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	<title>DOMINUS EST &#187; Paolo Pasqualucci</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>A “PORTA LARGA” ESCANCARADA PELO PAPA FRANCISCO</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Sep 2024 14:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Paolo Pasqualucci]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Paolo Pasqualucci Tradução gentilmente pelo nosso leitor Pedro Henrique Silva Para onde está indo a Igreja Católica? A Igreja Una e Santa está viva e imaculada perante Seu Noivo; mas será que uma parte visível dela corre o risco de &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-porta-larga-escancarada-pelo-papa-francisco/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSXgOmJ9cCz3HUhpLikz6x-HKI6Ljk2fsfDxA&amp;s" alt="Economia de Francisco e Clara: um modelo baseado no amor" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Por Paolo Pasqualucci</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Tradução gentilmente pelo nosso leitor Pedro Henrique Silva</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Para onde está indo a Igreja Católica? A Igreja Una e Santa está viva e imaculada perante Seu Noivo; mas será que uma parte visível dela corre o risco de sofrer uma ‘mutação genética’, ou isso já aconteceu contra nossa vontade, e estamos vendo os efeitos dessa ação? Discutamos tal questão para “resistir”, na fidelidade.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">I.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Papa Francisco, em suas viagens ou em audiências, se encontrou repetidamente com indivíduos e associações do mundo dito LGBTQ+, ou arco-íris, denominação devida ao símbolo deles, ou seja, com pessoas que vivem de diversas maneiras no “pecado impuro contra a natureza” (Catecismo de São Pio X) – sendo que algumas delas até mesmo o promovem, ainda que se declarem católicas. Entre os católicos que se mantêm fiéis ao dogma e aos valores tradicionais, essa prática causou e causa escândalo. Mas por qual motivo? Nosso Senhor não permitia que viesse até Ele prostitutas e adúlteras arrependidas, bem como não pregava a todos os tipos de pecadores para convertê-los – “Aproxima-se o reino de Deus; fazei penitência, crede no Evangelho”; “eu não vim chamar os justos mas os pecadores” (Mc 1, 15; 2, 17)? O escândalo então não advém do fato do encontro, mas sim daquilo que o Papa Francisco disse e, ademais, <em>daquilo que ele não disse e que deveria ter dito enquanto sacerdote, ainda mais sendo Romano</em> <em>Pontífice e, portanto, Vigário de Cristo na terra.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, enquanto Nosso Senhor exortava sempre os pecadores com doçura, mas firmeza para “não pecarem mais”, isto é, para mudarem imediatamente de vida, converterem-se, viverem segundo os ensinamentos Dele, já que o “Reino dos Céus” estava próximo, quer dizer que a salvação eterna estava mais “próxima” naquele momento como nunca antes, graças às Suas pregações e ao Seu exemplo. O Papa Francisco, pelo contrário, sempre incitou todos esses pecadores a continuarem como são, visto que ele falou várias vezes: “Deus o ama assim como você é”! Não parece que ele os tenha alguma vez encorajado a mudar imediatamente de vida, a procurar entrar “pela porta estreita” (Lc 9, 23-24), carregando a própria Cruz dos verdadeiros seguidores de Cristo, negando a si mesmos (Lc 9, 23-24); em suma, nada evidencia que ele os tenha aberta e fortemente encorajado a fugir do pecado, a viver como verdadeiros e coerentes católicos, a procurar auxílio da Graça, a projetar a existência na salvação, a vida eterna, o único fato que verdadeiramente conta para cada um de nós! </span><span id="more-32146"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A homossexualidade é um pecado grave, um daqueles que, como se dizia no passado, “clamam a Deus por vingança”, assim como o homicídio doloso, a opressão dos pobres e a fraude no pagamento dos trabalhadores. Nem mesmo a ciência moderna conseguiu eliminá-lo. Foi em vão, por parte de certos cientistas, também homossexuais, a pesquisa do “cérebro gay” ou do “gene gay” para sustentar a suposta “normalidade” desse desvio e derrotar dessa forma a moral católica. Mas eles conseguiram, em 1973, com intervenções de tipo emotivo, promover a retirada da homossexualidade do elenco das “patologias psiquiátricas” da <em>American</em> <em>Psychiatric</em> <em>Association</em>. Um fato grave, que provocou uma reação em cadeia. Em 17 de maio de 1990, a OMS excluía igualmente a homossexualidade da lista das doenças mentais, fazendo-a assim tornar-se uma variante natural do comportamento humano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Precisas observações críticas sobre as tentativas de legitimar biologicamente a homossexualidade, ou seja, como tendência natural, foram feitas pelo reconhecido psicoterapeuta holandês de fama internacional, especialista na cura das pessoas homossexuais, Gerard J. M. van den Aardweg, em um notável livro de 1996. Ressalta-se que o dr. van den Aardweg é um católico de orientação tradicional. Se alguém considerar que isso pode ter influenciado as análises científicas dele, leia o que escreve o célebre neurobiólogo inglês Steven Rose, especialista nos estudos sobre o Alzheimer, judeu ateu declarado, um liberal de tipo “radical” no plano ético-político. Em um dos seus mais relevantes textos divulgados sobre o cérebro, ele zomba abertamente das pesquisas voltadas a descobrir o gene ou o cérebro gay, afirmando que isso não é ciência, mas pura “<em>speculation</em>”, além do mais embaraçosas, pois, em certas passagens, parecem mais revelar “as bizarras fantasias sexuais” que obcecam a mente do pesquisador.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Periodicamente, na imprensa, é divulgada a (falsa) notícia de que os geneticistas teriam finalmente demonstrado o caráter biologicamente natural da homossexualidade. Na Itália, uma das últimas, creio, tenha sido a publicação na página cultural de <em>Il</em> <em>Sole24Ore </em>da resenha do livro do prof. Jacques Balthazar, endocrinologista belga, traduzido para o italiano em 2021 por Bollati-Boringhieri. O livro, lançado incialmente em 2010, analisa sobretudo comportamentos homossexuais dos animais, que seriam fruto de determinismo biológico (por ser devido a fenômenos endocrinológicos e genéticos), para sustentar que esse tipo de comportamento poderia ser encontrado também no homem. Essa seria a “demonstração”. Há aí um erro fundamental, típico da ciência moderna e contemporânea, escrava das suas perspectivas evolutivas: aplicar em curto prazo aos homens comportamentos detectados nos animais, como se o animal, privado de razão e de livre arbítrio, pudesse ser um modelo válido para explicar o comportamento humano, no qual opera sempre o livre arbítrio, além de ser afetado por variantes de tipo psíquico e espiritual, influenciadas pelo ambiente. Ademais, a origem supostamente natural da homossexualidade é apresentada pelo professor belga mais como uma possibilidade do que como uma certeza. E, de fato, um estudo muito aprofundado sobre o tema, publicado em setembro de 2019 na conceituada revista científica americana <em>Science</em>, mostra com ampla evidência documental que a origem natural ou genética da homossexualidade continua improvável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Trata-se de uma pesquisa relevante, considerada a mais completa, até agora, efetuada nesse campo, de árdua leitura para nós não especialistas. Todavia, algumas conclusões fundamentais mostram-se claras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Identificamos, a nível de genoma, significativos pontos fixos [<em>loci</em>] associados ao comportamento homossexual e encontramos evidências de uma ampla contribuição graças às variações genéticas comuns. Estabelecemos, de todo modo, que a arquitetura genética subjacente é muito complexa; seguramente não existe um único gene que seja determinante (às vezes definido nas mídias como “o gene gay”). Por outro lado, muitos desses pontos fixos que produzem pequenos efeitos a nível individual, difundem-se no genoma inteiro e em parte se sobrepõem como masculinos e femininos, adicionando a contribuição deles às diferenças individuais na predisposição para o comportamento homossexual. Todas as variantes, medidas coletivamente, explicam [todavia] somente parte da hereditariedade genética a nível de população e não permitem uma significativa predição das preferências sexuais de um indivíduo”. Há, desse modo, dois pontos essenciais: 1. o gene gay não existe; portanto, 2. os indicadores genéticos individualizados são demasiadamente instáveis para “prever as preferências sexuais de um indivíduo”. Quanto ao dito “gene gay”, havia sido afirmado em 1993 a existência em um <em>locus</em> do cromossoma masculino X, chamado Xq28, pelo famoso prof. Dean Hamer, homossexual e também inveterado “ativista gay” no plano cultural, convicto também de ter encontrado uma explicação genética da religião. A demonstração desse estudioso foi amplamente criticada no campo científico, mas tornou-se, não supreendentemente, uma verdade revelada para as mídias. A base da pesquisa, era preciso primeiramente observar, mostrava-se muito restrita, envolvia apenas 65% de um grupo de homossexuais que tinham irmãos homossexuais, ou seja, apenas 6% da população homossexual. Um grupo selecionado com muito cuidado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na pesquisa de 2019, reitera-se que não foi detectado rastro desse gene: “Diferentemente de estudos de <em>linkage</em> [como aquele do prof. Hamer] que encontraram uma substancial associação de orientação sexual com variantes presentes no cromossoma X (8, 23), não detectamos nenhum sinal em excesso no cromossoma X (e nenhum <em>locus</em> individual significativo a nível de genoma)”. Mas a propaganda gay buscou igualmente tirar partido dessa pesquisa, já que é afirmada a existência de cinco <em>loci</em> de genes que influenciariam de 8 a 25% no comportamento homossexual. Mas essa ampla oscilação [<em>range</em>], explica o artigo, depende dos “diversos métodos ou hipóteses de prevalência [de uma variação] (Gráfico S11) empregados”. E em todo casos essas “variantes genéticas” influenciam apenas menos de 1% do comportamento efetivo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O “comportamento efetivo”, reafirmava a pesquisa, é influenciado por uma multiplicidade heterogênea de fatores, que compreendem aqueles psíquicos e culturais ambientais, frequentemente subestimados. Essa pesquisa de 2019 demonstra de todo modo que a palavra de ordem dos movimentos “arco-íris” (“sou feito/a assim”; “esta é a minha natureza, que culpa eu tenho”), além de ofender a Deus Criador e ser contrária ao senso comum, é do ponto de vista científico totalmente infundada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Immanuel Kant, cujo tricentenário de nascimento é comemorado este ano, equipara estupro, pederastia e bestialidade com “delitos contra a humanidade em geral”. A homossexualidade, escreve ele, lesa a humanidade “em nossa pessoa”. Deve, portanto, ser considerado um “vício contra a natureza”: contra a natureza humana, prejudicada por ele justamente na sua intrínseca essência, que se fundamenta na união do princípio masculino com aquele feminino (“<em>masculum et feminam creavit eos</em>”, Gen 1, 27).  Lesa também no senso estético, na dignidade e no decoro, por causa do caráter repugnante das relações homossexuais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como ser moral que é também físico, evidencia também Kant, o homem tem o dever (consigo mesmo) de visar a preservação da espécie, o que constitui um impulso natural. “Os vícios que se contrapõem aqui ao dever do homem perante si mesmo são: o suicídio; o uso contra a natureza que alguém faz da inclinação sexual; o deleite descomedido dos meios de alimentação, que enfraquece em nós a faculdade de fazer um uso conveniente das nossas forças”. De fato, a prática da homossexualidade, sendo intrinsicamente estéril e corrompendo os costumes, contribui amplamente para a extinção dos povos e em perspectiva do gene humano, contradizendo assim a natureza, cujo escopo não pode ser a autodissolução.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">II.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas é verdade que “Deus o ama assim como você é”? Como foi sempre ensinado, Ele o ama quando você faz a vontade Dele, o que significa, para nós católicos, somente quando nos esforçamos para buscar a nossa santificação cotidiana, segundo os ensinamentos de Cristo. Como diz o cego de nascimento, depois que o Senhor lhe havia devolvido a visão, ao descrever o milagre aos Fariseus que severamente o interrogavam, “Nós sabemos que Deus não ouve os pecadores; mas quem honra a Deus e faz a sua vontade, esse é ouvido por Deus” (Jo 9, 31).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se você viver obstinadamente no pecado e insistir nisso, Deus não o escuta e não o ama de fato, além do mais, isso suscita a Sua justa ira, a qual resultará na Sua reprovação, que será eterna caso morra sem se mostrar arrependido, mantendo-se envolto nos pecados. Ao repetir obsessivamente aos pecadores que Deus de todo modo os ama “assim como são”, sem necessidade que se corrijam convertendo-se ou retornando a Cristo, o Papa presta-lhes um péssimo serviço: são abertas a essas almas desafortunadas a “porta larga” e a “via espaçosa” que conduzem à condenação <em>eterna</em>. “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” (Mt 7, 13; Lc 13, 22).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma verdade de fé que haverá os condenados para sempre: uma parte da humanidade não se salvará. Tal fato consta na Palavra do Senhor, várias vezes retomado além do texto que acaba de ser citado: na parábola do semeador (Lc 8, 4 ss); na parábola das virgens prudentes e néscias (Mt 25, 1-15); naquela do rico (Lc 16, 19-30); naquela sobre a separação final do grão de joio (Mt 13, 24); naquela sobre “regalos de bodas”, que se conclui com a célebre inserção: “porque muitos são os chamados, mas poucos os eleitos” (Mt 22, 1 ss; Lc 13, 28); nas advertências escatológicas às cidades incrédulas (Lc 10, 13 ss). Por fim, na revelação do Juízo Final, na qual o próprio Jesus, como Cristo Rei e Juiz em toda a Sua Glória, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, dividirá para sempre o gênero humano em Eleitos e Reprovados (Mt 25, 31). Essa verdade de fé foi reiterada igualmente por São Paulo: Gl 6, 7-8; Ef 3, 19-19; e pelo Beato Pedro: 2Pd 9 e 17.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos serão, na verdade, também os Eleitos: veja Mt 21, 43; Lc 14, 2-23; Ap 7, 9. Mas é em vão especular sobre o possível número dos Eleitos e dos Reprovados, como fazem alguns, imaginando em qual dos dois grupos constará mais pessoas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todavia, o Senhor não veio neste mundo para salvar todos os pecadores, como nos recorda São Paulo: “Em verdade, isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador [a pregação para todos os homens], o qual quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Com efeito, há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem, o qual se deu a si mesmo para redenção de todos” (1Tm 2, 3-6)? Certamente, Deus quer a salvação de todos, mas através “do conhecimento da verdade”, ou seja, mediante a nossa conversão em Cristo e nos seus ensinamentos. E a fé não se pode adquirir sem a Graça, que requer, no entanto, a participação do nosso livre arbítrio, por isso serão condenados todos aqueles que tiverem recusado a Graça, perseverando no pecado até o fim das suas vidas.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">III.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, a missão da Igreja fundada por Cristo é justamente aquela de expulsar Satanás do máximo possível de almas antes do juízo final, que ocorrerá quando houver o imprevisto retorno, a presença (<em>parusía</em>) “rápida como um raio” de Cristo como Juiz de toda a humanidade (Mt 24, 27; Lc 17, 24). E, por outro lado, o atual Vigário de Cristo o que faz, senão exatamente o oposto da missão ordenada pelo Senhor Ressuscitado à Igreja (Mt 28, 18-20)? Ao incitar os pecadores a permanecerem na vida de pecado, ele não os entrega de fato a Satanás? <em> Objetivamente, </em>ele não se comporta como o mau Pastor que deixa as ovelhas à mercê dos lobos, como mencionado em Jo 10, 1-13? É possível que não se dê conta disso?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Façamos uma pequena antologia das intervenções homófilas mais recentes do Papa Francisco.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em julho de 2023, em um encontro com um “jovem transsexual” que se declarava católico, mesmo insistindo em manter-se naquela situação, o Papa Francisco o encorajou da seguinte forma: “Deus é pai, mãe e irmão para nós. E entender isso é difícil, mas Ele nos ama como somos. Não desamine&#8230; Siga em frente&#8230;”. Anteriormente, a uma jovem que se proclamava “pessoa não binária”, e isso quer dizer que afirmava não se sentir nem homem nem mulher, ele havia dito: “Deus não recusa ninguém, Deus é pai. E eu não tenho o direito de expulsar ninguém da Igreja”. Aqueles que querem excluir o movimento LGBT da Igreja são, segundo o Papa Francisco, “infiltrados que se aproveitam da Igreja em nome das paixões pessoais, da limitação pessoal. Trata-se de uma das corrupções da Igreja”. De forma similar, o Papa se expressou em um encontro de 22 de abril de 2022 com um grupo de “prostitutas transexuais”, já ajudadas durante a pandemia de Covid em um paróquia próxima a Pomezia, no litoral romano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso de todo modo questionar-se nesse ponto: por trás das siglas anódinas de conveniência e de conformismos pseudo-humanitários, qual é a autêntica realidade do fenômeno LGBTQ+, constituído por grupos tão restritos de pessoas, mas para os quais mídias chamam nossa atenção de modo exorbitante e obsessivo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Visto como fenômeno social geral, consta de organizações e redes midiáticas de pessoas de ambos os sexos dominados pelas patologias e pelos distúrbios produzidos pela prática da homossexualidade; redes locais, nacionais com ligações internacionais graças à internet, sustentadas pela alta finança, por muitos governos e pelo <em>business</em> bilionário, bem como pela governança de organizações como a ONU e a OMS, agora descarrilhadas dos trilhos originais: redes que prosperam sobretudo graças à cúmplice loucura da <em>cupio dissolvi</em> que aflige há muito tempo as elites do Ocidente. Essa plêiade não é nada neutra, partilha os objetivos do feminismo, do qual é de certo modo uma réplica, e então quer impor sua visão de mundo e política, pondo em prática uma espécie de “inversão de todos os valores” de tipo nietzschiano, usando o álibi da luta contra a discriminação. Efetivamente, mobiliza-se contra a família tradicional e contra o matrimônio tradicional, contra a religião, em particular a católica, e visa corromper a infância e a juventude graças à prática da educação sexual, que aborda por lei, já desde o ensino fundamental, as instâncias pederásticas e sáficas nas escolas de todo o Ocidente. Tal grupo conseguiu obter em muitos Estados o reconhecimento das convivências homossexuais como “casamento”, com a adoção de crianças, ou a aquisição de “filhos” obtidos com práticas escandalosas como a maternidade de substituição, chamada popularmente de “barriga de aluguel”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo isso constitui uma abominação nunca vista antes na história, nem mesmo nas épocas de pior decadência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ademais, essa plêiade propicia todo tipo de promiscuidade, contribui para a difusão de doenças infecciosas do tipo venéreo, favorece o ofuscamento das nações ocidentais mediante a diminuição cada vez mais difundida da natalidade (a qual oferece uma óbvia contribuição, reforçada por sua defesa indiscriminada ao aborto livre), a reescrita em tom feminista e gay (a mais recente forma de subcultura) da nossa tradição cultural e o apoio ao acolhimento indiscriminado das massas afro-asiáticas de clandestinos que pressionam as nossas fronteiras, em grande parte mulçumanas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Do ponto de vista individual, no plano sociológico, esse fenômeno trouxe à tona a nova e desconcertante figura do “ativista gay”, isto é, de extremistas de ambos os sexos empregados intensamente na promoção dos ditos “direitos” dos gays considerando os direitos humanos, como se os homossexuais fossem perseguidos nas nossas sociedades, o que de fato não ocorre. Eles tentam impor à sociedade uma visão invertida de mundo, às vezes de maneira também bem agressiva e arrogante, em todo caso não mais nas formas melífluas e lamuriosas do passado. Como podem sacerdotes, freiras e fiéis que praticam a homossexualidade estarem convencidos de que a doutrina da Igreja deva reconhecer como lícito o modo de vida deles, algo expressamente contrário à lei natural e à ética cristã, isso é sem dúvida um dos vários aspectos insondáveis do <em>mysterium</em> <em>iniquitatis</em>? Esses católicos “dissidentes” não procuram de modo algum fazer <em>mea culpa</em>, corrigir-se e retornar para Cristo: pelo contrário, eles querem que o pecado deles seja reconhecido como algo bom e justo pela doutrina da Igreja, a qual declaram abertamente querer mudar!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, entre todos eles, católicos e não católicos, existem seguramente muitas pobres almas que se sufocam em um abismo do qual ficariam bem felizes de emergir, se apenas encontrassem os guias apropriados, na ciência médica e na religião.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">IV.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por outro lado, a “pastoral” do Papa Francisco para as pessoas LGBTQ+, em geral, parece basear-se nos seguintes conceitos:</span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">“O Senhor não tem aversão das nossas realidades, Ele nos ama como somos. E isso é o amor louco de Deus”;</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Portanto, ninguém pode ser excluído da Igreja, a qual, aliás, acolhe todos, então: </span><br />
