseram permanecer fiéis ao depósito da fé que o ofício pontifício tem, precisamente, a missão de defender.</span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">À luz dessas traições romanas, surgiram o que denominamos de teses sedevacantistas. Plurais, todas se recusam, de um modo ou de outro, a reconhecer o(s) papa(s) atual(ais) como sucessor(es) de Pedro. Um papa, dizem seus defensores, não pode ensinar o erro e promovê-lo permanecendo papa. Assim, consideram “vacante” a “Sé” de Pedro, de onde o termo sedevacantismo.</span><span id="more-32064"></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Diante destas teses sedevacantistas, diz-me o Sr., o posicionamento da Fraternidade São Pio X parece-lhe vago, covarde, até mesmo contraditório. Inicialmente vago, pois o próprio Dom Lefebvre, em várias de suas intervenções, parece ter aberto a porta a essas teses sedevacantistas, sem jamais se pronunciar realmente. Esse posicionamento também parece-lhe covarde, visto que, de acordo com o Sr., nenhuma resposta pormenorizada foi dada aos argumentos alegados pelo sedevacantismo. Longe de oferecer essas respostas, os padres da Fraternidade São Pio X se esquivam desse debate para se refugiarem, diz o senhor, em argumentos moralizadores que os progressistas fizeram questão de utilizar quando se tratava de vilipendiar a Tradição. Enfim, parece-lhe contraditório que Dom Lefebvre, em sua carta dirigida aos futuros bispos em 1987, possa escrever, por um lado, que a “</span><em><span class="tm12">Sé de Pedro está ocupada pelo Anticristo</span></em><span class="tm10">”, ao mesmo tempo que reconhece, por outro, João Paulo II como sucessor de Pedro, detentor, portanto, do poder das chaves.</span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm13">UMA OPINIÃO FRÁGIL, QUE PRATICAMENTE NÃO PODE IMPOR-SE</span></strong></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Atiçar ligeiramente vosso candeeiro requer reproduzir, em primeiro lugar, os argumentos alegados pelos defensores do sedevacantismo. Tal entendimento explicará, aliás, por que, de modo contumaz, os padres da Fraternidade São Pio X não entram em tal debate e não merecem, por isso, o qualificativo de “covardes”, muito pelo contrário. </span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Sem dúvidas, de um ponto de vista puramente especulativo, efetivamente se pode questionar se um papa que ensina habitualmente a heresia e age como inimigo da Igreja ainda pode ser papa. Os teólogos não deixaram de fazê-lo, essencialmente a partir do século XVI. Os sedevacantistas de hoje tomam emprestados destes debates de então apenas os argumentos que lhes condizem. Provavelmente, para além de seu olhar partidário, se esquecem, sobretudo, que esse debate doutrinário continua sendo um debate puramente especulativo entre teólogos, aberto, efetivamente, a opiniões divergentes, mas que não são, todavia, opiniões pessoais. </span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Ora, o que é uma opinião? Por definição, ela carece de certeza. Ainda que alguns elementos inclinem a inteligência para um lado, eles não são determinantes suficientes para obrigá-la e, portanto, vinculá-la. É por isso que, em todo teólogo digno desse nome, as opiniões pessoais, ainda que respeitem em todos os pontos os dados da fé, não deixam de ser submetidas ao julgamento da Igreja: na ordem sobrenatural, somente ela é doutora de vida. Somente ela, explicitando por seu Magistério o depósito revelado, traz a certeza. Portanto, nunca uma opinião teológica, ainda mais quando não for comumente admitida, poderá ser estabelecida como princípio determinante. </span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">É exatamente isso o que os sedevacantistas esqueceram. Eles erigem sua opinião pessoal, aliás, bem frágil, julgando-a absoluta. Aí reside o orgulho deles, aí reside seu primeiro desvio: a alma católica, ainda por cima se for teóloga, não tem por finalidade estabelecer sua própria sabedoria como princípio de vida, e muito menos como princípio vital que se impõe a todos. Sua busca visa viver conforme a Sabedoria de Deus, transmitida pelo Magistério constante da Igreja. Ora, jamais o Magistério da Igreja se pronunciou sobre o assunto, e não somente porque ele não teve a oportunidade. A única coisa que a Revelação diz (Gal 2, 11-14) é que Pedro, uma vez papa, nem sempre caminhou conforme a verdade, e que São Paulo acreditou ser seu dever repreendê-lo publicamente. </span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Outrossim, ainda que pendêssemos para uma opinião especulativa sedevacantista, seria temerário e perigoso, em, de um lado, um ponto tão grave e, do outro, tão complexo teologicamente, fazer dela uma linha de conduta prática. Seria ainda mais orgulhoso pretender impô-la a todos, afirmando que somente as missas não</span><em><span class="tm12"> una cum</span></em><span class="tm10"> (que se recusam a citar o papa no cânon da missa) são agradáveis a Deus. </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">O que acaba de ser dito explica por que, de modo contumaz, os padres da Fraternidade São Pio X se recusam a entrar no debate especulativo que agita os meios sedevacantistas: esse debate é estéril, pois, na falta de um argumento magisterial, ele jamais culminará em uma certeza, e, portanto, em uma linha de conduta. Ainda que não se possa excluir que um dia, repleta de elementos que nos carecem, a Igreja declare anti-papa este ou aquele desses que têm ocupado a Sé de Pedro há meio século, jamais um leigo, um padre ou um bispo, por mais “sábio” que pretenda ser, poderá falar de modo determinante neste domínio. Essa recusa em discutir por parte da Fraternidade São Pio X, longe de ser uma fuga covarde, demonstra simplesmente humildade elementar, o que falta, infelizmente, nos sedevacantistas. </span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm13">CONSTATAÇÃO PARCIAL, OPINIÃO PARCIAL</span></strong></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Além de estabelecerem como certeza o que, no máximo, não passa de uma opinião possível de um ponto de vista puramente especulativo, e não prático, as teses dos sedevacantistas ainda cometem o erro de fundamentar suas reflexões sobre um ponto de vista parcial, distorcendo ainda mais seu julgamento. Ainda que, com efeito, eles constatem a profundidade e a gravidade da crise da Igreja, eles se esquecem demasiadamente o que é a Igreja tal como fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, e abandonam algumas de suas características essenciais: entre outras, sua visibilidade.</span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Com efeito, é de fé que a Igreja é uma sociedade visível. Isso está inscrito na Revelação, quando São Paulo diz, da Igreja, que ela é para Cristo o que o corpo é para a cabeça, e, mais ainda em razão de Nosso Senhor ter edificado a Igreja sobre Pedro. </span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">A visibilidade da Igreja foi atacada em todas as épocas, visto que em todas as épocas existiu a tendência de reduzir a Igreja à sociedade dos bons. Ora, como a bondade interior é invisível, esses cismáticos e hereges rejeitavam, </span><em><span class="tm12">de fato</span></em><span class="tm10">, a visibilidade da Igreja. Assim, donatistas (século IV), que Santo Agostinho refutou </span><span class="tm10">ao recordar-lhes que, desde a presença de Judas no colégio apostólico, a Igreja na terra será sempre composta por bons e maus. Assim, mais tarde, Wicleff (século XIV) e Jan Huss (século XV) que, por iniciativa própria, excluíam da Igreja os bispos maus, sempre com a mesma conclusão: eles reduziam a Igreja a uma sociedade puramente espiritual, àquela dos “puros”, ainda que organizada na prática. Receia-se que o sedevacantismo de hoje não esteja isento destas armadilhas. Essa tendência fica ainda mais evidente quando alguns deles chegam a negar a validade das ordenações sacerdotais e das consagrações episcopais feitas de acordo com o novo rito. Tal asserção também é infundada (</span><em><span class="tm12">cf. Sel de la Terre, primavera, 2023, p. 127 ss</span></em><span class="tm10">) e tem, contra si, fatos patentes</span><span class="tm10">. Ela culminaria em uma negação prática da visibilidade da Igreja. </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Sem dúvidas, hão de dizer-lhe os sedevacantistas que não negam a visibilidade, mas encontrá-la no fato de que ainda existem, aos olhos deles, alguns bispos e padres validamente ordenados. Mas isso não justifica a visibilidade da Igreja, pelo contrário. Com efeito, os papas Leão XIII (</span><em><span class="tm12">enc. Satis Cognitum</span></em><span class="tm10">) e Pio XII (</span><em><span class="tm12">enc. Mystici corporis</span></em><span class="tm10">) explicam, na pura linha da Tradição, que a Igreja é visível não somente em razão de seus membros serem visíveis, mas também, e sobretudo, por sua própria constituição. </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Uma imagem ajudará a compreender essa distinção. Se dissermos que, por natureza (por essência), toda casa é visível, não é somente porque suas venezianas ou suas telhas são visíveis. Pode-se, com efeito, vê-las em outro lugar além de uma casa, em uma loja de materiais de construção, por exemplo. A casa é, portanto, visível não somente porque seus elementos são visíveis (aspecto material), mas também, e sobretudo, enquanto casa (aspecto formal), pois sua estrutura é, por natureza, visível: piso, eventual andar, teto, etc… O mesmo se dá com a Igreja. Para afirmar sua visibilidade, não basta dizer que seus membros são visíveis, que ainda existem bispos e padres validamente ordenados. Isso explica de modo insuficiente a visibilidade da Igreja, porque existem bispos e padres validamente ordenados fora de seu seio (entre os ortodoxos, por exemplo), assim como há venezianas e telhas além da casa. Outrossim, afirmar que a Igreja é visível é afirmar não somente que seus membros, tomados individualmente, são visíveis, mas, também, e sobretudo, que a Igreja é visível por si mesma, por natureza, entre outras, e primeiramente, por sua constituição hierárquica, tal como estabelecida por Cristo: papa, bispos, sacerdotes, fiéis, etc.. Essa Igreja visível, que é a Igreja una, santa, católica e apostólica, recebeu as promessas de indefectibilidade: </span><em><span class="tm12">as portas do inferno não prevalecerão contra ela</span></em><span class="tm10"> (Mt 16, 18). </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">As teses sedevacantistas não sabem mais explicar a visibilidade da Igreja tomada em seu sentido verdadeiro. Isso torna ainda mais suspeita a opinião deles, visto que, como dissemos, uma opinião teológica digna deste nome deve respeitar, em todos os pontos, os dados da fé, permanecendo submissa ao julgamento da Igreja. O fato de os sedevacantistas não saberem mais explicar a fé da Igreja levanta algumas preocupações, e traz uma imensa fragilidade à(s) sua(s) tese(s). Talvez teriam agido melhor ao escutar o conselho do sábio: “</span><em><span class="tm12">não procures o que é elevado demais para ti; e não escrute o que ultrapassa tuas forças. Mas pensa sempre no que Deus te ordenou, e não dá ouvidos tua curiosidade a tudo o que Ele faz; Pois a ti foram reveladas muitas coisas que ultrapassam o entendimento humano, e muitos foram enganados pelas próprias opiniões. Seu sentido os reteve na vaidade”</span></em> <span class="tm10">(Ecl 3, 22-26).</span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm13">OS LIMITES DO RETO JULGAMENTO</span></strong></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Por fim, o erro dos sedevacantistas é julgar fora de suas competências – e das nossas! Com efeito, há julgamento e julgamento.