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	<title>DOMINUS EST &#187; Liberalismo</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>PROGRESSISMO E CONSERVADORISMO: HISTÓRIA DA DISSOLUÇÃO DO HOMEM NO MUNDO E NA IGREJA NOS ÚLTIMOS 100 ANOS</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 14:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Sì Sì No No, ano XXXV, n. 14 – Tradução: Dominus Est Esquema introdutório • Antonio Gramsci (1891-1937) trabalhou na expansão do pensamento revolucionário da década de 1920 até o final da década de 1930. Seu estudo tinha como objetivo fazer &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/progressismo-e-conservadorismo-historia-da-dissolucao-do-homem-no-mundo-e-na-igreja-nos-ultimos-100-anos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://cdl-static.s3-sa-east-1.amazonaws.com/blog/artigo/4693/images/republica-duplipensante-do-brasil_0.jpg" alt="Grupo Companhia das Letras" width="547" height="261" /></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><strong><span class="tm7">Fonte: </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sisinono.org/&quot;"><span class="tm7">Sì Sì No No</span></a></span><span class="tm7">, ano XXXV, n. 14 – Tradução: </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/"><span class="tm7">Dominus Est</span></a></span></strong></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: center;"><strong><u><span class="tm9">Esquema introdutório</span></u></strong></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">• Antonio Gramsci (1891-1937) trabalhou na expansão do pensamento revolucionário da década de 1920 até o final da década de 1930. Seu estudo tinha como objetivo fazer com que a filosofia do materialismo dialético marxista fosse aceita </span><em><span class="tm11">intelectualmente</span></em><span class="tm9"> por meio de manipulação mental (“</span><span style="color: #0000ff;"><u><a style="color: #0000ff;" href="https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/entrismo&quot;"><span class="tm9">entrismo</span></a></u></span><span class="tm9">”) e não pela força. Gramsci queria uma “revolução cultural”, ou seja, adquirir a </span><em><span class="tm11">hegemonia</span></em><span class="tm9">, o </span><em><span class="tm11">consenso</span></em><span class="tm9"> e a </span><em><span class="tm11">direção</span></em><span class="tm9"> da sociedade civil-cultural europeia (penetrando na escola, na imprensa, nas publicações, no judiciário e na mídia de massa). Só então se poderia pensar em ocupar o poder, o </span><em><span class="tm11">governo</span></em><span class="tm9"> e o </span><em><span class="tm11">domínio </span></em><span class="tm9">do Estado. Gramsci é o progenitor de todas as correntes revolucionárias (Escola de Frankfurt, Estruturalismo francês) que tentarão, depois dele, trabalhar a revolta dentro do homem individual e não apenas na sociedade.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">• Um autor que buscará revolucionar a Europa também religiosamente (e não só culturalmente como Gramsci) é Ernst Bloch (1885-1977), filósofo alemão de origem judaica, que na década de 1960 trabalhou para converter os católicos à dialética social-comunista por meio do diálogo, opondo à religião tradicional ou dogmática (tese) uma religião progressista (antítese), a fim de alcançar um messianismo terreno e imanentista ou “socialismo-cristão” (síntese). Infelizmente, sua estratégia foi bem-sucedida com o Concílio Vaticano II, que se propôs a dialogar com o mundo sem mais querer convertê-lo. </span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">• Dos anos 1920-1930 até os anos 1960, a “Escola de Frankfurt” (Adorno-Marcuse), por meio de drogas, psicanálise, pansexualismo, moda e música pop, tentou revolucionar e aniquilar (a partir da Alemanha e dos EUA) </span><em><span class="tm11">o próprio homem</span></em><span class="tm9"> nos aspectos mais profundos de sua alma e personalidade</span><strong><span class="tm7">[1] </span></strong><span class="tm9">(inclinações, intelecto e vontade) e não mais apenas a sociedade cultural (Gramsci) ou religiosa (Bloch).</span></span><span id="more-31026"></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">• Enquanto isso, na França, o “Estruturalismo”, entre as décadas de 1940 e 1960 (Sartre, Althusser, Levy-Strauss), procurou embrutecer o homem através da massificação e desvalorização da razão humana, retomando, juntamente com a psicanálise de Jacques Lacan (1901-1988), as teorias sensistas e empiristas dos filósofos ingleses do século XVIII, segundo as quais o homem só tem conhecimento sensível, tal como o animal.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">• Atualmente, está sendo feita uma tentativa (pelos ensinamentos de Russel Kirk) de propor uma “revolução conservadora”*</span><em><span class="tm11"> [vide nota deste blog ao final do texto]</span></em><span class="tm9">, em oposição às revoluções “progressistas” mencionadas acima, que consiste em casar o catolicismo com o kantianismo e o sensismo anglo-saxão. Essa corrente na Europa é chamada de teoconservadorismo, e ela toma as doutrinas neoconservadoras dos EUA e as transplanta para a Europa e Roma. Essa tentativa, embora menos radical, ainda é contraditória e repugnante. Veremos por que.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">A Revolução cultural: Gramsci ou o eurocomunismo.</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O eurocomunismo é o marxismo-leninismo aplicado aos países “ocidentais” ou, mais precisamente, aos países europeus e especialmente àqueles com forte tradição católica. Com efeito, o comunismo não pôde se afirmar em um país “ocidental” ou, mais precisamente, europeu ou latino-americano e católico sem adotar variações táticas e estratégicas. Lembre-se de que o comunismo é sempre o mesmo, e só muda as aparências primeiro para enganar e ser aceito pela sociedade civil-cultural e, depois, para assumir o governo ou o poder político e permanecer nele. Augusto Del Noce escreveu: “Não há outro caminho senão o caminho gramsciano que seja capaz de levar os partidos comunistas ao sucesso nos países ocidentais”</span><strong><span class="tm7">[2]</span></strong><span class="tm9">. Toda a doutrina de Gramsci, com efeito, está voltada para a busca de uma tática adequada para garantir a aceitação e, depois, o sucesso do comunismo na Europa. Ele foi influenciado pelo neoidealismo italiano de Croce e especialmente pelo de Gentile, que </span><em><span class="tm11">pensava em um idealismo que superava o marxismo na medida em que propunha uma dialética marxista sem o materialismo</span></em><span class="tm9">, </span><span class="tm9">tal como demonstrou Del Noce. Gramsci permanece marxista e, portanto, materialista, mas reduz o materialismo a um mínimo, em benefício da dialética, e rebaixa a primazia da economia sobre todas as outras atividades humanas. “As consequências [&#8230;] são muito importantes: o comunismo não deve procurar apenas e acima de tudo tomar posse da articulação político-econômica (</span><em><span class="tm11">a estrutura</span></em><span class="tm9">) da sociedade, mas deve procurar [&#8230;] primeiro impor-se e prevalecer em todas </span><em><span class="tm11">as superestruturas culturais, jurídicas, artísticas, religiosas, etc.</span></em><span class="tm9">, que não são completamente atribuíveis à economia”</span><strong><span class="tm7">[3]</span></strong><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Gramsci faz distinção entre a </span><em><span class="tm11">conquista do Estado e a conquista da sociedade civil-cultural</span></em><span class="tm9">. No Ocidente, o poder político do Estado é moderado pela sociedade civil, ou seja, por todos os órgãos intermediários que ficam entre o indivíduo e o Estado, de modo que conquistar o Estado ou o governo ainda não significa ter conquistado a sociedade, que é o verdadeiro poder da nação. Pelo contrário, na Europa, a sociedade civil e cultural é muitas vezes mais forte do que o Estado e, portanto, deve ser conquistada pelo comunismo antes do Estado.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm11">Dominar </span></em><span class="tm9">significa subjugar e liquidar oponentes pela força; </span><em><span class="tm11">dirigir</span></em><span class="tm9"> significa liderar aliados e afins. Antes de </span><em><span class="tm11">dominar</span></em><span class="tm9">, o comunismo europeu deve </span><em><span class="tm11">dirigir</span></em><span class="tm9">; somente depois, quando tiver conquistado – graças ao entrismo – o governo político, ele poderá se tornar dominante, mas não deve se esquecer de forma alguma de que também é o </span><em><span class="tm11">dirigente</span></em><strong><span class="tm7">[4].</span></strong><span class="tm9"> “No entanto, o Estado não pode ser apenas coercitivo, caso contrário, entrará em colapso após um período mais ou menos longo (cf. URSS): enquanto exerce a coerção, ou seja, enquanto é dominante, o grupo que detém o Estado deve se esforçar para ser tanto dirigente quanto dirigido”</span><strong><span class="tm7">[5]</span></strong><span class="tm9">. De acordo com Gramsci, a ditadura comunista na Europa seria apenas dominação sem direção; a ditadura proletária, para permanecer no poder, deve obter não apenas a obediência externa dos cidadãos, mas também o consentimento. O eurocomunismo é precisamente a ditadura mais a hegemonia ou o consenso</span><strong><span class="tm7">[6]</span></strong><span class="tm9">. Portanto, é necessário impregnar a cultura com o pensamento marxista, porque é por meio da cultura que o consenso e a hegemonia são organizados, o que, no caso do comunismo europeu, deve ser, acima de tudo, a direção cultural de jornais, rádio, TV, escolas e universidades, do judiciário e do exército; as ideias comunistas devem se tornar as ideias que regem a classe dirigente; essa é a condição </span><em><span class="tm11">sine qua non</span></em><span class="tm9"> para conquistar o governo de forma permanente e duradoura; caso contrário, acabará como a Espanha em 1936.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Essa linha foi adotada por Palmiro Togliatti, que conseguiu fazer com que o Partido Comunista da Itália fosse aceito pelo mundo cultural político italiano e, após a morte de Pio XII, também por grande parte do mundo eclesiástico, que se pôs a dialogar&#8230;</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Após a derrota do comunismo no Chile em 1974, Enrico Berlinguer questionou por que ele havia fracassado. E chegou à conclusão de que havia surgido uma situação antigramsciana no Chile, ou seja, o governo comunista de um lado e a classe média do outro. Essa é a situação que precisa ser evitada na Itália, escreveu: “essa é a razão pela qual estamos lutando por um ‘</span><em><span class="tm11">compromisso histórico</span></em><span class="tm9">’”[7]. Portanto, é necessário ir, lentamente, do poder ao governo e não apressadamente do governo ao poder. Gramsci já havia escrito em 1919: “Os Populares [democratas-cristãos] representam uma fase necessária no processo de desenvolvimento do proletariado italiano em direção ao comunismo [&#8230;] Os Populares estão para os socialistas como Kerensky para Lênin [&#8230;] </span><em><span class="tm11">A democracia cristã faz o que o socialismo não poderia fazer: amalgama, ordena, anima e comete suicídio</span></em><span class="tm9">”</span><strong><span class="tm7">[8]</span></strong><span class="tm9">. Esse, infelizmente, foi o papel que a Democracia Cristã desempenhou na Itália.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">A revolução religiosa: Ernst Bloch ou o comunismo católico</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Além de Gramsci, outro teórico do eurocomunismo, ou mais precisamente do católico-comunismo, foi Ernest Bloch, seguido na Itália por Franco Rodano, que estudou todas as formas de tornar o comunismo aceitável para os católicos ou, melhor, para manipular sua mentalidade para que se tornasse compatível e assimilável pelo progressismo socialista; Eles [os católicos] terão que se ‘desideologizar’, olhando “mais para o que une do que para o que divide”, remetendo-se à doutrina social da Igreja para então se encontrar com os comunistas no nível da ação social.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Ernst Bloch é o primeiro filósofo marxista a abordar o problema de como converter os católicos ao comunismo. Ele aceita a tese marxista de que a religião é o ópio do povo, mas faz distinção entre dois tipos de religião:</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">a) </span><em><span class="tm11">uma ruim, reacionária</span></em><span class="tm9">, a ser combatida e destruída, que seria a dominicana tradicional ou integrista ou pré-conciliar;</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">b) </span><em><span class="tm11">a outra boa, progressista ou pós-conciliar</span></em><span class="tm9">, uma espécie de messianismo carnal do Reino de “deus” neste mundo, especialmente para os pobres, com o qual se pode dialogar.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Os comunistas, para ganhar o jogo, devem opor dialeticamente a religião ruim à religião boa, de modo que surja como uma síntese um tipo de cristianismo ateu ou marxista, que apenas mantém o nome e a aparência de cristianismo. O cristianismo “progressista” é chamado por Bloch a substituir o divino pelo futuro, Deus e o ser pela evolução: “Bloch construiu uma ponte entre o cristianismo e o comunismo, mas é uma ponte de mão única, a ser atravessada sempre em uma direção, e sempre por cristãos que se tornam marxistas e ateus”</span><strong><span class="tm7">[9]</span></strong><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">A Escola de Frankfurt e o “Estruturalismo” francês: a subversão </span><em><span class="tm12">“in interiore homine”</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">A subversão social (cultural ou religiosa) torna-se individual com a “Escola de Frankfurt” e o “Estruturalismo” francês.</span></p>
<p class="Normal tm13" style="text-align: center;"><span class="tm9" style="color: #000000;">* * *</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">1. A Escola de Frankfurt</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A Escola de Frankfurt baseou-se na força propulsora e subversiva das inclinações desordenadas da natureza humana ferida pelo pecado original, que pode ser comparada a um terremoto que perturba, subverte, abala, derruba e vira de cabeça para baixo. Significou a </span><em><span class="tm11">revolta global, a guerra psicológica total</span></em><span class="tm9"> e a mudança de mentalidade (intelecto) e costumes (vontade) no </span><em><span class="tm11">mundo inteiro</span></em><span class="tm9">, na sociedade civil, na sociedade religiosa e, acima de tudo, </span><u><span class="tm9">no indivíduo</span></u><span class="tm9">, em cujo interior trouxe desordem e subversão (cf. H. Marcuse, </span><em><span class="tm11">Um Ensaio Sobre a Libertação</span></em><span class="tm9">, 1969, p. 44). Ela levou a mentira para as profundezas da alma humana (</span><em><span class="tm11">“in interiore homine, habitat falsitas”</span></em><span class="tm9">, parafraseando Santo Agostinho, no interior do homem vive a falsidade); seu objeto foi a “psique” de cada ser humano. A Escola de Frankfurt desempenhou um papel de liderança nessa inversão do homem como sujeito inteligente e livre. Nascida na Alemanha em 1923, mudou-se para os EUA em 1933 e lá permaneceu até 1950, quando Theodor Adorno (1903-1969) retornou à Alemanha para trazer pessoalmente à Europa a revolução ou o caos lançado pela América do Norte na década de 1950. Herbert Marcuse (1898-1979), por outro lado, permaneceu nos EUA, que se tornou, com a Segunda Guerra Mundial, a nação mais poderosa do mundo ainda não dominada pelo bolchevismo.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A convicção dos intelectuais da Escola de Frankfurt é que, no “Ocidente”, o modelo comunista stalinista-leninista (que revolucionou a velha Rússia desde 1917) tem pouca esperança de sucesso. De fato, o proletariado europeu e norte-americano já está de barriga relativamente cheia (década de 1930) e não está mais disposto a realizar a revolução como fez em 1917 na Rússia. Portanto, o assunto a ser revolucionado deve ser mudado, de modo a expandir a subversão em todo o mundo. Esse novo sujeito são os “estudantes” (que não querem estudar), que, por terem “a cabeça vazia, são mais inclinados à revolução do que o proletariado com uma barriga cheia”. O modelo stalinista é substituído na Escola de Frankfurt pelo </span><strong><em><span class="tm12">trotskismo</span></em></strong><span class="tm9"> e pelo </span><strong><em><span class="tm12">maoísmo</span></em></strong><span class="tm9">, que quer a revolução perpétua em todo o mundo (“cada homem, o homem inteiro, é o objeto da ação revolucionária”, dizia Mao Tsé Tung). Essa escola, como Augusto Del Noce escreveu em várias ocasiões, a fim de superar a crise do modelo soviético na década de 1970, teorizou uma revolução que iria além da bolchevique, que poderia realmente realizar a anarquia perpétua e total e que chegaria ao </span><em><span class="tm11">coração do homem</span></em><span class="tm9">, depois de ter estragado toda a sociedade.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Ao trotskismo e ao maoismo, a Escola de Frankfurt acrescentou o </span><strong><em><span class="tm12">freudismo</span></em></strong><span class="tm9">, ou seja, a psicanálise de massa, que, por meio do desencadeamento das paixões humanas (especialmente as paixões sexuais), chega a mudar a mentalidade e os costumes do homem (revolução cultural). Em outras palavras, é o passo da educação (</span><em><span class="tm11">ex-ducere</span></em><span class="tm9">) para a deseducação ou “in-ducação” (</span><em><span class="tm11">ducere-in</span></em><span class="tm9">) em direção ao niilismo nietzschiano e à ideologia pós-moderna, que deseja a destruição total dos valores intelectuais, morais e até mesmo existenciais (ódio dirigido contra o ser criado e participado, que remete ao próprio Ser subsistente ou incriado, ou seja, ódio a Deus). “Liberdade da realidade” é a essência do livro de Marcuse intitulado </span><em><span class="tm11">Eros e civilização</span></em><span class="tm9">. O fruto da Escola de Frankfurt foi a perversão intelectual, psicológica e moral da juventude, que se tornou adulta depois de 68 e passou a ocupar posições-chave na sociedade civil e passou a apagar todos os vestígios de ordem e valores. Agora o homem não deve mais ser considerado um “animal racional” (Aristóteles), mas um “animal apaixonado”, composto apenas de instintos e impulsos desordenados, não mais subserviente ao intelecto e ao livre-arbítrio, mas desencadeados e levados ao paroxismo por meio da psicanálise pansexualista freudiana, uma inversão do ascetismo cristão, que por sua vez busca, com a ajuda da graça, tornar as tendências ou os instintos subservientes ao intelecto e à vontade do homem, para que ele possa ser seu próprio mestre. Em 1965, Marcuse exaltou a força revolucionária da prática </span><em><span class="tm11">homossexual</span></em><span class="tm9"> como uma rejeição da diversidade e da procriação (</span><em><span class="tm11">Eros e civilização</span></em><span class="tm9">, Turim, Einaudi, 1966, p. 192); em 1969, Jean Paul Sartre defendeu o </span><em><span class="tm11">incesto</span></em><span class="tm9"> como uma libertação da família (</span><em><span class="tm11">Tout</span></em><span class="tm9">, nº 12) e, em 1977, ele até se pronunciou a favor da </span><em><span class="tm11">pedofilia</span></em><span class="tm9"> (</span><em><span class="tm11">Le Monde</span></em><span class="tm9">, 26 de janeiro). A “revolução cultural” é, na realidade, a mudança ou a reviravolta (</span><em><span class="tm11">revolutio</span></em><span class="tm9">) completa não apenas do modo de vida cristão, mas também do humano (pensar e agir livremente), por meio da destruição ou perversão das capacidades volitivas e de raciocínio do homem, que são, assim, degradadas ao nível da besta.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A Escola de Frankfurt não quer uma revolução sangrenta </span><em><span class="tm11">ab aextrinseco </span></em><span class="tm9">[desde fora], mas uma degeneração sangrenta e “suave” </span><em><span class="tm11">ab intrínseco </span></em><span class="tm9">[desde dentro]. Assim também é o modernismo no campo religioso. Ela não está mais satisfeita apenas com a “hegemonia cultural” </span><em><span class="tm11">social </span></em><span class="tm9">gramsciana, mas quer a desintegração total e a perversão do de cada homem por meio do eros, drogas, música rock, moda e revistas de variedades e celebridades. De certa forma, ela é mais cruel do que o Gulag, porque o Gulag tira a liberdade física, enquanto a Escola de Frankfurt também destrói a liberdade interior, a qual torna o sujeito verdadeiramente humano, ou seja, inteligente e livre para aderir à verdade e fazer o bem.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Essa escola filosófica, embora seja esquerdista, tem um forte valor </span><em><span class="tm11">elitista radical-chique</span></em><span class="tm9">. Na verdade, são os intelectuais (marionetistas) que fazem com que os alunos (marionetes) façam a confusão, o pandemônio, o tumulto ou a revolução. A </span><em><span class="tm11">inteligentsia</span></em><span class="tm9"> (o filósofo e o psicanalista) é a bruxa, que pode desencadear as paixões mais baixas do homem e voltá-las contra o próprio homem (</span><em><span class="tm11">revolutio in interiore homine</span></em><span class="tm9">), que é odiado, levianamente, como uma criatura de Deus. Parafraseando Pio XII, se Lutero disse: “Cristo sim, Igreja não”, Robespierre: “Deus sim, Cristo não” e Marx: “Deus não”, a revolução cultural diz: “homem (criado à imagem de Deus) e até mesmo o ser e a realidade não”.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">O principal adversário a ser derrubado era, antes de tudo, a velha Europa (década de 1930), que ainda mantinha parcialmente os vestígios da metafísica grega (Platão e Aristóteles), da ética e do direito romano (Sêneca e Cícero), da patrística (Santo Agostinho), escolástica (Santo Tomás) do direito canônico (São Gregório VII &#8211; Bonifácio VIII), e que naqueles anos estava tomando um caminho considerado perigoso na luta contra a Revolução, pois colocaria em oposição a si tanto o bolchevismo no Oriente quanto o supercapitalismo no Ocidente. Foi lá, na terra do supercapitalismo, que a Escola de Frankfurt se refugiou de 1933 a 1950 para combater o velho continente que ainda estava muito ancorado em valores metafísicos e éticos. A Europa tinha de ser destruída ou depravada. A Segunda Guerra Mundial a semi-destruiu militarmente e a Escola de Frankfurt a depravou espiritualmente.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Entre outros assuntos, a </span><strong><em><span class="tm12">música</span></em></strong><span class="tm9"> foi estudada por Adorno como um meio de subverter e “des-integrar” o homem, uma vez que, antes de Adão pecar, o dom da “integridade” tornava o homem perfeitamente senhor de seus instintos, enquanto a psicanálise o escraviza a eles, exacerbando a tendência ao mal deixada em nós pelo pecado original. Ao remover a harmonia e introduzir apenas o ritmo obsessivo, a música é um excelente instrumento de depravação mental e moral, pois libera as paixões do apetite concupiscível em detrimento do irascível (música marcial) e da racionalidade (música harmônica, gregoriana e clássica). A partir dos EUA, Marcuse lançou uma campanha ideológica de distribuição em massa de músicas e canções sensuais, rítmicas e sincopadas, por meio das quais o homem, tendo se tornado interiormente escravo de suas fantasias e ritmos obsessivos, perdeu sua liberdade psicológica.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Outro meio de subversão foi a </span><strong><em><span class="tm12">droga</span></em></strong><span class="tm9">, concebida como um instrumento de revolução “psicodélica” (= o movimento de um pensamento e reação ocultos por meio de alucinógenos). Um slogan de 1968 era: Imaginação no poder, onde a imaginação significava alucinação ou devaneio por meio do uso de drogas. Tudo isso implica uma rejeição radical da realidade, pois ela é o efeito criado e finito que nos leva de volta à Causa primeira, incausada e infinita. Com 68 e depois de 68, a única anormalidade é a norma ou regra, a única desordem é a ordem, a única certeza é a dúvida. As drogas também são um trampolim para ir além do real, para se “satisfazer”, para voar em direção ao sol como Ícaro (exceto para acabar como ele).</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A </span><strong><em><span class="tm12">mistura de povos e grupos étnicos</span></em></strong><span class="tm9"> (“babelização”) foi concebida como um “pé de cabra” para romper a ordem da civilização europeia, que se baseia na lógica aristotélica e no princípio da identidade e da não-contradição. Os “frankfurtianos” confrontaram isso com a “cultura” afro-americana do extremo ocidente, que substitui o raciocínio dedutivo por uma intuição instintiva pré-tensionada, auxiliada por alucinógenos “biologicamente puros”, típica dos aborígenes e das “culturas” tribais. O lema de um deles (Allen Ginsberg, +1977) era: “as drogas enegrecem o homem branco”. O único método a ser seguido era a “instintivação total”: “a realidade é uma prisão e a chave [para sair] é a loucura”.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">“Frankfurt” também entendeu que não se deveria usar livros (muito longos e difíceis para as massas), e nem mesmo artigos e panfletos, mas deveria “deseducar” por meio da música, imagens (TV e revistas de variedades, celebridades e pornográficas) e também pela cibernética.</span></p>
<p class="Normal tm13" style="text-align: center;"><span class="tm9" style="color: #000000;">***</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Em tudo isso, parece-me que é possível discernir uma semelhança entre o renascimento cultural e o modernismo.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">De fato, São Pio X escreveu em sua encíclica </span><em><span class="tm11">Pascendi</span></em><span class="tm9"> (1907) que o modernismo quer transformar a Igreja e sua doutrina a partir de dentro, não mais à maneira dos hereges e dos cientistas, que, deixando a Igreja, a combatiam aberta e amargamente a partir de fora, mas permanecendo bem escondidos dentro dela e ocupando seus lugares-chave, a fim de demoli-la </span><em><span class="tm11">ab intrinseco</span></em><span class="tm9"> de maneira pantanosa e aveludada.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O plano modernista, esmagado pelo Papa Sarto, ressurgiu na década de 1940 e foi condenado por Pio XII na encíclica </span><em><span class="tm11">Humani generis</span></em><span class="tm9"> (1950) como neomodernismo ou </span><em><span class="tm11">nouvelle théologie</span></em><span class="tm9">. Infelizmente, com a morte do Papa Pacelli (1958), o neomodernismo recuperou o vigor e, lentamente, com o Concílio Vaticano II, conseguiu revolucionar até mesmo os membros da igreja até o topo. Assim, no ambiente católico, depois de quarenta anos de pós-modernismo ou niilismo teológico, encontramos efeitos semelhantes aos que vimos, </span><em><span class="tm11">mutatis mutandis</span></em><span class="tm9">, no ambiente civil: feminismo eclesiológico, revolta contra a autoridade dos pastores, evolucionismo dogmático, modas indecentes, a-moralismo subjetivo ou situacional, subjetivismo na arte sacra e na música.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A questão da moda pode parecer de pouca importância (e pareceu ser para os Padres do Concílio), mas ajudou muito na perversão da mentalidade e dos costumes. Stan Cohen, na revista de história </span><em><span class="tm11">“Novecento”</span></em><span class="tm9"> (março de 2003, nº 5), escreveu: “Os anos 60 espalharam o pânico moral. Na Itália, experimentou-se um medo coletivo: o descompromisso, os ideais fracos e a ausência de valores sólidos geraram apatia e produziram uma geração mole, superficial e arrogante. Nas escolas, a recusa em educar se espalhou; nas famílias, os pais desistiram da paternidade para se tornarem amigos de seus filhos. No vestuário, a moda americana produziu um novo estilo de vida que mudou a moral e o mundo: a minissaia, calças femininas justas, homens com cabelos compridos. Foi introduzido um estilo de vida agitado, um estilo errante”. O jornal </span><em><span class="tm11">La Stampa</span></em><span class="tm9">, de Turim (29 de junho de 1965), deu a manchete:</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">“Verão de 1965, os Beatles na Itália. Histeria coletiva” e continuou: “Estamos testemunhando a degeneração do comportamento dos jovens, eles parecem um monte de autômatos, semelhantes a epilépticos ou possessos”.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O efeito da </span><strong><em><span class="tm12">música rock</span></em></strong><span class="tm9"> foi liberar os jovens de todas as “inibições”, ou melhor, do senso de modéstia, para cortar os laços com suas famílias e viver como pessoas desenraizadas. A música pop foi vivenciada como um protesto contra a geração anterior: os pais. Suas palavras ridicularizam a autoridade, a Igreja, a moralidade, o professor, o marido e a tradição. A única vergonha é a vergonha. O gênero rock (derivado do </span><em><span class="tm11">boogie-woogie</span></em><span class="tm9">, trazido pelos “libertadores” americanos para a Europa em 1945) baseia-se em premissas afro-americanas, extraídas de antigos costumes tribais, para liberar as inibições, ou melhor, o autodomínio. Muitos conjuntos musicais (Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd) têm sido aríetes para animalizar o homem europeu, onde o darwinismo ocorreu, mas ao contrário: do homem nasceu o “macaco”.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">No que diz respeito às </span><strong><em><span class="tm12">revistas de variedades, celebridades e novelas</span></em></strong><span class="tm9">, “Novecento” (maio de 2004, n. 19) as coloca na origem da cultura de massa libertária e libertina e do feminismo, que rebaixou a mulher e a degradou do posto de </span><em><span class="tm11">“domina, mater et mulier”</span></em><span class="tm9"> para o de fêmea como puro objeto de concupiscência. Além disso, na década de 1970, a psicanálise, de um fenômeno elitista, tornou-se “terapia de grupo” e foi exportada para as massas, entrando nas famílias, escolas, seminários e conventos. Freud venceu.