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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Thierry Gaudray</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>NÃO SE PODE SALVAR A DIGNITATIS HUMANÆ</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Jun 2024 14:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Thierry Gaudray]]></category>

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		<description><![CDATA[“Alguns teólogos tentaram salvar a qualquer custo a declaração do Vaticano II sobre a liberdade religiosa, demonstrando que ela estaria em continuidade com a Tradição. A posição de suas tentativas e fracassos.” Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/nao-se-pode-salvar-a-dignitatis-humanae/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/06/Van-Eyck-Christ-Roi-1432-Retable-de-Gand.jpg" alt="" width="231" height="354" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><strong>“Alguns teólogos tentaram salvar a qualquer custo a declaração do Vaticano II sobre a liberdade religiosa, demonstrando que ela estaria em continuidade com a Tradição. A posição de suas tentativas e fracassos.”</strong></em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/liberte-religieuse/on-ne-peut-pas-sauver-dignitatis-humanae">La Porte Latine</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos os católicos concordam em dizer que ninguém pode ser constrangido a aderir à fé. A questão da liberdade religiosa reside em um outro ponto. Ela consiste em saber se um Estado católico tem o direito de reprimir o exercício público das falsas religiões, exatamente porque são falsas. Toda a Tradição responde de forma afirmativa. O Concílio Vaticano II o nega.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ensino tradicional da Igreja simplesmente considera uma tolerância aos falsos cultos para evitar um mal maior. Ao contrário, “<em>o regime da liberdade religiosa proíbe essa intolerância legal, segundo a qual alguns cidadãos ou algumas comunidades religiosas seriam reduzidas a uma condição inferior quanto aos direitos civis em matéria religiosa.”</em>[1]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À primeira vista, a questão é muito mais importante do que poderia parecer, pois envolve a obra da Igreja no mundo e seu fim. Ora, o fim (chamado também <em>causa final</em>) influi sobre toda a ação, desde o princípio desta. É “<em>uma questão de vida ou morte para a Igreja.”</em><a style="color: #000000;" href="#_ftn2" name="_ftnref2">[</a>2<a style="color: #000000;" href="#_ftn2" name="_ftnref2">]</a> Ela recebeu a missão de fazer seu Esposo reinar ao ponto de ser estabelecida uma cristandade, ou suas prerrogativas reais serem plenamente reconhecidas. O Concílio Vaticano II, ao contrário, se associou ao ideal da democracia moderna, onde o Estado deve velar para que “<em>ninguém seja forçado a agir contra sua consciência, nem impedido de agir, em justos limites, conforme sua consciência, em privado como em público, sozinho ou associado a outros.”</em>[3] Os falsos cultos não deveriam ser somente tolerados, mas protegidos.</span><span id="more-31776"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A oposição é manifesta, e, todavia, alguns tentaram justificar o Concílio Vaticano II. Eles querem ver uma continuidade entre o magistério tradicional e a Declaração sobre a liberdade religiosa, chamada <em>Dignitatis humanæ</em>. Destes estudos, alguns fiéis ficam com o leve pressentimento de que a questão é complexa, que é reservada a uma elite de teólogos, e que o debate permanece aberto. Demonstremos que não é nada disso. A restauração do reinado de Cristo é assunto de todos os católicos. Para consegui-lo, escolhemos abordar, uma após a outra, as principais tentativas de justificação da liberdade religiosa, e refutá-las.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>A HIPÓTESE DE UM DIREITO CIVIL NEGATIVO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A tentativa inicial de justificar a <em>Dignitatis humanæ</em> é a seguinte: o direito à liberdade religiosa que a declaração sustenta seria apenas um direito “civil negativo”. Nesta hipótese, o Concílio Vaticano II reconhece no homem não um direito natural em praticar um falso culto (felizmente!), mas um direito natural a não ser impedido de exercê-lo por qualquer poder humano que seja. Ainda de acordo com essa hipótese, se trata de um direito natural porque está fundamentado “<em>na dignidade própria da pessoa humana</em>”, e submete, portanto, sempre e em toda parte. Esse direito natural deve ser reconhecido pela lei[4]: trata-se, portanto, de um direito natural em um direito civil! É um direito que está ligado à pessoa, independente do uso que ela faça dele. Isso não depende da verdade da religião, sobretudo sendo dado que “<em>a maioria dos Estados são atualmente incapazes de julgar se tal homem está objetivamente no erro religioso.”</em><a style="color: #000000;" href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]<br />
</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que responder a essa tentativa? Que o direito civil não pode constranger o direito natural. Ora, este afirma que “<em>o que não responde à verdade e à moral não tem, objetivamente, nenhum direito à existência, nem à propaganda, nem à ação.”</em><a style="color: #000000;" href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6</a>] Ele também não pode editar regras ilimitadas de cautela quanto à tolerância do mal, que depende, intrinsecamente, das circunstâncias variáveis nas quais se encontram os Estados. Quanto à incapacidade na qual estes se encontrariam para reconhecer a verdadeira religião, ela é culposa e não pode compor nenhum direito.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O LIMITE DA ORDEM MORAL OBJETIVA</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outra explicação justifica a liberdade religiosa sustentando que, no texto, <em>Dignitatis humanæ</em> preconiza uma liberdade religiosa limitada pela ordem moral objetiva. Com efeito, é preciso saber que a declaração <em>Dignitatis humanæ</em>, ao preconizar a liberdade religiosa, acrescenta, ainda assim, que é um direito apenas enquanto não contraria “a ordem pública justa.”[7]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/06/Royaute-de-lEglise-1024x715.jpg" alt="" width="536" height="376" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A essa explicação é necessário responder que “a ordem pública justa”, tal como a entende a declaração conciliar, é insuficiente e não corresponde à ordem moral objetiva que somente a Igreja defende. Se essa “ordem pública justa” da <em>Dignitatis humanæ</em>, por exemplo, atribuísse tal lugar à religião católica, que excluísse a liberdade religiosa para qualquer outra religião, então, certamente, poder-se-ia sustentar que o homem tem direito à liberdade religiosa na medida em que a “ordem pública justa” não seria violada, ou seja, na medida em que essa religião não fosse outra senão a religião católica… Porém nem o texto do Vaticano II, nem os discursos de todos os papas depois do concílio ensinam que somente a Igreja católica tem direito à liberdade religiosa, e que, por exemplo, o culto muçulmano deveria ser limitado à esfera privada, visto que ele permite a poligamia!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E mesmo que fosse o caso, a liberdade religiosa do Vaticano II ainda impediria o Estado de se pronunciar sobre a verdade ou a falsidade intrínseca de uma religião, e não lhe permitiria concorrer à missão sobrenatural da Igreja. É professar “<em>uma tese absolutamente falsa, um erro perniciosíssimo</em>” (São Pio X), a saber, a separação da Igreja e do Estado.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>INCOMPREENSÃO DE PIO IX</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Propõe-se ainda uma outra via para reabilitar a declaração sobre a liberdade religiosa. Em sua encíclica <em>Quanta Cura</em>, o papa Pio IX teria condenado apenas aqueles que não respeitam o direito da Igreja e dos católicos. É necessário dizer, com efeito, que, nesta encíclica, o papa Pio IX condena a seguinte proposição: “<em>a melhor condição da sociedade é aquela onde não se reconhece ao poder o dever de reprimir, mediante penas legais, os violadores da religião católica, salvo quando a paz pública o exija</em>.”[8] Ora, essa proposição é completamente semelhante ao que ensina (mas desta vez para aprová-la) o Concílio Vaticano II. Para salvar a <em>Dignitatis humanæ</em>, alguns pretendiam limitar a extensão da condenação de Pio IX, sustentando que os “violadores” seriam aqueles que não respeitam os direitos da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, é absurdo pensar que Pio IX se limitaria a exigir “o direito comum” para os católicos. Nenhum contemporâneo imaginou tal coisa, sobretudo os inimigos da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além do mais, qualquer pregação pública contrária à fé católica é uma violação da verdadeira religião, assim como toda propaganda imoral é uma violação da moral. Proclamem que Jesus Cristo não é Deus, ou que a mãe de Deus não é virgem, e a Igreja é escarnecida.