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	<title>DOMINUS EST &#187; Heresia</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>VATICANO: MONS. BUX PEDE ESCLARECIMENTOS SOBRE AS MEDIDAS TOMADAS EM RELAÇÃO À SRA. MULLALLY</title>
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		<pubDate>Tue, 05 May 2026 14:09:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Heresia]]></category>

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		<description><![CDATA[Os recentes acontecimentos que se desenrolaram durante a visita a Roma de Sarah Mullally, primaz da Comunhão Anglicana, suscitaram uma reação crítica por parte dos meios teológicos. O padre e teólogo Dom Nicola Bux alertou para uma possível “confusão” entre &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/vaticano-mons-bux-pede-esclarecimentos-sobre-as-medidas-tomadas-em-relacao-a-sra-mullally/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/bux_mullally_2026.jpg?itok=stFqobu8" alt="" width="580" height="336" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Os recentes acontecimentos que se desenrolaram durante a <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/leao-xiv-e-a-sra-mullaly-pelo-pe-jean-michel-gleize/">visita a Roma de Sarah Mullally,</a></span> primaz da Comunhão Anglicana, suscitaram uma reação crítica por parte dos meios teológicos. O padre e teólogo Dom Nicola Bux alertou para uma possível <em>“confusão”</em> entre os fiéis devido a certos gestos realizados no Vaticano na presença da líder anglicana.</span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <a href="https://fsspx.news/fr/news/vatican-mgr-bux-demande-une-clarification-pour-les-gestes-envers-mullally-58891"><span style="color: #0000ff;">DICI</span> </a>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Dom Bux publicou um post curto, mas incisivo, no blog </span><em><span class="tm8">Stilum Curiae</span></em><span class="tm7">, no qual questiona esse ato e considera, em particular, as consequências desastrosas que ele acarreta.</span></span></p>
<p class="tm5 tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm11">Uma visita insignificante</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm12" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Este blog já havia criticado a incoerência da Santa Sé e do Papa Leão XIV, que tratou a Sra. Mullally como se fosse um arcebispo e um primaz. Apesar de toda a benevolência que se possa ter, essa recepção é um escândalo no sentido mais forte do termo: é fonte de pecado para os cristãos fiéis.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Em primeiro lugar, e no que diz respeito à doutrina católica, porque a Igreja não reconhece a validade das ordenações anglicanas. Da mesma forma, a Igreja ensina de forma definitiva que não recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo o poder de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres.</span><span id="more-34756"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Mas também no que diz respeito à Comunhão Anglicana. Por um lado, porque esta é doutrinariamente herética e resultou do cisma do rei da Inglaterra Henrique VIII em 1534. Por outro lado, porque a maioria dos anglicanos se recusa a reconhecer a Sra. Mullally como arcebispa ou “primaz”.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Essa é, notavelmente, a posição da </span><em><span class="tm8">Global South Fellowship of Anglican Churches</span></em><span class="tm7">, que representa cerca de 75% dos 110 milhões de anglicanos em todo o mundo. Em suma, a legitimidade da Sra. Mullally é mais do que contestada.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Por fim, a personalidade de Sarah Mullally é problemática, pois ela apoiou e acompanhou as mudanças mais graves do anglicanismo contemporâneo: bênçãos a casais homossexuais, linguagem de afirmação identitária e posições ambíguas sobre o aborto.</span></p>
<p class="tm5 tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm11">Ações inconsistentes</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm12" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Imagens divulgadas nos últimos dias mostram Mullally realizando gestos associados à autoridade espiritual, como bênçãos na presença de fiéis católicos e prelados, o que levantou questionamentos legítimos.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O ápice dessa inconsistência foi, sem dúvida, o momento em que Mons. Flavio Pace, secretário do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, fez o sinal da cruz como se estivesse recebendo a bênção da líder anglicana.</span></p>
<p class="tm5 tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm11">Uma contradição doutrinal</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm12" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Dom Nicola Bux, defensor da Missa Tridentina, respondeu com uma postagem incisiva no blog </span><em><span class="tm8">Stilum Curiae</span></em><span class="tm7">. Ele enfatizou a invalidade das ordenações anglicanas, lembrando que muitos pastores anglicanos convertidos foram ordenados sacerdotes da Igreja Católica, demonstrando assim a invalidade do sacramento da ordem na Igreja cismática da Inglaterra.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm12" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O que contradiz a mensagem de felicitações do Papa que o cardeal Kurt Koch transmitiu a Sara Mullaly, por ocasião de sua eleição, uma vez que ela não pode ser bispa por ter sido ordenada anglicana, mas também por ser mulher. Ele ressalta ainda que ela nem mesmo é a Primaz de Canterbury, uma vez que dois terços da Comunhão Anglicana não a reconhecem como tal.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Dom Bux não pode deixar de expressar seu espanto diante da atitude do secretário do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Dom Flavio Pace, </span><em><span class="tm8">&#8220;que fez o sinal da cruz enquanto a &#8216;bispa&#8217; anglicana dava a bênção na Capela Clementina&#8221;</span></em><span class="tm7">. E, em uma pergunta retórica, questionou se Koch e Pace haviam percebido a natureza falaciosa de suas ações.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Ele não pode, portanto, concluir de outra forma senão que, seja por ignorância, seja por má-fé, o escândalo e a confusão foram semeados entre muitos católicos. Esse escândalo exige reparação. Quanto à confusão, conclui o teólogo, ela <em>“exige um esclarecimento por parte do Vaticano”</em>.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Parece que o Vaticano e o próprio Leão XIV quiseram comprovar, nos dias que antecederam o início de julho, o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-estado-de-necessidade-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/"><strong>Estado de Necessidade</strong> </a></span>afirmado pela Fraternidade São Pio X, e neutralizar antecipadamente quaisquer sanções que pudessem ser tomadas.</span></p>
<p class="Normal" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>OS TRADICIONALISTAS SÃO JANSENISTAS: UMA ACUSAÇÃO ERRÔNEA – PARTE 2/2</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Sep 2025 17:43:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Heresia]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeira parte desta série de artigos (clique aqui para lê-la) lançou um olhar crítico sobre certas distorções do catolicismo tradicional encontradas no polêmico artigo de Josh Blanchard e Rick Yoder, &#8220;A Rival Magisterium&#8220;. Especificamente, argumentau-se que acusar os tradicionalistas &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-tradicionalistas-sao-jansenistas-uma-acusacao-erronea-parte-22/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://sspx.org/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/district-usa/Trad-Jansenism-part2.jpg?itok=m-8TgWM1" alt="" width="522" height="302" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">A primeira parte desta série de artigos (<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/os-tradicionalistas-sao-jansenistas-uma-acusacao-erronea-parte-12/">clique aqui para lê-la</a></span>) lançou um olhar crítico sobre certas distorções do catolicismo tradicional encontradas no polêmico artigo de Josh Blanchard e Rick Yoder, &#8220;<em>A Rival Magisterium</em>&#8220;. Especificamente, argumentau-se que acusar os tradicionalistas de serem <em>&#8220;jansenistas</em>&#8220;, embora seja um tropo de longa data, carece de mérito. Este artigo aborda a acusação mais séria feita por Blanchard e Yoder, a saber, que, assim como os jansenistas de antigamente, os católicos tradicionalistas construíram seu próprio magistério paralelo — ou melhor, rival — desafiando a autoridade do magistério da Igreja.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://sspx.org/en/news/traditionalists-jansenists-misplaced-charge-part-2-53174">SSPX USA</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Uma distinção necessária</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora haja divergências entre alguns católicos tradicionalistas quanto ao status exato do Concílio Vaticano II e à ortodoxia doutrinária de diversos documentos de ensino que emanaram da Igreja nas últimas seis décadas, a Fraternidade São Pio X (FSSPX) tem consistentemente chamado a atenção para os pontos em que esses pronunciamentos se desviam do depósito da fé. A liberdade religiosa, a colegialidade e o ecumenismo &#8211; todos os ensinamentos do Concílio Vaticano II — foram cuidadosamente examinados pela Fraternidade e por outros tradicionalistas. Essa postura crítica, que sempre foi adotada em defesa da fé católica, não equivale à construção de um magistério rival dentro da Igreja. Ela é feita a serviço da Igreja, para lembrar aos fiéis o que ela professava claramente antes do advento do modernismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é de surpreender, portanto, que Blanchard e Yoder dediquem uma parte significativa de sua atenção à Fraternidade, incluindo seu fundador, D. Marcel Lefebvre. Recordando a famosa &#8220;<em>Declaração de 1974</em>&#8221; do Arcebispo, a dupla aparentemente enxerga um espírito jansenista nessa declaração — antes de confessar que essa proclamação de fidelidade à Tradição Católica, na verdade, nada tem a ver com o jansenismo propriamente dito. </span><span id="more-33192"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, a distinção é muito mais profunda. Para os jansenistas, que inicialmente se viram envolvidos em uma disputa teológica sobre graça e predestinação, sua lealdade se concentrou, em grande parte, em uma figura histórica: Santo Agostinho. Foi a teologia de Agostinho — ou pelo menos a interpretação dessa teologia, como encontrada no gigantesco <em>&#8220;Agostinho&#8221;</em> do Bispo Cornelius Jansen — que impulsionou a causa jansenista. Eventualmente, os jansenistas se baseariam em fontes além de Santo Agostinho para sua espiritualidade. No entanto, permaneceram céticos em relação a muitos desenvolvimentos teológicos e espirituais ortodoxos, incluindo a escolástica, um calendário expandido de santos e a devoção ao Sagrado Coração. Os católicos tradicionalistas, incluindo aqueles que seguem as posições da FSSPX, são radicalmente menos restritos que os jansenistas. Em vez disso, eles olham para toda a história &#8211; toda a Tradição &#8211; da Igreja em busca de alimento, em vez de absolutizar qualquer teólogo ou homem da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Os tradicionalistas não são como os “<em>galicanos</em>”</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em outro movimento estranho, Blanchard e Yoder acusam os tradicionalistas de serem &#8220;<em>galicanos</em>&#8220;. Quando Roma começou a reprimir os jansenistas, eles apelaram para a autoridade de seus bispos franceses em detrimento da autoridade do Papa, como se os ensinamentos de uma igreja nacional pudessem se sobrepor, localmente, às decisões do Vigário de Cristo. Para nossos autores, certos tradicionalistas que confrontaram diretamente o falecido Papa Francisco se envolveram no mesmo tipo de comportamento. Eles discutem, por exemplo, as <em>dubia</em> apresentadas por quatro cardeais a respeito da controversa exortação Amoris Latetitia de Francisco antes de admitir que a decisão desses prelados de “<em>operar dentro do paradigma ultramontano</em>” é distinto do mecanismo preferido dos jansenistas para a correção papal. Os dois deveriam ter ido ainda mais longe, observando que a dubia buscava esclarecimentos do Papa Francisco e não pretendia anular nenhum de seus ensinamentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Voltando à FSSPX, ela tem buscado continuamente esclarecimentos de Roma sobre certos aspectos do Concílio Vaticano II e outras declarações pós-conciliares. D. Lefebvre, por exemplo, emitiu sua própria <em>dubia</em> (mais tarde traduzida em um livro sob o título <em>Religious Liberty Questioned</em>) em relação ao novo ensinamento do Vaticano II sobre a liberdade religiosa, ao qual recebeu apenas uma resposta inadequada da Congregação para a Doutrina da Fé. Da mesma forma, o extenso diálogo da Sociedade com Roma a respeito de questões doutrinárias, incluindo mudanças na liturgia, buscou esclarecimentos sobre como esses desvios da Tradição poderiam ser considerados ortodoxos. Embora a FSSPX, assim como outros tradicionalistas, tenha apresentado diversos exemplos de onde os ensinamentos contemporâneos da Igreja rompem com o que a Igreja havia professado inequivocamente antes do Vaticano II, isso não equivale a acreditar que eles tenham a autoridade inerente para revogar o magistério. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nada disso quer dizer que não haja tensões entre a FSSPX e Roma. Mesmo hoje, uma das acusações mais comuns e equivocadas contra a Fraternidade é a de que ela está &#8220;<em>em cisma</em>&#8220;, apesar de nunca ter pretendido estabelecer uma igreja paralela com uma hierarquia que exerça poder de jurisdição sobre os fiéis. Embora a história das tensas relações entre a Fraternidade e Roma esteja além do escopo deste artigo, é suficiente dizer que nem a FSSPX, nem qualquer outra organização tradicionalista aderiu ao tipo de conciliarismo endossado pelos jansenistas &#8211; que invariavelmente colocaria um concílio acima de um papa e entraria em conflito direto com os ensinamentos do Concílio Vaticano I.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Algumas considerações finais</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além desses erros e daqueles mencionados no artigo anterior desta série, Blanchard e Yoder dedicam a maior parte de seu artigo fazendo comparações superficiais entre certas facetas da história jansenista e as <em>“tendências</em>” que detectam no tradicionalismo. Os jansenistas que acreditavam estar vivendo no fim dos tempos devido ao que percebiam ser o colapso da Igreja em heresia podem compartilhar pontos em comum com uma minoria extrema de católicos que fazem previsões terríveis semelhantes nas redes sociais, mas dificilmente representam a vasta maioria dos católicos tradicionais. Certamente, esses apocalípticos não encontram apoio nas posições oficiais da FSSPX. Talvez a obra de Blanchard e Yoder tivesse sido mais bem servida se comparasse a mentalidade jansenista do fim dos tempos com a tentação perene dos cristãos — desde os primórdios da Igreja — de ignorar a instrução de Nosso Senhor de que ninguém sabe a hora de Seu retorno (Mt 24,36). Infelizmente, esses escritores parecem mais preocupados em lançar polêmicas do que em lidar com uma realidade histórica mais ampla.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa decisão de confrontar os católicos tradicionalistas comparando-os aos jansenistas, torna-se ainda mais estranha pelos parágrafos finais do artigo, onde Blanchard e Yoder apresentam uma lista de diferenças importantes entre jansenistas e tradicionalistas. Os dois observam corretamente que os tradicionalistas não endossam a visão jansenista sobre graça e predestinação, assim como os católicos tradicionalistas não sofreram supressão patrocinada pelo Estado a mando do Vaticano. Observar isso não impede Blanchard e Yoder de apontar certos tradicionalistas que se ofenderam com as tendências políticas modernas, mas chamar a atenção para a imoralidade do aborto, a natureza anti-humana da ideologia de gênero e políticas públicas que restringem os direitos da Igreja dificilmente são posições extremas. Em vez disso, todos eles estão em continuidade com a lei divina e natural, que todo católico deve defender.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mesmo depois que o discurso de Blanchard e Yoder for esquecido por muito tempo, provavelmente haverá novas vozes acusando os católicos tradicionais de serem jansenistas simplesmente por testemunharem um período espiritualmente mais rigoroso e doutrinariamente saudável na Igreja. Isso não é muito diferente daqueles que continuam a acusar a FSSPX de estar em cisma ou acreditam que o apego à Missa em latim é um sinal de rebelião. Essa postura pouco caridosa é lamentável, mas guarda uma semelhança muito maior com o espírito do jansenismo do que o tradicionalismo católico jamais terá. </span></p>
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		<title>OS TRADICIONALISTAS SÃO JANSENISTAS: UMA ACUSAÇÃO ERRÔNEA – PARTE 1/2</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/os-tradicionalistas-sao-jansenistas-uma-acusacao-erronea-parte-12/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 14:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
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		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Acusar católicos tradicionalistas de serem &#8220;jansenistas&#8221; é um tropo desgastado que persiste há décadas. Essa acusação mal formulada geralmente não tem nada a ver com os enigmáticos debates sobre graça e predestinação que definiram o jansenismo histórico do século XVII. &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-tradicionalistas-sao-jansenistas-uma-acusacao-erronea-parte-12/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://sspx.org/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/district-usa/traditionalists-jansenism-spurious.jpg?itok=4cgY0ec3" alt="" width="498" height="289" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Acusar católicos tradicionalistas de serem &#8220;<em>jansenistas&#8221;</em> é um tropo desgastado que persiste há décadas. Essa acusação mal formulada geralmente não tem nada a ver com os enigmáticos debates sobre graça e predestinação que definiram o jansenismo histórico do século XVII. Em vez disso, o &#8220;<em>jansenismo</em>&#8221; é usado como sinônimo pejorativo de rigorismo estéril, frieza espiritual e desobediência eclesiástica. Embora avanços significativos tenham sido feitos nos últimos anos para esclarecer a real história do jansenismo e dos movimentos adjacentes que ele inspirou, é irônico que dois acadêmicos que tem procurado atualizar a compreensão pública sobre o jansenismo tenham voltado a comparar os tradicionalistas católicos a esse movimento condenado pelo Papa.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://sspx.org/en/news/traditionalists-jansenists-misplaced-charge-part-1-52994">SSPX USA</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Dois jovens acadêmicos renovam uma antiga acusação</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em um artigo que é, ao mesmo tempo, informativo e frustrante, “<a style="color: #000000;" href="https://www.commonwealmagazine.org/rival-magisterium">A Rival Magisterium</a>” (<em>Commonweal</em>), os estudiosos jansenistas Shaun Blanchard e Richard T. Yoder se propuseram a explicar  “<em>o que os tradicionalistas de hoje têm em comum com os jansenistas</em>”. Blanchard, por sua vez, é o autor de <em>The Synod of Pistoia and Vatican II: Jansenism and the Struggle for Catholic Reform &#8211; Jansenismo e a luta pela reforma católica </em>(Oxford University Press 2020). Pistoia, que foi um sínodo diocesano italiano de 1786, foi condenado pelo Papa Pio VI em 1794 por emitir uma série de decretos que, <em>entre outras coisas, buscavam introduzir o vernáculo na liturgia, limitar o calendário de santos e abolir todas as ordens monásticas, exceto as que seguiam a Regra de São Bento.</em> Blanchard argumenta que Pistoia não foi apenas um precursor do Concílio Vaticano II, mas uma espécie de “<em>ponto culminante” </em>da incorporação de certas reformas jansenistas na vida da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Yoder, juntamente com Blanchard, também foi curador de <em>Jansenism: An International Anthology </em>(Catholic University of America Press, 2024). Essa coletânea de textos jansenistas (ou relacionados ao jansenismo) abrange cerca de 150 anos de história da Igreja, abrangendo geograficamente desde o Vallée de Chevreuse, a sudoeste de Paris, na França, até Beirute, no Líbano. Ele também contém uma extensa introdução sobre a história do jansenismo feita pela dupla, que é amplamente repetida de forma condensada em sua polêmica contra o catolicismo tradicional. Embora não seja possível recapitular essa história aqui, é suficiente dizer que Blanchard e Yoder prestaram um serviço à erudição histórica ao traçar o jansenismo (nomeado assim em homenagem ao bispo Cornelius Jansen &#8211; um bispo e teólogo cujo controverso <em>Tomo</em> sobre o pensamento de Santo Agostinho ajudou a engendrar o movimento) de uma disputa sobre graça e predestinação a uma série de disparates, mas conectados, que questionaram o alcance da autoridade papal; a natureza do governo da Igreja; a estrutura e o serviço da liturgia; práticas devocionais populares; e certas vertentes da teologia moral e da práxis. Por fim, sua obra se soma ao pequeno, mas crescente, corpus da literatura anglófona que vê certas vertentes do jansenismo prenunciando a <em>Nouvelle Théologie</em> do século XX e as reformas do Vaticano II.</span><span id="more-33169"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora tudo isso seja louvável, por razões que permanecem obscuras, os dois autores, de forma superficial e inexpressiva, utilizam seus eruditos conhecimentos do jansenismo para se voltar contra o catolicismo tradicional. Embora nem todos os seus tropeços estejam catalogados aqui, alguns de seus erros mais flagrantes estão.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Tradicionalistas e Primitivismo</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Recordando a pergunta retórica do dominicano australiano (hoje arcebispo) Anthony Fisher sobre se o &#8220;<em>Lefebvrismo</em>&#8221; (um termo pejorativo para a obra de D. Marcel Lefebvre e da Fraternidade São Pio X (FSSPX)) era um &#8220;<em>jansenismo revisitado</em>&#8220;, Blanchard e Yoder especulam que &#8220;<em>a razão mais fundamental pela qual os movimentos jansenista e tradicionalista têm tantas semelhanças é que ambos apelam para um estado anterior e primitivo de coisas na Igreja</em>”. A principal diferença entre os dois não é o fato de ambos estarem supostamente voltados para o passado, mas sim onde eles fixam o momento “<em>primitivo”</em>. Para os jansenistas, são os primeiros séculos da Igreja, culminando com a obra maciça de Santo Agostinho; para os tradicionalistas, é o auge da “<em>cristandade”</em> (embora Blanchard e Yoder não digam quando exatamente esse período reinou).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como ambos sugeriram, em seus trabalhos anteriores (e outros estudiosos também se apegaram a isso), uma das marcas registradas do jansenismo é um tipo de &#8220;<em>primitivismo</em>&#8221; que vê as alturas doutrinárias e espirituais da Igreja alcançadas nos primeiros séculos antes de começar uma descida constante à corrupção. De fato, acusações semelhantes também podem ser encontradas entre paredes de numerosas seitas protestantes. É irônico que os tradicionalistas também sofram com essa acusação quando, rotineiramente, recorrem à encíclica <em>Mediator Dei</em>, do Papa Pio XII, de 1947, para rejeitar o <em>primitivismo</em>, especialmente no contexto da liturgia. É esse tipo de primitivismo que os tradicionalistas encontraram à espreita além das reformas litúrgicas pós-Vaticano II e que, sem dúvida, inspirou alguns jansenistas a pedir revisões comparáveis em seus próprios dias.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nada disso quer dizer que os tradicionalistas não recorram a mais de 19 séculos de história eclesiástica para sustentar sua dupla crítica das reformas litúrgicas e aos desvios doutrinários ocorridos na Igreja nos últimos 60 anos. No entanto, os &#8220;<em>períodos</em>&#8221; ou &#8220;<em>momentos&#8221;</em> aos quais os católicos tradicionalistas frequentemente se apegam para se sustentar são tão variados quanto a luta de Santo Atanásio contra a heresia ariana (século IV); a teologia de Santo Tomás de Aquino (século XIII); o Concílio de Trento (século XVI); e o pontificado de São Pio X (século XX). Se isso faz dos tradicionalistas os <em>kinfolks</em> do jansenismo, então todos, desde os teólogos contemporâneos que clamam por um retorno às fontes (antigas) da doutrina da Igreja até os originalistas jurídicos da Suprema Corte dos EUA que buscam desvendar o significado da Constituição a partir da história, também são jansenistas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se todo mundo é jansenista, então ninguém é.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">A Eucaristia</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma das facetas mais conhecidas do jansenismo primitivo, tal como se manifestou na França do século XVII, na abadia de Port-Royal-des-Champs ou em seus arredores, é a intensa piedade eucarística. Rejeitando a opinião de que a atrição (<em>isto é</em>, a tristeza provocada pelo medo da condenação) bastava para receber uma absolvição válida no confessionário, os jansenistas insistiam que a contrição perfeita por amor a Deus era necessária. Sem a contrição perfeita pelos próprios pecados, ninguém poderia receber a Eucaristia dignamente e sem condenar a própria alma. Por isso, não era incomum que os adeptos do jansenismo se aproximassem da comunhão com moderação e, às vezes, somente após longos períodos de penitência severa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece estranho, então, que Blanchard e Yoder equiparem retoricamente esse rigorismo à piedade eucarística encontrada entre os católicos tradicionais hoje. Em nenhum lugar eles citam uma única figura tradicionalista que tenha defendido tal severidade. Isso se deve, sem dúvida, ao fato de que a maioria dos tradicionalistas, particularmente aqueles fiéis à FSSPX, seguem o decreto de São Pio X, de 1905, <em>Sacra Tridentina Synodus</em>, que recomenda a Comunhão frequente — até mesmo diária — desde que o receptor esteja em estado de graça e possua a intenção adequada. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há um grande abismo entre o rigorismo jansenista e a admoestação tradicionalista de que aqueles que recebem a Eucaristia devem fazê-lo sem a mancha do pecado mortal em suas almas. Essa dificilmente é uma posição &#8220;<em>extremista</em>&#8220;; ao contrário, é o ensinamento de longa data da Igreja Católica que permanece em vigor hoje. Alinhar tradicionalistas com jansenistas simplesmente porque eles rejeitam as práticas eucarísticas abissalmente frouxas encontradas atualmente na Igreja, é risível. Católicos conservadores que têm pouca ou nenhuma simpatia pelo movimento tradicionalista, particularmente a FSSPX, frequentemente chamam a atenção para o desrespeito ao Corpo e Sangue de Nosso Senhor na maioria das liturgias modernas, mesmo que tenham menos escrúpulos em relação à recepção na mão ou à ausência do ato de ajoelhar-se.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece que, na mente de Blanchard e Yoder, qualquer católico que siga a lei da Igreja referente à recepção adequada da Eucaristia compartilha uma causa comum com os jansenistas.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">Conclusão</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora a segunda e última parte deste artigo se aprofunde na avaliação anódina de Blanchard e Yoder sobre as visões tradicionalistas do magistério da Igreja à luz da desobediência jansenista, já deve estar claro que a tentativa deles de rotular os tradicionalistas como jansenistas é inadequada e irônica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É inadequado porque é dolorosamente superficial. Eles pintam de forma tão ampla com o pincel jansenista que abrangem uma grande extensão de indivíduos e grupos, tanto dentro quanto fora da Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Também é irônico que dois estudiosos que se esforçaram tanto para atrair a simpatia renovada pelo movimento jansenista (amplamente entendido) o usem como uma arma contra o tradicionalismo católico &#8211; um movimento que eles claramente consideram tóxico. </span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Continua na parte 2 (<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/os-tradicionalistas-sao-jansenistas-uma-acusacao-erronea-parte-22/">clique aqui</a></span>)</strong></span></p>