</span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Sem dúvidas, nesta crise de autoridade que atravessa a Igreja, o julgamento moral é mais do que nunca necessário. Tomando por critério o bom senso sobrenatural fundamentado sobre o ensinamento perene da Igreja, ele permite discernir o verdadeiro do falso, o bem do mal, e até o homem habitualmente bom ou verídico do homem geralmente traiçoeiro e dúbio. Tal julgamento é dito moral, pois orientado para a conduta de vida: confiar um segredo a alguém supõe saber previamente se essa pessoa é discreta ou não. Tal julgamento moral é dito moralmente bom quando é necessário à minha conduta (ou àquela destes que me são confiados). É por isso que não tenho de julgar tudo e todos, mas unicamente coisas e pessoas com quem interajo, precisamente para me conduzir retamente. Ora, esta é justamente a nossa situação atualmente diante dos detentores da autoridade eclesiástica, e é por isso que Nosso Senhor reclama esse discernimento: “</span><em><span class="tm12">Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores”</span></em><span class="tm10"> (Mt 7, 15). Tal discernimento é, com efeito, indispensável para a nossa salvação: </span><em><span class="tm12">“Levantar-se-ão falsos profetas e seduzirão a muitos. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo</span></em><span class="tm10">” (Mt 24, 11 e 13). Nestes tempos onde tantos indivíduos revestidos de autoridade, longe de servir a Cristo, se empregam, de fato, a destruir sua Igreja, seria demonstração de inconsciência suspender esse julgamento moral. Longe de evidenciar virtude, essa omissão seria gravemente repreensível, de tal modo que Nosso Senhor supõe isso ainda na parábola do joio e do trigo (Mt 13, 24-30): aí o Mestre não pede para confundirmos os dois, de tomar um pelo outro, e vice-versa. O discernimento é necessário, sob o risco de cair em um assustador relativismo que conduziria à perdição eterna. </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Todavia, nesta mesma parábola, Cristo alerta contra um deslize ao qual não escapam os sedevacantistas: é realmente tentador passar do julgamento moral ao julgamento de retribuição! Onde está a distinção? Se o julgamento moral é destinado a dirigir sua própria conduta, ele não consiste em retribuir a dos outros, ainda que reconhecidamente má. Isto é próprio do julgamento de retribuição, ou, ainda, judiciário. Esse último julgamento não equivale a aquele que é estabelecido em autoridade, pois somente ele pode impôr justamente uma pena à desordem de outrem. Também Nosso Senhor repreende os operários da parábola, precisamente porque eles se apressaram a usurpar o julgamento de Deus. Ainda que devam efetivamente distinguir o bom grão do joio, não lhes cabe queimar esse último. </span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Infelizmente, os sedevacantistas esqueceram a lição de Cristo. Se os operários da parábola ansiosos em devastar o joio, arrancá-lo e queimá-lo detiveram seus braços vingadores com a ordem do divino Mestre, este não é o caso dos sedevacantistas. Do papa, eles promovem um auto de fé. </span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Portanto, tanto quanto o senhor ou eu, eles não receberam uma delegação divina para este fim. Outrossim, só podemos dirigir-lhes a reprimenda outrora pronunciada pelo apóstolo São Tiago: </span><em><span class="tm12">“não há mais que um legislador e um juiz: aquele que pode salvar e perder. Mas quem és tu, que julgas o teu próximo?” </span></em><span class="tm10">(Tg 4, 12). </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">A distinção entre julgamento moral e julgamento judiciário suscita a contradição que o senhor acreditou encontrar em Dom Lefebvre, quando, por um lado, ele escrevia, em 1987, que a Sé de Pedro estava ocupada pelo Anticristo, mas que, do outro, ele continuava a agir como se aquele que ocupava essa mesma Sé de Pedro fosse efetivamente seu sucessor. A primeira afirmação remete a um julgamento moral, a segunda demonstra que ele se abstém do julgamento judiciário. Sim, quanto ao julgamento moral, se pode dizer, com todo o rigor do termo, embora com um terror profundo, que o atual ocupante da Sé de Pedro é um Anticristo, conforme a própria palavra de São João: </span><em><span class="tm12">“Todo espírito que divide Jesus não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo, de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo&#8221; (1) </span></em><span class="tm10">(I Jo 4, 3). Rebaixar Jesus Cristo: é exatamente o que fazem os papas modernos. Eles relativizam Nosso Senhor Jesus Cristo, por exemplo, ao renegar a doutrina do Cristo Rei pela liberdade religiosa ou, ainda, por seu ecumenismo e diálogo inter-religioso, que são apenas um relativismo religioso que oculta seu nome. Contudo, por mais grave que sejam essas faltas, por mais pesada que seja a responsabilidade dos últimos papas, Dom Lefebvre jamais se permitiu declarar que o papa não era papa. Ele se recusava a fazer o que chamamos de um julgamento judiciário. </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm13">A ATITUDE DE DOM LEFEBVRE</span></strong></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Relataste-me a série de citações que os sedevacantistas extraíram das intervenções de Dom Lefebvre para tentar legitimar suas posições. Embora seja evidente que, em vários momentos, “</span><em><span class="tm12">o bispo de Ecône</span></em><span class="tm10">” </span><span class="tm10">tenha levantado a questão, o senhor também precisa reconhecer comigo a conduta desonesta dos sedevacantistas. Com efeito, Dom Lefebvre sempre recusou que essa eventual opinião pessoal fosse estabelecida como princípio de ação, ao ponto de estabelecer como condição para a ordenação sacerdotal o reconhecimento das autoridades romanas. </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Além do mais, o dia em que, na opinião de todos, ele levantou de forma mais insistente essa questão foi em 1986, em seu sermão de Páscoa. Ali ele evocava a reunião inter-religiosa de Assis que aconteceria em outubro seguinte, organizada pelo próprio papa. Essa notícia abalou muito profundamente o antigo missionário da África. Outrossim, diante do “</span><em><span class="tm12">dilema extremamente grave</span></em><span class="tm10">”, ele interrog</span><span class="tm10">ou o direito canônico (a lei da Igreja) de 1917, que proibia absolutamente qualquer participação nos falsos cultos, ao ponto de considerar como suspeito de heresia aquele que infringisse a dita interdição. Foi nessa altura que ele pronunciou a famosa frase citada repetidamente pelos sedevacantistas: “</span><em><span class="tm12">É possível que sejamos obrigados a crer que esse papa não é papa</span></em><span class="tm10">”. Porém, em sua desonestidade, eles omitem as palavras que </span><span class="tm10">vêm logo em seguida: “</span><em><span class="tm12">ora, à primeira vista, parece – ainda não quero dizê-lo de um modo solene e formal – mas parece, à primeira vista, que seja impossível que um papa seja herege publicamente e formalmente</span></em><span class="tm10">”. Ainda que tenha se perguntado </span><span class="tm10">desta forma publicamente sobre uma possibilidade, ele se negou a se pronunciar de um modo solene e formal. Muito menos na sequência, uma vez o abalo passado. Um ano depois, ao contrário, ele matinha contato com essas mesmas autoridades, que ele declarava reconhecer. </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Preferiria que, deste sermão, os sedevacantistas guardassem a instrução prática que Dom Lefebvre deu em seguida: “</span><em><span class="tm12">O que fazer, meus caríssimos irmãos, meus caríssimos amigos? Rezar. Diante desta situação da Igreja, deveríamos rezar do raiar ao pôr do sol, dia e noite, orar à Santa Virgem para que ela venha em socorro de sua Igreja</span></em><span class="tm10">”. Por sua vez, habitados por s</span><span class="tm10">ua passional vindita, os sedevacantistas não rezam mais pelo papa, e condenam todos aqueles que o fazem. Que paradoxo!</span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm13">CONCLUSÃO: QUAL ATITUDE PRÁTICA TER? </span></strong></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm10" style="color: #000000;">Nossa situação de filhos da Igreja nestes tempos de provação poderia ser comparada àquela de uma criança cujo pai foi atingido por uma doença tão grave quanto misteriosa, e, ainda por cima, contagiosa. Em seu delírio, esse pai gostaria de abraçar seu filho e transmitir-lhe sua doença. Seria inconcebível que, em razão dessa doença, ainda que fosse contraída voluntariamente, esse filho renegasse seu pai. Da mesma forma, seria igualmente inútil e perigoso para ele, que não é médico, ter a pretensão de fazer um diagnóstico exato sobre a extensão do mal, para prescrever seus remédios. Que ele deixe isso para os especialistas! Por sua vez, que ele se proteja das ações de seu pai enquanto a doença permanecer. Seu pai o teria ordenado se estivesse saudável, precisamente para não contrair seu mal. A este filho, compete ainda, de acordo com as suas possibilidades, implorar aos especialistas em medicina, a fim de que eles se debrucem sobre a doença de seu pai, para curá-lo.</span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Ainda que toda comparação seja enganosa, esta tem o propósito de indicar qual atitude prática adotar nestes tempos onde a Sé de Pedro parece ocupada pelo Anticristo. Diagnosticar a extensão exata do mal não é da nossa competência, e suspender seu julgamento quando se trata de saber se a Sé de Pedro é atualmente ocupada por um papa ou um anti-papa demonstra a mais elementar humildade. Deixemos esse julgamento aos papas de amanhã, e imploremos aos “especialistas” celestes a fim de que eles intercedam junto a Deus pela Igreja que, recordamos, sobreviverá a toda essa malícia:</span><em><span class="tm12"> “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”</span></em><span class="tm10"> (Mt 16, 18). </span></span></p>
<p class="Standard tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">De um ponto de vista prático, portanto, na falta de elementos suficientes, reconheçamos o(s) papa(s) atual(ais), preservando-nos da influência mortífera que ele(s) quer(em) exercer sobre nós. Mais de duzentos papas, habitados por uma fé sã e frequentemente santa, indicaram como viver como cristãos. É estes que devemos ouvir, e não os maus pastores de hoje. É a Tradição bimilenar que precisamos seguir, e não as ideologias do mundo que invadiram os homens de Deus. É a obediência à fé de sempre que importa guardar, e não uma obediência servil a lobos disfarçados de ovelhas. Estes últimos, deixemos a Deus julgá-los: “</span><em><span class="tm12">serão confundidos, pois cometeram abominações. Porém a vergonha lhes é desconhecida, e já não sabem mais enrubescer! Cairão, portanto, com aqueles que tombarem. Eles perecerão no dia em que os visitar, diz Javé” </span></em><span class="tm10">(Jr 6, 15). E, quanto a nós, Deus prossegue: “</span><em><span class="tm12">mantendes-vos no caminho e vedes. Informai-vos sobre os caminhos de outrora. Qual é a via da salvação? E segui-a, e encontrareis a quietude para vossas almas</span></em><span class="tm10">” (Jr 6, 16).</span></span></p>
<p class="Standard tm18" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Nota:</strong></span></p>
<p class="Footnote tm14" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm15">(1) A versão da Vulgata latina traz o verbo </span><strong><em><span class="tm17">solvo</span></em></strong><span class="tm15"> (solvit): desatar, desligar, soltar, afrouxar, desagregar, resolver, livrar, afastar, dissipar, destruir, anular (no sentido de diminuir, rebaixar) etc.. A versão francesa da tradução católica de Louis-Claude Fillion, aprovada pelo Concílio de Trento por sua fidelidade à Tradição católica, traz o verbo </span><strong><em><span class="tm17">diviser</span></em></strong><span class="tm15"> (divise), assim como a do Pe. Mattos Soares: dividir, dissociar, fracionar, cindir, desunir, separar, desagregar, compartimentar, seccionar, fragmentar, decompor, classificar, etc..</span></span></p>