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>INCOMPREENSÃO DE LEÃO XIII</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outra tentativa de justificar a <em>Dignitatis humanæ</em>: desta vez é Leão XIII que não teríamos compreendido. Com efeito, devemos saber que, em sua encíclica <em>Libertés</em>, o papa Leão XIII condena a liberdade religiosa. Ora, neste texto, dizem-nos, o papa Leão XIII não teria falado sobre o que o Estado deve fazer quando se abusa do direito de consciência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/06/Persecution-carmelites-669x1024.jpg" alt="" width="325" height="494" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Recordando o dever de respeitar a consciência individual, Leão XIII não teria dito “<em>o que acontece quando o homem abusa deste direito afirmativo seguindo uma consciência errônea.</em>”[9] Isso teria sido, com efeito, uma omissão gigantesca!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, basta ler as considerações deste grande papa sobre a tolerância ou sobre os deveres dos Estados para se dar conta de que não existe nada disso. Ninguém pode ser forçado a agir contra sua consciência, mas o Estado tem, certamente, o dever, tanto quanto possível, de reprimir as manifestações públicas das consciências falsas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>LIBERDADE RELIGIOSA TRADICIONAL?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como é preciso queimar todos os cartuchos para justificar o Concílio, alguns ainda imaginaram que a doutrina que ele contém sobre a liberdade religiosa já teria sido, na realidade, enunciada pelo Magistério no passado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Inicialmente, teria sido diante do nazismo e do comunismo. Ao que se deve responder que, diante dos Estados totalitários, os papas puderam enunciar o dever e o direito de prestar um culto a Deus sem especificar a natureza do único culto que Ele aprova, ou seja, sem dizer explicitamente que a única liberdade religiosa que existe concretamente é aquela da Igreja católica. Eles defenderam o direito fundamental de exercer o culto divino, direito que os regimes ateus e perseguidores não querem reconhecer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nestes textos, as expressões “seguir a vontade de Deus”, “crente”, “professar sua fé”, “culto de Deus”, “professar a religião” são voluntariamente abstratas a fim de estigmatizar mais radicalmente os erros dos Estados totalitários que impedem toda vida religiosa por princípio. Mas os papas jamais falaram de um direito a não ser impedido de professar um falso culto! O direito objetivo e real não pode excluir a Igreja, como recordava o papa Pio XI. O direito, enunciado de modo abstrato, se realiza concretamente apenas na e pela Igreja católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O papa Pio XII falava com a mesma precisão: “<em>O respeito da pessoa humana, dos direitos humanos intangíveis e, mais precisamente, daqueles do indivíduo e da família, entre os quais se encontram a plena liberdade de exercer o verdadeiro culto divino e o direito dos pais de criarem os filhos e prover sua educação, é um dos princípios fundamentais sobre os quais se deve basear uma “política cristã”</em>.”[10]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao contrário, a declaração sobre a liberdade religiosa exclui, por princípio, a verdade da religião. Mesmo quando a religião fosse falsa, o homem manteria o direito de professar e propagar sua religião, independente de qual fosse.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/06/Regime-totalitaire-1024x701.jpg" alt="" width="405" height="279" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma segunda hipótese se levantou na mesma ordem: a liberdade religiosa seria “tradicional”, pois afirmada pelo discurso <em>Ci Riesce</em> do papa Pio XII. Diante de um grupo de juristas italianos, o papa Pio XII se perguntava, com efeito, se um Estado católico poderia se unir a uma comunidade jurídica de tal modo que fosse levado a tolerar um culto não-católico: “<em>Em circunstâncias determinas, pode acontecer de (Deus) não dar aos homens nenhum mandamento, nem impor nenhum dever, nem conceder sequer algum direito de impedir e reprimir o que é falso e errôneo? Um olhar sobre a realidade permite uma resposta afirmativa.</em>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Basta ler a explicação do papa Pio XII para constatar que de forma alguma ele não tem em mente a liberdade de consciência tal como entende o magistério pós-conciliar. Ele se contenta em recordar o direito de tolerância. Em si, o mal deve ser impedido. Contudo, em certas circunstâncias, é melhor permiti-lo para evitar um mal maior. Faltando com esse dever, não se agiria injustamente em relação a aquele que está no erro, contudo ser-se-ia responsável do mal maior assim provocado: “<em>O dever de reprimir os desvios morais e religiosos não pode, portanto, ser uma norma definitiva de ação. Deve estar subordinado a normas mais elevadas e mais gerais que, em certas circunstâncias, permitem, e até fazem revelar-se como benefício aquele de não impedir o erro, para promover um bem muito maior.</em>” Não se trata de um direito inalienável da consciência individual, mas de uma questão de prudência política. Cabe aos chefes de Estados católicos, sob a direção da Igreja, medir “<em>as consequências nocivas que nascem da tolerância, comparadas com aquelas que, após a aceitação da fórmula de tolerância, se encontrarão poupadas à Comunidade dos Estados</em>”.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>ABUSO E USO DO DIREITO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Chegamos, enfim, à última tentativa de justificar a <em>Dignitatis humanæ</em>. Ela está baseada na distinção entre abuso e uso do direito. Pode-se resumi-la assim: o abuso do direito nem sempre tira o uso do direito. Os defensores da liberdade religiosa reconhecem que os tributários das falsas religiões abusam de seu direito, mas afirmam que isso não deve impedi-los de espalhar seus erros, pois “<em>o abuso do direito nem sempre tira o direito</em>”[11]. Seja como for esse princípio, os três exemplos propostos para ilustrá-lo mostram que a aplicação que dão à liberdade religiosa é… abusiva!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Primeiro exemplo dado por essa tentativa: o direito parental não é exercido mesmo quando os pais ensinam erros aos seus filhos? Responderemos com São Tomás que os filhos, “se ainda não têm o uso da razão, estão, pelo direito natural, sob a tutela de seus pais, conquanto eles não possam se governar por si próprios.”[12] Os erros dos pais serão, consequentemente, aqueles dos filhos, sendo dado que estes são “ordenados a Deus pela razão de seus pais.”[13] Assim como o Estado não pode impedir seus súditos de agir conforme a consciência errônea em privado, ele não pode tirar os filhos dos pais que lhes ensinassem erros. É natural que a vida religiosa dos filhos corresponda a aquela de seus pais, e o Estado não pode intervir nisso tando quanto não pode impedir um pagão de ter um pequeno buda em seu quarto! Isso não tem nada a ver com um culto público que o Estado pode proibir porque ele afeta o bem comum.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo exemplo: nenhum pecado tira o direito à vida. O exemplo não é válido. Com efeito, ainda que haja, evidentemente, uma proporção entre a falta e a pena, é preciso dizer novamente que o Estado não é encarregado de reprimir as desordens que não têm influência direta sobre a sociedade. Uma falta grave, mas privada, não tira “o direito à vida” terrestre. Por outro lado, o Estado não pode ignorar a propaganda de uma doutrina errônea. A honra de Nosso Senhor, a salvação da cidade e a proteção dos indivíduos requerem que os ministros das falsas religiões sejam reduzidos ao silêncio na medida do possível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Terceiro exemplo: o mal uso de seus bens não tira o direito de propriedade. Mas esse exemplo não é um exemplo. Com efeito, para prover suas necessidades, e aquelas de sua família, é natural que o homem possua bens próprios. Na medida em que o bem comum não está em jogo, o Estado ultrapassaria seu poder se ele pretendesse espoliar aqueles que usassem mal sua propriedade. Novamente, isso não tem nada em comum com a profissão pública de uma religião.