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	<title>DOMINUS EST &#187; Rúben Calderón Bouchet</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>A OPUS DEI, VISTO POR RUBÉN CALDERÓN BOUCHET</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jun 2025 21:27:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rúben Calderón Bouchet]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Statis Veritas &#8211; Tradução: Dominus Est Li a obra sobre o “Opus Dei” escrita por Jean Saunier, em 1973, e traduzida ao espanhol pela editora Roca de Méjico. O livro é um pouco velho, especialmente em tudo o que &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-opus-dei-visto-por-ruben-calderon-bouchet/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5"><img class="aligncenter" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjOGVDpmF_dgWzm-p43aDBV1hunJDpW6K9J0GDGDg2VVs_hCeKwkBltWssE6lWekpWxfy2uzCPTzDWUeI6jCMhkbHj_3qPaBz-ri_vfNAdHzOJVyOpdSP6roZuqpxxHoYDawGmd32iUINkT/s320/Opus+Dei+-+Saunier.jpg" alt="" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <a href="https://statveritasblog.blogspot.com/2012/09/el-opus-dei-visto-por-ruben-calderon.html?m=1"><span style="color: #0000ff;">Statis Verita</span>s</a> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Li a obra sobre o “Opus Dei” escrita por Jean Saunier, em 1973, e traduzida ao espanhol pela editora Roca de Méjico. O livro é um pouco velho, especialmente em tudo o que se refere à situação política da Espanha, que mudou bastante desde a morte de Franco e, especialmente, durante o período em que governou o socialismo sob a condução de Felipe González. O livro está escrito em tom claro e tem um desenrolar fácil de seguir. Não há dúvidas de que seu autor não é católico e isso se vê nas primeiras linhas da obra, por certas alusões equívocas que mostram sua ignorância de teologia e um modo de compreender a história europeia que ubicam Saunier em um radicalismo esquerdista e provavelmente marxistóide — embora este último não seja tão evidente.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A crítica, fundada em um bom conhecimento dos fatos, carece de perspectiva religiosa de tal modo que o católico tradicionalista se encontra perante uma diatribe que parece especialmente dirigida ao que o autor chama “integrismo” do Opus; que consistiria em uma defesa impetuosa da Igreja, sempre feita com métodos adequados à situação atual do mundo econômico. Com o propósito de evidenciar o caráter tradicional do Opus Dei, o autor nos lembra de associações religiosas passadas que buscaram recuperar, com maior ou menor sucesso, a antiga importância política da Igreja Católica em tentativas, mais ou menos bem-sucedidas, de assumir o poder político através de certas intrigas secretas levadas a cabo por esses grupos escolhidos. Assim teriam sido “A Cabala dos Devotos” no tempo de Luís XIV, os “Cavaleiros da Fé” durante a restauração e o movimento integrista “La Sapinière” durante o pontificado de São Pio X. </span><span id="more-33151"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Ele o faz sem considerar as características de cada um desses movimentos; e, em especial, de “La Sapinière”, cuja limitação ao campo da fé contra os modernistas coloca sua atividade dentro da Igreja, e que nunca foi uma associação secreta e marginal, como sustenta o autor em uma chave de interpretação modernista, a qual busca fazer do chamado “integrismo” uma certa heresia oposta ao progressismo para se insinuar como uma síntese dialética verdadeiramente integradora da verdade católica. Em poucas palavras, o Opus Dei seria um movimento essencialmente católico em sua inspiração e em seu conteúdo doutrinal, que trataria de captar as classes dirigentes da chamada sociedade de consumo para que sirvam aos interesses da Igreja.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Como essa afirmação provém de um crítico que carece totalmente de vitaminas religiosas, diríamos que adoece do essencial: da aptidão para ver, na “práxis” do Opus Dei, os autênticos erros que um olhar mais teológico pode perceber. O livro, escrito em bom francês, está escrito com leveza e não cai em momento algum nos insultos grosseiros em que cai o mexicano autor de um apêndice fogoso, em que nos serve de bandeja uma sucessão de lugares comuns do mais incontrolável “odium fidei”. Deve-se reconhecer que seu autor, Walter Beller Taboada, não fez esforço algum para colocar-se em dia com a crítica anticlerical da moda, que costuma ser mais adocicada e contemplativa. Sua crítica é um libelo do mais tosco estilo “papa-curas”, que poderia causar repugnância se seu anacronismo petulante não o fizesse cômico. Reprova o Opus Dei por cuidar da castidade das jovens colocadas sob seu cuidado e por se preocupar com a conduta sexual de seus afiliados, sem levar em conta tudo o que Freud nos ensinou sobre a liberação dos tabus. Seu ataque poderia ser aplicado a toda a Igreja e é muito difícil encontrar uma crítica que fale tão bem da projeção moral e intelectual do Opus Dei.