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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Davide Pagliarani</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>“QUEM É QUE RASGA A TÚNICA DE CRISTO?” – ENTREVISTA COM O SUPERIOR-GERAL DA FRATERNIDADE SÃO PIO X</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 15:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[“Quem é que rasga a túnica de Cristo?” “A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.” Fonte: FSSPX FSSPX.Actualités: Senhor Superior-Geral, o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/quem-e-que-rasga-a-tunica-de-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/entretien_don_davide_avril_2026.jpg?itok=fa41ucr_" alt="" width="606" height="350" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #000000;">“Quem é que rasga a túnica de Cristo?”</span></strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #000000;">“A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.”</span></strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/quem-e-que-rasga-tunica-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-58690">FSSPX</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">FSSPX.Actualités:<em> Senhor Superior-Geral, o anúncio feito pelo senhor, em 2 de fevereiro passado, sobre as futuras sagrações episcopais, causou uma série de reações especialmente fortes. Que acha o senhor disso?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padre David Pagliarani(<a style="color: #000000;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/quem-e-que-rasga-tunica-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-58690#footnote1_V6lNKcz0d8OqEYpyRKvOfnwZZIumcK3ES6wI9Vb3a0_v485Rmb4Un4P">1</a>): Entende-se que tenha sido assim, pois trata-se de questão muito sensível para a vida da Igreja. Além disso, os motivos dessa decisão são objetivamente graves: o que está em jogo – o bem das almas – é uma questão capital. É natural, pois, que o debate desencadeado pelo anúncio tenha tido tanta ressonância. No fundo, ninguém ficou indiferente. É este um fator objetivamente positivo, e acho que, providencialmente, corresponde a uma necessidade muito atual. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nestes últimos anos, o campo conservador e tradicionalista – no sentido mais amplo – tem por vezes dado a impressão de se reduzir a um ambiente de comentadores, onde são expressas análises, expectativas e frustrações, muitas vezes legítimas, mas que dificilmente se traduzem em posicionamentos realistas e consequentes. Entre eles, há quem ainda aguarde uma resposta da Santa Sé aos <em>dubia </em>formulados dez anos atrás por quatro cardeais – dos quais dois já faleceram – acerca de <em>Amoris lætitia</em>, ou que aguardam a eventual publicação de um novo <em>motu proprio </em>tratando da missa tridentina.</span><span id="more-34697"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste contexto, a decisão pelas sagrações a todos nos interpela. Não se trata de uma enésima declaração, mas de um gesto significativo, que obriga à reflexão, a compreender a gravidade real dos problemas atuais e a tomar uma posição concreta. Nada é mais urgente nos dias de hoje. A Fraternidade São Pio X veio a tornar-se, sem ter ido atrás disso, o instrumento de uma sacudida benfazeja – a qual tem por único autor, no fim das contas, a própria Providência. Providencialmente, foi-lhe dado o ensejo de contribuir para algo de que a Igreja certamente tem necessidade hoje mais do que nunca, para o seu bem e sua regeneração. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Por que o senhor pensa que essa sacudida é hoje especialmente necessária?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando nos pomos a falar e entramos numa discussão sem fim, muitas vezes de maneira frustrante, sobre problemas extremamente graves que dizem respeito à fé, os próprios temas que são objeto de debate ou de diálogo acabam, mais cedo ou mais tarde, por serem vistos como discutíveis, num respeito sistemático pelas ideias de outrem e pelas diferentes sensibilidades. E assim aos poucos tudo se relativiza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, o flagelo do pluralismo doutrinal, ao qual o homem moderno é naturalmente inclinado, acaba por contaminar até as almas mais sãs: vai-se passo a passo descambando para o indiferentismo. Uma anestesia lenta e inexorável faz que percamos o senso da realidade. A gente se instala numa zona de conforto, prende-se a equilíbrios e privilégios que não quer comprometer de jeito nenhum. O zelo e o espírito de sacrifício vão minguando. Há, numa palavra, o perigo de se ir acostumando com a crise e de vivenciá-la como se fosse uma situação normal. Tudo isso se dá gradualmente, sem que a gente se dê conta. Os que são responsáveis pelas almas têm, pois, o dever de analisar profundamente tais mecanismos, e de tentar impedi-los antes que se tornem irreversíveis. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, o que está em jogo hoje não é uma opinião, nem uma sensibilidade qualquer, nem uma preferência, nem uma nuance particular na interpretação de dado texto: é a fé, é a moral que todo católico deve conhecer e praticar a fim de salvar sua alma e chegar ao Paraíso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Noutras palavras, diante da Eternidade e do perigo de perder o Céu, o falar por falar, os discursos e o diálogo devem dar lugar à realidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Qual é essa realidade de que o senhor fala, e que o ato da Fraternidade pode trazer à tona?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa realidade é o fato de que, hoje mais do que nunca, é necessário reafirmar, proclamar e professar os direitos de Cristo Rei sobre as almas e as nações. É preciso ter coragem de pregar que a Igreja católica é a única arca da salvação para todo homem, sem distinção. É preciso crer na Redenção, nos sacramentos, na destruição do pecado. É preciso recordar à humanidade que a Igreja foi instituída para livrar as almas do erro, do mundo, de Satanás e do inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso não mais deixar que os que vivem habitualmente em pecado, os que até se orgulham do seu vício contrário à natureza, fiquem pensando que Deus perdoa tudo, sempre e em quaisquer circunstâncias, sem verdadeira conversão, sem contrição, sem penitência, sem a exigência de uma mudança radical. É preciso ter a simplicidade de reconhecer que a participação de um papa num ritual em honra da Pachamama, nos jardins do Vaticano, é uma loucura e escândalo para o qual não há palavras. E finalmente, e mais importante, é preciso não mais trazer enganadas as almas e a humanidade, fazendo que pensem que todas as religiões adoram um mesmo Deus, a que dão diferentes nomes. Numa palavra: é preciso parar de pedir perdão ao mundo por tentarmos convertê-lo, cristianizá-lo, e por termos por séculos a fio condenado o erro.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Num contexto trágico como este, é preciso que alguém possa dizer: “Basta!”, não apenas em palavras, mas com ações concretas. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É preciso parar de pedir perdão ao mundo por tentarmos convertê-lo, cristianizá-lo, e por termos por séculos a fio condenado o erro.” </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se, neste estado de confusão atual, a Providência dá à Fraternidade São Pio X os meios de proclamar com clareza os direitos eternos de Nosso Senhor, seria da nossa parte um pecado gravíssimo fugirmos dessa obrigação que a fé e caridade nos impõem. São essas as premissas necessárias para que se compreenda a razão por que a Fraternidade São Pio X existe, e por que se decidiu por fazer as consagrações episcopais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem essas premissas, a decisão da Fraternidade, como de resto o seu discurso, pareceriam sem sentido. A menos que reconheçamos que o que está em jogo é a própria fé, inevitavelmente a situação presente da Fraternidade só poderá ser percebida como um problema de disciplina, de rebelião, de desobediência. É o erro em que infelizmente caem os que afirmam que a Fraternidade São Pio X só quer consagrar bispos para preservar a própria autonomia. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não é disso que se trata. As futuras consagrações são um ato de fidelidade, que tem por fim preservar os meios de salvarmos as nossas almas e as dos outros. Não são a mesma coisa, a busca de uma autonomia egoísta e a preservação de uma liberdade indispensável para se professar a fé e a transmitir às almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Entre as pessoas conhecidas que se pronunciaram contra as sagrações em primeiro de julho próximo, contam-se cardeais conservadores muito críticos para com o papa Francisco, como o cardeal Gerhard Ludwig Müller ou o cardeal Robert Sarah. Como se explica, no seu entender, o modo de agir deles?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo, é preciso saber que um conservador crítico do papa Francisco poderia ter certo receio de ser comparado com a Fraternidade São Pio X e demonizado como ela. Daí pode-lhe vir a necessidade de deixar bem claro que não tem nada a ver conosco. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, mesmo deixando de lado esse aspecto da questão, o fato é que esses cardeais ou bispos padecem de um mal-estar mais profundo e tipicamente moderno: o de se ver incapaz de conciliar as exigências da fé com as do direito canônico. A fé requer de nós que façamos tudo o que for possível para professá-la, preservá-la e transmiti-la. Por outro lado, se interpretarmos o direito ao pé da letra, passando ao largo das circunstâncias atuais, uma consagração episcopal sem o aval do papa parece impossível. Que fazer então? Esses cardeais, como tantos outros, vivem numa espécie de permanente dicotomia, que encerra o risco de serem frustradas as suas boas intenções: eles colocam essas duas exigências uma ao lado da outra, à maneira cartesiana, e ficam como esmagados ou submersos na contradição aparente.   </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “O Magistério existe para ensinar a fé, não para inventá-la. O direito existe para preservá-la e assegurar as condições necessárias para a vida cristã que dela deve decorrer.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X, por sua vez, considera que esses dois postulados não devem ser, sem mais nem menos, justapostos, mas sim hierarquizados, subordinando-se um ao outro. Ora, na Igreja, a pureza da profissão da fé precede qualquer outra consideração, pois os demais elementos que compõem a vida da Igreja dependem todos da própria fé. O Magistério existe para ensinar a fé, não para inventá-la. O direito existe para preservá-la e assegurar as condições necessárias para a vida cristã que dela deve decorrer(2). Esta prioridade se deriva do fato de que Nosso Senhor mesmo, ao encarnar-se, manifesta ao mundo, antes de mais nada, a Verdade eterna; e que, enquanto Legislador, Ele aponta no Evangelho os meios de se conhecer essa mesma Verdade e de se permanecer fiel a ela. Há uma prioridade lógica entre o primeiro e o segundo elemento. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E por conseguinte, a Providência divina não instituiu a Igreja como um grupo parlamentário de ministérios justapostos e independentes uns dos outros. Pelo contrário, instituiu uma hierarquia de prioridades, com o fim específico e primeiro de preservar o depósito da fé, de confirmar os fiéis nessa fé, e de organizar todo o restante em função desta exigência prioritária e fundamental. O direito, em particular, serve a esse fim, e não para estorvar nem condenar os que queiram permanecer católicos, ou seja, os que queiram viver da fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Por que o senhor acha que esta é uma atitude tipicamente moderna?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem moderno tem muita dificuldade em organizar de maneira harmoniosa os diferentes elementos da realidade em que vive, ou do saber que os analisa. Valendo-me de um termo um tanto técnico, o homem moderno tende a classificar de maneira nominalista os elementos da realidade que o cerca, e cola sobre cada um deles etiquetas superficiais, sem fazer o esforço de examinar a fundo os problemas, e portanto sem ser capaz de apreendê-los em toda a sua complexidade, e nas suas implicações e na sua interdependência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso, no caso de que estamos tratando, vemos a aplicação da lei ser totalmente dissociada da própria realidade que a lei devia proteger. É justamente dessa dissociação entre lei e realidade, que nascem as posturas ideológicas, tipicamente modernas, tanto no domínio religioso como no civil. Tal atitude leva a duas consequências distintas e complementares. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre os que padecem dessa dicotomia e se veem confrontados com esse dilema, como é, ao que parece, o caso dos meios conservadores, ela conduz ao fatalismo e ao desânimo, porque a gente se sente como encurralada, paralisada, incapaz de agir de maneira adequada e consoante as exigências objetivas da Verdade e do Bem. O que vive constantemente nessa contradição existencial, acaba por se tornar vítima dela, e por confundir fatalismo com confiança na Divina Providência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De outro lado, entre os detentores da autoridade, ela traz o risco de uma cegueira incurável e do endurecimento do coração, consequências inevitáveis da postura ideológica: “lei é lei”, sem se levarem em conta as circunstâncias, as exigências concretas nem as boas intenções. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É por esta razão que Nosso Senhor condena tal postura nos termos mais fortes: “Jesus então disse: ‘É para vosso julgamento que vim ao mundo, para que os que veem não vejam, e os que veem se façam cegos.’ Alguns fariseus, que estavam com ele, o ouviram e lhe disseram: ‘Acaso nós somos cegos, nós também?’ Jesus lhes disse: ‘Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; agora porém dizeis: ‘Eis que nós vemos.’ E é por isso que o vosso pecado permanece.” (Jo IX, 49-41).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O Senhor acha que o ensinamento do Evangelho pode de algum modo esclarecer a situação presente?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor é o exemplo perfeito de obediência à lei de Moisés. Ele, com a Santíssima Virgem Maria, cumpriu à letra todas as prescrições legais, desde os primeiros dias da sua existência. E mantém a sua observância rigorosa até o seu último dia de vida. Na última ceia, Jesus segue à letra o rito judaico em vigor na época.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não obstante, Nosso Senhor opera milagres mesmo no dia de sábado, provocando assim a reação legalista e cega dos fariseus. Jesus, Legislador maior que o próprio Moisés, é o primeiro a respeitar a lei, e o primeiro a reconhecer a existência de um bem superior que pode dispensar da observância da letra da lei. As suas palavras, como sempre, valem mais que mil tratados: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“E aconteceu que Jesus entrou, num dia de sábado, em casa de um dos principais dos fariseus, para ali comer do pão. E eles o vigiavam. E eis que um homem hidrópico estava diante dele. E Jesus, tomando a palavra, disse aos doutores da lei e aos fariseus: ‘É permitido curar em dia de sábado?’ Eles, porém, permaneceram calados. Então, tomando o homem pela mão, curou-o e mandou-o de volta. Depois, voltando-se para eles lhes disse: ‘Quem de vós, se o seu asno ou o seu boi cai dentro dum poço, não o tira logo dali, em dia de sábado?’ E a isto nenhum deles pôde responder.” (Lc XIV, 1-6)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estas palavras divinas dispensam de comentário. A Fraternidade São Pio X adota-as sem reservas. Nós também temos de fazer todo o possível para tirar as almas do poço, ainda quando vivamos num sábado interminável. Nosso Senhor não era nem legalista, nem nominalista, nem cartesiano: era o bom Pastor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Nestes últimos meses, para além da Fraternidade, outras vozes soaram em seu apoio. Dom Atanásio Schneider, sobretudo, falou em diversas ocasiões acerca das sagrações. Como o senhor explica essa decisão dele? </em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devo confessar que esse apoio dado à Fraternidade me tocou profundamente. Muitos sacerdotes diocesanos nos têm dado testemunhos de sua gratidão e nos têm encorajado, e muitos bispos também. A todos fico agradecido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem poder nomeá-los todos aqui, gostaria de agradecer em especial a Dom Strickland, pela sua mensagem tão forte, tão clara e corajosa. E a Dom Schneider, naturalmente; este bispo deu mostras de uma grande coragem e de uma liberdade de palavra em que se nota estarmos diante de um homem de Deus, desinteressado, realmente preocupado com o bem das almas. Creio que o seu apoio, e tudo o que tem dito nestes últimos meses, entrará para a história. Estou persuadido de que isso não importa tão somente para a Fraternidade, mas ainda mais para todos os bispos do mundo. É um sinal objetivo de esperança: a sua palavra mostra que a Providência em qualquer tempo pode suscitar vozes que digam a verdade com bravura e firmeza, sem recear possíveis consequências pessoais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes dele, Dom Huonder, que passou à eternidade dois anos atrás, já nos vinha encorajando positivamente a realizar sagrações. Ele e Dom Schneider tinham ambos sido encarregados pelo Vaticano do diálogo com a Fraternidade. Ao contrário de outros interlocutores, souberam escutar e compreender. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor ainda tem esperança de se encontrar com o papa antes das sagrações?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tenho, com certeza, e é este o meu desejo mais sincero. Admira-me, no entanto, que da parte da Santa Sé não tenha havido até agora nenhuma resposta ou reação pessoal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de declarar cismática uma sociedade que conta mais de mil membros e que é uma referência para centenas de milhares de fiéis no mundo inteiro, talvez fosse bom conhecer pessoalmente aqueles a quem se quer julgar. A sanção que se prevê não atinge apenas uma instituição – que, aliás, não existe aos olhos da Santa Sé -, senão que atinge pessoas, e pessoas profundamente unidas ao papa e à Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confesso que a mim me custa entender esse silêncio, ao mesmo tempo em que tanto nos falam da necessidade de escutar o clamor dos pobres, o das periferias, e até mesmo o do planeta Terra&#8230;</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Nós também temos de fazer todo o possível para tirar as almas do poço, ainda quando vivamos num sábado interminável.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor chegou a encontrar-se com o papa Francisco. Que lembranças guarda dele?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O programa que o papa Francisco impôs à Igreja universal é bastante conhecido e foi fartamente comentado pela Fraternidade São Pio X. Parece-me que, infelizmente, a palavra “desastre” é a mais indicada para resumir a herança legada por ele. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E apesar disso, o papa Francisco soube reconhecer, lá à sua maneira, o bem que a Fraternidade São Pio X faz às almas. Dessa sua constatação foi que nasceu uma postura, ao que parece, equívoca para conosco, uma espécie de tolerância que causou surpresa aos observadores menos perspicazes, e que por vezes chegou a exacerbar os meios conservadores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitas decisões do papa Francisco causaram verdadeira tristeza em largos setores da Igreja, porém seria injusto acusá-lo de ter sido uma pessoa rígida e esquemática na avaliação das pessoas que tinham contato com ele, ou na aplicação do direito. Suas ações muitas vezes o demonstram. Talvez não passe de um detalhe, mas quando pedi para entrevistar-me com ele no Vaticano, em vinte quatro horas me foi concedida uma audiência, na qual ele se mostrou muito afável. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Nestes últimos anos, em nome de uma tolerância erigida em princípio, o Vaticano tem se mostrado muito aberto diante de certas situações complexas. Pensa o senhor que isso poderia ajudar a Fraternidade São Pio X?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A aplicação de toda lei, seja ela boa ou má, depende afinal da vontade do legislador. É a ele que cabe determinar a maneira como tratará a Fraternidade São Pio X.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém a abertura que o Vaticano tem mostrado não pode ser algo desejável por si mesmo, pois chega a ponto de justificar o absurdo, como quando abençoa casais que praticam o vício <em>contra naturam</em>, ou quando se compromete solenemente a não converter os adeptos de outras religiões, para ficar só nestes dois exemplos. Estamos diante de uma ditadura ideológica e totalitária da tolerância. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, a Tradição da Igreja, que a Fraternidade São Pio X se esforça por encarnar, é em si mesma uma condenação desses desvios, coisa intolerável para os que promovem essa espécie de tolerância. A considerarmos atentamente a situação, vemos que as sanções que a Fraternidade São Pio X sofreu ou possa vir a sofrer, não visam nenhum ato de desobediência, mas, na verdade, essa viva condenação que ela representa, só por existir, da linha eclesial seguida atualmente.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece que o papel que a Providência reservou para a Fraternidade São Pio X é este, singular, de ser um sinal de contradição, o que, concretamente, quer dizer ser um espinhozinho na sola do pé dos reformadores. E espinho que é, quanto mais o tentam espezinhar, mais fundo ele entra. Não vem dele, de resto, esse efeito terapêutico, mas dos dois mil anos de Tradição que ele encarna e representa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X pode sofrer sanções, a missa tridentina, ser proibida, porém esses dois mil anos não poderão nunca ser apagados. É esta a verdadeira razão por que, apesar das condenações passadas, a Fraternidade nunca cessou de ser uma voz a interpelar a Igreja, e é por isso, também, que não é tão simples ser tolerante com ela. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Virá o dia em que o papa se resolverá a pinçar o espinho entre os dedos, tirando-o do pé. Nesse dia, poderá usá-lo como instrumento dócil de que se sirva – e este é o nosso mais profundo desejo – para restaurar todas as coisas em Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Ouve-se dizer que as futuras sagrações poderiam causar um cisma. E há outros, ao mesmo tempo, que na Igreja afirmam que a Fraternidade São Pio X já é cismática. Como explicar tal contradição?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma contradição real e que evidencia uma jurisprudência, por parte do Vaticano, que poderíamos chamar de “fluida”. Tentemos esclarecer isso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em termos canônicos, depois de ter sido declarada cismática em 1988, a Fraternidade São Pio X nunca se viu livre dessa censura: em 2009, o papa Bento XVI levantou as excomunhões que pesavam sobre os bispos, mas sem voltar atrás na declaração de cisma feita anteriormente. Em todo esse tempo, a Fraternidade São Pio X não mudou suas posições doutrinárias e manteve exatamente o mesmo argumento para as consagrações episcopais, passadas e futuras. Noutros termos, coerente em sua persuasão da nulidade das censuras que a haviam atingido, nunca se retratou. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso os canonistas, digamos, “rigorosos”, a consideram ainda e sempre cismática. É neste sentido que é preciso entender as declarações explícitas do cardeal Raymond Burke, ex-prefeito do Tribunal supremo da Assinatura Apostólica, ou as de Monsenhor Camille Perl, ex-secretário da Comissão <em>Ecclesia Dei</em> – abolida em 2019. E é nessa mesma perspectiva que é preciso entender também a maneira como foram tratados os sacerdotes que deixavam a Fraternidade São Pio X para se integrarem às estruturas oficiais: levantavam, em favor deles, a excomunhão por cisma e a suspensão <em>a divinis</em>, e pediam-lhes que se confessassem para serem absolvidos também no foro interno.   </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Tradição da Igreja, que a Fraternidade São Pio X se esforça por encarnar, é em si mesma uma condenação desses desvios, coisa intolerável para os que promovem essa espécie de tolerância.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contra essa interpretação surge a figura do cardeal Dario Castrillón Hoyos(3), muito mais flexível, e sobretudo a do papa Francisco, que nunca tratou a Fraternidade São Pio X como cismática e que nos disse com todas as letras que jamais a condenaria. E de fato, podiam ser incluídos neste grupo o próprio cardeal Fernández e papa Leão XIV, já que, se estão tentando evitar um cisma, é porque não nos consideram cismáticos. O mesmo se pode dizer dos cardeais e bispos que estão tentando reverter nossa decisão de fazer as sagrações, para evitar um cisma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas aqui vemo-nos diante de duas interrogações: primeiro, se é esse o seu receio, não conseguimos entender de que maneira nem por que razão teríamos deixado de ser cismáticos aos olhos deles. E em segundo lugar, se a própria Santa Sé na prática não considera válida a sua declaração de cisma feita em 1988, que valor poderia ter uma segunda declaração de cisma, pronunciada pelos mesmos motivos e em circunstâncias de todo equivalentes? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fato é que, lá em 1988, o Vaticano esperava que a Fraternidade São Pio X, uma vez declarada cismática, se dissolvesse no espaço de uns poucos anos. Acontece porém que, não apenas ela não se dissolveu, senão que continuou a crescer. E sobretudo, apesar de uma declaração de cisma manifestamente injusta, continuou a ser uma obra da Igreja e a operar para bem da Igreja, sendo esta uma realidade que com tal força se impõe, que, apesar de a ter condenado em 1988, a própria Santa Sé veio a reconhecer isso na prática. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma possível causa para essas incoerências canônicas está no conceito “fluido” e modernista de “plena comunhão”, segundo o qual um mesmo sujeito pode ser considerado ao mesmo tempo como católico e não católico, membro e não membro da Igreja. Evidentemente, se alguém é “parcialmente” filho da Igreja, a lei da Igreja não pode aplicar-se a ele a não ser também parcialmente, segundo avaliações e critérios arbitrários e variáveis&#8230; </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso mostra de que maneira um erro eclesiológico conduz inevitavelmente a erros jurídicos ou, quando menos, a julgamentos confusos, incoerentes e “fluidos”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Para sustentar a acusação de cisma, afirma-se que uma sagração episcopal sempre implica, quaisquer que sejam as circunstâncias, a transmissão do poder de jurisdição ao novo bispo, o que terá por consequência inevitável, dado que não tenha havido consentimento do papa, a criação de uma hierarquia paralela. A Fraternidade São Pio X já respondeu a esta objeção(</em>4)<em>. Como, porém, se trata de uma questão muito delicada, o senhor gostaria de acrescentar algumas considerações?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este é um ponto central, sem nenhuma dúvida. De fato, a acusação se baseia num postulado modernista. Seria interessante tentarmos entender a razão por que a eclesiologia do Concílio Vaticano II ensina que um novo bispo sempre, em qualquer circunstância, recebe, junto com o poder de ordem, também o de jurisdição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tratemos de recordar, resumidamente, que o poder de ordem é a capacidade de administrar os sacramentos, ao passo que a jurisdição é o poder de governar, <em>cum Petro et sub Petro</em>, uma parcela do rebanho, em geral uma diocese. Segundo a teologia clássica, confirmada pelo direito canônico tradicional e sobretudo pela prática constante da Igreja – caberia dizer: segundo a Tradição -, o poder de governar é diretamente conferido pelo papa ao bispo, independentemente de consagração. É por isso que pode haver bispos regularmente consagrados que, no entanto, não receberam nenhuma jurisdição própria, como o são os bispos auxiliares ou os encarregados de missões diplomáticas específicas.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Fraternidade São Pio X continuou a ser uma obra da Igreja e a operar para bem da Igreja (&#8230;), a própria Santa Sé veio a reconhecer isso na prática.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas na época do Concílio, passou-se a considerar essa visão como demasiado tradicional, demasiado medieval, demasiado romana. A atuação direta e exclusiva do Vigário de Cristo na atribuição da jurisdição, reduzia os bispos mandatários a meros delegados ou representantes do papa. Por outro lado, a ideia de que cada bispo recebia imediatamente de Deus, no ato da consagração, uma jurisdição universal, permitia fazer dele, em certa medida, um igual do papa, reduzindo assim o papel do Vigário de Cristo ao de mero presidente de um <em>collegium</em>, “primeiro entre seus pares”. Esse novo postulado vinha, assim, diretamente respaldar a teoria modernista da colegialidade(5), fundamento da democratização da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma outra consequência, além desta, é que essa redefinição se presta à causa do ecumenismo. De fato, para se poder reconhecer uma certa “eclesialidade” em favor das comunidades cismáticas orientais (estas sim, realmente cismáticas) e considerá-las como “igrejas irmãs”, lançando assim uma base sólida para o diálogo ecumênico, era preciso valorizar a sua sucessão apostólica a ponto de se reconhecer em seu favor uma jurisdição real sobre os seus fiéis, apesar de sua completa separação de Roma e do papa. A sua qualidade de “Igreja” decorreria, assim, do fato de contarem com bispos não apenas validamente consagrados, mas também dotados de verdadeira autoridade sobre as almas, autoridade esta derivada da consagração em si mesma, independentemente de qualquer atuação do papa. Por esse viés se podia mais facilmente conceber a existência, nessas comunidades, de uma verdadeira hierarquia eclesiástica, no sentido pleno do termo. Sem essa prévia manipulação eclesiológica, teria sido impossível reconhecer nelas qualquer verdadeira “eclesialidade”. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não se pode ficar só lamentando os efeitos, sem remontar às verdadeiras causas.  É preciso ter a hombridade de ir um pouco além e de reconhecer que essa crise tem origem nos ensinamentos oficiais, muitas vezes ambíguos, chegando por vezes a romper claramente com a Tradição.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E é ainda a esse mesmo esforço ecumênico que se liga uma outra manipulação eclesiológica, o conceito elástico de “comunhão parcial”, a que se aludiu na questão anterior. Em termos concretos, todas as ditas “igrejas” cristãs fariam parte de uma “Superigreja”, a Igreja de Cristo, mais abrangente que a católica. Essas diversas igrejas estariam em maior ou menor medida em comunhão com a católica, a depender das lacunas na sua doutrina. Esse conceito, também ele modernista, visava valorizar uma, por assim dizer, unidade em formação com as demais “igrejas”. Mas é um engano. Com efeito, ou se está em comunhão com a Igreja católica por todos os aspectos, ou se está separado dela. Não existe meio-termo. Paradoxalmente, essa noção, que fora concebida como instrumento a serviço do diálogo ecumenista, destinando-se a justificar uma futura convergência das “igrejas” que se tinham na conta de “irmãs”, passa a ser usada também para lidar com a Fraternidade São Pio X, que por sua vez a considera uma noção absurda. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que há de especialmente lamentável no juízo negativo que se faz da Fraternidade, é o fato de essa acusação específica de cisma ou de “comunhão parcial”, fundada em postulados modernistas, colegialistas ou ecumenistas, não vir apenas da parte do Vaticano, mas também de alguns cabeças dos grupos e institutos ditos “<em>Ecclesia Dei</em>”(6). Paradoxalmente, para atacar a Fraternidade, citam e defendem os erros eclesiológicos do Concílio Vaticano II&#8230; Em vez de trazerem à tona esses erros de maneira construtiva – como, em princípio, lhes é permitido fazer -, preferem usá-los para apedrejar a Fraternidade São Pio X. Ocorre, porém, que são pedras de borracha. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>No que diz respeito à jurisdição e à autoridade na Igreja, como a Fraternidade São Pio X enxerga a possibilidade de nomear religiosas ou leigos para cargos superiores?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma questão muito pertinente, sobretudo se considerarmos que hoje em dia, um dicastério romano, o que está encarregado dos institutos de vida consagrada, em vez de ter à frente um cardeal e um bispo, respectivamente como prefeito e secretário, foi confiado a duas religiosas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não quero ser irônico, seria desagradável. Apenas gostaria de apontar que o Vaticano, à sua maneira, provou que conhece perfeitamente a diferença entre o poder de ordem e a atribuição do poder de jurisdição. Até onde eu sei, a Irmã Simona Brambilla, atual prefeita, nunca foi ordenada diácono, nem presbítero, nem bispo; nem sequer a tonsura ela recebeu&#8230; O mesmo vale para a Irmã secretária. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Mesmo fora da Fraternidade São Pio X, há hoje em dia muita gente que reconhece sinceramente a existência de uma crise na Igreja, sobretudo no que diz respeito à fé. E contudo, alguns deles criticam a Fraternidade São Pio X por se isolar numa linha de conduta própria, sem levar devidamente em conta a existência de outros diagnósticos. Ao seu ver, essa crítica tem fundamento?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acho que é precisamente nesse ponto que a Fraternidade São Pio X põe o dedo na ferida. Muitos são os que, como nós, afirmam que existe uma crise na Igreja e que essa crise afeta a fé. Até aqui estamos de acordo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não se pode ficar só lamentando os efeitos, sem remontar às verdadeiras causas. É preciso ter a hombridade de ir um pouco além e de reconhecer que essa crise tem origem nos ensinamentos oficiais, muitas vezes ambíguos, chegando por vezes a romper claramente com a Tradição. Em termos concretos, é preciso entender que a crise atual se especifica pelo modo como afeta a hierarquia da Igreja no ensinamento que ela ministra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E numa situação como essa, não é possível ter meias palavras; os erros devem ser claramente percebidos e denunciados pelos que estão em condições de o fazer. Não basta fazer de conta que não vê, nem ficar esperando que os erros desapareçam com o passar do tempo. Textos tais como <em>Amoris lætitia</em> ou <em>Fiducia supplicans</em>, por exemplo, causaram, num primeiro momento, não pouca indignação. Mas depois tudo se acalmou, cada um foi tratar de outra coisa, e hoje já poucos ainda falam no assunto. Sem embargo, as decisões e os erros contidos ali continuam em vigor; vemos que esperar até que sejam esquecidos não é uma maneira eficaz de corrigi-los.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X existe para recordar este fato aos fiéis e à hierarquia. Considera ser um dever seu, e isso não por espírito de rebelião ou de desobediência, mas como um serviço prestado à Igreja. Nesse sentido, não é justo dizer que ela se isola do resto, pois fala diante de toda a Igreja e se dirige a todos os católicos que estão perplexos, sem fazer distinção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qualquer um que olhe para essas questões sem preconceitos ideológicos, há de por força chegar a esta constatação, a saber, a de que a ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Fraternidade São Pio X permanece em perfeita comunhão com os papas da História, sem exceção, naquilo que eles têm de comum entre si: o depósito da fé, fielmente recebido, conservado e transmitido através dos séculos.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Em que sentido o ensinamento oficial da Igreja poderia conter erros?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma questão muito melindrosa e complexa, e só a Igreja poderá um dia dar uma explicação satisfatória e definitiva sobre o que aconteceu e está acontecendo ainda hoje. O fato é que nenhum erro pode ser ensinado pelo Magistério da Igreja propriamente dito. Os fatos porém saltam à vista: vemos, infelizmente, serem ensinados alguns erros graves. Mas quer se trate de textos de um Concílio que se quis não dogmático, quer se trate de simples exortações pastorais, homilias ou declarações circunstanciais, e até de diálogos com o mundo, discursos improvisados durante um voo de avião, ou de conversas com jornalistas, em todos estes casos, quando há elementos não dogmáticos e que são apresentados como tais, não estamos diante de um Magistério autêntico.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para dar um exemplo, um eminente prelado romano recentemente me explicou que a Declaração de Abu Dhabi não deve ser tida por algo que faça parte do Magistério, por se tratar de um mero texto de circunstância. Acho que um dia, com um pouco de flexibilidade e bom senso, um papa irá dizer algo de equivalente, mas em público, a respeito de toda uma série de textos problemáticos que não podem ser tidos por magisteriais no sentido técnico do termo. A Cúria romana dispõe de uma experiência e de uma fineza inigualáveis quando se trata de estabelecer distinções necessárias: tudo o que lhe falta é a vontade de o fazer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E em todo caso, um esclarecimento definitivo é algo que cabe à própria Igreja, e não à Fraternidade São Pio X. A nossa tarefa se limita a rejeitar fielmente tudo o que estiver em ruptura com a Tradição e com o Magistério constante. Ao fazer isso, a Fraternidade São Pio X permanece em perfeita comunhão com os papas da História, sem exceção, naquilo que eles têm de comum entre si: o <em>depositum fidei</em>, fielmente recebido, conservado e transmitido através dos séculos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Muitas são as áreas na vida da Igreja, como, por exemplo, na liturgia, onde é evidente que existem abusos. Por que a Fraternidade São Pio X fala sempre em erros e não em abusos?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É evidente que existem abusos que extrapolam os limites das próprias reformas. A Fraternidade São Pio X os reconhece sem pestanejar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas essa retórica constantemente a falar dos abusos, particularmente em voga durante o pontificado de Bento XVI, não basta para dar conta da crise. E acaba mesmo por criar um álibi sistemático, que impede de entrar mais fundo nos problemas. A reforma litúrgica, por exemplo, encerra dificuldades que certamente brotam dos próprios princípios em que se baseou, independentemente de eventuais abusos. As orações ecumênicas e inter-religiosas, para dar outro exemplo, são a tradução de um erro teológico, ainda quando nos abstenhamos de atos explícitos de sincretismo, na tentativa de evitar o que poderia parecer um abuso. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E principalmente, a retórica do abuso litúrgico, ou do abuso na interpretação dos textos, tende a mirar nas pessoas envolvidas – tidas por responsáveis pelos abusos, ou por incapazes de reprimi-los -, em vez de considerar os princípios errôneos que estão na raiz do desastre atual. Ora, são justamente esses princípios que devem ser denunciados.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não se trata de fazer rebelião, mas de responder a uma necessidade cruel.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confesso que eu mesmo fiquei um pouco espantado, nestes últimos anos, com a reação amarga e sistemática de certo meio conservador um tanto míope, que se voltou de modo muito pessoal contra a figura do papa Francisco, passando ao largo do Concílio e da continuidade na sua aplicação doutrinária até os dias atuais. Esse tipo de atitude é que faz com que, a cada novo papa eleito, se espere, pelo menos durante alguns meses, por uma superação da crise – sem que sejam questionados os princípios novos, como se tudo dependesse da vontade pessoal do novo pontífice, mais ou menos resolvida a condenar ou a reprimir os abusos. Trata-se de uma retórica superficial incapaz de convencer qualquer observador atento e honesto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Não lhe parece exagero dizer, como já o fez a Fraternidade São Pio X em outras ocasiões, que uma autêntica vida cristã numa paróquia comum é hoje em dia coisa impossível? O estado de “necessidade” implícito nessa afirmação é de fato tão evidente? Não seria antes um conceito “instrumental”, elaborado para justificar as sagrações de que essa instituição necessita</em>?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio está plenamente ciente de quanto há de trágico e doloroso nessa afirmação. Trata-se de uma consideração extremamente grave e que requer ser bem entendida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deixemos claro, antes de mais, que não cabe a resposta de que, apesar de todos os problemas e deficiências que lavram nas paróquias comuns, há sempre bons sacerdotes e bons fiéis que são capazes de se santificarem e de salvarem as suas almas. Mesmos nas circunstâncias mais desfavoráveis, a graça de Deus pode tocar as almas, e nós sabemos de casos assim. Além do que, para muitos deles o sofrimento real causado pela situação em que se encontram torna-se uma verdadeira fonte de santificação, que muitas vezes os leva a buscarem a Tradição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o que a Fraternidade São Pio X afirma deve ser entendido num plano objetivo, e não subjetivo. A fim de se avaliar qual seja de verdade a situação dessas paróquias, toda alma de boa vontade deveria fazer a si mesma algumas perguntas precisas, diante de Deus, em oração, e buscando uma resposta sobrenatural, ditada não por impressões positivas ou negativas, nem por nenhuma preconcepção ideológica, mas tão somente pela razão esclarecida à luz da fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A missa de Paulo VI é capaz de expressar e de alimentar inteiramente a fé católica? Transmite de maneira satisfatória o senso do sagrado, do transcendente, do sobrenatural, do divino? Esse rito permite apreender o verdadeiro sentido do sacerdócio católico?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Numa paróquia ou num centro pastoral qualquer, ou seja, lá onde se prega em conformidade com as diretrizes doutrinárias atuais, é ainda ensinada a fé católica em toda a sua inteireza? O catecismo dado às crianças é ainda católico e capaz de os formar para o resto da vida?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As questões, hoje tão delicadas e atuais, da moral conjugal, ou do acesso à Eucaristia para os que estão em situações irregulares, são abordadas em conformidade com a lei da Igreja? O sacramento da penitência é ainda ministrado com um senso real da Redenção e do pecado, da sua gravidade e das suas consequências?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, de modo mais geral, quais frutos essas reformas produziram de maneira universal na vida dos fiéis?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A todas estas perguntas, e outras semelhantes, a Fraternidade São Pio X responde de maneira clara e coerente. A seguir, partindo dessa análise, e visto que a realidade se impõe, chega à constatação de que existe um “estado de necessidade”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De modo que a afirmação da Fraternidade São Pio X resulta de um salutar realismo, e não de um<em> </em>pressuposto ideológico. O que há de trágico na constatação é apenas consequência de uma tragédia real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor não acha que, mesmo animada das melhores intenções, a Fraternidade São Pio X poderia mais uma vez ser causa de divisões nas famílias, no mundo da Tradição e na própria Igreja?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Talvez nunca antes a Igreja se viu tão dividida como agora, e não há nada de bom nisso. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, essa divisão não foi provocada pela fidelidade à Tradição, mas antes pelo afastar-se dela. A crise do Magistério, as ambiguidades, os erros, a inculturação, fazem que se queira interpretar e reinterpretar tudo, aumentam as diversas maneiras de julgar que, a longo prazo, são causa de divisões inevitáveis. Para usar uma imagem conhecida, é isto o que na verdade rasga a túnica de Cristo. A Fraternidade São Pio X, pela sua fidelidade à Tradição, não faz senão tentar ajudar a recosê-la o tempo todo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à possibilidade de todos os tradicionalistas atuarem e lutarem juntos, é algo que a Fraternidade São Pio X deseja de todo o coração. Mas isso não deve ser feito por meio de uma espécie de ecumenismo em miniatura. É algo que só pode ser feito com inteira fidelidade à Tradição integral, se quisermos que esse combate aberto seja para bem de todos, inclusive dos que não estão de acordo conosco.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A verdadeira unidade, duradoura e inquebrantável, só pode ter por alicerces a Tradição da Igreja.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, no que diz respeito a possíveis divisões no interior de uma mesma família, é preciso corajosamente ter em mente as palavras de Nosso Senhor, sem, porém, se escandalizar, sem cair na amargura, amparando os que sofrem:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não penseis que vim para trazer a paz à terra. Não vim para trazer a paz, mas a espada. Porque vim para separar o homem de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora de sua sogra. E o homem terá por inimigos os de sua própria casa. O que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E o que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim.” (Mt X, 34-37)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Agora uma questão retrospectiva. O período particular por que vem passando a Fraternidade São Pio X reaviva nos mais antigos as lembranças e as emoções de 1988. Essa data certamente marca uma guinada decisiva na obra de Dom Lefebvre. Que declaração do fundador da Fraternidade São Pio X lhe vem agora em mente como mais apropriada para o momento?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certa vez, numa conversa privada, Dom Lefebvre disse que preferia morrer a ver-se na situação de se opor ao Vaticano. Isso mostra o espírito em que preparou as consagrações de 1988. Naquela altura, tal como hoje, não se tratava de fazer rebelião, mas de responder a uma necessidade cruel. Decisão necessária e inevitável, mas tomada a contragosto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Noutra ocasião, Dom Lefebvre declarou, com serenidade e de modo profundamente sobrenatural, que se a Fraternidade São Pio X não fosse uma obra de Deus, não iria adiante e não sobreviveria a ele mesmo. Não é a nós que cabe responder se o é de fato ou não. Mas a história já começou a pronunciar-se. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>No entender do senhor, quando e por que maneira a crise da Igreja poderá ter fim, e, com ela, esse sentimento de desagregação generalizada, tanto dentro quanto fora da Igreja?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Providência só é quem conhece a resposta exata para essa pergunta. Da minha parte, acho que, depois de procurarem em vão e desesperadamente a paz e a unidade no princípio da colegialidade, no sínodo, no ecumenismo, no diálogo, na escuta, na inclusão, na conscientização ambiental, na fraternidade humana, na proclamação incessante dos direitos do homem etc., as autoridades se darão conta finalmente – e mais do que tarde – de que a verdadeira unidade, duradoura e inquebrantável, só pode ter por alicerces a Tradição da Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desse modo, depois de a crise ter manifestado todas as suas consequências, depois de a apostasia se ter generalizado ainda mais e depois de as igrejas se terem esvaziado, essas autoridades entenderão afinal que não havia que inventar coisa alguma, que bastava simplesmente serem fiéis a Cristo Rei e proclamarem, a exemplo dos primeiros mártires, os direitos inalienáveis de Cristo perante um mundo neopagão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma coisa é certa: na medida em que foi de Roma que a autodemolição da Igreja se originou, é só em Roma e por Roma que essa crise terrível terá fim. Entretanto, as sementes dessa reconstrução da Igreja estão já em ação, frutificando humildemente nas almas vivificadas pelo Espírito de Nosso Senhor. Nelas é que se vai silenciosamente preparando a vinda dos que um dia restabelecerão em todo o seu esplendor a realeza de Jesus Cristo.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É só em Roma e por Roma que essa crise terrível terá fim.” </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Decerto a crise vem durando mais tempo do que se podia imaginar. Isso se deve, na minha humilde opinião, à dificuldade intrínseca que Igreja encontra, ainda hoje, para reagir. Um corpo são consegue reagir prontamente aos agentes patógenos que o atacam. Porém, quanto mais enfraquecido está o corpo, mais difícil lhe é reagir. Da mesma maneira, a crise que nos assola foi determinada por um ataque desferido por princípios perniciosos contra princípios já enfraquecidos – enfraquecimento este que começara já desde bem antes das reformas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entretanto, como em toda provação, é preciso enxergar a ação da Providência e revestir-se de paciência. Quanto mais longa for a crise, mais Satanás correrá à solta, e portanto mais brilhante será o triunfo da Tradição. E, sobretudo, mais manifestas serão diante de todo o mundo a indefectibilidade e a divindade da Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nenhum outro tempo tanto como o de hoje, é para nos encher de alegria e esperança aquela promessa de Nosso Senhor: “As portas do inferno não prevalecerão sobre Ela” (Mt XVI, 18).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E para além disso, a certeza desse triunfo está assegurada, em primeiro lugar, por Aquela que esmaga todas as heresias: “Por fim, o meu Coração Imaculado triunfará.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Entrevista concedida em Menzingen, em 19 de abril de 2026,</strong><br />
<strong> Domingo do Bom Pastor</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1 &#8211; Pronuncia-se: “palharáni”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2 &#8211; Esta ordem funda-se na transmissão da fé, sendo uma noção consagrada do direito canônico. Citemos um autor entre muitos: “<em>Ut patet, fundamentum vitæ supernaturalis Ecclesiæ curæ et potestati concreditæ est fides”: </em>“Está claro que o fundamento dessa vida sobrenatural confiada aos cuidados e à autoridade da Igreja, é a fé”. O direito, portanto, terá de determinar de maneira orgânica tudo o que diz respeito à fé:<em> “quæ respiciunt fidei prædicationem, explicationem, susceptionem, exercitium, professionem externam, defensionem et vindicationem”:</em> “as coisas que dizem respeito à pregação, explicação, recepção, exercício, profissão externa, defesa e devido reconhecimento da fé”. <em>In </em>Gommarus Michiels, OFM, cap., <em>Normæ generales juris canonici</em>, Paris, 1949, vol. 1, p. 258.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3 &#8211; O cardeal Castrillón Hoyos afirmou várias vezes, na década de 2000, que a Fraternidade São Pio X “não está em estado de cisma”, mas numa “situação canônica irregular”, e que devia ser regularizada dentro da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4 &#8211; Carta do Rev. Pe. David Pagliarani endereçada ao cardeal Víctor Manuel Fernández, de 18 de fevereiro de 2026, anexo 2.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5 &#8211; Esta doutrina considera o colégio episcopal enquanto tal como um segundo sujeito da autoridade suprema na Igreja, ao lado do papa. Por conseguinte, a Igreja tende a transformar-se numa espécie de concílio permanente, justificando assim o poder ilimitado das conferências episcopais e a reforma sinodal atualmente em curso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6 &#8211; Destacam-se os estudos do Padre Josef Bisig, fundador da Fraternidade São Pedro, e do Padre Louis-Marie de Blignières, fundador da Fraternidade de São Vicente Ferrer.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>COMUNICADO DA CASA GERAL DA FSSPX SOBRE O ENCONTRO DO PE. PAGLIARANI E O CARDEAL FERNANDEZ</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 21:35:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: FSSPX Hoje, 12 de fevereiro de 2026, o Rev. Pe. Davi Pagliarani, Superior-Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi recebido no Palácio do Santo Ofício por Sua Eminência, o cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/comunicado-da-casa-geral-da-fsspx-sobre-o-encontro-do-pe-pagliarani-e-o-cardeal-fernandez/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><img class="" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/casa-autonoma-do-brasil/cq5dam.thumbnail.cropped.1500.8444.jpeg?itok=emdHrxDG" alt="" width="662" height="378" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/comunicado-da-casa-geral-da-fsspx-sobre-o-encontro-entre-pe-pagliarani-e-o-card-fernandez"> FSSPX</a></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Hoje, 12 de fevereiro de 2026, o Rev. Pe. Davi Pagliarani, Superior-Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi recebido no Palácio do Santo Ofício por Sua Eminência, o cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé. O encontro lhe fora proposto pelo Cardeal na sequência do anúncio público, feito no último dia 2 de fevereiro, de futuras sagrações episcopais dentro da Fraternidade São Pio X.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A conversa, de caráter privado, como era de desejo do Cardeal, durou uma hora e meia, e transcorreu numa atmosfera cordial e franca ao mesmo tempo. Deu ao Pe. Pagliarani o ensejo de ouvir atentamente o Prefeito, e de explicar o alcance do anúncio de 2 de fevereiro, bem como o sentido das gestões feitas junto à Santa Sé nestes últimos meses.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O Superior-Geral pôde assim apresentar de viva voz a situação atual da Fraternidade São Pio X e o seu dever, diante da necessidade espiritual em que se encontram as almas, de garantir a continuação do ministério de seus bispos.</span><span id="more-34296"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Sobretudo, tratou de expor o espírito de caridade com que a Fraternidade vem considerando as consagrações, bem como a vontade sincera que a anima de servir às almas e à Igreja romana.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Reafirmou, por fim, o seu desejo de que, consideradas as circunstâncias de todo particulares em que se encontra a santa Igreja, a Fraternidade possa continuar a operar em sua situação atual, excepcional e temporária, para bem das almas que a procuram.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Por sua vez, o Cardeal Fernández apresentou uma maneira diferente de tratar a questão. Transmitida em comunicado oficial rapidamente publicado pela Santa Sé, a sua posição consiste em “um percurso de diálogo especificamente teológico, com uma metodologia bem precisa, (&#8230;) Esse percurso teria como objetivo evidenciar (&#8230;) os mínimos necessários para a plena comunhão com a Igreja católica”, o que permitiria “delinear um estatuto jurídico canônico da Fraternidade”.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Esses contatos teriam o fim particular de chegar a um entendimento acerca dos “diferentes graus de adesão requeridos pelos diversos textos do Concílio Ecumênico Vaticano II e sua interpretação”. O Cardeal acrescentou oralmente que, embora fosse possível dialogar sobre o Concílio, não seria possível corrigir seus textos.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Como condição prévia para esse diálogo, exige-se que seja suspendida a decisão de realizar as consagrações episcopais anunciadas.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O Prefeito do Dicastério pediu explicitamente ao Superior-Geral que apresentasse essa proposta aos membros de seu Conselho, e que tomasse o tempo necessário para avaliá-la.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O Rev. Pe. Pagliarani dará, portanto, uma resposta dentro de alguns dias. Escreverá diretamente ao Cardeal Fernández, e informará também todos os fiéis acerca do que responder.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O Superior-Geral reiterou junto ao Cardeal Fernández seus votos de poder encontrar-se pessoalmente com o Santo Padre. Está muito tranquilo e agradece a todos pelas orações oferecidas. Segue recomendando a situação presente à oração dos fiéis.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Menzingen, 12 de fevereiro de 2026</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*****************************************</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>ACESSE NOSSO ESPECIAL SOBRE AS SAGRAÇÕES<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-do-blog-as-sagracoes-da-fsspx/"> CLICANDO AQUI</a></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE TAMBÉM NOSSO &#8220;ESPECIAL DOS ESPECIAIS&#8221; SOBRE TEMAS COMO OBEDIÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, ETC.,</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
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		<title>ENTREVISTA COM O SUPERIOR GERAL DA FSSPX &#8211; &#8220;SUPREMA LEX, SALUS ANIMARUM&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Feb 2026 09:15:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
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		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
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		<description><![CDATA[Fonte: FSSPX Nota: Após o anúncio, em 2 de fevereiro, das futuras sagrações episcopais para a FSSPX, Sua Eminência o Cardeal Fernandez, escreveu ao Superior Geral para propor um encontro em Roma. o Superior Geral aceitou a proposta. A conversa &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/entrevista-com-o-superior-geral-da-fsspx-suprema-lex-salus-animarum/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="tm7" style="text-align: right;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/02/Interview-Superior-General-Screenshot03_retouchee.jpg" alt="" width="555" height="324" /></p>
<p class="tm7" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-suprema-lex-salus-animarum-57070">FSSPX</a></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Nota: Após o anúncio, em 2 de fevereiro, das futuras sagrações episcopais para a FSSPX, Sua Eminência o Cardeal Fernandez, escreveu ao Superior Geral para propor um encontro em Roma. o Superior Geral aceitou a proposta. A conversa terá lugar na quinta feira, 12 de fevereiro. Convidamos os membros e fiéis da Fraternidade a oferecerem suas orações pelo bom desenvolvimento deste encontro.</strong></span></p>
<blockquote>
<p class="tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“‘A lei suprema é a salvação das almas.’ É deste princípio superior que depende, em última instância, toda a legitimidade do nosso apostolado.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Par_grafodalista tm14" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">1. </span></em><span class="tm17">FSSPX.News: </span><em><span class="tm15">Senhor Superior-Geral, o senhor acaba de anunciar publicamente a sua intenção de realizar as sagrações episcopais para a Fraternidade São Pio X no próximo dia 1° de julho. Por que fazer esse anúncio hoje, 2 de fevereiro?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Padre Davi Pagliarani: A festa da Purificação da Santíssima Virgem é muito significativa dentro da Fraternidade. É o dia em que os candidatos ao sacerdócio vestem a batina. A Apresentação de Nosso Senhor no Templo, que hoje celebramos, lembra aos candidatos que a chave da sua formação e da sua preparação</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">as</span> <span class="tm19">ordens</span> <span class="tm19">está</span> <span class="tm19">no</span> <span class="tm19">dom</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">si</span> <span class="tm19">mesmo,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">passa</span> <span class="tm19">pelas</span> <span class="tm19">mãos</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">Maria.</span> <span class="tm19">Trata-se</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">festa mariana</span> <span class="tm19">de extrema importância,</span> <span class="tm19">pois,</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">anunciar uma espada de dor a Nossa Senhora,</span> <span class="tm19">Simeão</span> <span class="tm19">manifesta claramente o papel que ela tem de corredentora ao lado de seu divino Filho. Vemo-la associar-se a Nosso Senhor desde o início da sua vida terrena até a consumação do seu sacrifício no Calvário. Assim também, Nossa</span> <span class="tm19">Senhora</span> <span class="tm19">acompanha</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">futuro</span> <span class="tm19">sacerdote</span> <span class="tm19">durante</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">formação</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">longo</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">toda</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">vida:</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">ela</span> <span class="tm19">quem continua a formar Nosso Senhor em sua alma.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm21" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">2. </span><span class="tm17">Esse anúncio vinha sendo objeto de vários rumores nos últimos meses, especialmente desde o falecimento</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">Dom</span> <span class="tm17">Tissier</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">Mallerais,</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">outubro</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">2024.</span> <span class="tm17">Por</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">esperou</span> <span class="tm17">até</span> <span class="tm17">agora?</span></em></span></strong><span id="more-34264"></span></p>