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O </span><strong><em><span class="tm12">Concílio Vaticano II</span></em></strong><span class="tm9"> apresentou uma virada libertária no ambiente eclesial, com a liberdade religiosa decorrente da dignidade absoluta da pessoa humana (</span><em><span class="tm11">“Dignitatis humanae”</span></em><span class="tm9">), teoricamente fundamentada na </span><em><span class="tm11">“Gaudium et spes”</span></em><span class="tm9"> n. 22: “Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem.”, com a colegialidade (</span><em><span class="tm11">“Lumen Gentium”</span></em><span class="tm9">), que revolucionou a constituição monárquica da Igreja, como Cristo a fundou, dando um sentido igualitário entre o papa e o corpo de bispos, e com o falso ecumenismo que faria da Igreja uma irmandade universal de todas as religiões, especialmente as monoteístas (</span><em><span class="tm11">“Nostra Aetate”</span></em><span class="tm9"> e </span><em><span class="tm11">“Unitatis Redintegratio”</span></em><span class="tm9">).</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A </span><strong><em><u><span class="tm12">conclusão</span></u></em></strong><span class="tm9"> me parece ser a seguinte: a década de 1960 deu início à revolução total, primeiro social (cultural e religiosa), depois </span><em><span class="tm11">in interiore homine</span></em><span class="tm9">. A revolução filosófica-social começou com a Escola de Frankfurt, que liberou o instinto contra a razão, a animalidade contra a racionalidade e, assim, destruiu o livre-arbítrio. O livre-arbítrio religioso começou com o Vaticano II e, partindo de uma espécie de pan-cristianismo teilhardiano, chegou ao ponto de conceder o direito de liberdade, no foro externo e público, a opiniões falsas, mesmo em questões religiosas, e introduziu o liberalismo no mundo católico, que a Igreja sempre condenou desde o início, de Gregório XVI a Pio XII.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">2. O estruturalismo francês</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">A revolução cultural-acadêmica na França se autodenominou Estruturalismo. Seus principais representantes são: Jean Paul Sartre (1905-1980), Claude Levy-Strauss, (1908-2009) Jacques Lacan (1901-1981) e Louis Althusser (1918-1990).</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O estruturalismo é caracterizado por: 1) a massificação da pessoa humana, que deixa de ser um indivíduo e se perde na coletividade; 2) o “pensamento selvagem” (Claude Levy-Strauss, </span><em><span class="tm11">“O pensamento selvagem”</span></em><span class="tm9">, 1964), que aborda apenas o concreto ou perceptível e rebaixa o intelecto humano ao nível da sensibilidade animal. A razão, deificada e supervalorizada pela Revolução Francesa (Iluminismo racionalista) ou “modernidade” (de Descartes a Hegel), é desvalorizada pela revolução estruturalista-francófona (ou “pós-modernidade”) e reduzida a uma forma de sensualismo, combinada com sentimentalismo e niilismo (início do século XX: Nietzsche e Freud), que atingiu seu apogeu com a Escola de Frankfurt e a Escola Estruturalista, especialmente com o maio de 1968 ou a eclosão da revolução cultural.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Esse último estágio da revolução tinha a tarefa de destruir o conhecimento racional, a moralidade e até mesmo a própria existência do indivíduo (levado até mesmo ao suicídio pelo existencialismo niilista de Sartre). Os meios utilizados foram o sensismo filosófico inglês do século XVIII, retomado e atualizado, a magia ou o esoterismo do Extremo Oriente</span><strong><span class="tm7">[10]</span></strong><span class="tm9"> como uma forma de conhecimento suprarracional ou a-racional, a moda e a música “pop” (que desencadeiam paixões sensíveis em detrimento do conhecimento racional e da vontade). O estruturalismo é caracterizado por seu ódio a tudo o que é racional, dedutivo, sistemático, lógico ou metafísico (conhecimento da substância inteligível das coisas sensíveis) em favor da vagabundagem da imaginação e da fantasia, da sensibilidade e do sentimentalismo. É a radicalização do ceticismo empirista ou sensista contra a metafísica clássica e tomista.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Teoconservadorismo ou liberalismo católico</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">a) Raízes remotas do teoconservadorismo europeu e italiano (empirismo)</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O atual neoconservadorismo norte-americano, que encontrou asilo na Itália entre os “ateus-devotos” ou “teoconservadores” (Marcello Pera, Giuliano Ferrara, Oriana Fallaci) e que parece ter encontrado um ponto de apoio em Bento XVI, é uma conclusão revisada, corrigida e atualizada do estruturalismo francês e do “frankfurtianismo” germânico-estadunidense. Para nós, isso parece o clássico dar “um passo para trás para dar dois para frente”. A subversão, com efeito, faz uso de certas metamorfoses ou mudanças aparentemente profundas, mas que deixam o pandemônio inalterado na realidade, e faz também uso de certos recuos táticos ou estratégicos para retomar a corrida com um movimento uniformemente acelerado. O teoconservadorismo é uma dessas metamorfoses ou recuos estratégicos para exportar a agitação e o tumulto ao redor do mundo [</span><em><span class="tm11">nota do blog: o conservadorismo no Brasil também</span></em><span class="tm9">]. Com efeito, como é possível conciliar a </span><em><u><span class="tm11">metafísica</span></u></em> <em><span class="tm11">grega</span></em><span class="tm9"> e a </span><em><u><span class="tm11">dogmática</span></u><span class="tm9"> católico-romana</span></em><span class="tm9"> com o </span><em><u><span class="tm11">estruturalismo</span></u></em><span class="tm9">, que é a conclusão lógica do empirismo e do sensismo inglês do século XVIII, tal como conciliou o neoconservadorismo americano? A metafísica aristotélico-tomista afirma a capacidade da razão humana de conhecer a essência das coisas com certeza, e a teologia dogmática romana eleva a metafísica à serva da Fé; o empirismo sensista, porém, nega tanto a possibilidade da metafísica quanto a definição de Fé como adesão intelectual a verdades objetivas reveladas por Deus e propostas para crença pela Igreja.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O liberalismo tem sua raiz na concupiscência, que rompe a relação intelecto-vontade-sensível e dá ao sensível predominância sobre a vontade e a inteligência. O liberalismo, com sua falsa noção de liberdade como um fim e não como um meio, vira a alma do homem de cabeça para baixo, inverte-a e subverte-a de modo que o homem, a fim de obter uma liberdade ilusória, torna-se escravo das paixões ou das tendências desordenadas (tal como o viciado o é das drogas). Além disso, o objetivo final do liberalismo é o mesmo do social-comunismo: a anarquia, onde reina a liberdade absoluta de fazer o que quiser. O ódio pela lei objetiva e por qualquer liberdade torna o liberalismo e o neoconservadorismo semelhantes ao marxismo, tanto que a maioria dos neocons americanos e dos conservadores italianos são intelectuais trotskistas que apenas mudaram de tática ou de marcha (“lenta”)</span><strong><span class="tm7">[11]</span></strong><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Dessa impossibilidade de conciliação teórica decorre a impossibilidade de conciliação </span><em><span class="tm11">política </span></em><span class="tm9">entre o </span><em><span class="tm11">liberalismo</span></em><span class="tm9"> (que faz da liberdade um absoluto ou um fim) e a doutrina </span><em><span class="tm11">política católica</span></em><span class="tm9"> (para a qual a liberdade é um meio que é bom se nos ajuda a alcançar o Fim, caso contrário é perverso). O Magistério tem condenado consistentemente o liberalismo católico, bem como o socialismo católico.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Do ponto de vista </span><em><span class="tm11">econômico</span></em><span class="tm9">, o liberalismo, como conclusão do liberalismo político, não se encaixa bem na doutrina social da Igreja: para o liberalismo, a economia é a arte de ficar cada vez mais rico, ao passo que, para a doutrina católica, a economia é a virtude da “prudência familiar”, que ajuda a escolher os melhores meios para manter o fogo doméstico aceso. A riqueza não é o fim, mas um meio, que pode ser bom ou ruim, dependendo de como é usada. Com efeito, se alguém faz da riqueza um fim, há uma desordem e, portanto, a natureza crematística (Aristóteles) ou negocial (Santo Tomás) da liberdade é objetivamente um pecado mortal de idolatria a Mamon ou ao “bezerro de ouro”.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm11">Sensismo pragmático</span></em><span class="tm9"> e liberalismo são os pilares da cultura americanista. É claro que nem todo americano é americanista, mas aqueles que governam a América do Norte o são. Ora, parece que os teocons italianos querem casar o americanismo com o catolicismo romano (</span><em><span class="tm11">quod repugnat</span></em><span class="tm9">). Também não se deve esquecer que as </span><em><span class="tm11">raízes americanas</span></em><span class="tm9"> são o puritanismo calvinista, o judaísmo talmúdico e a maçonaria britânica; enquanto as </span><em><span class="tm11">raízes europeias</span></em><span class="tm9"> são a metafísica grega (Sócrates, Platão e Aristóteles), o direito romano ou a filosofia natural (Cícero e Sêneca), elevados sobrenaturalmente pela Patrística, pela Escolástica e pelo Direito Canônico (especialmente de São Gregório VII a Bonifácio VIII). Ora, essas raízes são diametralmente antitéticas. Por isso, essa dita conciliação é absolutamente impossível.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">b) Raízes próximas do teoconservadorismo italiano (Burke e Kirk)</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Portanto, não parece que a alternativa para o perigo da modernidade, do gramscismo e do niilismo seja a “Revolução Conservadora” anglo-americana teorizada por Edmund Burke (1729-1797) e Russell Kirk (1918-1994), como Marco Respinti</span><strong><span class="tm7">[12]</span></strong><span class="tm9"> quer que seja. De fato, Edmund Burke, seguido por Russel Kirk, acreditava que a Revolução Francesa (</span><em><span class="tm11">progressista</span></em><span class="tm9">) era essencialmente diferente da Segunda Revolução Inglesa (1688) e da Revolução Americana (ou Guerra da Independência 1776-1783), que eram tradicionais e </span><em><span class="tm11">conservadoras</span></em><span class="tm9">. De acordo com essa linha de pensamento, os EUA dariam continuidade à herança clássica (greco-romana) e cristã-medieval</span><strong><span class="tm7">[13]</span></strong><span class="tm9">. A América seria, portanto, a atualização do cristianismo europeu e representaria uma espécie de pré-modernidade ou pré-iluminismo, na medida em que não seria conscientemente iluminista</span><strong><span class="tm7">[14]</span></strong><span class="tm9">. Essa corrente de pensamento (Movimento Conservador Americano, de matriz kirkeana) veio à tona em 1980 com o governo Ronald Reagan, especialmente em sua ala “neocon” e neoliberal</span><strong><span class="tm7">[15]</span></strong><span class="tm9">, representada por George Bush pai e George W. Bush (filho). Russell Kirk, de acordo com Respinti, “nos oferece a imagem de uma América que defende os valores da tradição clássica e cristã, de acordo com os verdadeiros princípios defendidos pelos Pais Fundadores de sua nação” (que, no entanto, acrescentamos, eram calvinistas, antianglicanos e ferozmente anticatólicos, com fortes tendências antitrinitárias, mais próximos do judaísmo talmúdico do que do Evangelho; e, reforçamos, há apenas uma Igreja fundada por Cristo, que é a Igreja Católica, Apostólica e Romana)</span><strong><span class="tm7">[16]</span></strong><span class="tm9">. Outro discípulo cultural de Burke, Friedrich von Hayek, distingue claramente o bom liberalismo anglo-americano, por ser </span><em><span class="tm11">conservador</span></em><span class="tm9">, do liberalismo europeu, que é ruim por ser </span><em><span class="tm11">progressista</span></em><span class="tm9"> e racionalista. Outros pensadores que são discípulos espirituais de Burke e “confrades” de Kirk são Karl Raimund Popper e Michael Novak. O próprio Kirk explica que a Revolução Francesa foi uma revolução total, enquanto as revoluções inglesa e americana foram defensivas, e não agressivas; de fato, elas impediram a eclosão de revoluções mais sangrentas e radicais exatamente porque eram essencialmente conservadoras. Kirk (na ocasião de três conferências realizadas na Itália em 1989, e reproduzidas no livreto editado por Marco Respinti) define a Guerra de Independência Americana como uma “Revolução impedida” ou “não feita”, pois defendeu os direitos costumeiros (ou “tradições”) da gloriosa Revolução Inglesa de 1688 e impediu o surgimento de um radicalismo revolucionário semelhante ao francês</span><strong><span class="tm7">[17]</span></strong><span class="tm9">. Kirk afirma efetivamente que, enquanto a Revolução Francesa foi feita em ódio ao cristianismo, a Revolução Americana foi feita em um espírito de “forte apego&#8230; às igrejas cristãs e aos princípios morais” (mas certamente não ao papado, visto como o anticristo pelos colonos americanos, e nem à única Igreja de Cristo, fundada em Pedro, n.d.a.)</span><strong><span class="tm7">[18]</span></strong><span class="tm9">. Com efeito, continua Kirk, “na América, nenhum golpe foi infligido contra a fé cristã. Dos homens que assinaram a Declaração de Independência, a grande maioria era de cristãos praticantes de uma denominação ou outra” (ou seja, muitos calvinistas, alguns anglicanos e&#8230; nenhum católico, n.d.a.)</span><strong><span class="tm7">[19]</span></strong><span class="tm9">. O católico Kirk exalta “o calvinismo rígido de Jonathan Edwards”</span><strong><span class="tm7">[20]</span></strong><span class="tm9">, um ministro congregacionista de Massachusetts, que defendeu a doutrina calvinista rigorosa do pecado original e da fé-confiança, por isso “ensinava a perversidade da natureza humana”</span><strong><span class="tm7">[21]</span></strong><span class="tm9">. Por fim, os colonos americanos são defendidos por Burke e depois por Kirk porque “alegaram resistir às perigosas inovações do rei George III da Inglaterra”</span><strong><span class="tm7">[22]</span></strong><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Conclusão</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A partir das décadas de 1920-1930, testemunhamos a escalada exasperada da subversão. Com efeito, primeiro houve uma revolução que se propôs a entrar gentil ou demagogicamente na sociedade civil-cultural para nos “convencer”</span><strong><span class="tm7">[23]</span></strong><span class="tm9"> da bondade do materialismo dialético marxista (Antonio Gramsci). Em seguida, houve uma revolução que buscou reconciliar o cristianismo com o marxismo, esvaziando-o primeiro de seu dogma e depois tornando-o pura práxis, graças ao diálogo (Ernst Bloch), e isso foi totalmente acolhido pelo Vaticano II. Então houve uma degeneração extrema ou desordem niilista, que não se contentava mais em dissolver apenas a sociedade civil, a família e a religião, mas queria destruir ou desintegrar o próprio homem (a “marcha veloz” da subversão) precisamente naquilo que o torna homem (intelecto e livre-arbítrio) por meio das drogas, álcool, psicanálise pansexualista, sensismo e brutalização da pessoa humana: Escola de Frankfurt (1920-70) e Estruturalismo Francês (1940-70). Então, na década de 1980, diante de tanta decadência produzida por “</span><em><span class="tm11">Baco </span></em><span class="tm9">[álcool], </span><em><span class="tm11">tabaco</span></em><span class="tm9"> [drogas] e </span><em><span class="tm11">Vênus</span></em><span class="tm9"> [pansexualismo freudiano]”, que “reduzem o homem a cinzas”, como diz o ditado, nos EUA buscou-se um remédio no neoconservadorismo católico-liberal ou na “revolução conservadora”, que, no entanto, </span><u><span class="tm9">não cura nem a sociedade civil e religiosa e nem o indivíduo, sendo um substituto ou metamorfose da revolução comunista e niilista e não seu antídoto</span></u><span class="tm9">. Mas a subversão também usa suas metamorfoses para fazer recuos estratégicos quando percebe que foi longe demais e provocou meias reações, a fim de retomar a corrida assim que o perigo tiver passado. Em suma, a “revolução conservadora”, sendo uma semi-revolução, não pode nem mesmo ser potencialmente antirrevolucionária, mas é apenas uma espécie de analgésico e não uma desintoxicação. Assim como não se pode curar um viciado com analgésico ou uma droga leve, também não se pode curar o comunista ou o socialista-católico e o “niilista aniquilado” com o liberalismo, que é pai do socialismo e avô do niilismo. O semi-contrarrevolucionário também é o filho (embora um pouco preguiçoso) da Revolução. Portanto, o neoconservadorismo americano e o teoconservadorismo europeu, e especificamente o italiano, são apenas uma falsa alternativa ao comunismo e ao niilismo, uma desaceleração da subversão (a “marcha lenta”) para recuperar o ímpeto.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">A maléfica ideia de esconder a reação à subversão adoçando-a, diluindo-a, tornando-a simpática, não exagerando a degeneração, é o empobrecimento final do potencial antirrevolucionário, anulando a força de sua reatividade e entregando as armas sem lutar. Aderir ao sistema revolucionário em voga do neoconservadorismo (simetricamente semelhante e oposto ao gramscianismo) para combater o sistema radical (comunismo e niilismo) significa pular do quinto andar para não cair do sexto, iludindo-se com a ideia de que pode se safar. O verdadeiro remédio é o retorno à verdade integral, à realidade, ao ser e, finalmente, a Deus; não é um meio-veneno, que mata do mesmo jeito, embora menos rápido. O processo revolucionário não é imparável. Com a graça de Deus e a boa vontade ou o livre-arbítrio, tudo é possível.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">O paroxismo da Revolução (comunismo igualitário e destrutivo e niilismo) está virtual e totalmente contido em suas causas (liberalismo naturalista e sensista, que está basicamente em contato com o vírus da subversão e, portanto, incapaz de ser anti-subversivo). Ora, é bem sabido que a “marcha rápida” da revolução (niilismo), mesmo que não seja acompanhada de feitos, atrai a atenção e desperta admiração secreta junto à revolução lenta ou conservadora (teocoservadorismo), composta de “puritanos”, moderados e medíocres.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Portanto, é necessário adotar uma atitude diametralmente oposta à subversão aguda ou moderada; uma atitude composta de firmeza inabalável e não de compromisso, acomodação ou entrismo: em suma, uma conversão que se opõe completamente à Revolução, seja ela lenta ou rápida. É claro que o neoconservadorismo não pode fazer nada disso. Se um rebanho fosse atacado por uma matilha de lobos vorazes, disfarçados de ovelhas, e o pastor afugentasse as vespas ou as abelhas, mas deixasse os lobos intactos, ele seria um mau pastor. Hoje, é necessário, teologicamente, esmagar os adversários </span><em><span class="tm11">maiores</span></em><span class="tm9"> da Igreja e não se contentar em expulsar apenas os inimigos </span><em><span class="tm11">menores</span></em><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Dominicus</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span class="tm7">*Nota de Dominus Est</span></strong></span><span class="tm9">:</span><span class="tm9"> Este texto é uma continuação natural de outro publicado aqui, intitulado </span><span style="color: #0000ff;"><strong><u><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/neoconservadorismo-uma-ideologia-ateu-revolucionaria-capaz-de-seduzir-os-catolicos/"><span class="tm7">(NEO)CONSERVADORISMO – UMA IDEOLOGIA ATEU-REVOLUCIONÁRIA CAPAZ DE SEDUZIR OS CATÓLICOS</span></a></u></strong></span><span class="tm9">. O tema ganhou novo vigor, principalmente após a ascensão de Trump e Bannon nos EUA e Bolsonaro no Brasil. Políticos conservadores têm levado muitos católicos ao engano, por vagamente parecerem que defendem algo de bom. Mas a aparência de bem proporciona que enganos muito maiores sejam perpetrados.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Notas</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">1. </span></strong><span class="tm9">Cf. R. Garrigou-Lagrange, </span><em><span class="tm11">L’éternelle vie et la profondeur de l’ame, </span></em><span class="tm9">Parigi, 1950.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">2.</span></strong><span class="tm9"> Augusto Del Noce, </span><em><span class="tm11">L’ eurocomunismo e l’Italia</span></em><span class="tm9">, Europa Informazioni, Roma, 1976. A. Del Noce, </span><em><span class="tm11">Carlo Marx: Scritti giovanili</span></em><span class="tm9">, Japadre, L’Aquila, 1975. Para a compilação da segunda parte deste capítulo, utilizei principalmente os escritos de Del Noce </span><em><span class="tm11">Eurocomunismo, Alleanza Cattolica. Croce di Torino</span></em><span class="tm9">, 1978, publicação própria. Cf. também: Gramsci, Togliatti, Longo, Berlinguer, </span><em><span class="tm11">Il compromesso storico</span></em><span class="tm9">, Newton Compton Editori, Roma, 1975. T. Molnar, J. M. Domenach, A. Del Noce, </span><em><span class="tm11">Il vicolo cieco della sinistra</span></em><span class="tm9">, Rusconi, Milano, 1970. </span><span class="tm9">A. Del Noce, </span><em><span class="tm11">L’eurocomunismo e l’Italia</span></em><span class="tm9">, Europa Informazioni, Roma, 1976.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O autor que melhor estudou o fenômeno do eurocomunismo foi Augusto Del Noce, que, embora tenha partido de posições católico-comunistas, compreendeu sua malícia intrínseca e explicou sua natureza com brilhante perspicácia. O que considero criticável na estrutura delnociana é seu filo-ontologismo. De fato, Del Noce distingue duas linhas da filosofia moderna: a primeira (verdadeira e positiva) seria a modernidade cristã ou ontológica, a segunda (falsa e negativa) é a modernidade imanentista. Descartes, de acordo com ele, é suscetível a duas leituras, uma racionalista e subjetivista; a outra, ontologista. Entretanto, supondo que seja esse o caso, resta saber se o ontologismo é essencialmente diferente do subjetivismo e se pode ser lido de acordo com a sã filosofia do realismo do conhecimento e da primazia do ser. Essa segunda leitura me parece impossível. Deve-se dizer também que o encontro com Etienne Gilson orientou Del Noce em direção a Santo Tomás. No entanto, ainda é verdade que a linguagem e o vocabulário de Del Noce não são escolásticos. Com efeito<a id="aGoBack" style="color: #000000;"></a>, ele é mais um historiador crítico da filosofia moderna e pós-moderna e um filósofo da história do que um estudioso especulativo-sistemático. Ele ainda tem simpatias por Pascal, Malebranche e Rosmini, interpretados à luz do tomismo (</span><em><span class="tm11">quod repugnat</span></em><span class="tm9">), mesmo que não se possa negar que ele entendeu e refutou a essência da filosofia moderna e pós-moderna com grande penetração e lucidez crítica. Del Noce mostra como o resultado necessário da modernidade e do marxismo é o niilismo, ou seja, a dissolução de ambos em seu oposto (</span><em><span class="tm11">Il suicidio della rivoluzione</span></em><span class="tm9">, Milão, Rusconi, 1978). Ele previu com lucidez o resultado hedonista e narcisista de nossa era.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">3.</span></strong><em><span class="tm11"> Ibidem</span></em><span class="tm9">, p. 9.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">4.</span></strong><span class="tm9"> A. Gramsci, </span><em><span class="tm11">Quaderni dal carcere</span></em><span class="tm9">, 4°. vol., Einaudi, Torino, 1975, pp. 2010-2011.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">5.</span></strong> <em><span class="tm11">Eurocomunismo. </span></em><span class="tm9">“Alleanza Cattolica”, cit., pag. 10.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">6.</span></strong><span class="tm9"> Cf. A. Gramsci, </span><em><span class="tm11">op.cit.</span></em><span class="tm9">, p. 811.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">7.</span></strong><span class="tm9"> E. Berlinguer, </span><em><span class="tm11">La questione comunista</span></em><span class="tm9">, ed. Riuniti, Roma, 1975, vol. 2°, p. 655.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">8.</span></strong><span class="tm9"> A. Gramsci, </span><em><span class="tm11">Scritti politici</span></em><span class="tm9">, ed. Riuniti, Roma, 1973, vol. 2°, p. 42-46.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">9. </span></strong><em><span class="tm11">Eurocomunismo. </span><span class="tm9">“Alleanza Cattolica”</span></em><span class="tm9">. Cit. pag. 7</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">10.</span></strong><span class="tm9"> O </span><em><span class="tm11">esoterismo</span></em><span class="tm9"> ou </span><em><span class="tm11">ocultismo</span></em><span class="tm9">, pressupondo o panteísmo e o imanentismo, é o mais revolucionário, pois busca tornar Deus e o homem iguais, ou até mesmo matar Deus para que o homem possa tomar seu lugar. O </span><em><span class="tm11">ecumenismo</span></em><span class="tm9"> modernista é uma consequência desse pandemônio metafísico teológico, de sua derrubada ou inversão, pois trata todas as religiões igualmente, negando — pelo menos na prática — o princípio da não-contradição. Etimologicamente, esoterismo vem de </span><em><span class="tm11">“eisoteio”</span></em><span class="tm9">: estar oculto, enquanto verdade vem de </span><em><span class="tm11">“aleteia”</span></em><span class="tm9">, aquilo que é visto e não está oculto. Portanto, por definição, o esoterismo é uma falsidade que se choca com a evidência de princípios conhecidos ou imediatamente óbvios. A globalização ou o mundialismo, que busca fundir todas as raças, povos, nações e estados em uma única república universal, é igualmente subversiva, confusa ou revolucionária.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">11. </span></strong><span class="tm9">Essa “revolução lenta” é conatural a um certo “falso tradicionalismo”, que tem apego às aparências puras ou às formas externas antigas, sem nenhum amor pela doutrina que deveria sustentá-las, e Pio XII o chamou de “arqueologismo insano”. Não é coincidência que os conservadores católicos italianos lutem pela missa tradicional, até mesmo com rendas e barrete, </span><em><span class="tm11">sed nec plus ultra</span></em><span class="tm9">! O perigo atual para aqueles que estão ligados, ao contrário, à substância da Tradição dogmático-moral e litúrgica da Igreja é o de aceitar a coexistência do modernismo e da Tradição, permanecendo imóveis e tranquilos, com medo de condenar o que for falso na ideologia dominante ou no “teologicamente (ou politicamente) correto”, contentes com a coexistência do verdadeiro e do falso, do bem e do mal, para não serem tachados de “profetas da desgraça”. Então, alguém se apresenta como um “tradicionalista com rosto humano”, inicia a “teologia da mão estendida” ou da “distensão” e acaba como Eva, que, por querer “dialogar” e estender a mão à serpente infernal, acabou arruinando Adão e todos os seus filhos. Cuidado: se a revolução pode se calar covarde e fraudulentamente, o catolicismo não pode. Certamente pode e deve matizar expressões, distinguir, agir gradualmente, mas nunca mentir e esconder a verdade, se ela for questionada. São Pio X escreveu: “Não é justo e nem decente simular, cobrindo a profissão pública do catolicismo com uma bandeira equívoca” (Carta ao presidente da União econômico-social da Itália, 22 de novembro de 1909).</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">12. </span></strong><span class="tm9">M. Respinti, </span><em><span class="tm11">Russel Kirk. Stati Uniti e Francia: due Rivoluzioni a confronto</span></em><span class="tm9">, Bergamo, Edizioni Centro Grafico Stampa, 1995.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">&#8211; Edmund Burke:</span></strong><span class="tm9"> nasceu em Dublin em 12 de janeiro de 1729. Ele era anglicano como seu pai, enquanto sua mãe era católica. Como político, pertencia à corrente Whig do liberalismo inglês, “nutrida pela tradição lockeana”. Em 1790, ele argumentou sobre a diferença abismal entre as Revoluções Francesa e Inglesa: “a de 1688 [foi] tão justificada e tão legitimada [&#8230;], seguindo as linhas das liberdades inglesas e do protestantismo [tradicional anglicano-conservador], e a de 1789, efetivamente subversiva, abertamente iconoclasta e ateísta” (J. J. Chevalier, </span><em><span class="tm11">Storia del pensiero politico</span></em><span class="tm9">, vol. 3, Bolonha, Il Mulino, 1986, p. 61). Chevalier explica que Burke (</span><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 63) “era de fato um liberal, mas à maneira inglesa”, ou seja, moderado e conservador (</span><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">). Entretanto, sua doutrina política, embora criticasse corretamente a abstração do racionalismo iluminista francês, que depositava muita fé no raciocínio humano, era, por sua vez, devedora da filosofia inglesa empirista e sensista, que desvalorizava excessivamente as capacidades do intelecto humano, reduzindo-o ao puro conhecimento sensível. Essa concepção era devedora do pensamento protestante luterano clássico, que afirmava que a alma humana (sobretudo o intelecto e a vontade) era totalmente corrompida pelo pecado original e, portanto, incapaz de conhecer racionalmente a substância das coisas e de querer livremente. Portanto, embora a crítica de Burke à revolução de 1789 seja válida, seus princípios filosóficos não são compatíveis com a reta razão ou com a fé revelada. Chevalier explica que Burke tinha “horror à [&#8230;] metafísica; a implicação disso [&#8230;] era uma paixão pelo concreto” (</span><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">). Essa é uma filosofia sensista anti-metafísica, anti-platônica e anti-aristotélica-tomista, portanto, em contradição com o espírito greco-romano clássico e com a filosofia realista do ser, tanto patrística quanto escolástica. Portanto, Burke, especulativamente, representa a modernidade contra a metafísica, embora politicamente ele tenha criticado — como um bom e moderado liberal-conservador — os aspectos racionalistas, ateus e progressistas de 1789. Nada mais. Portanto, parece impossível tomá-lo como um modelo para a restauração da civilização clássica e medieval, que “não é mais algo a ser inventado, e nem é uma cidade nova a se construir nas nuvens. Ela já existia, ela existe, é a civilização cristã, é a cidade católica” (São Pio X). Leão XIII, quando lançou a luta cultural (</span><em><span class="tm11">Aeterni Patris</span></em><span class="tm9">) pela reconquista da sociedade secularizada, disse: </span><em><span class="tm11">“Ite ad Thomam”</span></em><span class="tm9">, e não nos direcionou à “gloriosa” Revolução de 1688, nem muito menos a Burke, que é a antítese </span><em><span class="tm11">— por defeito</span></em><span class="tm9"> — do tomismo, assim como o racionalismo francês é sua contradição </span><em><span class="tm11">por excesso</span></em><span class="tm9">. Se alguém quiser restaurar a civilização europeia e cristã, deve tomar o caminho certo, que nos leva ao destino e fica </span><em><span class="tm11">in medio et culmen</span></em><span class="tm9"> entre duas estradas falsas, o empirismo e o racionalismo, que não levam ao fim, uma vez que se desviam, um “muito pouco” e o outro “muito”, de modo que em ambos os casos não se é levado ao objetivo ou fim.