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		<title>CRISTIANISMO E ESOTERISMO</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jul 2025 17:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo Moderno]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Heresia]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Sì Sì No No, Ano LI n. 6 — Tradução: Verbum Fidelis Nota da tradução: Por haver no meio brasileiro católico quem acredite na ideia bocó fábula da “tradição primordial” reservada aos “iniciados”, ou em uma “gnose cristã” (sic), achei por bem &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristianismo-e-esoterismo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1JGq!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F11f09bc2-5b87-4c80-9e8a-4ac51b2bf887_1472x832.jpeg" alt="" width="529" height="305" /></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><u><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sisinono.org/"><span class="tm7">Sì Sì No No</span></a></u></span><span class="tm7"><span style="color: #0000ff;">, <span style="color: #000000;">Ano LI n. 6</span></span><span style="color: #000000;"> — Tradução:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://verbumfidelis.substack.com/p/cristianismo-e-esoterismo">Verbum Fidelis</a></span></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><strong>Nota da tradução: </strong>Por haver no meio brasileiro católico quem acredite na <s>ideia bocó</s> fábula da “tradição primordial” reservada aos “iniciados”, ou em uma “gnose cristã” (</em>sic<em>), achei por bem traduzir esse artigo do jornal</em> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sisinono.org/" rel="">sì sì no no</a><em>.</em></span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Introdução</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Alguns ocultistas, entre eles Edouard Schuré, tentaram acreditar na extravagante teoria do “cristianismo esotérico”.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">De acordo com sua hipótese, até mesmo Jesus seria um “grande iniciado”, um “mestre do ocultismo” e um “gnóstico” como poucos ao longo da história humana.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Para apoiar sua tese, eles se baseiam em certas frases da Sagrada Escritura, tiradas de seu contexto e explicadas de uma maneira que difere da interpretação unânime dos Padres da Igreja, dos Doutores Escolásticos e dos Exegetas neoescolásticos aprovados pela Igreja.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">A doutrina ouvida de forma oculta ou “dito ao ouvido”</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Por exemplo, eles citam o Discurso (Jo. XIII) que Jesus deu aos Apóstolos durante a Última Ceia, no qual — entre outras coisas — Ele disse: </span><em><span class="tm10">“o que é dito ao ouvido, pregai-o sobre os telhados”</span></em><span class="tm7"> (Mt. X, 27); donde concluem que Cristo tinha um</span><em><span class="tm10"> ensinamento exclusivamente oculto ou esotérico, que teria reservado apenas aos Doze Apóstolos e seus discípulos, mas não a todos os fiéis</span></em><span class="tm7">; portanto, o cristianismo também seria essencialmente uma religiosidade elitista e ocultista reservada a uns poucos iniciados, eleitos ou gnósticos; enquanto a massa dos cristãos teria recebido — de Jesus, seus apóstolos e discípulos — apenas uma doutrina secundária, trivial, elementar e inferior.</span></span><span id="more-33204"></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Na realidade, a interpretação correta do </span><em><span class="tm10">Evangelho de São Mateus</span></em><span class="tm7"> (X, 27), segundo a qual se deve “pregar do alto dos telhados o que foi dito ao ouvido”, é aquela que se encontra na Tradição Patrística.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Ora, a interpretação patrística comum, no caso particular do suposto Esoterismo de Jesus Cristo, foi dada muito claramente — apenas para dar um exemplo entre os muitos Padres eclesiásticos que comentaram essa passagem do Evangelho — por Santo Hilário de Poitiers (</span><em><span class="tm10">Super Matthaeum</span></em><span class="tm7">, X, 27), que explica:</span></span></p>
<p class="Normal tm11" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“</span><em><span class="tm10">Jesus não pregava à noite, na escuridão ou em segredo,</span></em><span class="tm7"> como podemos ler no Evangelho, mas o evangelista relata o que ele disse — de “pregar do alto dos telhados o que se dizia ao ouvido” — para simplesmente significar que a fala do Senhor era </span><em><span class="tm10">“trevas”</span></em><span class="tm7"> para os </span><em><span class="tm10">homens carnais</span></em><span class="tm7"> e </span><em><span class="tm10">“noite”</span></em><span class="tm7"> para os </span><em><span class="tm10">incrédulos</span></em><span class="tm7">; enquanto que devia ser anunciada </span><em><span class="tm10">pública e abertamente aos pagãos</span></em><span class="tm7">, com plena liberdade de profissão da Fé”.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Ademais, o significado óbvio do versículo mencionado acima: </span><em><span class="tm10">“o que é dito ao ouvido, pregai-o sobre os telhados”</span></em><span class="tm7">, é claro e diametralmente oposto à interpretação esotérica. Com efeito, Jesus recomenda, em palavras claras, que preguemos a todos, como se estivéssemos gritando de uma sacada, a doutrina que ouvimos sussurrada suavemente em nosso ouvido.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Portanto, a leitura esotérica de Cristo e de seu Evangelho não só é contrária à interpretação dada pela Tradição Apostólica, mas também contrária ao sentido comum e óbvio da Sagrada Escritura </span><em><span class="tm10">sicut litterae sonant</span></em><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Será que falamos de Sabedoria apenas entre os “perfeitos”?</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Para reforçar essa sua tese, eles se apegam a São Paulo quando ele escreve: </span><em><span class="tm10">“É a sabedoria que nós pregamos entre os perfeitos”</span></em><span class="tm7"> (I Cor. II, 6), tentando fazer com que ele diga que a doutrina sapiencial cristã deve ser exposta e discutida </span><em><span class="tm10">apenas e tão somente para e entre os “perfeitos”</span></em><span class="tm7"> e não para a multidão mal preparada dos fiéis comuns.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Em vez disso, os Exegetas ensinam: “É somente aceitando com total fé o Mistério de Cristo crucificado que o cristão será iniciado e introduzido na verdadeira ‘Sabedoria’. O Evangelho, de fato, é uma ‘Sabedoria’, mas uma ‘Sabedoria sobrenaturalmente misteriosa e salvadora’, dada aos ‘Perfeitos’. Entretanto, quem são esses ‘perfeitos’ para São Paulo? </span><em><span class="tm10">Que não se pense neles como os ‘iniciados’ dos mistérios ocultos do paganismo</span></em><span class="tm7">, como se o cristianismo fosse uma doutrina esotérica reservada apenas aos ‘iniciados’. Não! Os ‘perfeitos’ para o Apóstolo são todos aqueles cristãos, mesmo os mais simples e menos instruídos, que chegaram, por meio de uma </span><em><span class="tm10">Fé inquebrantável e de um Amor operante</span></em><span class="tm7">, a uma assimilação fecunda dos princípios do cristianismo, ao pleno desenvolvimento da vida e do pensamento cristãos. Portanto, não só não há diversidade de iniciação, mas — ao contrário — a ‘Sabedoria’, que é o sétimo Dom do Espírito Santo, está aberta a todos, e todos, embora de maneiras diferentes, são capazes dela e devem ser levados a recebê-la” (Settimio Cipriani, </span><em><span class="tm10">Le Lettere di San Paolo.</span></em><span class="tm7"> Assis, Cittadella Editrice, 5ª edição, 1971, </span><em><span class="tm10">Primeira Epístola aos Coríntios</span></em><span class="tm7">, cap. II, versículo 6, notas de rodapé nº 6 e 7).</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Para os esoteristas, por outro lado, a “Sabedoria” seria um conhecimento (ou </span><em><span class="tm10">gnose</span></em><span class="tm7">) iniciático/esotérico, autossalvífico e até mesmo autodivinizante, ao qual o homem chegaria apenas com suas forças naturais e, acima de tudo, por meio da ciência oculta.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Ora, com relação à passagem citada de São Paulo (I Cor. II, 6), ao contrário do que ensina o esoterismo, o significado autêntico, que nos é dado pela Tradição, é o seguinte: “O Senhor Jesus não só não revelou toda a profundidade de Sua Sabedoria, que é infinita, às multidões, mas também não a revelou aos Apóstolos, aos quais — sendo criaturas finitas — disse explicitamente: </span><em><span class="tm10">“Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não as podeis compreender agora”</span></em><span class="tm7"> (Jo. XVI, 12). No entanto, Ele anunciou </span><em><span class="tm10">abertamente e nunca dissimuladamente tudo o que considerou oportuno comunicar aos outros de Sua infinita Sabedoria</span></em><span class="tm7">; embora nem tudo pudesse ser compreendido — sendo infinitamente vasto e profundo — e nem todos os homens estivessem dispostos a compreendê-lo por causa de sua má vontade” (Santo Agostinho, </span><em><span class="tm10">Tractatus CXIII in Johannem</span></em><span class="tm7">, XVIII, 13).</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Jesus falava exclusivamente por parábolas?</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Por isso, esses esoteristas citam o próprio Jesus, que </span><em><span class="tm10">“não lhes falava sem parábolas”</span></em><span class="tm7"> (Mt. XIII, 34); daí concluem que o Redentor escondeu das massas, </span><em><span class="tm10">em princípio</span></em><span class="tm7">, </span><em><span class="tm10">explícita e sistematicamente </span></em><span class="tm7">a Verdade sublime, superior e sapiencial, apresentando-a, ou melhor, velando-a com palavras obscuras e de difícil compreensão, o que equivale a escondê-la com o silêncio. Portanto, Cristo teria sido um esoterista e o Evangelho conteria, em princípio, uma doutrina secreta.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">São João Crisóstomo (</span><em><span class="tm10">In Matthaeum XIII</span></em><span class="tm7">, Homilia 47) explica bem que “Jesus, antes de tudo, falava por parábolas às multidões de judeus, porque eles não eram capazes nem dignos de receber a verdade pura, mas que depois expôs aos discípulos e que eles, por fim, deviam transmitir e explicar a todos os fiéis”.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Além disso, a expressão </span><em><span class="tm10">“não lhes falava sem parábolas”</span></em><span class="tm7">, ainda segundo São João Crisóstomo (</span><em><span class="tm10">In Matthaeum XIII</span></em><span class="tm7">, Homilia 47), deve ser aplicada e referida não a todo o Evangelho cristão, mas apenas àquele discurso particular proferido por Jesus — no segundo ano de Seu ministério público — no qual Ele fala da mulher que esconde um pouco de fermento na massa de farinha até fermentar tudo; um discurso que é relatado no Evangelho de Mateus (XIII, 34), pouco antes da decapitação de São João Batista (Mt. XIV, 1-11); pois </span><em><span class="tm10">em várias outras ocasiões o Senhor havia falado às multidões sem usar nenhuma parábola</span></em><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Por sua vez, Santo Agostinho acrescenta e confirma o que foi explicado por São João Crisóstomo: “Jesus falou algumas vezes </span><em><span class="tm10">no sentido próprio</span></em><span class="tm7">, isto é, não figurativamente e sem usar parábolas; </span><em><span class="tm10">mas, muitas vezes, Ele fez uso de alguma parábola </span></em><span class="tm7">ou figura, embora no curso de seu discurso ele também tenha dito </span><em><span class="tm10">coisas no sentido próprio”</span></em><span class="tm7"> (</span><em><span class="tm10">Quaestio XV in Matthaeum</span></em><span class="tm7">, XIII, 34). Portanto, não é de forma alguma exato dizer que Jesus ensinou somente por meio de parábolas e de maneira figurativa.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Com efeito, os Padres, Doutores e Exegetas sempre explicaram o contrário, citando a Escritura em um sentido conforme à Tradição Apostólica, da qual eles são — se forem moralmente unânimes — a voz genuína, intérpretes oficiais e eco fiel, que — em última instância — só pode ser autenticamente interpretado pelo Magistério público da Igreja.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Na verdade, o próprio Jesus disse claramente: </span><em><span class="tm10">“Eu falei publicamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no templo, aonde concorrem todos os Judeus; nada disse em segredo”</span></em><span class="tm7"> (Jo. XVIII, 20).</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Além disso, o Messias também disse:</span><em><span class="tm10"> “Porventura traz-se a lucerna para a meter debaixo do alqueire ou debaixo do leito? Não é para ser posta sobre o candelabro?” </span></em><span class="tm7">(Mc. IV, 21), onde a lucerna representa a doutrina</span><em><span class="tm10"> teoricamente verdadeira e moralmente correta</span></em><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">As três maneiras de pregar uma doutrina de forma oculta</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Santo Tomás de Aquino explica magistralmente que uma doutrina pode permanecer oculta ou secreta </span><em><span class="tm10">de três maneiras</span></em><span class="tm7">:</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">1) por vontade explícita do Mestre</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">“Quando o Mestre, de modo explícito, não pretende manifestar sua doutrina a todos, mas, ao contrário, prefere ocultá-la. Ora, isso pode acontecer de duas maneiras:</span></p>
<p class="Normal tm12" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">(a) por ciúme do Mestre</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“Pois ele — </span><em><span class="tm10">ex invidia </span></em><span class="tm7">[por ciúme] — não deseja transmitir sua doutrina e sabedoria a outros, mas deseja guardá-la para si mesmo, para seu próprio bem e para se sobressair sozinho nela. No entanto, isso não é de modo algum favorável à santidade infinita de Cristo, de quem a Sagrada Escritura havia anunciado no Antigo Testamento: </span><em><span class="tm10">“Eu a aprendi sem intenções reservadas, reparto-a com os outros sem inveja, e não escondo as suas riquezas”</span></em><span class="tm7"> (Sab., VII, 13).</span></span></p>
<p class="Normal tm12" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">(b) por causa da desonestidade do que é ensinado</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">“Mas isso é contrário à Natureza divina do Verbo Encarnado, cuja doutrina e ensino não se fundamentam nem em erro doutrinário nem em impureza moral.”</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Além disso, uma doutrina é oculta:</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">2) se ela for deliberadamente proposta apenas a alguns poucos</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“Mas Jesus não ensinou nada dessa maneira deliberadamente secreta, ou seja, reservada em princípio apenas para alguns iniciados. De fato, ele propôs sua doutrina a toda a multidão ou a todos os seus discípulos reunidos. Ora, Aquele que fala diante de muitos homens não fala em segredo ou em ocultação. Além disso, quando Ele falava somente aos discípulos, Ele também ordenava que eles transmitissem e explicassem a todos os outros o que Ele havia dito somente a eles. Portanto, Jesus nunca ensinou — por uma questão de princípio — de maneira explícita e conscientemente esotérica ou oculta, reservando deliberadamente Sua doutrina apenas para alguns escolhidos” (Santo Agostinho,</span><em><span class="tm10"> Tracatus CXIII in Iohannem</span></em><span class="tm7">, XVIII, 13).</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Finalmente, uma doutrina pode ser oculta:</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">3°) </span><em><span class="tm14">pela maneira a qual é transmitida</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“Ora, Jesus, nessa terceira maneira de transmitir Sua doutrina, quis ocultar algo para as multidões, usando as parábolas; </span><em><span class="tm10">mas apenas para anunciar Mistérios espirituais que as multidões do Antigo Testamento ainda não eram capazes de compreender naquele momento</span></em><strong><span class="tm8">[1]</span></strong><em><span class="tm10">. </span></em><span class="tm7">No entanto, eles (ou seja, as multidões de judeus do Antigo Testamento) ainda estavam sendo ensinados sobre esses assuntos relativos aos Mistérios sobrenaturais de Deus, sob o véu das parábolas do Evangelho, e isso certamente é melhor do que não receber nada. De fato, Jesus explicou posteriormente o significado das parábolas aos discípulos, confiando-lhes — por sua vez — a tarefa de transmiti-lo, pregá-lo e explicá-lo às multidões, que gradualmente se tornaram capazes de compreendê-lo, tendo passado da ‘infância’ do Antigo Testamento para a ‘maturidade’ da Nova Aliança (cf. São Paulo, II Tim. II, 2)” (cf. Santo Tomás de Aquino,</span><em><span class="tm10"> Suma Teológica</span></em><span class="tm7">, III, q. 42, a. 3).</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">O esoterismo nasce do orgulho e leva à perdição</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Ora, essa tendência do esoterismo leva o homem à ruína e nasce do orgulho, que é a raiz de todos os males.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Santo Tomás ensina, com razão, que “a infidelidade nasce da soberba” (S. Th. II-II, q. 10, a. 1, ad 3um). E é o mais grave dos pecados depois do ódio a Deus. Portanto, a verdadeira razão de uma escolha errônea quanto ao fim último deve ser procurada nas obras más; ou seja, na vida, no ato da vontade, que também pode ser apenas interno, como, por exemplo, o orgulho intelectual.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">As obras más não são apenas imoralidade grosseira, mas também imoralidade sutil: a exaltação do próprio “eu”, a busca da glória humana e da honra mundana.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Assim como o ladrão foge da luz e ama as trevas para poder agir sem ser perturbado, o orgulhoso odeia a luz, a doutrina pública e ama as trevas, a doutrina e a prática esotérica, seja por </span><em><span class="tm10">ciúme pessoal</span></em><span class="tm7">, querendo ser o único repositório da Sabedoria, seja por causa da </span><em><span class="tm10">erroneidade ou desonestidade do que ensina</span></em><span class="tm7">, não querendo ser descoberto e contradito.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">As trevas, portanto, servem para encobrir sua doutrina infernal e sua conduta perversa; por isso, o esoterista odeia a luz, porque ela exporia sua perversidade interna e oculta.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Pode-se, portanto, concluir que a má vida é a causa de toda descrença e, especialmente, da descrença dos heresiarcas e dos “grandes iniciados”.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Assim como o diabo se tornou um anjo caído por causa de sua má vontade (pela qual ele preferiu afirmar — por ciúme — a si mesmo, e assim se condenando a si mesmo, do que se submeter à vontade de Deus, que exigiu dele um ato de obediência e humildade); assim também o “grande iniciado” prefere rejeitar a doutrina pública de Jesus a fim de se deleitar com ciúme em sua obscura e confusa “Tradição”, que tanto gratifica seu orgulho por ser chamado de “Mestre!” Ao passo que Jesus nos admoestou: </span><em><span class="tm10">“A ninguém chameis pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, o que está nos céus. Nem façais que vos chamem mestres, porque um só é vosso Mestre, o Cristo”</span></em><span class="tm7">.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Conclusão</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm14">“Et Verbum caro factum est!”</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Santo Agostinho responderia hoje aos teóricos do </span><em><span class="tm10">“cristianismo esotérico”</span></em><span class="tm7"> 1) trazendo o bom exemplo do Verbo Encarnado, que de Deus se fez homem; 2) contrastando-o com o mau exemplo do gnóstico transumanista (ou modernista), que, apesar de ser apenas uma mera criatura, aspira insensatamente a tomar o lugar do Altíssimo (ou a chegar, por meio da evolução autocriada, ao </span><em><span class="tm10">“Ponto Ômega”</span></em><span class="tm7">), encontrando assim sua própria queda; 3) usando, portanto, para os esoteristas (e modernistas) contemporâneos, as mesmas palavras de 1600 anos atrás, a saber:</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“Quiseste, ó criatura presunçosa, embora fosse homem, fazer-se Deus para depois perecer; mas o Verbo, sendo Deus, quis fazer-se homem a fim de encontrar o que recuperar perdido” (Santo Agostinho, </span><em><span class="tm10">Sermo CLXXXVIII</span></em><span class="tm7">, cap. 3, em PL, tomo XXXVIII, col. 1004).</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Em suma, para resumir, o </span><em><span class="tm10">cristianismo esotérico </span></em><span class="tm7">é exatamente o macaco do cristianismo real.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Com efeito, o esoterismo quer que o homem se torne “Deus” por meio do conhecimento iniciático ou Gnose; o modernismo afirma que a Graça é devida à natureza e não é um dom gratuito de Deus; ao passo que o Cristianismo ensina que Deus se encarnou para salvar o homem do pecado original, fazendo-o participar de Sua Natureza divina, de forma limitada e finita, por meio da Graça santificante.</span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O denominador comum do esoterismo e do modernismo é, sem dúvida, o antropocentrismo ou transumanismo, que é visto à luz do evolucionismo cósmico de Teilhard de Chardin, ou seja, como o contínuo devir da “Divindade” que, do nada, através da matéria, alcança o espírito ou o Cristo esotericamente cósmico (cf. G. Ambrosini, </span><em><span class="tm10">Occultismo e Modernismo</span></em><span class="tm7">, Bolonha, Tipografia Arcivescovile, 1907</span><strong><span class="tm8">[2]</span></strong><span class="tm7">).</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Canonicus Romanus</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8"> </span></strong></span><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">Notas</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">1. </span></strong><span class="tm7">Os Padres da Igreja (fundando-se em São Paulo: I Cor. XIII, 11; Heb. V, 3) comparam os fiéis do Antigo Testamento a </span><em><span class="tm10">crianças</span></em><span class="tm7">, que devem ser nutridas com alimentos mais delicados e leves; enquanto os do Novo Testamento os comparam a adultos, que devem ser nutridos com alimentos mais substanciais e ricos. Portanto, Jesus falou em parábolas a seus ouvintes, que — não tendo ainda entrado na Nova e Eterna Aliança — eram semelhantes a </span><em><span class="tm10">crianças</span></em><span class="tm7"> e, portanto, não podiam receber o alimento mais sólido que é dado aos </span><em><span class="tm10">adultos</span></em><span class="tm7">, ou seja, a doutrina do Novo Testamento de maneira explícita e aberta.</span></span></p>
<p class="Normal tm9" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm8">2.</span></strong><span class="tm7"> Cf. M. Schooyans, </span><em><span class="tm10">Nuovo Disordine Mondiale</span></em><span class="tm7">, Cinisello Balsamo, Edizioni San Paolo, 2000; Id.,</span><em><span class="tm10"> Il volto nascosto dell&#8217;Onu</span></em><span class="tm7">. Verso il governo Mondiale, Roma, Il Minotauro, 2004; Id., </span><em><span class="tm10">Conversazioni sugli idoli della Modernità</span></em><span class="tm7">, Bologna, ESD, 2010; Id., </span><em><span class="tm10">Evoluzioni demografiche</span></em><span class="tm7">, Bologna, ESD, 2013.</span></span></p>
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		<title>AS FALSAS RELIGIÕES FORAM INVENTADAS PELO DEMÔNIO</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jun 2025 14:20:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Heresia]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Marcel Lefebvre]]></category>

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		<description><![CDATA[Clique na imagem para ler as palavras de D. Lefebvre sobre o assunto]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="https://catolicosribeiraopreto.com/as-falsas-religioes-foram-inventadas-pelo-demonio-palavras-de-monsenhor-lefebvre/"><img class="" src="https://fsspx.mx/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/drupal-7/archbishop_lefebvre_econe_mass460_0_1.jpg?itok=L6MKpRYd" alt="" width="420" height="243" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Clique na imagem para ler as palavras de D. Lefebvre sobre o assunto</strong></span></p>
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		<title>SERÁ UMA DESGRAÇA O SÍNODO DA AMAZÔNIA?</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Sep 2019 13:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