<p class="Corpodetexto tm23" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Assim como Dom Lefebvre em seu tempo, a Fraternidade tem sempre o cuidado de não se antecipar à Providência, mas segui-la, deixando-se guiar pelos seus sinais. Uma decisão tão importante não pode ser tomada levianamente, nem com precipitação.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm24" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Em</span> <span class="tm19">particular,</span> <span class="tm19">visto tratar-se</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">questão</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">evidentemente</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">interesse</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">autoridade</span> <span class="tm19">suprema</span> <span class="tm19">da Igreja, era necessário antes fazer gestões junto à Santa Sé – coisa que nós fizemos – e aguardar um prazo razoável para que pudessem nos responder. Não é uma decisão que poderíamos tomar sem manifestar concretamente o nosso reconhecimento da autoridade do Santo Padre.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm25" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">3. </span><span class="tm17">Na</span> <span class="tm17">sua homilia,</span> <span class="tm17">o senhor disse</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">tinha de</span> <span class="tm17">fato escrito ao Papa. Poderia contar-nos</span> <span class="tm17">mais</span> <span class="tm17">acerca </span><span class="tm22">disso?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">No verão passado, escrevi ao Santo Padre para lhe pedir uma audiência. Não tendo recebido resposta, escrevi-lhe uma nova carta alguns meses mais tarde, de maneira simples e filial, sem lhe esconder nada</span> <span class="tm19">das nossas necessidades. Mencionei nossas divergências doutrinais, mas também o nosso desejo sincero de servir incansavelmente a Igreja católica, pois somos servidores da Igreja, apesar do nosso estatuto canônico não reconhecido.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm29" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Em decorrência desta segunda carta, chegou-nos, há alguns dias, uma resposta de Roma, da parte do Cardeal</span> <span class="tm19">Fernández.</span> <span class="tm19">Infelizmente,</span> <span class="tm19">ela</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">leva</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">modo</span> <span class="tm19">algum</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">consideração</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">proposta</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">formulamos, nem propõe nada que responda às nossas solicitações.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Esta proposta, tendo em conta as circunstâncias de todo particulares em que se encontra a Fraternidade, consiste concretamente em pedir que a Santa Sé aceite deixar-nos continuar temporariamente em nossa situação de exceção, para bem das almas que recorrem a nós. Prometemos ao Papa envidar todos os esforços para preservar a Tradição e fazer dos nossos fiéis verdadeiros filhos da Igreja. Parece-me que tal proposta</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">mesmo</span> <span class="tm19">tempo realista e</span> <span class="tm19">razoável,</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">poderia,</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">si</span> <span class="tm19">mesma,</span> <span class="tm19">receber</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">aprovação</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">Santo </span><span class="tm20">Padre.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm30" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">4. </span><span class="tm17">Mas</span> <span class="tm17">nesse</span> <span class="tm17">caso,</span> <span class="tm17">se</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">ainda</span> <span class="tm17">não</span> <span class="tm17">recebeu</span> <span class="tm17">essa</span> <span class="tm17">aprovação,</span> <span class="tm17">por</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">razão</span> <span class="tm17">considera</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">deve, mesmo assim, realizar as consagrações episcopais?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm23" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Trata-se de um expediente extremo, proporcional a uma necessidade real e igualmente extrema. É certo que</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">simples</span> <span class="tm19">existência</span> <span class="tm19">de uma</span> <span class="tm19">necessidade para</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">bem</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">significa</span> <span class="tm19">que,</span> <span class="tm19">para responder</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">ela, </span><span class="tm20">toda</span> <span class="tm20">e</span> <span class="tm20">qualquer</span> <span class="tm20">iniciativa</span> <span class="tm20">esteja</span> <span class="tm20">automaticamente justificada.</span> <span class="tm20">Mas</span> <span class="tm20">no</span> <span class="tm20">nosso</span> <span class="tm20">caso,</span> <span class="tm20">depois</span> <span class="tm20">de</span> <span class="tm20">um longo</span> <span class="tm20">período </span><span class="tm19">de</span> <span class="tm19">espera,</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">observação</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">oração,</span> <span class="tm19">parece-nos</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">podemos</span> <span class="tm19">hoje</span> <span class="tm19">afirmar</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">estado</span> <span class="tm19">objetivo</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">grave necessidade em que se encontram as almas, a Fraternidade e a Igreja, exige uma decisão dessa ordem.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Com o legado que nos foi deixado pelo Papa Francisco, as razões de fundo que já haviam justificado as sagrações de 1988 subsistem plenamente e parecem mesmo, sob muitos aspectos, ter ganhado uma nova premência. O Concílio Vaticano II mais do que nunca segue sendo a bússola que orienta os homens da Igreja, e estes, ao que parece, não irão mudar de rumo no futuro próximo. As principais diretrizes que</span> <span class="tm19">já</span> <span class="tm19">se delineiam para o novo pontificado, em particular por meio do último consistório, só fazem confirmar isso: percebe-se nelas uma determinação explícita de conservar a linha de Francisco como um caminho irreversível para toda a Igreja.</span></span></p>
<blockquote>
<p class="tm33" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“Prometemos</span> <span class="tm9">ao</span> <span class="tm9">Papa</span> <span class="tm9">envidar</span> <span class="tm9">todos</span> <span class="tm9">os</span> <span class="tm9">esforços</span> <span class="tm9">para</span> <span class="tm9">preservar</span> <span class="tm9">a</span> <span class="tm9">Tradição e fazer dos nossos fiéis verdadeiros filhos da Igreja.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Corpodetexto tm35" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">É algo triste de constatar, mas é um fato: numa paróquia comum, os fiéis já não encontram os meios necessários para assegurar a sua salvação eterna. Isso diz respeito, em particular, à pregação integral da verdade e da moral católicas, bem como à administração dos sacramentos tal como a Igreja desde sempre o tem feito. Temos aí um resumo do que é o estado de necessidade. E nesse contexto crítico, os nossos bispos estão envelhecendo, e com o crescimento contínuo do apostolado, já não são suficientes para responder às demandas dos fiéis no mundo inteiro.</span></p>
<p class="Par_grafodalista tm36" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">5. </span><span class="tm17">Em que sentido o senhor considera que o consistório do mês passado confirma a direção tomada pelo Papa Francisco?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm18" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Naquela ocasião, o cardeal Fernández, em nome do papa Leão, convidou a Igreja a retornar à intuição fundamental de Francisco, expressa em </span><em><span class="tm11">Evangelii gaudium</span></em><span class="tm19">, sua encíclica-chave: trata-se, de um modo geral,</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">reduzir</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">anúncio</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">Evangelho</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">expressão</span> <span class="tm19">primitiva</span> <span class="tm19">essencial,</span> <span class="tm19">valendo-se</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">fórmulas</span> <span class="tm19">muito concisas e impactantes – o </span><em><span class="tm11">“querigma” </span></em><span class="tm19">–, tendo em vista uma “experiência”, um encontro imediato com Cristo, deixando de lado todo o resto, por mais precioso que seja – em termos concretos, o conjunto dos elementos da Tradição, tidos por acessórios e secundários. É esse método de nova evangelização que produziu o vazio doutrinal característico do pontificado de Francisco, fortemente sentido por todo um setor da Igreja.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm23" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É evidente que, numa perspectiva como essa, é sempre necessário preocupar-se em oferecer respostas novas e adequadas às questões que vão surgindo: essa tarefa, porém, deve ser realizada por meio da reforma</span> <span class="tm19">sinodal,</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">pela</span> <span class="tm19">redescoberta</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">respostas</span> <span class="tm19">clássicas</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">sempre</span> <span class="tm19">válidas</span> <span class="tm19">fornecidas</span> <span class="tm19">pela</span> <span class="tm19">Tradição da</span> <span class="tm19">Igreja.</span> <span class="tm19">Foi</span> <span class="tm19">assim,</span> <span class="tm19">no</span> <span class="tm19">“sopro</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">Espírito”</span> <span class="tm19">dessa</span> <span class="tm19">reforma</span> <span class="tm19">sinodal,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">Francisco</span> <span class="tm19">conseguiu</span> <span class="tm19">impor</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">toda a Igreja decisões catastróficas, como a que autoriza a comunhão dos divorciados que se casaram de novo ou a bênção de casais do mesmo sexo.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm37" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Em síntese: de um lado, pelo </span><em><span class="tm11">“querigma”</span></em><span class="tm19">, isola-se o anúncio do Evangelho de todo o </span><em><span class="tm11">corpus</span> </em><span class="tm19">da doutrina e da moral tradicionais; de outro, pela sinodalidade, substituem-se as respostas tradicionais por decisões aleatórias,</span> <span class="tm19">frequentemente</span> <span class="tm19">absurdas</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">doutrinalmente</span> <span class="tm19">injustificáveis.</span> <span class="tm19">O</span> <span class="tm19">próprio</span> <span class="tm19">Cardeal</span> <span class="tm19">Zen</span> <span class="tm19">considera</span> <span class="tm19">esse método</span> <span class="tm19">manipulador</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">julga</span> <span class="tm19">blasfemo</span> <span class="tm19">atribuí-lo</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">Espírito</span> <span class="tm19">Santo.</span> <span class="tm19">E</span> <span class="tm19">receio</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">infelizmente</span> <span class="tm19">ele</span> <span class="tm19">tenha</span> <span class="tm19">razão.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm38" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">6. </span><span class="tm17">O</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">fala</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">servir</span> <span class="tm17">à</span> <span class="tm17">Igreja,</span> <span class="tm17">mas,</span> <span class="tm17">na</span> <span class="tm17">prática,</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">Fraternidade</span> <span class="tm17">pode</span> <span class="tm17">dar</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">impressão</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">desafiar a Igreja, sobretudo no caso de sagrações episcopais. Como o senhor explica isso ao Papa?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Servimos à Igreja, antes de tudo, servindo às almas. Trata-se de um fato objetivo, independentemente de qualquer outra consideração. A Igreja, em sua essência, existe para as almas: tem por finalidade sua santificação e salvação. Todos os belos discursos, os mais diversos debates, os grandes temas sobre os quais se discute ou se poderia discutir, não têm sentido nenhum se não tiverem como objetivo a salvação das almas. É importante lembrar isso, pois hoje existe o perigo de a Igreja ocupar-se de tudo e de nada ao mesmo tempo. A preocupação ecológica, por</span> <span class="tm19">exemplo, ou a defesa dos direitos das</span> <span class="tm19">minorias, das</span> <span class="tm19">mulheres ou dos imigrantes, trazem o risco de nos fazer perder de vista a missão essencial da Igreja. Se a Fraternidade São Pio X luta por manter a Tradição, com tudo o que isso acarreta, é unicamente porque esses tesouros são indispensáveis para a salvação das almas, e porque nada mais busca além disto: o bem das almas e o do sacerdócio ordenado à sua santificação.</span></span></p>
<blockquote>
<p class="tm39" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“Numa paróquia comum, os fiéis já não encontram os meios necessários para assegurar a sua salvação eterna. </span></span><span style="color: #000000;"><span class="tm42">Temos</span> <span class="tm42">aí um resumo</span> <span class="tm42">do que</span> <span class="tm42">é</span> <span class="tm42">o estado de </span><span class="tm43">necessidade.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Corpodetexto tm35" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Ao agir assim, pomos a serviço da própria Igreja aquilo que nós mantemos. Oferecemos à Igreja não um museu de coisas antigas e empoeiradas, mas a Tradição em sua plenitude e fecundidade; a Tradição que santifica as almas, que as transforma, que suscita vocações e famílias autenticamente católicas. Noutras palavras, é para o próprio Papa, enquanto tal, que mantemos esse tesouro, até o dia em que o seu valor</span> <span class="tm19">seja novamente compreendido</span> <span class="tm19">e o</span> <span class="tm19">Papa</span> <span class="tm19">queira usar desse</span> <span class="tm19">tesouro para</span> <span class="tm19">o bem</span> <span class="tm19">de toda</span> <span class="tm19">a Igreja.</span> <span class="tm19">Pois é</span> <span class="tm19">a Ela que pertence a Tradição.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm14" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">7. </span><span class="tm17">O senhor fala do bem das almas, mas a Fraternidade não tem missão sobre as almas. Pelo contrário, foi canonicamente suprimida há mais de cinquenta anos. Com base em quê se pode justificar uma missão da Fraternidade junto às almas?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Trata-se simplesmente de uma questão de caridade. Não queremos atribuir-nos uma missão que não temos. Mas,</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">mesmo tempo,</span> <span class="tm19">não podemos</span> <span class="tm19">ficar</span> <span class="tm19">de braços</span> <span class="tm19">cruzados</span> <span class="tm19">diante da aflição</span> <span class="tm19">espiritual</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas que estão, cada vez mais, perplexas, desorientadas e perdidas. Elas clamam por socorro. E, depois de</span> <span class="tm19">terem procurado por muito tempo, é natural que seja nas riquezas da Tradição da Igreja integralmente vivida onde irão encontrar, com profunda alegria, a luz e o consolo. Em relação a essas almas, temos uma verdadeira responsabilidade, ainda que não tenhamos nenhuma missão oficial: se alguém vê na rua uma pessoa em perigo, tem o dever</span> <span class="tm19">de lhe prestar socorro de acordo com as suas possibilidades,</span> <span class="tm19">ainda que não seja bombeiro nem policial.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Dessa forma, o</span> <span class="tm19">número de almas</span> <span class="tm19">que nos têm procurado vem crescendo sem parar com o</span> <span class="tm19">passar</span> <span class="tm19">dos</span> <span class="tm19">anos, e inclusive aumentou consideravelmente na última década. Ignorar as suas necessidades e abandoná-las seria o mesmo que traí-las e, assim, trair a própria Igreja, pois, não custa repetir: a Igreja existe para as almas e não para alimentar discursos vãos e fúteis.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Essa caridade é um dever que preside a todos os demais. É o próprio direito da Igreja que prescreve que seja</span> <span class="tm19">assim.</span> <span class="tm19">No</span> <span class="tm19">espírito</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">direito</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Igreja,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">expressão</span> <span class="tm19">jurídica</span> <span class="tm19">dessa</span> <span class="tm19">caridade,</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">bem</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">vem antes de tudo. Representa verdadeiramente a lei das leis, à qual todas as demais estão subordinadas e contra a qual nenhuma lei eclesiástica pode prevalecer. O axioma </span><em><span class="tm11">suprema lex, salus animarum </span></em><span class="tm19">– a salvação</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">lei</span> <span class="tm19">suprema</span> <span class="tm19">–</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">máxima</span> <span class="tm19">clássica</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">tradição</span> <span class="tm19">canônica,</span> <span class="tm19">retomada</span> <span class="tm19">explicitamente pelo cânon final do Código de 1983; no atual estado de necessidade, é desse princípio superior que depende, em última instância, toda a legitimidade do nosso apostolado e da nossa missão junto às almas que vêm nos procurar. Trata-se, para nós, de um papel de suplência, em nome dessa mesma caridade.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm44" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">8. </span><span class="tm17">O</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">está</span> <span class="tm17">ciente</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">que,</span> <span class="tm17">ao</span> <span class="tm17">considerar</span> <span class="tm17">novas</span> <span class="tm17">sagrações</span> <span class="tm17">episcopais,</span> <span class="tm17">poderia</span> <span class="tm17">colocar</span> <span class="tm17">os</span> <span class="tm17">fiéis</span> <span class="tm17">que recorrem</span> <span class="tm17">à</span> <span class="tm17">Fraternidade</span> <span class="tm17">diante</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">um</span> <span class="tm17">dilema:</span> <span class="tm17">ou</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">escolha</span> <span class="tm17">da</span> <span class="tm17">Tradição</span> <span class="tm17">integral,</span> <span class="tm17">com</span> <span class="tm17">tudo</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">que isso implica, ou a “plena” comunhão com a hierarquia da Igreja?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Esse dilema é,</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">realidade,</span> <span class="tm19">apenas aparente.</span> <span class="tm19">É evidente que</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">católico</span> <span class="tm19">deve manter, ao</span> <span class="tm19">mesmo</span> <span class="tm19">tempo,</span> <span class="tm19">a Tradição integral e a comunhão com a hierarquia. Não pode escolher entre esses bens, que são ambos </span><span class="tm20">necessários.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm45" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Porém o que com demasiada frequência se esquece é que a comunhão está fundada essencialmente na fé católica, com tudo o que isso implica: a começar por uma verdadeira vida sacramental e pelo exercício de um governo que prega essa mesma fé e faz com que ela seja posta em prática, usando de sua autoridade não de modo arbitrário, mas realmente em vista do bem espiritual das almas que lhe foram confiadas.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm45" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É justamente para garantir esses fundamentos, essas condições necessárias à própria existência da comunhão</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">Igreja,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Fraternidade</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">pode</span> <span class="tm19">aceitar</span> <span class="tm19">aquilo</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">se</span> <span class="tm19">opõe</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">essa</span> <span class="tm19">comunhão</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">desvirtua, ainda quando, paradoxalmente, isso vem daqueles mesmos que exercem a autoridade na Igreja.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm46" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">9. </span><span class="tm17">Poderia</span> <span class="tm17">dar-nos</span> <span class="tm17">um</span> <span class="tm17">exemplo</span> <span class="tm17">concreto</span> <span class="tm17">daquilo</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">Fraternidade</span> <span class="tm17">não</span> <span class="tm17">pode</span> <span class="tm22">aceitar?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm47" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">O</span> <span class="tm19">primeiro</span> <span class="tm19">exemplo</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">me vem</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">mente</span> <span class="tm19">remonta</span> <span class="tm19">ao</span> <span class="tm19">ano</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">2019,</span> <span class="tm19">quando</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">Papa</span> <span class="tm19">Francisco,</span> <span class="tm19">por</span> <span class="tm19">ocasião da sua visita à península arábica, assinou junto com um imã a famosa declaração de Abu Dhabi. Nela ele afirmava, juntamente com o chefe muçulmano, que a pluralidade das religiões como tal era algo desejado pela Sabedoria divina.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É evidente que uma comunhão que se fundasse na aceitação de tal afirmação, ou que a incluísse, simplesmente</span> <span class="tm19">não seria</span> <span class="tm19">católica,</span> <span class="tm19">pois</span> <span class="tm19">implicaria</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">pecado</span> <span class="tm19">contra</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">primeiro</span> <span class="tm19">mandamento</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">negação</span> <span class="tm19">do primeiro artigo do Credo. Considero que uma afirmação como aquela é mais do que um simples erro. É algo</span> <span class="tm19">simplesmente</span> <span class="tm19">inconcebível.</span> <span class="tm19">Não</span> <span class="tm19">pode</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">fundamento</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">comunhão</span> <span class="tm19">católica,</span> <span class="tm19">mas</span> <span class="tm19">antes</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">causa da</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">dissolução.</span> <span class="tm19">Creio</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">católico</span> <span class="tm19">deveria</span> <span class="tm19">preferir</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">martírio</span> <span class="tm19">antes</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">aceitar</span> <span class="tm19">semelhante</span> <span class="tm19">afirmação.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm14" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">10. </span><span class="tm17">Em todo o mundo, a percepção dos erros denunciados desde há muito tempo pela Fraternidade vem crescendo, especialmente na internet. Não seria conveniente deixar que esse movimento se desenvolvesse, confiando na Providência, em vez de intervir por meio de um gesto público tão impactante como o são as sagrações episcopais?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Trata-se</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">movimento</span> <span class="tm19">certamente</span> <span class="tm19">positivo,</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">podemos</span> <span class="tm19">deixar</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">nos</span> <span class="tm19">alegrar</span> <span class="tm19">por</span> <span class="tm19">ele.</span> <span class="tm19">Decerto</span> <span class="tm19">vem ilustrar a legitimidade daquilo que a Fraternidade defende, e cabe encorajar essa difusão da verdade por todos</span> <span class="tm19">os</span> <span class="tm19">meios disponíveis. Dito isso, trata-se de um movimento que tem limites, pois</span> <span class="tm19">o combate da fé não pode restringir-se nem esgotar-se em discussões e posicionamentos que têm por arena a internet ou as redes sociais.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É claro que a santificação de uma alma depende de uma profissão de fé autêntica, mas esta deve levar afinal a uma verdadeira vida cristã. Ora, no domingo as almas não precisam consultar uma plataforma da internet; precisam de um sacerdote que as confesse e instrua, que celebre para elas a Santa Missa, que as santifique verdadeiramente e as conduza a Deus. As almas precisam de sacerdotes. E, para que haja sacerdotes, é preciso haver bispos, e não “</span><em><span class="tm11">influencers</span></em><span class="tm19">”. Noutras palavras, é preciso voltar à realidade, isto é, à realidade das almas e das suas necessidades objetivas concretas. As sagrações episcopais não têm outra</span> <span class="tm19">finalidade</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">esta:</span> <span class="tm19">garantir,</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">os</span> <span class="tm19">fiéis</span> <span class="tm19">ligados</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">Tradição,</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">administração</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">sacramento</span> <span class="tm19">da Confirmação, da Ordem e de tudo o que deles decorre.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm48" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">11. </span><span class="tm17">O senhor não teme que, apesar das suas boas intenções, a Fraternidade possa, de algum modo, acabar por se achar a Igreja, ou atribuir-se um papel insubstituível?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">De</span> <span class="tm19">modo</span> <span class="tm19">algum</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Fraternidade</span> <span class="tm19">deseja</span> <span class="tm19">colocar-se</span> <span class="tm19">no</span> <span class="tm19">lugar</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Igreja</span> <span class="tm19">ou</span> <span class="tm19">assumir</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">missão</span> <span class="tm19">dela;</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">contrário, conserva uma profunda consciência de existir unicamente para servi-la, apoiando-se exclusivamente naquilo que a própria Igreja sempre e universalmente pregou, acreditou e realizou.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm45" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">A Fraternidade, além disso, tem plena consciência de que não é ela que salva a Igreja, pois somente Nosso Senhor guarda e salva a sua Esposa – Ele que nunca deixa de velar por ela.</span></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm27" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">A Fraternidade é tão somente, em circunstâncias que não foram escolhidas por ela, um meio privilegiado para se permanecer fiel à Igreja. Atenta à missão da sua Mãe, que durante vinte séculos alimentou os seus </span><span style="color: #000000;"><span class="tm19">filhos pela doutrina e pelos sacramentos, a Fraternidade consagra-se filialmente à preservação e à defesa da Tradição integral, usando de uma liberdade sem paralelo,</span> <span class="tm19">a fim de poder permanecer fiel a esse legado. Segundo a expressão de Dom Lefebvre, a Fraternidade é somente uma obra “da Igreja católica, que continua a transmitir a doutrina”; o seu papel</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">como o de</span> <span class="tm19">um “carteiro que leva uma carta”.</span> <span class="tm19">E o seu maior desejo é que todos os pastores católicos se juntem a ela no cumprimento desse dever.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm49" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><strong><span class="tm16">12. </span><span class="tm17">Voltemos</span> <span class="tm17">ao</span> <span class="tm17">Papa.</span> <span class="tm17">O</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">considera</span> <span class="tm17">realista</span> <span class="tm17">pensar</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">Santo</span> <span class="tm17">Padre</span> <span class="tm17">possa</span> <span class="tm17">aceitar,</span> <span class="tm17">ou</span> </strong><span class="tm17"><strong>sequer tolerar, que a Fraternidade consagre bispos sem mandato pontifício</strong>?</span></em></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">O</span> <span class="tm19">Papa</span> <span class="tm19">é,</span> <span class="tm19">antes</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">tudo,</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">pai.</span> <span class="tm19">Como</span> <span class="tm19">tal,</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">capaz</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">discernir</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">intenção</span> <span class="tm19">reta,</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">vontade</span> <span class="tm19">sincera de servir a Igreja e, sobretudo, um verdadeiro caso de consciência numa situação excepcional. Esses elementos são objetivos, como todos os que conhecem a Fraternidade podem reconhecer, mesmo sem necessariamente partilhar das suas posições.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm49" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">13. </span><span class="tm17">Isso</span> <span class="tm17">é</span> <span class="tm17">compreensível</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">teoria.</span> <span class="tm17">Mas</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">pensa</span> <span class="tm17">que,</span> <span class="tm17">concretamente,</span> <span class="tm17">Roma</span> <span class="tm17">possa</span> <span class="tm17">tolerar</span> <span class="tm17">uma decisão desse tipo por parte da Fraternidade?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">O futuro permanece nas mãos do Santo Padre e, evidentemente, nas da Providência. No entanto, é preciso reconhecer que a Santa Sé é por vezes capaz de dar mostras de um certo pragmatismo, e mesmo de uma flexibilidade surpreendente, quando está convencida de agir para o bem das almas.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm50" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Tomemos o caso muito atual das relações com o governo chinês. Apesar de um verdadeiro cisma da Igreja patriótica chinesa; apesar de uma perseguição ininterrupta contra a Igreja do Silêncio, fiel a Roma; apesar de acordos repetidamente renovados e em seguida violados pelo governo chinês: apesar de tudo isso, em 2023 o Papa Francisco aprovou </span><em><span class="tm11">a posteriori </span></em><span class="tm19">a nomeação do bispo de Xangai pelas autoridades chinesas. Mais recentemente, o Papa Leão XIV acabou aceitando </span><em><span class="tm11">a posteriori </span></em><span class="tm19">a nomeação do bispo de Xinxiang, designado</span> <span class="tm19">do</span> <span class="tm19">mesmo</span> <span class="tm19">modo</span> <span class="tm19">durante</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">vacância</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Sé</span> <span class="tm19">Apostólica,</span> <span class="tm19">enquanto</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">bispo</span> <span class="tm19">fiel</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Roma,</span> <span class="tm19">várias</span> <span class="tm19">vezes encarcerado,</span> <span class="tm19">ainda</span> <span class="tm19">estava</span> <span class="tm19">encarregado</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">diocese.</span> <span class="tm19">Em</span> <span class="tm19">ambos</span> <span class="tm19">os</span> <span class="tm19">casos,</span> <span class="tm19">trata-se</span> <span class="tm19">evidentemente</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">prelados favoráveis ao governo, impostos unilateralmente por Pequim com o objetivo de controlar a Igreja Católica na China. Convém notar que não se trata aqui de meros bispos auxiliares, mas sim de bispos residenciais, isto</span> <span class="tm19">é,</span> <span class="tm19">os pastores ordinários da</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">respectiva</span> <span class="tm19">diocese</span> <span class="tm19">(ou</span> <span class="tm19">prefeitura),</span> <span class="tm19">com jurisdição</span> <span class="tm19">sobre os sacerdotes e os fiéis locais. Em Roma, sabe-se muito bem com que finalidade esses pastores foram escolhidos e impostos unilateralmente.</span></span></p>