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		<title>A &#8220;TEOLOGIA DO CORPO&#8221; DE JOÃO PAULO II</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Jun 2024 14:25:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Papa João Paulo II]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>

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		<description><![CDATA[Síntese inicial de uma doutrina em voga: seus fundamentos e suas consequências. Fonte: Lou Pescadou n°244 &#8211; Tradução: Dominus Est Muito popular em diversos cursos preparatórios para o matrimônio, a “teologia do corpo” é regularmente apresentada como a quintessência da mensagem da Igreja &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-teologia-do-corpo-de-joao-paulo-ii/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="tm7" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2021/02/Sanchez-Jose-001.jpg" alt="" width="581" height="330" /></p>
<p class="tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">Síntese inicial de uma doutrina em voga: seus fundamentos e suas consequências.</span></strong></span></p>
<p class="tm7" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Fonte: </span><span style="color: #0000ff;"><u><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/05/Lou-Pescadou-244-theologie-du-corps-2406.pdf"><span class="tm8">Lou Pescadou n°244</span></a></u> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Muito popular em diversos cursos preparatórios para o matrimônio, a “</span><em><span class="tm10">teologia do corpo</span></em><span class="tm8">” é regularmente apresentada como a quintessência da mensagem da Igreja sobre o casamento e o amor humano. Consequentemente, ela é apresentada como a arma por excelência contra a “</span><em><span class="tm10">cultura da morte</span></em><span class="tm8">”, que invade nossas sociedades ocidentais, mas também, dizem, contra um puritanismo ainda presente em certos círculos católicos. Em relação a este último aspecto, esta teologia alega trazer “</span><em><span class="tm10">uma reabilitação definitiva do corpo e da sexualidade no ensinamento da Igreja (1)</span></em><span class="tm8">”.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Esta “</span><em><span class="tm10">teologia</span></em><span class="tm8">”, sabemos, foi construída por João Paulo II. Ela foi o ápice de sua vida, como ele mesmo escreveu: “</span><em><span class="tm10">Quando era um jovem sacerdote, aprendi a amar o amor humano. Foi um dos temas em que concentrei todo o meu sacerdócio, todo o meu ministério, na pregação, no confessionário e em tudo o que escrevi (2)</span></em><span class="tm8">”. Yves Sémen não hesita em dizer que “</span><em><span class="tm10">a teologia do corpo pode ser vista como o ponto culminante de todo o pensamento filosófico e teológico de Karol Wojtyla (3)</span></em><span class="tm8">.”</span></span></p>
<blockquote>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">A teologia do corpo pode ser vista como o ápice de todo o pensamento filosófico e teológico de Karol Wojtyla</span><span class="tm8"> .</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">Yves Sémen</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Aqui, não cabe uma análise aprofundada desta “</span><em><span class="tm10">teologia do corpo</span></em><span class="tm8">”, pois sua origem imediata a torna suficientemente clara: Karol Wojtyla escreveu-a seguindo a encíclica </span><em><span class="tm10">Humanæ vitæ</span></em><span class="tm8"> de Paulo VI, que proíbe a contracepção. Embora essa encíclica se referisse, apesar de algumas deficiências, ao direito natural objetivo para mostrar o caráter objetivamente desordenado da contracepção, Karol Wojtyla estava convencido de que apenas uma moralidade personalista, partindo de uma subjetividade, seria uma resposta válida ao desafio apresentado pela revolução sexual em andamento. É essa moral personalista que a sua “</span><em><span class="tm10">teologia do corpo</span></em><span class="tm8">” propõe. Ainda que coubesse uma exposição sistemática em uma análise filosófica ou teológica, nada nos impede de apresentar, aqui, um primeiro vislumbre.</span></span><span id="more-31692"></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Para isso, começaremos expondo a sã doutrina, questionando o plano de Deus quando Ele criou o ser humano homem e mulher. Sob esta luz, poderemos resumir, então, as teses de João Paulo II, para finalmente descrever suas consequências nefastas.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">I – A visão tradicional</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm10">E Deus criou o homem à sua imagem: criou-o à imagem de Deus, e criou-os macho e fêmea. E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos. </span></em><span class="tm8">(Gn 1, 27-28). Ao anunciar a criação do homem à sua imagem, o Deus Único cria o ser humano “</span><em><span class="tm10">duplo</span></em><span class="tm8">”: homem e mulher. É importante compreender o porquê desta vontade divina.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Em Deus tudo é simples, de uma simplicidade plena e infinita, por causa da riqueza infinita de seu </span><em><span class="tm10">ser</span></em><span class="tm8">:</span><em><span class="tm10"> Eu sou aquele que é</span></em><span class="tm8"> (Ex 3,14). Essa plenitude do </span><em><span class="tm10">ser</span></em><span class="tm8"> não pode suportar nenhuma composição, o que implicaria a possibilidade de decomposição, o que é impossível em Deus. É neste sentido que se diz que Deus é simples.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Através da criação, Deus permite ao homem participar da riqueza do seu ser. Mas onde há simplicidade em Deus, o Criador introduz, no criado, a composição, que é a marca do limite inerente a toda criatura, de sua finitude.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Desta forma, a inteligência humana pode participar do Deus Verdadeiro, mas através da composição da linguagem (sujeito, verbo, complemento). O mesmo acontece em todos os campos. Se Deus é a própria Vida, o homem é apenas vivo, e sua vida é marcada pela composição: batimento cardíaco, respiração, tempo, etc.. É isso que torna o homem mortal, enquanto Deus é imortal. Portanto, ao dar ao homem uma participação em sua obra criadora (</span><em><span class="tm10">Crescei-vos e multiplicai-vos</span></em><span class="tm8">), Deus também introduz a composição: Deus os criou homem e mulher, e lhes disse: “</span><em><span class="tm10">Crescei-vos e multiplicai-vos</span></em><span class="tm8">”.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Segundo o desígnio de Deus, o relacionamento homem/mulher é fundamentalmente explicado pela procriação, tomada em seu sentido mais amplo: não apenas o ato de procriar, mas a geração diária, que é a educação. É somente sob essa luz que Deus explica a bela complementaridade do homem e da mulher, não apenas em seus corpos, mas também em sua psicologia.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Mas o plano divino não para por aí. Porque Deus criou tudo por amor, ele quer que o homem e a mulher participem de seu ato criativo através de um ato de amor, e que eles sejam, para a criança, o reflexo de seu próprio amor criador. É aqui que reside a beleza do ato conjugal, vivido de acordo com o desígnio divino. Enraizada no compromisso e na união dos corações em torno de um mesmo ideal familiar (matrimônio), é a união única dos corpos (Gn 2,24: </span><em><span class="tm10">serão uma só carne</span></em><span class="tm8"> ), referindo-se à unidade de Deus criador.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Deveríamos ir mais longe, e ver na família uma imagem do Deus Trino, como sugere o texto hebraico do Gênesis (Gn 1, 27-28)? Se assim fosse, essa imagem seria inferior àquela posta na parte espiritual de cada homem. Entretanto, talvez possamos dizer que a família, considerada em seu conjunto, seja como um vestígio da Trindade: o pai e a mãe, em sua complementaridade canalizada, representam, então, o Pai; os filhos gerados diariamente através da educação representam o Filho, e o espírito familiar que dela resulta, se as coisas forem vividas no amor, refere-se ao Espírito Santo. Um teólogo diria que a ordem das procissões trinitárias se encontra, assim, na ordem familiar.</span></p>
<blockquote>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">“Se o bem dos filhos é a razão primeira do matrimônio, o amor mútuo é cronologicamente anterior, pois é na medida em que os pais são unos de coração que eles refletem a imagem da paternidade criativa de Deus.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">A partir dessa perspectiva surgem os dois grandes propósitos que definem o matrimônio cristão, bem como a sua ordem. Se o bem dos filhos é a razão primeira do matrimônio, o amor mútuo é cronologicamente anterior, porque é na medida em que os pais são unos de coração que eles refletem a imagem da paternidade criativa de Deus.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">II – A releitura personalista de João Paulo II</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Pelo fato de a visão católica pressupor que o homem é completo, ela é insuportável ao personalista. Como sabemos, o personalismo adotou o adágio reducionista de Kant: “</span><em><span class="tm10">Nunca considere o homem como um meio, mas sempre como um fim</span></em><span class="tm8">”. Assim, segundo o Vaticano II, o homem é a “</span><em><span class="tm10">única criatura na terra que Deus quis para si</span></em><span class="tm8">” (GS 24, 3), de modo que “</span><em><span class="tm10">tudo na terra deve ser ordenado ao homem como no seu centro e seu ápice</span></em><span class="tm8">” (GS 12, 1). O personalismo pretende, portanto, eliminar qualquer referência à finalidade em sua nova definição de matrimônio, visto doravante no contexto da realização da pessoa.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Surge, então, o segundo adágio personalista: “</span><em><span class="tm10">O homem […] só pode encontrar-se plenamente através do dom desinteressado de si mesmo</span></em><span class="tm8">” (GS 24, 3). Em outras palavras, o homem só se realiza na “comunhão de pessoas”, da qual a união do homem e da mulher é a expressão primária (GS 12, 4).</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">A “</span><em><span class="tm10">teologia</span></em><span class="tm8">” do corpo de João Paulo II está situada nesse nível. Baseia-se em uma releitura personalista do capítulo dois do Gênesis, considerado “</span><em><span class="tm10">a mais antiga descrição e vestígio da autocompreensão do homem</span></em><span class="tm8">” (TDC 3, 1) (4). Em suas palavras, através da atração mútua que lhes é revelada por sua masculinidade e feminilidade corporais, Adão e Eva descobrem que são feitos para “</span><em><span class="tm10">entregarem-se reciprocamente, na plenitude da sua subjetividade</span></em><span class="tm8">” (TDC 18, 5). Devemos compreender o significado desta afirmação constantemente repetida por João Paulo II. Ele o tornou claro desde 1960, em seu livro </span><em><span class="tm10">Amor e Responsabilidade.