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		<category><![CDATA[Sincretismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa Sem questionar absolutamente a conclusão a que chegaram alguns ilustres dignitários eclesiásticos em seu juízo condenatório  do Instrumentum laboris do próximo Sínodo da Amazônia, os quais o classificaram como herético e apóstata, desejaria apenas &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sera-uma-desgraca-o-sinodo-da-amazonia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="http://signis.org.br/userfiles/redacao/noticias/2ffb5bf63869bcafed77bc715478e2cd.jpg" alt="Imagem relacionada" width="471" height="272" /><a href="http://santamariadasvitorias.org/e-uma-desgraca-o-sinodo-da-amazonia/">Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem questionar absolutamente a conclusão a que chegaram alguns ilustres dignitários eclesiásticos em seu juízo condenatório  do <em>Instrumentum laboris </em>do próximo Sínodo da Amazônia, os quais o classificaram como herético e apóstata, desejaria apenas desenvolver algumas reflexões sobre a possibilidade de a referida assembléia episcopal, a ser mantida a orientação contida no <em>Instrumentum laboris</em>, constituir efetivamente, como pensam alguns, uma desgraça para a Igreja e uma ameaça para a soberania dos Estados da Região Amazônica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não me parece que as diretrizes que vierem a ser emanadas do Sínodo da Amazônia, ainda que tenham mais tarde  uma repercussão e aplicação sobre toda a Igreja pós-conciliar, possam representar uma obra devastadora da Vinha do Senhor, corrompendo a fé e a moral dos pobres fiéis que ainda frequentam as paróquias <em>Novus Ordo</em>, com seus diáconos permanentes, suas ministras extraordinárias da Eucaristia, suas leitoras, salmistas, e as diversas pastorais e movimentos, como, por exemplo, a pastoral dos recasados, aliás, já admitidos, em grande medida, à recepção da sagrada Eucaristia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não creio que os católicos <em>aggiornati</em>, que em sua imensa maioria há décadas  se acostumaram à nova liturgia e apoiam docilmente a famigerada campanha da fraternidade, venham a escandalizar-se e abandonar suas paróquias, caso as ministras da Eucaristia venham a ser “ordenadas” diaconisas e os diáconos permanentes se tornem padres casados. E caso sejam reincorporados os padres <em>défroqués</em> casados, os padres da Associação Internacional dos Padres Casados, que tinham apoio do então cardeal de Buenos Aires Jorge Maria Bergoglio, certamente a maioria dos católicos <em>Novus Ordo</em> não se oporá. Os católicos das paróquias renovadas por mais de cinqüenta anos de mudanças pós-conciliares vão encarar tudo com a maior naturalidade. E a Igreja do Vaticano II vai continuar sua marcha de ruptura com a Igreja de sempre, a Igreja Católica Romana, imutável em sua perene tradição.</span><span id="more-17503"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade, o Sínodo da Amazônia vai limitar-se a divulgar <em>urbi et orbi</em> o que tem sido a prática pastoral e litúrgica constante dos rincões onde predomina a religiosidade reformada pela teologia neo-modernista do Vaticano II e dos ideólogos da teologia da libertação. Deste modo, o próximo sínodo cumprirá a missão para a qual foi estabelecido periodicamente na Igreja por Paulo VI: manter a Igreja em movimento, à luz do Vaticano II e da moderna produção teológica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De maneira que todas aquelas aberrações litúrgicas e pastorais para as quais faziam vista grossa os predecessores de Bergoglio (se é que no fundo do coração não as aprovavam) agora, por ocasião do sínodo, vão conquistar maior amplitude, porque o erro é sempre mais contagioso quando promovido do alto. Este talvez seja o único problema do sínodo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Causa-me aborrecimento ver alguns católicos conservadores (que eu chamaria filo-tradicionalistas por causa de sua simpatia pela liturgia romana antiga e por causa de algumas críticas que formulam a algumas reformas decorrentes do Vaticano II) desancando o bispo de Roma pela organização do Sínodo da Amazônia e acusando-o de romper com o magistério de seus predecessores imediatos, sobretudo no que concerne à teologia da libertação e à abertura aos ritos das religiões pagãs. Francisco poderia responder-lhes, se quisesse, dizendo que age com base no precedente da célebre controvérsia em torno dos ritos chineses. Estes ritos sincretistas, que produziram enorme confusão em detrimento das missões jesuíticas no Oriente ao tempo do Pe. Mateus Ricci, a princípio foram condenados e depois da supressão da Companhia de Jesus acabaram readmitidos. Francisco Bergoglio poderia também dizer aos católicos conservadores que admiram tanto João Paulo II que os novos ritos que provavelmente serão aprovados no próximo sínodo não serão nada extravagantes se comparados com a liturgia adotada nas viagens de João Paulo II a Papua-Guiné, quando uma mulher em <em>topless </em>fez leitura em sua missa, ou quando recebeu de uma sacerdotisa pagã o sinal de adorador de Shiva. Por que canonizar João Paulo II e desancar Francisco?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Inegavelmente cumpre dizer que há uma ruptura na Igreja pós-conciliar, mas é inaceitável que, por covardia, por oportunismo, por medo de escandalizar os devotos de João Paulo II que agora estão chocados com Francisco, não se diga onde reside a ruptura. Francisco não rompe com João Paulo II (nem sequer na questão da teologia da libertação), não rompe com Ratzinger (nem sequer na questão da admissão dos recasados à mesa da comunhão), não rompe com Montini nem com Roncalli. São todos estes que, na verdade, romperam com a tradição precedente ao Vaticano II. O que ocorre é que, ao contrário dos outros papas pós-conciliares que governaram a Igreja explorando as ambiguidades do Vaticano II e com isso conseguiram manobrar os incautos, os idiotas úteis, os companheiros de viagem, os ambiciosos por subir na carreira eclesiástica, Francisco não faz esse jogo político, não tenta enganar ninguém, mas diz claramente o que quer e aonde quer chegar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à soberania do Brasil sobre a Amazônia, sinceramente parece-me ridículo pensar que   as intrigas políticas de que o Sínodo possa vir a ser o teatro representem um perigo para a integridade do território nacional. O nosso presidente da República e o Exército Brasileiro têm plena consciência e responsabilidade para cumprir com valor sua missão de defesa da nação. Foi-se o tempo que as querelas teológicas podiam ter tanto alcance. Qual chefe de governo, hoje, lê as encíclicas papais e as põe em prática? Poderá haver muita verborragia demagógica e interesseira em torno da preservação das florestas, mas o Brasil saberá defender seus direitos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De modo que, se cabe falar em desgraça para a Igreja ou ameaça para o Brasil decorrentes do Sínodo da Amazônia, é preciso que se aponte a sua fonte mais longínqua. A fonte não é o nosso Amazonas, a fonte não é o Tibre que passa a poucas quadras de distância do Vaticano, a fonte é o Reno, a fonte é a <em>Nouvelle Theologie,</em> que dominou a mente de todos os papas pós-conciliares e hoje avança sob o pontificado de Francisco.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas tenho plena confiança de que, se Deus permite tanta confusão em sua Igreja, é porque dessa barafunda toda há de tirar um bem muito maior; é porque obrigará os católicos a tomar uma posição (ou são católicos fiéis à tradição ou são modernistas, não é possível meio termo); é porque Deus obrigará os homens de fé, os teólogos de grande descortino, a aprofundar ainda mais seus estudos para esclarecer todos os pontos controvertidos, para fazer triunfar sobre o erro insidioso a verdade imutável e, por fim, o dogma brilhar com mais fulgor em toda a Igreja, para glória do nosso Divino Salvador e de nossa Mãe Maria Santíssima e para o bem de todos os que os amam e servem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, se há desgraça e ameaça no Sínodo da Amazônia, os atingidos por tal desgraça  não seremos nós os católicos da tradição. Desgraçados e ameaçados serão os católicos funâmbulos, os católicos do Instituto João Paulo II reestruturado por Francisco, os católicos ditos conservadores que preferiram ficar em cima do muro nestes últimos anos, servindo a uma Igreja que não é plenamente tradicional nem plenamente modernista. Estes serão os desgraçados.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Anápolis, 19 de agosto de 2019.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Festa de São João Eudes</span></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>O QUE DIZER A PESSOAS DE OUTRAS RELIGIÕES? &#8211; PALAVRAS DE D. LEFEBVRE</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Sep 2018 15:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Heresia]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Marcel Lefebvre]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est Eis algumas palavras do monsenhor Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre nossa atitude em relação às pessoas de outras religiões. Devemos ficar calados e dar-lhes razão, ou devemos dizer-lhes a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-que-dizer-a-pessoas-de-outras-religioes-palavras-de-mons-lefebvre/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class="aligncenter" src="https://fsspx.mx/sites/sspx/files/styles/news_big/public/news/mons._lefebvre.png?itok=4i9P_TNw" alt="" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.mx/es/news-events/news/%C2%BFqu%C3%A9-decir-las-personas-de-otras-religiones-palabras-de-mons-lefebvre-19122">FSSPX México</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Eis algumas palavras do monsenhor Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre nossa atitude em relação às pessoas de outras religiões. Devemos ficar calados e dar-lhes razão, ou devemos dizer-lhes a verdade?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podemos conversar com pessoas de diferentes religiões e responder quando nos pedem explicações. O que temos que dizer-lhes? Temos que deixá-las em sua boa consciência e dizer-lhes: &#8220;<em>Não se preocupem, tendes uma religião muito bonita que, basicamente, vale a mesma que a nossa</em>&#8230;?&#8221; Isso seria cometer um crime, porque talvez essas almas esperem de nós a verdade e não as estaríamos dando. Portanto, não se converteriam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um dia alguns jovens protestantes me convidaram para ir a Lausanne para lhes dar uma conferência. Queriam ouvir sobre Ecône. Eu lhes disse: &#8220;<em>Falo-vos como bispo católico. Creio que me convidaram como tal. Não estranheis que eu os diga com franqueza o que penso do protestantismo</em>&#8220;. Estava claro. Disse-lhes claramente que para nós existe apenas uma religião verdadeira e que Ecône representa precisamente essa convicção, pois ninguém se salva fora da Igreja Católica. Por isso somos tradicionalistas, o que não significa que desprezamos aos demais, mas para nós a religião protestante é um erro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pois bem, alguns dias depois esses jovens protestantes escreveram para me parabenizar. Me disseram: &#8220;<em>É isso que queríamos ouvir. Sabemos que um católico é católico e que não admite que o protestantismo seja a verdadeira religião</em> &#8220;. Assim não se surpreenderam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por outro lado, se lhes tivesse falado como fazem agora os ecumenistas, e lhes teria dito: &#8220;<em>Em Ecône, é claro, nós amamos a Igreja Católica, mas somos amigos dos protestantes e acreditamos que sua religião é bonita&#8230;</em>&#8221; acredito que, em primeiro lugar, não teriam ficado felizes pensando que os bajulava e que tratava de ficar bem com eles, mas no fundo, não dizia o que ele realmente acreditava. Isso os faria perder uma oportunidade de refletir sobre uma possível conversão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo isso é importante e constantemente, nós católicos, nos deparamos com situações semelhantes. Façamos um favor a essas almas e pensemos sempre em sua salvação: &#8220;<em>Se eu não digo a verdade nem lhes ofereço a verdade, pode haver almas que se salvem e que por minha culpa não serão</em>&#8220;. É claro que Deus pode trabalhar diretamente sem passar por nós para converter o mundo inteiro. No entanto, quis servir-se de sacerdotes e missionários. Deus conta conosco. Temos que ser um meio para a conversão de almas. Eis que há de se pensar na graça de Deus, que aproveita tal conversa ou tais palavras para abrir a alma desses protestantes e dar-lhes a graça da conversão, já que, é claro, é Ele quem converte as almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">+ Monsenhor Marcel Lefebvre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Extrato do livro: “<em>Sou eu o acusado quem vos deveria julgar</em>“</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>ESPECIAIS DO BLOG: CATECISMO ANTI-COMUNISTA</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Sep 2018 15:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[Heresia]]></category>

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		<description><![CDATA[Em mais um Arquivo Memória de nosso blog, publicamos abaixo os links para o Catecismo Anticomunista, escrito por D. Geraldo de Proença Sigaud. Nesses posts vemos todos os pontos referentes à essa doutrina diabólica e verificamos a total incompatibilidade dela &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-catecismo-anti-comunista/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f2/Anti-Socialist-Symbol.svg/1200px-Anti-Socialist-Symbol.svg.png" alt="Resultado de imagem para ANTICOMUNISMO" width="198" height="198" />Em mais um Arquivo Memória de nosso blog, publicamos abaixo os links para o <em>Catecismo Anticomunista</em>, escrito por D. Geraldo de Proença Sigaud.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nesses posts vemos todos os pontos referentes à essa doutrina diabólica e verificamos a total incompatibilidade dela com a Doutrina Católica.</span></p>
<ul>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/catecismo-anticomunista-parte-1/">CATECISMO ANTICOMUNISTA – PARTE 1</a> </strong></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(O que é o comunismo e o que ele ensina; Atitudes do comunismo perante a religião; Pontos básicos da divergência entre comunismo e catolicismo; A essência do homem é ser trabalhador)</span></p>
<ul>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/catecismo-anticomunista-parte-2/">CATECISMO ANTICOMUNISTA – PARTE 2</a></strong></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(A revolução e a cristandade; Virtudes que fundamentam a cristandade e paixões que movem a revolução; O proletário é o único homem ideal, segundo o comunismo; A luta de classes; A propriedade, a vida humana e a escravidão do operariado; O papel de satanás; A violência e a liberdade; O materialismo do ocidente prepara o caminho do comunismo; A igreja e os operários)</span></p>
<ul>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/catecismo-anticomunista-parte-3/">CATECISMO ANTICOMUNISTA – PARTE 3</a></strong></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(O socialismo; A conquista do povo — as elites e a massa; Os pontos mais visados; a reforma agrária; O ideal do comunismo: a sociedade sem classes; o igualitarismo)</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>OS FRANCO-MAÇONS</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/os-franco-macons/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Jul 2018 15:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Heresia]]></category>
		<category><![CDATA[Maçonaria]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Permanencia Aviso do Editor Este opúsculo foi escrito em 1867. Desde então, as coisas se precipitaram, fez-se a luz e a seita maçônica tirou a máscara. Hoje ela confessa às claras que é aquilo que é – uma organização &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-franco-macons/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><img class=" aligncenter" src="http://permanencia.org.br/drupal/sites/default/files/1280px-Evening_on_Karl_Johan_Street.jpg" alt="" width="475" height="335" />Fonte: <a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266">Permanencia</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Aviso do Editor</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este opúsculo foi escrito em 1867. Desde então, as coisas se precipitaram, fez-se a luz e a seita maçônica tirou a máscara. Hoje ela confessa às claras que é aquilo que é – uma organização anticristã da Revolução.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É inimaginável a raiva que esta obrinha suscitou e ainda suscita; essa reação é perfeitamente compreensível e, melhor que qualquer raciocínio, comprova a temível verdade das revelações que aqui se dão a público.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos maçons admitiram esse fato. “O autor deste livro está bem informado”, dizia entre outros, em 1868, um velho maçom de Tours. Um dos cabecilhas mais fanáticos da Loja de Marselha, que retornou à prática da Religião, declarava “que uma das coisas que mais o impressionou foi o livrinho de Mons. de Ségur sobre a maçonaria”. E acrescentava: “Eu o li pensando que encontraria terríveis exageros; mas, ao contrário, achei-o ainda tão aquém da verdade, que me deu medo, de modo que senti necessidade de sair da minha abjeta situação”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com a ajuda de Deus, este opúsculo impediu que muitas almas fossem seduzidas, e abriu os olhos de uns pobres coitados que se deixaram enredar pelo Grande Oriente. Em Paris, em uma grande escola noturna, freqüentada por operários e moços, em um só mês, por conta da leitura de algumas páginas, mais de cinqüenta decidiram deixar de imediato as Lojas às quais acabavam de afiliar-se.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde o seu aparecimento, esta brochura se esgotou com muita rapidez: em três meses nove edições, ou seja, cerca de trinta mil exemplares desapareceram; em menos de cinco anos trinta e seis edições, ou seja, cerca de cento e vinte mil exemplares – e as edições continuam a sair.</span><span id="more-14189"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 1869, uma pessoa às ocultas preveniu o autor de que as Lojas Secretas o haviam condenado à morte. “O livrinho do Sr. causou um mal terrível à maçonaria, lhe disse o desconhecido que o viera prevenir; juraram-no de morte. Fique atento, pois pode acontecer amanhã ou depois de amanhã”. Então, corrigindo-se: “Amanhã, repetia ele; talvez hoje. O Sr. fez bem a alguém da minha família, acrescentou com certa emoção; por isso, venho alertá-lo. Mas não queira saber mais, pois quem estaria perdido seria eu, e logo dariam um jeito em mim”. – Prova evidente de que a maçonaria é, como ela não pára de dizer, uma <em>sociedade beneficente!</em>&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Os Maçons</em>, de Mons. de Ségur, saiu em várias traduções italianas; traduziram-no também na Alemanha, na Inglaterra, na Espanha, nos Estados Unidos, no México, no Peru, etc.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>I &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Os maçons</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste opúsculo, não trato da maçonaria pela perspectiva política nem mesmo social; o meu único objetivo é esclarecer a sua periculosidade pela perspectiva moral e religiosa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma temível propaganda, que cresce dia após dia, cobrindo como de uma imensa rede, não só a Europa, mas o mundo inteiro, torna a vigilância e a luta cada vez mais necessárias. Quase já não há dioceses onde os maçons não estejam organizados. De acordo com os seus últimos relatórios, eles são mais de <em>oito milhões</em> e contam com mais de <em>cinco mil</em> Lojas, afora as Lojas Secretas. Na França, o número de maçons já ultrapassa os <em>cento e sessenta mil!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A melhor maneira de preservar as pessoas de bem é lhes dar conhecimento sobre a maçonaria. Ofereço este opúsculo de vulgarização aos padres e aos católicos zelosos que levam a peito a santa causa da Igreja e a conversão à fé. Possa ele ajudá-los a preservar do fogo muitas pobres borboletas que voam até a vela porque não sabem que queima!</span></p>
<p><strong><span style="color: #000000;">Do nome franco-maçom (ou pedreiro-livre)</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em geral, os nomes exprimem as coisas. Neste caso se trata bem do contrário: os franco-maçons ou pedreiros-livres não são pedreiros (maçons) nem livres (francos). É escusado demonstrar que não são <em>pedreiros</em>; e também é claro que não são <em>livres</em>, porque a sua sociedade se baseia em iniciações misteriosas que não devem ser reveladas a ninguém, sob pena de morte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante dos <em>profanos</em>, os maçons assumem a singela aparência de “uma sociedade báquica e filantrópica, comedora, bebedora, cantante e beneficente”; veremos se não há nada por trás disso. Eles são tão inocentes quanto são pedreiros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se entendermos que o maçom é um pedreiro <em>livre</em>, o véu da associação já se levanta um pouco. É <em>livre</em> com que liberdade?<em> Livre</em> em relação a quê? <em>Livre</em> de fazer o quê? Logo veremos quão terríveis são esses mistérios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse nome bizarro de maçom ou pedreiro-livre lhes vem, ao que parece, da Escócia. Depois que o Papa Clemente V e o rei de França Felipe o Belo com muita justiça aboliram, no começo do século catorze, a ordem dos Templários<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>, muitos desses infames se acoitaram na Escócia, e lá formaram uma sociedade secreta, devotando ódio implacável e eterna vingança ao papado e à realeza. Para melhor disfarçar as suas conspirações, afiliaram-se a corporações de pedreiros, assumiram-lhes as insígnias e o jargão, e mais tarde espalharam-se por toda a Europa, com os favores do protestantismo. A organização definitiva da maçonaria parece datar dos primeiros anos do século dezoito<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para jogar fumaça nos olhos do vulgo, alegam que [a origem da seita] remonta até ao Templo de Salomão, até à Torre de Babel, até ao dilúvio, quiçá ao paraíso terrestre – e muitos adeptos foram assaz ingênuos em acreditar em tais bobagens.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que é, pois, a maçonaria? Como se tornar um maçom? Que acontece nas Lojas? Que fazem as Lojas Secretas que estão por trás das Lojas? A maçonaria é uma instituição louvável, moral, religiosa ou ao menos beneficente? Não é em essência anticristã, anticatólica? É poderosa e ativa? Que quer? É permitido alistar-se sob a sua bandeira misteriosa?&#8230; Vamos em breve responder a essas graves questões<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>, mas antes façamos uma distinção importante.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>II &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Dois tipos de maçons</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Existe a maçonaria que se entrevê, e a maçonaria que não se vê de modo nenhum, e ambas compõem uma só: “A maçonaria é una, o seu começo é único”, afirmava outrora certo <em>Irmão</em> Ragon, uma das instâncias mais críveis da seita<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maioria absoluta dos maçons pertence à primeira. Entre os oito milhões de adeptos, “só há quinhentos mil membros ativos”. Esta é a confissão oficial que escapou ao jornal <em>Le Monde Maçonnique,</em> no número de agosto de 1866.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esses quinhentos mil são maçons em atividade nos serviços, os maçons de escol; mas ainda não são os maçons das Lojas Secretas, os maçons celerados, que sabem o que fazem, que querem deliberadamente destruir o cristianismo, a Igreja e a sociedade, e que, com diferentes nomes, compõem as denominadas sociedades secretas. Esses são os chefes da Revolução, que deseja, como todos sabem, sublevar o mundo e substituir por toda a terra “os direitos e o reino de Deus pelos direitos do homem”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os oito milhões de homens iniciados na maçonaria exterior são quase todos incautos, que na maior parte do tempo desconhecem para onde são levados. Servem-se dessa maçonaria como de um depósito onde apanham recrutas, como se fossem boas vacas leiteiras que podem conduzir à vontade, ou trompas que em todo lugar conclamam loas à maçonaria, disseminam a sua influência, atraem-lhe simpatias&#8230; e dinheiro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por trás dessa multidão que bebe, canta e fala de moral, os verdadeiros maçons escondem muito bem escondidas todas as tramas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre os maçons de fora, pode haver e com certeza há pessoas corretas segundo o mundo, corações generosos e devotados que, se conhecessem a Religião, seriam cristãs, mas cuja ignorância os transvia por falsos caminhos. Deixam-se enganar com as aparências de fraternidade e beneficência, e se indignam de boa-fé quando a Igreja denuncia e exproba a ordem maçônica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maioria dos maçons é composta de grandes e pequenos burgueses sem religião; são os homens probos, bons tolos que se levam pela coleira, e que todos os chefes de seita farejam de longe: essas pessoas ficam perturbadas quando chegam a descobrir a profundidade do abismo que cavaram com as próprias mãos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ainda fazem parte da maçonaria os ambiciosos, os advogados sem causa e sem consciência, os dúplices, os revolucionários, os ideólogos que almejam o desconhecido, os filantropos das causas da moda – enfim, e sobretudo, os homens de deleite, que só pedem que a pretensa moralização e a salvação do gênero humano se faça comendo, bebendo e cantando. Os militares abundam na maçonaria, bem como os donos de cabaré; só em Paris, perto de dois mil cabareteiros freqüentam <em>piedosamente</em> as Lojas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Concedendo embora que existam aqui e ali pessoas de bem que estão perdidas nas fileiras da maçonaria, seremos forçados a declarar, quando penetrarmos nos seus mistérios, que, se ainda há alguém assim, já não haverá mais.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>III &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Qual é o segredo da forma de recrutamento da maçonaria</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pode-se dizer que esse é o segredo do demônio. Escutem e julguem:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“O essencial, escrevia um dos chefes ocultos, apelidado de &#8216;Tigrinho&#8217;, o essencial é afastar o homem da sua família, e fazê-lo esquecer os costumes dela. Por causa da inclinação do caráter, ele tem disposições excelentes para fugir dos cuidados da casa e buscar os prazeres fáceis e os gozos proibidos. Ama as longas conversas no café, a ociosidade dos espetáculos. Arraste-o, estimule-o, dê-lhe qualquer importância, ensine-o com discrição a entediar-se das tarefas cotidianas, e por esse adestramento – depois de separá-lo da mulher e dos filhos, depois de mostrar quão penosos são todos os deveres – você lhe há de inculcar o desejo de uma outra existência. O homem nasceu rebelde; atice esse desejo de rebelião até ao ponto do incêndio, mas não deixe o incêndio principiar-se. Essa é a preparação para a grande obra que você deve começar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Quando tiver instilado em algumas almas o desgosto pela família e a religião (pois quase sempre um acompanha o outro), deixe escapar certas palavras que provoquem o desejo de afiliar-se à Loja mais próxima. Essa vaidade do cidadão ou do burguês de enfeudar-se na maçonaria tem algo de tão banal e universal, que sempre me admiro da estupidez humana. Espanto-me de não ver o mundo inteiro bater à porta dos Veneráveis, e pedir a esses senhores a honra de ser um dos operários escolhidos para a reconstrução do Templo de Salomão. O prestígio do desconhecido exerce tal influência nos homens, que eles tremem durante a preparação das fantasmagóricas provações da iniciação e do banquete fraternal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Ver-se como membro duma Loja, sentir-se – a despeito da esposa e dos filhos – chamado a guardar um segredo que jamais lhe será confiado, provoca em certas constituições morais volúpia e ambição<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que me dizem os senhores? Quanta monstruosidade!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já outro maçom, o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>.<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a> Clavel, expõe, embora com menos cinismo, um sistema de recrutamento tão honesto quanto o anterior. Ei-lo nas suas próprias palavras; devemos dar graças a Deus por esses ímpios às vezes nos entregarem assim o segredo da conspiração:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A maçonaria, <em>digam para aqueles a quem queiram alistar,</em> é uma instituição filantrópica progressista, cujos membros vivem como irmãos, sob os auspícios de uma afetuosa igualdade&#8230; O maçom é cidadão do universo: não há lugar onde não encontre Irmãos pressurosos em acolhê-lo bem, sem que seja necessário recomendá-lo senão pelo título de maçom, sem que seja apresentado a eles senão com as palavras misteriosas e os sinais adotados pela grande família dos iniciados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Para espicaçar os curiosos, <em>acrescentem</em> que a sociedade conserva religiosamente um segredo que só é e só pode ser compartilhado com maçons.