<blockquote>
<p class="tm51" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“A Fraternidade</span> <span class="tm9">São Pio X nada mais</span> <span class="tm9">busca além disto: o bem das</span> <span class="tm9">almas e o do sacerdócio ordenado à sua santificação.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Corpodetexto tm35" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">O</span> <span class="tm19">caso</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Fraternidade</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">bem</span> <span class="tm19">diferente:</span> <span class="tm19">é</span> <span class="tm19">evidente</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">estamos</span> <span class="tm19">aí</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">favorecer</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">poder</span> <span class="tm19">comunista ou anticatólico, mas apenas para salvaguardar os direitos de Cristo Rei e da Tradição da Igreja, num momento de crise e de confusão generalizadas em que estes direitos se encontram gravemente comprometidos. As intenções</span> <span class="tm19">e as finalidades evidentemente não são as mesmas. O Papa sabe disso. Além do quê, o Santo Padre sabe muito bem que a Fraternidade de modo nenhum pretende conferir aos seus bispos qualquer jurisdição que seja, o que equivaleria a criar uma Igreja paralela.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm45" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Francamente, não vejo como o Papa poderia recear um perigo maior para as almas da parte da Fraternidade que da parte do governo de Pequim.</span></p>
<p class="Par_grafodalista tm52" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">14. </span><span class="tm17">O senhor acha que, no que diz respeito à missa tradicional, a necessidade das almas é hoje tão grave</span> <span class="tm17">quanto</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">1988? Após</span> <span class="tm17">as</span> <span class="tm17">vicissitudes por</span> <span class="tm17">que passou</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">rito de</span> <span class="tm17">São</span> <span class="tm17">Pio</span> <span class="tm17">V</span></em><span class="tm17">, </span><em><span class="tm15">sua</span> <span class="tm17">liberação</span> <span class="tm17">por Bento</span> <span class="tm17">XVI</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">2007,</span> <span class="tm17">as</span> <span class="tm17">restrições</span> <span class="tm17">impostas</span> <span class="tm17">por</span> <span class="tm17">Francisco</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">2021&#8230;</span> <span class="tm17">em</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">direção</span> <span class="tm17">estamos</span> <span class="tm17">indo com o novo Papa?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm53" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Até onde me é dado saber, o Papa Leão XIV guardou certa discrição sobre esse tema, que tem suscitado grande expectativa no mundo conservador. Mas há bem pouco tempo um texto do Cardeal Roche sobre a liturgia, inicialmente destinado aos cardeais que participavam do consistório do mês passado, veio a público.</span> <span class="tm19">Não</span> <span class="tm19">há</span> <span class="tm19">razão</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">duvidar</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">esse</span> <span class="tm19">texto</span> <span class="tm19">corresponde,</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">suas</span> <span class="tm19">linhas</span> <span class="tm19">gerais,</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">orientação </span><span class="tm19">desejada pelo Papa. Trata-se de um texto muito claro e, sobretudo, lógico e coerente. Infelizmente, apoia- se numa premissa falsa.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Concretamente, esse texto, em perfeita continuidade com </span><em><span class="tm11">Traditionis custodes</span></em><span class="tm19">, condena o projeto litúrgico do Papa Bento XVI. Segundo este, o rito antigo e o novo seriam duas formas mais ou menos equivalentes, e que em todo caso expressariam a mesma fé e a mesma eclesiologia, sendo, portanto, capazes de se enriquecerem mutuamente. Preocupado com a unidade da Igreja, Bento XVI quis promover</span> <span class="tm19">a coexistência dos dois ritos e publicou em 2007 o Motu proprio </span><em><span class="tm11">Summorum Pontificum</span></em><span class="tm19">. Para muitos, providencialmente,</span> <span class="tm19">isso</span> <span class="tm19">permitiu</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">redescoberta</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Missa</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">sempre;</span> <span class="tm19">mas,</span> <span class="tm19">com</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">tempo,</span> <span class="tm19">também</span> <span class="tm19">fez</span> <span class="tm19">surgir um movimento de questionamento do novo rito, movimento que foi visto como problemático e que </span><em><span class="tm11">Traditionis custodes </span></em><span class="tm19">em 2021 procurou conter.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Fiel a Francisco, o Cardeal Roche por sua vez apregoa a unidade da Igreja, mas segundo uma ideia e por meios diametralmente opostos aos de Bento XVI: ao mesmo tempo em que mantém a afirmação de uma continuidade entre um rito e outro através da reforma, opõe-se firmemente à sua coexistência. Enxerga nela</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">fonte</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">divisão,</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">ameaça</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">unidade,</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">deve</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">superada</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">retorno</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">autêntica comunhão litúrgica: “O bem primordial da unidade da Igreja não se obtém ‘congelando’ a divisão, mas ao encontrarmo-nos todos na partilha daquilo que não pode deixar de ser partilhado”. A Igreja “deve ter um único rito”, em plena harmonia com o verdadeiro sentido da Tradição.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Como princípio, é</span> <span class="tm19">justo</span> <span class="tm19">e coerente, pois</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Igreja, tendo</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">só</span> <span class="tm19">fé e</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">só</span> <span class="tm19">eclesiologia,</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">pode</span> <span class="tm19">deixar de ter uma só liturgia capaz de expressá-las adequadamente… Mas o princípio foi mal aplicado, pois, seguindo a lógica da nova eclesiologia pós-conciliar, o Cardeal Roche concebe a Tradição como algo evolutivo,</span> <span class="tm19">e o</span> <span class="tm19">novo</span> <span class="tm19">rito</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">sua</span> <span class="tm19">única</span> <span class="tm19">expressão</span> <span class="tm19">viva</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">nosso</span> <span class="tm19">tempo;</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">valor do</span> <span class="tm19">rito</span> <span class="tm19">tridentino</span> <span class="tm19">não pode, portanto, ser considerado senão como algo que ficou para trás, e o seu uso, quando muito, uma “concessão”, “de modo algum uma promoção”.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Agora, portanto, ficou mais claro que existe uma “divisão” e uma incompatibilidade atual entre os dois ritos. Mas não nos enganemos: a única liturgia que expressa adequadamente, de modo imutável e não evolutivo, a concepção tradicional da Igreja, da vida cristã, do sacerdócio católico, é aquela de sempre. Quanto a este ponto, a oposição da Santa Sé parece, mais do que nunca, irrevogável.</span></p>
<p class="Par_grafodalista tm25" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">15. </span><span class="tm17">O Cardeal Roche, não obstante, reconhece que existem ainda alguns problemas na aplicação da reforma litúrgica. O senhor pensa que isso possa conduzir a uma tomada de consciência quanto aos limites dessa reforma?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É interessante ver que, passados sessenta anos, ainda se reconhece a existência de uma</span> <span class="tm19">dificuldade real</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">aplicação da reforma litúrgica, cuja riqueza</span> <span class="tm19">ainda estaria por descobrir:</span> <span class="tm19">é um refrão</span> <span class="tm19">que vimos ouvindo desde sempre, sempre que se aborda esse tema, e que o texto do Cardeal Roche não deixa de mencionar. Porém, em vez de se perguntar sinceramente sobre as deficiências intrínsecas da nova missa, e portanto sobre o fracasso geral dessa reforma, em vez de encarar o</span> <span class="tm19">fato de que as igrejas se esvaziam e as vocações diminuem; em vez de se perguntar por que razão o rito tridentino continua a atrair tantas almas… a única solução que o Cardeal Roche consegue vislumbrar é uma urgente formação prévia dos fiéis e dos </span><span class="tm20">seminaristas.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm55" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Sem se dar conta, ele entra num círculo vicioso: na verdade é a própria liturgia que deveria formar as almas. Durante quase dois mil anos, as almas, muitas vezes analfabetas, foram edificadas e santificadas pela própria liturgia, sem necessidade de nenhuma formação prévia. Não reconhecer a incapacidade intrínseca do </span><em><span class="tm11">Novus Ordo </span></em><span class="tm19">para edificar as almas, exigindo ademais uma melhor formação, parece-me ser um sinal de cegueira incurável. Chegamos, assim, a paradoxos chocantes: a reforma foi desejada para favorecer a participação dos fiéis; ora, estes abandonaram a Igreja em massa, porque essa liturgia insossa não foi capaz de alimentá-los; e isso supostamente não teria nada a ver com a própria reforma!</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm48" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">16. H</span><span class="tm17">oje, em muitos países, ainda existem grupos não ligados à Fraternidade e que no entanto se beneficiam do uso do missal de 1962. Tais possibilidades quase não existiam em 1988. Não constituiriam</span> <span class="tm17">eles</span> <span class="tm17">uma</span> <span class="tm17">alternativa</span> <span class="tm17">suficiente</span> <span class="tm17">para</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">momento,</span> <span class="tm17">tornando</span> <span class="tm17">assim</span> <span class="tm17">prematuras</span> <span class="tm17">novas sagrações episcopais?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm45" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">A pergunta que devemos fazer é a seguinte: tais possibilidades correspondem àquilo de que a Igreja e as almas têm necessidade? Respondem de maneira suficiente à necessidade das almas?</span></p>
<p class="Corpodetexto tm37" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">É inegável que, onde quer que a missa tradicional seja celebrada, é o verdadeiro rito da Igreja que resplandece, com esse profundo senso do sagrado</span> <span class="tm19">que não</span> <span class="tm19">se encontra no novo rito. Contudo, não se pode deixar de lado o contexto em que essas celebrações ocorrem. Ora, independentemente da boa vontade desta ou daquela pessoa, o contexto parece claro, sobretudo desde o </span><em><span class="tm11">Traditionis Custodes</span></em><span class="tm19">, confirmado aliás pelo Cardeal Roche: trata-se de uma Igreja onde o único rito oficial “normal” é o de Paulo VI. A celebração do rito de sempre se dá, portanto, num regime que podemos chamar de exceção: os adeptos desse rito recebem, por benevolência gratuita, dispensas que lhes permitem celebrá-lo, mas estas se inserem na lógica da nova eclesiologia e supõem, por isso, que a nova liturgia continua a ser o critério da piedade dos fiéis e a expressão autêntica da vida da Igreja.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm56" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">17. </span><span class="tm17">Por que o senhor diz que não é possível deixar de lado esse contexto de exceção? Não há algum</span> <span class="tm17">bem nisso, apesar de tudo? Quais as consequências concretas que deveríamos lamentar?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm53" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Dessa situação resultam pelo menos três consequências nefastas. A mais imediata é uma profunda fragilidade</span> <span class="tm19">estrutural.</span> <span class="tm19">Os</span> <span class="tm19">sacerdotes</span> <span class="tm19">e os</span> <span class="tm19">fiéis</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">gozam</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">certos</span> <span class="tm19">privilégios</span> <span class="tm19">que lhes</span> <span class="tm19">permitem</span> <span class="tm19">fazer</span> <span class="tm19">uso da liturgia tridentina vivem angustiados pelo que o dia de amanhã pode trazer: afinal, privilégio não é direito. Enquanto a autoridade os tolerar, podem dedicar-se à sua prática religiosa sem serem incomodados. Mas, tão logo a autoridade formule certas exigências, imponha certas condições ou revogue de uma hora para outra, por uma razão qualquer, as permissões outorgadas, tanto sacerdotes como fiéis</span> <span class="tm19">se veem numa situação conflituosa, sem meio de se defenderem e com isso garantirem de modo eficaz os auxílios tradicionais com os quais as almas têm o direito de contar. Ora, como evitar de modo duradouro tais casos de consciência quando, entre duas concepções inconciliáveis da vida da Igreja, encarnadas em duas liturgias incompatíveis, uma tem direito de cidadania, ao passo que a outra é apenas tolerada?</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Para além</span> <span class="tm19">do quê – e isso me parece mais grave – já não se entende a razão por que</span> <span class="tm19">esses grupos querem</span> <span class="tm19">a liturgia tridentina, o que compromete gravemente os direitos públicos da Tradição da Igreja e, com isso, o bem das almas. Com efeito, se a Missa de sempre pode aceitar que a missa moderna seja celebrada em toda a Igreja, e se se contenta em gozar de um privilégio particular, ligado a uma preferência ou a um carisma</span> <span class="tm19">próprio,</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">entender</span> <span class="tm19">que essa</span> <span class="tm19">Missa</span> <span class="tm19">de sempre se opõe irremediavelmente à</span> <span class="tm19">missa nova,</span> <span class="tm19">e que continua</span> <span class="tm19">a ser</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">única</span> <span class="tm19">liturgia</span> <span class="tm19">verdadeiramente</span> <span class="tm19">católica</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">toda</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Igreja,</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">ninguém</span> <span class="tm19">pode</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">impedido de</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">celebrar?</span> <span class="tm19">Como</span> <span class="tm19">ter</span> <span class="tm19">consciência</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">missa</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">Paulo</span> <span class="tm19">VI</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">pode ser</span> <span class="tm19">reconhecida,</span> <span class="tm19">porque</span> <span class="tm19">constitui um afastamento considerável da teologia católica da Santa Missa, e que ninguém pode ser obrigado a celebrá-la? E</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">afastar</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">modo</span> <span class="tm19">eficaz as</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">dessa</span> <span class="tm19">liturgia envenenada,</span> <span class="tm19">para que</span> <span class="tm19">venham</span> <span class="tm19">beber</span> <span class="tm19">nas fontes puras da liturgia católica?</span></span></p>
<blockquote>
<p class="tm57" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm9">“A Fraternidade é tão somente, em circunstâncias que não foram escolhidas por ela, um meio privilegiado para se permanecer fiel à Igreja.”</span></span></p>
</blockquote>
<p class="Corpodetexto tm35" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Por fim temos uma consequência mais remota decorrente das duas anteriores, a saber, que a necessidade de</span> <span class="tm19">evitar</span> <span class="tm19">comportamentos</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">causem</span> <span class="tm19">incômodo,</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">fim</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">comprometer</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">estabilidade</span> <span class="tm19">frágil,</span> <span class="tm19">reduz numerosos pastores a um silêncio forçado, quando seria preciso levantar a voz contra este ou aquele ensinamento escandaloso que corrompe a fé ou a moral. A necessária denúncia dos erros que destroem a Igreja,</span> <span class="tm19">exigida</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">próprio</span> <span class="tm19">bem</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas</span> <span class="tm19">ameaçadas</span> <span class="tm19">por</span> <span class="tm19">esse</span> <span class="tm19">alimento</span> <span class="tm19">envenenado,</span> <span class="tm19">fica</span> <span class="tm19">assim</span> <span class="tm19">paralisada. Esclarece-se</span> <span class="tm19">em privado uma</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">outra pessoa,</span> <span class="tm19">quando ainda se</span> <span class="tm19">consegue</span> <span class="tm19">discernir a</span> <span class="tm19">nocividade de tal</span> <span class="tm19">ou qual</span> <span class="tm19">erro,</span> <span class="tm19">mas</span> <span class="tm19">já</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">passa</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">um</span> <span class="tm19">tímido</span> <span class="tm19">cochicho,</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">verdade</span> <span class="tm19">mal</span> <span class="tm19">consegue</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">dita</span> <span class="tm19">com</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">liberdade que requer… sobretudo em se tratando de combater princípios tacitamente aceitos. Mais uma vez, são as almas que deixam de ser iluminadas e que são privadas do pão da doutrina, do qual, não obstante, continuam</span> <span class="tm19">famintas: com o tempo, isso vai modificando progressivamente as mentalidades e conduzindo pouco</span> <span class="tm19">a pouco</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">aceitação</span> <span class="tm19">geral</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">inconsciente</span> <span class="tm19">das diversas reformas</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">afetam</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">vida</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Igreja.</span> <span class="tm19">Também em relação a essas almas,</span> <span class="tm19">a Fraternidade sente a responsabilidade de esclarecê-las e de não as abandonar.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto PageBreak tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Não se trata de apontar o dedo nem de julgar quem quer que seja, mas de abrir os olhos e constatar os fatos. Ora, somos obrigados a reconhecer que, na medida em que o uso da liturgia tradicional fica condicionado</span> <span class="tm19">à</span> <span class="tm19">aceitação</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">menos</span> <span class="tm19">implícita das</span> <span class="tm19">reformas</span> <span class="tm19">conciliares,</span> <span class="tm19">os</span> <span class="tm19">grupos</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">disso</span> <span class="tm19">se beneficiam não podem constituir uma resposta adequada às necessidades profundas por que passam a Igreja e as almas.</span> <span class="tm19">É, para retomar uma ideia</span> <span class="tm19">já antes</span> <span class="tm19">expressa, preciso, pelo contrário,</span> <span class="tm19">estar</span> <span class="tm19">em condições</span> <span class="tm19">de oferecer </span><span class="tm19">aos católicos de hoje a verdade sem concessões, ministrada incondicionalmente, junto com os meios de viver dela integralmente, para a salvação das almas e o bem de toda a Igreja.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm56" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">18. </span><span class="tm17">De</span> <span class="tm17">todo</span> <span class="tm17">modo,</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">não</span> <span class="tm17">acha</span> <span class="tm17">que</span> <span class="tm17">Roma</span> <span class="tm17">poderia</span> <span class="tm17">mostrar-se</span> <span class="tm17">mais</span> <span class="tm17">generosa</span> <span class="tm17">no</span> <span class="tm17">futuro,</span> <span class="tm17">em relação à Missa tradicional?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Não é impossível que Roma venha a adotar no futuro uma atitude mais aberta, como já ocorreu em 1988, em circunstâncias análogas, quando o uso do missal antigo foi outorgado a alguns grupos, numa tentativa de afastar os fiéis da Fraternidade. Caso isso viesse de novo a acontecer, seria algo muito político e muito pouco</span> <span class="tm19">doutrinal:</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">missal</span> <span class="tm19">tridentino</span> <span class="tm19">destina-se</span> <span class="tm19">exclusivamente</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">adorar</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">majestade divina</span> <span class="tm19">e a</span> <span class="tm19">alimentar</span> <span class="tm19">a fé;</span> <span class="tm19">não</span> <span class="tm19">poderia</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">instrumentalizado</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">ferramenta</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">ajustamento</span> <span class="tm19">pastoral</span> <span class="tm19">ou</span> <span class="tm19">como</span> <span class="tm19">uma</span> <span class="tm19">variável de apaziguamento.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm58" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Mas ainda assim, uma benevolência maior ou menor nada mudaria quanto à nocividade do contexto descrito acima e portanto não mudaria substancialmente a situação.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm53" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Além</span> <span class="tm19">disso,</span> <span class="tm19">o cenário</span> <span class="tm19">é na</span> <span class="tm19">verdade</span> <span class="tm19">mais</span> <span class="tm19">complexo:</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">Roma,</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">Papa</span> <span class="tm19">Francisco e</span> <span class="tm19">o</span> <span class="tm19">Cardeal</span> <span class="tm19">Roche</span> <span class="tm19">se</span> <span class="tm19">deram conta de que, ao estender o uso do missal de São Pio V, desencadeia-se inevitavelmente um questionamento da reforma litúrgica e do Concílio, em proporções incômodas e sobretudo incontroláveis. É, portanto, difícil prever o que irá acontecer, mas o perigo de encerrar-se dentro de lógicas mais políticas do que doutrinárias é real.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm13" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">19. </span><span class="tm17">O</span> <span class="tm17">que o senhor gostaria</span> <span class="tm17">de</span> <span class="tm17">dizer em</span> <span class="tm17">especial</span> <span class="tm17">aos</span> <span class="tm17">fiéis</span> <span class="tm17">e aos membros</span> <span class="tm17">da</span> <span class="tm22">Fraternidade?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm47" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Gostaria de lhes dizer que o momento presente é, antes de tudo, um tempo de oração, de preparação dos corações, das almas e também das inteligências, a fim de nos dispormos à graça que essas sagrações representam</span> <span class="tm19">para</span> <span class="tm19">toda</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Igreja.</span> <span class="tm19">Isso</span> <span class="tm19">deve</span> <span class="tm19">ser</span> <span class="tm19">vivido</span> <span class="tm19">no</span> <span class="tm19">recolhimento,</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">paz</span> <span class="tm19">e</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">confiança</span> <span class="tm19">na</span> <span class="tm19">Providência, que nunca abandonou a Fraternidade, nem irá abandoná-la desta vez</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm59" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">20. </span><span class="tm17">O</span> <span class="tm17">senhor</span> <span class="tm17">ainda</span> <span class="tm17">espera</span> <span class="tm17">poder</span> <span class="tm17">encontrar-se</span> <span class="tm17">com</span> <span class="tm17">o</span> <span class="tm22">Papa?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm47" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Sim, sem dúvida. Parece-me extremamente importante poder conversar com o Santo Padre, e há muitas coisas que eu gostaria de partilhar com ele, e que não pude lhe expor por escrito. Infelizmente, a resposta recebida da parte do Cardeal</span> <span class="tm19">Fernández não fala em nenhum lugar de uma possível audiência com o Papa. Pelo contrário, evoca a ameaça de novas sanções.</span></span></p>
<p class="Par_grafodalista tm59" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm16">21. </span><span class="tm17">Que</span> <span class="tm17">fará</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">Fraternidade</span> <span class="tm17">se</span> <span class="tm17">a</span> <span class="tm17">Santa</span> <span class="tm17">Sé</span> <span class="tm17">decidir</span> <span class="tm17">condená-</span><span class="tm22">la?</span></em></span></strong></p>
<p class="Corpodetexto tm47" style="text-align: justify;"><span class="tm19" style="color: #000000;">Em primeiro lugar tenhamos em mente que, em tais circunstâncias, eventuais penas canônicas não teriam nenhum efeito real.</span></p>
<p class="Corpodetexto tm27" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">No entanto, caso viessem a ser pronunciadas, não há dúvida de que a Fraternidade, sem amargura, aceitaria esse novo sofrimento, assim como aceitou os sofrimentos passados, oferecendo-os sinceramente para o bem da própria Igreja. É pela Igreja que a Fraternidade trabalha. E ela tem a certeza de que, se tal situação viesse a ocorrer, seria necessariamente temporária, pois a Igreja é divina e Nosso Senhor não a </span><span class="tm20">abandona.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm31" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">A Fraternidade continuará, pois, a fazer o melhor que pode, na fidelidade à Tradição católica e a servir humildemente</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">Igreja,</span> <span class="tm19">respondendo</span> <span class="tm19">às</span> <span class="tm19">necessidades</span> <span class="tm19">das</span> <span class="tm19">almas.</span> <span class="tm19">E</span> <span class="tm19">continuará</span> <span class="tm19">a</span> <span class="tm19">rezar</span> <span class="tm19">filialmente</span> <span class="tm19">pelo</span> <span class="tm19">Papa, como sempre tem feito, na espera de poder ver-se um dia livre dessas eventuais sanções injustas,</span> <span class="tm19">como se deu</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">2009.</span> <span class="tm19">Estamos</span> <span class="tm19">certos</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">um dia</span> <span class="tm19">as</span> <span class="tm19">autoridades</span> <span class="tm19">romanas</span> <span class="tm19">reconhecerão</span> <span class="tm19">com</span> <span class="tm19">gratidão</span> <span class="tm19">que</span> <span class="tm19">essas sagrações episcopais contribuíram providencialmente para mantermos a fé, para a maior glória de Deus e a salvação das almas.</span></span></p>
<p class="Corpodetexto tm60" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><span class="tm19">Entrevista concedida</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">Flavigny-sur-Ozerain</span> <span class="tm19">em</span> <span class="tm19">2</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm19">fevereiro</span> <span class="tm19">de</span> <span class="tm20">2026, </span><span class="tm19">na</span> <span class="tm19">festa</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Purificação</span> <span class="tm19">da</span> <span class="tm19">Santíssima</span> <span class="tm20">Virgem</span></span></p>