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para concluir, quiseram acreditar que a declaração do Concílio Vaticano II sobre a liberdade religiosa colocaria o homem em melhores condições para aderir à única verdadeira Igreja. Essa negação implícita do pecado original provocou a apostasia de milhares de católicos antes protegidos por Estados preocupados com seu dever para com Cristo Rei. Parece que somente a visão do divino juiz derrubará essa utopia sacrílega. Esperamos que as elucubrações dos teólogos vítimas de um magistério infiel não arredem o entusiasmo dos fiéis para o restabelecimento da cristandade.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Thierry Gaudray, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] Padre Basile Valuet, “Les malentendus d’Écone sur la liberté religieuse”, Boletim de literatura eclesiástica, CXIV/3 (julho-setembro de 2013).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[2] Dom Marcel Lefebvre, Dubia sobre a liberdade religiosa enviada à Congregação para a Doutrina da Fé, 22 de maio de 19887.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[3] Idem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[4] “Esse direito da pessoa humana à liberdade religiosa na ordem jurídica da sociedade deve ser reconhecido de tal modo que ele constitua um direito civil.” Dignitatis humanæ 2<sup>a</sup>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[5] Padre Basile, op. cit.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[6] Pio XII, Ci Riesce, 6 de dezembro de 1953.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[7] Nesta hipótese, “a ordem pública justa” requerida pela constituição do Vaticano II para conceder a liberdade religiosa é, talvez, mais exigente que a simples “paz pública” mencionada na condenação contida em Quanta cura de Pio IX.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[8] Proposição condenada na encíclica Quanta cura, Dz 1689.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[9] Padre Basile, op. cit.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[10]Alocução à juventude democrata-cristã de Berlim ocidental, 28 de março de 1957.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[11] Padre Basile, op. cit.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[12] Suma teológica, III, q. 68, a.10, corpo do artigo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[13] Idem na resposta à terceira objeção.</span></p>
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		<title>COMO MANTER A PACIÊNCIA?</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2022 14:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Santa Teresinha do Menino Jesus]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Le Sainte-Anne n ° 336 – Tradução: Dominus Est Já perto do final de sua vida, Santa Teresa do Menino Jesus admitiu ter recebido percepções (inspirações) particulares sobre a caridade fraterna. Três meses antes de sua morte, ela escreveu: “Este &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/como-manter-a-paciencia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class=" alignright" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Teresa-de-Lisieux.jpg" alt="Teresa de Lisieux – Wikipédia, a enciclopédia livre" width="237" height="301" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2021/10/LSA-336-2110-online.pdf">Le Sainte-Anne n ° 336</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já perto do final de sua vida, Santa Teresa do Menino Jesus admitiu ter recebido percepções (inspirações) particulares sobre a caridade fraterna. Três meses antes de sua morte, ela escreveu: “<em>Este ano, minha Mãe querida, o bom Deus me concedeu a graça de compreender o que é a caridade; antes a compreendia, é verdade, mas de forma imperfeita</em>” (manuscrito C, 11v). Não devemos nos surpreender com este aprofundamento de uma noção que é tão fundamental, nem pensar que Santa Teresa só descobriu ou começou a praticar a caridade fraterna no último ano de sua vida! Mas, como observa o Padre Philipon O.P.: “<em>Os santos estão sujeitos à lei do progresso, personificam até mesmo sua realização mais viva; sua vida é uma ascensão contínua</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As percepções (inspirações) que o bom Deus concede às almas generosas não são, aliás, meramente especulativas. Os conselhos que Santa Teresa dava às noviças sob sua tutela incluem considerações muito práticas, que se beneficiam de uma experiência e de uma sabedoria crescentes. Como, então, podemos mostrar-nos sempre caridoso? Que &#8220;<em>táticas</em>&#8221; adotar? Na verdade, não é difícil imaginar que a paciência, por vezes, seja duramente testada em uma comunidade fechada de cerca de vinte mulheres! Como manter a calma ou evitar um comentário provocativo que tanto contribuiria para uma turbulência interna diante das repetidas indelicadezas de uma ou de outra?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santa Teresa procurava primeiro mostrar como eram frágeis os julgamentos humanos. Ela mesma tinha sido objeto de &#8220;<em>correções fraternas</em>&#8221; por atos muito delicados de caridade mas que haviam sido mal interpretados. Era fácil mostrar que as intenções mais profundas de uma alma estavam escondidas de outros, e que os atos externos não permitiam medir os esforços feitos, nem mesmo notar todas as vitórias obtidas contra uma natureza rebelde ou a luta contra as circunstâncias, por vezes complexas – e mesmo dolorosas. Quantas situações dolorosas são ignoradas até mesmo pelos mais próximos! Se o bom Deus quis um julgamento geral(final), foi para revelar todas as coisas e demonstrar a justeza de seu governo providencial, perfeitamente medido pelas disposições e méritos de cada um. Entretanto, a palavra de ordem de Nosso Senhor é bem conhecida: “<em>Quero sempre ter pensamentos caritativos, porque Jesus disse: Não julgueis e não sereis julgado</em>” (C 13v). Além disso, é muito mais encorajador ir além da amargura que cega para perceber as qualidades e os bons exemplos que nunca faltam ao nosso redor!</span><span id="more-25609"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas Santa Teresa compreendeu que todos os seus argumentos, por mais justos que fossem, tinham pouca influência sobre as sensibilidades feridas. De fato, quando o próximo é apanhado em “<em>flagrante delito</em>”, não é continuando a olhar para ele &#8211; mesmo que esteja tentando animar o seu coração com os pensamentos mais caridosos &#8211; que se consegue conter a indignação. Santa Teresa convidou então as suas noviças a elevar os olhos a Deus que, na sua Providência, havia permitido esta pequena prova. A uma delas, que era sua irmã Celine, ela dizia: “<em>Chateia-se tão facilmente porque não amolece seu coração de antemão. Quando está irritada com alguém, a maneira de encontrar paz é rezar por essa pessoa e pedir a Deus que a recompense por ter te feito sofrer.”</em> (Conselhos e memórias, pág. 150)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No fundo, esta é apenas uma aplicação particular de um pensamento que lhe era caro: &#8220;<em>Tudo é graça</em>&#8220;. Esse aforismo, que ficou famoso por Bernanos, pode ser lido em suas últimas entrevistas. Ela quase morreu sem ter recebido a Extrema Unção, e embora confessasse sua grande devoção aos sacramentos, ela afirmava ter abandonado todo cuidado de sua alma a Deus. “<em>Sem dúvida, é uma grande graça receber os sacramentos; mas quando o bom Deus não o permite, é bom mesmo assim, tudo é graça</em> ”(C. J. 5. 6. 4.). Mas não foi a primeira vez que a Santa afirmou assim a sua fé na Providência Divina. Céline relata que repetia frequentemente esta palavra às noviças sob sua tutela, encorajando-as a agradecer a Deus com frequência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, Deus, que deseja a perfeita purificação de nossas almas, sabe como usar as boas e as más intenções de nosso próximo para alcançá-la. Mas para obter este resultado, esqueçamos a criatura e adoremos Sua mão todo-poderosa. Elevando-se a Deus, o coração sente menos as &#8220;<em>alfinetadas</em>&#8221; (carta 81), esquece-se da imprudência ou mesmo da maldade humana e se coloca na verdade de uma presença divina que é totalmente benevolente. É apenas numa segunda etapa que será possível olhar com misericórdia para as fraquezas do próximo.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Thierry Gaudray, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>PADRE PIO E AS ALMAS DO PURGATÓRIO</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 13:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Na vida do Padre Pio, as manifestações de almas do purgatório eram bastante frequentes. Abaixo encontram-se relatos de dois desses surpreendentes encontros. Fonte:  Le Sainte-Anne n ° 337 – Tradução: Dominus Est Um morador de rua Em maio de 1922, estava Padre &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/padre-pio-e-as-almas-do-purgatorio/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/10/Pio.