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	<title>DOMINUS EST &#187; Modernismo</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>PROGRESSISMO E CONSERVADORISMO: HISTÓRIA DA DISSOLUÇÃO DO HOMEM NO MUNDO E NA IGREJA NOS ÚLTIMOS 100 ANOS</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 14:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Sì Sì No No, ano XXXV, n. 14 – Tradução: Dominus Est Esquema introdutório • Antonio Gramsci (1891-1937) trabalhou na expansão do pensamento revolucionário da década de 1920 até o final da década de 1930. Seu estudo tinha como objetivo fazer &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/progressismo-e-conservadorismo-historia-da-dissolucao-do-homem-no-mundo-e-na-igreja-nos-ultimos-100-anos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://cdl-static.s3-sa-east-1.amazonaws.com/blog/artigo/4693/images/republica-duplipensante-do-brasil_0.jpg" alt="Grupo Companhia das Letras" width="547" height="261" /></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><strong><span class="tm7">Fonte: </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sisinono.org/&quot;"><span class="tm7">Sì Sì No No</span></a></span><span class="tm7">, ano XXXV, n. 14 – Tradução: </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/"><span class="tm7">Dominus Est</span></a></span></strong></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: center;"><strong><u><span class="tm9">Esquema introdutório</span></u></strong></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">• Antonio Gramsci (1891-1937) trabalhou na expansão do pensamento revolucionário da década de 1920 até o final da década de 1930. Seu estudo tinha como objetivo fazer com que a filosofia do materialismo dialético marxista fosse aceita </span><em><span class="tm11">intelectualmente</span></em><span class="tm9"> por meio de manipulação mental (“</span><span style="color: #0000ff;"><u><a style="color: #0000ff;" href="https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/entrismo&quot;"><span class="tm9">entrismo</span></a></u></span><span class="tm9">”) e não pela força. Gramsci queria uma “revolução cultural”, ou seja, adquirir a </span><em><span class="tm11">hegemonia</span></em><span class="tm9">, o </span><em><span class="tm11">consenso</span></em><span class="tm9"> e a </span><em><span class="tm11">direção</span></em><span class="tm9"> da sociedade civil-cultural europeia (penetrando na escola, na imprensa, nas publicações, no judiciário e na mídia de massa). Só então se poderia pensar em ocupar o poder, o </span><em><span class="tm11">governo</span></em><span class="tm9"> e o </span><em><span class="tm11">domínio </span></em><span class="tm9">do Estado. Gramsci é o progenitor de todas as correntes revolucionárias (Escola de Frankfurt, Estruturalismo francês) que tentarão, depois dele, trabalhar a revolta dentro do homem individual e não apenas na sociedade.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">• Um autor que buscará revolucionar a Europa também religiosamente (e não só culturalmente como Gramsci) é Ernst Bloch (1885-1977), filósofo alemão de origem judaica, que na década de 1960 trabalhou para converter os católicos à dialética social-comunista por meio do diálogo, opondo à religião tradicional ou dogmática (tese) uma religião progressista (antítese), a fim de alcançar um messianismo terreno e imanentista ou “socialismo-cristão” (síntese). Infelizmente, sua estratégia foi bem-sucedida com o Concílio Vaticano II, que se propôs a dialogar com o mundo sem mais querer convertê-lo. </span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">• Dos anos 1920-1930 até os anos 1960, a “Escola de Frankfurt” (Adorno-Marcuse), por meio de drogas, psicanálise, pansexualismo, moda e música pop, tentou revolucionar e aniquilar (a partir da Alemanha e dos EUA) </span><em><span class="tm11">o próprio homem</span></em><span class="tm9"> nos aspectos mais profundos de sua alma e personalidade</span><strong><span class="tm7">[1] </span></strong><span class="tm9">(inclinações, intelecto e vontade) e não mais apenas a sociedade cultural (Gramsci) ou religiosa (Bloch).</span></span><span id="more-31026"></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">• Enquanto isso, na França, o “Estruturalismo”, entre as décadas de 1940 e 1960 (Sartre, Althusser, Levy-Strauss), procurou embrutecer o homem através da massificação e desvalorização da razão humana, retomando, juntamente com a psicanálise de Jacques Lacan (1901-1988), as teorias sensistas e empiristas dos filósofos ingleses do século XVIII, segundo as quais o homem só tem conhecimento sensível, tal como o animal.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">• Atualmente, está sendo feita uma tentativa (pelos ensinamentos de Russel Kirk) de propor uma “revolução conservadora”*</span><em><span class="tm11"> [vide nota deste blog ao final do texto]</span></em><span class="tm9">, em oposição às revoluções “progressistas” mencionadas acima, que consiste em casar o catolicismo com o kantianismo e o sensismo anglo-saxão. Essa corrente na Europa é chamada de teoconservadorismo, e ela toma as doutrinas neoconservadoras dos EUA e as transplanta para a Europa e Roma. Essa tentativa, embora menos radical, ainda é contraditória e repugnante. Veremos por que.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">A Revolução cultural: Gramsci ou o eurocomunismo.</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O eurocomunismo é o marxismo-leninismo aplicado aos países “ocidentais” ou, mais precisamente, aos países europeus e especialmente àqueles com forte tradição católica. Com efeito, o comunismo não pôde se afirmar em um país “ocidental” ou, mais precisamente, europeu ou latino-americano e católico sem adotar variações táticas e estratégicas. Lembre-se de que o comunismo é sempre o mesmo, e só muda as aparências primeiro para enganar e ser aceito pela sociedade civil-cultural e, depois, para assumir o governo ou o poder político e permanecer nele. Augusto Del Noce escreveu: “Não há outro caminho senão o caminho gramsciano que seja capaz de levar os partidos comunistas ao sucesso nos países ocidentais”</span><strong><span class="tm7">[2]</span></strong><span class="tm9">. Toda a doutrina de Gramsci, com efeito, está voltada para a busca de uma tática adequada para garantir a aceitação e, depois, o sucesso do comunismo na Europa. Ele foi influenciado pelo neoidealismo italiano de Croce e especialmente pelo de Gentile, que </span><em><span class="tm11">pensava em um idealismo que superava o marxismo na medida em que propunha uma dialética marxista sem o materialismo</span></em><span class="tm9">, </span><span class="tm9">tal como demonstrou Del Noce. Gramsci permanece marxista e, portanto, materialista, mas reduz o materialismo a um mínimo, em benefício da dialética, e rebaixa a primazia da economia sobre todas as outras atividades humanas. “As consequências [&#8230;] são muito importantes: o comunismo não deve procurar apenas e acima de tudo tomar posse da articulação político-econômica (</span><em><span class="tm11">a estrutura</span></em><span class="tm9">) da sociedade, mas deve procurar [&#8230;] primeiro impor-se e prevalecer em todas </span><em><span class="tm11">as superestruturas culturais, jurídicas, artísticas, religiosas, etc.</span></em><span class="tm9">, que não são completamente atribuíveis à economia”</span><strong><span class="tm7">[3]</span></strong><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Gramsci faz distinção entre a </span><em><span class="tm11">conquista do Estado e a conquista da sociedade civil-cultural</span></em><span class="tm9">. No Ocidente, o poder político do Estado é moderado pela sociedade civil, ou seja, por todos os órgãos intermediários que ficam entre o indivíduo e o Estado, de modo que conquistar o Estado ou o governo ainda não significa ter conquistado a sociedade, que é o verdadeiro poder da nação. Pelo contrário, na Europa, a sociedade civil e cultural é muitas vezes mais forte do que o Estado e, portanto, deve ser conquistada pelo comunismo antes do Estado.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm11">Dominar </span></em><span class="tm9">significa subjugar e liquidar oponentes pela força; </span><em><span class="tm11">dirigir</span></em><span class="tm9"> significa liderar aliados e afins. Antes de </span><em><span class="tm11">dominar</span></em><span class="tm9">, o comunismo europeu deve </span><em><span class="tm11">dirigir</span></em><span class="tm9">; somente depois, quando tiver conquistado – graças ao entrismo – o governo político, ele poderá se tornar dominante, mas não deve se esquecer de forma alguma de que também é o </span><em><span class="tm11">dirigente</span></em><strong><span class="tm7">[4].</span></strong><span class="tm9"> “No entanto, o Estado não pode ser apenas coercitivo, caso contrário, entrará em colapso após um período mais ou menos longo (cf. URSS): enquanto exerce a coerção, ou seja, enquanto é dominante, o grupo que detém o Estado deve se esforçar para ser tanto dirigente quanto dirigido”</span><strong><span class="tm7">[5]</span></strong><span class="tm9">. De acordo com Gramsci, a ditadura comunista na Europa seria apenas dominação sem direção; a ditadura proletária, para permanecer no poder, deve obter não apenas a obediência externa dos cidadãos, mas também o consentimento. O eurocomunismo é precisamente a ditadura mais a hegemonia ou o consenso</span><strong><span class="tm7">[6]</span></strong><span class="tm9">. Portanto, é necessário impregnar a cultura com o pensamento marxista, porque é por meio da cultura que o consenso e a hegemonia são organizados, o que, no caso do comunismo europeu, deve ser, acima de tudo, a direção cultural de jornais, rádio, TV, escolas e universidades, do judiciário e do exército; as ideias comunistas devem se tornar as ideias que regem a classe dirigente; essa é a condição </span><em><span class="tm11">sine qua non</span></em><span class="tm9"> para conquistar o governo de forma permanente e duradoura; caso contrário, acabará como a Espanha em 1936.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Essa linha foi adotada por Palmiro Togliatti, que conseguiu fazer com que o Partido Comunista da Itália fosse aceito pelo mundo cultural político italiano e, após a morte de Pio XII, também por grande parte do mundo eclesiástico, que se pôs a dialogar&#8230;</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Após a derrota do comunismo no Chile em 1974, Enrico Berlinguer questionou por que ele havia fracassado. E chegou à conclusão de que havia surgido uma situação antigramsciana no Chile, ou seja, o governo comunista de um lado e a classe média do outro. Essa é a situação que precisa ser evitada na Itália, escreveu: “essa é a razão pela qual estamos lutando por um ‘</span><em><span class="tm11">compromisso histórico</span></em><span class="tm9">’”[7]. Portanto, é necessário ir, lentamente, do poder ao governo e não apressadamente do governo ao poder. Gramsci já havia escrito em 1919: “Os Populares [democratas-cristãos] representam uma fase necessária no processo de desenvolvimento do proletariado italiano em direção ao comunismo [&#8230;] Os Populares estão para os socialistas como Kerensky para Lênin [&#8230;] </span><em><span class="tm11">A democracia cristã faz o que o socialismo não poderia fazer: amalgama, ordena, anima e comete suicídio</span></em><span class="tm9">”</span><strong><span class="tm7">[8]</span></strong><span class="tm9">. Esse, infelizmente, foi o papel que a Democracia Cristã desempenhou na Itália.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">A revolução religiosa: Ernst Bloch ou o comunismo católico</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Além de Gramsci, outro teórico do eurocomunismo, ou mais precisamente do católico-comunismo, foi Ernest Bloch, seguido na Itália por Franco Rodano, que estudou todas as formas de tornar o comunismo aceitável para os católicos ou, melhor, para manipular sua mentalidade para que se tornasse compatível e assimilável pelo progressismo socialista; Eles [os católicos] terão que se ‘desideologizar’, olhando “mais para o que une do que para o que divide”, remetendo-se à doutrina social da Igreja para então se encontrar com os comunistas no nível da ação social.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Ernst Bloch é o primeiro filósofo marxista a abordar o problema de como converter os católicos ao comunismo. Ele aceita a tese marxista de que a religião é o ópio do povo, mas faz distinção entre dois tipos de religião:</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">a) </span><em><span class="tm11">uma ruim, reacionária</span></em><span class="tm9">, a ser combatida e destruída, que seria a dominicana tradicional ou integrista ou pré-conciliar;</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">b) </span><em><span class="tm11">a outra boa, progressista ou pós-conciliar</span></em><span class="tm9">, uma espécie de messianismo carnal do Reino de “deus” neste mundo, especialmente para os pobres, com o qual se pode dialogar.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Os comunistas, para ganhar o jogo, devem opor dialeticamente a religião ruim à religião boa, de modo que surja como uma síntese um tipo de cristianismo ateu ou marxista, que apenas mantém o nome e a aparência de cristianismo. O cristianismo “progressista” é chamado por Bloch a substituir o divino pelo futuro, Deus e o ser pela evolução: “Bloch construiu uma ponte entre o cristianismo e o comunismo, mas é uma ponte de mão única, a ser atravessada sempre em uma direção, e sempre por cristãos que se tornam marxistas e ateus”</span><strong><span class="tm7">[9]</span></strong><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">A Escola de Frankfurt e o “Estruturalismo” francês: a subversão </span><em><span class="tm12">“in interiore homine”</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">A subversão social (cultural ou religiosa) torna-se individual com a “Escola de Frankfurt” e o “Estruturalismo” francês.</span></p>
<p class="Normal tm13" style="text-align: center;"><span class="tm9" style="color: #000000;">* * *</span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">1. A Escola de Frankfurt</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A Escola de Frankfurt baseou-se na força propulsora e subversiva das inclinações desordenadas da natureza humana ferida pelo pecado original, que pode ser comparada a um terremoto que perturba, subverte, abala, derruba e vira de cabeça para baixo. Significou a </span><em><span class="tm11">revolta global, a guerra psicológica total</span></em><span class="tm9"> e a mudança de mentalidade (intelecto) e costumes (vontade) no </span><em><span class="tm11">mundo inteiro</span></em><span class="tm9">, na sociedade civil, na sociedade religiosa e, acima de tudo, </span><u><span class="tm9">no indivíduo</span></u><span class="tm9">, em cujo interior trouxe desordem e subversão (cf. H. Marcuse, </span><em><span class="tm11">Um Ensaio Sobre a Libertação</span></em><span class="tm9">, 1969, p. 44). Ela levou a mentira para as profundezas da alma humana (</span><em><span class="tm11">“in interiore homine, habitat falsitas”</span></em><span class="tm9">, parafraseando Santo Agostinho, no interior do homem vive a falsidade); seu objeto foi a “psique” de cada ser humano. A Escola de Frankfurt desempenhou um papel de liderança nessa inversão do homem como sujeito inteligente e livre. Nascida na Alemanha em 1923, mudou-se para os EUA em 1933 e lá permaneceu até 1950, quando Theodor Adorno (1903-1969) retornou à Alemanha para trazer pessoalmente à Europa a revolução ou o caos lançado pela América do Norte na década de 1950. Herbert Marcuse (1898-1979), por outro lado, permaneceu nos EUA, que se tornou, com a Segunda Guerra Mundial, a nação mais poderosa do mundo ainda não dominada pelo bolchevismo.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A convicção dos intelectuais da Escola de Frankfurt é que, no “Ocidente”, o modelo comunista stalinista-leninista (que revolucionou a velha Rússia desde 1917) tem pouca esperança de sucesso. De fato, o proletariado europeu e norte-americano já está de barriga relativamente cheia (década de 1930) e não está mais disposto a realizar a revolução como fez em 1917 na Rússia. Portanto, o assunto a ser revolucionado deve ser mudado, de modo a expandir a subversão em todo o mundo. Esse novo sujeito são os “estudantes” (que não querem estudar), que, por terem “a cabeça vazia, são mais inclinados à revolução do que o proletariado com uma barriga cheia”. O modelo stalinista é substituído na Escola de Frankfurt pelo </span><strong><em><span class="tm12">trotskismo</span></em></strong><span class="tm9"> e pelo </span><strong><em><span class="tm12">maoísmo</span></em></strong><span class="tm9">, que quer a revolução perpétua em todo o mundo (“cada homem, o homem inteiro, é o objeto da ação revolucionária”, dizia Mao Tsé Tung). Essa escola, como Augusto Del Noce escreveu em várias ocasiões, a fim de superar a crise do modelo soviético na década de 1970, teorizou uma revolução que iria além da bolchevique, que poderia realmente realizar a anarquia perpétua e total e que chegaria ao </span><em><span class="tm11">coração do homem</span></em><span class="tm9">, depois de ter estragado toda a sociedade.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Ao trotskismo e ao maoismo, a Escola de Frankfurt acrescentou o </span><strong><em><span class="tm12">freudismo</span></em></strong><span class="tm9">, ou seja, a psicanálise de massa, que, por meio do desencadeamento das paixões humanas (especialmente as paixões sexuais), chega a mudar a mentalidade e os costumes do homem (revolução cultural). Em outras palavras, é o passo da educação (</span><em><span class="tm11">ex-ducere</span></em><span class="tm9">) para a deseducação ou “in-ducação” (</span><em><span class="tm11">ducere-in</span></em><span class="tm9">) em direção ao niilismo nietzschiano e à ideologia pós-moderna, que deseja a destruição total dos valores intelectuais, morais e até mesmo existenciais (ódio dirigido contra o ser criado e participado, que remete ao próprio Ser subsistente ou incriado, ou seja, ódio a Deus). “Liberdade da realidade” é a essência do livro de Marcuse intitulado </span><em><span class="tm11">Eros e civilização</span></em><span class="tm9">. O fruto da Escola de Frankfurt foi a perversão intelectual, psicológica e moral da juventude, que se tornou adulta depois de 68 e passou a ocupar posições-chave na sociedade civil e passou a apagar todos os vestígios de ordem e valores. Agora o homem não deve mais ser considerado um “animal racional” (Aristóteles), mas um “animal apaixonado”, composto apenas de instintos e impulsos desordenados, não mais subserviente ao intelecto e ao livre-arbítrio, mas desencadeados e levados ao paroxismo por meio da psicanálise pansexualista freudiana, uma inversão do ascetismo cristão, que por sua vez busca, com a ajuda da graça, tornar as tendências ou os instintos subservientes ao intelecto e à vontade do homem, para que ele possa ser seu próprio mestre. Em 1965, Marcuse exaltou a força revolucionária da prática </span><em><span class="tm11">homossexual</span></em><span class="tm9"> como uma rejeição da diversidade e da procriação (</span><em><span class="tm11">Eros e civilização</span></em><span class="tm9">, Turim, Einaudi, 1966, p. 192); em 1969, Jean Paul Sartre defendeu o </span><em><span class="tm11">incesto</span></em><span class="tm9"> como uma libertação da família (</span><em><span class="tm11">Tout</span></em><span class="tm9">, nº 12) e, em 1977, ele até se pronunciou a favor da </span><em><span class="tm11">pedofilia</span></em><span class="tm9"> (</span><em><span class="tm11">Le Monde</span></em><span class="tm9">, 26 de janeiro). A “revolução cultural” é, na realidade, a mudança ou a reviravolta (</span><em><span class="tm11">revolutio</span></em><span class="tm9">) completa não apenas do modo de vida cristão, mas também do humano (pensar e agir livremente), por meio da destruição ou perversão das capacidades volitivas e de raciocínio do homem, que são, assim, degradadas ao nível da besta.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A Escola de Frankfurt não quer uma revolução sangrenta </span><em><span class="tm11">ab aextrinseco </span></em><span class="tm9">[desde fora], mas uma degeneração sangrenta e “suave” </span><em><span class="tm11">ab intrínseco </span></em><span class="tm9">[desde dentro]. Assim também é o modernismo no campo religioso. Ela não está mais satisfeita apenas com a “hegemonia cultural” </span><em><span class="tm11">social </span></em><span class="tm9">gramsciana, mas quer a desintegração total e a perversão do de cada homem por meio do eros, drogas, música rock, moda e revistas de variedades e celebridades. De certa forma, ela é mais cruel do que o Gulag, porque o Gulag tira a liberdade física, enquanto a Escola de Frankfurt também destrói a liberdade interior, a qual torna o sujeito verdadeiramente humano, ou seja, inteligente e livre para aderir à verdade e fazer o bem.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Essa escola filosófica, embora seja esquerdista, tem um forte valor </span><em><span class="tm11">elitista radical-chique</span></em><span class="tm9">. Na verdade, são os intelectuais (marionetistas) que fazem com que os alunos (marionetes) façam a confusão, o pandemônio, o tumulto ou a revolução. A </span><em><span class="tm11">inteligentsia</span></em><span class="tm9"> (o filósofo e o psicanalista) é a bruxa, que pode desencadear as paixões mais baixas do homem e voltá-las contra o próprio homem (</span><em><span class="tm11">revolutio in interiore homine</span></em><span class="tm9">), que é odiado, levianamente, como uma criatura de Deus. Parafraseando Pio XII, se Lutero disse: “Cristo sim, Igreja não”, Robespierre: “Deus sim, Cristo não” e Marx: “Deus não”, a revolução cultural diz: “homem (criado à imagem de Deus) e até mesmo o ser e a realidade não”.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">O principal adversário a ser derrubado era, antes de tudo, a velha Europa (década de 1930), que ainda mantinha parcialmente os vestígios da metafísica grega (Platão e Aristóteles), da ética e do direito romano (Sêneca e Cícero), da patrística (Santo Agostinho), escolástica (Santo Tomás) do direito canônico (São Gregório VII &#8211; Bonifácio VIII), e que naqueles anos estava tomando um caminho considerado perigoso na luta contra a Revolução, pois colocaria em oposição a si tanto o bolchevismo no Oriente quanto o supercapitalismo no Ocidente. Foi lá, na terra do supercapitalismo, que a Escola de Frankfurt se refugiou de 1933 a 1950 para combater o velho continente que ainda estava muito ancorado em valores metafísicos e éticos. A Europa tinha de ser destruída ou depravada. A Segunda Guerra Mundial a semi-destruiu militarmente e a Escola de Frankfurt a depravou espiritualmente.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Entre outros assuntos, a </span><strong><em><span class="tm12">música</span></em></strong><span class="tm9"> foi estudada por Adorno como um meio de subverter e “des-integrar” o homem, uma vez que, antes de Adão pecar, o dom da “integridade” tornava o homem perfeitamente senhor de seus instintos, enquanto a psicanálise o escraviza a eles, exacerbando a tendência ao mal deixada em nós pelo pecado original. Ao remover a harmonia e introduzir apenas o ritmo obsessivo, a música é um excelente instrumento de depravação mental e moral, pois libera as paixões do apetite concupiscível em detrimento do irascível (música marcial) e da racionalidade (música harmônica, gregoriana e clássica). A partir dos EUA, Marcuse lançou uma campanha ideológica de distribuição em massa de músicas e canções sensuais, rítmicas e sincopadas, por meio das quais o homem, tendo se tornado interiormente escravo de suas fantasias e ritmos obsessivos, perdeu sua liberdade psicológica.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Outro meio de subversão foi a </span><strong><em><span class="tm12">droga</span></em></strong><span class="tm9">, concebida como um instrumento de revolução “psicodélica” (= o movimento de um pensamento e reação ocultos por meio de alucinógenos). Um slogan de 1968 era: Imaginação no poder, onde a imaginação significava alucinação ou devaneio por meio do uso de drogas. Tudo isso implica uma rejeição radical da realidade, pois ela é o efeito criado e finito que nos leva de volta à Causa primeira, incausada e infinita. Com 68 e depois de 68, a única anormalidade é a norma ou regra, a única desordem é a ordem, a única certeza é a dúvida. As drogas também são um trampolim para ir além do real, para se “satisfazer”, para voar em direção ao sol como Ícaro (exceto para acabar como ele).</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A </span><strong><em><span class="tm12">mistura de povos e grupos étnicos</span></em></strong><span class="tm9"> (“babelização”) foi concebida como um “pé de cabra” para romper a ordem da civilização europeia, que se baseia na lógica aristotélica e no princípio da identidade e da não-contradição. Os “frankfurtianos” confrontaram isso com a “cultura” afro-americana do extremo ocidente, que substitui o raciocínio dedutivo por uma intuição instintiva pré-tensionada, auxiliada por alucinógenos “biologicamente puros”, típica dos aborígenes e das “culturas” tribais. O lema de um deles (Allen Ginsberg, +1977) era: “as drogas enegrecem o homem branco”. O único método a ser seguido era a “instintivação total”: “a realidade é uma prisão e a chave [para sair] é a loucura”.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">“Frankfurt” também entendeu que não se deveria usar livros (muito longos e difíceis para as massas), e nem mesmo artigos e panfletos, mas deveria “deseducar” por meio da música, imagens (TV e revistas de variedades, celebridades e pornográficas) e também pela cibernética.</span></p>
