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	<title>DOMINUS EST &#187; Educação</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>SÃO JOÃO BOSCO E O &#8220;SONHO PROFÉTICO&#8221; DA LANTERNA MÁGICA</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 17:51:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[São João Bosco]]></category>

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		<description><![CDATA[Um objeto muito semelhante aos celulares e as redes sociais nas mãos dos mais jovens. Fonte: Radio Spada &#8211; Tradução: Dominus Est São João Bosco é conhecido por seus sonhos proféticos. Embora este assunto deva sempre ser tratado com cautela &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sao-joao-bosco-e-o-sonho-profetico-da-lanterna-magica/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="tm6 tm7" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.radiospada.org/wp-content/uploads/2026/09/fe7dcd0d-bfda-45cf-9b25-076fe8e15578.jpg" alt="San Giovanni Bosco e il “sogno profetico” sulla lanterna magica: un oggetto molto simile ai cellulari e ai social nelle mani dei giovanissimi" width="642" height="362" /></p>
<p class="tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Um objeto muito semelhante aos celulares e as redes sociais nas mãos dos mais jovens.</span></strong></span></p>
<p class="tm6 tm7" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.radiospada.org/2026/09/san-giovanni-bosco-e-il-sogno-profetico-sulla-lanterna-magica/">Radio Spada</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">São João Bosco é conhecido por seus </span><em><span class="tm10">sonhos proféticos</span></em><span class="tm9">. Embora este assunto deva sempre ser tratado com cautela para evitar conclusões que as revelações privadas não podem fornecer (veja </span><u><a style="color: #000000;" href="https://www.radiospada.org/2023/05/cosi-e-se-vi-appare-occhio-al-tradicarismatismo-anche-quando-sembra-cattolico/"><span class="tm9">aqui</span></a></u> a devida importância a ser atribuída a esses fatos), é inegável que muitos eventos descritos pelo Santo correspondem claramente a situações que se concretizaram posteriormente. Apresentamos aqui seu sonho de 1º de maio de 1865 (extraído de G. B. Lemoyne, Memórias Biográficas de São João Bosco, vol. VIII, ano de 1865, p. 115-116).</span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: center;"><strong><span class="tm9" style="color: #000000;">Sonho de 1º de maio de 1865</span></strong></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Sonhei e parecia-me estar na igreja. A igreja estava cheia de jovens, mas poucos se aproximavam para receber a Sagrada Comunhão. Junto da balaustrada, estava um homem alto, todo negro, cuja cabeça brotavam dois chifres. Ele segurava uma lanterna mágica e, por meio dela, mostrava coisas diferentes aos diversos jovens:</span><span id="more-35893"></span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">&#8211; A um, mostrava o tempo de lazer, repleto de jogos, e assim o prendia ao seu divertimento predileto; </span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">&#8211; A outro, apresentava jogos passados, as perdas sofridas e a esperança de vitórias futuras; </span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">&#8211; A outro ainda, sua terra natal, com seus caminhos, seus campos, sua casa; </span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">&#8211; A outro, fazia ver seus estudos, seus livros, o trabalho do dia a dia; </span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">&#8211; A outro, as frutas, os doces e o vinho que carregava em seu baú; </span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">&#8211; A outro, mostrava seus parentes, seus amigos, ou algo ainda pior: seus pecados e até mesmo o dinheiro escondido. </span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Por isso, poucos se aproximaram dos sacramentos. </span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Alguns viram os passeios, as férias e, deixando tudo de lado, pararam para contemplar os antigos companheiros de suas diversões. </span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Sabeis o que significa este sonho?</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Significa que o demônio faz de tudo para distrair os jovens na igreja, para afastá-los dos </span><span class="tm12">Santos Sacramentos</span><span class="tm9">. E os jovens são tão tolos que ficam ali contemplando.</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Meus filhos, é preciso quebrar esta lanterna do demônio; e sabeis como fazê-lo?</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm12">Lançar um olhar para a Cruz e pensar que afastar-se da Comunhão é o mesmo que lançar-se nos braços do demônio.</span><span class="tm9">”</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">Possíveis coincidências</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">O paralelo entre a visão de São João Bosco e a modernidade torna-se impressionante ao considerarmos a dinâmica descrita no sonho de 1865. O homem negro com a &#8220;lanterna mágica&#8221; evoca de forma marcante a figura de um usuário hipnotizado pela tela de um celular, pela qual uma sequência contínua de imagens e notificações personalizadas se desenrola: </span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">1)</span></strong><span class="tm9"> o lazer animado por jogos corresponde ao fluxo contínuo de vídeos de entretenimento e lazer? </span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">2)</span></strong><span class="tm9"> os desafios e perdas do passado espelham a dinâmica dos videogames e das apostas digitais, baseados na esperança constante de uma vitória? </span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">3)</span></strong><span class="tm9"> a visão da terra natal e dos passeios evoca o compartilhamento de fotos de viagens, histórias do cotidiano e lugares frequentados? </span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">4)</span></strong><span class="tm9"> estudos e locais de trabalho representam notificações profissionais, acesso constante a documentos de trabalho e a disponibilidade 24 horas por dia? </span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">5)</span></strong><span class="tm9"> a visão de comida e vinho antecipa a exibição fotográfica de refeições e a ostentação do consumo imediato? </span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm12">6)</span></strong><span class="tm9"> a visão de parentes, amigos e dinheiro reflete mensagens instantâneas, voyeurismo digital, acesso a conteúdo impróprio e transações financeiras com um clique? </span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm11" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">O resultado final destacado no sonho — a profunda distração, perda de concentração e a consequente desconexão da vida espiritual — coincide notavelmente com o vício digital e a fragmentação da atenção causados ​​pelas telas modernas. Essa correspondência se torna ainda mais impressionante considerando que, em 1865, tais tecnologias eram completamente inimagináveis: celulares, internet e transmissão instantânea de imagens sequer existiam como conceitos.</span></p>
<p class="Normal" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>UM SILÊNCIO CULPÁVEL: O SILÊNCIO DOS PAIS SOBRE OS MISTÉRIOS DA VIDA</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 14:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[O silêncio dos pais sobre esses mistérios da vida é culpável: a criança será iniciada em outro lugar, de maneira materialista ou imoral, nessas coisas santas, porém misteriosas, o que corrompe sua pureza e distorce sua maneira de encará-las. Fonte: &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/um-silencio-culpavel-o-silencio-dos-pais-sobre-os-misterios-da-vida/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="https://i0.wp.com/membros.institutosantoatanasio.org/wp-content/uploads/2023/06/familia_catolica_pintura.jpg?fit=879%2C1024&amp;ssl=1" alt="Na Casa de uma Família Católica Não Pode Faltar os Hábitos Religiosos -  Instituto Santo Atanásio" width="503" height="585" /></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><strong><span class="tm8" style="color: #000000;">O silêncio dos pais sobre esses mistérios da vida é culpável: a criança será iniciada em outro lugar, de maneira materialista ou imoral, nessas coisas santas, porém misteriosas, o que corrompe sua pureza e distorce sua maneira de encará-las.</span></strong></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><strong><span class="tm8" style="color: #000000;">Fonte:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/09/FA-59-pour-site.pdf"> Foyers Ardents </a></span>&#8211; Tradução:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/"> Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Numa escola particular, Raoul é flagrado com imagens imorais na companhia de outros dois alunos! Nem os pais nem os professores esperavam por isso, mas essas coisas acontecem… Os professores, então, tomam as medidas cabíveis para o bem comum, adaptadas a cada caso individual. Eles também procuram entender o motivo das ações de Raoul e da curiosidade dos outros dois alunos, cujas famílias, no entanto, tem boa reputação.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Diversos fatores são observados, mas um se repete em 90% dos casos: os jovens adolescentes não foram informados por seus pais sobre os mistérios da vida, as mudanças da adolescência, as tentações contra a pureza, as precauções e os remédios necessários. Sua curiosidade ou inquietação natural em relação às transformações que observam em si mesmos ou em seus colegas não foram atendidas com explicações oportunas e adequadas.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm10">O silêncio sobre certos assuntos é culpável</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O silêncio dos pais sobre esses mistérios da vida é duplamente culpável: primeiro, porque a criança será iniciada em outro lugar, de maneira materialista ou imoral, nessas coisas santas, porém misteriosas, o que corrompe sua pureza e distorce sua maneira de considerá-las; segundo, porque todos os papas, mesmo os mais recentes, reiteraram que essa educação dos filhos é um dever grave dos pais, que não pode ser delegado a outros. Sua ausência é, portanto, uma falha.</span><span id="more-35841"></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“</span><em><span class="tm11">Caberá, portanto, a vocês, mães por suas filhas, pais por seus filhos, na medida em que parecer necessário, levantar com cuidado e delicadeza o véu da verdade, para dar uma resposta prudente, justa e cristã a essas questões e inquietudes(1)</span></em><span class="tm7">”.</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Um jovem em busca de respostas, mais cedo ou mais tarde, acabará na internet e será marcado e distorcido por muito tempo pelas inevitáveis imagens pornográficas.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm10">Se não for cedo demais, será tarde demais!</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Mesmo em um ambiente &#8220;protegido&#8221;, a fraqueza humana ligada ao pecado original persiste. Um acampamento de escoteiros para crianças a partir de 7 anos pode proporcionar a oportunidade para as primeiras conversas sobre a origem da vida. Por volta dos 10 aos 12 anos, ou no máximo ao ingressar em um internato, essas oportunidades se multiplicam. A adolescência amplia o leque de perguntas. É melhor fornecer informações precisas um pouco cedo demais do que tarde demais.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Deve-se notar que o programa EVARS — educação na vida afetiva, relacional e sexual — aplicável mesmo em escolas financiadas pelo Estado, violará a responsabilidade dos pais nesta esfera íntima e introduzirá as crianças, desde o jardim de infância, a todas as formas de perversão sexual e contracepção(2). Este programa corresponde à educação behaviorista, que apresenta uma visão da sexualidade como consumo mutuamente consensual(3). Sem falar o ensino sobre “gênero” desde o jardim de infância.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm10">É normal que alguns assuntos sejam difíceis.</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm11">“Muitos de nós nos sentimos constrangidos em abordar esses assuntos.</span></em><span class="tm7">” Os pais precisam navegar entre duas armadilhas:<br />