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-25736" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/10/Pio.jpg" alt="Pio" width="298" height="299" /></a></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Na vida do Padre Pio, as manifestações de almas do purgatório eram bastante frequentes. Abaixo encontram-se relatos de dois desses surpreendentes encontros.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte:  <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2021/10/LSA-337-2111-LPL.pdf">Le Sainte-Anne n ° 337</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong> Um morador de rua</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em maio de 1922, estava Padre Pio em seu convento numa noite de inverno, após uma forte nevasca, sentado junto à lareira do salão comunitário, absorto em suas orações, quando um homem idoso, vestindo um casaco antiquado, mas ainda usado pelos camponeses do sul da Itália (na época), sentou-se ao seu lado. Deste homem, Padre Pio declarou: <em>“Eu não conseguia imaginar como ele pôde ter adentrado no convento àquela hora da noite, porque todas as portas estavam fechadas. Eu perguntei a ele: &#8220;Quem sois vós? O que o quereis? &#8220;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O velho respondeu: “<em>Padre Pio, sou Pietro Di Mauro, filho de Nicola Precoco.</em>” E prosseguiu dizendo: “<em>Morri neste convento em 18 de setembro de 1908, na cela número 4, quando ainda era um hospício. Uma noite, enquanto estava na cama, adormeci com um charuto aceso, que incendiou o colchão e acabei morrendo sufocado e queimado. Ainda estou no purgatório e preciso de uma Santa Missa para ser libertado. Deus me permitiu vir até vós e pedir ajuda</em>”.</span><span id="more-25735"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois de ouvi-lo, Padre Pio respondeu-lhe: “<em>Esteja certo que amanhã rezarei a Missa pela vossa libertação.</em>&#8221; Padre Pio se levantou e acompanhou o homem até a porta do convento. Ele percebeu então que a porta estava fechada e trancada: ele a abriu e se despediu dele. A lua iluminava a praça, coberta de neve. Padre Pio teve uma sensação de medo quando o homem desapareceu sem deixar vestígios na neve. Ele fechou a porta e voltou ao salão comunitário, onde explicou a seus confrades o que acabara de acontecer com ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alguns dias depois, Padre Pio também contou a história ao Pe. Paolino, e ambos decidiram ir à prefeitura, onde consultaram os registros civis do ano de 1908 e descobriram que em 18 de setembro daquele ano, um certo Pietro Di Mauro havia, de fato, morrido de queimaduras e asfixia no quarto número 4 do convento, então usado como abrigo para moradores de rua.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong> Um irmão sacristão</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padre Pio contou essa história ao Pe. Anastasio: “<em>Uma noite, quando eu estava sozinho no coro para rezar, ouvi o barulho de um hábito e vi um jovem monge se mexer perto do altar-mor. Parecia que o jovem monge estava espanando os candelabros e endireitando os vasos de flores. Pensei que fosse o Pe. Leone a rearranjar o altar e, como era hora da janta, fui vê-lo e disse-lhe: &#8220;Padre Leone, vá jantar, não é hora de tirar o pó e arrumar o altar”. Mas uma voz, que não era a do Padre Leone, me respondeu: &#8220;Eu não sou o Padre Leone&#8221;. &#8220;E quem sois vós?, perguntei a ele.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">“</span><em><span style="color: #000000;">Sou um dos seus irmãos que fez o noviciado aqui. Recebi ordens para limpar o altar durante o ano do noviciado. Infelizmente, várias vezes não fiz a genuflexão perante Jesus ao passar pelo altar, mostrando assim uma falta de respeito pelo Santíssimo Sacramento guardado no tabernáculo. Por causa dessa grave negligência, ainda estou no purgatório. Porém, Deus, com sua infinita bondade, me enviou aqui para que possais acelerar o tempo em que irei gozar o Paraíso. Tenhais compaixão de mim.&#8221; Acreditando ser generoso para com esta alma sofredora, exclamei: “Amanhã de manhã estareis no céu, quando eu rezar a Santa Missa”. Essa alma gritou: “Como sois cruel! Então ele chorou e desapareceu. Essa queixa produziu uma ferida em meu coração que senti e sentirei pelo resto da minha vida. De fato, eu poderia ter enviado imediatamente aquela alma para o Céu, mas condenei-a a permanecer mais uma noite nas chamas do Purgatório</span></em><span style="color: #000000;">.”</span></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Thierry Gaudray, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>A PERSEVERANÇA É MERITÓRIA?</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2021 11:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
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		<description><![CDATA[A cada comunhão que oferece, o sacerdote repete: “Que o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde vossa alma para a vida eterna!&#8221;  Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Na noite de Páscoa, Nosso Senhor “fingiu” afastar-se dos &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-perseveranca-e-meritoria/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/05/persev.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-23742" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/05/persev.png" alt="persev" width="262" height="268" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A cada comunhão que oferece, o sacerdote repete: “Que o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde vossa alma para a vida eterna!&#8221;</em></strong></span><span style="color: #000000;"><strong><em> </em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2021/05/LSA-333-2105-LPL.pdf">La Porte Latine</a> </span>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na noite de Páscoa, Nosso Senhor “<em>fingiu</em>” afastar-se dos discípulos de Emaús, que imediatamente &#8220;<em>O exortaram, dizendo: Fica conosco, porque faz-se tarde, e o dia declina</em>&#8221; (Lc XXIV, 29). Sem este convite imediato, a graça de reconhecer o Cristo ressuscitado ter-lhes-ia escapado. Quando o tempo pascal se aproxima do fim, fazemos nossas as orações deles. Queremos que a alegria da Páscoa permaneça conosco.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cristo, que “<em>ressuscitou para nossa justificação</em>” (Rm IV, 25), quer que participemos desta vida na Sua paz, através da graça da perseverança em seu amor. Pela Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor, estamos mortos para o pecado e vivos para Deus (cf. Rom. VI, 11). Assim como Cristo retomou a posse de sua vida para nunca mais morrer, assim, a alma redimida deve conservar para a vida eterna o dom precioso da graça. O altar onde se renova o sacrifício de Cristo é a nova árvore da vida onde o fiel católico encontra o alimento que lhe permitirá permanecer, livre de faltas, no amor do bom Deus segundo esta promessa: “<em>Quem come a Minha carne e bebe Meu sangue permanece em mim e eu nele</em>.” (Jo VI, 57). A cada comunhão que oferece, o sacerdote repete: “<em>Que o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde vossa alma para a vida eterna!</em> &#8220;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A perseverança é, antes de tudo, uma virtude que enfrenta a longitude do tempo. Santo Tomás ensina que ela &#8220;<em>tende a perseverar</em>&#8221; apesar da perspectiva de uma vida de luta, mas acrescenta imediatamente que não se segue necessariamente que, tendo virtude, a pratiquemos inevitavelmente até os últimos dias <sup>[1]</sup>. Entretanto, o termo perseverança também designa o fato de permanecer em estado de graça até o final. Às almas que se salvam, “<em>o que é dado pela graça de Cristo não é apenas poder perseverar, mas perseverar de fato</em>”, observa Santo Agostinho <sup>[2]</sup> .</span><span id="more-23741"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A boa teologia nos ensina que a perseverança não pode ser obtida senão por meio da oração. A fidelidade, por mais longa que seja, não pode exigir este dom, que é o mais importante precisamente porque é o último, aquele que traz consigo a coroação de toda a vida. Por isso, a Igreja quis que repetíssemos este pedido a cada Ave Maria: que a Santíssima Virgem reze por nós “<em>agora e na hora da nossa morte”</em>!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto, São João Crisóstomo ensina que quando Cristo nos disse que só aquele que perseverasse até o fim seria salvo (Mt XIII, 14), Ele não quis se limitar a uma exortação à oração. Poderíamos multiplicar as citações da Sagrada Escritura que indicam que há atos a serem praticados para não vacilar. “<em>Ninguém que, depois de ter metido a sua mão ao arado olha para trás, é apto para o reino de Deus.