<span style="color: #000000;"> 3. “Sigam em frente assim como são&#8230; Não se arrependam”.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Papa Francisco parece equiparar a busca de “conversão” dos pecadores à “expulsão da Igreja” dirigida a eles. Mas quem auspicia o efetivo regresso dos católicos que se autodenominam “arco-íris” não defende certamente a “expulsão da Igreja” dessas pessoas, que é uma ação relacionada aos poderes do Papa, sob forma de excomunhão e redução ao estado laical. O que se limita a fazer é pedir que a Suprema Sé e o episcopado exerçam seus poderes do modo devido, segundo a autêntica tradição da Igreja, empenhando-se na obra de conversão das almas e, por conseguinte, condenando como se deve o pecado com os instrumentos oportunos (encíclicas, cartas apostólicas, cartas episcopais, sermões), bem como incitando os pecadores a sair disso no menor tempo possível, para retornarem a praticar efetivamente o verdadeiro catolicismo, com a meta da salvação deles e o bem de todos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em vez disso, o Papa Francisco os encoraja a continuarem como são, a seguirem em frente assim como são, e não a partir hoje, há anos, envolvendo nesse encorajamento também representantes de movimentos que nos Estados Unidos e em outros países querem realmente que a Igreja modifique expressamente o seu ensinamento sobre a homossexualidade, definida pelo último Catecismo (art. 2357) como “grave depravação” e “comportamento intrinsecamente desordenado”, “contrário à lei natural”. A homossexualidade impede “com o ato sexual o dom da vida” e “em nenhum caso pode ser aprovada”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Veja, a propósito, a audiência de 25 de outubro de 2023, durante a qual o Papa Francisco encontrou expoentes da “<em>Global</em> <em>Network</em> of <em>Rainbow</em> <em>Catholics</em>”, uma rede mundial de católicos que se declaram LGBTQ+. Líderes das organizações norte-americanas desse grupo, que busca fundar-se como verdadeira e própria instituição supranacional, declararam que o Papa tinha falado com eles por vários minutos e havia sido “inacreditavelmente compreensivo [<em>gracious</em>]”, dando a esperança de que ele teria de fato conseguido “tornar a Igreja mais inclusiva”. Saibamos o que quer dizer “inclusiva”: aberta a todas as exigências do mundo LGBT, isenta de qualquer condenação. O Papa também lhes teria dito para “seguirem em frente” (<em>go ahead</em>) com a atividade deles, ou seja, para continuarem na via traçada (que é realmente aquela larga e espaçosa que leva à perdição, segundo a parábola mencionada anteriormente).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma das organizações LGBT tratadas tão afetuosamente pelo Papa, <em>DignityUSA</em>, apresenta este programa: “estamos trabalhando para o desenvolvimento de uma teologia do sexo e do gênero que comporta a reforma dos ensinamentos e da prática [da Igreja Católica] em relação à sexualidade humana e à identidade de gênero”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além de encontrar várias vezes e de encorajar o célebre jesuíta P. James Martin, cuja missão na Igreja parece ser aquela de um ativismo frenético para os supostos “direitos” dos gays, o Papa Francisco concedeu também audiência à não menos célebre freira pro-gay Jeannine Gramick, co-fundadora da <em>New</em> <em>Ways</em> <em>Ministry</em>, outra famosa organização de católicos dissidentes e homófilos. A freira “tem uma [longa] história de ativismo LGBT e abortista, e foi condenada e censurada pelos predecessores”; ainda se, preciso mencionar, de modo globalmente brando (proibição de escrever, de fazer conferências, obrigação ao silêncio). De 2 a 4 de agosto, o já mencionado P. Martin organizou na americana Georgetown University a conferência anual do seu movimento <em>Outreach</em> [abraço universal], o que se propõe a ser um “recurso global” para todos os católicos LGBTQ. O extenso programa previa também a participação de um antigo padre “gay iconographer” e de uma biblista judia não crente, a qual procurou demonstrar a débil tese de que tanto no Antigo quanto no Novo Testamento não haveria uma verdadeira condenação à homossexualidade, como atividade sexual “consensual” entre duas pessoas adultas. Pois bem, o Papa Francisco enviou uma carta a P. Martin na qual afirmava sentir-se “espiritualmente próximo” dos participantes dessa incrível conferência.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">V.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A listagem das desconcertantes intervenções papais nesse âmbito poderia continuar, mas creio que os dados apresentados sejam suficientes. As notícias nos informam que o Papa ocasionalmente se expressou em termos inequívocos <em>contra</em> a ideologia de gênero, além de ter lamentado (a portas fechadas) o excessivo número de homossexuais dentro do clero atual. E então por que ele encoraja sodomitas, lésbicas e transgêneros a continuarem a viver como vivem, violando a moral católica e natural? Muitos fiéis estão realmente consternados pelo comportamento contraditório desse Pontífice. Mas a contradição se mostra ineficaz, visto que não soluciona o problema fundamental, constituído por um ensinamento que se mantém constante no não atendimento ao que foi estabelecido por Nosso Senhor quanto à conversão e à salvação das almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É necessário então recordar brevemente a verdadeira doutrina católica, não antes, todavia, de mencionar uma acusação absurda dirigida por Papa Francisco àqueles que criticam sua “pastoral” permeada pela falsa “misericórdia” da “porta larga” e da “via espaçosa”. Deixemos de lado os epítetos de “atrasados” e de “austeros” ou realmente de “corruptos”, feitos pelo Papa àqueles que se expõem para defender a doutrina moral tradicional da Igreja. Mais recentemente, ele se voltou aos numerosos críticos do seu decreto <em>Fiducia</em> <em>supplicans</em>, que concede a possibilidade da benção aos casais irregulares também homossexuais, acusando-os de adotarem um comportamento que seria realmente “de natureza cismática”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Papa Francisco parece então querer dar um fundamento teológico à sua repulsa a qualquer crítica às suas medidas, no mínimo, singulares, alegando o sofisma segundo o qual essa benção particular não seria dada ao casal que a requer, mas sim aos indivíduos que a requerem, ainda que constituam um casal na vida e recebam tal “benção” como casal, talvez de mãos dadas. Falemos a verdade: <em>cismático</em> não pode certamente considerar-se quem critica aquilo que representa um nítido desvio quanto à moral católica sempre professada pela Igreja – desvio constituído por uma inconcebível aceitação do pecado contra a natureza, seja ele individual ou conjugal, condenado em cartas claras de São Paulo (Rm 1, 24 ss; 1 Cr 6, 10) e por Nosso Senhor quando justificou várias vezes o castigo divino que caiu sobre Sodoma e Gomorra, um castigo que para os antigos hebreus tinha valor realmente paradigmático (Mt 10, 15; 11, 23-24; Lc 10, 12; 17, 29 e 32). Ademais, é algo considerado pelo Magistério de todos os tempos. Com efeito, não foi o cardeal Ladaria, na sua qualidade de Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, em 15 de março de 2021, a responder NEGATIVAMENTE aos bispos alemães que lhe perguntavam precisamente se era lícito abençoar os casais homossexuais? O conceito era que a Igreja não podia abençoar o pecado. É<em> cismático, </em>então, o cardeal Ladaria ao reafirmar uma verdade solar, elementar da moral católica, fundada na Revelação bem como na lei natural?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para a condenação do ponto de vista da lei natural, leia o que escreve Platão no seu último e incompleto diálogo, <em>As</em> <em>leis</em>:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“ATENIENSE: [&#8230;] Pois até mesmo esses ‘ginásios’ e as ‘refeições em comum’ são agora um benefício em muitos casos para o Estado, mas nas sedições são uma dificuldade, como demonstram os filhos dos Milesianos e dos Beócios e dos Turianos. E também parece que esse uso tenha corrompido uma antiga lei de natureza que deveria governar sempre os prazeres sexuais não somente dos homens, mas também dos animais. E desses males poderiam ter acusado primeiramente os seus Estados e todos os outros que fazem uso bem amplo dos ‘ginásios’; e, quer pensemos nesse fato de forma divertida ou seriamente, é preciso reconhecer que tal prazer parece ter sido atribuído pela natureza ao gênero feminino e àquele dos machos enquanto entre eles se unem para a geração, mas a união dos machos com os machos ou das fêmeas com as fêmeas é contra a natureza [<em>parà physin</em>], ato temerário criado desde o princípio por desordenado prazer. Todos nós acusamos os Cretenses como inventores do mito Ganímedes; eles, já que a crença era de que as leis vinham de Zeus, criaram além do mais, pelo que se diz, esse mito sobre Zeus, para acolher também esse prazer, mantendo-se respaldados por aquele deus. E deixemos para trás a fábula&#8230;”</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"> VI.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas foquemos agora na verdadeira doutrina católica, que exige a conversão do pecador. Ela resulta, como deveria ser evidente, do capítulo 3 do Evangelho de João, em que se testemunha a visita noturna de Nicodemos a Jesus. Um dos líderes dos Fariseus, que segundo a tradição se teria tornado cristão, Nicodemos fez na ocasião uma profissão de fé privada a respeito da origem divina de Jesus e das Suas extraordinárias obras. Jesus lhe explicou o significado exato de ser Seu seguidor. A exortação à “penitência” e à “conversão”, com a qual tinha começado a sua missão, constitui na realidade uma exortação à completa regeneração interior, conduzida sob a égide do Espírito Santo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Em verdade, em verdade te digo que não pode ver o Reino de Deus, senão aquele que nascer de novo.”. Nicodemos lhe perguntou: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e renascer?” Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade te digo que quem não renascer da água e do Espirito Santo, não pode entrar no reino de Deus. O que nasceu da carne, é carne, o que nasceu do Espírito, é espírito. Não te maravilhes de eu te dizer: É preciso que vós nasçais de novo. O vento sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes donde ele vem, nem para onde vai, assim é todo aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3, 3-8). Ser cristão significa então <em>regenerar-se interiormente de modo completo</em> graças ao ensinamento de Cristo. Um ensinamento, como bem se entende, que é colocado em prática, de modo consciente e racional, apesar dos obstáculos representados pelas consequências do pecado original. O que significa que é preciso fazer a vontade de Deus e obedecer aos mandamentos do Senhor, se você quiser agradar à Santíssima Trindade e conquistar a vida eterna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “Aquele que retém os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. Diz-lhe Judas, não o Iscariotes: “Senhor, qual é a causa por que te hás-de manifestar a nós, e não ao mundo?”. Jesus lhe respondeu: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e faremos nele a nossa morada. O que não me ama, não observa as minhas palavras. E a palavra que ouvistes, não é minha, mas do Pai, que me enviou. Disse-vos estas coisas, permanecendo convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos tenho dito”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como se manifesta o Senhor aos homens? “Manifesta-se” interiormente, não exteriormente. Mas apenas àqueles que O amam. E esses são apenas aqueles “que guardam a Sua palavra”; são os fiéis que se esforçam para colocar em prática todo dia os Seus ensinamentos; os quais advêm do Pai: a palavra do Senhor é a palavra do Pai, obedecendo a ela obedecemos ao Pai. Então, também o Pai “nos amará” e virá habitar na nossa alma junto com o Filho. E essa será a ação da Graça em nós, que envolve também o Espírito Santo e gradualmente nos transforma <em>ontologicamente</em>, como nos recordava Romano Amerio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com a ação da Graça em nós, ocorre a nossa regeneração em Cristo, na luta contra nós mesmos para a nossa santificação cotidiana. De tal modo, nasce em nós “o homem novo” agradável ao Senhor. Se quisermos entrar no Reino de Deus, o homem novo deve tomar o posto daquele velho, dominado pelo pecado: devemos nos corrigir e não pecar mais. Essa verdade fundamental é explicada várias vezes por São Paulo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Isto, pois, vos digo e rogo no Senhor: não andeis mais como os gentios, que andam na frivolidade dos seus pensamentos, que têm o entendimento obscurecido (e estão) afastados da vida de Deus pela ignorância que há neles, por causa da cegueira do seu coração, os quais, de consciência embotada, se entregaram à libertinagem, para cometerem apaixonadamente toda a espécie de impureza. Mas vós não aprendestes assim (a conhecer) Cristo, se é que ouvistes pregar dele, e fostes ensinados nele, segundo a verdade que está em Jesus, a vos despojardes, pelo que diz respeito ao vosso passado, do <em>homem velho</em>, o qual se corrompe pelas paixões enganadoras, a renovar-vos no vosso espírito e nos vossos pensamentos, e a revestir-vos do<em> homem novo</em>, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeiras” (Ef 4, 17-24, itálicos meus).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na edição da Sagrada Bíblia anterior ao Concílio, constava o seguinte comentário: “O homem velho é o homem decaído com toda sua bagagem de misérias. O homem novo é aquele reabilitado pela Graça, diante da qual se abrem os radiosos horizontes do Paraíso”. Mas como poderíamos ‘revestir-nos do homem novo’? Não é uma tarefa superior às nossas débeis forças, que sempre devem pagar as consequências do pecado original? Com o auxílio fundamental da Graça, que age em nós com a efusão inefável da divindade una e trina, podemos ter êxito nessa árdua empreitada. São Paulo frisa que ‘pela graça de Deus, sou o que sou, e a sua graça, que está em mim, não foi vã, antes tenho trabalhado mais que todos eles [aqueles que injustamente o criticavam]; não eu, porém, mas a graça de Deus, que está comigo’ (1 Cor 15, 10). <em>Não eu sozinho, mas a Graça de Deus, e não sozinha, mas junto de mim</em>, com a participação ativa do meu livre arbítrio, já que a Graça não se deve esperar que caia do céu, como se costuma dizer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o Papa Francisco incita inacreditavelmente os pecadores a continuarem como o homem velho, que é aquele do pecado. Ele nunca menciona a Graça, cujo auxílio devemos invocar todos os dias para nos renovar interiormente, nem mesmo prega a vida eterna, na qual pode entrar também o pecador mais inveterado, visto que a misericórdia de Deus é tamanha a ponto de perdoar-lhe qualquer pecado, obviamente, se esse indivíduo fizer a vontade de Deus, arrepender-se, mudar de vida, observar os divinos mandamentos e se, como o Filho Pródigo da famosa parábola, prostrar-se perante Deus, exclamando: “Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho” (Lc 15, 21).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os representantes dos movimentos “arco-íris” acusam a doutrina tradicional da Igreja de ser cruel com eles, quase como se ela os sentenciasse, sem possibilidade de apelo, à eterna condenação. Mas não é de fato assim. São Paulo, depois de ter colocado sodomitas e lésbicas diante das graves responsabilidades deles, condenando sem meios termos as suas “torpes paixões” (Rm 1, 26-29), evidencia que entre os pecadores arrependidos e regenerados em Cristo na comunidade cristã havia também homossexuais curados do desvio deles: “Não vos enganeis: nem os impudicos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os que se dão à embriaguez, nem os maldizentes, nem os salteadores possuirão o Reino de Deus. E tais éreis alguns de vós, mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e mediante o Espírito do nosso Deus” (1Cor 6, 9-11).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas como poderão converte-se se quem deve pregar-lhes o Verbo, que é o único que dá a vida eterna, não só se cala, como também realmente os encoraja a permanecer no pecado? “Ou como crerão naquele, de quem não ouviram falar? E como ouvirão, sem haver quem lhes pregue?” (Rm 10, 14).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devemos rezar para o Papa Francisco, rezar muito para ele – rezar ao Senhor para o faça desvencilhar-se do espesso véu do erro que ofusca a vista dele.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">13 de agosto de 2024</span></strong></p>
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		<title>TRADIÇÃO, TRADIÇÃO CATÓLICA E FALSA TRADIÇÃO</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Apr 2024 14:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Paolo Pasqualucci]]></category>

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		<description><![CDATA[Paolo Pasqualucci Sumário: 1. A noção de tradição. 2. Tradição cristã e não “judaico-cristã”.  3. Definição da Tradição católica. 4. A Tradição católica não contém nada de secreto, ela não é esotérica. 5. A noção esotérica da tradição é irracional &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tradicao-tradicao-catolica-e-falsa-tradicao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5202"><img class=" aligncenter" src="https://hermandaduniversitaria.files.wordpress.com/2012/04/sesion5_big.jpg" alt="" width="264" height="274" />Paolo Pasqualucci</a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">Sumário:</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em> 1. A noção de tradição. </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>2. Tradição cristã e não “judaico-cristã”.  </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>3. Definição da Tradição católica. </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>4. A Tradição católica não contém nada de secreto, ela não é esotérica. </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>5. A noção esotérica da tradição é irracional e falsa. </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>5a. A inversão do significado da Cruz por René Guénon.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em geral, todos consideram bem conhecido o sentido da palavra “tradição”. Nós, todavia, julgamos importante defini-lo corretamente. É o que faremos neste artigo.</span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;"><strong> A noção de tradição. </strong></span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo, a idéia de tradição compreende a de certos <em>valores </em>transmitidos e preservados ao longo de gerações. Transmitidos e preservados, ou seja, ensinados e apresentados como valores a se respeitar, visto que constituem o fundamento inalterável de uma determinada concepção de mundo e, conseqüentemente, do modo de viver de uma sociedade — compreendida globalmente enquanto <em>povo.</em> Com efeito, a tradição se materializa nos <em>costumes.</em> A idéia de tradição está, portanto, ligada à de <em>valor</em> e <em>costume.</em> Não há aqui lugar para uma definição <em>subjetiva </em>do que é o valor: o valor preservado pela Tradição é precisamente aquele que se impõe pelo fato de fundar essa mesma tradição e de pertencer-lhe, a despeito do que pensam os indivíduos, que devem reconhecê-la e obedecê-la.  <a style="color: #000000;" href="http://permanencia.org.br/drupal/node/5202">Leia mais</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os valores expressos na tradição constituem a <em>verdade</em> da própria tradição. São compreendidos como dignos de pertencer à tradição porque são <em>verdadeiros</em>, porque se considera que nesses valores estão expressas verdades. Verdades de caráter religioso e moral, ou apenas religioso, ou apenas moral, ou moral e político, ou apenas político, ou enfim, provindo apenas dos costumes: uma verdade que é, seja o que for, <em>objetiva,</em> que pertence à coisa enquanto tal, independentemente do fluxo e refluxo de opiniões e acontecimentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A verdade que se compreende nos valores da tradição equivale à conformidade desses valores com a idéia de <em>justiça:</em> os valores da tradição são <em>justos,</em> esta é a sua verdade; e é justo observá-los e conservá-los.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A <em>tradição</em> é, portanto, um sistema coerente de princípios e comportamentos que constituem as <em>normas,</em> escritas ou não, das quais o indivíduo não pode se afastar no plano dos costumes ou das leis. Quando ligada a uma instituição ou a uma nação, a Tradição aparece com um componente <em>épico</em>: atos gloriosos e empresas memoráveis — batalhas, guerras.</span><span id="more-18447"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim compreendida, encontramos a tradição em todos os campos da atividade humana, no sentido de que cada um deles forja sempre uma tradição a se respeitar. Até mesmo os criminosos possuem uma tradição em seus atos delituosos, de modo que podemos falar de tradições boas ou más. As tradições <em>más</em>, que são de um tipo diverso, ou as que estão completamente <em>ultrapassadas,</em> devem evidentemente ser combatidas e eliminadas, e não ser observadas, enquanto isso for possível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<ol style="text-align: justify;" start="2">