&#8211; O materialismo, que se traduz (na melhor das hipóteses) em uma frieza clínica e prejudicial. Ele rebaixa, ao nível da vida animal, o amor parental e o dom de uma vida dotada de uma alma espiritual para a eternidade, criada à imagem de Deus.<br />
&#8211; Um neocatarismo que equipara tudo o que se relaciona ao corpo a algo sujo ou maligno, algo com que impregnados sem nos darmos conta.”</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Como algo que participa do início da vida poderia ser </span><span class="tm7">impuro? É frágil e está entre as coisas mais surpreendentes e respeitáveis. Temos dois guias para encontrar o tom certo: admiração e castidade(4)</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm10">Etapas e apoio pela graça de Deus</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Assim, é desejável maravilhar-se com o dom da vida antes de </span><span class="tm8">abordar o papel respectivo dos pais, o que deve ser feito de maneira delicada, respeitosa e valorizante, em consonância com o ensinamento moral da Igreja.</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Será preciso aproveitar as oportunidades que a vida oferece para abordar o assunto, várias vezes, de forma gradual: o nascimento de um novo membro na família ou no círculo de amigos, a pré-adolescência e, em seguida, as etapas até a idade adulta. Tudo deverá ser dito com clareza, incluindo as respectivas tentações ou fraquezas dos meninos e das meninas e os meios para manter ou recuperar a pureza: oração, sacramentos frequentes, vontade. O apelo à pureza é também um apelo ao esforço, e até mesmo ao heroísmo, para se preparar para fazer as escolhas da vida futura nas melhores condições: um casamento cristão casto ou a virgindade consagrada na vocação religiosa.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm10">Condições para ser verdadeiro e eficaz</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">&#8211; &#8220;</span><em><span class="tm11">Os próprios pais devem levar uma vida irrepreensível de castidade conjugal e zelar que nenhum ataque à virtude da pureza manche o santuário familiar (</span><span class="tm8">nem mesmo piadas obscenas ou grosserias</span><span class="tm7">)</span></em><span class="tm7">.&#8221;</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Eles precisam saber o que dizer aos filhos, como dizer e em que idade.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“</span><em><span class="tm12">Devem ter uma visão correta de seus filhos, ou seja, reconhecer que são vítimas de inclinações desordenadas que permanecem mesmo após o batismo, mas também saber que são capazes de dominá-las com a ajuda indispensável da graça(5)</span><span class="tm7"> ”.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Assim, não podemos nos calar sobre este assunto essencial! Educar na verdade e no amor verdadeiro dá aos nossos filhos a possibilidade de um equilíbrio autêntico, de castidade em todas as fases da vida, e de felicidade.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Um pai de família</span></strong></p>
<p class="Normal tm6 tm15" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm17">Notas</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm18" style="color: #000000;">(1) Pio XII, Discurso às mães de família, 26/10/1941</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">(2) </span>J-P. Maugendre</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">(3) </span>AFC &#8211; Associação da Família Católica</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">(4) </span>Os Alegres Mistérios da Vida – C. &amp; B. Scherrer.</span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">(5) </span>Breve catecismo para a educação na pureza – Padre J. d&#8217;Avallon</span></p>
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		<title>SAINT MARY&#8217;S: UM CRESCIMENTO QUE NÃO MOSTRA SINAIS DE DESACELERAÇÃO</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 12:03:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

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		<description><![CDATA[A igreja da Immaculata teve que acompanhar o crescimento de St. Mary’s. Apenas três anos após sua consagração, já é preciso preparar o futuro: a paróquia, as escolas e as vocações continuam a crescer. Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/saint-marys-um-crescimento-que-nao-mostra-sinais-de-desaceleracao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/screenshot_2026-10-04_at_22-17-33_first_holy_communion_may_crowning_2026_-_the_immaculata_church_project.png.jpg?itok=DG34bWbC" alt="" width="587" height="335" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">A igreja da Immaculata teve que acompanhar o crescimento de St. Mary’s. Apenas três anos após sua consagração, já é preciso preparar o futuro: a paróquia, as escolas e as vocações continuam a crescer.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/saint-marys-une-croissance-qui-ne-faiblit-pas-61478">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Dom Lefebvre já enxergava longe</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 1979, D. Lefebvre foi a Saint Mary&#8217;s, no Kansas (EUA), por ocasião de uma peregrinação organizada pela <em>The Angelus</em>, a revista da Fraternidade nos Estados Unidos. A FSSPX havia sido estabelecida ali havia apenas alguns anos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na Festa da Assunção, o arcebispo abençoou a pedra fundamental da Igreja da Immaculata, cujo edifício anterior havia sido recentemente destruído por um incêndio. Em seu sermão, anunciou que os fiéis viriam &#8220;<em>do norte, do sul, do leste e do oeste</em>&#8221; à St. Mary’s para venerar a Virgem Santíssima.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aquilo que era apenas um projeto nascente tornou-se um dos apostolados mais importantes da Fraternidade São Pio X no país. Em uma carta dirigida a um dos paroquianos, D. Lefebvre chegou a expressar o desejo de ver um lugar estabelecido no coração do país onde reinasse a devoção ao Imaculado Coração de Maria.</span><span id="more-35910"></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Uma igreja à altura de St. Mary’s</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Foram necessárias várias décadas para que o grandioso projeto se tornasse realidade. Diante do crescimento contínuo da comunidade, a atual igreja da Immaculata foi finalmente construída graças às orações e doações vindas de todos os Estados Unidos e do exterior, e então solenemente consagrada em 3 de maio de 2023.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Três anos depois, a paróquia está no centro de uma vida paroquial particularmente vibrante: foram celebrados 468 batismos, 330 primeiras comunhões, 407 crismas e 99 casamentos. Atualmente, a paróquia conta com aproximadamente 5.000 fiéis regulares.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a conclusão da Immaculata não era um fim em si mesma. A igreja foi construída para ser o centro de uma obra colocada sob a proteção de Nossa Senhora e de seu Imaculado Coração. Os frutos já são visíveis.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">As escolas estão atingindo seus limites</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O crescimento está afetando a formação dos jovens, uma das principais áreas de atuação de Saint Mary&#8217;s, assegurada em particular pela St. Mary&#8217;s Academy, que acolhe alunos do ensino fundamental e médio, e pelo St. Mary&#8217;s College, uma instituição de ensino superior.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante da grande demanda, a Academy já teve que limitar o número de alunos por turma. E o número atual de batismos indica que a chegada de novas gerações de crianças, em breve, será insuficiente para assegurar a educação delas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A faculdade está passando pela mesma expansão. Acaba de formar a primeira turma do seu novo curso de bacharelado em Artes com duração de quatro anos, e seu número de alunos dobrou desde 2023.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Apenas três anos após a conclusão da Immaculata, a igreja de Saint Mary&#8217;s já precisa pensar em algo maior para suas instalações.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">As vocações acompanham esse crescimento</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Atualmente, 14 padres e 2 irmãos da Fraternidade São Pio X trabalham em St. Mary’s para atender às necessidades do apostolado e às atividades educacionais e de formação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O crescimento também se reflete nas vocações: 28 jovens de Saint Mary&#8217;s são atualmente seminaristas e estão se preparando para o sacerdócio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma antiga citação de D. Lefebvre ganha aqui todo o seu significado. Antes de partir para Nova Iorque e depois para a Suíça, o arcebispo alegrou-se perante os fiéis: &#8220;<em>A paróquia de St. Mary’s está crescendo, crescendo, crescendo. Muitos bebês, muitos bebês, muitos bebês!&#8221;</em> E acrescentou imediatamente: <em>&#8220;Para mim, isso significa muitos padres, muitos padres, muitos padres!&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">É preciso pensar em algo maior.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Não há motivos para acreditar que esse crescimento irá desacelerar</em>&#8220;, observa o padre Patrick Rutledge, prior de St. Mary&#8217;s e reitor da St. Mary&#8217;s Academy and College.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os padres e irmãos presentes no local já se empenham muito para atender às necessidades, enquanto o crescimento previsto da paróquia e de suas escolas exige planejamento para o futuro. Novos projetos serão apresentados em novembro. Este é o futuro que os benfeitores da immaculata esperavam tornar possível. &#8220;<em>Suas esperanças não eram infundadas</em>&#8220;, escreveu o Padre Rutledge a eles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os números revelam uma realidade que se tornou rara: uma paróquia que cresce junto com suas famílias, precisa expandir suas escolas e envia seus filhos para o seminário. Quase meio século depois da declaração de D. Lefebvre, &#8220;<em>St. Mary’s está crescendo, crescendo, crescendo</em>&#8220;, o movimento não parou.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>A tradição, que nada mais é do que a vida perene da Igreja, continua a demonstrar a sua vitalidade&#8221;</em>, observa o padre Patrick Rutledge.</span></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/PooGNkox6Ko?si=eOLuCcdFs-npgy22" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Para saber mais sobre a St. Mary&#8217;s, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/ao-vivo-dedicacao-e-consagracao-da-immaculata-a-maior-igreja-construida-pela-fsspx/">CLIQUE AQUI</a></span></strong></span></p>