</em>” (Lc IX, 62). Esta é, de fato, toda uma atitude de procrastinação que é justamente vilipendiada aqui. A salvação eterna está ligada a uma perseverança que deve estar, de alguma forma, ao nosso alcance. A todos nós, como na Igreja de Esmirna, somos ordenados: <em>&#8220;Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida</em>.&#8221; (Ap. II, 10)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A teologia ensina, com efeito, que existem dois tipos de méritos. Há aquele que é segundo a justiça, que é antes de tudo de Nosso Senhor na Cruz, mas que também nos pertence enquanto a promessa divina atribuiu às boas obras desta vida uma recompensa proporcional no outro mundo. Mas há também um mérito de conveniência como o da Santíssima Virgem Maria em relação a todos os eleitos. Ela não é a Cabeça do Corpo Místico, mas seus sofrimentos aos pés da Cruz, oferecidos pelos pobres filhos da primeira Eva, alcançaram sua salvação segundo certo &#8220;<em>direito de amizade</em>&#8221; que ela possui sobre o Coração de seu Filho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este mérito de conveniência é certamente o mérito que qualquer alma cristã pode possuir em relação à sua perseverança final. Prova disso é a surpresa e o temor que nos desperta o fracasso de uma alma que há muito tempo foi fiel. Houve apenas um apóstolo em doze que traiu seu Mestre. Os servos de Deus, devotos de muito tempo, que morrem na impiedade recusando os sacramentos, são prodígios que nos consternam e que são raros. Normalmente as coisas não acontecem assim. Os homens morrem da forma que viveram.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que a oração confiada a Nossa Senhora da Santa Esperança seja acompanhada pela fidelidade à freqüente recepção dos sacramentos e a todas as boas obras. Nunca ouvimos dizer que tais almas tenham sido abandonadas!</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Thierry Gaudray, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cf. II-II q. 137 a. 4 ad 1um</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Citado em II-II q. 137 a. 4 ad 2um</span></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A UNIDADE DA HUMANIDADE</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2020 14:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cristianofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
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		<description><![CDATA[Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est O Bom Deus quis que os homens nascessem de um só homem e de uma só mulher – que ela mesma fosse tirada dele &#8211; para que a unidade da raça humana &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-unidade-da-humanidade/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://mlssyxn21lzq.i.optimole.com/HJiYXwI.NPmQ~19961/w:auto/h:auto/q:auto/https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2020/11/hands-2706109_960_720.jpg" alt="L'unité du genre humain • La Porte Latine" width="397" height="268" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/documents/morale/doctrine-sociale/lunite-du-genre-humain">La Porte Latine</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Bom Deus quis que os homens nascessem de um só homem e de uma só mulher – que ela mesma fosse tirada dele &#8211; para que a unidade da raça humana fosse perfeita. De fato, “<em>Porque ninguém aborreceu jamais a sua própria carne, mas nutre-a e cuida dela</em>”(Ef. 5, 29). Foi o pecado que destruiu este plano de Deus. Assim, o Gênesis conta o assassinato de Abel por seu irmão Caim, imediatamente após a narração do pecado original.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Redenção deveria restabelecer as coisas da maneira mais maravilhosa no mistério do Verbo Encarnado, mas não suprimindo toda divisão entre os homens. Ao contrário, Deus se dirigiu à serpente tentadora, profetizando: &#8220;<em>Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua raça e a dela</em>&#8221; (Gn 3, 15). Toda a História Sagrada descreve as muitas separações que o Bom Deus permitiu ou ordenou: Abraão deixou sua família; Isaac, e não Ismael foi o escolhido; Jacó foi preferido a seu irmão Esaú &#8230; O que São Paulo disse ao louvar a fé poderíamos repetir sobre as divisões e separações que narra a Sagrada Escritura: “<em>E que mais direi ainda? Fartar-me-ia o tempo, se eu quisesse falar de Gedeão, de Barac, de Sansão, de Jefté, de David, de Samuel, e dos profetas.</em>&#8220;(Hb. 11, 32)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os homens nunca aceitaram este plano divino. Não é incrível que o único evento narrado pelo Gênesis entre o Dilúvio e o chamado de Abraão seja a construção da Torre de Babel? Nada é dito sobre a história dos homens sobre como eles se multiplicam novamente, exceto a tentação de estabelecer uma unidade da humanidade sem recorrer a Deus. “<em>Vinde, façamos para nós uma cidade e uma torre, cujo cimo chegue até ao céu: e tornemos celebre o nosso nome antes que nos espalhemos por toda a terra</em>.”(Gn. 11, 4). Deus não demorou a castigar esta pretensão de restabelecer uma união dos homens que não fosse baseada no amor e serviço de Deus: &#8220;<em>Vinde pois, desçamos, e confundamos de tal sorte a sua linguagem, que um não compreenda a voz do outro</em>.&#8221;(Gn. 11, 7)</span><span id="more-21344"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Gênesis nessa parte, como em seu primeiro capítulo, relata as palavras de Deus empregando um misterioso plural que não é &#8220;de imponência&#8221; &#8211; desconhecido para a língua hebraica &#8211; mas que é antes um arauto da revelação do mistério da Santíssima Trindade. Assim como Deus disse: &#8220;<em>Façamos o homem à nossa imagem e semelhança</em>&#8221; (Gn 1, 36), Ele diz aqui: &#8220;<em>Desçamos &#8230; confundamos</em>&#8220;. Não foi para sugerir o desígnio divino que só se revelaria plenamente em Nosso Senhor, desígnio que consiste em unir os homens por uma participação no mistério trinitário? Na sua oração depois da Última Ceia, Cristo pede e obtém esta unidade que é antes de tudo a da Igreja: “<em>Pai Santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós.</em>” (Jo 17, 11). Os homens se unirão apenas no esplendor da Igreja; eles só viverão em paz dentro de um Cristianismo; eles serão irmãos apenas reconhecendo seu Pai no céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É à luz desta revelação que devemos compreender esta estranha palavra de Nosso Senhor: “<em>Não julgueis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada.</em>”(Mt. 10, 34). No entanto, é certo que Nosso Senhor veio trazer a paz! Os anjos cantaram na noite de Natal. Mas é em Cristo, e somente nEle, que todas as coisas devem ser &#8220;<em>restauradas</em>&#8221; (cf. Ef 1, 10). A união dos homens será cristã ou não será: “<em>Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não vo-la dou como a dá o mundo</em>.”(Jo 14, 27). Aqueles que recusarem esta paz um dia serão definitivamente separados da sociedade dos bem-aventurados: &#8220;<em>Quando pois vier o Filho do homem na sua majestade, e todos os anjos com ele, então se sentará sobre o trono da sua majestade, e serão todas as gentes congregadas diante dele, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda.</em>&#8220;(Mt. 25, 31-33)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os apelos contra o separatismo em nome dos valores republicanos, os esforços para estabelecer uma fraternidade universal baseada no amor ao planeta são apenas as últimas formas desta velha tentação que a Maçonaria sempre nutriu. É nessa mesma utopia que participa o ecumenismo conciliar. Os verdadeiros cristãos, por sua vez, trabalham pela harmonia entre os homens, trazendo-os à unidade católica: “<em>Tenho também outras ovelhas que não são deste aprisco; e importa que eu as traga, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.</em>&#8220;(Jo 10, 16)</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Retirado do Boletim</span><span style="color: #0000ff;"> <em><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2020/05/LSA-327-LPL.pdf">Le Saint Anne n°327</a></em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>PAULO VI, UM NOVO SANTO PARA A IGREJA?