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		<title>PE. PAGLIARANI: SAGRAÇÕES, POR FIDELIDADE À IGREJA E ÀS ALMAS</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/pe-pagliarani-sagracoes-por-fidelidade-a-igreja-e-as-almas/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2026 11:48:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[Sermão de 2 de fevereiro de 2026 no Seminário de Saint-Curé-d&#8217;Ars.  Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Assista esse Sermão em português CLICANDO AQUI Caríssimos confrades, caríssimos seminaristas, caríssimas irmãs, caríssimos fiéis, Que alegria poder abençoar o hábito de &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/pe-pagliarani-sagracoes-por-fidelidade-a-igreja-e-as-almas/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/RiwLrIf2n0A?si=XER39G98e8ibYkNW" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Sermão de 2 de fevereiro de 2026 no Seminário de Saint-Curé-d&#8217;Ars. </strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/actualite/abbe-pagliarani-des-sacres-par-fidelite-a-leglise-et-aux-ames">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Assista esse Sermão em português <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/watch?v=ywdc9VvokAo&amp;t=160s">CLICANDO AQUI</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Caríssimos confrades, caríssimos seminaristas, caríssimas irmãs, caríssimos fiéis,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que alegria poder abençoar o hábito de vinte e dois novos seminaristas, neste dia no qual Nosso Senhor, pela primeira vez, vai ao Templo para apresentar-se a si mesmo diante de seu Pai, para manifestar exteriormente a oferta de si mesmo, de sua vida. <em>“Eis-me aqui para fazer tua vontade”</em>. <em>“É a razão pela qual encarnei-me e, hoje, manifesto-a”</em>. Tanto quanto possível, estas disposições perfeitas de Nosso Senhor devem ser as disposições de um rapaz que quer dar sua vida a Nosso Senhor para subir, um dia, ao altar. Que belo exemplo! É o modelo a ser seguido durante toda a nossa vida. E isto ocorre na humildade: a humildade de Nossa Senhora e a humildade de Nosso Senhor; Nossa Senhora, a Imaculada, a Virgem perpétua, aceita o rito da purificação conforme a lei de Moisés. Nunca nenhuma criatura foi ou será tão pura quanto a Virgem. Contudo, por humildade, ela aceita este ritual. E, por meio da oferta de duas rolinhas, uma em holocausto e uma pelos pecados, ela é purificada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Era a oferta dos pobres. E Nosso Senhor, em si, é resgatado, pois, enquanto primogênito, ele pertence a Deus, e é resgatado ao pagar uma pequena soma de cinco <em>siclos</em>, cinco peças de moeda. Ele que era em si o Redentor, ele que era em si o preço de nosso resgate, aceita ser resgatado por algumas peças de moeda. Que humildade! Não estavam estritamente obrigados a ir a Jerusalém para esse ritual. Os judeus que habitavam muito longe podiam fazê-lo por procuração. Mas eles querem, a Santa Família quer cumprir a Lei por obediência.</span><span id="more-34242"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que exemplo magnífico! Nosso Senhor já nos ensina a obediência, obediência até a morte. Conhecemos a perfeição de suas disposições interiores. Já está pronto para dar tudo pelo nosso resgate, e para cumprir a obediência para com seu pai, para realizar sua vontade. Veem como, neste contexto da imolação já perfeita, temos um prelúdio da Cruz, da Paixão</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Nosso Senhor não pode nos deixar indiferentes.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E é nesta cena tão simples, aparentemente tão comum, mas, aos olhos de Deus, tão única, pois a Redenção já começou, é nesta cena que aparece Simeão. Esse ancião toma a palavra e seu discurso é composto de duas partes opostas entre si. Inicialmente, a alegria, a alegria de ver Nosso Senhor, de tomá-lo em seus braços. Uma alegria proporcional ao desejo que teve até aquele dia. <em>“Vi, finalmente, vi o Salvador, a Salvação de Israel, eu o vi”</em>. Na eternidade, não faremos outra coisa senão contemplar o que Simeão contemplou em seus braços durante alguns instantes: esta salvação, este Salvador, que foi preparado pela Providência divina desde sempre. A Encarnação estava no espírito de Deus – se assim se pode dizer – para todo o povo, <em>ante faciem omnium populorum, lumen ad revelationem gentium</em>: é o único Salvador que é dado, que é proposto, a todos os povos, a todas as raças, indistintamente. Que alegria! Que alegria nos olhos e nas palavras desse ancião: esta luz para ensinar a verdade, a única via de salvação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta alegria de Simeão, esta luz, é como que interrompida bruscamente por este anúncio feito a Nossa Senhora e a São José. Ele se volta para eles, os abençoa e vai lhes dizer algo em um outro tom – que tem uma conexão com o que precede, certamente. O que ele vai dizer-lhes concretamente? Ele vai lhes dizer que esta redenção do gênero humano, por este menino, vai ocorrer no sofrimento, vai se produzir na Cruz, vai acontecer pela Paixão. Este menino vai ser um sinal de contradição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta é uma belíssima definição de Nosso Senhor. É um sinal de contradição. O que isso significa em uma linguagem um pouco mais moderna? Significa que Nosso Senhor não dialoga. É um sinal de contradição. Nosso Senhor afirma a verdade. Ele a manifesta por sua palavra, e ele a confirma por seus milagres. Ele a propõe e diz claramente que é a única via de salvação. Não há outra. Por que diz isso? Porque ele não pode enganar as almas. Ele não veio neste mundo para enganar as almas. Ele veio para salvá-las. Manifesta a verdade. Será perseguido. Ademais, aqueles que vão segui-lo também serão um sinal de contradição. É preciso escolher. Não se pode ficar indiferente diante de Nosso Senhor. Não se pode permanecer indiferente diante da Redenção. Aquele que permanece indiferente já escolheu seu lado. Aquele que permanece indiferente recusou Nosso Senhor. E Simeão diz isso de modo bem claro quando termina sua profecia. Ele diz que tudo isso, esta manifestação de Nosso Senhor, sua Redenção, tudo isso ocorrerá afim que os pensamentos de muitos corações sejam relevados. O que isto significa? Em qual sentido os pensamentos dos corações dos homens serão revelados, manifestados? Neste sentido, neste sentido que ninguém poderá permanecer realmente indiferente diante de Nosso Senhor. Será preciso escolher. É um sinal de contradição. E Nosso Senhor em si vai dizê-lo um dia: <em>“Aquele que não está comigo está contra mim. E aquele que não junta comigo, espalha”.</em> E esta revelação do mistério da Redenção, que vai acontecer pelo sofrimento de Nosso Senhor, será acompanhada por outro sofrimento. Vejais: desde a primeira manifestação deste mistério da Redenção pelo sofrimento de Nosso Senhor, Deus quis que Nossa Senhora fosse associada a esta obra. E que o papel de Nossa Senhora ao lado de Nosso Senhor fosse revelado ao mesmo tempo que o papel de Nosso Senhor fosse relevado aos homens. Simeão, ao se dirigir à Virgem, diz-lhe: <em>“Uma espada de dor transpassará teu coração. Tua alma será atravessada por uma lâmina”</em>. Que mistério ligado a esta palavra! Um mistério que podemos penetrar, um mistério extremamente caro à Igreja. É o mistério da corredenção, da associação de Nossa Senhora à obra de Nosso Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O lugar de Nossa Senhora na Redenção</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui, compreende-se porque o anjo pediu o consentimento da Virgem, seu “<em>fiat</em>”. A Virgem compreendia bem que tornar-se a mãe de Deus queria dizer tornar-se a mãe de um Deus que sofre, de um Deus redentor, de um Messias que sofre, tal como tinha sido descrito no Antigo Testamento. Ela disse: <em>“Sim, aceito, se for a vontade de Deus, aceito.”</em> Deus se encarna em um propósito bem preciso. E Nossa Senhora o sabia. Sobretudo ela aceita. Mas por quê? Por que, em sua sabedoria divina, Deus quis associar deste modo Nossa Senhora à Paixão de Nosso Senhor? Por quê? É porque Nosso Senhor salvará as almas, mas pedirá a cada alma sua própria cooperação. Ele pedirá a cada um sua adesão à fé, sua parte de sofrimento. E Nossa Senhora, preservada do pecado original antes de sua concepção, Nossa Senhora era, de um certo modo, a resgatada mais perfeita, única, jamais tocada pelo pecado, e, logicamente, Deus pediu a Nossa Senhora uma cooperação para a obra da Redenção proporcional à sua santidade. Que mistério! Por trás disso há uma visão profundamente cristã, profundamente católica. Deus quer a cooperação das criaturas, e fez de Nossa Senhora o protótipo desta cooperação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Veem bem isso no protestantismo, que destrói toda cooperação: é somente Deus quem salva os predestinados. É a teologia de Lutero. E, consequentemente, os protestantes, o que rejeitam? Visto que esta cooperação não é necessária, o que o protestantismo rejeita logicamente? Ele rejeita a vida religiosa, as mortificações, ele rejeita a Missa, porque a Santa Missa, em uma perspectiva protestante, é um esforço, uma cooperação humana em uma obra que é somente divina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ele rejeita o culto dos santos, porque as pessoas não precisam de intercessor, de intermediário. E ele rejeita, sobretudo, o culto de Nossa Senhora. É terrível. Isso significa destruir, de algum modo, a Redenção tal como Deus a quis. Mas é lógico. E devemos dizer: em outro nível, de um modo diferente, o modernismo fez a mesma coisa. O modernismo, sem negar tudo isso, o desnaturou. Atrás do escudo inadequado de um cristocentrismo mal compreendido, ou seja, no falso temor de retirar de Nosso Senhor sua centralidade, o modernismo também diminui tudo isto, diminui a cooperação humana, os esforços, as mortificações. A vida religiosa não é mais compreendida, a Missa, a Missa é entendida de um modo totalmente diferente, e Nossa Senhora também. Ela é colocada um pouco de lado deste papel que ela tem na redenção, este papel central. É terrível! Quando tendes um quadro magnifício, o que fazem para valorizá-lo? As pessoas tentam encontrar uma moldura que seja digna desse quadro. E é exatamente o que Deus fez com a Santa Virgem. Este quadro magnífico da redenção é emoldurado pela corredenção, é emoldurado por Nossa Senhora em si. Que sabedoria! E agora, dizem-nos que para melhor apreciar a beleza deste quadro, para não perdê-lo, seria preciso retirar a moldura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Nossa Senhora acompanha Nosso Senhor no sofrimento</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por três vezes, a Santa Virgem acompanha Nosso Senhor a Jerusalém. Hoje, a Apresentação ao Templo, a Purificação de Maria, representa a primeira viagem da Virgem com Jesus a Jerusalém. Em outras duas oportunidades, Nossa Senhora o acompanha, e estes três episódios formam uma sequência, encontram-se no mesmo eixo. Têm um denominador comum.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Hoje, Jesus, apresentado ao Templo, oferece ao Pai sua existência. Aos doze anos, acompanhado ainda pela Santa Virgem, Jesus oferece ao Pai sua sabedoria. Aos doze anos, Jesus manifesta sua sabedoria divina e a oferece ao Pai, apresentado ao Templo ainda uma vez acompanhado pela Santa Virgem. A terceira vez será no Calvário: Jesus é então acompanhado pela Santa Virgem para oferecer uma vez mais ao Pai sua própria vida e seu próprio sangue.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que estes três episódios tão diferentes têm em comum, e por que a Santíssima Virgem está sempre presente? Ela acompanha Nosso Senhor, por três vezes, na dor e no sofrimento. A primeira vez, hoje, em 2 de fevereiro, com o anúncio de Simeão: <em>“Uma espada te transpassará o coração”. </em>Aos doze anos: ela o acompanha mais uma vez ao Templo. E novamente o dilaceramento terrível, a dor de ter perdido Nosso Senhor. É a provação mais inimaginável para Maria. A terceira vez: ela o acompanha novamente na dor, na dor do Calvário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas por que, toda vez que ela o acompanha, deve fazê-lo na dor? Porque ela é Corredentora, porque ela participa sistematicamente da Paixão de Nosso Senhor. Ela a prepara com Nosso Senhor: a Paixão de Nosso Senhor é também a dela. É evidente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E qual é a consequência desta verdade, que está no Evangelho (não é uma invenção)? Qual é a consequência disto? É que, assim como Maria esteve presente durante toda a vida de Nosso Senhor, e o seguiu em sua Paixão, em tudo o que preparava e se referia à sua Paixão, assim, hoje, Maria – é lógico – continua a ser a aliada de Nosso Senhor e a dispensar as graças, que são o fruto da Paixão, que também foi dela, à qual ela foi associada desde hoje, desde o anúncio de Simeão. Que grande mistério escondido nesta espada!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Diante da pergunta de Nosso Senhor no julgamento: que fizestes de minha Mãe?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma última consideração. Como Nossa Senhora pôde oferecer seu filho, aceitar oferecer seu filho, e tal filho? As pessoas conseguem entender que ela tenha oferecido a Deus a si própria, sua existência, sua virgindade, mas tal filho? Como é que ela pôde oferecê-lo? Este filho, virginalmente concebido, virginalmente dado à luz, do qual ela era o único parente? A natureza humana de Nosso Senhor vem toda de Nossa Senhora, integralmente. É sua carne imaculada, é seu sangue imaculado que formaram a humanidade de Nosso Senhor, exclusivamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse filho perfeito, que ela adora, como ela pôde oferecê-lo? Como ela pôde dizer sim? Não somente, <em>“digo sim e permaneço em Nazaré”</em>, mas <em>“digo sim e o acompanho, digo sim positivamente”</em>. Como ela pôde fazer isto? Como explicar isto? A resposta é muito simples: ela o fez por amor a nós. Não é uma fábula! É o Evangelho. Vamos renunciar a esta doutrina, vamos esquecer esta espada plantada no coração de Nossa Senhora, vamos esquecer o que significa, vamos esquecer o que Nossa Senhora fez ao pé da Cruz? Vamos esquecer a corredenção? De modo algum, é a nossa fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É o cerne de nossa fé. É o que temos de mais caro. No dia do julgamento, Nosso Senhor nos mostrará suas chagas. Nosso Senhor julga a humanidade ao nos mostrar suas chagas, e, ao perguntar a cada homem: <em>“O que fizestes de minhas chagas, o que fizestes de minha Paixão? Refugiastes em meu lado, ou preferistes o mundo? Que fizestes de meu sangue derramado sobre a cruz? Que fizestes da Santa Eucaristia? Que fizestes de minha graça?”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E ele também nos fará uma última pergunta: <em>“O que fizestes de minha mãe? Não tinha mais nada, fora despojado de tudo, abandonado por todo mundo, não tinha mais uma gota de sangue em meu corpo, e somente minha mãe estava comigo. Mas não qualquer mãe, uma mãe que me preparei, uma mãe imaculada, uma mãe cheia de graça, a mãe de Deus. Eu a preparei para mim, para me encarnar, para vir a este mundo. Uma mãe que me acompanhou desde a apresentação ao Templo até a Cruz. Em minha Paixão, ela jamais me abandonou. Só tinha a ela, e a dei para ti, afim que ela pudesse continuar a formar em tua alma algo de meus traços, algo que, de um modo ou de outro, possa parecer-se comigo. Dei-te minha mãe. O que fizestes de minha mãe? Ela me engendrou no presépio sem dor, cercada de cânticos celestes, na pobreza, mas sem dor. Ela te engendrou ao pé da cruz. O que fizestes dela? Como a tratastes, honrastes? Trataste-a realmente como uma mãe?”</em> Não se pode escapar disso. É a questão que Nosso Senhor vai nos fazer. Podemos renunciar a esta doutrina tão bela? Tão profunda? Que nos manifesta ao extremo a caridade de Nosso Senhor? Devemos temer que ao tratar Nossa Senhora como ela merece, como corredentora, ela nos afaste do mistério da Redenção, no qual ela mesma está mergulhada totalmente? Um cristão pode ter este temor? Inadmissível, é inadmissível! Pode-se enganar as almas deste modo? É inadmissível! Pode-se afastar as almas de Nossa Senhora, enquanto seu papel não é somente nos conduzir a Nosso Senhor, mas também de formar Nosso Senhor em nossa alma? É inadmissível!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Sagrações por fidelidade à Igreja e às almas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pensamos que chegou o momento de pensar no futuro da Fraternidade São Pio X, no futuro de todas as almas, que não podemos esquecer, que não podemos abandonar. E, certamente, no bem que devemos e podemos fazer à Igreja. E isso conduz a uma questão que se fazem há muito tempo, e à qual, hoje, talvez seja necessário dar uma resposta. Ainda devemos esperar antes de pensar em consagrar alguns bispos? Esperamos, rezamos, observamos a evolução das coisas na Igreja, pedimos conselho. Escrevemos ao Santo Padre para apresentar, com simplicidade, a situação da Fraternidade, explicar suas necessidades e, ao mesmo tempo, para confirmar ao Santo Padre nossa única razão de ser: é o bem das almas. Escrevemos ao Santo Padre: Santíssimo Padre, temos apenas uma intenção, a de fazer de todas as almas que se dirigem até nós verdadeiros filhos da Igreja católica romana. Nunca tivemos outra intenção, e sempre preservamos esta intenção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o bem das almas corresponde ao bem da Igreja. A Igreja não existe nas nuvens. A Igreja existe nas almas. São as almas que formam a Igreja. E se amam a Igreja, amam as almas, querem sua salvação e querem fazer tudo possível para oferecer-lhes os meios para alcançar sua salvação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Logo, escrevemos ao Santo Padre para compreender esta situação bem particular na qual se encontra a Fraternidade, e permitir-lhe tomar os meios para continuar esta obra, em uma situação excepcional, reconhecemos, mas, mais uma vez, obra que não tem outro propósito além de preservar a Tradição, pelo bem das almas. Pois bem! Estas razões, infelizmente, não parecem atrair a atenção, não são convincentes. Digamos que essas razões não encontraram, por ora, uma porta aberta junto da Santa Sé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Lamentamos muito. Contudo, o que faremos, então? Vamos abandonar as almas? Vamos dizer-lhes que, finalmente, não é necessário que a Fraternidade continue sua obra? Que finalmente, está basicamente tudo bem, em outras palavras, que não há mais estado de necessidade na Igreja que justifique o nosso apostolado, a nossa existência, para socorrer a Igreja – não para desafiá-la, jamais! Estamos aqui para servir a Igreja e servimos a Igreja pregando a fé e dizendo a verdade às almas. E não contando fábulas às almas. Podemos dizer às almas que, apesar de tudo, tudo está bem? Não! Isso significaria trair as almas, e trair as almas significaria trair a Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não podemos fazer isto. É por isso que pensamos que o 1º de julho próximo poderia ser uma boa data, uma data ideal, pois é a festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor. É a festa da Redenção. Nada mais nos interessa além disso. É o que temos de mais caro, é o sangue de Nosso Senhor que jorra de seus pés sob a Cruz, sob o madeiro da Cruz, e que foi adorado inicialmente por Nossa Senhora, ao pé da Cruz, e que continuamos a adorar ao pé do altar. É a única coisa que nos interessa, é a única coisa que queremos dar às almas. E as almas têm direito a isso, não é um privilégio, as almas têm direito a isso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não podemos abandoná-las.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certamente, nos próximos dias, contamos dar-vos mais informações, mais explicações. É necessário compreender o porquê. É necessário compreender a questão de tudo isto. É capital. Mas, ao mesmo tempo, é preciso compreender isto na oração. Não basta preparar as inteligências. Não basta, diria, uma abordagem apologética, puramente apologética para tudo isto. É preciso preparar os corações, os nossos corações, é uma graça, é uma graça, e é preciso se agarrar a esta graça. É preciso agradecer o Bom Deus, é preciso que nos preparemos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, sagrações, sagrações, mais uma vez, não para desafiar a igreja, não é um desafio. Sagrações por fidelidade à Igreja e às almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E acrescento uma última consideração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assumo, assumo plenamente a responsabilidade por esta decisão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assumo-a, em primeiro lugar, diante de Deus, assumo-a diante da Santíssima Virgem, diante de São Pio X. Assumo-a diante do Papa. Gostaria de poder um dia encontrar o papa, antes de 1º de julho. Gostaria de explicar-lhe, fazer-lhe compreender as nossas intenções reais, profundas, a vinculação à Igreja, que ele o saiba, que ele o compreenda. E assumo esta responsabilidade diante da Igreja, certamente. E diante da Fraternidade, de todos os membros da Fraternidade, e diante, repito novamente, de todas as almas que, de um modo ou de outro, têm recorrido a nós, nos solicitam ajuda, ou nos solicitarão ajuda, de todas estas almas, de todas estas vocações que a Providência nos enviou e continua a nos enviar. Assumo esta responsabilidade diante delas também, de todas, e de cada uma em particular, pois uma alma tem um valor infinito. E, na Igreja, não esqueçam jamais, na Igreja, a lei das leis, a lei que prima sobre todas as outras, é a salvação das almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isto não é conversa fiada, não é o sínodo, não é o ecumenismo, não são as experiências litúrgicas, as novas ideias, as novas evangelizações, é a salvação das almas. É a lei das leis. E esta lei, temos o dever, todos, cada um em sua posição, de observar e nos consumir totalmente para observar esta lei. Por quê (Concluo)? Porque, hoje, Nossa Senhora e Nosso Senhor nos ensinam que durante sua existência, aqui sobre a terra, eles não tiveram outra ideia, outro propósito senão aquele de salvar as almas. E como se dizia, de um modo ou de outro, cada um dentre nós, conforme seus talentos, conforme sua posição, deve fazer tudo o que pode, deve dar sua contribuição para salvar sua própria alma e a dos outros.<strong> Amém.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong> </strong></span></p>
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		<title>A CASA GERAL DA FSSPX ANUNCIA FUTURAS SAGRAÇÕES</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 10:54:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[Comunicado de imprensa datado de 2 de fevereiro de 2026. Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est Neste dia 2 de fevereiro de 2026, Festa da Purificação da Bem-Aventurada Virgem Maria, o Revmo. Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-casa-geral-da-fsspx-anuncia-futuras-sagracoes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/a7v00551.jpg?itok=GbNqECT0" alt="" width="475" height="274" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Comunicado de imprensa datado de 2 de fevereiro de 2026.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/la-maison-generale-la-fsspx-annonce-futurs-sacres-57009">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste dia 2 de fevereiro de 2026, Festa da Purificação da Bem-Aventurada Virgem Maria, o Revmo. Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, durante a cerimônia de tomada da batina que presidiu no Seminário Internacional Saint-Curé-d&#8217;Ars, em Flavigny-sur-Ozerain, França, anunciou publicamente sua decisão de confiar aos Bispos da Fraternidade a tarefa de realizar novas sagrações episcopais, no próximo dia 1º de julho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em agosto passado, ele solicitou uma audiência com o Santo Padre, dando-lhe a conhecer seu desejo de expor filialmente a situação atual da Fraternidade São Pio X. Em uma segunda carta, ele falou explicitamente sobre a necessidade particular da Fraternidade de assegurar a continuidade do ministério de seus bispos, que há quase 40 anos viajam pelo mundo para atender aos numerosos fiéis ligados à Tradição da Igreja e desejosos de receber os sacramentos da Ordem e da Confirmação, para o bem de suas almas.</span><span id="more-34225"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após muita reflexão, em oração, e de receber da Santa Sé, nos últimos dias, uma carta que não responde de forma alguma às nossas solicitações, o Pe. Pagliarani, apoiado pela opinião unânime do seu Conselho, considera que o estado objetivo de grave necessidade em que se encontram as almas exige tal decisão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/mensagem-do-superior-geral-da-fsspx-e-seus-assistentes-por-ocasiao-do-50o-aniversario-da-declaracao-de-21-de-novembro-de-1974/">As palavras que ele escreveu em 21 de novembro de 2024, por ocasião do 50º aniversário da histórica declaração de D. Marcel Lefebvre</a></span>, refletem, mais do que nunca, seus pensamentos e intenções:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“É somente na Igreja de sempre e em sua Tradição constante que encontramos a garantia de estar na Verdade, de continuar a pregá-la e a servi-la. […] </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;A Fraternidade [ </em><em>de São Pio X] </em><em>não busca, antes de tudo, a sua própria sobrevivência: busca primordialmente o bem da Igreja universal e, por essa razão, é por excelência uma obra da Igreja, que, com uma liberdade e força únicas, responde adequadamente às necessidades específicas de uma época trágica sem precedentes.&#8221; </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Este único objetivo continua sendo o nosso hoje, assim como era há 50 anos: ‘É </em><em>por isso que, sem qualquer rebeldia, amargura ou ressentimento, continuamos nossa obra de formação sacerdotal sob a estrela guia do Magistério de sempre, convictos de que não podemos prestar um serviço maior à Santa Igreja Católica, ao Sumo Pontífice e às gerações futuras</em> (<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/declaracao-do-ano-de-1974/">D. Lefebvre, <em>Declaração de 21 de novembro de 1974</em> </a></span>)’”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nos próximos dias, o Superior Geral fornecerá explicações adicionais sobre a situação atual e sobre sua decisão.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Nos cum Prole pia benedicat Virgo Maria.</em></span><br />
<em><span style="color: #000000;"> Que a Virgem Maria nos abençoe, junto a seu divino Filho.&#8221;</span></em></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Menzingen, 2 de fevereiro de 2026</span></p>
<p style="text-align: center;">************************</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">PARA MAIS INFORMAÇÕES E ESTUDOS SOBRE AS SAGRAÇÕES, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-do-blog-as-sagracoes-da-fsspx/">CLIQUE AQUI</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>ACESSE TAMBÉM NOSSO &#8220;ESPECIAL DOS ESPECIAIS&#8221; SOBRE TEMAS COMO OBEDIÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></span></p>
<p><img class="aligncenter" src="https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTybxKul2nwOGxiaIaGwPm1tKQ7hiD2K7hlww&amp;s" alt="Santa Fe Pilgrimage - Kansas | District of the USA" /></p>
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		<title>D. DAVIDE PAGLIARANI: CREIO NA IGREJA “UNA” – REFLEXÕES SOBRE O CONCEITO DE PLENA E NÃO PLENA COMUNHÂO</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Dec 2025 13:54:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
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		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[“É absolutamente insustentável o princípio de que a Unidade deve ser recomposta: é devido, ao invés, cumprir todos os esforços para recolher os “separados” na Unidade que a Igreja jamais perdeu e jamais perderá“. Fonte: Salve Regina &#8211; Tradução Gederson Falcometa É &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/d-davide-pagliarani-creio-na-igreja-una-reflexoes-sobre-o-conceito-de-plena-e-nao-plena-comunhao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p align="justify"><img class="aligncenter" src="https://i0.wp.com/1.bp.blogspot.com/-KVFVmHnNnrs/T4MPOV1yqTI/AAAAAAAAAOc/y5dQvY3UfTA/s320/foto-basilica-sao-pedro-04.jpg?resize=482%2C262" alt="" /></p>
<p align="justify"><b>“<i>É absolutamente insustentável o princípio de que a Unidade deve ser recomposta:</i></b><i> é devido, ao invés, cumprir todos os esforços para recolher os “separados” na Unidade que a Igreja jamais perdeu e jamais perderá</i>“.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://falcometa.blogspot.com/2012/06/creio-na-igreja-una-reflexoes-em-merito.html">Salve Regina</a></span> &#8211; Tradução Gederson Falcometa</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É agora comum no vocabulário a expressão de “comunidade cristã” em “não plena comunhão” com a Igreja, e através deste conceito serem justificadas as inumeráveis iniciativas ecumênicas as quais assistimos. Mas examinando-a à luz da doutrina tradicional, descobrimos que isso é incompatível com a própria natureza da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre os elementos mais significativos introduzidos pela eclesiologia do Concílio Vaticano II há, como se pode notar, uma noção “analógica” do conceito de comunhão com a Igreja; referimo-nos a concepção que admite a possibilidade de união com a Igreja Católica em vários graus ou níveis: se temos assim uma plena comunhão e uma não plena comunhão, que então, se obtermos as consequências mais lógicas deste princípio, podem ser declinadas em mil modos: uma comunhão imperfeita, uma comunhão “as margens”, uma comunhão crescente, uma comunhão virtualmente existente, etc…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este elemento, longe de revestir um interesse puramente acadêmico, é na realidade indispensável para assegurar dinamismo ao movimento ecumênico e, sobretudo para dar um fundamento eclesiológico as convergências (1) sobre o qual esse se funda e que entende estimular: estamos persuadidos que exatamente neste ponto se encontre principalmente o elemento doutrinal mais necessário e funcional a tal escopo. Na verdade todos os elementos cristãos presentes nas falsas Igrejas (a definição é obviamente incompatível com a nova eclesiologia) são apresentados como um reclamo a unidade da qual a Igreja Católica possuí em plenitude. Neste sentido eles já estariam operando e de alguma forma se delineariam já positivamente como fundamento de uma certa unidade: a comunhão já está presente ainda se não é ainda plena; é a não plena comunhão, mas contudo, comunhão.</span><br />
<span id="more-33980"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para dar um exemplo, nesta perspectiva o sacramento do batismo administrado nas igrejas luteranas ou a fé em Cristo Salvador, sendo materialmente elementos comuns com o Catolicismo, seriam já fundamento de uma certa unidade em nome da qual se pode já pregar juntos ou se podem organizar encontros ecumênicos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Notamos, no momento, que neste dinamismo não existe espaço para a conversão, mas só para uma alegada convergência comum que deve ser estimulada sempre mais para reconstruir a Unidade originária destruída pelo pecado de todos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Notamos também – com uma pitada de compreensível ironia – que mesmo os “lefebvrianos” estariam neste estado de não plena comunhão com a Igreja, mas, contudo em comunhão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na realidade para ser fiel a Tradição constante da Igreja, um “lefebvriano” como todo católico se vê obrigado a recusar o emprego desta noção. A comunhão com a Igreja é por natureza uma realidade unívoca e indeclinável: ou se é em comunhão ou não se é. Ou se pertence à Igreja ou não se pertence. Nas reflexões que seguem procuraremos ilustrar por que.</span></p>