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		<title>EDUCAÇÃO: A HARMONIA ENTRE OS PAIS</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 13:28:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Irmãs da FSSPX]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando os pais se contradizem, a criança aprende depressa a tirar proveito disso. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio  Como todas as noites, sua mãe acompanha os deveres de Claire, uma mocinha bastante &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/educacao-a-harmonia-entre-os-pais/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/getty-images-2uw7zyuwyoq-unsplash.jpg?itok=2waU-HqJ" alt="" width="549" height="314" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Quando os pais se contradizem, a criança aprende depressa a tirar proveito disso.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/education-lentente-entre-les-parents-60845">La Porte Latine</a></span> &#8211; <span style="color: #000000;">Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo <span class="u_b en_0 c1AVi73_6FsP c1AVi7H_6LEV C4_Z29WjXl" data-test-id="message-from"><span class="D_F rtlI_dz_sSg" data-test-id="email-pill">André Abdelnor Sampaio</span></span> </span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como todas as noites, sua mãe acompanha os deveres de Claire, uma mocinha bastante inclinada à preguiça, sobretudo quando é preciso aplicar-se e pensar. Por isso, a mãe decide com firmeza, para ajudá-la a vencer seu feio defeito:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Agora que você entendeu bem, Claire, vai terminar sozinha os seus exercícios de cálculo, e só irá brincar lá fora quando eles estiverem terminados e bem feitos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Claire suspira, boceja, lança um olhar pela janela, rabisca alguns números vagos no caderno de rascunho, suspira novamente… A mãe não cede:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Coragem, Claire; vou preparar a mamadeira de Pierre e, quando eu voltar, quero que o primeiro exercício esteja feito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim que a mãe sai, Claire se levanta, corre para a sala, senta-se no colo do pai e lhe pede, com um ar carinhoso:</span><span id="more-35794"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Papai, meus exercícios de cálculo são tão difíceis… você não poderia me ajudar?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aquela cabecinha loira, aquele sorriso sedutor, o rostinho gracioso de sua filha preferida…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Vá buscar seu caderno, eu vou ajudá-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando a mãe volta, só pode constatar, descontente, que, mais uma vez, Claire não terá trabalhado sozinha.</span></p>
<h3 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Todos perdem</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem ganhou nessa pequena história? Certamente não Claire, que perdeu uma boa ocasião de crescer na virtude lutando contra seu defeito dominante. Nem sua mãe, que viu sua autoridade minada pelo esposo, ao permitir aquilo que ela acabara de proibir. E menos ainda o próprio pai, cuja fraqueza — ou imprudência — certamente não o fez crescer aos olhos da filha; ela sabe tirar proveito disso, mas, no fundo, passa a ter menos estima, verdadeira afeição e admiração pelo pai, que, nesse caso, não foi suficientemente severo.</span></p>
<h3 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Uma mesma linha educativa</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As crianças descobrem rapidamente qual dos dois pais é menos exigente ou mais inclinado a ceder aos seus caprichos… e tiram proveito disso! Sim, mas em prejuízo de sua educação. É, portanto, da mais alta importância que os dois esposos harmonizem suas exigências educativas; caso contrário, diminuem ou até mesmo solapam mutuamente sua autoridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, para isso, o melhor meio é reservar tempo para conversar sobre os filhos e sua educação (fora da presença deles, evidentemente!). Qual é o objetivo a alcançar? Qual é o defeito dominante de cada filho? Qual é o meio de ajudá-lo a vencê-lo? Em que ponto convém exigir esforços e em que ponto se pode, momentaneamente, fazer alguma concessão? Eis algumas das questões essenciais sobre as quais é preciso chegar previamente a um entendimento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além disso, cada um dos esposos pode então fazer com que o outro se beneficie daquilo que percebeu nos filhos: a mãe, mais intuitiva, adivinhou certa tristeza secreta; o pai, mais direto, não se deixa enganar. Toda a família se beneficia dessa harmonia: os pais ficam mais unidos nessa grande obra da educação, e os filhos são cercados por uma afeição sem falhas, na qual tudo concorre para o seu maior bem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Mamãe, vou de bicicleta à casa do Louis. Você deixa?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Estranho</em>, pensa a mãe. <em>Normalmente é o papai quem controla as saídas de bicicleta; por que ele está pedindo a mim?</em> Prudente, ela pergunta:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Você pediu ao seu pai?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vianney fica um pouco vermelho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Hum… não, não exatamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cada vez mais estranho…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Pois bem, vá perguntar a ele; eu direi o mesmo que ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vianney não insiste…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, à noite, a mãe fala sobre o assunto com o esposo. Descobre então que Vianney havia recebido do pai a ordem de ajudá-lo a rastelar a grande alameda, que procurara um meio de escapar da tarefa e que, além disso, o pai considerava que Louis exercia uma péssima influência sobre seu filho. Graças ao bom entendimento entre os dois pais, Vianney é assim mantido no caminho certo, ao menos desta vez.</span></p>
<h3 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>As grandes questões</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa harmonia entre os pais, já importante para os pequenos detalhes da existência, é ainda mais primordial quando se trata de questões fundamentais, como as convicções religiosas ou a concepção geral da vida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mãe não pratica regularmente ou, quando vai à Missa, vai à Missa nova, porque “é mais perto, entende-se tudo e, além disso, não vamos querer ser diferentes do resto da família”. Quando o pai está presente, é claro que leva os filhos à Missa no priorado, mas seu trabalho o obriga a ausentar-se com frequência. Assim, as crianças ora vão a uma Missa, ora a outra e, às vezes, nem sequer vão à Missa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é difícil, ou até mesmo muito improvável, que, no fim, os filhos venham a ter convicções firmes acerca da prática religiosa e da conduta a seguir na crise da Igreja? Quando a situação chega a esse ponto, convém fazer o melhor que se pode, mas a tarefa educativa torna-se muito mais delicada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outro exemplo: o pai procura manter o rumo certo; seria preciso que ao menos os meninos fossem para uma boa escola, onde receberiam auxílio na prática religiosa. Mas a mãe protesta veementemente:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">— Internato? Nem pense nisso!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para evitar um novo conflito, o pai cede… mais uma vez, como já havia cedido quanto à inscrição numa colônia de férias medíocre, ou ao permitir que frequentassem a praia com os primos, ou em tantas outras coisas. Ele faz o que pode, mas como evitar que seja sempre a solução mais fácil que acabe prevalecendo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Hoje, os filhos cresceram. Jean, o mais velho, vive com uma jovem sem ser casado. Alice casou-se apenas civilmente com um judeu. Adrien, ao menos, casou-se na Igreja, mas na Missa nova; ambos praticam mais ou menos regularmente, porém seus dois filhos frequentam o catecismo da paróquia, e pode-se duvidar de que a fé e a prática religiosa ainda sejam transmitidas por mais uma geração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além da oração, que meios de ação ainda restam aos dois pais diante desse desastre, senão os olhos para chorar?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma única consolação: Henri, o caçula, que sempre foi muito próximo do pai. Durante toda a juventude, sofreu com a falta de harmonia entre seus pais. Tendo permanecido fiel à Tradição da Igreja, jurou a si mesmo que só se casaria com uma jovem que compartilhasse inteiramente suas convicções, a fim de formar um lar sólido e radiante, capaz de transmitir aquilo que é essencial.</span></p>
<h3 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Os seres que a criança ama</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mesmo quando os pais compartilham um mesmo ideal, o entendimento nem sempre é fácil: o hábito, os atritos decorrentes das diferenças entre as psicologias masculina e feminina, os defeitos não combatidos podem, com o passar do tempo, destruir o frescor do primeiro amor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A criança é então a primeira a sofrer com as desavenças e até mesmo com as discussões que atravessam portas e paredes; sua sensibilidade logo percebe os gestos de impaciência ou de cólera, os silêncios pesados de rancor ou carregados de ameaça. Ansiedade, perturbações do sono e mau desempenho escolar revelarão o sofrimento de seu coração, que vê ameaçadas a estabilidade e a segurança de que tanto necessita para crescer. Os dois seres que ela mais ama no mundo não se entendem…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Felizmente, a Graça do matrimônio está presente para ajudar os pais a viver de acordo com o Sacramento que receberam, para sustentá-los nos sacrifícios inevitáveis e necessários à manutenção da harmonia conjugal. A confissão e a comunhão frequentes repararão as feridas e lhes darão forças para construir, dia após dia, um lar unido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Papai e Mamãe são a mesma coisa.” Quando os filhos podem dizer isso de seus pais, isso constitui para eles um motivo de orgulho, uma alegria e uma força para toda a vida.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Irmãs da FSSPX</span></strong></p>
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		<title>O EXERCÍCIO DA AUTORIDADE NA EDUCAÇÃO</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 12:33:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<description><![CDATA[Fonte: Le Seignadou &#8211; Tradução: Dominus Est “Meu filho não me obedece, o que esperam que eu faça?” Desiludido, esse pai desistiu; não suporta mais os caprichos do filho, seus gritos, suas lágrimas. Prefere deixar os dias passarem sem lutar; há &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-exercicio-da-autoridade-na-educacao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/02/Atelier-poterie-pour-les-enfants-aux-Poteries-dAlbi-7-1024x538-1.jpg" alt="" width="578" height="307" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/09/Seignadou-2026-09.pdf">Le Seignadou</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Meu filho não me obedece, o que esperam que eu faça?”</em> Desiludido, esse pai desistiu; não suporta mais os caprichos do filho, seus gritos, suas lágrimas. Prefere deixar os dias passarem sem lutar; há uma certa paz em renunciar à autoridade, a paz de um cão exausto a deriva, a paz do vencido que se submete à tirania do vencedor, a paz da morte quando a vida abandona o corpo sem alma. Amanhã, essa criança se tornará um adolescente, resistente a toda autoridade, incapaz de tolerar um único comentário ou restrição; ele próprio tiranizado por suas paixões, oscilará entre entusiasmos passageiros e desânimos recorrentes. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, na vida adulta, pelo menos em termos de idade, esse indivíduo inflexível e caprichoso será, dependendo da escolha, um revolucionário sempre em guerra contra injustiças reais ou presumidas, um adulto instável incapaz de tomar uma decisão a longo prazo, um cônjuge infiel ou egoísta, um zumbi translúcido sem caráter e sem combatividade, uma pessoa ansiosa e depressiva, sempre inquieta, nunca em paz.