<li><span style="color: #000000;"><strong> Tradição cristã e não “judaico-cristã”. </strong></span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enquanto expressão de valores <em>positivos,</em> morais e políticos, a tradição é também compreendida no Ocidente como o conjunto de valores referentes ao cristianismo, resumidos neste célebre slogan: “Deus, Família e Pátria”. Essas três noções têm sido consideradas desde sempre como <em>os valores tradicionais por excelência</em>, mesmo quando são negados. Valores que, na Europa, desde a época do Império Romano do Ocidente, foram modelados pelo cristianismo, como ensina a Igreja Católica. Valores que são, portanto, <em>cristãos,</em> e não <em>judaico-cristãos,</em> como se vem dizendo impropriamente desde o Concílio Ecumênico Vaticano II. Com efeito, o “judeu-cristianismo” não existiu senão em um momento inicial e local do cristianismo, e rapidamente desapareceu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Também não se pode dizer que os valores do judaísmo tenham concorrido com os valores católicos para a formação de nossa civilização. Basta considerar a noção de Deus no judaísmo pós-cristão — imobilizada em um Deus único e na rejeição do verdadeiro Messias— a concepção do casamento como contrato dissolúvel pelo divórcio, e outros aspectos concernentes à religião e à moral [por exemplo o “empréstimo a juros”, admitido pelos judeus para com os gentios (Dt 23,20) e não admitidos durante vários séculos pela Igreja].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na realidade, em seus <em>valores </em>o judaísmo se colocou sempre como antagonista dos valores da Europa cristã anterior ao cisma protestante. Foi somente a partir das aceitações abusivas e ambíguas do Vaticano II sobre a religião judaica — como se ela ainda fosse portadora de uma espera messiânica válida — que se passou a falar, no meio católico, de judeu-cristianismo, conceito <em>artificial </em>que por sua vez falsifica o cristianismo, pondo-o no mesmo plano que o judaísmo, apesar deste recusar o Cristo <em>a priori.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os judeus só compartilharam de nossa tradição na medida em que se assimilaram à civilização cristã. O fato é que não se pode colocar sob um denominador comum tradições diferentes umas das outras, quando os valores que elas professam estão em oposição, quer parcial ou total. Falar hoje de valores judaico-cristãos como de valores positivos comuns a católicos e judeus, e mesmo a todos os europeus, é particularmente absurdo, se considerarmos que a maioria dos judeus é atéia e descrente e está mergulhada no materialismo predominante de nossa sociedade. Os judeus concorrem ativamente para a reviravolta “liberal” de nossa civilização. Políticos judeus ou pró-judeus como Sarkorsy, Cameron e Hollande, apoiados por grande parte dos rabinos e intelectuais judeus, tiveram um papel decisivo na criação de leis infames pelas quais a revolução sexual foi imposta a nossas sociedades.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É impossível negar a realidade de que existem <em>tradições contraditórias</em>, e esta realidade deve ser realçada, ao encontro do conformismo ideológico dominante, que fabricou uma idéia totalmente falsa de uma tradição <em>comum</em> a todos os povos, os quais aspirariam desde sempre ao verdadeiro Deus, à paz universal, à dignidade do homem, à democracia. São pseudo-verdades que a ideologia liberal dominante impõe há décadas como moeda corrente (e também no meio católico a partir do Vaticano II).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É mister, ao contrário, aceitar a realidade histórica da oposição <em>frontal </em>de tradições. Assim, à tradição cristã — em geral — da Europa e das Américas, particularmente à tradição católica, opõe-se a <em>tradição revolucionária</em> da Europa e das Américas, em seus diferentes componentes, bem conhecidos. Esta última põe a Humanidade no lugar de Deus e da Pátria, e o livre-amor e mesmo um hedonismo desenfreado e irresponsável no lugar da família. Entre essas duas tradições nenhum compromisso é possível. Tentar um compromisso, como o faz a Igreja Católica atual com o <em>aggiornamento </em>aos valores e à mentalidade do mundo moderno, significa apenas entregar-se ao suicídio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tentemos agora definir a noção de <em>Tradição católica</em> no sentido estrito.<br />
</span></p>
<ol style="text-align: justify;" start="3">
<li><span style="color: #000000;"><strong> Definição da Tradição católica.</strong></span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A partir da noção de tradição descrita acima, quais são as características sobre as quais podemos falar de “Tradição católica” como algo de específico, que a distingue das tradições de conteúdos distintos? A característica da <em>Tradição católica</em> é a de representar as verdades e os valores contidos na doutrina e na pastoral da Igreja Católica, que as propõe e ensina como verdades de origem <em>sobrenatural.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Tradição católica é católica precisamente por que mantém a pretensão de conservar e ensinar a Verdade revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade, encarnada historicamente na pessoa do judeu Jesus de Nazaré, que provou por suas palavras e obras que era o Messias, o Filho de Deus anunciado nas profecias do Antigo Testamento, Deus feito homem, semelhante a nós em todas as coisas, exceto o pecado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Do ponto de vista do seu conteúdo, no sentido estrito e autêntico, a Tradição católica é, portanto, constituída do ensino de Nosso Senhor sobre a fé e os costumes, ou seja, a religião e a moral. Tal ensinamento se encontra nos Evangelhos e nos ensinamentos dos Apóstolos, que foi inicialmente oral e logo depois registrado por escrito. Esse ensinamento é constituído de fontes escritas e não escritas (corpus neotestamentário e fontes não escritas) reconhecidas e aceitas pela Igreja, e foi concluído, como sempre considerou a Igreja, com a morte do último Apóstolo. As verdades <em>de origem sobrenatural</em> reveladas nesses ensinamentos constituem desde então o <em>Depósito da Fé</em>, cuja manutenção é dever específico do Soberano Pontífice, dos Bispos e de todos os clérigos (e também dos fiéis, no que é de sua competência).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>depósito</em> não pode ser alterado por ensinamentos que lhe são contraditórios ou, ao menos, incompatíveis. Algumas verdades de fé e moral sempre podem ser explicadas com mais clareza, e isso geralmente foi conseguido ao longo de debates teológicos ocorridos no combate contra as heresias. Aprofundamento na clarificação do dogma, mas jamais <em>novidade</em>. Como amiúde se diz, o dogma da fé pode ser anunciado <em>nove</em> (de maneira “nova” quanto aos argumentos utilizados) mas nunca introduzindo <em>nova,</em> novas coisas, <em>novidades no próprio conteúdo do dogma.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis um exemplo sobre um assunto da atualidade. A <em>indissolubilidade do matrimônio</em> é, para todos os católicos, dogma de fé, constitui uma das verdades fundamentais sempre preservadas pela Tradição católica. É o que foi estabelecido pela doutrina da Igreja, em acordo com a Sagrada Escritura e a tradição oral. Essa verdade se aplica sempre, do contrário não teria sido revelada por Deus: o matrimônio deve ser considerado indissolúvel tanto hoje como nos primeiros tempos do cristianismo, nos tempos dos romanos da Antiguidade. Analisando a noção, vê-se que essa verdade não pode mudar, porque a natureza humana permaneceu sempre a mesma, quanto às suas necessidades elementares e primárias, aos seus desejos, instintos, paixões (e os pecados permaneceram sempre os mesmos, variando apenas as modalidades de execução em diferentes épocas, em função da variação de meios colocados à disposição do pecador.)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem e a mulher foram sempre impelidos pelo mesmo instinto vital, presente também entre os animais, de juntar-se para se reproduzir. Em nós, evidentemente, esse instinto está sublimado pela consciência, pela sensibilidade, pela cultura, em suma, pelo ambiente espiritual em que o homem, justamente por possuir uma alma e um pensamento, o cerca, o educa, e busca controlá-lo. Mas permanece um fato eterno que a finalidade primeira do matrimônio transcende a pessoa dos cônjuges, porque consiste na procriação e educação dos filhos. A ajuda mútua dos esposos constitui o fim secundário do matrimônio, sempre e justamente subordinado ao fim primário. Sobre esse fundamento, a Igreja ensinou sempre a disciplina da concupiscência da carne, cujo estímulo, se descontrolado, é altamente destruidor (como sabia também o pensamento clássico, entre seus melhores representantes). Essa concupiscência só pode ser satisfeita no matrimônio corretamente concebido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por conseguinte, a nuance de sentido introduzida na concepção do matrimônio pela constituição conciliar <em>Gaudium et Spes</em>, sobre a Igreja e o mundo contemporâneo, aparece em contradição com a Tradição católica no sentido próprio, ou Tradição da Igreja. Com efeito, deduz-se desse texto (no art. 48.1) que a procriação não é tanto o fim primário da união, o que justifica a sua existência, mas sim a sua “coroação” (<em>fastigium</em>): “a instituição do matrimônio e o amor conjugal são ‘ordenadas a procriação e educação que, como um cume, constituem a coroação [<em>iisque veluti suo fastigio coronantur</em>]” Eis por que, desde algumas décadas, na linguagem eclesiástica, fala-se sempre de matrimônio como de uma “comunidade de vida ou de amor <em>aberta à vida</em>”, e não mais justificado pela procriação e educação, isto é, pelo fato de dever “abrir-se à vida”. A expressão “fim primeiro do matrimônio” não é mais sequer utilizada. Portanto, “a abertura à vida” não parece estar posta  como um valor secundário em relação ao “aperfeiçoamento recíproco dos esposos” na “comunidade de amor” que é (e deveria ser) o matrimônio? E os efeitos desastrosos, no meio católico, dessa modificação da concepção do matrimônio, não estão à vista de todos? É preciso então afirmar, em todos os casos, que o enunciado de GS 48.1 não exprime uma concepção de matrimônio plenamente de acordo ao que sempre foi ensinado pela Igreja e, portanto, ao que está <em>plenamente de acordo com a Tradição católica.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse desvio da Tradição e, por conseguinte, da justa doutrina, evidentemente não comporta, enquanto tal, o reconhecimento do caráter de “matrimônio” para as uniões estáveis ou coabitações, que permanecem concubinato, nem a admissão do divórcio. Os católicos que se divorciam e se casam novamente no plano civil encontram-se em estado de adultério, e o comércio carnal com o novo cônjuge recai ao nível da fornicação. Todo católico que escolhe viver em uma situação desse gênero ofende a Deus gravemente e comete pecado mortal. E nós sabemos (porque foi-nos revelado) que quem morre em estado de pecado mortal está condenado eternamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entretanto, o fato de ter enfatizado a comunidade de vida e a ajuda mútua dos esposos (em geral compreendida, na realidade crua, como liberdade para aproveitar a fundo da sexualidade durante os primeiros meses ou primeiros anos, com largo uso de contraceptivos, para pensar em seguida em ter apenas um filho, que por vezes não vem porque Deus não permite que brinquem com Ele) favoreceu o enraizamento de concepções heterodoxas, bem representadas hoje na ala abertamente desviada do clero, que tomou a dianteira com arrogância nos dois Sínodos dos Bispos sobre a família (2014 e 2015). A tendência é que venham de fato a reconhecer indiretamente (permitindo acesso aos sacramentos, como a Santa Comunhão) as “comunidades de vida” constituídas por divorciados recasados e concubinos, incluídos aí homossexuais!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esses clérigos e leigos não se dão conta do absurdo de suas exigências, em si mesmas inaceitáveis no que toca à verdadeira noção de Tradição católica. Ao que parece, não se dão conta de que tais reconhecimentos — que não permitiriam mais distinguir o que é lícito do que não é, vindo assim a destruir o fundamento mesmo da moral — estão em oposição radical com o Depósito de Fé, porque constituem a negação manifesta, embora indireta, da indissolubilidade do matrimônio, a qual seria deixada à boa-vontade dos indivíduos, quando ao contrário (nos ensina a Igreja há dois mil anos) ela foi expressamente declarada de modo absoluto e sem nuances por Nosso Senhor e pelo ensinamento dos Apóstolos. E eles não percebem que as tomadas de posição da Autoridade eclesiástica que eles desejam de modo absurdo seriam, em todos os casos, intrinsecamente <em>inválidas</em>, visto que a indissolubilidade do matrimônio é de direito natural e de direito divino positivo (que é aquele contido na Revelação), e que mesmo o Papa não pode ir contra o direito natural e o direito divino, mesmo indiretamente.<br />
</span></p>
<ol style="text-align: justify;" start="4">
<li><span style="color: #000000;"><strong> A Tradição católica não possui nada de secreto, ela não é esotérica. </strong></span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Tradição católica expressa, pois, no mais elevado grau, o valor obrigatório de toda tradição que se respeita. E isso por que suas fontes são sobrenaturais, de modo que as verdades que ela proclama devem ser consideradas à maneira de dogmas. Este é um aspecto que não se deve jamais esquecer. Assim como o fato de que essa tradição coincide com o ensinamento da Igreja sobre a fé e os costumes. <em>Ensinamento público e compreensível a todos</em>. Assim como era público e compreensível a todos o ensino de Nosso Senhor Jesus Cristo, que jamais ensinou algo secreto, nem em segredo. Aos guardas do Sinédrio que vinham detê-lo no Jardim de Getsêmani, disse Ele: <em>”Vós viestes armados de espadas e de varapaus para me prender, como se faz a um salteador; todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo, e não me prendestes” </em>(Mt 26, 55). Ele sempre ensinou e agiu em público, na presença de testemunhas e de maneira acessível a qualquer inteligência comum. Por vezes o que dizia poderia parecer difícil à primeira vista, ou obscuro, como no caso das profecias sobre o fim de Jerusalém e sobre o fim do mundo, que Ele tinha voluntariamente entremeado em um só discurso. Mas não se trata de obscuridade e de dificuldades tais que caracterizem um discurso hermético para iniciados. Existe uma tradição interpretativa, reconhecida pela Igreja, que explicou de maneira satisfatória as passagens mais difíceis dos Evangelhos, enquanto que, no que concerne as profecias, ela nos explicou aquilo que é suficiente para compreendermos a necessidade de nossa salvação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eis então outro ponto importante a se guardar no espírito sobre a verdadeira noção de Tradição católica: a Tradição católica não compreende ensinamentos secretos de Nosso Senhor ou dos Apóstolos, dispensados às escondidas, em discursos que não teriam jamais sido registrados por ninguém, ou através de símbolos misteriosos, cuja interpretação seria confiada aos “iniciados”. Ela não compreende tal ensinamento, pela simples razão que ela nunca o teve. Na verdadeira Tradição católica não há <em>nada de esotérico</em>. Não existe um cristianismo para as massas, para os simples e os ignorantes, e outro cristianismo esotérico (“sapiencial”) para os iniciados. Trata-se de uma maneira completamente errônea de compreender a Tradição católica, que nós podemos tranqüilamente deixar para os maçons, que adoram se entreter com essa espécie de fantasia. Do Evangelho de São João, por exemplo, eles retiram notoriamente os símbolos mais estranhos e inacreditáveis. A noção de Tradição católica não tem, portanto, nada a ver com o conceito esotérico de tradição. Os que acreditam poder conciliar tradição católica e tradição no senso esotérico enganam-se grosseiramente.<br />
</span></p>
<ol style="text-align: justify;" start="5">
<li><span style="color: #000000;"><strong> A noção esotérica de tradição é irracional e falsa </strong></span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A noção esotérica de tradição é chamada hoje preferencialmente de “sapiencial”. A tradição “sapiencial” se refere manifestamente a um antigo “saber”, entendido como conhecimento <em>original</em> e <em>superior.</em> Mas de que conhecimento se trata? Daquele contido nos livros santos dos judeus e dos cristãos? Este <em>também</em>, embora oportunamente interpretado à luz do “verdadeiro” conhecimento, que seria o conhecimento “sapiencial”. E qual seria concretamente esse “verdadeiro” conhecimento, que teria de ser colocado na fonte de toda a “verdadeira” Tradição? Esse conhecimento seria retirado das crenças e símbolos de religiões antigas, a começar pelas religiões arianas arcaicas, cujo testemunho é o Rig-Veda. Mas não só. Esses conhecimentos ou tradições “primitivas” (é inacreditável) seriam conservados desde milênios em um centro iniciático misterioso ou centro supremo oculto, situado originalmente na Ásia, no Tibete, e que teria sido de algum modo preservado até hoje, embora não se saiba exatamente onde. Esse “centro supremo” é identificado pelos esoteristas em diversas localidades ou cidades míticas: Agartha, Thulé, Luz etc., nomeadas em diferentes “tradições”1.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As crenças acima revelariam, para quem sabe interpretá-las, os segredos do antigo saber primordial e, portanto, o autêntico (suposto) significado do mundo e da vida. Trata-se de um conhecimento (preservado no misterioso “centro iniciático”) que exige uma iniciação e se funda sobretudo na interpretação dos símbolos. Isso implica, igualmente, expressar-se em símbolos. Essa iniciação elabora significados “sapienciais”, isto é, baseados em um “saber” não racional, pois ela não opera por noções e demonstrações racionais, mas por “iluminações”, metáforas, analogias. Ela não se fia no <em>logos</em>, ou discurso racional, mas no <em>eidos</em>, na imagem, preenchendo-a de significados os mais bizarros. Significados que não estão evidentemente ao alcance de todos, mas tão somente dos “iniciados”, daqueles que estão em posse da “ciência sagrada”, da hermenêutica (dos iniciados) que permitem (re)construir os ditos significados. Entre seus diferentes amadores, essa dita “ciência” deixa também um largo espaço, como se pode imaginar, para práticas iniciáticas repletas de magia e ocultismo, com seus tradicionais contornos libertinos e homossexuais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na ótica “sapiencial” própria à tradição compreendida nesse sentido falso e desviado, o Cristianismo não pode então ser concebido em sua autêntica natureza, que é de ser <em>a fonte única e absoluta da verdade,</em> única e absoluta porque é a única a provir historicamente do verdadeiro Deus, Uno e Trino. A Revelação cristã está compreendida ao contrário, de modo totalmente errôneo, como uma manifestação historicamente determinada do “saber primordial”. Este último lhe seria anterior e o incluiria. O Cristianismo seria a expressão dessa “tradição” sapiencial e, portanto, <em>qualquer outra coisa</em> que não a verdade absoluta de origem divina que ele pretende representar. A Tradição Católica deveria então ser (re) interpretada à luz da “tradição primordial”. O resultado é que o “verdadeiro” ensinamento do Cristo e dos Apóstolos deve ser o ensinamento “sapiencial”, ou secreto, encerrado em símbolos cujo significado não pode ser penetrado pelo comum dos fiéis.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>5a. A inversão do significado da Cruz por René Guénon<sup> 2</sup>.