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Para convencer os homens de deleite, <em>valorizem-se</em> os frequentes banquetes em que a boa mesa e os vinhos generosos excitam a alegria e fortalecem os laços de uma fraternal intimidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Digam</em> aos artistas e comerciantes que a maçonaria lhes será frutífera, estendendo o círculo de relações e oportunidades. – <em>Assim temos argumentos para pessoas de todas as inclinações, de todas as vocações, de todos os níveis intelectuais, de todas as classes<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn7" name="_ftnref7"><strong>[7]</strong></a>.</em>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sincero leitor, mais uma vez, que o senhor me diz sobre isso?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para completar o quadro, poderíamos acrescentar: para que os cristãos não se assustem, saciem-nos de belas palavras; <em>digam-lhes</em> que a maçonaria não exclui nenhuma religião; que existem até padres que participam dela, etc. – Certo dia, não é que uma boa mulher, mãe de família, não chegou a consultar um santo sacerdote, pároco de amigos meus, e a lhe perguntar com muita seriedade se era verdade “que os padres dominicanos estavam à frente dos maçons, na França? Eles atormentam o meu marido, para que ingresse na Loja, mas como eu me oponho com todas as forças, eles vieram dizer-me que os padres dominicanos pertenceriam àquela sociedade e a dirigiriam. É verdade?”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esses são os dignos segredos do recrutamento da maçonaria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>IV &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Com que cerimonial se ingressa na maçonaria</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando uma dessas “constituições morais” cai no visgo de um manipulador qualquer, eis o que acontece. É algo grotesco e culpável – o que não é dizer pouco.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O primeiro grau da maçonaria exterior é o grau de <em>Aprendiz</em>; o segundo, o de <em>Companheiro;</em> o terceiro, o de <em>Mestre.</em> Grau aqui quer dizer ascensão em direção à luz. Claro, nós cristãos, homens de fé e de bom senso, não passamos de <em>profanos</em>, destinados às trevas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Primeiramente, o novato se apresenta para se tornar <em>Aprendiz Maçom</em>. No dia marcado para a admissão, “um <em>Irmão</em>, que ele não conhece, o conduz até o local da Loja”, e o introduz em um quarto vazio, onde encontra, entre duas velas, a Bíblia aberta no capítulo primeiro do evangelho de São João. Por que isso? Responderia um maçom inocente: “Porque somos pessoas religiosas e esclarecidas”; mas o que responderia um maçom iniciado, um maçom das Lojas Secretas, de quem falaremos daqui a pouco, que afirma em alto e bom som que o único Deus que existe é a natureza, e que a maçonaria cultua o sol?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deixa-se o aspirante sozinho por alguns minutos: a espera confere emoção à coisa. Em seguida, removem-lhe as roupas, desnudando o lado esquerdo do tronco e o joelho direito; mandam-lhe calçar sapatos empantufados (este pormenor é importantíssimo); retiram-lhe o chapéu, a espada (ele deve portar uma) e todo “o metal” que tenha consigo, ou seja, o dinheiro. Vedam-lhe os olhos e o conduzem até a “câmara&#8230; de reflexões”. Proíbem-no de retirar a venda até que tenha ouvido três grandes pancadas. Deixam-no sozinho novamente; ele passa algum tempo nessa inquieta expectativa que a sequência de mistérios provoca no imbecil. Enfim, ele escuta o sinal; retira bem depressa a venda: surpreende-se em uma sala revestida de preto, e nas paredes lê, com uma alegria fácil de entender, inscrições encorajadoras como estas:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Se fores dissimulado, serás descoberto. – Se tens medo, não vás adiante. – Poder-se-ão exigir de ti os maiores sacrifícios, até o sacrifício da vida; estás disposto? </em>etc&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nessa “câmara de reflexões”, o candidato é obrigado a fazer o testamento e responder <em>por escrito</em> estas três perguntas:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Quais são os deveres do homem para com Deus?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Quais são os deveres do homem para com o semelhante?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8211; Quais são os deveres do homem para consigo mesmo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. <em>Terrível</em> leva ao Venerável o testamento e as respostas. Quaisquer que sejam as respostas, o candidato é sempre admitido. Proudhon, o ateu, o blasfemador, foi admitido, depois destas respostas: “Justiça para todos os homens”, “Devoção ao país”, “<em>Guerra a Deus!”. </em>Leve-se em conta que se tratava da Loja da <em>Sinceridade, Perfeita União e Constante Amizade.</em> Uma Loja tão amena não poderia recusar um candidato tão perfeitamente sincero, tão sinceramente perfeito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. <em>Terrível</em> retorna até o pobre candidato, veda-lhe de novo os olhos, e lhe passa ao redor do pescoço uma corda, cuja ponta segura, para assim levá-lo à porta do <em>templo</em>, onde manda que o candidato bata três vezes com força. Os que estão no templo se seguram para não rir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>templo</em> é revestido de azul, pois o que lá acontece tem um caráter celeste. Um Irmão, chamado <em>Primeiro Vigilante,</em> indica com gravidade ao Venerável as batidas dadas na porta. Diálogo entre o Venerável, o Primeiro Vigilante e o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Terrível; após isso, introduzem o postulante no templo. Nele há duas colunas, entre as quais colocam o aspirante, sempre com a corda no pescoço. O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Terrível apoia fraternalmente a ponta de uma espada contra o coração dele, e começa o interrogatório.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Venerável, colocando os óculos sobre o venerável nariz, declara com voz sombria – porém venerável: “Que estais sentindo? Que estais vendo?” (perguntas indelicadas a um pobre-diabo de olhos vendados e com o estômago na mira de uma espada).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Responde o postulante candidamente: “– Eu não vejo nada, mas sinto a ponta de uma arma”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Venerável: “– Refleti bem no passo que estás dando. Serás submetido a terríveis provações. Sentes coragem de enfrentar os perigos a que poderás ser exposto?”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O postulante, com energia: “– Sim, senhor! ”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Venerável, sem rir: “– Então, já não respondo por vós!&#8230; Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Terrível, retirai o profano do templo, e levai-o aos lugares por onde deve passar o mortal que aspira a conhecer os nossos segredos.” – São todas palavras textuais, como textuais são as que vêm em seguida. Elas foram retiradas do Ritual Maçônico, reeditado com muito cuidado nesses últimos tempos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim que o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Terrível retira a corda, conduz o aspirante, cujos olhos ainda estão vendados, e o obriga a rodopiar uma meia dúzia de vezes na Sala dos Passos Perdidos; quando o Irmão o percebe estonteado, leva-o com delicadeza para dentro da Loja, sem que o paciente ofereça resistência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Atenção! As provações vão começar. Seria o martírio de um bobo, não fosse a iniciação a coisas detestáveis.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>V &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Primeira e terrível provação do Aprendiz Maçom</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No meio da Loja está estendido um grande quadrado de papel, à guisa de cerca para um picadeiro de circo. Os Irmãos carregam o quadrado, que é o instrumento da primeira provação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Que se há de fazer com o profano?”, pergunta o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Terrível ao Venerável, que responde: “Introduzi-o na caverna”. Dois maçons logo seguram o aspirante e o jogam com todas as forças por sobre o quadrado, que se rasga ao lhe dar passagem. Do lado oposto, outros dois maçons recebem entre os seus braços o paciente. Fecham com violência a porta dupla; simulam o ruído de trancas e fechaduras, e o ponderado postulante acredita que está recluso na famosa caverna&#8230; Decorrem alguns instantes em silêncio profundo – é o silêncio da tumba!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De repente o Venerável (espirra) dá um golpe com o martelo (sobre qualquer coisa), obriga o aspirante a ajoelhar e dirige ao dono do estabelecimento, que chamam de “Grande Arquiteto do Universo” (G.A.D.U.), algo no feitio de uma prece. A maçonaria é muito pródiga nessas preces; eles espalham o nome de Deus conforme lhes dê no goto. Mas é uma indigna hipocrisia, pois logo veremos que na verdade a maçonaria é ateia, e “<em>que o culto da Natureza é a finalidade do maçom”,</em> como ousa declarar o autor sagrado de um de seus livros oficiais<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Venerável manda o aspirante, sempre de olhos vendados, sentar-se em um banco cheio de pontas (para a sua maior comodidade) e lhe pergunta se ainda persiste neste <em>nobre</em> ensejo. O bobo da corte responde com entono que sim. Seguem-se perguntas sobre moral e sobre absurdidades, e um discurso sentimental do Venerável acerca dos deveres dos maçons, cujo primeiro, diz ele, “é conservar absoluto silêncio sobre os segredos da maçonaria”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dentro em breve veremos se tais segredos se harmonizam com esse cerimonial pueril; além do mais, por que existem segredos em uma sociedade que se declara tão somente beneficente e filantrópica?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Logo em seguida começa outro embuste: 0 Venerável pergunta ao aspirante se ele é sincero e se pode dar a palavra de honra. Ao seu comando “o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Sacrificador” conduz o paciente “ao altar”, e o manda beber em um cálice dividido em dois compartimentos. “Se não fordes sincero, a doçura desta bebida se transformará para vós num veneno sutil”. Por meio de um pino, dão-lhe a beber, sem que perceba o mecanismo do cálice, primeiramente água pura, e depois uma bebida amarga. Não é preciso dizer que ele ainda está de olhos vendados e, ao sentir o amargor, faz uma careta. De imediato o Venerável, que tem mais classe do que parece, dá mais um golpe com o martelo e exclama: “Que estou vendo, senhor? Que significa esta súbita alteração nas vossas feições? Será que para vós a bebida doce se transformou em veneno?&#8230; Afastai o profano daqui!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Terrível coloca o postulante entre as duas colunas. O Venerável ainda o avisa: “Se quiserdes enganar-nos, não penseis que conseguireis, antes vos seria melhor sair imediatamente; ainda sois livre. A certeza da vossa perfídia ser-vos-ia fatal, e vos obrigaria a <em>renunciar para sempre o retorno à luz do dia</em>. Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Terrível, conduzi o profano novamente para a câmara de reflexões”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se o postulante está decidido a continuar, passa-se à segunda provação.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>VI &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>As três viagens: segunda provação do Aprendiz Maçom</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando constato que há séculos milhões de homens se submetem a essas práticas tolas e humilhantes, assalta-me uma espécie de pesar; juntamente com o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Tigrinho, “admiro-me da estupidez humana”. Se o demônio não estivesse envolvido nisso, nenhum homem sensato <em>seria</em> <em>capaz</em> de se conformar a fantasmagorias tão pueris e repugnantes ao bom senso. Se essa coisa já não estivesse absolutamente comprovada, e se o ritual, impresso pela seita, não estivesse à disposição, impossibilitando quaisquer dúvidas, não acreditaríamos que homens dotados de razão, que se pavoneiam como pensadores mais ou menos livres, praticassem esses ritos absurdos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A primeira <em>viagem</em> consiste em andar três vezes à roda da Loja, organizada a contento para esse propósito. O paciente, sempre de olhos vendados, e conduzido pelo Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Terrível, anda por cima de várias tábuas móveis que, pousadas sobre rodinhas e cheias de asperidades, lhe fogem de sob os pés; depois, sobre outras tábuas basculantes, que de imediato se inclinam debaixo dele e lhe dão a sensação de cair em um abismo. Depois, mandam-lhe galgar os degraus da “Escada sem Fim”; se lhe dá vontade de parar, dizem-lhe ainda assim que suba, até que enfim chegado (ao menos acredita ele) a uma grandíssima altura, ordenam-lhe que se precipite de lá&#8230; caindo de uma altura de pouco menos de 1 metro! Durante esse tempo os circunstantes simulam (como contra-regras de teatro) ruídos de vento, geada e trovões, gritos de crianças – uma agitação espantosa. E assim termina a primeira <em>viagem</em>. De fato, é uma besteira sem tamanho!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A segunda viagem se parece com a primeira e a terceira com a segunda: a mesma delicadeza zombeteira e o mesmo heroísmo do Aprendiz de conspirador. Entre cada viagem, o Venerável finge duvidar da coragem do iniciante; ele insta para que não continue, mas o outro sempre avança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todavia, na terceira viagem, há uma novidade: a exemplo de D. Quixote e Sancho Pança, que também estavam de olhos vendados sobre o famoso cavalo de madeira, passam pelo nariz do infeliz aspirante umas não sei que chamas ditas purificadoras: “Que passe pelas chamas purificadoras, exclama o Venerável, para que não lhe reste nada de profano!” Enquanto o postulante desce austero os degraus do Oriente (esse é o lugar onde se assenta o Venerável), a fim de retornar para entre as duas colunas, o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Terrível o envolve, por três vezes, com chamas que se produzem com não sei que pólvora ou gás preparado para a ocasião.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E pensar que homens de todas as idades e condições – cientistas, acadêmicos, operários, generais, marechais de França, altos dignitários, pais de família, homens de boa sociedade – passaram, passam e passarão por isso! É algo que confunde e humilha a espécie humana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas ainda não terminamos, pois o postulante ainda não é maçom.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>VII &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>As provações finais</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Profano, diz o Venerável, fostes purificado pela terra, pelo ar, pela água e pelo fogo. Não tenho palavras para a vossa coragem; tomara que ela não vos tenha abandonado, pois ainda há provações por que deveis passar. <em>A sociedade na qual desejais ser admitido talvez vos exija que derrameis até a última gota de sangue por ela. Estais preparado?” </em>Essa é a segunda vez que o avisam: para ser maçom, ele tem de se comprometer solenemente com <em>tudo</em> que os interesses da maçonaria exijam, a ponto de se dispor a sacrificar a vida ao primeiro sinal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após a resposta afirmativa do postulante, acrescenta o Venerável: “Precisamos convencer-nos de que a vossa concordância não é vã. Permiti que vos abramos uma veia neste instante?” Dado o consentimento do postulante, fazem-lhe uma sangria bem superficial, mas simulam um esguicho de sangue e lhe enfaixam o braço.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Venerável propõe em seguida lhe imprimir sobre o peito o <em>selo maçônico</em>, com um ferro quente. O aspirante também consente nisso. Encostam-lhe, pois, sobre o peito o pavio incandescente de uma vela recém-apagada, ou um pedacinho de vidro que se esquentou de leve em um papel inflamado. Enfim, o postulante deve falar em baixa voz ao “Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Hospitaleiro” o valor da oferta que quer doar aos maçons indigentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este é o fim das famosas provações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Venerável dirige ao aspirante uma arenga bem sentida, e louva-lhe a coragem, naquele estilo especialmente enfático e oco, cujo segredo a maçonaria conserva com piedade; e como prêmio do seu heroísmo ordena ao Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Mestre de Cerimônias “que o inicie no grau de Aprendiz, ensinando-lhe&#8230; a dar o primeiro passo em um dos ângulos de um grande quadrado! Vós o mandareis dar outros dois passos, acrescenta com gravidade, e logo o conduzireis ao altar dos juramentos”. Os três passos em um dos ângulos de um grande quadrado são <em>a marcha do Aprendiz Maçom</em>. A “constituição moral” que permitiu que lhe vendassem os olhos, fustigassem-lhe o estômago, jogassem-no através do papel para dentro de uma caverna, dessem-lhe água de beber; que escorregou, saltou, etc., nas três viagens; que galgou a <em>escada sem fim</em> e deixou que o empurrassem heroicamente em um abismo de menos de 1 metro; que se purificou no fogo da pólvora, derramou o nobre sangue, prometeu e escutou belas coisas – essa “constituição moral” está enfim iniciada em algo de muito sério: ensinaram-lhe a “dar três passos em um ângulo de um grande quadrado!”</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>VIII &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>O juramento</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes do juramento solene, ainda há uma cerimoniazinha. O neófito, com os olhos ainda encobertos pela venda, é “levado ao altar dos juramentos”, onde se ajoelha, enquanto o “Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Mestre de Cerimônias” lhe encosta sobre o peito esquerdo a ponta de um compasso. Sobre o altar há uma Bíblia aberta, e sobre a Bíblia uma espada esquisita.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“De pé e em ordem, meus Irmãos, exclama o Venerável, o neófito vai fazer o terrível juramento”. Terrível, de fato; nesse momento, param as brincadeiras e se revela a verdadeira maçonaria. Os assistentes se levantam, desembainham as espadas, e o postulante faz o juramento ímpio que se vai ler:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Eu juro, em nome do Arquiteto Supremo do Universo, jamais revelar os segredos, os sinais, os cumprimentos, as palavras, as doutrinas e os costumes dos maçons, e sobre eles conservar acima de tudo um eterno silêncio. Prometo e juro a Deus nunca os revelar por escrito, sinais, palavras ou gestos, nem mandá-los escrever, litografar, imprimir; nem publicar nada do que me confiaram até agora e do que ainda me confiarão no futuro. Se eu não mantiver a palavra, comprometo-me e submeto-me à seguinte pena: sejam-me queimados os lábios com ferro em brasa, decepadas as mãos, arrancada a língua, cortada a garganta; seja o meu cadáver pendurado em uma Loja durante os trabalhos de admissão de um novo Irmão, para exprobação da minha infidelidade e temor dos demais; seja depois incinerado e as cinzas jogadas ao vento, a fim de que não se conserve a memória da minha traição. Que Deus e o seu Santo Evangelho me ajudem a cumpri-lo. Assim seja.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esses infelizes enfiam o nome de Deus e do Evangelho nos seus juramentos detestáveis, e se entregam, de mãos e pés atados, a um poder oculto, que não conhecem nem conhecerão; que lhes mandará matar, e eles terão de matar; que lhes mandará violar as leis divinas e humanas, e eles terão de obedecer, se não morrem! Um homem correto – não precisa ser um cristão, mas um simples homem correto, na acepção mais frouxa da palavra – seria capaz, pergunto eu, de fazer um juramento maçônico?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após o juramento, o postulante é reconduzido até entre as duas colunas. Todos os Irmãos (e que irmãos!) se reúnem em círculo em torno dele e lhe apontam as espadas nuas, “de modo que ele seja o centro de onde partem os raios”. O Mestre de Cerimônias, atrás do neófito, apressa-se em lhe retirar a venda, enquanto outro Irmão, diante dele, aproxima do nariz do infortunado a lâmpada e a pólvora inflamável que se usou para as chamas purificadoras. E recomeça a pantomina. “Julgais este aspirante digno de ser admitido entre nós?”, pergunta o Venerável ao Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Primeiro Vigilante.” “Sim, Venerável”, responde. “Que pedis para ele?” “A luz.” O Venerável, em tom solene: “Que se faça a luz!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ele dá três grandes marteladas. Ao terceiro golpe, cai a venda, queima-se a pólvora, e o neófito, ofuscado&#8230; só consegue enxergar o fogo. Depois percebe, com grande contentamento, todas as espadas apontadas para o peito; os seus excelentes Irmãos gritam a uma só voz: “Que Deus puna o traidor!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não temais, meu Irmão, continua o Venerável; não temais dano algum das espadas que estão apontadas para vós. Elas são temíveis apenas para os perjuros. Se fordes fiel à maçonaria, como esperamos, essas espadas estarão sempre prontas a vos defender. Ao contrário, se chegardes a traí-la, <em>nenhum lugar da terra vos servirá de abrigo contra essas armas vingadoras.”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Venerável ordena que conduzam o novo Irmão ao altar, e de novo obrigam-no a ajoelhar-se (diante de que e de quem?); o Venerável, então, retirando do altar (dedicado a quem?) a espada esquisita, coloca a ponta dela na cabeça do novo Irmão e o consagra <em>Aprendiz Maçom</em>, dizendo-lhe: “Em nome do Grande Arquiteto do Universo, e em virtude dos poderes que me foram confiados, eu vos ordeno e constituo Aprendiz Maçom e membro desta respeitável Loja”. Depois, erguendo o novo adepto, cinge-o com um avental branco, dá-lhe um par de luvas brancas, que o Maçom tem de carregar consigo como emblema de inocência (!!!) e, quer seja casado quer não, um par de luvas femininas, que “oferecerá àquela que mais <em>estime</em>”. [&#8230;] Enfim, o Venerável revela ao Aprendiz os sinais, as senhas e os segredos reservados ao grau do neófito, e lhe dá o fraterno beijo triplo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ignoro o que possam ser tais segredos reservados; pois, segundo a expressão formal do Ritual da Loja Mãe dos Três Globos (<em>sic</em>), “fazem-se ao Aprendiz somente insinuações, nunca se dá uma explicação completa, porque não seria possível explicar e compreender <em>o menor dos pormenores</em> sem revelar a totalidade do conjunto”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quaisquer que sejam tais segredos, a iniciação está proclamada; a Loja inteira aplaude, e o novo maçom, vestindo novamente a roupa, é instalado no seu lugar. O “Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Orador” lhe faz um discurso que encerra essa fantasmagoria sacrílega.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>IX &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Do grau de Companheiro, que é o segundo grau maçônico</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O segundo grau da maçonaria exterior é o grau de <em>Companheiro Maçom</em>. Quando o desditoso Aprendiz está cansado de nada aprender, começa a esperar a iniciação no grau de Companheiro. Eis como as coisas acontecem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Aprendiz postulante já não está de olhos vendados, porque pediu a luz e lhe acenderam pólvora nos olhos; ele vai bater à porta da Loja<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a> na qualidade de Aprendiz. O Venerável lhe convida a entrar, interroga-o e lhe ordena dar cinco voltas pela Loja, na companhia do Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Mestre de Cerimônias. Denominam tais rituais de “as viagens misteriosas”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois, mandam-no martelar três vezes uma pedra bruta (quem puder, entenda). Chamam a isso o último trabalho do Aprendiz. O Venerável “explica” o significado de uma estrela chamejante, que está pintada em uma tela estendida no chão; diz-lhe que é “o símbolo do fogo sagrado, da porção de luz divina que o Grande Arquiteto do Universo formou nas almas” (uma rematada heresia, que cheira muito a panteísmo). Entenda ou não o significado disso, conduzem-no ao altar como da primeira vez, e ali, de joelhos, presta novo juramento de fidelidade maçônica – esse horrível juramento condenado pelas leis divinas e humanas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em seguida proclamam-no Companheiro, sob os aplausos da Loja, e o conduzem já não “a leste”, como na recepção do Aprendiz, mas “em direção à coluna do meio-dia”, onde padece um novo discurso do “Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Orador”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo isso é tão boboca que, mais do que rir, gostaríamos de ficar coléricos. Na França existe um milhão e seiscentos mil indivíduos – a maioria, de pessoas instruídas e letradas – que passaram pelas forcas caudinas das sociedades secretas<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn10" name="_ftnref10"><sup><sup>[10]</sup></sup></a>! E pensar que no mundo inteiro são oito milhões!</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>X &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Do terceiro grau, que é o grau de Mestre Maçom</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ainda estamos falando apenas da maçonaria exterior: o grau de Mestre Maçom é o terceiro e último, pois a dignidade de Grande Oriente e as demais dignidades acessórias que compõem o conselho exterior da Ordem Maçônica não são graus propriamente ditos. É como um general que, para ser nomeado Ministro da Guerra, não precisa subir de posto: ele ganhou uma dignidade ou comando, mas é só. Assim o Maçom denominado Grande Oriente é um Mestre Maçom como todos os outros, embora tenha recebido o comando exterior de todas as Lojas de uma obediência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na maçonaria existem vários ritos ou obediências, que só diferem entre si por matizes. Na França gozamos de três ritos maçônicos: <em>o rito do Grande Oriente da França</em>, <em>o rito escocês</em>, cujo grão-mestre é um velho acadêmico, e o terceiro, que chamam de <em>o rito Misraím</em>. Misraím é o nome que a ciência cabalista dá desde sempre a um demônio cheio de poder e perversidade. O rito Misraím considera o <em>piedoso</em> Cam, o filho maldito de Noé, o seu primeiro pai.