</span><span id="more-35782"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A sabedoria do Livro dos Provérbios</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O livro de Provérbios está repleto de sabedoria inestimável para a educação de nossos filhos. <em>“Onde não há quem governe perecera o povo”</em> (Provérbios 11, 14), adverte-nos. O exercício da autoridade deve ter como finalidade dar um objetivo prático às ações daqueles que nos foram confiados. Não qualquer objetivo, mas aquele necessário para o bem comum da família, para o aprimoramento virtuoso da criança e, em última instância, para a salvação de sua alma na bem-aventurança eterna. Deus nos mostra que “<em>o</em> <em>filho sábio ama a correção; o que porém é mofador não faz caso, quando é repreendido.</em>” (Provérbios 13,1). Como dissemos anteriormente, uma criança sem direção se torna insensata, enquanto uma criança dócil se aperfeiçoa: “<em>O insensato despreza a correção de seu pai; o que faz caso das repreensões tornar-se-á mais avisado.</em>” (Provérbios 15, 5). Os Provérbios concluem com este ditado ponderado: “<em>Castiga o teu filho, não percas a esperança da (emenda), mas não chegue a tua severidade ao excesso de lhe dares a morte.”</em>  (Provérbios 19,18).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A autoridade dos pais vem de Deus.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Toda a autoridade vem de Deus</em>” (Rm 13, 1). “<em>Por esta causa dobro os joelhos diante do Pai, do qual toda a paternidade nos céus e na terra toma o nome</em>” (Ef 3,14). A autoridade dos pais é concedida pelo próprio Bom Deus: “<em>Pois, segundo o ensinamento católico, a autoridade dos pais e dos professores é simplesmente um fluxo da autoridade do Pai e do Mestre celeste; e, assim, não só deriva sua origem e força deste último, como também necessariamente toma emprestado sua natureza e caráter. É por isso que o Apóstolo exorta os filhos a obedecerem a seus pais em Deus e a honrarem pai e mãe, que é “o primeiro mandamento com promessa”</em> (Hb 13,4). E aos pais ele diz: “<em>Pais, não incitem seus filhos à rebeldia; antes, criem-nos na disciplina e na justiça do Senhor</em>” (Ef 5,23). (Leão XIII, Encíclica Quod Apostolici, 28 de dezembro de 1878).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O exercício da autoridade é uma arte.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O exercício normal da autoridade depende não apenas daqueles que devem obedecer, mas também, e em grande medida, daqueles que deve comandar. Uma coisa é o direito de exercer autoridade e dar ordens; outra coisa é a superioridade moral que torna esse direito operante, eficaz e efetivo — em suma, que consegue se impor às crianças e obter obediência. O primeiro direito é confiado aos pais e educadores legítimos no próprio ato de educar ou ensinar; mas a segunda prerrogativa, a superioridade moral, é a aquisição da virtude pessoal, que a assegura e a aumenta, ao mesmo tempo que pode diminui-la e se perder por nossa própria culpa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Algumas dicas práticas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como podemos adquirir e manter esse poder moral sobre as crianças que nos foram confiadas?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confiança: diante de uma criança que tenta desobedecer, demonstre uma firmeza gentil e razoável, que não ceda. Nunca se deve ceder a um capricho, por mais que isso custe. Pode-se moderar a decisão, adiar sua execução se necessário, mas a criança precisa saber que você não cederá. Portanto, não perca muito tempo deliberando na frente dela; comande de maneira calma, precisa e firme. Não dê a impressão de estar pedindo docilidade, respeito e obediência como se fossem favores; imponha sua vontade à criança. As crianças respeitam aqueles que se impõem e desprezam os fracos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Equilíbrio: considere as circunstâncias específicas em que você ordena uma ação: cansaço, fome e distrações causadas por fatores externos podem reduzir a capacidade das crianças de obedecer. A autoridade nos é concedida não para esmagar, mutilar ou extinguir, mas para desenvolver e expandir a alma da criança, para guiá-la a praticar atos virtuosos; às vezes, a autoridade é exercida causando um pouco de dor para fortalecer e orientar, como a tesoura do viticultor em sua videira.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Autocontrole: mantenha sua autoridade acima de qualquer mal; não podemos nos dar ao luxo de mentir, falar mal, difamar ou usar linguagem frívola e impróprias. Nossa própria aparência externa, nossas vestimentas, nossa postura nobre e distinta, sem exagero, inspiram respeito. Não devemos buscar conquistar o afeto das crianças a qualquer custo; uma criança ama um professor que a corrige com justiça e respeito. No início deste ano letivo, ao retomarmos a responsabilidade pela educação acadêmica de nossos filhos, apliquemos este conselho de São Paulo: “Portanto, como convém ao povo escolhido de Deus, santo e amado, tenha um coração cheio de misericórdia e bondade, humildade, mansidão e paciência” — <em>“Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor”</em> (Colossenses 3,12, 20).</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Louis-Edouard Meugniot, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>PROTEGER AS CRIANÇAS DA SUPERPROTEÇÃO</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2026 13:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Pierrot, de um ano, sai para explorar o mundo. Ele solta a barra da cadeira com uma mão… depois com a outra… e acaba caindo no chão de uma forma um pouco &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/proteger-as-criancas-da-superprotecao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/10/enfant-maman-main.jpg" alt="" width="403" height="266" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/proteger-les-enfants-de-la-surprotection">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pierrot, de um ano, sai para explorar o mundo. Ele solta a barra da cadeira com uma mão… depois com a outra… e acaba caindo no chão de uma forma um pouco brusca. Surpreso com o acidente, olha para a mãe, sem saber o que fazer. Nesse momento há duas possibilidades:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; a mãe corre até ele, preocupada: <em>“Oh, coitadinho! Se machucou?</em>” A reação de Pierrot é imediata: ele percebe pela reação da mãe que é séria e começa a chorar, o que só piora a reação dela: <em>“Não se mexa, fique sentado.</em>” </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Ou, ao contrário, a mãe olha para Pierrot com um sorriso gentil e encorajador: “<em>Vamos lá, Pierrot, está tudo bem, tente de novo.</em>” E, tranquilizado, Pierrot continua sua exploração. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este incidente aparentemente insignificante e banal ilustrou vividamente duas atitudes opostas: ao se deparar com as pequenas dificuldades da vida, pode-se ajudar a criança a superá-las para prepará-la para os maiores desafios da vida adulta ou, inversamente, sufocar toda iniciativa por meio da superproteção. É ao longo de toda a educação que a abordagem correta deve ser escolhida. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pierrot está prestes a iniciar o ano letivo. Será que sua mãe, ainda mais preocupada que o próprio filho, multiplicará suas recomendações, repetindo &#8220;não tenha medo&#8221; que, na verdade, são dirigidas a sim mesma? Será que ela derramará algumas lágrimas ao ver as crianças desaparecerem na sala de aula? Ou será que ela a encorajará: &#8220;<em>Você já é um menino grande, Pierrot; você terá muita coisa para nos contar esta noite, mal posso esperar para ouvir.</em>&#8220;</span><span id="more-35679"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E eis que Pierrot volta um dia com um castigo: <em>&#8220;Meu pobre querido, tenho certeza de que a professora foi injusta; este castigo é muito longo. Vou escrever um bilhete de justificativas.&#8221;</em> Não seria melhor dizer: &#8220;<em>Bem, sim! Esse é o risco que se corre quando não se comporta direito! Você não vai fazer isso de novo, não é? Vá depressa e pague seu castigo; vou guardar sua parte no lanche.&#8221; </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pierre cresceu e vai para um internato. Ele visitou a escola antes do início das aulas; sua mãe arrumou a mala com ele para mostrar como se faz, mas apenas na primeira vez; tudo foi muito bem explicado — o trem, a mesada… e os anjos da guarda cuidariam do resto. Pierre seguiu em frente sentindo-se confiante, já que não tinha ouvido sua mãe lamentar a separação, mencionar as dificuldades de adaptação, o nível acadêmico e todos os possíveis desastres. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na sexta-feira à noite, Pierre volta do internato tenso e com enxaqueca: &#8220;<em>Você entende, mamãe, eu tenho uma prova de matemática terrível na segunda-feira.</em>&#8221; Não, a mãe não vai ter pena dele, nem vai conseguir um atestado médico para justificar a ausência pela enxaqueca. Uma prova de matemática&#8230; Ele enfrentará muitas outras! Mas ela se mostra tranquilizadora e encorajadora: <em>&#8220;Organize seu cronograma de estudos para o fim de semana; levarei os irmãos mais novos para passear no sábado à tarde para que você possa ter um pouco de paz e sossego, e domingo acenderemos uma vela para São José de Cupertino.</em>&#8221; Com o sorriso gentil da mãe, Pierre recupera a coragem&#8230; e tudo corre bem. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde que o responsável pelos acólitos mudou, o ambiente no grupo não é mais o mesmo; há um clima negativo e a organização está sendo afetada… E Pierre está com muita vontade de desistir de tudo: &#8220;<em>Vamos lá, Pierre, você assumiu um compromisso para o ano todo, precisa honrá-lo; você tentou criar um bom ambiente, apoiar o novo responsável? Se todos fizessem como você…</em>&#8221; Com o apoio e os conselhos de sua mãe, Pierre perseverou até junho, apesar das dificuldades, e o prior, muito satisfeito com ele, decidiu confiar-lhe a tarefa mais honrosa do grupo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O papel das mães não é eliminar todas as dificuldades dos filhos, mas ensiná-los a superá-las: mostrar, encorajar, acalmar, aconselhar, apoiar, com um sorriso que aquece e ilumina. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pierre se tornou um adulto confiável: perseverante, não se deixa abater facilmente e sabe assumir responsabilidades. Nos momentos difíceis de sua vida espiritual, familiar ou profissional, ele se lembra do conselho e do sorriso de sua mãe: <em>&#8220;Tenha coragem, meu filho, o reino dos céus te espera.&#8221;</em> </span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Irmãs da Fraternidade São Pio X</span></strong></p>
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		<title>QUE CADA UM CARREGUE SUA PRÓPRIA MOCHILA</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2026 14:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[As crianças não estão preparadas para suportar as preocupações dos adultos. Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est A família Dupont sai para um passeio. Radiante, Pierrot é o primeiro a pegar uma das sacolas de piquenique. A mãe incentiva a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/que-cada-um-carregue-sua-propria-mochila/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><img class="" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/photo_page16.jpg?itok=A1EvHaqs" alt="" width="727" height="415" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">As crianças não estão preparadas para suportar as preocupações dos adultos.</span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/chacun-son-sac-dos-60386"> DICI</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A família Dupont sai para um passeio. Radiante, Pierrot é o primeiro a pegar uma das sacolas de piquenique. A mãe incentiva a iniciativa do menino, que costuma ser um pouco preguiçoso, mas conhece bem os limites do pequeno: discretamente, ela tira da sacola uma garrafa grande e a coloca na própria bolsa. E, com cada um carregando o peso de acordo com suas forças, a família passa um dia maravilhoso. Daqui a alguns anos, é claro que Pierre, já crescido, conseguirá carregar sacolas muito mais pesadas do que a do piquenique, mas até lá, o peso desproporcional seria esmagador para ele.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Queridos pais, tenham piedade de seus filhos, não os esmaguem sob o peso de suas preocupações, suas tristezas, suas responsabilidades: a alma deles não está madura o suficiente para suportar isso.</span></p>