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">&#8211; </span><strong><span class="tm7">Russel Kirk</span></strong><span class="tm9"> nasceu em 19 de outubro de 1918 nos Estados Unidos. Em 1964, superando o estoicismo ao qual havia aderido, converteu-se ao catolicismo. Ele é considerado o líder do Movimento Conservador Burkeano americano do pós-guerra. Em 1953, ele lançou a cruzada da “Revolução Conservadora” burkeana. Morreu em 29 de abril de 1994.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">13. </span></strong><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 4. Em vez disso, a história ensina que a primeira Revolução Inglesa terminou com o regicídio (em 1649) de Carlos I Stuart (anglicano e conservador), por Cromwell (puritano e progressista) e o Parlamento, que já naquela época se opunha ao rei e às liberdades ou tradições concedidas aos ingleses (desde a Idade Média) pela Magna Carta.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">14.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 5. Na realidade, o </span><em><span class="tm11">Iluminismo inglês</span></em><span class="tm9"> foi menos radical do que o Iluminismo francês, mas tem todas as características do pensamento moderno antimetafísico e anticatólico. Ele se difere do Iluminismo Racionalista Francês (erro por excesso, que exagera as capacidades da razão humana) pelo fato de ser empirista ou sensista, mas esse é o erro por defeito que menospreza as capacidades da alma humana e a rebaixa ao nível dos animais. Ora, “um erro não pode ser corrigido por outro erro”, mesmo que seja menos radical; “todo defeito é um excesso” e vice-versa. A filosofia empirista inglesa é antimetafísica e, portanto, contrária ao pensamento greco-romano clássico; além disso, é protestante (anglicana, embora nem sempre puritana) e, portanto, historicamente pós-medieval, e embora teologicamente seja tributária da verdadeira Igreja de Cristo fundada em Pedro e seus sucessores (os papas).</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">15. </span></strong><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 10</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">16. </span></strong><em><span class="tm11">Ibid.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">17.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, pp. 13-15. </span><span class="tm9">Ora, esses costumes foram defendidos já em 1649 (com a licença de Burke) pela primeira Revolução Inglesa de Cromwell, que terminou em regicídio. Portanto, a única diferença substancial entre as duas revoluções inglesas é que a primeira foi regicida e a segunda não.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">18.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid,</span></em><span class="tm9"> p. 15.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">19.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid,</span></em><span class="tm9"> p. 16.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">20.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid,</span></em><span class="tm9"> p. 17.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">21.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">. A doutrina católica é essencialmente diferente da de Edwards. Com efeito, o pecado original feriu o homem, mas não destruiu intrinsecamente sua natureza inteligente e livre, tal como ensinou Lutero, seguido e radicalizado por Calvino, segundo o qual o homem não é mais livre nem responsável por seus atos, portanto, ele também pode pecar, desde que mantenha a “confiança” de que é salvo sem mérito, o que para a Igreja Romana é um pecado contra o Espírito Santo ou impenitência final.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">22.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 18. Parece-me que o rei inglês George III estava – objetivamente – certo em não querer que os colonos americanos invadissem (e depois exterminassem, como aconteceu) os nativos americanos e tinha todo o direito de aumentar os impostos para equilibrar o déficit produzido pela guerra no Canadá contra a França. Além disso, o Parlamento inglês se voltou contra James II por ele ser católico e não por ser um inovador, de modo que a segunda revolução inglesa, embora não tão puritana ou calvinista quanto a primeira, foi certamente anglicana e anti-romana.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Cf. também R. Kirk, </span><em><span class="tm11">Le radici dell’ordine americano. La tradizione europea nei valori del Nuovo Mondo</span></em><span class="tm9">, organizado por M. Respinti, Milano, Mondadori, 1996. E. Burke, </span><em><span class="tm11">Riflessioni sulla Rivoluzione in Francia</span></em><span class="tm9">, organizado por M. Respinti, Roma, Ideazione, 1998. F. Von Hayek, </span><em><span class="tm11">Liberalismo</span></em><span class="tm9">, Roma, Ideazione, 1996. </span><em><span class="tm11">Idem</span></em><span class="tm9">, </span><em><span class="tm11">Perché sono un conservatore</span></em><span class="tm9">, Roma, Ideazione, 1997. K. R. Popper, </span><em><span class="tm11">La società aperta e i suoi nemici</span></em><span class="tm9">, 2 voll., Roma, Armando, 1977.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">23.</span></strong><span class="tm9"> Cf. Vladimir Volkoff, </span><em><span class="tm11">La désinformation arme de guerre</span></em><span class="tm9">, Paris, Julliard, 1986. </span><span class="tm9">O autor, que morreu em 2005, explica em que consiste a manipulação do pensamento das massas e dos indivíduos ou a desinformação. Com relação à hegemonia cultural de Gramsci, seria mais correto falar de </span><em><span class="tm11">fabricação da opinião pública, desinformação ou manipulação intelectual</span></em><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A </span><em><span class="tm11">desinformação</span></em><span class="tm9"> ou a </span><em><span class="tm11">manipulação da opinião</span></em><span class="tm9"> apresenta ideias falsas como se fossem boas e colocam no lugar de ideias que são realmente verdadeiras, mas que são apresentadas de modo a parecerem ruins. Trata-se de um </span><em><span class="tm11">condicionamento da mentalidade</span></em><span class="tm9"> de indivíduos, famílias, grupos e povos. A dita </span><em><span class="tm11">mass media </span></em><span class="tm9">e a mídia impressa são uma poderosa ferramenta de desinformação. Eles agora são em grande parte privados e não mais “nacionais” e dependem (além do Estado, que mantém alguma propriedade) principalmente de alguns “indivíduos privados”, que constituem um poder autônomo baseado na riqueza financeira que influencia a vida social, política e até mesmo religiosa. A desinformação (por exemplo, a hegemonia cultural gramsciana), portanto, primeiro intoxica uma pessoa ou um grupo com uma falsidade e depois influencia suas ações. Dessa forma, os espíritos e as mentalidades são condicionados pela “mídia” (o “boca a boca” ou informações públicas impressas ou audiovisuais) de acordo com os desejos de seu “mestre” e, assim, a opinião pública é fabricada.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Pode-se e deve-se reagir à desinformação organizada: </span><strong><span class="tm7">a) </span></strong><span class="tm9">estudando a verdade; </span><strong><span class="tm7">b)</span></strong><span class="tm9"> não apoiando a mentira desinformante de forma alguma, nem mesmo extrinsecamente ou apenas aparentemente. Comprometer-se com a mentira nos torna escravos dela. Permanecer “dentro” [“entrismo”] de um sistema que se sabe ser falso, para poder pilotá-lo de dentro, não é lícito: o fim não justifica os meios [</span><em><span class="tm11">nota do blog: é um vício contra a virtude da prudência, chamado “prudência da carne”</span></em><span class="tm9">]; </span><strong><span class="tm7">c)</span></strong><span class="tm9"> não permanecer passivos ou cooperadores materiais do erro, mas denunciá-lo: não sofrê-lo e não “cavalgá-lo” (seríamos suas vítimas, talvez inconscientes, mas vítimas mesmo assim: “cavalgar o tigre” significaria ser despedaçado mais cedo ou mais tarde); </span><strong><span class="tm7">d)</span></strong><span class="tm9"> testemunhar a verdade positivamente, depois de ter demonstrado publicamente a “insubmissão ao erro” [Soljenitsin]; </span><strong><span class="tm7">e)</span></strong><span class="tm9"> não dialogar com o demônio: que Eva seja um exemplo para nós (</span><em><span class="tm11">“Pour souper avec satan il faut une longue cuillière”</span></em><span class="tm9">, para jantar com Satanás, você precisa de uma colher longa).</span></span></p>
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		<title>“QUEM É QUE RASGA A TÚNICA DE CRISTO?” – ENTREVISTA COM O SUPERIOR-GERAL DA FRATERNIDADE SÃO PIO X</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 15:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[“Quem é que rasga a túnica de Cristo?” “A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.” Fonte: FSSPX FSSPX.Actualités: Senhor Superior-Geral, o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/quem-e-que-rasga-a-tunica-de-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/entretien_don_davide_avril_2026.jpg?itok=fa41ucr_" alt="" width="606" height="350" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #000000;">“Quem é que rasga a túnica de Cristo?”</span></strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #000000;">“A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.”</span></strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/quem-e-que-rasga-tunica-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-58690">FSSPX</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">FSSPX.Actualités:<em> Senhor Superior-Geral, o anúncio feito pelo senhor, em 2 de fevereiro passado, sobre as futuras sagrações episcopais, causou uma série de reações especialmente fortes. Que acha o senhor disso?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padre David Pagliarani(<a style="color: #000000;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/quem-e-que-rasga-tunica-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-58690#footnote1_V6lNKcz0d8OqEYpyRKvOfnwZZIumcK3ES6wI9Vb3a0_v485Rmb4Un4P">1</a>): Entende-se que tenha sido assim, pois trata-se de questão muito sensível para a vida da Igreja. Além disso, os motivos dessa decisão são objetivamente graves: o que está em jogo – o bem das almas – é uma questão capital. É natural, pois, que o debate desencadeado pelo anúncio tenha tido tanta ressonância. No fundo, ninguém ficou indiferente. É este um fator objetivamente positivo, e acho que, providencialmente, corresponde a uma necessidade muito atual. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nestes últimos anos, o campo conservador e tradicionalista – no sentido mais amplo – tem por vezes dado a impressão de se reduzir a um ambiente de comentadores, onde são expressas análises, expectativas e frustrações, muitas vezes legítimas, mas que dificilmente se traduzem em posicionamentos realistas e consequentes. Entre eles, há quem ainda aguarde uma resposta da Santa Sé aos <em>dubia </em>formulados dez anos atrás por quatro cardeais – dos quais dois já faleceram – acerca de <em>Amoris lætitia</em>, ou que aguardam a eventual publicação de um novo <em>motu proprio </em>tratando da missa tridentina.</span><span id="more-34697"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste contexto, a decisão pelas sagrações a todos nos interpela. Não se trata de uma enésima declaração, mas de um gesto significativo, que obriga à reflexão, a compreender a gravidade real dos problemas atuais e a tomar uma posição concreta. Nada é mais urgente nos dias de hoje. A Fraternidade São Pio X veio a tornar-se, sem ter ido atrás disso, o instrumento de uma sacudida benfazeja – a qual tem por único autor, no fim das contas, a própria Providência. Providencialmente, foi-lhe dado o ensejo de contribuir para algo de que a Igreja certamente tem necessidade hoje mais do que nunca, para o seu bem e sua regeneração. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Por que o senhor pensa que essa sacudida é hoje especialmente necessária?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando nos pomos a falar e entramos numa discussão sem fim, muitas vezes de maneira frustrante, sobre problemas extremamente graves que dizem respeito à fé, os próprios temas que são objeto de debate ou de diálogo acabam, mais cedo ou mais tarde, por serem vistos como discutíveis, num respeito sistemático pelas ideias de outrem e pelas diferentes sensibilidades. E assim aos poucos tudo se relativiza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, o flagelo do pluralismo doutrinal, ao qual o homem moderno é naturalmente inclinado, acaba por contaminar até as almas mais sãs: vai-se passo a passo descambando para o indiferentismo. Uma anestesia lenta e inexorável faz que percamos o senso da realidade. A gente se instala numa zona de conforto, prende-se a equilíbrios e privilégios que não quer comprometer de jeito nenhum. O zelo e o espírito de sacrifício vão minguando. Há, numa palavra, o perigo de se ir acostumando com a crise e de vivenciá-la como se fosse uma situação normal. Tudo isso se dá gradualmente, sem que a gente se dê conta. Os que são responsáveis pelas almas têm, pois, o dever de analisar profundamente tais mecanismos, e de tentar impedi-los antes que se tornem irreversíveis. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, o que está em jogo hoje não é uma opinião, nem uma sensibilidade qualquer, nem uma preferência, nem uma nuance particular na interpretação de dado texto: é a fé, é a moral que todo católico deve conhecer e praticar a fim de salvar sua alma e chegar ao Paraíso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Noutras palavras, diante da Eternidade e do perigo de perder o Céu, o falar por falar, os discursos e o diálogo devem dar lugar à realidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Qual é essa realidade de que o senhor fala, e que o ato da Fraternidade pode trazer à tona?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa realidade é o fato de que, hoje mais do que nunca, é necessário reafirmar, proclamar e professar os direitos de Cristo Rei sobre as almas e as nações. É preciso ter coragem de pregar que a Igreja católica é a única arca da salvação para todo homem, sem distinção. É preciso crer na Redenção, nos sacramentos, na destruição do pecado. É preciso recordar à humanidade que a Igreja foi instituída para livrar as almas do erro, do mundo, de Satanás e do inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso não mais deixar que os que vivem habitualmente em pecado, os que até se orgulham do seu vício contrário à natureza, fiquem pensando que Deus perdoa tudo, sempre e em quaisquer circunstâncias, sem verdadeira conversão, sem contrição, sem penitência, sem a exigência de uma mudança radical. É preciso ter a simplicidade de reconhecer que a participação de um papa num ritual em honra da Pachamama, nos jardins do Vaticano, é uma loucura e escândalo para o qual não há palavras. E finalmente, e mais importante, é preciso não mais trazer enganadas as almas e a humanidade, fazendo que pensem que todas as religiões adoram um mesmo Deus, a que dão diferentes nomes. Numa palavra: é preciso parar de pedir perdão ao mundo por tentarmos convertê-lo, cristianizá-lo, e por termos por séculos a fio condenado o erro.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Num contexto trágico como este, é preciso que alguém possa dizer: “Basta!”, não apenas em palavras, mas com ações concretas. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É preciso parar de pedir perdão ao mundo por tentarmos convertê-lo, cristianizá-lo, e por termos por séculos a fio condenado o erro.” </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se, neste estado de confusão atual, a Providência dá à Fraternidade São Pio X os meios de proclamar com clareza os direitos eternos de Nosso Senhor, seria da nossa parte um pecado gravíssimo fugirmos dessa obrigação que a fé e caridade nos impõem. São essas as premissas necessárias para que se compreenda a razão por que a Fraternidade São Pio X existe, e por que se decidiu por fazer as consagrações episcopais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem essas premissas, a decisão da Fraternidade, como de resto o seu discurso, pareceriam sem sentido. A menos que reconheçamos que o que está em jogo é a própria fé, inevitavelmente a situação presente da Fraternidade só poderá ser percebida como um problema de disciplina, de rebelião, de desobediência. É o erro em que infelizmente caem os que afirmam que a Fraternidade São Pio X só quer consagrar bispos para preservar a própria autonomia. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não é disso que se trata. As futuras consagrações são um ato de fidelidade, que tem por fim preservar os meios de salvarmos as nossas almas e as dos outros. Não são a mesma coisa, a busca de uma autonomia egoísta e a preservação de uma liberdade indispensável para se professar a fé e a transmitir às almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Entre as pessoas conhecidas que se pronunciaram contra as sagrações em primeiro de julho próximo, contam-se cardeais conservadores muito críticos para com o papa Francisco, como o cardeal Gerhard Ludwig Müller ou o cardeal Robert Sarah. Como se explica, no seu entender, o modo de agir deles?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo, é preciso saber que um conservador crítico do papa Francisco poderia ter certo receio de ser comparado com a Fraternidade São Pio X e demonizado como ela. Daí pode-lhe vir a necessidade de deixar bem claro que não tem nada a ver conosco. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, mesmo deixando de lado esse aspecto da questão, o fato é que esses cardeais ou bispos padecem de um mal-estar mais profundo e tipicamente moderno: o de se ver incapaz de conciliar as exigências da fé com as do direito canônico. A fé requer de nós que façamos tudo o que for possível para professá-la, preservá-la e transmiti-la. Por outro lado, se interpretarmos o direito ao pé da letra, passando ao largo das circunstâncias atuais, uma consagração episcopal sem o aval do papa parece impossível. Que fazer então? Esses cardeais, como tantos outros, vivem numa espécie de permanente dicotomia, que encerra o risco de serem frustradas as suas boas intenções: eles colocam essas duas exigências uma ao lado da outra, à maneira cartesiana, e ficam como esmagados ou submersos na contradição aparente.   </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “O Magistério existe para ensinar a fé, não para inventá-la. O direito existe para preservá-la e assegurar as condições necessárias para a vida cristã que dela deve decorrer.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X, por sua vez, considera que esses dois postulados não devem ser, sem mais nem menos, justapostos, mas sim hierarquizados, subordinando-se um ao outro. Ora, na Igreja, a pureza da profissão da fé precede qualquer outra consideração, pois os demais elementos que compõem a vida da Igreja dependem todos da própria fé. O Magistério existe para ensinar a fé, não para inventá-la. O direito existe para preservá-la e assegurar as condições necessárias para a vida cristã que dela deve decorrer(2). Esta prioridade se deriva do fato de que Nosso Senhor mesmo, ao encarnar-se, manifesta ao mundo, antes de mais nada, a Verdade eterna; e que, enquanto Legislador, Ele aponta no Evangelho os meios de se conhecer essa mesma Verdade e de se permanecer fiel a ela. Há uma prioridade lógica entre o primeiro e o segundo elemento. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E por conseguinte, a Providência divina não instituiu a Igreja como um grupo parlamentário de ministérios justapostos e independentes uns dos outros. Pelo contrário, instituiu uma hierarquia de prioridades, com o fim específico e primeiro de preservar o depósito da fé, de confirmar os fiéis nessa fé, e de organizar todo o restante em função desta exigência prioritária e fundamental. O direito, em particular, serve a esse fim, e não para estorvar nem condenar os que queiram permanecer católicos, ou seja, os que queiram viver da fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Por que o senhor acha que esta é uma atitude tipicamente moderna?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem moderno tem muita dificuldade em organizar de maneira harmoniosa os diferentes elementos da realidade em que vive, ou do saber que os analisa. Valendo-me de um termo um tanto técnico, o homem moderno tende a classificar de maneira nominalista os elementos da realidade que o cerca, e cola sobre cada um deles etiquetas superficiais, sem fazer o esforço de examinar a fundo os problemas, e portanto sem ser capaz de apreendê-los em toda a sua complexidade, e nas suas implicações e na sua interdependência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso, no caso de que estamos tratando, vemos a aplicação da lei ser totalmente dissociada da própria realidade que a lei devia proteger. É justamente dessa dissociação entre lei e realidade, que nascem as posturas ideológicas, tipicamente modernas, tanto no domínio religioso como no civil. Tal atitude leva a duas consequências distintas e complementares. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre os que padecem dessa dicotomia e se veem confrontados com esse dilema, como é, ao que parece, o caso dos meios conservadores, ela conduz ao fatalismo e ao desânimo, porque a gente se sente como encurralada, paralisada, incapaz de agir de maneira adequada e consoante as exigências objetivas da Verdade e do Bem. O que vive constantemente nessa contradição existencial, acaba por se tornar vítima dela, e por confundir fatalismo com confiança na Divina Providência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De outro lado, entre os detentores da autoridade, ela traz o risco de uma cegueira incurável e do endurecimento do coração, consequências inevitáveis da postura ideológica: “lei é lei”, sem se levarem em conta as circunstâncias, as exigências concretas nem as boas intenções. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É por esta razão que Nosso Senhor condena tal postura nos termos mais fortes: “Jesus então disse: ‘É para vosso julgamento que vim ao mundo, para que os que veem não vejam, e os que veem se façam cegos.’ Alguns fariseus, que estavam com ele, o ouviram e lhe disseram: ‘Acaso nós somos cegos, nós também?’ Jesus lhes disse: ‘Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; agora porém dizeis: ‘Eis que nós vemos.’ E é por isso que o vosso pecado permanece.” (Jo IX, 49-41).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O Senhor acha que o ensinamento do Evangelho pode de algum modo esclarecer a situação presente?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor é o exemplo perfeito de obediência à lei de Moisés. Ele, com a Santíssima Virgem Maria, cumpriu à letra todas as prescrições legais, desde os primeiros dias da sua existência. E mantém a sua observância rigorosa até o seu último dia de vida. Na última ceia, Jesus segue à letra o rito judaico em vigor na época.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não obstante, Nosso Senhor opera milagres mesmo no dia de sábado, provocando assim a reação legalista e cega dos fariseus. Jesus, Legislador maior que o próprio Moisés, é o primeiro a respeitar a lei, e o primeiro a reconhecer a existência de um bem superior que pode dispensar da observância da letra da lei. As suas palavras, como sempre, valem mais que mil tratados: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“E aconteceu que Jesus entrou, num dia de sábado, em casa de um dos principais dos fariseus, para ali comer do pão. E eles o vigiavam. E eis que um homem hidrópico estava diante dele. E Jesus, tomando a palavra, disse aos doutores da lei e aos fariseus: ‘É permitido curar em dia de sábado?’ Eles, porém, permaneceram calados. Então, tomando o homem pela mão, curou-o e mandou-o de volta. Depois, voltando-se para eles lhes disse: ‘Quem de vós, se o seu asno ou o seu boi cai dentro dum poço, não o tira logo dali, em dia de sábado?’ E a isto nenhum deles pôde responder.” (Lc XIV, 1-6)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estas palavras divinas dispensam de comentário. A Fraternidade São Pio X adota-as sem reservas. Nós também temos de fazer todo o possível para tirar as almas do poço, ainda quando vivamos num sábado interminável. Nosso Senhor não era nem legalista, nem nominalista, nem cartesiano: era o bom Pastor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Nestes últimos meses, para além da Fraternidade, outras vozes soaram em seu apoio. Dom Atanásio Schneider, sobretudo, falou em diversas ocasiões acerca das sagrações. Como o senhor explica essa decisão dele? </em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devo confessar que esse apoio dado à Fraternidade me tocou profundamente. Muitos sacerdotes diocesanos nos têm dado testemunhos de sua gratidão e nos têm encorajado, e muitos bispos também. A todos fico agradecido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem poder nomeá-los todos aqui, gostaria de agradecer em especial a Dom Strickland, pela sua mensagem tão forte, tão clara e corajosa. E a Dom Schneider, naturalmente; este bispo deu mostras de uma grande coragem e de uma liberdade de palavra em que se nota estarmos diante de um homem de Deus, desinteressado, realmente preocupado com o bem das almas. Creio que o seu apoio, e tudo o que tem dito nestes últimos meses, entrará para a história. Estou persuadido de que isso não importa tão somente para a Fraternidade, mas ainda mais para todos os bispos do mundo. É um sinal objetivo de esperança: a sua palavra mostra que a Providência em qualquer tempo pode suscitar vozes que digam a verdade com bravura e firmeza, sem recear possíveis consequências pessoais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes dele, Dom Huonder, que passou à eternidade dois anos atrás, já nos vinha encorajando positivamente a realizar sagrações. Ele e Dom Schneider tinham ambos sido encarregados pelo Vaticano do diálogo com a Fraternidade. Ao contrário de outros interlocutores, souberam escutar e compreender. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor ainda tem esperança de se encontrar com o papa antes das sagrações?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tenho, com certeza, e é este o meu desejo mais sincero. Admira-me, no entanto, que da parte da Santa Sé não tenha havido até agora nenhuma resposta ou reação pessoal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de declarar cismática uma sociedade que conta mais de mil membros e que é uma referência para centenas de milhares de fiéis no mundo inteiro, talvez fosse bom conhecer pessoalmente aqueles a quem se quer julgar. A sanção que se prevê não atinge apenas uma instituição – que, aliás, não existe aos olhos da Santa Sé -, senão que atinge pessoas, e pessoas profundamente unidas ao papa e à Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confesso que a mim me custa entender esse silêncio, ao mesmo tempo em que tanto nos falam da necessidade de escutar o clamor dos pobres, o das periferias, e até mesmo o do planeta Terra&#8230;</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Nós também temos de fazer todo o possível para tirar as almas do poço, ainda quando vivamos num sábado interminável.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor chegou a encontrar-se com o papa Francisco. Que lembranças guarda dele?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O programa que o papa Francisco impôs à Igreja universal é bastante conhecido e foi fartamente comentado pela Fraternidade São Pio X. Parece-me que, infelizmente, a palavra “desastre” é a mais indicada para resumir a herança legada por ele. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E apesar disso, o papa Francisco soube reconhecer, lá à sua maneira, o bem que a Fraternidade São Pio X faz às almas. Dessa sua constatação foi que nasceu uma postura, ao que parece, equívoca para conosco, uma espécie de tolerância que causou surpresa aos observadores menos perspicazes, e que por vezes chegou a exacerbar os meios conservadores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitas decisões do papa Francisco causaram verdadeira tristeza em largos setores da Igreja, porém seria injusto acusá-lo de ter sido uma pessoa rígida e esquemática na avaliação das pessoas que tinham contato com ele, ou na aplicação do direito. Suas ações muitas vezes o demonstram. Talvez não passe de um detalhe, mas quando pedi para entrevistar-me com ele no Vaticano, em vinte quatro horas me foi concedida uma audiência, na qual ele se mostrou muito afável. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Nestes últimos anos, em nome de uma tolerância erigida em princípio, o Vaticano tem se mostrado muito aberto diante de certas situações complexas. Pensa o senhor que isso poderia ajudar a Fraternidade São Pio X?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A aplicação de toda lei, seja ela boa ou má, depende afinal da vontade do legislador. É a ele que cabe determinar a maneira como tratará a Fraternidade São Pio X.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém a abertura que o Vaticano tem mostrado não pode ser algo desejável por si mesmo, pois chega a ponto de justificar o absurdo, como quando abençoa casais que praticam o vício <em>contra naturam</em>, ou quando se compromete solenemente a não converter os adeptos de outras religiões, para ficar só nestes dois exemplos. Estamos diante de uma ditadura ideológica e totalitária da tolerância. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, a Tradição da Igreja, que a Fraternidade São Pio X se esforça por encarnar, é em si mesma uma condenação desses desvios, coisa intolerável para os que promovem essa espécie de tolerância. A considerarmos atentamente a situação, vemos que as sanções que a Fraternidade São Pio X sofreu ou possa vir a sofrer, não visam nenhum ato de desobediência, mas, na verdade, essa viva condenação que ela representa, só por existir, da linha eclesial seguida atualmente.