<p class="Normal tm13" style="text-align: center;"><span class="tm9" style="color: #000000;">***</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">Em tudo isso, parece-me que é possível discernir uma semelhança entre o renascimento cultural e o modernismo.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">De fato, São Pio X escreveu em sua encíclica </span><em><span class="tm11">Pascendi</span></em><span class="tm9"> (1907) que o modernismo quer transformar a Igreja e sua doutrina a partir de dentro, não mais à maneira dos hereges e dos cientistas, que, deixando a Igreja, a combatiam aberta e amargamente a partir de fora, mas permanecendo bem escondidos dentro dela e ocupando seus lugares-chave, a fim de demoli-la </span><em><span class="tm11">ab intrinseco</span></em><span class="tm9"> de maneira pantanosa e aveludada.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O plano modernista, esmagado pelo Papa Sarto, ressurgiu na década de 1940 e foi condenado por Pio XII na encíclica </span><em><span class="tm11">Humani generis</span></em><span class="tm9"> (1950) como neomodernismo ou </span><em><span class="tm11">nouvelle théologie</span></em><span class="tm9">. Infelizmente, com a morte do Papa Pacelli (1958), o neomodernismo recuperou o vigor e, lentamente, com o Concílio Vaticano II, conseguiu revolucionar até mesmo os membros da igreja até o topo. Assim, no ambiente católico, depois de quarenta anos de pós-modernismo ou niilismo teológico, encontramos efeitos semelhantes aos que vimos, </span><em><span class="tm11">mutatis mutandis</span></em><span class="tm9">, no ambiente civil: feminismo eclesiológico, revolta contra a autoridade dos pastores, evolucionismo dogmático, modas indecentes, a-moralismo subjetivo ou situacional, subjetivismo na arte sacra e na música.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A questão da moda pode parecer de pouca importância (e pareceu ser para os Padres do Concílio), mas ajudou muito na perversão da mentalidade e dos costumes. Stan Cohen, na revista de história </span><em><span class="tm11">“Novecento”</span></em><span class="tm9"> (março de 2003, nº 5), escreveu: “Os anos 60 espalharam o pânico moral. Na Itália, experimentou-se um medo coletivo: o descompromisso, os ideais fracos e a ausência de valores sólidos geraram apatia e produziram uma geração mole, superficial e arrogante. Nas escolas, a recusa em educar se espalhou; nas famílias, os pais desistiram da paternidade para se tornarem amigos de seus filhos. No vestuário, a moda americana produziu um novo estilo de vida que mudou a moral e o mundo: a minissaia, calças femininas justas, homens com cabelos compridos. Foi introduzido um estilo de vida agitado, um estilo errante”. O jornal </span><em><span class="tm11">La Stampa</span></em><span class="tm9">, de Turim (29 de junho de 1965), deu a manchete:</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">“Verão de 1965, os Beatles na Itália. Histeria coletiva” e continuou: “Estamos testemunhando a degeneração do comportamento dos jovens, eles parecem um monte de autômatos, semelhantes a epilépticos ou possessos”.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O efeito da </span><strong><em><span class="tm12">música rock</span></em></strong><span class="tm9"> foi liberar os jovens de todas as “inibições”, ou melhor, do senso de modéstia, para cortar os laços com suas famílias e viver como pessoas desenraizadas. A música pop foi vivenciada como um protesto contra a geração anterior: os pais. Suas palavras ridicularizam a autoridade, a Igreja, a moralidade, o professor, o marido e a tradição. A única vergonha é a vergonha. O gênero rock (derivado do </span><em><span class="tm11">boogie-woogie</span></em><span class="tm9">, trazido pelos “libertadores” americanos para a Europa em 1945) baseia-se em premissas afro-americanas, extraídas de antigos costumes tribais, para liberar as inibições, ou melhor, o autodomínio. Muitos conjuntos musicais (Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd) têm sido aríetes para animalizar o homem europeu, onde o darwinismo ocorreu, mas ao contrário: do homem nasceu o “macaco”.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">No que diz respeito às </span><strong><em><span class="tm12">revistas de variedades, celebridades e novelas</span></em></strong><span class="tm9">, “Novecento” (maio de 2004, n. 19) as coloca na origem da cultura de massa libertária e libertina e do feminismo, que rebaixou a mulher e a degradou do posto de </span><em><span class="tm11">“domina, mater et mulier”</span></em><span class="tm9"> para o de fêmea como puro objeto de concupiscência. Além disso, na década de 1970, a psicanálise, de um fenômeno elitista, tornou-se “terapia de grupo” e foi exportada para as massas, entrando nas famílias, escolas, seminários e conventos. Freud venceu.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O </span><strong><em><span class="tm12">Concílio Vaticano II</span></em></strong><span class="tm9"> apresentou uma virada libertária no ambiente eclesial, com a liberdade religiosa decorrente da dignidade absoluta da pessoa humana (</span><em><span class="tm11">“Dignitatis humanae”</span></em><span class="tm9">), teoricamente fundamentada na </span><em><span class="tm11">“Gaudium et spes”</span></em><span class="tm9"> n. 22: “Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem.”, com a colegialidade (</span><em><span class="tm11">“Lumen Gentium”</span></em><span class="tm9">), que revolucionou a constituição monárquica da Igreja, como Cristo a fundou, dando um sentido igualitário entre o papa e o corpo de bispos, e com o falso ecumenismo que faria da Igreja uma irmandade universal de todas as religiões, especialmente as monoteístas (</span><em><span class="tm11">“Nostra Aetate”</span></em><span class="tm9"> e </span><em><span class="tm11">“Unitatis Redintegratio”</span></em><span class="tm9">).</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A </span><strong><em><u><span class="tm12">conclusão</span></u></em></strong><span class="tm9"> me parece ser a seguinte: a década de 1960 deu início à revolução total, primeiro social (cultural e religiosa), depois </span><em><span class="tm11">in interiore homine</span></em><span class="tm9">. A revolução filosófica-social começou com a Escola de Frankfurt, que liberou o instinto contra a razão, a animalidade contra a racionalidade e, assim, destruiu o livre-arbítrio. O livre-arbítrio religioso começou com o Vaticano II e, partindo de uma espécie de pan-cristianismo teilhardiano, chegou ao ponto de conceder o direito de liberdade, no foro externo e público, a opiniões falsas, mesmo em questões religiosas, e introduziu o liberalismo no mundo católico, que a Igreja sempre condenou desde o início, de Gregório XVI a Pio XII.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">2. O estruturalismo francês</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">A revolução cultural-acadêmica na França se autodenominou Estruturalismo. Seus principais representantes são: Jean Paul Sartre (1905-1980), Claude Levy-Strauss, (1908-2009) Jacques Lacan (1901-1981) e Louis Althusser (1918-1990).</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O estruturalismo é caracterizado por: 1) a massificação da pessoa humana, que deixa de ser um indivíduo e se perde na coletividade; 2) o “pensamento selvagem” (Claude Levy-Strauss, </span><em><span class="tm11">“O pensamento selvagem”</span></em><span class="tm9">, 1964), que aborda apenas o concreto ou perceptível e rebaixa o intelecto humano ao nível da sensibilidade animal. A razão, deificada e supervalorizada pela Revolução Francesa (Iluminismo racionalista) ou “modernidade” (de Descartes a Hegel), é desvalorizada pela revolução estruturalista-francófona (ou “pós-modernidade”) e reduzida a uma forma de sensualismo, combinada com sentimentalismo e niilismo (início do século XX: Nietzsche e Freud), que atingiu seu apogeu com a Escola de Frankfurt e a Escola Estruturalista, especialmente com o maio de 1968 ou a eclosão da revolução cultural.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Esse último estágio da revolução tinha a tarefa de destruir o conhecimento racional, a moralidade e até mesmo a própria existência do indivíduo (levado até mesmo ao suicídio pelo existencialismo niilista de Sartre). Os meios utilizados foram o sensismo filosófico inglês do século XVIII, retomado e atualizado, a magia ou o esoterismo do Extremo Oriente</span><strong><span class="tm7">[10]</span></strong><span class="tm9"> como uma forma de conhecimento suprarracional ou a-racional, a moda e a música “pop” (que desencadeiam paixões sensíveis em detrimento do conhecimento racional e da vontade). O estruturalismo é caracterizado por seu ódio a tudo o que é racional, dedutivo, sistemático, lógico ou metafísico (conhecimento da substância inteligível das coisas sensíveis) em favor da vagabundagem da imaginação e da fantasia, da sensibilidade e do sentimentalismo. É a radicalização do ceticismo empirista ou sensista contra a metafísica clássica e tomista.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Teoconservadorismo ou liberalismo católico</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">a) Raízes remotas do teoconservadorismo europeu e italiano (empirismo)</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O atual neoconservadorismo norte-americano, que encontrou asilo na Itália entre os “ateus-devotos” ou “teoconservadores” (Marcello Pera, Giuliano Ferrara, Oriana Fallaci) e que parece ter encontrado um ponto de apoio em Bento XVI, é uma conclusão revisada, corrigida e atualizada do estruturalismo francês e do “frankfurtianismo” germânico-estadunidense. Para nós, isso parece o clássico dar “um passo para trás para dar dois para frente”. A subversão, com efeito, faz uso de certas metamorfoses ou mudanças aparentemente profundas, mas que deixam o pandemônio inalterado na realidade, e faz também uso de certos recuos táticos ou estratégicos para retomar a corrida com um movimento uniformemente acelerado. O teoconservadorismo é uma dessas metamorfoses ou recuos estratégicos para exportar a agitação e o tumulto ao redor do mundo [</span><em><span class="tm11">nota do blog: o conservadorismo no Brasil também</span></em><span class="tm9">]. Com efeito, como é possível conciliar a </span><em><u><span class="tm11">metafísica</span></u></em> <em><span class="tm11">grega</span></em><span class="tm9"> e a </span><em><u><span class="tm11">dogmática</span></u><span class="tm9"> católico-romana</span></em><span class="tm9"> com o </span><em><u><span class="tm11">estruturalismo</span></u></em><span class="tm9">, que é a conclusão lógica do empirismo e do sensismo inglês do século XVIII, tal como conciliou o neoconservadorismo americano? A metafísica aristotélico-tomista afirma a capacidade da razão humana de conhecer a essência das coisas com certeza, e a teologia dogmática romana eleva a metafísica à serva da Fé; o empirismo sensista, porém, nega tanto a possibilidade da metafísica quanto a definição de Fé como adesão intelectual a verdades objetivas reveladas por Deus e propostas para crença pela Igreja.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O liberalismo tem sua raiz na concupiscência, que rompe a relação intelecto-vontade-sensível e dá ao sensível predominância sobre a vontade e a inteligência. O liberalismo, com sua falsa noção de liberdade como um fim e não como um meio, vira a alma do homem de cabeça para baixo, inverte-a e subverte-a de modo que o homem, a fim de obter uma liberdade ilusória, torna-se escravo das paixões ou das tendências desordenadas (tal como o viciado o é das drogas). Além disso, o objetivo final do liberalismo é o mesmo do social-comunismo: a anarquia, onde reina a liberdade absoluta de fazer o que quiser. O ódio pela lei objetiva e por qualquer liberdade torna o liberalismo e o neoconservadorismo semelhantes ao marxismo, tanto que a maioria dos neocons americanos e dos conservadores italianos são intelectuais trotskistas que apenas mudaram de tática ou de marcha (“lenta”)</span><strong><span class="tm7">[11]</span></strong><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Dessa impossibilidade de conciliação teórica decorre a impossibilidade de conciliação </span><em><span class="tm11">política </span></em><span class="tm9">entre o </span><em><span class="tm11">liberalismo</span></em><span class="tm9"> (que faz da liberdade um absoluto ou um fim) e a doutrina </span><em><span class="tm11">política católica</span></em><span class="tm9"> (para a qual a liberdade é um meio que é bom se nos ajuda a alcançar o Fim, caso contrário é perverso). O Magistério tem condenado consistentemente o liberalismo católico, bem como o socialismo católico.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Do ponto de vista </span><em><span class="tm11">econômico</span></em><span class="tm9">, o liberalismo, como conclusão do liberalismo político, não se encaixa bem na doutrina social da Igreja: para o liberalismo, a economia é a arte de ficar cada vez mais rico, ao passo que, para a doutrina católica, a economia é a virtude da “prudência familiar”, que ajuda a escolher os melhores meios para manter o fogo doméstico aceso. A riqueza não é o fim, mas um meio, que pode ser bom ou ruim, dependendo de como é usada. Com efeito, se alguém faz da riqueza um fim, há uma desordem e, portanto, a natureza crematística (Aristóteles) ou negocial (Santo Tomás) da liberdade é objetivamente um pecado mortal de idolatria a Mamon ou ao “bezerro de ouro”.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm11">Sensismo pragmático</span></em><span class="tm9"> e liberalismo são os pilares da cultura americanista. É claro que nem todo americano é americanista, mas aqueles que governam a América do Norte o são. Ora, parece que os teocons italianos querem casar o americanismo com o catolicismo romano (</span><em><span class="tm11">quod repugnat</span></em><span class="tm9">). Também não se deve esquecer que as </span><em><span class="tm11">raízes americanas</span></em><span class="tm9"> são o puritanismo calvinista, o judaísmo talmúdico e a maçonaria britânica; enquanto as </span><em><span class="tm11">raízes europeias</span></em><span class="tm9"> são a metafísica grega (Sócrates, Platão e Aristóteles), o direito romano ou a filosofia natural (Cícero e Sêneca), elevados sobrenaturalmente pela Patrística, pela Escolástica e pelo Direito Canônico (especialmente de São Gregório VII a Bonifácio VIII). Ora, essas raízes são diametralmente antitéticas. Por isso, essa dita conciliação é absolutamente impossível.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">b) Raízes próximas do teoconservadorismo italiano (Burke e Kirk)</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Portanto, não parece que a alternativa para o perigo da modernidade, do gramscismo e do niilismo seja a “Revolução Conservadora” anglo-americana teorizada por Edmund Burke (1729-1797) e Russell Kirk (1918-1994), como Marco Respinti</span><strong><span class="tm7">[12]</span></strong><span class="tm9"> quer que seja. De fato, Edmund Burke, seguido por Russel Kirk, acreditava que a Revolução Francesa (</span><em><span class="tm11">progressista</span></em><span class="tm9">) era essencialmente diferente da Segunda Revolução Inglesa (1688) e da Revolução Americana (ou Guerra da Independência 1776-1783), que eram tradicionais e </span><em><span class="tm11">conservadoras</span></em><span class="tm9">. De acordo com essa linha de pensamento, os EUA dariam continuidade à herança clássica (greco-romana) e cristã-medieval</span><strong><span class="tm7">[13]</span></strong><span class="tm9">. A América seria, portanto, a atualização do cristianismo europeu e representaria uma espécie de pré-modernidade ou pré-iluminismo, na medida em que não seria conscientemente iluminista</span><strong><span class="tm7">[14]</span></strong><span class="tm9">. Essa corrente de pensamento (Movimento Conservador Americano, de matriz kirkeana) veio à tona em 1980 com o governo Ronald Reagan, especialmente em sua ala “neocon” e neoliberal</span><strong><span class="tm7">[15]</span></strong><span class="tm9">, representada por George Bush pai e George W. Bush (filho). Russell Kirk, de acordo com Respinti, “nos oferece a imagem de uma América que defende os valores da tradição clássica e cristã, de acordo com os verdadeiros princípios defendidos pelos Pais Fundadores de sua nação” (que, no entanto, acrescentamos, eram calvinistas, antianglicanos e ferozmente anticatólicos, com fortes tendências antitrinitárias, mais próximos do judaísmo talmúdico do que do Evangelho; e, reforçamos, há apenas uma Igreja fundada por Cristo, que é a Igreja Católica, Apostólica e Romana)</span><strong><span class="tm7">[16]</span></strong><span class="tm9">. Outro discípulo cultural de Burke, Friedrich von Hayek, distingue claramente o bom liberalismo anglo-americano, por ser </span><em><span class="tm11">conservador</span></em><span class="tm9">, do liberalismo europeu, que é ruim por ser </span><em><span class="tm11">progressista</span></em><span class="tm9"> e racionalista. Outros pensadores que são discípulos espirituais de Burke e “confrades” de Kirk são Karl Raimund Popper e Michael Novak. O próprio Kirk explica que a Revolução Francesa foi uma revolução total, enquanto as revoluções inglesa e americana foram defensivas, e não agressivas; de fato, elas impediram a eclosão de revoluções mais sangrentas e radicais exatamente porque eram essencialmente conservadoras. Kirk (na ocasião de três conferências realizadas na Itália em 1989, e reproduzidas no livreto editado por Marco Respinti) define a Guerra de Independência Americana como uma “Revolução impedida” ou “não feita”, pois defendeu os direitos costumeiros (ou “tradições”) da gloriosa Revolução Inglesa de 1688 e impediu o surgimento de um radicalismo revolucionário semelhante ao francês</span><strong><span class="tm7">[17]</span></strong><span class="tm9">. Kirk afirma efetivamente que, enquanto a Revolução Francesa foi feita em ódio ao cristianismo, a Revolução Americana foi feita em um espírito de “forte apego&#8230; às igrejas cristãs e aos princípios morais” (mas certamente não ao papado, visto como o anticristo pelos colonos americanos, e nem à única Igreja de Cristo, fundada em Pedro, n.d.a.)</span><strong><span class="tm7">[18]</span></strong><span class="tm9">. Com efeito, continua Kirk, “na América, nenhum golpe foi infligido contra a fé cristã. Dos homens que assinaram a Declaração de Independência, a grande maioria era de cristãos praticantes de uma denominação ou outra” (ou seja, muitos calvinistas, alguns anglicanos e&#8230; nenhum católico, n.d.a.)</span><strong><span class="tm7">[19]</span></strong><span class="tm9">. O católico Kirk exalta “o calvinismo rígido de Jonathan Edwards”</span><strong><span class="tm7">[20]</span></strong><span class="tm9">, um ministro congregacionista de Massachusetts, que defendeu a doutrina calvinista rigorosa do pecado original e da fé-confiança, por isso “ensinava a perversidade da natureza humana”</span><strong><span class="tm7">[21]</span></strong><span class="tm9">. Por fim, os colonos americanos são defendidos por Burke e depois por Kirk porque “alegaram resistir às perigosas inovações do rei George III da Inglaterra”</span><strong><span class="tm7">[22]</span></strong><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Conclusão</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A partir das décadas de 1920-1930, testemunhamos a escalada exasperada da subversão. Com efeito, primeiro houve uma revolução que se propôs a entrar gentil ou demagogicamente na sociedade civil-cultural para nos “convencer”</span><strong><span class="tm7">[23]</span></strong><span class="tm9"> da bondade do materialismo dialético marxista (Antonio Gramsci). Em seguida, houve uma revolução que buscou reconciliar o cristianismo com o marxismo, esvaziando-o primeiro de seu dogma e depois tornando-o pura práxis, graças ao diálogo (Ernst Bloch), e isso foi totalmente acolhido pelo Vaticano II. Então houve uma degeneração extrema ou desordem niilista, que não se contentava mais em dissolver apenas a sociedade civil, a família e a religião, mas queria destruir ou desintegrar o próprio homem (a “marcha veloz” da subversão) precisamente naquilo que o torna homem (intelecto e livre-arbítrio) por meio das drogas, álcool, psicanálise pansexualista, sensismo e brutalização da pessoa humana: Escola de Frankfurt (1920-70) e Estruturalismo Francês (1940-70). Então, na década de 1980, diante de tanta decadência produzida por “</span><em><span class="tm11">Baco </span></em><span class="tm9">[álcool], </span><em><span class="tm11">tabaco</span></em><span class="tm9"> [drogas] e </span><em><span class="tm11">Vênus</span></em><span class="tm9"> [pansexualismo freudiano]”, que “reduzem o homem a cinzas”, como diz o ditado, nos EUA buscou-se um remédio no neoconservadorismo católico-liberal ou na “revolução conservadora”, que, no entanto, </span><u><span class="tm9">não cura nem a sociedade civil e religiosa e nem o indivíduo, sendo um substituto ou metamorfose da revolução comunista e niilista e não seu antídoto</span></u><span class="tm9">. Mas a subversão também usa suas metamorfoses para fazer recuos estratégicos quando percebe que foi longe demais e provocou meias reações, a fim de retomar a corrida assim que o perigo tiver passado. Em suma, a “revolução conservadora”, sendo uma semi-revolução, não pode nem mesmo ser potencialmente antirrevolucionária, mas é apenas uma espécie de analgésico e não uma desintoxicação. Assim como não se pode curar um viciado com analgésico ou uma droga leve, também não se pode curar o comunista ou o socialista-católico e o “niilista aniquilado” com o liberalismo, que é pai do socialismo e avô do niilismo. O semi-contrarrevolucionário também é o filho (embora um pouco preguiçoso) da Revolução. Portanto, o neoconservadorismo americano e o teoconservadorismo europeu, e especificamente o italiano, são apenas uma falsa alternativa ao comunismo e ao niilismo, uma desaceleração da subversão (a “marcha lenta”) para recuperar o ímpeto.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">A maléfica ideia de esconder a reação à subversão adoçando-a, diluindo-a, tornando-a simpática, não exagerando a degeneração, é o empobrecimento final do potencial antirrevolucionário, anulando a força de sua reatividade e entregando as armas sem lutar. Aderir ao sistema revolucionário em voga do neoconservadorismo (simetricamente semelhante e oposto ao gramscianismo) para combater o sistema radical (comunismo e niilismo) significa pular do quinto andar para não cair do sexto, iludindo-se com a ideia de que pode se safar. O verdadeiro remédio é o retorno à verdade integral, à realidade, ao ser e, finalmente, a Deus; não é um meio-veneno, que mata do mesmo jeito, embora menos rápido. O processo revolucionário não é imparável. Com a graça de Deus e a boa vontade ou o livre-arbítrio, tudo é possível.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span class="tm9" style="color: #000000;">O paroxismo da Revolução (comunismo igualitário e destrutivo e niilismo) está virtual e totalmente contido em suas causas (liberalismo naturalista e sensista, que está basicamente em contato com o vírus da subversão e, portanto, incapaz de ser anti-subversivo). Ora, é bem sabido que a “marcha rápida” da revolução (niilismo), mesmo que não seja acompanhada de feitos, atrai a atenção e desperta admiração secreta junto à revolução lenta ou conservadora (teocoservadorismo), composta de “puritanos”, moderados e medíocres.</span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Portanto, é necessário adotar uma atitude diametralmente oposta à subversão aguda ou moderada; uma atitude composta de firmeza inabalável e não de compromisso, acomodação ou entrismo: em suma, uma conversão que se opõe completamente à Revolução, seja ela lenta ou rápida. É claro que o neoconservadorismo não pode fazer nada disso. Se um rebanho fosse atacado por uma matilha de lobos vorazes, disfarçados de ovelhas, e o pastor afugentasse as vespas ou as abelhas, mas deixasse os lobos intactos, ele seria um mau pastor. Hoje, é necessário, teologicamente, esmagar os adversários </span><em><span class="tm11">maiores</span></em><span class="tm9"> da Igreja e não se contentar em expulsar apenas os inimigos </span><em><span class="tm11">menores</span></em><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Dominicus</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span class="tm7">*Nota de Dominus Est</span></strong></span><span class="tm9">:</span><span class="tm9"> Este texto é uma continuação natural de outro publicado aqui, intitulado </span><span style="color: #0000ff;"><strong><u><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/neoconservadorismo-uma-ideologia-ateu-revolucionaria-capaz-de-seduzir-os-catolicos/"><span class="tm7">(NEO)CONSERVADORISMO – UMA IDEOLOGIA ATEU-REVOLUCIONÁRIA CAPAZ DE SEDUZIR OS CATÓLICOS</span></a></u></strong></span><span class="tm9">. O tema ganhou novo vigor, principalmente após a ascensão de Trump e Bannon nos EUA e Bolsonaro no Brasil. Políticos conservadores têm levado muitos católicos ao engano, por vagamente parecerem que defendem algo de bom. Mas a aparência de bem proporciona que enganos muito maiores sejam perpetrados.</span></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">Notas</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm8" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">1. </span></strong><span class="tm9">Cf. R. Garrigou-Lagrange, </span><em><span class="tm11">L’éternelle vie et la profondeur de l’ame, </span></em><span class="tm9">Parigi, 1950.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">2.</span></strong><span class="tm9"> Augusto Del Noce, </span><em><span class="tm11">L’ eurocomunismo e l’Italia</span></em><span class="tm9">, Europa Informazioni, Roma, 1976. A. Del Noce, </span><em><span class="tm11">Carlo Marx: Scritti giovanili</span></em><span class="tm9">, Japadre, L’Aquila, 1975. Para a compilação da segunda parte deste capítulo, utilizei principalmente os escritos de Del Noce </span><em><span class="tm11">Eurocomunismo, Alleanza Cattolica. Croce di Torino</span></em><span class="tm9">, 1978, publicação própria. Cf. também: Gramsci, Togliatti, Longo, Berlinguer, </span><em><span class="tm11">Il compromesso storico</span></em><span class="tm9">, Newton Compton Editori, Roma, 1975. T. Molnar, J. M. Domenach, A. Del Noce, </span><em><span class="tm11">Il vicolo cieco della sinistra</span></em><span class="tm9">, Rusconi, Milano, 1970. </span><span class="tm9">A. Del Noce, </span><em><span class="tm11">L’eurocomunismo e l’Italia</span></em><span class="tm9">, Europa Informazioni, Roma, 1976.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">O autor que melhor estudou o fenômeno do eurocomunismo foi Augusto Del Noce, que, embora tenha partido de posições católico-comunistas, compreendeu sua malícia intrínseca e explicou sua natureza com brilhante perspicácia. O que considero criticável na estrutura delnociana é seu filo-ontologismo. De fato, Del Noce distingue duas linhas da filosofia moderna: a primeira (verdadeira e positiva) seria a modernidade cristã ou ontológica, a segunda (falsa e negativa) é a modernidade imanentista. Descartes, de acordo com ele, é suscetível a duas leituras, uma racionalista e subjetivista; a outra, ontologista. Entretanto, supondo que seja esse o caso, resta saber se o ontologismo é essencialmente diferente do subjetivismo e se pode ser lido de acordo com a sã filosofia do realismo do conhecimento e da primazia do ser. Essa segunda leitura me parece impossível. Deve-se dizer também que o encontro com Etienne Gilson orientou Del Noce em direção a Santo Tomás. No entanto, ainda é verdade que a linguagem e o vocabulário de Del Noce não são escolásticos. Com efeito<a id="aGoBack" style="color: #000000;"></a>, ele é mais um historiador crítico da filosofia moderna e pós-moderna e um filósofo da história do que um estudioso especulativo-sistemático. Ele ainda tem simpatias por Pascal, Malebranche e Rosmini, interpretados à luz do tomismo (</span><em><span class="tm11">quod repugnat</span></em><span class="tm9">), mesmo que não se possa negar que ele entendeu e refutou a essência da filosofia moderna e pós-moderna com grande penetração e lucidez crítica. Del Noce mostra como o resultado necessário da modernidade e do marxismo é o niilismo, ou seja, a dissolução de ambos em seu oposto (</span><em><span class="tm11">Il suicidio della rivoluzione</span></em><span class="tm9">, Milão, Rusconi, 1978). Ele previu com lucidez o resultado hedonista e narcisista de nossa era.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">3.</span></strong><em><span class="tm11"> Ibidem</span></em><span class="tm9">, p. 9.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">4.</span></strong><span class="tm9"> A. Gramsci, </span><em><span class="tm11">Quaderni dal carcere</span></em><span class="tm9">, 4°. vol., Einaudi, Torino, 1975, pp. 2010-2011.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">5.</span></strong> <em><span class="tm11">Eurocomunismo. </span></em><span class="tm9">“Alleanza Cattolica”, cit., pag. 10.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">6.</span></strong><span class="tm9"> Cf. A. Gramsci, </span><em><span class="tm11">op.cit.</span></em><span class="tm9">, p. 811.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">7.</span></strong><span class="tm9"> E. Berlinguer, </span><em><span class="tm11">La questione comunista</span></em><span class="tm9">, ed. Riuniti, Roma, 1975, vol. 2°, p. 655.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">8.</span></strong><span class="tm9"> A. Gramsci, </span><em><span class="tm11">Scritti politici</span></em><span class="tm9">, ed. Riuniti, Roma, 1973, vol. 2°, p. 42-46.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">9. </span></strong><em><span class="tm11">Eurocomunismo. </span><span class="tm9">“Alleanza Cattolica”</span></em><span class="tm9">. Cit. pag. 7</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">10.</span></strong><span class="tm9"> O </span><em><span class="tm11">esoterismo</span></em><span class="tm9"> ou </span><em><span class="tm11">ocultismo</span></em><span class="tm9">, pressupondo o panteísmo e o imanentismo, é o mais revolucionário, pois busca tornar Deus e o homem iguais, ou até mesmo matar Deus para que o homem possa tomar seu lugar. O </span><em><span class="tm11">ecumenismo</span></em><span class="tm9"> modernista é uma consequência desse pandemônio metafísico teológico, de sua derrubada ou inversão, pois trata todas as religiões igualmente, negando — pelo menos na prática — o princípio da não-contradição. Etimologicamente, esoterismo vem de </span><em><span class="tm11">“eisoteio”</span></em><span class="tm9">: estar oculto, enquanto verdade vem de </span><em><span class="tm11">“aleteia”</span></em><span class="tm9">, aquilo que é visto e não está oculto. Portanto, por definição, o esoterismo é uma falsidade que se choca com a evidência de princípios conhecidos ou imediatamente óbvios. A globalização ou o mundialismo, que busca fundir todas as raças, povos, nações e estados em uma única república universal, é igualmente subversiva, confusa ou revolucionária.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">11. </span></strong><span class="tm9">Essa “revolução lenta” é conatural a um certo “falso tradicionalismo”, que tem apego às aparências puras ou às formas externas antigas, sem nenhum amor pela doutrina que deveria sustentá-las, e Pio XII o chamou de “arqueologismo insano”. Não é coincidência que os conservadores católicos italianos lutem pela missa tradicional, até mesmo com rendas e barrete, </span><em><span class="tm11">sed nec plus ultra</span></em><span class="tm9">! O perigo atual para aqueles que estão ligados, ao contrário, à substância da Tradição dogmático-moral e litúrgica da Igreja é o de aceitar a coexistência do modernismo e da Tradição, permanecendo imóveis e tranquilos, com medo de condenar o que for falso na ideologia dominante ou no “teologicamente (ou politicamente) correto”, contentes com a coexistência do verdadeiro e do falso, do bem e do mal, para não serem tachados de “profetas da desgraça”. Então, alguém se apresenta como um “tradicionalista com rosto humano”, inicia a “teologia da mão estendida” ou da “distensão” e acaba como Eva, que, por querer “dialogar” e estender a mão à serpente infernal, acabou arruinando Adão e todos os seus filhos. Cuidado: se a revolução pode se calar covarde e fraudulentamente, o catolicismo não pode. Certamente pode e deve matizar expressões, distinguir, agir gradualmente, mas nunca mentir e esconder a verdade, se ela for questionada. São Pio X escreveu: “Não é justo e nem decente simular, cobrindo a profissão pública do catolicismo com uma bandeira equívoca” (Carta ao presidente da União econômico-social da Itália, 22 de novembro de 1909).