</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Apr 2019 10:14:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Thierry Gaudray]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: La Porte Latine, 1 de outubro de 2018 &#8211; Tradução: Dominus Est Pe. Thierry Gaudray, FSSPX [Nota do blog: texto escrito antes da canonização do Papa Paulo VI] No último dia 5 de agosto de 2018, o Papa Francisco &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/paulo-vi-um-novo-santo-para-a-igreja/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class=" alignright" src="https://www.a12.com/source/files/originals/Papa_Paulo_VI.jpg" alt="Saiba fatos importantes sobre pontificado de Paulo VI - A12.com" width="291" height="195" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/documents/crise-eglise/nouveau-magistere/paul-vi-1897-1978-un-nouveau-saint-par-labbe-thierry-gaudray-octobre-2018">La Porte Latine</a></span>, 1 de outubro de 2018 &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Thierry Gaudray, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">[Nota do blog: texto escrito antes da canonização do Papa Paulo VI]</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No último dia 5 de agosto de 2018, o Papa Francisco dirigiu-se ao povo reunido na praça São Pedro para o Angelus:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>«Há quarenta anos, o bem-aventurado Papa <strong>Paulo VI</strong> vivia suas últimas horas nesta terra. Ele morreu na noite do dia 6 de agosto de 1978. Nós o lembramos com grande veneração e gratidão, na expectativa de sua canonização no próximo dia 14 de outubro&#8230; Saudemos todos esse grande papa da modernidade com uma salva de aplausos!»</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ninguém duvida que, ao canonizar Paulo VI após João XXIII e João Paulo II, Francisco tenha a intenção de confirmar os católicos nas novas orientações tomadas pela Igreja desde o Concílio, e de dar um novo resplendor à liturgia reformada<strong>[1]</strong>. Ademais, Paulo VI foi o primeiro papa a utilizar a canonização dos santos para avalizar o Concílio ao anunciar, em 18 de novembro de 1965, portanto antes mesmo de sua conclusão, a introdução da causa da beatificação de <strong>Pio XII</strong>, mas também a de João XXIII<strong>[2]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quão opostos todavia eram os juízos desses dois papas acerca de Monsenhor Montini! Se este último foi colaborador próximo do Cardeal Pacelli durante vários anos, é pela vontade de Pio XII que ele foi afastado de Roma em 1954. O sobrinho de Paulo VI testemunha que seu tio jamais teve a menor ilusão: «<em>era para ele um drama em todos os sentidos da palavra</em>»<strong>[3]</strong>. Ainda que Pio XII não julgasse conveniente afastar um substituto dos assuntos ordinários da Secretaria do Estado sem lhe conceder uma promoção aparente, sua culpa não foi escondida. Com efeito, a cadeira de Milão era tradicionalmente ocupada por um cardeal, ora «Pio XII não cria mais nenhum cardeal», e isso «<em>para não ter de nomear Mons. Montini</em>»<strong>[4]</strong>. João XXIII, ao contrário, em 4 de novembro de 1958, um pouco antes da sua cerimônia de coroação, escreveu um bilhete para Mons. Montini anunciando-lhe que essa dignidade lhe seria brevemente conferida<strong>[5]</strong>, e sete anos mais tarde, em seu leito de morte diz: «<em>Meu sucessor será o Cardeal Montini</em>».</span><span id="more-25693"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como é possível que o Papa Francisco utilize de novo as palavras sagradas da canonização para propor como exemplo um sepultador da Tradição? Deixaremos os teólogos responderem a essa questão. Por agora, o bom senso e a fé nos bastam para recusarmos a prestar culto a Paulo VI. As graves inobservâncias na defesa da fé, a promulgação da missa nova e o abandono do zelo missionário pelo Reino de Nosso Senhor provam que Paulo VI era liberal e que não serve de modelo para os católicos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Defesa da fé</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«<em>Acontece de aparecerem livros em que a fé é diminuída sobre pontos importantes, que o episcopado se cala, que não se encontram esses livros estranhos&#8230; e isso, aos meus olhos, é estranho</em>»<strong>[6]</strong>. Mas o próprio papa suprimiu o Index, paralisou o Santo Ofício, não realizou qualquer sanção contra os negadores da fé — como, por exemplo, os bispos holandeses que haviam publicado um catecismo escandaloso que negava tanto os anjos e o sacerdócio como a Encarnação e a Presença real. Mesmo que em 30 de junho de 1968 professe um Credo ortodoxo, jamais ele defendeu essa fé condenando os heréticos. Em Roma, concedeu privilégios a professores outrora expulsos pelo Santo Ofício. «<em>Paulo VI teria deixado a Santa Igreja de Deus ser invadida pela irrupção das águas pantanosas da apostasia iminente</em>»<strong>[7]</strong>. Não se tratava de fraqueza (o que já seria grave num sumo pontífice), mas de uma atitude irenista e irrealista que lhe era habitual. A encíclica <a style="color: #000000;" href="https://www.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_03091965_mysterium.html">Mysterium Fidei</a><strong>[8]</strong> pode ser citada para ilustrar tal afirmação. Com efeito, antes mesmo do fim do Concílio, multiplicavam-se as inovações litúrgicas<strong>[9]</strong> e se difundiam doutrinas que, segundo ele mesmo, perturbavam as almas dos fiéis e causavam uma grande confusão. Ora, não somente o papa não condenou ninguém, mas não pôde deixar de admirar as boas intenções dos fautores das heresias: «<em>Não negamos àqueles que difundem essas opiniões surpreendentes a louvável preocupação de aprofundar tão grande mistério</em>»<strong>[10]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, Paulo VI só se mostra severo em relação aos defensores da Tradição. Invariavelmente, ele cedia e deixava agir os demais<strong>[11]</strong>. É assim que <strong>o Padre Calmel</strong> considerava o pontificado de Paulo VI como «<em>um eclipse do papado</em>» na medida em que este papa pretendia «<em>governar a Igreja reunindo sínodos e sem condenar ninguém</em>»<strong>[12]</strong>. <strong>O professor Amerio</strong> intitulou um dos subcapítulos de sua obra-prima <em>Iota Unum</em>: «<em>a renúncia a exercer a autoridade</em>». Quão simbólico foi o dia 13 de novembro de 1964, quando Paulo VI depôs sua tiara, sinal da plenitude de seu poder!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A publicação da encíclica <a style="color: #000000;" href="https://www.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html">Humanae vitae</a>, em 25 de julho de 1968, foi a única vez em que Paulo VI impôs seu ensinamento. Mas, novamente, ele não toma qualquer medida contra as conferências episcopais, rendidas por uma miríade de publicações que haviam ousado se opor publicamente à sua decisão que, desta vez, não era senão a repetição do ensino tradicional, ao menos em suas conclusões. Mas a questão ia muito além daquela da contracepção. <strong>O cardeal Suenens, o cardeal Alfrink</strong> e muitos outros censuraram-no por ter se mostrado infiel à colegialidade que o Concílio Vaticano II acabara de introduzir na Igreja. O papa tentou então apelar à compaixão de seus contraditores, mas sem nunca se comportar como chefe: «<em>Talvez o Senhor não me chamou a esse cargo porque eu era especialmente apto, ou porque eu governo a Igreja e a preservo nas dificuldades presentes, mas porque sofro algo pela Igreja&#8230;</em>»<strong>[13]</strong>. Ora, o ofício do Sumo Pontífice prescrevia a Paulo VI comandar e não de condoer-se, nem mesmo somente exortar e admoestar<strong>[14]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jamais Paulo VI quis colocar em causa o Concílio Vaticano II que, segundo ele, «<em>não tem menos autoridade, e que inclusive sob certos aspectos é até mais importante que aquele de Niceia</em>»<strong>[15]</strong>. E não obstante ele viu seus frutos: «<em>Esperávamos a primavera do Concílio e veio uma tempestade</em>»<strong>[16]</strong>. O discurso a um grupo de seminaristas em 7 de dezembro de 1968 é bem conhecido: «<em>A Igreja encontra-se em um momento de inquietação, de autocrítica, diríamos quase de autodemolição.</em>» A isso ele acrescentava uma observação que mostra a que ponto ele se mantinha surdo aos gritos de alarme que haviam sido lançados: «<em>É como que uma agitação interior, aguda e complexa, na qual ninguém poderia ter esperado após o Concílio</em>»<strong>[17]</strong>. Dez anos após o Concílio, na morte de Paulo VI, o número de religiosos no mundo havia diminuído 25%. A maior parte daqueles que restavam não levavam mais senão uma sombra de vida religiosa<strong>[18]</strong>. Os fiéis abandonavam as igrejas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A devoção mariana sofreu muito também durante o pontificado de Paulo VI. Na primeira sessão do Concílio, quando ele era somente cardeal, já se opunha à atribuição de novos títulos à Virgem Maria. É ele quem fez suprimir o esquema que havia sido preparado sobre Nossa Senhora para reduzi-lo a um capítulo do esquema consagrado à Igreja. Em 1967, ele dá ao governo turco o estandarte que os cristãos haviam tomado dos muçulmanos em Lepanto graças à proteção de Maria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A nova missa</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 21 de outubro de 1969, um <a style="color: #000000;" href="https://www.fsspx.