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas retornemos ao nosso Companheiro, que arde de impaciência por se elevar ao grau de Mestre. O cerimonial vai aumentando em solenidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Loja já não se chama Loja: denominam-na <em>a câmara do meio</em>. O celeste império chinês também se denomina Império do Meio. Essa câmara do meio é forrada de um tecido preto (para significar luz e alegria), repleta de desenhos de crânios, esqueletos e ossos cruzados, bordados em branco, sem dúvida obra dos maçons “que têm maior estima” pelos maçons desse meio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma vela de cera amarela (prestem atenção: amarela), posicionada a oriente (não a ocidente, senão tudo estaria perdido), e uma lanterna de furta-fogo, em formato de crânio, por onde as luzes saem tão somente do fundo das órbitas vazias – estão postas por sobre o altar do Venerável. O Venerável já não é venerável. Neste ambiente muito respeitado, doravante ele se chama “Respeitável Mestre da Câmara do Meio”. Essa “câmara do meio” e o seu Respeitável Mestre são iluminados, de acordo com a necessidade, pela vela amarela e a lanterna de crânio. No meio da “câmara do meio”, se a pessoa tem bons olhos, enxerga-se (ó lídimas alegrias da maçonaria) um caixão! Sim, um caixão, um caixão de verdade, no qual está quer um maçom, quer um manequim (pouco importa); segundo o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Clavel a pessoa do caixão “deve ser o último Mestre a ter ingressado”. O Ritual não diz se esse último Mestre gosta da brincadeira de ficar no caixão. Creio que ele acharia melhor ser um Respeitável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para consolá-lo, colocam-lhe sobre a cabeça um esquadro, sobre os pés um compasso, e acima dele um galho de acácia (decerto para protegê-lo do sereno). Todos os Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Mestres estão vestidos, já não de branco, mas de preto; nas Lojas mais joviais, usam por sobre as pernas um avental preto com um crânio bordado a primor. Enfim, para completar, todos trazem consigo, do ombro esquerdo à cintura direita, uma grande faixa azul, onde estão bordados o sol, a lua e as estrelas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabem os senhores por que eles estão assim apinhados na “câmara do meio”? Ouçam o Respeitável: “Para que propósito nos reunimos?”, pergunta ele. “Para reencontrar a palavra do Mestre, que está perdida”, lhe responde grave o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Primeiro Vigilante. O Respeitável então ordena que se busque “a palavra”. Parece que todos a conhecem, pois se pergunta sobre ela a cada um deles, e cada um deles a comunica. “Qual a vossa idade?”, pergunta o Respeitável ao Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Primeiro Vigilante. “Sete anos”, responde com ingenuidade, não se sabe por quê. Um Mestre Maçom sempre tem sete anos – é a idade da candura. “Que horas são?”, continua o Respeitável. “Meio-dia em ponto”, diz o outro. Após várias perguntas e respostas da mesma profundidade, escuta-se baterem à porta, ao estilo dos Companheiros: toc-toc, toc, toc-toc. É o nosso Companheiro Maçom, que se apresenta. Está descalço, com o braço esquerdo nu, o peito esquerdo nu; no braço direito do ingênuo pende majestoso um esquadro, e em torno da cintura um cíngulo de três voltas. A ponta da corda está na mão do Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Experto, no rito do Grande Oriente da França; na do Mestre de Cerimônias, no rito escocês; na do Primeiro Diácono, nas Lojas inglesas e americanas. No rito Misraím, deve estar na mão do diabo em pessoa. Vestido com este figurino, o Companheiro recipiendário bate à porta, e começa uma cena impagável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Após a batida, diz o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Clavel, após a batida a assembléia se emudece”. Há um motivo. Com a voz impostada, o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Primeiro Vigilante exclama: “Respeitável, um Companheiro acaba de bater à porta”. “Vede&#8230; o que quer&#8230; esse Companheiro”, responde com compreensível emoção o Respeitável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Procurem as informações; como sabemos tudo por antecipação, o caso não parece muito complicado. “Por que o Mestre de Cerimônias vem perturbar a nossa dor?” – diz, lúgubre, o Respeitável. “Não seria esse Companheiro um dos miseráveis que o céu entregou a nossa vingança? Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Experto, armai-vos e cuidai desse Companheiro. Visitai-o e assegurai-vos de que nele não há nenhuma nódoa de cumplicidade na comissão desse crime”. Esse crime é a pretensa morte do arquiteto Adoniram, assassinado por três Companheiros, enquanto dirigia os trabalhos do Templo de Salomão; em realidade, trata-se da execução dos Templários, avós espirituais dos maçons.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O experto arranca o avental do Companheiro; enquanto o Companheiro permanece à porta, guardado fraternalmente por quatro Irmãos armados até os dentes, o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Experto retorna ao Respeitável e lhe diz com todo o respeito: “Respeitável, nada encontrei neste Companheiro que apontasse um crime de morte. As vestes estão brancas, as mãos estão puras, e este avental que vos trago está sem mancha”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Respeitável finge que ainda não se convenceu. “Veneráveis Ir.<strong><sup>.</sup></strong>., tenho um pressentimento que me agita, etc. Não será preciso interrogá-lo?” Todos os maçons curvam as cabeças maçônicas, em sinal de assentimento; o Respeitável, ao escutar do Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Experto que o Companheiro conhece a senha, exclama, cheio de estupor: “A senha!&#8230; Como pode ele conhecê-la?&#8230; Oh!&#8230; Só pode ser por causa do seu crime”. Rapidamente recomeçam a perquirição em todos os bolsos, cantos e recantos do Companheiro, que fica lá, meio desnudo como Marlborough entre os seus quatro oficiais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Durante todo esse tempo, o infortunado Mestre – o último recebido – se aborrece no caixão, e medita bem à vontade sobre a profundidade das cerimônias maçônicas. Como são um pouco longas, ele tem de tomar as suas precauções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Experto visita o Companheiro e lhe fita a mão direita: “Pelos deuses! Que estou vendo!”, grita aterrorizado, fingindo que percebe alguma coisa. “Fala, desgraçado! Confessa o crime. Como conhecerias a senha? Quem a transmitiu para ti?” O inocente Companheiro responde com perfeita serenidade: “A senha? Não a conheço. O meu guia a dará por mim”. É neste momento que ele é introduzido aos empurrões até o meio da “câmara do meio” e, chegado ao caixão, obrigam-no a dar meia-volta, para que veja o dito caixão onde jaz o último Mestre recebido, que se faz de morto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Respeitável lhe explica como pode que estão todos ocupados em prantear o respeitável Mestre Adoniram, morto à traição por três Companheiros (cerca de mil e oitocentos anos atrás), e lhe aponta o pobre Mestre – o último recebido – deitado no caixão. O Companheiro declara, óbvio, que não matou o Mestre Adoniram, e o Respeitável, satisfeitíssimo com a justificativa, ordena, para mal dos seus pecados, que o façam “viajar”. Já conhecemos essas viagens ridículas; a única diferença desta em relação às outras é a companhia fraternal de quatro maçons armados. O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Experto segue o viajante e o mantém na rédea pela ponta da corda. Após o retorno das “viagens”, o Companheiro já é Mestre; ele presta o juramento de joelhos, com as duas pontas de um compasso sobre o peito. Conduzem-no então “a Ocidente”, donde o levam novamente “a Oriente” – é a misteriosa marcha do grau de Mestre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa “marcha misteriosa” dá tempo ao Irmão morto para que saia do caixão sem fazer alarde; quando o recipiendário se reaproxima dele, o lugar está vazio. O Respeitável desce do trono, pois ele tem um trono, e todos os Irmãos se reúnem em torno do caixão. Aqui começa a lamentável narração do pretenso assassinato do respeitável Mestre Adoniram, cometido pelos três Companheiros ciumentos: Jubelas, Jubelos, Jubelum. O Respeitável interrompe três vezes a narração, para dar ao Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Primeiro Vigilante o prazer de golpear o novo Mestre como os três assassinos golpearam Adoniram: em primeiro lugar no pescoço, com uma régua de ferro; depois no peito, com um esquadro; enfim no rosto, com um martelinho. Após isso, dois Irmãos agarram o presuntivo Adoniram e o põem no caixão como se estivesse morto. Os assistentes fingem que buscam o Mestre Adoniram; após buscas penosas de Oriente a Ocidente e de Ocidente a Oriente, encontram-no graças ao galho de acácia que lhes indica onde está o cadáver. O Respeitável declara que o corpo está em decomposição, e diz: <em>Mac Benac</em>, a carne desgarrou dos ossos. (Tudo isso é de morrer de rir.) O sobredito Respeitável retira do caixão o pretenso morto, pousa-lhe a mão esquerda sobre o ombro esquerdo, e lhe diz à orelha direita: <em>Mac</em>, e à esquerda: <em>Benac</em>, palavras que inundam de luz e consolações o ressuscitado. Os Irmãos, enfeitados de aventais pretos e crânios bordados, à luz da vela amarela e do crânio furta-fogo, começam uma animada cantoria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Novo Mestre renova o juramento “de não revelar [os segredos] aos Irmãos inferiores nem aos profanos”; conferem-lhe, pois, a iniciação, que consiste no catecismo maçônico e no sinal do Mestre, que se faz fechando quatro dedos da mão direita e pousando o polegar esticado sobre o ventre, de modo a formar um ângulo, enquanto se mantém diante dos olhos o reverso da mão esquerda, com o polegar para baixo. O Catecismo dos Mestres chama esse sinal de <em>o sinal de horror</em>, “porque significa o horror que se apossou dos Mestres quando descobriram o cadáver de Adoniram”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa brincadeira sombria é o cerimonial de iniciação ao terceiro e último grau da maçonaria exterior. Isso já de longe cheira a conspiração e sociedade secreta. Compreende-se muito facilmente por que esse incontável público das Lojas serve de posto de recrutamento para a maçonaria oculta, para os manipuladores das sociedades secretas. Veremos as enormes impiedades de que se compõem os mistérios que agora se descortinam ao Novo Mestre. É puro materialismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, é possível afirmar sem medo de errar: por mais que sejam enganados, os maçons – aprendizes, companheiros e mestres – são muito culpados, muito imprudentes e muito patetas.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XI &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Dos altos graus da Maçonaria</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Chamam-se de <em>altos graus</em> algumas iniciações, amiúde independentes umas das outras, que variam segundo os lugares e os países, dentre as quais muitas são recentes e outras deixaram de existir. Há maçons que as renegam, entre outros a maioria dos chefes da maçonaria exterior. Alguns maçons as reconhecem, louvam e se comprometem com elas, sem por isso participarem da maçonaria oculta ou das sociedades secretas propriamente ditas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os altos graus são como uma florescência cada vez mais secreta e ímpia da maçonaria comum, uma iniciação mais avançada, mas sempre incompleta, que poderíamos denominar a alma da maçonaria, ou seja, o objetivo final das suas conspirações. Esse objetivo final é a destruição universal da realeza e da religião, a revolta universal do mundo contra Deus e o seu Cristo. Satã e o homem querem reinar no <em>mundo</em>, no lugar de Deus e o seu Cristo. Descobrimos parte desse segredo infernal, mas é em vão que os maçons que ainda têm um pouco de honestidade o negam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“O objetivo da Ordem deve continuar sendo o seu principal segredo, escrevia em 1774 a Grande Loja da Alemanha; o mundo ainda não é assaz forte para agüentar essa revelação.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece que até os maçons, inclusive os de alto grau, ainda não são “assaz fortes”, pois durante a iniciação de um dos graus elevados do rito escocês, o Mestre da Loja diz ao candidato: “Por este grau, um espesso muro se levanta entre nós e os profanos, <em>e até entre muitos de nós&#8230; </em>O que aprendestes até hoje não é nada, em comparação aos segredos que certamente vos serão revelados mais tarde&#8230; <em>O cuidado que temos de escondê-los até dos próprios irmãos</em> vos deve dar a noção da dignidade da coisa” (esse é o verdadeiro estilo maçônico).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O conjunto de todos os ritos maçônicos engloba cerca de uns mil graus. No rito do Gr.<strong><sup>.</sup></strong>. Or.<strong><sup>.</sup></strong>. aparecem trinta e três; no rito escocês, também trinta e três, embora de ordinário só se confiram sete. Os outros graus, decerto, são sublimes demais, e o excesso de luz faria mal aos olhos. O rito Misraím parece que pára no número 100: sem dúvida é nele que se vê com maior claridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Note-se que, pela graça de Deus, todos os ramos da árvore maçônica se detestam entre si fraternalmente. As divisões entre eles são a nossa salvação. Na maçonaria e no protestantismo acontece um fenômeno idêntico: existe uma unidade de nome e de ódio, mas uma divisão infinita entre as seitas da Seita. A divisão é uma característica das obras de Satã, porque a unidade só subsiste na verdade e na caridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os altos graus mais conhecidos parece que são os de: 1) <em>Juiz Filósofo Grande Comendador Desconhecido, Eleito, Ancião, Cavaleiro de Santo André ou Cavaleiro do Sol; 2) </em>de<em>Cavaleiro Kadosch; </em>e 3) de<em> Rosa Cruz.</em></span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XII &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Do alto grau de Juiz Filósofo Grande Comendador Desconhecido</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na recepção do <em>Juiz Filósofo Grande Comendador Desconhecido</em>, revela-se cruamente ao adepto o sentido verdadeiro e prático da lenda de Adoniram; estas palavras são reportadas ao pé da letra pelo Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Ragon, no livro <em>Ortodoxia Maçônica</em>: “Os graus por que passastes, diz o Mestre da Loja, não vos levam a um justo juízo da morte de Adoniram, do final trágico e funesto de Jacques de Molay, que é o Grande Comandante da Ordem? <em>Não está o vosso coração pronto para a vingança, </em>não sentis o<em> implacável ódio</em> que devotamos aos três traidores<em> em quem devemos vingar a morte de Jacques de Molay?</em> Eis, meu Irmão, a VERDADEIRA MAÇONARIA, <em>como no-la transmitiram.”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na prática esses três traidores são: em primeiro lugar o <em>Papa, </em>e com ele toda a Igreja, todo o cristianismo e toda a ordem religiosa; depois o <em>Rei</em>, e com ele toda a sociedade civil e todos os governos; enfim, as forças armadas, que substituíram as antigas ordens religiosas militares, dedicadas à defesa da fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já se deixa entrever ao adepto que a doutrina fundamental da maçonaria é o ateísmo ou o culto do Deus-Natureza. “Sabei comportar-vos entre homens, lhe dizem, cuja<em> bravura e bons costumes</em> (?) <em>são toda a doutrina.</em> Essa doutrina é a regra que a nossa constituição nos impõe.” A bravura é a vontade cega e selvagem que os leva a cometer de tudo, até o crime e o assassinato; os bons costumes são a obediência aos instintos da natureza. Daqui a pouco veremos alguns exemplos disso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, acrescenta-se: “Eis que agora estais <em>no nível dos zelosos maçons que se devotaram a nós, em prol da vingança comum.</em> Escondei cuidadosamente do vulgo o grandioso destino que vos está reservado&#8230; Agora estais, meu Irmão, no patamar dos eleitos chamados a<em> cumprir a grande obra&#8230; Amém</em>!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após o <em>piedoso</em> discurso, o Mestre da Loja entrega ao novo Ir.<strong><sup>.</sup></strong>.<em> Juiz Filósofo Grande Comendador Desconhecido</em> a insígnia do seu alto grau, com a indicação do trabalho especial que lhe cabe. A insígnia – a “jóia” do adepto – é um punhal, e o trabalho é a vingança. Ficou claro?</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XIII &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Do alto grau de Cavaleiro Kadosch</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não sei por que os Cavaleiros Kadosch se chamam Cavaleiros Kadosch: <em>Kadosch</em>, com efeito, quer dizer <em>santo</em>. A iniciação deles está temperada de molhos com sabor de sangue, assassinato, vingança, revolta e impiedade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Quando Luís Felipe Égalité (o único dos pertencentes ao Grande Oriente da França admitido nos segredos tenebrosos da “verdadeira maçonaria”) foi iniciado no grau de Cavaleiro Kadosch, mandaram-no deitar-se no chão como um morto, e renovar todos os juramentos que prestara nos graus inferiores; depois, puseram-lhe um punhal na mão e lhe ordenaram que golpeasse um manequim coroado, colocado em um canto da sala, próximo a um esqueleto&#8230; Um líquido da cor do sangue jorrara da ferida sobre o candidato e inundara o piso. Recebera em seguida a ordem de cortar a cabeça do boneco, segurá-la no alto com a mão direita e conservar o punhal tinto de sangue na mão esquerda – o que ele fez. Já então lhe esclarecem que aquelas ossadas pertenciam a Jacques de Molay, Grande Mestre da Ordem dos Templários, e que o homem, cujo sangue acabava de espalhar e cuja cabeça ensangüentada segurava na mão direita, era Felipe o Belo, rei da França.<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entendemos que o juramento de morte e vingança não se dirigia à pessoa de Felipe o Belo, que já estava morto havia uns quinhentos anos, mas a sua realeza. O novo <em>Kadosch</em>, na qualidade de fiel <em>Cavaleiro,</em> também foi um dos principais assassinos de Luís XVI. Quase todos os regicidas da Convenção eram maçons.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ritual maçônico diz à letra que o novo eleito deve vingar a condenação de Jacques de Molay, “quer figurativamente nos autores de seu suplício, quer implicitamente <em>em quem de direito</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– A quem conheceis? – perguntam ao iniciando.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Dois abomináveis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Nomeai-os.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Felipe o Belo e Bertrand de Goth (o Papa Clemente V).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Ragon, “o autor sagrado”, o <em>Cavaleiro Kadosch</em> não deveria golpear somente um manequim coroado no dia da iniciação, mas também uma serpente de três cabeças, cuja primeira usa uma tiara ou chave, a segunda uma coroa, e a terceira uma espada – símbolos do Papado, da Realeza e da Força Militar, que se reuniram para destruir a Ordem dos Templários. “A serpente de três cabeças significa o princípio mau, afirma ainda o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Ragon.<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O segredo da seita está cada vez mais visível.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XIV &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Do alto grau de Rosa Cruz</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na recepção de um Rosa Cruz, o chefe da Loja já não é o Venerável, nem o Respeitável; ele se chama “Mestre Sábio e Perfeito” e todos os oficiais da Loja são “Poderosíssimos e Perfeitos”. A <em>perfeição</em> é o caráter distintivo desse grau, mas não nos confundamos: trata-se da perfeição maçônica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O candidato é, entre outras coisas, interrogado acerca do sentido da inscrição: <em>INRI</em>, que Pilatos mandou pregar sobre a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Entre os maçons ela não significa Jesus de Nazaré, Reis dos Judeus, mas quer dizer – ó blasfêmia ignóbil! – “que o judeu <em>Jesus</em> de <em>Nazaré</em> foi conduzido pelo judeu<em> Rafael<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn13" name="_ftnref13"><strong>[13]</strong></a></em>, para que na <em>Judéia</em>fosse justamente punido pelos seus crimes.” Assim que o candidato dá ao “Sábio” essa interpretação sacrílega, o “Sábio” exclama: “Meus Irmãos, a palavra foi encontrada!”. Assim “a palavra”, o segredo dos graus avançados da maçonaria, é o ódio a Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nas lendas maçônicas, Nosso Senhor, na qualidade de descendente do Rei Salomão, expia <em>com justiça</em> sobre a cruz o pretenso assassinato de Adoniram a mando de Salomão, que tinha inveja do seu arquiteto. Adoniram é o pretenso descendente de Caim, que é o pretenso filho de Lúcifer e Eva. Assim, a luta da Revolução e da maçonaria contra a Igreja e a realeza é tão somente a conseqüência lógica e fatal de uma luta que começa no paraíso terrestre: a luta de Lúcifer, de Caim seu filho, de Adoniram seu descendente, e de toda uma raça superior, que recebeu o dom da ciência, da luz e da verdadeira virtude, contra Deus, contra Adão, Abel, Salomão, contra Jesus, e contra a raça inferior dos filhos de Adão, personificada nos padres e nos reis; a característica dessa segunda raça é a força cega, a tirania e a ignorância. Segundo os maçons, Deus tem inveja de Lúcifer e o persegue; é Caim <em>que é perseguido</em> por Adão e Abel, etc. É a inversão total, a contra-verdade, a apoteose da revolta e da crucificação da Verdade e do Bem – em suma, é a Revolução, que, na sua doutrina fundamental, é essencialmente anticristã, atéia, satânica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por mais que os Irmãos dos altos graus tenham conhecimento do <em>segredo</em> da maçonaria, todavia há de se reconhecer que eles ainda não saíram “da ante-câmara mal iluminada”, como dizia o Tigrinho, ainda são maçons em broto ou em flor. Os frutos estão escondidos mais à frente, nas sombrias profundezas da seita. Era isso que, certo dia, afirmava um padre a certo homem correto de visão curta, promovido após muitos anos ao grau de Rosa Cruz. Esse pobre coitado reputava o cerimonial das Lojas um mero teatrinho histórico:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Ele não me poupava de nenhum pormenor, contava o padre<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn14" name="_ftnref14">[14]</a>, para me dar a melhor impressão possível de uma sociedade em que ele se gloriava de exercer funções importantes. Ele desejava converter-me de todo modo à maçonaria. Eu sabia que só lhe restava um único passo para chegar ao ponto em que o véu se rasga, de onde já não é possível se iludir sobre o objetivo final dos adeptos das Lojas Secretas. Para me convencer, ele quis ir até esse ponto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Pouquíssimos dias depois, vejo-o entrar na minha casa em um estado impossível de descrever. &#8216;Oh, meu caro amigo, meu caro amigo! – exclamava – Bem que você me avisou. Ah, tinha toda razão! Onde eu estava com a cabeça, meu Deus!&#8217; Ele sentou, ou melhor, atirou-se em uma cadeira, e repetia sem parar: ‘Onde eu estava com a cabeça! Ah, tinha toda razão!’ Quis que ele me ensinasse alguns detalhes que ainda ignorava: ‘<em>Você tem razão, mas isso é tudo o que lhe posso dizer</em>.’ Todavia, acrescentou que, caso aceitasse o que lhe propuseram, recuperaria a fortuna arruinada pela revolução. ‘– Se eu quiser ir para Londres, para Bruxelas, para Constantinopla, ou para qualquer outra cidade de minha escolha, nem a minha esposa, nem os meus filhos, nem eu passaremos necessidade.’ ‘– Sim, observei, mas à condição de que você apregoe em todos os lugares a igualdade, a liberdade e a Revolução!’ ‘– Justamente – murmurou – mas, ainda mais uma vez, isso é tudo o que lhe posso dizer. Ah, meu Deus! Onde estava com a cabeça?’&#8230;”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O pobre homem pertencia aos altos graus da maçonaria exterior, mas só fazia pouco tempo que lhe haviam aberto o jogo. Por nossa vez, demos uma olhada.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XV &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Da verdadeira maçonaria, que é oculta e totalmente secreta</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta maçonaria não é a das Lojas, nem é sequer a dos altos graus: ela é pura e simplesmente <em>a sociedade secreta</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nas Lojas Secretas, os maçons tiram a máscara; eles desdenham e repelem o simbolismo ridículo e perverso das primeiras iniciações e vão direto ao ponto: <em>Guerra a Deus, ao seu Cristo e à sua Igreja! Guerra aos reis e aos poderes humanos que não estão conosco! </em>Esse é o seu lema, esse é o seu grito de guerra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nesse lugar, já não há Grandes Orientes, já não há Grandes Mestres, mas uma unidade assustadora, lograda por uma liderança oculta, que a organiza de forma simples e inteligente. “Recordai-vos, dizia há pouco o celerado Mazzini, recordai-vos de que <em>uma associação de homens livres e iguais</em> (sempre a mesma fórmula!), que queiram mudar a face de um país (ele poderia dizer: de todos os países), deve ter uma organização simples, clara e popular.<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn15" name="_ftnref15">[15]</a>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na liderança desse tenebroso exército, existe um chefe único e desconhecido, que permanece nas sombras e tem todos os <em>Ateliês</em> e Lojas nas mãos. Ele é um chefe misterioso e terrível, ao qual estão ligados, por um juramento de obediência cega, todos os maçons de todos os ritos e graus, que não lhe conhecem sequer o nome e que, na sua maioria, recusam-se a acreditar na sua existência. Esse homem diabólico é mais poderoso que qualquer rei deste mundo; no século XVIII fora ele durante muitos anos um obscuro alemão, chamado Weishaupt.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O patriarca das sociedades secretas só é conhecido por quatro ou cinco adeptos escolhidos, cada um dos quais o põe em contato com uma seção ou <em>venda</em> ou Loja (pouco importa o nome); os adeptos de cada seção ignoram o papel que o representante do grande chefe desempenha entre eles. Cada um dos maçons da seção a representam, por sua vez, em uma outra seção ou <em>venda</em> inferior, sempre a despeito dos adeptos ali reunidos; e assim sucessivamente até as Lojas mais insignificantes da maçonaria exterior, até as assembléias maçônicas que parecem de todo estranhas aos conluios das sociedades secretas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nessa hierarquia <em>submaçônica</em>, todos são conduzidos mas não sabem por quem, e executam ordens cuja origem e objetivo real ignoram. Essa é a verdadeira sociedade secreta, e é por causa disso que participam dela. Há uns quarenta anos, a polícia romana esteve prestes a capturar o chefe da grande conspiração. O cardeal Bernetti, secretário de Estado de Leão XII, conseguiu obter parte da correspondência íntima dos chefes da <em>Venda Suprema</em>, ou seja, dessa loja maçônica superior que o grande chefe comanda diretamente. Um desses celerados estava ligado à pessoa do príncipe de Metternich, primeiro-ministro do imperador da Áustria, que lhe depositava inteira confiança; o seu nome de guerra era <em>Nubius</em>. Outro era um judeu que adotou como nome de guerra <em>Tigrinho</em>. A correspondência de um terceiro conspirador denotava um rico proprietário italiano. Nessa época, o centro do grande conluio era a Itália.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para diferenciá-la da maçonaria visíel, chamam-na de <em>carbonaria </em>[ou maçonaria guerreira]. Como a maçonaria, a carbonaria é una e universal; ela é “a parcela militante da maçonaria”. Não se sabe o número de adeptos dela.