</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">12. </span></strong><span class="tm9">M. Respinti, </span><em><span class="tm11">Russel Kirk. Stati Uniti e Francia: due Rivoluzioni a confronto</span></em><span class="tm9">, Bergamo, Edizioni Centro Grafico Stampa, 1995.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">&#8211; Edmund Burke:</span></strong><span class="tm9"> nasceu em Dublin em 12 de janeiro de 1729. Ele era anglicano como seu pai, enquanto sua mãe era católica. Como político, pertencia à corrente Whig do liberalismo inglês, “nutrida pela tradição lockeana”. Em 1790, ele argumentou sobre a diferença abismal entre as Revoluções Francesa e Inglesa: “a de 1688 [foi] tão justificada e tão legitimada [&#8230;], seguindo as linhas das liberdades inglesas e do protestantismo [tradicional anglicano-conservador], e a de 1789, efetivamente subversiva, abertamente iconoclasta e ateísta” (J. J. Chevalier, </span><em><span class="tm11">Storia del pensiero politico</span></em><span class="tm9">, vol. 3, Bolonha, Il Mulino, 1986, p. 61). Chevalier explica que Burke (</span><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 63) “era de fato um liberal, mas à maneira inglesa”, ou seja, moderado e conservador (</span><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">). Entretanto, sua doutrina política, embora criticasse corretamente a abstração do racionalismo iluminista francês, que depositava muita fé no raciocínio humano, era, por sua vez, devedora da filosofia inglesa empirista e sensista, que desvalorizava excessivamente as capacidades do intelecto humano, reduzindo-o ao puro conhecimento sensível. Essa concepção era devedora do pensamento protestante luterano clássico, que afirmava que a alma humana (sobretudo o intelecto e a vontade) era totalmente corrompida pelo pecado original e, portanto, incapaz de conhecer racionalmente a substância das coisas e de querer livremente. Portanto, embora a crítica de Burke à revolução de 1789 seja válida, seus princípios filosóficos não são compatíveis com a reta razão ou com a fé revelada. Chevalier explica que Burke tinha “horror à [&#8230;] metafísica; a implicação disso [&#8230;] era uma paixão pelo concreto” (</span><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">). Essa é uma filosofia sensista anti-metafísica, anti-platônica e anti-aristotélica-tomista, portanto, em contradição com o espírito greco-romano clássico e com a filosofia realista do ser, tanto patrística quanto escolástica. Portanto, Burke, especulativamente, representa a modernidade contra a metafísica, embora politicamente ele tenha criticado — como um bom e moderado liberal-conservador — os aspectos racionalistas, ateus e progressistas de 1789. Nada mais. Portanto, parece impossível tomá-lo como um modelo para a restauração da civilização clássica e medieval, que “não é mais algo a ser inventado, e nem é uma cidade nova a se construir nas nuvens. Ela já existia, ela existe, é a civilização cristã, é a cidade católica” (São Pio X). Leão XIII, quando lançou a luta cultural (</span><em><span class="tm11">Aeterni Patris</span></em><span class="tm9">) pela reconquista da sociedade secularizada, disse: </span><em><span class="tm11">“Ite ad Thomam”</span></em><span class="tm9">, e não nos direcionou à “gloriosa” Revolução de 1688, nem muito menos a Burke, que é a antítese </span><em><span class="tm11">— por defeito</span></em><span class="tm9"> — do tomismo, assim como o racionalismo francês é sua contradição </span><em><span class="tm11">por excesso</span></em><span class="tm9">. Se alguém quiser restaurar a civilização europeia e cristã, deve tomar o caminho certo, que nos leva ao destino e fica </span><em><span class="tm11">in medio et culmen</span></em><span class="tm9"> entre duas estradas falsas, o empirismo e o racionalismo, que não levam ao fim, uma vez que se desviam, um “muito pouco” e o outro “muito”, de modo que em ambos os casos não se é levado ao objetivo ou fim.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">&#8211; </span><strong><span class="tm7">Russel Kirk</span></strong><span class="tm9"> nasceu em 19 de outubro de 1918 nos Estados Unidos. Em 1964, superando o estoicismo ao qual havia aderido, converteu-se ao catolicismo. Ele é considerado o líder do Movimento Conservador Burkeano americano do pós-guerra. Em 1953, ele lançou a cruzada da “Revolução Conservadora” burkeana. Morreu em 29 de abril de 1994.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">13. </span></strong><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 4. Em vez disso, a história ensina que a primeira Revolução Inglesa terminou com o regicídio (em 1649) de Carlos I Stuart (anglicano e conservador), por Cromwell (puritano e progressista) e o Parlamento, que já naquela época se opunha ao rei e às liberdades ou tradições concedidas aos ingleses (desde a Idade Média) pela Magna Carta.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">14.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 5. Na realidade, o </span><em><span class="tm11">Iluminismo inglês</span></em><span class="tm9"> foi menos radical do que o Iluminismo francês, mas tem todas as características do pensamento moderno antimetafísico e anticatólico. Ele se difere do Iluminismo Racionalista Francês (erro por excesso, que exagera as capacidades da razão humana) pelo fato de ser empirista ou sensista, mas esse é o erro por defeito que menospreza as capacidades da alma humana e a rebaixa ao nível dos animais. Ora, “um erro não pode ser corrigido por outro erro”, mesmo que seja menos radical; “todo defeito é um excesso” e vice-versa. A filosofia empirista inglesa é antimetafísica e, portanto, contrária ao pensamento greco-romano clássico; além disso, é protestante (anglicana, embora nem sempre puritana) e, portanto, historicamente pós-medieval, e embora teologicamente seja tributária da verdadeira Igreja de Cristo fundada em Pedro e seus sucessores (os papas).</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">15. </span></strong><em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 10</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">16. </span></strong><em><span class="tm11">Ibid.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">17.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, pp. 13-15. </span><span class="tm9">Ora, esses costumes foram defendidos já em 1649 (com a licença de Burke) pela primeira Revolução Inglesa de Cromwell, que terminou em regicídio. Portanto, a única diferença substancial entre as duas revoluções inglesas é que a primeira foi regicida e a segunda não.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">18.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid,</span></em><span class="tm9"> p. 15.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">19.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid,</span></em><span class="tm9"> p. 16.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">20.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid,</span></em><span class="tm9"> p. 17.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">21.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">. A doutrina católica é essencialmente diferente da de Edwards. Com efeito, o pecado original feriu o homem, mas não destruiu intrinsecamente sua natureza inteligente e livre, tal como ensinou Lutero, seguido e radicalizado por Calvino, segundo o qual o homem não é mais livre nem responsável por seus atos, portanto, ele também pode pecar, desde que mantenha a “confiança” de que é salvo sem mérito, o que para a Igreja Romana é um pecado contra o Espírito Santo ou impenitência final.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">22.</span></strong> <em><span class="tm11">Ibid</span></em><span class="tm9">, p. 18. Parece-me que o rei inglês George III estava – objetivamente – certo em não querer que os colonos americanos invadissem (e depois exterminassem, como aconteceu) os nativos americanos e tinha todo o direito de aumentar os impostos para equilibrar o déficit produzido pela guerra no Canadá contra a França. Além disso, o Parlamento inglês se voltou contra James II por ele ser católico e não por ser um inovador, de modo que a segunda revolução inglesa, embora não tão puritana ou calvinista quanto a primeira, foi certamente anglicana e anti-romana.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Cf. também R. Kirk, </span><em><span class="tm11">Le radici dell’ordine americano. La tradizione europea nei valori del Nuovo Mondo</span></em><span class="tm9">, organizado por M. Respinti, Milano, Mondadori, 1996. E. Burke, </span><em><span class="tm11">Riflessioni sulla Rivoluzione in Francia</span></em><span class="tm9">, organizado por M. Respinti, Roma, Ideazione, 1998. F. Von Hayek, </span><em><span class="tm11">Liberalismo</span></em><span class="tm9">, Roma, Ideazione, 1996. </span><em><span class="tm11">Idem</span></em><span class="tm9">, </span><em><span class="tm11">Perché sono un conservatore</span></em><span class="tm9">, Roma, Ideazione, 1997. K. R. Popper, </span><em><span class="tm11">La società aperta e i suoi nemici</span></em><span class="tm9">, 2 voll., Roma, Armando, 1977.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm7">23.</span></strong><span class="tm9"> Cf. Vladimir Volkoff, </span><em><span class="tm11">La désinformation arme de guerre</span></em><span class="tm9">, Paris, Julliard, 1986. </span><span class="tm9">O autor, que morreu em 2005, explica em que consiste a manipulação do pensamento das massas e dos indivíduos ou a desinformação. Com relação à hegemonia cultural de Gramsci, seria mais correto falar de </span><em><span class="tm11">fabricação da opinião pública, desinformação ou manipulação intelectual</span></em><span class="tm9">.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">A </span><em><span class="tm11">desinformação</span></em><span class="tm9"> ou a </span><em><span class="tm11">manipulação da opinião</span></em><span class="tm9"> apresenta ideias falsas como se fossem boas e colocam no lugar de ideias que são realmente verdadeiras, mas que são apresentadas de modo a parecerem ruins. Trata-se de um </span><em><span class="tm11">condicionamento da mentalidade</span></em><span class="tm9"> de indivíduos, famílias, grupos e povos. A dita </span><em><span class="tm11">mass media </span></em><span class="tm9">e a mídia impressa são uma poderosa ferramenta de desinformação. Eles agora são em grande parte privados e não mais “nacionais” e dependem (além do Estado, que mantém alguma propriedade) principalmente de alguns “indivíduos privados”, que constituem um poder autônomo baseado na riqueza financeira que influencia a vida social, política e até mesmo religiosa. A desinformação (por exemplo, a hegemonia cultural gramsciana), portanto, primeiro intoxica uma pessoa ou um grupo com uma falsidade e depois influencia suas ações. Dessa forma, os espíritos e as mentalidades são condicionados pela “mídia” (o “boca a boca” ou informações públicas impressas ou audiovisuais) de acordo com os desejos de seu “mestre” e, assim, a opinião pública é fabricada.</span></span></p>
<p class="Normal tm10" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">Pode-se e deve-se reagir à desinformação organizada: </span><strong><span class="tm7">a) </span></strong><span class="tm9">estudando a verdade; </span><strong><span class="tm7">b)</span></strong><span class="tm9"> não apoiando a mentira desinformante de forma alguma, nem mesmo extrinsecamente ou apenas aparentemente. Comprometer-se com a mentira nos torna escravos dela. Permanecer “dentro” [“entrismo”] de um sistema que se sabe ser falso, para poder pilotá-lo de dentro, não é lícito: o fim não justifica os meios [</span><em><span class="tm11">nota do blog: é um vício contra a virtude da prudência, chamado “prudência da carne”</span></em><span class="tm9">]; </span><strong><span class="tm7">c)</span></strong><span class="tm9"> não permanecer passivos ou cooperadores materiais do erro, mas denunciá-lo: não sofrê-lo e não “cavalgá-lo” (seríamos suas vítimas, talvez inconscientes, mas vítimas mesmo assim: “cavalgar o tigre” significaria ser despedaçado mais cedo ou mais tarde); </span><strong><span class="tm7">d)</span></strong><span class="tm9"> testemunhar a verdade positivamente, depois de ter demonstrado publicamente a “insubmissão ao erro” [Soljenitsin]; </span><strong><span class="tm7">e)</span></strong><span class="tm9"> não dialogar com o demônio: que Eva seja um exemplo para nós (</span><em><span class="tm11">“Pour souper avec satan il faut une longue cuillière”</span></em><span class="tm9">, para jantar com Satanás, você precisa de uma colher longa).</span></span></p>
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		<title>VÍDEO/CURSO 11: BENTO XVI &#8211; O MODERNISMO SOB A CAPA CONSERVADORA</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 19:58:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Lourenço Fleichman]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Bento XVI]]></category>

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		<description><![CDATA[Dom Lourenço Fleichman apresenta de modo sucinto e resumido alguns aspectos do estranho pontificado do papa Ratzinger. Intelectual renomado, com aspectos conservadores que agradavam a muitos, mas escondiam armadilhas teológicas sérias. O retorno relativo da missa de sempre, o levantamento &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/videocurso-11-bento-xvi-o-modernismo-sob-a-capa-conservadora/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/casa-autonoma-do-brasil/d._lourenco.jpg?itok=YRBOWvft" alt="" width="585" height="335" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dom Lourenço Fleichman apresenta de modo sucinto e resumido alguns aspectos do estranho pontificado do papa Ratzinger. Intelectual renomado, com aspectos conservadores que agradavam a muitos, mas escondiam armadilhas teológicas sérias. O retorno relativo da missa de sempre, o levantamento das excomunhões dos bispos da Fraternidade São Pio X.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/watch?v=FYMq8zJZh60" data-entity-type="external"><strong><u><span style="color: #0000ff;">CLIQUE AQUI</span> </u></strong></a></span>para acessar o vídeo.</span></p>
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		<title>“QUEM É QUE RASGA A TÚNICA DE CRISTO?” – ENTREVISTA COM O SUPERIOR-GERAL DA FRATERNIDADE SÃO PIO X</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 15:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[“Quem é que rasga a túnica de Cristo?” “A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.” Fonte: FSSPX FSSPX.Actualités: Senhor Superior-Geral, o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/quem-e-que-rasga-a-tunica-de-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/entretien_don_davide_avril_2026.jpg?itok=fa41ucr_" alt="" width="606" height="350" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #000000;">“Quem é que rasga a túnica de Cristo?”</span></strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #000000;">“A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.”</span></strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/quem-e-que-rasga-tunica-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-58690">FSSPX</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">FSSPX.Actualités:<em> Senhor Superior-Geral, o anúncio feito pelo senhor, em 2 de fevereiro passado, sobre as futuras sagrações episcopais, causou uma série de reações especialmente fortes. Que acha o senhor disso?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padre David Pagliarani(<a style="color: #000000;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/quem-e-que-rasga-tunica-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-58690#footnote1_V6lNKcz0d8OqEYpyRKvOfnwZZIumcK3ES6wI9Vb3a0_v485Rmb4Un4P">1</a>): Entende-se que tenha sido assim, pois trata-se de questão muito sensível para a vida da Igreja. Além disso, os motivos dessa decisão são objetivamente graves: o que está em jogo – o bem das almas – é uma questão capital. É natural, pois, que o debate desencadeado pelo anúncio tenha tido tanta ressonância. No fundo, ninguém ficou indiferente. É este um fator objetivamente positivo, e acho que, providencialmente, corresponde a uma necessidade muito atual. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nestes últimos anos, o campo conservador e tradicionalista – no sentido mais amplo – tem por vezes dado a impressão de se reduzir a um ambiente de comentadores, onde são expressas análises, expectativas e frustrações, muitas vezes legítimas, mas que dificilmente se traduzem em posicionamentos realistas e consequentes. Entre eles, há quem ainda aguarde uma resposta da Santa Sé aos <em>dubia </em>formulados dez anos atrás por quatro cardeais – dos quais dois já faleceram – acerca de <em>Amoris lætitia</em>, ou que aguardam a eventual publicação de um novo <em>motu proprio </em>tratando da missa tridentina.</span><span id="more-34697"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste contexto, a decisão pelas sagrações a todos nos interpela. Não se trata de uma enésima declaração, mas de um gesto significativo, que obriga à reflexão, a compreender a gravidade real dos problemas atuais e a tomar uma posição concreta. Nada é mais urgente nos dias de hoje. A Fraternidade São Pio X veio a tornar-se, sem ter ido atrás disso, o instrumento de uma sacudida benfazeja – a qual tem por único autor, no fim das contas, a própria Providência. Providencialmente, foi-lhe dado o ensejo de contribuir para algo de que a Igreja certamente tem necessidade hoje mais do que nunca, para o seu bem e sua regeneração. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Por que o senhor pensa que essa sacudida é hoje especialmente necessária?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando nos pomos a falar e entramos numa discussão sem fim, muitas vezes de maneira frustrante, sobre problemas extremamente graves que dizem respeito à fé, os próprios temas que são objeto de debate ou de diálogo acabam, mais cedo ou mais tarde, por serem vistos como discutíveis, num respeito sistemático pelas ideias de outrem e pelas diferentes sensibilidades. E assim aos poucos tudo se relativiza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, o flagelo do pluralismo doutrinal, ao qual o homem moderno é naturalmente inclinado, acaba por contaminar até as almas mais sãs: vai-se passo a passo descambando para o indiferentismo. Uma anestesia lenta e inexorável faz que percamos o senso da realidade. A gente se instala numa zona de conforto, prende-se a equilíbrios e privilégios que não quer comprometer de jeito nenhum. O zelo e o espírito de sacrifício vão minguando. Há, numa palavra, o perigo de se ir acostumando com a crise e de vivenciá-la como se fosse uma situação normal. Tudo isso se dá gradualmente, sem que a gente se dê conta. Os que são responsáveis pelas almas têm, pois, o dever de analisar profundamente tais mecanismos, e de tentar impedi-los antes que se tornem irreversíveis. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, o que está em jogo hoje não é uma opinião, nem uma sensibilidade qualquer, nem uma preferência, nem uma nuance particular na interpretação de dado texto: é a fé, é a moral que todo católico deve conhecer e praticar a fim de salvar sua alma e chegar ao Paraíso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Noutras palavras, diante da Eternidade e do perigo de perder o Céu, o falar por falar, os discursos e o diálogo devem dar lugar à realidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Qual é essa realidade de que o senhor fala, e que o ato da Fraternidade pode trazer à tona?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa realidade é o fato de que, hoje mais do que nunca, é necessário reafirmar, proclamar e professar os direitos de Cristo Rei sobre as almas e as nações. É preciso ter coragem de pregar que a Igreja católica é a única arca da salvação para todo homem, sem distinção. É preciso crer na Redenção, nos sacramentos, na destruição do pecado. É preciso recordar à humanidade que a Igreja foi instituída para livrar as almas do erro, do mundo, de Satanás e do inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso não mais deixar que os que vivem habitualmente em pecado, os que até se orgulham do seu vício contrário à natureza, fiquem pensando que Deus perdoa tudo, sempre e em quaisquer circunstâncias, sem verdadeira conversão, sem contrição, sem penitência, sem a exigência de uma mudança radical. É preciso ter a simplicidade de reconhecer que a participação de um papa num ritual em honra da Pachamama, nos jardins do Vaticano, é uma loucura e escândalo para o qual não há palavras. E finalmente, e mais importante, é preciso não mais trazer enganadas as almas e a humanidade, fazendo que pensem que todas as religiões adoram um mesmo Deus, a que dão diferentes nomes. Numa palavra: é preciso parar de pedir perdão ao mundo por tentarmos convertê-lo, cristianizá-lo, e por termos por séculos a fio condenado o erro.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Num contexto trágico como este, é preciso que alguém possa dizer: “Basta!”, não apenas em palavras, mas com ações concretas. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É preciso parar de pedir perdão ao mundo por tentarmos convertê-lo, cristianizá-lo, e por termos por séculos a fio condenado o erro.” </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se, neste estado de confusão atual, a Providência dá à Fraternidade São Pio X os meios de proclamar com clareza os direitos eternos de Nosso Senhor, seria da nossa parte um pecado gravíssimo fugirmos dessa obrigação que a fé e caridade nos impõem. São essas as premissas necessárias para que se compreenda a razão por que a Fraternidade São Pio X existe, e por que se decidiu por fazer as consagrações episcopais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem essas premissas, a decisão da Fraternidade, como de resto o seu discurso, pareceriam sem sentido. A menos que reconheçamos que o que está em jogo é a própria fé, inevitavelmente a situação presente da Fraternidade só poderá ser percebida como um problema de disciplina, de rebelião, de desobediência. É o erro em que infelizmente caem os que afirmam que a Fraternidade São Pio X só quer consagrar bispos para preservar a própria autonomia. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não é disso que se trata. As futuras consagrações são um ato de fidelidade, que tem por fim preservar os meios de salvarmos as nossas almas e as dos outros. Não são a mesma coisa, a busca de uma autonomia egoísta e a preservação de uma liberdade indispensável para se professar a fé e a transmitir às almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Entre as pessoas conhecidas que se pronunciaram contra as sagrações em primeiro de julho próximo, contam-se cardeais conservadores muito críticos para com o papa Francisco, como o cardeal Gerhard Ludwig Müller ou o cardeal Robert Sarah. Como se explica, no seu entender, o modo de agir deles?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo, é preciso saber que um conservador crítico do papa Francisco poderia ter certo receio de ser comparado com a Fraternidade São Pio X e demonizado como ela. Daí pode-lhe vir a necessidade de deixar bem claro que não tem nada a ver conosco. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, mesmo deixando de lado esse aspecto da questão, o fato é que esses cardeais ou bispos padecem de um mal-estar mais profundo e tipicamente moderno: o de se ver incapaz de conciliar as exigências da fé com as do direito canônico. A fé requer de nós que façamos tudo o que for possível para professá-la, preservá-la e transmiti-la. Por outro lado, se interpretarmos o direito ao pé da letra, passando ao largo das circunstâncias atuais, uma consagração episcopal sem o aval do papa parece impossível. Que fazer então? Esses cardeais, como tantos outros, vivem numa espécie de permanente dicotomia, que encerra o risco de serem frustradas as suas boas intenções: eles colocam essas duas exigências uma ao lado da outra, à maneira cartesiana, e ficam como esmagados ou submersos na contradição aparente.   </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “O Magistério existe para ensinar a fé, não para inventá-la. O direito existe para preservá-la e assegurar as condições necessárias para a vida cristã que dela deve decorrer.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X, por sua vez, considera que esses dois postulados não devem ser, sem mais nem menos, justapostos, mas sim hierarquizados, subordinando-se um ao outro. Ora, na Igreja, a pureza da profissão da fé precede qualquer outra consideração, pois os demais elementos que compõem a vida da Igreja dependem todos da própria fé. O Magistério existe para ensinar a fé, não para inventá-la. O direito existe para preservá-la e assegurar as condições necessárias para a vida cristã que dela deve decorrer(2). Esta prioridade se deriva do fato de que Nosso Senhor mesmo, ao encarnar-se, manifesta ao mundo, antes de mais nada, a Verdade eterna; e que, enquanto Legislador, Ele aponta no Evangelho os meios de se conhecer essa mesma Verdade e de se permanecer fiel a ela. Há uma prioridade lógica entre o primeiro e o segundo elemento. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E por conseguinte, a Providência divina não instituiu a Igreja como um grupo parlamentário de ministérios justapostos e independentes uns dos outros. Pelo contrário, instituiu uma hierarquia de prioridades, com o fim específico e primeiro de preservar o depósito da fé, de confirmar os fiéis nessa fé, e de organizar todo o restante em função desta exigência prioritária e fundamental. O direito, em particular, serve a esse fim, e não para estorvar nem condenar os que queiram permanecer católicos, ou seja, os que queiram viver da fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Por que o senhor acha que esta é uma atitude tipicamente moderna?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem moderno tem muita dificuldade em organizar de maneira harmoniosa os diferentes elementos da realidade em que vive, ou do saber que os analisa. Valendo-me de um termo um tanto técnico, o homem moderno tende a classificar de maneira nominalista os elementos da realidade que o cerca, e cola sobre cada um deles etiquetas superficiais, sem fazer o esforço de examinar a fundo os problemas, e portanto sem ser capaz de apreendê-los em toda a sua complexidade, e nas suas implicações e na sua interdependência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso, no caso de que estamos tratando, vemos a aplicação da lei ser totalmente dissociada da própria realidade que a lei devia proteger. É justamente dessa dissociação entre lei e realidade, que nascem as posturas ideológicas, tipicamente modernas, tanto no domínio religioso como no civil. Tal atitude leva a duas consequências distintas e complementares. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre os que padecem dessa dicotomia e se veem confrontados com esse dilema, como é, ao que parece, o caso dos meios conservadores, ela conduz ao fatalismo e ao desânimo, porque a gente se sente como encurralada, paralisada, incapaz de agir de maneira adequada e consoante as exigências objetivas da Verdade e do Bem. O que vive constantemente nessa contradição existencial, acaba por se tornar vítima dela, e por confundir fatalismo com confiança na Divina Providência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De outro lado, entre os detentores da autoridade, ela traz o risco de uma cegueira incurável e do endurecimento do coração, consequências inevitáveis da postura ideológica: “lei é lei”, sem se levarem em conta as circunstâncias, as exigências concretas nem as boas intenções. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É por esta razão que Nosso Senhor condena tal postura nos termos mais fortes: “Jesus então disse: ‘É para vosso julgamento que vim ao mundo, para que os que veem não vejam, e os que veem se façam cegos.’ Alguns fariseus, que estavam com ele, o ouviram e lhe disseram: ‘Acaso nós somos cegos, nós também?’ Jesus lhes disse: ‘Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; agora porém dizeis: ‘Eis que nós vemos.’ E é por isso que o vosso pecado permanece.” (Jo IX, 49-41).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O Senhor acha que o ensinamento do Evangelho pode de algum modo esclarecer a situação presente?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor é o exemplo perfeito de obediência à lei de Moisés. Ele, com a Santíssima Virgem Maria, cumpriu à letra todas as prescrições legais, desde os primeiros dias da sua existência. E mantém a sua observância rigorosa até o seu último dia de vida. Na última ceia, Jesus segue à letra o rito judaico em vigor na época.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não obstante, Nosso Senhor opera milagres mesmo no dia de sábado, provocando assim a reação legalista e cega dos fariseus. Jesus, Legislador maior que o próprio Moisés, é o primeiro a respeitar a lei, e o primeiro a reconhecer a existência de um bem superior que pode dispensar da observância da letra da lei. As suas palavras, como sempre, valem mais que mil tratados: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“E aconteceu que Jesus entrou, num dia de sábado, em casa de um dos principais dos fariseus, para ali comer do pão. E eles o vigiavam. E eis que um homem hidrópico estava diante dele. E Jesus, tomando a palavra, disse aos doutores da lei e aos fariseus: ‘É permitido curar em dia de sábado?’ Eles, porém, permaneceram calados. Então, tomando o homem pela mão, curou-o e mandou-o de volta. Depois, voltando-se para eles lhes disse: ‘Quem de vós, se o seu asno ou o seu boi cai dentro dum poço, não o tira logo dali, em dia de sábado?’ E a isto nenhum deles pôde responder.” (Lc XIV, 1-6)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estas palavras divinas dispensam de comentário. A Fraternidade São Pio X adota-as sem reservas. Nós também temos de fazer todo o possível para tirar as almas do poço, ainda quando vivamos num sábado interminável. Nosso Senhor não era nem legalista, nem nominalista, nem cartesiano: era o bom Pastor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Nestes últimos meses, para além da Fraternidade, outras vozes soaram em seu apoio. Dom Atanásio Schneider, sobretudo, falou em diversas ocasiões acerca das sagrações. Como o senhor explica essa decisão dele? </em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devo confessar que esse apoio dado à Fraternidade me tocou profundamente. Muitos sacerdotes diocesanos nos têm dado testemunhos de sua gratidão e nos têm encorajado, e muitos bispos também. A todos fico agradecido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem poder nomeá-los todos aqui, gostaria de agradecer em especial a Dom Strickland, pela sua mensagem tão forte, tão clara e corajosa. E a Dom Schneider, naturalmente; este bispo deu mostras de uma grande coragem e de uma liberdade de palavra em que se nota estarmos diante de um homem de Deus, desinteressado, realmente preocupado com o bem das almas. Creio que o seu apoio, e tudo o que tem dito nestes últimos meses, entrará para a história. Estou persuadido de que isso não importa tão somente para a Fraternidade, mas ainda mais para todos os bispos do mundo. É um sinal objetivo de esperança: a sua palavra mostra que a Providência em qualquer tempo pode suscitar vozes que digam a verdade com bravura e firmeza, sem recear possíveis consequências pessoais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes dele, Dom Huonder, que passou à eternidade dois anos atrás, já nos vinha encorajando positivamente a realizar sagrações. Ele e Dom Schneider tinham ambos sido encarregados pelo Vaticano do diálogo com a Fraternidade. Ao contrário de outros interlocutores, souberam escutar e compreender. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor ainda tem esperança de se encontrar com o papa antes das sagrações?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tenho, com certeza, e é este o meu desejo mais sincero. Admira-me, no entanto, que da parte da Santa Sé não tenha havido até agora nenhuma resposta ou reação pessoal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de declarar cismática uma sociedade que conta mais de mil membros e que é uma referência para centenas de milhares de fiéis no mundo inteiro, talvez fosse bom conhecer pessoalmente aqueles a quem se quer julgar. A sanção que se prevê não atinge apenas uma instituição – que, aliás, não existe aos olhos da Santa Sé -, senão que atinge pessoas, e pessoas profundamente unidas ao papa e à Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confesso que a mim me custa entender esse silêncio, ao mesmo tempo em que tanto nos falam da necessidade de escutar o clamor dos pobres, o das periferias, e até mesmo o do planeta Terra&#8230;</span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Nós também temos de fazer todo o possível para tirar as almas do poço, ainda quando vivamos num sábado interminável.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor chegou a encontrar-se com o papa Francisco. Que lembranças guarda dele?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O programa que o papa Francisco impôs à Igreja universal é bastante conhecido e foi fartamente comentado pela Fraternidade São Pio X. Parece-me que, infelizmente, a palavra “desastre” é a mais indicada para resumir a herança legada por ele. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E apesar disso, o papa Francisco soube reconhecer, lá à sua maneira, o bem que a Fraternidade São Pio X faz às almas. Dessa sua constatação foi que nasceu uma postura, ao que parece, equívoca para conosco, uma espécie de tolerância que causou surpresa aos observadores menos perspicazes, e que por vezes chegou a exacerbar os meios conservadores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitas decisões do papa Francisco causaram verdadeira tristeza em largos setores da Igreja, porém seria injusto acusá-lo de ter sido uma pessoa rígida e esquemática na avaliação das pessoas que tinham contato com ele, ou na aplicação do direito. Suas ações muitas vezes o demonstram. Talvez não passe de um detalhe, mas quando pedi para entrevistar-me com ele no Vaticano, em vinte quatro horas me foi concedida uma audiência, na qual ele se mostrou muito afável. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Nestes últimos anos, em nome de uma tolerância erigida em princípio, o Vaticano tem se mostrado muito aberto diante de certas situações complexas. Pensa o senhor que isso poderia ajudar a Fraternidade São Pio X?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A aplicação de toda lei, seja ela boa ou má, depende afinal da vontade do legislador. É a ele que cabe determinar a maneira como tratará a Fraternidade São Pio X.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém a abertura que o Vaticano tem mostrado não pode ser algo desejável por si mesmo, pois chega a ponto de justificar o absurdo, como quando abençoa casais que praticam o vício <em>contra naturam</em>, ou quando se compromete solenemente a não converter os adeptos de outras religiões, para ficar só nestes dois exemplos. Estamos diante de uma ditadura ideológica e totalitária da tolerância. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, a Tradição da Igreja, que a Fraternidade São Pio X se esforça por encarnar, é em si mesma uma condenação desses desvios, coisa intolerável para os que promovem essa espécie de tolerância. A considerarmos atentamente a situação, vemos que as sanções que a Fraternidade São Pio X sofreu ou possa vir a sofrer, não visam nenhum ato de desobediência, mas, na verdade, essa viva condenação que ela representa, só por existir, da linha eclesial seguida atualmente.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece que o papel que a Providência reservou para a Fraternidade São Pio X é este, singular, de ser um sinal de contradição, o que, concretamente, quer dizer ser um espinhozinho na sola do pé dos reformadores. E espinho que é, quanto mais o tentam espezinhar, mais fundo ele entra. Não vem dele, de resto, esse efeito terapêutico, mas dos dois mil anos de Tradição que ele encarna e representa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X pode sofrer sanções, a missa tridentina, ser proibida, porém esses dois mil anos não poderão nunca ser apagados. É esta a verdadeira razão por que, apesar das condenações passadas, a Fraternidade nunca cessou de ser uma voz a interpelar a Igreja, e é por isso, também, que não é tão simples ser tolerante com ela. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Virá o dia em que o papa se resolverá a pinçar o espinho entre os dedos, tirando-o do pé. Nesse dia, poderá usá-lo como instrumento dócil de que se sirva – e este é o nosso mais profundo desejo – para restaurar todas as coisas em Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Ouve-se dizer que as futuras sagrações poderiam causar um cisma. E há outros, ao mesmo tempo, que na Igreja afirmam que a Fraternidade São Pio X já é cismática. Como explicar tal contradição?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma contradição real e que evidencia uma jurisprudência, por parte do Vaticano, que poderíamos chamar de “fluida”. Tentemos esclarecer isso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em termos canônicos, depois de ter sido declarada cismática em 1988, a Fraternidade São Pio X nunca se viu livre dessa censura: em 2009, o papa Bento XVI levantou as excomunhões que pesavam sobre os bispos, mas sem voltar atrás na declaração de cisma feita anteriormente. Em todo esse tempo, a Fraternidade São Pio X não mudou suas posições doutrinárias e manteve exatamente o mesmo argumento para as consagrações episcopais, passadas e futuras. Noutros termos, coerente em sua persuasão da nulidade das censuras que a haviam atingido, nunca se retratou. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso os canonistas, digamos, “rigorosos”, a consideram ainda e sempre cismática. É neste sentido que é preciso entender as declarações explícitas do cardeal Raymond Burke, ex-prefeito do Tribunal supremo da Assinatura Apostólica, ou as de Monsenhor Camille Perl, ex-secretário da Comissão <em>Ecclesia Dei</em> – abolida em 2019. E é nessa mesma perspectiva que é preciso entender também a maneira como foram tratados os sacerdotes que deixavam a Fraternidade São Pio X para se integrarem às estruturas oficiais: levantavam, em favor deles, a excomunhão por cisma e a suspensão <em>a divinis</em>, e pediam-lhes que se confessassem para serem absolvidos também no foro interno.   </span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Tradição da Igreja, que a Fraternidade São Pio X se esforça por encarnar, é em si mesma uma condenação desses desvios, coisa intolerável para os que promovem essa espécie de tolerância.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contra essa interpretação surge a figura do cardeal Dario Castrillón Hoyos(3), muito mais flexível, e sobretudo a do papa Francisco, que nunca tratou a Fraternidade São Pio X como cismática e que nos disse com todas as letras que jamais a condenaria. E de fato, podiam ser incluídos neste grupo o próprio cardeal Fernández e papa Leão XIV, já que, se estão tentando evitar um cisma, é porque não nos consideram cismáticos. O mesmo se pode dizer dos cardeais e bispos que estão tentando reverter nossa decisão de fazer as sagrações, para evitar um cisma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas aqui vemo-nos diante de duas interrogações: primeiro, se é esse o seu receio, não conseguimos entender de que maneira nem por que razão teríamos deixado de ser cismáticos aos olhos deles. E em segundo lugar, se a própria Santa Sé na prática não considera válida a sua declaração de cisma feita em 1988, que valor poderia ter uma segunda declaração de cisma, pronunciada pelos mesmos motivos e em circunstâncias de todo equivalentes? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fato é que, lá em 1988, o Vaticano esperava que a Fraternidade São Pio X, uma vez declarada cismática, se dissolvesse no espaço de uns poucos anos. Acontece porém que, não apenas ela não se dissolveu, senão que continuou a crescer. E sobretudo, apesar de uma declaração de cisma manifestamente injusta, continuou a ser uma obra da Igreja e a operar para bem da Igreja, sendo esta uma realidade que com tal força se impõe, que, apesar de a ter condenado em 1988, a própria Santa Sé veio a reconhecer isso na prática. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma possível causa para essas incoerências canônicas está no conceito “fluido” e modernista de “plena comunhão”, segundo o qual um mesmo sujeito pode ser considerado ao mesmo tempo como católico e não católico, membro e não membro da Igreja. Evidentemente, se alguém é “parcialmente” filho da Igreja, a lei da Igreja não pode aplicar-se a ele a não ser também parcialmente, segundo avaliações e critérios arbitrários e variáveis&#8230; </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso mostra de que maneira um erro eclesiológico conduz inevitavelmente a erros jurídicos ou, quando menos, a julgamentos confusos, incoerentes e “fluidos”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Para sustentar a acusação de cisma, afirma-se que uma sagração episcopal sempre implica, quaisquer que sejam as circunstâncias, a transmissão do poder de jurisdição ao novo bispo, o que terá por consequência inevitável, dado que não tenha havido consentimento do papa, a criação de uma hierarquia paralela. A Fraternidade São Pio X já respondeu a esta objeção(</em>4)<em>. Como, porém, se trata de uma questão muito delicada, o senhor gostaria de acrescentar algumas considerações?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este é um ponto central, sem nenhuma dúvida. De fato, a acusação se baseia num postulado modernista. Seria interessante tentarmos entender a razão por que a eclesiologia do Concílio Vaticano II ensina que um novo bispo sempre, em qualquer circunstância, recebe, junto com o poder de ordem, também o de jurisdição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tratemos de recordar, resumidamente, que o poder de ordem é a capacidade de administrar os sacramentos, ao passo que a jurisdição é o poder de governar, <em>cum Petro et sub Petro</em>, uma parcela do rebanho, em geral uma diocese. Segundo a teologia clássica, confirmada pelo direito canônico tradicional e sobretudo pela prática constante da Igreja – caberia dizer: segundo a Tradição -, o poder de governar é diretamente conferido pelo papa ao bispo, independentemente de consagração. É por isso que pode haver bispos regularmente consagrados que, no entanto, não receberam nenhuma jurisdição própria, como o são os bispos auxiliares ou os encarregados de missões diplomáticas específicas.</span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Fraternidade São Pio X continuou a ser uma obra da Igreja e a operar para bem da Igreja (&#8230;), a própria Santa Sé veio a reconhecer isso na prática.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas na época do Concílio, passou-se a considerar essa visão como demasiado tradicional, demasiado medieval, demasiado romana. A atuação direta e exclusiva do Vigário de Cristo na atribuição da jurisdição, reduzia os bispos mandatários a meros delegados ou representantes do papa. Por outro lado, a ideia de que cada bispo recebia imediatamente de Deus, no ato da consagração, uma jurisdição universal, permitia fazer dele, em certa medida, um igual do papa, reduzindo assim o papel do Vigário de Cristo ao de mero presidente de um <em>collegium</em>, “primeiro entre seus pares”. Esse novo postulado vinha, assim, diretamente respaldar a teoria modernista da colegialidade(5), fundamento da democratização da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma outra consequência, além desta, é que essa redefinição se presta à causa do ecumenismo. De fato, para se poder reconhecer uma certa “eclesialidade” em favor das comunidades cismáticas orientais (estas sim, realmente cismáticas) e considerá-las como “igrejas irmãs”, lançando assim uma base sólida para o diálogo ecumênico, era preciso valorizar a sua sucessão apostólica a ponto de se reconhecer em seu favor uma jurisdição real sobre os seus fiéis, apesar de sua completa separação de Roma e do papa. A sua qualidade de “Igreja” decorreria, assim, do fato de contarem com bispos não apenas validamente consagrados, mas também dotados de verdadeira autoridade sobre as almas, autoridade esta derivada da consagração em si mesma, independentemente de qualquer atuação do papa. Por esse viés se podia mais facilmente conceber a existência, nessas comunidades, de uma verdadeira hierarquia eclesiástica, no sentido pleno do termo. Sem essa prévia manipulação eclesiológica, teria sido impossível reconhecer nelas qualquer verdadeira “eclesialidade”. </span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não se pode ficar só lamentando os efeitos, sem remontar às verdadeiras causas.  É preciso ter a hombridade de ir um pouco além e de reconhecer que essa crise tem origem nos ensinamentos oficiais, muitas vezes ambíguos, chegando por vezes a romper claramente com a Tradição.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E é ainda a esse mesmo esforço ecumênico que se liga uma outra manipulação eclesiológica, o conceito elástico de “comunhão parcial”, a que se aludiu na questão anterior. Em termos concretos, todas as ditas “igrejas” cristãs fariam parte de uma “Superigreja”, a Igreja de Cristo, mais abrangente que a católica. Essas diversas igrejas estariam em maior ou menor medida em comunhão com a católica, a depender das lacunas na sua doutrina. Esse conceito, também ele modernista, visava valorizar uma, por assim dizer, unidade em formação com as demais “igrejas”. Mas é um engano. Com efeito, ou se está em comunhão com a Igreja católica por todos os aspectos, ou se está separado dela. Não existe meio-termo. Paradoxalmente, essa noção, que fora concebida como instrumento a serviço do diálogo ecumenista, destinando-se a justificar uma futura convergência das “igrejas” que se tinham na conta de “irmãs”, passa a ser usada também para lidar com a Fraternidade São Pio X, que por sua vez a considera uma noção absurda. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que há de especialmente lamentável no juízo negativo que se faz da Fraternidade, é o fato de essa acusação específica de cisma ou de “comunhão parcial”, fundada em postulados modernistas, colegialistas ou ecumenistas, não vir apenas da parte do Vaticano, mas também de alguns cabeças dos grupos e institutos ditos “<em>Ecclesia Dei</em>”(6). Paradoxalmente, para atacar a Fraternidade, citam e defendem os erros eclesiológicos do Concílio Vaticano II&#8230; Em vez de trazerem à tona esses erros de maneira construtiva – como, em princípio, lhes é permitido fazer -, preferem usá-los para apedrejar a Fraternidade São Pio X. Ocorre, porém, que são pedras de borracha. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>No que diz respeito à jurisdição e à autoridade na Igreja, como a Fraternidade São Pio X enxerga a possibilidade de nomear religiosas ou leigos para cargos superiores?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma questão muito pertinente, sobretudo se considerarmos que hoje em dia, um dicastério romano, o que está encarregado dos institutos de vida consagrada, em vez de ter à frente um cardeal e um bispo, respectivamente como prefeito e secretário, foi confiado a duas religiosas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não quero ser irônico, seria desagradável. Apenas gostaria de apontar que o Vaticano, à sua maneira, provou que conhece perfeitamente a diferença entre o poder de ordem e a atribuição do poder de jurisdição. Até onde eu sei, a Irmã Simona Brambilla, atual prefeita, nunca foi ordenada diácono, nem presbítero, nem bispo; nem sequer a tonsura ela recebeu&#8230; O mesmo vale para a Irmã secretária. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Mesmo fora da Fraternidade São Pio X, há hoje em dia muita gente que reconhece sinceramente a existência de uma crise na Igreja, sobretudo no que diz respeito à fé. E contudo, alguns deles criticam a Fraternidade São Pio X por se isolar numa linha de conduta própria, sem levar devidamente em conta a existência de outros diagnósticos. Ao seu ver, essa crítica tem fundamento?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acho que é precisamente nesse ponto que a Fraternidade São Pio X põe o dedo na ferida. Muitos são os que, como nós, afirmam que existe uma crise na Igreja e que essa crise afeta a fé. Até aqui estamos de acordo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não se pode ficar só lamentando os efeitos, sem remontar às verdadeiras causas. É preciso ter a hombridade de ir um pouco além e de reconhecer que essa crise tem origem nos ensinamentos oficiais, muitas vezes ambíguos, chegando por vezes a romper claramente com a Tradição. Em termos concretos, é preciso entender que a crise atual se especifica pelo modo como afeta a hierarquia da Igreja no ensinamento que ela ministra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E numa situação como essa, não é possível ter meias palavras; os erros devem ser claramente percebidos e denunciados pelos que estão em condições de o fazer. Não basta fazer de conta que não vê, nem ficar esperando que os erros desapareçam com o passar do tempo. Textos tais como <em>Amoris lætitia</em> ou <em>Fiducia supplicans</em>, por exemplo, causaram, num primeiro momento, não pouca indignação. Mas depois tudo se acalmou, cada um foi tratar de outra coisa, e hoje já poucos ainda falam no assunto. Sem embargo, as decisões e os erros contidos ali continuam em vigor; vemos que esperar até que sejam esquecidos não é uma maneira eficaz de corrigi-los.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X existe para recordar este fato aos fiéis e à hierarquia. Considera ser um dever seu, e isso não por espírito de rebelião ou de desobediência, mas como um serviço prestado à Igreja. Nesse sentido, não é justo dizer que ela se isola do resto, pois fala diante de toda a Igreja e se dirige a todos os católicos que estão perplexos, sem fazer distinção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qualquer um que olhe para essas questões sem preconceitos ideológicos, há de por força chegar a esta constatação, a saber, a de que a ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja. </span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Fraternidade São Pio X permanece em perfeita comunhão com os papas da História, sem exceção, naquilo que eles têm de comum entre si: o depósito da fé, fielmente recebido, conservado e transmitido através dos séculos.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Em que sentido o ensinamento oficial da Igreja poderia conter erros?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma questão muito melindrosa e complexa, e só a Igreja poderá um dia dar uma explicação satisfatória e definitiva sobre o que aconteceu e está acontecendo ainda hoje. O fato é que nenhum erro pode ser ensinado pelo Magistério da Igreja propriamente dito. Os fatos porém saltam à vista: vemos, infelizmente, serem ensinados alguns erros graves. Mas quer se trate de textos de um Concílio que se quis não dogmático, quer se trate de simples exortações pastorais, homilias ou declarações circunstanciais, e até de diálogos com o mundo, discursos improvisados durante um voo de avião, ou de conversas com jornalistas, em todos estes casos, quando há elementos não dogmáticos e que são apresentados como tais, não estamos diante de um Magistério autêntico.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para dar um exemplo, um eminente prelado romano recentemente me explicou que a Declaração de Abu Dhabi não deve ser tida por algo que faça parte do Magistério, por se tratar de um mero texto de circunstância. Acho que um dia, com um pouco de flexibilidade e bom senso, um papa irá dizer algo de equivalente, mas em público, a respeito de toda uma série de textos problemáticos que não podem ser tidos por magisteriais no sentido técnico do termo. A Cúria romana dispõe de uma experiência e de uma fineza inigualáveis quando se trata de estabelecer distinções necessárias: tudo o que lhe falta é a vontade de o fazer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E em todo caso, um esclarecimento definitivo é algo que cabe à própria Igreja, e não à Fraternidade São Pio X. A nossa tarefa se limita a rejeitar fielmente tudo o que estiver em ruptura com a Tradição e com o Magistério constante. Ao fazer isso, a Fraternidade São Pio X permanece em perfeita comunhão com os papas da História, sem exceção, naquilo que eles têm de comum entre si: o <em>depositum fidei</em>, fielmente recebido, conservado e transmitido através dos séculos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Muitas são as áreas na vida da Igreja, como, por exemplo, na liturgia, onde é evidente que existem abusos. Por que a Fraternidade São Pio X fala sempre em erros e não em abusos?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É evidente que existem abusos que extrapolam os limites das próprias reformas. A Fraternidade São Pio X os reconhece sem pestanejar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas essa retórica constantemente a falar dos abusos, particularmente em voga durante o pontificado de Bento XVI, não basta para dar conta da crise. E acaba mesmo por criar um álibi sistemático, que impede de entrar mais fundo nos problemas. A reforma litúrgica, por exemplo, encerra dificuldades que certamente brotam dos próprios princípios em que se baseou, independentemente de eventuais abusos. As orações ecumênicas e inter-religiosas, para dar outro exemplo, são a tradução de um erro teológico, ainda quando nos abstenhamos de atos explícitos de sincretismo, na tentativa de evitar o que poderia parecer um abuso. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E principalmente, a retórica do abuso litúrgico, ou do abuso na interpretação dos textos, tende a mirar nas pessoas envolvidas – tidas por responsáveis pelos abusos, ou por incapazes de reprimi-los -, em vez de considerar os princípios errôneos que estão na raiz do desastre atual. Ora, são justamente esses princípios que devem ser denunciados.</span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não se trata de fazer rebelião, mas de responder a uma necessidade cruel.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confesso que eu mesmo fiquei um pouco espantado, nestes últimos anos, com a reação amarga e sistemática de certo meio conservador um tanto míope, que se voltou de modo muito pessoal contra a figura do papa Francisco, passando ao largo do Concílio e da continuidade na sua aplicação doutrinária até os dias atuais. Esse tipo de atitude é que faz com que, a cada novo papa eleito, se espere, pelo menos durante alguns meses, por uma superação da crise – sem que sejam questionados os princípios novos, como se tudo dependesse da vontade pessoal do novo pontífice, mais ou menos resolvida a condenar ou a reprimir os abusos. Trata-se de uma retórica superficial incapaz de convencer qualquer observador atento e honesto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Não lhe parece exagero dizer, como já o fez a Fraternidade São Pio X em outras ocasiões, que uma autêntica vida cristã numa paróquia comum é hoje em dia coisa impossível? O estado de “necessidade” implícito nessa afirmação é de fato tão evidente? Não seria antes um conceito “instrumental”, elaborado para justificar as sagrações de que essa instituição necessita</em>?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio está plenamente ciente de quanto há de trágico e doloroso nessa afirmação. Trata-se de uma consideração extremamente grave e que requer ser bem entendida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deixemos claro, antes de mais, que não cabe a resposta de que, apesar de todos os problemas e deficiências que lavram nas paróquias comuns, há sempre bons sacerdotes e bons fiéis que são capazes de se santificarem e de salvarem as suas almas. Mesmos nas circunstâncias mais desfavoráveis, a graça de Deus pode tocar as almas, e nós sabemos de casos assim. Além do que, para muitos deles o sofrimento real causado pela situação em que se encontram torna-se uma verdadeira fonte de santificação, que muitas vezes os leva a buscarem a Tradição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o que a Fraternidade São Pio X afirma deve ser entendido num plano objetivo, e não subjetivo. A fim de se avaliar qual seja de verdade a situação dessas paróquias, toda alma de boa vontade deveria fazer a si mesma algumas perguntas precisas, diante de Deus, em oração, e buscando uma resposta sobrenatural, ditada não por impressões positivas ou negativas, nem por nenhuma preconcepção ideológica, mas tão somente pela razão esclarecida à luz da fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A missa de Paulo VI é capaz de expressar e de alimentar inteiramente a fé católica? Transmite de maneira satisfatória o senso do sagrado, do transcendente, do sobrenatural, do divino? Esse rito permite apreender o verdadeiro sentido do sacerdócio católico?