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É quase supérfluo ressaltar que o <em>conteúdo</em> dessa “tradição primordial” permanece sempre algo de vago e indeterminado, pois deve resultar sobretudo da interpretação de mitos e símbolos, os quais retornam sempre a uma realidade ulterior, além e mais profunda, que permanece sempre indeterminada e, em substância, inacessível, como uma espécie de <em>vazio</em> que pode ser preenchido infinitamente. Esse <em>nada </em>revela toda a falsidade da idéia esotérica de tradição. Na ótica de Guénon, sabemo-lo, a “tradição primordial” resultaria “da unidade transcendente das religiões”, de modo que a <em>tradição</em> seria “isto que se conserva tal como no começo, mesmo se não está na sua expressão exterior”. Essa “expressão exterior” deve ser penetrada, nas diferentes religiões, através de uma análise dos símbolos fundada sobretudo na <em>analogia,</em> para remontar justamente à unidade da tradição “primordial”, ao “saber” original3. No entanto, essa definição da “tradição primordial” permanece superficial. A dificuldade para compreendê-la, dando-lhe uma substância, aparece também entre outros autores, fortemente influenciados por Guénon, como De Giorgio, que escreve: “a tradição é, portanto, a confluência de todas as vias em Deus e a determinação integrativa de vias que conduzem a Deus, para que Deus seja verdadeiramente o término que se queira atingir e o homem o ponto de partida desse retorno ao ciclo divino”4. Quanto a saber de qual Deus se trata, isto não é explicado nem aqui nem no resto do parágrafo, no qual permanecem obscuras as noções de “confluência” e de “determinação integrativa”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em uma perspectiva desse tipo, o significado do cristianismo será completamente alterado. Isso aparecerá em toda sua evidência se consideramos, por exemplo, a maneira como Guénon encara o significado da Cruz do Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Se o Cristo morreu na cruz, escreve Guénon, é justamente, podemos dizer, por causa do valor simbólico que a cruz tem em si mesma e que lhe foi sempre reconhecido em todas as tradições; e é por isso que, sem querer diminuir seu significado histórico, podemos considerá-la como uma simples derivação desse mesmo valor simbólico”5. O valor simbólico da cruz, “signo” presente em todas as “tradições” sapienciais, da Índia antiga e da China ao esoterismo muçulmano, pelo qual Guénon era particularmente entusiasmado, prevalece portanto sobre o significado historicamente autêntico da Crucifixão, que não se refere evidentemente à “cruz” enquanto tal, mas à <em>pessoa</em> d’Aquele que morreu na Cruz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A crucifixão do Cristo, enquanto fato histórico, não apresenta nada de simbólico, no sentido evocado por Guénon. A crucifixão era uma condenação à morte particularmente cruel, utilizada no mundo antigo para punir crimes gravíssimos, como traição e rebelião. Os romanos certamente não a infligiam pelo seu caráter simbólico, menos ainda no sentido “sapiencial” do termo. A morte cruel e infame recordada por sua imagem era considerada como suficientemente dissuasiva para os traidores, rebeldes e quem quer que seja, como uma justa punição pela gravidade de seus crimes. Lembremos do temor com o qual Cícero nomeia esse suplício, definindo-o <em>“crudelissimum teterrimunque”</em>6. Jesus foi condenado à cruz por causa das falsas acusações dos Fariseus, que o apresentaram mentirosamente a Pilatos como um rebelde contra a autoridade romana. Do ponto de vista do significado histórico, que não é de forma alguma puramente simbólico, a Cruz tem, para nós crentes, o <em>significado salvífico</em> bem conhecido: é a morte injusta do homem-Deus inocente, livremente entregue para obedecer à vontade do Pai, que exigia reparação pelo pecado de Adão; evento que permitiu à Misericórdia divina perdoar os pecados de todos esses homens e essas mulheres que crêem em Cristo, e estabelecem integralmente suas vidas sobre seus ensinamentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O significado intrínseco da Cruz de Cristo, e precisamente enquanto fato histórico, que é expiatório (para o pecado de Adão), propiciatório (porque ele nos obtém misericórdia – <em>propitiatio</em> – para nossos pecados), e portanto especificamente <em>salvífico</em>, está completamente perdido na ótica “sapiencial” de um Guénon. A maneira com a qual este último se exprime dá-nos a sensação de que ele atribui à Crucifixão o significado de um símbolo que devia se realizar no Cristo, enquanto símbolo admitido “por todas as tradições”! E de fato, em seu estudo, já citado, ele ostenta um vasto conhecimento de todo o simbolismo esotérico da Cruz “nas diferentes tradições”, simbolismo no qual o verdadeiro significado da Cruz desaparece completamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Guénon dá ao <em>símbolo da cruz</em> uma interpretação que define como <em>metafísica,</em> e que tira em particular do esoterismo islâmico. Na realidade, Guénon — como lhe era habitual— busca abrir um caminho em meio a diversos esoterismos, fabricando <em>analogias</em> as mais singulares. A exigência que se expressaria no símbolo da cruz seria aquela da determinação-realização do “Homem Universal”, no qual o “macrocosmo” e o “microcosmo” unificariam os “diferentes estados do ser”. Cada um de nós não seria senão a “modalidade individual humana” do ser ou “Si”. A conexão entre o micro e o macrocosmo pode, portanto, existir em nós somente <em>por analogia</em>, noção que permanece anódina no conjunto, embora Guénon procure clarificá-la. O <em>Homem Universal</em> do esoterismo islâmico seria o Adam Qadmôn da Cabala e “o rei” (<em>Wang</em>) da tradição extremo-oriental. Ora, “<em>o Homem Universal</em> existe apenas virtualmente e de certo modo negativamente, como um arquétipo ideal, até que a realização efetiva do ser total lhe confira uma existência atual e positiva”. Essa “realização” está “simbolizada” na maior parte das doutrinas tradicionais por um signo que é em toda parte o mesmo porque refere-se diretamente à “Tradição primordial”. E esse signo é justamente “o signo da cruz”. E por que razão é precisamente esse signo? Porque a cruz, com seus dois braços, indicaria “a comunhão perfeita da totalidade dos estados do ser, ordenados hierarquicamente em harmonia e conformidade, na expansão integral segundo os dois sentidos da “amplitude” [braço horizontal] e da “elevação” braço vertical]. Neste “signo” nós temos a representação de uma dupla “expansão do ser”. Horizontalmente, “isto é, em um nível ou grau de existência determinado, e verticalmente, ou seja, na superposição hierárquica de todos os graus”. Segue-se que o “sentido horizontal representa a extensão da individualidade assumida como base da realização [do ser ou Si], extensão que consiste no desenvolvimento indefinido de um conjunto de possibilidades sujeitas a condições particulares de manifestação”. Em oposição, “o sentido vertical representa a hierarquia — ela também com tanto mais razão indefinida — de estados múltiplos, do qual cada um, considerado em sua integridade, representa um conjunto de possibilidades correspondente a um dos numerosos “mundos” ou graus que estão compreendidos na síntese total do Homem Universal”7.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nessa construção confusa, que para Guénon seria <em>metafísica</em>, e na qual domina a <em>multiplicidade</em>, compreendida como pluralidade indiferenciada de símbolos e significados retirados da geometria da cruz, a única coisa que se compreende claramente é que (eu noto) essa “realização efetiva da totalidade do ser” é uma forma universal de <em>liberação</em>. De que, de quem? Liberação no sentido esotérico, evidentemente, pois se trata da “liberação” (<em>Moksha</em>) da qual fala a doutrina hindu e que o esoterismo islâmico chama “identidade suprema”, porque o “Homem Universal” que se realiza na totalidade do ser, representado pela Androginia primordial no par “Adão-Eva” teria o número de Allah, o 66, que “é justamente uma expressão dessa identidade”. De toda essa inacreditável mistura, uma só coisa sobressai como evidente: Guénon interpreta a criação do homem e da mulher como criação de um andrógino! Com efeito, ele diz em uma nota específica: “Segundo a Gênese judia, o homem ‘criado homem e mulher’, ou seja, num estado andrógino, é a ‘imagem de Deus’ [&#8230;] O estado andrógino original é o estado humano completo, no qual todos os elementos complementares, em lugar de se opôr, encontram-se em perfeito equilíbrio”8.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por qual lógica Guénon vê na criação bíblica do homem e da mulher a de um “andrógino”? Não sabemos dizer. Nessa interpretação extravagante e blasfematória, fabricada amontoando uma confusão de “analogias” entre os símbolos de diferentes “tradições” esotéricas (que são em si mesmas o resultado de elucubrações e de misturas em todos os gêneros), o que é claramente colocado em luz é a e <em>charlatanice erudita</em> de Guénon. Baseado nisso, como se impressionar que ele tenha considerado no final a Cruz de Cristo como símbolo da <em>deificação do homem</em>, alterando completamente seu verdadeiro significado, seguido nessa interpretação por seus discípulos?9 Do <em>Homem Universal</em>, entende-se, o <em>análogo</em> do Andrógino original suposto: “Não é o homem individual (que, como tal, não pode nada esperar fora de seu próprio estado de existência), mas o ‘Homem Universal’, que essa cruz simboliza, que é verdadeiramente a ‘medida de todas as coisas’, segundo a expressão já relatada de Protágoras”10.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por conseguinte, a célebre passagem do Evangelho de São João, na qual o Cristo se define como “o caminho, a verdade, a vida”, pode ser interpretada, segundo Guénon, no sentido de sua própria <em>metafísica,</em> isto é, referindo-a à Cruz como símbolo do <em>Homem Universal.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Retornando por um instante à nossa primeira representação ‘microcósmica’ e examinando seus três eixos de coordenadas [confluindo para o centro da cruz], a ‘via’ (especifica para o ser considerado) será representada pelo eixo vertical; quanto aos dois eixos horizontais, um representa ‘a verdade’, e o outro a ‘vida’. Enquanto que a ‘via’ se refere ao ’Homem Universal’, que é idêntico ao ‘Si’, a ‘verdade’ se refere ao homem intelectual e a ‘vida’ ao homem corporal (embora esta última possa sofrer certa transposição); destes dois termos, pertencendo ambos ao domínio de um estado particular, ou seja, a um mesmo grau de existência universal, o primeiro deve ser assimilado à individualidade integral, da qual o segundo é apenas uma modalidade [&#8230;] Isso implica portanto que o desenho da cruz em três dimensões se refere à individualidade humana terrestre, porque é somente em relação a esse que nós levamos em consideração a ‘via’ e a ‘verdade’; esse traço representa a ação do Verbo na realização do ser total, e sua identificação com o “Homem Universal 11.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No clima cada vez mais conturbado que conhecemos hoje, dá-se ouvidos até mesmo aqueles que, ao verdadeiro significado da Cruz consagrado por toda a Tradição de fé da Catolicidade (que se pense por exemplo em obras como a <em>Imitação de Cristo</em>), superpõem a falsa interpretação sapiencial ou esotérica da Cruz como símbolo graças ao qual “resolvem-se todas as oposições” e se espera (simbolicamente) uma espécie de harmonia universal, a do suposto “Homem Universal”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O <em>sincretismo</em> que caracteriza a noção “sapiencial” da tradição parecer visar ao mesmo fim que o <em>ecumenismo</em> professado hoje pela Hierarquia católica: a realização da paz no mundo, da harmonia universal na união de todas as “tradições” e, portanto, de todas as experiências religiosas. Um objetivo que, sabemo-lo, não só não tem nada em comum com o fim da verdadeira Tradição católica, mas a ela se opõe frontalmente. </span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5202">Tradução: Permanência</a></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">[fonte: <em>Courrier de Rome</em> nº 588]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1 &#8211; A respeito do tema, cf. René Guénon,<em> Le roi du monde </em>(1958), com detalhes em profusão. A julgar por este ensaio, Guénon, que alguns insistem em considerar como autêntico filósofo, parecia acreditar realmente na existência de tal centro e na dos “superiores ocultos”! O mito de um centro oculto de sabedoria primordial ou tradicional que continuou a funcionar em segredo no decurso dos séculos é uma característica da “filosofia esotérica”. Esoteristas como Reghini, Evola e De Giorgio consideravam, sem fornecer nenhuma prova, que “a tradição pagã” se preservou sempre secretamente na Itália, com seus ritos, sem interrupção desde os tempos antigos (sobre este ponto: P. di Vona, <em>Evola e Guenon. Tradizione e civiltà,</em> Società Editrice Napoletana, 1985, p. 195.)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2 &#8211; Sobre este perigoso autor, recomendamos os artigos “Quem inspirou René Guénon”, de Antoine de Motreff, que traduzimos e publicamos na Revista Permanência 281, bem como o “Catecismo sobre a anti-Igreja”, de Dominicus, publicado na Revista Permanência 278 [N. da P.]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3 &#8211; Sobre este ponto, ver: P. di Vona, <em>op. cit</em>., p. 113.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4 &#8211; G. de Giorgio,<em> La tradizione romana</em>, Edizione Mediterranee, Roma, 1989, p.91.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5 &#8211; René Guénon, <em>Le symbolisme de la Croix</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6 &#8211; Dr. G. Toscano, La Sindone e la scienza medica, Mimep-Docete, s.d., pp. 49-50.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">7 &#8211; Guénon, op. cit., pp. 25-32. Para todas as iniciações. Essa interpretação do símbolo da Cruz deriva originalmente da alquimia. Ver: O. Wirth, <em>Le symobolisme hermétique dans ses raports avec l’Alchimie et la Franc-Maçonnerie</em>, 1969.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">8 &#8211; <em>Op. cit</em>., pp.33-34.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">9 &#8211; P. di Vona, <em>op. cit</em>., p. 191.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">10 &#8211; R. Guénon, <em>op. cit</em>., pp. 131-132</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>11 -Op. cit</em>. pp.166-167,</span></p>
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		<title>ESPECIAIS DO BLOG: CRISTO JUIZ: UMA VERDADE DE FÉ CAÍDA NO ESQUECIMENTO</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Feb 2022 13:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Parte 1: Uma verdade de fé caída no esquecimento Parte 2: O Juízo Universal nos espera no fim dos tempos Parte 3: O juízo de Nosso Senhor é o Juízo de Deus Parte 4: O poder de julgar vem do &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/especiais-do-blog-cristo-juiz-uma-verdade-de-fe-caida-no-esquecimento/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/1-Cristo_Juiz.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-26545" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/1-Cristo_Juiz.jpg" alt="1-Cristo_Juiz" width="512" height="378" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-uma-verdade-de-fe-caida-no-esquecimento-parte-16/">Parte 1: Uma verdade de fé caída no esquecimento</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-2-o-juizo-universal-nos-espera-no-fim-dos-tempos/">Parte 2: O Juízo Universal nos espera no fim dos tempos</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-3-o-juizo-de-nosso-senhor-e-o-juizo-de-deus/">Parte 3: O juízo de Nosso Senhor é o Juízo de Deus</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-4-o-poder-de-julgar-vem-do-pai-e-foi-transmitido-a-sao-pedro-aos-apostolos-e-aos-seus-sucessores/">Parte 4: O poder de julgar vem do Pai e foi transmitido a São Pedro, aos Apóstolos e aos seus sucessores</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-5-justica-do-juizo/">Parte 5: Justiça do juízo</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-6final-nao-ha-nenhuma-contradicao-entre-cristo-juiz-e-cristo-misericordioso/">Parte 6 &#8211; Final: Não há nenhuma contradição entre Cristo juiz e Cristo misericordioso</a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">**********************************</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Sobre o Prof. Paolo Pasqualucci:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conhecido no Brasil por seus magníficos artigos publicados na <em>Revista Permanência</em>, o italiano Paolo Pasqualucci é ex-professor de Filosofia do Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Perugia, além de também ter lecionado nas Universidades de Roma, Nápoles e Teramo (História das Doutrinas Políticas).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sua produção inicialmente se concentrou em temas de filosofia jurídica e política com artigos, ensaios e monografias dedicados a clássicos modernos como Locke, Hobbes, Rousseau e Kant. Ele reelaborou progressivamente seus cursos universitários em uma <em>Introduzione alla filosofia del diritto </em>(Margiacchi-Galeno, Perugia, última edição em 1994, pp. 228).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desenvolveu uma crítica radical do pensamento revolucionário em dois artigos dedicados a Walter Benjamin (<em>La Rivoluzione come Messia. </em><em>Considerazioni sulla filosofia politica di Benjamin</em>, “Trimestre”, X, 1977, 1-2, pp. 67-112; <em>Felicità Messianica. Interpretazione del frammento teologico-politico di Benjamin</em>, “Rivista Internazionale di Filosofia del Diritto”, LV, 1978, 3, pp. 583-629) e em um ensaio dedicado ao messianismo laico contemporâneo intitulado <em>Politica e Religione. Saggio di teologia della storia</em> (Antonio Pellicani, Roma 2001, pp. 94) com tradução também em francês (<em>Politique et religion. </em><em>Essai de Théologie de </em>l’historie. Publications Courrier de Rome, Versailles Cedex 2003, pp. 108).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desde o início dos anos noventa do século passado dedicou-se principalmente à pesquisa metafísica e teológica. No âmbito da metafísica, publicou um ensaio sobre o conceito do Uno como conceito filosófico de Deus, no qual acredita ter demonstrado que esse conceito é perfeitamente compatível com o do Deus verdadeiro, revelado na Santíssima Monotríade: <em>Introduzione alla Metafisica dell’Uno</em>, com <em>Prefácio</em> de Antimo Negri (Antonio Pellicani, Roma 1996, pp. 151).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ele também trabalha há anos em uma obra de três volumes intitulada <em>Metafisica del Soggetto</em>, destinada a restabelecer uma teoria realista do conhecimento, na tradição da metafísica clássica ou aristotélico-tomista. Deste estudo saíram o primeiro volume: <em>Metafisica del Soggetto. Cinque tesi preliminari</em> (vol. I, Spes &#8211; Fondazione G. Capograssi, Roma 2010, pp. 188); e o segundo: <em>Metafisica del soggetto. Il concetto dello spazio</em> (vol. II, Giuffrè, Roma 2015, pp. 648).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os seus estudos teológicos e de filosofia da religião concentraram-se na análise crítica do Concílio Vaticano II, conduzida desde o ponto de vista da Tradição da Igreja, resultando até agora em artigos, discursos em conferências e dois livros: <em>Giovanni XXIII e il Concilio Ecumenico Vaticano II</em> (Editrice Ichthys, Albano Laziale 2008, pp. 415); <em>L’ambigua cristologia della redenzione universale. </em><em>Analisi di “Gaudium et Spes 22”</em> (Editrice Ichthys, Albano Laziale 2009, pp. 144). Deste último foi publicada uma versão reduzida com o título <em>La Cristologia antropocentrica del Concilio Ecumenico Vaticano II</em>. Em 2014 publicou pela Fede e Cultura o livro <em>Il Concilio parallelo. L&#8217;inizio anomalo del Vaticano II</em> (128 pp.) em que restaura verdades esquecidas no tumultuado início do Concílio Vaticano II.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Publicou também a obra <em>Unam Sanctam </em>(2014), onde estuda os desvios doutrinais da Igreja católica no século XXI; ademais, um livro sobre a questão de um partido católico nacional, <em>Per una carta del partito cattolico</em> (2014); dois livros sobre a perseguição a Dom Lefebvre e à FSSPX e sua injusta condenação: <em>La persecuzione dei “Lefebvriani” ovvero l’illegale soppressione della Fraternità Sacerdotale san Pio X</em> (2014) e <em>Una scomunica invalida: Uno scisma inexistente. Due studi sulle consacrazioni lefebvriane di Écône del 1988 </em>(2017); também publicou um livro sobre a hipertrofia do papel da mulher na sociedade, ou “ginecocracia”, como chamou: <em>Il «regno della donna» ha distrutto i valori tradizionali</em> (2020); por fim, em 2021, publicou <em>Instrumentum diaboli. Le eresie della «teologia india» nello «Instrumentum laboris» per l&#8217;Amazzonia, gradito da Papa Francesco</em> onde tece crítica elaborada ao Sínodo da Amazônia e seus escândalos subsequentes. Todos estes pela Editora Solfanelli.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste ano de 2022, publicou pela editora Fede e Cultura uma obra sobre a dignidade do homem intitulada <em>La falsa dignità. Una visione dell&#8217;uomo spesso fraintesa.</em> Nela faz um percurso histórico sobre a noção de dignidade do homem até o seu uso nos dias de hoje como pilar do “politicamente correto”.</span></p>
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		<title>CRISTO JUIZ (PARTE 6/FINAL): NÃO HÁ NENHUMA CONTRADIÇÃO ENTRE CRISTO JUIZ E CRISTO MISERICORDIOSO</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Feb 2022 13:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Paolo Pasqualucci]]></category>