<p class="separator"><a title="O triunfo da Igreja sobre a heresia estátua de Pierre Le Gros, na Igreja de Jesus Roma" href="https://i0.wp.com/1.bp.blogspot.com/-JEqrGcb9VeI/T4MN1HEYKNI/AAAAAAAAANs/yZVQwugFjas/s1600/Texto1.png"><img class="aligncenter" src="https://i1.wp.com/1.bp.blogspot.com/-JEqrGcb9VeI/T4MN1HEYKNI/AAAAAAAAANs/yZVQwugFjas/s320/Texto1.png?resize=489%2C268" alt="" width="489" height="268" border="0" data-recalc-dims="1" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>A nova orientação eclesiológica</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de entrar no coração das nossas considerações, parece oportuno dizer uma palavra sobre a atual orientação eclesiológica sobre este ponto crucial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se tenha bem presente que as análises da teologia contemporânea do fenômeno das divisões entre os cristãos se baseia sobre critérios puramente historicistas e naturalistas. As separações seriam fruto de ciúmes, brigas, caprichos, de pecado, dos quais todos os cristãos teriam se manchado no curso dos séculos. Consequentemente o movimento ecumênico seria a recomposição da Unidade iniciando a partir de uma autêntica purificação da memória para cancelar os vestígios de pecado que ainda permanecem. Deste pecado teria sido manchada de qualquer forma também a Igreja Católica igual aos outros: este primeiro elemento fornece já uma útil chave de leitura para o clamoroso meaculpismo do qual somos os espectadores nestes últimos anos, no qual é a instituição a ser envolvida e a ser responsabilizada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dizemos subitamente que este status quaestionis é inaceitável e, sobretudo pressupõem uma solução de Unidade que não é católica. O pecado contra a Unidade é um pecado contra a Igreja Católica é inadmissível que Está seja, mais ou menos diretamente, arrastada sobre o banco dos imputados quando não outro que a única vítima de todos os cismas e de todas as divisões entre os cristãos que a história conheceu. O verdadeiro pecado do qual é preciso se purificar para reentrar na Unidade se chama “cisma” e por definição se trata de um pecado que não pode ser cumprido pela Igreja (2) nem de quem é membro da Igreja, porque no momento no qual é cometido se separa da própria Igreja. É o pecado de separação dos “irmãos separados” e, necessariamente, não pode ser ninguém além deles(3).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não esqueçamos que o movimento ecumênico nasce e se desenvolve em ambiente protestante, bem antes do Concílio; ter aceitado as regras do jogo, apenas a partir do Concílio, pressupõem um inadmissível desprezo pela Igreja do passado, considerada de qualquer modo culpada, e pela obra generosa de dezenas de Papas e Santos que são prodigalizados por reclamar ao único rebanho os “irmãos separados”, através da reconversão ao Catolicismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Notamos também que neste contexto a noção clássica de “cisma” perde na prática o seu significado tradicional; o pecado contra a Unidade da Igreja torna-se mais o pecado de quem recusa o ecumenismo e a tipologia da recomposição que este propõe: está recomposição, porém tende a uma forma de unidade absurda e improponível a consciência católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>É absolutamente insustentável o princípio de que a Unidade deve ser recomposta:</b>é devido, ao invés, cumprir todos os esforços para recolher os “separados” na Unidade que a Igreja jamais perdeu e jamais perderá.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>-1- </b><b>A Igreja é o Corpo Místico de Cristo</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo não devemos esquecer que a peculiaridade da Igreja é de ser uma sociedade essencialmente sobrenatural na qual se encontram e se harmonizam o elemento humano e o elemento divino. Isto pressupõe, na questão que nos ocupa, o critério de avaliação diverso daquele comumente utilizados no examinar uma sociedade puramente natural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para bem definir o problema devemos então focalizar a atenção sobre o fato que a Igreja é, na História e através da História,, a continuação da obra de Encarnação, sem a qual Essa seria impensável. Porque o Verbo assumiu uma natureza humana completa e uniu de forma perfeita na Sua pessoa as duas naturezas humana e divina, a continuação no tempo desta obra se realiza na instituição que Ele fundou e que o representa a um título único e exclusivo, na qual – e somente na qual – os homens encontram e assumem todos aqueles elementos sobrenaturais necessários a sua santificação e a sua incorporação a Cristo mesmo, do qual o Corpo Místico tornam-se membros através do Batismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma vez incorporados a Cristo, os homens, permanecendo tais, são revestidos pela graça e pelos dons do Espírito Santo, isto é por elementos puramente sobrenaturais: neste sentido a Igreja é a continuação da Encarnação na História.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sobretudo devemos notar como a união das duas naturezas na Pessoa do Verbo representa o que é mais original, inseparável e indivisível pudesse ser realizado e isto por uma razão bem precisa; A pessoa na verdade é “irrepetível”, para usar um termo caro a mesma filosofia moderna. Isto significa que não pode existir mais de uma unidade na mesma pessoa, mais do que isso, enquanto na pessoa é alcançado o apogeu da unidade. Está unicidade é tão absoluta que toda pessoa representa uma realidade única, perfeita e completa.  Se pode existir no criado mais gatos ou mais cavalos, existe um só Júlio César ou um só Roberto Bellarmino: a pessoa é então um unicum irrepetível e incomunicável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Consequentemente uma pessoa que fosse divindade nas partes essenciais que a compõem, como alma e corpo, ou que por absurdo fosse repetida, como se fossem dois Júlio César, cessaria simplesmente de ser pessoa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas se isto é verdade de uma pessoa humana, quanto mais isto é verdadeiro de uma pessoa divina e – analogicamente – do seu Corpo Místico(4) que continua a missão nos séculos?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por conseguinte e por analogia, os membros deste Corpo cuja cabeça é Nosso Senhor, não podem ser parcialmente ligados a cabeça: ou eles são parte integrante do corpo ou não são mais parte do corpo de nenhum modo; ou existem no seu Corpo Místico Perfeito ou esse não podem existir em qualquer outro lugar, como se fossem seus membros imperfeitamente unidos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O constatamos na realidade: para um membro não existe um estado intermediário no esse ao mesmo tempo pertence e não pertence ao nosso corpo; isto deve ser absolutamente admitido, sob pena de perda ou diminuição daquela perfeição absoluta e intrínseca da Igreja que se chama Unidade: a comunhão com a Igreja é uma só, porque se a Unidade da Igreja pudesse ser declinada em modalidade imperfeita cessaria simplesmente de ser Unidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade isto que por essência e por definição é perfeito – e então único e absoluto – não subsistiria mais, isto é cessaria de existir, no momento no qual ele pode ser inferior a perfeição única e admissível que específica e o caracteriza: em tal caso começaria a ser uma outra coisa, com outras características(5).</span></p>
<p class="separator"><a title="Lavagem dos pés. Giotto Capela dos Scrovegni" href="https://i1.wp.com/4.bp.blogspot.com/-oS4-MaUmhWA/T4MN9W1bzAI/AAAAAAAAAN0/Y64O_VRQg1E/s1600/texto+2.png?resize=543%2C281"><img class="aligncenter" src="https://i1.wp.com/4.bp.blogspot.com/-oS4-MaUmhWA/T4MN9W1bzAI/AAAAAAAAAN0/Y64O_VRQg1E/s1600/texto+2.png?resize=543%2C281" alt="" width="543" height="281" border="0" data-recalc-dims="1" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>Os precedentes históricos</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A eclesiologia contemporânea a qual fazemos referimento é decisivamente nova. Todavia, a raiz do erro que não está sujeito a qualquer coisa nova e historicamente coincidiu com a maior disputa cristológica que a História já conheceu.  Na verdade desde os primeiros séculos da era cristã o demônio procurou atentar contra o dogma fundamental expressão da verdade fundamental através do qual foi derrotado: a Encarnação, que é a união das duas naturezas na Pessoa do Verbo. Este duelo histórico, que conheceu mil diversificações e dificuldades, alcançou seu apogeu no seu encontro entre São Cirilo de Alexandria e Nestório no quinto século.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se deve então surpreender se a Unidade, qual prerrogativa única e inderrogável da Igreja Católica, Corpo Místico do Verbo Encarnado, seja hoje o dogma mais atacado e ofuscado pelas novas concepções eclesiológicas. Como no quinto século foi atacada a Unidade na Pessoa do Verbo, assim hoje essa é atacada na sua Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>A conversão não é um resultado aritmético</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de prosseguir, entendemos precisar que as nossas considerações tem por objeto os grupos cristãos não católicos, aos quais foi reconhecida qualquer eclesialidade ou, contudo um estatuto legítimo de comunidade constituída; mantendo-se então sobre um plano estritamente eclesiológico, não entramos em considerações ligadas a pessoais percursos de conversão que podem ter lugar em um ou outro indivíduo pertencente a uma destas comunidades(6).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Também entendemos esclarece sobre um ponto que tocaremos ainda no curso das nossas reflexões: se trata de numerosos elementos comuns que o catolicismo tem com as diferentes confissões cristãs. É inegável, por exemplo, que a Igreja tenha muito em comum com os ortodoxos e consequentemente apareceria evidente uma <i>não plena</i>, mas significativa comunhão eclesial(7). Como primeiro e fundamental elemento de resposta tenhamos presente que está comunhão se baseia unicamente sobre a presença de elementos comuns considerados na sua materialidade; as nossas reflexões ao invés entendem evidenciar o valor formal destes elementos em relação a Igreja e a sua particular natureza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O escopo desta distinção pode ser evidenciado com um exemplo concreto: não é óbvio que aqueles que têm em comum, a nível material, um grande número de elementos com a Igreja católica se converta mais facilmente e mais rapidamente do que aqueles que ao invés falta. Por exemplo, um não cristão poderia converter-se mais facilmente que um ortodoxo, embora este último tenha certamente “em comum” com a Igreja muito mais. Na verdade, se pode talvez afirmar o contrário: quem tem pouco ou nada em comum com a Igreja pode converter-se mais facilmente do que quem, em teoria, com o catolicismo compartilha quase tudo, mas tem aquela hostilidade para com a Igreja típica de quem se manchou com o pecado de cisma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E a História esta ai para demonstra-lo: no último milênio a Igreja conseguiu converter milhões de pagãos, enquanto o número de reconvertidos do cisma do Oriente foi sempre baixo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então fundar a “reconstrução” da Unidade sobre a base de quantidade de elementos em comum entre as diversas confissões cristãs tomadas exclusivamente em seu aspecto numérico, significa analisar o problema sobre um plano puramente material e não ter em conta a realidade dos fatos e da verdadeira natureza do problema.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>-2- </b><b>A Igreja é a esposa de Cristo</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Bem conhecida é a analogia que São Paulo mesmo (8) utiliza para definir a Igreja como Esposa de Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na realidade já no Evangelho Nosso Senhor utiliza freqüentemente o tema do banquete nupcial para apresentar o mistério da Igreja; está imagem recorrente encontra a sua expressão mais solene e definitiva no Apocalipse de João, no qual a eternidade beata é ilustrada através do ícone das nupcías entre a Igreja e o Cordeiro(9).</span></p>
<p class="separator" style="text-align: justify;"><a title="O Cordeiro Místico, descrito no livro do Apocalipse. Político de Van Eych." href="https://i1.wp.com/2.bp.blogspot.com/-S_Z4bt18zu0/T4MOF8V-NJI/AAAAAAAAAN8/9-joL-057hM/s1600/texto3.png"><img class="aligncenter" src="https://i0.wp.com/2.bp.blogspot.com/-S_Z4bt18zu0/T4MOF8V-NJI/AAAAAAAAAN8/9-joL-057hM/s320/texto3.png?resize=535%2C347" alt="" width="535" height="347" border="0" data-recalc-dims="1" /></a><br />
<span style="color: #000000;">Porque o Novo Testamento privilegiou está analogia, em meio a tantas outras, a um título particular?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Matrimônio significa antes de tudo união estável e definitiva, exatamente aquilo que Nosso Senhor quer realizar com sua Igreja e através Dessa com as almas, membros do seu Corpo Místico. É evidente que as duas figuras da Esposa e do Corpo Místico se cruzam: onde existe autêntica união conjugal, marido e mulher se tornam um.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, um matrimônio para ser válido deve antes de tudo voltado para a perpetuidade e a fidelidade absoluta e recíproca: sem estes pressupostos simplesmente não existe matrimônio válido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sobretudo notamos como o empenho a fidelidade absoluta e recíproca exprima e proteja a sacralidade do vínculo conjugal a tal ponto que uma só sombra contrária a este empenho repugna e aparece incompatível com o vínculo conjugal mesmo: aqui mais que em qualquer outro elemento encontramos significada a natureza do vínculo que Cristo quer com a Sua Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este vínculo é único por duas ordens da razão. Antes de tudo ele pode existir validamente em um só caso: assim como a comunhão entre dois esposos pode existir só em um único caso e específico, enquanto um matrimônio é impedimento a um segundo matrimônio, assim a união entre Cristo e a Igreja pode existir só em um único caso preciso. Em segundo lugar este vínculo, onde existe, não pode ser declinado – ou diluído – em forma diversa: ele existe só em uma modalidade absoluta e perfeita.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim como a união verdadeira e legítima entre os conjugues existe só no matrimônio e não pode existir entre dois falsos “conjugues” que recusam – por exemplo – as obrigações do matrimônio, assim a união entre Cristo e a Igreja existe só na sua forma perfeita, ou seja, na única Igreja querida e fundada por Ele (10). Em termos mais simples um matrimônio ou é válido ou inválido; se é válido é necessariamente perfeito (11).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nesta perspectiva – que é a única admissível – o conceito de unidade parcial, de não plena comunhão das falsas igrejas ou comunidades, aparece mais como uma tentativa de legitimação de uma união espúria ou de um matrimônio falso: ainda mais absurdo aparece a tentativa de valorizar este tipo de união como um elemento positivo e intrinsecamente válido para alcançar a perfeita união com Cristo na Igreja. Não é nunca demais repetir: seja sobre o plano teológico seja sobre o plano histórico uma falsa Igreja não é um meio para alcançar a “plena comunhão”, mas um instrumento funcional a manter longe as almas da única verdadeira Igreja(12).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sobretudo a perspectiva criada pelo conceito de não plena comunhão pretende impor a Nosso Senhor das “esposas” de segundo classe que não se escolheu e que não pode aceitar como tais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ainda uma vez só a ideologia ecumênica poderia produzir um erro de tal magnitude, com o único resultado de provocar confusão e diminuição da fé na Unidade e Unicidade da Igreja Católica e – consequentemente – obscurecendo aos olhos dos errantes a necessidade absoluta de pertencer a Mesma ou de reconverter-se a Ela.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>-3- </b><b>A Unidade da Igreja se funda sobre a adesão sobrenatural ao Único Verdadeiro</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devemos agora interrogar sobre os elementos que asseguram a Unidade da Igreja para em seguida aplicar as devidas conclusões ao problema que nos interessa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como é ensinado pela doutrina clássica existem na Igreja três fatores de unidade: a unidade de fé, a unidade de governo e a unidade de culto. Isto significa que na Igreja deve existir uma única fé, um único governo e uma única liturgia com os mesmos sacramentos e com ritos substancialmente equivalentes. Estes três fatores obviamente representam um unicum e não é possível escolher um excluindo um outro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto a fé tem uma prioridade lógica sobre os outros dois elementos, enquanto fundamento da vida cristã, porta e pressuposto fundamental de todas as outras virtudes sobrenaturais. Não por acaso a fé é a primeira coisa que o batizando pede a Igreja. A fé procura a vida eterna: é a segunda afirmação do batizando. Os sacramentos não fazem outro que fazer frutificar o germe da fé seminado com o batismo e o governo mesmo da Igreja não tem outro fim senão aquele de conduzir às almas a vida eterna. Neste unicum a fé tem então uma prioridade lógica. Focalizaremos então a nossa atenção de fé católica entendida como fator fundamental de unidade: isto permitirá dissipar alguns graves equívocos ao qual já tínhamos acenado e evidenciado imediatamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se de fato estamos unidos no professar a mesma fé, com todos os seus dogmas, parecerá que existe realmente uma certa unidade com a profissão de fé luterana (só para dar um exemplo), enquanto cremos ambos em alguns dogmas: a divindade de Cristo, a vida eterna, a necessidade do batismo, o inferno, etc… Bem, sustentam os fautores do ecumenismo, é sobre este pontos comuns de elementos essenciais que devem ser aproveitados para reconstruir a unidade perdida por causa do pecado. Neste sentido os luteranos estariam em uma certa comunhão com a Igreja. Ainda mais o seriam os anglicanos e ainda mais os ortodoxos, enquanto compartilham conosco quase todos os dogmas.</span></p>
<p><a href="https://i1.wp.com/1.bp.blogspot.com/-kqYgbezrZsg/T4MONO1hCxI/AAAAAAAAAOE/Ck755tgTSHA/s1600/texto4.png"><img class="aligncenter" src="https://i1.wp.com/1.bp.blogspot.com/-kqYgbezrZsg/T4MONO1hCxI/AAAAAAAAAOE/Ck755tgTSHA/s1600/texto4.png?w=900" alt="" border="0" data-recalc-dims="1" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Infelizmente a perspectiva é errada e reduz a fé a um conjunto de enunciados mais ou menos compartilhados pelas diversas confissões. Se trata de uma visão decisivamente “horizontal” e material de informações que deveriam ao invés ser levadas em consideração permanecendo sobre o plano sobrenatural que respeita a natureza intrínseca da virtude teologal da fé: é a “fé” vista por quem não mais a fé ou a está perdendo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De um ponto de vista formal a Unidade que distingue quem professa a verdadeira fé não se baseia simplesmente sobre uma suma mais ou menos idêntica de dogmas, mas sobre o fato que nós nos submetemos sobre a autoridade de Deus que se revela e que fala através da Igreja: é este o motivo fundamental de Unidade para quem professa a fé católica. Ora, a autoridade de Deus que se revela não pode ser que Una porque Deus é Uno (obviamente com tais premissas e conteúdos dogmáticos não podem que ser absolutamente idênticos).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto aqueles que acreditam em alguma coisa ou mesmo em quase todos os dogmas católicos, não pode fazê-lo pela mesma razão que nós indicamos, mas com base em persuasões ou convicções de outra natureza, o que excluí qualquer tipo de comunhão no sentido formal do termo. Resta apenas um traço comum, mais ou menos alargado, de tipo material e fenomenológico(13).</span></p>
<p><a title="Sobre qual critério de “unidade” se fundam as varias plantas reuniões ecumênicas das quais somos espectadores?" href="https://i0.wp.com/2.bp.blogspot.com/-Ou4IedlRlWU/T4MOl5zTVzI/AAAAAAAAAOM/e33T6VnaZr4/s1600/texto5.png"><img class="aligncenter" src="https://i0.wp.com/2.bp.blogspot.com/-Ou4IedlRlWU/T4MOl5zTVzI/AAAAAAAAAOM/e33T6VnaZr4/s1600/texto5.png?w=900" alt="" border="0" data-recalc-dims="1" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em termos mais simples: qualquer um que compartilhasse todas as verdades ensinadas pela Igreja exceto  ainda que uma de fato no crer em todas as outras o faria não por obediência a Igreja, mas apenas a sua própria razão. Então também sobre o plano quantitativo e material teria muito em comum com o catolicismo, sobre o plano da fé (que como temos visto é aquele fundante de todos os outros) não se distinguiria substancialmente de quem recusa todos os dogmas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><b>-4- </b><b>O fim da Igreja é a salvação das almas</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente devemos nos interrogar sobre a finalidade específica da comunhão com a Igreja. Na verdade também sobre este ponto existem graves equívocos: a pertença a Igreja freqüentemente reduzia a um mero sinal de identidade cultural ou religiosa, legitimado, sobretudo pela tradição local própria aos países católicos, o que justifica de fato qualquer percurso alternativo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://i2.wp.com/4.bp.blogspot.com/-2WQCqmmnDvw/T4MOsltPQ7I/AAAAAAAAAOU/W6NhEr9WqAE/s1600/texto6.png"><img class="aligncenter" src="https://i0.wp.com/4.bp.blogspot.com/-2WQCqmmnDvw/T4MOsltPQ7I/AAAAAAAAAOU/W6NhEr9WqAE/s400/texto6.png?resize=170%2C400" alt="" width="170" height="400" border="0" data-recalc-dims="1" /></a><span style="color: #000000;">Na realidade o problema é decisivamente mais grave e deve ser avaliado em relação a missão da Igreja, fora da Qual não existe salvação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A pertença a Igreja é então postulada por está verdade dogmática e o será em termo proporcional a magnitude desta mesma verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, a salvação como tal representa ao mesmo tempo o fim último da vida de todo homem e a razão de ser da Igreja. É uma realidade que não pode ser nem declinada e nem diluída: formalmente falando não é possível estar em um estado de quase salvação, de não plena salvação, de parcial salvação, nem teria sentido propor a qualquer um uma salvação imperfeita como um bem para a sua alma. Infelizmente a única alternativa a salvação é a danação, sem alguma sombra intermediária.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Consequentemente o vínculo com a Igreja (a comunhão), através da qual a salvação é veiculada, não pode em nenhum caso ser parcial sem ser absurda e então inexistente.</span></p>
<div><span style="color: #000000;"><b>A oração de Jesus para a Unidade (14)</b></span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entendemos concluir as nossas reflexões com qualquer consideração sobre a célebre oração de Nosso Senhor pela Unidade. Trata-se da notável passagem do Evangelho de São João (17, 11-21) na qual Jesus ora ao Pai afim que conceda o dom da Unidade aos apóstolos e aos crentes. A célebre passagem é sistematicamente utilizada para justificar o movimento ecumênico, o qual se auto certifica como resposta fiel ao ensinamento e a vontade explícita de Jesus expressa nesta mesma oração.  Na realidade, paradoxalmente está própria oração de Jesus desmonta e condena tal movimento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade, quando Jesus pede qualquer coisa ao Pai, a sua oração é sempre infalível, isto é ele obtém sempre aquilo que pede(15): Jesus é Sumo Sacerdote e então Sumo Mediador, estabelecido como tal pelo Pai. Isto acontece sempre e necessariamente a menos que a mesma oração seja condicional, como acontece no Getsêmani, quando Jesus submete a vontade do Pai o êxito da sua solicitação. Na oração pela Unidade isto não acontece: Jesus pede a Unidade para a Sua Igreja como um bem absoluto e necessário. Portanto, Ele não pode senão que obtê-la e o Pai não pode senão que concedê-la. Se trata da Unidade absoluta, prerrogativa inamovível, da qual temos tratado, que a Igreja não poderá jamais perder e que não pode existir nem ser procurada, nem ser reconstruída do lado de fora Dela.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: Revista Tradizione Cattolica – FSSPX Itália</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">_____________________</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(1) «Convergência» é o termo empregado por Teilhard de Chardin – e mais tarde, abraçada pela maioria dos teólogos contemporâneos – para substituir o tradicional conceito de conversão, considerado obsoleto. Tratar-se-ia, em síntese, de fazer somente “convergir” todas as confissões cristãs evidenciando aquilo que elas tem em comum ao invés daquilo que a separa, “bypassando” deste modo o problema da conversão com tudo aquilo que essa comporta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(2) Cfr. Sillabus, proposição condenada 38: «A divisão da Igreja em oriental e ocidental, contribuíram os excessivos arbítrios dos romanos pontífices».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(3) Não entendemos esconder o fato que também componentes linguísticos, históricos e humanos entraram em jogo, mas nenhum destes, nem sequer considerado em seu conjunto, pode ser considerado motivo suficiente de um ato tão grave como aquele da separação da Sé Apostólica. Seja naquilo que diz respeito as Igrejas vetero-orientais que aquelas ortodoxas, a historiografia contemporânea minimiza o problema dogmático acentuando muito as incompreensões linguísticas e as recíprocas tendências prevaricadoras. O problema essencial permanece ao invés o seguinte: «Não basta aceitar de boa mente os antigos documentos do magistério eclesiástico, mas que é também necessário abraçar com ânimo submisso e fiel tudo aquilo que a Igreja, com a força de sua autoridade suprema, nos manda crer”.» (Pio XII, Orientalis Ecclesiae). Nem é prova o fato que depois da Declaração cristológica comum entre a igreja assíria do Oriente, firmada em 1994 respectivamente por João Paulo II e Mar Dinkha IV, a igreja assíria persiste em uma situação de cisma, sinal evidente que outro é aceitar uma definição e outro aceita-la em função da autoridade da Sé Apostólica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(4) A Igreja, para ser precisa, não é uma pessoa mas uma societas. Todavia, igual a pessoa, a Igreja é Una.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(5) Está conclusão pode facilmente ser suportada por um simples argumento filosófico. Onde existe um movimento em direção a uma perfeição última existe necessariamente um estado atual de imperfeição. Mais precisamente: onde subsiste uma potência a qualquer perfeição, significa que está última não está perfeitamente em ato. Se então a Unidade da Igreja pudesse subsistir também em formas não perfeitas, em direção a um progressivo aperfeiçoamento, significaria atribuir a Unidade mesma da Igreja a uma imperfeição inadmissível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(6) Portanto além das nossas reflexões a questão do batismo no voto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(7) Vale a pena gastar algumas linhas sobre este ponto. O Vigário de Cristo na terra, isto é o legítimo sucessor de São Pedro, não é um “elemento adicional” com ou sem o qual a Igreja permanece a mesma. O Sumo Pontífice é o vínculo visível da unidade, como a cabeça o é para o corpo inteiro. Portanto, removido este vínculo, não temos mais um corpo, mas um conjunto de membros descerebrados. O afirmava claramente Pio XII: «Em erro perigoso estão, pois, aqueles que julgam poder unir-se a Cristo, cabeça da Igreja, sem aderirem fielmente ao seu vigário na terra”. Suprimida a cabeça visível e rompidos os vínculos visíveis da unidade, obscurecem e deformam de tal maneira o corpo místico do Redentor, que não pode ser visto nem encontrado de quantos demandam o porto da eterna salvação» (Pio XII, Mystici Corporis). Analogamente sustentar uma eclesiologia que explicitamente recusa o primado petrino (nos seus sucessores) como pertencente ao ensinamento de Nosso Senhor tem, portanto, repercussões em toda a doutrina sobre a Igreja, que historicamente  lhe conduziu a um acentuado cesaropapismo e ao real problema da sintonia entre os diversos patriarcas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(8) Cfr. 1 Cor 6, 15-17; 2 Cor 11, 2.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(9) Cfr Ap 22, 17; Ef 1, 4; 5, 27.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(10) O desenvolvimento da analogia pode ulteriormente corroborar o conceito. Os dois esposos depois do matrimônio, são uma só carne (cfr. Mt 19,6). Sobre o plano ontológico, então, entre um momento antes e um momento depois o matrimônio há uma diferença abissal. Vice-versa, no curso do noivado existe sem outro uma longa maturação que, entre o início e o período final imediatamente precedente ao matrimônio, leva, a nível humano, os dois noivos a um conhecimento muito maior. Porém, a nível ontológico, nada muda. Que os dois noivos se conheçam apenas ou que se conheçam já perfeitamente (como o dia antes do casamento), sua união conjugal, até não se casarem é ontologicamente  sempre a mesma: isto é nada, simplesmente não existe; sobretudo notamos como os dois noivos em todo momento estão privados de qualquer vínculo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma distinção análoga pode ser aplicada a realização que intercorre entre as comunidades acatólicas e a Igreja. Entre uma comunidade calvinista e uma “igreja” ortodoxa existe certamente grande diferença sobre o plano material, mas sobre aquele ontológico nenhum: ambos não tem nenhuma união formal com a Igreja; próprio como dois noivos não tem nenhuma união matrimonial tanto um ano quanto um dia antes do matrimônio: não podem ser “imperfeitamente esposados” ou em estado de “não pleno matrimônio”! Ontologicamente, então, a união ou subsiste na sua forma completa ou não subsiste absolutamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(11) O nosso raciocínio se move naturalmente entre o plano ontológico, no qual isto que faz a validade é o conjunto e a perfeição dos requisitos, a prescindir dos limites e das dificuldades humanas e psicológicas que investem ao invés o plano pessoal e fenomenológico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(12) É supérfluo repetir que isto vale para as falsas religiões enquanto tais, a prescindir das disposições subjetivas de quem lhe faz parte. Enquanto tais, na verdade, não podem jamais ser instrumentos de salvação, característica própria só da religião católica e isto por instituição divina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(13) Se note que, neste caso, não importa a intensidade subjetiva do ato de fé; é bem verdadeiro que um adventista ou um mórmon pode ter uma “fé” muito mais intensa (ou fanática) que um católico e este último pode ser tíbio como freqüentemente acontece: isto que estamos analisando é a natureza intrínseca do ato de fé entendido como tal e os requisitos necessariamente devem ter para poder existir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(14) Assinalamos sobre este tema o ótimo Pier Carlo Landucci, O verdadeiro significado de: «Ut unum sint» (Gv 17, 11.21), in Renovatio, anno XVII, n. 1, 1983.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(15) Suma Teológica, III, Q. 21, art. 4.</span></p>