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece que o papel que a Providência reservou para a Fraternidade São Pio X é este, singular, de ser um sinal de contradição, o que, concretamente, quer dizer ser um espinhozinho na sola do pé dos reformadores. E espinho que é, quanto mais o tentam espezinhar, mais fundo ele entra. Não vem dele, de resto, esse efeito terapêutico, mas dos dois mil anos de Tradição que ele encarna e representa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X pode sofrer sanções, a missa tridentina, ser proibida, porém esses dois mil anos não poderão nunca ser apagados. É esta a verdadeira razão por que, apesar das condenações passadas, a Fraternidade nunca cessou de ser uma voz a interpelar a Igreja, e é por isso, também, que não é tão simples ser tolerante com ela. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Virá o dia em que o papa se resolverá a pinçar o espinho entre os dedos, tirando-o do pé. Nesse dia, poderá usá-lo como instrumento dócil de que se sirva – e este é o nosso mais profundo desejo – para restaurar todas as coisas em Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Ouve-se dizer que as futuras sagrações poderiam causar um cisma. E há outros, ao mesmo tempo, que na Igreja afirmam que a Fraternidade São Pio X já é cismática. Como explicar tal contradição?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma contradição real e que evidencia uma jurisprudência, por parte do Vaticano, que poderíamos chamar de “fluida”. Tentemos esclarecer isso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em termos canônicos, depois de ter sido declarada cismática em 1988, a Fraternidade São Pio X nunca se viu livre dessa censura: em 2009, o papa Bento XVI levantou as excomunhões que pesavam sobre os bispos, mas sem voltar atrás na declaração de cisma feita anteriormente. Em todo esse tempo, a Fraternidade São Pio X não mudou suas posições doutrinárias e manteve exatamente o mesmo argumento para as consagrações episcopais, passadas e futuras. Noutros termos, coerente em sua persuasão da nulidade das censuras que a haviam atingido, nunca se retratou. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso os canonistas, digamos, “rigorosos”, a consideram ainda e sempre cismática. É neste sentido que é preciso entender as declarações explícitas do cardeal Raymond Burke, ex-prefeito do Tribunal supremo da Assinatura Apostólica, ou as de Monsenhor Camille Perl, ex-secretário da Comissão <em>Ecclesia Dei</em> – abolida em 2019. E é nessa mesma perspectiva que é preciso entender também a maneira como foram tratados os sacerdotes que deixavam a Fraternidade São Pio X para se integrarem às estruturas oficiais: levantavam, em favor deles, a excomunhão por cisma e a suspensão <em>a divinis</em>, e pediam-lhes que se confessassem para serem absolvidos também no foro interno.   </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Tradição da Igreja, que a Fraternidade São Pio X se esforça por encarnar, é em si mesma uma condenação desses desvios, coisa intolerável para os que promovem essa espécie de tolerância.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contra essa interpretação surge a figura do cardeal Dario Castrillón Hoyos(3), muito mais flexível, e sobretudo a do papa Francisco, que nunca tratou a Fraternidade São Pio X como cismática e que nos disse com todas as letras que jamais a condenaria. E de fato, podiam ser incluídos neste grupo o próprio cardeal Fernández e papa Leão XIV, já que, se estão tentando evitar um cisma, é porque não nos consideram cismáticos. O mesmo se pode dizer dos cardeais e bispos que estão tentando reverter nossa decisão de fazer as sagrações, para evitar um cisma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas aqui vemo-nos diante de duas interrogações: primeiro, se é esse o seu receio, não conseguimos entender de que maneira nem por que razão teríamos deixado de ser cismáticos aos olhos deles. E em segundo lugar, se a própria Santa Sé na prática não considera válida a sua declaração de cisma feita em 1988, que valor poderia ter uma segunda declaração de cisma, pronunciada pelos mesmos motivos e em circunstâncias de todo equivalentes? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fato é que, lá em 1988, o Vaticano esperava que a Fraternidade São Pio X, uma vez declarada cismática, se dissolvesse no espaço de uns poucos anos. Acontece porém que, não apenas ela não se dissolveu, senão que continuou a crescer. E sobretudo, apesar de uma declaração de cisma manifestamente injusta, continuou a ser uma obra da Igreja e a operar para bem da Igreja, sendo esta uma realidade que com tal força se impõe, que, apesar de a ter condenado em 1988, a própria Santa Sé veio a reconhecer isso na prática. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma possível causa para essas incoerências canônicas está no conceito “fluido” e modernista de “plena comunhão”, segundo o qual um mesmo sujeito pode ser considerado ao mesmo tempo como católico e não católico, membro e não membro da Igreja. Evidentemente, se alguém é “parcialmente” filho da Igreja, a lei da Igreja não pode aplicar-se a ele a não ser também parcialmente, segundo avaliações e critérios arbitrários e variáveis&#8230; </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso mostra de que maneira um erro eclesiológico conduz inevitavelmente a erros jurídicos ou, quando menos, a julgamentos confusos, incoerentes e “fluidos”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Para sustentar a acusação de cisma, afirma-se que uma sagração episcopal sempre implica, quaisquer que sejam as circunstâncias, a transmissão do poder de jurisdição ao novo bispo, o que terá por consequência inevitável, dado que não tenha havido consentimento do papa, a criação de uma hierarquia paralela. A Fraternidade São Pio X já respondeu a esta objeção(</em>4)<em>. Como, porém, se trata de uma questão muito delicada, o senhor gostaria de acrescentar algumas considerações?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este é um ponto central, sem nenhuma dúvida. De fato, a acusação se baseia num postulado modernista. Seria interessante tentarmos entender a razão por que a eclesiologia do Concílio Vaticano II ensina que um novo bispo sempre, em qualquer circunstância, recebe, junto com o poder de ordem, também o de jurisdição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tratemos de recordar, resumidamente, que o poder de ordem é a capacidade de administrar os sacramentos, ao passo que a jurisdição é o poder de governar, <em>cum Petro et sub Petro</em>, uma parcela do rebanho, em geral uma diocese. Segundo a teologia clássica, confirmada pelo direito canônico tradicional e sobretudo pela prática constante da Igreja – caberia dizer: segundo a Tradição -, o poder de governar é diretamente conferido pelo papa ao bispo, independentemente de consagração. É por isso que pode haver bispos regularmente consagrados que, no entanto, não receberam nenhuma jurisdição própria, como o são os bispos auxiliares ou os encarregados de missões diplomáticas específicas.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Fraternidade São Pio X continuou a ser uma obra da Igreja e a operar para bem da Igreja (&#8230;), a própria Santa Sé veio a reconhecer isso na prática.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas na época do Concílio, passou-se a considerar essa visão como demasiado tradicional, demasiado medieval, demasiado romana. A atuação direta e exclusiva do Vigário de Cristo na atribuição da jurisdição, reduzia os bispos mandatários a meros delegados ou representantes do papa. Por outro lado, a ideia de que cada bispo recebia imediatamente de Deus, no ato da consagração, uma jurisdição universal, permitia fazer dele, em certa medida, um igual do papa, reduzindo assim o papel do Vigário de Cristo ao de mero presidente de um <em>collegium</em>, “primeiro entre seus pares”. Esse novo postulado vinha, assim, diretamente respaldar a teoria modernista da colegialidade(5), fundamento da democratização da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma outra consequência, além desta, é que essa redefinição se presta à causa do ecumenismo. De fato, para se poder reconhecer uma certa “eclesialidade” em favor das comunidades cismáticas orientais (estas sim, realmente cismáticas) e considerá-las como “igrejas irmãs”, lançando assim uma base sólida para o diálogo ecumênico, era preciso valorizar a sua sucessão apostólica a ponto de se reconhecer em seu favor uma jurisdição real sobre os seus fiéis, apesar de sua completa separação de Roma e do papa. A sua qualidade de “Igreja” decorreria, assim, do fato de contarem com bispos não apenas validamente consagrados, mas também dotados de verdadeira autoridade sobre as almas, autoridade esta derivada da consagração em si mesma, independentemente de qualquer atuação do papa. Por esse viés se podia mais facilmente conceber a existência, nessas comunidades, de uma verdadeira hierarquia eclesiástica, no sentido pleno do termo. Sem essa prévia manipulação eclesiológica, teria sido impossível reconhecer nelas qualquer verdadeira “eclesialidade”. </span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não se pode ficar só lamentando os efeitos, sem remontar às verdadeiras causas.  É preciso ter a hombridade de ir um pouco além e de reconhecer que essa crise tem origem nos ensinamentos oficiais, muitas vezes ambíguos, chegando por vezes a romper claramente com a Tradição.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E é ainda a esse mesmo esforço ecumênico que se liga uma outra manipulação eclesiológica, o conceito elástico de “comunhão parcial”, a que se aludiu na questão anterior. Em termos concretos, todas as ditas “igrejas” cristãs fariam parte de uma “Superigreja”, a Igreja de Cristo, mais abrangente que a católica. Essas diversas igrejas estariam em maior ou menor medida em comunhão com a católica, a depender das lacunas na sua doutrina. Esse conceito, também ele modernista, visava valorizar uma, por assim dizer, unidade em formação com as demais “igrejas”. Mas é um engano. Com efeito, ou se está em comunhão com a Igreja católica por todos os aspectos, ou se está separado dela. Não existe meio-termo. Paradoxalmente, essa noção, que fora concebida como instrumento a serviço do diálogo ecumenista, destinando-se a justificar uma futura convergência das “igrejas” que se tinham na conta de “irmãs”, passa a ser usada também para lidar com a Fraternidade São Pio X, que por sua vez a considera uma noção absurda. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que há de especialmente lamentável no juízo negativo que se faz da Fraternidade, é o fato de essa acusação específica de cisma ou de “comunhão parcial”, fundada em postulados modernistas, colegialistas ou ecumenistas, não vir apenas da parte do Vaticano, mas também de alguns cabeças dos grupos e institutos ditos “<em>Ecclesia Dei</em>”(6). Paradoxalmente, para atacar a Fraternidade, citam e defendem os erros eclesiológicos do Concílio Vaticano II&#8230; Em vez de trazerem à tona esses erros de maneira construtiva – como, em princípio, lhes é permitido fazer -, preferem usá-los para apedrejar a Fraternidade São Pio X. Ocorre, porém, que são pedras de borracha. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>No que diz respeito à jurisdição e à autoridade na Igreja, como a Fraternidade São Pio X enxerga a possibilidade de nomear religiosas ou leigos para cargos superiores?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma questão muito pertinente, sobretudo se considerarmos que hoje em dia, um dicastério romano, o que está encarregado dos institutos de vida consagrada, em vez de ter à frente um cardeal e um bispo, respectivamente como prefeito e secretário, foi confiado a duas religiosas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não quero ser irônico, seria desagradável. Apenas gostaria de apontar que o Vaticano, à sua maneira, provou que conhece perfeitamente a diferença entre o poder de ordem e a atribuição do poder de jurisdição. Até onde eu sei, a Irmã Simona Brambilla, atual prefeita, nunca foi ordenada diácono, nem presbítero, nem bispo; nem sequer a tonsura ela recebeu&#8230; O mesmo vale para a Irmã secretária. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Mesmo fora da Fraternidade São Pio X, há hoje em dia muita gente que reconhece sinceramente a existência de uma crise na Igreja, sobretudo no que diz respeito à fé. E contudo, alguns deles criticam a Fraternidade São Pio X por se isolar numa linha de conduta própria, sem levar devidamente em conta a existência de outros diagnósticos. Ao seu ver, essa crítica tem fundamento?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acho que é precisamente nesse ponto que a Fraternidade São Pio X põe o dedo na ferida. Muitos são os que, como nós, afirmam que existe uma crise na Igreja e que essa crise afeta a fé. Até aqui estamos de acordo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não se pode ficar só lamentando os efeitos, sem remontar às verdadeiras causas. É preciso ter a hombridade de ir um pouco além e de reconhecer que essa crise tem origem nos ensinamentos oficiais, muitas vezes ambíguos, chegando por vezes a romper claramente com a Tradição. Em termos concretos, é preciso entender que a crise atual se especifica pelo modo como afeta a hierarquia da Igreja no ensinamento que ela ministra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E numa situação como essa, não é possível ter meias palavras; os erros devem ser claramente percebidos e denunciados pelos que estão em condições de o fazer. Não basta fazer de conta que não vê, nem ficar esperando que os erros desapareçam com o passar do tempo. Textos tais como <em>Amoris lætitia</em> ou <em>Fiducia supplicans</em>, por exemplo, causaram, num primeiro momento, não pouca indignação. Mas depois tudo se acalmou, cada um foi tratar de outra coisa, e hoje já poucos ainda falam no assunto. Sem embargo, as decisões e os erros contidos ali continuam em vigor; vemos que esperar até que sejam esquecidos não é uma maneira eficaz de corrigi-los.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X existe para recordar este fato aos fiéis e à hierarquia. Considera ser um dever seu, e isso não por espírito de rebelião ou de desobediência, mas como um serviço prestado à Igreja. Nesse sentido, não é justo dizer que ela se isola do resto, pois fala diante de toda a Igreja e se dirige a todos os católicos que estão perplexos, sem fazer distinção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qualquer um que olhe para essas questões sem preconceitos ideológicos, há de por força chegar a esta constatação, a saber, a de que a ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Fraternidade São Pio X permanece em perfeita comunhão com os papas da História, sem exceção, naquilo que eles têm de comum entre si: o depósito da fé, fielmente recebido, conservado e transmitido através dos séculos.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Em que sentido o ensinamento oficial da Igreja poderia conter erros?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma questão muito melindrosa e complexa, e só a Igreja poderá um dia dar uma explicação satisfatória e definitiva sobre o que aconteceu e está acontecendo ainda hoje. O fato é que nenhum erro pode ser ensinado pelo Magistério da Igreja propriamente dito. Os fatos porém saltam à vista: vemos, infelizmente, serem ensinados alguns erros graves. Mas quer se trate de textos de um Concílio que se quis não dogmático, quer se trate de simples exortações pastorais, homilias ou declarações circunstanciais, e até de diálogos com o mundo, discursos improvisados durante um voo de avião, ou de conversas com jornalistas, em todos estes casos, quando há elementos não dogmáticos e que são apresentados como tais, não estamos diante de um Magistério autêntico.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para dar um exemplo, um eminente prelado romano recentemente me explicou que a Declaração de Abu Dhabi não deve ser tida por algo que faça parte do Magistério, por se tratar de um mero texto de circunstância. Acho que um dia, com um pouco de flexibilidade e bom senso, um papa irá dizer algo de equivalente, mas em público, a respeito de toda uma série de textos problemáticos que não podem ser tidos por magisteriais no sentido técnico do termo. A Cúria romana dispõe de uma experiência e de uma fineza inigualáveis quando se trata de estabelecer distinções necessárias: tudo o que lhe falta é a vontade de o fazer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E em todo caso, um esclarecimento definitivo é algo que cabe à própria Igreja, e não à Fraternidade São Pio X. A nossa tarefa se limita a rejeitar fielmente tudo o que estiver em ruptura com a Tradição e com o Magistério constante. Ao fazer isso, a Fraternidade São Pio X permanece em perfeita comunhão com os papas da História, sem exceção, naquilo que eles têm de comum entre si: o <em>depositum fidei</em>, fielmente recebido, conservado e transmitido através dos séculos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Muitas são as áreas na vida da Igreja, como, por exemplo, na liturgia, onde é evidente que existem abusos. Por que a Fraternidade São Pio X fala sempre em erros e não em abusos?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É evidente que existem abusos que extrapolam os limites das próprias reformas. A Fraternidade São Pio X os reconhece sem pestanejar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas essa retórica constantemente a falar dos abusos, particularmente em voga durante o pontificado de Bento XVI, não basta para dar conta da crise. E acaba mesmo por criar um álibi sistemático, que impede de entrar mais fundo nos problemas. A reforma litúrgica, por exemplo, encerra dificuldades que certamente brotam dos próprios princípios em que se baseou, independentemente de eventuais abusos. As orações ecumênicas e inter-religiosas, para dar outro exemplo, são a tradução de um erro teológico, ainda quando nos abstenhamos de atos explícitos de sincretismo, na tentativa de evitar o que poderia parecer um abuso. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E principalmente, a retórica do abuso litúrgico, ou do abuso na interpretação dos textos, tende a mirar nas pessoas envolvidas – tidas por responsáveis pelos abusos, ou por incapazes de reprimi-los -, em vez de considerar os princípios errôneos que estão na raiz do desastre atual. Ora, são justamente esses princípios que devem ser denunciados.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não se trata de fazer rebelião, mas de responder a uma necessidade cruel.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confesso que eu mesmo fiquei um pouco espantado, nestes últimos anos, com a reação amarga e sistemática de certo meio conservador um tanto míope, que se voltou de modo muito pessoal contra a figura do papa Francisco, passando ao largo do Concílio e da continuidade na sua aplicação doutrinária até os dias atuais. Esse tipo de atitude é que faz com que, a cada novo papa eleito, se espere, pelo menos durante alguns meses, por uma superação da crise – sem que sejam questionados os princípios novos, como se tudo dependesse da vontade pessoal do novo pontífice, mais ou menos resolvida a condenar ou a reprimir os abusos. Trata-se de uma retórica superficial incapaz de convencer qualquer observador atento e honesto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Não lhe parece exagero dizer, como já o fez a Fraternidade São Pio X em outras ocasiões, que uma autêntica vida cristã numa paróquia comum é hoje em dia coisa impossível? O estado de “necessidade” implícito nessa afirmação é de fato tão evidente? Não seria antes um conceito “instrumental”, elaborado para justificar as sagrações de que essa instituição necessita</em>?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio está plenamente ciente de quanto há de trágico e doloroso nessa afirmação. Trata-se de uma consideração extremamente grave e que requer ser bem entendida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deixemos claro, antes de mais, que não cabe a resposta de que, apesar de todos os problemas e deficiências que lavram nas paróquias comuns, há sempre bons sacerdotes e bons fiéis que são capazes de se santificarem e de salvarem as suas almas. Mesmos nas circunstâncias mais desfavoráveis, a graça de Deus pode tocar as almas, e nós sabemos de casos assim. Além do que, para muitos deles o sofrimento real causado pela situação em que se encontram torna-se uma verdadeira fonte de santificação, que muitas vezes os leva a buscarem a Tradição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o que a Fraternidade São Pio X afirma deve ser entendido num plano objetivo, e não subjetivo. A fim de se avaliar qual seja de verdade a situação dessas paróquias, toda alma de boa vontade deveria fazer a si mesma algumas perguntas precisas, diante de Deus, em oração, e buscando uma resposta sobrenatural, ditada não por impressões positivas ou negativas, nem por nenhuma preconcepção ideológica, mas tão somente pela razão esclarecida à luz da fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A missa de Paulo VI é capaz de expressar e de alimentar inteiramente a fé católica? Transmite de maneira satisfatória o senso do sagrado, do transcendente, do sobrenatural, do divino? Esse rito permite apreender o verdadeiro sentido do sacerdócio católico?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Numa paróquia ou num centro pastoral qualquer, ou seja, lá onde se prega em conformidade com as diretrizes doutrinárias atuais, é ainda ensinada a fé católica em toda a sua inteireza? O catecismo dado às crianças é ainda católico e capaz de os formar para o resto da vida?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As questões, hoje tão delicadas e atuais, da moral conjugal, ou do acesso à Eucaristia para os que estão em situações irregulares, são abordadas em conformidade com a lei da Igreja? O sacramento da penitência é ainda ministrado com um senso real da Redenção e do pecado, da sua gravidade e das suas consequências?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, de modo mais geral, quais frutos essas reformas produziram de maneira universal na vida dos fiéis?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A todas estas perguntas, e outras semelhantes, a Fraternidade São Pio X responde de maneira clara e coerente. A seguir, partindo dessa análise, e visto que a realidade se impõe, chega à constatação de que existe um “estado de necessidade”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De modo que a afirmação da Fraternidade São Pio X resulta de um salutar realismo, e não de um<em> </em>pressuposto ideológico. O que há de trágico na constatação é apenas consequência de uma tragédia real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor não acha que, mesmo animada das melhores intenções, a Fraternidade São Pio X poderia mais uma vez ser causa de divisões nas famílias, no mundo da Tradição e na própria Igreja?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Talvez nunca antes a Igreja se viu tão dividida como agora, e não há nada de bom nisso. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, essa divisão não foi provocada pela fidelidade à Tradição, mas antes pelo afastar-se dela. A crise do Magistério, as ambiguidades, os erros, a inculturação, fazem que se queira interpretar e reinterpretar tudo, aumentam as diversas maneiras de julgar que, a longo prazo, são causa de divisões inevitáveis. Para usar uma imagem conhecida, é isto o que na verdade rasga a túnica de Cristo. A Fraternidade São Pio X, pela sua fidelidade à Tradição, não faz senão tentar ajudar a recosê-la o tempo todo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à possibilidade de todos os tradicionalistas atuarem e lutarem juntos, é algo que a Fraternidade São Pio X deseja de todo o coração. Mas isso não deve ser feito por meio de uma espécie de ecumenismo em miniatura. É algo que só pode ser feito com inteira fidelidade à Tradição integral, se quisermos que esse combate aberto seja para bem de todos, inclusive dos que não estão de acordo conosco.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A verdadeira unidade, duradoura e inquebrantável, só pode ter por alicerces a Tradição da Igreja.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, no que diz respeito a possíveis divisões no interior de uma mesma família, é preciso corajosamente ter em mente as palavras de Nosso Senhor, sem, porém, se escandalizar, sem cair na amargura, amparando os que sofrem:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não penseis que vim para trazer a paz à terra. Não vim para trazer a paz, mas a espada. Porque vim para separar o homem de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora de sua sogra. E o homem terá por inimigos os de sua própria casa. O que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E o que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim.” (Mt X, 34-37)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Agora uma questão retrospectiva. O período particular por que vem passando a Fraternidade São Pio X reaviva nos mais antigos as lembranças e as emoções de 1988. Essa data certamente marca uma guinada decisiva na obra de Dom Lefebvre. Que declaração do fundador da Fraternidade São Pio X lhe vem agora em mente como mais apropriada para o momento?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certa vez, numa conversa privada, Dom Lefebvre disse que preferia morrer a ver-se na situação de se opor ao Vaticano. Isso mostra o espírito em que preparou as consagrações de 1988. Naquela altura, tal como hoje, não se tratava de fazer rebelião, mas de responder a uma necessidade cruel. Decisão necessária e inevitável, mas tomada a contragosto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Noutra ocasião, Dom Lefebvre declarou, com serenidade e de modo profundamente sobrenatural, que se a Fraternidade São Pio X não fosse uma obra de Deus, não iria adiante e não sobreviveria a ele mesmo. Não é a nós que cabe responder se o é de fato ou não. Mas a história já começou a pronunciar-se. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>No entender do senhor, quando e por que maneira a crise da Igreja poderá ter fim, e, com ela, esse sentimento de desagregação generalizada, tanto dentro quanto fora da Igreja?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Providência só é quem conhece a resposta exata para essa pergunta. Da minha parte, acho que, depois de procurarem em vão e desesperadamente a paz e a unidade no princípio da colegialidade, no sínodo, no ecumenismo, no diálogo, na escuta, na inclusão, na conscientização ambiental, na fraternidade humana, na proclamação incessante dos direitos do homem etc., as autoridades se darão conta finalmente – e mais do que tarde – de que a verdadeira unidade, duradoura e inquebrantável, só pode ter por alicerces a Tradição da Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desse modo, depois de a crise ter manifestado todas as suas consequências, depois de a apostasia se ter generalizado ainda mais e depois de as igrejas se terem esvaziado, essas autoridades entenderão afinal que não havia que inventar coisa alguma, que bastava simplesmente serem fiéis a Cristo Rei e proclamarem, a exemplo dos primeiros mártires, os direitos inalienáveis de Cristo perante um mundo neopagão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma coisa é certa: na medida em que foi de Roma que a autodemolição da Igreja se originou, é só em Roma e por Roma que essa crise terrível terá fim. Entretanto, as sementes dessa reconstrução da Igreja estão já em ação, frutificando humildemente nas almas vivificadas pelo Espírito de Nosso Senhor. Nelas é que se vai silenciosamente preparando a vinda dos que um dia restabelecerão em todo o seu esplendor a realeza de Jesus Cristo.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É só em Roma e por Roma que essa crise terrível terá fim.” </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Decerto a crise vem durando mais tempo do que se podia imaginar. Isso se deve, na minha humilde opinião, à dificuldade intrínseca que Igreja encontra, ainda hoje, para reagir. Um corpo são consegue reagir prontamente aos agentes patógenos que o atacam. Porém, quanto mais enfraquecido está o corpo, mais difícil lhe é reagir. Da mesma maneira, a crise que nos assola foi determinada por um ataque desferido por princípios perniciosos contra princípios já enfraquecidos – enfraquecimento este que começara já desde bem antes das reformas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entretanto, como em toda provação, é preciso enxergar a ação da Providência e revestir-se de paciência. Quanto mais longa for a crise, mais Satanás correrá à solta, e portanto mais brilhante será o triunfo da Tradição. E, sobretudo, mais manifestas serão diante de todo o mundo a indefectibilidade e a divindade da Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nenhum outro tempo tanto como o de hoje, é para nos encher de alegria e esperança aquela promessa de Nosso Senhor: “As portas do inferno não prevalecerão sobre Ela” (Mt XVI, 18).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E para além disso, a certeza desse triunfo está assegurada, em primeiro lugar, por Aquela que esmaga todas as heresias: “Por fim, o meu Coração Imaculado triunfará.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Entrevista concedida em Menzingen, em 19 de abril de 2026,</strong><br />
<strong> Domingo do Bom Pastor</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1 &#8211; Pronuncia-se: “palharáni”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2 &#8211; Esta ordem funda-se na transmissão da fé, sendo uma noção consagrada do direito canônico. Citemos um autor entre muitos: “<em>Ut patet, fundamentum vitæ supernaturalis Ecclesiæ curæ et potestati concreditæ est fides”: </em>“Está claro que o fundamento dessa vida sobrenatural confiada aos cuidados e à autoridade da Igreja, é a fé”. O direito, portanto, terá de determinar de maneira orgânica tudo o que diz respeito à fé:<em> “quæ respiciunt fidei prædicationem, explicationem, susceptionem, exercitium, professionem externam, defensionem et vindicationem”:</em> “as coisas que dizem respeito à pregação, explicação, recepção, exercício, profissão externa, defesa e devido reconhecimento da fé”. <em>In </em>Gommarus Michiels, OFM, cap., <em>Normæ generales juris canonici</em>, Paris, 1949, vol. 1, p. 258.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3 &#8211; O cardeal Castrillón Hoyos afirmou várias vezes, na década de 2000, que a Fraternidade São Pio X “não está em estado de cisma”, mas numa “situação canônica irregular”, e que devia ser regularizada dentro da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4 &#8211; Carta do Rev. Pe. David Pagliarani endereçada ao cardeal Víctor Manuel Fernández, de 18 de fevereiro de 2026, anexo 2.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5 &#8211; Esta doutrina considera o colégio episcopal enquanto tal como um segundo sujeito da autoridade suprema na Igreja, ao lado do papa. Por conseguinte, a Igreja tende a transformar-se numa espécie de concílio permanente, justificando assim o poder ilimitado das conferências episcopais e a reforma sinodal atualmente em curso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6 &#8211; Destacam-se os estudos do Padre Josef Bisig, fundador da Fraternidade São Pedro, e do Padre Louis-Marie de Blignières, fundador da Fraternidade de São Vicente Ferrer.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>PADRE DE BLIGNIÈRES E A UNIDADE DA IGREJA &#8211; PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 14:28:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