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		<description><![CDATA[Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: Dominus Est 6. Não há nenhuma contradição entre Cristo juiz e Cristo misericordioso Mas pode o Cristo juiz ser o mesmo que nos atrai com sua bondade e doçura, que não &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-6final-nao-ha-nenhuma-contradicao-entre-cristo-juiz-e-cristo-misericordioso/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/6-Cristo_Juiz.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-26556" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/6-Cristo_Juiz.jpg" alt="6-Cristo_Juiz" width="352" height="238" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>6. Não há nenhuma contradição entre Cristo juiz e Cristo misericordioso </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas pode o Cristo juiz ser o mesmo que nos atrai com sua bondade e doçura, que não replica às ofensas, que está pronto para perdoar, que nos incita a também amar a nossos inimigos e a rezar pelos nossos perseguidores, que nos conta a parábola do filho pródigo, que derrama um bálsamo sobrenatural sobre as feridas do nosso coração ao nos chamar para Ele dizendo: «Vinde a mim todos os que estais fatigados e carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu peso leve» (Mt. 11, 28-30)?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os filhos do século amam contrapor um Cristo ao outro, querendo assim apontar de modo completamente arbitrário uma contradição insanável. Os semeadores da discórdia presentes entre nós, conforme se disse, esqueceram e colocaram de lado o Cristo juiz para fabricar um que seja agradável ao paladar dos mundanos: bom e misericordioso porque Ele participaria dos assuntos humanos com um ânimo comovido e solidário, tolerando e perdoando tudo, inclusive o pecado; um Cristo postiço, de tal modo «bom» e «misericordioso» que Ele já teria salvo todos os homens por sua Encarnação, segundo o ensinamento perverso da heresia difundida entre cristãos inconscientes e anônimos! Um Cristo, portanto, que não julga ninguém, mas num sentido bem diferente daquele explicado por Nosso Senhor em pessoa e que acabamos de lembrar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dado que o Cristo juiz e o Cristo misericordioso são o mesmo <em>indivíduo</em> humano-divino, que historicamente existiu neste mundo no israelita Jesus de Nazaré, a justiça e a bondade misericordiosas que Ele prega e mostra em seus atos não se contradizem de maneira alguma. Elas são pregadas por Ele e realizadas por Ele tal como se encontram no Pai, do qual constituem seus atributos. A vontade de Deus, além de ser santa, é intrinsecamente justa, e ela é boa e misericordiosa. Tudo o que Nosso Senhor disse e fez, Ele <em>ouviu</em> e <em>viu</em> no Pai. Ele faz as obras do Pai, que não cessa jamais de agir, <em>ab aeterno</em> (Jo. 5, 17).</span><span id="more-26544"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A reta teologia católica sempre enfatizou que Jesus Cristo, «manso e humilde de coração», sempre deu forte destaque à <em>justiça que vem do Pai</em>, definido por Ele como <em>Pai justo</em>. «Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu conheci-te, e estes [os apóstolos] conheceram que me enviaste» (Jo. 17, 25). Está claro que Nosso Senhor não se via de maneira alguma em contradição consigo mesmo ao chamar de «justo» seu Pai, que tinha o poder de enviar as almas dos pecadores impenitentes ao fogo eterno, e as enviava. Dito de outra maneira: o exercício da justiça e a prática da caridade misericordiosa não são de maneira alguma sentidas por Nosso Senhor como se elas estivessem em contradição entre si. Por que então elas deveriam ser para nós fiéis? Em vez de separar falsamente um Cristo do outro, é preciso compreender de que maneira justiça e caridade se colocam num ponto de visto superior, do ponto de vista de Deus, que nós reconstruímos (na medida do possível) sobre a base da Verdade revelada, tal como ensinada pela Tradição e pela Doutrina da Santa Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não se deve esquecer que o Verbo encarnado no homem Jesus de Nazaré jamais cessou por um só momento de ser o Verbo que habita com o Pai, e é por isso que não pôde jamais deixar de exercer a justiça segundo a vontade do Pai a respeito das almas de todos aqueles que morreram durante o tempo da sua Encarnação. Ascendido ao Pai, Ele continuou a cumprir sua obra de «mediador» e «advogado» em nosso favor junto ao Pai (Heb. 8-9; 1Jo 2, 1, obra na qual Ele usa da ajuda de Maria Mediadora de todas as Graças e de todos os santos (de toda a Igreja invisível no céu). Mas, evidentemente, Ele também continuou a exercer sem interrupção suas prerrogativas sacerdotais e reais de <em>justo Juiz</em>, nos juízos particulares das almas de todos aqueles que morreram, desde o dia da Ascensão até hoje.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>6.1. A misericórdia não contradiz a justiça</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo sua noção, a misericórdia não exclui de maneira alguma a justiça. De um pai de família atencioso e afetuoso, que às vezes castiga seus filhos por causa de algo que fizeram errado, diríamos que ele está em contradição consigo mesmo quando ele os pune? Não. Diríamos que ele estaria se não os punisse, porque nesse caso ele faltaria aos seus deveres de educador e príncipe da justiça, que impõe punição ao que cometeu uma falta, em proporção com a gravidade da falta. Diríamos as mesmas coisas de um bom governante, se ele evitasse aplicar a lei ou punir os criminosos conforme eles merecessem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A misericórdia <em>pressupõe a justiça</em> porque só o justo pode ser misericordioso. A misericórdia de um juiz desonesto ou fraco deve ser chamada de cumplicidade moral com o mal ou fraqueza de caráter. A misericórdia é exercida por Nosso Senhor quanto ao pecador arrependido, e não quanto ao pecado; portanto, ela não é exercida em relação ao pecador impenitente, que, ao contrário, é abandonado aos rigores da justiça divina, dado que ele quer se manter no pecado até o fim. «Considerai como, se é infinita a justiça de Deus contra os pecadores obstinados, infinita também é sua misericórdia para com os pecadores arrependidos [&#8230;] Se todos os pecadores recorressem a Deus com um coração humilde e contrito, todos se salvariam» (Santo Afonso Maria de Ligório, <em>Preparação para a morte</em>). E a bondade divina sempre age, antes mesmo do nosso arrependimento, porque é por misericórdia divina que nos são oferecidas ocasiões propícias para sairmos dos nossos pecados, se soubermos compreendê-las.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, dando uma resposta aos filhos do século, o Cristo que nos diz «Vinde a mim todos os que estais fatigados e carregados» é Aquele mesmo que diz «Não julgueis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora da sua sogra. E os inimigos do homem serão os seus próprios domésticos» (Mt. 10, 34-36)? Ele, que é o Cordeiro imaculado, manso e doce, que não julga ninguém neste mundo, veio nos trazer a «espada» da «discórdia»? Não há aqui, porém, nenhuma contradição. A «espada» é uma <em>espada espiritual</em>, e é aquela da «discórdia» (<em>oichásein</em>, separar), ou seja, da perseguição que sempre atacará aquele que quiser seguir os ensinamentos do Senhor até o fim. O mundo, que está sob o reino de Satanás, sempre quererá lhes rejeitar e as sociedades se dividirão, começando pelas famílias. O mundo rejeitará a moral pregada por Jesus: linear, austera, viril e ao mesmo tempo plena de um espírito sobrenatural de caridade. E o mundo rejeitará particularmente o sopro misericordioso da pregação: amar ao seu próximo como a si mesmo <em>por amor de Deus</em>; perdoar as ofensas; não julgar os outros; amar seus inimigos; rezar por seus perseguidores; pedir a ajuda da Graça para tornar-se bom, simples e humilde de coração. Os convites a se abandonar totalmente a Ele e a uma caridade sobrenatural para com o próximo incitam o ódio e o escárnio do mundo ainda mais que as enunciações da justiça divina, que, no entanto, sempre suscitam uma furiosa cólera entre os filhos do século. Esses convites e essas exortações da divina misericórdia constituem já <em>a espada</em> que provocará a discórdia no mundo e sua divisão entre eleitos e reprovados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O juízo do mundo é um juízo sem misericórdia. Por que então o mundo não deveria ser julgado da mesma maneira e tratado de acordo? A justiça exige que seja assim. Não há, portanto, nenhuma contradição entre o Coração misericordioso de Jesus e o Cristo juiz infalível das nossas almas. Ao contrário, a misericórdia divina excede de maneira superabundante a proporção formal (fundado sobre o princípio da retaliação) entre falta e pena, quando consente com o arrependimento, <em>mesmo que somente final</em>, de muitos corações que pareciam endurecidos no pecado. «Tremendo mistério, e nunca assaz meditado: Que a salvação de muitos depende das orações e dos sacrifícios voluntários, feitos com esta intenção, pelos membros do corpo místico de Jesus Cristo, e da colaboração que pastores e féis, sobretudo os pais e mães de família, devem prestar ao divino Salvador» (Pio XII, <em>Mystici Corporis</em>, AAS 35(1943) p. 200ss).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Excede-a, porém, sem contradizê-la. A misericórdia divina não pode contradizer a justiça divina, senão Deus estaria em contradição consigo mesmo. É por isso que São Paulo nos lembra que Deus «tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer». Deus só conhece verdadeiramente o que está no coração do homem, e portanto Ele «tem misericórdia» e Ele «endurece», ou seja, deixa na situação pecaminosa, «quem Ele quer»: aquele que, segundo seu juízo inapelável, merece ser deixado, unicamente sobre a base desse conhecimento que é o seu, mais profundo que os abismos da nossa alma; conhecimento que, para nós, é evidentemente impenetrável. Assim, vários juízos seus nos parecem incompreensíveis e, às vezes, injustos. Mas não cabe a nós penetrar os juízos divinos (Rom. 9, 20). Como o poderíamos, com nossas forças intelectuais limitadas? Nós, enquanto simples criaturas, não dispomos dos elementos de juízo que possui a Divindade, nem sua capacidade de compreensão e juízo, que superam incomparavelmente a nossa. Por que tal criança morreu, batizada há pouco, enquanto outra pessoa morreu velha e talvez cheia de pecados? Por que o homem bom sofre (quando ele sofre) enquanto o mau prospera (quando ele prospera)? E assim por diante, com considerações parecidas por numerosas injustiças e males que afligem quotidianamente a humanidade. Em uma célebre passagem da Cidade de Deus, Santo Agostinho nos diz que no Dia do Juízo «nós veremos claramente a justiça de Deus, visto que a fraqueza da nossa razão nos impede de ver um grande número e a quase totalidade de seus juízo, embora as almas piedosas tenham plena confiança em sua justiça divina» (XX, II).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>6.2. Significado consolador e salutar do juízo divino</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor nos diz que devemos antes de tudo temer o juízo Daquele que tem o poder de nos enviar para sempre para a Geena, e nós atribuímos a <em>esse</em> julgamento um significado consolador? Compreendemos que esse significado seja <em>salutar</em>, visto que ele nos inspira um <em>temor saudável</em>, mas não da morte, e sim do Juízo de Deus. Salutar é esse temor, porque ele contribui poderosamente para a nossa santificação quotidiana. Sabendo o que nos espera, deveríamos estar propensos a observar os mandamentos com maior diligência. O temor do Juízo está incluso no temor de Deus, um dos sete Dons do Espírito Santo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas um significado <em>consolador</em>?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Reflitamos atentamente. Em um Estado bem governado, os cidadãos estão contentes por saber que existem juízes que aplicam conscienciosamente a lei punindo os maus como convém, respeitando os procedimentos estabelecidos por lei, e dando satisfação às legítimas pretensões dos bons. Os bons podem sentir um certo temor desses juízes, pois é justo temer o juízo enquanto tal, e um desses motivos é porque cada um de nós pode cair nas mãos da justiça e ser obrigado a passar por um julgamento. Todavia, esses cidadãos se sentirão tranquilizados pela existência desses juízes e pela eficácia de seus juízos, pois sem eles, cada um de nós faria justiça por si mesmos tanto quanto fosse possível, e a sociedade inteira cairia na pior das anarquias, com o resultado de que a justiça não seria mais aplicada e que a vida de todos seria triste sem o juízo de um juiz que fosse <em>super partes</em>, que fosse um justo juiz. Com efeito, ninguém pode atribuir a si mesmo seu próprio juízo sem violar o princípio de imparcialidade da justiça. Ninguém pode ser seu próprio juiz. Portanto, na vida civil a lembrança do tribunal e do juízo nos causa temor de um lado e nos consola do outro, sem que esses sentimentos opostos venham constituir a menor contradição do ponto de vista da <em>recta ratio</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A similaridade com a nossa maneira de sentir o Juízo final deveria estar clara.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ideia de que nossa vida acabará com o juízo de Deus nos aterroriza justamente, e de uma maneira que não se pode descrever; ela nos aterroriza <em>em si</em> por causa das sanções <em>eternas</em> que esse juízo tem o poder de infligir. Mais ainda que a atrocidade das penas, é a sua <em>eternidade</em> que nos causa terror.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Considera que o inferno não tem fim; sofre-se todas as penas, e todas são eternas. Cem anos dessas penas se passarão, mil anos passarão e o inferno só está começando. Cem mil, um milhão de anos e de séculos passarão e vosso inferno sempre estará começando. Se um anjo dissesse a um condenado: Saireis do inferno, mas somente quando se esgotarem o tanto de séculos que existem em gotas de água no oceano, de folhas nas árvores e de grãos de areia na praia; o condenado teria mais alegria que um mendigo diante da notícia de que seria coroado rei. Sim, porque todos os séculos se passarão e se multiplicarão uma infinidade de vezes e o inferno estará sempre no começo. O condenado terá sempre diante de si escrita a sentença da sua condenação eterna e ele dirá: então todas essas penas que eu sofro, esse fogo, essa tristeza, esse grito, não acabarão nunca mais para mim? Não, ele lhe responderá: jamais, jamais, jamais. E quanto tempo durará? Sempre, sempre» (Santo Afonso Maria de Ligório, <em>Preparação para a morte</em>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O condenado não sofre a destruição de seu ser, <em>a anulação de sua alma</em>, como se ele pudesse acabar com o problema desaparecendo no nada: ao contrário, ele está <em>condenado a</em> <em>viver in aeterno</em> nas terríveis penas espirituais e materiais do inferno. Tal é a verdade que nos foi revelada, e ninguém pude mudá-la. As penas espirituais são constituídas, além da mistura do sentimento de impotência, de vãos remorsos, de ódio e desespero que destroçam a alma dos reprovados, também pelo atroz sofrimento que causa a privação da visão beatífica da qual, ao contrário, gozam os eleitos. A falsa ideia (e de novo em circulação) da <em>destruição</em> do condenado vem de um equívoco sobre o significado do termo <em>segunda morte</em>, pelo qual designa justamente de maneira simbólica (<em>morte</em> definitiva para Deus, <em>segunda</em>, após a morte terrestre) a condenação eterna que segue-se ao Juízo. Seu significado é claramente explicado no Apocalipse: «[&#8230;] Mas desceu do céu um fogo que os devorou [Gog e Magog e os exércitos do Mal]. E o demônio, que os seduzia, foi metido no tanque de fogo e de enxofre, onde também a Besta e o falso profeta serão atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos. [&#8230;] O mar deu os mortos que estavam nele, a morte e o Hades deram (também) os mortos que estavam neles, e fez-se juízo de cada um segundo as suas obras. Depois, a morte e o Hades foram lançados no tanque de fogo (o tanque de fogo é a segunda morte [<em>Haec est mors secunda</em>]). E aquele que se não achou inscrito no livro da vida, foi lançado no tanque de fogo» (Ap. 20, 9-15).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os filhos do século, e seus amigos os clérigos infiéis, recusam com horror a ideia de uma condenação a penas que <em>duram por toda a eternidade</em>, e eles blasfemam dizendo que só uma Divindade cruel poderia criar o inferno. Eles admitiriam no máximo um inferno <em>provisório</em>, esquecendo-se que tal tipo de inferno provisório já existe, é o <em>Purgatório</em>. Mas este está previsto somente para as almas santas, para aqueles que se salvaram, que devem ainda se purificar dos pecados veniais não ainda remidos, dos maus hábitos, da pena temporal pelos pecados mortais remidos quanto à falta (G. Casali, <em>Somma di teologia dommatica</em>, Lucca, 1964, p. 660).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com efeito, podemos nos perguntar: o <em>pecador impenitente</em>, se pudesse, deixaria de pecar? Certamente não. Se ele pudesse, manter-se-ia pecador por toda a eternidade (São Gregório Magno). O fornicador, o verdadeiro libertino, não pararia jamais de seduzir e de enganar mulheres de todos os tipos e de todas as condições. E o ladrão e o assassino, não gostariam de roubar e matar pelos séculos dos séculos, se eles assim pudessem? Só a morte os detém. E a morte os detém na disposição de alma que lhes é habitual, que é aquela dos homens constantemente inclinados ao mal. Então por que a pena não deveria ser <em>eterna</em> para eles? E por que ela não deveria atormentar eternamente seus sentidos, dado que as «breves alegrias» desse pecado no qual eles gostariam de viver eternamente tocam sempre o sentido de uma maneira ou de outra? E não é também com seus sentidos, além da vontade e da inteligência, que os pecadores ofenderam a Deus ao violar sistematicamente seus mandamentos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ademais, se a pena não fosse eterna, toda diferença seria suprimida entre o quarto nupcial e o prostíbulo, porque no fim, entre a mulher que viveu, frequentemente numa luta heroica contra si mesma, como esposa fiel e virtuosa, e aquela que <em>quis viver até o fim</em> como uma prostituta, ou senão como lasciva e infiel, não haveria mais nenhuma diferença: a <em>pecadora impenitente</em> se salvaria no fim tanto quanto a corajosa mãe de família, e gozaria também da visão beatífica <em>sem jamais ter se arrependido, se a pena não fosse eterna</em>. Mas isso seria profundamente injusto e Deus não pode ser injusto. A própria santidade de sua natureza O impede. A justiça exige, portanto, que a pena seja eterna <em>para o impenitente.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas é igualmente verdadeiro que, ao lado de um grande e legítimo termo, a existência do Juízo nos proporciona também uma <em>consolação interior</em>, pois sabemos que, graças ao Juízo, aqueles dentre nós que são dignos obterão a recompensa eterna, a visão do Deus Uno e Trino, face a face, uma beatitude que o homem não pode sequer imaginar (2Cor 12, 4). O justo Juiz nos recompensará segundo nossos méritos e inclusive, podemos dizer, de maneira superabundante e excessiva, se pensarmos na natureza incomensurável da recompensa: a contemplação eterna da Santíssima Trindade! Qual mérito humano, por grande que seja, seria digno de merecê-la? Mas é <em>essa</em> recompensa que estabeleceu gratuitamente a Divina Bondade, que ama se contemplar na perfeição de sua Glória, a qual quis que participassem os eleitos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A existência do Juízo também nos consola de um outro ponto de vista, que é o da justiça que é finalmente realizada <em>para todos</em>. O Senhor colocará todas as coisas em seu lugar (Ap. 21, 4). Quem escapou, pagará. O nosso senso de justiça será assim satisfeito. Com efeito, o senso de justiça exige que todo culpado seja punido: <em>unicuique suum</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o <em>senso de justiça</em>, como insinuam os filhos do século e seus amigos na parte desviada do clero, contradiz a caridade cristã? Se nós devemos amar nossos inimigos pessoais por amor de Deus e rezar pela salvação dos pecadores, então como o pensamento de que a justiça divina envia esses mesmos pecadores para a condenação eterna pode nos consolar? Mas o que nos diz São Paulo quando ele nos exorta a jamais nos vingar de nossos inimigos pessoais? «[&#8230;] tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, ó caríssimos, mas dai lugar à ira divina, porque está escrito: <em>A mim pertence a vingança, eu, retribuirei, diz o Senhor</em> (Dt. 32, 35<em>). Antes, se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer, se tem sede, dá-lhe de beber; fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça </em>(Prov. 25, 21-22). 21 Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem» (Rom. 12, 19-21).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A exigência de justiça que constitui a reparação do mal sofrido por um mal dado em retorno (olho por olho) deve ser superada pela exigência mais elevada da misericórdia divina, que nos impõe a responder o mal com o bem em relação àquele que nos ofendeu. Rezar por sua alma faz parte dessa disposição espiritual, que é aquela da verdadeira caridade cristã, que se manifesta também no ato de «repreender» o pecador, mostrando-lhe a gravidade da ofensa feita a Deus, mais do que aos homens, por seu pecado. Mas a exigência da justiça não se manterá porém insatisfeita: a <em>justa</em> retribuição será dada por Deus no dia do Juízo. Assim, nosso senso de justiça não é ofendido, visto que nós sabemos que ninguém pode escapar do Juízo de Deus (Ap. 20, 13). Mas se aquele mesmo que nos ofendeu, graças, entre outras coisas, ao <em>nosso</em> exercício da misericórdia, inclusive as orações, se arrepende e enfim se salva, deveríamos nos entristecer do fato de que ele tenha conseguido escapar da nossa justiça e da justiça de Deus? Não, porque a instância da misericórdia prevalece sobre a da justiça em sentido estrito e salva o pecador <em>arrependido</em>, algo que todo coração cristão não pode senão alegrar-se sinceramente. O pensamento de que os pecadores possam se salvar graças às nossas orações e mortificações nos dá uma consolação bem mais elevada que a da realização da justiça. Mas tampouco neste caso a justiça seria ofendida: seria efetivamente <em>injusto</em> que o pecador que se arrependeu, mesmo que somente no fim da vida, seja condenado (Mt. 20, 1-16, parábola dos trabalhadores da videira).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A instância da justiça prevalece sobre a da misericórdia quando o pecador é <em>endurecido, impenitente</em>. Aquele que é condenado para sempre é o impenitente, o arrogante e o endurecido, graças ao juízo de Deus. A compaixão humana a qual temos com o destino do impenitente no além (apoiada pelo angustiante pensamento que poderíamos nós também, se não perseverássemos em Cristo, encontrar no número dos condenados) não impede que nosso <em>senso de justiça</em> seja consolado pelo Juízo divino que condenou o impenitente. Graças a ele nós nos sentimos garantidos por um juiz infalivelmente justo, que é <em>Juiz na eternidade</em>, porque o que Ele decidiu dura por toda a eternidade: Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, consubstancial ao Pai, segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Ele seja dada a glória pelos séculos dos séculos.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Fim.</em></span></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>CRISTO JUIZ (PARTE 5): JUSTIÇA DO JUÍZO</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Feb 2022 13:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