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Perante uma crítica dessa natureza, o bom católico pode pensar que a organização religiosa e social do Opus é uma defesa metódica e inteligente da fé, particularmente adequada aos tempos em que estamos. Sua orientação para captar as classes dirigentes de uma nação, e de prepará-las moral e tecnicamente para o desempenho de suas funções de comando seria mais louvor do que crítica; no fim das contas, os que necessitam dos cuidados religiosos são os que mandam, porque são eles os que sofrem as tentações mais fortes para o pecado de cobiça, e os que estão mais próximos de cometê-lo.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Nossas dúvidas com respeito ao valor religioso da Obra nascem, justamente, da elaborada preparação de seus afiliados para enfrentar triunfalmente os desafios do mundo moderno. Quando entramos em contato com alguns de seus ensinamentos mais ressoantes, vem à nossa mente a parábola do Administrador infiel (ou, como diria Castellani, do Administrador Velhaco). É verdade que os bens deste mundo devem ser usados para ganhar a vida eterna, mas se nos preparamos demais para obtê-los, não corremos o risco de inverter a ordem das preferências? Uma excessiva preocupação pelos acréscimos não nos fará perder de vista o Reino dos Céus? E se devemos cuidar da santa apresentação de nossas fisionomias para obter mais êxito nos empreendimentos, não terminaremos vítimas de uma hipocrisia farisaica, que é um dos maiores pecados que se pode cometer?</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">O Opus Dei faz tudo o que pode para nos preparar ao triunfo neste e no outro mundo — adverte-nos, certamente, contra o humor triunfalista, mas o faz para que possamos triunfar e para que uma vaidosa ostentação do êxito não nos faça fracassar aos olhos da sociedade ao qual devemos destinar nossos esforços</span><span class="tm6">. A humildade é uma carta a se jogar e teríamos de colocá-la em evidência, ainda que não seja uma atitude muito autêntica.</span><span class="tm6"> De fato, o socialista de carteirinha nos diz que, na Idade Média, a Igreja Católica soube obter a adesão das classes superiores e prepará-las para exercer seu comando, sem perder de vista a prelazia espiritual da Santa Sé. Não esqueçamos que sua influência na nobreza foi mais corretiva do que exaltante, e se comparamos o comportamento do nobre bárbaro com o nobre católico, observamos em primeiro lugar a disposição ao serviço do segundo e, quando a preocupação religiosa predominava, seu abandono de todas as pompas para consagrar sua vida à fé. Acaso São Bernardo de Claraval, Santo Tomás de Aquino não foram nobres? Mas sua santificação lhes impôs o abandono de seus privilégios nobiliários e seu ingresso na vida conventual. Certamente o Opus não negará ao banqueiro aderente a possibilidade de tomar hábito, mas não o anima demasiado nessa linha e o prefere em sua condição de homem de finanças, para que colabore melhor com as obras da fundação.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Tais comparações sempre são um pouco forçadas; as mudanças históricas são demasiado notáveis para que a comparação entre a nobreza feudal e o mundo das finanças deixe de ser uma ilusão. A nobreza é o resultado de uma superioridade natural e embora a soberba da vida possa tornar déspota um guerreiro, a virtude da fortaleza é sempre uma energia com a qual se pode contar para a formação de uma excelência autêntica. As virtudes que dão boa disposição para as finanças não entram nos bons hábitos morais: </span><span class="tm6">o prognóstico</span><span class="tm6">, a astúcia, guardar dinheiro, o cálculo, a minuciosidade fria no manejo dos bens, embora possam ser controladas pela prudência, pertencem de fato ao elenco dessa inclinação fundamentalmente viciosa que se chama “prudentia carnis” [prudência da carne], e que parece ser uma das mais solicitadas pela ética opusdeista.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">De qualquer modo, o livro de Saunier nos informa, com muitos detalhes, sobre a atuação do Opus Dei, e embora tenha um pouco de exagero no que diz, que se presta somente a quem lhe é próximo, encontramo-nos perante uma associação católica que teve um êxito clamoroso, e que despertou a fúria dos inimigos da Igreja, o que não deixa de ser uma nota favorável ao Opus.</span></p>