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		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[A unidade da Igreja se baseia, em primeiro lugar, na fé, e não na obediência. Inverter esses princípios equivale a transformar a autoridade papal numa tirania. Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Desde o anúncio das sagrações ocorrido &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/padre-de-blignieres-e-a-unidade-da-igreja-pelo-pe-jean-michel-gleize/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/09/Saint-Pierre-Ingres.jpg" alt="" width="365" height="387" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A unidade da Igreja se baseia, em primeiro lugar, na fé, e não na <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/obediencia-e-desobediencia/">obediência</a></span>. Inverter esses princípios equivale a transformar a autoridade papal numa tirania.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/rapports-rome-fsspx/le-pere-de-blignieres-et-lunite-de-leglise">La Porte Latine</a> </span>– Tradução:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/obediencia-e-desobediencia/"> Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde o anúncio das sagrações ocorrido no último dia 2 de fevereiro, o padre de Blignières ataca, com força redobrada, a Fraternidade São Pio X<a style="color: #000000;" href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>. De acordo com ele, as sagrações episcopais de 1º de julho serão <span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-cisma/">cismáticas</a></strong></span> e passíveis, como tais, da excomunhão <em>latae sententiae</em>. Ora, não o são, com toda a certeza, porque representam a medida excepcional à qual é legítimo recorrer em razão de um estado de necessidade bem óbvio para que ele precise ser demonstrado. Bem óbvio também para que seja possível demonstrar sua não existência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não obstante, de que meio o padre de Blignières se dota para concluir pelo <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-cisma/"><strong>cisma</strong></a></span>?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Duas estratégias lhe continuam viáveis. A primeira consiste em minimizar o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-estado-de-necessidade-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/"><strong>estado de necessidade</strong> </a></span>para concluir, daí, que ele não beira ao ponto de exigir a medida tão excepcional que as sagrações episcopais representam. A segunda consiste em invocar canonicamente o direito divino: ainda que o estado de necessidade exigisse a medida excepcional supramencionada, não deixaria de ser menos ilegítima e, portanto, impossível, porque consagrar bispos em contradição com a vontade do Papa seria contrário ao direito divino.</span><span id="more-34538"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira estratégia – que prega a convertidos – é manifestada pelo padre de Blignières nas colunas desta confortável e tranquilizadora revista que se tornou a <em>Famille chrétienne</em>. A segunda estratégia, suscetível de atingir os eclesiasticistas eventualmente hesitantes, apresenta, na revista <em>Sedes sapientiae</em>, todos os recursos do direito canônico e da teologia, no padrão Vaticano II. Desses recursos, aliás, demonstramos a inanidade<a style="color: #000000;" href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Indicamos aqui apenas a ideia mestra da entrevista publicada na <em>Famille chrétienne</em>: ela cobre seu autor com a mais avassaladora vergonha. Como pode acusar a Fraternidade São Pio X de não <em>“se importar mais com a unidade da Igreja”</em>? A verdadeira unidade da Igreja se baseia, inicialmente, e antes de tudo, na fé, assim como ensina o Papa Pio XI na Encíclica <em>Mortalium animos</em>: “Porque a caridade se apoia na fé integra e sincera como em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal.” O vínculo principal, ou seja, o elo que é, por si, o fundamento da unidade de governo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, que faz o Papa Leão XIV com este ecumenismo e este diálogo inter-religioso que ocultam cada vez mais, ao ponto de enfraquecer, o vínculo principal da unidade da Igreja? Que fizeram antes dele todos os seus predecessores desde o Vaticano II? Na verdade, separaram os católicos da Igreja, sob o pretexto de agradar aqueles que dela estão separados. Com efeito, devemos aplicar-lhes as próprias palavras do Papa Leão XIII, que condena o indiferentismo em sua Carta Apostólica <em>Testem benevolentiae</em>: “<em>Longe de nós diminuir ou suprimir, por qualquer motivo, qualquer doutrina que tenha sido transmitida. Tal política tenderia a separar os católicos da Igreja, em vez de atrair aqueles que discordam.</em>” De tanto omitirem ou minimizarem os pontos doutrinais que diferenciam os católicos daqueles que não o são, de tanto quererem se abrir ao mundo, tal como tem ocorrido desde 1789, todos esses Papas, de Paulo VI a Leão XIV, mereceram essa recriminação lançada injustamente pelo padre de Blignières na face da Fraternidade São Pio X. Não, não é ela, mas sim Leão XIV e seus predecessores desde o Vaticano II que parecem <em>“não se importar mais com a unidade da Igreja”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na realidade, a Fraternidade São Pio X, mais do que qualquer outro, tem uma grande preocupação com a unidade da Igreja, em uma época onde as verdades mais elementares da fé católica são cada vez mais desconhecidas pelos católicos, de tanto serem colocadas debaixo do alqueire pelas mais altas autoridades na Igreja, pelo Papa e pela maioria dos bispos. E essa constatação não é feita apenas por nós, mas também por Dom Schneider, cuja palavra é ouvida cada vez mais como o eco daquela sustentada por Dom Lefebvre em seu tempo. Que lhe retrucará o padre de Blignières? Deveríamos ver nas afirmações sustentadas pelo bispo auxiliar de Astana, a exemplo daquelas sustentadas atualmente pela Fraternidade São Pio X, uma <em>“maximização irracional das críticas”</em> que Dom Lefebvre outrora dirigia ao Concílio e à reforma litúrgica? Certamente, não. Pelo contrário, é o padre de Blignières que denigre injustamente a Fraternidade ao minimizar a realidade do estado de necessidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nas palavras do bom padre, a Fraternidade se fixara <em>“progressivamente em uma separação voluntária cada vez mais radical”</em>. Porém, separação de quem e de quê?… Obviamente, não separação da unidade da Igreja, mas separação dos erros que prejudicam essa unidade. A separação justificada com as orientações dos homens da Igreja não equivale de forma alguma a se separar da Igreja. Todos os teólogos o atestam. <em>“O cisma”</em>, diz o Dicionário de Teologia Católica para resumir sua concepção<a style="color: #000000;" href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>, <em>“é uma separação ilegítima </em>(sublinhada em itálico no texto)<em> da unidade da Igreja”</em>, pois <em>“poderia haver uma separação legítima, como se alguém recusasse a obedecer ao Papa, este ordenando uma coisa má ou indevida. […] Haveria aqui uma separação da unidade puramente exterior e putativa”</em>, em outras palavras, uma separação aparente, mas não real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ideia que o padre de Blignières se faz da unidade da Igreja surge então em toda sua falsidade: não é mais a unidade de fé, é uma pseudo unidade baseada na obediência absoluta ao Papa. De tanto insistir na necessidade dessa obediência, acabam por menosprezar a extrema gravidade de todas as iniciativas que escandalizam cada vez mais os membros da Igreja em sua fé e costumes. A fé é preterida pela obediência, e, de modo equivalente, a autoridade de Deus sobrevêm àquela dos homens da Igreja. Acontece como se o Papa não fosse mais o que deve ser – não mais o vigário de Cristo, encarregado de transmitir a única palavra da Única verdade – mas um homem revestido da mais absoluta autoridade para impor todos os caprichos de sua teologia pessoal. Em termos precisos, um verdadeiro tirano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao acusar a Fraternidade de não se importar mais com a unidade da Igreja, tal como a concebe, o padre de Blignières encoraja essa tirania.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Jean Michel Gleize, FSSPX</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Uma outra resposta do Pe. Gleize ao Pe. Blignières pode ser vista nos links abaixo:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-prejudicaram-um-elemento-essencial-da-fe-catolica-a-unidade-da-igreja/">PARTE 1: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988 PREJUDICARAM UM ELEMENTO ESSENCIAL DA FÉ CATÓLICA: A UNIDADE DA IGREJA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-realizadas-por-d-lefebvre-em-1988-representam-um-ato-de-natureza-cismatica/">PARTE 2: AS SAGRAÇÕES REALIZADAS POR D. LEFEBVRE EM 1988 REPRESENTAM UM ATO DE NATUREZA CISMÁTICA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-o-dilema-ecclesia-dei/">PARTE 3: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988: O DILEMA ECCLESIA DEI</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1) Artigo intitulado: “A communion hiérarchique des évêques est-elle de droit divin?”, publicado na edição 174, de dezembro de 2025, da revista Sede sapientiae e disponibilizada no site dessa revista em 4 de fevereiro de 2026. “Entrevista” publicada no site da Famille chrétienne, em 13 de fevereiro de 2026. Artigo intitulado: “Les sacres de la Fraternité sacerdotale Saint Pie X: une usurpation de juridiction”, disponibilizado no site da revista Sedes sapientiae em 21 de fevereiro de 2026 e republicado no site Claves da Fraternidade São Pedro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(2) Ver em particular a edição do Courrier de Rome de junho de 2025.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(3) Artigo “Cisma” no Dictionnaire de Théologie catholique, tomo XIV, primeira parte, Letouzey et Ané, 1939, col. 1302.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>OS ADORADORES DA PACHAMAMA CONTINUAM OFERECENDO SACRIFÍCIOS HUMANOS</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2026 17:11:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
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		<description><![CDATA[Fonte: Infovaticana &#8211; Tradução: Dominus Est Há anos, em ambientes ideológicos, midiáticos e inclusive eclesiásticos (veja aqui e aqui), tentou-se apresentar o culto à Pachamama como uma mera expressão folclórica, uma espiritualidade inofensiva vinculada à natureza ou uma forma poética &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-adoradores-da-pachamama-continuam-oferecendo-sacrificios-humanos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://infovaticana.com/wp-content/uploads/2026/03/INFOVATICANA_59-875x600.jpg" alt="The worshippers of Pachamama continue to perform human sacrifices." width="591" height="415" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <a href="https://infovaticana.com/en/2026/03/16/the-worshippers-of-pachamama-continue-to-perform-human-sacrifices/"><span style="color: #0000ff;">Infovaticana</span> </a>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Há anos, em ambientes ideológicos, midiáticos e inclusive eclesiásticos (<strong>veja <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/antes-da-pachamama-magia-ritos-vodu-e-aquela-estranha-viagem-de-joao-paulo-ii/">aqui</a></span> e <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/surgem-fotos-de-robert-prevost-em-culto-a-pachamama/">aqui</a></span></strong>), tentou-se apresentar o culto à Pachamama como uma mera expressão folclórica, uma espiritualidade inofensiva vinculada à natureza ou uma forma poética de religiosidade indígena. Mas a realidade, quando se examina sem propaganda e sem covardia moral, é muito mais sinistra. Em pleno século XXI continuam aparecendo na Bolívia casos, testemunhos e investigações jornalísticas que vinculam esse culto com </span><strong><span class="tm7">sacrifícios humanos reais</span></strong><span class="tm6">. Não se trata de lendas coloniais ou de exageros apologéticos. São fatos publicados por meios de comunicação, recolhidos por jornalistas identificados e respaldados, em alguns casos em processos judiciais.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">O caso mais brutal foi relatado pelo jornalista </span><strong><span class="tm7">Ariel Melgar Cabrera </span></strong><span class="tm6">em </span><em><span class="tm8">El Deber</span></em><span class="tm6">. Em sua reportagem, publicada no dia 15 de março de 2024, explica-se como a justiça de La Paz condenou dois homens pelo desaparecimento de </span><strong><span class="tm7">Shirley H. R. A.</span></strong><span class="tm6">, uma jovem mãe de 25 anos, cujo desaparecimento se remontava a 2021. Segundo a Promotoria e a investigação policial, a mulher foi enganada, dopada, levada inconsciente e enterrada em uma mina do município de Palca como </span><strong><span class="tm7">oferenda à Pachamama</span></strong><span class="tm6">. Não estamos perante uma interpretação enviesada nem de uma leitura simbólica de um rito ancestral. O caso de acusação feito pela justiça boliviana foi exatamente esse: a vítima foi entregue como sacrifício.</span></span><span id="more-34513"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A gravidade do caso destrói, em um só golpe, toda a retórica sentimental com que alguns querem tratar esses cultos. A vítima era uma mulher jovem, mãe de dois filhos, e foi convertida em objeto de ritual para obter supostos favores da terra. Não há, aqui, “sabedoria ancestral” a admirar, nem “espiritualidade dos povos” para romantizar, nem “diálogo intercultural” para esconder o horror. Há uma lógica sacrificial, sanguinária e profundamente anti-católica. Há uma divinização da terra que clama por sangue. E há homens dispostos a vertê-lo.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">O mais inquietante é que não se trata de um caso isolado. O jornal </span><em><span class="tm8">La Prensa</span></em><span class="tm6">, em uma reportagem de </span><strong><span class="tm7">Carmen Challapa</span></strong><span class="tm6">, publicou uma reportagem com título inequívoco: </span><em><span class="tm8">“Os sacrifícios humanos, prática que persiste no país”</span></em><span class="tm6">. O texto inclui o testemunho de um yatiri, ou seja, de um especialista ritual andino, que afirma abertamente que </span><strong><span class="tm7">os sacrifícios humanos continuam sendo feitos, sobretudo em construções e minas. </span></strong><span class="tm6">Sua explicação não dá margem a equívocos: a vitima é espancada até perder a consciência, realiza-se o ritual correspondente e depois é enterrada. Não é uma denúncia de fora, feita por inimigos da cultura andina. É uma descrição interna do procedimento.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Esse mesmo artigo traz também as palavras da historiadora </span><strong><span class="tm7">Sayuri Loza</span></strong><span class="tm6">, que explica que tais sacrifícios correspondem à crença de que a alma do sacrificado deve ficar no lugar para protege-lo. Trata-se de uma visão religiosa em que a pessoa humana deixa de ser imagem de Deus, e se converte em material para estabilizar uma obra, cuidar de uma mina ou atrair prosperidade. É uma degradação radical da dignidade humana. O homem deixa de ser fim e passa a ser instrumento. [1] E quando o sangue inocente é incorporado ao rito, o fenômeno deixa de ser meramente pagão para mostrar sua dimensão inequivocamente demoníaca.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Também </span><em><span class="tm8">Telemundo</span></em><span class="tm6">, em um artigo difundido por </span><em><span class="tm8">Al Rojo Vivo </span></em><span class="tm6">no dia 8 de novembro de 2023, informou que a promotoria boliviana investigava </span><strong><span class="tm7">supostos sacrifícios humanos em uma mina</span></strong><span class="tm6">. O programa falava do encontro de cadáveres em contextos relacionados com exploração de minérios e da suspeita de que as vítimas foram oferecidas como sacrifício ao </span><em><span class="tm8">Tío </span></em><span class="tm6">da mina, figura infernal associada a cultos de mineradores da Bolívia. De novo aparece o mesmo padrão: sangue, mina, oferecimento, superstição religiosa e uma raiz espiritual tenebrosa que não tem nada de inocente.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">Nessas alturas, seguir dizendo que a Pachamama é apenas um símbolo cultural respeitável ou uma expressão neutra de religiosidade popular não é apenas ignorância: é </span><strong><span class="tm7">falsificação deliberada da realidade. </span></strong><span class="tm6">Os fatos publicados por </span><em><span class="tm8">El Deber</span></em><span class="tm6">, </span><em><span class="tm8">La Prensa </span></em><span class="tm6">e </span><em><span class="tm8">Telemundo </span></em><span class="tm6">obrigam a tratar as coisas com seu devido nome.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">E, por uma perspectiva católica, o juízo não pode ser ambíguo. Todo culto que exige sangue humano, todo rito que busca favores mediante imolações, toda espiritualidade que substitui Deus pela terra divinizada e converte o homem em vítima propiciatória pertence ao campo do </span><strong><span class="tm7">idolátrico </span></strong><span class="tm6">e, em sua forma extrema, do </span><strong><span class="tm7">demoníaco</span></strong><span class="tm6">. [2] Não há “pontes” que podem ser feitas com uma espiritualidade que degrada o homem até convertê-lo em material de sacrifício.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm6">A questão não é se tais práticas podem ser reinterpretadas de forma simbólica em congressos acadêmicos ou em discursos eclesiásticos dos bem-pensantes. A questão é que </span><strong><span class="tm7">continuam existindo exemplos concretos</span></strong><span class="tm6">, continuam aparecendo investigações, e os meios de comunicação bolivianos documentaram que os sacrifícios humanos associados a esse universo religioso não são mera arqueologia cultural.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">[1] Nota dos editores: a ideia do homem como fim é estranha, porque Deus é o fim último de todas as coisas.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">É duro achar que o pensamento de “São” João Paulo II vai causar algum incômodo nos pachamamistas e em sacerdotes com consciência cauterizada – por um carguinho na diocese, imaginamos.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">E a história mostrou o quão ridículas eram as pretensões de uma unificação entre todos os homens no “humanismo”, com a total ausência de comoção das elites epstenianas que mandam no mundo – e que persistem no satanismo.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">[2] Nota dos editores: toda idolatria é demoníaca, e tende, por força da gravidade, ao sacrifício humano.</span></p>
<p class="Normal" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>SURGEM FOTOS DE ROBERT PREVOST EM CULTO A PACHAMAMA</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2026 13:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa abominação é antiga, mas tem uma atualização também nisso: LEÃO XIV INAUGURA A MISSA BERGOLIANA PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO ************************ O portal LifeSiteNews publicou, pela primeira vez, uma série de fotografias nas quais o atual Papa Leão XIV, então o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/surgem-fotos-de-robert-prevost-em-culto-a-pachamama/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/photo-prev-e1773690852992-810x500.jpg" alt="Featured Image" width="616" height="380" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa abominação é antiga, mas tem uma atualização também nisso: <span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/leao-xiv-inaugura-a-missa-bergoliana-pelo-cuidado-da-criacao/">LEÃO XIV INAUGURA A MISSA BERGOLIANA PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO</a></strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">************************</p>
<p><span style="color: #000000;"><span class="tm6"><span style="color: #000000;">O portal LifeSiteNews publicou,</span> pela primeira vez, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.lifesitenews.com/blogs/unearthed-1995-photo-shows-pope-leo-xiv-participating-in-pachamama-ritual/?utm_source=featured-news&amp;utm_campaign=usa">uma série de fotografias nas quais o atual Papa Leão XIV, então o agostiniano Robert Francis Prevost, aparece de joelhos participando em um rito da Pachamama durante um simpósio celebrado em São Paulo, em janeiro de 1995.</a></span> As imagens vêm das atas oficiais do encontro, editadas em 1996 com o título </span><em><span class="tm7">Ecoteologia: uma perspectiva desde San Agustín</span></em><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A reportagem se apoia no trabalho do sacerdote Charles Murr, que prepara um livro sobre o atual Pontífice e afirma ter recompilado, durante meses, a documentação do caso. Segundo Murr, três sacerdotes argentinos identificaram sem margem de dúvida a Prevost na fotografia principal, na qual é visto ajoelhado com outros participantes no contexto do rito.</span><span id="more-34516"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-12-at-17.56.17-1.jpeg" alt="" width="571" height="759" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">O próprio volume em que aparecem as imagens não deixa margem a interpretações sobre a natureza do ato. A nota da foto descreve a cena como uma “Celebração do Rito da Pachamama (mãe terra)”, definido como um rito agrícola próprio de culturas andinas, especialmente no Peru e na Bolívia. A fotografia mostra vários assistentes de joelhos em torno a um altar, em atitude inequivocamente religiosa.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-12-at-17.56.10-2.jpeg" alt="" width="584" height="439" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">As atas incluem, além disso, outras imagens que confirmam a presença de Prevost no simpósio, como uma fotografia de grupo de todos os participantes, e outra que corresponde a uma celebração eucarística no mesmo lugar. LifeSiteNews afirma, também, que a identificação do então religioso agostiniano foi reforçada pela comparação com imagens da época, publicadas em revistas internas da ordem.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">O contexto do evento remete a correntes teológicas latino-americanas vinculadas à chamada ecoteologia, em que se promovia o diálogo com cosmovisões indígenas. Contudo, o que as imagens mostram vai além de um intercâmbio cultural ou acadêmico: trata-se da participação em um rito dirigido a uma divindade estranha à fé católica.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-12-at-17.56.23-1.jpeg" alt="" width="579" height="435" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">O caso torna-se particularmente doloroso pelas circunstâncias pessoais de Prevost naquele momento. Próximo dos 40 anos e com uma trajetória já consolidade dentro da ordem agostiniana, sua presença de joelhos em uma cerimônia desse tipo não pode ser atribuída à falta de formação ou maturidade. A cena documenta um gesto objetivamente escandaloso no que, atualmente, ocupa a Sé de Pedro.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-18-at-22.18.36-9-e1773948649556-810x500.png" alt="Featured Image" width="567" height="353" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A publicação dessas imagens pode gerar confusão profunda entre muitos fiéis. A referência à Pachamama não é meramente decorativa ou simbólica, mas remete a práticas religiosas que seguem existindo hoje, e em cujo nome continuam-se realizando sacrifícios humanos. Por isso, a gravidade do fato não se encerra no passado, mas se projeta no presente da Igreja.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Contudo, o episódio pode e deve ser esclarecido. A situação exige uma explicação pública sobre o contexto daquela participação e, se confirmado, uma retificação clara. Pedir perdão e marcar um caminho de correção não debilitaria o Pontífice, mas ajudaria a dissipar o estupor e a reparar, ao menos parcialmente, o dano causado por imagens que são difíceis de engolir por qualquer católico.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Enquanto isso, a informação difundida por LifeSiteNews e o trabalho prévio de Charles Murr colocam na mesa um fato de enorme gravidade: Robert Prevost, hoje papa Leão XIV, foi fotografado de joelhos em um rito da Pachamama, em plena idade adulta, e em contexto explicitamente religioso.</span></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/hw_LNPzln9Y?si=kuszephQZpcegHFm" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>“ONDE ESTÁ O CISMA?”, PELO PADRE JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 12:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[O cisma existe de fato. Mas não está onde alguns acreditam vê-lo. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio O anúncio das sagrações episcopais, previstas para o próximo dia 1º de julho, não deixou ninguém &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/onde-esta-o-cisma-pelo-padre-jean-michel-gleize-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/02/IT575447B.jpg" alt="" width="516" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O cisma existe de fato. Mas não está onde alguns acreditam vê-lo.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/rapports-rome-fsspx/ou-est-le-schisme">La Porte Latine</a> </span>&#8211; Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/a-casa-geral-da-fsspx-anuncia-futuras-sagracoes/">anúncio das sagrações episcopais</a></span>, previstas para o próximo dia 1º de julho, não deixou ninguém indiferente. Especialmente porque a Carta endereçada em 18 de fevereiro passado ao Cardeal Fernández pelo Superior Geral da Fraternidade permaneceu, até agora, sem qualquer reação por parte de Roma. Diante deste silêncio de Roma, bispos se pronunciam: uns para censurar a iniciativa das sagrações, outros para justificá-la e defendê-la contra as censuras incorridas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As declarações de Dom Schneider são agora bem conhecidas.<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/d-athanasius-schneider-revela-detalhes-de-sua-audiencia-com-leao-xiv-e-fala-sobre-a-fsspx/"> Recebido em audiência em 18 de dezembro de 2025 pelo Papa Leão XIV, o bispo auxiliar de Astana já havia pleiteado a causa da Fraternidade São Pio X</a></span>. Posteriormente, em uma entrevista concedida em 17 de fevereiro ao jornalista Robert Moynihan, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/rome-et-la-fraternite-mgr-schneider-repond-au-cardinal-fernandez-57406">Dom Schneider opôs-se firmemente às declarações feitas pelo Cardeal Fernández</a> </span>ao Superior Geral da Fraternidade São Pio X durante o encontro de 12 de fevereiro — declarações tornadas públicas, pelas quais o Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé pretendia impor à Fraternidade a retomada de um diálogo que já se previa sem saída, e que teria como único efeito tangível adiar sine die a data das sagrações episcopais, em grande detrimento da salvação das almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 24 de fevereiro, Dom Schneider tornou público um &#8220;<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/exclusivo-d-athanasius-schneider-apela-ao-papa-leao-xiv-para-que-construa-uma-ponte-entre-roma-e-a-fsspx/">Apelo fraterno dirigido ao Papa Leão XIV</a></span>&#8220;: &#8220;<em>A Santa Sé</em>&#8220;, declara ele, &#8220;<em>deveria estar grata à FSSPX, pois ela é atualmente quase a única entidade eclesiástica de relevo a sublinhar aberta e publicamente a existência de elementos ambíguos e incorretos em certas declarações do Concílio e no Novus Ordo Missae. Nesta empreitada, a FSSPX é guiada por um amor sincero à Igreja: se não amasse a Igreja, o Papa e as almas, não empreenderia este trabalho, nem dialogaria com as autoridades romanas — e sua vida seria, sem dúvida, mais fácil&#8221;</em>. E concluiu que o Papa deveria conceder sem condições o mandato apostólico para as sagrações episcopais de 1º de julho de 2026. Por fim, em 9 de março passado, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-schneider-les-consecrations-episcopales-la-fsspx-ne-seront-aucun-cas-schismatiques-57822">em uma longa entrevista concedida ao jornalista Andreas Wailzer no canal de YouTube Kontrapunkt</a></span>, Dom Schneider afirma categoricamente que as sagrações episcopais não serão cismáticas, pois são a reação necessária e legítima exigida pela salvação das almas por parte da Fraternidade São Pio X.</span><span id="more-34504"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por sua vez, Dom Strickland, bispo emérito de Tyler,<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-strickland-loue-hautement-mgr-lefebvre-49411">já se tornara conhecido por seu elogio enfático a Dom Lefebvre e à Declaração de 21 de novembro de 1974</a></span>. Não contente em reconhecer o estado de necessidade na Igreja e justificar a atitude da Fraternidade São Pio X, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/uma-carta-de-dom-joseph-strickland/">o prelado dos Estados Unidos chega a legitimar as futuras sagrações episcopais anunciadas por Dom Davide Pagliarani</a></span>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estes dois prelados reconhecem, ambos, o estado de grave necessidade que assola a Igreja desde o Vaticano II. E, fato notável, ambos remontam também às causas profundas desta situação. Segundo eles, a crise generalizada que afeta toda a Igreja não se explica apenas por simples abusos provenientes de uma má aplicação das reformas empreendidas pelo Concílio ou na dependência deste. A crise encontra, antes de tudo, sua verdadeira explicação nas próprias reformas, na nova doutrina social baseada no falso princípio da liberdade religiosa, na nova eclesiologia ecumenista, na concepção colegialista e sinodalizante do governo da Igreja e na nova liturgia protestantizada. Assim, ambos os prelados dão inteira razão à obra empreendida por Dom Lefebvre para assegurar a sobrevivência da Igreja através da sobrevivência de seu sacerdócio. Sobrevivência da unidade da Igreja, contra todas as forças de dissolução que a ameaçam cada vez mais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De outro lado, seguindo o Cardeal Sarah, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://lesalonbeige.fr/fsspx-mgr-eleganti-conteste-linterpretation-de-mgr-schneider/">Dom Eleganti acaba de se manifestar</a></span> para denunciar &#8220;um estado de espírito e um comportamento cismáticos&#8221; na vontade de realizar as sagrações episcopais previstas para o próximo 1º de julho. Seu discurso apresenta-se como um desmentido ao de Dom Schneider. No entanto, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-eleganti-critique-fortement-vatican-ii-et-la-nouvelle-liturgie-54923">embora crítico como este último em relação às reformas oriundas do Concílio Vaticano II</a></span> (<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-eleganti-vatican-ii-ou-le-printemps-annonce-qui-na-jamais-eu-lieu-56019">leia também aqui</a></span>), o antigo bispo auxiliar de Coira recua diante das medidas de exceção a serem tomadas para garantir a sobrevivência da Igreja em sua fé e em seus costumes, face à corrupção generalizada da doutrina e da moral.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas onde está o cisma? &#8220;De acordo com o cânon 1325 do Código de Direito Canônico de 1917, no § 2&#8243;, explica o especialista em direito canônico Raoul Naz[1], o cisma atenta contra a unidade da Igreja &#8220;<em>porque supõe uma recusa sistemática e habitual de dependência. Ao contrário, a desobediência pode ser apenas um ato passageiro, sem que seu autor conteste de modo algum a autoridade da lei ou do legislador, ou queira subtrair-se a ela de forma habitual&#8221;</em>. Ora, é claro e comprovado que nem Dom Lefebvre nem seus sucessores à frente da Fraternidade jamais quiseram separar-se da unidade da Igreja, pois nunca quiseram recusar o princípio mesmo da dependência em relação a Roma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a Fraternidade é cismática, por que então todos esses contatos da Fraternidade com o Vaticano, com Roma? Por que, após a eleição de Leão XIV, o Superior Geral da Fraternidade escreveu ao Papa pedindo para encontrá-lo? Portanto, não apenas a Fraternidade nunca quis separar-se da unidade da Igreja em sua intenção, mas também, independentemente dessa boa intenção, o ato em si da sagração episcopal, tomado isoladamente e embora realizado aparentemente contra a vontade de Roma, não representa um cisma. Há cisma apenas se o bispo que sagra outros bispos tem a pretensão de lhes dar autoridade para governar, pois isso somente o Papa pode fazer. Sagrar bispos, mesmo contra a vontade do Papa, sem lhes conferir jurisdição, não é fazer um cisma, pois não é recusar em seu princípio o poder do Papa, que é a fonte da jurisdição. Dom Eleganti confunde tudo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cisma existe de fato. Mas não está onde Dom Eleganti acredita vê-lo. E está onde ele não o vê. O cisma é esse ecumenismo desenfreado perseguido com uma obstinação terrível pelo Papa Leão XIV. O que atenta gravemente contra a unidade da Igreja, com efeito, não são as sagrações de Ecône, é o ecumenismo, é o diálogo inter-religioso. Pois, tomadas em si mesmas, estas iniciativas supõem todas que a dependência em relação a Deus não passa necessariamente pela dependência em relação ao Vigário de Cristo, que é o Papa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em dezembro passado, durante sua viagem ao Líbano, o Papa Leão XIV disse, dirigindo-se ao mesmo tempo a cristãos católicos e muçulmanos: &#8220;Vossa presença aqui hoje, neste lugar notável onde os minaretes e as torres das igrejas se erguem lado a lado, mas ambos se elevam para o céu, testemunha a fé inabalável desta terra e a devoção sem falhas de seu povo ao Deus único. Aqui, nesta terra amada, que cada som de sino, cada adhān, cada apelo à oração se funda e se eleve em um só hino, não apenas para glorificar o Criador misericordioso do céu e da terra, mas também para elevar uma oração sincera pelo dom divino da paz&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Onde está o cisma?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">Nota:</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] Raoul Naz (1889–1977) é o especialista incontestado em Direito Canônico no século XX, autor de um clássico Dicionário de Direito Canônico, Letouzey et Ané, 1965, no sétimo volume do qual (col. 886 e seguintes) figura o verbete “Cisma”, do qual extraímos as seguintes considerações</span></p>