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Numa paróquia ou num centro pastoral qualquer, ou seja, lá onde se prega em conformidade com as diretrizes doutrinárias atuais, é ainda ensinada a fé católica em toda a sua inteireza? O catecismo dado às crianças é ainda católico e capaz de os formar para o resto da vida?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As questões, hoje tão delicadas e atuais, da moral conjugal, ou do acesso à Eucaristia para os que estão em situações irregulares, são abordadas em conformidade com a lei da Igreja? O sacramento da penitência é ainda ministrado com um senso real da Redenção e do pecado, da sua gravidade e das suas consequências?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, de modo mais geral, quais frutos essas reformas produziram de maneira universal na vida dos fiéis?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A todas estas perguntas, e outras semelhantes, a Fraternidade São Pio X responde de maneira clara e coerente. A seguir, partindo dessa análise, e visto que a realidade se impõe, chega à constatação de que existe um “estado de necessidade”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De modo que a afirmação da Fraternidade São Pio X resulta de um salutar realismo, e não de um<em> </em>pressuposto ideológico. O que há de trágico na constatação é apenas consequência de uma tragédia real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor não acha que, mesmo animada das melhores intenções, a Fraternidade São Pio X poderia mais uma vez ser causa de divisões nas famílias, no mundo da Tradição e na própria Igreja?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Talvez nunca antes a Igreja se viu tão dividida como agora, e não há nada de bom nisso. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, essa divisão não foi provocada pela fidelidade à Tradição, mas antes pelo afastar-se dela. A crise do Magistério, as ambiguidades, os erros, a inculturação, fazem que se queira interpretar e reinterpretar tudo, aumentam as diversas maneiras de julgar que, a longo prazo, são causa de divisões inevitáveis. Para usar uma imagem conhecida, é isto o que na verdade rasga a túnica de Cristo. A Fraternidade São Pio X, pela sua fidelidade à Tradição, não faz senão tentar ajudar a recosê-la o tempo todo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à possibilidade de todos os tradicionalistas atuarem e lutarem juntos, é algo que a Fraternidade São Pio X deseja de todo o coração. Mas isso não deve ser feito por meio de uma espécie de ecumenismo em miniatura. É algo que só pode ser feito com inteira fidelidade à Tradição integral, se quisermos que esse combate aberto seja para bem de todos, inclusive dos que não estão de acordo conosco.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A verdadeira unidade, duradoura e inquebrantável, só pode ter por alicerces a Tradição da Igreja.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, no que diz respeito a possíveis divisões no interior de uma mesma família, é preciso corajosamente ter em mente as palavras de Nosso Senhor, sem, porém, se escandalizar, sem cair na amargura, amparando os que sofrem:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não penseis que vim para trazer a paz à terra. Não vim para trazer a paz, mas a espada. Porque vim para separar o homem de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora de sua sogra. E o homem terá por inimigos os de sua própria casa. O que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E o que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim.” (Mt X, 34-37)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Agora uma questão retrospectiva. O período particular por que vem passando a Fraternidade São Pio X reaviva nos mais antigos as lembranças e as emoções de 1988. Essa data certamente marca uma guinada decisiva na obra de Dom Lefebvre. Que declaração do fundador da Fraternidade São Pio X lhe vem agora em mente como mais apropriada para o momento?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certa vez, numa conversa privada, Dom Lefebvre disse que preferia morrer a ver-se na situação de se opor ao Vaticano. Isso mostra o espírito em que preparou as consagrações de 1988. Naquela altura, tal como hoje, não se tratava de fazer rebelião, mas de responder a uma necessidade cruel. Decisão necessária e inevitável, mas tomada a contragosto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Noutra ocasião, Dom Lefebvre declarou, com serenidade e de modo profundamente sobrenatural, que se a Fraternidade São Pio X não fosse uma obra de Deus, não iria adiante e não sobreviveria a ele mesmo. Não é a nós que cabe responder se o é de fato ou não. Mas a história já começou a pronunciar-se. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>No entender do senhor, quando e por que maneira a crise da Igreja poderá ter fim, e, com ela, esse sentimento de desagregação generalizada, tanto dentro quanto fora da Igreja?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Providência só é quem conhece a resposta exata para essa pergunta. Da minha parte, acho que, depois de procurarem em vão e desesperadamente a paz e a unidade no princípio da colegialidade, no sínodo, no ecumenismo, no diálogo, na escuta, na inclusão, na conscientização ambiental, na fraternidade humana, na proclamação incessante dos direitos do homem etc., as autoridades se darão conta finalmente – e mais do que tarde – de que a verdadeira unidade, duradoura e inquebrantável, só pode ter por alicerces a Tradição da Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desse modo, depois de a crise ter manifestado todas as suas consequências, depois de a apostasia se ter generalizado ainda mais e depois de as igrejas se terem esvaziado, essas autoridades entenderão afinal que não havia que inventar coisa alguma, que bastava simplesmente serem fiéis a Cristo Rei e proclamarem, a exemplo dos primeiros mártires, os direitos inalienáveis de Cristo perante um mundo neopagão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma coisa é certa: na medida em que foi de Roma que a autodemolição da Igreja se originou, é só em Roma e por Roma que essa crise terrível terá fim. Entretanto, as sementes dessa reconstrução da Igreja estão já em ação, frutificando humildemente nas almas vivificadas pelo Espírito de Nosso Senhor. Nelas é que se vai silenciosamente preparando a vinda dos que um dia restabelecerão em todo o seu esplendor a realeza de Jesus Cristo.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É só em Roma e por Roma que essa crise terrível terá fim.” </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Decerto a crise vem durando mais tempo do que se podia imaginar. Isso se deve, na minha humilde opinião, à dificuldade intrínseca que Igreja encontra, ainda hoje, para reagir. Um corpo são consegue reagir prontamente aos agentes patógenos que o atacam. Porém, quanto mais enfraquecido está o corpo, mais difícil lhe é reagir. Da mesma maneira, a crise que nos assola foi determinada por um ataque desferido por princípios perniciosos contra princípios já enfraquecidos – enfraquecimento este que começara já desde bem antes das reformas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entretanto, como em toda provação, é preciso enxergar a ação da Providência e revestir-se de paciência. Quanto mais longa for a crise, mais Satanás correrá à solta, e portanto mais brilhante será o triunfo da Tradição. E, sobretudo, mais manifestas serão diante de todo o mundo a indefectibilidade e a divindade da Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nenhum outro tempo tanto como o de hoje, é para nos encher de alegria e esperança aquela promessa de Nosso Senhor: “As portas do inferno não prevalecerão sobre Ela” (Mt XVI, 18).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E para além disso, a certeza desse triunfo está assegurada, em primeiro lugar, por Aquela que esmaga todas as heresias: “Por fim, o meu Coração Imaculado triunfará.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Entrevista concedida em Menzingen, em 19 de abril de 2026,</strong><br />
<strong> Domingo do Bom Pastor</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1 &#8211; Pronuncia-se: “palharáni”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2 &#8211; Esta ordem funda-se na transmissão da fé, sendo uma noção consagrada do direito canônico. Citemos um autor entre muitos: “<em>Ut patet, fundamentum vitæ supernaturalis Ecclesiæ curæ et potestati concreditæ est fides”: </em>“Está claro que o fundamento dessa vida sobrenatural confiada aos cuidados e à autoridade da Igreja, é a fé”. O direito, portanto, terá de determinar de maneira orgânica tudo o que diz respeito à fé:<em> “quæ respiciunt fidei prædicationem, explicationem, susceptionem, exercitium, professionem externam, defensionem et vindicationem”:</em> “as coisas que dizem respeito à pregação, explicação, recepção, exercício, profissão externa, defesa e devido reconhecimento da fé”. <em>In </em>Gommarus Michiels, OFM, cap., <em>Normæ generales juris canonici</em>, Paris, 1949, vol. 1, p. 258.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3 &#8211; O cardeal Castrillón Hoyos afirmou várias vezes, na década de 2000, que a Fraternidade São Pio X “não está em estado de cisma”, mas numa “situação canônica irregular”, e que devia ser regularizada dentro da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4 &#8211; Carta do Rev. Pe. David Pagliarani endereçada ao cardeal Víctor Manuel Fernández, de 18 de fevereiro de 2026, anexo 2.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5 &#8211; Esta doutrina considera o colégio episcopal enquanto tal como um segundo sujeito da autoridade suprema na Igreja, ao lado do papa. Por conseguinte, a Igreja tende a transformar-se numa espécie de concílio permanente, justificando assim o poder ilimitado das conferências episcopais e a reforma sinodal atualmente em curso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6 &#8211; Destacam-se os estudos do Padre Josef Bisig, fundador da Fraternidade São Pedro, e do Padre Louis-Marie de Blignières, fundador da Fraternidade de São Vicente Ferrer.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>LEI DA SHARIA NO VATICANO</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 14:08:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Nicolas Cadiet]]></category>

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		<description><![CDATA[Se houvesse muçulmanos vivendo no Vaticano e pedissem a aplicação da sharia, deveria-se atender a esse pedido? Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Há algo de repugnante nisso… E, no entanto, a declaração Dignitatis humanae, uma das mais &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/lei-da-sharia-no-vaticano/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/04/Cathedrale-mosquee-de-Nicosie.jpg" alt="" width="500" height="337" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Se houvesse muçulmanos vivendo no Vaticano e pedissem a aplicação da sharia, deveria-se atender a esse pedido?</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/liberte-religieuse/la-charia-au-vatican">La Porte Latine</a> </span>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há algo de repugnante nisso… E, no entanto, a declaração <em>Dignitatis humanae</em>, uma das mais famosas do Concílio Vaticano II, parece afirmá-lo claramente:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;A liberdade religiosa exige que os grupos religiosos não sejam impedidos de dar a conhecer livremente a eficácia especial da própria doutrina para ordenar a sociedade e vivificar toda a atividade humana.&#8221; Dignitatis Humanae nº 4</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como se chega a essa conclusão?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Declaração afirma que o homem deve estar isento de qualquer coação, seja ela qual for, em matéria religiosa, por parte de qualquer poder humano. Essa imunidade é apresentada como um direito inalienável decorrente da natureza humana e deve ser inscrita na legislação civil (DH n.º 2). Desse direito decorre o de manifestar no espaço público tudo o que a religiosidade comporta de social (DH n.º 4). A única restrição imposta é a dos  “<em>justos limites</em>” (DH n.º 2), baseados nas “<em>justas exigências da ordem pública</em>” (DH n.º 4).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É difícil entender como pode haver &#8220;<em>limites justos</em>&#8221; ao exercício desse direito se as necessidades do indivíduo são tão amplas e inalienáveis. Essa é a ambiguidade dos direitos humanos, que estabelecem exigências absolutas em relação à pessoa humana, antes de percebermos que a realidade impõe leis ainda mais absolutas! Pode-se sempre proclamar o direito à alimentação suficiente, mas o que isso significa se, após um naufrágio, dez pessoas se encontrarem em uma jangada com apenas uma lata de sardinhas e sem abridor de latas?</span><span id="more-34689"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto, parece correto condenar a coerção em matéria religiosa: não se deve forçar alguém a praticar um ato de fé, e é compreensível que um Estado cristão não impeça uma família de educar os seus filhos na sua religião, mesmo que falsa, porque isso constituiria uma violação da autoridade natural dos pais (1). Como podemos explicar estas intuições?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás de Aquino observa que existem inclinações naturais no homem, como preservar a própria vida, perpetuar-se através da descendência, viver em sociedade e buscar a Deus (2). Seria um erro contrariar tal inclinação natural (3) Mas aquele que se desvia da ordem da razão pode sofrer tal frustração. Em outras palavras, uma pessoa deve ter liberdade de movimento, mas um criminoso pode ser preso (4) <sup><a style="color: #000000;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/liberte-religieuse/la-charia-au-vatican#footnote_4_257186">.</a></sup> Portanto, normalmente deve-se dar livre curso à religiosidade dos indivíduos; mas, se ela for desviada, pode ser legítimo limitá-la. Como o Estado é o garante do bem comum, é necessário que este último esteja ameaçado para justificar uma limitação do exercício de falsos cultos (5) .</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Declaração conciliar prefere fundamentar-se na doutrina moderna dos direitos humanos, fundamentada na mera qualidade da pessoa humana, sujeito de direitos inalienáveis. O exercício desses direitos é indiferente ao verdadeiro e ao falso, assim como ao bem e ao mal, uma vez que se afirma que &#8220;<em>o direito a essa imunidade [em matéria religiosa] persiste mesmo naqueles que não cumprem a obrigação de procurar a verdade e de aderir a ela</em> &#8221; (DH n.º 2).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, a própria Declaração estabelece o princípio de uma interpretação errônea. De fato, ela não permite explicar que tipos de limites podem ser impostos pelo Estado à religiosidade dos cidadãos. Eis um exemplo de conceito cuja “<em>utilização… é sempre inoportuna</em>”, pois “<em>requer explicações numerosas e constantes, a fim de evitar que se desvie do sentido corretO (6)</em>», e <em>“</em>não serve à fé do povo de Deus (7)” .</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Nicolas Cadiet, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Outros estudos e textos sobre a DIGNITATIS HUMANÆ podem ser lidos <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/uma-continuidade-impossivel-sobre-a-dignitatis-humanae/">aqui</a></span>, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/d-tissier-de-mallerais-contra-a-hermeneutica-da-continuidade-na-dignitatis-humanae/">aqui</a></span>, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-conceito-de-liberdade-religiosa-na-dignitatis-humanae-do-concilio-vaticano-ii/">aqui</a></span>, e <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/nao-se-pode-salvar-a-dignitatis-humanae/">aqui</a></span>.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Suma Teológica, IIa IIae q.10 a.12; Pio XI, encíclica <em>Divini illius Magistri</em>.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">ST, Ia IIae q.94 a.2.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">ST, IIa IIae q.133 a.1. É assim que SANTO Tomás explica a natureza imoral da escravidão (Ia q.96 a.4), da difamação (IIa IIae q.72 a.2) e do homicídio (IIa IIae q.64 a.1 c. e ad 2).</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cf. ST IIa IIae q.65 a.3 ad 1; mas também IIa IIae q.64 a.2 ad 3 sobre a pena de morte.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As encíclicas de Leão XIII, <em>Libertas</em> e <em>Immortale Dei,</em> afirmam suficientemente a importância de proteger os cidadãos contra os erros e a imoralidade associados às falsas religiões. Aliás, a falsidade deças deve ser reconhecida como um mal hoje em dia, a julgar pela forte repressão às chamadas <em>fake news”</em></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para perceber isso, basta examinar a literatura publicada para justificar que a Declaração <em>Dignitatis humanae</em> está em conformidade com a Tradição, particularmente com o <em>Syllabus</em> de Erros de Pio IX. Como diz o Padre Congar, <em>a Dignitatis humanae </em>afirma  “<em>materialmente algo diferente do Syllabus de 1864, e até mesmo quase o oposto das proposições 15, 77 a 79 desse documento”,</em>  em <em>La crise dans l&#8217;Eglise et Mgr Lefebvre, </em>Cerf , 1977, pp. 54–55.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cf. Dicastério para a Doutrina da Fé, Nota <em>Mater populi fidelis,</em> 4 de novembro de 2025, n°22.</span></li>
</ol>
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		<title>A ECLESIOLOGIA ILUSÓRIA DA FRATERNIDADE SÃO PEDRO – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 14:07:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Ecclesia Dei]]></category>

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		<description><![CDATA[O legalismo da Fraternidade São Pedro foge à vista do lobo e abandona as ovelhas. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est “Sagrações legítimas?” Este é o título de um texto assinado por “Theologus” e publicado em 11 de &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-eclesiologia-ilusoria-da-fraternidade-de-sao-pedro-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/04/507.jpg" alt="" width="510" height="345" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O legalismo da Fraternidade São Pedro foge à vista do lobo e abandona as ovelhas.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <a href="https://laportelatine.org/actualite/lecclesiologie-en-trompe-loeil-de-la-fraternite-saint-pierre"><span style="color: #0000ff;">La Porte Latine</span> </a>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Sagrações legítimas</em>?” Este é o título de um texto assinado por “<em>Theologus</em>” e publicado em 11 de abril de 2026 no site <em>“claves.org</em>”(1) pelos sacerdotes da Fraternidade São Pedro. Nele, tentam demonstrar que a argumentação apresentada pela FSSPX para estabelecer a legitimidade das sagrações episcopais que se prepara para realizar, no próximo dia 1º de julho, seria vã.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse tipo de discurso não é novo. De fato, desde o início, ou seja, desde o “<em>verão de 1988</em>”, os sacerdotes determinados a não seguir D. Lefebvre em sua decisão de nomear sucessores para o episcopado têm se esforçado para justificar sua posição. Foram, principalmente, os sacerdotes da então nascente Fraternidade São Pedro e, entre eles, o padre Josef Bisig(2). E o fizeram apresentando a iniciativa das sagrações como conduzindo a um episcopado não católico, um episcopado cismático, um episcopado que veicula uma heresia implícita. Reforçado pelo padre de Blignières(3), o estudo do padre Bisig inspira em grande parte a reflexão atual dos padres da Fraternidade São Pedro, em particular tal como se expressa no texto publicado online em 11 de abril(4).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A novidade, se é que existe alguma, consiste em contestar os argumentos apresentados pela FSSPX por ocasião do anúncio das futuras sagrações de 1º de julho de 2026. E em acompanhar o estudo com uma &#8220;<em>enfática homenagem</em>&#8221; do Cardeal Sarah.</span><span id="more-34634"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa homenagem do Cardeal Sarah descreve o texto como &#8220;<em>luminoso&#8221;, &#8220;maravilhoso, claro e bem elaborado&#8221;</em>. Ele reitera, sobretudo, o que parece ser um dos postulados adotados por todos aqueles que contestam a validade das sagrações de Ecône: “<em>Devemos saber que não somos nós que salvamos as almas. </em><em>É Cristo, e somente Cristo, quem salva. Nós, nós somos apenas instrumentos nas Suas Mãos</em><em>.&#8221; &#8220;Não somos nós que salvamos a Igreja, mas a Igreja que nos salva</em>&#8220;, já escrevia o padre Bisig(5). Como se o Corpo Místico de Cristo fosse algo diferente dos membros de Cristo. Trata-se aqui de uma concepção da Igreja que tenderia a transformar seus membros em meros instrumentos inertes, ou em meros espectadores, e não em atores, de sua salvação. Lutero e Calvino já haviam considerado isso — mas o Concílio de Trento nos lembra que Deus nos convida a fazer o que podemos e a pedir o que não podemos(6). E fazer o que podemos, não é contribuir, cada um em seu nível, com as graças recebidas de Deus, para salvar a Igreja, salvando as almas na e pela Igreja?&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A refutação dos argumentos apresentados pela Fraternidade São Pedro pode ser resumida em dois pontos, e <strong>demonstraremos sua futilidade em um artigo a ser publicado no <em>Courrier de Rome</em></strong>. O importante aqui é destacar que, antes de empreender essa refutação, os sacerdotes da Fraternidade São Pedro começam apresentando esses argumentos como &#8220;<em>o argumento fundamental da Fraternidade São Pio X em defesa das sagrações planejadas para 1º de julho de 2026</em>&#8220;. E é aí que tudo já desmorona, pois, na verdade, esse não é o <em>&#8220;argumento fundamental</em>&#8221; da FSSPX. Os próprios autores da Fraternidade São Pedro admitem isso, aliás, eles próprios, quando apresentam essa argumentação como tendo sido “<em>resumida oficialmente em um Anexo à resposta do padre Pagliarani ao Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, em 18 de fevereiro de 2026</em><em>&#8220;.</em> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Trata-se, precisamente, nem mais nem menos do que de um “<em>Apêndice</em>”, cujo objeto é uma questão técnica de eclesiologia, cuja explicação visa apenas servir de apoio — um apoio secundário — à argumentação principal da Fraternidade, que se encontra em outro lugar. Ela se encontra precisamente no texto da Carta endereçada pelo Pe. Pagliarani ao Cardeal Fernandez (7). Encontra-se também no sermão proferido pelo próprio Pe. Pagliarani no Seminário Flavigny em 2 de fevereiro, durante as cerimônias de tomada de batina, quando o Superior Geral de nossa Fraternidade anunciou as sagrações para 1º de julho (8). Finalmente, encontra-se também nas respostas que o Pe. Pagliarani deu em 7 de fevereiro aos jovens reunidos para a Universidade de Inverno organizada pelo Distrito Francês da Fraternidade (9).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa “<em>argumentação fundamental</em>” baseia-se na realidade do estado de necessidade, realidade notavelmente agravada desde o verão de 1988, e que exige, mais uma vez, a sagração de novos bispos plenamente católicos para a salvação das almas. Aliás, não são os padres da Fraternidade São Pedro os primeiros a ter de reconhecer que as promessas que lhes foram feitas em 2 de julho de 1988 com o Motu proprio <em>Ecclesia Dei afflicta</em> não foram cumpridas? … Promessas que continuam ameaçadas pelo Motu proprio <em>Traditionis custodes</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desse estado de necessidade, os sacerdotes do movimento Ecclesia Dei, como se vê claramente, evitam falar com demasiada frequência. O Padre de Blignières minimiza-o cada vez mais (10). Os sacerdotes da Fraternidade de São Pedro não falam sobre isso. No entanto, é justamente esse estado de necessidade que justifica, por sí só, a iniciativa de sagrações. E justifica-se porque a lei suprema na Igreja é, de fato, a salvação das almas, contra a qual nenhuma disposição do direito canônico pode prevalecer. No texto publicado em 11 de abril, esse argumento fundamental totalmente ignorado. Os sacerdotes da Fraternidade São Pedro, em uma análise minuciosa e complexa, desviam a atenção de seus leitores para um ou outro ponto da nova eclesiologia do Concílio Vaticano II, cuja falsidade foi justamente denunciada pela Fraternidade São Pio X. Mas não é a refutação desses pontos da nova eclesiologia que representa a razão profunda na qual a referida Fraternidade pretende se basear para justificar as sagrações episcopais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X, sem dúvida, contesta a ideia absolutamente nova de que a sagração conferiria, por si só, não apenas o poder de ordem, mas também o poder de jurisdição. A Fraternidade demonstra ainda que conferir o episcopado contra a vontade do Papa não é de modo algum um ato intrinsecamente mau ou contrário à lei divina. Mas essas discussões especializadas, embora ainda importantes, são uma cortina de fumaça: evitam encarar de frente a verdadeira razão que justifica as consagrações: o estado de necessidade, a situação de crise generalizada da qual a Igreja está longe de ter saído e na qual os detentores da autoridade suprema abusam de seu poder em grande e grave prejuízo da salvação das almas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem dúvida, sim, se não houver estado de necessidade, se a Igreja estiver em um estado normal, se o Papa agir como verdadeiro Vigário de Cristo para exercer seu poder em benefício da salvação das almas, condenando todos os erros que ameaçam a fé dos fiéis, então sim, não é legítimo consagrar bispos contra a vontade do Papa, e as normas habituais do direito da Igreja mantêm toda a sua força para proibir tal iniciativa. Mas é a circunstância extraordinária da crise, é a situação incomum em que a pessoa de um Papa, como diz Caetano, se recusa a submeter-se ao seu ofício papal, que faz toda a diferença. Ocultar essa circunstância e raciocinar como se a Igreja pós-Vaticano II estivesse no mesmo contexto que sob São Pio X ou Pio XII é cair no legalismo mais estreito – e impedir-se de socorrer as almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Somos obrigados a reconhecer isso</em>”: esta é a frase-chave que resume toda a atitude de D. Lefebvre, uma expressão do Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. O legalismo da Fraternidade de São Pedro, por outro lado, foge à vista do lobo e abandona as ovelhas.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">**************************************</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Outras respostas do Pe. Gleize à Fraternidade São Pedro e ao Pe. Blignières podem ser vistas nos links abaixo:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-prejudicaram-um-elemento-essencial-da-fe-catolica-a-unidade-da-igreja/">PARTE 1: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988 PREJUDICARAM UM ELEMENTO ESSENCIAL DA FÉ CATÓLICA: A UNIDADE DA IGREJA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-realizadas-por-d-lefebvre-em-1988-representam-um-ato-de-natureza-cismatica/">PARTE 2: AS SAGRAÇÕES REALIZADAS POR D. LEFEBVRE EM 1988 REPRESENTAM UM ATO DE NATUREZA CISMÁTICA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-o-dilema-ecclesia-dei/">PARTE 3: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988: O DILEMA ECCLESIA DEI</a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO &#8220;<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>&#8221; COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">Notas:</span></strong></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://claves.org/des-sacres-legitimes/">https://claves.org/des-sacres-legitimes/</a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Sobre a Sagração Episcopal Contra a Vontade do Papa, com aplicação às sagrações conferidas em 30 de junho por D. Lefebvre.&#8221; Ensaio teológico coletivo de membros da Fraternidade São Pedro, sob a direção do Padre Josef Bisig, 1988, 2ª edição, parcialmente ampliada e corrigida, sem data.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na página do site da Fraternidade São Vicente Ferrer de 30 de setembro de 2022.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este não é o único caso. Em uma conferência proferida em 8 de abril em Paris, o Padre Hilaire Vernier desenvolveu o mesmo tipo de argumento para tentar provar que seria &#8220;contrário à lei divina conferir o episcopado contra a vontade do Papa, mesmo sem querer conceder-lhe jurisdição&#8221;. </span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como citação final, na página 75 do ensaio citado anteriormente.