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Breve_Exame_Critico_do_Novus_Ordo_Missae.pdf">Breve exame crítico</a> sobre a nova missa era apresentado ao papa pelos <strong>Cardeais Ottaviani e Bacci</strong>. Pouco mais de um mês antes,<strong> Monsenhor Antonio de Castro Mayer</strong>, bispo de Campos no Brasil, já havia escrito: «<em>O Novus Ordo Missae não somente não inspira fervor, mas ainda extenua a fé nas verdades centrais da vida católica, tais como a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento, a realidade do sacrifício propiciatório e o sacerdócio hierárquico</em>»<strong>[19]</strong>. Todavia Paulo VI se mostra inflexível na imposição dessa nova liturgia concebida para agradar aos protestantes: «<em>Não é uma decisão arbitrária; não é uma experiência temporária ou facultativa; não é um improviso devido a qualquer diletantismo. É uma lei elaborada por eminentes liturgistas após longas discussões e longos estudos</em>»<strong>[20]</strong>. As palavras mais violentas nesse sentido foram aquelas do consistório de 24 de maio de 1976: «<em>É em nome da Tradição que</em> <em>exigimos a todos nossos filhos, em todas as comunidades católicas, que celebrem na dignidade e no fervor, a liturgia renovada. A adoção do novo Ordo Missae não é absolutamente deixado ao livre arbítrio dos padres ou fiéis [&#8230;]. O novo Ordo foi promulgado para substituir o antigo [&#8230;]. Com a mesma autoridade suprema [que aquela de São Pio V] que nos vem de Cristo Jesus, nós exigimos a mesma disponibilidade&#8230;</em>». Ao Sr. Jean Guitton, que lhe sugeria autorizar a Missa de São Pio V para apaziguar os espíritos, o papa responde: «<em>Isso jamais!</em>». Todavia, em 2007, em seu Motu proprio <a style="color: #000000;" href="https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20070707_summorum-pontificum.html">Summorum Pontificum</a>, <strong>Bento XVI</strong> reconhece que o antigo rito jamais foi ab-rogado. Portanto, Paulo VI tornou-se culpável de abuso de poder.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas os padres que morreram de tristeza, porque lhes fora tirado a missa, não foram os mais infelizes. Os abandonos do sacerdócio durante o pontificado de Paulo VI atingiram proporções inimagináveis. Ele mesmo reconheceu o fato, mas sempre com a mesma inércia: «<em>As estatísticas nos oprimem; a casuística nos desconcerta; as motivações, sim, nos impõem respeito e nos movem à compaixão, mas nos causam uma dor imensa; a sorte dos débeis que encontraram a força para desertar de seu compromisso nos confunde</em>»<strong>[21]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A questão da comunhão na mão não é menos sintomática. A instrução Memoriale Domini<strong>[22]</strong> é uma apologia da comunhão dada pelo padre sobre a língua do comungante. Ela explica como essa maneira de proceder exprime mais o respeito devido ao Santíssimo Sacramento, assim como a humildade com a qual ele deve ser recebido. Ela faz referência a uma consulta a bispos onde uma ampla maioria «<em>prefere que nada seja mudado na disciplina atual</em>» e estipula então que «<em>essa maneira de distribuir a Santa Comunhão deve ser conservada</em>». Ela faz referência à prática de dar a comunhão na mão, prática essa que se espalhou sem que a Santa Sé tenha dado a menor autorização. Os culpados serão severamente reprimidos? De maneira alguma! No mesmo documento romano, as Conferências episcopais são encorajadas a ponderar com cuidado as circunstâncias particulares que poderiam existir (!) a fim de tomar decisões oportunas para que o uso da comunhão na mão «<em>se estabeleça como se deve</em>».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, o uso do latim na liturgia foi ao mesmo tempo louvado e suprimido por Paulo VI. O papa ia na contramão dos princípios que ele enumerava e dizia sofrer com isso! No domingo, 7 de março de 1965, ele celebrou pela primeira vez a missa (tradicional) inteiramente em italiano. Em sua alocução, durante o Angelus do mesmo dia, ele declarou:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«<em>Este domingo marca uma data memorável na história espiritual da Igreja, porque a língua falada entra oficialmente no culto litúrgico, conforme vocês puderam ver nesta manhã&#8230; A Igreja fez um sacrifício no qual diz respeito à sua própria língua, o latim, que é uma língua sagrada, grave, bela extremamente expressiva e elegante. Ela fez o sacrifício das tradições milenares e, sobretudo, da unidade linguística entre seus diversos povos para o bem de uma maior universalidade, para chegar a todos.</em>»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 4 de maio de 1967, o «<em>sacrifício</em>» foi levado a cabo pela instrução <em>Tres abhinc annos</em> que estabelecia o uso da língua vulgar para a recitação, em voz alta, do cânon da missa. Se em junho de 1969, durante sua viagem à Uganda, ele consentiu em celebrar a missa em latim por demanda dos bispos africanos, em sua alocução ele encorajou as reformas: «<em>Um pluralismo é legítimo, e inclusive desejável, sob o aspecto da língua, do gênio e da cultura</em>»<strong>[23]</strong>. Em 26 de novembro deste mesmo ano, durante a apresentação do novo rito da missa, o abandono do latim tornava-se definitivo:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«<em>Não é mais o latim, mas a língua vernácula que será a língua principal da missa. Para qualquer um que conheça a beleza e o poder do latim, sua aptidão para exprimir as coisas sagradas, será certamente um grande sacrifício vê-lo substituído pela língua vernácula. Nós perdemos a língua dos séculos cristãos, nós devemos como intrusos e profanos no domínio literário da expressão sagrada. Nós perdemos assim em grande parte essa admirável riqueza artística e espiritual que é o canto gregoriano. Certamente temos razão de provar por isso pesar e quase angústia.</em>»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Salvação das almas e ecumenismo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na sua encíclica <a style="color: #000000;" href="https://www.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_06081964_ecclesiam.html">Ecclesiam suam</a>, Paulo VI afirma o dever missionário da Igreja<strong>[24]</strong>, mas ele só podia concebê-lo como um diálogo: «<em>A Igreja deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. A Igreja faz-se palavra, faz-se mensagem, faz-se colóquio</em>»<strong>[25]</strong>. Consagrado pelo Concílio Vaticano II, o ecumenismo foi imposto à consciência católica pelo papa através de gestos espetaculares e escandalosos que seus sucessores não fizeram mais que imitar. Em 1964, Paulo VI fez uma viagem à Terra Santa<strong>[26]</strong> durante a qual ele reencontra o patriarca de Constantinopla em pé de igualdade: após ter lido alternativamente o Evangelho, eles se abençoaram um ao outro por iniciativa de Paulo VI<strong>[27]</strong>. De volta à Roma, ele não hesita em dar aos ortodoxos a cabeça de Santo André, que era uma das relíquias insignes da basílica de São Pedro. No último dia do Concílio, em 7 de dezembro de 1965, o Papa Paulo VI anunciou o levantamento da excomunhão dos ortodoxos sem exigir a menor abjuração por parte deles. Durante sua viagem à Turquia em 1967, o papa enviou uma carta oficial ao patriarca de Constantinopla na qual as Igrejas ortodoxas e a Igreja católica eram apresentadas como «<em>Igrejas irmãs</em>». Isso era o mesmo que dizer que Roma não pretendia mais ser a mãe de todas as Igrejas<strong>[28] </strong>e que o papa não mais exigia ser reconhecido como o pai comum dos fiéis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto ao ecumenismo com os protestantes, basta evocar a recepção do Dr. Ramsey, «<em>arcebispo e primado</em>» da Igreja anglicana em 1966. O papa lhe promete levar a cabo um novo estudo sobre a questão da validade das ordenações anglicanas (embora definida categoricamente por Leão XIII) e, antes mesmo desse estudo, já mostrava qual era sua opinião ao pedir que o anglicano abençoasse a assembleia em sua presença. O «<em>primado</em>» inglês não compreendeu esse pedido inaudito e ele mesmo colocou-se de joelhos. O papa prontamente se coloca a levantá-lo. Mas era apenas a primeira surpresa. Paulo VI, em um gesto premeditado, tira em seguida seu próprio anel episcopal para passá-lo ao dedo do Dr. Ramsey.