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		<title>ENTREVISTA COM O SUPERIOR GERAL DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X ACERCA DA PUBLICAÇÃO DE MATER POPULI FIDELIS</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 14:17:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;A negação do título de “corredentora” equivale a depor a Santíssima Virgem de seu reinado, e isso fere a alma católica no que lhe é mais caro.&#8221; Fonte: FSSPX FSSPX.News: Reverendo Padre Superior Geral, um documento do Dicastério para a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sacerdotal-sao-pio-x-acerca-da-publicacao-de-mater-populi-fidelis/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/entretien_mater_populi_fidelis_2025_0.jpg?itok=3b6auLaj" alt="" width="581" height="331" /></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>&#8220;A negação do título de “corredentora” equivale a depor a Santíssima Virgem de seu reinado, e isso fere a alma católica no que lhe é mais caro.&#8221;</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sacerdotal-sao-pio-x-55461">FSSPX</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">FSSPX.News: Reverendo Padre Superior Geral, um documento do Dicastério para a Doutrina da Fé, restringindo o uso de certos títulos tradicionalmente atribuídos à Santíssima Virgem, foi publicado no dia 4 de novembro com o título Mater populi fidelis. Qual foi sua primeira reação a ela?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Don Davide Pagliarani:</strong> Confesso ter ficado em choque. Se, por um lado, o Papa Leão XIV já manifestara desejo de continuidade com seu antecessor, por outro lado eu não esperava um documento de um dicastério romano restringindo o uso de títulos, tão ricos de significado, que a Igreja tradicionalmente atribui à Virgem. Minha primeira reação foi celebrar uma Missa de reparação contra esse novo ataque à Tradição e, mais ainda, contra a Santíssima Virgem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, não é apenas o uso dos termos de “Corredentora” e “Medianeira de todas as graças” que foi posto em dúvida; é o significado tradicional desses títulos que foi deturpado. Isso é muito mais grave, porque a negação dessas verdades equivale a depor a Santíssima Virgem de seu reinado, o que fere a alma católica no que lhe é mais caro. Com efeito, a Santíssima Virgem representa, junto com a Santíssima Eucaristia, os dons mais preciosos que Nosso Senhor nos deu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O que mais o chocou?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Primeiramente, o fato de considerar o uso de “Corredentora” como “<em>sempre</em> <em>inoportuno</em>”; o que, na prática, equivale a proibi-lo. A razão que nos é dada é a seguinte: “<em>Quando uma expressão </em></span><span style="color: #000000;"><em>requer muitas e constantes explicações, para evitar que se desvie de um significado correto, não presta um bom serviço à fé do Povo de Deus e torna-se inconveniente</em><em><sup>1</sup></em>”.</span><span id="more-33875"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, o termo não é algo exótico, visto por uma vidente depois de alguma aparição duvidosa – mas uma expressão que a Igreja utiliza há séculos, cuja significação exata é dada pelos teólogos. Além disso, muitos Papas usaram essa expressão. Paradoxalmente, até mesmo João Paulo II usou esse título, várias vezes. Em seu magistério, São Pio X definiu de modo claríssimo o fundamento e o alcance da corredenção de Nossa Senhora – mesmo não usando o termo diretamente, e sim o de “reparadora da humanidade caída”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O que ele diz, exatamente?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em sua Encíclica mariana <em>Ad diem illum </em>(de 2 de fevereiro de 1904), São Pio X trata diretamente e muito claramente da corredenção, e inclusive da Mediação universal de Maria. Como ele diz:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>«E quando chegou a hora derradeira de Jesus, vemos a Virgem “aos pés da cruz”, horrorizada certamente ante a visão do espetáculo, “mas feliz porque seu Filho se oferecia como vítima pela salvação dos homens e, ademais, de tal modo partícipe de suas dores que teria preferido padecer os tormentos que cruciavam o seu Filho, tal lhe fosse dado fazer</em><em><sup>2</sup></em><em>”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Em consequência dessa comunhão de sentimentos e de dores entre Maria e Jesus, a Virgem “fez jus ao mérito de se tornar legitimamente a reparadora da humanidade decaída</em><em><sup>3</sup></em><em>” e, portanto, dispensadora de todos os tesouros que Jesus nos adquiriu por sua morte e por seu sangue. Não se pode dizer, sem dúvida, que a dispensação destes tesouros não seja de alçada própria e particular de Jesus Cristo, porque fruto exclusivo de sua morte e por Ele mesmo, em virtude de sua natureza, o mediador entre Deus e os homens. Contudo, em vista dessa comunhão de dores e de angústia, já mencionada, entre a Mãe e o Filho, foi concedido à Virgem o “ser, junto do Filho unigênito, a medianeira poderosíssima e advogada de todo o mundo</em><em><sup>4</sup></em><em>”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O manancial, pois, é Jesus Cristo: “E todos nós recebemos de sua plenitude</em><em><sup>5</sup></em><em>”, “do qual todo o corpo coligado e unido por todas as juntas que mutuamente se auxiliam, segundo a operação da medida de cada membro, efetua o aumento do corpo de si mesmo em caridade</em><em><sup>6</sup></em><em>”. Como nota com acerto S. Bernardo, Maria é, na verdade, o “aqueduto</em><em><sup>7</sup></em><em>”; ou então, essa parte média que tem por missão unir o corpo à cabeça e transmitir àquele os influxos e eficácias desta, o que vale dizer: o pescoço. Sim, diz S. Bernardino de Sena, “ela é o pescoço de nossa Cabeça, pelo qual comunica todos os dons espirituais a seu corpo místico</em><em><sup>8</sup></em><em>”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Torna-se, por conseguinte, evidente que não atribuímos à Mãe de Deus uma virtude geradora da graça, virtude esta que é só de Deus. Contudo, porque Maria excede a todos em santidade e em união com Cristo, e por ter sido associada por Ele à obra </em></span><span style="color: #000000;"><em>redentora, ela nos merece </em>de côngruo<em>, segundo a expressão dos teólogos, o que Jesus </em><em>Cristo nos mereceu </em>de condigno<em>, sendo ela ministra suprema da dispensação das graças. “Ele (Jesus) está sentado à direita da Majestade nas alturas</em><em><sup>9</sup></em><em>”. Ela, Maria, está à direita de seu Filho: “O refúgio mais seguro, o mais valioso amparo de quantos se acham em perigo; nada, pois, temos a temer sob sua conduta, seus auspícios, seu patrocínio, sua égide</em><em><sup>10</sup></em><em>”.</em><em><sup>11</sup></em>»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Citação longa, mas que contém as respostas às conclusões formuladas pela nota doutrinal do Dicastério. Por sinal, deve-se notar que a Encíclica de São Pio X é meramente mencionada numa nota de fim de texto, mas nunca citada. Compreende-se facilmente o motivo: não é compatível com a nova orientação teológica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Mas qual é, em sua opinião, o verdadeiro motivo pelo qual o Dicastério considera, agora, como “sempre inoportuno” o conceito de corredenção?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acima de tudo, a motivação é ecumênica. Devemos compreender que a noção de corredenção, tal como a de Medianeira universal, são absolutamente incompatíveis com a teologia e o espírito protestantes. Essas noções já haviam sido deixadas de lado no Concílio, depois de terem sido debatidas calorosamente – já que parte dos padres conciliares pediram a definição da mediação universal como dogma de fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa exclusão, inspirada pelo ecumenismo, teve como efeito desastroso uma diminuição da Fé. Com efeito, se não nos lembramos regularmente dos ensinamentos tradicionais sobre a Santíssima Virgem, acabamos perdendo-a. Dito de outro modo, aqueles que redigiram o documento estão verdadeiramente convencidos de que se lida com termos perigosos para a fé. Isso é catastrófico!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O texto, como um todo, reitera continuamente que a Santíssima Virgem não deve, de maneira alguma, ofuscar a unicidade e a centralidade da mediação de Nosso Senhor e de seu papel único de Redentor. Tal preocupação parece patológica – uma espécie de paranóia espiritual, inexplicável em um católico. De fato, nenhum fiel instruído acerca das verdades da fé, que recorre à Santíssima Virgem e se deixa conduzir por ela, corre o risco de venerá-la demasiadamente em detrimento de Nosso Senhor. A devoção mariana, esclarecida pela fé, tem um só fim: permitir maior avanço no mistério de Nosso Senhor e da Redenção. Entendia-se isso – e praticava-se – até o Concílio. Estamos perante um círculo vicioso que nos confina no absurdo: colocam-nos em guarda contra um meio supostamente abusivo para chegar ao fim, enquanto que esse meio nos foi dado justamente para o mesmo fim.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O senhor pensa que a preocupação ecumênica seja a única razão dessa iniciativa do Vaticano?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Penso que se deve levar em conta uma outra razão. As expressões incriminadas no documento romano têm relação direta com o mistério da Redenção e da graça que dela decorre. Ora, tragicamente, a noção de Redenção não é mais a mesma atualmente. As noções de “sacrifício expiatório por nossos pecados” e de “sacrifício satisfatório à justiça divina” ficam cada vez mais abandonadas. Não se aceita a ideia de um sacrifício oferecido a Deus para aplacar sua justiça. Na perspectiva moderna, Nosso Senhor realmente não precisa merecer, nem satisfazer por nossos </span><span style="color: #000000;">pecados, nem oferecer um sacrifício expiatório, pois a misericórdia de Deus não muda diante da realidade dos pecados dos homens: ela é incondicional. Deus perdoa sempre, por pura liberalidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Consequentemente, Nosso Senhor é Redentor em um sentido completamente novo: sua morte nada mais é que a manifestação última e suprema deste amor misericordioso do Pai<sup>12</sup>. Não é de surpreender se dessa deformação da Redenção, decorra inevitavelmente uma incapacidade de base para compreender como e por que a Virgem pode estar associada a Cristo por seus sofrimentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, o texto do Dicastério contém um alerta revelador: “<em>Por isso, devem-se evitar os títulos e expressões referidas a Maria que a apresentem como uma espécie de ‘para-raios’ diante da justiça do Senhor, como se Maria fosse uma alternativa necessária diante da insuficiente misericórdia de Deus.</em><em><sup>13</sup></em>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Voltemos ao conceito de “corredenção”. Para o senhor, por que ele parece tão importante?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ela é, antes de tudo, a expressão de uma evolução homogênea do dogma católico, e é considerada como uma conclusão teológica comum, ou mesmo, para alguns, como uma verdade definível como dogma de fé. Tem sua origem no próprio Evangelho e manifesta o âmbito exato da associação à obra da Redenção que Nosso Senhor desejou para sua Mãe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se trata de uma Redenção paralela, nem de algo que se agregaria à obra de Nosso Senhor, como certa caricatura quer imaginar. Trata-se meramente de uma incorporação absolutamente única à obra de Cristo, sem equivalente possível, que confere à Nossa Senhora seu lugar próprio e que tira as consequências que se impõem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Quais são os argumentos de autoridade que o texto do Dicastério utiliza?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa nota teológica cita a opinião desfavorável do Cardeal Joseph Ratzinger, que pensava que a noção de corredenção não era suficientemente enraizada na Sagrada Escritura. Contudo, não podemos esquecer que o Cardeal Ratzinger tinha, sobre o tema da Redenção, teorias não tradicionais<sup>14</sup>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a nota se fundamenta, sobretudo, sobre a autoridade do Papa Francisco. Relembramos suas palavras, tais como são citadas no texto: <em>“Maria </em>‘<em>jamais quis reter para si algo do seu Filho. Nunca se apresentou como corredentora. Não, discípula!’ A obra da redenção foi perfeita e não necessita de acréscimo algum. Por isso, ‘Nossa Senhora não quis tirar nenhum título a Jesus [&#8230;]. Ela não pediu para ser uma quase-redentora ou corredentora: não. O Redentor é um só e este título não se duplica’. Cristo ‘é o único Redentor: não existem corredentores com Cristo</em><em><sup>15</sup></em><em>’</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tais palavras são angustiantes. São uma caricatura das verdadeiras razões em que se funda a corredenção. Digamos simplesmente que não se trata de saber o que Nossa Senhora desejava ser – o que é ridículo! Trata-se de reconhecer o que a Sabedoria divina deu a Ela e o que demandou a Ela: na obra única da Redenção, coube a Ela oferecer por nós um sacrifício de conveniência enquanto Jesus Cristo satisfazia por nós em justiça estrita; por causa de sua caridade perfeita e de sua união única com Deus, coube a Ela merecer por nós o que Nosso Senhor mereceu em estrita justiça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Há ligação entre a corredenção e a mediação de todas as graças?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É evidente que existe ligação entre as duas noções: a propósito, é por essa razão que o título de “Medianeira de todas as graças” também foi posto em dúvida, porque seu uso é a partir de agora considerado como perigoso, e portanto fortemente desaconselhado, como veremos em detalhe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por causa da associação de Nossa Senhora à obra da Redenção (e porque Ela nos mereceu também – embora com título diferente – tudo o que Nosso Senhor mereceu para nós) a Virgem foi estabelecida pelo próprio Cristo como dispensadora de todas as graças assim merecidas. É o que resulta das investigações da teologia tradicional, e também do magistério de São Pio X que acabamos de relembrar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É verdade que a presente nota doutrinal não nega a possibilidade de merecimento dos santos nem da Virgem Maria. Mas, implicitamente, ela questiona a mediação universal e necessária de Maria na distribuição das graças <sup>16</sup> : “<em>Na perfeita imediatez entre um ser humano e Deus na comunicação da graça, nem mesmo Maria pode intervir. Nem a amizade com Jesus Cristo, nem a inabitação trinitária podem conceber-se como algo que nos chega através de Maria ou dos santos. Em todo caso, o que podemos dizer é que Maria deseja esse bem para nós e pede-o conosco.</em><em><sup>17</sup></em><em> […] O certo é que somente Deus justifica. Só o Deus Trindade. Somente Ele nos eleva para superar a desproporção infinita que nos separa da vida divina, só Ele atua em nós sua inabitação trinitária, só Ele penetra em nós e nos faz participar da sua vida divina. Não se honra Maria atribuindo-lhe alguma mediação na realização desta obra exclusivamente divina</em>.<sup>18</sup>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na verdade, pelas razões já dadas, a Santíssima Virgem nos mereceu não apenas algumas graças, mas todas e cada uma delas; e Ela não apenas mereceu a aplicação, mas também a aquisição, aos pés da cruz: porque é unida ao Cristo redentor no ato mesmo da Redenção aqui na terra, antes de interceder por nós no Céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por que, então, há tal cuidado contra o uso do termo “medianeira de todas as graças”? Por que esse termo é considerado incapaz de mostrar uma compreensão justa do papel da Virgem?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sobre esse ponto, podemos responder que os autores do texto têm um preconceito: eles não aceitam que Deus decidiu – e que a Tradição explicou – de modo distinto do preconceito que tem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É exato dizer que Nosso Senhor é o único mediador e que há uma única Redenção, a sua, superabundante. Mas assim como Nosso Senhor escolhe livremente os meios para realizar a Redenção – especialmente morrendo na Cruz enquanto poderia ter escolhido outro meio – assim também escolhe livremente associar sua Mãe à sua obra tal como quer. Ninguém, nem mesmo o prefeito do Dicastério, pode tirar de Nosso Senhor o poder de agir segundo a Sabedoria divina e o poder de fazer de sua Mãe a Corredentora e Medianeira Universal das graças. Nosso Senhor sabe que não retira nada de sua dignidade de Redentor agindo de tal modo. Mas a consequência dessa escolha de Nosso Senhor é clara: assim como é necessário recorrer a Ele para se salvar, assim também é necessário recorrer a sua Mãe, embora a título distinto. Não reconhecer tal necessidade significa recusar os decretos de Nosso Senhor, a Tradição da Igreja e os meios que são dados aos católicos para sua salvação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa ideia preconcebida, e mesmo essa obstinação, aparece frequentemente no texto. Limitemo- nos a algumas passagens: “<em>Se se tem em conta que a inabitação trinitária (graça incriada) e a participação da vida divina (graça criada) são inseparáveis, não podemos pensar que este mistério pode estar condicionado a uma “passagem” através das mãos de Maria</em><em><sup>19</sup></em>”; “<em>Nenhuma pessoa humana, nem sequer os apóstolos ou a Santíssima Virgem, pode atuar como dispensadora universal da graça</em><em><sup>20</sup></em>”; “<em>Por outro lado, o título antes mencionado corre o perigo de ver a graça divina como se Maria se convertesse em uma distribuidora dos bens ou energias espirituais em desconexão com a nossa relação pessoal com Jesus Cristo.</em><em><sup>21</sup></em>”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">De um ponto de vista pastoral, como o senhor julga o impacto dessas decisões do Dicastério?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Creio que as repercussões negativas serão múltiplas e catastróficas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em primeiro lugar, não devemos esquecer que Maria é o modelo perfeito da vida católica. Minimizando a associação de Nossa Senhora com a obra da Redenção, o texto minimiza o apelo feito a cada alma de entrar através da Cruz na obra da Redenção, da reparação e da santificação pessoais. Isso corresponde exatamente a uma visão protestante da vida católica, na qual não há lugar para uma cooperação na obra de Cristo que nos santifica e salva. É por essa razão que Lutero destruiu a vida religiosa, e considerava toda boa obra, e dentro disso a Santa Missa, como uma ofensa à grandeza da obra de Cristo que, sendo perfeito, não precisa de nenhuma ajuda. Toda ajuda corresponderia a uma violação de sua perfeição. Como católicos, professamos exatamente o oposto: porque a obra de Cristo é soberanamente perfeita, ela é capaz de englobar a cooperação das criaturas sem nada perder de sua própria perfeição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em segundo lugar, essas decisões do Dicastério parecem-me catastróficas no contexto atual, especialmente para a fé e a vida espiritual das almas mais simples, as mais desarmadas. Penso nas periferias sociais e morais, para usar um termo em voga no pontificado anterior. Às pessoas mais abandonadas, frequentemente nada resta exceto a Santíssima Virgem como refúgio no atual deserto. Vi com meus próprios olhos como uma devoção simples à Santíssima Virgem é capaz de assegurar salvação a almas que não conseguem nem ver um padre regularmente. É por isso que um texto do Dicastério que tem por finalidade resguardar as almas contra noções marianas tradicionais parece inominável e pastoralmente irresponsável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, nunca como hoje a Igreja teve necessidade de redescobrir as grandezas da Santíssima Virgem: perante a pressão do mundo que mergulha cada dia mais as almas na apostasia e na impureza, tais grandezas se oferecem como meio soberano de resistir a essa pressão e de permanecer fiéis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O senhor tem um conselho pastoral a dar aos autores do texto?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ideia de relembrar que Nosso Senhor é o único mediador entre Deus e os homens, e que há apenas uma verdadeira Redenção, a sua, é em si louvável e, especialmente hoje em dia, convém ser relembrada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O problema é que não é aos católicos que tal ideia deve ser dita – com o fim malicioso de colocá- los contra as interferências, ou contra uma suposta concorrência da Santíssima Virgem. Deve-se acima de tudo pregar e relembrar essa verdade aos judeus, aos budistas, aos muçulmanos, e a todos aqueles que não conhecem Nosso Senhor, fiéis não católicos ou ateus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, no dia 28 de outubro se celebrou no Vaticano o sexagésimo aniversário da promulgação de <em>Nostra Aetate</em>, o documento conciliar que é a base do diálogo com as religiões não católicas. Isso é no mínimo paradoxal, pois esse diálogo – que resultou, durante os sessenta últimos anos, em reuniões inter-religiosas patéticas – é a negação clara e explícita do fato que Nosso Senhor é o único mediador entre Deus e os homens, e do fato de que a Igreja Católica foi instituída para pregar essa verdade ao mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Em sua opinião, há alguma outra noção mariana tradicional que mereceria ser mais conhecida?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No Ofício divino da Santíssima Virgem, a liturgia a define como “aquela que esmaga todas as heresias”. Penso que essa noção mereceria ser mais aprofundada pela pesquisa teológica. É muito interessante notar como a Igreja considera Nossa Senhora como guardiã da verdade católica. Isso está diretamente ligado a seu papel de Mãe. Ela não pode gerar Nosso Senhor em cada um de nós sem nos comunicar a verdade e o amor da verdade, porque Nosso Senhor é a Verdade mesma, encarnada, manifestada aos homens. É pela fé, e na pureza da fé, que as almas são regeneradas e têm a possibilidade de crescer à imagem de Nosso Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Creio que não aproveitamos suficientemente essa ligação necessária entre a pureza da fé e a autenticidade da vida católica. Nossa Senhora, que destrói todos os erros, é a chave para compreender essa verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Para terminar essa entrevista, que oração o senhor escolheria em honra de Nossa Senhora?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Escolheria, sem hesitar, a seguinte oração, que também se encontra na liturgia: “<em>Dignare me laudare te, Virgo sacrata. Da mihi virtutem contra hostes tuos</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dignai-vos conceder-me que eu vos louve, Virgem Sagrada; dai-me força contra vossos inimigos.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Entrevista realizada em Menzingen, em 9 de novembro de 2025, na festa da Dedicação da Arquibasílica do Santíssimo Salvador</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Leia também a <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/comunicado-da-casa-geral-da-fsspx-sobre-a-nota-doutrinal-sobre-alguns-titulos-marianos-referidos-a-cooperacao-de-maria-na-obra-da-salvacao/">COMUNICADO DA CASA GERAL DA FSSPX SOBRE A “NOTA DOUTRINAL SOBRE ALGUNS TÍTULOS MARIANOS REFERIDOS À COOPERAÇÃO DE MARIA NA OBRA DA SALVAÇÃO”</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline; color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>1</sup> <em>Mater Populi fidelis, 22</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>2</sup> <em>São Boaventura, 1 Sent., d. 48, ad Litt., dub. 4</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>3</sup> Eadmeri, <em>De Excellentia Virginis Mariæ, c. IX</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>4</sup> Pio IX<em>, Bula Ineffabilis</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>5</sup> Jo 1, 16</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>6</sup> Ef. 4, 16</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>7</sup> São Bernardo, <em>Serm. De Temp., in Nativ. B. V., De Aquæductu, n. 4</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>8</sup> São Bernardino de Sena<em>, Quadrag. de Evangelio æterno serm. X, a. III, c. 3</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>9</sup> Hb 1, 3</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>10</sup> Pio IX<em>, Bula Ineffabilis</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>11</sup> Pio X, <em>Ad diem illum</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>12</sup> Trata-se, aqui, da nova doutrina do Mistério pascal, que se encontra, em particular, na base da reforma litúrgica pós conciliar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>13</sup> <em>Mater Populi fidelis, 37 b)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>14</sup> Em particular na sua obra <em>La foi chrétienne hier et aujourd’hui, </em>1968 (reeditado em 2000 com um prefácio do autor)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>15</sup> <em>Mater Populi fidelis, 21</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>16</sup> O grande erro do texto é não fazer a distinção clássica entre <em>mediação física </em>e <em>mediação moral</em>. Por <em>mediação física</em>, entende-se que Maria transmite a graça como um verdadeiro instrumento — por exemplo, como uma harpa que, tocada pelo artista, produz sons harmoniosos. Teólogos reconhecidos (Lépicier, Hugon, Bernard) atribuem à Virgem tal influência, de modo subordinado à humanidade de Cristo, insistindo neste ponto: segundo a Tradição, Maria está verdadeiramente no corpo místico como o pescoço que, unindo a cabeça aos membros, lhes transmite o influxo vital.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por <em>mediação apenas moral </em>de Maria sobre a graça, entende-se que, ao menos por sua satisfação, seus méritos passados e sua intercessão sempre atual, Maria transmite às almas, de modo universal, todas as graças que dimanam da cruz de seu Filho. Essa tese é admitida por todos os teólogos tradicionais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em ambos os casos, a mediação de Maria é querida livremente por Deus como universal e necessária.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao negar a <em>mediação física instrumental </em>de Maria e omitir sua distinção clássica da <em>mediação pelo menos moral</em>, o texto conclui indevidamente pela negação geral de toda mediação universal e necessária de Maria na dispensação das graças.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em outras palavras: pode-se discutir sobre a modalidade da mediação da Virgem, mas não sobre sua universalidade nem sobre sua necessidade de fato.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>17</sup> <em>Mater Populi fidelis, 54</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>18</sup> <em>Mater Populi fidelis, 55</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>19</sup> <em>Mater Populi fidelis, 45</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>20</sup> <em>Mater Populi fidelis, 53</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><sup>21</sup> <em>Mater Populi fidelis, 68</em></span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>SERMÃO HISTÓRICO DO PE. PAGLIARANI NA PEREGRINAÇÃO DA FSSPX A ROMA, PELO ANO JUBILAR</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Sep 2025 13:49:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[O Superior Geral da FSSPX, D. Davide Pagliarani, proferiu um sermão no Colle Oppio, composto por cinco partes, cada uma em um idioma diferente: francês, inglês, alemão, espanhol e italiano. O texto aqui apresentado contém a tradução completa. Em nome &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/sermao-historico-do-pe-pagliarani-na-peregrinacao-da-fsspx-a-roma-pelo-jubileu/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><iframe title="vimeo-player" src="https://player.vimeo.com/video/1115289919?h=90c57fd353" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O Superior Geral da FSSPX, D. Davide Pagliarani, proferiu um sermão no Colle Oppio, composto por cinco partes, cada uma em um idioma diferente: francês, inglês, alemão, espanhol e italiano. O texto aqui apresentado contém a tradução completa.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Excelências Reverendíssimas, caríssimos confrades, caras irmãs, caros fiéis,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que graça estar aqui hoje, e que alegria para todos nós!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Inicialmente, devo agradecer particularmente a todos aqueles que colaboraram, de um modo ou de outro, com a organização desta peregrinação. Não posso agradecê-los todos, mas ninguém será esquecido na Missa, tanto os leigos quanto os padres.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Também devo agradecer as famílias, que vieram de longe com crianças pequenas, por sua coragem. Deus não vai esquecê-los. Há uma graça especial ligada ao jubileu que vai marcar vossos filhos para sempre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Roma, cidade dos mártires</strong>!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por que nossa presença em Roma hoje é particularmente importante? Por qual razão?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma é, antes de tudo, a cidade dos mártires.</span><span id="more-33598"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Providência quis que nos reuníssemos e celebrássemos esta Missa a alguns metros do Coliseu, onde milhares e milhares de mártires derramaram seu sangue por Nosso Senhor. Em uma Roma, de fato, indiferente, onde todo mundo podia entrar, onde qualquer deus podia encontrar seu lugar, pediam aos primeiros cristãos, basicamente, para queimar alguns grãos de incenso. E tudo estaria resolvido… De forma alguma! De forma alguma ofender Nosso Senhor! “<em>Somente a Ele adorarás. E somente a Ele servirás</em>”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E estamos aqui, 2000 anos depois, para testemunhar a mesma fé. Esta fé que venceu o mundo. Esta fé que venceu o paganismo. Esta fé que não buscou se conformar ao mundo, mas que procurou converter o mundo. É a nossa fé, 2000 anos depois. Estamos aqui com as mesmas intenções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Defender a fé não é defender uma opinião. Defender a fé é defender Nosso Senhor, defender seus direitos, defender sua divindade. Defender a Verdade. “<em>Sou o Caminho, a Verdade e a Vida</em>”. Esta Verdade que se manifestou ao mundo… este mundo que é propriedade sua, e que não O recebeu, não O reconheceu. Contudo, “<em>aqueles que amam a Verdade me ouvem, me seguem</em>”, e eles estão dispostos a dar sua vida por mim. Eis a lição dos mártires.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E vindo aqui, a Roma, testemunhando nossa fé, o que pedimos à Igreja? O que pedimos à hierarquia da Igreja? Pedimos um privilégio? Pedimos um tratamento especial? Não.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pedimos a fé. Pedimos a fé que pedimos no dia de nosso batismo. E por uma razão muito simples: é a fé que nos dá a vida eterna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É essa fé que nos permite conhecer Nosso Senhor, amá-lo, mas também pregá-lo, fazê-lo conhecer, fazê-lo amar. Essa fé que, como se diz, não busca conhecer o mundo, não se dá como missão compreender o mundo – pois Nosso Senhor já conhece muito bem o mundo, conhece muito bem o Príncipe deste mundo. Essa fé, ao contrário, se dá como missão pregar Nosso Senhor ao mundo, para transformá-lo, para convertê-lo. Ora, estamos bem conscientes de que há uma só fé, um só batismo, um só Senhor, uma só Igreja, uma só Verdade, um único Nome dado aos homens para se salvarem. É o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eis o que queremos indicar aqui, em Roma, com essa peregrinação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E essa fé, queremo-la professada em sua integralidade. Eis o que queremos, o que desejamos, o que pedimos. Inicialmente a Deus e à Igreja. É esta a graça especial desta visita a Roma, que devemos pedir por nós todos, inclusive para as crianças: essa fidelidade inabalável a Nosso Senhor Jesus Cristo. Eis o que desejamos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Roma, cidade dos Papas!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Logo, os mártires foram as testemunhas da fé: eles selaram sua fé, a profissão de sua fé, com seu sangue… E os Papas, ao longo dos séculos, durante dois mil anos, foram os doutores dessa mesma fé.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que fizeram os Papas durante vinte séculos? Ora, Roma é a cidade dos mártires, mas também a cidade dos Papas, a sede do Papado. Como poderíamos resumir, em algumas palavras, a história dos Papas, do Papado? Tiveram apenas uma única coisa em mente; orientaram todos os seus esforços a um único propósito, um propósito muito simples: recapitular e restaurar tudo em Nosso Senhor. Eles consagraram todas as suas forças para dar a Nosso Senhor seu lugar, seus direitos. A impelir todos os homens a reconhecer os direitos de Nosso Senhor. Tal foi o propósito, o objetivo de toda a obra do Papado através dos séculos: dar a Nosso Senhor a primazia em todas as coisas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Instaurare omnia in Christo</em> foi a divisa de São Pio X. Hoje, celebramos sua Missa, e hoje também é aniversário de sua morte. Confiamos a ele todas as nossas intenções, essa peregrinação e toda a Fraternidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, essa ideia de restaurar, de recapitular tudo em Nosso Senhor, conduz a uma luta incessante: a luta contra o pecado, contra as consequências do pecado. E essa luta, esse esforço, durarão até o fim dos tempos, e devem continuar até o fim da história; só terminarão na eternidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse esforço é a repercussão, o eco, através da história, do próprio esforço de Nosso Senhor. São Paulo soube descrever em poucas palavras o sentido da história com essa ideia: a história terminará quando Nosso Senhor destruir toda a dominação e todo o poder deste mundo, submetendo tudo a Deus, o Pai. Eis o sentido da história. Esta é a obra de Nosso Senhor, e é a obra dos Papas; é a obra da Igreja; é a obra de cada um de nós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Com qual intuito? Por que tudo deve ser submetido a Deus? Por que Nosso Senhor remeterá ao Pai esse mundo totalmente submetido a Ele? Por quê? Qual é o propósito, a finalidade?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A fim que Deus seja tudo em todos”. Assim acabará a obra da Redenção: quando Deus for tudo em todos. Mas para alcançar esse propósito, devemos aceitar um combate constante com o mundo, com o Príncipe deste mundo. Vejam quanto a ideia central desse combate é clara.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não existe, no homem ou neste mundo, uma esfera independente que não esteja submetida ao Reinado de Nosso Senhor. E essa ideia moderna, revolucionária, esse modo moderno de pensar, de que haveria no homem algo que não esteja submetido à autoridade e à Realeza de Nosso Senhor, eis precisamente o que os Papas buscaram destruir, combater. Esse combate de Nosso Senhor é o nosso combate.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, no meio desse combate, temos uma certeza: apesar de todas as vicissitudes dessa luta, a vitória de Nosso Senhor é certa. Um dia ele vencerá tudo, aniquilará seus inimigos, triunfará sobre todos os obstáculos. Estamos aqui em Roma para pedir para os Apóstolos nos concederem a força que precisamos. E estamos aqui para professar nossa fé nesse ponto particular: a vitória final de Nosso Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Roma, cidade dos Apóstolos</strong>!