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		<description><![CDATA[Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: Dominus Est 5. Justiça do juízo Após ter explicado a origem de seu poder de julgar, Nosso Senhor esclarece seu vínculo com a justiça. Por que seu juízo é justo por &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-5-justica-do-juizo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/5-Cristo_Juiz.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-26554" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/5-Cristo_Juiz.jpg" alt="5-Cristo_Juiz" width="300" height="485" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>5. Justiça do juízo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após ter explicado a origem de seu poder de julgar, Nosso Senhor esclarece seu vínculo com a justiça. Por que seu juízo é <em>justo</em> por definição; por que é, podemos dizer, a justiça <em>em si mesma</em> que se realiza? Ainda em seu primeiro ensinamento aos fariseus, Ele nos explica de maneira mais detalhada porquê o Pai Lhe dá o poder de julgar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem, viverão. Com efeito assim como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu ao Filho ter vida em si mesmo; e deu-lhe o poder de julgar, porque é Filho do homem. Não vos admireis disso, porque virá tempo em que todos os que se encontram nos sepulcros ouvirão a sua voz, e os que tiverem feito obras boas sairão para a ressurreição da vida, mas os que tiverem feito obras más, sairão ressuscitados para a condenação. Não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Julgo segundo o que ouço [<em>akoúo, audio</em>] (de meu Pai), e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou» (Jo. 5, 25-30).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Senhor repete o conceito de <em>renascimento espiritual</em> concedido àqueles que escutam sua palavra e que se tornam seus discípulos, colocando-as em prática. Todos aqueles que estão espiritualmente «mortos» por causa de seus pecados «ouvirão» a partir de então («vem a hora, e já chegou») a Palavra de Cristo. E aqueles que a tiverem ouvido, no sentido de tê-la compreendido e seguido, terão a vida eterna. E eles a terão, porque o Pai concedeu ao Filho ter «em si mesmo» a <em>vida</em> (eterna) que Ele mesmo (o Pai) possui: e essa vida eterna é dada pelo Filho <em>pelo exercício do poder de julgar</em>. Com efeito, Ele «deu-lhe o poder de julgar, porque é Filho do homem», ou seja, o Messias esperado que se revelou no Verbo Encarnado (Dn. 7, 13; Ez. 2, 1). Um poder de julgar que, coincidindo perfeitamente com o do Pai, estende sua competência até o dia do Juízo. Nesse dia, todos aqueles que estão «nos sepulcros» ouvirão a voz do Senhor e ressuscitarão para ir ao Juízo: os justos para a «vida» eterna, os maus para o «juízo», ou seja, para a <em>condenação</em>. No segundo ensinamento dado aos fariseus, Jesus repete esses conceitos: «Ora a vontade daquele que me enviou, é que eu não perca nada do que me deu, mas que o ressuscite no último dia. A vontade de meu Pai, que me enviou, é que todo o que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia» (Jo. 6, 39-40).</span><span id="more-26543"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o fato de que o juízo do Filho não seja de maneira alguma fruto de qualquer autonomia do Filho em relação ao Pai é reafirmado pelo próprio Senhor posteriormente. Ele repete: «Não posso de mim mesmo fazer coisa alguma». Por conseguinte, Ele julga o que «ouve». O que «ouve» de quem? Do Pai. <em>Ele julga segundo a intenção do Pai</em>. Isso significa que seu juízo é em seu conteúdo o <em>mesmo </em>julgamento que aquele do Pai. E por isso ele é <em>justo</em>. Não é um julgamento de um juiz que busca fazer sua vontade pessoal, a se tornar testemunha de si mesmo. É o julgamento de um juiz que aplica constantemente como norma a vontade do Pai. A vontade do Pai é a norma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso porque, conforme se recordou, o Filho e o Pai são um (Jo. 10, 30). O Senhor não pode de si mesmo fazer coisa alguma; Ele pode fazer somente o que faz o Pai, o que vê o Pai fazer, por “visão” sobrenatural. O juízo, a <em>mens</em> do Pai, é a mesmo que o do Filho. Há sempre a distinção de pessoas (o julgamento é o da <em>pessoa</em> do Filho e não do Pai), mas há ao mesmo tempo a unidade da substância divina, que se manifesta em <em>um </em>amor, <em>uma</em> vontade,<em> um</em> juízo. É o mistério da unidade-distinção sobrenatural da Monotríade divina, cuja ilustração estende-se ao longo de todo o Evangelho de São João.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>5.1. O Sagrado Coração de Jesus não julga segundo a carne</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas por que, após ter perdoado a mulher adúltera (exortando-a porém a se arrepender e mudar de vida), e replicando aos fariseus que O acusavam de dar testemunho de si mesmo, ou seja, de não ser o Filho de Deus apesar das obras que havia feito para demonstrar-lhes, Nosso Senhor diz-lhes: «Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo; e, se julgo alguém, o meu juízo é verdadeiro, porque eu não sou só, mas eu e o Pai, que me enviou. Na vossa lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é digno de fé» (Jo. 8, 15-17)?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui Nosso Senhor opõe o «verdadeiro» juízo ao juízo «segundo a carne». Este último é o juízo viciado pelas paixões da carne e portanto jamais pode ser «verdadeiro»: juízo de condenação a respeito do próximo, desprovido de misericórdia e cheio de malignidade e de crueldade. É o juízo do mundo, reino do Príncipe deste mundo. Juízo hipócrita, portanto, porque ele não leva em conta o fato de que aquele que julga é tão pecador como o próximo que ele condena. «Por isso, quem quer que sejas, ó homem que julgas, és inexcusável, porque, naquilo mesmo em que julgas a outro, a ti mesmo te condenas, visto que fazes as mesmas coisas que julgas» (Rom. 2, 1). É o juízo «segundo a carne». É o tipo de juízo que Nosso Senhor condena ao censurar severamente Tiago e João por terem perguntado se não era preciso destruir com fogo do céu uma vila de samaritanos que não haviam querido recebê-los (porque, Ele diz, «O Filho do homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para as salvar», Lc. 9, 51-55); ou quando ele nos exorta a não julgar o próximo. «Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, segundo o juízo com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que medirdes vos medirão também a vós. Porque olhas tu para a aresta que está do olho de teu irmão, e não notas a trave no teu olho?» (Mt. 7, 1-4). Esta famosa admoestação não significa um convite ao laxismo moral. É um convite à <em>misericórdia</em>, não quanto ao pecado (sempre e implacavelmente condenado pelo Senhor) mas quanto ao pecador, que devemos ajudá-lo a se converter. Especialmente porque cada um de nós, sendo sempre pecadores de uma maneira ou de outra, precisamos também de misericórdia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, o juízo dos fariseus, que era «segunda a carne», não vinha de Deus; ele não era segundo a vontade de Deus, como era, por outro lado, o juízo de Nosso Senhor. Com efeito, aquele que julga segundo a vontade de Deus não julga segundo a carne. E de fato Nosso Senhor «não julgava ninguém». Esta afirmação pode surpreender à primeira vista. Mas ela se torna clara se a entendermos no sentido em que Ele não julga ninguém <em>segundo a carne</em>, à maneira dos fariseus, ou seja, segundo os critérios de juízo do mundo. Portanto, Ele <em>não condena ninguém</em>; Ele não submetia ninguém, neste mundo, a um juízo de condenação. Ele condenava o pecado, não o pecador, que a misericórdia de seu Sagrado Coração queria, ao contrário, converter e salvar: «Mc. 2, 17 «eu não vim chamar os justos mas os pecadores»; parábola do filho pródigo [Lc. 15, 11-32]; e o episódio já lembrado do perdão à adúltera arrependida [Jo. 8, 1-11], que não significa de maneira alguma a tolerância ao pecado do adultério, condenado no Sermão da Montanha <em>de maneira ainda mais ampla</em> que na antiga Lei [Mt. 5, 27-30]).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso não se opõe à exortação a <em>repreender</em> os pecadores: «Se teu irmão pecar, repreende-o [<em>increpa</em> illum]; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe» (Lc. 17, 3; <em>amplius</em>: Mt. 18, 15-22). «Repreender» não é condenar. Dirige-se à própria pessoa, mas no que diz respeito ao seu erro, na esperança de que ela mude de opinião e se arrependa. O fundamento da «correção» reside no fato de que é sempre necessário condenar <em>o pecado</em>, quem quer que seja que o tenha cometido. Essa «correção» é inclusive um dever moral para o cristão, e ela se manifesta sob sua forma mais elevada na necessária condenação pelo Pontífice romano dessa forma grave de pecado contra a fé que constituem os «erros» corruptores das almas, <em>munus</em> fundamental de seu altíssimo cargo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>5.2. Verdade e presciência do juízo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas por que, imediatamente após, Nosso senhor acrescentou, sempre segundo o texto joanino: «e, se julgo alguém, o meu juízo é verdadeiro, porque eu não sou só, mas eu e o Pai, que me enviou»? A frase pode parecer obscura e contraditória, mas, ao contrário, ela é claríssima. Se <em>eu também julgo</em>, ou seja, condeno explicitamente as más obras de alguém, meu juízo não é segundo a carne, ou seja, falso e hipócrita. Ao contrário, ele é «verdadeiro» porque não é somente o meu juízo pessoal, mas é sempre o juízo do Pai. Ele é <em>verdadeiro</em> e portanto <em>justo</em>, pois o juízo de condenação é segundo a vontade do Pai com o qual em sou sempre <em>um</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui está também enunciado o critério da <em>verdade do juízo</em>. Fundamentalmente, ele não difere do critério que mostra sua justiça. O juízo é <em>verdadeiro</em>, ou seja, capta de modo exemplar a natureza da coisa, quando ele exprime a vontade do Pai, e portanto ele vem sempre do Pai, daquilo que o Senhor viu e ouviu junto ao Pai (e continuamente vê e escuta junto ao Pai, <em>ab aeterno</em>, na espiração do Espírito Santo, <em>Trinitatis nexus</em>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Guardando sempre esses conceitos, compreende-se o exato significado de uma outra declaração posterior do Senhor. Depois de ter retornado a visão ao cego de nascença e de ter sido, como de costume, contestado pelos fariseus (que também atacaram o cego curado) porque o milagre havia sido feito no Sábado, Ele lhes disse: «Eu vim a este mundo para exercer um justo juízo, a fim de que os que não veem vejam, e que veem se tornem cegos». Ouviram isto alguns dos fariseus, que estavam com ele, e disseram-lhe: «Porventura também nós somos cegos?» Jesus disse-lhes: «Se vós fosseis cegos, não teríeis culpa; mas, pelo contrário, vós dizeis: Nós vemos. Fica, pois subsistindo o vosso pecado» (Jo. 9, 39-41).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois de ter dito que “não julgava ninguém”, Nosso Senhor afirma agora que havia vindo ao mundo “para exercer um justo juízo”? De qual “juízo” se tratava? O latim traduz sempre com <em>iudicium</em>, mas o texto grego emprega aqui um termo diferente de <em>krísis</em>, embora extraído da mesma raiz: o verbo <em>kríno</em>, julgo. E a palavra <em>kríma</em>, que traz sempre a ideia de juízo, mas no sentido de <em>dispositio (divina) exequenda</em> (M. Zerwick S.I., <em>Analysis philologica Novi Testamenti Graeci</em>). O termo é posterior e aparece pela primeira vez na Septuaginta para indicar a palavra hebraica correspondente a <em>consilium, decretum</em> (Zorell). Nosso Senhor, diante do cego que curou, que O adora como Filho de Deus, afirma então ter vindo para <em>executar um decreto </em>«a fim de que os que não veem vejam, e que veem se tornem cegos».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A frase, voluntariamente enigmática na forma, sempre foi claramente compreendida pelos Padres (Santo Agostinho principalmente) e pela tradição da Igreja. Aqueles que «não veem» a luz da verdade são os pagãos, aos quais a Palavra de Cristo traz a luz da Revelação; aqueles que «veem» são, por outro lado, os judeus, pois receberam a luz da Revelação com o Antigo Testamento, e todavia fecharam os olhos para ela ao terem recusado Cristo, que se revelou como «pedra de tropeço» (Is. 8, 14; Lc. 2, 35). E o fato de que «aquele homem, que se chama Jesus» dirige-se precisamente a eles, alguns fariseus presentes haviam compreendido imediatamente, visto que disseram com indignação: «Porventura também nós somos cegos?». Recebendo a resposta em seguida: se vós fosseis cegos, como os pagãos, «não teríeis culpa», ou seja, não teriam pecado contra a vontade de Deus ao se recusar a crer em mim. Mas como vós afirmais «nós vemos», estais convencidos de estar na verdade ao me recusar, portanto continua «subsistindo vosso pecado».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fato de que Nosso Senhor declara que a obra da salvação corresponde à realização de um <em>decreto divino</em> (a eleição dos gentios diante da reprovação da Israel incrédula) torna-nos conscientes da <em>presciência</em> inerente ao juízo do Pai, o qual havia predestinado as nações à Glória, conhecendo já a tendência ao endurecimento de Israel, no qual Ele a deixou, ainda que não em definitivo (Lc. 21, 24; Rom. 9, 18; 11, 25 ss). Este “decreto” ou “juízo” não contradiz, portanto, o critério de verdade que se manifesta em Cristo juiz, visto que tal decreto vem confirmar que Ele sempre julga segundo a vontade e a <em>ciência</em> do Pai.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-6final-nao-ha-nenhuma-contradicao-entre-cristo-juiz-e-cristo-misericordioso/">(Continua&#8230;)</a></em></strong></span></p>
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		<title>CRISTO JUIZ (PARTE 4): O PODER DE JULGAR VEM DO PAI E FOI TRANSMITIDO A SÃO PEDRO, AOS APÓSTOLOS E AOS SEUS SUCESSORES</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Feb 2022 13:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: Dominus Est 4. O poder de julgar vem do Pai e foi transmitido a São Pedro, aos Apóstolos e aos seus sucessores O poder de julgar do Filho vem do Pai. &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-4-o-poder-de-julgar-vem-do-pai-e-foi-transmitido-a-sao-pedro-aos-apostolos-e-aos-seus-sucessores/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/4-Cristo_Juiz.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-26552" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/4-Cristo_Juiz.jpg" alt="4-Cristo_Juiz" width="480" height="308" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>4. O poder de julgar vem do Pai e foi transmitido a São Pedro, aos Apóstolos e aos seus sucessores</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O poder de julgar do Filho vem do Pai. Com efeito, assim como o Pai ressuscita os mortos e dá a vida, da mesma maneira o Filho dará a vida a quem Ele quer. O Pai não julga ninguém, tendo deixado todo juízo nas mãos do Filho, a fim de que todos honrem o Filho como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho não honra o Pai. É o que explica Nosso Senhor em seu primeiro ensinamento aos fariseus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Em verdade, em verdade vos digo: O Filho não pode de si mesmo fazer coisa alguma, mas somente o que vir fazer ao Pai; porque tudo o que fizer o Pai, o faz igualmente o Filho. Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e lhe mostrará maiores obras do que estas, até ao ponto de vós ficardes admirados. Porque assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida àqueles que quer. O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o poder de julgar, a fim de que todos honrem o Filho como honram o Pai. O que não honra o Filho, não honra o Pai, que o enviou. Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não incorre na sentença da condenação, mas passou da morte para vida» (Jo. 5, 19-24).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Filho não é autônomo em relação ao Pai. Ele não pode nada fazer «de si mesmo». O Filho pode fazer «somente o que vir fazer ao Pai»; o que o Pai, em seu amor pelo Filho, «mostra» (<em>deíknumi</em> em grego, <em>demonstro, monstro</em> em latim) ao Filho. Esse conhecimento pelo Filho é o fruto do amor do Pai pelo Filho e pertence à natureza intrínseca de seu vínculo, à coabitação (<em>pericòresis</em> ou <em>circuminsessio</em>) e à compenetração recíproca das Pessoas da Santíssima Trindade por sua processão imanente.</span><span id="more-26542"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O conhecimento que o Filho tem das obras do Pai é um conhecimento direto, por «visão», porque o espírito do Filho habita sempre o espírito do Pai, e o Filho sempre conserva sua individualidade de <em>pessoa </em>(Santo Agostinho). O que o Filho vê o Pai fazer é portanto o que o Pai «mostra» ao Filho, pelo amor que isso traz a Ele. Portanto, as obras que faz o Filho são aquelas que o Pai Lhe «mostrou», e é por isso que elas são obras do Filho. Elas são, enquanto tais, obras do Pai. Os fariseus estavam escandalizados porque Jesus tinha curado um paralítico no dia do Shabat, no tanque de Betesda (Jo. 5, 9-18). E para respondê-los, Jesus começa a explicar que procedia do Pai, do qual vinha sua natureza divina, demonstrada pelas obras miraculosas que realizava. A obra que constituía a cura milagrosa de um homem paralisado há trinta anos (<em>Ibid.,</em> 5) era uma obra que o Filho havia visto junto ao Pai. Mas o Pai lhe mostrará obras bem maiores que essas, «até ao ponto de vós ficardes admirados». E quais seriam essas obras? O Senhor expõe-nas, e isso constituía uma afirmação de sua natureza divina face aos fariseus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Pai ressuscita os mortos no Juízo Universal (Ez. 37). Ele «dará a vida a quem quiser», ou seja, dará a vida àqueles que considerar dignos de merecimento. Mas o Pai quer que «o Filho [dê] vida àqueles que quer». Eis uma obra «maior ainda», muito maior que aquela realizada pela cura miraculosa do paralítico. Essa obra «maior» realiza o fim essencial da Encarnação porque o Verbo, sem estar unido de alguma maneira por isso mesmo a todos os homens, encarnou-se em <em>um homem</em> para a nossa salvação e, portanto, a fim de «dar a vida» eterna, a saber, «para quem quiser»: não a todos aqueles que a querem, não segundo o julgamento dos homens (muitos pecadores gostariam de entrar no paraíso mantendo-se impenitentes), mas segundo o Juízo de Deus, manifesto pelo Filho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, o Pai não julga ninguém, tendo então remetido todo juízo nas mãos do Filho. <em>Todo juízo</em>: não somente o juízo individual, mas também o final, universal, enquanto juízo <em>visível</em> para nós, julgados, naquele Dia, não enquanto Juízo independente da vontade do Pai, que habita sempre <em>ab eterno</em> na vontade do Filho (Santo Agostinho). O Pai fez isso também para que todos «honrem» o Filho da mesma maneira que o Pai para fazer assim compreender que o Filho não é menos que o Pai, visto que «todo juízo» remetido às suas mãos. Ademais, para fazer compreender que Ele é <em>um</em> com o Pai (Jo. 10, 30). E que, portanto, Ele deve ser «honrado» como o Pai que está nos céus. Honrado, precisamente, como convém ao Filho de Deus, consubstancial ao Pai.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor, portanto, é <em>juiz</em> como o Pai. E Ele o é porque tal é a vontade do Pai. Assim, o Filho faz sempre o que «vir fazer ao Pai». Da mesma maneira que o Pai ressuscita os mortos e dá a vida (eterna) pelo juízo, da mesma maneira faz o Filho. Mas por que Nosso Senhor diz que aquele que obtém a vida eterna «não incorre na sentença da condenação, mas passou da morte para vida»? Devemos novamente considerar que os justos vão para o paraíso sem a necessidade de serem julgados? Não. Eles «passam da morte para a vida», eles ressuscitam <em>espiritualmente</em> para ir para a vida eterna, sem serem <em>submetidos à sentença de condenação</em> (Santo Agostinho), ou seja, evitando a condenação que incorrem aqueles que quiseram se condenar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O poder de julgar foi anunciado aos Apóstolos para o dia do Juízo: neste dia, eles julgarão com Ele os homens (Lc 22, 30). Ele foi anunciado a Cefas quando Nosso Senhor o declara «pedra da Igreja», ou seja, chefe da Igreja, contra a qual o inferno jamais prevaleceria, conforme relata a célebre passagem de Mt. 16, 17-20, que constitui o fundamento do Primado de Pedro. «Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus». Ele não diz «Eu te dou», porque não havia ainda enviado o Espírito Santo aos Apóstolos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, esse poder foi efetivamente conferido por Cristo ressuscitado. «“Assim como o Pai me enviou, também vos envio a vós”. Tendo proferido estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”» (Jo. 20, 21-23). O Apóstolos iriam julgar os homens neste mundo, no exercício de sua missão, para realizar a obra da salvação, não para condená-los. Mas o fato de esse poder incluir <em>a faculdade de condenar</em> é extraído do célebre episódio de Ananias e Safira contado nos Atos, onde São Pedro é o protagonista e pronunciou sobre eles a sentença de Deus, que os fez morrer imediatamente, impenitentes, por causa da maquinação que haviam montado às custas da comunidade cristã (Atos 5, 1-11).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O poder de perdoar ou reter os pecados, ou seja, de absolver ou de condenar, procede do Pai no Filho. Assim como o Filho foi enviado pelo Pai, o Filho envia os Apóstolos, com Pedro na sua cabeça, escolhido por Ele, e depois todos os bispos e sacerdotes, para continuar a missão de conversão do mundo, até o fim dos tempos. Ele os envia após lhes ter dado o Espírito Santo, e não antes. É pelo intermédio do Espírito que eles exercem o poder de julgar, que pertence a Nosso Senhor, enquanto <em>um </em>com o Pai, e que é portanto de origem sobrenatural. Segundo os critérios profanos, é um <em>poder delegado</em>, mas um poder efetivo; é um poder efetivo de influir sobre o destino das almas, estando dado que os pecados perdoados pelos sacerdotes «serão perdoados» pelo Filho, e os pecados retidos «serão retidos» pelo Filho. O exercício desse poder realiza a justiça divina, mas ela é temperada pela misericórdia divina, porque Deus quer que os homens se salvem obtendo misericórdia por seus pecados, graças ao sacrifício da Cruz, ou seja, graças aos méritos ganhos por Nosso Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À Igreja, portanto, é conferido por Cristo o poder de julgar, poder que pertence ao próprio Cristo, e esse poder é transmitido a todos os sacerdotes de Cristo na sucessão apostólica.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-5-justica-do-juizo/">(Continua&#8230;)</a></em></strong></span></p>