<div style="width: 271px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhpRXYRliAIxGME28BTo7zIMX0jrfW1ByArY33_Za0fnwRQVyBR2dLtg57jH41McD7wzLyLftqQIfeSwl-Sopwm4x0ffQVRmgdrzr3AYbsc3po-vlKzMm2cA06ofImqVkv8xepkgeYHwDqj/s320/telva-magazine-decoration-small-74258.jpg" alt="" width="261" height="378" /><p class="wp-caption-text"><span style="color: #000000;"><strong>Revista Telva, dirigida por numerários do Opus Dei. </strong></span></p></div>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A Revolução, em seu sentido amplo e cabal, fez do financista, do comerciante e do industrial os homens que marcam os rumos da sociedade moderna; captá-los para a edificação da Cidade Cristã parece, à primeira vista, um propósito apostólico perfeitamente válido. Mas, olhando mais atentamente, dois aspectos da empresa são questionáveis. Trata-se de uma classe dirigente que cresceu na desordem de um regime sustentado pelo Magistério da Igreja Católica, regime montado à cavalo na influência espiritual do protestantismo, porque se olhamos com fineza a mentalidade liberal que reina também nos países sedizentes católicos, é de origem protestante. Como afirmamos acima, as virtudes ou hábitos, nem sempre virtuosos, dessa classe dirigente as tornam muito impermeáveis ao influxo da fé e em que medida uma conversão verdadeira conservaria sua aptidão para o comando na sociedade atual? Porque uma coisa é uma conversão autêntica, como a de São Godrico de Finchale, que abandonou seu comércio de cabotagem para dedicar-se à penitência e outra, muito diferente, é colocar-se cara de santo para pescar melhor em rio agitado.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Pode-se reclamar daquele que condena, sem nenhuma intenção de melhorá-la, a espiritualidade de nossa sociedade; que, em lugar de enfrentá-la com os meios previstos pela fé de Cristo, a condene a um juízo definitivo sem se esforçar em instaurá-la para sempre no âmbito salvífico da Igreja. Mas acaso podemos salvar um rufião sem pedir que ele abandone seu ofício? Certamente, o dinheiro é um instrumento e sua bondade ou maldade dependem do uso feito dele, mas as condições para consegui-lo em grande escala não são sempre pecaminosas, ou, no mínimo, perigosas para a salvação da alma?</span></p>
<p class="Normal tm5"><img class="aligncenter" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjj7AJVYdKQdGWhn-gH49n-1v9RkdiqKVkODKJmJ9nmfO-GnYRXryvY3HznRgTEcmRqWnBTy7rM8WBOZVFi2kd2nE362BHcrRGizqFtkEj9o5BTiSc_nGcQQYq3t5txDk9TAP5Ig8ZpqD4Z/s320/cristianismo-y-laicidad-9788432137433.jpg" alt="" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Como todos aqueles que não têm um centavo, costumo ser algo rigoroso para com os que ganham muito, e nessa condenação decisiva alguém pode ver a inveja inevitável do pobre. Mas, no fim das contas, Nosso Senhor não foi muito suave com os ricos e, a não ser que reduzamos o tamanho dos camelos, ou aumentemos demasiadamente o buraco das agulhas, a possibilidade de que um rico entre no Reino dos Céus sempre será difícil. Poderiam me recordar que se trata do “espírito de riqueza”, e que se podem ter todos os tesouros do mundo sem estar ligados a eles. Concedo, mas insisto que não se pode ser um banqueiro bem-sucedido sem que se possuam algumas aptidões espirituais para a posse do dinheiro, e perder algum tempo na aquisição de conhecimentos bursáteis que nos farão depender demais das flutuações do dólar, do euro ou do yen. E não falo das manobras dolosas nas quais se tem de ser expert, ainda que seja somente para evitar golpes e sair por cima de uma crise financeira na qual se encontra o dinheiro da Obra. </span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A classe dirigente moderna, nascida na ruptura revolucionária de uma sociedade de ordem, não é a mais adequada para nos colocar às fronteiras do Reino dos Céus; e temo que os esforços apostólicos do Opus Dei tropecem com uma natureza humana muito refratária às insinuações do Espírito Santo, muito mais apta para adquirir semblante e costumes de um farisaísmo “up to date” sem antecedentes na história de nossa civilização. Não nos esqueçamos que Mateus largou sua mesa de cambista e de cobrador de impostos para seguir a Cristo, e que Ele não disse “Trate de ser o mais sério e correto dos publicanos, e siga-me desde longe sem abandonar seu escritório”.