</span></em><span class="tm8"> Além do amor de amizade, que consiste em querer o bem do outro como a si próprio, K. Wojtyla supõe um grau mais elevado de amor, denominado “conjugal”. Ele “</span><em><span class="tm10">consiste no dom da pessoa. Sua essência é a doação de si mesmo, do próprio “eu” [&#8230;]. O amor mais completo [amor conjugal] exprime-se precisamente no dom de si, portanto, no fato de se doar em plena posse deste “eu” inalienável e incomunicável.</span></em><span class="tm8">” (5) Compreendemos o quanto esse suposto amor conjugal se identifica com a consagração total do próprio ser, que é devida apenas a Deus. De fato, só Deus, e não o homem, deve ser amado </span><em><span class="tm10">de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento</span></em><span class="tm8"> (Mt 22,39), porque só Deus, “</span><em><span class="tm10">mais presente para nós do que nós mesmos</span></em><span class="tm8">” (Santo Agostinho) é o bem em essência, e, portanto, plenamente digno de amor, o que não acontece com o homem. Este só é chamado a ser amado como </span><em><span class="tm10">a si mesmo</span></em><span class="tm8"> (Mt 22,39), sabendo que nem tudo em mim é amável, a começar por este “</span><em><span class="tm10">eu odioso</span></em><span class="tm8">” (cf. Lc 14,26). Mas João Paulo II esquece isto e não hesita em escrever: “</span><em><span class="tm10">O dom revela […] a própria essência da pessoa. […] “Sozinho”, o homem não realiza plenamente essa essência. Ele só a alcança existindo “com alguém” e, ainda mais profunda e completamente, “para alguém”. […] Comunhão de pessoas significa existir em um “para” recíproco, numa relação de dom recíproco”</span></em><span class="tm8">  (TDC 14, 2). Desse princípio resultam todos os excessos da “teologia do corpo”.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Para João Paulo II, assim como para o Vaticano II (GS 24, 3), a comunhão interpessoal é aquela pela qual o homem é, à imagem de Deus, ele próprio uma comunhão de Pessoas em sua Trindade: “</span><em><span class="tm10">O homem torna-se imagem de Deus, não tanto no momento de solidão quanto no momento de comunhão. “Desde o início”, de fato, não é apenas uma imagem na qual se reflete a solidão de uma Pessoa que governa o mundo, mas também, e essencialmente, a imagem de uma insondável comunhão divina de Pessoas</span></em><span class="tm8">  ” (TDC 9, 3). Podemos ver a profunda transformação que a imagem trinitária sofreu na família, da qual, aliás, a criança é excluída (6): não mais a ordem familiar é mantida como uma imagem da ordem das procissões trinitárias, mas a comunhão de dom entre pessoas iguais&#8230; </span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">E como, de acordo com João Paulo II, Adão e Eva supostamente descobriram sua dimensão intersubjetiva por meio da atração mútua de seus corpos masculino e feminino, o falecido papa não hesitou em chegar a uma conclusão radical: A união carnal do homem e da mulher é o “sacramento” do mistério trinitário, no sentido que lhe cabe tornar visível o invisível: “</span><em><span class="tm10">Nessa dimensão interior do dom, constitui-se um sacramento primordial, entendido como um sinal que efetivamente se transmite, ao mundo visível, o mistério invisível escondido em Deus desde toda a eternidade. E este é […] o mistério da vida divina da qual o homem participa verdadeiramente. […] Como sinal visível, o sacramento se constitui com o ser humano enquanto“corpo”, através de sua masculinidade e feminilidade “visíveis”. O corpo, com efeito, e somente ele, é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino</span></em><span class="tm8">  ” (TDC 19, 3–4).</span></span></p>
<blockquote>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">“Idealizando, portanto, o amor humano expresso no ato conjugal para torná-lo imagem viva do Deus Trindade – pela qual o homem participa da vida divina – João Paulo II faz da “intersubjetividade” a própria essência da graça”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Idealizando, portanto, o amor humano expresso no ato conjugal para torná-lo imagem viva do Deus Trindade – aquele através do qual o homem participa da vida divina – João Paulo II faz da “intersubjetividade” a própria essência da graça, assim descrita: “</span><em><span class="tm10">esse dom misterioso dado à parte mais íntima do homem – ao “coração” humano – que permite a ambos, homem e mulher, existirem desde a “origem” na relação recíproca do dom desinteressado de si</span></em><span class="tm8">  ” (TDC 16, 3). Ei-nos aqui diante da plena confusão da natureza e da graça, de modo que, a partir de agora, a felicidade dos nossos primeiros pais antes do pecado se reduz à sua união: “</span><em><span class="tm10">A revelação e descoberta do significado conjugal do corpo explica a felicidade original do homem</span></em><span class="tm8">” (TDC 15, 5).</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">III – As consequências da “teologia” do corpo</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Diante da banalização da sexualidade humana, na qual o outro é frequentemente reduzido a um objeto de gratificação, K. Wojtyla certamente se lembrou do que deveria ser uma evidência, ou seja, que o ser amado é alguém, uma pessoa-sujeito. A dupla particularidade da sua “</span><em><span class="tm10">teologia do corpo</span></em><span class="tm8">” reside em outro lugar. Ao eliminar o aspecto de finalidade, João Paulo II fez do amor humano, vivido como uma “</span><em><span class="tm10">relação interpessoal</span></em><span class="tm8">”, o próprio constituinte do matrimônio; em seguida, ele tornou sagrado o ato sexual assim vivido, ao ponto de torná-lo um “</span><em><span class="tm10">sacramento”</span></em><span class="tm8"> capaz de tornar visível o invisível, ou seja, a comunhão trinitária das Pessoas divinas.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Quanto ao segundo ponto, o excesso de sacralização leva ao ridículo. Sem enfatizar aqui as questões teológicas – e dramáticas – dessa afirmação, diremos simplesmente que se trata de uma ilusão, e que é muito perigoso comprometer a própria vida em uma utopia. Não, o ato sexual vivido em toda a sua suposta verdade “</span><em><span class="tm10">interpessoal</span></em><span class="tm8">” não é o paraíso na terra.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Porém, é sobretudo o primeiro ponto que merece nossa atenção aqui. Ao estabelecer o amor humano como constitutivo do matrimônio, João Paulo II provocou uma verdadeira revolução, cujas consequências se tornam cada dia mais evidentes. Se o amor já não é a alma com que cada cônjuge anima quotidianamente o seu matrimônio, mas também a própria definição do vínculo conjugal, pode-se facilmente, então, estabelecer uma equação: onde há amor autêntico há matrimônio, enquanto sua ausência implica a ausência de qualquer vínculo. É por isso que, desde o código de 1983, muitos casamentos foram abusivamente considerados nulos e sem efeito, sob o pretexto da imaturidade psicológica de um dos contraentes: diz-se que ele ou ela não tinha maturidade suficiente para realizar um ato interpessoal autêntico! Os comentaristas ortodoxos dizem que a Igreja Católica introduziu o divórcio em sua legislação.</span></p>
<blockquote>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm10">“Ao estabelecer o</span><span class="tm10"> a</span><span class="tm10">mor</span><span class="tm10"> humano como constitutivo do matrimônio, João Paulo II provocou uma verdadeira revolução.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Tal lógica ainda pode ser aplicada em muitas outras áreas. Por exemplo, o Papa Francisco não hesita em dizer que encontra a realidade do sacramento muito mais nos casais que coabitam e que se amam, do que nos cônjuges que já não se amam. Ao fazer isto, ele está simplesmente se apoiando sobre os princípios estabelecidos por seu antecessor. Aliás, também é notório que uma proporção significativa do jovem clero francês, formado nessa “teologia” do corpo, acredita que não há pecado em ter relações sexuais antes do casamento, “</span><em><span class="tm10">desde que se amem!</span></em><span class="tm8">”…</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Por fim, uma vez que é através de sua atração corporal recíproca que Adão e Eva supostamente descobriram a sua vocação divina para um relacionamento interpessoal, o que impediria que duas pessoas do mesmo sexo que experimentassem uma atração corporal entre si não desenvolvessem também um relacionamento interpessoal autêntico? Assim, somos levados a abençoar esse par no que ele tem de bom, ainda que o ato homossexual permaneça publicamente declarado como maligno. É claro que João Paulo II não tirou nenhuma dessas conclusões, se não a primeira. Foi ele quem introduziu no código canônico de 1983 o novo – e ilegítimo – fundamento para a nulidade do matrimônio por imaturidade psicológica. Mas enquanto lutava em outros pontos para defender a família, podemos ver que o próprio fundamento de sua nova “teologia” do corpo, ou seja, a visão personalista do casamento, longe de ser um baluarte inexpugnável para a família, foi o cavalo de Troia que penetrou na primeira sociedade fundada por Deus.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Patrick de La Rocque, FSSPX</strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O Pe. Nicolas Cadiet, FSSPX proferiu uma conferência sobre o assunto no Instituto Universitário São Pio X &#8211; 2024 com o título: &#8220;<em>A Teologia do Corpo sob uma avaliação tomista</em>&#8220;:</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/uHk7RyA6_x0?si=ZavP2B8Prgl12uGS" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">Notas</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">(1) Y. Semen, em </span><em><span class="tm10">JP II, Teologia do corpo</span></em><span class="tm8"> (TDC), Le Cerf 2014, introdução, p. 25</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">(2) JP II, </span><em><span class="tm10">Entre na Esperança</span></em><span class="tm8"> , Plon Mame 1994, p. 192</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">(3) Y. Semen, em </span><em><span class="tm10">JP II, Teologia do corpo</span></em><span class="tm8">, Le Cerf 2014, introdução, p. 22</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">(4) Autocompreensão: o termo é carregado de significado. O Gênesis não é mais uma revelação de Deus sobre o homem criado por ele, sobre sua natureza e propósito, mas uma autodescoberta do homem; não uma teologia do homem (o que Deus diz sobre o homem), mas uma consciência do próprio homem sobre o que ele está vivenciando. Essa perspectiva é ainda mais acentuada quando João Paulo II enfatiza o “caráter mítico primitivo” (TDC 3, 1) do Gênesis, explicando em uma nota que “o </span><em><span class="tm10">mito […] expressa, em termos de mundo, até mesmo de “mundo superior” ou segundo mundo,</span></em><span class="tm8"> a compreensão que o homem tem de si mesmo </span><em><span class="tm10">em relação ao fundamento e ao limite da sua existência</span></em><span class="tm8"> ”.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span class="tm8">(5) K. Wojtyla, </span><em><span class="tm10">Amor e responsabilidade, Stock </span></em><span class="tm8">1978 , p. 87–88</span></span></p>
<p><span class="tm8" style="color: #000000;">(6) Segundo João Paulo II, o filho é uma “bênção” divina de amor interpessoal vivido na verdade; um efeito, não um fim.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>NOS PASSOS DE NOSSA SENHORA DAS 7 DORES</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Mar 2024 13:17:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>