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		<title>CRISTO JUIZ (PARTE 3): O JUÍZO DE NOSSO SENHOR É O JUÍZO DE DEUS</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 13:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Paolo Pasqualucci]]></category>

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		<description><![CDATA[Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: Dominus Est 3. O juízo de Nosso Senhor é o Juízo de Deus O juízo anunciado por Nosso Senhor é uma sentença inapelável. A sentença em si é um comando que &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-3-o-juizo-de-nosso-senhor-e-o-juizo-de-deus/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/3-Cristo_Juiz.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-26550" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/3-Cristo_Juiz.jpg" alt="3-Cristo_Juiz" width="512" height="296" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3. O juízo de Nosso Senhor é o Juízo de Deus</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O juízo anunciado por Nosso Senhor é uma sentença inapelável. A sentença em si é um comando que aplica a justiça. Com efeito, dizemos que a sentença ou o julgamento, para serem verdadeiramente tais, devem ser <strong><em>justos</em>. </strong>A justiça que se realiza no juízo de Nosso Senhor não é humana, mas divina. É o <em>juízo de Deus</em>, que conhece os corações, que tudo vê, que tudo sabe, que tudo perscruta; juízo <em>infalível</em> cuja sentença <em>dura por toda a eternidade</em>. Quem pode pensar em atacá-lo? «Todas as coisas estão a nu e a descoberto, aos olhos Daquele de quem falamos» (Heb. 4, 13).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, o juízo de Nosso Senhor é justo porque é o juízo de Deus. Por meio dele, Nosso Senhor aplica sobre nós a vontade de Deus. <em>Fazer a vontade de Deus, servare mandata</em>: essa atitude e esse comportamento já resumem para nós homens, durante nossa vida terrestre, todo o significado da justiça, tomado em seu fundamento sobrenatural. E essa vontade nos é conhecida. É ela que está contida na lei natural e divina, inata em nós (Rom. 2, 14-16), gravada no Decálogo, realizada pela pregação do Verbo encarnado (Mt. 5, 17).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E Aquele que julga depois da morte e que virá a julgar no final dos tempos, na Ressureição dos corpos, durante o tempo da Sua vida mortal aplicou <em>a si mesmo</em>, durante sua vida mortal, o princípio que Ele nos aplica para nos julgar. Com efeito, durante toda sua vida terrestre Ele sempre fez a vontade do Pai e jamais a sua; e Ele a fez com obediência perfeita, até ao «testemunho de sangue», até a morte na Cruz (Heb. 5, 7-10; 12, 4), sofrendo até o fim toda a atrocidade de um <em>juízo injusto</em>.</span><span id="more-26541"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>3.1. A obra da salvação se concilia com o juízo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ensinando a Nicodemos o significado do <em>homem novo</em>, que é tal só se ele se regenera espiritualmente mediante a fé Nele, com a ajuda da Graça, Nosso Senhor especifica: «Porque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu Filho unigênito, para que todo o que crê nele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou seu Filho ao mundo, para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não crê no nome do Filho unigênito de Deus. A condenação está nisto: A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más» (Jo. 3, 16-19).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os semeadores de enganos espalhados hoje entre nós isolam a noção de salvação contida no testemunho de São João, no versículo 17, para insinuar que a salvação do mundo, fim da vinda de Cristo, exclui em si todo tipo de juízo contra o próprio mundo, inclusive no juízo final e universal, cuja vinda não é negada expressamente, mas calada até fazer com que ela caia no esquecimento. Mas diante dessa falsa opinião, restabeleçamos a verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se Deus quisesse a Encarnação para condenar o mundo, então ela teria tido na prática o significado de um Juízo universal e ninguém escaparia. Em vez disso, o objetivo da Encarnação é a nossa salvação. Mas será a salvação daqueles que tiverem crido que Jesus é o Filho de Deus e que tiverem ouvido seus ensinamentos e adequado sua vida a eles, inclusive os justos que, encontrando-se fora da Igreja sem culpa de sua parte, tiverem recebido do Espírito Santo o batismo de desejo, explícito e implícito. Aquele que tiver acreditado «escapará do juízo». Devemos aí compreender que sua alma não irá para o Juízo como todas as outras? Não. No grego do Novo Testamento, o termo <em>juízo</em> (<em>krísis</em>) significa também <em>condenação</em> e portanto <em>danação,</em> e contém a ideia de juízo de condenação à danação (Zorell). É por isso que aquele que «escapar do juízo» é aquele que não morrerá em seus pecados, porquanto o juízo individual após a morte não o condenará ao inferno. Do contrário, será «julgado», ou seja, encontrado culpado e danado, aquele que não tiver acreditado e tiver rejeitado Cristo, comportando-se em conformidade a isso, ou seja, preferindo as trevas em vez da luz, as obras más em vez das boas, e essa constitui o que nós podemos considerar como a motivação do «juízo», ou seja, da condenação. Este será julgado, ou seja, <em>encontrado culpado</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deste ensinamento, compreendido corretamente segundo o magistério da Igreja, resulta então exatamente <em>o contrário</em> do que é difundido em nossos dias pelos clérigos infiéis, preocupados somente em agradar ao mundo: a salvação do mundo, que é necessariamente circunscrita àqueles que creem em Cristo, não somente não exclui mas <em>implica</em>, por via de consequência lógica, a danação de todos aqueles que tiverem <em>conscientemente recusado</em> a Cristo, preferindo suas obras más em vez do caminho da Santa Cruz, indicada por Ele. <em>Tal</em> é a vontade do Pai, como resulta claramente da Sagrada Escritura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse ensinamento deriva de maneira ainda mais clara de uma outra célebre passagem do Evangelho segundo São João. Imediatamente após a última Ceia, replicando às massas e aos chefes, que não queriam crer Nele, Jesus disse: «Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo, porque não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. O que me despreza e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que anunciei, essa o julgará no último dia. Com efeito, eu não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou, ele mesmo me prescreveu o que eu devia dizer e ensinar. Eu sei que o seu mandamento é a vida eterna. As coisas, pois, que digo, digo-as como meu Pai me disse» (Jo. 12, 47-50).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os errantes e traidores apossaram-se do versículo 47, isolando-o de seu contexto para distorcer seu sentido em favor de suas falsas doutrinas. Mas o sentido ortodoxo da passagem inteira é aquele que sempre foi ensinado pela Igreja, completamente oposto às heresias difundidas hoje. Aquele que não observa as palavras de Cristo após tê-las escutado é o pecador que despreza voluntariamente seu ensinamento. Mas ele não será julgado (por Cristo) neste mundo, assim como é verdade que é necessário deixar crescer o joio até o momento da colheita, como o diz a célebre parábola (Mt. 13, 24-30). Então quando ele será julgado? Imediatamente após sua morte, por sua alma, e o Dia do Juízo. No <em>último dia</em>, aquele do Juízo Universal, ele será julgado pela Palavra (<em>logos</em>) de Cristo. Ele será julgado <em>por essa</em> palavra que o Senhor pronuncia <em>agora</em>, por aquele ensinamento que o sujeito recusa agora. E por que o réu será julgado por essa palavra, que ficará pendurada no pescoço como uma pedra de moinho, para precipitá-lo para sempre no inferno? Porque essa palavra não vem de alguém que fala «por si mesmo» (como O caluniavam os fariseus). Essa palavra vem do Pai, e ela Lhe foi prescrita (<em>entolén dídoken</em>, mandatum dedit) pelo Pai. Ela é, portanto, a única Palavra que dá a vida eterna, sendo o mandamento do Pai a «vida eterna». A Palavra de Cristo, que vem do Pai, ensinada e escutada, constitui o fundamento do Juízo. É sobre ela que se fundarão as bases de acusação ou as absolvições. O juízo não é arbitrário. Ele se funda sobre um corpo doutrinal conhecido e arqui-conhecido, assim como sobre a infalível interpretação divina de nossas intenções e ações.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-4-o-poder-de-julgar-vem-do-pai-e-foi-transmitido-a-sao-pedro-aos-apostolos-e-aos-seus-sucessores/">(Continua&#8230;)</a></em></strong></span></p>
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		<title>CRISTO JUIZ (PARTE 2): O JUÍZO UNIVERSAL NOS ESPERA NO FIM DOS TEMPOS</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 13:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Paolo Pasqualucci]]></category>

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		<description><![CDATA[Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: Dominus Est 2. O Juízo Universal nos espera no fim dos tempos Nosso Senhor anunciou claramente que Ele será nosso juiz no fim dos tempos, quando voltará sobre a terra e &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-2-o-juizo-universal-nos-espera-no-fim-dos-tempos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/2-Cristo_Juiz.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-26547" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/2-Cristo_Juiz.jpg" alt="2-Cristo_Juiz" width="507" height="341" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2. O Juízo Universal nos espera no fim dos tempos</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor anunciou claramente que Ele será <em>nosso juiz</em> no fim dos tempos, quando voltará sobre a terra e acontecerá o Juízo Universal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai. Assim como foi nos dias de Noé, assim será também a (segunda) vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio (os homens) estavam comendo e bebendo, casando-se e casando seus filhos, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não souberam nada até que veio o dilúvio, e os levou a todos. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem num campo, um será tomado e o outro será deixado. De duas mulheres que estiverem moendo com a mó, uma será tomada e a outra será deixada. Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora virá o vosso Senhor. Sabei que, se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria, sem dúvida, e não deixaria minar a sua casa. Por isso estai vós também preparados, porque o Filho do homem virá na hora em que menos o pensardes» (Mt. 24, 36-44).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Senhor que nos virá julgar é «o Filho do homem», portanto é Jesus Cristo que ressuscitou e subiu ao céu em pessoa. O «Filho do homem» é «vosso», ou seja, nosso «Senhor». Mas contra o que e como devemos «vigiar»? Certamente não para prevenir nossa morte natural imprevista ou um acontecimento sobrenatural, que também será imprevisto, como a <em>parusia</em> de Nosso Senhor (ou seja, sua <em>Presença</em> no sentido de <em>Advento, Retorno</em> final de Cristo como Rei do universo e Juiz do gênero humano). Nós devemos «velar» e «vigiar» <em>contra nós mesmos</em> para não cair em tentação pela obra do demônio e nos encontrarmos em pecado mortal no dia do Juízo (e no dia da nossa morte, que é para nós como o dia do Juízo). Porque quem for encontrado em estado de pecado mortal nesse dia será condenado eternamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.1. O Justo Juiz separará eternamente os eleitos dos réprobos</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta verdade resulta inequivocamente também do ensinamento por meio das parábolas. O que acontecerá com o <em>servo infiel</em> que, porque o senhor tardava, começou a maltratar os subordinados e a levar uma vida boa com os bens do próprio senhor? «Virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, na hora que não sabe, e o cortará em dois e porá a sua parte entre os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes» (Mt. 24, 45-51). O senhor virá e condenará à morte o servo hipócrita, infiel e traidor, infligindo sobre ele a pena prescrita na época aos traidores: o esquartejamento. E esse servidor irá lá para onde «haverá pranto e ranger de dentes», ou seja, o inferno. A chegada <em>imprevista</em> do senhor impedirá o infame servo de se arrepender: só haverá tempo de pronunciar a sentença, imediatamente executável. A chegada imprevista do senhor simboliza nossa morte, após a qual não poderemos mais reparar nossos pecados; a terrível punição que Ele inflige, a condenação eterna nos tormentos.</span><span id="more-26540"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tampouco às <em>virgens insensatas</em> será dado tempo de se arrepender. Uma vez mantidas no exterior do salão de bodas por causa de sua insensatez, ou seja, por causa de sua vida pecaminosa e impenitente, Ele lhes dirá, quando elas baterem à porta movidas pelo desespero final: «Na verdade vos digo que não vos conheço» (Mt. 25, 12).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conceito repetido de maneira similar por Nosso Senhor, segundo o testemunho relatado por São Lucas, àqueles que lhe perguntavam qual seria <em>o número dos eleitos</em>. Ele não especifica se eles seriam muitos ou poucos em relação ao número geral de homens que viveram na terra. Mas Ele afirma com clareza que uma parte importante do gênero humano («muitos») cairiam em perdição, pois a salvação pede que se passe pela «porta estreita», que é a da santificação individual <em>quotidiana</em>, da luta contra si mesmo, do exercício contínuo das virtudes cristãs, com a ajuda indispensável da graça. «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque vos digo que muitos procurarão entrar, e não conseguirão. Quando o pai de família tiver entrado e fechado a porta, vós, estando fora, começareis a bater à porta, dizendo: “Senhor, abre-nos”, ele vos responderá: “Não sei donde vós sois”. Então começareis a dizer: “Comemos e bebemos em tua presença, tu ensinaste nas nossas praças”. Ele vos dirá: “Não sei donde sois; apartai-vos de mim vós todos os que praticais a iniquidade”. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacob, e todos os profetas no reino de Deus, e vós serdes expulsos para fora» (Lc 13, 24-28).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A sentença do justo juiz que, no dia do juízo, afirmará que não conhece ou que não sabe de onde viemos, equivale à fórmula de condenação final e definitiva a respeito daqueles que são condenados: «Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e para os seus anjos» (Mt. 24, 41).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.2. Aquele que morre em seus pecados vai para a danação eterna</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o justo Juízo do Senhor nós vemos ser aplicado também <em>nos episódios da vida de todos os dias.</em> Alguns Lhe contaram sobre uma repressão sangrenta de Pilatos contra os rebeldes galileus. E como ele respondeu?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Vós julgais que aqueles galileus eram maiores pecadores que todos os outros galileus, por terem padecido tanto? Não, eu vo-lo digo; mas, se não fizerdes penitência, todos perecereis do mesmo modo. Assim como também aqueles dezoito homens, sobre os quais caiu a torre de Siloé, e os matou, julgais que eles também foram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, eu vo-lo digo; mas, se não fizerdes penitência, todos perecereis do mesmo modo» (Lc. 13, 2-5).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na opinião comum, a desgraça que se abateu de improviso sobre os galileus rebeldes surpresos e exterminados pelos romanos, ou sobre as vítimas da torre de Siloé, poderia ser interpretada como uma punição divina por seus pecados, que deveria então se considerar como mais graves que os pecados daqueles que não tinham incorrido nesse tipo de morte acidental e imprevista. Mas não era o caso, como explicava Nosso Senhor. As vítimas em questão não eram maiores pecadores que os outros galileus ou habitantes de Jerusalém. Então por que esses homens haviam sucumbido? Porque eles não haviam feito penitência. Eles não haviam se arrependido de seus pecados, não haviam mudado sua vida: é o que significa «não fazer penitência», compreendido em sentido largo, e a morte súbita lhes havia surpreendido em estado de pecado mortal. É por isso que Nosso Senhor emprega o termo «perecer», <em>apóllumi</em> no grego do texto, que exprimia a ideia de <em>perder-se, arruinar-se</em>, em sentido forte, ético e dogmático: <em>in aeternam perniciem ruere</em> (F. Zorell S.J., <em>Lexicon graecum Novi Testamenti</em>). A punição por ausência de penitência não poderia consistir na simples morte do corpo, que chegará a todos, mas na perdição das almas daqueles que haviam sido surpreendidos de improviso pela morte de seus corpos. Eis o que queria destacar Nosso Senhor. Nessas mortes, aqueles que temem a Deus deveriam extrair o ensinamento necessário: morrer em estado de pecado mortal significava ir à condenação eterna. Seria preciso arrepender-se e converter-se ao ensinamento do Verbo encarnado, enquanto há tempo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas como Nosso Senhor poderia saber que as almas dessas vítimas não eram de maiores pecadores que as outras e, ademais, que os infelizes haviam morrido sem ter feito penitência; mortos, portanto, em seus pecados? Ele poderia sabê-lo precisamente porque era Filho de Deus, e, portanto, graças ao conhecimento das almas que Lhe fora concedido por sua natureza divina, que não havia deixado de ser divina após a Encarnação, mantendo sem interrupção o Verbo feito homem no hebreu Jesus de Nazaré todas as suas prerrogativas sobrenaturais, entre as quais aquela de julgar as almas. Portanto, é Ele mesmo, enquanto Deus, que devia ter enviado ao inferno as almas daqueles pecadores surpreendidos pela morte súbita em estado de pecado mortal!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O princípio segundo o qual <em>morrer sem ter feito penitência, ou seja, morrer em seus pecados</em>, significa ir inevitavelmente à danação eterna e está presente também no Evangelho segundo São João, quando Nosso Senhor coloca severamente <em>os Judeus</em> perante as terríveis consequências da obstinada incredulidade que tinham em relação a Ele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">«Jesus disse-lhes mais: “Eu retiro-me: vós me buscareis, e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir”» (Jo. 8, 21). E como os judeus começaram a caluniá-Lo, insinuando que essas palavras poderiam significar que Ele queria se suicidar, Ele mesmo dá essa explicação: «Ele disse-lhes: “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.  Por isso eu vos disse que morreríeis nos vossos pecados; sim, se não crerdes em quem eu sou [o Messias esperado, Filho de Deus], morrereis no vosso pecado.”» (Jo. 8, 23-24). Dito de outra maneira, vós ireis para a danação eterna se não crerdes em minha natureza divina, isto é, se não crerdes que o <strong>Eu sou</strong> (<em>egó eimí</em>) dito por Deus a Moisés na sarça ardente aplica-se a mim (Ex. 3, 14). Esta advertência era a consequência da verdade revelada anteriormente por Nosso Senhor no começo de sua pregação. «O Pai ama o Filho, e pôs todas as coisas na sua mão. O que crê no Filho, tem a vida eterna; o que, porém, não crê no Filho, não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus» (Jo. 3, 35-36). Aquele que não crê na natureza divina de Cristo e recusa seus ensinamentos «não verá a vida»; ele não verá a vida eterna, contrariamente àquele que tiver acreditado, e a ira de Deus pesará sobre ele; maneira esta de falar que exprime a noção de uma condenação que resultava na danação eterna. E isso naturalmente aplica-se a todos aqueles que, em cada época, recusaram e recusam <em>conscientemente</em> a Cristo, sejam judeus ou gentios, e não somente os judeus dos tempos de Jesus. E isso vale ainda mais hoje para nós, sobrepujados de indiferentismo, incredulidade, espírito de apostasia e de blasfêmia, e pelo ateísmo. Sem falar das más obras de todos os gêneros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.3. O Juízo final sempre será individual, como o juízo que espera cada alma após a morte do corpo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As falsas doutrinas que circulam hoje querem fazer crer que o Juízo final seria substancialmente substituído por uma salvação coletiva garantida a todos: preocupar-se com sua salvação individual seria egoísta. O inferno estaria então vazio, como se fosse algo contrário à divina misericórdia infligir uma condenação, quanto mais uma condenação <em>eterna</em>; é por isso que a divina misericórdia já teria resgatado <em>cada homem</em> pela Encarnação. Portanto, cada homem seria de fato cristão sem sabê-lo, anonimamente!