<p style="text-align: center;">***************************************</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO “ESPECIAL DOS ESPECIAIS” SOBRE TEMAS COMO CISMA, OBEDIÊNCIA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
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		<item>
		<title>O COQUETEL INFERNAL DO LIBERALISMO E O MÉTODO REVOLUCIONÁRIO DE ENVENENAMENTO</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 14:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Um texto do famoso convertido Pe. Joseph Lémann (1836-1915). Fonte: Radio Spada &#8211; Tradução: Dominus Est Desde o princípio, a Revolução foi venenosa, mas com arte, com habilidade; imitou e até superou as misturas de Agripina e Locusta . Revisemos, por um momento, a Roma pagã: Locusta é uma &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-coquetel-infernal-do-liberalismo-e-o-metodo-revolucionario-de-envenenamento/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="tm5 tm6" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.radiospada.org/wp-content/uploads/2026/01/unnamed-15-1024x640.jpg" alt="O coquetel infernal do liberalismo e o método revolucionário de envenenamento (um texto do famoso convertido Padre Joseph Lémann)" width="527" height="335" /></p>
<p class="tm5 tm6" style="text-align: justify;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Um texto do famoso convertido Pe. Joseph Lémann (1836-1915).</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.radiospada.org/2026/01/cocktail-infernale-liberalismo/">Radio Spada</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Desde o princípio, a Revolução foi venenosa, mas com arte, com habilidade; imitou e até superou as misturas de Agripina e Locusta .</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Revisemos, por um momento, a Roma pagã: Locusta é uma famosa envenenadora da época dos Césares. Primeiro, ela foi incumbida de matar o Imperador Cláudio, a mando de Agripina. Em seguida, foi convocada ao conselho e incumbida de envenená-lo com engenhosidade! Um veneno de ação rápida demais tornaria evidente o assassinato de Cláudio. Um veneno de ação lenta demais lhe daria tempo para perceber o crime e garantir os direitos de Britânico, seu filho. Locusta compreende e encontra </span><em><span class="tm10">algo sofisticado em termos de venenos, que perturbará sua razão e extinguirá lentamente sua vida</span></em><span class="tm9">. Um eunuco fez o infeliz César beber esse veneno, colocando-o em um cogumelo, que ele saboreia com prazer: ele morre atordoado!</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Um ano depois, Locusta se livrou de Britânico, que era um obstáculo para Nero. Desta vez, não lhe pediram um veneno lento, tímido e secreto, como aquele que ela havia preparado com tanta elegância para Cláudio, mas sim um veneno ativo, rápido e fulminante. Britânico caiu morto à mesa imperial.</span><span id="more-34219"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Locusta tinha alunos, Nero permitiu que ela formasse discípulos e mantivesse uma escola de envenenamento. A história e a pintura, de fato, a representam enquanto ela testa seus venenos em escravos desfortunados, alguns dos quais se contorcem a seus pés, outros enlouquecem.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Mas voltemos aos nossos dias atuais&#8230;</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Quem poderia imaginar que Locusta poderia ser superada? A Revolução fez esse progresso sinistro.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Desde o surgimento do cristianismo no mundo, tudo assumiu uma forma mais elevada, mais espiritualizada, até mesmo o mal, até mesmo o envenenamento. Envenenam-se os espíritos e os costumes, como outrora se envenenavam os corpos: com engenhosidade! Não dizíamos, nos séculos cristãos, &#8220;o veneno da heresia&#8221;, &#8220;o veneno do erro&#8221;? A sombra de Locusta, certamente, já pairava sobre os conclaves do maniqueísmo, do arianismo, do calvinismo, do voltairismo; mas, em 1789, a Revolução, inspirando-se na envenenadora e desejosa de superá-la, inventará na ordem intelectual e social algo sofisticado em matéria de venenos, que perturbará a razão e extinguirá lentamente a vida dos povos cristãos. Do que se trata?</span></p>
<p class="tm5 tm6" style="text-align: justify;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Liberalismo</span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Para perturbar a razão de um povo como os franceses e extinguir lentamente a sua vida, é necessária uma bebida que seja simultaneamente veneno, poção do amor e narcótico:</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">— o veneno mata;</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">— a poção do amor embriaga;</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">— o narcótico te faz dormir.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Todos esses efeitos juntos são necessários para superar a robusta estrutura de uma nação cristã.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Trata-se de matar nela os ideais cristãos, embriagar as almas generosas e adormecer as pessoas honestas: tudo isso simultaneamente. O liberalismo será essa mistura habilidosa, essa bebida terrível. Se o analisarmos, encontraremos três elementos: veneno, poção do amor e narcótico.</span></p>
<ul class="Normal tm5 tm11" style="text-align: justify;">
<li class="tm12"><span class="tm9" style="color: #000000;">Primeiro, o veneno: assim como nos campos encontramos plantas venenosas, também no campo intelectual encontramos doutrinas malignas e opiniões perniciosas. Por mais que a Igreja tente erradicá-las, elas reaparecem com a mesma facilidade e tenacidade que ervas daninhas: por exemplo, a negação do pecado original; a onipotência da razão, à qual todos devem se submeter; a suficiência das forças humanas para atingir seus próprios fins e a suficiência das forças sociais para guiar os povos. Esses produtos venenosos, próprios de cada época, foram significativamente revelados e disseminados pela filosofia do século XVIII. A Revolução só precisará se abaixar para colhê-los. Eles constituirão o primeiro elemento de sua terrível poção.</span></li>
<li class="Normal tm5 tm12"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Mais do que veneno, </span><em><span class="tm10">a poção do amor</span></em><span class="tm9">: no tesouro das línguas humanas, existem palavras que tem o poder de excitar, embriagar e apaixonar: são as palavras mágicas da liberdade, da fraternidade e da igualdade. O Evangelho havia purificado essas palavras, explicando-as e, infundindo-as com um fermento divino, sublimando-as a ponto de expressar novas ideias. Enquanto permaneceram ligadas ao Evangelho, penetraram e influenciaram o mundo de uma maneira tanto mais segura e salutar quanto mais doce, equilibrada e respeitosa fosse. Mas eis que no século XVIII, a filosofia se apropria dessas palavras e as explica. Imediatamente elas perdem seu fermento divino e se transformam em uma poção do amor . A Assembleia Nacional, na famosa noite de 4 de agosto de 1789 — que será uma embriaguez sem precedentes na história das nações — experimentaria essa poção. Entraram, assim, como um segundo elemento na bebida sedutora e fatal que pavimentou o caminho para a Revolução.</span></span></li>
<li class="Normal tm5 tm12"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O </span><em><span class="tm10">narcótico</span></em><span class="tm9">, enfim, surge como um terceiro elemento. Entre todos os sentimentos que habitam o coração do homem, há um que se destaca por sua grande nobreza quando guiado pela verdade, mas que se torna extremamente perigoso quando inspirado apenas por si mesmo: é o sentimento de tolerância, de indulgência. De fato, quando guiada pela verdade, a tolerância se traduz em compaixão pelas pessoas, mas se recusa a reconhecer seus erros: compaixão pela </span><em><span class="tm10">pessoa</span></em><span class="tm9">, reprovação </span><em><span class="tm10">do erro</span></em><span class="tm9">, tal é a expressão da tolerância católica. Ao contrário, quando inspirada apenas em si mesma, a tolerância, perdendo-se na fraqueza das crenças ou em uma sensibilidade falsa e exagerada, torna-se indulgência tanto para com os erros quanto para com as pessoas, e imprudentemente desculpa tudo: tanto os atos de fraqueza quanto as doutrinas culpáveis. A Igreja sempre subordinou sabiamente esse sentimento à verdade.  A filosofia do século XVIII, porém, o separou dela. É então que máximas como estas criam raízes na sociedade: </span><em><span class="tm10">&#8221; A tolerância é a mãe da paz&#8221; – &#8220;Só a tolerância poderia estancar o sangue que corria de um extremo ao outro da Europa&#8221; – &#8220;Se Deus quisesse, todos os homens teriam a mesma religião, assim como têm o mesmo instinto moral: sejam, portanto, tolerantes&#8221;</span></em><span class="tm9"> . Este sistema de tolerância, incentivado e difundido, será o ópio, o narcótico de que a Revolução precisa. Ela o usará para adormecer todas as disputas religiosas e – melhor ainda – para adormecer, se possível, as próprias religiões. Uma multidão de pessoas honestas, pessoas boas, não pedirá nada além do que se entorpecer, adormecer e permanecer neutra, apesar do rigor da ciência teológica. Eis o terceiro elemento da bebida revolucionária!</span></span></li>
</ul>
<p class="tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">E assim:</span></p>
<ul class="Normal tm5 tm11" style="text-align: justify;">
<li class="tm12"><span class="tm9" style="color: #000000;">Onipotência da razão, à qual tudo deve se submeter; suficiência das forças humanas para abrir caminho e suficiência das forças sociais para guiar os povos (veneno).</span></li>
<li class="Normal tm5 tm12"><span class="tm9" style="color: #000000;">As grandes palavras de liberdade, igualdade, fraternidade (poção do amor).</span></li>
<li class="Normal tm5 tm12"><span class="tm9" style="color: #000000;">Sentimento de tolerância mútua não apenas pelas pessoas, mas também pelas doutrinas (narcótico).</span></li>
</ul>
<p class="tm8" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Esta é a mistura pérfida que, como nos tempo de Locusta, turva a razão e extingue lentamente a vida. Alguns ficarão embriagados, outros adormecidos, muitos morrerão a longo prazo. Essa mistura receberá, mais tarde, seu nome característico: liberalismo.</span></p>
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		</item>
		<item>
		<title>PODE A FSSPX SER PROIBIDA DE FAZER O QUE É PERMITIDO AO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS?</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 14:44:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

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		<description><![CDATA[A resposta agora cabe a Roma. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est A questão surge na mente de muitos fiéis católicos em todo o mundo. Como entender que Roma possa considerar com severidade as consagrações episcopais na FSSPX &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/pode-a-fsspx-ser-proibida-de-fazer-o-que-e-permitido-ao-partido-comunista-chines/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5" style="text-align: center;"><img class="" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/02/Fernandez-Pagliarani.jpeg" alt="" width="620" height="353" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: center;"><strong><span class="tm6" style="color: #000000;">A resposta agora cabe a Roma.</span></strong></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/actualite/peut-on-interdire-a-la-fsspx-ce-que-lon-permet-au-parti-communiste-chinois">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A questão surge na mente de muitos fiéis católicos em todo o mundo. Como entender que Roma possa considerar com severidade as consagrações episcopais na FSSPX que ocorrerão no próximo dia 1º de julho, ao mesmo tempo em que reconhece, tolera ou ratifica a posteriori as nomeações impostas pelo Partido Comunista Chinês?</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Não se trata de um paralelo artificial. Os fatos são públicos, repetidos, documentados. Há anos, o poder comunista chinês — oficialmente ateu, doutrinariamente materialista, estruturalmente hostil à realeza social de Cristo — intervém diretamente na nomeação dos bispos. Não o faz para servir a Igreja, mas para controlá-la. Não o faz para proteger a fé, mas para a supervisionar, vigiar e orientar de acordo com os interesses de um Estado ideológico.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">No entanto, diante dessas graves interferências na constituição divina da Igreja, Roma dialoga, negocia, concilia. Chega a reconhecer certas nomeações realizadas sem mandato pontifício, unilateralmente, em nome de um pragmatismo diplomático apresentado como necessário para o bem das almas, a fim de preservar o acordo assinado desde 2018 entre o governo de Pequim e a Santa Sé.</span><span id="more-34305"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Invoca-se então o contexto. Fala-se de realismo. Explica-se que é preciso evitar uma ruptura total, manter um canal de comunicação e o que ainda pode ser preservado da vida católica em um ambiente de perseguição.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Mas então surge a questão: por que esse raciocínio, aceitável diante de uma potência comunista, se tornaria inaceitável diante da FSSPX?</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Afinal, qual é a intenção da FSSPX? Servir a um Estado? Fundar uma igreja nacional? Promover uma ideologia alheia à fé? Evidentemente que não. Sua única razão de ser é a salvaguarda do sacerdócio católico, a transmissão integral da fé, a defesa da missa tradicional, a proteção das almas em uma crise sem precedentes da Igreja.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Quando a FSSPX fala da necessidade de bispos, não se refere à jurisdição territorial ou pessoal. Refere-se às confirmações, às ordenações e à continuidade sacramental. Refere-se à sobrevivência concreta de um sacerdócio formado segundo uma doutrina de sempre. Refere-se ao direito dos fiéis de receberem os sacramentos em sua integridade doutrinal e litúrgica.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A finalidade é radicalmente diferente. Por um lado, um poder ateu impõe bispos para escravizar a Igreja. Do outro, uma sociedade sacerdotal considera bispos para preservar a fé e os sacramentos. Colocar essas duas realidades no mesmo plano disciplinar, sem considerar a intenção nem o contexto de crise da Igreja, equivaleria a aplicar a lei de maneira abstrata, separada do fim para o qual ela existe: a salvação das almas.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">No entanto, é precisamente esse princípio que Roma invoca na China. Aceita-se uma situação imperfeita para preservar um bem maior. O bem das almas estaria menos comprometido quando se trata da Tradição? O perigo para a fé seria menor quando os fiéis são privados de crismas, ordenações, padres formados segundo a doutrina constante da Igreja?</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Quem pode seriamente sustentar que a ameaça que pesa sobre as almas provém mais da FSSPX do que de um aparato estatal comunista que prende bispos fiéis, vigia os seminários e reescreve a doutrina à luz do marxismo?</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A desproporção é tal que perturba muitos fiéis, muito além das fileiras da Tradição. Eles observam a paciência demonstrada em relação a Pequim. Observam também as restrições, pressões e suspeitas impostas às comunidades tradicionais. Eles constatam que se tolera amplamente onde a fé é ameaçada pelo ateísmo do Estado, mas que se mostra intransigente onde ela é defendida em sua integridade.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Não se trata de desafiar a autoridade da Santa Sé, nem de negar o seu direito de nomear bispos. Trata-se de recordar que o exercício dessa autoridade faz sempre parte da ordem da salvação das almas, que continua a ser a lei suprema da Igreja.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Se, para preservar essa salvação, Roma pode reconhecer situações canonicamente irregulares na China, como poderia considerar as consagrações motivadas unicamente pela salvaguarda do sacerdócio e da Tradição como um perigo maior?</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O Santo Padre sabe — e a FSSPX sempre afirmou isso — que não se trata de estabelecer uma hierarquia paralela ou usurpar jurisdição. Trata-se de um ato de necessidade num contexto de crise doutrinária e litúrgica generalizada, comparável em seu princípio a outras medidas extraordinárias tomadas na história da Igreja quando a fé estava gravemente ameaçada.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">No fundo, a questão colocada não é disciplinar, mas eclesial e doutrinária. Ela diz respeito à maneira como a autoridade percebe a crise atual. Se a gravidade dessa crise da Igreja for reconhecida, certas medidas excepcionais se tornam compreensíveis. Se ela for minimizada, elas parecem intoleráveis. </span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A resposta agora cabe a Roma.</span></p>
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		<title>ENTREVISTA COM O SUPERIOR GERAL DA FSSPX &#8211; &#8220;SUPREMA LEX, SALUS ANIMARUM&#8221;</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/entrevista-com-o-superior-geral-da-fsspx-suprema-lex-salus-animarum/</link>
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		<pubDate>Thu, 05 Feb 2026 09:15:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: FSSPX Nota: Após o anúncio, em 2 de fevereiro, das futuras sagrações episcopais para a FSSPX, Sua Eminência o Cardeal Fernandez, escreveu ao Superior Geral para propor um encontro em Roma. o Superior Geral aceitou a proposta. A conversa &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/entrevista-com-o-superior-geral-da-fsspx-suprema-lex-salus-animarum/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="tm7" style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/02/Interview-Superior-General-Screenshot03_retouchee.jpg" alt="" width="555" height="324" /></p>
<p class="tm7" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-suprema-lex-salus-animarum-57070">FSSPX</a></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Nota: Após o anúncio, em 2 de fevereiro, das futuras sagrações episcopais para a FSSPX, Sua Eminência o Cardeal Fernandez, escreveu ao Superior Geral para propor um encontro em Roma. o Superior Geral aceitou a proposta. A conversa terá lugar na quinta feira, 12 de fevereiro. Convidamos os membros e fiéis da Fraternidade a oferecerem suas orações pelo bom desenvolvimento deste encontro.</strong></span></p>
<blockquote>
<p class="tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“‘A lei suprema é a salvação das almas.’ É deste princípio superior que depende, em última instância, toda a legitimidade do nosso apostolado.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Par_grafodalista tm14" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">1. </span></em><span class="tm17">FSSPX.News: </span><em><span class="tm15">Senhor Superior-Geral, o senhor acaba de anunciar publicamente a sua intenção de realizar as sagrações episcopais para a Fraternidade São Pio X no próximo dia 1° de julho. Por que fazer esse anúncio hoje, 2 de fevereiro?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Padre Davi Pagliarani: A festa da Purificação da Santíssima Virgem é muito significativa dentro da Fraternidade. É o dia em que os candidatos ao sacerdócio vestem a batina. A Apresentação de Nosso Senhor no Templo, que hoje celebramos, lembra aos candidatos que a chave da sua formação e da sua preparação</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">as</span> <span class="tm19">ordens</span> <span class="tm19">está</span> <span class="tm19">no</span> <span class="tm19">dom</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">si</span> <span class="tm19">mesmo,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">passa</span> <span class="tm19">pelas</span> <span class="tm19">mãos</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">Maria.</span> <span class="tm19">Trata-se</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">festa mariana</span> <span class="tm19">de extrema importância,</span> <span class="tm19">pois,</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">anunciar uma espada de dor a Nossa Senhora,</span> <span class="tm19">Simeão</span> <span class="tm19">manifesta claramente o papel que ela tem de corredentora ao lado de seu divino Filho. Vemo-la associar-se a Nosso Senhor desde o início da sua vida terrena até a consumação do seu sacrifício no Calvário. Assim também, Nossa</span> <span class="tm19">Senhora</span> <span class="tm19">acompanha</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">futuro</span> <span class="tm19">sacerdote</span> <span class="tm19">durante</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">formação</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">longo</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">toda</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">vida:</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">ela</span> <span class="tm19">quem continua a formar Nosso Senhor em sua alma.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm21" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">2. </span><span class="tm17">Esse anúncio vinha sendo objeto de vários rumores nos últimos meses, especialmente desde o falecimento</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">Dom</span> <span class="tm17">Tissier</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">Mallerais,</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">outubro</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">2024.</span> <span class="tm17">Por</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">esperou</span> <span class="tm17">até</span> <span class="tm17">agora?</span></em></span></strong><span id="more-34264"></span></p>
<p class="Corpodetexto tm23" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Assim como Dom Lefebvre em seu tempo, a Fraternidade tem sempre o cuidado de não se antecipar à Providência, mas segui-la, deixando-se guiar pelos seus sinais. Uma decisão tão importante não pode ser tomada levianamente, nem com precipitação.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm24" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Em</span> <span class="tm19">particular,</span> <span class="tm19">visto tratar-se</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">questão</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">evidentemente</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">interesse</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">autoridade</span> <span class="tm19">suprema</span> <span class="tm19">da Igreja, era necessário antes fazer gestões junto à Santa Sé – coisa que nós fizemos – e aguardar um prazo razoável para que pudessem nos responder. Não é uma decisão que poderíamos tomar sem manifestar concretamente o nosso reconhecimento da autoridade do Santo Padre.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm25" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">3. </span><span class="tm17">Na</span> <span class="tm17">sua homilia,</span> <span class="tm17">o senhor disse</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">tinha de</span> <span class="tm17">fato escrito ao Papa. Poderia contar-nos</span> <span class="tm17">mais</span> <span class="tm17">acerca </span><span class="tm22">disso?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">No verão passado, escrevi ao Santo Padre para lhe pedir uma audiência. Não tendo recebido resposta, escrevi-lhe uma nova carta alguns meses mais tarde, de maneira simples e filial, sem lhe esconder nada</span> <span class="tm19">das nossas necessidades. Mencionei nossas divergências doutrinais, mas também o nosso desejo sincero de servir incansavelmente a Igreja católica, pois somos servidores da Igreja, apesar do nosso estatuto canônico não reconhecido.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm29" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Em decorrência desta segunda carta, chegou-nos, há alguns dias, uma resposta de Roma, da parte do Cardeal</span> <span class="tm19">Fernández.</span> <span class="tm19">Infelizmente,</span> <span class="tm19">ela</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">leva</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">modo</span> <span class="tm19">algum</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">consideração</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">proposta</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">formulamos, nem propõe nada que responda às nossas solicitações.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Esta proposta, tendo em conta as circunstâncias de todo particulares em que se encontra a Fraternidade, consiste concretamente em pedir que a Santa Sé aceite deixar-nos continuar temporariamente em nossa situação de exceção, para bem das almas que recorrem a nós. Prometemos ao Papa envidar todos os esforços para preservar a Tradição e fazer dos nossos fiéis verdadeiros filhos da Igreja. Parece-me que tal proposta</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">mesmo</span> <span class="tm19">tempo realista e</span> <span class="tm19">razoável,</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">poderia,</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">si</span> <span class="tm19">mesma,</span> <span class="tm19">receber</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">aprovação</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">Santo </span><span class="tm20">Padre.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm30" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">4. </span><span class="tm17">Mas</span> <span class="tm17">nesse</span> <span class="tm17">caso,</span> <span class="tm17">se</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">ainda</span> <span class="tm17">não</span> <span class="tm17">recebeu</span> <span class="tm17">essa</span> <span class="tm17">aprovação,</span> <span class="tm17">por</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">razão</span> <span class="tm17">considera</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">deve, mesmo assim, realizar as consagrações episcopais?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm23" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Trata-se de um expediente extremo, proporcional a uma necessidade real e igualmente extrema. É certo que</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">simples</span> <span class="tm19">existência</span> <span class="tm19">de uma</span> <span class="tm19">necessidade para</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">bem</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">significa</span> <span class="tm19">que,</span> <span class="tm19">para responder</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">ela, </span><span class="tm20">toda</span> <span class="tm20">e</span> <span class="tm20">qualquer</span> <span class="tm20">iniciativa</span> <span class="tm20">esteja</span> <span class="tm20">automaticamente justificada.</span> <span class="tm20">Mas</span> <span class="tm20">no</span> <span class="tm20">nosso</span> <span class="tm20">caso,</span> <span class="tm20">depois</span> <span class="tm20">de</span> <span class="tm20">um longo</span> <span class="tm20">período </span><span class="tm19">de</span> <span class="tm19">espera,</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">observação</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">oração,</span> <span class="tm19">parece-nos</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">podemos</span> <span class="tm19">hoje</span> <span class="tm19">afirmar</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">estado</span> <span class="tm19">objetivo</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">grave necessidade em que se encontram as almas, a Fraternidade e a Igreja, exige uma decisão dessa ordem.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Com o legado que nos foi deixado pelo Papa Francisco, as razões de fundo que já haviam justificado as sagrações de 1988 subsistem plenamente e parecem mesmo, sob muitos aspectos, ter ganhado uma nova premência. O Concílio Vaticano II mais do que nunca segue sendo a bússola que orienta os homens da Igreja, e estes, ao que parece, não irão mudar de rumo no futuro próximo. As principais diretrizes que</span> <span class="tm19">já</span> <span class="tm19">se delineiam para o novo pontificado, em particular por meio do último consistório, só fazem confirmar isso: percebe-se nelas uma determinação explícita de conservar a linha de Francisco como um caminho irreversível para toda a Igreja.</span></span></p>