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		<description><![CDATA[Nessa terrível crise a Igreja que atravessa, Nosso Senhor é novamente crucificado em seus membros. Como devemos reagir ao que poderíamos chamar de paixão da Igreja? É junto a Nossa Senhora das Sete Dores, nessa simples presença de Maria aos pés do &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/nos-passos-de-nossa-senhora-das-7-dores-3/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/09/Stabat-Mater.jpg" alt="" width="478" height="361" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Nessa terrível crise a Igreja que atravessa, Nosso Senhor é novamente crucificado em seus membros. Como devemos reagir ao que poderíamos chamar de paixão da Igreja? É junto a Nossa Senhora das Sete Dores, nessa simples presença de Maria aos pés do Crucificado, que devemos nos inspirar.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/09/Lou-Pescadou-235-2309.pdf">Lou Pescadou n° 235</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Stabat</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qual foi a maior dor de Maria aos pés da cruz? A profecia do velho Simeão é bem conhecida: <em>Uma espada trespassará a sua alma</em> (Lc. 2, 35). Para entender essa predição, precisamos explicar o significado exato dos dois termos: “<em>espada</em>” e “<em>alma</em>”. No grego puro de São Lucas, a <em>psique</em> refere-se, sobretudo, ao espírito, à inteligência. As palavras de Simeão não podem, portanto, limitar-se ao domínio da sensibilidade. Uma tradução mais profunda seria: uma espada trespassará a sua inteligência. Qual será essa espada? Frequentemente chamada de espada de dois gumes nas Escrituras, esta palavra refere-se, sobretudo, a um princípio de divisão, e de uma divisão radical como a que pode existir entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro. É assim que, por exemplo, é usada por São Paulo: <em>A palavra de Deus é viva, eficaz, e mais penetrante que toda espada de dois gumes; chega até a separação da alma e do espírito, das junturas e das medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração </em>(Hb. 4,12). Esta palavra ainda é usada para designar o instrumento do sacrifício, aquele que dá o golpe fatal na vítima. Assim, o grande sofrimento de Maria aos pés da cruz, que a unirá plenamente ao sacrifício divino, situa-se numa divisão radical da sua inteligência, faculdade mais especificamente humana, sede da virtude da fé, voltada Àquele que é <em>estabelecido como sinal de contradição </em>(Lc. 2, 34).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, nesse Filho crucificado existem certas contradições aparentes que colocam a inteligência da Santíssima Virgem à prova. Por um lado, recordando as palavras do anjo na Anunciação (Lc. 1, 32), ela sabe, com certeza, que Jesus é o Filho de Deus que deve reinar eternamente sobre a casa de David. E agora Jesus apresenta-se a ela como o Crucificado, ou seja, maldito de Deus e dos homens. Não está escrito nas Escrituras: “<em>Porque é maldito de Deus aquele que está pendente no lenho</em>, (Dt. 21, 23)? Jesus aparece, portanto, como Aquele que é rejeitado por Deus. Ele não só aparece como tal, mas Ele mesmo parece declará-lo: <em>Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? </em>(Mt. 27, 46). Ele, o Filho amado, <em>Aquele que é Vida</em> (Jo. 14, 6) e em quem <em>o Pai colocou toda sua complacência (</em>Mt. 3, 17), aparece agora como Aquele que foi abandonado pelo Pai e que deve viver deste estado de anátema, ou seja, morrer! Eis uma oposição brutal que abala profundamente a inteligência de Maria.</span><span id="more-31182"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este triste espetáculo, embora tenha 2000 anos, é surpreendentemente atual. Já o dissemos: Nosso Senhor, através da sua Igreja, experimenta uma nova paixão. Seu Corpo Místico, a Igreja, parece estar em agonia. Mesmo abstraindo essa multidão gritante de ímpios que diariamente a insultam, zombam e cospem em seu rosto, este Corpo Místico tem em si uma aparência muito deplorável. Açoitada, espancada, coroada de espinhos, a Igreja está desfigurada. É preciso ir ainda mais longe na comparação: por algum mistério inaudito, parece que a Igreja, assim como Cristo, desejou esse triste destino para si mesma: não foi a negação de seus ministros que a tornou irreconhecível dessa maneira? Tão certo como Cristo avançou ao encontro dos seus algozes para se entregar, Roma, apesar das advertências expressas de Cristo (Jo. 15, 18-20; 17,9-16), entregou-se ao mundo&#8230; que a odeia. Deixada à mercê dos seus carrascos pelo famoso <em>aggiornamento </em>que define o Concílio Vaticano II, a própria Igreja empenha-se num caminho de cruz, muito diferente daquele do seu Mestre: já não mais redentor, mas destruidor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À medida que a alma cristã contempla esse Corpo Místico exangue, o paradoxo que dilacerou a inteligência de Maria aos pés da cruz é renovado em toda a sua acuidade. Nesta Igreja crucificada, contradições fantásticas apresentam-se à inteligência fiel.  Como a fumaça de Satanás pode ter penetrado até os fundamentos da Igreja, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão (Mt. 16, 18)? Único instrumento de salvação, esta mesma Igreja parece-nos por vezes fazer parte da besta apocalíptica que conduz as almas pelo caminho da perdição (Ap. 12, 3). Não é, porventura, o próprio São Pedro que, designado para confirmar os seus irmãos na fé (Lc. 22, 32), os faz perdê-la através deste falso ecumenismo e desta liberdade religiosa repetidamente condenada pelos papas?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há, neste mistério da vida da Igreja, uma oposição brutal que, no fundo, é suficiente para abalar a inteligência do cristão. Para evitar essa ruptura íntima que levaria à perda da fé, voltemos nosso olhar, mais uma vez, para Maria. Sendo ela a primeira a passar por esta terrível tentação contra a fé que agora nos experimenta, contemplemos a sua atitude aos pés da cruz para procurar imitá-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Stabat Dolorosa</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se Maria ouvisse as exigências da sua inteligência humana, ela rejeitaria imediatamente parte do dilema que enfrentava: banido e abandonado por Deus, o Filho de Deus! Nesta terrível tentação contra a fé (1), onde a inteligência humana não conseguia conciliar o inconciliável, a Santíssima Virgem estaria encurralada em uma escolha: ou abandonava-se à incredulidade e ao desespero, pensando que o anjo a enganara, ou recusava-se a aceitar a cruz, considerando apenas a palavra do anjo. Sua conduta, porém, foi completamente diferente: <em>Stabat dolorosa. </em>Ela recusou qualquer escolha que pusesse fim a esta espada que trespassava seu coração, porque então teria havido uma escolha humana, uma “<em>heresia</em>”, dividindo o que está unido na sabedoria de Deus. Em nome das exigências da razão humana, dividir-se-ia a mensagem de Deus, e não mais a guardaria na sua totalidade? <em>Absit! </em>teria dito São Paulo &#8211; longe de Maria recorrer a isso. Em um heroico ato de fé, o ato de fé da esposa mística, o <em>sponsabo te mihi in fi de</em> de Oseias (Os. 2, 22), Maria aceita a vontade do Pai para com seu Filho. Esta fé implica o próprio holocausto do intelecto. Ela não consegue mais dizer nada, porque não consegue mais compreender nada. Neste novo <em>Fiat</em> de Maria, muito mais sublime, já não há o <em>quomodo</em> da Anunciação (Lc. 1, 34), o “<em>como se fará isso?”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este é, precisamente, o ato de fé que a Igreja crucificada espera de nós. Porque também para nós seria cômodo fazer uma escolha humana, uma “<em>heresia</em>” visando resolver intelectualmente o dilema atual, separando por uma razão demasiado cartesiana o que Deus uniu, de fato. Alguns, infelizmente, operam dessa forma. Os primeiros, fortalecidos nas promessas divinas e na assistência infalível do Espírito Santo sobre a sua Igreja, recusaram-se, na prática, a considerar esta terrível cruz que é a crise da Igreja. Aí encontramos aqueles que, seguindo o <em>Decreto Ecclesia Dei afflicta de</em> 1988, condenaram oficialmente a Tradição perene através de D. Lefebvre (2), e optaram por uma “<em>atitude positiva de estudo</em>” em relação ao Concílio Vaticano II e aos textos posteriores. Um sofisma monstruoso que considera como negatividade qualquer reconhecimento e denúncia da crise que a Igreja atravessa. Guardando as palavras de Cristo, eles rejeitaram a sua cruz. Outros, ao contrário, ostentando um juízo analítico exemplar, revelaram o funcionamento desta crise sem precedentes&#8230; às custas das promessas de Cristo relativas à indefectibilidade da Igreja visível. Para eles, a Igreja tornou-se uma abstração, não mais encarnada nos homens (3). Assim, à sua maneira, recusam também a cruz de Cristo: observando a crucificação da Igreja, recusaram a quase divindade daqueles que a representam: o Papa não é Papa, afirmam; este homem que favorece a heresia não pode ser aquele que recebeu de Cristo a missão de confirmar os seus irmãos na fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Atitudes tão estéreis, que não aceitando esta espada que trespassa a inteligência, não podem participar da fecundidade mariana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Stabat Mater Dolorosa</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, foi neste heroico ato de fé, onde a inteligência humana não teve escolha a não ser permanecer em silêncio, que Maria tornou-se Mãe da Igreja. Se precisássemos nos convencer disso, bastaria reler a bênção que Deus deu a Abraão depois de aceitar a imolação de seu filho. A fé de Abraão, que Deus recompensa, é precisamente uma figura da fé de Maria. Uma figura apenas, porque na realidade é Maria quem a vive. Com efeito, Abraão não precisou sacrificar Isaac, o filho da promessa, enquanto Maria teve que sacrificar realmente o seu próprio Filho. Enquanto um bode designado pelo anjo tomou o lugar de Isaac, Jesus era, ao mesmo tempo, Filho da promessa e o <em>bode expiatório </em>(Lv. 16, 9-26), oferecido pela salvação do seu povo. É por isso que a fé de Maria é muito mais comprometida, muito mais realista e divina do que a de Abraão. Ela teve que ir além de seu antepassado. Também a promessa feita a Abraão só se realiza plenamente em Maria, e por meio dela: “<em>Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, confirma que, porque fizeste tal coisa e não perdoaste a teu filho único por amor de mim, eu te abençoarei e multiplicarei a tua estirpe como ais estrelas do céu, e como a areia das praias: a tua descendência possuirá as portas de seus inimigos, e na tua descendência serão benditas todas as nações da terra, porque obedeceste a minha voz</em>. (Gn. 22, 16-18). Sim, Maria aos pés da cruz é, precisamente, esta mulher parindo as dores que São João entrevê (Ap 12, 2): <em>cruciabatur ut pariat,</em> atormentada para dar à luz, diz o texto bíblico <em>Cruciabatur,</em> observemos o imperfeito da duração(4).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Imitar este sofrimento de Maria não é o ato de uma alma momentaneamente torturada que, por um subterfúgio demasiado humano, conseguiu pôr fim ao seu tormento, mas sim daquele que, vislumbrando a fumaça de Satanás penetrando na Igreja, silencia uma inteligência cega pelos mistérios divinos para viver com uma fé comprovada, aceitando os dois fatos do mistério — a realidade da crise e a divindade da Igreja — mesmo que isso signifique seguir a Cristo pelos banidos da Igreja, os separados. A Virgem, aos pés da cruz, ensina-lhe que só esta atitude é benéfica para as almas: <em>Stabat MATER dolorosa, </em>mistério insondável, mas consolador da co-redenção de Maria. Insondável, porque não podemos compreender a imensa bondade do desígnio divino que quis associar o sofrimento humano à sua divina Redenção. Consolador, porque os sofrimentos da alma cristã diante do drama da Igreja adquirem todo o seu sentido à luz de Nossa Senhora das Sete Dores. Tornam-se geradores de almas, verdadeiramente apostólicas. <em>Stabat Mater dolorosa.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Patrick de La Rocque, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/nos-passos-de-nossa-senhora-das-7-dores/">Publicado originalmente em 2023</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1) Não façamos de Maria um ser sobre-humano inacessível à tentação. O próprio Senhor experimentou no deserto os traços do demônio sedutor (Mt 4,1 ss.).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(2) Este Motu Proprio está na origem da Fraternidade São Pedro e do Instituto Cristo Rei, bem como da ereção do mosteiro de Santa Madalena du Barroux como abadia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(3) O título de um livro publicado pelos círculos sedevacantistas é revelador: “A Igreja eclipsada”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(4) Aqui o autor refere-se ao pretérito imperfeito do verbo latino “crucio”: <em>cruciabatur</em>, denotando uma duração limitada, tal como indica o verbo naquele tempo, referindo-se aos gritos de dor decorrentes do trabalho de parto “gritava com as dores do trabalho de parto”. (Nota da tradução)</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>NOS PASSOS DE NOSSA SENHORA DAS 7 DORES</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Sep 2023 14:05:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