<p class="tm5 tm8" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">Ombros pequenos e fardos pesadas</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Há assuntos que não se deve abordar com as crianças ou na presença delas.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Os filhos mais novos da família Martin sabem que a família não é muito rica e, portanto, devem ser cuidadosos com seus pertences; além disso, em uma família simples e unida, a felicidade vem com poucas coisas. Os filhos mais velhos, por sua vez, têm uma vaga noção de que o pai enfrenta sérias dificuldades e que precisarão contribuir com os custos dos estudos trabalhando durante o verão. Somente na vida adulta é que descobriram, de fato, como os negócios do pai faliram por causa de um golpista, e assim por diante. Crianças felizes, eles só souberam das dificuldades financeiras dos pais o que seus ombros frágeis podiam suportar, para ajudá-los a crescer com o espírito da humildade.</span><span id="more-35561"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Fazer do filho o confidente dos pais sobre as dificuldades conjugais só pode trazer catástrofes para essa criança.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Após a separação, a mãe ficou sozinha com o pequeno Henri. Ela, frequentemente, lhe contava sobre as mágoas que acumulava contra o pai dele. Esse menino, que só ouvia falar mal do pai e não tinha um modelo masculino, tornou-se um adulto incapaz de assumir responsabilidades.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Outro exemplo. Mélanie foi para um internato e a adaptação correu muito bem, mas quando recebeu uma carta de casa, uma grande tristeza a invadiu repentinamente, causando-lhe enxaquecas e outros problemas de saúde: isso porque, em cada carta, a mãe relatava suas recentes dificuldades. A mãe se confidenciava com Mélanie, mas a quem Mélanie poderia confiar a profunda tristeza da discórdia dos pais? Por que se surpreender com seu caráter taciturno e desEla também recebe as confidências da mamãe, que ficou sozinha. Assim, ainda adolescente, ela assumiu o controle da situação, fala com a mamãe em tom protetor, administrando a casa, dá orens aos irmãos mais novos, que sofrem muito com isso — e sabe tudo sobre tudo. Que tipo de esposa ela será no futuro?</span></p>
<p class="tm5 tm8" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm9">Protegendo as almas jovens</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">As provações podem ser bem reais, bem pesadas de se carregar, mas não cabe às crianças arcar com elas. É junto a Nosso Senhor na cruz, na missa, na oração, que se encontrará o consolo. Em seguida, recorrer-se-á a um padre, a um adulto da família, a um amigo em quem se confia. É em um certo silêncio que se encontra a força.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Cuidado também com as discussões frequentes na frente das crianças sobre a crise financeira, a tensa situação internacional, a política desastrosa, os clérigos escandalosos, tal casal em união estável, os problemas de fulano de tal, etc. As crianças não têm noção das proporções, não compreendem bem o que é dito, a não ser que as coisas estão ruins, que o papai e a mamãe estão preocupados, que é grave… e ficam angustiadas diante de questões que as ultrapassam.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Deixem seus pequenos crescerem sob o sol de Deus, ao ritmo da natureza e da graça. Ofereçam a eles os ombros de papai e mamãe, para que possam descansar a cabeça neles, compartilhar suas dúvidas e preocupações de crianças, e encontrar conforto e segurança. São vocês os confidentes dos seus filhos, e não o contrário: cada um carrega sua própria mochila…</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Irmãs da FSSPX</span></strong></p>
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		<title>A INDISPENSÁVEL ORAÇÃO EM FAMÍLIA</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 16:57:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Uma família que reza é uma família que vive.&#8221; Fonte: Apostol n°207 – Tradução: Dominus Est Rezar em família significa formar, na alegria dos filhos de Deus, uma pequena comunidade cristã que se torna uma célula da Igreja. É no &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-indispensavel-oracao-em-familia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/05/FR640241B.jpg" alt="" width="516" height="353" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em>&#8220;Uma família que reza é uma família que vive.&#8221;</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/05/Apostol-207_mai_2026.pdf">Apostol n°207</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Rezar em família significa formar, na alegria dos filhos de Deus, uma pequena comunidade cristã que se torna uma célula da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É no seio da família que as crianças aprendem a rezar e a perseverar na oração. Para as crianças pequenas, em particular, a oração diária em família é o primeiro testemunho da presença viva do Espírito Santo no lar. A família cristã é o primeiro e principal lugar de educação para a oração!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que rezar, senão elevar a alma a Deus? O batismo nos torna filhos de Deus e nos permite estabelecer uma relação amorosa e filial com nosso Pai Celestial. A oração é esse elo essencial com o Pai para a vida da nossa alma: ela é o oxigênio da nossa alma! Se não falarmos com Deus, a caridade e a fé gradualmente se dissiparão, e Deus desaparecerá dos nossos corações.</span><span id="more-34815"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então, como alimentar esse amor pelo nosso Criador? A partir de que idade começar? Já <em>in utero</em>, o pequeno bebê pode ser imerso em Deus através das orações dos pais. À medida que mais filhos forem nascendo, a família será profundamente permeada por essa atmosfera de oração, que se tornará um bom hábito. É um hábito a ser adquirido, com um pouco de disciplina e uma pitada de vontade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Pela manhã</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pela manhã, é bom saudar a Deus, oferecer-Lhe o nosso dia para vivermos sob o seu olhar atento. Podemos ler o Salmo 22; e se o tempo for curto, um <em>Pai Nosso</em> e um ato de caridade, uma <em>Ave Maria</em> e uma oração ao nosso anjo da guarda serão perfeitamente suficientes. O que importa é este primeiro movimento do coração em direção a Deus, ouvindo a sua vontade, levando-O conosco. É uma renovação espiritual que providencialmente sustentará os nossos deveres na vida!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A oração de ação de graças</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma ação de graças antes das refeições nos reconecta com Ele. Cantemos esse louvor aos domingos; cantar é muito relaxante! Após as refeições, se nos lembrarmos, agradeçamos brevemente ao Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Pela noite</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À noite, a oração se torna um momento verdadeiramente privilegiado de reflexão para a família: essa oração nos entrega nas mãos do Senhor! Ela nos acalma após um dia de trabalho, alivia nossas preocupações e renova profundamente nossas almas. Podemos agradecer pelos acontecimentos felizes do dia, pedir perdão pelos nossos pecados (fazer um bom exame de consciência), ler o Salmo 4, por exemplo, ou cantar um belo hino à Virgem Maria. Tudo isso pode durar apenas sete minutos. Não usemos o cansaço como desculpa para escapar da oração da noite; pelo contrário, ela é relaxante! E não importa se o caçula está agitado ou se o telefone toca, pois colocar-se na presença de Deus já é uma forma de oração. Rezemos, portanto, com nossos filhos em família, com regularidade e diariamente, e sobretudo com simplicidade. Peçamos ao Espírito Santo o dom da piedade, Ele nos atenderá!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Dificuldades</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na prática, surgem dificuldades. A rotina é perigosa? Deixemos que cada um, por vez, se encarregue da preparação da oração, a partir dos 7 anos, com livros e álbuns à disposição: as crianças ficam muito orgulhosas disso, e essa variedade evitará o tédio e a perda de motivação. Se necessário, encurte a oração; personalize-a com intenções específicas. Dificuldade para começar? Avise com antecedência sobre o momento da oração. Agitação? Mantenha a calma, não jogue lenha na fogueira, evite o conflito. Grande diferença de idade entre as crianças? Por que não fazer uma oração com os pequenos logo antes de colocá-los para dormir e, em seguida, outra com os mais velhos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alguns, já crescidos, não querem mais participar? Não vejamos nisso um fracasso; há um momento em que eles podem sentir essa necessidade totalmente natural de rezar a sós. Rezar de manhã e à noite nos enerva? Ajoelhemo-nos e peçamos: “Senhor, ensina-nos a orar!” Ele fará o resto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Lembremo-nos sempre de que a oração traz uma felicidade fundamental. Ela nos fortalece na fé, na esperança e na caridade, dando-nos aquela alegria interior indizível e aquela paz própria dos filhos de Deus — entre cônjuges, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs. Rezar em família todos os dias é contribuir para a construção do amor no lar cristão, a célula da Igreja. Pio XII dizia: &#8220;<em>Uma família que reza é uma família que vive&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Laurent Perret du Cray, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>HOMENS E MULHERES: O QUE VESTIR PARA IR À IGREJA?</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 14:46:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Familia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Modéstia]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Bernard de Lacoste]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante um sermão proferido no Domingo da Santíssima Trindade em Écône, o Pe. Bernard de Lacoste, diretor do Seminário São Pio X, lembrou aos cristãos que, como templos da Santíssima Trindade pela graça, devemos honrar a Deus até mesmo em nossas &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/homens-e-mulheres-o-que-vestir-para-ir-a-igreja/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Ad9-8MGs9VI?si=5QGfAXkwBooed_pl" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Durante um sermão proferido no Domingo da Santíssima Trindade em Écône, o Pe. Bernard de Lacoste, diretor do Seminário São Pio X, lembrou aos cristãos que, como templos da Santíssima Trindade pela graça, devemos honrar a Deus até mesmo em nossas vestimentas, particularmente durante a Missa dominical.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/hommes-et-femmes-comment-shabiller-pour-la-messe-59557">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certa vez, um menino na catequese perguntou:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>— Padre, onde está a Santíssima Trindade?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o padre respondeu:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>— Meu filho, a Santíssima Trindade está no céu, na terra, em toda parte, mas especialmente na sua alma desde o seu batismo. Ela está na sua alma.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então, o menino perguntou:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>— Como assim? Na minha alma há o Pai, o Filho e o Espírito Santo?