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nossa presença em Roma por ocasião da peregrinação jubilar se reveste também de uma importância particular – a Fraternidade não poderia faltar nesse compromisso – pois Roma é a cidade dos Apóstolos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Pedro e São Paulo vieram aqui para pregar o que viram, ouviram e reconheceram. Vieram aqui para pregar Nosso Senhor. Quando chegaram em Roma, tinham uma ideia muito clara: a de converter o mundo inteiro começando por essa cidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Guiados por Jesus, os apóstolos realizaram o que parecia impossível: transformaram Roma. De mestra de todos os erros, essa cidade se tornou discípula da verdade. E é aqui, em Roma, que selaram e confirmaram sua pregação por seu sangue.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, essa pregação, que começou com eles há 2000 anos, é o que mais nos importa: é a Tradição. O que eles ensinaram foi transmitido ao longo dos séculos e chegou até nós. Se, depois de 2000 anos, ainda temos a fé, se estamos aqui hoje para celebrar essa Missa, devemos isso ao ensino deles, à perseverança e ao sangue deles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Então, nós também devemos voltar para casa com a mesma intenção que os Apóstolos: a de converter o mundo inteiro. Ainda que isso pareça impossível. Ainda que isso possa custar a perseguição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Roma, cidade da Missa!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma é a cidade dos Apóstolos, dos mártires, dos Papas… E Roma, não devemos nos esquecer, também é para nós, para cada católico, a cidade da Missa, da Missa romana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É a Igreja de Roma que guardou zelosamente, durante dois mil anos, o testamento de Nosso Senhor: a Missa de sempre. Nosso Senhor, como sabemos, entregou à sua Esposa todas as suas riquezas, todas as suas joias…  e ele se dou a Si mesmo à sua Esposa por meio da Santa Missa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Roma cristã foi reconstruída com mil igrejas, basílicas, altares… conforme uma ideia muito clara: oferecer a Deus a Vítima imaculada, oferecer a Missa, a Santa Missa. E não temos nada que nos seja mais caro senão o que a Igreja tem de mais caro: a Santa Missa. Ora, não existe nada mais precioso no mundo. Com qual zelo a Igreja e os Papas conservaram a Missa e a protegeram contra os hereges, contra os protestantes!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fé dos Apóstolos, a fé dos mártires, a fé dos Papas se exprime na Missa e se alimenta dela. E, sobretudo, a realeza de Nosso Senhor continua a se manifestar pela Santa Missa. Nosso Senhor reina pela Cruz. Ele começou a reinar pelo Calvário, e continua a reinar pelo altar, por seu Santo Sacrifício. E, manifestando seu amor pelo Santo Sacrifício, Ele continua a atrair as almas, santificá-las e uni-las a Ele. Em uma palavra, a Santa Missa é a síntese de tudo o que cremos, e ela é a fonte que confirma a fé, que a comunica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E é daqui, da cidade dos Apóstolos, que a Santa Missa foi levada aos quatro cantos do mundo, para transmitir e fazer conhecer às almas o testamento de Nosso Senhor, para que Ele reine em todo lugar e em toda alma. Ao longo de toda a história, a Santa Missa soube reunir em um único culto os mais diversos povos, sob o sinal da Cruz. Somente a Cruz é capaz de unir os mais diferentes homens, e os mais afastados uns dos outros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Toda vez que a humanidade buscou um ideal diferente da Cruz, na qual todos pudessem se reconhecer, houve um desastre. E enquanto a humanidade buscar outros ideais, ela sempre encontrará a guerra. E a razão é óbvia: não existe nada no mundo capaz de unir os diferentes povos além de Nosso Senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E isso por duas razões: por um lado, a um único Deus corresponde um único culto. Do outro, o denominador comum de todos os homens é o pecado. É a única coisa que todos os homens, por mais diferentes que sejam, têm em comum. Certamente, não é no pecado que eles podem encontrar a unidade, mas no meio capaz de destruir o pecado, de remediá-lo. Aí, sim, eles podem encontrar a unidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aproveitemos essa peregrinação para pedir à Santíssima Virgem para nos obter a graça de penetrar sempre mais, mais profundamente, no mistério da Santa Missa. Para aprofundar esse mistério, e apreciá-lo, amá-lo e guardá-lo como ela o amou, apreciou e guardou. Com a mesma fé, a mesma gratidão, a mesma caridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Roma, cidade de esperança</strong>!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, Roma não deve ser para nós apenas a cidade do passado, a cidade cheia de monumentos cristãos que nos levam a reconhecer a grandeza do passado da Igreja. Roma é muito mais do que isso. Para nós, Roma é a cidade da esperança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nossa esperança repousa aqui, sobre os túmulos de São Pedro e de São Paulo. É uma questão de fé. Se viemos aqui hoje é para professar essa fé na indefectibilidade da Igreja, construída sobre a fé dos Apóstolos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E sabemos muito bem que Nosso Senhor nunca abandona sua Igreja. Nosso Senhor cumpre todas as suas promessas: “Estarei convosco até o fim dos tempos, e as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja romana”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus jamais nos abandona. Independente da provação, independente da catástrofe que a Igreja possa conhecer, ela sempre terá uma graça proporcional para superá-la. A Igreja é divina e romana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao longo de sua longa história, a cidade de Roma foi invadida, ocupada, pilhada, incendiada… porém ela sempre se levantou, ela sempre foi reconstruída. É por isso que a chamam de eterna. É, de algum modo, a imagem material da Igreja: ela também foi pilhada, incendiada, limitada, combatida, sacudida… mas ela sempre se levanta, porque é eterna e divina, e porque Nosso Senhor a sustenta. Sobretudo nos momentos de provação, nos momentos de crise.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor utiliza uma imagem ainda mais expressiva: a da vinha. Para dar frutos, ela deve ser cortada, podada. Uma vinha podada se parece a um tronco seco, sem vida. Ela deve passar pela provação, pelo sofrimento. E quanto mais uma vinha é deixada em um terreno árido, pedregoso, mais ela é capaz, paradoxalmente, de produzir um bom vinho. O bom vinho não vem de um solo úmido, mas de um solo rochoso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta é precisamente a imagem que Nosso Senhor utiliza, no Evangelho, para manifestar o que é a Igreja. E à essa vinha – que é Nosso Senhor em si, visto que a Igreja é o Corpo Místico de Nosso Senhor – devemos sempre permanecer fiéis, unidos, em meio a todas as provações, a todas as dificuldades, apesar do desencorajamento. Eis porque estamos aqui hoje: para pedir a graça dessa fidelidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Roma, cidade mariana!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma é, enfim, uma cidade mariana por excelência, e não poderia ser de outra forma. A primeira igreja que foi aberta ao público, assim que foi possível, ainda nos primeiros séculos – e não foi por acaso – foi, parece, Santa Maria do Trastevere, a mais antiga igreja dedicada à Virgem Maria em Roma. Foi a primeira igreja a ser aberta ao público.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há algo de providencial nesse acontecimento: ele manifesta o papel único da Santa Virgem na proteção e condução da Igreja, assim como na proteção e condução de cada um de nós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Toda essa peregrinação é dirigida à Santíssima Virgem com uma intenção particular, a das vocações. Queremos consagrar todo o ano jubilar a Nossa Senhora das Dores, para agradecê-la por todas as vocações que ela tem enviado à Fraternidade, para pedir-lhe para continuar a abençoar a Fraternidade São Pio X, assim como todas as congregações religiosas associadas a ela, com numerosas vocações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não esqueçamos de agradecê-la a um título particular: atrás de cada vocação há, necessariamente, a mão, a intervenção de Nossa Senhora. É ela quem faz nascer em uma alma o desejo de imitar Nosso Senhor, reproduzi-Lo, reproduzir suas virtudes e se assemelhar a Ele tanto quanto possível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma graça eminentemente mariana – pois é uma graça eminentemente materna – fazer nascer Nosso Senhor nas almas. Logo, é com gratidão que lhe consagramos essa peregrinação e todas as nossas orações, os nossos esforços, as nossas boas resoluções para esse ano jubilar. Consagramos-lhe o presente da Fraternidade São Pio X, e consagramos-lhe seu futuro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim como Nossa Senhora jamais abandonou nenhum de nós até o momento, temos a certeza de que ela jamais nos abandonará, e isso nos enche de alegria, confiança e esperança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.</em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>CARTA DO SUPERIOR GERAL AOS AMIGOS E BENFEITORES N° 94 &#8211; O PAPEL DO PAI DE FAMÍLIA NO SURGIMENTO DAS VOCAÇÕES</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jun 2025 13:05:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Sacerdócio]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[Prezados fiéis e, em particular, queridos pais de família, Como sabem, quisemos dedicar este Ano Santo às orações e aos esforços necessários para atrair as vocações. Ora, não se pode falar do nascimento de uma vocação sem falar da família. &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/carta-do-superior-geral-aos-amigos-e-benfeitores-n-94-o-papel-do-pai-de-familia-no-surgimento-das-vocacoes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/maison-generale/sup_gen_lab_94_2025.jpg?itok=zy3HjB0W" alt="" width="453" height="258" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Prezados fiéis e, em particular, queridos pais de família,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como sabem, quisemos dedicar este Ano Santo às orações e aos esforços necessários para atrair as vocações. Ora, não se pode falar do nascimento de uma vocação sem falar da família. Mesmo Nosso Senhor, sacerdote por excelência desde o momento de sua encarnação, quis crescer no seio de uma família para santificá-la de um modo particular e exemplar. Evidentemente, o exemplo das virtudes domésticas é, de certa forma, o primeiro seminário e noviciado de toda alma a quem Deus chama ao seu serviço.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Gostaríamos de dedicar essas poucas reflexões ao papel mais específico do pai de família. No mundo moderno, tudo contribui para a destruição de sua autoridade. Contudo, ainda mais hoje, sua responsabilidade e sua missão são cada vez mais distorcidas devido ao que denominam, para simplificar, de &#8220;wokismo&#8221; contemporâneo. Homens e mulheres, maridos e esposas parecem agora ter papéis idênticos e responsabilidades equivalentes, o que cria uma confusão total e uma atmosfera envenenada. As primeiras vítimas dessa terrível confusão são aquelas que deveriam ser educados para se tornarem adultos e assumirem eles mesmos, um dia, suas próprias responsabilidades. Aqui, novamente, somente o Evangelho pode restaurar a ordem que a modernidade destruiu.</span><span id="more-33112"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><u>O Ponto de Partida</u></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Consequentemente, que conselho podemos dar a um pai que deseja educar corretamente seus filhos e, se for da vontade de Deus, permitir que uma ou mais vocações floresçam em sua família? Em primeiro lugar, não se trata simplesmente de fazer isso ou aquilo, nem de evitar tal ou tal coisa. Trata-se, principalmente, de uma questão de viver habitualmente em um espírito de fé e caridade, pois a vocação é uma resposta ao chamado de Deus que pressupõe uma perspectiva sobrenatural e, ao mesmo tempo, uma generosidade ilimitada para dar ao Bom Deus tudo o que se é. Essas disposições habituais vão surgir, naturalmente, de ações e comportamentos correspondentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">São Paulo nos dá a chave para entender por onde começar. É obrigação do marido amar sua esposa com o mesmo amor que Nosso Senhor demonstrou para com sua Igreja: &#8220;<em>Maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e por ela se entregou a si mesmo, para a santificar, purificando-a no batismo da água pela palavra, para apresentar a si mesmo esta Igreja gloriosa, sem macula, nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e imaculada</em>.&#8221; (Ef 5,25-27).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É evidente que o amor à esposa também tem um impacto direto sobre os filhos. É, antes de tudo, observando como seu pai ama e trata sua mãe que um adolescente descobre — muito mais do que se pode imaginar — qual é a imagem da generosidade e do amor de Nosso Senhor sobre a terra. Se um dia Deus chamá-lo ao seu serviço, ele próprio deverá ser, de um modo ainda maior e muito diferente, a imagem do mesmo amor e da mesma autoridade. Busquemos, portanto, ver o que o amor do pai significa em relação à sua esposa e a Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O verdadeiro amor, que é a base deste grande ideal que Nosso Senhor comunica a todo pai, pode ser reduzido a três atos fundamentais, aos quais todos os outros podem ser equiparados. Inicialmente, o amor pressupõe um profundo conhecimento da pessoa amada: nós o vemos, o contemplamos, o admiramos. Depois, o amor condiciona completamente a maneira como tratamos a pessoa amada: ele inspira um profundo respeito, proporcional ao grau de amor. Por fim, o verdadeiro amor nos leva a agir com absoluta devoção e espírito de serviço.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><u>A Admiração</u></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em primeiro lugar, o marido deve admirar sua esposa como aquela que Deus desejou e escolheu para ele, para ser a mãe de seus filhos e a auxiliadora única e insubstituível para apoiá-lo, tanto em sua missão como chefe de família quanto na santificação de sua alma. A esposa é vista e admirada, antes de tudo, como um dom de Deus, dotada de qualidades que a capacitam para cumprir sua missão de esposa e mãe ao lado dele.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim, por meio dela, a admiração do marido naturalmente se estende ao plano de Deus sobre a família, às leis divinas e, finalmente, ao próprio Deus e à sua sabedoria. Essa perspectiva transcendente deve se aprofundar cada vez mais com o passar dos anos. Não há nada que marque mais a alma de uma criança ou de um adolescente do que crescer com esse exemplo diante dos olhos: ele permite se tornarem cada vez mais conscientes de seu lugar no plano de Deus, ao mesmo tempo muito humildes e muito dependentes, e compreenderem que, apesar disso, são chamados por Deus para coisas grandiosas, na medida exata dessa dependência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Obviamente, essa dimensão de admiração deve ser comunicada à criança não apenas no âmbito natural, em relação à grandeza e à perfeição das leis da criação, mas, sobretudo, em tudo o que diz respeito aos mistérios de Deus e da religião. Tocamos aqui diretamente no fruto da graça sacramental do matrimônio, que confere ao matrimônio cristão uma dimensão completamente estranha ao casamento puramente natural. Com muita frequência, os mistérios de Deus e os deveres da religião caem na tibieza, porque são vividos de forma rotineira e passiva, sem nenhum esforço de vivacidade por parte do pai. Não é de se admirar se a mesma passividade e falta de entusiasmo forem encontradas nas crianças. De fato, a falta de admiração nos impede de ter um ideal, e de viver de acordo com ele para comunicá-lo. O que deveria ser um ideal se transforma, então, em algo abstrato, uma noção suplementar a ser aprendida e memorizada, porém incapaz de se dedicar de todo seu coração, ocupado em outro lugar. Um pai que conhece e vive as verdades da fé, que fala a seus filhos sobre o catecismo, sobre o exemplo dos Santos, sobre o amor de Nosso Senhor, nutre constantemente em si mesmo, e nos que o cercam, o ideal ao qual tudo deve estar concretamente ligado. Nestas circunstâncias, encontrará facilmente assuntos sempre interessantes e ajudará seus filhos a escaparem das armadilhas onipresentes da banalidade e da vulgaridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, mais uma vez, é extremamente impressionante notar como, a uma esposa admirada de modo cristão, corresponde um Deus buscado e contemplado: não há nada mais eficaz para a formação moral de um adolescente do que ver esses dois atos de amor se complementarem harmoniosamente na pessoa de seu pai.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O respeito</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois, o verdadeiro amor engendra o respeito. Uma criança respeitará sua mãe se ela ver seu pai fazer o mesmo. Esse respeito da parte do pai impregna todas as suas relações com sua esposa, o modo de lhe falar, de falar dela, de considerá-la, de tratá-la. Não se trata pura e simplesmente de bons modos ou de um tipo de polidez conjugal unicamente formal. Trata-se, pelo contrário, da expressão externa de um amor profundo que condiciona espontaneamente toda a relação. Evidentemente, esse respeito profundo encontra na pureza, ao mesmo tempo, seu fundamento e sua expressão mais elevados. É impossível amar sua esposa como Nosso Senhor amou sua Igreja se isso não ocorrer, inicialmente, na pureza. Não existe nada como essa virtude que torna a vida conjugal sadia e que manifesta, infalivelmente, o respeito devido à esposa. Isso condiciona o linguajar, as atitudes do dia a dia. Força o pai à vigilância para afastar do lar tudo o que poderia, de algum modo, arruinar essa atmosfera de respeito e de pureza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo isso, evidentemente, deve ser, com muito mais razão, o fundamento da relação de uma família diante de tudo o que é sagrado: a lei de Deus, suas exigências, os deveres que resultam delas e, particularmente, a relação com as pessoas consagradas. Não há nada mais eficaz para destruir futuras vocações que a falta de respeito com as coisas e pessoas sagradas. Desde sempre, a Revolução tenta desacreditar a Igreja e ridicularizar seus mistérios explorando ao máximo as falhas de seus membros. É uma tática que, infelizmente, sempre funciona. Ela deve sua eficácia a essa associação diabólica e impactante entre o sagrado e o que há de repreensível no ser humano. Não se deve ceder a essa anomalia, introduzindo em um espírito crítico que provocará feridas ocultas, mas irremediáveis nas crianças. Essas feridas, com efeito, vão alimentar a indiferença ou mesmo a desconfiança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Guardar o respeito por tudo o que é sagrado – pessoas e coisas – não significa justificar as fraquezas e os deficiências. Significa simplesmente amar a Igreja como Nosso Senhor a ama: pelo que ela é, e por quem, nela, continua a santificar e salvar as almas, apesar das falhas demasiada humanas de seus membros, e apesar dos esforços de seus inimigos para impedir sua obra. Trata-se aqui de um ponto extremamente importante e delicado, sobre o qual um pai de família deve sempre vigiar e se autoexaminar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Naturalmente, respeitar tudo o que é sagrado não significa, outrossim, se abster simplesmente de criticá-lo ou desprezá-lo. Trata-se, para um pai de família, de mostrar positivamente uma obediência incondicional, alegre e sincera às leis de Deus e da Igreja, eco fiel de Nosso Senhor que obedece, sempre e em tudo, ao seu Pai. Muito mais: para ele, trata-se não somente de dar exemplo, mas de conseguir arrastar paternalmente a isso os outros membros de sua família. Sua autoridade lhe é confiada neste propósito: fazer respeitar a ordem sagrada estabelecida por Deus, com uma doce intransigência, tendo a consciência de se mostrar, assim, à altura da missão da qual ele é investido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A devoção</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enfim, o amor verdadeiro conduz à devoção. No sentido pleno e cristão do termo, devoção significa algo muito preciso: o dom de si. É a isso que ela conduz. Mais uma vez, inicialmente, é diante de sua esposa que um pai de família deve ser capaz de mostrar essa generosidade. Ele não faz cálculos, ele se devota de boa vontade junto àquela que lhe é confiada, ele aceita generosamente seus limites, seus defeitos, suas fraquezas, sem cair no amargor e nas recriminações. Nada na vida familiar o induz à decepção, pois tudo é aceito e vivido como um dom de Deus. Amor e egoísmo são dois termos radicalmente contrários. Novamente, Nosso Senhor é o exemplo perfeito do Esposo que, por primeiro, amou a Igreja, sem nenhum cálculo e sem outro propósito senão purificá-la, enriquecê-la moralmente e salvá-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na vida cotidiana, esse devotamento vai se revestir de mil formas diferentes, conforme as circunstâncias extremamente variadas, mas sempre em nome da mesma caridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Obviamente, essa devoção do pai de família deve se traduzir especialmente nos atos que resultam da virtude de religião, dentro e fora da família. As aplicações são múltiplas, e gostaríamos de sublinhar uma em particular: é a oração comum em família. Muito frequentemente, isso é negligenciado. Muito frequentemente, é considerado como sendo uma tarefa, a princípio, da mãe, à qual os outros membros da família se associam. Isso é falso e constitui uma falta grave para um pai de família. Não há nada mais necessário e mais comovente para uma criança que ver seu pai voltar do trabalho e se colocar de joelhos, no meio de seus filhos, com seu terço nas mãos. De modo natural, ele será levado a seguir seu exemplo durante toda a sua vida, sobretudo no meio das provações e nos momentos de cansaço. Se Deus chamá-lo, ele estará pronto para responder.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O espírito de sacrifício</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se pode perseverar cotidianamente na oração em família sem um verdadeiro espírito de sacrifício. À noite, todo mundo ainda tem algo para fazer e está cansado, salvo, talvez, as crianças pequenas que ainda não sabem realmente rezar, mas que correm por toda parte até a hora de dormir. Em um bom pai, o espírito de sacrifício o estimula. Ele ama demais sua esposa, seus filhos, seu Deus, para se entregar. Ele não aceita entregar os pontos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sua generosidade o leva a se comprometer, outrossim, tanto quanto pode, a ajudar a paróquia e, mais comumente, todos aqueles aos quais ele pode contribuir com algo, mesmo fora de sua família. Não se trata de empreender grandes obras. Trata-se, simplesmente, de estar disposto a oferecer um pouco de seu tempo e de seus talentos, frequentemente de modo discreto. Inevitavelmente, os primeiros a se beneficiar dessa generosidade que se exprime fora da família são, na realidade, os próprios filhos. Eles têm debaixo dos olhos o exemplo de um bom pai que, sem deixar lhes faltar nada, encontra os recursos para irradiar e se sacrificar fora de sua família. Esse exemplo os prepara para praticar a mesma generosidade, independente do caminho que Deus lhes tiver escolhido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O que nos diz o Magistério da Igreja</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Papa Pio XI, mais do que qualquer outro, soube valorizar o papel insubstituível da família no desabrochar das vocações. Eis, a título de conclusão, o que ele nos ensina em sua encíclica <em>Ad catholici sacerdotii</em>, de 20 de dezembro de 1935: “O primeiro e mais natural jardim onde devem, como que espontaneamente, germinar e desabrochar as flores do santuário é sempre a família verdadeiramente e profundamente cristã. A maioria dos bispos e sacerdotes “dos quais a Igreja proclama o louvor” (Ecl. 44, 15) deve a origem de sua vocação e de sua santidade aos exemplos e às lições de um pai repleto de fé e de virtude varonil, de uma mãe casta e piedosa, de uma família na qual, com a pureza dos costumes, reinava soberanamente a caridade por Deus e pelo próximo. […]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando, em uma família, os pais, a exemplo de Tobias e de Sara, pedem a Deus uma posteridade numerosa na qual o nome do Senhor seja bendito pelos séculos dos séculos (Tb 8, 9), e eles a recebem com gratidão, como um dom do céu e um depósito precioso; quando eles se esforçam para inculcar em seus filhos, desde os tenros anos, o santo temor de Deus, a piedade cristã, uma terna devoção a Jesus Eucarístico e à Virgem Imaculada, o respeito para com os lugares e as pessoas sagradas; quando, por sua vez, os filhos veem em seus pais o modelo de uma vida de honra, de trabalho e de piedade; quando os veem se amar santamente no Senhor, se aproximar frequentemente dos sacramentos, obedecer não somente à lei eclesiástica da abstinência e do jejum, mas, além disso, ao espírito cristão da mortificação voluntária; quando eles os veem rezar no lar, reunindo à sua volta toda a família, afim que a oração em comum suba mais agradável ao céu; quando eles os sabem compassivos com as misérias do próximo e os veem compartilhar com os pobres sua riqueza ou seu módico ter, é muito difícil que, enquanto todos os filhos se esforcem para seguir o exemplo dos pais, não haja no mínimo um dentre eles que não ouça no fundo do coração o chamado do Mestre divino: “Venhas, siga-me” (Mt 19, 21); “farei de ti pescador de homens (Mt 4, 19)”.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus vos abençoe!</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>M<span style="color: #000000;">enzingen, 8 de junho de 2025, Festa de Pentecostes</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Padre Davide Pagliarani, Superior Geral</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/publications/carta-do-superior-geral-aos-amigos-e-benfeitores-ndeg-94-52920">FSSPX</a></span></strong></span></p>
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		<title>DA VISITA DO PADRE PAGLIARIANI AO BRASIL</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/da-visita-do-padre-pagliariani-ao-brasil/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 May 2025 17:37:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=33027</guid>
		<description><![CDATA[Fonte: de nosso amigo João Pedro Bertoni Nesta quinta-feira, primeiro de maio, dia de São José, recebemos, aqui em Itatiba, a visita do superior-geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, padre Davide Pagliarani.O evento começou com uma Missa Solene, como que &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/da-visita-do-padre-pagliariani-ao-brasil/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/06/img_6392-01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-24130" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2021/06/img_6392-01.jpg" alt="img_6392-01" width="800" height="450" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: de nosso amigo <a href="https://www.facebook.com/share/p/15tGcH4Ex3/">João Pedro Bertoni</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><br clear="none" /><span style="color: #000000;">Nesta quinta-feira, primeiro de maio, dia de São José, recebemos, aqui em Itatiba, a visita do superior-geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, padre Davide Pagliarani.</span><br clear="none" /><br clear="none" /><span style="color: #000000;">O evento começou com uma Missa Solene, como que consagrando já o local, que será, em breve, a nova escola da FSSPX aqui no estado de São Paulo. Vieram cerca de dez sacerdotes para a parte da manhã (padre Montagut, padre Jean-François Moroux, Dom Lourenço, etc.). Além de toda a beleza de uma Missa Solene, contamos também com um coro (de homens e mulheres) completo, que foi assistido o tempo todo pelo padre Carlos Herrera e pelo padre Cormack.</span><br clear="none" /><br clear="none" /><span style="color: #000000;">O padre Pagliarani, então, em sua homilia, falou das três principais virtudes de São José: de sua pureza, da virtude da oração (e de seu silêncio) e da virtude da paternidade em si mesma. Apesar de falar espanhol, creio que todos os que estavam ali puderam compreendê-lo bem. Esta homilia foi, especialmente, direcionada aos pais de família, para que estes tenham sempre como exemplo São José e suas virtudes.</span><span id="more-33027"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À tarde, o padre Pagliarani deu uma conferência, que foi dividida em duas partes: na primeira parte, tivemos um resumo do papado de Francisco, com excelentes explicações sobre o entendimento de nosso último papa acerca do sensus fidei, da sinodalidade, das &#8220;novas verdades&#8221; e da &#8220;nova moral&#8221; (e dos consequentes atos abomináveis e contrários aos ensinamentos bimilenares da igreja) e desta &#8220;nova forma&#8221; de Magistério, que se vem dando desde o Concílio Vaticano II. O padre também expôs alguns fatos ocorridos e outros fatos que provavelmente terão lugar em Roma, conforme os planos de Francisco, e talvez também de seu sucessor: cardeais pedindo perdão por &#8220;pecados contra o mundo&#8221; (como cortar árvores, por exemplo), por &#8220;pecados passados da igreja&#8221; (como apoiar aqueles que defenderam sua pátria), além da organização de um jubileu para um grupo de homossexuais militantes para este ano de 2025. Na segunda parte da conferência, tivemos algumas explicações acerca da posição da Fraternidade com relação a Roma: como não podia ser diferente, o padre falou de Dom Lefebvre e justificou o estado de necessidade para os atos de nossos padres e bispos dizendo: &#8220;é direito de todo católico receber, após o batismo, a fé, a comunicação da verdade, a verdadeira doutrina e os sacramentos, sem que haja dúvidas de sua validade. Será que isto acontece nas paróquias do mundo de hoje?&#8221;. Tratou também da situação dos institutos Ecclesia Dei (comunidade que já não existe mais), dizendo que foram criados justamente como uma &#8220;alternativa&#8221; à Fraternidade, para afastar os fiéis da íntegra tradição: &#8220;Estes institutos têm &#8216;certa&#8217; liberdade de ministrar os sacramentos da forma tradicional , mas não total, não irrestrita. Podem ensinar a doutrina de sempre, mas não podem criticar o Concílio. Podem celebrar a missa de sempre, mas, uma vez por ano, alguns têm de celebrar a missa nova&#8230;&#8221;. Além do mais, alguns cardeais (incluindo Pietro Parolin) pensam que este tempo de tolerância à tradição já se esgotou, e que os sacramentos, da forma como os recebemos durante dois milênios de igreja, já não devem ser mais transmitidos assim. Haverá, então, uma (e somente uma) nova forma permitida de celebrar o Sacrifício da Missa (não mais duas, como quis Bento XVI com sua hermenêutica da continuidade, colocando os dois ritos lado a lado como se fossem apenas formas diferentes de &#8220;celebrar um mesmo culto&#8221;). </span><br clear="none" /><br clear="none" /><span style="color: #000000;">Ao final, o padre deixou os fiéis perguntar o que quisessem. No começo, houve certa timidez dos fiéis para ser o primeiro. Então, tomando o microfone, o padre Montagut disse: &#8220;ninguém vai perguntar das sagrações episcopais?&#8221;. Todos riram e as perguntas começaram. Muitos perguntaram acerca dos planos da Fraternidade para as tratativas com Roma e com o novo papa, de uma possibilidade de nova excomunhão, da situação canônica em que estamos e das possíveis perseguições. Resumindo as respostas do padre Pagliarani, a Fraternidade continuará seguindo os passos de Dom Lefebvre. Os bispos e padres da Fraternidade apresentarão, sim, seus planos e seus motivos de agir de tal modo à Roma, ao novo papa, mesmo que nossa situação canônica seja <i>inexistente</i> (nas palavras do próprio padre), e um dia, caso tudo continue como está (ou piore), haverá novas sagrações, assim como o fez Dom Lefebvre. Aos brasileiros, o padre disse estar muito feliz com nosso crescimento e que &#8220;merecemos&#8221; [sic] mais sacerdotes, salientando que, no próximo mês, poderá haver uma surpresa para nós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para tranquilizar todos os fiéis acerca de nossa situação, o padre concluiu com as seguintes palavras: &#8220;reúnam-se em oração, pois se Deus os chamou à tradição, Ele não vai deixá-los sem os meios para a salvação&#8221;</span>.</p>
<p style="text-align: justify;">
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