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		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>

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		<description><![CDATA[Nessa terrível crise a Igreja que atravessa, Nosso Senhor é novamente crucificado em seus membros. Como devemos reagir ao que poderíamos chamar de paixão da Igreja? É junto a Nossa Senhora das Sete Dores, nessa simples presença de Maria aos pés do &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/nos-passos-de-nossa-senhora-das-7-dores/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/09/Stabat-Mater.jpg" alt="" width="478" height="361" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Nessa terrível crise a Igreja que atravessa, Nosso Senhor é novamente crucificado em seus membros. Como devemos reagir ao que poderíamos chamar de paixão da Igreja? É junto a Nossa Senhora das Sete Dores, nessa simples presença de Maria aos pés do Crucificado, que devemos nos inspirar.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/09/Lou-Pescadou-235-2309.pdf">Lou Pescadou n° 235</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Stabat</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qual foi a maior dor de Maria aos pés da cruz? A profecia do velho Simeão é bem conhecida: <em>Uma espada trespassará a sua alma</em> (Lc. 2, 35). Para entender essa predição, precisamos explicar o significado exato dos dois termos: “<em>espada</em>” e “<em>alma</em>”. No grego puro de São Lucas, a <em>psique</em> refere-se, sobretudo, ao espírito, à inteligência. As palavras de Simeão não podem, portanto, limitar-se ao domínio da sensibilidade. Uma tradução mais profunda seria: uma espada trespassará a sua inteligência. Qual será essa espada? Frequentemente chamada de espada de dois gumes nas Escrituras, esta palavra refere-se, sobretudo, a um princípio de divisão, e de uma divisão radical como a que pode existir entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro. É assim que, por exemplo, é usada por São Paulo: <em>A palavra de Deus é viva, eficaz, e mais penetrante que toda espada de dois gumes; chega até a separação da alma e do espírito, das junturas e das medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração </em>(Hb. 4,12). Esta palavra ainda é usada para designar o instrumento do sacrifício, aquele que dá o golpe fatal na vítima. Assim, o grande sofrimento de Maria aos pés da cruz, que a unirá plenamente ao sacrifício divino, situa-se numa divisão radical da sua inteligência, faculdade mais especificamente humana, sede da virtude da fé, voltada Àquele que é <em>estabelecido como sinal de contradição </em>(Lc. 2, 34).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, nesse Filho crucificado existem certas contradições aparentes que colocam a inteligência da Santíssima Virgem à prova. Por um lado, recordando as palavras do anjo na Anunciação (Lc. 1, 32), ela sabe, com certeza, que Jesus é o Filho de Deus que deve reinar eternamente sobre a casa de David. E agora Jesus apresenta-se a ela como o Crucificado, ou seja, maldito de Deus e dos homens. Não está escrito nas Escrituras: “<em>Porque é maldito de Deus aquele que está pendente no lenho</em>, (Dt. 21, 23)? Jesus aparece, portanto, como Aquele que é rejeitado por Deus. Ele não só aparece como tal, mas Ele mesmo parece declará-lo: <em>Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? </em>(Mt. 27, 46). Ele, o Filho amado, <em>Aquele que é Vida</em> (Jo. 14, 6) e em quem <em>o Pai colocou toda sua complacência (</em>Mt. 3, 17), aparece agora como Aquele que foi abandonado pelo Pai e que deve viver deste estado de anátema, ou seja, morrer! Eis uma oposição brutal que abala profundamente a inteligência de Maria.</span><span id="more-30305"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este triste espetáculo, embora tenha 2000 anos, é surpreendentemente atual. Já o dissemos: Nosso Senhor, através da sua Igreja, experimenta uma nova paixão. Seu Corpo Místico, a Igreja, parece estar em agonia. Mesmo abstraindo essa multidão gritante de ímpios que diariamente a insultam, zombam e cospem em seu rosto, este Corpo Místico tem em si uma aparência muito deplorável. Açoitada, espancada, coroada de espinhos, a Igreja está desfigurada. É preciso ir ainda mais longe na comparação: por algum mistério inaudito, parece que a Igreja, assim como Cristo, desejou esse triste destino para si mesma: não foi a negação de seus ministros que a tornou irreconhecível dessa maneira? Tão certo como Cristo avançou ao encontro dos seus algozes para se entregar, Roma, apesar das advertências expressas de Cristo (Jo. 15, 18-20; 17,9-16), entregou-se ao mundo&#8230; que a odeia. Deixada à mercê dos seus carrascos pelo famoso <em>aggiornamento </em>que define o Concílio Vaticano II, a própria Igreja empenha-se num caminho de cruz, muito diferente daquele do seu Mestre: já não mais redentor, mas destruidor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À medida que a alma cristã contempla esse Corpo Místico exangue, o paradoxo que dilacerou a inteligência de Maria aos pés da cruz é renovado em toda a sua acuidade. Nesta Igreja crucificada, contradições fantásticas apresentam-se à inteligência fiel.  Como a fumaça de Satanás pode ter penetrado até os fundamentos da Igreja, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão (Mt. 16, 18)? Único instrumento de salvação, esta mesma Igreja parece-nos por vezes fazer parte da besta apocalíptica que conduz as almas pelo caminho da perdição (Ap. 12, 3). Não é, porventura, o próprio São Pedro que, designado para confirmar os seus irmãos na fé (Lc. 22, 32), os faz perdê-la através deste falso ecumenismo e desta liberdade religiosa repetidamente condenada pelos papas?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há, neste mistério da vida da Igreja, uma oposição brutal que, no fundo, é suficiente para abalar a inteligência do cristão. Para evitar essa ruptura íntima que levaria à perda da fé, voltemos nosso olhar, mais uma vez, para Maria. Sendo ela a primeira a passar por esta terrível tentação contra a fé que agora nos experimenta, contemplemos a sua atitude aos pés da cruz para procurar imitá-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Stabat Dolorosa</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se Maria ouvisse as exigências da sua inteligência humana, ela rejeitaria imediatamente parte do dilema que enfrentava: banido e abandonado por Deus, o Filho de Deus! Nesta terrível tentação contra a fé (1), onde a inteligência humana não conseguia conciliar o inconciliável, a Santíssima Virgem estaria encurralada em uma escolha: ou abandonava-se à incredulidade e ao desespero, pensando que o anjo a enganara, ou recusava-se a aceitar a cruz, considerando apenas a palavra do anjo. Sua conduta, porém, foi completamente diferente: <em>Stabat dolorosa. </em>Ela recusou qualquer escolha que pusesse fim a esta espada que trespassava seu coração, porque então teria havido uma escolha humana, uma “<em>heresia</em>”, dividindo o que está unido na sabedoria de Deus. Em nome das exigências da razão humana, dividir-se-ia a mensagem de Deus, e não mais a guardaria na sua totalidade? <em>Absit! </em>teria dito São Paulo &#8211; longe de Maria recorrer a isso. Em um heroico ato de fé, o ato de fé da esposa mística, o <em>sponsabo te mihi in fi de</em> de Oseias (Os. 2, 22), Maria aceita a vontade do Pai para com seu Filho. Esta fé implica o próprio holocausto do intelecto. Ela não consegue mais dizer nada, porque não consegue mais compreender nada. Neste novo <em>Fiat</em> de Maria, muito mais sublime, já não há o <em>quomodo</em> da Anunciação (Lc. 1, 34), o “<em>como se fará isso?”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este é, precisamente, o ato de fé que a Igreja crucificada espera de nós. Porque também para nós seria cômodo fazer uma escolha humana, uma “<em>heresia</em>” visando resolver intelectualmente o dilema atual, separando por uma razão demasiado cartesiana o que Deus uniu, de fato. Alguns, infelizmente, operam dessa forma. Os primeiros, fortalecidos nas promessas divinas e na assistência infalível do Espírito Santo sobre a sua Igreja, recusaram-se, na prática, a considerar esta terrível cruz que é a crise da Igreja. Aí encontramos aqueles que, seguindo o <em>Decreto Ecclesia Dei afflicta de</em> 1988, condenaram oficialmente a Tradição perene através de D. Lefebvre (2), e optaram por uma “<em>atitude positiva de estudo</em>” em relação ao Concílio Vaticano II e aos textos posteriores. Um sofisma monstruoso que considera como negatividade qualquer reconhecimento e denúncia da crise que a Igreja atravessa. Guardando as palavras de Cristo, eles rejeitaram a sua cruz. Outros, ao contrário, ostentando um juízo analítico exemplar, revelaram o funcionamento desta crise sem precedentes&#8230; às custas das promessas de Cristo relativas à indefectibilidade da Igreja visível. Para eles, a Igreja tornou-se uma abstração, não mais encarnada nos homens (3). Assim, à sua maneira, recusam também a cruz de Cristo: observando a crucificação da Igreja, recusaram a quase divindade daqueles que a representam: o Papa não é Papa, afirmam; este homem que favorece a heresia não pode ser aquele que recebeu de Cristo a missão de confirmar os seus irmãos na fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Atitudes tão estéreis, que não aceitando esta espada que trespassa a inteligência, não podem participar da fecundidade mariana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Stabat Mater Dolorosa</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, foi neste heroico ato de fé, onde a inteligência humana não teve escolha a não ser permanecer em silêncio, que Maria tornou-se Mãe da Igreja. Se precisássemos nos convencer disso, bastaria reler a bênção que Deus deu a Abraão depois de aceitar a imolação de seu filho. A fé de Abraão, que Deus recompensa, é precisamente uma figura da fé de Maria. Uma figura apenas, porque na realidade é Maria quem a vive. Com efeito, Abraão não precisou sacrificar Isaac, o filho da promessa, enquanto Maria teve que sacrificar realmente o seu próprio Filho. Enquanto um bode designado pelo anjo tomou o lugar de Isaac, Jesus era, ao mesmo tempo, Filho da promessa e o <em>bode expiatório </em>(Lv. 16, 9-26), oferecido pela salvação do seu povo. É por isso que a fé de Maria é muito mais comprometida, muito mais realista e divina do que a de Abraão. Ela teve que ir além de seu antepassado. Também a promessa feita a Abraão só se realiza plenamente em Maria, e por meio dela: “<em>Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, confirma que, porque fizeste tal coisa e não perdoaste a teu filho único por amor de mim, eu te abençoarei e multiplicarei a tua estirpe como ais estrelas do céu, e como a areia das praias: a tua descendência possuirá as portas de seus inimigos, e na tua descendência serão benditas todas as nações da terra, porque obedeceste a minha voz</em>. (Gn. 22, 16-18). Sim, Maria aos pés da cruz é, precisamente, esta mulher parindo as dores que São João entrevê (Ap 12, 2): <em>cruciabatur ut pariat,</em> atormentada para dar à luz, diz o texto bíblico <em>Cruciabatur,</em> observemos o imperfeito da duração(4).