HOMENS E MULHERES: O QUE VESTIR PARA IR À IGREJA?

Durante um sermão proferido no Domingo da Santíssima Trindade em Écône, o Pe. Bernard de Lacoste, diretor do Seminário São Pio X, lembrou aos cristãos que, como templos da Santíssima Trindade pela graça, devemos honrar a Deus até mesmo em nossas vestimentas, particularmente durante a Missa dominical.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Certa vez, um menino na catequese perguntou:

— Padre, onde está a Santíssima Trindade?

E o padre respondeu:

— Meu filho, a Santíssima Trindade está no céu, na terra, em toda parte, mas especialmente na sua alma desde o seu batismo. Ela está na sua alma.

Então, o menino perguntou:

— Como assim? Na minha alma há o Pai, o Filho e o Espírito Santo?

E o padre:

— Sim, na sua alma vivem o Pai, o Filho e o Espírito Santo, desde que você esteja em estado de graça.

Essa é uma realidade muito importante sobre a qual devemos refletir. E São Paulo tira disso uma conclusão muito concreta e prática: devemos respeitar nosso corpo, porque nossos corpos são os templos da Santíssima Trindade.

Podemos até ir mais longe e dizer que, uma vez que devemos respeitar nossos corpos, devemos cuidar para vesti-los adequadamente. Sim, as roupas são um sinal de respeito.

É por isso que hoje gostaria de lhes dizer algumas palavras sobre a maneira de se vestir, não para o dia a dia, mas especialmente quando se vai à Missa no domingo, pois ir à missa no domingo não é um ato insignificante.

Veremos, em primeiro lugar, como devemos nos vestir, seja homem ou mulher. Em seguida, abordaremos especialmente o vestuário feminino. Por fim, tentaremos responder à objeção relacionada às mudanças climáticas.

A vestimenta adequada para a casa de Deus.

É preciso compreender bem que a Missa é o ato mais grandioso que pode existir na terra. Quando assistimos à Missa, assistimos à renovação do sacrifício do Calvário da Sexta-feira Santa. É a segunda Pessoa da Santíssima Trindade que morre na cruz por nós.

Não há nada mais grandioso do que assistir a essa renovação. Trata-se de um ato de infinita grandeza. É por isso que nosso comportamento deve estar à altura dessa imensidão, dessa infinitude do ato ao qual assistimos.

Esse ato ocorre, em geral, não em qualquer edifício, mas em uma igreja. A igreja é a casa de Deus. Ela foi construída especialmente para esse fim. Quando entramos na igreja e vemos sobre o altar o tabernáculo coberto por um baldaquino, esse tecido da cor litúrgica — hoje branco —, e quando vemos também a pequena luz vermelha que brilha ao lado do altar, sabemos que Jesus Cristo está verdadeira e substancialmente presente.

Estamos na casa de Deus e não na casa de uma mera criatura. É por isso que devemos nos adaptar e dizer a nós mesmos: preciso me comportar de acordo com isso, com imenso respeito por Deus que está ali presente. É por isso que não nos vestimos para a Missa de domingo como nos vestimos para fazer compras no supermercado, andar de bicicleta ou cortar a grama. Estamos realizando um ato de infinita grandeza.

Aqui em Écône, há Missa todas as manhãs de segunda a sexta, às seis horas. Há pais de família admiráveis que, antes do trabalho, vêm a essa Missa vestidos com uniformes, pois logo em seguida vão para o trabalho. Isso é perfeitamente compreensível. Mas o domingo é diferente. No domingo, não se trabalha. O domingo é o Dia do Senhor. É por isso que nos vestimos com um cuidado todo especial.

Muitos bancos suíços impõem um código de vestimenta bastante rigoroso aos funcionários que lidam com clientes: paletó e gravata para homens, vestidos para mulheres, sapatos fechados, pretos e clássicos. E para a Missa de domingo, as exigências seriam menores?

É estranho. O banco é o templo do dinheiro e das finanças; a igreja é o templo de Jesus Cristo. Qual dos dois edifícios merece mais respeito? Vestir-se melhor para trabalhar em um banco do que para ir à Missa talvez reflita uma maior veneração pelo dinheiro do que por Jesus Cristo. Isso seria lamentável.

Se um funcionário de banco for trabalhar de camiseta, calça jeans e tênis, será convidado a se retirar. É aceitável que um homem vá à Missa de domingo vestido dessa forma? É uma roupa inadequada para a casa de Deus. E essa regra se aplica tanto a homens quanto a mulheres.

Modéstia cristã e responsabilidade para com o próximo.

Para as mulheres, no entanto, é necessário fazer uma reflexão adicional a partir destas palavras de Nosso Senhor: “Quem olha para uma mulher com desejo já cometeu adultério com ela em seu coração.”

Uma mulher que se veste de forma provocante, revelando parte do corpo, corre o risco de incitar o pecado aqueles que a observam. É o homem que cometerá o pecado, é claro, mas a mulher terá sua parcela de responsabilidade.

Um padre disse certa vez aos seus paroquianos: “Senhoras, quanto ao seu vestuário: a parte de cima está muito decotada e a parte de baixo muito curta.”