<blockquote>
<p class="tm33" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“Prometemos</span> <span class="tm9">ao</span> <span class="tm9">Papa</span> <span class="tm9">envidar</span> <span class="tm9">todos</span> <span class="tm9">os</span> <span class="tm9">esforços</span> <span class="tm9">para</span> <span class="tm9">preservar</span> <span class="tm9">a</span> <span class="tm9">Tradição e fazer dos nossos fiéis verdadeiros filhos da Igreja.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Corpodetexto tm35" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">É algo triste de constatar, mas é um fato: numa paróquia comum, os fiéis já não encontram os meios necessários para assegurar a sua salvação eterna. Isso diz respeito, em particular, à pregação integral da verdade e da moral católicas, bem como à administração dos sacramentos tal como a Igreja desde sempre o tem feito. Temos aí um resumo do que é o estado de necessidade. E nesse contexto crítico, os nossos bispos estão envelhecendo, e com o crescimento contínuo do apostolado, já não são suficientes para responder às demandas dos fiéis no mundo inteiro.</span></p>
<p class="Par_grafodalista tm36" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">5. </span><span class="tm17">Em que sentido o senhor considera que o consistório do mês passado confirma a direção tomada pelo Papa Francisco?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Naquela ocasião, o cardeal Fernández, em nome do papa Leão, convidou a Igreja a retornar à intuição fundamental de Francisco, expressa em </span><em><span class="tm11">Evangelii gaudium</span></em><span class="tm19">, sua encíclica-chave: trata-se, de um modo geral,</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">reduzir</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">anúncio</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">Evangelho</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">expressão</span> <span class="tm19">primitiva</span> <span class="tm19">essencial,</span> <span class="tm19">valendo-se</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">fórmulas</span> <span class="tm19">muito concisas e impactantes – o </span><em><span class="tm11">“querigma” </span></em><span class="tm19">–, tendo em vista uma “experiência”, um encontro imediato com Cristo, deixando de lado todo o resto, por mais precioso que seja – em termos concretos, o conjunto dos elementos da Tradição, tidos por acessórios e secundários. É esse método de nova evangelização que produziu o vazio doutrinal característico do pontificado de Francisco, fortemente sentido por todo um setor da Igreja.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm23" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É evidente que, numa perspectiva como essa, é sempre necessário preocupar-se em oferecer respostas novas e adequadas às questões que vão surgindo: essa tarefa, porém, deve ser realizada por meio da reforma</span> <span class="tm19">sinodal,</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">pela</span> <span class="tm19">redescoberta</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">respostas</span> <span class="tm19">clássicas</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">sempre</span> <span class="tm19">válidas</span> <span class="tm19">fornecidas</span> <span class="tm19">pela</span> <span class="tm19">Tradição da</span> <span class="tm19">Igreja.</span> <span class="tm19">Foi</span> <span class="tm19">assim,</span> <span class="tm19">no</span> <span class="tm19">“sopro</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">Espírito”</span> <span class="tm19">dessa</span> <span class="tm19">reforma</span> <span class="tm19">sinodal,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">Francisco</span> <span class="tm19">conseguiu</span> <span class="tm19">impor</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">toda a Igreja decisões catastróficas, como a que autoriza a comunhão dos divorciados que se casaram de novo ou a bênção de casais do mesmo sexo.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm37" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Em síntese: de um lado, pelo </span><em><span class="tm11">“querigma”</span></em><span class="tm19">, isola-se o anúncio do Evangelho de todo o </span><em><span class="tm11">corpus</span> </em><span class="tm19">da doutrina e da moral tradicionais; de outro, pela sinodalidade, substituem-se as respostas tradicionais por decisões aleatórias,</span> <span class="tm19">frequentemente</span> <span class="tm19">absurdas</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">doutrinalmente</span> <span class="tm19">injustificáveis.</span> <span class="tm19">O</span> <span class="tm19">próprio</span> <span class="tm19">Cardeal</span> <span class="tm19">Zen</span> <span class="tm19">considera</span> <span class="tm19">esse método</span> <span class="tm19">manipulador</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">julga</span> <span class="tm19">blasfemo</span> <span class="tm19">atribuí-lo</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">Espírito</span> <span class="tm19">Santo.</span> <span class="tm19">E</span> <span class="tm19">receio</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">infelizmente</span> <span class="tm19">ele</span> <span class="tm19">tenha</span> <span class="tm19">razão.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm38" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">6. </span><span class="tm17">O</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">fala</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">servir</span> <span class="tm17">à</span> <span class="tm17">Igreja,</span> <span class="tm17">mas,</span> <span class="tm17">na</span> <span class="tm17">prática,</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">Fraternidade</span> <span class="tm17">pode</span> <span class="tm17">dar</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">impressão</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">desafiar a Igreja, sobretudo no caso de sagrações episcopais. Como o senhor explica isso ao Papa?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Servimos à Igreja, antes de tudo, servindo às almas. Trata-se de um fato objetivo, independentemente de qualquer outra consideração. A Igreja, em sua essência, existe para as almas: tem por finalidade sua santificação e salvação. Todos os belos discursos, os mais diversos debates, os grandes temas sobre os quais se discute ou se poderia discutir, não têm sentido nenhum se não tiverem como objetivo a salvação das almas. É importante lembrar isso, pois hoje existe o perigo de a Igreja ocupar-se de tudo e de nada ao mesmo tempo. A preocupação ecológica, por</span> <span class="tm19">exemplo, ou a defesa dos direitos das</span> <span class="tm19">minorias, das</span> <span class="tm19">mulheres ou dos imigrantes, trazem o risco de nos fazer perder de vista a missão essencial da Igreja. Se a Fraternidade São Pio X luta por manter a Tradição, com tudo o que isso acarreta, é unicamente porque esses tesouros são indispensáveis para a salvação das almas, e porque nada mais busca além disto: o bem das almas e o do sacerdócio ordenado à sua santificação.</span></span></p>
<blockquote>
<p class="tm39" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“Numa paróquia comum, os fiéis já não encontram os meios necessários para assegurar a sua salvação eterna. </span></span><span style="color: #000000;"><span class="tm42">Temos</span> <span class="tm42">aí um resumo</span> <span class="tm42">do que</span> <span class="tm42">é</span> <span class="tm42">o estado de </span><span class="tm43">necessidade.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Corpodetexto tm35" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Ao agir assim, pomos a serviço da própria Igreja aquilo que nós mantemos. Oferecemos à Igreja não um museu de coisas antigas e empoeiradas, mas a Tradição em sua plenitude e fecundidade; a Tradição que santifica as almas, que as transforma, que suscita vocações e famílias autenticamente católicas. Noutras palavras, é para o próprio Papa, enquanto tal, que mantemos esse tesouro, até o dia em que o seu valor</span> <span class="tm19">seja novamente compreendido</span> <span class="tm19">e o</span> <span class="tm19">Papa</span> <span class="tm19">queira usar desse</span> <span class="tm19">tesouro para</span> <span class="tm19">o bem</span> <span class="tm19">de toda</span> <span class="tm19">a Igreja.</span> <span class="tm19">Pois é</span> <span class="tm19">a Ela que pertence a Tradição.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm14" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">7. </span><span class="tm17">O senhor fala do bem das almas, mas a Fraternidade não tem missão sobre as almas. Pelo contrário, foi canonicamente suprimida há mais de cinquenta anos. Com base em quê se pode justificar uma missão da Fraternidade junto às almas?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Trata-se simplesmente de uma questão de caridade. Não queremos atribuir-nos uma missão que não temos. Mas,</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">mesmo tempo,</span> <span class="tm19">não podemos</span> <span class="tm19">ficar</span> <span class="tm19">de braços</span> <span class="tm19">cruzados</span> <span class="tm19">diante da aflição</span> <span class="tm19">espiritual</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas que estão, cada vez mais, perplexas, desorientadas e perdidas. Elas clamam por socorro. E, depois de</span> <span class="tm19">terem procurado por muito tempo, é natural que seja nas riquezas da Tradição da Igreja integralmente vivida onde irão encontrar, com profunda alegria, a luz e o consolo. Em relação a essas almas, temos uma verdadeira responsabilidade, ainda que não tenhamos nenhuma missão oficial: se alguém vê na rua uma pessoa em perigo, tem o dever</span> <span class="tm19">de lhe prestar socorro de acordo com as suas possibilidades,</span> <span class="tm19">ainda que não seja bombeiro nem policial.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Dessa forma, o</span> <span class="tm19">número de almas</span> <span class="tm19">que nos têm procurado vem crescendo sem parar com o</span> <span class="tm19">passar</span> <span class="tm19">dos</span> <span class="tm19">anos, e inclusive aumentou consideravelmente na última década. Ignorar as suas necessidades e abandoná-las seria o mesmo que traí-las e, assim, trair a própria Igreja, pois, não custa repetir: a Igreja existe para as almas e não para alimentar discursos vãos e fúteis.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Essa caridade é um dever que preside a todos os demais. É o próprio direito da Igreja que prescreve que seja</span> <span class="tm19">assim.</span> <span class="tm19">No</span> <span class="tm19">espírito</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">direito</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Igreja,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">expressão</span> <span class="tm19">jurídica</span> <span class="tm19">dessa</span> <span class="tm19">caridade,</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">bem</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">vem antes de tudo. Representa verdadeiramente a lei das leis, à qual todas as demais estão subordinadas e contra a qual nenhuma lei eclesiástica pode prevalecer. O axioma </span><em><span class="tm11">suprema lex, salus animarum </span></em><span class="tm19">– a salvação</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">lei</span> <span class="tm19">suprema</span> <span class="tm19">–</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">máxima</span> <span class="tm19">clássica</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">tradição</span> <span class="tm19">canônica,</span> <span class="tm19">retomada</span> <span class="tm19">explicitamente pelo cânon final do Código de 1983; no atual estado de necessidade, é desse princípio superior que depende, em última instância, toda a legitimidade do nosso apostolado e da nossa missão junto às almas que vêm nos procurar. Trata-se, para nós, de um papel de suplência, em nome dessa mesma caridade.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm44" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">8. </span><span class="tm17">O</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">está</span> <span class="tm17">ciente</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">que,</span> <span class="tm17">ao</span> <span class="tm17">considerar</span> <span class="tm17">novas</span> <span class="tm17">sagrações</span> <span class="tm17">episcopais,</span> <span class="tm17">poderia</span> <span class="tm17">colocar</span> <span class="tm17">os</span> <span class="tm17">fiéis</span> <span class="tm17">que recorrem</span> <span class="tm17">à</span> <span class="tm17">Fraternidade</span> <span class="tm17">diante</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">um</span> <span class="tm17">dilema:</span> <span class="tm17">ou</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">escolha</span> <span class="tm17">da</span> <span class="tm17">Tradição</span> <span class="tm17">integral,</span> <span class="tm17">com</span> <span class="tm17">tudo</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">que isso implica, ou a “plena” comunhão com a hierarquia da Igreja?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Esse dilema é,</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">realidade,</span> <span class="tm19">apenas aparente.</span> <span class="tm19">É evidente que</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">católico</span> <span class="tm19">deve manter, ao</span> <span class="tm19">mesmo</span> <span class="tm19">tempo,</span> <span class="tm19">a Tradição integral e a comunhão com a hierarquia. Não pode escolher entre esses bens, que são ambos </span><span class="tm20">necessários.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm45" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Porém o que com demasiada frequência se esquece é que a comunhão está fundada essencialmente na fé católica, com tudo o que isso implica: a começar por uma verdadeira vida sacramental e pelo exercício de um governo que prega essa mesma fé e faz com que ela seja posta em prática, usando de sua autoridade não de modo arbitrário, mas realmente em vista do bem espiritual das almas que lhe foram confiadas.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm45" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É justamente para garantir esses fundamentos, essas condições necessárias à própria existência da comunhão</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">Igreja,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Fraternidade</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">pode</span> <span class="tm19">aceitar</span> <span class="tm19">aquilo</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">se</span> <span class="tm19">opõe</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">essa</span> <span class="tm19">comunhão</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">desvirtua, ainda quando, paradoxalmente, isso vem daqueles mesmos que exercem a autoridade na Igreja.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm46" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">9. </span><span class="tm17">Poderia</span> <span class="tm17">dar-nos</span> <span class="tm17">um</span> <span class="tm17">exemplo</span> <span class="tm17">concreto</span> <span class="tm17">daquilo</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">Fraternidade</span> <span class="tm17">não</span> <span class="tm17">pode</span> <span class="tm22">aceitar?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm47" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">O</span> <span class="tm19">primeiro</span> <span class="tm19">exemplo</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">me vem</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">mente</span> <span class="tm19">remonta</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">ano</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">2019,</span> <span class="tm19">quando</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">Papa</span> <span class="tm19">Francisco,</span> <span class="tm19">por</span> <span class="tm19">ocasião da sua visita à península arábica, assinou junto com um imã a famosa declaração de Abu Dhabi. Nela ele afirmava, juntamente com o chefe muçulmano, que a pluralidade das religiões como tal era algo desejado pela Sabedoria divina.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É evidente que uma comunhão que se fundasse na aceitação de tal afirmação, ou que a incluísse, simplesmente</span> <span class="tm19">não seria</span> <span class="tm19">católica,</span> <span class="tm19">pois</span> <span class="tm19">implicaria</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">pecado</span> <span class="tm19">contra</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">primeiro</span> <span class="tm19">mandamento</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">negação</span> <span class="tm19">do primeiro artigo do Credo. Considero que uma afirmação como aquela é mais do que um simples erro. É algo</span> <span class="tm19">simplesmente</span> <span class="tm19">inconcebível.</span> <span class="tm19">Não</span> <span class="tm19">pode</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">fundamento</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">comunhão</span> <span class="tm19">católica,</span> <span class="tm19">mas</span> <span class="tm19">antes</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">causa da</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">dissolução.</span> <span class="tm19">Creio</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">católico</span> <span class="tm19">deveria</span> <span class="tm19">preferir</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">martírio</span> <span class="tm19">antes</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">aceitar</span> <span class="tm19">semelhante</span> <span class="tm19">afirmação.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm14" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">10. </span><span class="tm17">Em todo o mundo, a percepção dos erros denunciados desde há muito tempo pela Fraternidade vem crescendo, especialmente na internet. Não seria conveniente deixar que esse movimento se desenvolvesse, confiando na Providência, em vez de intervir por meio de um gesto público tão impactante como o são as sagrações episcopais?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Trata-se</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">movimento</span> <span class="tm19">certamente</span> <span class="tm19">positivo,</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">podemos</span> <span class="tm19">deixar</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">nos</span> <span class="tm19">alegrar</span> <span class="tm19">por</span> <span class="tm19">ele.</span> <span class="tm19">Decerto</span> <span class="tm19">vem ilustrar a legitimidade daquilo que a Fraternidade defende, e cabe encorajar essa difusão da verdade por todos</span> <span class="tm19">os</span> <span class="tm19">meios disponíveis. Dito isso, trata-se de um movimento que tem limites, pois</span> <span class="tm19">o combate da fé não pode restringir-se nem esgotar-se em discussões e posicionamentos que têm por arena a internet ou as redes sociais.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É claro que a santificação de uma alma depende de uma profissão de fé autêntica, mas esta deve levar afinal a uma verdadeira vida cristã. Ora, no domingo as almas não precisam consultar uma plataforma da internet; precisam de um sacerdote que as confesse e instrua, que celebre para elas a Santa Missa, que as santifique verdadeiramente e as conduza a Deus. As almas precisam de sacerdotes. E, para que haja sacerdotes, é preciso haver bispos, e não “</span><em><span class="tm11">influencers</span></em><span class="tm19">”. Noutras palavras, é preciso voltar à realidade, isto é, à realidade das almas e das suas necessidades objetivas concretas. As sagrações episcopais não têm outra</span> <span class="tm19">finalidade</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">esta:</span> <span class="tm19">garantir,</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">os</span> <span class="tm19">fiéis</span> <span class="tm19">ligados</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">Tradição,</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">administração</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">sacramento</span> <span class="tm19">da Confirmação, da Ordem e de tudo o que deles decorre.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm48" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">11. </span><span class="tm17">O senhor não teme que, apesar das suas boas intenções, a Fraternidade possa, de algum modo, acabar por se achar a Igreja, ou atribuir-se um papel insubstituível?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">De</span> <span class="tm19">modo</span> <span class="tm19">algum</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Fraternidade</span> <span class="tm19">deseja</span> <span class="tm19">colocar-se</span> <span class="tm19">no</span> <span class="tm19">lugar</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Igreja</span> <span class="tm19">ou</span> <span class="tm19">assumir</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">missão</span> <span class="tm19">dela;</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">contrário, conserva uma profunda consciência de existir unicamente para servi-la, apoiando-se exclusivamente naquilo que a própria Igreja sempre e universalmente pregou, acreditou e realizou.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm45" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">A Fraternidade, além disso, tem plena consciência de que não é ela que salva a Igreja, pois somente Nosso Senhor guarda e salva a sua Esposa – Ele que nunca deixa de velar por ela.</span></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm27" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">A Fraternidade é tão somente, em circunstâncias que não foram escolhidas por ela, um meio privilegiado para se permanecer fiel à Igreja. Atenta à missão da sua Mãe, que durante vinte séculos alimentou os seus </span><span style="color: #000000;"><span class="tm19">filhos pela doutrina e pelos sacramentos, a Fraternidade consagra-se filialmente à preservação e à defesa da Tradição integral, usando de uma liberdade sem paralelo,</span> <span class="tm19">a fim de poder permanecer fiel a esse legado. Segundo a expressão de Dom Lefebvre, a Fraternidade é somente uma obra “da Igreja católica, que continua a transmitir a doutrina”; o seu papel</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">como o de</span> <span class="tm19">um “carteiro que leva uma carta”.</span> <span class="tm19">E o seu maior desejo é que todos os pastores católicos se juntem a ela no cumprimento desse dever.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm49" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><strong><span class="tm16">12. </span><span class="tm17">Voltemos</span> <span class="tm17">ao</span> <span class="tm17">Papa.</span> <span class="tm17">O</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">considera</span> <span class="tm17">realista</span> <span class="tm17">pensar</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">Santo</span> <span class="tm17">Padre</span> <span class="tm17">possa</span> <span class="tm17">aceitar,</span> <span class="tm17">ou</span> </strong><span class="tm17"><strong>sequer tolerar, que a Fraternidade consagre bispos sem mandato pontifício</strong>?</span></em></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">O</span> <span class="tm19">Papa</span> <span class="tm19">é,</span> <span class="tm19">antes</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">tudo,</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">pai.</span> <span class="tm19">Como</span> <span class="tm19">tal,</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">capaz</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">discernir</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">intenção</span> <span class="tm19">reta,</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">vontade</span> <span class="tm19">sincera de servir a Igreja e, sobretudo, um verdadeiro caso de consciência numa situação excepcional. Esses elementos são objetivos, como todos os que conhecem a Fraternidade podem reconhecer, mesmo sem necessariamente partilhar das suas posições.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm49" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">13. </span><span class="tm17">Isso</span> <span class="tm17">é</span> <span class="tm17">compreensível</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">teoria.</span> <span class="tm17">Mas</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">pensa</span> <span class="tm17">que,</span> <span class="tm17">concretamente,</span> <span class="tm17">Roma</span> <span class="tm17">possa</span> <span class="tm17">tolerar</span> <span class="tm17">uma decisão desse tipo por parte da Fraternidade?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">O futuro permanece nas mãos do Santo Padre e, evidentemente, nas da Providência. No entanto, é preciso reconhecer que a Santa Sé é por vezes capaz de dar mostras de um certo pragmatismo, e mesmo de uma flexibilidade surpreendente, quando está convencida de agir para o bem das almas.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm50" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Tomemos o caso muito atual das relações com o governo chinês. Apesar de um verdadeiro cisma da Igreja patriótica chinesa; apesar de uma perseguição ininterrupta contra a Igreja do Silêncio, fiel a Roma; apesar de acordos repetidamente renovados e em seguida violados pelo governo chinês: apesar de tudo isso, em 2023 o Papa Francisco aprovou </span><em><span class="tm11">a posteriori </span></em><span class="tm19">a nomeação do bispo de Xangai pelas autoridades chinesas. Mais recentemente, o Papa Leão XIV acabou aceitando </span><em><span class="tm11">a posteriori </span></em><span class="tm19">a nomeação do bispo de Xinxiang, designado</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">mesmo</span> <span class="tm19">modo</span> <span class="tm19">durante</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">vacância</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Sé</span> <span class="tm19">Apostólica,</span> <span class="tm19">enquanto</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">bispo</span> <span class="tm19">fiel</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Roma,</span> <span class="tm19">várias</span> <span class="tm19">vezes encarcerado,</span> <span class="tm19">ainda</span> <span class="tm19">estava</span> <span class="tm19">encarregado</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">diocese.</span> <span class="tm19">Em</span> <span class="tm19">ambos</span> <span class="tm19">os</span> <span class="tm19">casos,</span> <span class="tm19">trata-se</span> <span class="tm19">evidentemente</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">prelados favoráveis ao governo, impostos unilateralmente por Pequim com o objetivo de controlar a Igreja Católica na China. Convém notar que não se trata aqui de meros bispos auxiliares, mas sim de bispos residenciais, isto</span> <span class="tm19">é,</span> <span class="tm19">os pastores ordinários da</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">respectiva</span> <span class="tm19">diocese</span> <span class="tm19">(ou</span> <span class="tm19">prefeitura),</span> <span class="tm19">com jurisdição</span> <span class="tm19">sobre os sacerdotes e os fiéis locais. Em Roma, sabe-se muito bem com que finalidade esses pastores foram escolhidos e impostos unilateralmente.</span></span></p>
<blockquote>