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Louis Blanc admira, em uma declaração oficial, a organização da carbonaria, e afirma que ela é “algo de poderoso e maravilhoso&#8230;”. Convencionou-se que em torno de uma associação-mãe (E que mãe, meu Deus!), chamada de <em>Alta Venda</em>, formar-se-iam outras associações nomeadas de <em>vendas centrais</em>, sob as quais agiriam as<em> vendas particulares </em>(a palavra <em>venda</em> quer dizer reunião). O número de membros está fixado a vinte por associação, a fim de escapar ao Código Penal. A <em>Alta Venda</em> se recruta a si mesma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Para a formação das<em> vendas centrais</em>, adota-se o seguinte método: dois membros da <em>Alta Venda</em> se juntam a um terceiro sem lhe confidenciar a sua origem, nomeiam-no <em>Presidente</em> da futura venda, e assumem por conta própria um o título de <em>Deputado</em>, e o outro o de <em>Censor</em>. A missão do Deputado é a de corresponder-se com a associação superior, e a do Censor a de controlar o andamento da associação secundária. A Alta Venda se transforma por esse meio como que no cérebro de cada uma das <em>vendas</em> que cria, conservando em relação a elas o papel de mestra dos segredos e das ações. Nessa combinação existe uma elasticidade admirável [a da serpente&#8230;]. Em pouco tempo as <em>vendas</em> se multiplicaram ao infinito.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acrescenta o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Louis Blanc, com a candura de um <em>enfant terrible</em>: “Previu-se a impossibilidade de ludibriar em todos os casos os esforços da polícia<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn16" name="_ftnref16">[16]</a>: para diminuir a importância deles, convém que as <em>vendas</em> ajam em comum, sem todavia se conhecerem mutuamente, de maneira que a polícia, ao penetrar na Alta Venda, não arraste consigo o conjunto da organização. Em conseqüência, proibira-se que todos os carbonários pertencentes a uma <em>venda</em> tentassem ingressar em outra. <em>Essa proibição é sancionada com a pena de morte.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Os deveres do carbonário eram possuir um fuzil e cinqüenta cartuchos [precaução eminentemente filantrópica&#8230;], estar pronto <em>a se devotar</em> [sabemos o que isso quer dizer&#8230;], obedecer <em>cegamente</em> às ordens dos chefes desconhecidos<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn17" name="_ftnref17">[17]</a>.” Essa organização temível, que o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Louis Blanc revelou, foi urdida na <em>Loja dos Amigos da Verdade</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, por trás da Loja está a Loja Secreta; por trás do maçom aprendiz, companheiro e mestre, e até por trás dos maçons dos altos graus, se esconde o maçom carbonário, o homem da sociedade secreta e das <em>vendas</em>. As lojas que a maçonaria divulga escondem de todos os olhares as lojas secretas, os graus escondem os graus secretos; a doutrina confessa esconde a doutrina misteriosa; os ritos e as cerimônias grotescas escondem as tramas ocultas; os segredos ridículos foram imaginados apenas para esconder melhor o verdadeiro segredo – em suma, a maçonaria pública esconde a maçonaria secreta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Existe união íntima, porém oculta, entre a maçonaria e a carbonaria: uma é o corpo, a outra é a alma; uma é a infantaria, a outra é o generalato; uma é conduzida, a outra conduz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa é a inocente maçonaria, que se sente caluniada pela Igreja.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XVI &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Quais os espantosos excessos a que se entregam os maçons das Lojas Secretas</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos dos sectários não recuam nem diante do sacrilégio, nem diante do assassinato. Em Roma, durante as agitações de 1848<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn18" name="_ftnref18"><sup><sup>[18]</sup></sup></a>, descobriu-se a existência de várias reuniões noturnas, dentre as quais a do subúrbio do Transtevere, onde os adeptos, homens e mulheres, reuniam-se para celebrar o que chamam “a missa do diabo”. Sobre um altar ornado de seis velas negras, colocava-se um cibório; cada um dos assistentes, após terem cuspido e pisado no crucifixo, levavam até o cibório e nele punham uma hóstia consagrada, que haviam recebido de manhã em uma igreja qualquer ou então comprado a dinheiro de alguma velhinha pobre e perversa como Judas. Depois, começavam com não sei que cerimônia diabólica, que se encerrava com uma ordem para que todos desembainhassem os punhais, subissem ao altar e apunhalassem o Santíssimo Sacramento. Terminada a missa, apagavam-se todas as luzes&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essas práticas sacrílegas saíram da Itália e vieram infiltrar-se entre nós. Faz pouco tempo se descobriu a existência de uma espécie de sub-maçonaria, já totalmente organizada, cujo objetivo exclusivo era planejar os meios de destruir, de forma mais eficaz e segura, a fé. A seita se divide em pequenas seções, de doze a quinze membros cada uma – não mais que isso, pois temem chamar a atenção. O recrutamento se dá entre as pessoas letradas, ou ao menos entre as pessoas que, pela posição, talentos ou riquezas, exerçam em torno de si alguma influência. Os chefes de seção não residem nos lugares das reuniões, mas em Paris, que é o seu centro de ação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E vejam que horrível! Cada adepto, para que seja aceito, deve levar no dia da iniciação o Santíssimo Sacramento do altar e pisá-lo, diante dos Irmãos. Garantiram-me que essa seita infernal já existe na maioria das grandes cidades da França; passaram-me como informação certíssima os nomes das cidades de Paris, Marselha, Aix, Avignon, Lyon, Châlons-sur-Marne, Laval.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Também me afirmaram – trata-se de um venerável padre que, sendo ele mesmo testemunha auricular, é digno de toda a fé – a realidade do fato a seguir, que ademais é apenas a repetição dos crimes da mesma natureza, que com freqüência já cometem na Itália há uns vinte anos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um moço se iniciara na maçonaria. Parece que bem depressa o consideraram <em>maduro</em> para grandes coisas. Ele saiu da Loja e ingressou na Loja Secreta. Um belo dia o designaram para dar um sumiço em uma vítima da seita. Obrigaram-no a persegui-la em todos os lugares, não podendo alcançá-la senão na América. Ele retornou a França atormentado de remorsos, inclinado a já não participar dos <em>trabalhos</em> da maçonaria secreta. Mas logo lhe intimaram com uma segunda ordem: era forçosa uma segunda morte, uma segunda vingança. Dessa vez o coração do moço se revoltou, de forma que ele resolveu fugir para escapar dessa tirania do punhal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para tanto, deixou Paris às escondidas, para ficar <em>incógnito</em> na Argélia. Mal chegara a Marselha, recebeu no hotel onde desembarcara um bilhete <em>fraternal</em> deste teor: “Conhecemos o seu projeto; não escapará de nós. Obediência ou morte”. Assustado, retoma o caminho e chega a Lyon, em um obscuro albergue. Meia hora depois, um desconhecido lhe traz um bilhete escrito quase nos mesmos termos: “Ou obedece, ou morre!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Abandona logo o albergue e a cidade e, com a alma cheia de arrependimento e terror, vai buscar por caminhos sinuosos abrigo no mosteiro trapista de Dombes, próximo a Belley. No dia seguinte a sua chegada, mesmo aviso, mesma ameaça: “Nós o seguimos; em vão tenta fugir de nós”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, desvairado, fora de si, e sabendo por experiência que a seita nunca perdoa, ele, seguindo o conselho de um dos padres da Trapa, foi consultar o padre que contou esta história, e que achou um meio, ao confiá-lo a intrépidos missionários, de despistar os terríveis perdigueiros que lhe estavam no encalço<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn19" name="_ftnref19">[19]</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse fato atemorizante é tão-só a realização literal das instruções precisas que hoje em dia regem a seita. Eis alguns artigos dessa constituição oculta, escrita por Mazzini:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Art. 30. Aquele que não obedecer às ordens da sociedade secreta ou desvendar os mistérios dela será apunhalado sem perdão. A mesma pena se aplica aos traidores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Art. 31. O tribunal secreto pronunciará a sentença e encarregará um ou dois afiliados para se incumbirem da execução imediata.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Art. 32. Qualquer pessoa que se recuse a executar a sentença será considerada perjura e, como tal, morta imediatamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Art. 33. Se o culpado escapar, ele será perseguido sem tréguas, em todos os lugares; uma mão invisível deve atingi-lo, ainda que se encontre no regaço da sua mãe ou no tabernáculo do Cristo!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sabendo disso, vá lá e se torne um maçom!</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XVII &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>O que os Irmãos das Lojas Secretas pensam, dizem e planejam a respeito dos seus queridos Irmãos das lojas exteriores</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aprendamos com eles: “As Lojas, diz o famoso Tigrinho, atualmente conseguem procriar gente gulosa, mas nunca criarão <em>cidadãos</em>. Janta-se demais nos T.<strong><sup>.</sup></strong>. C.<strong><sup>.</sup></strong>. e nos T.<strong><sup>.</sup></strong>. R.<strong><sup>.</sup></strong>. de todos os Orientes: mas é <em>um lugar de depósito, uma espécie de coudelaria, um centro pelo qual se há de passar antes de chegarem a nós&#8230; </em>Tudo isso é pastoral e gastronômico em demasia, mas <em>tem um objetivo que se deve encorajar incessantemente</em>. Ao ensiná-los a erguerem os copos como armas, apossamo-nos da vontade, da inteligência e da liberdade do homem [eis o que acontece, então, com “os homens livres, os maçons”!]. Dispomos dele, viramo-lo ao avesso, estudamo-lo. Adivinhamos-lhe as inclinações, afeições e tendências; <em>quando estiver maduro para nós</em>, guiamo-lo até a sociedade secreta, da qual a maçonaria não passa de uma antecâmara mal iluminada.<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn20" name="_ftnref20">[20]</a>” Só quem é amigo pode trair.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um maçom que de boa-fé repudia qualquer idéia de afiliação a sociedades secretas é apenas um maçom ingênuo que não está maduro. Ele é uma espécie de homem correto que “viramos ao avesso” para cozinhar no fogo sagrado. Certamente, é algo de muito honroso para ele não conseguir madurar, mas ainda está sob o poder das Lojas Secretas, de forma que, a gosto ou contragosto, ao primeiro sinal, ele terá de agir ou morrer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entrem no depósito! Escolham o lugar na coudelaria! Aprendam a apresentar armas com os seus copos! Pobres tolos, aí estão os abismos de sangue, na beira dos quais lhes estimulam a cantar e comer!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 1863 um oficial da caserna dos dragões foi introduzido como aspirante em uma Loja de Paris. Já estava lá havia alguns meses, assistindo às reuniões de tempos em tempos. Nela nada se fazia de extraordinário, segundo lhe parecia; havia algumas macaquices do ritual, porém tudo isso se assemelhava a uma reunião de fumantes e piadistas, enobrecida aqui e ali com campanhas beneficentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Certo dia, todavia – contava ele a um amigo meu, de quem ouvi a história – certo dia, um Irmão me levou a um canto e, após algumas belas frases, me disse: – Tu me pareces ser um bom moço (pois todo o mundo se trata por “tu” naquela terra, como antigamente); por que não pedes para subir de grau? – Não quero outra coisa, respondi eu. Que se deve fazer para isso? – É simples: eu te apresentarei, far-te-ão perguntas, que responderás, e serás recebido. – Que seja! Então, marcamos o dia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“No dia marcado, apresentei-me pontualmente. Depois das macaqueações de costume, introduziram-me em um quarto, onde me vi na presença de cinco indivíduos, cujos rostos me eram totalmente desconhecidos, que jamais vira nas reuniões, e que estavam sentados diante de uma grande mesa recoberta com uma toalha. Sobre a toalha, alguns símbolos esquisitos logo me chamaram a atenção, entre outros uma espécie de sol, estrelas, triângulos etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A pessoa que parecia ser o Presidente me disse para que eu pusesse a mão direita sobre a toalha, como quando se presta um juramento. Depois, começou a perguntar o meu sobrenome, o nome, a idade, o lugar de nascimento, os nomes e sobrenomes do meu pai e da minha mãe, a igreja onde fui batizado, o nome do padre que me batizara, o do padre que me dera o catecismo, e o do que me fez a primeira Comunhão, de modo que pensava comigo: ‘Todos eles são pessoas piedosas!’</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Mas eis que de repente tudo muda:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“– Irmão, me perguntou o Presidente, queres renunciar o batismo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Retirei à toda pressa a mão de sobre a toalha:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“– Eu, renunciar o batismo? – exclamei. Pois sim! Se a minha pobre mãezinha soubesse, morreria de desgosto. Renunciar ao batismo? Nunca!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“– Então, está bem, me disse com frieza o Presidente. Estamos vendo, Irmão, que és um homem de caráter. Se tivesses renunciado o batismo, não serias digno de entrar em nossa morada – e começaram a me cumprimentar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“– Diga-me uma coisa – perguntou o meu amigo ao oficial – desde então voltaram ao assunto da elevação de graus?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“– Não, parou por aí; depois de algum tempo saí de lá, pois já não achava graça nenhuma. ”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É inútil comentar essa história, que lhes apresento como me contaram. Nesse episódio, a Loja Secreta – hipócrita, celerada, ímpia, sacrílega – se revela por detrás da Loja ingênua e cega. Um homem está “maduro”, desde que seja capaz de renegar a fé.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XXI &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>A maçonaria é uma potência temível</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como prova incontestável, basta a sua organização oculta e pública. As obras dela também são provas suficientes: ela se gaba, pela pluma indiscreta dos adeptos mais fervorosos, de ser há mais de um século a causa ignorada, mas real, das grandes perturbações religiosas que aterrorizaram o mundo inteiro, em particular a Europa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ela se gaba, com as provas à mão, de alimentar o filosofismo revolucionário do século XVIII, e de ser representada por Voltaire, Helvécio<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn21" name="_ftnref21">[21]</a>, Rousseau, Diderot, d’Alembert, Condorcet, Mirabeau, Sieyès, la Fayette, Camille Desmoulins, Danton, Robespierre, Marat, Santerre, Pétion etc. Ela se gaba de ter ferido mortalmente a monarquia cristã, na pessoa do desafortunado Luís XVI e na da rainha Maria Antonieta; ela se gaba da revolução sangrenta na França, em 1789 e 1793. “Quando <em>do fundo das Lojas,</em> dizia o Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Brémond ao Or.<strong><sup>.</sup></strong>. de Marselha, quando <em>do fundo das Lojas</em> saíram estas três palavras: <em>Liberdade, Igualdade, Fraternidade,</em> a revolução já estava feita.” Outro maçom, iniciado desde a mocidade nos graus mais elevados da seita, na Prússia, o conde de Taugwitz, dava em 1822 a seguinte declaração: “Tenho a firme convicção de que o drama começou em 1788 e 1789; o regicídio com o seu séquito de horrores <em>não somente foi decidido nas Lojas</em>, mas também<em> foi o resultado das associações e dos juramentos.</em>” Finalmente, em 1794, o Grande Capítulo dos maçons alemães, alegrando-se em ver as devastações da incredulidade e da revolta, que da França se espalhou por toda a Europa e chegou até a América, exclamava triunfante: “A Nossa Ordem revolucionou os povos da Europa por várias gerações”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maioria dos impiíssimos revolucionários de 1830 eram maçons; assim também em 1848, mas só por questões táticas a facção anticristã foi muito mais dissimulada que nas desordens anteriores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quase todos os corifeus da impiedade contemporânea são maçons: Mazzini, Garibaldi, Kossuth, Juarez etc. Assim a maçonaria declara em alta voz que é ela que prepara e determina, protegida pelas sombras, a destruição do catolicismo na Itália, Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, em Portugal e no México. Por toda parte ela ocupa os cargos mais importantes; penetra nas forças armadas e nas grandes instituições do Estado; está na direção da maioria dos jornais. Apóia a maioria dos governos de acordo com a sua vontade, e a sua palavra de ordem em todo o universo é: “Abaixo a Igreja! Abaixo a autoridade! Chega de padres! Chega de Deus!” Saibam bem, essa é a interpretação que a maçonaria dá àquela palavra mágica chamada <em>liberdade</em>, que fazia cintilar aos olhos seduzidos de todos os povos, como outrora a serpente do Éden mostrava o brilho do fruto proibido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria declara que está no caminho do progresso ou em plena prosperidade. Há pouco dizia por meio da voz de um dos seus periódicos: “Alguns sintomas insofismáveis provam que chegamos em uma época de considerável desenvolvimento do poder e da influência da maçonaria no mundo. A maçonaria compreende cada vez mais, dia após dia, a importância da sua missão; ela rejeita os cueiros nos quais as necessidades de um outro tempo a envolveram. Conhece o significado do seu mote; e, em breve, ao se despojar dos últimos véus de um vago misticismo, proclamará como princípio e base da instituição <em>a independência completa da consciência&#8230;</em> Alegremo-nos com o sucesso dos esforços dos nossos Irmãos: em todos os lugares aparece o sinal luminoso do eterno Jeová<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn22" name="_ftnref22">[22]</a>!”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem é esse “eterno Jeová”, cujo sinal aparece em todos os lugares, graças aos maçons? Veremos.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XXII &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>A maçonaria é, a despeito do que diga, essencialmente ímpia, anticristã e atéia</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não nos enganemos: o Deus cuja veneração a maçonaria ostenta, com o nome bizarro de Grande Arquiteto do Universo, não é o Deus vivo, o Deus único e verdadeiro – Pai, Filho e Espírito Santo – que adoramos; não é o nosso Criador, Senhor e Salvador Jesus Cristo, Deus feito homem, Deus único e verdadeiro; mas é o Deus de Voltaire, o Ser Supremo de Rousseau, da Convenção e de Robespierre, o Deus dos teofilantropos, o Deus das pessoas de bem cantadas por Béranger, o Deus de Renan e de Garibaldi, o Deus da religião do homem correto – é o Deus inexistente. Eles também ostentam uma indiferença à revelação e ao advento do Cristo: rejeitam a era cristã, contando os anos em todas as suas publicações a partir da criação; segundo a era cristã, estamos (no momento em que escrevo) em 1867; já segundo a era maçônica, em 5867. Essa negação do cristianismo seria pueril, se não fosse ímpia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria só fala de Deus para não espantar as massas. Com o mesmo objetivo, ela se reveste perfidamente com aparências de religião: possui uma série de cerimônias e ritos, confere um batismo ao seu jeito, celebra um casamento maçônico, faz um cerimonial em enterros etc., tudo isso com invocações, bênçãos, incensações, consagrações<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn23" name="_ftnref23">[23]</a>; em suma, uma aparência de culto. Isso para as massas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas para os maçons puro-sangue, para os verdadeiros maçons, não é preciso tanto: eles negam o cristianismo às claras. Os outros, aqueles que não estão <em>maduros</em>, conservam na maioria das vezes, junto com o nome de Deus, um vago sentimento religioso que não incomoda a consciência, e causa pena aos maçons de raça. Todos sabem que na prática o deísmo se assemelha em tudo ao ateísmo; trata-se de um ateísmo respeitoso e latente. Ora, a maçonaria, quando não é francamente atéia, é deísta neste sentido. Por isso, as Lojas alemãs há pouco declaravam: “Os maçons deístas estão <em>acima</em> das divisões religiosas. Não somente precisamos colocar-nos acima das divisões religiosas, mas também <em>acima de toda a crença em um Deus qualquer</em><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn24" name="_ftnref24">[24]</a>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na França eles têm o mesmo discurso dos alemães, pois essa é a voz do coração. O jornal <em>Le Monde Maçonnique</em>, ao discutir o primeiro artigo dos estatutos da maçonaria, que trata da existência de Deus e da imortalidade da alma, dizia:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“– Pois bem! Nada se exige de um homem para que seja digno de ser maçom? – Nada, senão que seja um homem correto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– E se rejeitar a idéia de Deus? – Apresente-lhe uma que satisfaça sua razão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– E se duvidar da vida futura? – Prove-lhe que o nada é contraditório.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– E se desconhecer os fundamentos da moral? – <em>Não interessa</em>, se ele viver a agir como quem os admite<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn25" name="_ftnref25">[25]</a>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria, deísta ou atéia, é a negação absoluta da religião. Não sou eu que o digo, mas Proudhon, o irmão Proudhon: “A maçonaria, escrevia ele, é a <em>própria negação do elemento religioso</em>”. Ela já não quer a Deus ou a religião, antes quer excluí-la da educação, dos costumes privados e públicos, da vida humana e da morte. Os seus escritores mais sérios, sobretudo os modernos, estão à frente do odioso movimento ateísta e materialista que já há alguns anos se sobressai; eles aclamam e festejam as mais audaciosas produções anticristãs, como os jornais <em>La Morale indépendante, La Libre-Pensée, La Libre-Conscience, La Solidarité.</em> “Desejamos as boas-vindas, publicava outrora um diário maçom, aos nossos novos camaradas, entre os quais há redatores de antiga amizade<em>; alegramo-nos ao constatar que todos esses jornais, sem exceção, são dirigidos por maçons</em>, e que <em>eles</em> <em>são a maioria entre os redatores<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn26" name="_ftnref26"><strong>[26]</strong></a></em>. ”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na Bélgica e em todo lugar, a maçonaria dá origem a essa temível seita dos <em>solidários</em>, assim nomeados porque se comprometem mutuamente, por um pacto formal, a viver sem religião e a morrer sem sacerdote, como os cães.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Concordaremos de boa vontade que existem maçons que não recaem nesse excesso de irreligião, mas, quanto à maçonaria em si, por mais que diga o que quiser, ela é uma instituição essencialmente ímpia, anticristã e atéia.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XXIII &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>De que maneira a maçonaria busca o alívio das aflições no culto do sol</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso mesmo: do sol, da lua e das estrelas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria, em nome da ciência e do progresso das luzes, das quais fala com a boca cheia, tem a pretensão de que “Deus não está demonstrado nem é demonstrável”; que a moral cristã, que se apóia no temor e amor a Deus, é pueril, inútil e imoral; que Nosso Senhor, ou não existe, ou foi um homem como os outros; que chegou o tempo de acabar com a Igreja, o Papa, os padres. E o que é curioso, é que ela recai, pelos caminhos da sua pretensa ciência e pelo progresso das suas pretensas luzes, em um excesso de estupidez que seria inacreditável, caso os próprios adeptos não o atestassem; sabem os Srs. qual é, no fundo, o Deus a quem voltam eles os olhares? É o sol! Sim, vou repetir: o sol, a exemplo desses brutos de rosto humano que por vezes encontramos no submundo da nossa sociedade descristianizada. Continuem escutando.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na iniciação ao grau de Mestre, que é o terceiro da maçonaria, eis que o Respeitável (!) diz com todas as letras ao novato: “O Adoniram da maçonaria – que também é Osíris, Mitra, Baco, e todos os deuses célebres dos antigos mistérios – <em>é uma das milhares de personificações do sol.</em> Adoniram, em hebraico, significa vida elevada, o que bem indica a posição do sol em relação à terra. Em todas as cerimônias que acontecem na Loja, <em>reconhecereis a toda hora esse pensamento</em>. Assim, a nossa associação se põe sob a proteção de São João, <em>ou seja, de Janus, o sol dos solstícios</em>. Celebramos também, nos dois solstícios do ano [21 de junho e 21 de dezembro], <em>a festa do nosso padroeiro</em>, com um cerimonial [g]astronômico. A mesa à qual sentamos tem a forma de uma ferradura e representa a metade do círculo do zodíaco; e nos <em>trabalhos à mesa</em> [sic] oferecemos sete libações em honra aos sete planetas.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Rebold diz que os milagres e feitos da vida de Jesus devem explicar-se por “aspectos <em>solares</em>”. O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Grande Chanceler Renan declara, na <em>Revue des Deux Mondes</em> (15 de outubro de 1863), que <em>“o culto do sol é o único culto racional e científico”,</em> e que <em>“o sol é o Deus particular do nosso planeta”</em>! Citação literal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O culto do sol é a instância suprema dessas cabeças possantes que só vivem a falar de progresso, luz, ciência, e que com modéstia se intitulam “os sublimes príncipes da verdade”! Eis o piedoso significado desse evangelho de São João que vimos aberto diante dos olhos dos profanos, no início das provas do Aprendiz! Eis a famosa “luz”, as “chamas purificadoras” que o Venerável dá generoso ao Aprendiz! Eis o sentido da “estrela chamejante” e da faixa azul a tiracolo! O culto do sol, o culto degradante à matéria, o Deus-Natureza, ou melhor, um ateísmo que se torna mais vergonhoso porque se cobre com o véu da moral e beneficência, não sendo apenas ímpio, mas ainda hipócrita, é uma bela punição para o orgulho desses homens de cerviz dura!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria ousa dizer-se “a origem e a fonte de todas as virtudes sociais”; estas são palavras do Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Ragon. E ainda: “A filosofia mais pura, a origem das fábulas de todos os cultos [sic], o poço onde a verdade parece que se refugiou”!!! Que impudência!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São desses poços tenebrosos que saem há quase dois séculos as vagas de blasfêmias, impiedades, negações audazes, mentiras, calúnias contra a Igreja, revoltas, destruições, instituições cripto-atéias, que ameaçam a civilização cristã com a ruína total! São desses poços em particular que saíram nestes últimos anos as blasfêmias de Renan e de Proudhon, blasfêmias satânicas, que as Lojas mandam traduzir em todas as línguas. São deles que saem dia após dia as potestades de toda casta que investem contra Roma, abalam as sés do papado, e gostariam de descoroar o Cristo e o seu Vigário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No fundo, a doutrina dos maçons é o materialismo.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XXIV &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Da imprensa maçônica</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A atividade propagandística da maçonaria é febril: o zelo pacífico é a característica da verdade; já a agitação é a característica do erro. A agitação da maçonaria é prodigiosa. Os seus meios de ação são variados e poderosos; ela abre fogo de todos os flancos contra nós. Vamos mostrar essa atividade, limitando-nos à França.