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jamais o Reino de Nosso Senhor sofrera tanto nas mãos de um papa. É verdade que este papa tinha, acima de tudo, um culto ao homem<strong>[29]</strong>! Recusando-se condenar o comunismo ao longo do Concílio, Paulo VI muitas vezes dobrou-se às exigências dos países do Leste europeu. Basta evocar o caso do Cardeal Mindszenty, que provavelmente sofreu mais com as manobras do papa do que pelas mãos dos seus algozes na Hungria<strong>[30]</strong>. Todos os países ainda católicos foram encorajados a retirar o nome de Nosso Senhor de suas constituições: após a Espanha, a Colômbia e certos cantões suíços, foi a vez da Itália<strong>[31]</strong>. A doutrina condenada de Lamennais foi retomada por Paulo VI na mensagem aos governantes: «<em>O que pede de vós essa Igreja&#8230; de hoje? Ela vos diz em um dos grandes textos desse Concílio: ela vos pede simplesmente a liberdade</em>»<strong>[32]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Uma face dupla</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Padre Congar dizia que Paulo VI falava com a direita e agia com a esquerda<strong>[33]</strong>. Monsenhor Lefebvre, citado o <strong>Cardeal Daniélou</strong>, revelava a verdadeira razão dessa atitude: Paulo VI era um liberal, e portanto um incoerente, um homem que afirma certos princípios e executa o contrário deles. «<em>Porque esse papa é como que um fruto do liberalismo, toda sua vida foi impregnada por influências de homens que lhe cercavam ou que ele tomou por mestres e que eram liberais</em>»<strong>[34]</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa contradição fazia de Paulo VI um papa triste. O seguinte jogo de palavras circulava na Itália: Paulo VI (Paolo sesto) é um «<em>Paolo mesto</em>» (Paulo triste)<strong>[35]</strong>. Essa tristeza é totalmente diferente daquela dos santos. Em seu diário pessoal, João XXIII, que havia encontrado <strong>São Pio X</strong> e que havia destacado o véu de tristeza nos olhos do Pontífice, dizia não acreditar em sua santidade. Todavia, este sofrimento vinha diretamente da caridade. Não havia nenhuma incoerência entre as palavras e a vida de São Pio X! A alma de Paulo VI, ao contrário, era ansiosa e paradoxal. Não obstante nostálgica da grandeza da Igreja, ele participou ativamente em sua destruição. Era o juramento feito em sua coroação papal que às vezes vinha à mente e o atormentava: «Se eu pretendesse trair a Tradição recebida dos meus predecessores, Deus não me seria um juiz propício no Juízo final»<strong>[36]</strong>?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas</strong></span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Ao lado da missa dita de São Pio V, já qualificada como «<em>rito extraordinário</em>», haveria aquele de “São” Paulo VI.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Yves Chiron, «<em>Paul VI, le pape écartelé»</em>, p. 247, édition Perrin.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Giorgio Montini, «<em>Mon oncle, le pape</em>».</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Chiron, «<em>Paul VI, le pape écartelé»</em>, p. 153.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Roberto de Mattei, «<em>Il Concilio Vaticano II</em>», p. 113.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Jean Guitton, «<em>Paul VI secret</em>», p. 168.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Carta do Padre Calmel de 4 de julho de 1970, citada pelo Padre Jean-Dominique em «<em>Le père Roger-Thomas Calmel</em>», p. 461.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">3 de setembro de 1965 (o Concílio encerraria em 8 de dezembro de 1965).</span></li>
<li><span style="color: #000000;">A primeira constituição conciliar era sobre a liturgia e já dava seus frutos.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Próximo ao fim de seu pontificado, quando os episcopados do mundo julgavam do alto de suas encíclicas, ele exaltava «<em>a extrema unanimidade de toda a Igreja com seu pastor supremo e de todos com seu próprio bispo</em>» (Alocução de 23 de junho de 1975).</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Falando dos abusos litúrgicos, o <strong>cardeal Gut</strong>, prefeito da Congregação para o culto divino, destacava: «<em>Muitos padres fizeram o que bem entendiam. Eles fizeram as próprias regras. As iniciativas tomadas sem autorização no mais das vezes não podiam mais ser detidas. Em sua grande bondade e sabedoria, o Santo Padre então cedeu, frequentemente contra sua vontade</em>» <em>D.C.</em> nº 1551 citado em <em>Iota Unum</em> nº 69.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Carta de 17 de janeiro de 1969 citada pelo Padre Jean-Dominique em «<em>Le père Roger-Thomas Calmel</em>», p. 365.</span></li>
<li><span style="color: #000000;"><em>Discurso ao Sacro Colégio</em> em 22 de junho de 1972, citado em <em>Iota Unum</em> nº 65.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Mesmo em sua exortação apostólica <em>Paterna cum benevolentia</em> de 8 de dezembro de 1974, onde ele reivindica sua autoridade e se insurge contra a desobediência, ele o faz a modo de advertência, mas sem condenar.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Carta de Paulo VI a Monsenhor Lefebvre, escrita em 29 de junho de 1975. Até mesmo o Cardeal Villot o havia aconselhado a não escrever tal coisa!</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Ao Cardeal G. Colombo, arcebispo de Milão.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Citado por exemplo em <em>Iota Unum</em> nº 7.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">O papa obrigou todos os institutos religiosos (até mesmo os Cartuxos que jamais precisaram de reformas) a reescrever suas constituições e regras.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Citado em «<em>Histoire de la messe interdite</em>» por Jean Madiran, p. 30.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Discurso de Paulo VI (19 de novembro de 1969) sobre o novo rito da missa, citado em «<em>Histoire de la messe interdite</em>» por Jean Madiran, p. 34.</span></li>
<li><span style="color: #000000;"><em>Carta ao clero secular e regular da diocese de Roma </em>de 10 de fevereiro de 1978.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Instrução de 29 de maio de 1969 da Sacra Congregação para o culto divino.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Chiron, «<em>Paul VI, le pape écartelé»</em>, p. 296.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">«<em>É o dever da evangelização, é o mandato missionário, é o dever de apostolado</em>»; encíclica Ecclesiam suam de 6 de agosto de 1964.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Desde quando era substituto do Secretariado de Estado, em março de 1949, ele recebeu <strong>Roger Schutz</strong> e <strong>Max Thurian</strong>, da comunidade protestante Taizé, e deixou subentendido que a Igreja católica poderia participar do Conselho ecumênico das igrejas (o que um monitum do Santo Ofício havia precisamente descartado formalmente no ano anterior), e que Ela deveria reconhecer os erros de seus membros na história e hoje. Cf. Chiron, «<em>Paul VI, le pape écartelé»</em>, p. 134.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">A primeira dessas viagens internacionais as quais os papas conciliares nos deixaram habituados.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Chiron, «<em>Paul VI, le pape écartelé»</em>, p. 217.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Pela palavra «Igreja» significou-se então as dioceses governadas por um bispo, mas em dependência do papa.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">«<em>Vós, humanistas do nosso tempo, que negais as verdades transcendentes, dai ao Concílio ao menos este louvor e reconhecei este nosso humanismo novo: também nós — e nós mais do que ninguém somos cultores do homem.</em>» Discurso de encerramento do Concílio Vaticano II em 7 de dezembro de 1965.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Fideliter nº 243 de maio-junho de 2018.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Desde 1976, Paulo VI preparava o tratado concluído somente em 1984 e que ab-rogava o artigo que especificava que a religião católica era a única religião de Estado.</span></li>
<li><span style="color: #000000;"><em>Messages du Concile</em> de 8 de dezembro de 1965.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Mons. Lefebvre fazia a mesma observação: «<em>Quase tradicionalista, ao menos nas palavras, e logo em seguida, nos atos, fazendo coisas completamente opostas, não condenando tudo que deveria ser condenado e, ao contrário, condenando o que não deveria ser condenado.</em>» (Conferência espiritual aos seminaristas em 18 de março de 1977).</span></li>
<li><span style="color: #000000;">«<em>Do liberalismo à apostasia</em>», cap. 31, p. 224.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Chiron, «<em>Paul VI, le pape écartelé»</em>, p. 10.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Juramento milenar feito durante a cerimônia de coroação papal.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em> </em></span></p>
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