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Imitar este sofrimento de Maria não é o ato de uma alma momentaneamente torturada que, por um subterfúgio demasiado humano, conseguiu pôr fim ao seu tormento, mas sim daquele que, vislumbrando a fumaça de Satanás penetrando na Igreja, silencia uma inteligência cega pelos mistérios divinos para viver com uma fé comprovada, aceitando os dois fatos do mistério — a realidade da crise e a divindade da Igreja — mesmo que isso signifique seguir a Cristo pelos banidos da Igreja, os separados. A Virgem, aos pés da cruz, ensina-lhe que só esta atitude é benéfica para as almas: <em>Stabat MATER dolorosa, </em>mistério insondável, mas consolador da co-redenção de Maria. Insondável, porque não podemos compreender a imensa bondade do desígnio divino que quis associar o sofrimento humano à sua divina Redenção. Consolador, porque os sofrimentos da alma cristã diante do drama da Igreja adquirem todo o seu sentido à luz de Nossa Senhora das Sete Dores. Tornam-se geradores de almas, verdadeiramente apostólicas. <em>Stabat Mater dolorosa.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Patrick de La Rocque, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1) Não façamos de Maria um ser sobre-humano inacessível à tentação. O próprio Senhor experimentou no deserto os traços do demônio sedutor (Mt 4,1 ss.).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(2) Este Motu Proprio está na origem da Fraternidade São Pedro e do Instituto Cristo Rei, bem como da ereção do mosteiro de Santa Madalena du Barroux como abadia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(3) O título de um livro publicado pelos círculos sedevacantistas é revelador: “A Igreja eclipsada”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(4) Aqui o autor refere-se ao pretérito imperfeito do verbo latino “crucio”: <em>cruciabatur</em>, denotando uma duração limitada, tal como indica o verbo naquele tempo, referindo-se aos gritos de dor decorrentes do trabalho de parto “gritava com as dores do trabalho de parto”. (Nota da tradução)</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>GUERRA E PAZ</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 14:35:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cristianofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo Moderno]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>

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		<description><![CDATA[Líbia, Síria, Armênia, Ucrânia: uma ladainha inacabada de uma longa série de guerras que marcaram a última década&#8230; Como encontrar a paz? Fonte: Lou Pescadou nº 230 – Tradução: Dominus Est É certo que Caim e Abel nos ensinaram que a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/guerra-e-paz/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/02/Ukraine-guerre.jpg" alt="" width="495" height="281" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Líbia, Síria, Armênia, Ucrânia: uma ladainha inacabada de uma longa série de guerras que marcaram a última década&#8230; Como encontrar a paz?</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/02/Lou-Pescadou-2303.pdf">Lou Pescadou nº 230</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É certo que Caim e Abel nos ensinaram que a guerra é sempre a consequência do vício: é habitada pela ganância e pela inveja, pela sede de poder e pelo desejo de derrubar. Nesse sentido, é a prova irrefutável do pecado original. Importa-nos, pois, perguntar: se a multiplicação dos confrontos violentos, tanto internamente (em nossos países) como internacionalmente, não seria uma manifestação do pecado que, desde o início, viciou nossas sociedades modernas? Em outras palavras, a guerra, a violência e a destruição não estariam inscritas no próprio DNA do chamado mundo ocidental? Não seriam parte integrante da sua identidade? Isso seria muito grave porque mostraria como nossa cultura é uma cultura de morte, e o quanto nossas sociedades, longe de se unirem, dissolvem-se e dividem-se por natureza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é segredo que o espírito da Revolução Francesa trouxe consigo sua parcela de conflitos, internos e externos. O filme <em>Vaincre ou mourir</em> soube dizer tudo isso. Esse fluxo, infelizmente, jamais se esgotou. Trazendo para uma pequena escala, as greves de hoje recordam-nos disso, assim como os grandes conflitos da última década. Poderia ser de outra forma? Existe paz quando o desejo humano se concentra principalmente nos bens que se multiplicam quando são partilhados. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim são os bens de ordem espiritual: quando comunicada, a alegria multiplica-se, a partir si mesma. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim é Deus: todos tem sua parte e todos a têm em sua totalidade. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Só há paz interior, portanto, quando o desejo do Infinito que habita no coração humano pode ser alcançado nesse Infinito, e só há paz social e internacional na medida em que este mesmo Infinito é colocado no ápice da busca humana. Quando, ao contrário, os bens espirituais são renegados ou, semelhantemente, são colocados numa esfera puramente privada, então reina a busca pelos bens materiais, de riquezas temporais que se dividem cada vez que são compartilhadas. A sede pelo Infinito então se transforma em ganância, cada vez mais, e o outro torna-se um rival. Ora, nossas sociedades ocidentais definem-se como sociedades de consumo, centradas em bens materiais e perecíveis e admitem também ter como regulador o interesse, e não mais o bem Infinito. Tudo está dito. Eles dividem-se ao invés de unirem-se. São, por natureza, geradores de conflitos, guerras e greves.</span><span id="more-29358"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A recuperação de uma cultura de paz não será alcançada às custas de encantamentos de direitos humanos ou encontros inter-religiosos. Cantar em alto e bom som sobre a paz nunca pacificou nada, e posar de pacifista não voltando às fontes do conflito equivale a expor-se ainda mais ao perigo. Não há outra forma de encontrar a paz senão em um radical questionamento dos princípios constitutivos de nossas sociedades, pois são em suas raízes que eles são falhos. Devem reaprender a viver sob o olhar do Infinito, e não mais do consumível. Só há paz no Absoluto, que tomou um corpo para nós. E se ele quis ser chamado de Jesus, foi para nos dizer que esta é a nossa única salvação. Para merecê-la por nós, quis morrer na cruz. Só Ele, com sua vitória, arranca o vício e liberta do pecado. Só Ele é o verdadeiro bem, que a todos quer entregar-se sem diminuir de modo algum.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se as guerras causam tantas ruínas materiais e mortes reais, a cura permanece e sempre será de ordem espiritual. Não há alternativas senão entre o reino de Deus ou o reino da morte. Nossas sociedades ocidentais escolheram a segunda opção. Rezemos por suas conversões.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Patrick de La Rocque, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>ESPECIAIS DO BLOG &#8211; O MODERNISMO DO PAPA JOÃO PAULO II</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2022 13:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Ecumenismo]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>

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		<description><![CDATA[Em uma “Operação Memória” de nosso blog, trazemos novamente os 3 capítulos que publicamos da transcrição da conferência dada pelo Pe. Patrick de la Rocque, FSSPX, em novembro de 2007, por ocasião de um simpósio sobre a encíclica Pascendi Dominici Gregis. &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-o-modernismo-do-papa-joao-paulo-ii/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-28719" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/11/9341341_Qwo1F.jpeg" alt="9341341_Qwo1F" width="450" height="230" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em uma “Operação Memória” de nosso blog, trazemos novamente os 3 capítulos que publicamos da transcrição da conferência dada pelo Pe. Patrick de la Rocque, FSSPX, em novembro de 2007, por ocasião de um simpósio sobre a encíclica <em>Pascendi Dominici Gregis</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pe. de La Rocque, atualmente Prior de Nice, participou de discussões teológicas da FSSPX com Roma entre 2009 e 2011.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-modernismo-do-papa-joao-paulo-ii-parte-1-a-imanencia-vital-em-joao-paulo-ii/">PARTE 1 &#8211; A IMANÊNCIA VITAL EM JOÃO PAULO II </a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-modernismo-do-papa-joao-paulo-ii-parte-23-a-encarnacao-na-perspectiva-de-joao-paulo-ii/">PARTE 2 &#8211; A ENCARNAÇÃO NA PERSPECTIVA DE JOÃO PAULO II </a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-modernismo-do-papa-joao-paulo-ii-parte-33-a-redencao-em-joao-paulo-ii/">PARTE 3 &#8211; A REDENÇÃO EM JOÃO PAULO II </a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">********************************************</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">Outros textos sobre o Papa João Paulo II</span></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/a-teologia-do-corpo-de-joao-paulo-ii/">A “TEOLOGIA DO CORPO” DE JOÃO PAULO II</a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/joao-paulo-ii-o-papa-do-homem/">JOÃO PAULO II, O PAPA DO HOMEM</a></strong></span></p>