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">_____________________________</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Nota:</span></strong><span class="tm6"> Um critério meramente pragmático de verdade costuma nos colocar em oposição irremediável com o ensinamento tradicional da Igreja. É muito certo que hoje, em todas as partes do mundo civilizado, o sistema democrático e liberal do governo se impõe, não importando o caráter muito discutível de seus modos de obter consenso popular. Ninguém que lê os jornais e tenha sua mente formada pelos meios de comunicação em massa duvida da bondade do sufrágio universal, e embora os mais espertos saibam que se trata de um slogan que os financistas pagam para manter o anonimato dos mandachuvas, ninguém se atreve a criticá-lo publicamente para evitar o opróbio de ser considerado um fascista. A Igreja deve ensinar a verdade e somente a verdade nos tornará livres; e não a aceitar uma mentira, e muito menos a adquirir uma preparação idônea para sustentá-la em sua utilidade mendaz. O homem que vive das mentiras ideológicas e que as aceita descaradamente para crescer com elas não é, o que podemos chamar, um membro vivo da Igreja de Cristo; é um astuto a mais dos muitos que engordam à sombra dos plebiscitos democráticos. A Obra não adere à ideologia determinada, mas aceita quase todas como caminhos viáveis, pelos quais o homem católico pode transitar sem tropeços morais.</span></span></p>
<p class="Normal" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>O CATOLICISMO NÃO É “JUDAICO-CRISTÃO”</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2019 15:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Permanencia]]></category>
		<category><![CDATA[Rúben Calderón Bouchet]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Boletim Permanencia Este texto é o resumo de um longo artigo do historiador argentino Rúben Calderón Bouchet (1918-2012). Tornou-se moda entre os cristãos referir-se à nossa religião com a denominação de judaico-cristã. A Igreja, na medida em que rompeu sua conexão original com &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-catolicismo-nao-e-judaico-cristao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <a href="https://boletim.permanencia.org.br/2019/04/30/o-catolicismo-nao-e-judaico-cristao/">Boletim Permanencia</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #000000;">Este texto é o resumo de um </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://advocatusfidei.blogspot.com/2019/04/civilizacao-latina-ou-judaico-crista.html">longo artigo</a></span> <span style="color: #000000;">do historiador argentino <strong>Rúben Calderón Bouchet</strong> (1918-2012).</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" alignleft" src="http://cultura.estadao.com.br/blogs/estado-da-arte/wp-content/uploads/sites/426/2018/03/Captura-de-Tela-2018-03-23-%C3%A0s-19.27.41-1024x635.png" alt="" width="365" height="234" /><span style="color: #000000;">Tornou-se moda entre os cristãos referir-se à nossa religião com a denominação de judaico-cristã. A Igreja, na medida em que rompeu sua conexão original com a Sinagoga, adaptou seu magistério às exigências da civilização greco-latina e se separou de tudo aquilo que, na tradição israelita, pudesse ter de hebraico. A atitude de Pedro e de Paulo ao tomar Roma como centro do seu apostolado foi, desde o começo, favorável a um entendimento profundo com as expressões mais notáveis da civilização helênico-romana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Política, arte, ciência, economia e língua vinham agora do mundo gentio greco-latino. De Israel se conservava a Escritura e, com ela, o conteúdo da tradição revelada, mas examinado à luz dos princípios impostos pelo mistério do Verbo Encarnado. O encontro de gregos e cristãos foi decisivo para o futuro de uma assembleia religiosa cuja catolicidade dependia dessa união.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ninguém pode negar que o povo de Israel, como qualquer outro, teve usos e costumes que dependiam naturalmente de seu temperamento, de suas virtudes, de seus vícios, das vicissitudes da sua história, de sua ignorância e de seus conhecimentos. Separar isso dos conteúdos revelados tem sido a tarefa do Magistério da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Símbolo de Niceia é uma condensação particularmente feliz desse discernimento e prepara, no início do século IV, a formulação de uma Teologia Dogmática que pouco terá que adicionar a seu conteúdo essencial, no transcurso dos séculos.</span><span id="more-16327"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse esforço exegético e seu conteúdo dogmático nada deve à “forma mentis” israelita, mais inclinada às longas dissertações em torno dos artigos da fé, da interpretação da lei ou das visões apocalípticas, mas a uma clara precisão doutrinária onde aparece, com toda a sua força, o gosto greco-romano pela clareza e pela conclusão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O núcleo da religião está constituído pela Revelação e essa, em sentido estrito, não é judia, ainda que o povo hebreu houvesse sido elegido por Deus para sua recepção. Chamar os conteúdos revelados por Jesus de judaico-cristãos teria sentido se não fossem revelados, mas sim o fruto da espiritualidade hebreia, como foram suas instituições, seus cânticos, suas visões e sua história nacional.