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Concílio de Trento, sessão 6 sobre justificação, capítulo 11 (DS 1536).</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/carta-resposta-do-padre-pagliarani-ao-cardeal-fernandez/">https://catolicosribeiraopreto.com/carta-resposta-do-padre-pagliarani-ao-cardeal-fernandez/ </a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/pe-pagliarani-sagracoes-por-fidelidade-a-igreja-e-as-almas/">https://catolicosribeiraopreto.com/pe-pagliarani-sagracoes-por-fidelidade-a-igreja-e-as-almas/</a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/actualite/labbe-pagliarani-repond-aux-questions-des-jeunes-sur-les-sacres-video">https://laportelatine.org/actualite/labbe-pagliarani-repond-aux-questions-des-jeunes-sur-les-sacres-video</a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/padre-de-blignieres-e-a-unidade-da-igreja-pelo-pe-jean-michel-gleize/">https://catolicosribeiraopreto.com/padre-de-blignieres-e-a-unidade-da-igreja-pelo-pe-jean-michel-gleize/</a></span></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>PADRE DE BLIGNIÈRES E A UNIDADE DA IGREJA &#8211; PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 14:28:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[A unidade da Igreja se baseia, em primeiro lugar, na fé, e não na obediência. Inverter esses princípios equivale a transformar a autoridade papal numa tirania. Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Desde o anúncio das sagrações ocorrido &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/padre-de-blignieres-e-a-unidade-da-igreja-pelo-pe-jean-michel-gleize/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2023/09/Saint-Pierre-Ingres.jpg" alt="" width="365" height="387" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A unidade da Igreja se baseia, em primeiro lugar, na fé, e não na <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/obediencia-e-desobediencia/">obediência</a></span>. Inverter esses princípios equivale a transformar a autoridade papal numa tirania.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/rapports-rome-fsspx/le-pere-de-blignieres-et-lunite-de-leglise">La Porte Latine</a> </span>– Tradução:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/obediencia-e-desobediencia/"> Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde o anúncio das sagrações ocorrido no último dia 2 de fevereiro, o padre de Blignières ataca, com força redobrada, a Fraternidade São Pio X<a style="color: #000000;" href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>. De acordo com ele, as sagrações episcopais de 1º de julho serão <span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-cisma/">cismáticas</a></strong></span> e passíveis, como tais, da excomunhão <em>latae sententiae</em>. Ora, não o são, com toda a certeza, porque representam a medida excepcional à qual é legítimo recorrer em razão de um estado de necessidade bem óbvio para que ele precise ser demonstrado. Bem óbvio também para que seja possível demonstrar sua não existência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não obstante, de que meio o padre de Blignières se dota para concluir pelo <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-cisma/"><strong>cisma</strong></a></span>?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Duas estratégias lhe continuam viáveis. A primeira consiste em minimizar o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-estado-de-necessidade-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/"><strong>estado de necessidade</strong> </a></span>para concluir, daí, que ele não beira ao ponto de exigir a medida tão excepcional que as sagrações episcopais representam. A segunda consiste em invocar canonicamente o direito divino: ainda que o estado de necessidade exigisse a medida excepcional supramencionada, não deixaria de ser menos ilegítima e, portanto, impossível, porque consagrar bispos em contradição com a vontade do Papa seria contrário ao direito divino.</span><span id="more-34538"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira estratégia – que prega a convertidos – é manifestada pelo padre de Blignières nas colunas desta confortável e tranquilizadora revista que se tornou a <em>Famille chrétienne</em>. A segunda estratégia, suscetível de atingir os eclesiasticistas eventualmente hesitantes, apresenta, na revista <em>Sedes sapientiae</em>, todos os recursos do direito canônico e da teologia, no padrão Vaticano II. Desses recursos, aliás, demonstramos a inanidade<a style="color: #000000;" href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Indicamos aqui apenas a ideia mestra da entrevista publicada na <em>Famille chrétienne</em>: ela cobre seu autor com a mais avassaladora vergonha. Como pode acusar a Fraternidade São Pio X de não <em>“se importar mais com a unidade da Igreja”</em>? A verdadeira unidade da Igreja se baseia, inicialmente, e antes de tudo, na fé, assim como ensina o Papa Pio XI na Encíclica <em>Mortalium animos</em>: “Porque a caridade se apoia na fé integra e sincera como em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal.” O vínculo principal, ou seja, o elo que é, por si, o fundamento da unidade de governo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, que faz o Papa Leão XIV com este ecumenismo e este diálogo inter-religioso que ocultam cada vez mais, ao ponto de enfraquecer, o vínculo principal da unidade da Igreja? Que fizeram antes dele todos os seus predecessores desde o Vaticano II? Na verdade, separaram os católicos da Igreja, sob o pretexto de agradar aqueles que dela estão separados. Com efeito, devemos aplicar-lhes as próprias palavras do Papa Leão XIII, que condena o indiferentismo em sua Carta Apostólica <em>Testem benevolentiae</em>: “<em>Longe de nós diminuir ou suprimir, por qualquer motivo, qualquer doutrina que tenha sido transmitida. Tal política tenderia a separar os católicos da Igreja, em vez de atrair aqueles que discordam.</em>” De tanto omitirem ou minimizarem os pontos doutrinais que diferenciam os católicos daqueles que não o são, de tanto quererem se abrir ao mundo, tal como tem ocorrido desde 1789, todos esses Papas, de Paulo VI a Leão XIV, mereceram essa recriminação lançada injustamente pelo padre de Blignières na face da Fraternidade São Pio X. Não, não é ela, mas sim Leão XIV e seus predecessores desde o Vaticano II que parecem <em>“não se importar mais com a unidade da Igreja”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na realidade, a Fraternidade São Pio X, mais do que qualquer outro, tem uma grande preocupação com a unidade da Igreja, em uma época onde as verdades mais elementares da fé católica são cada vez mais desconhecidas pelos católicos, de tanto serem colocadas debaixo do alqueire pelas mais altas autoridades na Igreja, pelo Papa e pela maioria dos bispos. E essa constatação não é feita apenas por nós, mas também por Dom Schneider, cuja palavra é ouvida cada vez mais como o eco daquela sustentada por Dom Lefebvre em seu tempo. Que lhe retrucará o padre de Blignières? Deveríamos ver nas afirmações sustentadas pelo bispo auxiliar de Astana, a exemplo daquelas sustentadas atualmente pela Fraternidade São Pio X, uma <em>“maximização irracional das críticas”</em> que Dom Lefebvre outrora dirigia ao Concílio e à reforma litúrgica? Certamente, não. Pelo contrário, é o padre de Blignières que denigre injustamente a Fraternidade ao minimizar a realidade do estado de necessidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nas palavras do bom padre, a Fraternidade se fixara <em>“progressivamente em uma separação voluntária cada vez mais radical”</em>. Porém, separação de quem e de quê?… Obviamente, não separação da unidade da Igreja, mas separação dos erros que prejudicam essa unidade. A separação justificada com as orientações dos homens da Igreja não equivale de forma alguma a se separar da Igreja. Todos os teólogos o atestam. <em>“O cisma”</em>, diz o Dicionário de Teologia Católica para resumir sua concepção<a style="color: #000000;" href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>, <em>“é uma separação ilegítima </em>(sublinhada em itálico no texto)<em> da unidade da Igreja”</em>, pois <em>“poderia haver uma separação legítima, como se alguém recusasse a obedecer ao Papa, este ordenando uma coisa má ou indevida. […] Haveria aqui uma separação da unidade puramente exterior e putativa”</em>, em outras palavras, uma separação aparente, mas não real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ideia que o padre de Blignières se faz da unidade da Igreja surge então em toda sua falsidade: não é mais a unidade de fé, é uma pseudo unidade baseada na obediência absoluta ao Papa. De tanto insistir na necessidade dessa obediência, acabam por menosprezar a extrema gravidade de todas as iniciativas que escandalizam cada vez mais os membros da Igreja em sua fé e costumes. A fé é preterida pela obediência, e, de modo equivalente, a autoridade de Deus sobrevêm àquela dos homens da Igreja. Acontece como se o Papa não fosse mais o que deve ser – não mais o vigário de Cristo, encarregado de transmitir a única palavra da Única verdade – mas um homem revestido da mais absoluta autoridade para impor todos os caprichos de sua teologia pessoal. Em termos precisos, um verdadeiro tirano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao acusar a Fraternidade de não se importar mais com a unidade da Igreja, tal como a concebe, o padre de Blignières encoraja essa tirania.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Jean Michel Gleize, FSSPX</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Uma outra resposta do Pe. Gleize ao Pe. Blignières pode ser vista nos links abaixo:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-prejudicaram-um-elemento-essencial-da-fe-catolica-a-unidade-da-igreja/">PARTE 1: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988 PREJUDICARAM UM ELEMENTO ESSENCIAL DA FÉ CATÓLICA: A UNIDADE DA IGREJA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-realizadas-por-d-lefebvre-em-1988-representam-um-ato-de-natureza-cismatica/">PARTE 2: AS SAGRAÇÕES REALIZADAS POR D. LEFEBVRE EM 1988 REPRESENTAM UM ATO DE NATUREZA CISMÁTICA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-o-dilema-ecclesia-dei/">PARTE 3: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988: O DILEMA ECCLESIA DEI</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1) Artigo intitulado: “A communion hiérarchique des évêques est-elle de droit divin?”, publicado na edição 174, de dezembro de 2025, da revista Sede sapientiae e disponibilizada no site dessa revista em 4 de fevereiro de 2026. “Entrevista” publicada no site da Famille chrétienne, em 13 de fevereiro de 2026. Artigo intitulado: “Les sacres de la Fraternité sacerdotale Saint Pie X: une usurpation de juridiction”, disponibilizado no site da revista Sedes sapientiae em 21 de fevereiro de 2026 e republicado no site Claves da Fraternidade São Pedro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(2) Ver em particular a edição do Courrier de Rome de junho de 2025.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(3) Artigo “Cisma” no Dictionnaire de Théologie catholique, tomo XIV, primeira parte, Letouzey et Ané, 1939, col. 1302.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>SURGEM FOTOS DE ROBERT PREVOST EM CULTO A PACHAMAMA</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2026 13:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa abominação é antiga, mas tem uma atualização também nisso: LEÃO XIV INAUGURA A MISSA BERGOLIANA PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO ************************ O portal LifeSiteNews publicou, pela primeira vez, uma série de fotografias nas quais o atual Papa Leão XIV, então o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/surgem-fotos-de-robert-prevost-em-culto-a-pachamama/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/photo-prev-e1773690852992-810x500.jpg" alt="Featured Image" width="616" height="380" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa abominação é antiga, mas tem uma atualização também nisso: <span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/leao-xiv-inaugura-a-missa-bergoliana-pelo-cuidado-da-criacao/">LEÃO XIV INAUGURA A MISSA BERGOLIANA PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO</a></strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">************************</p>
<p><span style="color: #000000;"><span class="tm6"><span style="color: #000000;">O portal LifeSiteNews publicou,</span> pela primeira vez, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.lifesitenews.com/blogs/unearthed-1995-photo-shows-pope-leo-xiv-participating-in-pachamama-ritual/?utm_source=featured-news&amp;utm_campaign=usa">uma série de fotografias nas quais o atual Papa Leão XIV, então o agostiniano Robert Francis Prevost, aparece de joelhos participando em um rito da Pachamama durante um simpósio celebrado em São Paulo, em janeiro de 1995.</a></span> As imagens vêm das atas oficiais do encontro, editadas em 1996 com o título </span><em><span class="tm7">Ecoteologia: uma perspectiva desde San Agustín</span></em><span class="tm6">.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A reportagem se apoia no trabalho do sacerdote Charles Murr, que prepara um livro sobre o atual Pontífice e afirma ter recompilado, durante meses, a documentação do caso. Segundo Murr, três sacerdotes argentinos identificaram sem margem de dúvida a Prevost na fotografia principal, na qual é visto ajoelhado com outros participantes no contexto do rito.</span><span id="more-34516"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-12-at-17.56.17-1.jpeg" alt="" width="571" height="759" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">O próprio volume em que aparecem as imagens não deixa margem a interpretações sobre a natureza do ato. A nota da foto descreve a cena como uma “Celebração do Rito da Pachamama (mãe terra)”, definido como um rito agrícola próprio de culturas andinas, especialmente no Peru e na Bolívia. A fotografia mostra vários assistentes de joelhos em torno a um altar, em atitude inequivocamente religiosa.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-12-at-17.56.10-2.jpeg" alt="" width="584" height="439" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">As atas incluem, além disso, outras imagens que confirmam a presença de Prevost no simpósio, como uma fotografia de grupo de todos os participantes, e outra que corresponde a uma celebração eucarística no mesmo lugar. LifeSiteNews afirma, também, que a identificação do então religioso agostiniano foi reforçada pela comparação com imagens da época, publicadas em revistas internas da ordem.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">O contexto do evento remete a correntes teológicas latino-americanas vinculadas à chamada ecoteologia, em que se promovia o diálogo com cosmovisões indígenas. Contudo, o que as imagens mostram vai além de um intercâmbio cultural ou acadêmico: trata-se da participação em um rito dirigido a uma divindade estranha à fé católica.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-12-at-17.56.23-1.jpeg" alt="" width="579" height="435" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">O caso torna-se particularmente doloroso pelas circunstâncias pessoais de Prevost naquele momento. Próximo dos 40 anos e com uma trajetória já consolidade dentro da ordem agostiniana, sua presença de joelhos em uma cerimônia desse tipo não pode ser atribuída à falta de formação ou maturidade. A cena documenta um gesto objetivamente escandaloso no que, atualmente, ocupa a Sé de Pedro.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.lifesitenews.com/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-18-at-22.18.36-9-e1773948649556-810x500.png" alt="Featured Image" width="567" height="353" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">A publicação dessas imagens pode gerar confusão profunda entre muitos fiéis. A referência à Pachamama não é meramente decorativa ou simbólica, mas remete a práticas religiosas que seguem existindo hoje, e em cujo nome continuam-se realizando sacrifícios humanos. Por isso, a gravidade do fato não se encerra no passado, mas se projeta no presente da Igreja.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Contudo, o episódio pode e deve ser esclarecido. A situação exige uma explicação pública sobre o contexto daquela participação e, se confirmado, uma retificação clara. Pedir perdão e marcar um caminho de correção não debilitaria o Pontífice, mas ajudaria a dissipar o estupor e a reparar, ao menos parcialmente, o dano causado por imagens que são difíceis de engolir por qualquer católico.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm6" style="color: #000000;">Enquanto isso, a informação difundida por LifeSiteNews e o trabalho prévio de Charles Murr colocam na mesa um fato de enorme gravidade: Robert Prevost, hoje papa Leão XIV, foi fotografado de joelhos em um rito da Pachamama, em plena idade adulta, e em contexto explicitamente religioso.</span></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/hw_LNPzln9Y?si=kuszephQZpcegHFm" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>“ONDE ESTÁ O CISMA?”, PELO PADRE JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 12:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[O cisma existe de fato. Mas não está onde alguns acreditam vê-lo. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio O anúncio das sagrações episcopais, previstas para o próximo dia 1º de julho, não deixou ninguém &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/onde-esta-o-cisma-pelo-padre-jean-michel-gleize-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/02/IT575447B.jpg" alt="" width="516" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O cisma existe de fato. Mas não está onde alguns acreditam vê-lo.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/rapports-rome-fsspx/ou-est-le-schisme">La Porte Latine</a> </span>&#8211; Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/a-casa-geral-da-fsspx-anuncia-futuras-sagracoes/">anúncio das sagrações episcopais</a></span>, previstas para o próximo dia 1º de julho, não deixou ninguém indiferente. Especialmente porque a Carta endereçada em 18 de fevereiro passado ao Cardeal Fernández pelo Superior Geral da Fraternidade permaneceu, até agora, sem qualquer reação por parte de Roma. Diante deste silêncio de Roma, bispos se pronunciam: uns para censurar a iniciativa das sagrações, outros para justificá-la e defendê-la contra as censuras incorridas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As declarações de Dom Schneider são agora bem conhecidas.<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/d-athanasius-schneider-revela-detalhes-de-sua-audiencia-com-leao-xiv-e-fala-sobre-a-fsspx/"> Recebido em audiência em 18 de dezembro de 2025 pelo Papa Leão XIV, o bispo auxiliar de Astana já havia pleiteado a causa da Fraternidade São Pio X</a></span>. Posteriormente, em uma entrevista concedida em 17 de fevereiro ao jornalista Robert Moynihan, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/rome-et-la-fraternite-mgr-schneider-repond-au-cardinal-fernandez-57406">Dom Schneider opôs-se firmemente às declarações feitas pelo Cardeal Fernández</a> </span>ao Superior Geral da Fraternidade São Pio X durante o encontro de 12 de fevereiro — declarações tornadas públicas, pelas quais o Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé pretendia impor à Fraternidade a retomada de um diálogo que já se previa sem saída, e que teria como único efeito tangível adiar sine die a data das sagrações episcopais, em grande detrimento da salvação das almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 24 de fevereiro, Dom Schneider tornou público um &#8220;<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/exclusivo-d-athanasius-schneider-apela-ao-papa-leao-xiv-para-que-construa-uma-ponte-entre-roma-e-a-fsspx/">Apelo fraterno dirigido ao Papa Leão XIV</a></span>&#8220;: &#8220;<em>A Santa Sé</em>&#8220;, declara ele, &#8220;<em>deveria estar grata à FSSPX, pois ela é atualmente quase a única entidade eclesiástica de relevo a sublinhar aberta e publicamente a existência de elementos ambíguos e incorretos em certas declarações do Concílio e no Novus Ordo Missae. Nesta empreitada, a FSSPX é guiada por um amor sincero à Igreja: se não amasse a Igreja, o Papa e as almas, não empreenderia este trabalho, nem dialogaria com as autoridades romanas — e sua vida seria, sem dúvida, mais fácil&#8221;</em>. E concluiu que o Papa deveria conceder sem condições o mandato apostólico para as sagrações episcopais de 1º de julho de 2026. Por fim, em 9 de março passado, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-schneider-les-consecrations-episcopales-la-fsspx-ne-seront-aucun-cas-schismatiques-57822">em uma longa entrevista concedida ao jornalista Andreas Wailzer no canal de YouTube Kontrapunkt</a></span>, Dom Schneider afirma categoricamente que as sagrações episcopais não serão cismáticas, pois são a reação necessária e legítima exigida pela salvação das almas por parte da Fraternidade São Pio X.</span><span id="more-34504"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por sua vez, Dom Strickland, bispo emérito de Tyler,<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-strickland-loue-hautement-mgr-lefebvre-49411">já se tornara conhecido por seu elogio enfático a Dom Lefebvre e à Declaração de 21 de novembro de 1974</a></span>. Não contente em reconhecer o estado de necessidade na Igreja e justificar a atitude da Fraternidade São Pio X, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/uma-carta-de-dom-joseph-strickland/">o prelado dos Estados Unidos chega a legitimar as futuras sagrações episcopais anunciadas por Dom Davide Pagliarani</a></span>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estes dois prelados reconhecem, ambos, o estado de grave necessidade que assola a Igreja desde o Vaticano II. E, fato notável, ambos remontam também às causas profundas desta situação. Segundo eles, a crise generalizada que afeta toda a Igreja não se explica apenas por simples abusos provenientes de uma má aplicação das reformas empreendidas pelo Concílio ou na dependência deste. A crise encontra, antes de tudo, sua verdadeira explicação nas próprias reformas, na nova doutrina social baseada no falso princípio da liberdade religiosa, na nova eclesiologia ecumenista, na concepção colegialista e sinodalizante do governo da Igreja e na nova liturgia protestantizada. Assim, ambos os prelados dão inteira razão à obra empreendida por Dom Lefebvre para assegurar a sobrevivência da Igreja através da sobrevivência de seu sacerdócio. Sobrevivência da unidade da Igreja, contra todas as forças de dissolução que a ameaçam cada vez mais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De outro lado, seguindo o Cardeal Sarah, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://lesalonbeige.fr/fsspx-mgr-eleganti-conteste-linterpretation-de-mgr-schneider/">Dom Eleganti acaba de se manifestar</a></span> para denunciar &#8220;um estado de espírito e um comportamento cismáticos&#8221; na vontade de realizar as sagrações episcopais previstas para o próximo 1º de julho. Seu discurso apresenta-se como um desmentido ao de Dom Schneider. No entanto, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-eleganti-critique-fortement-vatican-ii-et-la-nouvelle-liturgie-54923">embora crítico como este último em relação às reformas oriundas do Concílio Vaticano II</a></span> (<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/mgr-eleganti-vatican-ii-ou-le-printemps-annonce-qui-na-jamais-eu-lieu-56019">leia também aqui</a></span>), o antigo bispo auxiliar de Coira recua diante das medidas de exceção a serem tomadas para garantir a sobrevivência da Igreja em sua fé e em seus costumes, face à corrupção generalizada da doutrina e da moral.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas onde está o cisma? &#8220;De acordo com o cânon 1325 do Código de Direito Canônico de 1917, no § 2&#8243;, explica o especialista em direito canônico Raoul Naz[1], o cisma atenta contra a unidade da Igreja &#8220;<em>porque supõe uma recusa sistemática e habitual de dependência. Ao contrário, a desobediência pode ser apenas um ato passageiro, sem que seu autor conteste de modo algum a autoridade da lei ou do legislador, ou queira subtrair-se a ela de forma habitual&#8221;</em>. Ora, é claro e comprovado que nem Dom Lefebvre nem seus sucessores à frente da Fraternidade jamais quiseram separar-se da unidade da Igreja, pois nunca quiseram recusar o princípio mesmo da dependência em relação a Roma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a Fraternidade é cismática, por que então todos esses contatos da Fraternidade com o Vaticano, com Roma? Por que, após a eleição de Leão XIV, o Superior Geral da Fraternidade escreveu ao Papa pedindo para encontrá-lo? Portanto, não apenas a Fraternidade nunca quis separar-se da unidade da Igreja em sua intenção, mas também, independentemente dessa boa intenção, o ato em si da sagração episcopal, tomado isoladamente e embora realizado aparentemente contra a vontade de Roma, não representa um cisma. Há cisma apenas se o bispo que sagra outros bispos tem a pretensão de lhes dar autoridade para governar, pois isso somente o Papa pode fazer. Sagrar bispos, mesmo contra a vontade do Papa, sem lhes conferir jurisdição, não é fazer um cisma, pois não é recusar em seu princípio o poder do Papa, que é a fonte da jurisdição. Dom Eleganti confunde tudo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cisma existe de fato. Mas não está onde Dom Eleganti acredita vê-lo. E está onde ele não o vê. O cisma é esse ecumenismo desenfreado perseguido com uma obstinação terrível pelo Papa Leão XIV. O que atenta gravemente contra a unidade da Igreja, com efeito, não são as sagrações de Ecône, é o ecumenismo, é o diálogo inter-religioso. Pois, tomadas em si mesmas, estas iniciativas supõem todas que a dependência em relação a Deus não passa necessariamente pela dependência em relação ao Vigário de Cristo, que é o Papa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em dezembro passado, durante sua viagem ao Líbano, o Papa Leão XIV disse, dirigindo-se ao mesmo tempo a cristãos católicos e muçulmanos: &#8220;Vossa presença aqui hoje, neste lugar notável onde os minaretes e as torres das igrejas se erguem lado a lado, mas ambos se elevam para o céu, testemunha a fé inabalável desta terra e a devoção sem falhas de seu povo ao Deus único. Aqui, nesta terra amada, que cada som de sino, cada adhān, cada apelo à oração se funda e se eleve em um só hino, não apenas para glorificar o Criador misericordioso do céu e da terra, mas também para elevar uma oração sincera pelo dom divino da paz&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Onde está o cisma?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">Nota:</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[1] Raoul Naz (1889–1977) é o especialista incontestado em Direito Canônico no século XX, autor de um clássico Dicionário de Direito Canônico, Letouzey et Ané, 1965, no sétimo volume do qual (col. 886 e seguintes) figura o verbete “Cisma”, do qual extraímos as seguintes considerações</span></p>
<p style="text-align: center;">***************************************</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO “ESPECIAL DOS ESPECIAIS” SOBRE TEMAS COMO CISMA, OBEDIÊNCIA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
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		<title>NOTA DISSONANTE</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 14:18:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Nicolas Cadiet]]></category>