A pequena Jacinta de Fátima relatou estas palavras de Nossa Senhora: “Os pecados que levam mais almas ao inferno são os pecados da carne. Virão modas que ofenderão muito Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem seguir a moda.”

Quando se lê a vida do Padre Pio, ficamos impressionados Ele, que era de imensa caridade, era severo com as pessoas mal vestidas que entravam na igreja. Um dia, vendo uma mulher se aproximar do confessionário com uma saia muito curta, disse-lhe simplesmente: “Fora!”

O santo Cura d’Ars agia da mesma maneira. Ele não suportava que se entrasse na igreja com uma roupa desleixada ou indecente.

Todos esses santos sacerdotes eram severos porque amavam Jesus Cristo. Doía-lhes ver o desrespeito demonstrado a Nosso Senhor. É claro que também existem sacerdotes lenientes que nunca dizem nada. Mas temos esses sacerdotes santos como Padre Pio e o Cura d’Ars como nossos modelos.

Certa vez, um padre sentou-se em um trem. À sua frente, sentou-se uma jovem vestindo um vestido. Era verão. Essa jovem, que era uma boa católica, percebeu com constrangimento que seu vestido estava um pouco curto demais. Muito envergonhada, sobretudo na presença do padre, ela tentava discretamente alongá-lo com as mãos. O padre, que tinha senso de humor, disse-lhe:  “Senhorita, não adianta puxar. O que você ganha na parte de baixo, perde na parte de cima.”

Não se deve pensar, porém, que vestir-se com modéstia signifique vestir-se de forma feia. Pelo contrário. Deus não gosta da feiura. Também não gosta de roupas ridículas. Ele não nos pede que nos vistamos como no século XIX. Deus ama a beleza, a pureza e a elegância.

Olhemos para a Santíssima Virgem quando ela aparece em Fátima, em Lourdes, em La Salette ou em Pontmain: um manto deslumbrante e muito modesto. Maria oculta o seu corpo para melhor nos revelar a radiante beleza da sua alma. A mulher imodesta, ao contrário, exibe o seu corpo e, assim, esconde a sua alma.

É profundamente degradante para um ser humano dar mais importância ao seu corpo do que à sua alma. No nosso último dia, seremos julgados não apenas pelas nossas próprias ações, mas também por aquelas que incitamos nos outros. Aqueles que dão um bom exemplo serão recompensados ​​pelo bem que inspiraram. Aqueles que cometem pecados terão que responder pelo mau exemplo que deram. As roupas nunca são moralmente neutras: ou elevam ou degradam; ou enobrecem ou degradam.

Sacrifício cristão e a escola da Bem-Aventurada Virgem Maria

Alguns argumentarão que o verão está chegando e, com o aquecimento global, fará muito calor. Usar roupas leves é mais agradável, especialmente quando a igreja não tem ar-condicionado. Isso é verdade. Mas, para um cristão, o conforto não é o critério principal. Seu critério principal é a vontade de Deus. 

Na vida cristã, por vezes, os sacrifícios são necessários. Sim, é um sacrifício usar roupas bonitas e modestas quando está muito calor. Nosso Senhor nos disse: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”

Consideremos os bispos. No dia 1º de julho, provavelmente fará muito calor. No entanto, eles usarão a batina, o amito, a alva, as túnicas e a casula, por vezes pesada e ricamente ornamentada. Eles suarão profusamente. Por quê? Por respeito a Jesus Cristo. Vestir-se bem é um sinal de respeito pela pessoa que está diante de nós.

Poderíamos ainda perguntar:”Fazer um sermão inteiro sobre vestimentas não seria um detalhe insignificante?” Sem dúvida, existem questões mais elevados. Mas a vida cristã é composta de atos de amor a Deus, e esses atos se concretizam nas pequenas coisas do dia a dia.

De manhã, enquanto nos vestimos, podemos dizer a nós mesmos: “Vou escolher esta roupa em vez de outra porque é domingo e isso agradará a Deus“. Eis a vida cristã: pequenas renúncias, pequenos atos de amor, realizados em coisas muito concretas.

Para concluir, gostaria de lhes dar um último conselho: tenham profunda devoção à Santíssima Virgem Maria. Ela é quem nos ensina a vestir-nos bem. As pessoas com profunda devoção mariana vestem-se com modéstia, pureza e beleza. 

Por quê? Porque nos ensina humildade Ela nos ensina a não nos irritarmos quando nos fazem uma observação, mas a sermos dóceis. Acima de tudo, ela nos ensina o amor a Deus. Ela também nos ensina a liberdade. Pois, nesse aspecto, às vezes somos escravos: escravos da moda, do olhar dos outros, da publicidade, das redes sociais ou de nossa própria vaidade.

A Santíssima Virgem nos ensina a nos perguntarmos, acima de tudo: “O que Deus pensará de mim?” Isso é o que importa.

Lembremo-nos, portanto, que somos templos da Santíssima Trindade e que, se estivermos em estado de graça, o Pai, o Filho e o Espírito Santo habitam em nós.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

**********************************

Nota do blog: mulheres que querem saber mais sobre a virtude da Modéstia no dia a dia, CLIQUE AQUI e acesse nossa página especial sobre o assunto.