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o padre:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>— Sim, na sua alma vivem o Pai, o Filho e o Espírito Santo, desde que você esteja em estado de graça.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa é uma realidade muito importante sobre a qual devemos refletir. E São Paulo tira disso uma conclusão muito concreta e prática: devemos respeitar nosso corpo, porque nossos corpos são os templos da Santíssima Trindade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podemos até ir mais longe e dizer que, uma vez que devemos respeitar nossos corpos, devemos cuidar para vesti-los adequadamente. Sim, as roupas são um sinal de respeito.</span><span id="more-35140"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É por isso que hoje gostaria de lhes dizer algumas palavras sobre a maneira de se vestir, não para o dia a dia, mas especialmente quando se vai à Missa no domingo, pois ir à missa no domingo não é um ato insignificante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Veremos, em primeiro lugar, como devemos nos vestir, seja homem ou mulher. Em seguida, abordaremos especialmente o vestuário feminino. Por fim, tentaremos responder à objeção relacionada às mudanças climáticas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A vestimenta adequada para a casa de Deus.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso compreender bem que a Missa é o ato mais grandioso que pode existir na terra. Quando assistimos à Missa, assistimos à renovação do sacrifício do Calvário da Sexta-feira Santa. É a segunda Pessoa da Santíssima Trindade que morre na cruz por nós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não há nada mais grandioso do que assistir a essa renovação. Trata-se de um ato de infinita grandeza. É por isso que nosso comportamento deve estar à altura dessa imensidão, dessa infinitude do ato ao qual assistimos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse ato ocorre, em geral, não em qualquer edifício, mas em uma igreja. A igreja é a casa de Deus. Ela foi construída especialmente para esse fim. Quando entramos na igreja e vemos sobre o altar o tabernáculo coberto por um baldaquino, esse tecido da cor litúrgica — hoje branco —, e quando vemos também a pequena luz vermelha que brilha ao lado do altar, sabemos que Jesus Cristo está verdadeira e substancialmente presente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estamos na casa de Deus e não na casa de uma mera criatura. É por isso que devemos nos adaptar e dizer a nós mesmos: preciso me comportar de acordo com isso, com imenso respeito por Deus que está ali presente. É por isso que não nos vestimos para a Missa de domingo como nos vestimos para fazer compras no supermercado, andar de bicicleta ou cortar a grama. Estamos realizando um ato de infinita grandeza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui em Écône, há Missa todas as manhãs de segunda a sexta, às seis horas. Há pais de família admiráveis que, antes do trabalho, vêm a essa Missa vestidos com uniformes, pois logo em seguida vão para o trabalho. Isso é perfeitamente compreensível. Mas o domingo é diferente. No domingo, não se trabalha. O domingo é o Dia do Senhor. É por isso que nos vestimos com um cuidado todo especial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos bancos suíços impõem um código de vestimenta bastante rigoroso aos funcionários que lidam com clientes: paletó e gravata para homens, vestidos para mulheres, sapatos fechados, pretos e clássicos. E para a Missa de domingo, as exigências seriam menores?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É estranho. O banco é o templo do dinheiro e das finanças; a igreja é o templo de Jesus Cristo. Qual dos dois edifícios merece mais respeito? Vestir-se melhor para trabalhar em um banco do que para ir à Missa talvez reflita uma maior veneração pelo dinheiro do que por Jesus Cristo. Isso seria lamentável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se um funcionário de banco for trabalhar de camiseta, calça jeans e tênis, será convidado a se retirar. É aceitável que um homem vá à Missa de domingo vestido dessa forma? É uma roupa inadequada para a casa de Deus. E essa regra se aplica tanto a homens quanto a mulheres.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Modéstia cristã e responsabilidade para com o próximo.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para as mulheres, no entanto, é necessário fazer uma reflexão adicional a partir destas palavras de Nosso Senhor: <em>&#8220;Quem olha para uma mulher com desejo já cometeu adultério com ela em seu coração</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma mulher que se veste de forma provocante, revelando parte do corpo, corre o risco de incitar o pecado aqueles que a observam. É o homem que cometerá o pecado, é claro, mas a mulher terá sua parcela de responsabilidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um padre disse certa vez aos seus paroquianos: &#8220;<em>Senhoras, quanto ao seu vestuário: a parte de cima está muito decotada e a parte de baixo muito curta</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A pequena Jacinta de Fátima relatou estas palavras de Nossa Senhora: &#8220;<em>Os pecados que levam mais almas ao inferno são os pecados da carne. Virão modas que ofenderão muito Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem seguir a moda</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando se lê a vida do Padre Pio, ficamos impressionados Ele, que era de imensa caridade, era severo com as pessoas mal vestidas que entravam na igreja. Um dia, vendo uma mulher se aproximar do confessionário com uma saia muito curta, disse-lhe simplesmente: <em>&#8220;Fora!&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O santo Cura d&#8217;Ars agia da mesma maneira. Ele não suportava que se entrasse na igreja com uma roupa desleixada ou indecente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos esses santos sacerdotes eram severos porque amavam Jesus Cristo. Doía-lhes ver o desrespeito demonstrado a Nosso Senhor. É claro que também existem sacerdotes lenientes que nunca dizem nada. Mas temos esses sacerdotes santos como Padre Pio e o Cura d&#8217;Ars como nossos modelos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certa vez, um padre sentou-se em um trem. À sua frente, sentou-se uma jovem vestindo um vestido. Era verão. Essa jovem, que era uma boa católica, percebeu com constrangimento que seu vestido estava um pouco curto demais. Muito envergonhada, sobretudo na presença do padre, ela tentava discretamente alongá-lo com as mãos. O padre, que tinha senso de humor, disse-lhe:  &#8220;<em>Senhorita, não adianta puxar. O que você ganha na parte de baixo, perde na parte de cima</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se deve pensar, porém, que vestir-se com modéstia signifique vestir-se de forma feia. Pelo contrário. Deus não gosta da feiura. Também não gosta de roupas ridículas. Ele não nos pede que nos vistamos como no século XIX. Deus ama a beleza, a pureza e a elegância.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Olhemos para a Santíssima Virgem quando ela aparece em Fátima, em Lourdes, em La Salette ou em Pontmain: um manto deslumbrante e muito modesto. Maria oculta o seu corpo para melhor nos revelar a radiante beleza da sua alma. A mulher imodesta, ao contrário, exibe o seu corpo e, assim, esconde a sua alma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É profundamente degradante para um ser humano dar mais importância ao seu corpo do que à sua alma. No nosso último dia, seremos julgados não apenas pelas nossas próprias ações, mas também por aquelas que incitamos nos outros. Aqueles que dão um bom exemplo serão recompensados ​​pelo bem que inspiraram. Aqueles que cometem pecados terão que responder pelo mau exemplo que deram. As roupas nunca são moralmente neutras: ou elevam ou degradam; ou enobrecem ou degradam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Sacrifício cristão e a escola da Bem-Aventurada Virgem Maria</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alguns argumentarão que o verão está chegando e, com o aquecimento global, fará muito calor. Usar roupas leves é mais agradável, especialmente quando a igreja não tem ar-condicionado. Isso é verdade. Mas, para um cristão, o conforto não é o critério principal. Seu critério principal é a vontade de Deus. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na vida cristã, por vezes, os sacrifícios são necessários. Sim, é um sacrifício usar roupas bonitas e modestas quando está muito calor. Nosso Senhor nos disse: <em>&#8220;Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me</em>.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Consideremos os bispos. No dia 1º de julho, provavelmente fará muito calor. No entanto, eles usarão a batina, o amito, a alva, as túnicas e a casula, por vezes pesada e ricamente ornamentada. Eles suarão profusamente. Por quê? Por respeito a Jesus Cristo. Vestir-se bem é um sinal de respeito pela pessoa que está diante de nós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Poderíamos ainda perguntar<em>:&#8221;Fazer um sermão inteiro sobre vestimentas não seria um detalhe insignificante</em>?&#8221; Sem dúvida, existem questões mais elevados. Mas a vida cristã é composta de atos de amor a Deus, e esses atos se concretizam nas pequenas coisas do dia a dia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De manhã, enquanto nos vestimos, podemos dizer a nós mesmos: &#8220;<em>Vou escolher esta roupa em vez de outra porque é domingo e isso agradará a Deus</em>&#8220;. Eis a vida cristã: pequenas renúncias, pequenos atos de amor, realizados em coisas muito concretas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para concluir, gostaria de lhes dar um último conselho: tenham profunda devoção à Santíssima Virgem Maria. Ela é quem nos ensina a vestir-nos bem. As pessoas com profunda devoção mariana vestem-se com modéstia, pureza e beleza. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por quê? Porque nos ensina humildade Ela nos ensina a não nos irritarmos quando nos fazem uma observação, mas a sermos dóceis. Acima de tudo, ela nos ensina o amor a Deus. Ela também nos ensina a liberdade. Pois, nesse aspecto, às vezes somos escravos: escravos da moda, do olhar dos outros, da publicidade, das redes sociais ou de nossa própria vaidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Santíssima Virgem nos ensina a nos perguntarmos, acima de tudo: <em>&#8220;O que Deus pensará de mim?</em>&#8221; Isso é o que importa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Lembremo-nos, portanto, que somos templos da Santíssima Trindade e que, se estivermos em estado de graça, o Pai, o Filho e o Espírito Santo habitam em nós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">**********************************</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><u>Nota do blog:</u></strong> mulheres que querem saber mais sobre a virtude da Modéstia no dia a dia, <span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/modestia/"><strong>CLIQUE AQUI</strong> </a></span></span>e acesse nossa página especial sobre o assunto.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>CONCEITO REALISTA DE HISTÓRIA</title>
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		<pubDate>Fri, 29 May 2026 12:33:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