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		<description><![CDATA[Leão XIV retoma o tema da unidade, tão caro ao Concílio Vaticano II. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est O Papa Leão XIV prosseguiu com suas catequeses de quarta-feira sobre os documentos do Concílio Vaticano II. Em 18 &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/nota-dissonante/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/03/Dance_of_Death_replica_modif.jpg" alt="" width="471" height="176" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Leão XIV retoma o tema da unidade, tão caro ao Concílio Vaticano II.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/fausse-note">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Papa Leão XIV prosseguiu com suas catequeses de quarta-feira sobre os documentos do Concílio Vaticano II. Em 18 de fevereiro, ele abordou a Constituição Dogmática <em>Lumen Gentium</em> sobre a Igreja, em particular sobre o tema da Igreja como “<em>sacramento… da unidade de todo o gênero humano</em>” (LG1). O Papa afirmou que o plano de Deus é “<em>unificar todas as criaturas através da ação reconciliadora de Jesus Cristo</em>”, realizada na Cruz. O efeito dessa ação é reunir as pessoas apesar das “<em>diferenças</em>”, derrubar os “<em>muros de separação entre indivíduos e grupos sociais</em>”. Este é o plano de Deus: “<em>o que Deus quis realizar para toda a humanidade</em>” é este mistério que “<em>se manifesta em experiências locais, que gradualmente se estendem a todos os seres humanos e até mesmo ao cosmos”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ênfase é, portanto, colocada fortemente na unidade dos homens (e até mesmo do universo), a ser restaurada apesar das &#8220;<em>fragmentações&#8221;</em>, como se fosse um fim em si mesma, respondendo ao anseio de unidade que habita no coração humano. Até mesmo a <em>&#8220;união com Deus</em>&#8221; é relacionada à &#8220;<em>união das pessoas humanas</em>&#8220;, que é seu reflexo: &#8220;<em>Tal é a experiência da salvação</em>&#8220;.</span><span id="more-34439"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem dúvida, nem o Concílio nem o Papa Leão XIV ignoram que o objetivo da vida humana é, antes de tudo, a união com Deus, iniciada pela caridade aqui na Terra e consumada no Céu(1). Mas então por que insistir tão exclusivamente na união dos homens entre si, uma união que, em última análise, nunca será completa?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, quando São Paulo fala da unidade do universo(2), é para nos lembrar que tudo se recapitula em Cristo Rei(3), porque “<em>todas as coisas são vossas, mas vós sois de Cristo, e Cristo de Deus</em>”(4). Ora, o Filho de Deus, que veio buscar a ovelha perdida, anuncia que alguns se recusam a voltar para Deus e que serão excluídos da unidade em Cristo: “<em>Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos</em>”(5).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A orientação do discurso da Igreja aos <em>“valores terrenos</em>”, esse <em>“interesse preponderante do Concílio pelos valores humanos e temporais</em> (6)”, acaba por levar a preferir a unidade a tudo o resto. A que preço? O acontecimento mais recente: a coincidência do início do Ramadã com a Quarta-feira de Cinzas torna-se um &#8220;<em>forte sinal de fraternidade</em>&#8220;, celebrado &#8220;<em>em uníssono (7)</em> &#8220;. Afirmar hoje que somente Jesus Cristo salva pode acabar soando como uma inoportuna nota dissonante. E, no entanto, “<em>não há salvação em nenhum outro</em>”(8).</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Pe. Nicolas Cadiet, FSSPX</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">(1) Veja LG 14 sobre aqueles que recusam, de fato ou mesmo em desejo, a filiação à Igreja.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(2) Ef 1 e 2, mas também Colossenses 1.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(3) Ef 1, 10</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(4) 1 Cor 3, 22-23</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(5) Mateus 25, 41</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(6) Paulo VI, discurso de encerramento do Concílio, 7 de dezembro de 1965.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(7) https://www.vaticannews.va/fr/eglise/news/2026–02/cote-d-ivoire-jeunecareme-unisson-signe-fort-fraternite-paix.html</span></p>
<p><span style="color: #000000;">(8) Atos 4,12</span></p>
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		<title>A PASCENDI EXPLICADA &#8211; LUZES DA ENCÍCLICA PARA OS CATÓLICOS DE HOJE</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2026 13:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Magistério]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[São Pio X]]></category>

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		<description><![CDATA[“Julgamos oportuno escrever-vos estas coisas, Veneráveis Irmãos, a bem da salvação de todos os fiéis.” Papa São Pio X Introdução: Cem anos depois: o modernismo ainda mata Quando voltei a ler a encíclica “Pascendi” (08/09/1907) de São Pio X, tive &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-pascendi-explicada-luzes-da-enciclica-para-os-catolicos-de-hoje/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://www.abim.inf.br/wp-content/uploads/2014/08/Sao-Pio-X-artigo-11.jpg" alt="PASCENDI — a monumental encíclica que fulminou a heresia modernista (PARTE  II) – Agência Boa Imprensa – ABIM" width="247" height="353" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"><em>“Julgamos oportuno escrever-vos estas coisas, Veneráveis Irmãos, a bem da salvação de todos os fiéis.” </em></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Papa São Pio X </span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Introdução: Cem anos depois: o modernismo ainda mata</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando voltei a ler a encíclica “<em>Pascendi</em>” (08/09/1907) de São Pio X, tive um profundo sentimento de agradecimento para com o último Papa canonizado. Esse documento é uma pedra angular na defesa verdadeira e equilibrada do catolicismo. Tem a assinatura de um Papa Santo, cheio de Fé e de Caridade. Lembra a voz do Bom Pastor, reconhecida pelas ovelhas. Lembra que não existe pregação caritativa da Verdade sem condenação explícita dos erros e heresias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O santo Papa do século XX nos entrega nesta encíclica um trabalho fundamental, preciso e paciente. Explica para os católicos, com uma precisão que maravilha, todo o sistema modernista. Define o erro com as palavras adequadas e mostra a raiz do mal. Encontrada a raiz do mal, as soluções e os remédios seguem naturalmente.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Prezado leitor, o modernista não é utópico, sonhador, idealista. Isso é a sua aparência exterior. O modernista é visceralmente orgulhoso. Orgulhoso na sua inteligência e também na sua vontade. O modernismo é um sistema que mente ao homem sobre a realidade da sua natureza. Atribui ao homem faculdades que não são de seu alcance. Diz assim que: “<strong>a <em>religião, no homem Jesus Cristo assim como em nós, é fruto inteiramente espontâneo da natureza</em></strong><em>.”. </em>E São Pio X conclui:<em> “Nada pode vir mais a propósito para dar cabo de toda a ordem sobrenatural.</em>”. Mas ao mesmo tempo o modernismo recusa reconhecer outras faculdades que são próprias a todos os homens quando conhecem uma coisa qualquer ou uma realidade. Nega a capacidade da inteligência humana de conhecer a natureza, a essência das coisas. Pela abstração a inteligência humana conhece muito mais do que a cor do pôr-do-sol! Conhece a beleza do pôr-do-sol. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dessa maneira, o modernista conhece apenas a cor da religião e nada de sua beleza e grandeza essencial. Conhecem ainda as palavras típicas da religião católica, mas sem poder dar definições definitivas a cada uma delas. Usam as palavras Missa, Deus, alma, graça, religião, fé, dogma, tradição para se servir delas e defini-las segundo a experiência religiosa de cada um! O modernismo não quer mais receber de Deus a religião, mas construir uma que o ‘elevará’ até a divinização do Homem pelo Homem.</span><span id="more-14259"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estimado leitor, como seria aparentemente terrível falar assim se um Santo Papa não o houvesse feito primeiro! São Pio X tinha motivos bem fundados para escrever essa encíclica, a saber, a gravidade sem precedente do mal descrito dentro da Igreja. Há cem anos que a ‘<em>Pascendi</em>’ foi escrita e o diagnóstico segue em pé. “<em>E o que exige que sem demora falemos, é antes de tudo que os fautores do erro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, esse precioso documento deve nos ajudar a atravessar a tempestade sem cair nos erros e nas armadilhas. O Evangelho que pregou Nosso Senhor Jesus Cristo deve ser o Evangelho pregado hoje pela Igreja católica fundada por Jesus Cristo. A pregação não se dirige aos mesmos homens, mas deve ser essencialmente a mesma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podemos fazer uma aplicação prática que manifesta a atualidade da encíclica ‘<em>Pascendi</em>’. Vejam por exemplo, neste documento fundamental da Igreja, como o modernismo desvirtua o culto católico, reduzido a um conjunto de sinais capazes de despertar sentimentos religiosos. Se oficialmente a Santa Missa é devolvida pelo Papa Bento XVI a muitos católicos, qual é a razão desse bem? Devolver à Santa Missa e a sua teologia o seu devido lugar, ou reconhecer a validade da experiência religiosa e da <strong>sensibilidade religiosa</strong> de muitos católicos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alguns vão responder também: os dois! Ou: um pouco dos dois! Mas os dois não são compatíveis. Um exclui o outro. A doutrina modernista exclui a doutrina católica. O que é errado exclui o verdadeiro! Agora, podemos também considerar, como o faz Dom Fellay na última carta aos amigos e benfeitores, que por ser incompatíveis um com o outro, uma presença publicamente e claramente autorizada da Verdade litúrgica no seio da Igreja, provocará também uma luta doutrinal contra o erro. Do lado dos modernistas o motivo pode ser pernicioso, mas do lado de Deus, esse mesmo motivo poderá ser não a causa, mas a ocasião de um bem maior. O homem nunca pode fazer um mal para que dele venha um bem, mas Deus sabe tornar o mal ocasião de bem. O pecado original, mal moral gravíssimo, foi a ocasião de dar para nós o divino Redentor, e a liturgia canta: “<em>Oh felix culpa</em>” na Vigília de Páscoa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, rezemos pela Igreja e por nós, e peçamos a São Pio X os dons do Espírito Santo que o animaram desde a sua juventude até sua santa morte e seu triunfo como santo no céu. Procuremos as graças escondidas nas chagas gloriosas do Salvador para discernir sempre entre o bem e o mal, e escolher o bem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padre Joël Danjou Nos 100 anos da Encíclica <em>Pascendi Dominici Gregis</em> do Papa São Pio X</span></p>
<p style="text-align: center;">*****************************</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>1) OS FUNDAMENTOS da filosofia religiosa modernista</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Dois princípios entrelaçados: Agnosticismo e imanência vital</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fundamento da filosofia religiosa modernista é o agnosticismo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo o agnosticismo, a razão humana só consegue conhecer fenômenos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“(&#8230;) <em>A razão humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenômenos, isto é, só das coisas perceptíveis e pelo modo como são perceptíveis</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pensando assim, o filósofo modernista diz que não pode conhecer a realidade como ela é, não conhece o que são as coisas. Não se trata mais de compreender a realidade, mas o que aparece.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, o homem estabelece primeiro, por ele mesmo, certa ciência da realidade conhecendo os fenômenos. E, depois, ele aplica este conhecimento imperfeito e superficial sobre a realidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dessa maneira, o agnosticismo diz que não conhece a realidade, mas admite um conhecimento sensível da realidade, os fenômenos. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por esse caminho, a conclusão lógica é a negação da existência de Deus. Se não consegue definir ou dizer o que é uma pêra ou uma maçã que vê, que poderá dizer de Deus que ninguém vê! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal homem, cuja inteligência pretende não poder dizer o que é a realidade, mas só designá-la ou qualificá-la, se torna prisioneiro e encarcerado em si mesmo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, tudo o que consegue dizer ou viver esse homem é uma expressão do que está nele. O homem diz às coisas o que são. Estamos no subjetivismo: O sujeito, o &#8220;eu&#8221; é afirmado em primeiro lugar, e daí se segue o resto!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Mas, então, por que um modernista não professa diretamente e imediatamente o ateísmo?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porque não nega o sensível. A religião pode observar-se também de maneira sensível: <em>Vejo uma pessoa rezar</em>! Logo, o filósofo modernista deve explicar esse fenômeno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Qual será a única resposta possível?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A religião vem do interior do homem (imanente = <em>in</em>&#8211;<em>manere</em> = dentro-permanecer = permanece dentro) e pertence aos fenômenos sensíveis. É o que a encíclica <em>Pascendi</em> chama de “<em>imanência vital</em>”. A religião é uma forma de vida humana (<em>vita</em> = vida, <em>vitalis</em> = vital) que nasce e permanece dentro dos homens, e procura e reage aos fenômenos. É, segundo os modernistas, uma necessidade do homem, ou, em outros termos, do coração humano. Há, no homem, uma necessidade do divino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fé modernista é a aceitação voluntária pela consciência desta necessidade do divino que o homem experimenta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fé é a resposta à necessidade do divino cuja origem exata não é conhecida. Não posso conhecer as coisas além do sensível, mas pela “fé”, aceito a realidade da experimentação deste “além”. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A experiência do divino é a única prova formal da sua existência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Explicação</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O filósofo modernista explica que o conhecimento da ciência e da história se mantém necessariamente entre dois limites.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“&#8230; <em>a ciência e a história, dizem eles, acham-se fechadas entre dois termos: um externo, que é o mundo visível; outro interno, que é a consciência</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além do mundo visível e da consciência “&#8230; <em>acha-se o incognoscível. Diante deste incognoscível, seja que ele se ache fora do homem e fora de todas as coisas visíveis, seja que ele se ache oculto na subconsciência do homem, a necessidade de um quê divino, sem nenhum ato prévio da inteligência</em>&#8230; (&#8230;)&#8230; <em>gera no ânimo já inclinado um certo sentimento particular&#8230;.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fato de descobrir a existência do incognoscível não corresponde a um ato da inteligência, mas a uma experiência religiosa. Assim, visito um convento, uma igreja, vejo um filme, escuto o testemunho de um convertido&#8230; e nasce em mim uma atitude interior, uma impressão que não consigo explicar, quer com os elementos do mundo visível, quer com a minha consciência atual das coisas e deste fenômeno!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que nasce então em mim é um certo sentimento que responde à necessidade de aderir ou aproximar-se deste misterioso “quê” divino. E considero tal sentimento essencial, porque é ele que, “&#8230; <em>de certa maneira, une o homem com Deus. É precisamente a este sentimento que os modernistas dão o nome de fé e tem-no como princípio de religião</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que é a Revelação, Deus que se revela, para o modernismo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para o modernismo a Revelação é o divino manifestado. Mas, manifestado adentro do homem. Segundo a encíclica <em>Pascendi</em>, a “Revelação” modernista, ou ao menos o seu princípio, é “<em>aquele sentimento religioso, que se manifesta na consciência</em>” (que chamam “fé”: assentimento da consciência à necessidade subconsciente do divino), ou “<em>também <strong><u>o mesmo Deus a manifestar-se às almas</u></strong></em>” pelo meio desta fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Revelação não é mais externa ao homem, assim como o ensina o catolicismo (A Revelação tem duas fontes: a Tradição e a Sagrada Escritura), mas interna, imediata, direta, sem intermediário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“&#8230; <em>sendo Deus ao mesmo tempo objeto e causa da fé, essa revelação é de Deus como objeto e também provém de Deus como causa; isto é, tem a Deus ao mesmo tempo como revelante e revelado. Segue-se daqui, Veneráveis Irmãos, a absurda afirmação dos modernistas, segundo a qual toda a religião, sob diverso aspecto, é igualmente natural e sobrenatural.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O natural pode ser ao mesmo tempo o sobrenatural! É contraditório.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há uma grave confusão e, logicamente, graves conseqüências: “<em>Segue-se daqui a promíscua significação que dão aos termos consciência e revelação. Daqui a lei que dá a consciência religiosa, a par com a revelação, como regra universal, à qual todos se devem sujeitar, inclusive a própria autoridade da Igreja, seja quando ensina seja quando legisla em matéria de culto ou de disciplina</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><u>A lei deve erigir a consciência religiosa como regra universal do agir</u></strong>. Desse ponto se segue que a liberdade de consciência e a liberdade religiosa não podem ter limites. <strong><u>Toda consciência humana é divinizada</u></strong>. Isto explica todo o concílio Vaticano II e o magistério pós-conciliar! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>O sentimento religioso, que por imanência vital surge dos esconderijos da subconsciência, é pois o gérmen de toda a religião e a razão de tudo o que tem havido e haverá ainda em qualquer religião</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“(&#8230;) <em>Fica-se pasmo em se ouvindo afirmações tão audaciosas e sacrílegas! Entretanto, Veneráveis Irmãos, não é esta linguagem usada temerariamente só pelos incrédulos. Homens católicos, até muitos sacerdotes</em> [<strong>E essa encíclica tem 100 anos!</strong>&#8230;]<em>, afirmaram estas coisas publicamente, e com delírios tais se vangloriam de reformar a Igreja. Já não se trata aqui do velho erro, que à natureza humana atribuía um quase direito à ordem sobrenatural. Vai-se muito mais longe ainda; <strong>chega-se até a afirmar que a nossa santíssima religião, no homem Jesus Cristo assim como em nós, é fruto inteiramente espontâneo da natureza</strong>. Nada pode vir mais a propósito para dar cabo de toda a ordem sobrenatural.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O que é a religião neste sistema?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A religião é o testemunho da resposta da consciência humana ao sentimento do divino em nós. <u>Todas as religiões</u> são eflorescências dessa necessidade do divino. E como há uma diversidade de expressões há também diversas religiões.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Temos, pois, assim a origem de toda a religião, até mesmo da sobrenatural; e estas não passam de meras explicações do sentimento religioso. Nem se pense que a católica é excetuada; está no mesmo nível das outras, pois não nasceu senão pelo processo de imanência vital na consciência de Cristo, homem de natureza extremamente privilegiada, como outro não houve nem haverá&#8221;, </em>Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>E o que é o dogma?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando a inteligência vai pensar e analisar esses sentimentos religiosos do homem, ela irá traduzir “<em>em representações mentais os fenômenos de vida, que nele aparecem, e depois os manifesta com expressões verbais</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em uma primeira etapa, a inteligência exprime esses sentimentos com proposições simples, mas “<em>depois, com reflexão e penetração mais íntima, ou, como dizem, elaborando o seu pensamento, exprime o que pensou com proposições secundárias, derivadas certamente da primeira, porém, mais polidas e distintas. Estas proposições secundárias, se forem finalmente sancionadas pelo supremo magistério da Igreja, constituirão o dogma</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O dogma é útil ao crente para que possa dar razão a sua fé. A inteligência do crente analisa a sua fé, a consciência do divino, e encontra fórmulas para determiná-lo. Porém, segundo a definição da fé modernista, a consciência do divino de ontem, de hoje e de amanhã, corresponde a diferentes experiências e percepções do sentimento religioso. O verdadeiro dogma modernista é necessariamente vivo e adaptado à expressão vital do religioso em mim! Ou seja, o dogma na sua formulação muda segundo as experiências variadas ou repetidas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, a Encíclica <em>Pascendi</em> mostra que tal dogma tem duas funções para o crente. Primeira, ser <u>símbolo</u> do divino intrínseco, mas símbolo sempre incompleto porque não se pode definir o que são as coisas. As fórmulas dogmáticas “<em>são expressões inadequadas</em>” do objeto do dogma. Segunda função, o dogma é também <u>instrumento</u> do homem para falar do divino aos outros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora, como todo conhecimento está limitado aos fenômenos sensíveis e a fé depende deles, na medida em que o dogma é a expressão desta fé, então o dogma deve variar tanto como as várias sensações religiosas do crente. Caso contrário não seria mais símbolo verdadeiro do divino!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E enquanto instrumento, pelo dogma, o homem deverá falar de maneira infinitamente variada do que está vivendo, do seu “vivido”. Em hipótese contrária seria a morte da religião! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Daí surge uma nova “tradição”</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O princípio da experiência religiosa é transmitido à Tradição. Ela é comunicação e transmissão da fé, ou seja, transmissão da experiência religiosa. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A nova tradição é a transmissão das experiências sensíveis vividas. E, enquanto vividas, pertencem imediatamente ao âmbito da religião. As experiências fixas, ao contrário, não são expressões da religião. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal tradição tem, portanto, uma virtude sugestiva. Provoca uma reação sensível, faz tomar consciência do vivido do homem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vemos, assim, por exemplo, como é justo dizer que o “carismatismo” é um modernismo organizado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, o modernista crente explica assim a presença da realidade divina na sua alma: “<em>Se, porém, procurarmos saber que fundamento tem esta asserção do crente, respondem os modernistas: é a experiência individual. — Com esta afirmação, enquanto na verdade discordam dos racionalistas, <u>caem na opinião dos protestantes e</u> <u>dos pseudo-místicos</u></em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Os sacramentos</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São sinais sensíveis que produzem (eles mesmos) uma “graça”, uma virtude sugestiva, que provoca uma reação sensível, que desperta o sentimento. O cristão é “interpelado” pelos ritos, pelos gestos, pelas palavras e pelos sinais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, para não perder a sua força sugestiva, o sacramento deve seguir interpelando o crente. Por isso a necessidade de poder variar os gestos, as palavras&#8230; e de reformar as reformas litúrgicas!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Do culto não haveria muito que dizer, se debaixo deste nome não se achassem também os Sacramentos, a respeito dos quais muito erram os modernistas. Pretendem que o culto resulta de um duplo impulso; pois que, como vimos, pelo seu sistema, tudo se deve atribuir a íntimos impulsos. O primeiro é dar à religião, alguma coisa de sensível; o segundo é a necessidade de propagá-la, coisa esta que se não poderia realizar sem uma certa forma sensível e sem atos santificantes, que se chamam Sacramentos. <strong>Os modernistas, porém, consideram os Sacramentos como meros símbolos ou sinais, bem que não destituídos de eficácia</strong>. E para indicar essa eficácia, servem-lhes de exemplo certas palavras que facilmente vingam, por terem conseguido a força de divulgar certas idéias de grande eficácia, que muito impressionam os ânimos. E assim como aquelas palavras são destinadas a despertar as referidas idéias, assim também o são os Sacramentos com relação ao sentimento religioso; nada mais do que isto. Falariam mais claro afirmando logo que os Sacramentos foram só instituídos para nutrirem a fé. Mas esta proposição é condenada pelo Concílio de Trento (Sess. VII, de Sacramentis in genere, cân.5): Se alguém disser que estes Sacramentos foram só instituídos para nutrirem a fé, seja anátema</em>.” (Pascendi – <em>o modernista teólogo</em>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A Igreja</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja nasce de duas necessidades:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Necessidade de comunicar sua fé aos outros</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Necessidade de organizar-se quando a fé é comum a vários, quando se torna coletiva, a fim de conservar e propagar esse tesouro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja, portanto, é o fruto da consciência religiosa coletiva, a reunião de todas as reações individuais. Um conjunto de pessoas que se juntam porque fazem experiências semelhantes do divino e que se organizam para proteger, desenvolver e dar a conhecer esse bem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, uma igreja é também um grupo de consciências que consta de uma mesma origem vital. Para os católicos, Jesus Cristo. Para os muçulmanos, Maomé, para certos protestantes, Lutero, para outros, Calvino, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Constituem-se grupos, faz-se “igreja” que é a consciência universal. E, é enquanto há “posta em comum”, que se constitui a Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Cumpre, entretanto, desde já, notar que, posta esta doutrina da experiência unida à outra do simbolismo, <strong>toda religião</strong>, não executada sequer a dos idólatras, <strong>deve ser tida por verdadeira</strong>. E na verdade, porque não fora possível o se acharem tais experiências em qualquer religião? E não poucos presumem que de fato já se as tenha encontrado. Com que direito, pois, os modernistas negarão a verdade a uma experiência afirmada, por exemplo, por um maometano? Com que direito reivindicarão experiências verdadeiras só para os católicos? E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras. É claro, porém, que eles não poderiam pensar de outro modo. Em verdade, postos os seus princípios, em que se poderiam porventura fundar para atribuir falsidade a uma religião qualquer? Sem dúvida seria por algum destes dois princípios: ou por falsidade do sentimento religioso, ou por falsidade da fórmula proferida pela inteligência. Ora, o sentimento religioso, ainda que às vezes menos perfeito, é sempre o mesmo; e a fórmula intelectual para ser verdadeira basta que corresponda ao sentimento religioso e ao crente, seja qual for a força do engenho deste. <strong>Quando muito, no conflito entre as diversas religiões, os modernistas poderão sustentar que a católica tem mais verdade, porque é mais viva, e <u>merece mais o título de cristã</u>, porque mais completamente corresponde às origens do cristianismo</strong>. &#8211; A ninguém pode parecer absurdo que estas conseqüências todas dimanem daquelas premissas. <strong>Absurdíssimo é</strong>, porém, que católicos e sacerdotes que, como preferimos crer, têm horror a tão monstruosas afirmações, se ponham quase em condição de admiti-las.&#8221;, </em>Pascendi &#8211; O modernista crente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A autoridade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como qualquer organização, essa igreja vai precisar de um chefe. Mas essa autoridade deverá estar, sobretudo, atenta às experiências, ouvindo essas experiências individuais de cada um para não desfigurar a consciência coletiva do grupo, estar ao serviço de cada um para nutrir seus sentimentos religiosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por exemplo: Encontrar o rito que melhor convém a cada um, mas conservando ao mesmo tempo a unidade do grupo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para que o grupo fique unido, para evitar uma dissociação que diminui a força do sentimento coletivo, essa autoridade pode e deve condenar o que representa um perigo para esta unidade coletiva a fim de preservar a consciência universal que é a fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por exemplo: A autoridade dará um golpe contra a teologia da libertação quando considera que exagera no progressismo, e outro golpe contra Dom Lefebvre que exageraria na sua fidelidade (“fixista”) à Igreja de sempre! Assim, a autoridade não passa de um simples serviço vital de organização e de controle. O Papa só toma o “pulso” universal do grupo a fim de prever e evitar abusos mortais à consciência coletiva e preservar sua identidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, no modernismo, o chefe religioso é um ‘organizador de compartilhamento’. Não há mais autoridade propriamente dita. A autoridade não vem mais de Deus imediatamente. “<em>Assim como a Igreja emanou da coletividade das consciências, a autoridade emana virtualmente da mesma Igreja. A autoridade, portanto, da mesma sorte que a Igreja, nasce da consciência religiosa, <u>e por esta razão fica dependente da</u> <u>mesma</u></em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a autoridade esquece ou parece desprezar essa consciência religiosa estará legitimamente declarada tirânica, retrógrada ou ultra conservadora!