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Jesus obrou em todo momento como Deus feito homem e não como judeu. Reclamou para si uma autoridade e uma obediência que nenhum cidadão israelita poderia reclamar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sócrates, Platão, Aristóteles são gregos na medula de sua espiritualidade e temos que agradecer à Hélade a herança dos seus respectivos ensinamentos. Mas Cristo é Deus e, embora encarnado no seio de uma Virgem hebreia, nem seu espírito, nem suas palavras estão circunscritas às fronteiras do povo onde nasceu. Na relação vital Cristo-Israel, o último é o veículo ou, se quiser, o meio através do qual ressoa a eternidade do Verbo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim como Deus elegeu o povo de Israel para que de seu seio nascesse o Messias, elegeu uma civilização para estabelecer sobre ela sua Igreja. De Israel exigiu a lealdade à Aliança e sobre os que foram fiéis edificou sua comunidade sacrificial. Da latinidade, tomaria as obras: o idioma, as ciências, o direito, a arte, os critérios políticos, econômicos e militares. Em uma palavra, tudo isso que a latinidade, assumindo o esforço genial dos gregos, plasmou com seu gênio peculiar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em que consiste esse gênio e por quê Deus pôs seus olhos em Roma para que fosse a cabeça de sua Igreja? É um velho princípio de sabedoria teológica admitir que os desígnios da Providência são inescrutáveis. Atreveria-me a afirmar que a importância política de Roma, seu gênio universal e essa disposição prática que mostrou no governo de outros povos não deixaram de entrar nos desígnios da Providência, nem careceram de forças para que Roma fosse eleita como instrumento da expansão universal da Igreja Católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma foi erigida por inspiração do Espírito Santo, e porque sua eleição supunha a adoção do instrumento apto para expandir a fé e conservá-la no idioma mais adequado por sua essencialidade e sua precisão enunciativa. Essas são as virtudes que permitiram a permanência das verdades contidas no traditum e a possibilidade de que fossem claramente explicadas a todas as inteligências.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma das piores tentações que ameaçam o cristão de hoje é renunciar à férula romana para substituí-la por um angelismo de um Evangelho sem fundamento civilizador. Nestes tempos nasceu a ideia peregrina de renunciar às categorias intelectuais greco-latinas para favorecer, como se diz, um utópico encontro semântico com outras civilizações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma, e a civilização que nasceu de seu encontro com a revelação cristã, foi escolhida por muitas razões que nós ignoramos, mas é preciso perceber que a civilização latina foi a mais adequada, por suas condições, para cumprir a missão universal da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A civilização latina, enquanto recebeu o influxo da religião católica, começou o grande périplo de uma transformação cultural solicitada pela pressão misteriosa da Graça. Os efeitos transfiguradores da vida sobrenatural não só se fazem sentir sobre a alma individual, influem também sobre as atividades do espírito como a ciência, a economia, a arte e a política, sob a influência do homem sobrenaturalmente regenerado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A “humilitas” é a consciência de finitude e de dependência total perante Deus que descobre o único caminho verdadeiro pelo qual pode transitar nosso reencontro com o Absoluto. A questão social, como se diz hoje, não se poderá resolver jamais se não é na figura da generosa entrega dos fortes a serviço dos mais fracos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fé, a esperança e a caridade não são virtudes imbecis e com uma exagerada propensão a crescer em terrenos covardes. Requerem, antes de tudo, uma boa vontade e uma inteligência dócil ao dado revelado e pouco influída pelo desejo constante de justificar más paixões e interesses baixos. Se pensarmos bem, para ser um bom cristão é necessário uma limpeza de alma pouco comum e isso, no fim das contas, implica em nobreza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A aproximação destes dois termos, judaico-cristão, aplicado às verdades reveladas por Deus, traz consequências lamentáveis porque relativiza o conteúdo religioso, fazendo-o depender da civilização hebreia, e isso não é católico, embora venha com a pretensão de ser muito protestante e moderno. Tampouco é aceitável se o aplicamos à nossa civilização, que é, essencialmente, greco-latina.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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