<p class="tm51" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“A Fraternidade</span> <span class="tm9">São Pio X nada mais</span> <span class="tm9">busca além disto: o bem das</span> <span class="tm9">almas e o do sacerdócio ordenado à sua santificação.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Corpodetexto tm35" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">O</span> <span class="tm19">caso</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Fraternidade</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">bem</span> <span class="tm19">diferente:</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">evidente</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">estamos</span> <span class="tm19">aí</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">favorecer</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">poder</span> <span class="tm19">comunista ou anticatólico, mas apenas para salvaguardar os direitos de Cristo Rei e da Tradição da Igreja, num momento de crise e de confusão generalizadas em que estes direitos se encontram gravemente comprometidos. As intenções</span> <span class="tm19">e as finalidades evidentemente não são as mesmas. O Papa sabe disso. Além do quê, o Santo Padre sabe muito bem que a Fraternidade de modo nenhum pretende conferir aos seus bispos qualquer jurisdição que seja, o que equivaleria a criar uma Igreja paralela.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm45" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Francamente, não vejo como o Papa poderia recear um perigo maior para as almas da parte da Fraternidade que da parte do governo de Pequim.</span></p>
<p class="Par_grafodalista tm52" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">14. </span><span class="tm17">O senhor acha que, no que diz respeito à missa tradicional, a necessidade das almas é hoje tão grave</span> <span class="tm17">quanto</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">1988? Após</span> <span class="tm17">as</span> <span class="tm17">vicissitudes por</span> <span class="tm17">que passou</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">rito de</span> <span class="tm17">São</span> <span class="tm17">Pio</span> <span class="tm17">V</span></em><span class="tm17">, </span><em><span class="tm15">sua</span> <span class="tm17">liberação</span> <span class="tm17">por Bento</span> <span class="tm17">XVI</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">2007,</span> <span class="tm17">as</span> <span class="tm17">restrições</span> <span class="tm17">impostas</span> <span class="tm17">por</span> <span class="tm17">Francisco</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">2021&#8230;</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">direção</span> <span class="tm17">estamos</span> <span class="tm17">indo com o novo Papa?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm53" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Até onde me é dado saber, o Papa Leão XIV guardou certa discrição sobre esse tema, que tem suscitado grande expectativa no mundo conservador. Mas há bem pouco tempo um texto do Cardeal Roche sobre a liturgia, inicialmente destinado aos cardeais que participavam do consistório do mês passado, veio a público.</span> <span class="tm19">Não</span> <span class="tm19">há</span> <span class="tm19">razão</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">duvidar</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">esse</span> <span class="tm19">texto</span> <span class="tm19">corresponde,</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">suas</span> <span class="tm19">linhas</span> <span class="tm19">gerais,</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">orientação </span><span class="tm19">desejada pelo Papa. Trata-se de um texto muito claro e, sobretudo, lógico e coerente. Infelizmente, apoia- se numa premissa falsa.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Concretamente, esse texto, em perfeita continuidade com </span><em><span class="tm11">Traditionis custodes</span></em><span class="tm19">, condena o projeto litúrgico do Papa Bento XVI. Segundo este, o rito antigo e o novo seriam duas formas mais ou menos equivalentes, e que em todo caso expressariam a mesma fé e a mesma eclesiologia, sendo, portanto, capazes de se enriquecerem mutuamente. Preocupado com a unidade da Igreja, Bento XVI quis promover</span> <span class="tm19">a coexistência dos dois ritos e publicou em 2007 o Motu proprio </span><em><span class="tm11">Summorum Pontificum</span></em><span class="tm19">. Para muitos, providencialmente,</span> <span class="tm19">isso</span> <span class="tm19">permitiu</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">redescoberta</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Missa</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">sempre;</span> <span class="tm19">mas,</span> <span class="tm19">com</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">tempo,</span> <span class="tm19">também</span> <span class="tm19">fez</span> <span class="tm19">surgir um movimento de questionamento do novo rito, movimento que foi visto como problemático e que </span><em><span class="tm11">Traditionis custodes </span></em><span class="tm19">em 2021 procurou conter.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Fiel a Francisco, o Cardeal Roche por sua vez apregoa a unidade da Igreja, mas segundo uma ideia e por meios diametralmente opostos aos de Bento XVI: ao mesmo tempo em que mantém a afirmação de uma continuidade entre um rito e outro através da reforma, opõe-se firmemente à sua coexistência. Enxerga nela</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">fonte</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">divisão,</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">ameaça</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">unidade,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">deve</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">superada</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">retorno</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">autêntica comunhão litúrgica: “O bem primordial da unidade da Igreja não se obtém ‘congelando’ a divisão, mas ao encontrarmo-nos todos na partilha daquilo que não pode deixar de ser partilhado”. A Igreja “deve ter um único rito”, em plena harmonia com o verdadeiro sentido da Tradição.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Como princípio, é</span> <span class="tm19">justo</span> <span class="tm19">e coerente, pois</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Igreja, tendo</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">só</span> <span class="tm19">fé e</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">só</span> <span class="tm19">eclesiologia,</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">pode</span> <span class="tm19">deixar de ter uma só liturgia capaz de expressá-las adequadamente… Mas o princípio foi mal aplicado, pois, seguindo a lógica da nova eclesiologia pós-conciliar, o Cardeal Roche concebe a Tradição como algo evolutivo,</span> <span class="tm19">e o</span> <span class="tm19">novo</span> <span class="tm19">rito</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">única</span> <span class="tm19">expressão</span> <span class="tm19">viva</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">nosso</span> <span class="tm19">tempo;</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">valor do</span> <span class="tm19">rito</span> <span class="tm19">tridentino</span> <span class="tm19">não pode, portanto, ser considerado senão como algo que ficou para trás, e o seu uso, quando muito, uma “concessão”, “de modo algum uma promoção”.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Agora, portanto, ficou mais claro que existe uma “divisão” e uma incompatibilidade atual entre os dois ritos. Mas não nos enganemos: a única liturgia que expressa adequadamente, de modo imutável e não evolutivo, a concepção tradicional da Igreja, da vida cristã, do sacerdócio católico, é aquela de sempre. Quanto a este ponto, a oposição da Santa Sé parece, mais do que nunca, irrevogável.</span></p>
<p class="Par_grafodalista tm25" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">15. </span><span class="tm17">O Cardeal Roche, não obstante, reconhece que existem ainda alguns problemas na aplicação da reforma litúrgica. O senhor pensa que isso possa conduzir a uma tomada de consciência quanto aos limites dessa reforma?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É interessante ver que, passados sessenta anos, ainda se reconhece a existência de uma</span> <span class="tm19">dificuldade real</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">aplicação da reforma litúrgica, cuja riqueza</span> <span class="tm19">ainda estaria por descobrir:</span> <span class="tm19">é um refrão</span> <span class="tm19">que vimos ouvindo desde sempre, sempre que se aborda esse tema, e que o texto do Cardeal Roche não deixa de mencionar. Porém, em vez de se perguntar sinceramente sobre as deficiências intrínsecas da nova missa, e portanto sobre o fracasso geral dessa reforma, em vez de encarar o</span> <span class="tm19">fato de que as igrejas se esvaziam e as vocações diminuem; em vez de se perguntar por que razão o rito tridentino continua a atrair tantas almas… a única solução que o Cardeal Roche consegue vislumbrar é uma urgente formação prévia dos fiéis e dos </span><span class="tm20">seminaristas.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm55" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Sem se dar conta, ele entra num círculo vicioso: na verdade é a própria liturgia que deveria formar as almas. Durante quase dois mil anos, as almas, muitas vezes analfabetas, foram edificadas e santificadas pela própria liturgia, sem necessidade de nenhuma formação prévia. Não reconhecer a incapacidade intrínseca do </span><em><span class="tm11">Novus Ordo </span></em><span class="tm19">para edificar as almas, exigindo ademais uma melhor formação, parece-me ser um sinal de cegueira incurável. Chegamos, assim, a paradoxos chocantes: a reforma foi desejada para favorecer a participação dos fiéis; ora, estes abandonaram a Igreja em massa, porque essa liturgia insossa não foi capaz de alimentá-los; e isso supostamente não teria nada a ver com a própria reforma!</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm48" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">16. H</span><span class="tm17">oje, em muitos países, ainda existem grupos não ligados à Fraternidade e que no entanto se beneficiam do uso do missal de 1962. Tais possibilidades quase não existiam em 1988. Não constituiriam</span> <span class="tm17">eles</span> <span class="tm17">uma</span> <span class="tm17">alternativa</span> <span class="tm17">suficiente</span> <span class="tm17">para</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">momento,</span> <span class="tm17">tornando</span> <span class="tm17">assim</span> <span class="tm17">prematuras</span> <span class="tm17">novas sagrações episcopais?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm45" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">A pergunta que devemos fazer é a seguinte: tais possibilidades correspondem àquilo de que a Igreja e as almas têm necessidade? Respondem de maneira suficiente à necessidade das almas?</span></p>
<p class="Corpodetexto tm37" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É inegável que, onde quer que a missa tradicional seja celebrada, é o verdadeiro rito da Igreja que resplandece, com esse profundo senso do sagrado</span> <span class="tm19">que não</span> <span class="tm19">se encontra no novo rito. Contudo, não se pode deixar de lado o contexto em que essas celebrações ocorrem. Ora, independentemente da boa vontade desta ou daquela pessoa, o contexto parece claro, sobretudo desde o </span><em><span class="tm11">Traditionis Custodes</span></em><span class="tm19">, confirmado aliás pelo Cardeal Roche: trata-se de uma Igreja onde o único rito oficial “normal” é o de Paulo VI. A celebração do rito de sempre se dá, portanto, num regime que podemos chamar de exceção: os adeptos desse rito recebem, por benevolência gratuita, dispensas que lhes permitem celebrá-lo, mas estas se inserem na lógica da nova eclesiologia e supõem, por isso, que a nova liturgia continua a ser o critério da piedade dos fiéis e a expressão autêntica da vida da Igreja.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm56" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">17. </span><span class="tm17">Por que o senhor diz que não é possível deixar de lado esse contexto de exceção? Não há algum</span> <span class="tm17">bem nisso, apesar de tudo? Quais as consequências concretas que deveríamos lamentar?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm53" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Dessa situação resultam pelo menos três consequências nefastas. A mais imediata é uma profunda fragilidade</span> <span class="tm19">estrutural.</span> <span class="tm19">Os</span> <span class="tm19">sacerdotes</span> <span class="tm19">e os</span> <span class="tm19">fiéis</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">gozam</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">certos</span> <span class="tm19">privilégios</span> <span class="tm19">que lhes</span> <span class="tm19">permitem</span> <span class="tm19">fazer</span> <span class="tm19">uso da liturgia tridentina vivem angustiados pelo que o dia de amanhã pode trazer: afinal, privilégio não é direito. Enquanto a autoridade os tolerar, podem dedicar-se à sua prática religiosa sem serem incomodados. Mas, tão logo a autoridade formule certas exigências, imponha certas condições ou revogue de uma hora para outra, por uma razão qualquer, as permissões outorgadas, tanto sacerdotes como fiéis</span> <span class="tm19">se veem numa situação conflituosa, sem meio de se defenderem e com isso garantirem de modo eficaz os auxílios tradicionais com os quais as almas têm o direito de contar. Ora, como evitar de modo duradouro tais casos de consciência quando, entre duas concepções inconciliáveis da vida da Igreja, encarnadas em duas liturgias incompatíveis, uma tem direito de cidadania, ao passo que a outra é apenas tolerada?</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Para além</span> <span class="tm19">do quê – e isso me parece mais grave – já não se entende a razão por que</span> <span class="tm19">esses grupos querem</span> <span class="tm19">a liturgia tridentina, o que compromete gravemente os direitos públicos da Tradição da Igreja e, com isso, o bem das almas. Com efeito, se a Missa de sempre pode aceitar que a missa moderna seja celebrada em toda a Igreja, e se se contenta em gozar de um privilégio particular, ligado a uma preferência ou a um carisma</span> <span class="tm19">próprio,</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">entender</span> <span class="tm19">que essa</span> <span class="tm19">Missa</span> <span class="tm19">de sempre se opõe irremediavelmente à</span> <span class="tm19">missa nova,</span> <span class="tm19">e que continua</span> <span class="tm19">a ser</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">única</span> <span class="tm19">liturgia</span> <span class="tm19">verdadeiramente</span> <span class="tm19">católica</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">toda</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Igreja,</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">ninguém</span> <span class="tm19">pode</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">impedido de</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">celebrar?</span> <span class="tm19">Como</span> <span class="tm19">ter</span> <span class="tm19">consciência</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">missa</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">Paulo</span> <span class="tm19">VI</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">pode ser</span> <span class="tm19">reconhecida,</span> <span class="tm19">porque</span> <span class="tm19">constitui um afastamento considerável da teologia católica da Santa Missa, e que ninguém pode ser obrigado a celebrá-la? E</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">afastar</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">modo</span> <span class="tm19">eficaz as</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">dessa</span> <span class="tm19">liturgia envenenada,</span> <span class="tm19">para que</span> <span class="tm19">venham</span> <span class="tm19">beber</span> <span class="tm19">nas fontes puras da liturgia católica?</span></span></p>
<blockquote>
<p class="tm57" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“A Fraternidade é tão somente, em circunstâncias que não foram escolhidas por ela, um meio privilegiado para se permanecer fiel à Igreja.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Corpodetexto tm35" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Por fim temos uma consequência mais remota decorrente das duas anteriores, a saber, que a necessidade de</span> <span class="tm19">evitar</span> <span class="tm19">comportamentos</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">causem</span> <span class="tm19">incômodo,</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">fim</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">comprometer</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">estabilidade</span> <span class="tm19">frágil,</span> <span class="tm19">reduz numerosos pastores a um silêncio forçado, quando seria preciso levantar a voz contra este ou aquele ensinamento escandaloso que corrompe a fé ou a moral. A necessária denúncia dos erros que destroem a Igreja,</span> <span class="tm19">exigida</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">próprio</span> <span class="tm19">bem</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">ameaçadas</span> <span class="tm19">por</span> <span class="tm19">esse</span> <span class="tm19">alimento</span> <span class="tm19">envenenado,</span> <span class="tm19">fica</span> <span class="tm19">assim</span> <span class="tm19">paralisada. Esclarece-se</span> <span class="tm19">em privado uma</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">outra pessoa,</span> <span class="tm19">quando ainda se</span> <span class="tm19">consegue</span> <span class="tm19">discernir a</span> <span class="tm19">nocividade de tal</span> <span class="tm19">ou qual</span> <span class="tm19">erro,</span> <span class="tm19">mas</span> <span class="tm19">já</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">passa</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">tímido</span> <span class="tm19">cochicho,</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">verdade</span> <span class="tm19">mal</span> <span class="tm19">consegue</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">dita</span> <span class="tm19">com</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">liberdade que requer… sobretudo em se tratando de combater princípios tacitamente aceitos. Mais uma vez, são as almas que deixam de ser iluminadas e que são privadas do pão da doutrina, do qual, não obstante, continuam</span> <span class="tm19">famintas: com o tempo, isso vai modificando progressivamente as mentalidades e conduzindo pouco</span> <span class="tm19">a pouco</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">aceitação</span> <span class="tm19">geral</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">inconsciente</span> <span class="tm19">das diversas reformas</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">afetam</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">vida</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Igreja.</span> <span class="tm19">Também em relação a essas almas,</span> <span class="tm19">a Fraternidade sente a responsabilidade de esclarecê-las e de não as abandonar.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Não se trata de apontar o dedo nem de julgar quem quer que seja, mas de abrir os olhos e constatar os fatos. Ora, somos obrigados a reconhecer que, na medida em que o uso da liturgia tradicional fica condicionado</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">aceitação</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">menos</span> <span class="tm19">implícita das</span> <span class="tm19">reformas</span> <span class="tm19">conciliares,</span> <span class="tm19">os</span> <span class="tm19">grupos</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">disso</span> <span class="tm19">se beneficiam não podem constituir uma resposta adequada às necessidades profundas por que passam a Igreja e as almas.</span> <span class="tm19">É, para retomar uma ideia</span> <span class="tm19">já antes</span> <span class="tm19">expressa, preciso, pelo contrário,</span> <span class="tm19">estar</span> <span class="tm19">em condições</span> <span class="tm19">de oferecer </span><span class="tm19">aos católicos de hoje a verdade sem concessões, ministrada incondicionalmente, junto com os meios de viver dela integralmente, para a salvação das almas e o bem de toda a Igreja.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm56" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">18. </span><span class="tm17">De</span> <span class="tm17">todo</span> <span class="tm17">modo,</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">não</span> <span class="tm17">acha</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">Roma</span> <span class="tm17">poderia</span> <span class="tm17">mostrar-se</span> <span class="tm17">mais</span> <span class="tm17">generosa</span> <span class="tm17">no</span> <span class="tm17">futuro,</span> <span class="tm17">em relação à Missa tradicional?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Não é impossível que Roma venha a adotar no futuro uma atitude mais aberta, como já ocorreu em 1988, em circunstâncias análogas, quando o uso do missal antigo foi outorgado a alguns grupos, numa tentativa de afastar os fiéis da Fraternidade. Caso isso viesse de novo a acontecer, seria algo muito político e muito pouco</span> <span class="tm19">doutrinal:</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">missal</span> <span class="tm19">tridentino</span> <span class="tm19">destina-se</span> <span class="tm19">exclusivamente</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">adorar</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">majestade divina</span> <span class="tm19">e a</span> <span class="tm19">alimentar</span> <span class="tm19">a fé;</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">poderia</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">instrumentalizado</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">ferramenta</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">ajustamento</span> <span class="tm19">pastoral</span> <span class="tm19">ou</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">variável de apaziguamento.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm58" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Mas ainda assim, uma benevolência maior ou menor nada mudaria quanto à nocividade do contexto descrito acima e portanto não mudaria substancialmente a situação.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm53" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Além</span> <span class="tm19">disso,</span> <span class="tm19">o cenário</span> <span class="tm19">é na</span> <span class="tm19">verdade</span> <span class="tm19">mais</span> <span class="tm19">complexo:</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">Roma,</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">Papa</span> <span class="tm19">Francisco e</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">Cardeal</span> <span class="tm19">Roche</span> <span class="tm19">se</span> <span class="tm19">deram conta de que, ao estender o uso do missal de São Pio V, desencadeia-se inevitavelmente um questionamento da reforma litúrgica e do Concílio, em proporções incômodas e sobretudo incontroláveis. É, portanto, difícil prever o que irá acontecer, mas o perigo de encerrar-se dentro de lógicas mais políticas do que doutrinárias é real.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm13" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">19. </span><span class="tm17">O</span> <span class="tm17">que o senhor gostaria</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">dizer em</span> <span class="tm17">especial</span> <span class="tm17">aos</span> <span class="tm17">fiéis</span> <span class="tm17">e aos membros</span> <span class="tm17">da</span> <span class="tm22">Fraternidade?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm47" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Gostaria de lhes dizer que o momento presente é, antes de tudo, um tempo de oração, de preparação dos corações, das almas e também das inteligências, a fim de nos dispormos à graça que essas sagrações representam</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">toda</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Igreja.</span> <span class="tm19">Isso</span> <span class="tm19">deve</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">vivido</span> <span class="tm19">no</span> <span class="tm19">recolhimento,</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">paz</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">confiança</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">Providência, que nunca abandonou a Fraternidade, nem irá abandoná-la desta vez</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm59" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">20. </span><span class="tm17">O</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">ainda</span> <span class="tm17">espera</span> <span class="tm17">poder</span> <span class="tm17">encontrar-se</span> <span class="tm17">com</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm22">Papa?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm47" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Sim, sem dúvida. Parece-me extremamente importante poder conversar com o Santo Padre, e há muitas coisas que eu gostaria de partilhar com ele, e que não pude lhe expor por escrito. Infelizmente, a resposta recebida da parte do Cardeal</span> <span class="tm19">Fernández não fala em nenhum lugar de uma possível audiência com o Papa. Pelo contrário, evoca a ameaça de novas sanções.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm59" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">21. </span><span class="tm17">Que</span> <span class="tm17">fará</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">Fraternidade</span> <span class="tm17">se</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">Santa</span> <span class="tm17">Sé</span> <span class="tm17">decidir</span> <span class="tm17">condená-</span><span class="tm22">la?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm47" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Em primeiro lugar tenhamos em mente que, em tais circunstâncias, eventuais penas canônicas não teriam nenhum efeito real.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">No entanto, caso viessem a ser pronunciadas, não há dúvida de que a Fraternidade, sem amargura, aceitaria esse novo sofrimento, assim como aceitou os sofrimentos passados, oferecendo-os sinceramente para o bem da própria Igreja. É pela Igreja que a Fraternidade trabalha. E ela tem a certeza de que, se tal situação viesse a ocorrer, seria necessariamente temporária, pois a Igreja é divina e Nosso Senhor não a </span><span class="tm20">abandona.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">A Fraternidade continuará, pois, a fazer o melhor que pode, na fidelidade à Tradição católica e a servir humildemente</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Igreja,</span> <span class="tm19">respondendo</span> <span class="tm19">às</span> <span class="tm19">necessidades</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas.</span> <span class="tm19">E</span> <span class="tm19">continuará</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">rezar</span> <span class="tm19">filialmente</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">Papa, como sempre tem feito, na espera de poder ver-se um dia livre dessas eventuais sanções injustas,</span> <span class="tm19">como se deu</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">2009.</span> <span class="tm19">Estamos</span> <span class="tm19">certos</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">um dia</span> <span class="tm19">as</span> <span class="tm19">autoridades</span> <span class="tm19">romanas</span> <span class="tm19">reconhecerão</span> <span class="tm19">com</span> <span class="tm19">gratidão</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">essas sagrações episcopais contribuíram providencialmente para mantermos a fé, para a maior glória de Deus e a salvação das almas.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm60" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Entrevista concedida</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">Flavigny-sur-Ozerain</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">2</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">fevereiro</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm20">2026, </span><span class="tm19">na</span> <span class="tm19">festa</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Purificação</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Santíssima</span> <span class="tm20">Virgem</span></span></p>
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		<title>VÍDEO AULA: A SOLUÇÃO PARA A CRISE NA IGREJA &#8211; D. MARCEL LEFEBVRE E A FSSPX</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2026 13:03:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Luiz Cláudio Camargo]]></category>

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		<description><![CDATA[O padre Luiz Cláudio Camargo apresenta um resumo da vida de Dom Marcel Lefebvre: nascimento, batismo, 1ª Comunhão, Seminário em Roma, ordenação sacerdotal, 30 anos de missões na África, sagração episcopal, sua relação com Pio XII, Superior Geral dos Espiritanos, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/video-aula-a-solucao-para-a-crise-na-igreja-d-marcel-lefebvre-e-a-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/casa-autonoma-do-brasil/camargo_0.png?itok=QLAKSxdJ" alt="" width="572" height="330" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O padre Luiz Cláudio Camargo apresenta um resumo da vida de Dom Marcel Lefebvre: nascimento, batismo, 1ª Comunhão, Seminário em Roma, ordenação sacerdotal, 30 anos de missões na África, sagração episcopal, sua relação com Pio XII, Superior Geral dos Espiritanos, o Concílio Vaticano II, a fundação da Fraternidade S. Pio X, a crise da Igreja contra a Fraternidade; não houve cisma e a excomunhão não foi válida. Os fundamentos da formação sacerdotal na Fraternidade. A solução para a crise da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Para acessar a aula, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/watch?v=trCL_rQUydM">CLIQUE AQUI</a></span></strong></span></p>
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