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Quanto às relações da Igreja com as sociedades temporais, os estados temporais, elas estão inevitáveis.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A regra de atuar nesta matéria deverá considerar a natureza e o fim de cada uma destas sociedades. Quanto à natureza, os modernistas recusam seguir a doutrina multissecular da Igreja, que ensina que Ela é instituída diretamente por Deus. Para eles, a Igreja e o Estado são sociedades feitas pelo homem e que respondem essencialmente a diferentes necessidades do homem. Ora, mesmo assim, observam que os fins e objetivos de cada uma delas são essencialmente distintos. Fim espiritual para a Igreja, fim temporal para o Estado. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como conseqüência, temos, segundo os modernistas, duas sociedades existindo e necessitadas pelo bem do ‘homem total’ e cujos objetivos são efetivamente e absolutamente distintos. Daí, Deus estando afastado das suas constituições essenciais, não se pode falar da superioridade de uma sobre a outra. Cada uma deverá certamente respeitar a outra, mas não será mais admitido ensinar que o temporal possa ser subordinado ao espiritual. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Falava-se outrora do temporal sujeito ao espiritual, de questões mistas, em que a Igreja intervinha qual senhora e rainha, porque então se tinha a Igreja como instituída imediatamente por Deus, enquanto autor da ordem sobrenatural. Mas estas crenças já não são admitidas pela filosofia, nem pela história. Deve, portanto, a Igreja separar-se do Estado, e assim também o católico do cidadão.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Reclamando então a separação da Igreja e do Estado, os modernistas reclamam necessariamente também a separação do católico e do cidadão, do católico na sua vida privada e do católico na vida pública. Mas esta separação e aparente igualdade de tratamento levam necessariamente à submissão do espiritual ao temporal!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, a cada instante o católico dará a impressão de entrar no terreno do outro! Ser católico unicamente na vida privada significa ser invisível na vida pública! E isto não se consegue sem esconder as necessárias conseqüências visíveis da religião! Mas como é absolutamente impossível evitar toda manifestação pública exterior da religião, a Igreja deverá aceitar submeter-se ao Estado nestas circunstâncias! Culto, sacramentos (matrimônio!), atividades eclesiásticas, questões morais, todas essas manifestações exteriores da religião entram também no âmbito temporal das sociedades. O Estado separado da Igreja reclamará então a submissão da Igreja à suas decisões nestas matérias públicas! Lógica fria! Mas lógica!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>No entanto, à escola dos modernistas não basta que o Estado seja separado da Igreja. Assim como a fé deve subordinar-se à ciência, quanto aos elementos fenomênicos, assim também nas coisas temporais a Igreja tem que sujeitar-se ao Estado. Isto não afirmam talvez muito abertamente; mas por força de raciocínio são obrigados a admiti-lo. Em verdade, admitido que o Estado tenha absoluta soberania em tudo o que é temporal, se suceder que o crente, não satisfeito com a religião do espírito, se manifeste em atos exteriores, como, por exemplo, em administrar ou receber os Sacramentos, isto já deve necessariamente cair sob o domínio do Estado. Postas as coisas neste pé, para que servirá a autoridade eclesiástica? Visto que esta não tem razão de ser sem os atos externos, estará em tudo e por tudo sujeita ao poder civil. É esta inelutável conseqüência que leva muitos dentre os protestantes liberais a desembaraçar-se de todo o culto externo e até de toda a sociedade religiosa externa, procurando pôr em voga uma religião, que chamam individual. — E se os modernistas, desde já, não se atiram francamente a esses extremos, insistem pelo menos em que a Igreja se deixe espontaneamente conduzir por eles até onde pretendem levá-la e se amolde às formas civis.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o ‘<em>modernista reformador</em>’ insiste: “<em>Deve mudar-se a atitude da autoridade eclesiástica nas questões políticas e sociais, de tal sorte que não se intrometa nas disposições civis, mas procure amoldar-se a elas, para penetrá-las no seu espírito”, </em>Pascendi. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A encíclica denuncia claramente essas idéias que, infelizmente, triunfaram nos anos sessenta no concílio Vaticano II. Hoje, a hierarquia modernista de nosso século nascente chora e se lamenta frente à invasão planetária do aborto e de tantos outros males públicos, mas não quer enxergar as causas que ela mesma promoveu e edificou!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O princípio radical do modernismo: A evolução de tudo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como vimos, o modernismo tem um quadro e certos limites, mas o seu fundamento seguro é o âmbito do sensível, os fenômenos. Ora, o sensível é variável. Logo, o modernismo reclamará, como uma necessidade e uma condição absoluta, uma religião evolutiva. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Têm eles por princípio geral que numa religião viva, tudo deve ser mutável e mudar-se de fato. Por aqui abrem caminho para uma das suas principais doutrinas, que é a evolução. O dogma, pois, a Igreja, o culto, os livros sagrados e até mesmo a fé, se não forem coisas mortas, devem sujeitar-se às leis da evolução. Quem se lembrar de tudo o que os modernistas ensinam sobre cada um desses assuntos, já não ouvirá com pasmo a afirmação deste princípio. Posta a lei da evolução, os próprios modernistas passam a descrever-nos o modo como ela se efetua. E começam pela fé. Dizem que a forma primitiva da fé foi rudimentar e indistintamente comum a todos os homens; porque se originava da própria natureza e vida do homem. Progrediu por evolução vital; quer dizer, não pelo acréscimo de novas formas, vindas de fora, mas por uma crescente penetração do sentimento religioso na consciência</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta evolução é considerada boa porque é o resultado de uma oposição frutuosa entre uma força conservadora e outra progressista.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Estudando, pois, mais a fundo o pensar dos modernistas, deve-se dizer que a evolução é como o resultado de duas forças que se combatem, sendo uma delas progressiva e outra conservadora. A força conservadora está na Igreja e é a tradição. O exercício desta é próprio da autoridade religiosa, quer de direito, pois que é de natureza de toda autoridade adstringir-se o mais possível à tradição; quer de fato, pois que, retraída das contingências da vida, pouco ou talvez nada sente dos estímulos que impelem ao progresso. Ao contrário, a força que, correspondendo às necessidades, arrasta ao progresso, oculta-se e trabalha nas consciências individuais, principalmente naquelas que, como eles dizem, se acham mais em contato com a vida. — Neste ponto, Veneráveis Irmãos, já se percebe o despontar daquela perniciosíssima doutrina que introduz na Igreja o laicato como fator de progresso. De uma espécie de convenção entre as forças de conservação e de progresso, isto é, entre a autoridade e as consciências individuais, nascem as transformações e os progressos. As consciências individuais, ou pelo menos algumas delas, fazem pressão sobre a consciência coletiva; e esta, por sua vez, sobre a autoridade, obrigando-a a capitular e pactuar.</em>”, Pascendi. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O progresso vem dos compromissos e das transações entre as duas forças! A base pressiona a autoridade que pode assim colecionar as reações individuais. Se a pressão se desenvolve e se torna mais viva, a autoridade deverá tomar conta dela e, assim, modificar as posições do momento presente para outras, novas e mais adaptadas à consciência coletiva.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É um equilíbrio sempre instável, não perdura, o seu destino é mudar sempre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste contexto, quando um pseudo-teólogo, modernista ou progressista demais, está publicamente repreendido, ele é imediatamente considerado pelos colegas como vítima necessária do progresso. Ele mesmo proclama não poder entender que a Igreja o condena quando favorece o seu bem, o seu progresso!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Traçado este caminho, eles continuam; continuam, com desprezo das repreensões e condenações, ocultando audácia inaudita com o véu de aparente humildade. Simulam finalmente curvar a cabeça; mas, no entanto a mão e o pensamento prosseguem o seu trabalho com ousadia ainda maior. E assim avançam com toda a reflexão e prudência, tanto porque estão persuadidos de que a autoridade deve ser estimulada e não destruída, como também porque precisam de permanecer no seio da Igreja, para conseguirem pouco a pouco assenhorear-se da consciência coletiva, transformando-a; mal percebem porém, quando assim se exprimem, que estão confessando que a consciência coletiva diverge dos seus sentimentos, e que portanto não têm direito de declarar-se intérpretes da mesma.</em>”, Pascendi. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O sistema modernista está então claramente apoiado sobre princípios determinados: agnosticismo, imanência vital, evolucionismo. Mas a conseqüência concreta destes princípios desastrosos e caóticos é necessariamente confusa e nebulosa. Daí a impressão que têm os católicos de que o modernismo não tem bases claras e sólidas. Mas não é assim.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Imaginemos encontrar um homem jogando pela janela, um atrás do outro, todos os livros da sua biblioteca. “Perdeu a cabeça”, dizem os sensatos! “Deve estar todo confuso!” “Não se dá mais conta do que está fazendo!” Mas ele poderia responder no seu interior: “Confuso? Eu? Não! Estou apenas procurando uma citação de alguém que possa exprimir o sentimento que sinto vibrar agora dentro de mim! O resto não vale mais nada!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Até o novo direito humano: o direito de contradizer Deus</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A última conseqüência do sistema modernista será a legitimação necessária de afirmações contraditórias. A religião do sentimento divino imanente leva necessariamente a sentir hoje o que não sentia assim ontem. Mas os dois sentimentos são válidos no seu contexto, no seu tempo!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“(&#8230;) <em>Posto isto, que será dos dogmas da Igreja? Também estes estão cheios de evidentes contradições; mas, além de serem aceitos pela lógica da vida, não se acham em oposição com a verdade simbólica; pois, neles se trata do infinito, que tem infinitos aspectos. Enfim, tanto eles aprovam e defendem essas teorias, que não põem dúvida em declarar que se não pode render ao Infinito maior preito de homenagens, do que afirmando acerca do mesmo coisas contraditórias! <u>E admitindo-se a contradição, que é</u> <u>o que se não admitirá?</u></em>”, Pascendi </span></p>
<h1 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2) AS CAUSAS DO MODERNISMO</span></h1>
<h2 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2.1) Causas morais: <u>Curiosidade</u> e <u>orgulho</u></span></h2>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A perversão do espírito é evidentemente a mais grave. Tal perversão tem duas causas principais, a curiosidade sem regras &#8211; ou o amor das novidades &#8211; e o orgulho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>O amor de novidades basta por si só para explicar toda a sorte de erros.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto ao orgulho, este se manifesta já na própria raiz do modernismo, quando pretende elevar-se para dominar o real e não estar mais submisso a ele. É certamente poderosa a razão humana, mas foi feita para ser submissa ao real. Quanto mais a inteligência conhece o real, mais se abre e se desabrocha. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem não deve dizer “penso, então o real é assim”, mas, “penso que o real é assim”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Por orgulho, esquecidos de si mesmos, pensam unicamente em reformar os outros, sem respeitarem nisto qualquer posição, nem mesmo a suprema autoridade. <strong>Para se chegar ao modernismo não há, com efeito, caminho mais direto do que o orgulho</strong>. Se algum leigo ou também algum sacerdote católico esquecer o preceito da vida cristã, que nos manda negarmos a nós mesmos para podermos seguir a Cristo, e se não afastar de seu coração o orgulho, ninguém mais do que ele se acha naturalmente disposto a abraçar o modernismo!</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma conseqüência concreta desta disposição errada e perversa é a recusa da autoridade que representa o real, o que é. Daí surge inevitavelmente o velho conflito entre liberdade e autoridade. E daí também as fortes recomendações e ordens do Papa São Pio X: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Seja portanto, Veneráveis Irmãos, o vosso primeiro dever resistir a esses homens soberbos, ocupá-los nos misteres mais humildes e obscuros, a fim de serem tanto mais deprimidos quanto mais se enaltecem, e, postos na ínfima plana, tenham menor campo a prejudicar. Além disto, por vós mesmos ou pelos reitores dos seminários, procurai com cuidado conhecer os jovens que se apresentam candidatos às fileiras do clero; e se algum deles for de natural orgulhoso, riscai-o resolutamente do número dos ordinandos. Neste ponto, quisera Deus que se tivesse sempre agido com a vigilância e fortaleza que era mister!</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O orgulho de um modernista &#8211; Um exemplo histórico</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>&#8220;Teólogo&#8221; do Concílio Vaticano II, o padre Yves Congar reconhece que a liberdade religiosa não existe mas prefere inventá-la falsamente! </em></strong> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Eu contribuí aos últimos parágrafos da declaração Dignitatis Humanae (Vaticano II – Declaração sobre a liberdade religiosa) – os quais menos me satisfazem. <u>Tratava-se de mostrar que o tema da liberdade religiosa já aparecia nas Escritura</u>. <strong><u>Ora, não aparece aí</u></strong>. <strong><u>Então</u></strong>, eu trabalhei com dois biblistas, um jesuíta, o Padre Lyonnet, e um dominicano, o Padre Bento, da Escola Bíblica de Jerusalém. Nós nos esforçamos em mostrar como Jesus mesmo não tinha sido violento” </em>(Padre Yves Congar, OP, co-fundador em 1965 da revista modernista <em>Concilium,</em> <em>apud “</em>À direita do Pai”, 1994)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pela curiosidade e o orgulho a inteligência está descontrolada e quer saber tudo por si mesma. Há, então, no fundamento do modernismo, uma verdadeira disposição habitual de má vontade, mais ou menos consciente ou voluntária, muito difícil de corrigir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.2) Causa intelectual: <u>a ignorância</u></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A aliança de uma falsa filosofia com a fé produz todo um sistema falso. Esse sistema encontra três grandes obstáculos que os modernistas intentam desprezar, silenciar ou corromper.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Três obstáculos incomodam sobremaneira os modernistas:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">A filosofia escolástica e o “<em>método escolástico de raciocinar</em>”</span></li>
<li><span style="color: #000000;">A autoridade dos Padres com a Tradição</span></li>
<li><span style="color: #000000;">O magistério eclesiástico</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Saibamos observar como os modernistas usando os Padres da Igreja têm habitualmente o objetivo de opô-los explicitamente ou implicitamente aos santos teólogos escolásticos (cujo mestre e doutor comum é santo Tomás de Aquino). Costumam citar os primeiros para fazer pensar que os outros são secos e frios, sem contato direto com o “vivido”. Explicaremos esta impressão quando falarmos dos remédios para modernismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Também usarão os escritos dos Santos Padres, sem a luz da Igreja para compreendê-los corretamente. Porém, são precisamente os esclarecimentos dos escolásticos, dos tomistas, que permitem saborear com prudência e com bons frutos esses escritos influenciados pela filosofia outrora dominante, o platonismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não esqueçamos que os modernistas têm uma visão extremamente falsa da Tradição, reduzida a uma comunicação da experiência religiosa. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>São também muito astuciosos em desvirtuar a natureza e a eficácia da Tradição, a fim de privá-la de todo o peso e autoridade. Porém, nós, os católicos, teremos sempre do nosso lado a autoridade do segundo Concílio de Nicéia, que condenou «aqueles que ousam&#8230;, à maneira de perversos hereges, desprezar as tradições eclesiásticas e imaginar qualquer novidade&#8230; ou pensar maliciosa e astutamente em destruir o que quer que seja das legítimas tradições da Igreja católica».</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vemos assim que o magistério tradicional incomoda e bloqueia as afirmações e conclusões dos modernistas. “<em>Põem, finalmente, todo o empenho em diminuir e enfraquecer o magistério eclesiástico, ora deturpando-lhe sacrilegamente a origem, a natureza, os direitos, ora repetindo livremente contra ele as calúnias dos inimigos.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, apesar da noção distorcida que têm do magistério, quando séculos de ensino e escritos da hierarquia eclesiástica condenam e contradizem o que pensam, escrevem e pregam, não encontram outro remédio senão recorrer a “lei do silêncio”. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Em vista disto, Veneráveis Irmãos, não é para admirar que os católicos, denodados defensores da Igreja, sejam alvo do ódio mais desapoderado dos modernistas. Não há injúria que lhes não atirem em rosto; mas de preferência os chamam ignorantes e obstinados. Se a erudição e o acerto de quem os refuta os atemoriza, procuram descartá-lo, recorrendo ao silêncio.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.3) Mais duas notas e causas do modernismo!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Os que têm costume de <em>escrever com demais liberdade</em> ou precipitação.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal costume resulta de uma falta de rigor e de trabalho. O leigo ou o clero que atua assim vai deixando mais facilmente de lado os princípios e procura naturalmente fazer “algo novo”, diferente, para ser lido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Lamentamos esses muitos que, embora não se tenham adiantado tanto, tendo contudo respirado esse ar infeccionado, já pensam, falam e escrevem com tal liberdade, que em católicos não assenta bem. Vemo-los entre os leigos; vemo-los entre os sacerdotes; e, quem o diria? Vemo-los até no seio das famílias religiosas</em>.”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>O mau espírito</em> que anima os modernistas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é o aspecto mais visível, mas é gravíssimo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Podem estar eles na persuasão de fazerem coisa agradável a Deus e à Igreja; na realidade, porém, ofendem gravemente a Deus e à Igreja, se não com suas obras, de certo com o espírito que os anima e com o auxílio que prestam ao atrevimento dos modernistas.</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vemos neste caso que é a prática que vai revelar claramente ou desmascarar os modernistas. Os católicos devem preservar-se e proteger-se deste mau espírito. Devem conhecer e aprender a reconhecer os bons livros, lê-los e voltar também a lê-los de vez em quando para lembrar os grandes princípios e esclarecer as idéias pervertidas pelas máximas do mundo. </span></p>
<h1 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3) OS REMÉDIOS</span></h1>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após uma detalhada analise do sistema modernista e de suas causas, São Pio X não deixa a Igreja sem esperança e grandes remédios. O Bom Pastor denuncia os erros e sara as almas. Não foge diante do modernismo e de seus falsos ensinos como o mercenário diante do lobo. Não ensina tampouco que o lobo é um amigo! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nos remédios que resumimos aqui, podemos também reconhecer ainda que quem lê São Pio X, seja modernista ou católico, não precisa de uma segunda leitura ‘<em>com a lupa</em>’ para entender ou interpretar o que está afirmado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.1) A filosofia escolástica</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “<em>No que se refere aos estudos, queremos em primeiro lugar e mandamos terminantemente, que a filosofia escolástica seja tomada por base dos estudos sacros</em>” (&#8230;) “<em>O que importa saber, antes de tudo, é que a filosofia escolástica, que mandamos adotar, é principalmente a de Santo Tomás de Aquino; a cujo respeito queremos fique em pleno vigor tudo o que foi determinado pelo Nosso Predecessor e, se há mister, renovamos, confirmamos e mandamos severamente sejam por todos observadas aquelas disposições. Se isto tiver sido descuidado nos seminários, insistam e exijam os Bispos que para o futuro se observe. Tornamos extensiva a mesma ordem aos Superiores das Ordens religiosas. E todos aqueles que ensinam fiquem cientes de que não será sem graves prejuízos que especialmente em matérias metafísicas, se afastarão de Santo Tomás. Fundamentada assim a filosofia, sobre ela se erga com a maior diligência o edifício teológico</em>.”, Pascendi<em>.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A teologia escolástica dogmática estuda a Verdade, Deus, sem fazer considerações históricas. É o trabalho e os raciocínios da inteligência iluminada pelos dados da Fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A teologia chamada “positiva” estuda também Deus, mas a partir dos escritos históricos e suas circunstâncias. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As tentativas modernistas quanto à teologia positiva consistem em exagerar a sua faceta viva. A história conta fatos vividos. Logo, dizem que a teologia positiva estuda a Fé vivida. Daí, para os modernistas, será muito fácil dar mais um passo dizendo que a fé fundada e verdadeira é só uma fé vivida e legitimar o falso princípio da necessária evolução desta fé. E inevitavelmente chegam assim a relativizar a Verdade! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outra conseqüência imediata desse desvio será a repugnância com relação à escolástica, acusada implicitamente de estudar uma fé morta!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma aplicação concreta desta atitude modernista foi o caso dos catecismos! Os catecismos seguindo o método tradicional, com boa doutrina (!!!) e com perguntas e respostas, método aconselhadíssimo e usado por São Pio X, desapareceram nos anos sessenta após o concílio Vaticano II. Considerados secos e inaptos, foram substituídos por outros com desenhos (muitos deles horríveis) e textos teoricamente mais vivos e bem adaptados à juventude! O resultado é hoje visível&#8230; um imenso vazio onde entraram facilmente abundantes seitas de qualquer espécie.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Terminemos então este parágrafo lembrando que o papel da teologia positiva é de ajudar e confirmar a teologia dogmática, e não de incitar o teólogo ou os leigos a criticar ou desprezar a escolástica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.2) A exclusão dos modernistas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Papa São Pio X reclama uma grande vigilância: “<em>Todo aquele que tiver tendências modernistas, seja ele quem for, deve ser afastado quer dos cargos quer do magistério; e se já tiver de posse, cumpre ser removido. Faça-se o mesmo com aqueles que, às ocultas ou às claras, favorecerem o modernismo, louvando os modernistas, ou atenuando-lhes a culpa, ou criticando a escolástica, os Santos Padres, o magistério eclesiástico, ou negando obediência a quem quer que se ache em exercício do poder eclesiástico</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Não deve ser menor a vossa vigilância e severidade na escolha daqueles que devem ser admitidos ao Sacerdócio. Longe, muito longe do clero esteja o amor às novidades; Deus não vê com bons olhos os ânimos soberbos e rebeldes! — A ninguém doravante se conceda a láurea da teologia ou direito canônico, se primeiro não tiver feito todo o curso de filosofia escolástica</em>”, Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.3) As publicações autorizadas ou proibidas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como diz São Pio X, o modernista reformador reclama que : « <em>Também devem ser transformadas as Congregações romanas, e antes de todas, as do Santo Ofício e do Índice. »,</em> Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, São Pio X é Papa e portanto rege, ensina e santifica. Conseqüentemente, decide proteger os sacerdotes e os fiéis instituindo, além do ‘Índice’ instaurado pelo Concílio de Trento, a ‘<em>imprimatur</em>’. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Acresce também saber que, assim como todo e qualquer alimento não serve igualmente para todos, da mesma sorte um livro que pode ser inocente num lugar, já noutro, por certas circunstâncias, pode tornar-se nocivo.”, </em>Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“No entanto não basta impedir a leitura ou a venda de livros maus; cumpre, outrossim, impedir-lhes a impressão. Usem pois, os Bispos a maior severidade em conceder licença para impressão. — E visto como é grande o número de livros que, segundo a Constituição Officiorum, hão mister da autorização do Ordinário, é costume em certas dioceses designar, em número conveniente, Censores, por ofício, para o exame dos manuscritos. Louvamos com efusão de ânimo essa instituição de censura; e não só exortamos, mas mandamos que se estenda a todas as dioceses. Haja, portanto, em todas as Cúrias episcopais censores para a revisão dos escritos em via de publicação”, </em>Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>O Censor dará o seu parecer por escrito. Se for favorável, o Bispo permitirá a impressão com a palavra ‘Imprimatur’, que deverá ser precedida do ‘Nihil obstat’ e do nome do Censor.”,</em> Pascendi.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>CONCLUSÃO do Papa São Pio X</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Julgamos oportuno escrever-vos estas coisas, Veneráveis Irmãos, a bem da salvação de todos os fiéis. Por certo os inimigos da Igreja hão de valer-se disto, para de novo repisarem a velha acusação, com que procuram fazer-Nos passar por inimigos da ciência e dos progressos da civilização”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“(&#8230;) <em>Queira Deus secundar os Nossos desígnios, e auxiliarem-nos todos quantos têm verdadeiro amor à Igreja de Jesus Cristo. – Entretanto, Veneráveis Irmãos, para vós, em cuja obra e zelo tanto confiamos, pedimos de coração a plenitude das luzes celestiais, afim de que, nesta época de tão grande perigo para as almas, devido aos erros que de toda parte se infiltram, descortineis o que deveis fazer e o executeis com todo o ardor e fortaleza. Que vos assista com seu poder Jesus Cristo, autor e consumidor da fé; que vos assista com o seu socorro a Virgem Imaculada, destruidora de todas as heresias. E Nós, como penhor da Nossa afeição e como arras das divinas consolações no meio de vossos trabalhos, de coração vos damos a vós, ao vosso clero, e ao vosso povo a Benção Apostólica. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Dado em Roma, junto a São Pedro, no dia 8 de setembro de 1907, no quinto ano do Nosso Pontificado. PIO X, PAPA.”</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pelo Pe. Joël Danjou, FSSPX(*)</strong></span></p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: justify;">(*) Hoje o Pe. Danjou não se encontra mais na FSSPX</p>
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