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		<description><![CDATA[[Do Pe. Guillermo Fraile, O. P. (Historia de la Filosofia I, pgs. 61-69)] A história é um resultado em que se conjugam todas as modalidades que revestem a realidade: a unidade e a diversidade, a necessidade e a liberdade, o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/conceito-realista-de-historia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class="aligncenter" src="https://http2.mlstatic.com/D_NQ_NP_973470-MLB45983235885_052021-O.webp" alt="Historia De La Filosofia Vol 1 Bac Guillermo Fraile O P | MercadoLivre" width="207" height="274" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">[Do Pe. Guillermo Fraile, O. P. (<em>Historia de la Filosofia I, pgs. 61-69)</em>]</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história é um resultado em que se conjugam todas as modalidades que revestem a realidade: a unidade e a diversidade, a necessidade e a liberdade, o determinismo e a contingência, a estabilidade de leis universais com a mobilidade dos acontecimentos particulares sujeitos a múltiplas circunstâncias variáveis e imprevisíveis que influenciam no rumo dos acontecimentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O resultado de tantos e tão complexos fatores não pode ser um desenvolvimento orgânico, retilíneo e ascensional. Mas tampouco uma dispersão anárquica e fora de toda lei. Há leis invariáveis que regem a natureza física, e outras menos rigorosas – psicológicas, intelectuais e morais – que afetam a natureza humana. Mas junto com a estabilidade dessas leis sucede também o fortuito, o contingente, o circunstancial e, sobretudo, a intervenção da liberdade, que podem alterar e até mudar radicalmente o rumo da história. Acidente fortuito foi a ocultação dos escritos do <em>Corpus Aristotelicum</em>, e fortuita foi sua recuperação, mas ambas coisas influenciaram decisivamente no caráter da Filosofia antiga e medieval. Fortuito foi o conselho do cardeal De Bérulle a Descartes para que dedicasse seus talentos à defesa do catolicismo contra os “libertinos”, mas disso procedeu uma nova orientação, de consequências incalculáveis para a Filosofia moderna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história é uma realidade. Mas nem toda realidade é história, nem é histórica, nem sequer tem história. Devemos especificar o sentido em que entendemos a realidade da história, pois disso provém as múltiplas interpretações que esse conceito permitiu.</span><span id="more-34998"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fato histórico, considerado como realidade ontológica, coloca o problema de sua entidade e das condições que o fazem possível. Mas a resposta depende da atitude adotada ante um conjunto de problemas:</span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">ontológico (entidade do fato histórico);</span></li>
<li><span style="color: #000000;">gnosiológico (validade do nosso conhecimento);</span></li>
<li><span style="color: #000000;">cosmológico (conceito de movimento e temporalidade)</span></li>
<li><span style="color: #000000;">antropológico (conceito da essência do homem)</span></li>
<li><span style="color: #000000;">teológico (intervenção providencial de Deus no mundo e no rumo da história) etc</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cada coisa tem uma entidade física, uma essência, uma natureza, que pode ser substancial ou acidental. Há também entes naturais e artificiais. As essências das coisas são imutáveis e atemporais. São o mesmo no presente, no passado e no futuro. Portanto, não são históricas. Podem constituir objeto de numerosas ciências, mas não de História.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A historicidade é uma propriedade acidental, que afeta tão somente algumas ações realizadas pelos indivíduos humanos. Mas não isoladamente, e sim dentro de um grupo social ou de alguma coletividade na qual exercem sua influência, e na qual perduram de alguma maneira seus resultados através da sucessão temporal. Por causa disso, a possibilidade de um fato histórico requer um conjunto de condições:</span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Unidade de sujeito, que pode ser natural ou artificial, individual ou coletivo.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Permanência essencial desse sujeito no meio das mudanças e mutações acidentais.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Mutabilidade e variabilidade acidental. Uma coisa que permanece imutável em sua duração não pode ter história.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Pluralidade sucessiva de momentos em seu desenvolvimento e em sua atividade exterior.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Temporalidade, decorrente de ser uma natureza finita, sujeito de numerosas mutações acidentais.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Continuidade, e simultaneamente conexão e relações de dependência entre os distintos modos do desenvolvimento e de alguns fatos com outros, que prolongam virtualmente no futuro os resultados da atividade exercida em um momento dado.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Contingencia, indeterminação e, portanto, imprevisibilidade dos fatos em que intervêm a livre vontade do homem, como também de outros independentes de sua vontade.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desenvolvamos brevemente algumas dessas condições.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A &#8211; Sujeito da história</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O historicismo absoluto deseja reduzir toda realidade à história. Todas as coisas têm duração. Contudo, a imensa maioria delas não é histórica, nem tem história, nem entram em nada no campo da história.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus é a realidade suprema, mas não é sujeito da história. Sua duração consiste em sua presença imutável em toda a eternidade. Tampouco têm história os seres inorgânicos do mundo físico, embora sua duração esteja sujeita ao movimento e se meça pelo tempo. Mudam, mas não envelhecem. Nem sequer são sujeitos da história as plantas e os animais. Mudam e envelhecem, mas sua atividade está sujeita ao determinismo e a invariabilidade das leis físicas e biológicas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Somente é sujeito da História o ente capaz de fazê-la, e este é exclusivamente o homem, que é uma substância vivente, inteligente e livre. Mas a essência do homem não consiste na historicidade, e não é exato afirmar que o homem não tem natureza, mas somente história. Uma coisa é a essência ou natureza do homem, e outra completamente distinta é sua historicidade. O indivíduo humano não é um puro acontecer nem uma mera sucessão de atos físicos ou biológicos realizados no tempo. O homem não é histórico por essência, nem sua essência consiste na história, mas a historicidade nada mais é do que um acidente que lhe sobrevém como resultado de suas ações. O homem tem história ou faz história mediante suas ações livres realizadas no tempo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os historicistas exageram a mutabilidade, a contingência e a temporalidade do ser humano, minimizando a realidade das essências permanentes. Mas a possibilidade de que o homem seja um ser histórico decorre justamente de que somente nele ocorre a combinação ou a confluência de uma imutabilidade essencial e uma mutabilidade acidental. Não implica contradição alguma a coexistência, no indivíduo humano, de uma imutabilidade essencial e uma permanência substancial através do tempo, com uma mutabilidade acidental nas formas mais diversas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem tem uma essência própria, pessoal e permanente, imutável ao longo de sua duração. Essa essência, que consiste em ser um animal racional, é o que constitui seu ser enquanto tal, e sendo imutável, não é nem pode ser histórica. Não é uma essência simples, mas composta. O homem consta de um corpo material vivente, sujeito às mesmas leis físicas e biológicas que todos os demais seres do mundo físico (gravidade, dilatação, digestão, reprodução etc). Todas essas funções não entram tampouco no domínio da história, embora sejam realizadas no tempo. Mas na essência do homem entra, ademais, um elemento transcendente, espiritual, que é sua alma racional e livre, a qual não se mede pelo tempo, mas por uma duração especial que os escolásticos denominam <em>evo</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não obstante, o homem, considerado como um todo substancial, é temporal, enquanto vive e atua no tempo. Mas, simultaneamente, o tempo não é mais do que um acidente, que não entra na constituição da natureza humana enquanto tal, a qual, sendo imutável, não é temporal nem, portanto, histórica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem não é histórico por sua essência, mas por seus acidentes, ou seja, em virtude de suas ações humanas, conscientes e livres, realizadas no tempo. Por isso, à História enquanto tal não interessa a essência do homem, que constitui objeto de outras ciências – como, por exemplo, a Antropologia. A História não se baseia nas essências, que são imutáveis, mas nos acidentes, nas ações humanas ou em seus produtos, nos resultados da atividade humana no espaço e no tempo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A História é integrada por <em>fatos</em>, por sucessos ou por acontecimentos. O fato (<em>factum</em>, particípio ativo de <em>facere</em>) é um resultado da <em>ação </em>(<em>fazer</em>), e o termino do <em>fieri</em>. E, por sua vez, a ação é resultado da essência (<em>actiones sunt suppositorum</em>). Mas a ação humana não é instantânea, mas sucessiva. Faz-se e atua-se no tempo. Implica sucessão, potencialidade e dinamicidade. São todos ingredientes da História. Mas em sua constituição devemos nos fixar sobretudo na ação, que é seu elemento especificativo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a essência do homem fosse a história ou a historicidade, todos seus atos seriam históricos. Mas é evidente que de todas as inumeráveis ações realizadas pelos homens desde que existem sobre a terra, apenas uma ínfima minoria chegou a categoria de histórica. Deve-se excluir <em>a fortiori </em>todas as ações físicas ou biológicas, que estão sujeitas a leis invariáveis, nas quais não há margem para a liberdade. Nem sequer entram na História todas as ações espirituais e livres. A vida da maior parte dos homens nada tem de histórica. Passa, e muito pouco é o que fica boiando com a categoria de histórico no naufrágio em que se submergem, no passado, a imensa maioria das ações realizadas pelos homens.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A História é resultado das ações humanas, mas não de todas – somente de algumas especialmente importantes, as quais não desaparecem por completo no passado, mas perduram de algum modo, prolongando sua ação em uma espécie de sobrevivência no futuro. Os fatos históricos não são puramente passados, mas também de algum modo atuais, enquanto perduram incorporados de modo virtual no presente. Nesse sentido, todos os fatos históricos não são iguais, mas neles há graus maiores ou menores de historicidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Temos, pois, que o fato histórico se constitui por uma ação humana livre, realizada no passado, que perdura projetada ao futuro. Mas o acréscimo da historicidade não é nenhuma propriedade essencial de nenhum ato humano, mas somente de algumas ações, individuais e sociais, e mesmo nelas de modo extrínseco e acidental.