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		<title>O MODERNISMO DO PAPA JOÃO PAULO II &#8211; PARTE 3/3 &#8211; A REDENÇÃO EM JOÃO PAULO II</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/o-modernismo-do-papa-joao-paulo-ii-parte-33-a-redencao-em-joao-paulo-ii/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2022 14:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Papa João Paulo II]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Patrick de La Rocque]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Pe. Patrick de la Rocque, FSSPX A falsa concepção de universalidade da Redenção Quanto às deformações que o modernismo traz ao dogma da Redenção, pensamos primeiro na falsa concepção que se tem da sua &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-modernismo-do-papa-joao-paulo-ii-parte-33-a-redencao-em-joao-paulo-ii/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://saopio.files.wordpress.com/2009/06/papa14.jpg" alt="Padre Pio profetizou que Karol Wojtyla seria Papa | São Pio de Pietrelcina" width="262" height="219" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/modernisme/immanence-incarnation-et-redemption-chez-jean-paul-ii-ou-le-modernisme-dun-pape-abbe-patrick-de-la-rocque" target="_blank">La Porte Latine</a> &#8211;</span> Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Patrick de la Rocque, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A falsa concepção de universalidade da Redenção</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto às deformações que o modernismo traz ao dogma da Redenção, pensamos primeiro na falsa concepção que se tem da sua universalidade. Com efeito, para João Paulo II a Redenção realizada por Cristo é universal não somente no sentido de que ela é superabundante para todo o gênero humano e que ela é proposta a cada um de seus membros em particular, mas também porque ela é aplicada de fato a todos os homens tomados individualmente. Se, portanto, por um lado “em Cristo a religião deixa de ser um «procurar Deus como que às apalpadelas» (cf. Atos 17, 27), para se tornar resposta de fé a Deus que Se revela: [&#8230;] resposta feita possível por aquele Homem único [&#8230;] e cada homem se torna capaz de responder a Deus”, pelo outro o Papa acrescenta que “nesse Homem responde a Deus a criação inteira”<strong>[25]</strong>. Esta última expressão merece esclarecimentos. Ela poderia ser entendida de maneira católica se por criação se entendesse o ser humano, um resumo da criação, acrescentando que por criação inteira entendemos cada homem, não no sentido de cada homem em particular, mas de qualquer tipo de homem<strong>[26]</strong>. Ora, não é essa a interpretação de João Paulo II. Para ele, são todos os homens, ou seja, cada um em particular, que estão unidos a Cristo pelo mistério da Redenção. Ele afirmou isso claramente quando se dirigiu aos povos pagãos: “E no Espírito Santo<em>, cada indivíduo, cada povo </em>tornou-se – através da Cruz e da Ressurreição de Cristo – <em>filho de Deus, participante da vida divina e herdeiro da vida eterna</em>”<strong>[27]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não insistirei aqui neste erro, que me pareceu mais sensato vincular à concepção que João Paulo II tinha da Encarnação. Conforme vimos, é nessa concepção que, segundo o Papa Wojtyla, todos os homens estão incluídos de maneira eficaz: “o homem – todos e cada um dos homens, sem exceção alguma – foi remido por Cristo; e <em>porque</em> com o homem – cada homem, sem exceção alguma – Cristo de algum modo se uniu, mesmo quando tal homem disso não se acha consciente”<strong>[28]</strong>. Desde esse ponto de vista, a Paixão e a Ressureição de Cristo não trouxeram nada de fundamentalmente novo. Eu destacaria apenas que essa concepção universalista de Redenção não decorre de um mal-entendido ou de uma interpretação injustificada do pensamento de João Paulo II. Ela é admitida por todos, a começar pelos seríssimos membros da Comissão Teológica Internacional, que declaravam em um de seus documentos escritos a pedido de João Paulo II: “Por causa das ações divinas da Encarnação redentora, <em>todos os homens</em> são dotados da dignidade de filhos adotivos de Deus; assim, tornam-se sujeitos e beneficiários da justiça e do supremo ágape”<strong>[29]</strong>.</span><span id="more-28644"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Redenção como simples revelação</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há uma outra deformação do dogma da Redenção, mais específica, que me parece importante ressaltar, porque ela concerne à própria natureza do dogma. Na concepção Wojtyliana, a Redenção se reduz à revelação última do amor de Deus por nós. Se realmente admite-se que o homem, pela presença divina que habita nas profundezas de sua consciência, possui em si mesmo a capacidade de ir a Deus, então não há mais necessidade de ser resgatado no sentido estrito do termo. O entendimento que a teologia católica tinha até então por satisfação vicária de Cristo é todo ele rejeitado categoricamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A partir de então, a morte de Cristo e sua ressureição são somente um testemunho do amor de Deus pelo homem: “No caminho da eterna eleição do homem para a dignidade de <em>filho adotivo de Deus</em>, ergue-se na história a cruz de Cristo, Filho unigênito, que [&#8230;] veio para dar o último testemunho da admirável <em>aliança </em>de Deus com a humanidade, de Deus com o homem: <em>com todos e com cada um</em> dos homens”<strong>[31]</strong>. Esse testemunho seria dito último no sentido de que ele manifesta que nada pode deter essa aliança com Deus, nem mesmo o pecado: “Se Deus enviou seu Filho para abrir de novo as portas da salvação a todos, é certamente porque Ele não mudou sua atitude em relação a nós. [&#8230;] A vinda do Filho unigênito de Deus no coração da história humana revela que Deus pretende buscar a realização do seu projeto, apesar dos obstáculos”<strong>[32]</strong>. Dito de outra maneira, se a concepção católica ensinava que a morte expiatória de Cristo destruiu o obstáculo real à união de Deus, que é o pecado, o modernista afirma por sua vez que, em sua morte, Cristo simplesmente revelou que os obstáculos à salvação não são obstáculos, mesmo que o homem tenha acreditado nisso! Nesse sentido, a Redenção trazida por Cristo é não somente universal, mas também definitiva. Nada mais pode comprometê-la, visto que nem mesmo o pecado pode contradizê-la. Daí a afirmação de João Paulo II: “Trata-se de cada homem, porque todos e cada um foram compreendidos no mistério da Redenção, e com todos e cada um Cristo se uniu, <em>para sempre</em>, através deste mistério”<strong>[33]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Revelação do amor de Deus pelo homem, a vida e a morte de Cristo testemunham ainda a dignidade do homem: “Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo” <strong>[34]</strong>. Com efeito, Ele é a plena realização de todas as potencialidades presentes em cada homem; Ele é o cumprimento perfeito da imanência divina presente em todos. Além disso, viver como um homem autêntico significa contemplar Cristo para imitá-lo. É neste sentido que João Paulo II convidou os jovens a seguir os passos de Cristo: “O maior ‘recurso’ do homem é Cristo, Filho de Deus e Filho do homem. N&#8217;Ele <em>descobrem-se as linhas do homem novo, realizado em toda a sua plenitude: do homem por si</em>. Em Cristo, Crucificado e Ressurgido, <em>desvela-se ao homem a possibilidade e o modo segundo o qual assume em profunda unidade toda a sua natureza</em>”<strong>[35]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Conclusão</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Concluamos. Homem da imanência, João Paulo II foi mais do que qualquer um dos papas modernos. Ensinou-a, pregou-a e fez dela fundamento do humanismo com o qual animou todo seu pontificado. À luz de tal postulado, ele revisitou em profundidade os dois mistérios da Encarnação e Redenção. O primeiro serviu somente para ressaltar a imanência, enquanto que coube ao segundo coube somente a tarefa de revelar a cada homem a imensa dignidade de tal imanência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, tudo em João Paulo II está enraizado no princípio modernista da imanência vital. Mas tudo em João Paulo II se apoia igualmente sobre a constituição conciliar <em>Gaudium et spes</em>. O ensinamento do falecido pontífice que acabamos de resumir não é senão um longo comentário do parágrafo 22 da constituição sobre a Igreja no mundo de seu tempo: “Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime. [&#8230;] Porque, pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem”<strong>[36]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se João Paulo II teve nossa atenção, foi precisamente porque pensamos poder encontrar nele um comentador autorizado do Vaticano II. Se ele foi modernista em sua proposta, é porque o ensinamento do Concílio Vaticano II era ele mesmo profundamente modernista. Visto que este simpósio tem por objeto a atualidade da encíclica <em>Pascendi</em>, terminarei dizendo que a denúncia que São Pio X fez do modernismo será atual enquanto o Vaticano II for atualidade. Oremos ao nosso Santo Patrono para que esse tempo seja mais breve!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Fim.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<ol start="25">
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">João Paulo II, <em>Tertio millenio adveniente</em>, nº 6. Esta resposta é descrita em outro lugar como agradável a Deus: Cristo, unindo-se a nós, <em>acolheu</em> também cada homem individualmente. Cf. homilia de 02 de junho de 2000 na ocasião do Jubileu dos migrantes e itinerantes, DC 2000, n° 2229, p. 603: “Assumindo a condição humana e histórica, Cristo uniu-se de certa forma a cada homem. Recebeu cada um de nós e, no mandamento do amor, pediu-nos que imitássemos o seu exemplo”.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cf. Santo Tomás de Aquino, sup. 1 Tim. 2, 4, Ed. Marietti, n° 62.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">João Paulo II, mensagem de 21 de fevereiro de 1981 aos povos da Ásia, DC 1981, n° 1804, p. 281. Cf. João Paulo II, encíclica <em>Redemptor hominis</em> nº 18: “«Vinde, Espírito Santo!» [&#8230;] Esta oração ao Espírito Santo, elevada precisamente com a intenção de obter o Espírito, é a resposta a todos os «materialismos» da nossa época. [&#8230;] Poder-se-á dizer que, nesta súplica, a Igreja não está sozinha? Sim, pode-se dizer, porque «a necessidade» daquilo que é espiritual é exprimida também por pessoas que se encontram fora dos confins visíveis da Igreja. [&#8230;] Esta invocação ao Espírito e pelo Espírito não é outra coisa senão um constante introduzir-se na <em>plena dimensão do mistério da Redenção, no qual Cristo, unido ao Pai e com cada homem, nos comunica sem cessar esse mesmo Espírito que põe em nós os sentimentos do Filho e nos orienta para o Pai</em>”.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">João Paulo II, encíclica <em>Redemptor hominis</em>, nº 14.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Comissão teológica internacional, A dignidade e os direitos da pessoa humana, DC 1985, n° 1893, p. 385–391.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não insistiremos aqui nesse ponto, já desenvolvido em outro lugar. Cf. Pe. Patrick de la Rocque, <em>Au cœur de la réforme liturgique, une nouvelle théologie du péché,</em> em Atas do 3º congresso SI SI NO NO, Paris 2002.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">João Paulo II, encíclica <em>Dives in misericordia</em>, nº 7, DC 1980, n° 1797, p. 1090. Que essa aliança seja mais que uma eleição, mas uma realização, foi afirmado pouco antes por João Paulo II: “Deus, tal como Cristo O revelou, não permanece apenas em estreita relação com o mundo, como Criador e fonte última da existência; é também Pai: está unido ao homem por Ele chamado à existência no mundo visível, mediante <em>um vínculo mais profundo ainda do que o da criação</em>. É <em>o amor</em> que não só cria o bem, mas <em>que faz com que nos tornemos participantes da própria vida de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo</em>”.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Comissão teológica internacional, <em>Quæstiones selectæ de Deo Redemptore</em> de 8 de dezembro de 1994, parte 4, n° 40 e 42, DC 1996, n° 2143. Cf. CEC 604–605.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">João Paulo II, encíclica <em>Redemptor hominis</em> nº 13.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Concílio Vaticano II, constituição <em>Gaudium et spes</em>, nº 22 §2. Sabe-se o quanto essa frase inspirou o ensinamento do falecido papa.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">João Paulo II, discurso de 29 de agosto de 1982 aos jovens do Encontro para a amizade entre os povos, DC 1982, n° 1837, p. 853.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Concílio Vaticano II, <em>Gaudium et spes</em>, nº 22.</span></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
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