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A sua arma principal é a <em>imprensa</em>. Já vimos que ela dirige indiretamente a maioria dos jornais. Ademais, ela tem publicações próprias, mais ou menos perversas, de acordo com a sua maior ou menor franqueza. Comecemos pela revista mensal <em>Le Franc-Maçon</em>, anódina, fundada em 1847, às vésperas da revolução de fevereiro, e destinada a <em>esclarecer</em>a mente e alegrar a alma de todos os “irmãos”. Ela é <em>respeitosa</em> com a religião, ao menos na forma. Essa é a publicação mística e ortodoxa da maçonaria. Os puros maços progressistas a apelidam impiedosamente de “jesuíta”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em seguida temos <em>Le Journal des initiés</em>, também uma revista mensal, publicada em dois cadernos parecidos, dos quais o segundo se chama <em>La Renaissance</em>. Nesta revista, não se pronuncia o nome maçom nem maçonaria, pois é o “caderno de propaganda”. Ele <em>propaga a obra da maçonaria sem nomeá-la, a fim de afastar os preconceitos<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn27" name="_ftnref27"><strong>[27]</strong></a>.</em> Quanta boa-fé! Quanta candura!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pertence ainda a ela <em>Le Monde Maçonnique</em>, publicação bem mais audaciosa, por conseguinte mais <em>franca</em> e <em>maçônica</em>. Já a citamos diversas vezes. Esse periódico combate os dois outros, e os acusa de atrasados e formalistas; <em>Le Monde Maçonnique</em> apregoa abertamente o livre pensamento, a independência, muito acima de qualquer idéia de religião. Ela está do lado dos maçons <em>liberais</em>, que desejam reformar a maçonaria exterior e mesmo lograr a supressão oficial do nome “Grande Arquiteto do Universo”. Esse partido faz grandes progressos, embora ainda não tenha conseguido que as suas opiniões predominassem. Apesar de a maioria dos maçons <em>jesuítas</em> considerarem essa fórmula tão-somente uma pura formalidade, que deixa aos irmãos a plena liberdade ao ateísmo, todavia os maçons <em>liberais</em> se apegam à supressão dela: essa velharia cheira demais à religião e representa perigo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria ainda reivindica os jornais abomináveis que citamos faz pouco: <em>La Morale independente, La Libre-Pensée, La Libre-Conscience, La Solidarité</em>; e pouca ofensa se faria ao contar entre os seus produtos mais legítimos, ou ao menos entre os seus mais devotados auxiliares, numerosos jornais, grandes e pequenos, como <em>Le Siècle, L’Opinion nationale, L’Avenir national, Le Temps, La Liberté, Le Journal des Débats</em>. Essas folhas, todavia, não sentem a necessidade de datar os seus números em anos maçônicos. Também deixam sob uma penumbra discreta o jargão dos irmãos e amigos, além do famoso signo sacramental (.<strong><sup>.</sup></strong>.).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A <em>Revue des Deux Mondes</em> está, da mesma forma, a serviço da maçonaria e da sua obra sacrílega. Quase todos os redatores dela são racionalistas conhecidos, ou heréticos; alguns são ateus, como Renan, Taine, Littré etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, na França, a <em>imprensa</em> é em grande parte maçônica, ou seja, anticatólica e anticristã. Um verdadeiro perigo para a fé do povo!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XXV &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>A maçonaria começa a apropriar-se da infância por meio do ensino e da educação</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa segunda arma talvez seja mais perigosa que a primeira. A maçonaria parece que a havia negligenciado um pouco, mas ela já despertou para isso, e começa a fazer os projetos que vamos conferir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com o batismo, o catecismo e a primeira comunhão, a Igreja faz cristãos e estabelece as bases da vida religiosa. Já a maçonaria, que é a <em>anti-Igreja</em>, não deseja nada disso ou, melhor dizendo, deseja substituir as bases cristãs pelas bases maçônicas, totalmente estranhas ao cristianismo. Antes de mais nada, ela trata de apor o selo maçônico em todas as criancinhas, por uma cerimônia de adoção que se cumpre “sob o brilho da luz maçônica”; à pobre criança adotada diz: “Que a luz maçônica brilhe nos teus olhos, como mais tarde a faremos brilhar no teu espírito”<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn28" name="_ftnref28">[28]</a>. Assim como a criança batizada se torna cristã e membro da Igreja, assim a criança <em>adotada</em> se torna um <em>lowton</em> (“jovem lobo”). Esses lobinhos, se são pobres, têm direito ao auxílio dos irmãos&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em um internato de Avignon, uma pobre mulher apresentara outrora às boas irmãs uma criancinha de onze meses, declarando à superiora que estava de passagem pela cidade, e pedindo remédios para o filhinho. A religiosa, ao acarinhar o doentinho, percebeu uma medalha estranha pendurada ao pescoço dele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Que medalha é esta? – perguntou a irmã à mãe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– É a medalha dos maçons – respondeu-lhe a pobre mãe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como a irmã a censurasse, esclarecendo-lhe que os maçons estavam excomungados, respondeu a infeliz sem vacilar:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Ao apresentar-me com esta medalha ao chefe de uma Loja, logo conseguirei uma soma em dinheiro para ajudar-me a prosseguir a viagem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece que em certos subúrbios de Paris o número de lowtons é bem considerável entre os filhos da classe operária. Pobrezinhos!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os maçons, contudo, querem apossar-se das crianças por meio das escolas. “Convém preparar o mundo profano para receber <em>os nossos princípios</em>, dizia <em>Le Monde Maçonnique </em>(outubro de 5866). Considero a instrução primária a pedra angular do nosso edifício&#8230; Deve a instrução religiosa ser retirada do currículo?&#8230; O princípio de autoridade natural [quer dizer, a fé], <em>que tira a dignidade do homem, é inútil para disciplinar as crianças</em> [que ausência de senso prático!] <em>e suscetível a levá-las ao abandono da moral</em> [que ausência de senso moral!],<em> portanto é urgente renunciá-lo. </em>Nós ensinaremos os direitos e deveres em nome da liberdade, da consciência, da razão e ainda em nome da solidariedade. [Eis aí a tagarelice revolucionária, oca e sonora, que com as suas grandes palavras não sabe o que diz!] A maçonaria deve ser o modelo da sociedade moderna, e formar homens <em>livres</em>. [Conhecemos essa liberdade.] Abrir escolas, sobretudo escola para adultos, e orfanatos é <em>a melhor maneira de vulgarizar a maçonaria.</em>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa aspiração, que numerosas Lojas abraçaram, foi sancionada e realizada por um decreto do Grande Oriente da França (em janeiro de 5867 ou, em linguagem cristã, 1867). O decreto diz “que se decidiu em conselho que o G.<strong><sup>.</sup></strong>. O.<strong><sup>.</sup></strong>. encabeçará uma obra, cujo objetivo é encorajar e propagar a instrução primária, distribuindo todos os anos premiações quer aos professores e professoras, quer aos alunos, e abrindo, conforme as circunstâncias o permitam, escolas primárias e turmas para adultos”. A circular expõe ainda a organização da obra, que as Lojas ou os comitês nomeados levarão a cabo, o modelo das subscrições e a necessidade de desdobrar-se em zelo, estipulando que as recompensas e as cadernetas de poupança virão acompanhadas de uma medalha com a seguinte inscrição: “Grande Oriente da França. Encorajamento à instrução primária, dado em nome dos maçons do Oriente de&#8230;”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No ano seguinte, decidiu-se que a maçonaria abriria quarenta escolas pelos vinte bairros de Paris, duas em cada bairro: uma para os meninos, e outra para as meninas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A propaganda das escolas protestantes é decerto bem perigosa; já esta, se não me engano, também o será, mas de outra forma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para completar a coisa, <em>Le Monde Maçonnique</em> (janeiro de 5867) nos anuncia “a preparação de um <em>Catecismo de Moral</em>, para uso e entendimento das crianças. Esse catecismo lhes ensinará a escutar a consciência, em vez da tradição [ou seja, em vez da religião e da Igreja], a ser virtuoso por princípio [como se os cristãos não fossem virtuosos por princípio!], com convicção [como se a fé não fosse a mais sérias de todas a convicções, quiçá a única séria!] e desinteresse [como se a esperança do céu e o temor do inferno nos impedissem de servir e amar a Deus por Si só!]”. Para esse efeito, no mês de junho de 1867, ofereceriam um prêmio de <em>quinhentos francos<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn29" name="_ftnref29"><strong>[29]</strong></a></em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, em novembro de 1866, os maçons da Alsácia inauguraram uma <em>liga de ensino</em> para a França, imitando a que funcionava na Bélgica desde 1864. O princípio fundamental dessa liga é “não servir aos interesses particulares de <em>nenhuma opinião religiosa</em>”; em outros termos, proscrever em absoluto a fé do ensino e da educação. O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Macé, promotor dessa liga ímpia, recolhera numerosas subscrições ao final de um mês, e <em>Le Monde Maçonnique</em> declarava (fevereiro de 1867) que “<em>os maçons devem aderir em massa a essa liga beneficente, e as Lojas, estudar na paz dos seus templos </em>[sic]<em> as melhores maneiras de implementá-la”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na França existem cento e sessenta mil maçons; julguem os Srs. se o risco é quimérico! Alerto não somente os pastores de almas, mas ainda os pais de família que conservam no coração alguma centelha de fé! [&#8230;]</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XXX &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>A Igreja muito justamente anatematizou a maçonaria inteira, sem nenhuma restrição</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria declara inocência, e se diz caluniada e injustamente condenada pela Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já sabemos o suficiente para avaliar a pretensa inocência e a pretensa injustiça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Crê a maçonaria na autoridade do Soberano Pontífice da Igreja Católica? Submete-se ela ao papa em tudo, como Deus o ordena? Não, mil vezes não. Crê na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo? Não. Crê em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, assim como Ele é e Se revelou ao mundo, assim como quer que O adorem? Não. Portanto, ela é, antes de tudo, culpada por revolta, impiedade, heresia e blasfêmia; portanto, é anticatólica, anticristã e atéia; portanto, está condenada; quando a Santa Sé a condenou, condenou-a com muita, muitíssima justiça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por outra perspectiva, de um cristianismo menos exclusivo, a maçonaria – não apenas a oculta, que as pessoas corretas reprovam, mas ainda a pública e exterior, cujas regras são conhecidas e quase entregues ao público – é uma instituição perigosa, perversa, imoral, contrária às leis mais elementares da justiça humana e boa ordem das sociedades. Para tanto, quero apenas uma prova: o juramento maçônico e a pena de morte que pune a sua violação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria não pode negar: no primeiro passo da iniciação, ao ingresso nas Lojas pelo grau de Aprendiz, no momento em que cai a venda que até então cobria os olhos do postulante – este vê as espadas nuas dos assistentes apontadas ao seu peito, e escuta os irmãos exclamar: “Que Deus puna o traidor”! E acrescenta o Venerável, após tranqüilizá-lo: “<em>Se chegardes a trair a maçonaria</em>, <em>nenhum lugar da terra vos servirá de abrigo contra essas armas vingadoras”.</em> É ou não verdade que, para ser maçom, para ser recebido no primeiro grau de Aprendiz, <em>deve-se</em> prestar o juramento execrável que citamos ao longo do texto, transcrito do ritual da ordem maçônica<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn30" name="_ftnref30">[30]</a>?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É impossível negar esses dois fatos. Ora, pergunto aos homens corretos, aos magistrados, o que é uma sociedade privada que, ao largo da sociedade civil, ameaça de morte, fria e oficialmente, todos os membros que fossem infiéis a sua lei? Que é uma sociedade particular que tem a audácia de afirmar: “Se fordes infiéis a mim, <em>nenhum lugar da terra vos servirá de abrigo contra essas armas vingadoras”.</em> Que é essa ameaça, senão ameaça de morte e assassinato? Ora, eis aí um crime que incide nas penas da lei em todos os países civilizados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que é, pergunto ainda, que é esse monte de imprecações que acompanham, ou melhor, que constituem o juramento maçônico? Um cristão, um homem de bem, um homem correto seria capaz, conscientemente, de doar-se assim, de corpo e alma, sob pena de morte, a uma sociedade qualquer, fora da Santa Igreja? A sociedade que impõe a todos os membros sem exceção, e que recebe semelhante juramento; uma sociedade privada que, desprezando todas as leis divinas e humanas, arroga-se direitos tão exorbitantes, em particular o direito de vida e morte sobre os milhões de homens que a compõem, é uma sociedade profunda e essencialmente imoral. Todas as vezes que a espada da Igreja a golpeia, golpeia-a justamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, a maçonaria, condenável pela dupla perspectiva da razão e da fé, foi condenada com justiça pela Santa Sé que, nesta como em outras circunstâncias, cumpriu corajosamente a missão salutar que Deus lhe confiou. Encarregada de ensinar os povos, proclamar e defender a verdade, julgar, desmascarar e perseguir o erro e o mal, a Santa Igreja anatematizou solenemente a maçonaria, em todos os seus graus e formas. Ela <em>excomungou</em>, ou seja, retirou do seu seio, todos os cristãos, <em>quem quer que sejam</em>, que ousarem afiliar-se a ela, não obstante a proibição formal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todo maçom, pois, está excomungado, e justamente excomungado: dos simples aprendizes aos grandes orientes e grandes mestres, dos grandes notáveis aos pequenos associados, dos afiliados às Lojas aos adeptos das Lojas Secretas.</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XXXI &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Das condenações formais que os Soberanos Pontífices impuseram à maçonaria</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor Jesus Cristo disse no Evangelho: “<em>E aquele que se recusar </em><em>ouvir</em><em> a </em><em>Igreja</em><em>, seja ele para ti como um </em><em>pagão</em><em> e um publicano</em>”. Ora, a Igreja, pela voz dos papas, condenou formal e solenemente a maçonaria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde a primeira metade do século XVIII, quando a maçonaria se organizou de maneira mais evidente na Europa, o Papa Clemente XII a condenara pela bula de 27 de abril de 1738:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Tendo em mente, diz o papa, o grande prejuízo que é muitas vezes causado por essas Sociedades ou Convenções não só para a paz do Estado temporal, mas também para o bem-estar das almas [&#8230;], depois de ter tomado conselho de alguns de nossos Veneráveis Irmãos entre os Cardeais da Santa Igreja Romana, e também de nossa própria reflexão a partir de certos conhecimentos e de madura deliberação, com a plenitude do poder apostólico, decidimos fazer e decretar que estas mesmas Sociedades, Companhias, Assembléias, Reuniões, Congregações, ou Convenções [&#8230;] de Maçons, ou de qualquer outro nome que estas possam vir a possuir, estão condenadas e proibidas, e por Nossa presente Constituição, válida para todo o sempre, condenadas e proibidas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Deste modo, acrescenta ele, Nós ordenamos precisamente, em virtude da santa obediência, que todos os fiéis de qualquer estado, grau, condição, ordem, dignidade ou preeminência, seja esta clerical ou laica, secular ou regular, mesmo aqueles que têm direito a menção específica e individual, sob qualquer pretexto ou por qualquer motivo, não devam ousar ou presumir o ingresso, propagar ou apoiar estas sociedades dos citados [&#8230;] maçons, ou de qualquer outra forma como sejam chamados, recebê-los em suas casas ou habitações ou escondê-los, associar-se a eles, juntar-se a eles, estar presentes com eles ou dar-lhes permissão para se reunirem em outros locais, para auxiliá-los de qualquer forma, dar-lhes, de forma alguma, aconselhamento, apoio ou incentivo, quer abertamente ou em segredo, direta ou indiretamente, sobre os seus próprios ou através de terceiros; nem exortar outros ou dizer a outros, incitar ou persuadir a serem inscritos em tais sociedades ou a serem contados entre o seu número, ou apresentar ou ajudá-los de qualquer forma; devem todos (os fiéis) permanecer totalmente à parte de tais Sociedades, Companhias, Assembléias, Reuniões, Congregações ou Convenções, sob pena de excomunhão para todas as pessoas acima mencionadas, apoiadas por qualquer manifestação, ou qualquer declaração necessária, e a partir da qual ninguém poderá obter o benefício da absolvição, exceto na hora da morte, salvo através de Nós mesmos ou o Pontífice Romano da época.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na época do Papa Bento XIV, algumas pessoas buscavam inculcar que já não vigorava a constituição de Clemente XII, e quem desde então ingressasse na sociedade dos maçons não incorria na pena de excomunhão. Após examinar a questão com seriedade, esse ilustre pontífice se apressou em desenganá-las, e com a bula de 18 de maio de 1751 confirmou a Constituição do predecessor em todas as suas disposições:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Para que se não possa dizer que, imprudente, omitimos alguma coisa do que pode barrar a boca à mentira e à calúnia, resolvemos confirmar, como de fato confirmamos pelas presentes Letras, a Constituição acima referida, corroborando-a, renovando-a com toda a plenitude de nosso poder apostólico em tudo e sem reserva, como se fosse publicada por nós mesmo, por nossa própria autoridade, em nosso nome, e queremos e mandamos que tenha força e eficácia para sempre.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A sociedade dos <em>Carbonari</em>, que, no começo do século XIX, invadiu toda a Europa e sobretudo a Itália, não passava, como já vimos, de uma ramificação da maçonaria. Na bula de 13 de setembro de 1821, o Papa Pio VII expõe as principais características dela, mostra-lhe a conexão íntima com a ordem maçônica, assinala os males que provocam temor na religião e na sociedade cristã – esses males, desde então até os dias de hoje, já se concretizaram totalmente. O venerável Pio VII, com esta constituição, condena com a pena de excomunhão, especialmente reservada à Santa Sé, aqueles que se associarem ou favorecerem de qualquer modo a seita maçônica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 1825, o Papa Leão XII, ao considerar todas as sociedades secretas em conjunto, vislumbrava receoso os males que ameaçavam a religião e o estado; ele enxergava, com profunda dor, que nelas se pregava a indiferença religiosa, que a elas se afiliavam homens de todas as religiões e credos, que tais sociedades atribuíam a si o direito de vida e morte sobre quem violasse os segredos das Lojas e recusasse executar as ordens criminosas que ordenavam; estava temeroso do profundo desprezo que nelas se professava contra toda autoridade. Em conseqüência, pela bula de 13 de março de 1825, o Santo Padre renovou de modo inequívoco as constituições que os seus predecessores – Clemente XII, Bento XIV e Pio VII – publicaram contra as sociedades secretas, em particular contra os maçons, e proibiu, como eles, a todos os fiéis que se associassem e participassem delas, a qualquer título, sob pena de incorrer de fato em excomunhão, especialmente reservada à Santa Sé, de sorte que somente o papa poderia absolver o culpado, exceto em artigo de morte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, na alocução de 25 de setembro de 1865, o Papa Pio IX lamenta, como os predecessores, todos os males que as sociedades secretas em geral, e a maçonaria em particular, causaram à religião católica e à civilização cristã. Ele renovou todas as disposições contidas nas constituições apostólicas dos papas Clemente XII, Bento XIV, Pio VII e Leão XII, especialmente a pena de excomunhão infligida contra quem seja afiliado a ela ou a favoreça de qualquer modo. Exorta os fiéis que tiveram a infelicidade de associar-se a elas, para que as abandonem sem demora e assegurem a própria salvação, ao mesmo tempo que exorta vivamente aos que até agora tiveram a felicidade de conservar-se distantes delas, para que nunca se deixem arrastar para esse perigoso abismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já não há dúvida possível: quem se afilie à sociedade dos maçons incorre, pelo fato da afiliação, nas penas que Clemente XII em 1738, Bento XIV em 1751, Pio VII em 1821, Leão XII em 1825 e Pio IX em 25 de setembro de 1865 infligiram contra eles. Eles estão formalmente excomungados, não participam das orações da Igreja, já não devem assistir ao santo sacrifício da Missa e aos outros ofícios públicos, nem receber os sacramentos. Se morrerem nesse estado, não têm direito à sepultura eclesiástica, porque a Igreja deixou de contá-los entre os seus filhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ou católico ou maçom, não há meio termo. “Não é possível ser ao mesmo tempo maçom e católico<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn31" name="_ftnref31">[31]</a>.”</span></p>
<p class="rtecenter" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>XXXII &#8211; </strong></span><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><strong>Que devemos fazer em face da grande conspiração anticristã</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja tem uma constituição tão poderosa, que lhe basta ser ela mesma para desbaratar <em>todas</em> as conspirações de <em>todos</em> os seus inimigos. Não importa quantos somos: sejamos verdadeiros cristãos, católicos sérios, que isso será o suficiente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A união faz a força. Os nossos inimigos entendem isso: a sua força está na união, e a sua união na obediência. Sejamos mais unidos que eles, e assim obedeçamos melhor que eles. A Igreja Católica se resume em duas palavras: Obediência e Amor. Obedeçamos amando, amemos obedecendo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes e acima de tudo, obedeçamos <em>em todas as coisas</em> à cabeça da Santa Igreja, ao Nosso Santo Padre o Papa, Vigário de Jesus Cristo, Pastor e Doutor infalível de todos os cristãos<a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftn32" name="_ftnref32"><sup><sup>[32]</sup></sup></a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para que estejamos seguros de obedecer ao papa, obedeçamos ao nosso bispo, ao nosso padre, ao nosso confessor. Obedecendo-lhes, não obedecemos a homens, mas ao próprio Deus, que por eles nos ensina, conduz, perdoa e incentiva no caminho correto. Tanto a obediência maçônica é cega, louca, absurda, culpável, sacrílega, quanto a obediência católica é racional, razoável, legítima, nobre, santa e meritória. Que há de mais belo que obedecer a Deus?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À obediência juntemos o amor. A essência da união é o amor. Amemos uns aos outros, cristã e eficazmente. Se somos ricos, amemos os pobres; se são os nossos irmãos, é a Jesus Cristo que amamos e assistimos nas suas pessoas. Amemos os nossos padres, e os cerquemos com todas as espécies de deferência; amemos o nosso bispo, que é o pai e pastor das nossas almas e, mais ainda, amemos o papa. Eis a <em>verdadeira fraternidade</em>, cujo arremedo ímpio é a fraternidade maçônica, assim como a liberdade e a igualdade maçônicas são o arremedo da verdadeira liberdade cristã e da verdadeira igualdade. Os homens só são realmente iguais diante de Deus, e só são livres ao se tornarem filhos de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria nos ataca pela imprensa: fiquemos de guarda, não leiamos nunca os maus jornais, instruamo-nos a fundo nas verdades da fé e, se pudermos, espalhemos ao nosso redor os bons livros católicos. Um bom livro é um missionário em miniatura, que muitíssimas vezes converte aquele que o carrega.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maçonaria quer arrebatar-nos as almas dos nossos filhos, portanto reajamos com energia e façamos do mal sair o bem. Redobremos o zelo para salvar e santificar as crianças, para instruí-las e preparar valentes soldados para a Igreja. Pais e mães, não esqueçam que vocês têm o cuidado das almas, e que uma educação que não seja profundamente cristã seria nos dias de hoje, mais que nunca, um imenso perigo para os seus filhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, reanimemos ao nosso redor o espírito de família, que as seitas maçônicas querem substituir por não sei que quimera pretensamente patriótica, que só serve para exaltar a imaginação e perder a cabeça. Convençamo-nos disto: o remédio para o veneno maçônico é sermos verdadeiros cristãos, substituirmos o orgulho pela humildade, a obediência e a fé, amarmos de verdade a Nosso Senhor Jesus Cristo com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com todas as nossas forças.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se não fizermos nada disso, teremos muito a temer; isso mesmo, muito a temer, neste mundo e no outro. Se, ao contrário, permanecermos fiéis a Deus e a sua Igreja, nada teremos a temer: o futuro nos pertence.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De duas, uma: ou a luta que se avista é a suprema luta da Igreja, ou não é. No primeiro caso, a Igreja, segundo a profecia, sucumbirá por um momento, como o Cristo no Calvário, e nós com ele; mas, como no Calvário, Satã será vencido, e a sua tropa irá queimar com ele no inferno – os maçons e os demais. Já nós, ao contrário, ao ressuscitarmos na glória para todo o sempre, iremos ao céu para ali reinar eternamente com Nosso Senhor Jesus Cristo. No segundo caso, devemos encarar a luta com uma confiança ainda mais alegre, pois o inimigo que nos impede o caminho pode alcançar triunfos parciais, mas logo a tempestade passará como passaram tantas outras; já neste mundo gozaremos, com a Santa Igreja, da vitória e da paz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em um ou outro caso, os nossos deveres são os mesmos: união, obediência, fé viva, caridade fraternal, zelo pela salvação das almas e a santa causa da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Combatamos todos o bom combate, sob a gloriosa bandeira da Virgem Imaculada e de São Pedro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(Tradução: Permanência)</span></p>
<div><span style="color: #000000;"> </span></div>
<hr />
<div id="ftn1" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Os Cavaleiros do Templo foram instituídos para defender a fé na Terra Santa. Eles logo se expandiram por toda a Europa e granjearam uma imensa influência, graças às suas riquezas. Um dos seus primeiros grão-mestres se deixou seduzir pelos turcos e introduziu na Ordem, além de costumes contra a natureza, práticas sacrílegas que durante muitíssimo tempo permaneceram em profundo segredo. Felipe o Belo descobriu esses horríveis mistérios, e instou o Papa Clemente V para que punisse os Templários e suprimisse a Ordem. O principal objetivo de Felipe o Belo era o confisco dos bens da Ordem em proveito próprio. Esse pormenor histórico é atualmente um fato verificado.</span></p>