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma coisa é o sujeito que <em>faz </em>a história e outra coisa o sujeito <em>da </em>História. Os fatos históricos, e portanto a História, são produtos ou resultados das ações dos homens, sejam individualmente, sejam em coletividades naturais ou artificiais. Mas esse sujeito deve ser concreto e real. As abstrações, como o “Homem”, a ‘Humanidade” ou a “Sociedade” não podem ser sujeito da história. A História fizeram nem o espírito universal (Weltgeist) nem o espírito nacional (Volkgeist), mas homens concretos, particulares e existentes, mediante ações realizadas num tempo determinado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao contrário, o sujeito <em>da </em>história não pode ser individual, mas coletivo. O indivíduo considerado isoladamente não é história, nem tem História, mas faz história, e a faz dentro de um grupo humano, de uma coletividade (natural ou artificial), de agrupamentos sociais, políticos, científicos, artísticos, religiosos etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não há História propriamente dita de um homem singular. Primeiro, porque a História requer continuidade, que no individuo isolado somente ocorre enquanto vive. Os atos estritamente individuais não perduram além da morte ou da cessação da existência individual. Mas não são históricos se não têm alguma influência exterior, relação, conexão com outros atos, e persistência com projeção até ao futuro, além do indivíduo que os realiza. Mas o indivíduo vive e atua dentro de um grupo social, natural ou artificial, de uma comunidade ou de uma coletividade. Acima das pessoas individuais formam-se comunidades sociais, unidas por laços espirituais, políticos, econômicos, culturais, artísticos, científicos etc. Nessas coletividades é que há, por um lado, as relações e conexões necessárias para constituir a História, e por outro lado, onde perdura a influência das ações particulares dos indivíduos e onde propriamente há sucessão e continuidade, que são a base do acontecer histórico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o segundo, por que as ações exteriores dos indivíduos que fizeram a História – Platão, Aristóteles, Lutero, Carlos V, Cristóvão Colombo – realizam-se dentro de um ambiente intermediário social, plenitude de seu sentido. Basta imaginar qualquer um desses indivíduos deslocado de seu lugar social para que suas ações adquiram significado completamente distinto, inclusive se tornando ininteligíveis, ou ao menos para que não tenham o mesmo sentido que tiveram. Maomé, colocado nas circunstâncias de Cristóvão Colombo, não teria sido o que foi, nem Cristóvão Colombo na corte de Carlos V, nem Carlos V na época de Aristóteles. Ou seja, qualquer fato histórico, seja do gênero que for, implica uma ressonância social, e somente conserva seu sentido quando se situa dentro da rede de relações que lhe ocasionaram e pelas quais foi ocasionado simultaneamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não havendo sujeito unitário e permanente da História, tampouco cabe uma evolução nem um processo de tipo dialético ao modo de Hegel. No desenvolvimento histórico predomina a heterogeneidade sobre a unidade, que nunca pode ser estrita, mas sempre muito relativa. E assim, dada a heterogeneidade e a confinação geográfica e temporal em que se realizaram os fatos históricos, somente cabe falar de História universal em sentido muito amplo. Nosso horizonte histórico abarca escassamente uns seis milênios, precedidos de centenas de séculos em que a humanidade existiu sobre a terra, realizando inumeráveis ações que desapareceram irreparavelmente no decurso do tempo. [Nota do editor: ponto não sem controvérsias].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Apesar de a espécie humana ter unidade originária de estirpe comum, não seguiu uma linha de desenvolvimento uniforme nem homogênea. A História sempre foi feita separadamente pelos distintos grupos étnicos, raciais, sociais ou políticos, muitos dos quais viveram em um isolamento quase absoluto, sem influências apreciáveis entre si. É muito frequente o contraste entre povos que, num mesmo lapso cronológico, alcançam elevado nível de cultura, ao lado de outros que permanecem submersos na barbárie. Por isso, em vez de uma história universal da Humanidade, cabe falar de Histórias parciais dos diversos grupos e associações humanas. Mas não a modo de uma somatória de coisas parecidas dentro de uma totalidade, mas com marcado caráter de heterogeneidade. Tampouco é legítimo falar de um sujeito unitário em História da Filosofia, e sim que dentro de uma unidade muito relativa, predominam nela a pluralidade e a diversidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>B – Temporalidade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À essência física e permanente do homem sobrevém inúmeras modificações acidentais, uma das quais é a temporalidade, que por sua vez deriva-se da mutabilidade. O homem vive e atua no tempo, físico ou histórico, e nesse sentido – acidental – entra no campo da historicidade. Mas tanto a mutabilidade como a temporalidade, e por isso também a historicidade, são propriedades ou modificações acidentais, acrescentadas, que não afetam a essência do indivíduo enquanto tal. Assim, a história não se identifica com a essência do homem, nem com sua mutabilidade, nem com sua temporalidade, mas é um resultado, também acidental, das ações humanas realizadas no tempo. O desenvolvimento histórico se mede pelo tempo, e permanece fixado nos distintos momentos da sucessão temporal em que se realiza. Por isso, a cronologia é elemento imprescindível da História.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a história não se reduz à pura temporalidade. A temporalidade é elemento da história, mas por si só é insuficiente para transformar um fato físico em histórico. Não são a mesma coisa o passado e o histórico. Todo fato histórico é passado. Mas nem todo fato passado é histórico. O ser do sucesso histórico não é um mero passado. Há infinidade de sucessos passados que não alcançaram a categoria de históricos. A historicidade acrescenta algo positivo ao mero ser passado. Somente chegam a ser históricos os fatos passados que, de alguma maneira influenciam, permanecem, ou perduram no futuro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ontologicamente, o sucesso histórico foi, já não existe. Mas persiste, e portanto não é totalmente passado, mas segue sendo de alguma maneira, enquanto perdura incorporado virtualmente em um presente no qual segue exercendo influência. Dessa maneira, o presente atual sobrepassa sua própria entidade ontológica, enquanto encerra em si implicitamente, como acumulados, inviscerados ou atesourados, outros sucessos anteriores que lhe enriquecem e lhe enchem de um sentido complementar que não teria em seu puro ser físico. Por sua vez, esse presente é uma soma de possibilidade projetadas para o futuro, o qual não é um impedimento, mas um horizonte. Por isso, a matéria da História não são os fatos puramente físicos, mas os sucessos, os acontecimentos, os eventos, ou seja, os fatos que tiveram alguma tensão, alguma projeção até o futuro. A ação é também um prolongamento do nosso ser.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não há um tempo absoluto, ao modo de Newton: nem tampouco um tempo como forma <em>a priori</em>, ao modo de Kant. O tempo físico é um acidente real que tem como fundamento um movimento real medido por uma inteligência. Mas na adoção de um tipo concreto de movimento para ajustar a cronologia – v. gr. o movimento da Terra ao redor do Sol – há muito de relativo e de convencional. Uma coisa é o movimento dos seres inorgânicos, outra o dos viventes e outra o do homem, ser racional e livre, o qual, ao menos por sua alma, que é sua parte principal, fica fora do determinismo que rege o movimento de todos os demais seres.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, pois, embora os acontecimentos históricos possam ser medidos e ordenados conforme um padrão mais ou menos universal e convencional de ”tempo” (meses, anos, séculos, milênios), acima dessa cronologia há outra consideração mais profunda, segundo a qual o pretérito aparece como permanecendo virtualmente no presente e no futuro e prolongando neles sua ação. Nesse conceito de “tempo histórico”, baseia-se a Historiografia moderna, diferentemente da antiga, para a qual o fato histórico era um simples passado, que exigia apenas ser reconstruído em crônicas ou narrações com base em recordações posteriores ou de testemunhos e documentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>C – Temporalidade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre os fatos históricos não somente há sucessão temporal, mas também continuidade, relações, conexões e concatenação de uns com outros. Um fato isolado não é histórico. Os sucessos históricos se situam um ao outro em relação como causas e efeitos, ou melhor, como condições e condicionados. Por isso é preciso enquadrá-los dentro de uma totalidade, embora não seja necessário que seja absoluta, mas relativa e restringida. O <em>Quijote </em>se compreende dentro do ambiente criado pelos livros de cavalaria, mas perderia seu sentido enquadrado no ambiente da cultura asteca. As catedrais românicas têm significação clara na Europa cristã do século XII, mas seriam absurdas na Rússia soviética do século XX. A <em>Crítica </em>de Kant não é difícil de entender em função das duas correntes do dogmatismo leibniziano e do empirismo inglês, mas seria ininteligível situada no ambiente das Cruzadas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ou seja, a História universal implica uma visão totalitária do passado histórico, na qual se ordenam os fatos concretos conforme suas relações, implicações e explicações, inseridos na totalidade de um processo. As coisas se sucederam de tal ou qual maneira em virtude de uma conjunção de circunstâncias ou de causas livres ou necessárias, que poderiam ter sido outras, mas que de fato foram assim e não de outro modo. O ofício do historiador consiste em narrar a História tal como efetivamente foi, não tal como poderia ter sido, e menos ainda como a ele pareceu ter sido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>D – Indeterminação</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A História se constitui por ações e relações que ultrapassam a ordem física ou biológica, entrando na da contingência e, por isso, na da liberdade. O desenvolvimento histórico depende de um conjunto de circunstâncias, livres ou fortuitas, independentes da vontade dos indivíduos que fazem a história. Somente o homem, como sujeito livre, possui o privilégio de fazer história. Mas às vezes as circunstâncias arrastam inevitavelmente aos indivíduos. Do cruzamento, da interferência ou do choque entre tantos fatores diversos resulta a orientação da história, a qual tem sempre uma ampla margem de indeterminação e imprevisibilidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O mundo físico e o biológico estão sujeitos a leis invariáveis e a processos cíclicos, nos quais os acontecimentos se repetem e podem ser preditos. Um físico sabe que todos os corpos estão sujeitos à lei da gravidade. Um químico pode prever com segurança as reações entre determinados elementos. Um astrônomo pode predizer um eclipse de sol. Um astrônomo pode prever um eclipse solar. Um biólogo sabe que as andorinhas seguirão fazendo seus ninhos daqui a mil anos como fazem hoje. Mas não há leis fixas que rejam o desenvolvimento da História humana, nem processos cíclicos rigorosos. Por isso, é impossível uma Filosofia da História que pretenda predizer os acontecimentos futuros, reduzindo-a numa ciência exata. A História está entrelaçada de ações e interações entre seres humanos livres. Os futuros contingentes não são objeto de ciência humana, em razão de sua dependência de muitas circunstâncias imprevistas e imprevisíveis. A História não se repete jamais, e o devir histórico não pode ser deduzido <em>a priori</em>, como um teorema de Geometria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na História há uma certa unidade e uma concatenação dos sucessos acima ou abaixo das divisões cronológicas. O passado influencia no futuro, e o condiciona e determina até certo ponto. Mas nem por isso fica anulada a contingência, nem os cruzamentos em que, de maneira absolutamente imprevisível, cruzam-se as séries causais que dão origem a estruturas e movimentos muito diversos. Sempre deve-se contar, ademais, com o fator da liberdade, que pode mudar e alterar profundamente o curso de um processo histórico. O historiador pode ser “profeta do passado”. Mas nunca poderá ser, em sentido rigoroso, profeta do futuro. Não há uma Dialética da História. Os fatos podem ser conhecidos, ordenados e interpretados <em>post factum</em>. Mas <em>ante factum</em> somente podem ser preditos, deixando ampla margem para equívocos. Mais que uma Filosofia, o que cabe ser feito é uma Teologia da História; mas sempre pressupondo se manter dentro de linhas muito gerais, e que somente podemos conhecer os desígnios divinos na exata medida em que Deus no-los queira comunicar por revelação</span></p>
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