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contra essas deformações perversas da Verdade revelada ensinada desde sempre pela Santa Igreja, é útil relembrar, além da Tradição da Igreja, o que diz a Sagrada Escritura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Juízo <em>final</em> é coletivo ou geral, público e portanto <em>universal </em>somente porque ele diz respeito à totalidade do gênero humano (os homens que estiverem vivos no momento da Parusia e aqueles que morreram antes, uma vez ressuscitados dos mortos, cujas almas já foram julgadas, uma por uma, no momento de suas respectivas mortes). Mas nessa totalidade cada um será julgado <em>sempre individualmente</em>. O Juízo permanece sempre <em>ad personam</em>, porque a responsabilidade das ações de cada um depende sempre do exercício de seu livre arbítrio. O Sermão da montanha pressupõe um ouvinte capaz de ser moralmente responsável por seus atos. O Juízo final e universal não é portanto diferente, para aquele que é julgado, do juízo individual ou <em>particular</em> pronunciado para todos aqueles que morreram antes da Parusia. Há somente <em>um só</em> Juízo, e ele se trata sempre do mesmo tipo de Juízo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A natureza <em>intrinsecamente individual</em> do Juízo final decorre claramente das próprias palavras de Nosso Senhor. Com efeito, o que Ele diz quando anuncia o Juízo que se seguirá imediatamente após a Parusia? «Um será tomado e o outro será deixado»; «uma será tomada e a outra será deixada» (Mt. 24, 40). Cada um será avaliado («pesado, contado e dividido») pelo que pensou, disse e fez <em>individualmente e de uma vez por todas, para sempre</em>. Um será «tomado» por Nosso Senhor consigo para a vida eterna; outro será «deixado» para o fogo da Geena; um será salvo por suas boas obras e outro será condenado por suas más obras. E não disse Nosso Senhor: «o Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai com os seus anjos, e então dará a cada um [<em>ekásto,</em> unicuique] segundo as suas obras» (Mt. 16, 27)?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa verdade também é ensinada pelas parábolas. Aquela do <em>rico epulão</em> nos mostra a alma do mendigo Lázaro «levado pelos anjos ao seio de Abraão», ou seja, ao paraíso, enquanto que a alma do rico avarento que lhe recusara até mesmo a mínima esmola, morto ele também, encontra-se «nos tormentos» que lhe causam uma sede inextinguível, eterna, num abismo que jamais poderá sair, ou seja, o inferno (Lc. 16, 19-31). Houve, portanto, um Juízo <em>individual</em> para cada um dos dois, imediatamente após a morte de cada um, baseado na maneira em que cada um havia vivido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Igualmente a parábola do <em>rico insensato</em> nos mostra um homem rico que faz projetos para o futuro, a fim de se tornar ainda mais rico. À maneira dos filhos do mundo, ele pensava somente em <em>comer, beber e gozar a vida</em>. «Ele andava discorrendo consigo: Que farei, pois, não tenho onde recolher os meus frutos? Depois disse: Farei isto: Demolirei os meus celeiros, fá-los-ei maiores, neles recolherei todas as minhas novidades e os meus bens, e direi à minha alma: Ó alma, tu tens muitos bens em depósito para largos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus disse-lhe: “Néscio, esta noite te virão demandar a tua alma; e as coisas que juntaste, para quem serão?” Assim é o que entesoura para si, e não é rico para Deus» (Lc. 12, 17-21). Aquele que «entesoura para si» pensando somente no seu bem-estar material, certo de poder viver infinitamente, não guarda nada para o dia em que Deus vier «demandar» sua alma. Aqui também o Juízo de Deus é totalmente individual, especifico, perfeitamente proporcional às nossas obras e intenções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E tão individual é o Juízo, que a condenação vem <em>graduada ad amussim </em>[à risca] conforme as faltas. «Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestidos compridos, de ser saudados nas praças, de ocupar as primeiras cadeiras nas sinagogas, e os primeiros lugares nos banquetes; que devoram as casas das viúvas, a pretexto de longas orações. Estes receberão uma condenação mais severa» (Lc. 20 46-47). Maior a culpa, maior a pena. Esse critério só pode ser aplicado a um juízo individual que considere e leve em conta a vida de cada homem e cada mulher. E, com efeito, cada um de nós deverá responder <em>pessoalmente</em> também por tudo aquilo que disse; do mesmo modo, de tudo o que se disse será julgado ou condenado: «Ora eu digo-vos que de qualquer palavra ociosa que tiverem proferido os homens, darão conta dela no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras será justificado ou condenado» (Mt. 12, 36-37).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E quem será <em>renegado</em> pelo Senhor, no dia do juízo, senão <em>aquele</em> que O tiver renegado? «Porém o que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus» (Mt. 10, 33). Ainda mais explícita é a referência ao Juízo universal, como Juízo individual em Lc. 9, 26: «Porque quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na sua majestade, e na de seu Pai e dos santos anjos». São Lucas, que escreve após São Mateus, e cujo texto ele certamente conhecia, resume a noção exposta por este e acrescenta a referência ao Juízo final, porque essa referência (implícita em São Mateus) devia resultar da reconstituição feita ulteriormente pelo próprio São Lucas das palavras e atos do Senhor, com uma análise precisa de todas as fontes (cf. Lc 1, 1-14).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a <em>recompensa</em> é também proporcional ao mérito <em>individual</em> de cada um (Mc. 4, 20, parábola do semeador), e ela é também individual. «Guardai-vos de fazer as boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles. Doutra sorte não tereis direito à recompensa do vosso Pai, que está nos céus» (Mt. 6, 1). Essa recompensa não pode ser outra senão a da vida eterna, em consequência dos méritos acumulados realizando as obras prescritas por Deus da maneira que é verdadeiramente agradável a Deus. «Quando pois dás esmola, não faças tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa» (Mt. 6, 2). E quando e de quem eles receberam suas recompensas? Eles receberam-na nesta vida dos homens, com a honra exterior que foi desejada por suas ostentações. Mas não por Deus, que ao contrário condenará sua hipocrisia e orgulho no dia do juízo. «Mas, quando dás esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo, e teu Pai, que vê (o que fazes) em segredo, te pagará» (Mt. 6, 3-4). A recompensa é de tal maneira <em>ad personam</em> que a esmola recompensada no dia do juízo é aquela feita em segredo, conhecida <em>somente</em> pelo Pai.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nas epístolas de São Paulo e dos outros Apóstolos, o juízo é nomeado muitas vezes como juízo <em>sempre individual</em>. Lembremos, por causa dos propagadores de heresias que invadem hoje os lugares públicos: «pois é necessário que todos compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que mereceu, enquanto estava no corpo [<em>propria corporis</em>, nesta vida], bem ou mal» (2Cor. 5, 10); «E, assim como está decretado que os homens morram, uma só vez, e que, depois disso, se siga o juízo, assim também Cristo se ofereceu uma só vez (em sacrifício) para apagar os pecados de muitos; a segunda vez aparecerá, não por causa do pecado, mas para salvação daqueles que o esperam» (Heb. 9, 27-28); «Se o justo a custo será salvo, o que acontecerá ao ímpio e ao pecador?» (1Pe. 4, 18); «Não vos queixeis, irmãos, uns contra os outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está à porta» (Tg. 5, 9).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No <em>Antigo Testamento</em> também, a verdade de fé do Juízo de Deus é ensinada muitas vezes: «E os céus anunciam a sua justiça,/ porquanto o próprio Deus é o juiz» (Sl. 50, 6); «Deus disse uma coisa;/ estas duas eu ouvi:/ O poder é de Deus, e tua, ó Senhor, é a graça;/ com efeito, retribuirás a cada um segundo as suas obras» (Sl. 62, 12-13); «O Senhor julgará as extremidades da terra,/ e dará o império no seu rei,/ e exaltará a cabeça do seu ungido» (1Sam. 2, 10).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>2.4. Nosso Senhor não ameaça com condenações coletivas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas Nosso Senhor não ameaçou com uma condenação <em>coletiva</em> para o dia do Juízo as cidades impenitentes? «Ai de ti, Corozain! Ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidônia tivessem sido feitos milagres que se realizaram em vós, há muito tempo que teriam feito penitência em cilício e em cinza. Por isso vos digo que haverá menor rigor para Tiro e Sidônia no dia do juízo, que para vós. E tu, Cafarnaum, elevar-te-ás porventura até ao céu? Não, hás-de ser abatida até ao inferno. Se em Sodoma tivessem sido feitos os milagres que se fizeram em ti, ainda hoje existiria. Por isso vos digo que no dia do juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma que para ti» (Mt. 11, 21-24).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A gravíssima ameaça, endereçada às cidades <em>enquanto tais</em>, era justificada pela oposição compacta que Nosso Senhor havia encontrado, ao ponto de ser obrigado a dizer que «Um profeta só deixa de ser honrado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa» e de deixá-Lo espantado com a incredulidade deles (Mc. 6, 4-5). A ameaça deve ser tomada ao pé da letra. No entanto, Nosso Senhor não diz que os habitantes dessas cidades devem se considerar já <em>todos </em>condenados por não terem acreditado em seus milagres e por não terem «feito penitência». Ele diz que, por causa de seu endurecimento, eles serão tratados com maior rigor que os habitantes de Sodoma e Gomorra, que por serem cidades integralmente dominadas pelo pecado antinatural, foram destruídas imediatamente sem aviso por Deus, que enviou uma chuva de fogo e enxofre. Mas podemos imaginar maior rigor que aquele que no dia do Juízo golpeará pecados tão graves e tão gravemente punidos já neste mundo? Evidentemente sim, palavra do Filho de Deus. Mas em todo caso, mesmo em Sodoma, Deus não salvou Loth e sua família, sendo ele o único homem justo que ali habitava? Mesmo em Sodoma, portanto, não houve condenação coletiva, indiscriminada. E se não houve em Sodoma, tampouco haverá nas cidades impenitentes, visto que a morte não é ainda a <em>condenação</em>. A morte colhe da mesma maneira, sem distinção, o justo e o injusto, enquanto que é o Juízo quem <em>distingue</em> o justo do injusto, seja imediatamente após a morte de cada um, seja no momento do Juízo universal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devemos, portanto, vencer o medo da morte, até mesmo da violenta, e temer, por outro lado, o juízo que nos espera imediatamente após. «A vós, pois, meus amigos, vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois nada mais podem fazer. Eu vou mostrar-vos a quem haveis de temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vos digo, temei este» (Lc. 12, 4-5). Bem mais que a nossa morte, nós devemos então temer o juízo que investirá sobre cada um de nós imediatamente após nosso último suspiro. É o que diz o Senhor àqueles que Lhe seguem e esperam, que Ele considera como «seus amigos»: <em>a morte não é nada para nós</em>. Não no sentido do sofisma do ateu Epicuro: «A morte não é nada para nós, porque o que dissolveu é insensível, e o que é insensível não é nada para nós». Ao contrário, a morte não é nada para nós enquanto morte, porque ela será o <em>dies natalis</em> que nos abrirá a porta da vida eterna, retirando de nós para sempre nossas misérias infinitas e as misérias do mundo, se nós seguirmos a Cristo até o fim de nossa viagem terrestre: «Sê fiel até à morte, e eu te darei a coroa da vida» (Ap. 2, 10).</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-3-o-juizo-de-nosso-senhor-e-o-juizo-de-deus/">(Continua&#8230;)</a></em></strong></span></p>
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		<title>CRISTO JUIZ (PARTE 1): UMA VERDADE DE FÉ CAÍDA NO ESQUECIMENTO</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Jan 2022 14:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Paolo Pasqualucci]]></category>

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		<description><![CDATA[Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: Dominus Est «É coisa horrenda cair nas mãos do Deus vivo» (Heb. 10, 31) 1. Uma verdade de fé caída no esquecimento A pastoral hodierna da Igreja Católica nunca lembra &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-uma-verdade-de-fe-caida-no-esquecimento-parte-16/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/1-Cristo_Juiz.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-26545" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/01/1-Cristo_Juiz.jpg" alt="1-Cristo_Juiz" width="419" height="313" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Prof. Paolo Pasqualucci (Courrier de Rome nº 387) &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><em>«É coisa horrenda cair nas mãos do Deus vivo»</em> (Heb. 10, 31)</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>1. Uma verdade de fé caída no esquecimento</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A pastoral hodierna da Igreja Católica nunca lembra aos fiéis que Nosso Senhor Jesus Cristo – segunda pessoa da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai, a Ele a honra e a glória pelos séculos dos séculos – é o <em>justo juiz</em> que decidirá infalivelmente o destino eterno da alma de <em>cada um</em>, <em>imediatamente</em> após sua morte, enviando-o para sempre para o paraíso ou para o inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta verdade fundamental da nossa fé parece completamente esquecida, assim como o princípio segundo o qual devemos todos os dias realizar em tudo a vontade de Deus para Lhe dar glória e porque seu juízo, ao qual nós deveremos «prestar contas», examina incansavelmente nossas intenções e ações (Heb. 4, 13).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A partir do roncalliano <em>Discurso</em> de abertura do Concílio Vaticano II em 11 de outubro de 1962, a pastoral da Igreja foi poluída por uma <em>nova tendência</em>, implicando um afastamento entre «misericórdia» e «doutrina». Com efeito, é João XXIII que defende a ideia extraordinária segundo a qual a Igreja não deveria mais condenar os erros, dado que os homens contemporâneos, segundo ele, mostravam-se já «inclinados a condená-los». É por isso que a Igreja preferiu «usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. [E] Julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações» (<em>AAS</em> 54, 1962, p. 792). Porventura a Igreja jamais buscou no passado demonstrar a «validez da sua doutrina» independente das condenações? Basta ler qualquer Epístola dos Apóstolos&#8230; A afirmação de Roncalli é contraditória. A condenação oficial do erro é <em>intrinsecamente obra de misericórdia</em> porque ela adverte o homem de seu erro e, contextualmente, os fiéis, dando-lhes os instrumentos necessários para se defender (R. Amerio). Deixando de condenar os erros que atentavam contra a salvação das almas, no interior e no exterior da Igreja, a Hierarquia faltou com seu dever e abriu de fato as portas do redil aos lobos. Os quais, como podemos bem ver cinquenta anos depois, devastaram-no completamente.</span><span id="more-26539"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Prosseguindo nessa ladeira, chegou-se hoje a proclamar, na práxis de uma oficiosa e anômala «pastoral líquida» que visa fazer emergir e a impor ulteriores «novidades» na esteira daquelas introduzidas pelo Concílio, que a <em>misericórdia de Cristo</em> vai além da justiça, sobretudo porque ela quer «facilitar» a fé das pessoas sem se comportar como uma «alfândega». <em>Facilitar</em> a fé, a fim de «integrar» na Igreja aqueles que se encontram nas «periferias existenciais». Linguagem obscura e ambígua, tanto sobre esse ponto quanto dos outros, peculiar ao Pontífice atual, Jorge Mario Bergoglio. Em suas declarações, ele costuma falar da «conversão» dos pecadores, mas somente de passagem, embora não podemos compreender se essa «integração» deve ocorrer unicamente por meio do arrependimento e de uma mudança de vida radical, portanto não sabemos se se trata de uma autêntica <em>conversão</em>. Raramente ouve-se um chamado claro e explícito da mensagem evangélica sobre esse ponto. Com efeito, Nosso Senhor disse de maneira claríssima que é preciso «arrepender-se» e «fazer penitência» se não quisermos ir para o inferno; que é preciso apoiar-se sobre a fé Nele e que só ela nos confere as graças necessárias para ascender à vida eterna através da «porta estreita» da santificação individual cotidiana (Mt. 4, 17; 7, 13-14; Lc. 13, 2-5). Sua Palavra não propõe nem «facilitar» e nem «integrar»: ela convida a Lhe imitar, a tomar sua cruz como Ele fez (Lc. 14, 27), obedecendo ao Pai até ao «testemunho de sangue» (Heb. 12, 2-4). Somente a graça nos abre as portas da vida eterna e esclarece nossa inteligência, que torna «doce» e «leve» o jugo da cruz (Mt. 11, 28-30). A «facilitação» desejada evoca, ao contrário, a ideia do caminho largo e cômodo, aquele que conduz à <em>perdição </em>(«Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela» (Mt. 7, 13-14).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A principal causa das trevas espirituais atuais deve ser vista na desistência da Autoridade suprema de seus deveres de Vigário de Cristo na terra, <em>in primis</em> daquele de «confirmar seus irmãos na fé» (Lc. 22, 32). Pululam erros de todos os tipos, enquanto que as verdades fundamentais da nossa fé passaram a ser silenciadas ou deformadas. O Papa Félix III, morto em 492, estava na verdade: «O erro que vós não combateis, vós o aprovais; a verdade que não defendeis, matais». E, com efeito, quem ainda crê no pecado original, cujo dogma não é mencionado há muitos anos, assim como nas verdades de fé dos novíssimos e muitas outras? Mas como crer ainda no pecado original e no inferno se se espalha a ideia absurda de que a Encarnação já teria salvado a todos, porque, como afirma (erroneamente) a constituição conciliar <em>Gaudium</em> <em>et spes</em> 22.2, Nosso Senhor «uniu-se de certo modo a cada homem»? Como poderia tal homem «divinizado» ir ao inferno? E como podemos ter fé na realidade do inferno se se deixa crer que após a morte todos irão «à casa do Pai», ao ponto de o Pontífice reinante ter dito, em uma de suas numerosas entrevistas, gracejando acerca da duração de seu pontificado: «&#8230; dois ou três anos e, logo em seguida, à casa do Pai»? Alguém vai à <em>casa do Pai</em> se se é considerado digno de entrar, sem passar pelo Juízo? Lembremos, ao contrário, o exemplo dos grandes santos, como o capuchinho Leopoldo de Padova, morto em 1942, que sempre repetia aos seus filhos espirituais que, mais que a morte, que temessem o Juízo após a morte, face a face com Nosso Senhor em toda sua suprema majestade de Juiz divino e infalível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não há mais <em>temor de Deus</em> em grande parte do clero e dos fiéis. Por causa da <em>falsa ideia dominante de misericórdia</em>, o erro, que não é condenado por aqueles que deveriam condená-lo, corrompeu a fé de uma parte importante da Hierarquia ao ponto de pressioná-la a pretender (no ensurdecedor silêncio da <em>Prima Sedes</em>) que se mudasse a doutrina da Igreja sobre o casamento, permitindo a comunhão aos divorciados recasados, e oferecendo formas de «reconhecimento» ou de «abertura» aos casais de fato, inclusive às duplas homossexuais! Mas Kasper, Marx, Forte e companhia se deram conta que eles fazem e continuam a fazer assim uma verdadeira <em>apologia do pecado</em>? É o caso de se perguntar se eles não perderam completamente o uso da razão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso então, antes de tudo, <em>repropor a doutrina autêntica da Igreja</em> sobre as verdades de fé, eliminando logo de cara a imagem falsa e adocicada de Cristo tal como é proposta hoje, como se o Cristianismo fosse uma religião do «coração», do «sentimento», da «simpatia humana», da «abertura», do «se deixar surpreender pelo Outro» ou «por Deus», o que quer que seja que isso signifique; em suma, uma religião de uma dita «solidariedade» de fundo «social» e «humanitário», que quer experimentar tudo, acolher tudo e engolir tudo, das pequenas moscas aos camelos, absolvendo todo o mundo sem se preocupar com os preceitos da divina justiça. É preciso reafirmar, ao contrário, que o Cristo misericordioso perdoa e acolhe somente aqueles que «O amam» e portanto ouvem sua palavra, arrependem-se e mudam suas vidas. É esse mesmo Senhor que julgará cada um de nós no último dia, e desde sempre julga a alma de cada um imediatamente após sua morte, no exercício de seus poderes <em>sacerdotais</em>, que compreendem também a administração da justiça (visto que Ele é «sacerdote eternamente» Heb. 7-10), e que compreendem ainda mais seus poderes <em>reais</em> de Rei dos reis e de Senhor de todo o universo (Ap. 14, 14 ss; 19, 11 ss; 20, 11 ss).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A misericórdia de Cristo é inseparável de sua justiça e não pode contradizê-la, assim como a pastoral da Igreja não pode jamais contradizer a doutrina ensinada por Cristo e seus apóstolos, o Depósito da Fé mantido ao longo dos séculos pelo Magistério.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/cristo-juiz-parte-2-o-juizo-universal-nos-espera-no-fim-dos-tempos/">(Continua&#8230;)</a></em></strong></span></p>
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