</div>
<div id="ftn2" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Com isso não quero dizer que os maçons herdaram esses horríveis costumes dos Templários; limito-me a constatar o parentesco que parece existir entre ambos.</span></p>
</div>
<div id="ftn3" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Grande parte das nossas informações foram tiradas da interessante obra do Sr. Alex de Saint-Albin, intitulada: <em>Les Francs-Maçons et les Societés secrètes.</em> Indicamo-la aos leitores que queiram estudar mais a fundo esse assunto importante.</span></p>
</div>
<div id="ftn4" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Ele escreveu um livro que, por ordem da loja capitular, do Oriente de Nancy, foi objeto “de uma reimpressão oficial, nomeada <em>edição sagrada</em>, apenas para uso das lojas e dos maçons”. Esse Ir.&#8217;. Ragon é um ancião venerável. Ao aprovar os escritos dele, o Grande Oriente proclamou que eles contêm a pura doutrina maçônica. Citá-lo-emos amiúde neste opúsculo, como uma fonte autêntica que o inimigo não pode desautorizar.</span></p>
</div>
<div id="ftn5" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Carta à Venda piemontesa, 18 de janeiro de 1822.</span></p>
</div>
<div id="ftn6" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Esses três pontos formam um triângulo misterioso, símbolo do <em>igualitarismo</em> que a maçonaria pensa que outorga a todas as regiões do globo, para que assim se eliminem todas as religiões e autoridades que não emanem dela.</span></p>
</div>
<div id="ftn7" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> <em>Histoire pittoresque de la Franc-Maçonnerie,</em> p. 1 e 2.</span></p>
</div>
<div id="ftn8" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> O Ir.<strong><sup>.</sup></strong>. Ragon, <em>Cours philosophique et interprétatif des Initiations anciennes et modernes.</em></span></p>
</div>
<div id="ftn9" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Duas batidas rápidas e fortes (ao menos no rito escocês) e, após uma breve pausa, uma terceira mais leve. O <em>Companheiro</em> bate à porta da mesma maneira, por primeiro uma batida e depois duas. O Mestre bate três vezes as batidas do Aprendiz. O Venerável, ou Mestre da Loja, bate com grandeza olímpica uma única vez – é Júpiter que está à porta.</span></p>
</div>
<div id="ftn10" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref10" name="_ftn10"><sup><sup>[10]</sup></sup></a>  Em francês e outros idiomas ocidentais, a expressão “passar pelas forcas caudinas” — alusão à célebre batalha da Antigüidade, na qual os romanos foram trucidados após passarem pelo desfiladeiro das Forcas Caudinas — significa o mesmo que passar por uma experiência humilhante. [N.do E.]</span></p>
</div>
<div id="ftn11" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> Montjoie, <em>Histoire de la conjuration de Louis-Philippe d&#8217;Orléans-Égalité.</em></span></p>
</div>
<div id="ftn12" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> <em>Cours philosophique et interprétatif des Initiations anciennes et modernes,</em> p. 388.</span></p>
</div>
<div id="ftn13" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref13" name="_ftn13">[13]</a> Quem é esse judeu Rafael? Seria, por acaso, o traidor Judas, tão simpático ao Ir.<strong><sup>.</sup></strong>.  Renan?</span></p>
</div>
<div id="ftn14" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref14" name="_ftn14">[14]</a> O Pe. Barruel, <em>Le Jacobinisme dévoilé,</em> tomo II, p. 312 e ss.</span></p>
</div>
<div id="ftn15" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref15" name="_ftn15">[15]</a> Manifesto de abril de 1834.</span></p>
</div>
<div id="ftn16" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref16" name="_ftn16">[16]</a> Para ludibriá-la melhor e atrair os militares, a seita acrescentou à usual organização das <em>Vendas</em> uma organização militar, ou melhor, de denominação militar: <em>legião, coortes, centúrias, manípulos</em>, etc.; de acordo com as necessidades do momento, ela se apresenta com uma ou outra cara.</span></p>
</div>
<div id="ftn17" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref17" name="_ftn17">[17]</a> <em>Histoire de dix ans</em>, tomo I.</span></p>
</div>
<div id="ftn18" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref18" name="_ftn18"><sup><sup>[18]</sup></sup></a> Refere-se o autor à proclamação da efêmera “República Romana”: o papa é destronado e os bens da Igreja são confiscados. Sobre o tema, veja o artigo “Viva Pio IX!” da Revista Permanência nº. 280. [N. do E.]</span></p>
</div>
<div id="ftn19" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref19" name="_ftn19">[19]</a> Bem recentemente, a filha de um maçom confirmava, por uma inocente indiscrição, a realidade desses procedimentos inexoráveis. Essa criança, de doze anos de idade, quase sempre escutava o seu pai falar sobre a maçonaria e declarar que fazia parte dela. Graças à influência da sua boa mãe, a menina foi internada em uma casa de educação religiosa. Ela chegou a repetir mais de uma vez diante das colegas, das religiosas e do padre coadjutor do estabelecimento estas palavras saídas da boca do pai: “Se algum de nós vier a trair o segredo que lhe foi confiado na maçonaria, irão persegui-lo até o fim do mundo e lhe darão sumiço, sem que nem a polícia nem quem quer que seja saiba o que aconteceu”.</span></p>
</div>
<div id="ftn20" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref20" name="_ftn20">[20]</a> Carta da Venda piemontesa, de 18 de janeiro de 1822.</span></p>
</div>
<div id="ftn21" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref21" name="_ftn21">[21]</a> Quando o materialista e ateu Helvécio morreu, a viúva devolveu as insígnias à <em>Loja das Nove Irmãs</em>, à qual ele pertencia. Ofereceram a Voltaire <em>o avental </em>de Helvécio; e Voltaire, o grande Voltaire, antes de cingi-lo, beijou-o <em>piedosamente</em> como a uma relíquia. Voltaire, que se apelidava a si mesmo de o <em>Zomba-Cristo</em>, não se contentou em ser recebido como maçom na Inglaterra: a sua consciência e piedade não se satisfizeram enquanto não se iniciou na maçonaria francesa. Admitiram-no em 7 de abril de 1778, sete semanas antes de morrer, certamente como preparação próxima [para a morte]. Aclamaram-no maçom perfeito desde o primeiro instante e dispensaram-no das <em>provações, </em>pois, declararam os Irmãos, “sessenta anos consagrados <em>à virtude</em> e ao talento já o fizeram bastante conhecido”.</span></p>
</div>
<div id="ftn22" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref22" name="_ftn22">[22]</a> <em>Monde maçonnique</em>, edições de agosto de 1866 e fevereiro de 1867.</span></p>
</div>
<div id="ftn23" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref23" name="_ftn23">[23]</a> Ver o <em>Rituel Maçonnique</em>.</span></p>
</div>
<div id="ftn24" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref24" name="_ftn24">[24]</a> <em>Gazette des Francs-Maçons</em>, em 15 de dezembro de 1866.</span></p>
</div>
<div id="ftn25" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref25" name="_ftn25">[25]</a> <em>Ibid</em>., setembro de 1866.</span></p>
</div>
<div id="ftn26" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref26" name="_ftn26">[26]</a> <em>Monde Maçonnique</em>, novembro de 1866.</span></p>
</div>
<div id="ftn27" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref27" name="_ftn27">[27]</a> Número de janeiro de 1867.</span></p>
</div>
<div id="ftn28" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref28" name="_ftn28">[28]</a> Ir.’. Ragon, <em>Rituel d’adoption des jeunes Louvetons.</em></span></p>
</div>
<div id="ftn29" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref29" name="_ftn29">[29]</a> Aproximadamente R$ 22.250,00, em luíses de ouro [N. T.].</span></p>
</div>
<div id="ftn30" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref30" name="_ftn30">[30]</a> Ver cap. VIII.</span></p>
</div>
<div id="ftn31" style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref31" name="_ftn31">[31]</a> <em>Le Monde Maçonnique</em>, maio de 1866, p. 6.</span></p>
</div>
<div id="ftn32">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" title="" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5266#_ftnref32" name="_ftn32"><sup><sup>[32]</sup></sup></a> A grande virtude da obediência supõe um estado normal da vida da Igreja, quando os papas defendem a verdade e a fé. Diante dos erros de Vaticano II que põem em grave perigo a nossa fé, nem sempre podemos aplicar a virtude da obediência às palavras ou ordens do papa e dos bispos. Nesse caso vale aquilo do Apóstolo: “Deve-se obedecer antes a Deus que aos homens” (At 5, 29). [N. do E.]</span></p>
</div>
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		<title>OS FALSOS FUNDAMENTOS DO CARISMATICISMO</title>
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		<pubDate>Sat, 26 May 2018 15:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
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		<description><![CDATA[Fonte: FSSPX Distrito da América do Sul — Tradução: Dominus Est Embora a “renovação carismática” não seja católica em suas origens, boas razões poderiam tê-la justificado mais tarde. Mas não foi assim: estudemos, portanto, os fundamentos falsos e heréticos desse movimento. Pretensos fundamentos &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/os-falsos-fundamentos-do-carismaticismo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx-sudamerica.org/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/drupal-7/caris_1.jpg?itok=Pe5o-6y6" alt="" width="572" height="326" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.fsspx-sudamerica.org/es/news-events/news/los-falsos-fundamentos-del-carismatismo-37906">FSSPX Distrito da América do Sul</a> </span>— Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Embora a “renovação carismática” não seja católica em suas origens, boas razões poderiam tê-la justificado mais tarde. Mas não foi assim: estudemos, portanto, os fundamentos falsos e heréticos desse movimento.</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Pretensos fundamentos escriturísticos</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O movimento procura justificar-se nos capítulos 12 a 14</span><a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> <span style="color: #000000;">da primeira Carta de São Paulo aos Coríntios. A semelhança entre o movimento pentecostal e o ocorrido em Corinto é apenas superficial, pois os dois acontecimentos concordam unicamente em ambos pretender a recepção do Espírito Santo e alguns carismas: <u>línguas</u>, curas, profecias; de resto, diferem radicalmente. Assim:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Em Corinto não havia nem Batismo do Espírito, nem imposição de mãos, nem muito menos tentativas de organizar reuniões de oração ou retiros para distribuir o Espírito Santo.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Das Cartas de São Paulo se deduz que o fenômeno não estava generalizado na Igreja, mas limitado exclusivamente a Corinto. Ademais, uma vez comprovados aqueles abusos, desapareceram e deles não mais se ouviu falar na Igreja até o ano de 1966.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Em Corinto, os carismáticos falavam “línguas estranhas”, ao contrário dos pentecostais, que emitem sons estranhos e um balbuciar que não pode ser a língua da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os pentecostais também acrescentam alguns episódios dos Atos dos Apóstolos, especialmente a efusão do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Procuram trazer à mente de todo cristão aquela grande experiência mística: “por que” — questionam eles — “devemos privar um cristão daquele dom incomparável, tão necessário para uma vida cristã fervorosa?” A isso pode se responder dizendo:</span><span id="more-13489"></span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">No primeiro Pentecostes, a experiência mística e sensível do Espírito Santo, junto aos carismas de línguas, profecias e curas, foi concedida apenas aos Apóstolos e, provavelmente, aos discípulos presentes no Cenáculo, mas não ao resto dos convertidos que naquele dia foram batizados.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Os Apóstolos falavam em um idioma — o arameu —, enquanto os ouvintes os ouviam falar cada qual em sua própria língua (grego, latim, parto, elamita, etc.). Evidentemente, é totalmente diferente do que acontece nos encontros carismáticos de oração.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">No que se refere ao capítulo 8 dos Atos dos Apóstolos — que relata como o Espírito Santo desceu sobre os recém convertidos da Galileia pelo ministério de Pedro e João, após a evangelização do diácono Filipe —, a interpretação da Igreja é o que trata do sacramento da Confirmação.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os outros textos do Novo Testamento, que geralmente são apresentados, podem ser reduzidos a uma explicação mais coerente do que a que foi pretendida pelos carismáticos. Que após a imposição de mãos de Ananias, Saulo recuperou a visão e ficou repleto do Espírito Santo, entende-se a missão especial que ele teria que cumprir nesse caso, especialmente se se repara que Ananias era sacerdote. Exceto nesse caso, não o vemos impondo suas mãos aqui e acolá.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que Paulo, encontrando discípulos de João Batista em Éfeso, batizou-os e impôs-lhes as mãos, tendo em seguida o Espírito Santo descido e eles começaram a falar em línguas e a profetizar, justifica-se pelo fato de que Paulo já era Bispo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fora destes textos, não há outras provas da efusão externa do Espírito Santo. E isto porque Cristo jamais prometera tais experiências místicas e dons extraordinários aos cristãos, nem deu qualquer provisão para transmiti-los por meio de ritos particulares. Ele instituiu, sim, o sacramento da Confirmação, que a Igreja sempre administrou e através do qual cada cristão participa na efusão do Espírito Santo, mas este Espírito não é conferido com sinais externos e milagres, senão silenciosa e misteriosamente, como nos demais sacramentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja jamais conheceu semelhante Batismo do Espírito. Se isso fosse verdadeiro, não seria um simples sacramento, mas um “super sacramento”, superior aos outros sete, porque não produziria somente a graça interna, mas, também, uma plenitude semelhante a do dia de Pentecostes; além disso, uma efusão externa milagrosa e, por fim, conferiria também dons milagrosos — curas, profecias e línguas — todos contrários à fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se o que os pentecostais afirmam do Batismo do Espírito fosse verdadeiro, onde deveria ser colocada a Confirmação na vida cristã? Eles tendem a se esquivar desta espinhosa questão e, não podendo abertamente negar este sacramento, relegam-no a um plano secundário. Por isso Ranaghan diz que</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“pode-se estar mais seguro do que significa estar batizado no Espírito Santo, do que o que significa estar confirmado”</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante disso, o Concílio de Florença afirmou claramente que a confirmação é o Pentecostes de todo cristão. Portanto, de duas uma: ou o Batismo do Espírito é verdadeiro e a confirmação falsa, ou a confirmação é verdadeira e o Batismo do Espírito é falso. Não podem ser verdadeiras as duas coisas.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Exame dos chamados carismas</strong></span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong> O dom da cura</strong></span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ouvindo os carismáticos, pareceria que os milagres fossem comuns e, portanto, uma prova da origem divina do movimento. No entanto, para que uma cura seja milagrosa, são necessárias três condições:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">que todas as causas naturais capazes de operar uma cura súbita sejam excluídas;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">que o fato seja submetido a um cuidadoso exame por médicos, cientistas e teólogos, e</span></li>
<li><span style="color: #000000;">que a decisão final seja proferida pela autoridade competente.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora vejamos, nenhuma das três condições se cumprem no pentecostalismo: eles creem nos milagres pelo simples testemunho daqueles que os recebem. Mais do que milagres, são fatos triviais, milagres &#8220;psicológicos&#8221; e coisas desse tipo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um milagre só pode ter três causas possíveis. Em primeiro lugar, Deus. Neste caso, deve-se estabelecer que são verdadeiros milagres, onde não há vestígios de orgulho, ostentação ou autossatisfação, muito presentes no carismatismo. Em segundo, processos psicológicos. Afirmam que alguns convertidos abandonaram seu hábito de beber; mas todos sabem que os membros dos Alcoólicos Anônimos alcançam resultados semelhantes sem qualquer recurso ao &#8220;espírito&#8221; invocado pelos pentecostais… Terceiro, o demônio. Sem dúvida que o maligno pode operar alguns &#8220;milagres&#8221;, especialmente em uma atmosfera carregada de emotividade.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O dom de línguas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao que foi dito anteriormente, poderíamos acrescentar algumas outras considerações, porque os pentecostais apreciam muito este &#8220;dom&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Até recentemente eles o consideravam como uma prova definitiva da efusão do Espírito Santo. Se assim fosse, quando o mais normal dos cristãos recebe um sacramento, ele não pode estar muito seguro de tê-lo recebido por causa da ausência de fenômenos externos. A segurança que temos é a fé na promessa de Cristo, atestada pela autoridade da Igreja: uma fé que quase nunca se apoia em sentimentos ou experiências.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nossa perplexidade aumenta se repararmos na natureza do &#8220;carisma&#8221;, porque as línguas faladas pelos pentecostais não são sons humanos, mas ininteligíveis. As línguas mencionadas nos Atos dos Apóstolos e na Carta aos Coríntios eram idiomas verdadeiros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto, os pentecostais ensaiam sua explicação: argumentam a possibilidade de rezar &#8220;não objetivamente, de uma maneira pré-conceitual&#8221;. Esta noção é dada por <em>Le Renouveau Charismatique:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;A possibilidade de orar não-objetivamente, de maneira pré-conceitual, tem considerável valor na vida espiritual. Permite expressar com meios pré-conceituais o que não pode ser expresso conceitualmente. A oração em línguas é para a oração normal, o que a pintura abstrata e não representativa é para a pintura comum. A oração em línguas requer um tipo de inteligência que até as crianças têm”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pois bem, tudo isso é, pelo menos, muito confuso e difícil de entender. Não existe nada semelhante na Tradição da Igreja, nem no ensino dos mestres espirituais e místicos. Embora Cristo tenha ensinado os apóstolos e aos primeiros discípulos a orar e até mesmo tenha dado uma fórmula para expressar suas próprias petições, ele jamais fez isso de uma maneira &#8220;pré-conceitual&#8221; e &#8220;não objetiva&#8221;. Esse tipo de oração supõe que os murmúrios não correspondem à realidade objetiva, que o Espírito Santo é incapaz de expressar a realidade divina na linguagem racional, quando esse mesmo Espírito, através das bocas dos profetas e dos apóstolos, e do próprio Cristo, falou a mais alta verdade em uma linguagem humana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nenhuma referência a um ato sagrado.</span></p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.fsspx-sudamerica.org/sites/sspx/files/styles/news_big/public/news/carisma04.jpg?itok=LBJHkLe_" alt="" width="397" height="229" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Indiferentismo religioso</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como já foi observado, o movimento católico pentecostal foi importado do pentecostalismo protestante. Em coerência com este antecedente, embora em discordância com suas próprias origens, os católicos celebram encontros de oração com protestantes de qualquer denominação. Durante seu curso, quem recebeu o dom de ser &#8220;guia&#8221; pode impor as mãos sobre qualquer pessoa, independentemente da seita a que pertença.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos pedem o dom do Espírito Santo, falam em línguas, interpretam, profetizam e curam. Ambos os grupos querem trabalhar pela unidade à parte das questões doutrinárias, tentando alcançar a união situando-se &#8220;em um nível mais profundo&#8221;. Esse &#8220;nível mais profundo&#8221; é o &#8220;nível emocional&#8221;, muitas vezes confundido com &#8220;amor sobrenatural&#8221;. O movimento pentecostal, em suma, está destinado a destruir a esperança do verdadeiro ecumenismo, já que nenhuma união é possível se nossos irmãos protestantes não aceitarem a verdade plena da Igreja Católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Demolição do ascetismo cristão</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se da teologia passarmos para a ascese, tal como os santos a viveram e a ensinaram, descobrimos que o carismatismo não apenas carece dos requisitos fundamentais para uma verdadeira ascensão a Deus, mas é até mesmo prejudicial a ela.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em primeiro lugar, arruína a humildade e favorece o orgulho, porque a pessoa orgulhosa é cheia de autoconfiança, procura o sensacional e o ostenta como virtude. Mas o humilde, por outro lado, busca a última posição, evita o sensacional e o extraordinário, tem medo de se enganar e se considera indigno de dons extraordinários. Se Deus os concede, ele os aceita com temor e tremor, suplicando-lhe para que os retire e o conduza pela via ordinária.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, expõe a alma ao autoengano. Alimentando um mórbido desejo pelo sensacional, o movimento cria uma atmosfera sobrecarregada de emoção que leva ao autoengano. Declarar que a experiência pessoal é a prova suprema da efusão do Espírito Santo é algo contrário ao ensinamento de Cristo, que disse que o cumprimento da vontade de Deus é o único critério seguro de estar no caminho da salvação:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Nem todo o que me diz &#8216;Senhor, Senhor!&#8217; Entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai Celestial.&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enquanto os carismáticos consideram os dons extraordinários como sinais irrefutáveis da experiência do divino, Nosso Senhor os exclui como sinais de uma salvação segura:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?’ E, no entanto, eu lhes direi: ‘Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!’”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além do mais, é contrário à experiência daqueles que viveram espiritualmente. O ensino e a prática dos pentecostais contradizem o exemplo dos santos, que constantemente temiam ser enganados pelo demônio, desprezavam fenômenos extraordinários e pediam ao Senhor que os mantivesse na via espiritual não extraordinária.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para evitar o autoengano, ordinariamente confiavam-se a experientes diretores espirituais. Confidenciavam-lhes até mesmo os mais insignificantes sentimentos de seus corações, e heroicamente obedeciam ao lhes ordenado. Alguém pode imaginar Santa Catarina de Sena, Santa Teresa de Ávila, São Francisco de Assis ou Santo Inácio de Loyola, percorrendo o mundo exibindo a si mesmos como os dispensadores do Espírito Santo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por outro lado, os carismáticos abandonam a cruz. O movimento se concentra na celebração da &#8220;alegria&#8221; do espírito. Por acaso há lugar no movimento para a agonia do Getsêmani, pelos tormentos da Paixão, pelas noites da alma que tanto se denotam na vida dos santos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os pentecostais deveriam saber que a santidade é alcançada por um caminho em que a alegria não é abundante: <em>Quem quer ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e segue-me</em>. A autêntica celebração da alegria está reservada para o Céu. É um sinal de maior perfeição dizer que sua vontade será feita tanto na agonia do Getsêmani quanto na alegria de Pentecostes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em suma, o movimento carismático contradiz o próprio ensinamento do Concílio Vaticano II, que afirma:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Dons extraordinários não devem ser pedidos imprudentemente, nem deles devemos esperar com presunção os frutos das obras apostólicas&#8221;</em> (Lumen Gentium, 12).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tais palavras parecem inspiradas por Deus como uma pré-condenação de um movimento que surgiria imediatamente na esteira do Concílio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Conclusão</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Examinando objetiva e imparcialmente o movimento pentecostal, descobrimos que ele é frágil, contraditório e pernicioso. Mas, no meio do clamor e tumulto suscitados pelo movimento, é difícil prevalecer a voz da razão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em uma época delirante como a nossa, na qual o ensinamento e a Tradição da Igreja são atacados, os tempos profetizados por São Paulo a Timóteo parecem ter chegado:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si&#8221;.</em> (2Tm 4,3)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Paulo nos convida a examinar tudo, reter o bem e rejeitar o mal. À luz da sã teologia e da Tradição, o carismatismo não é uma coisa boa: parte de pretensões fantásticas, mina a fé, induz as almas a um falso misticismo e, através da credulidade e do orgulho oculto, entrega de bandeja essas almas ao Demônio. Portanto, o julgamento do Arcebispo Robert Dwyer está plenamente justificado, quando afirmou:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;Nós julgamos o movimento carismático como uma das orientações mais perigosas da Igreja em nosso tempo, intimamente ligado em espírito com outros movimentos destrutivos e separadores, que ameaça a sua unidade bem como põe em risco inúmeras almas&#8221;</em> (&#8220;Christian Order&#8221;, maio de 1955 , página 265).  </span></p>
<p style="text-align: justify;">__________</p>
<p style="text-align: justify;">Extraído da Revista <em>&#8220;Iesus Christus&#8221;</em> nº 92, correspondente ao período de março-abril de 2004, e publicado anteriormente em &#8220;Sim Sim Não Não&#8221;, agosto de 1981.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a><span style="color: #000000;"> O apóstolo fala nestes dois capítulos dos dons de falar com sabedoria, com muita ciência, extraordinária fé e confiança, a graça de curar enfermidades, o dom de milagres, da profecia, da discrição dos espíritos, o dom de línguas e o de interpretar as palavras ou raciocínio. &#8220;Todas estas coisas são causadas pelo mesmo e único Espírito, distribuindo-as a cada um conforme quer&#8221; (I Cor 12, 11). Então ele explica o julgamento que deve ser feito sobre cada um desses dons.</span></p>
<p style="text-align: center;">*******************************</p>
<p style="text-align: justify;">Outros três excelentes textos sobre o assunto:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-dom-de-linguas-os-padres-da-igreja-e-os-santos/">O Dom de Linguas, os Padres da Igreja e os Santos</a></strong></p>
<h1 class="title"><a href="https://www.fsspx.com.br/o-movimento-carismatico-uma-perigosa-ilusao/">O movimento carismático: uma perigosa ilusão</a></h1>
<h1 class="title"><a href="http://permanencia.org.br/drupal/node/2235">A Renovação Carismática Católica</a></h1>
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